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Noções de Ciência Política p/ Câmara dos Deputados

Teoria e Questões
Prof. Igor Carneiro

AULA 00: AULA DEMONSTRATIVA


SUMÁRIO PÁGINA
1 – Apresentação 1-2
2 – Breve Introdução à Ciência Política 4-9
3 – Organização Política Brasileira 10 – 24
4 – Questões Objetivas 25 – 50
5 – Questão Discursiva 51

1 - APRESENTAÇÃO

Olá, caro aluno do Estratégia e futuro Analista Legislativo!

Seja muito bem-vindo ao curso de Noções de Ciência Política para


o concurso da Câmara dos Deputados. É uma enorme satisfação estar aqui
com você!

Meu nome é Igor Carneiro, sou Bacharel em Relações Internacionais


pela Universidade de Brasília e ocupo o cargo de Analista de Comércio
Exterior, no Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior –
MDIC. Quero parabenizá-lo pela iniciativa e coragem de preparar-se para
enfrentar um concurso de altíssimo nível.

Este curso tem como objetivo ajudá-lo a construir uma base


conceitual para resolver as questões colocadas pela banca e, também, auxiliar
no estabelecimento de conexões entre os diferentes elementos da matéria.
Lembre-se de que esta matéria também poderá ser objeto de avaliação
na prova discursiva!

Com certeza, em um certame tão concorrido, sabemos que as


questões de Noções de Ciência Política serão de suma importância para a
sua aprovação. Permaneço, portanto, disponível para eventuais dúvidas e
esclarecimentos pelo e-mail: igorcarneiro@estrategiaconcursos.com.br .

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Por fim, em razão de ser este um concurso de alto nível, gostaria de


deixar-lhes uma frase de motivação para que se recordem sempre que as
circunstâncias parecerem adversas no rumo de sua preparação:

“É muito melhor arriscar coisas grandiosas, alcançar triunfos e


glórias, ainda que se exponha à derrota, do que formar fila com os pobres de
espírito que nem gozam muito nem sofrem muito, porque vivem nessa
penumbra cinzenta que não conhece vitória nem derrota.”

(Theodore Roosevelt)

No que diz respeito ao conteúdo, vejamos o que prevê o edital:

NOÇÕES DE CIÊNCIA POLÍTICA: 1 Organização Política Brasileira; 2 Sistema


Eleitoral Brasileiro; 3 Sistema Partidário Brasileiro; 4 Mandato Eletivo 4.1
Representação 4.2 Relação com a sociedade 5 Sistemas de Governo 5.1 Democracia
Direta e Representativa 5.2 Presidencialismo 5.3 Separação de Poderes.

Com base no exposto, nosso curso está dividido da seguinte forma:

ASSUNTO DATA
AULA 00 Introdução e Organização Política Brasileira 10/08
AULA 01 Sistema Eleitoral Brasileiro 21/08
AULA 02 Sistema Partidário Brasileiro, Mandato Eletivo, 01/09
Representação, Relação com a sociedade
AULA 03 Sistemas de Governo, Democracia Direta e 13/09
Representativa, Presidencialismo e Separação
de Poderes

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2- Breve Introdução à Ciência Política

O que é Ciência Política?

Antes de começarmos a abordar o conteúdo de maneira específica,


convém fazermos uma breve introdução acerca da Ciência Política, tendo em
vista que não é uma matéria a qual muitos dos candidatos estão acostumados
a estudar. Aqui buscaremos mencionar rapidamente alguns conceitos úteis e
que perpassam, de maneira transversal, muito do conteúdo mencionado no
edital.
Primeiramente, é importante saber que, ainda que os estudos acerca da
política sejam bastante antigos, o surgimento da Ciência Política como área
autônoma de estudos acadêmicos é relativamente recente. Somente no final
do século XIX e início do século XX surgem as primeiras cátedras de Ciência
Política na América do Norte e na Europa. Meus amigos, como todo campo do
conhecimento, a Ciência Política tem o seu objeto de estudo. Qual seria
então esse objeto?
Ainda que haja mudanças de ênfase em relação às diversas escolas,
pode-se dizer que o poder é o foco dos estudos dessa área do conhecimento
humano. Em seu sentido mais geral, “poder” significa a capacidade de agir ou
de produzir efeitos. É interessante destacar, no entanto, que a Ciência Política
tem seu foco no poder em seu sentido especificamente social.
Na análise dos fenômenos políticos, é interessante notarmos que o
homem é ao mesmo tempo sujeito (causador) e objeto (destinatário) do
poder social. É esse poder social o que explica a capacidade de uma mãe dar
ordens a seus filhos e de um governo dar ordens a seus cidadãos. Segundo
essa lógica, pode-se dizer que, para que se verifique a existência de poder, são
necessários dois elementos fundamentais: um indivíduo ou grupo que o exerce
e, do outro lado, um indivíduo ou grupo que é induzido a se comportar como
desejado por aquele.

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A Ciência Política busca organizar-se de acordo com métodos ditos
científicos e concentrar-se na análise empírica dos fenômenos políticos. A
Ciência Política busca compreender, portanto, os fatos políticos e seus
mecanismos de ação.
Grandes esforços foram empreendidos por muitos cientistas políticos
para diferenciar sua área de estudo da chamada Filosofia Política, a qual se
ocuparia do chamado dever-ser (proposições normativas), enquanto a Ciência
Política estaria preocupada com o ser (a análise dos fatos). Isso se deve ao
fato de que, entre os temas mais controversos das primeiras teorias políticas,
a análise da natureza humana sempre foi um ponto central. Enquanto
Aristóteles via o homem como um animal político, que tende ao convívio
social; Rousseau o veria como um ser naturalmente bom, porém corrompido
pela sociedade; Maquiavel vê a natureza humana como perversa. De qualquer
modo, as distinções nem sempre são bastante claras, haja vista as várias
obras clássicas de outros autores como Montesquieu e Tocqueville, que
inspiraram, também, os estudos da ciência política. Os pensadores
mencionados foram fundamentais ao estudo científico da política ao formular
teorias gerais para explicação dos fenômenos políticos, principalmente com
base no estudo histórico.
Outro ponto para o qual devemos chamar atenção é que a Ciência
Política é muitas vezes vista como a “Ciência do Estado”. Muitos dos cientistas
políticos têm buscado estudar os fenômenos do poder dentro dos mecanismos
de organização estatal. Nesse esforço de compreensão do poder, não se exclui
a análise do ordenamento jurídico vigente. Por essa razão, vocês notarão que
há interseções claras entre o estudo da Política e o Direito. Contudo, o fato de
a banca haver optado por inserir no certame uma matéria específica
denominada Noções de Ciência Política nos fará privilegiar, sempre que
possível, a abordagem político-institucional em detrimento da abordagem
jurídica.

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A política e o Estado

O Estado é basicamente o resultado de um processo histórico de


centralização do poder por meio da formação de uma instituição ampla que
termina por compreender o âmbito completo das relações políticas. Em vez da
fragmentação política em feudos ou clãs, a racionalização e as condições
históricas impuseram a formação de fortes governos centrais. Isso quer dizer
que o poder passar a existir de maneira centralizada em determinado
território (espaço físico onde ele é exercido).
Uma definição consagrada no meio acadêmico é de que o Estado é
“uma ordenação que tem por fim específico e essencial a regulamentação
global das relações sociais entre os membros de uma dada população sobre
um dado território, na qual a palavra ordenação expressa a ideia de poder
soberano, institucionalizado” (José Afonso da Silva, Curso de Direito
Constitucional Positivo, 1994, p.99)
O filósofo e matemático inglês Thomas Hobbes (1588-1679) foi um dos
mais importantes autores a pensar o Estado e sua relação com a natureza
humana. Segundo Hobbes, as paixões humanas representavam um grande
perigo para a coexistência em sociedade, pois havia já a ideia de que o estado
de natureza do homem era perverso. Os desejos humanos por riqueza, honra e
mando, bem como a situação de escassez dos recursos levaria a sociedade
naturalmente ao conflito. O hedonismo (busca incessante pelo prazer) foi
uma das características apontadas por Hobbes para justificar a existência de
um ente superior (o Estado) capaz de arbitrar os conflitos sempre iminentes.
Para viabilizar o progresso e a civilização, Hobbes defende a ideia de concessão
do poder ao soberano (que representa o Estado) por meio de um contrato de
autorização. Tal contrato impõe que o indivíduo renuncie a seu direito natural
de liberdade incondicional em favor do Estado e aceite a vontade e a decisão
de um determinada pessoa (soberano). As ideias de Hobbes integram o
chamado contratualismo, o qual explica a existência do Estado como um
acordo de vontades entre os indivíduos e seus governantes. Outros pensadores

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como Locke, Rousseau e Kant também integram a corrente contratualista,
ainda que enxerguem a natureza do homem de maneira diversa.
O filósofo e sociólogo alemão Max Weber, por sua vez, em sua obra
Política como Vocação, define o Estado como ente detentor “do monopólio da
força legítima”. Para Weber, a Política pode ser entendida como qualquer
atividade em que o Estado tome parte, de que resulte uma distribuição relativa
da força.
A visão jurídica do Estado ocorre principalmente por meio da noção de
personalidade que lhe é atribuída. O reconhecimento da personalidade
jurídica do Estado, segundo o Direito, ocorre tão logo se verifiquem os
seguintes elementos:

1) Território: Espaço físico limitado onde se exerce o poder político;

2) Povo: Comunidade humana com vínculos jurídicos, políticos e


culturais com o território, submetida a um governo;

Atenção: Note que a noção de povo é distinta da noção de


população, a qual é um conceito demográfico!

3) Governo soberano: Autoridade incumbida de regular o exercício do


poder Estatal e que desconhece autoridade superior à do Estado,
tanto na ordem interna como na ordem internacional.

