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Aula 01

Direito Tributário p/ PGE-SP (Procurador do Estado) - Com videoaulas

Professores: Gabriel Ulbrik, Mário de Godoy

00732248124 - VIVIANE PATRIOTA LEAL BASTOS


DIREITO TRIBUTÁRIO - PGE-SP
Aula 01 – Profs. Gabriel Ulbrik e Mário de Godoy

AULA 01
SISTEMA CONSTITUCIONAL TRIBUTÁRIO. PRINCÍPIOS
CONSTITUCIONAIS TRIBUTÁRIOS.

Sumário
Sumário .................................................................................................. 1
1 - Considerações Iniciais .......................................................................... 2
2 - Princípios Constitucionais Tributários. ..................................................... 2
2.1 - Introdução .................................................................................... 2
2.2 – Legalidade Tributária ...................................................................... 3
2.2 - Isonomia ....................................................................................... 9
2.3. - Da Não surpresa ......................................................................... 12
2.4 - Vedação ao confisco ..................................................................... 18
2.5 - Não limitação ao tráfego de pessoas e bens. .................................... 19
2.6 - da Uniformidade Geográfica........................................................... 20
2.7 - Uniformidade da tributação da renda e dos títulos da União ............... 21
2.8 - Vedação à isenção heterônoma ...................................................... 21
2.9 - Não discriminação de procedência ou destino. ................................. 23

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AULA 01 - SISTEMA CONSTITUCIONAL


TRIBUTÁRIO. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS
TRIBUTÁRIOS.
1 - Considerações Iniciais
Olá queridos alunos e alunas, hoje a aula é sobre o segundo tópico do edital:
“Sistema Constitucional Tributário. Princípios Constitucionais Tributários.”.
O Sistema Constitucional Tributário é o Sistema Tributário Nacional inserido no
Título VI da CF e estabelecido no Capítulo I, que contém seis seções. Dentre essas
seções, encontra-se a “Seção I - DOS PRINCÍPIOS GERAIS”.
A Seção II, das Limitações do Poder de Tributar, refere-se a os outros dois
próximos tópicos e aulas: Competência Tributária, aula 02, e Imunidade, aula 03,
enquanto que as demais espécies de tributos foram tratadas na aula 00 e os
impostos estaduais serão mais detidamente analisados e estudados nas
respectivas aulas sobre ICMS, IPVA e ITCMD, aulas 11 a 14.
Boa a aula a todos!

2 - Princípios Constitucionais Tributários.


2.1 - Introdução
Os princípios constitucionais tributários são, inicialmente, os princípios previstos
no art. 150 da CF, quais sejam: 1) Legalidade Tributária; 2) Isonomia 3) da Não
surpresa, subdivida em 3.1) Anterioridade; 3.2.) Irretroatividade; 4) Vedação ao
confisco e 5) Não limitação ao tráfego de pessoas e bens. Adicionalmente, há
outros princípios previstos em outros dispositivos constitucionais que não o art.
150, como o 6) da Uniformidade Geográfica; 7) da Uniformidade da tributação
da renda e dos títulos da União; 8) Vedação à isenção heterônoma e 9) Não
discriminação de procedência ou destino.
Princípios estabelecem segurança jurídica e garantias ao contribuinte. Apesar de
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estarem majoritariamente no art. 150 e no Capítulo I do Título IV “Sistema


Tributário Nacional”, as garantias ao contribuinte não se resumem a essa parte
da Constituição.

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O art. 5º, XXXIV1, estabelece imunidade de taxas para o direito de petição e a


obtenção de certidões em repartições públicas. E o § 2º do art. 5º 2 ainda lembra
que os direitos e garantias expressos na Constituição não excluem outros direitos
e garantias previstos em Tratados Internacionais que o Brasil seja parte.
Na prova:
“Os princípios constitucionais tributários e garantias ao
contribuinte estão previstos somente no Capítulo do
Sistema Tributário Nacional” FALSO.
“Os princípios constitucionais tributários e garantias ao contribuinte estão
previstos somente no art. 150 da Constituição” FALSO.
Registra-se a diferença entre princípio e regra. Se forma simples, pois esse
postulado será mais detidamente analisado no Direito Constitucional.
A regra é mais objetiva: ou se aplica ou não se aplica. Já o princípio é mais
subjetivo: se pondera. Entretanto, apesar da subjetividade que lhe é inerente, o
princípio estabelece as raízes do sistema jurídico, por isso é mais grave violar um
princípio do que uma regra.
Segundo Barroso, “Os princípios consubstanciam as premissas básicas de uma
dada ordem jurídica, irradiando-se por todo o sistema3. Elas indicam o ponto de
partida e os caminhos a serem percorridos.”. Por isso, conforme a doutrina de
Celso Antônio Bandeira de Melo, “Violar um princípio é muito mais grave do que
transgredir uma norma. A desatenção ao princípio implica ofensa não apenas a
um específico mandamento obrigatório, mas a todo o sistema de comandos.”.
Desses excertos podemos extrair a importância dos princípios.

2.2 – Legalidade Tributária


Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União,
aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:
I - exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça;

O princípio da legalidade tributária é similar ao princípio da legalidade no Direito


Penal, que diz que não há crime sem lei anterior que a defina. Para a imposição
de tributos, de forma compulsória ao contribuinte, ingressando e interferindo no
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patrimônio do cidadão, é necessário o mínimo de segurança jurídica, que é a Lei,


nos conformes do que dispõe o art. 5º, inciso II da CF: “ninguém será obrigado
a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei”. Então, para o

1
CF, art. 5º (...) XXXIV - são a todos assegurados, independentemente do pagamento de taxas:
a) o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direitos ou contra ilegalidade ou abuso
de poder;
b) a obtenção de certidões em repartições públicas, para defesa de direitos e esclarecimento de
situações de interesse pessoal;
2
Art. 5º (...) § 2º Os direitos e garantias expressos nesta Constituição não excluem outros
decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados, ou dos tratados internacionais em que
a República Federativa do Brasil seja parte.
3
Interpretação e Aplicação da Constituição , Saraiva, 1996, págs. 142/143

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cidadão seja obrigado a pagar tributos, é necessária prévia lei que assim
determine.
Vale lembrar, conforme visto na aula anterior, que é requisito para que tributo
seja tributo, vide art. 3º do Código Tributário Nacional, que seja instituído em
Lei. Conclui-se que se não for instituído por lei, outra coisa poderá ser, mas
tributo não será.
Na análise da expressão “É vedado ... exigir ou aumentar tributo sem lei que o
estabeleça” nota-se que a norma versa sobre duas palavras chaves ligadas à
legalidade tributária: EXIGIR ou AUMENTAR tributo. Ou seja, passar a impor o
tributo ou majorar tal imposição. Todavia, não estão presentes na norma a
DIMINUIÇÃO de tributos nem mesmo a correção monetária. Esses casos dão
ensejo a algumas exceções bastante presentes nas provas de Direito Tributário.
A correção monetária nada mais é do que a manutenção do valor histórico,
corrigido, sem perda do valor real. Por não configurar aumento real, o § 2º do
art. 97 do CTN afirma que não constitui majoração de tributo a atualização do
valor monetário da respectiva base de cálculo.
Para melhor exemplificar, vamos pegar a situação de dois tributos que têm na
quantificação da base de cálculo o valor do patrimônio, como são os casos do
IPTU e do IPVA.
No caso do IPTU, a base de cálculo é o valor venal do imóvel
urbano. Imóvel é um bem que, em regra, todo ano valoriza.
Então a base de cálculo aumenta. Para atualizar o valor dos imóveis ano a ano,
a Prefeitura ao invés de fiscalizar imóvel por imóvel todos anos para atualizar a
valorização, edita um Decreto atualizando o valor do IPTU, muitas vezes a partir
do índice de inflação mais utilizado, o IPCA - Índice de Preços ao Consumidor
Amplo. A princípio, ao contribuinte, poderia parecer majoração de um tributo,
mas não é. Trata-se, apenas, da a atualização do valor monetário da respectiva
base de cálculo. Essa situação é expressamente prevista no CTN, vejamos:
Art. 97. Somente a lei pode estabelecer:
II - a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39,
57 e 65;
...
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§ 2º Não constitui majoração de tributo, para os fins do disposto no inciso II deste artigo,
a atualização do valor monetário da respectiva base de cálculo.

O STF já se pronunciou sobre o tema e pacificou o entendimento na Súmula 160:


“É defeso, ao município, atualizar o IPTU, mediante decreto, em percentual
superior ao índice oficial de correção monetária.”.
Na prova:
“O Município pode atualizar o IPTU via Decreto”:
VERDADEIRO.
“O Município pode atualizar a base de cálculo do IPTU até o índice monetário
oficial”: VERDADEIRO.
“O Município pode atualizar o IPTU, via Decreto, pelo IPCA”: VERDADEIRO.

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“O Município pode atualizar o IPTU, via Portaria ou Instrução Normativa, em


percentual acima da inflação”: FALSO.
Por sua vez, a ausência do termo DIMINUIÇÃO no artigo 150, I, da Constituição,
não pode dar ensejo à interpretação que, para concessão de isenção ou benefício
fiscal, não é necessária lei prévia. Logo em seguida, no mesmo artigo 150, o §
6º afirma a necessidade de lei específica que conceda qualquer desoneração
fiscal, sendo tal requisito ratificado pelo CTN, art. 97, inciso II:
Art. 150.
...
§ 6º Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito
presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá
ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule
exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição,
sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2.º, XII, g. (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 3, de 1993)

Sendo que esses termos são relativos a “subsídio ou isenção, redução de base de
cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão” a título de
desoneração fiscal, permanente, e que impacta o orçamento fiscal do Ente
tributante.
Vejamos então o curioso caso do IPVA, cujo bem considerado é um automóvel.
Como se sabe, assim que o carro sai da concessionária já perde valor. A
depreciação é imediata. No ano seguinte, mais usado ainda, perde mais valor
ainda. É um bem que, diferentemente do imóvel, tem seu valor econômico
regressivo. Então a base de cálculo, para conservar seu valor real, é atualizada
ano a ano, sendo que para diminuir o valor do automóvel, mas isso não se trata
de um benefício fiscal de redução de base de cálculo. Se trata de uma mera
atualização da base de cálculo.
Assim, a diminuição do IPVA, que na verdade é uma atualização da base de
cálculo do imposto, é levada a cabo por edição anual de Decreto do Poder
Executivo, justamente porque não majora tributos e também porque se trata,
nos termos permitidos pelo § 2º do art. 97 do CTN, de uma mera atualização do
valor monetário da respectiva base de cálculo.
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Assim como para a desoneração fiscal, o princípio da legalidade tributária alcança


muito mais do que o art. 150, I, da CF pode supor. Vejamos o que diz o art. 97
do CTN:
CTN,
Art. 97. Somente a lei pode estabelecer:
I - a instituição de tributos, ou a sua extinção;
II - a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21,
26, 39, 57 e 65;
III - a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto
no inciso I do § 3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo;
IV - a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto
nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65;

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V - a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus


dispositivos, ou para outras infrações nela definidas;
VI - as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de
dispensa ou redução de penalidades.

Assim, também é necessária edição de lei estrita para estabelecer o fato gerador
da obrigação tributária PRINCIPAL, e não acessória, ressalte-se. A legalidade,
contudo, permanece presente em termos de legislação tributária, conceito mais
amplo do que somente a Lei, conforme definido pelo Art. 96 do CTN: “A expressão
"legislação tributária" compreende as leis, os tratados e as convenções
internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou
em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes.”.
Normalmente, as obrigações acessórias são estabelecidas em Decreto, Portaria
ou Instrução Normativa.
Igualmente, é necessária a edição de Lei para fixar alíquotas, base de cálculo,
estipular penalidades e definir hipóteses de exclusão, suspensão, anistia e
extinção de créditos tributários. No caso das alíquotas, há algumas importante
exceções à legalidade estrita (edição de Lei), conforme veremos adiante.

Legalidade, Lei Delegada e Medida Provisória.


Quanto à Lei Delegada, o caso é simples: não tem problema, pois Lei Delegada
também é Lei.
Quanto à Medida Provisória, o caso merece melhor detalhamento.
A Medida Provisória é permitida em Direito Tributário na medida da
permissividade da MP. Melhor dizendo: no caso de certas matérias que precisam
de Lei Complementar para regulamentação, não cabe a edição de Medida
Provisória.
Art. 62.
§ 1º É vedada a edição de medidas provisórias sobre matéria:
...
III – reservada a lei complementar;
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§ 2º Medida provisória que implique instituição ou majoração de impostos, exceto os


previstos nos arts. 153, I, II, IV, V, e 154, II, só produzirá efeitos no exercício financeiro
seguinte se houver sido convertida em lei até o último dia daquele em que foi editada.
(Incluído pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001)

Vejamos os principais casos de reserva legal restrita à Lei Complementar:


Art. 146. Cabe à lei complementar:
I - dispor sobre conflitos de competência, em matéria tributária, entre a União, os Estados,
o Distrito Federal e os Municípios;
II - regular as limitações constitucionais ao poder de tributar;
III - estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre:

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a) definição de tributos e de suas espécies, bem como, em relação aos impostos


discriminados nesta Constituição, a dos respectivos fatos geradores, bases de cálculo e
contribuintes;
b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários;
c) adequado tratamento tributário ao ato cooperativo praticado pelas sociedades
cooperativas.
d) definição de tratamento diferenciado e favorecido para as microempresas e para as
empresas de pequeno porte, inclusive regimes especiais ou simplificados no caso do imposto
previsto no art. 155, II, das contribuições previstas no art. 195, I e §§ 12 e 13, e da
contribuição a que se refere o art. 239. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de
19.12.2003)

Algumas regulamentações tributárias necessitam de Lei Complementar. Mas para


CRIAR impostos ou MAJORAR alíquotas, basta a edição de LEI ORDINÁRIA.
Assim, nos termos do § 2º do art. 62 da CF, é permitido criar ou majorar
IMPOSTOS por Medida Provisória, pois afinal, Medida Provisória tem força de
Lei. Entretanto, só produz efeitos a partir da conversão da MP em Lei.
No caso de outros tributos – que não impostos - também é permitido criar ou
majorar por Medida Provisória. Nesse caso, a MP entra em vigor imediatamente,
a partir da publicação. Afinal, o § 2º do art. 62 só restringe a eficácia da MP a
partir da conversão em Lei no caso de IMPOSTOS e tão somente a essa espécie
de tributo.
Às demais espécies de tributos, vigora a regra relativa à Lei Complementar: só
não se pode criar ou majorar tributos por MP quando tal tributo for criado apenas
por Lei Complementar. São os casos, sempre por parte da União, do Empréstimo
Compulsório, do imposto residual e de novas Contribuições para a Seguridade
Social.
Já nos casos de majoração de alíquotas do II, IE, IPI e IOF, que sequer precisa
de Lei para aumentar, a MP entra em vigor imediatamente, a partir da publicação
da MP.

