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Amando um Highlander – Lynsay Sands

Amando um Highlander

Lynsay Sands

(Série Noivas das Highlands 04)

NKings, Alê Holanda

Amando um Highlander – Lynsay Sands


Sinopse

Lady Murine Carmichael tinha tido sua parcela de azar. Mas quando seu
meio-irmão endividado, Lord Danvries, tentou vendê-la em troca de
alguns cavalos escoceses tinha sido a gota d'água. Se manter sua
liberdade significava escapar sozinha, através de uma paisagem agreste,
que fosse. Ela mal começara sua jornada quando desabou numa
improvável escolta — o forte Highlander que se recusou a comprar sua
virtude.

Dougall Buchanan ficou desgostoso com a oferta vergonhosa de Lord


Danvries, mas Murine o tenta além dos limites. Mesmo enlameada e
empoeirada a moça brilha, com beleza e bravura. Dougall quer fazer mais
do que apenas ajudá-la a fugir. Ele quer protegê-la — com sua vida e seu
coração — se ela apenas o permitisse. Porque Murine pode estar sendo
perseguida por um poderoso inimigo, mas nada se compara à coragem
ardente de um Highlander apaixonado.

Amando um Highlander – Lynsay Sands


CAPÍTULO UM

— Eles estão aqui!


Murine levantou os olhos bruscamente da mensagem que estava escrevendo,
quando sua criada entrou no quarto. Ela esperou até que Beth fechasse a porta, antes
de perguntar: — Você descobriu quem são?
— Não. — A morena parecia irritada. — Nenhuma das criadas, nem as moças da
cozinha parecem saber, ou se sabem, elas não estão me dizendo.
— Oh, — Murine disse com desapontamento, então balançou a cabeça e voltou
seu olhar para a mensagem que estava escrevendo. Apertando a boca, ela assinou seu
nome no final. — Não importa. Eles são escoceses. Certamente a viagem para casa os
levará além dos Buchanans ou dos Drummonds e eles vão entregar isso para mim.
Mordendo o lábio, ela começou a agitar o pergaminho para secá-lo e acrescentou: —
Eu tenho algumas moedas que posso dar-lhes, pelo trabalho.
— A maioria gosta de embolsar as moedas, dizer que vão entregar e jogam fora
assim que deixam Danvries, — disse Beth, infeliz. Eu não sei porque você
simplesmente não envia um homem de seu irmão com a mensagem.
— Mandei três dessa forma e não obtive resposta, — Murine lembrou-a
sombriamente. Boca apertada com desagrado, ela admitiu: — Eu começo a suspeitar
que Montrose não está enviando nenhuma.
— Mas por que ele faria isso?
— É difícil saber, com meu irmão, — murmurou Murine, infeliz. — Ele é um...
homem difícil.
Beth bufou. — Ele é um patife egoísta e ganancioso, determinado a apostar a
vida dele e a sua junto. Mas não vejo razão para ele não enviar suas mensagens para
seus amigos.
— Nem eu, — admitiu Murine, infeliz. — Mas se ele enviou, então... Ela mordeu o
lábio, não querendo dar voz ao seu maior medo. Se Montrose tivesse enviado suas
mensagens, então Saidh, Jo e Edith simplesmente não estavam se incomodando em
responder.
Esse pensamento era perturbador e a fez se preocupar que ela tivesse dito ou
feito algo, quando elas estavam juntas, para aborrecer todas elas. Murine havia
atormentado seu cérebro tentando descobrir o que poderia ser isso, mas não
conseguia pensar em nada. Ela então mudou para se perguntar se talvez seu irmão
não estava enviando-as, como ele assegurou que iria. Ela não podia imaginar por que,
mas na verdade estava começando a esperar que fosse o caso. Certamente isso era
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preferível de pensar, do que suas três melhores amigas lhe terem dado as costas, por
algum motivo.
— Deve estar seco o suficiente agora, — ela murmurou e rapidamente enrolou,
em seguida selou o pergaminho.
— Como você vai levá-lo aos escoceses sem seu irmão ver? — Beth perguntou,
preocupada, enquanto se levantava.
— Eu ouvi Montrose ordenando a Cook para ter certeza de que teria muita
comida e bebida disponíveis, quando os escoceses chegassem — Murine explicou,
enquanto deslizava o pergaminho na manga e verificava se ele estava escondido e não
estava sendo esmagado...
— Vou passar a mensagem para um dos homens quando Montrose estiver distraído
com a comida.
— Seu irmão está oferecendo comida e bebida para alguém? — perguntou Beth,
secamente. — Eu nunca pensei ver isso. O bastardo é tão mesquinho que eu pensaria
que ele engasgaria com a oferta.
— Espero que ele queira enchê-los com cerveja ou uísque para torná-los mais
receptivos a aceitar crédito, em vez de exigir pagamento pelos cavalos que ele quiser,
— Murine disse, satisfeita de que o pergaminho estaria bem em sua manga.
— Sim, bem, Deus sabe que ele não tem o dinheiro para realmente comprá-los.
Ele já jogou fora todo o seu dinheiro e o seu dote, — Beth disse amargamente.
— Sim, — concordou Murine, de maneira cansada. Não era um assunto que ela
queria considerar. Ela ficou horrorizada quando tinha sabido dessa notícia. Ela
pensou que sua situação era terrível o suficiente quando ela tinha um dote, mas não
era comprometida, mas sem dote, seria impossível encontrar alguém disposto a casar
com ela. Agora, parecia que ela iria viver seus dias aqui em Danvries, como uma
solteirona, dependente de seu irmão egoísta, e isso seria apenas se ele não se
cansasse de sua presença e a mandasse para a Abadia, para se tornar uma freira.
Afastando aquele pensamento deprimente de sua mente, ela escovou as rugas de
seu vestido, endireitou os ombros e se dirigiu para a porta. — Venha. Nós nos
sentaremos junto ao fogo no grande salão até que eles entrem. Então, quando a
comida chegar, usaremos isso como uma desculpa para nos juntarmos à mesa e
passar minha mensagem para um dos homens.

— Tinham me dito que seus animais eram superiores e eles certamente são.
Dougall esperou pacientemente quando Montrose Danvries passou a mão pelo
lado da égua e depois a circulou, examinando cada centímetro dela.

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Em seguida, lord Danvries foi até o garanhão e deu a mesma atenção,
examinando seu garrote1 e as pernas, os lados e a cabeça, da mesma maneira
minuciosa. Sua expressão era uma combinação de admiração e apreciação quando ele
parou na cabeça da besta. Esfregando uma das mãos no nariz do garanhão, ele
murmurou: — Exatamente o que eu estava querendo.
— Se eles atenderam suas expectativas, talvez devêssemos discutir o
pagamento, — sugeriu Dougall.
Danvries endureceu, várias expressões cintilando em seu rosto. Acomodando-se
em um sorriso largo e falso, o homem virou-se para a fortaleza. — Venha. Vamos
entrar para as bebidas.
— Eu disse a você, — Conran murmurou, caminhando ao lado de Dougall. — O
bastardo não tem o dinheiro. Ele perdeu tudo na última aposta com seu rei.
Dougall suspirou com as palavras de seu irmão, reconhecendo a satisfação, em
meio à irritação, no tom do homem mais jovem. Conran sempre gostou de dizer eu
disse a você.
— Venham comigo, senhores, — disse Danvries, sem olhar para trás. — Há
muito a discutir.
— Apertando a boca, Dougall olhou para o homem recuando. Danvries deveria
ter lhe atirado um saco de moedas e lhe mostrado o caminho. O único momento em
que o comprador queria “discutir” assuntos era quando ele não tinha o dinheiro ou
queria reduzir o preço. Dougall não era alguém para negociar. Apesar de saber que era
uma grande perda de tempo, porém, ele afastou os murmúrios do irmão e seguiu o
inglês para fora do estábulo e em direção ao castelo. Ele não precisou olhar em volta
para saber que Conran, Geordie e Alick o estavam seguindo. Foi uma longa jornada
até aqui e todos estavam com sede. O mínimo que Danvries podia fazer era vê-los
alimentados e hidratados, antes de pegarem suas bestas e irem para a Escócia. — Ele
tentará enganá-lo, — advertiu Conran, nos calcanhares de Dougall. Malditos
bastardos ingleses. A maioria deles venderia a mãe por uma moeda. — Não, — seu
irmão mais novo, Geordie, se colocou atrás deles. — São as filhas que eles vendem. As
mulheres velhas não valeriam uma moeda. Elas são amargas demais, por anos
vivendo com os bastardos ingleses, para valer qualquer coisa. As filhas, no entanto,
geralmente são doces e bonitas e ainda não estão amargas. Retire-as suficientemente
jovens e elas são quase tão boas quanto uma moça escocesa. Quase, — ele repetiu,
enfatizando a palavra.
— Lord Danvries não tem mãe nem filha, então eu tenho certeza que isso não é
uma preocupação, — Dougall murmurou impaciente.

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parte do corpo do animal onde se juntam as espáduas
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— Ele tem uma irmã, entretanto, — Conran assinalou. Quando Dougall olhou
para ele com surpresa, ele assentiu. — Uma velha solteirona deixada para definhar e
morrer, graças a Lorde Danvries ter apostado seu dote.
— Ele apostou seu dote? — Geordie perguntou, surpreso quando Dougall não
comentou.
— Isso é permitido? — Alick adicionou franzindo a testa.
— Pelo que ouvi, ele foi nomeado seu guardião no testamento do pai, então tinha
controle sobre tudo — disse Conran, encolhendo os ombros.
Dougall balançou a cabeça e todos eles ficaram em silêncio, enquanto seguiam
Danvries para o grande salão e notavam as pessoas circulando.
Havia soldados à mesa, apreciando a refeição do meio-dia, criados agitados com
a limpeza e uma dama sentada ao lado do fogo. O olhar de Dougall deslizou sobre a
mulher, de passagem e quase imediatamente, se moveu de volta para ela. Ela era
jovem. Não no primeiro albor da juventude, mas talvez cerca de vinte e poucos, ainda
retendo um pouco do seu frescor. Dougall imaginou que ela deveria ser a noiva de
Danvries. Se assim fosse, ele era um maldito homem de sorte, pois ela parecia brilhar
tanto quanto o fogo naquele grande salão escuro. Seu vestido era de uma cor rosa
pálido, com detalhes brancos, em uma figura bem torneada, e seu cabelo era um halo
de tranças douradas que se derramavam sobre os ombros e nas costas. Ela estava
olhando para algum bordado que estava costurando, mas quando Danvries pediu
cerveja, ela olhou brevemente e a atenção de Dougall se voltou para seu rosto. Lábios
em forma de coração, grandes olhos de corça e um pequeno nariz reto trabalhavam
juntos, em um rosto oval, para torná-la uma das mulheres mais impressionantes que
ele já tinha visto. Danvries era definitivamente um homem de sorte.
— Venha sentar-se.
Dougall arrastou os olhos da visão junto ao fogo, de repente ciente de que ele
parara de andar e o inglês estava agora na mesa do grande salão, enquanto ele ainda
estava logo depois da porta, com seus irmãos atrás. Danvries estava olhando para ele
com um traço de diversão, que sugeria que ele estava acostumado com homens
cobiçando sua esposa.
Forçando-se a se mover novamente, Dougall levou os homens até a mesa e se
acomodou no banco que Danvries indicou, notando que isso o deixava com uma visão
clara da mulher junto ao fogo. Mulheres, ele se corrigiu, porque uma empregada de
cabelos escuros acompanhava a loira, trabalhando diligentemente em sua própria
costura. Mas a beleza da dama parecia lançar a empregada na sombra; ele mal a
notara antes disso.
— Minha irmã, — Danvries disse calmamente.
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Irmã? A palavra ecoou na mente de Dougall, e ele sentiu uma sensação de alívio
que ele realmente não entendia. Ela definitivamente não era a velha e enrugada
solteirona que Conran havia descrito, mas o que importava para ele que ela fosse a
esposa ou a irmã de Danvries? Nada, assegurou-se, e virou-se decididamente para o
seu anfitrião, parando quando notou que o homem estava olhando para a mulher,
com algo como especulação em seus olhos. Ele franziu a testa e depois disse: — Sobre
o pagamento dos cavalos...?
— Ah, sim, — Danvries ofereceu um sorriso, um tanto tenso e disse: — Seus
cavalos são, é claro, os animais de qualidade que eu fui levado a esperar. Lord
Hainsworth não exagerou quando me contou sobre suas habilidades em criar éguas de
qualidade e garanhões. Dougall assentiu, esperando por um mas.
— No entanto, — Danvries começou e Dougall mal se conteve de revirar os olhos.
Mas, no entanto... Talvez o homem escolhesse para expressar isso ao invés de mas.
— No entanto? — Dougall cutucou, quando Danvries hesitou. — Bem, eu tinha o
dinheiro aqui pronto para você, mas um pouco de má sorte me atingiu.
A aposta com o rei, Dougall pensou secamente. Isso não tinha sido má sorte,
tinha sido estupidez. O rei inglês sempre vencia em apostas e apoiava La Bête na
justa,2 uma jogada inteligente. Danvries apostar contra La Bête, quando o guerreiro
nunca havia perdido... bem, isso foi pura estupidez. Não era problema de Dougall,
entretanto, exceto que isso significava que ele tinha feito essa viagem para nada.
Suspirando, ele se levantou com um aceno de cabeça. — Então você não quer os
cavalos agora.
— Não, não, eu os quero, — disse Danvries rapidamente, pegando seu braço,
enquanto os homens se erguiam para ficar em pé também. Quando Dougall virou seus
olhos para a mão em seu braço, Danvries imediatamente o soltou. — Desculpe. Sente-
se, sente-se. Eu quero os cavalos. Claro que sim.
— Você apenas não pode pagar por eles, — Dougall sugeriu secamente, ainda
de pé.
— Não. Quero dizer, sim. Sim, eu posso — Danvries corrigiu-se rapidamente. —
Claro que posso.
Quando Dougall permaneceu de pé e apenas esperou, Danvries murmurou um
pouco irritado: — Sente-se para que possamos discutir isso. Estou ficando com um
torcicolo olhando para cima, para você.
Dougall não achava que havia muito a discutir. Ou ele podia pagar pelos cavalos
ou ele não podia. No entanto, uma jovem criada chegou com a cerveja, então ele se
acomodou de volta no banco. Seus irmãos foram rápidos em recuar em seus assentos

2
Justa é um desporto jogado por dois cavaleiros com armaduras, montados em cavalos.
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também. Tinha sido uma longa viagem empoeirada até aqui. Ele daria tempo a
Danvries até que ele terminasse sua cerveja, mas a menos que o homem pudesse
chegar com o dinheiro, ele estava saindo... e levando seus cavalos com ele.
Assentindo com a cabeça, em agradecimento à jovem criada, Dougall tomou um
gole de sua cerveja, seus olhos vagando de volta para a loira junto ao fogo. Ela e sua
empregada estavam tagarelando baixinho agora e lançando olhares para a mesa. —
Tenho certeza que levarei apenas algumas semanas para conseguir seu dinheiro, —
anunciou Danvries, atraindo sua atenção novamente.
As palavras do homem foram abruptas e em voz alta, um sinal de ansiedade,
pensou Dougall e não ficou surpreso. Ele assentiu devagar. — Eu posso guardá-los
para você por algumas semanas. Você pode vir recolhê-los quando tiver o dinheiro.
Mas se o mês terminar e você não chegar, não posso prometer...
— Não, não, não, — Danvries interrompeu. — Você não entende. Eu preciso
deles agora. Eu não posso ficar sem um cavalo. Eu...
— O que aconteceu com seu cavalo? — Dougall interrompeu.
Danvries baixou os olhos e afastou o olhar, franzindo os lábios. Foi Conran que
se inclinou para Dougall e murmurou, — parte da aposta.
Dougall suspirou. O homem estava apostando sua vida. Balançando a cabeça,
ele disse: — Você não vai ficar sem um cavalo. Vi uns trinta nos estábulos e...
— Eles pertencem aos meus homens, não a mim — disse Danvries, rigidamente e
depois acrescentou: — Preciso de um cavalo. Um lord sem cavalo é como um rei sem
pátria.
— Uma venda sem pagamento não é uma venda, — Dougall respondeu, com
pouca simpatia. Era difícil sentir pena de alguém que tinha, voluntária e tolamente,
apostado seu cavalo e sua riqueza. Danvries tinha sido uma das propriedades mais
ricas da Inglaterra sob o avô desse homem, e depois ele morreu e Danvries a herdou.
Dougall ouvira rumores de que o homem estava administrando sua herança com
gastos ruins e apostas piores, mas não prestou muita atenção. Seu irmão
aparentemente prestou mais atenção.
— Haverá pagamento. Precisarei de um pouco de tempo para juntar o dinheiro,
— Danvries disse, suplicante. — Certamente você pode me conceder crédito, por um
pouco de tempo?
— Dougall olhou para o homem, e então olhou para sua irmã. Ela estava
olhando para a costura, mas imóvel. Suspeitava que ela estivesse ouvindo e, por um
breve período, considerou conceder a Danvries o crédito que ele pedira, pelo bem dela.
O homem não estava apenas comprando um garanhão para si mesmo. Dougall
suspeitava que a égua fosse para a irmã. Obviamente, Danvries também perdera o
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cavalo dela na aposta e parecia uma pena que ela sofresse por seus maus hábitos.
Mas no final, Dougall sacudiu a cabeça. Ele nunca concedeu crédito. Ele insistia no
pagamento antes de entregar qualquer cavalo e não gostava da idéia de mudar isso
agora. Especialmente não com um homem que tinha apostado a si mesmo, tão
profundamente, que Dougall suspeitou que ele não seria capaz de pagar.
— Eu não concedo crédito, — ele disse calmamente e se levantou.
— Espere. — Danvries agarrou seu braço novamente, desespero em seu rosto.
Ele então olhou descontroladamente ao redor, obviamente procurando algo para trocar
ou convencer Dougall a dar crédito a ele. O estômago de Dougall se revirou quando os
olhos do homem pousaram em sua irmã e ficaram lá. Certamente ele não...
— Minha irmã.
Os olhos de Dougall se estreitaram.
— Deixe os cavalos e leve-a com você, — Danvries disse.
— Não estou no mercado para uma esposa, no momento, — disse Dougall
secamente.
— Eu não disse que você tinha que se casar com ela, — Danvries respondeu
imediatamente.
Dougall encarou o homem e, em seguida, deliberadamente interpretou mal sua
oferta, na esperança de que ele iria repensar e se retratar. — Você está sugerindo que
eu a mantenha como uma promissória? Uma refém até que você pague pelos cavalos?
Danvries hesitou, seus olhos em sua irmã, e então ele voltou, determinação em
seu rosto. — Ou você poderia pegá-la em lugar do pagamento. Até que você ache que
tenha recuperado o valor dos cavalos. Claro, você teria que devolvê-la eventualmente.
O olhar de Dougall se deslocou para as mulheres perto do fogo, quando um
suspiro escapou da loira. Ela tinha estado olhando por cima do ombro, na direção
deles, com horror, mas rapidamente afastou o rosto agora. Se ele tinha sido tentado
pela oferta de Danvries, e se Dougall fosse honesto consigo mesmo, a ideia de ter essa
mulher em sua cama era tentadora, mas a reação da mulher foi o suficiente para fazê-
lo esquecer isso. Ele nunca havia forçado uma mulher a ir para sua cama e não
pretendia começar agora.
Ele desviou o olhar para Danvries, desgosto se projetando nele. O homem se
importava tão pouco com a moça que ele a venderia como escrava sexual, em troca de
cavalos. Isso tornava difícil acreditar que ele estava realmente comprando um deles
para ela. Agora Dougall suspeitava que fosse para outra mulher, talvez sua noiva, se
ele tivesse uma. Tudo isso importava pouco, ele pensou e disse friamente: — Você
envergonha sua irmã e a mim com a oferta. — Virando-se para seus irmãos, ele
acrescentou: — Nosso negócio aqui está encerrado.
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Ele não precisava ter se incomodado; Conran, Geordie e Alick já estavam se
levantando.

Quando todos os escoceses se levantaram para sair, Murine soltou um pequeno


tremor de alívio e depois respirou fundo. Foi só então que ela percebeu que estava
prendendo a respiração desde que seu irmão a ofereceu ao escocês, em troca de
cavalos. Sua mente ainda estava se recuperando daquele evento. Ela não podia
acreditar que ele tinha feito isso. Ela e Montrose não haviam crescido juntos e, na
verdade, passaram muito pouco tempo na companhia um do outro, até que a morte do
pai a deixou sob seus cuidados, de modo que havia pouco afeto entre eles. Ainda
assim, ele era seu irmão e ela era sua irmã e protegida, e a ideia de que ele iria
oferecê-la como uma prostituta...
Murine engoliu em seco e ficou de pé rígida, ansiosa para escapar do salão e da
possibilidade de ter que lidar com seu irmão, depois de sua ação monstruosa. Ela
olhou para Beth para ver que a outra mulher já estava de pé e pronta para segui-la.
Aliviada, Murine correu para as escadas. Elas conseguiram subir os primeiros
degraus, quando ela ouviu Montrose chorar: — Não. Por favor, espere! Se você não
for... eu posso lhe dar o dinheiro.
Murine não diminuiu, mas ela olhou em volta para ver o líder dos escoceses
sacudir a cabeça com desgosto, enquanto ele alcançava as portas do salão principal.
— Esta noite! — Montrose acrescentou, parecendo desesperado. — Você pode
desfrutar de uma boa refeição e um descanso e eu terei o dinheiro esta noite.
Murine notou que o escocês parou na porta e se virou para olhar Montrose,
como se ele fosse um inseto fugindo de debaixo de uma rocha. Quando seu olhar
então deslizou para onde ela e Beth estavam sentadas, ela subiu apressadamente os
últimos degraus, caso ele olhasse ao redor em busca dela. Murine não olhou
novamente até que ela alcançou a segurança do sombrio patamar superior, então ela
diminuiu a velocidade e se virou para dar uma boa olhada nos homens abaixo. Era
algo que ela realmente não tinha sido capaz de fazer até agora. Enquanto estava
sentada junto ao fogo no grande salão, ela só ousou lançar olhares rápidos e furtivos
para os visitantes. Agora, no entanto, ela examinou os escoceses, um de cada vez.
Eles eram todos altos e fortes com cabelos escuros, mas Murine encontrou seus
olhos voltando para aquele que parecia ser seu líder. Ela não saberia dizer porquê.
Eles eram todos homens de boa aparência, mas por alguma razão, ela o achou o mais
atraente. Ele estava obviamente irritado e enojado com a proposta de seu irmão, mas
todos os homens pareciam estar. No entanto, quando ele olhou em direção ao fogo,

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para ela, há pouco, havia algo mais em seus olhos. Não pena, mas simples
preocupação e talvez simpatia.
— Eu posso lhe dar o dinheiro esta noite. Amanhã de manhã, no mais tardar —
repetiu Montrose, tirando o olhar relutante de Murine do líder dos escoceses e de volta
para o irmão, acrescentando: — Meu vizinho e amigo, Muller, sempre teve um olho na
minha irmã. Ele me dará o dinheiro pela chance de passar um tempo com ela.
Murine realmente teve que cobrir a boca para abafar o grito que queria escapar.
Oferecê-la a esses homens por cavalos já era ruim o suficiente, mas oferecê-la a Muller
por dinheiro? Seu estômago se revirou violentamente com a sugestão. O escocês tinha
sido gentil e cavalheiresco o suficiente para recusar a oferta. Muller não faria isso. Ele
iria pular na chance e não se importaria se ela estava mesmo querendo. Ela não seria
melhor do que uma...
— Não vou ser cúmplice para transformar sua irmã em uma prostituta.
Murine estremeceu quando ele disse a palavra que estava pensando: — Com
dinheiro ou sem dinheiro, os cavalos não estão mais à venda para você, — acrescentou
o escocês friamente.
Quando então ele se virou e saiu da fortaleza com seus homens, pisando duro
nos calcanhares, Murine quase desejou que ela pudesse persegui-los e ir com eles. Em
vez disso, girou e pegou o braço de Beth, para apressá-la pelo corredor até seu quarto.
Ela tinha que sair de lá e rapidamente. Montrose não perderia tempo colocando seu
plano em ação e ela precisava estar longe daqui, quando Muller chegasse para
reivindicar seu prêmio.
Uma vez em seu quarto, Murine fez uma pausa e olhou em volta
descontroladamente, antes de se virar para Beth e pedir:— Por favor, me traga um
saco vazio da cozinha. Mas não deixe ninguém ver você pegar.
Beth assentiu e foi embora quase antes da última palavra ser dita. Murine correu
imediatamente para os baús, encostados na parede do quarto, para começar a separar
seus pertences, tentando decidir o que deveria levar e o que não podia. Viajar leve
parecia a opção mais inteligente. Um vestido de reposição, uma camisa de reposição,
moedas...
Sua boca se apertou com esse pensamento. Tudo o que ela tinha eram as poucas
moedas que pretendia dar aos escoceses, para levar sua mensagem. Ela mesma
entregaria a mensagem agora e precisaria dessas moedas.
Quando Beth retornou, Murine tinha escolhido as poucas coisas que levaria com
ela. Ela até dobrara o vestido e camisa em preparação para guardá-los.
A empregada entregou o saco que ela fora buscar. Seu olhar, em seguida,
deslizou sobre os poucos pertences na cama e ela franziu a testa. ─ Está fugindo?
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─ Sim, ─ Murine disse, severamente.
Beth hesitou e então perguntou, com preocupação, ─ Você tem certeza de que
esta é a coisa certa a fazer, milady?
Os lábios de Murine se apertaram e ela apenas assentiu, enquanto colocava os
vestidos dobrados no saco que a mulher tinha arrancado da cozinha.
Mas é perigoso viajar na melhor das hipóteses, mesmo com uma grande escolta.
Uma mulher sozinha... Beth balançou a cabeça ao pensar nisso. — Não poderíamos
enviar uma mensagem para Lady Joan ou Lady Saidh em vez disso? Tenho certeza de
que uma delas enviaria uma escolta para você.
— Montrose provavelmente está lá embaixo escrevendo sua oferta para Muller,
enquanto falamos, — disse Murine sombriamente. — Se eu não for embora agora, sem
dúvida estarei arruinada ao anoitecer.
— Mas, m’lady — disse Beth, com lágrimas nos olhos. — Você não pode viajar
sozinha. Você poderia ser morta por bandidos... ou pior.
Murine se calou brevemente com as palavras, pensando em seus irmãos Colin e
Peter, que tinham sido mortos em uma viagem, dois anos antes, mas depois balançou
a cabeça e empurrou uma camisa de linho para dentro da bolsa. — Há algumas
coisas piores que a morte, Beth. E ficar aqui, onde eu serei vendida pelo meu próprio
irmão... Ela balançou a cabeça amargamente. — Obrigada, eu acho que irei testar
minhas chances na estrada.
Beth ficou em silêncio por um momento, sua expressão em conflito, e então
levantou os ombros e disse impertubavelmente: — Então eu vou com você.
Murine hesitou, brevemente tentada pela oferta, mas sacudiu a cabeça com um
suspiro. — Não, você não vai. Você vai ficar aqui.
— Mas...
— Eu preciso que você fique aqui e ajude a esconder o fato de que eu fui embora,
— Murine interrompeu rapidamente.
Beth fechou a boca em seu protesto inacabado e perguntou incerta: — Como vou
fazer isso?
— Fique aqui no meu quarto. Se Montrose vier me procurar, diga que estou
dormindo e mande-o embora, — disse Murine, terminando de embalar e fechando a
bolsa. Ela realmente não achava que essa artimanha funcionaria. Principalmente
porque ela estava usando isso como uma desculpa para não levar a empregada com
ela. Murine tinha pouca esperança de administrar essa tentativa de fuga. Ela
suspeitava que seria perseguida e trazida de volta, antes que a primeira noite
terminasse, mas se conseguisse fugir... bem, como Beth dissera, a estrada era

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perigosa. Uma coisa era arriscar a própria vida para tentar preservar sua honra. Outra
coisa totalmente diferente era arriscar a vida de Beth também.
— Onde você vai? — Beth perguntou preocupada, seguindo-a até a porta.
— Eu vou deslizar pelas escadas dos fundos, para as cozinhas e depois me
esgueirar para pegar Henry e...
— Não, quero dizer, onde você vai depois que deixar Danvries? — Beth
interrompeu.
— Ah. — Murine respirou e deu de ombros impotente. — Para Saidh. Buchanan
é o mais próximo, eu acho, e ela disse que se eu precisasse de ajuda, para não hesitar
em chamá-la. Eu estou em definitiva necessidade de ajuda agora.
— Sim, você está, — Beth concordou solenemente, e então estendeu a mão
rapidamente para abraçá-la. — Tenha cuidado, milady, e reze para ficar em
segurança.
— Eu vou, Murine sussurrou, em seguida, recuou e forçou um sorriso. — Vou
mandar buscar você... se eu puder.
— Oh, não se preocupe comigo. Eu vou ficar bem. Apenas cuide bem de si
mesma — disse ela corajosamente, afastando uma lágrima.
Murine apertou seu braço suavemente, depois abriu a porta do quarto e espiou
cautelosamente. Encontrando o salão vazio, ela saiu e correu para as escadas.

— Eu não posso acreditar que o bastardo tentou vender sua irmã por alguns
cavalos.
Dougall fez uma careta e olhou para seu irmão Conran com essas palavras
confusas. Depois do desastre em Danvries, eles tinham ido à pousada da aldeia para
uma refeição, antes de começarem a longa jornada de volta para casa. A conversa
tinha sido focada em a quem eles poderiam vender a égua e o garanhão agora, e se
perguntar como eles iriam encontrar as coisas em casa. Não querendo envergonhar a
irmã em sua própria aldeia, ninguém chegou perto do assunto de Danvries e sua
oferta... até agora, quando saíram da terra de Danvries.
— Sim, — Dougall reconheceu baixinho.
— Você não parece surpreso.
— As pessoas raramente me surpreendem, — disse Dougall severamente, e então
acrescentou em um tom mais leve. — A única coisa que me surpreende é que você foi
suficientemente gentil para não discutir isso na aldeia e esperou tanto tempo, para
puxar o assunto.
— Não foi gentileza, — Conran negou rapidamente. — Eu apenas não queria
estragar a minha refeição. Ia me causar indigestão.
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— Ah, sim, claro que iria, — concordou Dougall, divertido. Ele sabia que isso não
era verdade. Conran simplesmente não gostava de parecer mole. Embora, Dougall
pensou, falar sobre isso agora estava fazendo seu próprio almoço embolar no
estômago.
— Você sabe que, agora que a ideia lhe ocorreu, ele vai vendê-la para seu amigo
por dinheiro, — disse Conran pesadamente. Ele vai usá-la para fazer o dinheiro que
puder, para compensar sua aposta, — disse Dougall com desgosto, lembrando-se da
bonita mulher.
— Se ela permitir isso, — disse Conran, com um encolher de ombros. — Talvez
ela irá recusar.
— Humm. — Dougall murmurou, mas achou que ela não ia ter escolha. Danvries
era obviamente seu guardião, embora ela estivesse em idade de casar-se. — Por que
ela ainda está solteira?
Conran encolheu os ombros. — Como eu disse, fala-se que ele apostou seu dote.
— Sim, mas como? Deveria ter sido protegido — disse Dougall franzindo a testa.
— E ela deveria ter sido prometida quando criança e recolhida muito antes disso.
— Talvez seu noivo tenha morrido — sugeriu Conran, e depois acrescentou: — E
tenho certeza de que o rei teria intervindo e não permitido que Danvries apostasse seu
dote... Se ele não tivesse sido o vencedor da aposta.
— Então ela nunca vai se casar, — disse Dougall, pensativo.
— E ficará à mercê de seu irmão pelo resto dos seus dias, — comentou Conran,
sacudindo a própria cabeça.
— Querido Deus, — respirou Dougall e quase se sentiu mal por ter recusado a
oferta do homem. Pelo menos ele teria sido gentil com ela, e talvez as coisas tivessem
funcionado... Bem, ele havia se tornado bastante rico através de sua criação de
cavalos. A única razão pela qual ele não tinha comprado uma propriedade era que seu
irmão mais velho, Aulay, precisou de sua ajuda para criar seus irmãos e irmã mais
novos, quando seus pais morreram. Um dote não era uma necessidade absoluta em
uma esposa, para ele. Por outro lado, ele não conhecia a mulher. Ela era bonita o
suficiente, mas seu irmão era um homem fraco, com alguns maus hábitos, beber e
jogar entre eles. Também, aparentemente, tinha pouco em termos de fibra moral, para
ele. Por tudo o que Dougall sabia, o mesmo acontecia com ela. Mas aquele suspiro
dela quando seu irmão a ofereceu...
Dougall afastou a lembrança. Ele não tinha nada para se sentir culpado. Ele nem
conhecia a moça.
— É uma vergonha, — disse Conran em voz baixa. — Ela é uma moça adorável.
Dougall apenas balançou a cabeça. Ela era realmente adorável.
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— Ela parecia doce e recatada, — Geordie comentou do outro lado, quando ele
permaneceu em silêncio.
— Sim, ela parecia, — Dougall disse em um suspiro. — Talvez minha recusa em
vender cavalos para ele, não importa se ele tem ou não o dinheiro, vai parar seus
planos.
— Por enquanto, talvez, — disse Conran na dúvida. — Embora eu suspeite que
ele vá em frente na esperança de que você mude de idéia, quando ele apresente o
pagamento. Por outro lado, ele poderia comprar cavalos em outro lugar... se pegasse o
dinheiro.
Não querendo encorajar essa linha de conversa, Dougall não comentou. Ele não
tinha vontade de pensar que a mulher ainda seria vendida como uma prostituta
barata. Além disso, ele podia ver algo no caminho à frente e estava distraído tentando
descobrir o que era.
Observando sua súbita quietude na sela, Conran olhou para frente e apertou os
olhos.
— Parece alguém a cavalo, mas...
— Mas é um cavalo muito estranho, — Dougall murmurou. Parecia curto e largo,
uma criatura atarracada que se movia com um andar um pouco desajeitado.
— É uma vaca que ele está montando? — Perguntou Conran, surpreso, quando
se aproximaram.
— Um touro, — corrigiu Dougall, quando o cavaleiro se mexeu e viu um chifre
ficando à vista. — E se eu não estou enganado, ele é ela. Isso parece um vestido para
mim.
— Hmm, — Alick murmurou atrás deles. — Um vestido rosa. Lady Danvries
estava usando um vestido rosa.
— Sim, ela estava, — concordou Dougall e instou o cavalo para que se movesse
mais depressa.

— Droga, — Murine respirou quando ouviu o cavalo se aproximando. Ela tinha


visto os homens a cavalo atrás dela, apenas alguns momentos atrás e os reconhecera
como os escoceses de quem Montrose estava tentando comprar cavalos. Poderia ter
sido pior. Montrose poderia ter descoberto que ela fugira e fora atrás dela, mas isso já
era ruim o suficiente. Esses eram os homens para os quais o irmão dela tentara
vendê-la e o constrangimento e vergonha do que ele havia feito eram esmagadores. Ela
realmente preferiria não ter que encará-los novamente.

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— Milady. — Murine manteve o olhar direto para a frente, esperando que, se
fingisse não o ouvir, o homem poderia simplesmente deixá-la em paz e seguir em
frente.
— Lady Danvries, — disse ele, um pouco mais alto e quando ela novamente não
respondeu, comentou: — Seu irmão não se incomodou em mencionar que você era
surda, quando ele ofereceu você para mim. Eu deveria ter adivinhado, no entanto. Ele
é obviamente um trapaceiro e um verme, então é claro que ele tentaria passar uma
garota deficiente, em troca de bestas de alta qualidade.
Ofegando de indignação, Murine desistiu de fingir e se virou para encarar o
homem, enquanto retrucava: — Eu não sou deficiente! E você teria tido sorte de me
ter, eu valho cem de seus cavalos.
Quando sua boca se curvou para um lado e uma sobrancelha subiu alto em sua
testa, ela percebeu o que tinha dito e rapidamente acrescentou: — Não que eu tenha
concordado com uma barganha tão vergonhosa. Voltando-se para a frente, ela
murmurou: — Meu irmão obviamente perdeu a cabeça para descer tão baixo.
— E então você está fugindo antes que ele a ofereça a alguém que não é tão
honorável quanto eu e poderia aceitar?
A boca de Murine se estreitou de desagrado. Isso era exatamente o que ela estava
fazendo... ou tentando fazer. Mas agora ela estava preocupada com a possibilidade de
que este homem pudesse de alguma forma interferir e impedir sua fuga.
— Dougall.
Murine olhou ao redor com aquele grito, arregalando os olhos ao ver que os
homens dele, que se mantinham recuados, de repente avançavam com as montarias
para alcançá-los.
— O que houve, Conran? — perguntou Dougall, franzindo a testa.
— Cavaleiros, — explicou o homem, olhando preocupado para Murine. — E eu
estou achando que os homens de Danvries estão atrás da senhora aqui, para levá-la
de volta.
Praguejando baixinho, Murine começou a virar seu touro em direção às árvores,
com a intenção de se esconder, mas encontrou seu caminho bloqueado por cavalos,
quando os outros homens os alcançaram e os cercaram.
— Não há tempo para isso, milady, — disse Conran, compreensivamente. — Eles
estão se movendo rápido; você não ficaria em segurança.
— Então teremos que ser seu disfarce, — disse Dougall severamente. —
Cerquem-na e cubram o cabelo e o vestido. Vou encontrar os cavaleiros.

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Murine abriu a boca para protestar, mas depois soltou um suspiro assustado,
quando um chapéu caiu sobre sua cabeça. — Coloque seu cabelo para cima, moça, —
alguém disse.
— E aqui, coloque isso à sua volta para esconder seu lindo vestido, — disse
alguém mais, largando um plaid sobre seus ombros.
Murine não discutiu, mas desajeitadamente enfiou o cabelo no chapéu, depois
envolveu o plaid à sua volta e olhou para os escoceses e seus cavalos. Seu touro
estava talvez um palmo mais baixo que suas montarias, o que ajudou a esconder o
que a manta não cobria de suas saias, mas havia apenas três deles agora e os dois
cavalos sem cavaleiro que eles esperavam vender para seu irmão.
— Talvez devêssemos... — Ao invés de terminar a sugestão, alguém de repente
jogou outro plaid sobre ela, este cobrindo sua cabeça também. Ela então sentiu a
pressão na parte de trás do pescoço, quando alguém silenciosamente pediu que ela se
pressionasse deitada nas costas do touro. Esperando que fosse o suficiente, Murine
ignorou o fato de que achava difícil respirar nessa posição com o tecido pesado sobre
ela, fechou os olhos e começou a rezar.
Dougall conseguiu obter seis metros no caminho, antes que os cavaleiros
ingleses que se aproximavam o alcançassem. Ele esperava que fosse longe o suficiente
da mulher que seus homens estavam tentando dar cobertura, mas havia pouco que
ele pudesse fazer se não fosse. A escolha então seria, independente da resposta, lutar
pela moça. Dougall ainda não tinha se decidido sobre o assunto. Não era o fato de que
havia vinte deles. Ele e seus irmãos eram lutadores habilidosos. Eles poderiam
facilmente derrotar vinte soldados ingleses, preguiçosos e mal treinados. Mas ele não
tinha certeza se lutar e matar por Lady Danvries valia a pena. Se ela fosse parecida
com seu irmão, ela definitivamente não valia... e realmente, isso não era da conta dele.
Ele imaginou que ele teria que arriscar.
— Danvries achou dinheiro para os cavalos, afinal de contas? — perguntou ele,
em tom de saudação, assim que os cavaleiros pararam.
— Não. O homem na liderança olhou para trás dele, para seus irmãos e depois de
volta. — Estamos procurando a irmã do Lorde Danvries. Ela saiu para um
passeio e ainda não voltou. O irmão dela fica preocupado.
— Um passeio, você diz? — perguntou Dougall, fingindo surpresa. — Tem
certeza? Eu entendi que ela estava sem uma montaria. — Além disso, ela estava
sentada no salão quando chegamos e tenho certeza de que ela subiu as escadas, antes
de sairmos.

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— Sim. — O homem franziu a testa e olhou para trás o caminho que viera. — Eu
entendo que ela saiu depois de você e seus homens, e nós não a passamos, antes de
encontrá-lo. Ela deve ter ido por outro caminho.
— Isso faria sentido, — Dougall concordou e ele supôs que fazia sentido se ele
não soubesse que ele e seus irmãos tinham parado para uma refeição, antes de deixar
a terra de Danvries.
O homem assentiu e girou o cavalo de volta, para o caminho que ele tinha vindo,
com um brusco: — Boa viagem para você.
— E para você, — disse Dougall, alegremente e sorriu, enquanto observava o
soldado inglês levar seus homens embora. Ele nem tinha precisado mentir. Deus, os
ingleses eram estúpidos. Claro, agora ele tinha que lidar com a mulher, ele
reconheceu, seu sorriso desaparecendo.
Ah, bem. Dougall balançou a cabeça e se virou para cavalgar de volta até seus
homens.
— Está procurando a moça, não é? — perguntou Conran, enquanto os homens
se afastavam, para permitir que Dougall movesse seu cavalo para o lado do touro da
mulher.
Dougall olhou para lady Danvries, esperando que ela lhe agradecesse por sua
ajuda. Mas ela provou que era inglesa recusando-se a reconhecer sua presença. A
mulher ainda estava encolhida em seu touro, o plaid cobrindo-a. Carrancudo, ele
puxou a manta dela, e então se inclinou rapidamente para o lado, para pegar a
mulher, quando ela começou a cair da parte de trás de sua besta.
— Bem, — Conran respirou com desgosto, quando Dougall puxou seu corpo
inconsciente através do cavalo, para olhar para ela. — Parece que ela morreu e morreu
conosco. Isso poderia causar problemas com os ingleses.
— Não, é um desmaio, — disse Dougall, mas depois teve que desviar o olhar do
rosto pálido para o peito, apenas para ter certeza de que estava respirando. Ela estava,
mas superficialmente.
— Não pode ser um desmaio, — Alick protestou imediatamente, levantando na
sela e esticando a cabeça para tentar dar uma olhada na mulher. — Se a moça é
corajosa o suficiente para fugir sozinha, ela dificilmente é do tipo que desmaia com um
pequeno susto como esse.
— A menos que não tenha sido coragem o que a fez fugir, — declarou Conran.
— O que mais seria? — Alick perguntou com uma expressão carrancuda. — Ela
pode não ter o mínimo de consciência que Deus dá à maioria, — Geordie sugeriu.
— Ou ela pode ter neurônios a menos, — Alick acrescentou, com relutância.

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— Esta moça não é deficiente, — retrucou Conran. — Nem é estúpida. Os dois
deviam sentir vergonha de sugerir isso.
— Bem, por que você acha que ela está desmaiada, então?
Conran a olhou brevemente e depois disse: — Bem, agora, talvez ela esteja
doente. É óbvio que seu irmão se importa pouco com seu bem-estar. Talvez ela tenha
adoecido.
— E talvez, — disse Dougall, deslocando a mulher para uma posição mais
confortável em seu colo, — vocês deveriam parar de agir como um bando de velhas,
para que possamos continuar nossa jornada.
Conran levantou suas sobrancelhas. — Estamos levando-a conosco, então?
— Bem, dificilmente podemos deixá-la aqui ao lado da estrada, em seu estado,
podemos? — Ele assinalou com exasperação. — Nós vamos levá-la conosco até que ela
acorde.
— E então o quê? — Conran perguntou, apertando os olhos.
— E então vamos perguntar para onde ela está indo e se estiver no nosso
caminho, vamos acompanhá-la até lá, — ele decidiu com uma pequena carranca. A
mulher estava se tornando algum problema e ele não estava feliz com isso.
— E se para onde ela está indo, não ficar no caminho? — Perguntou Conran. —
Ou se nós a tivermos carregado para depois de onde ela estiver indo?
— Então, vamos lidar com isso na hora, — disse Dougall, com paciência forçada,
e depois acrescentou, irritado: — Agora, eu ficaria bem contente se conseguisse que
suas bundas se colocassem em marcha e seus cavalos se movessem.
— Tudo bem, não há necessidade de gritar, — disse Conran, suavemente. — É
óbvio que a moça o deixou perplexo. Ele olhou em volta e então perguntou: — E o
touro dela?
Fazendo uma careta, Dougall olhou para a besta e encolheu os ombros. —
Deixe-o pra trás. Ele vai gostar muito de voltar para o castelo. Então, talvez, eles
achem que ela tenha tido uma queda e desperdiçarão dias procurando nos bosques de
Danvries por ela.
— Mas então ela não terá nada para cavalgar quando recuperar os sentidos, —
disse Conran.
— Então ela terá que cavalgar comigo, não é? — ele perguntou, secamente.
— Sim, mas e se as viagens dela a levarem para longe de nós. Ela não conseguirá
seguir seus próprios planos sem besta para montar.
— É uma vaca, Conran, — ele indicou, com desgosto. — Ninguém com todas as
suas faculdades montaria uma vaca, de qualquer maneira. — Suspirando impaciente,

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ele balançou a cabeça. — Eu lhe darei um cavalo. Nós temos dois de reserva conosco,
de toda maneira.
— Duas bestas valiosas que valem uma bela moeda ou mais, — Conran apontou
bruscamente. — Você não pode estar pensando...
— Estou pensando que estou cansado de ouvir você me encher o ouvido e estou
ansioso para seguir, — retrucou Dougall. — Faça o que quiser com a vaca, mas vamos
continuar agora.
— Ele apertou os calcanhares em sua montaria, enviando-a para um galope que
fez Lady Danvries saltar em torno de seu colo, como um saco de trigo. Murmurando
sob sua respiração, Dougall diminuiu a velocidade da besta e endireitou-a, antes de
partir novamente. Mas ele se viu olhando repetidamente para a mulher em seus
braços, perguntando-se o que ela teria feito se ele concordasse em negociar com o
irmão dela. Ela havia sido oferecida e usada assim, antes? Esse pensamento não lhe
ocorrera antes e agora irritou-o por algum motivo. Ele voltou sua atenção para o
caminho à frente e pediu que sua montaria se movesse mais rápido. Mas ele também
apertou a mulher para garantir que ela não fosse empurrada para fora do colo dele no
processo.

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Capítulo 2

Os sons de risadas masculinas, conversas e movimentos puxaram Murine do


sono. Virando-se de costas, ela respirou fundo, aliviada por poder fazê-lo. Parecia ter
passado uma eternidade desde que ela tinha conseguido isso. Ela acordou meia dúzia
de vezes ao longo do dia, para se encontrar presa ao peito de um homem e incapaz de
respirar fundo. Cada vez que acontecia, isso tinha lhe causado pânico, combinado
com a falta de ar, ela era enviada de volta à inconsciência. Desta vez, no entanto, ela
não estava mais no casulo quente e sem ar em que havia acordado tantas vezes antes.
Na verdade, ela estava um pouco fria, notou Murine, com um franzir da testa e abriu
os olhos para o céu noturno.
Uma gargalhada alta chamou sua atenção, e ela virou a cabeça no chão para
espiar as figuras escuras, recortadas contra uma pequena fogueira. Os homens eram
todos grandes e definitivamente escoceses, ela percebeu quando notou suas roupas.
Os homens que a haviam escondido dos soldados de seu irmão, ela adivinhou.
Certamente, ela tinha quase certeza, de que tinha sido o líder deles que a segurara
com tanta força em seu cavalo. Ela não achava que ele estava deliberadamente
tentando tirar o fôlego dela e felizmente, ela não tinha morrido, como ela temeu, mais
de uma vez, quando tinha acordado apenas para encontrar a consciência escapulindo
novamente, sugada dela pela falta de ar.
O riso cessou e Murine desviou o olhar dos homens para espiar em volta. Ela
estava deitada na frente de uma grande árvore, com o tronco nas costas. Em algum
lugar além dela, na escuridão, ela podia ouvir os inconfundíveis sons de cavalos se
movendo e, claro, diante dela estavam os homens e seu fogo, mas em todos os lugares
parecia tão escuro que ela poderia ter acreditado que tinha ficado cega. Era uma noite
nublada, obviamente, o fogo dando a única luz, o que era uma pena, na verdade,
porque ela tinha uma terrível necessidade de se aliviar.
Fazendo uma careta, Murine sentou-se cautelosamente e depois ficou de pé, um
pouco surpresa ao descobrir que ela estava um pouco tonta. Mas ela não comera
desde a manhã. Entre isso e estar faminta o dia todo, ela supôs que não deveria se
surpreender. Estendendo a mão, ela a pressionou na árvore para se equilibrar, até que
a pior parte da sensação de desmaio passasse, então se moveu silenciosa e
cuidadosamente para a escuridão à esquerda, estendendo cegamente as mãos. Ela

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tinha certeza de que os cavalos estavam à sua direita, mas era fácil ficar confusa em
tal escuridão absoluta e ela não queria despencar sob os cavalos, dar-lhes um susto e
acabar pisoteada.
Para seu grande alívio, em vez de se chocar contra o quente ombro, flanco ou
traseiro de um cavalo, ela parou quando sua mão se achatou contra a casca de outra
árvore. Murine soltou um pequeno suspiro e sentiu seu caminho ao redor da árvore,
até que o fogo estivesse fora de vista. Recusando-se a ir mais longe e se perder na
escuridão, ela então levantou o vestido e se agachou onde estava, um pequeno suspiro
deslizando por seus lábios. Foi seguido por um grito assustado, quando algo quente e
úmido cutucou seu nariz e bochecha. No momento seguinte, Murine tombou no chão.
Todos os homens ficaram em silêncio, enquanto um grito rasgava o ar da noite.
Dougall virou a cabeça, instintivamente procurando Lady Danvries, onde ele a deitou
na base da árvore atrás deles. Ela não estava mais lá.
Praguejando, ele agarrou a extremidade fria de um tronco queimando do fogo e
ficou parado como os irmãos dele fizeram. Usando o tronco como uma tocha
improvisada, ele começou a andar em direção à árvore, contornando-a na direção de
onde ele achava que o grito tinha vindo. À esquerda dos cavalos, pensou, diminuindo
a velocidade quando a voz dela chegou a ele, abafada pela escuridão.
— Oh, Henry! Pelo amor de Deus, você me deu um susto. Pare com seus beijos
bobos agora e deixe-me levantar.
Dougall parou. Henry? Beijos? A lady Danvries tinha um amante que ela tinha
montado em sua vaca para encontrar? Se assim fosse, o homem deve tê-los seguido e
esperado até eles se distraírem, para se aproximar dela. Parecia que ela não era tão
inocente quanto aparentava, ele pensou e ficou inexplicavelmente desapontado em
saber.
Apertando a boca, ele avançou determinadamente para frente, apenas para parar
um momento depois, quando sua tocha iluminou uma cena que ele não esqueceria tão
cedo. Lady Danvries estava deitada de lado na grama, afastando uma vaca que estava
sobre ela, tentando lamber seu rosto, como se fosse um deleite saboroso. Não, um
touro, ele se corrigiu secamente enquanto tomava nota dos chifres, quando o touro
parou de tentar açoitá-la com a língua grande e levantou os olhos fixamente para ele.
— Parece que o touro dela nos seguiu, — comentou Conran atrás dele, divertido,
e Dougall olhou em volta para ver que todos os três irmãos o tinham seguido e
estavam rindo, com a visão que Lady Danvries oferecia.
— Oh, milord. — Lady Danvries ficou de pé, agarrando um chifre de seu touro
para controlá-lo, então rapidamente o largou, ajeitou para baixo suas saias antes de

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encará-lo com uma expressão aflita. — Eu só estava... Ela acenou vagamente para a
floresta, e ele achou que ela estava corando, embora fosse difícil dizer nesta luz.
— Rolando no chão com sua vaca, — ele sugeriu, sentindo um sorriso largo
tentando puxar seus lábios.
— Certamente que não, — ela disse com dignidade. — Além disso, Henry é um
touro. — Ela virou-se para acariciar o focinho da besta, como se para acalmar
qualquer insulto que ele tivesse recebido por ser chamado de vaca. — Eu o criei desde
bebê. Ele era pequeno e o chefe dos estábulos não achava que sobreviveria, mas eu o
levei para o castelo e cuidei dele e ele está se transformando em um grande animal.
— Você está zombando de nós? — Conran perguntou de repente, avançando para
o lado de Dougall, irritação no rosto.
Lady Danvries franziu a testa ligeiramente. — Não. Eu realmente o criei, e ele
realmente é um touro.
— Não sobre o touro, moça. Com seu sotaque, — disse Dougall em voz baixa,
sabendo o que causara a pergunta de Conran. Ele não tinha notado até que seu irmão
fez a pergunta, mas a mulher estava falando com sotaque escocês. Vendo sua
perplexidade, ele explicou: — Você é inglesa, mas imitando nosso sotaque, Lady
Danvries.
Seus olhos se arregalaram com a idéia e ela se ergueu orgulhosamente. — Eu
não sou inglesa. E o meu nome não é Danvries. Montrose Danvries é meu meio-irmão.
Eu sou Lady Murine Carmichael. Meu pai era Beathan, laird do clã Carmichael.
— Murine Carmichael? — Conran respirava como se ela fosse uma das melhores
maravilhas do mundo, um sentimento que Dougall compreendia completamente
enquanto ele percebia quem ele estava encarando.
Foi Alick quem disse: — Murine, da nossa Saidh?
— Murine olhou para ele bruscamente. — Saidh Buchanan? Você a conhece?
— Conhecê-la? — Geordie ecoou com diversão. — Sim, você poderia dizer isso.
— Nós somos seus irmãos, — anunciou Alick. — Eu sou Alick Buchanan, e estes
são os meus irmãos mais velhos, Geordie, Conran e Dougall.
— Oh, — Murine respirou, alívio se derramando sobre seu rosto. Sua expressão
então se transformou em alarme assustado, talvez, quando Alick de repente se lançou
para frente e a agarrou em um abraço exuberante que a levantou do chão.
— Obrigado, obrigado, obrigado, — ele cantarolou alegremente, balançando-a ao
redor.
— Pare com isso, Alick. Você vai deixá-la tonta se a balançar assim, — Geordie
rosnou e depois se aproximou para tomar seu lugar, quando Alick a colocou de volta
no chão. Ele também a abraçou, levantando-a do chão para fazê-lo, mas não a
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balançou. Ele simplesmente a ergueu em seus braços e provavelmente lhe tirou o
fôlego, enquanto ronronou: — Obrigado, moça. Não podemos pagar o
que você fez por nós.
— Oh, — repetiu Murine, batendo nas costas de Geordie incertamente e
parecendo confusa. Ela obviamente não tinha ideia do que os homens estavam
agradecendo.
No momento em que Geordie a colocou cuidadosamente de pé, Conran se
adiantou para tomar seu lugar.
— Sim, obrigado, — disse Conran, dando-lhe um abraço também, embora ele
fosse mais circunspecto. Ele deixou que ela ficasse de pé e apenas lhe deu um abraço
rápido e forte. — Saidh nos contou o que aconteceu com a harpia que tentou matar
Lady Sinclair.
— Oh! — Murine disse, com súbita compreensão agora, enquanto Conran a
soltava. Afastando seus agradecimentos com uma mão esvoaçante, ela murmurou um
embaraçado: — Não foi nada.
— Não foi nada, — grunhiu Dougall e, em vez de abraçá-la, cruzou os braços e
olhou para ela, pela própria sugestão. — Você salvou tanto Lady Sinclair quanto
nossa irmã, quando a cadela ia matá-las. É uma dívida que não podemos pagar.
— Mas vocês já pagaram, — Murine assegurou-o solenemente. — Vocês me
salvaram dos planos do meu irmão para mim. Vocês definitivamente pagaram a
dívida.
— Não, moça, você se salvou, escapando naquela sua vaca, — disse Dougall,
franzindo a testa, pensando agora que deveriam ter feito o salvamento, em vez de
deixar Danvries e forçá-la a salvar a si mesma. Certamente, eles então teriam sabido
quem ela era. Saidh contou-lhes muito sobre a mulher que estava de pé diante deles.
Ela não tinha apenas salvado a vida de Saidh, ela se tornara uma amiga querida para
ela também, e pelo relato de sua irmã era uma fina lady: inteligente, honrada e
corajosa.
— Sim, tudo o que fizemos foi escondê-la dos homens do seu irmão quando eles
a vieram procurar, — Conran indicou com uma carranca.
— E nós vamos continuar a fazê-lo, não vamos, Dougall? — Alick disse
animadamente. Sem esperar por uma resposta, ele continuou: — Você está segura
conosco, moça. Não vamos deixar que aquele bastardo inglês, seu meio-irmão a pegue
e venda como uma égua, ao primeiro que chegar.
Geordie resmungou concordando e Alick assegurou-lhe: — Suas preocupações
acabaram. Vamos mantê-la em segurança, não vamos, irmão?

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Quando todos os três irmãos se voltaram para ele com expectativa, Dougall
hesitou e franziu a testa. Se Danvries fosse seu guardião, ele poderia fazer com ela o
que quisesse. Se ele a encontrasse. O melhor que podiam fazer por ela era levá-la a
algum lugar onde pudesse estar a salvo dele. O problema era que Dougall não
conseguia pensar em muitos lugares assim. Um convento lhe veio à mente. Se ela
fizesse os votos, ela seria protegida pela igreja, mas parecia um desperdício ver uma
moça adorável como Murine, que não era apenas bonita, mas corajosa e, segundo
Saidh, inteligente, trancada em uma igreja para o resto de seus dias.
— Dougall? — Conran insistiu quando ele permaneceu em silêncio. — Nós vamos
mantê-la segura, não vamos?
Expelindo o ar com um suspiro, Dougall assentiu com relutância. Ele não podia
em sã consciência vê-la voltar para Danvries. O homem iria usá-la horrivelmente para
ganhar o dinheiro que ele perdia com suas apostas. Então eles teriam que fazer o que
pudessem. Primeiro ele tinha algumas perguntas que precisavam ser respondidas. —
Onde você estava planejando ir, quando fugiu em sua vaca? Você tem família que
possa oferecer refúgio?
— Henry é um touro, não uma vaca, — repetiu Murine com firmeza e acariciou o
nariz de sua vaca. O animal imediatamente tentou lamber a mão dela como se fosse
um deleite saboroso, e Murine sorriu torto enquanto evitava a língua. Olhando para
ele, acrescentou solenemente: — Obrigado por trazê-lo também. Eu sei que ele deve
ter lhe atrasado.
— Dougall ignorou o empurrão que Conran deu nele e não mencionou que ele
havia ordenado que o touro fosse deixado para trás. A besta teimosa decidiu segui-los
por conta própria. Na verdade, Dougall ficara bastante impressionado por ele ter
conseguido acompanhá-los. Para evitar que um dos homens admitisse isso, ele se
virou e fez um gesto de voltar pelo caminho que eles tinham vindo. — Vamos todos
nos sentar ao lado do fogo. Você pode nos dizer aonde você estava indo. Vamos
acompanhá-la até lá com segurança.
— Sim, — disse Alick com um sorriso, enquanto seguia em direção ao fogo. —
Devemos muito mais a você por salvar nossa Saidh.
Os homens começaram a voltar para o fogo, mas Dougall esperou por Murine e
arqueou uma sobrancelha, quando ela não os seguiu imediatamente.
— Eu estava apenas escapulindo para atender a... er... necessidades pessoais, —
ela terminou recatadamente, depois franziu o cenho para o touro e acrescentou:— Mas
fui muito rudemente interrompida.
— Ah. — Dougall disse, e então franziu a testa, sem saber o que fazer. Se ele
saísse, ele levaria a luz com ele, e não parecia certo deixá-la em pé, aqui na floresta,
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no escuro. Por outro lado, ela dificilmente apreciaria ele em pé aqui, com uma tocha,
enquanto ela agachava nos arbustos. Segurando o tronco, ele perguntou: — Você
gostaria disso?
— Er... — Murine olhou incerta para a tocha improvisada, em seguida, deu um
passo à frente para pegá-la, seus olhos se arregalando e sua outra mão se erguendo
para se juntar à primeira, quando sentiu seu peso. Era um tronco de bom tamanho,
ela supôs e imaginou como ela conseguiria fazer o que precisava fazer, com as duas
mãos ocupadas segurando a tocha improvisada.
— Talvez eu deva fazer uma tocha adequada, uma menor ou mais longa que você
possa plantar no chão e...
— Não, — ela o interrompeu e então ofereceu um sorriso meio forçado e
acrescentou: — Minha necessidade é bastante urgente, milord. Então, isso vai
resolver. — Depois de uma pausa, ela acrescentou: — Se você apenas pudesse voltar
para o fogo e me deixar sozinha para fazer isso.
— Oh, sim. — Dougall concordou e começou a virar para ir embora, mas quando
percebeu que podia ver os homens se acomodando ao redor do fogo, ele se virou e
sugeriu: — Você pode querer se mover um pouco mais para trás da árvore, lá. Caso
contrário, meus irmãos vão...
— Sim, — ela interrompeu, e com a tocha tão perto de seu rosto, dessa vez não
havia dúvida de que ela estava corando.
Concordando, Dougall começou a se virar novamente, apenas para parar e voltar
atrás, questionando, quando ela limpou a garganta.
— Eu... você se importaria... Ela gesticulou para seu touro amoroso, que agora
estava lambendo seu braço através de seu vestido, e Dougall teve que esconder um
sorriso.
Fechando a cara, ele se aproximou, pegou a fera pelo colarinho volumoso em
volta do pescoço e puxou-a. O touro era um teimoso, e cavou, apoiando as pernas e
recusando-se a se mover até que sua lady disse: — Vá com ele, Henry, eu vou estar
junto em um momento.
Para surpresa de Dougall, o touro parou de resistir e permitiu que Dougall o
arrastasse para longe de sua lady, tão obediente quanto um cachorro. Balançando a
cabeça com o pensamento, Dougall levou o animal de volta para a área atrás de seus
homens, em seguida, parou, sem saber o que fazer com o animal.
— Ele provavelmente está com fome, — comentou Conran, olhando por cima do
ombro, com um sorriso.
— Bem, então talvez você deva alimentá-lo, — rosnou Dougall.

Amando um Highlander – Lynsay Sands


Conran levantou uma sobrancelha, depois assentiu e se virou para olhar para
Alick. Ele não precisava dizer uma palavra. O homem mais jovem levantou-se com um
suspiro e se virou para pegar as rédeas do touro de Dougall. Ele era o encarregado dos
cavalos quando eles viajavam, afinal. Entregando as rédeas, ele se moveu para se
sentar onde estava antes de ouvirem Murine gritar. Imediatamente se viu lutando para
não virar e olhar na direção da mulher, para ver se ela havia aceitado a sugestão dele
e se mudado para um lugar onde ela era menos provável de ser vista.
— Murine Carmichael, — Conran murmurou e depois balançou a cabeça. — E
eu aqui pensando que era inglesa.
— Sim, — disse Dougall pensativo.
— Ela é uma mulher de boa aparência, — acrescentou Conran.
— Muito boa aparência. — Geordie concordou, com um sorriso. — Saidh nunca
mencionou isso.
— É bom que ela tenha fugido daquele cruel irmão dela, — Alick disse
severamente, voltando para o fogo. — Faz meu sangue ferver que ele tentasse vendê-la
assim. Já era suficientemente ruim quando eu a achava uma moça inglesa, mas uma
escocesa? E a moça valente que salvou a nossa irmã? — Ele balançou a cabeça com
desgosto.
— Hmm, — murmurou Geordie, seu sorriso desaparecendo. — Vamos ter que
fazer com que seu irmão não a venda.
— E como você planeja garantir isso? — Dougall perguntou baixinho, finalmente
externando suas preocupações em voz alta. — Ele é seu irmão e guardião. Se ele a
encontrar...
— Então vamos fazer com que ele não a encontre, — disse Alick franzindo a
testa.
— Poderíamos escondê-la em Buchanan, — sugeriu Geordie.
— Ele sabe que ela e Saidh são amigas, — assinalou Dougall. — Buchanan é um
dos primeiros lugares onde ele vai procurar quando não a encontrarem perto de casa.
Especialmente desde que estávamos em Danvries, quando ela desapareceu. Na
verdade, seus homens podem já estar nos seguindo.
Seus irmãos franziram a testa com essa verdade e então Alick assinalou: — Se
ela se casasse, ele não seria mais seu guardião, com nenhum direito sobre ela.
Esse pensamento tinha ocorrido a Dougall, mas ele deu uma risada sem graça e
perguntou: — Você está planejando se casar com ela então?
— Talvez eu irei, — respondeu Alick, sentando-se um pouco mais reto, o peito
estufado. — Certamente, eu preferiria me casar com ela do que vê-la voltar para
Danvries. E levá-la para a cama não seria uma dificuldade.
Amando um Highlander – Lynsay Sands
O último comentário fez Dougall franzir o cenho. Levá-la para a cama,
definitivamente, não seria uma dificuldade, mas por algum motivo ele não gostou da
idéia de Alick ser aquele a fazê-lo, mas foi Geordie quem disse: — O diabo que você
vai! Eu sou mais velho que você. Se ela precisa se casar, eu sou aquele que vai fazer
isso.
— Você é apenas um ano mais velho, — Alick retrucou. — Além disso, sem
dúvida ela preferiria um jovem bonito como eu a um grande bruto como você.
— Se por bonito e jovem você quer dizer fraco, talvez ela preferiria, — Geordie
rosnou. — Mas eu acho que ela escolheria um homem de verdade em vez de um
jovem, careca a qualquer momento.
— Eu disse primeiro e se ela precisa se casar, eu vou fazer isso, — disse Alick
com firmeza.
— O inferno que você vai! — Geordie rosnou, levantando-se ameaçadoramente.
— Chega, — retrucou Dougall quando Alick se levantou, com toda a aparência de
querer atacar Geordie. — Eu não vou ter vocês lutando por ela como cães por um
osso. — E não vou deixar você envergonhar a moça falando sobre os feitos do irmão
dela. Então sentem-se e se calem.
Seus irmãos ficaram em silêncio e relutantemente sentaram-se novamente, mas
continuaram a encarar um ao outro e Dougall sabia que podia esperar que
continuassem a discussão, em outro momento. Isso o fez querer bater suas cabeças
uma na outra. Inferno, ele queria bater suas cabeças apenas por sugerir que eles se
casariam com a moça, embora ele não tivesse certeza do porquê. Isso cuidaria da
preocupação deles em relação ao seu bem-estar e, no que lhe dizia respeito, agora ela
era sua preocupação. Afinal, essa era a moça que salvara a vida de Saidh. Essa era
uma dívida que eles nunca poderiam pagar, e ele sabia que cada um de seus irmãos
se sentia da mesma maneira. Então, por que não deixar um de seus irmãos se casar
com ela e cuidar dessa preocupação? Não era como ele queria. Entre seus deveres em
relação ao irmão mais velho, Aulay, primeiro de tudo o que ele fez com sua criação de
cavalos, Dougall ainda não tinha chegado a considerar o casamento. Essa era uma
consideração para o futuro, quando ele finalmente comprasse uma bela propriedade
onde ele poderia se concentrar em sua criação e ter tempo para começar sua própria
família. Esse tinha sido o plano.
Mas agora havia Murine e suas dificuldades e o fato de que não havia nenhuma
maneira que ele pudesse deixá-la para o destino planejado por seu irmão para ela,
agora que sabia quem ela era. Inferno, ele não poderia fazer isso e viver com sua
consciência, depois de encontrá-la na estrada, fugindo em sua vaca. E isso foi antes
de ele saber quem ela era. Além disso, ele estava se lembrando de como ela se
Amando um Highlander – Lynsay Sands
encaixava bem nele durante o passeio naquele dia, e que ela cheirava tão bem quanto
aparentava. Dougall se viu abaixando a cabeça para inalar seu perfume doce, várias
vezes, naquela tarde, durante o passeio.
Praguejando em voz baixa, ele olhou para o fogo e se perguntou como eles
poderiam salvar a moça do destino a que seu irmão queria forçá-la. Eles poderiam?
Ajudaria se soubesse que ela tinha família para ajudá-la. Alguém para pedir ao rei em
seu nome, para removê-la da tutela de seu irmão. Mas ele não saberia disso até que
Murine se juntasse a eles para responder suas perguntas. O que o fez pensar. . . por
que diabos estava levando a mulher tanto tempo? Quanto tempo se demorava para
mijar e voltar para eles?
Dougall fez uma careta para as chamas por um minuto, depois levantou a
cabeça, cedeu ao impulso e olhou rapidamente para onde a deixara. Ele então franziu
a testa e se levantou. Não só ela tinha saído de vista, mas sumira completamente. Pelo
menos, ele não podia ver a luz, e a tocha que ele tinha deixado deveria lançar um
brilho que ele veria, mesmo por trás da árvore.
— Qual é o problema? — Conran olhou para ele de seu assento, mas não se
virou para olhar para a floresta, ele notou.
— Murine se foi, — disse Dougall severamente e inclinou-se para pegar a ponta
de outro tronco queimando, para fora do fogo.
— O quê? — Conran se levantou e se virou para olhar. — Onde diabos ela iria?
Dougall se dirigiu para a floresta sem responder e ouviu os outros levantando
para segui-lo. Desta vez, mais de um deles pegou um tronco também. Ele podia dizer
isso pelo brilho que o rodeava enquanto caminhava.

— Droga, estúpida... — Murine murmurou para si mesma, enquanto se


empurrava através dos arbustos, fazendo uma careta quando os galhos pegaram seu
cabelo e seu vestido e arranharam seu rosto. Ela não podia fazer nada para impedir
isso. Precisava das duas mãos para administrar o peso do grande tronco pesado que
Dougall Buchanan lhe dera como uma tocha.
Foi sua própria culpa, claro. O homem se ofereceu para buscar outra ou torná-la
menor, mas ela estava tão desesperada para se aliviar naquele momento, que ela disse
não. Agora ela ainda não tinha feito, tinha certeza que estava prestes a explodir com a
necessidade, mas estava se arrastando pela floresta em busca de um lugar onde
pudesse fazê-lo sem iniciar um incêndio na floresta. Ela precisava de um lugar onde
pudesse colocar o maldito tronco enquanto ela segurava as saias e se agachava, mas
até agora, todos os lugares pareciam estar cobertos de grama seca e folhas.