Estado e Nação

Muitas pessoas tratam esses termos como sinônimos, entretanto


precisamos atentar para diferenças entre os dois conceitos.

Estado: Trata-se de uma instituição político-jurídica em que se


pressupõe um poder central. O conceito de Estado está fortemente ligado à
consolidação dos Estados europeus a partir do século XIV, sendo Portugal um
dos pioneiros desse processo. Os vínculos entre os indivíduos e o Estado são
de natureza política e jurídica (nacionalidade).

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Nação: A etimologia da palavra nação revela que ela provém de natio


(latim), e tem a mesma origem do verbo nascer. Logo, vemos que nação tem
a ver com a identidade, seja por local de nascimento ou afinidades culturais.
Os vínculos das pessoas com a nação são estabelecidos por laços culturais e,
muitas vezes, ideológicos.

Estado-nação: A ideia de Estado-nação foi muito forte e importante na


Europa do século XIX. Essa ideia serviu de base para a defesa da unificação de
Estados como a Alemanha e a Itália, uma vez que eram exaltadas as
afinidades linguísticas e culturais que uniam os povos de diferentes territórios.
De acordo com essa corrente política (nacionalismo), os Estados deveriam
ser o reflexo político e jurídico das nações. Interessante notar que esse
pensamento desafiava a existência de Estados multinacionais, como era o caso
do Império Austro-Húngaro.

Legitimidade

A legitimidade pode ser definida com um atributo do governo. Pode-se


afirmar que ela está presente quando há um grau de consenso entre grande
parte da população o qual seja capaz de assegurar a obediência sem a
necessidade de recorrer frequentemente ao uso da força. É por isso que
ouvimos falar em governos ilegítimos.
A importância da legitimidade é fundamental, pois é ela que faz surgir a
autoridade (poder legítimo). Alguns séculos atrás, buscava-se a legitimação
do poder por meio de argumentos teológicos, tais como o direito divino dos
reis (o qual teve Jacques Bossuet como principal defensor). Atualmente, a
legitimação do poder tem sido buscada, principalmente, por elementos como a
tradição, o carisma, as leis e a razão.

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Soberania

Este conceito está imbricado com o conceito de Estado. A ideia de


soberania teve em Jean Bodin um de seus principais defensores e que definiu
soberania como “o poder absoluto e perpétuo de uma República”, no século
XVI. A soberania decorre, portanto, da formação de uma unidade onde se
concentra o poder e pressupõe a inexistência de poder superior ao próprio
Estado, tanto no âmbito interno (território) como no âmbito externo (relações
internacionais).
O professor Dallari conceitua soberania de dois modos principais. Em
seu sentido político, ela significaria: “poder incontrastável de querer
coercitivamente e de fixar competências”. Já em seu sentido jurídico, a
soberania poderia ser definida como “o poder de decidir em última instância”.
Dallari caracteriza, ainda, a soberania como: Una, Indivisível, Inalienável e
Imprescritível.
O jurista Miguel Reale, por sua vez, define soberania como:
"poder de organizar-se juridicamente e de fazer valer dentro de seu
território a universalidade de suas decisões nos limites dos fins éticos de
convivência”.

Vale mencionar que, com o advento da Idade Contemporânea, surge o


princípio da soberania popular, segundo o qual todo o poder emana do povo,
que o exerce por meio de representantes eleitos. Esse conceito pode ser
considerado recente do ponto de vista histórico e será abordado em mais
detalhes em uma próxima aula.

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Governo
Acerca da definição de governo, convém analisarmos o que diz José
Afonso da Silva, segundo o qual este corresponde “ao conjunto de órgãos
mediante os quais a vontade do Estado é formulada, expressada e realizada,
ou o conjunto de órgãos supremos a quem incumbe o exercício das funções do
poder político” (Curso de Direito Constitucional Positivo, 1994, p.109).
Cabe ainda mencionar que o governo pode ser exercido de várias
formas, segundo a maneira pela qual se organiza o poder na sociedade e a
relação do governo com seus governados. As principais formas de governo
são a Monarquia e a República.

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3 – Organização Política Brasileira

Formação política do Brasil

Não é possível compreender o nosso país sem conhecer um pouco de


sua formação histórica. Nesse sentido, convém fazermos um breve relato de
nossa trajetória política.
O ano de 1808, com a chegada da família real portuguesa ao Brasil,
marca o início de nossa verdadeira autonomia política. Considerando que
a sede do Império português havia sido transplantada para o Rio de Janeiro,
não se podia mais falar no Brasil como uma simples colônia. Passávamos
então à condição de centro político, em razão da ocupação de Lisboa pelas
tropas de Napoleão. Nesse contexto, as instituições administrativas e
políticas essenciais ao governo, como os tribunais, os conselhos imperiais, a
imprensa oficial e os comandos militares tiveram de instalar-se na nova
sede.
A partir de 1815, ocorre a reafirmação da inserção do Brasil, de
maneira plena e igualitária nos assuntos políticos do império português, ao
se adotar a designação oficial de Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves.
Interessante notar, portanto, que nossa condição de colônia já não
existia desde 1808, sendo oficializada a ascensão do Brasil como ente
autônomo do império em 1815. Seria, realmente, inviável sustentar a ideia
de que o Império português era governado a partir de uma de suas colônias.
Essa foi a maneira engenhosa que Dom João VI encontrou de inserir o Brasil
no contexto político europeu e de assegurar a legitimidade dos atos
expedidos a partir do Rio de Janeiro perante seus súditos e perante as

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demais potências europeias.
A situação, no entanto, mudou de maneira súbita com a
chamada Revolução do Porto, a qual eclodiu em Portugal no ano de 1820.
Entre as principais reivindicações estavam: o retorno da Corte Imperial a
Lisboa e a retomada da condição de colônia ao Brasil (o que implicaria
severas restrições ao comércio com países estrangeiros). Em 1821, D. João
VI teve de retornar a Lisboa para não arriscar perder a condição de
governante de Estado europeu. No Brasil, ficou o príncipe herdeiro D. Pedro
de Alcântara, o qual seria o responsável pela emancipação política e
fundação do Império do Brasil, em 1822.
Após quase duzentos anos de trajetória política independente, ainda
nos vemos diante de enormes desafios para a consolidação de um Estado
que atenda às expectativas de sua população. Algo notável em longos
períodos da história política brasileira é o afastamento das camadas
populares no que se refere à participação política. Além disso, não se
verificam grandes rupturas nas estruturas sociais, as quais decorrem
normalmente das revoluções. A esse respeito, basta lembrarmos que, ao
conquistarmos a Independência, continuamos a ser governados pelo
herdeiro da antiga metrópole.
A proclamação da República logrou separar o Estado da Igreja,
tornando o Brasil um Estado laico. Além disso, a República substituiu um
Estado aristocrático (governo da nobreza) por um Estado oligárquico
(governo de poucos). Diz-se, ainda, que perdurou no Brasil uma
plutocracia (governo dos ricos) que favoreceu a desigualdade e a baixa
mobilidade social.
A partir de um olhar atento de nossa história, vemos uma tendência
marcante da preferência por arranjos políticos que priorizem a conciliação,
em detrimento de rupturas que alterem as bases políticas e sociais. Desse
modo, ao não rompermos de forma enérgica com velhas tradições e
instituições, continuamos a herdar práticas e costumes que remontam ao
início de nossa formação política.

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O Estado Brasileiro

Caros alunos, a partir desta seção vamos analisar mais


especificamente a organização política e institucional de nosso país. Apesar de
já havermos mencionado anteriormente, é importante reiterar que haverá
claras interseções com aprendizados de Direito, uma vez que é a Constituição
Federal um instrumento não somente jurídico, mas também político.
Entretanto, o foco da matéria Noções de Ciência Política deve ser tanto
quanto possível a análise dos mecanismos políticos. Tentaremos evitar,
portanto, o aprofundamento excessivo na análise jurídico-normativa.

Primeiramente, é importante destacar que nosso processo de


independência ensejou o rompimento completo dos vínculos políticos e
jurídicos com o Estado português em 1822. A primeira constituição, imposta
ao país de maneira autoritária, somente em 1824, serviu à legitimação do
poder monárquico no novo país. Percebemos, portanto, que a primeira
constituição surgiu após quase dois anos de nossa independência. Afinal, em
que momento surgiu o Estado brasileiro?
Segundo as correntes filosóficas e jurídicas mais atuais, as quais
defendem o fortalecimento da democracia, qualquer tese que defenda a
precedência do Estado em relação à Constituição deve ser vista com bastante
cautela. Mas por quê?
Segundo a maior parte dos juristas, defender que o Estado existe
independentemente de uma ordem constitucional poderia colocar em perigo a
ordem democrática, pois isso afrontaria o constitucionalismo vigente que
sustenta a existência de um Estado Democrático de Direito. Para o
constitucionalismo, o Estado decorre da Constituição, que o estabelece e
organiza o exercício do poder estatal pelo território. Como restou claro, essa
corrente integra um movimento jurídico e político que busca, por meio da
constituição, estabelecer os parâmetros para o exercício do poder estatal pelo
governante.

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De acordo com a Constituição de 1988, o Brasil constitui uma
República Federativa, cujos fundamentos (art.1º) são: soberania, cidadania,
dignidade da pessoa humana, os valores sociais do trabalho e da livre
iniciativa e o pluralismo político.

O que se entende por uma “República Federativa”?

Nosso processo histórico nos fez optar pela forma de governo


republicana (res publica, coisa pública em latim), o que significa que, em
vez de um monarca, temos um líder (Presidente da República) eleito
para exercer seu mandato por tempo determinado. No mo de lo
re publicano , em re gr a geral, o sufr ágio substitui a
here ditar ie dade (tr adição ) co mo cr itér io de le gitimação .

E o que quer dizer “federativa”?

Quanto à forma de exercício do poder político no território, um Estado


pode ser unitário (sem divisões político-territoriais) ou federal (dividido em
unidades político-territoriais). O termo “Federativa” vem da palavra
federação, cuja origem é o latim, dos termos foedus e foederis, significando
aliança, pacto, união.
Durante grande parte do século XIX (1822-1889), o Brasil foi um
Estado unitário, e o poder era bastante centralizado no Rio de Janeiro. As
então províncias não possuíam autonomia, a qual se verifica pelas
atribuições de auto-organização, autogoverno, autoadministração e
autolegislação. A breve experiência de descentralização ocorrida no período
regencial, por meio da edição do Ato Adicional de 1834, ocasionou severas
instabilidades políticas que fizeram a classe política brasileira temer que o
federalismo levasse o país à secessão (surgimento de novos Estados
independentes).

Desde a Proclamação da República, em 1891, o Brasil adota a Forma


de Estado de uma federação. Politicamente, o Brasil é hoje formado por um

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pacto entre diferentes entes: a União, os Estados, o Distrito Federal e os
Municípios, os quais formam a República Federativa do Brasil. Não há
hierarquia entre esses entes, havendo tão somente diferentes prerrogativas
e competências constitucionais. No Brasil, há 27 unidades federais (26
Estados e o Distrito Federal), bem como 5.563 municípios (2010).

É bom enfatizar que nenhum dos entes mencionados possui o


atributo de soberania, havendo tão somente o exercício da autonomia
política e administrativa. Um exemplo bastante elucidativo da autonomia
dos entes é a arrecadação própria de tributos, conforme os dispositivos
constitucionais. Fala-se, portanto, que a Constituição estabelece o “pacto
federativo” entre os diferentes entes da República Federativa do Brasil
(esta sim soberana!).

Cabe mencionar, ainda, que a Constituição de 1988 foi extremamente


inovadora ao tornar os municípios entes da federação, garantindo-lhes
autonomia, algo bastante controverso ainda nos dias de hoje.

Analisando nosso processo histórico, podemos classificar o nosso tipo


de federalismo como federalismo centrífugo, pois a autonomia das
unidades federais decorreu de um processo de descentralização, em
detrimento do poder central. Esse processo iniciou-se com a primeira
constituição republicana, em 1891. A instituição do modelo federal
transformou as províncias em Estados e fez surgir os Estados Unidos do
Brasil.
O modelo centrífugo difere claramente do federalismo centrípeto
constatado nos Estados Unidos da América e na Suíça, onde havia unidades
soberanas que formaram uma confederação e, posteriormente, abriram mão
de competências em benefício de um governo central por meio de um pacto
federal.
Em nossa organização política atual, para viabilizar o funcionamento
do Estado Federal, estabeleceu-se a repartição de competências, a fim de
determinar como devem se dar as relações entre os entes federativos e
evitar que haja sobreposição de ações ou ausência de responsabilidades das

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atividades a serem desempenhadas pelo Estado.

São espécies de competências:

1) Exclusiva: somente um dos entes é competente para agir,


excluindo os demais;

2) Privativa: um ente competente pode permitir que outros entes


elaborem normas específicas sobre determinado tema, mediante
delegação de competência, ou permitir suplementação da própria
legislação;

3) Comum, cumulativa ou paralela: quando a questão interessa e


compete a mais de um ente ou quando todos os entes são instados
a agir;

4) Concorrente: em tais casos, compete à União elaborar leis gerais,


as quais os Estados ou municípios poderão mais tarde
regulamentar;

5) Supletiva: compete aos Estados nos casos em que não haja lei
federal. Assim que a União legislar sobre o tema, a lei estadual
deixará de vigorar.

6) Remanescente: cabem aos Estados as competências que não


forem atribuídas pela Constituição à União ou aos municípios.

Devemos ter em mente que o princípio geral para a repartição das


competências entre os entes federados é o da predominância do
interesse. Caberá à União, portanto, as matérias e questões de interesse
geral, aos Estados as matérias de interesse predominantemente regional e
aos municípios os assuntos de interesse local.
Cabe chamarmos atenção especial em relação ao Distrito Federal, o
qual acumula, em regra, as competências estaduais e municipais (CF, art.
32, § 1.º).

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“Art. 32. O Distrito Federal, vedada sua divisão em Municípios, reger- se-á por lei
orgânica, votada em dois turnos com interstício mínimo de dez dias, e aprovada por dois
terços da Câmara Legislativa, que a promulgará, atendidos os princípios estabelecidos nesta
Constituição.

§ 1º - Ao Distrito Federal são atribuídas as competências legislativas reservadas aos


Estados e Municípios.

§ 2º - A eleição do Governador e do Vice-Governador, observadas as regras do art.


77, e dos Deputados Distritais coincidirá com a dos Governadores e Deputados Estaduais,
para mandato de igual duração.

§ 3º - Aos Deputados Distritais e à Câmara Legislativa aplica-se o disposto no art.


27.

§ 4º - Lei federal disporá sobre a utilização, pelo Governo do Distrito Federal, das
polícias civil e militar e do corpo de bombeiros militar.”

Seguindo outros métodos de classificação, o federalismo brasileiro


pode ser caracterizado, também, como:

a) Federalismo por desagregação (ou segregação), em razão da


descentralização ocorrida a partir de um Estado unitário;

b) Federalismo cooperativo, pois há grande número de


competências comuns e concorrentes, gerando uma aproximação
entre os entes federados;

c) Federalismo assimétrico, tendo em vista a existência de


diversidade de desenvolvimento e de culturas;

d) Federalismo de equilíbrio, pois deve haver harmonia e


autonomia para o reforço das instituições;

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Por fim, é fundamental lembrar que a forma federativa da República
Federativa do Brasil não pode ser abolida, segundo o princípio da
indissolubilidade do vínculo federativo, sendo considerada “cláusula
pétrea” da Constituição Federal. A fim de garantir a soberania da
República Federativa do Brasil, sua integridade territorial e a
unidade do ordenamento jurídico a União poderá utilizar-se do instituto
da intervenção nos Estados membros (intervenção federal), regulada
pelos dispositivos constitucionais.
Há, ainda, previsão constitucional para intervenção dos Estados nos
municípios de seus territórios (intervenção estadual) e da União, somente
nos municípios de Territórios Federais, nos seguintes casos (CF, art.35):
I - falta de pagamento, sem motivo de força maior, por dois anos consecutivos, de
dívida fundada;
II - não prestação de contas devidas, na forma da lei;
III - falta de aplicação do mínimo exigido da receita municipal na manutenção e
desenvolvimento do ensino e nas ações e serviços públicos de saúde
IV – provimento do Tribunal de Justiça à representação para assegurar a
observância de princípios indicados na Constituição Estadual, ou para prover a execução de
lei, de ordem ou de decisão judicial.

Separação dos Poderes

Trataremos mais profundamente deste tema em uma próxima aula,


em que abordaremos as ideias de Montesquieu e a Teoria da Divisão
Funcional do Poder. Neste momento, basta-nos reiterar que o
funcionamento independente e harmônico dos poderes Executivo, Legislativo
e Judiciário é fundamental para assegurar o Estado de Direito e a
continuidade democrática no país.

E por que a República Federativa é soberana?

Com já mencionamos, a soberania foi um conceito elaborado pelo


intelectual francês Jean Bodin, no século XVI. O que significa dizer, portanto,

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que o Brasil é um Estado soberano?
Segundo tal conceito, a República Federativa do Brasil não
reconhece nenhum outro poder ou jurisdição dentro de seu território. No
plano internacional, ser soberano significa que não se reconhece nenhum
outro poder superior à República Federativa do Brasil, a qual pode
estabelecer compromissos ou aceitar regras tendo como único critério a sua
própria vontade. Desse modo, nenhum outro poder pode impor à República
Federativa do Brasil regras ou compromissos que ela não decida aceitar
livremente.

Cidadania

A ideia de cidadania vem do latim, civitas. Interessante notar, no


entanto, que a expressão passou por uma evolução de seu significado ao
longo dos séculos.
Após a independência dos Estados Unidos e a Revolução Francesa, o
conceito de cidadão passa a ser utilizado em oposição à ideia de súdito, a
qual prevalecia nos regimes monárquicos absolutistas (em que os monarcas
tinham amplos poderes). Nesse contexto, em 1789, o governo revolucionário
francês emitiu a chamada Declaração dos Direitos do Homem e do
Cidadão.
O cidadão tem, portanto, o direito de intervir na direção dos negócios
estatais, na formação do governo (pelo voto, por exemplo) e a ter a chance
de participar em sua administração (por concurso público, o seu caso!). O
jurista Luiz Flávio D’Urso define cidadania como “o direito de ter direitos”.
Nas sociedades democráticas, no entanto, cidadania pressupõe direitos,
desde que haja cumprimento dos deveres pelo cidadão.

Pluralismo político
Um dos valores essenciais a uma sociedade democrática é o
pluralismo político. Isso quer dizer que as pessoas são livres para formar
partidos que defendam diferentes projetos de Estado.

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Não se pode, portanto, restringir a participação política somente a
filiados a determinado partido ou ideologia. Trataremos mais desse assunto
em uma próxima aula, quando falarmos com maior profundidade dos
partidos políticos.

