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2 A saúde nos governos Lula e


Dilma: algumas reflexões22

Maria Inês Souza Bravo23

Juliana Souza Bravo de Menezes24

Apresentação blico democrático dos direitos sociais e na maioria, por denúncias de corrupção.
ampliando o espaço privado - não só nas O artigo vai abordar também as ma-
Este texto pretende analisar a Política atividades ligadas à produção econômica, nifestações dos movimentos sociais, da
de Saúde na atual conjuntura, fazendo, mas também no campo dos direitos so-
num primeiro momento, uma abordagem Frente Parlamentar da Saúde, do Fórum
ciais conquistados. da Reforma Sanitária e a criação de Fó-
geral, com ênfase nas políticas sociais, e, Posteriormente, destaca-se a eleição de
no segundo, enfocando a Política de Saú- runs de Saúde e da Frente Nacional contra
Dilma Roussef que chega ao poder com a a Privatização da Saúde.
de nos dois mandatos do presidente Luiz mística de ser a primeira mulher eleita ao
Inácio Lula da Silva e, em seguida, apre- cargo presidencial do país. A atual presi- Para finalizar, são levantadas algumas
senta algumas reflexões com relação ao dente venceu as eleições devido à popula- considerações que destacam as proposi-
governo Dilma Roussef. ridade do presidente Luis Inácio Lula da ções de diversos sujeitos fiéis as lutas e aos
Nesta direção, vai-se ressaltar as pro- Silva que a apoiou durante toda a campa- princípios da Reforma Sanitária brasileira
postas e reformas defendidas pelo gover- nha, uma vez que alguns petistas que tive- construída nos anos oitenta. São ressaltadas
no Lula, após o seu primeiro governo, que ram seus nomes cogitados para a eleição a agenda política aprovada pelo Conselho
dão seqüência à contrarreforma do Estado perderam a possibilidade de serem candi- Nacional de Saúde e a criação dos Fóruns
iniciada na gestão de Fernando Henrique datos por diversos motivos entre eles, a de Saúde e da Frente Nacional contra a Pri-
Cardoso (FHC), encolhendo o espaço pú- sucessão de escândalos que os envolvia, vatização da Saúde e suas proposições.

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Este texto é uma versão revista e ampliada pelas autoras do artigo “Política de Saúde no Governo Lula: Algumas Reflexões”. In: Movimentos Sociais,
Saúde e Trabalho. Organizadores, Maria Inês Souza Bravo [et al.]. Rio de Janeiro: ENSP/FIOCRUZ, 2010.
Assistente Social, doutora em Serviço Social (PUC/SP) e pós-doutora em Serviço Social pela UFRJ, professora aposentada da UFRJ, professora adjunta
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da Faculdade de Serviço Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), coordenadora dos projetos “Políticas Públicas de Saúde: o potencial
dos movimentos sociais e dos conselhos do Rio de Janeiro” e “Saúde, Serviço Social e Movimentos Sociais”. Integrante do Fórum de Saúde do Rio de
Janeiro e da Frente Nacional contra a Privatização da Saúde (e-mail: mibravo@uol.com.br).
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Especialista e mestre em Saúde Pública (ENSP/FIOCRUZ), assistente social do Hospital Federal de Bonsucesso/Ministério da Saúde. Integrante do
projeto “Políticas Públicas de Saúde: o potencial dos movimentos sociais e dos conselhos do Rio de Janeiro” da Faculdade de Serviço Social da Universi-
dade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Integrante do Fórum de Saúde do Rio de Janeiro e da Frente Nacional contra a Privatização da Saúde (e-mail:
julianasbravo@gmail.com).
A Conjuntura e as utilizada. O primeiro é o Projeto Fome públicos é colocada como solução e, en-
Políticas Sociais Zero, que ficou basicamente concentrado tre seus compradores, estão os fundos de
no programa Bolsa-Família; o segundo, pensão. Dessa forma, as contra-reformas
A eleição de Luiz Inácio Lula da Silva a contrarreforma da Previdência Social; do Estado, que tinham como objetivo so-
significou um marco político na história e o terceiro refere-se ao trato dado pela lucionar as crises fiscais, são os seus prin-
do país, pois foi a primeira vez que se equipe econômica aos recursos da Segu- cipais elementos geradores.
elegeu “um representante da classe ope- ridade Social. Em síntese, a contrarreforma previ-
rária brasileira com forte experiência de denciária do governo Lula “caracteriza-se
A ação mais importante na área social
organização política” (Braz, 2004, p. 49). por ser antidemocrática, anti-republicana
é o programa de transferência de renda
A consagração eleitoral foi resultado da e ainda por promover uma redistribuição
Bolsa Família, criado em 2003, com o
reação da população contra o projeto neo- de renda às avessas, entre os servidores e
desafio de combater a miséria, através da
liberal implantado nos anos de 1990. Isto o capital financeiro” (Marques & Mendes,
unificação de todos os programas sociais
é, pela primeira vez venceu o projeto que 2005, p. 150-151)28.
e a criação de um cadastro único de be-
não representa, em sua origem, os interes-
ses hegemônicos das classes dominantes. neficiários. Em 2009, no segundo mandato, o go-
Apesar dos avanços nas condições de verno apresenta à Câmara dos Deputados
Apesar das dificuldades do cenário in-
vida de milhões de brasileiros, é impor- a proposta de Reforma Tributária (Projeto
ternacional, com a pressão dos mercados
tante destacar que o Bolsa Família não se de Emenda Constitucional - PEC 233/08),
e do capitalismo financeiro, acreditava-
constitui um direito, pois trata-se de uma na qual propõe profundas alterações no
se que, no Brasil, estaria se inaugurando
política de governo, fruto de uma decisão sistema tributário nacional, com vistas à
um novo momento histórico em que se
do Executivo federal. Não sendo uma po- sua simplificação e desburocratização,
enfrentaria as políticas de ajuste. Não se
lítica de Estado, pode ser extinto a qual- eliminação da guerra fiscal, desoneração
esperava transformações profundas, dian-
quer momento. Ressalta-se que o combate parcial da tributação sobre a folha de sa-
te dos acordos ocorridos, mas havia ex-
à pobreza não se dá apenas por políticas lários, eliminação de distorções e cumu-
pectativas com relação às políticas sociais
de transferência de renda, mas é preciso latividade e aumento da competitividade
e à participação social.
que estas estejam associadas a outras po- econômica. Tal proposta traz graves con-
A legitimidade expressa nas urnas, líticas sociais. Isto é, no contexto de uma seqüências ao financiamento das políticas
para “exercer um governo orientado para política de universalização da proteção sociais no Brasil, ameaçando de forma
mudar o Brasil numa direção democráti- social, a garantia de renda seria compre- substancial as fontes exclusivas que dão
co-popular” (Netto, 2004, p. 13) e para endida como um direito. E o seu avanço suporte às políticas de Seguridade Social
“uma política econômica direcionada não abandonaria a idéia de universaliza- (Previdência, Saúde e Assistência Social),
ao mercado interno de massas, articu- ção das políticas sociais, ou seja, “não Educação e Trabalho29.
lada a uma política social mais ousada” seria acompanhado com a implantação de Esse projeto, se aprovado na forma atu-
(BEHRING, 2004), não foi levada em um ‘Estado mínimo’ nos outros ramos da al, subtrai recursos e quebra salvaguardas
consideração. proteção social”26 (Marques & Mendes, constitucionais de benefícios e programas
A análise realizada por Behring (2004), 2005, p. 169). sociais e serviços públicos, atualmente
explicita que, no plano econômico, todos protegidos pelo art. 195 da Constituição
A contrarreforma da Previdência So-
os parâmetros macroeconômicos da era Federal de 1988. Desconstruída a capaci-
cial, ocorrida no governo Lula, realizou,
FHC foram mantidos, permanecendo in- dade de financiamento da Seguridade So-
no âmbito do serviço público, ações res-
tocáveis: o superávit primário; a Desvin- cial, a construção e a efetividade de direi-
tritivas de direitos que haviam sido der-
culação de Receitas da União (DRU)25; tos declarados em várias partes do texto
rotadas durante a gestão FHC27. Há uma
taxas de juros parametradas pela Selic; constitucional ficam inviabilizadas.
redução de direitos do mundo do trabalho,
apostas na política de exportação, com
a privatização dos recursos públicos e a A Reforma Tributária não interessa so-
base no agronegócio; o inesgotável paga-
ampliação dos espaços de acumulação do mente aos setores representativos do em-
mento dos juros, encargos e amortizações
capital. Granemann (2004) destaca que a presariado nacional ou aos governadores e
da dívida pública; e o aumento da arreca-
especulação financeira, promovida pelos prefeitos. É um tema que interessa a toda
dação da União.
fundos de pensão, atinge o Estado por a sociedade. A carga tributária, o financia-
Essas orientações econômicas têm meio dos investimentos em renda fixa que mento do Estado, os tributos recolhidos
impactos nas políticas sociais. De acor- têm como importantes fontes de suas apli- incidem sobre toda a população, 2/3 das
do com Soares (2004), a tese central do cações os títulos públicos. A autora ressal- receitas arrecadadas advêm de tributação
governo é que a solução não está na ex- ta ainda que essas medidas “nos reservam, sobre consumo e sobre a renda dos traba-
pansão do gasto social, e sim na focali- como futuro, uma necessidade inarredá- lhadores. Nessa direção, é necessária uma
zação. Continua-se com políticas focais, vel de endividamento público, posto que reforma que não apenas racionalize o sis-
em detrimento da lógica do direito e da partes significativas das contribuições tema tributário, mas também o torne me-
Seguridade Social universalizada. previdenciárias da força de trabalho esta- nos regressivo, ou seja, mais justo e redis-
Para Marques & Mendes (2005), as tal e privada foram cedidas aos fundos de tributivo. Ao mesmo tempo, é preciso ter
políticas sociais no governo Lula estão pensão e às previdências abertas” (2004, claro que as mudanças propostas afetarão
estruturadas em três eixos que funda- p. 32). Nesta perspectiva, o endividamen- profundamente toda a Seguridade Social,
mentam a concepção de proteção social to estatal é agravado e a emissão de títulos colocando em risco as grandes conquistas
16 setembro de 2011 Cadernos de Saúde
sociais da Constituição Federal de 198830. as posições assumidas nesses seis meses ca, 30 mil operários entraram em greve;
Esse breve balanço das políticas sociais apontam um governo mais privatista e na Termelétrica de Pecém (Ceará), 6 mil
mostra que, apesar de algumas inovações, comprometido com a manutenção do atu- trabalhadores ficaram parados; na Ponte
a agenda da estabilidade fiscal é muito for- al modelo econômico. sobre o Rio Madeira (Rondônia) houve
te e, conseqüentemente, os investimentos O corte de R$ 60 bilhões no orçamento 300 grevistas. Em diversas regiões, o Pro-
são muito reduzidos, não apontando na di- atingiu basicamente a área social, a saber: grama “Minha Casa Minha Vidas” sofre
reção de um outro projeto para o país. redução de gastos com pessoal, incluindo paralisações com sete mil operários da
congelamento dos salários (R$ 3,5 mi- construção civil recusando-se a trabalhar
Com relação à participação social, se-
lhões); corte de R$ 5 bilhões no Programa nas condições impostas.
gundo Moroni (2009) houve a ampliação
de canais de participação, mas também “Minha Casa Minha Vida”; no Ministério Os servidores públicos fizeram três
houve um desrespeito à autonomia da so- da Reforma Agrária houve redução de R$ marchas em Brasília e houve a greve dos
ciedade civil. Na maioria dos espaços par- 929 milhões; na Educação corte de R$ 3,1 servidores das universidades. Em agosto,
ticipativos criados ou reformulados quem milhões; na Saúde R$ 578 milhões; nos foi convocada uma Jornada Nacional de
determina a representação da sociedade é Desportos R$ 1,5 milhões; no Meio Am- Lutas para unificar essas diversas mani-
o governo. biente R$ 400 milhões e no Transporte R$ festações.
