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Introdução em

Tecnologia e Segurança
do Trabalho

Prof. Fernando Raul Persuhn

Indaial – 2013
1a Edição
Copyright © UNIASSELVI 2013

Elaboração:
Prof. Fernando Raul Persuhn

Revisão, Diagramação e Produção:


Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI

Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri


UNIASSELVI – Indaial.

341.617
P467i Persuhn, Fernando Raul
Introdução em tecnologia e segurança do trabalho / Fernando
Raul Persuhn. Indaial : Uniasselvi, 2013. 163 p. : il

ISBN 978-85-7830-796-7

1. Tecnologia e segurança do trabalho. - Brasil. II. Centro


Universitário Leonardo Da Vinci

Impresso por:
Apresentação
Caro acadêmico! Seja bem-vindo à disciplina de Introdução em
Tecnologia e Segurança do Trabalho. Esta disciplina introduzirá os temas
básicos de segurança no trabalho.

Quando o trabalho deixou de ser individual e passou a ser


desenvolvido por grupos assalariados, começou a surgir a segurança do
trabalho. Veremos como a humanidade, ao longo de seu desenvolvimento,
buscou melhorias no seu modo de trabalho. Também veremos como o Brasil
se adaptou às normas de Segurança no Trabalho.

Aprenderemos o que é acidente de trabalho e como poderemos evitá-


lo. Conheceremos os agentes ambientais, que são os fatores causadores das
doenças de trabalho.

Saberemos implantar uma CIPA – Comissão Interna de Prevenção


de Acidentes – e elaborar um mapa de riscos, reconhecendo os riscos físicos,
químicos, biológicos, ergonômicos e de acidente.

Bons estudos!

Prof. Fernando Raul Persuhn

III
NOTA

Você já me conhece das outras disciplinas? Não? É calouro? Enfim, tanto para
você que está chegando agora à UNIASSELVI quanto para você que já é veterano, há
novidades em nosso material.

Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos os acadêmicos desde 2005, é


o material base da disciplina. A partir de 2017, nossos livros estão de visual novo, com um
formato mais prático, que cabe na bolsa e facilita a leitura.

O conteúdo continua na íntegra, mas a estrutura interna foi aperfeiçoada com nova
diagramação no texto, aproveitando ao máximo o espaço da página, o que também
contribui para diminuir a extração de árvores para produção de folhas de papel, por exemplo.

Assim, a UNIASSELVI, preocupando-se com o impacto de nossas ações sobre o ambiente,


apresenta também este livro no formato digital. Assim, você, acadêmico, tem a possibilidade
de estudá-lo com versatilidade nas telas do celular, tablet ou computador.

Eu mesmo, UNI, ganhei um novo layout, você me verá frequentemente e surgirei para
apresentar dicas de vídeos e outras fontes de conhecimento que complementam o assunto
em questão.

Todos esses ajustes foram pensados a partir de relatos que recebemos nas pesquisas
institucionais sobre os materiais impressos, para que você, nossa maior prioridade, possa
continuar seus estudos com um material de qualidade.

Aproveito o momento para convidá-lo para um bate-papo sobre o Exame Nacional de


Desempenho de Estudantes – ENADE.

Bons estudos!

UNI

Olá acadêmico! Para melhorar a qualidade dos


materiais ofertados a você e dinamizar ainda
mais os seus estudos, a Uniasselvi disponibiliza
materiais que possuem o código QR Code, que
é um código que permite que você acesse um
conteúdo interativo relacionado ao tema que
você está estudando. Para utilizar essa ferramenta,
acesse as lojas de aplicativos e baixe um leitor
de QR Code. Depois, é só aproveitar mais essa
facilidade para aprimorar seus estudos!

IV
V
VI
Sumário
UNIDADE 1 - INTRODUÇÃO À SEGURANÇA DO TRABALHO E
LEGISLAÇÃO PERTINENTE.............................................................................................................. 1

TÓPICO 1 - HISTÓRICO...................................................................................................................... 3
1 INTRODUÇÃO.................................................................................................................................... 3
2 ANTECEDENTES HISTÓRICOS DA SEGURANÇA DO TRABALHO NO MUNDO........ 3
3 ANTECEDENTES HISTÓRICOS DA SEGURANÇA E HIGIENE DO
TRABALHO NO BRASIL................................................................................................................ 20
LEITURA COMPLEMENTAR............................................................................................................ 22
RESUMO DO TÓPICO 1.................................................................................................................... 27
AUTOATIVIDADE.............................................................................................................................. 28

TÓPICO 2 - ACIDENTES DE TRABALHO..................................................................................... 29


1 INTRODUÇÃO.................................................................................................................................. 29
2 CONCEITO LEGAL.......................................................................................................................... 29
3 CONCEITO PREVENCIONISTA................................................................................................... 29
3.1 LEGISLAÇÃO PREVENCIONISTA........................................................................................... 31
4 CLASSIFICAÇÕES DOS ACIDENTES DO TRABALHO........................................................ 35
5 CARACTERIZAÇÕES Do Acidente Do Trabalho...................................................................... 35
6 FATORES CAUSAIS DO ACIDENTE DE TRABALHO............................................................ 35
6.1 CONDIÇÕES QUE LEVAM AOS ACIDENTES....................................................................... 35
6.1.1 Atos inseguros...................................................................................................................... 35
6.1.2 Condições inseguras............................................................................................................ 36
6.1.3 Fator pessoal de insegurança............................................................................................. 37
6.2 TEORIA DA MULTICAUSALIDADE....................................................................................... 37
7 ACIDENTES DE TRABALHO E OS BENEFÍCIOS CONCEDIDOS...................................... 38
7.1 AUXÍLIO-DOENÇA..................................................................................................................... 38
7.2 AUXÍLIO-ACIDENTE.................................................................................................................. 40
LEITURA COMPLEMENTAR............................................................................................................ 41
RESUMO DO TÓPICO 2.................................................................................................................... 45
AUTOATIVIDADE.............................................................................................................................. 46

TÓPICO 3 - LEGISLAÇÃO BRASILEIRA....................................................................................... 47


1 INTRODUÇÃO.................................................................................................................................. 47
2 LEGISLAÇÃO.................................................................................................................................... 47
2.1 CONSTITUIÇÕES BRASILEIRAS.............................................................................................. 48
2.2 DIREITOS TRABALHISTAS....................................................................................................... 49
LEITURA COMPLEMENTAR............................................................................................................ 55
RESUMO DO TÓPICO 3.................................................................................................................... 63
AUTOATIVIDADE.............................................................................................................................. 64

UNIDADE 2 -SESMT, AGENTES AMBIENTAIS, RISCOS E LIMITES


DE TOLERÂNCIA................................................................................................................................ 65

VII
TÓPICO 1 - SESMT.............................................................................................................................. 67
1 INTRODUÇÃO.................................................................................................................................. 67
2 COMPOSIÇÃO.................................................................................................................................. 67
3 COMPETÊNCIA DOS PROFISSIONAIS DO SESMT.............................................................. 67
4 DIMENSIONAMENTO................................................................................................................... 69
4.1 EXEMPLO DE DIMENSIONAMENTO DE SESMT................................................................ 69
RESUMO DO TÓPICO 1.................................................................................................................... 71
AUTOATIVIDADE.............................................................................................................................. 72

TÓPICO 2 - AGENTES AMBIENTAIS............................................................................................. 73


1 INTRODUÇÃO.................................................................................................................................. 73
2 CLASSIFICAÇÃO DOS AGENTES AMBIENTAIS................................................................... 73
RESUMO DO TÓPICO 2.................................................................................................................... 75
AUTOATIVIDADE.............................................................................................................................. 76

TÓPICO 3 - RISCOS............................................................................................................................ 77
1 INTRODUÇÃO.................................................................................................................................. 77
2 RISCOS FÍSICOS............................................................................................................................... 77
2.1 RUÍDOS.......................................................................................................................................... 78
2.2 VIBRAÇÃO.................................................................................................................................... 82
3 PRESSÃO............................................................................................................................................ 84
3.1 HIPERBARISMO........................................................................................................................... 84
3.2 HIPOBARISMO............................................................................................................................. 86
4 RADIAÇÕES IONIZANTES E NÃO IONIZANTES................................................................. 87
4.1 RADIAÇÕES IONIZANTES....................................................................................................... 88
4.2 RADIAÇÕES NÃO IONIZANTES............................................................................................. 90
5 TEMPERATURA EXTREMA (FRIO E CALOR).......................................................................... 92
5.1 TRABALHO EM TEMPERATURAS ELEVADAS.................................................................... 92
5.2 TRABALHO EM TEMPERATURAS BAIXAS.......................................................................... 93
6 INFRASSOM E ULTRASSOM........................................................................................................ 93
6.1 INFRASSONS................................................................................................................................ 93
6.2 ULTRASSONS............................................................................................................................... 94
6.2.1 Normas relacionadas à vibração e choque no corpo humano...................................... 95
7 RISCOS QUÍMICOS......................................................................................................................... 96
7.1 FORMAS DE CONTAMINAÇÃO.............................................................................................. 99
7.2 LIMITES DE TOLERÂNCIA..................................................................................................... 100
7.3 CONTAMINANTES ATMOSFÉRICOS................................................................................... 101
7.3.1 Classificação fisiológica dos contaminantes atmosféricos........................................... 101
7.3.1.1 Irritantes........................................................................................................................... 102
7.3.1.2 Asfixiantes........................................................................................................................ 102
7.3.1.3 Narcóticos........................................................................................................................ 102
7.3.1.4 Intoxicantes sistêmicos................................................................................................... 102
8 RISCOS BIOLÓGICOS.................................................................................................................. 102
9 RISCOS ERGONÔMICOS............................................................................................................ 103
10 RISCOS DE ACIDENTES............................................................................................................ 108
RESUMO DO TÓPICO 3.................................................................................................................. 109
AUTOATIVIDADE............................................................................................................................ 110

TÓPICO 4 - LIMITES DE TOLERÂNCIA..................................................................................... 111


1 INTRODUÇÃO................................................................................................................................ 111
2 LIMITE DE TOLERÂNCIA PARA RUÍDOS.............................................................................. 112
2.1 RUÍDO CONTÍNUO OU INTERMITENTE............................................................................ 113
2.2 RUÍDO DE IMPACTO................................................................................................................ 113
VIII
3 LIMITE DE TOLERÂNCIA PARA EXPOSIÇÃO AO CALOR............................................... 113
4 LIMITE DE TOLERÂNCIA PARA RADIAÇÕES IONIZANTES.......................................... 114
5 LIMITE DE TOLERÂNCIA PARA CONDIÇÕES HIPERBÁRICAS.................................... 115
6 LIMITES DE TOLERÂNCIA PARA RADIAÇÕES NÃO IONIZANTES............................ 115
7 LIMITES DE TOLERÂNCIA PARA VIBRAÇÕES................................................................... 115
8 LIMITES DE TOLERÂNCIA PARA O FRIO............................................................................. 116
9 LIMITES DE TOLERÂNCIA PARA A UMIDADE................................................................... 116
10 AGENTES QUÍMICOS CUJA INSALUBRIDADE É CARACTERIZADA POR
LIMITE DE TOLERÂNCIA E INSPEÇÃO NO LOCAL DE TRABALHO......................... 116
11 LIMITES DE TOLERÂNCIA PARA POEIRAS MINERAIS................................................. 116
12 LIMITES DE TOLERÂNCIA PARA AGENTES QUÍMICOS............................................... 117
13 LIMITES DE TOLERÂNCIA PARA AGENTES BIOLÓGICOS.......................................... 117
LEITURA COMPLEMENTAR.......................................................................................................... 118
RESUMO DO TÓPICO 4.................................................................................................................. 120
AUTOATIVIDADE............................................................................................................................ 121

UNIDADE 3 - INSPEÇÃO PRÉVIA, MAPA DE RISCOS E CIPA............................................ 123

TÓPICO 1 - INSPEÇÃO PRÉVIA.................................................................................................... 125


1 INTRODUÇÃO................................................................................................................................ 125
2 INSPEÇÃO PRÉVIA....................................................................................................................... 125
3 DECLARAÇÃO DAS INSTALAÇÕES........................................................................................ 127
RESUMO DO TÓPICO 1.................................................................................................................. 128
AUTOATIVIDADE............................................................................................................................ 129

TÓPICO 2 - MAPA DE RISCOS...................................................................................................... 131


1 INTRODUÇÃO................................................................................................................................ 131
2 AVALIAÇÕES DE RISCO.............................................................................................................. 131
3 O MAPA DE RISCO........................................................................................................................ 131
RESUMO DO TÓPICO 2.................................................................................................................. 135
AUTOATIVIDADE............................................................................................................................ 136

TÓPICO 3 - CIPA................................................................................................................................ 137


1 INTRODUÇÃO................................................................................................................................ 137
2 A CIPA................................................................................................................................................ 137
2.1 SUA CONSTITUIÇÃO E ORGANIZAÇÃO........................................................................... 137
2.2 ATRIBUIÇÕES............................................................................................................................. 138
2.3 FUNCIONAMENTO.................................................................................................................. 141
2.4 TREINAMENTO......................................................................................................................... 141
2.5 PROCESSO ELEITORAL........................................................................................................... 142
3 ROTEIRO PARA IMPLANTAÇÃO DE UMA CIPA................................................................. 144
3.1 CALENDÁRIO............................................................................................................................ 144
3.2 EDITAL DE CONVOCAÇÃO DA ELEIÇÃO DA CIPA....................................................... 144
3.3 FORMAÇÃO DE COMISSÃO ELEITORAL E EDITAL DE ELEIÇÃO.............................. 145
3.4 ELEIÇÃO E DIVULGAÇÃO DOS RESULTADOS................................................................ 146
3.5 ATA DE INSTALAÇÃO E POSSE DA CIPA........................................................................... 148
3.6 TREINAMENTO DOS CIPEIROS............................................................................................ 149
3.7 FUNCIONAMENTO DA CIPA................................................................................................ 149
LEITURA COMPLEMENTAR.......................................................................................................... 150
RESUMO DO TÓPICO 3.................................................................................................................. 155
AUTOATIVIDADE............................................................................................................................ 156
REFERÊNCIAS.................................................................................................................................... 157

IX
X
UNIDADE 1

INTRODUÇÃO À SEGURANÇA
DO TRABALHO E LEGISLAÇÃO
PERTINENTE

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
A partir desta unidade, você será capaz de:

• apresentar a evolução da Segurança do Trabalho, contemplando os


históricos mundiais e brasileiros;

• conceituar Acidente de Trabalho, tanto o conceito legal como o


conceito prevencionista;

• conhecer a legislação brasileira, no que tange à Segurança do Trabalho.

PLANO DE ESTUDOS
Esta unidade está dividida em três tópicos. No final de cada um deles
você encontrará atividades que o(a) auxiliarão a fixar os conhecimentos
abordados.

TÓPICO 1 – HISTÓRICO

TÓPICO 2 – ACIDENTES DE TRABALHO

TÓPICO 3 – LEGISLAÇÃO BRASILEIRA

1
2
UNIDADE 1
TÓPICO 1

HISTÓRICO

1 INTRODUÇÃO
Nesta seção veremos como surgiu a preocupação com os acidentes de
trabalho, através de uma linha de tempo.

Estas preocupações são muito antigas: encontramos na literatura muitas


menções às ações que ocorreram no período a.C.

2 ANTECEDENTES HISTÓRICOS DA SEGURANÇA DO


TRABALHO NO MUNDO
A informação mais antiga sobre segurança e higiene do trabalho é o papiro
Anastacius V. É um registro egípcio que fala sobre a preservação da saúde e da
vida do trabalhador e mostra as condições de trabalho de um pedreiro.

Em 2360 a.C., o papiro Sallier II trazia referências aos riscos do ambiente


de trabalho. Nele consta a Sátira dos Ofícios, também chamada instruções de
Dua-Kheti, que foi escrita para seu filho Pepi. Pensa-se que o autor possa ter
sido guiado pelas instruções de Amanemhat. Descreve uma série de profissões
com uma luz exageradamente negativa, ressaltando as vantagens de escriba.
(CARVALHO, 2009).

FIGURA 1 – ESCRIBA DUA-KHETI

FONTE: Disponível em: <http://www.skoob.com.br/autor/2346>. Acesso em: 26 out. 2010.

3
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À SEGURANÇA DO TRABALHO E LEGISLAÇÃO PERTINENTE

Veja só o que estava descrito nele:


Eu jamais vi ferreiros em embaixadas e fundidores em missões. O que
vejo sempre é o operário em seu trabalho; ele se consome nas goelas
de seus fornos. O pedreiro, exposto a todos os ventos, enquanto a
doença o espreita, constrói sem agasalho; seus dois braços se gastam
no trabalho; seus alimentos vivem misturados com os detritos; ele se
come a si mesmo, porque só tem com o pão os seus dedos. O barbeiro
cansa os seus braços para encher o ventre. O tecelão vive encolhido –
joelho ao estômago – ele não respira. As lavadeiras sobre as bordas do
rio são vizinhas do crocodilo. O tintureiro fede à morrinha do peixe,
seus olhos são abatidos de fadiga, suas mãos não param e suas vestes
vivem em desalinho. (MOLINA, 1977; SOTO, 1978; ALVARADO et al.,
1999 apud CARVALHO, 2009).

Outra referência à Segurança do Trabalho provém do “Código de


Hamurabi”, que é um dos mais antigos conjuntos de leis, utilizado na Mesopotâmia
antiga. Acredita-se que foi escrito pelo rei Hamurabi, em torno de 1700 a.C. A
Mesopotâmia encontrava-se onde hoje é o Irã.

FIGURA 2 – CÓDIGO DE HAMURABI

FONTE: Educação e Motivação. Disponível em: <http://eduqueemotive.blogspot.com/2010/07/


leitura-e-escrita-alguns-aspectos.html>. Acesso em: 26 out. 2010.

Neste código, havia punição a quem não desempenhasse a função de


construtor de casas dignamente, ou seja, cometesse falhas e a construção viesse
a ruir. Já era uma preocupação com as condições tanto de trabalho como da
qualidade deste trabalho.

A Bíblia Sagrada, no Livro II de Samuel (23:10), nos conta que durante


o reinado de Davi (1010 a 970 a.C.) “Eleazar se manteve firme e combateu os
filisteus até que sua mão, cansada, ficou colada à espada”. (BÍBLIA, 1999).
4
TÓPICO 1 | HISTÓRICO

Na antiga Grécia, a prioridade era a higiene dos aristocratas, deixando-


se de lado a saúde dos que trabalhavam para viver. As doenças ocupacionais
aconteciam, porém não havia registro no tocante à saúde do trabalhador,
conforme ensina Rosen (1994, p. 40):
Há, por exemplo, imagens de tocadores de flauta usando uma
bandagem de couro em volta das bochechas e dos lábios, no intuito,
aparentemente, de prevenir a dilatação excessiva das bochechas e
evitar uma eventual relaxação dos músculos. Nas minas dos gregos,
escravos e convictos labutavam por longas horas em galerias estreitas,
pobremente ventiladas. Ainda assim, nos escritos hipocráticos, só
existe uma única referência a um mineiro: um caso de envenenamento
por chumbo, ou de pneumonia.

Hipócrates (460-377 a.C.) foi considerado o primeiro médico a rejeitar


superstições e crendices de que as forças sobrenaturais ou divinas causassem
as doenças, e sim os fatores ambientais, a raça das pessoas e os hábitos de
vida. Por causa destes estudos foi considerado o “Pai da Medicina”. Sua escola
defendia que as doenças eram o resultado do desequilíbrio de quatro humores
(sangue, bile negra, bile amarela e a fleuma) através de sua forma de entender o
funcionamento do organismo humano, incluindo a personalidade. Segundo ele,
a quantidade destes fluidos corporais era a principal responsável pelo estado de
equilíbrio ou de doença.

Em seus estudos, Hipócrates afirmou que um trabalhador desenvolveu


paralisia após realizar constantes e prolongados movimentos serpentiformes
e giratórios das mãos, caracterizando-se, assim, uma lesão proveniente de seu
ofício. Também, em seus escritos, fez menção à existência de moléstias entre
mineiros e metalúrgicos, advindas do manuseio de compostos de enxofre e zinco.

FIGURA 3 – HIPÓCRATES, O PAI DA MEDICINA, MEDICINA HUMANIZADA, 2010

FONTE: Disponível em: <http://humanimed.blogspot.com/2010_07_01_archive.html>. Acesso


em: 26 out. 2010.

5
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À SEGURANÇA DO TRABALHO E LEGISLAÇÃO PERTINENTE

Plínio, o Velho, descreveu diversas moléstias entre mineiros e


envenenamento. Galeno (ou Claudious Galenus, ou Galenus de Pergamum,
129-199 d.C.), em seus estudos, fez várias referências às moléstias profissionais
entre trabalhadores das ilhas do Mediterrâneo. Descreveu, entre outras, a
neurite cervicobraquial, estabelecendo sua relação com a patologia vertebral.
(CARVALHO, 2009).

Galeno (apud ROSEN, 1994, p. 387) narra a experiência pessoal dos riscos
ocupacionais nas minas de cobre na ilha de Chipre:
Em uma de suas viagens, ele visitou a ilha de Chipre e por algum
tempo inspecionou as minas das quais se retirava sulfato de cobre. Os
mineiros trabalhavam em uma atmosfera sufocante e Galeno menciona
ter sido ele mesmo quase subjugado pelo fedor. Os trabalhadores
encarregados de levar o fluido vitriolítico para fora da mina o faziam
o mais rápido possível, para evitar a sufocação. Galeno relata ainda
trabalharem os mineiros despidos, pois os vapores vitriolíticos
destruíam suas roupas.

FIGURA 4 – PÁGINA DE ROSTO DE UM VOLUME DA EDIÇÃO JUNTINA, DE GALENO

FONTE: Disponível em: <http://greciantiga.org/img/i/i527.jpg>. Acesso em: 26 out. 2010.

6
TÓPICO 1 | HISTÓRICO

Estes dois, Hipócrates e Galeno, eram médicos gregos.

Em Roma, Aulus Cornelius Celsus (25 a.C. – 50 d.C.) nos explica que a
inflamação possui quatro sinais: dor, calor, rubor e tumefação. (CARVALHO,
2009).

Na Idade Média, podemos destacar os trabalhos de Aviccena, no tratamento


da dor articular, e o de Armand de Villeneuve, em estudos ergonômicos.

Aviccena (980-1037) era o apelido de Abu Ali al-Husayn ibn Abd-Allah


ibn Sina. Era médico e filósofo e vivia na Pérsia. É conhecido como o “príncipe
da Medicina”. Em sua obra “Cânon da Medicina”, explica as causas da saúde
e da doença. Ibn Sina pensava que o corpo humano não poderia recuperar a
saúde a menos que se determinassem as causas, tanto da saúde como da doença.
(CARVALHO, 2009).

FIGURA 5 – AVICCENA

FONTE: Disponível em: <http://www.elec-intro.com/abu-ali-sina>. Acesso em: 26 out. 2010.

Avicena relacionou a cólica dos trabalhadores com as pinturas à base


de chumbo que eles executavam. Séculos após, essa intoxicação ainda fez
vítimas, como, por exemplo: o compositor Ludwig van Beethoven (1770-1827),
contaminado pela tipografia das partituras; os pintores famosos Vincent Willem
Van Gogh (1853-1890) e Candido Torquato Portinari (1903-1962). (BRASIL, 2010).

Quanto a Armand de Villeneuve (1253-1313), foi um médico francês, que


dentre outros aspectos, estudou riscos ergonômicos decorrentes da adoção de
posturas inadequadas.
7
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À SEGURANÇA DO TRABALHO E LEGISLAÇÃO PERTINENTE

Agrícola e Paracelso investigaram doenças ocupacionais nos séculos XV


e XVI. Georg Pawer (mais conhecido por seu nome em latim, Georgius Agrícola,
1494-1555) publicou o livro “De Re Metallica” em que eram estudados os
diversos problemas relacionados à extração de minerais. No último capítulo, o
autor discute os acidentes de trabalho, principalmente a “asma dos mineiros”,
provocada por poeiras. A descrição dos sintomas e a rápida evolução da doença
nos remetem à silicose.

FIGURA 6 – DE RE METALLICA – LIVRO DE GEORGIUS AGRÍCOLA

FONTE: Disponível em: <http://www.mineralogy.be/bookarchive/a/Agricola_1912.html>. Acesso


em: 26 out. 2010.

Paracelso, pseudônimo de Phillipus Aureolus Theophrastus Bombastus


von Hohenheim (1493-1541) foi um famoso médico, alquimista, físico e
astrólogo suíço. É sua a primeira monografia sobre as relações entre trabalho
e doença. São numerosas as citações relacionando métodos de trabalho e
substâncias manuseadas com doenças. Destaca-se a intoxicação com mercúrio,
cujos principais sintomas foram por ele relacionados.

8
TÓPICO 1 | HISTÓRICO

Foi na Idade Moderna que viveu o mais expressivo médico no campo da


saúde ocupacional, Bernardo Ramazzini (1633-1714), o qual recebeu o apelido
de “Pai da Medicina do Trabalho” ou “Pai da Saúde Ocupacional”. Seu livro “De
Morbis Artificum Diatriba”, um verdadeiro monumento da saúde ocupacional,
descreve cerca de 100 profissões diversas e os riscos específicos de cada uma
delas. Cada vez que atendia uma consulta, perguntava ao doente: qual a sua
ocupação?

FIGURA 7 – LIVRO DE RAMAZZINI

FONTE: Disponível em: <http://www.firenzelibri.net/public/img/45645.jpg>. Acesso em: 26 out.


2010.

Uma nova fase estava surgindo quando na Inglaterra, entre 1760 e 1830,
iniciou-se a Revolução Industrial, um marco na industrialização moderna, com o
surgimento da máquina de tear. Antes disso, o artesão era o dono das máquinas
de fiação e tecelagem em que operava. Com a modernização seu custo evoluiu,
não permitindo mais a este artesão possuí-las. Assim surgiram os industriais
que, prevendo os altos níveis de produção, resolveram adquirir estas máquinas e
empregar os artesões para fazê-las funcionar. Foi assim que iniciaram as primeiras
fábricas de tecido e, com elas, o Capital e o Trabalho.

9
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À SEGURANÇA DO TRABALHO E LEGISLAÇÃO PERTINENTE

FIGURA 8 – MÁQUINA DE FIAR (QUE ACELEROU A FABRICAÇÃO DE TECIDOS NO INÍCIO DA


REVOLUÇÃO INDUSTRIAL)

FONTE: Disponível em: <www.klickeducação.com.br>. Acesso em: 26 out. 2010.

Com a entrada da máquina a vapor o quadro industrial mudou totalmente.


Houve o deslocamento destas indústrias para as grandes cidades, pois já não
dependiam de cursos de água, e a mão de obra era abundante. Porém, as
condições de trabalho eram as piores possíveis: calor, ventilação ruim e umidade
somente pioravam as coisas. Estas novas fábricas nada mais eram que galpões
improvisados.

FIGURA 9 – EXEMPLO DE UMA FÁBRICA INGLESA, NO INÍCIO DA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL

FONTE: Disponível em: <www.mcaconsult.com.br>. Acesso em: 26 out. 2010.

10
TÓPICO 1 | HISTÓRICO

Estas máquinas primitivas apresentavam todo tipo de riscos para


seus trabalhadores, e suas consequências eram tão críticas, que começaram as
reclamações, inclusive de órgãos governamentais. Todos exigiam melhores
condições de trabalho. Mulheres e crianças também eram contratadas para
trabalhar nestas fábricas improvisadas, e não havia qualquer preocupação com
seu estado de saúde ou desenvolvimento físico.

No final do século XVIII, o parque industrial inglês sofreu uma série de


transformações, as quais, se por um lado trouxeram um aumento salarial aos
trabalhadores, por outro lado trouxeram sérios problemas ocupacionais. O trabalho
em máquinas sem proteção, executado geralmente em ambientes fechados, com
ventilação precária, ruído altíssimo e sem limites de horas de trabalho trazia aos
trabalhadores altíssimos índices de acidentes e moléstias profissionais.

A Revolução Industrial massacrou inocentes na Inglaterra, França e


Alemanha, e os que sobreviveram a isto foram levados a trabalhar nas mais
precárias condições das fábricas e minas, onde havia muito calor, gases, poeiras,
ruídos e outras condições adversas. Podia-se notar isto através dos elevados
índices de mortalidade entre estes trabalhadores, e principalmente entre as
mulheres e crianças. Com a sofisticação das máquinas, naquela época, tivemos o
aumento das taxas de acidentes, assim como a gravidade destes acidentes.

Charles Dickens, naquela época, tornou-se um grande adepto da causa


prevencionista. Como era um grande romancista, em suas críticas violentas
condenava o tratamento impróprio que as crianças tinham nas indústrias inglesas.
Pouco a pouco tivemos uma modificação na legislação, a qual chegou à Teoria do
Risco Social: o acidente de trabalho é um risco inerente à atividade profissional
exercida em benefício de toda a comunidade, portanto é esta comunidade quem
deverá arcar com o ônus da produção, ou seja, com os encargos provenientes dos
acidentes e lesões.

