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METODOLOGIA CIENTÍFICA

BELO HORIZONTE/MG
SUMÁRIO

INTRODUÇÃO ................................................................................................. 03

1-O QUE É METODOLOGIA DE PESQUISA?................................................05

1 O QUE É CIÊNCIA?.......................................................................................05

2 NÍVEIS DE CONHECIMENTO ....................................................................... 10


2.1 Empírico ...................................................................................................... 10
2.2 Teológico .................................................................................................... 11
2.3 Filosófico ..................................................................................................... 12
2.4 Científico ..................................................................................................... 13

3 A HISTÓRIA DA CIÊNCIA ATRAVÉS DOS TEMPOS .................................. 14


3.1 Antiguidade ................................................................................................. 15
3.2 Idade Média e Renascimento ..................................................................... 16
3.3 A Revolução Científica................................................................................ 17
3.4 A Revolução Industrial ................................................................................ 19
3.5 O século XX ................................................................................................ 20

4 A CLASSIFICAÇÃO DA CIÊNCIA ................................................................ 21

5 FERRAMENTAS DE TRABALHO DO PROFISSIONAL DO


NÍVEL SUPERIOR............................................................................................ 23
5.1 Conceitos, leis, teorias e doutrinas ............................................................. 24
6.O QUE É PESQUISA?....................................................................................29
6.1 Tipos de pesquisa.........................................................................................29

7 MÉTODOS E TÉCNICAS DE PESQUISA ..................................................... 31


7.1Métodos ....................................................................................................... 31
7.2Técnicas ...................................................................................................... 35
7.3Formas de pensamento ............................................................................... 37

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ............................................................... 42


AVALIAÇÃO .................................................................................................... 43
GABARITO ....................................................................................................... 47
3

INTRODUÇÃO

Sejam bem vindos aos cursos de Especialização oferecidos pelo Instituto


Pedagógico de Minas Gerais – IPEMIG.

Esforçamo-nos para oferecer um material condizente com a graduação


daqueles que se candidataram a esta especialização, procuramos referências
atualizadas, embora saibamos que os clássicos são indispensáveis ao curso.

As ideias aqui expostas, como não poderiam deixar de ser, não são neutras,
afinal, opiniões e bases intelectuais fundamentam o trabalho dos diversos institutos
educacionais, mas deixamos claro que não há intenção de fazer apologia a esta ou
aquela vertente, estamos cientes e primamos pelo conhecimento científico, testado e
provado pelos pesquisadores.

Não obstante, o curso tenha objetivos claros, positivos e específicos, nos


colocamos abertos para críticas e para opiniões, pois temos consciência que nada
está pronto e acabado e com certeza críticas e opiniões só irão acrescentar e
melhorar nosso trabalho.

Como os cursos baseados na Metodologia da Educação a Distância, vocês


são livres para estudar da melhor forma que puderem se organizar, lembrando que:
aprender sempre, refletir sobre a própria experiência se somam e que a educação é
demasiado importante para nossa formação e, por conseguinte, para a formação dos
nossos/ seus alunos.

Deste modo, o curso em questão tem como objetivo geral oferecer subsídios
teórico-metodológicos para que os ingressantes na especialização possam atuar de
maneira comprometida e adequada, reforçar os conhecimentos daqueles que já
atuam na área, pois sabemos que o mercado atual exige renovação da bagagem
profissional, valorização das novas tendências na sua área de trabalho.

O curso é dividido em dois módulos. No primeiro módulo, teremos três


apostilas/conteúdos considerados básicos que são a Metodologia Científica, a
Didática do Ensino Superior e as Orientações para o Trabalho de Conclusão de
Curso – TCC. O módulo dois será composto de cinco apostilas com conteúdos
específicos à pós-graduação escolhida.

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Nesta primeira apostila nosso assunto é a Metodologia Científica, o que inclui
as suas origens, os níveis de conhecimentos existentes, um pouco da história das
ciências através dos tempos, as ferramentas de trabalho do profissional do nível
superior, os métodos, técnicas e formas de pensamento através dos tempos.

Trata-se de uma reunião do pensamento de vários autores que entendemos


serem os mais importantes para a disciplina.

São inúmeros os autores que discutem os temas tratados na Metodologia


Científica, optamos por seguir a linha de pensamento de três autores mais
especificamente que são Lakatos e Marconi (2004), Cervo, Bervian e Silva (2007) e
Mattar (2008), Fazenda, et al (2010),Minayo, et al (2002), mas salientamos que
existem inúmeros outros autores que nos oferecem uma bibliografia rica nesse
conteúdo.

Para maior interação com o aluno deixamos de lado algumas regras de


redação científica, mas nem por isso o trabalho deixa de ser científico.

Logo após as referências, em todas as demais apostilas do curso, encontra-


se uma avaliação contendo 10 questões fechadas, de múltipla escolha e o respectivo
gabarito. Vocês terão dois meses a contar do recebimento da apostila para
responder as questões, as quais salientamos, encontram-se todas no decorrer da
apostila e enviar suas respostas para o endereço eletrônico abaixo ou via Correios
(ECT).

Desejamos a todos uma boa leitura e caso surjam algumas lacunas, ao final
da apostila encontrarão nas referências consultadas e utilizadas aporte para sanar
dúvidas e aprofundar os conhecimentos.

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1- O QUE É METOLOGIA DE PESQUISA?

Para Minayo et al (2002:16) entende-se que “metodologia o caminho do


pensamento e a prática exercida na abordagem da realidade.” Trata-se de uma
disciplina acadêmica com o objetivo de nortear as técnicas e métodos científicos
para abordar o objeto de pesquisa através da pesquisa.

Para isso, torna-se necessário criar variadas fases para o processo de


investigação. Entretanto, as fases que refiro são simplesmente as técnicas e
métodos que favorecem no processo de investigação.

Ao problematizar o objeto a ser estudado, faz-se necessário a coleta de


dados e informações pertinentes ao assunto, isto é, a formação do marco teórico de
referência, o levantamento de hipóteses, análise de dados e, finalmente,
comprovação das hipóteses.

O principal objetivo do nosso trabalho a produção da ciência em seus dois


níveis: o da produção do conhecimento científico – nível da interioridade, da
subjetividade do produtor do conhecimento – e o da produção da ciência
propriamente dita – nível de exterioridade, da objetividade, ou seja, ciência com
instituição e prática social do saber.

1.0 O QUE É CIÊNCIA?

Etimologicamente a palavra ciência vem do latim scientia, que quer dizer por
definição ampla, conhecimento ou reconhecimento. Podemos inferir também que ela
origina do verbo scire = saber. Num sentido mais restrito a palavra ciência nos leva a
um modo de adquirir conhecimento baseado no método científico, ou seja, é o
esforço que o ser humano faz para descobrir e aumentar o seu conhecimento de
como funciona a realidade.

Segundo Bello (2004) a evolução humana corresponde ao desenvolvimento


de sua inteligência. Sendo assim são definidos três níveis de desenvolvimento da
inteligência dos seres humanos desde o surgimento dos primeiros hominídeos: o
medo, o misticismo e a ciência.

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a) O medo: os seres humanos pré-históricos não conseguiam entender os
fenômenos da natureza. Por este motivo, suas reações eram sempre de
medo: tinham medo das tempestades e do desconhecido. Como não
conseguiam compreender o que se passava diante deles, não lhes restava
alternativa senão o medo e o espanto daquilo que presenciavam.

b) O misticismo: num segundo momento, a inteligência humana evoluiu do


medo para a tentativa de explicação dos fenômenos através do pensamento
mágico, das crenças e das superstições. Era, sem dúvida, uma evolução já
que tentavam explicar o que viam. Assim, as tempestades podiam ser fruto de
uma ira divina, a boa colheita da benevolência dos mitos, as desgraças ou as
fortunas do casamento do humano com o mágico.

c) A ciência: como as explicações mágicas não bastavam para compreender


os fenômenos os seres humanos finalmente evoluíram para a busca de
respostas através de caminhos que pudessem ser comprovados. Desta
forma, nasceu a ciência metódica, que procura sempre uma aproximação com
a lógica.

O ser humano é o único animal na natureza com capacidade de pensar.


Esta característica permite que nós, os seres humanos, sejamos capazes de refletir
sobre o significado de nossas próprias experiências. Assim sendo, somos capazes
de novas descobertas e de transmiti-las aos nossos descendentes.

O desenvolvimento do conhecimento humano está intrinsecamente ligado à


sua característica de viver em grupo, ou seja, o saber de um indivíduo é transmitido
a outro, que, por sua vez, aproveita-se deste saber para somar outro. Assim evolui a
ciência.

Uma boa definição está no Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Ferreira


(2004) define ciência como um conjunto de conhecimentos socialmente adquiridos
ou produzidos, historicamente acumulados, dotados de universalidade e objetividade
que permitem sua transmissão, e estruturados com métodos, teorias e linguagens
próprias, que visam compreender e orientar a natureza e as atividades humanas.
Popularmente é entendida como sabedoria ou habilidade intuitiva.

Lakatos e Marconi (2004) no clássico livro “Metodologia Científica” levantam


várias definições para Ciência, mas no entendimento dessas autoras, todas

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incompletas. Abaixo estão algumas delas:

“Acumulação de conhecimentos sistemáticos”.

“Atividade que se propõe a demonstrar a verdade dos fatos experimentais e


suas aplicações práticas”.

“Conhecimento certo do real pelas suas causas”.

“Conjunto de enunciados lógica e dedutivamente justificados por outros


enunciados”.

Para as autoras acima, a melhor definição é de Ander-Egg (1978)


apresentada na obra Introducción a las técnicas de investigación social: “A ciência é
um conjunto de conhecimentos racionais, certos ou prováveis, obtidos
metodicamente, sistematizados e verificáveis, que fazem referência a objetos de
uma mesma natureza”.

Fazendo uma decomposição ou análise da definição de Ander-Egg


encontramos que:

a) conhecimento racional – é aquele que exige um método e está


constituído por uma série de elementos básicos, tais como sistema conceitual,
hipóteses, definições.

b) certo ou provável – já que não se pode atribuir à ciência a certeza


indiscutível de todo o saber que a compõe. Ao lado dos conhecimentos
certos, é grande a quantidade dos prováveis. Antes de tudo, toda lei indutiva,
é meramente provável, por mais elevada que seja sua probabilidade.

c) obtidos metodicamente – pois não se adquire ao acaso ou na vida


cotidiana, mas mediante regras lógicas e procedimentos técnicos.

d) sistematizadores – isto é, não se trata de conhecimentos dispersos e


desconexos, mas de um saber ordenado logicamente, constituindo um
sistema de ideias (teoria).

e) verificáveis – pelo fato de que as afirmações, que não podem ser


comprovadas ou que não passam pelo exame da experiência, não fazem
parte do âmbito da ciência, que necessita, para incorporá-las, de afirmações
comprovadas pela observação.