2,3 milhões (Domingues, 2011). Após essa análise mais geral dos go-
O que se constata é que ocorre uma
multiplicidade de espaços de interlocução, Com relação ao combate às desigual- vernos, vai-se ressaltar a política de saúde
mas não há uma política de fortalecimento dades, a primeira medida do governo nos mesmos.
do sistema descentralizado e participativo Dilma nesta área foi solicitar uma nova
e, muito menos, ampliação dos processos definição da linha da miséria e da pobreza
democráticos. A participação ficou reduzi- sendo o único critério o da renda per capi- A Saúde no
da à estratégia de governabilidade31. ta da família. O que se verifica é a subor- Governo Lula
dinação da lógica social à lógica econô-
Vai-se fazer em seguida, algumas re- Vai-se abordar as ações na saúde
mica, com belas fórmulas para combater
flexões com relação aos seis meses ini- desenvolvidas nos dois mandatos
a miséria (Moroni, 2011).
ciais do governo Dilma. do governo Lula.
Um aspecto importante é que os pri-
Após a vitória de Dilma, houve algu-
meiros meses do governo demonstraram
mas especulações com relação as linhas
gerais de seu governo. Algumas temáticas
a crescente insatisfação de grupos sociais. A Saúde no
são centrais nesta análise: política econô- Várias manifestações ocorreram ca- Primeiro Mandato
mica, política externa, combate às desi- bendo destacar (Costa, 2011): A Política de Saúde é apresentada no
gualdades, postura com relação aos temas • A dos estudantes e trabalhadores em programa de governo do primeiro manda-
polêmicos como a legalização do aborto, protesto contra a elevação da passagem to como direito fundamental e explicita-se
regulação social do monopólio dos meios dos ônibus em várias cidades do Brasil; o compromisso em garantir acesso univer-
de comunicação. • Fóruns Populares em todo país de- sal, equânime e integral às ações e servi-
No início do governo, algumas ações batem a situação da saúde e da educação ços de saúde. A concepção de Seguridade
mereceram preocupações como cortes or- pública, organizando mobilizações contra Social não é assumida na perspectiva na
çamentários, restrição de investimentos, o processo de privatização; Constituição Federal de 1988. Havia uma
medidas de caráter privatista como a aber- expectativa, entretanto, de que o governo
• Trabalhadores da construção civil
tura do capital da Infraero, a privatização fortalecesse o Projeto de Reforma Sanitá-
reagem às condições de super exploração
de aeroportos e a nova rodada de leilões ria na saúde.
impostas pelas empreiteiras – empresas
do petróleo do Pré-Sal (Medeiros, 2011). multinacionais – como a Odebrecht, Ca- Para a análise, vai-se utilizar dois au-
Como ocorreu no governo Lula, a maior margo Correa, Queiroz Galvão, Mendes tores que escreveram sobre a temática:
parte do orçamento da união para 2011 será Junior e outras – nas obras do PAC (Pro- Bravo (2004 e 2006), Paim et. al. (2005)
destinado à rolagem da dívida pública. A grama de Aceleração do Crescimento) e Paim (2008).
proposta é que R$678,5 bilhões sejam des- que é um dos maiores programas de trans- Para Bravo (2004 e 2006), o Minis-
tinados a pagar os juros e a amortização da ferência de verbas públicas para as mãos tério da Saúde, no início do governo,
dívida. Este valor representa mais de um do grande capital. vai sinalizar como um dos desafios a in-
terço do total do orçamento que chegará Mais de 80 mil trabalhadores já fize- corporação da agenda ético-política da
em 2012, a R$2,07 trilhões. Há também a ram greve nas obras espalhadas pelo Nor- Reforma Sanitária. Entretanto, tem-se
previsão da manutenção do superávit pri- te, Nordeste e Centro-Oeste. Ressalta-se percebido a manutenção da disputa en-
mário em 3,1% do PIB, com a previsão de como exemplos, a Usina de Jirão (Ron- tre os dois projetos: Reforma Sanitária e
cortes de até R$ 60 bilhões, o que equivale dônia) onde a massa em revolta incendiou Privatista. Em alguns aspectos, o gover-
a todos os gastos do Ministério da Saúde ônibus, veículos e escritórios; na Hidro- no procura fortalecer o primeiro projeto
(Medeiros, 2011). elétrica São Domingos (Mato Grosso) os e, em outros, o segundo.
Todas estas medidas demonstram que trabalhadores incendiaram os alojamen- A autora ressalta como aspectos de ino-
o governo Dilma não enfatizará mais o so- tos; no complexo do SUAPE que reúne a vação da política de saúde que poderiam
cial do que o anterior mas, pelo contrário, Refinaria Abreu e Lima e a Petroquími- fortalecer o primeiro projeto: o retorno da
Cadernos de Saúde setembro de 2011 17
concepção de Reforma Sanitária que, nos Salienta-se, entretanto, segundo Mas- petência fortalecer a participação social e
anos noventa, foi abandonada; a escolha son (2007), que o grupo de trabalho in- a realização de diversas conferências em
de profissionais comprometidos com a terministerial, instituído no âmbito do articulação com o Conselho Nacional. En-
luta pela Reforma Sanitária para ocupar o Ministério da Educação em 2006, ao tre as conferências realizadas, destaca-se
segundo escalão do ministério; as altera- produzir parecer técnico sobre a gestão a 12ª Conferência Nacional de Saúde, em
ções na estrutura organizativa do Ministé- e financiamento dos HUs vinculados às 2003, em caráter extraordinário, com o
rio da Saúde32; a convocação extraordiná- Instituições Federais de Ensino Superior tema “Saúde: um direito de todos e dever
ria da 12ª Conferência Nacional de Saúde (IFES), vai destacar, principalmente, o do Estado. A Saúde que temos, o SUS que
(CNS)33 e a sua realização em dezembro problema de gestão. A política de cria- queremos”, e as seguintes Conferências
de 2003 e a escolha de representante da ção de indicadores para credenciamento Temáticas: 3ª Conferência Nacional de
Central Única dos Trabalhadores (CUT) e qualificação dos HUs, apesar de con- Saúde Bucal e 2ª Conferência Nacional de
para assumir a secretaria executiva do ter aspectos importantes, proporcionou Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde
Conselho Nacional de Saúde. oportunidade para o governo elaborar um (2004); 3ª Conferência Nacional de Saú-
Como continuidade da política de saú- diagnóstico das condições de desempenho de do Trabalhador (2005); 3ª Conferên-
de dos anos noventa, destaca-se a ênfase dessas unidades. Este diagnóstico, por sua cia Nacional de Gestão do Trabalho e da
na focalização, na precarização, na tercei- vez, forneceu dados para a implantação da Educação na Saúde e 3ª Conferência Na-
rização dos recursos humanos, no desfi- proposta de contrarreforma da natureza cional de Saúde Indígena (2006)36. Outro
nanciamento e a falta de vontade política jurídica (Fundações Privadas) e da função aspecto importante foi a eleição do pre-
para viabilizar a concepção de Seguridade social dos HUs. O relatório enfatiza que sidente do Conselho Nacional de Saúde,
Social34. Como exemplo de focalização, o problema dos HUs reside “no desperdí- em 2006, pela primeira vez em 70 anos de
destaca-se a centralidade no Programa cio por conta das deficiências de gestão, existência37 (Radis 53).
Saúde da Família, sem alteração signifi- planejamento e integração entre as esferas Um dos aspectos centrais da Política
cativa, para que o mesmo se transforme de governo”. Não se enfatiza a questão de Saúde refere-se aos trabalhadores de
em estratégia de reorganização da atenção central, que é a insuficiência de recursos. saúde, que foram terceirizados nos anos
básica, em vez de ser um programa de Com relação aos Programas Espe- de 1990. Nesta direção, algumas propos-
extensão de cobertura para as populações ciais, foram mantidos os de combate ao tas têm sido defendidas e foram objeto
carentes (Bravo, 2004 e 2006). Tabagismo e à AIDS. No que diz respei- de discussão na 3ª Conferência Nacional
Paim et. al. (2005) realizou um estudo, to à saúde da mulher, houve um esforço de Gestão do Trabalho e da Educação na
no primeiro ano do primeiro mandato, em para enfrentar a mortalidade materna e Saúde, como a implantação do Plano de
que avaliou a Política de Saúde a partir formular uma política específica. Quanto Carreira, Cargos e Salários (PCCS) para
das seguintes temáticas: Atenção Básica; ao Programa de Tuberculose é necessário o SUS; educação permanente; proteção
Atendimento Hospitalar e Alta Comple- garantir a cobertura da atenção. Apesar social do trabalhador e regulação pública
xidade; Programas Especiais; Vigilância das ações sobre as doenças infecto-con- das especialidades a partir das necessida-
Epidemiológica e Sanitária; Assistência tagiosas, o perfil epidemiológico do país des de saúde da população e do SUS; des-
Farmacêutica; Assistência Médica Suple- indica que outras enfermidades e agravos precarização do trabalho; implementação
mentar e Controle Social. merecem a atenção da Vigilância em Saú- da Norma Operacional Básica de Recur-
de, tais como a violência e as doenças crô- sos Humanos (NOB/RH-SUS), aprova-
As ações referentes à atenção básica
nico-degenerativas (Paim et. al., 2005). da como Política Nacional, por meio da
assinalam um compromisso do governo
com a ampliação e o fortalecimento do Sobre a Assistência Farmacêutica, o Resolução n° 330, em 2004. As ações ne-
Programa Saúde da Família, através do governo buscou a ampliação de laborató- cessárias para a viabilização da política,
aumento do financiamento e da ampliação rios oficiais e criou as farmácias popula- entretanto, não foram efetivadas.
