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Agora vamos falar sobre duas questões fun-

damentais para todo ser humano: “Quem sou


eu?” e “O que vai ser de mim?”. Se você está
vivo, certamente se ocupa com essas pergun-
tas. Delas originam-se outros dois elementos
inseparáveis da vida humana: a culpa e a cri-
se existencial.

É que aquelas duas questões fundamentais


apresentam-se para nós como os dois extre-
mos de um pêndulo, sendo que uma hora nos
encontramos em um dos extremos, respon-
dendo à questão “Quem sou eu?”, e noutra
hora nos encontramos no outro extremo, res-
pondendo à questão “O que vai ser de mim?”,
sem jamais poder dedicar às duas, ao mes-
mo tempo, toda a nossa energia e atenção. A
questão não respondida, então, começa a nos
incomodar, e a culpa por termos deixado-a
de lado precipita-nos numa crise. Nesta crise,
passamos ao outro extremo — e essa dinâmi-
ca, por sinal, é a dinâmica da própria vida.

Não há escapatória: viver é passar de um ex-


tremo ao outro, garantindo que o movimento
vital não pare. Conhecer-se e agir, agir e co-
nhecer-se. Este CA é para ajudá-lo a compre-
ender que a culpa e a crise são os fios que
se entrelaçam para formar a trama da vida
humana. A única maneira de escapar a essa
trama é deixando de viver — e a última coisa
que desejo para você é que caminhe por esta
vida como morto.
Toda segunda-feira, o seu Caderno de Ativação
traz sugestões de atividades ou reflexões
baseadas em um dos temas abordados nas
lives da semana anterior. Se você está chegando
agora, não se preocupe: o Guerrilha Way não é
uma maratona em que você tenha de alcançar
quem chegou antes, mas um barco que o
recolhe onde você está e o impulsiona para
frente. Atrasar o GW não dá juros. Aliás: não se
atrasa o GW. A hora certa para se fazê-lo é a hora
que se faz ele. A quantidade ideal é a quantidade
feita.
L I V E #74
Transmitida em 1o de julho de 2019

1
Acesse o Portal GW para conferir os áudios e vídeos das lives da semana passada.
Duas perguntas vão aparecer para você sem-
pre: “Quem sou eu?” e “O que vai ser de mim?”
Se você está com o foco nos projetos, em cres-
cer na carreira, sua pergunta é “O que vai ser
de mim?”. Mais cedo ou mais tarde baterá uma
insegurança. Por quê? Porque você se esque-
ceu de se perguntar “Quem eu sou?”. Por ou-
tro lado, se você fica se perguntando “Quem
eu sou?”, vai se culpar por ter feito menos do
que poderia.

A incapacidade de responder as duas ao mes-


mo tempo é que gera o movimento da culpa
e da crise. Mas como resolver isso? Não se re-
solve. E isso é uma coisa maravilhosa! Experi-
mentar essa crise é sentir que estamos vivos.
Tentar achar um meio termo é ficar morno.
Força é que vivamos nos extremos, mesmo
sendo impossível viver nos dois simultanea-
mente. É perfeitamente possível, apesar dis-
so, viver uma vida com intensidade. Recusar
a intensidade é querer ser coisa. Se você es-
colheu isso, a crise vai te pegar de jeito no
leito de morte.

Em uma pesquisa, uma enfermeira australia-


na perguntou aos moribundos se eles se ar-
rependiam de algo, e o maior arrependimen-
to deles era: “Eu não fui eu mesmo”. Esse é o
sofrimento profundo de alguém que não quis
nem responder “Quem eu sou?” nem “O que
vai ser de mim?”, de alguém que viveu uma
vidinha morna, que escolheu ser coisa. Uma
coisa não penetra em outra sem que ela dei-
xe de ser o que é. Com o ser humano dá-se o
contrário, ele é mais ele na medida em que se
comunica, em que penetra na alma de outro
ser humano. Aceite essa condição sem medo
de se abrir à carência, à frustração, ao aban-
dono.

Só na hora da morte é que a crise existen-


cial será solucionada. Nesse momento você
contemplará a sua vida toda em um segundo
(pois estará fora do tempo) e as duas pergun-
tas cruciais estarão, finalmente, respondidas.
Nesta vida, graças a Deus, teremos de viver
de crise em crise.
Há duas perguntas que definem esta coisa
que é ser HUMANO:

E V A I SER
O QU
QUEM E M I M ?,
D
SOU E Q U E M EU
U? O U:
VOU ME
R?
TORNA

O problema é que, quando paramos para res-


ponder a uma dessas perguntas, a outra foge
do nosso horizonte de consciência. Igual
a uma amante ciumenta, cada uma dessas
questões exige a nossa exclusiva atenção, e
nunca satisfazemos a ambas ao mesmo tem-
po.