Em 1775, Percival Lott identifica que a fuligem e a falta de higiene dos


limpadores de chaminé, na Inglaterra, são as causas do câncer escrotal (câncer
ocupacional). Percival também compara o trabalho dos limpadores ingleses com
os alemães. Estes possuíam a roupa mais ajustada ao corpo, não permitindo a
entrada da fuligem. Esta roupa era então uma espécie primitiva de EPI. Surgiu de
seus estudos a chamada “Lei dos Limpadores de Chaminé”, de 1778.

Entre os anos de 1800 e 1830, várias leis foram criadas na Inglaterra, porém
não obtiveram o efeito esperado devido à pressão dos empregadores. Veremos a
seguir algumas delas.

Peel, em 1802 criou a primeira lei de proteção aos trabalhadores, a Lei da


Saúde e Moral dos Aprendizes. Esta lei foi criada através de uma CPI. Estabelecia
doze horas de trabalho diárias, proibia o trabalho noturno, obrigava a lavação
das paredes das fábricas, no mínimo duas vezes ao ano e tornava obrigatória a
ventilação industrial nas fábricas. Neste contexto, é importante a observação de
Mantoux (apud FIGUEIREDO, 2007, p. 132):
11
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À SEGURANÇA DO TRABALHO E LEGISLAÇÃO PERTINENTE

A ‘Lei Peel’ (1802) é mencionada por Catharino como precursora na


legislação sobre Higiene e Segurança do Trabalho. Tratava de proteção
do trabalho noturno para os aprendizes nas fábricas de algodão na
Inglaterra e tornou-se conhecida também com o nome de “Ato de
Saúde e da Moral dos Aprendizes”. Seu autor, o moleiro Robert Peel,
procurou disciplinar o trabalho de aprendizes em moinho e apresentou
a lei visando à proteção dessas crianças pela fixação de um limite na
jornada de trabalho e o estabelecimento de deveres relacionados à
educação e higiene no local de trabalho. Todavia, essa lei não teve
eficácia até o ano de 1819, ocasião em que Peel, com a colaboração de
Robert Owen, conseguiu a aprovação de nova lei no mesmo sentido.
Destaque-se, dentre as prescrições estabelecidas na Lei de Peel, as
de caráter sanitário: a caiação de paredes e tetos das oficinas deveria
realizar-se periodicamente, as janelas das oficinas deveriam ser
grandes o suficiente para permitir ventilação conveniente etc.

FIGURA 10 – CONDIÇÕES DE TRABALHO ANTES DA LEI DE PEEL

FONTE: Disponível em: <http://adc.bmj.com/content/90/1/60/F2.large.jpg>. Acesso em: 26 out.


2010.

Charles Thackrah, em 1830, publica o primeiro livro sobre doenças


ocupacionais na Inglaterra, inspirando a criação da legislação ocupacional inglesa.
A edição definitiva, em 1832, intitulava-se “The effects of arts, trades and professions
and of the civic states and habits of living on health and longevity with suggestions for
removal of many of the agents which produce disease and shorten the duration of life”,
ou, numa tradução livre: “Os efeitos das artes, comércios, profissões e cidadãos
e seus padrões de vida em saúde e longevidade e a sugestão de eliminação de
muitos dos agentes que produzem doenças e diminuem a expectativa de vida”.

Também em 1830, Robert Dernham, proprietário de uma fábrica têxtil,


preocupado com o fato de que seus operários não dispunham de nenhum cuidado
médico a não ser aquele propiciado por instituições filantrópicas, procurou o Dr.

12
TÓPICO 1 | HISTÓRICO

Robert Baker, seu médico, pedindo que indicasse qual a maneira pela qual ele, como
empresário, poderia resolver tal situação. Baker respondeu-lhe:
Coloque no interior da sua fábrica o seu próprio médico, que
servirá de intermediário entre você, os seus trabalhadores e o
público. Deixe-o visitar a fábrica, sala por sala, sempre que existam
pessoas trabalhando, de maneira que ele possa verificar o efeito
do trabalho sobre as pessoas. E se ele verificar que qualquer dos
trabalhadores está sofrendo a influência de causas que possam ser
prevenidas, a ele competirá fazer tal prevenção. Dessa forma você
poderá dizer: meu médico é a minha defesa, pois a ele dei toda a
minha autoridade no que diz respeito à proteção da saúde e das
condições físicas dos meus operários; se algum deles vier a sofrer
qualquer alteração da saúde, o médico unicamente é que deve ser
responsabilizado. (MENDES; DIAS, 2001).

A resposta do empregador foi a de contratar Baker para trabalhar na sua


fábrica, surgindo assim, em 1830, o primeiro serviço de medicina do trabalho.

Em 1831, Michael Saddler relatou em uma CPI as péssimas condições de


trabalho na Inglaterra.

Como a Lei da Saúde e da Moral dos Aprendizes não era obedecida


por falta de um organismo fiscalizador, foi promulgada, no ano de 1833, a
“Lei das Fábricas”, sendo a primeira legislação realmente eficaz na proteção
aos trabalhadores. Esta lei aplicava-se às fábricas têxteis. Entre os seus itens,
podemos destacar a proibição ao trabalho noturno de menores de 18 anos;
restringia o trabalho a 12 horas/dia e 69 horas/semana; as fábricas deviam
ter escola para os menores de 13 anos; a idade mínima para o trabalho era
de 9 anos e deviam suprir atestado médico quanto ao desenvolvimento das
crianças. Posteriormente, foram incluídas a obrigatoriedade da ventilação
mecânica e a proibição de ingestão de alimentos nos locais de trabalho.
(CARDOSO JÚNIOR, 2010).

Também em 1833, foi aprovada na Alemanha a Lei Operária, primeira


legislação constituída em prol do trabalhador fora da Inglaterra.

Em 1842, na Escócia, James Smith, gerente de uma fábrica têxtil,


contratava um médico para a realização de exames. Estes exames eram feitos
antes da admissão do trabalhador, assim como exames periódicos, com
orientação dos problemas de saúde e a prevenção de doenças ocupacionais ou
não ocupacionais.

A Lei das Fábricas (Factory Act) foi reformulada em 1844, protegendo


agora uma nova categoria de trabalhadores: as mulheres menores de 18 anos.
Elas foram igualadas aos adolescentes, seu trabalho limitado a 12 horas diárias
e proibido à noite.

13
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À SEGURANÇA DO TRABALHO E LEGISLAÇÃO PERTINENTE

FIGURA 11 – RICHARD OASTLER (UM DOS LUTADORES PELOS DIREITOS DAS CRIANÇAS
TRABALHADORAS NO FACTORY ACT)

FONTE: Disponível em: <http://www.ngfl.ac.uk/sculptrail/oastler.jpg>. Acesso em: 26 out. 2010.

Também com a Lei de 1844, o trabalho dos operários menores de 13 anos


se reduziria a 6 horas e meia durante o dia. Com isto, inaugurou-se o trabalho em
turnos.

Para evitar o abuso dos industriários, iniciou-se o uso do relógio na fábrica,


regulado sempre pelo horário de um relógio público que ficasse mais próximo da
fábrica, como, por exemplo, de uma estação ferroviária.

Estas minúcias, que regulam militarmente e ao som da sineta o período,


os limites e as pausas de trabalho, não foram de modo algum o produto da
fantasia parlamentar. Nasceram das circunstâncias e desenvolveram-se pouco
a pouco, como leis naturais. Foi preciso uma longa luta social entre classes,
antes de serem formuladas, reconhecidas e promulgadas em nome do Estado.
(MARX, 1974, p. 176).

Em 1847 é promulgado o “Ten Hour Act”, ou lei das 10 horas, terminando


assim uma luta que havia há quase 20 anos para diminuir o horário de trabalho.
Como curiosidade, esta lei tornou-se possível graças à união da classe operária
com a classe industrial, em oposição à aristocracia latifundiária.

No ano de 1850, devido às dificuldades da aplicação da Lei de 1847, o


parlamento inglês firmou um compromisso entre fabricantes e operários:

• o dia de trabalho passou de 10 horas para 10 horas e meia de segunda a sexta-


feira e restringia-se a 7 horas e meia aos sábados para os adolescentes e as
mulheres;

14
TÓPICO 1 | HISTÓRICO

• o trabalho começava às 6 horas da manhã (antes era das 5 e meia até as 8 e meia
da noite) e terminava às 6 da tarde, com pausas de hora e meia para a refeição;

• o sistema de turnos era abolido definitivamente;

• o trabalho infantil regia-se pela Lei de 1844.

A partir de 1862, a França passou a regulamentar a higiene e a segurança


do trabalho. (BRASIL, 2010).

Em Portugal, somente após 60 anos de promulgação das leis inglesas é


que foi definida a obrigatoriedade do descanso semanal para o comércio e para
a indústria.

Pouco a pouco, no decorrer da segunda metade do século XIX, as inúmeras


“Leis de Fábrica” se estendiam a todos os outros setores de indústrias.

No ano de 1878, houve a promulgação do “Factory and Workshops Act”, que


definia como dez anos de idade a mínima para o ingresso no trabalho, restringia
o trabalho de crianças entre 10 e 14 anos a dias de trabalho alternados ou a meio
dia, a fim de poderem frequentar a escola, e também promulgava que o dia de
trabalho não pudesse ultrapassar as 12 horas para a juventude entre 14 e 18 anos,
com duas horas de descanso para as refeições.

Em Berlim, na Alemanha, no ano de 1890, o kaiser Guilherme II convocou a


Conferência de Berlim, sendo a primeira conferência internacional para questões
trabalhistas.

Acerca desta conferência de 1890, e das organizações mundiais de trabalho,


Segadas Viana (2003) diz o seguinte:

Pode marcar-se esta conferência como o final da primeira fase pela


internacionalização, iniciando-se a segunda em 1901, com a fundação,
na Basileia, da Associação Internacional para a Proteção Legal dos
Trabalhadores. Em 1905 e 1906 houve duas conferências de caráter
técnico sobre problemas do trabalho, em Berna, de iniciativa do
governo suíço. Nova conferência realizou-se na mesma cidade, em 1913,
e nela foram preparados dois projetos de convenções internacionais
proibindo o trabalho noturno aos menores e limitando em 10 horas a
duração do trabalho das mulheres e dos adolescentes. Tais convenções
deveriam ser assinadas no ano seguinte, uma conferência que não se
realizou por ter rebentado a I Guerra Mundial do século.

No século XX iniciou-se a expansão norte-americana, a qual colocou em


risco o poderio europeu e mudou o enfoque das questões mundiais, principalmente
porque trouxe alterações em relação ao comércio e à produção, levando a uma
nova avaliação de importância dos povos. (SOUZA, 2006).

15
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À SEGURANÇA DO TRABALHO E LEGISLAÇÃO PERTINENTE

Após quase cem anos de discussões trabalhistas, iniciou a I Guerra


Mundial. Nas negociações para alcançar a paz, discutiu-se a universalização
do trabalho e seu tratamento. Deste modo criou-se uma comissão, denominada
Conferência de Legislação Internacional do Trabalho, visando empenhar esforços
para colocar em prática tais ideias. (SOUZA, 2006).

Foi neste contexto pós-guerra que se deram os primeiros passos para a


criação da OIT – Organização Internacional do Trabalho. Internacional porque
visava abranger todos os povos do planeta.

FIGURA 12 – CONFERÊNCIA DA OIT

FONTE: Disponível em: <http://cntm.org.br/conferencia-da-oit-encerra-se-com-avancos-e-


desafios/>. Acesso em: 03 jul. 2019.

Nicolas Valticus, um estudioso do Direito Internacional do Trabalho, nos


fala sobre a criação da OIT:
A Primeira Guerra Mundial produziu profundas modificações na
posição e no peso da classe trabalhadora das potências aliadas. A trégua
social e a cooperação que se estabeleceu na Europa Ocidental entre os
dirigentes sindicais e os governantes, os grandes sacrifícios suportados
especialmente entre os trabalhadores e o papel que desempenharam no
desenlace do conflito, as promessas dos homens políticos de criarem
um mundo novo, a pressão das organizações obreiras para fazer com
que o Tratado de Versalhes consagrasse as suas aspirações de uma vida
melhor, as preocupações suscitadas pela agitação social e as situações
revolucionárias existentes em vários países, a influência exercida pela
Revolução Russa de 1917 foram fatores que deram um peso especial às
reivindicações do mundo do trabalho no momento das negociações do
tratado de paz. Estas reivindicações expressaram-se, tanto em ambos
os lados do Atlântico como em ambos os lados da linha de combate,
inclusive durante os anos de conflito mundial. Ao final da guerra, os
governos aliados, e principalmente os governos francês e britânico,
elaboraram projetos destinados a estabelecer, mediante o tratado de paz
uma regulamentação internacional do trabalho. (VALTICUS, 2000, p. 52).

É interessante ver o que nos informa o preâmbulo desta Conferência, o


qual também passou a fazer parte do Tratado de Versalhes:

16
TÓPICO 1 | HISTÓRICO

Considerando que a Sociedade das Nações tem por objetivo


estabelecer a paz universal e que tal paz não pode ser fundada senão
sobre a base da justiça social; em atenção a que existem condições de
trabalho que implicam para um grande número de pessoas injustiça,
miséria e provações, e que origina tal descontentamento que a paz e a
harmonia universais correm perigo; em vista de que é urgente melhorar
essas condições (por exemplo, no que concerne à regulamentação
das horas de trabalho, à fixação de uma duração máxima da jornada
e da semana de trabalho, ao aproveitamento da mão de obra, à luta
contra o desemprego, à garantia de um salário que assegure condições
convenientes de existência, à proteção dos trabalhadores contra as
enfermidades gerais ou profissionais e os acidentes resultantes do
trabalho, à proteção das crianças, dos adolescentes e das mulheres;
às pensões de velhice e de invalidez, à defesa dos interesses dos
trabalhadores ocupados no estrangeiro, à afirmação do princípio da
liberdade sindical, à organização do ensino profissional e técnico e
outras medidas análogas); tendo presente que a não adoção por uma
nação qualquer de um regime de trabalho realmente humanitário é um
obstáculo aos esforços das demais desejosas de melhorar a sorte dos
trabalhadores nos seus próprios países; as Altas Partes Contratantes,
movidas por sentimentos de justiça e humanidade, assim como pelo
desejo de assegurar uma paz duradoura e mundial, convencionaram o
que segue.
FONTE: SUSSEKIND, Arnaldo. Direito Internacional do Trabalho. 3. ed. São Paulo: Ltr. p. 101.

A OIT se constitui originalmente de três órgãos: Conferência


Internacional do Trabalho, também conhecida como Assembleia Geral,
Conselho de Administração e Repartição (Escritório ou o Bureau Internacional
do Trabalho). O Conselho e a Conferência são integrados por representantes
governamentais, patronais e dos trabalhadores, na proporção de dois para
os primeiros e um para cada um dos demais, estabelecendo-se, assim,
igual número de representantes oficiais das classes produtoras. Compete à
Conferência aprovar projetos de Convenções e de Recomendações, sujeitos à
ratificação posterior de cada país.

17
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À SEGURANÇA DO TRABALHO E LEGISLAÇÃO PERTINENTE

FIGURA 13 – SEDE DA OIT, EM GENEBRA, SUÍÇA

FONTE: Disponível em: <http://portal.unesco.org/en/files/32922/11902142573HPIM0045.JPG/


HPIM0045.JPG>. Acesso em: 26 out. 2010.

Assim, a principal característica da Organização Internacional do


Trabalho é a sua estrutura tripartida, onde há a participação de governo, patrão
e empregado, tornando este organismo diferente de outros existentes em outros
segmentos e que congregam diversos Estados soberanos do mundo.

A OIT tem como sede a Suíça, provavelmente por ter uma vocação
pacifista. Seu primeiro diretor foi o francês Albert Thomas, presidindo esta
organização até 1932.

São 39 os países membros fundadores da OIT, entre eles está o Brasil.

ATENCAO

Leia o texto da Convenção nº 155 da OIT no site:


<http://segurancaesaudedotrabalho.blogspot.com/2009/07/convencao-n-155-da-oit.html>.

18
TÓPICO 1 | HISTÓRICO

Em 1953, a OIT, através de sua Recomendação 97 sobre a “Proteção


da Saúde dos Trabalhadores”, fomentou a formação de médicos de trabalho
qualificados. No ano de 1954, a OIT convocou um grupo de especialistas para
organizar as diretrizes gerais de “Serviços Médicos de Trabalho”. Em 1958,
substituiu esta denominação por “Serviços de Medicina do Trabalho”.

Em 1959, com a experiência dos países industrializados, formou-se a


Recomendação 112, sobre “Serviços de Medicina do Trabalho”. Este instrumento
normativo de âmbito internacional passou a ser um referencial e paradigma para
o estabelecimento de diplomas legais nacionais. A norma brasileira baseia-se
nela. São abordados temas que incluem a definição, os métodos de aplicação da
Recomendação, a organização dos serviços, suas funções, pessoal e instalações, e
meios de ação.

Segundo esta Recomendação 112, a expressão “Serviços de Medicina do


Trabalho” designa um serviço organizado nos locais de trabalho ou em suas
imediações, destinado a: assegurar a proteção dos trabalhadores contra todo o
risco que prejudique a sua saúde e que possa resultar de seu trabalho ou das
condições em que este se efetue; contribuir à adaptação física e mental dos
trabalhadores, em particular pela adequação do trabalho e pela sua colocação
em lugares correspondentes às suas aptidões; contribuir ao estabelecimento
e manutenção do nível mais elevado possível do bem-estar físico e mental dos
trabalhadores.

Na segunda metade da década de 60, um movimento social renovado,


revigorado e redirecionado aparece nos países industrializados do mundo
ocidental, principalmente na Alemanha, França, Inglaterra, Estados Unidos
e Itália. Ele questiona o sentido da vida, o valor da liberdade, o significado do
trabalho na vida, o uso do corpo e a queda de valores obsoletos, sem significado
para a nova geração. Surge disto a troca do conceito de saúde ocupacional pelo
da saúde do trabalhador. (MENDES; DIAS, 2001, p. 344).

Isto fez surgir uma nova legislação, que tem como pilar o reconhecimento
do exercício de direitos dos trabalhadores, entre eles, o direito à informação
(sobre a natureza dos riscos, as medidas de controle adotadas pelo empregador,
os resultados de exames médicos e de avaliações ambientais, entre outros), o
direito à recusa ao trabalho em condições de risco grave à saúde ou à vida do
trabalhador; o direito à consulta prévia aos trabalhadores, pelos empregadores,
antes de mudanças de tecnologia, métodos, processos e formas de organização do
trabalho, e o estabelecimento de mecanismos de participação, desde a escolha de
tecnologias até, em alguns países, a escolha dos profissionais que irão atuar nos
serviços de saúde no trabalho. (MENDES; DIAS, 2001, p. 345).

Na década de 70, tivemos mudanças ainda maiores nos processos de


trabalho, principalmente com a tendência de terceirização, marcada pelo declínio
das indústrias (setor secundário) e crescimento acentuado dos serviços (setor
terciário), gerando então uma mudança no perfil da força de trabalho empregada.

19
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À SEGURANÇA DO TRABALHO E LEGISLAÇÃO PERTINENTE

Também nesta década aconteceu um processo de transferência das


indústrias para o terceiro mundo, principalmente daquelas que provocam
poluição ambiental ou risco para a saúde, e das que precisam de muita mão de
obra, com baixa tecnologia. Com a alta do preço do petróleo naquela época, estes
países do terceiro mundo buscavam o desenvolvimento econômico a qualquer
custo, e viram aí a oportunidade de amenizar o desemprego e gerar divisas.
Podemos também destacar, nesta época, a implantação de novas tecnologias, tais
como a automação e a informatização. Estas duas últimas tecnologias trouxeram
profundas modificações na organização do trabalho, permitindo ao capital
diminuir sua dependência dos trabalhadores e aumentando o controle sobre eles.
Ressurge, então, o Taylorismo, ainda mais acentuado, com a primazia da gerência
e com o crescimento do planejamento e controle do trabalho.

3 ANTECEDENTES HISTÓRICOS DA SEGURANÇA E HIGIENE


DO TRABALHO NO BRASIL
No Brasil colonial, que vai desde o descobrimento (1500) até a nossa
Independência, em 1822, de uma forma geral, o atendimento médico era escasso,
principalmente no tocante aos trabalhadores. Os únicos que tinham atendimento
médico eram os militares, pois para eles havia físicos e cirurgiões-mor, bem como
hospitais militares. Aos outros trabalhadores, restava o atendimento nas Santas
Casas, com poucos cirurgiões, ou então os cuidados da medicina doméstica, com
os sangradores (cirurgiões pouco instruídos) e os boticários (farmacêuticos), entre
outros curadores. Os escravos, quando sofriam acidentes ou ficavam doentes,
contavam somente com a caridade dos senhores ou do Estado paternalista.
(TOLEDO; MARQUES, 2008).

De acordo com Polignano (2009), a atenção à saúde nessa época, “[...]


limitava-se aos próprios recursos da terra (plantas, ervas) e àqueles que, por
conhecimentos empíricos (curandeiros), desenvolviam as suas habilidades na
arte de curar”.

Em 1710 aconteceu a primeira intervenção neurocirúrgica no Brasil, na


cidade de Sabará, MG. Esta cirurgia teve relação com acidente de trabalho, pois
foi um traumatismo crânio-encefálico com fraturas expostas e afundamento
ósseo, causado pela queda de galho de árvore sobre a cabeça de um escravo.
O caso está registrado no erário mineral, escrito pelo cirurgião português Luis
Gomes Ferreyra, originalmente publicado em Lisboa no ano de 1735. (TOLEDO;
MARQUES, 2008).

Até o final dos anos 1800, a mão de obra escrava era a mais utilizada nas
indústrias brasileiras. Com a sua libertação, esta mão de obra foi substituída em
parte pelos imigrantes, os quais chegavam de países onde a Revolução Industrial
e as consequentes conquistas sociais dos trabalhadores já era realidade. Estes
imigrantes, possuidores de uma certa consciência de classe, apoiados por alguns
idealistas, médicos e políticos, iniciaram uma série de movimentos reivindicatórios
20
TÓPICO 1 | HISTÓRICO

por melhores condições de vida e trabalho, realizando greves em 1907 e 1912, e as


grandes greves de 1917 a 1920. (NUNES, 2010).

Naquela época, as condições das fábricas eram assim descritas: as


instalações das fábricas eram improvisadas, mal-iluminadas, mal-ventiladas e
sem instalações sanitárias; as máquinas eram dispostas umas coladas às outras,
com engrenagens e correias girando sem nenhuma proteção; a jornada de
trabalho chegava a ter até 16 horas diárias, incluindo muitas vezes o domingo,
sem qualquer salário adicional; grande parte da mão de obra era constituída por
mulheres e crianças, inclusive com trabalho noturno e com salário de apenas
33% do salário dos homens; o número de acidentes de trabalho era enorme,
causados pelo cansaço, pela falta de preparo e proteção; inexistiam as legislações
trabalhistas, indenizações por acidentes de trabalho, auxílio-doença, salário
durante o período de afastamento etc. (NUNES, 2010).

A mineração (mina subterrânea) era também uma atividade muito


frequente nesta época no Brasil, principalmente em Minas Gerais. Nesta atividade,
o trabalhador estava exposto às condições de trabalho permanentemente
insalubres. Toledo e Marques (2008) mencionam um acidente descrito no
romance Morro Velho, obra que descreve as condições de trabalho na mina de
Morro Velho, em Nova Lima, MG, no fim do século XIX. O autor do romance,
Avelino Fóscolo, fora um funcionário desta mina:

O autor descreve um acidente, onde a roldana escapuliu da mão de


um negro e, na tentativa de prender a manivela, três mineiros foram
atingidos. Passado o mal-estar do personagem principal, causado
pelo acidente, ouve-se o comentário de um antigo operário sobre o
real perigo das minas: ‘poeira fina espalhada pelas brocas e pelos
carros – ela se mete traiçoeiramente na garganta da gente, forma uma
espécie de cimento nos bofes e, quando o diabo pega uma pneumonia
ou mesmo uma gripe, vem o diacho de uma tosse que não há santo
capaz de tirar. O cabra aí está com uma viagem de ida sem volta para
a cidade dos pés juntos’.

Rossit (2001, p. 112) destaca que, nessa época, a preocupação com o


adoecimento do trabalhador era para que não se prejudicasse a produtividade:

Em verdade, não se questionava o problema do trabalho e de suas


condições como fatores de agravo à saúde dos trabalhadores. O
enfoque existente na época relacionava-se ao aspecto do local de
trabalho favorecendo a doença e desta prejudicando o trabalho, numa
clara preocupação quanto à produtividade e não, propriamente,
quanto ao aspecto humanitário.

21
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À SEGURANÇA DO TRABALHO E LEGISLAÇÃO PERTINENTE

LEITURA COMPLEMENTAR

SAÚDE E SEGURANÇA DO TRABALHO – EVOLUÇÃO HISTÓRICA

Não podemos começar a falar de saúde e segurança do trabalho, sem


antes contarmos um pouco de sua história.

A Revolução Industrial constitui-se numa profunda transformação na


cultura material do Ocidente. Nós usualmente consideramos que ela surgiu
em torno de 1700. Com os preconceitos às aplicações práticas das ciências na
Antiguidade e com o tradicionalismo da Idade Média, o século XVIII encontrou o
mundo utilizando, com raras exceções, os mesmos utensílios, as mesmas técnicas,
as mesmas formas de comunicação que eram usadas desde os primórdios. Os
Estados ainda guardavam as características do feudalismo, com seus territórios
isolados e praticamente independentes, onde a atividade econômica principal
era a agrícola, explorada com técnicas bastante rudimentares. Nessa época não
existiam empresas da forma como as conhecemos hoje. Elas eram domiciliares,
praticamente não havia divisão de trabalho e a produção estava a cargo de artesãos
que executavam o trabalho manualmente, sendo poucas as máquinas utilizadas.
Os mercados dessas empresas eram circunscritos pelos respectivos territórios dos
Estados, e predominavam as relações empregador-empregado.

Não se pode afirmar que a Revolução Industrial tenha tido início numa
data fixada, mas foi em fins do século XVIII que tomou grande impulso.

Com essas condições, a chamada Revolução Industrial nasceu na


Inglaterra e posteriormente espalhou-se para o mundo. Teve como consequências
profundas mudanças econômicas, sociais e políticas, tais como: “uma rápida e
intensa urbanização: durante o século XIX duplica-se a população da Europa;
o desenvolvimento industrial se inicia; aperfeiçoam-se os meios de transporte;
incrementa-se o comércio interno e internacional; e há a redistribuição das
riquezas e do poder entre os países”.

O Brasil tem uma legislação relativamente nova em matéria


previdenciária. Tendo sido sua economia baseada no braço escravo e na
agricultura até praticamente o início deste século, não tinha o Brasil se defrontado
com problemas que países – que já contavam apenas com trabalhadores livres
e com uma indústria crescente – vinham conhecendo. Só depois da Primeira
Guerra Mundial é que, no nosso país, em decorrência da assinatura de tratados
internacionais, como o Tratado de Versalhes, se cogitaram medidas legislativas
tendentes à proteção dos trabalhadores que, já então, começavam a se concentrar
nas cidades. Ainda no campo da Segurança e Saúde do Trabalho, atuam diversas
outras ciências como a Medicina, a Psicologia e a Fisiologia do Trabalho, a
Toxicologia etc. Todas com o mesmo objetivo fundamental da Segurança e da
Higiene do Trabalho, ou seja, a preservação da saúde, integridade física e bem-
estar físico e psicológico dos trabalhadores.

22
TÓPICO 1 | HISTÓRICO

Como se percebe, a saúde e a segurança do trabalhador dependem de uma


série de profissionais, que, embora atuando em áreas diferentes, devem possuir
antes de tudo espírito de equipe para que o objetivo comum mencionado seja
alcançado: a preservação da saúde, bem-estar e integridade física do trabalhador.

Nós, profissionais do Serviço Especializado em Engenharia de Segurança


e Medicina do Trabalho (SESMT), acreditamos que é preciso Conhecer para
Prevenir e a partilha de conhecimento é uma ferramenta importante para que a
sociedade como um todo contribua para que ocorram menos acidentes e doenças
do trabalho.

A redução dos acidentes do trabalho traz, entre outros, os seguintes


benefícios econômicos às empresas:

• Redução dos prejuízos financeiros decorrentes de paradas na produção,


treinamento de trabalhadores substitutos, atrasos na entrega dos produtos etc.
• Redução dos prejuízos financeiros decorrentes dos desperdícios de material.
• Melhoria do moral do trabalhador com implicações positivas para a
produtividade.
• Redução do preço final do produto.
• Redução das taxas de seguro contra acidentes do trabalho.

Se fizermos prevenção e, com ela, não tivermos acidentes; não tendo


acidentes, não teremos desperdícios/custos não assegurados.

Seguimos firmes na proposta de, através da partilha de conhecimentos,


construirmos uma prevenção melhor. Entendemos que seja esta a parte de nossa
contribuição para um Brasil melhor.