de equipes de saúde da família (Paim et. res35; aumentou a fiscalização e o controle A partir das contribuições dos auto-
al., 2005). dos medicamentos. Os autores ressaltam res, pode-se identificar que a política de
Para a atenção hospitalar e de alta que um aspecto que não foi enfrentado, saúde sofreu os impactos da política ma-
complexidade, os autores ressaltam o apesar do Conselho Nacional de Saúde croeconômica. As questões centrais não
fortalecimento dos vínculos dos hospitais (CNS) ter apontado como desafio para o foram enfrentadas, tais como a universa-
universitários (HUs) com o Sistema Úni- SUS, refere-se à subordinação das agên- lização das ações, o financiamento efe-
co de Saúde (SUS), através de algumas cias reguladoras às instâncias gestoras pú- tivo, a Política de Gestão do Trabalho e
medidas, a saber: recomposição dos qua- blicas, mesmo se tratando de autarquias Educação na Saúde e a Política Nacional
dros de servidores desses hospitais; nova especiais: esta é a situação da Agência de Medicamentos.
forma de financiamento dos HUs. Outras Nacional de Saúde Suplementar. O gover- Na atual conjuntura, desafios estão co-
ações nesta direção: a estruturação do ser- no tem-se posicionado de forma tímida locados para os defensores do Projeto de
viço de emergência, com o lançamento do em relação à regulação e ao controle da Reforma Sanitária com relação à demo-
Programa Nacional de Atenção Integral às saúde suplementar. cratização da saúde. É importante desta-
Urgências e a criação do Serviço de Aten- Em relação ao Controle Social, é ex- car que o movimento sanitário, formula-
dimento Móvel de Urgência (SAMU); o plicitado como avanço pelos dois autores dor do Projeto de Reforma Sanitária e do
estímulo e apoio à criação de Centrais de a criação da Secretaria de Gestão Estraté- SUS, durante a década de 1990, ficou em
Regulação Regionais das Urgências. gica e Participativa, que tem como com- posição defensiva, apenas resistindo aos
18 setembro de 2011 Cadernos de Saúde
ataques ao SUS. • Garantir a democratização do SUS, retorno da “militância” e as propostas dos
Em junho de 2005, foi realizado, na com o fortalecimento do controle social; candidatos para a saúde. Este último tema
Câmara dos Deputados, o 8° Simpósio • Definição de uma política industrial, foi considerado central diante da proxi-
sobre Política Nacional de Saúde, com o tecnológica e de inovação em saúde e ga- midade das eleições. Neste caso, como
tema “SUS – o presente e o futuro: ava- rantir assistência farmacêutica integral; aspectos relevantes, pode-se salientar que
liação do seu processo de construção”. as plataformas de saúde dos candidatos
• Desenvolvimento de ações articula-
Este simpósio reuniu mais de oitocentos não eram conhecidas pela sociedade, a
das entre os Poderes (Executivo, Legis-
participantes, entre eles, representantes saúde não era prioridade para os partidos
lativo e Judiciário) para a construção de
da Frente Parlamentar de Saúde, diversas políticos e que, nos programas de saúde
soluções relativas aos impasses na imple-
entidades da saúde e representantes da divulgados, não havia diferença entre as
mentação do SUS;
população usuária, dos trabalhadores da propostas dos candidatos.
• Recriação do Conselho Nacional de
saúde, dos prestadores de serviços e dos No final do primeiro mandato, foi
Seguridade Social.
gestores. Ao final do encontro, foi lançada apresentado o Pacto pela Saúde (2006),
a Carta de Brasília, que destaca propostas Após esse encontro, observou-se a ini- com o objetivo de rediscutir a organiza-
afirmando o compromisso com o direito ciativa de viabilização das entidades em ção e o funcionamento do SUS e avançar
universal e integral à saúde, com o Sis- torno das bandeiras da Reforma Sanitária. na implementação dos seus princípios.
tema Único de Saúde, com o Projeto de Surge, em seguida, o Fórum da Reforma Entretanto, até o momento, este pacto não
Reforma Sanitária e com a Seguridade Sanitária, formado pelas seguintes enti- tem sido debatido amplamente40.
Social, a saber: dades: o Centro Brasileiro de Estudos da
Saúde (Cebes)39, a Associação Brasileira
• Definição de uma Política Nacional A Saúde no
de Pós-Graduação em Saúde Coletiva
de Desenvolvimento; Segundo Mandato
(Abrasco), a Associação Brasileira de
• Defesa da Seguridade Social como Economia da Saúde (Abres), a Rede Uni-
política de proteção social universal; O Plano de Governo 2007-2010 di-
da e a Associação Nacional do Ministério vulgado pelo candidato Lula não apre-
• Defesa intransigente dos princípios e Público em Defesa da Saúde (Ampasa). senta um compromisso com a Reforma
diretrizes do SUS; Este fórum lança o seu primeiro manifes- Sanitária, uma vez que não menciona
• Retomada dos princípios que regem to, no dia 23 de novembro de 2005, em alguns eixos considerados centrais, a
o Orçamento da Seguridade Social, mas, ato público realizado na Câmara dos De- saber: controle dos planos de saúde, fi-
imediatamente, regulamentar a Emenda putados, com vistas à defesa da aprova- nanciamento efetivo e investimentos,
Constitucional nº 29; ção da Emenda Constitucional n° 29 e à ação intersetorial e política de gestão do
ampliação de mais recursos no orçamento trabalho (Paim, 2008).
• Cumprimento da Deliberação N° da saúde, em 2006. Este manifesto, inti-
001, de 10 de março de 2005, do Conse- tulado “Fórum da Reforma Sanitária Bra- Na composição do segundo governo
lho Nacional de Saúde, contrária à tercei- sileira: reafirmando compromissos pela Lula, é escolhido para ministro da Saú-
rização da gerência e gestão de serviços e saúde dos brasileiros”, defende a Refor- de um sujeito político que participou da
de pessoal do setor saúde38; ma Sanitária e apresenta uma agenda para formulação do Projeto de Reforma Sani-
• Avançar no desenvolvimento de uma a saúde dos brasileiros. O fórum lançou tária dos anos de 1980. Em seu discurso
política de recursos humanos em saúde, mais dois documentos, um sobre os gastos de posse, o ministro José Gomes Tempo-
com eliminação de vínculos precários; públicos em saúde – “Gasto em Saúde no rão afirma que há uma tensão permanente
Brasil: É muito ou Pouco?” – e outro que entre o ideário reformista e o projeto real
• Estabelecimento de Plano de Cargos,
foi apresentado aos candidatos à eleição em construção, assim como aspectos cul-
Carreiras e Salários para o SUS de manei-
de 2006 – “O SUS pra valer: universal, turais e ideológicos em disputa, como as
ra descentralizada, sem a incidência dos
humanizado e de qualidade”. propostas de redução do Estado, de indi-
atuais limites de gastos da Lei de Respon-
vidualização do risco, de focalização, de
sabilidade Fiscal; O Fórum da Reforma Sanitária, com
negação da solidariedade e banalização da
• Avançar na substituição progressiva a iniciativa do Cebes, organizou, em de-
violência. Um dos possíveis caminhos de
do sistema de pagamento de serviços por zembro de 2006, o Encontro Nacional de
superação deste conflito certamente pas-
um sistema de orçamento global integra- Conjuntura e Saúde, na Escola Nacional
sa pelo reconhecimento da sociedade de
do, alocando recursos baseados nas neces- de Saúde Pública Sérgio Arouca (ENSP/
FIOCRUZ). Este encontro teve como pensar a saúde como um bem e um proje-
sidades de saúde da população; to social. É necessário, portanto, retomar
objetivo discutir uma agenda de debates
• Revisão da lógica de subsídios e isen- para a reconstrução de um campo político os conceitos da Reforma Sanitária Brasi-
ções fiscais para operadores e prestadores da Reforma Sanitária que dê feição a um leira, que não se limitam à construção do
de planos e seguros privados de saúde, projeto mais geral para o país e articule SUS, mas ao aumento da capacidade para
redirecionando esses recursos para o sis- as diversas lutas do setor saúde, como o interferir crescentemente na determinação
tema público de saúde; financiamento e a alteração do modelo social da doença. E os sujeitos deste pro-
• Avançar no debate do projeto de lei assistencial (Radis 53). Segundo Paim cesso são os usuários e os profissionais de
que trata da Responsabilidade Sanitária, (2008), entre os temas discutidos no en- saúde. Sem eles, o projeto será derrotado.
no sentido de se retomar o cerne da dis- contro, destacam-se o movimento sanitá- O ministro, no primeiro ano de sua
cussão para a garantia do direito à saúde; rio e a mídia, a ampliação da agenda, o gestão, levantou para o debate questões
Cadernos de Saúde setembro de 2011 19
polêmicas como a legalização do aborto, e a 13ª Conferência Nacional de Saúde - dade na plenária.
considerado como um problema de saúde maior evento envolvendo a participação A conferência só foi realizada em
pública41; a ampliação das restrições à pu- social no país. Em todas estas conferên- 2007 face à determinação do Conselho
blicidade de bebidas alcoólicas e a neces- cias a proposta de criação das Fundações Nacional de Saúde, apesar das dificulda-
sidade de fiscalizar as farmácias. Tomou de Direito Privado foi rejeitada. des enfrentadas e do pouco envolvimento
também algumas medidas, entre elas, a A 13ª Conferência Nacional de Saúde do Ministério da Saúde, com exceção da
de maior impacto foi a quebra de patente teve como tema central “Saúde e Quali- Secretaria de Gestão Estratégica e Parti-
do medicamento Efavirenz (Stocrin), da dade de Vida: Política de Estado e De- cipativa.
