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EP 02 – 2015 – 1 – Polinômios – Análise de Sinais Pré-Cálculo

CEDERJ
EP 02
Pré-Cálculo
__________________________________________________________________________________
Caro aluno
Agora que já sabemos fatorar polinômios, vamos analisar o sinal dos polinômios e de expressões que
envolvem produto, quociente, potência e raiz de polinômios.
Analisar sinal de expressões que envolvem polinômios nos ajudará, por exemplo, a construir gráficos
de funções. Em Cálculo I você verá o quanto isso é importante. Cálculo de limites pode depender
dessa análise. A análise do sinal da derivada de uma função nos dá informações importantes sobre o
comportamento dessa função.
Disponibilizamos na plataforma, Semana 2, o texto complementar Módulo (Valor Absoluto) de um
número real. Estude esse texto, lá você encontra a definição de valor absoluto, a definição
geométrica de valor absoluto, equações e inequações envolvendo módulo. Os exemplos o ajudarão a
esclarecer possíveis dúvidas. Compreender a definição do valor absoluto, saber usá-lo, será
extremamente importante para a construção do gráfico da função cuja lei de formação envolve o
valor absoluto.

A seguir, disponibilizamos informações sobre a Análise de Expressões. Vamos trabalhar?!


__________________________________________________________________________________

Analisando o sinal de expressões.

O Resultado 2 do EP01 nos diz que:


"Todo polinômio p ( x )  a n x n  a n 1 x n 1  ....  a1 x  a0 onde n 1 , ai IR , i  0 , 1, 2 , 3, ..., n , se
decompõe em fatores lineares e ou fatores quadráticos irredutíveis".
Portanto, analisar o sinal de um polinômio, significa analisar o sinal dos fatores lineares e/ou fatores
quadráticos irredutíveis da sua decomposição e a seguir, usar a seguinte propriedade de ordem dos
reais:
Dados a , b  IR , valem as equivalências:
(i) a b  0  ( a  0 e b  0 ) ou (a  0 e b  0 )

(ii) a b  0  ( a  0 e b  0 ) ou (a  0 e b 0 ) .

No caso dos fatores lineares ax b , com a , b  IR , 𝑎 ≠ 0, temos:

𝑏
𝑎𝑥 + 𝑏 > 0 ⟺ 𝑥>−
𝑎
𝑏
𝑎𝑥 + 𝑏 = 0 ⟺ 𝑥=−
𝑎
𝑏
𝑎𝑥 + 𝑏 < 0 ⟺ 𝑥<−
𝑎
No caso dos fatores quadráticos irredutíveis a x 2  b x  c , com a , b , c  IR e a  0 ,
observemos que:

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Completando o quadrado de a x 2  b x  c , na variável x , temos


b b
a x2  b x  c  a ( x2  x )  c  a ( x 2  2  x )  c 
a 2a
b b2 b2 b b2 b2
a ( x 2  2 x   )c  a ( x 2  2 x  )  a  c 
2a 4a 2 4a 2 2a 4a 2 4a 2
b 2 b2 b 2 b2  4 a c b 2 1 b2  4 a c
a (x  )  c  a (x  ) ( )  a (x  )  ( )
2a 4a 2a 4a 2a a 4

1  2 b 2 b2  4 a c 
 a ( x  )  ( ) .
a  2a 4 

1  2 b 2 b2  4 a c 
Portanto, a x 2  b x  c    ) .
a 
a ( x ) (
2a 4 
Assim, analisar o sinal do fator quadrático irredutível a x 2  b x  c , significa analisar o sinal de
1  2 b 2 b2  4 a c 
a (x  )  ( ).
a  2a 4 
Como o fator quadrático a x 2  b x  c é irredutível, então b 2  4 a c  0 , donde
b2  4 a c b2  4 a c
 0 e, portanto,  ( )  0.
4 4
b 2 b 2 b2  4 a c
Como a 2 ( x  )  0 então a 2 ( x  )  ( )  0.
2a 2a 4
1  2 b 2 b2  4 a c 
Assim o sinal de   )  depende do sinal do coeficiente a da
a 
a ( x ) (
2a 4 
2
variável x .

Portanto, no caso do fator quadrático irredutível


a x 2  b x  c , com a , b , c  IR e a  0 :

 se a  0 , então a x 2  b x  c  0 , para  x  IR .

 se a  0 , então a x 2  b x  c  0 , para  x  IR .

Analisar o sinal de uma expressão E ( x ) significa que é preciso realizar as quatro tarefas a seguir:

1- Encontrar todos os números reais, isto é, todos os valores de x  IR para os quais é


possível calcular E ( x ) .
Nesse caso esses possíveis valores de x formam um conjunto, que é chamado de domínio
da expressão.