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Ela empurrou outro arbusto e quase caiu para frente de cara, quando a floresta
deu lugar a uma clareira. Conseguindo manter os pés sob ela, sem as mãos para
ajudar no esforço, Murine ergueu a tocha improvisada e olhou em volta. Ela então
soltou um suspiro aliviado ao avistar uma grande pedra no centro da pequena
clareira. Era perfeito, ela decidiu e caminhou adiante para colocar o tronco na pedra.
Agora que ela estava livre de segurar a tocha improvisada, Murine não poderia
chegar ao assunto pelo qual ela tinha vindo aqui, com rapidez suficiente. Ela levantou
as saias e estava agachada em segundos. Mas ela não suspirou aliviada até que
realmente terminou a tarefa, sem o ataque amoroso de Henry ou qualquer outra
interrupção. Ela aprendera a lição da última vez.
Murine estava apenas se endireitando e deixando que as saias caíssem de volta
no lugar, quando a luz pareceu se mover e então de repente se apagou. Ela congelou
brevemente, então se virou lentamente em direção à pedra onde ela tinha deixado o
tronco e olhou para a escuridão. Foi só quando baixou o olhar que viu as últimas
brasas incandescentes do que costumava ser sua tocha. A maldita coisa rolou da
pedra, apagando suas próprias chamas antes de aterrissar no chão.
— Ah, inferno, — ela murmurou, e então se bateu por dizer isso e balançou a
cabeça. Ela obviamente passara muito tempo com sua amiga Saidh, para estar
soltando pragas como ela estava hoje. Suspirando, ela correu para pegar o tronco e
começou a soprar nele, para tentar trazer a chama de volta à vida. Mas mesmo
quando ela levantou, o último brilho morreu, deixando-a incapaz de ver o tronco que
ela estava segurando.
— Bem, não é perfeito? — Ela reclamou, soltando o pedaço de madeira inútil e
virando-se para olhar em volta. Ela não tinha ideia de onde estava nem em que
direção o acampamento estava. Mordendo o lábio, ela tentou se orientar. Ela colocara
a tocha no pedregulho e virara de costas para ele, de frente para o caminho que ela
veio. E então ela se virou e correu para pegá-lo. Suas costas deveriam ter estado na
direção que ela veio naquele momento. Mas então ela derrubou a madeira e se virou
novamente.
Ela tinha se virado toda ao redor, de modo que deveria estar apontada na direção
que ela queria ir? Ou ela só tinha feito meia volta? E ela tinha se movido em linha reta
através da floresta, a partir da árvore atrás da qual ela foi atacada por Henry, ou ela
tinha tomado um caminho inclinado?
Murine ergueu as mãos com exasperação. Ela não tinha a menor ideia, e ela não
podia ouvir as vozes dos homens como ela ouvia quando começou. Elas morreram
abruptamente, pouco antes de ela ter se dirigido para esta clareira. Ela parou por um
minuto e inclinou a cabeça, esperando ouvir suas vozes abafadas e seguir o som de
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volta ao acampamento, mas não ouviu nada. Ou todos eles foram dormir ou... bem,
ela não sabia o que mais os silenciaria. Talvez a morte, ela pensou e imaginou um
bando de saqueadores silenciosos se arrastando por trás dos Buchanans, enquanto se
sentavam em volta do fogo, e então cortavam suas gargantas tão rapidamente que eles
morriam sem um som.
Um arrepio passou por ela e Murine esfregou os braços e olhou nervosamente em
volta. Um desses saqueadores poderia segui-la até aqui e estar agora mesmo
rastejando, através da escuridão, em direção a ela, pronto para cortar sua própria
garganta.
Murine moveu uma das mãos para esfregar o pescoço agora, o queixo
inconscientemente se abaixando para deixar menos exposto. Mas então, percebendo o
que ela estava fazendo, ela afastou a mão para longe e seus ombros se levantaram.
— Não há ninguém lá fora, — ela disse a si mesma com firmeza. — Você só
precisa encontrar o caminho de volta ao acampamento e tudo ficará bem.
Pelo menos ela esperava que ficaria. Na verdade, ela não teve muito tempo para
considerar sua situação. Ela presumia que estava segura com os irmãos de Saidh e
que eles estavam cuidando dela... e Dougall havia dito algo sobre ela dizer aonde ela
estava indo e que eles a escoltariam, mas na verdade ela não tinha certeza sobre a
última parte. Sua mente estava firmemente fixa em suas necessidades pessoais no
momento.
Resmungando baixinho, com desgosto, Murine começou a andar diretamente em
frente, suas mãos estendidas para sentir os arbustos e galhos que ela tinha
conseguido atravessar para chegar à clareira. Não era como se ela tivesse muita
escolha a não ser retornar aos homens. Murine não tinha ideia de onde ela estava ou
em qual direção ela deveria ir, para chegar à Escócia.
Se eles já não estivessem na Escócia, Murine considerou, enquanto ela tropeçava
através dos arbustos, puxando seu vestido quando ele era apanhado, e sacudindo sua
cabeça para longe dos ramos que pareciam estar constantemente agarrando em seu
cabelo. Seria uma vergonha enorme se ela já estivesse na Escócia e andasse pelo
caminho errado, voltando para a Inglaterra. Francamente, com o tipo de sorte que ela
estava tendo ultimamente, havia uma boa chance daquela exata coisa acontecer.
Distraída por seus pensamentos, Murine demorou a perceber que o chão que ela
estava olhando tinha subitamente clareado um pouco. Ela começou a manter a cabeça
baixa para não ser cutucada nos olhos pelos galhos que lhe batiam. Ela olhou
fixamente para o chão reluzente por um momento, seus passos afrouxando, em
seguida, levantou a cabeça rapidamente quando ela bateu em algo. Algo que agarrou
seu braço.
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Murine olhou para a grande forma aparecendo diante dela. A luz vinha do lado e
de detrás, lançando tudo em características bastante horríveis. Ela abriu a boca,
fechou-a, então simplesmente sentiu-se cair, enquanto sua visão diminuía e seu
mundo encolhia para um pequeno ponto preto.
Empurrando o tronco para Conran, Dougall pegou a mulher enquanto ela
afundava no chão.
— Droga. Ela desmaiou de novo, — murmurou Conran.
— Saidh mencionou essa tendência dela. — Dougall grunhiu, enquanto pegava
Murine em seus braços.
— Sim, mas ela também não disse que Joan havia feito uma tintura que parecia
estar ajudando? — Conran comentou com uma carranca, recuando para abrir
caminho quando Dougall se virou com seu fardo.
Quando Dougall apenas deu de ombros, Geordie perguntou: — Que diabos ela
estava fazendo todo o caminho até aqui?
— Eu pensei que você tinha deixado sua tora com ela mais cedo, — disse
Conran, quando Dougall começou a voltar através dos galhos.
O comentário fez com que ele parasse e se virasse. Tinha estado
excepcionalmente seco ultimamente e uma chama acesa deixada sozinha poderia
iniciar um incêndio florestal. — Você podia...
— Vou dar uma olhada, — garantiu Conran, depois entregou a tora que Dougall
carregava para Geordie, o único que não carregava uma tora. ─ Você e Alick voltam
com Dougall. Eu vou depois diretamente.
Virando-se, Dougall carregou Murine de volta, pelo caminho que ele tinha vindo.
— Você não acha que ela está doente, não é? — Alick perguntou com
preocupação. O homem mais jovem estava quase pisando nos calcanhares de Dougall.
Ele também estava segurando sua tora em chamas, para ajudar a iluminar o caminho
para Dougall. — Quero dizer, Saidh disse que a tintura de Lady Sinclair estava
ajudando, mas Murine estava num desmaio de morte a tarde toda, enquanto
andávamos, e apenas a visão de nós a fez desmaiar de novo, agora.
— Talvez ela precise comer, — sugeriu Geordie detrás. — Se ela foi embora logo
depois de nós, ela perdeu a refeição do meio-dia e o jantar também.
— Isso não explica o primeiro desmaio, — assinalou Alick. — Nós tínhamos
acabado de comer naquele momento.
— É verdade, — Geordie parecia estar franzindo a testa. — Então, talvez ela teve
dificuldade em respirar sob o plaid e foi por isso que ela desmaiou.

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— Então você está sugerindo que ela desmaiou da primeira vez porque ela não
conseguia respirar, e da segunda vez porque ela está fraca de fome? — Alick
perguntou.
— Sim, — concordou Geordie. — Isso ou ela está doente.
— Isso foi o que eu sugeri, para começar, — Alick assinalou com exasperação.
Dougall avistou a fogueira à frente e começou a se mover com mais rapidez,
ansioso para se afastar da dupla que estava atrás dele. Ele não sabia por que a
mulher havia desmaiado dessa vez. Saidh disse que isso acontecia quando Murine
ficava excitada demais ou ficava de pé muito rápido, mas ela já estava de pé, e não
havia nada para a excitar pelo que ele sabia. Embora ela parecesse apavorada logo
antes de desmaiar, ele notou, e então balançou a cabeça. Apesar de saber que isso era
normal para Murine, ele achou um pouco desconcertante que ela continuasse caindo,
como ela fazia. Ela provavelmente se machucaria se continuasse assim. Ele nem
sempre estaria lá para pegá-la.

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Capítulo 3

Murine suspirou sonolenta e aconchegou-se nas peles que a rodeavam, depois


endureceu quando aquelas peles se apertaram ao redor dela em resposta. Acordando
totalmente agora, ela abriu os olhos e se encontrou olhando para a camisa de linho
branco onde ela tinha o nariz pressionado. Erguendo os olhos, ela olhou para a parte
inferior de um queixo onde estava brotando incipiente barba escura.
Mordendo o lábio, Murine respirou fundo e começou a se afastar do homem, mas
fez uma pausa no delicioso aroma que enchia suas narinas. Em quem quer que ela
estivesse aninhada, cheirava muito agradável, meio amadeirado e picante e... bem, ela
não conseguia identificar o outro cheiro que estava inalando, mas era muito bom.
O peito na frente dela vibrou contra os seios dela como um estrondo de som, que
só poderia ser chamado de um ronco, atingindo suas orelhas e, em seguida, o homem
rolou de costas, levando-a com ele. De repente, Murine se encontrou deitada em cima
dele, com seu peito colado ao corpo dele e a parte de baixo, estendida sobre as pernas
dele e outra coisa que era bastante dura e um pouco desconfortável contra o
estômago.
Prendendo a respiração agora, ela levantou a cabeça um pouco, para tentar dar
uma olhada melhor em quem exatamente ela estava deitada. Por alguma razão, ela
ficou aliviada ao descobrir que era Dougall Buchanan. Por alguma razão, ela se viu
confiando no homem. Ainda assim, era errado para ela se sentir aliviada por ele ser o
homem em quem ela estava dormindo. Não havia macho em quem ela deveria estar
feliz por se encontrar dormindo nele. Ela era uma moça solteira, afinal, e isso era
completamente inapropriado. Na verdade, também era completamente inapropriado
para ela viajar sozinha com os homens de Buchanan. De fato, se alguém descobrisse
sobre isso, ela estaria arruinada, mas como ela provavelmente não se casaria, isso
importava pouco. E pelo menos ela só estava arruinada em reputação, não de fato. Se
ela tivesse ficado em Danvries, Murine tinha certeza de que ela teria sido bem e
verdadeiramente arruinada por Muller, agora.
Murine suspirou infeliz ao pensar no vizinho e duvidoso amigo de Montrose, Lord
Muller. O homem a estava cobiçando desde que Montrose a trouxera para Danvries,
para morar. Ele até tentou encurralá-la uma ou duas vezes e apalpá-la. Graças a
Deus, Saidh havia ensinado a ela aquele movimento com o joelho. Ela o deixou

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gemendo no chão, enquanto corria para o seu quarto naquela noite. Mesmo assim,
Murine tinha certeza de que Montrose estava certo e Muller teria aproveitado a
oportunidade para pagar com um pouco de dinheiro, para pegar o que ela não estava
disposta a dar... e com a bênção de Montrose, ela pensou desolada. Embora eles
nunca tivessem sido próximos, eles ainda eram meio-irmãos e ela teria esperado que
ele sentisse, pelo menos, alguma proteção em relação a ela. Aparentemente não.
— Bom Dia.
Murine afastou os pensamentos e voltou a olhar para o homem em quem estava
deitada. Dougall estava acordado. Pelo menos seus olhos estavam abertos, embora na
verdade ele estivesse olhando para ela um tanto sonolento. Ele parecia mais jovem e
muito bonito, sem a expressão severa que parecia usar toda vez que ela o vira antes
disso.
Empurrando esses pensamentos irrelevantes, Murine forçou um sorriso, limpou
a garganta e disse: — Bom dia. — Fazendo uma careta, ela acrescentou um pouco
hesitante: — Acha que pode me soltar para que eu possa levantar?
Uma sobrancelha subiu no rosto de Dougall, e então ele a soltou, abrindo os
braços e afastando o plaid que ela confundiu com peles.
Sorrindo com alívio, Murine imediatamente despencou de cima dele. Ela então
congelou e ficou boquiaberta quando viu que era o próprio plaid dele que ele tinha
enrolado em volta deles, o que ele estava vestindo ontem, e que sem isso, estava
vestido apenas com uma camisa que não cobria bastante...
— Não desmaie!
Murine olhou para o rosto dele, com aquele rugido e então virou abruptamente
as costas para ele. Seu olhar deslizou sobre os outros homens, e ela ficou muito
aliviada ao ver que eles ainda estavam dormindo. Ou pelo menos eles tinham estado.
Eles estavam começando a se mexer agora, graças ao rugido de Dougall.
Murmurando que ela iria cuidar de suas abluções matinais, Murine correu às
cegas para a floresta.

Dougall suspirou e depois se ajoelhou, estendeu o plaid e começou a dobrá-lo na


preparação para vesti-lo. Tinha estado frio ontem à noite e Murine estava deitada
tremendo, onde ele a colocou, quando ele começou a se deitar a poucos metros de
distância. Ele tentou ignorar a princípio, mas quando os dentes dela começaram a
tagarelar, ele se aproximou dela e então a puxou em seu plaid com ele. Ela nem
sequer se mexeu com a ação, embora seus tremores parassem e ela se aconchegou
nele com pequenos e doces suspiros. Ele, no entanto, tinha ficado lá por um longo

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tempo, muito consciente de seu corpo quente contra o dele, afagando de volta contra
ele, seu traseiro roçando...
Praguejando, Dougall terminou de vestir seu plaid e entrou na floresta atrás da
mulher. Ele dificilmente poderia deixá-la vagando sozinha para desmaiar, sem alguém
lá para pegá-la. Além disso, ele não confiava nela para não se perder. Não que ela
parecesse uma cabeça de vento, mas a mulher tinha essa tendência a desmaiar e
aparentemente fazia isso há algum tempo. Ela sem dúvida bateu a cabeça uma vez ou
duas e... bem, parecia melhor não correr nenhum risco.
Dougall logo percebeu que deveria ter prestado mais atenção em qual direção ela
tinha ido, ou apenas enrolado seu plaid em torno de sua cintura e partido atrás dela
de uma vez. As moitas aqui cresciam juntas e era o diabo para passar. Além disso,
não havia como saber em que direção ela tinha ido. Praguejando, ele fez uma pausa,
apoiou as mãos nos quadris e depois gritou: — Lady Carmichael!
Pássaros voaram para o ar por todos os lados em volta dele, mas não houve
resposta. Uma carranca lentamente vincou sua testa, ele gritou novamente, e então
começou a se mover. A maldita mulher obviamente desmaiara de novo e sem dúvida
estava deitada inconsciente, em algum lugar, esperando para ser resgatada.
Balançando a cabeça, ele gritou novamente enquanto abria caminho entre as
árvores.
Murine se abaixou mais atrás dos arbustos, onde ela estava agachada, quando a
voz de Dougall soou novamente e o homem de um metro e oitenta, na frente dela, se
virou para olhar na direção dela com o som. Parte dela se sentia tola por se esconder
atrás dos arbustos, como se fosse uma criança brincando de esconde-esconde. Murine
não tinha certeza de por quê ela fazia isso. Ela estava se movendo pela floresta em
busca de um lugar agradável para se aliviar, quando seu vestido foi apanhado em um
galho; ela parou para puxá-lo, mas em vez de liberar o vestido, o galho se quebrou e
ficou enrolado no vestido. Ela notou isso quando ela começou a andar e a maldita
coisa se arrastou atrás dela, puxando suas saias. Ela ignorou isso no começo,
achando que iria cair depois de alguns passos. Em vez disso, ficou apanhado entre os
galhos de outro arbusto, alguns passos depois, e ela foi forçada a parar e tentar se
desvencilhar.
Aquela parada a impediu de continuar em frente e provavelmente bater direto no
homem, agora franzindo a testa em sua direção, embora ela não achasse que ele
pudesse vê-la. Ele estava apenas olhando na direção em que a voz de Buchanan
estava vindo, quando ele gritou o nome dela de novo, soando mais perto.
Murine estava puxando seu vestido, quando o estalo de galhos chamou sua
atenção e ela olhou para frente para ver algo se movendo, através das árvores à frente.
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Desistindo do vestido, Murine se abaixou instintivamente atrás dos arbustos. Ela
olhou com olhos arregalados para a escuridão que se aproximava nas árvores, lutando
contra um desmaio e se preocupando que poderia ser um javali selvagem ou algum
outro animal. Um momento depois, ela percebeu que era muito alto para ser um
javali. Um segundo depois disso, ela reconheceu que era um homem, mas não um dos
irmãos Buchanan, e ela ficou instintivamente onde estava, esperando o homem se
afastar antes de se atrever a continuar seu caminho, sozinha.
Murine não tinha muita experiência de viagem. A maior parte de sua vida tinha
sido passada em Carmichael, mas ela tinha estado em um punhado de viagens em sua
vida e elas pareciam um pouco cansativas, chatas e inconvenientes. . . até a viagem
onde seus irmãos foram mortos por bandidos, na noite. Ela tinha ficado nervosa com
viajar desde então. Claro, sua última viagem não ajudou a aliviar esse nervosismo. Foi
quando Montrose a recolheu de Sinclair, com a notícia de que seu pai estava morto.
Ele passou a maior parte de sua jornada para a Inglaterra alertando-a para não sair
para longe do acampamento em incursões como esta. Ele reforçou esse aviso
regalando-a com histórias horríveis do que os bandidos poderiam fazer com ela, e
parecia gostar de contar. Desde que ela já tinha perdido seus irmãos para tal ataque
numa viagem dessas, ela realmente não precisava de seu aviso. Murine não tinha
intenção de chamar a atenção do homem que agora estava imóvel, de cabeça
inclinada, ouvindo os sons de alguém se movendo pela floresta em direção a eles.
Quando Dougall gritou novamente, parecendo mais perto ainda, o homem na
frente dela se virou e voltou na direção que tinha vindo. Murine observou até que ele
estava fora de vista, e então se endireitou abruptamente e ficou alarmada ao encontrar
o mundo se movendo na frente dela. Droga, ela não deveria ter ficado de pé tão
abruptamente após tal susto, pensou Murine, quando a escuridão começou a se
aglomerar em sua visão. Ela pensou ter ouvido a voz de Dougall atrás dela, assim que
a luz se apagou em sua mente.

— De que diabos você está brincando, moça? Por que você não... — Dougall
interrompeu seu discurso e pegou Murine, enquanto ela caía como uma pilha de
fardos de feno empilhados alto demais. Ele tinha acabado de começar a pensar que ele
teria que voltar e buscar seus irmãos para ajudá-lo a procurar na floresta, quando ele
de repente empurrou um conjunto de arbustos e encontrou-se de pé diretamente atrás
de Murine. Irritação imediatamente clamou que ela não estava inconsciente, mas
aparentemente apenas optou por não responder e ele começou a repreendê-la.
Agora ele olhava inexpressivamente para o rosto pálido dela por um momento,
depois suspirou resignado e a carregou. Dougall começou a voltar pelo caminho que
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ele tinha vindo, com ela então, mas não conseguiu. Algo estava puxando-a
rapidamente para onde ele a havia encontrado. Uma rápida olhada mostrou-lhe o
problema. Seu vestido estava preso. Em vez de abaixá-la, Dougall passou a mão por
baixo das pernas dela para segurar o tecido do vestido e deu-lhe um bom puxão. A
ação imediatamente produziu um som de rasgado.
— Ah, inferno, — ele murmurou. Não só o vestido não estava livre como rasgara
a costura até quase o quadril dela. Ele não havia segurado todo o tecido, Dougall
percebeu com um suspiro. Movendo-a em seus braços, ele recolheu o tecido e deu
outro puxão, desta vez gerenciando o que ele tentou fazer da primeira vez. Ela estava
livre. No entanto, não havia como ele a levar de volta assim. A metade inferior de seu
vestido estava pendurada sobre suas mãos, deixando o quadril e a perna nus. Seus
irmãos já estavam brigando por Murine; ele não ia deixar que eles a vissem assim.
Ajoelhando-se, Dougall colocou-a no chão e depois se deslocou para examinar o
rasgão, erguendo o material ligeiramente e revelando o fundo de uma camisa e uma
longa e bem torneada perna logo abaixo dos quadris.
— Sim, está rasgado, — disse Dougall em voz alta, como se isso pudesse estar
em questão. Ele então apenas ficou lá por um momento, olhando para o que foi
revelado de sua perna, e se perguntando se ele iria para o inferno, se ele levantasse a
parte de baixo de sua camisa também, para dar uma olhada rápida no que ela
escondia.
Provavelmente, Dougall decidiu e sabia que deveria ter vergonha de si mesmo por
sequer considerar fazer tal coisa. E ele tinha certeza de que ele iria assim que sua
perna nua deixasse de cegá-lo, para a presença envergonhada em seu coração. Com
esse pensamento em mente, Dougall pegou as abas do vestido pelos cantos inferiores e
depois as amarrou rapidamente. Não ajudou muito. O material agora se amontoava no
quadril e no tornozelo, mas se abria para todo o caminho entre eles.
— Hmm, — ele murmurou, olhando para a costura. Se ele tivesse um jeito de
amarrá-lo no meio do caminho, isso poderia fazer a diferença e cobri-la
apropriadamente, pensou Dougall, e pegou seu sgian-dubh 3 de seu cinto, para
começar a cortar o tecido de seu vestido, a meio caminho da perna dela.

Murine acordou devagar, algo a puxando para a consciência, como pequenas


mãos puxando seu vestido. Ela abriu os olhos para ver galhos ao seu redor. Franzindo
a testa, ela olhou para baixo, parando quando reconheceu Dougall ajoelhado, com a
parte superior do corpo inclinada sobre a parte inferior do corpo dela. Ela olhou para
ele brevemente, com confusão, e então olhou mais para baixo para ver o que ele estava

3
pequena faca de gume único, usada como parte da roupa tradicional das Terras Altas escocesas, juntamente com o kilt.
Amando um Highlander – Lynsay Sands
fazendo. Um grito de medo escorregou imediatamente de seus lábios e ela começou a
se arrastar, e depois se afastar para trás, para longe dele. Murine não parou até que
seus ombros se encontraram com o que ela pensava ser uma árvore.
Quando Dougall simplesmente olhou para ela com surpresa e não a perseguiu,
Murine olhou para os farrapos de tecido que outrora tinham sido a saia de seu vestido
e perguntou com horror: — O que você fez?
— Isso é o que eu estava prestes a perguntar.
Murine endureceu e depois olhou para o lado, para ver Conran de pé na metade
de um arbusto, na borda da pequena clareira que Murine e Dougall ocupavam.
— Você a encontrou?
— Ela está bem?
Essas duas perguntas foram acompanhadas por Geordie e Alick abrindo
caminho entre os arbustos, de cada lado de Conran. Os dois homens pararam
abruptamente, enquanto observavam a cena diante deles. Seus olhos se arregalaram,
depois se estreitaram e os punhos se cerraram, mas Conran levantou a mão quando
ambos começaram a se mover para passar por ele.
— Agora rapazes, tenho certeza de que Dougall pode explicar por que ele estava
rasgando as roupas da Lady Murine aqui... uma bela moça escocesa que
corajosamente fugiu de casa para preservar sua virtude e salvou a vida da nossa doce
Saidh, — acrescentou sombriamente.
— Eu não estava arrancando suas roupas, — disse Dougall com desgosto,
levantando-se e afastando seu sgian-dubh. — Eu estava cortando o vestido dela.
Conran teve que colocar uma mão nos braços de Geordie e Alick, para mantê-los
no lugar. Assim que teve certeza de que eles ficariam ali, voltou-se para Dougall e
arqueou uma sobrancelha. — Isso não está ajudando a convencer-nos de que você
tinha os melhores interesses de Lady Murine no coração.
— Não, eu posso ver isso — disse ele, secamente. ─ E se você me conhece bem o
suficiente, você deveria saber melhor. Eu não iria abusar de uma mulher sob meus
cuidados.
Todos os três homens pareciam um pouco menos irritados com isso, Murine
notou, e franziu o cenho para eles. Ela então olhou para Dougall e disse bruscamente:
— Eu, no entanto, não conheço você e apreciaria uma explicação do porquê você estar
cortando meu vestido em pedaços, se você não se importa.
— Porque eu o rasguei e... por acidente, — interrompeu-se para acrescentar
rapidamente, quando a raiva dela se transformou em alarme novamente
— Encontrei-a exatamente quando caiu em um de seus desmaios. Eu a peguei
antes que você caísse no chão, mas quando fui voltar para o acampamento, seu
Amando um Highlander – Lynsay Sands
vestido ficou preso, — Dougall disse, parecendo quase ressentido por ter que explicar
tudo.
Murine relaxou um pouco e assentiu. Seu vestido tinha ficado preso.
— Eu dei um puxão pensando em libertá-lo, mas em vez disso... Ele fez uma
careta e gesticulou para as tiras de seu vestido. — Ele rompeu a costura até a... bem,
muito alto, — ele murmurou, e então assinalou, — Bem, eu não poderia levá-la
de volta ao acampamento assim, poderia?
Aparentemente, essa era uma pergunta retórica, porque Dougall não esperou por
uma resposta, e continuou: — Então, eu a coloquei no chão e amarrei as extremidades
de cada aba. Mas seu vestido ainda estava aberto do tornozelo para cima, então eu
pensei em consertá-lo.
— Cortando-o em pedaços? — Ela perguntou, incrédula.
— Não, — ele retrucou. — Eu pensei em cortar uma tira no centro de cada lado
e amarrá-la junto também, mas ainda parecia muito escancarado no meio, então eu
estava fazendo tiras ao longo de toda a costura, com a intenção de amarrá-lo para
todo lado.
Murine olhou para as tiras horizontais em seu vestido e balançou a cabeça
tristemente. Tinha sido seu vestido favorito, feito com o tecido que Joan havia lhe dado
quando elas se conheceram. Dedilhando as tiras esfarrapadas, ela disse com tristeza:
— Se você tivesse apenas esperado que eu acordasse, poderia ter salvado o vestido.
— Bem, eu não poderia levar você por aí assim, Dougall disse franzindo a testa.
— E eu não podia também esperar o dia todo para você acordar de seu desmaio.
Murine enrijeceu e assinalou, — Não teria sido o dia todo, no entanto.
— Bem, eu não acho isso, — ele murmurou, mexendo-se impacientemente. —
Ontem você ficou no seu primeiro desmaio a tarde toda, e no seu segundo, a noite
toda.
— Não fiz isso, — ela negou imediatamente e se levantou. Curvando-se então,
Murine começou a amarrar as tiras de pano juntas enquanto explicava: — Eu acordei
várias vezes na jornada até aqui, mas você estava me apertando tão forte que eu não
conseguia mais ar e fiquei perdendo a consciência novamente.
— Você ficou desmaiada ontem à noite, porém — Conran apontou baixinho.
— Sim, bem, eu não comi desde a manhã de ontem — ela murmurou, sem
levantar os olhos de sua tarefa. — Eu não acho que fiquei desmaiada tanto assim,
quando eu apenas dormi a noite toda de exaustão e falta de comida.
— Bem, aí está! — Alick exclamou. — É por isso que você está desmaiando. Você
precisa comer.

Amando um Highlander – Lynsay Sands


— Nós deveríamos levá-la de volta ao acampamento e alimentar você então, —
Conran murmurou e se moveu para o lado dela, para se ajoelhar e começar a ajudá-la
com os laços. Ele foi rapidamente acompanhado por Geordie e Alick. Murine se
endireitou para sair do caminho e simplesmente olhou impotente, enquanto os três
homens se amontoavam ao seu lado tentando amarrar os laços que seu irmão havia
criado.
— Dentes de Deus! — Dougall murmurou de repente e se aproximou para afastá-
los do caminho. Ele então pegou Murine pelo lado com as tiras, para que o lado não
danificado de seu vestido ficasse para fora e virou-se para andar, pela vegetação
rasteira.
— Você está com raiva? — Ela perguntou curiosa, enquanto olhava para sua
expressão sombria. Parecia óbvio que ele estava zangado e, embora normalmente a
deixasse ansiosa ser carregada por um urso com raiva, Murine descobriu que não
tinha medo dele... e não tinha ideia do porquê.
Ela estava intrigada com aquilo quando ele disse: — Sim.
Murine o considerou brevemente e depois perguntou: — Comigo?
— Sim.
Ela esperou que a ansiedade esperada aparecesse, mas não. Murine ainda não
tinha medo dele. Na verdade, ela se sentia completamente segura em seus braços,
zangado ou não. Era uma sensação muito boa. Murine não tinha se sentido segura em
muito tempo. Percebendo que ele estava esperando pela resposta dela à sua
afirmação, ela limpou a garganta e perguntou: — Por quê?
Dougall fez uma careta e então disse: — Eu não sei.
Murine piscou com a admissão e então ele acrescentou: — Mas parece que
encontramos nada além de problemas desde que passamos pelos portões de Danvries.
Primeiro tivemos que esconder você para preservar a sua virtude do seu nojento
irmão, e então você desmaiou, para que tivéssemos que trazê-la conosco e... Bem,
francamente, tudo que você faz é causar incômodo e conflito entre meus irmãos, com
seus fracos modos e desmaios. Agora você tem todos eles agindo como criadas de
damas, tentando vesti-la na floresta.
— Eu não pedi a ajuda deles, — ela assinalou com tranquila dignidade.
— Você não precisou, — ele respondeu rispidamente e então perguntou: — Por
que você está desmaiando tanto? Saidh disse que Lady Sinclair tinha feito uma tintura
que ajudou você com isso.
— Sim, ela fez, — Murine concordou tristemente.
— Você se esqueceu de colocar na mala quando fugiu? — Alick perguntou, com
preocupação.
Amando um Highlander – Lynsay Sands
Murine olhou por cima do ombro de Dougall, surpreendida de ver que os outros
três homens estavam diretamente atrás deles, seguindo e aparentemente ouvindo tudo
o que diziam.
— Deveria ter sido a primeira coisa que você guardasse — Geordie assegurou
solenemente, quando ela simplesmente ficou boquiaberta. — Certamente você teria
escapado mais fácil se você não fosse como um ganso manco a cada minuto?
— Sim, claro que eu sei disso, — Murine disse com irritação. — E eu não
trouxe nada da tintura porque eu não tenho nenhuma, eu voltei há dois meses.
— Você não poderia fazer um pouco mais, moça? — Conran perguntou com
preocupação.
— Não tenho como, — Murine confessou infeliz. — Montrose chegou com a
notícia de que papai havia morrido e saímos de Sinclair com tanta pressa, que todos
nós esquecemos da tintura até eu ir embora. Enquanto Joan pressionava o frasco em
minhas mãos, ela disse que me mandaria a receita, mas não. Então, quando o meu
suprimento começou a diminuir, eu escrevi pedindo para ela, mas...
— Mas? — Alick perguntou.
— Ela nunca respondeu, — Murine admitiu infeliz.
— Bem, isso não parece estar certo, — Geordie murmurou. ─ Você salvou a vida
da moça. O mínimo que ela poderia fazer era responder às suas mensagens.
— Hmm. — Conran murmurou, e então perguntou: — Tem certeza de que sua
mensagem foi entregue? Eu não deixaria de pensar que esse seu irmão simplesmente
não enviou a mensagem. Ela pode mesmo ter escrito para você e ele não lhe passou a
mensagem.
— É isso que eu espero, — Murine admitiu baixinho. — É só o que eu realmente
espero.
— Por que isso? — Geordie perguntou.
— Porque Jo e Saidh disseram que se eu estivesse precisando, eu deveria ir até
elas e fariam tudo o que pudessem para me ajudar, — ela explicou, e depois
acrescentou miseravelmente, — Ainda que nenhuma das duas tenha respondido às
minhas mensagens. Se elas não quiseram dizer isso, então eu estou perdida.
Dougall diminuiu a velocidade para olhar para o rosto dela. — Você também
escreveu para Saidh?
— Sim, — murmurou Murine, parecendo desconfortável. — No entanto, ela
também não respondeu.
— Porque ela não recebeu, — ele garantiu a ela.
— Sim, — Conran concordou, movendo-se ao lado deles para encontrar seu
olhar. — Nunca houve mensageiro de Danvries, que eu saiba. Pelo menos
Amando um Highlander – Lynsay Sands
não até nós partirmos para entregar cavalos a lorde Brummel, no sul da Inglaterra, há
algumas semanas, — acrescentou. — Quando você mandou sua
mensagem para Saidh?
— Enviei uma há apenas algumas semanas atrás, mas enviei três outras antes, a
primeira na primavera, quando chegamos a Danvries. Só para deixá-la saber que
chegamos em segurança e ver como ela estava se saindo em MacDonnell, — admitiu
ela.
— Então seu irmão deve estar impedindo que as mensagens sejam entregues, —
disse Dougall em voz baixa. — Porque eu tenho certeza que nenhuma chegou até ela.
— Oh, graças a Deus — Murine respirou e teve que piscar para afastar as
lágrimas de alívio, de repente enchendo seus olhos.
— Você achou que as moças estavam ignorando suas mensagens, — disse
Dougall solenemente e Murine olhou para ele, surpresa por sua compreensão. O
homem podia parecer um grande bruto com sua altura e todos os seus músculos, mas
ele obviamente entendia as pessoas, por tudo isso.
— Sim, — ela disse suavemente. — Eu acho que essa possibilidade me chateou
mais do que qualquer outra coisa que estava acontecendo. Eu nunca tive amigas como
Joan, Saidh e Edith antes e temia que talvez eu as tivesse ofendido de alguma forma
ou... Ela encolheu os ombros, impotente, mas depois afastou essa preocupação e
admitiu: — Mas eu não conseguia pensar em como poderia ter feito isso. E então
comecei a suspeitar que Montrose estava impedindo que as mensagens fossem
enviadas.
— Sim, ele estava, — Alick assegurou-lhe, enquanto saíam da floresta e
entravam na clareira onde haviam acampado. — Nós saberíamos se um mensageiro
tivesse chegado a Buchanan.
— Se nada mais, Aulay teria mencionado isso, e nós certamente teríamos sabido
quando ele enviasse a mensagem, com um de nossos homens para MacDonnell, —
Geordie acrescentou, quando Dougall fez uma pausa para colocá-la em uma pedra
junto ao fogo que haviam construído na noite anterior.
— Oh, eu enviei a primeira mensagem para MacDonnell, — Murine assegurou
rapidamente, enquanto Dougall se endireitava. — Eu pensei que Saidh poderia passar
uma semana ou duas lá, pelo menos. Foi só depois que eu as mandei para Buchanan.
Inclinando a cabeça para olhar para os homens que agora a cercavam, em um
semicírculo, todos ainda de pé, ela perguntou curiosa: — Quanto tempo ela acabou
ficando em MacDonnell com sua prima?
— Ela ainda está lá, — anunciou Alick, com um sorriso.

Amando um Highlander – Lynsay Sands


Murine piscou, surpresa, com a notícia. Fazia mais de seis meses desde que
tinham parado em MacDonnell, a caminho da Inglaterra e deixaram Saidh para
consolar sua prima Fenella MacDonnell, pela morte do marido. Apesar de ter acabado
de saber que seu pai estava morto, ou talvez por causa disso, Murine quis parar e
prestar seus respeitos à mãe do homem, sua própria tia por casamento, bem como à
esposa de seu primo, Fenella, a caminho de casa. Felizmente, Montrose tinha ficado
mais do que feliz em ter uma desculpa para parar e passar a noite em um castelo,
bebendo a cerveja de outra pessoa e comendo a comida de outra pessoa, em vez de
sofrer com seus próprios suprimentos em um acampamento rústico. Ele concordara
em que Saidh os acompanhasse. Eles pararam em MacDonnell por uma noite, antes
de continuar sem ela. Murine esperara que Saidh ficasse uma semana ou talvez duas
e depois mandasse chamar seus irmãos para buscá-la. Ela não esperava que sua
amiga ainda estivesse lá, todos esses meses depois.
— Lady Fenella ainda se recusa a sair de seu quarto? — Ela perguntou
preocupada.
— Fenella está morta, — anunciou Dougall solenemente.
— O quê? — Murine ficou boquiaberta.
— Como?
— Degolada. — A palavra era tão bruta quanto uma pedra e a atingiu com muita
força.
— Oh, Deus, — Murine respirou com desânimo, e então seus olhos se
arregalaram quando ela se lembrou que Lady Tilda MacDonnell, a mãe do falecido
Allen, tinha certeza de que sua esposa, Fenella, tinha algo a ver com a morte dele.
Bom Deus, se sua tia Tilda tivesse matado a prima de Saidh em retribuição — Lady
Tilda não...
— Sim, — Dougall interrompeu.
— Oh, Deus, — Murine respirou de novo, espantada que Saidh não tivesse
escrito para ela com tal notícia. Montrose deve estar bloqueando as mensagens
recebidas também, ela decidiu e então suspirou e perguntou: — O que o rei fez com
Lady Tilda?
— Nada, — disse Dougall, abruptamente.
Foi Conran quem disse: — Ele não fez nada. Ela também está morta.
Os olhos de Murine se arregalaram. — Como...
— Uma queda, — disse Dougall, abruptamente.
— Da torre do sino, — Conran acrescentou prestativamente e assentiu com a
cabeça, quando ela ficou de boca aberta para ele.

Amando um Highlander – Lynsay Sands


Murine balançou a cabeça devagar, absorvendo tudo isso, depois franziu a testa
e perguntou: — Mas se Fenella e Lady Tilda estão ambas mortas, por que Saidh ainda
está em MacDonnell?
— Ela mora lá agora, — explicou Geordie.
— Ela se casou com Greer. O novo Laird de MacDonnell, — Alick acrescentou,
prestativo.
Murine não precisou da explicação adicional. Ela tinha encontrado o novo Laird
de MacDonnell, o primo de Allen, Greer, quando eles pararam em MacDonnell.
Verdade seja dita, embora ela estivesse surpresa com esta notícia, ela não estava tão
surpresa como ela poderia ter estado se ela não tivesse visto os dois juntos. Murine
sentiu algo estranho e poderoso entre os dois na época. Ela até mencionou isso para
Saidh e avisou-a para tomar cuidado. Parece que ela não precisava se incomodar. As
coisas deram certo para o par. Pelo menos, ela esperava que tivessem dado, Murine
pensou e perguntou: — Ela está feliz?
— Repugnamente, — Alick assegurou com um sorriso.
— Eles são perfeitos juntos, — Geordie acrescentou, sorrindo amplamente.
— Sim, eles são, — Conran concordou com um pequeno sorriso.
Dougall apenas assentiu em concordância.
— Bem, isso é maravilhoso. Estou feliz por ela, — Murine disse, e ela estava. Ela
ficou muito satisfeita por sua amiga ter encontrado um marido e ter ficado tão feliz
com ele. Ela também estava com um pouco de inveja. Murine não queria estar, mas
ela estava e não podia evitar. Sua situação era tão terrível...
— Onde você estava indo em sua vaca? — Dougall perguntou, de repente,
levantando o assunto que ela tinha ficado feliz em evitar, na noite passada, em sua
necessidade de se aliviar. Com ela desmaiando, eles nunca voltaram a essa pergunta.
Até agora, e Murine estava muito contente que isso não acontecesse novamente. Ela
estava bastante envergonhada por ter que admitir a verdade, mas não havia realmente
mais nada a fazer, então ela admitiu: — Eu planejei cavalgar até Buchanan, para
ver Saidh. Não ficar por muito tempo, — ela adicionou rapidamente, para que eles não
achassem que ela tinha planejado apenas se mudar e estabelecê-los com seu fardo. —
Eu pensei que talvez se Saidh e eu, e talvez até mesmo Joan e Edith, colocássemos
nossas cabeças juntas, poderíamos encontrar uma maneira para eu sair da confusão
em que a minha vida se tornou.
Quando os homens ficaram em silêncio, ela acrescentou: — Há a igreja, claro. Eu
poderia pegar o véu. Mas eu não imaginei que seria esse meu futuro. Eu estava noiva,
meu futuro resolvido. Eu deveria me casar e ter filhos e... — Ela deixou suas palavras
sumirem, impotentes. Todas as suas esperanças e expectativas para o futuro estavam
Amando um Highlander – Lynsay Sands
desmoronando ao seu redor e Murine simplesmente não sabia o que fazer ou para
onde se virar.
— Você está dizendo que você estava noiva então? — Dougall perguntou quando
ela ficou em silêncio.
— Oh, sim, — Murine sorriu torto. — De um bom rapaz. Ele sempre foi muito
bonito e bom.
— O que aconteceu? — perguntou Conran, curioso.
— Ele morreu no caminho para me buscar há uns três anos, — disse Murine,
abaixando a cabeça, infeliz. Na verdade, essa fora a primeira de todas as tragédias a
atingi-la e tirar sua vida do curso que ela sempre esperava que seguisse. Afastando
seus pensamentos deprimentes, ela prosseguiu: — De qualquer forma, talvez eu ainda
deva tomar o véu, mas espero que Saidh e as outras possam me ajudar a encontrar
outra solução. Talvez um bom e velho Laird que não se importaria com uma noiva sem
dote ou...
Geordie deu um passo mais perto e depois disse: — Você pode...
— Se você planeja alimentá-la como você mencionou, é melhor você caçar, senão
nós estaremos acampando aqui novamente hoje à noite, — Dougall interrompeu
bruscamente.
Geordie fez uma careta para ele brevemente por interromper o que quer que ele
estivesse prestes a sugerir, mas a expressão de Dougall era fria e sombria e continha
uma riqueza de advertências. Depois de um momento, o homem virou-se para Murine
e disse: — Ele está certo, suponho. Eu vou pegar um ótimo faisão ou lebre para
você se banquetear e nós vamos conversar sobre isso enquanto você come.
— Eu vou ajudá-lo a caçar, — decidiu Conran. — Se pegarmos três ou quatro
faisões, podemos limpá-los e cozinhá-los todos e comer cavalgando, ao meio-dia, para
compensar o tempo que estamos perdendo aqui.
Quando Dougall assentiu em aprovação, Conran saiu atrás de Geordie. Dougall
então voltou seu olhar para Alick e disse: — Vamos precisar de mais lenha para
queimar a carne.
Alick hesitou, mas depois assentiu e saiu, deixando Murine sozinha com Dougall.
Ele observou até que todos os homens saíram do acampamento, então se virou para
espiar Murine.
— Vamos cavalgar até Buchanan para deixar sua vaca e os cavalos que seu
irmão não comprou, depois escoltar você para MacDonnell para ver Saidh, —
assegurou ele solenemente. — Se vocês duas quiserem continuar para Sinclair para
incluir Lady Joan, e parar para pegar Edith no caminho, nós também cuidaremos
disso.
Amando um Highlander – Lynsay Sands
— Obrigada, — Murine respirou aliviada e apenas se refreou de abraçá-lo pela
generosidade e bondade que ele demonstrava em sua disposição de ajudá-la. Ela
esperava que eles a levassem para Buchanan, mas ela nem sequer se permitiu esperar
que ele se oferecesse para levá-la para MacDonnell e depois para Sinclair. Dougall era
um bom homem, ela pensou e sorriu para ele, apenas pela possibilidade de conversar
com Saidh, afastando um grande peso de preocupação de seus ombros.
Certamente, Saidh poderia ajudá-la a encontrar uma solução para o problema
dela? E se ela não pudesse, então com a ajuda de Joan e Edith, elas definitivamente
pensariam em alguma maneira de mantê-la segura das garras de seu irmão. Algo que
não incluísse desistir de sua vida para entregar a Deus e nunca ter filhos, que ela
sempre imaginou que encheriam sua vida.
— Descanse agora, — sugeriu Dougall rispidamente. — Vai levar um tempo
antes dos garotos voltarem com a caça e depois ainda vai ter que ser cozido.
Murine sorriu largamente para ele e virou para deitar-se, junto aos restos do fogo
da noite anterior. Ela não fechou os olhos e dormiu, entretanto; em vez disso, ela o
observava ao redor do acampamento, reunindo gravetos para começar um novo fogo.
Saidh falara muitas vezes sobre seus irmãos, alegando que eram, cada um deles, bons
homens com boas cabeças em seus ombros e corações sinceros. Murine ficou muito
aliviada ao descobrir isso. Dougall era um bom homem.
Seus irmãos também, é claro, ela acrescentou rapidamente a seus pensamentos.
Mas foi Dougall que ela se viu, muito frequentemente, olhando. Ela teria gostado de
um marido como ele. Na verdade, Murine começou a pensar que ele seria um marido
com o qual qualquer mulher ficaria feliz. Infelizmente, ele não estava no mercado para
uma esposa agora, lembrou a si mesma, recordando suas palavras no grande salão de
seu irmão.
Suspirando, ela fechou os olhos para descansar.

Amando um Highlander – Lynsay Sands


Capítulo 4

Dougall acordou assustado e abriu os olhos para encontrar todos os três irmãos
olhando para ele. Geordie estava carrancudo, Alick parecia que tinham roubado seu
pudim e Conran sorria como um idiota. Franzindo a testa para o trio, Dougall arqueou
uma sobrancelha. — O que foi?
— Nada, — Conran assegurou solenemente, e depois sorriu mais e acrescentou:
— Eu estava apenas comentando com Geordie e Alick sobre que doce par vocês
formam, abraçados como vocês estão.
Dougall ficou imóvel com as palavras. A raiva tentou acender-se em algum lugar
baixo em sua barriga com a provocação, mas a confusão estava tornando isso
impossível.
— De que diabos vocês estão falando? — Perguntou ele em um grunhido, e então
seguiu o olhar de Conran para baixo, para ver que Murine estava colada ao lado dele.
Realmente, ela estava quase em cima dele, abraçada contra o seu lado, uma perna
jogada sobre as suas, onde elas estavam estendidas diante dele. Uma de suas
pequenas mãos em punhos, descansava baixo em seu estômago, e sua cabeça
aninhada em seu peito. Sua boca estava aberta e ela estava babando em todo o seu
tartan.
Pior ainda, em seu sono, ele enrolou o braço em torno de suas costas e sua mão
estava curvada ao redor do lado de fora de seu peito, seus dedos descansando em todo
o globo como se fosse dele, para tocar. Quando ele notou isto, seus dedos apertaram
instintivamente e Murine gemeu e então fechou a boca e se moveu contra ele. Ela
franziu a testa em seguida e começou a fazer sons que sugeriam que sua boca estava
seca ou estava cheia de um sabor desagradável. Talvez os dois, ele pensou
distraidamente quando sentiu o mamilo duro sob seus dedos através do tecido de seu
vestido. Seu pênis se contorceu em resposta e começou a endurecer assim que ela
abriu os olhos para espiar sonolentamente para ele.
Dougall olhou para o céu azul claro de seus olhos e pensou que um homem
poderia facilmente se perder em suas profundezas cerúleas4.
Um forte pigarro de Conran trouxe Dougall de volta à sua situação, e ele
rapidamente soltou Murine e se endireitou, permitindo que seu braço caísse.
Ainda meio adormecida, Murine demorou mais para se mexer, mas endireitou-se
depois de um momento e ficou pensando em tentar se orientar. No momento em que

4
que tem a cor azulada do mar ou do céu em dias claros
Amando um Highlander – Lynsay Sands
ela estava fora do seu peito, Dougall cruzou os braços e franziu o cenho para Conran,
que ainda sorria como um idiota.
— A comida está pronta? — Ele exigiu impaciente. Era isso que eles estavam
esperando quando a falta de sono o alcançou e ele cochilou encostado no tronco, perto
do fogo. Os homens haviam retornado ao acampamento na ocasião, Geordie com três
faisões gorduchos, Conran com dois coelhos, e Alick com madeira e um terceiro coelho
que ele conseguiu assustar. A chegada deles tinha acordado Murine do seu descanso e
ela sentou-se para parabenizá-los pela boa caçada.
Dougall observara bocejos preguiçosos e sufocantes, enquanto os homens
limpavam e espetavam os pássaros e os animais para colocá-los sobre o fogo. Eles
então se acomodaram para esperar que eles cozinhassem, os homens conversando em
voz baixa. Murine tinha começado sentando no tronco ao lado dele, mas depois
mudou de posição para se acomodar na grama, para poder recostar-se no tronco.
Cansado depois de sua noite agitada, ele achou uma boa ideia e mudou de posição
para sentar-se no chão ao lado dela... e essa foi a última coisa que Dougall recordou,
exceto que Murine começou a cochilar ao lado dele, logo antes de seus próprios olhos
começarem a fechar. Ele não tinha nenhuma lembrança de como eles acabaram
abraçados com o braço dele em volta dela. Isso devia ter acontecido depois que ele
adormeceu, Dougall decidiu.
— Sim. Deveria estar pronto agora, eu acho — anunciou Conran, ainda
parecendo muito divertido.
Dougall olhou furioso para o homem, depois virou com essa expressão para
Murine e ordenou: — Coma.
Para sua satisfação, ela não precisou ser mandada duas vezes, mas se
aproximou do fogo quando Conran tirou o faisão das chamas e ofereceu a ela. Sua
satisfação começou a desvanecer-se, porém, quando ele viu quão pequena porção de
carne ela pegou. Antes que ele pudesse comentar, no entanto, Conran disse
gentilmente: — É melhor você pegar mais do que isso, moça.
— Ah, não. Isso é o suficiente para mim, — ela assegurou com um sorriso.
Conran olhou-a perplexo por um minuto e depois sacudiu a cabeça. —
Bobagem, você não come desde a manhã de ontem. Pegue mais.
— Oh, não, eu... Murine deixou sua voz sumir, com resignação, enquanto
Conran empilhava mais carne no pedaço de pano que ela tinha usado como prato. Foi
ideia do Geordie. Depois de começar o fogo, ele pegou o pano da bolsa e deu para ela
usar quando a comida estivesse pronta. Era apenas um pedaço de roupa de cama
limpo, mas Murine reagiu como se tivesse sido presenteada com as melhores joias,
radiante de prazer e agradecendo-lhe profusamente por sua consideração.
Amando um Highlander – Lynsay Sands
Sua reação tinha deixado Dougall com raiva. Pequenas coisas como essa estavam
contando, e tinham contado a ele que a pequena e valente Murine não estava
acostumada com a menor consideração. Isso o fez se perguntar sobre seu passado e
como tinha sido sua vida antes que seu pai morresse e seu irmão tivesse ganhado a
tutela dela.
— Dougall?
Puxado de seus pensamentos, ele viu que Conran tinha virado o espeto,
oferecendo-lhe comida. Dougall sacudiu a cabeça. Ele não era muito de comer no
período da manhã. Nenhum deles era. Geralmente eles se levantavam, cuidavam de
seus assuntos pessoais e montavam para sair. Eles poderiam ter uma maçã ou outra
coisa na sela no meio da manhã, mas nenhum deles costumava comer como primeira
coisa, então ele não ficou surpreso quando Conran ofereceu a carne a Geordie e Alick
e ambos a recusaram. Ignorando a chance de comer também, Conran colocou o espeto
ao lado do fogo antes de se recompor. Todos eles simplesmente sentaram para assistir
Murine comer.
Ela foi muito lenta sobre isso, beliscando o menor pedaço de carne e, em
seguida, abaixando a cabeça quando ela o colocava em sua boca. Pareceu demorar
uma eternidade para ela terminar a pequena porção que aceitou. Dougall não ficou
surpreso quando, no momento em que o fez, Alick imediatamente pegou um espeto e
ofereceu a ela, dizendo: — Coelho?
— Oh, não, obrigada, — ela disse, suavizando a recusa com um sorriso,
enquanto terminava a última mordida do pequeno pedaço de comida que ela pegou.
— Um pouco mais de faisão, então? — Geordie sugeriu, levantando-o para
oferecer a ela com um sorriso encorajador.
— Estava adorável, mas não. Obrigada, — ela murmurou, dobrando o linho
usado.
— Você preferiria uma maçã então? — Alick sugeriu, puxando uma da bolsa que
pendia do cinto. — Eu tenho uma que sobrou. Você pode ficar com ela.
— Obrigado, isso é muito gentil, — o sorriso de Murine estava começando a
parecer um pouco forçado. — Mas eu estou cheia.
Todos os três homens olharam para ela sem expressão e então se voltaram para
Dougall, como se ele tivesse a resposta de algum quebra-cabeça que os confundisse.
Ele permaneceu em silêncio por um momento, considerando tudo o que Saidh
havia dito a eles sobre Murine e o que ele tinha visto até então e então disse baixinho:
— Estou pensando que talvez não seja uma tintura que você precise, porém comer
mais, milady. Você não comeu o suficiente para encher um pássaro e isso depois de

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passar um dia e uma noite inteiros sem comer. Não é de admirar que tenda a
desmaiar.
Murine piscou surpreendida com a sugestão, aparentemente nunca tendo
pensado nisso antes, depois endireitou os ombros e voltou a olhar para a carne
esfriando ao lado do fogo. — Talvez eu vá querer um pouco mais então.
Dougall assentiu com satisfação, mas não ficou para ver o quanto ela teria. Em
vez disso, ele se levantou e a deixou com seus irmãos, enquanto ele ia encontrar um
lugar para se aliviar.
Depois que ela terminasse de se servir, eles teriam que sair. Tudo, exceto a
carne, estava empacotado e pronto para ir, então eles teriam que guardar a carne no
saco de tecido que carregavam para esse fim e poderiam estar a caminho. Ele já havia
decidido que Murine voltaria cavalgando com ele hoje. E não era só porque ele não
queria ter que explicar a Saidh como eles tinham deixado sua amiga e salvadora
morrer na jornada para Buchanan. Ele não queria ver isso acontecer com ela,
também. Apesar de saber que ela era corajosa o suficiente para pegar um assassino
por conta própria e fugir de seu irmão em sua vaca ridícula, havia algo sobre a moça
que provocou o lado protetor dele. O problema era que parecia estar fazendo o mesmo
com seus irmãos, pelo menos com Geordie e Alick. Conran não parecia tão afetado,
mas seus dois irmãos mais novos pareciam estar muito impressionados com Murine...
o que era uma vergonha, porque se a situação exigisse isso e um deles tivesse que se
casar com ela para salvá-la de seu irmão, Dougall não achava que poderia suportar
vê-la com um de seus irmãos. Ele estava chegando à conclusão de que ele poderia
querê-la para si mesmo.

— Então, milady, diga-nos... Como sua mãe acabou se casando com um laird
inglês e depois com o Carmichael?
Dougall olhou para o topo da cabeça de Murine na frente dele, enquanto ela se
virava para olhar Conran, que cavalgava ao lado deles. Para seu alívio, a pergunta a
distraiu e ela parou de se mexer na frente dele. Apesar de seus protestos, ele a fez
viajar com ele novamente hoje. Parecia a coisa sensata a fazer. A maneira como a
mulher constantemente perdia a consciência ao menor sobressalto, Dougall não
estava disposto a arriscar sua queda daquela maldita vaca se um esquilo atravessasse
seu caminho. Do jeito que as coisas estavam indo, um dos cavalos de seus irmãos a
teria atropelado com seus cascos antes que eles percebessem que ela havia caído.
Eles haviam partido apenas alguns momentos atrás, e mesmo assim Dougall já
estava lamentando essa decisão. Montar com a mulher acordada era uma perspectiva
completamente diferente de cavalgar com ela dormindo em seu colo. Dormindo, ela se
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aconchegou a ele, quente e macia como um gatinho fofinho. Acordada, ela até então
ficou tão rígida quanto uma tábua e constantemente se movia contra ele como se não
conseguisse encontrar um lugar confortável. Estava deixando isso muito
desconfortável para ele. Não havia nada como o corpo de uma mulher saltando sobre a
virilha de um homem para se ter certeza de que ele não relaxava e aproveitava o
passeio.
— Bem, eu entendo que o pai da minha mãe e o pai de lorde Danvries eram
amigos quando mais novos e combinaram o noivado pouco depois de minha mãe
nascer. Eles se casaram ainda bem jovens, com quatorze eu acho.
— Sim, era jovem. — Conran acenou com a cabeça e depois acrescentou: — Mas
ouvi dizer que as moças mais novas estão casando e é legal aos doze.
Murine apenas assentiu.
— O casamento dela com Danvries foi feliz? — Geordie perguntou curioso, e
Dougall franziu o cenho ao notar que seu irmão havia colocado seu cavalo à sua
esquerda, para melhor ouvir. Seu humor não melhorou quando Murine se mexeu na
frente dele para se virar para olhar para ele. Ele não se importaria, exceto que toda vez
que ela se movia, seu doce traseiro esfregava contra seu...
— Mamãe nunca falou de seu primeiro marido, — admitiu Murine calmamente.
— Mas a Velha Megs disse que lord Danvries era um rapaz cruel e mimado que tratou
minha mãe muito mal.
— Velha Meg? — Alick perguntou por trás deles e Murine se mexeu novamente,
desta vez virando-se de lado no colo e levantando os ombros para se erguer o
suficiente para ver por trás deles e sorrir para o outro homem.
Dougall cerrou os dentes e tentou ignorar o quão doce o cheiro dela era, e o fato
de que ela estava subindo nele como uma árvore... ou uma amante.
— Ela era a criada pessoal da minha mãe, — explicou Murine. — Ela foi com
Mamãe quando ela se casou com Danvries e depois voltou para a Escócia com ela,
quando se casou com meu pai.
— Ah. Ela saberia então, — disse Conran e Murine se moveu novamente para
espiar o homem e acenar com a cabeça.
— Então ela era casada com o inglês, tinha Montrose... E então o que aconteceu?
— Geordie perguntou e Murine começou a se mexer de novo, mesmo quando Alick
acrescentou: — Sim, como ela acabou casada com o Carmichael?
— Dougall cerrou as mãos nas rédeas, enquanto ela se movia no colo dele para
espiar os outros dois homens. — Na verdade, ela teve dois filhos de Danvries.
Montrose era o filho mais novo. Tínhamos um irmão mais velho chamado William
também, mas ele morreu pouco depois de meu prometido, há três anos.
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Dougall franziu o cenho com essa notícia. Na sua opinião, a descrição que a
Velha Meg fez do pai como cruel e mimado e que tratava a mãe da maneira mais
mesquinha, também podia ser aplicada como descrição a Montrose Danvries e ao seu
tratamento com Murine. Ele duvidava que o outro irmão tivesse sido melhor. As maçãs
raramente caem longe da árvore da qual nasceram. Ainda assim, os corpos estavam
começando a aumentar. Sua mãe, seu pai e seu noivo, bem como seu meio-irmão em
três anos? Era muita morte numa só família.
— Foi assim como minha mãe acabou casada com meu pai, o Carmichael, —
Murine disse agora, e ouvindo o sorriso em sua voz, Dougall baixou o olhar para vê-lo
espelhado em seu rosto. Ele supõe que é por isso que ele ficou tão chocado quando ela
disse: — Bem, aparentemente ele matou Lord Danvries e roubou minha mãe.
O silêncio caiu entre o grupo e Dougall não ficou surpreso. Sem dúvida, seus
irmãos não tinham certeza de como deveriam reagir e se perguntavam se os parabéns
estavam em ordem ou se deveriam fingir que estavam horrorizados.
Murine olhou do rosto de um homem para o outro, observando suas expressões e
depois riu. Foi um som tilintante que provocou um sorriso relutante até mesmo de
Dougall.
— Está tudo bem, — disse ela. — Não foi nenhum assassinato, foi numa justa.
— Oh, — os homens disseram como um só, relaxando em suas selas.
— Eu entendo que Lord Danvries gostava de justas e desde que seu pai ainda
vivia e era Lord em Danvries, ele estava livre para participar dos torneios como ele
gostava, então arrastava minha mãe para vários torneios por ano.
— E seu pai? — Geordie perguntou.
— Ele era um laird, e afirmava que ele não gostava muito de justas. Sua
presença lá era um fato incomum, ele raramente comparecia a tais eventos e foi
apenas sorte ele estar lá naquele ano. — Ela fez uma pausa e então admitiu
lentamente, — Ele nunca me disse o que o trouxe lá naquele ano. — Ficaram todos em
silêncio por um momento e depois ela deu de ombros e continuou, — De qualquer
forma, foi aí que ele viu minha mãe pela primeira vez. Ele chegou antes, alguns dias
antes do início do torneio. Vários outros também, inclusive minha mãe e Lorde
Danvries, e por isso suas tendas estavam próximas.
Ela fez uma pausa, sorrindo suavemente e acrescentou: — Papai uma vez me
disse que ele ainda se lembrava da primeira vez que a viu. Ele estava saindo de sua
barraca e ela e sua empregada passavam a caminho da dela. Ele disse que não
esqueceria sua primeira visão dela. Ela usava um vestido azul, da mesma cor
brilhante do céu em um dia sem nuvens, na verdade, a mesma cor de seus olhos, e ele
disse que seu cabelo brilhava mais dourado do que o sol de meio dia. Papai disse que
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ela era a criatura mais adorável que ele já tinha visto e que ele ficou um pouco
apaixonado por ela, à primeira vista.
Dougall franziu o cenho. Os homens não diziam coisas floridas como essa,
mesmo que fosse verdade. Isso era conversa de mulheres.
— Mas então ele descobriu que ela era uma moça casada e rapidamente virou os
olhos para outro lugar. — Com expressão solene, ela acrescentou: — No entanto, com
suas tendas tão perto, ele não podia fazer outra coisa a não ser vê-la de novo e de
novo, e muitas vezes estava sentado perto deles nas festas da noite.
— E sua mãe? — Geordie perguntou. — Ela o notou?
— Sim. Ela disse que o notou naquela primeira noite, no banquete. Que toda vez
que ela olhava, ele parecia estar por perto e que ele tinha os olhos mais gentis e o
rosto mais bonito.
— Sim, o Carmichael foi um belo diabo em sua juventude, — comentou Conran
com um aceno de cabeça.
— Você conheceu meu pai? — Murine perguntou surpresa e Conran sacudiu a
cabeça.
— É como se tivesse conhecido, — ele disse. — Papai costumava nos contar
muitas histórias que o incluíam. Segundo ele, seu pai era um excelente guerreiro, mas
tinha mais fama por sua aparência. Eles o chamavam de Pavão. Não porque ele se
enfeitava muito ou era vaidoso, mas só porque ele era tão bonito, — ele assegurou-lhe
rapidamente, e depois continuou, — A história conta que todos as moças da Inglaterra
e da Escócia estavam tentando chamar sua atenção e atrai-lo para suas camas. Elas
ficaram todas com o coração partido quando, em vez disso, seu coração foi apanhado
por um pequeno pássaro ferido com uma asa quebrada. — Ele sorriu fracamente e
acrescentou, — Eu estaria supondo que aquele pássaro fosse sua mãe.
— Sim. — Murine assentiu solenemente.
— Por que ela era uma ave ferida com uma asa quebrada? — Alick perguntou,
com uma carranca.
— Lord Danvries, — Murine disse com uma careta. — Meu pai disse que cada
vez que ele viu minha mãe naquele torneio, ela parecia ter uma nova contusão ou
lesão e isso o fez pensar. Ele não tinha ouvido gritos ou sons desagradáveis de sua
tenda, para sugerir que lorde Danvries batesse em minha mãe, então ele começou a se
perguntar se ela não era simplesmente incrivelmente desajeitada. — Mas no penúltimo
dia do torneio aconteceu de meu pai retornar à sua tenda, no meio da manhã, para
buscar algo e chegou a tempo de ver lorde Danvries arrastar minha mãe para fora da
barraca e ir para a floresta. Ele hesitou brevemente, mas depois os seguiu. No entanto,
sua hesitação o atrasou o suficiente para perdê-los.
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— Papai estava apenas decidindo retornar ao acampamento, quando ouviu os
gritos distantes de uma mulher. Ele seguiu os sons, mas depois pararam. Fez uma
pausa para escutar, esperando que algo lhe dissesse a direção a seguir e, um instante
depois, avistou Lorde Danvries a uns seis metros à sua esquerda, voltando sozinho.
Papai esperou que ele passasse, depois seguiu na direção de onde Lord Danvries tinha
vindo. Depois de um tempo ele ouviu soluços suaves e seguiu para onde minha mãe
jazia em uma pequena clareira. Ele disse que ela estava deitada no chão; sangrando,
machucada e seu vestido em farrapos.
— O bastardo, — Alick rosnou.
— Sim, — Geordie concordou, severamente.
Dougall concordou com a cabeça.
— Meu pai a pegou tão gentilmente quanto ele podia. Havia um pequeno riacho
próximo e ele a levou até lá para limpar o sangue e a imundície e checar se as feridas
estavam ruins. Aparentemente, ele não disse uma palavra enquanto ele fez isso, mas
foi tão gentil que minha mãe sabia que ele não iria machucá-la. Ele então pegou-a
novamente e levou-a de volta pela floresta até as barracas. Minha mãe disse que ele
falou gentilmente com ela o tempo todo, dizendo que ela estava segura, que ele não a
machucaria e que, de fato, ninguém iria machucá-la novamente.
Alick suspirou atrás deles como uma moça apaixonada e Dougall olhou por cima
de seu ombro, para dar ao seu irmão mais novo um olhar, para lembrá-lo que ele era
um guerreiro. Ele olhou rapidamente de volta para Murine, no entanto, quando ela
continuou sua história.
— Minha mãe pensou que ele iria entregá-la para a Velha Meg, na tenda
Danvries. Em vez disso, ele a levou de volta para sua própria tenda, cuidou de seus
ferimentos e a colocou em sua cama, depois encontrou a Velha Meg e deu-lhe duas
mensagens, uma para ser entregue a Lord Danvries e a outra para o rei inglês.
— O rei inglês estava lá? — Geordie perguntou, com surpresa.
— Sim, — Murine disse solenemente. — Aparentemente ele gostava de torneios.
— Deixe para lá aquele velho bastardo. O que aconteceu? — perguntou Conran,
impaciente.
Dougall viu Murine sorrir torto e continuar. — O rei e Danvries chegaram ao
mesmo tempo. Meu pai mostrou aos dois a tenda onde minha mãe estava
descansando. Naturalmente Lord Danvries não gostou muito de encontrar sua esposa
na tenda Carmichael. Ele o acusou de estuprá-la e espancá-la e exigiu uma aposta de
batalha.
— Aposta de batalha? — Alick murmurou. — É quando eles lutam para decidir
a culpa ou a inocência, não é mesmo?
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— Sim, ouvi dizer que é chamado de julgamento por combate — disse Conran em
voz baixa e depois perguntou: — É o que seu pai pretendia quando ele a colocou em
sua cama e chamou o rei e Danvries, não é?
Murine concordou. — Ele suspeitava que a razão pela qual Danvries a arrastou
para a floresta para espancá-la e estuprá-la era porque ele não desejava que os outros
testemunhassem ou escutassem por acaso e soubessem como ele a tratava. Ele tinha
certeza de que Danvries não admitiria que machucara tanto sua esposa na frente do
rei. Papai também sabia que poucos reconheciam sua habilidade como guerreiro, que
em vez disso, tudo o que pareciam falar em referência a ele era sobre sua aparência.
E, como Danvries resolvera as disputas anteriores, gritando por uma aposta de
combate, quando achava que poderia derrotar seu oponente, tinha certeza de que
Danvries faria de novo.
— Inteligente, — Dougall murmurou com verdadeira admiração, e todos os seus
irmãos murmuraram em concordância.
— Obviamente, seu pai ganhou o combate, — disse Geordie.
— Sim. — Murine sorriu. — Mas papai jura que Deus lhe deu uma mão nisso.
Eles deveriam fazer três corridas de justa e depois trocar três golpes e pancadas com
machados de batalha, espadas e adagas. Eles não chegaram à terceira corrida de
justa. Papai deu um duro golpe no peito de Danvries na segunda corrida. Sua lança
quebrou e uma lasca voou para dentro do olho do cavalo de Danvries, penetrando
direto em seu crânio. O cavalo recuou, derrubando Danvries e depois pisoteando-o,
gritando em agonia o tempo todo, antes de cair morto em cima dele. Quando eles
tiraram o cavalo, Danvries estava bem e verdadeiramente morto.
— Maldito inferno, — Alick respirou.
— Sim, — concordou Geordie.
Eles ficaram em silêncio por um minuto e, em seguida, Conran pigarreou e disse:
— Então seu pai cortejou sua mãe?
Murine riu da pergunta. — Sim. Se você considerar seu retorno à sua tenda,
dizendo a seus homens para reunir tudo e seguir e, em seguida, empacotando-a e
levando-a de volta para Carmichael, cortejá-la. Ela sorriu fracamente. — Mamãe
sempre disse que ele a cortejou enquanto ele cuidava de sua saúde, e ele foi tão doce e
gentil que ela começou a confiar nele e concordou em casar-se com ele.
Seu sorriso desapareceu então, Dougall notou e entendeu por que, quando ela
continuou.
— Eles mandaram buscar William e Montrose, mas o pai de seu primeiro marido,
o então Lord Danvries, recusou-se a enviá-los. Ele alegou que eles eram seus
herdeiros e seriam criados em Danvries. Mas a verdade era que ele a culpava pela
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morte do filho e a punia, ao não deixar que ela visse seus filhos. Isso quebrou o
coração da minha mãe, eu acho.
— Mas então ela tinha você, — Geordie apontou. — Tenho certeza de que ajudou
a aliviar a dor.
— Ela teve dois meninos e depois a mim, — Murine corrigiu e depois admitiu: —
E, sim, tenho certeza que ajudou, mas ela ainda sentia falta de Montrose e William.
Felizmente, o velho Danvries morreu há uns dez anos e William se tornou laird. Eles
vieram visitar mamãe e conheceram a mim e a meus irmãos mais velhos.
— Espere, — disse Alick com uma carranca. — Você teve dois meio-irmãos
ingleses e dois irmãos escoceses?
Geordie acrescentou: — Se você tinha dois irmãos escoceses, por que você foi
enviada para a Inglaterra quando seu pai morreu?
— Colin e Peter morreram mais de um ano antes de meu pai, — ela disse
calmamente.
— Como? — Geordie perguntou imediatamente.
Murine ficou em silêncio e Dougall sentiu um tremor passar por ela. — Nós
fomos atacados a caminho de casa, voltando de Sinclair. Ambos os meus irmãos e
metade dos soldados que viajavam conosco morreram naquela noite.
— Noite? — perguntou Conran, bruscamente. — Vocês foram atacados à noite?
— Sim. Eles se aproximaram de nós enquanto dormíamos e cortaram as
gargantas da guarda e vários dos homens adormecidos, incluindo meus irmãos, antes
que alguém despertasse e gritasse o alarme. Os soldados restantes conseguiram
combatê-los, senão estaríamos todos mortos, tenho certeza.
Quando o olhar de Conran se deslocou, Dougall assentiu solenemente, sabendo o
que seu irmão estava pensando. Bandidos faziam viagens serem perigosas. Eles
esperavam em passagens e pontes, escondendo-se para os lados e investindo para
roubar os viajantes desavisados em sua aproximação. Mas eles geralmente não
seguem um destacamento, esperam que eles durmam e então saltam em cima para
cortar suas gargantas. Isso soava mais como um assassinato, assassinato por dinheiro
em vez de assassinato na esperança de ganhar dinheiro. Era uma diferença muito
pequena, mas com o número de pessoas que morreram na vida de Murine nos últimos
tempos, era muito, muito suspeito.
— Quem diabos fez isso? — Alick disse de repente, aparentemente sem suspeitar
o que Dougall e Conran suspeitavam, mas ele ainda era jovem.
Murine encolheu os ombros, impotente. — Nós nunca descobrimos. Meu pai
suspeitava que eles eram mercenários, contratados para matar meus irmãos e talvez,
a mim. Mas não me disse quem ele achava que estava por trás disso. Ela ficou em
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silêncio por um minuto e depois disse, cansada: — Perder meus irmãos depois de
perder William apenas um ano antes... — Ela balançou a cabeça. — Minha mãe sofreu
muito. Ela não queria comer e estava sempre chorando, e então ela ficou doente e ela
simplesmente não teve vontade de lutar contra isso. Murine deu de ombros, infeliz. —
Ela morreu um mês e meio depois de meus irmãos.
— Você perdeu os dois irmãos e sua mãe e depois, seu pai também, no intervalo
de pouco mais de dois anos? — Geordie perguntou, com desânimo.
— E seu meio-irmão William morreu no ano anterior a seus outros dois irmãos?
— Alick assinalou como se ela pudesse não ter notado.
— Sim, — disse Murine, e antes que ele pudesse perguntar, ofereceu: — Um
acidente de equitação.
— Quanto tempo antes seu noivo morreu? — perguntou Dougall agora.
— Apenas um mês antes de William, — admitiu Murine.
— Isso é morte demais para uma família sofrer em tão pouco tempo, — disse
Conran severamente.
— Sim, demais, — Dougall murmurou e quando ela se virou para olhar para ele
questionando, ele perguntou: — Como seu pai morreu?
— Ele caiu doente na primavera passada, logo antes de eu voltar a visitar
Sinclair. Um mal-estar no peito; febre, tosse e corrimento nasal. Não parecia muito
sério. Ainda assim, eu quase não ia embora, mas ele insistiu, e ele parecia estar
melhorando, então eu fui, mas no dia seguinte em que Joan teve seu filho, Montrose
chegou a Sinclair. Meu pai estava morto, o primo Connor herdara o título e o castelo
Carmichael, e Montrose tinha sido nomeado meu tutor. Eu ia morar com ele na
Inglaterra.
— Isso não está certo — Geordie disse, sombriamente. — Quem diabos é esse
primo Connor?
— Sim, e por que você ficou sem nada? — perguntou Alick, e assinalou, — os
ingleses não podem deixar terras e castelos para as mulheres, mas nós, os escoceses,
podemos. Se o clã lhe apoiasse, você teria sido líder do clã.
Murine virou a cabeça para o lado com a pergunta de Alick e Dougall viu tristeza
e desapontamento cruzar seu rosto, e então ela mordeu o lábio e virou o rosto para
frente antes de admitir, — Connor é o filho da irmã do meu pai. Ela se casou com o
irmão mais novo do Laird Barclay e Connor foi criado entre o clã Barclay. Eu não o
conheci.
— Seu pai deixou Carmichael para um Barclay, em vez de sua própria filha? —
Geordie perguntou, consternado.