Merk Sharp & Dohme, elogiada ampla- senvolvimento”. O Conselho Nacional de A questão preocupante após a 13ª CNS
mente pelas entidades de combate à AIDS Saúde entendeu que era importante para é o fato do ministro da Saúde não aceitar a
(Revista Época, 14/05/2007). a sociedade brasileira definir diretrizes decisão da mesma com relação ao projeto
O Ministério da Saúde, entretanto, não para o avanço e a garantia da saúde como de Fundação Estatal de Direito Privado,
tem enfrentado algumas questões centrais direito fundamental no desenvolvimento continuando a defendê-lo e a mantê-lo no
ao ideário reformista construído desde humano, econômico e social, bem como Programa Mais Saúde, conhecido como
meados dos anos setenta, como a concep- apontar estratégias para fortalecer a par- PAC Saúde, apresentado à nação e ao
ção de Seguridade Social, a Política de ticipação social no enfrentamento dos Conselho Nacional de Saúde no dia 5 de
Recursos Humanos e/ou Gestão do Tra- desafios atuais, para assegurar o Sistema dezembro de 2007.
balho e Educação na Saúde e a Saúde do Único de Saúde como política de Estado. O Programa Mais Saúde apresenta
Trabalhador. Apresenta, por outro lado, Dois temas foram centrais na 13ª Con- quatro pilares estratégicos, a saber:
proposições que são contrárias ao projeto, ferência: o projeto de Fundação Estatal
como a adoção de um novo modelo jurí- • Promoção e Atenção - Envolve ações
de Direito Privado no âmbito da saúde e de saúde para toda a família, desde a ges-
dico-institucional para a rede pública de a descriminalização do aborto. O projeto tação até a terceira idade.
hospitais, ou seja, a criação de Fundações foi reprovado não somente em todos os
Estatais de Direito Privado. grupos, mas também na plenária final. • Gestão, Trabalho e Controle Social -
Marcou, desta forma, um posicionamento Qualifica os profissionais e gestores, for-
A proposição mais preocupante é a
ma recursos humanos para o Sistema Úni-
criação das Fundações Estatais, cujo de- claro do movimento da saúde contrário ao
co de Saúde (SUS) e garante instrumentos
bate está mais avançado na saúde42 , mas modelo de gestão proposto pelo governo
para o controle social e fiscalização dos
pretende atingir todas as áreas que não federal, que retoma, com novo fôlego, a
recursos. Neste item, a proposta central é
sejam exclusivas de Estado, tais como contrarreforma do Estado, iniciada no go-
a criação da Fundação Estatal de Direito
saúde, educação, ciência e tecnologia, verno Fernando Henrique Cardoso (FHC)
Privado.
cultura, meio ambiente, desporto, previ- por Bresser Pereira (Bravo, 2008).
dência complementar, assistência social, • Ampliação do Acesso com Qualidade
Os delegados do maior evento da saú-
entre outras43. - Reestrutura a rede, cria novos serviços,
de pública brasileira apontaram como
amplia e integra a cobertura no SUS.
Algumas questões podem ser levan- propostas para as questões vivenciadas
tadas com relação a esta proposta, tendo pelo SUS o aprofundamento das políticas • Desenvolvimento e Inovação em
por referência a saúde: as fundações se- universalistas, o cumprimento da legisla- Saúde - Trata a saúde como um importan-
rão regidas pelo direito privado; tem seu ção brasileira sobre a gestão do trabalho te setor de desenvolvimento nacional, na
marco na “contra-reforma” do Estado e da educação na saúde para o SUS e a produção, renda e emprego.
de Bresser Pereira/FHC; a contratação aprovação do PLP 01/2003 da Câmara dos Nesta conjuntura ficou a indagação de
de pessoal é por CLT, acabando com o Deputados, atualmente PLC n° 89/2007 como ampliar a participação social se um
RJU (Regime Jurídico Único); não en- (no Senado Federal), que regulamenta a de seus mecanismos, como os conselhos
fatiza o controle social, pois não prevê Emenda Constitucional 29, que se refere e conferências, foram banalizados e suas
os Conselhos Gestores de Unidades e ao financiamento. propostas não foram respeitadas.
sim Conselhos Curadores; não leva em Quanto à descriminalização do abor- A expectativa que se tem num Esta-
consideração a luta por Plano de Cargo, to, a conferência posicionou-se desfavo- do democrático de direito é que os mi-
Carreira e Salário dos Trabalhadores de ravelmente. A tradição cultural brasileira nistros sejam exemplares no respeito aos
Saúde; não obedece as proposições da 3ª e a influência da Igreja Católica pesaram princípios e normas constitucionais e no
Conferência Nacional de Gestão do Tra- acentuadamente na escolha política dos acolhimento às decisões democráticas
balho e Educação na Saúde, realizada em delegados com relação a esse tema. O (Dallari, 2007).
2006; fragiliza os trabalhadores através desafio colocado é avançar e aprofundar A proposta de Fundação Estatal de
da criação de Planos de Cargo, Carreira e esse debate, relacionando-o a uma ques- Direito Privado foi aprovada em diversos
Salário por Fundações. tão de saúde pública. Estados, a partir de 2007. O Rio de Janei-
Os movimentos sociais têm reagido Um aspecto importante evidenciado ro foi o primeiro a aprovar a Lei que regu-
a esta proposição. Em 2007, o Conselho na 13ª CNS diz respeito à autonomia lamenta a mesma em dezembro de 2007
Nacional de Saúde se posicionou con- do Conselho Nacional de Saúde em re- (Lei nº 5164, de 17 de dezembro de 2007).
trário na sua reunião do mês de junho44. lação ao governo, o que só foi possível Outros Estados da federação também
Neste ano, foram realizadas Conferências em decorrência do presidente ter sido aprovaram em seguida a proposta de Fun-
Estaduais em todos os estados brasileiros eleito pelos conselheiros e ter legitimi- dação de Direito Privado, a saber: Bahia,
20 setembro de 2011 Cadernos de Saúde
Sergipe, Pernambuco, Acre, Tocantins. tação de laboratórios de órtese e próteses agenda da Reforma Sanitária brasileira.
Em 2009, a proposta das Fundações dentárias. O programa se efetiva dezesse- O primeiro evento foi realizado no Rio
Públicas de Direito Privado é reapresen- te anos após a I Conferência Nacional de de Janeiro, em junho de 2008, com o tema
tada ao Congresso Nacional, em caráter Saúde Bucal. “Saúde e Democracia: participação políti-
de urgência, na contramão do que o Con- O SAMU é constituído por uma central ca e institucionalidade democrática”.
selho Nacional de Saúde tem defendido, de regulação médica, uma equipe de pro- O segundo tema, “Seguridade Social
revelando a intenção-ação do governo de fissionais e um conjunto de ambulâncias, e Cidadania: desafios para uma sociedade
esvaziar o controle social democrático na de abrangência municipal ou regional inclusiva”, foi objeto de Seminário Inter-
saúde, de implementar a lógica privatista, (Machado, Baptista e Nogueira, 2011). nacional, realizado em setembro de 2008
de controlar o movimento dos trabalha- A quarta política priorizada, segundo no Rio de Janeiro.
dores, com o fim da estabilidade do RJU as autoras citadas, é o programa Farmá- Em 2009, dois grandes temas foram
– subjugando trabalhadores às intencio- cia Popular. Foi lançado como proposta escolhidos para aprofundamento: o Públi-
nalidades dos gestores. A proposta desca- na campanha eleitoral para a Presidência co e o Privado na Saúde – seminário que
racteriza o SUS Constitucional nos seus de 2002. Esta política objetiva o aumento ocorreu em São Paulo, em abril de 2009
princípios fundamentais e todas as pro- do acesso das pessoas a medicamentos de – e a Questão da Determinação Social da
posições que o Movimento Popular pela baixos preços para as famílias com sub- Saúde, com elaboração de um documento
Saúde e o Movimento de Reforma Sani- sídios do governo federal, sendo uma es- de referência.
tária sonharam construir em suas lutas tratégia de co-pagamento entre usuários
desde meados dos anos setenta. Substitui- Ressalta-se a amplitude dos debates e
e o Estado. Baseava-se inicialmente na
se o interesse público por interesses par- a ênfase na divulgação dos resultados dos
abertura de farmácias estatais geridas pela
ticularistas numa privatização perversa eventos através de publicações e boletins
Fundação Oswaldo Cruz ou por meio de
do Estado brasileiro, o que infelizmente informativos.
parcerias com estados e municípios. Em
não é novidade na cena pública nacional. 2008, ultrapassa 450 unidades no país. Identifica-se, entretanto, a modificação
Todas essas modificações, entretanto, são Nos casos de parcerias, o governo fede- do referencial teórico que foi hegemônico
ancoradas em valores que foram ressigni- ral oferece incentivo para a instalação nos anos oitenta. A proposta de Reforma
ficados, como a democracia, a qualidade, das farmácias e os estados e municípios Sanitária teve como grande influência teó-
a transparência, a eficiência e a eficácia. ficam com parte dos custos de manuten- rica o marxismo, primordialmente através
A análise que se faz após os dois man- ção e pagamento de pessoal. As farmácias das elaborações de Gramsci e de um de
datos do governo Lula é que a disputa en- disponibilizam para a venda subsidiada seus seguidores Berlinguer, autor prin-
tre os dois projetos na saúde – existentes pelo Ministro da Saúde mais de seten- cipal da Reforma Sanitária Italiana, que
nos anos de 1990 – continuou. Algumas ta medicamentos referentes às doenças teve grande repercussão no movimento
propostas procuraram enfatizar a Reforma cardiovasculares, infecciosas, sistema brasileiro.
Sanitária, mas não houve vontade política endócrino e anticoncepcionais orais que Na atualidade, a direção do CEBES
e financiamento para viabilizá-las. O que são vendidos diretamente às pessoas com tem destacado que o marxismo é apenas
se percebe é a continuidade das políticas receita médica e o usuário paga 10% do uma das múltiplas teorias críticas que
focais, a falta de democratização do aces- valor e o governo federal arca com 90%. permitem ter uma posição politicamente
so, a não viabilização da Seguridade So- Uma segunda vertente do programa comprometida com a mudança social. Ar-
cial e a articulação com o mercado. cresce a partir de 2006, havendo o creden- gumenta que a crise do pensamento e do
Alguns autores ao analisar as priori- ciamento de farmácias privadas cuja ex- movimento marxista é profunda e ocorre
dades da agenda federal da saúde identi- pansão se dá de forma acelerada nos anos em escala planetária.
ficaram quatro políticas prioritárias (Ma- subsequentes, alcançando mais de seis A direção da entidade reconhece como
chado, Baptista e Nogueira, 2011 e Bahia, mil estabelecimentos em 2008 (Machado, legitimas todas as correntes do pensamen-
2010): Estratégia Saúde da Família (ESF) Baptista e Nogueira, 2011). to que têm em comum o fato de salien-
que persiste na agenda de sucessivas ges- O programa Farmácia Popular introdu- tarem os aspectos da autonomia da ação
tões ministeriais e anteriores ao governo ziu, na prática, o co-pagamento na aquisi- do sujeito, da ética e da intersubjetividade
Lula e as que foram salientadas pelo go- ção de medicamentos o que colide com as comunicativa e como autores relevantes
verno - Brasil Sorridente, SAMU (Servi- diretrizes do SUS que prevê atendimento são apontados: Heller, Arendt, Haber-
ço de Atendimento Móvel de Urgência) e integral à saúde, incluindo a assistência mans, Bourdier, Taylor, Giddens, Rorty,
Farmácia Popular. farmacêutica. Outro problema é a parceria entre outros (Cebes, 2009).
Segundo Machado, Baptista e Noguei- público-privado, com a estratégia utiliza- Na nossa análise, o que se evidencia
ra (2011), o Brasil Sorridente é uma po- da a partir de 2006, com o Estado subsi- com esta posição é que há a defesa do
lítica de ampliação da atenção em saúde diando as farmácias privadas, reforçando pluralismo, mas sem hegemonia da te-
bucal em todos os níveis, inclusive no o caráter privatista da saúde. oria social crítica, o que pode levar ao
atendimento de maior complexidade. Pre- Com relação ao movimento sanitário, ecletismo45.
vê a expansão de equipes de saúde bucal o Centro Brasileiro de Estudos de Saúde Esta posição vai influenciar na direção
junto à saúde da família, define a implan- (CEBES), a partir de 2008, tem procurado social da Reforma Sanitária, que passa
tação de centros de especialidades odon- debater alguns eixos temáticos que con- a ser orientada pela social-democracia,
tológicas de referência além da implan- sidera importantes para a atualização da perspectiva dos autores referidos que não
Cadernos de Saúde setembro de 2011 21
tem como preocupação a superação do não cumprimento dos percentuais míni- O Governo Dilma e a
capitalismo. A concepção anterior, cons- mos de investimento pela União, maioria Saúde: Balanço Inicial
truída a partir de meados dos anos setenta, dos estados e parte dos municípios;
tinha como horizonte a emancipação hu- • Avanço da privatização do SUS em A consolidação do Sistema Único de
mana, que só seria alcançada com o so- detrimento do serviço público eminente- Saúde (SUS) é apontada no discurso de
cialismo. mente estatal, através da desestruturação, posse da presidente Dilma como grande
Percebe-se também, em outras publi- sucateamento e fechamento dos serviços prioridade do seu governo. Ressalta que
cações da Saúde Coletiva, vinculadas à públicos e ampliação da contratação de irá utilizar a força do governo federal
academia, a ênfase no cotidiano, sem re- serviços privados, numa flagrante vio- para acompanhar a qualidade do serviço
ferência à perspectiva de totalidade social, lência aos ditames constitucionais; prestado e o respeito ao usuário. Destaca
e às categorias de luta de classes e histo- também que vai estabelecer parcerias com
• Precarização dos serviços públicos e o setor privado na área da saúde, assegu-
ricidade. das relações de trabalho, com baixa remu- rando a reciprocidade quando da utiliza-
Outra questão que se evidencia tam- neração dos trabalhadores e enormes dis- ção dos serviços do SUS. Esta afirmação
bém nas produções é a ênfase em algumas crepâncias salariais sem definição de uma é preocupante com relação a defesa do
temáticas, como a promoção da saúde, política de um plano de cargos, carreiras e SUS, construído nos anos 1980.
cuidado e auto-cuidado, humanização, salários para os profissionais do SUS.
Para Ministro da Saúde é indicado o
estilo de vida. Percebe-se, em algumas A plenária se posicionou contrária à ex-ministro da Secretaria de Relações
análises, a responsabilização do indivíduo proposição do Projeto de Lei nº 92/07, Institucionais da Presidência da Repúbli-
pela sua saúde e as estratégias têm sido que cria as Fundações Públicas de Di- ca do governo Lula e ex-diretor nacional
estimular os sujeitos a encontrarem alter- reito Privado, considerando que o mes- de saúde indígena da Funasa, entre 2004
nativas fora do sistema de saúde, ou seja, mo descumpre o artigo 37 da Constitui- e 2005, o médico Alexandre Padilha, vin-
fora do Estado através do fortalecimento ção Federal e configura um golpe final culado ao Partido dos Trabalhadores (PT).
da sociedade civil. na desconstrução teórica, prática e po-
O Ministro da Saúde, em seu discurso
O conceito de determinação social da lítica do SUS, que dispõe da legislação
de posse, sinaliza que uma das suas prio-
saúde e da doença também está sendo re- reconhecida como a mais avançada do
ridades de gestão e objetivo principal do
duzido a fatores sociais que promovem a mundo e nunca cumprida em sua totali-
ministério será garantir o acesso, o aten-
saúde ou causam as doenças. O que re- dade, com reflexo em várias outras áreas
dimento de qualidade à população, em
torna a cena é o pressuposto positivista do serviço público do país.
tempo real, adequado para a necessidade
da epidemiologia tradicional. A publica- Em maio de 2010, surgiu a “Frente de saúde das pessoas. Alexandre Padilha
ção dos relatórios sobre determinantes Nacional Contra as Organizações So- propôs a definição de um indicador nacio-
sociais da saúde pela OMS (Organização ciais (OSs) e pela Procedência a Ação nal sobre qualidade do acesso aos servi-
Mundial de Saúde) e pela Comissão Na- Direta de Inconstitucionalidade (ADI) ços de saúde e a definição de um mapa
cional, em 2008, segue esses referen- 1.923/98”, como resultado de uma arti- nacional das necessidades em saúde, que
ciais. Os fatores “socioeconômicos” e os culação dos Fóruns de Saúde dos estados auxiliasse o monitoramento da situação
de ordem biológica e ambiental são colo- de Alagoas, Paraná, Rio de Janeiro, São em todo o país. Além disso, Padilha de-
cados num mesmo plano de importância Paulo e do município de Londrina em fende que a saúde ocupe lugar no centro
epistemológica46. torno da procedência da referida Ação da agenda de desenvolvimento.
Destaca-se, entretanto, que alguns Direta de Inconstitucionalidade (ADI), O novo ministro se compromete em
sujeitos coletivos têm sido mais críticos contrária à Lei 9.637/98 que cria as Or- participar ativamente do Conselho Na-
com relação à privatização da saúde. . ganizações Sociais (OSs), que tramitava cional de Saúde (CNS), sendo eleito por
no Supremo Tribunal Federal (STF) para aclamação para a presidência do mesmo,
O Conselho Nacional de Saúde tem
julgamento, desde 1998. no dia 16 de fevereiro de 2011.
divulgado diversos documentos que de-
nunciam o retrocesso que a saúde pública Em novembro de 2010, no Rio de Desde 2006, o presidente do Conselho
brasileira e o SUS vem sofrendo nos úl- Janeiro, foi realizado o Seminário Na- Nacional de Saúde tem sido eleito, sendo
timos anos, colocando-o definitivamente cional “20 anos de SUS, lutas sociais este cargo ocupado por um representante
em risco, em decorrência de ações do go- contra a privatização e em defesa da do segmento dos trabalhadores de saúde.
verno federal. saúde pública e estatal”. Inicialmen- O que foi muito importante para garantir a
te, pensado para cerca de 100 pessoas, autonomia do Conselho do Ministério da
A Plenária Nacional de Conselhos de atraiu inúmeras entidades do país intei-
Saúde, em reunião extraordinária ocorrida Saúde. Antes do processo eleitoral para a
ro contando com a participação de mais presidência do CNS, o presidente nato era
em Brasília, em maio de 2009, especifica de 400 lutadores da saúde. Este foi con-
como principais questões: o Ministro da Saúde. Considera-se que a
siderado um marco na retomada de um eleição do ministro é um retrocesso pois
• A desestruturação da rede de atenção movimento de saúde com base popular concorda-se com várias avaliações que a
primária à saúde, privilegiando os proce- e dimensão nacional. presidência do Conselho de Saúde deveria
dimentos especializados e de alto custo; Esta Frente tem realizado diversas ser ocupada por um representante do seg-
• A não regulamentação da Emenda ações e mobilizado a criação de Fó- mento dos usuários ou dos trabalhadores
Constitucional nº 29, implicando no subfi- runs de Saúde em outros estados e mu- de saúde pois foi um avanço a eleição do
nanciamento da saúde pública a partir do nicípios 47. presidente, em 2006.
22 setembro de 2011 Cadernos de Saúde
Alguns desafios têm sido destacados esforço nacional de mobilização contra a Outra iniciativa do Ministério da Saú-
pelo ministério como a regulamentação dengue, assim como o enfrentamento ao de foi a divulgação, no dia 28 de junho
da Emenda Constitucional (EC) 29 e a crack e outras drogas, sem abrir mão das de 2011, do Decreto 7.508, publicado no
definição de regras claras em relação ao diretrizes da luta antimanicomial. DOU de 29/06/2011 que regulamenta a
financiamento da Saúde. Ressalta-se tam- A Saúde têm vivido algumas questões Lei nº 8080 de 19 de setembro de 1990.
bém a necessidade de aprimorar a gestão, polêmicas nesse início de mandato, como Nesta regulamentação, merece refle-
fortalecendo um modelo de atenção foca- a realização de um diagnóstico para a me- xão a ênfase que aparece em diversos ar-
do no usuário e que tenha a atenção básica lhoria da gestão, promovido pelo Movi- tigos a parceria público-privada, a saber.
como pilar. Em entrevista a Revista Poli, mento Brasil Competitivo que tem Jorge No artigo 3º é ressaltada a participação
Padilha afirma não ter bloqueio ou pre- Gerdau como um dos seus protagonistas. complementar da iniciativa privada e no
conceito com qualquer modelo gerencial Ou seja, é a lógica privada influenciando artigo 16º é destacado que no planejamen-
que cumpra as diretrizes do SUS (Revista no público. to devem ser considerados os serviços
Poli, 2011). Outra polêmica da nova gestão do prestados pela iniciativa privada.
Nesta direção, também é preocupante Ministério da Saúde foi conceder ao Mc Outro aspecto preocupante da regula-
esta afirmativa pois tem-se visto a am- Donald’s o título de “Parceiro da Saúde”. mentação é a falta de referência aos con-
pliação dos modelos de gestão que pri- Entidades que compõe a Frente pela Re- selhos de saúde.
vatizam a saúde como as Organizações gulação da Publicidade de Alimentos49 O XXVII Congresso Nacional de Se-
Sociais (OSs), Organizações da Socieda- encaminharam um documento para o cretários Municipais de Saúde e VIII Con-
de Civil de Interesse Público (OSCIPs), ministro Alexandre Padilha, ressaltando gresso Brasileiro de Cultura de Paz e Não
Fundações Estatais de Direito Privado e a falta de compatibilidade em associar a Violência que reuniu os secretários muni-
os problemas que estas ocasionam para os imagem do Ministério da Saúde com em- cipais de saúde no período de 8 a 12 de
trabalhadores da saúde e usuários. presas como Mc Donald´s, considerando julho de 2011, na cidade de Brasília/DF,
Ao Ministro da Saúde, a presidente da que a principal atividade dessas empresas tirou a Carta de Brasília em que alguns
República fez algumas solicitações for- é a comercialização de alimentos que, em aspectos são ressaltados: ampliar a de-
mais. Uma com relação a atenção a Saú- sua maioria, fazem mal à saúde. mocratização e informação no SUS; lutar
de da Mulher e da Criança, o que inclui Com relação ao modelo de gestão pela aprovação imediata da regulamen-
a constituição da Rede Cegonha – que para a saúde, o governo anterior apre- tação da Emenda Constitucional nº 29;
envolve os cuidados desde a gestação até senta a Medida Provisória (MP) 520, em fortalecer o processo de consolidação do
os primeiros anos de vida da criança. O 31/12/2010, que autoriza o Poder Execu- SUS; pactuar estratégias para o fortaleci-
lançamento deste programa foi em março tivo criar a Empresa Brasileira de Servi- mento da atenção básica; ampliar e forta-
de 2011. Outra solicitação foi com rela- ços Hospitalares (EBSERH), ou seja, uma lecer o Pró Saúde e as residências médicas
ção a prevenção, tratamento, reabilitação empresa pública de direito privado, ligada e multiprofissionais; enfrentar a epidemia
e cuidado as mulheres acometidas pelos ao Ministério da Educação para reestru- da violência, entre outras proposições.
