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Obra “Texto original: SCOTT, Joan.

“Gender: A Useful Category of Historical


Analysis”. Gender and the Politics of History. New York: Columbia University
Press. 1989. Tradução de Christine Rufino Dabat e Maria Betânia Ávila,
gentilmente autorizada por Joan W. Scott. Revisão do português: Marcela
Heráclio Bezerra.”

Objetivo Em "Gênero: uma categoria útil para a análise histórica", Joan Scott discorre
sobre a utilidade da perspectiva de gênero nos estudos históricos. Para isso
dialoga com os pressupostos do marxismo e da psicanálise dentro dos
estudos feministas. Propõe a radicalização do gênero como categoria de
análise, revelando sua relação inerente com o poder e como sentido
construído socialmente.

Introdução Scott inicia discorrendo sobre a variedade de sentidos que podem ter as
(p. 9-12). palavras no contexto sociocultural, o que incapacita acadêmicos ou
dicionários de limitar ou mobilizar suas definições. No que se relaciona a
palavra ​gênero​, "as feministas começaram a utilizar [...] mais seriamente, no
sentido mais literal, como uma maneira de referir-se à organização social da
relação entre os sexos" (p.10). Consiste numa ​"rejeição ao determinismo
biológico implícito no uso de termos como 'sexo' ou 'diferença sexual'. O
gênero sublinhava também o aspecto relacional das definições normativas
das feminilidades​" (p.10). As pesquisadoras feministas não se interessavam
apenas em "incluir" as mulheres na história, conjuntamente esperavam "uma
reavaliação crítica das premissas e critérios do trabalho científico existente​".
“[...] levavam cientificamente em consideração o fato de que as
desigualdades de poder estão organizadas segundo, no mínimo, estes três
eixos”: classe, gênero e raça (p.11). No entanto, ​“Como é que o gênero
funciona nas relações sociais humanas? Como é que o gênero dá um sentido
à organização e à percepção do conhecimento histórico?​” (p.13).

I​ ​(p.13-26). I - ​Duas abordagens seriam mais utilizadas pelos(as) pesquisadores(as),


segundo Scott. “A primeira é essencialmente descritiva, isto é, ela se refere à
existência de fenômenos ou realidades sem interpretar, explicar ou atribuir
uma causalidade. O segundo uso é de ordem causal, ele elabora teorias
sobre a natureza dos fenômenos e das realidades, buscando entender como
e porque aqueles tomam a forma que eles têm” (p.13). “No seu uso descritivo,
o ‘gênero’ é, portanto, um conceito associado ao estudo das coisas relativas
às mulheres​. O ‘gênero’ é um novo tema, novo campo de pesquisas
históricas, ​mas ele não tem a força de análise suficiente para interrogar (e
mudar) os paradigmas históricos existentes” (p.15). As diferentes abordagens
que tentavam solucionar esse problema são resumidas em três por Scott: “A
primeira, um esforço inteiramente feminista que tenta explicar as ​origens do
patriarcado​. A segunda se situa no seio de uma ​tradição marxista e procura
um compromisso com as críticas feministas. A terceira, fundamentalmente
dividida entre o pós-estruturalismo francês e as teorias anglo-americanas das
relações de objeto, inspira-se nas várias ​escolas de psicanálise para explicar
a produção e a reprodução da identidade de gênero do sujeito” (p.16).
-Patriarcardo: “As teóricas do patriarcado concentraram sua atenção na
subordinação das mulheres e encontraram a explicação na ​‘necessidade’ do
macho dominar as mulheres” (p.16). Por resumir a dominação das mulheres
pelos homens às suas características físicas, segundo Scott, essa análise é
universal e imutável, negando a “construção sócio-cultural - e portanto, a não
historicidade do gênero em si” (p.17).
-​Marxistas​: Para essa corrente, “A reificação sexual é o processo primário da
sujeição das mulheres. Ele alia o ato à palavra, a construção à expressão, a
percepção à coerção e o mito à realidade” (p.16). Nesse caso, “a exigência
de encontrar uma ​explicação ‘material’ para o gênero limitou ou pelo menos
atrasou o desenvolvimento de novas direções de análise”, assim, o
patriarcado esta sempre se desenvolvendo e mudando como uma função das
relações de produção” (p.18).
-Psicanalíticas​: “