A incapacidade de responder satisfatoria-


mente às duas simultaneamente é o que gera
a crise existencial e um tipo específico de cul-
pa.
Quando você se debruça muito sobre o autoconhe-
cimento, você paralisa. A vida prática, os projetos,
acabam ficando de lado. Daí chega um dia em que
você olha para a sua vida e diz: “É, acho que até sei
algo sobre mim, mas não realizei nada.”
Por outro lado, quando você está absorvido
por seus projetos, acelerando, realizando,
a questão de quem você é, de quais são os
seus fundamentos, acaba ficando em segun-
do plano. Daí que, em algum momento, ori-
gina-se uma crise e um certo tipo de culpa
—- uma sensação de “Cadê eu? Fui eu que fiz
isso mesmo? Quem sou eu? Não me conheço
mais… Desperdicei a minha vida.”
ACONTECE QUE...
Não podemos responder satisfatoriamente
àquelas duas questões ao mesmo tempo,
e isso é a estrutura da vida humana. Viver
é oscilar entre esses 2 pólos — e essa
oscilação garante o progresso da sua vida,
desde que você VIVA INTENSAMENTE O
PÓLO NO QUAL VOCÊ ESTÁ.
E essa é uma das maravilhas da vida huma-
na. A vida é assim mesmo! Tentar fugir a essa
crise é abdicar de ser gente — é desejar ser
COISA.

As coisas têm sua existência pronta e acaba-


da — pessoas, não. Um objeto não impacta
outros objetos — um copo não é mais copo
quando ao lado de outro copo. Mas pessoas
são mais pessoas quando ao lado de um ou-
tro.

Quando você aparece na minha vida


como um amigo, como um amor, como
um desafeto, enfim, a minha vida aparece
mais. Você precipita em mim possibilidades
que jamais apareceriam, não fosse você.

Existe um tipo de gente que está protegido


contra essa influência.

Mas, vivendo sete palmos abaixo da terra,


não podem nos contar como é.
O PERIGO
ESTÁ NO MEIO
Confira o caça-palavras abaixo e veja quais
palavras você consegue encontrar (e a posi-
ção delas):

S E R G E N E R O S O L M P A
U M R W E S P H L F W J E R U
A O U Z Y W E L S C T R U O T
R Z Y E F Z N A V B H Z S X O
A R I N K R A Q G B H M F Y E
C S X Y A W D K J R F S U P X
A E R M V Z E I G H T C N A A
M R X N M V S F D J S B D C M
I V N L Y D I N A B R D A I E
S I C V C O V A R D I A M Ê Q
A R R E E H A E L H O L E N E
O C P N S I R V A - M E N C A
Q K P C F Q T E Y L R O T I B
L Y N E Y L X N J V P A O A I
L Q L R Q C H E U K I A S Q R

Se você se identifica com as palavras que es-


tão à esquerda[1], está tentando responder à
pergunta: O que será de mim?

Se você se identifica com as palavras que es-


tão à direita[2], está tentando responder à per-
gunta: Quem sou eu?
[1] Suar a camisa [2] Autoexame [3] Pena de si
Ser generoso Paciência Covardia
Servir Meus fundamen- Sirva-me
tos
você está precisando levar o GW mais a sério.
Se você se identifica com o que está no meio[3],
“Tá legal, já entendi
que viver é estar em
um dos lados do pêndulo.

MAS COMO
VIVER SEM SE
PERDER?”
1 - O EXAME DE CONSCIÊNCIA
DIÁRIO, BREVE E NOTURNO:
RESPONDER DIARIAMENTE
ÀS 3 PERGUNTAS:
O QUE FIZ
BEM HOJE?
O QUE FIZ MAL?
O QUE PODERIA
TER FEITO
MELHOR?
2 - PERGUNTAR-SE
REGULARMENTE: QUE
BOSTAS INTERIORES ESTÃO
EM EVIDÊNCIA NA MINHA
VIDA? TENHO SIDO…
PREGUIÇOSO(A)?
AVARENTO(A)?
NERVOSINHO(A)?
ESCRAVO(A) DOS
MEUS SENTIDOS?
DESTEMPERADO(A)
NA SATISFAÇÃO DOS
MEUS APETITES?
INVEJOSO(A)?
SOBERBO(A),
ACHANDO-ME
MAIOR QUE DEUS?
ASSIM, VOCÊ CONSEGUIRÁ
UMA PONTE ENTRE AQUELE
QUE VOCÊ É HOJE E AQUE-
LE EM QUEM VOCÊ ESTÁ SE
TRANSFORMANDO.
COMUNIQUE-SE
HOJE!
A comunidade Guerrilha Way tem mais de 20.000
pessoas. Já parou para pensar que vocês têm
algo em comum? Comunique sua experiência GW
postando vídeos, fotos ou textos sobre as atividades
da semana. Use a hashtag #GWsemana27.

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cada vez melhor. Envie suas críticas, sugestões ou elogios para
aluno@italomarsili.com.br. Será um prazer ouvir você!