No Brasil, a População Economicamente Ativa (PEA), segundo estimativa


do IBGE (PNAD, 2002), era de 82.902.480 pessoas, das quais 75.471.556 eram
consideradas ocupadas. Dessa população, 41.755.449 eram empregados; 5.833.448
eram empregados domésticos; 17.224.328 eram trabalhadores por conta própria;
3.317.084 eram empregadores; 3.006.860 eram trabalhadores na produção para
próprio consumo e construção para próprio uso; e 4.334.387 eram trabalhadores
não remunerados. Portanto, entre os 75.471.556 trabalhadores ocupados em 2002,
apenas 22.903.311 — com carteira assinada — possuíam cobertura da legislação
trabalhista e do Seguro de Acidentes do Trabalho.

A distribuição dos trabalhadores, segundo setor produtivo, revela que,


das 75.471.556 pessoas consideradas ocupadas (PNAD-2002), 19,53% estão no
setor agrícola e extrativista; 13,72% no setor da indústria de transformação e
17,15% no setor de comércio e reparação. Essa diversidade e complexidade das
condições e ambientes de trabalho dificultam o estabelecimento de prioridades
e o desenvolvimento de alternativas de eliminação e controle dos riscos. Esses
números podem não representar a realidade, uma vez que muitos acidentes de
trabalho não são notificados e não constam nas estatísticas.

23
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À SEGURANÇA DO TRABALHO E LEGISLAÇÃO PERTINENTE

Diante de indicadores tão expressivos é importante, tanto para o


trabalhador como para o empregador, conhecer como a questão abordada pode
interferir diretamente na sua atividade. Em caso de acidente de trabalho, após
incontáveis discussões doutrinárias, a competência foi atribuída à Justiça do
Trabalho, que deverá apreciar os conflitos decorrentes da relação de emprego.
Assim está definido no artigo 114 da Constituição Federal, e no artigo 643 da
Consolidação das Leis Trabalhistas. Com o advento da Emenda Constitucional
nº 45, de 8 de dezembro de 2004, toda a discussão doutrinária continuou nos
bastidores, uma vez que a competência exclusiva da Justiça do Trabalho para
apreciar o dano moral, advindo da relação de emprego, se estabeleceu. Observou-
se a importância do tema para as relações jurídicas.

Delimitar o grau de responsabilidade civil e criminal com relação ao


acidente de trabalho no Brasil não é tarefa simples, sendo, contudo, fundamental
para a manutenção do equilíbrio e da justiça.

A Lei nº 78.213/91 já estabelecia, em seu artigo 120, a possibilidade de o


INSS ingressar com “ação regressiva” para obter o ressarcimento, junto a empresas
negligentes quanto às normas de segurança e higiene do trabalho, de gastos com
benefícios pagos pela Previdência Social. Esse risco de passivo para as empresas já é
real e agora tende a se intensificar. Com o déficit da Previdência estimado em R$ 38
bilhões para 2009, a tendência é haver um aumento de ações de regresso. Segundo
foi divulgado, em 2007, a Previdência Social gastou R$ 10,7 bilhões com benefícios
previdenciários decorrentes de acidentes de trabalho e de atividades insalubres.
No ano anterior, foram R$ 9,94 bilhões. De acordo com o Anuário Estatístico da
Previdência Social de 2007, cerca de 653 mil acidentes do trabalho foram registrados
no INSS naquele ano, número 27,5% superior ao de 2006.

O Decreto nº 6.042/07, ao regular o Fator Acidentário de Prevenção


(FAP) e o Nexo Técnico Epidemiológico de Prevenção (NTEP), estabelece que
a perícia médica do INSS, quando constatar indícios de culpa ou dolo por parte
do empregador em relação à causa geradora dos benefícios por incapacidade
concedidos, deverá oficiar a Procuradoria do INSS. A perícia deve, então,
subsidiar a Procuradoria com evidências e demais meios de prova colhidos,
notadamente quanto aos programas de gerenciamento de riscos ocupacionais,
para ajuizamento de ação regressiva contra os responsáveis, e possibilitar o
ressarcimento à Previdência Social do pagamento de benefícios por morte ou por
incapacidade permanente ou temporária.

Além dos passivos por ações regressivas, os afastamentos da empresa


(por doenças ocupacionais ou não) geram vários custos para a empresa que
não são inventariados, sendo que ela deve contabilizar e administrar melhor
esse fluxo, especialmente em época de crise. Um controle pode representar uma
grande economia para a empresa. Há uma premissa médica que diz que o custo
do tratamento é dez vezes maior que o da prevenção.

Lembremos ainda que os primeiros 15 dias de afastamento por doença


ou acidente são custeados pela empresa. Há também o custo da substituição dos
24
TÓPICO 1 | HISTÓRICO

afastados. Além disso, os benefícios previdenciários de origem ocupacional podem


gerar estabilidade de no mínimo um ano, danos morais e patrimoniais — pensões
vitalícias, despesas médicas etc. — e, em alguns casos, até responsabilidade
criminal. As empresas que não administrarem os seus afastados poderão, ano a
ano, ver seu Seguro Acidente de Trabalho (SAT) aumentar em até 100%, por conta
do Fator Acidentário de Prevenção (FAP), enquanto aquelas que tiverem um bom
controle poderão reduzir seu SAT em 50%. Hoje, a alíquota do SAT varia de 1% a
3% sobre toda folha de pagamento.

Os acidentes de trabalho causam cerca de 3 mil mortes por ano no país.


Dados da Previdência Social mostram que, no setor privado, 653.090 acidentes
foram registrados em 2007, número maior que o do ano anterior, de 512.232 casos.
Para lembrar que esse tipo de problema continua ocorrendo em todo o mundo,
a Organização Internacional do Trabalho (OIT) instituiu o dia 28 de abril como o
Dia Mundial de Segurança e Saúde no Trabalho.

O PAPEL DO TÉCNICO DE SEGURANÇA DO TRABALHO

O Técnico de Segurança do Trabalho exerce papel de vital importância


para o meio social. Nós, profissionais, somos designados para encontrar soluções
adequadas para defender os trabalhadores contra os riscos do ambiente de
trabalho, defendendo assim a integridade humana e assegurando a produtividade
do trabalhador. A segurança do trabalho é uma atividade que busca introduzir no
setor produtivo, incluindo aí os trabalhadores e a direção da empresa, conceitos
fundamentais sobre a prevenção de acidentes. É válido ressaltar os elevados
índices de acidentes no trabalho e que este quadro, para ser revertido, deve ter
uma ação compartilhada de todos os segmentos da organização. O técnico deve
ser capaz de compreender sua responsabilidade na condução da aplicação dos
preceitos prevencionistas, a fim de minimizar a incidência dos riscos profissionais.

Dados da OIT (Organização Internacional do Trabalho) relatam a


ocorrência de mais de 1,2 milhões de mortes por acidentes de trabalho no mundo,
ou seja, são dois trabalhadores mortos por minuto. As principais causas dos
acidentes são a deterioração das condições de trabalho e o desrespeito ao direito
de segurança do trabalhador ou a falta de uma regulamentação adequada. Mas
essa condição já vem de muito tempo, o Brasil mergulhava num poço sem fundo
de mortes e doenças ocupacionais. Na década de 70 o país passava por um dos
períodos mais críticos de sua vida democrática e as estatísticas de acidentes eram
as mais altas do mundo. Devido à cobrança da participação do Brasil na OIT,
nasce na década de 70 o PNVT (Plano Nacional de Valorização do Trabalhador),
e através da Portaria nº 3.236 e nº 3.237, de 02/07/1972, nasce o primeiro curso de
Segurança do Trabalho do país, classificando os profissionais como “Inspetor de
Segurança”. Com o intuito de reforçar as ações contra os acidentes do trabalho
é criada a Portaria nº 3.089, de 02/04/1973, criando assim a obrigatoriedade por
parte das empresas de constituírem o SESMT (Serviço Especializado de Segurança
e Medicina do Trabalho), e altera a denominação da função para Supervisor
de Segurança. Em 27 de novembro de 1985, nossa classe é definitivamente

25
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À SEGURANÇA DO TRABALHO E LEGISLAÇÃO PERTINENTE

reconhecida como categoria profissional, através da Lei n° 7.410, e o decreto n°


95.530, de 09/04/1986, encerra o PNVT criado na década de 70. E assim nasce
a atual denominação de Técnico de Segurança do Trabalho. Grandes aliadas
dos profissionais técnicos são as NR (Normas Regulamentadoras), criadas pelo
governo através da Portaria nº 3.214 do TEM vigente desde 06/07/78, relativas
à Segurança e Medicina do Trabalho. Estas normas estão previstas no capítulo
V da CLT. Uma das NRs mais importantes para o desenvolvimento da função
dos técnicos é a de nº 06, que rege normas sobre a utilização, controle, guarda
e conservação dos EPIs (Equipamentos de Proteção Individual). Traz diretrizes
aos empregadores da obrigatoriedade do fornecimento gratuito, treinamento e
fiscalização de uso dos EPIs e aos empregados a obrigatoriedade da utilização
para o fim a que se destina, a conservação e guarda. E garante a nós, profissionais
técnicos, condições de cobrar dos empregadores a aplicação correta dos EPIs
para a eliminação de condições de risco encontradas nos ambientes de trabalho;
cabe a nós treinar os empregados e fiscalizar a utilização. Dentro do contexto
da norma existe o CA (certificado de aprovação) que rege a legalidade de cada
equipamento. Esse certificado é emitido pelo Ministério do Trabalho e Emprego e
tem prazo de validade; após o prazo vencido o fabricante deve solicitar um novo
certificado. Com o passar dos anos várias ações foram tomadas para favorecer a
aplicação e fortalecer a classe dos técnicos de segurança do trabalho. Nos dias de
hoje vemos ser lançadas no mercado várias ferramentas que vêm para somar no
quesito prevenção de acidentes, pois colocam o técnico em uma situação muito
confortável quando se trata de atualização de mercado, trazendo-lhe comodidade
e facilidade.
FONTE: Disponível em: <http://pessoal.educacional.com.br/up/81000001/6650946/
MAT%C3%89RIA%20JORNAL.pdf>. Acesso em: 12 dez. 2010.

26
RESUMO DO TÓPICO 1
Finalizamos, agora, nosso primeiro tópico do estudo da Introdução à
Segurança do Trabalho. Neste tópico, você viu que:

• A Segurança do Trabalho está evoluindo, desde os primórdios até os dias de


hoje.

• Começou a ser tratada seriamente com o advento da Revolução Industrial, que


trouxe as pessoas dos campos para as cidades e fábricas.

• A OIT está trabalhando pela internacionalização do Direito do Trabalho, e o


Brasil faz parte de seu escopo.

• No Brasil, temos, além da Constituição Federal, a CLT (Consolidação das Leis


Trabalhistas) e as NRs (Normas Regulamentadoras), que são dispositivos
jurídicos para a implantação da Segurança no Trabalho.

27
AUTOATIVIDADE

Elabore um quadro com um resumo, formando uma linha


cronológica com os avanços, tanto em termos mundiais como no
Brasil em relação à Segurança no Trabalho. Você poderá se basear
no modelo a seguir:

Ano Pessoa/entidade O que aconteceu


2360 a.C. Papiro Sallier II Descrição de funções.
1700 a.C. Código Hamurabi Punição a quem não zelasse pelo trabalho correto.

28
UNIDADE 1
TÓPICO 2

ACIDENTES DE TRABALHO

1 INTRODUÇÃO
Neste tópico, veremos dois conceitos de acidentes de trabalho. Um é o
conceito legal (provém de leis), enquanto o outro é um conceito mais amplo.
Também veremos como são classificados estes acidentes, sua caracterização, os
fatores que os causam e os benefícios das leis.

2 CONCEITO LEGAL
De acordo com o artigo 19 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991 (Lei de
Planos e Benefícios da Previdência Social): “Acidente do trabalho é aquele que
ocorre no exercício do trabalho a serviço da empresa, provocando lesão corporal
ou perturbação funcional que cause a morte, perda, redução permanente ou
temporária de sua capacidade para o trabalho”.

Com esta definição, o legislador se preocupou basicamente na definição


do acidente com a finalidade da proteção ao trabalhador que sofreu um acidente,
garantindo-lhe indenização.

O acidente é apreciável somente em relação à pessoa, e daí resulta que as


únicas consequências indenizáveis são as relativas à lesão ou à saúde.

Nessa definição, o acidente ganha um sentido amplo, abrangendo também


as doenças ocupacionais ou moléstias profissionais, para fins de reparação de
dano sofrido pelo trabalhador.

3 CONCEITO PREVENCIONISTA
Do ponto de vista técnico, porém, esta definição não é satisfatória, pois
retrata somente as consequências sobre o homem.

Acidente do trabalho será toda a ocorrência, não programada e não


planejada, que interferir no andamento normal do trabalho e da qual resulte lesão
no trabalhador e/ou perda de tempo e/ou danos materiais ou as três situações
simultaneamente.

29
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À SEGURANÇA DO TRABALHO E LEGISLAÇÃO PERTINENTE

Como exemplo deste conceito prevencionista, podemos citar uma queda


de uma caixa:

• Se a caixa, ao cair, não se danificou e nem feriu o operário, tivemos somente


uma perda de tempo.

• Se a caixa se danificou, tivemos a perda de tempo e de material.

• Porém, se esta caixa se danificou e feriu o homem, tivemos perda de tempo, de


material e dano ao funcionário.

FIGURA 14 – ACIDENTES DE TRABALHO NA VISÃO PREVENCIONISTA

FONTE: Disponível em: <http://curiosidadesnanet.wordpress.com/2009/05/18/acidentes-de-


trabalho/>. Acesso em: 5 nov. 2010.

A diferença entre os dois conceitos reside no fato de que no primeiro


é necessário haver lesão física, enquanto que no segundo são levados em
consideração, além das lesões físicas, a perda de tempo e os danos materiais.

30
TÓPICO 2 | ACIDENTES DE TRABALHO

3.1 LEGISLAÇÃO PREVENCIONISTA


A prevenção de acidentes de trabalho também é uma obrigação legal
fixada pela Constituição Federal (Art.º 7º, inciso XXII), tendo, inclusive, um
capítulo especial na Consolidação das Leis Trabalhistas que trata deste assunto,
o Capítulo V “Da Segurança e Medicina do Trabalho”.

As atividades legais e administrativas estão vinculadas ao Ministério


do Trabalho e Previdência Social (MTPS) no que diz respeito à prevenção
de acidentes nas empresas. A Portaria nº 3.214/78 disciplina todo o assunto,
através de 32 Normas Regulamentadoras de Segurança e Medicina do Trabalho,
fixando obrigações para empregados e empresas, no que diz respeito às medidas
prevencionistas.

A Lei nº 8.213, de 24/07/1991, que dispõe sobre os Planos de Benefícios


da Previdência Social e dá outras providências, define, em seu artigo 19, que o
acidente do trabalho é aquele sofrido pelo empregado durante o exercício de seu
trabalho, a serviço da empresa ou pelo exercício do trabalho de agropecuarista
(até 4 módulos rurais), de seringueiro ou de outra atividade extrativista, de
pescador artesanal, ou de cônjuge ou companheiro, bem como filho maior
de 16 anos de idade que comprovadamente trabalhem em um grupo familiar
(atividade esta em que o trabalho dos membros da família é indispensável à
própria subsistência e ao desenvolvimento socioeconômico do núcleo familiar e
é exercido em condições de mútua dependência e colaboração, sem a utilização
de empregados permanentes). Este acidente, ainda conforme o art. 19 deve
provocar lesões corporais ou perturbação funcional que cause a morte ou a
perda ou redução, permanente ou temporária, da capacidade para o trabalho.

Segundo esta lei, ainda no art. 19:

• a empresa é responsável pela adoção e uso das medidas coletivas e


individuais de proteção e segurança da saúde do trabalhador;

• constitui contravenção penal, punível com multa, deixar a empresa de


cumprir as normas de segurança e higiene do trabalho;

• é dever de a empresa prestar informações pormenorizadas sobre os


riscos da operação a executar e do produto a manipular;

• o MTE – Ministério do Trabalho e do Emprego – fiscalizará e os sindicatos


e entidades representativas de classe acompanharão o fiel cumprimento
do disposto nos parágrafos anteriores, conforme o fiel cumprimento do
disposto nos parágrafos anteriores, conforme dispuser o Regulamento.

31
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À SEGURANÇA DO TRABALHO E LEGISLAÇÃO PERTINENTE

O artigo 20 define os acidentes de trabalho, nos termos do artigo anterior


(19º), as seguintes entidades mórbidas (grifos nossos):

I. Doença profissional, assim entendida a produzida ou desencadeada pelo


exercício do trabalho peculiar a determinada atividade e constante da
respectiva relação elaborada pelo Ministério do Trabalho e do Emprego
e da Previdência Social (está ligada a determinado trabalho, como a
silicose (poeira), bagaçose (cana-de-açúcar), hidrargirismo (mercúrio),
saturnismo (chumbo), asbestose (amianto) etc., bem como à L.E.R.).

II. Doença do Trabalho, assim entendida a adquirida ou desencadeada em


função de condições especiais em que o trabalho é realizado e com ele
se relacione diretamente, constante da relação mencionada no inciso I.
(A forma em que o trabalho é desenvolvido e que pode levar à doença:
dermatite de contato, surdez, acuidade visual, pneumopatias etc.)

Não são consideradas como doenças do trabalho:

a) a doença degenerativa;
b) a inerente ao grupo etário;
c) a doença que não produza incapacidade laborativa;
d) a doença endêmica adquirida por segurado habitante da região em que
ela se desenvolva, salvo comprovação de que é resultante de exposição
ou contato direto determinado pela natureza do trabalho.

Em caso excepcional, constatando-se que a doença não está incluída na


relação prevista acima e que resultou das condições especiais em que o trabalho é
executado e com ele se relaciona diretamente, a Previdência Social deve considerá-
la como acidente de trabalho.

Seguindo, no artigo 21, equiparam-se ao acidente do trabalho, para efeito


desta Lei:

I. o acidente ligado ao trabalho que, embora não tenha sido a causa única,
haja contribuído diretamente para a morte do segurado, para redução ou
perda da sua capacidade para o trabalho, ou produzido lesão que exija
atenção médica para a sua recuperação;

II. o acidente sofrido pelo segurado no local e no horário de trabalho, em


consequência de:
a) ato de agressão, sabotagem ou terrorismo praticado por terceiro ou
companheiro de trabalho;

b) ofensa física intencional, inclusive de terceiro, por motivo de disputa


relacionada ao trabalho;

c) ato de imprudência, de negligência ou de imperícia de terceiro ou de


companheiro de trabalho;

32
TÓPICO 2 | ACIDENTES DE TRABALHO

d) ato de pessoa privada do uso da razão;

e) desabamento, inundação, incêndio e outros casos fortuitos ou


decorrentes de força maior.

III. a doença proveniente de contaminação acidental do empregado no


exercício da sua atividade;

IV. o acidente sofrido pelo segurado ainda que fora do local e horário de
trabalho:

a) na execução de ordem ou na realização de serviço sob a autorização


da empresa;

b) na prestação espontânea de qualquer serviço à empresa para lhe


evitar prejuízo ou proporcionar proveito;

c) em viagem a serviço da empresa, inclusive para estudo, quando


financiada por esta dentro de seus planos para melhor capacitação da
mão de obra, independentemente do meio de locomoção utilizado,
inclusive veículo de propriedade do segurado;

d) no percurso da residência para o local de trabalho ou deste para


aquela, qualquer que seja o meio de locomoção, inclusive veículo de
propriedade do segurado.

§  1º  Nos períodos destinados à refeição ou descanso, ou por ocasião da


satisfação de outras necessidades fisiológicas, no local de trabalho ou
durante este, o empregado é considerado no exercício de trabalho.

§ 2º Não é considerada agravação ou complicação de acidente do trabalho


a lesão que, resultante de acidente de outra origem, se associe ou se
superponha às consequências do anterior.

O art. 21-A foi incluído, através da Lei nº 11.430, de 2006. A perícia médica
do INSS considerará caracterizada a natureza acidentária da incapacidade
quando constatar ocorrência do Nexo Técnico Epidemiológico entre o trabalho
e o agravo, decorrente da relação entre a atividade da empresa e a entidade
mórbida motivadora da incapacidade elencada na Classificação Internacional de
Doenças – CID.

33
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À SEGURANÇA DO TRABALHO E LEGISLAÇÃO PERTINENTE

I. A perícia médica do INSS deixará de aplicar o disposto neste artigo, quando


demonstrada a inexistência do nexo em que trata o caput deste artigo;

II. A empresa poderá requerer a não aplicação do nexo técnico epidemiológico,


de cuja aplicação caberá recurso com efeito suspensivo, da empresa ou do
segurado, ao Conselho de Recursos da Previdência Social.

O artigo 22 trata da comunicação de acidente: a empresa deverá


comunicar o acidente do trabalho à Previdência Social até o 1º dia útil seguinte
ao da ocorrência e, em caso de morte, de imediato à autoridade competente, sob
pena de multa variável entre o limite mínimo e o limite máximo do salário de
contribuição, sucessivamente aumentada nas reincidências, aplicada e cobrada
pela Previdência Social.

§  1º Da comunicação a que se refere este artigo, receberão cópia fiel o


acidentado ou seus dependentes bem como o sindicato a que corresponde
a sua categoria. [Também terá uma cópia fiel, o hospital no qual o trabalhador
foi atendido, o INSS e ficará uma cópia na empresa para futuras fiscalizações
e controle da empresa, podendo o SESMT também obter uma cópia. A cópia
original ficará com o funcionário.]
§ 2º Na falta de comunicação por parte da empresa, podem formalizá-la o
próprio acidentado, seus dependentes, a entidade sindical competente, o
médico que o assistiu ou qualquer autoridade pública, não prevalecendo,
nestes casos, o prazo previsto neste artigo.
§ 3º  A comunicação a que se refere o parágrafo 2º não exime a empresa de
responsabilidade pelo falta do cumprimento do disposto neste artigo.
§ 4º Os sindicatos e entidades representativas de classe poderão acompanhar
a cobrança, pela Previdência Social, das multas previstas neste arquivo.
§ 5º A multa de que trata este artigo não aplica na hipótese do caput do art.
21-A.

No artigo 23, considera-se como dia do acidente, no caso de doença


profissional ou do trabalho, a data do início da incapacidade laborativa para o
exercício da atividade habitual, ou o dia da desagregação compulsória, ou o dia
em que for realizado o diagnóstico, valendo para este efeito o que ocorrer primeiro.

Ainda é interessante saber, a respeito de acidente de trabalho, outros artigos


da Lei nº 8.213:

Artigo 104 – As ações referentes às prestações por acidente do


trabalho prescrevem em 5 (cinco) anos, observando o disposto no art. 103,
contados da data.

Artigo 118 – O segurado que sofreu acidente de trabalho tem


garantido, pelo prazo mínimo de 12 (doze) meses, a manutenção do
seu contrato de trabalho na empresa, após a cessação do auxílio-doença
acidentário, independente da percepção do auxílio-doença.

34
TÓPICO 2 | ACIDENTES DE TRABALHO

4 CLASSIFICAÇÕES DOS ACIDENTES DO TRABALHO


Os acidentes de trabalho classificam-se em: acidente típico e de trajeto.

a) Acidente típico: é aquele sofrido pelo empregado no desempenho de suas


tarefas habituais, no ambiente do trabalho ou fora deste quando estiver a
serviço do empregador.

b) Acidente de trajeto: é aquele sofrido pelo empregado no percurso de sua


residência para o local de trabalho ou vice-versa, desde que o trajeto percorrido
seja considerado como o habitual e o horário da ocorrência seja condizente com
o início ou término de suas atividades profissionais.

5 CARACTERIZAÇÕES DO ACIDENTE DO TRABALHO


Compete ao setor de benefícios do INSS verificar se o segurado tem ou
não o direito à habilitação do benefício acidentário, e à perícia médica do INSS
compete caracterizá-lo tecnicamente, fazendo o reconhecimento técnico do
nexo causal entre:

• o acidente e a lesão;

• a doença e o trabalho;

• a causa mortis e o acidente.

6 FATORES CAUSAIS DO ACIDENTE DE TRABALHO

6.1 CONDIÇÕES QUE LEVAM AOS ACIDENTES

6.1.1 ATOS INSEGUROS


São os modos pelos quais o próprio trabalhador se expõe, consciente ou
não, aos acidentes. Via de regra, é a violação de uma ordem ou procedimento
consagrado. Segundo estatísticas correntes de alguns anos atrás, 80% dos
acidentes de trabalho eram oriundos de atos inseguros.

Exemplos de atos inseguros:

• levantamento impróprio de carga;

• brincadeiras grosseiras;
35
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À SEGURANÇA DO TRABALHO E LEGISLAÇÃO PERTINENTE

• manutenção de máquinas em movimento;

• danificação ou não uso de EPI;

• execução de serviços para os quais não está autorizado;

• uso de equipamentos de maneira imprópria;

• sobrecarregar (andaime, veículo etc.);

• trabalhar ou operar à velocidade insegura;

• saltar de um ponto elevado do veículo ou plataforma.

FIGURA 15 – ILUSTRAÇÃO DE UM ATO INSEGURO

FONTE: Disponível em: <http://espacoseguro.blogspot.com/2009/06/fim-do-ato-inseguro.


html>. Acesso em: 12 dez. 2010.

6.1.2 CONDIÇÕES INSEGURAS


São as falhas físicas, no local de trabalho, que comprometem a segurança
do trabalhador. Não podem ser confundidas com os riscos presentes em certas
operações industriais. A eletricidade, por exemplo, sempre existirá em trabalhos
que envolvem equipamentos elétricos, no entanto as condições inseguras serão as
instalações malfeitas ou improvisadas, ou fios expostos, e não a eletricidade em si.

Podemos citar como exemplos de condições inseguras:

• proteção mecânica inadequada;

• condição defeituosa do equipamento;

36
TÓPICO 2 | ACIDENTES DE TRABALHO

• projeto ou construção inseguros;

• empilhamento instável;

• escadas ou pisos defeituosos ou escorregadios.

FIGURA 16 – EXEMPLOS DE CONDIÇÕES INSEGURAS DE TRABALHO

FONTE: Disponível em: <http://comunidade.sol.pt/photos/bluewater68/images/141418/original.


aspx>. Acesso em: 12 dez. 2010.

6.1.3 FATOR PESSOAL DE INSEGURANÇA


São características pessoais, íntimas, que não podem ser mudadas com
treinamento. São necessários outros meios, como o acompanhamento social, a
análise psiquiátrica ou a mudança de função. São exemplos típicos:

• falta de conhecimento;

• falta de experiência ou especialização;

• fadiga;

• alcoolismo e toxicomania.

6.2 TEORIA DA MULTICAUSALIDADE


A teoria da multicausalidade demonstra que o acidente dificilmente tem
uma causa única, e que é a somatória de falhas humanas e materiais, tendo como

37
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À SEGURANÇA DO TRABALHO E LEGISLAÇÃO PERTINENTE

causas anteriores problemas de ordem psico-sócio-econômica, e outras às vezes


não facilmente identificáveis, que precipitam os acidentes.

Esta teoria demonstra que um acidente do trabalho tem normalmente


mais de uma causa, ocorrendo pela soma de várias situações, que participam
simultaneamente desencadeando os acidentes. Geralmente são consequências de
um conjunto de fatores, tanto humanos como materiais.

Se, por um lado, a identificação de todas as causas do acidente do trabalho


é considerada difícil, mais dificuldades ainda teremos para diagnosticar a doença
do trabalho porque é mais complexo relacionar os sintomas com a atividade
laboral, o início do processo de instalação até a confirmação do diagnóstico. O
nexo de causa e efeito pode confirmar uma doença profissional.

7 ACIDENTES DE TRABALHO E OS BENEFÍCIOS CONCEDIDOS

7.1 AUXÍLIO-DOENÇA
Trata-se de um benefício concedido ao segurado impedido de
trabalhar por doença ou acidente, por mais de 15 dias consecutivos. No
caso dos trabalhadores com carteira assinada, os primeiros 15 dias são
pagos pelo empregador, e a Previdência Social paga a partir do 16º dia de
afastamento do trabalho. No caso do contribuinte individual (empresários,
profissionais liberais, trabalhadores por conta própria, entre outros), a
Previdência paga todo o período da doença ou do acidente (desde que o
trabalhador tenha requerido o benefício). Para ter direito ao benefício, o
trabalhador tem de contribuir para a Previdência Social por, no mínimo,
12 meses. Esse prazo não será exigido em caso de acidente de qualquer
natureza (por acidente de trabalho ou fora do trabalho). Para concessão
de auxílio-doença, é necessária a comprovação da incapacidade em exame
realizado pela perícia médica da Previdência Social.

FONTE: Disponível em: <http://www1.previdencia.gov.br/pg_secundarias/beneficios_06.asp>.


Acesso em: 12 dez. 2010.

UNI

Nos primeiros 15 dias de afastamento, o salário do trabalhador é pago


pela empresa. Depois, a Previdência Social será responsável pelo pagamento. Enquanto
recebe auxílio-doença por acidente de trabalho ou doença ocupacional, o trabalhador é
considerado licenciado e terá estabilidade por 12 meses após o retorno às atividades.