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Dependendo da expressão, esse conjunto é um intervalo ou uma união de intervalos disjuntos


(intervalos disjuntos são intervalos que não têm nenhum ponto em comum).
2- Encontrar todos os números reais, isto é, todos os valores de x  IR , para os quais
E ( x )  0.
Dependendo da expressão, esse conjunto é o conjunto vazio ou um conjunto de pontos
isolados.
3- Encontrar todos os números reais, isto é, todos os valores de x  IR , para os quais
E ( x) 0 .
Dependendo da expressão, esse conjunto é o conjunto vazio ou um intervalo ou uma união de
intervalos disjuntos.
4- Encontrar todos os números reais, isto é, todos os valores de x  IR , para os quais
E ( x) 0.
Dependendo da expressão, esse conjunto é o conjunto vazio ou um intervalo ou uma união de
intervalos disjuntos.

A visualização da análise de sinal na reta numérica pode ser feita da seguinte forma:
Primeiro identificamos o domínio e marcamos na reta numérica os extremos dos intervalos do
domínio da expressão, se esses extremos forem números reais. Marcamos os extremos que fazem
parte do domínio com ′′bola cheia′′ e os que não fazem parte do domínio com ′′bola vazia′′. A seguir,
escrevemos ′′ nd ′′ logo acima dos pontos que não fazem parte do domínio. Marcamos também,
sempre que possível, os pontos onde a expressão se anula e escrevemos o número 0 logo acima
desses pontos.
A seguir, identificamos os sinais da expressão. Depois, escrevemos sinais ′′  ′′ nos intervalos onde a
expressão é positiva e escrevemos sinais ′′  ′′ nos intervalos onde a expressão é negativa.
Se estivermos analisando mais de uma expressão, vamos precisar de uma reta para cada expressão,
nesse caso, é bom escrever a expressão ao lado da reta em que está representada a análise de seu
sinal.
Vejamos o seguinte exemplo.

Visualização da análise de sinal na reta numérica:


Suponha, por exemplo, que o resultado da análise de sinal de uma expressão E ( x ) é o seguinte:
1. O domínio é o conjunto   , a   b , c, onde a  b  c .
2. E ( x )  0 para os seguintes valores de x : x1 , x2 , b , x3 , onde x1  x2  a e b  x3  c
3. E ( x )  0 para os valores de x tais que x  x1 ou x2  x  a ou b  x  x3 .

4. E ( x )  0 para os valores de x tais que x1  x  x2 ou x3  x  c .

E ( x)   0   0   nd 0   0    nd

x1 x2 a b x3 c

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A visualização da análise de sinal em tabela pode ser feita da seguinte forma:


Na primeira linha estarão representados os valores de x : os extremos dos intervalos do
domínio, quando existirem, os pontos onde a expressão se anula, os pontos onde a função não
está definida e cada intervalo entre esses pontos, ver abaixo.
Na segunda linha escrevemos a análise de sinal marcando nd, 0,  e  , nas
correspondentes colunas, conforme a análise feita.

x    x  x1 x1 x1  x  x2 x2 x2  x  a a
E( x)  0  0  nd

x a xb b b  x  x3 x3 x3  x  c c c  x  
E( x) nd 0  0   nd

Ou, na primeira linha podemos escrever intervalos em vez de desigualdades, como na tabela
abaixo.

𝑥 (−∞, 𝑥1 ) x1 (𝑥1 , 𝑥2 ) x2 (𝑥2 , 𝑎) a


E( x)  0  0  nd

𝑥 (𝑎, 𝑏) b (𝑏, 𝑥3 ) x3 (𝑥3 , 𝑐) c (𝑐, ∞)


E( x) nd 0  0   nd

OBSERVAÇÃO: Não há como dizer o que é mais simples: usar a reta numérica ou a tabela para
analisar o sinal. Isso depende de cada expressão que estamos analisando.

A seguir vamos ver um exemplo onde vamos usar apenas a tabela, nesse caso é mais simples.

A( x) B( x)
Exemplo: Suponha que queremos analisar o sinal de E ( x ) 
C ( x) D( x)

Suponha também que já conhecemos a análise de sinal de cada uma das expressões que aparecem
no numerador e no denominador de E ( x ) .
Para analisar o sinal do produto ou quociente de duas expressões, analisamos o sinal de cada
expressão e aplicamos a seguinte propriedade de ordem dos números reais, já mencionada no EP01:

dados a , b  IR , valem as equivalências:


 ab  0  (a 0 e b  0 ) ou (a  0 e b  0 )

 ab  0  (a 0 e b  0 ) ou (a  0 e b 0 ) .

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É fácil entender que quando temos o produto ou quociente de várias expressões, se o número de
expressões negativas for par, o produto ou quociente delas é positivo. Se o número de expressões
negativas for ímpar, o produto ou quociente delas é negativo.
Como na expressão dada temos produto e quociente envolvendo quatro termos, fica menos
trabalhoso se fizermos a análise de sinal em uma única tabela. Colocamos a análise de sinal de cada
expressão em uma linha e no final, na última linha, colocamos a expressão E ( x ) e aplicamos a regra
do produto de termos positivos e negativos.
Temos que ter o cuidado de colocar os valores de x na primeira linha de forma que apareçam os
extremos dos intervalos do domínio de cada expressão, os valores de x onde cada expressão se
anula, valores de x onde alguma expressão não esteja definida, e os intervalos entre esses valores.
Esses valores de x devem estar ordenados, em ordem crescente da esquerda para direita.
A( x) B( x)
Exemplo de análise de sinal de uma expressão do tipo: E ( x ) 
C ( x) D( x)

x1    x  x1 x1 x1  x  x2 x2 x2  x  x3 x3 x3  x  x4 x4 x4  x  

A( x )      0  0 


B( x) nd 0      0 

C ( x)  0       


D( x)    0     

E( x) nd nd     nd  0  0 

Exemplo 1: Estude o sinal do polinômio p( x )  5 x 4  x 3  4 x 2  x 1 .


Resolução:
Vamos fatorar o polinômio p( x ) para estudar o sinal. Para isso, vamos pesquisar as suas raízes
inteiras.
As possíveis raízes inteiras de p( x ) são os divisores do termo independente  1 , que são: 1, 1 .
Note que p( 1)  0 ; p(1)  0 .
Se x  1 é uma raiz de p( x ) então p( x ) é divisível por x  ( 1)  x 1 .
Se x  1 é uma raiz de p( x ) então p( x ) é divisível por x 1 .
Portanto, p( x ) é divisível por ( x 1) ( x  1)  x 2  1 .
Dividindo p( x ) por x 2  1 , obtemos p( x )  ( x 2  1) ( 5 x 2  x  1) .
Como para o trinômio do segundo grau, 5 x 2  x  1 , temos:
b 2  4 a c  ( 1) 2  4  5 1   19 , que é negativo, o fator quadrático 5 x 2  x  1 é irredutível e
sendo a  5  0 , 5 x 2  x  1  0 ,  x  IR .
Portanto, o sinal de 𝑝(𝑥) = (𝑥 2 − 1)(5𝑥 2 − 𝑥 + 1) depende somente do sinal de
𝑥 2 − 1 = (𝑥 + 1)(𝑥 − 1).

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Temos que,

−∞ < 𝑥 < −1 𝑥 = −1 −1 < 𝑥 < 1 𝑥=1 1<𝑥<∞


𝑥+1 − − − 0 + ++ + + ++
𝑥−1 − − − − − − − 0 + ++
𝑥2 − 1 + ++ 0 − − − 0 + ++

Portanto,
𝑝(𝑥) = 0 ⇔ 𝑥 2 − 1 = 0 ⇔ 𝑥 = −1 ou 𝑥 = 1
𝑝(𝑥) > 0 ⇔ 𝑥 2 − 1 > 0 ⇔ 𝑥 < −1 ou 𝑥 > 1
𝑝(𝑥) < 0 ⇔ 𝑥 2 − 1 < 0 ⇔ −1 < 𝑥 < 1
-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
x3  x
Exemplo 2 Estude o sinal da expressão E ( x ) 
 2x 2  2 x  4
Solução:
Fatorando o numerador x 3  x :
x 3  x  x ( x 2 1) . Este polinômio está completamente fatorado, pois x 2 1  1  0 , nunca se anula,
x 2 1  0 ,  x  IR .

