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Uma Noiva Inglesa na

Escócia

Lynsay Sands

(Série Noivas das Highlands 01)


Sinopse

Annabel estava prestes a tomar o véu e se tornar uma freira


quando sua mãe de repente chega à Abadia para levá-la para casa...
Para que ela possa se casar com o latifundiário escocês que está noivo
de sua irmã fugitiva! Ela não sabe nada sobre ser uma esposa, nada
sobre como gerir uma casa, e definitivamente nada sobre a cama
nupcial!
Mas desde o momento em que Ross MacKay colocou seus olhos
em Annabel, ele é tomado por sua doce tímida noiva... E o fato de que
ela é abençoada com curvas exuberantes só o faz pronunciar suas
próprias orações de agradecimento. Mas quando um inimigo põe em
perigo sua vida, ele moverá as Highlands para salvá-la. Pois embora
Annabel não seja a noiva para ele tencionada, ela é a única mulher
que ele deseja...
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

Capítulo 1

— Annabel? Annabel?
Annabel suspirou sonolenta e afastou-se da voz persistente que
interrompia seu sono exausto.
— Annabel, acorde — disse a voz com mais insistência.
— Irmã Clara e eu ficamos a noite toda com uma égua parideira
— Annabel murmurou cansada, reconhecendo a voz de irmã Maud. —
A abadessa disse que poderíamos dormir hoje.
— Aye. Bem. Agora ela requer a sua presença. Vossa mãe está
aqui.
Annabel rolou abruptamente sobre suas costas na cama estreita
e piscou os olhos para encarar Maud com espanto. — O quê?
— Vossa mãe está aqui e a abadessa mandou chamá-la —
repetiu Maud pacientemente. Ela então se afastou para pegar o vestido
que Annabel tinha tirado e deixado no chão quando entrou em seu
quarto.
Annabel suspirou quando viu a expressão de desaprovação no
rosto de Maud enquanto sacudia o vestido enrugado. Ela não tinha
dúvidas de que a mulher iria contar à abadessa sobre os maus
cuidados de suas roupas. O pensamento a fez desejar que ela tivesse
tomado um tempo para dobrá-la cuidadosamente e colocá-la no baú
ao pé de sua cama, mas tinha sido perto do amanhecer quando ela

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cambaleou para seu quarto. Ela estava tão exausta que simplesmente
tombou na cama caindo em um sono profundo. Esse erro a levaria a
fazer penitência ao invés de voltar a dormir depois que ela visse sua
mãe, tinha certeza.
Lembrando-se de que sua mãe estava lá, Annabel sentou-se na
beira da pequena cama dura em seu cilício1 e camisão, e esfregava o
sono de seus olhos quando Maud retornou.
— Por que minha mãe está aqui? — Perguntou, erguendo-se para
pegar o vestido que a mulher lhe estendia.
— Eu não teria como saber. Ela foi levada para a abadessa no
momento em que chegou e elas estão retiradas em seu escritório desde
então. — Maud disse rigidamente, seu olhar deslizando sobre o cilício
visível sob o camisão de Annabel.
O cilício era para lembrar a Annabel que não se apressasse de
maneira imprópria. Ela deveria sempre caminhar lentamente com o
porte que uma noiva de Deus deveria ter. Já que ela o usava por uma
ofensa, sua punição pelo vestido descartado provavelmente seria um
açoite, Annabel o sabia, e não tinha dúvida de que Maud estava
desfrutando da perspectiva. A mulher sempre a antegonizara por
algum motivo.
Annabel puxou o vestido pela cabeça. Ela estava acordando
rapidamente agora, a preocupação apressando o processo. A mãe estar
aqui não poderia ser uma coisa boa. Afinal, a mulher não tinha ido vê-
la desde a sua entrega à abadia quatorze anos antes. Tinha que ser
algo importante que a trouxera agora. Seu pai tinha morrido? Sua
irmã? O Castelo de Waverly fora tomado por saqueadores? As
possibilidades eram infinitas e nenhuma delas, boa. Boas notícias não
1Cilício = antiga veste ou faixa de crina ou de pano grosseiro e áspero usado sobre a pele por
penitência.

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trariam sua mãe com o amanhecer. Ela deve ter cavalgado toda a noite
para chegar tão cedo.
— Há quanto tempo elas se retiraram para o escritório da
abadessa? — Annabel perguntou com um olhar carregado, colocando
sua cinta.
— Como eu poderia saber? Tenho coisas melhores a fazer do que
ficar controlando os seus visitantes. — Maud disse afetadamente,
observando Annabel pegar sua escova e começar a passá-la
rapidamente por seu cabelo, desembaraçando violentamente através
de qualquer nó encontrado. — A abadessa sabe que você ainda não
cortou o cabelo?
Annabel retesou com a pergunta. A abadessa tinha ordenado o
corte havia semanas, mas Annabel simplesmente não tinha sido capaz
de obrigar-se a fazê-lo. Ela ainda não era uma freira, por isso não
tinha sentido que ela precisasse realizar a mutilação ainda e tinha
guardado em segredo sob seus véus.
Em vez de admitir isso, Annabel pousou a escova, vestiu o véu e
dirigiu-se para a porta com pressa: — Obrigada por me acordar, Maud.
Ela podia sentir os olhos da mulher queimando em suas costas
enquanto se apressava para fora de seu quarto e por um momento se
preocupou se a freira iria procurar em sua cela por outras infrações
para tagarelar sobre ela. Mas não havia nada que ela pudesse fazer
sobre isso, então Annabel voltou sua atenção para o porquê de sua
mãe estar lá, em vez disso.
Ela começou quase a correr em um esforço para chegar à
abadessa rapidamente, mas um cenho de desagrado da prioresa ao
passar por ela fez Annabel mudar lentamente para uma caminhada
rápida... Até que virou a esquina e a prioresa não pôde mais vê-la.

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Então disparou novamente numa corrida e não demorou a virar para o


salão onde a abadessa tinha seus aposentos e escritório.
Annabel imediatamente viu as duas mulheres falando do lado de
fora da porta da abadessa, mas reconheceu sua mãe apenas porque
esta não era a abadessa. Annabel tinha sido enviada para a abadia
com a tenra idade de sete anos e não a tinha visto desde então. Esta
mulher não parecia nada com a mãe de sua memória. Sua mãe tinha
sido uma beleza de cabelos claros, com olhos brilhantes e cor em suas
bochechas. Ela sempre sorria ou ria. Esta mulher era pálida, os
cabelos mais cinzentos que louros, os olhos vivos de preocupação em
vez de alegria. Ela não estava sorrindo. Sua boca estava fortemente
comprimida, a ansiedade mostrando-se ali, bem como na maneira
como ela estava torcendo as mãos.
— Ah, Annabel. — disse a abadessa, quando a viu. A boa mulher
então se virou para a mãe de Annabel e ofereceu um sorriso
tranquilizador enquanto dava tapinhas em sua mão. — Aqui está ela.
Você já pode seguir o seu caminho agora. Tudo ficará bem.
— Obrigada. — sussurrou Lady Withram, olhando fixamente para
Annabel com feroz concentração enquanto se aproximava.
Na verdade, a maneira como ela estava olhando para ela era
bastante desconcertante, Annabel decidiu. Se sua mãe não era
exatamente o que ela lembrava, ela, aparentemente, não era da forma
como sua mãe esperava... Ou talvez desejava. Annabel tinha certeza de
que fora decepção o que viu cruzar pelo rosto da mulher antes de sua
expressão voltar a fechar apertada.
Annabel ainda estava a meio caminho do saguão quando a
abadessa se virou e entrou em seu escritório, deixando Lady Withram
avançar com precipitação para saudá-la. Embora saudar fosse o termo

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errado. Ela nem sequer desacelerou, e muito menos parou, mas se


apressou em avançar, agarrando o braço de Annabel e girando-a de
volta pelo caminho que tinha vindo, dizendo: — Devemos nos
apressar!
Com os olhos arregalados, Annabel deixou-se arrastar pelas
portas da frente. Franzindo um pouco o cenho, ela perguntou: — Para
onde estamos indo?
— Casa. — Foi a surpreendente resposta de sua mãe.
— Casa? — Perguntou ela, perplexa. — Mas eu pensei que esta
fosse minha casa. O que...?
— Os cavalos estão prontos? Sua mãe a interrompeu e por um
momento, Annabel pensou que ela estava lhe fazendo a pergunta, mas
tinham acabado de sair pelas portas da abadia e um velho corpulento
que esperava com uma carruagem respondeu.
— Aye, minha Lady. A abadessa enviou a prioresa para garantir
que tivéssemos dois dos melhores animais que elas têm aqui,
disponíveis para o nosso uso. Eles estão bem descansados e em forma.
Irão nos levar de volta com facilidade e tão rapidamente quanto os
nossos nos trouxeram até aqui.
A resposta atraiu o olhar de Annabel para os cavalos em questão.
Ela reconheceu os dois e eles eram realmente o melhor que a abadia
tinha para oferecer. Annabel não tinha dúvidas de que os cavalos que
estavam sendo deixados para trás eram de qualidade igual ou
superior. A abadessa não aceitaria nada menos. Annabel relanceou em
torno de novo, ao puxar o braço para frente. Sua mãe ainda a
segurava firmemente e agora a arrastava para a carruagem à espera.
— Obrigada, Aelric. — Lady Withram subiu duramente na
carruagem com sua ajuda e arrastou Annabel atrás dela pelo braço

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que ainda segurava. Realmente, a mulher a tinha em um aperto de


morte, como se temesse que ela pudesse se libertar e fugir a qualquer
momento. Suas unhas estavam cavando a carne de Annabel, então foi
com certo alívio quando a mãe a puxou para sentar-se ao seu lado na
carruagem e finalmente soltou-a.
Annabel tomou um momento para esfregar o braço enquanto
Aelric fechava a porta e mantinha a carruagem balançando enquanto
subia no seu banco. Mas quando começou a se mover, ela olhou para
a mãe com cautela e perguntou: — Para onde estamos indo?
Ela pensou que ela estava sendo bastante tolerante. Afinal de
contas, ela acabara de ser arrastada da cama e da única casa que
conhecera nos últimos quatorze anos, sem nenhuma explicação. No
entanto, sua mãe parecia imensamente irritada com a pergunta.
— Eu já o disse. Casa.
— A abadia de Elstow é a minha casa — disse Annabel
calmamente.
— Foi a sua casa. — Ela assentiu e depois acrescentou com
firmeza: — Mas não é mais. Waverly o é.
Esta notícia era bastante inquietante. Ela estava sendo retirada
da única casa que realmente conhecia. Jovem como Annabel tinha
sido quando ela havia saído, suas lembranças de Waverly eram fracas
na melhor das hipóteses. Então ela ficou aliviada quando sua mãe
acrescentou: — Pelo menos pelo próximo dia ou dois.
Então, só estava sendo levada para casa para uma visita curta,
ela refletiu, e então se sentiu tola por pensar o contrário. Afinal, nem
sequer lhe tinham permitido arrumar um saco ou trazer nada com ela.
Isso agora a fez franzir o cenho, porque ela ficaria sem nada além das

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roupas que vestia até retornar. O fato de que sua mãe a tivesse
apressado sem tal consideração lhe disse que a situação era terrível.
— É o papai? Ela perguntou com simpatia. A ideia de que seu pai
pudesse ter morrido e que ela estava sendo levada para casa para o
funeral fazia sentido para ela. Também trazia um pouco de uma
imprevista tristeza nela. Surpreendente, porque suas lembranças do
homem que a tinha criado estavam desbotadas na melhor das
hipóteses, mas ela se lembrava de um homem alto, louro e bonito, com
uma barba que a tinha agradado quando ele a abraçava. Como se
lembrava, ele estivera muitas vezes fora lutando uma guerra ou
batalha para o rei.
— Seu pai o quê? Perguntou a mãe, e Annabel olhou-a mais
atentamente ao notar a exaustão da voz da mulher. Uma olhada para
os seus olhos cansados e injetados de sangue disse a Annabel que a
mulher teria ficado acordada a noite toda durante a viagem de Waverly
até a abadia, pois teria sido difícil dormir enquanto se sacudia nisso,
ela supunha. Ela não tinha andado em uma carruagem desde que fora
entregue à abadia e não se lembrava de ser tão acidentado, entretanto
tinha a impressão de que estavam viajando mais rápido do que
normalmente se atreveria em uma carruagem.
Percebendo que sua mãe ainda aguardava uma resposta, ela
disse: — Alguma coisa aconteceu ao papai? É por isso que você está
me levando para casa para uma visita?
Lady Withram abriu a boca, hesitou, e depois suspirou e disse: —
Nay. Seu pai está bem. Sua irmã é a razão pela qual eu vim até você.
— Kate? — perguntou Annabel, surpresa e consternada. De todos
em Waverly, era de sua irmã mais velha, Kate, que ela se lembrava
melhor. Elas tinham apenas um ano de diferença de nascimento e

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tinham sido amigas próximas em crianças. Kate foi de quem mais


sentira falta quando fora enviada à abadia. Annabel tinha chorado por
ela todas as noites durante o primeiro ano, mas, eventualmente, à
medida que o tempo passava, até mesmo Kate tinha se desvanecido
um pouco em sua memória. — O que aconteceu? Ela...?
— Agora não, Annabel — disse a mãe, cansada, fechando os
olhos. — Haverá tempo suficiente para explicar as coisas. Mas por
agora, estou exausta de andar nesta carruagem ridícula e preciso
fechar os olhos um pouco.
Annabel hesitou, mas disse: — Estou surpresa que você não
tenha vindo a cavalo.
Era uma afirmação verdadeira. Sua mãe amava montar como se
lembrava. E poucos escolheriam andar na parte de trás de tal
carruagem. Não era exatamente uma viagem confortável e muito mais
lenta do que a cavalo.
— Seu pai pensou que você talvez não fosse capaz de montar
sozinha. — Foi à resposta abrupta. — Não há necessidade de você
saber como cavalgar na abadia.
Annabel não comentou. Não havia nenhuma razão para montar
na abadia e a maioria das mulheres lá raramente ou nunca montava.
No entanto, Annabel passou metade do seu tempo trabalhando com os
animais da abadia e montou-os com frequência. Embora ela tivesse
que fazê-lo à noite, quando todo mundo estava dormindo, para que
não fosse pega e, por isso, montava em pêlo. Ela nunca sequer se
preocupara em usar uma das selas ou selas laterais penduradas nas
paredes do estábulo.
Annabel pensou em perguntar novamente sobre sua irmã, apesar
do pedido de sua mãe de que esperasse, mas então se interrompeu.

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Lady Withram realmente parecia exausta. Um estado com o qual


poderia simpatizar, já que ela mesma não dormira mais do que um
momento antes de ser acordada naquela manhã. Ela podia esperar
para descobrir que doença ou acidente tinha levado Kate. Na verdade,
Annabel preferia dormir um pouco antes de ouvir a triste história de
qualquer maneira. Tão exausta como ela estava, ela temia que pudesse
se transformar em uma Maria chorona se ouvisse a história agora.
Com este pensamento predominando, Annabel se inclinou para o
canto da carruagem e tentou se acomodar o suficiente para dormir,
mas suspeitava de que seria uma tarefa difícil com a carruagem
sacudindo e batendo como estava.

— COMO DIABOS você terminou noivo de uma moça inglesa


sobre todas as coisas?
Ross sorriu levemente para a pergunta de Marach. O homem, um
de seus melhores guerreiros e bem próximo de sua própria idade,
soava horrorizado. Mas a maioria de seus homens provavelmente
ficariam horrorizados com a perspectiva de ter uma inglesa por sua
Lady. Ross abriu a boca para responder, mas hesitou demais e Gilly o
antecipou.
— O Lord Waverly salvou o pai de Ross enquanto estavam nas
cruzadas há uns vinte anos atrás, explicou o guerreiro mais velho. Em
seguida, acrescentou com tristeza: — E Ross está pagando,
acorrentado a filha do Lord Inglês pelo resto dos seus dias.
Ross mal se absteve de sorrir pela afirmação. Gilly era o seu
primeiro em comando. Ele também o fora do pai de Ross antes disso.
Embora sua idade geralmente significasse que Ross podia contar com

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o homem para um conselho sábio, também significava que ele tinha


uma longa memória do que os ingleses haviam feito aos escoceses.
Esse fato, por si só, quase havia feito Ross decidir não levar o homem
ao longo desta viagem, mas não havia ninguém em quem confiasse
mais para vigiar suas costas do que os dois guerreiros que cavalgavam
ao seu lado: Gilly e Marach. Ambos eram excelentes na batalha, bem
como bons amigos para ele. Ele confiava em qualquer um deles com
sua vida em qualquer lugar, a qualquer hora.
— Isso é verdade? — perguntou Marach franzindo o cenho
enquanto saíam das árvores e subiam a colina até Waverly Castle.
— Aye, Waverly salvou meu Pai. — Ross resmungou, e
acrescentou: — Mas depois os dois homens se tornaram amigos e
decidiram selar essa amizade unindo as duas casas. Eu tinha sete
anos e a esposa de Waverly dera à luz uma menina no ano anterior,
então um contrato foi selado.
Gilly balançou a cabeça, triste, com aquela notícia. — Embora
esteja contente que seu pai tivesse sobrevivido, foi a um preço terrível
e esperam que você pague por isso. — Inclinou a cabeça e
acrescentou, maliciosamente: — E bem, você o sabe, ou não teria
esperado tanto tempo para recolhê-la. Suponho que você estave
esperando que a moça caísse em um poço, ou algo assim, para que
não precisasse casar com ela?
— Nay. — Ross negou a acusação em uma risada e depois disse
mais seriamente: — Eu pretendia me unir a ela há quatro anos, mas a
morte de meu pai interferiu.
— Oh, aye. — Gilly assentiu solenemente.
Ross ficou em silêncio diante da lembrança. A morte de seu pai,
Ranson, tinha sido dura o suficiente para suportar. O chefe do clã

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MacKay tinha sido um bom homem, e um bom pai, mas o que tinha
seguido a sua morte tornara tudo muito mais difícil. Seu primo, Derek,
aproveitou a oportunidade para tentar arrancar o título de Laird de
Ross, alegando que aos vinte e três anos era muito jovem para a
tarefa. No momento em que Derek fizera isso, outros haviam dado um
passo à frente, querendo reivindicar o título. O clã dividiu-se em várias
facções, cada uma apoiando outro membro masculino da família. Ross
tinha passado os últimos três anos lutando contra as reivindicações e
provando a si mesmo, mas ele precisara derrotar seu primo, Derek, em
batalha no ano anterior para que o clã se restabelecesse e aceitasse
Ross como chefe.
Ele tinha esperado este último ano para ter certeza de que a paz e
aceitação durariam antes de se arriscar a deixar MacKay para pegar
sua noiva... E ele não tinha dúvida de que ela não ficaria satisfeita por
ter sido deixada de molho por tanto tempo.
— Uma moça inglesa. — Murmurou Marach, juntando-se à
conversa com uma sacudida triste da cabeça.
Ross riu, mas encolheu os ombros ligeiramente enquanto se
aproximavam dos portões de Waverly. — Uma moça é uma moça.
— E uma moça inglesa é uma moça inglesa. — Disse Gilly,
sombriamente, enquanto cavalgavam atravessando a ponte sobre o
fosso. — Ainda não conheci uma moça inglesa que não olhasse por
cima do seu nariz para nós, escoceses pagãos. São mimadas e
estragadas.
— Hmm. — Ross disse com um suspiro. — Bem, teremos de
esperar que esta não seja estragada.

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— Espere meu amigo. — Gilly disse com uma careta. — Mas


prepare-se para uma peixeira ou uma noiva que fará da sua vida um
pesadelo.
Ross começou a rir daquela previsão, mas quase engasgou com o
som quando um súbito grito rasgou o ar. Eles estavam atravessando o
patio de Waverly, indo para os estábulos. Ross controlou as rédeas e
olhou furiosamente, procurando a fonte. Foi Marach quem apontou
para uma janela da torre.
— Veio de lá. — Ele comentou enquanto uma mulher de cabelos
escuros passava pela janela fechando-as.
— Aye. — Gilly concordou os olhos se estreitando na janela
quando a mulher apareceu novamente. — E eu estou pensando que é
a sua noiva. Uma peixeira — acrescentou ele, em seguida, sacudindo a
cabeça tristemente. – Estamos todos com problemas agora.
Marach, Gilly e outros três homens que viajaram com eles,
conduziram suas montarias em direção aos estábulos, deixando Ross
sozinho a olhar para janela, agora vazia, com consternação.

— ANNABEL, MANTENHA A SUA VOZ BAIXA. Alguém pode ouvi-


la — Lady Withram a admoestou com desagrado.
A ordem a deixou brevemente boquiaberta. Annabel mal podia
acreditar que era tudo o que sua mãe tinha a lhe dizer. Não podia
acreditar em nada do que estava acontecendo e teria temido que seu
cansaço estivesse transtornando seu pensamento, mas Annabel tinha
conseguido acostumar-se ao ritmo da carruagem desconfortável e
tinha realmente dormido durante a jornada de quase um dia para
Waverly. Ela dormira agitada, acordando apenas quando a carruagem

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parou. Ela ainda estava esfregando o sono de seus olhos quando a


portinhola se abriu e um homem idoso tinha corrido para a carruagem
para olhar ansiosamente primeiro para a sua mãe e depois para ela
mesma.
O súbito alívio que tinha caído sobre os ombros do homem tinha
deixado Annabel curiosa, mas antes que ela pudesse pensar muito,
sua mãe estava cutucando-a e sacudindo-a para fora da carruagem,
perguntando: — Ele já está aqui?
— Nay. Graças a Deus — disse o homem com alguma emoção. —
Mas os homens na muralha acabaram de anunciar que viram um
pequeno grupo de cavaleiros entrando pelo outro lado da mata. Seis
homens a cavalo e eu penso que é ele. É melhor você levá-la escadas
acima e prepará-la.
— Aye. — Sua mãe concordou duramente e pegou Annabel pelo
braço arrastando-a para o castelo.
Annabel não resistiu, mas permitiu ser arrastada, sua cabeça
girando o tempo todo e os olhos arregalados para o homem que ela
tinha percebido ser seu pai. Sua mãe não fora a única que tinha
envelhecido nestes últimos quatorze anos. Seu pai não era mais o
homem forte e bonito que ela se lembrava da sua juventude. Seu peito
musculoso tinha caído ao que parece, até onde seu estômago plano
costumava estar, só que não era mais músculo. E de alguma forma
tinha ficado mais baixo, ou talvez só tivesse parecido mais alto
naquela época porque ela era uma criança pequena.
Quanto ao seu rosto, uma vez bonito, agora estava coberto com
barba grisalha que parecia ter crescido tão selvagem quanto ervas
daninhas descontroladas em um jardim. Ela mal podia imaginar que
este era o pai de suas memórias. Tão assustada com a sua

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transformação, Annabel não tinha realmente tomado nota do que


tinha sido dito, então ficou completamente surpresa quando entraram
num quarto na torre superior e sua mãe fez seu anúncio. Embora sua
resposta inicial tivesse sido um grito de puro protesto, ela agora estava
tentando entender à informação que acabara de receber, mas seu
cérebro não conseguia absorver.
Annabel respirou fundo e balançou a cabeça. Um par de
respirações mais profundas e se sentiu calma o suficiente para
perguntar, — Perdão, mas não acho que ouvi você corretamente,
minha Lady. Você acabou de dizer...?
— Você se casará com o MacKay no lugar de sua irmã — repetiu
a mãe com firmeza. Curiosamente, o tom firme que ela usava não
tornava as palavras mais compreensíveis.
— Como pode ser? —, Perguntou ela confusa. – Sou noviça. Devo
tomar o véu. — Ela pausou brevemente, mas quando sua mãe não
comentou nada, Annabel pensou que talvez não estivesse
compreendendo a situação, e acrescentou: — Vou me tornar uma
freira. Vou casar com Jesus.
— Não mais. — Sua mãe assegurou. — Você ainda não tomou o
véu, e é livre para se casar. O contrato afirma que Ross MacKay irá
casar com a filha mais velha sobrevivente de William Withram. Com o
desaparecimento da sua irmã, essa é você agora. Você tem que casar
com ele ou nós perderemos o dote, bem como uma grande quantidade
de moeda. Isso nos arruinaria. Você se casará com ele.
Annabel olhou para ela em silêncio e então perguntou: — O que
aconteceu com Kate? Como ela morreu?

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Lady Waverly soltou um bufo de desgosto e caminhou até a ponta


da cama. — Desejaria que ela estivesse morta ao invés de ter causado
a vergonha que nos causou.
Os olhos de Annabel se arregalaram e ela correu para frente com
a esperança a agarrando brevemente. — Se ela não está morta...
— Ela fugiu com o filho do chefe dos estábulos. — Interrompeu
Lady Waverly, áspera. — Seu pai a repudiou e deserdou. Para todos os
efeitos e propósitos, ela está morta. Você é a filha mais velha agora e
irá se casar com Ross MacKay.
Annabel afundou na beirada da cama ao lado de sua mãe, com
as pernas subitamente fracas demais para segurar seu peso. Sua voz
estava igualmente fraca quando disse:
— Mas eu não sei como ser uma esposa. Eu iria me tornar uma
freira. Todo o meu treinamento foi para esse fim. Eu não sei a mínima
coisa sobre como administrar uma casa, ou... Ou qualquer coisa. —
ela acrescentou impotente.
Quando sua mãe deu tapinhas na sua mão, ela olhou na
esperança de receber algum encorajamento e ouviu: — Aye.
Provavelmente será uma confusão. Mas, pelo menos, seu pai e eu não
estaremos arruinados.
— Aye, há isso —, Annabel concordou secamente.
Lady Waverly assentiu, aparentemente perdendo completamente
o sarcasmo. Isso foi provavelmente uma coisa boa, ela reconheceu. A
abadessa teria desaprovado o comentário e a punido de acordo. A
abadessa a havia punido bastante ao longo dos anos. Na verdade,
Annabel supôs que ela não teria sido uma boa freira de qualquer
maneira. Certamente ela não tinha feito um excelente noviciado. Ou
fora uma boa postulante em todo caso. Tinha sido uma postulante

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durante anos antes de a abadessa a ter colocado para ser uma noviça,
e Annabel suspeitava que a mulher o tinha feito por pura piedade.
Annabel não sabia ao certo o que havia de errado com ela. Ela
esperava ser uma freira e tinha feito um esforço real para se encaixar
no invólucro, mas apesar de seus melhores esforços, sua língua
escapava dela às vezes. Sua língua, seu temperamento, seu apetite...
Fazendo uma careta, Annabel cortou a ladainha em sua cabeça.
Ela era bem consciente de suas deficiências como uma freira. A
abadessa e a prioresa tinham ambas as apontado muitas vezes. Ainda
assim, por pior que fosse, ser freira era a única coisa que ela sabia e
se ela não conseguia lidar com isso depois de anos trabalhando, como
ela se comportaria como esposa e Lady, para os quais não tivera
absolutamente nenhum treinamento?
Annabel suspirou miseravelmente e sua mãe pulou da cama
como se fosse algum sinal.
— Bem, é melhor eu ir ver onde estão as criadas para que
possamos vesti-la — anunciou ela rapidamente, indo para a porta.
— Vestir? Annabel perguntou incerta, se colocando em pé
também.
— Bem, você não pode encontrar seu noivo em uma touca de
freira — disse sua mãe como se isso fosse óbvio.
— Mas... Ele está aqui agora? — Ela perguntou com um novo
alarme.
— Nay, mas ele estará em breve e tenho certeza que vai demorar
uma eternidade para torná-la aceitável. Espere aqui. Voltarei em
seguida.
— Mãe? — Annabel disse de repente quando a mulher saia do
quarto.

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Lady Waverly fez uma pausa na porta olhando para trás,


impaciente. — O que?
Ela hesitou, mas então levantou a cabeça e fez a pergunta que
tinha imaginado desde que fora levada para longe de sua casa quando
criança. — Por que fui enviada a Elstow quando criança?
As sobrancelhas de sua mãe levantaram-se ligeiramente. — Bem,
você teria sido enviada para lá de qualquer maneira, eventualmente.
— Eu teria? Annabel perguntou com uma careta.
— Aye, e Kate também teria se eu tivesse um filho homem depois
de você. Mas como aconteceu, eu engravidei por várias vezes depois de
você, mas nenhuma criança sobreviveu ao nascimento.
Annabel não podia dizer se era alívio no rosto de sua mãe ou
pesar... Talvez uma combinação dos dois. Ela suspeitava que a mulher
tivesse gostado de ter um filho nascido homem para seu marido, tão
somente isso. Ser atrapalhada por meninas não tinha sido conveniente
pelo que ela poderia dizer.
— Então. — sua mãe continuou com um encolher de ombros. —
Kate, como a mais velha e herdeira, teve que ficar aqui para aprender
a governar Waverly para que depois que seu pai e eu morrêssemos, ela
soubesse como executá-lo quando passasse para ela e o marido. Mas
não havia motivo para manter você aqui.
— Vocês nunca consideraram a possibilidade de me casar? —
Annabel perguntou calmamente, embora ela tivesse certeza de que
sabia a resposta.
Lady Waverly fez uma careta e balançou a cabeça ante a própria
sugestão. — Kate foi sempre a com a melhor aparência. Você sempre
foi uma coisa gordinha. Para encontrar um senhor adequado, disposto
a casar com você, teria tomado mais moeda do que estávamos

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dispostos a investir. Felizmente, a abadia levou você pela metade do


dote que teria nos custado casar você, e eles levaram você jovem, por
isso não tivemos que alimentá-la, vestí-la, ou nos preocupar com a sua
formação todos esses anos também. E, é claro, é sempre bom ter um
membro da família na igreja orando por nossas almas, como sabíamos
que a abadessa faria você fazer. Seus olhos se estreitaram. — Ela fez
você orar por nós, não fez?
— Aye. — disse Annabel imediatamente.
— Bom. — Lady Waverly relaxou, mas depois a esquadrinhou
com um olhar de desagrado. — Agora, vai dar muito trabalho para
torná-la apresentável. Preciso que as criados façam isso
imediatamente.
— É claro — murmurou Annabel, e então viu a porta se fechar.
Embora sua mãe tivesse deixado claro que ela era uma decepção,
Annabel estava acostumada com isso. Não importava o quanto ela
tivesse tentado, ela sempre parecia desapontar a abadessa também. . .
E sem dúvida seria uma decepção para seu marido também.
Afastando o deprimente conhecimento, Annabel espiou pelo
quarto em que estava. Tinha certeza de que era o quarto que ela tinha
compartilhado com Kate quando criança, embora a roupa de cama e
as cortinas ao redor da cama fossem diferentes agora. Isso fez com que
ela se lembrasse das noites há muito tempo, quando ela e Kate tinham
ficado deitadas rindo por causa de alguma piada ou outra. Isso, por
sua vez, fez com que ela se questionasse sobre sua irmã.
— Ela fugiu com o filho do chefe dos estábulos. — Sua mãe tinha
dito.
A ideia era bastante chocante para Annabel. Um senso de dever
era martelado nas postulantes e noviças na abadia. Tudo o que ela

~ 21 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

podia pensar era que Kate devia realmente amar o filho do chefe dos
estábulos para ir contra seus pais assim. Teria de perguntar à mãe
sobre o assunto quando voltasse, Annabel decidiu enquanto tirava o
véu.
— Graças a Deus eu não cortei meu cabelo. — Ela murmurou
enquanto passava uma mão pelos longos fios. Annabel estava certa de
que ter uma cabeça raspada não teria ajudado com as coisas por aqui.

~ 22 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

Capítulo 2

— Sente-se, sente-se.
Ross desviou o olhar da mulher que descia correndo as escadas
atentando às palavras de Lord Withram e se moveu para acomodar-se
à mesa.
— Você deve estar com sede depois de sua jornada. Irei Solicitar
bebidas. — Disse o homem saindo apressado.
— Ele parece um pouco ansioso sobre alguma coisa — comentou
Gilly enquanto observavam o Lord de Waverly correr, não para as
cozinhas, mas para a mulher que acabava de descer. Fazendo uma
careta, ele acrescentou: — Mas assim também estava o chefe dos
estábulos. Torcendo as mãos e evitando nossos olhos nos estábulos.
Ross notara isso. Ele também observara que todos por quem
haviam passado ou os que haviam encontrado até o momento tinham
sorrido nervosamente e depois saíam correndo como se receassem que
lhes pudessem fazer uma pergunta que eles não queriam responder.
Seria o suficiente para deixar um homem que se considerasse inferior
nervoso, mas Ross não era do tipo que se preocupava com as coisas
antes que acontecessem. Ele se contentava em esperar e ver. Então ele
simplesmente resmungou em resposta às palavras de Gilly e viu Lord
Withram conversar brevemente com a dama antes que os dois se
apressassem para as cozinhas juntos.

~ 23 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

— Onde você acha que sua noiva está? Gilly perguntou.


Ross encolheu os ombros, seu olhar se movendo em torno do
grande salão estranhamente vazio. O grande salão de MacKay
raramente estava vazio. Havia sempre alguém vindo ou indo e ele
esperava que fosse o caso aqui também, então a ausência completa de
pessoas era um pouco curioso.
Seu olhar deslizou para a porta que presumia levar às cozinhas
quando a senhora correu para fora, seguida por vários criados
carregando uma bacia de banho e baldes de água, alguns deles
fumegando.
— Está parecendo a mim que vai levar algum tempo antes que
você veja a sua noiva — disse Gilly secamente, seus olhos estreitados
seguindo os criados subindo as escadas.
— Aye. — Ross concordou em um suspiro. Tinha esperado acabar
com esse negócio e voltar para MacKay imediatamente. Sendo esta a
primeira vez que ele saia do castelo desde o problema após a morte de
seu pai, ele estava um pouco ansioso para voltar e assegurar-se de que
tudo estava bem. Porém parecia que ele não iria embora tão rápido
quanto desejava.

— IRÁ ME CONTAR sobre Kate? — Annabel perguntou enquanto


se detinha ao lado do banho que os criados haviam preparado para
ela.
— O que há para contar? — Lady Withram disse amargamente.
— Ela fugiu com aquele menino estúpido.

~ 24 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

— Ela deve amá-lo muito... — Annabel murmurou enquanto


começava a remover seu vestido. — E ele deve amá-la também, para
arriscar a ira de papai desta maneira.
— Oh, aye. Ela o ama e ele a ama — disse Lady Waverly com
desgosto e depois acrescentou: — Ele a ama com seus belos vestidos
caros e com seus cabelos lustrosos e brilhantes, arrumados no topo da
cabeça por sua criada. – Ela balançou a cabeça — O pequeno tolo não
considerou o que aconteceria a todos aqueles sentimentos
encantadores quando os vestidos forem trapos nas suas costas e ela
estiver pálida e macilenta pela falta da comida. Quanto a ele, tenho
certeza que ele parece muito bem para ela trabalhando aqui, mas eles
estarão por conta própria agora. O amor não vai durar muito tempo, e
então o que ela vai fazer? — Ela perguntou duramente —
Provavelmente correrá de volta com um bastardo em sua barriga,
lágrimas em seus olhos, e uma súplica em seus lábios para que nós a
recebamos.
— Receberiam? — Perguntou Annabel em voz baixa
Lady Withram sacudiu a cabeça e murmurou: — Ela está morta
para o seu pai.
— E para você? — perguntou Annabel.
— Eu não sou o Lord desta mansão. Eu sou apenas uma mulher
— ela disse calmamente e depois com algum veneno, acrescentou: —
Mas nay, eu também não a receberia de volta. Ela não teve a
perspicácia de pensar em nenhum de nós ou como isso nos afetaria
quando ela fizesse sua escolha. — A boca de Lady Waverly se torceu
amargamente. — Bem, ela fez a sua cama e agora deve se deitar nela.

~ 25 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

Annabel achou isso um pouco duro, mas não comentou.


Colocando seu vestido na cadeira ao lado do fogo, ela retirou a camisa
e então pegou os laços da camiseta que usava embaixo.
— Que diabo é isso? — perguntou a mãe, aproximando-se.
— Um cilício — murmurou Annabel com vergonha.
— Isso é pêlo de cabra? — Lady Waverly sentiu a bainha e fez
uma careta. — É claro. Deve ser muito desconfortável. Por que diabos
você estaria vestindo um cilicio?
Annabel suspirou infeliz e deixou a camiseta cair no chão no
momento em que desabotou o último cordão. Ela entrou na água
fumegante do banho antes de admitir: — A abadessa ordenou que eu a
usasse.
— Por quê? — perguntou a mãe imediatamente.
— Isso é uma punição na abadia — resmungou Annabel.
— Essas marcas nas suas costas não são da camiseta — disse
sua mãe, correndo um dedo levemente sobre os vergões nas costas.
— Não. — concordou Annabel. — São de um chicote.
— Elas te chicotearam na abadia? — perguntou a mãe com
espanto.
— Nay. Eu o fiz.
— Por que cargas d’água você faria uma coisa dessas? Ela
perguntou com consternação.
— Porque a abadessa me ordenou — admitiu Annabel em voz
baixa.
— A abadessa? — Ela olhou para ela horrorizada e depois
perguntou bruscamente — O que diabos você tem feito naquela
abadia? — Seu tom sugeriu que ela realmente não queria saber e

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Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

Annabel supôs que agora estava pensando que ambas as filhas eram
uma grande decepção.
Infelizmente, Annabel pensou que isso fosse verdade. Kate não
fora uma filha muito obediente, e ela própria não tinha sido uma
noviça muito boa. Tinha tentado. Annabel se esforçara muito para ser
uma boa noviça, mas estava sempre atrasada, desarranjada, suja, com
as roupas danificadas, seus chinelos arruinados ou fazendo rastros de
lama. A lista de seus erros era interminável. Ela comia demais, falava
demais, movia-se muito rápido e, no geral, não era a adequada,
tímida, retraída, digna e serena freira. Foi por isso que a abadessa não
deixara que levasse ainda o véu e tivesse o seu status elevado para
freira. Foi por isso que ela ainda estava disponível para seus pais
forçarem o casamento.
Annabel não apontou essas falhas para sua mãe, mas estava
muito consciente delas. Se tivesse tentado um pouco mais e fosse um
pouco melhor, talvez agora fosse uma freira e não enfrentasse o
horrível futuro que seus pais haviam arranjado para ela. E era horrível
para Annabel. Ela não sabia nada sobre o matrimônio, o
funcionamento de um castelo, ou... Bem... Qualquer coisa, mesmo.
Ela estava tropeçando cegamente em uma situação estranha. Ou...
Sendo empurrada... E estava apavorada.
— Certamente Kate e seu cavalariço não podem ter se casado
sem a permissão do papai — Annabel disse com, o desespero
incitando-a diante — Talvez se a encontrássemos...
— Eles podem não estar casados, mas você realmente acha que
ele ainda não se deitou com ela? — Perguntou a mãe com severidade
— Nós fomos informados desde sua saída que Kathryn costumava
deslizar pelo castelo à noite para se encontrar com o rapaz e, muitas

~ 27 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

vezes, não retornou até pouco antes do amanhecer. Há testemunhas


que estavam com muito medo de dizer algo no momento, mas
surgiram em massa, uma vez que desapareceram — Acrescentou
amargamente.
— Bem, ela pode não ser mais inocente, mas talvez ela tenha
recuperado o seu bom senso e...
— E o que? — perguntou Lady Withram — O que faríamos com
ela? O escocês nos mataria em nossas camas por entregar-lhe uma
noiva desonrada, e ele teria todo o direito.
Os olhos de Annabel se arregalaram de medo — Mas...
— Sem mas, Annabel. — Disse a mãe, de repente cansada. — Isto
é o que deve ser feito. Você irá se casar com o escocês. E é melhor do
que desaparecer em uma abadia cheia de mulheres de qualquer
maneira.
Annabel franziu o cenho diante desse comentário. Ela recordava
claramente de sua mãe lhe dizendo que se tornar uma freira era
melhor do que estar sob o polegar de algum homem horrível todos os
dias de sua vida, quando ela a entregara à abadia. Tinha feito soar
preferível ao casamento e filhos. Então, qual era a verdade? Parecia
que isso dependia do que seus pais queriam que ela fizesse.
Infelizmente, não importava qual fosse a verdade, ela
simplesmente não tinha nenhuma escolha na questão. Seus pais
haviam decidido sobre seu futuro. Ela não tinha um cavalariço para
fugir, e certamente a abadessa não a aceitaria de volta depois de
entregá-la aos cuidados de sua mãe. Aquela senhora provavelmente
estava aliviada por estar livre de sua torpeza e inépcia.
Com nada mais a fazer, Annabel começou a ensaboar-se. Tudo
indicava que se casaria, seria uma esposa para esse escocês

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Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

desconhecido, a mãe de seus filhos e a Lady de seu povo... — Senhor,


salve-os a todos.

ROSS ACENOU POLIDAMENTE quando Lord Withram


desculpou-se para sair e verificar quando as senhoras chegariam. Era
a terceira vez que o fazia desde sua chegada. Parecia que sua noiva, ou
sua mãe, tinha decidido solicitar um banho e agora ela estava
arrumando-se para ele, como Lord Withram tinha dito.
Aparentemente, era uma longa provação. Ele já havia chegado há duas
horas e ainda não tinha visto nem traço de cabelo da mulher com
quem ele deveria se casar.
Torcendo para que não fosse um sinal de que sua noiva era
terrivelmente pouco atraente, Ross olhou para o lado quando Marach
ali apareceu, batendo no ombro dele.
— O que está acontecendo? — perguntou ele e prestou atenção,
curioso, enquanto Marach se inclinava para murmurar em seu ouvido.
— Eu fui verificar as nossas montarias, me certificar de que elas
estavam alojadas adequadamente.
— Aye — murmurou Ross.
— Quando cheguei lá, entrouvi o chefe do estábulo e outro
homem falando sobre como seu filho o colocou em águas perigosas
com Lorde Withram, fugindo com a filha deste apenas dois dias antes
dela se casar com o escocês.
Ross endireitou abruptamente com esta notícia e olhou para ele
questionando — Você tem certeza de que escutou direito?
Marach assentiu solenemente — Eu os ouvi falar quando me
aproximava e parei para escutar. Eles continuaram falando por um

~ 29 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

tempo de como o chefe dos estábulos chicoteava seu garoto por ser tão
estúpido, especialmente por causa de uma meretriz mimada como a
moça mais velha de Withram. Ele continuou falando sobre como os
dois não teriam senso suficiente para sairem da chuva, e como
provavelmente acabariam mortos ao lado da estrada em algum lugar.
E se você recusasse a segunda filha com a qual a substituiriam e, por
alguma razão eles pareciam acreditar que o faria — Acrescentou
significativamente, antes de prosseguir — O chefe dos estábulos pensa
que ele próprio poderia até terminar sem teto e morto ao lado deles.
Ross relaxou no encosto do banco com o cenho franzido. O que
haveria de errado com a segunda filha que os homens estavam tão
certos de que ele a recusaria?
— Sangrento inglês — Gilly murmurou, ouvindo as palavras de
Marach — Ele poderia lhe ter dito sobre a situação quando chegamos.
Em vez disso, está tentando passar a orelha de uma porca como bolsa
de seda. Ele está arriscando a segunda filha com você, assim. E ela
deve ser feia demais para os homens acreditarem que a recusaria. É
certo que ele está tentando enganá-lo com isso, e não ser franco sobre
o assunto não é motivo para recusar o casamento? — Perguntou ele, e
então acrescentou com repentina animação: — Se sim, podemos ir
para casa e encontrar para você uma ótima moça escocesa para casar
e deitar.
— Estou pensando que é melhor a segunda filha do que a
primeira depois que o cavalariço a teve. — Marach apontou.
— Desde que ninguém tenha tido a segunda filha — Gilly disse
secamente e depois apontou: — A maçã não cai muito longe da árvore
e geralmente fica ao lado das outras maçãs.

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Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

Ross franziu o cenho diante dessa sugestão e balançou a cabeça.


— Se a honra corresse nas famílias, Derek teria sido mais parecido
comigo. Só porque a irmã mais velha foi desleal não significa que a
segunda filha será tambem.
— Bastante verdadeiro — reconheceu Gilly. — Mas considere o
fato. Se não é uma meretriz como a irmã, por que eles se preocupam
que você possa não aceitá-la? — Ele esperou um momento, mas
quando Ross não respondeu, ele respondeu a si mesmo. — Se não é
uma meretriz, então ela deve ser feia como o pecado, ou um rosto
azedo com o linguajar de uma peixeira. Ou ambos — ele terminou
sombriamente.
Ross limitou-se a olhar para o homem, sua mente girando. Meu
Deus, nada seria fácil em sua vida? Em primeiro lugar, sua mãe
morreu e, em seguida, seu pai seguiu-a um ano mais tarde, então a ele
nem sequer foi permitido um tempo para lamentar sobre o homem e
assumir as suas funções como chefe do clã com o apoio de seu povo.
Teve que lutar pelo direito. Agora, finalmente conseguiu que a questão
se resolvesse e chegou para reivindicar sua prometida e começar sua
própria família, apenas para descobrir que sua prometida original
fugiu — com um cavalariço sobre todas as coisas — e era esperado
que se casasse com sua irmã. Que era uma leviana como a irmã mais
velha, ou uma moça de rosto azedo de uma peixeira.
A vida era tão injusta às vezes. Todas às vezes realmente. Ross
adicionou amargamente. Ele não conseguia pensar em muitas coisas
que tinham sido justas ou fáceis em sua vida ultimamente e,
francamente, ele estava ficando cansado da constante luta.
Gilly estava certo. Pensou. A coisa mais fácil de fazer seria
levantar-se, sair, ir para casa e casar com uma moça escocesa de sua

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Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

escolha. Certamente, ele tinha esse direito? Ele não estava legalmente
obrigado a casar com a segunda filha, não era? Poderia Withram
legalmente renegar a sua filha mais velha? Teria sido capaz de fazê-lo
em tão pouco tempo? Francamente, Ross não se importava. Ele
acabara com a luta pela vida. Ele estava indo para casa.
Gilly e Marach tinham ficado conversando sobre a situação
enquanto ponderava, mas ambos ficaram em silêncio quando Ross se
levantou abruptamente. Ele viu a pergunta em seus olhos e disse: —
Nós estamos indo...
— Aqui está ela, finalmente.
Ross fechou a boca e se virou lentamente para aquele anúncio,
quase desesperadamente alegre, de Lord Withram. O homem
precipitara-se para a mesa vindo da escada, duas mulheres o seguindo
a um ritmo mais tranquilo.
— Você sabe como as mulheres podem ser — Withram
continuou, soando extremamente ansioso — Nossa Annabel queria
parecer perfeita para seu primeiro encontro com você.
Ross não respondeu. Ele nem sequer acusou as palavras com um
olhar. Seu olhar estava preso na jovem mulher que se aproximava ao
lado de Lady Withram. Baixa, não mais que um metro e meio, com um
rosto bonito, cabelos brilhantes, longos, ondulados, negros como noite
e mais curvas do que seu escudo. Ele notou tudo isso em um instante,
seus olhos viajaram com apreço sobre cada dote antes de se fixar em
seus olhos. Eles eram uma cor que ele nunca tinha visto antes em
olhos, uma combinação de azul pálido e verde, quase com um aro
mais escuro circundando a íris incomum. Eles eram absolutamente
lindos... E, nesse momento, transbordando de ansiedade e medo.

~ 32 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

Antes mesmo que ele percebesse o que estava fazendo, Ross se


encontrou movendo-se ao redor da mesa para se aproximar da garota.
Tomando-lhe a mão, ele a colocou em seu braço e olhou solenemente
para baixo em seus olhos incomuns antes de anunciar: — Valeu a
pena esperar.
Ele ficou satisfeito ao ver um pouco de seu medo se dissipar. Só
um pouco, mas era algo. Ela corou também, inclinando a cabeça como
se não estivesse acostumada e envergonhada por tal elogio... E seus
dedos tremiam onde descansavam em seu braço. Ela não o encarava
como uma leviana, nem era azeda ou feia, mas tinha os melhores
olhos que já tinha visto, e ele queria ver mais. Então Ross se virou e a
escoltou até a mesa.
Ele não perdeu os auditíveis suspiros de alívio de seus pais às
suas costas. Nem perdeu o murmúrio de Gilly: — Inferno sangrento.
Ele está acabado.
A julgar pelo ligeiro movimento da cabeça de Annabel de um lado
e então para o outro, ela também não perdeu nada, mas nenhum dos
dois comentou.

— BEM, AGORA QUE VOCÊS SE CONHECERAM não há


necessidade de atraso — O pai de Annabel parou ao seu lado e
impulsionou-a sobre seus pés — Padre Athol e os aldeões estão
esperando fora da igreja.
Annabel olhava com espanto, fixamente do pai para a mãe. Ross
tinha literalmente acabado de instalá-la na mesa. Ela estava certa de
que seu traseiro não se sentara no banco por mais do que a contagem
de quatro antes de seu pai a levantar. Ela entendia que seus pais

~ 33 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

tinham medo de que algo mais desse errado, o que os deixaria em


ruínas. Afinal, estavam ansiosos para acabar com isso, mas essa
corrida parecia um pouco imprópria para ela. Então ela ficou surpresa
quando o escocês se levantou com um aceno de aceitação e mais uma
vez tomou seu braço.
— Venha, moça — disse ele solenemente. — Uma vez feito,
acabou-se.
É verdade, Annabel pensou aturdida, fazendo o possível para não
olhar para o homem. Ela estava evitando olhá-lo desde que tivera seu
primeiro vislumbre. Annabel passara a vida a partir dos sete em
companhia de mulheres. O único homem que ela viu foi o Padre
Gerder, que tinha realizado missas na abadia. Era um homem alto,
delgado e idoso, de cabelos brancos e um corpo emaciado. Ao chegar
aqui, Annabel tinha pensado como encolhido e pequeno seu pai tinha
ficado e que, apesar de seu estômago pronunciado, ele lembrava-lhe
do Padre Gerder.
Ross não lembrava de modo algum seu pai ou o Padre Gerder.
Nem lembrava as mulheres que a haviam criado. Não havia nada de
macio ou sereno sobre sua aparência. Nada pequeno e delicado. Ross
era enorme e de aparência áspera, uma parede móvel de músculos
ondulantes, cheirando a especiarias e voz ressonante.
Ele era tão esmagador que deixou Annabel com a boca seca,
nervosa e estranhamente desconcertada. Ela estava bem agitada com
tudo isso. Pelo menos isso era o que ela estava atribuindo ao tremor
agradável que começou nela quando ele pegou sua mão para colocá-la
em seu braço. Lembrou-se que ela reagiu da mesma maneira a
primeira vez que ele o tinha feito para levá-la à mesa. A sensação tinha
passado para dar lugar ao alívio quando ele a liberou. No entanto, não

~ 34 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

haveria uma trégua para ela neste momento. Ele não a estava
acompanhando apenas a alguns passos da mesa.
Ross a acompanhou até a porta e seguiram atravessando o
corredor em direção à capela e, a cada passo, os tremores de Annabel
aumentavam até ter certeza de que ele iria notar.
— Respire fundo.
Annabel piscou para essas palavras retumbando do escocês.
Olhando para ele com insegurança, ela perguntou: — Perdão?
— Respire profundamente. — Ele disse baixinho o suficiente para
que só ela pudesse ouvir, e então ele acrescentou suavemente: — Irá
ajudá-la com seus nervos.
— Oh. — Ela lhe dirigiu um sorriso, mas estava ciente de que
estava corando vivamente. Ele percebeu. Limpando a garganta, ela
ofereceu em um tom pesaroso: — Peço-lhe desculpas pela precipitação
imprópria dos meus pais. Eles não o fazem por mal.
Ross encolheu os ombros — Não há nada para se desculpar. Isso
me serve muito bem. É melhor completar as tarefas desagradáveis
rapidamente, não acha?
Annabel ficou tão chocada com as palavras que quase tropeçou
em seus próprios pés. Enquanto ela mesma ficara surpresa com a
notícia de que ia casar, não tinha pensado no seu noivo. Ela não tinha
sequer o considerado em tudo isso. Toda a sua pertubação tinha sido
devido à mudança abrupta em sua vida e circunstâncias. Afinal de
contas, até a algumas horas ela tinha pensado que deveria ser uma
freira.
Ross, no entanto, tinha cavalgado até ali especificamente com a
intenção de casar. Não houve surpresa desagradável para ele... Exceto,
possivelmente, ao encontrar sua noiva pela primeira vez. O que

~ 35 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

sugeria que casar com ela era, especificamente, a tarefa desagradável


de que falava. E isso era um maldito insulto. Também não era um bom
presságio para seu futuro. Este era o homem com quem ela passaria o
resto de sua vida, afinal. Se ele estava descontente depois de apenas
vê-la, o quanto ele ficaria infeliz quando percebesse como ela seria
inútil como uma esposa? E ela temia muito que seria uma inútil.
Mas não havia uma amaldiçoada coisa que ela pudesse fazer para
impedir o que estava para acontecer. Eles entraram na capela e
pararam diante do padre. Seu futuro estava direcionado firmemente
nesta direção à partir de agora.

ROSS OLHOU SEU NOVO SOGRO puxando a porta para fechá-la


atrás do grupo que partia com mais do que um pouco de alívio. Ele
achara a cerimônia da cama um pouco exasperante. Uma dúzia de
ingleses bêbados, junto com seus próprios homens bêbados,
rodearam-no e empurraram-no para cima e depois procederam a
puxar e tirar as suas roupas até ficar nu. Então o empurraram para a
cama ao lado de sua igualmente nua e expectante noiva, que estava
escondida sob os lençóis.
Ross supôs que ele não teria se importado tanto se estivesse
bêbado. No entanto, ele não tinha querido começar seu casamento
estando em um estupor bêbado ou acidentalmente sendo rude com
Annabel devido à bebida, por isso se abstivera depois de um copo de
vinho usado para brinde seu casamento. Ele tinha suportado a rude
atenção dos homens, sóbrio.
Um repentino ruído e movimento na cama ao seu lado chamou a
atenção de Ross para o fato de que sua noiva estava fora da cama. Ele

~ 36 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

abriu a boca para perguntar o que ela estava fazendo, mas a pergunta
nunca passou por seus lábios. Ela estava nua do topo da cabeça até a
ponta dos dedos dos pés... E absolutamente bela. Sua noiva era uma
bela figura de mulher, toda macia e redonda. Bem do jeito que ele
gostava de suas mulheres, e sua boca estava salivando com a visão.
Mas foi uma visão muito breve que ele conseguiu antes dela puxar
uma camisa comprida e deixá-la cair cortando toda essa beleza.
— O que diabo é isso? — Como as primeiras palavras reais que
ele disse desde que se casou com a mulher, Ross supôs que deixaram
muito a desejar. Mas ele estava tão chocado com a visão da camisa
feia cobrindo toda aquela beleza, que ele não pode se ajudar.
— É uma camisa de núpcias. — Annabel explicou, parecendo
subitamente insegura. Ela hesitou, sua língua se lançou rapidamente
para lamber seus lábios, e então deu um sorriso pesaroso, e
acrescentou: — Padre Athol achou que gostaríamos de usá-la, mas eu
a esqueci até agora.
— Usá-la para quê? — Perguntou perplexo.
— Para a cama — ela explicou, corando intensamente.
Seu olhar deslizou sobre seu corpo no objeto. Era simplesmente
uma camisa comprida que parecia feita de um material muito pesado,
e cobria cada centímetro de seu corpo. — Como diabos eu vou me
deitar com você nisso?
— Oh, há um buraco — ela disse rapidamente e puxou o pano
em torno de seus quadris apertados, apenas para rapidamente deixá-
lo cair quando ela percebeu o que ela estava revelando. Ainda assim,
ela tinha segurado o tempo suficiente para ele ver que havia realmente
um buraco vários centímetros abaixo do ápice de suas coxas... Que ele
presumiu que ele deveria usar para a entrada.

~ 37 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

Balançando a cabeça, ele deixou seu olhar deslizar sobre ela


novamente. A camisa tinha sido obviamente feita para uma mulher
muito maior ou alguém tinha superestimado o tamanho de Annabel.
Ele virou os olhos para o rosto dela para ver que ela estava corando
intensamente e evitando seu olhar. Ross simplesmente olhou para ela
por vários minutos, sem saber como reagir nessa situação.
Ele tinha ouvido falar da camisola nupcial. Pretendia-se
assegurar que não fosse encontrado prazer acidentalmente no leito
matrimonial. Porque, é claro, a igreja franzia a testa para qualquer tipo
de prazer, mas mais especificamente, o prazer sexual. Ross, ele
mesmo, sentia que o sexo era saudável e natural e destinado a ser
apreciado, mas ele sabia que nem todo mundo era tão esclarecido.
Parecia que sua noiva tinha sido criada de forma diferente.
Este não era um problema que ele tinha considerado encontrar e,
francamente, não tinha ideia do que fazer a respeito. Não havia
nenhuma maneira na verde terra de Deus que ele pretendesse rolar ela
sobre as costas e simplesmente empurrar-se em seu corpo
completamente despreparado. Ele não faria isso à esposa de seu pior
inimigo, muito menos à sua própria. Eles teriam que passar o resto de
suas vidas juntos.
Além disso, ele gostava dos prazeres da carne, e gostava que suas
parceiras também experimentassem prazer. Ele gostava de ouvi-las
ofegar, gemer e resfolegar. Ele gostava de fazê-las sacudir e tremer
com ele até que estivessem implorando por necessidade.
Quando Ross simplesmente continuou a fitá-la, sua noiva ficou
desconfortável e voltou para a cama ao lado dele. Ela se sentou de
costas sem puxar a roupa e as peles para cobrir a camisa, fechou os
olhos e disse estoicamente: — Estou pronta.

~ 38 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

Ross a examinou brevemente, depois balançou a cabeça e


empurrou de lado as roupas de cama e as peles que o cobriam.
Agarrando o plaid do chão, ele o envolveu frouxamente em torno de
sua cintura e segurou-o no lugar enquanto saía do quarto.

ANNABEL PISCOU E SEUS OLHOS SE ABRIRAM COM


SURPRESA ao som da porta se fechando e franziu a testa ao ver o
quarto vazio. Ross tinha ido embora. Supôs que deveria ficar
angustiada, mas estava aliviada. Annabel ouviu o farfalhar, sentiu o
deslocamento da cama e se preparou para que seu marido a montasse,
mas não tinha esperado exatamente isso.
Havia uma meia dúzia de postulantes como ela na abadia e
algumas noviças, e talvez, o não tão surpreendentemente tema do sexo
houvesse surgido de vez em quando. Enquanto esfregavam o chão de
pedra ou limpavam os estábulos, sussurravam sobre a sorte que
tinham de evitar os homens, o casamento e o leito matrimonial, pois
todas sabiam que era uma terrível experiência para aqueles que
tinham a infelicidade de aterrissar nele.
O rasgão do véu da inocência foi lhes dito ser um esforço doloroso
e sangrento. Uma menina, muito mais jovem do que seus irmãos,
estivera presente no casamento de sua irmã e alegou que até mesmo
os sons da folia da festa de casamento não tinham coberto
completamente os gritos provenientes do quarto de sua irmã durante a
consumação que tinha seguido a cerimônia de cama.
Elas estremeceram com essa notícia e concordaram que tiveram
sorte em evitar isso. Annabel nunca imaginara, naquela época, que ela

~ 39 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

estaria deitada em uma camisola nupcial, preparando-se para gritar e


sangrar.
Fazendo uma careta, ela puxou os lençóis e as peles para cobrir-
se e, em seguida, simplesmente ficou ali deitada. Annabel não tinha
ideia de onde seu marido tinha ido — provavelmente se juntar à folia
— mas sem dúvida retornaria. Talvez ele tivesse descido para
encontrar um ou dois drinques que reforçem sua coragem para o que
estava por vir, pois, certamente, se era tão desagradável para a
mulher, não poderia ser muito melhor para o homem? Isso parecia
uma conclusão lógica, mas outra das garotas havia afirmado que, se
seu pai e seus irmãos fossem exemplo, os homens amavam o ato
carnal, pois estavam sempre perseguindo as criadas e encurralando-as
para ficar debaixo de suas saias.
Annabel suspirou com aquela lembrança. A injustiça de tudo isso
era bastante deprimente. Não só os homens conseguiam desfrutar do
sexo, que de todas as contas era doloroso para a mulher, mas eles não
tinham que sofrer sangramento mensal, ou empurrar bebês enormes
para fora de seus corpos para mundo, o que não era apenas doloroso,
mas muitas vezes matava a mulher. Na verdade, parecia-lhe que as
mulheres, muitas vezes, ficavam com a pior parte da vida.
A porta abrindo atraiu seu olhar assustado e ela olhou com os
olhos arregalados quando seu marido voltou com duas taças em uma
mão e dois cântaros na outra. Sua plaid estava agora amarrada na
cintura cobrindo-o.
Annabel automaticamente começou a sair da cama para ajudá-lo,
mas um conciso — Fique! — a Fez aguardar. Ela simplesmente
sentou e olhou para o seu peito muito largo, muito nu, enquanto ele
chutava a porta atrás de si e depois levava os jarros e taças para

~ 40 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

mesinha próxima da cama ao seu lado. Ross colocou os jarros e um


copo na mesa de cabeceira e, em seguida, despejou o líquido de um
dos jarros no outro copo antes de segurá-lo.
— Beba — ordenou ele.
Annabel rompeu seu olhar de seu peito ondulado para ver que a
taça estava cheia até à borda com hidromel.
— Obrigada, mas eu não estou realmente com muita sede, meu...
— Beba — Ross repetiu com firmeza.
Ela franziu a testa, mas aceitou a taça e levantou-a para sua
boca para um gole.
— Beba, moça. Ajudará com a cama.
Annabel sentiu-se relaxar um pouco com as palavras ditas. Ele
estava tentando ser gentil, anestesiando-a com o licor antes de realizar
a ação dolorosa e sangrenta — Foi realmente muito atencioso com ela
— decidiu e engoliu o líquido o mais rápido que pôde, tomando-o em
três grandes goles. Annabel então colocou a taça sobre a mesa de
cabeceira, apenas para com os olhos arregalados ver quando ele
imediatamente despejava mais, de um dos jarros.
— Você não vai tomar um pouco? — Ela perguntou com
autoconsciência, quando aceitou a taça que ele então lhe oferecia.
— Beba! — Foi sua única resposta.
Annabel bebeu. Ela bebeu cinco taças do hidromel em sequência.
Uma após a outro, mas quando ele tentou dar-lhe uma sexto,
balançou a cabeça, perguntando-se por que o quarto parecia mover
com a ação.
— Eu realmente, provravelmente, não deveria mais. Mais
nenhuma taça. — Annabel se corrigiu, franzindo o cenho quando
notou que suas palavras estavam ligeiramente arrastadas... E

~ 41 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

provravelmente não soou muito correto. Ela tinha certeza de que ela
tinha dito provavelmente errado.
— Mais uma — Ross persuadiu, pressionando a taça na mão.
Annabel fez uma careta, mas pegou a taça e engoliu alguns goles.
Tinha feito o trabalho rápido nas duas primeiras taças, mas quanto
mais bebia, mais devagar iniciava a tarefa. Ela simplesmente não
estava com sede. Na verdade, Annabel era o oposto da sede, ela estava
além de saciada... A ponto de estar começando a ter uma necessidade
terrível de se livrar um pouco do líquido que tinha tomado. Ela estava
realmente ficando bastante desesperada para visitar a casinha, mas
também estava envergonhada de nomear essa necessidade para o
estranho meio nú em pé diante dela.
Os olhos de Annabel voltaram a deslizar pelo peito, mas ela se
forçou a afastar. Eles pareciam gostar de olhar para aquele peito e
apenas continuavam fazendo isso sem permissão. Certamente, se lhe
perguntassem, ela não teria permitido que vagassem por toda aquela
vasta e nua extensão e seguissem o cabelo espesso até onde ele
desaparecia sob a plaid em torno de sua cintura. Certamente não!
— Beba — ele insistiu.
Annabel respirou fundo e tomou outro gole. Honestamente, ela
estava começando a desejar que ele fizesse logo o negócio da cama.
Não que ela estivesse bêbada. Verdade que ela estava arrastando suas
palavras um pouco, mas não estava sentindo nada, além disso... Bem,
além da tendência da sala em querer balançar em torno deles, supôs.
Mas era um problema do quarto, não dela.
Um soluço escorregou dos seus lábios, e Annabel rapidamente
cobriu a boca, bem a tempo de sufocar uma risadinha embaraçada.
Oh, bem, ela realmente tinha que fazer xixi. Seria rude simplesmente

~ 42 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

anunciar isso? Ou deveria apenas desculpar-se e escapar do quarto?


Certamente não mencionaram nada tão grosseiro quanto as funções
corporais na abadia, mas talvez fosse permitido fora da abadia. E se
ela se desculpasse e ele perguntasse para onde estava indo?
— Esposa?
Annabel olhou ao redor da sala antes de voltar-se para ele e disse
com surpresa: — Oh. Você quer dizer eu.
Por alguma razão que parecia engraçado para ela e ela se viu
rindo novamente.
— Como você se sente? — Ele perguntou, olhando-a
atentamente.
— Como se tivesse que fazer xixi — ela respondeu, e então bateu
uma mão sobre a boca com consternação, só para tirá-la e murmurar:
— Droga, eu disse isso — O que foi seguido rapidamente por um
alarmado: — Droga! Eu disse droga — Xingamento definitivamente
não era permitido na abadia.
Por alguma razão, suas palavras pareciam divertir o homem. Ela
podia dizer pela forma como seus lindos olhos escuros se enrugaram e
sua boca terrivelmente severa virou para cima. Ele tinha olhos lindos.
— Obrigado — Ross resmungou. — Você também.
— Eu também, o quê? — Perguntou ela confusa.
— Tem lindos olhos — explicou.
— Eu não lhe disse que você tem lindos olhos. Disse? —
Perguntou com uma careta. Annabel tinha certeza de que só pensara
nisso.
Ainda sorrindo, ele balançou a cabeça ligeiramente, mas
aparentemente decidindo não se incomodar em responder, porque não

~ 43 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

o fez e simplesmente inclinando-se para puxar as peles e os lençóis


para longe dela, dizendo: — Venha, eu a acompanharei até a casinha.
— Oh não! — Ela disse imediatamente, lutando para sair da
cama. — Isso não é necessário, meu senhor. Eu sei onde é. Eu
costumava viver... Oh! — Annabel ofegou de surpresa quando se
levantou e o quarto balançou descontroladamente.
Ross imediatamente estendeu a mão para apoiá-la, e ela se
encostou contra seu peito, fechando os olhos brevemente na esperança
de que a sala se estabilizasse quando ela os abrisse novamente.
Depois de um momento, ela cautelosamente os abriu e inclinou a
cabeça para trás para olhar o homem que a segurava. Ele tinha um
rosto muito bonito. Ela não tinha visto homens suficientes para
decidir se ele era bonito em comparação com outros, e até agora seu
rosto parecia ter um toque severo na maioria das vezes. Mas cheia de
preocupação como estava no momento, era bonito, decidiu... E então
teria que saber por que ele estava crescendo de tamanho. Seus lábios
estavam quase tocando os dela antes que ela fosse capaz de perceber
que estava crescendo, porque estava se aproximando.
O primeiro toque de seus lábios nos dela foi suave como uma
pétala macia e por algum motivo a surpreendeu. Annabel supôs que
esperava que seus beijos fossem tão ásperos e agressivos como sugeria
sua aparência exterior. Quando ele aplicou mais pressão, ela sorriu
contra sua boca, embora não pudesse dizer o porquê. E quando ela
sentiu a língua escapar para correr pelos seus lábios, abriu a boca
com surpresa, com a intenção de perguntar se isso era uma parte
normal de beijar e se ela deveria fazê-lo em troca, apenas para
engasgar com espanto quando sua língua tomou vantagem do
movimento e deslizou dentro de sua boca.

~ 44 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

Sinceramente, apesar de saber que as bocas não eram feitas para


guardar duas línguas, era muito bom ter a dele na sua. A sensação da
sua língua esfregando ao longo da dela e preenchendo sua boca era
surpreendentemente emocionante e Annabel instintivamente abriu
mais a boca, suas mãos escorregando acima de seus braços para
segurar em torno de seu pescoço.
Ross respondeu pegando a parte de trás de sua cabeça com uma
grande mão, e inclinando-a ligeiramente para um ângulo melhor. Ele
então deixou deslizou as mãos para apertar suas nádegas e levantá-la
enquanto se endireitava. Annabel assumiu que assim que ele não teria
que se curvar, mas a ação fez seus corpos se esfregarem da maneira
muito interessante.
Quando sentiu que ele a pegava debaixo das coxas e lhe puxava
as pernas ao redor de seus quadris, Annabel o fez de bom grado,
inclusive ansiosamente. Mas então ele quebrou seu beijo e deixou-a
deslizar um pouco para baixo, enquanto ele se virava para a cama e
uma dureza desconhecida esfregou contra seu núcleo. A ação enviou
uma desconhecida emoção disparada através dela, o que fez Annabel
agarrar seus ombros, mesmo quando ela jogou a cabeça para trás
engasgando, procurando o ar que ela não conseguia encontrar. A
cabeça atirada provavelmente não foi uma boa ideia, já que a fez sentir
como se estivesse caindo, e Annabel abriu os olhos para encontrar o
mundo se fechando em torno deles na escuridão.