38
TÓPICO 2 | ACIDENTES DE TRABALHO

Terá direito ao benefício, sem a necessidade de cumprir o prazo mínimo


de contribuição e desde que tenha qualidade de segurado, o trabalhador
acometido de tuberculose ativa, hanseníase, alienação mental, neoplasia maligna,
cegueira, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de
Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, doença de Paget
(osteíte deformante) em estágio avançado, síndrome da deficiência imunológica
adquirida (AIDS) ou contaminado por radiação (comprovada em laudo médico).

Ao trabalhador que recebe auxílio-doença, a Previdência oferece o


programa de reabilitação profissional. Leia o texto a seguir sobre o assunto.

Serviço da Previdência Social que tem o objetivo de oferecer,


aos segurados incapacitados para o trabalho (por motivo de doença ou
acidente), os meios de reeducação ou readaptação profissional para o seu
retorno ao mercado de trabalho.

O atendimento é feito por equipe de médicos, assistentes sociais,


psicólogos, sociólogos, fisioterapeutas e outros profissionais. A reabilitação
profissional é prestada também aos dependentes, de acordo com a
disponibilidade das unidades de atendimento da Previdência Social.

Depois de concluído o processo de reabilitação profissional, a


Previdência Social emitirá certificado indicando a atividade para a qual o
trabalhador foi capacitado profissionalmente.

A Previdência Social poderá fornecer aos segurados recursos


materiais necessários à reabilitação profissional, incluindo próteses, órteses,
taxas de inscrição em cursos profissionalizantes, instrumentos de trabalho,
implementos profissionais e auxílios-transportes e alimentação.

O trabalhador vítima de acidente de trabalho terá prioridade de


atendimento no programa de reabilitação profissional. Não há prazo mínimo
de contribuição para que o segurado tenha direito à reabilitação profissional.

FONTE: Disponível em: <http://www1.previdencia.gov.br/pg_secundarias/paginas_perfis/perfil_


comPrevidencia_09_06.asp>. Acesso em: 12 dez. 2010.

O trabalhador que recebe auxílio-doença é obrigado a realizar exame


médico periódico e participar do programa de reabilitação profissional prescrito
e custeado pela Previdência Social, sob pena de ter o benefício suspenso.

Não tem direito ao auxílio-doença quem, ao se filiar à Previdência Social,


já tiver doença ou lesão que geraria o benefício, a não ser quando a incapacidade
resulta do agravamento da enfermidade. Quando o trabalhador perde a qualidade
de segurado, as contribuições anteriores só são consideradas para concessão do
auxílio-doença após nova filiação à Previdência Social, tendo de haver ao menos
quatro contribuições que, somadas às anteriores, totalizem no mínimo 12.

39
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À SEGURANÇA DO TRABALHO E LEGISLAÇÃO PERTINENTE

O auxílio-doença deixa de ser pago quando o segurado recupera a


capacidade e retorna ao trabalho ou quando o benefício se transforma em
aposentadoria por invalidez. O valor do benefício corresponde a 91% do salário de
benefício. O salário de benefício dos trabalhadores inscritos até 28 de novembro
de 1999 corresponderá à média dos 80% maiores salários de contribuição,
corrigidos monetariamente, desde julho de 1994. Para os inscritos a partir de
29 de novembro de 1999, o salário de benefício será a média dos 80% maiores
salários de contribuição de todo o período contributivo.

7.2 AUXÍLIO-ACIDENTE
Benefício pago ao trabalhador que sofre um acidente e fica com sequelas
que reduzem a capacidade de trabalho. Concedido para segurados que recebiam
auxílio-doença, tem direito ao auxílio-acidente o trabalhador empregado, o
trabalhador avulso e o segurador especial. O empregado doméstico, o contribuinte
individual e o facultativo não recebem o benefício.

Para concessão do auxílio-acidente não é exigido tempo mínimo de


contribuição, mas o trabalhador deve ter qualidade de segurado e comprovar
a impossibilidade de continuar desempenhando suas atividades, por meio de
exame da perícia médica da Previdência Social.

O auxílio-acidente, por ter caráter de indenização, pode ser acumulado


com outros benefícios pagos pela Previdência Social, exceto aposentadoria. O
benefício deixa de ser pago quando o trabalhador se aposenta.

O pagamento dar-se-á a partir do dia seguinte em que cessa o auxílio-


doença. O valor do benefício corresponde a 50% do salário de benefício que
deu origem ao auxílio-doença, corrigido até o mês anterior ao do início do
auxílio-acidente.

40
TÓPICO 2 | ACIDENTES DE TRABALHO

LEITURA COMPLEMENTAR

ACIDENTES DO TRABALHO

Maria das Graças Bendelack Santos

Este artigo trata dos acidentes do trabalho, na forma como se apresentam


no mundo jurídico e na realidade laboral. Inúmeras leis atribuem aos acidentes
do trabalho tratamentos diferenciados que englobam responsabilidades,
direitos, garantias e deveres, com a finalidade de alertar os operadores do
direito e, principalmente, os trabalhadores atingidos pelo acidente, bem como
seus dependentes, quando vier a ocorrer a perda da vida do obreiro, além da
conscientização do trabalhador quanto à necessidade do cumprimento das
normas de segurança e medicina do trabalho, aglutinando em um só texto as
variadas nuances jurídicas existentes em relação ao tema abordado.

Esses passos apresentam a preocupação de tecer comentários de forma


didática e crítica para que, a partir do conceito estritamente legal, possa-se perceber
a atualidade do tema e a sua importância no sentido estrito, para os trabalhadores
e, em sentido amplo, para seus reflexos na economia do Estado. A cada acidente
ocorrido, que tenha provocado a incapacidade do obreiro, uma renda mensal
é despendida com esse trabalhador, em virtude da paralisação do contrato de
trabalho. Analisando-se o número elevadíssimo de acidentes ocorridos, pode-se
verificar a expressiva quantia destinada à cobertura desses eventos, o que exige
a reserva de elevadas verbas que poderiam ser canalizadas para outras fontes de
custeio de natureza mais produtiva para o trabalhador e para o país.

Embora o tema transite nas áreas do direito penal, trabalhista, cível


e previdenciário, é neste último que se encontra o seu fundamento e, em
consequência, surge a necessidade de aprofundamento a fim de que se chegue às
conclusões constantes no final deste trabalho.

As bases legais referentes ao assunto ora analisado envolvem desde


nossa Carta Magna até outras leis hierarquicamente inferiores à Constituição da
República.

A Lei nº 8.213/91, que instituiu o Plano de Benefícios da Previdência Social,


em seu artigo 19 traz a definição legal relativa a acidente. “Acidente do trabalho é
o que ocorre pelo exercício do trabalho a serviço da empresa ou pelo exercício do
trabalho dos segurados referidos no inciso VII do art. 11 desta Lei, provocando
lesão corporal ou perturbação funcional que cause a morte ou a perda ou redução,
permanente ou temporária, da capacidade para o trabalho.” Nesta mesma norma
estão enumeradas taxativamente as contingências acidentárias: auxílio-doença,
aposentadoria por invalidez, auxílio-acidente e pensão por morte.

41
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À SEGURANÇA DO TRABALHO E LEGISLAÇÃO PERTINENTE

A legislação civil pátria estabelece o direito à busca de uma indenização


por ocorrência de um dano causado à saúde e à integridade física do trabalhador,
desde que isso decorra de uma ação ou omissão por parte do empregador. Tal
indenização constitui pesado ônus, em razão do grande número de acidentes do
trabalho que têm ocorrido em nosso país.

O Capítulo V da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) traça normas


relativas à segurança e à medicina do trabalho, consubstanciadas nas normas
regulamentadoras. Por meio dessas legislações são impostas responsabilidades
para o empregador, pois evitar acidentes do trabalho é dever de todas as empresas.
Estas são as responsáveis legais pela adoção e pelo uso de medidas coletivas
e individuais de proteção e segurança da saúde do trabalhador, constituindo
contravenção penal, punível com multa, o não cumprimento das normas de
segurança e higiene do trabalho.

Busca-se, com exames das legislações específicas relativas ao acidente do


trabalho, conjuntamente com a verificação dos fatos ocorridos no dia a dia laboral
dos obreiros, identificar os fatores que dão origem a esses eventos danosos para
os trabalhadores do país e sugerir medidas eficazes e preventivas que tenham em
vista a redução dos acidentes. A segurança e a medicina do trabalho devem ser
partes integrantes da política das empresas. A segurança do trabalho é, acima de
tudo, respeito à vida do trabalhador e à sua cidadania.

A responsabilidade criminal surge por força de disposição legal contida


na CLT e no decreto que aprova a fiscalização trabalhista; quando ocorrer
desobediência, o empregador responderá na forma do artigo 161 da CLT.

Dentre os fatores que dão origem ao acidente do trabalho está, em


primeiro lugar, a falta de conscientização dos empregadores. É dever dos
empresários orientar os trabalhadores no que diz respeito à segurança e à saúde
no trabalho. No mundo laboral pesquisado não se encontrou, na grande maioria
dos empregadores, essa conscientização, essa ação junto aos seus trabalhadores,
muitas vezes porque grande número de empresários não são detentores do
conhecimento da informação e, por isso, não se preocupam em passar essa
realidade para os empregados ou contratar alguém habilitado para fazê-lo.

Em segundo lugar, indicamos e observamos que os investimentos quanto à


saúde e à segurança nos estabelecimentos devem ser direcionados primeiramente
para a proteção coletiva, mas, como isso representa maior custo, os empresários
optam pela proteção individual.

Em terceiro lugar, além das medidas coletivas não implantadas, ou


implantadas apenas em parte, é comum a aquisição de equipamentos de proteção
individual de baixa qualidade pelos empresários, pois eles desconhecem a real
importância do EPI e não fazem a escolha adequada.

Esse fato é rotineiramente encontrado nos estabelecimentos e locais


de trabalho. A recusa de implantação das medidas de proteção coletivas e
42
TÓPICO 2 | ACIDENTES DE TRABALHO

individuais ocorre porque os empregadores não percebem o retorno positivo


desse investimento.

O quarto fator é o ambiente de trabalho agressivo, advindo da falta


de proteção nas máquinas e equipamentos, que, mesmo sendo instrumentos
novos ou com pouco uso, já se apresentam sem as condições de segurança
para seu manuseio.

O quinto fator é a falta de treinamento específico para a operação das


máquinas e equipamentos. Para manter seu emprego, mesmo sem treinamento,
o empregado tenta executar o seu trabalho e, por imperícia desse trabalhador,
algumas vezes ocorre o acidente.

Em relação à figura do empregado, constatou-se que: a) o baixo nível de


instrução faz com que esse trabalhador não tenha sensibilidade para perceber
a importância dos ensinamentos e, por desconhecer seus próprios direitos,
não percebe que, descumprindo as normas, está pondo em risco sua própria
vida; b) as influências negativas dos próprios companheiros de trabalho, ainda
não conscientizados, incentivam o operário a não usar o EPI - acontecimento
corriqueiro no universo das indústrias, especialmente na indústria da construção
civil. Essa influência é percebida no início do processo de conscientização, quando
os primeiros que absorvem os ensinamentos são discriminados pelos demais
companheiros, mas essa tendência tende a desaparecer, conforme o processo de
aprendizagem vai atingindo os demais integrantes do grupo profissional.

Dentre as medidas eficazes, a primeira seria a inserção de uma


disciplina relacionada à prevenção acidentária, desde o Ensino Fundamental
até o terceiro grau.

Por meio dessa conscientização, as crianças – que serão, no futuro,


os adultos do mundo laboral – passarão a ter, desde muito cedo, como parte
integrante dos aspectos cultural e educacional, os meios necessários para proteger
a vida dos trabalhadores.

Como segunda medida, estariam os treinamentos intensivos e constantes


dos empregados, direcionados para o âmbito de suas necessidades de trabalho.
Um operário que conhece os instrumentos necessários para o desenvolvimento
de seu labor opera os equipamentos com destreza e segurança, o que é importante
para a prevenção acidentária.

Em terceiro, estariam medidas coletivas e individuais eficazes que,


realmente, viessem a neutralizar os riscos infortunísticos; EPI adequado ao clima
quente-úmido da região amazônica, onde calor, umidade, ruídos – além de
outros fatores, na sua forma excessiva –, no mundo real do trabalho, estimulam
uma reação contrária no trabalhador, pois o uso não adequado do EPI torna-
se incômodo, o excesso de calor provoca sudorese abundante e o aquecimento
do corpo do trabalhador leva-o a não querer usar o equipamento. Esse fato é
corriqueiramente verificado nos locais de trabalho, mesmo tendo ele consciência
43
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À SEGURANÇA DO TRABALHO E LEGISLAÇÃO PERTINENTE

de que sua vida corre risco. Todos esses cuidados aliados à fiscalização nos
locais de trabalho, efetuada pelo próprio empregador, pelas autoridades
administrativas, pelas entidades sindicais e pelo próprio e maior interessado, o
obreiro que, sentido-se confortável, usará o equipamento durante o tempo que
estiver executando suas tarefas, o que protegerá sua saúde e integridade física.

FONTE: Disponível em: <http://www.nead.unama.br/site/bibdigital/pdf/artigos_revistas/208.pdf>.


Acesso em: 12 dez. 2010.

44
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico, vimos:

• As diferenças entre os conceitos de acidentes de trabalho, na visão legal e


prevencionista. Na visão do legislador, o acidente terá que ser caracterizado
com alguma lesão corporal, perturbação funcional ou doença que cause morte
ao funcionário, enquanto que, na prevencionista, o acidente de trabalho pode
ser considerado como uma ocorrência não programada, inesperada ou não, que
interrompe ou interfere no processo normal de uma atividade, ocasionando
perda de tempo útil ou lesões aos trabalhadores e/ou danos materiais. Portanto,
mesmo ocorrências que não resultem lesões ou danos materiais devem ser
encaradas como acidente do trabalho.

• A distinção entre o acidente típico e o acidente de trajeto.

• As condições que levam aos acidentes de trabalho: atos inseguros, condições


inseguras e fatores pessoais de insegurança.

• Que a teoria da multicausalidade demonstra que o acidente dificilmente tem


uma causa única, e que é a somatória de falhas humanas e materiais, tendo
como causas anteriores problemas de ordem psico-sócio-econômica, e outras
às vezes não facilmente identificáveis, que precipitam os acidentes.

• Quais são os benefícios que são concedidos a quem sofre os acidentes de


trabalho: auxílio-doença e auxílio-acidente. O auxílio acidente passa a valer
quando cessa o auxílio-doença.

45
AUTOATIVIDADE

1 Descreva o que é conceito legal e prevencionista de acidente


de trabalho.

2 Cite alguns atos e condições inseguras que você vê no dia a dia.

3 O que você entende por multicausalidade do acidente de


trabalho?

4 Descreva com suas palavras o que é o auxílio-doença e o auxílio-


acidente.

46
UNIDADE 1
TÓPICO 3

LEGISLAÇÃO BRASILEIRA

1 INTRODUÇÃO
Neste tópico veremos a evolução da legislação brasileira, no que concerne
aos direitos trabalhistas.

2 LEGISLAÇÃO
Considera-se a publicação do Código Sanitário do Estado de São Paulo, em
1918, a primeira legislação sobre acidentes de trabalho, que mostra a preocupação
dos poderes públicos com a saúde e segurança dos trabalhadores.

Já no âmbito federal, a primeira legislação de acidentes de trabalho foi


aprovada em 15 de janeiro de 1919. Naquela época, as doenças ocupacionais não
estavam contempladas na legislação, somente o acidente típico.

Do fim do século XIX até a década de 1920, inúmeras pestes desencadearam


doenças no Brasil, sem contar que as condições de trabalho eram muito parecidas
com as da Inglaterra, durante a Revolução Industrial, com alta jornada de trabalho
e muitos acidentes de trabalho. Dean (1971) conta-nos:
Cabe anotar que, entre 1911 e 1919, cerca de metade das empresas
investigadas pelo Departamento Estadual do Trabalho forneciam
serviços médicos aos trabalhadores. Todavia, parte dos custos de
tais serviços era transferido para os próprios empregados, com um
desconto que correspondia a cerca de 2% dos salários. Além disso,
tais serviços eram considerados ‘arranjos necessários à manutenção
do processo de trabalho, análogos à lubrificação de maquinaria ou a
substituição das peças gastas’.

No início do século XX, nos estados onde se iniciava a industrialização,


principalmente São Paulo e Rio de Janeiro, a situação dos ambientes de trabalho era
péssima, ocorrendo, então, muitos acidentes e doenças relacionadas ao trabalho.

Vejamos o que W. Dean afirma em seu livro “A Industrialização de São


Paulo 1880-1945”:
As condições de trabalho eram duríssimas, muitas estruturas que
abrigavam as máquinas não haviam sido originalmente destinadas
a essa finalidade – além de mal iluminadas e mal ventiladas, não
dispunham de instalações sanitárias. As máquinas se amontoavam,

47
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À SEGURANÇA DO TRABALHO E LEGISLAÇÃO PERTINENTE

ao lado umas das outras, e suas correias e engrenagens giravam


sem proteção alguma. Os acidentes eram frequentes, porque os
trabalhadores, cansados, que trabalhavam aos domingos, eram
multados por indolência ou pelos erros cometidos, se fossem adultos;
ou separados, se fossem crianças. (DEAN, 1971).

As mudanças que estavam acontecendo na Europa, em decorrência da


Primeira Guerra Mundial e o surgimento da OIT, em 1919, fizeram com que fosse
iniciada a criação de normas trabalhistas no Brasil. Havia muitos imigrantes no
Brasil, os quais deram origem a movimentos operários, reivindicando melhores
condições de trabalho e salários. Começou, então, a surgir uma nova política
trabalhista, e o seu idealizador foi Getúlio Vargas, em 1930.

Havia leis ordinárias que tratavam de trabalho de menores (1891),


da organização de sindicatos rurais (1903) e urbanos (1907), de férias etc. O
Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio foi criado em 1930, passando a
expedir decretos, a partir dessa época, sobre profissões, trabalho das mulheres
(1932), salário mínimo (1936), justiça do trabalho (1939) etc. (MACHADO;
RODOVALHO; CAVALCANTE, 2009).

2.1 CONSTITUIÇÕES BRASILEIRAS


A Constituição de 1934 é a primeira constituição brasileira a tratar
especificamente do Direito do Trabalho. É a influência do constitucionalismo
social que, em nosso país, só veio a ser sentida em 1934. Garantia a liberdade
sindical, isonomia salarial, salário mínimo, jornada de oito horas de trabalho,
proteção do trabalho das mulheres e menores, repouso semanal, férias anuais
remuneradas (Art. 121).

A Carta Constitucional de 10/11/1937 marca uma fase intervencionista


do Estado, decorrente do golpe de Getúlio Vargas. Era uma Constituição de
cunho eminentemente corporativista, inspirada na Carta Del Lavoro, de 1927,
e na constituição polonesa. O próprio art. 140 da referida Carta era claro no
sentido de que a economia era organizada em corporações, sendo considerados
órgãos do Estado, exercendo função delegada de poder público. O Conselho de
Economia Nacional tinha por atribuição promover a organização corporativa
da economia nacional (Art. 61, a). A Constituição de 1937 instituiu o sindicato
único, imposto por lei, vinculado ao Estado, exercendo funções delegadas de
poder público, podendo haver intervenção estatal direta em suas atribuições. Foi
criado o imposto sindical, como uma forma de submissão das entidades de classe
ao Estado, pois este participava do produto de sua arrecadação. Estabeleceu-
se a competência normativa dos tribunais do trabalho, que tinha por objetivo
principal evitar o entendimento direto entre trabalhadores e empregadores. A
greve e o lockout foram considerados recursos antissociais, nocivos ao trabalho e
ao capital e incompatíveis com os interesses da produção nacional (Art. 139).

Existiam várias normas esparsas sobre os mais diversos assuntos

48
TÓPICO 3 | LEGISLAÇÃO BRASILEIRA

trabalhistas. Houve a necessidade de sistematização dessas regras. Para tanto, foi


editado o Decreto-Lei nº 5.452, de 1°de maio de1943, aprovando a Consolidação
das Leis do Trabalho (CLT). O objetivo da CLT foi apenas o de reunir as leis
esparsas existentes na época, consolidando-as. Não se trata de um código, pois
este pressupõe um direito novo. Ao contrário, a CLT apenas reuniu a legislação
existente na época, consolidando-a.

A Constituição de 1946 é considerada uma norma democrática, rompendo


com o corporativismo da constituição anterior. Nela encontramos a participação
dos trabalhadores nos lucros (art. 157, IV), repouso semanal remunerado (art.
157, VI), estabilidade (art. 157, XII), direito de greve (art. 158) e outros direitos que
se encontravam na norma constitucional anterior.

Em 5/10/1988, foi aprovada a atual constituição, que trata de direitos


trabalhistas nos artigos 7° a 11. Na Norma Magna, os direitos trabalhistas foram
incluídos no Capítulo II, “Dos Direitos Sociais”, do Título II, “Dos Direitos e
Garantias Fundamentais”, ao passo que nas Constituições anteriores os direitos
trabalhistas sempre eram inseridos no âmbito da ordem econômica e social. Para
alguns autores, o art. 7° da Lei Maior vem a ser uma verdadeira CLT, tantos os
direitos trabalhistas nele albergados.

2.2 DIREITOS TRABALHISTAS


Em 1920, através da reforma Carlos Chagas, foi criado o Departamento
Nacional de Saúde Pública.

No ano de 1923, no dia 30 de abril, através do Decreto nº 16.027, criou-se


o CNT – Conselho Nacional do Trabalho –, órgão máximo da Justiça do Trabalho
que, em 1946, através do Decreto-Lei nº 9.797, viria a se tornar o TST – Tribunal
Superior do Trabalho.

Neste mesmo ano, 1923, foi criada a Inspetoria de Higiene Industrial


e Profissional, que fazia parte do Departamento Nacional de Saúde, órgão do
Ministério do Interior e Justiça.

Em 1926, foi editado o livro “Medicina Legal dos Acidentes de Trabalho e


das Doenças Profissionais: noções de infortunística: doutrina – perícia – técnica –
legislação”. Esta obra dirigia-se aos estudantes de Medicina e Direito, bem como
aos peritos e magistrados. Neste livro, estava comentada a legislação existente
naquela época, considerando todo dano causado à saúde e à vida como passível
de ser punido criminalmente e de reparação civil, desde que provado o dolo.
(TOLEDO; MARQUES, 2008).

No primeiro governo de Getúlio Vargas (1930-1945), aconteceu a transição


do modelo oligárquico (caracterizado pelo poder econômico nas mãos de grandes
proprietários rurais) para o industrialismo. Com isto, em 26 de novembro de 1930,

49
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À SEGURANÇA DO TRABALHO E LEGISLAÇÃO PERTINENTE

pelo Decreto nº 19.433, foi criado o Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio.


Com isto, a questão da higiene e segurança do trabalho saiu do campo da Saúde
Pública e passou para esse Ministério.

No dia 4 de fevereiro de 1932, foi criado o Departamento Nacional do


Trabalho, que, entre as suas atribuições, consta a organização, higiene e segurança
do trabalho.

Com a Constituição de 1934, por meio do Decreto nº 24.637, ocorreu a


reforma da legislação de acidentes de trabalho. Pela primeira vez, as doenças
profissionais foram equiparadas aos acidentes de trabalho, assim como, de forma
inaugural, a indenização dos acidentes de trabalho passou a ser custeada pelo
Estado, empregado e empregador. A Constituição de 1937 põe fim à contribuição
ao seguro social de acidentes de trabalho, restando apenas a lei ordinária de
acidentes de trabalho.

Ainda em 1934, foram nomeados pelo Ministro do Trabalho os primeiros


inspetores-médicos do trabalho, para procederem à inspeção higiênica nos locais
de trabalho e estudos sobre acidentes e doenças profissionais.

O crescimento da indústria, com o consequente aumento no número de


trabalhadores urbanos, trouxe novas preocupações para o governo brasileiro.
Dessa forma, visando a preservar a saúde do trabalhador, foi fundada, em 1941,
a Associação Brasileira para a Prevenção de Acidentes, e, em 1º de maio de 1943,
por meio do Decreto-Lei nº 5.452, foi aprovada, no país, a Consolidação das Leis
do Trabalho – CLT. (TOLEDO; MARQUES, 2008).

Em 1944, através do Decreto-Lei nº 6.905, ficou decretado que o empregador


se encarregará de pagar os 15 primeiros dias de afastamento do trabalhador por
motivo de enfermidade.

No ano de 1953, foram regulamentadas as CIPAs – Comissões Internas


de Prevenção de Acidentes –, através da Portaria nº 155, que evoluiu para a atual
NR5, que será vista mais adiante neste Caderno.

A Lei Orgânica da Previdência Social foi promulgada em 1960 (Lei nº


3.807), decretando aposentadoria especial para os trabalhadores que exercem
atividades penosas, insalubres ou perigosas. A intenção dessa lei era aposentar o
trabalhador antes que ele sofresse dano total ou irreversível à sua saúde. (TIMBÓ;
EUFRÁSIO, 2009, p. 360).

Neste mesmo ano (1960), foi regulamentado o uso de EPIs – Equipamentos


de Proteção Individual, através da Portaria nº 155.

No dia 21 de outubro de 1966, foi criada a Fundação Centro Nacional de


Segurança, Higiene e Medicina do Trabalho, a FUNDACENTRO, através da Lei

50
TÓPICO 3 | LEGISLAÇÃO BRASILEIRA

nº 5.161, com a função de realizar estudos e pesquisas relacionados aos problemas


de segurança, higiene e medicina do trabalho. Mais tarde, em 16 de dezembro de
1978, através da Lei nº 6.618, o nome desta autarquia foi alterada para Fundação
Jorge Duprat Figueiredo, de Segurança e Medicina do Trabalho.

Em 1970, devido às estatísticas alarmantes de acidentes de trabalho


(1.220.111 acidentes de trabalho naquele ano, o maior índice mundial), foi
priorizada a formação do médico do trabalho, bem como a de outros profissionais
especializados nos problemas relacionados à saúde e higiene do trabalho. Essas
medidas foram tomadas, pois era época do milagre econômico, e o Brasil precisava
melhorar as estatísticas e a sua imagem. (TOLEDO; MARQUES, 2008).

Em 25 de julho de 1972, através do Decreto nº 70.861, o governo federal


criou o PNVT – Programa Nacional de Valorização do Trabalhador –, o qual
obrigava a criação de serviços médicos em todas as empresas, independentemente
do número de funcionários. Os cursos de formação de médicos do trabalho eram
ministrados pela FUNDACENTRO. (TIMBÓ; EUFRÁSIO, 2009, p. 360).

O SESMT – Serviços Especializados de Segurança e em Medicina do


Trabalho – foi criado e tornado obrigatório através da Portaria nº 3.237, de 27 de
julho de 1972. Essa Portaria foi revogada em 31 de dezembro de 1975, pela Portaria
nº 3.460, que reconheceu o papel do enfermeiro de trabalho como integrante do
SESMT. Esta última foi sendo substituída por várias outras portarias, até chegar à
Portaria SIT nº 76, publicada no Diário Oficial da União (DOU) em 21 de novembro
de 2008. Esta é a conhecida NR4, que estudaremos mais adiante.

Em 22 de dezembro de 1977, o General Ernesto Geisel promulgou a Lei


nº 6.514, alterou o Capítulo V do Título II da CLT. Esta lei trata da Segurança
e Medicina do Trabalho e está dividida em várias seções, que tratam dos
seguintes temas:

• Disposições gerais. Trata das incumbências governamentais, empresariais e


dos empregados nos quesitos referentes à segurança e medicina do trabalho.
• Inspeção prévia, embargo ou interdição.
• Órgãos de segurança e de medicina do trabalho nas empresas;
• Equipamentos de Proteção Individual (EPIs).
• Medidas preventivas de medicina do trabalho.
• Das edificações.
• Do conforto térmico.
• Das instalações elétricas.
• Da movimentação, armazenagem e manuseio dos materiais.
• Das máquinas e equipamentos.
• Das caldeiras, fornos e recipientes sob pressão.
• Das atividades insalubres ou perigosas.
• Da prevenção da fadiga.
• Das outras medidas especiais de proteção.
• Das penalidades.

51
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À SEGURANÇA DO TRABALHO E LEGISLAÇÃO PERTINENTE

Posteriormente, em 6 de julho de 1978, foi publicada no DOU a Portaria


nº 3.214, a qual aprova as NRs – Normas Regulamentadoras da Consolidação das
Leis do Trabalho, relativas à Segurança e Medicina do Trabalho.