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— Connor é apenas metade Barclay, — Murine corrigiu. — Ele é Carmichael de
sangue do lado de sua mãe.
— Ainda assim, — Alick disse com um aceno de cabeça. — Ele foi criado em
Barclay, sem vínculo com o clã Carmichael. Por que diabos seu pai deixaria tudo para
ele e não para você?
Dougall estava bastante interessado na resposta. Apenas não parecia algo que o
Carmichael de quem ele ouviu falar, faria.
Murine abaixou a cabeça e puxou infeliz um dos laços de sua saia, quando
admitiu, — Montrose disse que é porque sou muito fraca. Que comigo
desmaiando constantemente, papai não achava que o clã me apoiaria como líder de
clã. Ele achava melhor meu primo Connor tomar o meu lugar, e que seria mais gentil
para mim viver na Inglaterra e começar de novo, do que ter que me afastar e ver meu
primo dizendo que eu era fraca demais para ganhar.
Dougall observou as expressões nos rostos de seus irmãos e sabia que elas
refletiam as suas próprias. Compreensão relutante. Sim, podia ser difícil convencer o
clã a se reunir atrás de uma moça que freqüentemente desmaiava. Ainda assim, ele
sentiu que o pai poderia e deveria ter feito melhor por ela, do que deixá-la nas mãos de
seu meio-irmão. Certamente o homem conhecia a natureza de Montrose? Ele devia
conhecer. Ele nunca ouviu dizer que o Carmichael era um homem estúpido. Inferno, a
história de como ele ganhou sua esposa, mãe de Murine, provava sua inteligência. Ele
deixando Murine para as inferiores misericórdias de Montrose simplesmente não fazia
sentido.
— E claro que ele estava certo, — disse Murine, de repente, com uma firmeza que
não admitia discussão.
Dougall olhou para ela solenemente. Ela sentou-se rígida e imóvel diante dele
novamente, a cabeça levantada e o rosto virado para a frente, para que ela não olhasse
para ninguém enquanto dizia essa mentira. A decisão de seu pai obviamente a
machucou, mas além de todas as outras perdas que ela sofreu, ele suspeitava que,
para ela, era apenas mais um golpe entre muitos que ela teve que suportar nos
últimos dois anos.
— Mas... — Geordie começou a protestar, apenas para parar abruptamente,
quando Dougall lançou um olhar severo para ele.
— Chega de conversa. Saímos atrasados e precisamos ganhar tempo — disse ele
severamente e depois pediu ao cavalo mais velocidade, tornando a conversa
impossível.
Embora ele quisesse ganhar tempo, a principal preocupação de Dougall era
Murine e como essa discussão a incomodara. Ela havia sofrido muito, em pouco
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tempo e estava doente por causa disso. Ele suspeitou que seu problema de desmaio
era completamente devido a ela não comer o suficiente. Ele também suspeitou que
esse problema podia ter salvado a vida dela. Se ela fosse saudável e sã o suficiente,
para governar como líder de clã, ele tinha certeza de que ela também teria morrido de
alguma maneira antinatural. Ou morta por bandidos à beira da estrada, ou numa
queda desagradável. Porque ele suspeitava que esse primo, Connor, poderia estar por
trás das mortes. Certamente, ele foi quem ganhou com elas.
Os braços de Dougall se apertaram ao redor dela enquanto cavalgavam, e não
apenas para impedi-la de cair do cavalo, se ela desmaiasse novamente. Por alguma
razão, Dougall se viu com o mais terrível desejo de proteger a moça; de seu irmão, da
dor das decisões de seu pai... inferno, do mundo em geral. E ele não tinha a menor
ideia do porquê.

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Capítulo 5

— É cedo para parar, não é?


Dougall olhou para o topo da cabeça de Murine com aquele comentário,
enquanto tirava o cavalo da estrada e entrava em uma clareira. Ele então desviou o
olhar para Conran, quando seu irmão empurrou seu cavalo para o lado deles e
concordou: — Sim. Não deveríamos continuar por mais uma hora?
— Não haverá um ponto perto da água em mais ou menos uma hora, — disse
Dougall suavemente, embora isso não fosse completamente verdade. Ele havia
percorrido essa rota muitas vezes entregando seus cavalos e havia alguns à frente,
mas nenhum deles oferecia uma cachoeira para se banhar. Sua decisão de parar por
aqui foi porque ele imaginou um bom mergulho na água e pensou que Murine deveria
querer também. Ela tinha comentado, insegura, sobre a falta de água em sua última
parada, e que ela esperava não ter um rosto sujo ou algo assim.
Observando o modo como Conran estava de olho nele, ele acrescentou: — Os
cavalos precisam de água.
— Nós deixamos eles beberem, uma hora ou mais, antes de parar ontem à noite e
depois, algumas horas hoje — disse Conran, suavemente.
— Sim, mas desta forma eles podem beber para se satisfazer, — ele respondeu
com firmeza.
— Hmm, — murmurou Conran, e teve a audácia de sorrir, compreensivamente.
Dougall encarou-o por causa de sua encrenca, quando deslizou de sua montaria.
Ele então se virou para descer Murine.
— Obrigado. — Ela quase sussurrou as palavras, quando ele a colocou no chão.
Ela estava tão quieta quanto um rato, desde a discussão deles sobre sua família.
Entretanto, Dougall mantinha um ritmo constante para evitar conversas.
— Ah, que amor!
Dougall olhou em volta por aquela exclamação, para ver Murine à beira da água,
olhando ao longo do rio para a direita e até mesmo se movendo nessa direção. A visão
fez seus olhos se arregalarem de alarme. Ele a tinha colocado ao lado dele e se virado
para pegar a sacola com a carne cozida de seu cavalo, esperando que ela ficasse
parada e aguardasse por ele, mas a mulher não tinha ficado onde ele a colocou. Fora,
ela voou como uma borboleta, andando pela clareira até a beira da água, onde — se

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ela tivesse um de seus desmaios de magia — era mais provável ela cair no rio e se
afogar, antes que alguém pudesse alcançá-la.
— Você escolheu bem. Ela gosta do lugar, — comentou Conran, sorrindo para a
mulher como um tolo.
— Eu não escolhi este local para ela, — Dougall mentiu para desencorajar
provocações. — Eu disse a você, eu queria acampar pela água para os cavalos.
— Oh... sim, Conran concordou com óbvia descrença, e então sua expressão
ficou sombria. — Somente...
— O quê? — Perguntou Dougall, quando ele não continuou.
Conran o considerou brevemente, parecendo ter algum tipo de discussão interna,
depois endireitou os ombros e aconselhou: — Tenha cuidado com ela.
Dougall estreitou os olhos. — O que você quer dizer?
— Quero dizer, ela é uma moça solteira sem acompanhante ou pelo menos sua
criada pessoal, e eu sei que você está atraído por ela.
Dougall considerou negar a alegação, mas no final apenas disse um cauteloso —
Então?
— Então eu não recrimino você por querê-la; ela é uma mulher atraente. Mas ela
também é uma nobre que depende de nós para levá-la em segurança até Saidh e Lady
Sinclair. Sua esperança é que elas possam encontrar uma maneira de salvá-la de um
irmão que aparentemente pensa e a trata, como pouco mais do que uma prostituta.
— Eu sei tudo isso, Con, — disse Dougall secamente, irritado com a palestra. —
Qual é o seu ponto?
— Eu só acho que você deve pisar de leve, — disse Conran baixinho. — Não siga
seus instintos e, sem querer, faça com que ela pense que a vê como uma prostituta
também. — Ele não esperou por uma resposta, mas moveu-se para ajudar
Geordie e Alick a montar o acampamento.
Dougall observou-o ir, depois virou-se para olhar para Murine, com o coração
afundando. Ele não tinha parado aqui com a intenção de seduzir Murine, mas
enquanto eles cavalgaram naquele dia, sua mente vagou para este ponto e ele se viu
imaginando certos cenários, assim que chegassem à cachoeira. Murine ficando tão
satisfeita por escolher o local, quanto tinha estado com Geordie dando-lhe o
guardanapo. Dela dando a ele o que começara como um abraço apreciativo, mas se
transformou em muito mais.
Fechando os olhos, Dougall esfregou a mão cansadamente ao redor da nuca.
Quisesse admitir ou não, ele realmente tinha tido a intenção de seduzi-la com beijos e
carícias, de deitá-la em uma clareira, despindo suas roupas, beijando seus protestos e
tomando-a lá na grama. Parecia algo excitante e até lindo quando ele imaginou, mas
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agora as palavras de Conran o faziam sentir-se tão insignificante quanto o irmão dela.
Murine era uma dama e condenadamente boa nisso. Ela teve coragem, como ela
provou, tanto quando ela salvou sua irmã como quando ela fugiu de seu irmão
malvado, naquela maldita vaca. Mas ela também revelou inteligência e bondade para
si e seus irmãos. Ela merecia mais do que um rolar na grama ao lado de uma
cachoeira. Ele simplesmente não podia tratá-la como a prostituta em que seu irmão
tentou torná-la, pensou Dougall, com auto repugnância. Especialmente quando ele
ofereceu sua escolta e proteção. Então, ele teria que casar com ela para tê-la, ou
manter as mãos afastadas.
Curiosamente, a perspectiva de casar com Murine não era tão angustiante agora
como quando seus irmãos haviam sugerido que eles estariam dispostos a fazer eles
mesmos. Ele certamente poderia ser o pior para uma noiva, e começava a pensar que
nunca iria encontrar melhor.
Um pouco atordoado por seus próprios pensamentos, Dougall dirigiu-se à
mulher, pretendendo alcançá-la antes que ela desmaiasse, caísse na água e se
afogasse, removendo a opção do casamento antes que ele pudesse decidir se queria
fazê-lo. Ele mal havia dado um passo, quando ela começou a cair. Coração
disparando, Dougall saiu correndo, mas diminuiu a velocidade antes de alcançá-la,
quando percebeu que ela estava agachada, sem desmaiar. Pensando no que diabos ela
estava fazendo, Dougall parou atrás dela e espiou por cima do ombro. Seus olhos se
arregalaram levemente quando viu a confusão de coelhos bebês amontoados. Ela
olhou por cima do ombro e sorriu para ele. — Eles não são adoráveis? —
Dougall olhou para ela, sem expressão e então comentou: — Eles são coelhos.
— Sim, mas apenas bebezinhos e tão macios. Sinta. Ela levantou e se virou,
segurando uma das pequeninas bestas. Quando Dougall apenas olhou para a pequena
bola de pelo, com desânimo, ela empurrou mais perto, quase contra o peito dele. — Vá
em frente. Sinta como é macio.
Dougall sacudiu a cabeça. — Eu normalmente não acaricio meu jantar.
Murine o pegou de volta, com alarme. — Você não vai comê-lo.
— Não, mas nós estaremos comendo um de seus primos mais velhos, em breve,
— ele apontou secamente e, em seguida, acenou com a cabeça em direção ao ninho,
onde pelo menos nove outros estavam aninhados juntos, com os olhos fechados. Por
seu palpite eles tinham apenas de uma semana a dez dias de idade. — É melhor
colocá-lo de volta, moça. — Está provavelmente aterrorizado e vai morrer de
medo.
— Não está aterrorizado, — ela disse, segurando a bola de pelos no peito e
sorrindo enquanto acariciava o animal.
Amando um Highlander – Lynsay Sands
— Ainda assim, a sua mamãe não vai cuidar dele se ela cheirar você nele, —
ressaltou.
Murine ergueu olhos arregalados, alarmados, para ele. — Não!
— Sim, — ele disse com um encolher de ombros, e depois sugeriu: — Coloque de
volta. Espero que esfregue nos outros e o cheiro de seus irmãos cobrirá seu cheiro,
antes que ela retorne.
Quando ela hesitou, ele quase esperava que ela recusasse e insistisse em trazer a
criatura com ela, em vez de arriscar dela ser abandonada por sua mãe. Mas depois de
um momento, ela soltou um suspiro e colocou a bolinha de pelo no centro de seus
irmãos. Todos eles imediatamente se mexeram e se movimentaram até não se saber
qual deles ela pegou. Aparentemente tranquilizada que seu cheiro seria eliminado ou
absorvido por todos eles, ela então se afastou do ninho e para mais longe, ao longo da
margem, para espiar a água.
— É um lugar bonito, — ela comentou em um suspiro feliz.
— Sim, — concordou Dougall, seguindo-a. Ele então apontou ao longo do rio,
para a direita, onde se curvava para fora da vista. — Há uma cachoeira depois dessa
curva.
— Sério? — Ela perguntou com interesse, inclinando-se um pouco, como se
pudesse inclinar a cabeça longe o suficiente para vê-la. Ela não podia, claro.
— Sim, oferece privacidade caso você deseje tomar banho lá, — disse ele,
apertando as mãos atrás das costas, para evitar agarrar o braço dela para impedi-la
de cair na água. Ele rapidamente as soltou e deixou a mão esquerda dele pairar perto
do braço dela, para estar preparado para o caso de ele ter que salvá-la. Quando ela
não pareceu notar e se inclinou ainda mais longe, ele cedeu à sua preocupação, pegou
o braço dela e virou-se para encaminhá-la de volta para os cavalos. — Mas você pode
cuidar disso depois. Você deve comer agora.
— Mas eu não estou com fome, — Murine protestou e seus lábios se contraíram.
Honestamente, ela soava como uma criança se recusando a ser mandada para a
cama, ele pensou, enquanto ela acrescentava: — Não posso tomar banho agora?
— Não, — disse ele, escoltando-a em direção ao fogo que seus irmãos estavam
construindo. — Você vai comer primeiro, e desta vez você não vai fugir com um par de
mordidas. Você vai comer bem e gostar disso — acrescentou ele, com firmeza. A moça
precisava se cuidar e ele era o homem para fazer isso, Dougall decidiu e quando ela
não comentou, ficou satisfeito que seria como ele dissera.

— Isso não é privacidade.

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Dougall desistiu de fazer cara feia para as árvores e virou-se, para arquear uma
sobrancelha irritada, para a mulher que atualmente atormentava sua vida. Murine
estava na pequena clareira ao lado da cachoeira, as mãos nos quadris, olhando para
ele como se fosse ele o que era difícil. Ele! Quando ela era aquela que não fazia o que
ele pedia e se recusava a comer até que tomasse banho. Ela não tinha começado a
discutir até que eles alcançaram seus irmãos. Ela provavelmente estava pensando em
qual argumento funcionaria melhor, ele pensou. E encontrou um. Ela alegou que não
poderia desfrutar da deliciosa comida, com seu próprio mau cheiro agredindo seu
nariz. Isso arruinaria seu apetite.
Bem, uma vez que ela disse isso, os irmãos de Dougall olharam para ele com
alarme, uma reação que ele entendeu completamente. Qualquer coisa que ameaçasse
tirar seu apetite devia ser evitada, pois tinham certeza de que essa era a razão pela
qual ela continuava desmaiando.
Dougall cedeu e levou-a para a cachoeira, com a intenção de permanecer na
clareira, perto o suficiente para resgatá-la, se ela desmaiasse e caísse dentro dela. Mas
parecia que ela estava tendo problemas com isso também.
Ele tentou argumentar com ela. — Você não pode nadar sozinha. É perigoso
porque você está desmaiando em todo lugar.
— Eu não desmaio o tempo todo, — disse ela, bruscamente. — Eu desmaiei uma
vez desde que conheci você.
Dougall ergueu as sobrancelhas, incrédulo por ela fazer tal afirmação.
— Tudo bem, talvez tenham sido duas vezes, — disse Murine, corando.
— Você esteve desmaiada durante toda a tarde de ontem, — ele assinalou,
secamente.
— Eu não estive. Eu lhe disse que acordei várias vezes enquanto estávamos
cavalgando.
Dougall assentiu. — E então desmaiou de novo e de novo.
— Eu não podia respirar, ela enfatizou impacientemente, então balançou a
cabeça com desgosto. — Isso é estúpido. Apenas sua presença aqui me deixa
desconfortável. Você não iria me ouvir afogar-me, com a água correndo.
Dougall endureceu com a alegação, reconhecendo a verdade por trás disso. Deus
sabia que eles estavam praticamente gritando um com o outro para serem ouvidos,
por causa do barulho da água correndo.
— Muito bem, — ele reconheceu e prontamente começou a remover sua espada e
sua bolsa de couro (sporran). 5

— O que você está fazendo? — Murine perguntou cautelosamente.

5
O sporran é usado em uma cinta de couro ou corrente, convencionalmente posicionado na frente da virilha do usuário.
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— Despindo-me. Você não pode nadar sozinha. Como você indicou que eu não
vou ouvi-la se você desmaiar e cair, então eu vou nadar com você.
— Oh, não! — Ela gritou, correndo para pegar as mãos dele quando Dougall as
estendeu para retirar o alfinete que segurava o seu tartan no lugar. — Eu não vou
nadar nua com você. Você está louco?
— Você pode usar sua camisa, — ele disse com um encolher de ombros, e então
vendo sua expressão, perguntou com preocupação: — Certamente você empacotou
outra na sua sacola?
— Murine mordeu o lábio, mas assentiu com a cabeça. — Sim, eu guardei um.
— Bom, — ele disse, relaxando, e então apontou, — Você pode colocá-lo depois
que você tomar banho e deixar o molhado para secar durante a noite. Tanto você como
sua camisa estarão limpos assim. Murine fez uma careta, os ombros caídos enquanto
ela admitia: — Eu coloquei um na bolsa que trouxe comigo, mas minha bolsa está
faltando. Deve ter caído do Henry enquanto viajávamos ontem. Eu não tenho mais
nada para vestir.
— Não caiu, — Dougall assegurou a ela. — Eu fiz Alick levá-la para a égua que
eu trouxe para seu irmão.
— Oh. — Ela parecia tão satisfeita e aliviada com a notícia, que Dougall não
acrescentou que não tinha sido idéia dele, mas sim sugestão de Conran.
Dougall olhou para trás, para o caminho que eles tinham vindo, enquanto ele
considerava a jornada que eles teriam que fazer para buscar sua bolsa. A cachoeira
estava mais longe da clareira do que ele havia recordado, e o caminho através dos
bosques para chegar até aqui era longo, cheio daqueles malditos matagais que
apareciam em toda parte, neste lado do país. Eles ficaram agarrados repetidamente
pelo vestido de Murine e atrasaram a caminhada até um ponto em que Dougall estava
pronto a levá-la em seus braços para acelerá-los. Apenas o pequeno aviso de Conran e
o fato de que ela sem dúvida protestaria contra a ação, o impediram de fazê-lo. Ele não
se incomodava com a ideia de fazer aquela viagem novamente, duas vezes, tanto para
buscar sua bolsa quanto para trazê-la de volta, porém não com ela atrapalhando sua
velocidade.
Olhando de volta para Murine, ele disse: — Se você se sentar e prometer não
entrar na água até eu voltar, vou buscar sua bolsa para você.
— Eu prometo, — disse Murine prontamente, sentando-se onde ela estava, um
sorriso feliz e animado, reivindicando seus lábios.
A visão fez Dougall parar. A moça era tão linda quando sorria assim. Seus lábios
rosados se abrindo, seus grandes olhos azuis muito abertos e uma onda de cor
florescendo em suas bochechas. Ela parecia saudável e feliz e malditamente beijável.
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Aquele pensamento fazendo-o parar de repente, Dougall fez uma careta e virou-
se abruptamente.
— Fique fora da água, — ele rugiu e em seguida correu da clareira, como se
todos os demônios do inferno o estivessem perseguindo.

Murine sorriu torto enquanto observava Dougall sair pelo caminho. O homem
agiu de forma severa e mal-humorada, mas na verdade ele era de bom coração sob a
crosta. Ela tinha certeza de que poucos homens teriam retornado pela bolsa, como ele
estava fazendo, e sua óbvia preocupação por ela era doce. Se ele estivesse no mercado
para uma esposa...
Murine afastou o pensamento e virou-se para espiar a clareira. Tinha sido um
trabalho difícil chegar aqui com seu vestido destruído, mas valeu a pena o esforço. Ela
não achava que já tivesse visto um lugar tão lindo.
Sorrindo fracamente, ela arrancou uma folha de grama e girou-a entre os dedos,
enquanto fechava os olhos e levantava o rosto para o céu. Era cedo o suficiente para
que, embora o sol tivesse começado a sua jornada descendente, ainda estivesse
brilhando e ela apreciasse sua carícia quente em sua pele. Naquele local lindo,
banhada pelo brilho quente do sol, ela quase podia esquecer seus problemas e como a
sua vida se tornara emaranhada.
Quase, Murine pensou ironicamente quando abaixou a cabeça e abriu os olhos
novamente. Foi quando ela viu a figura na floresta. Murine tinha se sentado de frente
para Dougall, de costas para a água, deixando uma visão perfeita dos bosques; de
outra forma, ela nunca poderia ter visto quem quer que fosse. Ela certamente não
teria ouvido ninguém se aproximar com o som da água correndo.
Ela ficou de pé lentamente e olhou para a forma que ela podia ver através dos
galhos, tentando descobrir quem era. Era um dos homens de Buchanan procurando
mais caça para cozinhar? Ou procurando por madeira? Se sim, por que eles não se
aproximaram e disseram algo? Eles deveriam vê-la lá olhando para eles.
Franzindo a testa, ela deu um passo em direção à floresta.
— Você deveria ficar sentada. Você prometeu.
Murine se virou, com aquele comentário rosnado, para ver Dougall retornando
com a bolsa na mão. O homem estava de cara fechada para ela, por se atrever a ficar
de pé. Bom Deus, embora ela apreciasse sua preocupação, ele e seus irmãos a
tratavam como se ela fosse a criança mais frágil, com necessidade de supervisão
constante, e Murine não estava acostumada a tal tratamento. Enquanto seu pai se
preocupava, quando ela de repente desmaiava, após a morte de seus irmãos, ele
estava muito distraído com a falta de saúde de sua mãe. E certamente Montrose
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nunca se preocupou com o bem-estar dela. Ter esses homens tratando-a como se
fosse alguma criatura fraca e frágil estava começando a atacar seus nervos.
— Eu não prometi ficar sentada, — disse Murine suavemente. — Eu prometi não
entrar na água. Além do mais, eu estava apenas tentando descobrir quem... — Ela fez
uma pausa em sua explicação quando se virou para onde ela tinha visto a figura na
floresta e percebeu que quem quer que ela tivesse visto, através das árvores, agora
tinha partido. Ela franziu a testa para o local, e então encolheu os ombros e voltou
sua atenção para Dougall, quando ele parou na frente dela.
— O que você estava tentando resolver? — Ele perguntou, agora olhando para a
floresta, como ela havia feito um momento atrás.
Murine apenas balançou a cabeça. Ela não queria ter um dos irmãos em apuros
por espioná-la, se eles estivessem fazendo isso. Eles poderiam simplesmente estar
procurando madeira e pararam quando a viram na clareira.
— Obrigada. — Murine pegou a bolsa que ele segurava.
— Por nada, — Dougall rosnou e, em seguida, estendeu a mão para o alfinete de
seu tartan.
Os olhos de Murine se estreitaram cautelosamente. — O que você está fazendo?
— Eu disse a você, você não pode nadar sozinha. Você poderia desmaiar...
— Mas o que você vai vestir? — Murine perguntou, estendendo a mão para cobrir
seus dedos e evitar que ele tirasse o alfinete que ela sabia que era a única coisa que
mantinha seu tartan no lugar. Uma vez removido, o pano cairia como o vestido de
uma dama, deixando-o apenas com a camisa.
— Minha camisa, — ele respondeu simplesmente.
Recordando apenas como era curta a camisa dele, Murine afastou as mãos e
recuou, sacudindo a cabeça violentamente. — Eu vou apenas voltar ao acampamento
então, — disse ela e virou-se para o caminho que eles usaram para chegar até aqui. —
Vá em frente e nade.
— Espere, — ele disse, pegando o braço dela quando ela começou a se virar. —
Foi você quem insistiu em tomar banho antes de poder comer.
— Sim, mas eu não esperava que você se juntasse a mim, muito menos que você
pensasse em fazer isso em nada mais do que uma camisa que mal cobre seus tesouros
e, sem dúvida, é transparente quando molhada.
— Meus tesouros? — perguntou ele, com delicada diversão.
Murine corou, mas deu de ombros. É como Montrose chama os... tesouros dele,
— ela terminou impotente, e então adicionou ironicamente. — O modo como ele fala
faz você achar que eles são feitos de ouro.
— Ele fala com você dessas coisas? — Dougall perguntou, com descrença.
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— Não, — ela disse rapidamente, e depois fez uma careta e admitiu: — Mas
quando ele está bêbado, ele se vangloria em relação a isto para seus homens, com
pouca preocupação de que eu esteja presente.
A boca de Dougall se apertou e ele disse sombriamente: — Ele e eu vamos ter
muito que falar quando nos encontrarmos.
Os olhos de Murine se arregalaram e ela engoliu um nó repentino na garganta,
ao digerir as palavras dele. Ela ficou comovida porque ele ficou ofendido por ela e
queria confrontar seu irmão em seu nome. No entanto, a verdade era que Murine
estava seriamente esperando que nenhum deles encontrasse seu irmão novamente. Na
verdade, por mais vergonhoso que fosse admitir, ela esperava que sua má sorte em
relação à família fosse atacar novamente, desta vez levando o meio-irmão dela. E isso
não era algo que ela desejaria para alguém em sua vida antes disso.
— Eu não vou me juntar a você na água, — disse Dougall, de repente, chamando
sua atenção de volta para o assunto em questão. Ela estava apenas relaxando quando
ele acrescentou: — Mas eu vou ter que lhe vigiar enquanto você está na água.
— Mas... — ela protestou e ele a interrompeu.
— É assim que tem que ser, moça — disse Dougall, com firmeza, — se desmaiar,
você pode se afogar.
Murine suspirou com frustração. Esse desmaio maldito estava tornando sua vida
uma miséria sangrenta, e ela estava se convencendo de que realmente era culpa dela.
Ela supôs que tinha ficado um pouco arrasada depois que seus irmãos morreram,
primeiro cuidando de sua mãe e depois de seu pai, quando ele adoeceu. Como com
sua mãe, a dor roubara o apetite de Murine, mas ao contrário de sua mãe, ela não
adoecera, apenas começara a desmaiar e, geralmente, nos momentos mais
inoportunos. Infelizmente, ela não recuperara o apetite desde então. Ela simplesmente
não conseguia encontrar um interesse em comida, ou em qualquer outra coisa
realmente.
Isso não era totalmente verdade, reconheceu Murine. Ela se animou um pouco
com Jo, Saidh e Edith, e até começou a comer mais, de novo, em Sinclair. Mas depois
da morte do pai e da mudança para a Inglaterra, Murine perdeu o interesse por
praticamente tudo, mais uma vez. A tintura que Joan tinha feito para ela tinha
ajudado a evitar os ataques de desmaios, mas uma vez que tinha acabado, ela
começou a desmaiar de novo.
— Você pode nadar com sua camisa e eu apenas observarei aqui da margem, —
disse Dougall. — Dessa forma, se você tiver problemas, eu saberei.
Murine olhou para ele em silêncio por um minuto e pensou brevemente em
argumentar, mas duvidava que isso importasse. Esta era provavelmente a melhor
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oferta que ela receberia. Se ela quisesse tomar banho, e ela realmente queria, então
ela teria que aceitar que ele a observasse.
— Muito bem, — ela murmurou, com resignação.
Aparentemente, Dougall tinha esperado uma discussão. Pelo menos ele parecia
surpreso por sua fácil capitulação, mas então ele assentiu e gesticulou para a bolsa
que ela segurava. — Então vamos a isto. Eu estou com fome.
Fazendo careta, Murine se virou e foi para a margem. Ela rapidamente abriu a
bolsa e, depois de cavar um pouco dentro, encontrou e tirou o vestido e a camisa
limpos. Ela pendurou ambas em um galho próximo, depois se virou e olhou para ele
incerta. — Não há necessidade de você me ver me despir. Eu não estou na água
ainda. Você não poderia virar de costas enquanto eu tiro meu vestido e entro na água?
Eu direi uma vez que for apropriado para você se virar.

Foi a palavra apropriado que fez Dougall retroceder neste momento. Ela era uma
moça inexperiente. Isso não poderia ser confortável para ela, e se não fosse por sua
propensão a desmaiar como a queda de um punhal, ele não estaria insistindo nisso.
Dando um aceno solene, ele virou as costas e cruzou os braços. — Grite quando
estiver na água.
Ele então se levantou e ouviu o som dela se despindo. Mas, como ela assinalou, o
som da água correndo sobre as cachoeiras tornava impossível ouvir qualquer coisa.
— Estou dentro!
Dougall assustou-se com o grito repentino e virou-se bruscamente.
Murine sorriu para ele, inocentemente, da água e encolheu os ombros. — Você
disse para gritar, — ela apontou, com um sorriso, em seguida virou-se e se moveu em
direção à cachoeira. Dougall pensava, de paradas anteriores neste local, que a água
em que ela se movia só chegaria à sua cintura, mas a cobria do pescoço para baixo.
Ela deveria estar de cócoras na água, ele decidiu, enquanto ela fazia uma pausa antes
da cachoeira e hesitava. Estendendo a mão, ela a colocou na água caindo, para testar
sua força, depois se moveu por baixo d’agua antes de endireitar-se em toda a sua
altura.
Dougall segurou o fôlego. Ele suspeitou que ela pensasse que a água branca
espumosa agiria como uma cortina, obscurecendo-a da vista, mas não. Se mais nada,
parecia enquadrá-la quase amorosamente, destacando as curvas e cavidades suaves
que sua camisa úmida e agora quase transparente estava abraçando com adoração.
A mulher estava dolorosamente magra, o que não foi uma surpresa, depois de ver
o pouco que ela comeu. Mas ela ainda era linda. Ele não negaria que gostaria de ver
um pouco mais de carne nela, mas mesmo sem ela... Bem, a ereção mexendo entre
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suas pernas e empurrando o pano áspero de seu tartan disse tudo. Murine era linda
para ele; sua pele pálida brilhava como alabastro sob a água e o sol minguante. Seu
cabelo escureceu para um dourado polido quando ficou molhado, e seus mamilos
estavam redondos e rosados aparecendo através de sua camisa molhada. Fragmentos
que ele gostaria de ver sem o leve material molhado encobrindo-os, velando-os um
pouco, ele admitiu e começou a se perguntar mais uma vez o que teria acontecido se
ele tivesse aceitado a oferta de Montrose.
Mais provavelmente o mesmo que aconteceu sem que ele aceitasse, pensou
ironicamente. A moça teria fugido na primeira chance que tivesse e partido em sua
vaca, mas então ela estaria fugindo dele assim como de seu irmão.
Seu olhar caiu sobre sua barriga lisa e para seus quadris e Dougall franziu a
testa ao ver seus ossos pressionando contra sua pele. A moça estava mesmo muito
magra. Ele ficou surpreso por ela não ter ficado doente como a mãe dela. Felizmente,
agora que eles sabiam, ou suspeitavam que sabiam, o que estava causando o desmaio,
podiam fazer com que ela comesse mais. Talvez ajudasse a recuperar seu apetite
habitual e a levasse a um peso mais saudável.
Sim, ele faria com que ela comesse mais, Dougall decidiu e então sua testa
franziu quando ele percebeu que se ele a entregasse para sua irmã, como planejado,
ele não poderia ver nada disso. Entre o grupo delas, sua irmã e as outras duas amigas
certamente teriam uma maneira de salvar Murine de seu irmão. Ela não precisaria
dele então. Ela estaria fora de sua vida e longe de sua influência. O pensamento
trouxe uma careta a seus lábios quando ele se sentou no chão e pegou um pedaço de
grama para mastigar enquanto esperava.

Murine fechou os olhos e abaixou a cabeça, apreciando o bater da água nas


costas e nos ombros. Ela não estava acostumada a dormir no chão frio e duro ou
cavalgar por horas a fio. A combinação estava deixando os músculos das costas
doloridos. Pelo menos foi o que ela disse a si mesma, embora, para ser sincera, ela
soubesse que as dores e aflições eram provavelmente mais um resultado de se manter
tão tensa quando cavalgara com Dougall hoje. Ela simplesmente não tinha sido capaz
de impedir. Se ela relaxasse, seu corpo se curvaria contra o dele, suas costas se
pressionariam contra o peito dele, e isso combinado com ter seus braços ao redor dela,
a faria se sentir cercada por ele. Todo seu cheiro que ela podia sentir, sua respiração
mexendo o cabelo dela...
Murine teve um pequeno arrepio que nada tinha a ver com a temperatura da
água que jorrava sobre ela. Com o pai sendo o chefe do clã e tendo dois irmãos mais
velhos, Murine levara uma vida bastante protegida. Aos vinte e um anos ela ainda nem
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tinha sido beijada, mas nos braços de Dougall em seu cavalo, praticamente em seu
colo, ela... Bem, francamente, isso a fez se perguntar como seria se ele a beijasse. Fez
com que ela se perguntasse como seria experimentar outras coisas também, coisas do
leito conjugal que ela, Saidh e Edith tinham rido, enquanto Jo, sua única amiga
casada, descrevia.
Francamente, Murine não sabia como lidar com isso. Ela tinha certeza de que
nunca conseguiria sentir nenhuma das coisas em que estava pensando. Pelo menos,
não como esposa. Murine temia muito que ela acabasse em um convento. Ela
esperava que, uma vez que chegasse a Saidh, viajassem para Sinclair para ver Jo e as
três, ou quatro delas, se conseguissem alcançar Edith e levá-la rapidamente para
Sinclair, seriam capazes de pensar em algo, um plano alternativo. Mas ela suspeitava
que o melhor que conseguiriam seria um velho proprietário de terras que precisasse
de uma esposa e não se importasse com ela não ter um dote, ou algo assim. Sendo
esse o caso, não era provável que ela experimentasse os arrepios e anseios que sentira
sentada diante de Dougall... o que se tornava uma espécie de tortura, como se o
destino a estivesse provocando com tudo o que ela nunca teria. Então ela evitou isso
sentando, tão dura como um tronco, na frente dele. Sua lombar estava agora
reclamando.
Fazendo uma careta ao pulsar em suas costas, Murine se inclinou e deixou os
dedos balançarem na direção dos dedos dos pés, permitindo que a água batesse em
sua parte inferior da coluna, onde faria o melhor. A posição fez a água correr por seu
rosto, mas seus olhos estavam fechados, então ela não se importava. Além disso, a
posição lhe deu algum descanso e fez valer a pena. Pelo menos o fez até que, de
repente, ela cambaleou para baixo da água e percebeu que estava tonta.
Amaldiçoando sua estupidez, Murine rapidamente se endireitou, apenas para
amaldiçoar novamente quando a ação abrupta apenas intensificou sua tontura e a
escuridão começou a se fechar.
Droga, foi exatamente por isso que Dougall insistiu em vigiá-la e o que ela
assegurara que não aconteceria, Murine pensou com irritação, ao sentir a familiar
escuridão da inconsciência se aproximando.

Murine abriu os olhos e olhou para o céu. Ainda era cedo, mas o sol estava
tornando sua chegada próxima conhecida, a sua luz subindo no horizonte. Era apenas
o suficiente para ela distinguir as formas escuras dos homens que dormiam ao redor
do fogo há muito morto. Eles não acordariam ainda por um pouco e Murine quase
fechou os olhos e tentou voltar a dormir, mas a necessidade persistente de se aliviar
impediu. Ela tinha que ir, desesperadamente, resultado de não ir ontem à noite antes
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de dormir. Fora algo que ela se recusara a fazer porque Dougall teria insistido em
segui-la para mantê-la segura de si mesma e de sua propensão a desmaiar.
O pensamento a fez sorrir com desgosto. Depois de perder a consciência sob a
cachoeira, Murine acordou na beira da água com Dougall inclinado sobre ela. Ele a
salvou, é claro, o que ela apreciou. No entanto, ela foi menos apreciativa de sua
determinação de ficar ao seu lado em todos os momentos e protegê-la como uma mãe
galinha. Foi preciso muita conversa e súplica para que o homem desse as costas por
tempo suficiente para que Murine vestisse sua nova camisa seca e um novo vestido, e
então ele a fez falar o tempo todo que ela fez isso, para que ele pudesse ter certeza que
ela ainda estava consciente.
Murine supôs que era pelo ferimento na cabeça que ela tinha recebido quando
tinha caído. Aparentemente, a testa dela havia atingido um afloramento rochoso ou
um pedregulho sob as cachoeiras. Fosse qual fosse o caso, ela acordou e descobriu
que tinha um caroço desagradável e um corte na testa, e Dougall estava lavando o
sangue do rosto. Muito sangue. Ele se recusara a sair do lado dela desde então.
Em vez de sofrer com a presença dele ao lado de suas tarefas pessoais
embaraçosas, ela as abandonou por completo. Agora o corpo dela estava deixando-a
saber que não estava feliz com essa decisão.
Movendo-se lenta e cautelosamente para evitar acordar o homem que dormia a
poucos centímetros de distância, Murine se levantou com cuidado e deslizou para a
floresta, diminuindo a velocidade a cada passo que dava, enquanto esperava que seus
olhos se ajustassem. Enquanto estava começando a clarear na clareira, a mata ainda
estava tão escura quanto a completa noite e se não tivesse uma necessidade tão
urgente, Murine poderia ter voltado e esperado o sol se levantar completamente. Mas
ela continuou cautelosamente para frente. Escuro como estava, Murine não achava
que tinha que ir longe. Ela só seria rápida sobre seus negócios e voltaria antes que os
homens acordassem.
Ela andou cerca de dez passos até a mata e rapidamente cuidou de seus
negócios, os olhos se lançando nervosamente de um lado para o outro, enquanto ouvia
os sons de movimento na escuridão em volta dela. Parecia estar morto quando ela
acordou, mas agora havia o crepitar de galhos e folhas enquanto as criaturas se
moviam, e os sons pareciam estar se aproximando dela. Apenas nervos, Murine se
assegurou. Era um pouco assustador, aqui sozinha na floresta escura. Ela terminou
rapidamente e começou a voltar pelo caminho que tinha vindo, então parou e se virou
ao som de um galho quebrando. Tinha sido alto no silêncio e surpreendentemente
próximo. Pequenas criaturas da floresta não teriam feito esse som. Pelo menos ela não
achava. Outro som alcançou sua orelha e ela se virou novamente, mas não conseguiu
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ver nada na noite negra em torno dela. Quando um farfalhar soou do outro lado, os
nervos de Murine se romperam e ela disparou para o acampamento. Pelo menos, ela
pensou que fosse para o acampamento. Foi só quando ela passou o que ela considerou
ser muito mais do que dez passos sem sair da floresta que ela começou a se preocupar
que ela tinha se virado e corrido na direção errada. Quando ela ouviu o som da água
correndo, crescendo na frente dela, ela sabia com certeza que tinha. Parando
abruptamente, Murine se virou do jeito que ela veio e então gritou, quando algo bateu
no lado de sua cabeça.

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Capítulo 6

— Maldita tolice dela sair por conta própria.


Dougall não respondeu às palavras murmuradas de Conran, enquanto
atravessavam os bosques e árvores em busca de sua carga perdida. Mas ele concordou
completamente com ele. Maldita tola. Irresponsável mesmo.
O coração de Dougall quase pulou de seu peito quando ele acordou e não
encontrou Murine na clareira. Ele começou a procurá-la, apenas para pausar e voltar
para acordar seus irmãos para ajudá-lo a olhar. O sol tinha acabado de rastejar no
horizonte e ele sabia que a floresta estaria escura. Ele poderia precisar de ajuda se a
tola mulher tivesse saído e desmaiado em algum lugar nos bosques. Além disso, ele
não queria uma repetição da última vez que isso aconteceu. Ele queria uma
testemunha se o vestido dela, de alguma forma, se rasgasse.
— É a cachoeira que estou ouvindo? — perguntou Conran, com um súbito
sobressalto, quando o som da água apressada os alcançou. — Você não está achando
que ela decidiu tomar banho sozinha, está? Querido Deus, ela quase se afogou da
última vez e isso foi com você lá, para ficar de olho nela.
Dougall não precisava ser lembrado disso. Murine o tinha apavorado, quando ela
de repente caiu na água, debaixo das cachoeiras. Ele saltou de pé e catapultou-se
para o líquido frio atrás dela, sem um único pensamento, exceto a necessidade
desesperada de puxá-la para fora. Dougall não conseguia se lembrar da última vez em
que ele ficou com tanto medo... e ele não gostou. Só pensar nisso fez seu coração
disparar com medo, mesmo agora. Se ela tivesse ido e se afogado com ele...
— Ela... o que foi isso? — Conran interrompeu-se para perguntar, quando um
grito quebrado soou à frente deles.
Dougall não respondeu, ele já estava acelerando para frente. Enquanto o sol
iluminava o céu na clareira, ainda estava escuro e sombrio na floresta. Dougall não
achou Murine, a não ser quando tropeçou nela em sua corrida precipitada. Isso o fez
cair de cara no chão, mas ele rapidamente se levantou e se virou para rastejar para
ela, enquanto ele gritava um aviso para Conran, para que o outro homem não levasse
o mesmo tombo.
— Você a encontrou, — disse Conran com alívio, alcançando-o quando ele
começou a passar as mãos rapidamente sobre a figura escura no chão. Dougall estava
procurando por ferimentos, mas não foi até que ele deslizou uma mão sob sua cabeça,
para levantá-la para uma posição sentada, que ele sentiu a umidade pegajosa.
Sangue.
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Praguejando, ele levantou-a em seus braços e voltou pelo caminho que eles
vieram.
— Qual é o problema? Ela está bem? — perguntou Conran, tropeçando ao lado
dele e esticando a cabeça para tentar dar uma olhada, embora Dougall não pudesse
adivinhar por que ele estava fazendo isso. Ainda estava muito escuro na mata para ver
muito mais do que a forma escura dela.
— A cabeça dela está sangrando de novo, — Dougall rosnou.
— Ela bateu de novo ou é da ferida da noite anterior? — perguntou Conran,
preocupado.
Dougall não se incomodou em responder. Ele não sabia, e não saberia até que ele
pudesse vê-la melhor.
Conran deve ter percebido isso também, porque ele não fez a pergunta
novamente e ficou em silêncio, enquanto voltavam para o acampamento.
A clareira estava vazia quando eles chegaram. Geordie e Alick tinham saído para
ajudar a procurar Murine, deixando os cavalos desprotegidos. Felizmente, eles ainda
estavam lá e bem. Dougall carregou Murine, passando por eles, até se ajoelhar ao lado
do fogo morto da noite anterior e examinou a cabeça dela. A luz estava muito melhor
na clareira e ele viu que, embora sentisse o sangue na parte de trás de sua cabeça, a
ferida estava do lado.
— Uma nova ferida, — Conran disse com desânimo, caindo de cócoras ao lado
dele.
— Sim, — grunhiu Dougall.
— Maldição, ela foi tola, — Conran murmurou com preocupação. — Ela deve ter
desmaiado novamente e bateu a cabeça quando caiu.
Apertando a boca, Dougall apenas disse: — Traga-me um pouco de água e um
pano limpo. E assobie por Geordie e Alick, para que eles saibam que podem parar de
procurar.
Conran acenou com a cabeça e saiu apressado, dando um assobio agudo ao sair.
Pegando um canto de seu tartan, Dougall levantou-o para limpar um pouco do
sangue do lado do rosto de Murine. O caroço que se formava em sua têmpora era do
tamanho de um punho com um corte no meio. Não parecia profundo, mas por sua
experiência, as feridas na cabeça muitas vezes sangraram mais do que a mesma ferida
em outro lugar.
Um gemido suave tirou seu olhar do caroço que se formava em sua têmpora para
o rosto de Murine, enquanto seus olhos lentamente se abriram. Seu olhar estava
confuso no início, e suas sobrancelhas se uniram quando ela olhou para ele.

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— O que aconteceu? — Ela perguntou em um sussurro e, em seguida,
estremeceu e apertou os olhos fechados, suas mãos levantando instintivamente
enquanto gemia: — Oh, minha cabeça.
— Bateu, é? — Perguntou Dougall com simpatia, pegando nas mãos dela para
evitar que ela tocasse a ferida e, sem dúvida, aumentasse sua dor.
— Sim, — Murine respirou, apertando os olhos para olhar para ele.
— Você desmaiou de novo, — explicou Conran gentilmente, chamando a atenção
de Dougall para o fato de que ele havia retornado.
— A água? — Ele perguntou com um franzir da testa, quando viu que as mãos de
Conran estavam vazias.
— Alick está buscando isso, — Conran respondeu, e apontou: — Ele é mais
jovem e mais rápido em seus pés, então quando ele se ofereceu...
Dougall interrompeu, afastou o resto da explicação e concordou. Alick era mais
rápido, ele reconheceu quando Conran voltou sua atenção para Murine e disse com
preocupação: — Você não pode escapar por conta própria desse jeito. Uma destas
vezes irá se matar com todas essas batidas de cabeça.
— Não, — Murine disse franzindo a testa.
— Sim, você irá, — Conran assegurou a ela. — Não, eu quero dizer, eu não
desmaiei, — ela explicou, sua voz quase um sussurro e depois franzindo a testa como
se tentasse lembrar, acrescentou: — Algo me atingiu na cabeça.
— Sim. Podemos ver isso, — disse Dougall secamente. — Provavelmente uma
pedra, quando você caiu.
— Não, — repetiu Murine. — Eu estava de pé e algo bateu na minha cabeça.
Conran pareceu duvidar e olhou para Dougall, que apenas balançou a cabeça.
Ele também não achava isso provável, mas ela não estava em condições de discutir.
Deixar para lá por agora, parecia a melhor aposta.
— Você não me acredita? — Ela perguntou, parecendo ferida e irritada, ao
mesmo tempo.
Dougall desviou o olhar para ver que Murine estava olhando para ele, com
desapontamento.
— É verdade, — ela insistiu. — Eu estava de pé e me virei e algo me atingiu na
cabeça e depois... Ela encolheu os ombros, impotente. — Deve ter me derrubado.
— Você poderia ter se chocado com um ramo, — disse Conran, quando Dougall
permaneceu em silêncio. Foi puramente um esforço para acalmar a moça, Dougall
tinha certeza. Seu irmão ainda parecia ter dúvidas e Murine parecia perceber isso
também, porque ela se mexeu irritada, empurrando-se para fora de seus braços.

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— Eu estou dizendo a você que eu não desmaiei. Alguém me bateu, — ela disse
sucintamente, lutando para ficar de pé e afastando as mãos de Dougall, quando ele
tentou firmá-la.
— O que você está fazendo, moça? — Ele perguntou com uma carranca,
endireitando-se enquanto ela o fazia, as mãos dele pairando no ar entre eles, pronto
para pegá-la se ela caísse.
— Eu... Murine fez uma pausa e franziu a testa, obviamente sem saber o que
pretendia fazer.
— Você deveria se sentar, moça. Venha, sente-se perto do fogo, — Conran
sugeriu gentilmente, pegando seu braço para conduzi-la pelos poucos passos até o
tronco caído perto do fogo, agora morto.
Murine não empurrou Conran para longe, notou Dougall, uma sensação
estranha crescendo nele. Era algo que era um cruzamento entre irritação e dor, como
se seus sentimentos tivessem sido feridos pela constatação. O que era ridículo. Ele
não tinha sentimentos feridos.
— Alguém realmente me atingiu, Conran — disse Murine, com sinceridade, ao se
acomodar no tronco.
— Eu sei que você pensa isso, moça. Mas você não poderia ter ficado um pouco
confusa depois de sua última ferida na cabeça? — Conran perguntou gentilmente. —
Todos nós estávamos dormindo até Dougall nos acordar para buscar você. E não nos
levou mais que um minuto para encontrá-la, depois que ouvimos você gritar e não
havia ninguém perto de você. Não é mais provável que você tenha desmaiado e batido
em sua cabeça quando caiu?
— Mas...
— Puta merda! Você está bem, minha senhora?
Dougall olhou para Geordie quando ele correu para a clareira e direto para
Murine, seu olhar horrorizado quando ele notou o sangue manchando seu rosto mais
uma vez. A ferida ainda estava sangrando e enquanto o sangue corria para o cabelo
dela enquanto ela estava deitada no chão, agora estava descendo pelo lado do seu
rosto e pelo seu pescoço, em correntes.
— Onde diabos está Alick com essa água? — Dougall retrucou impaciente.
— Aqui! — Gritou seu irmão mais novo, entrando na clareira. A água escorria de
um balde que ele carregava e ele tinha outra tira de linho limpo na outra mão. Ele
correu para Murine, e sem dúvida teria começado a limpá-la, mas Dougall o deteve
com uma mão no peito e pegou os itens dele. Se alguém fosse limpá-la, seria ele.
— Oh, olhe, você arruinou seu vestido, milady, — Geordie notou com simpatia,
quando Dougall se ajoelhou ao lado de Murine e mergulhou o tecido limpo na água.
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Torcendo o tecido, Dougall olhou para cima para ver que Murine tinha o queixo
dentro da roupa, enquanto tentava olhar para baixo para ver o que Geordie estava
falando. O sangue desceu pelo pescoço e começou a mergulhar no decote do vestido
que usara depois de nadar, no dia anterior. Não havia como ela ver a mancha e sua
expressão estava irritada, enquanto tentava.
— É só um pouquinho de sangue no decote, — garantiu Dougall, depois pegou o
queixo dela e levantou sua cabeça para poder limpar o sangue do pescoço e evitar que
a mancha crescesse.
Murine ficou em silêncio enquanto ele trabalhava. Mas ela soltou um suspiro
quando ele enxaguou o pano, espremeu-o novamente e apertou-o firmemente contra o
corte ainda sangrando.
— Eu tenho que parar o sangramento, — ele murmurou, lamentando causar-lhe
mais dor, mas sabendo que era necessário.
— Claro, — Murine sussurrou.
— Estou pensando que você deve costurar, — concordou Conran, ajoelhando-se
ao lado dele para examinar a ferida, quando Dougall tirou o pano e começou a pingar
sangue, imediatamente.
— Não, — Murine ofegou, e então franziu a testa e disse com voz trêmula,
— Certamente colocar pressão sobre isso será o suficiente? — Vai parar de sangrar
em um minuto.
Dougall pensava que pontos seriam necessários, mas entendeu o desalento dela
com a idéia. Pressionar a ferida era, sem dúvida, doloroso, mas forçar uma agulha
através da pele de sua testa, de novo e de novo, seria excruciante. Além disso, ele não
estava satisfeito com o pensamento dela permanentemente ficar com uma cicatriz.
Como estava, esse corte deixaria uma marca, uma linha fina se ela tivesse sorte. Com
pontos, pareceria um ramo em sua têmpora.
— Vamos tentar a pressão primeiro, — ele decidiu.
Murine relaxou um pouco e ofereceu um sorriso agradecido.
Dougall sorriu de volta, depois olhou para Alick. — Se você tiver mais tecidos
limpos, pegue-os. Precisamos envolver a cabeça para manter a ferida fechada
enquanto cavalgamos.
Alick acenou com a cabeça e foi até os cavalos, para começar a fuçar na mochila
pendurada na sela de montaria.
— Obrigada.
Dougall olhou de novo para Murine, com aquelas palavras, para ver que sua
expressão se tornara mais hesitante.

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— Sinto muito. Eu sei que eu atrasei você e não passei de um incômodo. E eu
aprecio sua gentileza em me levar em segurança até Saidh, — ela disse suavemente.
Dougall dificilmente ouviu as palavras, sua atenção capturada por seus lábios
enquanto se moviam. Sua mente estava cheia de pensamentos que não tinham nada a
ver com o que ela estava dizendo.
— Está tudo bem, moça — disse Conran, quando Dougall permaneceu em
silêncio. — Estamos quase em Buchanan agora. Na verdade, devemos chegar a
tempo para o sup. Nós vamos passar a noite e vamos para MacDonnell de manhã. É
apenas meio dia de viagem, então você deverá estar rindo de tudo isso, com Saidh, ao
meio-dia.
— Dougall enrijeceu. A menos que se atrasassem ainda mais, deveriam chegar a
Buchanan antes do jantar daquela noite e a MacDonnell ao meio-dia do dia seguinte.
Então essa tarefa seria concluída e eles voltariam para casa... Deixando Murine para
trás. O pensamento não o agradou e sua voz era um pouco áspera com aquele
desgosto, quando ele disse: — Você deve fazer seu desjejum.
— Oh, não, eu não estou com fome, — disse Murine rapidamente. — Então coma
pela sua saúde, — disse ele abruptamente.
Murine hesitou, e então perguntou: — Você vai comer alguma coisa? Dougall
balançou a cabeça, enquanto todos os irmãos diziam que não e Murine ergueu o
queixo.
— Então...
— Mas nenhum de nós desmaia por falta de nutrição, — interrompeu Dougall,
sabendo que ela usaria a desculpa deles não comerem, para recusar a comida.
Murine soltou a respiração com resignação, mas depois se controlou e disse: —
Tudo bem. Eu irei comer. Mas o resto de vocês não poderia encontrar algo para
ocupar-se, além de olhar para mim? É muito desconcertante. — Quando ela não
conseguiu uma concordância imediata, ela acrescentou:— E me tira o apetite.
— Eu vou verificar os cavalos, — Alick disse de repente.
— Eu não me importo de uma rápida natação antes de partirmos, — Geordie
decidiu.
— Eu vou me juntar a você para nadar, — anunciou Conran e os três irmãos
imediatamente se afastaram, deixando-os sozinhos.
— E você? — Murine perguntou, quando eles estavam sozinhos.
— Eu vou ficar, — ele disse simplesmente, e depois provocou-a gentilmente,
dizendo: — Alguém tem que ter certeza de que você realmente come e não apenas
afirma que o fez, enquanto estamos fora.
Murine franziu o cenho ante a insinuação.
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— Mas eu vou dar uma bocada ou duas com você, se isso significar que você vai
comer mais, — acrescentou.
— Trato feito, — disse ela, animando-se.
Rindo sem nenhum motivo que ele pudesse entender, Dougall pegou a mão dela
e levantou-a para a pressionar contra o pano que ele ainda estava segurando contra
sua testa.
— Segure firme no lugar, — ele instruiu, depois se levantou e foi até os cavalos
para pegar a sacola, com a carne cozida nela. Ele tinha algumas maçãs em sua
própria bolsa e pegou-as, bem como o frasco de couro de cidra que pendia da sela do
cavalo, antes de retornar.
Murine ainda mantinha o tecido no lugar quando ele voltou, e a julgar pela
maneira como ela estava estremecendo, ela pressionava com mais firmeza do que o
necessário, em um esforço para parar o sangramento e evitar ser costurada. Dougall
não comentou sobre isso, mas apenas começou a preparar a comida.
— Eu não tinha percebido isso, mas me desculpe se não comer e assistir você
comer fez você desconfortável, ontem de manhã, — disse ele, calmamente, quando ela
aceitou a grande porção de carne que ele ofereceu a ela.
Murine sorriu ironicamente. ─ Você não era tão ruim, mas Alick e Geordie eram
como um par de corvos, empoleirados no tronco. Fiquei pensando que eles estavam
prestes a mergulhar e pegar a comida de mim.
Dougall sorriu levemente com as palavras. Agora que ela dissera isso, ele podia
ver a semelhança entre a lembrança de como eles se empoleiraram no tronco,
inclinando-se para a frente, com um par de corvos interessados. A verdade é que
ambos estavam mais interessados nela do que em sua comida, mas ele não disse isso.
Eles comeram em silêncio por vários minutos, Dougall satisfeito por ver que ela
estava comendo toda a carne que ele tinha dado a ela. Ela estava comendo rápido. Ele
suspeitava que era para que ela pudesse ter o máximo possível, antes que sua cabeça
lhe dissesse que estava cheia. Ele achou que isso era um bom sinal. Agora que ele
mencionara que o desmaio podia ser devido a sua falta de comida, ela parecia querer
corrigi-lo sozinha. Se ele estivesse certo, seus desmaios acabariam rapidamente e ela
não precisaria da tintura que Joan fizera para ela, ou de sua receita. Ela voltaria a ser
a moça saudável que tinha sido, antes que os problemas tivessem atingido sua família.
Saudável o suficiente para ser esposa e mãe.
— Então, você se imaginou casada e tendo um bando de filhos? — Ele perguntou
de repente, enquanto se lembrava dela dizendo algo nesse sentido quando falou que
sempre esperara se casar. Ele mesmo sempre pensara que meia dúzia ou mais seria

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bom. Mas então ele tinha crescido em uma casa com oito crianças saudáveis, então
parecia natural.
— Sim, — admitiu Murine. — Mas acho que todas as garotas provavelmente o
fazem. Nós, geralmente, somos comprometidas no berço.
Dougall assentiu. Isso era verdade. Praticamente todas as crianças nascidas da
nobreza eram comprometidas muito jovens. Saidh também tinha estado. E como o
prometido de Murine, o de Saidh morreu antes de reivindicá-la.
Murine sorriu para ele com hesitação e comentou: — Saidh mencionou uma vez
que, enquanto seus pais arranjavam noivos para ela e Aulay, nunca os arranjaram
para o resto de vocês?
Dougall assentiu e depois explicou: — Mamãe queria, mas Papai se recusou.
— Realmente? — Murine perguntou com os olhos arregalados. — Por quê?
— Ele sempre disse que era difícil saber como um bebê iria ser e ele não queria
nos selar, com companheiros desagradáveis ou amorais, ou até mesmo com aqueles
cuja personalidade não nos convinha, — explicou Dougall. — Ele queria que
tivéssemos uma chance de felicidade e escolhêssemos nossos companheiros por nós
mesmos, como ele tinha feito.
As sobrancelhas de Murine se levantaram e ela apontou: — Mas Saidh estava
prometida.
— Sim, e também estava Aulay. Nossa mãe insistiu nisso. Saidh, porque ela era
uma moça, e Aulay, porque ele era o filho mais velho e herdeiro do título, — explicou
Dougall.
— E, no entanto, o prometido de Saidh morreu como o meu e a de Aulay... Ela
fez uma pausa abrupta, parecendo insegura, e Dougall imediatamente entendeu que
Saidh havia dito a ela o que havia acontecido ali e como todos estavam irritados com o
assunto.
— Sim, a prometida de Aulay recusou-se a cumprir o contrato quando viu a
cicatriz marcando seu rosto — ele disse severamente. — E ela não foi gentil com isso
também. Ela o depreciou como mais monstro que homem.
Murine estremeceu e assentiu solenemente. — Isso foi cruel.
— Sim, — Dougall murmurou. Apenas a lembrança das palavras da mulher e da
dor de Aulay, o fez querer bater em alguém. Ele se forçou a respirar fundo para
acalmar aquele impulso e depois acrescentou: — Ela também disse que renunciaria de
bom grado a seu dote por romper o noivado, mas que não se casaria com ele, preferiria
morrer ou pegar o véu.
Murine deu uma risada sem humor e apontou: — E ainda assim eu me casaria
com Aulay em um piscar de olhos ao invés de tomar o véu. — Os seus olhos se
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arregalaram de repente e ela falou: — Oh, diga! Você acha que ele está no mercado
para...
— Há algumas coisas que preciso fazer antes de partirmos, — interrompeu
Dougall, ficando de pé. Ele não esperou que ela dissesse mais nada, mas saiu
abruptamente da clareira, sua mente uma tempestade de emoção.

Murine franziu o cenho ligeiramente enquanto observava Dougall ir embora, mas


depois voltou seus pensamentos para a ideia que tinha tido: casar-se com Aulay
Buchanan. Saidh havia pintado um retrato de seu irmão como uma figura bastante
trágica. Segundo ela, ele era um homem bom e forte e um líder justo... Um pouco
como Dougall, ela pensou. Mas Aulay fora envergonhado e deixado de lado, por uma
noiva desalmada e egoísta que o julgara apenas pela sua aparência. Murine não
conhecera Aulay e não fazia ideia de quão ruim era a cicatriz que ofendera sua noiva,
mas se ele fosse parecido com Dougall... Além disso, se havia uma coisa que ela
aprendera nessa vida, era não julgar alguma coisa apenas pela aparência. Afinal de
contas, Montrose era um homem bonito na aparência, mas feio como o pecado em
baixo de sua alma. Desde que sua mãe alegara que ele parecia uma versão mais jovem
de seu pai e ela sabia como aquele homem tinha abusado de sua mãe, Murine diria
que ele era mesmo. Ela tinha certeza de que Aulay era exatamente o oposto, com
cicatrizes feias por fora, mas com um coração tão bom e gentil como o de Dougall. Ela
escolheria isso em detrimento de um homem como seu meio-irmão qualquer dia. E ela
definitivamente escolheria acima dos planos de seu irmão para ela. Ou mesmo o
convento.
Murine não tinha certeza de como ela conseguiria uma proeza como a de
convencer Aulay de que, se casar com ela, era para benefício dele. Ela tinha muito
pouco para oferecer a ele, apenas gentileza e gratidão por salvá-la do destino que seu
irmão pretendia para ela. Ela, definitivamente, poderia prometer que seria uma boa
esposa para ele, e que seria uma boa mãe para qualquer descendente que eles
tivessem também. Mas isso seria suficiente?
E o que dizer de Saidh? Como ela se sentiria sobre tal arranjo? E se ela quisesse
mais para seu irmão? Parecia claro que Saidh adorava seus irmãos. Ela também
deixou claro que estava contente que a prometida de Aulay se recusara a casar com
ele. Ela pensou que alguém tão superficial seria uma esposa desleal e indiferente e
que ele merecia melhor. Será que ela acharia Murine boa o suficiente para seu irmão?
Ela precisava falar com Saidh, Murine decidiu com firmeza e olhou ao redor,
imaginando quanto tempo demoraria antes de partirem. Vendo que a clareira estava
vazia, exceto por ela mesma, fez uma leve careta. Dougall se recusou a deixá-la
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sozinha para não desmaiar e se machucar desde que descobrira quem ela era, mas
agora estava sozinha.
Estranho, ela pensou e então teve um sobressalto quando Alick apareceu de
repente ao lado dela. Não tão sozinha afinal, ela pensou, quando devolveu o sorriso
que ele lhe ofereceu e olhou curiosamente para o couro com líquido que ele segurava
em suas mãos, como uma oferenda.
— Aqui, — ele disse, segurando-o para ela. — Eu preparei uma tintura para você
que Rory enviou conosco. Deve ajudar a aliviar a dor na cabeça.
Reconhecendo o nome Rory como o do irmão que Saidh alegara ser curador,
Murine aceitou o couro bojudo e perguntou, curiosa: — O que tem dentro?
Alick deu de ombros e admitiu ironicamente: — Eu não faço ideia. Uma mistura
de ervas secas que cheira muito mal. Eu misturei com uísque para tentar deixar o
gosto melhor, mas você pode querer tampar o nariz e engolir rapidamente. Isso sempre
me ajuda quando eu tomo as tinturas de Rory.
Murine fez uma careta e fez o que ele sugeriu; ela tampou o nariz e bebeu o
máximo possível da tintura de uma só vez. Foi um negócio estranho. Ela teve que
tapar o nariz com o polegar e o dedo, enquanto segurava o bocal da pele até os lábios,
com os outros três dedos apenas. Ainda assim, ela conseguiu engolir vários bocados
antes de ter que parar para respirar. Foi quando o calor do uísque a atingiu. Queimou
sua garganta e bateu em seu estômago como uma vingança que a deixou ofegante e
depois tossindo violentamente.
Alick rapidamente agarrou a pele para impedi-la de soltá-la, depois começou a
bater em suas costas até que o ataque de tosse terminasse. Ele esperou que ela
recuperasse o fôlego e depois ofereceu o couro novamente. — Você vai precisar de
mais do que isso para obter todos os benefícios.
Murine hesitou, mas o ataque de tosse transformou a dor surda em sua cabeça
em uma agonia, e no final, ela pegou o couro e levou-o aos lábios novamente.

— Uau!
Dougall levantou o olhar surpreso quando duas mãos o seguraram no peito e
fizeram sua corrida pela floresta parar bruscamente. Percebendo que ele quase
estrondara em Conran, ele murmurou um pedido de desculpas e começou a andar
para dar a volta nele, mas Conran entrou em seu caminho.
— O que é? — Ele perguntou, os olhos estreitando. — Você parece pronto para
matar alguém.

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Dougall abriu a boca, depois estreitou os olhos e perguntou: — Onde está
Geordie? Eu pensei que vocês dois estavam nadando.
— Ele está nadando, mas... Conran hesitou, e depois simplesmente disse: — Eu
mudei de idéia.
A boca de Dougall se apertou. Ele não precisava ser um leitor de mentes para
saber que Conran havia mudado de idéia porque decidira que deveria ficar perto o
suficiente para ficar de olho em Dougall e Murine e ter certeza de que Dougall não se
comportaria de maneira inapropriada ou ameaçaria sua virtude de qualquer forma.
Foi um pouco insultante, mas Dougall deixou para lá por agora e rosnou o que estava
em primeiro lugar em sua mente. — Murine está pensando em se casar com
Aulay.
Conran piscou com esse anúncio. — O quê? Por que você pensaria isso? Ela
nem mesmo o conheceu.
Dougall passou a mão frustrada pelos cabelos e depois repetiu rapidamente a
conversa, terminando com: — Tenho certeza de que ela estava prestes a perguntar se
eu achava que Aulay estaria interessado em se casar com ela.
— Sim, — concordou Conran e depois acrescentou com pesar — E ele
provavelmente se casaria com ela. Pela gratidão por ter salvado Saidh, se por nada
mais. A única coisa que poderia impedi-lo de fazer isso seria suas preocupações com a
cicatriz, mas ele se convenceria de que salvá-la das intenções de seu irmão
compensaria isso.
Dougall praguejou e virou a cabeça. Conran estava comprovando exatamente o
que ele pensava. Aulay não mostrara nenhum interesse em casamento desde que sua
noiva o tinha humilhado. Ele não iria falar sobre isso, mas todos sabiam que a cadela
tinha marcado Aulay emocionalmente, mais do que a cicatriz que tinha marcado seu
rosto. Aulay tinha certeza de que a cicatriz o deixava não casável, que nenhuma
mulher casaria de bom grado com um homem tão feio quanto ele. Ele parecia se
resignar a uma vida solitária. Mas a situação de Murine podia mudar tudo. Aulay
sentiria a mesma gratidão e apreciação por Murine salvar Saidh que todos eles
sentiam, e ele sentiria pena pela situação dela. Ele também acharia que ela ter que
viver com o que ele considerava sua monstruosidade, seria melhor do que ter seu
próprio irmão prostituindo-a com seus amigos e conhecidos. Sim, Aulay se casaria
com Murine, Dougall tinha certeza, e a própria ideia fez com que ele sentisse que sua
cabeça ia explodir.
— O que você vai fazer? — perguntou Conran.
Dougall olhou para ele confuso. — Sobre o quê?

Amando um Highlander – Lynsay Sands


Conran revirou os olhos. — Dougall, você é meu irmão. Eu conheço você. Você
gosta da moça. Mais do que gostar dela, mesmo. Deve lhe dizer isso e casar-se com
ela.
Dougall ficou em silêncio por um momento, considerando a sugestão, e então
disse com relutância: — Mas Murine pode ser a única chance de Aulay de ter uma boa
mulher para esposa. Murine seria uma esposa amorosa e uma boa mãe para seus
filhos.
— Dougall, — disse Conran pesadamente. — Aulay nem mesmo encontrou
Murine. Não é como se ele estivesse apaixonado por ela também.
Ele endureceu com a sugestão. — Não estou apaixonado por Murine.
— Talvez não, mas você está no meio do caminho, — disse Conran secamente e
depois acrescentou com firmeza: — E não tente me dizer que não está. Normalmente
você é um bastardo quieto e rabugento, mas não mais desde que nos deparamos com
Murine. Eu nunca vi você sorrir tanto assim, e você realmente fala com a mulher,
amarrando sentenças inteiras juntas, em vez de apenas grunhir de vez em quando,
como você costuma fazer. E você está pairando sobre ela como uma mãe com seu
primeiro bebê — acrescentou Conran com firmeza. ─ Você gosta da moça. Você
realmente quer entregá-la a Aulay?
Dougall franziu a testa para a pergunta. A idéia de ficar parado e ver Aulay casar
com Murine o fez querer bater em alguém. Mas...
— Como diabos eu posso saber? — Ele explodiu em frustração. — Eu considerei
casar com ela, mas eu mal conheço a moça. Nós só a conhecemos há dois dias e ela
está inconsciente a maior parte do tempo. Inferno, eu nem mesmo a beijei — ele
murmurou com desgosto e então encarou Conran. — Graças a você.
— A mim? — Perguntou Conran, surpreso. — Como eu sou culpado por você não
ter beijado a moça?
Dougall olhou para ele com descrença. — Foi você quem me disse que fazendo
isso eu a faria acreditar que penso tão pouco dela quanto seu irmão.
— Oh, sim, — disse ele ironicamente e depois encolheu os ombros. — Mas eu
não queria dizer beijar. De qualquer forma, esqueça o que eu disse. Você está
pensando em se casar com a moça. Suas intenções são honrosas aqui. Só não vá
longe demais para ter certeza de que quer se casar com ela, senão você não terá
escolha no assunto.
— Sim, — Dougall murmurou, imaginando o quão longe ele considerava ir longe
demais.
— E eu estou pensando que você pode querer evitar parar em Buchanan,
— acrescentou Conran. — Talvez seja melhor viajar direto para MacDonnell. Dessa
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forma você pode evitar Aulay de conhecê-la, até que você tenha decidido se você a quer
ou não.
Dougall balançou a cabeça devagar, concordando, depois sacudiu a cabeça e
assinalou: — Assim que a levarmos a MacDonnell, Saidh vai reclamar todo o tempo
dela e não vou ter a chance de conhecê-la melhor — disse ele com frustração e Conran
franziu a testa com a verdade dessas palavras.
Ambos ficaram em silêncio por um minuto e, em seguida, Conran disse: — Estou
pensando que a última ferida na cabeça é grave o suficiente para que possamos
acampar aqui, mais um ou dois dias, para lhe dar a chance de se recuperar.
Especialmente desde que não é sua primeira ferida na cabeça.
Dougall olhou para ele bruscamente. — Um dia ou dois aqui?
— Sim, — ele disse solenemente, e então sorriu e acrescentou: — Eu daria uma
semana se pudesse, mas acredito que parar por tanto tempo faria os rapazes
suspeitarem. Especialmente quando estamos tão perto de casa.
— Sim, — concordou Dougall em voz baixa. Ele considerou o assunto
brevemente, então assentiu. — Acamparemos aqui esta noite e amanhã à noite.
— Aonde vai? — Conran perguntou surpreso, quando Dougall de repente se
moveu ao redor dele e partiu, mas não de volta ao acampamento.
— Vou pegar mais caça. Ter muita comida na mão impedirá os rapazes de
reclamar. E então eu vou dar um mergulho para limpar a minha cabeça, — Dougall
murmurou. Dougall raramente se jogava de cabeça em qualquer coisa. Se a batalha
não pudesse ser evitada, ele fazia um plano. Parecia-lhe que cortejar Murine também
merecia um plano. Afinal, era o resto de suas vidas que ele deveria estar decidindo.

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Capítulo 7

Dougall ouviu o riso muito antes de chegar ao acampamento. O som o fez sorrir
levemente, enquanto andava. A risada tilintante de Murine era facilmente ouvida entre
as gargalhadas de seus irmãos. Isso o fez se perguntar se Conran teria mencionado
sua decisão de acampar aqui, uma noite ou duas, para permitir que ela se
recuperasse de sua última ferida na cabeça, ou não.
— Ela não fez isso! — Murine estava ofegante quando Dougall entrou na clareira.
Curioso para saber do que estavam falando, Dougall fez uma pausa na linha das
árvores e esperou, enquanto Alick acenou com a cabeça e disse alegremente. — Sim,
ela fez. Saidh colocou suas botas em Aulay, Conran e Dougall e os fez rolarem no
chão, segurando suas bolas e uivando como bebês.
— Ela fez o mesmo com você, — disse Conran secamente.
— Sim, ela fez, — admitiu Alick, sem vergonha. — E então ela tinha Geordie em
uma chave de pescoço e estava torcendo a orelha de Rory, até que eu pensei que ele
iria bater as botas ali mesmo. — Ele balançou a cabeça e disse com admiração: — Ela
é uma lutadora, a nossa Saidh.
— Sim, bem, ela tinha que estar fazendo com nós sete, seus irmãos. Nós a
teríamos esmagado se não fôssemos, — Geordie assinalou com carinho.
— Sim. Isso é verdade, — Alick concordou e então sorriu para Murine e admitiu:
— É por isso que é uma maravilha para mim que você e Saidh sejam amigas.
Dougall franziu a testa. Ele não estava surpreso que Saidh e Murine fossem
amigas. Eram mulheres corajosas e às vezes teimosas, como Murine provara quando
se recusara a comer antes de tomar banho. Além disso, o comentário quase soou como
um insulto, embora ele não pudesse dizer se era um insulto a Saidh ou a Murine.
Aparentemente, Murine também pensava assim, porque se sentou um pouco mais
ereta no tronco em que estava empoleirada e perguntou: — Por quê?
— Bem, não se ofenda, — Alick disse rapidamente. — Eu não estou querendo
insultar. — É apenas que nossa Saidh é... bem, ela é forte, mas...
— Mas eu sou fraca e estúpida? — Murine sugeriu quando ele hesitou, e Dougall
estreitou seu olhar sobre ela. Não só ela parecia irritada, ela estava arrastando suas
palavras um pouco. Ela também estava balançando no tronco, como se estivesse
dançando uma música lenta.
— Oh, não, — Alick disse rapidamente. — Você está longe de ser fraca ou
estúpida.

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Murine parecia levemente aliviada pelas palavras e se abaixou em seu tronco,
mas perguntou: — Então por que você está surpreso de sermos amigas?
— Você é uma verdadeira dama, — disse Alick, depois de um momento. — E a
nossa Saidh não... é, — ele terminou, fracamente.
— Oh, pffft. — Murine acenou com uma mão um pouco fortemente. — Saidh é
talvez um pouco rude, mas ela ainda é uma dama tanto quanto eu. — Um sorriso
malicioso chegando ao seu rosto, Murine acrescentou: — É melhor você ser legal
comigo, Alick Buchanan, senão eu vou dizer a Saidh que você disse isso, só para que
eu possa vê-la torcer sua orelha.
— Oh, não, você não faria isso, — disse Alick em uma risada, e então
preocupação lentamente surgiu em seu rosto e ele perguntou: — Você faria?
Murine recostou-se em uma gargalhada e teria caído do tronco, se Dougall não
tivesse se movido naquele momento e estendido a mão para segurá-la. Quando ela
nem pareceu notar ou olhar em volta, mas continuado a rir com Alick, Dougall olhou
para Conran e arqueou uma sobrancelha em dúvida.
— Alick deu-lhe uma das tinturas de Rory para ajudar com sua cabeça doendo,
— explicou ele e depois sorriu e acrescentou: — Mas, aparentemente, era muito
ruim, então ele misturou com uísque. Muito uísque, — ele disse com ênfase. —
Murine não está sentindo dor.
— Ahh, — Dougall disse secamente, e então olhou para Murine quando ela girou
em seu tronco para vê-lo e ofegou.
— Aí está você! — Ela exclamou, afastando-se dele. — Nós estávamos
começando a pensar que você tinha caído no rio e se afogado. Eu queria ir procurar
você, mas os rapazes não acharam uma boa ideia.
Dougall encontrou um sorriso repuxando seus lábios. Ela estava mais relaxada
do que ele jamais a vira, sorrindo amplamente, seus olhos limpos da preocupação e
tristeza que sempre pareciam nublá-los... e ela se preocupara com ele. Ele gostou mais
dessa Murine do que a que ele conhecera durante a viagem deles até agora.
— Onde você estava?
Sua boca se alargou ainda mais com a pergunta com a fala arrastada. Ela falou
como se ela tivesse o direito de saber e como se ela se importasse e ele gostava disso
também.
— Eu estava caçando mais carne, — disse ele e levantou os faisões que ele
caçara.
— Ohhhh, — ela respirou, arregalando os olhos para os pássaros. Ela estendeu
a mão para correr os dedos levemente pelas penas salpicadas e admitiu: — Eu gosto
mais de faisão do que de coelho. Especialmente da maneira como vocês meninos os
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cozinharam, ontem à noite. Qual foi o tempero que você esfregou sobre eles antes de
colocá-los no fogo? Foi ótimo.
Dougall não fazia ideia. Alick tinha temperado os pássaros para cozinhar,
provavelmente com algumas ervas selvagens que ele encontrou na floresta, mas que
tinha sido boas, então ele agora levou os faisões para seu irmão mais novo, dizendo:
— Você terá que perguntar a Alick isso. Foram os seus esforços que você desfrutou.
Murine se virou instável em seu assento, para sorrir para Alick, enquanto ele se
levantava para pegar a caça. — Então você deve me dizer, Alick. — Estava delicioso.
Alick, na verdade, corou com o elogio quando ele pegou os faisões, mas apenas
disse, — Eu vou contar a você mais tarde. É mais provável que se lembre então.
Dougall sorriu ironicamente com as palavras, suspeitando que eram verdadeiras.
Murine, definitivamente, não estava sentindo dor agora. Ele duvidava que ela
lembrasse muito de qualquer coisa deste dia, pela manhã. O pensamento fez com que
ele olhasse para ela e então perguntasse: — Você gostaria de dar outro mergulho
enquanto estivermos aqui?
— Murine pareceu surpresa com a pergunta. — Eu pensei que nós estaríamos a
caminho, uma vez que você retornasse.
— Quando Dougall olhou para Conran questionando, ele encolheu os ombros, —
Eu achei melhor você explicar que nós vamos ficar outra noite.
— Nós vamos? — Murine perguntou e franziu a testa. — Mas...
— Venha, — sugeriu Dougall, pegando-a por baixo do braço e incitando-a a ficar
de pé. — Eu vou explicar em nosso caminho para a cachoeira.
— Eu gosto da cachoeira, — anunciou Murine, aparentemente já esquecendo sua
preocupação de que eles estavam ficando mais uma noite. — É tão bonita.
— Sim, — concordou Dougall, dirigindo-a para longe da fogueira e ignorando os
olhares que seus irmãos lhe davam. Conran olhava sabendo e aprovando, mas Alick e
Geordie estavam olhando para ele com suspeita e preocupação que eram bastante
irritantes. Eles deveriam saber que Murine estava segura com ele. Ele não planejava
prejudicar ou arruinar a moça. No entanto, ocorreu a Dougall que, se Murine não se
lembrasse dos acontecimentos deste dia, ele deveria ser capaz de beijá-la sem medo de
que ela achasse que ele a via como uma prostituta. Dessa forma, ele poderia ver se
eles poderiam se adequar dessa maneira. Isso o ajudaria a decidir se ele deveria se
casar com ela ou não, e isso permitiria que ele fizesse isso de uma maneira que não
machucaria seus sentimentos ou a deixasse se sentindo maltratada. Ele só tinha que
ter cuidado com isso. Até agora, a presença da mulher agitava-o como nenhuma
outra. Se ele descobrisse, como ele suspeitava, que seus beijos o afetavam ainda mais,
ele teria que refrear seus impulsos e não se exceder. Ele não queria forçá-la a se casar
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com ele. Ele só queria um pouco mais de garantia de que ele poderia viver feliz com
ela. Ele também queria ter certeza de que ela não era fria e indiferente nessa área.
Enquanto caçava, Dougall havia reconhecido que Conran estava parcialmente
certo em relação a seus sentimentos por Murine. Ele não diria que já estava meio
apaixonado por ela, mas ele definitivamente gostava e respeitava a mulher. Sua
coragem era admirável, ela parecia inteligente, e quando ela lhes contou sobre a
história de sua família no dia anterior, ele ficou tão fascinado quanto seus irmãos. A
risada dela era cativante, e o sorriso travesso que a tomou, quando ela contou que o
pai matara o primeiro marido da mãe, tinha sido delicioso. Dessa forma, ela era tudo o
que ele poderia querer em uma esposa. Agora ele queria ter certeza de que eles
combinassem da maneira mais física. Que ela não ficaria repugnada pelo ato. Então
ele a beijaria e talvez a acariciasse um pouco, para testar sua resposta e então ele
voltaria rapidamente ao fogo, com ela, para garantir que tudo aquilo acontecesse. Pelo
menos foi o que ele disse a si mesmo, enquanto dirigia Murine pela floresta até a
cachoeira.
— E então ele me jogou!
Dougall piscou e voltou a sintonizar as palavras de Murine. Ela estava
tagarelando alegremente enquanto caminhavam, mas ele se distraira com seus
próprios pensamentos e não tinha a menor ideia do que ela estava falando.
— Quem a jogou em quê? — Ele perguntou, franzindo a testa.
— Dougall Buchanan! — Murine gritou com desânimo e então soltou uma
exclamação de exasperação. — Você não estava me ouvindo, estava?
— Não, — ele admitiu, encontrando a si próprio sorrindo, para ela esquecer sua
atitude. Ela estava apenas malditamente fofa neste momento. Isso o fez perceber o
quanto sua situação tinha afetado sua personalidade e ele queria vê-la sem a
preocupação que pairava sobre ela, como uma nuvem. — Minhas desculpas, eu
estava distraído.
— Hmm. — Ela franziu os lábios e tropeçou em um galho, ficando de pé só
porque ele a segurou. — Bem, eu estava dizendo que sempre gostei de nadar. Eu e
meus irmãos freqüentemente nadávamos no lago em Carmichael. Pelo menos
fazíamos, até que o meu irmão Peter se aborreceu comigo e me jogou no lago. Antes eu
não podia nadar com meus irmãos, eu deveria ser uma pequena lady. Mas quando
Peter me jogou dentro... — Ela fez uma careta. — Eu afundei como uma pedra,
engolindo metade da água do lago, antes que ele percebesse o que tinha feito e
pulasse, para me puxar para fora. Bom, papai decidiu então que era mais importante
eu saber nadar, do que costurar um ponto. Passou por cima da preocupação de

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mamãe e ordenou que meus irmãos me ensinassem a nadar e nós passamos muitas
tardes boas no lago.
Seu sorriso ficou triste ao pensar nos irmãos e Dougall franziu a testa, sabendo
que ela estava pensando em como eles morreram. Para distraí-la, ele perguntou: — E
por que seu irmão ficou tão irritado com você?
— Eu não tenho idéia, — ela assegurou-lhe, nariz no ar, em seguida, sorriu e
admitiu: — Ele alegou que era porque eu peguei o guerreiro de madeira que papai
tinha esculpido para ele e tinha enlameado todo, brincando de bonecas com ele.
— E você fez isso?
— Sim, — ela admitiu com uma risada. — Eu estava fingindo que o guerreiro de
madeira era meu noivo, vindo lutar contra um monstro de lama para salvar minhas
bonecas. — Ela riu e balançou a cabeça. — Eu não acho que Peter conseguiu tirar
toda a lama de seu guerreiro. Ela estava enfiada, até o interior da madeira, em alguns
lugares.
Dougall sorriu, preferindo essa mulher feliz e sorridente a que ele conhecia. Ele
decidiu então fazer o que pudesse para sempre vê-la feliz e rindo.
— Oh, — Murine murmurou quando eles irromperam na clareira. — Eu tinha
esquecido como é bonito aqui.
— Sim, — Dougall concordou, mas não se preocupou em olhar para o cenário.
Seu olhar estava em Murine, enquanto pensava sobre seu motivo para trazê-la para a
clareira. Ele estava decidindo sobre a melhor maneira de se aproximar para beijá-la,
sem alarmá-la, quando percebeu que ela estava puxando seu vestido para cima, para
tirá-lo por sobre sua cabeça. Parecia que, quando cheia da tintura de Rory, a moça
esquecera sua timidez do dia anterior. Embora tenha sido provavelmente o uísque que
produzira esse efeito, ele pensou distraído, ao notar que a camisa dela estava presa no
tecido e subia o suficiente de um lado para revelar a meia lua arredondada de uma
delicada bochecha do traseiro. Com água na boca, Dougall estendeu a mão para pegar
o pano e puxar a camisa de volta ao lugar para esconder a tentação. Ele então tentou
ajudá-la a puxar o vestido por cima da cabeça, quando ela pareceu se emaranhar no
tecido. A mulher estava enrolada como uma bandeira em uma brisa forte, cega pelo
pano em volta da cabeça e levantava os braços, e foi necessário um pouco de esforço
para remover o tecido. Era uma provação que teria sido facilitada se ela pensasse em
desfazer os laços primeiro, ele tinha certeza.
— Pronto! — Ela exclamou com alívio, quando ele a libertou do pano. — Assim é
melhor.
— Virando-se para longe dele, então, ela se moveu ansiosamente para a beira da
água e começou a entrar.
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— Oh! Está frio! Oh! — Ela engasgou, e o fato pareceu fazê-la correr mais
rapidamente para frente. No momento seguinte, sua cabeça desapareceu sob a
superfície da água e Dougall jogou o vestido para o lado e rapidamente tirou o alfinete
para soltar seu tartan, enquanto corria para salvá-la. O tartan caiu na beira da água,
e Dougall estava correndo para a água fria, quando a cabeça dela subiu
repentinamente à superfície em suspiros e reclamações do frio.
Ela não tinha caído na água, ele percebeu, parando, mas submergido na
esperança de se ajustar e se aquecer, mais rapidamente. Ela também se afastou da
cachoeira e não em direção a ela, procurando a água mais profunda para não precisar
se agachar ou se ajoelhar para permanecer submersa.
Dougall considerou voltar para a praia para deixá-la nadar sozinha, mas a água
já estava até a cintura, encharcando o tecido de sua camisa. Havia uma brisa forte
hoje e seria uma espera fria na praia com a roupa molhada e aquele vento, ele pensou.
Na verdade, ele já estava sentindo frio na água. Fazendo uma careta, ele se inclinou
para a frente e agachou-se ligeiramente para que a água atingisse seu pescoço,
esperando aquecer mais rapidamente.
Ele apenas manteria distância, Dougall decidiu, movendo-se para o lado, longe
de Murine, enquanto se afastava mais na água. Beijá-la enquanto ela estava vestida e
na margem era uma coisa, mas beijá-la enquanto ela estava encharcada e vestindo
uma camisa tão fina que ficava transparente na água, era outra completamente
diferente. Um homem tinha apenas algum controle e Dougall não queria testá-lo muito
longe, com essa mulher.
Sabendo que isso o ajudaria a se ajustar à temperatura da água mais
rapidamente, Dougall mergulhou sob a água, subindo vários metros adiante no rio.
Quando ele emergiu novamente um momento depois, um grito agudo atingiu seus
ouvidos e ele piscou os olhos abertos, para ver Murine, a poucos centímetros de
distância, assim que ela começou a bater nele. Ela deve ter se movido em sua direção
sem perceber que ele estava lá, enquanto ele estava sob a superfície e sua aparição
repentina obviamente a assustou. Os olhos da mulher estavam arregalados de choque
e medo e ela estava golpeando-o em pânico.
— Sou eu, — murmurou Dougall, pegando as mãos dela e segurando-as, para
acabar com seu ataque ao rosto.
— Oh. — Murine parou de lutar com seu aperto e olhou para ele com espanto.
— Quando você chegou aqui?
— Eu trouxe você aqui, — ele lembrou-lhe secamente, soltando suas mãos e
recuando, enquanto tirava o cabelo molhado do rosto.

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— Sim, eu sei disso, — disse ela, com um suspiro impaciente. Seus braços se
levantaram instintivamente para cruzar sobre seu peito molhado sob a água e ela se
moveu para trás, colocando um pouco mais de espaço entre eles. — Mas eu pensei
que você ainda estivesse em terra.
— E eu pensei que você estava se debatendo quando você entrou sob a água,
então apressei-me para salvá-la, — ele admitiu secamente.
Por alguma razão, isso pareceu diverti-la e ela inclinou a cabeça e disse: — Para
me salvar de novo, você quer dizer.
Dougall sorriu fracamente e assentiu. — Sim. De novo.
— Saidh estava certa, você é um bom homem Dougall Buchanan, — Murine
disse solenemente. Ele ainda estava pestanejando sobre esse pronunciamento quando
ela sorriu e acrescentou: — Eu nunca imaginei quando Saidh estava me contando
todas aquelas histórias, sobre você e seus irmãos, que um dia eu iria conhecer todos
vocês.
Ela ainda não tinha conhecido todos eles, mas ele não queria que ela pensasse
em Aulay e seus possíveis planos de se casar com o homem, então não apontou isso.
Em vez disso, ele se viu se aproximando dela na água.
— Você está se aquecendo? — Ele perguntou.
Murine franziu o nariz e se abraçou na água. Havia arrepios em seus ombros
acima da superfície da água e ela estava começando a tremer. Ela estava
definitivamente com frio, mas disse: — Um pouco. Está mais frio hoje. Mas ainda está
bom, — acrescentou ela rapidamente, como se temesse que ele sugerisse que saíssem.
Dougall não comentou; ele simplesmente pegou o braço dela debaixo da água e a
puxou para mais perto. Quando seus olhos se arregalaram com algo parecido com
alarme, ele mudou seus planos no meio do movimento e a girou na água, então a
puxou para mais perto de forma que suas costas descansassem contra o peito dele e
seu corpo se apoiasse em conchinha no dele, como quando eles dormiram.
— O que você está fazendo? — Murine perguntou. Sua voz estava um pouco
ofegante, mas ela não estava tentando afastá-lo. Dougall achou isso um bom sinal.
— Tentando aquecê-la um pouco, — ele murmurou, sua voz ficando um pouco
rouca quando o corpo dela deslizou contra o seu na água.
— Oh, — ela respirou e relaxou contra ele, os braços cruzando sobre os dele
quando ele os deslizou em torno de sua cintura, para mantê-la no lugar. Ambos
ficaram em silêncio por um minuto e Murine murmurou: — Isso é legal. Você é muito
quente.
— Sim, — murmurou Dougall, deliberadamente deixando a respiração soprar
contra o ouvido dela e notando sua reação, quando ela estremeceu um pouco e
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inclinou a cabeça ligeiramente, tornando sua orelha mais acessível e mostrando o
pescoço para ele. Incapaz de resistir ao que suspeitava ser uma oferenda inconsciente,
Dougall lhe deu um ligeiro beijo no pescoço, depois outro no lóbulo da orelha e sentiu
Murine tremer nos braços dele, quando sua respiração ficou presa na garganta, num
pequeno suspiro.
— Dougall? — Ela disse incerta, sua voz sem fôlego e rouca. Seu nome nunca
tinha soado tão sexy aos seus ouvidos e Dougall não pôde resistir a mordiscar o lóbulo
que acabara de beijar, sugando-o entre os lábios para morder levemente a pele
carnuda, enquanto seus braços se apertavam ao redor dela, pressionando-a mais
firmemente contra ele, para que seu traseiro se esfregasse contra a crescente dureza
entre eles.
— Oh. — Ela apertou os braços dele para apertar o abraço, enquanto suas
pernas flutuavam para trás e ao redor das dele agora, seus calcanhares cavando na
parte de trás de suas pernas, enquanto ela tentava se aproximar mais ainda.
Quando ele deixou o lóbulo deslizar dos lábios, Murine virou a cabeça inquieta,
buscando, e Dougall atendeu ao pedido inconsciente e cobriu-lhe a boca com a sua.
Era um ângulo estranho e totalmente insatisfatório até que ele soltou seu abraço para
abraçá-la pela cintura e rapidamente virá-la na água. No momento em que ela o
encarou, ele cobriu sua boca novamente, aliviado quando ela não protestou, mas se
abriu para ele como uma flor ao sol, aceitando sua língua quando ele a empurrou para
frente. Ela engasgou e gemeu com a intrusão, mas não o afastou ou tentou impedi-lo.
Em vez disso, ela timidamente agarrou os ombros dele e se pendurou enquanto ele a
ensinava a beijar. Era óbvio que ela tinha pouca experiência, mas ela era uma
aprendiz rápida e o que começou como um beijo indagador, rapidamente se
transformou em um abraço apaixonado. Dougall soltou sua cintura para pegar um
dos seios, apertando-o enquanto ele explorava sua boca, mas o tecido úmido o estava
cobrindo. Rosnando em sua garganta, ele a soltou completamente para poder puxar o
material, tentando tirá-lo do caminho. Afinal, ele teve que empurrar o tecido agarrado
para cima para chegar aos seios dela. No momento em que ele fez isso, ele
interrompeu o beijo e recuou um pouco para observar a recompensa que ele havia
revelado.
Respirando ofegante, Murine teve que apertar seus ombros com mais força e
envolver as pernas em torno de seus quadris para manter a posição em que ele a tinha
levantado, mas Dougall mal notou, enquanto ele olhava para os seios macios e doces
dela. Murmurando a palavra linda, ele abaixou a cabeça para reivindicar um mamilo
rosado, sugando o broto duro e frio em sua boca, para aquecê-lo com a língua.

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Murine gritou e investiu contra ele com a carícia, a ação esfregando seu núcleo
quente sobre sua ereção na água aquecida e Dougall gemeu, então levantou sua
camisa molhada para agarrar sua bunda e empurrá-la para cima e para baixo contra
seu comprimento novamente. O tecido úmido caiu imediatamente para cobrir sua
cabeça, mas Dougall não se importou. Ele sugou avidamente seu mamilo, girando sua
língua sobre o broto enquanto ele a erguia e abaixava ao longo de seu comprimento,
deixando os dois loucos com a carícia íntima, até que Murine tirou o pano de sua
cabeça e puxou seu cabelo e uma orelha exigindo.
Soltando o mamilo, ele levantou a cabeça para atender o pedido e reclamou sua
boca novamente. Desta vez, entretanto, ela ficou menos aquiescente no beijo, sua
própria língua deslizando ansiosamente para encontrar a dele, antes que ela
começasse a sugar sua língua, pequenos gemidos de excitação escorregando de sua
garganta enquanto ela o fazia.
Dougall não podia dizer se eram os sons excitados dela ou o fato de que ela
estava sugando a língua dele e isso o fazia imaginá-la sugando outra coisa, mas seu
nível de excitação aumentou bruscamente e ele respondeu com entusiasmo,
levantando seu traseiro um pouco mais alto do que ele pensara. Sua ereção soltou-se
entre eles com a ação, avançou e atingiu seu osso pélvico com força, quando ele a
trouxe para baixo novamente.
O movimento não foi tão doloroso quanto foi chocante. Isso o fez perceber o quão
imprudente ele estava sendo. Ela não estava usando nada além da camisa, sua barra
agora flutuando na água ao redor deles, junto com a parte de baixo de sua camisa.
Não havia nada para bloquear o caminho. Um deslize e ele poderia tomar sua
inocência sem ter a intenção de fazê-lo, ele pensou e congelou, segurando-a ainda com
a parte inferior do corpo um pouco longe do dele.
— Dougall, — Murine gemeu em protesto, quando ele interrompeu o beijo. Ela
tentou se mover contra ele novamente, mas ele a segurou parada, tentando recuperar
o fôlego e recuperar o controle de si mesmo.
— Silêncio, — ele murmurou e virou-se rapidamente para a praia, com a
intenção de tirá-los da água e afastá-la dele. Ele percebeu que idéia idiota era, quando
a água de apoio caiu e ela, provavelmente com medo dele deixá-la cair, apertou as
pernas para se manter em pé. Dougall parou de andar e baixou a cabeça para o peito
com um gemido, quando seu corpo deslizou contra o dele novamente.
Isso realmente tinha sido uma má ideia, ele reconheceu e respirou fundo
algumas vezes, antes de dizer: — Eu estou indo deixar você no chão, moça.
— Mas eu não quero, — ela protestou. — Isso é bom. Eu gosto disso.

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As palavras fizeram a determinação dele vacilar. Se não fosse pelo jeito que ela
arrastava suas palavras, ele poderia tê-la tomado imediatamente. No entanto, houve
uma lentidão definitiva em suas palavras. Murine não estava em condições de pensar
claramente sobre isso. Ele tinha que pensar por ambos, e enquanto ele praticamente
decidia que ia se casar com Lady Murine Carmichael e se deitar com ela, bem e
repetidamente, ele não a teria acordando pela manhã e acusando-o de tratá-la como a
prostituta em que seu irmão tentou transformá-la.
— Eu também gosto, moça, mas...
— Então por que você está parando? Fiz algo de errado? Diga-me o que fazer e
eu vou... — Suas palavras morreram em um suspiro, quando ele de repente a deixou
cair na água. Foi uma tentativa desesperada de salvar os dois. Ela era um pequeno
pacote saboroso e Dougall não podia lutar contra ele e contra ela também.
Deixando-a cair de costas na água rasa, ele se moveu rapidamente de volta à
praia, pegou o tartan, estendeu-o e ajoelhou-se para começar a dobrá-lo, de costas
para a água. Ele não fez mais do que olhar por cima do ombro uma vez, para ter
certeza de que ela saíra da água com segurança, mas imediatamente voltou toda a sua
atenção para a frente. Isso lhe daria tempo para se vestir e depois escoltá-la de volta
ao acampamento... e então ele não se permitiria ficar sozinho com ela, até que
chegassem a Buchanan e estivessem casados, em segurança. Ele não queria que ela
pensasse que ele a via através dos olhos do irmão dela.

Murine saiu da água e colocou os braços ao redor de si mesma, enquanto olhava


incerta para as costas duras de Dougall, onde ele se ajoelhara prendendo seu tartan.
Ela não sabia o que fazer. Tudo parecia tão maravilhoso para ela, mas agora ele
parecia irritado e ela não sabia o que fazer para consertar isso. Ela supôs que tinha se
portado mal. Na verdade, ela supôs que tivesse agido como uma prostituta tanto
quanto seu irmão poderia querer e Dougall provavelmente pensara...
Fechando os olhos, ela se virou para a água, sua mente repentinamente repleta
de pensamentos. Deus querido, Dougall provavelmente pensou que ela fosse pouco
mais que uma prostituta. Ele provavelmente pensou que ela se vendia a cada
momento pelo ganho de Montrose. Não é de admirar que ele a tenha deixado, com
desgosto.
Olhando ao redor, ela viu seu vestido onde ela o tinha deixado cair, antes de
entrar na água. Murine se apressou e agarrou-o, depois hesitou. Ela não podia colocá-
lo sobre a camisa molhada, mas estava ficando sóbria rapidamente e não conseguia se
despir aqui. Na verdade, ela estava subitamente desesperada para escapar de Dougall
e do desgosto que ela tinha certeza de ver em seus olhos.
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Ela se apressaria a voltar para o acampamento sozinha, trocar-se na cobertura
das árvores ou atrás dos cavalos e de seu touro, então deitar-se e fingir que estava
dormindo quando Dougall voltasse ao acampamento. E então ela iria evitá-lo pelo
resto da viagem, ela pensou, quando o deixou trabalhando sobre o seu tartan e saiu
da clareira.
Murine não sabia o que ela faria na manhã seguinte, continuaria para
MacDonnell para falar com Saidh, ela supôs. Embora ela começasse a se perguntar se
deveria se incomodar. Talvez ela devesse ir direto para uma abadia e ver se eles a
pegariam sem dote. Certamente não era provável que se casasse. Sua breve
consideração de se oferecer em casamento para Aulay era agora impossível. Ela
dificilmente podia se casar com ele depois do que tinha feito com Dougall. Não que
Aulay fosse querer casar-se com ela, uma vez que Dougall contasse a ele sobre sua
moral dúbia, de qualquer maneira.
Mas a possibilidade de se casar com qualquer outra pessoa também não parecia
viável. Para deixar que outra pessoa, qualquer outra pessoa, fizesse com ela as coisas
que Dougall fizera — Murine sacudiu a cabeça brevemente. Ela não podia acreditar
que o deixara fazer essas coisas. Tudo parecia...
Murine fez uma careta, seus dedos se contorcendo no tecido de seu vestido,
enquanto caminhava. Ela queria pensar que tudo parecia normal e natural, mas a
verdade é que ela não estava pensando nada. Sua mente tinha sido consumida pelas
sensações que ele havia despertado nela e pela crescente necessidade que parecia
surgir do nada. Tudo o que ela estava consciente era a paixão que a sobrecarregava.
Foi só agora, quando ele não estava beijando-a e acariciando, que ela estava pensando
em tudo, e agora o fogo e o desejo que a reclamaram pareciam de alguma forma sujos
e baratos. Murine soltou um suspiro trêmulo ao reconhecer isso, então olhou em volta
bruscamente quando um galho se quebrou atrás dela. Dougall devia ter terminado
com seu tartan e ido atrás dela. Determinada a evitá-lo, ela começou a correr e não
diminuiu a marcha até que ela saísse junto aos cavalos, na beira do acampamento
deles. Ao avistar os homens sentados, conversando e rindo junto à lareira onde os
faisões estavam assando, Murine deslizou entre os cavalos até que eles fizeram uma
cortina entre ela e o acampamento, então rapidamente tirou a camisa e colocou o
vestido. Deixando a camisa para secar sobre um galho, ela então endireitou os ombros
e saiu do meio dos cavalos. Todos os homens ficaram em silêncio quando ela se
aproximou. Foi Conran quem, depois de estudar sua expressão, perguntou: — Está
tudo bem, moça?
Murine forçou um sorriso. — Bem. Eu simplesmente não me sinto bem. Eu
acho que preciso deitar.
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— Oh, — disse Conran suavemente, mas estava preocupado agora. Não
querendo sua preocupação ou gentileza, Murine não disse mais nada, mas
simplesmente se deitou e fechou os olhos para começar a fingir dormir como ela tinha
planejado.

— Você está pronta, moça? — Dougall perguntou, tentando não parecer


impaciente. Ele terminara de vestir o seu tartan há alguns instantes, mas
simplesmente cruzou os braços, de costas para Murine, para permitir sua privacidade.
Ele esperava que ela tirasse a camisa, vestisse o vestido e depois lhe desse alguma
indicação de que ela estava decente e pronta para ir, mas ela parecia estar
demorando. E ela não estava respondendo a sua pergunta. Franzindo a testa, ele
mudou de posição e disse: — Murine?
Ele não esperou mais do que um batimento cardíaco por uma resposta, antes de
se virar. Seu olhar deslizou sobre a clareira vazia com descrença, e então ele
praguejou e caminhou para a floresta, indo para o acampamento correndo. Ele estava
no meio do caminho quando viu o movimento à frente. Ele quase gritou para Murine,
mas não o fez e apenas aumentou seu ritmo. Quando a figura que ele seguia
subitamente explodiu numa corrida, ele pensou que ela deveria ter ouvido a
aproximação dele e também irrompeu correndo, para dar perseguição.
Eles estavam quase no acampamento quando ela de repente desviou para a
esquerda e foi correndo para longe. Dougall automaticamente a seguiu, franzindo a
testa quando ele o fez. Para onde diabos ela estava indo? Com sua tendência a
desmaiar, a maldita mulher nem deveria ter voltado para o acampamento por conta
própria, quanto mais ir para a floresta sozinha...
Dougall afastou esse pensamento e concentrou-se em ganhar velocidade. Ele não
esperava que ela colocasse muito esforço em sua corrida, por isso estava relaxando até
então, esperando que ela parasse rapidamente. Mas ela não tinha parado e a distância
entre eles havia crescido. Ele a perderia se ele não...
Mesmo quando pensava isso, a figura distante diante dele se esquivou de uma
grande árvore e desapareceu de vista. Dougall acelerou quando ouviu um cavalo
relinchando em saudação. Ele foi seguido, um segundo mais tarde, pelo inconfundível
tambor de cascos de cavalo se afastando. No momento em que Dougall o alcançou e
correu ao redor da árvore, não havia nada para ver a não ser um par de pegadas no
chão.
Praguejando, ele girou e correu de volta para o acampamento, sua mente
tentando descobrir como e quando Murine conseguira roubar um dos cavalos para

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esta finalidade, e por que ela fugiria. Se ela estava chateada com o que havia
acontecido entre eles na cachoeira...
Bem, com certeza, ele colocaria um fim ao que estava acontecendo, provando que
suas intenções eram honradas para com ela e ela não tinha nada a temer? Ele
pensou. Além disso, o cavalo já estava esperando por ela lá, o que significava que ela
deveria ter planejado fugir antes mesmo de terem ido para a clareira. O que diabo
era...
Seus pensamentos e passos pararam quando ele chegou à clareira e viu Murine
aparentemente dormindo perto do fogo.
— Dougall?
Ele forçou o olhar para longe de Murine e olhou para Conran. Sua confusão deve
ter aparecido em sua expressão, no entanto, porque seu irmão franziu a testa e se
levantou para se juntar a ele na beira do acampamento, onde ele parara tão
abruptamente.
— Há algo de errado? — perguntou Conran, olhando para Murine.
— Há quanto tempo ela está aqui? — Ele perguntou, em vez de responder à
pergunta.
Conran levantou uma sobrancelha e virou-se para olhar para Murine. — Não
muito. Alguns minutos talvez. Por quê?
— Ela... eu pensei... — Sua voz morreu quando seu olhar voltou-se para Murine
e ele viu o vestido amarelo brilhante que ela usava. O mesmo vestido amarelo que ela
usava na cachoeira. Ela trocou seu vestido rasgado por este, enquanto ele estava
caçando faisão mais cedo, ele lembrou. Mas a figura que ele estava perseguindo na
floresta estava vestida com roupas escuras. Não tinha sido Murine afinal. A
compreensão fez com que ele franzisse a testa. Quem ele estava seguindo na floresta?
E se Murine estivesse de volta apenas alguns momentos, ela não poderia estar muito à
frente da pessoa que ele estava seguindo. O indivíduo a seguiu?
— Você pensou o que? — Conran insitiu quando ele não continuou.
Dougall respirou fundo e sacudiu a cabeça. O que ele achava não importava, mas
o incomodava que alguém estivesse tão perto do acampamento deles. Alguém com um
cavalo amarrado longe o suficiente para não ser detectado por ninguém no grupo, mas
perto o suficiente para alcançá-lo rapidamente, se necessário. Dougall havia aprendido
há muito tempo a ouvir seus instintos e eles gritavam com ele naquele momento. Eles
estavam lembrando-o da série de mortes na família de Murine, nos últimos três anos,
e que quando ela se feriu pela última vez, alegou que algo havia atingido sua cabeça
quando ela se virou. Eles todos assumiram que ela estava confusa, depois de desmaiar

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e bater a cabeça, mas ela insistiu que ela não tinha desmaiado. E se ela não tivesse? E
se ela tivesse sido atingida?
— Arrume-se, — ele ordenou abruptamente. — Continuamos para Buchanan.
— A esta hora? — Perguntou Conran, surpreso, seguindo quando Dougall
caminhava em direção aos cavalos. — O dia está meio terminado. Não chegaríamos a
Buchanan até tarde da noite. Talvez não até a manhã, se não houver lua e formos
forçados a nos mover em uma caminhada depois do sol se por. Dougall parou,
apertando a boca ao reconsiderar. Seria uma jornada muito mais longa e árdua se eles
fossem embora agora, em vez de esperar pela manhã. Por outro lado, o cabelo na nuca
estava praticamente rastejando de alerta. Ele tinha um mau pressentimento de que
algo estava errado e que eles precisavam colocar Murine atrás da segurança das
muralhas de Buchanan, o mais rápido possível. Deixando escapar o fôlego, olhou para
Murine, depois pegou o cotovelo de Conran para levá-lo em direção aos cavalos. Ele
não queria explicar em nenhum lugar que Murine pudesse ouvir. Ele estava
determinado a vê-la feliz e sorridente, não preocupada e cheia de medo. Ele se
preocuparia por ela.

Murine ouviu as vozes dos homens desaparecerem, quando se afastaram e


engoliu em seco miseravelmente. Parecia que Dougall estava tão enojado com o
comportamento dela que ele não podia esperar para levá-la para Buchanan e parar de
aborrecê-lo. Sem dúvida, uma vez lá, ele a entregaria para Aulay para providenciar
uma escolta para ela para MacDonnell... depois de dizer a ele como ela se comportou,
é claro. Provavelmente foi por isso que ele arrastou Conran para contar a ele agora, ela
se irritou. E Conran, por sua vez, sem dúvida diria a Geordie e Alick, ela pensou
infeliz. Como ela poderia enfrentar qualquer um deles, uma vez que todos sabiam que
ela agiu tão barato quanto seu irmão a retratou?
A vergonha se retorceu através dela, ela abriu os olhos apenas o tempo suficiente
para lançar um olhar rápido e furtivo em direção aos dois homens ainda sentados
perto do fogo, antes de fechá-los novamente. Murine gostava de Geordie e Alick. Ela
gostava de todos eles e já estava se contorcendo com a idéia de sua condenação, uma
vez que eles soubessem o quão livre ela poderia ser.
Talvez ela devesse simplesmente pegar Henry e ir embora, pensou Murine. Não
poderia ser tão longe para MacDonnell daqui. Um passeio de um dia para chegar a
Buchanan e meio dia para continuar até MacDonnell, disseram os homens.
Certamente, se ela continuasse na direção que eles estavam indo, ela encontraria seu
caminho até lá?

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Murine fez uma careta. Ela tinha um péssimo senso de direção. Além disso, ela
não estava prestando atenção para onde eles estavam indo antes disso. Ela não
achava que precisaria. Na verdade, ela supôs que não precisava agora. Os homens
haviam prometido vê-la em segurança com a irmã, e ela tinha certeza de que podia
confiar nisto. Isso só significava que ela teria que sofrer a vergonha de sua censura
pelo resto da jornada.
— Murine?
Reconhecendo a voz de Conran, Murine endureceu e forçou os olhos a se abrirem
para encontrá-lo agachado ao lado dela. Sua expressão não continha nem censura
nem nojo, mas havia uma certa tensão nele que não existia antes.
— É melhor você se levantar e se preparar. Estamos indo embora — disse
Conran, em voz baixa.
Murine pensou em perguntar por que, mas estava com medo de não gostar da
resposta, ou que ele evitasse os olhos dela e dissesse uma mentira educada. Em vez
disso, ela apenas balançou a cabeça solenemente e sentou-se, notando que Dougall
estava falando baixinho com Geordie e Alick, perto do fogo. Para seu alívio, Conran a
distraiu, oferecendo uma mão para ajudá-la a se levantar.
─ Você precisa cuidar de assuntos pessoais antes de irmos? ─ Conran
perguntou, uma vez que ela estava de pé.
Murine sacudiu a cabeça silenciosamente.
— Tudo bem, tudo bem, — disse ele e, em seguida, olhou ao redor, enquanto os
outros homens se moviam em direção aos cavalos. Ele ofereceu um sorriso torto. —
Você vai estar montando comigo, desta vez.
Murine teve que trabalhar duro para não vacilar. Ela não deveria se surpreender
que Dougall não a quisesse mais em seu cavalo, mas ainda doía. Levantando o queixo,
ela disse rigidamente: — Eu vou montar Henry, obrigado.
— Você vai andar com Conran.
Murine endureceu, mas não olhou para a voz de Dougall. — Eu...
— Temos que andar rápido enquanto ainda há luz. Sua vaca é lenta e você só vai
atrasá-lo ainda mais, com seu peso. Você vai cavalgar com Conran até o anoitecer. —
Ele fez uma breve pausa e depois acrescentou: — Você pode montar a égua depois
disso, se você insistir em andar sozinha. Vamos ter que andar devagar mesmo assim.
— A égua? — ela perguntou, surpresa ao olhar para ele.
Dougall assentiu e ofereceu um sorriso apertado. — Ela é sua agora.
Murine apenas olhou para ele, quando uma corrente começou a encher seus
ouvidos. Seu irmão ofereceu seus serviços em troca de ambos os cavalos. Parecia que,
apesar de Dougall não ter realmente violado sua virgindade, o pequeno encontro deles
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na cachoeira lhe rendera a égua. Ou talvez fosse simplesmente uma entrada e ele
esperasse mais dela pelo animal. Antes que ela pudesse recusar o cavalo ou dizer
qualquer coisa, Dougall se virou para ir ao fogo e rapidamente começou a apagá-lo.
— Você está bem? Algo está errado? — perguntou Conran, parecendo
genuinamente preocupado.
Murine balançou a cabeça rigidamente e permitiu que ele a levasse para os
cavalos, lembrando-se de que ela havia trazido tudo isso para si mesma.

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Capítulo 8

— Diga-nos como é possível viajar para Sinclair, para encontrar um possível


marido e ainda assim terminar boa amiga das outras moças que estavam lá, com o
mesmo propósito.
Essa pergunta de Geordie fez Dougall olhar para onde Murine estava sentada
no colo de Conran, mas ele rapidamente desviou o olhar. Ele não gostava de vê-la tão
confortável com seu irmão, e se ele não desconfiasse de si mesmo de não se comportar
de forma inadequada, ela não estaria lá. Mas depois de seu lapso na cachoeira,
parecia melhor evitar ficar muito perto de Murine, até que ele pudesse fazê-la sua.
Então ela cavalgara com Conran... e isso estava deixando-o louco.
— Sim, na verdade elas deveriam ter sido suas adversárias, — Alick colocou
agora. — E, no entanto, o grupo de vocês acabou sendo amigas e até da própria
noiva. — Ele balançou a cabeça. — Parece muito improvável.
— Eu não as vi como oponentes, — Murine disse calmamente e o som de sua
voz atraiu o olhar de Dougall para ela. Foi a primeira vez que ela respondeu, com mais
de uma palavra, aos esforços de seus irmãos para atraí-la. Murine estava
estranhamente quieta durante as últimas duas horas, desde que haviam
desmanchado o acampamento. Um fato que seus irmãos obviamente notaram e
tentaram corrigir, com perguntas e comentários constantes. Parecia que eles estavam
finalmente fazendo algum progresso.
— Como você podia não as ver como adversárias? — Alick perguntou, com
consternação exagerada. — Vocês todas estavam disputando a atenção do mesmo
homem.
— Não houve competições, — ela disse secamente. — Ele já estava casado
quando chegou.
— Sim. Deve ter sido um choque e desapontamento para todas as meninas,
quando o Sinclair chegou com uma esposa a reboque, — comentou Geordie.
— Foi uma surpresa, sim, mas não uma decepção, — Murine assegurou. —
Quando vi todas as moças lá, não esperava que ele me escolhesse, de qualquer
maneira.
Dougall franziu a testa e olhou para Murine com aquele comentário. A mulher
obviamente se desvalorizava, se achava que isso era verdade. Qualquer homem com
olhos na cabeça teria sido atraído por ela, mas foi Alick quem soltou um grunhido
indignado e disse: — Que bobagem! Se ele já não fosse casado com lady Joan, tenho

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certeza de que ele se casaria com você. Na verdade, ele sem dúvida se arrependeu de
se casar com a moça inglesa, assim que a conheceu.
Murine sorriu torto com a alegação e apontou: — Sua irmã era uma das
mulheres lá.
— Oh. Sim. — Alick franziu a testa, provavelmente preocupado que Saidh
pudesse ficar sabendo de seus comentários, pensou Dougall, divertido. Ainda assim,
seu irmão mais novo se endireitou na sela e arriscou a ira de Saidh, dizendo: — Mas
eu escolheria você mais que Saidh, de qualquer maneira.
— É claro que sim, ela é sua irmã, — Murine afirmou secamente. — No
entanto, você não viu as outras mulheres lá conosco. Havia garotas muito mais
bonitas do que eu lá. — Antes que qualquer um dos homens pudesse
protestar, ela acrescentou: — Lembre-se, nem todas elas eram tão bonitas na
personalidade quanto eram na aparência.
— Como aquela que tentou matar Saidh e Lady Joan? — Geordie sugeriu
secamente. — Pelo que Saidh disse, ela era uma cadela terrível.
— Eu não gosto desse termo. No entanto, neste caso, eu teria que concordar.
Ela era uma cadela horrível — disse Murine, e os irmãos de Dougall riram.
— Eu posso entender que você e Saidh se tornassem amigas, mas parece que
você também se tornou amiga da esposa de Sinclair — comentou Conran, quando a
risada desapareceu.
─ Você esqueceu Edith. Ela também é uma boa amiga agora, — ressaltou
Murine e continuou: — Quanto a Jo... — Ela hesitou e então encolheu os ombros
impotente. — Não poderíamos evitar. Jo é adorável e inteligente e encantadora e muito
generosa. Por essa razão, vocês sabem, seu tio lhe deu um monte de tecidos como
presente de casamento e ela deixou que todas nós escolhêssemos, entre eles, material
para nossos próprios vestidos. E isso apesar de que, todas nós chegamos lá na
esperança de conquistar o marido dela. Murine balançou a cabeça, aparentemente se
maravilhando com isso, e então parou e levantou a mão para a ferida em sua têmpora,
como se a ação tivesse feito isso pulsar.
— Sua cabeça está incomodando de novo, moça? — Conran perguntou, antes
que Dougall pudesse.
— Não, eu estou bem, — Murine disse com um sorriso forçado, deixando que
sua mão caísse de sua cabeça.
A mulher não podia mentir pior, Dougall decidiu. Parecia óbvio que a tintura
que Alick lhe dera estava acabando o efeito. Na verdade, ele suspeitava que
provavelmente já tivesse acabado horas atrás. Isso poderia explicar seu estranho
silêncio durante a primeira parte do caminho, ele pensou.
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Franzindo a testa com preocupação agora, Dougall olhou ao longo da trilha à
frente, registrando brevemente onde eles estavam e o que estava ao longo do caminho
entre ali e Buchanan. Eles tinham saído tão tarde que ele tinha planejado comerem a
ceia na sela, enquanto cavalgavam, mas ele não queria Murine com dor. Se eles
parassem para comer a refeição da noite, Alick poderia misturar um pouco mais
daquela tintura que Rory lhe dera e então eles poderiam continuar seu caminho,
depois que Murine a tivesse tomado e ganhado algum alívio.
— Há um lindo prado de flores silvestres à nossa frente, — anunciou Conran e
quando Dougall olhou para ele interrogativo, ele acrescentou: — Se você está
procurando um lugar para parar e comer, eu quero dizer. Há um belo riacho ao lado
da campina para os cavalos beberem também. Dougall assentiu, mas depois estreitou
os olhos quando notou o sorriso de solidariedade que se espalhava no rosto de seu
irmão. Antes que Dougall pudesse refletir mais profundamente, Murine virou-se
bruscamente para que pudesse olhar para ele e Conran.
— Parar? — Ela perguntou, com alarme. — Não! Você disse que seria bem tarde
quando chegássemos a Buchanan. Parar apenas nos atrasaria ainda mais.
— Sim, mas sua cabeça está doendo — ele disse rispidamente. — Você precisa
de outra das tinturas de Alick.
— Murine pareceu brevemente em dúvida, mas então balançou a cabeça,
estremecendo ao mesmo tempo que o fez. O pequeno movimento obviamente a
machucou, mas sua expressão permaneceu firme quando ela disse: — Não. Eu vou
ficar bem. Eu posso ter mais tintura quando chegarmos a Buchanan. Eu vou
sobreviver até então.
Antes que Dougall pudesse responder, Alick chegou sua montaria mais perto e
disse: — Não há necessidade de esperar. Eu temia que você precisasse de mais
quando Dougall nos disse que estávamos saindo, afinal eu fiz um lote inteiro de
tintura, caso precisasse. Aqui está.
— Obrigada, Alick — murmurou Murine, sorrindo de alívio. Foi o primeiro
sorriso que ela deu desde a cachoeira, e foi dirigido com firmeza para seu irmão mais
novo, observou com desagrado Dougall, enquanto olhava Murine alcançar o couro com
a tintura. Ela quase despencou para fora do colo de Conran com a ação, mas Conran
a pegou pela cintura, para salvá-la do tombo. Enquanto Dougall apreciava, ele não
podia impedir o modo como todo o seu corpo ficou tenso em reação. Também não
podia deixar de sentir que queria socar seu irmão com força. Ele não gostava de ver as
mãos de outro homem na mulher. Até mesmo do seu irmão.
E isso não foi uma reveladora maldita reação? Dougall fez uma careta quando
esse pensamento deslizou por sua mente. Ele não precisava de nenhuma prova de que
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ele se importava com a mulher e estava com ciúmes de qualquer atenção que seus
irmãos lhe dessem. Ele já havia decidido se casar com a moça. Não havia mais provas
que pudessem ser tão convincentes quanto isso, certo?
Balançando a cabeça para si mesmo, Dougall observou Murine recostar-se nos
braços de Conran com o couro com a tintura que Alick lhe dera. Ela foi rápida
abrindo-a e levantando-a aos lábios, e então, ansiosamente, engoliu. Isso mais do que
qualquer coisa lhe dizia o quanto sua cabeça estava doendo. Também fez com que ele
olhasse para Alick e perguntasse com preocupação: — Ela deveria tomar tanto de
uma só vez?
— Oh, está tudo bem, — Alick assegurou alegremente. — Não há nada nisso
que possa prejudicá-la. Bem, exceto pelo uísque talvez. Ela não gostaria de tomar tudo
de uma vez só, mas se beber durante todo o caminho, ela deve ficar bem. — Quando
Dougall levantou uma sobrancelha duvidosa, ele encolheu os ombros e acrescentou:
— Bem, meio doida, mas bem por outro lado.
Sacudindo a cabeça, Dougall olhou de volta para Murine, aliviado quando ela
abaixou o couro com um pequeno suspiro de desapontamento. Ele suspeitava que ela
esperava que a tintura tivesse efeito imediato. Conran deve ter pensado a mesma
coisa, porque ele lembrou-lhe gentilmente: — Demorou cerca de meia hora para
começar a aliviar a dor, quando Alick deu a você antes.
— Sim, — Murine concordou com um suspiro. Os lábios torcendo-se
ironicamente, ela então admitiu: — Mas eu estava esperando que se eu tomasse o
dobro, poderia funcionar duas vezes mais rápido.
Isso surpreendeu um pequeno riso de Conran, mas ele balançou a cabeça com
esse raciocínio. — Eu não acho que funcione assim.
— Não, — ela concordou, parecendo triste.
Sorrindo com simpatia, ele sugeriu: — Por que você não se acomoda contra
mim e descansa um pouco?
Murine olhou para ele, incerta por um momento, parecendo tentada pela oferta,
mas então ela apenas balançou a cabeça e levou o couro aos lábios, novamente.
A boca de Dougall se apertou com a conversa, mas ele permaneceu em silêncio
e simplesmente observou Murine, enquanto ela continuava engolindo o líquido. Ela
era uma coisinha determinada. Ele sabia, por experiência própria, que as tinturas de
Rory eram as criações de degustação mais horríveis possíveis e, a julgar pela
expressão dela, essa não era exceção. Mas ela continuou, aparentemente determinada
a absorver o máximo possível que conseguisse da tintura.
Relembrando o quanto ela tinha sido afetada mais cedo e como ela havia
soltado suas inibições na cachoeira, Dougall se sentiu grato por ela não estar andando
Amando um Highlander – Lynsay Sands
com ele. Pelo menos, foi o que ele disse a si mesmo, mas ele não pôde deixar de notar
que quanto mais ela bebia, mais ela parecia cair contra Conran. E quanto mais ela
fazia isso, mais forte os dentes de Dougall se juntavam. Não era que Dougall não
confiasse em Conran com Murine, mas ele ainda não gostava que Murine estivesse tão
perto dele.
Seus pensamentos se interromperam quando Murine ofegou quando quase
derrubou o couro. Conran o pegou, mas quando ela falou um arrastado “obrigada” e
estendeu a mão para pegá-lo, Dougall se inclinou e tirou-o da mão de seu irmão.
— Ei, — Murine protestou.
— Você já teve o suficiente, — disse Dougall, enquanto tampava o couro. Ele
então o jogou de volta para Alick, antes de retornar seu olhar para ela, suas
sobrancelhas subindo quando ele viu que ao invés de olhar para ele com
aborrecimento, por suas ações arbitrárias, ela despencou contra Conran e já estava
caindo no sono.
Dougall olhou para ela com uma carranca, depois olhou para Alick. — O que
diabos tem nessa tintura?
— Um pouco de bardana, coentro e tussílago para afastar a febre, camomila
para dor de cabeça, valeriana, mil-em-rama e alguma verbena para a dor. — Ele
encolheu os ombros. — Rory mencionou algumas outras coisas que eu não consigo
lembrar.
— E o uísque? — Dougall sugeriu.
— Oh, não, eu só derramei a mistura no uísque para cobrir o sabor. É uma
mistura horrível, — Alick disse com uma careta. Animando-se, ele acrescentou: —
Mas parece ter ajudado com a dor também.
Dougall revirou os olhos e voltou a olhar para Murine. Ela parecia ter
adormecido nos braços de Conran. O uísque provavelmente estava por trás disso, ele
pensou, e sim, ela parecia não sentir dor agora, mas ele suspeitava que o uísque lhe
causaria alguma dor depois.
Suspirando, ele se estendeu para puxá-la do colo de Conran para o seu, em
seguida levou um momento para ajustá-la para que seu lado estivesse contra o peito e
ele pudesse ver melhor seu rosto. Dessa forma, ele saberia quando ela acordasse.
Dougall sabia que Conran o observava em silêncio, mas não retornou o olhar
nem explicou suas ações. Foi ele quem pediu a Conran que a levasse em seu próprio
cavalo, em primeiro lugar. Ele podia agora decidir que ela estava melhor com ele, se
ele quisesse. Além disso, ele já havia dito a Conran sobre sua decisão de se casar com
Murine. Ela era sua agora, então ignorando o olhar questionador de seu irmão, ele
simplesmente apressou seu cavalo para um passo mais rápido, determinado a cobrir o
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máximo de terreno possível, antes que o sol se pusesse e a escuridão tornasse o
caminho mais traiçoeiro e os forçasse a desacelerar.
Murine se sacudiu acordando, respirando fundo quando foi socada
violentamente nas costas. Ela girou então para espiar, por cima do ombro, para ver
quem a havia atingido, e então olhou com confusão para Conran Buchanan. A última
coisa que ela sabia é que ela estava cavalgando com o homem, mas agora ela estava
sentada de lado com...
Ela se virou para olhar para o homem que atualmente tinha um braço ao redor
de suas costas e se viu piscando para Dougall. Como ela acabou cavalgando com ele
de novo? Murine se perguntava sobre isso, depois olhou de novo para o rugido de
Conran. O homem estava olhando para frente, quando ela olhou pela primeira vez,
mas seu movimento deve ter atraído o olhar dele. Ele agora estava olhando para as
costas dela, com algo parecido com horror. Murine abaixou o olhar e vislumbrou as
penas de uma flecha, que parecia se projetar da parte inferior de suas costas e então
Conran soltou um alerta.
O som pegou o ouvido de Dougall e ele, automaticamente, começou a
desacelerar para olhar em volta. No momento em que o fez, Conran berrou: — Mais
rápido, Dougall, mais rápido! Estamos sob ataque!
Ele seguiu em frente, inclinando-se para bater firmemente no garanhão de
Dougall no traseiro e a fera imediatamente explodiu em uma carga que fez Dougall
praguejar e tomar um aperto mais firme nas rédeas. Seus braços automaticamente se
apertaram ao redor dela, quando ele o fez e a ação deve ter cutucado a flecha nas
costas dela, porque a dormência estranha que havia se seguido à sensação de punção,
subitamente deu lugar a uma dor lancinante.
Chorando, Murine agarrou a camisa de linho e o tartan de Dougall, usando seu
aperto para se recompor e tentar mudar para uma posição que pudesse aliviar a dor.
Não havia tal posição, no entanto. Ou, se houvesse, ela não conseguia encontrá-la, e
desistiu da tarefa para simplesmente enterrar o rosto, no pano em seu peito, tentando
abafar o grito que estava tentando sair da garganta dela. Ela ficou assim por vários
minutos, antes de perceber que o tambor dos cascos dos cavalos em volta dela tinha
se tornado uma batida em staccato.
Erguendo a cabeça, Murine viu que era madrugada e eles estavam atravessando
uma ponte levadiça. Torcendo a cabeça para espiar à frente deles, ela vislumbrou as
paredes fortificadas de um castelo, assim que eles passaram por elas, e um pátio.
Buchanan, ela pensou com alívio. Ela devia ter dormido durante a melhor parte
do percurso. Murine virou o rosto para o peito de Dougall e enterrou-o novamente.

Amando um Highlander – Lynsay Sands


Embora ela estivesse aliviada por ter chegado, isso não melhorava a dor que queimava
nas costas dela. Isso significava que poderia ser atendida em breve.
Murine fez uma careta ao pensar, sabendo que sofreria muito mais dor quando
tentassem remover a flecha, antes que ela conseguisse algum alívio... e ela ainda
estava acordada. Onde estava seu hábito de desmaiar, quando seria útil? Ela se
perguntou e então levantou a cabeça para olhar de novo o som de vozes masculinas
chamando-os.
Dougall tinha ido direto para as escadas, para o castelo, em vez dos estábulos,
ela viu, quando ele parou. Uma completa confusão de homens saiu do prédio e desceu
correndo as escadas em direção a eles, e cada um deles parecia preocupado, ela
notou. Vários deles também eram muito parecidos, todos altos e com ombros largos,
com longos cabelos negros e características faciais similares, como os homens com
quem viajara. Ela sabia que Saidh tinha sete irmãos, então três dos homens que
corriam na direção deles eram provavelmente os irmãos Aulay, Rory e Niels que ela
ainda não conhecera. Os outros deviam ser primos ou parentes, pensou ela.
Um dos homens, um com o cabelo não cobrindo bem uma cicatriz que cortava
metade do rosto bonito, como uma linha divisória, moveu-se na frente dos outros para
espiá-la com preocupação, sua boca apertando enquanto seu olhar se movia para
suas costas e a flecha saliente delas. O homem que só poderia ser o irmão mais velho
de Saidh, Aulay, então olhou por cima do ombro e ordenou: — É melhor buscar suas
ervas, Rory.
Rory era apenas um pouco menor que seu irmão mais velho. Ele também estava
sem cicatrizes e embora também tivesse cabelo longo, ele o usava amarrado em um
rabo de cavalo preso atrás da cabeça. Assentindo, o homem mais jovem virou-se para
subir as escadas e voltar para a fortaleza.
Aulay então se voltou para Dougall e levantou os braços. — Passe-a para baixo.
Dougall soltou as rédeas e começou a deslocar Murine em seus braços, até que
ela o encarou e balançou para fora do lado do cavalo, mas então ele pegou sua
expressão alarmada e parou. Não havia como ele conseguir passá-la para o outro
homem, sem o risco de bater na flecha. Neste ângulo, Aulay teria dificuldade em pegá-
la sem fazê-lo, e Dougall a virou para encarar seu irmão, para ter certeza de que a
flecha não estava no caminho de Aulay quando ele a pegasse, a flecha seria mais
provável de ser empurrada pelo próprio Dougall.
Praguejando, ele a colocou de volta em seu colo, moveu uma mão por baixo das
pernas dela e a outra para descansar no alto de suas costas, onde era menos provável
que ela se machucasse, então rapidamente passou a perna por cima da montaria e
deslizou para pousar de leve em seus pés, ainda a segurando. Apesar de quão leve foi
Amando um Highlander – Lynsay Sands
o pouso, Murine teve que morder o lábio para não gritar, enquanto o pequeno
solavanco enviava dor através de suas costas.
— Sinto muito, moça, — disse Dougall rudemente, pressionando-a mais perto,
como se para protegê-la da dor, quando ele começou a se mover.
Murine não olhou ao redor para ver, mas tinha certeza de que ele a levava pelas
escadas até a entrada do castelo. Um momento depois, ela sentiu uma leve brisa como
se alguém passasse correndo por eles e ouviu um guincho que ela imaginou ser a
abertura da porta. Quando ela abriu os olhos um momento depois, Dougall a estava
carregando dentro do castelo e ela piscou para tentar se ajustar ao interior, mais
escuro.
— Quem é ela? — Aulay perguntou, uma vez que a porta se fechou atrás deles,
deixando a maior parte de seu grupo de boas-vindas ainda do lado de fora.
— Lady Murine Carmichael, que em breve será lady Murine Buchanan, minha
esposa — disse Dougall, sombriamente.
Murine enrijeceu e recostou-se ligeiramente para trás, para levantar os olhos
arregalados até seu rosto. — Sua esposa? — Ela perguntou em um sussurro confuso.
— Sim, — ele rosnou e apertou a cabeça de volta em seu ombro, murmurando,
— Descanse.
— Mas você não está no mercado para uma esposa, — Murine murmurou, com
confusão.
As sobrancelhas de Dougall se elevaram com esse comentário, mas antes que
ele pudesse responder, alguém perguntou: — Não a Murine, que é amiga de Saidh?
— Sim, Niels, — disse Dougall severamente. — Ela mesma.
— O que aconteceu? — Aulay perguntou em seguida.
— Ela aparentemente foi atingida por uma flecha, — Dougall disse, secamente.
Por alguma razão, isso atingiu Murine como algo engraçado e ela soltou uma
risada ofegante, que realmente soou mais como um grunhido ou bufo.
Isso fez Dougall ficar mais lento e olhar preocupado para ela. — Você está
bem, moça?
— Você quer dizer diferente de ser atingida com uma flecha? — Ela sussurrou,
com um sorriso torto.
Os lábios de Dougall se contorceram com apreciação ao eco de suas palavras,
mas ele apenas continuou andando, carregando-a pelos últimos passos até as escadas
e começando a subir com ela.
— Ela não desmaiou.
— Murine levantou a cabeça, surpresa com aquele comentário de Alick. Ela
achou que ele ainda estava do lado de fora. Mas ela não tinha olhado muito ao redor.
Amando um Highlander – Lynsay Sands
Agora ela o fez e viu que Geordie e Conran também estavam lá, junto com Aulay e
outro homem que só podia ser Niels.
— Sim, você está certo, ela não desmaiou, — Conran concordou severamente,
subindo as escadas. Ele balançou a cabeça. — Mas é uma pena.
— O quê? — Murine fez uma careta para ele, por cima do ombro de Dougall. —
Todos vocês quatro ficaram reclamando por eu desmaiar, e agora que vocês me
alimentaram e me encheram de tintura e eu não estou fazendo isso, você acha que é
uma pena?
— Bem, moça — disse Conran, suavemente. — Eu só quis dizer que seria mais
fácil para você estar em um desses desmaios agora.
— Sim, — Dougall murmurou e, em seguida parou, quando ele chegou ao topo
da escada e franziu a testa para ela, enquanto ele sugeria, — Talvez você devesse
tentar desmaiar.
Quando Murine apenas ficou boquiaberta, Aulay murmurou: — O quarto de
Saidh, eu acho, Dougall. Rory sem dúvida está esperando por ela lá.
Dougall fez uma careta para o irmão e virou à esquerda na escada. — Meu
quarto. Eu disse a você que eu estou casando com ela.
— Sim, mas vocês não são casados ainda, — argumentou Aulay. — E como ela
não é apenas a amiga de Saidh, mas a mulher que salvou a vida da nossa querida
irmã, ela merece nossa proteção. Então, para preservar sua honra, ela fica no quarto
de Saidh até o casamento.
Dougall franziu o cenho, mas também parou de andar. Depois de uma breve
pausa, ele se virou e foi na direção oposta. Enquanto ele a carregava, passando as
escadas que eles tinham acabado de subir, ele murmurou irritado, — Eu não disse
que eu estaria em meu quarto com ela antes do casamento.
— Não, eu sei, — disse Aulay com um encolher de ombros. — Mas...
— E eu também estou preocupado com a honra dela, — ele reclamou. —
Apenas pergunte a Conny. Ele sabe.
— Sim, — Conran o apoiou de imediato. — Por que ele até me fez levá-la
comigo, quando começamos este último trecho da viagem de volta para casa, porque
ele temia que ele não pudesse se controlar se ela viajasse com ele.
Os olhos de Murine se fecharam, mas se abriram novamente com essa notícia.
Foi por isso que Dougall a fez viajar com Conran, quando eles partiram da última vez?
Não porque ele estava enojado com o comportamento dela, mas porque ele não
confiava em si mesmo com ela? A ideia era nova e maravilhosa, fazendo muito para
aliviar sua vergonha.

Amando um Highlander – Lynsay Sands


— Mas por que ela não desmaiou? Ela está sempre desmaiando, agora levou
uma flechada e ainda está acordada — reclamou Alick, aparentemente fixado no
assunto.
— Como ela disse, nós a temos alimentado com comida e tintura, — ressaltou
Conran. — Talvez a combinação esteja trabalhando para reconstruir seus humores e
evitar o desmaio.
— Nós deveríamos ter suspendido a comida e as tinturas então, — Geordie
decidiu sombriamente, quando Dougall virou para um quarto no final do corredor. —
Ela vai sofrer com isso.
Murine fez uma careta, convencida de que ele estava certo. Este seria realmente
um dos raros momentos em que o desmaio a teria mantido em bom lugar. Ela teria
preferido estar inconsciente, pelo que estava por vir.
— Coloque-a na cama.
Murine olhou em volta para a ordem rápida e viu Rory Buchanan. Como Aulay
sugerira, o homem obviamente esperava que ela fosse trazida para aqui desde o
começo. Ela supôs que o quarto de Saidh era, provavelmente, o único que não estava
ocupado no momento. Com sete irmãos e Saidh, era duvidoso que houvesse algum
quarto extra para os hóspedes em Buchanan, pensou ela e então piscou surpresa e
sentiu um rubor nas bochechas, quando em vez de colocá-la na cama, Dougall
sentou-se na beirada, com ela ainda em seus braços, então ajustou seu aperto para
que ela sentasse de lado em seu colo.
Houve um momento de silêncio, e então Rory pigarreou e disse: — Dougall, eu
disse para colocá-la na cama, não...
— Eu pensei que poderia ser útil se eu segurasse Murine para você. Para
ajudar a mantê-la quieta, enquanto você trabalha, — interrompeu Dougall.
— Murine? — Rory perguntou com surpresa e, em seguida, aproximou-se para
olhar seu rosto mais de perto. — Murine Carmichael? Amiga de Saidh?
— Sim, — ela murmurou, lembrando que ele correra na frente para “pegar
suas ervas” antes de Dougall anunciar seu nome.
— É um prazer lhe conhecer, — disse Rory solenemente. — Saidh nos disse
tudo sobre você e as outras moças com quem ela fez amizade em Sinclair. — Ele
sorriu. — Você é a amiga doce, esperta e corajosa que desmaia?
— Corajosa? — Murine perguntou com surpresa; ela nunca tinha pensado
assim e não podia imaginar porque Saidh o faria.
— Ela nos contou como você a salvou e a Jo, — disse Aulay, olhando-a com
gentil apreciação. — Obrigado a você.

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— Sim. — Niels se aproximou, chamando sua atenção. — Pelo que ela disse, se
não fosse você, as duas estariam mortas e nossa Saidh também teria sido rotulada de
assassina. Obrigado por salvar sua vida e sua reputação.
— Ah, bem... Murine corou e tentou afastar seus agradecimentos, o que era
difícil de fazer com os braços de Dougall em volta dela. Ainda assim, ela disse: — Ela
teria feito o mesmo por mim, se nossos lugares tivessem sido invertidos.
— Sim, ela teria, — Aulay concordou solenemente. — Mas seus lugares não
foram invertidos. Então obrigado. Você é nossa convidada mais bem-vinda.
Murine sorriu torto com as palavras sinceras, e então levou um susto quando
Dougall retrucou: — Parem e saiam daqui todos vocês. Ela precisa de cuidados e Rory
não pode fazer isso com vocês se amontoando, como um bando de corvos em uma
carcaça.
Murine estremeceu com a descrição, mas os irmãos de Dougall apenas sorriram
com sua explosão. Foi Aulay quem ergueu as sobrancelhas e comentou com um
sorriso:
— Sentindo-se um pouco possessivo, não é, irmão?
Murine poderia jurar que ela realmente ouviu Dougall rosnar profundamente
em sua garganta, mas antes que ela pudesse ter certeza, Rory de repente gritou: —
Fora! Eu quero até o último de vocês fora daqui agora. Você também, Dougall. Você
pode ir rosnar e brigar abaixo. Eu preciso cuidar dessa jovem mulher, antes que ela
sangre até a morte. Então saia!
Os irmãos mais novos se dirigiram imediatamente para a porta. Apenas Aulay e
Dougall permaneceram imóveis a princípio, mas depois Aulay assentiu solenemente e
olhou para Dougall com determinação ao anunciar: — Muito bem. Todos nós iremos
abaixo, não é Dougall?
Dougall abriu a boca no que Murine suspeitou que teria sido uma recusa, mas
Rory impediu-lhe a fala, dizendo com firmeza: — Ótimo. Porque não estarei cuidando
dela, até o último de vocês sair deste quarto.
Dougall fechou a boca com um estalo da língua, depois se levantou, colocou
Murine gentilmente na beirada da cama, e então pegou o queixo dela com a mão e
ofereceu o que ela suspeitava deveria ser um sorriso, mas que saiu mais como uma
careta, quando ele disse: — Eu vou estar abaixo, moça. Chame por mim, se você
precisar.
Com os olhos arregalados, Murine assentiu com a cabeça, e então piscou
surpresa quando ele deu um beijo em sua testa, antes de se endireitar e se virar para
ir embora. Ela observou-o atravessar a sala, perplexidade sendo a única coisa que ela
estava experimentando naquele momento. O homem tinha dito que ele não estava no
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mercado para uma esposa, algo que ela lembrou a si mesma várias vezes, desde que
se viu viajando com eles. Com esse conhecimento firme em mente, ela passou a última
tarde e noite sentindo vergonha de seu próprio comportamento na cachoeira e
pensando que esse homem estava enojado com ela. Agora, ele anunciou que estava se
casando com ela e que ele a fez cavalgar com Conran, porque ele não confiava em si
mesmo perto dela? Incrível.
— Eu ainda não entendo porque ela não está desmaiada ainda, — Alick
murmurou do corredor, quando Aulay levou Dougall do quarto.
— Nem eu, — Murine respirou com um suspiro.
O som da porta se fechando chamou sua atenção e ela olhou cautelosamente,
enquanto Rory se movia em direção a ela, sua expressão solene e apologética. Ele não
tinha feito nada para precisar pedir desculpas ainda, mas ela sabia o suficiente sobre
a remoção de flechas e limpeza de feridas para saber que ele logo o faria. Este foi um
inferno de tempo para sua tendência a desmaiar abandoná-la, ela decidiu.