cânceres de mama e de colo uterino. turar os Hospitais Universitários (HUs) O que merece ser ressaltado é que não
Em fevereiro de 2011, foi anunciado o federais. Cabe destacar que a MP apon- coloca o tema da gestão, das parcerias pú-
Programa “Aqui tem Farmácia Popular” tava para a possibilidade da nova empresa blico privadas e, em anexo, ressalta a arti-
que visa oferecer medicamentos para hi- pública administrar quaisquer unidades culação nacional entre gestores e usuários
pertensão e diabetes48. Outra demanda é a hospitalares no âmbito do SUS. Em ju- em defesa do SUS, não mencionando os
implantação de UPAS (Unidades de Pron- nho de 2011, o prazo de votação da MP trabalhadores de saúde.
to-Atendimento 24 horas) em todo o Bra- se encerrou. Dessa forma, o governo reco-
Neste ano, serão realizadas as Confe-
sil e a importância da formação e fixação locou EBSERH como Projeto de Lei (PL rências de Saúde culminando com a 14ª
de profissionais de saúde. Com relação a 1749/2011), mantendo a proposta original Conferência Nacional de Saúde que terá
estas propostas cabem algumas reflexões. quase na sua totalidade. como tema “Todos usam o SUS! SUS na
As UPAS fortalecem o modelo hospitalo- A Empresa Brasileira de Serviços Seguridade Social - Política Pública, Pa-
cêntrico. O importante seria pensar o for- Hospitalares, como prevê a proposta de trimônio do Povo Brasileiro” e o eixo será
talecimento da Estratégia Saúde da Famí- Fundações Estatal de Direito Privado, “Acesso e acolhimento com qualidade:
lia e sua articulação com o sistema. Outra poderá contratar funcionários por CLT e um desafio para o SUS”. A Conferência
questão a ser considerada é como fixar os por contrato temporário de até dois anos, acontecerá em Brasília, no período de 30
profissionais e solidificar sua formação acabando com a estabilidade e implemen- de novembro a 04 de dezembro de 2011.
sem uma política de gestão do trabalho e tando a lógica da rotatividade, típica do O objetivo desse importante evento na
educação, explicitando plano de cargos, setor privado, comprometendo a conti- área da saúde é discutir a política nacional
carreiras e salários e a proposta de educa- nuidade e qualidade do atendimento. Está de saúde e traçar diretrizes.
ção permanente para os trabalhadores da previsto também a criação de previdência O desafio que está posto para a Con-
saúde. O que se tem verificado é a amplia- privada para os seus funcionários (Cisla- ferência é manter o posicionamento que
ção da terceirização e a precarização dos ghi, 2011). questione e critique o processo de priva-
trabalhadores. Além desta proposta tem havido estí- tização dos serviços públicos de saúde,
Também está na pauta da nova equi- mulo aos outros modelos de gestão, con- através dos denominados “novos mode-
pe que compõe o Ministério da Saúde um forme já referido. los de gestão”, tais como Organizações
Cadernos de Saúde setembro de 2011 23
Sociais (OSs), Organizações da Socieda- • Modelo de gestão vertical, burocra- fabril com uma subproletarização, ocor-
de Civil de Interesse Público (OSCIPs), tizado, terceirizado, com ênfase na pri- rendo uma tendência à qualificação e
Fundações Estatais de Direito Privado vatização e, para o seu enfrentamento, intelectualização dos trabalhadores cen-
(FEDPs) e Empresa Brasileira de Servi- são apresentadas propostas contrárias ao trais e a desespecialização e a desqua-
ços Hospitalares (EBSERH), bem como a SUS, como as Fundações Públicas de Di- lificação do subproletariado moderno.
luta pelo Financiamento e por uma políti- reito Privado e o ressurgimento das Orga- Nessas condições, a classe trabalhado-
ca econômica distributiva que valorize a nizações Sociais. ra fragmentou-se, heterogeneizou-se e
política social. • O avanço da privatização, em detri- complexificou-se ainda mais. Tornou-se
A Frente Nacional contra a Privati- mento do serviço público eminentemente mais qualificada em vários setores, como
zação da Saúde continua ampliando sua estatal, através das parcerias público-pri- na siderurgia, havendo uma seletiva in-
ação em 2011 com diversos atos e mani- vadas. telectualização do trabalho, mas desqua-
festações a favor do SUS público, estatal • A precarização dos serviços públicos lificou-se e precarizou-se em diversos
e com qualidade e participará da confe- e o não privilegiamento da atenção primá- ramos, como, por exemplo, na indústria
rência para levar suas propostas. ria de saúde. automobilística. Essas mutações criaram
A análise inicial com relação aos enca- uma classe trabalhadora ainda mais dife-
Todas essas questões são exemplos renciada entre qualificados/desqualifica-
minhamentos da saúde no governo Dilma de que a construção e a consolidação dos
vem sinalizando para a ênfase nas polí- dos, mercado formal/informal e ainda di-
princípios da Reforma Sanitária, construí-
ticas e programas focalizados, a parceria ferenças por sexo, idade e nacionalidade.
da na década de 1980, permanecem como
com o setor privado e a cooptação dos Todo esse processo de modificação tem
desafios fundamentais na agenda contem-
movimentos sociais. dificultado a organização do movimento
porânea do setor.
sindical (Bravo, 2008).
Para finalizar, serão apresentadas algu- Na conjuntura do governo Lula, cons-
mas reflexões. Os partidos de esquerda foram fun-
tatou-se uma fragilização das lutas sociais
e as entidades e movimentos sociais não damentais na Constituição de 1988 e, a
conseguiram uma defesa da Seguridade partir dos anos 1990, não conseguiram
Considerações Finais formular uma agenda em defesa das polí-
Social e da saúde em particular. Desde
A análise da política de saúde nos go- a década de 1990, opera-se uma profun- ticas públicas, da Seguridade Social e da
vernos analisados identifica a persistência da despolitização da “questão social”, Reforma Sanitária. Este fato permanece
de notórias dificuldades com relação ao ao desqualificá-la como questão pública, nos dias atuais, pois, ao assumir o poder,
sistema, cabendo destacar: política e nacional. A desregulamentação o Partido dos Trabalhadores tem se com-
• A lógica macroeconômica de valori- das políticas públicas e dos direitos so- portado somente enquanto governo, não
zação do capital financeiro e subordinação ciais desloca a atenção da pobreza para a conseguindo mobilizar a sociedade para a
da política social à mesma, encolhendo os iniciativa privada e individual, impulsio- ampliação dos direitos sociais.
direitos sociais e ampliando o espaço do nada por motivações solidárias e beneme- Os atuais partidos de esquerda também
mercado. rentes (Yazbek, 2001). não conseguiram formular uma agenda
• A falta de viabilização da concepção A atitude defensiva assumida pelos consistente em defesa da Seguridade So-
de Seguridade Social. movimentos sociais tem como determi- cial. Na campanha eleitoral para presiden-
nantes as mudanças na esfera do traba- te, a frente formada pelo PSOL, PCB e
• O subfinanciamento e as distorções
lho, por meio da reestruturação produti- PSTU explicitou que os gastos públicos
nos gastos públicos, influenciados pela
va e das concepções pós-modernas, que para a saúde, educação e infra-estrutura
lógica do mercado.
enfatizam apenas o local, desvalorizando deveriam ser considerados prioritários.
• A desigualdade de acesso da popula- Defendeu que a saúde deveria ser uma
categorias mais gerais, como a totalida-
ção ao serviço de saúde com a não concre- política central e os recursos teriam que
de social e a articulação do local com o
tização da universalidade. ser suficientes para atender as necessida-
regional e o nacional. A agenda dos mo-
• O desafio de construção de práticas vimentos tem sido elaborada a partir da des da população.
baseadas na integralidade e na interseto- agenda governamental, o que difere da Os demais movimentos sociais têm
rialidade. ação dos mesmos nos anos 1980, que tido uma participação na saúde ainda
• Os impasses com relação à gestão do formulavam proposições para interven- muito incipiente. Identificam-se alguns
trabalho e educação, com a precarização ção nas políticas públicas. debates iniciais no MST, o movimento
dos trabalhadores e a não definição de um Os sindicatos têm privilegiado a em- estudantil está se rearticulando, principal-
plano de cargos, carreiras e salários para presa como interlocutora na defesa de mente as executivas de estudantes de Me-
os profissionais. planos de saúde para os seus associados. dicina, Enfermagem, Farmácia, Nutrição,
• Os avanços e recuos nas experiências O movimento sindical se encontra fra- Educação Física e Serviço Social, com a
de controle social e participação popular, gilizado face às mudanças no mundo do realização de diversos debates. Ressalta-
face à não observância das deliberações trabalho e seus impactos na mobilização se, também, a contribuição de alguns mi-
dos conselhos e conferências e à falta de política. litantes do movimento sindical nos conse-
articulação entre os movimentos sociais. Antunes (1999) afirma que a configu- lhos de saúde.