Fatorando o denominador  2 x 2  2 x  4 :
 2 x 2  2 x  4   2 ( x 2  x  2 )   2 ( x 1) ( x  2 ) , pois as raízes de x 2  x  2 são:

1  12  4 1 (2 ) 1  9  1  3
x    x   2 ou x  1.
2 1 2 2
Assim, a expressão pode ser fatorada da seguinte forma:
x3  x x ( x 2  1)

 2x 2  2 x  4  2 ( x 1) ( x  2 )
Vamos fazer a tabela dos sinais. Para isso note que:
x 2 1  0 , para  x  IR ;
x 1  0  x  1 ;
x 2  0  x  2 .
 2  0 , para  x  IR

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x ( x 2  1)
Analisando o sinal da expressão E ( x )  no intervalo (   , 0]
 2 ( x 1) ( x  2 )

 x2 x2  2  x 0 x0


x    0

x 2 1     +     +

-2    

x 1    

x2  0     +
E ( x)     nd  0

x ( x 2  1)
Analisando o sinal da expressão E ( x )  no intervalo ( 0 ,   ) .
 2 ( x 1) ( x  2 )

0  x 1 x 1 1  x  
x     +    

x 2 1     +    

-2  - 

x 1  0    

x2     +    

E ( x)     nd 

Assim:
x ( x 2  1)
E ( x)   0  x  (  ,  2 )  (0, 1 )
 2 ( x 1) ( x  2 )
x ( x 2  1)
E ( x)   0  x  (  2 , 0 )  ( 1,   )
 2 ( x 1) ( x  2 )
x ( x 2  1)
E ( x)  0  x0
 2 ( x 1) ( x  2 )
x ( x 2  1)
E(x )  não pode ser calculada para x  1 e x   2 .
 2 ( x 1) ( x  2 )
__________________________________________________________________________________

Agora, um importante lembrete!


Como os exercícios 3, 4, 5 e 6 da lista a seguir envolvem fração e/ou raiz quadrada de polinômios,
vale a pena recordar que:

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I) para calcular a é preciso que o radicando a seja positivo ou nulo, ou seja, a  0 .


a
II) para calcular uma fração é preciso que o denominador seja não nulo, ou seja, b  0 .
b
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INEQUAÇÃO! Vamos recordar!

Uma inequação é uma desigualdade onde aparecem uma ou mais variáveis a serem determinadas.
12
Exemplos de inequações: 𝑥 − 4 < ; 𝑥 2 + 𝑦 2 ≥ 1.
𝑥

O exercício 7 pede que você resolva 2 inequações. Pela propriedade da relação de ordem dos
números reais, temos que:
a c
“Sendo a , b , c , d números reais positivos, então   a  d  c  b ”.
b d
2 7
Um exemplo:   28 73.
3 8
Mas, percebemos que muitos alunos, fazem esta “multiplicação em cruz”, sem prestar atenção se os
termos envolvidos na inequação são positivos.

Veja o que acontece:


−3 2 −3 3 2 2 3 2
Sabemos que < −3 é verdadeira porque =− , =− e −2 < −3 são
2 2 2 −3 3

verdadeiras.

3 2
Considerando a desigualdade  (verdadeira), se multiplicarmos em cruz, obtemos
2 3

 3  (  3 )  2  2 , ou seja, 9  4 . FALSO!!!. Mas o que ocorreu?

Ocorreu que uma outra propriedade da relação de ordem dos números reais, não foi respeitada. A
propriedade diz que:

“Se c  0 , então a  b  a  c  b  c ”. (ao multiplicarmos uma desigualdade por um


número negativo, invertemos a desigualdade).

Mas, que operações estão “escondidas” quando fazemos uma multiplicação em cruz?

3 2 3
Primeiro multiplicamos ambos os lados por  3 :  3   3   3   2 . Veja
2 3 2
que aqui já erramos, pois multiplicamos a desigualdade por um número negativo e não invertemos a
desigualdade.

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3
Agora multiplicamos ambos os lados da desigualdade  3   2 por 2 :
2
3
2  ( 3 )   2 2  (3)  ( 3 )  2  2  9  4 . FALSO!!!
2

As equivalências corretas são:

Primeiro multiplicamos ambos os lados por  3 e invertemos a desigualdade, pois  3 0 :

3 2 3
3   3   3   2.
2 3 2
3
Agora multiplicamos ambos os lados da desigualdade  3   2 por 2 :
2

3
2  ( 3 )   2 2  (3)  ( 3 )  2  2  9  4 . CORRETO!!!
2

Podemos sempre resolver a inequação da seguinte forma:

3 2 3  2  3 2
      0   0 
2 3 2  3  2 3

( 3  3)  (2  2) 5
0   0 . Como a última desigualdade da direita é verdadeira, então
23 6
3 2
pelas equivalências é verdade também que  .
2 3
Portanto, “multiplicação em cruz”, sem análise do sinal dos termos envolvidos, pode ser perigoso!
O melhor é lembrar que:

a c a c a d cb
   0  0 .
b d b d bd

Isto vale sempre que a , b , c , d  IR e b  0 , c  0 .