O irmão dela realmente a ofereceu para você numa transação pelos cavalos?
— Niels perguntou, com uma combinação de descrença e desgosto.
Dougall assentiu, enquanto tomava um gole da cerveja que um criado havia
colocado diante dele. Ele tinha estado explicando como eles encontraram Murine,
desde que chegaram ao grande salão.
No momento em que eles se acomodaram na mesa de cavaletes, Aulay começou
com suas perguntas. Dougall estava respondendo, mas sua mente estava na sala
acima das escadas, onde Murine estava, sem dúvida, sofrendo as agonias do inferno,
enquanto Rory trabalhava para remover a flecha de suas costas. Ele sabia, por
experiência, que seu irmão teria que forçar a flecha para fora, através da frente de seu
peito ou puxá-lo para fora, da maneira que tinha entrado. Qualquer opção era
dolorosa, mas empurrar através teria sido uma dor rápida e dura, enquanto puxar
para fora levaria muito mais tempo e seria uma agonia para sofrer. Murine deveria
estar gritando em sua cabeça, mas não havia um som vindo das escadas acima.
Talvez ela tivesse desmaiado, ele pensou esperançoso.
— Sim, Danvries sugeriu que ele a mantivesse até sentir que os cavalos
estavam pagos e depois devolvê-la, — disse Conran, quando Dougall demorou a
responder à pergunta de Niels. — Quando Dougall se recusou, ele nos pediu para
esperar, disse que tinha um amigo que estaria disposto a pagar para passar um tempo
com sua irmã e que ele poderia pagar pelos cavalos.
— Bastardo, — murmurou Aulay.
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— Sim, — concordou Niels. — Maldito bastardo inglês. — Ele enfatizou a
palavra inglês como se isso fosse um insulto ainda maior, e para eles era. Eles não
tinham amor pelos ingleses.
Depois de uma pausa enquanto todos tomavam uma bebida, Aulay franziu a
testa e perguntou: — Então você aceitou a oferta dele para salvá-la de ser passada
para o vizinho?
Dougall bateu a bebida com força, a taça de metal batendo no tampo da mesa,
quando ele se virou para o irmão. O pensamento de que Aulay podia acreditar que ele
se comportaria de maneira tão desonrosa, ou que Murine concordaria com tal coisa,
enfureceu-o. — Claro que não fiz isso.
Aulay ergueu uma mão calmante e disse razoavelmente: — Mas você a trouxe
para casa.
Dougall relaxou, percebendo como isso poderia ser mal interpretado.
Respirando devagar, ele assentiu e rapidamente explicou sobre o encontro deles,
quando deixaram a terra de Danvries.
— Então você a trouxe consigo para mantê-la segura? — Aulay perguntou, e
quando Dougall assentiu sombriamente, perguntou: — E pretende se casar com ela
para evitar que seu irmão possa usá-la tão vergonhosamente?
— É claro, — ele murmurou, mas olhou para o andar de cima enquanto falava
a mentira. Ele não estava apenas se casando com Murine para salvá-la de seu irmão.
Dougall não era tão abnegado. No curso normal dos acontecimentos, ele teria feito
tudo o que pudesse pela moça, para ajudar a mantê-la segura. Ela salvara a vida de
sua irmã afinal, mas o casamento era um passo extremo.
— Pobre moça, — Aulay murmurou, e depois acrescentou: — Ela tem sorte
que você esteja disposto a casar com ela.
Dougall apenas grunhiu e continuou a encarar o andar de cima. Quanto tempo
passara desde que eles saíram do quarto?
— Ele é o sortudo, — contradisse Geordie. — Eu mesmo teria casado com ela
se Conran não tivesse deixado claro que Dougall estava interessado nela.
— E eu, — Alick assegurou.
Dougall fez uma careta para os dois homens por seus comentários, não
gostando da idéia de qualquer dos dois se casar com Murine. Mas então ele notou que
Aulay o estava observando atentamente, e forçou seu olhar de volta ao andar de cima.
— Então ela estava cavalgando com você, — comentou Aulay. — Mas como ela
acabou com uma flecha nas costas?
Isso fez Dougall franzir a testa novamente. Ele realmente não tinha tido tempo
para ter essa reflexão. Olhando para Conran, que tinha estado andando ao lado e
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atrás dele, quando eles deixaram a floresta e começaram a entrar na clareira ao redor
do castelo, ele ergueu as sobrancelhas. — O que aconteceu? Você viu quem atirou
nela?
— Não, — disse Conran, sua voz firme com sua própria raiva. — Nós
estávamos andando bem, saindo da floresta e, em seguida, Murine deu um salto no
seu colo e olhou em volta e eu vi que ela tinha uma flecha, saindo de suas costas. —
Ele balançou a cabeça com desagrado pela lembrança e, em seguida, acrescentou, —
Olhei para trás para ver de onde a flecha veio, mas não vi ninguém.
— Eu também não vi ninguém, — disse Alick, quando Dougall olhou para ele.
— Eles devem ter estado sob a cobertura da floresta.
— Sim, — concordou Geordie. — É uma sorte termos estado tão perto dos
portões, quando aconteceu.
— Então, quem iria querer matá-lo? — Aulay perguntou.
Dougall olhou para ele com surpresa. — A mim?
— Sim, — ele disse baixinho, e então assinalou. — Ela estava cavalgando com
você, poderia ter sido pensado para você e batido nela por acidente. Eu dificilmente
acho que Murine poderia ter feito inimigos que a desejassem morta. — Além disso,
pelo que você disse, ninguém sabe onde ela está.
— O irmão dela poderia ter nos alcançado, — Alick apontou. — Talvez foi ele
quem a atingiu, com a flecha.
Dougall sacudiu a cabeça com a sugestão. — Não há proveito para Danvries em
atirar nela. Ele dificilmente pode trocar um tempo com ela por moedas, se ela for um
cadáver.
— Oh, sim, — Alick concordou com uma carranca.
— Então Aulay está certo, — disse Conran, parecendo perturbado. — A flecha
poderia ter sido dirigida a você.
— Então? — Aulay ergueu as sobrancelhas. — Quem quer que você morra? —
Dougall começou a sacudir a cabeça, desconhecendo qualquer um que não gostasse
tanto dele, mas fez uma pausa, a cabeça se erguendo como se alguém tivesse lhe dado
um soco no queixo, quando um grito repentino chegou até as escadas.

─ Você pode respirar de novo, moça. Acabou.


Murine deixou sair um pequeno soluço e enterrou o rosto nas peles que tinha
amontoado sob o rosto, enquanto Rory trabalhava na remoção da flecha. Tinha sido
tão ruim quanto ela esperava e tinha tomado um grande esforço de vontade, para não
gritar e se debater, enquanto ele trabalhava. Somente o pensamento de que isso faria
Amando um Highlander – Lynsay Sands
com que demorasse mais e prolongaria o sofrimento dela a mantinha parada, mas
todo o corpo dela tremia com o esforço, enquanto lutava contra a dor.
Graças a Deus acabou, ela pensou e então enrijeceu, um grito de agonia de
surpresa escorregando de seus lábios, enquanto ele derramava algo frio na ferida que
então pareceu explodir em chamas. Pelo menos, parecia que estava queimando a pele
das costas. Levou um momento para ela perceber que ele devia ter derramado alguma
coisa para limpar a ferida. Isso sempre doía como o diabo.
— Desculpe, — Rory murmurou, soando sincero em seu pedido de desculpas.
— Eu deveria ter avisado.
Murine apenas balançou a cabeça e ofegou quando a dor começou a diminuir.
— Vou colocar uma pomada agora. Deve entorpecer as... Suas palavras se
interromperam quando a porta se abriu de repente, para permitir que Dougall
despencasse com Aulay, Conran, Niels e Geordie, todos pendurados nele, tentando
segurá-lo. Alick entrou pela retaguarda, seguindo-os para dentro do quarto, enquanto
Dougall cruzava a metade da distância até a cama, antes que os esforços de seus
irmãos conseguissem interrompê-lo.
— O que aconteceu? — Ele rosnou, seus olhos fixos em Murine e ficando lá. —
Você está bem?
— Sim. Eu apenas me assustei, — ela respirou e ofereceu um sorriso fraco.
Murine estava muito ciente de que ela estava deitada lá, com suas costas
completamente nuas. Rory tinha cortado o material de seu vestido para trabalhar na
remoção da flecha. Isso fez dois vestidos arruinados, os únicos dois que ela trouxera
com ela, pensou cansada.
Quando Rory ignorou Dougall e os outros e começou a aplicar uma pomada
suave em sua ferida, fechou os olhos e apoiou a cabeça nos braços. A pomada ardia
no início, apesar de seu toque leve, mas aquela picada sumiu rapidamente, não
deixando nada. Ele tinha começado a dizer algo sobre a pomada e o entorpecimento,
antes de Dougall explodir para dentro. Funcionou muito bem.
Uma vez que o pior da dor desapareceu, Murine abriu os olhos e levantou a
cabeça para ver que Dougall e seus irmãos estavam parados, olhando com uma
espécie de fascínio horrorizado, enquanto Rory tratava sua ferida. Isso fez com que a
suspeita aumentasse dentro dela. A ferida original provavelmente era pequena, do
tamanho da ponta da flecha que a tinha perfurado, mas Rory teve que desenterrá-la.
Ela tinha visto a concha de uma flecha que ele usou, mas ela também teve um
vislumbre de uma faca e suspeitou que ele teve que aumentar a ferida para encaixar a
concha. Ela realmente não tinha sido capaz de dizer. A dor tinha sido horrível do
começo ao fim.
Amando um Highlander – Lynsay Sands
— Quão ruim é isso? — Ela perguntou, agora com preocupação.
Ainda trabalhando, Rory estava atrás dela, onde ela não podia vê-lo, mas
Dougall e seus outros cinco irmãos imediatamente mudaram todos seus olhares para
o rosto dela. Por um momento, ninguém falou, e então Dougall limpou a garganta,
sacudiu o aperto que Aulay, Conran, Niels e Geordie ainda tinham sobre ele, como um
cachorro sacudindo pulgas, então atravessou a sala em direção a ela, dizendo: — Não
é tão ruim, moça.
Ele era um mentiroso horrível, Murine pensou ironicamente, quando parou ao
lado da cama e seu olhar patinou para suas costas novamente. Ele realmente
estremeceu antes de virar um sorriso fraco em sua direção e acrescentou: — Não é
muito ruim.
— Tudo bem, você viu que ela está viva e bem e eu não estou torturando-a, —
Rory disse calmamente. — Agora saia e nos deixe, para que eu possa enfaixar sua
ferida.
Dougall fez uma careta para Rory, mas depois se virou para oferecer um sorriso
a Murine e disse: — Vou esperar no corredor até que ele termine.
— Você pode esperar lá o quanto quiser, mas você não vai estar voltando aqui
esta noite, — disse Rory com firmeza. — Ela perdeu muito sangue e precisa descansar
agora. Eu não vou querer você a incomodando.
— Eu... — Dougall começou, mas foi o mais longe que chegou, antes de seus
irmãos o atacarem novamente e começarem a arrastá-lo para fora do quarto. Murine
não sabia se seus irmãos tinham estado muito ansiosos para ver que ela estava bem,
quando estiveram lutando tentando detê-lo mais cedo, ou se agora a preocupação
deles estava aliviada e ele tinha lutado menos com eles, mas qualquer que fosse o
caso, eles conseguiram arrastá-lo da sala com rapidez suficiente.
— Ele voltará no minuto em que eu sair da sala — Rory disse secamente, depois
que a porta se fechou atrás dos homens.
Murine sorriu fracamente com a previsão. — Você não parece muito chateado
com isso.
— Eu não estou, — reconheceu Rory, e depois explicou: — Eu pretendo lhe
administrar um pó para dormir e esperar até que surta efeito, antes de eu sair. Ele
voltando ou não, não vai incomodá-la.
Murine nem sequer pensou em pedir-lhe para não lhe dar o mencionado pó
para dormir. Ela estava exausta e não achava que precisaria disso para cair no sono,
mas suspeitava que precisaria ficar nesse estado.

Amando um Highlander – Lynsay Sands


Capítulo 9

Dougall desviou o olhar do rosto adormecido de Murine e olhou para a porta


quando ela abriu, mas quando viu que era apenas Aulay, ele desviou seu olhar de
volta para Murine. Ela estava dormindo quando Rory finalmente o deixou entrar e,
para sua frustração, não se mexeu nas duas horas que se seguiram. Embora Dougall
soubesse que o sono era a melhor coisa para ela naquele momento, ele realmente
desejava que ela acordasse, mesmo que apenas por alguns minutos, para que
pudessem conversar. Ele estava ciente de que, embora tivesse anunciado em sua
chegada que ia se casar com ela, ainda não havia realmente discutido o assunto com
ela para ver se estaria disposta a se casar com ele.
Parte de Dougall o assegurava que ficaria grata por estar salva de seu irmão
pelos laços do casamento. Mas outra parte estava lembrando-o de que ela poderia
estar pensando que deveria se casar com Aulay, o irmão mais velho, aquele com o
castelo e o título. Sua resposta a ele na cachoeira poderia ter sido nada mais do que a
tintura carregada de uísque que ela tinha bebido. Ele precisava falar com ela e
descobrir o que ela queria. Ou talvez fosse melhor dizer, quem ela queria.
— Dougall? — Aulay disse baixinho, tomando o assento do outro lado da cama,
que Rory tinha desocupado apenas alguns momentos atrás.
— Hmm? — Ele grunhiu, não se incomodando em desviar o olhar de Murine.
— Os rapazes e eu estávamos conversando, e estamos um pouco preocupados...
— Eu disse a você, não há ninguém em que eu possa pensar que iria me querer
morto e poderia ter atirado a flecha, — Dougall rosnou com irritação. Aulay e os
outros o questionaram ad nauseam6 sobre o assunto, enquanto esperavam no
corredor que Rory terminasse de tratar da ferida de Murine.
— Sim, eu sei. Não é com isso que estamos nos preocupando agora. O que eu
quero dizer é que estamos um pouco preocupados com Danvries — explicou Aulay, em
voz baixa.
Isso chamou a atenção de Dougall e ele desviou o olhar de Murine, para franzir
o cenho para Aulay. — O que você quer dizer?
— Bem, ele provavelmente está procurando por Murine, — Aulay assinalou
solenemente.
— Sim, — reconheceu Dougall.

6
Até esgotar
Amando um Highlander – Lynsay Sands
— Quanto tempo você acha que vai levar antes de ele procurar aqui? Ela e
Saidh são amigas, afinal de contas, — ele apontou.
— Saidh não mora mais aqui, — assinalou Dougall.
— Sim, mas ele pode não saber disso — disse Aulay solenemente. Além disso,
vocês, rapazes, estavam no Danvries quando ela desapareceu. Isso por si só...
— Não tivemos nada a ver com sua fuga. Eu disse a você que ela fugiu sozinha
e nós simplesmente a encontramos na estrada — Dougall argumentou,
imediatamente.
— Mas ele pode não saber isso também — observou Aulay. — Se ele chegar
antes de você se casar com ela, ele provavelmente se recusará a permitir o casamento
e vai levá-la de volta.
— Não podemos deixar que ele a leve de volta — disse Dougall, com o olhar
movendo-se sobre Murine. Ela parecia tão pálida e fraca na cama. Apertando a boca,
ele se levantou. Não haveria lucro para Danvries se Murine se casasse com ele. A
única chance que eles tinham era se eles se casassem, antes que os alcançasse. Vou
pedir a Alick que vá pegar o padre. Nós nos casaremos imediatamente.
Ele começou a andar em volta da cama, mas Aulay entrou na frente dele,
forçando-o a parar. — Ela não está consciente e aparentemente Rory deu a ela um pó
para dormir. Ela poderia continuar dormindo o dia todo e durante a noite também.
— Então eu vou dizer a ele que eu faço por ela, — Dougall rosnou, tentando
dar a volta nele.
— Padre MacKenna não vai lhe casar com uma mulher inconsciente, Dougall
— disse Aulay sombriamente, mexendo-se para continuar bloqueando o caminho.
— Se explicarmos as circunstâncias...
— Ele vai dizer que deve ser a vontade de Deus, — interrompeu Aulay, com
firmeza.
Dougall franziu a testa, sabendo que ele dissera a verdade. O padre MacKenna
era muito devoto. Ele não os casaria, a menos que Murine estivesse acordada e alerta
o suficiente para saber o que estava acontecendo. Infelizmente, não era provável que
fosse em breve. E Danvries provavelmente estava a caminho daqui agora mesmo. Na
verdade, ele poderia estar no portão a qualquer momento.
— Está tudo bem, disse Aulay, puxando a atenção de Dougall de seus
pensamentos. — Os meninos e eu tivemos uma ideia.
— Diga-me, — Dougall rosnou.

Amando um Highlander – Lynsay Sands


Dougall estava mexendo a tintura que Rory lhe dera em um pouco de sidra
quando a porta da cabana se abriu e Conran se inclinou para dizer: — Os meninos já
estão montados. Estamos saindo agora.
Ele acenou com a cabeça distraidamente, e então olhou para o irmão, — Peça a
Rory mais desta tintura para fortalecer. Estou misturando a última agora.
Conran levantou as sobrancelhas. — Já? Ele deu-lhe muito disso. Certamente,
tudo não já foi embora?
— Bem, foi, — disse Dougall, severamente.
Conran franziu a testa e depois entrou, fechou a porta e moveu-se para se unir
a ele junto à mesa. Olhando para o líquido volumoso que Dougall estava mexendo, ele
apertou os lábios e perguntou: — É para ser assim tão... espesso?
Dougall fez uma careta para a mistura, mas admitiu: — Eu tenho dobrado a
quantidade de tintura na cidra e depois duplicado novamente, desde anteontem.
— Ah, — Conran murmurou e perguntou: — Isso é sensato?
— Não deveria machucá-la. É suposto reconstruir suas forças e ajudá-la a se
curar, — Dougall disse com uma carranca, então rosnou com frustração, e soltou: —
Ela está dormindo há quatro dias, Conny. Eu tive que sacudi-la para acordá-la o
suficiente, até mesmo para tomar as tinturas. Eu preciso reconstruir suas forças de
alguma forma. Ela estava muito magra para começar, agora ela está se acabando
diante de meus olhos.
— Sim. — Conran deu um tapinha em seu ombro e apertou brevemente. — Eu
vou trazer mais e ver se Rory vem ele mesmo checá-la.
— Obrigado, — Dougall murmurou.
Assentindo, Conran se virou e se afastou para sair novamente. Dougall ficou
parado, escutando até ouvir os sons dos outros se afastando da cabana, depois fez
uma careta e colocou a cidra cheia de tintura na mesa e se sentou na cadeira ao lado
da cama, onde Murine descansava.
Ela estava dormindo há quatro dias desde que ele e seus irmãos a trouxeram
para a cabana da família. No princípio ela dormiu por causa do pó de dormir que Rory
insistiu que eles lhe dessem. Mas Dougall tinha parado de dar isso a ela, depois do
segundo dia e ainda assim ela dormia como os mortos. A última vez que ele conseguiu
acordá-la, ele perguntou como estava a dor. Ela murmurou que estava muito melhor,
bebeu a tintura que ele lhe deu e caiu de volta para dormir. E quando ele trocou a
bandagem na noite passada, ele pôde ver que estava se curando bem. Ainda assim, ela
era difícil de acordar e não conseguia ficar acordada mais do que o tempo que levava
para beber as tinturas que ele lhe dava.

Amando um Highlander – Lynsay Sands


Dougall estava realmente começando a se preocupar... e não apenas por sua
saúde, embora isso estivesse constantemente atormentando sua mente. Afora isso,
porém, ele também estava preocupado que quanto mais ela permanecesse dormindo,
maior a chance de que seu irmão os encontrasse e acabasse com qualquer
possibilidade de se casarem... o que levou à outra preocupação que o
atormentava. Dougall ainda não sabia se Murine estava disposta a se casar com
ele. Ela queria? E se ela não quisesse?
Suspirando, sentou-se no banco e depois franziu a testa ao notar o leve frio no
ar. Estava ameaçando uma tempestade quando ele saíra mais cedo, naquela manhã,
para ir nadar no lago próximo. Agora, duas horas depois, em vez de aquecer, o dia
deve ter esfriado ainda mais. Aninhada na mata como estava, a cabana estava
protegida da luz do sol e a sala estava fria o suficiente para que um fogo não caisse
mal.
Levantando, ele se moveu para o fogo, apenas para franzir o cenho quando
percebeu que havia apenas alguns troncos empilhados ao lado. Eles precisavam de
mais lenha para cozinhar, assim como para aquecer a cabana. Ele olhou para Murine,
mas ela estava dormindo em paz, sem mostrar nenhum sinal de agitação. Levaria
apenas um minuto para sair e pegar alguns troncos, ele pensou enquanto saía pela
porta.

Murine agitou-se sonolenta e mudou de posição para o lado, fazendo uma


careta quando os lençóis da cama escorregaram de seu ombro e o ar frio se apoderou
dela em seu lugar. Estava frio esta manhã, ela pensou.
Acordando o suficiente para puxar os lençóis e as peles de volta, ela se
aconchegou embaixo delas brevemente e então abriu os olhos. Murine piscou em
confusão enquanto ela observava o ambiente estranho. Em vez de seu quarto em
Danvries, ou mesmo em Carmichael, ela se viu olhando em torno de uma grande sala
com mesas e bancos, vários barris e baús para armazenamento e um fogo para
cozinhar. Havia também um punhado de cadeiras de madeira junto a uma lareira, no
lado oposto do quarto, visto da cama em que ela estava e um conjunto de escadas que
levavam a um segundo nível.
Não reconhecendo nada, Murine franziu a testa e começou a se sentar, apenas
para fazer uma pausa, com um estremecimento, quando a ação puxou a pele de suas
costas, enviando uma dor aguda através dela, que imediatamente a lembrou do que
tinha acontecido, mas não de onde ela estava. A dor não era nada comparada com a
agonia que ela experimentou quando se machucou pela primeira vez, nem tão ruim
Amando um Highlander – Lynsay Sands
quanto a que ela sofreu por um dia ou dois depois, mas a ferida estava definitivamente
fazendo sua presença conhecida.
Deixando escapar o fôlego que tinha sugado, quando a dor a atingiu pela
primeira vez, Murine se moveu com mais cautela, abrindo caminho com cuidado, até
que ela conseguiu sentar-se na beira da cama, com os pés descalços na madeira fria
do chão. Relaxando um pouco então, ela olhou ao redor novamente. Ela estava em
uma cabana de caça. Pelo menos esse era o palpite dela. Era semelhante ao chalé de
caça do pai dela. Bem, do primo dela agora, ela reconheceu tristemente. De qualquer
modo, as paredes eram decoradas com as cabeças empalhadas de animais, sem
dúvida capturados pelos caçadores que usavam esta cabana; veados, javalis e lobos,
todos olhavam para ela de cada ângulo.
Agora que percebeu que estava em uma cabana de caça, Murine tinha uma
vaga lembrança de um terrível passeio a cavalo. Ela acordou em agonia, para
encontrar-se novamente nos braços de Dougall em sua montaria, e ele disse algo
sobre levá-la para a cabana de caça de Buchanan para mantê-la a salvo de seu irmão,
até que ela curasse enquanto ele lhe pedia para beber de um odre de líquido. Ela não
se lembrava muito mais do que isso, além de uma coleção, um tanto desordenada, de
lembranças de acordar nesta sala antes e Dougall alimentando-a com uma atrás da
outra misturas horríveis e falando com ela em voz baixa. Era tudo muito confuso, mas
as lembranças fizeram Murine perceber que ela estava com fome e com sede, e olhou
em volta procurando Dougall, esperando que ele aparecesse com uma sidra que tinha
um gosto um pouco alterado.
Quando ele não apareceu magicamente, como sempre que acordava, desde que
Rory havia retirado a flecha, Murine mordeu o lábio e escutou qualquer som
denunciador que pudesse revelar se ele estava na cabana, em algum lugar. Olhando
para os degraus, ela se perguntou se talvez ele não estivesse acima das escadas, mas
não havia nenhum som. Seguro que ele estava aqui? Ele não apenas cavalgou com ela,
colocou-a na cama e partiu, deixando-a para se virar sozinha?
A pergunta fez Murine fazer uma careta para si mesma. Por que ele não deveria
fazer exatamente isso? Dougall não era responsável por ela. Eles não eram parentes. E
foi ela quem fugiu de casa e do irmão. É verdade que tinha sido para proteger sua
virtude, mas não era problema dele para se preocupar.
— Certo, — Murine sussurrou e se forçou lentamente a ficar de pé. Para seu
espanto, suas pernas começaram a tremer no momento em que ela colocou seu peso
sobre elas. Deus querido, ela estava tão fraca quanto um bebê. A percepção foi um
pouco alarmante e fez com que ela se perguntasse quanto tempo tinha dormido.

Amando um Highlander – Lynsay Sands


A cama era uma cama de dossel com cabeceira de pano e cortinas ao redor dos
lados, que estavam atualmente abertas. Preocupada com a queda, Murine agarrou o
poste ao lado dela na cabeceira da cama e esperou que suas pernas se lembrassem de
seu uso, mas um calafrio percorrendo suas panturrilhas chamou sua atenção para o
que ela estava vestindo. Seus pés estavam descalços, o resto dela coberto até seus
pulsos e quase até os tornozelos, por uma fina camisa de dormir, que não impedia que
a corrente de ar da sala passasse por seus pés e subisse por suas pernas, sob o tecido
leve.
Ao avistar o que achou ser um de seus chinelos de couro, espreitando debaixo
da cama, Murine se ajoelhou para agarrá-lo, aliviada ao descobrir que era de fato um
de seus chinelos de couro. Devem tê-los colocado nela para viajar de Buchanan e
depois retirado quando chegaram, pensou Murine. Ela supôs que então foram
derrubados embaixo da cama, no ínterim.
Ela colocou o primeiro chinelo na cama, então se inclinou devagar para frente
até ficar de joelhos, para poder olhar debaixo da cama. Ela tinha acabado de ver o
segundo chinelo quando ouviu uma porta se abrir. Uma corrente de ar frio deslizou
pelo chão e depois ouviu-se um estalido, quando uma porta se fechou e a corrente de
ar morreu. Pensando em suas costas, Murine lentamente se sentou em seus joelhos e
olhou ao redor, mas não havia ninguém lá.
Ela tinha acabado de decidir que tinha imaginado a porta se abrindo, quando
ouviu um leve farfalhar escadas acima. Ela não tinha nem parado para pegar o
segundo chinelo, antes de se endireitar e ainda assim demorara tanto para a tarefa
que, quem quer que tivesse entrado, tinha subido antes dela ficar em pé.
Murine fez uma careta e brevemente considerou gritar para eles, mas logo
perceberiam que ela não estava escadas acima e voltariam abaixo. Além disso, ela
ainda precisava recuperar seu segundo chinelo. Ela estava no processo de fazê-lo,
lentamente inclinando-se novamente para alcançar debaixo da cama, quando um
segundo jato soprou sobre ela.
— Que diabo você está fazendo fora da cama?
Murine saltou com aquele latido de Dougall e, impensadamente, pulou de pé,
ambas as ações fazendo-a gritar de dor, quando suas costas responderam tristemente.
— Droga, Murine, — a voz de Dougall era um grunhido suave, quando ele
correu ao redor da cama, para pegá-la com cuidado. Quando ele a colocou nos lençóis
e peles que ela havia acabado de deixar, ele acrescentou: — Você vai rasgar seus
pontos. Você ficou gravemente ferida. Você deve ter mais cuidado.
— Eu estava sendo cuidadosa, — ela disse irritada, enquanto ele a virava de
modo que ela ficasse de costas para ele. — É só que você me assustou — Não! — Ela
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chorou em estado de choque, machucando-se novamente ao girar para agarrar a parte
de trás de sua camisola, enquanto ele empurrava-a para cima.
— Acalme-se, — murmurou ele, pegando a mão dela e forçando-a a deitar-se de
bruços, o que certamente aliviou a dor, mas não fez nada por seu embaraço, quando
ele puxou a camisola até os ombros, para poder examinar sua ferida. Muito consciente
de que a sua bunda estava agora à mostra, junto com quase tudo acima e abaixo dela,
Murine enterrou o rosto na roupa de cama e gemeu de desânimo. Uma coisa foi Rory
ver suas costas nuas, enquanto cuidava de sua ferida. Era outra coisa totalmente
diferente para Dougall...
Seu gemido mental terminou abruptamente, quando um pensamento lhe
ocorreu e ela virou a cabeça, tentando encará-lo por cima do ombro, enquanto
rosnava: — Quem tirou meu vestido e me colocou nesta camisola?
— Rory chamou algumas criadas para mudá-lo, quando ele terminou de colocar
as bandagens — respondeu Dougall distraidamente, e então murmurou: — Você não
está sangrando através da atadura, mas vou precisar remover seus invólucros para ter
certeza...
Quando sua voz sumiu, Murine olhou por cima do ombro, para ver o que estava
errado e notou que seu olhar havia encontrado e aparentemente sido paralisado, pela
visão de seu traseiro nu. Ele estava boquiaberto com fascinação. Quando de repente
ele lambeu os lábios, como se estivesse olhando para um saboroso bolo e então
começou a se curvar, como se quisesse dar-lhe uma mordida, Murine pegou a maior
quantidade de roupa de cama e peles ao seu lado e arrastou-os sobre suas nádegas e
pernas, para escondê-los.
Dougall imediatamente piscou e se endireitou. — Desculpe, — ele murmurou,
soltando a bainha de sua camisola. Virando-se, ele rosnou: — Eu vou buscar
bandagens limpas.
Murine abriu a boca para dizer que não queria que ele trocasse as bandagens,
mas depois deixou a boca fechar-se com um suspiro. Seu traseiro estava coberto agora
e ela realmente não queria passar por isso novamente. Era melhor deixá-lo fazer agora
e acabar logo com isso, ela decidiu e simplesmente virou a cara vermelha para as peles
e esperou que terminasse.
Ela escutou em silêncio enquanto Dougall se movia pelo salão, mas quando ele
pareceu demorar muito tempo, ela virou a cabeça e abriu os olhos, para ver o que ele
estava fazendo. Ela o encontrou na lareira. Enquanto observava, ele terminou de
empilhar troncos sobre uma coleção de musgo e cascas e depois usou uma

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pederneira7 para acender a lenha. Quando ele então se endireitou e se virou para uma
bolsa em uma das mesas, para buscar as bandagens e pomadas que pretendia usar
nela, Murine fechou os olhos e esperou o calor do fogo começar a aquecê-la.
— Há quanto tempo você acordou? — perguntou Dougall, enquanto se
aproximava da cama, com tudo que precisaria para cuidar dela.
— Apenas alguns momentos atrás, — Murine disse baixinho, e perguntou:
— Estamos no pavilhão de caça da família?
— Sim, — ele murmurou, enquanto colocava os itens que havia coletado na
mesa de cabeceira.
— Henry está...?
— São e salvo em Buchanan, — ele assegurou a ela e então se acomodou na
beira da cama, anunciando. — Eu preciso cortar suas bandagens antigas. Vou subir
sua camisola até os ombros para tirá-la do caminho primeiro, no entanto.
Murine apenas balançou a cabeça e depois prendeu a respiração, enquanto ele
puxava o tecido fino por suas costas. Ela estava seguramente coberta pelas peles e
lençóis da cintura para baixo; ainda assim, parecia estranho deixá-lo ver suas costas
nuas assim, ela pensou e fez uma careta, quando ele segurou o material na parte de
trás do seu pescoço com uma mão, enquanto examinava a ferida. Depois de uma
hesitação, ela puxou o pano sobre a cabeça, cobrindo apenas os braços e a parte
superior dos ombros, mas o resto do material estava agora reunido sob o queixo. Isso
o libertou de ter que segurá-lo.
— Vou começar a cortar, — anunciou Dougall. — Não se mova, senão eu
poderia cortar você por acidente.
Murine murmurou seu acordo e ficou imóvel, quando sentiu o metal frio de sua
lâmina contra sua pele. Um segundo mais tarde estava acabado e ela sentiu o tecido
deslizar para baixo, para se reunir na cama em seus lados. Depois de um momento de
silêncio, enquanto ele a examinava de volta, ela perguntou: — Os pontos estão...?
— Eles parecem estar bem, — ele respondeu, antes que ela pudesse terminar a
pergunta. — Vou colocar um pouco de pomada. Rory me deu duas, uma para ajudá-la
a se curar e uma para anestesiar.
Murine assentiu silenciosamente novamente e esperou o choque da pomada
gelada contra sua pele, mas demorou um momento e, quando ele começou a esfregá-la
em suas costas, estava quente e seu toque tão suave que mal doía mais do que uma
pontada. Ela só podia pensar que ele tinha aquecido entre as mãos primeiro, e ficou
surpresa com sua gentileza.

7
A pederneira é um sílex (pedra dura e pontiaguda) usado para fazer fogo, ao produzir faíscas no atrito com partes de metal, sobretudo
com o ferro.
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— Agora a outra para anestesiar, — anunciou ele e outro momento se passou,
antes que seus dedos escorregadios e quentes deslizassem sobre suas costas
novamente. Ele não estava fazendo nada que Rory não tivesse feito no dia em que ela
foi ferida, mas Murine encontrou-se respondendo a carícia leve de Dougall, de uma
forma que ela não tinha experimentado com Rory.
— Melhor? — Ele perguntou depois de um momento.
— Sim, — Murine sussurrou.
Um momento de silêncio se passou e então Dougall limpou a garganta e disse:
— Você precisará se sentar, para que eu possa colocar as bandagens em sua ferida
novamente.
Murine parou. Apesar de limpar a garganta, sua voz era rouca e estranhamente
sedutora quando ele falou, e agora os formigamentos mais estranhos a percorriam
com a ideia de se sentar. Ela quase deslizou sua camisola sobre a cabeça, mas sabia
que isso significaria tirá-la, enquanto ele envolvia as ataduras ao redor de sua frente e
costas, e ela tinha certeza de que levantar os braços para cima puxaria a pele das
costas e machucaria, naquele momento.
— Moça, eu já fiz isso várias vezes enquanto você dormia. Não há nada para se
envergonhar, — ele disse solenemente.
Murine suspirou e deixou-o ajudá-la a se sentar, agradecendo quando ele
enrolou as roupas de cama e peles ao redor de sua cintura por trás, preservando pelo
menos um pouco de sua dignidade. Ela não teria sido capaz de fazer isso
sozinha; estava ocupada demais certificando-se de que o material de seu vestido
permanecesse pressionado contra seus seios.
Uma vez que ela estava levantada, Dougall simplesmente começou a trabalhar
em sua ferida, envolvendo o pano em torno de sua cintura mais e mais, movendo-se
mais alto com cada volta ao redor.
— Precisa ser tão alto? — Murine perguntou, sua voz um pouco ofegante
enquanto ele passava o tecido em torno de sua frente, sob seus seios. Ela tinha
levantado o tecido de sua camisola um pouco, para tirá-lo do caminho. O tecido cobria
apenas a metade superior de seus seios agora e ela mordeu o lábio quando uma das
mãos de Dougall, acidentalmente, bateu no fundo de um globo redondo.
— Eu não tenho certeza, — admitiu Dougall, sua voz um sussurro rouco ao
ouvido dela, quando ele estendeu as mãos ao seu redor novamente, para passar o
pacote de uma mão para a outra. — É a forma como Rory fez isso. Talvez quanto mais
apertar a pele, menor a chance de rasgar um ponto.
— Talvez, — ela concordou fracamente, seu corpo reagindo à sua respiração em
seu ouvido e à sensação da pele macia em cima da mão dele, esfregando a sensível
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curva sob seu peito novamente, nesta volta. Quanto mais de bandagem havia
lá? Murine se perguntava, descontroladamente, quando as mãos dele deslizaram por
trás dela e então começaram a voltar para frente.
— Dougall? — Ela disse fracamente e então mordeu o lábio e fechou os olhos,
enquanto as mãos dele pararam logo abaixo dos seios, a pele dele tocando a dela.
— Sim? — Sua própria voz era um grunhido profundo agora, um que ela
lembrava da cachoeira, e essa lembrança ateou fogo ao pavio que suas ações inocentes
tinham acendido dentro dela. Murine balançou a cabeça fracamente, depois se virou
para pressionar um beijo ao lado de seu rosto, enquanto inalava seu cheiro.
Dougall imediatamente virou a cabeça para reivindicar seus lábios, enquanto
ele soltava as bandagens. Pelo menos Murine pensou que ele devia ter liberado o
tecido que ele estava envolvendo em torno dela, porque suas mãos subiram de repente
sob o vestido que ela segurava na frente dela e cobriram seus seios, sem nenhum
tecido entre sua carne e a dele.
Murine primeiro suspirou em sua boca, com alívio, quando ele começou a beijá-
la, em seguida, seguiu com um gemido quando ele começou a puxar seus mamilos
com os polegares e dedos indicadores enquanto ainda cobrindo a base de seus seios
com as palmas das mãos. A sensação a fez empurrar em duas direções diferentes ao
mesmo tempo. Ela estava torcendo a cabeça mais para trás, para que ele pudesse
aprofundar o beijo, enquanto pressionava os seios para frente em sua carícia. Isso
colocou um pouco de tensão em seu pescoço e Murine ficou aliviada quando Dougall
interrompeu o beijo, para trocar para morder e beijar seu pescoço e orelha, enquanto
ele ansiosamente amassava os seios dela. Mas depois de um momento, ela queria seus
beijos novamente e puxou um braço livre da camisola para alcançar sua cabeça,
enquanto tentava virar o suficiente para alcançar seus lábios novamente. No momento
em que ela começou a tentar, Dougall a soltou e se levantou.
Por um momento, Murine temeu que ele acabaria com as coisas novamente,
como fez na cachoeira, mas depois se acomodou na frente dela na cama e a pegou
pelos braços. Ele começou a puxá-la para frente e para trás em seu abraço, mas parou
com ela, no meio do caminho. Seguindo seu olhar, ela viu que seu vestido pendia de
um braço, deixando-a nua à sua vista. Seu olhar ficou fixo aí, brevemente, então
subiu para o rosto dela, por um momento, antes de voltar para seus seios. Ele
lembrou-a de um garotinho tentando decidir qual doce escolher de uma bandeja. No
final, ele era um rapaz ganancioso e foi por todos eles. Cobrindo ambos os seios dela,
ele pressionou um beijo em cada um, então fechou as mãos sobre eles, enquanto
levantava a cabeça para reivindicar seus lábios novamente.

Amando um Highlander – Lynsay Sands


Murine avançou para sua carícia e o beijou ansiosamente. Quando a língua dele
invadiu sua boca, ela a acolheu e avançou de joelhos, desesperada para se aproximar
dele. Ela estava vagamente ciente dos lençóis e peles escorregando e depois caindo na
piscina ao redor de seus joelhos, mas não registrou realmente o que isso significava,
mesmo quando Dougall, de repente, agarrou uma das bochechas de seu traseiro para
convencê-la a se levantar de joelhos.
A ação interrompeu o beijo, mas também permitiu que ele arrastasse seus
lábios até o peito que ele não estava mais acariciando, e o reivindicasse. Murine
engasgou e agarrou seus braços, quando ele puxou a maior parte de seu seio em sua
boca, sugando quase violentamente, antes de deixá-lo deslizar para fora até que
apenas o mamilo permanecesse. Ele então começou a mordiscá-lo levemente,
enquanto passava a língua sobre a ponta.
— Oh, Dougall, — Murine gemeu, e então engasgou com surpresa quando algo
roçou entre suas pernas. Os olhos se abriram, ela olhou para baixo, mas tudo que ela
podia ver era a boca de Dougall ministrando em um seio e a mão dele no outro. Ela
não podia ver a segunda mão dele, mas definitivamente estava sentindo como ela
arranhava seu núcleo novamente. Murine instintivamente tentou fechar as pernas,
mas os joelhos dele de alguma forma ficaram entre os dela e agora os abriram, e então
ele a acariciou novamente, com mais firmeza, deslizando os dedos sobre sua carne
molhada e extraindo um grito de necessidade e excitação...
Dougall soltou o mamilo que ele estava instigando e inclinou a cabeça para
cima, mesmo quando a mão que estava no peito dela deslizou ao redor de seu pescoço
e por trás de sua cabeça, para puxá-la para um beijo. Murine respondeu quase
desesperadamente ao seu beijo, seus quadris resistindo ao toque dele, e então ambos
se imobilizaram quando um estrondo soou escadas acima. No momento seguinte,
Dougall estava fora da cama, rugindo — Fique aqui, — e subindo as escadas correndo.
Respirando pesadamente, Murine olhou fixamente para ele e, em seguida,
lentamente recuou para seus quadris. Não foi até que ela ouviu Dougall cruzando o
andar superior que ela percebeu que estava sentada lá, nua. Mordendo o lábio, ela
rapidamente pegou sua camisola que de alguma forma fora puxada de seu braço e
caía amontoada na cama, ao lado dela. Ela se lembrava de puxá-la por um braço, mas
não tinha ideia de como ela havia saído do outro. Murine não refletiu sobre o assunto,
mas simplesmente a colocou pela cabeça, depois ajeitou-a no lugar e deslizou para a
beira da cama.
Ela estava decidindo se levantava para seguir Dougall e ter certeza de que tudo
estava bem, quando ouviu um estrondo vindo de cima. Engolindo, ela se mexeu
nervosamente e olhou ao redor em busca de uma arma, quando o som foi seguido por
Amando um Highlander – Lynsay Sands
um segundo estrondo. Ela mal tinha começado a olhar, porém, quando passos se
moveram de volta através das tábuas do piso superior rangentes. Foi um grande alívio
quando Dougall apareceu no topo da escada e começou a descer.
— O que foi? — Ela perguntou, franzindo a testa, notando sua expressão
irritada.
Dougall sacudiu a cabeça enquanto descia as escadas. — Um de meus irmãos
deve ter deixado as persianas abertas, acima das escadas. O vento estava soprando
sobre elas, então eu as fechei, — ele explicou, e então parou quando viu que ela estava
vestida.
Murine olhou para si mesma conscientemente, sem saber o que fazer ou
dizer. Ela só se vestiu porque se preocupou que houvesse alguém escadas
acima. Agora que ela sabia que não havia, no entanto, ela teria gostado de continuar
fazendo o que eles estavam fazendo, antes de serem interrompidos. Infelizmente, ela
não sabia como deixá-lo saber disso. Ou até mesmo se ela deveria. Ele havia dito a
Aulay que eles deveriam se casar, mas isso significava que eles poderiam ou deveriam
fazer as coisas que estavam fazendo? Será que ele pensaria que ela era uma prostituta
se ela...
— Você provavelmente está com fome.
Murine olhou para sua voz rouca ao ver que ele tinha virado as costas e estava
se movendo para o pote que fervia sobre o poço de cozinhar8 e ela suspirou, sabendo
que eles não continuariam com o prazer que ele estava ensinando a ela. Dizendo a si
mesma que era o melhor, Murine ficou cautelosamente de pé e, quando os encontrou
um pouco menos instáveis do que na primeira vez em que se levantou, aproximou-se
lentamente da mesa.
Dougall afastou-se do fogo com um prato do que parecia ser uma sopa espessa
e forte, depois parou, quando a viu sentada à mesa. Uma carranca cintilou em seu
rosto e ela pensou que ele iria lhe dar o inferno por sair da cama, mas no momento
seguinte a carranca se foi e ele atravessou a sala para colocar o prato de madeira na
frente dela, então retornou por um segundo, para si mesmo. Ele então pegou colheres
e duas canecas de sidra também, antes de se sentar ao lado dela.
— Cheira bem, — ela murmurou, enquanto mergulhava a colher na sopa. —
Você fez isso?
Dougall sorriu torto e assentiu. — Os rapazes caçaram e limparam a carne,
mas eu fiz o resto.
— Os rapazes? — Ela perguntou curiosa.
— Geordie, Alick e Conran, — explicou ele. — Eles vieram aqui conosco.

8
Buraco no chão, com fogo, sobre o qual, penduradas, ficavam as panelas.
Amando um Highlander – Lynsay Sands
Murine assentiu e olhou ao redor, imaginando onde eles estavam. Eles não
poderiam estar no andar de cima ou um deles teria fechado as venezianas, antes que
Dougall pudesse chegar lá.
— Eles voltaram para Buchanan pelos suprimentos, — anunciou Dougall
agora. — E para ver se seu irmão apareceu lá.
— Oh, — Murine murmurou e, nem mesmo querendo pensar em seu irmão,
pegou sua bebida para tomar um gole. Uma batida do coração mais tarde, ela estava
cuspindo de volta e tossindo, pedaços de erva que tinham se alojado em sua garganta.
— Maldição! — Dougall deu um pulo e correu ao redor da mesa, mas quando
Murine o viu levantar a mão, como se fosse bater nas costas dela, ela gritou assustada
através da tosse e levantou a mão para detê-lo. Dougall congelou
imediatamente. Felizmente, Murine já havia cuspido o pior e a tosse diminuíra. Ela
levou um momento para recuperar o fôlego e depois olhou para ele, com os olhos
arregalados.
— O que diabos há em minha sidra?
— Uma das tinturas de Rory. É suposta ajudar a reconstruir suas forças —
explicou ele, pegando sua própria sidra e oferecendo a ela.
Murine pegou a bebida e tomou um gole cautelosamente, mas não precisou se
preocupar. A bebida dele estava livre de ervas. Também era muito mais saborosa do
que sua bebida horrorosa.
— Eu acho que eu exagerei na tintura, — Dougall murmurou e depois explicou:
— Eu estava um pouco preocupado. Você parecia estar dormindo muito.
Murine relaxou e ofereceu-lhe um sorriso. — Obrigado por cuidar de mim
enquanto estou me recuperando.
— Não foi nada, — Dougall rosnou e recuou para recuperar seu assento.
Quando ele imediatamente começou a comer sua sopa, Murine voltou sua
atenção para comer a própria. Realmente estava muito boa. Parecia que Alick não era
o único homem de Buchanan que sabia cozinhar, mas Murine estava gostando demais
e de repente ficou tão faminta que não teve tempo de lhe dizer isso. Por mais que ela
gostasse, e por mais faminta que estivesse quando começou a sopa, Murine mal
terminou metade dela antes de ter que baixar a colher.
— Você não gosta? — Ele perguntou, com uma carranca.
— Oh, não! — Ela assegurou-lhe, e então franziu a testa ao perceber que
poderia ser mal interpretada e disse: — Sim, eu gosto muito. É só que já estou cheia.
Ela olhou para o restante da sopa e acrescentou: — Na verdade, eu comi a ponto de
me sentir desconfortável, de tão gostoso. Ela olhou para ele e disse: — Você é um
cozinheiro muito bom. Quem lhe ensinou?
Amando um Highlander – Lynsay Sands
Tendo terminado com a sua própria sopa, Dougall puxou o prato dela meio
cheio diante de si e pegou a própria colher, antes de responder: — Meus pais. Mamãe
e Saidh sempre vinham ao chalé conosco, quando Papai trazia a mim e aos meus
irmãos para caçar. Nós nunca trouxemos criados, entretanto. Mamãe iria cozinhar o
que nós pegamos e todos nós ajudaríamos com a refeição e a limpeza. Era a hora da
família — explicou ele com um pequeno sorriso de recordação. Pegando uma
colherada de sopa, ele acrescentou: — Quando ela faleceu, Papai assumiu a
cozinha e ensinou a Aulay e a mim, mais um pouco. — Ele engoliu a colherada de
sopa e acrescentou: — Ele disse que cozinhar uma refeição saudável, muitas vezes se
pensava que era assunto de um criado, mas há poucos criados viajando com você na
batalha e convinha que um homem soubesse como se sustentar.
Murine assentiu e então sorriu levemente e assinalou: — Você não mencionou
sua mãe ensinando Saidh a cozinhar.
— Ela tentou, — disse Dougall secamente e, em seguida, assegurou-lhe: —
Nossa Saidh não é muito boa nisso. Ela não tem muita paciência.
— Ah, — Murine disse com uma risada e assistiu ele terminar sua sopa.
Empurrando o segundo prato, ele hesitou e então se levantou, dizendo com
relutância: — Eu provavelmente deveria colocá-la de volta na cama e deixá-la
descansar. Você está parecendo cansada.
Murine estava cansada, mas notando sua relutância, e recordando sua
expressão quando ele disse que ela tinha dormido muito, ela balançou a cabeça
imediatamente. — Não. Estou bem.
— Sério? — Perguntou Dougall, surpreso.
— Sim. Além disso, acho que devo ter passado muito tempo na cama. Estou um
pouco dolorida em outros pontos que não as minhas costas.
— Oh. — Dougall parecia não ter certeza se deveria permitir-se mostrar sua
felicidade porque ela não estava cansada, ou mostrar preocupação por seus pontos
doloridos. Ambas as emoções cruzaram em seu rosto brevemente.
Murine salvou-o de tomar a decisão, perguntando: — Eu não devo supor que
você tenha um jogo de xadrez aqui?
— Sim. — Dougall sorriu. — Você joga?
Murine assentiu. — Eu e papai costumávamos jogar de noite.
Sorrindo com essa notícia, Dougall se moveu para um baú sob as escadas e se
ajoelhou para abri-lo. Um momento depois, ele estava voltando para a mesa, com um
tabuleiro de xadrez e uma bolsa que mostrava peças de xadrez finamente
esculpidas. Deixando Murine para admirar os homens esculpidos, Dougall

Amando um Highlander – Lynsay Sands


rapidamente pegou para ambos mais sidra e depois voltou para ajudá-la a arrumar o
tabuleiro. Dentro de momentos eles estavam mergulhados no jogo.
— Sua mãe jogava xadrez?
Murine ergueu os olhos, surpresa com a pergunta de Dougall, mas depois
balançou a cabeça e voltou a olhar para o tabuleiro, enquanto ele fazia seu
movimento. — Não. Ela nunca se importou com o jogo.
— Hmm. — Dougall sentou-se para trás, esperando por ela, para retomar sua
vez.
Enquanto movia sua torre, Murine perguntou. — Sua mãe? Jogava xadrez,
quero dizer?
— Sim. — Dougall sorriu. — Temos dois tabuleiros e costumávamos realizar
pequenas competições, quatro jogando e depois dois jogando com os vencedores e
assim por diante.
Murine sorriu com o pensamento, imaginando Saidh, Dougall e seus irmãos,
muito mais novos, jogando xadrez com os pais. Franzindo a testa, ela ergueu os olhos
e perguntou: — Saidh nunca falou muito sobre sua mãe. Quantos anos você tinha
quando ela morreu?
— Ela morreu só tem mais ou menos quatro anos atrás, — ele disse
calmamente.
— Oh, me desculpe. Eu não deveria ter perguntado. Eu...
— Moça, — ele interrompeu gentilmente. — Já fazem quatro anos. A perda dela
ainda dói, mas ela era uma boa mãe e merece ser lembrada e que se fale sobre ela.
— Oh, — Murine respirou, pensando que era possivelmente a coisa mais sábia e
maravilhosa que já ouvira. Limpando a garganta, ela mudou um pouco o assunto,
perguntando algo que ela estava curiosa desde que Alick lhe ofereceu a tintura de
Rory e explicou que ele era o curador da família. — Rory cuidou da sua mãe quando
ela adoeceu?
— Não, Saidh cuidou — disse Dougall solenemente, depois fez uma careta e
acrescentou: — Não que houvesse muito tempo para cuidar dela. E Saidh realmente
não sabia como ajudá-la. Nenhum de nós sabia.
— Nem mesmo Rory?
— Rory? — Ele pareceu surpreso com a pergunta e então balançou a cabeça. —
Até então, Rory não tinha interesse em curar. Mas ele era próximo de nossa mãe e
sofreu muito com a perda dela. Sua morte foi o que mudou seus interesses desse jeito.
Ele franziu a testa com a lembrança. — Nós convocamos todos os curandeiros mais
conhecidos. Nenhum deles sabia o que fazer. No final, todos nós apenas ficamos
parados e a assistimos morrer. Todos nós nos sentindo desamparados e inúteis. — Ele
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se mexeu como se afastasse a lembrança infeliz, e então disse: — Eu suspeito que
Rory começou a aprender sobre curar, para que ele nunca mais se sentisse assim de
novo.
— Entendo, — Murine murmurou e reprimiu um bocejo atrás de sua mão.
Dougall sorriu fracamente e acrescentou: — Rory é um homem focado quando
está interessado em alguma coisa. Ele passou a maior parte de dois anos e meio
viajando por toda a Inglaterra e Escócia, para aprender com os melhores
curandeiros. Agora as pessoas enviam para ele quando há um caso ou lesão
complicada.
Murine sorriu fracamente diante do orgulho de Dougall de seu irmão e
observou-o fazer seu próximo movimento. Lutando contra outro bocejo que tentou
alcançá-la, ela perguntou: — Seu pai morreu ao mesmo tempo?
— Não. — A expressão de Dougall se fechou, e suas palavras foram um pouco
bruscas quando ele disse: — Ele morreu em batalha.
— Sinto muito, — Murine murmurou, fazendo seu próprio movimento e
mexendo seu bispo. Aparentemente, a morte do pai ainda era muito dura para ele
discutir, como podia fazer com a da mãe.
— Está tudo bem, — murmurou Dougall e soltou um suspiro antes de dizer:
— Nosso pai morreu na mesma batalha que marcou Aulay.
— Oh, — ela disse com compreensão, e ela entendeu. Saidh disse a ela que
Aulay era terrivelmente auto-consciente sobre a cicatriz que cortava metade do rosto
dele. Ela supunha que, sendo esse o caso, ele dificilmente aceitaria seus irmãos
falando sobre seu pai e a batalha que tirara sua vida, assim como a boa aparência e
autoconfiança de Aulay. Dougall confirmou seus pensamentos quando deu o próximo
passo.
— Aulay lutou com sua cicatriz desde aquela batalha. Ele não gosta de falar
sobre isso e todos honramos seus desejos em vez de fazê-lo...
— Miserável? — Ela sugeriu suavemente, quando ele fez uma pausa.
— Sim, — ele admitiu. — Falar sobre isso o deixa de mau humor por dias, então
todos nós não falamos sobre isso. Xeque... — acrescentou ele, com um sorriso lento,
antes de adicionar: — E mate, eu acho.
Murine olhou para o tabuleiro com um sobressalto, arregalando os olhos ao ver
que era, de fato, xeque-mate.
— Você é uma boa jogadora, — elogiou Dougall.
Murine sorriu com a alegação e balançou a cabeça. — Boa para perder.
— Eu tive uma vantagem injusta, você está cansada, — ele disse se
desculpando. — Você começou a bocejar na metade do jogo.
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Ela abriu a boca para protestar, mas teve que parar para cobri-la, quando outro
bocejo esticou suas mandíbulas. Depois que o bocejo terminou, ela fez uma careta e
disse: — Sim. Bem. Vou dormir. Mas só por uma hora ou mais. Então eu
vou deixar você me bater no xadrez novamente. Ou poderíamos jogar trilha, se você
tiver o jogo.
— Nós temos, — ele assegurou a ela, e então brincou, — e eu estou ansioso
para derrubar você nesse também.
Murine fez uma careta para ele pelo comentário. Ela meio que esperava que ele
a pegasse e a levasse para a cama, quando ele se levantou. Como ele não o fez, no
entanto, e não parecia estar pretendendo, ela deslizou as pernas sobre o banco e se
levantou. Ela então olhou para baixo, com surpresa, quando suas bandagens se
soltaram e caíram em seus pés.
Dougall praguejou baixinho e depois fez uma careta. — Eu nunca terminei com
suas bandagens.
Não era realmente uma pergunta, então Murine não se incomodou em
concordar. Ele parou antes de fazer qualquer coisa, para garantir que o final
permanecesse no lugar. Na verdade, ela não tinha certeza se eles estavam no final da
bandagem, quando ele a deixou cair para cobrir seus seios. Esse pensamento teve um
efeito decididamente aquecedor em Murine, quando ela se lembrou da sensação de
suas mãos em sua carne excitada.
Dougall olhou para a bandagem e depois para a cama, mas sacudiu a cabeça
como se respondesse a uma pergunta, antes de anunciar: — É melhor que eu coloque
as bandagens em você, aqui sobre a mesa. Há algo que preciso falar com você.
As sobrancelhas de Murine se levantaram ligeiramente, enquanto ela se
perguntava o que um tinha a ver com o outro. Ele podia falar com ela, enquanto a
enfaixava na cama, também. Ou talvez a cama fosse muito tentadora para ele se
arriscar, pensou de repente. Murine não perguntou se era esse o caso, mas olhou para
o vestido que ela usava. Ele teria que levantá-lo ou abaixá-lo até a cintura para
substituir o envoltório. E embora ele já tivesse visto os seios e o traseiro dela, ele não a
tinha visto de frente, abaixo da cintura e ela não estava pronta para desnudar isso
para ele tão desdenhosamente, então quando ele se curvou para pegar a bandagem,
ela rapidamente encolheu os ombros e tirou seu vestido e deixou-o cair até sua
cintura, sustentado por seus quadris e uma das mãos.
Dougall se endireitou e então congelou, quando viu o que ela tinha feito. Seus
olhos se arregalaram e, em seguida, brilharam ligeiramente, enquanto ele olhava para
o peito nu dela. Não foi uma reação diferente à que ele teve na primeira vez que viu
seus seios, mas desta vez Murine não estava no mesmo estado em que ela
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estivera. Desta vez, ela estava realmente um pouco desconfortável e
envergonhada. Pelo menos, ela estava até que Dougall, de repente, caiu de joelhos,
pegou-a pela cintura e puxou-a para frente, para que ele pudesse agarrar um dos
mamilos que ela havia descoberto.
Murine mordeu o lábio inferior e segurou os ombros dele, quando ele começou a
sugar, seu corpo imediatamente respondendo à carícia. Ambos os mamilos estavam
prontamente como seixos duros em seu peito, ela viu quando ele soltou o primeiro
seio, para dar atenção ao segundo.
Foi tudo um pouco abrupto e até esmagador. Ele não a tinha preparado com
beijos, e Murine se encontrou desejando aqueles beijos, enquanto gemia sob o que ele
estava fazendo.
Quando as mãos de Dougall deixaram sua cintura, para cobrir as duas
bochechas de seu traseiro e apertar ansiosamente, seu vestido escorregou para cobrir
suas mãos, a parte da frente caindo abaixo do umbigo. Ele não poderia ter visto isso
de sua posição em seus seios, e ainda assim, sua boca começou uma trilha aquecida
para baixo, em sua barriga e, em seguida, parou em seu quadril antes de passar a
língua ao longo da linha de pele, logo acima do pano de seu vestido.
Murine engasgou e agarrou sua cabeça agora, seus quadris fazendo um
pequeno balanço em reação à sensação, parte cócegas e parte excitação, enquanto sua
língua a provocava. Quando suas mãos se moveram um pouco mais para baixo, o
tecido caiu junto com ele e sua boca seguiu, queimando uma trilha.
— Dougall, — ela choramingou, incerta. Suas pernas de repente tremiam
loucamente e ela não tinha certeza se poderia ficar de pé. Ela estava segurando-o
agora, tanto para ficar de pé como para estimulá-lo. Foi uma espécie de alívio quando
as mãos dele se moveram para pegá-la pela cintura e levantá-la. Ela perdeu o vestido
completamente então, mas pelo menos ele removeu o risco de ela cair, pensou, então
piscou de olhos abertos, com surpresa, quando sentiu madeira dura debaixo de seu
traseiro.
Ele tinha contornado o banco e a colocado na beira da mesa, ela percebeu
assim que ele se sentou no banco diante dela e abaixou a cabeça entre as pernas para
prová-la. O choque e o embaraço a atingiram primeiro, mas foram rapidamente
empurrados para o lado pelo estrondo de excitação que se seguiu. Deus querido, ele
estava... ela... Oh Deus! — Ela gritou, agarrando a cabeça dele novamente, enquanto
ele se inclinava para sua refeição.
Murine não tinha certeza o que diabos ele estava fazendo, mas Dougall
definitivamente a estava enlouquecendo, enquanto ele lambia, mordiscava e sugava,
usando sua língua, dentes e lábios para extrair a última gota de paixão dela. Quando
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suas mãos deslizaram entre eles para massagear seus seios, ela desistiu de segurar a
cabeça dele e agarrou-os, apertando-os encorajadoramente, meio consciente de que de
alguma forma suas pernas tinham se enrolado em suas costas e seus calcanhares
estavam cavando, incentivando-o também.
Quando ele retirou uma mão, ela se deixou levar e, em seguida, se derrubou
sobre a mesa enquanto ele deslizava a mão entre suas pernas para se juntar à boca,
dando prazer a ela. Ela sentiu os dedos dele correrem levemente sobre sua pele, ao
lado de sua boca trabalhando loucamente e então eles mergulharam abaixo dela e ela
sentiu algo pressionando nela.
— Sim! — Murine gritou, seus quadris se deslocando na superfície de madeira,
tentando encontrar a pressão. Mas a pressão diminuiu rapidamente antes que
voltasse, desta vez empurrando um pouco mais. Soluçando sua necessidade, Murine
baixou as mãos para o tampo da mesa e empurrou com todo o corpo dessa vez,
chorando enquanto a represa de excitação dentro dela explodia, antes que algo mais
se quebrasse e ela sentisse dor. Murine tinha certeza de que ela sabia o que tinha
acontecido, ele empurrou através de sua virgindade, mas foi muito menos doloroso do
que ela esperava, apenas uma pequena pontada, dificilmente sentida acima da onda
de libertação que ela experimentou.
Ela ainda estava cavalgando aquela onda, quando Dougall se endireitou entre
suas pernas, agarrou seu quadril e deslizou para dentro dela. Isso não era exatamente
o mesmo de quando ele pressionou o dedo nela. Isso era muito maior e por um
momento ela temeu que ele não se encaixasse, mas para sua surpresa seu corpo
conseguiu acomodá-lo. Ainda assim, ambos ficaram brevemente imóveis, enquanto
seu corpo envolvia o dele.
Dougall moveu as mãos para o rosto dela e inclinou sua cabeça para trás para
poder beijá-la. Se ela tinha pensado que seus beijos eram carnais e excitantes antes,
eles não eram nada perto do faminto devorador que ela experimentou desta vez, e
então ele moveu seus quadris para trás, retirando-se ligeiramente de seu corpo antes
de voltar, enquanto sua língua se retirava e empurrava em sua boca.
Murine soltou um longo gemido em sua boca, enquanto toda a tensão que seu
corpo acabara de liberar, subitamente voltou ao lugar. Ele estava dirigindo-a de volta
ao precipício, e ela estava indo de bom grado, suas pernas envoltas em torno dele,
seus calcanhares cavando em suas costas para incentivá-lo, suas mãos segurando em
suas laterais, unhas marcando-o, enquanto ela tentava fazê-lo mover-se mais rápido e
com mais força. Dougall resistiu à demanda silenciosa a princípio, seus movimentos
quase vagarosos, mas justamente quando ela pensou que ele a deixaria louca, ele
rosnou em sua boca e começou a empurrar mais rapidamente. Quando ele afastou
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sua boca em um rugido triunfante, Murine estava lá com ele, seu grito juntando-se ao
dele, enquanto seu corpo convulsionava ao redor dele.

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Capítulo 10

Dougall soltou um pequeno suspiro e abriu os olhos, seu olhar movendo-se pela
cabana. Era um lugar cheio de boas lembranças para ele... e agora ele tinha
adicionado outra. Ele não achou que esqueceria isso tão
cedo. Murine estava... adormecida, ele percebeu, quando seus olhos se desviaram para
ela. Porra, ele esgotara a pobre moça. Aqui ela estava se recuperando de uma ferida
que poderia tê-la matado, e ele...
Seus pensamentos morreram quando pensou em sua ferida. Ele imediatamente
inclinou a cabeça para tentar dar uma olhada. Felizmente a moça era mais baixa que
ele. Ela também abaixou a cabeça contra o peito dele e ele realmente foi capaz de ver a
ferida em questão, de sua posição. Um pequeno suspiro de alívio escapou de seus
lábios, quando viu que parecia estar bem.
Dougall considerou brevemente colocar as bandagens de volta, como pretendia,
antes dela deixar o vestido cair sem cerimônia, mas depois mudou de ideia. Fazer isso
a acordaria e ele a esgotara. Além disso, o ar faria bem a ferida, ele disse a si
mesmo. Isso absolutamente não tinha nada a ver com o fato de que ele não estava
ansioso para ter que pedir desculpas a ela, por tomar sua virgindade.
Quando ele finalmente pedisse desculpas, provavelmente seria bom se ele
pudesse colocar um pouco de sinceridade nisso. O problema era que ele não estava se
sentindo nada triste. Fazer isso garantia que não haveria dúvida de que ela teria que
se casar com ele agora, e Dougall esperava que sua resposta ansiosa a ele significasse
que ela não se importaria muito com isso. Ele certamente via isso como um bom sinal
para sua vida juntos. A mulher era uma gata selvagem, facilmente excitável e muito
entusiasmada. Ele sabia, sem olhar, que ela arranhara o inferno fora dele. Ele podia
sentir o sangue escorrendo pelos seus lados.
Movendo-se devagar e com cuidado, Dougall enfiou as mãos sob o traseiro dela
e levantou-a da mesa. Ele considerou por um momento chutar o banco para afastá-lo
do caminho, mas decidiu contra, sem vontade de acordar Murine. Então, em vez disso,
ele se inclinou lentamente para o lado, para sair de entre o banco e a mesa e depois
virou em um círculo lento para encarar a cama, antes de começar a andar. Na terceira
etapa, ele decidiu que acordar Murine podia não ser uma coisa ruim, afinal de

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contas. Ele ainda estava dentro dela, e a fricção enquanto caminhava certamente
despertava partes dele que ele pensara que estavam dormindo.
Estavam a meio caminho da cama, quando Murine gemeu sonolenta e apertou
as pernas ao redor de seus quadris. Outro passo e ela esfregou o rosto contra o peito
dele, em seguida, fechou os lábios no mamilo mais próximo de sua boca. Isso fez
Dougall parar. Ninguém jamais tocara em seus mamilos. Ele nunca pensou que fazer
isso iria afetá-lo, mas ela estava beliscando e sugando e isso
agora, definitivamente, estava tendo um efeito, ele percebeu e deu outro passo.
Murine gemeu quando seus corpos se esfregaram e depois beliscou seu mamilo,
antes de liberá-lo para levantar a cabeça em busca de seus lábios.
Dougall sorriu fracamente quando viu como já estavam inchados de seus beijos,
depois abaixou a cabeça para cobrir a boca com a sua, enquanto dava o próximo
passo. Quando a língua dela deslizou para fora e empurrou entre os lábios dele, ele
quase caiu de joelhos com surpresa. Embora Murine sempre respondesse
ansiosamente aos seus beijos, este foi o primeiro sinal de iniciativa que ela mostrou e
seu coração quase voou para fora de seu peito, com emoção, com a ação.
Ah, sim, ela realmente seria uma ótima esposa, ele decidiu e transpôs o resto do
caminho até a cama, mais rapidamente. Uma vez lá, em vez de deixá-la no chão,
Dougall se acomodou na cama, arrumando-a em seu colo enquanto o fazia, antes de
interromper o beijo. Ele então se recostou, segurando os braços dela para incentivá-la
a ficar erguida, como ele.
Murine piscou para ele, acordada, mas obviamente confusa, com essa nova
posição, e ele sorriu, sua voz um grunhido rouco, enquanto ele instruía: — Cavalgue-
me, moça. Tire seu prazer do meu corpo. Você pode ir tão rápido ou tão... — Suas
palavras morreram em uma funda ingestão de ar, quando ela subitamente mexeu seus
quadris acima dele.
— Como? — Ela exigiu em um sussurro agudo. — Diga-me o que...
Agora era a vez de Murine inspirar quando ele deslizou uma das mãos para
baixo, entre o lugar onde eles estavam juntos e começou a acariciá-la. Murine não
pediu mais instruções. Agarrando o braço da mão que ele tinha em sua cintura, ela
começou a mover seu corpo em suas carícias, seus quadris subindo e descendo,
girando e deslizando para frente e para trás.
Dougall tentou controlar o movimento dela com suas carícias e a mão que tinha
na cintura, mas era como tentar controlar um cavalo selvagem. Ela não estava
interessada em sua orientação, ela estava fazendo exatamente o que ele sugeriu e
usando seu corpo, enquanto ela perseguia a excitação que ele estava agitando. O
problema era que, o que ela estava fazendo, estava funcionando muito bem. Sua
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excitação estava crescendo aos trancos e barrancos e Dougall temia muito que ele
chegasse ao final da corrida, antes que ela o fizesse, se não parasse.
Em uma tentativa desesperada de fazê-lo, ele parou de acariciá-la e agarrou
seus quadris, mas ela simplesmente se inclinou para frente, mudando seu ângulo o
suficiente para que estivesse acariciando-se em seu corpo. Isso era ainda pior para ele
e Dougall mudou de tática, tentando pensar em coisas desagradáveis, para afastar sua
crescente excitação. Infelizmente, seus seios balançavam diretamente sobre seu rosto
e era difícil pensar em algo desagradável, com essa visão.
Dougall estava prestes a recorrer a morder a própria língua, para impedir que
seu corpo encontrasse a libertação quando, de repente, Murine começou a se debater
acima dele, seu corpo apertando e pulsando forte em torno de seu equipamento,
enquanto ela gritava seu prazer. Aliviado além dos limites, Dougall imediatamente
assumiu a direção dessa cavalgada e bombeou para dentro dela, com força, duas
vezes, antes que a liberação, que ele estava tentando evitar, o atropelasse como o rei e
sua corte invadindo uma mesa em uma festa. Quando acabou, ele encontrou Murine,
caída em cima dele, já dormindo novamente.
Rindo suavemente para si mesmo, ele passou os braços ao redor dela, com
cuidado para evitar sua ferida, e então simplesmente ficou lá, segurando-a enquanto
ela dormia.