• Modelo de atenção à saúde centrado ração do mercado de trabalho combina a O movimento sanitário, constituído de
na doença. desproletarização do trabalho industrial intelectuais da saúde coletiva e de alguns
24 setembro de 2011 Cadernos de Saúde
históricos que participaram de sua cons- COMPLEXO PRODUTIVO DA SAÚDE • Defesa e efetivação do Pacto pela
trução nos anos 1980, não tem se articu- como elemento indissociável do Sistema Saúde;
lado com os demais movimentos sociais, Único de Saúde. • Eleger como prioridades a estrutu-
como ocorreu no seu início. Identifica-se • Implementação e fortalecimento da ração da atenção primária e o fortaleci-
um pluralismo teórico, com a preocupa- HUMANIZAÇÃO como instrumento vi- mento da rede pública nas três esferas de
ção de utilizar abordagens não marxistas, tal e fundamental para viabilizar o SUS, governo, de maneira a eliminar a absoluta
o que tem influenciado nas suas posições de acordo com seus princípios. dependência que existe do setor contrata-
políticas. Não há um enfrentamento com do e resgatar o ditame constitucional re-
Cabe destacar como fato político im-
a política macroeconômica do governo ferente aos conceitos de principal e com-
portante para a articulação dos movimen-
e, na maioria das análises, o conteúdo da plementar estabelecidos para a relação
tos sociais, o III Fórum Social Mundial
reforma tem ficado no âmbito setorial. público-privado.
da Saúde, ocorrido em Belém do Pará/
Percebe-se também uma flexibilização de
Brasil, em janeiro de 2009, que elaborou No governo Dilma, ressalta-se como
suas proposições, pautada nas possibilida-
uma agenda política procurando envolver movimentos de resistência a Frente
des de ação face ao atual contexto brasi-
os diversos sujeitos sociais e coletivos. Nacional contra a Privatização da Saú-
leiro de financeirização do capital. A luta
Como aspecto central, foi evidenciado o de, criada em 2010 e que teve algumas
em defesa de um outro projeto societário,
questionamento do sistema atual de acu- conquistas em 2011, a saber: a votação
tendo como horizonte a transição para o
mulação capitalista, concentrador de ren- pela inconstitucionalidade das OSs no
socialismo, aparece, na atualidade, de
da, excludente e construtor de inaceitáveis Rio Grande do Norte; Moção favorável
forma muito tênue. O CEBES conseguiu
desigualdades. à ADI 1.923/98 pelo Conselho Nacional
uma maior articulação na luta contra a
Reforma Tributária, na qual tem tido uma Este fórum ressaltou como desafio de Saúde em 9 de junho de 2011, atra-
ação importante. a construção de um amplo movimen- vés de uma articulação da Frente com o
to contra-hegemônico, na defesa de um FENTAS (Fórum de Entidades Nacio-
Neste cenário, os conselhos de saú- nais de trabalhadores de Saúde). A Mo-
novo processo civilizatório, que retome o
de50 têm tido um protagonismo, contando ção coloca o mais absoluto e irrestrito
ideário de construção do socialismo como
como principal articulador o Conselho apoio a ADI que contesta a legalidade
processo de radicalização da democracia
Nacional de Saúde (CNS). Vários deba-
e de emancipação humana e política. A das organizações sociais como gestoras
tes, seminários e divulgação de notas pú-
garantia da Seguridade Social universal, dos serviços públicos de saúde.
blicas têm ocorrido. Uma agenda política
integral, com justiça social e equidade é Cabe destacar ainda a constituição de
foi aprovada pelo CNS, para o ano de
um valor estratégico desse processo. O Fóruns de Saúde em onze estados brasi-
2009, com as seguintes prioridades:
universalismo deve implicar a garantia leiros: Rio de Janeiro, Alagoas, Rio Gran-
• Uma campanha de mobilização na- do acesso a todas as pessoas, a partir do de do Norte, Ceará, Pernambuco, Distrito
cional pela REPOLITIZAÇÃO do Siste- financiamento efetivo do Estado, e não Federal, Minas Gerais, Rio Grande do
ma Único de Saúde. pode ser flexibilizado. Sul, São Paulo, Paraná, Paraíba e nos
• Implementação da Política de GES- Para avançar na mobilização foi con- municípios de Londrina (Paraná), Santos
TÃO DO TRABALHO que elimine a pre- vocada a I Conferência Mundial pelo De- (São Paulo), Duque de Caxias e Campos
carização em todas as suas formas e que senvolvimento dos Sistemas Universais (Rio de Janeiro). Destes fóruns estaduais,
estabeleça a valorização do trabalho. de Saúde e de Seguridade Social realizada sete foram criados em 2011, os demais
• Inversão do MODELO DE ATEN- em dezembro de 2010, em Brasília/Brasil. já haviam sido criados anteriormente. A
ÇÃO vigente, resgatando o sistema pau- Em 2010, o Conselho Nacional de frente tem conseguido mobilizar diversas
tado na estruturação de uma rede pública Saúde também aprovou uma agenda polí- forças sociais, a saber: sindicatos de fun-
de proteção e promoção da saúde, com tica com as seguintes prioridades: cionários públicos; algumas centrais sin-
equipes multiprofissionais, exercendo a dicais (CSP-Conlutas – Central Sindical
• Regulamentação da Emenda Consti-
atenção primária em sua plenitude. Popular, Instrumento de Luta e Organiza-
tucional nº 29/2000;
• Ampliação e democratização do FI- ção da Classe Trabalhadora, Instrumento
• Criação da Carreira Única da Saúde; de Luta, Unidade da Classe e de Cons-
NANCIAMENTO do SUS, através da re-
gulamentação da Emenda Constitucional • Criação do Serviço Civil em Saúde; trução de uma Central, CTB – Central de
nº 29, vinculada à Contribuição Social da • Prover a autonomia administrativa e Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil);
Saúde (CSS). financeira dos serviços SUS; alguns membros da intelectualidade; en-
• Reversão da PRIVATIZAÇÃO do tidades estudantis da área de saúde (Me-
• Profissionalizar a administração e a
sistema, estruturando e aperfeiçoando a dicina, Enfermagem, Serviço Social);
gestão do SUS;
rede pública estatal. algumas entidades nacionais (ABEPSS,
• Flexibilização da Lei de Responsabi- CFESS, ANDES, FASUBRA, ASFOC,
• Qualificação e fortalecimento do lidade Fiscal; Consulta Popular, FENTAS, FENASPS);
CONTROLE SOCIAL e dos Conselhos • Criar e aprovar Lei de Responsabili- alguns partidos políticos (PCB, PSOL,
de Saúde em todo o país. dade Sanitária; PSTU, PT, PCdoB, PDT).
• Construção da INTERSETORIALI- • Acompanhamento e defesa da implan- Ressalta-se também a mobilização
DADE, nas três esferas de governo. tação do Plano Nacional de Saúde e dos para criar núcleos ou setoriais de saú-
• Realização do debate a respeito do Planos de Saúde estaduais e municipais; de em alguns partidos políticos (PSOL,
Cadernos de Saúde setembro de 2011 25
PSTU, PCB) e em algumas centrais como premo Tribunal Federal pela procedência às medidas regressivas quanto aos direitos
a CSP-Conlutas. da ADI 1923/98; sociais e contribua para a construção de
A Frente Nacional realizou seu segun- • Participar das Conferências Munici- uma mobilização em torno da viabilização
do seminário nos dias 9 e 10 de julho, em pais, Estaduais e da 14ª Conferência Na- do Projeto de Reforma Sanitária construí-
São Paulo, e tirou como principais pro- cional de Saúde, inserindo as bandeiras do nos anos oitenta no Brasil tendo como
postas: de luta da Frente Nacional Contra a Pri- horizonte a emancipação humana.
• Mudança da política macroeconômi- vatização da Saúde e aprovando Moções
ca; contra a Privatização da Saúde; Notas
• Suspensão do pagamento pela audi- • A próxima Reunião da Frente Nacio- 25 Esta desvincula 20% dos recursos arrecada-
nal contra a Privatização da Saúde ficou dos de impostos e contribuições sociais para o
tória da dívida; pagamento de dívida pública.
marcada para a 14ª Conferência Nacional
• Apoio a campanha “A dívida não aca- de Saúde. Ficou deliberado também a ela- 26 O governo tem como proposta eliminar da
bou e quem está pagando é você!”; boração de material da Frente Nacional Constituição de 1988 os preceitos que obrigam
a União, os estados e os municípios a gastarem
• Defesa de 6% do PIB para a saúde contra a Privatização de Saúde a ser dis- um percentual dos recursos arrecadados nos
como parâmetro mínimo; tribuído nas Conferências de Saúde; setores de educação e saúde.
• Extinção da renúncia fiscal para pes- • Como agenda de atividades foi apro- 27 “Direitos como aposentadoria integral,
soa jurídica; vada a participação na Jornada Nacional isonomia para ativos e aposentados foram sub-
de Lutas de 17 a 26 de agosto, a fim de traídos dos trabalhadores; em seu lugar novos
• Regulamentação do imposto sobre as deveres: contribuição previdenciária para os já
grandes fortunas; levar as bandeiras da Frente, bem como
aposentados, aumento do tempo de trabalho
participar no “Grito dos Excluídos” (07 e de idade mínima para acesso ao direito de
• Contra a proposta de Reforma Tribu- de setembro); aposentadoria” (Granemann, 2004, p. 30-31).
tária do governo. Por uma Reforma Tribu-
• O próximo Seminário da Frente Na- 28 Os autores fazem referência a Francisco
tária progressiva!;
cional contra a Privatização da Saúde será de Oliveira, que caracterizou desta maneira a
• Fim da DRU (Desvinculação das Re- em 2012, no Nordeste tendo como suges- proposta de reforma de Lula em seminário rea-
ceitas da União); tões os estados de Alagoas e/ou Pernam- lizado em 15 de agosto de 2003, em São Paulo.
• Exigência de 10% da corrente bruta buco. 29 O projeto de contrarreforma tributária ex-
da união para a saúde; tingue as contribuições sociais e incorpora
Nos dias 01 e 02 de junho de 2011, esses recursos a impostos. A Seguridade So-
• Compromisso dos Estados aplicarem ocorreu o I Encontro dos Movimentos cial perderia essas fontes vinculadas e de uso
no mínimo 12% da corrente bruta para a Populares Sociais e Sindicais do Campo, exclusivo, em troca da receita de uma fração
saúde; aplicação da CSLL (Contribuição da Floresta e da Cidade, em defesa do da arrecadação desses novos impostos. Assim,
Social sobre o Lucro Líquido) para as ins- SUS e em mobilização pela 14ª Confe- as políticas sociais deixariam de contar com
tituições financeiras; rência Nacional de Saúde. Este encontro recursos exclusivos e passariam a disputar, no
também tirou um manifesto51 que coloca orçamento fiscal, recursos com os governado-
• Acabar com a transferência de recur- res e prefeitos, Forças Armadas, enfrentando
sos públicos para o setor privado. Defesa que a luta em defesa do SUS não é outra ainda forte pressão de setores empresariais
de recurso público para o Serviço Público que não a luta pela transformação da so- pelo aumento dos gastos com investimentos
Estatal; ciedade que temos, marcada pela divisão em infra-estrutura ou por maior desoneração
injusta e desigual da produção social, pelo tributária.
• Contra o co-pagamento (ex. Farmá- acesso aos bens e serviços determinado 30 Existem hoje manifestos contrários à pro-
cia Popular); pela classe social e pelo poder aquisitivo. posta de Reforma Tributária (PEC 233/08).