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f) relativos a objetos de uma mesma natureza – ou seja, objetos pertencentes
a determinada realidade, que guardam entre si certos caracteres de
homogeneidade (LAKATOS; MARCONI, 2004).

Cervo, Bervian e Silva (2007) ressaltam que a ciência, em sua condição


atual, é o resultado de descobertas ocasionais, nas primeiras etapas, e de pesquisas
cada vez mais metódicas, nas etapas posteriores. “É uma das poucas realidades
que podem ser legadas às gerações seguintes. Os homens de cada período
histórico assimilam os resultados científicos das gerações anteriores, desenvolvendo
e ampliando aspectos novos”.

Mas, por que estamos alongando tanto em um conceito? Fácil! A disciplina


Metodologia Científica que uma grande maioria dos estudantes tem “medo” ao se
aproximar dela, nos levam ao conhecimento científico e precisamos deixá-los
tranquilos, uma vez que ela não é o “bicho de sete cabeças” que muitos pensam.
Desde o ingresso em um curso superior, a metodologia científica deveria ser
apresentada ao aluno, em toda sua grandiosidade e simplicidade. Ela deveria guiar o
aluno, uma vez que significa o estudo dos caminhos do saber, mas o que temos
observado é que ela é apresentada em sua grandiosidade, esquecendo, contudo,
sua praticidade e simplicidade.

O conteúdo da disciplina Metodologia Científica pode ser classificado como


conceitual e procedimental, uma vez que não basta memorizar as ações ou as
normas da Associação Brasileira de Normas técnicas (ABNT) sem uma construção
de sentidos, pois é preciso compreender sua lógica de funcionalidade, bem como,
realizar as etapas - que comporta o saber fazer – para isso as condições de
aprendizagem são:

 A reflexão sobre a ação que o sujeito está fazendo;

 A exercitação constante, pois é preciso fazer uso deste conhecimento com


frequência e,

 A descontextualização – saber aplicar em outras situações que se


apresentam como necessidade (ZABALA, 2001).

No entendimento de Neves (2005), um dos grandes méritos desta disciplina,


é a reflexão sobre a inconstância do conhecimento, pois permite a compreensão da

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necessidade do ser humano produzir perguntas e respostas relacionadas às dúvidas
e questionamentos postos, objetivando a interpretação e a explicação da realidade,
das coisas e dos fenômenos.

Neste sentido, o fato de podermos hoje validar um conhecimento e amanhã


o refutarmos, constitui-se num aspecto fantástico que se traduz na própria
inconclusão do ser, na ideia do provisório. Isso nos remete ao campo da produção
das explicações e das verdades. É comum os alunos e alunas terem um conceito de
verdade absoluto, uma única referência. No processo de leituras e debates a
desconstrução destas ideias, é algo que se torna inevitável.

A metodologia instrumentaliza o futuro profissional auxiliando-o na


investigação, levando-o a comunicar-se de forma correta, inteligível, demonstrando
um pensamento estruturado, plausível e convincente. Ela mostra por onde começar,
qual o primeiro passo a ser dado, o que é mais urgente.

No capítulo 6 falaremos detalhadamente do método científico, deixamos por


hora o seguinte entendimento: embora a utilização de métodos científicos não seja
da alçada exclusiva da ciência, não há ciência sem o emprego de métodos
científicos (LAKATOS E MARCONI, 2004).

2.0 NÍVEIS DE CONHECIMENTO

Em todos ou quase todos os livros dedicado aos temas: Metodologia


Científica, Métodos e Técnicas de Pesquisa, Redação de Monografias, Teses e
Dissertações, encontraremos um tópico destinado aos diversos tipos ou níveis de
conhecimento, dependendo dos autores, mas que tem uma finalidade comum:
objetiva mostrar que existem vários tipos de conhecimentos, mas que aos olhos da
ciência, possuem grandes e marcantes diferenças.

Relembrando, quando falamos em conhecimentos, estamos falando em


saberes que podem ser sistematizados ou não, verificáveis ou não, certo ou
provável, falível ou infalível, exato ou inexato.

O conhecimento está diretamente ligado ao homem, à sua realidade. Como o


conhecimento pretende idealizar o bem estar do ser humano, logo ele advém das
relações do homem com o meio. O indivíduo procura entender o meio partindo dos

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pressupostos de interação do homem com os objetivos. É uma forma de explicar os
fenômenos das relações, seja, entre sujeito/objeto, homem/razão, homem/desejo ou
homem/realidade.

A forma de explicar e entender o conhecimento passa por várias vertentes


como: conhecimento empírico (vulgar ou senso comum), conhecimento filosófico,
conhecimento teológico e conhecimento científico.

Para Lakatos e Marconi (2004) no caso do conhecimento empírico, este não


se distingue do conhecimento científico nem pela veracidade nem pela natureza do
objeto conhecido: o que os diferencia é a forma, o modo ou o método e os
instrumentos do conhecer, por isso podemos dizer que a ciência não é o único
caminho de acesso ao conhecimento e à verdade. Mais uma vez veremos a
importância do método para conferir veracidade a um fato e torná-lo mais real.

2.1 O conhecimento empírico

Segundo Bello (2004) o conhecimento empírico é obtido ao acaso, após


inúmeras tentativas, ou seja, é o conhecimento adquirido através de ações não
planejadas.

É aquele adquirido pela própria pessoa na sua relação com o meio ambiente
ou com o meio social, obtido por meio da interação contínua na forma de ensaios e
tentativas que resultam em erros e em acertos (CERVO; BERVIAN; SILVA, 2007).

Do ponto de vista da utilização de métodos e técnicas científicas, esse tipo de


conhecimento, mesmo quando consolidado como convicção, como cultura ou como
tradição, é ametódico e assistemático. A característica de assistemático baseia-se
na organização particular das experiências próprias do sujeito cognoscente, e não
em uma sistematização das ideias, na procura de uma formulação geral que
explique os fenômenos observados, aspecto que dificulta a transmissão de pessoa a
pessoa, desse modo de conhecer.

É valorativo por excelência, pois se fundamenta numa seleção operada com


base em estados de ânimo e emoções: como o conhecimento implica uma dualidade
de realidades, isto é, de um lado o sujeito cognoscente e, de outro lado, o objeto
conhecido e este é possuído, de certa forma, pelo cognoscente, os valores do sujeito

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impregnam o objeto conhecido.

É reflexivo, mas estando limitado pela familiaridade com o objeto, não pode
ser reduzido a uma formulação geral.

É verificável, visto que está limitado ao âmbito da vida diária e diz respeito ao
que se pode perceber no dia-a-dia.

É falível e inexato, pois se conforma com a aparência e com o que se ouviu


dizer a respeito do objeto, ou seja, não permite formular hipóteses sobre a existência
de fenômenos situados além das percepções objetivas (LAKATOS; MARCONI,
2004).

2.2 O conhecimento teológico

O conhecimento teológico ou religioso apoia-se em doutrinas que contém


proposições sagradas (valorativas), por terem sido reveladas pelo sobrenatural
(inspiracional) e, por esse motivo, tais verdades são consideradas infalíveis e
indiscutíveis (exatas). É um conhecimento sistemático do mundo (origem,
significado, finalidade e destino) como obra de um criador divino; suas evidências
n’ão são verificadas: está sempre implícita uma atitude de fé perante um
conhecimento revelado. Assim, o conhecimento religioso ou teológico parte do
princípio de que as verdades tratadas são infalíveis e indiscutíveis, por consistirem
em revelações da divindidade (LAKATOS; MARCONI, 2004).

Para Bello (2004) é o conhecimento revelado pela fé divina ou crença


religiosa. Não pode, por sua origem, ser confirmado ou negado. Depende da
formação moral e das crenças de cada indivíduo.

Ou seja, é um conhecimento ao qual as pessoas chegaram não com o auxílio


de sua inteligência, mas mediante a aceitação dos dados da revelação divina. Vale-
se de modo especial do argumento de autoridade. São os conhecimentos adquiridos
nos livros sagrados e aceitos racionalmente pelas pessoas, depois de terem
passado pela crítica histórica mais exigente (LAKATOS; MARCONI, 2004).

Dentre os exemplos do conhecimento teológico temos: o acreditar em


reencarnação, acreditar que foi curado de uma doença por milagre, acreditar em
espíritos.

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2.3 O conhecimento filosófico

O conhecimento filosófico é valorativo, pois seu ponto de partida consiste em


hipóteses, que não poderão ser submetidas à observação: as hipóteses filosóficas
baseiam-se na experiência, portanto, este conhecimento emerge da experiência e
não da experimentação, e por este motivo, o conhecimento filosófico é não
verificável, já que os enunciados das hipóteses filosóficas, ao contrário do que
ocorre no campo da ciência, não podem ser confirmadas nem refutadas (LAKATOS;
MARCONI, 2004).

É fruto do raciocínio e da reflexão humana. É o conhecimento especulativo


sobre fenômenos, gerando conceitos subjetivos. Busca dar sentido aos fenômenos
gerais do universo, ultrapassando os limites formais da ciência (BELLO, 2004).

É racional em virtude de consistir num conjunto de enunciados logicamente


correlacionados.

Outra característica do conhecimento filosófico é ser sistemático, pois suas


hipóteses e enunciados visam a uma representação coerente da realidade estudada,
numa tentativa de apreendê-la em sua totalidade. É também infalível e exato, já
que, quer na busca da realidade capaz de abranger todas as outras, quer na
definição do instrumento capaz de apreender a realidade, seus postulados, assim
como suas hipóteses, não são submetidos ao decisivo teste da observação
(experimentação) (LAKATOS; MARCONI, 2004).

O procedimento científico leva a circunscrever, delimitar, fragmentar e


analisar o que se constitui o objeto de pesquisa, atingindo segmentos da realidade,
ao passo que a filosofia encontra-se sempre à procura do que é mais geral,
interessando-se pela formulação de uma concepção unificada e unificante do
universo. Para tanto, procura responder às grandes indagações do espírito humano
e até busca as leis mais universais que englobem e harmonizem as conclusões da
ciência (LAKATOS; MARCONI, 2004).

2.4 O conhecimento científico

O conhecimento científico vai além do empírico, assim como o filosófico, é

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racional, pretendendo ser sistemático e revelar aspectos da realidade.