As 28 NRs aprovadas na época são as seguintes:

• NR1 – Disposições gerais


• NR2 – Inspeção prévia
• NR3 – Embargo e interdição
• NR4 – Serviço especializado em Segurança e Medicina do Trabalho
• NR5 – Comissão Interna de Acidentes de Trabalho – CIPA
• NR6 – Equipamentos de Proteção Individual – EPIs
• NR7 – Exames médicos
• NR8 – Edificações
• NR9 – Riscos ambientais
• NR10 – Segurança em instalações e serviços de eletricidade
• NR11 – Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais
• NR12 – Máquinas e equipamentos
• NR13 – Vasos sob pressão
• NR14 – Fornos
• NR15 – Atividades e operações insalubres
• NR16 – Atividades e operações perigosas
• NR17 – Ergonomia
• NR18 – Obras de construção, demolição e reparos
• NR19 – Explosivos
• NR20 – Combustíveis e líquidos inflamáveis
• NR21 – Trabalho a céu aberto
• NR22 – Trabalhos subterrâneos
• NR23 – Proteção contra incêndios
• NR24 – Condições sanitárias dos locais de trabalho
• NR25 – Resíduos industriais
• NR26 – Sinalização de segurança
• NR27 – Registro de profissionais
• NR28 – Fiscalização e penalidades

Após, foram incluídas mais outras NRs:

• NR 29 – Segurança e saúde no trabalho portuário


• NR30 – Segurança e saúde no trabalho aquaviário
• NR31 – Segurança e saúde no trabalho na agricultura, pecuária, silvicultura,
exploração florestal e aquicultura
• NR32 - Segurança e saúde no trabalho em serviços de saúde
• NR33 – Segurança e saúde nos trabalhos em espaços confinados

No ano de 1988, foi promulgada uma nova Constituição Federal,


significando um novo marco principal na introdução da saúde do trabalhador
no sistema jurídico nacional. Com a promulgação dessa Constituição, as ações de

52
TÓPICO 3 | LEGISLAÇÃO BRASILEIRA

Saúde do Trabalhador passaram a ser competência do Sistema Único de Saúde


– SUS –, consagrando também proteção ao meio ambiente, incluindo o meio
ambiente de trabalho. Esta Carta Magna previu a possibilidade de penalidades
para as condutas e atividades lesivas ao maio ambiente. Quanto a estas sanções,
é oportuno o comentário de Melo (2008, p. 140):
Do comando constitucional do art. 225, § 3º e dos demais dispositivos
constitucionais e legais que protegem o meio ambiente e a saúde do
trabalhador (subitens 4.1, 4.2 e 4.3 do Capítulo I), infere-se que as
responsabilidades decorrentes do trabalho em condições inadequadas
e em ambientes insalubres, perigosos e penosos, ou em razão de
acidentes de trabalho, podem ser caracterizadas como de natureza: a)
administrativa; b) previdenciária; c) trabalhista; d) penal; e) civil.

É importante, ainda, o ensinamento de Melo (2008, p. 225) quanto à


responsabilidade civil:

Esta última, de natureza civil, requer a reparação do dano causado


de maneira mais completa possível, que vai desde a reconstituição
daquele, quanto possível, até a sua substituição/compensação pelo
pagamento de determinadas importâncias em dinheiro por conta de
redução patrimonial sofrida pela vítima quanto aos danos emergentes,
lucros cessantes e demais despesas com que, em razão do evento,
deva a vítima arcar. Mas também, como visto, é devida à reparação
(compensação) por danos não patrimoniais, que são os danos à
personalidade.

Neste mesmo ano, 1988, as Normas Regulamentadoras Rurais (NRRs),


através da Portaria nº 3. 067, de 12 de abril de 1988, também foram aprovadas.

Em 1990, no dia 19 de setembro, foi sancionada a Lei Orgânica da Saúde


(Lei nº 8.080), que trata sobre a atuação do SUS na área da saúde do trabalhador.

No dia 22 de maio de 1991, por meio do Decreto nº 127, o Brasil ratificou


a Convenção nº 161/85, da OIT, relativa aos serviços de saúde do trabalho.
(MIRANDA, 2010).

Através da Portaria nº 25, de 30 de dezembro de 1994, e republicada em


15 de fevereiro de 1995, o MTE aprovou o texto da NR9, que trata do PPRA –
Programa de Prevenção de Riscos Ambientais –, instituindo os mapas de risco.
Também foram alteradas as NR5 e 16. O PPRA visa à preservação de saúde e
de integridade física dos trabalhadores, através da antecipação, reconhecimento,
avaliação e consequente controle da ocorrência de riscos ambientais existentes ou
que venham a existir no ambiente de trabalho, tendo em consideração a proteção
do meio ambiente e dos recursos naturais.

Ainda em 1994, através da Portaria nº 24, de 29 de dezembro, foi instituído


o PCMSO – Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional, a NR7, sendo
alterado posteriormente pela Portaria nº 8, de 8 de maio de 1996. (MORRONE
et al., 2004). O PCMSO é um programa que especifica procedimentos a serem

53
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À SEGURANÇA DO TRABALHO E LEGISLAÇÃO PERTINENTE

adotados pelas empresas em função dos riscos aos quais os empregados se expõem
no ambiente de trabalho. Tem com objetivo prevenir, detectar precocemente,
monitorar e controlar possíveis danos à saúde do empregado.

A Lei nº 9.032, publicada no dia 28 de abril de 1995, tornou obrigatório o


laudo técnico para todos os trabalhadores submetidos a atividades insalubres,
além de determinar os requisitos necessários à concessão de aposentadoria
especial.

Em 3 de julho de 1998, através do Decreto nº 2.657, foi promulgada a


Convenção nº 170, da OIT, relativa à segurança na utilização de produtos químicos
no trabalho. Essa Convenção foi assinada em Genebra, na Suíça, em 25 de julho
de 1990.

Nesse mesmo ano, foi promulgada a Lei nº 9.732, que instituiu cotas
diferenciadas de contribuição à Previdência Social. É criado, então, o PPP, Perfil
Psicográfico Previdenciário, que tem como objetivo agilizar e uniformizar a
análise dos processos de reconhecimento, manutenção e revisão de direitos dos
beneficiários da Previdência Social, quando da solicitação de Aposentadoria
Especial. O PPP é um documento histórico-laboral do trabalhador, apresentado
em formulário instituído pelo INSS, contendo informações detalhadas sobre as
atividades do trabalhador, exposição a agentes nocivos à saúde, resultados de
exames médicos e outras informações de caráter administrativo. O modelo do
formulário encontra-se no Anexo XV da Instrução Normativa nº 84 do INSS, de
17/12/2002. (MUNHOZ, 2010).

No dia 12 de fevereiro de 2007, foi assinado o Decreto nº 6.042/07, que


oficializou a implantação, pela Previdência, de dois instrumentos legais, que
provocaram uma mudança de paradigma na área de saúde e segurança do trabalho:
o Nexo Técnico Epidemiológico (NTE) e o Fator Acidentário Previdenciário (FAP),
que, com o Perfil Psicográfico Previdenciário, representam uma nova percepção
da Previdência em relação aos acidentes de trabalho.

54
TÓPICO 3 | LEGISLAÇÃO BRASILEIRA

LEITURA COMPLEMENTAR

NINGUÉM ESTÁ LIVRE DE ACIDENTES NO TRABALHO

Patrícia Bispo

(Formada em Comunicação Social – habilitação em Jornalismo, pela


Universidade Católica de Pernambuco/Unicap. Atuou durante dez anos em
Assessoria Política, especificamente na Câmara Municipal do Recife e na
Assembleia Legislativa do estado de Pernambuco. Atualmente, trabalha na
Atodigital.com, sendo jornalista responsável pelos sites: <www.rh.com.br>,
<www.portodegalinhas.com.br> e <www.guiatamandare.com.br>.)

Mais um dia começa em uma empresa. Aparentemente, os colaboradores


transitam pela organização tranquilamente, exercendo suas atividades e esperam
apenas o fim do expediente para voltar às suas casas, encontrar com os amigos
ou resolver um problema pessoal. No entanto, em poucos segundos a rotina da
empresa é quebrada por um barulho forte, seguido de gritos que pedem ajuda
para um colega que sofreu um acidente de trabalho. A vítima do lamentável
acontecimento é levada para o hospital e quem fica na organização não sabe
o que realmente aconteceu. Uns questionam se o funcionário usava ou não o
equipamento de segurança. Outro grupo afirma que a máquina geradora do
acidente poderia estar com problemas.

Esta cena relatada é apenas fictícia, contudo se repete inúmeras vezes nas
organizações brasileiras. “O segredo dos treinamentos de segurança é olhar para
o próprio umbigo. Ou seja, saber os perigos do ambiente laboral, definir o que seja
necessário para mitigar os perigos e treinar as pessoas sobre o que fazer”, afirma
Rogério Crotti – Engenheiro Operacional Eletrotécnico e Engenheiro Eletricista
e que possui especialização em Engenharia de Segurança. Para que isso ocorra,
complementa Crotti, é necessário “amassar barro”, ou seja, ir ao campo, sair do
escritório, analisar, verificar e conversar com os empregados sobre os perigos
existentes. Em entrevista concedida ao RH.com.br, o especialista em segurança
do trabalho apresenta dados preocupantes que foram constatados através de
pesquisas disponibilizadas pelo Ministério da Previdência Social. A seguir,
você confere a entrevista que apresenta informações relevantes para qualquer
segmento organizacional. Boa leitura!

RH.com.br - No Brasil, quais os segmentos organizacionais que apresentam


os índices mais elevados de acidentes no trabalho?

Rogério Crotti - Acredito que a comparação entre segmentos não seja a


melhor forma de analisarmos índices de acidentes. Hoje, após a implementação
do FAP – Fator Acidentário Previdenciário – pela Previdência Social, as empresas
terão oportunidade de comparar os índices de acidente de trabalho e doenças
profissionais com índices de empresas de mesmo segmento, gerando, assim,

55
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À SEGURANÇA DO TRABALHO E LEGISLAÇÃO PERTINENTE

um verdadeiro benchmark acidentário. Todas as organizações têm perigos,


possuem riscos específicos e, se querem ser empresas consideradas como ícones
quanto ao trato do acidente de trabalho, necessitam promover melhorias dentro
do seu segmento. Quando falamos em acidentes, não podemos esquecer que
temos algumas formas distintas, entre elas as doenças ocupacionais, que devem
nos próximos anos ter uma progressão geométrica nos índices hoje existentes,
quando da aplicação plena do nexo técnico epidemiológico previdenciário. Agora,
fazendo uma comparação, mesmo que não seja da melhor forma possível, temos
que, segundo pesquisa realizada em 2001, o índice de mortalidade das empresas
do setor elétrico e de telefonia era à época quatro vezes maior que o índice médio
nacional. Portanto, certamente é um setor que necessita de cuidados especiais.

RH - Se considerarmos as organizações brasileiras de forma abrangente,


a realidade nacional é preocupante em relação a acidentes nos ambientes de
trabalho?

Rogério Crotti - Falar de forma abrangente sobre as organizações


brasileiras é um generalismo preocupante. Temos no Brasil tipos de empresa muito
diferentes entre si: as grandes organizações, as micro e as pequenas empresas,
as empresas dos grandes centros urbanos, as organizações atreladas à atividade
agrícola, e assim por diante. Para cada tipo de empresa temos uma realidade
diferente. Podemos dizer que, nas grandes organizações, em especial da área
urbana, temos uma sistemática de saúde no ambiente de trabalho bem evoluída
que, por vezes, supera padrões internacionais. O mesmo já não ocorre nas micro
e pequenas empresas onde, por vezes, ainda não há a consciência de que um
ambiente de trabalho adequado aumenta a produtividade e evita paralisações
indesejadas. Outra realidade está atrelada às organizações do segmento agrícola
e isto começa pelo cunho legal. As normas regulamentadoras – chamadas de
urbanas – entraram em vigor em 1978. Já os documentos similares do segmento
agrícola, somente foram editados cerca de duas décadas depois. Portanto, ainda
existe um longo percurso a percorrer. Mesmo assim, encontramos empresas que
podem ser consideradas ícones de qualidade na saúde e segurança no ambiente
laboral.

RH - Existem pesquisas que revelam os percentuais de mortalidade e de


pessoas que ficaram deficientes em decorrência de acidentes de trabalho?

Rogério Crotti - Sim, o Ministério da Previdência Social possui pesquisas


sobre a quantidade de acidentes (atividade formal) que ocorre no país. A título de
informação, temos informações de que, em maio de 2009, foram expedidas 127.512
pensões geradas por morte atreladas a acidente de trabalho. Além disso, também
existem pesquisas específicas geradas pelo Ministério do Trabalho. Contudo, as
estatísticas retratam apenas as indenizações e auxílios pagos, ou os acidentes
relatados. Temos que considerar que há uma série de outros custos que não são
considerados. Um deles está atrelado à paralisação da atividade produtiva e à sua
redução de capacidade, pois, quando ocorre um acidente de trabalho, seja este
grave ou fatal, as pessoas das proximidades acabam por paralisar suas atividades

56
TÓPICO 3 | LEGISLAÇÃO BRASILEIRA

e o retorno à produção ocorre em ritmo reduzido, sendo que este custo acaba
por não ser considerado nas estatísticas. Só para elucidar, fiz a análise de um
acidente que aconteceu em uma indústria do Nordeste no qual vieram a falecer
três trabalhadores. Inicialmente a produção foi paralisada nos dias do acidente,
posteriormente esta foi transformada em férias coletivas e o retorno à produção só
veio ocorrer à meia capacidade, cerca de 30 dias após o ocorrido. Não sei quanto
às três vidas e a paralisação representaram em valor, mas certamente deve ter
sido muito maior que os valores pagos pelos órgãos oficiais como indenização
nas suas mais diversas formas.

RH - Para a Previdência Social e as organizações, o que esses números


significam em cifras?

Rogério Crotti - Se pesquisarmos no site da Previdência Social, teremos


estatísticas relativas aos acidentes de trabalho que foram registrados através das
CAT – Comunicação de Acidente de Trabalho. Só para termos uma ideia, em maio
de 2009, o INSS emitiu, como benefícios acidentários, 273.476 auxílios-acidente;
169.480 auxílios-doença gerados por acidentes, entre outros. Apenas nestas duas
alíneas, o valor global representou mais de 25 milhões de reais. Cabe ressaltar que
estes valores são parciais, uma vez que não englobam todas as alíneas acidentárias
da previdência. Além disso, precisamos considerar que os 15 primeiros dias de
afastamento por um acidente de trabalho são de responsabilidade pecuniária
do empregador, que muitos acidentes não são comunicados ao INSS e que este
quadro representa apenas a atividade formal. Concluindo, podemos dizer que
os valores pagos pela Previdência Social são altos, mas que os custos gerados
por acidentes de trabalho de uma forma ampla são muito maiores, seja pela
subnotificação, seja pela própria forma de quitação dos custos acidentários.

RH - Existe algum norte específico que deve ser dado aos treinamentos
preventivos aos acidentes no meio organizacional?

Rogério Crotti - O grande norte está atrelado aos riscos existentes na


empresa. Exemplificando, existe um grupo de discussão de assuntos de segurança
na internet. Com certa frequência, nota-se a solicitação para que sejam fornecidos
temas e materiais para a realização dos chamados DDS - Diálogo Diário de
Segurança. Quando vejo isso, fico arrepiado e me vem à mente ser ministrado
um DDS sobre infecção por salmonela, habitual em ambiente hospitalar, para
o pessoal de um centro de processamento de dados. Esta é uma ação que não
produzirá efeito algum e tornará os treinamentos de segurança como algo chato
que não leva a nada. Por isso, o mais importante não é ter algo excelentemente
estruturado, mas, sim, falar do dia a dia da empresa, de seus riscos, das medidas
preventivas e das mitigadoras de riscos a serem adotadas, sejam estas quanto aos
equipamentos ou ao comportamento das pessoas.

RH - Como deve ser feita a condução desses treinamentos, individualmente


ou em grupo?

57
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À SEGURANÇA DO TRABALHO E LEGISLAÇÃO PERTINENTE

Rogério Crotti - Posso dizer que tanto faz o treinamento ser realizado de
forma individual ou em grupo, desde que o mesmo agregue valor. A maioria dos
treinamentos do segmento segurança que vemos não passam de palestras, onde
é “despejada” uma série de condicionantes técnicas, muitas vezes sem apresentar
a devida justificativa, sendo que, ao término, os empregados não mudam seu
comportamento. Quando se ministra um treinamento, temos que fazer com que
os participantes entrem de uma maneira e saiam de outra, além de o conteúdo
ser perene. Explicando melhor, vamos considerar que temos um empregado
que é negligente e que não usa o EPI – Equipamento de Proteção Individual.
Indicamos para que ele participe de um treinamento, seja este individual, em
um pequeno grupo ou mesmo em uma palestra de uma SIPAT – Semana Interna
de Prevenção de Acidentes de Trabalho. Ele vai, participa e no dia seguinte ao
evento continua sem utilizar o EPI. Neste caso, o valor agregado do treinamento
foi zero, ou seja, não produziu efeito algum e só custou dinheiro. Portanto, foi um
péssimo negócio. Todo treinamento deve necessariamente agregar valor, onde o
participante entre com um tipo de comportamento e saia com outro. Para tanto,
há a necessidade de contratante e contratado de dado treinamento montarem um
estratagema adequado para atingir a população participante.

RH - Quais fatores o Sr. considera fundamentais para que um treinamento


preventivo a acidentes de trabalho possibilite um retorno positivo?

Rogério Crotti - Acredito que os treinamentos devem atender a dois


conceitos básicos: os quatro pilares da educação da UNESCO – Organização
das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura –, e os ensinamentos
de Confúcio. A UNESCO define que a educação, especialmente de adultos,
deve conter quatro pilares fundamentais, ou seja, aprender a: conhecer, fazer,
conviver e ser. Onde: aprender a conhecer é o buscar e adquirir informações
e conhecimento; aprender a fazer consiste em aprender a colocar em prática o
conhecimento adquirido, pois de nada adianta ter o conhecimento se este não
é posto em prática; aprender a conviver – especialmente hoje, fala-se em times
de trabalho, em equipes, em task force, se as pessoas não sabem conviver, terão
dificuldade para trabalhar. A época do trabalho individual já ficou para trás; e
aprender a ser – o profissional precisa estar em constante evolução, não só técnica,
mas também como ser humano e a educação precisa também propiciar esta
melhoria ou, no mínimo, motivar as pessoas para tal. Já o filósofo chinês Kung-
Fu-Tze, conhecido universalmente como Confúcio, disse: “O que escuto, esqueço.
O que vejo, lembro. E o que faço, aprendo”. Analisando sob a ótica de Confúcio,
temos que, se em aula apenas o facilitador fala – apresentação meramente
expositiva, pouco conhecimento será retido e, consequentemente, muito pouco
poderá ser aplicado, ou seja, o valor agregado será baixo. Concluindo, mais vale
um treinamento de pouca informação técnica que agregue valor, do que uma
palestra cheia de informações que não se consegue colocar em prática. O triste
é que a esmagadora maioria dos treinamentos no segmento da segurança do
trabalho não agrega valor e só são ministrados para ter uma evidência de que foi
atendido um preceito legal.

58
TÓPICO 3 | LEGISLAÇÃO BRASILEIRA

RH - O Sr. considera as SIPATS suficientes para diminuir os índices de


acidentes no trabalho?

Rogério Crotti - Sempre considerei as SIPATS como um mal necessário,


uma vez que não acredito que a SIPAT em si seja um redutor de acidente, mas
que tem que existir para atender a um preceito legal. Se analisarmos os acidentes,
teremos duas causas básicas: uma é a inadequação do local de trabalho em si
e o outro é o comportamento das pessoas. Uma SIPAT, que via de regra é uma
série de palestras, não tem o poder de alterar o local de trabalho ou de gerar uma
mudança comportamental. Até imagino que, quando foi instituída em 1978, este
tipo de evento podia produzir algum efeito, uma vez que se estava no começo da
segurança do trabalho no Brasil e, na época, este tipo de evento poderia tentar
aumentar a consciência dos trabalhadores. Hoje as SIPATs, que deveriam ser
estruturadas pela CIPA – Comissão Interna de Prevenção de Acidentes –, acabam
sendo gestadas e geridas pelo SESMT – Serviços Especializados em Segurança e
Medicina do Trabalho –, mas para atender aos requisitos legais, além de terem que
abranger uma série de outros temas, como doenças sexualmente transmissíveis,
fumo, por exemplo. A segurança do trabalho se faz no dia a dia, com ações
de estruturação no ambiente laboral e na mudança do comportamento dos
empregados. Assim sendo, ter uma semana para cuidar desses assuntos, pouco
contribui, sendo que o único efeito prático é o aumento dos custos empresariais.

RH - Quais os cuidados que as organizações devem ter ao contratar um


profissional para ministrar um treinamento voltado à prevenção dos acidentes
no trabalho?

Rogério Crotti - Acredito que existem duas vertentes importantes, uma


quanto ao profissional e outra quanto ao programa. Quanto ao profissional, este
precisa estar apto a ministrar o curso, seja pelo domínio dos critérios técnicos,
seja pelo domínio de requisitos mínimos relacionados à didática. Temos que ter
em mente que os profissionais precisam estar capacitados. Em alguns casos, há a
necessidade de este profissional estar registrado em um conselho de classe, porém
o que tenho visto é engenheiro químico falar de segurança em eletricidade, de
técnico de segurança falar sobre primeiros socorros, e por aí vai. Esta posição, que
podemos considerar como “contratação aleatória”, é temerária, pois certamente
levará à apresentação de conceitos errôneos, podendo inclusive agravar a saúde
do trabalhador, gerar acidentes ou agravar as injúrias.

RH - O Sr. deve ter presenciado muitos casos em que o treinamento de


segurança do trabalho foi um investimento jogado fora. Certo?

Rogério Crotti - Sim. Só como exemplo, hoje temos os treinamentos


definidos pela NR10, uma empresa resolveu ministrar os treinamentos através
de efetivo próprio, o que não há impedimento. Todavia, o ministrador proferiu
um treinamento sobre eletricidade básica e esqueceu-se de falar dos critérios de
segurança em eletricidade, desvirtuando totalmente o objetivo do treinamento. A
segunda vertente importante está atrelada ao programa em si. Qualquer programa

59
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À SEGURANÇA DO TRABALHO E LEGISLAÇÃO PERTINENTE

de treinamento deve necessariamente ter um objetivo a ser cumprido e uma meta


esperada. Deve, para tanto, alterar o status quo dos participantes, fazendo com
que estes não só tenham mais conhecimento técnico, mas que estejam motivados
a colocar os treinamentos em prática. Portanto, entendo que os treinamentos não
podem ser genéricos, havendo a necessidade de adequações específicas para que
os treinamentos venham ao encontro das necessidades de cada empresa. Sou da
opinião de que treinamento que não agrega valor não deve ser ministrado, pois,
por mais barato que custe, é muito caro.

RH - Qual a importância do Mapeamento de Riscos e como esse deve ser


elaborado?

Rogério Crotti - Não podemos confundir mapeamento de risco com mapa


de risco. O mapa de risco deve ser realizado pela CIPA e não necessariamente
deve atender a requisitos técnicos. O mapeamento de risco realizado com base
em técnicas de análise de risco é fundamental, para que se conheçam os perigos
existentes em uma planta industrial. Esta análise permite a dotação de medidas
administrativas, estruturais e de recursos para a mitigação de riscos, propiciando
desta forma um ambiente laboral adequado ao desenvolvimento das atividades.
A atividade de mapeamento de risco deve utilizar técnicas qualitativas e
quantitativas de análise, sendo as mais conhecidas: HAZOP (Hazard Operation),
FMEA (Failure Mode and Effects Analysis), Detecção analítica de falhas (Kepner
& Tregoe method), entre outras, além de uma série de software de análise de
amplitudes de consequência. Todas essas metodologias levam em consideração
não só a probabilidade de ocorrência como a amplitude da consequência,
traduzindo os perigos encontrados em potências de risco mensuráveis. Essas
análises também permitem que sejam aplicados recursos apenas onde são
necessários, trazendo, dessa forma, redução dos custos globais com as medidas
mitigadoras de risco.

RH - Que ações preventivas podem ser adotadas no dia a dia,


principalmente em empresas consideradas de alto risco?

Rogério Crotti - Administrar um remédio sem conhecer o doente é sempre


difícil. As medidas preventivas a serem adotadas devem estar adequadas ao risco,
e como os riscos são específicos para cada empresa, não tem como definirmos
medidas padrão, mas podemos falar em comportamento adequado. O primeiro
passo é ter em mente que os problemas de segurança no ambiente laboral são
todos os componentes de uma organização e englobam: os supervisores de
produção, as pessoas que fazem parte da liderança da empresa, os empregados,
enfim, todos. E as equipes de segurança? Estas devem atuar como consultores
internos de todos os setores, ajudando a trazer tecnologia para a redução de
perigos. No entanto, a segurança se faz onde existe o risco. Portanto, as equipes
de segurança devem necessariamente estar a maior parte do tempo presentes
no chão de fábrica, analisando as áreas, propondo soluções. O que tenho visto,
contudo, são cada vez mais estas equipes nos escritórios escondidas atrás dos
computadores, emitindo relatórios que, por vezes, não trarão a redução de riscos.

60
TÓPICO 3 | LEGISLAÇÃO BRASILEIRA

Agora, tentando ministrar um redutor para dor de cabeça e não um remédio,


existem duas situações que são fundamentais em quaisquer empresas: a primeira
refere-se à realização de inspeções e proposição de medidas redutoras de risco
no ambiente laboral, e a segunda é relativa à orientação dos profissionais. Volto a
lembrar: é necessário um remédio específico e não a automedicação ou a receita
de um balconista de farmácia.

RH - Os investimentos em ações preventivas para acidentes de trabalho


são obrigatoriamente elevados?

Rogério Crotti - Não entendo que sejam elevados, são na realidade


mal aplicados. Por dever de ofício, visito várias empresas e é comum vermos
empresas que definem que todos devem utilizar capacete, por exemplo. Todavia,
capacete é um equipamento destinado a prevenir prioritariamente os acidentes
do tipo “batida contra” e, por vezes, as empresas não apresentam, ao menos
à primeira vista, esses riscos. O que tenho visto é muita aplicação errônea de
ações preventivas de acidentes, sejam estas quanto aos métodos e processos de
trabalho em si, quanto aos equipamentos de proteção individual, ou quanto aos
treinamentos realizados de forma a só “cumprir requisitos legais” e não a agregar
valor. Outra situação comum é quanto à compra de máquinas e equipamentos
produtivos, pois muitas vezes estes são adquiridos no mercado externo e não
atendem à nossa legislação, devendo ser adequados e retrabalhados aqui no
Brasil. Um exemplo ocorreu com as máquinas injetoras de plástico: em uma
feira havia uma série de máquinas sendo expostas sem as proteções necessárias.
Quando indagado ao fabricante o porquê da inexistência da proteção, este disse
que poderia fornecer e que era “equipamento de linha”, só que era um adicional.
Neste caso, a implantação da proteção na fábrica é mais barata que a adequação
posterior.

RH - O Ministério do Trabalho e Emprego é o único órgão responsável por


fiscalizar a segurança do trabalhador ou os sindicatos também podem realizar
essa atividade?

Rogério Crotti - Hoje a fiscalização pode ser realizada tanto pelo


Ministério do Trabalho e Emprego como também pelo INSS – Instituto Nacional
de Seguridade Social –, e através de convênios, pelas Agências de Vigilância
Sanitária. Os sindicatos, de forma geral, não podem desenvolver a fiscalização
em si, a menos que este procedimento esteja definido nos acordos coletivos de
trabalho celebrados entre as empresas através dos órgãos representativos e os
sindicatos, as federações, as confederações de trabalhadores. Cabe aos sindicatos,
no entanto, o dever de denunciar as empresas que descumprem a legislação.
Posição esta que, sendo realizada dentro de adequados conceitos de justiça e ética,
é contributiva para a melhoria das condições laborais de seus representados.

RH - Quais as penalidades que podem ser aplicadas às organizações que


colocam a segurança dos funcionários em risco?

61
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À SEGURANÇA DO TRABALHO E LEGISLAÇÃO PERTINENTE

Rogério Crotti - Legalmente as penalidades diretas vão desde a aplicação


de multas até a interdição – fechamento – da unidade industrial. Existem,
todavia, as penalidades indiretas, compreendidas pelo aumento da contribuição
ao INSS relativo aos trabalhadores, em que há aposentadoria precoce motivada
pela atividade laboral e pelo aumento do seguro-acidente pago ao INSS pelas
empresas, em que o número de acidentes de trabalho supera a média de acidentes
de seu setor produtivo, além da geração de passivo judicial trabalhista e civil.

FONTE: BISPO, P. 2009. Disponível em: <http://www.rh.com.br/Portal/Relacao_Trabalhista/


Entrevista/6115/ninguem-esta-livre-de-acidentes-no-trabalho.html>. Acesso em: 18 out. 2010.

62
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico você viu que:

• Considera-se que a publicação do Código Sanitário do Estado de São Paulo,


em 1918, a primeira legislação editada no Brasil sobre acidentes de Trabalho.
Nacionalmente, temos, no ano de 1919, a publicação da primeira legislação
sobre acidentes de trabalho.

• As mudanças que estavam acontecendo na Europa, no início do século XX,


em decorrência da Primeira Guerra Mundial e do surgimento da OIT, fizeram
com que fosse iniciada a criação de normas trabalhistas no Brasil, que deram
início aos movimentos operários, que reivindicavam melhores condições de
trabalho e salários.

• A Constituição de 1934 foi a primeira constituição brasileira a tratar


especificamente do Direito do Trabalho. Garantia a liberdade sindical,
isonomia salarial, salário mínimo, jornada de trabalho de oito horas diárias,
proteção do trabalho das mulheres e menores, repouso semanal e férias
anuais remuneradas.

• Em 1937, Getúlio Vargas outorgou uma nova constituição. Instituiu o sindicato


único, imposto por lei, vinculado ao Estado, exercendo funções delegadas de
poder público, podendo haver intervenção estatal direta em suas atribuições.
Foi criado também o imposto sindical, estabeleceu-se a competência
normativa dos tribunais de trabalho. A greve e o lockout foram considerados
recursos antissociais, nocivos ao trabalho e ao capital e incompatíveis com os
interesses da produção nacional.

• Como as normas dos assuntos trabalhistas estavam muito esparsas, houve a


necessidade de sistematizá-las. Criou-se, assim, em 1943, a CLT – Consolidação
das Leis Trabalhistas.

• Com a promulgação de uma nova Constituição em 1946, os direitos dos


trabalhadores aumentaram. Nela estão a participação dos trabalhadores nos
lucros, repouso semanal remunerado, estabilidade, direito à greve, entre outros.

• Em 1988, foi promulgada a atual Constituição. Em seus artigos 7º ao 11,


encontramos os direitos trabalhistas.

63
AUTOATIVIDADE

Prezado(a) acadêmico(a): faça um resumo, listando as


datas das constituições e das leis importantes, mostrando as
mudanças que ocorreram ao longo do tempo.

64
UNIDADE 2

SESMT, AGENTES AMBIENTAIS, RISCOS


E LIMITES DE TOLERÂNCIA

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
Nessa unidade vamos:

• definir a composição do SESMT, a competência de cada profissional,


seu dimensionamento de acordo com o tipo de empresa;

• saber quais os agentes ambientais capazes de causar danos à saúde


do trabalhador;

• conhecer os riscos inerentes às atividades laborais;

• reconhecer os limites de tolerância para os agentes ambientais.

PLANO DE ESTUDOS
Esta unidade está dividida em quatro tópicos. No final de cada um deles
você encontrará atividades que o(a) auxiliarão a fixar os conhecimentos
abordados.

TÓPICO 1 – SESMT

TÓPICO 2 – AGENTES AMBIENTAIS

TÓPICO 3 – RISCOS

TÓPICO 4 – LIMITES DE TOLERÂNCIA

65
66
UNIDADE 2
TÓPICO 1

SESMT

1 INTRODUÇÃO
O SESMT – Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em
Medicina do Trabalho – está descrito na NR4 e está regulamentado pela Portaria
nº 33, de 27/10/1983, do MTE.

Seu objetivo é a promoção da saúde e a proteção da integridade física


do trabalhador no local de trabalho e é composto por diversos profissionais da
área de saúde e segurança. Estes serviços deverão estar presentes em empresas
privadas e públicas, órgãos públicos de administração direta e dos poderes
Legislativo e Judiciário, que possuam empregados regidos pela CLT.

2 COMPOSIÇÃO
O SESMT deverá ser integrado por Médico do Trabalho, Engenheiro
de Segurança do Trabalho, Enfermeiro do Trabalho, Técnico de Segurança do
Trabalho e Auxiliar de Enfermagem do Trabalho, obedecendo ao Quadro II da
NR4. (NR4, 2011).

3 COMPETÊNCIA DOS PROFISSIONAIS DO SESMT


Segundo a NR4 (2011), no seu item 4.12, compete aos profissionais dos
integrantes do SESMT:

a) aplicar os conhecimentos de Engenharia de Segurança e de Medicina


do Trabalho ao ambiente de trabalho e a todos os seus componentes,
inclusive máquinas e equipamentos, de modo a reduzir até eliminar os
riscos ali existentes à saúde do trabalhador;
b) determinar, quando esgotados todos os meios conhecidos para a
eliminação do risco e este persistir, mesmo reduzido, a utilização, pelo
trabalhador, de Equipamentos de Proteção Individual - EPI, de acordo
com o que determina a NR 6, desde que a concentração, a intensidade ou
característica do agente assim o exija;

67
UNIDADE 2 | SESMT, AGENTES AMBIENTAIS, RISCOS E LIMITES DE TOLERÂNCIA

c) colaborar, quando solicitado, nos projetos e na implantação de novas


instalações físicas e tecnológicas da empresa, exercendo a competência
disposta na alínea “a”;
d) responsabilizar-se tecnicamente pela orientação quanto ao cumprimento
do disposto nas NR aplicáveis às atividades executadas pela empresa e/
ou seus estabelecimentos;
e) manter permanente relacionamento com a CIPA, valendo-se ao máximo
de suas observações, além de apoiá-la, treiná-la e atendê-la, conforme
dispõe a NR 5;
f) promover a realização de atividades de conscientização, educação e
orientação dos trabalhadores para a prevenção de acidentes do trabalho e
doenças ocupacionais, tanto através de campanhas quanto de programas
de duração permanente;
g) esclarecer e conscientizar os empregadores sobre acidentes do trabalho e
doenças ocupacionais, estimulando-os em favor da prevenção;
h) analisar e registrar em documento(s) específico(s) todos os acidentes
ocorridos na empresa ou estabelecimento, com ou sem vítima, e todos os
casos de doença ocupacional, descrevendo a história e as características
do acidente e/ou da doença ocupacional, os fatores ambientais, as
características do agente e as condições do(s) indivíduo(s) portador(es)
de doença ocupacional ou acidentado(s);
i) registrar mensalmente os dados atualizados de acidentes do trabalho,
doenças ocupacionais e agentes de insalubridade, preenchendo, no
mínimo, os quesitos descritos nos modelos de mapas constantes
nos Quadros III, IV, V e VI, devendo a empresa encaminhar um
mapa contendo avaliação anual dos mesmos dados à Secretaria de
Segurança e Medicina do Trabalho até o dia 31 de janeiro, através do
órgão regional do MTb;
j) manter os registros de que tratam as alíneas “h” e “i” na sede dos
Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do
Trabalho ou facilmente alcançáveis a partir da mesma, sendo de livre
escolha da empresa o método de arquivamento e recuperação, desde
que sejam asseguradas condições de acesso aos registros e entendimento
de seu conteúdo, devendo ser guardados somente os mapas anuais dos
dados correspondentes às alíneas “h” e “i” por um período não inferior
a 5 (cinco) anos;
k) as atividades dos profissionais integrantes dos Serviços Especializados
em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho são
essencialmente prevencionistas, embora não seja vedado o atendimento
de emergência, quando se tornar necessário. Entretanto, a elaboração
de planos de controle de efeitos de catástrofes, de disponibilidade de
meios que visem ao combate a incêndios e ao salvamento e de imediata
atenção à vítima deste ou de qualquer outro tipo de acidente estão
incluídos em suas atividades.

68
TÓPICO 1 | SESMT

4 DIMENSIONAMENTO
O dimensionamento do SESMT está vinculado à gradação de risco
da atividade principal e ao número total de empregados do estabelecimento,
obedecendo-se aos Quadros I e II da NR4.

Quando houver terceirização de atividades e trabalho temporário, o


subitem 4.5 da NR4 determina que a empresa contratante deva estender a
assistência de seus Serviços Especializados aos empregados da(s) contratada(s),
sempre que o número de empregados desta(s), exercendo atividades naqueles
estabelecimentos não alcançar os limites previstos no Quadro II da NR4.
(HASHIMOTO, 2010).

Portanto, quando a empresa contratante necessita o SESMT, mas a(s)


contratada(s) não, o SESMT da contratante deverá prestar assistência à(s)
contratada(s). Entretanto, não há determinação para que os empregados das
contratadas sejam considerados na base de cálculo dos empregados da empresa
contratante para fins de dimensionamento do SESMT. (HASHIMOTO, 2010).

Nesse mesmo sentido, temos o entendimento de Araújo (2006, p. 175):


Em muitos casos a empresa contratada está desobrigada de possuir
SESMT, entretanto, o termo usado no item 4.5 ‘estender a assistência de
seu SESMT’ não quer dizer que a empresa deva redimensionar o quadro
de profissionais em função dos funcionários terceirizados (prestadores
de serviços). O legislador entende que ‘estender a assistência’ quer
dizer, por exemplo, disponibilizar serviços de treinamento, estudos
de risco (ex.: PPRA), reuniões informativas (Diálogos de Segurança),
organizar SIPAT coletivas, entre outras atividades preventivas. [...]
Vale ressaltar que a empresa contratante deve garantir aos funcionários
terceirizados o mesmo nível de informação necessário ao exercício
seguro das atividades. Algumas organizações que precisam trabalhar
com diversas empresas terceirizadas têm adotado a prática de
incentivar que estas se organizem para criar um SESMT compartilhado,
de modo que, principalmente, aquelas que não possuam profissionais
de segurança possam ter acesso a estes serviços especializados.

Esta obrigatoriedade de a empresa contratante estender os serviços do SESMT


aos empregados das contratadas tem como fundamento a corresponsabilidade da
contratante pelos danos causados aos trabalhadores das contratadas.

4.1 EXEMPLO DE DIMENSIONAMENTO DE SESMT


O dimensionamento do SESMT é baseado no grau de risco da atividade.
Devemos, então, saber qual o CNAE (Cadastro Nacional de Atividades
Econômicas) em que o empreendimento está inserido, e então consultar o Quadro
I da NR4.

69
UNIDADE 2 | SESMT, AGENTES AMBIENTAIS, RISCOS E LIMITES DE TOLERÂNCIA

Vejamos alguns exemplos de atividades e seu respectivo grau de risco:

• 01.13-9 – cultivo de cana-de-açúcar: grau de risco 3;


• 10.00-6 – extração de carvão mineral: grau de risco 4;
• 21.31-8 – fabricação de embalagens de papel: grau de risco 2.

Precisamos agora saber o número de funcionários, e então consultamos o


Quadro II, também da NR4.

Vamos então dimensionar o SESMT para uma empresa de extração de


minérios de ferro, que tenha 2.140 funcionários. Através do Quadro I da NR4,
vemos que esta atividade apresenta um grau de risco 4. Então, no Quadro II da
NR4, podemos identificar que a empresa necessitará de:

• 8 Técnicos de Segurança do Trabalho


• Engenheiros de Segurança do Trabalho
• Auxiliares de Enfermagem do Trabalho
• Médicos do Trabalho

70
RESUMO DO TÓPICO 1
Neste tópico você viu que:

• O SESMT está descrito na NR4 e é composto por:


• Médico do Trabalho.
• Engenheiro de Segurança do Trabalho.
• Enfermeiro do Trabalho.
• Técnico de Segurança do Trabalho.
• Enfermeiro de Segurança do Trabalho.

• Você também viu quais as competências de todos os profissionais do SESMT,


segundo a norma NR4, e aprendeu a fazer o dimensionamento deste SESMT,
de acordo com o grau de risco e o número de funcionários de cada empresa.

71
AUTOATIVIDADE

1 Descreva a composição do SESMT.

2 Quais as competências dos profissionais do SESMT?

3 Dimensione o SESMT para:

a) uma fazenda de cultivo da cana-de-açúcar, com 630 funcionários.


b) uma mina de extração de carvão mineral, com 230 funcionários.
c) uma fábrica de embalagens de papel, com 1.640 funcionários.

72
UNIDADE 2 TÓPICO 2

AGENTES AMBIENTAIS

1 INTRODUÇÃO
Todos os agentes presentes no meio ambiente de trabalho, que são capazes
de causar danos à saúde do trabalhador, são chamados agentes ambientais.

Como exemplos destes agentes, podemos citar o ruído presente nas


fábricas, as temperaturas baixas das câmaras frigoríficas, o calor junto aos fornos,
as radiações das salas de raios-x, poeira de algodão nas fiações e malharias,
vapores de produtos químicos em geral.

É de extrema importância conhecer estes agentes, presentes em nosso


meio, e sua forma de propagação, para que possamos melhorar as condições do
ambiente de trabalho, garantindo saúde aos trabalhadores.

Quanto maior o tempo de exposição a estes agentes, maiores são as


probabilidades de ocorrer doenças. Da mesma forma, quanto maior a concentração
destes agentes agressivos, também maior o dano à saúde dos trabalhadores.

Cada organismo responde de uma forma diferenciada aos agentes.


Portanto, uma pessoa pode ser mais tolerante ao frio que outra, por exemplo.
Como temos estas variações, devemos nos ater às tabelas específicas para cada
agente, que serão objeto de estudos mais adiante. São os chamados Limites de
Tolerância. Trabalhando fora dos limites de tolerância, os empregados receberão
o “adicional de insalubridade”.

2 CLASSIFICAÇÃO DOS AGENTES AMBIENTAIS


Os riscos ambientais, segundo a NR-9, estão divididos em três grupos:
agentes físicos, químicos e biológicos. (NR9, 2011).

UNI

Estudaremos na disciplina “Higiene no Trabalho” estes riscos aprofundadamente.

73
UNIDADE 2 | SESMT, AGENTES AMBIENTAIS, RISCOS E LIMITES DE TOLERÂNCIA

• Agentes físicos: consideram-se agentes físicos as diversas formas de energia


a que possam estar expostos os trabalhadores, tais como: ruído, vibrações,
pressões anormais, temperaturas extremas (frio e calor), radiações ionizantes e
não ionizantes, bem como o infrassom e o ultrassom.

• Agentes químicos: consideram-se agentes químicos as substâncias, compostos


ou produtos que possam penetrar no organismo pela via respiratória, nas
formas de poeiras, fumos, névoas, neblinas, gases ou vapores, ou que, pela
natureza da atividade de exposição, possam ter contato ou ser absorvidos pelo
organismo através da pele ou por ingestão.

• Agentes biológicos: consideram-se agentes biológicos as bactérias, fungos,


bacilos, parasitas, protozoários, vírus, entre outros.

74
RESUMO DO TÓPICO 2
Prezado(a) acadêmico(a), neste tópico vimos que:

• Os agentes ambientais são os agentes causadores dos danos à saúde do


trabalhador.

• Quanto maior o tempo de exposição a estes agentes, maiores são as


possibilidades de ocorrer doenças; quanto maior a concentração deles, maior
também será o dano à saúde dos trabalhadores.

• Cada organismo responde de uma forma a estes agentes. Devido a esta


característica, foram estipulados os “limites de tolerância” para cada agente,
através de uma série de estudos. Trabalhando fora destes limites, os empregados
receberão o “adicional de insalubridade”.

• Estudamos também quais são os agentes ambientais, que estão divididos em


três grupos: físicos, químicos e biológicos.

75
AUTOATIVIDADE

Prezado(a) acadêmico(a): faça um levantamento dos agentes


ambientais que estão presentes em seu local de trabalho, na
escola ou em sua própria casa.

76
UNIDADE 2 TÓPICO 3

RISCOS

1 INTRODUÇÃO
Podemos considerar riscos ocupacionais como a probabilidade de um
evento (esperado ou não) se tornar realidade.

Conforme a NR9, que trata do Programa de Prevenção de Riscos


Ambientais – PPRA –, consideram-se riscos (ambientais) os agentes que podem
causar danos à saúde do trabalhador, em função da sua natureza, concentração
ou intensidade e tempo de exposição.

Podemos exemplificar de várias formas o que é risco: andando em uma


calçada, temos o risco de tropeçar e nos machucar; trabalhando com ácidos
numa empresa temos o risco de cair uma gota sobre a nossa pele e causar uma
lesão; uma enfermeira, limpando o ambulatório, pode ferir-se com uma agulha
contaminada e ficar doente; uma pessoa trabalhando num armazém frigorífico
pode ter uma queimadura de frio; um trabalhador do escritório, que não possui
iluminação suficiente em seu local de trabalho, pode desenvolver alguma perda
de visão etc.

Existem cinco tipos de riscos que vamos estudar: físicos, químicos,


biológicos, ergonômicos e de acidentes.

2 RISCOS FÍSICOS
Podemos citar os seguintes agentes nesta categoria:

• Ruído.
• Vibração.
• Pressão anormal.
• Radiações ionizantes ou não ionizantes.
• Temperatura extrema (frio ou calor).
• Infrassom e ultrassom.

77
UNIDADE 2 | SESMT, AGENTES AMBIENTAIS, RISCOS E LIMITES DE TOLERÂNCIA

2.1 RUÍDOS
Quando estamos em nosso ambiente de trabalho e não conseguimos ouvir
o que um colega está falando, dizemos que este ambiente tem bastante ruído, ou
que está muito barulhento.

FIGURA 17 – RUÍDOS OCUPACIONAIS

FONTE: Disponível em <http://laerciojsilva.blogspot.com/2010/06/pressao-sonora.html>.


Acesso em: 8 nov. 2010.

Ruído, em Segurança do Trabalho, pode ser definido como um som


indesejável e nocivo à saúde do trabalhador.

78
TÓPICO 3 | RISCOS

FIGURA 18 – NÍVEIS DE PRESSÃO SONORA

FONTE: Disponível em: <http://www.bkpt.com/Literatura_files/escalalogaritmica.zip>. Acesso


em: 9 nov. 2010.

79
UNIDADE 2 | SESMT, AGENTES AMBIENTAIS, RISCOS E LIMITES DE TOLERÂNCIA

Som é um fenômeno vibratório resultante de variação da pressão no ar.


Essas variações de pressão se dão em torno da pressão atmosférica e se propagam
longitudinalmente, à velocidade de 344 m/s a 20ºC. (ZENDRON, 2010).

Qualquer fenômeno que pode causar ondas de pressão no ar é considerado


uma fonte sonora. Pode ser um corpo sólido em vibração, uma explosão, um
vazamento de gás à alta pressão etc.

Todo som se caracteriza, praticamente, por três variáveis físicas: frequência,


intensidade e timbre.

Frequência (f) é o número de oscilações por minuto do movimento vibratório


do som. É medida em ciclos por segundos, ou Hertz (Hz). Nosso ouvido é capaz da
captar sons entre 20 e 20.000 Hz (faixa audível). Os sons com menos de 20 Hz são os
infrassons, enquanto que os acima de 20 kHz são os chamados ultrassons.

A intensidade de som pode ser definida como a quantidade de energia


contida no movimento vibratório. Pode ser medida por dois parâmetros: através
da energia contida no movimento vibratório (W/cm2) ou através da pressão do ar
causada pela onda sonora (BAR = 1 dyna/cm2).

O timbre é o que diferencia os sons. Se tocarmos uma mesma nota musical


num piano ou num violão, reconheceremos qual foi o instrumento que originou
tal nota através de seu timbre. Tecnicamente, o timbre é a forma da onda de
vibração sonora.

A pressão, a potência e a intensidade dos sons captados pelo ouvido


humano cobrem uma ampla faixa de variação. Por exemplo, um murmúrio
irradia uma potência de 0,000 000 001 watt enquanto que o grito de uma pessoa
comum tem uma potência sonora de cerca de 0,001 watt; uma orquestra sinfônica
chega a produzir 10 watts enquanto que um avião a jato emite 100000 watts de
potência ao decolar. Sendo assim, uma escala logarítmica, como o decibel, é mais
adequada para medida dessas grandezas físicas. (WIKIPÉDIA, 2010).

Existe uma variedade de equipamentos que podemos utilizar em nosso


local de trabalho para medirmos o nível de ruído. A escolha irá depender do
dado que queremos obter, bem como do tipo de ruído que vamos analisar.
Frequentemente utilizamos três tipos de equipamentos: medidor de nível de
pressão sonora, dosímetro e analisador de frequências.

UNI

Sugestão de leitura: veja a apostila “Ruído nos Locais de Trabalho”, disponível


em: <http://www.bkpt.com/Literatura.htm>.

80
TÓPICO 3 | RISCOS

No Brasil, os critérios para medição e avaliação do ruído em ambientes são


fixados pelas Normas Brasileiras da Associação Brasileira de Normas Técnicas.
As principais são:

• NBR 7731 - Guia para execução de serviços de medição de ruído aéreo e


avaliação dos seus efeitos sobre o homem.

• NBR 10151 - Avaliação do ruído em áreas habitadas visando o conforto da


comunidade.

• NBR 10152 (NB-95) - Níveis de ruído para conforto acústico.

A NR15 (2011) informa os limites de tolerância para o ruído:

TABELA 1 – NR15 – LIMITES DE TOLERÂNCIA

MÁXIMA EXPOSIÇÃO
NÍVEL DE RUÍDO dB (A)
DIÁRIA PERMISSÍVEL
85 8 horas
86 7 horas
87 6 horas
88 5 horas
89 4 horas e 30 minutos
90 4 horas
91 3 horas e 30 minutos
92 3 horas
93 2 horas e 40 minutos
94 2 horas e 15 minutos
95 2 horas
96 1 hora e 45 minutos
98 1 hora e 15 minutos
100 1 hora
102 45 minutos
104 35 minutos
105 30 minutos
106 25 minutos
108 20 minutos
110 15 minutos
112 10 minutos
114 8 minutos
115 7 minutos
FONTE: NR15 (2011)

81
UNIDADE 2 | SESMT, AGENTES AMBIENTAIS, RISCOS E LIMITES DE TOLERÂNCIA

2.2 VIBRAÇÃO
A vibração é um agente nocivo, que está presente em várias atividades
industriais. Podemos encontrá-la facilmente nas atividades de mineração,
civil e florestal, na indústria química, na de móveis, da carne, automotivas e
várias outras que submetem os trabalhadores a vibrações localizadas (também
conhecidas como vibrações de mãos e braços ou de extremidades) e vibrações de
corpo inteiro. (VENDRAME, 2010).

As vibrações localizadas são transmitidas aos membros superiores


(e também às vezes aos membros inferiores, mas menos comumente) através,
principalmente, do uso de ferramentas manuais, portáteis ou não, tais como
motosserras, furadeiras, serras, politrizes, britadeiras e martelos pneumáticos.
Por seu turno, as vibrações de corpo inteiro são características em plataformas
industriais, veículos pesados, tratores, retroescavadeiras e até mesmo no trabalho
em embarcações marítimas, fluviais e trens. (VENDRAME, 2010).

A NR15 (2011), em seu Anexo 8, faz referência à necessidade de medição


da exposição a vibrações no trabalhador e indica duas normas ISO:

• ISO 2631 – Vibração transmitida para corpo inteiro.


• ISO 5349 – Vibrações localizadas (mãos e braços).

A ACGIH (American Conference of Industrial Hygienists) faz referências a


limites admissíveis para tempo de exposição a vibrações localizadas, podendo
ser utilizados como critério de avaliação já que a ISO 5349 é muito superficial,
isto é, não há um limite estabelecido e, sim, probabilidades de ocorrência de
determinadas lesões.

Segundo esta NR15, a exposição do trabalhador a vibrações acima do limite


de tolerância é considerada insalubre de grau médio, isto é, deve-se conceder um
adicional de 20% do salário mínimo aos seus proventos.

O fato de braços e mãos estarem expostos a uma vibração intensa pode


causar um problema denominado Síndrome da Vibração das Mãos e Braços
(HAVS, Hand Arm Vibration Syndrome). Provavelmente, a doença mais frequente é
causada por uma anormalidade da circulação sanguínea denominada de branco
de vibração (VWF, Vibration White Pinger), cujos sintomas são o empalidecimento
da pessoa e períodos de intensas dores, além da necessidade de evitar atividades
frias e úmidas. Outras lesões são caracterizadas por problemas nos nervos como
dormência, formigamento e dificuldade para executar tarefas como apertar
botões. (ZENDRON, 2010).

A vibração transmitida ao corpo inteiro geralmente é menos prejudicial


devido à atividade executada também causar lesões graves. O corpo humano
reage às vibrações de maneiras diversas, a sensibilidade às vibrações longitudinais
(ao longo do eixo z, da coluna vertebral) é diferente da sensibilidade transversal
(eixos x ou y, ao longo dos braços ou através do tórax). Dentro de cada direção,
82
TÓPICO 3 | RISCOS

a sensibilidade também varia com a frequência (“resposta em frequência do


corpo”), isto é, para uma determinada frequência, a aceleração tolerável (em m/
s2) é diferente da aceleração tolerável em outra frequência. Os problemas mais
comuns são náuseas e enrijecimento na coluna. (ZENDRON, 2010).

Os sintomas iniciais da síndrome da vibração de mãos e braços incluem:


branqueamento local, em um ou mais dedos de quaisquer ou ambas as mãos
expostas à vibração, dor, paralisia, formigamento, perda da coordenação, falta
de delicadeza e inabilidade para realizar tarefas intrincadas. A síndrome também
implica danos na percepção cutânea e prejuízo na destreza manipulativa, como,
por exemplo, dificuldade em pegar uma moeda numa superfície plana, abotoar
uma camisa ou virar uma página de jornal. As severidades dos sintomas são
diretamente proporcionais à dose das vibrações, função de sua intensidade e
duração da exposição cotidiana. No entanto, mesmo as exposições intermitentes
podem trazer danos. (VENDRAME, 2010).

Progressivamente à exposição à vibração, o branqueamento ou ataques


de branqueamento ocorrem em um ou mais dos dedos expostos, com duração
de 5 a 15 minutos. Os ataques, usualmente, ocorrem em baixas temperaturas
e são potencializados pelo fumo, já que frio e nicotina são vasoconstritores.
A situação continua a se deteriorar com o número e a severidade dos ataques
de branqueamento, que aumentam com a continuada exposição à vibração.
(VENDRAME, 2010).

O estágio final da síndrome da vibração de mãos e braços sempre força


os trabalhadores a deixarem sua ocupação e alguns, face à ameaça de gangrena
nos dedos, resultado da perda do suprimento de sangue, com possibilidade de
amputação do membro. Infelizmente, deixar o trabalho depois da ocorrência de
múltiplos ataques de branqueamento não é a solução, eis que virtualmente, em
todos os casos, a síndrome aparece em razão do frio.

Diga-se, de passagem, que as vibrações não somente atuam como agente


unifatorial, mas também como fator contributivo e de agravamento das LER/
DORT; além do que, há mais de 10 anos, um estudo sueco correlacionou a
síndrome da vibração de extremidades com o aumento do risco de infarto agudo
do miocárdio. (VENDRAME, 2010).

Segundo Zendron (2010), como formas de atenuar os efeitos danosos da


vibração sobre o corpo humano, podemos tomar as seguintes medidas:

• isolar o equipamento, com fundações exclusivas;

• instalar amortecedores;

• alterar as frequências;

• rodízio de operação;

• empunhadores com amortecimento.


83
UNIDADE 2 | SESMT, AGENTES AMBIENTAIS, RISCOS E LIMITES DE TOLERÂNCIA

3 PRESSÃO
Existem dois tipos de pressões anormais: pressão hiperbárica e pressão
hipobárica.

• Hiperbárica: é quando o trabalhador fica sujeito a pressões maiores que a


pressão atmosférica ao nível do mar e onde se exige cuidadosa descompressão.
Como exemplo, temos o trabalho dos mergulhadores profissionais.

• Hipobárica: é quando temos pressões menores, geralmente associadas


ao trabalho em grandes altitudes. Podemos citar alguns trabalhos como
mineração, agricultura, recreação e alguns meios de transporte.

3.1 HIPERBARISMO

Principais atividades ligadas ao hiperbarismo:

• Mergulho:
• mergulho autônomo – quando o mergulhador carrega seus próprios
cilindros de oxigênio. É sua única fonte de oxigênio;
• mergulho dependente – quando o mergulhador depende do fornecimento
de ar da superfície, através de tubos;
• mergulho com sino de apoio – quando o mergulhador permanece numa
câmara hiperbárica, geralmente se aclimatando a uma situação de pressão
elevada, podendo permanecer por dias.

• Na construção civil:
• tubulões pneumáticos;
• túneis pressurizados.

84
TÓPICO 3 | RISCOS

FIGURA 19 – TUBULÃO PNEUMÁTICO

FONTE: Disponível em: <http://www.fec.unicamp.br/~pjra/images/tubuloes.gif>.Acesso em: 8


nov. 2010.

• Na medicina:
• oxigenoterapia;
• recompressão terapêutica.

FIGURA 20 – OXIGENOTERAPIA HIPERBÁRICA

FONTE: Disponível em: <http://marceloraydo.files.wordpress.com/2009/12/foto_medicina.jpg>.


Acesso em: 8 nov. 2010.

85
UNIDADE 2 | SESMT, AGENTES AMBIENTAIS, RISCOS E LIMITES DE TOLERÂNCIA

Efeitos tóxicos do hiperbarismo: a atmosfera terrestre contém


habitualmente cerca de 20% de oxigênio, sendo que o organismo humano está
adaptado para respirar o oxigênio atmosférico a uma pressão em torno de 160
mmHg ao nível do mar. Nesta pressão, a molécula que transporta o oxigênio
aos tecidos, a hemoglobina, encontra-se praticamente saturada (98%). À medida
que aumenta a pressão, como a hemoglobina está já saturada, uma quantidade
significativa de oxigênio não é consumida e entra em solução física no plasma
sanguíneo. Se essa exposição se prolonga, pode produzir, em longo prazo, uma
intoxicação pelo oxigênio. Os seres humanos, na superfície terrestre, podem
respirar 100% de oxigênio de forma contínua durante 24-36 horas sem nenhum
risco. Após esse período, sobrevém a intoxicação pelo oxigênio (efeito de Lorrain-
Smith). Os sintomas de toxicidade pulmonar são principalmente a dor no peito
(retroesternal) e a tosse seca. A pressões superiores a 2 (duas) atmosferas, o oxigênio
produz toxicidade cerebral, podendo provocar convulsões. A susceptibilidade à
convulsão varia consideravelmente de um indivíduo para outro. A administração
de anticonvulsivantes pode evitar as convulsões por oxigênio, mas não reduz a
lesão cerebral ou da medula espinhal. (GRUPO PREVINE, 2010).

Durante a prática do mergulho, é exigida cuidadosa compressão e


descompressão, de acordo com as tabelas do Anexo nº 6 da NR-15. O trabalho
sob condições de alta pressão somente é permitido para trabalhadores maiores
de 18 (dezoito) e menos de 45 (quarenta e cinco) anos de idade. Antes de cada
jornada de trabalho, os trabalhadores deverão ser inspecionados pelo médico,
sendo que o trabalhador não poderá sofrer mais de uma compressão num
período de 24 horas. A duração do período de trabalho sob ar comprimido não
poderá ser superior a 8 horas, em pressões de trabalho de 0 a 1,0 kgf/cm², a 6
horas em pressões de trabalho de 1,1 a 2,5 kgf/cm², e a 4 horas, em pressão de
trabalho de 2,6 a 3,4 kgf/cm². Nenhum trabalhador pode ser exposto à pressão
superior a 3,4 kgf/cm². Após a descompressão, os trabalhadores são obrigados
a permanecer, no mínimo, por duas horas, no local de trabalho, cumprindo
um período de observação médica. Como é possível a ocorrência de necrose
óssea, especialmente nos ossos longos, é também obrigatória a realização
de radiografias de articulações da coxa e do ombro, por ocasião do exame
admissional e posteriormente a cada ano. (GRUPO PREVINE, 2010).

3.2 HIPOBARISMO
A principal característica do trabalho em grandes altitudes é a diminuição
da quantidade de oxigênio disponível à nossa respiração. À medida que a altitude
aumenta, a atmosfera torna-se menos densa, e a pressão atmosférica diminui. A
5.000 m de altitude, a quantidade de oxigênio disponível para a nossa respiração
é de somente 50% do oxigênio disponível ao nível do mar.

86
TÓPICO 3 | RISCOS

FIGURA 21 – ALPINISMO EM GRANDES ALTITUDES

FONTE: Disponível em: <http://desnivel.pt/media/photos/curso-alpinismo-n2-01-2010.jpg>.


Acesso em: 8 nov. 2010.

Como efeito desta diminuição do oxigênio no sangue, temos a hipoxia,


que é um estado de baixo teor de oxigênio nos nossos tecidos. Nosso organismo
responde, adotando medidas compensatórias de adaptação fisiológica
(aclimatação), principalmente aumentando a frequência respiratória. A tolerância
à altura varia conforme cada indivíduo, e geralmente leva até dois ou três dias.
Todavia, a hipoxia grave pode exercer diversos efeitos nocivos para o organismo
humano. O órgão mais sensível à falta de oxigenação é o cérebro e os sintomas
mais comuns são a irritabilidade, a diminuição da capacidade motora e sensitiva,
alterações do sono, fadiga muscular, hemorragias na retina e, nos casos mais
graves, edema cerebral e edema agudo do pulmão. (GRUPO PREVINE, 2010).

4 RADIAÇÕES IONIZANTES E NÃO IONIZANTES

UNI

Íon: átomo ou molécula que se torna eletricamente carregado pelo ganho ou


perda de elétrons.

Radiação é a propagação de energia por meio de partículas ou ondas, e


que podem produzir variados efeitos sobre a matéria. Pode ser gerada por fontes
naturais (todos os corpos emitem radiação, basta estarem a uma determinada
temperatura) ou por dispositivos construídos pelo homem. Possui energia
variável, desde valores pequenos até valores muito altos.
87
UNIDADE 2 | SESMT, AGENTES AMBIENTAIS, RISCOS E LIMITES DE TOLERÂNCIA

FIGURA 22 – ESPECTRO ELETROMAGNÉTICO. EXEMPLO DE RADIAÇÕES

FONTE: Disponível em: <http://www.prof2000.pt/users/eta/Rad_Ion.htm>. Acesso em: 8 nov.


2010.

Como exemplos de radiações eletromagnéticas, temos a luz, o micro-


ondas, radar, raio laser, raios X, ondas de rádio AM e FM, entre outros.

Já a radiação em forma de partículas, com massa, carga elétrica e magnética


são os feixes de elétrons, feixes de prótons, radiação alfa e radiação beta.

4.1 RADIAÇÕES IONIZANTES


Radiação ionizante é a radiação que possui energia suficiente para
ionizar átomos ou moléculas. A ionização se deve ao fato de as radiações
possuírem energia alta o suficiente para quebrar as ligações químicas ou
expulsar elétrons dos átomos após colisões.

As radiações ionizantes são provenientes de materiais radioativos


como é o caso dos raios alfa (a), beta (b) e gama (g), ou são produzidas
artificialmente em equipamentos, como é o caso dos raios X.

Há muitos efeitos das radiações sobre os seres vivos, e estes são bem
complexos. As pesquisas sobre estes efeitos visam, em geral, correlacionar
fatores tais como dose recebida, energia, tipo de radiação, tipo de tecido,
órgãos atingidos etc. Diferentes tecidos reagem de diferentes formas às
radiações ionizantes. Alguns tecidos são mais sensíveis que outros, como

88
TÓPICO 3 | RISCOS

os do sistema linfático e hematopoiético (medula óssea) e do epitélio


intestinal, que são fortemente afetados quando irradiados, enquanto outros,
como os musculares e neuronais, possuem baixa sensibilidade às radiações.
(SCHARBELE; SILVA, 2010).

As radiações ionizantes são as que têm o poder de ejetar os elétrons


orbitais dos átomos de C, H, O e N. A energia da radiação pode ser transferida
para o DNA modificando sua estrutura, o que caracteriza o efeito direto.
Efeitos indiretos ocorrem em situações em que a energia é transferida para uma
molécula intermediária (água, por exemplo) cuja radiólise acarreta a formação
de produtos altamente reativos, capazes de lesar o DNA. (SCHARBELE;
SILVA, 2010).

Há várias consequências das radiações para os humanos, dependendo


dos órgãos e sistemas atingidos. De um modo geral os efeitos são divididos
em efeitos somáticos e efeitos hereditários.

Os efeitos somáticos surgem de danos nas células do corpo e


apresentam-se apenas em pessoas que sofreram a irradiação, não interferindo
nas gerações posteriores.

Os efeitos que ocorrem logo após (poucas horas a semanas) uma


exposição aguda são chamados de imediatos. Os efeitos que aparecem depois
de anos ou décadas são chamados tardios.

A gravidade dos efeitos somáticos dependerá basicamente da dose


recebida e da região atingida. Isso se deve ao fato de que diferentes regiões do
corpo reagem de formas diferentes ao estímulo da radiação.

Os efeitos somáticos tardios são difíceis de distinguir, pois demoram


a aparecer e não se sabe ao certo se a patologia se deve à exposição radioativa
ou ao processo de envelhecimento natural do ser humano. Por esta razão a
identificação dos efeitos tardios causados pelas radiações só pode ser feita em
situações especiais.

Efeitos hereditários: os efeitos hereditários ou genéticos surgem


somente no descendente da pessoa irradiada, como resultado de danos por
radiações em células dos órgãos reprodutores, as gônadas.

Os perigos da radioatividade começaram a ser vistos a partir da


explosão das bombas atômicas em Hiroshima e Nagasaki. Mais recentemente,
vimos a contaminação radioativa do acidente de Chernobyl, na ex-União
Soviética, hoje Ucrânia, que, com sua nuvem radioativa, contaminou muitos
países europeus, e, no Brasil, tivemos o incidente com o Césio 137 em Goiânia.
(SANTOS et al., 2000).
89
UNIDADE 2 | SESMT, AGENTES AMBIENTAIS, RISCOS E LIMITES DE TOLERÂNCIA

FIGURA 23 – MAPA DA CONTAMINAÇÃO NA EUROPA PELO ACIDENTE EM CHERNOBYL

FONTE: Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Chernobyl_radiation_map_1996.


svg>. Acesso em: 10 nov. 2010.

4.2 RADIAÇÕES NÃO IONIZANTES


Ao contrário da radiação ionizante, este tipo de radiação não possui
energia suficiente para provocar ionização (arrancar elétrons dos átomos). Porém,
este tipo de radiação pode quebrar moléculas e ligações químicas.

90
TÓPICO 3 | RISCOS

FIGURA 24 – EFEITOS BIOLÓGICOS DA RADIAÇÃO LASER

FONTE: Disponível em: <http://www.mundogeo.com.br/revistas-interna.php?id_noticia=7931>.


Acesso em: 18 nov. 2010.

Os efeitos nos organismos dessas radiações não são menos perigosos pelo
fato de não provocarem ionizações, pois elas não atuam só em nível atômico,
como acontece com radiações ionizantes, mas também em nível molecular, como
acontece com a radiação ultravioleta (UV) quando interage com a molécula de
DNA (ácido desoxirribonucleico). (SCHARBELE; SILVA, 2010).

Podemos citar alguns problemas causados nos organismos pelas radiações


não ionizantes: queimaduras, catarata, fluxo de íons (que causa alterações na
síntese de DNA e na transcrição do RNA), alterações no sistema imunológico e
câncer. (ELBERN, 2010).

Utilização da radiação: preservação de alimentos (a radiação ionizante


mata as bactérias ou reduz seu metabolismo ou razão produtiva), inspeções
radiográficas (raios x nas malas em aeroportos, scanners relocáveis para inspeção
de caminhões e contêineres), medidores nucleares industriais (controlar
processos de produção), radiografia industrial (controle de qualidade em peças
e equipamentos), captores radioativos (para-raios), radioterapia (destruição de
células cancerígenas), raios x (diagnósticos médicos), medicina nuclear (usa
compostos radioativos para obter informação diagnóstica e de tratamentos de
doenças), aquecimentos através de micro-ondas.

91
UNIDADE 2 | SESMT, AGENTES AMBIENTAIS, RISCOS E LIMITES DE TOLERÂNCIA

5 TEMPERATURA EXTREMA (FRIO E CALOR)


Muitos trabalhadores passam grande parte do dia em locais cuja
temperatura não é favorável ao nosso organismo. Funcionários de siderúrgicas,
cerâmicas, fábricas de vidros, padarias, frigoríficos, peixarias etc. frequentemente
enfrentam condições adversas de frio e calor, que representam certos perigos
para a sua segurança e saúde.

O nosso local de trabalho deve ser agradável, seja ele um escritório, uma
fábrica, ou qualquer outro local. O trabalhador precisa encontrar neste ambiente
condições capazes de lhe proporcionar o máximo de proteção e, ao mesmo tempo,
satisfação no trabalho.

A temperatura é um fator que devemos tomar o maior cuidado, quando


se busca criar condições ambientais de trabalho. Existem temperaturas que nos
dão sensação de conforto, enquanto outras podem ser prejudiciais, levando
inclusive à morte.

5.1 TRABALHO EM TEMPERATURAS ELEVADAS


Segundo Laville, citado por Santos (2010), durante o trabalho físico em
temperaturas elevadas, é visto que a capacidade muscular se reduz, o rendimento
do trabalhador cai e sua atividade mental se altera, apresentando perturbação da
coordenação sensório-motora. A taxa de erros e acidentes tende a aumentar, pois
o nível de vigilância diminui, principalmente a partir de 30ºC. (SANTOS, 2010).

A seguir, listamos alguns problemas ligados à saúde do trabalhador, quando


ele está trabalhando em locais com temperaturas elevadas (SANTOS, 2010):

• insolação;
• erupção da pele;
• cãibras e problemas cardio-circulatórios;
• distúrbios psiconeuróticos;
• catarata e conjuntivite;
• dermatites.

Algumas recomendações para os trabalhadores, cujo ambiente de trabalho


possui altas temperaturas (SANTOS, 2010):

• isolamento das fontes de calor;


• roupas e óculos adequados de calor por radiação;
• pausas para repouso;
• reposição hídrica adequada – beber pequenas quantidades de líquidos (0,25l/
vez) frequentemente;
• ventilação natural. Sempre que as condições de conforto térmico não forem
atendidas, recomenda-se a adoção de ventilação artificial.

92
TÓPICO 3 | RISCOS

5.2 TRABALHO EM TEMPERATURAS BAIXAS


Os danos à saúde do trabalhador, neste caso, apresentam relação direta
com o tempo de exposição e as condições de proteção corporal. Devemos
ter cuidado também com os choques térmicos, que podem ocorrer quando o
organismo é exposto a uma variação brusca da temperatura.

As baixas temperaturas podem provocar em nosso organismo:

• feridas;
• rachaduras e necrose na pele;
• enregelamento: ficar congelado, devido à má circulação sanguínea;
• agravamento de doenças reumáticas;
• predisposição para acidentes, pois há redução da atividade motora como a
destreza e a força, e da capacidade de pensar e julgar;
• tremores, alucinações e inconsciência;
• predisposição para doenças das vias respiratórias.

Para o controle das ações nocivas das temperaturas extremas ao


trabalhador é necessário que se tomem medidas de:

• proteção coletiva: isolamento das fontes de calor/frio;


• proteção individual: fornecimento de EPI (ex.: avental, bota, capuz, luvas
especiais para trabalhar no frio).

6 INFRASSOM E ULTRASSOM
São as ondas sonoras que se situam abaixo (infrassom) e acima (ultrassom)
da nossa faixa de frequência auditiva.

6.1 INFRASSONS
O infrassom pode ser gerado por processos naturais, tais como terremoto,
ruptura vulcânica, ventos, grandes ondas oceânicas e cataratas ou por processo
de explosão, ondas sônicas e equipamentos de refrigeração e aquecimento. O
ultrassom pode ser gerado por processos industriais tais como limpeza, soldagem
de plástico, entre outros. (GERGES, 2010).

Os infrassons atuam em diferentes regiões do organismo e seus efeitos são


variáveis, conforme a frequência da onda.

Em frequências de 16 Hz e com grande energia (140 dB ou mais) acontece


um afundamento do tórax, que se manifesta por uma sensação de constrição no
peito e tosse.

93
UNIDADE 2 | SESMT, AGENTES AMBIENTAIS, RISCOS E LIMITES DE TOLERÂNCIA

Já frequências ainda mais baixas, na ordem de 3 a 6 Hz são capazes de


provocar efeitos mais acentuados no organismo dos trabalhadores, mesmo com
amplitude de onda baixa. Como efeitos em nosso organismo, podemos citar
deslocamento de segmentos corporais, alterações da motricidade da musculatura
lisa e efeitos principalmente nos membros superiores (cotovelos, articulações de
mãos e dedos).

Equipamentos manuais vibrantes provocam problemas do tipo: ósteo-


articulares (artrose do cotovelo, necrose dos ossos dos dedos, descolamentos
anatômicos), musculares e neurológicos (alteração da sensibilidade tátil).

6.2 ULTRASSONS
O ultrassom é bastante visível na natureza. Certos animais como morcegos,
golfinhos e mariposas usam-no para locomover-se, encontrar alimentos e
conseguem fugir do perigo através das ondas ultrassônicas que eles próprios
emitem. Com a observância destes animais, desenvolveu-se a ideia do sonar
(radar). (PÉCORA; GUERISOLI, 2010).

Como o ultrassom se situa fora da faixa audível para os humanos, podemos


utilizá-lo com intensidades altas.

Como exemplos de aplicações de ultrassom de alta intensidade, temos a


terapia médica, atomização de líquidos, limpeza por cavitação, ruptura de células
biológicas, solda e homogeneização de materiais. (PÉCORA; GUERISOLI, 2010).

Já o ultrassom de baixa intensidade tem como propósito transmitir


a energia através de um meio e com isso obter informações do mesmo. Como
exemplos dessas aplicações podemos citar: ensaio não destrutivo de materiais,
medida das propriedades elásticas dos materiais e diagnose médica. (PÉCORA;
GUERISOLI, 2010).

A seguir segue uma listagem dos efeitos que o ultrassom pode causar no
organismo humano. (PÉCORA; GUERISOLI, 2010).

O ultrassom pode elevar a temperatura do tecido do corpo humano, em


um nível local. As mudanças biológicas devidas a isso seriam as mesmas se a
elevação fosse provocada por outro agente. A taxa de absorção do ultrassom
aumenta com sua frequência.

Outro efeito possível numa aplicação ultrassônica está associada à


cavitação, termo usado para descrever a formação de cavidades ou bolhas no
meio líquido, contendo quantidades variáveis de gás ou vapor. No caso de células
biológicas ou macromoléculas em suspensão aquosa, o ultrassom pode alterá-las
estruturalmente e/ou funcionalmente através da cavitação.

94
TÓPICO 3 | RISCOS

A pressão negativa no tecido durante a rarefação pode fazer com que os


gases dissolvidos ou capturados se juntem para formar bolhas. O colapso dessas
bolhas libera energia que pode romper as ligações moleculares, provocando o
aparecimento de radicais livres H+ e OH-, altamente reativos e, como consequência,
causar mudanças químicas.

Outro efeito biológico que pode ocorrer é devido às denominadas


“forças de radiações” que podem deslocar, distorcer e/ou reorientar partículas
intercelulares, ou mesmo células com relação às suas configurações normais.

6.2.1 NORMAS RELACIONADAS À VIBRAÇÃO E CHOQUE


NO CORPO HUMANO
Temos a Norma ISO 2631 – Guia para avaliação da exposição humana
a vibrações de corpo inteiro, que é aprovada pelo governo brasileiro e está
incluída na NR15, em seu Anexo 8. Esta norma tem como objetivos facilitar a
avaliação e comparação de dados nesta área e proporcionar um guia provisório
sobre os níveis aceitáveis de exposição à vibração de corpo inteiro. Os limites
propostos na Norma Internacional devem se constituir num meio-termo entre
os dados disponíveis e os que deveriam satisfazer as necessidades de aplicações
gerais. Estes limites são definidos explicitamente em termos numéricos para
evitar ambiguidade e possibilitar, na prática, a sua medição precisa. Entretanto,
ao usar estes critérios-limites, é importante ter em mente as restrições colocadas
à sua aplicação.

FIGURA 25 – MEDIDOR DE VIBRAÇÕES NO CORPO HUMANO

FONTE: Disponível em: <http://www.lari.ufsc.br/publicacoes/cipa_270.pdf>. Acesso em: 13 nov.


2010.

95
UNIDADE 2 | SESMT, AGENTES AMBIENTAIS, RISCOS E LIMITES DE TOLERÂNCIA

Segundo estas normas, existem três tipos de exposição humana à vibração:

a) Vibrações transmitidas simultaneamente à superfície total do corpo e/ou


a partes substanciais dele. Isto acontece quando o corpo está imerso em
um meio vibratório. Há circunstâncias em que isto é de interesse prático,
por exemplo, quando ruídos de alta intensidade no ar ou na água excitam
vibrações no corpo.

b) Vibrações transmitidas ao corpo como um todo através de superfícies de


sustentação, como os pés de um homem em pé, ou as nádegas de um homem
sentado, ou a área de sustentação de um homem recostado. Este tipo de
vibração é comum em veículos, em construções em movimento vibratório e
nas proximidades de maquinário de trabalho.

c) Vibrações aplicadas a partes específicas do corpo, como cabeça e membros.


Exemplos destas vibrações ocorrem por meio de cabos, pedais ou suportes
de cabeça, ou por grande variedade de ferramentas e instrumentos manuais.

7 RISCOS QUÍMICOS
Os produtos químicos estão presentes na natureza e tem sido extraídos
e utilizados desde o princípio da civilização humana para os mais diversos
fins. Esta utilização vem aumentando ao longo dos tempos e crescendo
significativamente com a industrialização, quando começou também, de forma
importante, a produção de substâncias sintéticas. Esta evolução, que nos trouxe
avanços importantes e decisivos, também teve impacto marcante no ambiente
e na saúde das populações da Terra, em função da poluição e da contaminação
delas decorrente. (BRASIL, 2006).

GRÁFICO 1 – ACIDENTES NO ESTADO DE SÃO PAULO, ENTRE OS ANOS DE 1978 E 1999

FONTE: Disponível em: <http://www.cepis.ops-oms.org/tutorial1/p/centcola/index.html>.


Acesso em: 19 nov. 2010.

96
TÓPICO 3 | RISCOS

GRÁFICO 2 – ACIDENTES NO ESTADO DE SÃO PAULO, ENTRE OS ANOS 1978 E 1999,


CONFORME A CLASSE DOS PRODUTOS QUÍMICOS

FONTE: Disponível em: <http://www.cepis.ops-oms.org/tutorial1/p/centcola/index.html>.


Acesso em: 18 nov. 2010.

Nos dias de hoje, o setor químico é o terceiro maior setor industrial do


mundo e emprega aproximadamente 10 milhões de pessoas. É também um
dos mais diversificados, produzindo uma grande variedade de substâncias e
produtos, desde substâncias químicas básicas para a produção de pesticidas,
solventes, aditivos e produtos farmacêuticos, até matérias-primas ou produtos
acabados que participam nas mais diversas etapas dos processos produtivos de
praticamente todas as cadeias produtivas existentes. (BRASIL, 2006).

Segundo o Programa Internacional de Segurança Química (IPCS),


existem mais de 750.000 substâncias conhecidas no meio ambiente, sendo
de origem natural ou resultado da atividade humana. Cerca de 70.000 são
cotidianamente utilizadas pelo homem, sendo que aproximadamente 40.000 em
significantes quantidades comerciais (IPCS e IRPTC, 1992). Desse total, calcula-
se que apenas cerca de 6.000 substâncias possuam uma avaliação considerada
como minimamente adequada sobre os riscos ao homem e ao meio ambiente.
Acrescente- se a este quadro a capacidade de inovação tecnológica no ramo
químico, que não só vem complexificando os sistemas tecnológicos de produção,
como colocando disponíveis no mercado a cada ano entre 1.000 e 2.000 novas
substâncias. (PORTO; FREITAS, 1997).

UNI

Leia o relatório do Greenpeace sobre os venenos domésticos, isto é, substâncias


químicas perigosas presentes no nosso lar. Disponível em: <http://www.greenpeace.org.br/
toxicos/pdf/venenodomestico_sumexec.pdf>. Acesso em: 15 nov. 2010.

97
UNIDADE 2 | SESMT, AGENTES AMBIENTAIS, RISCOS E LIMITES DE TOLERÂNCIA

O nosso convívio com as substâncias químicas, nos dias de hoje, é


obrigatória e permanente, sendo especialmente importante para os funcionários
envolvidos em processos produtivos que direta ou indiretamente utilizem estas
substâncias, em razão dos danos à saúde e ao ambiente que podem resultar de sua
aplicação. O risco e o perigo que estão relacionados com as substâncias químicas
devem ser trabalhados nas suas várias dimensões entre as quais se destacam: o
potencial de dano do produto, as condições ambientais e do trabalho em que as
atividades se desenvolvem e o histórico conhecido daquela realidade e de outras
semelhantes, a partir dos dados epidemiológicos produzidos e do conhecimento
científico existente. (BRASIL, 2006).

Os riscos existentes que estão relacionados à exposição a substâncias


químicas são muito complexos, e requerem aprofundamento para sua
contextualização em função das dificuldades de se correlacionar as dimensões
referidas anteriormente, em particular (BRASIL, 2006):

• As medições atmosféricas de concentrações de produtos em volume apenas


expressam potencialidades de contato e de contaminação, não sendo retrato da
realidade.

• Há interação entre os agentes químicos e o corpo humano onde as reações


adversas ou de homeostase ocorrem de acordo com padrões em que a
viabilidade é dada, como regra, pela suscetibilidade individual.

• É possível estabelecer padrões de reação em relação ao tipo de efeito órgão-


alvo, quanto maior a exposição, maiores os efeitos em termos epidemiológicos.

• Entretanto, em termos individuais, a reação é medida por variáveis cíclicas e


constantes, relativas ao histórico de vida e patrimônio genético dos indivíduos,
e a regra, também aqui, é sempre a variabilidade.

• Os limites de tolerância não são capazes de dar conta destas variações e


mantêm uma margem de falhas que comprometem seu uso como instrumento
para prevenção de danos à saúde.

O reconhecimento e a análise destes riscos relacionados a agentes


químicos são atividades que devemos priorizar para qualificar a intervenção
da saúde do trabalhador: quem não reconhece não pode avaliar e prevenir o
risco. Quem melhor conhece o ambiente e os riscos a que está submetido é o
trabalhador e sua percepção é fundamental em todas as ações que envolvam
sua saúde. (BRASIL, 2006).

98
TÓPICO 3 | RISCOS

7.1 FORMAS DE CONTAMINAÇÃO


É através da respiração que as substâncias químicas mais
frequentemente penetram no nosso organismo. Durante a respiração, o ar
entra em nosso organismo através do nariz, e com ele podem vir várias
substâncias presentes no ambiente. Os danos que estas substâncias podem
causar vão depender do tipo de substância que estamos respirando.
Algumas poderão provocar irritação logo no nariz e na garganta, outras
podem provocar dor e pressão no peito e outras podem ir até o pulmão. As
substâncias que chegam ao pulmão podem causar problemas no local onde
elas ficam, como é o caso da sílica e do amianto que provocam a silicose
e a asbestose que são doenças pulmonares graves. Estas substâncias são
normalmente duras e não se dissolvem em água. Outras substâncias que
vão até o pulmão, podem ou não provocar algum problema aí, mas também
podem passar para o sangue e são levadas para outras partes do corpo. É o
caso do benzeno, por exemplo. Quando nós respiramos benzeno, ele chega
até o pulmão, passa para o sangue que carrega este produto químico até a
nossa medula óssea, que é o lugar onde nosso sangue é produzido. Aí pode
provocar vários tipos de danos. (FREITAS, 2010).

Temos também a forma de contaminação pela pele, que pode ser de duas
maneiras: através do contato direto ou penetrando nela. Se a substância, por
exemplo, for um ácido corrosivo, ela poderá provocar queimaduras diretamente
na pele. Outras substâncias têm a capacidade de penetrar na pele: elas entram
na corrente sanguínea e o sangue as leva para outras partes do corpo do mesmo
jeito que na respiração. Neste caso, o dano vai depender do tipo de substância.
Algumas, como o benzeno, provocam dano na produção do sangue. Outras
provocam problemas nos rins, ou fígado, ou coração, ou outra parte do corpo.
Como nossa pele é razoavelmente resistente, a quantidade de substância que
penetra pela pele é menor, em geral, do que a que penetra pela respiração.
(FREITAS, 2010).

Outros tipos de substâncias agem diretamente em nossos olhos,


provocando irritação ou mesmo um efeito corrosivo, como, por exemplo, o
álcool metílico (metanol) que, quando cai no olho, pode provocar cegueira.
(FREITAS, 2010).

UNI

Deixar alimentos expostos ou se alimentar no local de trabalho, fumar com as


mãos sujas com óleo ou graxa, ou que estiveram em contato com produtos químicos são
meios de contaminação.

99
UNIDADE 2 | SESMT, AGENTES AMBIENTAIS, RISCOS E LIMITES DE TOLERÂNCIA

Através do sistema digestivo também podemos sofrer contaminação


química, isto é, pela boca. Em geral isto ocorre acidentalmente, por contaminação
quando se tem o hábito de comer, beber ou fumar no ambiente de trabalho, ou
devido a formas inadequadas de trabalho, como a prática que ainda se vê em
alguns laboratórios onde o trabalhador faz transferência de líquidos, sifonando-
os (chupando-os) com a boca. É o que ocorre também, quando se chupa gasolina
do carro com um tubinho de plástico. Neste caso a substância pode provocar
queimadura ou irritação já na boca, ou no caminho entre a boca e o estômago.
Algumas não provocam estes tipos de problema nestes locais, mas vão ser
levadas, pelo sangue, para outras partes do corpo. É por isso que, depois de
tomarmos alguma bebida alcoólica, ela é absorvida, o sangue carrega o álcool
até o nosso sistema nervoso e ficamos com os sintomas de bebedeira: tontura,
euforia, mudança de personalidade e muitas vezes uma grande dor de cabeça.
(FREITAS, 2010).

7.2 LIMITES DE TOLERÂNCIA


A fim de que a exposição do organismo dos trabalhadores aos agentes
ambientais não cause intoxicações ocupacionais, devemos respeitar certos limites
de exposição, compatíveis com a manutenção da saúde do trabalhador. Estes
limites estão disponíveis no Quadro I, do Anexo 11 da NR 15, e são denominados
limites de tolerância.

UNI

Consulte a NR15, em seu Anexo 11, que trata da insalubridade por


produtos químicos.

No Brasil 136 substâncias químicas, apresentando Limites de Tolerância,


estão listadas na NR-15. Já nos EUA existem 690 substâncias listadas pelo ACGIH
– Conferência Governamental Americana de Higienistas Industriais.

Estas listas de Limites de Tolerância estabelecem o valor máximo


para as concentrações dos agentes no ambiente, valores estes que se aplicam
exclusivamente para as condições de trabalho dentro de certos limites, isto é,
são válidos para regimes de trabalho de 8 horas diárias ou 40 horas semanais.
Baseiam-se estes valores máximos em estudos epidemiológicos e toxicológicos
ou em informações obtidas através de exposições acidentais aos agentes em
níveis extremamente elevados. Até o presente as tabelas existentes cobrem
apenas agentes químicos e físicos, e os limites estão sujeitos às revisões anuais,
podendo ser alterados em funções de novas informações sobre os agentes. Além
100
TÓPICO 3 | RISCOS

de se aplicarem exclusivamente a ambientes de trabalho, os Limites de Tolerância


devem ser usados somente como orientação no controle de agentes que oferecem
risco à saúde. (WEBER, 2010).

Em nenhuma hipótese devem ser encarados como linha divisória


entre situações seguras. Em alguns casos os Limites de Tolerância podem ser
ultrapassados durante um certo tempo em quantidades estipuladas na tabela.
Em outros, são concentrações-teto que não devem ser excedidas em nenhuma
circunstância. Existem indicações especiais a esse respeito na tabela, como também
sobre as substâncias que podem ser absorvidas pela pele. (WEBER, 2010).

7.3 CONTAMINANTES ATMOSFÉRICOS


São chamados contaminantes atmosféricos os produtos químicos
presentes na atmosfera do ambiente de trabalho ou do ambiente externo. Para
efeito da legislação trabalhista, é considerada somente a atmosfera do ambiente
de trabalho.

Os contaminantes fisicamente são classificados como aerodispersoides,


gases e vapores. Para facilitar a compreensão costuma-se considerar que um
agente químico pode estar presente no ambiente de trabalho como poeira, fumo,
névoa, neblina, vapor e gás, ou seja, forma aérea dispersa.

A via respiratória é inegavelmente a mais importante por ser a mais


frequente. Isto se deve ao fato de que a maior parte dos agentes químicos encontra-
se suspensa ou dispersa na atmosfera ambiente, em forma de poeiras, gases ou
vapores. Além do mais uma grande quantidade de ar é respirada diariamente
pelos trabalhadores. Durante as 8 (oito) horas diárias de trabalho de um indivíduo,
este respira em média cerca de 8 metros cúbicos de ar.

7.3.1 CLASSIFICAÇÃO FISIOLÓGICA DOS CONTAMINANTES


ATMOSFÉRICOS
Os agentes químicos podem ser classificados segundo a forma que
atuam no nosso organismo. Como a maioria destes contaminantes encontra-se
em dispersão no ar, trataremos dos efeitos fisiológicos resultantes da absorção
através das vias respiratórias.

Porém, quando um agente químico é classificado como irritante das


mucosas do aparelho respiratório, podemos esperar que ele possua ação
semelhante sobre as outras mucosas do ser humano, especialmente sobre a pele.

101
UNIDADE 2 | SESMT, AGENTES AMBIENTAIS, RISCOS E LIMITES DE TOLERÂNCIA

7.3.1.1 IRRITANTES
Estes produtos químicos possuem uma ação corrosiva, produzindo
inflamação nos tecidos com os quais entram em contato. Eles atuam principalmente
sobre as mucosas das vias respiratórias, tecidos de revestimentos epiteliais, como
a pele e os olhos. (WEBER, 2010).

Como exemplo de produtos químicos irritantes, temos o cloro, o ozônio,


o iodo, a amônia, algumas poeiras alcalinas, ácido sulfídrico (H2S), entre outros.

7.3.1.2 ASFIXIANTES
É através da redução da quantidade de oxigênio no ar que estes produtos
químicos podem provocar a asfixia. Alguns também interferem no processo de
absorção do oxigênio no sangue ou nos tecidos.

Podemos citar os gases metano, o nitrogênio, o monóxido e o dióxido de


carbono, gás sulfídrico, hélio, entre outros.

7.3.1.3 NARCÓTICOS
Estes agentes químicos atuam através de uma ação depressiva sobre o
sistema nervoso central, produzindo efeito anestésico após terem sido absorvidos
pelo sangue. Exemplos: éter etílico, acetona e éter isopropílico.

7.3.1.4 INTOXICANTES SISTÊMICOS


Estes compostos químicos têm o poder de causar intoxicações agudas
ou crônicas. Estas lesões podem ser nos órgãos (hidrocarbonetos halogenados),
no sistema formador de sangue (hidrocarbonetos aromáticos), compostos que
afetam o sistema nervoso (alcoóis metílico e etílico, dissulfeto de carbono e éteres
de ácidos orgânicos), compostos tóxicos inorgânicos e metais tóxicos (sais de
cianuretos, fluoretos e compostos de arsênio, fósforo, enxofre etc.).

8 RISCOS BIOLÓGICOS
Os agentes biológicos são os microrganismos que causam doenças ao
trabalhador, através do contato durante o exercício de suas atividades profissionais.
Segundo a NR-9, temos vários exemplos de microrganismos que causam doenças:
vírus, bactérias, parasitas, fungos e bacilos. Eles causam doenças principalmente em
médicos, enfermeiros, funcionários de hospitais, sanatórios e laboratórios de análise
biológica, lixeiros, açougueiros, lavradores, tratadores de gado, trabalhadores de
curtume e estações de tratamento de esgoto etc. (WEBER, 2010).
102
TÓPICO 3 | RISCOS

FIGURA 26 – REPRESENTAÇÃO GRÁFICA DOS RISCOS BIOLÓGICOS

FONTE: Disponível em: <http://farm4.static.flickr.com/3083/2812356390_d537c746d3.jpg>.


Acesso em: 18 nov. 2010.

Entre as inúmeras doenças profissionais provocadas por microrganismos


incluem-se: tuberculose, brucelose, malária, febre amarela. Para que essas doenças
possam ser consideradas doenças profissionais é preciso que haja exposição do
funcionário a estes microrganismos.

Como esses microrganismos se adaptam melhor e se reproduzem mais


em ambientes sujos, as medidas preventivas a tomar são: rigorosa higiene dos
locais de trabalho, do corpo e das roupas; destruição por processos de elevação
da temperatura (esterilização) ou uso de cloro; uso de equipamentos individuais
para evitar contato direto com os microrganismos; ventilação permanente e
adequada; controle médico constante, e vacinação, sempre que possível.

Verificamos a presença dos microrganismos através da retirada de


amostras de ar, da água e do ambiente de trabalho, que serão encaminhadas
para laboratórios especializados para fazerem as análises. Infelizmente, devido
às dificuldades para realizar estas coletas e análises, não há limites de tolerância
definidos para os riscos biológicos.

9 RISCOS ERGONÔMICOS
A ergonomia ou engenharia humana é uma ciência relativamente recente
que estuda as relações entre o homem e seu ambiente de trabalho e é definida
pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) como “A aplicação das ciências
biológicas humanas em conjunto com os recursos e técnicas da engenharia para
alcançar o ajustamento mútuo, ideal entre o homem e o seu trabalho, e cujos
resultados se medem em termos de eficiência humana e bem-estar no trabalho”
(CIPA-VEM, 2008).

103
UNIDADE 2 | SESMT, AGENTES AMBIENTAIS, RISCOS E LIMITES DE TOLERÂNCIA

Ou, resumindo, ergonomia significa “Estudo das leis do trabalho”. Aplica-


se ao projeto de máquinas, equipamentos, sistemas e tarefas, para melhorar a
segurança, saúde, conforto e eficiência no trabalho.

UNI

Ergonomia é a adaptação do trabalho ao ser humano.

O trabalho, para ser realizado, depende de uma série de fatores, segundo


Odebrecht (2010):

• físicas: características dos instrumentos, máquinas, ambiente do posto de


trabalho (ruído, calor, poeiras, perigos diversos);

• temporais: em especial os horários de trabalho;

• organizacionais: procedimentos prescritos, ritmos impostos, de um modo


geral, “conteúdo” do trabalho;

• das condições subjetivas características do operador: saúde, idade, formação; e

• das condições sociais: remuneração, qualificação, vantagens sociais, segurança


de emprego, em certos casos condições de alojamento e de transporte, relações
com a hierarquia etc.

Sell (1994, 2002) apud Odebrecht (2010) relaciona as características do


trabalho:

• O trabalho deve ser realizável: as cargas provenientes da tarefa e da situação de


trabalho não podem ultrapassar os limites individuais do trabalhador, como,
por exemplo, o alcance dos membros, a velocidade de reação, as capacidades
sensoriais etc.

• O trabalho deve ser suportável ao longo do tempo: o trabalhador deve poder


executar a tarefa durante o tempo necessário, diariamente, e se for o caso,
durante toda uma vida profissional, sem sofrer danos por isso.

• O trabalho deve ser pertinente na sociedade onde é executado.

• O trabalho deve trazer satisfação para o trabalhador: existe a possibilidade de


uma pseudossatisfação do trabalhador, simplesmente por ter-se acostumado
à ideia de que seu trabalho (realizável, suportável e pertinente) não pode

104
TÓPICO 3 | RISCOS

ser modificado. A aceitação de um trabalho por parte do indivíduo pode ser


influenciada pela estrutura da tarefa, pelo treinamento, pelo ambiente, pelas
relações interpessoais etc.

• O trabalho deve promover o desenvolvimento pessoal do indivíduo: a pessoa deve


adquirir novas qualificações e não perder suas habilidades e capacidades de
tarefas monótonas e repetitivas.

O desenvolvimento atual da ergonomia pode ser caracterizado segundo


quatro níveis de exigências:

• as exigências tecnológicas: as novas técnicas de produção impõem novas


formas de organização do trabalho;

• as exigências organizacionais: gestão participativa, trabalho em times e


produção enxuta, em células – impõe maior capacitação e polivalência...;

• as exigências econômicas: qualidade e custo de produção impõem novas


condicionantes às atividades de trabalho (zero: defeitos, desperdício, estoque...);

• as exigências sociais: melhoria das condições de trabalho e do meio ambiente.

No Brasil, a ergonomia está prevista na NR17. Ela estabelece parâmetros


que permitem a adaptação das condições de trabalho às características
psicofisiológicas dos trabalhadores, de modo a proporcionar um máximo de
conforto, segurança e desempenho eficiente. As condições de trabalho, segundo
esta NR, incluem aspectos relacionados ao levantamento, transporte e descarga
de materiais, ao mobiliário, aos equipamentos e às condições ambientais dos
postos de trabalho, e à própria organização do trabalho.

A ergonomia, quando aplicada nas diversas áreas industriais, tem


como objetivo obter segurança e satisfação e principalmente o bem-estar dos
colaboradores em seu relacionamento com o sistema produtivo, reduzindo desta
forma o número de casos de doenças ocupacionais.

Em uma empresa, a ergonomia, ao estudar a relação homem x trabalho,


analisa e avalia principalmente os seguintes itens:

• mobiliário;
• iluminação;
• organização;
• equipamentos;
• ferramentas;
• temperatura do ambiente;
• vestimentas;
• velocidade de deslocamento do ar, entre outras.

105
UNIDADE 2 | SESMT, AGENTES AMBIENTAIS, RISCOS E LIMITES DE TOLERÂNCIA

A causa de inúmeros problemas ergonômicos é a má postura adotada pelos


trabalhadores, e que pode ser exemplificada como problemas musculares que
provocam dores fortes e insuportáveis, e problemas como cifose e hiperlordose.

UNI

 Cifose: vulgarmente chamada “corcundez”.



 Hiperlordose: aumento da curva na região lombar.

Outra causa de grandes problemas ergonômicos são os esforços repetitivos


(LER – Lesão por Esforços Repetitivos). Estes podem ser divididos em dois
grupos, de acordo com o ciclo de repetição:

• trabalho repetitivo: ciclo ≤ 2 minutos;


• trabalho altamente repetitivo: ciclo ≤ 30 segundos.

É através da caracterização dos esforços repetitivos que podemos


avaliar um determinado posto de trabalho e os movimentos que o colaborador
realiza durante sua jornada de trabalho. Se, por intermédio desta avaliação, o
profissional de segurança chegar à conclusão de que aquele posto de trabalho
exige do colaborador inúmeros movimentos idênticos na sua jornada e não
fizer nada para amenizar a situação, sem sombra de dúvidas, as consequências
para este colaborador e tantos outros que realizam a mesma atividade serão
as piores possíveis.

As lesões por esforços repetitivos são danos decorrentes da utilização


excessiva, imposta ao sistema músculo-esquelético, e da falta de tempo para
recuperação. Caracterizam-se pela ocorrência de vários sintomas concomitantes
ou não, de aparecimento insidioso, geralmente nos membros superiores, tais como
dor, parestesia, sensação de peso e fadiga. Abrangem quadros clínicos do sistema
músculo-esquelético adquiridos pelo trabalhador submetido a determinadas
condições de trabalho. (MAENO, 2006).

UNI

 A grafia correta é LER/DORT.

106
TÓPICO 3 | RISCOS

O mais conhecido problema advindo de esforços repetitivos é hoje


chamado de DORT ou Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho.

Conforme Kuorinka e Forcier (1995) apud Maeno (2006, p.10), os grupos


de fatores de risco das LER/DORT podem ser relacionados com:

a) O posto de trabalho: embora as dimensões do posto de trabalho não causem


distúrbios musculoesqueléticos por si, elas podem forçar o trabalhador a adotar
posturas, a suportar certas cargas e a se comportar de forma a causar ou agravar
afecções musculoesqueléticas. Ex.: mouse com fio curto demais, obrigando o
trabalhador a manter o tronco para frente sem encosto e o membro superior
estendido; reflexos no monitor atrapalham a visão, o que obriga o trabalhador
a permanecer em determinada postura do corpo e da cabeça para vencer esta
dificuldade.

b) Exposição a vibrações. As exposições a vibrações de corpo inteiro, ou do


membro superior, podem causar efeitos vasculares, musculares e neurológicos.

c) Exposição ao frio. A exposição ao frio pode ter efeito direto sobre o tecido
exposto e indireto pelo uso de equipamentos de proteção individual contra
baixas temperaturas (ex.: luvas).

d) Exposição a ruído elevado. Entre outros efeitos, a exposição a ruídos elevados


pode produzir mudanças de comportamento.

e) A pressão mecânica localizada. A pressão mecânica provocada pelo contato


físico de cantos retos ou pontiagudos de objetos, ferramentas e móveis com
tecidos moles de segmentos anatômicos e trajetos nervosos provocando
compressões de estruturas moles do sistema musculoesquelético.

f) Posturas. As posturas que podem causar afecções musculoesqueléticas:

 posturas extremas que podem forçar os limites da amplitude das articulações.


Ex.: ativação muscular para manter certas posturas, postura de pronação do
antebraço;
 a força da gravidade impondo aumento de carga sobre os músculos e outros
tecidos. Ex.: ativação muscular do ombro;
 posturas que modificam a geometria musculoesquelética e podem gerar
estresse sobre tendões, músculos e outros tecidos e/ou reduzir a tolerância
dos tecidos. Ex.: desvio do trajeto de um tendão por contato do punho,
diminuição da perfusão tecidual quando o membro superior direito está
acima da altura do coração, efeito da flexão/ extensão e pronação/ supinação
do cotovelo.

g) A carga mecânica musculoesquelética. A carga musculoesquelética pode ser


entendida como a carga mecânica exercida sobre seus tecidos e inclui:

107
UNIDADE 2 | SESMT, AGENTES AMBIENTAIS, RISCOS E LIMITES DE TOLERÂNCIA

tensão
 (ex.: tensão do bíceps);
pressão
 (ex.: pressão sobre o canal do carpo);
fricção (ex.: fricção de um tendão sobre a sua bainha);

irritação (ex.: irritação de um nervo).

10 RISCOS DE ACIDENTES
Também são conhecidos como riscos mecânicos. Os riscos de acidentes
são todos os fatores que colocam em perigo o trabalhador, podendo afetá-lo
fisicamente ou psicologicamente. Os Riscos de Acidentes ocorrem em função
das condições físicas do ambiente, do processo de trabalho e técnicas impróprias
capazes de provocar lesões no trabalhador. (VALCANAIA, 2010).

São considerados como riscos geradores de acidentes: arranjo físico


deficiente; máquinas e equipamentos sem proteção; ferramentas inadequadas
ou defeituosas; eletricidade; incêndio ou explosão; animais peçonhentos;
armazenamento inadequado; possibilidade de incêndio ou explosão; fatores
psicológicos dos trabalhadores; falta de informação e treinamento. (SAÚDE E
SEGURANÇA, 2010; VALCANAIA, 2010).

Arranjo físico deficiente é resultante de: prédios com área insuficiente,


iluminação deficiente, localização imprópria de máquinas e equipamentos,
má arrumação e limpeza, sinalização incorreta ou inexistente, pisos fracos e/
ou irregulares.

São consideradas máquinas e equipamentos sem proteção: máquinas


obsoletas; máquinas sem proteção em pontos de transmissão e de operação;
comando de liga/desliga fora do alcance do operador; máquinas e equipamentos
com defeitos ou inadequados; EPI inadequado ou não fornecido.

São ferramentas inadequadas ou defeituosas: ferramentas usadas de forma


incorreta; falta de fornecimento de ferramentas adequadas; falta de manutenção.

Estes riscos podem causar desgaste físico excessivo, acidentes graves,


fadiga, problemas visuais, curtos-circuitos, choques elétricos, incêndio,
queimaduras, acidentes fatais, acidentes por estocagem de materiais sem
observação das normas de segurança, acidentes por animais peçonhentos,
acidentes principalmente com repercussão nos membros superiores e inferiores e
acidentes e doenças profissionais.

108
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico, vimos que:

• Riscos são a probabilidade de um evento (esperado ou não) se tornar realidade.


Vimos também que a NR9 (Programa de Prevenção de Riscos Ambientais)
considera que riscos (ambientais) são aqueles que podem causar dano à saúde
do trabalhador, em função da sua natureza, concentração ou intensidade e
tempo de exposição.

• Os riscos (ambientais) são divididos em 5 (cinco) categorias: físicos, químicos,


biológicos, ergonômicos e de acidentes.

• Dentre os riscos físicos, podemos citar os seguintes agentes:


• ruído;
• vibração;
• pressão anormal;
• radiações ionizantes ou não ionizantes;
• temperatura extrema (frio ou calor);
• infrassom e ultrassom.

109
AUTOATIVIDADE

Prezado(a) acadêmico(a): associe os agentes listados a seguir com


a sua categoria de risco (pode haver mais de um risco associado
a cada trabalho):

I – Riscos físicos
II – Riscos químicos
III – Riscos biológicos
IV – Riscos ergonômicos
V – Riscos de acidentes

( ) Trabalho com furadeiras industriais


( ) Corte de carnes no açougue de um supermercado
( ) Mergulhador que faz soldas a 20 m de profundidade
( ) Operador de raios x em um hospital
( ) Trabalhador de usina nuclear
( ) Trabalhador de um frigorífico
( ) Operador de forno numa usina
( ) Frentista num posto de gasolina
( ) Frentista num posto de GNV (Gás Natural Veicular)
( ) Laboratorista de produtos químicos
( ) Laboratorista numa clínica de exames sanguíneos
( ) Limpador de chaminés
( ) Bombeiro
( ) Atendente de pronto-socorro
( ) Atendente de telemarketing

110
UNIDADE 2
TÓPICO 4

LIMITES DE TOLERÂNCIA

1 INTRODUÇÃO
Segundo a NR15, Atividades e Operações Insalubres, temos a seguinte
definição:
Entende-se por Limite de Tolerância a concentração ou intensidade
máxima ou mínima, relacionada com a natureza e o tempo de
exposição do agente, que não causará dano à saúde do trabalhador,
durante a sua vida laboral.

UNI

Para um bom acompanhamento deste tópico, tenha em mãos uma cópia


da NR15, que pode ser obtida através do site do MTE – Ministério do Trabalho e Emprego.

A mesma NR15 lista todas as atividades ou operações insalubres.


Algumas insalubridades advêm de atividades ou operações que se dão acima dos
limites de tolerância (que estão previstas nos Anexos 1, 2, 3, 5, 11 e 12 desta NR),
nas atividades mencionadas nos Anexos 6, 13 e 14, e, por fim, as atividades dos
Anexos 7, 8, 9 e 10 devem ser comprovadas através de laudos de inspeção dos
locais de trabalho.

O exercício em condições de insalubridade do trabalho, desde que de


acordo com o que foi disposto anteriormente, assegura ao trabalhador, um
adicional em relação ao salário mínimo da região (as empresas estão adotando o
salário mínimo da categoria, aprovado pelo sindicato), de 10, 20 ou 40%, conforme
o grau desta insalubridade.

Vale frisar também que este pagamento de insalubridade cessa a partir do


momento que se adotem medidas de ordem geral que conservem o ambiente de
trabalho dentro dos limites de tolerância ou que se forneçam os EPIs adequados.

Os limites de exposição são valores de referência, tolerados como


admissíveis, para fins de exposição ocupacional. Para determinar estes valores,

111
UNIDADE 2 | SESMT, AGENTES AMBIENTAIS, RISCOS E LIMITES DE TOLERÂNCIA

são utilizados estudos epidemiológicos, analogia química e experimentação


científica. (SESI, 2008).

Estudo epidemiológico é o principal método para correlacionar a


exposição aos agentes químicos com efeitos produzidos sobre os trabalhadores,
demandando muito tempo para se obter resultados significativos (15 – 20 anos).

Analogia química é um método de extrapolação toxicológica de


substâncias pertencentes a uma mesma família, porém o nível de confiança
não é satisfatório, pois é sabido que as substâncias podem apresentar respostas
toxicológicas diferentes.

Experimentação resulta dos testes com seres vivos ou utilização de


humanos resultantes da exposição acidental. As experiências com animais
possibilitam determinar o nível de toxicidade, mas dificultam as correlações
confiáveis entre animais e seres humanos.

2 LIMITE DE TOLERÂNCIA PARA RUÍDOS

2.1 RUÍDO CONTÍNUO OU INTERMITENTE


Os níveis de ruído contínuo ou intermitente devem ser medidos em
decibéis (dB), com instrumento de nível de pressão sonora operando no circuito
de compensação “A” e circuito de resposta lenta (slow). As leituras devem ser
próximas ao ouvido do trabalhador. (NR15, 2011).

Os tempos de exposição não devem exceder aos limites de tolerância


fixados no Quadro 1, da NR15.

O MTE, através da FUNDACENTRO – Fundação Jorge Duprat


Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho – publicou a sua Norma
NHO 01 – Norma de Higiene Ocupacional – Procedimento Técnico – avaliação
da exposição ocupacional ao ruído contínuo ou intermitente e impacto.
(FUNDACENTRO, 2010).

112
TÓPICO 4 | LIMITES DE TOLERÂNCIA

FIGURA 27 – MODELO DE DECIBELÍMETRO

FONTE: Disponível em: <http://www.impac-tec.com/decibelimetro/rs232/decibelimetro-


SL4012-lutron.htm>. Acesso em: 29 nov. 2010.

2.2 RUÍDO DE IMPACTO


O ruído de impacto é aquele que apresenta picos de energia acústica de
duração inferior a (1) um segundo, a intervalos superiores a 1 (um) segundo.

Segundo a NR15 (2011), em seu Anexo 2, os níveis de impacto deverão ser


avaliados em decibéis (dB), com medidor de nível de pressão sonora operando
no circuito linear e circuito de resposta para impacto. As leituras devem ser feitas
próximas ao ouvido do trabalhador. O limite de tolerância para ruído de impacto
será de 130 dB (linear). Nos intervalos entre os picos, o ruído existente deverá ser
avaliado como ruído contínuo.

3 LIMITE DE TOLERÂNCIA PARA EXPOSIÇÃO AO CALOR


A exposição ao calor deve ser avaliada através do “Índice de Bulbo Úmido
– Termômetro de Globo” (IBUTG). Esta medição deverá ser feita utilizando-se os
seguintes aparelhos: termômetro de bulbo úmido natural, termômetro de globo e
vtermômetro de mercúrio comum.

113
UNIDADE 2 | SESMT, AGENTES AMBIENTAIS, RISCOS E LIMITES DE TOLERÂNCIA

FIGURA 28 – EXEMPLO DE TERMÔMETRO DE GLOBO

FONTE: Disponível em: <http://www.unimetro.com.br/loja/produtos.


asp?produto=209&Lan=English>. Acesso em: 29 nov. 2010.

As medições devem ser feitas no local onde permanece o trabalhador, à


altura da região do corpo mais atingida.

Em função do índice IBUTG obtido, e do tipo de atividade do trabalhador,


serão adotados períodos de descanso nas atividades, conforme o Quadro nº1, do
Anexo 3 da NR15.

4 LIMITE DE TOLERÂNCIA PARA RADIAÇÕES IONIZANTES


Nas atividades ou operações onde os trabalhadores possam ser expostos
a radiações ionizantes, os limites de tolerância, os princípios, as obrigações e
controles básicos para a proteção do homem e do seu meio ambiente, contra
possíveis efeitos indevidos causados pela radiação ionizante, são os constantes da
Norma CNEN-NE-3.01: “Diretrizes Básicas de Radioproteção”, de julho de 1988,
aprovada, em caráter experimental, pela Resolução CNEN nº 12/88, ou daquela
que venha a substituí-la. (BRASIL, 2010).

114
TÓPICO 4 | LIMITES DE TOLERÂNCIA

5 LIMITE DE TOLERÂNCIA PARA CONDIÇÕES HIPERBÁRICAS


Este item trata dos trabalhos sob ar comprimido e dos trabalhos submersos.

O trabalho sob ar comprimido é o trabalho efetuado em ambientes onde o


trabalhador é obrigado a suportar pressões maiores que a atmosférica e onde se
exige cuidadosa descompressão.

UNI

A descompressão é adotada para evitar a embolia gasosa, uma obstrução dos


vasos sanguíneos causada pela brusca expansão do nitrogênio, um dos gases presentes
nos tanques de ar dos mergulhadores.

O Anexo nº 6, da NR15, traz um longo detalhamento sobre a descompressão,


com muitas tabelas práticas.

6 LIMITES DE TOLERÂNCIA PARA RADIAÇÕES NÃO IONIZANTES


As operações ou atividades que exponham o trabalhador às radiações
não ionizantes (para esta NR: micro-ondas, ultravioletas e laser), sem proteção
adequada, serão consideradas insalubres, desde que comprovada por laudo de
inspeção realizada no local de trabalho.

As atividades ou operações que exponham os trabalhadores às


radiações da luz negra (ultravioleta na faixa de 400 a 320 nm) não serão
consideradas insalubres.

7 LIMITES DE TOLERÂNCIA PARA VIBRAÇÕES


Serão consideradas insalubres as atividades ou operações que exponham
os trabalhadores, sem a proteção adequada, às vibrações localizadas ou de corpo
inteiro, se caracterizadas através de perícia realizada no local de trabalho.

A perícia, visando à comprovação ou não da exposição, deve tomar por


base os limites de tolerância definidos pela Organização Internacional para a
Normalização – ISO –, em suas normas ISO 2631 e ISO/DIS 5349 ou suas substitutas.

115
UNIDADE 2 | SESMT, AGENTES AMBIENTAIS, RISCOS E LIMITES DE TOLERÂNCIA

8 LIMITES DE TOLERÂNCIA PARA O FRIO


Em decorrência do laudo de inspeção realizada no local de trabalho,
serão consideradas insalubres as atividades ou operações executadas no interior
de câmaras frigoríficas, ou em locais que apresentam condições semelhantes,
expondo os trabalhadores ao frio, sem a proteção adequada.

9 LIMITES DE TOLERÂNCIA PARA A UMIDADE


As atividades ou operações executadas em locais alagados ou encharcados,
com umidade excessiva, sendo capazes de provocar danos à saúde do trabalhador,
serão considerados insalubres em decorrência de laudo de inspeção realizada no
local de trabalho.

10 AGENTES QUÍMICOS CUJA INSALUBRIDADE É


CARACTERIZADA POR LIMITE DE TOLERÂNCIA E INSPEÇÃO
NO LOCAL DE TRABALHO
Através do Quadro 1, da NR15 podemos verificar quais as operações
ou atividades nas quais os trabalhadores ficam expostos a agentes químicos,
caracterizando-se a insalubridade quando ultrapassar os limites de tolerância
expostos naquele quadro.

Todos os valores que são apresentados neste quadro são válidos para
absorção apenas por via respiratória, com exceção dos marcados na coluna
“absorção também pela pele”, que podem ser absorvidos, por via cutânea,
portanto exigindo-se o uso do EPI correto em sua manipulação.

A concentração destes agentes químicos é avaliada através de métodos de


amostragem instantânea, de leitura direta ou não, e deverão ser feitas no mínimo
10 amostragens, para cada ponto, ao nível respiratório do trabalhador.

11 LIMITES DE TOLERÂNCIA PARA POEIRAS MINERAIS


Neste caso estão enquadrados os seguintes minerais:

• asbesto (também denominado amianto);


• manganês e seus compostos;
• sílica livre cristalizada (presente, entre outros lugares, no jateamento de areia).

Cada um destes minerais possui uma legislação específica, que pode ser
conferida no Anexo nº 12, da NR15.

116
TