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“Venire contra factum proprium”

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“Venire contra factum proprium” significa vedação ao comportamento contraditório,


pressupondo a adoção de comportamento incompatível com o anterior pelo mesmo
agente.

A teoria do “venire contra factum proprium” deriva do princípio da boa-fé objetiva (art.
422 do Código Civil)[1], assim como “supressio”, “surrectio” e “tu quoque”, fazendo parte
da tutela da confiança, pelo Direito.

“Suppressio” é o equivalente a “verwirkung” na doutrina alemã, e consiste na supressão,


numa relação jurídica, de determinadas obrigações, pelo decurso do tempo. Nas palavras
de Melo[2] “considera-se ocorrida a ‘supressio’ quando determinadas relações jurídicas
deixam de ser observadas com o passar do tempo e, em decorrência, surge para a outra
parte a expectativa de que aquele (a) direito/obrigação originariamente acertado (a) não
será exercido/cobrada na sua forma original”. No mesmo sentido, Nelson Nery Jr. E Rosa
Maria de Andrade Nery[3] explicam que “ocorre a perda da possibilidade de fazer valer um
direito, em virtude da decorrência do tempo (...) ou do comportamento do titular desse
direito contrário à boa-fé objetiva, vale dizer, perda por ofensa ao CC 422”. Segundo os
autores, afirma-se que a “suppressio” é assemelhada à renúncia tácita do direito.

“Surrectio”, para a doutrina alemã é “verwirkung”, e consiste no inverso da “supressio”,


pela ampliação do conteúdo obrigacional de uma relação jurídica em razão do surgimento
da prática de atos não pactuados originalmente. De acordo com Nelson Rosenvald[4], “é o
exercício continuado de uma situação jurídica em contradição ao que foi convencionado ou
ao ordenamento jurídico, de modo a implicar nova fonte de direito subjetivo, estabilizando-
se para o futuro”. Nelson Nery Jr. E Rosa Maria de Andrade Nery lecionam: “É a vantagem
advinda da incidência da suppressio”, que se caracteriza como “liberação de possibilidade
de ação ou de recuperação da liberdade de ação”, sendo admissível para a constituição
de situações mais vantajosas para aquele a quem aproveita, mas, “para que o beneficiário
adquira posição jurídica mais vantajosa – aquisição de direito ou liberação de prestação –,
deve estar presente a boa fé objetiva e subjetiva”.

“Tu quoque”, conforme elucida Camargo Neto[5], significa, literalmente, “e tu também”,


“até tu”, em alusão à frase dita por Júlio César a Brutus quando por este apunhalado (“Tu
quoque, Brute, fili mi?”). No sentido jurídico, a expressão significa “inconsistência ou
incoerência do comportamento da parte, que viola a boa-fé objetiva” e, na lição de Nelson
Nery Jr. E Rosa Maria de Andrade Nery, pode ser classificada como subespécie do
“venire” (porque em seu núcleo encontra-se a contradição e a incoerência, assim como no
núcleo do “venire”)[6]. De acordo com a Desembargadora Hilda Teixeira da Costa, é
“espécie de abuso do direito” que deve ser combatido para não privilegiar a torpeza de
quem o pratica e, até mesmo, o seu locupletamento[7]. Na explicação de Cristiano Chaves
de Faria e Nelson Rosenvald[8]:

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“O tu quoque é um tipo específico de proibição de comportamento contraditório na medida em
que, em face da incoerência dos critérios valorativos, a confiança de uma das partes é violada.
Isto é, a parte adota um comportamento distinto daqueloutro adotado em hipótese
objetivamente assemelhada.

Ocorre o tu quoque quando alguém viola uma determinada norma jurídica e, posteriormente,
tenta tirar proveito da situação, com o fito de se beneficiar.

(...) No tu quoque a contradição (...) reside (...) na adoção indevida de uma primeira conduta
que se mostra incompatível com o comportamento posterior.

O tu quoque age simultaneamente sobre os princípios da boa-fé e da justiça contratual, pois


pretende evitar não só que o contratante faltoso se beneficie de sua propria falta, como
também resguardar o eqüilíbrio entre as prestações.”

Já “venire contra factum proprium”, como já aludido anteriormente, cinge-se às


situações em que uma pessoa, por determinado lapso temporal, se comporta de
determinado modo, gerando expectativas em outra, de que seu comportamento
permanecerá inalterado, mas, depois disso, modifica o comportamento inicial por outro
contrário, quebrando a relação de boa-fé e confiança estabelecida na relação contratual.

Nas palavras de Nelson Nery Jr. E Rosa Maria de Andrade Nery: “A cláusula geral de boa-
fé objetiva obriga as partes a não agirem em contradição com atos e comportamentos
anteriores, praticados antes da conclusão do contrato. Em outras palavras, a parte não
pode ‘venire contra factum proprium’.”[9]

Na teoria estudada, o “factum proprium” é o ato inicial que o sujeito, futuramente, irá
contrariar. Trata-se de conduta não juridicamente vinculante, “pois, se fosse, estaria
dispensada a análise da confiança e far-se-ia uso automático das disposições civis
específicas”[10].

A aplicação deste princípio busca homenagear a credibilidade como segurança nas


relações jurídicas e sociais, solidificando juridicamente a coerência e a lealdade nos
comportamentos das pessoas relacionadas, como já deveria ser princípio básico na
convivência social, evitando que seja prejudicado aquele que confiou.

Por se entender que o preceito decorre da boa-fé objetiva e da proteção da confiança


legítima, dizem Nelson Nery Jr. E Rosa Maria de Andrade Nery que “o comportamento
contraditório em si não é proibido”, mas “o que se coíbe é o comportamento contraditório
desleal, que viola a confiança criada na outra parte”[11].

De acordo com Anderson Scheiber[12], há 4 (quatro) elementos (ou pressupostos)


comumente considerados para a existência do “venire contra factum proprium”:

a) Comportamento inicial (“factum proprium”);

b) Confiança de outrem na conservação do comportamento inicial;

c) Comportamento posterior e contraditório; e

d) Dano ou, no mínimo, potencial de dano pela contradição.


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O “venire contra factum proprium” não está positivado no ordenamento jurídico brasileiro.
Contudo é aceito pela doutrina e pela jurisprudência, e sua essência pode ser encontrada
em diversos dispositivos de lei.

Um dos dispositivos legais em que se reconhece o “venire contra factum proprium” é o art.
330 do Código Civil, segundo o qual “o pagamento reiteradamente feito em outro local faz
presumir renúncia do credor relativamente ao previsto no contrato”.

Quanto à jurisprudência, há vários julgados utilizando o “venire contra factum proprium”. O


STJ o reconhece já há muito tempo, por exemplo, em julgamento ocorrido em 14/10/1996,
do Recurso Especial nº 95.539 - SP (1996/0030416-5), de relatoria do Ministro Ruy
Rosado de Aguiar:

“(...) O direito moderno não compactua com o venire contra factum proprium, que se traduz
como o exercício de uma posição jurídica em contradição com o comportamento assumido
anteriormente (MENEZES CORDEIRO, Da Boa-fé no Direito Civil, II/742). Havendo real
contradição entre dois comportamentos, significando o segundo quebra injustificada da
confiança gerada pela prática do primeiro, em prejuízo da contraparte, não é admissível dar
eficácia à conduta posterior.”

(STJ, RESP nº 95539-SP, Relator Ministro Ruy Rosado de Aguiar, 4ª Turma, julgado em
03/09/1996, publicado no DJ em 14/10/1996)

Dentre outros, há também o acórdão dos Embargos de Declaração no Recurso Especial nº


1.143.216 – RS, julgados em 09/08/2010, de relatoria do Ministro Luiz Fux:

“(...) Assim é que o titular do direito subjetivo que se desvia do sentido teleológico (finalidade
ou função social) da norma que lhe ampara (excedendo aos limites do razoável) e, após ter
produzido em outrem uma determinada expectativa, contradiz seu próprio comportamento,
incorre em abuso de direito encartado na máxima nemo potest venire contra factum proprium.
(...)”

(STJ, 1ª seção, EDcl no Resp nº 1.143.216 - RS, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 09/08/2010,
publicado no DJe em 25/08/2010)

O preceito do “venire contra factum proprium” também se aplica a outros ramos do Direito,
além do Direito Privado.

No Direito Administrativo é aplicável, porque o Poder Público tem dever de agir com
lealdade, moralidade, eticidade, boa-fé objetiva, de modo que, se gera expectativas para
os administrados em decorrência de seus atos, deve estar também sujeito à aplicação do
“venire”. Logo, embora a Administração Pública esteja em situação de superioridade em
relação aos cidadãos, mesmo assim não se admite a quebra de confiança legítima e a
insegurança jurídica, ressalvadas exceções legalmente positivadas.

No Direito Tributário, citam Ayres e Rodrigues[13] o exemplo de “um contribuinte que


assume a conduta de responsável pela obrigação tributária”, não podendo, depois, se
escusar dela, agindo em contradição com suas condutas anteriores. Neste sentido já
julgou a Justiça Federal do Rio Grande do Sul, no bojo da execução fiscal nº
2009.71.12.000414-4/RS[14], que considerou que uma pessoa que age como
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administradora de uma empresa e que se apresenta como tal nos negócios jurídicos dela,
mesmo não constando em seu ato constitutivo, não pode, posteriormente, se escusar da
responsabilidade:

“Conforme demonstra a parte exeqüente, apesar de Ruben Eugen Becker não constar nos
cadastros da Receita Federal como representante legal da CELSP, figura como o seu
real administrador. Haja vista haverem sido outorgados amplos poderes, por meio de
procurações, a Ruben Eugen Becker (fl. 08). Como exemplo, aponta a Fazenda Nacional o
fato de o Reitor da Ulbra ter firmado escritura pública de promessa de compra e venda
(documentação juntada nos autos n. 200771120005425), qualificando-se como representante
legal da CELSP. Os documentos das fls. 66/81 corroboram, também, as afirmações aqui feitas.