É real porque lida com ocorrências ou fatos, isto é, com toda forma de
existência que se manifesta de algum modo. É contingente, pois suas proposições
ou hipóteses têm sua veracidade ou falsidade conhecida por meio de
experimentação e não apenas pela razão, como ocorre no conhecimento filosófico.
É sistemático porque trata de um saber ordenado logicamente, formando um
sistema de ideias (teorias) e não conhecimentos dispersos e desconexos.

Apresenta a característica de verificabilidade: as afirmações ou hipóteses


que não podem ser comprovadas não pertencem ao âmbito da ciência.

É um conhecimento falível, em virtude de não ser definitivo, absoluto ou final


e por esse motivo, é aproximadamente exato, ou seja, novas proposições e o
desenvolvimento de técnicas podem reformular o acervo de teoria existente.

O ciclo do conhecimento científico (inclusive o das ciências empíricas) inclui a


observação, a produção de teorias para explicar essa observação, o teste dessas
t‟eorias e seu aperfeiçoamento. Há nas ciências, um movimento circular, que parte
da observação da realidade para a abstração teórica, retorna à realidade, direciona-
se novamente à abstração, num fluxo constante entre a experiência e a teoria. Como
diz Neville (2001) “a investigação nunca começa no início. Não existe problema puro,
mas sim algo problemático surgindo de inúmeras convicções relativamente
estabelecidas; a investigação encontra-se sempre no meio, corrigindo assunções e
inferências prévias, harmonizando hábitos de pensamento ao engajar a realidade
com as hipóteses testadas”.

Lakatos e Marconi (2004) inferem que apesar da separação metodológica


entre os tipos de conhecimentos popular, filosófico, religioso e científico, no processo
de apreensão da realidade do objeto, o sujeito cognoscente pode penetrar nas
diversas áreas:

 Ao estudar o homem, por exemplo, pode-se tirar uma série de conclusões


sobre sua atuação na sociedade, baseada no senso comum ou na
experiência cotidiana;

 Pode-se analisá-lo como um ser biológico, verificando, com base na


investigação experimental, as relações existentes entre determinados

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órgãos e suas funções;

 Pode-se questioná-los quanto a sua origem e destino; assim como quanto


a sua liberdade; finalmente,

 Pode-se observá-lo como ser criado pela divindade, a sua imagem e


„semelhança, e meditar sobre o que dele dizem os textos sagrados.

Por sua vez, essas formas de conhecimento podem coexistir na mesma


pessoa: um cientista, voltado, por exemplo, ao estudo da física, pode ser crente
praticante de determinada religião, estar filiado a um sistema filosófico e, em muitos
aspectos de sua vida cotidiana, agir segundo conhecimentos provenientes do senso
comum.

3.0 A HISTÓRIA DA CIÊNCIA ATRAVÉS DOS TEMPOS

Acreditamos que todo conhecimento passa por uma evolução histórica, sendo
este um caminho interessante que nos situa no tempo, no espaço e nos mostra o
quanto podemos construir, modificar, aprender, enfim evoluir através dos tempos.

Podemos traçar a história da ciência de várias maneiras: apresentando os


principais nomes que fizeram o seu progresso, destacando os trabalhos e livros mais
importantes, estudando o progresso das teorias científicas, apontando as principais
invenções técnicas, acompanhando o desenvolvimento dos instrumentos utilizados
nas ciências, listando as descobertas científicas importantes, abordando a história
dos métodos científicos, centrando o estudo nas mudanças dos paradigmas
científicos, chamando a atenção para a continuidade ou descontinuidade no
desenvolvimento das ciências, ressaltando o contexto social, econômico ou outro
das descobertas da ciência, enfim, várias são as maneiras de vislumbrarmos os
progressos da ciência.

Faremos uma síntese dos acontecimentos ao longo da evolução humana,


mas lembramos que aconteceu muito mais do que apresentamos aqui. Caso tenham
necessidade de aprofundar nessa história, uma dica é a leitura do livro “Metodologia
Científica na Era da Informática” de João Mattar que traz um capítulo dedicado à
evolução da ciência ao longo dos tempos.

3.1 Na Antiguidade

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Para nós, “sujeitos moderno”, a ciência caminha a passos muito lentos,
principalmente se pensarmos que cerca de 02 bilhões de anos atrás, o
Australopitecus fabricou a primeira ferramenta de pedra e que foi necessário mais
um bilhão de anos para que esta fosse aperfeiçoada, transformada em arma de caça
e para que o fogo fosse descoberto.

Somente 10 mil anos atrás o homem abandonou sua condição de nômade e


passou a fazer uso da pecuária e agricultura que marcam o início da nossa
civilização e da ciência, isto porque cada estágio do cultivo de plantas e
domesticação de animais requer invenções, daí surgem as inovações técnicas e
acabam dando fundamento a princípios científicos (BRONOWSKI, 1992 apud
MATTAR, 2008).

Na Medicina encontramos na Babilônia as primeiras cirurgias, os egípcios


usando grande variedade de remédios, incluindo o ópio. Os indianos antigos
realizavam cirurgias no nariz, na China, o uso da acupuntura. Somente a partir de
Hipócrates (460-370 a.C.), considerado pai da medicina, o qual passa a criticar as
causas apontadas para as doenças e mortes, dentre elas as supertições e os
aspectos s
agrados, é que a medicina começa a ser vista sob o prisma científico. Por
volta de 180 d.C. Galeno resume e sistematiza o pensamento médico da
Antiguidade.

A Botânica, nessa época, também passa a ter um pensamento mais


sistematizado.

No final do século VII e início do século VI, o modo de explicar o mundo, que
passa do mitológico para o racional, é considerado por muitos autores como um dos
mais bonitos e importantes espetáculos da humanidade. Mitos e religião começam a
ser abandonados dando lugar à Filosofia (MATTAR, 2008).

O pensamento racional surgiu com a escrita, diminuindo a importância da


memória e audição começando a prevalecer a experiência e razão. Aumenta
também a importância da observação da realidade sobre a história dos deuses.

Lógica e geometria alcançam desenvolvimento exemplar na Grécia Antiga.

Por volta de 300 a.C. começam a ser organizados respectivamente, o Museu

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e a Biblioteca de Alexandria com toda estrutura para o desenvolvimento da ciência e
onde Ptolomeu elaborou sua teoria geocêntrica que mais tarde na Idade Média irá
marcar o Tratado sobre a Óptica.

Apesar de toda evolução, nada na Antiguidade se parecia com a ciência


moderna. Todos os temas ainda estavam no campo da Filosofia. Por exemplo, não
havia muita distinção entre um filósofo natural e um matemático.

3.2 Na Idade Média e Renascimento

Em termos de história, geralmente a Idade Média nos é apresentada como o


período das trevas e do atraso, porém, atualmente é debatida por historiadores que
a idade média não concerne no período das trevas.

Cabe salientar que, “[...] os árabes foram os líderes em ciências tais como a
matemática, química, astronomia e medicina. Até hoje empregamos os algarismos
arábicos [...]. Em alguns campos, a cultura árabe era mesmo superior à cristã”
(Gaarder, 2004, p. 191).

E segundo Xavier et al (2017),apontam que:

(...) Ao contrário, conforme ficou amplamente debatido e


demonstrado, as formas sistemáticas de escolas e universidades atuais têm
suas raízes exatamente na Idade Média. Ao contrário de “mil anos de
escuridão”, é na Idade Medieval que temos os mais sólidos espaços
educacionais e argamassas culturais de que somos herdeiros. São também
provenientes desse período as várias invenções tecnológicas utilizáveis
tanto no campo como na cidade. Acrescente-se também que são legados
da Idade Média as várias formas de convívio e funcionamento das
instituições atuais, especialmente as educacionais.

Mas precisamos atentar que esse pensamento volta- se para o campo das
ciências em seu sentido mais restrito, entretanto, as artes e a cultura que antes eram
desconsideradas apresentam grandes progressos.

Há introdução do sistema hindu-arábico e aperfeiçoamento do nosso sistema


decimal. A invasão da Europa pelos árabes é essencial para o desenvolvimento da
álgebra e matemática aplicada.

A alquimia, uma atividade misteriosa praticada na Idade Média, a qual tinha


como objetivo maior transformar quaisquer metais em ouro, também procurava
explicar seus esforços através da ciência. Astrologia e astronomia assim como
alquimia, magia, espiritualismo e química tinham fronteiras muito tênues.

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Por volta do século XIV, desenvolve-se em Oxford e depois em Paris, uma
linha de pensamento denominada teoria impetus, que desafia as teorias aristotélicas
sobre o movimento ainda dominante na Europa. As definições e os teoremas
elaborados por esse grupo de lógicos e matemáticos serão importantes para a
Cinética, desenvolvida posteriormente por Galileu, representando, assim, o primeiro
estágio na história da revolução científica (MATTAR, 2008).

A invenção da imprensa no final do Renascimento foi importante para o


desenvolvimento da ciência, pois a partir dela, o conhecimento pode ser reproduzido
com mais facilidade e outro inventos como gravuras colocaram novos instrumentos a
disposição dos cientistas permitindo copiar e multiplicar desenhos e diagramas.

No entendimento de Mattar (2008) o maior mérito da Idade Média foi


organizar o conteúdo da Filosofia grega e islâmica, assim como do cristianismo e
uma das principais conquistas foi a instituição de escolas e universidades como “lar”
para a organização de tais conteúdos.

3.3 A Revolução Científica

O desenvolvimento dos instrumentos de viagem como o astrolábio (dispositivo


de observação astronômica que media grosseiramente a elevação do Sol ou de
uma estrela permitindo determinar latitude, as horas do nascer e pôr-do-sol)
funcionando como relógio de bolso e régua de cálculo foi um dos inventos que
marcou esse novo período, sendo batizado de Revolução Científica.

A medicina também tomou novos rumos: em 1543, Andreas Vesalius publica


De fabrica humani corporis, que corrige erros médicos dos gregos e revolucionou a
disciplina, constituindo os fundamentos da anatomia moderna. Em 1615, William
Harvey, estabelece a mecânica do funcionamento do coração e da circulação do
sangue (MATTAR, 2008).

Não há dúvidas que a Revolução Científica é caracterizada pelos avanços


marcados na Astronomia. Nomes como Copérnico, Kepler, Galileu e Newton
marcaram época na História das Ciências, como veremos brevemente no quadro
abaixo:

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Nicolau Copérnico (1473-1543) – contesta teoria de Ptolomeu de que a Terra era o


centro do universo, com os planetas e o Sol girando ao seu redor e propõe a teoria
heliocêntrica, que inclui a ideia do movimento da Terra.