ROSS SEGUROU ANNABEL contra o peito quando percebeu que


ela estava caindo para trás, e então simplesmente olhou para baixo
com descrença para a sua cabeça descansando sobre seus braços. —

~ 45 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

Ela desmaiou — ele percebeu com consternação e franzindo o cenho


para ela, por isso. Mas depois de um momento, ele suspirou e baixou-
a sobre a cama, reconhecendo que ela não era susceptível de despertar
em breve... E que fora sua própria culpa. Foi ele quem insistira para
que bebesse, e Annabel obedientemente o fez.
Ele tinha intenção de levá-la devidamente embriagada e, em
seguida, seduzi-la para fora da sua camisola nupcial. Sua esperança
era que com bastante bebida, ele teria sido capaz de fazê-la esquecer
das regras da igreja e relaxar o suficiente para desfrutar da cama. E
seu plano tinha quase funcionado. Certamente ela parecia ter
desfrutado seu beijo com desinibido prazer, e ele suspeitava de que
teria desfrutado muito mais se tivesse permanecido consciente.
Infelizmente, parecia que ele tinha exagerado a quantidade de licor
com a qual ela poderia lidar. Em sua própria defesa, ela parecia estar
se aguentando muito bem... Até que desmaiou.
Ross inclinou-se e rapidamente tirou-lhe a camisola. Ainda
segurando-a com uma mão, ele usou a outra para lançar o artigo
ofensivo pelo quarto, assegurando-se de que queimaria a maldita coisa
antes do amanhecer. Então se virou para a noiva e fez uma pausa
quando notou as marcas em suas costas. Ross as reconheceu como
marcas de chicote e isso o fez endurecer de raiva ao pensar que
alguém a tocara com violência. Ele não se importara muito com seus
pais. Seu comportamento fora frio e indiferente em relação à filha. Ele
não tinha visto um único sinal de afeição, mas isso empurrou seus
sentimentos de indiferença para a aversão ativa.
Com a boca apertada, Ross encostou suavemente a Annabel na
cama, tomando o cuidado de deixá-la de lado, de modo que seus
próprios roncos não a assustassem. Então puxou os lençóis e peles

~ 46 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

sobre ela. Endireitando-se, ele então olhou para ela por um momento,
sua expressão de lábios apertados aliviando-se e se contorcendo com
diversão quando ela começou a roncar levemente. Ela era tão
malditamente atraente.
Balançando a cabeça, Ross olhou ao redor para ver onde seu
sgian dubh 2 tinha aterrissado quando a cerimônia da cama o tinha
despojado dele. Incapaz de encontrá-lo, ele se contentou com sua
espada em vez disso e se moveu ao redor da cama para agarrá-la.
Sentado no lado da cama, Ross puxou as roupas de cama e as peles
para fora do caminho, depois cortou a palma levemente e esfregou o
sangue que escorria para o lençol de baixo ao lado de seu quadril.
Salvaria as explicações pela manhã quando os seus pais e o padre
viessem coletar os lençóis como prova de que o casamento havia sido
consumado. Além disso, o casamento teria sido consumado se ela não
estivesse desmaiada, e ele não a veria humilhada por suas ações ao
derramar muito hidromel em sua garganta.
Depois de colocar sua espada de volta no chão, Ross tirou a plaid
que tinha amarrado em sua cintura e deixou cair. Ele então viu a
camisola nupcial onde ele a jogara antes e rapidamente a recuperou e
atirou no fogo antes de voltar para a cama para acomodar-se ao lado
de sua noiva.
Ross fechou os olhos e tentou dormir, mas o sono não vinha e
depois de um momento ele os abriu de novo e virou a cabeça para
olhar para Annabel. Ele a colocara de lado, virada para ele, e sua boca
agora estava aberta, um pequeno fio de baba escorregando dele. Por
alguma razão, a visão fez um choque de calor atravessar o seu peito e
lhe trouxe um sorriso aos lábios. Ela era tão malditamente adorável.

2 Sgian-dubh = pequena faca do tipo canivete que fica presa no kilt ou oculto na bota.

~ 47 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

O pensamento o fez sorrir ironicamente. Ele estivera pronto para


mandar seus homens para os cavalos e sairem dali, ao invés de casar
com a moça que era a segunda filha do Withram, e então ele a vira e
algo nela o fez mudar de ideia imediatamente. Mas ele realmente não
podia dizer o que era esse algo. Ela era bonita o suficiente, Ross
supôs, mas ele já tinha visto outras mais. E não lhe tinha dito mais do
que algumas palavras durante toda a noite, então não era como se ela
tivesse um brilho de inteligência e charme, pelo menos não que ele
soubesse. Talvez tivesse sido o medo e a ansiedade em seus olhos. Sua
expressão tinha sido calma e até agradável, mas seus olhos estavam
inundados de incerteza e terror. Ele imediatamente tinha querido
tranquilizá-la, acalmá-la e protegê-la.
— Seguir seus instintos nesta matéria pode ter sido um erro —
Reconheceu Ross. Afinal, ele não conhecia a mulher. Mas seus
instintos nunca o haviam decepcionado antes e ele estava contente em
confiar neles agora. No entanto, ele também estava determinado a
levá-la para longe de Waverly como a primeira coisa do dia seguinte.
Ele não gostava de Lord e Lady Waverly. Ele não gostou do modo
astuto que tinham passado sua segunda filha como sua primeira sem
ao menos mencionar o assunto para ele. Nem tinha ficado satisfeito
com seu óbvio alívio, uma vez terminada a cerimônia e eles pensaram
que tinham escapado com a troca. Mas ainda mais, não gostara de
como trataram Annabel.
Seus pais lhe falaram com uma falta de preocupação ou cuidado.
Eles a haviam tratado com a polida indiferença de estranhos durante a
festa de casamento. A mãe mandou-a embora sozinha com os servos
quando chegou a hora de vê-la no quarto, despojada e posta na cama.
Na verdade, a mulher não tinha comparecido, mas sentara-se à mesa

~ 48 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

bebendo, enquanto os homens, liderados por Lord Waverly, haviam


levado Ross para cima para se juntar à noiva. Era como se, uma vez
casada, a mulher tivesse lavado suas mãos, em relação a menina. No
entanto, o vergão em suas costas tinha sido a palha final.
— Aye, eles partiriam para MacKay amanhã pela manhã — Ross
determinou. Ele a levaria para casa, onde poderiam consumar seu
casamento na cama onde um dia ela daria à luz aos seus filhos. A vida
de Annabel aqui estava terminada. Ela era sua agora. Só desejava
reivindicá-la como tal, fisicamente.
Os olhos de Ross deslizaram sobre seus ombros nus, onde
começaram a aparecer sob as peles. Eles eram redondos e brancos
cremosos. Como era o resto dela, ele se lembrou de sua visão anterior
dela. Seios brancos, macios e redondos, com mamilos cor-de-rosa
escuros. Quadris brancos macios e redondos...
— Esta era a sua noite de núpcias — lembrou Ross, lambendo os
lábios. Quando ele deveria estar consumando seu casamento... E
realmente, poderia ser uma bondade obter o rompimento de sua
inocência enquanto ela estava muito embriagada para sofrer com isso.
Isso iria abrir caminho para ela sentir nada além de prazer na
primeira vez juntos, quando estivesse consciente.
Percebendo onde seus pensamentos o estavam conduzindo, Ross
virou a cabeça para olhar para o teto, em vez da tentação deitada ao
lado dele. — Maldição, ele não podia acreditar que ele estava pensando
em montar a mulher enquanto ela estava inconsciente. — Mas tudo o
que ele tinha pensado desde que ela desceu as escadas naquela tarde,
foi que em questão de horas ele seria capaz de afundar seu membro
rígido em seu corpo quente e macio e...

~ 49 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

Sentando-se abruptamente, Ross quase se atirou da cama.


Agarrando a plaid enquanto atravessava o quarto, caminhou até a
porta, mas parou. Ele não podia ir lá para baixo. Era suposto que
estivesse ali fazendo exatamente o que ele queria fazer.
Fazendo uma careta, ele se virou com relutância da porta e olhou
para a cama, e então seu olhar fixou no jarro de hidromel na mesa de
cabeceira. Preferia ale3 ou o scotch4 à bebida doce, mas o melado de
hidromel funcionaria. E ele sempre poderia ir lá embaixo e buscar
alguma cerveja se ele terminasse o hidromel e ainda estivesse com
sede. A essa altura, o tempo suficiente teria passado e eles
assumiriam que ele tinha deitado com sua noiva e estava apenas
dando-lhe um descanso antes de procurá-la novamente, se ele
trouxesse a cerveja de volta com ele.
Assentindo com a cabeça, caminhou em volta da cama para
recolher o jarro e o segundo cálice. Enquanto os carregava para uma
das cadeiras junto ao fogo, Ross não podia deixar de pensar que não
era assim que ele esperara passar a noite de núpcias.

3Ale = tipo de cerveja produzida a partir da cevada maltada.


4Scotch = bebida também produzida originalmente de cevada maltada. Hoje também produzida a
partir do trigo ou centeio.

~ 50 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

Capítulo 3

Um forte martelamento despertou Ross do sono. Rolando a


cabeça em direção à porta, ele gemeu com a dor que a ação enviou
disparando através de seu pobre cérebro maltratado, e olhou para o
painel de madeira através com olhos turvos. A segunda batida foi
seguida por um suspiro sonolento e sussurrado no seu outro lado,
então ele rolou a cabeça para ver como sua pobre esposa se saia
naquela manhã. Ele não tinha dúvida de que sua cabeça estaria tão
dolorida quanto a dele, se não pior, então ficou surpreso quando ela se
soergueu na cama e espreitou em volta com olhos claros.
— Oh! Eles querem os lençóis! — Ela exclamou e olhou para ele
com alarme.
— Podem tê-los — grunhiu, forçando-se a erguer-se e atirar a
roupa de cima e as peles para revelar a mancha de sangue entre eles
no lençol de baixo.
— Oh. — Annabel olhou fixamente para a mancha seca com os
olhos arregalados, olhou de volta para o seu colo, depois para ele e
parou brevemente, os olhos se arregalando ainda mais se isso fosse
possível ao ver sua nudez. — Oh — Ela repetiu fracamente, então
arrastou seus olhos para longe de sua ereção matinal, sacudiu a
cabeça e jogou o pedaço de lençol e peles que ainda cobriam seu lado
saltando da cama.

~ 51 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

— Bem, isso é bom — ela disse de bom grado, parecendo


repentinamente acordada e alegre como o inferno, enquanto pulava
para fora da cama. Começou a se remexer em uma camisola,
tagarelando o tempo inteiro — Meu Deus, eu nem sequer senti o
rompimento, ou pelo menos se eu fiz, eu não me lembro. E eu não
pareço sofrer nenhuma dor ou efeitos nocivos — Terminada com a
camisa, Annabel lançou-lhe um sorriso satisfeito e inclinou-se para
agarrar acima seu vestido do dia antes, acrescentando — Foi muito
gentil em poupar-me dessa maneira, meu Lord. Eu sou uma mulher
muito afortunada para ter um marido tão atencioso quanto você.
Ross observou-a arrastar o vestido sobre a cabeça com uma
expressão de perplexidade. Ela pensou que eles realmente... Que ele...
E ela era malditamente agradecida a ele! Ele poderia ter... — Maldição!
Pensou, com consternação. Ele tinha sido o cavalheiro e embebedara-
se até obter uma cabeça dolorida para evitar tocá-la, e tudo por nada.
Inferno!
Outra batida soou, fazendo Ross retorcer o rosto — Será que eles
tinham que soar tão sangrentamente alto? Ele se perguntou com
desgosto e se levantou quando sua noiva correu ao redor da cama.
Amarrando suas vestes enquanto caminhava. Annabel gritou um feliz:
— Indo! Enquanto se encaminhava e Ross estremeceu quando o som
alegre atingiu suas orelhas e trepassando seu cérebro. Ela obviamente
não estava sofrendo quaisquer efeitos negativos da bebida também, ele
percebeu com desgosto. Enquanto sua cabeça estava martelando
ferozmente, ela tagarelava como inferno. A vida era tão injusta às
vezes. Embora Ross, para ser justo, a tivesse instado à bebida e
presumivelmente ela não deveria ter que sofrer com uma cabeça
dolorida. Ainda assim...

~ 52 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

Seus pensamentos morreram quando sua esposa abriu a porta,


sorrindo para as pessoas no saguão e começou a levá-las para dentro,
apenas para congelar quando viu que ele estava simplesmente de pé
ali nu. Emrubescendo, ela virou abruptamente para trás, bloqueando
a entrada. — Um momento, por favor. Meu marido ainda não...
— Está tudo bem — rosnou Ross, sufocando um gemido
enquanto se inclinava para deslizar a camisa de linho e o plaid. Ele
não se importava se todo mundo o visse nu, mas sua esposa
obviamente o fazia, então ele deixou a camisa por agora e
simplesmente envolveu a plaid em torno de sua cintura e então lhe
deu um aceno de cabeça.
Sorrindo incerta, Annabel se afastou para deixar o padre levar
Lord e Lady Waverly para o quarto. O trio inspecionou o lençol com
assentimentos silenciosos, e então, quando Lady Waverly começou a
tirá-lo da cama, Lord Waverly virou-se para Ross com um sorriso
forçado e disse: — Isso é bom, bom. Está tudo feito e cumprido então.
Quando você planeja ir embora?
Ross ficou rígido. Embora ele já tivesse decidido ir embora a
primeira luz desta manhã, o homem estava tornando tão óbvio que ele
gostaria de vê-los pelas costas que era um pouco insultante — Para
ambos! — pensou sombriamente e se perguntou que tipo de vida sua
pobre esposa teria suportado como filha de dois indivíduos
indiferentes. Ele mesmo tinha sido dotado de pais amorosos e
atenciosos que nunca o fizeram se sentir indesejável ou sem
importância. Parecia óbvio que Annabel não tinha vivido o mesmo.
Ele faria isso por ela. Ela nunca se sentiria indesejada ou
desprezada de novo, determinou, e anunciou sucintamente: — Agora.
— Agora? Annabel se virou para ele com surpresa.

~ 53 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

— Aye. — Ross pegou a sua plaid jogada no chão, rapidamente


vestindo a camisa e depois ajoelhando-se para dobrar os plissados em
seu tartan enquanto acrescentava: — Então, reuna o que puder nos
poucos minutos que você tiver antes de eu terminar de me vestir e nós
estaremos em nosso caminho.
— Mas... — Annabel começou com desalento, apenas para ficar
em silêncio enquanto sua mãe falou mais alto.
— Está bem, Annabel. Venha.
— Mas... — Annabel começou de novo. Ross não a ouviu mais e
olhou para cima para ver que mãe a tinha arrastado da sala e estava
puxando-a para fora da sua vista pelo corredor.
— Bem, disse Lord Waverly, bruscamente, batendo palmas e se
aproximando da porta, seguido pelo padre. — Tudo funcionou muito
bem então. Vocês dois cumpriram o contrato e tudo está correto. Acho
que vou providenciar o hasteamento do lençol para que todos possam
ver que está concluído.
Ross simplesmente voltou para o que fazia sem nada comentar.
Ele não gostava do homem astucioso e não se importava muito com o
que faria. Ele estava agora totalmente concentrado em pegar a si
mesmo, seus homens e sua nova noiva dar o fora dali.

— NUNCA CONTESTE as ordens de seu marido. Você deve ser


respeitadora e obediente em todos os momentos.
Annabel mordeu o lábio diante das palavras afiadas de sua mãe
enquanto era arrastada para longe do quarto onde ela e Ross haviam
dormido. Mas, depois de um momento, ela simplesmente não pôde
evitar de dizer: — Aye, mas certamente não podemos ir embora

~ 54 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

imediatamente? É uma longa viagem para a Escócia. Certamente há


muito o que fazer para se preparar para isso?
— O que há para fazer, Annabel? — perguntou a mãe
severamente.
— Bem... Bagagem? – ela sugeriu, incerta. Nunca tendo viajado
antes da viagem para a abadia e, em seguida, a viagem de carruagem
de volta, Annabel não tinha ideia do que era necessário para preparar
uma viagem como esta, mas certamente bagagem era...
— Você não tem nada para embalar — Lady Waverly disse em
tom pesado — Então é bom que ele não esteja dando tempo para fazer
as malas. Você pode culpá-lo pelas suas necessidades pela pressa dele
em sair.
Annabel franziu o cenho — Bem, certamente Kate não levou
todos os seus vestidos com ela? Talvez eu pudesse...
— Seu pai estava tão furioso com ela que queimou todos os
vestidos de sua irmã quando a renegou — Sua mãe interrompeu, e
depois acrescentou: — E nem sequer sugira que eu lhe dê alguns dos
meus. Você é muito grande para usá-los.
Annabel olhou para ela sem entender. Ela sempre foi maior em
comparação com as outras mulheres na abadia. A abadessa era
bastante firme ao afirmar que os prazeres da carne deviam ser
evitados e comida era um dos pecados pelo que entendia e, claro,
tinha razão, a gula era um pecado. A maioria das mulheres na abadia
comia pouco mais que o suficiente para manter um pássaro vivo, para
agradar a abadessa, mas Annabel não tinha sido capaz de fazer isso.
Trabalhar nos estábulos requeria energia e ela precisava comer para
fazer o trabalho corretamente. Tinha sido uma questão de conflito
entre ela e a abadessa e ela fora punida, por isso, repetidamente. No

~ 55 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

entanto, sua mãe não era uma mulher magra e pálida como as freiras
com quem Annabel crescera. Observando bem, ela era realmente
maior do que Annabel, mas não apontou isso. Parecia óbvio que sua
mãe não queria desistir nem mesmo de um de seus vestidos, então ela
iria sem.
O que significava que ela não tinha nada. A Annabel não tinha
sequer sido permitido embalar as poucas coisas de seu quarto na
abadia antes de sair de lá. Não que tivesse tido muito. Uma flor seca e
pressionada do dia em que ela e as outras meninas tinham sido
enviadas para encontrar juncos e tinham rido e conversado mais do
que trabalhado. Esse tinha sido um bom dia e ela tinha arrancado à
flor e pressionado entre o chão de pedra do seu quarto e uma grande
rocha até que secou para que ela pudesse preservá-la. Fora isso, tudo
o que possuía era um vestido bem desgastado, uma escova velha e um
retalho de tecido que sobrara do vestido que ela usara para encontrar
sua mãe... Esse pensamento fez crescer esperança nela que disse: —
Eu tenho o vestido que eu vim.
— Eu o queimei — disse Lady Waverly imediatamente. Quando
Annabel olhou para ela com consternação, ela apontou com
impaciência: — Você mal poderia levá-lo com você. Foi feito do pano
mais barato e, obviamente, uma roupa de noviça. Seu marido não sabe
que você estava em um convento. Ela hesitou e então acrescentou: —
Não seja tola o suficiente em lhe dizer. Ele se sentirá enganado por não
ter uma noiva devidamente treinada, e enquanto não há nada que ele
possa fazer contra nós a respeito disso, agora que o casamento foi de
fato consumado, ele poderia espancá-la com seus próprios punhos.
Annabel engoliu diante dessas palavras, surpreendida pela
preocupação que se manifestou brevemente no rosto de sua mãe antes

~ 56 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

de escondê-la. Eram como estranhas desde que sua mãe chegara à


abadia. Este fora o primeiro sinal de qualquer coisa que se
aproximasse de preocupação materna. Annabel não conseguia
contemplar muito disso, já que estava mais preocupada com o que sua
mãe tinha dito. Nunca lhe ocorrera que seu marido ficaria zangado
com sua educação, mas supunha que deveria. Annabel estava mais do
que consciente de que não estava preparada para dirigir sua casa ou
ser esposa. Ele não estava. Ainda. Ele iria compreender em breve, no
entanto... E poderia muito bem ficar com raiva como sua mãe sugeriu.
Nenhum homem queria uma esposa que não soubesse nada sobre
dirigir uma casa.
— Ensina-me — pediu desesperada.
Lady Waverly olhou-a sem expressão por um momento e
perguntou perplexa: — Ensinar-lhe o quê?
— Ensina-me a ser uma esposa apropriada para Ross, a dirigir a
sua casa e a governar ao seu povo e...
— Annabel — interrompeu a mãe com desgosto. — Eu não posso
te ensinar tudo o que você precisa saber no curto espaço de tempo que
temos antes de sair.
— Não, é claro que você não pode. — Annabel concordou infeliz,
seus olhos buscando o chão do corredor, enquanto ela pensava em seu
futuro. Ela olhou para cima, no entanto, quando sua mãe bateu em
seu ombro.
—Você terá que fazer o seu melhor e esperar que seja o suficiente
— murmurou Lady Waverly, e depois se virou para olhar o salão com
evidente alívio quando Ross saiu do quarto onde eles dormiram e
espiou ao redor. — Ah, você está aqui. Hora de ir, eu suponho. Venha
Annabel, não deixe seu marido esperando.

~ 57 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

Com nada mais para fazer, Annabel simplesmente balançou a


cabeça e seguiu sua mãe para seu novo marido. Ela não tinha ideia de
por que ela estava tão desesperada para adiar sua partida. Embora
seu marido fosse um estranho, assim eram os seus pais, e
francamente, ele demonstrara mais bondade nas últimas vinte e
quatro horas, desde que deixara a abadia, do que seus pais o tinham.
O pensamento deveria ser encorajador, então ela não tinha ideia de
por que isso a deprimia tanto.

— VEJA! NÃO É bonito? Esse é qual?


— Uma Estrelinha de poupa 5 — Ross respondeu apenas se
abstendo de agarrar o braço de Annabel para impedir que ela caísse de
sua sela enquanto vacilava seguindo o caminho do pássaro voador. A
mulher estava se contorcendo, apontando para quase tudo pelo que
passavam, e perguntando o que era desde que deixaram Waverly
naquela manhã... E, apesar de suas preocupações, ela não tinha caído
uma única vez para fora de sua sela. Embora, ele não soubesse como
se manteve em seu assento. Honestamente, sua nova noiva era o
cavaleiro mais atroz que ele já tinha visto. Ao invés de andar com o
animal, ela saltava sobre as costas de sua montaria como um saco de
nabos. Se ele não soubesse que ela era uma dama e, portanto, devia
ter montado antes, Ross teria jurado que nunca tinha estado em um
cavalo em sua vida. Tinha-o forçado a estabelecer um ritmo muito
mais tranquilo na viagem para casa do que ele planejara, por medo de

5Estrelinha-de-poupa = é uma ave passeriforme da família Regulida com larga distribuição euro-
asiática e macaronésica

~ 58 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

que ela pudesse saltar da égua que ele levara para Waverly com ele,
como seu presente de casamento.
Ross sorriu. Enquanto ele estava aborrecido com o ritmo que
tinham de manter, ele teve que admitir que sua resposta ao presente
lhe tinha agradado poderosamente. Quando ele a levou para fora da
fortaleza, Gilly tinha levado o cavalo até eles e Ross tinha anunciado
que a égua era seu presente de casamento.
Annabel ofegou de surpresa e então se atirou contra ele,
abraçando-o com força, enquanto gritava: — Obrigada, obrigada,
obrigada. — Antes que ele pudesse se dobrar o suficiente para fechar
os braços em torno dela, ela se afastou apressada, murmurarando e
arrulhando para a égua. Ross a observara com um pequeno sorriso até
que ele notou as expressões nos rostos de seus pais. Eles obviamente
haviam ficado assustados tanto quanto desaprovaram que Annabel
fizesse tanto barulho com o presente, e ele não tinha apreciado sua
reação.
Com a boca apertada, Ross se aproximou, pegou sua noiva pela
cintura e levantou-a para a sela lateral que também tinha levado para
ela. Então montou seu próprio cavalo e liderou o caminho para fora da
muralha, ciente, sem precisar olhar para trás, que os seus homens
iriam assegurar que Annabel seguisse diretamente atrás dele,
enquanto eles a cercariam e apoiariam com suas próprias montarias.
Pelo menos foi assim que começou, mas suas perguntas tinham
começado quase no momento em que tinham passado, cruzando o
pátio. Enquanto os homens tinham respondido às suas perguntas no
início, Ross sentiu crescer um pouco de inveja de toda a conversa e
risos que Annabel estava compartilhando com seus homens. Ele
finalmente moveu-se para trás para andar ao lado dela, deixando Gilly

~ 59 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

assumir a liderança. E ele se manteve em um estado de alta ansiedade


desde então.
— Ooooh, olhe para aquele! O que é?
Ross olhou para sua noiva e seguiu seu dedo apontando para o
pássaro azul e amarelo que tinha captado seu olho. — Um Chapim-
azul.
— É lindo — disse ela com um suspiro, balançando sobre o
cavalo.
Ross franziu o cenho. Ela tinha estado balançando sobre a
montaria durante todo o dia sem queixa, mas devia estar dolorida.
Eles haviam comido na sela em vez de parar no meio-dia, e agora o sol
estava afundando no céu. A mulher nem sequer tinha pedido para
parar para que pudesse se aliviar. Falando nisso, ele teve uma nítida
necessidade de fazê-lo agora mesmo que pensou sobre isso. — Eles
podiam muito bem parar para a noite, ele decidiu, e assobiou para
chamar a atenção de Gilly.
O homem imediatamente diminuiu a velocidade e trouxe o seu
cavalo para o lado da trilha, para que Ross pudesse montar ao lado
dele, então caiu em um trote lento ao lado dele. Momentos depois eles
estavam parando seus cavalos em uma clareira ao longo de um
pequeno riacho. Era um lugar bonito, e Ross pensou em escapar para
o bosque para consumar seu casamento, mas apenas por um
momento. A primeira vez de Annabel não deveria ser na floresta, onde
alguém poderia vir sobre eles. Além disso, o modo como ela andava,
ele não tinha dúvida de que ela ficaria dolorida como o diabo e não
exatamente no humor. Sobre isso, ele não iria querer adicionar a ela
essa dor, então ele dispensou o pensamento e se resignou a outra
noite sem ela. Mas ele não pôde deixar de fazer uma careta sobre a

~ 60 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

necessidade enquanto desmontava e se aproximava para tirar Annabel


da égua.
— Oh! Ela ofegou com surpresa enquanto suas pernas dobravam
debaixo dela. Ela teria caído se ele a tivesse liberado quando ele a pôs
no chão, mas Ross esperava isso e a sustentou. Depois de um
momento, ela sorriu para ele com desgosto. — Desculpe meu Lord.
Receio que nunca tenha montado por tanto tempo.
— Você nunca viajou com seus pais para a corte ou para visitar
outros? Ele perguntou surpreso.
Annabel sacudiu a cabeça, e então pareceu desconfortável e
abaixou a cabeça. — Nay. A viagem mais longa que fiz foi pouco mais
do que uma viagem de meio dia e estava em uma carruagem.
— Mas você já montou antes? — Ele perguntou, inclinando um
pouco para o lado em um esforço para ver seu rosto.
— Claro! — ela assegurou, olhando para cima novamente.
Annabel parecia querer acrescentar algo mais, mas então apenas
sorriu e perguntou: — Nós estamos parando para a noite?
— Aye.
Annabel tinha parado de se inclinar sobre ele e parecia ter se
recuperado, então Ross soltou-a. Ele permaneceu pronto para agarrá-
la novamente, se necessário, mas não foi. Ela era capaz de ficar
sozinha agora. Ela se recuperou rapidamente, Ross reconheceu e isso,
junto com sua falta de queixa, o tinha impressionado hoje. Sua noiva
não era nenhuma senhorita inglesa fraca, ele pensou com satisfação, e
tomou seu braço para guiá-la para a borda da clareira. — Você
provavelmente deseja refrescar-se.

~ 61 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

— Aye, ela murmurou e ele olhou para ela bruscamente. Seu tom
era incerto, mesmo ansioso e ele não tinha certeza do que era, por isso
deixou passar.
Ross levou-a para um lugar a uma boa distância dos homens e
em torno de uma curva e depois a soltou, dizendo que iria esperar
apenas do outro lado da curva. O alívio em seu rosto explicou sua
ansiedade anterior. Ele suspeitava que ela tivesse se perguntado, como
dizer que precisava de um momento sozinha para se aliviar. Ela ainda
era tímida junto a ele, é claro e, sem dúvida, seria até que eles
realmente consumassem o casamento.
Ross empurrou rapidamente esse pensamento para fora de sua
mente. Não era inteligente começar a pensar em tocá-la e beijá-la e
afundar-se em suas profundidades quentes. Essa era uma tentação
que ele já havia decidido evitar até chegarem a MacKay, mas maldição,
se apenas segurá-la bem ao lado de seu cavalo já tinha agitado sua
masculinidade.
Balançando a cabeça, em seu próprio corpo, Ross fez uma pausa
ao lado de um arbusto, ergueu sua plaid, segurou o membro ainda
meio ereto e soltou um pequeno suspiro enquanto regava a vegetação.
Às vezes, era apenas tão malditamente bom esvaziar a cobra, ele
pensou e depois interrompeu ao meio e começou a correr ao ouvir um
grito repentino de Annabel.
Ele não tinha se movido para muito longe, apenas o suficiente
para lhe dar privacidade, de modo que só levou uma dúzia de passos
para chegar ao seu lado. Quando o fez, ele a encontrou olhando com
os olhos arregalados nos arbustos opostos à direção de onde viera.
— O que foi? — ele perguntou de imediato, embora sua mente
estivesse ainda se perguntando se ele não tinha apenas urinado em

~ 62 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

todo o seu plaid e quando ele iria terminar o que tinha começado.
Merda, ela o tinha assustado e ele tinha deixado cair seu plaid e
corrido tão rápido...
— Havia alguém naqueles arbustos. — Annabel sussurrou,
apontando um dedo trêmulo.
Ross franziu o cenho quando viu que a vegetação ainda tremia.
Isso foi suficiente para desviar a sua mente da questão sobre as
atividades de seu membro inferior. Tirando a espada da bainha em
sua cintura, avançou imediatamente, ordenando: — Espere aqui.
Ross seguiu a trilha muito óbvia por uns bons vinte passos antes
de fazer uma pausa. Ele não queria ir mais longe enquanto Annabel
ficava sozinha atrás dele. Se quem ela tinha visto circundasse
voltando, ela estaria indefesa. Esse pensamento foi suficiente para que
ele voltasse rapidamente por onde viera.
Muito para seu alívio, Annabel ainda estava esperando onde ele a
deixara. Ela parecia incólume, mas ansiosa, e ele não podia deixar de
notar que, se ela estava resoluta sobre não reclamar e assim por
diante, ela parecia muito nervosa a maior parte do tempo. Por outro
lado, Ross supôs que a possibilidade de ter sua virgindade violada e
alguém subindo em você enquanto você estava se aliviando eram
motivos dignos de ansiedade.
Tomando seu braço, ele começou a escoltá-la de volta pelo
caminho em que tinham vindo, mas ela cravou seus pés no solo.
— Oh, mas eu ainda tenho que... — Ela se cortou e corou.
— Aye. Você irá. Eu só quero buscar os homens — ele assegurou,
tentando fazê-la se mexer novamente.
— Os homens? — gritou Annabel com consternação, cravando os
calcanhares.

~ 63 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

— Aye. Poderemos ficar ao seu redor e ter a certeza de que


ninguém mais assustará você de novo. — explicou Ross. Parecia
perfeitamente razoável para ele. Mas a julgar pelo horror que cobriu
seu rosto com a sugestão, ela não concordava.
— Meu Lord, certamente você não espera que eu o faça... Com
homens em pé ao meu redor? — Ela perguntou como se ele tivesse
sugerido que ela fizesse isso na praça da aldeia para que todos
pudessem ver... E nua.
— Bem, eles não serão capazes de ver nada — ele assegurou com
diversão. Amaldiçoado-se se ele deixasse seus homens olharem para
seu pequeno e bonito traseiro enquanto ela se ajoelhava nos arbustos.
— Eles estarão do outro lado dos arbustos, mas irão impedir qualquer
outra pessoa de se aproximar.
Annabel balançava a cabeça antes de ele terminar de falar — Eu
não posso... Não enquanto eu sei que seus homens estarão todos em
pé ao redor me ouvindo... Eu simplesmente não posso — Ela disse
impotente.
— É mijo, moça. — Ele disse ajudando-a desde que ela parecia
ser incapaz de expressar a palavra. — É uma necessidade, mijar. Você
pode dizer a palavra. Eu não vou pensar menos de você por isso.
Annabel abriu a boca, fechou-a e depois simplesmente sacudiu a
cabeça novamente.
Ross suspirou. Se ela não conseguia nem dizer a maldita palavra,
não havia como fazê-lo com os guardas em pé, há alguns passos de
distância. Ele olhou ao redor, considerando o que fazer, então assentiu
com a cabeça. — Certo. Então venha aqui.
— Aonde vamos...? Sua pergunta morreu quando ele a levou a
um arbusto na beira do córrego e fez uma pausa.

~ 64 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

— Faça aqui — disse ele soltando seu braço e movendo-se três ou


quatro passos para virar as costas para ela. — E eu vou ficar de
guarda aqui. Dessa forma sua frente e a parte de trás estarão seguras
e poderemos manter um olho nos lados.
Ross esperou por qualquer concordância ou pelo roçar dela
ajustando suas roupas, mas nada soou. Resistindo ao desejo de olhar
para trás e ver o que ela estava fazendo, ele perguntou: — Você não
está mijando, está?
— Humm... Nay, ainda não. — Murmurou, depois parou,
limpando a garganta e perguntando: — Você acha que poderia
assoviar meu Lord?
— Assoviar? — Ele olhou ao redor então. Ela estava de pé onde
ele a tinha deixado, parecendo desconfortável, mas ainda em pé, não
agachada em suas ancas com a saia erguidas em torno de sua cintura.
Annabel fez uma careta de desculpa. — Ajudaria se o fizesse.
Suspirando, Ross balançou a cabeça, mas se afastou e começou
a assobiar. Ele estava desejando, porém, que ela simplesmente se
apressasse e fizesse. Ele ainda tinha algum mijo próprio para fazer.
Então, ele ficou mais que um pouco aliviado quando ela limpou a
garganta um momento depois e murmurou: — Podemos voltar para a
clareira.
Ross a levou de volta para onde os homens tinham arrumado o
acampamento e trocou uma palavra com Gilly e Marach, contando a
ambos o que havia acontecido. Ele então ordenou que ficassem de olho
em Annabel, e ordenou que os outros homens procurassem na área
para ter certeza que quem tinha se aproximado de sua esposa tivesse
partido.

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Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

Ross suspeitava que tivesse sido outro viajante a pé ou


acampando perto, procurando seu próprio lugar para cuidar de
assuntos privados, mas nem ele nem nenhum de seus homens
encontraram ninguém. Encontrou novamente a trilha que tinha estado
seguindo mais cedo, mas continuava somente por outros dez passos
antes de desaparecer na borda da água. Não havia sinal de que um
barco tivesse encalhado ali. Ele duvidava, no entanto, que o córrego
fosse mesmo profundo o suficiente para um barco. Então ou eles
tinham atravessado o córrego, ou eles tinham andado por ele por um
tempo antes de voltar a sair. Isso não mudou sua ideia sobre tudo ter
sido apenas um encontro acidental. Todavia eles estavam na
Inglaterra. Que inglês não usaria o córrego para cobrir sua trilha,
enquanto um escocês irritado o perseguia pronto para abordá-lo por
ter caído sobre sua esposa assim?
Satisfeito que tudo estivesse bem, Ross cancelou a busca e
deixou os homens caçarem o jantar enquanto ele voltava para o
acampamento e sua noiva.

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Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

Capítulo 4

Annabel rolou sobre suas costas e abriu os olhos com um


pequeno suspiro feliz e sonolento, depois piscou surpresa quando se
viu olhando para um teto em vez de ar livre. Sentando-se
abruptamente, ela olhou em volta, os olhos arregalados enquanto
observava o quarto em que estava. Era um dormitório grande com
uma mesa e cadeiras no canto direito, duas cadeiras e uma mesa
pequena diante de um fogo, diretamente em frente a ela e um suporte
para um lavatório entre duas janelas à esquerda dela... E então, claro
que havia, a cama em que estava. A maior cama que já tinha visto, e
tão macia e confortável. Ela a sentia como se fosse recheada com
penas em vez de palha. Era pelo menos cinco vezes maior do que o
duro e estreito catre em que havia dormido durante os últimos
quatorze anos na abadia, e quase o dobro do tamanho da cama que
ela e Ross tinham dormido em Waverly. Era também definitivamente
mais confortável do que aquela cama tinha sido. Annabel tinha certeza
de que nem mesmo o rei poderia ter uma cama mais agradável quando
se tratava de conforto.
O problema era que não tinha ideia de quem era a cama, ou onde
ela estava. A última coisa que Annabel lembrava fora montar sua égua
no terceiro dia da viagem interminável para seu novo lar. Eles haviam
parado nos dois primeiros dias assim que o sol começara a se pôr, mas

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Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

na terceira noite continuaram passando muito o pôr do sol. Annabel


havia se questionado sobre isso, pensando que talvez estivessem perto
de MacKay, mas não perguntou e simplesmente continuou em frente.
Annabel supôs que tivesse adormecido na sela e ficou surpresa
de que não tivesse caído do cavalo. Realmente, aquela idiota sela
feminina era uma invenção atroz. Pessoas não eram destinadas a
andar com as pernas para o lado, ela tinha certeza, e enquanto nunca
tinha montado em uma sela, estava certa que deveria ser muito mais
confortável. Certamente, tinha que ser mais fácil dirigir o cavalo com
um aperto das pernas em vez de contar inteiramente com as rédeas.
A abertura da porta do dormitório tirou Annabel de seus
pensamentos e ela se esticou, olhando para lá e relaxando um pouco
quando uma mulher mais velha enfiou a cabeça pelo vão. A estranha
então sorriu quando viu Annabel sentada na cama.
— Ah bom! Você está acordada, sim está. Ela escancarou a porta
e então entrou, liderando uma multidão de criados carregando vários
itens.
Annabel puxou as peles até o queixo e olhou com os olhos
arregalados enquanto uma cuba era levada por dois homens e
colocada no grande espaço que ficava no canto esquerdo da sala.
Seguiram-se quatro homens, cada um com um balde de água em cada
mão; Alguns desses baldes estavam fumegando, outros não. Os
homens foram seguidos por mulheres com sabonetes, toalhas e uma
bandeja com comida. Os últimos a entrar no quarto foram mais dois
homens carregando um baú entre eles.
O quarto ficou bastante lotado por um momento, mas
rapidamente esvaziou quando cada pessoa baixou seu fardo e se
apressou para fora com um rápido olhar curioso, balançando uma

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Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

reverência ou um sorriso em sua direção. Annabel sorriu


ansiosamente de volta, acenando com a cabeça para cada pessoa
enquanto passavam até que apenas a primeira mulher que tinha
entrado foi deixada.
— Aqui estamos! — disse alegremente, fechando a porta atrás do
último criado que partia. — Estamos preparadas, eu acho.
— Erm — murmurou Annabel, ainda segurando as peles no
queixo. Ela não tinha certeza para o que estavam preparadas. Ela nem
sequer sabia onde estava, embora começasse a suspeitar que tivesse
dormido durante a sua chegada a MacKay. Alguém a levara para a
cama... E despiu-a, ela percebeu com consternação quando notou que
estava completa e totalmente nua sob os lençóis e peles.
— Agora você apenas deve quebrar o seu jejum enquanto preparo
seu banho. — As palavras foram acompanhadas pela travessa de
comida sendo colocada em seu colo na cama.
A travessa continha pão, queijo, duas massas folheadas fofas e
algum tipo de bebida. A julgar pelo cheiro do vapor que flutuava, cidra
aquecida. Annabel simplesmente olhou fixamente para a alimentação,
as palavras da mulher enrolando em seus pensamentos: — Agora você
apenas deve quebrar o seu jejum enquanto preparo seu banho.
O banho era para ela? E a comida? Annabel não estava
acostumada a ser servida. Na abadia, havia uma hora de banho para
todos sob o arbítrio da abadessa. Ela anunciava que era dia de banho,
uma grande banheira era preparada nas cozinhas e as mulheres se
revezavam usando. Como era uma das residentes mais novas da
abadia, Annabel sempre era uma das últimas a se banhar e a água
sempre estava morna e suja no momento em que ela entrava.

~ 69 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

Annabel tinha suportado isso porque era obrigada, mas ela


nunca se sentira limpa depois e muitas vezes tinha se esgueirado para
se banhar no córrego, logo que podia. Na verdade, ela frequentemente
se esgueirava para o córrego entre os tempos de banho também.
Annabel passara metade do seu tempo na abadia trabalhando com os
animais nos estábulos e a outra metade, iluminando textos. Seu
trabalho com os textos não era um problema, mas trabalhar nos
estábulos era um trabalho sujo, e a abadessa não pedia banhos na
frequência que Annabel gostaria. Então, Annabel tinha se esgueirado
regularmente para o rio.
Infelizmente, a abadessa descobrira suas pequenas viagens e não
ficara satisfeita. Em sua opinião, era vaidade que fazia Annabel querer
ser limpa. As marcas que Annabel trazia nas costas eram o seu
castigo. A abadessa nunca atingira as mulheres sob seu cuidado, mas
fazia com que se punissem, e se você não trouxesse em marcas, ela
ameaçava com um pior castigo. Havia muitos castigos piores na
abadia. A abadessa podia ser muito criativa quando se tratava de
punir os que estavam sob sua custódia.
— Você não gosta de doces?
Annabel ergueu os olhos da bandeja para ver que a mulher mais
velha tinha parado em esvaziar um balde na banheira para olhá-la
com preocupação.
— Oh, aye. — Ela disse rapidamente, pegando uma das tortas
folheadas. Annabel não tinha ideia se ela gostava de doces. Ela nunca
tinha comido um antes. A cozinheira da abadia não era muito boa. O
melhor que conseguia era guisados ou outros pratos simples e
singelos. Não que a abadessa tivesse encorajado a cozinheira a fazer
tais coisas de qualquer maneira. Ela tinha problemas com glutonice e

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Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

com as mulheres que se atrevessem a desfrutar da sua comida.


Annabel pessoalmente sentia que havia algo um pouco anormal sobre
a obsessão da abadessa com o assunto, mas acabara por aceitá-lo
como parte da sua vida.
Ela deu uma mordida pequenina e, em seguida, simplesmente a
manteve em sua boca, seus olhos crescendo lentamente. Nunca em
sua vida tinha experimentado qualquer coisa tão deliciosa quanto
aquela massa folheada com a explosão de frutas doces no centro.
Embora a cozinheira de Waverly pudesse ter apresentado algo tão bom
em sua festa de casamento, Annabel estivera nervosa demais para
comer e simplesmente havia sentado tomando apenas um gole do
hidromel que tinha sido colocado diante dela. Mas isso... Isso era o
nirvana6.
Um tinido atraiu seu olhar para a criada despejando água na
banheira, e Annabel engoliu o resto do folheado em sua boca,
mastigando-o enquanto olhava ao redor procurando seu vestido. Ela o
viu pousado ao pé da cama. Engolindo a massa, colocou a bandeja de
lado e se inclinou para agarrar o vestido. Annabel rapidamente puxou-
o sobre sua cabeça e então rastejou para fora da cama, deixando o
vestido cair para baixo após sua cintura enquanto corria para ajudar
com a água.
— O que você está fazendo moça? A velha perguntou com
espanto quando Annabel pegou um balde despejando-o.
— Ajudando? — Annabel disse incerta, um pouco surpresa com a
expressão chocada da mulher.

6 Nirvana é utilizado num sentido mais geral para designar alguém que está num estado de
plenitude e paz interior.

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Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

— Ajudando? — A mulher disse lentamente, e então balançou a


cabeça. — Bem, pare com isso e volte para a cama para terminar seu
desjejum rápido. Este é o meu trabalho, não o seu.
— Oh. — Annabel corou de vergonha e colocou o balde de volta
no chão. Ela correu para a cama e sentou-se puxando a travessa para
mais perto. Ela tinha engolido a primeira massa para se apressar e
ajudar com o banho, mas tomou seu tempo e saboreou a segunda. Era
realmente deliciosa, e ela não poderia deixar de pensar que poderia ser
uma coisa boa que a cozinheira da Abadia não tivesse feito coisas tão
adoráveis como esta. Suas costas estariam cruzadas com vergões e
cicatrizes pela gula.
Apesar de ter tomado um tempo, Annabel terminou a massa
antes que a senhora idosa terminasse de encher a banheira, então ela
pegou rapidamente o queijo e o pão. Mas ela não estava mais com
fome, então os colocou de lado depois de um par de mordidas e
simplesmente tomou um gole da cidra de maçã quente enquanto
esperava.
— Aqui estamos.
Esse comentário satisfeito da mulher mais velha chamou a
atenção de Annabel para o fato de que ela tinha terminado de encher a
banheira e agora estava olhando para Annabel.
Colocando a cidra de volta na travessa, Annabel levantou-se da
cama e correu para a banheira.
— O Laird disse que não arranjou para trazer a sua criada, assim
você terá que escolher uma das mulheres daqui. Enquanto isso, você
terá que se contentar comigo — anunciou a mulher, estendendo a mão
para ajudá-la a tirar o vestido.

~ 72 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

Annabel não estava acostumada à ajuda de uma criada. Isso


simplesmente não acontecia na abadia. Pelo menos não tinha
acontecido para ela e até onde ela sabia as outras mulheres não
tinham camareiras para se vestir ou despi-las. Bem, exceto pela
abadessa. Talvez fosse essa a razão que ter essa senhora mais velha e
agradável tentando despi-la deixava Annabel sentindo-se terrivelmente
desconfortável.
Mordendo o protesto de que ela não era uma criança e poderia se
cuidar, Annabel suportou a sua ajuda, mas foi um alívio quando o
vestido estava fora e ela pode saltar na água. No entanto, uma vez lá, a
mulher não a deixou, mas pegou um pedaço de linho e sabão. Em vez
de entregar-lhe, como esperava Annabel, mergulhou o pano na água,
aplicou um pouco de sabão e começou a fazer espuma. Mesmo assim,
ela não o entregou a Annabel, mas arrastou os cabelos para o lado por
cima do ombro, para que ficasse fora do caminho e começou a lavar
suas costas.
Annabel permaneceu completamente imóvel durante alguns
minutos, e depois limpou a garganta e perguntou: — Qual é o seu
nome?
— Oh... — A criada riu suavemente, parando de esfregar suas
costas brevemente enquanto dizia: — Me desculpe minha Lady. Eu
nem pensei em dizer, né? Eu sou Seonag.
— Seonag — murmurou Annabel, pronunciando como Shaw-
nack. Ela então se torceu na banheira para olhá-la e oferecer um
sorriso. — É um prazer conhecê-la, Seonag.
— Oh. — A mulher pareceu surpresa, e então sorriu amplamente
de volta. — Bem, tenha certeza de que é um prazer conhecê-la
também, senhora.

~ 73 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

Annabel virou-se de novo. Seonag imediatamente recomeçou a


esfregá-la nas costas e depois de um momento, Annabel perguntou: —
Aqui é MacKay, certo?
Seonag parou de esfregar brevemente, então se endireitou e se
moveu para ficar ao lado da banheira onde podia ver seu rosto. Sua
boca estava muito aberta quando chegou lá, mas a fechou e disse com
exasperação: — E certamente você não poderia saber, não é? Estava
dormindo quando o Laird a trouxe para dentro. Deus, você deve ter
estado sentada e querendo saber quem diabos nós éramos quando
todos nós viemos nos acotovelando aqui para dentro. — Ela balançou
sua cabeça e disse então: — Aye, minha Lady. Aqui é MacKay.
Annabel assentiu. Ela tinha assumido isso, mas era bom ter
certeza. — E onde está meu... Marido? — Parecia estranho chamar
Ross assim. Annabel supôs porque era tudo tão novo.
— Oh, ele está fora, falando com Liam. — ela disse como se isso
fosse esperado. Annabel não tinha ideia de quem era Liam e supôs que
sua expressão estava vazia com aquela informação, porque Seonag
explicou: — Liam é o seu segundo. Ele deve estar informando ao Laird
sobre o que aconteceu enquanto esteve ausente.
— Oh, aye, é claro. — Annabel assentiu.
Sorrindo, Seonag deslocou-se para a parte de trás da banheira
novamente, mas desta vez enxaguando o sabonete que ela aplicou.
Quando terminou, disse: — Vou lavar o seu cabelo agora e depois
deixá-la para terminar seu banho enquanto eu escolherei entre os
vestidos. Deve haver um ou dois com os quais poderemos nos
contentar até que o mercador venha com tecidos que possamos
comprar e lhe fazer um guarda-roupa.

~ 74 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

— Vestidos? — Annabel perguntou com interesse, olhando ao


redor. Seu olhar pousou no baú que tinha sido carregado
anteriormente.
— Aye. O Laird disse como ele nem sequer lhe deu tempo para
arrumar um baú para trazer com você e que você precisa de vestidos
novos. Então eu fiz com que os meninos trouxessem o baú de Lady
Magaidh.
Annabel mordeu o lábio, mas foi salva de ter que comentar algo
quando Seonag a encostou para que pudesse umedecer seu cabelo.
Ela estava muito consciente, porém, de que não havia nada para
embalar. O vestido que usara para chegar em Waverly fora queimado.
Nem sequer tinha certeza sobre o vestido que usara para se casar. Em
todo o pânico da situação, ela não pensara em perguntar. Ela supôs,
porém, que tinha sido o vestido de noiva feito para Kate vestir no
casamento com Ross. Certamente não tinha sido feito para ela. Os
criados de sua mãe precisaram acrescentar tiras nas laterais para
torná-lo grande o suficiente e lhe caber. Trabalharam febrilmente para
fazer isso enquanto Annabel estava sendo banhada e preparada.
Felizmente, Kate era aparentemente mais alta e mais fina, e os três
centímetros que haviam sido cortados da bainha da saia, de modo que
ela não pisasse nela, tinham sido suficiente para fazer dois painéis,
um para cada lado.
— Quem é Lady Magaidh? — perguntou Annabel, curiosa,
enquanto Seonag ensaboava seus cabelos.
— A mãe do Laird. — Seonag respondeu, e explicou: — Ela
faleceu cinco anos atrás, então os vestidos não são novos, mas
certamente haverá algo para ajeitarmos.
Annabel assentiu em silêncio.

~ 75 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

— As duas também são do mesmo tamanho, então não deve


haver muita necessidade de alterações, a não ser para modernizá-los
um pouco — acrescentou alegremente Seonag. — E isso é esplêndido.
— Aye. — Annabel concordou quando Seonag começou a
enxaguar o sabonete de seu cabelo. Mas não podia deixar de pensar
que aquela era a primeira vez que alguém pensava que suas curvas
generosas eram uma coisa boa. Sua mãe tinha feito vários
comentários decepcionados sobre elas, enquanto a tinha preparado
para o casamento. Obviamente desejando que ela fosse alta e esbelta
como sua irmã, Kate, aparentemente tinha se tornado. Certamente a
abadessa não tinha feito nada além de criticá-la pela gula que ela
sentia e pelo tamanho que Annabel revelava.
— Aqui estamos. Tudo pronto. — Seonag disse alegremente,
incitando-a a sentar-se na banheira novamente. — Você termina seu
banho e eu vou começar a procurar pelos vestidos.
Annabel aceitou o pano que lhe foi oferecido e começou a correr o
linho ensaboado sobre seus braços e peito, mas seu olhar estava em
Seonag enquanto ela se apressava para o baú e o abria para revelar
uma coleção de vestidos coloridos. Observou-a levantar o primeiro
vestido, uma criação de um vermelho profundo que ela examinou
brevemente antes de colocá-lo sobre o pé da cama. Seguiu-se um
vestido verde, escuro como uma floresta, e um de cor laranja polida,
com uma mancha, que foi jogado ao chão.
Vários outros vestidos foram colocados em toda a extensão da
cama antes que Annabel terminasse o banho, mas no momento em
que ela começou a torcer o pano que ela estava usando para se lavar e
começou a se levantar, Seonag parou o que estava fazendo e apressou-

~ 76 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

se a pegar um grande pedaço de linho seco para o envolver em torno


dela.
— Obrigada — disse Annabel com um sorriso torto. Ela
simplesmente não estava acostumada a ser cuidada e a gostar disto e
estava se sentindo desconfortável com isso. Mas ela não o admitiu. A
mulher provavelmente se perguntaria o que estava errado com ela.
Annabel supôs que era assim que as senhoras eram tratadas...
Quando não eram noviças em um convento de freiras.
— Aqui. Agora, venha sentar junto à lareira e eu vou escovar seu
cabelo. — Seonag disse, tomando seu braço quando Annabel saiu da
banheira.
Annabel permitiu que a conduzisse a uma das cadeiras junto à
lareira. Não havia fogo, mas era verão, e o fogo não era realmente
necessário. Ela ficou em silêncio no começo, quando Seonag passou
com uma escova em seu cabelo, mas então começou a fazer perguntas.
Annabel não sabia nada sobre seu novo marido, seu novo lar, ou as
pessoas que viviam nele, e parecia que armar-se com informações era
uma boa ideia, então ela perguntou: — Meu marido era próximo de
sua mãe?
— Oh, aye. Ele adorava a mãe — assegurou Seonag. — Lady
Magaidh era uma senhora muito especial. Todo mundo a amava. Ela
conhecia o nome de todos, do cozinheiro até o servo mais humilde. E
ela dirigia esta fortaleza como um sonho. — Seonag suspirou
melancolicamente. — Foi um dia triste quando ela morreu.
Annabel franziu o cenho. Ela não tinha dúvidas de que não
ganharia tanto louvor de ninguém em sua direção da fortaleza. Ela
nem sabia o que estava envolvido nisso. O que esperavam que fizesse,

~ 77 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

exatamente? Suspirando, ela deixou isso por agora e perguntou: —


Como ela morreu?
— Uma dor no peito. No começo, ela parecia estar sem fôlego,
ocasionalmente, mas então ela passou a ofegar por ar e a tossir muito.
Então ela não conseguia mais respirar o suficiente para andar. Ela
tinha que dirigir a fortaleza de uma cadeira no grande salão e depois
da cama, e então ela apenas... Seonag encolheu os ombros impotente e
terminou: — Se foi.
Annabel murmurou em simpatia e deixou um momento passar
em silêncio antes de perguntar: — E o pai do meu marido?
— Oh, aye, o velho Laird. — Seonag suspirou tristemente, a
escova deslizando no cabelo de Annabel. — Ele morreu de uma farpa.
Annabel piscou e se virou para olhá-la. — Uma farpa?
— Hmm. — Seonag assentiu empurrando-a de volta para que ela
pudesse continuar escovando seu cabelo. — Ficou infectado. Eu me
inquietei por ele, mas ele me dispensou e não quis ouvir. A verdade é
que eu acho que seu coração estava tão quebrado por perder Lady
Magaidh que ele simplesmente não se importava em viver — Ela
acrescentou com outro suspiro. — Quando uma linha preta surgiu em
seu braço, eu sabia que ele estava pronto pra ir.
— Oh, querida. — murmurou Annabel. Morto por uma farpa.
Supôs que não deveria se surpreender. Não era assim tão raro,
realmente. Pelo menos, não pelo que lhe disseram. A irmã Clara, que
tinha trabalhado com ela nos estábulos, dissera uma vez que muitas
vezes as pequenas feridas eram ignoradas e deixadas a apodrecer
enquanto as maiores reivindicavam toda a atenção. A irmã Clara não
fora postulante. Ela tinha vivido uma vida normal, crescendo com sua
família antes de se casar e ter filhos. Foi somente depois que seus

~ 78 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

filhos tinham casado e seu marido havia morrido que ela tinha
encontrado o seu caminho para a abadia e fez os votos. Ela havia dito
que a vida não tinha sido a mesma sem o marido, e estava contente de
servir a Deus pelo resto de seus dias.
A irmã Clara ensinara muito a Annabel. Ela tinha sido um dos
poucos pontos brilhantes em sua vida na abadia. Sentiria falta dela...
E nem sequer chegou a dizer adeus. O pensamento a fez franzir o
cenho. Ela não tinha tido permissão para recolher nada, e não tinha
recebido a chance de dizer adeus a ninguém... Eles não poderiam ter
dado apenas um momento para fazer as duas coisas?
— Ahhh, está com uma aparência linda.
Annabel piscou quando Seonag de repente empurrou um espelho
de mão com superfície turva, ligeiramente deformada diante dela.
Então ela simplesmente olhou fixamente. Espelhos não tinham sido
permitidos na abadia. A abadessa dizia que a vaidade era um pecado,
e os espelhos eram um brinquedo do diabo. Se havia um espelho em
Waverly, Annabel não saberia dizer. Certamente sua mãe não lhe tinha
oferecido um quando estava sendo preparada para seu casamento e
ela não tinha pensado em perguntar. A única vez que ela se vira antes,
fora quando estivera na superfície do córrego em que havia nadado na
abadia, o que refletia uma imagem ondulada, na melhor das hipóteses.
— Você gosta? — Seonag perguntou, sorrindo.
Annabel estendeu a mão e tocou os cabelos. Seonag os tinha
escovado até secá-los. Era uma massa negra e brilhante no reflexo e
fluia em torno de um rosto oval pálido com bochechas rosadas. A
criada puxou para trás e trançou alguns fios em cada lado do rosto de
Annabel, segurando-os atrás da cabeça de alguma forma. Isso fez seus

~ 79 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

olhos parecerem enormes. Isso ou ela tinha olhos enormes, supôs


Annabel.
— Pareço bonita. — ela disse com admiração e por alguma razão
as palavras fizeram estourar o riso de Seonag.
— Amorzinho, você é linda — disse Seonag, divertida, e depois
com mais suavidade: — Certamente seus pais lhe disseram isso?
Sua mãe não fizera outra coisa senão murmurar de angústia por
seu tamanho e lamentar o quanto era vergonhoso que a abadessa lhe
tivesse permitido chegar a esse tamanho. Annabel suspeitava que Lady
Waverly não concordasse que ela fosse linda. Ela foi salva de ter que
dizer isso, no entanto, quando a porta do quarto de dormir foi aberta.
Tanto ela como Seonag olharam para ele com surpresa, mas Annabel
teve que se inclinar para o lado para olhar além de Seonag para ver
que era seu marido.
— Ah bom. Está pronta — disse Ross com aprovação quando a
viu.
— Bem, isso depende para o que você quer que ela esteja pronta.
— disse Seonag com diversão, afastando-se para revelar que Annabel
ainda estava vestida apenas com a peça de linho em que a envolveu.
— Oh. — Ross olhou fixamente com brevidade, seus olhos
deslizando sobre ela de modo que Annabel não se sentiu totalmente
coberta. Depois que seu olhar devorou cada centímetro dela, ele
rosnou uma palavra. — Seonag.
A mulher soltou uma risada divertida e se apressou em direção à
porta, desviando-se brevemente para recolher os vestidos sobre a
cama ao longo do caminho. — Eu só vou levar estes lá para abaixo e
ver o que eu posso fazer para reparar e prepará-los enquanto você tem
uma palavra com sua noiva.

~ 80 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

Ross grunhiu um som de aprovação e puxou a porta para ela. No


instante em que a criada atravessou a porta, ele a fechou e atravessou
a sala em direção a Annabel.
— Oh. — ela disse fracamente enquanto se aproximava. Seus
olhos estavam fixos nela como os de um lobo em um coelho pequenino
e indefeso. E ela se sentiu como um coelho naquele momento. Havia
algo em seus olhos que a deixava extremamente nervosa. Ele parecia
com fome, e não era por comida. Por alguma razão ela pensou que
talvez ele quisesse consumar seu casamento novamente. Embora ela
supusesse que as pessoas não pudessem consumá-lo mais de uma
vez, mas ela certamente não era especialista na matéria. Na verdade,
nem se lembrava da primeira consumação, então era tão ignorante
quanto poderia ser sobre o assunto, mas ela tinha certeza de que ele
estava tendo alguns pensamentos bastante carnais.
Quando o olhar se fixou na região de seus seios através do pano
úmido e ele lambeu os lábios, Annabel se levantou abruptamente, sua
mão apertando o linho que ela estava segurando ao redor de seus
ombros. Ela conseguiu sorrir, mas seus pés a levavam para trás
quando disse: — Lamento ter dormido até tão tarde, meu Lord.
— Foi uma longa jornada e você não dormiu bem durante a
viagem. Disse aos criados que a deixassem dormir. — disse Ross,
seguindo-a em seu progresso para trás.
— Oh... Bem, isso foi... Er... Isso foi doce — Annabel balbuciou
quando sentiu o topo da lareira colidir com a nuca. Incapaz de voltar
mais, ela começou a se mover de lado e disse: — Obrigada.
— De nada. — ele respondeu. Enquanto a seguia, abaixando seus
olhos, deslizando sobre o linho que a cobria como se ele pudesse ver
através dele. Esse fato a fez olhar para baixo e ver que ele podia

~ 81 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

realmente enxergar através do tecido. Pelo menos poderia nos lugares


onde o linho estava úmido... Que parecia estar em todos os pedaços
mais importantes, ela notou com alarme e lembrou das palestras do
Padre Gerder sobre os males das mulheres e a tentação que elas
oferecem. Querido Deus, parecia que ela estava fazendo exatamente
isso sem querer, tentando seu marido com os prazeres da carne... E
em uma quarta-feira, um dos dias que a igreja tinha declarado ilegal
para os prazeres carnais.
Annabel bateu inesperadamente na segunda cadeira junto a
lareira e parou abruptamente. Seu marido, no entanto, não o fez, pelo
menos não até que estivesse a poucos centímetros de distância.
Empurrando-a contra a cadeira, Ross estendeu a mão para a cintura
dela e a puxou a frente até que seus corpos se pressionassem um
contra o outro.
Annabel olhou para ele com os olhos arregalados quando seu
rosto descia em direção ao dela e depois disse: — É uma bela manhã
de quarta-feira, não é?
— Aye. — ele concordou sua boca visando a dela. Ela tinha
certeza de que ele a teria beijado se não tivesse virado a cabeça.
Quando seus lábios procuraram seu pescoço e começaram a
mordiscar lá, fazendo as coisas mais estranhas em seu equilíbrio,
Annabel apertou os braços para manter o aprumo e disse
desesperadamente: — Sim, uma bela manhã de quarta-feira. —
Quando ele ainda não parecia ter entendido o significado, permitindo
que seus lábios deslizassem até a sua clavícula, ela acrescentou
desesperadamente: — Eu me pergunto por que a igreja considera às
quartas-feiras um dia inadequado para os casais se entregarem à
cama?

~ 82 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

Ross enrijeceu diante de suas palavras e permaneceu imóvel por


um momento, mas então se endireitou devagar. Sua expressão não era
feliz enquanto a olhava. — Sim, não é mesmo?
Annabel assentiu com um gesto de desculpas e quase lamentou
ter mencionado isso a ele. Parte dela lamentava ter que lembrá-lo e
impedi-lo de ganhar o que desejava. No entanto, outra parte ficou
bastante aliviada. Por mais que ela apreciasse a sua consideração em
deixá-la embriagada na consumação do seu casamento, para que ela
não tivesse tido que sofrer com ele... Bem, realmente, uma vez que ela
não conseguia se lembrar, ela continuava tão ignorante e tão nervosa
pelo ato, como tinha estado em sua noite de núpcias. E era sua
opinião que era sempre melhor resolver logo os fatos desagradáveis e
deixá-los fora do caminho.
Condenado Padre Gerder por informar sobre a questão das
relações conjugais e quando elas eram ou não aceitáveis, Annabel
pensou com irritação. Se ele não tivesse feito isso, em cinco minutos
ou mais ela provavelmente estaria rastejando pra fora da cama uma
mulher mais sábia, porque certamente o ato não demoraria muito?
Na verdade, Annabel não fazia ideia do por que o padre tinha se
incomodado em dar aulas a um grupo de freiras, mas havia muitas
coisas sobre as quais ele havia falado e que não pareciam relevantes
para as habitantes de uma abadia. O homem só parecia entrar nesses
estados de ânimo onde ele discursava em frenesi sobre os males do
mundo. Geralmente era sobre coisas como o leito conjugal e os
pecados da carne. Realmente o homem estava tão obcecado com esse
assunto tanto quanto a abadessa.

~ 83 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

Suspirando, Ross se endireitou e a soltou. Ele então deu a ela um


solene aceno de cabeça e virou-se para sair do quarto sem mais uma
palavra.
Annabel olhou para a porta fechada e mordeu o lábio. Ela sabia
que tinha feito à coisa certa. A igreja tinha proibido a cama aos
domingos, quartas e sextas-feiras. Mesmo assim, sentia como se
tivesse falhado com o marido de alguma forma. Annabel suspeitava
que fosse uma sensação a qual deveria se acostumar. Ela não tinha
nenhuma dúvida de que iria decepcioná-lo muitas vezes quando
provasse o quanto era ignorante e inexperiente a noiva ele tinha
ganhado para si.
Fazendo uma careta. Annabel afastou esse pensamento e olhou
ao redor da sala até que viu seu vestido deitado sobre uma cadeira
próxima, onde Seonag aparentemente o tinha posto depois de ajudá-la
a se despir. Caminhando, ela o pegou e imediatamente fez uma careta
com o fedor. Annabel o usara por quatro dias seguidos, o que não era
incomum, mas três daqueles dias tinham sido durante a viagem até
aqui e agora cheirava a cavalo, erva e suor. Engraçado como ela não o
tinha notado isso antes do banho, e seria uma vergonha vestí-lo após
ter se banhado.
Virando-se, Annabel considerou os vestidos que Seonag deixara
espalhados pelo baú. Tinham sido os rejeitados, descartados por
causa de alguma falha, mas poderia haver um em bom estado o
suficiente para poder usa-lo ou, pelo menos, para torná-lo preferível a
seu vestido manchado.
Depois de um rápido exame, Annabel vestiu um vestido rosa
pálido com uma pequena mancha no decote. A mancha era realmente
muito pequena, quase imperceptível, ela tinha certeza, então vestiu o

~ 84 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

vestido e olhou para si mesma. Parecia que Seonag estava errada. Ela
e a mãe de Ross não eram exatamente do mesmo tamanho afinal. Pelo
menos não na linha do busto. O resto do vestido se encaixava
perfeitamente, mas Lady MacKay definitivamente não tinha sido tão
bem dotada quanto ela.
Annabel empurrou seus seios, tentando colocá-los dentro do
vestido o máximo possível, mas eles ainda pareciam estar tentando
rastejar para fora. Suspirando, ela cavou o baú até encontrar um
pedaço de fino pano branco. Colocou isso no decote para torná-lo mais
decente, e depois pensando que tinha feito o melhor que podia, se
dirigiu para a porta com a intenção de sair em busca de Seonag. No
entanto, ela tinha acabado de alcançar a porta quando ouviu um
barulho e um grito vindos da janela atrás dela, o que a fez pausar.
Franzindo o cenho, ela se virou e retornou através do quarto.
Havia persianas que estavam amplamente abertas. Supôs que Ross as
tinha aberto ao levantar-se naquela manhã para permitir que a luz o
ajudasse a se vestir. Isso ou elas tinham estado abertas a noite toda.
Seja como for, estavam abertas agora e Annabel se inclinou pela janela
para olhar para o pátio. No início, ela não podia dizer o que tinha
acontecido, mas então viu um pequeno grupo de pessoas reunidas ao
redor de uma carroça virada. Quando uma das pessoas mudou de
lugar, ela viu um homem no chão e sangue, isso foi suficiente para tê-
la se endireitando e correndo para a porta.
— Oh, minha Lady, eu estava vindo para... — Seonag começou
quando Annabel passou por ela enquanto descia correndo as escadas
do andar superior. Se a criada terminou o que estava dizendo, Annabel
não ouviu. Ela não tinha sequer diminuido o passo ao passar pela
mulher, mas passou voando para descer o resto das escadas,

~ 85 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

atravessando o grande salão ocupado, e para fora das muralhas em


pés que pareciam quase alados, enquanto se movia tão rapidamente.
Annabel teve que fazer uma pausa na escada, uma vez que ela
empurrou as portas e saiu para o pátio para poder se orientar, mas foi
a mais breve das pausas antes que avistasse a crescente multidão em
torno da carroça virado e correu para lá. Murmurando desculpas e
licenças, ela abriu caminho através da multidão até o centro e o
homem ferido, e imediatamente se ajoelhou ao lado dele, seus olhos
atentos a situação.
— O que aconteceu? — Annabel perguntou enquanto deslocava
sua atenção e mãos pela perna ensanguentada do homem e começou a
sentir ao longo de seu comprimento, procurando por ossos quebrados.
O silêncio encontrou sua pergunta e Annabel olhou para cima com
uma carranca para ver que todos, inclusive o homem por quem se
ajoelhou, estavam olhando para ela com espanto e incerteza nos olhos
arregalados.
— Bem, respondam a sua Lady, idiotas!
Reconhecendo a voz de Seonag, Annabel olhou por cima do
ombro para ver que a criada a seguira para fora da fortaleza e agora
estava parada às suas costas. Ela ofereceu à criada um sorriso grato e
voltou-se para o homem ferido enquanto várias pessoas começaram a
falar juntas em uma cacofonia confusa de vozes.
— Um de cada vez — Seonag bradou enquanto Annabel passava
as mãos pela perna do homem de novo. Ela não tinha sentido nada
que sugerisse uma quebra, mas era melhor ter certeza antes de movê-
lo.
— Aquele maldito cão assustou meu cavalo. A fera levantou-se e
partiu. Seu cabresto estalando, mas não antes que minha carroça

~ 86 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

virasse, jogando a mim e aos meus bens no chão — Explicou o homem


ferido com os dentes cerrados. Seu sotaque era inglês ao invés de
escocês e se Annabel já não tivesse adivinhado que ele era um
comerciante visitante, sua menção aos bens o teria. No entanto, ela
não tinha ideia do que ele queria dizer com “aquele maldito cão”, mas
isso não importava no momento de qualquer maneira.
— Eu preciso de uma faca. — ela anunciou, olhando ao redor dos
rostos na multidão.
— Para que você precisa de uma faca? Você não precisa de uma
faca. — o homem ferido a assegurou, sua voz de repente várias oitavas
mais alta.
— Aqui. O meu sgian dubh, serve senhora?
— Obrigada. — Annabel sorriu distraída para o homem que lhe
ofereceu uma pequena faca e depois voltou-se para o mercador, que
olhava com olhos arregalados a pequena e afiada lâmina.
— Que diabos você acha que vai fazer com isso? — perguntou ele,
alarmado.
— Shsss. Eu não irei machucá-lo. — Annabel disse de forma
tranquilizadora e rapidamente cortou uma linha no comprimento de
seu braies, de baixo até vários centímetros acima da ferida em sua
coxa logo acima do joelho. A ação emitiu uma onda imediata de
sussurros através da multidão, mas Annabel ignorou e puxou o pano
de lado para ter uma melhor visão de sua ferida.
— Você arruinou minhas calças! — O comerciante gritou com
consternação.
— As calças foram arruinadas pelo acidente — disse Seonag
secamente. — Se você fosse escocês e vestisse um plaid, sua senhoria
não teria que cortar isso.

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Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

Houve vários murmúrios de concordância quanto a isso, mas


Annabel ignorou todos eles enquanto examinava sua ferida. Ela não
tinha ideia do como ele tinha cortado sua perna. Era um corte
profundo, reto e limpo, quase como uma ferida de espada. Não o que
ela esperaria de um acidente envolvendo uma carroça virado, e então
ela notou a ponta de uma lâmina sangrenta saindo sob sua outra
perna e ela estendeu a mão para puxá-la. Ela examinou o sangue na
lâmina e olhou para ele questionando.
— Eu estava comendo uma maçã. — ele admitiu relutantemente.
— Eu tinha a lâmina na minha mão. Devo ter cortado a mim mesmo
quando meu traseiro voou para fora da carroça. Peço seu perdão. —
acrescentou rapidamente, ao perceber o que dissera.
Os lábios de Annabel contorceram-se, divertida com as suas
desculpas. Ela não consideraria suas palavras contra ele. O homem
estava sem dúvida em estado de choque. Ele também estava perdendo
muito sangue, ela notou, e estava prestes a arrancar uma tira da
bainha do vestido que ela usava para prendê-la, quando lembrou do
pano em sua garganta, puxando-o fora como alternativa para
embrulhar a perna dele.
O comerciante sugou uma respiração aguda enquanto apertava a
ligadura improvisada e Annabel olhou para cima para lhe oferecer um
sorriso de desculpas, apenas para fazer uma pausa quando viu que
seus olhos estavam fixos em seu peito. Olhando para a extensão de
carne cremosa tentando sair do vestido, Annabel suspirou e se
endireitou.
— Ele necessita ser levado para a fortaleza. Eu precisarei
costurá-lo. — ela anunciou.