Outras exceções ao princípio da legalidade


As exceções são relativas às alíquotas dos quatro impostos extrafiscais; à CIDE-
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combustíveis; o ICMS monofásico dos combustíveis.


Conforme o § 1º do art. 153 da Constituição Federal, é facultado ao Poder
Executivo, atendidas as condições e os limites estabelecidos em lei, alterar as
alíquotas dos impostos enumerados nos incisos I, II, IV e V. Esses incisos se
referem ao II - Imposto de Importação, IE - Imposto de Exportação, IPI - Imposto
de Produtos Industrializados e o IOF - Imposto sobre certas operações financeiras
(operações de crédito, câmbio e seguro, ou relativas a títulos ou valores
mobiliários).
Esses impostos são impostos – a princípio4 – extrafiscais, pois não tem como
objetivo primordial arrecadar dinheiro para o Governo, mas sim controlar a

4
No tópico acerca do princípio da não surpresa, no subtópico sobre o princípio da anterioridade,
explicaremos o porquê do IPI – e somente o IPI – também detém um caráter fiscal.

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economia. Esses tributos incidem sobre atividades econômicas voláteis, que o


Governo precisa, em certos momentos, controlar de imediato. Por isso, dispensa
a burocracia envolvida no processo legislativo ordinário, quais sejam, de forma
simplificada: Projeto de Lei, passagem por no mínimo 3 comissões da Câmara
dos Deputados, emendas, aprovação pelo Plenário da CD, envio ao Senado
Federal, passagem por no mínimo 3 comissões do Senado, outras emendas,
aprovação pelo Plenário do SF, sanção, veto, promulgação, vigência.
Por exemplo, se o novo Governo Temer quiser incentivar a indústria da chamada
linha branca, os eletrodomésticos, poderia “zerar” o IPI, assim como o Governo
Lula fez com a indústria automobilística durante certo tempo.
Em outro exemplo, se o Governo Federal, percebe que a balança comercial do
Brasil não é favorável, pois está se importando mais do que exportando. Ou seja,
está saindo mais dinheiro do país do que entrando.
E, por fim, no caso do IOF, o Governo pode incentivar ou desincentivar certas
operações de crédito. Como os empréstimos e o uso de cartão de crédito no
exterior. Ficaria mais caro ou mais barato tomar empréstimo, financiar um
automóvel ou viajar para o exterior. Tudo isso tem impacto direto e em curto
prazo na inflação e na economia.
Para tomar essas medidas, o Governo precisa de celeridade e pode fazer
mediante Decreto do Poder Executivo. Ou mesmo, no caso do II e IE, por
Resolução da Câmara de Comércio Exterior (CAMEX). Inclusive, o STF já declarou
constitucional a alteração de alíquotas por meio da resolução da CAMEX. Segundo
o STF, a Constituição não obriga que seja por Decreto. O § 1º do art. 153 fala
em ato normativo emanado do Poder Executivo, atendidas as condições
estabelecidas por lei.
Outras exceções ao princípio da legalidade foram estabelecidas pela Emenda
Constitucional 33 de 2001, são duas:
1) Reduzir e restabelecer a alíquota da CIDE-Combustíveis, que pode ser via
Decreto.
A Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico incidente sobre a
importação e a comercialização de petróleo e seus derivados, gás natural e seus
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derivados, e álcool etílico combustível ou, simplesmente, CIDE-Combustíveis,


tem alíquota específica, tendo por base a unidade de medida adotada. Ao invés
de incidir por percentual, incide por valor sobre determinada unidade de medida.
No caso da gasolina, a Lei 10.336/2001 estabelecia que a alíquota era de R$
860,00 por metro cúbico (unidade de medida). Por Decreto, nº 5.060/2004, a
alíquota foi diminuída para R$ 100,00. Caso o Governo queira reestabelecer a
alíquota para R$860/m3 poderá fazê-lo por meio de Decreto.
2) Definir alíquotas do ICMS-monofásico sobre combustíveis por Convênio da
CONFAZ.
Estudaremos esse assunto com mais detalhe no capítulo sobre o ICMS, mas
adiantamos alguns fatos para melhor compreensão dessa exceção. Como são
poucos Estados produtores e todos são consumidores, fica mais fácil cobrar o
ICMS já da saída da indústria que produz os combustíveis, estabelecendo-se uma

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substituição tributária. Depois, toda a cadeia estará “livre” de novos pagamentos


de ICMS pois já fora pago na ocasião da venda da indústria. Essa é a chamada
cobrança monofásica, estabelecida em uma única fase.
Para facilitar a cobrança e dirimir questões de guerra fiscal, a CF conferiu
competência à CONFAZ – Conselho Nacional de Política Fazendária, definir, em
Convênio, a alíquota do ICMS, para que fosse uniforme em todo território
nacional. Mais uma vez, de forma simples, pois trataremos disso em capítulo
adequado, registra-se que para edição de Convênio é necessária a unanimidade
de todos os 27 Estados do Brasil.
Apesar de estar previsto na CF, isso não ocorre de fato. Cada Estado define a
alíquota do ICMS da substituição tributária dos combustíveis. Mas, se quisessem,
poderiam definir a alíquota mediante Convênio da CONFAZ, que não é uma Lei
no termo estrito da acepção. Embora não ocorra de fato, como está previsto da
CF, isso pode cair na prova. Então, para a prova, lembre-se: a definição de
alíquotas dos combustíveis e lubrificantes sobre os quais o imposto incidirá uma
única vez (tributação monofásica), qualquer que seja a sua finalidade, pode se
dar por Convênio do CONFAZ.

2.2 - Isonomia
A isonomia está sempre presente em nosso sistema jurídico. Como não poderia
deixar de ser, está também no Direito Tributário. No conceito formal de isonomia,
tem-se que deve-se tratar todos de forma igual. No conceito material, deve-se
tratar os desiguais na medida da sua desigualdade.
Feita essa breve introdução, vamos ao que interessa!

Capacidade contributiva
CF, art. 145.
§ 1º Sempre que possível, os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a
capacidade econômica do contribuinte, facultado à administração tributária, especialmente
para conferir efetividade a esses objetivos, identificar, respeitados os direitos individuais e
nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte.