Johannes Kepler (1571-1628) – conjuga as descobertas de Copérnico e Brahe,


abre caminho para a aceitação definitiva da teoria heliocêntrica e suas três leis
planetárias transformam a descrição geral do Sol e dos planetas em uma formulação
matemática precisa.

Galileu Galilei (1564-1642) – teoriza o método experimental, dividindo-o em:


observação, análise, indução, verificação, generalização e confirmação.

René Descartes (1596-1650) – de um lado defende a razão como princípio absoluto


do conhecimento e de outro, usa a matemática e a geometria como modelos de
raciocínio.

Francis Bacon (1561-1626) – desenvolve o que é considerada a primeira teoria


moderna do método científico, indicando como etapas essenciais para o progresso
da ciência: a observação e a experimentação dos fenômenos, a formulação de
hipóteses, a repetição dos experimentos, o teste das hipóteses e a formulação de
generalizações e leis.

Evidentemente que muitos outros nomes fizeram história dentro da ciência,


foram grandes as evoluções na botânica, na medicina, na química, enfim, em todos
os campos, mas nosso intuito ao falar destas invenções é exclusivamente mostrar
que existe uma evolução no pensamento e a importância do método para provar e
refutar os fenômenos.

3.4 A Revolução Industrial

A Revolução Industrial, a partir do século XIX, foi marcada pela criação e pelo
uso da energia, assim, ciência e produção passaram a se influenciar mutuamente,
ou seja, a necessidade de meios mais eficientes de produção fez com que a ciência
se desenvolvesse. “Os problemas técnicas da indústria começam a gerar constantes
desafios às ciências, ao mesmo tempo em que a indústria torna-se dependente dos
progressos científicos” (MATTAR, 2008).

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É inventado o primeiro termômetro de mercúrio; provou-se que os raios são
eletricidade; a indústria têxtil é desenvolvida a partir do aperfeiçoamento da primeira
máquina a vapor; a química avança mostrando que o ar não é uma substância
elementar, mas composto de vários gases, dentre eles o oxigênio é isolado pela
primeira vez; é instaurada a lei da conservação das massas (na natureza nada se
perde, nada se cria, tudo se transforma); a matemática também alcança progressos
principalmente no campo das equações diferenciais; a medicina entra na era da
prevenção com a introdução da técnica de vacinação.

O século XIX apresenta, sem dúvida, uma série de invenções importantes, é


também o século da invenção das ciências biológicas:

1821 – inventado o motor elétrico.

1824 – funda-se a dinâmica do calor ou termodinâmica. 1843 – surge o


primeiro telégrafo elétrico.

1859 – Darwin formula a sua teoria da evolução das espécies. 1860 –


inventado o motor a gasolina.

1866 – surge a dinamite.

1876 – é inventado o telefone.

1887 – é descoberto o elétron.

Mais uma vez o que desejamos é mostrar que a utilização de métodos


próprios levam as ciências a avançarem, principalmente a partir de pesquisas e
descobertas em ramos específicos do conhecimento.

3.5 O século XX

A racionalidade e a consciência representam apenas uma camada da psique


humana, que é também determinada por processos inconscientes e irracionais sobre
os quais o ser humano não tem controle; não é possível prever os fenômenos
nucleares, já que seus movimentos são irregulares e desordenados; tempo e espaço
não são absolutos, mas relativos; o universo está em constante expansão; os
átomos são estruturas praticamente vazias, e não maciças: a matéria é descontinua
(MATTAR, 2008, p. 18).

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Por mais paradoxal que possa parecer, o intenso desenvolvimento da ciência,
no século XX, acabou abalando a crença do ser humano num universo regido por
leis e passível de ser conhecido em seus mínimos detalhes. Ao contrário, o
progresso científico do século passado levou o ser humano a perceber que só pode
compreender o mundo em que vive pelas leis da probabilidade, por meio de
aproximações que, em geral, são passíveis de erro. A ciência passou a conviver com
a ideia de que o acaso desempenha papel primordial no universo, assim como no
próprio ser humano.

“A ciência não é epistemológica e tampouco ontologicamente neutra”


(MATTAR, 2008, p. 18) e vemos nas pesquisas em Física uma contribuição nesse
sentido quando propõe que o átomo já não é mais considerado um maciço e nem
indivisível.

Na segunda metade do século XX, as ciências físicas alcançam também um


alto grau de abstração quando começa a desenvolver uma teoria de que o universo
não é estático, mas em constante movimento e expansão. Os avanços na genética,
principalmente através do Projeto Genoma Humano, um dos mais audaciosos do
final do século XX promete revolucionar a medicina, as ciências biológicas, a
indústria relacionada à biotecnologia (agricultura, produção de energia, controle de
lixo, despoluição ambiental).

Enfim, o papel das ciências, do conhecimento científico é insumo


indispensável para o desenvolvimento econômico e social do planeta.

4 A CLASSIFICAÇÃO DA CIÊNCIA

Devido à complexidade do universo e da diversidade dos fenômenos que


acontecem nele, foi preciso haver uma divisão da ciência em vários ramos para que
o homem estudasse e entendesse esses fenômenos. Essa divisão ou classificação
obedece várias características: ou pelo conteúdo, pela diferença dos enunciados ou
pela metodologia empregada.

A primeira classificação foi proposta por Augusto Comte que obedeceu uma
ordem crescente de complexidade: Matemática, Astronomia, Física, Química,
Biologia, Sociologia e Moral. Outros autores aliaram a complexidade crescente com
o conteúdo.

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Em relação ao conteúdo, a classificação primeira foi feita por Rudolf Carnap,
que dividiu as ciências em formais (contendo apenas enunciados analíticos, isto é,
cuja verdade depende unicamente do significado de seus termos ou de sua estrutura
lógica) e factuais (além dos enunciados analíticos, contém, sobretudo os sintéticos,
aqueles cuja verdade depende não só do significado de seus termos, mas,
igualmente, dos fatos a que se referem).

Bunge (1976, p. 41 apud Lakatos e Marconi, 2004, p. 27) apresenta a


seguinte classificação:

 Formal (lógica e matemática);

 Factual: - natural (física, química, biologia e psicologia individual);

- cultural (psicologia social, sociologia, economia, ciência política,


história material e história das ideias).

Na classificação de Wundt (1952 apud Lakatos e Marconi, 2004, p. 27) temos:

 Formais (matemática)

 Reais – ciências da natureza

- ciências do espírito

Mesmo não havendo muito consenso entre as classificações, a diferença


fundamental é ser formal ou factual, ou seja, a ciência formal estuda as ideias e a
ciência factual estuda os fatos.

Nas primeiras (ciências formais) encontramos a lógica e a matemática, que


não tendo relação com algo encontrado na realidade, não podem valer-se dos
contatos com essa realidade para convalidar suas fórmulas. Por outro lado, a física e
a sociologia, sendo ciências factuais, referem-se a fatos que supostamente ocorrem
no mundo e, em consequência, recorrem à observação e à experimentação para
comprovar (ou refutar) suas fórmulas (hipóteses) (LAKATOS; MARCONI, 2004).

A lógica e a matemática tratam de entes ideais, tanto abstratos quanto


interpretados, existentes apenas na mente humana e, mesmo nela, em âmbito
conceitual e não fisiológico. Em outras palavras, constroem seus próprios objetos de
estudo, mesmo que, muitas vezes, o faça, por abstração de objetos reais (naturais
ou sociais).

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Segundo Lakatos e Marconi (2004) citando Trujillo (1974) e Bunge (1976) a
divisão em ciências formais e factuais leva alguns aspectos em consideração,
conforme o quadro comparativo a seguir.

ASPECTOS CIÊNCIAS FORMAIS CIÊNCIAS FACTUAIS

O objeto ou tema das Preocupa com enunciados Tratam de coisas e


respectivas disciplinas processos

A diferença Relacionam símbolos Tratam de entes


de espécie extracientíficos –
entre fenômenos e
enunciados processos

O método pelo qual Contentam com a lógica Necessitam observar e/ou


se comprovam os para demonstrar seus experimentar
enunciados teoremas

O grau de suficiência São suficientes em relação Dependem do fato


em relação ao a seus conteúdos e métodos experimental para
conteúdo e método de prova sua convalidação
de prova

O papel da Os axiomas podem ser Usam-se símbolos


coerência para se escolhidos à vontade, mas interpretativos. A coerência
alcançar a verdade os teoremas (as conclusões) com um sistema de ideias
têm que ser verdadeiros, ou previamente admitido é
seja, não é possível violar as necessária, mas não
leis do sistema de lógica suficiente para obter a
que se determinou utilizar verdade. O enunciado
precisa passar pelo sistema
de provas

O resultado alcançado Demonstram ou provam Verificam (comprovam ou


refutam) hipóteses que
geralmente são
provisórias.

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5.0 FERRAMENTAS DE TRABALHO DO PROFISSIONAL DO NÍVEL SUPERIOR

Para Cervo, Bervian e Silva (2007) não se pode deixar de tratar dos
conceitos, leis, teorias e doutrinas quando estamos falando em Metodologia
Científica, mesmo porque o profissional do nível superior, principalmente das áreas
de ciências humanas e sociais, utiliza em seu trabalho, ferramentas teóricas e não
ferramentas manuais ou técnicas como é característico dos níveis de formação de
ensino médio e técnico.

“Ferramentas teóricas são um conjunto de ideias, códigos, símbolos e valores


que indicam uma série de operações realizáveis, física e/ou mentalmente, a partir da
manipulação de conceitos abstratos” (FERRARI, 1974, p. 98).

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5.2 Conceitos, leis, teorias e doutrinas

Conceitos ou constructo pode ser entendido como ideia, sentença, opinião


(FERREIRA, 2004).

Para Lakatos (1983, p. 99) “conceito expressa uma abstração, formada


mediante a generalização de observações particulares”. Para os que privilegiam a
teoria em detrimento da prática, conceito seria uma técnica utilizada para obter ou
medir alguma coisa para além do próprio fenômeno que descreve. Inversamente,
para aqueles que privilegiam os fatos em detrimento da teoria, conceito significa uma
série de operações realizáveis física e/ou mentalmente, empreendidas com a
finalidade de justificar ou reproduzir os referentes do fenômeno que está definindo.