Legislativo Federal

O modelo legislativo brasileiro surgido com a Constituição de 1824 era


inspirado no sistema bicameral britânico (Câmara dos Lordes e Câmara dos
Comuns). Ainda que, no Brasil, as instituições já se chamassem Câmara dos
Deputados e Senado, este funcionava como representação das altas classes
aristocráticas, e o mandato de seus representantes era vitalício. A existência
do Senado era, portanto, bastante controversa. O Regente Diogo Feijó (1784-
1843) chegou mesmo a propor a extinção do Senado e a transformação da
Câmara dos Deputados em uma Assembleia Nacional.
Havia, na organização política brasileira, também, influência da
doutrina francesa de divisão e harmonia dos poderes do Estado (elaborada
pelo Barão de Montesquieu). A criatividade brasileira foi, no entanto,
surpreendente ao instituir um quarto poder, chamado de poder moderador,
o qual cabia ao Imperador e era superior a todos os demais no arbitramento
de eventual conflito entre os poderes.
A instalação da forma de governo republicana buscou inspiração no
modelo norte-americano, mantendo o bicameralismo, contudo, transformando
o Senado em representante das unidades da federação e a Câmara dos
Deputados na representação do povo.
A nossa Constituição Federal de 1988 preserva o legado histórico de
nosso sistema bicameral. No âmbito político-institucional, estabelece que o
Presidente da Câmara dos Deputados sucede ao Presidente da República
quando esteja impedido o Vice-Presidente (art. 80). Por outro lado, a
Constituição estabelece que cabe ao Presidente do Senado a presidência do
Congresso Nacional (instituição que funciona com a reunião das duas casas).
De modo a buscar o equilíbrio de funções, a atual Constituição determina que
cabe à Câmara dos Deputados abrir processo contra altas autoridades da

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União, enquanto compete ao Senado processá-las e julgá-las (art. 52, I e II).
Além disso, vale ressaltar que as Casas Legislativas têm autonomia para a
sua organização interna, conforme previsto no texto constitucional.
No Brasil, não há, portanto, prevalência de uma casa legislativa sobre
a outra. Na verdade, durante o processo legislativo, uma das casas funciona
como contrapeso da outra, segundo suas funções institucionais típicas.
Durante o processo legislativo, é comum que uma das casas seja denominada
de casa iniciadora (aquela que propôs a norma) e a outra, casa revisora
(aquela que irá aprovar ou rejeitar o projeto aprovado na casa iniciadora).
De acordo com a Constituição, o funcionamento do Legislativo ocorre
com base na legislatura, a qual tem a duração de quatro anos. A legislatura
é o tempo de duração de cada composição do Congresso Nacional. Isso
significa que, a cada quatro anos, realizam-se eleições para renovar a
composição do Poder Legislativo federal. Na Câmara dos Deputados, a
renovação dos mandatos é completa, enquanto que no Senado ocorre
alternadamente, por um terço e dois terços de sua composição nos
sucessivos pleitos. Além disso, os deputados são eleitos para um mandato de
quatro anos (uma legislatura), enquanto os senadores são eleitos para uma
mandato de oito anos (duas legislaturas).

Câmara dos Deputados

A Câmara dos Deputados é composta por representantes do povo


brasileiro, eleitos pelo sistema proporcional, nos Estados, Territórios e no
Distrito Federal. A Constituição não determina o número total de Deputados
Federais. Essa determinação é feita em lei complementar. Atualmente, são
quinhentos e treze.
Essa lei complementar estabelece a divisão das vagas pelos Estados e
Distrito Federal de maneira proporcional às respectivas populações.
Estabelece-se o mínimo de oito e o máximo de setenta deputados por
unidade da federação. No caso de haver Territórios, estes podem eleger um
número fixo de quatro Deputados. No momento, não há Territórios no Brasil,

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tendo sido os últimos emancipados e se tornado Estados pela atual
Constituição.
A cada eleição devem ser feitos os ajustes necessários a fim de
manter-se a proporcionalidade. Para isso, deve-se analisar o crescimento da
população de cada Estado.

Senado Federal

Os senadores são eleitos em cada Estado e no Distrito Federal de


acordo com o princípio majoritário. Os candidatos mais votados ganham a
eleição, uma vez que não há divisão proporcional de vagas com base nos votos
obtidos por cada partido.
Cada unidade da Federação tem direito a três senadores, os quais
cumprirão mandato de oito anos (duas legislaturas). Pode-se dizer que a
representação igualitária no Senado decorre do princípio da isonomia
federativa dos Estados membros. Atualmente, há no Brasil oitenta e um
senadores. Ocorre, no entanto, a renovação do Senado alternadamente a cada
quatro anos, elegendo-se num pleito um terço e no seguinte dois terços.
Como Casa representativa da Federação, o Senado tem competências
privativas. São elas algumas delas:

 processar e julgar o Presidente e o Vice-Presidente da República nos crimes


de responsabilidade;

 aprovar a escolha de autoridades como os Ministros do Supremo Tribunal


Federal, o Procurador-Geral da República e os chefes de missão diplomática de
caráter permanente;

 autorizar operações externas de natureza financeira, de interesse da União,


dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios;

 suspender a execução, no todo ou em parte, de lei declarada


inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal.

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Congresso Nacional

É importante recordarmos que há casos de matérias que devem ser


apreciadas em sessões conjuntas do Congresso Nacional. Tais são os casos da
apreciação de vetos presidenciais e das leis orçamentárias, ensejando o
funcionamento de uma assembleia composta pelos Deputados e Senadores.
Apesar de tratar-se de uma sessão conjunta, as deliberações são tomadas
bicameralmente, obtendo-se os votos de cada Casa separadamente, embora
os procedimentos de instrução e discussão sejam feitos por meio de colegiados
mistos.
Por fim, não devemos nos esquecer do papel fiscalizador do
Legislativo. As Casas do Congresso Nacional têm competência para a
instalação de Comissões Parlamentares de Inquérito e contam com o
auxílio do Tribunal de Contas da União para fiscalizar as ações dos demais
poderes. As atribuições do chamado controle externo são exemplos do
mecanismo de checks and balances (freios e contrapesos) que visa a impedir
abusos e o ressurgimento do poder absoluto.

Legislativos Estaduais e Municipais

A existência de Legislativos estaduais (Assembleias Legislativas) e


municipais (Câmaras Municipais) decorre da forma de estado federal de
nossa República. A autonomia dos entes federais garante-lhes competências
para autolegislação, nos limites da Constituição Federal. Interessante notarmos
que os legislativos dos Estados e Municípios, ao contrário do Legislativo
Federal, possuem uma estrutura unicameral em razão de determinações
constitucionais. Muitos argumentam que não faria sentido a existência de um
Senado Estadual, haja vista não haver unidades federadas a representar.
Entretanto, vale mencionar que nos Estados Unidos há bicameralismo
estadual, com a existência de senados estaduais.
Ressalte-se, ainda, que, no caso do Distrito Federal, a existência de

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competências estaduais e municipais fez surgir uma Câmara Legislativa
(Câmara Municipal + Assembleia Legislativa). Além disso, o Distrito Federal
não dispõe de Judiciário próprio (o qual está integrado aos quadros da União).

O Poder Judiciário
O Poder Judiciário brasileiro está estruturado, em regra, segundo o
princípio do duplo grau de jurisdição. Isso quer dizer que os Estados e União
dispõem de duas instâncias de julgamento. No caso dos Estados, os recursos
de primeira instância podem ser submetidos ao julgamento dos Tribunais de
Justiça.
A União, por sua vez, dispõe de justiças especializadas e tribunais
superiores, havendo possibilidades de recurso dependendo do tipo de ação
(Tribunais Regionais Federais, Tribunais Regionais do Trabalho, Tribunais
Regionais Eleitorais, Tribunal Superior Eleitoral, Tribunal Superior do Trabalho,
Superior Tribunal Militar, Superior Tribunal de Justiça, Supremo Tribunal
Federal, entre outros). Deve-se ainda mencionar a importância do Conselho
Nacional de Justiça como órgão de controle administrativo da atividade
judiciária.
É importante mencionar que os municípios não possuem Poder
Judiciário. Além disso, como mencionamos anteriormente, o Poder Judiciário
no âmbito do Distrito Federal é exercido pela União.

Poder Executivo
Caros, segundo a definição de Gianfranco Pasquino: “Em princípio,
com as expressões poder Executivo e procedimento Executivo se indicam as
atividades do Governo em sentido lato, em contraposição ao legislativo, que se
refere às atividades do Parlamento, e ao judiciário, que se refere às atividades
da magistratura”.
Cabe mencionarmos que a organização do Poder Executivo dependerá
da forma de governo (monarquias, repúblicas e governos militares) e dos
sistemas de governos (parlamentarismo e presidencialismo) adotados por
cada Estado.

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No Brasil, basta dizermos, neste momento, que o Poder Executivo é
exercido de forma republicana (representante eleito para mandato
temporário) e presidencial. O Poder Executivo é exercido, portanto, pelo
Presidente da República, auxiliado pelos Ministros de Estado (CF, art. 76).
Veremos em mais detalhes acerca deste tema em uma próxima aula.

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Teoria e Questões
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Questões Objetivas

1- (CESPE – 2009 – OAB – Primeira Fase - Adaptada)


A soberania, importante característica do palco internacional, significa a
possibilidade de
1- um Estado impor-se sobre outro.
2- a Organização da Nações Unidas dominar a legislação dos Estados
participantes.
3- celebração de tratados sobre direitos humanos com o consentimento do
Tribunal Penal Permanente.
4- igualdade entre os países, independentemente de sua dimensão ou
importância econômica mundial.

2- (FMP-RS - 2011 - TCE-RS - Auditor Público Externo – Administração)


No que concerne ao federalismo no Brasil, aponte a alternativa INCORRETA.
1- A partir da Constituição Federal de 1988, houve grande proliferação de
municípios, pois o texto constitucional transferiu a responsabilidade legal
pela definição dos critérios de criação de novos municípios, que era
prerrogativa federal, para o âmbito estadual.
2- O modelo brasileiro, quanto ao modo de separação de atribuições
(competências) entre os entes federativos, pode ser classificado como
um federalismo dual.
3- Segundo a Constituição Federal, a organização político-administrativa da
República Federativa do Brasil compreende a União, os Estados, o
Distrito Federal e os Municípios.
4- Um dos efeitos perversos da descentralização é o “hobbesianismo
municipal”, expresso entre outras coisas, na disputa das localidades por
investimentos industriais, deslegitimando as prioridades sociais em favor
dos benefícios fiscais e isenções tributárias.
5- São objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: construir
uma sociedade livre, justa e solidária; garantir o desenvolvimento

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nacional; erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as
desigualdades sociais e regionais; e promover o bem de todos, sem
preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas
de discriminação.