Em face de todos os elementos elencados, eventual conduta do Reitor, de negar a sua


posição de administrador da CELSP, recairia inclusive na figura do venire contra
factum proprium. Veja-se.

Consiste o venire contra factum proprium na proibição de um comportamento contraditório.


Visa, assim, à tutela jurídica da confiança (não-surpresa). Decorre de um abuso de direito
oriundo de indevida expectativa.

Ensina Arnaldo Rizzardo:

"As relações sociais se baseiam na confiança legítima das pessoas e na regularidade do direito
de cada um. A todos incumbe a obrigação de não iludir os outros, de sorte que, se por sua
atividade violarem esta obrigação, deverão suportar as conseqüências de sua atitude"
(RIZZARDO, Arnaldo. Teoria da aparência. AJURIS n. 24, mar. 1982, p. 222)

Para melhor desenvolvimento da tese discutida, tenho como bem esclarecedora a lição de José
Gustavo Souza Miranda, em seu artigo "A proteção da confiança nas relações obrigacionais"
(Revista de Informação Legislativa, Brasília a. 38 n. 153 jan/mar. 2002 - disponível no sítio
www.senado.gov.br).

Refere aquele doutrinador que:

"Onde houver o dano efetivo (requisito essencial para a responsabilidade civil), mas não se
puder obter uma solução satisfatória pelos caminhos tradicionais da responsabilidade, tem-se a
teoria da confiança como opção válida. Como bem afirmam os críticos da Teoria, a confiança
está presente em todas as áreas do relacionamento interpessoal, ainda que faltem outros
elementos embasadores da responsabilidade" (p. P. 138 e 139)

Explica, ainda, José Gustavo Souza Miranda:

"No caso do venire contra factum proprium, é mais clara a ofensa à confiança, pois a
característica principal desses casos é uma posição jurídica contrária àquela que vinha sendo
praticada pelo agente. Em outras palavras, quando uma pessoa vem agindo de tal forma que
cria uma aparência jurídica na qual as pessoas confiam, esse mesmo indivíduo não pode
mudar o seu comportamento agindo contrariamente à expectativa que gerou nos demais. A
intenção primeiramente manifestada pode ser no sentido de praticar (ou continuar praticando)

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determinado ato ou no sentido de não o praticar. A segunda atuação é contraditória porque o
agente deixa de fazer aquilo a que se propusera ou vem a tomar atitude a qual deu a entender
que não tomaria.

Um ponto importante é que esse segundo factum, que contraria o primeiro, pode ser legal ou
contratualmente possível. Contudo, o agente fica impedido de valer-se dessa possibilidade,
pois causaria danos a outrem. Se o ato é contrário à lei ou ao contrato, cai-se, novamente, na
responsabilidade contratual ou na responsabilidade delitual." (p. 141; grifado)

Importante, também, transcrever o ensinamento de Lígia Maura Costa (O crédito


documentário: e as novas regras e usos uniformes da Câmara de Comércio Internacional, São
Paulo: Saraiva, 1994; Caso Pickard v. Sears, 6 A. & E. - 1837), citado por José Gustavo Souza
Miranda, verbis:

"Quando uma pessoa, por suas palavras ou pelo seu comportamento, induz conscientemente
uma outra a crer na existência de uma certa situação e leva esta pessoa a atuar com base nessa
convicção de modo que altere sua posição anterior, considera-se que esta primeira é
responsável pelas declarações feitas a esta última; declarações descrevendo um estado de fato
diferente daquele existente no momento."

Dessa forma, acolho a tese da Fazenda Nacional, reconhecendo que Ruben Eugen Becker é o
real administrador da CELSP.”

No Direito do Trabalho, já pelo princípio da primazia da realidade se protege aquelas


alterações ocorridas não formalmente nas condições de trabalho pactuadas originalmente,
salvo exceções legais. Nos casos em que não se aplica o mencionado princípio, recai a
aplicação do “venire contra factum proprium”. Um exemplo citado por Ayres e
Rodrigues[15] é o seguinte: “(...) um empregador que, após aceitar longa licença do
empregado, por um acordo extracontratual, recebe-o de volta ao emprego e demite-o
meses depois em razão da licença anteriormente tirada. O fato de aceitá-lo de volta ao
trabalho configura uma conduta inicial que gera no empregado a confiança de que o
empregador não irá demiti-lo por causa da citada licença. Ao fazê-lo, o empregador quebra
essa confiança e incide em “venire”.” Também é indicado pelas autoras o exemplo do caso
de uma pessoa que participa de processo seletivo para preencher vaga de emprego, mas
que, após passar por testes, realizar exames admissionais e abrir conta em banco
(demonstrando o investindo na confiança gerada), acaba não sendo contratada. Por fim,
as mesmas autoras ainda mencionam a situação de trabalhadores voluntários ajuizarem
reclamações trabalhistas pretendendo reconhecimento de vínculo de emprego, apesar de
terem se colocado à disposição para realizar serviço voluntário (os voluntários não podem
ser o reconhecimento do vínculo, pois este pleito contradiz seu primeiro comportamento e
quebra a legítima confiança da entidade para a qual o serviço era prestado
voluntariamente).

[1] A boa-fé pode ser objetiva ou subjetiva. A boa-fé objetiva é a cláusula geral de boa-fé
do art. 422 do Código Civil, é norma jurídica, a concepção ética da boa-fé. A boa-fé
subjetiva é a concepção psicológica de boa-fé, que se baseia numa crença ou numa
ignorância (ex: art. 1.242 do Código Civil, do qual se extrai que a boa-fé “ad usucapionem”
é a crença do possuidor de que ele seja o titular legítimo da propriedade).
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[2] Alcemara Carmem Borges Marques Melo, no artigo “A boa-fé objetiva e os efeitos da
supressio e surrectio nos contratos cíveis”, disponível em <http://goo.gl/EhB4hG>. Acesso
em 22/10/15.

Código Civil Comentado. 13. Ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2013, p. 642-643.

[4] Citado por Alcemara Carmem Borges Marques Melo no artigo “A boa-fé objetiva e os
efeitos da supressio e surrectio nos contratos cíveis”, disponível em
<http://goo.gl/EhB4hG>. Acesso em 22/10/15.

[5] Citado por Danilo Cruz em “tu quoque uma variante do Princípio da Boa-Fé Objetiva -
Parte II”, disponível em <http://goo.gl/19xdXR>. Acesso em 22/10/15.

Código Civil Comentado. 13. Ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2013, p. 643.

[7] Consideração feita pela Desembargadora no julgamento da Apelação Cível nº


1.0024.05.863126-8/001, no TJ/MG (14ª Câmara Cível, data de julgamento: 14/11/2007,
data de publicação: 04/12/2007).

[8] Citados por Danilo Cruz em “tu quoque uma variante do Princípio da Boa-Fé Objetiva -
Parte II”, disponível em <http://goo.gl/19xdXR>. Acesso em 22/10/15.

Código Civil Comentado. 13. Ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2013, p. 641.

[10] Ana Ferreira Quesada, no artigo eletrônico “Venire contra factum proprium e a boa-fé
objetiva: por um exame sistemático”, p. 17, disponível em <http://goo.gl/hKI7OH>. Acesso
em 22/10/15.

Código Civil Comentado. 13. Ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2013, p. 642.

[12] SCHREIBER, Anderson. A proibição de comportamento contraditório: tutela da


confiança e venire contra factum proprium. Rio de Janeiro: Renovar, 2005, p. 271.

[13] AYRES, Beatriz Flores; RODRIGUES, Mariana Andrade. E-civitas Revista Científica
do Departamento de Ciências Jurídicas. Políticas e Gerenciais do UNI-BH. Belo Horizonte.
Vol. III, n. 1, jul-2010, p. 17-18. ISSN: 1984-2716. Disponível em:
<http://revistas.unibh.br/index.php/dcjpg/article/viewFile/85/48>. Acesso em 22/10/2015.

[14] Decisão interlocutória do Juiz Federal Guilherme Pinho Machado nos autos da
execução fiscal nº 2009.71.12.000414-4/RS (0000414-38.2009.404.7112), datada de 19 de
março de 2009, tendo como exequente a União – Fazenda Nacional e como executado a
Comunidade Evangélica Luterana São Paulo – CELSP (Juízo Federal da 1ª Vara Federal
de Canoas/RS). Disponível em <http://goo.gl/Jba0D9>. Acesso em 23/10/15.

[15] AYRES, Beatriz Flores; RODRIGUES, Mariana Andrade. E-civitas Revista Científica
do Departamento de Ciências Jurídicas. Políticas e Gerenciais do UNI-BH. Belo Horizonte.
Vol. III, n. 1, jul-2010, p. 18-19. ISSN: 1984-2716. Disponível em:
<http://revistas.unibh.br/index.php/dcjpg/article/viewFile/85/48>. Acesso em 22/10/2015.

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