• Contra o PLP 1749 e defesa do con- Os movimentos colocam que defendem Ver os manifestos: “Manifesto em Defesa dos
curso público (RJU) para reposição de um outro tipo de sociedade e modelo de Direitos Sociais Básicos sob Ameaça na Re-
forma Tributária” e “Por uma Reforma Tribu-
pessoal; desenvolvimento, com universalidade do tária Justa” http://www.inesc.org.br/bibliote-
• Continuar a mobilização pela pro- acesso a todos os bens e serviços produzi- ca/textos/reforma-tributaria.
cedência da Ação Direta de Inconstitu- dos socialmente. 31 No governo Lula foram criados 13 novos
cionalidade (ADI) 1.923 contra a Lei Para finalizar, a defesa da saúde con- Conselhos Nacionais e realizadas 48 Confe-
9.637∕1998, que legaliza a terceirização siderada como melhores condições de rências Nacionais até 2008 e três Conferências
da gestão de serviços e bens coletivos vida e trabalho tem que ser uma luta or- Internacionais. Segundo dados do governo, ao
ganizada e unificada dos segmentos das final do ciclo de conferências nacionais mi-
para entidades privadas, bem como a rea- lhões de brasileiros participaram das conferên-
lização de audiências junto aos Ministros classes trabalhadoras articulada com os cias municipais, regionais, estaduais e nacio-
do Supremo Tribunal Federal (STF). Am- conselhos, movimentos sociais, partidos nal. Cabe sinalizar que 20 Conferências foram
pliar as assinaturas do abaixo-assinado políticos para que se possa avançar na ra- realizadas pela primeira vez. Para 2009, estão
pela inconstitucionalidade da Lei das dicalização da democracia social, econô- previstas a realização, pela primeira vez, das
Organizações Sociais e do número de mica e política. conferências nacionais de Segurança Pública e
de Comunicação (MORONI, 2009).
entidades na Carta aos Ministros do STF. Considera-se, portanto, na atual con-
Atualizar o documento “Contra fatos não 32 O Ministério da Saúde está estruturado nas
juntura, fundamental a articulação na- seguintes Secretarias: Secretaria Executiva
há argumentos que sustentem as Orga- cional através da Frente entre os diversos (SE), Secretaria de Atenção à Saúde (SAS),
nizações Sociais no Brasil” e enfatizar o Fóruns de Saúde com vistas à construção Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS), Se-
envio de e-mails para os Ministros do Su- de um espaço que fomente a resistência cretaria de Gestão Estratégica e Participativa
26 setembro de 2011 Cadernos de Saúde
(SGEP), Secretaria de Gestão do Trabalho e 40 Maiores informações sobre o Pacto pela ao serem convertidos em fatores, perdem sua
Educação em Saúde (SGTES), Secretaria de Saúde (2006) ver Portaria n° 399/GM de 22 de dimensão de processos sócio-históricos.
Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos fevereiro de 2006. 47 Esta luta está ressaltada no terceiro texto
(SCTIE). Ressalta-se como importante a cria- 41 Neste debate, entretanto, não fez uma arti- desta coletânea “Participação Popular e Contro-
ção das Secretarias de Gestão Estratégica e culação com os Movimentos Feministas. Esta le Social na Saúde” com maior detalhamento.
Participativa e de Gestão do Trabalho e Edu- questão precisa ser amplamente discutida com
cação em Saúde. 48 A crítica a este programa já foi realizada
os movimentos sociais para ampliar o debate anteriormente.
33 “A 12ª CNS buscou reviver, em alguma na sociedade.
medida, o espírito democrático da 8ª CNS. A 42 Na saúde, este debate inicia-se com a cri- 49 É formada por 57 organizações e redes da
conferência foi antecipada pelo governo com se da saúde no Rio de Janeiro e teve impulso sociedade civil e instituições de ensino e pes-
o intuito de submeter a sua política de saúde com a criação e a elaboração, pela equipe de quisa.
à apreciação direta da sociedade e o minis- trabalho constituída pelos Ministérios do Pla- 50 Cabe destacar, entretanto, a partir de diver-
tro Humberto Costa assumiu publicamente o nejamento e Saúde, com a participação de pro- sos estudos realizados por Bravo (2006), que
compromisso de utilizar as resoluções finais fessores da Escola Nacional de Saúde Pública a maioria dos conselhos não tem tido um po-
da conferência como base para as políticas de Sergio Arouca (ENSP/FIOCRUZ), Instituto de tencial político significativo, em decorrência
saúde” (Noronha, 2003 apud Escorel & Bloch, Direito Sanitário Aplicado (IDISA), Sunfeld de diversas questões: fragilidade da represen-
2005, p. 109). Em função do quantitativo de Advocacia/SP. tação da sociedade civil, falta de relação entre
temas e da sua condução não foi possível que representante-representado, legitimidade das
a plenária final da conferência deliberasse so- 43 Em 2007, é apresentado ao Congresso Na-
cional, pelo Poder Executivo, o Projeto de Lei representações e os obstáculos enfrentados
bre o relatório final, votando apenas sobre os pelos conselhos. Não se pode esquecer, con-
aspectos polêmicos. Os demais assuntos foram Complementar n° 92/07, que propõe a criação
das Fundações Estatais de Direito Privado tudo, que muitos desses entraves decorrem da
deliberados por votação em domicílio, o que cultura política presente ao longo da história
subverte a proposta da conferência de debate para todas as áreas que não sejam exclusivas
do Estado. Este projeto objetiva regulamentar brasileira, que não permitiu a criação de espa-
coletivo. ços de participação no processo de gestão das
a Emenda Constitucional n° 19, de 4 de junho
34 A não viabilização da concepção de Se- de 1998, mais conhecida como emenda da políticas públicas.
guridade Social tem relação com a não rear- contrarreforma do Estado brasileiro, do gover- 51 Assinam este manifesto as seguintes enti-
ticulação do Conselho de Seguridade Social e no Fernando Henrique Cardoso. O projeto das dades: CONTAG/FETAGs; CONAM – Con-
com as ações que envolvem necessariamente Fundações de Direito Privado foi aprovado na federação Nacional das Associações de Mora-
a articulação com as Políticas de Assistência e Câmara dos Depu¬tados em 2008 por duas co- dores; MAB – Movimento dos Atingidos por
Previdência Social. missões, a do Trabalho, Administração e Ser- Barragens; CNS – Conselho Nacional dos Se-
35 Apesar de ter sido apontada como um as- viço Público em junho, e a de Constituição e ringueiros; LBL – Liga Brasileira de Lésbicas;
pecto de inovação, por Paim et al (2005), essa Justiça, em setem¬bro (RADIS 79). Força Sindical; MMM – Marcha Mundial das
proposta de Farmácia Popular tem sido objeto 44 O pleno do Conselho Nacional de Saúde Mulheres; MMC – Movimento das Mulheres
de diversos debates, pois permitindo o co-pa- (CNS) decidiu pelo debate da proposta, uma Camponesas; CGTB – Central Geral dos Tra-
gamento dos medicamentos fere os princípios vez que o ministro Temporão já havia admi- balhadores do Brasil; CMB – Confederação
do SUS. Esta proposta será retomada no final tido durante a reunião de maio de 2007, do de Mulheres Brasileiras; MORHAN – Movi-
do próximo sub-item. Conselho Nacional, que o projeto, ainda em mento de Reintegração das Pessoas Atingidas
fase de construção, seguiria direto para o Con- pela Hanseníase; MOPS – Movimento Popular
36 Um aspecto que merece reflexão, entretan- de Saúde; ANEPS – Articulação Nacional de
to, é que os relatórios das conferências temá- gresso Nacional, onde ocorreria o debate, e
não passaria pelo Conselho. A reunião do CNS Educação e Práticas na Saúde; CMP – Central
ticas foram socializados tardiamente e suas de Movimentos Populares; ABGLT – Associa-
propostas não foram viabilizadas. O relatório que discutiu e rejeitou o projeto contou com
a participação de representante do Ministério ção Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais,
da 12ª Conferência Nacional de Saúde também Travestis e Transexuais; MMTR-NE – Movi-
foi divulgado muito depois da conferência, do Planejamento, da consultora em saúde e
do presidente da Confederação Nacional de mento da Mulher Trabalhadora Rural do Nor-
ou seja, entre dezembro de 2004 e janeiro de deste; CUT – Central Única dos Trabalhadores;
2005. Trabalhadores da Seguridade Social (CNTSS)
(Jornal do CNS, novembro de 2007). AMB – Articulação de Mulheres Brasileiras;
37 O presidente do Conselho Nacional de Saú- FMDF – Fórum de Mulheres do Distrito Fede-
de eleito foi o farmacêutico Francisco Batista 45 O debate do pluralismo envolve diversas ral; MNPR – Movimento Nacional de Popula-
Júnior, representante dos trabalhadores perten- questões. Coutinho (1991) teme que a negação ção de Rua; CTB – Central dos Trabalhadores
cente à Confederação Nacional dos Trabalha- do pluralismo leve ao despotismo, mas escla- e Trabalhadoras do Brasil; Fórum Popular em
dores em Seguridade Social da CUT. Ele ven- rece que é necessário ter uma direção, ou seja, Defesa do SUS; ANPG – Associação Nacional
ceu com 76% dos votos (Radis 53). pluralismo com hegemonia. Para esta afirmati- dos Pós-Graduandos; Departamento de Saú-
va, utiliza Pietro Ingrao, que formula a idéia de de Coletiva da UnB; ARTGAY – Articulação
38 Esta deliberação coloca-se contrária à ad- hegemonia no pluralismo, não só como forma Brasileira de Gays; AMNB – Articulação de
ministração gerenciada de ações e serviços, a de construção de novos valores na sociedade, Organizações de Mulheres Negras Brasileiras;
exemplo das Organizações da Sociedade Civil mas também como forma de governo. O autor Rede Nacional de Controle Social e Saúde da
de Interesse Público (OSCIP) ou outros me- afirma que o pluralismo no terreno da teoria do População Negra; Rede Nacional Lai Lai Ape-
canismos com objetivos idênticos, e, ainda, a conhecimento é mais complexo. O pluralismo jo – População Negra e AIDS; Sapatá – Rede
toda e qualquer iniciativa que atente contra os não pode implicar o ecletismo ou o relativis- Nacional de Promoção e Controle Social em
princípios e diretrizes do SUS. mo. O debate de idéias é fundamental, mas Saúde das Lésbicas Negras; ACMUN – As-
39 No 8° Congresso Brasileiro de Saúde Co- não se pode pensar em conciliar pontos de vis- sociação Cultural de Mulheres Negras; Uiala
letiva realizado no Rio de Janeiro, em 2006, ta inconciliáveis em nome do pluralismo. No Mukaji – Sociedade das Mulheres Negras de
ocorreu a assembléia do Cebes, com a proposta pensamento social não existe apenas a ciência Pernambuco; Rede das Mulheres de Terreiro
de refundação da entidade. Nesta assembléia, há também o mundo dos valores. de Pernambuco; CRIOLA; Instituto AMMA
foi apresentada a plataforma política para a 46 Esta ótica positivista dos determinantes Psique e Negritude; FOPIR/PB – Fórum Es-
nova gestão 2006-2009, com o título “O Cebes sociais foi veementemente combatida pela As- tadual de Promoção da Igualdade Racial da
Vive – Viva o Cebes” e foi eleita uma nova sociação Latino-Americana de Medicina So- Paraíba; CONAQ – Coordenação Nacional de
diretoria sob a presidência de Sônia Fleury. cial, que afirma que os determinantes sociais, Quilombos; Observatório Negro; Casa Lau-
Cadernos de Saúde setembro de 2011 27
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28 setembro de 2011 Cadernos de Saúde