~ 88 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

Seonag acenou com a cabeça e abriu a boca, sem dúvida para


solicitar um par de homens que o transportasse para dentro, mas ela
não precisou. Vários homens já estavam levantando o sujeito do chão.
Mais homens do que realmente era necessário, verdade seja dita... E
cada um deles parecia estar olhando para o peito de Annabel, e não
para o homem que estavam erguendo.
— Estou pensando que teremos que alargar no peito os vestidos
de Lady Magaidh. — comentou Seonag, descendo um degrau e ficando
ao lado de Annabel enquanto esta liderava o caminho para as portas
da fortaleza.
— Aye. — ela concordou calmamente, resistindo ao desejo de
tentar empurrar seus seios de volta para baixo novamente. Faria
apenas chamar mais atenção para eles. Além disso, realmente, não
faria muita diferença de qualquer maneira. Eles apenas subiriam de
volta. Afastando essa questão de sua mente por hora, ela disse: —
Precisarei de uma agulha e fio.
— Vou buscá-los para você assim que estivermos lá dentro —
assegurou Seonag.
— E bálsamo. E uísque — acrescentou Annabel.
— Whiskey? – Seonag perguntou com interesse.
— Para limpar a agulha e a linha, assim como a ferida — explicou
ela. Annabel estava mais acostumada a trabalhar com animais do que
as pessoas, mas houve uma ferida ocasional entre as mulheres na
abadia e Irmã Clara era, entre as freiras, a melhor informada quando
se tratava de ferimentos e doenças, fosse de animais ou pessoas.
Annabel sempre a ajudara nesses casos. No entanto, ela raramente
tinha que realmente cuidar da ferida. Ela normalmente apenas
ajudava; Entregando-lhe o que precisava quando necessário e

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Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

acalmando o animal ou a pessoa que estava sendo cuidada. Esta seria


sua primeira vez fazendo a costura real da ferida. Por mais estranho
que pudesse parecer, estava nervosa.
— Onde você o quer? Sobre a mesa? — sugeriu Seonag enquanto
entraram na fortaleza.
Annabel olhou para as mesas de cavalete e depois para a
multidão que as seguira... E era uma multidão. Não apenas os homens
que carregavam o mercador que a haviam seguido e a Seonag para
dentro da torre, mas todas as pessoas que se juntaram ao redor do
acidente pareciam tê-las seguido até lá dentro.
Aparentemente, ela teria um público enquanto ela cuidava do
homem. — Brilhante. — Annabel pensou, mas assentiu em resposta à
pergunta de Seonag. — A mesa servirá.

~ 90 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

Capítulo 5

Ross induziu Gilly a se ajoelhar investindo um último golpe em


seu escudo, e então baixou a espada e deu um passo para trás. Este
não era obviamente um bom momento para prática de guerra,
reconheceu com uma careta. Ele provavelmente mataria um de seus
homens se continuasse nesse estado de espírito.
— Está tudo bem? — Gilly perguntou, olhando-o cautelosamente
enquanto baixava seu escudo e se levantava.
— Aye. — Ross murmurou, mas balançou a cabeça quando Gilly
relutantemente levantou sua espada e escudo novamente. — Já basta.
Gilly não se incomodou em esconder o alívio enquanto relaxava.
Quando Ross se virou e começou a atravessar o pátio, Gilly ajustou o
passo ao seu lado e comentou: — Você está com um humor ruim para
alguém recém-casado com a querida e doce moça que acabou de trazer
para casa.
As palavras trouxeram um riso irônico de Ross. — Querida e doce
moça? Pensei que ela, sendo inglesa, tinha lhe convencido de que ela
era a descendência do Diabo — ele apontou secamente e lembrou-lhe:
— Você era a pessoa que dizia que eu não deveria me casar com ela,
porque era a segunda filha.
— Aye, bem, eu não a conhecia então, não é? — Gilly disse com
um leve sorriso. — Mas no segundo dia da viagem para casa eu

~ 91 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

percebi que estava errado sobre tudo isso. Ela é uma boa moça.
Inteligente, curiosa e...
— Doce? — Ross sugeriu secamente.
— Aye. — Ele assentiu.
Ross suspirou. Não tinha passado despercebido que sua
minúscula noiva envolveu rapidamente seus guerreiros, duros como
rochas, endurecidos pelas batalhas, em torno de seu dedo pequenino
durante a viagem para casa. Annabel falou como uma tagarela pela
maior parte da viagem, perguntando o que era isso ou aquilo, e
contando esse ou aquele conto. A maioria de suas histórias, ele
observou, tinha a ver com animais ou mulheres... Até o ponto em que
ele realmente se perguntou se seu pai não a teria escondido
completamente de seus soldados e aldeões homens. Até mesmo seu
pai não apareceu em nenhuma de suas histórias. Nem sua mãe.
Embora mencionasse a irmã com frequência. “Irmã fez isso” e “irmã fez
aquilo”.
Ross sacudiu a cabeça ao recordá-la, e como cada história tinha
deixado seus homens encantados. Ela tinha uma maneira de contar
uma história que fazia até o evento mais chato parecer uma aventura e
seus homens haviam se sentado em seus cavalos ou ao redor do fogo,
observando-a com um incrédulo fascínio que o teria feito pensar que
esses homens nunca tinham visto uma mulher antes.
Mas ele supôs que a verdade era que nenhum deles tinha
encontrado uma mulher como Annabel antes. Havia uma inocência e
ingenuidade que parecia escorrer de sua pele e ela estava sempre tão
malditamente alegre. Mesmo depois de um dia atravessando a chuva à
cavalo, e com um traseiro indubitavelmente dolorido de saltar sobre a
sela, ela ainda podia ver o lado brilhante das coisas e armar um

~ 92 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

sorriso e uma história que os animava. E Annabel não tinha agido


nenhuma vez como senhora da mansão em sua viagem, exigindo um
tratamento especial. Em vez disso, insistira em ajudar quando
acamparam todas as noites. A verdade era que ela tinha ficado no
caminho mais do que qualquer outra coisa. Se ele não tivesse
adivinhado, por suas habilidades de montaria atrozes, a sua falta de
conhecimento em acampar, teria lhe dito que ela nunca teve uma boa
viagem em sua vida. Mas ela tinha tentado o que valeu mais do que
ouro em sua mente, e obviamente tinha também impressionado seus
homens.
Na verdade, enquanto Ross não podia reclamar de qualquer
responsabilidade por sua disposição, ele tinha ficado orgulhoso como o
inferno pelo modo como ela se comportou durante a viagem. Ela não
se queixou uma única vez do desconforto, ou do fato de que não tinha
sido autorizada a arrumar bagagem, trazer até mesmo um vestido
extra, ou muito menos sua criada. Ela simplesmente fizera o melhor
em tudo. Ela não tinha sequer comentado sobre a falta de uma tenda e
o fato de que eles tinham se deitado ao redor do fogo, cada noite, com
seus homens. Ela simplesmente se aconchegara a ele, quando ele
tinha colado atrás dela, e ela instantaneamente caira no sono como só
o inocente e o justo poderia.
Era Ross quem ficara acordado todas as noites, ouvindo-a
respirar e desejando ter trazido uma tenda para eles terem alguma
privacidade. Idiota que fora, ele estivera deitado lá cada noite,
imaginando o que poderia ter feito se tivessem uma barraca disponível
para eles. Imaginara tê-la despido, rolando-a de costas e encontrando
todos aqueles lugares secretos que faziam das mulheres uma alegria
tão grande. Tinha imaginado fazê-la gemer e depois chorar de prazer, e

~ 93 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

então afundar seu corpo no dela e encontrar o seu próprio prazer.


Essas imaginações não o tinham ajudado a dormir. Apenas a
promessa de que, quando alcançassem MacKay, ele conseguiria fazer
todas aquelas coisas sedutoras com ela, aliviava a dor o suficiente
para permitir que ele acabasse encontrando sono.
No entanto, tinha sido depois da meia-noite quando chegaram a
MacKay. Estava exausto, e Annabel ainda mais. Na verdade, ela tinha
adormecido na sela horas antes disso e ele a levara no seu cavalo,
para que não caísse fora da sua sela. Quando chegaram, tudo o que
Ross pode fazer foi levar sua noiva dormindo para dentro e para o
quarto. Lá, ele a despiu e a deitou na cama, e depois tirou sua plaid e
caiu na cama ao lado dela, dormindo imediatamente em um sono
exausto.
Apesar disso, Ross tinha acordado antes dela esta manhã.
Annabel estava enterrada sob as peles, dormindo tão pacificamente
que não tinha tido coragem de perturbá-la. Então foi em busca de seu
segundo para obter o relatório sobre os eventos durante sua ausência.
No entanto, ele teve um inferno de um tempo se concentrando nas
palavras do homem. Sua mente continuara vagando até sua noiva
dormindo até que finalmente se desculpou para subir e encontrá-la...
Apenas para que ela o lembrasse de que era quarta-feira.
Ele deveria ter sabido que uma noiva que usava uma camisola de
núpcias em sua noite de casamento definitivamente se recusaria a
consumar em uma quarta-feira. A igreja franzia a testa para qualquer
um, até mesmo casados, se entregando a atos carnais nos domingos,
quartas e sextas-feiras. Na verdade, ele tinha ouvido que tinha sido
feito uma lei. Isso não o teria parado. No que lhe dizia respeito, tais
leis eram ridículas e constituídas por homens amargos que estavam

~ 94 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

com ciúmes do que os outros podiam ter e eles não podiam. O resto
das criaturas de Deus não se abstinha de procriar em certos dias. Ele
duvidava que Deus se importasse quando as pessoas consumavam. No
entanto, se sua noiva estava chateada e ansiosa sobre quebrar os
decretos da igreja, ele não a forçaria. Isso dificilmente a incentivaria a
desfrutar da cama e ele queria que ela desfrutasse.
— Então, com uma mulher tão doce, por que você está tão
infeliz? — perguntou Gilly, tirando-o de seus pensamentos.
Ross suspirou. — É quarta-feira.
Gilly ficou um pouco intrigado e então seus olhos se arregalaram.
— Ohhhh.
— Aye, — Ross disse secamente.
Gilly assentiu com simpatia. — É uma pena. Especialmente
depois que você não pôde se satisfazer nessas três últimas noites na
viagem.
— Aye — Ross concordou miseravelmente.
— Hmmm. — Gilly sacudiu a cabeça e então se iluminou e
apontou, — Bem, como eu me recordo nosso padre sempre chamava
de “deitar” quando ele está falando sobre esse assunto.
— E? — Perguntou Ross, perplexo.
— O padre de Waverly provavelmente chama da mesma forma. —
ele apontou.
— E? — Ross repetiu.
— Bem, ainda é “deitar” se você não está em uma cama? — Gilly
perguntou.
Ross piscou para a pergunta e então a considerou, um sorriso
lento se abrindo em seus lábios.

~ 95 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

— Ahhh, veja — Gilly sorriu. — Você pegando o meu raciocínio


agora.
— Aye — concordou Ross.
— E aqui está outra ideia — disse Gilly. — Se bem me lembro, ela
prometeu obedecer-lhe nessa cerimônia de casamento, não foi?
— Aye. — Ross disse, perguntando-se o que ele estava tramando.
— Bem, então, se ela argumentar que se você não estiver em uma
cama ainda é deitar, você pode ordenar que ela permita isso. Afinal,
ela prometeu a Deus, ao sacerdote e à sua família que lhe obedeceria.
Ross franziu o cenho. Ele não ordenaria que ela permitisse.
Preferia seduzir e convencer. Ele queria uma verdadeira parceria com
sua noiva, como seus próprios pais tinham desfrutado, não uma
esposa amargurada e ressentida que viveria debaixo do seu polegar.
Ele não o disse, entretanto, mas simplesmente se virou e foi para a
fortaleza. Enquanto ia, sua mente estava planejando como lidar com o
assunto. Ele a levaria para um piquenique na floresta, fora das
paredes e a seduziria em um cobertor sob as árvores, Ross decidiu. E
se ela tivesse a intenção de protestar, antes de beijá-la, ele indicaria
que não havia cama, então tecnicamente não era cama.
Acenando para si mesmo, Ross abriu as portas, entrou e parou
abruptamente ao notar o ruído e a atividade ao redor das mesas de
cavalete. Uma grande multidão tinha se reunido e estava protestando
ruidosamente sobre algo.
Curioso, Ross aproximou-se da mesa quando alguém disse: — O
que você está pensando? Você não pode desperdiçar bom uisge beatha
assim.
A multidão de imediato murmurou concordando.

~ 96 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

— Eu já disse a você. O whiskey vai limpar a ferida e ajudar a


prevenir a infecção. — A voz de Annabel era clara como um sino e,
obviamente exasperada, quando Ross chegou à extremidade do grupo
e olhou por cima das cabeças diante dele para onde sua esposa se
ajoelhava sobre um homem na mesa de cavalete. Ela estava olhando
carrancuda para o cozinheiro, Angus, e enquanto ele observava, ela
estendeu a mão, uma expressão determinada em seu rosto. — Agora,
dê a ele, Angus. Eu sou sua Lady e eu comando. Preciso costurar sua
ferida antes que ele sangre até morrer sobre mim.
O velho cozinheiro resmungou com desgosto, mas entregou-lhe
uma taça, aparentemente cheia de uísque, murmurando: — Aye...
bem, limpe a ferida. Mas em seguida você irá limpar o grande salão
com isso.
— Não irei. — Annabel assegurou-lhe secamente, e então olhou
para baixo com um sobressalto quando o homem deitado na mesa de
repente se sentou, arrebatou a taça dela e engoliu o líquido. Olhos
arregalados de espanto, ela arrancou a taça da mão dele, olhou para, o
que Ross achava que era, o recipiente vazio e então olhou para o
homem e perguntou: — Por que diabos você fez isso? Agora precisarei
de mais whiskey.
— Eu pensei que eu deveria beber para limpar minha ferida. — o
homem falou a mentira óbvia com uma cara séria. Seu sotaque, Ross
observou, era inglês.
— Beber isso não vai limpar a sua ferida, e você bem sabe disso.
— Annabel disse com um suspiro, e depois olhou para Angus e
estendeu a taça. — Eu preciso de mais.
Angus cruzou os braços, os olhos se estreitaram e os lábios se
contraíram, e Ross pôde ver que estava prestes a se rebelar. Franzindo

~ 97 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

o cenho, ele começou a se mover através da multidão, com a intenção


de colocar o homem em seu lugar, sobre a questão de obedecer ou
desobedecer a sua senhora, mas ele não precisava se preocupar.
Annabel, sua doce e tagarela esposa, de repente se inclinou sobre o
homem para agarrar o cozinheiro pela frente do avental e arrastá-lo
para perto da mesa enquanto ela sibilava: — Sou sua senhora, Angus.
Traga-me o uísque sangrento ou você estará procurando por uma nova
posição em outro lugar. Eu não deixarei este homem morrer porque
você é um amaldicionado teimoso, acostumado a ter as coisas a sua
própria maneira. Entendido?
Angus assentiu descontroladamente. — Sim, minha senhora.
Agora mesmo, senhora.
Annabel assentiu e soltando-o, e então viu o homem se apressar
com um suspiro e uma expressão que sugeria a Ross que lamentava o
que ela tivera que fazer para conseguir que o homem a obedecesse.
Movimento sob sua esposa desviou o olhar de Ross de Annabel
para o homem sobre o qual ela estava inclinada e sua surpresa virou
uma carranca de desagrado quando ele notou que em sua posição ela
tinha colocado seu peito sobre o rosto do ferido e, aparentemente, sua
lesão não estava tão ruim que ele não estivesse desfrutando da vista.
Ver quão grande a vista era não teve qualquer melhoria na sua
disposição e Ross continuou entre a multidão, se movendo muito mais
rapidamente do que da primeira vez.
— Oh, marido — Annabel ofegou com surpresa e aparente
constrangimento quando ele surpreendeu sua atenção segurando seu
braço e arrastando-a para ficar de pé, de onde ela se ajoelhava na
mesa. — Eu estava apenas... Cozinheiro... Eu...

~ 98 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

Seu balbuciante esforço para lhe explicar o que ele acabara de


testemunhar morreu quando ele de repente colocou as mãos nos seus
seios. Ele tinha a intenção de admirar a extensão de carne cremosa
abaulada fora do decote apertado, mas de alguma forma suas mãos
não entenderam e misturaram a mensagem e simplesmente se
fecharam em torno de cada globo generoso através do pano. Isso
causou um som sufocante de Annabel acompanhado de um rubor tão
vermelho que ele se perguntou se havia algum sangue no resto do
corpo dela. Parecia que todo ele tinha subido para seu rosto e pescoço.
Murmurando baixinho, ele moveu as mãos para fazer o que tinha
pretendido fazer o tempo todo e disse: — Você precisa se trocar.
Quando a boca de Annabel funcionou sem que nada saisse dela,
Seonag se colocou ao lado deles e lembrou-lhe — Ela não tem nada
para vestir, além do vestido em que veio e os vestidos de sua mãe. E a
sua mãe não era tão grande na parte superior como o é sua esposa.
Lady Annabel tinha um lenço ali, mas... Seonag se virou e fez um
gesto para o homem que estava sobre a mesa, e ele viu o tecido
encharcado de sangue amarrado ao redor de sua ferida.
Ross franziu as sobrancelhas quando percebeu que a situação
atual de sua esposa era toda culpa dele por não deixá-la embalar um
baú para trazer com ela. Tinha estado tão ansioso por tirá-la de seus
pais... Ross suspirou e então olhou para a multidão interessada ao
redor deles e disse sucintamente: — Fora.
A palavra fora afiada o suficiente, ou talvez sua expressão
desagradável o suficiente, para que cada pessoa se virasse e se
dirigisse imediatamente para as portas. Satisfeito, Ross retirou as
mãos do peito de Annabel e relaxou um pouco.

~ 99 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

Annabel hesitou, mas depois limpou a garganta e disse: — Eu sei


que estava ultrapassando minha autoridade quando ameacei Angus.
Mas preciso do whiskey para limpar a agulha e a ferida, ou este
homem pode perder a perna.
— Perder minha perna? — O homem na mesa gritou de horror.
— Se não for limpa corretamente antes de costura-la, sim —
Annabel admitiu e depois lhe deu um tapinha no braço e assegurou-
lhe: — Mas não vou deixar isso acontecer. Fui treinada pelas
melhores. Você vai ficar bem.
Lembrando-se da maneira como o homem tinha olhado o peito de
sua esposa quando este tinha pairado sobre seu rosto, Ross franziu o
cenho para ele. Seu cenho se aprofundou mais quando percebeu que
não o reconhecia. — Quem diabos é você?
— O mercador de especiarias. — Seonag respondeu por ele. —
Ele ficou ferido quando Jasper assustou seu cavalo e a besta derrubou
sua carroça.
Ross amaldiçoou em voz baixa.
— Jasper? — Annabel perguntou curiosamente.
— Ele era o animal do meu pai — admitiu Ross. — Um excelente
cão de caça e companheiro até que meu pai morreu. Ele tem sido
incontrolável desde então.
Annabel assentiu solenemente, e olhou ao redor enquanto o
cozinheiro saía apressadamente das cozinhas e corria pela sala com
outra taça de whiskey. Ela murmurou — Obrigada. — enquanto
recebia o líquido, sua raiva anterior contra o homem em nada
evidente.

~ 100 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

Angus assentiu com a cabeça, seu olhar ansioso deslizou dela


para Ross, voltando para ela novamente e, então, ele se virou e se
afastou rapidamente, de volta para a segurança de suas cozinhas.
— Como você vai — Yowww! — O comerciante se dobrou e uivou
quando Annabel desfez do pano que ela tinha amarrado em torno de
sua perna e rapidamente derramou uma boa parte do líquido sobre a
ferida aberta. O mercador também sentou-se abruptamente, erguendo-
se sobre Annabel. Sem dúvida, querendo estrangulá-la por causar
tanta dor, mas Ross o pegou pelos ombros e forçou-o a baixar de novo.
Sua esposa nem pareceu perceber a ação do homem. Ela
simplesmente segurou a taça meio vazia para Seonag e disse, — Por
favor, molhe a agulha e fio nisto por alguns minutos.
Seonag assentiu com a cabeça e se moveu imediatamente para
fazer o que lhe fora pedido enquanto Annabel se inclinava para
inspecionar a ferida que acabara de encharcar. Ross segurou o
comerciante e observou em silêncio enquanto sua esposa limpava
cuidadosamente a ferida, aplicando algum tipo de pomada que Seonag
forneceu e, em seguida, costurou-a fechando.
O mercador desmaiou perto do fim da provação. Se de dor ou
perda de sangue, Ross não sabia. Ele estava feliz pelo homem estar em
silêncio. Ele uivou e gemeu durante todo o procedimento. Mesmo
assim, ele não parou de segurar o homem até que Annabel finalmente
se endireitou de sua tarefa, sua mão indo para o meio das suas costas
como se isso a incomodasse.
— Você é bem treinada para cuidar dos feridos — elogiou Ross, e
não era mais do que a verdade. Ela tinha trabalhado com cuidado e
precisão e seus pontos tinham sido pequenos e retos. Ele não tinha
dúvida de que o comerciante iria embora com uma cicatriz agradável e

~ 101 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

uma história para contar. Isso nem sempre acontecia. Ele poderia
facilmente ter perdido a perna para a infecção, ou mesmo poderia ter
morrido em virtude da ferida, com o tempo, mas Ross estava certo de
que os esforços de Annabel tinham impedido que qualquer um dos
resultados ocorresse.
— Obrigada. — Annabel parou de esfregar o centro da parte
inferior das costas e abaixou a cabeça para esconder o rubor que suas
palavras provocaram. Isso fez Ross querer beijá-la.
Lembrando-se de seu plano, ele se virou abruptamente e se
dirigiu para a porta das cozinhas. Ele enfiou a cabeça no ambiente
apenas o tempo suficiente para dar ordens ao cozinheiro, depois se
dirigiu para as portas e saiu examinando as pessoas próximas e sendo
cumprimentado. Espiando Gilly e Liam se aproximarem, ele esperou
pacientemente até que estivessem perto o suficiente para ouvi-lo sem
que tivesse que gritar, e depois deu instruções sobre como mover o
mercador antes de levá-los para dentro.
Annabel e Seonag ainda estavam ao lado do homem na mesa,
discutindo o que fazer com ele, ele percebeu quando se aproximou o
suficiente para ouvir.
— Liam e Gilly vão levá-lo para um quarto lá em cima —
anunciou, interrompendo a discussão. — Isso tornará mais fácil para
você verificá-lo. Além disso, se Jasper causou isso, é o mínimo que
podemos fazer.
— Aye. — Seonag concordou com um suspiro. — Poderá
apaziguá-lo o suficiente para que ele não avise todos os outros
comerciantes para ficarem longe de nós.
— Oh, certamente ele não faria isso? — Annabel protestou e
então perguntou preocupada: — Faria?

~ 102 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

— Sabe-se que isso acontece em outros lugares com incidentes


menores — admitiu Ross com uma expressão infeliz. Se o homem
avisasse os outros mercadores, Annabel seria forçada a usar os
vestidos de sua mãe indefinidamente. Seu olhar deslizou para seu
peito exposto e ele franziu o cenho. Ele estava apreciando a vista, mas
não queria que todos gostassem também.
— Eu vou sentar com ele e fazer um rebuliço de preocupação —
disse Seonag tranquilizadora.
Ross acenou com a cabeça enquanto observava Liam e Gilly
pegar o homem e se dirigirem em direção às escadas com ele. Seonag
os seguiu imediatamente.
— É melhor eu vigiá-lo também — decidiu Annabel.
Ela se virou para sair então, mas ele pegou sua mão para detê-la.
— Nay, eu... — Ele a soltou e olhou ao redor quando a porta das
cozinhas se abriu. Angus entrou correndo em direção a eles com um
saco na mão.
— Aqui está você, meu Laird. Eu mesmo arrumei. O melhor de
tudo. — Assegurou o cozinheiro.
Ross acenou com a cabeça e murmurou um "obrigado" enquanto
ele pegava a bolsa. Pegando o braço de Annabel em sua mão livre, ele
a incitou em direção às portas de guarda. —Venha comigo.
— Para onde vamos? — perguntou Annabel.
Ross não respondeu. Queria surpreendê-la.

— UM PIQUENIQUE. — disse ANNABEL com admiração,


enquanto ela balançava em sua égua ao lado da montaria do marido.
— Eu nunca fui a um piquenique antes.

~ 103 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

— Pensei que isso lhe daria a oportunidade de ver uma parte de


nossas terras — comentou Ross. — Aqui agora é a sua casa.
Nossas terras... E casa, Annabel pensou e sentiu seu rosto se
esticar enquanto seu sorriso se alargava. Ela tinha vivido em Waverly
seus primeiros sete anos e na abadia nos últimos quatorze anos, mas
se ela alguma vez pensou em Waverly como sua casa, ela não
conseguia se lembrar. Ela nunca tinha pensado na abadia dessa
maneira. Durante os primeiros anos, ela simplesmente estivera
esperando que seus pais viessem buscá-la novamente. Tinha certeza
de que a abadessa estava errada quando disse que isso não
aconteceria. E mesmo quando os anos passavam e ela desistiu desse
sonho e reconhecendo que nunca deixaria a abadia, não tinha se
sentido em casa. Ela nunca se encaixara muito bem ali, nunca se
sentira como se pertencesse ou fosse aceita. Annabel simplesmente
não tinha a dignidade para ser uma freira.
— Mas de alguma forma — tinha dito a abadessa com longo
sofrimento. — Devo ensinar-te a ser uma.
E ela certamente tinha tentado. Tornara a vida de Annabel uma
miséria com suas tentativas de ensiná-la. E Annabel tinha tentado o
seu melhor para aprender. Verdadeiramente, ela tinha. Mas não
importava o quanto ela tentasse, simplesmente não era suficiente.
O pensamento a fez considerar sua situação atual, e suas
preocupações de que simplesmente não seria boa o suficiente aqui
também. MacKay poderia não ser sua casa por muito tempo, se esse
fosse o caso. Seu marido poderia colocá-la de lado, ou bani-la, ou...
Bem, ela não sabia o que ele poderia fazer, mas tinha certeza de que
não iria gostar.

~ 104 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

Estes pensamentos desagradáveis foram afastados enquanto


observava que seu marido tinha parado sua montaria. Annabel olhou
ao redor com curiosidade. Eles haviam cruzado o vale sem árvores que
cercava a fortaleza e entrado na floresta há algum tempo atrás. Agora
eles estavam em uma clareira ao lado de um rio — não um riacho,
mas um rio cheio e apropriado, ela viu. Quando seu marido
desmontou, ela soltou as rédeas e começou a deslizar de cima de sua
égua. Foi só até onde ela chegou antes de Ross chegar ao seu lado e
pega-la pela cintura levantando-a.
Seu olhar se abateu sobre o dele quando sentiu seus corpos
roçarem enquanto a abaixava. A ação provocou um motim de
sentimentos através dela, que Annabel não estava preparada. Eles a
deixaram sem fôlego, mas ela parecia ficar sempre sem fôlego ao redor
do homem. Era como se ele tivesse algum feitiço secreto que roubasse
o ar de seu corpo.
— Obrigada — ela murmurou, baixando a cabeça e afastando-se
dele uma vez que seus pés estavam no chão.
— Por nada. — Sua voz era um grunhido profundo que parecia
dizer muito mais do que as palavras que ele tinha falado. Movendo-se
para a traseira do cavalo, pegou uma pele e a entregou a Annabel. —
Aqui, coloque isto onde você pensa que devemos comer enquanto eu
solto o saco com a nossa comida.
Annabel assentiu e aceitou a pele. Ela examinou a clareira, e
rapidamente se estabeleceu em um trecho de grama, ao lado da beira
da água. Ela estendeu a pele e olhou ao redor, enquanto Ross se
aproximava com o pequeno saco que o cozinheiro lhe dera.
— Sente-se — disse Ross, e depois esperou que ela escolhesse
um lugar na pele para sentar antes de se estabelecer ao lado dela. Ele

~ 105 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

colocou o saco na pele diante dele e o abriu, olhando dentro.


Grunhindo, ele puxou um odre de vinho. Foi seguido por um frango
assado embrulhado em pano, pão, frutas, queijo e, finalmente, vários
doces também envoltos em pano.
Annabel se viu lambendo os lábios enquanto examinava as
iguarias. Todas pareciam positivamente deliciosas. Ela se indagou,
porém, se o frango não era um dos muitos destinados para a ceia da
noite. Se sim, ela presumiu que haveria tempo para assar outro em
substituição.
— É um banquete — disse Annabel com um sorriso.
Ross sorriu levemente e assentiu. — O cozinheiro está
obviamente tentando compensar seu mau comportamento anterior.
— Ele foi difícil sobre o uísque, mas eu não deveria ter perdido a
paciência. — Annabel disse calmamente.
— Aquilo foi você perdendo a paciência? — Ele perguntou com
diversão. — Minha mãe, o teria tido debaixo de chicote se não a
obedecesse imediatamente em uma crise como essa.
Annabel piscou diante dessa notícia. Ela esperara pelo menos
uma bronca pelo seu comportamento. Certamente, se a abadessa
tivesse testemunhado, ela teria ordenado a Annabel que se desse pelo
menos uma dúzia de chibatadas. Graças a Deus ela já não estava na
abadia, pensou. Annabel não era uma grande fã da dor e detestava
cada golpe.
— Fale-me sobre MacKay — disse Annabel, enquanto Ross
retirava dois pratos de madeira do saco e eles começaram a enchê-los
com a galinha e outras contribuições.
— O que você deseja saber? — Ele perguntou.

~ 106 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

— Tudo. — ela admitiu com um sorriso, e por algum motivo isso


o fez rir. Annabel pegou um pedaço de frango de sua travessa e comeu,
mas quando seu riso diminuiu, ela perguntou: — Você não tem irmãos
ou irmãs?
— Eu tive um irmão mais novo — admitiu Ross, surpreendendo-
a. Levantando uma perna de frango, ele deu uma mordida, mastigou e
engoliu e então acrescentou: — Ele morreu quando ainda éramos
meninos.
— Como? — Ela perguntou com um franzir de sombrancelhas,
um pedaço de queijo esquecido em sua mão.
— Ele foi espetado por um javali em sua primeira caçada — disse
Ross em voz baixa.
— Meus pêsames — disse Annabel, solenemente.
— Foi há muito tempo — disse Ross, encolhendo os ombros e
acrescentando: — Tenho também uma irmã mais nova e ela
sobreviveu à nossa infância.
— Realmente? — Ela perguntou com interesse.
— Sim. Giorsal. Ela é casada com o nosso vizinho, Bean.
— Bean? — Annabel ecoou o apelido incerta.
— É abreviatura para Beatham — explicou. — O Laird
MacDonald. Eles nos visitam frequentemente. Sem dúvida você vai
encontrá-los logo que ela ouvir que eu voltei com minha noiva. O que
deve ser amanhã, o mais tardar — acrescentou secamente.
Annabel sorriu fracamente e assentiu enquanto olhava ele
morder e mastigar o queijo e o pão, mas suas palavras a fizeram
pensar em sua própria irmã, e se perguntar como ela estava. Ela
esperava que Kate estivesse feliz com seu cavalariço e que as previsões

~ 107 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

de sua mãe estivessem erradas. Annabel sempre tinha observado e


adorado Kate.
— Giorsal e Bean têm uma criança. O jovem Bryson — Ross
informou e Annabel olhou para ele com surpresa.
— Então você é um tio?
Ele assentiu. — E você é uma tia.
Annabel piscou várias vezes quando percebeu que ele estava
certo. Eles estavam casados agora e o sobrinho dele era agora o seu
sobrinho. Sacudindo a cabeça, ela engoliu um pouco de queijo e
pensou como era incrível que sua vida pudesse mudar tanto com
apenas uma ação. O tamanho de sua família tinha mais do que
duplicado com um voto do casamento.
— Você não tinha irmãos?
Annabel lançou-lhe um olhar e balançou a cabeça rapidamente.
— Nay.
— Mas você tem uma irmã.
Esse comentário a fez segurar a rspiração. Annabel sabia que
seus pais não haviam abordado o assunto de seus filhos, esperando
passá-la como a mais velha, mas ela supôs que era demais esperar
que ele não soubesse que tinham mais de um filho.
— Sim. Eu tenho uma irmã. Kathryn. — ela acrescentou
calmamente.
— Quem é a mais velha?
Annabel inclinou a cabeça e fechou os olhos. Ela sabia, sem
dúvida, que sua mãe a teria aconselhado em mentir para ele e afirmar
que ela era a mais velha. Ela também sabia que dizer-lhe a verdade
poderia deixa-lo muito irritado, mas ela simplesmente não podia
mentir.

~ 108 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

Seu apetite de repente desapareceu, Annabel pôs a comida no


prato e se levantou, movendo-se até o rio para lavar os sumos de
galinha de suas mãos. Ela não vestira seus sapatos naquela manhã,
algo que, frequentemente, a tinha metido em problemas na abadia,
mas seu marido não parecia se importar. Ou talvez ele, simplesmente,
não tivesse notado isso quando ele a colocou em seu cavalo, ela
reconheceu. Correr de pés descalços muitas vezes a tinha colocado em
problemas com a abadessa, mas agora era útil, pois só precisara
puxar as saias para cima e entrar no córrego e dobrar-se para lavar as
mãos.
— Muito conveniente. — Annabel decidiu quando terminou e se
endireitou. Olhando para fora da água, então, ela tomou coragem e
admitiu: — Eu sou a irmã mais nova. Kate era a primogênita dos meus
pais.
Sentiu Ross aproximar-se atrás dela e acrescentou rapidamente:
— No entanto, ela foi repudiada e por isso sou agora a filha mais velha
deles.
Annabel podia senti-lo aproximando-se em suas costas e se
perguntou como tinha tirado as botas tão depressa. Quando suas
mãos pousaram em seus ombros, ela mordeu o lábio e simplesmente
esperou.
— Eu já sabia isso. — ele admitiu suas mãos deslizando em torno
de sua cintura.
Annabel tentou instintivamente virar-se, mas seu controle sobre
ela a impediu, então ela apenas olhou por cima do ombro para
perguntar: — Você já sabia o quê?
— Que você não era a mais velha.
Ela franziu o cenho. — Então por que perguntou?

~ 109 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

— Para ver se você diria a verdade — admitiu.


— Oh. — Annabel virou-se de frente novamente com um pequeno
suspiro, feliz por ela ter optado pela verdade. Mas então ela franziu o
cenho e olhou para trás novamente para perguntar: — Como você
sabia?
— As pessoas falam — ele disse simplesmente.
— Você sabia quando você se casou comigo? — Ela perguntou,
certa de que ele não sabia.
Mas ele assentiu solenemente.
Annabel virou-se para frente novamente, incerta quanto ao que
ela deveria sentir. Finalmente, ela perguntou: — Então por que você se
casou comigo? Por que não declarar o contrato quebrado?
— Porque eu queria você.
As palavras eram bastante simples, mas não faziam sentido para
Annabel. — Ele a queria? Por quê? Ela era imensa, destreinada e não
qualificada. Por que diabos ele iria quere-la como sua esposa?
— Por quê? – O questionamento escorregou de seus lábios,
soando tão desnorteado quanto ela sentia. Para seu espanto, o peito as
suas costas vibraram contra ela com divertimento, e então suas mãos
se deslizaram para cima em sua cintura e Annabel olhou para baixo
com choque enquanto suas mãos grandes e ásperas deslizaram e
roçaram seus seios através do pano que os cobria.
— Porque eu queria você. — Ross repetiu em seu ouvido
enquanto suas mãos começavam a massagear a sua carne macia. Para
aumentar sua confusão, ele também começou a fazer algo em seu
ouvido, mordiscando e sugando-o de uma maneira que era tão
excitante quanto o que ele estava fazendo com seus seios. A

~ 110 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

combinação dos dois causavam uma estranha vibração em seu


estômago e âmago.
— Marido? — Annabel disse incerta, e então ofegou quando uma
de suas mãos deslizou entre suas pernas através de seu vestido. Ele
segurou-a lá e usou sua mão para levantá-la da água contra ele para
que Annabel pudesse sentir uma dureza pressionando seu traseiro.
Liberando sua mão de seu seio, Ross então pressionou sua
cabeça para trás, girando-a, para reivindar seus lábios em um beijo
que não era nada como aquele primeiro que tinham compartilhado, em
sua noite de núpcias. Seu primeiro beijo, após a cerimônia de
casamento, tinha começado suavemente e crescido em sua
intensidade. Este era profundamente devastador, desde o início, e a
teve tentando agarrar o que pudesse obter para ajudá-la a permanecer
firme e em pé. Ela acabou cobrindo uma de suas mãos com a sua
própria, e afastando a outra para agarrar o plaid em seu quadril em
quanto a língua mergulhava em sua boca.
Annabel não percebeu que a mão usada para virar o seu rosto
havia deslizado para baixo afastando-se até que ela sentiu ar frio em
seus seios e percebeu que ele a tinha usado para puxar o decote mal
ajustado para baixo. Rompendo o beijo, ela olhou para baixo vendo
que seus seios tinham se derramado ansiosamente para fora do decote
e ele estava agora pegando um em sua mão e apertando-o
ansiosamente.
— Mas é quarta-feira. — ela gemeu enquanto Ross apertava um
mamilo, enviando flechas de excitação para onde sua mão ainda a
segurava entre as pernas. — É contra a lei se entregar a cama em uma
quarta-feira.

~ 111 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

Annabel lamentava muito ter que dizer isso, pois na verdade


estava gostando do que estava fazendo.
— Não há cama aqui. — Ross assinalou em sua orelha que ele
tinha voltado a mordiscar quando ela rompeu seu beijo, e então ele a
colocou de volta em seus pés na água para que ele pudesse deslocar a
mão de entre suas pernas. Ele não a tirou como ela havia esperado,
mas usou-a para puxar a saia com um par de sacudidas para que sua
mão pudesse serpentear abaixo dela e deslizar entre suas pernas sem
o vestido no caminho.
Era uma manobra muito eficaz, Annabel reconheceu,
pressionando-se de volta com um gemido enquanto seus dedos
dançavam sobre a carne que nunca tinha sido tocada antes, mesmo
por ela mesma. Talvez fosse por isso que sua pele reagia tão mal,
inchando ansiosamente sob sua carícia e quase dançando ao seu
toque.
— Marido? — Ela ofegou incerta, incapaz de impedir que seus
quadris se deslocassem ao seu toque a medida que sua excitação
aumentava.
— Aye? — Ele parou de acariciar o peito que estava atendendo e
deslocou sua atenção para o outro peito, apertando e amassando
aquela carne ansiosa agora e Annabel gemeu e depois virou a cabeça
em busca de seus lábios novamente. Foi um grande alívio quando sua
boca a cobriu, abrindo-a e dando as boas-vindas aos golpes de sua
língua. Sua própria língua lutou com a dele brevemente, e então ela se
contentou em simplesmente chupar enquanto o beijo continuava.
Annabel estava apertando o braço que mantinha a mão entre
suas pernas agora, incitando-o enquanto a conduzia a um frenesi com
suas carícias, mas ela estava completamente despreparada para a

~ 112 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

inserção súbita do que ela pensava que era um dedo lá embaixo. Ela
sustou um grito enquanto a excitação lhe agitava subindo outro grau
insuportável. Annabel teve que morder a sua boca para evitar morder
a própria língua e uma vez que ela simplesmente torceu a cabeça
contra seu peito, ofegante, disparando súbito derramamento de seus
lábios enquanto ela lhe montava a mão, e então a tensão construida
entre suas pernas de repente explodiu atravessando o seu corpo,
arrancando um grito de prazer de seus lábios enquanto ela
convulsionava sobre ele.

~ 113 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

Capítulo 6

O corpo de Annabel ainda pulsava com sua liberação quando


Ross subitamente a carregou, a levando para fora do rio. A bainha de
sua saia batia molhada contra suas pernas, mas Annabel não se
importava. Ela estava muito atordoada pelo que acabara de acontecer.
Em todas as palestras da abadessa e do padre Gerder, bem como
todas as conversas sussurradas com as outras noviças, nenhuma vez
alguém havia mencionado que, o que ela tinha acabado de
experimentar, poderia acontecer. E isso era chocante, ela decidiu.
Muitas mulheres iriam para seu leito de casamento com menos medo
e terror se elas soubessem que poderia ser assim. Na verdade, ela
agora estava se sentindo um pouco enganada que Ross a tivesse
deixado bêbada para que não se lembrasse da primeira vez juntos.
Seus pensamentos se dispersaram quando Ross ajoelhou-se
sobre as peles para deitá-la e então começou a trabalhar nos laços de
seu vestido. Emrubescendo, ela agarrou suas mãos para detê-lo, de
repente tímida ao pensar que ele a veria desnuda. — O que era
ridículo. — ela supôs, quando percebeu que seus seios já estavam fora
e que sua saia estava emaranhada em torno de seus quadris.
Notando a pergunta no rosto de Ross, e não querendo admitir
seus sentimentos tolos por estar completamente nua na frente dele,
Annabel fez a única coisa que pode pensar em fazer, e a única coisa

~ 114 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

que ela realmente queria fazer... Ela o beijou. Annabel apertou a boca
na dele e, para seu alívio, ele respondeu imediatamente, assumindo e
pressionando seus lábios abertos para um beijo completo.
Suspirando com alívio em sua boca, Annabel deslizou seus
braços ao redor de seu pescoço e segurou firmemente enquanto ele a
baixava de volta para as peles, seu corpo descendo por cima do dela.
Ele ainda usava sua plaid, então foi uma surpresa quando ela sentiu
sua dureza entre as pernas. Tendo experimentado o prazer de seus
dedos acariciando lá embaixo, Annabel não estava preocupada e
afrouxou as pernas, gemendo quando seu membro imediatamente
deslizou sobre sua carne úmida, reanimando sua excitação anterior
tão recém-saciada.
O som parecia incentivá-lo, e seu marido fez isso de novo, e
depois uma terceira vez.
— Por favor. — ela gemeu, suas pernas mudando inquietas antes
de se envolver instintivamente em torno de seus quadris. Annabel não
poderia dizer pelo que realmente estava implorando, mas seu marido
deu a ela de qualquer maneira e seus olhos se abriram em choque
quando descobriu exatamente o que todo mundo estava falando
quando se tratava da dor da ruptura. — Querido Deus — sentiu como
se ele tivesse enfiado sua espada nela, e Annabel percebeu que ela
estava fazendo pequenos gemidos de dor e os cortou imediatamente,
quando Ross parou e, ainda plantado dentro dela, levantou-se o
suficiente para olhar em seu rosto.
— Você está bem? — Ele perguntou com preocupação.
Annabel mordeu o lábio. Ela queria gritar — Não! — Mas assentiu
em vez disso e tentou por um sorriso nos lábios, ao que, ela
suspeitava, falhara miseravelmente.

~ 115 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

— Eu deveria parar? — Ross perguntou com uma expressão de


dor que sugeria que ele não queria parar.
Ela hesitou, mas depois perguntou: — Está terminado?
Annabel ficou muito desapontada quando ele balançou a cabeça.
Ela fechou os olhos brevemente, dando-se um momento para deixar o
pior dor aliviar e depois balançou a cabeça. — Nay. Então vá em
frente.
Ele o fez. Ross deslizou seu corpo lentamente no dela, sem
dúvida em um esforço para ir gentilmente, e então ele deslizou para
dentro e ela teve que apertar os dentes para não choramingar de dor.
Com o terceiro impulso, ela tinha certeza de que nunca mais iria
querer fazer isso de novo, mas Ross colocou as mãos entre eles e
começou a acariciá-la novamente.
Annabel quase disse para ele não se incomodar, certa de que não
faria diferença. Seu prazer anterior era uma coisa morta e certa, mas
então uma brasa restante acendeu e sua excitação anterior começou a
se esticar e escancarar dentro dela. Annabel prendeu a respiração
quando começou a crescer e a dor começou a diminuir em comparação
e então Ross pausou em seu impulso para reivindicar sua boca com a
dele.
Ela o beijou de volta, seus quadris começando a segui-lo em sua
carícia e dançando involuntariamente no eixo atualmente enterrado
nela.
Ross gemeu em sua boca, e então rompeu seu beijo para se
endireitar e concentrando-se em acariciá-la. Ele tinha parado de se
mover agora, toda sua atenção em deixá-la louca com seu toque, mas
não importava. Annabel estava agora deslocando seus quadris contra
os dele, montando sua ereção como tinha montado em sua mão. Como

~ 116 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

a tensão construída nela novamente, ela agarrou desesperadamente


na pele de cada lado dela e empurrou mais duro em seu toque, e
involuntariamente em sua ereção. Assim quando a tensão dentro dela
explodiu novamente, Ross parou de acariciá-la e agarrou seus quadris
e ele empurrou em sua última vez com um grito que assustou os
pássaros das árvores próximas.

ANNABEL APOIOU seu cotovelo em seus joelhos levantados, seu


queixo na palma da mão e olhou para o marido.
Depois de se desmoronar ao lado dela na pele e arrastá-la para
ficar deitada em seu peito, Ross adormeceu. Annabel tentou dormir
com ele, mas descobriu que não estava cansada. Então, depois de ficar
ali deitada por vários minutos, ela se afastou de seu abraço e se
sentou. Agora ela se encontrava simplesmente olhando para ele com
fascínio.
O homem sempre adormecera por último e acordara primeiro
desde a noite de núpcias. Esta era a primeira vez que ela o via
enquanto dormia e foi uma experiência interessante. No sono, o rosto
de Ross estava desprotegido, sua expressão suave. Isso o fez parecer
muito mais jovem. Ele também roncava alto o suficiente para acordar
os mortos. Isso a fez pensar que seria uma coisa boa se ela dormisse
primeiro, todas as noites pelo resto de seu casamento.
Annabel sorriu levemente com aquele pensamento, mas seu
sorriso desapareceu quando se lembrou de sua admissão de que ele
sabia que ela era a segunda filha quando ele se casou com ela. O
conhecimento trazia um pouco de alívio. Pelo menos ele não estava
zangado com isso. No entanto, não aliviava todas as suas

~ 117 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

preocupações quando se tratava de seu casamento. Ele ainda não


tinha ideia de como ela iria ser inútil como uma esposa porque
crescera na abadia.
Suspirando, Annabel se pôs de pé, fazendo uma careta quando
viu que a saia de seu vestido tinha secado e estava agora enrugada
para além da reparação. Ela puxou o decote, tentando convencer seus
seios a voltarem para ele. Mas parecia uma façanha impossível sem
desfazer os laços e refazendo-os.
Encolhendo os ombros, ela rapidamente desfez os laços, mas
então, sentindo líquido deslizar por entre suas coxas, decidiu dar um
rápido mergulho no rio para se limpar e simplesmente deixou o vestido
cair sobre a pele. Annabel se sentiu muito descarada e corajosa por
um momento, mas a possibilidade de Ross acordar enquanto ela
estava no rio e ter que caminhar para as peles, nua, para recuperar
seu vestido com ele assistindo era o suficiente para fazê-la dobrar e
pegar o vestido transportando-o para a borda do rio com ela.
Lá ela o colocou sobre uma rocha quase grande o suficiente para
manter a bainha do vestido fora da grama e, em seguida, pisou
hesitantemente na água. Devia vir das montanhas, porque era
extremamente fria, clara e limpa. O rio também estava se movendo
surpreendentemente rápido e Annabel decidiu que ela teria que ser
cautelosa para que a corrente não a derrubasse sobre os seus pés.
Com esse pensamento em mente, ela deslizou lentamente pela
água até que esta atingiu sua cintura, que não demorou muito em
tudo. O banco caia abruptamente, e a corrente também crescia mais
forte a cada passo para que ela não se arriscasse a ir mais longe, mas
fez uma pausa lá e rapidamente se limpou antes de virar a cabeça de
volta para a costa.

~ 118 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

Annabel retirou-se da água muito mais depressa do que entrara,


o frio não a encorajando em persistir. Uma vez em terra, em vez de
esperar que a brisa macia a secasse, imediatamente tentou vestir seu
vestido para cobrir sua pele gelada. Isso fora um erro, ela foi forçada a
reconhecer minutos depois, enquanto lutava para vesti-lo. Ela o tinha
puxado sobre a cabeça, o que tinha sido relativamente fácil naquela
manhã, quando sua pele estava seca. Não era tão fácil agora. A cintura
a tinha agarrado e enrolado em volta dos ombros e seios, deixando as
mãos presas nas mangas e o corpete cobrindo sua cabeça.
Murmurando em voz baixa, Annabel esforçou-se para pelo menos
puxar com força as mangas em seus braços para liberar suas mãos
para que ela pudesse ou remover o vestido, ou puxar o corpete em
torno de seu pescoço e liberar seu rosto, mas o som de ramos
quebrando, fez com que de repente pausasse. Virando a cabeça por
dentro do pano, ela ouviu, cegamente por um momento e depois um
sussurro e outro ramo quebrando fizeram seu coração parar.
— Ross? — Ela sussurrou incerta. Ele tinha parado de roncar e
se ele estava acordado e levantado... Bem, isso seria embaraçoso. Mas
se fosse outra pessoa que ainda não tinha entrado na clareira e os
avistasse, ela dificilmente iria querer chamar sua atenção.
Mordendo seu lábio, ela ouviu o silêncio em reposta com um
coração afundando. — Certamente Ross teria respondido? Bem, a
menos que ele tivesse morrido de rir ao descobrir sua situação. — ela
supôs, mas Annabel tinha certeza de que ela teria ouvido isso. Além
disso, o súbito silêncio não era um bom sinal. Ou os sons que ouvira
eram de alguém que a ouvira sussurrar e agora estava ouvindo
aguardando outro chamado para ver de onde viera, o que ela

~ 119 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

definitivamente não queria. Annabel não desejava que seu marido a


visse assim, muito menos um estranho.
Ou a alternativa era de que os sons pertenciam a alguém que
estava tentando esgueirar-se sobre eles na clareira, e que tinha
pausado cautelosamente quando da sua chamada para convencê-la
que não havia ninguém lá. No entanto, os arrepios que agora cobriam
seus braços e peito estava lhe dizendo que havia definitivamente
alguém por perto.
Respirando fundo, Annabel inclinou a cabeça para trás e
descobriu que era capaz de ver pelo topo do decote do vestido. Ela mal
tinha feito a descoberta quando um som estridente lhe chegou ao
ouvido. Estava mais perto do que os outros sons. Quem quer que
fosse, estava quase sobre ela. Virando-se abruptamente na direção do
som, inclinou-se bruscamente para a cintura, mantendo a cabeça no
mesmo ângulo e tentando detectar a fonte do som.
Quando Annabel vislumbrou uma figura grande que se movia em
sua direção, ela não parou para olhar melhor, mas gritou.
Endireitando-se, se virou correndo cegamente na direção oposta da
fonte do som.

ROSS FOI ACORDADO por um grito agudo. Piscando os olhos


abertos, sentou-se imediatamente, mas demorou a se orientar sobre
onde estava. Então recordou a clareira, sua esposa e que seu
casamento fora consumado finalmente. O conhecimento estava
tentando trazer um sorriso em seu rosto quando um segundo guincho
chamou sua atenção e puxou seu olhar para o lado. O que ele viu,
então, deixou-o chocado e tenso como uma vara. Alguém, sua esposa,

~ 120 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

ele presumiu, uma vez que parecia que seu vestido estava emaranhado
em torno de sua cabeça e ombros, estava correndo cegamente sobre a
clareira com a saia de seu vestido apenas cobrindo seus pedaços
privados e deixando suas pernas nuas. Ele ficou tão assustado com a
visão dela assim, que Ross levou um momento para perceber que
alguém a estava perseguindo. Um homem. Um maldito grande homem.
Vestido com uma plaid e uma camisa de algodão branco, o sujeito
estava correndo atrás de sua esposa, os braços estendidos.
Um baque voltou seu olhar para sua esposa a tempo de vê-la
saltar de um tronco de árvore e cair para trás, no chão da floresta.
Ross estava de pé em um instante, um rugido de batalha em seus
lábios. O som fez que a cabeça do perseguidor de sua esposa olhasse
ao redor assim que alcançou Annabel. Quando viu Ross avançando,
fez o que qualquer homem esperto faria... Deixou Annabel onde estava
e correu como o inferno na direção oposta.
Ross observou-o desaparecer na floresta enquanto corria para o
lado de sua esposa, mas não o perseguiu. Ele estava muito
preocupado com Annabel. Ela tinha batido forte na árvore e já havia
sangue manchando o vestido onde pensou que sua cabeça deveria
estar. Também estava deitada imóvel. Tudo isso foi o suficiente para
que decidisse que ela tinha precedência.
— Annabel? — Ele disse com preocupação, ajoelhando-se ao lado
dela na grama.
Alívio se derramou através dele quando ela gemeu em resposta.
Ela estava viva, pelo menos. Ross tranquilizou-se, e começou a luta
para tirar o vestido dela para que pudesse ver o quão ruim era sua
lesão. No final, o emaranhado em que ela se meteu o derrotou e Ross

~ 121 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

teve que encontrar seu dubh sgian e cortar fora o material que não
cedia.
Uma maldição deslizou de seus lábios quando viu sua cabeça
ferida. Um grande galo já estava se erguendo no centro da testa de
Annabel e colorindo um feio e manchado preto e azul com um corte
vermelho no centro que estava escorrendo sangue. Empurrando-a
para cima, Ross levou-a para o cavalo, mas depois parou e espiou dela
até a pele onde estava sua plaid e sua espada. Amaldiçoando de novo,
ele a levou para a pele e a deitou sobre ela enquanto ele pegava sua
camisa e plaid. Ross vestiu sua camisa, mas não se incomodou em
dobrar plissados em sua plaid. Ele simplesmente amarrou o material
em torno de sua cintura. Então agarrou sua espada, e cruzou a
clareira até os cavalos para deslizar a arma em um laço em sua sela
antes de retornar para recolher sua esposa.
A visão de Annabel ali deitada, meio nua, com o vestido em
ruínas debaixo dela, fez com que ele a erguesse junto com a pele e
tudo mais. Puxando-a ao redor dela como se estivesse enrolada ao
redor de um bebê, ele a levou para os cavalos e depois parou de novo.
Ele não podia montar com ela em seus braços assim. Resmungando
um pedido de desculpas, apesar do fato de que ela estava
inconsciente, Ross jogou-a sobre seu cavalo em seu estômago, agarrou
as rédeas de sua égua e depois montou atrás de Annabel.
Uma vez na sela, ele rapidamente a deslocou para descansar em
seus braços novamente. Ross então incitou seu cavalo para fora da
clareira e em uma corrida para casa. Ele tinha que levar Annabel para
Seonag. Ela saberia o que fazer.

~ 122 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

A CABEÇA DE ANNABEL estava martelando quando acordou.


Esse martelar só piorou quando ela tentou abrir os olhos e a luz a
sobrecarregou. Então ela os fechou novamente rapidamente com um
gemido e tentou alcançar sua cabeça, apenas para ter as mãos presas
a meio caminho de lá e seguras firmemente.
— Agora, moça. Você não vai querer fazer isso. Está sem dúvida
sensivel no momento e você só vai causar-lhe mais dor.
— Seonag? — Annabel disse incerta, não querendo abrir os olhos
novamente no momento, mas com certeza ela tinha reconhecido a voz
da mulher mais velha.
— Aye. Sou eu, e você está em segurança em casa agora — disse
a mulher calmamente.
— Casa. — Annabel ecoou a palavra suavemente, confusão a
enchendo. — O que aconteceu? Por que a minha cabeça doi tanto?
— Você não se lembra? — perguntou Seonag.
Annabel ouviu o que ela achava que era preocupação em sua voz
e franziu a testa, tentando se lembrar. Depois de um momento, ela
disse lentamente: — Ross me levou para um piquenique.
— Aye — disse Seonag com um tom de alívio.
— E nós... Er... Comemos... — ela terminou mal, não disposta a
dizer o que mais eles tinham feito. Sendo esse o caso, ela passou para
o próximo passo rapidamente. — Ross adormeceu.
— Os homens costumam fazê-lo depois de um piquenique.
Annabel estava certa de que havia diversão na voz da mulher
enquanto dizia a palavra piquenique, e suspeitava que a criada
soubesse que mais do que piquenique havia acontecido, mas
continuou: — E eu fui nadar no rio.

~ 123 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

— No rio? — gritou Seonag, alarmada. — Maldita maldição. Com


sorte, as correntes não a levaram. Não volte a fazer isso, moça.
— Não voltarei. — Annabel assegurou-lhe e soube que era
verdade, mas não seria o aviso de Seonag que a impediria. Era o quão
a água tinha estado fria, e o que ela estava agora se lembrando que
tinha acontecido depois de seu mergulho no rio que a impediria de
fazer isso novamente. — Eu tentei vestir meu vestido, mas estava
molhado e me enrolei nele.
— Ah — disse Seonag, como se aquela explicação esclarecesse
algo que ela não entendera.
— E então ouvi ramos quebrando e o capim como se alguém
estivesse se aproximando — Annabel continuou lentamente enquanto
a lembrança fluía sobre ela. — Eu podia apenas ver por sobre gola do
vestido se eu inclinasse minha cabeça para trás e olhasse através dela,
então eu me dobrei na direção que o som estava vindo.
— Você o viu? — perguntou Seonag.
— Só o suficiente para saber que alguém estava se aproximando.
— Annabel disse com uma careta. Em sua memória, tudo o que
vislumbrou foi uma faixa de plaid se movendo em direção a ela.
— E era um inglês ou um homem numa plaid? — Seonag
perguntou com uma careta.
— Uma plaid — respondeu Annabel.
— Ah. — Seonag fez uma breve pausa e Annabel adivinhou que
ela estava balançando a cabeça quando ela acrescentou: — Aye. Foi
isso que o Laird disse. Um homem com plaid.
— Ele o viu? — perguntou Annabel com surpresa, piscando, os
olhos abertos brevemente apenas para fechá-los novamente quando a
dor mais uma vez os esfaqueou em sua cabeça junto com a luz.

~ 124 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

— Aye. Ele disse que a viu primeiro. — Houve uma breve pausa e
então ela disse prudentemente. — Ele disse que você estava correndo
pela clareira como uma galinha com a cabeça cortada. Seu vestido em
volta da cabeça e cega.
— Oh. — Annabel soltou a palavra em um suspiro. A imagem que
as palavras de Seonag pintaram não era boa. Sem dúvida, ela parecera
uma completa idiota.
— Ele contou que você encontrou uma árvore, sim? — perguntou
Seonag, obviamente pensando que ela se lembraria daquela parte de
sua aventura.
— Era uma árvore? — Annabel perguntou fracamente. — Tudo o
que eu lembro é de bater em algo duro e dor explodindo na minha
cabeça.
— Hmmm. Sua memória está toda aí, então — disse Seonag,
soando aliviada.
Annabel não comentou, mas simplesmente perguntou: — Meu
marido pegou o homem?
— Nay. — respondeu Seonag. — O Laird não deu perseguição.
Ele estava mais preocupado em trazê-la para casa para curar sua
ferida. Ele está lá fora agora com os homens, batendo nos arbustos e
procurando por ele.
— Oh — Annabel murmurou estranhamente desapontada por ele
simplesmente ter deixado ela ali, sob os cuidados de Seonag, e saido
correndo em vez de ficar para vê-la acordar e se assegurar de que
estava bem. Ela supôs que fosse bobagem, mas depois do que tinham
feito na floresta, ela pensou...
— Ele queria ficar. — acrescentou Seonag. — Mas ele estava me
deixando maluca, andando como um animal enjaulado e olhando

~ 125 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

sobre meu ombro enquanto eu tentava limpar sua ferida. Então eu o


mandei para fora do quarto. Disse que se ele não saisse e fosse
encontrar o homem responsável, eu ia parar o que eu estava fazendo e
deixaria o cozinheiro cuidar de você. O cozinheiro não é muito bom
com feridas, então ele saiu. — Acrescentou.
— Oh! — murmurou Annabel, sentindo-se um pouco melhor
sobre ser abandonada. Embora, ela fosse se sentir ainda melhor se
ouvisse que ele tinha deixado a sala apenas para pairar ansiosamente
no corredor, assombrando a porta como um fantasma em sua
preocupação. — Isso. — ela supôs, era bobagem também, mas ela não
podia remediar o que desejava.
— Você pode abrir seus olhos agora? — Seonag perguntou de
repente.
Annabel hesitou, mas depois abriu os olhos e fechou-os de novo.
— Nay.
— Tente mais devagarzinho — sugeriu Seonag. — Abra apenas
um pouquinho, então um pouco mais.
Ela fez uma careta, mas abriu os olhos apenas uma lasca.
Causou dor, mas não foi tão ruim quanto quando abriu antes. Assim
Annabel os abriu um pouco mais. Demorou um par de momentos, mas
no final ela foi capaz de abrir os olhos por todo o caminho sem muito
desconforto.
— Bom. — Seonag a elogiou, e então pegou uma taça na mesa de
cabeceira e perguntou: — Você acha que pode beber isso?
— O que é? — perguntou Annabel.
— Uma tintura de casca de salgueiro branco. — disse Seonag. —
Ajudará com a dor.

~ 126 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

— Aye — murmurou Annabel. Ela conhecia a casca de salgueiro


branco de seu trabalho com a irmã Clara. A boa irmã frequentemente
a usara para aliviar a dor ou reduzir a febre.
Seonag a ajudou a se sentar e Annabel bebeu o líquido quando
ela pressionou a taça nos lábios.
— Bem. — disse Seonag, descendo suas costas para a cama
quando ela terminou. — Por que você não descansa um pouco agora
até que isso funcione?
— Aye — murmurou Annabel. Sua cabeça doía o suficiente para
que o sono soasse como uma boa fuga, mas ela duvidava que ela
conseguisse com a cabeça martelando como estava. Ainda assim, ela
fechou os olhos e tentou relaxar.

— NADA? — ROSS perguntou com uma carranca quando Gilly


cavalgou na clareira e desmontou. Ele tinha retornado apenas alguns
momentos atrás, depois de procurar pela área. Ele havia encontrado
várias trilhas, mas nem sequer havia visto o homem que estivera
perseguindo sua esposa.
Gilly balançou a cabeça, sua expressão sombria. — Encontrei os
restos de um acampamento. Era provavelmente alguém apenas de
passagem. Ele, provavelmente, viu sua linda e pequena esposa,
pensou que estivesse sozinha e... — Ele encolheu os ombros, e então
sugeriu: — Ou talvez ele estivesse tentando ajudá-la com seu vestido.
Você disse que ela estava em um tumulto com ele.
Ross franziu as sobrancelhas para ambas as sugestões e
balançou a cabeça. — Qualquer opção é possível, suponho. — admitiu

~ 127 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

relutantemente, e depois acrescentou secamente: — A primeira opção


é mais provável do que a segunda.
— Aye. — Gilly assentiu, depois levantou as sobrancelhas e
perguntou: — Mas?
Ross hesitou, mas depois admitiu: — Foi essa a conclusão que eu
cheguei quando não conseguimos encontrar o homem que assustou
Annabel naquela primeira noite de viagem.
— Eu tinha esquecido sobre isso. — Gilly admitiu com uma
carranca.
— Eu não tinha. — Ross disse calmamente e então acrescentou:
— Um viajante que tropeçou nela por acidente uma vez foi uma coisa,
mas duas vezes?
— Hmmm. — Gilly considerou isso, mas depois apontou: —
Ainda assim, você disse que o primeiro homem estava usando roupas
inglesas.
— Eu não o vi, apenas sua trilha. Foi Annabel quem mais tarde
disse que estava usando braies. — Ross lembrou-lhe. Ele a interrogou
mais sobre o que tinha visto enquanto eles estavam sentados ao redor
do fogo naquela noite e a Annabel tinha ficado bem claro que o homem
que ela vira estava vestido de traje inglês, uma camisa suja branca e
braies.
— Oh, sim. — Gilly assentiu. — E você diz que este estava
usando a plaid?
— Aye. — Ross concordou, e relutantemente admitiu: — Eu
suponho que possa ser duas ocorrências não relacionadas.
— Provavelmente — concordou Gilly, mas agora parecia
duvidoso.

~ 128 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

Ross olhou para ele por um instante, mas depois balançou a


cabeça e se dirigiu para o cavalo. Eles não iam encontrar nada aqui e
ele queria verificar Annabel. Ele só tinha saído porque Seonag não
permitia que ele ficasse no quarto enquanto ela a cuidava e ele se
sentia inútil andando pelo grande salão. Procurar o homem que tinha
perseguido sua esposa até a árvore parecia um melhor gasto de tempo
do que passear torcendo as mãos como um velho. Mas ele procurou,
não encontrou nada, e agora queria ver sua esposa... Seonag gostasse
ou não.

~ 129 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

Capítulo 7

Annabel suspirou sonolenta e abriu os olhos antes que ela


estivesse acordada o suficiente para se lembrar da dor que a ação lhe
causara a primeira vez que ela acordou. Felizmente, não causou dor
agora. Na verdade, além de um latejar maçante em sua cabeça, como
uma voz distante mal ouvida, ela se sentia bem.
— Como você está?
Ela olhou para o lado com surpresa quando ouviu aquela
pergunta em uma voz profunda e ressoante e olhou fixamente para
seu marido. Ross estava inclinado para frente, ansiosamente, em uma
cadeira ao lado da cama, olhando para ela com preocupação.
— Muito bem, miLord — admitiu Annabel, e depois fez uma
careta e acrescentou: — E um pouco tola.
Suas sobrancelhas levantaram-se em surpresa: — Por quê?
— Bem, eu me nocauteei. — ela apontou secamente, e lembrando
o recital de Seonag sobre a descrição de sua provação, acrescentou: —
E da forma mais indigna.
Ross ficou completamente imóvel por um momento, seus lábios
se contorcendo, e então ele se virou e tossiu em sua mão.
A ação fez os olhos de Annabel estreitarem. A tosse soou
suspeitosamente como uma tentativa de cobrir uma risada.
Certamente ele não estava rindo de seu sofrimento? Ela franziu o

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Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

cenho ante a ideia, mas depois sacudiu a cabeça e fechou os olhos,


diversão curvando seus lábios, enquanto imaginava a imagem que ela
devia ter feito correndo cegamente com o vestido sobre a cabeça. Não
parecia engraçado quando ela estava fugindo da figura desconhecida
na clareira, mas Annabel teve que admitir que agora pudesse ser... Um
pouco.
— Nós procuramos pelo seu agressor — disse Ross depois de um
momento, que ela supôs que precisou para se compor.
Seus olhos se abriram e ela se virou para olhá-lo de novo, desta
vez franzindo o cenho. — Eu fui atacada? Pensei que tivesse me batido
com uma árvore.
— Aye, você bateu — reconheceu. — Mas quando os seus
guinchos me acordaram, alguém estava perseguindo você.
— Guinchos? — perguntou ela com afronta. — Eu não guincho,
marido.
Sua boca se abriu e fechou brevemente e ele se virou para outra
pseudo tosse, mas depois assentiu solenemente. — Eu quis dizer
gritos. Quando os seus gritos me acordaram.
— Hmmm. — Annabel disse apenas ligeiramente apaziguada, e
então perguntou curiosamente: — Quem era ele e o que ele estava
fazendo ali?
Todos os traços de diversão fugiram de seu rosto então e Ross
pareceu sombrio quando admitiu: — Eu não entendo. Parecia que ele
estava perseguindo você, mas ele poderia estar tentando impedir que
você corresse para a árvore. Seja como for, ele fugiu. — admitiu infeliz,
e depois acrescentou: — Examinamos a área depois de eu te-la trazido
de volta à fortaleza para Seonag te cuidar, mas encontrei apenas seu
acampamento. Ele fugiu da área.

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Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

— Oh. — Ela murmurou, e então perguntou: — Mas ele deu


perseguição?
— Aye. Ross inclinou a cabeça e perguntou. — O que aconteceu
antes de eu acordar? Ele te atacou? É por isso que você estava fugindo
dele?
— Não — Annabel assegurou-lhe rapidamente, para que não
pensasse que alguma coisa terrível acontecera. Ela não queria que ele
pensasse que estava manchada por seu toque. — Eu mergulhei no rio
depois que você adormeceu e...
— O rio? Ross interrompeu bruscamente, e depois disse
firmemente: — Nunca nade no rio, Annabel. Deveria ter lhe avisado
disso. Não é seguro.
— Sim, Seonag me contou — disse ela calmamente. — Não
voltarei a fazê-lo. E eu não fui longe. Eu notei que a correnteza era
forte.
Suspirando, ele esfregou uma mão sobre seu rosto e sentou-se
com um aceno de cabeça para ela continuar.
— De qualquer forma, eu deveria ter esperado ficar seca antes de
tentar vestir meu vestido. No entanto, eu não esperei e consegui que
ele ficasse preso e todo agrupado em torno da minha cabeça e ombros.
— Ela notou o divertimento em seu rosto e suspeitava que ele estivesse
se lembrando dela naquele estado, mas o ignorou e continuou. — Eu
ouvi ramos quebrando e pensei que talvez você tivesse acordado e
estivesse se aproximando, mas você não respondeu à minha chamada,
então me inclinei para olhar pelo topo do vestido e peguei um
vislumbre de uma figura grande e dobrada e... — Ela fez uma careta.
— Bem, eu apenas entrei em pânico. Eu gritei e comecei a fugir.

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Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

Ele sabia o que tinha acontecido depois disso, então ela não se
deu ao trabalho de continuar.
Ross ficou em silêncio por um momento e depois perguntou: —
Então você não viu quem era?
— Não. Apenas que ele era grande e usava uma plaid.
Ross assentiu e perguntou: — E ele não te tocou?
Annabel sacudiu a cabeça solenemente e percebeu que era
verdade. Ela tinha ouvido um som, visto uma figura e fugido em
pânico, derrubando-se. Quem quer que fosse não a tinha prejudicado
em nada... E podia não ter intenção, reconheceu. Não parecia muito
brilhante atacá-la com Ross deitado, a poucos metros de distância. Se
suas intenções tivessem sido nefastas, certamente o homem teria se
aproximado de Ross primeiro e o nocauteado ou até mesmo o matado.
Ela não saberia tão cega como tinha estado naquele momento.
— Provavelmente não era nada — disse Annabel num suspiro. —
Eu estava meio vestida, em um emaranhado, e cega e posso ter
exagerado. Eu provavelmente assustei o pobre homem tanto quanto
ele me assustou.
Ross estava franzindo a testa agora, sem parecer convencido,
mas, francamente, Annabel simplesmente queria esquecer o assunto.
Ela tinha se enganado. Aquela imagem dela correndo com seu vestido
emaranhado em torno de sua cabeça, sem dúvida, residiria na cabeça
do seu marido para o resto de seus dias. Não era a imagem que ela
queria lá quando pensasse nela.
Annabel começou a jogar fora os lençóis e as peles, e logo os
arrastou de volta quando viu que ela estava nua. Suspirando, ela
perguntou: — Onde está o meu vestido?
— Eu tive que cortá-lo de você. — Ross admitiu desculpando-se.

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Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

— Oh. — Annabel disse fracamente, e então perguntou: — Eu


não acho que Seonag reservou algo para eu usar quando eu acordei,
não é? Eu gostaria de ir abaixo.
— Por quê? Ele perguntou, em vez de responder a sua pergunta.
— Quero me levantar — disse ela simplesmente, e acrescentou:
— Minha cabeça já não está doendo e me sinto bem. Além disso, todos
provavelmente estão se reunindo nas mesas de cavalete para a ceia.
— Nay — disse Ross, balançando a cabeça. — Eles não estão se
reunindo nas mesas. Não é a hora da ceia.
— Não é? — perguntou Annabel, desapontada. Ela estava com
fome, embora ela supusesse que não deveria estar. Parecia que tudo o
que ela tinha feito naquele dia era comer. Ela tinha quebrado seu
jejum com doces antes de seu banho, ajudado o mercador, feito
piquenique na clareira com Ross, copulou lá com ele, e então se
nocauteou. E agora queria comer de novo. Ela não podia evitar. Ela
estava com fome. Embora seu marido provavelmente pensasse que ela
era tão glutona quanto a abadessa sempre a acusara de ser.
— Nay, já passou bem esse horário. — Ross interrompeu seus
pensamentos. — Todo mundo comeu horas atrás.
— Oh. — Annabel estava tão aliviada ao saber que ela tinha um
motivo para estar com fome que ela sorriu para ele. — Bem, então eu
gostaria de descer e encontrar algo para comer. Mas eu preciso
encontrar um vestido primeiro e...
— Não precisa. — Ross anunciou, e então a elevou para fora da
cama, lençóis, peles e tudo.
Enquanto a sua frente estava coberta por lençóis e peles,
Annabel estava muito consciente de que suas mãos estavam em suas
costas nuas e nádegas. Mordendo seu lábio e tentando não corar, ela

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Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

agarrou seus ombros enquanto ele a levava para a mesa e cadeiras no


canto à direita da lareira.
— Seonag pensou que poderia estar com fome quando acordasse
e trouxe alguma comida para você — Ross anunciou enquanto a
colocava em uma cadeira à mesa. Quando ele se endireitou após
sentá-la, ela era capaz de ver que havia uma travessa de guisado, rolos
crocantes, queijo e uma taça de cidra, esperando por ela.
— Oh. — Annabel respirou, examinando a comida. Parecia
deliciosa e ela estava com fome, mas ela olhou para Ross com um
franzir de testa, quando ele continuou parado ao seu lado. — Há muito
aqui. Está com fome?
— Não de comida — disse ele ironicamente, e depois acrescentou:
— Vou acabar com a minha sede depois de terminado.
Annabel supôs que isso significava que ele iria deixá-la e descer
para se unir aos homens e beber, uma vez que ela tivesse terminado
de comer e estivesse segura de volta na cama. O pensamento a
deprimiu por algum motivo. Não era que ela esperasse que ele
passasse todo seu tempo com ela e, realmente, talvez ele preferisse a
companhia de seus homens à dela — ela não tinha ideia. Talvez todos
os maridos passassem suas noites rindo e conversando sobre uma
cerveja, com os homens, em vez de ficarem sentados junto ao fogo com
suas esposas, mas ela teria gostado de passar tempo com ele.
Com esses pensamentos marchando dentro da sua cabeça,
Annabel descobriu o seu apetite rapidamente diminuindo. Não ajudava
que o ensopado estivesse frio, e o queijo duro por ter ficado exposto
tanto tempo . Ela quase não tocara na comida antes de empurrá-la
para longe e deixar a pele cair no chão para que ela pudesse ajeitar o
lençol ao redor dela no estilo romano e ficar de pé.

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Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

— Eu pensei que você estivesse com fome? — Ross disse, se


aproximando e carregando-a quando ela saiu de entre a mesa e a
cadeira.
— Eu também — admitiu Annabel, passando os braços ao redor
de seu pescoço enquanto ele a carregava novamente, atravessando o
quarto.
Suas palavras o fizeram parar ao pé da cama e a olhar com
preocupação. — A cabeça está doendo de novo? Seonag disse que
estava latejando ferozmente quando você acordou pela primeira vez,
mas que ela tinha dado algo para passar.
— Ela deu e está bem. Eu só não tenho mais fome — disse
Annabel, encolhendo os ombros.
— Mas você se sente bem? — Insistiu.
— Sim. Você pode ir saciar sua sede sem se preocupar comigo. —
ela assegurou.
Ross grunhiu de satisfação com esta notícia e prontamente
colocou-a para sentar-se no pé da cama. Isso a assustou um pouco.
Ele poderia pelo menos levá-la ao seu lado da cama, ela pensou com
irritação. Mas parecia que agora ela tinha dado licença para ir brincar
com os homens, ele não podia ser incomodado...
O pensamento cessou em confusão quando Annabel percebeu
que ele não estava indo para a porta, mas tinha removido o alfinete da
sua plaid e estava deixando-o cair no chão. Ela o olhou, com os olhos
arregalados, mas quando ele então tirou as botas e tirou a camisa
para deixá-la cair no chão também, deixando-o completamente nu
diante dela, Annabel murmurou: — Er... Marido... O que?
A pergunta morreu quando ele se ajoelhou no plaid diante dela e
se inclinou para frente para cobrir-lhe a boca com a dele.

~ 136 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

Annabel rapidamente percebeu que a fome de que ele falara não


era por cerveja, e ele não tinha intenção de deixá-la sozinha para se
juntar a seus homens. A ideia a fez sorrir contra sua boca, até que se
lembrou que era quarta-feira e havia definitivamente uma cama
presente desta vez, para que ele não pudesse argumentar que não era
cama.
Demorou algum esforço, mas Annabel conseguiu romper a sua a
boca da dele para murmurar: — Marido?
— Hmm? — Ross murmurou a boca arrastando para baixo de
sua garganta e em direção aos seus peitos mesmo enquanto suas
mãos puxavam o linho macio de seus dedos para desnudá-los.
— É... Oh! — Ela ofegou quando sua boca fechou sobre um
mamilo, e então desesperada para pará-lo enquanto ela ainda tinha a
força para fazê-lo, Annabel exclamou: — É quarta-feira!
Pausando, Ross ergueu a cabeça confundindo-a completamente
com um sorriso. Colocando o rosto em suas mãos, ele disse: — Nay. Já
passou da meia-noite. Hoje é quinta-feira.
— Oh. — Annabel respirou imediatamente antes de ter a sua
boca coberta novamente. Dessa vez não poderia ter quebrado o beijo
mesmo se quisesse. Ross segurou firmemente a parte de trás de sua
cabeça com uma das mãos enquanto a devorava com os lábios e a
língua.
Annabel respirava pesadamente e soltou um longo e
decepcionado gemido quando ele quebrou o beijo. Ela abriu os olhos,
surpresa ao descobrir que agora estava deitada de costas no final da
cama. Levantando a cabeça, Annabel olhou para a parte superior da
cabeça de Ross enquanto seus lábios se deslizavam sobre seu peito,
parando para sugar brevemente ao primeiro mamilo e depois ao outro,

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Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

antes de prosseguir pelo estômago. Ela ofegou e soltou uma pequena


risada quando ele fez uma pausa em seu umbigo, sua língua fazendo
cócegas nela brevemente, antes de sua cabeça se deslocar para o lado
para encontrar e mordiscar seu osso do quadril. Esta sensação acabou
com qualquer diversão e Annabel sugou uma respiração e segurou-a
enquanto formigamento corria através dela enquanto Ross seguia o
osso em direção ao ápice de suas coxas.
Quando sua cabeça se agachou entre suas pernas e Annabel
sentiu o primeiro chicote de sua língua ali, ela gritou e meio se sentou
em choque. Suas mãos instintivamente alcançaram sua cabeça para
afastá-lo. Era como tentar mover uma fortaleza. O homem havia se
plantado ali e não se mexia. Quando ela tentou espremer as pernas
fechadas ao redor dele, Ross as forçou a se abrir novamente com as
mãos e continuou seus esforços com um entusiasmo que lhe arrancou
o fôlego.
Annabel estava puxando-lhe os cabelos ao invés de tentar afastar
a cabeça. De repente, consciente disso e com medo de machucá-lo, se
forçou a soltar aa mãos dos fios longos e escuros e agarrou o lençol
debaixo dela, enquanto fazia coisas que Annabel tinha certeza de que
estaria cumprindo uma penitência interminável, quando confessasse
ao sacerdote. Ela não se importava; Se alguém pudesse ser morto por
prazer, Ross estava perigosamente perto de matá-la... E ela não queria
que terminasse. Não que tenha ficado desapontada quando o fez.
Quando Annabel se viu balançando a beira daquele ponto de exploção,
ela gritou e se jogou sobre o penhasco com entusiasmo, abraçando as
convulsões e os estremecimentos que a acompanhavam enquanto seu
corpo estava cheio de prazer.

~ 138 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

Ela ainda estava zumbindo com ele quando seu marido se


endireitou, pegou-a pelos joelhos e puxou suas nádegas para a borda
da cama para que ele pudesse empurrar sua dureza para dentro dela.
Seu corpo deu-lhe as boas-vindas, esticando-se para abrir caminho e
depois o abraçando quando quase imediatamente se afastou.
Envolvendo as pernas em volta dele, Annabel se sentou e então
envolveu seus braços em torno dele como uma nova excitação
crescendo para substituir o que tinha acabado de passar. Desta vez,
quando a tensão explodiu dentro dela, Ross estava se mexendo e ele a
acompanhou, empurrando em uma última vez com um grito triunfante
e segurando-a apertada contra ele quando derramou sua semente
nela... E tudo o que Annabel pode pensar fora: — Graças a Deus é
quinta-feira.

ANNABEL MUDOU DE POSIÇÃO sem descanso e olhou para o


homem adormecido ao lado dela. Ele estava roncando forte o bastante
para levantar o telhado, enquanto ela estava deitada lá bem
acordada... Não por causa de seu ronco. Isso não a incomodava. Ela
simplesmente não estava cansada. Ela estivera dormindo durante toda
a tarde e noite graças à tintura que Seonag lhe dera e agora não
conseguia dormir... E estava com fome.
Imaginando a desaprovação da abadessa pela admissão, Annabel
enrugou o nariz. Aquela boa mulher provavelmente lhe ensinaria sobre
a glutonaria agora, supôs. Ela também supôs que merecia cada
palavra, pois não havia outra palavra para o que ela estava sentindo,
mas glutonice... E não apenas por alimento. Ela ignoraria os alimentos

~ 139 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

em favor de acordar Ross por outra rodada. No entanto, ele não tinha
dormido o dia todo e estava cansado.
— Então é comida. Ela murmurou, deslizando para fora da cama
e espiando em torno da luz do fogo agonizante por algo para usar. Ela
não tinha ideia de quem tinha acendido o fogo. Seonag ou Ross, ela
supôs. Annabel não tinha certeza se havia fogo na primeira vez em que
acordara, mas estava queimando alegremente quando acordou pela
segunda vez. Era principalmente brasas agora, com algumas pequenas
chamas, mas era o suficiente para ela ver. Infelizmente, ela não estava
vendo um único vestido. Nem mesmo aquele que ela usara, pois Ross
alegara que tivera de cortá-lo.
— Talvez ela tivesse apenas que rastejar de volta para a cama e
esperar pela manhã para quebrar seu jejum, pensou Annabel, apenas
para ter seu estômago roncando em protesto. Lembrou-lhe que, além
do fato de que ela mal tinha tocado a comida quando Ross a tinha
colocado na mesa antes, ela realmente só beslicara o adorável
piquenique que Angus havia preparado para eles naquela tarde.
Annabel olhou para a mesa e depois foi examinar a comida ali.
Infelizmente, uma rápida olhada provou que o guisado estava ainda
mais frio e menos apetitoso agora do que tinha estado antes, e o queijo
tinha endurecido ainda mais.
Resmungando baixinho, Annabel voltou-se para a cama, parando
quando viu a camisa e a plaid do marido. No momento seguinte, ela
tinha cruzado para arrebatar os dois. Annabel vestiu a camisa
primeiro. Era grande, quase uma tenda para a sua pequena estatura,
mas cobria tudo mais decentemente do que o vestido de Lady
Magaidh, então ela rapidamente dobrou a plaid ao meio e enrolou-a
em torno da cintura como uma saia improvisada. Uma rápida

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Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

pesquisa revelou o alfinete que Ross usou para segurar sua manta
meio enterrada nos juncos do chão. Curvando-se para recolhê-lo,
Annabel usou-o para prender a saia no lugar, e depois olhou para si
mesma.
A saia que ela formara chegou até o topo de seus pés descalços.
— Isso serviria. — decidiu.
O saguão estava escuro quando Annabel abriu a porta do quarto
e saiu. Escuro o suficiente para que ela não visse a forma em seu
caminho e tropeçasse sobre ela. Apanhando o batente da porta, ela
conseguiu salvar-se de uma desagradável queda, e depois olhou para a
massa negra no chão a seus pés. Foi o grunhido baixo que lhe
informou o que ela não podia ver muito bem. Um cachorro. Mais
especificamente, o cão do pai de Ross, Jasper, ela adivinhou,
lembrando o nome que Seonag tinha mencionado. Sem dúvida, este
quarto pertencera ao pai de Ross enquanto ele vivia e o cão estava
aqui, esperando que seu mestre voltasse, sem entender que ele nunca
o faria.
Annabel contemplou a forma escura, imaginando o quão
selvagem ele tinha se tornado desde o falecimento do velho Laird e se
ele era perigoso. Mas então ela decidiu que Ross dificilmente o deixaria
correr livremente se ele fosse perigoso, então ela ignorou seus
rosnados e disse suavemente: — O que é Jasper? Você está sentindo
falta do seu mestre?
O rosnado parou e Annabel ouviu uma batida que ela adivinhou
ser da cauda batendo no chão. Ela não tentou acariciá-lo, pois tinha
trabalhado em torno de animais nos estábulos e sabia o suficiente
para não tentar se mover muito rápido, então Annabel virou seu lado
para ele e calmamente puxou a porta do quarto fechando-a. Seus

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Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

olhos haviam se ajustado o suficiente para que ela pudesse distinguir


formas e sombras no vestíbulo agora pela luz fraca proveniente de
uma lareira no grande salão abaixo. Virando-se para a escada, ela se
encaminhou para lá, dizendo suavemente: — Você pode vir comigo, se
quiser, Jasper. Eu apreciaria a companhia.
Annabel não pensou por um momento que o cão entenderia o que
ela dissera, a não ser que soubesse que ela usara seu nome, mas isso
fora o suficiente para que ele se levantasse e a seguisse curioso, a uma
distância segura. Ele estava talvez a quatro passos atrás dela
enquanto desciam as escadas, mas se aproximou um pouco mais
quando chegaram ao grande salão e começaram a atravessar os corpos
dormindo ali.
Annabel olhou curiosamente para os rostos que dormiam. Ela
tinha estado em MacKay por vinte e quatro horas por sua suposição,
mas além do cozinheiro e do punhado de pessoas que estiveram
presentes quando ela cuidou do mercador ferido, ela não conheceu
muitas das pessoas sobre as quais ela era agora a Lady. Na verdade,
ela nem conhecia as pessoas que haviam estado presentes enquanto
ela cuidava do mercador. Simplesmente estivera na presença deles. —
Bom Deus! Annabel percebeu de repente, ainda não tinha comido uma
refeição com ninguém além de seu marido. Isso a fez imaginar o que
as pessoas de MacKay deviam estar pensando. Ela esperava que eles
não pensassem que ela se julgava boa demais para sentar em uma
mesa com eles. Naturalmente, eles saberiam que ela tinha sido ferida
hoje, mas eles entenderiam que ela não fora a única que tinha
escolhido em não quebrar seu jejum ou comer sua refeição de meio do
dia com eles? Que aquelas decisões tinham sido tomadas no lugar
dela?

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Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

Fazendo caretas, Annabel decidiu que ela iria romper seu jejum
no grande salão amanhã. Ela poderia não ser qualificada no trabalho
que tinha sido empurrado sobre ela com este casamento, mas ela pelo
menos estaria presente e faria um esforço para ser uma boa senhora
para o povo de MacKay.
Jasper ainda mantinha um espaço de dois pés entre eles quando
Annabel chegou à porta das cozinhas. Não desejando atrapalhá-lo, ela
passou pela porta e depois caminhou para o lado e segurou a porta
para que ele a seguisse. Uma vez que ele entrou e se afastou do
caminho, ela deixou a porta se fechar e depois olhou em volta das
cozinhas. A luz aqui era muito melhor do que no grande salão.
Também era muito mais quente. Sem graça, Annabel compreendeu
por que, quando notou que ainda havia um fogo queimando com
algum entusiasmo sob uma panela do outro lado da cozinha.
Curiosa, ela caminhou até ela e olhou para o conteúdo. Parecia
ser uma sopa de algum tipo borbulhando. O cheiro era delicioso e
Annabel pensou brevemente em encontrar uma travessa e se servir,
mas ela não viu nenhuma travessa acessível alinhada para ela usar.
Decidindo que ela provavelmente iria derramá-la em seu caminho de
volta através do grande salão e queimar algum pobre e insuspeito
adormecido de alguma maneira, ela desistiu da ideia e fez uma busca
rápida por outra coisa.
Momentos mais tarde Annabel tinha encontrado uma despensa e
carregou queijo, frutas e um rolo crusty, e estava levando Jasper fora
das cozinhas e de volta através do grande salão. O cão a seguiu muito
mais de perto na viagem de volta. Muito para sua diversão, ele estava
quase pisando em seus calcanhares em sua ânsia de não ser deixado
para trás. Annabel tinha deixado cair um par de pedaços de queijo

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Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

quando o cortou e pensou ironicamente que era incrível o que um


pouco de suborno culinário poderia fazer. O cão tinha engolido as
ofertas como se estivesse com fome e havia se prendido perto dela
desde então.
Jasper parou no corredor e sentou-se para assistir
silenciosamente enquanto Annabel deslocava seu botín e abria a porta
do quarto. Quando ela entrou e depois olhou para trás para sussurrar.
— Venha. — ele se levantou ansiosamente e correu para o quarto.
Sorrindo levemente com este sinal de bom treinamento, Annabel
fechou a porta e levou-o para as cadeiras junto ao fogo. Quando ela se
sentou em uma das cadeiras, ele se sentou a seus pés e firmemente se
recusou a olhar para a comida que ela segurava. Ele tinha sido
treinado para não implorar, ela notou com satisfação e recompensou-o
com um pouco de queijo e, em seguida, alguns frutos também. Jasper
tomou o cuidado de não mordê-la enquanto tomava as oferendas e
devorando-as ansiosamente antes de colocar a cabeça em seu joelho.
Annabel deu-lhe um tapinha e lhe disse que era um bom rapaz, depois
acariciou-lhe a cabeça e olhou para o fogo por um momento,
maravilhada com a forma como a sua vida tinha mudado e
perguntando-se quando acordaria desse sonho que ela certamente
estava tendo.

— ESPOSA.
Annabel se moveu sonolenta, e depois suspirou quando uma mão
quente deslizou por sua lateral e por seu quadril sob as roupas de
cama e peles. Quando aquela mão então fez a viagem de volta, ela
rolou para trás até que o peito de seu marido pressionou contra suas

~ 144 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

costas, e foi recompensada por aquela mão desviando para encontrar


um seio e acariciá-lo.
— Mmm. — Annabel murmurou enquanto o calor começava a se
infiltrar através dela. — Bom dia, marido.
— Bom dia. — Ross disse suavemente, e beijou sua orelha antes
de perguntar: — Por que há um cachorro em nossa cama?
Os olhos de Annabel se abriram e ela ergueu a cabeça para olhar
ao redor até que ela viu Jasper deitado no canto inferior da cama.
Quando o cão ergueu a cabeça para encontrar seu olhar e começou a
agitar sua cauda, teve que morder seu lábio para evitar rir do sorriso
que o cão estava dando a ela.
— Seu pai deve tê-lo deixado dormir lá. — Disse ela, em tom de
desculpas. Jasper tinha se deitado no chão ao lado da cama quando
finalmente decidira que poderia dormir e tinha se juntado a Ross.
Aparentemente, o cão tinha se juntado a eles depois que ela tinha
adormecido, porque ela não o tinha sentido subir na cama.
— Como ele entrou no quarto? — Ross perguntou em seguida.
— Ah. — Annabel fez uma careta e então admitiu: — Eu o deixei
entrar.
Quando o silêncio encontrou essa admissão, ela acrescentou: —
Ele sente falta de seu pai, marido.
— Ele é um cão, esposa — disse Ross secamente.
Annabel virou-se na cama para que pudesse ver seu rosto e
disse: — Sim, mas os cães não são criaturas solitárias, marido. Eles
são parte de um bando. Seu pai era o bando de Jasper. Agora ele se foi
e Jasper não tem ninguém. É por isso que ele tem sido difícil. Ele só
precisa se sentir parte de um bando novamente.

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Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

O silêncio se condensou novamente quando ela parou de falar e


Annabel estava tentando pensar em outra coisa para dizer, quando
Ross perguntou curiosamente: — Você teve cães enquanto crescia?
— Nay. — Admitiu, relutante. Ela queria um, mas é claro que a
abadessa nunca o teria permitido.
— Então, como é que você sabe tanto sobre eles? — perguntou
ele.
Annabel suspirou e então admitiu: — Irmã Clara era bem
informada sobre eles. Ela os criou quando estava casada e costumava
me contar sobre seus cães, seus comportamentos e tal.
— Pensei que o nome da irmã fosse Kate — disse Ross, franzindo
o cenho, e depois olhou para a porta quando ouviu uma batida.
Annabel rapidamente puxou as peles até o queixo quando ele
exclamou — Entre.
Gilly imediatamente enfiou a cabeça no quarto. Fez uma pausa
apenas o suficiente para sorrir e desejar a Annabel um bom dia, e
depois voltou sua atenção para Ross e anunciou: — Um mensageiro
acaba de chegar por parte da Lady sua irmã. Ela e o marido estarão
aqui ao meio—dia.
Ross acenou com a cabeça e murmurou seus agradecimentos,
depois se virou para ela quando Gilly puxou a cabeça para trás e
fechou a porta, mas Annabel já estava jogando as roupas de cama e as
peles de lado e pulando da cama.
— O que você está fazendo? — Ele perguntou, com irritação em
sua voz. — Volte para a cama.
— O quê? — Annabel perguntou, olhando para ele com espanto, e
então ela balançou a cabeça e se virou para pegar sua plaid e

~ 146 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

embrulhá-la em torno de si no estilo romano, dizendo: — Não. Sua


irmã está vindo. Temos de nos preparar.
— Ela não vai chegar por horas. — Ross protestou com uma
risada. — Volte para a cama. É quinta-feira.
Annabel olhou para ele confusa, sem entender o que ser quinta-
feira tinha haver com algo, e então se apressou para a porta,
segurando a plaid fechada acima de seu peito. — Tenho que arrumar
um vestido. Eu não estarei saindo pelo decote quando me encontrar
com sua irmã.
— Isso é... — Ross fez uma pausa quando ela abriu a porta e
ambos viram Seonag no umbral, a mão levantada para bater.
A mulher apenas pausou por uma batida antes de se apressar na
sala, vários vestidos sobre um braço. — Eu trouxe os melhores
vestidos que encontrei ontem, mas todos eles precisam de ajuste.
Nunca cheguei a consertá-los ontem com a corrida entre a senhora e o
mercador — acrescentou, desculpando-se.
— Não, é claro que não. — respondeu Annabel com compreensão
enquanto apertava a porta. — Está tudo bem. Certamente podemos
conseguir um pronto para o meio-dia?
— Aye — concordou Seonag, aliviada por ela não estar zangada.
Um suspiro da cama fez as duas olharem naquela direção
enquanto Ross jogava as peles e os lençóis de lado para se levantar.
— Suponho que não há razão para eu ficar na cama então. —
disse ele secamente, curvando-se para pegar sua camisa. Ele vestiu-a
e depois caminhou até Annabel e dando-lhe um beijo lento e faminto
que a fez soltar sua plaid para alcançá-lo. No momento em que ela o
fez, ele quebrou o beijo e deu um passo para trás levando a plaid com
ele.

~ 147 ~
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— Vou precisar disso. Além do mais, eu gosto mais dessa


maneira. — ele disse com um sorriso enquanto Annabel ofegava
surpresa ao ser deixada nua.

— BEM? — ANNABEL perguntou ansiosamente quando Seonag


permaneceu em silêncio por muito tempo.
— Está perfeito — disse Seonag finalmente. — Você não pode
nem dizer que foi ajustado no busto.
Annabel cedeu em alívio, mas olhou para o vestido vermelho
profundo que usava e perguntou preocupada: — A cor está bem em
mim? Eu nunca usei algo tão ousado antes.
— Bem, você deve — disse a criada com firmeza. — A cor
combina com você. O rosa que usou ontem era muito pálido para o
seu colorido.
Annabel sorriu ironicamente. Os tecidos pálidos e monótonos
sempre foram favorecidos na abadia. Ninguém teria se atrevido a usar
essa cor por medo de desagradar a abadessa.
Felizmente, ela não tinha mais que lidar com os gostos ou
desgostos da mulher. Annabel se lembrou com firmeza e voltou sua
mente para o que mais tinha que ser feito para se preparar para a
visita de Giorsal. O problema era que ela não tinha ideia do que aquela
lista incluía.
Ela estava pronta com o vestido que ela e Seonag tinham
preparado. A criada tinha até mesmo refeito seu cabelo para ela. Mas o
que mais ela deveria fazer?
— Comida. Ela pensou e perguntou: — Alguém informou Angus
que teremos companhia?

~ 148 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

— Sim. Gilly disse ao Cozinheiro e eu estava subindo as escadas


em busca do Laird. — ela assegurou. — Angus estava planejando o
que ele iria servir quando eu saí.
— Ótimo — murmurou Annabel, mas se perguntou se deveria
verificar com o cozinheiro o que estava preparando. Ou isso seria
considerado insultante? Ela decidiu não checar com ele. Se Angus
estava ciente ou não, ele saberia melhor o que era esperado nessa
situação do que ela.
Fazendo uma careta por causa disso, Annabel apressou-se a
ajudar a reunir os vestidos restantes quando Seonag começou a
coletá-los.
— Posso arrumar, miLady. — disse Seonag imediatamente, mas
Annabel sacudiu a cabeça.
— Eu posso ajudar. Eu vou descer de qualquer maneira, e eu não
quero que você tropece sobre o material em seu caminho pelas
escadas.
Seonag tinha comentado mais cedo que ela iria armazenar os
vestidos que ainda precisavam remendo em uma cesta de costura
perto do fogo no grande salão para que elas pudessem trabalhar sobre
eles quando tivessem tempo. Annabel tinha imaginado que todos se
encaixariam no cesto mencionado, mas não precisava se preocupar. A
cesta em questão era enorme. Lady Magaidh deve ter feito um monte
de remendos ao longo dos anos, ela decidiu. Felizmente, isso era algo
que Annabel conseguia fazer. Ela tinha feito seus próprios vestidos e
remendado qualquer buraco por anos agora. Annabel sabia que não
era rápida na tarefa; Trabalhar com Seonag o tinha provado, mas ela
poderia costurar uma linha reta.

~ 149 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

— Pronto. — disse Seonag enquanto se endireitavam de


guardarem os vestidos. Ela olhou para Annabel e disse: — Você deve
quebrar o jejum agora, miLady. Eu deveria ter pensado em levar algo
quando eu me dirigi para o seu quarto. Deve estar com fome.
— Estou bem — Annabel assegurou-a enquanto se dirigiam para
as mesas de cavalete. — Eu comi tarde na noite passada. Mas uma
cidra aquecida seria agradável agora. Eu... O que é esse cheiro? — Ela
se interrompeu para perguntar, seu nariz sentindo quando um odor
mais desagradável chegou.
— É aquele maldito cão.
Annabel voltou-se para aquele anúncio feito por Angus. O
cozinheiro estava entre as mesas e a porta das cozinhas, um cutelo
agarrado em sua mão e uma carranca em seu rosto enquanto ele
olhava para Jasper. O cão estava curvado em um canto, provando que
ele era a fonte do cheiro, criando mais do mesmo.
— A besta maldita esteve na cozinha fazendo o seu negócio e
empesteando-a e eu o persegui, sem pensar que ele não tinha
terminado e continuaria aqui fora. — Angus virou-se para ela, sua
raiva dando lugar ao desespero enquanto ele chorava. — Esse fedor
arruinará o adorável pombo que estou preparando para a refeição do
meio-dia.
— Oh, querido. — Annabel murmurou, olhando para Jasper
infeliz. A pobre fera parecia estar sofrendo de algum tipo de doença
digestiva no momento e, embora tivesse toda a simpatia do mundo por
ele, desejava poder ter esperado até amanhã para tê-la.
— O pobre idiota não tem cheiro tão ruim assim desde que os
Gordon estiveram nos visitando e seu garoto lhe deu um pouco de
queijo. — comentou Seonag com uma carranca.

~ 150 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

Annabel endureceu-se culpada. — O que? Queijo?


— Aye. Parece que ele não gosta de queijo. Ou seu estômago não
suporta de qualquer modo. Isso sempre o afeta muito, durante dias
depois. É por isso que o velho Laird ordenou que ninguém o
alimentasse senão ele próprio. Ele tem um estômago delicado, nosso
Jasper.
Annabel fechou os olhos brevemente com aquela notícia. Ela o
tinha feito ao pobre cão, alimentando-o de queijo ontem à noite.
Querido Deus!
— O que vamos fazer? — Perguntou Angus miseravelmente. —
Ele vai estragar tudo.
Annabel esfregou a testa repentinamente dolorida, com cuidado
para evitar o corte lá e então suspirou e deixou suas mãos cair. —
Teremos que colocá-lo no pátio e limpar essa bagunça.

ROSS FALAVA à Gilly e Marach enquanto observavam os homens


praticarem para batalha. Eles estavam discutindo seus pontos fortes e
fracos e decidindo como melhorar suas habilidades, quando o chefe do
estábulo veio correndo. O homem estava vermelho e sem fôlego, mas
isso não o impediu de gritar: — Ela se foi! No momento em que ele os
alcançou.
— Quem se foi? — Perguntou Ross franzindo a testa, mas o
homem tinha usado o último suspiro no anúncio e apenas balançou a
cabeça, depois se inclinou, apoiando as mãos nos joelhos enquanto
ofegava.
— Fala homem. — Disse Gilly sem nunca ter sido muito paciente.

~ 151 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

O chefe do estábulo ergueu a mão, silenciosamente implorando


um momento, mas então se endireitou e olhou para Ross enquanto
conseguia pronunciar: — Sua noiva.
— O quê? — Ele latiu, enrijecendo. — Do que diabos você está
falando? Para onde Annabel foi?
— De volta para a Inglaterra? — Gilly perguntou e Ross olhou
para o homem. Era melhor que Annabel não tivesse voltado para a
Inglaterra. Ele iria torcer seu maldito pescoço sangrento se ela tivesse.
Ela era dele. E por que diabos ela iria para lá de qualquer maneira?
Certamente a vida com ele era melhor do que a vida com aqueles dois
ingleses frios...
— Nay. Buscar flores — disse o chefe dos estábulos, soando um
pouco menos ofegante.
Ross dirigiu-lhe um olhar incompreensivo e perguntou confuso:
— Flores?
— Aye. Jasper teve o fluxo. Ele empesteou o grande salão. Eles
limparam a bagunça, mas o cheiro simplesmente não vai sair, e sua
irmã está chegando, então sua senhora foi para... — Suas palavras se
dissiparam. Ross não estava mais ouvindo. Ele havia girado em seu
calcanhar com uma maldição e estava correndo para os estábulos.
Gilly e Marach em seus calcanhares.

— HONESTAMENTE, JASPER, por que cargas d’água você comeu


o queijo se isso te afeta tanto? — Annabel perguntou com exasperação
por baixo da mão cobrindo seu nariz e boca. Sua cabeça estava virada
para longe do que o cão estava fazendo para que ela não tivesse que
ver, mas não havia como escapar do cheiro.

~ 152 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

Jasper estava esperando nos degraus quando saiu da fortaleza e


prontamente desceu os degraus ao lado dela enquanto se dirigia para
os estábulos. Sendo assim, ela não tinha ficado surpresa quando ele
trotou para fora do muralha logo atrás de sua égua. Ela deveria ter-lhe
ordenado para ficar para trás, embora. O pobre animal estava
sofrendo. Esta fora a terceira vez que ele teve que se curvar e se
desocupar desde que saíram.
Annabel deixou a mão cair com um suspiro e pediu a sua égua
para se mover novamente quando Jasper terminou seu negócio e se
mudou para a vista. Verdadeiramente, a julgar pelo modo como ele
ainda estava andando, ele não estava sofrendo tanto. Tudo mais fora
embora. O cheiro na fortaleza era suficiente para trazer lágrimas aos
olhos, mesmo depois de uma limpeza completa, e tudo que Annabel
tinha sido capaz de pensar em fazer foi encontrar flores para adicionar
aos juncos e cobrir o cheiro. No entanto, com os criados espalhados
pelo salão dando ao piso outra boa lavagem, limpando e polindo, e se
movimentando na cozinha para ajudar Angus com esta refeição
inesperada, não havia ninguém para enviar na tarefa... E como ela era
a responsável por essa confusão, Annabel decidira que iria buscar as
flores que ela esperava ajudar a ocultar o assunto.
Com medo de que Seonag tentasse detê-la, Annabel não lhe
dissera o que planejava fazer. Infelizmente, ela não tinha conseguido
escapar dos estábulos com sua égua sem ser detectada, apesar de não
se preocupar em montar a besta, e ela acabou dizendo ao chefe do
estábulo para onde estava indo. Ele, evidentemente, havia protestado
com veemência que ele tinha certeza de que seu Laird não ficaria
satisfeito, e Annabel, é claro, simplesmente encolheu os ombros e se
adiantou fazendo o que queria. Embora tivesse tido que lembrar o

~ 153 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

homem que era sua Lady e deveria ser obedecida quando se colocou
fisicamente na frente de sua égua em uma tentativa de pará-la.
O rosto do velho tinha ficado vermelho então e de repente ele
girou e correu para fora, sem dúvida para contar a Ross sobre ela.
Por agora, Annabel suspeitava que Ross estaria andando
furiosamente, decidindo o que fazer com ela quando voltasse. Ela só
esperava que não fosse nada muito ruim. Ela estava muito consciente
de que os maridos tinham permissão para bater em suas esposas.
— Agora, onde estarão aquelas campainhas? — murmurou
Annabel enquanto observava a área. Ela e Ross haviam percorrido um
verdadeiro campo de campainhas no caminho para a clareira onde
tinham feito o piquenique. O cheiro tinha sido intoxicante. Com
bastante daquelas espalhadas entre os juncos, era certo que poderiam
esconder o fedor que Jasper tinha causado no salão. E elas também
eram bonitas, pensou.
Annabel cheirou as flores quase no mesmo momento em que as
avistou. Enquanto olhava para a erupção de flores que brotavam sob
as árvores, Annabel supôs que o campo não era a palavra certa,
embora houvesse tantos deles que poderiam ter feito um campo. Mas
as campainhas não gostavam da luz solar forte e preferiam áreas mais
sombreadas onde o sol só conseguia alcançar seus dedos através dos
ramos acima para os polvilhar com sua luz.
Soltando um suspiro, Annabel guiou, com as rédeas, a sua égua
e deslizou de sua montaria ao solo da floresta, então desatou a bolsa
que tinha trazido em sua cintura. Ela tinha tido a premeditação de
trazer uma faca, para o caso de os talos serem resistente na Escócia, e
um saco grande para colocá-los no caminho de volta para casa.
Deixando Jasper vagar como desejasse, ela começou seu trabalho,

~ 154 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

rapidamente reunindo uma braçada das flores perfumadas e


guardando-as em sua bolsa antes de prosseguir.
Annabel estava colocando a terceira e última braçada de flores
que poderia caber no saco, agora abaulado, quando ela avistou o
movimento do canto do olho e relanceou naquela direção. Ela estava
esperando que fosse Jasper. O cão se afastara quase no momento em
que desmontara e tinha ficado de olho em seu retorno. Annabel estava
esperando que ele voltasse sozinho e a salvasse de ter que chamá-lo.
Mas não era Jasper. Era um grande homem de plaid, e Annabel
olhava fixamente para ele, confusa por um momento, ao reconhecê-lo
como o homem que a encontrara na clareira na primeira noite de
acampamento na viagem. Mas isso tinha sido na Inglaterra. E ele
estava vestindo roupas inglesas então. E isso não poderia ser um
encontro acidental.
Endireitando-se, ela largou a bolsa, mas manteve a mão na faca
quando ela começou a recuar, e perguntou: — Quem é você?
— Vai ser mais fácil para você vir apenas em silêncio, moça. — o
homem disse. Suas palavras faladas tão suavemente que quase perdeu
a ameaça até que ele adicionou: — Eu não quero ter que machucá-la.
Essas palavras, porém, decidiram seu curso e Annabel parou de
se afastar e se virou para fazer uma corrida para sua égua. Ela quase
chegou até ela, e estava a apenas dois passos de distância quando ele
a atacou por trás. Annabel caiu com um grito, puxando a mão com a
faca para si mesma para evitar apunhalar a égua enquanto caía no
chão aos cascos do cavalo. Naturalmente, a comoção assustou a pobre
égua, fazendo-a relincharr e retroceder. Tudo o que Annabel podia
fazer era cobrir sua cabeça e rezar para que ela não fosse pisada.

~ 155 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

Ela deveria ter desejado que o cavalo pisoteasse o homem em


cima dela, porém, Annabel decidiu um momento depois quando sua
égua retrocedeu afastando-se, ainda fazendo sons aflitos e ela ouviu,
furiosa, quando ela foi arrastada sobre suas costas. Tudo o que ela
podia pensar, quando suas costas chocaram contra a sujeira, foi que
ela não tinha nada mais o que vestir para encontrar sua nova cunhada
e este homem estava arruinando o único vestido apresentável que ela
tinha.
Com esse pensamento, Annabel balançou furiosamente a cabeça,
não lembrando a faca guardada até que ela bateu no braço que o
estranho levantou para bloquear seu golpe. Annabel congelou então,
olhos arregalados, e quase disse um pedido de desculpas. Antes que
ela pudesse fazer algo tão ridículo como isso, porém, ele bateu o
punho de seu braço ferido em sua cabeça, brevemente atordoando-a.
Foi um profundo grunhido e latido que lhe abriram os olhos
novamente, mas Annabel teve dificuldade em se concentrar no borrão
que era Jasper enquanto ele investia em direção a eles com toda carga.
O homem pulou de um salto e saiu correndo. Ele nunca teria
ultrapassado o cão, mas ela não arriscaria que ele machucasse o
animal com um pontapé na cabeça ou algo assim e imediatamente
gritou: — Jasper! — Quando ele passou por ela depois de seu
atacante.
O cão respondeu de imediato, quase fazendo uma cambalhota em
seu esforço para parar. Ele então ficou ali por um momento, olhando
para ela e de volta para o homem de novo antes de virar e trotar para
seu lado.
— Bom menino — Annabel respirou, abraçando-o quando se
sentou ao lado dela. Ela tinha pensado nisso apenas para ser um

~ 156 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

breve abraço para recompensá-lo por obedecer, apesar de seu instinto


em dar perseguição, mas acabou segurando o animal para ficar ereta
quando uma onda de exaustão rolou sobre ela.
Aquela exaustão desapareceu, porém, quando ouviu o som de
cavaleiros se aproximando. — Seu marido e seus homens, sem dúvida
— Annabel pensou e forçou-se a ficar de pé para enfrentar sua raiva.
Só que não era seu marido e seus homens. Ela não reconheceu um
único homem do pequeno destacamento que se aproximava, e Annabel
instintivamente apertou seus dedos ao redor... De nada. Ela já não
tinha a faca que ela tinha emprestado da cozinha para esta excursão.
Ainda estava no braço do homem que a tinha atacado. A única arma
que ela tinha agora era o cão a seus pés.
Apertando a boca nessa compreensão, Annabel ergueu o queixo e
observou como o destacamento de cerca de seis cavaleiros se deteve
diante dela. O silêncio encheu a clareira enquanto os homens a
observavam. Foi longo o suficiente para que ela começasse a ficar
desconfortável, então Annabel finalmente disse: — Bom dia.
Por alguma razão sua saudação educada atraiu uma risada de
vários dos homens. O único que não ria, que ela podia ver, era o líder.
Suas palavras trouxeram uma carranca para seu rosto e ele disse: —
Inglesa.
— Aye — disse Annabel com cautela, erguendo o queixo um
pouco mais.
Os outros homens pararam de rir abruptamente da palavra
inglesa e agora olhavam para ela com uma especulação que ela não
entendia até que ele perguntou: — Você não seria a nova noiva de
Ross MacKay, não é?

~ 157 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

Annabel enrijeceu-se, a suspeita começando a surgir dentro dela.


Essa suspeita explodiu em plena certeza quando uma mulher a cavalo
investiu de entre as árvores com um homem furioso montado na
cauda do seu cavalo.
— Droga, Giorsal, eu disse para esperar. — O líder latiu enquanto
ela guiava sua montaria para o seu lado. Sinceramente, ele parecia
mais exasperado do que surpreso. Pelo menos, o fez até que seu olhar
se deslocou para o homem que parou atrás. Então sua voz estava
curta de raiva quando ele disse: — Você deveria mantê-la onde estava,
em segurança, até que tivessemos examinado a situação.
— Não se aborreça com Brody, marido — Disse a mulher com
uma risada. — Sim, ele fez o melhor que pôde. Mas eu queria saber o
que estava acontecendo e por que a moça gritou.
Annabel ouviu essa conversa, seu coração se afundou quando
seu medo se mostrou verdadeiro. Quando todos se voltaram para ela
em questão, instintivamente levantou a mão para afastar o cabelo de
seu rosto, apenas para fazer uma pausa quando viu o sangue
cobrindo-o e brilhando na manga de seu vestido.
Franzindo o cenho, Annabel olhou para si mesma e podia ter
gritado de frustração quando viu que seu vestido estava rasgado,
coberto de sangue e manchas de grama. Realmente, era suficiente
para chorar. Não era assim que planejara encontrar a irmã do marido.

~ 158 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

Capítulo 8

— Isso não é bom.


Ross apertou a boca, mas ele não respondeu ao comentário de
Gilly enquanto observava Marach passar as mãos sobre a égua sem
sela, de sua esposa, em busca de feridas, e então verificou seus cascos
para ver onde ela estivera.
Annabel tinha desaparecido na floresta pelo tempo em que ele
levou Marach e Gilly para fora das muralhas. Eles haviam atravessado
a estreita terra estéril que cercava o castelo e então começaram a
procurar na área do outro lado da ponte levadiça, pensando que, como
a mulher não conhecia a área, de modo algum teria se afastado muito.
Mas quando isso não resultou em nada, eles começaram a discutir
sobre se separar e procurar mais longe, apenas para fazer uma pausa
quando sua égua veio galopando através do bosque em direção a eles.
O cavalo estava em pânico. Ao vê-los, ela se virou bruscamente e
tentou evitá-los, mas os homens a perseguiram e a pegaram.
— Algo? — perguntou Ross quando Marach terminou o exame e
se endireitou.
— Nenhuma lesão, mas algo a assustou. — ele disse, correndo
uma mão calmante pelas costas dela. — Ela tem terra negra no fundo
de seus cascos.

~ 159 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

— Hmm. — murmurou Ross, considerando as diferentes áreas


próximas com terra negra. Havia muitos delas. Com o estômago
apertando de frustração e preocupação, ele ordenou: — Marach, leve a
égua de volta para MacKay, e reúna alguns homens para ajudar na
busca. Gilly e eu vamos nos separar e seguir o caminho do cavalo. Se
encontrarmos Annabel... Ele parou e se virou na sela quando um
tilintar de riso chegou a seus ouvidos.
— O Som parece de mais do que uma mulher. — Marach disse
quando uma segunda explosão de riso feminino se juntou ao primeiro.
— Seonag? — sugeriu Gilly, indeciso.
Ross considerou isso, mas disse: — O chefe do estábulo não
mencionou ninguém acompanhando minha esposa.
— Não, ele não disse. — Marach concordou, e então quando o
grupo de cavalheiros ficou visivel através das árvores, ele acrescentou:
— E isso definitivamente não é apenas um par de mulheres.
— Não. — Resmungou Ross, apertando os olhos para ver melhor
o grupo. Outro momento ainda não tinha passado, quando os
reconheceu como MacDonalds.
— Ah, Giorsal veio para a visita. — Disse Gilly, aparentemente
reconhecendo o grupo também. — E parece que ela e sua esposa estão
se dando bem como o fogo e a lareira.
— Então por que ela não está andando com ela? — Ross
perguntou irritado ao observar a pequenina figura de sua esposa
sentada diante de seu cunhado em sua montaria. Ela então jogou a
cabeça para trás em outra risada, seu cabelo escuro voando para trás
e espirrando sobre a camisa creme de Bean e sua plaid verde escura, e
Ross rosnou profundamente em sua garganta, seus dedos apertando
em suas rédeas.

~ 160 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

— Veja pelo lado positivo, ela parece bem e ilesa daqui. — Gilly
apontou, soando divertido por algum motivo.
Ross limitou-se a grunhir e incitar que o cavalo avançasse para o
grupo.
Bean o viu primeiro, e o Laird MacDonald deu-lhe um aceno
solene sobre a cabeça de Annabel. Giorsal, que estava sorrindo
enquanto ouvia algo que Annabel estava dizendo, viu a ação de seu
marido e virou-se para olhar para Ross. Um amplo sorriso
imediatamente reclamou seus lábios e ela gritou: — Irmão! — E
exortou sua montaria ansiosamente para frente. A idiota maldita
quase o derrubou de seu cavalo quando se jogou de sua égua sobre
ele. Felizmente, Ross conhecia bem a irmã e se preparou no instante
em que ela avançou com sua montaria. Ele estava preparado para o
impacto e foi rápido o suficiente para pegá-la ao peito para que não
caísse no chão.
— Gosto da sua nova esposa — riu Giorsal, abraçando-o com
tanta força que quase o sufocou. Depois se sentou no seu colo e disse
seriamente: — Mas é melhor descobrir quem é que a ataca. Da
próxima vez ela pode não ter tanta sorte.
Enrijecendo, Ross deslocou Giorsal para o lado para que ele
pudesse ter uma melhor visão de sua esposa. Bean continuara em
frente em um ritmo tranquilo, uma expressão sofredora em seu rosto
enquanto observara sua esposa encrequeira cumprimentar seu irmão.
Mesmo assim, ele quase tinha chegado a eles e Ross agora podia ver
que sua esposa não estava tão bem quanto ele pensara. Seu cabelo
estava um pouco desarrumado ao redor de sua cabeça, um hematoma
escuro estava colorindo sua têmpora esquerda, quase combinando

~ 161 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

com aquele no centro de sua testa, recebido no dia anterior, e seu


vestido fora rasgado, com o decote pendurado torto e quase indecente.
— O sangue não é dela. — disse Giorsal tranquilizadora e Ross
notou de repente que seu vestido vermelho era um pouco mais escuro
em lugares; Sua manga direita, decote e corpete. Sangue seco. Seu
vestido o escondia bem.
— Seu atacante? — Ele perguntou os olhos se estreitando e a
raiva se elevando dentro dele ao pensar em sua noiva pequenina
sozinha e lutando por sua vida contra algum bastardo sem rosto como
o gigante que ele vira persegui-la na clareira no dia anterior.
— Aye. Ela esfaqueou-o no braço, e então Jasper o assustou. —
Giorsal anunciou e ele agora notou Jasper trotando junto ao cavalo de
Bean. O cão continuava inclinando a cabeça para Annabel, e depois
para o caminho à frente, e depois de volta para Annabel. Era como ele
costumava seguir seu pai, lembrou Ross, e suspeitava que sua esposa
tivesse sido adotada pela besta no lugar de seu pai.
Ele se distraia com este pensamento quando Giorsal acrescentou:
— Nós a ouvimos gritar e fomos investigar, mas ele se foi antes que
chegássemos lá. Os homens iam procurá-lo, mas ela disse que não se
incomodassem que você e os homens o haviam procurado a cada vez
que ele aparecera e o homem parecia desaparecer no vento.
Ross franziu o cenho. Annabel tinha afirmado não ter visto o
homem que a tinha perseguido na clareira no dia anterior, e o único
outro evento tinha sido do homem que tinha andado em sua direção
enquanto ela estava tentando aliviar-se na viagem para aqui. Ambas
às vezes o homem tinha parecido desaparecer no ar, mas certamente
ela não estava sugerindo todos os três incidentes envolviam o mesmo
homem? Fora um inglês na Inglaterra e um escocês ontem. Ou, pelo

~ 162 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

menos, o homem estava vestindo roupas inglesas na Inglaterra pelo


relato de Annabel; Ele não o tinha visto. No entanto, ele vira o homem
no dia anterior e notara que ele usava uma plaid.
— Posso ter minha esposa de volta?
Ross piscou, trazido de volta de seus pensamentos, ao olhar para
seu cunhado enquanto fazia a pergunta. Uma carranca reclamou seu
rosto quando viu que Annabel já não estava sentada diante do homem.
Ross olhou ao redor, sua expressão se tornando cada vez mais fechada
quando ele a viu se puxar para cima de sua égua com uma perna
apoiada em Marach. Uma bolsa abaulada que sem dúvida continha
flores, pendurada em sua mão. Ross imediatamente lançou sua irmã,
atirando-a aos pés do marido. Ele mal esperou para garantir que Bean
a pegasse antes de virar seu cavalo para levá-lo ao lado de sua esposa.
Ross a acolheu quando ela se acomodava nas costas nuas do animal
sentido um pouco de satisfação pelo esforço bem-sucedido.
— Marido — protestou ela. — Eu posso montar. Não estou ferida.
— Seu vestido está rasgado e ensanguentado e você acrescentou
mais uma contusão ao seu lindo rosto. Não me diga que você não está
machucada — disse ele, sombriamente, ajeitando-a a sua frente até
que ela estivesse apertada contra sua virilha. Satisfeito com sua
posição, ele apontou para que os outros o seguissem e virou o cavalo
em direção da fortaleza. Ele andou rápido no início e deixou um
momento passar para chegar à frente dos outros, antes de dizer: —
Você me disse que não tinha visto o homem na clareira ontem.
— Eu não vi. — Annabel assegurou, girando para olhá-lo com um
pouco de excitação enquanto ela se lembrava sobre os eventos do dia.
— Mas eu vi a sua plaid e o homem hoje estava usando a mesma cor
de plaid. Ele também era grande. E, ele era o mesmo homem que me

~ 163 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

assustou na Inglaterra em nossa viagem para cá, então eu estou


começando a pensar que foi o mesmo homem todas às três vezes.
— Tem certeza de que foi o mesmo homem na Inglaterra? —
perguntou ele, infeliz com o pensamento.
— Sim. Eu só captei um vislumbre da primeira vez, mas ele é
difícil de confundir. — ela assegurou. — Ele é muito grande e tem um
rosto lindo.
Isso causou um franzir dos lábios de Ross. Ele não gostava nada
de que ela achasse alguém atraente, o que era bobagem, ele supôs.
Não era como se ela fosse fugir com seu atacante. Segundo Giorsal, ela
o esfaqueou. Além disso, ele próprio não teria se sentido lisonjeado por
ser chamado de lindo.
— Você quer dizer bonito, não é? — Ele sugeriu.
— Nay. Você é bonito, marido. Ele é lindo. Ela disse em um tom
de voz que sugeria que isso deveria esclarecer o assunto. Não
esclarecera.
— Existe alguma diferença? — Ross perguntou cautelosamente.
— Aye. — Disse Annabel, como se isso fosse óbvio. — Bonito é
robusto e viril e... Bem... Bonito. — ela terminou impotente, e então
acrescentou: — Lindos são olhos grandes, mandíbula esculpida e
cabelo que cai sobre os olhos. — Ela pausou brevemente antes de
continuar com sua consideração. — Ele faria uma linda menina se não
fosse tão musculoso em torno dos ombros e do peito.
— Ah. — Disse Ross, incapaz de reprimir um sorriso. Se ela
percebera ou não, sua esposa estava dizendo que ela pensava que ele
era uma besta sexy, enquanto o menino bonito era... Bonito, mas não
de uma forma que ela achasse especialmente atraente. Ele gostara
disso.

~ 164 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

Seu sorriso não durou muito tempo. Agora que tinha passado o
ponto sobre seu atacante ser lindo, ele estava considerando se sua
descrição caberia ao homem que ele tinha visto perseguindo-a através
da clareira de ontem. Parece que ele era o sujeito dos três incidentes,
afinal. — Ele falou?
— Aye. — ela respondeu e então lembrou: — Ele tinha um
sotaque escocês.
Ross deixou escapar um suspiro desapontado. Ele estava
esperando que fosse um inglês tentando não chamar a atenção aqui,
ao invés de um escocês que se vestira com roupas inglesas na primeira
vez, sem dúvida em um esforço para tentar enganá-los pensando que
era inglês. Se fora um escocês, porém, isso significava que esses
eventos provavelmente tinham mais a ver com ele do que com sua
noiva. Alguém estava tentando chegar a ele através dela.
— Ele disse que seria mais fácil eu não lutar. — Annabel
acrescentou de repente. — Que ele não queria me prejudicar, mas iria.
Então eu acho que foi minha culpa se ele me deu um soco na cabeça.
— Eu vou machucá-lo quando encontrá-lo. — Ross disse
sombriamente.
— Eu já o fiz. — Annabel admitiu em um suspiro. — Receio que
eu o apunhalei no braço.
Ross apertou sua mão sobre ela. Ela parecia quase se
desculpando quando admitira, mas ele estava orgulhoso dela. Era uma
lutadora, sua esposa.
— Eu não queria. — ela admitiu. — Eu tinha esquecido que eu
tinha a faca em minha mão... E eu estava apontando para sua cabeça.
— Ela fez uma careta, e então acrescentou: — Estou feliz que ele
levantou o braço. Esfaqueá-lo na cabeça teria sido nojento.

~ 165 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

— Aye. — concordou Ross. Ele tinha feito isso na batalha em


mais de uma ocasião, mas de propósito. Um bom espetar na orelha, no
olho, ou sob a mandíbula era sempre um interruptor de batalha.
Remover a faca depois era um pouco repugnante. O som de sucção
que acompanhava a tarefa era horrível, e às vezes o olho poderia sair
com a lâmina se você esfaqueasse-os lá, e então você ter que remover
isso... Também era horrível.
— Poderia ser o velho problema? — perguntou Gilly.
Ross olhou para o lado e de volta àquela pergunta vendo que ele
não tinha deixado todos para trás, afinal. Gilly e Marach haviam-se
mantido em ritmo acelerado, e aparentemente tinham ouvido tudo.
Ross virou-se de novo, uma expressão sombria em seu rosto diante
das palavras de Gilly. Ele estava sugerindo que a batalha pela chefia
do clã ainda não acabara e alguém estava tentando usar Annabel para
forçá-lo a desistir do título. Mas, se fosse esse o caso, o atacante seria
seu tio ou Fingal, e ele tinha visto o homem na clareira e... — Eu não o
reconheci. Ele não é um membro do clã.
— Ele poderia ter sido contratado para fazer a tarefa por outro. —
Gilly apontou calmamente.
Essa era uma possibilidade muito real e uma que Ross queria
que ele não tivesse considerado, mas o fizera. Ele esperava que ao
matar Derek tivesse acabado com tudo isso e, certamente, os outros
três homens que haviam estado lutando pelo título de chefe do clã na
época, pareciam ter recuado e se alinhado. Seu primo, Derek, tinha
sido o filho do irmão gêmeo falecido de seu pai. Ele usara a idade como
uma desculpa do porque ele seria um melhor chefe de clã, mas o
homem só havia sido quatro anos mais velho. No momento em que
Derek havia levantado a idade como razão, os dois tios remanescentes

~ 166 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

de Ross, Ainsley e Eoghann, haviam se insurgido, indicando que


tinham mais idade e sabedoria do que qualquer um dos dois homens
mais jovens e, portanto, deveriam ser a escolha. O último homem a
tentar reivindicar o direito à chefe fora Fingal, o ferreiro na aldeia, e
filho bastardo do avô de Ross. Como tal, ele também sentiu que tinha
todo o direito de ir atrás do lugar.
Os três homens mais velhos haviam recuado depois que Ross
matou seu primo, Derek, em batalha. Derek tinha esperado e
emboscado Ross, Gilly e Marach enquanto eles estavam caçando. O
elemento surpresa não o ajudara. Nem o fato que tinha uma dúzia de
homens com ele. Ross tinha terminado a batalha rápida e
decisivamente, andando furiosamente através dos outros homens em
direção ao seu primo, que ficara na parte de trás do grupo, permitindo
que seus homens lutassem a batalha por ele. Ross nunca veria tal
covarde governar seu povo. Ele tinha dado a Derek uma mortal ferida
no peito enquanto o homem tentara virar seu cavalo para fugir.
Se por vergonha pelo comportamento covarde de seu líder ou
simples autopreservação, no momento em que Derek fora morto, os
outros homens tinham deitado suas armas e jurado lealdade.
Fingal e seus tios tinham feito o mesmo ao receber a notícia.
Todos os três afirmaram que simplesmente estavam tentando mostrar
a Derek que ser quatro anos mais velho não lhe dava direito ao título,
e que as habilidades de liderança e a coragem eram o que importava,
não a idade.
O tio de Ross, Ainsley, havia morrido quando seu coração parou
no inverno passado, mas Eoghann e Fingal ainda viviam. Eoghann
tinha uma pequena fazenda fora da aldeia, e Fingal ainda trabalhava
como ferreiro na aldeia. A pergunta que agora surgia: um deles ainda

~ 167 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

estava interessado no título de chefe do clã, e se um deles estava,


como ele estava pensando, planejando usar Annabel para ganhá-lo?

— OBRIGADA. — ANNABEL murmurou quando Ross a ajudou a


descer do seu cavalo. Afastando-se para dar em Jasper um tapinha
ausente quando ele lhe pulou em cima e, dando um olhar no caminho
por onde vieram, viu que os outros estavam apenas atravessando a
ponte levadiça. Ela só teria momentos antes de chegarem à fortaleza.
Com os dedos apertando a bolsa na mão, ela girou e subiu correndo as
escadas até as portas do edifício, ciente de que Ross e Jasper a
estavam seguindo.
O cheiro no grande salão não era tão ruim quanto tinha sido,
mas ainda estava pendurado no ar como um fantasma, fraco, mas
perceptível e muito desagradável. Fazendo uma careta, Annabel olhou
para a dúzia de mulheres reesfregando os vários pontos onde Jasper
tinha deixado seus presentes mais cedo. Ela estava procurando por
Seonag, e a avistou assim que a criada olhou para cima e os viu. A
mulher olhou rapidamente para Jasper quando viu que ele estava com
eles, mas então seu olhar encontrou a bolsa que Annabel carregou e o
alívio substituiu a carranca. Esse alívio virou-se para uma careta
dolorosa, no entanto, enquanto ela lutava para se levantar. Annabel
franziu o cenho com preocupação e correu para frente quando a
mulher começou a vacilar em direção a eles com um andar
claudicante.
Seonag era velha demais para ficar ajoelhada no chão frio de
pedra durante algum tempo. Ela deveria ter simplesmente dirigido as
mulheres, em vez de ajudar. Mas antes que Annabel pudesse dizer

~ 168 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

isso, Seonag disse: — Oh, graças a Deus. Você encontrou as flores.


Eles... Ela parou abruptamente quando se aproximou o suficiente para
ver o estado em que Annabel estava e ofegou: — Pelas malditas
chamas! O que aconteceu com você?
— Ela foi atacada. — Ross respondeu e não soando muito feliz
sobre isso.
— Outra vez? — Seonag perguntou com consternação.
Impaciente com esse atraso enquanto os MacDonalds estavam
quase em sua porta, ela acenou a pergunta para longe. — Não importa
isso agora. Devemos ter essas campainhas espalhadas. A irmã de Ross
e seu marido estão bem atrás de nós e entrarão pela porta a qualquer
momento e aqui ainda cheira.
— Aye. Nós esfregamos e esfregamos, mas o fedor permanece. —
disse Seonag. No entanto, o tom dela estava distraído, sua atenção
parecia presa na testa de Annabel, e ela não pode resistir a perguntar:
— Você encontrou outra árvore?
Annabel ficou boquiaberta com a pergunta e depois suspirou. Ela
nunca tinha vivido aquilo e realmente desejava que seu marido não
sentisse a necessidade de explicar sua lesão e contar a todos sobre
isso. Embora para ser justa, ele provavelmente só dissera à Seonag
para que soubesse com o que estava lidando. Annabel não duvidava
que todos agora soubessem disso. Era impossível guardar segredos
nos castelos.
— Minha esposa foi atacada e agredida na cabeça. — explicou
Ross. — E, sem dúvida, ela tem outras contusões e feridas do ataque
também. Leve-a acima das escadas e certifique-se de que não há nada
sério. Então cuide para que ela se troque. Eu vou...

~ 169 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

— Não há tempo para isso agora. — Annabel protestou


imediatamente. — Devemos pegar essas campainhas e espalhá-las.
Sua irmã e seu marido...
— Vou cuidar das flores. — Interrompeu Ross. Ele pegou o saco
das mãos dela e então a levou para a escada. — Deixe Seonag
examiná-la e ajudá-la a se trocar... Senão eu irei fazer isso.
Quando ele fez uma pausa na última palavra e de repente se
virou para olhá-la, seus olhos ficando esfumaçados, Annabel sentiu
seus próprios olhos se alargarem. Ela reconheceu o olhar e sabia
instintivamente que o seu exame seria muito mais completo e
demoraria muito mais tempo do que Seonag. Ela suspeitava que isso
incluíria ele ficando nú também, e por um momento ficou tentada,
mas então Seonag tossiu com exasperação e tomou seu braço para
puxá-la para longe de Ross.
— Há tempo suficiente para examinar mais tarde, depois que os
convidados forem embora — disse a criada a Ross, enquanto ela pedia
a Annabel que subisse as escadas. Olhando por cima do ombro, ela
acrescentou: — Agora vá e entregue as flores às servas para espalhar.
Você não quer que sua esposa se sinta envergonhada por sua casa
quando sua irmã entrar.
Relembrada da situação, Annabel parou de arrastar os pés e
subiu correndo as escadas. Quando chegaram ao topo parou junto ao
patamar, olhou por cima da grade para o grande salão para ver que
em vez de entregar o saco para uma das criadas domésticas, seu
marido tinha aberto e inclinado a bolsa e estava andando a sacudir o
conteúdo sobre os juncos.
— Vai resolver. — Assegurou Seonag.

~ 170 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

— Aye. — Annabel concordou e liderou o caminho para o quarto


principal.
— Cão sarnento. — Murmurou Seonag quando Jasper passou
por ela antes que ela pudesse fechar a porta.
Annabel mordeu o lábio e acariciou Jasper quando ele correu
para seu lado. Depois de um momento, ela disse: — Não seja muito
dura com ele, Seonag. — Não é culpa dele que tenha uma barriga
ruim. Eu não sabia que isso o incomodava e lhe dei queijo. — Ela deu
tempo para que isso penetrasse e então acrescentou: — Além disso, ele
me salvou na floresta quando fui atacada.
O cenho de Seonag aliviou um pouco e depois suspirou e disse:
— A água ainda está na bacia desde esta manhã. – Está fria, mas acho
que dá para usar. Enquanto você se despe e limpa, eu encontrarei algo
para você usar. Então eu a examinarei e a ajudarei com o vestido.
Annabel simplesmente olhou fixamente enquanto aquelas
palavras enchiam sua cabeça. — Encontrar alguma coisa para vestir?
Tudo o que ela tinha eram os vestidos de mãe de Ross, que eram
muito pequenos no busto. A menos que...
— Acho que o vestido que viajei para aqui não foi limpo ainda? —
perguntou ela esperançosa.
— Nay. Desculpe. — Seonag disse, em tom de desculpas.
A mulher moveu-se para uma cesta grande ao lado da cama.
Annabel a reconheceu como aquela que estava lá embaixo, junto ao
fogo do grande salão, que guardava todos os vestidos reparáveis.
Annabel não tinha notado isso antes, mas supôstamente Seonag
tinha-a trazido para trabalhar nos vestidos enquanto ela a vigiara no
dia anterior enquanto estava inconsciente.

~ 171 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

— Eu deveria ter feito isso ontem. Estaria seco agora se tivesse.


— Seonag disse com pesar enquanto começava a classificar os vestidos
restantes na cesta. — Mas, entre ver o mercador e depois o seu
acidente, tudo o que consegui foi arrumar um para que ficasse maior
no seio.
— E eu fui e arruinei isto. — Annabel disse em um suspiro,
olhando para o vestido agora destruído.
— Não faz mal. Encontraremos alguma coisa — disse Seonag, e
acrescentou com aspereza: — E se seus peitos pularem e Ross não
gostar, é sua própria culpa ao não lhe dar tempo para empacotar suas
coisas antes de arrastá-la de sua casa.
Annabel mordeu o lábio diante da irritação na voz de Seonag. Ela
estava culpando Ross por tudo isso. Todavia, mesmo sendo verdade
que ele não tinha lhe dado tempo para fazer as malas, ela não teria
nada para arrumar de qualquer maneira. Ela estava se debatendo se
deveria ou não admitir tudo para a mulher, quando Seonag olhou para
ela e a viu, simplesmente parada ali.
— A água está tão fria? Devo enviar água quente fresca? — Ela
perguntou com um franzir de sobrancelhas.
— Nay. — Annabel deixou passar o breve desejo de confessar
tudo e virou-se para a bacia. Ela despejou a última água da jarra junto
a água fria utilizada naquela manhã e então rapidamente tirou seu
vestido e começou a trabalhar para limpar o sangue que tinha
espirrado em seu peito, mãos e braços. Ocupada com a tarefa, ela não
percebeu Seonag tinha arrumado um vestido e se juntara a ela até que
a outra mulher falou.

~ 172 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

— Você tem um machucado aqui. — Disse Seonag com


preocupação, roçando um dedo sobre o centro de sua parte inferior
das costas.
— Devo ter conseguido quando ele me derrubou no chão. —
Murmurou Annabel, esticando a cabeça para tentar vê-lo, mas era
impossível.
— Você sente dor? — Perguntou Seonag.
— Nay. — Annabel mentiu e quando Seonag pareceu duvidosa,
ela admitiu: — Bem, talvez um pouco, mas vou ficar bem.
— Hmm. — Seonag deixou passar e olhou para seu rosto. —
Como está sua cabeça? Você está com dor?
Annabel tomou a expressão arqueada da criada e nem sequer se
incomodou em tentar mentir dessa vez. — Aye. Está martelando um
pouco.
— Vou fazer um pouco de chá de salgueiro quando formos para
abaixo — Seonag decidiu, e depois voltou sua atenção para o vestido
azul escuro que ela havia selecionado e anunciou: — Este está em boa
forma. Nenhuma mancha, ou desgaste.
— Esperemos que seja um pouco maior no peito que os outros —
murmurou Annabel.

— ENTÃO A SUA ESPOSA se encontrou três vezes com um


escocês solitário?
Ross olhou para seu cunhado. Bean estava sentado girando a
jarra de cerveja distraidamente em suas mãos, sua expressão
pensativa.

~ 173 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

Uma vez que Annabel e Seonag haviam desaparecido no andar de


cima, ele espalhou as campainhas, e então instruiu uma das criadas a
dizer ao cozinheiro para enviar bebidas. Sua irmã e seu marido tinham
entrado exatamente quando ele tinha terminado de dar a ordem. Ross
os recebera e os vira sentando, enquanto os criados saíam correndo
pelo Grande Salão com as bebidas solicitadas. Agora estavam
discutindo o que tinha acontecido com sua esposa.
— Aye. — ele disse finalmente. – Assim parece.
— O velho problema com o título de chefe de clã? — perguntou
Bean.
— Gilly também sugeriu isso — admitiu Ross.
— Mas? — Bean perguntou, aparentemente ouvindo a dúvida em
sua voz.
Ross deu de ombros e depois disse: — Não consigo ver o modo de
ganhar o título usando Annabel. Eu poderia concordar em me afastar
para trazê-la de volta em segurança, mas então eu desafiaria quem
quer que fosse e o mataria por se atrever a tocá-la.
— Aye. — Bean assentiu com um sorriso. — Você está certo. Não
funcionaria.
— Isso não quer dizer que Eoghann ou Fingal não seriam
suficientemente estúpidos para tentá-lo — disse secamente Giorsal. —
Tio Eoghann nunca foi muito brilhante. Nem o é Fingal para todos os
fins.
Ross sorriu fracamente com suas palavras secas. — Como você
sabe se Fingal é brilhante ou não? Alguma vez já o encontraste?
— Nay. — Reconheceu ela. — Mas só um idiota teria tentado tirar
o título de você.

~ 174 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

Ele sorriu para suas palavras firmes, mas virou-se para Bean e
disse: — Se não é pelo título, o que mais poderia ser? Ela tem inimigos
na Escócia?
Ross balançou a cabeça lentamente enquanto pensava na
pergunta. — Ela não está aqui o suficiente para fazer inimigos.
— De onde ela veio, então? — Bean sugeriu, e depois
acrescentou: — Eu sei que parece ter sido um escocês a atacá-la, mas
ele poderia ter sido contratado por um inglês.
— Não posso ver como isso seja provável — disse Ross
duvidosamente. — Annabel é um coração bondoso.
— Isso não importa — disse Bean secamente. — Você também
tem um coração bondoso, mas tem inimigos.
Ross endureceu e franziu o cenho para o outro homem. — Eu o
insulto em sua casa? Nay. — Ele mesmo respondeu. — Então não me
insulte na minha, muito obrigado. Eu não sou 'bondoso'. Eu sou justo,
talvez, mas não bondoso.
Bean riu de suas palavras afrontadas. — Muito bem, você é justo,
não bondoso.
— Hmmm. — murmurou Ross, apenas ligeiramente apaziguado.
Ele não poderia ter o homem ao redor sugerindo que ele era bondoso
ou tal. Seu povo pensaria que estava ficando mole.
— Se não Annabel, talvez seu pai tenha inimigos aqui. — sugeriu
Giorsal. — Ele nos visitou uma ou duas vezes quando éramos mais
jovens, antes que a amizade com o papai diminuísse. Talvez tenha
irritado alguém aqui na Escócia em uma dessas viagens.
Ross grunhiu com a sugestão. Lord Waverly visitou MacKay duas
vezes, as duas nos primeiros cinco anos depois de salvar a vida de seu
pai. Seu pai também tinha parado em Waverly para uma visita ou

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Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

duas naquele tempo também. No entanto, a distância entre as duas


casas, juntamente com as responsabilidades da família e suas
posições tinha impedido novas visitas. Não surpreendentemente, sua
amizade tinha esfriado e morrido por morte natural ao longo do tempo.
— A última vez que Lord Waverly esteve na Escócia foi há mais de
quinze anos, Giorsal. — Ross apontou agora. — E enquanto eu não
duvido que o homem faça inimigos em qualquer lugar que ele vá,
quinze anos é muito tempo para guardar rancor.
Bean levantou uma sobrancelha. — Você não gostou do seu pai?
— Eu não gostei do seu pai nem de sua mãe. — Ross admitiu
sombriamente.
— Por quê? — Perguntou Giorsal imediatamente.
Ross franziu o cenho, considerando tudo e depois disse: — Eles
foram frios e desinteressados para com ela, e insultuosamente
ansiosos para ver-nos indo embora uma vez que eles tiveram o lençol,
e...
— E? — perguntou Giorsal quando parou.
Ele hesitou, mas depois admitiu: — Na nossa noite de núpcias,
havia marcas nas costas de Annabel e uma recente chicotada junto
com cicatrizes das anteriores.
Giorsal sentou-se novamente com uma expressão de desagradado
em seu rosto.
— Mas — acrescentou Ross. — não consigo ver ninguém
segurando rancor contra ele tanto tempo e depois se vingando na filha.
— Então concluímos que esses ataques têm a ver com seu tempo
aqui. — Bean disse razoavelmente.
— Aye. — Ross franziu o cenho, não gostando que sua esposa
estivesse se machucado por causa dele. Parecia irônico que, enquanto

~ 176 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

ele não desejasse nada além de protegê-la e mostrar seu carinho, ele
era o único causando-lhe as dores que estava sofrendo, mesmo que
indiretamente. Certamente, se ele não a tivesse levado para a clareira
para consumar seu casamento, ela nunca teria sido perseguida até
uma árvore.
Os pensamentos dele foram distraídos pelo surgimento de Seonag
que se apressava abaixo, pelas escadas e através do salão até as
cozinhas. Ross observou-a passar, e depois olhou para a escada. Como
não havia nenhum sinal de sua esposa, ele se desculpou, e se levantou
para caminhar até as cozinhas.
Seonag estava em frente a um caldeirão de água fervendo sobre o
fogo, recolhendo o líquido fumegante em uma taça quando ele entrou.
Movendo-se para o lado dela, ele olhou curiosamente para a bebida
que ela estava preparando enquanto colocava a colher de volta na
água e começava a mexer o que parecia ser pedaços de casca no
líquido na taça.
— O que é isso?
— Chá de casca de salgueiro para a cabeça de Annabel —
respondeu Seonag, e depois acrescentou solenemente: — Eu ia dizer
no caminho de volta, mas ela pede desculpas. Ela não vai se juntar a
vocês à mesa esta noite.
— Por quê? — Ross perguntou, e então olhou para a bebida que
ela estava fazendo e perguntou: — Sua cabeça a está incomodando?
— Sim, mas não é por isso. — disse a mulher com um suspiro, e
depois sacudiu a cabeça. — É tudo culpa minha. Se eu tivesse pedido
uma das meninas para lavar seu vestido, ou trabalhado mais rápido e
arrumado dois vestidos para caber bem em vez de apenas um... Ela

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Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

balançou a cabeça novamente. — É melhor eu pegar isso para ela. Isso


vai aliviar a dor. É o que eu posso fazer por enquanto.
Ross pegou a bebida e se dirigiu para a porta. — Vou levar para
ela.

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Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

Capítulo 9

Annabel acidentalmente furou-se com a agulha de costura,


murmurou de dor e sentiu que as lágrimas que haviam sido
ameaçadoras nos últimos minutos começaram a deslizar por suas
bochechas. Mesmo quando colocou o dedo em sua boca, ela
reconheceu que as lágrimas eram mais devidas à autopiedade do que a
dor causada pela picada da agulha.
Realmente, este não fora um dia bom para ela... E a pior parte
sobre ele é que fora tudo por sua própria culpa. Primeiro, havia a
questão de Jasper ter deixado um odor desagradável no grande salão
porque ela lhe dera queijo. A isso tinha seguido o ataque na floresta, o
que não teria acontecido, ela tinha certeza, se tivesse levado alguém
na excursão com ela, e agora ela não poderia participar da festa
abaixo, porque seus seios eram malditamente grandes para os vestidos
disponíveis.
Ela olhou infeliz para o vestido azul escuro em seu colo. Tinha
ficado lindo uma vez que ela tinha conseguido vesti-lo... Exceto pelo
fato de que ficou tão apertado que forçou seu seio o suficiente para
que seus mamilos aparecessem. Seonag tinha escolhido outro vestido
para que ela experimentasse depois disso, um verde que precisava de
um pouco de reparo na bainha, mas também tinha ficado ruim.
Quando a mulher apressou-se a escolher outro vestido da coleção na

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Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

cesta, Annabel lhe disse para não se preocupar. Todos seriam


indecentemente pequenos no seio. Teria de acrescentar painéis a todos
antes de usá-los em público. Ela simplesmente não poderia ir lá
embaixo até que fizesse isso.
Seonag admitiu relutantemente que também temia que fosse esse
o caso. A mulher tinha então anunciado que ela estava indo abaixo
para ir buscar-lhe um pouco de chá para sua cabeça dolorida e
ajudaria com a tarefa quando voltasse. Talvez com as duas
trabalhando, elas pudessem manejá-lo rapidamente, adicionou
animadamente.
Annabel tinha concordado com a cabeça, mas sabia que mesmo
com as duas trabalhando levariam horas para terminar. A bainha teria
que ser cortada, o vestido reembainhado todo o perímetro ao redor, e
então o material removido teria que ser costurado em painéis e
inserido no vestido. Seonag era uma costureira rápida, mas Annabel
não era. Ela estava certa de que Giorsal e seu marido estariam no
caminho de volta para casa antes que terminassem a tarefa.
Ela fungou miseravelmente pelo pensamento. Embora Annabel
estivesse nervosa por encontrar-se com a irmã de Ross, ela
rapidamente se sentiu aceita por Giorsal durante o curto período de
tempo na clareira, quando ela explicou tudo sobre ela e Bean, o Lord
MacDonald. Essa sensação só tinha crescido durante a curta
cavalgada com seu grupo antes que encontrassem seu marido e seus
homens.
Annabel nunca conhecera ninguém como Giorsal. A garota era
como a luz do sol, cheia de conversas felizes e risadas altas. A
abadessa a teria odiado por ambos, Annabel tinha certeza. Também
tinha certeza de que Giorsal teria passado tanto tempo em penitência

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Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

quanto ela tinha, mas isso só a fazia gostar mais dela. E realmente
teria gostado de receber ao casal no salão, mas em vez disso estava
presa no quarto, costurando painéis laterais para o vestido azul se
tornar mais apresentável.
Em cima de tudo isso, sua cabeça estava começando a doer
ferozmente. Ela esperava que Seonag não demorasse muito com o chá
de salgueiro.
Annabel mal teve o pensamento quando ouviu a porta se abrir.
Aliviada, olhou ao redor, esperando ver a velha senhora cruzando o
quarto em direção a ela — mas em vez disso era Ross. Com os olhos se
arregalando, ela virou a cabeça rapidamente e usou o material em
suas mãos para limpar as lágrimas reveladoras de sua bochecha.
Tentando uma expressão composta, ela voltou-se para seu marido.
— Seonag poderia ter trazido isso para cima. Você deveria estar lá
em baixo, recebendo sua irmã e Bean — o repreendeu com um sorriso
forçado.
— Eles vão ficar bem por um momento. — ele disse seus olhos se
estreitando em seu rosto com preocupação. — Você está chorando. A
sua cabeça dói tanto?
— Estou bem. Tenho a certeza que o chá de salgueiro que Seonag
foi fazer vai deixá-la bem, rápido o suficiente. É isso? — Ela
perguntou.
— Ah, aye. — Ele lhe entregou a taça e olhou em silêncio
enquanto ela bebia, então pegando de volta a taça vazia das mãos
dela. Ele não saiu, porém mudou de posição e então perguntou: —
Seonag disse algo sobre seus vestidos serem a razão pela qual você
não vai descer? Certamente não pode ser tão ruim? Devemos
conversar sobre...

~ 181 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

Suas palavras morreram abruptamente quando Annabel se


levantou e deixou as mãos caírem em seus lados. Ela estava
segurando o tecido que estava costurando na frente de seus seios, mas
agora eles estavam em plena exibição acima do decote verde e
enquanto os lábios de Ross já não estavam falando, seus olhos
estavam. Eles quase saíram de suas órbitas quando ele percebeu a
situação.
— Oh, aye, eu percebo. Isso é... Ele tinha levantado a mão até a
sua cintura enquanto falava, mas agora a mão continuava subindo e
passava um dedo levemente sobre o topo de um mamilo onde era
visível acima do material. — Isso é...
— Indecente? — Ela sugeriu sem fôlego enquanto seu dedo
roçava o mamilo novamente.
— Lindo. — ele murmurou e inclinou a cabeça para beijá-la.
Annabel suspirou em sua boca enquanto ele cobria a dela. Ela
precisava disso, ela percebeu quando se inclinou sobre ele e deixou
sua boca aberta. Seu beijo e toque tinham limpado todos os outros
pensamentos e preocupações de sua mente cada vez que ele a tinha
agraciado com eles e ela precisava disso. A atividade desta manhã a
fizera sentir-se tão fracassada. Annabel sabia que ela teria dificuldades
para administrar sua casa e as pessoas, mas tinha trabalhado com
animais nos estábulos da abadia. Jasper não fora o primeiro animal
que ela encontrara e que reagira mal a certos alimentos. Ela deveria
tê-lo alimentado com carne até perguntar a alguém que conhecia o
animal se havia algo com o que fosse melhor não alimentá-lo.
Quanto ao incidente no bosque, ela deveria ter corrido para sua
égua, montado e calvagado no momento em que ela tinha visto o
homem em vez de esperar. Annabel tinha certeza de que teria

~ 182 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

conseguido se não tivesse permanecido ali como um cervo enraizado


no local quando o viu pela primeira vez.
Esses erros, além de outras falhas, a faziam sentir-se
completamente inútil. Mas os beijos de Ross empurraram isso de sua
mente. Ela não se sentia como um fracasso com seus braços ao redor
dela e sua língua raspando contra a sua própria. Ela só sentia fome e,
sem saber como tinha chegado lá, Annabel percebeu de repente que
seus braços estavam ao redor de seus ombros e suas pernas enroladas
ao redor de seus quadris de modo que ela estivesse emplastrada
contra ele.
Quando Ross quebrou seu beijo brevemente para olhar ao redor,
ela gemeu e beijou, e então sugou seu pescoço, não parando até que
ele a levou para a borda da janela e a pôs lá. Annabel estendeu a mão
para a cabeça, então, puxando a boca de volta para a dela, gemendo
em sua boca quando ele puxou o decote de seu vestido para baixo,
permitindo que seus seios surgissem em suas mãos.
— Oh marido. — ela ofegou quando sua boca deixou a dela para
chupar ao lado do pescoço brevemente enquanto ele apertava e
acariciava seus seios. Ela apertou sua cabeça ansiosamente em suas
mãos, os dedos puxando as mechas do cabelo longo, e então sugou
ansiosamente em sua língua quando ele levantou a cabeça para beijá-
la novamente.
A pressão de seu corpo contra o dela diminuiu ligeiramente
quando ele a beijou e ela sentiu uma mão cair de seu peito para
deslizar acima de sua perna, empurrando sua saia do caminho.
Annabel se contorceu sob o toque, sua boca tornando-se mais
exigente. Mas ela quebrou o beijo completamente e jogou a cabeça

~ 183 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

para trás em um gemido ofegante quando sua mão atingiu o ápice de


suas coxas e começou a acariciá-la lá.
— Ross. — ela implorou seus quadris se deslocando ao toque
enquanto um fogo explodiu para a vida.
— Como está sua cabeça? — ele rosnou.
— O quê? — Ela perguntou com incompreensão.
Ross riu e deslizou um dedo nela e Annabel gemeu e esqueceu-se
da pergunta enquanto continuava a acariciá-la com o polegar
enquanto deslizava seu dedo dentro e fora dela. A sensação era
incrível, mas ela queria...
Alcançando-o, Annabel o tocou esfregando-o através de sua plaid,
surpresa ao encontrá-lo duro e enorme contra sua mão. Era a primeira
vez que ela o tocava, e ela foi surpreendida no momento em que
percebeu que Ross tinha parado de repente. Abrindo os olhos, ela
olhou para o seu rosto, incerta. Seus olhos estavam fechados, sua
expressão congelada em uma aparência que parecia de dor.
— Eu não deveria...? — Annabel começou incerto.
— Aye, você deve. — ele assegurou, abrindo os olhos. Então Ross
a beijou novamente, mesmo quando sua mão livre caiu para puxar seu
plaid para fora do caminho, deixando-a livre para tocá-lo sem a
obstrução. Annabel hesitou, mas depois fechou os dedos ao redor da
carne dura, maravilhando-se o quão sedosa a sentia: dura, mas suave
de uma só vez.
— Maldição. — Ross murmurou, quebrando seu beijo novamente.
Annabel olhou para ele com preocupação quando ele afastou os
dedos, com medo de que ela tivesse feito algo errado, mas então ele se
aproximou e olhou para baixo franzindo o cenho. Ela olhou para baixo
também, bem a tempo de ver que o parapeito da janela era alto demais

~ 184 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

para o que ele pretendia, e então ele a pegou em seus braços levando-a
para a cama. Eles estavam a meio caminho quando uma batida soou
na porta.
— Vá embora Seonag — gritou Ross, continuando em frente.
— Não é Seonag, irmão.
Ross amaldiçoou e parou com indecisão.
— Eu encurralei Seonag nas cozinhas e ela me contou sobre os
problemas do guarda-roupa de Annabel. — disse Giorsal pela porta. —
Eu vim para ajudar. Assim você e Bean podem discutir como melhor
mantê-la segura no futuro.
Ross curvou a cabeça com um suspiro derrotado e pôs Annabel
em pé, murmurando uma desculpa: — Conheço minha irmã. Ela não
irá embora.
Annabel apenas balançou a cabeça e rapidamente colocou os
seios de volta no vestido até onde eles iriam. Quando ela terminou e
olhou para cima, ele estava espiando com pesar as órbitas inchadas
sobre o decote.
— Vocês vão abrir a porta ou eu apenas vou entrar? — Gritou
Giorsal com exasperação.
— Vou abrir — disse Ross, pegando em seu braço quando
Annabel começou a rodeá-lo. Ele deu-lhe um rápido beijo na testa,
então usou sua mão em seu braço para empurrá-la na direção da
cadeira em que ela estava sentada quando entrou, antes de se dirigir
para a porta.
Annabel estava sentada em sua cadeira, o remendo na mão e
segurando-o alto para esconder seu decote quando Ross abriu a porta.

~ 185 ~
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— Bem, e com certeza você tomou o seu tempo para me deixar


entrar. — Giorsal disse secamente para seu irmão quando ela entrou
no quarto.
— Considera-te com sorte de que eu a abra. — Murmurou Ross
irritado, saindo para o corredor em seu lugar.
— Ah, mas então você não teve escolha, não é? — Giorsal
perguntou com um sorriso. — Eu teria acabado por entrar.
— Aye, eu sei. — Ross disse secamente, olhou sobre ela para
acenar para Annabel. Ele então fechou a porta, deixando-as sozinhas.
— Bem. — Giorsal disse alegremente, cruzando a sala em direção
à Annabel. — Vamos ver essa tragédia de guarda-roupa que a mantém
presa aqui.
Annabel hesitou, mas depois baixou o remendo em sua mão.
Giorsal arregalou os olhos e acenou com a cabeça. — Aye. Eu
posso ver o problema. — Ela sorriu de repente e acrescentou: —
Embora eu de alguma forma não ache que os homens pensariam que
fosse uma tragédia e sim que a boa sorte os enviara.
Annabel corou com as palavras e sentiu sua boca se abrir em um
sorriso.
— E isso me explica a plaid desarrumada do meu irmão quando
ele abriu a porta — brincou Giorsal enquanto ela caía na cadeira em
frente a ela. — Acho que interrompi seus esforços para acalmá-la? Não
há dúvida de que você é grata por eu tê-la salvo do grande bruto.
Os olhos de Annabel se arregalaram diante da sugestão e ela
disse seriamente: — Não, ele é um marido gentil e bondosol. Eu...
— Xiii... Annie, eu estou provocando você. — Giorsal interrompeu
com diversão. — Você deve rir das provações da vida. Isso as torna
mais leves para carregar.

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— Suponho que sim. — Disse Annabel, relaxando, mas então


pensou que isso poderia ser verdade. As provações da vida tinham
pesado brutalmente na abadia, onde o riso tinha sido desaprovado. A
abadessa parecia desaprovar qualquer coisa agradável, como se ela
pensasse que servir a Deus significasse que você deveria ser miserável.
Annabel não achava que fosse esse o caso. Certamente Deus não tinha
feito o homem para sofrer e ser miserável? Certamente, ele iria querer
seus filhos felizes, assim como os pais mortais queriam felicidade para
a sua própria prole? Bem, a maioria dos pais mortais, ela se corrigiu,
pensando nos seus próprios. Sua mãe parecia mais preocupada em
evitar o escândalo do que na felicidade de Annabel. Ela certamente
ficara mais ressentida com o que a escolha de Kate significara para ela
e seu pai do que se Kate estava bem.
— Então, o que estamos fazendo? — Giorsal disse, interrompendo
seus pensamentos. — Estamos fazendo painéis para os vestidos para
assim cobrir melhor os seus seios?
— Aye. — Annabel disse arrastando seus pensamentos de volta
para o assunto em mãos. — O vestido era muito comprido, então
Seonag e eu cortamos a bainha. Estamos fazendo painéis com isso e,
em seguida, deve inseri-los e recosturar o vestido com o novo
comprimento.
— Bem, com três de nós trabalhando podemos fazer isso em um
momento. — Giorsal disse brilhantemente, pegando a outra metade da
bainha removida que deveria ser usada para fazer o segundo painel. —
O que me lembra... Seonag ia montar uma bandeja com bebidas e
doces e então ela se juntaria a nós. — Pausando, ela enrugou o nariz e
admitiu: — Sinto falta dos bolinhos do cozinheiro. Honestamente,

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tanto quanto eu amo meu marido, se ele não encontrar-nos um


cozinheiro melhor, acho que posso ter que amá-lo daqui.
Annabel deu uma risadinha. Ela sabia que a mulher não queria
dizer isso, mas assegurou-lhe. — Você é bem-vinda aqui a qualquer
momento.
— Obrigada. Gosto de você também. — disse Giorsal com um
sorriso, e então admitiu: — Eu não tinha certeza de que iria, sendo
você inglesa e tudo. Mas eu gosto de você. Meu irmão teve sorte
quando nossos pais contrataram esse casamento.
O sorriso de Annabel se desvaneceu um pouco, e ela virou a
cabeça para o trabalho, murmurando: — Temo que ele logo não esteja
de acordo com isso.
— Por quê? — perguntou Giorsal, surpresa. — Você é bonita,
inteligente e engraçada.
Annabel sorriu ironicamente e, pensando no incidente em que ela
correu cegamente na clareira com o vestido enrolado em volta da
cabeça, disse: — Engraçada mesmo quando não quero ser.
Giorsal sorriu fracamente, mas depois disse seriamente: —
Parece que você não tem nem um pouco de confiança. — Ela inclinou
a cabeça. — Seus pais não foram encorajadores enquanto cresciam?
Os meus foram, mas eu não conheci os de Bean, e enquanto ele parece
ter resistido bem, sua irmãzinha sofre alguma escassez na área de
confiança.
— Bem, já que meus pais não me educaram depois dos sete, eu
temo que a falta deva ser minha. — Annabel disse ironicamente.
— O que você quer dizer? — Giorsal perguntou com surpresa. —
Quem te criou a partir dos sete?

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Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

Annabel enrijeceu com alarme quando percebeu o que tinha


revelado impensadamente.
— Annie? — Giorsal perguntou insistentemente. Quando Annabel
continuou a olhar cegamente para o pano em sua mão, ela murmurou
pensativamente: — Ross não mencionou que seus pais, não criaram
você. Pelo que ele disse, eles ainda estão vivos. Embora ele não
parecesse gostar deles. Porventura a negligenciaram e deixaram aos
criados que a criassem?
Annabel franziu o cenho ante a sugestão e relutantemente
levantou a cabeça. Ela não queria desprezar a seus pais para salvar
seu segredo, mas...
— O que é? — perguntou Giorsal, observando sua expressão. —
Pode me dizer. Prometo que não vou dizer a Ross se você não quer que
eu o faça. Quando Annabel ainda hesitou, acrescentou: — Ross disse
que havia vergões e cicatrizes em suas costas de chicotadas. Eu
acredito que eles lhe batiam.
— Oh, nay. — Annabel disse com consternação. Ela tinha
esquecido tudo sobre as marcas em suas costas. Ela estava
acostumada com o desconforto que elas causavam e não tinha
considerado que ele poderia tê-las visto e chegado a conclusão de que
seus pais as tivessem causado.
— Nay, o que? — Giorsal perguntou.
Annabel suspirou e depois disse: — Elas não foram feitas pelos
meus pais. Eles nunca me bateram ou chicotearam. — Ela pausou
brevemente, mas não viu qualquer maneira ao seu dispor de dizer a
verdade. — Giorsal, fui enviada para a abadia aos sete anos como
postulante a noviça e morei lá até o dia em que me casei com Ross.

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Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

Giorsal olhou fixamente para ela sem entender por um momento


e depois disse lentamente: — Uma postulante não é uma garota que se
destina a ser freira quando ela é considerada velha o suficiente para
fazer os votos?
Annabel assentiu e pareceu confundir Giorsal.
— Mas como podiam os teus pais enviar-te lá para ser freira
quando iria se casar com meu irmão?
Annabel fez uma careta. Parecia que teria que contar tudo.

— ENTÃO VOCÊ ESTÁ PENSANDO em colocar um guarda atrás


dela o tempo todo até descubrir se é seu tio ou Fingal por trás desses
ataques? — perguntou Bean. — Mesmo na fortaleza?
— Sim. — Ross disse firmemente. — Ele pode ter atacado apenas
quando ela estava fora das muralhas, mas eu não vou correr riscos
com sua segurança. Ele pode atacar dentro das paredes em seguida,
quando perceber que ela não sairá aonde ele pode chegar a ela.
— Você não vai deixá-la ir além da muralha? — Bean perguntou
com surpresa.
— Não vou deixá-la sair até que resolvamos esse problema —
anunciou Ross.
— Hmmm. — Bean disse duvidosamente.
— Hmm o que? — Ross perguntou com uma careta.
Bean sacudiu a cabeça. — Estou pensando que pode não acabar
bem.
— Por quê? — Ele perguntou surpreso.
— Bem, eu não conheço a Annabel, mas eu conheço Giorsal, que
nunca permitiria colocar um guarda atrás dela todo o tempo. — disse

~ 190 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

Bean secamente. — Inferno, ela não toleraria nem sequer por um dia.
Quanto a restringi-la à fortaleza... Não posso vê-la gostar de ser
prisioneira em sua própria casa.
Ross relaxou e acenou isso. — Annabel não é Giorsal. Isso é para
a sua segurança. Ela vai ficar bem com isso. Além disso, estará
ocupada cuidando da fortaleza e dos meus servos. Não há razão para
ela sair para além da muralha.
— Vamos ver. — Bean disse parecendo divertido.
Ross sentiu a dúvida rondá-lo por um instante, mas então
franziu o cenho e afastou a dúvida. — Annabel era uma mulher
sensata, não era? Certamente ela veria a razão de tomar precauções.

— QUE VELHA CADELA HORRIPILANTE!


Annabel ofegou com aquela proclamação de Giorsal e baixou a
costura para olhar preocupada para Seonag, só para ver a criada
assentir solenemente.
— Aye. Uma cadela desagradável — concordou, continuando a
costurar a bainha em que estava trabalhando. — É uma maravilha
que você acabou com tão doce temperamento depois de ter sido criado
por uma velha vaca desagradável como aquela abadessa.
Annabel recostou-se e olhou de uma mulher para a outra com os
olhos arregalados. Esta não era a resposta que ela esperava quando
confessou que sua falta de jeito e as constantes falhas na abadia eram
as razões de seus açoites. Ou que também era por isso que ela ainda
não tinha sido autorizada a tomar o véu, estando assim disponível
para casar com Ross, quando Kate tinha fugido com o amante.
— Bem, isso resolve tudo. — Giorsal disse com satisfação.

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Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

Annabel hesitou, mas depois perguntou indecisa: — O que isso


resolve? E o que exatamente está sendo resolvido?
— Você estava destinada a casar com Ross — disse Giorsal, como
se isso fosse claro.
— Eu estava? — Annabel perguntou duvidosamente, não tendo
certeza em como chegara a tal disparatada conclusão.
— Aye. É por isso que nunca se encaixou na abadia — explicou
Giorsal. — E assim não pode tomar o véu. Não era para você ser uma
freira, Annabel. Você deveria se tornar Lady MacKay.
— Aye. — Seonag assentiu como se fosse tão óbvio quanto
poderia ser para ela também.
Annabel simplesmente olhou para as duas mulheres por um
momento, e depois sacudiu a cabeça. — Mas vocês não veem? Eu não
deveria me casar com Ross. Kate devia. Ela era quem realmente estava
prometida para casar com ele.
Giorsal bufou nisso. — Não, ele tinha que casar com você, não,
Kate.
— Mas o contrato...
— Oh, o diabo que carregue o contrato. — Giorsal acenou para
longe como a tirar a importância do fato. — Ross é um bom homem,
ele merece uma boa esposa como você, não uma meretriz que foge com
o primeiro galo a vangloriar-se.
Quando Annabel fez um som estrangulado para essa descrição,
Giorsal deu um tapa na testa, e logo disse rapidamente: — Sinto
muito, não deveria chamar a sua irmã de meretriz. Só queria dizer
que...
— Não, está tudo bem — disse Annabel, afastando as suas
desculpas. Ela entendeu como Giorsal se sentia. Ela amava seu irmão

~ 192 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

e queria o melhor para ele, e o melhor não era uma mulher que
ignorava um contrato vinculativo, indo contra seus pais e fugindo para
viver em pecado com outro homem. Annabel também entendeu que
não tivera intenção de ofendê-la com as palavras. Mas o que Giorsal
não parecia entender era que ela não era uma perspectiva muito
melhor, embora por razões diferentes.
Tomando fôlego, ela considerou suas palavras e então admitiu: —
Mas você não vê? Eu não sou muito melhor. Eu não fui treinada para
ser uma esposa e uma senhora de um castelo grande como MacKay,
enquanto estava na abadia. Eu iluminava textos e trabalhava nos
estábulos.
Giorsal acenou ignorando e tirando a importância dessa
afirmação. — Você pode aprender tudo o que precisa para dirigir bem
o suficiente. Na verdade, você já está a meio caminho disso.
— Não vejo como. — Annabel admitiu, quase com medo de ter
esperança que a mulher estivesse certa.
— Bem, se esteve iluminando textos na abadia, você sabe ler e
escrever. — Apontou Giorsal.
— Sim — reconheceu Annabel.
— Então você pode ajudar a ensinar os pajens — ela apontou.
— Que pajens? — perguntou Annabel confusa.
— Bem, não há nenhum no MacKay no momento porque não
havia nenhuma senhora na fortaleza para treiná-los. Agora há. Você.
— Ela sorriu brilhantemente. — Eles precisam ser treinados em
música, dança, equitação, caça, leitura, escrita e aritmética. Claro,
Ross cuidará da caça, mas você pode cuidar do resto.
— Temo nunca ter dançado, e não sou treinada com nenhum
instrumento musical. — Admitiu Annabel, infeliz.

~ 193 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

Giorsal encolheu os ombros. — Você pode contratar um professor


para issos e aprender também. E você deve ter uma mão justa na
escrita, leitura e aritmética.
— Aye. — Annabel concordou, desanuviando. — E também sou
uma boa ginete.
— Er... — Disse Seonag, e depois parou abruptamente.
— O quê? — Perguntou Annabel.
A criada hesitou, mas logo deixou a costura com um suspiro e
admitiu: — Eu ouvi os homens falando sobre suas habilidades de
equitação, senhora, e eles pareciam pensar que elas não eram tão
boas. Disseram que balançou sobre as costas da égua como um saco
de nabos.
Annabel estremeceu e depois explicou: — Não devíamos montar
os cavalos na abadia. Eu costumava oferecer-me para levá-los para o
pasto distante, e assim que eu estava fora de vista, montava-os e
calvagava sem sela. Às vezes eu saia à noite para montar também,
mas eu não podia arriscar que qualquer um ouvisse assim os montava
sem sela também. Eu nunca havia montado de lado. — Ela franziu os
lábios e disse: — Essas são umas engenhocas horríveis.
— Aye. — Giorsal concordou com desagrado. — Eu prefiro
montar também, e sem sela é ainda melhor.
Annabel sorriu surpresa e satisfeita ao descobrir que elas tinham
isso em comum.
— Ela ficará bem com a equitação. — Giorsal garantiu a Seonag.
— Devemos dizer a Ross para se livrar da sela lateral. Ele não deverá
discutir muito sobre isso. — ela acrescentou, e sorriu para Annabel
enquanto dizia: — Felizmente, ele me teve por uma irmã e eu o quebrei
em coisas assim.

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Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

— Sim, isso é verdade — anunciou Seonag.


Annabel riu com Giorsal sobre o seco comentário da criada, mas
a risada de Annabel desapareceu. — Aye, mas tenho certeza que há
muito mais em ser castelã do que treinar os pajens e não sei nada
sobre isso.
— O resto é tão fácil quanto — assegurou Giorsal. — Você deve
vigiar os servos; O cozinheiro e sua equipe de funcionários, as criadas
domésticas, as fiandeiras, as tecelãs, as bordadeiras e... — Ela parou
de repente e olhou para Seonag com uma carranca. — Falando sobre
isso, por que estamos fazendo isso? As bordadeiras teriam feito um
trabalho rápido. — Cacarejando, ela acrescentou: — E as tecelãs
poderiam ter produzido novo material para um vestido novo para
Annie em vez de ela ter que usar roupas velhas da mamãe.
Annabel olhou para Seonag, interessada em ouvir a resposta. Ela
não tinha percebido que castelos tinham fiandeiras, tecelões e
bordadeiras. Tinham mulheres na abadia preparadas para cada tarefa,
mas ela tinha deixado Waverly quando criança e não tinha voltado por
tempo suficiente como adulta para saber se estavam no Castelo de
Waverly. Certamente, ela não tinha visto ou ouvido falar deles aqui em
MacKay.
— A mãe de Derek era a chefe das fiandeiras — disse Seonag
solenemente. — E suas irmãs e sobrinhas compunham como tecelãs e
as bordadeiras.
— Oh, sim, eu esqueci. — Giorsal disse em um suspiro, e depois
explicou a Annabel. — Derek era nosso primo. Quando o papai
morreu, ele se levantou e tentou arrancar o título de chefe de clã de
Ross. Ele até mesmo fez uma emboscada com seus homens uma noite,

~ 195 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

com a intenção de matá-lo e assumir o título, mas em vez disso, Ross


o matou.
— E as mulheres? — perguntou Annabel com o cenho franzido.
— Certamente Ross não as baniu pelo que seu primo fez? — Isso
explicaria por que não havia fiação, tecelagem ou bordadeiras aqui,
mas também parecia injusto, e não algo que ela esperava que seu
marido fizesse. Muito para seu alívio Giorsal sacudiu a cabeça com
veemência.
— Claro que não. Ross não culparia ninguém pelas ações de
outra pessoa. Disse-lhes que não faria mal para elas, por causa das
ações de Derek e que elas eram bem-vindas para ficar.
— Mas a mãe de Derek, Miriam, odiou Ross por ter matado seu
garoto. — Seonag colocou. — Ela cuspiu em seu rosto, ela o fez. Em
seguida, embalou suas posses e foi embora. O resto a seguiu.
— Ross poderia ter ordenado que ficassem, como chefe do clã,
mas ele as deixou ir. — Acrescentou Giorsal.
— Sim, e não vimos nem ouvimos falar delas desde então.
— Hmmm. — Annabel murmurou, perguntando-se para onde
teriam ido.
— Então, suponho que encontrar novas fiandeiras, tecelãs e
bordadeiras caem sobre seus ombros agora também. — disse Giorsal,
pedindo desculpas.
— Aye. — Annabel murmurou, perguntando como diabos ela iria
fazer isso. Além disso, como exatamente ela iria supervisionar os
outros? Será que ela deveria pairar sobre cada servo garantindo que
eles fizeram certo? E se eles estavam fazendo errado, o que ela deveria
fazer?

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Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

— Seonag e eu ajudaremos você a resolver tudo — disse Giorsal,


tranquilizadora. — Vou dizer-lhe o que posso fazer agora, e visita-la
muitas vezes para ver como você está se saindo, e Seonag está aqui há
muito tempo. Ela sabe o que é o quê. Ela pode ajudar muito quando
eu não estiver aqui.
— Aye. — Seonag concordou imediatamente. — Eu vou te ajudar.
Vai ficar tudo bem.
— Obrigada. — Annabel disse sinceramente e esboçou o primeiro
sorriso verdadeiro e relaxado que desfrutou desde que chegou em
MacKay. Ela não se sentia mais sozinha. Ela tinha aliados.

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Capítulo 10

— O Laird disse que você deve permanecer dentro, e dentro é


onde você irá permanecer.
Annabel franziu o cenho para a teimosia de Gilly, mas tentou
permanecer paciente enquanto respondia: — Mas Jasper precisa sair e
liberar alguma energia. Ele ficará destrutivo por puro tédio, e eu
preciso ir até a aldeia e falar com uma mulher que pode ser capaz de
nos ajudar com a costura. Certamente, com vocês dois me
acompanhando, ficaria tudo bem?
— Jasper pode sair, se quiser, e Seonag pode ir falar com esta
mulher na aldeia, mas você não. — disse Gilly com firmeza.
— Desculpe. — Marach encolheu os ombros quando ela se virou
para ele pedindo ajuda. — O Laird foi muito específico para que ficasse
na fortaleza.
Annabel queria bater os pés e ter um ataque de gritos. Em vez
disso, ela girou sobre o calcanhar e marchou através do grande salão
para as escadas e para cima. Ciente de que os homens estavam atrás
dela, ela pegou velocidade quando chegou ao topo e quase correu para
a porta do quarto de dormir. Ela então correu para dentro e bateu
fechando a porta, por pouco faltando bater em Jasper quando ele
correu em seus calcanhares.

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Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

— Desculpe Jasper. — ela murmurou, deslizando o ferrolho para


impedir que os homens a seguissem. Mal o tinha feito quando um dos
homens tentou abrir a porta.
— Minha Lady? — Gilly gritou. — Abra a porta. Devemos ficar
com você o tempo todo enquanto o Laird estiver fora.
— Nay. Eu não sei disso. — Annabel disse docemente. — Meu
marido não me informou.
— Aye, mas nós o fizemos. — Marach apontou.
— Hmmm. Aye, vocês o fizeram. Mas como eu sei que é verdade?
Afinal, certamente meu marido teria mencionado algo de tal
importância para mim ele mesmo? — Ela apontou severamente. —
Além disso, tenho certeza que se ele deu uma ordem assim, ele não
quis dizer que vocês deveriam entrar em nossa câmara privada e me
vigiar. — fez uma breve pausa, procurando por algo que ele não iria
querer que eles testemunhassem, e então disse: — Despir-me e
banhar-me.
Houve um breve silêncio e então Marach pigarreou e apontou. —
Minha Lady, você não está no banho agora.
— Nay, você está certo — concordou Annabel. — Então, talvez
você tenha a gentileza de pedir ao Seonag que traga: a banheira, a
água, o sabão, as toalhas e assim por diante.
Para ganhar alguma privacidade, ela tomaria um banho, apesar
de não precisar realmente de um, ainda. Na verdade, Annabel
suspeitava que se isso fosse o que precisasse para ganhar algum
tempo sem tropeçar com os dois homens que se encontravam fora de
sua porta, ela tomaria muitos banhos. Depois de apenas uma manhã
dessa tolice, eles já a estavam deixando louca.

~ 199 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

Fazendo uma careta, ela se virou e caminhou até uma das


janelas para olhar o pátio ocupado abaixo. A visita da irmã de Ross
tinha ido muito bem. Ao invés de descerem e se juntarem aos homens
uma vez que o primeiro vestido fora feito, as três tinham comido sua
refeição de meio-dia no quarto e remendaram um segundo vestido,
com Giorsal e Seonag dando Annabel mais conselhos e informações
sobre seus deveres como castelã. Eles só tinham descido quando Ross
veio para informar que Bean estava pronto para sair.
Apesar das horas juntas, Annabel lamentara ver Giorsal ir e
tinha ido se despedir. As duas se abraçaram afetuosamente e Giorsal
prometeu voltar em breve. Bean e Ross tinham observado isso com
sobrancelhas levantadas, mas não tinham comentado a respeito. Não
foi até que voltaram para dentro que Ross tinha dito qualquer coisa, e
então foi um simples: — Você parece gostar de mim irmã.
— Aye. Ela é adorável — Annabel respondeu de imediato. —
Gosto muito dela.
Ross grunhiu, levantando-a nos braços e a levando de volta para
o quarto, para terminar o que sua irmã havia interrompido antes.
Quando voltaram para o andar de baixo, o grande salão estava se
enchendo de pessoas reclamando assentos na mesa de cavalete, se
arrumando para o jantar. Depois disso, Annabel sentou-se ao lado do
fogo com Seonag e continuou a costura enquanto Ross, Gilly e Marach
estavam sentados à mesa discutindo algum negócio ou outro.
Annabel tinha costurado até Ross ter aparecido ao seu lado. Ele
não tinha dito uma palavra, simplesmente estendeu a mão para pegá-
la. Ela colocou a costura de lado e permitiu que ele a acompanhasse
até o quarto onde ele tirou vantagem de ser quinta-feira. Não foi até
mais tarde que Annabel pensou que deveria ser grata por ele não ter

~ 200 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

lhe dado tempo para fazer as malas. Ela estava contente por não ter
que usar a camisola que tinha sido deixada para trás. Ela gostava
quando o marido a tocava. Nesse pensamento, Annabel tinha dormido
com um sorriso no rosto.
Ela não estaria sorrindo se ela tivesse percebido o que a
aguardava no dia de hoje, Annabel pensou sombriamente. Ross tinha
partido quando o vigia da torre tinha soprado sua corneta para
acordar o castelo. Ela tinha se apressado em se lavar e vestir e tinha
saído para o corredor para encontrar Gilly e Marach a esperando lá.
Os dois homens estavam se apoiando contra a parede de cada lado da
porta, mas se endireitaram abruptamente diante do seu surgimento.
Annabel murmurara um perplexo: — Bom dia. — e se dirigiu
para a escada, consciente de que eles a estavam seguindo. Os homens
haviam tomado um assento ao lado dela enquanto ela tinha quebrado
seu jejum, e então tinha estado ao lado dela quando tinha assistido a
missa na capela.
— Onde está meu marido? — Ela perguntou quando a missa
terminou sem que ele fizesse uma aparição.
— Ele tinha algum negócio na aldeia. — Respondeu Gilly,
seguindo-a pelo corredor em direção ao grande salão. Enquanto a
capela de Waverly estava do outro lado do pátio, perto do portão de
entrada, em MacKay estava na própria fortaleza, no fim de um longo
corredor que saia no grande salão.
Annabel nada comentou e permitiu que os homens a escoltassem
de volta ao grande salão. Ela tinha ficado aliviada, no entanto, quando
ambos se sentaram à mesa e deixaram que seguisse sozinha depois de
ter visto Seonag e comentado que teria uma palavra com a mulher.

~ 201 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

Annabel queria perguntar a Seonag o que deveria estar fazendo


naquele dia. Ela tinha uma ideia geral, mas estava se sentindo incerta.
O suficiente para querer uma sugestão. Ela tinha ficado contente
quando Seonag lhe dissera que descobrira que havia uma mulher na
aldeia que diziam ser útil com uma agulha. Tão acessível, de fato, que
muitos dos homens estavam indo procura-la quando eles tinham itens
que precisavam remendar. Ela se perguntou se a mulher poderia estar
interessada em uma posição na fortaleza, como uma bordadeira, se o
pagamento fosse bom o suficiente.
Excitada pela perspectiva, Annabel tinha assegurado a Seonag
que ela iria falar com a mulher e se dirigira para as portas da fortaleza
pretendendo seguir para a aldeia imediatamente. Ela estava
vagamente consciente de Gilly e Marach de pé para segui-la quando
ela passou pelas mesas de cavalete. No entanto, ficou atordoada,
quando de repente se apressaram para bloquear seu caminho quando
ela alcançou as portas. E ela ficou positivamente chocada quando lhe
disseram que não lhe era permitido deixar a fortaleza até que seu
marido resolvesse o problema do homem que a tinha atacado.
Annabel agora apoiava os cotovelos na borda da janela e
descansava o queixo em suas mãos. Este problema com o atacante era
um grande incômodo. E restringi-la ao castelo lhe parecia uma tolice.
O homem só tinha aparecido fora das muralhas do castelo. Ela estava
perfeitamente segura dentro das muralhas. Naturalmente, a aldeia não
estava dentro das muralhas, mas ela estava perfeitamente feliz em
permitir que Gilly e Marach a acompanhassem até lá, só que eles não
a deixavam ir. Como ela faria seu trabalho como castelã se eles não
permitissem que ela fizesse o que precisava fazer?

~ 202 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

Suspirando, ela observou o chefe do estábulo levantar uma mão e


acenar uma saudação para alguém que ela não podia ver. Curiosa, ela
se inclinou para ver a quem estava saudando. Ela teve que se inclinar,
quase caindo pela janela, de maneira a enxergar o Padre, de pé
próximo a uma porta mais distante ao longo da muralha no piso
térreo. — Era a segunda porta da capela. — ela supôs — uma porta de
entrada para a fortaleza que o senhor e a senhora usam e outra que
saísse para o pátio para aqueles que vinham pelo lado de fora.
Annabel se tranquilizou brevemente, depois se endireitou e se
virou para a porta.
Gilly estava sozinho quando pisou no corredor, e Annabel
levantou uma sobrancelha enquanto fechava a porta atrás de Jasper.
— Onde está Marach?
— Ele foi desceu para dizer a Seonag que você quer um banho.
— Oh, aye. — Ela assentiu. — Vou tomá-lo depois da confissão.
— Confissão? — Gilly ladrou com surpresa, e então correu atrás
dela quando ela se dirigiu para as escadas.
— Aye. Não me confesso desde que saí da Inglaterra e tenho uma
ou duas confissões a fazer. — Disse Annabel com suavidade.
— Bem, está certo, mas vai ter que esperar até que Marach volte
— disse Gilly com o cenho franzido.
— Não preciso de Marach para me confessar — disse Annabel,
divertida. — É de um sacerdote que eu preciso.
— Aye, mas... Ah, lá está ele — disse Gilly com alívio e Annabel
olhou para frente e viu Marach entrando no grande salão vindo das
cozinhas.
Ela não comentou nada e simplesmente continuou descendo as
escadas enquanto Marach correu para encontrá-los.

~ 203 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

— Eu pensei que você queria um banho? — Ele perguntou com


uma carranca.
— Ela está querendo se confessar primeiro. — Gilly disse por ela.
— Agora? — perguntou Marach franzindo o cenho. — Mas acabei
de dizer às criadas para lhe trazerem um banho.
— Perfeito. — Annabel disse suavemente enquanto se movia pelo
grande salão. — Primeiro uma alma limpa e depois um corpo limpo.
Isso não vai ser bom?
Marach murmurou algo, sob sua respiração, sobre os caprichos
das mulheres, mas uniu seus passos aos de Gilly e se manteve ao seu
lado seguindo-a e em seus calcanhares.
— Lady MacKay. — O padre a cumprimentou com óbvia surpresa
quando Annabel entrou com os homens na capela momentos depois.
Se ele ficara surpreso com seu retorno, ela ficara um pouco surpresa
ao ser chamada de Lady MacKay. Era um novo título e ele fora o
primeiro a se dirigir a ela desse modo, mas decidiu que gostara.
— Boa manhã de novo, padre... — Annabel parou incerta,
percebendo com certa vergonha que nem sabia o nome do padre. Ela
não conseguira assistir a missa até aquela manhã. A abadessa a teria
admostedo se soubesse disso.
— Gibson. — Disse o padre, ajudando-a.
— Gibson. — Annabel sorriu largamente para o homem. — Você é
inglês?
— Aye. — Ele assentiu. — Felizmente os MacKays não utilizam
isso contra mim.
Annabel sorriu com as palavras leves, e então disse: — Eu vim
para confissão.

~ 204 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

— Certamente — disse o homem, tornando-se imediatamente


solene e sério.
— Obrigada — Annabel disse e voltou-se para Marach e Gilly com
as sobrancelhas arqueadas.
Os homens hesitaram, olharam um para o outro e depois se
afastaram para dar-lhe alguma aparência de privacidade, mas Annabel
simplesmente franziu o cenho para eles. Eles se moveram outra
passada para trás e, então, todo o caminho para a porta enquanto ela
simplesmente continuava olhando para eles.
— Podem me ouvir? — Annabel perguntou solenemente.
Quando os dois homens assentiram com a cabeça, Annabel
voltou-se para o padre Gibson e disse com pesar: — Acho que terei que
deixar de me confessar por agora, padre. Peço desculpas. Mas
obrigada por...
— Oh, não, não, não. — Ele interrompeu e se dirigiu para os
homens, abanando as mãos. — Venham agora. Fora com vocês. Lady
MacKay merece alguma privacidade para sua confissão. Terão que
esperar lá fora.
— Mas não vamos deixá-la sozinha, padre. — Protestou Marach,
mesmo quando se encaminhava para a porta. — Ela foi atacada ontem
na floresta e nós estamos...
— Bem, ninguém vai atacá-la aqui. Ela está perfeitamente segura
na capela. Vocês podem esperar lá fora até que ela saia — insistiu
padre Gibson.
— Mas... — Gilly tentou.
— Fora. — repetiu o padre, e os dois homens se afastaram com
relutância para o corredor.
— Vamos ficar bem em frente a esta porta. – Disse Gilly.

~ 205 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

— Sim, sim. — Disse Gibson, impaciente, e depois fechou a porta


em seu rosto. Virando-se, ele sorriu para ela com satisfação e
caminhou de volta, dizendo: — Bem. Está tudo ajeitado agora. Você
gostaria de...
— Sinto muito, padre, mas eu realmente não tenho uma
confissão. — Annabel interrompeu-o calmamente, tomando seu braço
para empurrá-lo o mais longe possível da porta. Parando, então,
franziu a testa e disse: — Embora suponho que devo confessar que
menti sobre me confessar.
— O quê? — perguntou o padre Gibson, perplexo.
Annabel deu-lhe um tapinha no braço e explicou: — Veja bem, eu
sou a castelã agora.
— Sim, é claro, minha senhora — concordou ele.
— E parte das minhas responsabilidades é supervisionar as
fiadeiras, tecelãs e bordadeiras aqui. Só que não há nenhuma.
— Sim, eu sei — disse o padre Gibson, tristemente, olhando para
as vestes meio desgastadas. — Foi um dia triste quando perdemos
Miriam e seu grupo.
Annabel assentiu solenemente, mas por dentro estava sorrindo.
O homem tinha acabado de lhe dizer como fazê-lo concordar com seu
plano. — Bem, a boa notícia é que eu espero substituí-las e a melhor
notícia é que eu sei que há uma mulher na aldeia que é excelente com
uma agulha.
— Há? — perguntou ele com interesse.
— Sim, e eu estava esperando poder me deslocar até a aldeia e
ter uma palavra com ela, para convencê-la a vir trabalhar no castelo.
Seria o primeiro passo para colocar as coisas em ordem na questão do

~ 206 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

vestuário aqui. O primeiro passo para sermos capazes de fazer


algumas belas roupas novas.
— Oh, isso seria agradável. Foi uma provação este ano que
passou.
— Aye. — Annabel concordou, e então soltou um pequeno
suspiro e disse: — Infelizmente, meu marido pediu a Gilly e Marach
que não me deixassem sair da fortaleza por causa de dois incidentes,
insignificantes, nos últimos dois dias.
— Oh, sim, eu ouvi sobre os ataques, minha senhora. — O padre
Gibson bateu no seu braço e sacudiu a cabeça. — Eu não estava
bisbilhotando, é claro. Mas me admirei por você ainda não ter
assistido à missa desde de que aqui chegara e, assim, eu perguntei por
aí e fiquei muito aflito ao ouvir sobre os ataques a sua pessoa.
— Sim, foi deveras lamentável que eu me visse forçada a perder a
missa — Annabel murmurou agradecida de que quem lhe tivesse
contado as histórias, de alguma forma, tivesse feito soar como se ela
tivesse perdido a missa, nos dois dias, por causa dos ataques, quando
a verdade era que dormira toda manhã do primeiro dia e tinha havido
a limpeza de esterco do cão durante a manhã do segundo dia.
Nenhuma era uma boa desculpa para perder a missa e deveria ter
vergonha de si mesma, especialmente quando passara a maior parte
de sua vida em uma abadia onde realizavam sete serviços religiosos,
por dia, começando às duas da manhã. Honestamente, tinha sido
difícil conseguir concluir as tarefas quando eram constantemente
forçadas a parar para este ou aquele serviço religioso. Annabel sempre
se alegrou de ajudar nos estábulos por causa disso. Você
simplesmente não poderia deixar um animal doente para assistir ao

~ 207 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

serviço e ela tinha perdido vários ao longo dos anos graças a essa
desculpa.
— Igualmente angustiante é o fato de que esses ataques fizeram
com que meu marido ficasse excessivamente cauteloso, a ponto de
interferir em minha disponibilidade de ir à aldeia e convencer essa
mulher a vir trabalhar para nós. — disse Annabel tristemente.
— Oh, aye, isso é angustiante. — disse Padre Gibson, infeliz. —
Muito lamentável mesmo.
— Aye. — Annabeth assentiu com a cabeça. — Então você irá me
ajudar?
Padre Gibson piscou com a confusão, e então franziu o cenho. —
Ajudá-la com o quê exatamente, minha Lady?
— Bem, nada realmente. — ela disse com um sorriso. — Você só
precisa ficar aqui e não dizer nada enquanto eu corro até os estábulos,
busco a minha égua e cavalgo até a aldeia.
— Oh. — ele disse, ainda franzindo a testa, e então sua expressão
se encheu de compreensão. — Oh! Você quer dizer que os homens
pensariam que você estaria aqui se confessando e... Oh, nay, eu não
poderia.
— Oh, mas padre, eles nunca saberiam — assegurou Annabel.
— E se algo acontecer com você? E se você for atacada
novamente? Nay, eu não poderia ser parte responsável por colocá-la
no caminho do dano. — Ele balançou a cabeça firmemente.
— Eu calvagaria depressa, e Jasper me acompanharia. —
Argumentou Annabel, as palavras chamando a atenção do padre para
o cão a seus pés.
Ele franziu o cenho, como se tivesse acabado de notar que o
animal estava em sua capela, e então voltou sua atenção para ela e

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Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

disse com firmeza: — Minha senhora, você tem duas contusões muito
desagradáveis, em seu rosto, de seus encontros anteriores com seu
atacante. Não vou arriscar ser responsável por um terceiro. O próximo
pode lhe matar.
Annabel bateu um pé com exasperação enquanto pensava, e
então olhou para ele, considerando. — E se você esperasse até que eu
alcançasse minha égua e saísse dos estábulos com ela, e depois fosse
falar com Gilly e Marach? — Quando ele começou a sacudir a cabeça,
ela se precipitou: — Eles se apressariam em ir atrás de mim e eu me
manteria a vista deles permitindo que acompanhassem, o suficiente
perto, para que eu esteja em sua linha de visão todo o caminho até a
aldeia. Dessa forma eu poderia falar com a mulher e estar segura ao
mesmo tempo.
O padre Gibson franziu a testa, mas pelo menos não estava mais
sacudindo a cabeça.
— Suas belas, novas, ricas vestimentas seriam as primeiras
coisas que eu pediria que fossem feitas — ela disse. — Mesmo antes de
eu ter vestidos feitos para mim e, certamente, você ouviu falar que eu
cheguei sem nada, apenas com o vestido do corpo.
— Aye. Ross confessou que estava tão ansioso para tirá-la de
seus horríveis pais que ele nem sequer lhe deu tempo para arrumar
suas coisas — murmurou o padre Gibson.
— Ele o fez? — perguntou Annabel. Ela não tinha percebido que
fora essa a razão pela qual ele a tinha apressado para longe de
Waverly. Giorsal tinha dito que Ross tinha visto suas marcas e
pensado que seus pais a batiam. Aparentemente, era por isso que ele a
tinha apressado tão abruptamente. O homem era uma surpresa, às
vezes. Verdadeiramente, ele mostrou-lhe mais cuidado e preocupação

~ 209 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

do que qualquer outra pessoa, anteriormente, em sua vida. Ela tinha


tanta sorte...
— Muito bem — disse o padre Gibson de repente. — Vou
acompanhá-la até os estábulos. Mas no momento em que sair com o
teu cavalo, vou buscar Gilly e Marach e dizer-lhes que saiu enquanto
eu estava de costas e quando olhei para você, a vi a cavalo no pátio.
— Obrigada — disse Annabel, apertando as mãos.
O padre Gibson grunhiu infeliz e franzia o cenho enquanto a
acompanhava até a porta da capela que conduzia à muralha. Lá pegou
seu braço murmurou: — Apenas me prometa que você vai esperar os
homens antes de cavalgar para longe.
— Eu prometo. — ela assegurou.
— E mantê-los no alcance da vista todo o caminho até lá. — ele
adicionou.
— Sim. — Ela apertou suas mãos novamente. — Vai ficar tudo
bem. Eu prometo.
— Vou orar por você — anunciou o padre Gibson.
Reconhecendo a dúvida que mostrava em sua expressão, Annabel
simplesmente balançou a cabeça e saiu da capela, receosa de que se
ela esperasse mais ou dissesse qualquer outra coisa, ele mudaria de
ideia. Ela cruzou o pátio até os estábulos em uma disparada. Ela
estava um pouco surpresa em fazê-lo sem ser parada ou ouvir gritos
ou o som de pés correndo atrás dela. Mesmo assim, ela não
desacelerou, correu direto para o estábulo, segurando sua égua antes
mesmo de olhar ao redor para ver quem estava por perto. Ela estava
um pouco chocada por não ter o chefe dos estábulos correndo para
tentar impedir seu plano, mas o homem não estava em nenhuma parte
à vista. Na verdade, ninguém estava. Os estábulos estavam vazios.

~ 210 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

Feliz por esta boa sorte, Annabel rapidamente abriu a cocheira e


levou sua égua para fora. Ela olhou em volta, aliviada quando viu um
banco perto da parte de trás dos estábulos. Levando seu cavalo lá,
Annabel usou-o para montar sua égua, então encaixando sua língua
contra seu mordente e incitando o animal a mover-se.
Annabel olhou para a porta da capela enquanto saía dos
estábulos. Foi em tempo de ver o padre Gibson girar e se apressar
para fora de sua vista. Fora avisar Marach e Gilly, ela sabia e, por isso,
girou sua égua pelo fosso e a ponte levadiça, incitando-a a uma
corrida.
No momento em que atravessou a ponte levadiça, Annabel trouxe
sua égua a um trote e passou o tempo olhando para trás. Ela se movia
lentamente até que viu os homens vindo atrás dela, em parte porque
ela tinha prometido ao padre Gibson que ela iria esperar e preferia não
quebrar uma promessa. A outra razão, entretanto, era que o homem a
tinha assustado com suas preocupações pelo seu bem-estar. Ele
estava certo. Ela tinha tido sorte até agora... E ela podia não ter tanta
sorte da próxima vez. Annabel não tinha nenhum desejo de sofrer
outra lesão ou morrer apenas para ganhar uma bordadeira.

— Eu DISSE A VOCÊ RAPAZ, não tenho interesse em ser chefe


do clã — disse Fingal firmemente pela quarta vez. — Sou um velho.
Estou contente com a vida como é agora, sem o estresse e os
problemas de ser chefe do clã.
— Sua idade não parecia incomodá-lo quando você tentou fazer
uma reivindicação do título há quatro anos. — Ross lembrou-lhe
calmamente.

~ 211 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

— Sim. Bem. Quatro anos é muito tempo na minha idade. —


disse Fingal secamente. — O clã precisa de um jovem e forte guerreiro
para liderá-lo e eu não sou mais jovem. Inferno, eu não era jovem
mesmo há quatro anos atrás, mas a cada ano que passou, a visão
diminuiu um pouco mais e eu tenho mais dores para me queixar. —
Ele sacudiu a cabeça com desgosto e, em seguida, acrescentou: —
Como eu lhe disse depois de você ter matado Derek, eu apenas pisei
para frente porque o filhote estava tentando afirmar que você era
muito jovem para a posição. — O nojo cobriu seus traços. — Como se
o fato dele ser quatro anos mais velho fizesse muita diferença. Ele
pode ter sido quatro anos mais velho em idade, mas ele ainda era um
rapaz em todos os outros sentidos. Pior ainda, ele era um covarde,
emboscando você como fez e depois recuando, esperando que seus
seguidores o matassem. — Ele cuspiu no chão para mostrar seu
desgosto com a tática e continuou: — Nem Ainsley, Eoghann ou eu
tínhamos algum interesse real no título. Nós apenas bebemos muito
uma noite e decidimos enlamear as águas, fazendo uma alegação.
Estávamos todos felizes em recuar quando você decidiu o assunto com
Derek.
— Vá falar com seu tio Eoghann — sugeriu Fingal. — Ele lhe dirá
a mesma coisa que eu. Muita bebida e a afronta pela arrogância do
cachorrinho foram às únicas razões para que nós reinvidicássemos.
Ross acenou com a cabeça e se virou para deixar a cabana do
homem, mas parou abruptamente na porta quando um cavalo e um
cavaleiro passaram.
— Annabel? — Ele murmurou, observando com espanto e depois
olhando para o cão que agora passava seguindo-a. Jasper.

~ 212 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

— Sua esposa, Annabel? — Fingal perguntou pisando ao lado


dele. Olhando para a mulher e para o cavalo, ele comentou: — Ela é
uma boa cavaleira.
— Nay, ela não é. — Ross disse com uma careta. — Pelo menos
eu não pensei que fosse.
— Bem, você pensou mal, rapaz. — Fingal disse com diversão
enquanto a observavam pular com a égua sobre um toco de árvore e
levar a besta trêmula a parar na frente de uma cabana. A parada foi
tão abrupta que a égua corcoveou para conseguir, mas Annabel ficou
firme na sela. Ou não em uma sela, Ross percebeu. Ela manteve seu
assento sobre o dorso nu da besta.
— Parece que ela vai ver Effie. — comentou Fingal enquanto
observavam Annabel escorregar das costas da égua e correr para a
porta da cabana com Jasper em seus calcanhares.
Ross grunhiu e depois virou a cabeça para a esquerda, enquanto
o som de cascos atraía seu olhar para Gilly e Marach atravessando a
aldeia, agora em perseguição. Franzindo o cenho, saiu para a estrada e
levantou a mão. Os dois homens imediatamente diminuíram a
velocidade e tiveram que controlar suas montarias quase tão
bruscamente quanto Annabel, para evitar que colidissem com ele. Ele
não pode deixar de notar que o fizeram com um pouco menos de
finura do que sua esposa, quase colidindo um contra o outro, quando
seus cavalos se ergueram em protesto.
— Ela nos enganou. — Gilly falou antes que ele pudesse dizer
qualquer coisa. O homem parecia muito ofendido.
— Ela disse que queria se confessar e depois saiu da capela e
fugiu.

~ 213 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

— Como ela escapuliu quando vocês não podiam deixar o lado


dela? — perguntou Ross, sedosamente.
— Bem, o padre nos fez sair da capela para que ela fizesse a sua
confissão, não é? — Gilly disse impotente. — Fez-nos esperar fora da
porta para o salão, e então ela escapuliu para fora, pela porta que sai
para a muralha.
Ross arqueou uma sobrancelha e depois se virou para Marach
para ver o que ele tinha a dizer por si mesmo.
O homem fez uma careta encolhendo os ombros, sua voz com
admiração quando disse: — Ela é malditamente inteligente.
— Aye, ela é. — Gilly concordou com alguma admiração própria.
— E ela cavalga um inferno melhor do que nós pensávamos também.
Marach assentiu. — Eu não acho que você poderia ter conseguido
maior velocidade do seu cavalo do que ela o fez no caminho para cá,
miLorde. E corajosa! — Ele balançou a cabeça. — Ela colocou a égua
para saltar sobre as coisas que eu não teria ousado pular, se não
tivéssemos de fazer isso apenas para mantê-la à vista. — Seu olhar
deslizou para a égua, agora mordiscando grama, em frente da cabana.
E ele balançou a cabeça novamente. — Parece que ela está
conseguindo falar com a mulher que costura, afinal.
— A mulher que costura? — perguntou Ross entre os dentes
cerrados. Sua raiva vinha sendo construída com cada palavra
proferida por Gilly e Marach. Ele não sabia o que o irritava mais, o fato
de que seus homens haviam falhado tão espetacularmente em manter
Annabel na fortaleza, os riscos que ela passara para chegar aqui, ou a
admiração de seus homens por ela realizá-lo. Ele queria estrangular
todos os três naquele momento.

~ 214 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

— Effie é uma maldita mão fina com a agulha de costura —


murmurou Fingal, como ajuda, atrás dele.
— Aye, uma mulher que costura, foi o que ela disse. — Gilly
contou a ele, não ouvindo a Fingal que mantivera a sua voz baixa. —
M'Lady disse que ela queria falar com uma mulher na aldeia sobre
trabalhar na costura do castelo ou algo parecido. — Gilly explicou e
depois acrescentou rapidamente: — Nós dissemos a ela, então, que
você tinha falado que ela não estava com permitssão de deixar a
fortaleza... E fomos firmes sobre o assunto. Não fomos? — Ele
perguntou, olhando para Marach.
— Firmes. — Marach concordou, assentindo solenemente e
depois franziu a testa e acrescentou. — Então ela correu até seu
quarto e nos trancou fora. Nós dissemos a ela que deveríamos ficar
com ela o tempo todo, mas ela disse que estava certa de que não
incluía o tempo em que ela estivesse tomando banho.
— Nay. Não inclui. — disse Ross sucintamente.
— Eu suspeitei disso — disse Marach, e Ross estava certo que
não imaginara o sinal de decepção na voz do homem com aquela
notícia. Nem imaginou a decepção que atravessou o rosto de Gilly.
Parecia que seus homens haviam deixado de se queixar do fato de que
ele estava casado com uma inglesa, por admirá-la e esperavam vê-la
no banho. Ele realmente não os culpava. Annabel era linda, mas ele
seria um condenado se permitisse que eles vissem o quão bonita
realmente era.
— Voltem para o castelo. — Disse Ross, sombrio.
Os homens trocaram um olhar e Gilly perguntou: — Tem certeza
de que não quer que esperemos por sua esposa? Podíamos levá-la de
volta e...

~ 215 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

— Casa! — estalou Ross.


— Aye, m’Laird. — eles murmuraram juntos e viraram seus
cavalos de volta pelo caminho que tinham vindo.
Ross franziu o cenho até que percebeu Fingal rindo atrás dele.
Virando-se, olhou furioso para o homem. — O que é tão engraçado?
— Nada. — disse Fingal, balançando a cabeça, mas então disse,
— Parece que me lembro de uma situação não tão diferente desta com
sua irmã, há algum tempo... Ou talvez fosse sua mãe. — Acrescentou
pensativo, e então deu de ombros. De qualquer maneira, uma delas
não deveria deixar a fortaleza por alguma razão ou outra, mas veio
correndo para a aldeia com os homens MacKay, furiosos, em sua
trilha. — Ele franziu os lábios e então comentou: — Isso foi uma visão
também.
— Meu Deus. Casei-me com uma moça parecida com a minha
irmã. — murmurou Ross, fechando os olhos com horror.
— Ou sua mãe. — Fingal sugeriu e então estourou em uma
risada de barriga cheia.
Ross não riu com ele.

~ 216 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

Capítulo 11

— Bem, isso está bom. — Annabel disse, sorrindo de alívio para


Effie. Mal podia acreditar que tinha sido tão fácil. Depois de todos os
problemas que tinha ocorrido ultimamente, ela esperava ter que
implorar e oferecer à mulher a lua e as estrelas para que ela
concordasse em trabalhar no castelo. Mas no final, Effie tinha ficado
feliz em aceitar a oferta.
— Posso começar amanhã, se quiser. — Disse Effie, radiante
também.
— Oh, isso seria maravilhoso. — Annabel a assegurou,
levantando-se e dando tapinhas em sua perna para que Jasper a
seguisse.
— Eu vou chegar à primeira hora então. — Effie anunciou,
soando feliz com a perspectiva.
— Venha a tempo de quebrar seu jejum e eu vou ter o cozinheiro
salvando alguns folheados para você — Annabel disse enquanto
caminhavam para a porta.
— Oh, isso seria maravilhoso. — Effie respirou, e então admitiu:
— Enquanto eu tenho uma mão boa com uma agulha, eu não posso
cozinhar nem para me salvar a alma. Será bom ter algo além de pão
queimado para me quebrar o jejum.

~ 217 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

— Então eu vou solicitar ao cozinheiro que coloque de lado


folheados para você todos os dias. — Annabel decidiu. Um criado
sempre funcionava melhor quando não estavam com fome. Pelo menos
ela sempre funcionara.
— Oh, você é uma maravilha. — Effie disse alegremente quando
ela abriu a porta para ela. — Espero que o Laird saiba a bênção que
ele tem em você.
— O Laird sabe exatamente o que ele tem como esposa.
O sorriso de Annabel congelou ao ouvir aquela voz profunda e
sua cabeça girou abruptamente para captar o homem na soleira da
porta. Com os olhos se arregalando, ela respirou com desalento: —
Marido.
— Esposa — disse secamente. Ross então se virou para Effie e
sorriu quando pegou Annabel pelo braço e a tirou da cabana. — Eu
percebo a razão de ambas estarem sorrindo tanto, você concordou em
trabalhar no castelo, Effie. Agradeço, amavelmente por isso. Você é
bem necessária.
— Oh, por nada, meu Laird. — Effie esguichou um rubor
iluminando suas bochechas velhas. — É um prazer.
Ross acenou com a cabeça. — Então nos lhe veremos pela
manhã.
— Aye. — Effie inspirou quando ele virou Annabel para levá-la ao
seu cavalo.
Annabel mordeu o lábio e olhou de lado para o marido. Seu rosto
estava inexpressivo agora que tinham deixado Effie, mas ela tinha
certeza de que ele estava com raiva. Ela simplesmente não tinha
certeza do quão zangado... Ou como ele iria querer lidar, e isso a
preocupava. Afinal, era perfeitamente legal para um marido espancar

~ 218 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

sua esposa enquanto a vara que usasse não fosse maior do que seu
polegar.
Annabel olhou para suas mãos enquanto ele a segurava pela
cintura e a levantava para sua égua. Ela então fez uma careta. Ross
tinha grandes polegares.
— Esposa.
Annabel deu um pulo e deslocou o olhar para o seu rosto. —
Sim? — Ela perguntou cautelosamente.
— Pegue as rédeas. — ele disse calmamente.
— Oh, sim. — ela murmurou e estendeu a mão para elas
enquanto ele a soltava e se mudou para seu próprio cavalo agora
esperando alguns pés de distância.
Eles viajaram em silêncio, no início, o que realmente não foi uma
coisa boa, Annabel decidiu. Isso lhe dava muito tempo para imaginar
como ele a puniria por este desrespeito de suas ordens.
Quando chegaram à beira da aldeia, Annabel conseguira
assustar-se com as possibilidades. Foi então que ela começou a tentar
pensar em maneiras de desviar sua raiva quando ele a soltasse. A
única coisa que ela poderia pensar que poderia distraí-lo era a cama.
Mas era sexta-feira agora, e a igreja tinha decretado nenhuma cama às
sextas-feiras, então se ele esperava até que eles chegassem ao castelo
para desabafar sua raiva, ela estaria sem condições de utilizar a arma,
que ela tinha certeza, seria a defesa mais bem sucedida. Ela precisava
trazer alguma coisa antes que eles alcançassem a fortaleza, Annabel
percebeu e imediatamente começou a trabalhar nos laços de seu
vestido. Ela os tinha desfeito e estava tirando seu decote para baixo
para liberar seus seios quando Ross olhou para cima e empurrou sua
montaria para uma abrupta paragem. Ele simplesmente olhou

~ 219 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

fixamente para seus seios por muito tempo antes de perguntar com
perplexidade: — O que diabos você está fazendo?
— Não tenho certeza — admitiu Annabel, corando furiosamente.
Ela estava tão desorientada, então disse: — Eu só pensei, quero dizer,
eu entendo que você está com raiva de mim, e eu pensei que talvez eu
pudesse acalmar seu temperamento de alguma forma... Para que você
não me batesse e...
— Nunca irei fazê-lo. — Ross interrompeu-o solenemente. — Não
importa o que você faça Annabel, eu nunca vou golpeá-la.
— Oh! — Ela respirou com alívio.
— Porém, eu apreciaria que você tomasse seus votos mais a sério.
— Ele acrescentou sombriamente.
Annabel inclinou a cabeça com incerteza. — Meus votos?
— Prometeu-me obedecer durante o nosso casamento. —
Apontou secamente.
— Prometi? — Perguntou surpresa. O casamento tinha sido algo
mais que um borrão para ela. Annabel estava bastante angustiada
com a mudança de seu futuro naquele momento.
Notando a maneira em que sua boca se apertava diante de suas
palavras, ela disse rapidamente: — Sim, devo ter prometido. — Mas ela
não pôde deixar de acrescentar: — Mas para ser justa eu não o
desobedeci. Não foi você quem me disse que eu não podia deixar a
torre.
— Gilly e Marach disseram-lhe as minhas ordens — disse Ross.
— Sim, mas não você, então eu os desobedeci. — ela raciocinou e
depois acrescentou com um pouco de mau humor: — Se você tivesse
me dito, eu poderia então ter explicado o porquê de achar a ordem

~ 220 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

inaceitável e você poderia ter explicado a sua posição e nós


poderíamos ter chegado a um acordo.
Ross franziu o cenho para ela, depois suspirou e estendeu a mão
para atraí-la do seu cavalo para o dele. Uma vez que ela se sentou
diante dele, pegou as rédeas de sua égua em sua mão e exortou sua
montaria para se mover novamente.
Annabel alcançou imediatamente os seus laços, pretendendo
voltar a vestir o vestido, mas Ross sussurrou: — Não. — Em seu
ouvido.
Depois de uma breve hesitação, ela obedeceu, deixando o vestido
aberto e as mãos caírem sobre o colo.
Ross murmurou algo que poderia ter sido um louvor. Annabel
não estava completamente certa, ela estava um pouco distraída por
sua mão livre de repente se levantar para segurar em concha um dos
seus seios.
— Então você ia fazer um grande sacrifício e se deitar comigo
para me acalmar? — Ele murmurou, parecendo divertido.
— A-aye. — Annabel admitiu ofegante pela forma como ele
arrepiou seu mamilo, e então confessou: — Mas não teria sido um
sacrifício. Eu gosto quando você se deita comigo.
Ross recompensou sua honestidade controlando as rédeas,
soltando seu peito e elevando seu rosto para cima, para um beijo.
Annabel relaxou em seus braços e se abriu para ele com alívio,
certa de que ele não estava mais zangado com ela. Para sua surpresa,
ela não tinha gostado quando ele estava zangado com ela. Contudo ela
gostou de seus beijos e gemeu enquanto sua língua empurrou seus
lábios para ganhar entrada.