3- (CESPE - 2010 - Instituto Rio Branco - Diplomata - Bolsa-prêmio de


vocação para a Diplomacia – Objetiva)
O federalismo constituiu-se em diferença marcante em relação ao Império,
cuja estrutura unitária conferia amplos poderes ao governo central.

4- (FCC - 2012 - TCE-SP - Agente de Fiscalização Financeira –


Administração - Adaptada)
O conceito de estado moderno, ao contrário dos conceitos de sociedade e
mercado, fundamenta-se
1- na associação voluntária dos indivíduos.

2- na hierarquia social dos grupos sociais.

3- no monopólio da coerção legalmente exercida.

4- em consensos contingentes baseados nas preferências individuais.

5- na subordinação resultante da competição no mercado político.

5- (FUNDEP - 2011 - MPE-MG - Promotor de Justiça)


Examine as afirmativas abaixo relativas aos Estados Federados.

I. São reservadas aos Estados as competências que não lhes sejam


vedadas pela Constituição da República.
II. Os Estados organizam-se e regem-se pelas Constituições e leis que
adotarem, observados os princípios da Constituição da República.

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III. III. O número de Deputados à Assembléia Legislativa corresponderá


ao dobro da representação do Estado na Câmara dos Deputados e,
atingido o número de trinta e seis, será acrescido de tantos quantos
forem os Deputados Federais acima de doze.

IV. Os Estados poderão, mediante medida provisória, instituir regiões


metropolitanas, aglomerações urbanas e microrregiões, constituídas
por agrupamentos de Municípios limítrofes, para integrar a
organização, o planejamento e a execução de funções públicas de
interesse comum.

6- (CESPE - CL (SEN)/Sistemas Políticos e Direitos da Cidadania/2002)

Com relação às doutrinas políticas, julgue o item que se segue.

A doutrina de soberania popular atribui o poder efetivo de instituir ou eleger


um governo representativo a partir de legisladores ou de todos os cidadãos.
Gabarito: Certo

7- (ESAF - EPPGG/Gestão e Políticas Públicas/2005 - Adaptada)

Os Estados federais apresentam, quanto à sua estrutura, alguns aspectos


constantes, independentemente dos casos concretos:

1- Divisão de poderes entre União e unidades federadas mantendo-se vínculos


de coordenação e autonomia.

2- Preeminência da Constituição Federal sobre o ordenamento jurídico das


unidades federadas, sendo as alterações na primeira sujeitas a ratificação
pelas unidades federadas.

3- Limitações à descentralização a fim de preservar a unidade jurídica


nacional.

4- Soberania do Estado Nacional perante os demais Estados Nacionais e


Organismos Internacionais, soberania de que não gozam as unidades
federadas.

5- Articulação entre unidade e pluralidade.

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8- (ESAF - EPPGG/2009 - Adaptada)

A Constituição de 1988 caracteriza-se por uma orientação geral no sentido da


descentralização das políticas sociais, tais como educação, saúde, habitação e
saneamento. Os enunciados a seguir referem-se às razões para isso:

1. os governos locais estão mais próximos da população e isso facilita o


planejamento, a implementação e o controle social em relação a essas
políticas.

2. devido à heterogeneidade do País, as políticas sociais devem ser


diferenciadas e não uniformes e centralizadas.

3. a descentralização obriga os governos subnacionais a dedicarem maior


atenção às políticas sociais.

4. a descentralização reduz os custos com uma estrutura administrativa central


sem flexibilidade e distante da população a que se destinam essas políticas.
Desses enunciados:

9- (ESAF - EPPGG/2009)
Uma das questões mais complexas na organização dos estados nacionais é a
definição de um modelo adequado a cada país, considerando os vários matizes
existentes entre unitarismo e federalismo. No Brasil, o modelo variou entre
esses dois pólos desde a Independência. Os seguintes enunciados referem-se a
essa questão:
1. durante o regime militar, principalmente a partir da Constituição de 1967,
ocorreu um processo de centralização do poder e dos recursos.

2. a crise econômica dos anos 1970/80 e os anseios de redemocratização


contribuíram para que a Constituição de 1988 e a legislação posterior
revertessem a situação no sentido da descentralização.

3. o chamado "pacto federativo" brasileiro, por não ter sido fruto de um


projeto abrangente, e sim da composição de forças no Parlamento, se
caracteriza pela existência de distorções e conflitos que deram origem à
necessidade de uma reforma tributária e política.

4. uma especificidade da federação brasileira atual é a importância dos


municípios como unidades federativas, ao lado dos estados.

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10- (CESPE - 2011 - Instituto Rio Branco - Diplomata - 2ª etapa)
Com relação à organização do Estado brasileiro e à disciplina constitucional
sobre os Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário, assinale a opção correta.

1- O Supremo Tribunal Federal (STF) é o órgão de cúpula jurisdicional e


nacional do Poder Judiciário, mas não, o órgão de cúpula administrativa,
financeira e de cumprimento dos deveres funcionais dos juízes, papel
que compete, conforme dispõe a CF, ao Conselho Nacional de Justiça.

2- Compete à Câmara dos Deputados e ao Senado Federal, em conjunto ou


separadamente, a criação das comissões parlamentares de inquérito,
que têm poderes de investigação próprios das autoridades judiciais e,
portanto, podem impor penalidades ou condenações aos infratores.

3- A iniciativa popular de lei caracteriza-se como forma direta de exercício


do poder, dispensado o intermédio de representantes para dar início ao
processo legislativo de formação das normas. Nesse sentido, a CF prevê
expressamente a iniciativa popular para a apresentação de projeto de lei
e de proposta de emenda constitucional.

4- De acordo com a CF, incluem-se entre as competências privativas do


presidente da República as de manter relações com Estados
estrangeiros, acreditar seus representantes diplomáticos e celebrar
tratados, convenções e atos internacionais, sujeitos a referendo do
Congresso Nacional.

5- O Estado brasileiro, apesar de adotar o princípio da indissolubilidade do


vínculo federativo, caracteriza-se, assim como ocorre com as
confederações, pela soberania dual, na qual os entes federados são
dotados de soberania, mas convivem com a existência da soberania
central, exercida pela União em nome da Federação.

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11- (CESPE - 2011 - TJ-ES - Analista Judiciário - Taquigrafia –


Específicos)
Considerando a organização do Poder Judiciário e as suas funções essenciais,
julgue o item abaixo.

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) compõe-se de quinze membros com


mandato de dois anos, admitida uma recondução, sendo que, entre eles,
haverá necessariamente um desembargador de tribunal de justiça, indicado
pelo STF, e dois advogados, indicados pelo Conselho Federal da Ordem dos
Advogados do Brasil.

12- (CESPE - 2007 - TJ-TO – Juiz - Adaptada)


Considerando a organização dos poderes, na forma da Constituição Federal e
dos precedentes do STF, julgue os itens abaixo.
1- Na constituição de comissões no âmbito parlamentar, será assegurada,
tanto quanto possível, a representação proporcional dos partidos ou dos
blocos parlamentares que participam da respectiva Casa.
2- A Constituição Federal não contempla, em nenhuma hipótese, a eleição
indireta para presidente da República.
3- O Conselho Nacional de Justiça integra o Poder Judiciário como órgão
administrativo com jurisdição em todo o território nacional.
4- Compete à justiça eleitoral julgar o crime político, com recurso ordinário
para o STF.

13- (FUMARC - 2010 - CEMIG-TELECOM - Advogado Júnior)


1- Os Estados podem incorporar-se entre si, subdividir-se ou desmembrar-
se para se anexarem a outros, ou formarem novos Estados ou Territórios
Federais, mediante aprovação da população diretamente interessada,
através de plebiscito, e do Congresso Nacional, por lei complementar.
2- A organização político-administrativa da República Federativa do Brasil
compreende a União, os Estados e os Municípios, todos autônomos, nos

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termos desta Constituição..
3- Os Territórios Federais integram a União, e sua criação, transformação
em Estado ou reintegração ao Estado de origem serão reguladas em lei.
4- A organização político-administrativa da República Federativa do Brasil
compreende a União, os Estados e os Municípios, todos autônomos, nos
termos desta Constituição.

14- (EJEF - 2006 - TJ-MG – Juiz)


A federação brasileira fundamenta-se:

1- na autonomia e na participação dos Estados-Membros na formação da


vontade nacional;
2- na discriminação das competências dos Estados-Membros e na reserva
das competências remanescentes para a União;
3- nos Municípios, nas aglomerações urbanas e microrregiões como entes
federativos;
4- na competência legislativa e de auto-organização para os Territórios com
mais de cem mil habitantes.

15- (FUNIVERSA - 2009 - SEPLAG-DF - Analista - Planejamento e


Orçamento - Adaptada)
A respeito do Estado, julgue os itens a seguir.

I O Estado Federal é uma organização formada sob a base de uma repartição


de competências entre o governo nacional e os governos estaduais, de sorte
que a União possa intervir nos estados- membros, e estes sejam entidades
dotadas de autonomia constitucional perante a mesma União.

II O Estado Federal é o Estado Padrão. A teoria clássica da soberania nacional


foi concebida em referência a essa forma normal de Estado, e as
características da soberania – unidade, indivisibilidade, imprescritibilidade e

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inalienabilidade – só ao Estado Federal se aplicam integralmente.