Conceitos são construções lógicas, estabelecidas de acordo com um sistema


de referência e formando parte dele. São considerados, por um lado, como
instrumentos de trabalho do cientista e, por outro, como termos técnicos do
vocabulário da ciência (FERRARI, 1974, p. 98).

De todo modo, cada ciência ou área de conhecimento em particular possui


um vocabulário técnico específico que precisa ser de domínio comum de seus
praticantes. Poucas ciências, entretanto, conseguem ou podem construir vocábulo e
conceitos originais, sendo necessário que elas invadam o campo semântico de
outras ciências, ocorrendo a migração de conceitos ou a apropriação de conceitos
de uma ciência para outras.

Conceito é a pedra angular para a construção das teorias, assim como a


família é a pedra angular para a construção da sociedade e a célula, a pedra angular
para a existência dos corpos vivos (CERVO; BERVIAN; SILVA, 2007).

Nos processos de observação, descrição, análise, comparação e síntese das


propriedades gerais e específicas dos objetos, fatos e fenômenos, a ciência encontra
certas regularidades que, se uniformes, constantes e regulares, possibilitam a
classificação e a generalização para objetos, fatos e fenômenos semelhantes por
admitir-se que “se um fato ou fenômeno se enquadra em uma lei, ele se comportará
conforme o estabelecido na lei” (KNELLER, 1980, p. 94).

São duas as principais funções da lei:

1. Resumir grande quantidade de fatos e de fenômenos;

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2. Possibilitar a previsão de novos fatos e fenômenos.

Desse modo, temos leis gerais para explicar o comportamento dos líquidos,
dos gases, da matéria, dos grandes números, do movimento etc., bem como
presumimos leis gerais para explicar a natalidade, a mortalidade, o movimento de
populações ou o desenvolvimento pessoal e social.

Quando a lei é abordada pela Metodologia Científica, trata-se de lei científica,


sem qualquer conotação legislativa ou jurídica, conforme estamos acostumados a
pensar. As leis científicas são, nas palavras de Montesquieu “as relações constantes
e necessárias que derivam da natureza das coisas”. As leis exprimem quer relações
de existência ou de coexistência (a água é um corpo incolor, inodoro, tendo tal
densidade, suscetível de assumir o estado líquido, sólido e gasoso etc.), quer
relações de causalidade ou de sucessão (a água ferve a cem graus centígrados, o
calor dilata os metais, etc.), quer, enfim, relações de finalidade (o fígado tem por
função regular a quantidade de açúcar no sangue) (CERVO; BERVIAN; SILVA,
2007).

Nas ciências experimentais, as leis possuem maior rigor e exatidão do que


nas ciências humanas e sociais, pois, enquanto estas estão condicionadas, mais ou
menos, à liberdade humana, aquelas seguem o curso fatal do determinismo da
natureza. Desse fato, entretanto, não se pode concluir que as ciências humanas e
sociais se constituam em simples opiniões mais ou menos viáveis. As ciências
humanas e sociais realizam todas as condições para se constituírem em ciência:

 Os fenômenos que estudam são reais e distintos dos tratados nas


ciências experimentais;

 As causas e as leis descobertas nessa área exprimem relações


necessárias entre os fatos e entre os atos;

 Suas conclusões têm um caráter incontestável de certeza, embora de


ordem diferente da certeza das ciências experimentais.

As ciências humanas e sociais ocupam, sem dúvida, lugar distinto na


hierarquia das ciências quanto aos quesitos de precisão, certeza e rigor de seus
resultados. Muitos dos fatos considerados nas ciências humanas e sociais não são
atingidos diretamente, como os fenômenos psíquicos que apenas se manifestam no

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comportamento. Isso acarreta dificuldades tanto para a experimentação quanto para
a generalização (CERVO; BERVIAN; SILVA, 2007).

Os fatos humanos e sociais implicam maior complexidade do que os


quantitativos ou físicos. A abordagem e a análise qualitativa comportam algo da
subjetividade do próprio ser humano, que tende a abordar e analisar os fatos
orientados por matrizes filosóficas e ideológicas exteriores a eles. Enfim, pode-se
dizer que as incertezas e as angústias humanas em relação a sua origem, finalidade
e destino são componentes importantes na determinação do grau de certeza e de
precisão na pesquisa, uma vez que o rigor metodológico aplicado na condução da
própria pesquisa é sempre relativo. Essa é a base da origem da diversidade de
opiniões, por vezes desconcertantes, sobre várias questões das ciências humanas e
sociais (CERVO; BERVIAN; SILVA, 2007).

Os fenômenos físicos, por serem regidos por leis determinísticas, podem ser
previstos e alguns até provocados para serem mais bem observados; enquanto isso,
a liberdade, que interfere mais ou menos nos atos humanos, impede que sua
previsão seja absolutamente exata, tornando apenas aproximativos os cálculos
quando aplicados às ciências humanas e sociais.

Finalmente, as ciências da natureza tratam de fatos e objetos materiais que


podem ser pesados e medidos, ao menos indiretamente. Assim, essa possibilidade
de quantificação das propriedades físicas atribui aos resultados da pesquisa um
pouco de rigor matemático. Aos fatos humanos e sociais, por serem essencialmente
qualitativos, não são aplicáveis os processos de quantificação (pesar e medir).
Embora sejam generalizadas as relações descobertas em amostras particulares,
deve-se sempre ter em mente que os homens, em tese, mesmo sendo iguais, agem,
pensam e se organizam socialmente de formas diferenciadas (CERVO; BERVIAN;
SILVA, 2007).

Por esses motivos, os resultados, como também as leis das ciências


humanas e sociais, são mais flexíveis e menos rigorosos, apesar de expressarem
suficiente estabilidade e constância para se constituírem em verdadeiras ciências.

O emprego usual do termo teoria opõe-se ao termo prática. Nesse sentido, a


teoria refere-se ao conhecimento (saber, conhecer) em oposição à prática como
ação (agir, fazer). Aqui, entretanto, o termo teoria é empregado para significar um

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resultado a que tendem as ciências. Estas não se contentam apenas com a
formulação das leis. Ao contrário, determinadas as leis, procuram interpretá-las ou
explicá-las (CERVO; BERVIAN; SILVA, 2007).

Assim, surgem as chamadas teorias científicas, que reúnem determinado


número de leis particulares sob a forma de uma lei superior e mais universal.

A teoria distingue-se da hipótese, uma vez que a hipótese é verificável


experimentalmente, e a teoria não. Todas as proposições da teoria se integram no
mundo do discurso (conhecimento), enquanto a hipótese comprova sua validade,
submetendo-se ao teste da experiência. A teoria é interpretativa, enquanto a
hipótese resulta em explicação por meio de leis naturais. A teoria formula
necessariamente hipóteses, ao passo que estas subsistem independentemente dos
enunciados teóricos.

É importante que o estudante saiba que a teoria cumpre as seguintes


funções:

 Coordenar e unificar os saberes científicos;

 Ser instrumento precioso do pesquisador, sugerindo-lhe analogias até


então ignoradas e possibilitando-lhe, assim, novas descobertas.

Com o decorrer do tempo e a evolução da ciência, as opiniões dos próprios


cientistas se modificaram. Até meados do século XIX, os cientistas, de modo geral,
admitiam que as teorias não só explicavam os fatos, mas também eram uma
apreensão da própria natureza ontológica (última) da realidade. A partir de meados
do século XIX, os cientistas restringiram o valor explicativo da teoria (CERVO;
BERVIAN; SILVA, 2007).

Ainda que seja um sistema lógico e coerente, capaz de orientar tanto o


pensamento como a ação, principalmente na investigação científica, a teoria não é e
não pode ser entendida como a verdade. Ela reflete, sim, o estado da arte no
conhecimento sobre determinado fato ou fenômeno em um espaço e um tempo
também determinados e pode e deve ser modificada pelos avanços posteriores do
conhecimento e da própria ciência. Assim sendo, o estudante deve conhecer a teoria
e saber operacionalizar os conceitos nela implícitos, mas deve saber também que a
teoria, mesmo se chamada de científica, tem seus limites (CERVO; BERVIAN;

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SILVA, 2007).

Se a teoria tiver a pretensão de explicar e solucionar todo e qualquer


problema, ela se torna irrefutável; logo, passa a ser uma ideologia, e não mais
uma teoria.

A teoria é e precisa ser parcial, pois não pode abrigar hipóteses ou


proposições antagônicas ou contraditórias nem estar contra as evidências
observáveis e conhecidas. O que é possível e salutar é a tentativa de unificação de
teorias ou, pelo menos, a busca pela conciliação de aspectos de teorias divergentes,
que podem significar importante indicativo para a investigação científica. Não
admitimos tranquilamente sermos descendentes dos macacos. Um ponto de
intersecção possível entre as duas teorias é a admissão de que Deus tenha criado o
espírito do ser humano e a natureza seja a responsável pela evolução de sua parte
física (o corpo), suficiente para estimular o surgimento de inúmeras correntes,
teóricas e experimentais, que visam a buscar meios para conciliar o espírito e a
matéria, a mente e o corpo, a vida física e a vida espiritual etc. (CERVO; BERVIAN;
SILVA, 2007).

A ciência visa a explicar os fenômenos. Para isso observa, analisa, levanta


hipóteses e as verifica, em confronto com os fatos, pela experimentação, e induz a
lei, colocando-a em um contexto mais amplo, por meio de teorias. São operações
que se desenvolvem em um ambiente de objetividade, de indiferença e de
neutralidade.

A doutrina, porém, propõe diretrizes para a ação. Em uma doutrina, há ideias


morais, posições filosóficas e políticas e atitudes psicológicas. Há, também,
subjacentes, interesses individuais, interesses de classes ou de nações. A doutrina
é, assim, um encadeamento de correntes, de pensamentos que não se limitam a
constatar e a explicar os fenômenos, mas os apreciam em função de determinadas
concepções éticas e, à luz desses juízos, preconizam certas medidas e proíbem
outras (CERVO; BERVIAN; SILVA, 2007).

A doutrina situa-se na linha divisória dos problemas do espírito e dos fatos


(teoria = ciência versus ação) e, estando largamente assentada nesses dois
domínios, permite proceder à síntese.

É importante ficar claro que a postura científica é imparcial, não torce os

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fatos e respeita escrupulosamente a verdade. O cientista deve cultivar a
honestidade, evitar o plágio, não colher como seu o que os outros plantaram, não ser
acomodado e enfrentar os obstáculos e perigos que uma pesquisa possa oferecer
(CERVO; BERVIAN; SILVA, 2007).

A postura científica não reconhece fronteiras, não admite nenhuma


intromissão de autoridades estranhas ou limitações em seu campo de investigação e
defende o livre exame dos problemas.