~ 221 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

Ross terminou o beijo muito cedo para Annabel e ela piscou os


olhos abertos com decepção quando o fez. Ela olhou ao redor com
surpresa quando, de repente, os virou de volta ao caminho por onde
eles tinham vindo. — Onde estamos indo?
— De volta à aldeia. — ele respondeu, e então deu a seus peitos
outra carícia em cada um antes de dizer: — Vista o seu vestido.
Annabel refez seus laços e então simplesmente olhou para frente,
perguntando-se para onde iriam ao voltar à aldeia. Todava ela não
perguntou novamente. Ele obviamente queria surpreendê-la ou ele
teria respondido completamente na primeira vez.
Eles voltaram para a aldeia, mas não antes de circular um pouco,
ao que ela começou a perceber, foram grandes círculos. Pareceu a
Annabel que fora feito vários desvios antes de perceber que, Ross,
estava garantindo de que não estavam sendo seguidos. Assim que se
certificou, ele parou suas táticas evasivas e dirigiu os cavalos através
da aldeia.
— Perdemos Jasper — disse Annabel, preocupada ao vê-lo partir
atrás de um gato que estava tomando sol na frente da casa ao lado de
Effie.
— Ele vai nos alcançar. — Ross disse com um encolher de
ombros. — E se não aparecer, ele voltará ao castelo assim que o gato
fugir ou lhe der um bom golpe.
Annabel franziu o cenho, mas então notou que eles estavam
saindo da aldeia. Eles não pareciam ter viajado muito tempo quando
Ross os guiou para uma casa de campo de bom tamanho e celeiro.
— Estamos visitando alguém? — perguntou Annabel, incerta,
enquanto olhava para as janelas fechadas da casa.

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— Não. Este é o chalé de Carney e ele não está em casa. Mandei-


o em uma tarefa no dia em que chegamos em casa — assegurou,
desmontando.
— Oh. — Seu olhar deslizou para o celeiro novamente e ela disse:
— Este Carney deve ser muito rico para ter um celeiro tão grande.
— Não é realmente dele. — Ross disse, olhando para a estrutura
enquanto se aproximava seguido de sua égua. — É só chamado celeiro
Carney porque sua casa é a mais próxima, mas todos ajudaram a
construí-lo e todo mundo armazena seus bens aqui.
— Oh. — Annabel disse, e então quando ele a ergueu para desce-
la da égua, ela perguntou: — Por que estamos aqui?
— Porque eu acho que o celeiro de Carney tem uma grande pilha
de feno no momento.Annabel olhou para ele inexpressivamente
quando ele a pôs no chão. — Hay? — Ela perguntou enquanto o
observava amarrar suas montarias a um poste. Ela não entendeu a
relevância.
— É sexta-feira por isso não podemos voltar para a fortaleza —
Ele assinalou, terminando sua tarefa. Carregando-a em seus braços,
ele então caminhou em direção ao celeiro quando acrescentou: — Eu
não vou arriscar sair para um lugar aberto novamente, mas em um
celeiro agradável e aconchegante com uma pilha de feno...
— Oh. — Annabel disse com compreensão e sorriu. — É uma
adorável não-cama.
— Exatamente. — Ross disse com um sorriso.
Ela ficou em silêncio quando entraram no celeiro. Era uma
grande estrutura, com paredes de pedra e um telhado de ardósia que
deixava o interior escuro e um pouco frio. Olhando por cima do ombro,

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viu através da luz fraca que havia várias culturas diferentes no


edifício; Trigo, aveia, ervilhas, feijão e cevada para nomear alguns.
Ela não viu o feno até que seu marido de repente abriu seus
braços e a deixou cair. Annabel soltou um grito surpreso que se
transformou em um – oomph. — quando ela aterrou. Ela afundou-se
um pouco e teve que escalar para subir.
Ross riu, desabotoado e deixando de lado a espada enquanto a
observava se agachar na pilha. Annabel tinha conseguido o feito,
quando ele puxou a sua plaid e a enviou flutuando para o chão ao
redor de seus pés. Sorrindo por sua expressão e pelo modo como ela
parou para olhar, ele rapidamente puxou a camisa dele sobre a cabeça
para ficar nú diante dela, exceto suas botas. E ele era uma visão para
se olhar. Ela nunca pensara que um homem pudesse ser descrito
como belo, e ela não teria dito isso sobre o rosto de Ross, que era
bonito, forte, áspero e viril. Mas enquanto seu corpo também fosse
forte e viril, era também de tirar o fôlego ao ser contemplado.
Ross deixou que ela olhasse para ele por um momento na
penumbra, e estendeu a mão. — Venha. Se você parar de brincar com
o feno, eu estenderei a minha plaid sobre ele para torná-lo uma não-
cama mais confortável.
Desde que ela estava sendo espetada em diversos lugares pelo
feno, Annabel tomou sua mão e rastejou a frente em seus joelhos. Mas
parou quando encontrou seu rosto a uma mera polegada de sua
masculinidade. Tinha estado se agitando enquanto olhava para ele,
mas agora, com o rosto tão perto que sua respiração estava sem
dúvida ondulando através dele, sua masculinidade endureceu e subiu
a seu glorioso estado completo.

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Por algum motivo a recordou da sua primeira vez no bosque,


quando ele lhe tinha dado prazer com a boca, e de repente Annabel
inclinou-se para lambê-lo, dando-lhe uma longa lambida como se
fosse o seu próprio polegar e o centro cremoso de fruta tivesse
lambuzado sobre ele. A ação trouxe um som sibilante de Ross e ela
olhou para cima para ver que sua cabeça pendia para trás e seus
dentes estavam apertados como se de dor. Um olhar para baixo
mostrou suas mãos estavam apertadas também.
Reconhecendo a pose de quando ela o tocou pela primeira vez,
Annabel suspeitou que ele gostasse e fez de novo, desta vez fechando a
boca sobre a ponta e sugando enquanto ela tirava a boca, como faria
se ela estivesse tentando obter absolutamente até a última gota da
polpa da fruta de seu polegar.
— Esposa. — ele rosnou e, de repente, pegando-a sob os braços
para levantá-la. Encontrou seu olhar então, ele advertiu: — Você está
brincando com fogo.
— Talvez eu goste de fogo. — ela disse com um sorriso e depois
acrescentou mais seriamente: — Certamente, eu gosto do jeito que
você me faz queimar.
Com os olhos se arregalando, Ross a puxou contra seu peito e a
beijou. Annabel imediatamente passou seus braços em torno de seus
ombros e beijou-o ansiosamente de volta. Sentindo sua dureza
apertando contra seu estômago através de suas saias, ela então
deslocou seu corpo inferior de um lado para o outro, usando seu corpo
para acariciar essa dureza.
Sua resposta a isso foi usar ambas as mãos para erguer
rapidamente as suas saias até a parte de trás das suas pernas até que
ele pudesse apertar seu traseiro nu. Agarrando suas nádegas, ele

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então a levantou e pressionou mais intimamente contra si mesmo.


Annabel gemia mais com frustração do que com qualquer coisa: seu
vestido ainda estava entre eles. Ela não ficou mais satisfeita, no
entanto, quando ele quebrou seu beijo e a colocou de volta em seus
pés.
— Preciso arrumar a nossa não-cama. — Lembrou-lhe,
afastando-se e inclinando-se para recolher a plaid do chão. Annabel
fez uma careta quando viu os pedaços de feno presos ao material.
Enquanto o sacudia, ela olhou em volta em busca de um lugar para
colocar seu vestido que não resultaria em que terminasse da mesma
maneira que sua plaid. Detectando dois postes com um anteparo entre
eles, ela se moveu para lá e rapidamente desfez seus laços levantando
o vestido sobre sua cabeça em vez de arrastá-lo através do chão. Ela
estava colocando-o sobre o poste quando sentiu as mãos na cintura.
Annabel saltou de surpresa e olhou por cima do ombro, sorrindo torto
para o marido.
— Você me assustou. — Ela admitiu com um sorriso curvo
quando ele a puxou de volta contra seu peito. Ela olhou para suas
mãos enquanto elas se deslizavam para cobrir seus seios, fascinada
pela visão de suas mãos bronzeadas que envolviam sua pele cremosa.
Quando ele pegou cada mamilo entre o polegar e o dedo, rolando e
então os beliscando levemente, Annabel gemeu. Suas costas se
arquearam, empurrando seus seios em direção da carícia, seu pescoço
se esticando enquanto ela torcia sua cabeça de lado contra seu peito.
Quando Ross se inclinou para beijar sua testa, Annabel inclinou
a cabeça para trás para lhe oferecer os lábios. Ele aceitou o convite,
reclamando sua boca em um beijo quase violento. Annabel respondeu
da mesma maneira, beliscando-lhe os lábios com os dentes antes de

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enfiar a língua na sua boca. Ela percebeu quando uma de suas mãos
deslizou de um peito para baixo, deslizando sobre seu estômago
enquanto procurava lugares mais ao sul. Gemendo, ela pressionou seu
traseiro contra ele e então mudou de posição um pouco para permitir
que ele melhor a acessasse, bem como os seus sedutores dedos
deslizando entre suas pernas.
— Marido. — Ela ofegou, quebrando seu beijo e se agarrando a
seus braços quando suas carícias fizeram suas pernas enfraquecer.
Ele desistiu de acariciar seu outro peito então, e envolveu esse braço
sob seus seios para ajudar a segurá-la enquanto ele a deixava louca. O
mundo de Annabel inclinou-se, toda a sensação se estreitando até
aquele ponto entre as pernas, onde seus dedos estavam dançando, e
ela, sem pensar, virou a cabeça e mordiscou seu braço para se soltar,
aliviando sua mandíbula quando ele grunhiu. Ela tinha apenas senso
suficiente em sua cabeça confusa de paixão para se sentir culpada por
machucá-lo involuntariamente, e estendeu a mão por suas costas,
procurando compensar para distraí-lo.
Annabel encontrou sua masculinidade e fechou seus dedos
ansiosamente ao redor dele para deslizar suavemente para cima e para
baixo. Ela parou com isso e apertou quando ele de repente enfiou um
dedo nela. Ambos gemeram então e Annabel sentiu seu pau saltar em
sua mão.
No momento seguinte, Ross inclinou-a para frente. Annabel
agarrou o poste na frente dela com a mão livre e ofegou de surpresa
quando ele puxou sua virilidade, livrando-a de sua outra mão e
empurrou para dentro dela por trás. Ela era muito mais baixa do que
ele, e suas pernas estavam de cada lado dela, inclinadas para abaixá-
lo o suficiente para fazer isso. Annabel teve o pensamento

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momentâneo de que a posição não poderia ser confortável para ele,


mas então ele se retirou e empurrou de volta, enquanto que a mão
ainda entre suas pernas começou a acariciá-la novamente e ela
esqueceu a preocupação. Ainda assim, ela não se surpreendeu quando
ele de repente parou, retirou-se, e levantou-a para levá-la para sua
plaid no feno.
Ele caiu sobre seus joelhos com ela, então a colocou em sua plaid
e se deslocou sobre ela. Annabel estendeu a mão para ele, mas ele
pegou suas mãos imediatamente e as pressionou em ambos os lados
de sua cabeça, segurando-as lá enquanto ele se inclinou para beliscar
em seus lábios e então reivindicá-los. Annabel gemeu em sua boca
quando sentiu sua virilidade deslizar sobre sua pele lisa, então ela
abriu as pernas e se arqueou e se mexeu em um esforço para ajudá-lo
a entrar nela. Mas parece que ele não queria entrar nela ainda, pois
ele estava gostando de atormentá-la esfregando sua dureza contra ela,
repetidas vezes, sem realmente se juntar a ela.
Annabel suportou por um tempo, desfrutando da emoção que ele
continuava a construir nela, mas depois a frustração se levantou. Ela
o queria dentro dela, ela queria...
Torcendo a boca para longe da dele, ela ofegou: — Maldição
marido. Por favor!
Por alguma razão isso fez Ross rir, e então ele soltou seus pulsos
e levantou-se de joelhos entre as pernas espalhadas. Segurando seus
quadris, ele levantou seu trazeiro do feno e empurrou nela.
— Oh, Deus, sim. — Annabel gemeu de alívio. Ele então
simplesmente a segurou ali, mantendo-a junto dele com uma mão em
seu quadril enquanto a outra se movia entre eles para acariciar o
broto chorando por ele. Annabel gemeu novamente, seus calcanhares

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cavando no feno para que ela pudesse se deslocar contra o seu eixo
teso e ainda duro, dançando a melodia que seus dedos amorosos
tocavam em sua carne.
Arfando de excitação e esforço, Annabel abriu os olhos e
descobriu que ele a estava observando. De repente autoconsciente, ela
parou.
Ross se afastou e a baixou para o feno, então a girando sobre seu
estômago e pressionando-a para beijar o lado de seu pescoço antes de
murmurar: — Você não deveria ter parado. Eu gostei de assistir você
ter prazer comigo.
Os olhos de Annabel se arregalaram quando ela percebeu que era
exatamente o que estava fazendo, e então ela ofegou quando ele subiu
de repente nela, levantando-a de joelhos com ele para que ele pudesse
mergulhar nela por trás de novo. Usando as mãos para se preparar o
melhor que podia no feno, ela ofegou e gemeu enquanto ele dirigia
para dentro dela uma e outra vez. Mas Annabel não tinha certeza de
que ela gostasse tanto dessa posição, já que não podia beijá-lo ou
tocá-lo assim, e então ela se enrijeceu e soltou um suspiro quando ele
se aproximou para tocá-la novamente.
No momento seguinte, ambos estavam gritando de prazer e
desabando sobre o feno coberto pela plaid. Ross ainda estava em cima
dela no início, mas rapidamente deslocou-se para o lado dela. Ele
então a virou para o lado também e envolveu seu braço ao redor de
sua cintura, abraçando-a de modo que suas costas estivessem
pressionadas contra seu peito.
Ela ouviu a respiração de Ross lenta e distante e sabia que ele
tinha adormecido. Satisfeita onde estava, Annabel cochilou também,
mas não tinha conseguido cair em um bom sono ainda, antes que um

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som a agitasse. Abrindo os olhos, ela olhou sonolenta para a faixa de


luz do sol que se estendia pelo chão através da porta aberta do celeiro,
atrás deles. Era longa e larga e tinha uma forma nela. Annabel
observou, franzindo o cenho enquanto tentava classificar o que era a
sombra no meio da luz solar e, por que ela estava ficando cada vez
menor. A resposta veio quando a forma mudou e encolheu em direção
ao chão, quase desaparecendo na sombra lançada por ela e pelo corpo
de Ross. Tudo ficou claro então. A sombra na luz tinha sido uma
figura se aproximando, e ele estava agora ajoelhando atrás deles.
Annabel estava completamente imóvel, com os ouvidos atentos e
os olhos fixados na faixa de luz, e então viu uma sombra
estranhamente formada e mais fina surgir da escuridão lançada pelos
seus corpos. Quando ela percebeu que era um braço com algum tipo
de porrete na mão, ela gritou e sentou-se. O golpe veio enquanto ela se
sentava e girava sobre a plaid, o homem dos ataques anteriores
acertou seu marido na cabeça.
Annabel dirigiu seus olhos para Ross. Ela não podia ver sangue
ainda, mas ele estava imóvel. A fúria se fundiu com seu terror, ela
gritou furiosamente e olhou em volta para uma arma. O que ela viu foi
a espada de Ross na borda do feno em seu lado. Movendo-se para ela,
ela agarrou o metal pesado e empurrou-se para seus pés em um
movimento tropeçante, então girou segurando a espada acima dela, os
braços tremendo com o esforço.
— Agora, moça, você não quer fazer isso. — Ele disse, falando
baixo e lançando a Ross um olhar cauteloso enquanto se endireitava
para ficar atrás de sua forma caída de bruços.

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— Eu não queria te apunhalar no campo de campainhas, mas eu


fiz. — ela apontou, e então acrescentou friamente. — Agora você feriu
meu marido e eu quero te machucar.
— Agora. — Ele murmurou, caminhando lateralmente até que ele
pudesse passar em torno do corpo de Ross se movendo em direção a
ela. — Eu só o nocauteei. Ele vai ficar bem. Baixe a arma antes que
você se machuque.
— Vá para o inferno. — Annabel rosnou e girou para ele. Ela não
sabia o que a surpreendeu mais, que ela o amaldiçoasse com o
inferno, o que era inteiramente apropriado sendo um lugar que ela
tinha sido advertida, repetidamente, que iria para lá ou, que ela
realmente voou sobre o homem, pegando o mesmo braço que ela havia
esfaqueado durante seu último encontro. Ela tinha atingido seu braço
inferior anteriormente, mas desta vez ela feriu seu braço com a
lâmina, cortando uma bela linha reta através dele, antes que seu
impulso e o peso da espada a fizesse girar em volta para que ela não
pudesse vê-lo mais.
Maldizendo, ela começou a se virar para encará-lo de novo, e
então tropeçou para frente quando ela recebeu um golpe na parte de
trás da cabeça. As luzes brilharam brevemente atrás de seus olhos,
mas ela permaneceu consciente, em seus pés, e até conseguiu afastar
a espada do caminho a tempo de evitar cortar sua própria perna.
Uma mão se fechou em torno da dela, na espada, antes que ela
tivesse se recuperado. Annabel lutou brevemente para mantê-la firme,
mas ele estava esmagando seus dedos no metal e ela finalmente soltou
com um grito de dor e tropeçou em direção ao canto do celeiro e as
sombras oferecidas lá.

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Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

— Não faz sentido tentar correr. — disse o atacante atrás dela. —


Temos os seus cavalos. Nós apenas cavalgaremos para fora.
Annabel não respondeu, ela simplesmente continuou nas
sombras, as mãos estendidas para evitar colidir em qualquer coisa, já
que ficava mais e mais escuro ao redor dela.
— E também não pode se esconder. Eu conheco aqui, vou
encontrá-la — Ele apontou.
Sua mão bateu e então fechou-se sobre um pedaço de madeira,
quando começou a deslizar ao longo, do que ela pensou que deveria
ser, uma parede. A princípio, ela agarrou a madeira para evitar cair no
chão e entregar sua localização, mas quando ela sentiu a grande
prancha e julgou o comprimento e a força dela, a pegou para usar
como arma.
Annabel não pensou, ela simplesmente levantou a tábua de
madeira sobre sua cabeça e correu para ele, gritando como uma
banshee 7 . Ela devia ser uma bela visão, uma mulher nua, cabelos
soltos em torno dos ombros e boca aberta em um grito louco,
enquanto corria para fora da escuridão em direção a ele. O homem
nem pensou em levantar a espada até o último momento; Ele
simplesmente ficou ali, de boca aberta, até que ela estava quase sobre
ele. Só quando ela começou a balançar a prancha ele levantou a arma,
mas a meio caminho de levantá-la, ela estava batendo a madeira em
sua cabeça com toda a força que tinha.
Sua cabeça balançou em seu pescoço, a pele em seu rosto
vibrando com o impacto, e então seu corpo pareceu seguir sua cabeça
virando e ele tropeçou ao redor e para longe dela. Annabel esperou que
ele caísse, mas ele não o fez. Ele deu vários passos, tropeçando para a

7 As banshee provêm da família das fadas, e é a forma mais obscura delas.

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Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

porta aberta do celeiro e depois caindo sobre o quadro de madeira


brevemente. Apertando a boca, Annabel começou a avançar,
preparada para lhe dar outro golpe, mas ela só tinha dado alguns
passos quando ele deslizou para fora do quadro e caiu para frente,
desabando com o rosto na terra.
Ela hesitou, ainda considerando outro golpe, mas depois olhou
para Ross e correu para o seu lado.
— Marido? — Annabel disse preocupada, olhando-o com
inquietação quando se ajoelhou ao seu lado. Ela, cuidadosamente,
sentiu sua cabeça até que ela encontrou um galo e sentiu sangue
úmido em seus dedos. Seus olhos não piscaram com seu toque, nem
mesmo quando ela lhe deu uma bofetada: — Marido, por favor, acorde.
Ela tentou acordá-lo por vários minutos, e então olhou para o
atacante, endurecendo-se quando ela não o viu deitado onde o
deixara. Seu coração se acalmou brevemente, e então apertou,
agarrando com firmeza na prancha, e forçando-se em seus pés.
Annabel deu um passo, mas no segundo bateu com o dedo em alguma
coisa. Ela olhou inexpressivamente para a espada de Ross, percebendo
apenas que o homem a tinha deixado cair. Depois de uma hesitação,
ela se inclinou para pegá-la. Era pesada e desajeitada para ela como
uma arma, mas não queria arriscar-se a deixá-la lá para alguém usar,
então ela segurou a tábua em uma mão e arrastou a espada com ela,
enquanto se movia cautelosamente para a Porta para olhar para fora.
Annabel esperava ver o homem tropeçando ou arrastando-se para
longe do celeiro, mas ele estava longe de ser visto e, de repente,
recordou-se do homem falando no plural, dizendo: “Temos cavalos.
Nós apenas a cavalgariamos para baixo.” E “Se você tornar as coisas
muito difíceis, podemos prejudicar seu marido.”

~ 233 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

Respirando fundo para se estabilizar, olhou para as árvores não


muito distantes. Annabel não viu nada, mas de repente sentiu como se
estivesse sendo observada.
Depois de um rápido olhar para ver que, de fato, seus cavalos
haviam desaparecido, Annabel retornou para o celeiro vários metros, e
então girou e correu de volta para Ross.
— Marido, por favor. — ela sibilou, caindo de joelhos ao lado dele
e soltando suas armas para balançar seus ombros. — Você tem que
acordar. Temos de sair daqui.
Annabel sabia, mesmo quando falava que ele não ia despertar e
levá-la de lá. Ela estava sozinha, e tinha que salvar não só a si mesma,
mas a ele. De alguma forma, ela teria que arrastar seu marido
inconsciente para fora do celeiro e para a segurança. Ela não ousava
deixá-lo lá.
Rangendo os dentes, olhou ao redor. A tarde estava caindo, o sol
caminhando para o horizonte para abrir caminho para a noite. Logo
estaria escuro e ela não tinha intenção de estar lá quando isso
acontecesse. Voltando-se para Ross, ela enfiou a espada debaixo do
braço dele, onde esperava que não fosse encontrada e usada contra
ela, caso seu atacante voltasse. Annabel então se levantou para e se
moveu para o lugar onde seu vestido ainda pendia. Ela agarrou-o,
parando para desatá-lo, quando ele se enroscou em um prego
levantado. Uma vez que estava livre, vestiu-o rapidamente, mantendo
os olhos fixos na porta aberta do celeiro.
Annabel sentiu-se um pouco melhor uma vez que ela estava
vestida, mas ainda olhava a porta nervosamente enquanto começava a
explorar os arredores. Depois de vários minutos de busca, ela retornou
com uma segunda prancha longa, uma corda e algumas ferramentas

~ 234 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

de uso. Annabel carregou o que tinha encontrado até Ross e tentou de


novo acordá-lo.
Quando não se mexeu, olhou nervosamente para a porta, sentou-
se de pernas cruzadas e começou a trabalhar amarrando ums ponta
do plaid na parte superior de uma tábua. Ela então deslocou até a
outra ponta do plaid, no qual seu marido ainda estava deitado e
amarrou esse canto para a outra extremidade da prancha antes de
mudar para o outro lado do plaid para fazer o mesmo com a segunda
prancha.
Annabel então pegou a corda e levantou-se para considerar seu
próximo movimento. Ela precisava apertar a corda nas extremidades
superiores das tábuas, mas de tal forma que não escorregasse. Depois
de uma hesitação, ela olhou para os dois postes com o trilho sobre eles
e então se apressou para examinar o prego que tinha agarrado seu
vestido. Ela puxou-o brevemente, mas quando ele não se moveu, ela
correu de volta para buscar a espada de Ross e usou-a para livrar o
prego, quase cortando a mão durante o processo.
Uma vez que Annabel o soltou, ela procurou, encontrou e puxou
mais três pregos, antes de levar a sua recompensa de volta até o seu
marido. Ela usou o cabo da espada como um martelo para fixa-los nas
tábuas, onde ela precisava deles. Ela amarrou a corda às tábuas,
atando cada extremidade, logo depois fixou os pregos no topo de cada
prancha de modo que não deslizasse fora.
Ela então considerou sua maca improvisada e seu marido nu
sobre ela. Depois de um momento, ela se inclinou para pegar um
punhado de feno e deixou cair sobre sua virilha, escondendo sua
masculinidade. Satisfeita por ter feito o melhor que pôde e então,
relutantemente, colocou a espada de seu marido na plaid com ele e

~ 235 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

ajoelhou-se junto à sua cabeça. Pegando a corda, envolveu em torno


de seus ombros e braços, e então se endireitou com um grunhido.
Seu marido era um homem grande e pesado, e a corda queimava
enquanto ela apertava ao redor de sua pele, mas ela rangeu os dentes
e começou a arrastá-lo para fora do celeiro. Quando chegou à porta,
ela estava menos preocupada com o atacante do que com a distância
da aldeia.

~ 236 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

Capítulo 12

Annabel abriu os olhos para encontrar Seonag parada ao pé da


cama. Suas mãos estavam em seus quadris, sua cabeça estava
inclinada, e ela estava olhando Annabel e Ross com os lábios
franzidos. Quando a criada viu que Annabel estava acordada, ela deu
um — hrrumph — e disse: — Vocês são dois par de vasos, com os seus
rostos machucados.
Fazendo uma careta, Annabel sentou-se e virou-se para olhar o
homem a quem arrastara pelo que parecia milhas, à segurança da
aldeia ontem à noite. O sol tinha se posto há muito tempo e as
cabanas estavam escuras, seus habitantes aparentemente dormindo,
quando ela finalmente chegou. Ela tinha parado na primeira casa, com
a intenção de arrastar as pessoas para fora e pedir ajuda para o seu
Laird, mas assim que ela começou a se abaixar em seus joelhos,
removendo as cordas em torno de seus braços e ombros, o som de
cascos palpitantes lhe chegou ao ouvido. Aliviando-se, ela olhou com
preocupação para o lado oposto da vila tranquila até Gilly e Marach
aparecerem, levando um destacamento de pelo menos doze homens.
Em alguns instantes ela estava cercada, seu fardo era removido,
e Ross, que havia muito tempo perdera sua cobertura de feno, erguido
deitado de bruços diante de Gilly em seu cavalo, enquanto Annabel era
levada diante de Marach. Foi na cavalgada de volta para o castelo que

~ 237 ~
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ela explicou o que tinha acontecido e soube que Jasper tinha voltado
para a fortaleza horas antes. No início, ninguém se preocupou muito,
mas quando a noite caiu sem que Annabel e Ross voltassem, haviam
organizado um grupo de busca. Sessenta homens haviam sido
divididos em quatro grupos e haviam saído em diferentes direções.
Gilly e Marach tinham se dirigido para a aldeia porque era ali que eles
haviam visto pela última vez o seu Laird e sua Lady.
Annabel agora olhava para o rosto pálido e imóvel de Ross e
perguntou: — Ele acordou durante à noite?
— Você está me perguntando? — Seonag perguntou secamente.
— Foi você quem insistiu em cuidar dele.
— Aye. E eu o fiz. — ela assegurou. — O sol estava saindo
quando eu finalmente me deitei ao seu lado. Eu não tinha a intenção
de dormir. Mas cadeira era tão malditamente desconfortável depois de
tanto tempo nela... — Ela encolheu os ombros com desdém e afastou
os cabelos do rosto de Ross. — Eu não deveria ter me arriscado em
deitar.
— Já passou do amanhecer — disse Seonag, suavemente. — Você
não tem nada para se sentir culpada. Por que não vai descansar um
pouco? Vou cuidar dele agora.
Annabel hesitou, tentada pela oferta, mas depois sacudiu a
cabeça. — Não. Mas se você ficar com ele por alguns minutos, eu
descerei e quebrarei o meu jejum. Talvez isso me anime o suficiente
para me manter acordada até que ele desperte.
Seonag abriu a boca no que Annabel suspeitava ser outra
sugestão de que ela descansasse, mas depois a fechou de novo e
simplesmente assentiu.

~ 238 ~
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— Obrigada — murmurou Annabel, empurrando-se para fora da


cama e indo para a porta. — Só vou por um breve momento.
— Leve o seu tempo — advertiu Seonag. — Vou chamá-la, se ele
acordar.
Annabel não comentou. Ela não queria ser chamada quando ele
acordasse. Ela queria estar bem ali, segurando sua mão e olhando em
seus olhos. Com sua sorte, no entanto, ele abriria os olhos no
momento em que ela deixasse o quarto e pensaria que ela não se
importava o suficiente, para se sentar ao seu lado enquanto estava
ferido.
Fazendo uma careta com o pensamento, Annabel fechou a porta
e ficou em pé por um momento, escutando. Quando passaram vários
minutos sem nenhum súbito grito de alegria ou até mesmo um
irônico: “Então você decidiu acordar, heim.” de Seonag, Annabel
relutantemente se virou e foi para as escadas.
O grande salão estava cheio de criados e guerreiros rompendo
seu jejum, e cada um deles parecendo se virar para olhá-la enquanto
descia as escadas. As perguntas percorriam cada rosto, e Annabel
pensou se não deveria fazer algum tipo de anúncio sobre o estado de
Ross quando ela caminhava para a mesa, mas não havia realmente
nada para contar. Ele não tinha acordado ainda, e ela não sabia se ele
iria.
Ela suspirou ao pensar nisso quando se sentou à mesa principal,
e depois suspirou de novo quando Gilly e Marach imediatamente se
levantaram e se moveram para sentar a cada lado dela.
— Não há necessidade de me guardarem. Prometo-lhes que não
deixarei a fortaleza enquanto meu marido estiver inconsciente. —
Disse ela com uma severa dignidade.

~ 239 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

— Então ele ainda não acordou — disse Marach, com ar de mau


humor.
Annabel balançou a cabeça e pegou um pedaço de pão, mas só o
rasgou distraidamente, seu olhar voltando-se para as escadas.
— Bem, isso simplesmente não faz sentido. — Gilly estourou
depois de um momento e quando Annabel olhou para ele com
insegurança, ele acrescentou: — Ele é um homem grande, forte e
seguro e você é uma mulher débil, pequenina, mas você está aqui
depois de dois golpes na cabeça, mas apenas um o derruba?
— As feridas na cabeça são... — Annabel começou
automaticamente, apenas para ser interrompida.
— Um negócio complicado. Sim, eu sei. — Disse Gilly com
descontentamento. — Ainda assim, não faz sentido.
Annabel apertou sua mão com suavidade. — Tenho certeza de
que ele vai acordar em breve. Como você diz, ele é forte. Precisamos
dar-lhe tempo.
— Lady MacKay?
Annabel demorou a se virar ao ouvir aquele nome,
principalmente porque ela ainda não estava acostumada a ouvi-lo e
levou um momento para perceber que era ela que estava sendo
chamada. Quando ela se virou e olhou por cima do ombro, foi para
encontrar o Padre Gibson ali parado.
— Oh, Padre. — ela murmurou, levantando-se.
— Eu só queria dizer que eu entendo que depois deste último
incidente, você provavelmente prefira estar ao lado do seu marido do
que na missa.

~ 240 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

Annabel estremeceu de culpa, pois aqui estava ela disposta a


deixá-lo para quebrar seu jejum, mas ele estava certo e ela não tivera a
intenção de assistir à missa. Mas a missa era tããããooo longa.
— Então pensei em me oferecer para rezar uma missa em seu
quarto — prosseguiu o padre. — Dessa forma, nenhum de vocês
sentirá falta em um momento em que a oração certamente é mais
necessária.
— Er... — Annabel disse incerta, sem saber se Ross ficaria
satisfeito em acordar e encontrar todos reunidos ao redor de seu leito
de enfermo para a missa.
— Uma missa privada. — Explicou o padre Gibson e Annabel
relaxou.
— Obrigada. — Murmurou ela. — Isso é muito gentil.
— De modo nenhum. É meu dever ministrar aos necessitados, e
vocês dois estão certamente em necessidade, com esses ataques
continuados.
— Aye. — ela concordou e então concordou de novo quando ele
sugeriu que ele se juntasse a ela e Ross no quarto deles depois que ele
fizesse a missa usual na capela.
Annabel voltou a agradecê-lo, observou-o ir embora e, em
seguida, caiu no banco e disse com tristeza: — Devemos descobrir
quem está por trás desses ataques.
Marach e Gilly trocaram um olhar, mas foi Marach quem disse:
— Isso era o que Ross estava fazendo na aldeia ontem, quando você
nos enganou e fugiu em seu cavalo.
— Ele foi? — perguntou ela com interesse. — O que ele estava
fazendo exatamente?
— Falando com Fingal — respondeu Gilly. — O ferreiro.

~ 241 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

— O filho ilegítimo do avô de Ross, que tentou reivindicar o


direito ao título de chefe de clã? — perguntou ela, e quando os dois
homens pareceram surpresos, ela revirou os olhos. — Giorsal me
contou tudo sobre isso.
— Ah, aye. — disse Marach.
— Ele descobriu alguma coisa? — perguntou ela.
Gilly ergueu as sobrancelhas. — Você está nos perguntando? Nós
não falamos com ele depois disso. Ele estava com você.
— Oh, certo. — Ela murmurou. Ross não mencionara nada sobre
isso. Mas ele o teria se tivesse suspeitado do homem de alguma forma?
Ela não tinha certeza.
— Então eu provavelmente deveria falar com esse Fingal. — ela
decidiu.
— Você não prometeu pra gente há alguns momentos que não
deixaria a fortaleza enquanto Ross estivesse doente? — Perguntou
Gilly com exasperação.
— Aye, mas eu mudei de ideia. — Ela disse, se desculpando.
— Bem, pode mudar de ideia o que quiser, mas o Laird nos
ordenou que não deixássemos que você saísse da fortaleza e eu
pretendo seguir suas ordens.
Annabel franziu o cenho para ele. — Gilly, quem sou eu?
— A esposa do Laird.
— E quem está no comando quando meu marido está indisposto
ou afastado?
Ele amaldiçoou em voz baixa e desviou o olhar, recusando-se a
responder, o que foi resposta suficiente para Annabel. Gilly e Marach,
e todos os outros, tinham de obedecer as suas ordens agora.

~ 242 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

— Eu não vou deixar a fortaleza se eu não tiver necessidade, mas


vou chegar ao fundo deste caso. Quero que um de vocês vá até a aldeia
e peça a Fingal que venha aqui para que eu possa falar com ele. — Ela
disse, e acrescentou: — E o tio também... Eoghann. Acho que foi o que
Giorsal me disse?
— Aye. — Gilly assentiu. — Eoghann.
— Quero falar com eles ao mesmo tempo. — Decidiu ela.
— Por quê? — Perguntou Gilly. — Você não pode assistir os dois
ao mesmo tempo e pode perder uma expressão contundente de um
enquanto olha para o outro.
— Eu poderia, mas não se eu tiver vocês dois lá enquanto falo
com eles. — Ela disse e então apontou. — Eles podem dar mais
informações juntos do que separados. Eles podem trocar um olhar em
um determinado ponto, ou podem mostrar surpresa ou descrença se o
outro mentir. — Ela deu de ombros. — Cada um de vocês pode assistir
a um deles o tempo todo e então podemos compartilhar o que vimos.
— É uma boa ideia — disse Marach com admiração.
— Aye. — Gilly concordou com um sorriso. — O rapaz se casou
bem com você.
Annabel sorriu levemente ao elogio, mas depois perguntou: —
Qual é a sua opinião sobre a mãe de Derek?
— Miriam? — perguntou Marach com surpresa.
Annabel assentiu e disse: — Giorsal disse que ela odiava Ross
por matar Derek, culpando-o por tudo isso.
— Aye, odiava, mas...
— Esse ódio seria o suficiente para ela procurar vingança? — Ela
perguntou.

~ 243 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

Os dois homens trocaram olhares, e então Gilly balançou a


cabeça. — Nay. Quer dizer, aye. Ela poderia. Mas então ela estaria
atacando Ross, não você.
— Talvez. — Ela concordou — A menos que sua vingança
tomasse a forma de tirar algo ou alguém dele. — Quando os homens a
olharam sem expressão, ela suspirou e disse: — Em sua mente, Ross
levou o filho que ela amava. É possível que ela decidisse que sua
vingança deveria ser...
— Tirar de Ross alguém que ele ame. — Concluiu Marach com
compreensão.
— Bem, talvez não ame. — Murmurou Annabel. Ela não achava
que seu marido a amava. Pelo menos ele nunca dissera nada do tipo.
Ele gostava dela. Ela tinha certeza disso. E ele parecia gostar de
dormir com ela, e ele estava se importando e...
— Isso é inteligente, é sim. — disse Gilly lentamente,
considerando sua sugestão. — E sorrateiro como uma mulher.
Annabel franziu o cenho ante o insulto e fez uma careta.
— Desculpe, eu quero dizer sorrateiro como algumas mulheres.
— Ele murmurou.
— Hmmm. – Ela disse com desagrado, e depois suspirou e
acrescentou: — Perguntem ao redor e vejam se vocês não podem
descobrir onde Miriam foi e se alguém a viu na área. — Ela pausou
brevemente e então acrescentou infeliz. — Apesar de que não vê-la
pode não significar que ela não está por trás disso. Afinal, é um
homem que está atacando. Poderia ser alguém que ela contratou. Ela
não precisaria estar na área, se esse fosse o caso.
— Ouvi dizer que ela voltou para seus parentes — disse Marach,
pensativo. — Se ela enviou alguém, é mais provável que seja um

~ 244 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

parente. Podemos perguntar se alguém viu membros de sua família,


ou se algum de seus parentes se enquadra na descrição do homem
que a perseguiu na clareira. — Ele sugeriu.
— Aye. Boa ideia. — Annabel elogiou, e então se levantou. — Eu
vou voltar para verificar o meu marido.
— Mas você não se alimentou — disse Gilly com o cenho franzido.
Annabel olhou para os pedaços de pão espalhados por seu lugar.
Ela tinha rasgado seu pão em pedaços, mas não tinha comido uma
mordida. Encolhendo-se, ela disse: — De qualquer maneira, eu não
estou realmente com fome.
— Vou solicitar a uma criada que lhe leve uma sidra e comida. —
Disse Marach em voz baixa. — Você deve manter a sua força. Pode
precisar dela no futuro.
— Obrigada — Annabel murmurou e se virou para a escada. Mas
enquanto caminhava, de repente ocorreu a ela se perguntar o que ele
queria dizer. Ele queria dizer que ela precisava manter sua força em
caso de outro ataque, ou para o caso de Ross morrer? Sua mente
encolheu-se da segunda possibilidade. Annabel simplesmente não
queria pensar nisso. Ela gostava do marido. Talvez até estivesse
começando a amá-lo. Ele era cuidadoso e preocupado na forma de
tratá-la, e ele fazia seu sangue queimar e seu corpo cantar. Ela não
queria nem pensar em nunca mais experimentar nada disso.

— COMO EU DISSE AO LAIRD, Ainsley, Eoghann e eu estávamos


bebendo a noite em que decidimos colocar uma reivindicação ao título.
Annabel acenou com a cabeça para encorajar o homem a
continuar, e depois olhou por cima do ombro para ter certeza de que

~ 245 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

Gilly e Marach estavam prestando atenção. Um resfolegar de Eoghann


trouxe seu olhar de volta.
— Nós não estávamos apenas bebendo, estávamos bêbados. —
Disse o tio de Ross. — Nós deveríamos estar jogando cartas, mas em
vez disso, nós três estávamos falando mal de Derek.
— Sim — concordou Fingal. — Nós três estávamos irritados com
o pequeno idiota falando sobre o fato de ele ser quatro anos mais
velho, e como isso o tornaria o chefe mais sábio e melhor do que Ross.
— Ele franziu o cenho. — E algumas pessoas estavam caindo nisso.
— Você pode imaginar? — Eoghann perguntou com
consternação. — Depois de tudo que Ross tinha feito para provar a si
mesmo, incrementando-se repetidamente e tomando as rédeas quando
seu pai, Deus descanse sua alma, estava longe ou indisposto. O rapaz
é um líder nato.
— Aye, e o que Derek tinha feito? — Fingal perguntou, e então
respondeu em uníssono com Eoghann: — Nada.
Ambos concordaram com a cabeça, parecendo os irmãos que
eram, e então Fingal murmurou: — O discurso ridículo do rapaz nos
pareceu conversa fiada.
— Fiada. — Concordou Eoghann.
— Então, decidimos que se ele queria jogar o fator idade,
poderíamos vencê-lo lá e todos nós nos colocamos na frente como
concorrentes para o título. — continuou Fingal. — Dar um pequeno
susto ao bastardo.
— Aye. — Eoghann concordou, e então acrescentou rapidamente:
— Mas nenhum de nós realmente queria isso. Eu sou um fazendeiro
em meu coração. Sempre fui. Não posso ser incomodado com todo esse
absurdo político. Dá-me um terreno bom e fértil e posso alimentar a

~ 246 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

aldeia. Dê-me uma espada e eu poderia me ferir por acidente. — Ele


disse com uma careta. — Prefiro me derrubar com os porcos a me
prostrar aos ingleses e aos nossos vizinhos... E nosso pai sabia isso.
Deu-me um pedaço de terra para cultivar quando eu ainda era um
menino, e eu fiz um bom trabalho disso. Estou contente.
— E eu gosto de ser ferreiro. — Assegurou Fingal. — Sempre tive
temperamento, e eu posso me bater com ele, martelando metal. Eu
sempre estaria em guerra se eu fosse chefe de clã.
— Aye. Ele estaria. — disse Eoghann com um sorriso.
— E isso não é uma coisa boa. — Assegurou Fingal. — Posso
martelar uma espada fina, a melhor das terras altas, mas empunhá-
la? Ele fez uma careta e balançou a cabeça. — Eu ficaria empacado,
na primeira batalha.
— Sim — concordou Eoghann. — Como eu.
Os dois homens ficaram em silêncio por um momento e, em
seguida, Fingal disse: — Acredito que você está tentando descobrir
quem está por trás desses ataques, como Ross estava fazendo antes de
ser ferido, mas se você está olhando para nós, está olhando na direção
errada. Ross é um bom líder, e mau como eu sou com uma espada, eu
tomaria uma em sua defesa, mas eu nunca iria me virar contra ele.
Eoghann assentiu solenemente e depois perguntou: — Como está
o rapaz? Ele já se mexeu?
— Não. — Admitiu Annabel em voz baixa.
Eoghann suspirou, parecendo de repente velho. Ele balançou sua
cabeça. — Não é justo. O rapaz teve uma dura batalha nos últimos
cinco ou seis anos.
— Sim. — Fingal suspirou. — E estava começando a parecer que
estava superando. Ele cuidou de Derek e as coisas estavam se

~ 247 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

estabelecendo aqui e então ele trouxe você. Parecia que as coisas


haviam mudado.
Eoghann assentiu com a cabeça. — Nós estávamos esperando o
squawl o'bairns logo e um Laird satisfeito. Um Laird feliz faz o seu
povo feliz.
— Tenho certeza de que ele vai acordar logo — Annabel disse
calmamente. — Ele é forte.
— Sim, mas as feridas na cabeça são um negócio complicado —
murmurou Eoghann infeliz.
Annabel fez uma careta com as palavras. Eles haviam sido
repetidas muitas vezes até tarde, mesmo por ela, e ela estava cansada
deles. Complicado ou não, Ross teria que recuperar desta ferida na
cabeça.
— Você considerou Miriam? Eahhann perguntou de repente, e
acrescentou: — Ela não aceitou a morte de Derek e culpou Ross,
apesar de seu filho ter começado todo esse maldito negócio.
— Droga. Ela foi provavelmente a única que instigou Derek a
reivindicar o título — disse Fingal com desgosto. — Dessa forma, ela
seria mãe do Laird e moraria no castelo.
— Isso é mais do que possível. — Eoghann decidiu, e depois
acrescentou com desaprovação: — Miriam sempre aspirou a coisas
mais grandiosas do que a vida na aldeia. Ela queria ser Lady MacKay
quando moça, perseguindo nosso irmão, Ranson, o pai de Ross, e
ficou furiosa quando a mãe do garoto o conquistou.
— Realmente? — Annabel perguntou com interesse.
— Aye. Isso é um fato. — assegurou Eoghann. — Eu não
descartaria a mulher por tentar arranjar problemas para Ross e por
tirar sua última esperança de ser a grande senhora da mansão.

~ 248 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

— Você sabe se ela... — Annabel fez uma pausa e olhou para as


portas da fortaleza quando elas de repente se abriram. Ela reconheceu
o homem que entrou. Ele era um MacKay e muitas vezes guardava o
portão da frente, mas a ela nunca tinha sido dito seu nome, então
ficou um pouco assustada quando ele olhou ao redor, avistou-a nas
mesas de cavalete e foi direto para ela.
— Com o seu perdão, minha Lady. — murmurou o homem com
uma ligeira curvatura quando ele a alcançou. — Mas há uma Lady na
porta pedindo para vê-la.
— Uma Lady? — Perguntou Annabel com surpresa, procurando
em sua mente o que uma mulher da Escócia poderia querer vê-la. As
únicas mulheres que conhecia até agora eram os criados aqui e
Giorsal, e Giorsal nunca ficaria esperando no portão.
— Uma inglesa. — Esclareceu o soldado.
Os olhos de Annabel se arregalaram e ela se levantou
imediatamente.
— Espere aí — disse Eoghann, levantando-se e então olhou para
o soldado. — É Miriam?
— Miriam? — perguntou Annabel, surpresa. — Mas ela é
escocesa... Não é? — Acrescentou incerta.
Fingal e Eoghann sacudiram as cabeças como um, mas foi
Eoghann quem disse: — Nay. Miriam é inglesa. Nosso pai contratou
seu pai como cozinheiro aqui quando ela tinha doze anos. Sua mãe
estava morta, então ele a trouxe e tinham um pequeno quarto fora das
cozinhas.
— Foi aí que ela obteve seu gosto pela vida do castelo. Queria
governar o maldito lugar e sair das cozinhas quentes. — Acrescentou
Fingal.

~ 249 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

— Eu entendo. — Annabel murmurou e depois olhou para o


soldado. — É Miriam?
— Eu não faço ideia. — O homem admitiu se desculpando. —
Nunca conheci a mulher.
— Bearnard é um MacDonald. — Marach disse calmamente atrás
dela. — Ele se casou com uma moça MacKay na primavera passada e
só aí se mudou para cá então.
— Aye. — Bearnard assentiu com a cabeça. — Não sei como é
essa Miriam. No entanto, ela não disse que era ela.
— Bem, eu sei como ela é. — Eoghann anunciou e começou a
contornar a mesa, com Fingal em seus calcanhares.
— Vamos acompanhá-la e ter certeza, se for ela, não lhe fará
nenhum mal.
— Oh, isso é muito gentil — disse Annabel, surpresa. — Mas
tenho certeza de que Gilly e Marach a reconhecerão se for Miriam.
— Gilly e Marach não são da família. — Disse Eoghann, enquanto
a tomava pelo braço, depois olhou para os homens e acrescentou: —
Sem ofensa, rapazes. Mas com Ross doente, é resposabilidade da sua
família ver a segurança de sua senhora. Vamos Fingal. — Ele
acrescentou, e o outro homem se apressou para pegar seu outro
braço. Os dois então procederam a marchá-la para as portas do salão.
Annabel olhou por cima do ombro para ter a certeza de que Gilly
e Marach a estavam seguindo e depois olhou de Eoghann para Fingal e
disse: — Os dois parecem ser muito próximos.
— Somos irmãos. — Disse Eoghann com um encolher de ombros.
— Meio-irmãos. — Corrigiu Fingal. — E nós não fomos sempre
tão próximos. Enquanto rapazes eu me ressentia de Eoghann, Ainsley

~ 250 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

e Ranson por ter coisas que eu não tinha. E por serem reconhecidos
como os filhos do Laird, quando eu não o era.
— O que aconteceu para mudar as coisas? — Ela perguntou
curiosa enquanto Fingal puxava a porta da fortaleza abrindo-a e os
homens a levavam para fora.
— Ranson — disse Fingal solenemente enquanto atravessavam o
pátio. — Quando nosso pai morreu e ele se tornou o Laird, desceu à
vila para falar-me. Ele me reconheceu como seu meio-irmão e me
ofereceu uma posição entre seus guerreiros. — Ele sorriu
ironicamente. — Mas como eu mencionei, não era bom com a espada.
Ele se ofereceu para treinar a mim, mas eu já estava treinando com o
ferreiro desde menino e eu gostava, então... — Ele encolheu os
ombros.
— Ranson foi quem começou as noites de jogo semanal com os
quatro de nós. — Anunciou Eoghann. — Às vezes nos revezávamos em
jogar Merels, outras vezes jogávamos cartas. — Então éramos os
quatro. O pai de Derek já havia morrido.
— Principalmente bebíamos e ríamos e nos divertíamos. —
Informou Fingal. — Foi um dia triste quando o perdemos.
— Aye. — Eoghann suspirou. — Nós consideramos convidar Ross
para tomar seu lugar nas noites de jogo, mas então este negócio com
Derek aconteceu e idiotas que nós fomos, nós não explicamos a ele
que não queríamos realmente seu título ao nomear nossas
reivindicações sobre ele. Como você pode imaginar nossa reinvidicação
não lhe fez nenhum favor.
— Nós pensamos que ele não aceitaria o convite depois disso. —
Acrescentou Fingal secamente. — Então decidimos dar-lhe um pouco
de espaço.

~ 251 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

— E então Ainsley morreu. — Eoghann disse em um suspiro.


— Aye. — Fingal assentiu solenemente e todos ficaram em
silêncio enquanto atravessavam os últimos metros até o portão.
Ross tinha dado a ordem de que ninguém atravessaria a muralha
sem uma boa causa após o ataque no campo de campainhas aqui na
Escócia. Somente os aldeões ou visitantes que eram esperados ou que
tinham negócios em MacKay deveriam ser permitidos além da ponte
levadiça. Todos os outros eram mantidos lá até ele, ou neste caso,
Annabel, dissesse que estava tudo bem.
Annabel em um primeiro olhar não viu ninguém esperando no
portão até que ela quase chegou, e então uma mulher de roupas
esfarrapadas, com o rosto e os cabelos sujos, saiu das sombras perto
da parede da muralha exterior e para a luz.
— Não é Miriam. — Fingal disse com decepção.
— Nay. Demasiado jovem e bonita sob toda aquela sujeira. —
Concordou Eoghann e depois informou-a: — Miriam era uma beleza
quando era jovem, mas se transformou em uma velha amarga e de
rosto azedo. Olhando para Annabel, ele lecionou: — É isso que a
ganância, Inveja e amargura faz a uma mulher. Tenha isso em mente e
mantenha a inveja fora do seu coração, moça, e você será tão adorável
quando você estiver velha quanto você é hoje.
— Obrigada, vou me lembrar disso. — Murmurou Annabel,
tentando ignorar o rubor que ela sabia que estava subindo por suas
bochechas com o elogio. Ela não estava acostumada a se considerada
bonita. Ross foi a primeira pessoa que alegou que ela o era. Parecia
que os homens de sua família concordavam. Tudo o que ela podia
pensar era que gostar de mulheres gordas era uma característica
familiar.

~ 252 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

— Annabel?
Ela se virou assim que a mulher tentou correr para frente,
apenas para que o homem, que a mantinha no portão, estendesse a
mão para detê-la. A estranha olhou para o braço em frente a seu peito
e depois olhou desesperada para Annabel.
— Annabel, você não me reconhece? — Ela perguntou em um
sotaque inglês, e soando perto de lágrimas. — Sou eu. Kate.
— Kate? — Annabel disse com espanto, seus olhos se estreitando
em seu rosto. Ela queria reconhecer sua irmã, mas havia uma
separação de quatorze anos, e ambas eram crianças quando se viram
pela última vez.
— Belly — disse ela suplicante e Annabel reconheceu o apelido
que Kate lhe chamara quando eram crianças.
— Deixe-a entrar. Ela é minha irmã — disse Annabel
imediatamente.
No momento em que o guarda baixou o braço, Kate correu para
frente. Annabel começou a levantar as mãos para cumprimentá-la,
mas nunca teve a chance. Kate se atirou nela como uma criança e
explodiu em um soluço alto, de cortar coração.
Annabel enrijeceu brevemente, surpresa, mas então lhe deu
tapinhas nas costas e murmurou calmamente. Ela também achou
muito difícil não enrugar o nariz ou se encolher para longe do fedor
saindo dela. Kate precisava de um banho desesperadamente.
Ela não era a única a notar isso. Os homens que a haviam
cercado todo o caminho até o portão, quase a esmagando na
determinação de mantê-la a salvo, todos de repente recuaram alguns
passos rápidos. Annabel franziu o cenho para eles e, acalmou a
mulher a seu lado. Circulando-lhe as costas com o braço, ela então

~ 253 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

começou a direciona-la rumo à fortaleza, murmurando “Calma.


Calma.” e “Está tudo bem agora.” Embora ela não tivesse ideia sobre
exatamente o porquê de a estar confortando. Seu amante teria
morrido? A abandonado? Ou talvez fosse abusivo e Kate tivesse fugido
dele. O que quer que fosse parecia ter destruído completamente sua
irmã. E isso deve ter acontecido logo depois que ela partiu com ele.
Fazia pouco mais de uma semana que Kate fugira com seu amante.
Pela aparência dela, ela não tinha se banhado ou mudado de roupa
uma única vez desde então e tinha estado vivendo em circunstâncias
difíceis.
Annabel sabia que os homens as seguiam. Apesar dos contínuos
e altos soluços de Kate, ela podia apenas ouvir seus murmúrios entre
si enquanto as acompanhavam de volta pela muralha em direção à
fortaleza. Isso não a surpreendeu; O que o fez foi o fato de que eles
também se arrastaram para cima quando Annabel conduziu Kate
naquela direção.
— Calma. Calma. — Repetiu Annabel enquanto conduzia Kate
para o dormitório vazio ao lado do dormitório principal. — Vou lhe
pedir um banho e um pouco de comida. Você vai se sentir muito
melhor depois disso e nós poderemos conversar.
— Um banho e comida? — Eoghann perguntou com consternação
da porta. — Mas ela é inglesa.
Annabel o ignorou e instou Kate para a cama. Uma vez que ela
tinha removido suas mãos agarradas e sentou-a na cama, ela deu-lhe
um tapinha no ombro e disse: — Eu pedirei que alguns servos lhe
tragam um banho e comida. Eu volto já. Basta descansar.
Virando-se então, ela se dirigiu para a porta onde os quatro
homens estavam encolhidos observando-a.

~ 254 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

— Moça, você não pode desperdiçar comida e aborrecer os


criados com isso. — Eoghann disse-lhe solenemente. — Ela é inglesa.
Annabel fez uma pausa na porta e franziu o cenho. — Sir, no
caso do meu sotaque lhe ter escapado, eu sou inglesa.
— Nay, você é uma MacKay. — ele respondeu.
— Aye, mas também sou inglesa — insistiu ela, exasperada.
— Nay. — ele disse obstinadamente. — Você foi criada como
inglesa, mas você se casou com um MacKay, então agora é uma
escocesa.
Decidindo que isso era uma perda de tempo, Annabel afastou os
homens com exasperação e passou por eles se precipitando para a
escada.
— Eu não sabia que ela tinha uma irmã — Fingal comentou
quando os homens a seguiram.
— Aye. Ela fugiu com o filho do chefe dos estábulos em Waverly.
— Disse Marach secamente. — Waverly a deserdou e renegou,
apresentando ao Laird, Annabel como sua mais velha para assumir o
contrato.
— Pelo que estamos todos gratos. Nossa senhora é uma doce
freira... As palavras de Gilly morreram abruptamente quando Annabel
girou horrorizada.
— Giorsal contou?
— Giorsal? — Gilly perguntou com confusão. — Ela sabe?
— Não, miLady. — assegurou Marach. — Eu ouvi o mestre de
estábulo em Waverly e outro homem falando depois que chegamos lá.
— Não isso. — Annabel acenou impacientemente. Ross já havia
lhe contado sobre a conversa em que se revelara que ela era a segunda

~ 255 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

filha. — Quero saber se Giorsal lhes contou sobre eu ter sido criada na
abadia e que pretendia ser freira?
Silêncio mortal respondeu a sua pergunta, e então Gilly limpou a
garganta, e disse: — Na verdade, eu não estava afirmando que você era
uma freira. Eu estava dizendo que você era uma freira doce ao lado
das maneiras soltas de sua irmã. — ele explicou, e então olhou para
Marach questionando, quando acrescentou: — Eu não acho que
qualquer um de nós sabia que você era uma freira, não é?
Marach balançou a cabeça silenciosamente, seu olhar para
Annabel com preocupação.
— Eu não sou uma freira. — disse Annabel rapidamente,
chutando-se mentalmente por pular para conclusão e revelando o que
ela ainda não tinha dito ao marido. Suspirando, ela admitiu
relutantemente: — Eu era uma postulante.
Houve um momento de silêncio e Fingal perguntou: — Uma
postulante? Não é uma freira novata?
— Uma postulante é uma moça criada na abadia, destinada a ser
freira, mas sem ter feito votos ou ter assinado contratos nesse sentido.
— Disse Marach em voz baixa.
— Sim, uma jovem freira. — Disse Eoghann.
— Bem, freira ou não, estou pensando que Ross tem a melhor
irmã. — resmungou Fingal. — A outra é uma bela porcaria.
Lembrada da tarefa pretendida, Annabel se virou e continuou a
descer as escadas, murmurando: — Ela só necessita de um banho e a
troca de roupa. Por todas as descrições ela é a linda da família.
Sua mãe tinha deixado isso mais do que claro, e tinha lamentado
sobre a carência de Annabel em comparação quando a tinha
preparado para o casamento.

~ 256 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

— Nay. — Fingal discordou e então desprezou: — Até mesmo


limpa você vai ofuscá-la. O rosto dela é muito estreito, seu nariz
grande, e ela é muito magra. Não tem carne em seus ossos para
segurar ou acomodar enquanto...
Suas palavras pararam abruptamente e Annabel olhou por cima
do ombro a tempo de ver Eoghann retirar o cotovelo do estômago do
homem. Sacudindo a cabeça, ela voltou a olhar para frente, certa de
que eles mudariam de ideia quando Kate estivesse limpa. Nada disso
realmente importava. Annabel tinha se resignado a ser o fracasso
desinteressante na família. Além disso, Ross parecia gostar dela
exatamente como ela era. Embora, ela se perguntasse como ele se
sentiria quando acordasse e conhecesse Kate. Ele poderia sentir que
fora enganado no negócio... Especialmente quando ouvisse que
Annabel era uma ex-noviça inexperiente. E embora fosse óbvio que os
homens não tinham conhecimento dessa parte antes, eles o faziam
agora, e ela sabia que eles iriam dizer-lhe quando ele acordasse. Se ele
acordasse. Quer ela o perdesse ou não, Annabel esperava que ele
despertasse. O mundo seria um lugar muito mais triste se ele não o
fizesse.

~ 257 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

Capítulo 13

— Eu cometi um erro terrível. — Kate disse cansada, enxugando


lágrimas de seu rosto.
— Você estava apaixonada. — Disse Annabel com simpatia.
Kate tinha se banhado e parecia uma pessoa completamente
diferente daquela imunda criança perdida que tinha aparecido pela
primeira vez no portão. O cabelo de sua irmã era de uma cor dourada
fina, seu rosto esbelto, olhos grandes e separados, e nariz reto. Ela
também era muito magra. A abadessa a teria amado, pensou Annabel
enquanto tomava o vestido que Kate usava agora. Era um vestido
amarelo pálido com bordados brancos que ela e Seonag haviam
remendado e alterado, tornando o busto maior para Annabel. Tinha
cabido como uma luva quando terminaram, Annabel se lembrou
infeliz, mas ficou pendurado como um saco no corpo muito menor de
Kate.
— Sim, eu o amava. — Disse Kate, infeliz. — Quão estúpida fui.
— Oh, Kate, não diga isso. — Disse Annabel tristemente,
acariciando sua mão. Elas se sentaram na cama, no quarto em que ela
a tinha levado a primeira vez, uma travessa de comida entre elas que
nenhuma delas tinha tocado ainda.

~ 258 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

— Mas eu sou uma idiota. — Exclamou Kate infeliz. — Ele não


era de todo o homem que eu pensava que era. — Ela quase gemeu as
palavras.
— O que aconteceu? — Annabel perguntou, soltando sua mão
para pegar sua cidra e tomar um gole.
— Tudo foi grandioso no começo. — Disse Kate tristemente. — A
emoção, a aventura... E a cama também.
Annabel engasgou com a cidra e rapidamente colocou a taça de
volta na bandeja quando começou a tossir.
— Você está bem? — Kate perguntou, batendo nas costas dela.
— Eu... sim, claro. — Ela ofegou, acenando-lhe para parar de
bater.
— Sinto muito. Eu não deveria ter mencionado a cama? — Kate
perguntou incerta. — Pensei que quando você fosse casada, eu poderia
falar sobre isso com você. Mas eu suponho que sendo criada no
convento, você pode ser um pouco mais reticente.
— Não, está bem. — Annabel assegurou-lhe, e depois perguntou:
— Então, foi maravilhoso a princípio?
— Aye. — Kate afundou-se onde se sentava. — Esse primeiro dia
e noite foram mágicos, mas as coisas começaram a ir mal no dia
seguinte. Grant acordou grosseiro e de mau humor. Ele estava com
fome, e não tínhamos nada para comer e então começou a chover. —
Ela fechou os olhos, sua expressão infeliz com a memória. — Nós
cavalgamos o dia inteiro em uma tempestade, nós dois montados em
minha égua. — Ela fez uma careta e disse a ela. — Eu queria pegar
também um dos cavalos do papai, quando partimos, mas Grant se
recusou. Ele disse que eles poderiam nos caçar e matá-lo por roubo.

~ 259 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

Mas pelo menos com um cavalo extra, poderíamos tê-lo vendido por
comida ou algo assim.
Annabel murmurou de forma tranquilizadora, sem saber o que
fazer. Ela pensou que Grant tinha razão em recusar-se a tomar algo
que não era dele.
— De qualquer forma, encontramos abrigo em uma antiga
cabana abandonada. Kate continuou, apertando a boca. — Estava
cheia de aranhas e ratos, mas pelo menos estávamos fora da chuva.
Nós nos aconchegamos juntos para nos aquecer e fizemos amor
novamente e foi ainda melhor do que a primeira vez. Mas uma vez que
foi feito ele rolou se afastando e foi dormir e eu estava tão fria e com
fome... — Ela parou com um pequeno soluço e enxugou uma lágrima
com a mão. Na manhã seguinte Grant foi ainda mais grosseiro. Ele
disse que eu estava uma sujeira e deveria me limpar no rio. Mas eu
não ia banhar-me fora de casa! — Gritou ela, lágrimas esquecidas em
favor da indignação. — Ora, eu poderia adoecer e morrer. Além disso,
eu tinha me banhado apenas três semanas antes que deixássemos
Waverly.
— Ah — murmurou Annabel. Ela não se surpreendeu com essas
palavras. Enquanto ela se acostumara a tomar banho no córrego três
ou mais vezes por semana, graças ao trabalho nos estábulos, a
maioria das mulheres na abadia tomava banho com muito menos
frequência. No entanto, Grant tinha trabalhado nos estábulos e ela
suspeitava que ele tivesse se banhado mais vezes por causa disso
também.
— E então ele começou a falar como o meu cabelo estava uma
bagunça e se eu não poderia fazer algo com ele — Ela bufou. — Como,

~ 260 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

eu pergunto a você? Eu tinha uma escova, mas nenhuma criada para


manejá-la.
— Hmmm. — Annabel murmurou, mordendo seu lábio. Não
havia criada para ela na abadia e ela sempre conseguira escovar o
próprio cabelo.
— E então ele pegou alguns peixes no rio e os trouxe de volta,
esperando que eu os cozinhasse. — Ela disse com inteiro horror. — Eu
dissea ele, eu pareço uma criada para você? — Seus olhos brilharam
com fúria ao recordar e depois a dor piscou em seu rosto e ela
acrescentou: — E aí ele disse nay, eu não parecia muito com nada no
momento, exceto talvez, uma prostituta que tinha caído em má sorte.
E certamente, isso era tudo em que eu era boa.
— Oh, querida. — Annabel respirou.
— Como ele pôde me dizer isso? — Gritou Kate miseravelmente.
— Eu pensei que ele me amasse. Nós deveríamos fugir e viver felizes
para sempre, e... E... — Cobrindo o rosto, ela estourou em soluços
altos e ruidosos novamente.
— Oh querida. Tudo bem. Está tudo bem. — Annabel disse,
abraçando-a e esfregando-lhe as costas suavemente.
— Como pode estar tudo bem? — Gritou Kate miseravelmente,
movendo-se para trás. — Ele me trouxe até aqui e me deixou em seu
portão como um lixo. Ele disse que eu era feia e tão inútil como uma
pedra e ele não sabia o que tinha visto em mim. — Enxugando seu
rosto, ela estalou. — Eu. Você pode imaginar? Eu não sou feia. Eu sou
a irmã bonita. Você sempre foi a gorda e feia. E eu não sou inútil. Eu
nasci para governar, não para rastejar na terra como uma camponesa.
— Ah — murmurou Annabel, achando difícil pensar em algo
simpático para dizer naquele momento. Ela não achava que Kate

~ 261 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

quisera machucá-la com seus comentários. Ela estava simplesmente


declarando o fato quando disse que Annabel era a irmã gorda e feia.
Tudo o que precisava fazer era olhar para o seu vestido pendurado em
Kate para ver isso, mas Annabel fora ferida de qualquer maneira.
Infelizmente, ela também tinha um pouco mais de simpatia por
Grant. O que Kate esperava? Que sua vida de alguma forma.
milagrosamente continuaria inalterada? Que Grant lhe daria roupas
finas, uma criada e um castelo para viver do nada? Ele nem sequer era
um chefe do estábulo, mas o filho de um, que sem dúvida ajudou a
limpar as estrebarias. Ela duvidava que ele tivesse uma moeda para
gastar com sua irmã.
— Tudo vai dar certo. — Disse Annabel finalmente, saindo da
cama e se inclinando para pegar a travessa. Endireitando-se, ela
acrescentou: — Acho que você deveria descansar agora. As coisas
ficarão melhores quando você acordar.
— Não vejo como, mas estou cansada. — Disse Kate num suspiro
e se estirando na cama. — Você irá voltar e falar comigo mais tarde?
Tenho tanta coisa para te contar. Faz muito tempo que não nos vemos.
— Aye. — Annabel sorriu, mas por sentir mais alívio por que ela
não estava protestando pela saia dela do quarto do que qualquer outra
coisa. Ela sentiu ainda mais alívio, uma vez em que estava realmente
fora do quarto, com a porta fechada atrás dela, o que a fez se sentir
culpada como pecado. Sua irmã tinha passado por muita coisa. Todas
as suas esperanças e sonhos tinham acabado de desabar em torno
dela. Não era nada caridoso se ressentir por Kate querer apenas falar
sobre si mesma e não se importasse com o que acontecera na vida de
Annabel durante esse longo tempo, desde que se haviam visto.

~ 262 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

Soltando um pequeno suspiro, Annabel caminhou pelo corredor e


levou a bandeja de tortas de carne e bebidas para o quarto principal.
Seonag a olhou quando entrou e pousou a costura em que estava
trabalhando.
— Como está sua irmã?
— Cansada e desapontada como as coisas aconteceram. —
Annabel disse calmamente enquanto colocava a travessa sobre a mesa
de cabeceira e se virou para olhar para Ross. — Nenhuma mudança?
— Ainda não. — respondeu Seonag. — Mas eu tenho certeza que
ela virá, como a chuva, a qualquer momento.
— Aye. — Annabel murmurou, começando a temer que pudesse
não ser verdade. — Obrigado por ter sentado com ele, Seonag, mas eu
vou assumir agora. É quase a ceia. — ela acrescentou. — Você deve
descer e se juntar à mesa.
A criada hesitou, mas depois disse: — Só se prometer te deitar e
dormir um pouco. — Quando Annabel abriu a boca para recusar,
Seonag acrescentou: — Você não dormiu mais que minutos nessa
noite e dia desde que ele está machucado. Não fará ao Laird nenhum
bem e te fará doente. Ele não iria querer isso.
Annabel deixou escapar sua respiração e afundou em derrota. A
verdade era que ela estava exausta, e dormir soou uma ideia celestial.
Levantando os ombros novamente, ela disse: — Muito bem, mas só por
um par de horas. Eu apreciaria se você me acordasse depois disso.
Prometi a Kate que iria falar com ela mais tarde.
Seonag assentiu e se levantou: — Durma bem. Você precisa
disso. Você não quer que Ross se levante e te ache tão desfigurada.
Os olhos de Annabel se arregalaram alarmados com aquelas
palavras enquanto observava a mulher sair do quarto. Não, ela

~ 263 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

certamente não queria parecer abatida quando Ross acordasse. Seria


apenas fazer Kate parecer ainda melhor, o que ela certamente não
precisava. Ela já estava insegura sobre como ele iria reagir quando
visse o que ele tinha perdido, e preocupada que ele pudesse colocá-la
de lado para reivindicar sua irmã.
Ela, provavelmente, não se preocuparia tanto com isso se sua
mãe não se queixasse de como ela era decepcionante na área da
atração, e como Kate tinha ficado muito mais bonita no vestido, e
como ela tinha certeza de que o escocês não recusaria o contrato no
momento em que ele a visse. Verdadeiramente, depois de horas
daquilo, Annabel tinha ficada espantada quando ele tinha sido tão
gentil e concordara em casar com ela. Mas então, ele nunca tinha visto
Kate. Provavelmente pensou que elas teriam aparência semelhante.
Empurrando essa preocupação para longe, como algo que ela não
poderia alterar de qualquer maneira, Annabel tirou suas roupas e se
deitou na cama ao lado de seu marido. Mesmo que ela só planejasse
fazer uma sesta, ela queria estar confortável para isso, não enredada
em suas saias.
Respirando um suspiro sonolento, ela se aconchegou ao seu
marido inconsciente. Descansando a cabeça e a mão em seu peito,
Annabel fingiu por um momento que ele não estava inconsciente,
apenas dormindo, e que a amava e a achava mais atraente do que sua
irmã e desejava mantê-la para sempre.
Graças a sua exaustão, foi um sonho curto e ela rapidamente
divagou para o sono.