III A discussão acerca da alteração do pacto federativo no Brasil está


intimamente ligada com a divisão de prerrogativas e responsabilidades entre
os Entes Federados e os recursos para dar efetividade a essas prerrogativas e
prestar os serviços públicos delas decorrentes.
IV O Estado Federal possui território próprio, população própria e soberania
própria.

16- CESPE - 2010 - TRE-BA - Técnico Judiciário - Segurança Judiciária


No que se refere à organização do Estado, julgue os itens
subsequentes.
A União e os municípios integram a organização político-administrativa da
República Federativa do Brasil.

17- (CESPE - 2011 - STM - Analista Judiciário - Área Administrativa –


Específicos)
A organização judiciária do Distrito Federal é realizada por meio de leis
distritais, em razão de sua autonomia legislativa.

18- (CESPE - 2011 - STM - Analista Judiciário - Execução de Mandados


– Específicos)
A República Federativa do Brasil é representada, no plano internacional, pela
União, à qual compete manter relações com Estados estrangeiros e participar
de organizações internacionais, assegurar a defesa nacional, declarar a guerra
e celebrar a paz.

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19- (TJ-DFT - 2007 - TJ-DF - Juiz - Objetiva.2 - Adaptada)


Sobre o Estado Federal, assinale a alternativa correta:
1- os Estados federados participam das deliberações da União, podendo
dispor ou não do direito de secessão, caso o liame esteja consagrado,
respectivamente, em um tratado internacional ou em uma Constituição;
2- a intervenção federal pode recair sobre Estado-membro, Distrito Federal
ou quaisquer Municípios;
3- o poder de auto-organização conferido aos Estados-membros é um poder
constituinte originário, vez que detêm a competência de conformar-se
segundo sua Constituição local;
4- a intervenção federal traduz-se na suspensão temporária das normas
constitucionais que asseguram a autonomia da unidade federada atingida
pela medida.

20- (CESPE - 2011 - PC-ES - Delegado de Polícia – Específicos)


No que diz respeito à organização do Estado, julgue o item abaixo.

O processo de formação dos estados-membros exige a participação da


população interessada por meio de plebiscito, medida que configura condição
prévia, essencial e prejudicial à fase seguinte. Assim, desfavorável o resultado
da consulta prévia feita ao povo, não se passará à fase seguinte do processo.

21- (FCC - 2010 - MPE-RS - Secretário de Diligências - Adapatada)


Quanto à organização do Poder Legislativo Federal, é correto afirmar:
1- O número total de Deputados, bem como a representação por Estado e
pelo Distrito Federal, será estabelecido por lei complementar,
proporcionalmente à população, procedendo-se aos ajustes necessários,
no ano anterior às eleições, para que nenhuma daquelas unidades da
Federação tenha menos de oito ou mais de setenta Deputados.
2- Salvo disposição constitucional em contrário, as deliberações de cada
Casa do Congresso Nacional serão tomadas em dois turnos de votação,

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por dois terços dos votos, presente a maioria simples de seus membros.
3- A Câmara dos Deputados compõe-se de representantes do povo, eleitos,
pelo sistema majoritário, em cada Estado, em cada Município e no
Distrito Federal.
4- O Senado Federal compõe-se de representantes dos Estados, Territórios
e do Distrito Federal, eleitos segundo o princípio proporcional.
5- A representação de cada Estado, salvo do Distrito Federal, será
renovada de quatro em quatro anos, alternadamente, por dois e um
terço, sendo que cada Senador será eleito com três suplentes.

22- (FCC - 2010 - TRT - 8ª Região (PA e AP) - Analista Judiciário - Área
Administrativa - Adaptada)
As finalidades básicas do princípio da indissolubilidade do vínculo federativo
são
1- a unidade nacional e a necessidade descentralizadora.
2- o direito de secessão e a prevalência dos interesses da União sobre os
Estados, Distrito Federal e Municípios.
3- o direito de secessão e a necessidade de auto- organização.
4- dúplice capacidade de auto-organização dos Estados e Municípios e
sujeição aos interesses da União.
5- dúplice capacidade de auto-organização dos Estados e Municípios e o
direito de secessão.

23- (FUNCAB - 2010 - DETRAN-PE - Analista de Trânsito – Adaptada)


Sobre a organização político-administrativa do Estado, julgue os itens a seguir:
1- a organização político-administrativa da República compreende a União,
os Estados e o Distrito Federal.
2- não é permitido o desmembramento dos Estados, por conta do princípio
da separação dos poderes.
3- a criação de novos Municípios depende de consulta prévia, às populações
diretamente envolvidas.
4- os Territórios são entidades dotadas de personalidade jurídica de direito

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privado, integrantes da Administração Indireta.
5- podem os Estados e Municípios estabelecer ou subvencionar cultos
religiosos ou igrejas.

24- (FCC - 2009 - TJ-AP - Analista Judiciário - Área Judiciária –


Adaptada)
Sobre a organização político-administrativa do Estado brasileiro, estabelece a
Constituição da República que

1- compreende a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios,


todos autônomos, nos termos da Constituição.
2- os Municípios poderão incorporar-se entre si, mediante aprovação da
população diretamente interessada, através de plebiscito, e do
Congresso Nacional, por lei complementar.
3- os Territórios Federais integram a União e sua criação, transformação em
Município ou reintegração ao Estado de origem serão reguladas em lei
complementar.
4- a incorporação, fusão ou o desmembramento de Estados far-se-ão por lei
estadual, dentro do período determinado por lei complementar federal, e
dependerão de consulta prévia, mediante plebiscito, às populações
diretamente interessadas.
5- é vedado aos entes da Federação criar distinções entre brasileiros ou
preferências entre si, salvo disposição contrária estabelecida em lei
complementar.

25- (CESPE - 2010 - MPU - Analista – Processual)


As capacidades de auto-organização, autogoverno, autoadministração e
autolegislação reconhecidas aos estados federados exemplificam a autonomia
que lhes é conferida pela Carta Constitucional

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26- (CESPE - 2009 - DPE-PI - Defensor Público - Adaptada)
1- Conforme a jurisprudência do STF, os estados-membros, em razão de
sua autonomia político-administrativa, não estão obrigados a seguir
compulsoriamente as regras básicas do processo legislativo federal,
como, por exemplo, aquelas que dizem respeito à iniciativa reservada de
lei ou aos limites do poder de emenda parlamentar.
2- Na medida em que as autoridades e órgãos da União representam a
República Federativa do Brasil nos atos e relações de âmbito
internacional, a União é o único ente federativo que possui personalidade
jurídica de direito internacional.
3- A maior parte da competência legislativa dos estadosmembros está
explicitamente enunciada no texto constitucional, cabendo aos
municípios, como regra, os poderes ditos remanescentes ou residuais.
4- Embora não exista, hoje, nenhum território federal no Brasil, a CF abre
ensejo a que a criação seja regulada por lei ordinária.
5- Os princípios constitucionais da administração pública são vetores de
observância obrigatória pela União, pelos estados, pelo DF e pelos
municípios, funcionando como parâmetros de comportamento tanto para
o Poder Executivo quanto para os Poderes Legislativo e Judiciário de
todas as esferas de governo.

27- (FGV - 2010 - PC-AP - Delegado de Polícia)


Relativamente à organização do Estado, assinale a afirmativa incorreta.
1- A organização político-administrativa da República Federativa do Brasil
compreende a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios,
todos autônomos, nos termos desta Constituição.
2- A autonomia federativa assegura aos Estados, ao Distrito Federal e aos
Municípios estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los,
autorizar ou proibir seu funcionamento, na forma da lei.
3- É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios criar
distinções entre brasileiros ou preferências entre si.

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4- Os Estados podem incorporar-se entre si, subdividir-se ou desmembrar-
se para se anexarem a outros, ou formarem novos Estados ou Territórios
Federais, mediante aprovação da população diretamente interessada,
através de plebiscito, e do Congresso Nacional, por lei complementar.
5- A criação, a incorporação, a fusão e o desmembramento de Municípios,
far-se-ão por lei estadual, dentro do período determinado por Lei
Complementar Federal, e dependerão de consulta prévia, mediante
plebiscito, às populações dos Municípios envolvidos, após divulgação dos
Estudos de Viabilidade Municipal, apresentados e publicados na forma da
lei.

28- (MS CONCURSOS - 2009 - TRT - 9ª REGIÃO (PR) - Juiz - 1ª Prova -


2ª Etapa - Adaptada)
Julgue as seguintes proposições:

I. A Constituição Federal de 1988 adotou como forma de Estado o federalismo.


Deste modo, a República Federativa do Brasil é formada pela união indissolúvel
dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, inexistindo em nosso
ordenamento jurídico o denominado direito de secessão. A tentativa de
secessão ensejará a decretação de intervenção federal.

II. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios são autônomos e


possuidores da capacidade de auto-organização e normatização própria,
autogoverno e auto-administração.

III. Dentre outras competências, compete à União organizar e manter o Poder


Judiciário, o Ministério Público, a Defensoria Pública, a polícia civil, a polícia
militar e o corpo de bombeiros do Distrito Federal.

IV. Aos Estados-Membros cabem, na área administrativa, privativamente,


todas as competências que não forem da União, dos municípios e as comuns. É
a denominada "competência remanescente" dos Estados-Membros.

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29- (FCC - 2010 - TRE-RS - Analista Judiciário - Área Administrativa)


I. Competência dos Municípios para legislar sobre assuntos de interesse
local
II. Competência dos Estados que não lhes seja vedada pela Constituição
Federal
1- suplementar e delegada.
2- privativa e concorrente.
3- delegada e suplementar.
4- remanescente e exclusiva.
5- exclusiva e remanescente.