6.0 O QUE É UMA PESQUISA?

Para MARCONI;LAKATOS,(2003,p.155) trata-se de um “procedimento


sistemático, controlado e crítico, que permite descobrir novos fatos ou dados,
relações ou leis, em qualquer campo de conhecimento”

Dessa forma, a pesquisa se define em encontrar as relações entre os


fenômenos , fatos, coisas.

Mas para uma pesquisa científica faz-se necessário um procedimento


sistemático, a fim de seguir um planejamento específico do pesquisador.

6.1 TIPOS DE PESQUISA:

Inicialmente, definimos a pesquisa qualitativa, segundo Minayo (2002:21), “a


pesquisa qualitativa responde a questões muito particulares, ela se preocupa, nas
ciências sociais, com o nível da realidade que não pode ser quantificado.”

Todavia, esse tipo de pesquisa se preocupa em descrever crenças,


aspirações, valores e atitudes correspondendo a um determinado espaço de
relações.

Delimitando nosso assunto, apontamos três tipos de pesquisa: pesquisa


descritiva, experimental e pesquisa bibliográfica:

PESQUISA DESCRITIVA – Aborda fenômenos e os fatos, as suas relações e


interações entre eles. O pesquisador somente observa os dados sem adulterar os
resultados. A pesquisa descritiva busca caracterizar as múltiplas situações e
relações que ocorrem na sociedade, econômica, política e no comportamento
humano, tanto do indivíduo isolado ou nos grupos e comunidades.

PESQUISA EXPERIMENTAL – Utiliza o trabalho com as variáveis envolvidas

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no objeto pesquisado. Nessa pesquisa, empregam-se aparelhos e instrumentos
disponíveis pela técnica, para identificar as relações que existem entre as variáveis
do objeto de estudo.

PESQUISA BIBLIOGRÁFICA – Desenvolve um estudo a partir do problema,


assim delimita-se a partir de um referencial teórico, inserido em publicações e
material documental. O objetivo dessa pesquisa é recolher, desenvolver, desvendar
e analisar as principais fontes teóricas sobre um determinado assunto, ou seja,
determinado objeto de estudo.Através das pesquisas descritivas:

PESQUISA DOCUMENTAL – Realiza sua pesquisa através de documentos,


procurando descrever e comparação dos costumes, usos e tendências.

PESQUISA DE OPINIÃO- Trata-se uma pesquisa de cunho “subjetivo”.


Procura desvendar as razões inconscientes que levam a determinar a inclinação por
alguma atitude ou produto.

ESTUDOS EXPLORATÓRIOS - Identificado por alguns de pesquisa de cunho


não científica. Não desenvolvem hipóteses, mas desenvolvem objetivos em busca
formações mais aprofundadas sobre determinado assunto. Esses estudos são
sugeridos para a construção de conhecimentos sobre o problema em estudo.

ESTUDOS DESCRITIVOS – Objetivam-se em estudar e descrever as


características na realidade objeto da pesquisa.

ESTUDO DE CASO - Realiza uma pesquisa sobre algum indivíduo, grupo ou


sociedade objetivando estudar variados aspectos da vida.

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Já a pesquisa quantitava visa, segundo Minayo et al (2002:22):

(...) o método quantitativo enquanto suficiente parfa explicarmos a realidade


social está a questão da objetividade. Para os positivistas, a análise social
seria objetiva se fosse realizada por instrumentos padronizados,
pretensamente neutros. A linguagem das variáveis ofereceria a
possibilidade de expressar generalizações com precisão e objetividade.

Em suma, a pesquisa quantitativa requer o uso de coletas de dados, uso de


medidas e estatísticas, questionário fechado com técnicas descritivas em termos de
codificação numérica.

7.0 MÉTODOS E TÉCNICAS DE PESQUISA

Chegamos ao ponto que realmente nos interessa nessa apostila de


Metodologia Científica e que nos levará ao objetivo proposto que é desmistificar que
a pesquisa e seu processo são reservados a poucos iluminados, mostrar que cada
sujeito pesquisa o tempo todo, mas compreender a importância do uso do método e
suas normas para que a pesquisa tenha resultado confiável e se torne um novo
conhecimento universal.

Não refutamos a existência dos conhecimentos teológicos, filosóficos ou


empíricos, mas para a academia, para a ciência, o que vale e acreditamos ter
deixado bem claro até o momento, é o conhecimento baseado na observação dos
fatos, no teste das hipóteses, na verificação e comprovação e na possibilidade de
sua contestação.

Como dizem Lakatos e Marconi (2004) todas as ciências caracterizam-se pela


utilização de métodos científicos; em contrapartida, nem todos os ramos de estudo
que empregam esses métodos são ciências. Dessas afirmações podemos concluir
que a utilização de métodos científicos não é da alçada da ciência, mas não há
ciência sem o emprego de métodos científicos.

7.1Métodos

Método em sentido geral quer dizer “Ordem que se deve impor aos diferentes
processos necessários para atingir um certo fim ou um resultado desejado”. Nas
ciências, entende-se como o conjunto de processos empregados na investigação e
na demonstração da verdade (CERVO; BERVIAN; SILVA, 2007).

Lakatos e Marconi (2004) oferecem vários conceitos de método, dentre eles:

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“Caminho pelo qual se chega a determinado resultado, ainda que esse
caminho tenha sido fixado de antemão de modo refletido e deliberado”.

“Forma de proceder ao longo de um caminho”.

“Procedimento regular, explícito e passível de ser repetido para conseguir-se


alguma coisa, seja material ou conceitual”.

Segundo Cervo, Bervian e Silva (2007) o método não é inventado; ele


depende do objeto da pesquisa. Os cientistas cujas investigações foram coroadas de
êxito tiveram o cuidado de anotar os passos percorridos e os meios que os levaram
aos resultados. Mesmo que no começo tenha sido usado de maneira empírica,
gradativamente eles foram se transformando em métodos verdadeiramente
científicos.

O método científico quer descobrir a realidade dos fatos, e estes, ao serem


descobertos, devem por sua vez, guiar o uso do método. Entretanto, ele é apenas
um meio de acesso, pois é preciso inteligência e reflexão juntas para se descobrir o
que os fatos e os fenômenos realmente são.

O método científico segue o caminho da dúvida sistemática, metódica, que


não se confunde com a dúvida universal dos céticos, cuja solução e impossível. O
pesquisador que não tiver a evidência como arrimo precisa sempre questionar e
interrogar a realidade. Mesmo no campo das ciências sociais, deve ser aplicado de
modo positivo, e não de modo normativo, isto é, a pesquisa positiva deve preocupar-
se com o que é, e não com o que se pensa que deve ser (CERVO; BERVIAN;
SILVA, 2007).

O método científico aproveita a observação, a descrição, a comparação, a


análise e a síntese, além dos processos mentais da dedução e da indução, comuns
a todo tipo de investigação, quer experimental, quer racional.

Quando falamos em método científico nos reportamos aos métodos indutivo,


dedutivo e hipotético-dedutivo. Todos possuem alguma variante ou ramificação e
evidentemente são criticados.

Numa acepção bem simples, a diferença fundamental entre o método


dedutivo e o método indutivo é que o primeiro aspira a demonstrar, mediante a
lógica pura, a conclusão na sua totalidade a partir de umas premissas, de maneira

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que se garante a veracidade das conclusões, se não se invalida a lógica aplicada.
Trata-se do modelo axiomático proposto por Aristóteles como método científico ideal
(MOLINA, 2007).

Pelo contrário, o método indutivo cria leis a partir da observação dos fatos,
mediante a generalização do comportamento observado; na realidade, o que realiza
é uma espécie de generalização, sem que através da lógica possa conseguir uma
demonstração das citadas leis ou conjunto de conclusões (MOLINA, 2007).

As referidas conclusões poderiam ser falsas e, ao mesmo tempo, a aplicação


parcial efetuada da lógica poderia manter a sua validade; por isso, o método indutivo
necessita de uma condição adicional, a sua aplicação considera-se válida enquanto
não se encontrar nenhum caso que não cumpra o modelo proposto.

O método hipotético-dedutivo ou de verificação de hipóteses não coloca, em


princípio, nenhum problema, visto que a sua validade depende dos resultados da
própria verificação (MOLINA, 2007).

Temos ainda o Método Dialético que foi proposto por Hegel, o qual postula
que as contradições se transcendem dando origem a novas contradições que
passam a requerer solução. Nesse sentido, os fatos não podem ser considerados
fora de um contexto social, político, econômico, etc.

Outros métodos específicos das Ciências Sociais seriam o Método Histórico,


o Comparativo, o Monográfico, o Estatístico, o Tipológico, o Funcionalista e o
Estruturalista.

Para maior clareza com relação a estes métodos citados acima, sugere-se a
leitura do livro Metodologia Científica de Lakatos e Marconi, utilizado como
referência nesta apostila, o qual traz de forma clara os detalhes e variantes de cada
um deles.

Como diz Lakatos e Marconi (2004) do mesmo modo que o conhecimento se


desenvolveu, o método, sistematização das atividades, também sofreu
transformações. Para Galileu, por exemplo, o primeiro teórico do método
experimental, as ciências não tinham como foco principal a preocupação com a
qualidade, mas com as relações quantitativas. Seu método é descrito como indução
experimental, chegando-se a uma lei geral por intermédio da observação de certo

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número de casos particulares.

Para Francis Bacon são essenciais a observação e a experimentação dos


fenômenos, pois somente esta última pode confirmar a verdade: uma autêntica
demonstração sobre o que é verdadeiro ou falso, somente é proporcionada pela
experimentação.

O tipo de experimentação proposto por Bacon é denominado coincidências


constantes. Ele postula que: aparecendo a causa, dá-se o fenômeno; retirando-se a
causa, o efeito não ocorre; variando-se a causa, o efeito altera-se.

René Descartes afasta-se dos processos indutivos e utiliza o método


dedutivo. Para ele chega-se à certeza, por intermédio da razão, princípio absoluto do
conhecimento humano.O quadro comparativo abaixo nos mostra de forma sucinta o
método segundo alguns cientistas famosos.