~ 264 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

ROSS ACORDOU para o silêncio e a luz do sol matinal que


rastejava através das rachaduras nas persianas. Apesar disso, por um
momento ele se sentiu desorientado e inseguro de onde estava, mas
então a mulher dobrada em seu peito murmurou sonolenta,
chamando atenção para sua presença. Reconheceu Annabel
imediatamente e depois reconheceu as formas e sombras de seu
quarto na escuridão.
Estava em casa.
O pensamento o fez sorrir. MacKay sempre fora seu lar, mas
nunca se sentira confortável nesse quarto. Em sua mente esse era o
quarto de seu pai e de sua mãe, ou tinha sido quando ele se mudou,
ao assumir o título de chefe de clã. Ele o fizera só porque era o
esperado, e porque Seonag tinha ordenado aos servos para mover suas
coisas para ali, enquanto ele estava fora no campo de prática. Mas
nunca se sentiu bem... Até agora. Naquele momento, com Annabel em
seus braços, e o amanhecer abrindo caminho através das venezianas,
para tocar com seus raios sobre este item ou aquele, ele sentia como
se pertencesse àquele lugar.
Ele também estava com tanta sede que podia beber água de
fosso, e com fome suficiente para comer um cavalo cru. Com uma
careta, Ross afastou Annabel do peito e sentou-se ao lado da cama.
Ele estava prestes a se levantar quando viu a travessa na mesa de
cabeceira, contendo quatro pequenas tortas de carne e duas taças de
sidra. Estômago roncando, ele pegou uma torta e estourou em sua
boca. Estava boa, malditamente boa, e ele alcançou outra enquanto
ele, rapidamente, mastigava e engolia o primeiro.
Ross comeu as quatro tortas de carne uma após a outra e depois
engoliu ambas as taças de sidra também. Uma vez terminado com sua

~ 265 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

festa, uma onda de exaustão percorreu seu corpo e ele decidiu que um
pouco mais de tempo na cama não iria ser mal. Sufocando um bocejo,
Ross se deitou de volta e puxou as roupas de cama e as peles sobre si
mesmo.
Annabel imediatamente rolou em sua direção, sua cabeça se
apoiando em seu ombro e sua perna deslocando-se sonolenta sobre a
dele. Ross olhou para o topo de sua cabeça, então cuidadosamente
removeu seu braço de baixo dela e a envolveu em vez disso. Annabel
se moveu sonolenta em resposta, sua cabeça se movendo em seu peito
e sua mão descansando em seu estômago.
Ross sorriu levemente e deslizou sua mão direita ao longo de seu
braço em uma carícia suave. Ele adorava tocar em Annabel. Ela tinha
uma pele tão macia. Tudo sobre ela era suave: sua pele, seu corpo,
seu coração, e ele adorava isso nela. Ele também a cobiçava
ferozmente, ele admitiu ironicamente, deixando a mão esquerda
deslizar para baixo sob os lençóis e peles, e segurar seu traseiro doce,
redondo.
— Mmmm. — Annabel murmurou, se aproximando. Sua perna
deslizou sobre ele novamente, desta vez subindo e cutucando sua
equipe adormecida. Ela poderia muito bem tê-lo esbofeteado, Ross
pensou ironicamente, enquanto seu pênis acordava com o toque e
começava a endurecer. Maldição, ela não tinha sequer pretendido
tocá-lo e ele estava reagindo assim.
Seguindo suas necessidades despertadas, ele libertou seu peito e
a colocou de costas, e então puxando as roupas de cama e as peles
descobrindo-a até a cintura. Annabel mal se mexeu em qualquer ação,
o que o fez sorrir. Significava que poderia acordá-la da maneira que
desejasse. Ele podia beijar seus lábios para agitá-la, sugar seus seios,

~ 266 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

ou talvez deslizar por seu corpo, enterrar a cabeça entre as pernas e


desperta-la com uma necessidade gritante, como a que agora sofria,
graças ao seu toque involuntário.
Seus olhos se fixaram em seus seios, redondos e cheios de
mamilos cor-de-rosa pálidos que no momento estavam dormindo,
assim como sua amante. Ele gostava deles melhor quando seus
mamilos se endureciam em pequenos botões doces com os quais ele
podia brincar, tomava entre os lábios e os dentes, e apertava
levemente enquanto batia com a língua.
Aquela ideia era apetitosa e Ross se deslocou pela cama até que
sua cabeça estava equilibrada entre seus seios, e então se inclinou
para reivindicar um com a boca. Ele a pegou entre seus lábios
primeiro e o sugou para despertá-lo para a vida, mas uma vez que
endureceu em sua boca, ele pegou levemente entre os dentes e repetiu
com a língua até que Annabel gemeu em sono.
Com o canto do olho, Ross viu as pernas dela se mexendo e
deixou uma mão deslizar para acariciar sua coxa. Ele sorriu ao redor
de seu mamilo quando seu corpo reagiu automaticamente, pernas se
abrindo em convite. Como ele poderia resistir a uma oferta tão
generosa?
Mordendo levemente seu mamilo, Ross deslizou a mão entre suas
pernas, não surpreso por encontrá-la já, quente e molhada. Isso era
outra coisa que ele amava em sua esposa. Ela se esquentava
rapidamente, parecendo sempre pronta e feliz em receber suas
atenções. Ele sabia que nem todos os homens desfrutavam tanto
prazer com suas esposas, e ele pretendia nutrir isso e fazer o que
pudesse para manter vivo o fogo que crescia entre eles.

~ 267 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

Quando Annabel soltou um longo gemido, seu corpo arqueando e


torcendo, Ross levantou a cabeça para olhar seu rosto. Seus olhos
estavam fechados, sua boca aberta de uma maneira que, ele tinha
certeza, que ela não permitiria se estivesse acordada. A mulher estava
dormindo como os mortos enquanto ele estava bem acordado, cada
centímetro dele.
Era hora de acordá-la, Ross decidiu, e baixou a cabeça para
reclamar seu mamilo novamente. Ele sugou mais insistentemente por
um momento, e então deixou escapar de sua boca e moveu-se mais
abaixo seu corpo, correndo sua língua sobre a carne cremosa que
pecorria. Ele pausou brevemente em seu quadril para mordiscar e
lamber lá, e então continuou para enterrar o rosto entre suas pernas.

ANNABEL ACORDOU ARQUEJANDO para respirar, seu corpo


arqueando e contorcendo-se na cama. Sua mente grogue estava lenta
para entender por que seu corpo inteiro parecia estar em chamas, em
prazer. Então ela percebeu que o prazer estava centrado entre suas
coxas e ela levantou a cabeça para olhar para baixo. A visão da cabeça
de Ross enterrado ali, junto com as sensações que estava sentindo,
com ele, aparentemente, tentando fazer uma refeição dela, a manteve
atordoada por um momento e, em seguida, atingindo-a... Ross estava
acordado.
Essa percepção a atingiu em conjunto com o seu orgasmo, ou
talvez a alegria que a inundou ajudou a levá-la áo limite. Seja como
for, todas juntas mantiveram Annabel sentada na cama, gritando seu
nome com uma voz que soava mais dolorida do que o prazer que
estava experimentando.

~ 268 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

Felizmente, seu prazer convulsivo também a impelira a apertar


suas coxas em cada lado da cabeça de Ross, cobrindo suas orelhas e
impedindo que seus tímpanos fossem estourados pelo grito. Quando
Ross soltou as coxas para libertar-se e sentou-se de joelhos entre as
suas pernas, ouviu-se o bater na porta do quarto. Parecia uma
debandada de cavalos.
Annabel não se preocupou em desviar o olhar de Ross. Ela não se
importava com o que era o som. Ela estava muito feliz de ver seu
marido acordado e bem. Com o peito ainda elevado e o corpo ainda
pulsando por sua liberação violenta, Annabel abriu a boca para dizer
isso, mas o que saiu foi: — Eu te amo.
Os olhos de Ross se arregalaram, e então sua cabeça girou para a
porta no momento em que ela se abriu e, ao que parecia, era como se
todos do castelo estivessem tentando abrir caminho para o quarto ao
mesmo tempo. Gilly e Marach estavam na frente, tio Eoghann, Seonag
e Fingal logo atrás deles, com pelo menos duas dúzias de servas e
guerreiros as suas costas, e cada rosto tinha uma expressão de medo e
consternação que ele não entendia. Até que soou a voz do padre
Gibson.
— O que aconteceu? Nosso Laird está morto? Lady MacKay...
Minha Lady? — O santo homem terminou, incerto, quando ele
alcançou a frente da multidão e olhou o quadro.
De repente livre do choque que a tinha mantido no lugar,
Annabel olhou ao redor, desordenadamente, procurando os lençois e
as peles, que não estavam lá e, então simplesmente, se jogou para o
lado mais distante da cama para usá-la como cobertura.
— Lady MacKay? Lord MacKay? É domingo. Certamente vocês
não estavam... O padre Gibson soou ferido e até mesmo um pouco

~ 269 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

confuso com tal traição. Annabel não estava absolutamente certa, mas
suspeitava que o que Ross estava fazendo provavelmente era a ideia de
pecado original aos olhos da igreja. Eles fizeram palestras sobre os
atos carnais destinados apenas a procriar e certamente Ross não
podia plantar sua semente através de sua língua.
Será que ele poderia? Annabel pensou ironicamente e depois
fechou os olhos em um suspiro. Covarde, como era, permaneceu bem
onde estava, ao invés de enfrentar o padre. Ross tampouco deu um
pio, embora isso pudesse ter sido porque ele não teve a chance. Tio
Eoghann foi muito rápido em dizer: — Bem, certamente você vê que
Ross está de joelhos, não vê, padre? O homem estava obviamente
orando. Sem dúvida ele estava dando graças por estar vivo.
— Aye, e quem não faria isso com uma esposa tão doce quanto
Annabel? — Fingal perguntou ironicamente. — Louvado seja o Senhor.
Se eu tivesse uma esposa como Annabel, eu estaria rezando nesse
momento. Em agradecimento. — acrescentou, mas Annabel podia
ouvir o diabo na voz do homem e captou o duplo significado quando
disse orando.
“Um velho malvado”, pensou.
— Mas Lady MacKay estava... Ela não estava orando. — Disse
Padre Gibson com firmeza. — E esse grito. Nay. Isso foi...
— Minha esposa estava dormindo até um momento antes de
gritar. — Ross interrompeu. — É por isso que ela não saltou
imediatamente da cama quando vocês entraram. Tenho certeza de que
ela teria se recuperado do choque, por essa intromissão, mais
rapidamente se tivesse mais acordada no momento em que vocês
invadiram a habitação.

~ 270 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

Ouvindo um movimento, Annabel olhou ao redor para vê-lo sair


da cama.
— Agora, se todos terminaram de ficar de boca aberta, eu
apreciaria que vocês deixassem o nosso quarto de dormir.
— Mas ela gritou! — disse o padre Gibson com suspeita. — Foi
por isso que viemos aqui. Temíamos que tivesse morrido.
— Obviamente ela gritou em choque quando acordou para
encontrá-lo acordado e bem. — Tio Eoghann disse, tomando o braço
do padre e girando-o para a porta.
— Aye. E o que nós confundimos como um grito de luto, ao
encontrá-lo morto, era realmente de êxtase. — acrescentou Fingal. —
Êxtase de que ele ainda vivia, quero dizer.
“O velho perverso está nos obtendo uma vida de penitência se ele
não parar de ajudar.” Annabel pensou com consternação.
— Eu suponho que esse pode ser o caso. — Padre Gibson não
parecia estar certo de que era realmente esse o caso, mas parecia que
estava disposto a deixar a mentira por enquanto, porque permitiu que
os dois homens mais velhos o retirassem do quarto. No entanto,
Annabel não tinha dúvidas de que ele teria algumas perguntas
aguçadas para ela na próxima vez que fosse confessar. Ela decidiu
então que a confissão poderia esperar um pouco, e se perguntou se
não confessar um pecado por uma década ou algo assim seria tão
ruim quanto o pecado que tinha ocorrido aqui esta manhã.
O clique da porta fechando a tirou desses pensamentos e
Annabel virou-se para olhar a cama, aliviada quando viu que estavam
sozinhos mais uma vez. Mas então ela notou que Ross ainda estava de
frente para a porta, sua mão sobre ela e a cabeça inclinada
ligeiramente como se em pensamento profundo. Ou dor, ela se

~ 271 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

preocupou, e esquecendo sua nudez, levantou-se para se mover ao


redor da cama em direção a ele.
— Marido? — Annabel perguntou, parando atrás dele. — Sua
cabeça está te incomodando?
Ross sacudiu a cabeça e se virou para encará-la com
preocupação evidente em sua expressão. — O que aconteceu? — Ela
olhou para ele, insegura. Ele deveria saber o que tinha acontecido. Ele
tinha feito o mundo mudar para ela, desta vez, com suas atenções e,
como ele disse, ela só acordou um momento antes em que gritou de
prazer.
— Annabel — disse em voz baixa. — Eu acordei na cama, mas
não me lembro como eu cheguei lá. A última coisa de que me lembro
é... — Ele fez uma pausa e franziu a testa, e então disse lentamente: —
Falei com Fingal... Acho que terminei de conversar com ele... Mas... —
Ele balançou sua cabeça.
— Oh. — Ela respirou, começando a entender. Ele não se
lembrava de procurá-la na casa de Effie, de fazer amor com ela no
celeiro de Carney, ou do ataque. Ele acordou, mas sem algumas de
suas memórias. Ela já tinha ouvido falar disso acontecendo antes. Às
vezes, a vítima de tal perda recuperava sua memória e às vezes não.
Mas isso era uma pequena perda, porque ele estava acordado, ela
lembrou a si mesma.
— Venha. — Annabel disse calmamente tomando sua mão para
levá-lo para a cama. Sentando-o lá, ela perguntou: — Como está sua
cabeça? Ela doi?
— Nay. Deveria?
Annabel mordeu o lábio. Sua cabeça tinha doído quando ela
acordou depois de ser nocauteada. Mas ela apenas dormira por horas.

~ 272 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

Ross tinha dormido um dia e meio, talvez tivesse dormido durante a


dor.
— Annabel? — Ele incitou quando ela ficou em silêncio. Quando
ela se concentrou nele, levantou as sobrancelhas e disse: — Diga-me o
que aconteceu.
Acenando com a cabeça, Annabel sentou-se ao lado dele na beira
da cama e anunciou: — Fomos atacados. Você foi nocauteado e esteve
dormindo por um pouco mais de duas noites e um dia.
— O quê? — Ross girou sobre ela bruscamente.
Annabel assentiu. — Estávamos todos muito preocupados e
esperando você acordar.
Ross pensou nisso brevemente e disse: — Então, quando você
gritou, todos vieram para cá por que...?
— Porque eles temiam que você tivesse morrido, eu acho — Ela
admitiu solenemente.
— Maldição. — murmurou Ross, e depois disse: — Diga-me tudo
o que você sabe, desde o momento em que deixei o Fingal. Eu deixei a
cabana de Fingal, correto? Não fomos atacados lá, não é?
— Aye, nós saimos de lá. E nay, não foi aonde fomos atacados. —
Annabel assegurou-lhe e depois tentou decidir por onde começar.

~ 273 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

Capítulo 14

— Esposa?
— Aye? — Annabel ergueu os olhos para Ross quando pararam
no alto da escada. Ela lhe contara tudo o que ele não conseguira se
lembrar, do dia em que tinha recebido o golpe na cabeça, sem deixar
um único detalhe para ser poupado. Tinha sido uma experiência. Ross
tinha ficado zangado novamente com os riscos que tinha assumido ao
escapar de seus guardas. Mas tinha dado uma risada breve quando
ela admitiu ter descoberto seus seios em uma tentativa de atraí-lo, em
uma não-cama, para apaziguar sua raiva. Mas a risada tinha morrido
rapidamente e seus olhos começaram a brilhar enquanto ela descrevia
o que tinha seguido. Foi aí que sua narrativa se desfez. Ross tinha
interrompido sua narração para beijá-la e reviver, quase exatamente, o
que tinha acontecido naquele dia no celeiro de Carney, mas com a
cama em lugar da pilha de feno.
Annabel supôs que deveria ter lhe lembrado que era domingo,
mas já haviam quebrado essa regra uma vez. Além disso, realmente,
valia a penitência futura que sofreriam por ela.
Mais tarde, Annabel retomou o conto. Ele escutou em silêncio,
mas ela suspeitou pelas expressões que lhe atravessavam o rosto e
pela forma como ele acenava ocasionalmente com a cabeça, que sua
narração ajudava a puxar algumas de suas próprias lembranças.

~ 274 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

Tinham se limpado e vestido, descendo a escada depois disso e


Annabel se sentiu desejando ter terminado de lhe contar sobre o
ataque antes que fizessem amor. O humor de Ross, agora, era muito
solene para seu gosto, onde antes ele estava sorrindo e de espírito
muito mais leve depois de sua brincadeira ruidosa.
— Você negligenciou mencionar por que meu tio e Fingal estão
aqui na fortaleza — disse Ross, chamando sua atenção para as mesas
de cavalete abaixo.
Ela sorriu ironicamente quando notou os dois homens mais
velhos conversando e rindo com Gilly e Marach na mesa. Todos
estavam terminando de quebrar o jejum e os quatro homens estavam
sentados sozinhos, sem dúvida esperando a chegada de Ross. Ela
pensou e murmurou: — Ah... Bem, você vê... Tentamos chegar ao
fundo desses ataques, enquanto você estava dormindo. Gilly e Marach
disseram que você havia falado com Fingal e planejado falar com seu
tio Eoghann também. Não tínhamos ideia do que tinha acontecido com
a sua conversa com Fingal, por isso decidimos que deveríamos falar
com eles e Gilly desceu à aldeia para pedir-lhes que viessem à
fortaleza para podermos conversar.
— Eu entendo. — Ele murmurou, e então disse: — E?
Annabel encolheu os ombros, impotente. — E, uma vez aqui, eles
não foram embora. Eles pareciam pensar que, como você estava fraco
e incapaz de me manter segura, recaiu sobre eles, como família,
garantir que nada me acontecesse até que você acordasse e pudesse
assumir a tarefa mais uma vez.
— Hmm. — Ross voltou seu olhar para o quadro abaixo quando
perguntou: — E que conclusão você teve depois de falar com eles?

~ 275 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

— Eles não estão por trás dos ataques. — Disse ela com certeza.
— Ambos respeitam suas habilidades como um Laird, e apreciam o
que você faz para seu povo, e...
— E? — Perguntou quando ela se deteve.
Annabel hesitou, mas disse: — Na verdade, eu não acho que eles
tenham um osso malvado entre eles. E enquanto ambos afirmam
serem inuteis com uma espada, eu suspeito que cada um levaria uma
flecha ou golpe de espada por você... E talvez até para mim.
Ross a estudou por um momento e, então, o começo de um
sorriso curvou um lado de sua boca quando disse: — Você gosta deles.
Annabel sorriu ironicamente e assentiu. — Aye. São homens de
bom coração. Um pouco perversos em seu senso de humor —
Acrescentou secamente. — Mas homens bons.
— Estou feliz. — Foi tudo o que ele disse, e então lhe pegou a
mão e colocando-a em seu braço para continuar descendo as escadas.
— Ah, bom. Vocês finalmente se arrastaram aqui para baixo e se
juntaram a nós. — Disse tio Eoghann quando viu sua aproximação. —
Por que demoraram tanto? Nós estávamos começando a nos preocupar
se ambos tinham caído inconscientes desta vez.
— Sim, rapaz, mas não queriamos verificar se estavam rezando,
de novo. — acrescentou Fingal com um sorriso e depois riu,
acrescentando: — Ah, aye, vocês estavam. Posso dizer pela bela cor
que sua esposa acabou de pôr em seu rosto.
Annabel fez uma careta, desejando poder controlar a cor
reveladora mas, como não podia, simplesmente balançou a cabeça e se
sentou à mesa, esperando que, se não respondesse, deixariam o
assunto passar.

~ 276 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

Ela deveria ter adivinhado, Annabel supôs, quando Fingal


continuou: — E em um domingo também. Tsk tsk, Você é uma
pequena freira desobediente.
— Freira? — Ross ecoou com confusão.
Os olhos de Annabel se arregalaram quando ela percebeu que
havia uma coisa que ela ainda tinha que dizer ao marido.
— Belly? Você não voltou ontem à noite como você prometeu.
Duas coisas, Annabel se corrigiu, enrijecendo àquela reclamação
atrás dela. Virando-se, viu Kate se aproximar das escadas, com o
vestido amarelo pálido e branco emprestado que pendurava tão mal
sobre ela.
— Esposa? — Ross disse questionando, atraindo sua atenção
novamente.
— Belly. — Estalou Kate no momento em que Annabel havia se
virado para seu marido.
Suspirando, Annabel esfregou a testa e forçou um sorriso para o
marido. — Eu vou explicar tudo, eu prometo. — Ela assegurou,
ficando de pé novamente antes de acrescentar: — mais tarde.
Virando-se, moveu poucos passos para se juntar à irmã e disse:
— Desculpe Kate. Eu quis voltar. Eu pretendia apenas tirar uma
soneca curta, mas eu acho que Seonag se esqueceu de me acordar,
como prometido. Eu dormi livremente durante a noite.
— Nay — anunciou Seonag, extraindo um olhar confuso de
Annabel, enquanto se aproximava vindo da direção das cozinhas.
Parando ao lado deles, ela esclareceu: — Eu não me esqueci. Você não
dormiu, mais que momentos na primeira noite assistindo ao Laird.
Precisava de seu sono na noite passada, então eu não a acordei como
você pediu.

~ 277 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

— Oh. — Annabel disse fracamente, incerta sobre o que fazer


com isso. A mulher estivera cuidando de seu bem-estar. Além disso,
Annabel não estava arrependida de não ter revisitado sua irmã. A
primeira visita tinha sido o bastante para dissuadí-la. E, realmente,
ela queria estar acordada para Ross quando ele abrisse os olhos pela
primeira vez, do jeito que tinha acordado... Bem, ela dificilmente
poderia lamentar pelo modo como ele a tinha acordado.
“Embora pudesse ter sido feito sem que todo o castelo estourasse
sobre eles”, Annabel pensou. E também o homem não tinha dito uma
palavra sobre ela balbuciando, estupidamente, que ela o amava. Não
que ela quisesse que ele dissesse alguma coisa. Annabel se assegurou.
Ela nem sequer tinha certeza de onde essas palavras tinham vindo.
Certamente ela gostava de seu marido, e gostava de sua companhia e
suas habilidades de quarto. E sim, ela o respeitava. Ele era um bom
líder para seu povo e...
— Belly.
A palavra ríspida tirou Annabel de seus pensamentos para
perscrutar a irmã com um pouco de irritação. Ela odiava esse apelido,
mas tudo o que ela disse foi: — Aye?
— Você não pode permitir tal insolência. — Kate disse
severamente. — Eu queria falar com você ontem à noite e ao invés
disso sentei-me entediada e infeliz. Ela arruinou tudo, não
despertando você. Puna a velha bruxa.
Os olhos de Annabel se arregalaram diante da demanda e depois
se estreitaram. Enquanto que o fato de Seonag não te-la acordado não
a aborrecera, as palavras de sua irmã o fizeram. De alguma forma, a
garota parecia ficar sob sua pele. Ela nunca tinha conhecido ninguém
assim... Assim... Mimada.

~ 278 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

— Eu não a punirei. — Ela finalmente disse, mantendo a sua voz


calma, porém firme. — E o nome dela é Seonag. Por favor, chame-a
assim no futuro.
O rosto de Kate enrugou-se de raiva diante da leve
descompostura, de modo que foi um alívio para Annabel se afastar
dela e olhar para a mesa quando Ross disse: — Esposa? — Pelo menos
foi esse o sentimento até que ela notou sua expressão. Ele não parecia
feliz quando perguntou: — Quem é esta mulher?
— Oh! — Kate ofegou, a raiva por Annabel aparentemente
esquecida. Kate a empurrou ao passar por ela quando correu para
Ross. Uma vez que chegou, onde ele se sentava no banco, ela
demonstrou uma espécie de arrepio exagerado e irrompeu: — Você
deve ser Ross. É um prazer conhecê-lo finalmente.
Annabel se acalmou, seus olhos se estreitaram em sua irmã, mas
Ross apenas arqueou uma sobrancelha enquanto olhava para Kate e
depois perguntava: — Quem é você? Outra nova bordadeira?
A cabeça de Kate se voltou como se ele a tivesse esbofeteado, mas
se recuperou rapidamente e soltou uma risada tilintante enquanto
dizia: — Oh, Deus não! Embora, neste vestido você pode ser perdoado
por me confundir com uma nova serva. — Ela olhou para baixo e
estendeu-o para os lados, enfatizando como era grande e de alguma
forma fazendo o decote cair indecentemente baixo, ao mesmo tempo.
— É emprestado, é claro. De Annabel — acrescentou, caso ele não
tivesse percebido. — Mas então ela é muito maior do que eu. Eu acho
que você poderia colocar duas de mim aqui. — Ela riu e olhou por
cima do ombro, como se esperasse que Annabel se juntassea ela, rindo
da piada. Ela não o fez.

~ 279 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

— Não se preocupe moça. — Tio Eoghann disse, ligeiramente


atraindo a atenção de Kate para a mesa. — Ross tem o melhor
cozinheiro das terras altas trabalhando aqui. Ele logo vai alimentar
você e você parecerá menos doente.
Kate endureceu brevemente mas, de alguma forma, conseguiu
ignorar o comentário. Annabel, no entanto, sentiu-se melhor por isso e
lançou ao homem um sorriso grato.
— Eu ainda não sei quem você é — Ross apontou calmamente.
— O quê? — Kate perguntou surpresa. — Eu devia pensar que
você poderia adivinhar agora. Ou Annabel não lhe contou sobre a
minha chegada? — Kate perguntou, soando espantada. E então ela
balançou a cabeça e se sentou no banco ao lado dele, dizendo: — Ela,
provavelmente, apenas se preocupou que você ficaria desapontado por
terem-na impingido a você, em meu lugar. — Inclinando-se para ele,
ela terminou em uma voz gutural: — Eu sou a sua Kathryn.
—Minha Kathryn? — Ross perguntou as sobrancelhas
arqueadas.
Estendendo a mão para acariciar seu braço, ela disse com voz
rouca: — Bem, eu sempre fui destinada a ser sua.
E, aparentemente, decidiu que estava disposta a ser dele, agora
que seu grande romance com o filho do chefe do estábulo, tinha
falhado tão miseravelmente. Annabel pensou infeliz, suas mãos
apertadas em seus lados, enquanto observava o casal preocupada.
— Ela é a irmã da Lady sua esposa, a Kate. — Fingal anunciou
abruptamente, e então, apenas para ser útil, Annabel tinha certeza,
acrescentou: — Você sabe... A rapariga que, gentilmente, correu para
erguer suas saias para o filho do chefe do estábulo, assim você pôde
casar com nossa doce Annabel em seu lugar.

~ 280 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

Embora Kate tivesse conseguido ignorar o comentário anterior de


Eoghann, a este ela não conseguiu. Virando a cabeça bruscamente,
olhou para Fingal. Honestamente, Annabel ficou surpresa por não ver
adagas saindo de seus olhos. Fingal, no entanto, sorriu para ela como
um gato que comeu o creme, e disse: — Nós somos eternamente gratos
por isso, moça. Nossa Annabel é uma verdadeira Lady.
— Seu velho e desagradável... — começou Kate, e foi quando
Annabel se aproximou e pegou o braço de sua irmã para pressioná-la
para fora do banco. Kate mordeu o resto do que ela estava prestes a
dizer e virou-se furiosamente para Annabel. — O que você está
fazendo? Não terminei aqui, Belly.
— Aye, você terminou — assegurou Annabel, solenemente,
arrastando-a para a escada.
Ela seguira até a metade do caminho antes de Kate,
furiosamente, puxar seu braço para se livrar do agarre e bater o seu
pé. — Eu não vou ser maltratada. Eu vou quebrar meu jejum como
planejei.
Ela se virou para voltar para as mesas. Annabel não deu
perseguição ou a agarrou de volta, ela simplesmente rugiu: — Kathryn
Jane Withram!
Kate fez uma pausa e se virou relutantemente para trás, sua
expressão petulante. — O que?
— Esta é a minha casa — disse Annabel com firmeza. — E eu sou
a Lady aqui. Sugiro que você se dirija para o seu quarto agora, ou
então eu ordenarei aos homens que a arrastem para lá.
Gilly e Marach levantaram-se como um só, ao ouvir essas
palavras, aparentemente mais do que felizes em fazê-lo.

~ 281 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

Os olhos de Kate se estreitaram e sua boca apertou, mas então


ela deu de ombros e se moveu retornando em sua direção. — Muito
bem.
Annabel esperou até que ela tivesse passado, ofereceu a seu
marido um sorriso de desculpas e depois seguiu sua irmã lá para
cima. Ambas estavam em silêncio enquanto subiam as escadas, mas
no momento em que entraram no quarto e a porta estava fechada,
Kate a rodeou.
— Como você pôde deixar aquele homem me falar assim? Você
me repreendeu por insultar, involuntariamente, uma serva e, em
seguida, agiu como se eu fosse a errada quando aquele homem tão
bem me chamou de prostituta. Eu, uma Lady e sua irmã. — Voltando-
se então, ela se jogou na cama e explodiu em soluços.
Annabel estava parada perto da porta, deslizando sobre seus pés
incerta e um pouco confusa. Ela tinha seguido Kate até aqui com a
intenção de repreendê-la novamente, e com mais firmeza pelo seu
comportamento lá embaixo, mas em vez disso, agora se sentia como a
pessoa errada. Como isso aconteceu? E como estava errada? Fingal
não a chamara de prostituta... Exatamente. Na verdade, ele havia dito
sem rodeios o que Kate fizera, embora, ela supusesse, que a maneira
que ele dissera poderia ter sido mais... Er... Ou muito menos... Er...
— Oh, que trapalhada. — Annabel murmurou e então caminhou
até a cama e se sentou no lado dela para olhar incerta a sua irmã
soluçante. Finalmente, ela disse: — Peço desculpas se as palavras de
Fingal a ofenderam. Ele poderia ter sido mais diplomático em sua
formulação.
— Eles me ofenderam — retrucou Kate, chorando mais forte.

~ 282 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

— Aye, bem, talvez eu devesse ter dito alguma coisa —


resmungou Annabel. Mas lembrando-se de como Kate tinha se
inclinado contra Ross, acariciando seu braço, falando em tom rouco, e
sendo toda magra e sexy, ela acrescentou: — Acho que fiquei surpresa
devido ao modo como você estava flertando com meu marido.
— Flertando? — Kate ofegou, levantando-se e girando para olhá-
la com indignação. — Eu não estava flertando com ele. Eu nunca faria
isso. Eu sou a única que não o quis em primeiro lugar. É por isso que
ele é seu marido. Além disso, meu coração está quebrado agora. Grant
é tudo em que posso pensar.
— Mas você estava se inclinando sobre ele, e...
— Eu estava sendo educada com o marido da minha irmã. —
disse ela com firmeza. — Se você pensou que era qualquer outra coisa,
então talvez seja porque você se sinta feia e com ciúmes de mim. Você
sempre teve, Belly.
Annabel piscou com espanto. Ela tinha sete anos quando fora
enviada para a abadia. Muito jovem para saber o suficiente ou para ter
ciúmes de qualquer coisa. E, como recordava, adorava a irmã. Tinha-a
seguido como um bezerro divagante, procurando por ela e — Inferno!
— ela chorara todas as noites na cama, por um ano depois de deixar
Waverly, porque Kate não estava lá para rir e conversar.
Não, ela não tinha sentido ciumes dela então. Mas talvez tivesse
agora. Annabel admitiu com justiça. Tudo bem, sim, ela estava. Ela
desejava ser tão bonita quanto sua irmã, desejava ter sido treinada
para ser uma esposa apropriada para Ross, como Kate, sem dúvida,
tinha sido. Annabel nunca o teria jogado de lado pelo filho do chefe do
estábulo... Que ela tinha certeza de que era um homem adorável, mas,

~ 283 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

realmente, ele não poderia ser tão maravilhoso quanto Ross. Ela
pensou.
Sentada ali, ela se perguntou se, talvez, o ciúme não a tivesse
feito ler mais do comportamento de Kate, do que realmente tinha
estado ali. Ou, talvez, a única maneira a qual Kate soubesse interagir
com os homens fosse de uma forma coquete, então, não se vendo
como flertadora. A maneira como agira com Ross podia até ser como
todas as mulheres agiam em torno dos homens, pelo menos aquelas
mulheres que não haviam sido criadas em uma abadia, onde o único
homem à vista era um velho padre tremulo.
— Tudo bem. — Annabel disse finalmente. — Talvez eu tenha
interpretado mal suas intenções com Ross.
— Aye. Você o fez. — Kate assegurou.
— Bem, vou tentar não permitir que meus sentimentos sobre
minha falta como mulher e esposa afetem meu julgamento no futuro.
— Disse calmamente.
— Bom. — Kate deu um aceno de cabeça como se dissesse que
assim era como deveria ser.
— Mas, em troca. — continuou Annabel, trazendo uma expressão
cautelosa para o rosto de Kate — Agradeceria se você não me
chamasse de Belly.
— Mas esse é o seu nome — protestou ela.
— Nay. Meu nome é Annabel.
— Mas eu sempre te chamei Annabelly ou Belly.
— E eu sempre odiei isso. — Annabel informou calmamente.
— Não, você não odiava. — Kate disse imediatamente.
— Aye, Kate, eu odiava. Annabel assegurou-lhe.
— Não. Você gostava. — Insistiu Kate.

~ 284 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

— Eu nunca gostei Kate. — Disse impaciente, achando ridículo


ter que discutir o assunto. Ela sabia o que gostava e o que não
gostava. — Eu odiei desde o dia em que você começou a usá-lo, e eu
lhe disse na época e você apenas riu e dançou ao meu redor em um
círculo cantando: Annabelly tem uma barriga 8 gorda. Annabelly tem
uma barriga gorda.
— Oh, Deus, eu fiz, não foi? — Ela disse com horror. — Eu sou
uma irmã terrível! — Com esse comentário ela se jogou de volta na
cama e começou a chorar abundantemente novamente.
Annabel esfregou a testa com os dedos, perguntando-se como o
fato de ela pedir que Kate não lhe chamasse do que era, em última
instância, um nome bastante ofensivo, terminou com uma situação em
que ela sentia que deveria confortar a garota. Pelo menos uma parte
dela estava exortando-a a confortar Kate. Outra parte muito maior de
Annabel simplesmente não queria.
Francamente, naquele momento, ela nem queria lidar com ela.
Ela queria embalá-la em uma carruagem e enviá-la para casa de seus
pais e deixá-los lidar com a filha que tinham criado até ter se tornado
nesta mulher. Infelizmente, sua mãe deixou claro que Kate não era
mais bem-vinda em Waverly. Mas isso significava que estava presa a
ela? Não tinham se visto em quatorze anos. Realmente, elas eram
estranhas.
Mas era sua irmã, lembrou-lhe a consciência, e ela fora criada
melhor do que isso. Tinham lhe ensinado caridade, serviço e
sofrimento e talvez Kate fosse apenas sua cruz para carregar.
E, raciocinar assim, era o motivo pelo qual Annabel sempre tinha
desprezado a vida na abadia. A caridade estava bem, assim como o

8 Belly = Barriga

~ 285 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

serviço a Deus, mas a ponto de sofrer? Ela não tinha tanta certeza.
Você deve ser caridosa ao ponto de se machucar? Seria esperado que
você servisse com total e absoluto altruísmo, mesmo quando as
pessoas que você estava servindo eram egoístas como o inferno? E ela
realmente esperava passar a vida sofrendo em miséria para que outros
fossem felizes? Porque, sim, ela tinha certeza de que cuidar de Kate ia
ser uma experiência ingrata, miserável que faria da sua vida um
inferno. Mas da mesma forma, ela não podia simplesmente expulsá-la.
A consciência de Annabel não permitiria isso. Parecia que ela estava
presa a Kate... A menos que pudesse pensar em algo mais para fazer
com ela.
Talvez seus pais recebessem Kate depois de tudo, pensou
Annabel esperançosa. Talvez sua raiva tivesse esfriado, agora que não
havia mais preocupação com o contrato de casamento. Possivelmente
permitissem que ela voltasse. Eles sempre poderiam arranjar para que
se casasse com outra pessoa, não poderiam? Kate era filha deles.
Certamente eles não poderiam apenas cortá-la fora de seus corações
tão facilmente. Certamente que não pareciam se importar muito com o
bem-estar de Annabel, mas então ela era tão estranha para eles da
mesma forma como agora descobriu que Kate o era para ela. Mas Kate
tinha crescido em Waverly — com certeza eles tinham algum carinho
por ela, certo?
— Você só vai me deixar deitada aqui chorando? — Kate
perguntou, sentando-se carrancuda. — Você não vai me consolar?
Annabel fitou-a, perguntando-se o por que da exigência de
conforto por Kate a fazia querer oferecer ainda menos.
— Vou escrever uma carta para mamãe — disse Annabel,
levantando-se e indo para a porta.

~ 286 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

— O quê? — Kate ofegou com horror. — Não!


Annabel não percebeu que ela tinha corrido atrás dela até que ela
a pegou pelo braço quando alcançou a porta, e a girou de volta. —
Não. Você não pode fazer isso. Seria humilhante e...
— Kate. — interrompeu Annabel, cansada. — Eu sei que tudo
isso é humilhante para você. Você ignorou o casamento contratado
que o papai arranjou para você. Foi contra os nossos pais e fugiu por
amor, apenas para que ele falhasse miseravelmente. É uma pena, mas
essa é a situação. No entanto, mamãe e papai podem ainda salvar a
situação. Eles podem ser capazes de arranjar um casamento com um
bom homem, disposto a ignorar a sua transgressão.
— Oh, sim. — Kate zombou. — Você gostaria disso, não gostaria?
Eu tendo que casar com algum velho tolo e me deixar tocar. Nunca! —
Ela estalou. — Além disso, já sou casada.
— Você é? Perguntou Annabel com o cenho franzido.
— Aye. Nós atamos as mãos 9 antes de que sequer fossemos para
cama. De fato, nós atamos as mãos semanas antes de fugir — disse
ela triunfante. — Então, você vê, eu não posso me casar com outra
pessoa, eu já tenho um marido.
Annabel franziu o cenho. Ela não tinha ideia do que significava
“atar as mãos”. Ela nunca tinha ouvido falar disso e supunha que a
abadessa e o padre não haviam pensado que fosse importante para as
freiras conhecerem. Mas Kate parecia pensar que significava que ela
estava casada... O que era uma espécie de dificuldade, desde que o
marido com o qual ela se atara agora parecia não querer nada com ela.
— Promete-me que não irá escrever para a mamãe e o papai —
disse Kate agora.
9Handfast = atar as mãos. Cerimonia de casamento realizada sem a presença de um representante
da igreja.

~ 287 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

Annabel hesitou. Se não escrevesse para seus pais, ficaria


definitivamente presa a sua irmã. Pelo menos, ela ficaria, se Ross o
permitisse e naquele momento ela não sabia o que ela desejava mais:
que ele ficasse furioso e insistisse que Kate fosse levada para Waverly,
ou que ele fosse compreensivo e a deixasse ficar.
Seria mais fácil de todo modo se ele ficasse furioso e enviasse
Kate para longe. Pelo menos ela não teria que sofrer a culpa por
mandá-la embora. No entanto, ela não gostara quando Ross ficara
zangado com ela e não queria que ele tornasse a ficar. Mas, se ele
deixasse Kate ficar, Annabel estaria presa a ela, especialmente se ela
não conseguisse escrever para a mãe.
— Eu vou ter que pensar sobre isso... E conversar com Ross. —
acrescentou, virando-se para a porta.
— Nay. — exclamou Kate, agarrando-lhe o braço. — Você tem
que prometer. Eu não a terei escrevendo para eles.
— Eu prometo que irei lhe dizer antes de enviar uma carta, se eu
a escrever, mas isso é o melhor que posso oferecer no momento. —
Annabel disse firmemente, libertando braço e saindo do quarto antes
que Kate pudesse agarrá-la novamente. Puxando a porta para fecha-
la, ela correu pelo corredor até sua própria câmara, com a certeza de
que a cada passo, Kate a perseguiria. Quando chegou ao quarto
principal e conseguiu escorregar para dentro, Annabel se encostou na
porta com alívio e fechou os olhos por um momento.
Seus olhos abriram um batimento cardíaco mais tarde, ainda
embaralhando sons, então Annabel olhou fixamente com
consternação, quando viu seu marido virando-se da janela para
encará-la. Maldição. Ela pensou cansada, parecia que ela agora daria
aquelas explicações que tinha prometido a Ross.

~ 288 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

Ah, bem. Pensou Annabel, afastando-se da porta. É melhor fazê-


lo. Pelo menos, então, ela não teria que se preocupar com como ele
reagiria à notícia de que ela era uma ex-noviça destreinada, assim
como a presença de sua irmã na sua casa.

ROSS OLHOU ANNABEL afastar-se da porta e caminhar


calmamente para as cadeiras junto ao fogo. Quando ela se sentou em
uma e olhou para ele com expectativa, ele deixou sua posição junto à
janela para se juntar a ela. Ele mal tinha se recostado na cadeira
antes de ela explodir suas explicações.
— Fui enviada para a abadia aos sete de idade e fui criada lá. Fui
treinada para tomar o véu. Eu iluminei textos e trabalhei nos
estábulos até a manhã em que minha mãe chegou para me buscar. Eu
ainda não tinha tomado o véu, então ela me levou da abadia para
Waverly, onde eu me casei com você. Eu não tenho nenhum
treinamento para operar um castelo e um grupo de servos. Estou
fazendo o melhor que posso, mas sem dúvida cometerei erros e, por
favor, diga algo, porque continuarei a balbuciar até que você o faça e
eu...
— Respire. — Ross a interrompeu calmamente.
Annabel fez uma pausa e olhou para as mãos no seu colo
enquanto respirava fundo.
Ross a considerou em silêncio, suas palavras escorregando por
sua mente. Na verdade, saber disso explicava algumas coisas. Seu
desconforto em torno de seus homens, no início, algo que ela ainda
sofria quando na presença de homens, que não tinha conhecido

~ 289 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

anteriormente. Sua aceitação paciente de seu comportamento, às


vezes, menos que considerado, como...
Fazendo uma pausa, franziu a testa e perguntou: — Se você
morava na abadia desde que era criança, seu guarda-roupa...
— Eu não tinha nenhum. — Annabel o interrompeu para
confessar. — Eu não tive a chance de fazer as malas quando minha
mãe me pegou da abadia, então eu só tinha o vestido que eu estava
usando e o que eles alteraram para me encaixar para o casamento e
depois vestir aqui. Você me fez nenhum desserviço por não me dar
tempo para embalar. Não havia nada para arrumar.
Ross acenou com a cabeça. Isso o fez sentir um pouco melhor.
Ele se sentira culpado em várias ocasiões sobre esse negócio. Cada vez
que ele encontrava sua esposa e Seonag costurando diligentemente,
por exemplo, e no dia que Giorsal os tinha visitado com seu marido e
as mulheres tinham sido forçadas a permanecer no andar de cima
cosendo porque Annabel não tinha nada para vestir. Ele aliviou sua
consciência um pouco ao saber que ele não era inteiramente culpado
por isso. Estava contente.
— Agora explique como sua irmã veio morar no quarto junto ao
nosso — disse e Annabel franziu o cenho.
— É somente isso? — Ela perguntou incerta. — Você não vai me
castigar por não ter sido informado sobre minha falta de treinamento e
experiência? Você não vai exigir que o casamento seja anulado porque
você foi enganado ao com casar alguém tão inepta?
Ross levantou as sobrancelhas com surpresa e então deu de
ombros. — Você é uma moça esperta, esposa. Você irá aprender.
Annabel pareceu um tanto atordoada por sua resposta e se
recostou, por um momento, para simplesmente olhá-lo como se o visse

~ 290 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

pela primeira vez. Ele a deixou fugir por um momento e então a


lembrou: — Sua irmã?
— Oh. — Annabel deixou a sua respiração sair em um suspiro
cansado. — Ela apareceu aqui ontem, enquanto você estava dormindo.
Aparentemente, Grant, seu garoto do estábulo, não estava preparado
para ela ser assim... Er...
— Mimada? — Ele sugeriu secamente.
— Aye. Ela é mimada. — Annabel admitiu com uma careta de
desculpas.
— E exigente.
— Aye, isso também. — Ela concordou infeliz.
— E uma cadela.
Annabel engasgou com a palavra, mas Ross encolheu os ombros.
— Não adianta fingir que não é uma cadela. Ela ordenou que você
punisse Seonag e, então, tentou o seu pior para machucá-la, te
colocando para baixo com seus comentários sobre o vestido ser tão
grande e essas coisas.
— Eu não acho que ela quis me machucar exatamente. — Disse
Annabel sem muita convicção. — Para ela, é apenas um fato de que é
mais bonita do que eu... E mais magra.
Ross franziu o cenho ante seu tom de voz desanimado e o modo
como ela se afundara em seu assento como se tentasse fazer-se
parecer menor. Sentando para frente, disse: — Em primeiro lugar, ela
não é mais bonita do que você. Seus olhos são um marrom de lama e
não como os seus que têm o azul bonito da Cerceta10. Seu cabelo é
uma cor de ouro agradável, mas é liso e apenas cobre sua cabeça
como palha, enquanto o seu é da cor da meia-noite e flui em ondas
10Cerceta é o nome de uma ave migratória. É considerada a menor espécie de pato da Europa. Ela
tem nas penas, na região dos olhos, um lindo tom de azul

~ 291 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

sobre sua cabeça moldando seu belo rosto lindamente. E os lábios


dela são pequenos e finos. Não como os seus, que são grandes e
deliciosos, o suficiente, para dar a um homem ideias que transformam
seu equipamento numa espada em busca de uma bainha.
Seus olhos se arregalaram incredulamente e Ross sacudiu a
cabeça.
— Esposa, você já deve ter percebido que eu te acho bela, e amo
seu corpo. Eu deito contigo em cada oportunidade.
Annabel ficou ruborizada.
Satisfeito que tivesse deixado claro que ela não tinha nada a
temer quando se tratava de sua aparência, Ross se recostou e
acrescentou: — Além disso, mesmo que ela tivesse tido a sorte de
nascer fisicamente mais atraente do que você, ela não é uma pessoa
agradável, ao que, combinada com sua atuação como uma meretriz, já
contaria suficientemente ruim.
— Meretriz? — Annabel ecoou, sentindo como se ela devesse
defender sua irmã... Quer ela quisesse ou não. — Isso parece um
pouco duro, marido. Ela simplesmente se apaixonou pelo homem
errado e fugiu ao invés de se casar com quem ela deveria de fato.
Ross levantou as sobrancelhas. — Então você não viu nada de
errado com o jeito como ela estava se aproximando de mim,
balançando seus seios em meu rosto, e apalpando o meu corpo ali na
frente de todos? E eu sendo seu marido. — Ele balançou a cabeça com
desgosto com a memória.
— Ah. — Annabel franziu o cenho. — Então senhoras não agem
assim?
Ross sentiu suas sobrancelhas voarem pela testa, mas depois
perguntou com preocupação: — Certamente, você está brincando?

~ 292 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

Annabel mordeu o lábio, mas admitiu: — Kate insistiu que ela


não estava flertando com você, que ela estava apenas sendo gentil
porque você era meu marido, e que eu devia estar com ciúmes. Então
eu comecei a me perguntar... — Ela hesitou e então deu de ombros,
impotente e apontou: — Eu cresci em uma abadia, marido. Eu não sei
qual é o comportamento apropriado fora das paredes da abadia.
Talvez, suas atenções coquetes, fossem como as mulheres interagem
com homens.
— Atenções coquetes? — ele ecoou com espanto. — É isso que
você chama ela deslizar sua mão sob minha plaid tentando me medir a
masculinidade?
— O quê? — Ela ofegou com algum espanto dela própria.
Ross assentiu sombriamente. Ele quase bateu o punho na cabeça
da garota quando ela tentou isso. Felizmente, Fingal a tinha distraído
com seus comentários menos do que elogiosos e então Annabel a tinha
arrastado de lá.
— Eu só a vi roçar em seu braço. — ela murmurou com
desagrado e ele lembrou que ela estava atrás da garota e a vários pés
de distância. Ele não tinha dúvida de que não tinha percebido o que
Kate estava fazendo sob a cobertura da mesa. Isso era um alívio,
porque ele se perguntara por que diabos ela não dera um tapa na
garota tola.
— Quais são os seus planos para ela? — Ross perguntou
finalmente. Por muito que não gostasse de Kate, era a irmã de Annabel
e, se esta desejasse que ela ficasse com eles por algum tempo, tentaria
ser tolerante. Embora, francamente, ele quisesse atirar a moça
sorrateira para fora de sua casa e nunca deixá-la voltar. Não porque
tivesse tentado senti-lo debaixo da mesa — isso o tinha aborrecido —,

~ 293 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

mas o que realmente o enfurecera fora o modo como tratara Annabel.


Ela a tinha machucado várias vezes em apenas uma questão de
minutos e ele não toleraria isso. Ninguém ia machucar Annabel... E se
Kate chamasse Annabel, Belly , mais uma vez...
— Vou escrever para meus pais — Annabel anunciou,
interrompendo seus pensamentos e Ross sentiu seu coração afundar.
Eles estariam presos com ela por um tempo então, enquanto a carta
viajava rumo sul rumo a Inglaterra e, em seguida, mais tempo ainda
enquanto a resposta viajava de volta. Maldição, ele teria sorte se não
matasse a mulher antes dela ir embora.

~ 294 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

Capítulo 15

Annabel acordou lentamente, despertada pelo vigia soprando sua


corneta. Deslocando-se sonolenta, ela rolou em direção a Ross para
ver se o som o despertara, apenas para descobrir que a cama, ao lado
dela, estava vazia. Ele partira cedo... Novamente. Ross vinha se
levantando e saindo da fortaleza bem antes do clarim da manhã, todos
os dias, durante a última semana. O homem trabalhava muito duro.
Uma batida soou na porta, Annabel suspirou e sentou-se,
puxando as roupas de cama e as peles para seu queixo, enquando
falava — Entre.
Não foi uma grande surpresa quando Seonag entrou com um
jarro de água morna em uma mão e sabão e linho na outra.
— O Laird já foi embora? — Seonag comentou secamente
enquanto levava a jarra para a pequena mesa contra a parede externa
onde Annabel realizava suas abluções matutinas.
— Aye. — ela murmurou, empurrando a roupa de cama e as
peles de lado para sentar-se ao lado da cama enquanto a mulher
derramava a água fumegante na bacia. — Ele partiu cedo para ir até
MacDonald. Havia algo que ele desejava discutir com Giorsal e Bean.
— Você quer dizer que ele partiu cedo da fortaleza para evitar sua
irmã, quando ela descer para o desjejum — disse ironicamente
Seonag.

~ 295 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

— Isso também — murmurou Annabel, infeliz. Ela entendia o seu


desejo de evitar Kate. Ela agora era muito desagradável de estar por
perto e tinha sido assim desde que Annabel a tinha confrontado com o
que Ross havia lhe contado, sobre ela deslizando a mão sob o seu
plaid. Tinha sido óbvio pela expressão de Kate que ela não esperara
que ele contasse. Annabel supôs que sua irmã se julgava tão
irresistível, que ele guardaria isso para si e simplesmente arranjaria
algum encontro amoroso com ela. Annabel estava muito feliz que ele
não o tivesse feito.
Quando confrontada, primeiro Kate tentou afirmar que ela estava
apenas testando Ross, tentando garantir que ele seria um marido fiel e
que não poderia ser seduzido se dissipando por um rosto bonito. Mas
quando Annabel não acreditou nisso, ela tinha ficado desagradável...
Com todos. Seu único objetivo agora parecia ser em tornar a vida de
todos tão miserável quanto possível.
Annabel não podia culpar Ross por querer evitar isso. Mas ela
sentia falta de abraçá-lo pela manhã antes de começar o dia e de
conversar com ele à mesa.
— M'Lady?
Annabel olhou questionando para Seonag. A criada tinha
terminado de encher sua bacia e tinha se dirigido para o baú em que
guardava todos os vestidos que tinham remendado. Tinham terminado
o último na tarde anterior e ambas haviam ficado muito aliviadas por
estarem livres da tarefa. Agora, Seonag estava olhando para o baú
aberto, com confusão.
— O que foi Seonag? — Annabel perguntou com a testa franzida.
— Para onde você mudou seus vestidos?

~ 296 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

Annabel levantou as sobrancelhas, surpresa com a pergunta. —


Lugar algum. Eles deveriam estar aí.
— Bem, não estão. — a mulher assegurou-lhe, vexação cobrindo
seu rosto.
Annabel correu ao seu lado para olhar para o baú vazio.
Perplexidade foi sua primeira reação. — Mas eles estavam todos aí
antes da ceia noite passada, quando eu vesti o vestido de cor creme.
— Bem, não estão mais. — Seonag apontou severamente.
— Sim. Posso ver isso — murmurou Annabel, esfregando a testa.
— Eu simplesmente não vejo para onde eles poderiam ter ido, ou quem
teria mudado... — Pausando abruptamente, ela olhou para Seonag e
as duas mulheres disseram juntas: — Kate.
Annabel amaldiçoou e se dirigiu para a porta, a fúria dando asas
de seus pés e fazendo-a ignorar quando Seonag gritou: — Espere!
Ela puxou a porta do quarto de dormir com um estrondo e correu
para a porta ao lado, ao longo do corredor, alcançando-a apenas
quando Seonag a apanhou e jogou um lençol em torno de seus
ombros. Foi só então que Annabel percebeu que ela havia saído do
quarto, despida. Normalmente, ela teria ficado envergonhada. Naquele
momento, no entanto, ela não se importava. Ela apenas puxou o lençol
ao redor dela, segurou-o debaixo do queixo com uma mão, e empurrou
a porta do quarto de Kate com a outra.
— Ora irmã, você não me parece arrumada. — Kate disse com
uma meia risada.
Annabel afastou o olhar da cama, para onde ela instintivamente
olhara, e olhou para a cadeira junto ao fogo de onde a voz de sua irmã
tinha vindo. Kate estava ali escondida, um arco-íris de pedaços de

~ 297 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

tecido jogados ao chão, ao redor da cadeira, enquanto ela cortava o


vestido azul escuro de Annabel.
— Na verdade, estou feliz que você esteja aqui. — Kate continuou
indolente. — Eu poderia usar de alguma ajuda sua para coser estas,
agora que eu fiz todo o trabalho duro de cortá-los para o meu
tamanho.
Annabel simplesmente olhou para ela por um momento, e então
seu olhar se moveu para os panos no chão e disse sufocada: — Meus
vestidos.
— O quê? — Kate perguntou, e então deu uma risada. – Nay.
Claro que não. Eu peguei esses do baú em seu quarto. Era óbvio que
eram trapos velhos, de segunda mão. Então eu sabia que você não se
importaria que eu os cortasse para mim. Eu estava ficando tão
cansada dos dois que você me emprestou para vestir.
Annabel cerrou os punhos e virou um olhar cheio de fúria em sua
irmã. Ela queria matá-la naquele momento. Ela queria arrastá-la para
fora da cadeira por seus cabelos e torcer seu pescoço magricela e...
— Está tudo bem. — Seonag disse rapidamente, correndo para
frente para começar a coletar os pedaços de pano do chão. — Nós
podemos costurá-los de volta nos vestidos e corrigi-los. Ninguém vai
perceber que eles foram separados. Eu posso...
— Oh, essas não são as partes que eu cortei. — Kate disse. —
Esses são o que restou para fazer meus vestidos. Eu joguei os painéis
extras no fogo quando eu cortei cada um fora. Embora — acrescentou
pensativa — acho que foi bobagem. Eu poderia ter feito pelo menos
outro vestido dos trapos que eu removi de cada vestido, desde que
eram assim, imensos. Oh bem. — Ela deu de ombros, e então levantou
as sobrancelhas. — Você não vai se sentar e me ajudar?

~ 298 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

— Ajudar você? — Annabel sibilou com descrença.


— Sim. Afinal, é aparentemente sua culpa que o comerciante de
pano não virá ao castelo. Caso contrário, eu poderia ter feito você
comprar um pano novo para que eu fizesse o meu guarda-roupa, em
vez de ter que me contentar com os descartes de vestidos de uma
mulher morta.
— Para fazer o seu guarda-roupa? — Annabel perguntou,
espantada com seu fel.
— Bem, você não espera que eu tenha que me contentar com
apenas um ou dois vestidos, não é? — Ela perguntou como se a
resposta fosse obviamente um não.
— Não espero te vestir com um guarda-roupa — grunhiu
Annabel, seu temperamento transbordando... Um temperamento que
ela nunca tinha percebido que tinha. Se ela não estivesse tão furiosa,
Annabel ficaria chocada com a raiva que a atravessava enquanto
caminhava em direção a sua irmã.
— Bem, é claro que você deve esperar me fazer um guarda-roupa.
Você é minha irmã e esta é a minha casa agora. Eu espero...
— Esta não é sua casa. Você é uma convidada, Kate —
interrompeu Annabel furiosamente. — E uma muito desagradável.
Talvez se tivesse tentado agir como uma irmã adequada, eu teria
gostado de recebê-la aqui, mas como você é, eu não quero nem vê-la,
muito menos hospedá-la e vesti-la. — Sua boca apertou e ela
acrescentou sombriamente. — Eu tenho esperado ouvir um retorno de
mamãe, de sua boa vontade de levá-la de volta, embora eu não esteja
disposta a esperar mais, e eu não me importo se ela quer levá-la ou
não. Ela terá que recebê-la. Assim que Ross voltar, vou pedir-lhe que
providencie o seu regresso a Waverly. A senhora sua mãe é aquela que

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Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

a criou para ser uma pirralha tão egoísta, mimada e rancorosa, e


agora ela pode viver com o que ela criou. Terminei.
Os olhos de Kate se arregalaram e seu rosto se desfez. — Como
você pode dizer isso para mim depois de tudo que eu sofri! — Ela disse
através de uma súbita tempestade de lágrimas.
— Porque é a verdade. — Respondeu Annabel com frieza,
impassível desta vez com as suas lágrimas. — Você expulsou meu
marido de sua casa, aterrorizou os servos e não fez mais nada além de
me atormentar. E agora... Agora você ultrapassou os limites e cortou
cada vestido que eu tenho, restando apenas um.
— Cada vestido que você possui? — Kate perguntou com espanto
e imediatamente sacudiu a cabeça. — Nay. Estes eram vestidos de
segunda mão...
— No meu baú, em meu quarto — Annabel interrompeu, ficando
furiosa de novo. — Você não tinha nenhum negócio lá! E suplico, não
tente me dizer que não sabia que, enquanto eram vestidos de segunda
mão, era tudo o que eu tinha para vestir.
— Certo, eu sabia que eram seus vestidos. — Kate estalou. —
Mas só os destruí para que seu marido fosse forçado a lhe comprar um
novo material para um guarda-roupa apropriado, como convém a
uma Lady.
— Oh, por favor. — Disse Annabel secamente. — Você é a
criatura mais egoísta da Escócia e da Inglaterra combinadas. É mais
crível que você fez isso para garantir que eu compraria tecido novo e
que você poderia obter material novo para um guarda-roupa próprio.
Além disso, você já disse que o mercador não virá aqui, então você
sabe que não é... — Annabel parou abruptamente, levantando a

~ 300 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

cabeça. — O mercador de tecidos não virá aqui? Por que o mercador


de tecidos não virá aqui?
Ela se virou para Seonag em questão, mas Kate respondeu.
— Porque o seu cão atacou o mercador de especiarias e...
— Jasper não atacou o mercador. — Annabel estalou em defesa
do cão.
— Estou apenas dizendo a você o que me disseram. — Kate disse
com um encolher de ombros. — Seja como for, aparentemente, o
mercador saiu daqui ontem de manhã. Ele estava bradando sobre ser
despejado em um quarto e deixado para morrer de fome, e que ele iria
vê-la arrependida por isso. Iria ficar na pousada da aldeia até que sua
ferida cicatrizasse, e então ele diria a todos os outros mercadores que
não viessem aqui se prezassem suas peles.
Annabel olhou para Kate, observando distraidamente, o que ela
tinha certeza de que era, alegria nos olhos de sua irmã quando revelou
essa informação. Era como se estivesse desfrutando de seu infortúnio.
Mas Annabel não podia se preocupar com isso agora. Sua mente
estava ocupada com a enormidade do que acabara de saber. Não mais
especiarias, não mais panos, não mais bugigangas ou panelas.
A maior parte do que eles precisavam para sobreviver poderia ser
produzido aqui em MacKay. Eles não ficariam com fome. Eles
contavam com os mercadores para os itens que não podiam produzir
ou fazer por si mesmos, como sedas e especiarias da Ásia, peles da
Rússia, sal e vinho da França, pano e tapeçarias de Flandres, e assim
por diante. Eram luxos realmente. E não necessários, realmente, mas
tendo uma vez utilizado esses luxos... Annabel não podia imaginar
meses ou anos sem ser capaz de comprar especiarias para ajudar
Angus nos seus esforços. Isso seria horrível.

~ 301 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

Ela se virou para Seonag com consternação. "Isso é verdade?"


Seonag olhou parecendo perdida por um minuto e depois
balançou a cabeça e admitiu infeliz. — Me desculpe m’Lady. Eu... —
Ela deixou escapar um suspiro e admitiu: — Depois do último ataque
e da chegada de sua irmã, eu... Ela fez uma careta e confessou: —
Simplesmente me esqueci do homem.
Kate resfolegou e arqueou as sobrancelhas para Annabel, como
se dissesse: — Você vai deixá-la escapar com isso? — Annabel a
ignorou. Ela deixaria Seonag sair com essa, porque também tinha
esquecido o homem. Como poderia ela punir Seonag por algo que ela
também tinha feito?
Annabel virou-se abruptamente e saiu da sala, sem se importar
se o lençol que ela usava se erguia ao seu redor como uma capa. Sua
mente estava correndo. — O que ela deveria fazer? Ela não podia
permitir que MacKay fosse banida pelos mercadores. Meu Deus. Ross
ficaria tão desapontado com ela.
— Vou ajudá-la a matar sua irmã. — Anunciou Seonag,
seguindo-a até o quarto principal e fechando a porta.
As palavras a fizeram parar e piscar. Realmente levou, Annabel,
um momento para entender de quem a criada estava falando, o que
era surpreendente, já que momentos atrás ela teria gostado de sufocar
a vida de sua irmã mais velha. Na verdade, Kate tinha dado a Annabel,
involuntariamente, tudo o que ela não sabia que desejava com aquele
ato de fugir com seu amante. No entanto, agora, ela parecia
empenhada em arruinar e destruir tudo o que Annabel ganhara.
No entanto, a notícia sobre o mercador tinha levado, da sua
mente, as suas preocupações sobre Kate. A verdade era que só
precisava suportar sua irmã até que ela se cansasse de seus absurdos

~ 302 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

e sua consciência pudesse suportar a chutá-la e enviá-la para outro


lugar. Tivesse Kate tentado, um pouco, ser uma boa pessoa... Só um
pouco. Se ela fosse um pouco menos egoísta, um pouco menos
desagradável. . . Bem, Annabel a teria tolerado e lhe teria dado um lar
para a vida. Mas Kate era uma estranha que parecia gostar de tocar e
se esfregar em seu marido, abusar dos servos e atormentar Annabel. A
voz de sua consciência estava rapidamente desmaiando em seus
ouvidos. Até o ponto em que, sufocar a vida de sua irmã com suas
mãos nuas e ser arrastada para o inferno pela abadessa, estava
começando a parecer atraente.
— Vamos contar a todos que o cavalariço voltou para ela e
enterrar seu corpo no jardim de ervas de Angus. — prosseguiu Seonag,
depois franziu os lábios e disse: — Ele poderá até ajudar com a tarefa.
Ela se queixou e insultou sua cozinha a tal ponto, que ele está pronto
para usar um cutelo nela de qualquer maneira...
— Seonag — disse Annabel, cansada. — Kate é a menor de
nossas preocupações agora.
A criada arregalou os olhos. — Está maluca? Ela arruinou seus
vestidos, está tirando o Laird de sua cama matrimonial, e...
— Sim, mas Kate vai embora assim que nossa mãe concordar em
recebê-la. Mas...
— Bem, e certamente ela está tomando seu tempo sobre isso. —
Seonag interrompeu com desgosto. — Sua mãe, provavelmente, não
quer mais saber dela, tal como nós, e não vai simplesmente responder
para dizer isso.
Annabel sentiu que seu coração se abalava com a sugestão, mas
simplesmente disse: — A questão é que Kate é um problema
temporário, enquanto que se perdemos os mercadores, eles podem ir

~ 303 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

embora por anos, até décadas. E então, quando voltarem, cobrarão


preços ainda mais exorbitantes do que já fazem, porque saberão que
estaremos desesperados.
— Aye, mas e se sua mãe não concordar em receber Kate? —
perguntou Seonag, aparentemente mais preocupada com isso do que
qualquer outra coisa.
Annabel esfregou a testa com frustração e depois sacudiu a
cabeça, e provocou: — Bem, então você pode se oferecer para ajudar a
matá-la novamente e, então, eu posso aceitar.
— Certo. — Seonag relaxou, com uma boa dose de sua raiva
escapando. Com uma expressão solene, ela perguntou: — O que
faremos com o mercador?
— Vou ter que descer até a estalagem e suborná-lo — disse
Annabel, sombriamente.
— Suborná-lo com o que? — Seonag perguntou com
preocupação.
— O que um mercador mais gosta? — Ela perguntou secamente,
e respondeu: — Dinheiro.
Seonag franziu o cenho. — O Laird permitirá isso?
— Meu marido me deu as chaves de castelã e as rédeas livres
para fazer o que eu achasse conveniente — murmurou Annabel,
lembrando-se de quando o tinha feito e agradecendo a Deus por isso.
— Ele também me deu as moedas que faziam parte do meu dote e
disse para usá-las para comprar um novo guarda-roupa . E ele me deu
a liberdade de assistir à Kate como eu achasse melhor. Vou usar parte
disso para subornar o mercador, se necessário.
Seonag assentiu, relaxando um pouco, mas não completamente,
e então ela disse pensativamente: — Então tudo o que precisamos nos

~ 304 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

preocupar é passar por Gilly e Marach e sair do castelo para que você
possa descer até a aldeia. Eles ainda estão sob as ordens de não deixa-
la sair da fortaleza.
— Aye. — Annabel disse com uma careta. Os homens a tinham
seguido de novo desde que Ross recuperara consciência. Não que eles
não a tivessem seguido enquanto ele estava inconsciente, mas então
ela, pelo menos, conseguia ordená-los a ir embora quando se
tornavam incômodos demais. Agora, viraram sua sombra.
— Eu posso te ajudar com isso. — Kate anunciou e ambas as
mulheres se voltaram para espiar a garota que estava parada na porta
aberta do quarto de dormir.
Annabel quase gritou com ela por entrar sem bater, mas em vez
disso franziu o cenho e disse: — Estou surpreso por Gilly e Marach
terem deixado você entrar sem bater. São bons guardas.
— Eles não estão no corredor — disse Kate, fechando a porta.
As sobrancelhas de Annabel levantaram-se diante desta notícia.
— Eu quero saber o por que. Eles estão sempre esperando no salão de
manhã.
— Ah!... Bem... — disse Seonag, estremecendo ligeiramente. —
Eles estavam no caminho até aqui quando você foi para o quarto de
sua irmã. Mas eles tiveram um vislumbre de você correndo nua pelo
corredor e aí viraram nos calcanhares e voltaram para as mesas de
cavalete abaixo. — Ela inclinou a cabeça, considerando brevemente, e
então disse: — Eu estou pensando que o Laird pode ter tido uma
conversa com eles, sobre o que ele quer e não quer que eles façam,
depois desse negócio de quando eles pensaram que deveriam
acompanhá-la aqui dentro em seu banho.