30- (FCC - 2010 - PGE-AM – Procurador - Adaptado)


Acerca dos Estados, julgue os itens abaixo
1- gozam de autonomia política, uma vez que elegem seu próprio
governador.
2- integram a organização político-administrativa da República Federativa
do Brasil, juntamente com a União, os Estados, o Distrito Federal e os
Municípios, todos autônomos nos termos da Constituição.
3- podem integrar a União ou os Estados, conforme dispuser a lei
complementar que os criar.
4- gozam de autonomia organizacional, uma vez que lhes cabe instituir sua
própria lei orgânica.
5- podem ser subdivididos em Municípios.

31- (FCC - 2009 - TJ-MS – Juiz - Adaptada)


Sobre a federação brasileira, julgue os itens abaixo
1- os entes federados não podem recusar fé aos documentos públicos.

2- as três categorias de entes que compõem a organização político-


administrativa da República Federativa do Brasil são: a União, os Estados
e os Municípios.

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3- os Territórios Federais integram a União, e sua criação, transformação
em Estado ou reintegração ao Estado de origem serão reguladas em lei
ordinária.

4- os Estados podem incorporar-se entre si, subdividirse ou desmembrar-se


para se anexarem a outros, ou formarem novos Estados ou Territórios
Federais, mediante aprovação da população diretamente interessada,
através de plebiscito, e do Congresso Nacional, por lei ordinária.

5- a criação, a incorporação, a fusão e o desmembramento de Municípios,


far-se-ão por lei estadual, a qualquer tempo, e dependerão de consulta
prévia às populações dos Municípios envolvidos, após divulgação dos
Estudos de Viabilidade Municipal.

32- (ESAF - 2008 - MPOG - Especialista em Políticas Públicas e


Gestão Governamental - Provas 1 e 2 - Adaptada)
Assinale a opção que contempla todos os entes da organização político-
administrativa da República Federativa do Brasil, nos termos da
Constituição.
1- União, Estados, Distrito Federal e Municípios, todos soberanos.
2- União, Estados, Distrito Federal, Territórios Federais e Municípios, todos
soberanos.
3- União, Estados, Distrito Federal, Territórios Federais e Municípios, todos
independentes.
4- União, Estados, Distrito Federal, Territórios Federais e Municípios, todos
autônomos.
5- União, Estados, Distrito Federal e Municípios, todos autônomos.

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33- (FCC - 2006 - TRE-AP - Analista Judiciário - Área Administrativa
Adaptada)
1- o número de Deputados Federais de cada Estado, eleitos pelo sistema
proporcional, nunca será inferior a quatro ou superior a quarenta e cinco
Deputados.
2- o Senado Federal compõe-se de representantes dos Estados e do Distrito
Federal, eleitos segundo o princípio majoritário.
3- cada Território elegerá seis Deputados Federais.
4- os Estados elegerão três Senadores, cada um deles eleito com um
suplente, com mandato de quatro anos.
5- as deliberações no Senado e na Câmara Federal e em suas comissões,
serão sempre tomadas por maioria dos votos, presente a maioria
simples dos seus membros.

34- (FGV - 2008 - TCM-RJ – Procurador)


A Federação dota seus membros de tríplice capacidade, a saber:
1- auto-organização, autonormatização e autogoverno.
2- autogoverno, auto-administração e autofinanciamento.
3- auto-organização, autogoverno e auto-administração.
4- auto-organização, autonormatização e automanutenção.
5- auto-arrecadação, autogoverno e autogerenciamento.

35- (CESPE - 2008 - TJ-DF - Analista Judiciário - Área Administrativa)

Acerca da organização do Estado, na forma como prevista pela


Constituição Federal, julgue os itens a seguir.

A organização e a manutenção dos serviços locais de segurança pública do DF


(Polícia Militar, Polícia Civil e Corpo de Bombeiros) são de competência
privativa do próprio DF.

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36- (CESPE - 2009 - PC-PB - Agente de Investigação e Agente de
Polícia - Adaptada)
O Distrito Federal (DF) não é um estado nem um município, mas possui
competências legislativas de tais. As características do DF não incluem
1- a auto-organização.
2- o autogoverno.
3- as autonomias tributária e financeira.
4- a possibilidade de subdividir-se em municípios.
5- a autoadministração.

37- (FCC - 2009 - MPE-SE - Técnico do Ministério Público – Área


Administrativa - Adaptada)
São dotados de autonomia:
1- Estados-Membros e Regiões Metropolitanas.
2- União e Territórios.
3- Estados-Membros e Municípios.
4- União e Regiões Metropolitanas.
5- Territórios e Distrito Federal.

38- (CESPE - 2010 - MPS - Técnico em Comunicação Social - Relações


Públicas)
A autonomia legislativa do DF não se manifesta em relação à possibilidade de
organização do Poder Judiciário local.

39- (FCC - 2010 - TRF - 4ª REGIÃO - Analista Judiciário - Área


Judiciária - Execução de Mandados)
Julgue os itens abaixo:

I. Os Territórios Federais integram a União, e sua transformação em Estado ou


reintegração ao Estado de origem será regulada em lei complementar.

II. A organização político-administrativa da República Federativa do Brasil

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compreende a União, os Estados e os Municípios, todos autônomos.

III. A criação, a incorporação, a fusão e o desmembramento de Municípios far-


se-ão por lei estadual.

IV. Os Estados podem desmembrar-se para se anexarem a outros, mediante


aprovação da população, por meio de plebiscito, e da Assembléia Legislativa,
por meio de lei complementar.

40- (FCC - 2010 - TRF - 4ª REGIÃO - Analista Judiciário - Área


Judiciária - Adaptada)
1- A organização político-administrativa da República Federativa do Brasil
compreende a União, os Estados, os Municípios e o Distrito Federal,
sendo que somente o último não possui autonomia.
2- Os Estados podem incorporar-se entre si, subdividir-se ou desmembrar-
se para se anexarem a outros, desde que obtida aprovação da população
diretamente interessada, por meio de plebiscito.
3- O Distrito Federal possui competência legislativa residual, estando
subtraídas do seu campo de atuação apenas as matérias expressamente
atribuídas pela Constituição Federal à União.
4- Os Estados não possuem competência legislativa residual, sendo-lhes
vedado atuar em áreas que não lhe forem expressamente atribuídas pela
Constituição Federal.
5- Os Estados-membros, no sistema federativo brasileiro, são soberanos.

41- (MPE-GO - 2009 - MPE-GO - Promotor de Justiça - Adaptada)


Estado Federal é aquele composto por unidades que, embora dotadas de
capacidade de autonomia (auto-organização e autogoverno), não são dotadas
de soberania, submetendo-se a uma Constituição Federal. Sobre o tema,
julgue os itens abaixo:
1- É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios criar
distinções entre brasileiros ou preferências entre si.

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2- A exemplo do Canadá e dos EUA, a CF/88 adotou a técnica da
enumeração dos poderes dos Estados, com poderes remanescentes para
os Municípios e o Distrito Federal.
3- Ao Distrito Federal são atribuídas as competências legislativas
reservadas aos Estados e Municípios, sendo vedada a sua divisão em
municípios.
4- Para a composição das Câmaras Municipais, será observado o limite
máximo de 21 (vinte e um) vereadores, nos Municípios de mais de
160.000 (cento e sessenta mil) habitantes e de até 300.000 (trezentos
mil) habitantes.

42- (FCC - 2008 - TRT - 2ª REGIÃO (SP) - Analista Judiciário - Área


Judiciária - Execução de Mandados)
No que diz respeito à organização político-administrativa, o princípio cuja
finalidade é acentuar a igualdade de todos os brasileiros, independentemente
do Estado-membro de nascimento ou domicílio, é denominado
1- não-intervenção.
2- independência nacional.
3- prevalência dos direitos humanos.
4- autodeterminação dos povos.
5- isonomia federativa.

43- (FCC - 2010 - TRE-AM - Técnico Judiciário - Área Administrativa -


Adaptada)
No tocante à Organização dos Poderes, a fiscalização contábil, financeira,
orçamentária, operacional e patrimonial da União e das entidades da
administração direta e indireta, quanto à legalidade, legitimidade,
economicidade, aplicação das subvenções e renúncia de receitas, mediante
controle externo e pelo sistema de controle interno de cada Poder, será
exercida pelo

1- Procurador Geral da República.

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2- b) Supremo Tribunal Federal
3- Superior Tribunal de Justiça.
4- Congresso Nacional.
5- Presidente da República.

44- (FCC - 2004 - TRT - 2ª REGIÃO (SP) - Técnico Judiciário - Área


Administrativa - Adaptada)
Quanto à organização do Congresso Nacional, pode-se afirmar que
1- os Senadores representam os Estados e o Distrito Federal.
2- cada Senador é eleito com três suplentes.
3- os Deputados Federais são eleitos pelo princípio majoritário.
4- os Senadores são eleitos pelo princípio proporcional.
5- quatro é o número mínimo de Deputados por unidade da Federação.

45- (FCC - 2009 - TRT - 3ª Região (MG) - Analista Judiciário - Área


Judiciária - Adaptada)
Tendo em vista a organização do Estado, pode-se afirmar que
1- a União é pessoa jurídica de direito público interno e externo sendo o
único ente formador do Estado Federal, uma vez que os demais entes
são divisões administrativo-territoriais.
2- a República Federativa do Brasil representa o Estado Federal nos atos de
Direito Internacional, porque quem pratica os atos desse Direito é a
União Federal e os Estados federados.
3- à União cabe exercer as prerrogativas de soberania do Estado brasileiro,
quando representa a República Federativa do Brasil nas relações
internacionais.
4- a União, por ser soberana em todos os aspectos, pode ser considerada
entidade federativa em relação aos Estados membros e Municípios.
5- os entes integrantes da Federação, em determinadas situações, à
exceção dos Territórios, têm competência para representar o Estado
federal frente a outros Estados soberanos.

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46- (CESPE - 2008 - STF - Analista Judiciário - Área Administrativa)


A organização político-administrativa da República Federativa do Brasil
restringe-se aos estados, aos municípios e ao DF, todos autônomos, nos
termos da CF.