GALILEU BACON DESCARTES MÉTODO ATUAL

Observa Experimenta Evidencia Descobre o problema


Analisa Formula Analisa Colocação precisa do problema
Induz hipóteses Sintetiza Procura conhecimentos ou
Verifica Repete o Enumera. instrumentos relevantes
experimento ao problema
Generaliz
Testa a Tenta solucionar o problema
a hipótese com auxílio dos meios
Confirma. identificados
Formula
generalizações Inventa novas ideias – produz
e leis. novos dados empíricos
Obtém uma solução
Investiga as consequências da
solução obtida
Prova a solução
Corrige as hipóteses, teorias,
procedimentos ou dados
De forma resumida devemos entender que método é o dispositivo
empregados ordenado,
na obtenção da
o procedimento sistemático em plano geral. solução incorreta.

O método racional também é científico, embora os assuntos a que se aplica


não sejam realidades, fatos ou fenômenos suscetíveis de comprovação

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experimental. As disciplinas que o empregam (principalmente as diversas áreas da
filosofia) nem por isso deixam de ser verdadeiras ciências.

Todo método depende do objetivo da investigação. A filosofia, por exemplo,


não tem por objeto o estudo de coisas fantasiosas, irreais ou inexistentes. A filosofia
questiona a própria realidade. Por isso, o ponto de partida do método racional é a
observação dessa realidade ou a aceitação de certas proposições evidentes,
princípios ou axiomas, para em seguida prosseguir por dedução ou por indução, em
virtude das exigências unicamente lógicas e racionais. Mediante o método racional,
que também se desdobra em diversas técnicas científicas (como a observação, a
análise, a comparação e a síntese) e técnicas de pensamento (como a indução e a
dedução, a hipótese e a teoria), procura-se interpretar a realidade quanto a sua
origem, natureza profunda, destino e significado no contexto geral.

Pelo método racional, procura-se uma compreensão e uma visão mais ampla
sobre o homem, sobre a vida, sobre o mundo, sobre o ser. Essa cosmovisão, a qual
leva a investigação racional, nada pode ser testada ou comprovada
experimentalmente em laboratórios. E é exatamente a possibilidade comprovar ou
não as hipóteses que distingue o método experimental (científico em sentido restrito)
do racional (CERVO; BERVIAN; SILVA, 2007).

6.1 Técnicas

O método concretiza-se como o conjunto das diversas etapas ou passos que


devem ser seguidos para a realização da pesquisa e que configuram as técnicas. Os
objetos de investigação determinam o tipo de método a ser empregado, a saber, o
experimental ou o racional. Um e outro empregam técnicas específicas como
também técnicas comuns a ambos. Pode-se dizer que a maioria das técnicas que
compõe o método científico e racional é comum, embora devam ser adaptadas ao
objetivo da investigação. Por isso, as técnicas ou processos que serão explicitadas a
seguir dizem respeito ao método experimental e, indiretamente, com as adaptações
que se impõem, ao método racional (LAKATOS; MARCONI, 2004).

Podem ser chamados de técnicas aqueles procedimentos científicos


utilizados por uma ciência determinada no quadro das pesquisas próprias dessa
ciência. Assim, há técnicas associadas ao uso de certos testes em laboratório, ao
levantamento de opiniões de massa, à coleta de dados estatísticos; há técnicas para

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conduzir uma entrevista, para determinar a idade por medições de carbono, para
decifrar inscrições desconhecidas etc. (CERVO; BERVIAN; SILVA, 2007).

As técnicas em uma ciência são os meios corretos de executar as operações


de interesse de tal ciência. O treinamento científico reside, em grande parte, no
domínio dessas técnicas. Ocorre, entretanto, que certas técnicas são utilizadas por
inúmeras ciências ou, ainda, por todas elas. O conjunto dessas técnicas gerais
constitui o método. Portanto, métodos são técnicas suficientemente gerais para
se tornarem procedimentos comuns a uma área das ciências ou a todas as
ciências.

Existe, pois, um método fundamentalmente idêntico para todas as ciências,


que compreende um certo número de procedimentos, aplicações científicas ou
operações levadas a efeito em qualquer tipo de pesquisa. São eles: a observação,
a descrição, a comparação, a análise e a síntese. Esses procedimentos servem
aos seguintes propósitos:

 Formular questões ou propor problemas e levantar hipóteses;

 Efetuar observações e medidas;

 Registrar tão cuidadosamente quanto possível os dados observados


com o intuito de responder às perguntas formuladas ou comprovar a hipótese
levantada;

 Elaborar explicações ou rever conclusões, ideias ou opiniões que


estejam em desacordo com as observações ou com as respostas resultantes;
generalizar, isto é, estender as conclusões obtidas a todos os casos que
envolvem condições similares; a generalização é tarefa do processo chamado
indução,

 Prever ou predizer, isto é, antecipar que, dadas certas condições, é de


esperar que surjam certas relações.

Mesmo assim, o método pode e deve ser adaptado às diversas ciências, à


medida que a investigação de seu objeto impõe ao pesquisador lançar mão de
técnicas especializadas.

Parece faltar algo aqui não é mesmo? Como, por exemplo, os diversos tipos

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de pesquisa de acordo com os objetivos (exploratória, descritiva, explicativa), ou os
delineamentos da pesquisa (bibliográfica, documental, experimental) ou ainda falar
dos meios de coletar os dados, mas optamos por explanar sobre as técnicas mais
amiúde, na apostila destinada a Orientações de Trabalho de Conclusão de Curso,
acreditando que seria mais pertinente, sendo uma colaboração para com o
estudante nessa etapa do trabalho.

6.2 Formas de pensamento

O pensamento alimenta-se da realidade externa e é produto direto da


experiência. O ato de pensar caracteriza-se por ser dispersivo, natural e espontâneo.
A reflexão, porém, requer esforço e concentração voluntária. É dirigida e planificada.
A conclusão do raciocínio constitui o último elo de uma cadeia, o período final de um
ciclo de operações que se condicionam necessariamente (CERVO; BERVIAN;
SILVA, 2007).

Segundo Mattar (2008) vários são os movimentos que procuram discutir em


sentido amplo, os métodos em ciências, alguns deles acreditamos ser importantes
discorrer, pois mostram as formas de pensamento que reinaram ao longo da história
da humanidade.

O empirismo, a primeira dessas formas de pensamento, pode ser entendido


como uma postura filosófica, assim como o racionalismo e o idealismo.

O empirismo inglês afirma, de uma forma geral, que a única fonte de nossas
ideias é a experiência sensível, valorizando assim os sentidos. O empirismo acabou
funcionando, na história do pensamento, como um movimento que funda todas as
correntes anti-idealistas, que defendem que o pensamento humano deva ser
compreendido pela experiência efetiva, e não pela abstração do real.

Se é claro que o empirismo não determinou o desenvolvimento das ciências


naturais ou empíricas contemporâneas, ajudou sem dúvida a construir uma
atmosfera intelectual que se coaduna perfeitamente com os métodos dessas
ciências (MATTAR, 2008).

Nesse sentido, os empiristas ingleses destacam a importância da sensação e


da experiência, e discutem temas importantes como o uso das hipóteses, a estrutura
do raciocínio indutivo, a importância da probabilidade, etc.

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Ao positivismo associa-se o ideal de neutralidade nas ciências. Seu principal
nome é o de Auguste Comte (1798-1857). Para ele, a ciência seria o conhecimento
por excelência. Os conceitos e as expressões possuem significado se, e apenas se
ou seja, se forem operacionalizados (MATTAR, 2008).

A extensão do positivismo é o neopositivismo (positivismo lógico ou


empirismo lógico), que também destaca a importância da operacionalização. O neo
positivismo caracteriza-se pela combinação de ideias empiristas com a lógica
moderna. O movimento surgiu na Áustria, com o “Círculo de Viena” (fundado pelo
filósofo Moritz Schlich em 1924, durou até 1936), na Alemanha e na Polônia. Muitos
de seus principais filósofos emigraram para os Estados Unidos ou a Inglaterra,
fugindo do nazismo. Alguns de seus nomes mais importantes são Rudolf Carnap
(1891-1970), Herbert Feigl (1902-1988), Otto Neurath (1882-1945) e Friedrich
Waisman (1896-1959) (MATTAR, 2008).

Para o neopositivismo, a verificabilidade seria o critério de significação de um


enunciado. O sentido das proposições científicas dependeria, portanto, de uma
verificabilidade empírica. Assim, as ciências empíricas, guiadas pela lógica e pela
matemática para manter o rigor e a correção de suas teorias, esgotariam o
conhecimento possível do real. O neopositivismo destaca-se também, nesse sentido,
pelas investigações centradas num critério de demarcação, que separaria as
proposições científicas das não científicas (MATTAR, 2008).

O pragmatismo está associado ao filósofo, matemático, lógico e cientista


norte americano Charles Sanders Peirce (1839-1914). Há outros nomes importantes
de pragmatistas clássicos, além de Peirce, como Ralph Waldo Emerson, William
James e John Dewey, assim como de pragmatistas contemporâneos, como Richard
Rorty, Hilary Putnam, Stanley Fish, Nancy Fraser, Cornel West, Ian Hacking, Richard
Poirier e Stanley Cavell, De origem filosófica, o pragmatismo apresentará
ramificações na política, na educação e na crítica literária, para se constituir como
um método científico (MATTAR, 2008).

Para os pragmatistas, a clareza de nossas ideias implica concebermos seus


efeitos práticos, ou seja, sensações e reações associadas com o objeto do
pensamento.

A máxima pragmatista diz que, para clarificar, para “desenvolver” o significado

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de uma concepção, é preciso determinar que hábitos ela produz, pois aquilo que
uma coisa significa é simplesmente os hábitos que ela envolve. O pragmatismo
busca os resultados, mais do que as origens, em nossa compreensão das ideias.
Assim, equivale aos procedimentos experimentais básicos das ciências de
laboratório, e poderia ser empregado em qualquer campo do conhecimento. É
sinônimo, portanto, do método experimental das ciências para adquirir e desenvolver
o conhecimento humano (MATTAR, 2008).

A estrutura do método científico, segundo o pragmatismo, dividir-se-ia em:


identificar o problema; oferecer uma hipótese explanatória usando meios abdutivos;
e testar nossa hipótese contra o problema por meios dedutivos. O que poderia ser
resumido pela tríade problema-hipótese-teste. A estrutura básica do método do
pragmatismo para a aquisição e o desenvolvimento do conhecimento humano,
portanto, implica três passos:

a) Identificar o problema que se tem em mãos, seja pela experiência


comum, como se aprende, ou pelos fatos ou explicações especiais ou
peculiares da disciplina acadêmica.

b) Produzir, usando toda a criatividade possível, uma explicação


ou, ainda melhor, uma hipótese explanatória (algo passível de teste) que se
acredite que possa pelo menos parcialmente resolver o problema.

c) Testar a sua explicação cuidadosa e repetidamente,


principalmente a sua hipótese, contra aquilo a que ela está programada a
explicar, principalmente o problema, e com o mesmo cuidado (ou ainda mais
cuidado) observar e anotar os resultados desse teste buscando erros
(MATTAR, 2008).

O pragmatismo seria, nesse sentido, o método dos métodos, ou o método dos


outros métodos. Seriam seus métodos subsidiários: o raciocínio abdutivo, do qual
derivam as hipóteses que são selecionadas para testar o raciocínio dedutivo, pelo
qual, idealmente, a certeza do conhecimento é expressa e pelo qual, com a
finalidade de certeza, hipóteses erradas são eliminadas de nosso conjunto de
explicações; e o raciocínio indutivo, pelo qual, sobretudo, probabilidades são
examinadas e, de acordo com elas, hipóteses que sobrevivem a nossos exercícios
de eliminação dedutiva são consideradas, para investigações futuras (MATTAR,

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2008).

É importante distinguir o marxismo como metodologia do marxismo como


programa social. Como método, é necessário destacar pelo menos dois aspectos do
marxismo:

 Em primeiro lugar, o marxismo, ao descrever o movimento da realidade e


do próprio pensamento por meio de uma dialética tese/antítese/síntese,
defende a necessidade do trabalho com a negação e com a contradição:
por meio da confrontação entre as ideias, seria possível gerar uma síntese,
que por sua vez deveria ser submetida a uma nova contradição, e assim
por diante.

 Em segundo lugar, o marxismo é importante por defender que os níveis


econômico, jurídico-político e ideológico devem ser estudados no processo
de construção do conhecimento. Assim, o marxismo insiste que essas
perspectivas devem ser levadas em conta, nas ciências humanas, para a
análise e interpretação dos fenômenos relacionados ao ser humano, e, em
relação às ciências empíricas, introduz uma perspectiva de estudar a
verdade científica em sua exterioridade, ou seja, não apenas por meio do
desenvolvimento interno das ciências, de seus métodos e sua lógica, mas
também das influências socioeconômicas que determinam o seu
progresso, a maior ou menor aceitação das teorias científicas, a
transmissão do conhecimento científico, etc. (MATTAR, 2008).
O estruturalismo desenvolveu-se na França, entre os anos 1950 e 1960,
envolvendo os campos da psicanálise e da psicologia, da filosofia, da antropologia,
da linguística, das ciências sociais, da crítica literária e da semiótica, incluindo a
matemática e a lógica, a física e a biologia. Nomes de destaque no movimento
são: os linguistas Ferdinand de Saussure (com seu clássico Curso de Linguística
Geral), Roman Jakobson; o antropólogo Claude Lévi-Strauss; os filósofos Michel
Foucault, Jacques Derrida; o estudioso da cultura grega Jean-Pierre Vernant; O
psicólogo Jacques Lacan; além de Roland Barthes, Louis Althusser, Pierre
Bourdieu e George Dúmezil (MATTAR, 2008).
O estruturalismo defende que a realidade é composta de estruturas.
Assim, seria possível encontrar e estudar estruturas em arquitetura, no corpo, nas
línguas, na psicologia, na matemática, na geologia, na anatomia, e inclusive nas
ciências humanas e sociais. O método das ciências, portanto, seria identificar
essas estruturas e explicar como suas partes organizam-se numa totalidade,
formalizando- as.
A estrutura não deveria, entretanto, necessariamente ser entendida como
algo estático, mas sim como uma totalidade que se transforma e se auto-regula.

Por fim, temos Karl Popper, bastante conhecido como o introdutor do

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critério de falseabilidade para diferenciar as teorias científicas dos discursos não
científicos. Um conceito científico deve ser refutável ou falseável, ou seja, deve ser
possível admitir uma situação prática, como resultado de uma experiência, em que
esse conceito possa ser desmentido. Uma teoria científica deve implicar a
possibilidade de sua contradição: as teorias que não admitem sua possível
negação pela experiência não seriam científicas (MATTAR, 2008).

Em linhas gerais, Popper defende a substituição do método indutivo por


um método hipotético-dedutivo. Ele se propõe a responder às seguintes questões,
com o objetivo de distinguir entre ciência e pseudociência: “Quando uma teoria
deve ser classificada como científica?” e “Há um critério para o caráter ou estatuto
científico de uma teoria?” (MATTAR, 2008).

Nessa direção, Popper realiza uma crítica à teoria da história de Marx, à


psicanálise freudiana e à psicologia individual de Alfred Adler: há muitas
verificações de suas verdades, e essas teorias acabam por ser sempre
confirmadas. Para Popper, as confirmações devem ser classificadas como
científicas apenas se forem o resultado de uma previsão que tiver assumido riscos.
Uma teoria científica seria, então, uma proibição: quanto mais proíbe, melhor. Uma
teoria que não é refutável por nenhum evento concebível não deve ser
considerada científica; para assumir tal estatuto, ela deve ser incompatível com
certos resultados possíveis da observação.

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AVALIAÇÃO

1) A ciência é um conjunto de conhecimentos racionais, certos ou prováveis,


obtidos metodicamente, sistematizados e verificáveis, que fazem referência a
objetos de uma mesma natureza. De acordo com a definição acima, assinale a
opção que corresponde a sua característica de ser um conhecimento
sistematizado:
A. ( ) exige um método e está constituído por uma série de elementos básicos,
tais como sistema conceitual, hipóteses, definições.
B. ( ) não se adquire ao acaso ou na vida cotidiana, mas mediante regras
lógicas e procedimentos técnicos.
C. ( ) não se trata de conhecimentos dispersos e desconexos, mas de um saber
ordenado logicamente, constituindo um sistema de ideias.
D. ( ) nenhuma das respostas acima.

2) De acordo com a definição: “é obtido ao acaso, após inúmeras tentativas, ou


seja, é o conhecimento adquirido através de ações não planejadas”, assinale a
alternativa correta:
A. ( ) conhecimento filosófico
B. ( ) conhecimento empírico
C. ( ) conhecimento científico
D. ( ) conhecimento teológico

3) Contamos um pouco da história da evolução da ciência ao longo do tempo.


Qual das épocas pode ser considerada por alguns autores época das trevas,
mas contestada atualmente. Qual o período das invenções biológicas?
A. ( ) Antiguidade – Idade Média
B. ( ) Renascimento – Século XX
C. ( ) Antiguidade – Século XIX
D. ( ) Idade Média – Século XIX

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4) Segundo Lakatos e Marconi (2004) citando Trujillo (1974) e Bunge (1976) a
divisão em ciências formais e factuais leva alguns aspectos em consideração,
como por exemplo, o método pelo qual se comprovam os enunciados. Como é
esse método nas ciências factuais?
A. ( ) Contentam com a lógica para demonstrar seus teoremas.
B. ( ) Necessitam observar e/ou experimentar.
C. ( ) Relacionam símbolos.
D. ( ) Dependem do fato experimental para sua convalidação.

5) MARCONI;LAKATOS,(2003,p.155) define pesquisa:


A. Trata-se de um procedimento não sistemático, que permite descobrir antigos
fatos ou dados, relações ou leis, em qualquer campo de conhecimento.
B. Trata-se de um procedimento experimental, utilizando instrumentos de
validação de hipóteses.
C. Trata-se de um “procedimento sistemático, controlado e crítico, que permite
descobrir novos fatos ou dados, relações ou leis, em qualquer campo de
conhecimento”.
D. Nenhuma das anteriores.
6) A pesquisa está subdividida em três tipos. Assinale a afirmativa correta:
A. Pesquisa de estudo de caso, pesquisa experimental e pesquisa exploratória.
B. Pesquisa quantitativa, pesquisa descritiva e pesquisa documental.
C. Pesquisa descritiva, pesquisa experimental e pesquisa bibliográfica.
D. Pesquisa de opinião, pesquisa exploratória e pesquisa documental.

7) A pesquisa quantitativa possui uma abordagem:

A. A pesquisa quantitativa requer o uso de coletas de depoimentos, com uso de


medidas na análise de discurso, interpretativa.

B. A pesquisa quantitativa requer o uso de coletas de dados, uso de medidas e


estatísticas, questionário fechado com técnicas descritivas em termos de
codificação numérica.

C. A pesquisa quantitativa requer o uso do método descritivo que aborda caráter


conflitivo e histórico.

D. A pesquisa quantitativa requer o uso de descrições de contradições

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8) Assinale a opção que apresenta a seguinte definição: “são um conjunto de
ideias, códigos, símbolos e valores que indicam uma série de operações
realizáveis, física e/ou mentalmente, a partir da manipulação de conceitos
abstratos”.
A. ( ) ferramentas teóricas
B. ( ) ferramentas práticas
C. ( ) ferramentas mistas
D. ( ) ferramentas manuais

9) Leia atentamente as afirmativas abaixo e assinale a opção correta:


I – As ciências humanas e sociais estudam fenômenos que são reais e distintos
dos tratados nas ciências experimentais.
II - As causas e as leis descobertas nas áreas de humanas e sociais exprimem
relações necessárias entre os fatos e entre os atos.
III - As conclusões das ciências sociais e humanas têm um caráter incontestável de
certeza, embora de ordem diferente da certeza das ciências experimentais.
A. ( ) Somente a afirmativa I está correta.
B. ( ) Somente a afirmativa II está correta.
C. ( ) Todas as afirmativas estão corretas.
D. ( ) Todas as afirmativas estão erradas.

10) Como configura-se métodos e técnicas:


A. O método configura-se como parte das etapas ou passos que devem ser
seguidos para a realização da pesquisa e configuram as técnicas. Sabendo-
se que o objeto de investigação não determina o tipo de método a ser
utilizado.
B. O método concretiza-se como o conjunto de fases que podem ser seguidos
alienatoriamente para a realização da pesquisa e que configuram as técnicas.
C. O método concretiza-se como um conjunto de passos que devem ser
ordenados através de coletas de dados, uso de medidas, com análise de
discurso que configuram as técnicas.
D. D) O método concretiza-se como o conjunto das diversas etapas ou passos
que devem ser seguidos para a realização da pesquisa e que configuram as

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técnicas. Os objetos de investigação determinam o tipo de método a ser
empregado, a saber, o experimental ou o racional. Um e outro empregam
técnicas específicas como também técnicas comuns a ambos.

GABARITO

Nome do aluno:

Matrícula:

Curso:

Data do envio: / / .

Ass. do aluno:

METODOLOGIA CIENTÍFICA
1) 2) 3) 4) 5)

6) 7) 8) 9) 10)

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