Murine bocejou sonolenta e se mexeu na cama, franzindo a testa quando seu


joelho bateu em algo extremamente duro. Piscando, abrindo os olhos, ela olhou para
sua cama. O que seu joelho tinha batido era um grande joelho erguido, e sua cama era
o corpo de Dougall. Murine estava deitada com o quadril e uma perna na cama e a
cabeça e a parte superior do corpo atravessado sobre o peito dele. Sua outra perna
estava espalhada sobre uma das dele. Era a mais indelicada posição.
Levantando os olhos, ela olhou para o rosto dele na luz do começo da tarde. Ela
não era boa desse ângulo, mas achou que ele poderia estar dormindo. Isso era algo,
pelo menos. Quão embaraçoso teria sido se ele estivesse acordado e a observando
babar em todo o seu tartan? E ela definitivamente estava fazendo isso, ela decidiu,
quando sentiu a umidade debaixo de sua bochecha. O pensamento a fez franzir a
testa. O homem nem tinha tirado as roupas, enquanto ela estava completamente
nua. Quão justo isso era?
— Moça?
Murine enrijeceu e levantou a cabeça novamente, olhando-o
cautelosamente. Ela não tinha certeza do porquê, mas algo em seu tom a colocou em
alerta. Ela teve a sensação de que ele estava prestes a lhe dizer algo desagradável.
Amando um Highlander – Lynsay Sands
— Sinto muito, moça, eu pretendia conversar com você mais cedo, mas então...
Ele fez uma careta e depois disse quase se desculpando: — Você percebe que isso
significa que temos que nos casar.
Murine olhou para ele, incerta. Não era porque, apesar de suas palavras, ele
não parecia nem um pouco arrependido, ou até porque ela tinha certeza que tinha
ouvido uma nota de regozijo em sua voz. Foram as próprias palavras.
— Eu achava que íamos casar de toda forma. Você disse a Aulay...
— Você se lembra disso? — Perguntou Dougall, surpreso.
— Sim, — ela murmurou e se perguntou se não deveria. Ele não quis dizer isso
na época?
— Eu pensei que você poderia estar em choque e não tinha ouvido, — ele
admitiu, com um sorriso irônico.
— Oh, — Murine murmurou e abaixou a cabeça, sem saber o que pensar
agora. Ele disse isso porque não esperava que ela se lembrasse? Ele não quis dizer
isso afinal? Deus querido, ela tinha...
— Eu sinto muito, — ele repetiu e ela não precisou olhar para ver que ele estava
franzindo a testa. — Eu compreendo que talvez eu não seja tudo o que você queria.
Assustada, ela levantou a cabeça. — O que você quer dizer?
— Bem, Aulay é o mais velho. Ele herdou o título e o castelo, — assinalou
Dougall, depois deu de ombros e disse: — Não que precisemos morar em um
casebre. Entre meu trabalho como mercenário, atuando como o imediato de Aulay, e
minha criação de cavalos, economizei bastante dinheiro ao longo dos anos. Eu vou
construir uma boa casa para nós. Mas vai levar algum tempo, e podemos ter que ficar
aqui ou com Aulay, enquanto nossa casa está sendo construída.
Murine inclinou a cabeça e franziu a testa para ele. — Você acha que eu me
importo com isso? — Ela não deu a ele a chance de responder, mas continuou: —
Você me acha tão fraca de carater que eu iria escolher um título e um castelo, acima
de um homem?
— Muitas mulheres iriam, — ele assinalou gentilmente.
— Sim, — ela concordou severamente, empurrando-se até suas mãos e joelhos
e, em seguida, voltando a sentar-se nos quadris, enquanto ela desabafava: — Mas
essas mulheres não passaram um ano sob o jugo de um irmão que se deleitava em
atormentá-la sobre tudo o que ela perdeu, e que iria vendê-la para o primeiro homem
que viesse junto com algo que ele quisesse.
Chorando de desgosto, Murine desceu da cama e correu para pegar sua
camisola e vesti-la. — Eu vivi em um castelo com um homem com título, Dougall, e
era infeliz lá. A habitação não faz a casa. As pessoas nela fazem. Eu...
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Ela parou surpresa, quando ele estava, de repente, na frente dela, segurando
suas mãos.
— Sinto muito, — disse ele, pela terceira vez, mas desta vez parecia sincero. —
Eu não queria ofender você.
— Bem, você o fez, — Murine disse calmamente. — Honestamente,
Dougall. Hoje nesta cabana... Ela acenou ao redor e encolheu os ombros, infeliz. —
Este foi o dia mais feliz da minha vida até hoje. — Olhando para ele, sinceramente,
ela acrescentou: — E isso inclui todos os meus anos crescendo em Carmichael, com
minha família que eu amava muito. Eu tive uma infância feliz, e talvez os últimos anos
e perdendo todos aqueles que eu amei, me escureceram as lembranças, mas nenhum
deles pareceu tão brilhante para mim como simplesmente jogar xadrez e falar com
você e...
Corando, ela calou.
Dougall sorriu fracamente e sugeriu: — E jogar jogos da cama comigo?
— Nós não estávamos na cama na segunda vez, — ela assinalou secamente,
mas não brigou com ele quando ele a puxou, para descansar em seu peito.
— Você quer dizer a primeira vez, — ele corrigiu.
— Não. A primeira vez estávamos na cama e você correu escada acima para
fechar as venezianas, — murmurou Murine, em seu peito.
— Oh. Sim, — ele murmurou, esfregando sua bunda através de seu vestido, em
vez de arriscar esfregar suas costas, errando e acertando sua lesão. — Eu não estava
contando aquele momento. Nós não fizemos isso até o fim.
Ela encolheu os ombros em seus braços, apertando um pouco mais até que
seus seios estavam grudados no peito dele e o ápice de suas coxas estivesse
pressionando contra sua pélvis. Ainda assim, foi só quando ela inclinou a cabeça para
trás e deslizou as mãos para cima e ao redor de seu pescoço, para puxar seu rosto
para baixo para um beijo, que ele percebeu que a estava excitando com sua carícia. E
que ele também despertara algum interesse em si mesmo, com a ação. Cristo! Ele não
podia nem estar perto da moça sem querê-la. Ele deveria saber que tocá-la tão
intimamente levaria a...
— Não, Murine, — Dougall respirou, parando antes que sua boca tocasse a
dela. Retirando a mão que estava apertando seu traseiro, ele pegou seus braços e os
arrastou para baixo. — Você vai repuxar seus pontos se esticando assim. E você
estará dolorida, se nós fizermos de novo. Se você ainda não estiver, — ele acrescentou
com uma carranca e perguntou. — Como você se sente? Você está sensível?
— Um pouco, — ela admitiu. — Mas eu ainda quero você.

Amando um Highlander – Lynsay Sands


Dougall olhou-a fixamente, atordoado que ela admitisse tanto. Ele não tinha
dúvidas de que Murine era virgem até hoje. Inferno, ela nem sabia como beijar no
início, mas aprendeu rápido e parecia ter pouca vergonha quando se tratava da
cama. Deus abençoe seus pais por criá-la para ser assim e não a tornar uma criatura
fria e tímida, como ele ocasionalmente encontrou no passado, pensou Dougall, de
repente.
— Por favor, Dougall? — Ela se moveu contra ele, e então se levantou na ponta
dos pés para pressionar um beijo em seu pescoço. Ele foi tentado, mais do que
tentado, mas ele não a queria ferida e precisando de uma semana para se recuperar.
— Está com sede? — ele perguntou, de repente, esperando distraí-la o tempo
suficiente para ela se cansar de novo.
Murine se afastou para piscar para ele. — Com sede?
— Sim. Estou com sede — anunciou ele. — Vá se sentar na cama e eu vou
buscar um pouco de sidra. Então talvez nós vamos... — Ele deixou sua voz ir embora.
Com um grande sorriso no rosto, Murine se virou e voltou para a cama.
Ela estava realmente pulando, pelo amor de Deus! Dougall pensou com
espanto. Como uma criança a quem foi prometido um presente. Ele
deveria apenas segui-la até a cama, curvá-la e dar-lhe um bom sexo. Deus sabia que
seu corpo estava clamando por ele para fazê-lo... novamente.
Dando uma sacudida na cabeça, Dougall virou-se abruptamente e foi até a
lareira. Ele havia retirado a sidra com tintura quando limpou a mesa para jogar
xadrez, depois de tomar a sopa. Agora ele a pegou e demorou um pouco para despejá-
la em um novo recipiente, e depois diluí-la com uma nova sidra, antes de se servir
também. Ele levou os dois de volta para a cama.
— Aqui está, — disse ele, entregando-lhe a sidra misturada com a tintura de
Rory. Ele levantou sua própria bebida, para tomar um gole, enquanto esperava que ela
tomasse a outra, então quase engasgou com o líquido, quando ela soltou a roupa de
cama e as peles que ela puxara até o peito e ele viu que ela tinha tirado o
vestido. Como ele não tinha percebido que os ombros dela estavam nus? Ele se
perguntava, enquanto a observava tomar vários goles de sua bebida. Ela franziu o
nariz um pouco depois do terceiro e reclamou: — É amargo.
— Ainda há um pouco da tintura de Rory, — explicou Dougall, solenemente. —
Ele disse que reconstruiria suas forças. Beba para que eu possa remover as canecas e
me juntar a você.
Era tudo o que ele tinha para dizer; ela tomou o resto de sua bebida em dois
grandes goles e então sorriu, enquanto lhe entregava o recipiente vazio.

Amando um Highlander – Lynsay Sands


Dougall levou as canecas vazias para a mesa e colocou-as lá, depois voltou para
a cama.
— Você sabe, você já me viu toda, mas ainda tem que retirar o seu tartan —
Murine assinalou e enquanto havia uma malícia definida em sua expressão, não havia
sinal de cansaço.
Parecia que sua exaustão anterior havia desaparecido. Dougall estava tentando
decidir se era uma coisa boa ou ruim, quando suas palavras de repente se registraram
e ele olhou para baixo. Ela estava certa, claro, na mesa ele tinha simplesmente
levantado a barra de seu tartan, e então eles ainda estavam unidos enquanto ele a
levou para a cama.
— É muito injusto, — acrescentou Murine.
Na verdade, ele achava que era. Sustentando seu olhar, Dougall pegou o
pingente em seu ombro e o removeu. Seu tartan imediatamente caiu. Deixando-o onde
caiu, ele se afastou e cruzou a metade do caminho para a cama, antes de parar e
puxar a camisa sobre a cabeça.
— Oh, Dougall, — Murine respirou, ajoelhando-se e rastejando até a beira da
cama, deixando as roupas e as peles para trás.
— Sim? — Perguntou ele, olhando-a mais uma vez, buscando quaisquer sinais
de cansaço, antes de se aproximar da cama.
— Você tem o peito muito bonito, — ela murmurou.
Ele não pôde deixar de notar, porém, que não era seu peito que prendia sua
atenção. Ela estava olhando mais ao sul disso. Ele não ficou terrivelmente
surpreso. Esta foi, provavelmente, a primeira vez que ela deu uma boa olhada em um
corpo masculino. Dougall tinha certeza de que ela tinha tido um vislumbre, aqui e ali,
então teria tido uma ideia do que esperar para ver em sua noite de núpcias. Era difícil
não ter nos confins próximos de um castelo onde havia pouca privacidade. Mas ele
tinha certeza de que ela nunca teve um que ela pudesse inspecionar mais
profundamente, como ela estava fazendo agora, olhando para seu membro, de repente,
crescente. Seu pênis obviamente se considerava uma flor e os olhos dela o sol,
reconheceu Dougall e suspirou para si mesmo. Ele realmente não queria arriscar de
novo com ela e talvez fazer-lhe mal.
Ao ver a mão dela se aproximando, Dougall saiu do alcance e se sentou na beira
da cama. Murine imediatamente o seguiu, sentando-se ao lado dele.
— Temos que ter cuidado, — ele falou solenemente.
Ela assentiu imediatamente, embora ele suspeitasse que não estava prestando
muita atenção nele. Pelo menos, não em suas palavras.

Amando um Highlander – Lynsay Sands


Pegando o queixo dela na mão, ele levantou-o e disse: — Devemos ir devagar e
gentilmente para nos impedir de machucá-la.
— Sim, Dougall — Murine sussurrou solenemente e descansou a cabeça no
peito dele, tão doce como lhe agradava, enquanto sua mão deslizava pelo seu
estômago em direção à sua virilha. Ele prendeu a respiração até que ela parou em sua
perna, sem tocá-lo, depois soltou a respiração devagar. Por um minuto, ele temeu que
ela concordasse e depois se jogasse direto para isso. Murine tinha uma tendência
angustiante para fazer isso, ele notou. Ela se precipitou e salvou Saidh e Jo quando
suas vidas estavam sob ameaça, ela se precipitou para o andar de cima e arrumou
uma sacola para fugir de seu irmão em Danvries e ela se precipitou...
Os pensamentos de Dougall morreram quando um ronco suave atingiu seus
ouvidos. Enrijecendo, ele baixou a cabeça para olhar para o topo da cabeça de Murine,
depois girou um pouco para dar uma olhada em seu rosto. Ele não sabia se devia ficar
aliviado ou gemer de desespero, quando viu que ela estava dormindo contra o peito
dele como... bem, como alguém que estava se recuperando de uma ferida terrível e
precisando de sono para se curar.
Balançando a cabeça, Dougall saiu do lado dela e a guiou para deitar na cama
sobre o estômago. Ele então gentilmente puxou a roupa de cama e cobertas de pele
para cobri-la até a cintura, antes de se endireitar. Foi só então que ele percebeu que
não tinha colocado as bandagens de volta. Ele não queria se arriscar a irritar a ferida,
cobrindo-a completamente com as peles, mas ela poderia pegar um resfriado sem isso.
Mais da pomada entorpecente de Rory faria o truque, ele decidiu e a pegou da
mesa de cabeceira, onde ele a deixara mais cedo. Ele tirou um pouco do frasco e
esfregou-o entre as mãos brevemente para aquecê-lo, em seguida, espalhou-o
suavemente sobre sua ferida. Uma vez resolvido que ela não sofreria nenhuma dor, ele
puxou os lençóis para cobri-la e se endireitou. Então ele apenas ficou lá olhando para
ela. Murine Carmichael. Logo iria ser Murine Buchanan. Ela iria ser a esposa dele,
pensou com um sorriso.

Amando um Highlander – Lynsay Sands


Capítulo 11

D ougall ouviu os cavalos enquanto entravam na clareira ao redor da


cabana. Piscando os olhos para abrirem, ele se endireitou de onde estava encostado
na cabeceira da cama e deslizou os pés para o chão. Ele tinha estado acordado a
maior parte da noite, primeiro para vigiar Murine, e depois se preocupando com seus
irmãos, quando eles não voltaram ao cair da noite. Ele não tinha certeza a que horas
tinha desistido e se sentado na cama, ao lado de Murine, mas ele tinha adormecido
sentado. A julgar pela luz que entrava pelas aberturas nas persianas, já era da metade
para o fim da manhã. De pé, ele rapidamente atravessou a cabana até a porta e saiu
para cumprimentar seus irmãos com uma carranca.
— Por quê demônios demoraram tanto tempo? — Ele atacou, quando eles
pararam e começaram a desmontar.
— Danvries estava em Buchanan, — Conran anunciou, como se isso dissesse
tudo, e de certa forma, dizia. Isso certamente desculpou qualquer atraso no retorno
deles.
— Ele viu você? — perguntou Dougall, franzindo a testa, aceitando a sacola que
Conran tirou da sela e entregou a ele.
— Não, — Conran assegurou-lhe. — Os homens na muralha nos viram nos
aproximando. Um deles saiu para nos avisar. Nós acampamos na floresta até que ele e
seu grupo partissem esta manhã e depois continuamos para o castelo.
— Ainda bem que o fizemos — sugeriu Alick, desamarrando uma sacola de sua
própria sela e se aproximando. Aulay disse a ele que ainda não havíamos
retornado. Ele teria reconhecido a mentira e exigido saber onde você e Murine
estavam, se tivéssemos chegado enquanto ele estivesse lá.
— É por isso que Aulay mandou os homens vigiarem e mandou alguém nos
alertar — Geordie assinalou secamente, juntando-se a eles com uma sacola
própria. Voltando sua atenção para Dougall, ele acrescentou: — Aulay disse a ele que
Saidh havia se casado com o MacDonnell. Danvries disse que verificaria lá em
seguida, mas que lhe mandasse dizer se retornássemos e Murine estivesse conosco.
Dougall bufou com o pensamento. Eles mandariam dizer a Danvries quando o
inferno congelasse. Ele nem pretendia mandar dizer que eles estavam casados, depois
que a ação estivesse feita. Tanto quanto lhe dizia respeito, Danvries não fazia mais
parte da vida de Murine. Ela era dele agora.
— Murine já está acordada? — Perguntou Alick, segurando a bolsa. — Nós
trouxemos seus vestidos.
Amando um Highlander – Lynsay Sands
— Ela ainda estava dormindo quando eu saí, — Dougall murmurou e, em
seguida, olhou para cada um dos sacos. — Se a bolsa de Alick tem vestidos, o que há
nas outras duas?
— Vestidos, — Geordie e Conran disseram, como se fossem um. Quando
Dougall arregalou os olhos deles, para os grandes sacos, Conran deu de ombros e
disse: — Bem, não sabíamos o que Murine gostaria. Decidimos trazer todos e deixar
que ela escolhesse.
— E o pão, o queijo e o vinho que vocês deveriam buscar? — perguntou
Dougall, incrédulo. Seria um dia raro, na verdade, que seus irmãos esquecessem suas
barrigas.
— Podemos caçar, mas logo vocês vão se cansar de uma dieta só de carne.
— Está tudo vindo, — disse Conran suavemente. — Uma carroça está nos
seguindo com tudo isso.
— E o resto dos vestidos, — Geordie acrescentou, com diversão. Quando
Dougall olhou para ele sem expressão, ele deu de ombros e assinalou: — Bem, entre
aqueles que Saidh deixou para trás e o guarda-roupa de mamãe, havia muitos
vestidos. Não podíamos carregar todos nós mesmos e a comida também.
— Nós andamos a maior parte do caminho com a carroça, mas trotamos à
frente uma vez que chegamos perto da casa, para que Murine pudesse se vestir antes
que os homens chegassem com o carrinho e ajudassem a descarregar tudo, —
acrescentou Alick, passando por ele em direção à cabana.
— A moça acordou por mais de um minuto ou dormiu durante a nossa
ausência? — perguntou Conran, quando Dougall se apressou atrás de Alick.
— Ela acordou, — disse Dougall imediatamente. — Nós comemos, jogamos
xadrez e... outros jogos, — ele terminou, vagamente.
— Bem, isso é bom de ouvir, — disse Conran.
Dougall apenas grunhiu e correu para a cabana. Ele olhou ao redor, em
seguida, até que ele viu Alick ao lado da cama, olhando para uma Murine ainda
dormindo.
— Ela parece melhor, — ele anunciou em um sussurro alto. — Ela tem alguma
cor em suas bochechas agora.
— Sim, — Dougall murmurou, parando ao lado do homem mais jovem e
sorrindo ao notar que Alick estava certo. — O exercício parece estar fazendo bem a ela.
— Andar até a mesa, sentar-se para um ou dois jogos e voltar para a cama,
dificilmente é um exercício — disse Conran, divertido, ao se juntar a eles ao lado da
cama.

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Dougall não achava que ele movia um músculo com as palavras de Conran,
mas ele deve ter se encolhido, ou feito outra coisa para se entregar, porque no
momento seguinte Conran estava respirando fundo.
— Não me diga isso! — Ele gritou com desânimo. — Não com a moça tão ferida
e doente!
— O quê? — Dougall perguntou, com falsa inocência.
— Você fez! — Conan acusou. — Seu Diabo sujo! Você não poderia pelo menos
ter lhe dado tempo para se curar primeiro?
— O que ele fez? — Alick perguntou com preocupação.
— Ele pegou nossa Murine — disse Geordie secamente, aparentemente capaz de
entender o que Alick não conseguia.
— Ele não fez, — Alick disse de repente. — Ela não o deixaria. Eles não são
casados ainda.
— Talvez ela ainda estivesse dormindo — grunhiu Conran e recuou vários
passos quando Dougall se afastou e lhe deu um soco no rosto. No momento em que
recuperou o equilíbrio, Conran atacou Dougall. E então, todo o inferno se libertou.

Foi um estrondo o que acordou Murine. Piscando ao abrir os olhos, ela


estremeceu quando várias dores e aflições a atingiram. A maioria era por dormir,
imóvel, de barriga para baixo, por dias a fio. Mas a pior dor vinha da ferida nas
costas. Ela precisava de mais da pomada entorpecente de Rory.
Murine mal teve esse pensamento, quando outro estrondo chamou sua
atenção. Franzindo a testa, ela torceu a cabeça para olhar ao redor, e então parou,
seus olhos arregalando-se incrédulos, quando olhou para os quatro homens rolando
no chão da cabana, com os punhos voando, enquanto eles colidiam em vários
móveis. Cadeiras foram caindo quando eles rolaram em direção ao fogo, então eles se
dirigiram para o outro lado, derrubando a mesa de cavalete.
— Que diabos, — ela murmurou e passou para suas mãos e joelhos, em
seguida, virou-se para sentar na cama, para olhar para eles. E isso foi tudo o que ela
fez; olhar fixamente. Murine não sabia o que fazer com uma situação como essa. A
vida em Carmichael nunca tinha sido assim... bom... turbulenta. Seus irmãos nunca
tinham lutado no castelo. Eles nunca realmente lutaram, ponto final. Se eles tivessem
um desentendimento, o pai deles os levaria para o pátio e eles lutariam entre si e com
todos os outros soldados do castelo, até que eles expelissem sua raiva. Eles nunca
teriam rolado, batendo nos móveis e quebrando-os. Sua mãe teria agarrado todos eles
pelos cabelos se eles tivessem tentado. Incluindo o pai dela. Não era que a mãe dela
tivesse dominado o pai dela. Ela não tinha; ele definitivamente tinha sido o líder do
Amando um Highlander – Lynsay Sands
casal. Mas ela dominava a casa e com um punho de ferro. Esse tipo de
comportamento não teria sido aceitável.
Embora, Murine admitiu enquanto observava os homens caírem de volta sobre
as cadeiras ao lado da lareira, fosse muito divertido assistir. Ou seria, se você não se
importasse demais com um deles e bastante com os demais, e não quisesse ver
nenhum deles machucado. Honestamente, eles estavam dispostos a se matar com
esse absurdo, ela pensou, e então olhou para a porta quando alguém bateu nela. O
olhar dela voltou-se para os homens, mas eles não pareciam ter ouvido as batidas
acima das suas próprias pragas e da algazarra que estavam fazendo, então Murine
soltou um suspiro e deslizou para fora da cama. Ela ficou muito aliviada ao descobrir
que a fraqueza do dia anterior tinha desaparecido completamente, enquanto
atravessava o piso. Na verdade, tinha sido bastante inquietante sentir-se tão
fraca. Pior ainda do que o assunto do desmaio, que agora parecia estar resolvido, ela
pensou ao abrir a porta para Niels Buchanan.
— Er... Lady Carmichael. — O olhar de Niels deslizou incerto sobre sua
camisola, antes de se fixar em seu rosto e permanecer decididamente ali.
— Minhas desculpas pelo meu tipo de vestimenta. Temo não ter nada para
vestir, — murmurou Murine, lutando para não se cobrir com as mãos. Realmente,
embora soubesse que era totalmente inadequado atender a porta como ela estava, ela
não tinha um vestido para vestir. Além disso, a camisola, com gola alta e mangas
compridas, cobria mais do que os vestidos, de qualquer maneira. Infelizmente, dizer
isso a si mesma não impedia o rubor, que ela podia sentir, florescendo em sua pele.
— Meus irmãos não lhe deram os vestidos? — perguntou Niels, franzindo a
testa, enquanto um homem mais velho aparecia por trás dele.
— Vestidos? — Murine perguntou com interesse.
— Sim. — O homem mais velho confirmou. — Eles seguiram na frente com
eles, para que Dougall os desse a você e você se vestisse, antes de chegarmos. Então
não se sentiria desconfortável entre todos nós, homens.
— Oh, — Murine murmurou e se virou para olhar Dougall e os três irmãos que
ela conhecia melhor, quando outro estrondo soou. Eles bateram em um dos baús
colocados ao redor da sala, ela olhou, e observou o quarteto rolar em direção à cama,
enquanto ela explicava: — Eu tinha acabado de acordar e encontrei-os assim. Eu acho
que eles esqueceram dos vestidos.
O homem mais velho se aproximou de Niels e olhou para o local, para os
irmãos. Balançando a cabeça, ele disse: — Você deve perdoar meus sobrinhos. Eles
são bons rapazes na maior parte do tempo, mas podem ser idiotas de vez em quando.
— Sobrinhos? — Murine perguntou com surpresa, voltando-se para o homem.
Amando um Highlander – Lynsay Sands
— Sim. Eu sou Acair Buchanan. O irmão mais novo do pai desses garotos, —
anunciou ele, acenando para a pilha de homens que rolavam pelo chão, praguejando
com fúria e com os punhos ainda voando. — Eu estava fora quando você chegou a
Buchanan com os rapazes. Então, quando soube que Dougall estava se casando com
você, decidi viajar com Niels, para entregar os suprimentos e conhecê-la.
— Oh, que gentil, — Murine disse, sinceramente. — É adorável conhecer a
família de Dougall.
— Logo vai ser sua família também, moça, — Acair disse solenemente.
— Sim. — Murine sorriu ao dizer isso. Ela tinha uma família novamente. Ou
teria, logo que ela e Dougall se casassem.
— Acho que vejo os sacos que os rapazes trouxeram, — disse Acair gentilmente,
tirando-a do silêncio. — Dois deles pelo menos. Colocados ali ao lado da cama.
Murine se virou para olhar em volta, para a sala e desta vez avistou-os
imediatamente. Eles estavam colocados no chão ao lado da cama, como ele havia
dito. Era uma sorte que ela não tivesse tropeçado neles, no caminho para a porta. Não
que ela fosse parar para ver o que havia neles, com alguém batendo na porta.
— É melhor você deixar Niels pegá-los, moça — disse Acair, pegando seu braço
para impedi-la, quando ela começou a se mover da porta para buscar as sacolas. —
Os rapazes podem derrubá-la se você tentar.
— Oh. Tudo bem, — Murine murmurou, quando Niels imediatamente começou
a atravessar a sala, conseguindo evitar a massa rolante de fúria masculina,
esquivando-se uma ou duas vezes. Niels pegou as duas sacolas ao lado da cama,
virou-se para ir para a porta, depois desviou para a direita para evitar seus irmãos
novamente e, aparentemente, avistou a terceira sacola e se esquivou para pegá-la
também, antes de correr para a porta.
— Aqui estão, — ele disse, soando um pouco sem fôlego, enquanto estendia as
bolsas.
— Obrigada. — Ela sorriu para ele enquanto pegava as bolsas, surpresa com o
quão pesadas elas eram. Elas deviam estar abarrotadas de vestidos para serem tão
pesadas, ela pensou franzindo a testa, depois virou para a cabana e olhou para as
escadas. — Eu vou apenas subir as escadas e mudar...
— Aqui. — Acair pegou as bolsas que Niels acabara de lhe dar. Segurando-as
em uma mão, ele pegou o cotovelo dela na outra. — É melhor eu escoltar você, moça,
para que aqueles idiotas não a derrubem no seu caminho. Olhando de relance para
Niels, ele sugeriu: — Por que você não começa a pegar baldes de água do poço? Estou
pensando que precisaremos de pelo menos quatro.
Niels assentiu e saiu correndo.
Amando um Highlander – Lynsay Sands
Antes que Murine pudesse perguntar para que servia a água, Acair começou a
conduzi-la através da sala até a escada, e ela relutou em distraí-lo. Atravessar a sala
era algo como uma dança. Acair apressou-a nos primeiros passos, fez uma pausa
abrupta para evitar as pernas se agitando enquanto os homens voavam, depois
impeliu-a dois passos para a esquerda e para a frente, antes de parar novamente
quando Alick passou voando por eles para bater contra a parede e cair no chão. Eles
observaram o mais novo Buchanan se sacudir, ficar de pé e mergulhar de volta na
batalha, então o tio a empurrou para os últimos passos até a escada.
Eles eram capazes de se mover mais devagar agora, mas, para seu espanto,
Murine se viu um pouco sem fôlego a essa altura. Era um lembrete de que ela ainda
estava se recuperando de sua lesão. Esta era apenas sua segunda vez fora da cama.
Percebendo seu estado, sem fôlego, em vez de mandá-la subir, Acair pegou as
sacolas que ela carregava e empurrou-a para a frente, para a escada, dizendo: — Vou
levar essas coisas lá em cima para você. Tome seu tempo com as escadas. Você ainda
está se recuperando.
— Obrigado, — repetiu Murine e começou a subir as escadas, movendo-se o
mais rápido que podia, o que não foi nada rápido. Quando chegou ao topo, tudo o que
ela queria era sentar-se... e um pouco de ar frio. Não necessariamente nesta
ordem. Seu coração estava acelerado; ela estava sem fôlego e até mesmo suando, com
o pequeno esforço que tinha sido subir as escadas, o que parecia lamentável para ela.
Acair subiu ao patamar e se moveu ao redor dela, para abrir a porta do quarto
de cima. Ele entrou, colocou as sacolas na cama grande, depois virou-se, fez uma
reverência para ela e dirigiu-se à porta, dizendo: — Enquanto você muda de roupa,
ajudarei Niels a buscar mais água. Estou pensando que pode levar mais do que os
quatro baldes que eu originalmente pensei, para apagar o fogo na barriga dos meus
sobrinhos.
Murine abriu a boca para agradecer-lhe mais uma vez, porém ele levantou a
mão para impedi-la.
— Moça, se você me agradecer novamente, eu me sentirei insultado. Você será
em breve da família, e isso foi muito pouco para fazer por você. Tome seu tempo aqui
em cima. Sei, por experiência, que meus sobrinhos demoram a esfriar uma vez que
seu temperamento está alto. Pode levar até oito viagens ao poço para separá-los.
Murine sorriu fracamente e assentiu enquanto ela o observava fechar a porta,
então moveu-se pelos poucos passos necessários para alcançar a cama e afundou,
para se sentar na beira dela. Bom Deus, ela era patética, Murine pensou,
pressionando a mão contra o peito, enquanto esperava que seu coração parasse de
bater ferozmente. Estava indo tão selvagem quanto no dia anterior, sob a influência
Amando um Highlander – Lynsay Sands
das carícias de Dougall. A única diferença era que então ela não queria parar. Seu
coração poderia ter saído de seu peito e ela não ia querer parar. Tudo tinha lhe
parecido muito bom.
Murine estremeceu com a lembrança, depois foi até a janela e abriu as
persianas para encontrar um pouco de ar fresco. A cabana estava aquecida graças ao
fogo abaixo, mas estava positivamente sufocante aqui em cima e ela já estava suando,
por subir as escadas.
Um dia escuro e cinzento a encontrou, quando as venezianas se abriram, mas
Murine não se importou. Ela apenas levantou a cabeça, inclinou-se um pouco e sugou
o ar frio e refrescante. Então ela se debruçou na borda da janela, para permitir que o
ar passasse por ela, por mais um momento. Uma vez que seu batimento cardíaco
interrompeu sua corrida e ela se sentiu um pouco menos suada, Murine começou a
voltar para o quarto, mas parou quando viu um pedaço de tecido preso em uma fenda
entre duas pedras, na borda da rocha. Curiosa, ela conseguiu puxá-lo para fora do
lugar onde estava entalado, para poder examiná-lo. Ainda estava úmido da
tempestade que eles aparentemente tiveram. Ela devia ter dormido durante isso,
pensou Murine. Ela não ouvira um som.
Virando o tecido na mão, ela dirigiu-se de volta para a cama. O tecido era
grosso, caro e irregular, como se tivesse ficado preso na fenda e arrancado. Não estava
desgastado e desfiado como se estivesse lá há séculos. Ela só podia imaginar que um
dos irmãos de Dougall deveria ter se sentado na borda, para respirar ar fresco, e
rasgado seu tartan quando voltou. Embora não correspondesse aos tartans que ela
vira dos irmãos de Dougall, nem ao de Dougall também. O pedaço de tecido era feito
com fios amarelos, verdes e vermelhos. Dougall usava um tartan azul e verde, do
mesmo material que Aulay e Niels usavam em Buchanan. Os outros tinham tartans
feitos com fios azuis, vermelhos e pretos. Diferentes lotes de tecidos, ela
imaginou. Mas então, talvez um deles tivesse mudado de tartan depois de chegar
aqui. Ela não tinha realmente notado o que os meninos estavam vestindo quando
rolaram no chão.
Murine parou na cama e jogou o pedaço de tecido ao lado das sacolas que Acair
havia colocado lá e depois abriu a primeira sacola, o tecido logo esquecido. Realmente
não importava de quem era. Não era como se ela pudesse costurar de volta no
lugar. Com as dobras que eles fizeram no tecido para vesti-lo, eles provavelmente nem
notaram a peça faltando.
Como ela havia imaginado, havia vários vestidos espremidos em cada
sacola. Isso significava que cada um deles era uma confusão de rugas, quando Murine
os puxou. Ela arrastou todos os vestidos, de cada sacola, depois os examinou
Amando um Highlander – Lynsay Sands
rapidamente, antes de escolher o menos enrugado, que ainda estava terrivelmente
enrugado. Mas não havia nada que pudesse fazer sobre isso, então Murine
simplesmente tirou a camisola e vestiu o vestido azul escuro, que era o melhor do
grupo. Ela então levou os outros até a janela e os pendurou nas persianas, esperando
que o ar úmido ajudasse a remover o pior das rugas neles.
Deixando o quarto então, Murine se moveu para o topo da escada e olhou ao
redor, na sala abaixo. Parece que Acair tinha conseguido acalmar seus sobrinhos. Pelo
menos eles não estavam mais rolando no chão abaixo. Na verdade, eles nem estavam
lá. A sala estava completamente vazia.
Sem dúvida, eles estavam do lado de fora, descarregando os suprimentos que
Acair havia mencionado, supôs Murine, e segurou o corrimão para começar a descer
as escadas. Ela só tinha conseguido dar o primeiro passo, quando a porta se abriu e
Dougall entrou. Seus irmãos, tio e o outro homem, que trouxera os suprimentos, o
seguiram. Cada um deles estava carregando uma caixa, uma sacola ou um barril, e
Murine fez uma pausa, com os olhos arregalados. Bom Deus, quanto tempo eles
pensavam ficar aqui? Ela se perguntou e começou a descer para o próximo degrau,
mas congelou quando Dougall a viu e gritou: — Pare.
Ainda carregando o baú que ele empoleirara no ombro, Dougall subiu os
degraus e instou-a de volta ao patamar. Ele então a conduziu de volta ao quarto de
dormir.
— Há mais vestidos aqui para você escolher, — anunciou ele, ao colocar o baú
ao pé da cama.
— Oh, — Murine moveu-se em direção ao baú, pensando que ele queria que ela
os experimentasse agora, mas ele segurou seu braço para detê-la, quando ela se
moveu em direção a ele.
— Você pode olhá-los mais tarde, — ele anunciou, levando-a de volta para o
patamar.
Ela olhou para ele com uma combinação de irritação e confusão. — Então por
quê você me impediu de descer?
Dougall a pegou em seus braços, com cuidado para evitar sua lesão, então
começou a descer as escadas com ela, dizendo: — Porque você estava oscilando como
uma chama de vela em uma brisa. Você ainda está fraca demais para administrar
escadas. Eu não vou vê-la caindo e quebrando seu pescoço.
Murine apenas fez uma careta, ciente de que ela tinha estado com as pernas
tremendo, quando começou a descer as escadas. Foi realmente um pouco de alívio que
ela não tivesse tido que fazê-lo sozinha, pensou, enquanto Dougall a levava até a mesa
e a colocava no final de um dos bancos lá.
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— Aqui está, moça — disse Acair bruscamente, colocando uma caneca na mesa,
diante dela, quase antes de Dougall terminar de colocá-la no chão. — Beba. É
sidra. Vai reconstruir seu estado de espírito.
— Aqui, Murine, você também deve tomar uma sopa — anunciou Alick,
colocando um prato da sopa fumegante diante dela. — Isso ajudará a reconstruir suas
forças também.
— E talvez um pouco de queijo, — anunciou Conran, cortando alguns de uma
grande bola que tirou de uma sacola.
— E pão, — acrescentou Geordie, colocando uma fatia de pão ao lado dela e
cortando com sua faca.
— Uma maçã. — Niels colocou na frente de sua sopa.
— E se você comer tudo isso, pode comer um dos pastéis de Cook — anunciou
Dougall, sentando-se no banco ao lado dela, para vasculhar um saco que pegara. Ele
retirou outro saco menor e abriu-o, para revelar os pastéis prometidos.
Murine olhou para todas as ofertas. Seu olhar se estreitou, ao deslizar sobre os
rostos de cada homem. — O que está errado?
Os sorrisos forçados que cada homem oferecia, imediatamente escorregaram de
seus rostos para serem substituídos por caretas, e suspiros derrotados, enquanto
todos os homens olhavam para Dougall. A mensagem silenciosa era que ficava a seu
cargo lhe dizer o que era o quê.
Dougall murmurou o que ela suspeitava ser uma praga em voz baixa, e então se
moveu infeliz em seu assento e sacudiu a cabeça. — Você deve comer primeiro. Depois
a gente conversa.
— Mas eu quero saber, — ela protestou com um olhar severo.
Ele balançou a cabeça. — Preocupação afeta seu apetite e você precisa
recuperar suas forças. Coma e depois eu explico.
— Como eu posso comer, enquanto me preocupo com o que você deve me dizer?
— Ela argumentou. É melhor saber o que está errado, do que me preocupar com o
que pode estar errado. Minha preocupação pode ser dez vezes pior do que a verdade.
— Coma, Murine. Você...
— Seu irmão chegou a Buchanan ontem, — anunciou Acair.
— Droga, tio, — Dougall retrucou.
— É melhor contar a ela, — disse Acair, com um encolher de ombros. ─ Você
estava deixando-a aborrecida com seus argumentos.
— Ele está certo, — Murine disse suavemente, dando tapinhas no braço de
Dougall enquanto falava. — Além disso, isso não é uma notícia tão desagradável. Era
de se esperar. Montrose sabe que Saidh é uma amiga e não sabe que se casou. É claro
Amando um Highlander – Lynsay Sands
que ele viria a Buchanan à minha procura. — Ela fez uma pausa e reconsiderou
brevemente, depois admitiu: — Bem, na verdade, ele saberia que ela está casada e
morando em MacDonnell, se ele estivesse interceptando e lendo minhas mensagens.
— Sim, — Conran concordou com uma carranca. — Tenho certeza que Saidh
teria escrito a você com as grandes novidades.
— O que significa que ele parou em Buchanan porque ele suspeita que estamos
ajudando você a escapar, — Alick disse com desânimo.
— Claro que sim, — disse Murine calmamente, pegando a colher para
mergulhá-la na sopa. — Se vocês não tivessem, é bem provável que não houvesse
conseguido sair da Inglaterra viva. Ele e seus homens teriam encontrado meu corpo ao
lado da estrada, uma vítima de bandidos ou de outros vagabundos.
— E mesmo assim você se arriscou a fugir de Danvries, — disse Dougall em voz
baixa. — Apesar de pensar que você poderia morrer na tentativa.
Murine encolheu os ombros. — Bem, eu estava esperando que eu não acabasse
morta. Mas eu suspeitava que provavelmente iria, — admitiu ela. — É por isso que eu
não deixaria a minha empregada vir comigo. Eu morta era uma coisa, mas eu não
seria responsável pela morte dela também. — Pausando, ela abaixou a colher e se
virou para Dougall para dizer. — O que me lembra, temos que mandar buscar Beth no
momento em que nos casarmos, Dougall. Os ingleses eram terríveis para ela em
Danvries, e não tenho certeza absoluta de que meu irmão não poderia ter
descarregado a raiva dele, por eu ter escapado, nela.
— Sim, — Dougall concordou com um suspiro, mas depois acrescentou: — Mas
essa é a segunda parte do que temos que dizer a você.
— Oh? — Ela baixou a colher, para dar-lhe toda a atenção.
— Conny e os rapazes deveriam trazer o padre junto com os suprimentos.
Murine olhou para os homens na sala. — Eu não vejo padre.
— Os rapazes tiveram que acampar nos bosques ao redor de Buchanan,
enquanto esperavam que seu irmão partisse. Quando ele o fez esta manhã, eles
montaram para recolher os suprimentos e buscar o padre, mas... Dougall fez uma
careta. — O padre está sumido.
As sobrancelhas dela se ergueram. — Sumido? Tem certeza de que ele não teria
ido apenas para cuidar de alguém necessitado? Nosso padre em Carmichael era
frequentemente chamado para cuidar dos doentes ou moribundos.
— Sim, mas perguntamos por aí e ninguém sabe de ninguém em tal estado,
— argumentou Alick, depois franziu o cenho e acrescentou: — Além disso, é muito
suspeito que ele tenha desaparecido quando seu irmão e seus homens foram embora.

Amando um Highlander – Lynsay Sands


─ Você acha que Montrose pegou seu padre? ─ ela perguntou, surpresa. — Por
que ele faria algo assim?
— Então Dougall não poderia se casar com você, — disse Alick, como se isso
fosse óbvio.
Balançando a cabeça com perplexidade, ela apontou: — Mas ele não sabe que
vamos nos casar. E duvido que ele teria imaginado que poderíamos. Ele me ofereceu a
Dougall e Dougall recusou.
— Ele não ofereceu você em casamento, — disse Dougall sombriamente, e
depois afastou isso tudo e disse: — Mais tarde vamos descobrir o que aconteceu com o
padre. Pegando suas mãos, acrescentou, desculpando-se: — Mas o fato é que, embora
eu pretendesse que nós casássemos imediatamente, não podemos fazê-lo sem um
padre.
— Oh, — disse Murine com compreensão. Eles pensaram que ela ficaria
chateada com o atraso. Sorrindo torto, ela disse: — Está tudo bem, Dougall. Nós
podemos esperar.
Suas palavras fizeram-no franzir o cenho. — Não está tudo bem. Eu quero
casar com você, caramba.
Ela piscou e então corou com as palavras, mas deu um tapinha na mão dele. —
E você irá. Tenho certeza de que o padre vai aparecer.
— Murine, você não entende, — disse Dougall com uma carranca.
— O que eu não entendo? — Ela perguntou confusa.
— Nós vamos ter que esperar. — Seu olhar caiu sobre seu corpo e sua mão
apertou a dela, enquanto ele enfatizava a palavra esperar, e Murine de repente
entendeu. Seus irmãos tinham estado com eles desde o começo até a noite passada, e
parecia que eles não pretendiam estar fora, então. Eles provavelmente não seriam
deixados sozinhos novamente. Dougall queria dizer que o gosto inebriante de paixão,
que ela tivera na noite anterior, iria ser tudo o que iam ter até que estivessem
devidamente casados e ele não gostava nada disso.
Por alguma razão, sua angústia a fez aceitar muito melhor o assunto. Sorrindo
torto, ela apertou a mão dele de volta. — Está tudo bem. Tenho certeza de que não
será longo. Se temos que esperar pelo padre, temos que esperar.
Dougall fez uma careta por sua aceitação fácil e assinalou bruscamente: —
Quanto mais esperamos, maior o risco que seu irmão a encontre e impeça nosso
casamento por completo.
Murine endureceu com essa sugestão. — Mas ele já checou
Buchanan. Certamente ele não voltará?

Amando um Highlander – Lynsay Sands


— Acha que uma vez que ele verifique e descubra que você não está em
MacDonnell, Drummond ou Sinclair, ele não voltará para Buchanan? — perguntou
Dougall, solenemente. — Nós estávamos na área quando você fugiu, e ele foi avisado
que ainda estávamos para chegar em casa, apesar do fato de que saímos à frente
deles.
— Sim, — ela concordou com preocupação, mas depois se animou e assinalou:
— Mas vai demorar um pouco para ele checar MacDonnell, Drummond e
Sinclair. MacDonnell pode estar perto, mas Sinclair está a uma boa distância ao norte,
e Drummond está quase a leste. Além disso, viajar com um grupo tão grande vai
atrasá-lo. Certamente o padre vai aparecer antes dele poder visitar cada lugar?
— Murine, ele não tem que visitar ele próprio cada lugar, — ele disse
solenemente. — Ele pode montar acampamento e enviar pequenos grupos, em
movimento rápido, para cada uma das propriedades, para perguntar por você. Ele
também pode enviar vários homens sozinhos para perguntar nos castelos ao longo do
caminho, para ver se alguém nos viu em nossas viagens.
— Oh, Deus, — Murine respirou. Não foi preciso explicar-lhe que, embora não
tivessem visto ninguém em sua jornada, isso não garantia que eles mesmos não
tivessem sido vistos. Na verdade, era quase uma certeza que eles tinham. Em
Carmichael havia sempre homens observando as estradas e as fronteiras terrestres da
propriedade, para evitar problemas. Às vezes, eles estavam escondidos nos galhos de
uma árvore, invisíveis para os viajantes, enquanto ficavam de olho. Às vezes eles
estavam viajando pela estrada, mas apressavam seus cavalos para a floresta, com
suas moitas, para se esconderem, para permitir que os viajantes passassem sem
precisar se dirigir a eles. Mas todos os lairds sabiam quem atravessava ou passava por
suas terras. Alguém teria visto os rapazes Buchanan passarem com uma moça e um
touro, e Montrose saberia disso. Se ele já não soubesse, ela percebeu. Ele poderia já
ter parado para fazer essas perguntas.
— Se ele ainda não sabe, Montrose pode descobrir tudo o que precisa antes de
amanhã à noite ou no dia seguinte — disse Dougall, confirmando seus próprios
pensamentos.
— E então ele voltaria para Buchanan, — ela percebeu, infeliz.
— Sim. — Ele assentiu, sua expressão sombria. — Precisamos nos casar
rapidamente para protegê-la.
— Oh, — ela disse, fracamente.
— Agora, não há necessidade de se preocupar muito, — disse Acair, quando
Dougall ficou em silêncio. — Aulay já enviou vários homens para encontrar e trazer
um padre. Mas, enquanto isso, você precisa ficar aqui.
Amando um Highlander – Lynsay Sands
— E talvez seja melhor você ficar do lado de dentro — sugeriu Conran, e quando
ela olhou para ele com uma carranca, ele acrescentou: — Apenas no caso dele enviar
homens para explorar nossa terra e um deles tropeçar na cabana.
— Oh. Sim. — Franzindo a testa, Murine virou-se para a sopa, pegou uma
colher cheia e rapidamente deslizou-a em sua boca. Como os homens temiam, suas
notícias afetaram o apetite dela. Ela não estava mais com fome, mas estava parecendo
mais e mais como se ela precisasse de sua força de volta, o mais rápido possível. Podia
haver problemas pela frente.
Ela estava pegando uma segunda colherada de sopa, quando a porta se
abriu. Todos se viraram para olhar quando Rory entrou, sua “sacola de ervas” na mão.
Ele ergueu uma sobrancelha para suas expressões e explicou: — Aulay achou
melhor eu checar a ferida de Murine. Ele olhou para Dougall e acrescentou: — E então
talvez eu deva ficar um pouco. No caso de precisar.
Murine voltou silenciosamente para a sopa e pensou: Correção, definitivamente
havia problemas pela frente. Pelo menos os Buchanans devem pensar que poderia
haver, se eles acreditavam que ela precisava de sete homens guardando-a aqui, nesta
pequena cabana no meio do nada. Ela supôs que não deveria se surpreender.
Murine ficou aliviada e muito feliz quando percebeu que Dougall tinha falado
sério quando disse a Aulay que planejava se casar com ela. Ela gostava muito de
Dougall. Ela respeitava sua força e inteligência e apreciava sua gentileza... e
verdadeiramente, as coisas que o homem a fez sentir com seus beijos e carícias... Sim,
ela era uma mulher de sorte e tinha pensado que seus problemas tinham acabado.
Obviamente, ela tinha sido muito otimista. Qualquer um com metade do juízo
em sua cabeça teria considerado a tristeza e a tragédia dos últimos três ou quatro
anos de sua vida, e percebido que não iria ser tão fácil.

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Capítulo 12

Murine se moveu inquieta para o lado, aliviada ao descobrir que poderia fazê-lo
sem que suas costas reclamassem. Ela estava doente até a morte de dormir de bruços
e, fazê-lo, estava realmente lhe dando dores e sofrimento que não
apreciava. Suspirando, ela enfiou um braço sob a cabeça e olhou ao redor do quarto
escuro. Quando Dougall enfatizou um pouco sobre a espera, ela achou fofo e lisonjeiro
que ele parecesse tão angustiado com a ideia de não ter acesso à sua cama, até que se
casassem de verdade. Agora ela estava achando muito menos.
Eles passaram a tarde e a noite conversando e rindo com seus irmãos e tio,
jogando xadrez e trilha. Mas o tempo todo, Dougall tinha estado ao seu lado, seu
braço e perna ocasionalmente roçando os dela, seu peito nas costas dela, enquanto ele
se inclinava por trás dela para passar algo para um dos outros homens ou para
aceitar uma bebida ou algo do tipo que eles passassem para ele.
Ao final da noite, tudo em que ela conseguia pensar era que, pelo menos, eles
poderiam compartilhar um beijo de boa noite. Afinal, ele estava indo dormir no
corredor, do lado de fora da porta do quarto superior, de modo que, sem dúvida, a
levaria para o andar de cima. Certamente ele teria a chance de beijá-la então, ela
pensou e tinha desejado aquele beijo desde então. Seu corpo estava ansioso por isso,
clamando pela oportunidade de se pressionar contra o dele, enquanto sua boca
explorava a dela.
No entanto, esse beijo nunca veio.
No momento em que anunciou seu desejo de se retirar, Dougall saltou de pé,
como se tivesse esperado, a vida toda, ouvir as palavras. No entanto, seu tio também
havia se levantado, anunciando que se juntaria a Dougall no chão, do lado de fora do
quarto dela, para ajudar a protegê-la em caso de um ataque.
Dougall parecia que queria bater em alguém com essa notícia. Quanto a
Murine, ela só queria chorar. Esse negócio de espera era um inferno absoluto.
Suspirando, ela rolou de volta sobre seu estômago e, em seguida, virou-se para
o outro lado para que ela encarasse a porta. Por um tempo, depois que ela se retirou,
houve o som de risadas e vozes graves vindo de baixo. Enquanto Dougall e seu tio se
deitaram ao mesmo tempo que ela, os outros aparentemente ficaram acordados por
um tempo. Agora só havia silêncio. Todos pareciam estar dormindo, exceto ela. Ela
estava deitada lá, inquieta, bem acordada e com sede.
Murine fez uma careta com o último pensamento. Ela bebericara o dia todo da
mesma sidra com tintura que Dougall havia colocado para ela da primeira vez. Ela
Amando um Highlander – Lynsay Sands
deveria ter recusado completamente e pedido sidra pura, exceto que, enquanto
verificava e arrumava sua ferida, Rory tinha comentado que sua tintura parecia estar
fazendo bem, e que ela estava muito mais à frente na cura do que ele esperava. Ela
decidiu que beberia a coisa ruim, mas era uma bebida desagradável e tinha levado o
dia todo para acabá-la.
Agora sua boca estava tão seca que duvidava que pudesse cuspir, mesmo se
sua vida dependesse disso. Ela nem se importaria de aceitar uma bebida dosada com
a tintura ruim neste momento. Inferno, ela até mesmo daria as boas-vindas ao pó de
dormir que estava sendo adicionado a ela. Isso parecia preferível a ficar lá, acordada e
ansiosa por Dougall. Realmente, o homem era como um doce, tão gostoso que ela
queria se empanturrar dele.
Resmungando baixinho, jogou as roupas de cama e as peles de lado e sentou-se
na cama, depois se levantou para ir até a porta. Ela considerou se vestir primeiro,
mas cada um dos homens a tinha visto de camisola. Além disso, ela suspeitava que
Dougall estaria em um estado semelhante ao dela, bem acordado, inquieto e
carente. Se assim fosse, ele sem dúvida insistiria em buscar a bebida para ela, de
qualquer maneira, para que pudesse fazer nova dosagem com o fortalecimento da
tintura. Bem, ela pensou, a menos que ele quisesse arriscar-se a entrar no quarto com
ela, enquanto os outros dormiam.
Murine supôs que deveria estar chocada com seus próprios pensamentos e
comportamento frouxo, e tinha certeza de que estaria mais tarde. Mas agora ela
continuava se lembrando da sensação das mãos dele e do gosto dele, quando ele a
beijou e ela não deu um pio de coruja sobre o que a igreja dizia, que era errado
desfrutar de tais atos. Ela queria Dougall, e Deus a tinha feito desta forma, então isso
não poderia ser um pecado.
Abrindo a porta o mais silenciosamente que podia, Murine olhou para o
corredor, mas não conseguiu ver nada. O fogo abaixo estava morrendo e a luz fraca
que emitia não chegava até aqui. Ela nem sabia onde Dougall e Acair estavam
deitados. Depois de uma hesitação, ela deu um passo para o corredor, parando
abruptamente, quando acidentalmente chutou alguém.
— Desculpe, — ela sussurrou.
Quando um ronco foi sua resposta, Murine fez uma careta. Ela reconheceu
aquele ronco da viagem para Buchanan. Era demais achar que Dougall estaria deitado
aqui ansiando por ela, pensou sombriamente, quando um segundo ronco respondeu
de algum lugar à sua direita. Ambos os homens estavam mortos para o mundo. A
julgar pelos vários fungados e roncos vindos de baixo, parecia que ela era a única
acordada.
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Estalando sob a língua, Murine levantou o pé novamente, dessa vez sentindo à
volta com os dedos dos pés, até encontrar um pouco de chão para pisar. Dougall devia
estar deitado de costas, diretamente do outro lado da soleira da porta, ela decidiu,
quando passou por ele na ponta dos pés. Ela teve que dar um grande passo para
passar por ele. Suspirando aliviada quando conseguiu executar a tarefa, Murine se
moveu cautelosamente para onde ela achava que o primeiro degrau estava. Ela se
moveu com as mãos estendidas diante dela em busca do corrimão, e os dedos dos pés
abrindo caminho, sentindo o chão antes de pisar. Felizmente, ela conseguiu encontrar
o topo da escada sem incidentes.
Respirando um pouco, com alívio, ela moveu-se cautelosamente escada abaixo,
seu olhar procurando os homens estendidos no salão principal. Conran, Geordie e
Niels tinham a cama, Conran e Geordie dormindo com suas cabeças em uma
extremidade e Niels no meio com a cabeça na outra extremidade, para ter lugar para
todos eles. Rory estava enrolado em peles em uma das mesas de cavalete e Alick fizera
o mesmo em outra. Parecia que nenhum deles estava ansioso para dormir no chão frio
de pedra. Ela não podia culpá-los por não ter pressa para ter o frio penetrando nos
ossos. Pelo menos o andar de cima, onde Acair e Dougall estavam dormindo, era de
madeira e não de pedra.
Murine desceu as escadas sem incidentes e estava pegando um pouco de sidra,
do barril fresco que os garotos tinham trazido consigo, quando pensou ter ouvido algo
do lado de fora. Ela parou por um instante e então se endireitou, olhando para as
janelas fechadas enquanto escutava. Um momento se passou e ela estava prestes a
voltar para sua tarefa, quando as persianas mais próximas se abriram e algo em
chamas entrou no cômodo e se espatifou no chão de pedra, ao lado das mesas de
cavalete, o fogo espirrando para fora como líquido de uma bebida derramada.
Mesmo quando Murine respirou assustada, mais dois mísseis voaram pela
janela, um aterrissando em frente à lareira, o outro extremamente perto da
cama. Deixando cair a caneca meio cheia de sidra, Murine gritou: — Fogo! — Com
toda força de seus pulmões.
Rory estava na mesa mais próxima a ela e sentou-se, como se ela o tivesse
esfaqueado. Ele deu uma olhada de olhos arregalados ao redor, e então entrou em
ação, jogando suas cobertas de lado e rolando para o chão. Mas mesmo quando
respirou aliviada, ela estava notando que ninguém mais havia se movido.
A primeira bola de fogo caiu embaixo da mesa de Alick e se derramou sob ela,
mas o homem ainda estava dormindo, uma linguiça assando no fogo. Murine correu
para o final da mesa onde o fogo não havia chegado e agarrou seus tornozelos,
sacudindo-o violentamente. — Acorde! Alick! Acorde!
Amando um Highlander – Lynsay Sands
— Saia daqui, Murine, — Rory latiu, afastando-a da mesa e empurrando-a
para a porta. — Eu irei pegá-lo.
Murine não discutiu, ela apenas correu para a cama que estava começando a
pegar fogo, e deu um tapa no rosto de Geordie, gritando para ele acordar. Quando ele
não se mexeu, ela se inclinou e deu um tapa em Conran.
— Eles foram dopados com alguma coisa, — Rory rosnou de repente, ao lado
dela. Ela olhou ao redor para ver que Alick estava fora da mesa e a porta da cabana
estava aberta. Rory devia ter tirado seu irmão mais novo e voltado, ela percebeu.
— Veja se você pode acordar Dougall e Acair, — ordenou Rory, arrastando
Conran para fora da cama.
Assentindo, Murine se virou e correu para as escadas. Ela não tinha ido lá
primeiro porque os três homens na cama estavam em maior perigo, mas agora subia
correndo as escadas. O pânico estava fazendo seu coração disparar, e ela não pôde
deixar de notar que não estava sentindo o esgotamento, que apenas subir os mesmos
passos, horas atrás, havia criado nela.
O fogo que se espalhou abaixo acrescentou muita luz ao ambiente e, dessa vez,
Murine não teve dificuldade em descobrir quem era quem e onde os homens
estavam. Dougall havia adormecido na frente da porta. Acair estava um par de passos
à esquerda dele, no patamar. Ela tentou acordar Dougall primeiro, batendo nele
violentamente várias vezes, mas depois desistiu de fazer o mesmo com seu tio. Para
seu alívio, enquanto Dougall não se mexia, Acair abriu os olhos e murmurou com
confusão.
— Acorde, — ela ordenou, puxando a mão do homem. Se ela pudesse acordá-lo,
ele poderia ajudá-la com Dougall, ela pensou, puxando-o em um esforço para fazê-lo
sentar-se.
— O que há, moça? — Ele falou arrastado, seus olhos tentando se fechar.
— Você tem que levantar, — ela rosnou, e estendeu a mão para torcer sua
orelha, esperando que a dor ajudasse. Pareceu que sim. Pelo menos ele soltou um
rugido e sentou-se abruptamente na ação.
— Droga, mulher, que diabo? — Ele ainda estava zonzo, mas estava pelo menos
um pouco alerta agora, então Murine continuou a puxá-lo.
— Você tem que levantar. Fogo! — Ela acrescentou, gritando em seu rosto.
— Fogo? — Acair começou a se levantar e conseguiu fazê-lo com sua ajuda, mas
teve que se apoiar nela para permanecer em pé. Não havia como ele ser de alguma
ajuda com Dougall, ela percebeu infeliz, mas o conduziu para as escadas. Ela então
parou, olhando para o cômodo abaixo, com desânimo.

Amando um Highlander – Lynsay Sands


Nos poucos minutos que ela estava acima das escadas, o fogo tinha se
espalhado abaixo. As chamas estavam lambendo o final das escadas agora, e as mesas
de cavaletes eram, ambas, piras queimando brilhantemente, assim como as cadeiras
junto ao fogo e até a cama. A cama estava vazia agora, ela viu com alívio. Rory devia
ter levado seus irmãos para fora.
Murine mal teve o pensamento, quando o irmão de Dougall entrou correndo
pela porta do chalé e parou, quando olhou para a escada em chamas e depois para
ela. Uma luta ocorreu em seu rosto, e então ele balançou a cabeça e se moveu pelo
chão abaixo das escadas até ele passar a parte que estava queimando.
— Deixe-o e pule, Murine. Eu vou pegar você, — ele ordenou, uma riqueza de
emoções em sua voz. Ela ouviu pesar, arrependimento e determinação no tom. Ele
estava fazendo a única escolha sensata. Tentando salvar a única que ele achava que
podia.
Bem, para o inferno com isso, ela pensou sombriamente e nem sequer teve
tempo para pensar sobre isso, mas saiu de sob o braço de Acair Buchanan e deu-lhe
um empurrão que o fez despencar.
Para seu alívio, o homem desmoronou e desceu as escadas como em um futebol
de Shrovetide,9 antes de se estender e parar, caído de costas, logo após o fogo na base
da escada. Murine não podia ver nenhum ferimento óbvio nele. Não havia membros
em ângulos estranhos, ou feridas sangrentas na cabeça, mas ele definitivamente
não estava mais consciente.
— Tire-o daqui, — ela gritou para Rory, enquanto ele corria para seu tio. —
Vou tirar Dougall pela janela do quarto.
Não esperando por uma resposta, ela então correu de volta para Dougall. Ele e
Acair tinham levado para cima peles para dormir. Murine se inclinou para segurá-lo
agora, afinal, pelos pés dele. Ela então arrastou as pernas para longe da parede e em
direção às escadas, girando o corpo de modo que a cabeça dele deslizasse em direção à
porta. Quando se levantou do esforço, Murine olhou para as escadas e brevemente
considerou mandá-lo descer as escadas envolto nas peles. Mas nos poucos instantes
que levou para transportá-lo, o fogo havia se movido rapidamente, subindo a metade
da escada. Ela não queria arriscar que ele parasse e fosse apanhado pelo fogo.
Apertando a boca, ela correu para a cabeça dele e agarrou a pele embaixo dela,
para começar a arrastar Dougall para o quarto. As ripas de madeira estavam quentes
sob seus pés, aquecidas pelo fogo abaixo deles. Eles não tinham muito tempo, ela

9
O Royal Shrovetide Football Match é um jogo de futebol medieval, jogado na cidade de Ashbourne, em Derbyshire, Inglaterra. Existem
muito poucas regras para o jogo. Para começar, dura dois dias - terça-feira de carnaval e quarta-feira de cinzas. Eles jogam 8 horas por
dia!
Amando um Highlander – Lynsay Sands
percebeu um pouco freneticamente, e usou suas reservas de energia para se mover
mais rapidamente, enquanto arrastava Dougall, pelo chão, até a janela.
Foi só quando chegou lá que ela considerou o problema de como tirá-lo pela
janela. Dougall era um homem grande, com ombros largos e muitos músculos
pesados. Antes disso, ela apreciava aquilo sobre ele, mas naquele momento ela teria
ficado mais feliz se ele fosse menor, como Alick, que ainda não havia se tornado
homem.
Endireitando os ombros, ela abriu as persianas e deu uma olhada para a
escuridão. Se Rory estivesse lá, ela não podia vê-lo. Deixando as persianas abertas, ela
correu de volta para os pés de Dougall e agarrou a borda das peles lá novamente, para
girá-lo de modo que ele encarasse a janela primeiro com os pés. Ela então abandonou
os pés e correu de volta, para se ajoelhar ao lado da cabeça dele.
Inclinando-se para a frente, Murine pressionou as mãos em seus ombros e
empurrou para frente, movendo a parte superior do corpo para a janela e forçando as
pernas a dobrar. Seus joelhos começaram a subir, enquanto seu traseiro se movia
para frente, mas depois caiu para o lado, de modo que ele ficou um pouco torcido na
cintura, suas costas e ombros no chão, seus quadris e pernas virados para o lado em
uma posição curvada.
Murine se endireitou e se aproximou para agarrá-lo pelos joelhos e levantar as
pernas para o parapeito da janela. Elas eram muito mais pesadas do que ela
esperava. Ainda assim, ela conseguiu enganchar suas pernas sobre a borda, de modo
que seus pés balançaram para fora da janela. Murine então parou para considerar seu
próximo passo. Ela pensou em se colocar atrás dele, levantar os ombros para ficarem
contra seu peito e depois forçá-lo para cima e para fora da janela, mas ela estava
tendo sérias dúvidas sobre ser capaz de lidar com isso. Infelizmente, ela não tinha
outras idéias e havia muito pouco tempo para produzir uma.
Rangendo os dentes, ela se ajoelhou atrás de sua cabeça, deslizou para frente
até que seus joelhos estivessem de cada lado de suas orelhas, então levantou a cabeça
com as mãos e rapidamente fechou os joelhos por baixo. Ela então começou a se
inclinar para a frente, de joelhos, levantando os ombros dele sobre eles enquanto ia, o
que forçou a cabeça dele para cima contra o estômago dela. Ela continuou fazendo
isso até ter o homem dobrado como tecido de linho, o peito dele pressionado contra a
parte superior de suas pernas onde pendiam da borda, e a cabeça reclinada no ombro
dela.
Ela preferia esperar que a bunda dele estivesse fora do chão neste momento e
ela seria capaz de empurrá-lo para cima e para fora da janela, mas suas pernas
eram longas e suas costas ainda estavam no chão, que estava quase
Amando um Highlander – Lynsay Sands
insuportavelmente quente agora. Ela estava começando a se sentir como carne em
uma frigideira.
Forçando-se a se acalmar e considerar a situação, Murine olhou a janela e a
posição de Dougall.
Ela precisava de alavancagem para levá-lo até a borda. Alternadamente, ela
precisava de peso suficiente no outro lado para puxá-lo para cima e para fora, e ela
precisava de um ou do outro, rapidamente.
A ideia quando veio era louca, ela tinha certeza. No entanto, foi também a única
que teve... e ela precisava de material para fazer isso. Murine olhou de volta para a
cama e as roupas de cama e suspirou para si mesma. Ela tinha acabado de
desperdiçar vários minutos conseguindo colocar Dougall nesta posição e agora ia
deixá-lo ficar deitado de novo. Mas não havia nada além disso.
Apertando os dentes, ela afundou para trás e apoiou a cabeça dele no chão,
depois correu para a cama. Um olhar para fora da porta, enquanto ela rasgava a
roupa da cama, mostrava-lhe que as chamas haviam chegado ao topo da escada.
O quarto também estava se enchendo de fumaça, ela notou, e correu para
fechar a porta, antes de correr de novo para a janela. O ar estava melhor ali, o ar
fresco entrou para empurrar a fumaça para trás. Deixando cair o lençol do colchão no
chão, Murine pisou nele para dar um descanso aos pés do calor crescente da madeira,
e começou a rasgar o lençol de cobrir em tiras, ao longo do comprimento do lençol e
com uns bons quinze centímetros de largura que ela amarrou, rapidamente, juntas. A
faixa de corda improvisada que criou era muito maior do que ela achava que
precisaria, então ela parou e rapidamente amarrou uma ponta da corda de tecido ao
redor do peito de Dougall, sob seus braços. Ela então olhou para as persianas. Ambas
pareciam fortes o suficiente, mas Murine deu um puxão só para testá-las. Quando a
da direita se mexeu um pouco com o puxão, ela voltou sua atenção para a persiana à
esquerda e arremessou a ponta livre do tecido sobre ela.
Murine não parou para pensar no que ela estava fazendo então. Ela estava com
muito medo de que ela iria se convencer disso. Então, ela subiu na borda, puxou a
ponta livre da corda improvisada sob a persiana e amarrou a ponta em volta do peito,
sob os braços.
Murine então se virou para olhar Dougall, fez uma oração silenciosa para que
isso funcionasse e recuou da borda. Ela caiu facilmente a princípio, depois sentiu um
ligeiro puxão ao redor do peito, quando a corda se apertou. Ela continuou a cair,
então, seu impulso arrastando Dougall para fora do quarto e em direção ao topo da
persiana. Ela o viu sair pela janela e levantar a persiana até o topo e então os dois

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pararam e ela gritou de dor quando a corda improvisada apertou o peito e escavou a
pele sob os braços.
Puxando uma respiração profunda, Murine olhou para baixo para ver a que
distância ela estava do chão. Seus olhos se arregalaram com desalento, porém,
quando viu que não havia terra embaixo dela, mas água. Como ela deixara de notar o
fato de que havia um fosso ao redor do maldito pavilhão de caça, quando ela olhara
pela janela mais cedo? Ela se questionou. Mas sabia a resposta. Ela não olhara para
fora durante todo o dia, a não ser para notar que o céu estava cinzento e
ameaçador. Ela nunca olhou para baixo. E estava escuro demais para distinguir
qualquer coisa da janela, quando ela olhara para fora momentos atrás.
Se ela soubesse que havia água... Bem, ela não teve escolha, ela teria feito
exatamente a mesma coisa. Mas, pelo menos, ela teria percebido que tirar Dougall
pela janela não era o único obstáculo. Agora ela tinha que se preocupar em arrastar
seu corpo inconsciente para fora da água. Se eles realmente caissem na água e não
apenas balançassem lá, das persianas como...
Seus pensamentos morreram quando ela ouviu um som de rachadura de cima,
e então a veneziana soltou-se da parede, e ela estava caindo de novo.
Murine olhou para cima quando bateu na água e imediatamente reconheceu
seu próximo problema; Dougall ia pousar em cima dela. Ele estava precipitando-se em
direção aos pés dela primeiro.

Dougall deitou-se de costas e, esticou-se, bocejando fortemente quando


começou a sacudir as garras do sono que pareciam estar saturadas dele.
— Finalmente.
Dougall piscou e olhou fixamente para seu irmão mais velho, Aulay, quando
várias compreensões o atingiram. Primeiro, embora ele tenha ido dormir em uma
cama dura de peles, no chão do corredor da cabana de caça, ele estava acordando em
uma cama. Segundo, era sua própria cama, em seu próprio quarto, em Buchanan.
— Que diabos! — Ele murmurou, sentando-se, em seguida olhou duramente
para Aulay. — Murine?
— Ela está bem, — seu irmão assegurou-lhe rapidamente. — Ela está dormindo
no quarto de Saidh. Rory está cuidando dela.
Dougall relaxou um pouco com essa informação, mas depois perguntou
confuso: — O que aconteceu? Como chegamos aqui?
─ Você bebeu sidra envenenada, ─ disse Aulay secamente e quando Dougall
apenas olhou para ele, sem expressão, perguntou: ─ Você se lembra da sidra que os
rapazes trouxeram para a cabana com os suprimentos?
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— Sim, — disse Dougall lentamente. — Esquecemos de descarregar. Todos nós
saímos e pegamos alguma coisa. O barril de sidra foi deixado para trás, entretanto. Eu
o vi quando me afastei, mas imaginei que outra pessoa o havia pegado, quando
terminei de carregar as roupas no andar de cima, para a
Murine. Aparentemente, ninguém pegou, entretanto. Quando o barril original que
trouxemos conosco, no primeiro dia, acabou, percebemos que ninguém havia buscado
o barril e Geordie saiu para buscá-lo.
— Sim, bem, alguém o batizou com algo, entre a chegada dos rapazes e quando
Geordie foi buscar a sidra, — anunciou Aulay. — Pelo menos, é o que Rory pensa. Ele
disse que ele e Murine foram os únicos que não beberam dele?
— Sim, você sabe que ele não gosta de sidra, e Murine estava tomando a sidra
do primeiro barril o dia todo. Ela não gostava da tintura que eu misturei, mas estava
determinada a tomá-la toda.
— Sim, bem, ela não gostar da tintura salvou todas as suas vidas, — disse
Aulay solenemente. — Murine estava acordada quando os potes com fogo começaram
a voar pelas janelas mais baixas. Ela acordou Rory, mas eles não conseguiram acordar
o resto de vocês. Rory teve que levar Alick, Geordie, Niels e Conran para fora. Então
ela atirou o tio Acair da escada e ele também o levou para fora.
— Ela me jogou pelas escadas?
Dougall olhou para a porta com aquela pergunta divertida, ao ver seu tio
mancando no quarto.
— Do jeito que eu ouvi, ela me jogou escada abaixo como um saco de batatas,
— disse Acair, rindo.
Dougall ergueu as sobrancelhas. — Você não parece muito chateado com isso.
— Sim, bem, ela me salvou a vida, não é? — Acair disse solenemente,
sentando-se na beira da cama. — Rory veio correndo para levar seus irmãos para fora,
viu Murine em pé no topo da escada em chamas, comigo pendurado como um bêbado
no domingo e você inconsciente no chão. Ele diz que sabia que não poderia salvar a
todos nós e disse-lhe para deixar-nos a ambos e saltar sobre o corrimão e ele iria
pegá-la. Mas ela não nos deixaria. Ele diz que ela me mandou voando escada abaixo,
e deixou-o para me tirar, enquanto ela arrastava sua bunda pelo corredor e através do
quarto até a janela.
— E Rory entrou pela janela para me puxar para fora, — adivinhou Dougall.
Acair bufou ante a sugestão. — O inferno que ele fez isso. Ela tirou você
sozinha, — anunciou ele e então assentiu com firmeza quando os olhos de
Dougall se arregalaram de surpresa. — Fez uma corda de uma roupa de cama, usou a
persiana para arrumar uma espécie de polia, amarrou uma extremidade da corda em
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você, e a outra nela mesma, então pulou pela janela como uma noiva na véspera de
um casamento indesejado. Seu peso puxou você para cima e para fora da janela e, em
seguida, vocês dois despencaram no fosso quando a persiana cedeu. Mas droga, você
quase a matou quando pousou em cima dela também, — ele adicionou
severamente. — Felizmente, Rory tinha acabado de me tirar de lá e correu ao redor do
fosso, chegando lá a tempo de ajudar vocês a sairem da água.
— Droga, — Dougall respirou.
— Sim, — Acair assentiu solenemente. — Você conseguiu uma boa mulher,
Dougall Buchanan. Inteligente como um chicote, aquela. Corajosa também. E se você
não a conseguir diante de um padre, antes que seu irmão a alcance, eu acho que eu
poderia ter que bater em você loucamente. Sua boca se apertou. — Logo depois que eu
matar o irmão dela.
Assentindo, Dougall jogou para o lado as peles cobrindo-o e levantou-se da
cama, apenas para fazer uma pausa e perguntar: — Como chegamos aqui?
— Murine e Rory empilharam o lote de vocês na carroça de suprimentos e
trouxeram vocês de volta para Buchanan — respondeu Aulay, também de pé. Ele
balançou a cabeça e acrescentou: — Depois de tudo o que ela passou, eu me
preocupei que ela tivesse reaberto sua ferida, mas Rory diz que embora ela tenha
aberto alguns pontos, ela se saiu muito melhor do que deveria. Ele disse que isso não
vai atrapalhar muito na cura.
— Graças a Deus, — Dougall rosnou e se dirigiu para a porta, anunciando: —
Não podemos arriscar ficar aqui.
— Não. Danvries poderia voltar, — concordou Aulay. — Mas você não pode ficar
na cabana. Rory diz que está arruinada.
Dougall estava franzindo as sobrancelhas com essa notícia ao entrar no
corredor.
Em seguida, Aulay acrescentou: — Enviei alguns homens para MacDonnell hoje
de manhã, com instruções para voltar no minuto em que Danvries for embora. Acho
que você deveria ir para lá quando eles voltarem e mandar o padre de MacDonnell
casar vocês. Quanto mais cedo isso for feito, melhor em todos os aspectos.
Dougall parou no corredor e se virou para o irmão. — Você acha que ele drogou
a sidra e colocou o fogo?
— Não, — disse Aulay com firmeza. — Simplesmente não faz sentido matá-la,
quando planejava ganhar dinheiro com ela. Mas você chegou perto de morrer ontem à
noite e, no mínimo, se casar com ela, terá Murine em segurança se o próximo ataque
lhe matar.

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Dougall simplesmente se virou e continuou em direção ao quarto de
Saidh. Ainda não conseguia pensar em ninguém que quisesse matá-lo. Mas a flecha
não poderia ter sido destinada a Murine. Como Aulay dissera, não fazia sentido
Danvries a querer morta e ele não podia imaginar que ela tivesse feito
inimigos. Exceto talvez...
Parando abruptamente, ele se virou para encarar Aulay. — Aquela mulher que
tentou matar nossa Saidh e Lady Sinclair?
— Sim? — Aulay fez uma pausa também, as sobrancelhas se juntando em uma
carranca, enquanto ele tentava descobrir o que Dougall estava pensando.
— O que aconteceu com ela? — Ele perguntou.
— Eu não sei, — admitiu Aulay.
— Ela deve ter sido executada, — anunciou o tio Acair, alcançando-os.
Dougall notou novamente que o homem mais velho estava mancando. Não
havia sinal de que ele tivesse quebrado qualquer coisa no tombo pelas escadas em que
Murine o havia jogado, mas ele deve ter torcido um tornozelo ou algo assim, ele
pensou, e então desviou sua atenção do andar do homem para seu rosto, quando seu
tio acrescentou. — Ou banida para um convento, se a família dela fosse poderosa o
suficiente para mantê-la viva.
Dougall assentiu lentamente. Isso fazia sentido, ele pensou e então assinalou,
— se ela não foi executada, ela poderia estar procurando vingar-se de Murine por
frustrar seu plano. Ou a família dela poderia estar procurando isso por ela.
— Possível, — seu tio murmurou pensativamente. — Suas ações devem ter sido
uma grande mancha no nome da família quando ela foi apanhada.
— Vou investigar, — disse Aulay em voz baixa.
— Obrigado, — Dougall murmurou e, em seguida, virou-se para pegar Alick
pelo braço e pará-lo, quando ele tentou passar por eles. A porta do quarto de Saidh
era a única que restava no fim do corredor, de modo que ele sabia para onde o rapaz
estava indo, mas ainda rosnava: — Aonde você pensa que vai?
— Dar a Murine minha camisa, — Alick respondeu, puxando seu braço.
— Sua camisa? — Dougall olhou para o tecido macio nas mãos do rapaz e
depois de volta para o rosto. — Por que diabos ela iria querer uma de suas camisas?
— Porque todos os vestidos de Saidh e da Mãe, que nós lhe demos, pegaram
fogo quando a cabana queimou, — Alick assinalou com uma careta. — A única coisa
que deixamos para trás foi um par de calções que Saidh gosta de usar sob seus
vestidos. Murine vai usá-los, mas ela não tem vestido para vestir sobre eles, então... —
ele levantou a mão, segurando a camisa e encolheu os ombros — ela precisa de algo
para cobrir a parte de cima dela.
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— Dentes de Deus, — murmurou Dougall, tirando a camisa da mão de Alick e
virando-se para continuar até a porta do quarto de Saidh. Não havia nenhuma
maneira maldita que sua mulher estivesse passeando de calções e uma
camisa. Nenhuma maneira na terra verde de Deus.
Eles encontrariam outra coisa... e rapidamente. Porque Murine estava
obviamente acordada, e seu instinto estava dizendo para empacotá-la e tirá-la de
lá. Preferia acampar no bosque MacDonnell e se aproximar do castelo onde sua irmã e
seu marido viviam, no minuto em que Danvries partisse, do que esperar para escutar
os homens que Aulay enviara. Ele queria o casamento realizado e Murine segura, o
mais rápido possível.

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Capítulo 13

Dougall observou Murine levantar-se ligeiramente sobre a égua em que estava


cavalgando, montada como homem, puxar a parte de baixo de seus calções como se
estivessem rastejando em lugares onde só ele deveria estar, e teve que engolir a súbita
corrente de líquido em sua boca. Ele ficaria mais do que feliz em puxar os calções por
ela, e não apenas para pararem de rastejar. Ele gostaria de arrastá-los para a direita,
puxá-la para o colo e deslizar para dentro de seu calor e umidade...
— Estou surpreso que você deixe Murine usar os calções, — disse Aulay,
interrompendo seus pensamentos lascivos.
— Eu não posso deixá-la fazer nada. Ela ainda não é minha esposa, — grunhiu
Dougall. Eram as palavras exatas que Murine lhe dissera quando ele chegou ao quarto
dela e anunciou que não poderia usar os calções, que eles teriam que encontrar outra
coisa. Ela seguira isso, anunciando que não havia nada mais, e não tinha tempo para
ela costurar qualquer coisa, já que tinha certeza de que eles não queriam ficar em
Buchanan por mais tempo do que o necessário e arriscar que seu irmão retornasse,
para encontrá-la ali.
Dougall não tinha sido capaz de discutir nada disso, especialmente a parte de
permanecer em Buchanan. Ele mesmo a queria longe de lá o mais rápido
possível. Então, ele jogou para ela a camisa de linho, virou-se e saiu para pedir que
seu cavalo fosse preparado. Quando Murine se vestiu e desceu, seu cavalo, assim
como outros sete, estava esperando na base dos degraus da fortaleza. Seis eram as
montarias de cada um dos seus irmãos, a sétima era a égua com que ele tinha
presenteado Murine quando decidiu se casar com ela. Ele soube então que Aulay
decidira que toda a família deveria viajar para MacDonnell. Todos os seus irmãos
queriam comparecer ao casamento. Eles também queriam ver a irmã deles, Saidh.
Entendendo isso, tio Acair se ofereceu para ficar para trás e cuidar de
Buchanan até o retorno de Aulay. Embora o tio não tivesse quebrado nada na queda
pela qual tinha descido as escadas, e lamentasse perder o casamento, aparentemente
também ganhara vários inchaços e contusões que tornariam a cavalgada
extremamente desconfortável.
Dougall estava feliz por ter seus irmãos juntos para ajudar a manter Murine
segura, mas estava menos feliz por ela cavalgar sua própria montaria. Embora ela não
mostrasse sinais de desmaio, desde antes de ter sido atingida pela flecha, ela também
passava a maior parte do tempo dormindo. Agora, além de tudo mais, ele precisava se
preocupar com o desmaio e dela cair do cavalo.
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E essa era a única razão pela qual seus olhos não tinham deixado o traseiro
dela, vestido de calções, desde que eles tinham partido de Buchanan duas horas
atrás, ele assegurou a si mesmo e então quase bufou alto com sua própria
mentira. Porra, ela parecia bem naqueles calções. Muito bem. Eles o fizeram querer
deitá-la, tirá-los e mordê-la na bunda... e isso não era um desejo que ele já
experimentara antes por ninguém. Mas era apenas uma das idéias do que ele gostaria
de fazer com ela que rolou em sua mente durante esse passeio.
Dougall estava brincando com algumas dessas ideias quando Geordie, Niels e
Alick chegaram desabalados pela curva à frente, correndo em direção a eles. Dougall
imediatamente enfiou os calcanhares no cavalo para forçá-lo a correr, ciente de que
Aulay estava fazendo o mesmo. Eles rapidamente alcançaram Murine, onde ela viajava
com Conran e Rory, um de cada lado. Eles se posicionaram dessa maneira, de
propósito. Como eles esperavam que o problema viesse da frente, Geordie, Niels e Alick
cavalgaram na frente deles para observar os grupos que se aproximassem. Conran e
Rory ficaram com Murine para protegê-la, e Aulay e Dougall haviam cavalgado a uma
boa distância para trás. Pelo menos eles tinham começado a uma boa distância, mas
Dougall se viu reduzindo a distância a cada quilômetro por onde haviam passado,
encontrando-se atraído pela mulher como uma abelha para uma flor.
— O que é isso? — Ele rosnou quando seus irmãos chegaram até eles e
pararam. Ele examinou a estrada à frente, tensamente, enquanto esperava pela
resposta, mentalmente se preparando para arrastar Murine de seu cavalo para o seu e
correr para a floresta com ela, se os rapazes tivessem más notícias.
— Nossos rapazes estão na estrada à frente, cavalgando para cá, — anunciou
Geordie.
Dougall relaxou um pouco na sela.
— Danvries deve ter deixado MacDonnell, — comentou Aulay.
Dougall assentiu. Aulay lhe dissera que havia enviado homens à frente para
descobrir se Danvries ainda estava em MacDonnell. Se ele estivesse, eles tinham
recebido ordens de esperar até que o irmão de Murine e seu grupo partissem, e depois
voltassem com essa notícia. Se estavam voltando, Danvries deveria ter deixado
MacDonnell, sem dúvida indo para o norte em direção a Sinclair. A menos que ele
estivesse indo para o sul e os homens de Buchanan estivessem apenas na frente deles,
tentando chegar a Buchanan com um aviso, antes que Danvries pudesse chegar lá.
Esse último pensamento fez Dougall franzir a testa e ele perguntou: — Vocês
conversaram com eles?

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— Não. Ainda estavam a uma boa distância quando nos viramos para lhes
trazer as notícias — admitiu Niels. — Nós pensamos em fazer isso antes de irmos
encontrá-los.
Dougall assentiu. — Você e Alick seguem em frente agora e se asseguram de
que não estão trazendo notícias de que Danvries está vindo para cá. Nos sinalize se ele
estiver, para que possamos tirar Murine da estrada.
Os dois homens imediatamente viraram os cavalos e correram de volta pelo
caminho que tinham vindo. Dougall, então, instigou seu cavalo entre a montaria de
Conran e a égua de Murine. Enganchando o braço em volta da cintura dela, ele a
arrastou do cavalo dela para o colo dele.
— Apenas por precaução, — ele murmurou a explicação, enquanto observava
seus irmãos irem embora.
Murine não comentou e simplesmente colocou os braços ao redor de sua
cintura e se moveu para encontrar uma posição mais confortável. Dougall olhou para
baixo e se viu olhando diretamente para a camisa que ela usava. Embora Alick fosse o
menor dos irmãos, ele ainda era um pouco maior que Murine e o decote estava
escancarado, permitindo-lhe uma visão perfeita de pelo menos dois terços do topo de
cada seio. A única coisa escondida dele eram seus mamilos.
Era uma visão muito boa, concluiu Dougall, lutando contra a vontade de puxar
o pano para baixo e examinar os globos arredondados com atenção.
— Você ainda está com raiva de mim?
Dougall piscou e olhou fixamente para o rosto de Murine por sua pergunta.
— Por insistir em usar os calções quando você não queria, — ela explicou.
— Oh. — Ele deu de ombros e admitiu: — Eu estava. Mas descobri que gosto
muito da vista.
Os olhos de Murine se arregalaram e então ela corou com as palavras dele e
abaixou a cabeça com timidez ou constrangimento. Infelizmente, a ação bloqueou sua
visão de seus seios.
— Aí está Geordie.
Dougall dirigiu o olhar para a estrada à frente, para ver seu irmão se aproximar
e parar, dando-lhe o sinal de que tudo estava bem. Danvries não se dirigiu para o
sul. Eles poderiam ir direto para MacDonnell.
— Parece que o jantar será um banquete de casamento — disse Aulay, e então
acrescentou com um sorriso. — E a julgar pela maneira como você estava olhando
para o peito de Murine, já não será sem tempo.
Quando Murine virou o rosto para o peito dele, com um gemido de
constrangimento, Dougall sugeriu ao irmão que fizesse algo fisicamente impossível e
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pôs as esporas no cavalo. Ele estava ansioso para levar Murine a MacDonnell e casar
com ela.

— Verdade? — perguntou Murine, observando Saidh de perto. Eles haviam


chegado há pouco mais de duas horas. Houve saudações e explicações rápidas e, em
seguida, Saidh tinha corrido com Murine escada acima, para seu quarto para
“prepará-la” para o casamento. Ela tinha sido banhada e empoada, e agora a
empregada de Saidh, Joyce, estava mexendo em seu cabelo, enquanto Saidh
procurava, em seu baú de vestidos, um que Murine pudesse usar.
— Verdade o que? — Saidh perguntou, distraidamente, segurando um vestido,
considerando-o, então jogando-o de lado.
— Você não se importa? Por Dougall se casar comigo?
— Murine, — Saidh chamou seu nome com exasperação, soltou o vestido que
ela tinha acabado de pegar e atravessou a sala, para segurá-la pelos braços. — Eu
realmente estou feliz que você está se casando com Dougall, — ela assegurou
solenemente, então sorriu ironicamente e admitiu: — Isso nunca me ocorreu, até que
Dougall anunciou que estava se casando com você, mas eu acho que os dois são
perfeitos um para o outro. Eu deveria ter arrastado você para casa, para ele, na
primeira vez que nos encontramos.
Murine soltou um suspiro aliviado e afastou-se da agitação de Joyce, para
abraçar sua amiga. — Obrigado meu Deus.
— Não sei por que você acha que eu não ficaria satisfeita — comentou Saidh,
abraçando-a de volta. — Você se tornou uma amiga querida. Estou feliz que você e
Dougall se encontraram.
Os olhos de Murine se abriram e ela franziu as sobrancelhas com as palavras e
recuou para lembrá-la: — Eu não tenho dote, Saidh. Se ele casa comigo, ele só recebe
a mim.
— E isso é bastante, — assegurou Saidh com firmeza. Soltando-a então, ela se
virou para atravessar a sala. Curvando-se para continuar com a arrumação dos
vestidos, ela acrescentou: — Os dotes são rapidamente gastos e logo esquecidos. A
noiva não e você será uma boa esposa para Dougall. Ele tem sorte de ter você.
Murine vergou de alívio com essas palavras. Ela estava preocupada que Saidh
poderia pensar que Dougall merecia uma noiva com um dote, não uma noiva com um
irmão, que não apenas jogou fora seu dote, mas depois tentou usá-la como uma...

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— Você sabe? — Disse Saidh de repente, interrompendo seus pensamentos e
Murine olhou quando sua amiga se virou do baú, para encará-la brevemente, antes de
assinalar: — Vamos ser irmãs.
Murine piscou com o anúncio e então um lento sorriso floresceu em seu
rosto. — Sim, nós vamos.
— Minha melhor amiga e minha irmã, — disse Saidh com um sorriso e
balançou a cabeça, quando ela se virou para o baú. — Nunca imaginei nem por um
minuto, no dia em que chegamos a Sinclair, que eu ganharia tanto e tudo acabaria tão
bem.
— Nem eu, — Murine murmurou e percebeu que tudo tinha acabado bem. Ela
soube, ao chegar, que Saidh nunca recebera as mensagens que ela enviara para
ela. Ela também soube que Saidh lhe enviara várias também. Nenhuma das quais
tinha chegado a ela. Montrose, obviamente, estava bloqueando as mensagens nos
dois sentidos. E provavelmente, qualquer mensagem de e para Jo e Edith
também. Eles ainda eram todas suas amigas. E agora, ela estava prestes a se casar
com Dougall e não apenas ganhar um marido maravilhoso, mas Saidh como irmã, seis
irmãos maravilhosos e incontáveis primos, tias e tios.
O pensamento do número de parentes que ela estava ganhando era bastante
perturbador. No caminho para cá, Conran e Rory estavam discutindo o quão
decepcionada sua extensa família estaria, ao faltar ao casamento de Dougall. Rory até
sugeriu que talvez devessem realizar uma festa de casamento tardia para toda a
família, numa data posterior, depois que tudo estivesse esclarecido e tivessem certeza
de que ela estava segura. Curiosa, Murine perguntou sobre sua família e os homens
começaram a listar os Buchanans... e havia muitos. Os Buchanans eram muito
prolíficos. Ela estava ganhando uma grande família e, embora não pudesse compensar
a perda de seus pais e irmãos, seria um longo caminho para ajudar a aliviar a dor.
No momento, seu futuro parecia muito brilhante realmente.
Desde que Montrose não chegasse antes que eles pudessem trocar votos, ela
pensou, um pouco ansiosa.
E desde que quem a tivesse atingido com uma flecha, e depois drogado a sidra e
colocado fogo no chalé de caça, não atacasse novamente e machucasse ou matasse
qualquer um de sua nova família.
Talvez tudo não estivesse tão resolvido como ela esperava, pensou Murine,
franzindo o cenho.
— Aqui! — Saidh se ergueu do baú e levantou um vestido dourado, com
satisfação. — Isso ficará perfeito em você. Você gosta? — Ela perguntou, virando o
vestido para que Murine pudesse dar uma olhada melhor.
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— Sim, — ela sussurrou, estendendo a mão para tocá-lo, quando Saidh o
aproximou. O vestido era lindo.
— Isso irá realçar o dourado de seus cabelos, Saidh murmurou rapidamente,
olhando para sua cabeça e então sorriu e acrescentou: ─ Você se superou, Joyce. Seu
cabelo parece perfeito.
— Obrigada, senhora, — Joyce murmurou, quando ela se afastou. — Vamos
vesti-la então?
— Eu vou ajudá-la com isso, — disse Saidh, rapidamente. — Por que você não
vai ver se pode ajudar abaixo? Eu quero alguns minutos para conversar com Murine
sozinha... sobre a noite à frente, — acrescentou ela significativamente.
— Ah. Claro que sim, — murmurou Joyce, depois apertou o braço de Murine e
disse: — Você é uma linda noiva, — antes de sair do quarto.
Murine observou-a ir embora, então voltou-se relutantemente para Saidh,
imaginando se ela ousaria dizer a ela que não era necessário falar. Antes que ela
pudesse decidir, uma batida soou na porta e Saidh jogou o vestido dourado sobre a
ponta da cama e correu para atender a convocação. Murine observou-a aceitar uma
bandeja da mulher no corredor, com um agradecimento, depois empurrou a porta com
o pé, enquanto voltava para a sala.
— Aqui estamos, — disse Saidh alegremente, carregando a bandeja para uma
mesa perto do fogo. — Vá em frente e comece a se vestir, e eu vou servir um pouco de
vinho para nós duas, então ajudo você com o espartilho, — ela sugeriu.
Assentindo, Murine largou o lençol que Joyce tinha enrolado em volta dela
depois do banho e pegou o vestido que Saidh tinha colocado na ponta da
cama. Quando ela vestiu o vestido e atravessou a sala até Saidh, os drinques estavam
servidos e esperando, e Saidh pegou dois outros itens da bandeja e pareceu
contemplá-los solenemente.
— Oh, bom, — disse Saidh, notando sua chegada. Arrumando o pão e a
cenoura que esteve considerando, Saidh apressou-se a ajudá-la com seu espartilho,
depois recuou para olhá-la. Sorrindo, ela disse: — Perfeito.
Murine sorriu e relaxou um pouco, depois olhou para o pedaço de pão e
cenoura e perguntou: — O que é isso? — O pão poderia ser usado como um lanche,
para comer com o vinho, ela supunha, mas não tinha ideia do porquê os criados
enviarem uma cenoura suja e nodosa, tão fresca do chão que ainda havia sujeira
agarrada a ela.
— Sente-se, — instruiu Saidh, indo até a mesa para pegar o vinho.
Murine, respeitosamente, sentou-se, aceitou o vinho quando Saidh lhe deu um,
depois tomou um gole quando Saidh levou a própria bebida aos lábios. Para sua
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surpresa, em vez de saborear seu próprio vinho, Saidh bebeu o líquido em um longo
gole, depois pousou a taça com uma pequena careta.
— Muito bem, — murmurou Saidh, pegando o pão e a cenoura e virando-se
para ela. Segurando o pão, ela anunciou: — Esta é você.
As sobrancelhas de Murine se levantaram e ela murmurou, incerta: — Sou?
Saidh franziu a testa e olhou para o pão, depois virou-se para colocá-lo na
mesa, tirou um sgian-dubh da cintura e cortou-o ao meio. Ela então cortou uma fenda
no centro do pão, antes de largar o sgian-dubh e se voltar para Murine com eles.
— Esta é você, — disse ela, segurando o pão alterado de modo que o lado duro
estava contra sua mão e o centro macio com a fenda de frente para
Murine. Levantando a cenoura, ela acrescentou: — E este é Dougall.
— Oh, — Murine respirou, subitamente entendendo o que Saidh estava
fazendo. Balançando a cabeça, ela murmurou: — Saidh, eu...
— Não interrompa, Muri, — Saidh admoestou, usando o apelido que as outras
mulheres tinham usado, quando estavam todas juntas. — Isso já é difícil o suficiente.
— Desculpe, — Murine murmurou.
Saidh assentiu, suspirou, considerou seus acessórios e depois enfiou a cenoura
no decote de seu vestido, entre os seios e voltou para a mesa para se servir de outra
taça de vinho. Depois de derrubar essa, tão rapidamente quanto a primeira, ela se
virou para se mover na frente de Murine novamente.
— Certo. Isso é você, e isso é... — oh inferno, — ela murmurou, percebendo que
segurava a taça vazia em vez da cenoura. A cenoura ainda estava ainda em seu
decote. Saidh rapidamente colocou a taça vazia na mesa, pegou a cenoura de seu
vestido, então se posicionou na frente de Murine e recomeçou. — Isso é você e isso é
Dougall.
Ela virou o pedaço de pão para que o lado aberto com a fenda ficasse de frente
para a cenoura, em seguida, passou a empurrar a extremidade maior da cenoura na
fenda do pão. — E isso, — disse ela, retirando e empurrando a cenoura de volta no
pão, — é o que vai acontecer hoje à noite.
Murine ficou olhando para o que Saidh estava fazendo com o pão e a cenoura e
pensou consigo mesma que aquela era a coisa mais lamentável que já vira. Se ela já
não tivesse dormido com Dougall, ela provavelmente ficaria horrorizada e desanimada
com essa exibição. Bom Deus.
— Mas é muito melhor do que parece, — assegurou Saidh, continuando a
empurrar a cenoura no pão. Ela estava perdendo a fenda completamente, e
esmagando o pão a cada empurrão. — Ele vai beijar você e tal, primeiro, e você vai
ficar toda excitada e sentir vontade de socá-lo com força no rosto. — Ela enfiou a
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cenoura no pão desta vez, como se a cenoura fosse seu punho e o pão o rosto dele. —
Mas então você vai sentir como uma pequena explosão em seu corpo e vai ser muito
legal.
Para alívio de Murine, Saidh parou de bater o pão com a cenoura e deu um
pequeno suspiro. Quer isso significasse seu alívio por ela ter terminado as explicações
que ela achava que deveria dar, ou Saidh estivesse pensando em como o alívio era
bom, Murine não tinha certeza. Ela ainda estava presa na parte de querer dar um soco
forte no rosto dele. Murine não havia experimentado esse desejo com Dougall
ainda. Talvez ele não estivesse fazendo certo.
— Entendeu? — Saidh perguntou, olhando-a esperançosamente.
— Er... hum hum. Murine concordou rapidamente.
— Oh, graças a Deus, — Saidh murmurou, jogando seus acessórios na mesa e,
em seguida, caindo no assento em frente ao de Murine. Ela então olhou a mal tocada
taça de vinho e perguntou: — Você vai beber isso?
— Não, — Murine disse com diversão, oferecendo a ela. A provação inteira
obviamente tinha afligido Saidh muito mais do que a ela, decidiu e achou que seria
uma boa coisa se Saidh tivesse só filhos e não filhas, com Greer. A mulher nunca
sobreviveria a uma casa cheia de filhas.

— Como falei com Saidh, conheci Beathan Carmichael, e acho difícil acreditar
que ele deixaria os cuidados e o futuro de Murine nas mãos de Montrose Danvries. Ele
tinha pouco respeito pelo filho de sua esposa.
Murine levantou os olhos do frango que estava comendo, com aquele
comentário do marido de Saidh. O casamento tinha acontecido sem problemas. O
padre de MacDonnell tinha ficado feliz em presidir o casamento, e não houve chegada
súbita de Montrose para pôr fim às coisas. Ela estava casada e segura contra suas
maquinações, ou pelo menos ela estaria, uma vez que consumassem oficialmente seu
casamento.
Sendo esse o caso, Murine ficara feliz em se acomodar no banquete de
casamento e aproveitar a refeição, e sem o temor habitual da noiva pela noite que
estava por vir. Ela já sabia o que esperar, e não por causa da estranha apresentação
visual de Saidh.
Murine estava sentada ao lado de Saidh, com seus maridos de ambos os lados,
Dougall ao lado de Murine e Greer ao lado de Saidh. Os irmãos de Dougall tinham
então se acomodado em ambos os lados dos homens e a conversa foi leve e cheia de
parabéns e votos de felicidades, enquanto a comida era levada a cabo. Murine deixara

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isso correr à sua volta enquanto comia, mas agora levantara a cabeça com aquele
comentário de Greer.
— Eu estava pensando a mesma coisa, — respondeu Dougall solenemente.
— Bem, me incomodou bastante ter ouvido alguma coisa sobre o assunto e
soube algumas coisas interessantes, — informou Greer.
Dougall endureceu com interesse. — O que você soube?
— O primo de Murine, Connor, é o segundo filho do Barclay e da irmã de seu
pai, — anunciou Greer, e depois acrescentou: — O Barclay morreu alguns
anos atrás, deixando tudo para o filho mais velho.
Dougall deu de ombros, parecendo desapontado. — Isso não é incomum. É
comum que o mais velho herde o título e a terra. Aulay conseguiu Buchanan e se
tornou laird quando nosso pai morreu.
— Sim, mas aposto que seu pai deixou algo para cada um dos outros garotos,
— disse Greer solenemente.
— Sim, cada um de nós conseguiu uma parcela de terra e algum dinheiro, —
disse Conran, do outro lado de Dougall.
— Bem, Barclay não deixou nem mesmo um centavo para Connor. Parece que
ele tinha certeza de que sua esposa era infiel e Connor não era seu filho.
Dougall ergueu as sobrancelhas e ficou pensativo.
— Também soube que menos de um ano após a morte do pai, o irmão expulsou
Connor de Barclay. O rumor é que houve algumas mortes inexplicáveis e acidentes,
em torno do novo laird, que quase lhe tiraram a vida. Ele aparentemente suspeitou de
seu irmão, mas não conseguiu provar nada.
— Então ele o baniu, — Dougall murmurou.
— Sim. — Greer concordou com a cabeça e depois advertiu: — É só um rumor,
eu tenho um homem investigando, mas ainda não foi comprovado.
Dougall acenou com a cabeça e pegou uma perna de frango. Murine voltou sua
atenção para a comida, enquanto ele mordia uma coxa.
— Há mais, — anunciou Saidh, quando Greer voltou sua atenção para sua
própria comida. — Edith me escreveu. Ela tinha acabado de voltar da corte, com a
família e disse que seu primo Connor chegou lá, logo que ela chegou. Ela disse que um
amigo de seu pai estava lá. Laird MacIntyre, acho que era.
— Sim, o Laird MacIntyre e meu pai eram queridos amigos, — Murine
confirmou com um sorriso ao pensar no homem. Ele tinha participado de grande parte
de sua vida, enquanto crescia.
— Bem, Edith escreveu que o Laird MacIntyre encurralou Connor na corte e o
confrontou, na frente de todos, sobre ele ter conseguido o castelo e o título, enquanto
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você era levada para o seu irmão na Inglaterra. Ele disse, ‘Beatie nunca faria isso com
a pequena Murine’. Ele não acreditou nisso nem por um minuto, e estava exigindo ver
o testamento para se certificar de que não era uma falsificação, ou algo assim.
— Você nunca me contou isso! — exclamou Greer, de repente.
Saidh se virou para lhe oferecer um pedido de desculpas. — Eu sei, me
desculpe. Mas essa foi a carta que o mensageiro trouxe, logo que meus irmãos e
Murine chegaram. Eu não tive a chance de lê-la, até depois de terminar de ajudá-la a
se vestir. Ela deu de ombros, desculpando-se. — E então eu não tive a chance de dizer
a você com o casamento e tudo mais.
— Oh. — Greer apertou a mão dela e inclinou-se para pressionar um beijo em
sua testa. Então, ele se endireitou e perguntou. — Connor apresentou o testamento?
Saidh sacudiu a cabeça. — Ele disse que isso dificilmente o levaria ao
tribunal. E ele estava em Carmichael, e MacIntyre era bem-vindo para visitá-lo lá, se
ele quisesse vê-lo, — Saidh respondeu e então se virou para Murine e disse, —
Você não viu o testamento, viu?
Ela balançou a cabeça.
— Você não estava lá para a leitura, depois que ele morreu? — Dougall
perguntou, com uma carranca.
— Não, — Murine disse calmamente. — Eu estava em Sinclair quando papai
morreu. Montrose apareceu lá, deu a notícia da morte do papai e me levou
diretamente para a Inglaterra. Não fui mais a Carmichael desde que parti para
Sinclair. Mas, — ela adicionou enquanto todo mundo ficou em silêncio. — Eu duvido
que o testamento seja forjado. Connor era o beneficiário e ele nunca tinha estado em
Carmichael, antes de receber a notícia de que herdara o castelo e o título — assinalou
ela.
— Mas Danvries tinha, — disse Greer em voz baixa. — Disseram-me que ele
chegou logo antes de seu pai morrer.
Murine confirmou. — Eu entendo que ele foi para Carmichael na esperança de
que a mãe lhe desse mais dinheiro. Ela deu a ele algum, no passado, quando ele
apostou muito fundo, — ela explicou.
— Mas a sua mãe já estava morta então, — disse Saidh.
— Sim, mas ele não sabia, — disse Murine, depois fez uma careta e
explicou. — Muita coisa aconteceu, em tão pouco tempo. Primeiro meus irmãos
morreram, depois mamãe adoeceu e papai também ficou doente. Murine fez uma
pausa e depois admitiu, envergonhada: — Na verdade, nem sequer pensei em escrever
a Montrose para avisá-lo. Eu não acho que papai também. — Sentindo-se culpada por
ter esquecido de escrever a seu meio-irmão e fazê-lo saber que sua mãe estava morta,
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ela tentou explicar. — Montrose não era realmente parte da nossa vida. Ele morou na
Inglaterra e apareceu em Carmichael talvez um punhado de vezes nos últimos dez
anos, e então era geralmente para pedir um favor ou dinheiro da mamãe.
— E ela dava a ele? — Aulay perguntou, com curiosidade.
Murine assentiu.
— O que seu pai achava disso? — Perguntou Dougall, em voz baixa.
Murine sorriu torto. — Ele odiava isso. As únicas brigas que eles alguma vez
tiveram foram sobre isso. Ele costumava repreendê-la por dar a ele, dizendo que
Montrose deveria aprender a ficar de pé sozinho.
— O que torna ainda mais estranho o fato de seu pai deixar você sob seus
cuidados, — destacou Dougall, sombrio.
— Sim, — concordou Greer.
Foi Aulay quem disse: — Estou pensando que MacIntyre estava certo e que
talvez você deva ver esse testamento, moça. Algo não cheira bem aqui.
Murine franziu a testa, mas antes que ela pudesse protestar, Greer perguntou:
— Você diz que Connor nunca esteve em Carmichael, mas Danvries apareceu quando
seu pai morreu? — Quando Murine assentiu, olhou para Saidh e de volta, antes de
dizer: — Saidh me disse que a morte do seu pai veio como algo como um choque? Que
ele estava se recuperando quando você foi para Sinclair?
— Sim, — ela murmurou. — Ele estava bem, se recuperando. Eu não teria
viajado se esse não fosse o caso.
— Murine nos contou isso na viagem para Buchanan, — anunciou Alick. — E
daí?
Greer abriu a boca, depois fechou-a e inclinou-se para sussurrar algo no ouvido
de Saidh. Suas sobrancelhas se levantaram, mas então ela se levantou e olhou para
Murine quando anunciou: — Estou pensando que é hora de lhe preparar para a cama.
Murine piscou para ela com surpresa e então sentiu um rubor aquecer seu
rosto, quando todos os homens começaram a aplaudir. Colocando a língua para fora
para eles, ela ficou de pé e pegou o braço de Saidh, para afastá-la da mesa o mais
rápido possível.
Honestamente, ela não estava nem um pouco preocupada com a cama, mas
isso era porque ela só estava pensando sobre a cama em si, e não na cerimônia da
cama que a precedia. Agora Murine estava começando a perceber o quão embaraçoso
poderia ser. Bom Deus, ter tantos parentes masculinos pode se tornar muito menos
agradável do que ela esperava.

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Dougall observou Saidh e Murine subirem as escadas, esperou até que a porta
do quarto se fechasse atrás delas e depois se virou para olhar Greer. ─ Você queria
que Saidh levasse Murine para cima, porque você não queria que minha esposa
soubesse que você está pensando que seu meio-irmão pode ter matado seu pai.
— Sim, — admitiu ele com pesar e depois assinalou: — Temos de admitir que é
estranho que o pai de Murine parecesse estar se recuperando, quando ela partiu para
Sinclair, mas morresse abruptamente apenas alguns dias depois de Danvries chegar
lá.
— E então foi produzido um testamento que basicamente retirou tudo de
Murine, até seu dote, — disse Aulay, pensativo.
— Mas Danvries não se beneficiou com a morte de seu pai, — assinalou
Dougall. Connor sim. Se Danvries fosse matar o homem e trocar o testamento, ele não
o teria mudado para um em que ele lucrasse mais?
— Danvries conseguiu controlar seu dote, — observou Greer.
Foi Conran que bufou com isso. — O dote dela era Waverly Place, uma
mansão. Uma bela mansão, — ele admitiu, — mas nada comparado a Carmichael. E
do pouco que sabemos do homem, Montrose é um maldito ganancioso. Se ele fosse
matar o pai dela e trocar o testamento do homem por outro, ele teria feito com que o
falso deixasse tudo para ele.
Dougall assentiu com a cabeça, mas sua mente estava revirando novas
possibilidades e depois de um momento ele disse: — Talvez ele tenha feito afinal. —
Quando os outros olharam para ele, questionando, ele assinalou: — Se ele estivesse
em conluio com Connor, ele pode ter muito mais do que o dote, mas não no
testamento.
— Isso é mais do que possível, — concordou Greer, balançando a cabeça
lentamente. — E você tem que admitir, se foi isso que aconteceu, foi um maldito
esquema inteligente.
— Sim, — concordou Aulay. — Danvries muda o testamento e ajuda Beathan a
chegar ao túmulo, mas nunca é suspeito porque Connor é o único que parece ganhar
com a morte. E Connor ganha, mas nunca é suspeito, porque ele não estava nem
perto do Castelo Carmichael ou de Beathan antes que o testamento fosse lido.
Conran franziu a testa, depois virou-se para Dougall e disse: — Estou pensando
que precisamos levar Murine para ver esse testamento.
Todos os outros homens concordaram com a cabeça.

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Capítulo 14

Murine esticou-se sonolenta e virou-se para o lado, com um pequeno bocejo.


— Bom dia, esposa.
Piscando os olhos para aquela voz rouca, ela olhou para o homem deitado de
lado, de frente para ela. Dougall. Seu marido. Ontem eles tinham se casado, e na
última noite ela definitivamente deitou com ele... várias vezes. A lembrança a fez sorrir
e reconhecer, pelo menos para si mesma, que o constrangimento da cerimônia da
cama quase valeu a pena. Quase. Bom Deus, aqueles rapazes Buchanan gostavam de
provocar. Murine achava que jamais esqueceria seus assovios, grunhidos e
comentários irreverentes enquanto levantavam a roupa de cama para colocar Dougall
ao lado dela e vislumbrá-la deitada ali, nua. Murine queria que a cama se abrisse e a
engolisse.
— Em que você está pensando? — Dougall perguntou suavemente, estendendo
a mão para correr os dedos levemente por sua bochecha.
— Sobre a noite passada, — Murine admitiu com um sorriso torto.
— Oh? — Ele perguntou com interesse, se aproximando um pouco mais na
cama e deixando seus dedos descerem ao longo de seu pescoço, agora. — E o que você
estava pensando sobre a noite passada?
— Que quase valeu a pena aguentar a provocação de seus irmãos durante a
cerimônia da cama, — ela admitiu.
— Quase? — Dougall perguntou com ofensa fingida. — Então fiz algo
errado. Talvez eu deva tentar de novo.
— Talvez você devesse, — concordou ela, antes que sua boca cobrisse a
dela. Ele mal começara a beijá-la, quando soou a batida da porta.
— Nós viemos para os lençóis! — Aulay gritou através da porta de madeira e
bateu novamente.
Dougall gemeu de desgosto e rolou para se levantar, gritando: — Segurem suas
espadas. Estou chegando.
Pegando seu tartan do chão, ele jogou para ela, sugerindo, — Enrole isso em
torno de si mesma, amor. Eles não vão esperar muito. — Então ele se abaixou para
pegar sua camisa e começou a enfiá-la, enquanto caminhava até a porta.

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Murine olhou para ele brevemente, mantendo-se imóvel por chamá-la seu amor,
em seguida, rapidamente pulou da cama e envolveu o tartan em torno de si, ao
perceber que ele estava prestes a abrir a porta.
— Ah, bom, vocês dois sobreviveram à noite, — disse Aulay com diversão,
entrando no quarto e indo para o lado, quando Alick, Conran, Geordie e Niels se
moveram em direção à cama. Seu olhar deslizou sobre Dougall, em nada além de sua
camisa, que mal cobria seus pedaços mais interessantes, e uma sobrancelha arqueou
para cima. — Eu esperava que você estivesse de pé e vestida agora. O resto do castelo
está aproveitando para ter seu desjejum.
— Eu senti como se fosse ficar na cama até tarde, — disse Dougall secamente.
Murine sorriu fracamente com a reclamação e então olhou para a pequena
mancha de sangue seco no lençol de baixo, que os outros homens estavam retirando
da cama. Dougall havia cortado a própria mão para produzir o sangue e ela se
perguntou, com culpa, se parecia algo como a prova de inocência deveria ser. Não
tinha havido sangue na noite passada. Dougall havia tomado sua inocência na cabana
de caça. Na verdade, ela não tinha certeza se havia algum sangue na cabana, uma vez
que eles não estavam na cama quando ele a tomou, mas Dougall assegurou-lhe que
ele carregava a prova de sua inocência em seu corpo. Ela aceitou a palavra dele, feliz
porque ele nunca iria duvidar de sua inocência antes dele. Era algo com que ela se
preocupava; e se a ansiedade dela por ele, o fizesse pensar que ela era mais experiente
do que era? E se ele pensasse que não era o primeiro homem a quem o irmão a
oferecera? E que talvez outra pessoa tivesse tomado sua inocência? Ele assegurou-lhe
que não era o caso. Ele sabia que ela era inocente.
Aulay e Dougall ficaram em silêncio enquanto seus irmãos carregavam o lençol
com sangue, e então Aulay disse baixinho: — Greer disse para pendurá-lo no corrimão
ao longo do patamar, para ser a primeira coisa que Montrose veja quando chegar. Ele
esperou o aceno de concordância sombrio, de Dougall, então olhou para Murine e
disse: — Saidh está esperando você acordar. Ela fez uma seleção de vestidos para lhe
emprestar. Vou informá-la que ela pode trazê-los para você agora.
— Obrigada, — Murine sussurrou com uma careta, quando ele se virou para
sair do quarto. No momento em que a porta se fechou atrás dele, ela se virou para
Dougall. — O que ele quis dizer? Montrose não vem aqui, vem? Ele saiu logo antes de
chegarmos. Por que ele voltaria tão cedo?
Dougall fez uma careta e atravessou a sala rapidamente para o lado
dela. Tomando seu braço, ele pediu que ela se sentasse na beira da cama, com ele, e
admitiu: — Porque ele foi convidado.
— O quê? — Ela ofegou com horror. — Mas por quê? Ele...
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— Aulay pediu a Greer que mandasse um mensageiro atrás dele, com um
convite para o nosso casamento — admitiu Dougall e Murine arregalou os olhos para
ele.
— Por que ele faria isso? — Ela perguntou com horror. — Se Montrose tivesse
chegado antes de nos casarmos, ele teria ...
— Os homens não partiram até a cerimônia terminar, — disse Dougall
rapidamente.
Murine olhou para ele sem expressão e depois simplesmente disse: — O quê?
Dougall suspirou e explicou: — Planejamos tudo depois que você saiu da mesa
ontem à noite. O casamento era bem depois. Decidimos que era melhor enviar o
convite para que ele soubesse que íamos casar e parasse de caçar você. Então,
enviamos alguns homens, depois da festa, com o convite.
— Para um casamento que estava acabado, — disse ela, secamente.
— Sim. Os homens deveriam reclamar que partiram no meio da manhã, atrás
dele, com o convite, mas um de seus cavalos perdeu uma ferradura na estrada e eles
se atrasaram.
— Oh, — Murine disse fracamente e então fez uma careta e perguntou: — Você
realmente acha que ele virá aqui? — Quero dizer, se ele sabe que é tarde demais para
parar o casamento... — ela disse esperançosa.
— Ele virá, — disse Dougall, secamente. — Ele vai querer ter certeza. Ele
provavelmente também vai reclamar e tentar alegar que deve ser anulado e tal,
dizendo que eu roubei você.
— Você não me roubou, — disse ela, com indignação.
— Sim, mas ele pode reivindicar que eu o fiz, numa tentativa de me fazer pagá-
lo, para cobrir suas perdas de jogo, — disse Dougall em voz baixa.
Murine franziu o cenho ante o pensamento. — Bem, não lhe dê nada. O pai
estava certo, a mãe não deveria ter lhe dado um centavo. Ele nunca se importou com
ela. Ele nunca se importou com nenhum de nós — ela disse amargamente, pensando
em como ele tentou vendê-la por cavalos.
Dougall percebeu a expressão dela, em seguida, puxou-a para um abraço
rápido, sua voz rouca quando ele disse. — Sim, bem, agora você tem um marido e seis
irmãos e até uma irmã que se importam, e cada um de nós daria a nossa vida por
você, moça. Eu juro.
Murine sorriu fracamente e apertou-o com força, sussurrando: — Como eu faria
por todos vocês.
Uma pequena risada escorregou de Dougall, e ele se afastou para olhá-la
ironicamente. — Sim. Você provou isso quando a cabana estava em chamas. —
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Afastando o cabelo para trás do rosto dela, ele acrescentou: — Meus irmãos ficaram
muito impressionados que você tenha ficado, para tentar ajudar a acordá-los e tirar a
mim e ao tio Acair de lá e não se importou de sair para a segurança, quando Rory
ordenou que você o fizesse.
— Bem, eu dificilmente poderia deixar todos vocês para queimar, — ela
apontou, secamente.
— Muitas moças iriam deixar, — disse ele solenemente.
Antes que Murine pudesse responder, outra batida soou na porta.
— Deve ser Saidh, — disse Dougall, levantando-se. Ele parou então, entretanto,
seu olhar deslizando da porta para o tartan que ela ainda tinha em volta dela. De pé,
Murine retirou-o e entregou-o, depois pegou o lençol de cobrir que estava amontoado
no pé da cama e envolveu-se, no estilo do tartã.
— Você vai em frente e pregueia seu tartan, eu vou abrir a porta, — ela sugeriu.
— Obrigado, amor, — Dougall murmurou e pegou seu braço para atraí-la para
mais perto, para que ele pudesse pressionar um beijo rápido em seus lábios.
Quando ele a soltou, Murine observou-o ajoelhar-se e estender a manta, depois
se virou para continuar até a porta, um sorriso curvando seus lábios. Este negócio de
casamento tinha sido muito bom até agora, ela pensou com um suspiro feliz que
morreu junto com seu sorriso, quando ela abriu a porta e viu o lençol sobre o
corrimão. Lembrou a ela que Montrose logo chegaria, e ela não tinha certeza do que
ele faria. Ou poderia fazer para esse assunto. De repente, ela não estava tão certa de
que Dougall casar com ela a tinha salvo. Montrose poderia anular o casamento? Ele
era seu guardião, afinal de contas. Ele poderia argumentar que deveria ser anulado
porque eles não tiveram sua permissão e aprovação.
— Eu reconheço esse olhar.
Murine desviou o olhar do lençol para olhar para Saidh, que aguardava na
soleira da porta.
— Você está se preocupando de novo, — Saidh acusou, e então pegou o braço
de Murine e a arrastou para o corredor, informando: — Venha comigo. Não teremos
nada disso.
— Para onde estamos indo? — Murine perguntou alarmada, apertando a mão
sobre o lençol que segurava junto ao peito, enquanto Saidh a conduzia pelo corredor.
— Para o meu quarto, — anunciou ela, depois explicou — decidi que seria mais
fácil levar você aos vestidos, do que trazê-los para você.
— Oh, — Murine suspirou, agradecida, quando chegaram à porta ao lado e
Saidh a conduziu para dentro.

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Fechando a porta, Saidh a empurrou para a cama, onde vários vestidos tinham
sido colocados e disse: — Agora, pare de se preocupar, Murine. Você e Dougall estão
casados. Montrose não pode fazer nada sobre isso.
Murine assentiu com a cabeça e tentou remover a ansiedade de sua expressão,
mas não tinha certeza de que Saidh estava certa, sobre Montrose não poder fazer nada
sobre seu casamento. E ela tinha certeza de que não iria parar de se preocupar com
isso, até ele chegar e fazer o seu pior.
— Ela vai ficar doente de preocupação.
Dougall grunhiu com o comentário de Greer e desviou o olhar de onde Murine
estava sentada, ao lado do fogo, com Saidh, costurando. Os dois ficaram em silêncio
enquanto elas trabalhavam, ambos visivelmente tensos em seus assentos, seus
olhares deslizando em direção à porta com uma frequência que sugeria que eles
esperavam que ela se abrisse a qualquer momento.
Voltando para a mesa onde ele, Conran, Geordie, Alick e Greer estavam todos
reunidos, ele pegou sua cerveja e tomou um longo gole, antes de admitir: — Toda essa
espera está começando a me irritar também.
— Sim, — disse Conran severamente. — Já tem quase uma semana. Eu
esperava que o bastardo aparecesse na manhã após o casamento.
— Todos nós esperávamos, — disse Greer secamente, e então balançou a
cabeça. Talvez ele tenha decidido que não havia nada para fazer e voltou para
Danvries.
Dougall sacudiu a cabeça. — Quando ele não apareceu aqui na segunda pela
manhã, mandei Aulay enviar alguns homens para vigiar o Castelo Danvries. Eles estão
enviando relatórios diários e enquanto a maioria dos homens que viajaram com
Danvries, para procurar por Murine, retornaram dois dias atrás, Danvries e seis de
seus homens ainda não o fizeram.
— Então, talvez ele tenha parado na fortaleza de um amigo ou tenha ido a
Londres para jogar, — sugeriu Alick.
— Talvez, — murmurou Dougall, depois deu de ombros e disse: — Seja qual for
o caso, parece que ele não pretende vir aqui atrás de Murine, então... — Ele se virou
para Greer e disse: — Agradecemos sua hospitalidade e paciência conosco, mas
estaremos saindo de seu pé depois de amanhã.
As sobrancelhas de Greer se ergueram e ele olhou para as mulheres junto ao
fogo. — Você contou a Murine?
— Não, — admitiu Dougall com uma careta. Essa era uma tarefa que ele não
estava ansioso para executar.

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Greer franziu a testa. — Com certeza se Murine souber que Danvries não vai
aparecer aqui, ela vai relaxar um pouco.
— Sim, — reconheceu Dougall.
— Então por que você não disse a ela? — Greer perguntou, razoavelmente.
— Porque ele está preocupado em como ela reagirá, quando souber para onde
vamos levá-la em seguida, — Geordie rosnou, antes que Dougall pudesse responder.
— Carmichael? — Perguntou Greer imediatamente.
Dougall assentiu. — MacIntyre quer nos acompanhar. Seu mensageiro retornou
com a notícia esta manhã. Vamos sair para nos encontrar com ele depois de amanhã e
depois viajaremos até Carmichael, para exigir que vejamos o testamento. — Ele sorriu
desculpando-se e acrescentou: — É por isso que temos que incomodá-lo com nossa
presença até depois de amanhã.
Greer afastou isso e pegou sua própria cerveja, apenas para deixá-la de novo,
intacta, quando ele perguntou: — É por isso que Aulay saiu com Niels e Rory hoje de
manhã?
— Sim, — Alick disse com um sorriso. — Eles estão reunindo nossos soldados.
— MacIntyre está trazendo um exército, e nós também, — disse Dougall, e
depois explicou: — Apenas como demonstração de força. Queremos garantir que o
primo de Murine nos mostre o testamento.
— Bem, — disse Greer, com um sorriso lento. — Se é força que você quer, eu
ficaria feliz em trazer meus homens para a jornada. Antes que Dougall pudesse
responder, ele acrescentou: — Ela agora também é minha família, Buchanan. Mas
mais importante, Murine salvou a vida e a reputação de Saidh em Sinclair. Se ela não
tivesse, eu não teria agora minha linda esposa. Vou retribuir o favor e lutar por ela,
agora que precisa.
— Bem, então, eu acho que você está vindo, — disse Dougall ironicamente.
— Malditamente certo que sim, — Greer concordou e levantou-se
abruptamente.
— Onde você está indo? — Perguntou Dougall, surpreso.
— Enviar um mensageiro para Sinclair, — explicou Greer. — Ele vai querer
ajudar também. Você vai gostar dele, a propósito.
— Bem, droga, — murmurou Conran, enquanto observavam Greer se
apressar. — Se Sinclair também trouxer homens, serão quatro exércitos montados em
Carmichael. Connor vai se mijar quando nos vir chegando.
— Sim, — Dougall concordou com um sorriso e ficou de pé. — É hora de eu
contar a Murine o que estamos planejando.
— Boa sorte, — disse Conran em voz baixa.
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Assentindo, Dougall se virou e foi em direção às mulheres junto ao fogo.

— Ele não deve ter vindo.


Murine levantou os olhos de sua costura com aquele comentário frustrado de
Saidh e ergueu as sobrancelhas.
— Seu irmão, — explicou Saidh. — Certamente, se ele tivesse vindo, ele estaria
aqui agora?
Murine suspirou e colocou a costura no colo. Ela havia pensado nisso várias
vezes, mas os homens estavam tão tensos que suspeitava terem notícias que estavam
escondendo dela e de Saidh. Como se talvez o irmão dela estivesse reunindo apoio e
planejasse sitiar MacDonnell e exigir seu retorno, para que pudesse anular o
casamento.
Em vez de dizer isso, no entanto, ela propôs: — Sinto muito, Saidh. Eu sei que
ficamos além de nossas boas-vindas e...
— Murine Buchanan, — disse Saidh, parecendo ofendida. — Você pode
simplesmente parar o que está dizendo agora e calar sua boca. Você não ficou além de
nossas boas-vindas. Estamos felizes por tê-la aqui. Ela franziu a testa e depois
acrescentou: — Eu só queria que não estivéssemos tão tensos e preocupados e
pudéssemos aproveitar a visita. Essa preocupação constante com o que pode estar
acontecendo é cansativa.
— Sim, é isso, — Murine concordou com um suspiro. A semana passada fora
cansativa. Os dias foram passados presos no castelo, tentando distrair-se da sempre
presente preocupação de que Montrose pudesse aparecer, a qualquer momento, e
jogar sua vida no caos. Embora as noites não fossem tão ruins. Dougall era
geralmente capaz de distraí-la com seus beijos e carícias, mas depois, ela se via
deitada, acordada, preocupada. E ela sabia que Dougall também.
— Eu estou bem doente de estar presa em casa também, — Saidh anunciou de
repente, mexendo-se sem parar em sua cadeira. — Eu poderia fazer uma dura
cavalgada agora.
— Eu também, — admitiu Murine.
— Então eu vou levar vocês em uma.
Ambas as mulheres olharam ao redor, surpresas com o anúncio, quando
Dougall parou na cadeira de Murine.
— Onde está Greer? — perguntou Saidh, olhando em direção à mesa onde
Conran, Geordie e Alick estavam sentados, conversando.
— Ele foi procurar um mensageiro. Ele deve voltar diretamente, — garantiu
Dougall, depois sorriu para Murine e perguntou: — Cavalgar?
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— Sim, — ela respirou aliviada e colocou a costura na mesa ao lado de sua
cadeira, enquanto se levantava. Observando que Saidh não estava de pé, ela ergueu as
sobrancelhas. — Você não vem?
Saidh hesitou, seu olhar passou por ela até Dougall, antes de sacudir a
cabeça. Acho que vou esperar por Greer.
— Talvez também devêssemos, — disse Murine, olhando para Dougall. — Então
poderíamos todos ir.
Saidh riu do efeito que a sugestão teve na expressão de Dougall e balançou a
cabeça. — Suspeito que meu irmão queira passar algum tempo a sós com você,
Muri. Continue. Greer vai voltar em breve e eu vou exigir que ele me leve para passear
também.
Quando Murine hesitou, sentindo-se culpada com a idéia de deixar Saidh para
trás, uma vez que ela também estava presa dentro de casa, Dougall a pegou nos
braços e se virou para a porta.
— Divirtam-se, — Saidh gritou, com um sorriso.
Murine apenas balançou a cabeça e colocou os braços em volta do pescoço de
Dougall. Não foi até que as portas da fortaleza se fecharam atrás dele e ele começou a
descer as escadas com ela, que Murine perguntou: — Isso significa que podemos parar
de nos preocupar com Montrose vindo, para me levar embora?
— Nunca houve qualquer chance de ele levá-la embora, — Dougall assegurou-
lhe severamente, enquanto ele descia as escadas e começava a atravessar o pátio. —
Eu o teria desafiado para um julgamento por combate e o mataria primeiro.
— Como meu pai fez para salvar minha mãe, — Murine murmurou.
— Exatamente assim, — assegurou ele, e então, ao entrar nos estábulos,
acrescentou: — Mas, sim, nós não esperamos mais que seu irmão venha atrás de
você.
— Meio-irmão, — ela corrigiu, achando que era irritante ter que admitir até
mesmo essa relação com o homem.
— Meio-irmão, — ele concordou, colocando-a do lado de fora da baia que
segurava seu cavalo. — Espere aqui.
Murine deu um passo para trás e, em seguida, moveu-se para encostar-se ao
parapeito, enquanto ele se aproximava para recolher a sela. Ele estava dentro da baia,
selando sua montaria quando ela perguntou: — É por isso que Aulay, Niels e Rory
saíram hoje de manhã? Porque vocês todos decidiram que Montrose não viria?
Dougall fez uma breve pausa no que estava fazendo e continuou, dizendo: —
Parte da razão.
— Qual é a outra parte?
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Dougall ficou em silêncio enquanto terminava de selar a montaria, depois
conduziu o animal para fora da baia e pegou a mão dela ao passar. Depois de levá-la e
ao cavalo, para fora do estábulo, ele rapidamente montou, depois se inclinou para
levantá-la diante dele.
— Eu posso montar, Dougall, — ela disse baixinho, enquanto ele incitava ao
cavalo a se mover.
— Eu sei. Você montou a maior parte do caminho de Buchanan, — lembrou
ele. — Eu apenas gosto quando você monta comigo.
— Oh. — Ela sorriu fracamente, satisfeita por ele gostar de montar com ela. —
Eu gosto de montar com você também.
— Gosta? — perguntou ele, dando um beijo no ouvido dela, quando passaram
por baixo do portão e começaram a atravessar a ponte levadiça.
— Sim. Eu gostei de montar como homem também.
— Gostou? — Ele perguntou com interesse, e então disse: — Aqui, tome as
rédeas.
Murine as pegou e soltou um suspiro assustado quando de repente a pegou
pela cintura e a ergueu vários centímetros.
— Passe sua perna por cima, — ele ordenou. — Você pode montar como homem
comigo.
Murine passou a perna de uma vez e ele a acomodou nas costas do cavalo.
— Você está vestindo calções sob seu vestido, — comentou ele com diversão.
Murine olhou para baixo, para ver que sua posição tinha levantado suas saias o
suficiente para revelar os calções escuros embaixo. Corando, ela encolheu os
ombros. — Eu os usei todos os dias desde o casamento, tirando-os pouco antes do
jantar. Eu pensei que deveria estar preparada.
— Preparada para quê? — Ele perguntou.
— Para qualquer coisa, — disse ela secamente. — No caso de você não ter
notado, meu laird, eu arruinei alguns vestidos desde que fugi do castelo do meu
irmão.
— Sim, eu tinha notado, — disse ele, com uma risada. — E eu estou pensando
que eu poderei ter que aumentar minha criação de cavalos, para manter suas roupas.
— Ou você poderia apenas me manter nua, — ela sugeriu, recostando-se contra
o peito dele.
— Eu poderia? — Ele perguntou com interesse, acariciando seu pescoço. —
Você não se importaria?
— Não, — ela respirou, contorcendo sua bunda contra ele, enquanto ele
beliscava o lóbulo da orelha dela. — Não se você estivesse nu também.
Amando um Highlander – Lynsay Sands
— Melhor e melhor, — ele rosnou, em seguida pegou o queixo dela e virou o
rosto para trás e para cima, para que ele pudesse beijá-la.
Murine suspirou e depois gemeu em sua boca, quando a excitação
imediatamente explodiu dentro dela. Mas então ela recuou e engasgou: — Talvez você
deva tomar as rédeas. Temo que eu possa soltá-las.
— Não. Estou ocupado, — Dougall argumentou e prontamente deixou as mãos
deslizarem para segurar seus seios.
Murine guinchou de surpresa e olhou em volta, aliviada ao ver que haviam
chegado ao bosque ao redor de MacDonnell e os homens na muralha não conseguiam
ver o que ele estava fazendo. Aproveitando a maneira como ela virou a cabeça, Dougall
a beijou novamente, suas mãos continuando a amassar seus seios por um momento,
enquanto ele empurrava sua língua nela.
Quando ela gemeu e o beijou de volta, ele começou a puxar o decote de seu
vestido. Ele não teve que puxar muito. Saidh era um pouco maior que ela e os topos
dos vestidos que ela lhe dera estavam todos um pouco soltos em Murine. Elas
passaram os últimos dias alterando os vestidos, mas este era um que ainda não havia
sido consertado. Em alguns momentos, ele tinha seus seios livres e os apertava e
acariciava, sem o tecido entre eles.
Interrompendo o beijo agora, Dougall murmurou: — Muri?
— Sim? — Ela gemeu, arqueando para seu toque.
— Eu gosto quando você monta como homem, também.
Murine deu uma risada sem fôlego, mas não informou que eles não estavam
mais se movendo. Ela havia perdido o controle sobre as rédeas há pouco e sua
montaria imediatamente desacelerou até parar.
— Marido, — disse ela sem fôlego, — Talvez devêssemos... oh, — ela engasgou,
seu corpo estremecendo de surpresa, quando uma das mãos dele, de repente, caiu de
seu peito, para envolvê-la entre as pernas.
— Whoa, — Dougall rosnou, quando sua montaria andou de lado,
nervosamente, com a ação dela. Soltando o outro seio, ele pegou as rédeas em seu
colo e assumiu o controle novamente, de ambas. A mão entre as pernas ainda estava
lá. Seus dedos agora pressionavam firmemente contra o tecido embaixo deles, e
movendo-se para cima e para baixo, acariciando-a através do material.
— Dougall, — ela ofegou fracamente, agarrando suas mãos para tentar detê-lo.
— Se você não usasse calções, eu viraria você para escarranchar em mim,
puxaria sua saia para fora do caminho e...
— Oh, Deus, — Murine engasgou, interrompendo-o quando sua excitação subiu
vários níveis, pela combinação do que ele estava fazendo, com a imagem que ele estava
Amando um Highlander – Lynsay Sands
colocando em sua cabeça. Ela agora realmente queria que não estivesse usando
aqueles calções. E ela estava subitamente desesperada para tê-lo dentro dela.
— Marido, por favor, — ela implorou, torcendo a cabeça contra o ombro dele, as
unhas agora cavando a mão entre as pernas.
— Por favor, o quê, Muri? — Ele respirou junto ao ouvido dela, incitando o
cavalo a se mover mais rápido, mesmo enquanto seus dedos se moviam mais rápido
contra ela.
— Pare o cavalo. Eu preciso de você, — ela admitiu em um gemido.
— Logo, — assegurou-lhe, e então ordenou: — Toque seus seios para mim,
moça. Eu não posso.
Murine lambeu os lábios incerta, mas levantou as mãos para segurar seus
próprios seios.
— Oh, sim, é isso, amor. Aperte-os, — ele instruiu. A mão entre as pernas se
retirou brevemente, para arrastar a saia para cima, e depois voltou a tocá-la, desta vez
apenas com o material fino dos calções no caminho, enquanto ele começava a esfregar
seu núcleo novamente. Murine gemeu e amassou seus seios quase dolorosamente,
enquanto seus quadris se moviam involuntariamente sob suas carícias, seu traseiro
esfregando contra a dureza que ela podia sentir crescendo entre eles, e então ele
estava parando e ela piscou com os olhos abertos, para ver que eles tinham alcançado
uma clareira em um lago.
Murine mal havia notado que, quando eles pararam completamente, Dougall a
tirava do colo para colocá-la no chão, ao lado de sua montaria. Ela agarrou o estribo
para se firmar, depois recuou para sair do caminho, quando ele desmontou. Uma vez
de pé, Dougall imediatamente pegou-a pelos braços e puxou-a para um beijo. Era duro
e exigente e ela respondeu do mesmo modo, vagamente consciente de que ele a estava
afastando do cavalo.
Ela mal sentiu o ruído de uma árvore em suas costas, antes de Dougall
interromper o beijo e se ajoelhar, para pegar a bainha de sua saia e tirá-la do
caminho. Ela voou para cima e depois caiu sobre sua cabeça e ombros e ela olhou
para baixo com os olhos arregalados quando sentiu suas mãos começarem a trabalhar
nos laços de seus calções.
— Eu deveria... — Ela estava prestes a perguntar se deveria segurar a saia para
cima, mas perdeu o fio da pergunta, quando ele começou a pressionar beijos na carne
revelada, enquanto ele puxava seus calções para baixo. Seus lábios deslizaram sobre o
quadril dela, desceram pela perna e então ele a segurou por trás de um dos joelhos,
incitando-a a levantar a perna. No momento em que ela o fez, ele puxou os calções
pelos seu pé. Ele então fez o mesmo com a outra perna. Ela os viu sair voando de
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debaixo da saia e então Dougall recuou, endireitou-se e segurou a parte de cima do
vestido e começou a empurrar isso para baixo sobre seus ombros.
Murine começou a ajudar, empurrando o material por seus braços para que
ficasse pendurado em sua cintura. Ela então pegou o alfinete do tartan dele, enquanto
dava ao vestido o último empurrão necessário para enviá-lo ao chão, para se reunir
em torno de seus pés. Murine soltou o alfinete e o tartan caiu. Dougall imediatamente
tirou a camisa por cima da cabeça, jogou-a de lado e, em seguida, puxou-a em seus
braços.
Murine suspirou de prazer quando seu corpo quente pressionou-se contra o
dela. Ela levantou a cabeça para o beijo dele e ele começou a abaixar a cabeça, então
parou abruptamente.
— Suas costas? — Ele perguntou com preocupação. — Eu a machuquei quando
eu pressionei você contra a árvore?
Ela balançou a cabeça, rapidamente. — Está tudo bem. Rory diz que vai tirar os
pontos amanhã.
— Graças a Deus, — Dougall murmurou e, em seguida, curvou as pernas dela,
e caiu de joelhos, enquanto a abaixava para deitar em suas roupas descartadas. Ele
não a cobriu então e deslizou nela, como ela esperava, mas se acomodou ao seu lado e
começou a beijá-la, enquanto sua mão deslizava sobre seu corpo, correndo em sua
barriga, e depois para brincar primeiro com um seio e depois com o outro.
Murine gemeu em sua boca e, em seguida, agarrou seus ombros, tentando
puxá-lo sobre ela. Mas Dougall resistiu e, em vez disso, deslizou a mão para baixo
sobre sua barriga e pélvis, para mergulhar entre as pernas. Murine afastou a boca em
um suspiro e gritou. Com os quadris curvados e arqueando as costas, ela se agarrou a
ele agora, desesperada para que ele a preenchesse e amenizasse essa necessidade
terrível que ele estava construindo nela.
— Dougall. — Seu nome era quase um soluço.
— Shii, amor, — ele repreendeu, seus dedos deslizando por sua pele lisa e se
movendo em círculos ao redor do cerne de sua excitação. — Não se preocupe. Relaxe e
aproveite.
Ela poderia apenas tê-lo socado, e o pensamento fez seus olhos se abrirem. De
repente, ela entendeu o que Saidh estivera falando. Até agora, Murine sempre estivera
na posição vertical, montando-o para evitar que suas costas a machucassem. Isso a
deixara no controle, enquanto procurava seu prazer. Desta vez Dougall estava no
controle, e ele a estava deixando louca, com suas carícias provocantes.

Amando um Highlander – Lynsay Sands


Ela tentou se mexer, na esperança de empurrá-lo de costas e montá-lo, mas
Dougall simplesmente jogou uma perna sobre a dela, prendendo-a no lugar, com isso
e com seu peito.
Murine rosnou em frustração, a cabeça se debatendo no chão. Então,
desesperada para dar um fim ao seu tormento, ela conseguiu abaixar a mão e
encontrar sua ereção. Ela fechou a mão ao redor dele e depois hesitou. Ela não tinha
certeza do que deveria fazer, mas o modo como Dougall parou por um instante,
quando sua mão se fechou ao redor dele, sugeriu que estava no caminho
certo. Quando seus dedos começaram a se mover contra sua carne novamente, ela
instintivamente baixou a própria mão em seu comprimento, imitando o que aconteceu,
quando ele se juntou a ela.
Dougall imediatamente sugou o ar através dos dentes e rosnou: — Deixe,
amor. Eu quero lhe dar prazer.
— Eu quero você em mim, — ela respondeu e deslizou a mão por seu
comprimento agora.
Ele cerrou os dentes, mas então simplesmente abaixou a cabeça para
reivindicar seus lábios. Quando ela abriu a boca para ele, ele empurrou a língua para
dentro, ao mesmo tempo que empurrava um dedo dentro de seu corpo.
Murine gritou em sua boca, seu corpo arqueando tanto que ela temia quebrar
suas próprias costas. Quando o dedo dele começou a se retrair, ela ergueu o joelho
tanto quanto pôde e plantou o pé no chão para empurrar os quadris para cima para
encontrar o próximo impulso. Desta vez, um segundo dedo se juntou ao primeiro,
enchendo-a quase tão completamente, como quando ele fez amor com ela. Mas desta
vez ele não recuou, mas manteve os dedos embutidos nela, pressionando firmemente,
enquanto seu polegar começava a correr para trás e para frente e ao redor da
protuberância que era o núcleo de sua excitação.
O corpo de Murine pareceu quase vibrar com a tensão, por um momento, e
então ela gritou em sua boca, empurrou e impulsionou quando sua liberação
finalmente explodiu sobre ela, em ondas que entorpeciam a mente. Só então Dougall
retirou a mão e passou por sobre ela para juntar o corpo dele com o dela. Murine deu
um meio suspiro, meio gemido quando ele a encheu, e então envolveu seus braços e
pernas ao redor dele, quando ele começou a balançar dentro e fora dela.
A princípio, ela pensou que tinha acabado e simplesmente o abraçaria e
esperaria que ele encontrasse seu prazer, mas estava enganada. Dentro de alguns
instantes ele a fez gritar e agarrá-lo novamente. Só que desta vez, quando ela
encontrou sua libertação, ela não estava sozinha e o grito de Dougall se juntou ao
dela, enquanto ele se mantinha imóvel, profundamente dentro dela, então ele caiu em
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seus braços, brevemente, antes de se mover e rolar para o lado e depois para trás,
levando-a com ele, para se deitar em seu corpo quente.
Murine se aninhou nele, seus olhos se fechando, quando ele disse: — Esposa?
Ela piscou os olhos, relutantemente abertos, mas estava exausta demais para
levantar a cabeça para olhar para ele e apenas murmurou um sonolento — Mmm?
Ele hesitou e disse: — Nós partiremos depois de amanhã.
Murine apenas assentiu e fechou os olhos novamente, supondo que voltariam
para Buchanan até que Dougall tivesse construído uma casa para eles. Eles tinham
conversado sobre isso na outra noite. Ele herdou terras e uma boa soma de dinheiro
quando seus pais morreram. Todos os rapazes tinham herdado também. E ele
aumentara isso com sua criação de cavalos e algum trabalho mercenário que
aparentemente fizera antes da morte do pai. Quando combinado com o dinheiro que
ele guardou por atuar como o imediato de Aulay, nos últimos anos, Dougall
aparentemente tinha mais do que dinheiro suficiente para construir uma boa casa
para eles.
Ela não se importou. Ela teria ficado feliz em morar com ele em Buchanan, pelo
resto de suas vidas, ou mesmo em um pequeno chalé. Desde que eles estivessem
juntos, ela não se importava onde eles moravam.
— Para Carmichael, — acrescentou Dougall, e Murine endureceu.
Os dois permaneceram imóveis por um minuto, e então ela se sentou
abruptamente e olhou para seu rosto, solenemente.
Sentando-se também agora, Dougall pegou as mãos dela. — O Laird MacIntyre
quer ver o testamento, e eu acho que você também precisa.
— Eu não, — ela negou, puxando as mãos dele. — Eu sei o que diz e é o
suficiente.
— Não é, — ele insistiu, pegando as mãos dela novamente. — Murine, eu
apostaria a minha vida que o testamento é uma falsificação. Seu pai não deixaria tudo
para um sobrinho que nunca encontrou e...
— Eu disse a você, meus desmaios o fizeram temer que o povo não me aceitaria
para...
— Eu sei que você pensa isso, mas eu acho que você está errada, — disse ele
com firmeza. — E ele deixando você no comando de Carmichael ou não, ele certamente
não teria deixado você aos cuidados de Danvries. Ele franziu a testa. — Murine, seu
pai matou o pai de Montrose em um julgamento por combate em vez de deixar sua
mãe, uma completa estranha para ele, aos cuidados do homem. Ele dificilmente
deixaria você, sua própria filha e única criança remanescente, nas mãos do filho do
homem. Especialmente quando aquele filho era tão fraco e cruel, como o pai dele fora.
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Murine engoliu em seco e abaixou a cabeça. Isso a tinha machucado mais que
tudo. Ela não se importava tanto que o castelo e o título tivessem sido deixados para
seu primo Connor. Enquanto as mulheres muitas vezes herdavam títulos e
propriedades na Escócia, ela sabia que raramente isso era feito na Inglaterra. O que a
incomodava era que ela ficara aos cuidados de Montrose, quando o pai sempre
parecera detestar o homem. E ela também não acreditou quando Montrose lhe contou
da primeira vez... Não até ele explicar que o pai dela, aparentemente, achava que o
hábito de desmaiar, a deixava fraca e precisando de cuidados.
— Meus desmaios, — ela começou infeliz.
— Não se sinta nada menos que a mulher corajosa e forte que vim a saber que
era, —disse Dougall com firmeza.
Murine afastou isso. Claro que ele a via forte agora. Ela não tinha desmaiado
desde a viagem para Buchanan, ela pensou, e disse o mesmo a Dougall. — Você
esqueceu como eu estava antes de você e seus irmãos começarem a me fazer comer e
me encher de tinturas.
— Como você estava? — Ele perguntou solenemente.
— Eu estava desmaiando para sempre, — ela apontou com irritação. — Eu
estava fraca.
— Fraca? — Ele perguntou divertido. — Moça, seu desmaio não a
enfraqueceu. Até onde posso dizer, não diminuiu a sua velocidade. Mesmo com o
desmaio, salvou minha irmã e a lady Sinclair de uma assassina. E você fugiu de seu
irmão, de sua casa e da própria Inglaterra, para viajar sozinha para a Escócia para
preservar sua virtude, — ressaltou. — Isso não parece
fraca para mim.
— Eu não viajei sozinha, — ela apontou solenemente.
— Não, — ele concordou. — Mas você começou sozinha. Você enfrentou
bandidos e todos os outros perigos da estrada para fugir. Ele deu uma sacudida nas
mãos dela. — Você não é fraca, Murine. Você nunca foi mesmo desmaiando. E se eu
pude ver isso, seu pai também viu, — disse ele, com firmeza.
Colocando um dedo sob o queixo dela, ele levantou o rosto até que ela
encontrasse o olhar dele, e disse: — Eu sei que você pensa que seu pai sentiu você
fraca, por causa do desmaio, e eu sei que a possibilidade dele ter feito isso, dói. Mas
Muri, ele não era um homem estúpido e certamente viu o que eu vejo. Que você é
bonita, boa e forte, desmaiando ou não.
Murine mordeu o lábio e piscou contra as lágrimas que, de repente, enchiam
seus olhos.

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Quando uma escapou para correr pela sua bochecha, ele limpou-a solenemente
e disse: — Nós vamos sair para encontrar MacIntyre depois de amanhã, e então vamos
até Carmichael e exigiremos ver o testamento. Você precisa saber que seu pai amava e
respeitava você, e não estava tão envergonhado por seus desmaios que deixasse seus
cuidados com um bastardo como Montrose.
Percebendo que ele estava esperando por seu acordo, ela soltou um suspiro e
assentiu.
Dougall relaxou e deu um sorriso torto. — Tudo vai ficar bem, — ele assegurou,
puxando-a para frente para um abraço.
— Vai? — Murine murmurou, com a bochecha contra o peito dele, e assinalou:
— Porque, se o testamento foi trocado, surgem perguntas sobre a morte do meu pai.
Dougall endureceu e recuou devagar para encontrar o olhar dela e ela viu
arrependimento ali, mas ele assentiu. — Sim, isso é verdade.
Quando Murine apenas olhou para ele, ele admitiu: — Sempre me incomodou
que seu pai estivesse, aparentemente, se recuperando, quando você partiu, mas morto
dias depois. — Ele balançou a cabeça. — Eu a conheço bem o suficiente para saber
que você não teria deixado Carmichael, a menos que ele estivesse bem na recuperação.
— Ele estava se restabelecendo, sua respiração na maior parte clara, com
apenas uma tosse ocasional e coriza, — disse ela solenemente. — Ele até passou a
tarde embaixo, perto da lareira, comigo, no dia anterior à minha partida.
Dougall assentiu novamente, como se tivesse esperado isso, e então apontou: —
E Montrose dificilmente mudaria o testamento e arriscaria a seu pai se recuperar e
descobrir a mudança.

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Capítulo 15

Murine levantou os olhos com o suspiro de Saidh e observou-a andar de um


lado para o outro, em frente à lareira, torcendo as mãos ansiosamente. Murine nunca
pensara em ver o dia em que Saidh Buchanan, agora MacDonnell, torceria as mãos
como uma mulher indefesa. Mas ela estava fazendo isso a manhã toda.
Mordendo o lábio, Murine se recostou em seu assento e tentou pensar em algo
para dizer que poderia acalmar Saidh. No entanto, ela vinha fazendo isso durante toda
a manhã, e simplesmente não havia nada que pudesse ser dito que ajudasse nessa
situação, até que fosse resolvida.
Murine suspirou e olhou para sua costura intocada, novamente. Ela não
dormira bem desde que Dougall lhe dissera que eles iriam para Carmichael hoje. Ela
havia acordado naquela manhã, exausta depois da segunda longa noite em que
passara mais tempo se preocupando com a jornada que chegava do que com o sono
real, apenas para descobrir que a viagem fora adiada porque faltava o escudeiro de
Greer. Parecia que o jovem rapaz, chamado Alpin, deveria retornar ontem de uma
visita de duas semanas em casa, uma viagem que havia sido prescrita em seu contrato
de recrutamento. O rapaz deveria chegar para o jantar. Quando ele não chegou na
hora de dormir, Greer começou a se preocupar. Quando a madrugada chegou, ainda
sem sinal, mandou os homens saírem para garantir que o rapaz e sua escolta não
tivessem encontrado problemas na estrada. Seus homens haviam retornado
rapidamente com a notícia de que haviam encontrado a escolta morta na estrada, não
muito longe de MacDonnell... e não havia sinal do menino.
Greer começou imediatamente uma busca, e Dougall e seus irmãos estavam
ajudando com isso.
— Eu deveria estar lá, ajudando-os a procurar, — Saidh explodiu, com
repentina frustração.
— Sim, você deveria, — Murine concordou suavemente, voltando seu olhar para
a costura que ela estava segurando há algum tempo, mas onde não tinha costurado
um ponto.
Ela podia sentir a indecisão de sua amiga e então Saidh se jogou na cadeira ao
lado de Murine com um suspiro e murmurou: — Não. Eu deveria ficar aqui.
Agora era a vez de Murine suspirar, embora ela o fizesse com mais exasperação
do que qualquer outra coisa. Levantando-se, ela colocou a costura de lado e disse: —
Eu sei que você ficou para trás para ficar de olho em mim, Saidh. Mas estou
perfeitamente segura aqui no castelo. Além disso, estou cansada. Eu não dormi bem
Amando um Highlander – Lynsay Sands
nas últimas duas noites, por me preocupar com a jornada de hoje, e gostaria de me
deitar para descansar, mas enquanto você estiver aqui, sinto que preciso sentar com
você. Por que você não ajuda na busca, — sugeriu ela. — Dessa forma eu posso ir
deitar e parar de ver você como uma mãe galinha.
Saidh não conseguiu sair de seu assento rápido o suficiente. Saltando de pé, ela
deu um abraço rápido em Murine, então correu para a porta, gritando: — Eu vou
acordá-la quando o encontrarmos.
Murine observou-a empurrar as portas, depois sacudiu a cabeça e virou-se para
atravessar o salão e subir as escadas. Saidh mencionara Alpin várias vezes, na última
semana. Murine tinha descoberto muito rapidamente que ela tinha passado a cuidar
do garoto, mas não tinha percebido o quanto. Hoje, porém, ela percebeu que Saidh
praticamente contava o menino como um oitavo irmão, ou até mesmo um filho
adotivo. Murine esperava sinceramente que eles encontrassem o rapaz, vivo e bem. Ela
suspeitava que Saidh ficaria inconsolável de outra forma.
A sacola que guardava os vestidos que Saidh lhe dera, esperava na cama ao
lado da bolsa de Dougall e Murine fez uma careta ao vê-los. Eles pareciam simbolizar
a viagem que deveriam começar naquela manhã, a que lhe causara a falta de sono, e a
razão pela qual ela estava tão exausta agora. Uma viagem que eles acabaram não
fazendo.
Sua mãe costumava dizer que a preocupação era um desperdício, o que iria
acontecer, aconteceria, e às vezes aquilo com que você estava preocupado, nunca
ocorreria. Sua mãe tinha sido uma mulher sábia, reconheceu Murine, enquanto
caminhava até a cama e pegava a bolsa de Dougall para colocá-la no chão. Ela apenas
a colocou no chão e começou a se endireitar, para mover sua própria bolsa também,
quando um roçar soou atrás dela.
Murine começou a se virar e então gritou quando algo bateu em sua cabeça. Ela
mal teve tempo de reconhecer o abraço sombrio da inconsciência, se fechando em
torno dela, antes que a envolvesse completamente.

— Dois guardas.
Dougall olhou para o homem que cavalgava ao lado dele. Greer estava com uma
carranca feroz de raiva, medo e frustração em todas as linhas de seu corpo, enquanto
ele murmurava aquelas palavras novamente. Dougall não precisou perguntar sobre o
que seu cunhado estava falando. O pai de Alpin havia mandado o menino de volta com
uma escolta de dois guardas, ambos mortos, seus corpos no caminho de retorno para
o pai de Alpin, com a mensagem de que seu filho estava desaparecido.

Amando um Highlander – Lynsay Sands


— E dois rapazes que mal têm idade para crescer o cabelo em seus rostos, —
grunhiu Greer. — Que tipo de idiota envia seu único filho em uma jornada, com
apenas dois jovens para guardá-lo?
Dougall fez uma careta, mas não comentou. Ele suspeitava que Greer estava
apenas desabafando sua raiva e realmente não queria uma resposta.
Alick estava entre os homens que viajavam com eles, no entanto, e às vezes não
sabia quando deveria comentar e quando não deveria.
— Bem, você disse que o pai dele era inglês, — apontou Alick. — Eles não são
sempre as pessoas mais brilhantes.
— Alick, — Dougall rosnou em aviso.
— Bem, eles não são, — insistiu Alick. — O avô sempre disse que era por conta
da endogamia.10
Quando Greer arqueou uma sobrancelha e olhou para Dougall, ele
imediatamente sacudiu a cabeça e aconselhou: — Ignore-o. Ele é jovem.
— O que isso tem a ver com alguma coisa? — Alick perguntou com irritação. —
Eu só estou dizendo a você o que vovô disse.
— Alick, — Dougall começou, mas depois parou quando viu uma mulher
cavalgando em direção a eles, seu cabelo escuro voando na brisa. — Essa é Saidh?
— Sim, — disse Greer lentamente, preocupação aumentando em seu rosto.
— Eu pensei que ela ia ficar no castelo com Murine, — disse Alick com uma
carranca.
Apertando a boca, Dougall esporeou seu cavalo para encontrá-la, rosnando: —
Onde está Murine? — Quando se encontraram e os dois pararam.
— Ela estava cansada e queria deitar-se, então eu vim para ajudar com a
busca, — respondeu Saidh rapidamente.
Dougall assentiu, alívio fluindo através dele. Por um momento, ele temeu que
ela também estivesse aqui, cavalgando em algum lugar.
— Por que vocês todos estão voltando para o castelo? — perguntou Saidh,
enquanto Greer e os outros se aproximavam. — Você encontrou Alpin?
— Não, — Greer respondeu solenemente.
—Então por que você está voltando para a fortaleza? — Ela perguntou
brevemente. — Ele está lá fora em algum lugar, sozinho e com medo e... — Suas
palavras morreram quando Greer a puxou de seu cavalo para o aconchego de seus
braços, em sua própria montaria. — Respire, amor. Estamos fazendo tudo o que
podemos. Eu tenho homens procurando mais longe, e enviei um mensageiro para o
pai dele, com a notícia e solicitando que ele nos avise, se ele receber uma demanda por

10
Enlace matrimonial entre pessoas que pertencem ao mesmo grupo familiar, social, étnico, religioso
Amando um Highlander – Lynsay Sands
dinheiro, para o retorno do garoto. Enquanto isso, estávamos voltando para o castelo
para mapear a área e tentar decidir o melhor curso de ação.
Saidh caiu contra ele com essa notícia. — Estou preocupada com ele, Greer.
— Sim, eu sei, — disse ele com um suspiro, em seguida, pressionou a cabeça
dela contra o peito e empurrou o cavalo para frente, novamente.
Dougall inclinou-se para o lado para pegar as rédeas da égua de Saidh e depois
seguiu o casal, ciente de que seus irmãos estavam em seus calcanhares.
A maioria dos homens MacDonnell estava procurando por Alpin, então foi uma
surpresa entrar no pátio e encontrá-lo cheio de homens. Dougall cavalgou ao lado de
Greer e olhou para ele em dúvida, enquanto diminuíam a velocidade, mas o cunhado
sacudiu levemente a cabeça, dizendo que não tinha ideia de quem eram os homens.
— Aulay está de volta, — Alick disse de repente e Dougall relaxou quando viu
seus irmãos Aulay e Conran de pé na escada, com o imediato de Greer, Bowie e um
homem mais velho que ele não reconheceu.
O plano era que Aulay, junto com os soldados que ele recolhera de Buchanan,
saísse direto para o local onde se encontrariam com MacIntyre, em vez de fazer o
ligeiro desvio para MacDonnell. O resto deles ia partir de MacDonnell para encontrar
os dois grupos. É claro, assim que a questão do escudeiro de Greer surgiu, Dougall
enviara Conran para se encontrar com o grupo e explicar o atraso. Parece que eles
receberam a mensagem, Dougall decidiu, quando Greer disse: — E, se não estou
enganado, é o Laird MacIntyre com ele.
— Talvez eles tenham vindo para ajudar com a busca, — disse Saidh
esperançosa.
— Vamos ver, — disse Greer em voz baixa.
Notando a preocupação na voz do homem, Dougall olhou-o brevemente, e
depois examinou com mais cuidado os homens que estavam nas escadas. Desta vez,
ele notou as expressões sombrias que cada um usava e sentiu a preocupação começar
a reivindicá-lo. Estava parecendo para ele como se tivessem encontrado o menino,
mas não estivesse vivo.
Suspirando internamente, ele parou ao lado de Greer e rapidamente deslizou de
sua montaria. No momento em que ele se virou para ajudar Saidh a descer, no
entanto, ela já havia caído no chão e disparado em direção a Aulay e os outros
homens.
Praguejando, Greer praticamente pulou da sela e correu os primeiros metros
para alcançar sua esposa, antes de saber qualquer notícia que os homens
tivessem. Dougall conteve-se, com Geordie e Alick, para permitir-lhes um momento de
privacidade, com qualquer notícia que lhes fosse dada. Mas para sua grande surpresa,
Amando um Highlander – Lynsay Sands
quando os quatro homens perceberam que Dougall estava se afastando, eles deram a
volta ao casal e se aproximaram dele.
— Dougall, disse Aulay solenemente. — Murine está desaparecida.
— O que? — Ele perguntou com confusão, seu olhar se deslocando para Saidh,
enquanto ela corria de volta.
— Não, — ela disse a eles com uma carranca. — Murine foi se deitar antes de
eu sair. Ela provavelmente ainda está em seu quarto.
— Não, ela não está, — disse Aulay solenemente, nunca movendo o olhar de
Dougall. Laird MacIntyre pediu para vê-la no momento em que chegamos. Os criados
no salão disseram que ela subiu para o quarto que vocês dividiam e não retornou
abaixo. Mas quando Bowie foi bater, não houve resposta. Ele abriu a porta e o quarto
está vazio. — Parando em seguida, ele agarrou Dougall pelos ombros,
antes de acrescentar infeliz: — Há sangue no chão do quarto.
Por um momento, o mundo pareceu girar em torno de Dougall, e ele tinha
certeza de que estava prestes a imitar Murine e desmaiar. Então, ele estava se
movendo, empurrando através das pessoas que se amontoaram ao seu redor e
subindo os degraus da fortaleza. Ele ouviu passos atrás dele, enquanto corria pelo
corredor e subia as escadas, mas não parou até entrar no quarto que ele e Murine
tinham compartilhado.
Dougall mal ouviu a porta bater na parede, acima do ruído em seus ouvidos,
quando seu olhar deslizou rapidamente pelo quarto vazio. Ele notou sua bolsa no
chão. Tinha estado na cama com a de Murine, quando ele saíra naquela manhã,
lembrou ele, e então seus olhos encontraram as gotas de sangue no chão, perto da
bolsa. Seguindo em frente, ele seguiu o rastro de sangue até a parede junto à lareira e
parou com confusão.
— A passagem.
Dougall virou-se bruscamente para aquelas palavras ofegantes de Saidh. — O
que?
Ela hesitou e depois olhou para Greer. Seu marido olhou severamente para a
multidão que os tinha seguido. Aulay, MacIntyre, Bowie, Conran, Geordie e Alick
estavam todos lá, e ele suspirou, então fechou a porta antes de se virar e acenar para
Saidh. Ela imediatamente se moveu para o lado onde Dougall estava e apertou um
tijolo na parede.
Dougall endureceu quando a parede se moveu, revelando uma passagem
estreita e escura. Ele então avançou apenas para parar ao dar um passo para
dentro. A passagem levava para duas direções, esquerda e direita, e ele não tinha ideia
de para onde deveria ir. Ambos os caminhos estavam na escuridão e não havia sons
Amando um Highlander – Lynsay Sands
para indicar que alguém estava lá. Voltando-se rapidamente, ele perguntou: — Para
onde isso vai?
A expressão de Greer era sombria. — Você pode usá-lo para chegar aos outros
quartos, ou para os jardins atrás da cozinha, ou para uma caverna perto do lago.
Dougall assentiu abruptamente. — Eu preciso de uma tocha.
Quando Alick se virou para sair correndo para o corredor, Aulay virou-se para
Greer e perguntou: — Quem é que sabe sobre a passagem?
— Tanto quanto eu sei, apenas Saidh, eu, Bowie e Alpin, — disse Greer com
uma carranca, e depois acrescentou: — E agora todos vocês.
— Alpin? O rapaz que está desaparecido? — Dougall perguntou bruscamente
Greer assentiu lentamente, sua expressão pensativa.
— Alpin não teria feito isso, — protestou Saidh rapidamente. — Ele é apenas
um rapaz. Ele não poderia ter forçado Murine a sair do quarto.
— Não, — concordou Greer. — Mas ele poderia ter contado a quem levou
Murine sobre a passagem
— Ele não diria, — disse Saidh com certeza.
— Ele poderia ter sido obrigado, — disse Greer se desculpando. — Isso poderia
explicar por que ele foi levado.
Saidh empalideceu ao pensar em como ele poderia ter sido obrigado, mas se
recompôs e perguntou: — Mas como eles saberiam que ele a conhecia e se ela ao
menos existia?
— Eles podem ter levado o rapaz para descobrir o traçado de MacDonnell, —
Aulay assinalou em voz baixa. — Como escudeiro de Greer, eles esperavam que o
garoto pudesse dizer a eles quantas pessoas estavam aqui e onde era mais provável
que Murine estivesse.
— E o que? Você acha que Alpin iria apenas oferecer voluntariamente as
informações sobre a passagem? — Saidh retrucou, e então disse firmemente: — Ele
não faria isso.
— Então, talvez suspeitassem que houvesse passagens. Muitos castelos as
possuem. Eles poderiam tê-lo forçado a dizer, — disse Greer, mas quando Saidh
empalideceu, acrescentou rapidamente, — ou o enganaram.
Alick voltou correndo para o quarto, com meia dúzia de tochas esmagadas entre
as mãos. Ele quase deixou cair o pacote quando Dougall pegou uma e puxou-a para
fora da coleção, mas Conran, Geordie e Greer se adiantaram para ajudar.
— Dougall, espere, — Aulay pegou em seu braço quando ele se voltou para a
passagem. ─ Você não sabe para onde eles a levaram. Precisamos considerar isso e...

Amando um Highlander – Lynsay Sands


— Eles a levaram para a caverna que Greer mencionou. Os jardins e outro
quarto não faria sentido, — grunhiu Dougall, sacudindo o braço. Olhando para Greer,
ele perguntou: — Qual o caminho para a caverna?
— Eles dificilmente ficariam na caverna, — salientou Aulay. — É o primeiro
lugar onde procuraríamos.
Dougall franziu a testa para essas palavras, reconhecendo o bom senso por trás
delas.
MacIntyre falou pela primeira vez, apontando: — Mas eles não podem viajar
muito longe também. Há homens em toda parte procurando pelo menino. Alguém teria
visto. Perfurando Greer com um olhar ele perguntou: — Há algum lugar não longe
dessa caverna que você mencionou onde eles possam se esconder?
— Vários, — disse Greer severamente.
— Então é bom termos tantos homens agora, não é? — MacIntyre disse
suavemente e depois se virou para ir até a porta, dizendo: — Precisamos fazer uma
lista desses vários lugares que você mencionou, Greer. Mas primeiro preciso enviar
meu imediato para recolher meus soldados.
— Eu também, — murmurou Aulay, explicando: — Nós deixamos os homens
acampados nos limites de MacDonnell, enquanto viajávamos para ver se a busca era
necessária ou não.
Quando o silêncio caiu brevemente e todos pareciam se virar e olhar para ele,
Dougall sentiu a mão apertar dolorosamente ao redor da tocha que segurava. Murine
estava desaparecida. Ele precisava de ação. Ele precisava caçar os bastardos que a
tinham levado, arrancar-lhes membro por membro, depois trazê-la para casa em
segurança. Em vez disso, eles queriam fazer listas e enviar mensageiros.
Infelizmente, ele sabia que o caminho deles tinha mérito, mas ele sentia que
deveria pelo menos checar a caverna e não apenas decidir que ela não estava lá.
— Greer, eu apreciaria se você pudesse começar a fazer essa lista, — disse
Dougall, finalmente. — Enquanto isso, gostaria de pedir emprestado o Bowie para me
mostrar o caminho para a caverna. Eu quero verificá-la, pelo menos. Mesmo que eles
não estejam ainda lá, eu posso encontrar uma pista para ajudar a descobrir onde ela
está.
— Um bom plano, — murmurou MacIntyre. Assentindo com a cabeça, Greer
olhou para o imediato. Bowie imediatamente pegou uma das duas tochas que Alick
ainda estava segurando e passou por Dougall, para liderar o caminho.

Murine piscou seus olhos abertos para a escuridão, mas quase imediatamente
fechou-os, com um gemido, quando se deu conta do pulsar em sua cabeça.
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— Silêncio. Alguém vai ouvir você.
Silenciando, ela forçou os olhos a se abrirem novamente e olhou ao redor. Ela
estava deitada de lado, com os pulsos amarrados desconfortavelmente nas costas, e
tinha certeza de que tinha sido a voz de seu meio-irmão. A princípio, tudo o que
Murine podia ver, de sua posição, era a escuridão, mas então ela conseguiu distinguir
sombras e formas em uma direção, e notou a figura parada em uma abertura, onde
alguma luz parecia estar vindo do outro lado.
— Montrose? — Ela disse incerta. A figura mudou, bloqueando brevemente toda
a luz antes de se aproximar e deixar entrar mais luz. O suficiente para ver que ela
estava deitada no chão úmido e sujo de uma caverna.
— Eu disse silêncio, — ele rosnou, parando na frente dela ameaçadoramente. —
Eu tenho que amordaçar você?
Murine olhou para o rosto sombreado. Com a luz fraca que estava filtrando na
caverna, atrás dele, tudo que ela podia realmente distinguir era a silhueta dele.
— Talvez você pudesse usar, o que quer que fosse usar para me amordaçar,
para tirar o sangue do meu rosto — sugeriu secamente. — Está pingando em meus
olhos e arde.
— Provavelmente é água, — murmurou ele, mas se ajoelhou diante dela e a
puxou para a posição sentada, depois cavou um pedaço de pano de algum lugar do
corpo, que ele começou a usar para enxugar o rosto dela. — Eu posso ouvi-la
pingando do teto.
— Talvez, — ela concordou. — Mas tem gosto de sangue. Um pouco,
aparentemente, correu para a minha boca, enquanto eu estava inconsciente, por
ser atingida na cabeça, — ela acrescentou, pesadamente.
Murine pensou que ele fez uma careta, embora ela não pudesse ter certeza com
essa luz ou falta dela. Mas sua voz continha um pedido de desculpas relutante,
enquanto ele murmurava: — Desculpe por isso. Não era o plano. Eu estava esperando
na passagem secreta quando você entrou no quarto. Eu iria apenas por trás e soltar
um saco em cima de você, em seguida, enviá-la para a passagem. Mas você começou a
se virar, entrei em pânico e...
— E você me atingiu, — ela terminou, acusadora, mas não havia muito calor
por trás de suas palavras. Sua mente estava preocupada com essa passagem secreta
que ele mencionou. Alguém perceberia que ele a levara assim? Certamente os criados,
que trabalhavam para limpar o grande salão, notaram que ela subia para o quarto e
que ela não havia retornado. Esperançosamente eles diriam isso se questionados e
Greer ou Saidh perceberiam como ela tinha sido levada?

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— Eu disse que sentia muito, — disse Montrose e desistiu de limpar o
rosto. Endireitando-se, ele rosnou: — Agora fique quieta ou irei amordaçar você.
Ele se virou para voltar para a abertura onde a luz entrava, filtrada por folhas e
galhos que ela viu antes que seu corpo bloqueasse a maior parte da luz, enquanto
espiava o que quer que estivesse lá fora. Murine permaneceu em silêncio por um
momento, mas depois não conseguiu resistir a dizer: — Dougall virá me procurar.
— Eventualmente, — ele concordou, não se incomodando em olhar ao
redor. Então ele deu de ombros: — Mas ele e os homens MacDonnell estão todos
procurando pelo garoto. Sua ausência não será notada por horas.
— O garoto? — Ela perguntou surpresa. — Você quer dizer Alpin? Você sabe
onde ele está?
— Ele está bem, — disse Montrose, impaciente, sem olhar em volta. — Ele está
com Connor, aguardando nosso retorno.
Murine parou. — Primo Connor?
— Sim, — disse Montrose distraidamente, franzindo a testa para algo além das
folhas.
— Então eles estavam certos, — Murine disse tristemente, olhando para sua
silhueta escura, enquanto sua mente começava a disparar. Montrose e Connor
estavam em conluio. Tinha Montrose mudado seu testamento para um que a deixasse
sob seus cuidados e depois matado o pai dela também?
— Quem estava certo? — Montrose perguntou, olhando ao redor e ela podia
ouvir a carranca e preocupação em sua voz. — E sobre o que?
Murine hesitou, mas depois, encolheu os ombros e disse: — Dougall, Greer e os
outros. Todos acham que você trocou o testamento do meu pai por um falsificado. —
Ela fez uma pausa enquanto Montrose inspirou sibilando e depois acrescentou: — E
então o matou.
— O quê? — Ele gritou com desânimo. — Eu não o matei.
— Eu percebo que você não está negando ter trocado o testamento, — Murine
disse secamente.
— E se eu o fizesse? — Ele retrucou. — Ninguém foi ferido por isso. Você se
saiu bastante bem. Você se casou com um Buchanan e todos eles são ricos como o
pecado. Eles não foram deixados com campos ociosos e um castelo cheio de bocas
para alimentar, quando seu laird morreu.
— Então, você pensou em melhorar a situação apostando o dinheiro que tinha?
— ela perguntou secamente, e depois acrescentou: — E quando isso não funcionou,
você foi atrás da minha herança. O que importa se você teve que empurrar meu pai
para seu túmulo uma década mais cedo, — ela adicionou amargamente.
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— Eu disse a você, eu não o matei, — Montrose rosnou, caminhando pelo chão
para se aproximar dela. — Ele estava doente. Ele morreu de sua doença.
— Ele estava se recuperando, — ela respondeu furiosamente. — Tudo o que
restou de sua doença foram algumas fungadas e o fato de que ele ainda se cansava
facilmente. Ele passou a tarde, antes de eu partir, jogando xadrez comigo no grande
salão. Você acha que eu teria ido embora se fosse de outra forma? — ela acrescentou
bruscamente e balançou a cabeça. — Você não pode me convencer de que ele morreu
de sua doença, Monti. Eu sei bem. Além disso, dificilmente acho que você teria
mudado o testamento e depois o deixado viver e arriscar a descoberta dele.
De todas as suas palavras, as últimas pareciam ter o maior impacto e Murine
observava com os olhos apertados, quando sua cabeça recuou como se tivesse lhe
dado um soco. Mas depois de um momento, ele se virou, gaguejando, — Eu não o
matei. — Voz ganhando força, ele acrescentou: — Eu não mataria ninguém. Até ele,
que eu odiava por roubar mamãe.
A boca de Murine se apertou com suas palavras. Ela tinha ouvido a reclamação,
muitas vezes este ano passado, quando Montrose estava bêbado. Seu pai matara o pai
dele e roubara sua mãe e era culpado por ele ter que viver com seu avô, um velho
desgraçado que tornara a vida dele e a de William um inferno.
Ela tentou dizer a ele que a mãe deles tentara desesperadamente que o avô
soltasse ele e William, mas ele não quis ouvir. E, francamente, ela estava cansada de
se sentir culpada por ter tido seus pais, enquanto ele fora criado por seu avô
paterno. Especialmente desde que, enquanto ela teve uma infância maravilhosa, os
últimos vários anos tinham sido um inferno de perda e tristeza, seguido por um ano
de miséria e humilhação nas mãos do homem diante dela. Ela achou difícil sentir pena
do abuso que ele sofreu quando ele se virou e infligiu seu próprio abuso a ela no ano
passado, na forma de insultos e crueldades mesquinhas, que tinham sido coroadas
com sua tentativa de prostituí-la.
— Basta admitir que você o matou e acabar com isso, —ela rosnou com raiva.
— Quem mais teria feito isso? Connor e você eram os únicos que se beneficiariam com
sua morte e Connor não estava lá.
— Sim, ele estava, — disse Montrose, rapidamente.
Murine olhou para ele com descrença. — Connor nem sequer pôs os pés no
castelo Carmichael, até depois da leitura do testamento.
— Sim, ele entrou, — Montrose insistiu. — Ele entrou como um dos meus
soldados, na noite em que seu pai morreu.
Quando ela não parecia convencida, ele retrucou: — Você acha que ele teria me
incluído no assunto de outra forma? Foi ele que veio até a mim. Ele tinha ouvido falar
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do seu pai estar doente e queria mudar o testamento, mas precisava de um jeito de
entrar em Carmichael sem ser notado. Ele tinha barba e bigode, usava calções e cota
de malha, enfiou o cabelo embaixo de um boné e andou com meus homens, bastante
comum. Ninguém sequer deu a ele uma segunda olhada. E ninguém o reconheceu
quando ele mais tarde retornou em um tartan, com o rosto barbeado e os cabelos
compridos soltos.
Os olhos de Murine se arregalaram com isso. Ela quase acreditou nele. Mas, —
Por quê ele precisava entrar em Carmichael, se fosse você quem trocaria o testamento?
— Ele deveria trocá-los originalmente, — disse Montrose rigidamente. — Mas eu
o convenci de que seria melhor que eu fizesse isso. Se eu fosse pego no quarto, poderia
alegar que queria apenas uma palavra com seu pai. Se ele fosse pego, nenhuma
desculpa seria suficiente.
— Bem, você não fez isso com a gentileza de seu coração, — Murine disse
sombriamente, sabendo que ele só assumiria um risco como aquele, se tivesse algo a
ganhar com isso.
— Não, — ele admitiu rigidamente, o nariz subindo um pouco. — Ter o
testamento original iria garantir que ele me pagasse, de forma justa, pela minha
ajuda.
— Mais justamente do que ele pretendia e com mais frequência, — Murine
adivinhou baixinho. — Você o está chantageando.
— Eu devo muito dinheiro a alguns Lordes muito poderosos, — disse Montrose,
em vez de negar. — Além disso, ele me deve. Ele herdou tudo... e tudo por minha
causa.
— Tudo, exceto Waverly, — Murine apontou friamente.
— Sim, — ele reconheceu infeliz. — Eu fiz essa parte do negócio. O plano
original era que ele teria a sua guarda, mas eu sabia que o rei estava interessado em
Waverly e esperava que ele perdoasse um débito meu com ele se o conseguisse para
ele. Eu convenci Connor a mudar o testamento para que eu cuidasse de você e me
encarregasse do seu dote.
— E o seu plano funcionou? — Ela perguntou. — O rei perdoou sua dívida?
Montrose fez uma careta. — Apenas parte dela.
Murine ficou em silêncio por um momento, considerando o que tinha sabido,
depois murmurou: — Então, você alega que só mudou o testamento e foi Connor quem
matou meu pai?
Montrose franziu a testa e pareceu ter se abalado por um momento, mas depois
balançou a cabeça. — Não. Connor não é um assassino. Eu não teria relações com um
assassino. Não. Isso me arruinaria. Seu pai deve ter tido uma recaída, — ele
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decidiu. — Sua doença deve ter retornado e o atingido mais forte da segunda vez. Ou
talvez seu coração apenas não tenha resistido à tensão.
— Connor não é um assassino? — Murine perguntou com descrença. — Como
chama o que ele fez com a escolta de Alpin?
— Ele não fez nada com a escolta do menino, — disse Montrose com uma
carranca. — Ele disse que agarrou o rapaz enquanto eles estavam distraídos.
— Então por que eles foram encontrados mortos na beira da estrada? — Ela
perguntou.
Ela viu as mãos dele se apertarem em punhos, e então ele olhou brevemente
para fora da abertura novamente, antes de se apressar para agarrar o braço dela e
puxá-la de pé. — O caminho está limpo. Nós podemos ir agora.
Uma vez de pé, Murine lutou contra ele, mantendo-o distraído, enquanto ela
fazia a única coisa em que podia pensar e rapidamente rasgou a capa de renda de
uma das mangas de seu vestido emprestado. Ela deixou-a cair no chão da caverna
quando Montrose a arrastou para a abertura em que ele estava em frente. Sua
esperança era que eles percebessem que ela tinha sido levada para fora, através
da passagem secreta, e que Dougall encontraria as rendas e saberia que ela tinha
estado lá. Ela deixaria todo o seu vestido em pedaços por todo o país, para ele a
seguir, se precisasse, e se ela pudesse.

Capítulo 16

— Pare de perder tempo. Estamos quase lá.


Murine fez uma careta com a notícia e deixou cair o pedaço de pano que ela
conseguira arrancar da manga. — Ansioso por me ver morta, irmão?
— Eu lhe disse, Connor não é um assassino, — Montrose rosnou, empurrando-
a vários metros para a frente.
— Sim, e se você acredita nisso, então está mentindo para si mesmo, — disse
ela enquanto olhava para onde eles estavam. Parecia-lhe como se tivesse andado por
horas, mas ela suspeitava que fora principalmente porque ela tinha estado perdendo
tempo. Se tivessem marchado a cavalo, provavelmente poderiam ter percorrido a

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distância muito mais rapidamente. Mas eles estavam apé, e Murine fez tudo o que
pôde para retardar seu avanço, certa de que, se Connor pusesse as mãos sobre ela,
estaria morta. Esse pensamento a fez puxar seu braço de Montrose e dizer: — Você
pode dizer a você mesmo o que quiser, mas em seu coração, sabe que ele matou meu
pai e os guardas de Alpin, e agora você está me entregando à minha morte.
— Ele não quer matar você. Ele quer falar com você, — ele disse impaciente, e
então usando um tom mais sedutor, acrescentou, — Tudo o que você tem que fazer é
concordar em dizer que viu o testamento e sabia que seu pai estava deixando tudo
para Connor antes de sua morte e tudo vai ficar bem.
— Oh, sim, — disse Murine secamente, quando ele pegou o braço dela e
começou a puxá-la para a frente, novamente. — E o Alpin?
— O que tem ele? — Montrose perguntou brevemente.
— Ele dificilmente vai deixá-lo viver, — ressaltou. — Ele o sequestrou, matou
sua escolta e...
— Cale a boca! — Montrose berrou de repente, sacudindo-a pelo aperto que ele
tinha em seu braço. — Apenas cale a boca.
— Por quê? — Ela perguntou suavemente. — Então você poderá fingir que não
afundou tão baixo que esteja disposto a ser cúmplice para matar?
Montrose olhou para ela sombriamente, então se virou quando um galho
estalou nas árvores, à frente. Um momento depois, um homem apareceu. Alto, com
cabelos loiros sujos e um sorriso afável, o homem olhou de Murine para Montrose,
depois disse: — Eu estava começando a me preocupar que você tivesse sido
pego. Então ouvi você gritando, Monti. Ele inclinou a cabeça. — Tudo bem?
Montrose encarou-o brevemente, depois suspirou e começou a avançar,
puxando Murine atrás dele. — Sim. Minha irmã estava apenas me irritando, como de
costume.
— Ah. — O homem que ela supôs ser Connor Barclay assentiu com
compreensão. — Irmãos podem ser uma provação às vezes.
— É por isso que você tentou matar o seu? — Murine perguntou docemente,
recordando os rumores que Greer tinha colhido sobre este homem. — Imagine. Se
você tivesse conseguido, você seria o Barclay agora. Em vez disso, você falhou e foi
banido. Sua mãe deve estar duplamente orgulhosa.
Se ela estava procurando por uma resposta, Murine certamente a recebeu. O
homem fechou a distância entre eles tão rapidamente que ela não pôde nem tentar
evitar o punho que ele bateu, no lado de sua cabeça.

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— Connor! — Montrose rosnou, pegando seu braço quando ele o levantava para
outro golpe. — Ela é irritante, eu sei, mas você não vai convencê-la a nos ajudar
dessa maneira.
Murine levantou a cabeça cautelosamente e olhou para cima para ver a fúria
desaparecer do rosto de Connor, como se nunca tivesse existido, e um sorriso torto
ocupou seu lugar. — Você está certo, claro. Que idiota eu sou, — ele disse
levemente. — Eu temo que eu sempre tive um pavio curto. — Voltando-se para o
caminho que veio, ele acrescentou: — Traga-a junto. Há muito sobre o que falar.
Montrose observou o homem desaparecer entre as árvores e depois deixou os
ombros caírem, com um pequeno suspiro. Depois de um momento, ele se virou para
encará-la. — Controle sua língua perto dele. Seja agradável e gentil e concorde com
tudo o que ele diz.
— Você está com medo dele, — ela suspirou com a compreensão e notou o tique
repentino em seu olho.
— Você o viu. Só um idiota iria irritá-lo, — ele disse severamente, colocando-a
de pé novamente.
— Estou surpresa que você tenha a coragem de chantageá-lo, então, — ela
disse calmamente.
— A necessidade obriga, — ele disse severamente, incitando-a para frente. —
Além disso, só faço isso por escrito. Eu não ousaria experimentá-lo cara a cara. Ele me
mataria.
— Connor? — Ela disse, com fingida surpresa. — Não. Ele não é “um
assassino”, ela relembrou-o e continuou andando, quando ele parou
abruptamente. Depois de um momento, ele se aproximou e pegou o braço dela
novamente, mas ambos ficaram em silêncio, enquanto ele a conduzia para fora das
árvores e a levava através de um campo enorme, em direção ao que parecia ser um
velho celeiro abandonado.
— Feche a porta e, em seguida, coloque-a com o menino, — ordenou Connor,
quando Montrose conduziu Murine para o prédio, um momento depois.
A porta estava aberta quando eles chegaram, mas agora Montrose fez uma
pausa para fazer o que Connor havia instruído. Não foi uma tarefa rápida. A porta
estava pendurada em uma dobradiça e precisava ser levantada e colocada no
lugar. Montrose precisou de vários instantes para administrá-lo, e Murine aproveitou
a oportunidade para olhar em volta.
A parte inferior do prédio era de pedra; a metade superior, no entanto, era de
madeira e o teto era de palha. Havia uma tocha presa em um suporte na parede ao
lado da porta e um fogo com uma panela pendurada sobre ele, na extremidade do
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edifício. Dois barris haviam sido transformados em móveis, um cortado ao meio, a
ponta cortada no chão para que os tampos pudessem ser usados como assentos. Um
segundo barril também foi cortado pela metade, para servir de mesa. Havia um odre
do que ela imaginava ser cerveja ou vinho, no barril que servia de mesa, mas era
praticamente isso. O resto do local parecia vazio, exceto por uma pilha de trapos,
no canto direito.
Terminando com a porta, Montrose pegou o braço de Murine e a empurrou para
o canto, nos fundos do prédio. Era mais escuro do que na frente, onde um lampião e
um fogo ardiam, mas claro o suficiente para ela ver que, o que ela pensava ser uma
pilha de trapos no chão era, na verdade, um menino pequeno e magro, enrolado como
uma bola.
Montrose puxou-a para uma parada ao lado do menino e Murine olhou para
baixo com desalento, notando as contusões e escoriações do rapaz. Ela então virou um
olhar penetrante para seu irmão.
Montrose franziu a testa e assobiou: — Ele não estava tão ruim assim quando
eu saí.
— O que foi isso? — Connor perguntou bruscamente.
Forçando um sorriso, Montrose se virou para dizer: — Eu estava apenas
dizendo a Murine que tudo ficaria bem, se ela se comportasse e concordasse em fazer
o que pedimos.
— Hmm, — Connor murmurou.
Engolindo em seco, Montrose voltou-se para Murine e sussurrou: — Sente-se e
tente não atrair sua atenção ou ira.
— Desamarre-me, — ela sussurrou de volta.
Montrose hesitou, mas depois sacudiu a cabeça. Empurrando-a pelos ombros
para forçá-la a sentar, ele disse com verdadeiro arrependimento: — Sinto muito. Eu
não ouso.
Murine observou-o voltar para Connor com um suspiro. Ela supôs que tinha
sido demais esperar que ele abandonasse Connor neste momento. Era óbvio que ele
estava apavorado com o homem. Ela suspeitava que ele estava se arrependendo do
papel que ele tinha interpretado em tudo isso, mas sabia que ele salvaria sua própria
pele primeiro e às custas dela e de Alpin, se necessário. Montrose não era bastante
homem.
Um gemido do garoto ao lado dela, chamou sua atenção, e Murine se virou para
olhá-lo, com preocupação. Ela pensara que ele estava inconsciente quando notou seus
ferimentos, pela primeira vez, mas estava recuperando a consciência agora.
— Alpin, — ela disse, suavemente.
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Outro gemido foi sua resposta e, em seguida, o menino piscou os olhos e olhou
com medo ao redor.
— Está tudo bem, — ela assegurou-lhe. — Os homens estão do outro lado do
prédio agora.
— Você é a senhora Murine? — Ele perguntou, olhando para ela através dos
olhos inchados e machucados.
— Sim. — Ela assentiu e ele fechou os olhos, tristemente.
— Eu estava esperando que eles não a pegassem, — ele disse tristemente, e
depois enxugou as lágrimas que corriam de repente pelo rosto e disse: — Sinto
muito, m'lady.
— Está tudo bem, — ela disse rapidamente, desejando poder abraçar a pobre
criatura. — Não foi culpa sua.
— Sim, foi, — ele murmurou. — Eu tentei ser corajoso e forte como Greer e não
contar, mas ele... me machucou de maneira horrível.
Murine mordeu o lábio, seu olhar deslizando sobre os ferimentos que ela podia
ver. Não havia apenas contusões e escoriações, havia cortes em sua pele, bem como o
que ela suspeitava serem queimaduras. Alpin não havia entregado a informação sobre
a passagem com facilidade ou rapidez.
— Como ele sabia da passagem, para começar? — Murine perguntou, baixinho,
olhando para os homens do outro lado do prédio. Montrose e Connor estavam
conversando em voz baixa e ela se perguntou sobre o que, mas não podia ouvir.
— Quando ele me perguntou sobre entradas secretas, eu disse que não havia
nenhuma até onde eu sabia, e ele falou que Milly disse a ele que havia e que ela sabia
que eu conhecia sobre isso e como abri-la, — disse Alpin cansado.
— Milly? — Murine perguntou.
— Ela era uma criada em MacDonnell, mas ela foi rude com m'lady algumas
vezes na frente de milaird. Depois do terceiro aviso, ele encontrou um lugar para ela
com nossos vizinhos, os MacKennas.
— Entendo, — Murine murmurou. Connor obviamente encontrou a mulher, em
algum momento. Talvez ele tivesse parado à noite, em MacKenna, no caminho de volta
da corte. Pelo que ela sabia, ele era muito amigo do vizinho de Greer e de Saidh.
Seu olhar deslizou para Montrose e Connor novamente e ela balançou a cabeça,
e perguntou: — Ele só teve sorte em pegar você? Certamente ele não sabia quando
você estaria viajando, ou mesmo que você estivesse longe de MacDonnell.
— Sim, ele sabia, — assegurou Alpin. — A escolta que milaird arranjou para me
levar para casa, para meus pais, também entregou Milly aos MacKennas. Ela sabia
que eu estava indo para casa e quando os homens do meu pai me trariam de volta. Eu
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tenho certeza que ela teria lhe dito. — Alpin fez uma careta. — Ela nunca gostou
muito de mim.
A boca de Murine se apertou. Ela não tinha ideia do que dizer sobre isso.
— Não se preocupe, — disse Alpin, de repente, e quando Murine ergueu as
sobrancelhas, questionando, ele assegurou-lhe, — milaird vai nos salvar.
— Tenho certeza que vai, — disse ela, solenemente. Eles ficaram em silêncio por
um momento e então Murine olhou para os homens novamente, antes de comentar
quase em um sussurro. — Suas mãos estão amarradas na sua frente, e não atrás.
— Sim, — ele admitiu, e então ela o viu lançar um olhar nervoso em direção aos
homens, antes que ele dissesse: — Se você se virar um pouco, e eu me virar um
pouco, eu poderia ser capaz de desamarrá-la.
— Isso seria ótimo, — disse ela, enviando-lhe um sorriso, antes de começar a se
mexer em pequenos e cuidadosos avanços, verificando se os homens estavam notando
alguma coisa, entre cada movimento.
— O que você acha que eles estão falando? — Alpin perguntou baixinho,
enquanto ela sentia os dedos dele começarem a trabalhar na corda, em torno de seus
pulsos.
Murine balançou a cabeça e então percebeu que ele estaria olhando para a
corda e não para sua cabeça e disse: — Não sei.
— Você realmente não sabe? Ou está apenas dizendo isso para não me
preocupar? — perguntou Alpin, solenemente, e Murine sorriu ironicamente. Ele era
um rapaz esperto.
— Eu suspeito que Connor está tentando enganar Montrose, para ele revelar
onde está o testamento de meu pai.
— Quando nós encontramos pela primeira vez o inglês na caverna...
— Você esteve na caverna? — ela interrompeu, com surpresa.
— Sim. Os homens de milaird estavam procurando os bosques e
dependências. A caverna era mais segura. Mas Connor não gostava disso lá, então
quando os homens começaram a se afastar, ele disse ao inglês... Danvries? — Ele
disse incerto.
— Sim, Montrose Danvries, — confirmou ela.
— Ele disse a Danvries para encontrá-lo no celeiro, depois que ele pegasse você.
— Entendo, — disse Murine, com um suspiro.
— De qualquer forma, enquanto esperávamos lá que os homens seguissem em
frente, Connor continuava exigindo que Danvries lhe dissesse onde estava o
testamento de alguém e que desse a ele. Ele parecia bastante irritado com isso. Por
que ele se preocupa com algum testamento antigo?
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Murine torceu a boca e disse: — Eu suspeito, além de todo o resto, que Connor
está cansado de chantagem e espera se livrar de todos os seus problemas aqui,
hoje. Se ele receber o testamento de volta, Danvries não pode mais chantageá-lo com
isso.
— Você e eu somos parte desses problemas que você está pensando que ele
quer se livrar, não é? — Perguntou Alpin solenemente.
— Eu receio que sim, — ela reconheceu.
— E o inglês está chantageando-o? Esse é o outro problema? — Ele perguntou.
— Sim, — ela sussurrou.
Alpin trabalhou em silêncio por um minuto e depois perguntou: — O que
acontecerá se o inglês lhe der o testamento?
— Eu suspeito que Connor vai tentar matar você e eu, fazer parecer que meu
irmão fez isso e, em seguida, provavelmente, matá-lo e levar seu corpo para algum
lugar onde não seria encontrado, — ela disse, honestamente. Não havia sentido
mentir. O garoto já havia provado ser esperto o suficiente para perceber, se ela
tentasse.
— Sim. Eu suspeito que você esteja certa, — disse Alpin em voz baixa. Depois
de outro momento de silêncio, ele perguntou: — É provável que seu irmão lhe dê o
testamento?
— Não, — ela disse com certeza. — Montrose tem um sentido saudável de
autopreservação.
— Você quer dizer que ele é um covarde, — sugeriu Alpin.
— Isso também, — disse Murine secamente.
— Bom, — disse Alpin, com firmeza. — Ele vai mantê-lo falando por um bom
tempo então, e isso vai nos dar uma chance para tentar escapar.
Murine sorriu fracamente com as palavras corajosas e, de repente, pensou ter
compreendido porque Saidh estava tão ligada ao menino.

— O que é isso?
— Eu não tenho certeza. — Dougall se endireitou e virou o pedaço de renda
que ele tinha visto no chão. Pareceu demorar uma eternidade para ele e Bowie
chegarem a esta caverna no final da passagem, e eles chegaram apenas para
encontrá-la vazia, exceto pelo pedaço de renda em sua mão. Franzindo a testa, ele
balançou-a em seus dedos e notou que era um círculo. Sobrancelhas se unindo, ele
murmurou: — Eu acredito que é um pedaço da manga do vestido da minha esposa.

Amando um Highlander – Lynsay Sands


— Sério? — Bowie aproximou-se para olhá-lo com entusiasmo. — Ela deve ter
arrancado e deixado para trás, para nós encontrarmos. Ela está nos deixando uma
trilha.
— Sim, — Dougall fechou os dedos sobre o pedaço de tecido e ergueu a tocha
um pouco mais, para espiar ao redor, mas tudo estava escuro do lado de fora do
círculo que a tocha lançava. — Onde é a saída?
— Por aqui. — Bowie levou-o para um arco na pedra, com arbustos crescendo
alto além dele.
Ninguém teria encontrado a entrada da caverna pelo lado de fora, se já não
soubesse que ela estava lá e estivessem procurando por ela, pensou Dougall quando
ele começou a empurrar através dos arbustos.
— Espere! — Bowie pegou em seu braço. — Não deveríamos contar aos
outros? Podemos precisar de ajuda para recuperá-la. Não sabemos quem a tem ou
quantos homens estão com eles ou de que modo saíram daqui. Podem estar a cavalo e
nós estamos a pé.
Dougall franziu a testa, mas depois assentiu. — Sim. Volte, diga a eles o que
encontramos, depois traga homens a cavalo. Traga minha montaria
também. Enquanto isso, vou dar uma olhada e ver se ela deixou rastros. Caso
confirmado, vou deixá-los no lugar, para você seguir em seu retorno.
Bowie hesitou, olhando como se quisesse protestar, mas depois assentiu e se
virou para a entrada da passagem, dizendo: — Se você os encontrar, espere nossa
ajuda. Voltarei o mais rápido que puder.
Dougall apenas resmungou uma resposta que poderia ser tomada
como desejava Bowie e saiu da caverna. Se ele encontrasse Murine e ela estivesse em
perigo, ele não iria esperar. Ele não tinha certeza se poderia esperar, mesmo que ela
não estivesse em perigo imediato. Simplesmente não estava nele, assistir a mulher que
ele amava sofrer dor ou tormento ou mesmo apenas medo, se houvesse algo que ele
pudesse fazer sobre isso.
Passos diminuindo até parar, Dougall olhou em volta da clareira em que agora
estava. Ficava na beira de um lago e parecia sereno e bonito. E ele acabara de
descrever sua esposa, pelo menos em seus próprios pensamentos, como a mulher que
amava.
Dougall abaixou a tocha que segurava. Ainda era dia, embora o sol estivesse
mergulhando no horizonte. Talvez a tocha fosse desnecessária.
— Eu amo minha esposa, — ele murmurou. Porra, isso não parecia ser uma
coisa boa, não da maneira como os problemas a seguiam. Até o momento, Murine não
fizera nada além de desmaiar, receber uma flechada e fugir de prédios em chamas, em
Amando um Highlander – Lynsay Sands
vez de se ver segura. Agora ela partiu e foi sequestrada por seu irmão ou por algum
outro vilão. Se ela continuasse assim, a mulher estaria em seu túmulo antes de ter
trinta anos. Ou ele estaria porque seu coração se apoderou de todas as provações em
que ela se meteu... e além disso ele a amava.
Não era isso simplesmente perfeito, ele pensou secamente e foi até a beira do
lago para apagar a tocha na água. Ele não podia se apaixonar por uma mulher que
ficaria onde ele a colocasse e fizesse o que lhe fosse
dito. Não. Não Dougall Buchanan. Ele se apaixonou por um pequeno inferno que jogou
homens adultos escada abaixo e arrastou outros para fora das janelas do quarto,
usando uma maldita roupa de cama e persiana como polia.
O pensamento de como isso deve ter parecido trouxe um sorriso ao rosto
de Dougall, quando ele jogou a tocha para o lado e começou a procurar na clareira
qualquer pedaço de tecido que sua esposa pudesse ter deixado para trás. Murine
podia ser um problema, mas ela nunca era chata e definitivamente era esperta, ele
decidiu, quando viu um pouco de branco na grama verde na extremidade oposta da
clareira. Foi apenas uma parte do corte desta vez, ele observou, examinando-o
brevemente. Colocando de volta para os outros encontrarem, quando eles o seguissem,
ele começou a entrar na floresta. Ele se moveu devagar, os olhos examinando o chão
para o próximo pedaço de renda, e esperava como o inferno que, para onde quer que
ela tivesse sido levada, não estivesse longe, senão ela estaria nua no momento em que
chegasse lá.

— Pronto, — Alpin respirou com alívio, quando Murine sentiu a corda cair de
seus pulsos.
— Bom, — ela murmurou, mantendo as mãos exatamente onde elas estavam.
— Agora me dê suas mãos e deixe-me ver se posso libertar você.
Ela sentiu seus pulsos baterem contra suas mãos e rapidamente explorou com
os dedos, tentando descobrir o que era o quê. Murine logo decidiu que era muito mais
difícil do que ela esperava encontrar cordas e nós, que você não possa ver. Ela estava
franzindo a testa em concentração e puxando um fio particular de corda, quando
Connor de repente bateu na mesa barril improvisada e berrou: — Eu quero o maldito
testamento, Monti. Eu não sou uma vaca para lhe dar leite todos os dias da minha
vida.
Murine olhou para o par cautelosamente, seus dedos se movendo mais
rapidamente na corda ao redor dos pulsos de Alpin. Connor, obviamente, não tinha
intenção de fingir que tentava convencê-la a sustentar sua afirmação de que o
testamento modificado seria o verdadeiro. Ela suspeitava que ele apenas usara essa
Amando um Highlander – Lynsay Sands
desculpa para trazer Montrose aqui para pegá-la. Ele, provavelmente, planejou o
tempo todo descobrir onde estava o testamento e matar os dois. Esse parecia o plano
mais inteligente para ela. MacIntyre dificilmente iria seguir com a questão sobre o
testamento, uma vez que ela estivesse morta.
Murine fez uma pausa em seus esforços para desamarrar Alpin, quando lhe
ocorreu que os ataques no caminho, e em Buchanan, poderiam não ter sido dirigidos
a Dougall. Os homens tinham certeza de que foram, no momento e ela concordou com
eles porque não tinha pensado que poderia haver alguém lá fora que a quisesse morta,
mas agora...
Ela olhou para Connor em silêncio, considerando que ele poderia ter atirado
nela com a flecha. Ele também poderia ter acendido o fogo na cabana, ela percebeu e
recordou o pedaço de tecido que ela encontrara no parapeito da janela. Tinha sido feito
de fios amarelos, verdes e vermelhos, lembrou-se e espiou o tartan que Connor
usava. Era feito de fios amarelos, verdes e vermelhos.
— M'lady? — Alpin disse ansiosamente.
Recordada de sua tarefa, Murine murmurou um pedido de desculpas e começou
a trabalhar novamente na corda, mas sua mente estava acelerada agora. Connor devia
ter estado na cabana. Devia ter sido ele que drogou a sidra e acendeu o fogo. Ele
provavelmente teve a ideia de matá-la, voltando para casa, da corte. Certamente ele
teria ficado em pânico com a possibilidade de estar prestes a ser descoberto,
com MacIntyre exigindo ver o testamento. Ele estaria tentando encontrar uma saída
para seu problema, e matá-la teria sido a resposta fácil.
Mas como ele sabia onde encontrá-la? Murine se perguntou com um franzir de
sobrancelhas. Ele não deveria saber que ela fugira de Danvries, muito menos que ela
estava viajando com os Buchanans. A menos que ele tivesse
parado primeiro em Danvries e falado com Montrose.
Seu olhar mudou para seu meio-irmão. Montrose estava negociando e
tagarelando com Connor. Ela reconheceu a expressão obsequiosa em seu rosto,
combinada com o brilho calculista em seus olhos. Isso significava que ele estava
dizendo o que ele achava que iria apaziguar Connor, enquanto calculava o que ele
poderia fazer. Ela suspeitava que ele teria sorte de fugir vivo neste momento. Um
homem que iria queimar sete homens inocentes, até a morte, para saber que uma
mulher morreu, não era alguém com quem brincar.
— Você conseguiu, — Alpin sibilou e a corda e suas mãos, de repente, se
separaram de seus dedos ocupados. — Você soltou o suficiente, eu posso libertar
minhas mãos.

Amando um Highlander – Lynsay Sands


— Não, — Murine instruiu imediatamente. — Finja que elas ainda estão
amarradas. A corda está na sua frente e podemos precisar dela, para pensarem que
ainda estamos presos.
— Está certo, — disse Alpin suavemente.
Murine hesitou, depois começou a se mexer outra vez, desta vez se movendo de
costas para a parede e depois voltando para ele.
— O que você está fazendo? — Alpin perguntou em voz baixa.
— O fundo da parede é feito de pedra e é velho. Uma delas pode estar solta, —
ela respirou, quando a levantou da parede de pedra.
— Posso... — Alpin começou, mas parou quando ela balançou a cabeça
abruptamente.
— Não. Eu vou tentar lhe encontrar uma também. Mas eles podem perceber se
nos movermos muito.
Alpin assentiu e Murine se concentrou em passar as mãos pelas pedras atrás
das costas. Para sua surpresa, ela foi rápida em encontrar uma, que se moveu sob seu
toque. Concentrando-se nessa pedra, ela trabalhou para frente e para trás um pouco e
depois ela deslizou facilmente para fora... e foi seguida por várias outras que apenas
deslizaram com ela. Meu Deus, a parede estava pronta para desmoronar ao redor
deles, Murine pensou e estremeceu quando as pedras caíram juntas. O barulho
parecera extremamente alto para ela, mas os dois homens do outro lado do celeiro não
pareceram notar. Pelo menos eles não olharam ao redor.
— Aqui, — ela sussurrou, deslizando duas ou três das pedras grandes em
direção a Alpin.
— Você fez um buraco, — disse Alpin, com excitação silenciosa.
— Quão grande é isso? — Ela perguntou preocupada e tentou sentir por si
mesma.
— Você poderia passar por isso?
— Não, — disse Alpin, então olhou para cima, de onde ele estava deitado, com
uma carranca. — Eu não vou deixar você aqui sozinha, de qualquer maneira.
— Você poderia ir buscar ajuda, — ela assinalou, embora a verdade fosse que
ela preferia que ele se escondesse em algum lugar do que arriscar a ser pego, tentando
escapar.
— Sim! — Connor estalou de repente, chamando sua atenção de volta para os
dois homens. — Ou talvez eu só vou matar você e tentar minhas chances de que você
o tenha escondido tão bem que ninguém nunca irá encontrá-lo, de qualquer
maneira.— Quando Montrose meramente olhou para ele com os olhos arregalados,
aparentemente em uma falta de palavras de como responder a isso, Connor se
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levantou abruptamente e começou a andar em direção ao fundo do celeiro, puxando a
espada de sua cintura, enquanto rosnava: — Eu me cansei disso. Certamente eles
desistiram da busca agora. É hora de cuidarmos desses dois.
— Não! — Montrose correu para segui-lo. — Você disse que só queria convencê-
la a apoiar o testamento. Eu não vou ser um cúmplice de assassinato.
Connor fez uma pausa e deu uma gargalhada quando se virou para encarar
Montrose. — Você não vai ser cúmplice de um assassinato, — assegurou ele, e depois
acrescentou: — Você vai ser cúmplice de vários.
Montrose curvou-se infeliz. — Você matou Beathan.
— Meu tio? — Ele perguntou, com uma risada. — Claro que sim. Você achou
que eu mudaria o testamento e arriscaria a descoberta? Ele deixou a coisa assentar e
acrescentou: — Eu matei os filhos dele também.
─ Você matou Colin e Peter? — Murine gritou em choque, sua mão se fechando
em torno de uma das pedras atrás dela.
Connor se virou para zombar dela. — Sim. Embora, eu suponha que levar
crédito por isso não esteja certo, já que eu meramente contratei mercenários e
bandidos para tornar o assassinato real. — Carrancudo, ele acrescentou. — Você
também deveria morrer, deixando o tio Beatie sem herdeiros, mas eles estragaram o
trabalho. Eu matei-os por isso, entretanto, e para manter a boca sempre fechada. —
Encarando Montrose, ele continuou, — eu deveria ter ido em frente e matado você eu
mesmo, como planejei, mas depois Monti veio a mim com essa idéia maldita
dele. Troque o testamento, ele disse. Ele obteria o controle de você e seu dote e eu ia
ficar com tudo mais.
Murine olhou duramente para Montrose, com essa notícia. A maneira como ele
evitou os olhos dela mostrou que Connor estava dizendo a verdadeira versão dos
acontecimentos.
— Então eu pensei, que diabos. Isso funciona muito bem também. Mas então
eu fui trocar o testamento e o original se foi. Ele o pegou, é claro, para me chantagear
de agora até o dia do juízo final, o bastardo.
Montrose encolheu os ombros. — Eu só queria garantir...
— E quanto ao incêndio na cabana de caça de Buchanan? — Murine
interrompeu severamente, sem se importar nem um pouco com o que o irmão queria.
— Sim. Esse fui eu, — admitiu Connor sem se envergonhar. — Matar você
parece ser a melhor maneira de lidar com MacIntyre querendo ver o testamento.
A boca de Murine se apertou. — E a flecha...
— Sim, — ele interrompeu, e depois acrescentou: — E eu bati na sua cabeça
quando você se afastou do acampamento, em seu caminho para Buchanan. Eu teria
Amando um Highlander – Lynsay Sands
esfaqueado você no peito, em seguida, mas os Buchanan vieram correndo e eu tive
que fugir. — Ele fez uma careta para ela com desagrado. — Você foi muito difícil de
matar, Muri.
— Não me chame assim, — Murine disse bruscamente, não gostando dele
usando o apelido que seus amigos e familiares sempre usaram.
— Por que não? — Ele retrucou. — Todo mundo em Carmichael faz. É sempre
Muri isso e Muri aquilo. Oh, como sentimos falta da nossa Muri — ele disse
amargamente. — Estou doente até a morte de ouvi-lo. — Virando-
se bruscamente, enfiou a espada em Montrose. Enquanto Monti olhava fixamente para
a lâmina que desaparecia em seu peito, ele acrescentou: — E eu estou doente até a
morte de você usando esse maldito testamento para me secar.
No minuto em que a última palavra saiu de seus lábios, Connor retirou a
espada e depois observou com indiferença, quando Montrose hesitou por um instante,
depois caiu de joelhos, antes de cair de cara no chão sujo.
Pega de surpresa, Murine simplesmente ficou boquiaberta, olhando seu meio-
irmão e teria sido espetada pela espada de Connor, se Alpin não tivesse subitamente
saltado de onde estava e a empurrasse para o lado. Arrancada de seu choque, Murine
olhou ao redor descontroladamente, quando caiu, aliviada quando viu que Alpin tinha
conseguido evitar a lâmina, mesmo quando ele a salvou. Ela também viu que Connor
agora estava levantando sua espada, com a intenção de enterrá-la nela.
Quando bateu no chão, Murine se lembrou da pedra que segurava e
imediatamente rolou de costas para atirá-la em Connor. A pedra do tamanho de um
melão acertou-o na testa e Connor gritou de dor e raiva, quando ele tropeçou para trás
um passo. Mas ele se recuperou rapidamente e deu um passo à frente, levantando sua
espada novamente e então congelou, quando a ponta de uma lâmina, de repente,
apareceu fora de seu peito.
Piscando, Murine se inclinou para o lado para espiar em torno de Connor, e
viu Dougall, em pé atrás do homem, sua espada enterrada nas costas de Connor.
— Você não é milaird, — disse Alpin desapontado, e Murine olhou ao redor para
ver que ele tinha se arrastado ao lado dela, para olhar atrás de Connor e ver quem os
salvara.
— Não, — disse ela com uma risada aliviada. — Este é meu marido, Dougall.
— Oh, eu acho que está tudo bem então, — o rapaz murmurou, corando
quando ela deslizou um braço ao redor dos ombros dele e abraçou-o contra o peito.
Murine sorriu, depois olhou ao redor com um sobressalto, quando Connor caiu
no chão na frente deles. Dougall havia retirado sua espada, ela viu, quando ele a
colocou de lado e moveu-se rapidamente, para cair em um joelho na frente dela.
Amando um Highlander – Lynsay Sands
— Você está bem, amor? — Ele perguntou, suas mãos deslizando sobre ela, em
busca de ferimentos.
— Sim, — ela sussurrou, em seguida, olhou para o menino ao lado dela e
acrescentou: — Mas Alpin está em um mau estado. Ele precisa de Rory.
Dougall assentiu e imediatamente voltou sua atenção para o menino. Uma
carranca tomou sua expressão quando olhou para ele, e então ele o carregou e se
levantou.
— Você tem um cavalo? — Murine perguntou, preocupada, enquanto o seguia
pelo comprimento do celeiro. — Eu posso andar se você tem apenas
um. Alpin precisa...
— Está tudo bem. Eu vim a pé, mas os outros estavam chegando quando corri
para cá — disse Dougall, suavemente.
— Os outros? — Murine perguntou e, em seguida, o seguiu para fora e parou de
repente, seu queixo caindo. O sol estava se pondo no horizonte, meio escondido pelas
colinas, mas ainda havia luz mais do que suficiente para ver que o campo estava
inundado de homens a cavalo. Murine conseguiu distinguir os quatro estandartes
ondulando na brisa do começo da noite.
— Eu entendo que estamos um pouco atrasados, — disse Greer, secamente,
desmontando e movendo-se rapidamente em direção a eles.
— Tudo bem, milaird. O marido de Lady Murine nos salvou, —
disse Alpin quando Greer o pegou de Dougall.
— Ele salvou? — Greer perguntou rudemente, sua preocupação óbvia quando
ele olhou os vários ferimentos do menino.
— Só depois que Alpin salvou minha esposa, — disse Dougall solenemente.
— Graças a você por isso, rapaz.
Alpin sacudiu a cabeça e disse miseravelmente, — Ela não teria estado lá se
não fosse por mim. — Virando uma cara séria para Greer, ele acrescentou, — Eu
tentei não lhe dizer como entrar na passagem, milaird. Eu juro que tentei, muito,
mas...
— Silêncio, — grunhiu Greer, levando-o de volta para sua montaria. — Você fez
bem, melhor que bem. Precisamos voltar para Saidh agora. Ela está terrivelmente
preocupada.
Dougall passou o braço em volta de Murine e eles observaram Greer passar
Alpin para o seu imediato, Bowie, para ele montar o cavalo. Uma vez na sela, ele
rapidamente pegou o menino de volta, colocou-o cuidadosamente em seu colo e depois
saiu do grupo e cavalgou de volta para o castelo, com vários de seus homens
seguindo-o.
Amando um Highlander – Lynsay Sands
— Os corpos de Danvries e Connor estão lá dentro, —
anunciou Dougall, enquanto instava Murine para onde Aulay, MacIntyre e Sinclair
estavam agora desmontando.
— Eu vou enviar alguns homens para recolhê-los, — Aulay assegurou.
— Então, eles estavam juntos nisso, depois de tudo, —
disse MacIntyre secamente, e balançou a cabeça. Olhando para Murine, ele
perguntou: — E o testamento?
— Falso, — ela admitiu com um suspiro. — Montrose manteve o original,
entretanto. Imagino que esteja em algum lugar em Danvries.
O velho assentiu. — Eu vou pegar meus homens e vou lá amanhã para buscá-
lo. Mas eu sei o que ele vai dizer. Beatie teria deixado tudo para você, moça.
Murine apenas deu de ombros, infeliz, e depois deixou escapar: — Connor
matou meu pai e contratou os homens que mataram Peter e Colin.
MacIntyre fechou os olhos e suspirou com cansaço, depois sacudiu a cabeça,
antes de abrir os olhos novamente. Expressão solene, ele disse: — Não deixe que isso
contamine Carmichael para você, moça. Lembre-se dos bons tempos que você teve lá
e pense nas pessoas que precisam de você. Connor era um bastardo cruel, duvido que
ele tenha oferecido muitos cuidados ao clã.
Engolindo em seco, Murine assentiu e olhou para Dougall, quando ele tocou
seu ombro. Alick trouxera sua montaria e Dougall já estava montado nela. Agora, ele
se inclinou e levantou-a na frente dele.
Assim que ela se acomodou de lado, no colo dele, Murine olhou de volta
para MacIntyre. — Você está vindo para o castelo?
— Sim. Vou visitar um pouquinho antes de voltar para o acampamento, — disse
ele, com um sorriso.
Murine assentiu, depois olhou para Campbell Sinclair e sorriu, antes de
perguntar esperançosamente: — Jo também está aqui?
— Está brincando? Eu não consegui mantê-la longe, — disse ele com um
sorriso. — Ela está no castelo exibindo o pequeno Bearnard. Ficará feliz em vê-la
bem e em segurança.
Murine concordou, depois recostou-se em Dougall com um suspiro, enquanto
ele girava o cavalo para seguir o caminho que Greer tomara, de volta ao castelo.
Eles cavalgaram rapidamente para fora da clareira, mas assim que deixaram o
campo e os homens para trás, Dougall de repente diminuiu a velocidade da montaria
até parar. Surpresa, Murine se endireitou e virou-se para olhá-lo interrogativamente,
mas ele não olhou para ela. Em vez disso, ele olhou por cima de sua cabeça para a
estrada à frente, enquanto perguntava: — Você quer uma anulação?
Amando um Highlander – Lynsay Sands
— O quê? — Ela perguntou chocada.
Suspirando, Dougall finalmente olhou para ela e disse: — Você só se casou
comigo por proteção contra seu irmão. Mas agora você está segura, e você não é mais
uma moça sem dote. Na verdade, você é rica. Você tem Carmichael e
provavelmente Danvries também, e poderia se casar com qualquer um que você
quisesse. Se quiser uma anul...
— Não, — ela interrompeu bruscamente, e então franziu a testa quando a
confusão encheu sua mente. — Você quer anular nosso casamento? É por isso que
você perguntou? Você só se casou comigo para me salvar. Você quer...
— Não, — ele assegurou solenemente, em seguida levantou uma mão para
segurar sua bochecha e disse: — Eu te amo, Murine.
— Sério? — Ela perguntou com um sorriso.
— Sim, — ele disse solenemente. — Você é imprudente e muito valente, para
seu próprio bem, e provavelmente iria levar todo dinheiro que eu iria gastar na
construção de um castelo para manter seus vestidos, mas eu a amo.
Ela riu das palavras dele, depois abraçou-o com força e sussurrou: — Eu
também amo você, marido.
Dougall permaneceu imóvel por um momento, depois recuou e ergueu as
sobrancelhas. — É isso aí? “Eu também amo você, marido”, é tudo o que você tem a
dizer?
Murine hesitou, preocupada de ter feito algo errado. Talvez ela devesse dizer por
que o amava ou quando percebeu isso. Suas preocupações desapareceram, no
entanto, quando ela notou o brilho provocante em seus olhos.
Controlando sua expressão, ela ofereceu: — Eu também amo você, marido, e eu
não estou vestindo calções por baixo de meu vestido hoje.
Quando seus olhos se arregalaram incredulamente, ela inclinou a cabeça e
perguntou: — Isso será suficiente?
— Isso é suficiente, amor, — ele rosnou e impulsionou sua montaria para
começar a se mover novamente, enquanto ele se inclinava para beijá-la.

FIM

Amando um Highlander – Lynsay Sands

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