47- (CESPE - 2009 - TCU - Analista de Controle Externo - Auditoria de


Obras Públicas - Prova 1)
No âmbito da organização federativa do Brasil, a competência material residual
é sempre de competência dos estados.

48- (NCE-UFRJ - 2005 - PC-DF - Delegado de Polícia - Adaptada)


1- unicameralmente nos Estados e na União Federal, onde funcionam,
respectivamente, as Assembléias Legislativas e o Congresso Nacional;
2- no âmbito federal, segundo sistema bicameral no qual o Senado
compõe-se de representantes dos Estados e do Distrito Federal e a
Câmara dos Deputados de representantes do povo em cada Estado,
Território e no Distrito Federal;
3- nos Estados Federados, pelas constituições e lei que adotarem, sem
qualquer limitação à sua capacidade de auto-organização;
4- no Distrito Federal e nos Municípios, pelas respectivas leis orgânicas,
sendo vedados quaisquer parâmetros federais relativamente ao número
de representantes e respectivos mandatos na Câmara Legislativa e nas
Câmaras Municipais, sob pena de violação da autonomia municipal e do
Distrito Federal;
5- com pertinência à imunidade formal, recebida a denúncia oferecida
contra Senador ou Deputado Federal, por crime cometido antes da
diplomação, a Casa a que pertencer o parlamentar denunciado poderá,
por iniciativa de partido político nela representado e pelo voto da maioria
de seus membros, sustar o andamento da ação.

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49- (NCE-UFRJ - 2005 - PC-DF - Delegado de Polícia - Adaptada)
1- a organização político-administrativa da República Federativa do Brasil
compreende a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, os
dois primeiros (União e Estados) soberanos e os demais (Distrito Federal
e Municípios) autônomos;
2- no exercício e desenvolvimento de suas atividades legislativas, são
conferidas aos Estados Federados as competências remanescentes;
3- a secessão, como instituto típico do Estado Federal, permite que os
Estados Federados se desliguem da estrutura federativa;
4- os Vereadores, além de invioláveis por suas opiniões, palavras e votos
nos limites do Estado em que exercem a vereança, possuem, também,
imunidades formais ou processuais, não podendo ser presos, assim,
desde a expedição do diploma, sem prévia licença da Casa legislativa a
que pertencerem, salvo na hipótese de crime inafiançável;
5- é facultado aos Municípios, no âmbito de suas respectivas estruturas
organizacionais, a criação de Tribunais, Conselhos ou órgãos de Contas
Municipais.

50- (FCC - 2009 - TRT - 15ª Região - Analista Judiciário - Área


Judiciária - Execução de Mandados - Adaptada)
1- é vedada a subdivisão de Estados.
2- a fusão de Municípios far-se-á por emenda constitucional.
3- a criação de Territórios Federais será regulada em lei complementar.
4- aos Estados é permitida, na forma da lei, a subvenção a cultos religiosos
ou igrejas.
5- a anexação de municípios para formarem Estados ou Territórios Federais,
autorizada por resolução do Congresso Nacional, dependerá de referendo
popular.

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51- (ESAF - 2009 - MPOG - Especialista em Políticas Públicas e
Gestão Governamental - Prova 1 - Adaptada)
Julgue os itens abaixo relativamente à organização do Estado político-
administrativo na Constituição Federal de 1988.

1- A organização político-administrativa da União compreende os Estados, o


Distrito Federal e os Municípios, todos autônomos na forma do disposto
na própria Constituição Federal.
2- Brasília é a Capital Federal.
3- Os Territórios Federais integram a União, e sua criação, transformação
em Estado ou reintegração ao Estado de origem serão reguladas em lei
complementar.
4- Os Estados podem incorporar-se entre si, subdividir-se ou desmembrar-
se para se anexarem a outros, ou formarem novos Estados ou Territórios
Federais, mediante aprovação da população diretamente interessada, por
meio de plebiscito, e do Congresso Nacional, por lei complementar.
5- A criação, a incorporação, a fusão e o desmembramento de Municípios,
far-se-ão por lei estadual, dentro do período determinado por Lei
Complementar Federal, e dependerão de consulta prévia, mediante
plebiscito, às populações dos Municípios envolvidos, após divulgação dos
Estudos de Viabilidade Municipal, apresentados e publicados na forma da
lei.

52- (ESAF - 2009 - Receita Federal - Técnico Administrativo - Agente


Técnico Administrativo - Adaptada)
Julgue os itens abaixo:

1- A limitação do poder estatal foi um dos grandes desideratos do


liberalismo, o qual exalta a garantia dos direitos do homem como razão
de ser do Estado.
2- A divisão do poder, segundo o critério geográfico, é a descentralização, e
a divisão funcional do poder é a base da organização do governo nas

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democracias ocidentais.
3- A divisão funcional do poder é, mais precisamente, o próprio
federalismo.
4- Montesquieu abria exceção ao princípio da separação dos poderes ao
admitir a intervenção do chefe de Estado, pelo veto, no processo
legislativo.
5- Aristóteles apresenta as funções do Estado em deliberante, executiva e
judiciária, sendo que Locke as reconhece como: a legislativa, a executiva
e a federativa.

53- (CESPE - 2009 - Instituto Rio Branco - Diplomata - 1ª Etapa


BRANCO)

Acerca do Estado federal brasileiro e do sistema de repartição de


competências entre os entes federativos, julgue (C ou E) os
próximos itens.

O Estado federal brasileiro - a República Federativa do Brasil - é pessoa


jurídica de direito público internacional, e sua organização político-
administrativa compreende a União, os estados e o Distrito Federal, mas não,
os municípios, pois estes não são entidades federativas, visto que constituem
divisões políticoadministrativas dos estados.

54- (CESPE - 2009 - TRE-GO - Analista Judiciário - Área Judiciária)


A respeito da organização do Estado brasileiro, assinale a opção correta.

1- Os municípios não são considerados entes federativos autônomos, visto


que não são dotados de capacidade de auto-organização e de autonomia
financeira.
2- O Distrito Federal é a capital do país.
3- Os estados podem incorporar-se entre si, subdividir-se ou desmembrar-

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se para se anexarem a outros, ou formarem novos estados ou territórios
federais, mediante aprovação da população diretamente interessada, por
meio de plebiscito, e do Congresso Nacional, por lei complementar.
4- A criação, a incorporação, a fusão e o desmembramento de municípios,
far-se-ão por lei federal e serão submetidos pela população diretamente
interessada a referendo popular.

55- (CESGRANRIO - 2008 - Petrobrás – Advogado - Adaptada)


De acordo com a doutrina, os princípios constitucionais
fundamentais estabelecidos no Título I da Constituição Federal de 1988
podem ser discriminados em princípios relativos (i) à existência, forma e tipo
de Estado; (ii) à forma de governo; (iii) à organização dos Poderes; (iv) à
organização da sociedade; (v) à vida política; (vi) ao regime democrático; (vii)
à prestação positiva do Estado e (viii) à comunidade internacional. Adotando
essa classificação, é exemplo típico de princípio fundamental relativo à forma
de governo:

1- federalista.
2- Republicano
3- de soberania.
4- do pluralismo político.
5- do Estado Democrático de Direito.

56- (CESPE - 2005 - TRT-16R - Técnico Judiciário - Área Serviços


Gerais)
A organização político-administrativa da República Federativa do Brasil
compreende a União, os estados, o Distrito Federal e os municípios, todos
dotados de autonomia e aos quais a Constituição Federal atribui os poderes
Legislativo, Executivo e Judiciário, independentes e harmônicos entre si, para o
exercício das suas competências.

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57- (ESAF - 2006 - CGU - Analista de Finanças e Controle - Área -
Tecnologia da Informação - Prova 2)
Por ser a República Federativa do Brasil um Estado laico, a Constituição
Federal veda qualquer forma de aliança com cultos religiosos.

Gabarito das Questões Tipo CESPE

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
EEEC CECCC C EECEE CCEC C CECCC CCCC CCCC EECEE
11 12 13 14 15 16 17 18 19 20
C CEEE CEEE CEEE CECC C E C EEEC C
21 22 23 24 25 26 27 28 29 30
CEEEE CEEEE EECEE CEEEE C EEEEC CECCC CCCC EEEEC EEECC
31 32 33 34 35 36 37 38 39 40
CEEEE EEEEC ECEEE EECEE E EEECE EEECE EECEE E EECEE
41 42 43 44 45 46 47 48 49 50
CECCC EEEEC EEECE CEEEE EECEE E E ECEEE ECEEE EECEE
51 52 53 54 55 56 57
ECCCC CCECC E EECE ECEEE E E

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Questão Discursiva
“O traço principal que marca profundamente a nossa já capenga estrutura
federativa é o fortalecimento da União relativamente às demais pessoas
integrantes do sistema. É lamentável que o constituinte não tenha aproveitado
a oportunidade para atender ao que era o grande clamor nacional no sentido
de uma revitalização do nosso princípio federativo. O Estado brasileiro na nova
Constituição ganha níveis de centralização superiores à maioria dos Estados
que se consideram unitários e que, pela via de uma descentralização por
regiões ou por províncias consegue um nível de transferência das
competências tanto legislativas quanto de execução muito superior àquele
alcançado pelo Estado brasileiro. Continuamos, pois, sob uma Constituição
eminentemente centralizadora, e se alguma diferença existe relativamente à
anterior é no sentido de que esse mal (para aqueles que entendem ser um
mal) se agravou sensivelmente”. (BASTOS, Celso Ribeiro. Curso de Direito
Constitucional. 20.ª ed. São Paulo: Saraiva, 1999, p.p. 293 e294)

Tendo como base o texto acima a respeito da estrutura federativa


brasileira, disserte acerca das características do modelo federal
brasileiro.

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