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Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

Annabel supôs que fosse possível, mas simplesmente se voltou


para Kate, disposta a ouvir o que tinha a dizer, mas ainda com raiva
suficiente para não esperar muito da garota.
— Primeiro, eu gostaria de dizer que sinto muito, Annabel.
Isso fez com que Annabel levantasse as sobrancelhas. Não pelas
palavras, mas pelo tom solene da voz de Kate. Ela não estava
choramingando ou tentando lágrimas; Ela parecia séria e sincera
enquanto continuava: — Tenho medo de ter me comportado mal por
ciúme.
— Ciúmes do quê? — Annabel perguntou surpresa.
Kate virou os olhos para a pergunta. — O que você acha Bel... —
Ela cortou-se antes de terminar o apelido antigo, o que seria uma
primeira vez. Suspirando, respirou fundo e disse: — Eu segui meu
coração e fugi com Grant, e tudo desmoronou. Eu não pensei nisso,
obviamente. Eu pensei... Ela suspirou. — Não importa o que eu
pensei. O resultado final é que eu sou agora uma mulher arruinada
que fugiu com alguém que estava abaixo dela socialmente, e depois foi
jogada de lado como um lixo. Eu estou sem-teto, sem marido,
dependente de sua caridade e um objeto de riso ou considerada tola
pela a maioria das pessoas.
Kate parou brevemente, talvez esperando Annabel assegurasse
que não era verdade, mas Annabel manteve a língua e esperou para
ouvir o que mais ela tinha a dizer.
— E, enquanto isso, você se casou com o homem que eu
supostamente me casaria e tem a vida que eu deveria ter se eu não
tivesse sido tão tola. Você que não tem nenhum treinamento em gerir
um castelo, está gerindo este. Você que não têm ideia de como
governar servos, está fazendo isso e de tal maneira que os servos a

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Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

adoram. Você tem uma casa, riqueza, um marido e pessoas que amam
você. — Apertou a sua boca e ela balançou a cabeça. — Você tem tudo
o que eu queria, e a pior parte é que você só tem isso porque eu
tolamente joguei tudo fora.
Ela balançou a cabeça. — Estou com raiva e tenho agido mal por
causa disso. — Ela admitiu. — Mas eu tenho tirado isso de você
quando a verdade é que estou zangada comigo mesma por minha
própria tolice. — Kate fez uma pausa, respirou fundo e disse: — Sinto
muito por isso e espero que algum dia me perdoe.
Annabel ficou em silêncio por um momento, sem saber como
responder. Ela queria acreditar que sua irmã tinha percebido o erro de
seu caminho e se comportaria diferente agora, mas levaria algum
tempo para confiar nisso. Seria bom se fosse verdade, no entanto.
Então, talvez elas pudessem ter um relacionamento real. Ela gostaria
de ter uma irmã de novo, mas era difícil acreditar que o egoísmo e
traço desagradável que Kate exibira fosse tão facilmente mudado.
Finalmente, ela simplesmente disse: — Eu também espero.
— Qual é a sua ideia para que minha Lady vá até a aldeia? —
Seonag perguntou quando as duas irmãs continuaram a olhar uma
para a outra.
Kate olhou para a criada, o ressentimento piscando brevemente
em seu rosto pela ousadia desta em perguntar, e então a expressão se
foi, e ela disse: — Você deve dizer Gilly e Marach que eles podem muito
bem relaxar na mesa porque teremos um bom momento de costura
para reparar os vestidos que cortei e, então, você enviará aquele baú.
— Kate apontou para aquele em que os vestidos de Annabel haviam
ficado guardados antes que ela os tivesse levado. — Para baixo e para
Effie na aldeia, alegando que os vestidos estavam em tal forma ruins

~ 307 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

que você não pensou que estariam, mas agora reconsiderou e quer sua
opinião.
— Effie trabalha aqui na fortaleza agora. — Seonag apontou com
uma carranca.
— Ela não veio esta manhã. — Kate respondeu prontamente. — A
criada que me atendeu disse que estava se sentindo mal.
— Ela pegou um mau clima ontem. — Annabel explicou quando
Seonag parecia descontente. — Eu disse a ela que se não se sentisse
melhor hoje para ficar em casa e se recuperar. Acho que ela não se
sentiu melhor.
— Oh. — Seonag assentiu.
Annabel virou-se para Kate e disse: — Não vejo como isso vai me
tirar do castelo.
— Porque você estará no baú. — Kate respondeu simplesmente.
— Ah, nay. — Protestou Seonag.
— Aye. — Insistiu Kate. — É perfeito. Você e eu ficaremos aqui e
cobriremos a ausência dela, falando, rindo e dizendo o nome dela
como se ela estivesse aqui. Enquanto isso, teremos servos levando o
baú para baixo e colocando-o em uma charrete, em seguida,
entregando-o na aldeia e levando-o para casa de Effie. Uma vez que
eles saírem, Effie o abrirá e Annabel poderá caminhar até a estalagem
para conversar com o mercador. — Não é longe — assinalou.
— Nada está longe da aldeia — disse secamente Seonag. — Mas
como ela voltaria ao castelo?
— Ela pode pedir a esta pessoa, Fingal ou alguém para trazê-la
de volta. — Kate disse com despreocupação. — Tenho certeza que ele
ficaria feliz. Então ele poderia obter outra refeição livre enquanto
estivesse aqui.

~ 308 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

Annabel olhou para a irmã em silêncio. Aparentemente, seu


esforço para mudar seus caminhos não incluia não insultar as
pessoas.
— Eu não concordo. — Seonag disse com uma careta.
— Você não precisa. — Kate respondeu agudamente e olhou para
Annabel, as sobrancelhas erguidas. — O que você acha?
— Acho que pode funcionar. — Admitiu Annabel em voz baixa. —
Certamente, não consigo pensar em nada melhor.
— Bom. — Kate sorriu, de repente, parecendo feliz, jovem e
relaxada. — Então é melhor você entrar no baú enquanto Seonag vai e
pega alguns servos para levá-la até a aldeia.
Enquanto Seonag se dirigia para a porta, Kate acrescentou: —
Certifique-se de dizer a Gilly e Marach que vamos costurar para que
eles possam relaxar se quiserem, e que você está apenas buscando
alguns criados para enviar um baú de vestidos que precisam de
reparao para Effie. Para ela trabalhar enquanto está em casa.
— Eu sei o que dizer. — Seonag assegurou-a seriamente quando
abriu a porta.
— Hmmm. — Kate caminhou até a arca e abriu. — Entre, irmã. É
melhor nos certificarmos de que caberá nele antes que os criados
venham retirá-la.
Annabel quase esperava que ela não coubesse e, assim, elas
teriam de inventar outra coisa. A ideia de ser espremida em uma arca
sem ar enquanto batia ao longo, na parte de trás de um vagão não era
muito atraente. — Mas seria apenas uma curta viagem até a aldeia. —
Annabel se assegurou um momento depois, enquanto ela se enroscava
dentro do grande baú e Kate fechou a tampa. Deus, ela esperava que
fosse um passeio curto. Ela nunca tinha tido problema com espaços

~ 309 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

pequenos, mas isso era outra coisa. Ela estava tão apertada que mal
conseguia recuperar o fôlego, e ficou aliviada quando Kate
imediatamente abriu o baú novamente e ela pode sentar-se.
— Vou vigiar a porta pelo regresso de Seonag, para ter certeza de
que teremos algum aviso e os criados não entrem e a vejam no baú —
disse Kate, caminhando até a porta.
— Obrigada. — Murmurou Annabel, depois saiu e se apressou
para o pequeno baú no canto do quarto do outro lado da cama. Era
onde Ross guardava jóias e moedas, e onde residia o saco de moedas
que seu pai havia entregado em seu casamento. Seu dote, que
originalmente tinha a intenção de ser o dote de Kate, estava no topo.
Annabel abriu-o com a intenção de tomar apenas uma porção para
usar para subornar o comerciante, mas Kate disse de repente: — Eles
estão vindo. Dois homens grandes estão com Seonag. Depressa. De
volta ao baú.
Levando o saco com ela, Annabel o fechou e correu para o baú e
enrolando-se dentro de novo. Kate imediatamente se apressou em
fechar a tampa sobre ela.
Annabel então esperou... E esperou. Tudo o que ela podia pensar
era que o tempo passa muito devagar quando você está desconfortável,
porque parecia que era para sempre antes que ela ouvisse o murmúrio
de vozes. Ela ouviu a voz de Seonag primeiro e depois a de Kate. Um
momento depois, vozes masculinas se juntaram a elas e Annabel
respirou fundo, quando a arca em que ela estava foi de repente
erguida e sacudida.
Annabel soube exatamente quando eles chegaram às escadas,
pois de repente encontrou sua cabeça inclinada para baixo e seu corpo
deslizando em direção a ela, esmagando a cabeça contra o painel da

~ 310 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

arca. Maldição, isso tinha doído, ela pensou quando a arca se


estabilizou novamente. Um momento depois, decidiu que a dor não
tinha sido nada comparada a ser jogada sobre o que ela presumiu era
a parte de trás de uma charrete. Seu corpo inteiro estava abalado e
sacudido, e Annabel teve que enfiar a bolsinha de moedas na boca
para não gritar.
O passeio até a aldeia foi muito fácil em comparação. Estava
desconfortável e parecia durar muito tempo, mas pelo menos ela não
estava sendo derrubada em sua cabeça ou jogada de cabeça para
baixo. Quando a charrete parou, ela se preparou para o que estava por
vir, mas vários minutos se passaram antes que algo acontecesse.
Depois de um momento, Annabel pensou ter ouvido uma
pancada abafada e o som de vozes masculinas, seguido pela de Effie,
muito mais alta. Claro. Eles tinham batido para ter certeza de que ela
estava em casa e depois explicado o que eles tinham para ela, pensou
Annabel, e então ela foi inclinada em direção a sua cabeça,
novamente, quando o baú foi retirado da charrete. Mas foi apenas por
um momento, desta vez, e então o baú balançou ligeiramente
enquanto ela era levada, para o que ela esperava que fosse, o cottage
de Effie.
Annabel empurrou o saco de moedas em sua boca em preparação
e gemeu baixo em sua garganta quando foi colocada para baixo com
um baque estridente. Ela tirou as moedas da boca novamente e se
esforçou para ouvir o que estava acontecendo. Ela pensou ter ouvido
passos pesados se afastando e uma porta se fechando, mas então
houve silêncio... Um longo silêncio.

~ 311 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

Só então ocorreu a Annabel que Effie talvez não abrisse o baú


imediatamente. E se ela a deixasse lá por horas? A ideia era
insustentável. Annabel mordeu o lábio, mas depois gritou: — Effie?
O silêncio continuou, mas havia uma qualidade diferente desta
vez, uma espécie de sensação de espera.
— Effie, não se assuste, é Lady MacKay. — ela chamou, fazendo
sua voz um pouco mais alta.
— M'Lady? — Ela ouviu, abafada pelo baú, e então um perplexo
— Onde está você?
— Na arca, Effie. Você poderia abri-la, por favor?
— Na... O que diabos você está fazendo aí? — Sua voz ficou mais
alta quando ela se aproximou.
— Explicarei assim que você me deixar sair — prometeu Annabel.
— Claro, apenas me deixe. . . Você tem a chave?
— O quê? — perguntou Annabel, perplexa.
— Para a fechadura da arca. Preciso de uma chave — explicou
Effie e a boca de Annabel teria caído aberta se ela tivesse espaço para
fazê-lo.
— Não há cadeado, Effie. Basta virar o ferrolho para cima da
trava e abri-la.
— Nay. Está trancada — assegurou Effie.
— Kate, sua idiota. — Annabel murmurou com desgosto,
perguntando-se enquanto falava, se isso fora um verdadeiro acidente
ou outra maneira de sua irmã decontar sua raiva sobre ela.
— O que foi isso? — Effie perguntou.
— Nada — murmurou Annabel.
— Oh. — Houve uma pausa e então Effie perguntou. — O que
devo fazer? Devo buscar o ferreiro? Fingal provavelmente poderia... —

~ 312 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

Ela fez uma pausa e disse: — Só um minuto, senhora, alguém está na


porta. Espere aqui, já volto.
Annabel fez uma careta. Havia muito pouco mais que pudesse
fazer além de esperar, pensou com irritação e então ouviu, enquanto
Effie se afastava, seus passos ficando cada vez mais fracos. Um
momento depois, Annabel ouviu o murmúrio de vozes e depois um
ruído surdo quando algo atingiu o chão. Franzindo o cenho, ela se
esforçou para ouvir o que estava acontecendo quando alguém bateu
no baú.
— Como você está irmã? — Uma voz bradou.
— Kate? — Ela disse incerteza.
— Aye.
Annabel suspirou de alívio. Ela deve ter percebido que,
acidentalmente, a tinha trancado e tinha escapado de algum modo
para deixá-la sair. Ouviu o ruído de metal arranhando no metal e,
quando o baú foi aberto, Annabel disse com alívio: — Graças a Deus
que você veio. Eu estava começando a pensar...
Ela parou momentaneamente quando a tampa se levantou de
repente e a luz entrou rapidamente, cegando-a brevemente. Piscando
rapidamente, Annabel esperou que seus olhos se ajustassem, soltou
um pequeno suspiro e começou a sorrir quando conseguiu ver
novamente. Aquele sorriso morreu abruptamente. Sua irmã estava
inclinada sobre o baú, sorrindo brilhantemente, mas era o homem que
estava atrás dela que fez com que Annabel arregalasse os olhos com
horror. Ela o reconheceu imediatamente como o homem que
repetidamente a atacou.
— Belly, conheça meu marido, Grant. — Disse Kate alegremente.
— Grant, conheça minha irmã gorda e feia.

~ 313 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

— Seu marido? — Annabel perguntou a sua voz rachando.


— Aye. Ele não é bonito? — Kate perguntou com um sorriso, e
então ainda sorrindo, disse: — Agora, nós temos que tirá-la daqui sem
gritos ou algo que possa alertar alguém e nos causar problemas,
então... Boa noite, Belly. — Disse Kate docemente e, em seguida,
bateu-lhe sobre a cabeça com algo que Annabel não teve a
oportunidade de ver, mas certamente sentiu. Foi duro o suficiente
para derrubá-la com o único golpe.

~ 314 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

Capítulo 16

— Obrigado por voltarem comigo — disse Ross, enquanto ele,


Bean e Giorsal entravam no pátio. Olhando para a irmã, acrescentou:
— Annabel gosta de você. Vai confiar nos seus conselhos.
— Você está dizendo que ela não confia em você ainda? —
perguntou Bean com curiosidade.
— Não, isso não é o que estou sugerindo. — Ele assegurou. —
Annabel confia em mim, mas neste caso, ela pode pensar que eu sou
apenas um homem sem coração que nada entende sobre irmãs e tal.
Ela não vai pensar o mesmo da Giorsal.
— Mas eu não tenho irmãs e você sim — Giorsal apontou com
uma risada.
— Sim, mas você é uma moça — disse Ross. — E é isso que
Annabel precisa agora para ajudá-la a resolver tudo isso. Outra moça
para conversar... Senão ela deixará sua culpa governá-la e deixará a
todos miseráveis pelo resto de nossos dias.
— Você realmente acha que ela deixaria a irmã ficar para
sempre? — Bean perguntou. — Pelo que você disse, ela é um pesadelo.
— Sim, mas é também sua irmã. — Ross apontou enquanto
reduziam a velocidade ao se aproximar dos estábulos. — E Annabel
tem a vida que se destinava a Kate, ao passo que a vida de Kate

~ 315 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

desmoronou. Eu suspeito que Annabel sinta uma culpa terrível por


isso, e é por isso que ela ainda não mandou a moça embora.
— Nay. — anunciou Giorsal com certeza. — Essa vida nunca foi
para Kate. Ela nunca caberia aqui. Você e Annabel foram feitos para
estarem juntos.
— Eu entendo isso. — Ross assegurou-lhe. — Só temos de
convencer Annabel.
— Não tenha medo, irmão. Vou resolver todos os seus problemas
antes do meio-dia. — Disse Giorsal com um sorriso descarado.
— Espero que sim. — Murmurou Ross, deslizando para fora do
cavalo para guiar a besta aos estábulos e à sua cocheira. Ross estava
com muito medo de que, se Giorsal não conseguisse convencer
Annabel de que não tinha nada para se sentir culpada, e que ela não
precisava ser a guardiã da irmã... Bem, então ele teria de intervir e
despachar Kate contra os desejos de sua esposa. Preferia evitar o
conflito com a esposa, mas seria condenado se permitisse que a
inglesa continuasse a fazer da sua esposa miserável. Se ele não
mandasse a mulher para longe em breve, ele iria encontrar-se a
estrangulando uma noite, quando ela chamasse a sua esposa "Belly"
mais uma vez, ou a fizesse se sentir mal sobre sua figura.
Balançando a cabeça, Ross fechou a porta do estábulo e
conduziu sua irmã e o marido para a torre. De uma forma ou de outra,
ele queria que esse assunto fosse resolvido hoje. Kate não precisava ir
hoje, embora isso fosse adorável, mas queria saber que logo ela iria
embora e não mais seria um incômodo em sua casa.
Deus, ele esquivara-se de uma flecha quando a mulher fugira
com seu garoto do estábulo, pensou Ross, e se ela não estivesse

~ 316 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

fazendo tanto incômodo, ele a agradeceria por isso. Era,


definitivamente, uma bênção que ele tivesse Annabel e não ela.
Gilly e Marach estavam sentados na armação da cabeceira da
mesa quando Ross conduziu Giornal e Bean para dentro da torre. Um
pouco preocupado, ele foi direto para os homens.
— Por que vocês estão sentados aqui? Onde está minha esposa?
— No quarto de dormir com Seonag e a puta inglesa, costurando.
— Respondeu Gilly.
— Não, Kate foi falar com o padre. — Marach lembrou a Gilly, e
então acrescentou para o benefício de Ross. — Ela deve estar de volta
logo.
— Que encantador. — Disse Giorsal, e quando Ross olhou para
ela em questionando, ela sorriu e explicou: — Estou ansiosa para
conhecer a irmã de Annabel.
— Nay. — assegurou Gilly. — Isso não é algo para se desejar. Em
vez disso, você deve agradecer aos deuses que ela não esteja lá em
cima. A mulher é um terror.
— Hmmm. Agora estou ainda mais curiosa para conhecê-la. —
ela disse com uma risada e se dirigiu para a escada, acrescentando: —
Sente-se e tome uma bebida com meu marido, irmão. Eu cuidarei de
tudo.
Ross grunhiu com isso, mas simplesmente observou sua irmã
subir as escadas, caminhar ao longo do corredor, e depois se virou
para Bean e perguntou: — Ale?
— Sim. Isso soa... — Ele parou e olhou para as escadas quando
Giorsal gritava por eles de cima. Ainda de pé, Ross foi o primeiro a
subir as escadas. Bean, Gilly e Marach vinham rapidamente em seus
calcanhares, enquanto se apressavam ao quarto que compartilhava

~ 317 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

com sua esposa. Apressando-se ao entrar, ele observou o quadro num


relance.
Seonag estava deitada no chão, o sangue pingando de sua cabeça
e manchando os juncos. No entanto, Annabel não estava à vista, e
Ross rodeou seus homens enquanto Bean corria para ajudar Giorsal
com a criada.
— Você disse que Annabel estava aqui com Seonag. — Vociferou
acusadoramente.
— Ela está, ou estava. — Corrigiu Gilly enquanto Marach entrava
no quarto para olhar em volta. — A irmã dela foi a única que saiu.
— Obviamente, isso não é verdade. — Ross se queixou e se virou
para se juntar a Bean e Giorsal perto de Seonag. —Como ela está?
— Ela levou uma pancada ruim. — Giorsal disse calmamente. —
Ela pareceu se mexer um pouco quando eu me ajoelhei ao seu lado,
então, então eu acho que vai ficar bem.
— Meu Laird?
Ross olhou para Marach, franzindo a testa quando viu que o
guerreiro examinava o baú onde guardava seus objetos de valor... E
que estava aberto.
— Devia haver alguma coisa aqui? — perguntou Marach.
— O quê? — Ross quase ofegou a palavra, pois estava tão
chocado com a pergunta. Precipitando-se sobre seus pés, correu para
o lado de Marach para olhar dentro do baú vazio. Por um momento, o
mundo pareceu inclinar-se em torno dele, e então Marach agarrou seu
braço firmemente.
— Você está bem, meu Laird?
— Por favor, diga-me que não é o que eu acho que é? — Bean
disse calmamente ao lado dele. — Não é?

~ 318 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

— Aye, é. — Ross rosnou


— Droga. — Bean respirou.
— Não há sinal de adulteração. — disse March calmamente,
examinando o pequeno baú e a fechadura. — Uma chave tem que ter
sido usada.
— Minha esposa tem uma — disse Ross.
— Certamente você não suspeita dela, não é? — Bean perguntou
com um franzir de cenho.
— Não. Mas como castelã ela tem uma chave, e ela está ausente.
— E então você acha que ela pegou...
— Não acabei de dizer que não? Ross interrompeu
impacientemente. — Estou preocupado com o que aconteceu com ela.
Seonag está inconsciente e, obviamente, a chave foi tirada de minha
esposa, mas onde ela está agora? — Ele perguntou bruscamente e
depois olhou para Gilly e Marach e grunhiu: — Revistem o quarto.
Eles balançaram a cabeça e se viraram para fazer exatamente
isso, mas não havia para onde olhar, apenas debaixo da cama. Ambos
caíram de joelhos, mas logo se endireitaram e sacudiram a cabeça.
Ross se afastou com frustração, e então abruptamente voltou. —
Verifiquem os outros quartos aqui em cima. Ela pode não ter ido lá
para baixo, mas pode estar em um dos outros aposentos.
— Olharemos. — Gilly assegurou-lhe, e depois acrescentou: —
Mas juro que estávamos observando o tempo todo, meu Laird, e ela
não deixou esta câmara. Não através da porta. A única pessoa que
saiu foi Kate.
— E sem dúvida com suas moedas e jóias em um saco sob as
saias. — Disse Bean secamente e depois apontou: — Se ela estiver por
trás disso, saberá onde está Annabel.

~ 319 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

— O baú — disse Marach de repente.


— Está vazio. — Ross estalou. — Vá procurar Kate enquanto
Gilly...
— Não, não, aquele baú — interrompeu March. — O baú de
vestidos.
Ross não tinha ideia do que ele estava falando, mas Gilly
aparentemente o fez, pois acenou pensativo. — Aye. Ela poderia estar
dentro e ser carregada por nós sem que suspeitássemos.
— O que vocês estão falando? — Ross perguntou, mas mesmo
quando fazia a pergunta, notou que o baú em que Annabel tinha
mantido seus vestidos estava fora do quarto e disse: — O baú ao pé da
cama.
— Aye. Seonag disse que elas estavam mandando vestidos para
Effie, na aldeia, para olhar e ver se eles eram reparáveis. — explicou
Marach.
— Effie trabalha na fortaleza agora. — Ross disse com uma
carranca.
— Sim, mas ela não veio hoje. Está doente. — Disse Gilly.
— E vocês pensaram que sua Lady, minha doce Annabel, se
importaria tão pouco com a mulher que enviaria trabalho para fazer,
enquanto a mulher estivesse doente? — exclamou Ross, incrédulo.
Ambos pareciam aflitos com a pergunta, que era a resposta suficiente.
Eles não haviam considerado isso, e agora sabiam que tinham
cometido um erro. Virando-se no calcanhar, Ross dirigiu-se para a
porta.
— Eu vou com você — disse Bean imediatamente, seguindo-o.

~ 320 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

— Você ainda quer que procuremos nos quartos daqui e


procuremos Kate, meu Laird? — perguntou Marach calmamente,
seguindo-o.
Ross fez uma pausa na porta para considerar, mas depois disse:
— Sim, mas façam rápido e depois nos sigam, uma vez terminado,
para o caso de precisarmos de ajuda para procurar.
Ele suspeitava que a busca fosse uma perda de tempo, mas era
melhor tê-los procurando apenas por via da dúvida. Ross nunca iria
perdoar a si mesmo se ele cancelasse a busca dos quartos superiores e
descobrisse que Annabel estava inconsciente em um deles.
— Não se incomode comigo. Vou ficar aqui e cuidar do Seonag. —
Disse secamente Giorsal.
— Bom. Obrigado. — Disse Ross, saindo da sala com os homens
o seguindo.
— Você sabe que ela quer vir conosco. — Disse Bean enquanto
descia as escadas.
— Aye. — Concordou Ross. — Posso pedir a um dos criados que
tome seu lugar com Seonag, se você quiser.
— Não. — Disse Bean secamente. — Sua irmã não tem cuidado
quando se trata do seu bem-estar. É melhor ela ficar aqui.
Ross acenou com a cabeça. Ele pensava o mesmo.

Annabel abriu seus olhos para a escuridão sentindo desconforto


e dificuldade em respirar. O desconforto lhe disse que ela ainda estava
no baú, mas também não parecia haver nenhum ar e, enquanto ela
tinha pensado que estava escuro no baú quando tinha fechado pela
primeira vez sobre ela, ela agora percebeu que deveria ter luz

~ 321 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

rastejando através de uma rachadura em algum lugar, porque agora


ela entendeu o que era verdadeira escuridão. Havia uma completa falta
de luz em torno dela, bem como um completo silêncio, e por um
momento Annabel teve medo de que ela tivesse sido enterrada viva
dentro do baú.
Assim que começou a hiperventilar com aquela perspectiva, som
chegou aos seus ouvidos. Ao princípio, era muito débil, mas cada vez
mais alto à medida que se aproximava. — Passos. — Annabel pensou e
esperou em Deus que estivesse vindo para deixá-la sair. — Ela nunca
mais entraria de bom grado em um baú, ou em qualquer outro recinto
pequeno. — Annabel pensou e depois parou de pensar e simplesmente
esperou enquanto ouvia sons que sugeriam que o baú estava sendo
destrancado.
Desta vez, não havia luz do dia brilhando sobre o baú quando foi
aberto e Annabel pensou que deveria ser noite. Mas então ela foi pega
debaixo dos braços e erguida, enxergando onde estava. Um dos cantos
mais escuros de um celeiro... — O celeiro de Carney — identificou
Annabel, reconhecendo o grande edifício onde Ross fizera amor com
ela antes de serem atacados.
Sua atenção voltou-se para o homem que a tinha levantado:
Grant, o ajudante de estábulos. — Que nome impróprio. — Pensou
Annabel. O título tinha desenhado uma imagem em sua cabeça de
uma juventude esbelta, não este homem. — Ninguém tão grande
deveria ser chamado de ajudante. — ela pensou, e então gritou: — Ei!
— Quando ele tirou o saco de moedas que ela estava segurando desde
que o agarrara e se apressara para o baú no quarto.
— Silêncio. — Advertiu Grant. — Tente ficar quieta e não deixá-la
zangada. Kate não é razoável quando está zangada.

~ 322 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

— Você é escocês. — Disse Annabel, surpresa, mantendo a voz


calma. Ela sabia que seu agressor era escocês depois de ouvi-lo falar
no campo de bluebell, mas estava tendo problemas para combinar isso
com o conhecimento de que ele também era filho do cavalariço chefe
do seu pai na Inglaterra, e o homem com o qual Kate fugira. Em sua
mente, o ajudante de estábulos era inglês até agora.
— Aye. Seu pai ganhou o meu pai dos Fergusons em uma corrida
de cavalos. — Disse Grant em voz baixa. — Isso foi há sete anos,
quando eu ainda era um menino.
— Quantos anos você tem agora? — perguntou Annabel.
— Dezessete — ele disse calmamente.
Annabel arregalou os olhos. Ele era mais jovem do que ela tinha
pensado, — então era o seu tamanho que enganava. — Ela supôs. Mas
ele também era cinco anos mais novo do que sua irmã.
— Estamos em Waverly desde então. — Disse Grant em voz
baixa. — Ou pelo menos eu estava até que cometi o ridículo erro de me
apaixonar por sua irmã e pensar que ela me amava de volta.
— Ela não te ama? — Annabel perguntou calmamente. — Ela
alega que o ama e que você a abandonou.
— A história de que eu a abandonei foi apenas para levá-la para a
fortaleza. — Informou Grant, cansado. — E sua irmã não ama a
ninguém tanto quanto a si mesma.
— Então a abandone. — Annabel sugeriu urgentemente,
acrescentando: — Um homem que não irá roubar um cavalo
certamente não quer se envolver com sequestro. Deixe-a antes que ela
te arraste ainda mais fundo.
Grant sacudiu a cabeça tristemente. — Eu não a abandonaria...
Não importa o que faça. Eu levei sua inocência, e desisti de muito por

~ 323 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

ela. Estou preso a ela agora... Como uma praga — acrescentou num
murmúrio e empurrou a tampa do baú fechando-a com a mão que
segurava o saco de moedas.
— Mas... — Ela deixou suas palavras morrerem quando ele
começou a puxá-la ao redor do baú e ela tropeçou em algo em seu
caminho e caiu. Tomado de surpresa, Grant perdeu seu domínio sobre
ela e Annabel pousou em uma pilha de peles dispostas ao lado do baú.
Ela só ficou lá um momento antes que ele agarrasse seu braço e a
puxasse para seus pés novamente, mas foi suficiente.
— Você não nos seguiu até esse celeiro naquele dia, não é? —
Perguntou ela antes que ele pudesse exortá-la a se mover novamente.
— Não, já estávamos aqui. — Grant respondeu e Annabel
assentiu. Ela acabara de chegar a essa conclusão. Primeiro, tinha
percebido que este era um bom lugar para se esconder e se ocultar.
Não havia ninguém ao redor, já que o dono da cabana mais próxima
estava fora, em algum pequeno trabalho para Ross. E o lugar
proporcionava um teto sobre suas cabeças, feno para uma cama e o
armazem de comida para se deleitarem. E então recordou o trajeto que
Ross teceu para chegar até ali, evitando que fossem seguidos se juntou
aos seus pensamentos.
— E eu suponho que você não estava fora se alimentando ou algo
assim quando chegamos aqui?
— Não. — disse Grant, pedindo desculpas, trazendo-a das
sombras para o centro do celeiro. — Nós estávamos aqui, mas nos
escondemos no suporte de aveia quando vocês chegaram.
— Ah! — Annabel murmurou e acenou com a cabeça novamente,
mas com um estremecimento, desta vez, enquanto recordava tudo o
que deviam ter testemunhado. Ela estava começando a pensar que

~ 324 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

talvez ela e Ross não devessem se entregar em qualquer lugar, exceto


em sua câmara a partir de agora, não importasse o dia da semana.
— Embaraçada? — perguntou Kate, chamando a atenção de
Annabel para a mulher sentada no retângulo da luz solar, lançada
pela porta aberta do celeiro. Uma pilha de jóias e moedas estavam
espalhadas diante dela no chão de terra batida.
A pergunta de Kate contou a Annabel que ela tinha ouvido pelo
menos a última parte de sua conversa com Grant, mas havia pouco
que ela pudesse fazer sobre isso. Ignorando a pergunta da irmã,
Annabel apontou para o pequeno tesouro e perguntou como a si
própria: — Onde você conseguiu isso?
— Do baú do seu quarto. — Disse Kate sem remorso.
Annabel ficou rígida. – Como...?
— Você o deixou aberto quando eu disse que Seonag estava
voltando com os criados e você correu para voltar ao baú. — Kate
informou-a com satisfação.
Annabel fechou os olhos enquanto a consternação, o
arrependimento e a culpa a atravessando. Ela arruinara o marido e
seu povo com aquele movimento irrefletido. Querido Deus. Por que ela
tinha que ser um fracasso em tudo?
O tinido das moedas atraiu sua atenção e ela abriu os olhos
assim que Kate pegou o pequeno saco que Grant jogou para ela.
Kate abriu e sacudiu o saco em cima de todas as outras moedas e
jóias e, em seguida, jogou a bolsa de lado para bater palmas, feliz. —
Não é adorável, Grant? Poderemos ter o nosso felizes para sempre.
— Aye, nas costas daqueles que sofrerão por essa perda. — Disse
Annabel, sombriamente, quando Grant não respondeu.

~ 325 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

Kate olhou de maneira cortante, mas para Grant, não para


Annabel. Algo na expressão dele a fez ficar mais tensa, e então ela se
virou e fazendo uma careta para Annabel disse: — Grant. Vá buscar
um balde de água do rio. Eu quero ter uma palavra com Belly.
Grant hesitou, mas depois deixou Annabel onde estava e saiu do
celeiro.
No momento em que ele se foi, Kate olhou para Annabel. — Não
me fale de sofrimento. Eu preciso disso. Não vou viver na miséria como
uma camponesa.
Annabel não apontou que Grant era um camponês e que, ao
escolhê-lo, ela se entregara a essa vida. Porque se importar? Kate
parecia ter dificuldade em ver sua própria contribuição para sua
situação. Ela só gostava de culpar os outros por seus problemas e por
desfrutarem de uma felicidade que ela não só queria, mas sentia que
ela tinha direito. Além disso, Annabel só queria sair de lá e ver Ross
novamente e ela não confiava que se ela irritasse a irmã, em demasia,
ela não faria algo tolo em um momento de raiva, como matá-la. E
Annabel realmente preferiria viver para ver seu marido novamente.
Embora, uma vez que ele descobrisse, que ela era a razão pela
qual ele tinha sido roubado, Ross talvez não quisesse vê-la novamente,
ela pensou com tristeza.
Kate continuou a olhar para ela brevemente, mas então baixou o
olhar para o seu tesouro e passou os dedos pelas moedas e jóias como
se fossem água. Depois de um momento, ela perguntou: — Você não
vai me perguntar como eu me afastei da fortaleza hoje?
Annabel desviou o olhar do tesouro que, sem dúvida, sustentaria
sua irmã e Grant por muitos anos, talvez por todos os anos que
teriam, e perguntou obedientemente: — Como foi que você se afastou?

~ 326 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

— Eu bati em Seonag na cabeça, despejei o conteúdo do baú em


um saco e pendurei-o de dentro da cintura da saia, em seguida, disse
aos homens que eu ia ver o padre e... — Kate encolheu os ombros e
terminou simplesmente: — Eu apenas saí para os estábulos, selei dois
cavalos e sai cavalgando com eles. Ninguém me deteve.
Annabel não ficou surpresa. Pelo que ela podia dizer, Kate tinha
ofendido cada pessoa que conhecera em MacKay. O chefe do estábulo
provavelmente havia se escondido quando a viu chegar, e todos os
outros provavelmente tinham fechado os olhos. Eles provavelmente
estavam mais do que felizes de vê-la ir embora e esperavam nunca
mais vê-la. Mas Annabel estava mais preocupada com Seonag.
— Oh, eu não matei a sua preciosa Seonag. — Kate disse,
aparentemente lendo sua expressão. — Pelo menos eu acho que não.
— Ela deu de ombros como se isso importasse pouco de um jeito ou de
outro.
Dando um pequeno suspiro satisfeito, Kate reclinou-se para trás
e pendeu a cabeça enquanto olhava para Annabel. Sua voz era
agradável quando ela disse: — Eu te odeio há muito tempo.

― M'LAIRD!
Ross baixou a mão que batia na porta de Effie e olhou em volta
para aquela saudação de Fingal. Com um movimento impaciente,
olhou para Bean.
— Vou ver o que ele quer. — Disse e se moveu para encontrar o
homem.
Ross voltou para a porta da cabana e bateu de novo.

~ 327 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

— Effie deveria estar em casa. Eu a vi receber uma entrega não


há meia hora, Fingal disse com preocupação enquanto ele passava de
Bean para Ross.
— Um baú? — perguntou Ross.
Ele assentiu. — Mas ela mal o aceitara quando a maldita saia
inglesa apareceu.
— Kate? — Ross perguntou com dureza.
— Aye, e ela tinha um grande homem em seus calcanhares. —
Ele franziu o cenho. — Um homem grande como touro que se encaixa
na descrição que você deu ao sujeito que o tem pertubado. Então eu
pensei que seria melhor ir até o castelo para dizer-lhe. Eu estava
apenas selando o meu velho rocim quando eu ouvi seus cavalos sobre
o pavimento e vim investigar.
Ross amaldiçoou e deixou de bater. Abriu a porta e entrou. Effie
estava no chão a não mais de meia dúzia de passos da entrada. Ross
se ajoelhou e colocou a mão junto a sua boca, aliviado quando sua
respiração roçou os dedos. — Ela está viva.
— O baú não está aqui. — Bean apontou, fazendo Ross olhar ao
redor da pequena casa de um cômodo para ver que de fato não havia
baú.
— Eles o levaram apenas alguns minutos depois de entrar. —
Disse Fingal, ajoelhando-se em frente a Ross e franzindo o cenho
preocupado com Effie. — O cara grande o estava carregando.
— Você viu por onde eles foram? Ross perguntou se endireitando.
— Aye. A estrada para MacDonald. Eles estavam caminhando,
em princípio e eu os segui a uma distância, mas eles tinham cavalos a
espera há meia milha, ou um pouco mais, fora da aldeia. Voltei
depressa para selar meu rocim.

~ 328 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

Ross assentiu, começou a se virar, mas depois olhou para Effie e


hesitou.
— Vou cuidar dela. — Fingal assegurou-lhe. — Continue. Pegue o
bastardo que tem perseguido nossa doce Annabel.
Ross não explicou que o bastardo provavelmente tinha sua doce
Annabel no baú que estava carregando. Ele apenas dirigiu-se para a
porta, dizendo: — Leve-a para o castelo, Fingal. Seonag também se
lesionou. Giorsal pode cuidar das duas. Então eu agradeceria se
dissesse a Gilly e Marach que reunissem os homens e nos seguissem.
Diga a eles para verificar primeiro o celeiro de Carney e depois seguir a
estrada se não estivermos lá.
— Sim — disse Fingal. — Eu o farei, meu Laird.
— Você está pensando que eles estão no celeiro de Carney? —
Bean perguntou.
— Eu lhe falei sobre o dia em que fui atacado. — Resmungou
Ross, se encaminhando para a saída onde os cavalos esperavam. —
Sobre como andei rápido e retornei para garantir que não éramos
seguidos antes de parar no celeiro.
— Aye — Bean disse.
— Bem, eu tinha certeza de que não tínhamos sido seguidos. Eu
não teria arriscado Annabel por parar se eu não tivesse certeza.
— Você acha que eles estavam no celeiro o tempo todo. — Bean
percebeu.
Ross acenou com a cabeça, e então admitiu: — Acabou de me
ocorrer quando Fingal disse que tomaram a estrada para MacDonald.
Ela leva direto para o celeiro. Por que não iriam mais para o sul, ou
mesmo para a costa? Qualquer direção oferece uma melhor chance de

~ 329 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

desaparecer em uma cidade ou fugir em um barco do que dirigir para


o norte para MacDonald.
— Aye. E o sotaque de Kate a faria se destacar como um polegar
palpitante. — Comentou Bean. — Eu a teria parado até que você
pudesse vir e garantir que não era ela. — Ele ficou em silêncio por um
momento, mas então franziu a testa e perguntou: — Mas por que ir ao
celeiro? Por que eles não estão fugindo o mais rápido que podem?
— Eles têm Annabel no baú, tenho certeza disso. — Falou Ross
em voz baixa. — Presumo que há uma razão para isso.
— Bem, isso não pode ser para exigir um resgate. — comentou
Bean, e depois apontou: — A puta inglesa roubou tudo de você. Ela
deve saber que não tem mais nada para pagar um resgate.
Ross apertou os lábios, mas nada comentou. Ele tinha certeza de
que Kate estava com ciúmes amargos de Annabel e, por isso, odiava-a
com uma paixão ardente que requeria algum tipo de tormento, ou
mesmo a morte, para satisfazê-la. Ross só esperava encontrar Annabel
a tempo e que não precissase aprender pelo caminho difícil o que Kate
queria.

~ 330 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

Capítulo 17

— Por quê? Annabel perguntou com olhos arregalados e


incrédulos. — Por que você me odeia? O que eu fiz para você?
— Você existe! — Kate gritou furiosamente, dando depois um
tapa no tesouro diante dela, mandando um pouco voar pela terra
antes de dizer com mais calma: — Tudo o que eu ouvi ao crescer era:
Annabel nunca faria isso. Annabel era uma boa menina. Annabel teria
aprendido isso muito mais rapidamente. É uma pena que você não
seja tão esperta quanto sua irmã, Annabel. — Ela fez uma careta. —
De acordo com nossos pais, você era um modelo que eu nunca poderia
igualar.
Annabel percebeu que sua boca estava aberta e fechou-a, depois
respirou fundo. — Kate, eles fizeram a mesma coisa comigo quando
me buscaram da abadia. Só que comigo foi: É muito ruim que você
não tenha um pouco da beleza de sua irmã, e que pena que você não
tem nenhum treinamento ou as habilidades de sua irmã. Ao contrário
de Kate, você certamente será uma porcaria como esposa para o
escocês.
Os olhos de Kate estavam mortos e sem vida, sua voz fria
enquanto ela dizia: — Você esteve lá, apenas um dia, Annabel. Eu sei.
Ainda estávamos na floresta de Waverly quando a mamãe trouxe você

~ 331 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

de volta. A equipe de Ross chegou em seus calcanhares, e nós


seguimos vocês quando sairam no dia seguinte.
— Pode ter sido apenas um dia, mas isso foi golpeado em mim
uma e outra vez durante esse dia. Não estou comparando o meu
sofrimento com eles ao seu. — Annabel acrescentou rapidamente
enquanto via a raiva crescendo no rosto de Kate. — Estou dizendo que
eu entendo, e que foram eles e não nenhuma de nós o problema. Se
você tivesse sido mandado embora para a abadia e eu permanecesse
atrás, eu teria tido esses insultos todos os dias da minha vida, e eu sei
como eles podem ser prejudiciais. Eu...
— Mas você não estava lá todos os dias, não é? — sibilou Kate. —
Você escapou para viver na abadia. Como conseguiu isso? Por que
você e eu não?
— Eu não consegui. — assegurou Annabel. — Eu nem sabia que
estava indo até que estávamos a meio caminho e então eu chorei todo
o resto da viagem. Eu também chorei todas as noites durante o
primeiro ano porque eu perdi...
— Oh, poupe-me da sua história triste. — interrompeu Kate,
sombria. — Ninguém sofreu tanto quanto eu. Olhe para mim. — Ela
rosnou. — Eu tenho vivido no bosque e dormido neste celeiro,
comendo a aveia crua como um animal de fazenda, enquanto você
morava naquele lindo castelo com fogos quente, camas macias e
pastéis deliciosos.
Annabel não mencionou que, já que Kate e seu marido os haviam
seguido para a Escócia, ela deveria saber que Annabel também havia
dormido ao ar livre durante esse tempo. Quanto aqui na Escócia,
Annabel só estivera em MacKay alguns dias antes de Kate ter

~ 332 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

aparecido no portão e ela a tinha recebido. Kate estava fazendo soar


como se ela tivesse estado vagando na selva por anos.
— Por que você está me atacando? Annabel perguntou
finalmente, não importando se Grant pensava que deveria ficar calada
ou não. Ela suspeitava que pouco importasse o que ela faria. Kate
queria seu quinhão de carne, pelo o que ela viu como a escapatória de
Annabel da sua casa de infância, e não ouviria se contasse a
desagradável vida de Annabel na abadia. E tinha sido desagradável. A
vida em MacKay lhe ensinara isso, mas não faria diferença para Kate.
Ela estava absorta demais para se importar.
— Grant atacou você. — Ela corrigiu, e lançou uma carranca na
direção da porta do celeiro antes que acrescentasse: — Ele deveria
sequestrá-la, mas ele continuou falhando. E então... — Acrescentou
Kate irritada. — Depois das duas primeiras falhas em te capturar, ele
começou a voltar não só sem você, mas ferido. Se eu não o tivesse
ajudado a sair do celeiro da última vez, você provavelmente teria
acabado com ele.
Annabel não comentou. Isso explicava porque Grant havia
desaparecido quando ela o examinara depois de tê-lo nocauteado.
— Parece que o velho ditado sobre fazer algo por si mesma, se
você deseja que seja feito corretamente é verdadeiro. — Kate disse com
tristeza. — Pois não tive nenhum problema em tirá-la do castelo hoje.
— Bem, você teve uma pequena vantagem. — Annabel apontou, e
então teve que se perguntar por que ela estava defendendo Grant para
sua irmã.
Kate sacudiu a cabeça. — Não teria importado. O coração dele
não estava nisso.

~ 333 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

Annabel não ficou surpresa. Uma vez que Grant nem sequer
estivera disposto a pegar um cavalo de Waverly, duvidava que o
negócio de resgate tivesse sido sua ideia ou mesmo concordado com
ele. Ela apenas se perguntou o que o convenceu a aceitar os planos de
Kate sobre o negócio de seqüestro e resgate, em vez de detê-la.
— Eu acho que ele me odeia agora por insistir em sequestrar você
— ela acrescentou infeliz, e então estourou: — Mas eu não sou como
ele! Não posso viver assim.
— Você ainda não disse por que queria me sequestrar. —
Annabel apontou calmamente, decidindo que uma mudança de tema
estava na ordem. Queria saber o que iria fazer com ela, e qual era a
situação.
— Para pedir por resgate, é claro. — respondeu Kate. Seus lábios
torceram brevemente e então ela admitiu: — Eu não pensei isso antes
de fugir com Grant. Ele é muito bonito, e eu estava apanhada na
emoção e paixão. Ela suspirou cansada, parecendo de repente velha, e
então balançou a cabeça como um cavalo que desalojava uma mosca
incômoda. Quando ela parou, sua expressão estava zangada
novamente e ela disse indolentemente: — Claro que, agora tendo toda
a riqueza de MacKay, pedir um resgate será uma perda de tempo. Mas
eu queria que você soubesse que eu estava por trás de todos os seus
problemas, e eu queria aquelas moedas que você tinha no baú.
Reconheci o saco. Era parte do meu dote. Eu deveria possuir e não
você.
— Bem, agora você tem. — Annabel apontou.
— Aye. — Concordou Kate. — E eu suponho que eu possa gostar
de viver como eu mereço, sabendo que você e cada um dos MacKay
abaixo de estarão se debatendo.

~ 334 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

Annabel ouviu um “mas” vindo e se preparou para isso.


— No entanto, isso seria apenas temporário. MacKay se
recuperaria após um par de anos magros... E eu acho a ideia de você
viver a minha vida, insuportável.
— Sua vida? Annabel ecoou com confusão.
— Ross deveria ter sido meu. — sibilou Kate. — Se eu tivesse
percebido quão bonito, jovem e rico ele era eu nunca teria fugido com
Grant.
— Mas eu pensei que você amasse Grant. — Annabel disse
franzindo o cenho.
— De que serve o amor quando você está com fome? — Ela
perguntou amargamente. — O amor não produz comida, nem vestidos
bonitos para vestir ou criados para te cuidar. — Ela apertou os dentes
e disse: — MacKay é maior do que Waverly, e eu poderia morar lá, com
todos aqueles servos cuidando de todas as minhas necessidades e...
Ela parou e fez uma careta para Annabel e depois rosnou com
frustração: — E com Ross como amante.
— Eu sei o quão incrível ele é como um amante. — ela
acrescentou, ficando de pé e olhando para Annabel. — Eu vi vocês dois
tanto na clareira perto do rio e depois aqui neste mesmo celeiro. Ele
faz você uivar como uma cadela no cio, enquanto Grant é desajeitado
e... Kate apertou os dedos e grunhiu: — Também te odeio por isso. Por
que você consegue tudo enquanto não tenho nada? Por que você
consegue o homem forte que não é apenas um amante atencioso e
qualificado, mas forte o suficiente em vontade e mente para fazer o que
deve ser feito, enquanto eu tenho um menino que não tem ideia do que
está fazendo na cama e nem tem força de vontade nem uma mente
boa. Não é justo. — Gritou furiosamente.

~ 335 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

Um barulho na porta fez com que ambas olhassem naquela


direção. Grant estava no vão, silencioso e quieto. Annabel podia dizer
pela expressão ferida que tinha ouvido tudo o que Kate dissera e ela se
sentiu terrivelmente triste por ele. Mas depois de um momento, ele
respirou fundo, levantou a cabeça e se moveu para o lado de Kate,
dizendo calmamente: — Nós agora temos bastante riqueza para viver
como você deseja. Podemos comprar uma propriedade agradável no
sul da França, ou na Espanha, contratar servos e desfrutar de todas
as coisas que você queria. Estamos bem pelo resto da vida, Kate. Deixe
sua irmã ir.
— Aye, estamos bem agora. — Kate concordou e depois
murmurou: — Então, por que não estou feliz? Pensei que obtendo
apenas uma parte disso faria tudo ficar bem. Em vez disso, eu...
Sacudindo a cabeça, ela se virou para Annabel e admitiu quase com
vergonha: — Eu simplesmente não posso suportar a ideia de você
desfrutando de tudo o que deveria ter sido meu. Não posso suportar.
— Por quê? Grant perguntou, parecendo jovem, frustrado e
irritado agora. — Por que você não pode simplesmente tomar o
dinheiro e deixá-la ir? Por que você deve destruir tudo? Virando-se, ele
se moveu para pegar o braço de Annabel e começou a atraí-la para a
porta, grunhindo: — Eu a estou libertando.
— Grant! Kate estalou.
Parando, lançou a Annabel um olhar de desculpas, e se virou,
ainda segurando seu braço. — Aye?
— Se a deixarmos ir e ela disser a MacKay que fomos nós que o
roubamos, ele nos caçará todos os dias de nossas vidas. — Disse Kate,
sombria.

~ 336 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

— Ela falando ou não falando, eles vão perceber que pegamos as


moedas, Kate. E mesmo que, de alguma forma não percebam isso,
vamos ser caçados pelo resto das nossas vidas, de qualquer maneira.
— Grant disse cansadamente. — Você mesma disse como entrou
ousadamente nos estábulos, levou dois cavalos e depois saíu com
todos olhando. E, você bateu na criada. E nessa mulher Effie. E então
você sequestrou sua irmã. Você garantiu que fôssemos caçados. É
como se o quisesse. Bem, eu não. — acrescentou. — Amo-te, Kate,
mas nunca está satisfeita. Nada é suficiente, e é como se não pudesse
permitir-se ser feliz. E, por nunca estar feliz, torna todos os que estão
ao seu redor tão miseráveis quanto você.
Grant sacudiu a cabeça tristemente. — Eu não quero passar a
minha vida miseravelmente, Kate. Terminei.
Kate fitou-o com os olhos arregalados e depois girou sobre
Annabel. — Isto é tudo culpa sua!
— Minha? — perguntou Annabel com espanto.
— Aye! — ela gritou. — Não bastava ter todo o resto, mas você
tinha que virar Grant contra mim. Deus, eu odeio você! — Ela berrou.
— Então é bom que eu a ame.
Todos os três giraram em direção aos dois homens que estavam
na porta aberta do celeiro. Annabel estava ciente da presença de Bean,
mas só tinha olhos para Ross, de pé, alto e orgulhoso na porta, com a
mão na espada, a expressão sombria. Ele parecia tão forte e orgulhoso,
e ela amava cada centímetro dele. Melhor ainda, ele disse que a
amava.
Ele quisera dizê-lo? Annabel se perguntou, e esperava que assim
fosse, porque ela o amava. Ela poderia ter tomado a si mesma por
surpresa quando tinha proferido as palavras no domingo de manhã,

~ 337 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

mas elas eram verdadeiras em tudo. Ela amava esse homem que a
tratara com nada além de bondade e cuidado. Ela amava a justiça com
que ele lidava com ela e com todos os outros. Ela amava sua força, sua
inteligência, seu modo de fazer amor e sua risada, mesmo quando ele
estava rindo dela. Ela amava este homem grande, bonito, doce e
estava sempre tão grata que sua vida tivesse mudado e a tinha
colocado com ele.
Annabel estava tão distraída com seus pensamentos que em
princípio não percebeu a reação de Kate à chegada de Ross. Se ela
tivesse prestado mais atenção, teria notado o modo como sua irmã se
enrijeceu e então começou a vibrar com raiva frustrada. E estaria
preparada para sair do caminho quando Kate gritou de repente em
fúria e voou para ela, levantando os punhos. Mas aquele grito foi sua
única advertência, e não foi suficiente. Annabel ficou
momentaneamente congelada enquanto sua irmã investia contra ela e,
então, Grant subitamente a empurrou para o lado e entrou na frente
para tomar os golpes dos punhos voadores de Kate.
Annabel suspeitava que ele já tivesse feito isso antes, permitindo
que Kate esvaisse sua raiva batendo seus punhos contra ele. Também
suspeitava que ele não esperava que ela atacasse tão ferozmente.
Apesar da diferença de tamanho, Grant pisou em falso quando ela
bateu contra ele, e nesse movimento perdeu o equilíbrio e caiu para
trás. Eles foram juntos, os pés de Kate esperneando debaixo dela junto
aos seus maiores, chutando o quando ele tentou recuperar o pé.
Annabel soltou um grito de aviso e estendeu a mão quando viu
que ele estava prestes a cair contra os dois postes de tábua, onde ela
tinha posto seu vestido durante a sua primeira visita ali com Ross.
Mas era tarde demais. A cabeça de Grant se chocou contra um poste

~ 338 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

quano caiu, e então ele estava deitado no chão, sua cabeça contra o
poste em um ângulo estranho e Kate em seu peito imóvel.
— Grant? — Kate disse preocupada enquanto levantava a cabeça
de seu peito. — Grant?
Annabel mordeu o lábio. Ela podia ver que ele estava morto, com
o pescoço quebrado, mas hesitou por um momento antes de se mover
a frente, inclinando-se para colocar a mão em seu ombro.
— Venha, Kate. Ele está morto. — Disse suavemente.
— Nay, não está. — respondeu a irmã, sacudindo a mão. Ela
então começou a sacudir Grant. — Acorde Grant. Acorde e mostre que
você ainda está vivo. Grant!
Annabel mordeu o lábio, e então olhou para longe enquanto Kate
começava a gritar histericamente e começou a bater no homem morto
novamente, suplicando e exigindo em retorno que ele acordasse.
— Deixe-a estar. — Aconselhou Ross, de repente ao seu lado e
pegando seu braço para detê-la enquanto se inclinava para tocar o
ombro de sua irmã novamente. Annabel hesitou, mas logo se
endireitou com um aceno de cabeça.
— Você está bem? — Ross perguntou, virando-a para encará-lo e,
correndo os olhos e as mãos sobre ela em busca de feridas.
— Aye. — Annabel assegurou-lhe, e então sorriu trêmula
acrescentando: — Mas estou feliz em vê-lo.
Ross assentiu e, de repente, cobriu-lhe boca com a sua para um
beijo rápido e duro. Então a segurou firmemente contra seu peito em
um longo abraço e suspirou.
— Vou ficar de olho em Kate. — Disse Bean juntando-se a eles
quando Ross terminou o abraço. — É melhor coletar o seu dinheiro.

~ 339 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

— Aye. Obrigado. — Murmurou Ross, e depois levou Annabel


para a pilha de jóias e moedas no chão.
Quando ele a soltou e se ajoelhou para começar a recolher tudo
no saco que Kate trouxera, Annabel se agachou ao lado dele para
ajudar.
Ela notou que Ross colocou uma grande quantidade de moedas
de volta no saco pequeno em que tinha guardado seu dote. Em
seguida, amarrou-o ao cinto de sua espada e ajudou-a a guardar o
resto das moedas e jóias no saco maior. Annabel não perguntou por
que ele fez aquilo e eles trabalharam rapidamente e em silêncio. Eles
estavam acabando quando Gilly e Marach entraram no celeiro
conduzindo um pequeno destacamento de busca. Entraram com as
espadas desembainhadas, mas relaxaram quando viram que tudo
estava sob controle.
Fechando o grande saco que consevava a maior parte do tesouro,
Ross o pressionou na mão de Annabel a ajudado a levantar-se depois
a guiando para os seus homens.
— Levem-na de volta à fortaleza. — Ordenou Ross, instando-a
entre Gilly e Marach. — E vocês podem levar a maior parte dos
homens com vocês. Basta deixar-me dois que vocês possam dispensar.
— E a Kate? — perguntou Annabel, preocupada.
— Deixe-a comigo. — Disse Ross em voz baixa. — Vou levá-la de
volta depois que tivermos cuidado do menino.
Annabel hesitou, mas depois acenou concordando com a cabeça
e permitiu a Marach levá-la para fora do celeiro enquanto Gilly se
afastava para ter uma palavra com os homens.
— Seonag está bem? — Annabel perguntou enquanto o guerreiro
a seguia para onde os homens haviam deixado seus cavalos.

~ 340 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

— Não tenho certeza, m'Lady — disse Marach em voz baixa. —


Estava inconsciente quando saímos.
Annabel assentiu com a cabeça e depois mordeu o lábio e
perguntou: — O que você acha que meu marido vai fazer com Kate?
— Também não tenho certeza disso, m'Lady. – ele admitiu,
desculpando-se. — Mas o Laird é sempre justo.
— Aye. — Annabel murmurou e perguntou-se o que seria justo
neste caso? Sua irmã tinha sido nada além de problemas desde que
chegou, mas agora ela o tinha roubado, a sequestrado e atacado
Seonag.
Annabel ponderou a questão do castigo pendente de Kate
enquanto esperavam que Gilly e os outros homens se juntassem a
eles. E, então,continuou pensando durante a cavalgada de volta para a
fortaleza. Mas, uma vez lá, sua preocupação com Seonag empurrou a
questão para o lado e ela correu para dentro e para cima no momento
em que Marach baixou-a de seu cavalo. Ela podia ouvir os pés batendo
atrás dela, e sabia que Gilly e Marach estavam correndo atrás dela,
mas não demorou até chegar ao patamar do andar de cima. Annabel
fez uma pausa, só porque não tinha ideia de onde tinham colocado
Seonag.
— O quarto ao lado do principal. — Informou Marach sem ser
perguntado enquanto conduzia Gilly ao largo da escada.
— O quarto de Kate. — Annabel pensou e correu para lá. Giorsal
estava sentada à beira do leito, falando baixinho com Seonag, quando
entrou, e a visão foi feliz para Annabel. Ela tinha se afeiçoado a
Seonag durante seu tempo em MacKay e estava grata que a mulher
mais velha se recuperara do ataque de sua irmã.

~ 341 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

Avançando, Annabel surpreendeu a mulher dando-lhe um abraço


cuidadoso quando disse: — Estou tão feliz que você esteja bem.
— Oh, aye, e eu estou feliz que você esteja bem. — disse Seonag,
corando levemente. Enquanto Annabel se endireitava, Seonag disse: —
Nós estávamos aqui sentadas, preocupadas se os homens a
encontrariam ou não. Estou contente por a terem encontrado e pelo
seu bem-estar, m'Lady.
Annabel deu um aperto em sua mão, depois se virou para sorrir
para Giorsal também, antes de voltar sua atenção para a segunda
mulher na cama. Effie. Pálida e com uma ferida desagradável na
cabeça, a criada não estava acordada.
— Ela está apenas dormindo. Giorsal disse tranquilizadora. —
Ela acordou alguns minutos atrás, mas dormiu novamente pouco
depois.
— Oh, bom. — Murmurou Annabel, lembrando-se do baque que
tinha ouvido depois que Effie dissera que alguém estava na porta. Ela
supôs que Kate ou Grant tinham batido na mulher depois de ter
acesso a casa, e se sentiu horrível que ela não tivesse perguntado
sobre seu bem-estar na época.
— Bem? — Giorsal disse. — Sente-se. Conte-nos o que
aconteceu. Sabemos que Kate derrubou Seonag, e presumimos que
roubou dinheiro da família e fugiu, foi isso?
— E vejo que você tem um novo caroço na testa, então ela
também deve ter batido em você de novo — disse Seonag secamente.
— Aye, Annabel admitiu e rapidamente explicou o que tinha
acontecido.
— Então sua irmã estava por trás de tudo isso? — perguntou
Giorsal lentamente. — E ela matou seu cavalariço?

~ 342 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

— Nay. — Annabel disse imediatamente, depois franziu o cenho e


disse: — Bem, aye. Mas foi um acidente.
Seonag sacudiu a cabeça. — Há algo errado com a garota. Sua
cabeça não está funcionando corretamente.
— Aye. — Giorsal concordou.
Annabel apenas balançou a cabeça. Suspeitava que estivessem
corretas. Embora Kate fosse egoísta e mimada, sua obsessão com a
felicidade de Annabel e a determinação em destrui-la era apenas
loucura.
O som da porta sendo aberta, chamou-lhe a atenção e ela se
levantou quando Ross apareceu. Quando ele gesticulou, ela se moveu
para a porta e então o seguiu, quando a segurou pelo braço e a levou
do quarto. Conduziu-a até o quarto de ambos, introduzindo-a dentro
do quarto, fechou a porta e se apoiou contra ela.
Quando Annabel fez uma pausa no centro do quarto e se virou
para olhá-lo, hesitante, ele disse: — Precisamos conversar sobre sua
irmã.
Os olhos de Annabel se arregalaram e ela apertou as mãos na
sua frente e murmurou um desmaiado: — Oh.
— Nós enterramos o rapaz e mandamos uma mensagem para seu
pai em Waverly, ele disse calmamente.
— Oh. — Annabel repetiu, e depois assentiu. — Bom.
— E então nós trouxemos sua irmã de volta para decidir o que
fazer com ela. Eu pensei que você deveria ter uma palavra a dizer
sobre seu castigo, Ross explicou.
— Obrigada. — Murmurou Annabel, pensando que teve sorte em
ter um marido tão atencioso. A maioria dos homens provavelmente
teria simplesmente lidado com o assunto e informado sobre o que

~ 343 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

tinha sido feito após o fato. Na verdade, porém, Annabel quase teria
preferido que fosse este o caso. Ela não tinha nenhum desejo de lidar
com sua irmã, ou a culpa que, sem dúvida, seguiria qualquer decisão
sobre o seu castigo.
— Nós cavalgamos nos calcanhares de um cavaleiro solitário,
continuou Ross. — Era o mensageiro com a resposta de sua mãe.
Annabel mordeu o lábio, não tinha certeza de que fizesse alguma
diferença. Ela suspeitava que mesmo se sua mãe concordasse em levar
Kate embora, Ross não permitiria que ela partisse e seguisse seu
caminho alegremente sem exigir algum tipo de punição pelo que ela
tinha feito. Na verdade, Annabel não podia discordar dele se o fizesse.
— Seus pais não querem nada com ela. — Disse Ross em voz
baixa. — Eles dizem que ela fez sua cama e agora pode deitar nela. Ela
está morta para eles.
A respiração de Annabel deixou-a em um pequeno suspiro. Ela
não estava surpresa, mas supunha que alguma parte dela tinha
esperança que seus pais provassem que eles tinham alguma pequena
medida de cuidado com as filhas, a quem tinham dado a vida. Não
parecia, no entanto. — Ela sabe?
— Eu não disse, mas ela pode ter adivinhado — Ross disse, com
um encolher de ombros. — Ela pediu para ir à confissão enquanto eu
lia, e eu disse a um par de homens para acompanhá-la. Mas, uma vez
na capela, Kate gritou “santuário”.
Annabel enrijeceu-se, com a cabeça arremessando para cima e
para trás como se estivesse sob o golpe da notícia. Embora a notícia a
tivesse surpreendido ela, provavelmente, deveria ter previsto isso. Sua
irmã dificilmente desejaria julgamento e se esconderia atrás de tudo o
que pudesse. Reivindicar o santuário era realmente inteligente.

~ 344 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

— O padre Gibson sentiu que tinha que oferecer a ela, mas não
está muito satisfeito por tê-la ali, acrescentou.
Annabel não ficou surpresa. Cinco minutos na presença de Kate
eram cinco minutos demais e ela não duvidava que sua irmã já
estivesse enlouquecendo o padre.
— Então ele sugeriu dar santuário permanente e enviá-la para
Abadia Elstow, desde que ela concordasse em tomar o véu, Ross disse
calmamente. — E ela concordou.
Annabel arregalou os olhos. Kate odiaria Elstow. Ela odiaria a
abadessa, as tarefas domésticas, o duro trabalho físico, os banhos
compartilhados, a comida simples, insípida, as restrições, as punições
e as penitências. Annabel não tinha dúvida de que Kate se recusaria a
se chicotear seguindo as instruções da abadessa... Pelo menos, até que
ela ouvisse as penas alternativas.
Sua irmã não tinha ideia com o que ela estava concordando.
Suas exigências egoísticas não serviriam ali, e certamente não iriam
bem com as outras mulheres. E ela estaria sob um constante
escrutínio. Kate não tinha nenhum treinamento o que tornaria o
trabalho nos estábulos uma opção, e aquele era o único lugar com
alguma liberdade em tudo, e mesmo lá era escassa. E ela teria que...
Os olhos de Annabel se arregalaram, de repente, e quando Ross
ergueu uma sobrancelha em questionamento, contou-lhe o que
acabara de pensar. — Se ela estiver tomando o véu, seu cabelo será
cortado com certeza.
Eles ficaram olhando um para o outro em silêncio por um minuto
e depois Ross disse: — Ela não vai gostar disso.

~ 345 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

— Nay — Annabel concordou. Kate era muito vaidosa para


aceitar isso bem, mas teria de fazê-lo para se agarrar ao santuário que
queria.
De repente, ocorreu a Annabel que isso significaria que elas
estavam mudando completamente de vida. Kate agora estaria vivendo
a vida que tinha sido antes de Annabel até que ela fora arrastada para
casa para se casar com Ross, enquanto ela viveria a vida que tinha
tido significado para Kate até que ela fugira com Grant.
Annabel suspeitava que a personalidade de Kate transformaria a
experiência de desagradável e infeliz em completa miséria. A vida na
abadia poderia reformar Kate ou matá-la... Ou, possivelmente, mataria
Kate e a abadessa, pensou Annabel. Mas de certa forma, parecia o
lugar mais apropriado para sua irmã. Certamente era melhor do que
uma decapitação, a vida em um calabouço, ou qualquer outra punição
que Annabel temia que fosse dispendida.
Soltando o fôlego que estava segurando, Annabel assentiu. —
Aye. Mande-a para Elstow.
Ross endireitou-se e atravessou o quarto para tomá-la em seus
braços. Annabel ainda ficou parada por um momento, mas depois
relaxou com um suspiro e imediatamente sentiu o saco contendo o
tesouro de MacKay ainda pendurado em sua saia. — Deveria tê-lo
arrumado primeiro — Annabel pensou infeliz. Na verdade, ela não
deveria ter deixado o baú destrancado e aberto para Kate levá-lo em
primeiro lugar, ela se repreendeu e depois mordeu o lábio e
murmurou: — Desculpe.
Seu marido se afastou o suficiente para olhar para seu rosto com
surpresa e perguntou: — Pelo quê?

~ 346 ~
Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

Annabel tinha a intenção de dizer que deixara o baú aberto


quando Kate quase fugira com o tesouro MacKay, mas a resposta que
saiu foi: — Tudo.
Ross sacudiu a cabeça e assegurou-lhe: — Não tem nada para se
desculpar Annabel.
— Aye, eu tenho. — Ela respondeu e assinalou: — Você não teve
nada além de problemas desde que se casou comigo.
Ross pegou seu rosto em suas mãos e encontrou seu olhar
enquanto ele dizia solenemente: — Aye. Houve pouco mais de
problemas desde o nosso casamento, mas nada disso foi culpa sua.
— Mas se você não tivesse se casado comigo...
— Eu teria perdido a melhor coisa da minha vida. — Ele a
interrompeu firmemente, e então acrescentou ironicamente: — E
apesar de todos os problemas, ou talvez por causa deles, eu tenho que
agradecer a Deus, todos os dias, desde que me levantei para encontrar
sua irmã e foi com você que eu casei e não com ela.
Annabel riu trêmula e depois fechou os olhos e encostou a cabeça
no seu peito com um suspiro. — Sim, bem... Ainda assim, se você
tivesse me recusado e casado com outra pessoa, poderia ter evitado
muita dificuldade.
Ross beijou a parte superior de sua cabeça e assegurou-a, —
Você vale cada bocado de problema causado e mais. Eu quis dizer o
que eu disse no celeiro. Eu te amo, Annabel. Você me alegra os dias e
me faz possuir um lar.
Ela levantou a cabeça e a inclinou para olhá-lo, surpresa ao
descobrir as lágrimas nublando seus olhos. — Eu também te amo,
Ross. Pensei que passaria a minha vida em Elstow e tinha me
resignado a isso, mas eu serei sempre tão grata que as ações de Kate

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Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

me colocaram aqui, com você, no seu lugar. Eu não sabia que a vida
poderia ser assim... — Ela fez uma pausa, vários pensamentos vindo à
mente. Ela não tinha percebido que a vida poderia ser tão cheia de
carinho, cor, felicidade e paixão. Mas no final ela simplesmente disse:
— Maravilhosa.
Ross sorriu e então se inclinou para beijá-la. Foi um beijo doce
no início, cheio de amor, mas então, como acontecia quando eles
estavam juntos, a paixão começou a assumir.
Gemendo, Annabel retirou os braços de sua cintura para deslizá-
los em torno de seus ombros e então se levantou nas pontas dos pés
para se colar contra ele. Ross imediatamente deixou cair às mãos para
cobrir as suas nádegas.
Levantando-a do chão, ele então começou a levá-la para a cama,
seus corpos esfregando-se a cada passo. Mas ele parou quando uma
batida soou na porta.
Rompendo o beijo, ele olhou em volta e gritou: — Vá embora.
— Isso é modo de falar com sua irmã? — gritou Giorsal com uma
risada. — Ademais, só vim dizer que Carney está de volta e ele trouxe
um certo cavalheiro que, tenho certeza, Annabel vai querer ver
imediatamente.
— Droga. — Ross gemeu e encostou a testa na de Annabel.
— O que é? — perguntou ela, preocupada.
Ross hesitou, mas então admitiu: — A tarefa a que enviei Carney
foi buscar o mercador de tecidos para que você pudesse comprar o que
quisesse. Você deve ter vestidos próprios, feitos somente para si. E não
os descartes de minha mãe.

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Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

— Oh. — Annabel fungou, as lágrimas ameaçando novamente e,


então, ela o abraçou firmemente. — Obrigada, marido. Você é o marido
mais maravilhoso e atencioso que qualquer garota poderia pedir.
Ross sorriu torto, mas depois suspirou. — Suponho que deveria
deixar você falar com o homem.
Annabel ficou tentada, mas depois sacudiu a cabeça. — Nay. Ele
pode esperar um pouco. — Apertando seus braços em seus ombros,
ela ergueu as pernas para envolvê-las em torno de sua cintura,
dirigindo a tarefa, apesar de suas saias, e disse: — Eu acho que
gostaria de agradecer-lhe corretamente por tal consideração.
— Oh? — Ross perguntou com um sorriso, continuando em
direção à cama. — Bem, enquanto você está com vontade de me
agradecer, devo mencionar que eu lidei com o mercador de especiarias
antes de trazer Kate de volta.
— Você o fez? — Annabel perguntou de olhos arregalados. Ela
tinha esquecido completamente sobre o homem, com tudo o que tinha
acontecido.
— Aye, eu o fiz. — Ele assegurou. — E depois de lhe dar um par
de moedas, paguei a estada dele na estalagem e ameacei caçá-lo e
castrálá-lo, se ele não concordasse. Ele prometeu não avisar a
ninguém fora de MacKay.
Isso surpreendeu um riso em Annabel, e ela balançou a cabeça.
— Você é maravilhoso.
— Você está feliz então? Ross perguntou seriamente, parando na
frente da cama.
— Ah, sim, marido. Estou muito feliz. — Assegurou solenemente,
então desenroscou suas pernas do em torno de seus quadris e chutou-
os levemente até que ele virou de lado para a cama para colocá-la no

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Uma Noiva Inglesa na Escócia - Lynsay Sands

chão. Ela imediatamente deu um passo em direção à porta e Ross se


virou para seguir seu movimento, como ela esperava. Colocou-o de
costas para a cama.
— Onde você está indo? — Ele perguntou com uma carranca. —
Eu pensei... — As palavras morreram em um suspiro assustado
quando Annabel de repente se virou e lhe deu um empurrão. Pego de
surpresa, Ross caiu de costas para a cama com as pernas penduradas
dos joelhos para baixo.
— Em lugar nenhum — Annabel assegurou-lhe solenemente
enquanto rapidamente se desfazia dos seus laços e tirava seu vestido.
Ela então se encaminhou até que os joelhos dela e os deles bateram na
cama, e acrescentou: — Você está preso aqui comigo, marido.
— Então sou o homem mais sortudo da Escócia — rosnou Ross,
sentando-se e deslizando os braços em volta da cintura. Ele a
espremeu apertado brevemente, e suspirou: — Deus, eu te amo.
— E eu amo você —, Annabel assegurou-lhe solenemente, e então
o empurrou de volta na cama, se inclinando para rastejar por cima
dele, dizendo: — Deixe-me mostrar-lhe o quanto.

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