12
Exemplo: Na resolução da inequação 𝑥 − 4 < , vamos resolver usando a propriedade anterior:
𝑥

12 12 𝑥 2 −4𝑥−12 (𝑥−6)(𝑥+2)
𝑥−4 < ⟺ 𝑥−4− <0 ⟺ <0 ⟺ <0
𝑥 𝑥 𝑥 𝑥

Usando uma tabela de sinais concluímos que a solução dessa inequação é (−∞, −2) ∪ (0, 6).

(Confira!)

Se, inadvertidamente, multiplicamos em cruz, deveríamos multiplicar por 𝑥 e sem levar em


consideração o sinal de 𝑥. Nesse caso obteríamos

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(𝑥 − 4)𝑥 < 12 ⟺ 𝑥 2 − 4𝑥 + 12 < 0 ⟺ (𝑥 − 6)(𝑥 + 2) < 0

Usando uma tabela de sinais concluímos que a solução dessa inequação é (−2, 0) ∪ (6, ∞).

Mas essa solução é diferente da solução encontrada antes e está ERRADA !

Se está duvidando atribua valores a 𝑥, por exemplo, 𝑥 = 1 não faz parte da segunda solução
encontrada, substituindo na equação original, obtemos:
12
1−4< ⟺ −3 < 12, logo 𝑥 = 1 satisfaz a equação e faz parte da primeira solução encontrada.
1

Relato Histórico

A Fórmula de Bhaskara

O hábito de dar nome de Bhaskara para a fórmula de resolução da equação de 2º grau se


estabeleceu no Brasil por volta de 1960. Esse costume, aparentemente só brasileiro ( não se
encontra o nome de Bhaskara para essa fórmula na literatura internacional), não é adquado pois
:
Problemas que recaem numa equação de 2º grau já apareciam, há quase 4.000 anos
atrás, em textos escritos pelos babilônicos. Nestes textos o que se tinha era uma receita
(escrita em prosa, sem uso de símbolos) que ensinava como proceder para determinar as
raízes em exemplos concretos com coeficientes numéricos
Bhaskara que nasceu na Índia em 1.114 e viveu até cerca de 1.185 foi um dos mais
importantes matemáticos do século 12. As duas coleções de seus trabalhos mais
conhecidas são Lilavati ("bela") e Vijaganita ("extração de raízes"), que tratam de
aritmética e álgebra respectivamente, e contêm numerosos problemas sobre equações
de lineares e quadráticas (resolvidas também com receiras em prosa), progressões
aritméticas e geométricas, radicais, tríadas pitagóricas e outros.
Até o fim do século 16 não se usava uma fórmula para obter as raízes de uma equação
do 2º grau, simplesmente porque não se representavam por letras os coeficientes de
uma equação. Isso só começou a ser feito a partir da François Viéte, matemático francês
que viveu de 1540 a 1603
Logo, embora não se deva negar a importância e a riqueza da obra de Bhaskara, não é correto
atribuir a ele a conhecida fórmula de resolução da equação de 2º grau.
Revista do Professor de Matemática - nº 39

E agora, aos exercícios:

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Exercício 1: Estude o sinal dos polinômios:


1 3 1
a) p( x )  x  x2  x 1 b) q ( x )  x 3  3 x 2  4 x  12
2 2
c) s ( x )  3 x 4 14 x 3 14 x 2  8 x  8 .
__________________________________________________________________________________

Exercício 2: Determine o conjunto S de números reais para os quais o gráfico de g ( x)  2 x 3  9 x


está acima ou intersecta o gráfico da parábola y  x 2  5 .
__________________________________________________________________________________

x3  x2  x  1
Exercício 3: Analise o sinal da expressão E ( x )  .
1 x 3
__________________________________________________________________________________
x3  2 x 2  3 x  2
Exercício 4: Diga para que valores de x  IR , a expressão E ( x )  pode ser
x 1
calculada.
__________________________________________________________________________________
Exercício 5: Encontre os valores de x  IR para os quais é possível calcular a expressão

( x  2) 5 ( x  3) 4
E ( x)  .
4  ( x  4)( x  2)
__________________________________________________________________________________
x3  2 x2  1
Exercício 6: Analise o sinal da expressão E ( x )  e diga para que valores de x  IR , a
x 2  2x
x3  2 x2  1
expressão E1 ( x )  pode ser calculada.
x 2  2x

Exercício 7: Resolva em IR , as seguintes inequações:


x 2  x 1 2 2
 3 b) x2  .
x 2
x x 1
Atenção: O item (b) envolve o conceito de módulo ou valor absoluto, caso você não lembre como
usar esse conceito, veja o texto disponibilizado na plataforma com o titulo "Módulo (Valor Absoluto)
de um número real".

Bom trabalho!

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