O princípio da capacidade contributiva decorre da isonomia. Sempre que possível,


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os IMPOSTOS serão graduados segundo a capacidade econômica do


contribuinte, que é a capacidade contributiva. Para conferir efetividade à essa
isonomia, faculta-se à administração tributária, identificar o patrimônio,
rendimentos e atividades econômicas do contribuinte. Vamos destrinchar essa
expressão.
IMPOSTOS: novamente essa limitação. Ou seja, a princípio,
a capacidade contributiva é regra para a tributação de
impostos, mas não para taxas, contribuições, contribuições
(especiais e de melhoria) e empréstimos compulsórios.
Pegadinha clássica nas provas é a assertiva dizer que “sempre que possível, os
tributos terão caráter pessoas e serão graduados segundo a capacidade
econômica do contribuinte”: FALSO.

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SEMPRE QUE POSSÍVEL: ou seja, nem sempre é possível.


Um exemplo em que se é aplicável é o Imposto de Renda, um imposto que de
caráter PESSOAL. O rendimento de uma pessoa física leva em consideração
número de dependentes, gastos com saúde e educação. E os rendimentos são
tributados PROGRESSIVAMENTE, em faixas de isenção ou alíquotas. Vejamos a
tabela de IR de 2015:

Base de cálculo (R$) Alíquota (%) Parcela a deduzir do


IRPF (R$)

Até 1.903,98 - -

De 1.903,99 até 2.826,65 7,5 142,80

De 2.826,66 até 3.751,05 15 354,80

De 3.751,06 até 4.664,68 22,5 636,13

Acima de 4.664,68 27,5 869,36

Por outro lado, temos os impostos de caráter REAL, que incidem sobre a coisa,
sobre o patrimônio, que são os casos do IPVA, IPTU e ICMS. Por exemplo, um
carro financiado por uma pessoa pobre pagará IPVA sobre a mesma base que o
mesmo carro comprado à vista por uma pessoa rica. Às vezes, as legislações
estaduais têm tributação mais elevada para carros de luxo ou de alta potência.
Entretanto, não é uma imposição da Constituição, é uma faculdade dos Estados.
Do mesmo modo, todos pagam ICMS de forma igual ao comprar qualquer
produto. Não há possibilidade de se aferir, a cada compra e venda, se o
comprador é pobre ou rico. 00732248124

Nesse mesmo sentido, NADA IMPEDE que outros impostos de caráter real ou
outras espécies de tributos sejam balizados pela capacidade contributiva. Antes,
o STF declarava INCONSTITUCIONAL a progressividade de impostos de caráter
real, sendo permitida a progressividade apenas nos casos permitidos pela
Constituição, como é o caso do ITR que a CF estabelece a progressividade no
próprio texto constitucional (art. 153, § 4º), desde conferindo imunidade à
pequenas glebas rurais a quem só tem um imóvel rural até estabelecendo a
progressividade das alíquotas, com o objetivo de desestimular a manutenção de
propriedades improdutivas
Nesse sentido, o IPTU progressivo foi declarado inconstitucional até a EC
29/2000:
STF, SÚMULA 668:

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É inconstitucional a lei municipal que tenha estabelecido, antes da Emenda Constitucional


29/2000, alíquotas progressivas para o IPTU, salvo se destinada a assegurar o cumprimento
da função social da propriedade urbana.

Os Municípios, inclusive, que dispunham do IPTU com progressividade antes da


EC 29/2000, tiveram que editar novas Leis dispondo o mesmo, após a EC
29/2000. A lei anterior era inconstitucional e a lei nova, após a EC 29/2000, é
inconstitucional.
No mesmo sentido, o STF declarou a inconstitucionalidade da progressividade do
ITBI:
STF, SÚMULA 656
É inconstitucional a lei que estabelece alíquotas progressivas para o imposto de transmissão
inter vivos de bens imóveis - ITBI com base no valor venal do imóvel.

Essas súmulas, como estão em vigor, ainda são presentes nas provas.
Entretanto, adiante, o STF evoluiu sua concepção acerca da temática, pois é justo
tributar mais um patrimônio maior do que tributar igualmente, sob a mesma
alíquota, patrimônios de menor valor. Essa é a isonomia material: desigualar os
desiguais na medida das suas desigualdades.
Em 2013, no julgamento do Recurso Extraordinário 562045, com repercussão
geral, o STF considerou constitucional a progressividade de alíquotas do ITCMD
de Lei do Rio Grande do Sul.
As provas cobram caso a caso, não se podendo afirmar que a progressividade de
impostos reais é permitida completamente nem proibida. Na prova é preciso
separa cada tributo conforme a Constituição e a jurisprudência do STF. Em suma:

TRIBUTO SITUAÇÃO

Progressividade de impostos de Sempre que possível, vide art.


caráter pessoal 145, § 1º.

Não é obrigado, mas NADA


Outros tributos impede que seja balizado pela
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capacidade contributiva.

Progressividade de impostos de Constitucional se permitida pela


caráter real CF ou pelo STF.

Permitido pela CF, art. 153, § 4º,


Progressividade do ITR para desestimular a propriedade
improdutiva.

Inconstitucional vide Súmula 656


Progressividade do ITBI
do STF

Progressividade do IPTU Vide Súmula 668 do STF,


inconstitucional até a EC 29/2000

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e constitucional a partir dessa


Emenda.

Constitucional desde o julgamento


da Lei do Rio Grande do Sul no
Progressividade do ITCMD
Recurso Extraordinário (RE)
562045, de repercussão geral.

Isonomia de rendas e títulos


Art. 150. É vedado à União, Estados e Municípios:
...
II - instituir tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situação
equivalente, proibida qualquer distinção em razão de ocupação profissional ou
função por eles exercida, independentemente da denominação jurídica dos rendimentos,
títulos ou direitos;

Veda-se a discriminação em razão de ocupação profissional ou função. O exemplo


clássico, que inclusive é bastante presente nas provas, seria a hipótese de
estabelecer isenção do Imposto de Renda dos rendimentos dos juízes e
promotores. Seria inconstitucional estabelecer tratamento desigual, discriminar,
um trabalhador normal, seja celetista ou estatutário, e os juízes e promotores.
Feriria a isonomia entre os contribuintes se um tem a renda onerada e outro, por
causa do cargo, ser isento em razão da ocupação profissional ou função por eles
exercida.

2.3. - Da Não surpresa


Do princípio da não surpresa temos que é direito do contribuinte, cidadão ou
empresa, se planejar de acordo com os tributos que deve pagar. A tributação não
pode pegar o contribuinte de surpresa e alterar as relações jurídicas patrimoniais,
seja num lapso temporal que já passou ou imediatamente. Por isso, a
Constituição veda que a Lei tributária rege as relações jurídicas a partir de sua
edição (irretroatividade) e estabelece um lapso temporal razoável para que os
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contribuintes possam se planejar.

Irretroatividade
Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União,
aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:
...
III - cobrar tributos:
a) em relação a fatos geradores ocorridos antes do início da vigência da lei que os houver
instituído ou aumentado;

Corolário da não surpresa, a Lei tributária deve estabelecer regras para o futuro
e nunca para o passado. Nos termos da legalidade tributária, o cidadão só é
obrigado a pagar determinado tributo, se a Lei assim criar tal tributo. Essa criação

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jamais poderá ter efeitos pretéritos. Esse postulado respeita ainda a segurança
jurídica e o ato jurídico perfeito.
A exemplo, se criado fosse o Imposto sobre Grandes
Fortunas, não poderia tributar a fortuna já tributada
regularmente no passado. Só poderia tributar da vigência da lei em diante.
Em exceção, o Código Tributário Nacional, estabelece a permissão da
retroatividade em duas situações: em relação a penalidades e de lei meramente
interpretativa.
CTN, Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito:
I - em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação
de penalidade à infração dos dispositivos interpretados;
II - tratando-se de ato não definitivamente julgado:
a) quando deixe de defini-lo como infração;
b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão,
desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de
tributo;
c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo
da sua prática.

Quanto às penalidades, o caso é análogo ao Direito Penal. Se a Lei diz que


determinada conduta de tão leve ou irrelevante ou injusta, não merece ser mais
cominada com penalidade, as penalidades que ainda não foram definitivamente
constituídas – ou seja, estão em discussão administrativa ou judicial (ato não
definitivamente julgado) – deve seguir a mesma lógica da Lei: se fora anistiada,
que também seja para aqueles que ainda discutem a aplicabilidade da penalidade,
pois a própria Lei já declarou, em ato normativo estatal, votada pelos
representantes parlamentares do povo, que tal conduta não merece aquela
respectiva penalidade.
O mesmo ocorre se a lei definir penalidade menos gravosa. A legislação poderia
definir uma irregularidade simples com multa gravosa de 150% e depois a lei é
reformada para afirmar que essa mesma conduta merece uma tratamento mais
adequado, para 50%, aos casos não definitivamente julgados as multas devem
ser ajustadas para 50%. 00732248124

A questão da lei interpretativa comporta polêmicas. Acaso


agrave a situação patrimonial do contribuinte, essa lei não é
meramente interpretativa e deve ser aplicada para os fatos
futuros. Caso a Lei tributária venha somente estabelecer uma definição, um
conceito, de preferência que não seja alvo de polêmicas jurídicas que tragam
gravame ao contribuinte, essa interpretação pode ser adotada para fatos
pretéritos.
Nesse caso polêmico, estava a chamada “tese dos 5 + 5”. Os tributos por
homologação, quando não expressamente homologados pela autoridade
administrativa, percorriam inicialmente o prazo decadencial de 5 anos e, com a
homologação tácita, iniciava o prazo prescricional. De fato, até há não muito
tempo, os tributos poderiam ser cobrados do contribuinte em relação aos 10 anos

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anteriores. Do mesmo modo, o contribuinte poderia reclamar a repetição do


indébito dos últimos 10 anos. Era prejuízo para o contribuinte e para a Fazenda
Pública.
Para acabar com a tese dos 5 + 5, já adotada e ratificada pelo Poder Judiciário,
abruptamente, adveio a LC 118/2005 com a seguinte redação:
Art. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro
de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de
tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de
que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei.
Art. 4o Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado,
quanto ao art. 3o, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei n o 5.172, de 25 de outubro de
1966 – Código Tributário Nacional.

Ou seja, do dia pra noite, o Governo tentou acabar com a tese dos 5 + 5 e
transformar na correta (diga-se de passagem) prescrição dos 5 anos a partir do
pagamento antecipado do tributo lançado por homologação. Para tanto, afirmou
que tratava-se de mera interpretação do dispositivo e vinculava-se ao art. 106,
I, que estabelece a retroatividade das leis tributárias interpretativas. Não era
verdade, pois mudava uma realidade já estabelecida pelas Fazendas, pelos
contribuintes e ainda ratificada pelo Poder Judiciário. Por isso, essa pretendida
retroatividade foi rechaçada pelo Poder Judiciário. Vejamos o julgado que
estabeleceu o marco divisor da tese dos 5 + 5:
PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AÇÃO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTO SUJEITO
A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. PIS. COMPENSAÇÃO
COM QUAISQUER TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA RECEITA FEDERAL.
1. 1. A Primeira Seção reconsolidou a jurisprudência desta Corte acerca da cognominada
tese dos cinco mais cinco para a definição do termo a quo do prazo prescricional das ações
de repetição/compensação de valores indevidamente recolhidos a título de tributo sujeito a
lançamento por homologação, desde que ajuizadas até 09 de junho de 2005 (EREsp n.º
327.043/DF, Rel. Min. João Otávio de Noronha, julgado em 27/04/2005).
2. Deveras, naquela ocasião restou assente que: "... a Lei Complementar 118, de 09 de
fevereiro de 2005, aplica-se, tão somente, aos fatos geradores pretéritos ainda não
submetidos ao crivo judicial, pelo que o novo regramento não é retroativo mercê de
interpretativo. É que toda lei interpretativa, como toda lei, não pode retroagir. Outrossim,
as lições de outrora coadunam-se com as novas conquistas constitucionais, notadamente a
segurança jurídica da qual é corolário a vedação à denominada 'surpresa fiscal'. Na lúcida
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percepção dos doutrinadores, 'em todas essas normas, a Constituição Federal dá uma nota
de previsibilidade e de proteção de expectativas legitimamente constituídas e que, por isso
mesmo, não podem ser frustradas pelo exercício da atividade estatal.' (Humberto Ávila in
Sistema Constitucional Tributário, 2004, pág. 295 a 300)".
(Voto-vista proferido por este relator nos autos dos EREsp n.º 327.043/DF)
3. Consequentemente, o prazo prescricional para a repetição ou compensação dos tributos
sujeitos a lançamento por homologação, nas demandas ajuizadas até 09 de junho de 2005,
começa a fluir decorridos 05 (cinco) anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador,
acrescidos de mais um qüinqüênio computado desde o termo final do prazo atribuído ao
Fisco para verificar o quantum devido a título de tributo.
4. Os tributos devidos e sujeitos à administração da Secretaria da Receita Federal podem
ser compensados com créditos referentes a quaisquer tributos ou contribuições
administrados por aquele órgão. (Lei 9.430/96, art. 74 c/c a redação da Lei 10.637/2002)

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5. Em virtude da alteração legislativa, forçoso concluir que tratando-se de tributos


arrecadados e administrados pela Secretaria da Receita Federal, é possível a compensação,
ainda que o destino de suas respectivas arrecadações não seja o mesmo.
6. In casu, verifica-se que à época da propositura da demanda, não havia autorização legal
para a realização da compensação pelo próprio contribuinte, autorização esta que somente
adveio com a entrada em vigor da Lei 10.637, de 30/12/2002, sendo, pelo regime então
vigente, indispensável o seu requerimento à Secretaria da Receita Federal. Infere-se,
dessarte, que o pleito estampado na petição inicial não poderia, com base no direito então
vigente, ser atendido.
7. Embargos de declaração rejeitados.
(Processo EDcl no AgRg no REsp 727462 / PB EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO
REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 2005/0030066-6 Relator(a) Ministro LUIZ FUX (1122)
Órgão Julgador T1 - PRIMEIRA TURMA Data do Julgamento 17/11/2005 Data da
Publicação/Fonte DJ 28.11.2005 p. 223)

Assim, a LC 118 pôde sim ser interpretativa. Só não lhe foi permitido retroagir,
enquandrando-se na regra geral do art. 4º que estabeleceu uma vacatio legis de
120 dias, iniciando seus efeitos a partir de 9 de junho de 2005.

Anterioridade
Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União,
aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:
...
III - cobrar tributos:
a) em relação a fatos geradores ocorridos antes do início da vigência da lei que os houver
instituído ou aumentado;
b) no mesmo exercício financeiro em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou
aumentou;
c) antes de decorridos noventa dias da data em que haja sido publicada a lei que os instituiu
ou aumentou, observado o disposto na alínea b; (Incluído pela Emenda Constitucional nº
42, de 19.12.2003)

Vamos imaginar a situação do contribuinte que se planeja para este ano de 2016.
O cidadão faz seu controle financeiro, verificando que seu salário líquido,
descontados os impostos seria X. Com esse valor ele poderia gastar Y nas
despesas pessoais e até guardar W para realizar a viagem de seus sonhos. A
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empresa faz o mesmo, verificando sua receita líquida estimada de X, que sobrará
Y para pagar seus funcionários e guardar W para contingência ou para
investimentos.
De repente, por conta da crise, o Estado resolve aumentar todos os tributos:
Imposto de Renda, IPI, ICMS, contribuição previdenciária e ainda criar o Imposto
sobre Grandes Fortunas. O planejamento do contribuinte vai por água abaixo. O
contribuinte então é pego de surpresa, incidindo em hipótese de ofensa ao
princípio maior da não surpresa.
Não basta que os efeitos da Lei se operem a partir de sua publicação. É preciso
respeitar o direito do contribuinte de se planejar, de não se surpreender com
maior onerosidade tributária. Por isso, o Constituinte consignou que a União, os

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Estados e os Municípios, ao criar ou majorar tributos, não poderá cobrar no


mesmo exercício que instituiu ou aumentou.
A anterioridade se aplica à instituição ou majoração. Mas não se aplica à:
 Diminuição ou extinção de tributos;
 Mudanças legislativas sem impacto financeiro;
 Mudança do prazo de pagamento do tributo (do vencimento);

Exceções à anterioridade
Como toda regra, há exceções. E como toda prova, as exceções são as mais
visadas.
Alguns casos já foram citados anteriormente que se conectam com a exceção ao
princípio da legalidade: redução e restabelecimento de alíquotas da CIDE-
combustíveis e do ICMS monofásico sobre combustíveis. Nos casos de
RESTABELECIMENTO da alíquota anteriormente reduzida, aplica-se somente
E dos três dos impostos extrafiscais: II, IE e IOF. Nesses casos, diante da
volatidade da economia e da necessidade de reação imediata do Governo para
dar ajustes, não teria sentido aguardar até o ano que vem para, por exemplo,
aumentar a alíquota de produtos importados. Por isso são exceções à
anterioridade anual e nonagesimal.
Também não pode esperar tanto tempo para se cobrar tributo que tenha como
motivação casos emblemáticos quanto a guerra e a calamidade pública. Portanto,
por lógica, em caso de instituição de Imposto Extraordinário de Guerra e
Empréstimos Compulsórios cuja motivação seja guerra ou calamidade pública, a
implantação é imediata.
Igualmente configura exceção à anterioridade anual as novas contribuições para
a Contribuição da Seguridade Social, que se justifica por financiar áreas bastante
sensíveis aos direitos sociais, que são os direitos relativos à saúde, à previdência
e à assistência social. Mas a essas novas Contribuições se aplicam a anterioridade
nonagesimal.

Anterioridade nonagesimal 00732248124

A anterioridade anual ou de exercício financeiro foi, como sói ocorre no Brasil,


deturpada por alterações legislativas que ocorriam no dia 31 de dezembro do ano
anterior. Houve um clamor para que adicionalmente à anterioridade de exercício
houvesse um lapso temporal razoável. Então, o Constituinte derivado
convencionou esse prazo razoável em noventa dias através da Emenda
Constitucional 42 de 2003.
Assim, mesmo se a criação ou majoração de um tributo for aprovado pela Câmara
dos Deputados, Assembleia dos Deputados ou Câmara Municipal em dezembro
de determinado ano, só entrará em vigor 90 dias depois.
Um dos tributos que a princípio tinha por finalidade extrafiscal, de apenas
controlar a economia, o IPI, teve sua arrecadação tão elevada que passou a ser
considerado como tributo de caráter fiscal, com finalidade de arrecadar dinheiro

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ao erário. O IPI tem alíquotas elevadas e onera gravosamente a etapa de


produção industrial. Justamente a indústria, que move a economia.
Por reclamação justa, para fins de planejamento econômico do contribuinte, o IPI
é exceção à anterioridade, mas não é exceção à noventena. Assim, caso o
Governo Temer resolva aumentar a alíquota de tributo agora, mediante Decreto
do Poder Executivo ou Medida Provisória, o industrial se planejará para iniciar o
pagamento majorado após 90 dias.
Igualmente, constituem exceções à noventena o aumento de base de cálculo do
IPVA e do IPTU. Como falamos no tópico sobre o princípio da legalidade, ambos
podem ser reajustados de acordo com a inflação, no caso do IPTU, e com a
depreciação, no caso do IPVA. Os Estados e Municípios esperam até perto do fim
do ano para terem índices mais próximos da realidade e o aplicam por meio de
Decreto, já valendo a partir de janeiro do ano seguinte.
Por fim, também é exceção à noventena o Imposto de Renda, devendo ser
aprovado por Lei até o fim do ano anterior, o aumento tanto de base de cálculo
quanto de alíquota.

Anterioridade e a Medida Provisória


No caso do imposto instituído ou majorado por MP, a anterioridade inicia seu
decurso, seja anual ou nonagesimal, após a conversão em Lei. Sendo sobre
outros tributos, inicia o prazo para fins de anterioridade anual ou nonagesimal a
partir da publicação da Medida Provisória.
A Medida Provisória deve ser aprovada em 60 dias dias, prorrogáveis por mais
60 dias. Caso o tributo seja submetido apenas à anterioridade nonagesimal, no
91º dia, na metade do curso da prorrogação da MP, já se pode iniciar a cobrança.
Segue quadro resumo5:

00732248124

5
Imagem extraída em 13/05/2016 do site:
http://sapodavez.blogspot.com.br/2012/11/wwwpdfconcursoscombr.html

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2.4 - Vedação ao confisco


Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União,
aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:
...
IV - utilizar tributo com efeito de confisco;

A Constituição veda que se utilize o tributo com efeito de confisco, na acepção


que o tributo não pode ser tão exagerado ao ponto de confiscar o patrimônio do
contribuinte.
Confiscar é, a princípio, decorrente de uma punição. O parágrafo único do art.
243 da Constituição determina que “Todo e qualquer bem de valor econômico
apreendido em decorrência do tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins e da
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exploração de trabalho escravo será confiscado e reverterá a fundo especial com


destinação específica, na forma da lei.”.
Conforme visto na aula anterior, dentro do conceito de tributo, temo que o art.
3º do CTN versa que o tributo é “Tributo é toda prestação pecuniária compulsória,
em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de
ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa
plenamente vinculada.”. Logo, o tributo não pode ter efeito confiscatório sob pena
de perder o seu próprio caráter de tributo, que não pode ser sanção de ato ilícito.
Afora a questão punitiva, penal, confisco é um conceito indeterminado, que não
pode ser quantificado aprioristicamente, do tipo: “tributo acima de 25% é
confiscatório”. Depende do caso. Se for sobre o IPTU sobre a casa sim, pois a
cada quatro anos pagaria-se o valor da casa ao Governo. Mas se for sobre

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determinado produto supérfluo e que ainda faça mal à saúde (onerando o sistema
público de saúde), como o cigarro, não seria.
A baliza é o princípio constitucional da proporcionalidade, do qual é corolário o
princípio da razoabilidade que, igualmente, são conceitos indeterminados,
verificados caso a caso.
Uma das questões mais presentes nas provas acerca
da vedação ao confisco é a relação com as multas
tributárias. Isso porque o art. 150, inciso IV, fala em
tributo. E multa não é tributo, pois multa é punição por
ato ilícito. Entretanto, deparando-se com casos de multas exorbitantes, o STF
declarou inconstitucional multas fixadas em patamares exorbitantes.
Primeiramente, em relação multas aplicadas pelo Estado do Rio de Janeiro, de
duas vezes o valor do imposto (200%) para atraso de pagamento e de cinco
vezes o valor do imposto (500%) para sonegação de tributo.
Em seguida, em análise de caso proveniente de Goiás, no julgamento do Recurso
Extraordinário 833.106, cuja multa era de 120%, o STF assentou que multas
acima de 100% configuravam confisco, reformando o patamar para 100% no
seguinte acórdão:
TRIBUTÁRIO – MULTA – VALOR SUPERIOR AO DO TRIBUTO – CONFISCO – ARTIGO 150,
INCISO IV, DA CARTA DA REPÚBLICA. Surge inconstitucional multa cujo valor é superior ao
do tributo devido. Precedentes: Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 551/RJ – Pleno,
relator ministro Ilmar Galvão – e Recurso Extraordinário nº 582.461/SP – Pleno, relator
ministro Gilmar Mendes, Repercussão Geral.
(RE 833106 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Primeira Turma, julgado em
25/11/2014, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-244 DIVULG 11-12-2014 PUBLIC 12-12-2014)

Ressalte-se que esse acórdão constitui somente um precedente e não julgado


sob repercussão geral.
Quanto à penalidade de perdimento de bens, aplicáveis em caso de fraudes na
importação, o STF se posicionou afirmando que não é caso de confisco, mas sim
uma punição recepcionada pela Constituição, de acordo com o art. 5º, XLVI, b)6.

2.5 - Não limitação ao tráfego de pessoas e bens.


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Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União,
aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:
...
V - estabelecer limitações ao tráfego de pessoas ou bens, por meio de tributos interestaduais
ou intermunicipais, ressalvada a cobrança de pedágio pela utilização de vias conservadas
pelo Poder Público;

Esse princípio decorre do direito de ir e vir, da liberdade de locomoção, passível


de habeas corpus. O objetivo do Constituinte originário era evitar antigas taxas

6
Art. 5º, XLVI - a lei regulará a individualização da pena e adotará, entre outras, as seguintes:
a) privação ou restrição da liberdade;
b) perda de bens;

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referente ao tráfego. As exceções iniciam no próprio dispositivo, ao ressalvar o


pedágio.
Pedágio não é taxa, conforme sumulado no verbete 545 do STF:
“Preços de serviços públicos e taxas não se confundem, porque estas, diferentemente
daqueles, são compulsórias e têm sua cobrança condicionada à prévia autorização
orçamentária, em relação à lei que as instituiu”.

No julgamento da ADI 800, o STF mais uma vez ratificou que pedágio não é
tributo. É uma contraprestação cobrada por particulares por meio de concessão
de rodovias. Ainda afirmou que a contrapartida de oferecimento de via alternativa
gratuita como condição para a cobrança de pedágio não seria uma exigência
constitucional.
Outra exceção é em relação à cobrança do ICMS interestadual para haver o
tráfego de bens. O STF afirmou que é legítimo, pois o ICMS interestadual tem
fundamento constitucional. O que o STF não admite é a apreensão de
mercadorias como meio de cobrança de tributos, inclusive há muito sumulou esse
entendimento:
STF, Súmula 323: É inadmissível a apreensão de mercadorias como meio coercitivo para
pagamento de tributos.

2.6 - da Uniformidade Geográfica


Art. 151. É vedado à União:
I - instituir tributo que não seja uniforme em todo o território nacional ou que implique
distinção ou preferência em relação a Estado, ao Distrito Federal ou a Município, em
detrimento de outro, admitida a concessão de incentivos fiscais destinados a promover o
equilíbrio do desenvolvimento sócio-econômico entre as diferentes regiões do País;

Esse princípio, assim como os próximos dois tratados, é uma limitação em relação
somente à União. Por proteger o pacto federativo, são ditos por cláusulas pétreas.
O princípio da uniformidade geográfica da tributação da União, visa não
discriminar Estados, Distrito Federal e Municípios. Exige que o tributo da União
tenha uniformidade nacional, para que seja em rigor um tributo nacional, e não
apenas federal, análogo à distinção e compreensão de Lei Nacional e Federal.
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As exceções são literalmente trazidas no mesmo dispositivo: admite-se uma certa


“discriminação” que tenha por objetivo o equilíbrio do desenvolvimento sócio-
econômico entre as diferentes regiões do país. Essa discriminação permitida deve
ser entendida a fim de promover a isonomia material e tem por fundamento o
art. 3º da Constituição, pelo qual, dentre outros objetivos fundamentais da
República, tem como escopo reduzir as desigualdades sociais e regionais.
Assim, a Zona Franca de Manaus, que constitui uma zona livre de comércio, é
constitucional – até porque inserida na Constituição. Do mesmo modo, o STF
declarou constitucional a diferenciação de alíquota de IPI por Regiões no caso do
açúcar que tanto é produzida em regiões desenvolvidas, como em São Paulo,
como em regiões de baixo desenvolvimento, no Nordeste do país:
“RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IPI. CONCESSÃO DE BENEFÍCIOS. ALÍQUOTAS
REGIONALIZADAS. LEI 8.393/91. DECRETO 2.501/98. ADMISSIBILIDADE. 1. Incentivos

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fiscais concedidos de forma genérica, impessoal e com fundamento em lei específica.


Atendimento dos requisitos formais para sua implementação. 2. A Constituição na parte
final do art. 151, I, admite a 'concessão de incentivos fiscais destinados a promover o
equilíbrio do desenvolvimento sócio-econômico entre as diferentes regiões do país'. 3. A
concessão de isenção é ato discricionário, por meio do qual o Poder Executivo, fundado em
juízo de conveniência e oportunidade, implementa suas políticas fiscais e econômicas e,
portanto, a análise de seu mérito escapa ao controle do Poder Judiciário. Precedentes: RE
149.659 e AI 138.344-AgR. 4. Não é possível ao Poder Judiciário estender isenção a
contribuintes não contemplados pela lei, a título de isonomia (RE 159.026). 5. Recurso
extraordinário não conhecido” (RE 344.331, Rel. Min. Ellen Gracie, Primeira Turma, DJ
4.3.2003 – grifos nossos).

2.7 - Uniformidade da tributação da renda e dos títulos


da União
Art. 151. É vedado à União:
...
II - tributar a renda das obrigações da dívida pública dos Estados, do Distrito Federal e dos
Municípios, bem como a remuneração e os proventos dos respectivos agentes públicos, em
níveis superiores aos que fixar para suas obrigações e para seus agentes;

Esse princípio decorre do princípio da isonomia. Quanto aos títulos públicos,


devem ser uniformemente tributados no país, sem comportar exceção.
Do mesmo modo, não pode a União tributar os servidores públicos de Estados e
Municípios de forma mais onerosa do que fixa para os servidores públicos da
União.
Assim, a tributação pelo Imposto de Renda é igual para todos
os servidores públicos da União, dos Estados e dos
Municípios, de acordo com a tabela do IR.
Outro tributo que incide na hipótese é a Contribuição Previdenciária. À exceção
dos Regimes Próprios de Previdências, os demais servidores públicos que são
segurados do Regime Geral de Previdência (RGPS, também conhecido como
“INSS”) devem receber o mesmo tratamento tributário que a União dispensa aos
seus próprios servidores.

2.8 - Vedação à isenção heterônoma


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Art. 151. É vedado à União:


...
III - instituir isenções de tributos da competência dos Estados, do Distrito Federal ou dos
Municípios.

Autonomia é decorrente do ente. Se o Estado quiser dar isenção de IPVA, pode


faze-lo, pois é autonomia. Já se o Ente que isentar não for o próprio ente
competente para instituir o tributo, haveria uma hetoronomia, o oposto de
autonomia. Seria, portanto, uma isenção heterônoma.
Por isso, vedada a isenção heterônoma, não pode a União dar isenção de tributos
de competência que não é da própria União, mas sim dos Estados, DF e
Municípios. Exemplificamos: a União, para fim de atrair um grande investimento

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para o Brasil, uma grande indústria, pode dar isenção de IRPJ e benefícios fiscais
de IPI. Não pode, entretanto, conceder isenção de IPTU e IPVA dos bens de
propriedade dessa empresa.
Esse princípio comporta algumas exceções.
Inicialmente, dois casos de isenção, relativo ao ICMS e ao ISS, a partir de Lei
Complementar federal. Por ser o Congresso Nacional o Poder Legislativo da
União, afirma-se que ao editar Lei Complementar concedendo isenção, estar-se-
ia diante de uma isenção heterônoma. Todavia, tais isenções heterônomas estão
previstas pela própria Constituição.
No caso do ICMS, o art. 155, § 2º, XII, afirma que cabe à lei complementar
excluir da incidência do imposto, nas exportações para o exterior, serviços e
outros produtos além dos mencionados no inciso X, "a". Isso porque antigamente
a imunidade da exportação era somente para produtos industrializados, excluídos
produtos semi-elaborados. Todavia, com a Emenda Constitucional 42 de 2003,
que retirou a limitação da imunidade do ICMS dos produtos exportados, estendo
para todo e qualquer produto exportado, industrializado, semielaborado ou
manufatura, essa possibilidade de isenção heterônoma perdeu o sentido:
Art. 155., § 2º
X - não incidirá:
a) sobre operações que destinem ao exterior produtos industrializados, excluídos os semi-
elaborados definidos em lei complementar;
a) sobre operações que destinem mercadorias para o exterior, nem sobre serviços prestados
a destinatários no exterior, assegurada a manutenção e o aproveitamento do montante do
imposto cobrado nas operações e prestações anteriores; (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 42, de 19.12.2003)

Em relação ao ISS, o art. 156, § 2º, afirma que Lei Complementar pode isentar
exportação de serviços. De fato, a Lei Complementar 116/2003, no art. 2º, inciso
I, realmente estabeleceu essa isenção heterônoma.
Tratados internacionais também podem estabelecer tratamento tributário
distinto, mas o STF não considera caso de isenção heterônoma. O STF afirmou
que não se estaria diante de hipótese vedada pelo art. 151, III, pois o Tratado
Internacional é firmado pela República Federativa do Brasil, e não pela União. É
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ainda firmado pelo Chefe de Estado, e não pelo Governo Federal.


Nesse sentido, o Acordo GATT – Acordo Geral sobre Tarifas e Comércios,
estabelece equivalência de tratamento ao produto importado quanto ao seminal
nacional quando o produto importado ingressa no país. Não pode, por exemplo,
na circulação interna, o produto importado ter alíquota de ICMS distinta e elevada
em relação ao mesmo produto nacional que possui alíquota distinta e menor.
Deve se aplicar a mesma alíquota para produtos similares.
Por fim, algumas ressalvas. As imunidades são sempre heterônomas, pois
conferidas pelo Poder Legislativo Federal. Ademais, a Lei Federal que estabelece
isenção de custas estaduais indica ser inconstitucional, mas o STF ainda não se
pronunciou acerca desse assunto. Já o STJ, em caso análogo, afirmou, no verbete
da Súmula 178 que “O INSS não goza de isenção do pagamento de custas e

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emolumentos, nas ações acidentárias e de benefícios propostas na Justiça


Estadual”.

2.9 - Não discriminação de procedência ou destino.


Art. 152. É vedado aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios estabelecer diferença
tributária entre bens e serviços, de qualquer natureza, em razão de sua procedência ou
destino.

Esse princípio é dirigido aos Estados, DF e Municípios. As provas adoram


colocar a União no meio da assertiva, mas não confunda: isso é em relação às
operações interestaduais e intermunicipais.
A exemplo, o Estado de São Paulo não pode afirmar que
determinado produto X, se vier do Estado do Paraná é isento
ou ter uma alíquota minorada, mas se vier do Estado da Bahia seria tributado ou
teria uma alíquota majorada. Do mesmo modo, em via oposta, quanto ao destino
(vender esse produto para o Paraná ou para a Bahia com alíquotas diferentes).
Essa é a verdadeira concepção da não discriminação de bens ou serviços em
razão da procedência ou destino.
Sobre isso, importante registrar um caso emblemático julgado pelo STF.
Conjugando o acordo GATT com este princípio, o STF declarou que para produtos
importados a não discriminação sobre a procedência também se aplica. Ou seja,
um carro importado, uma vez inserido no mercado nacional, deve ser vendido
sob a mesma alíquota que um carro nacional. A lógica é: mesmo produto, mesmo
tratamento, sem discriminar de onde veio.

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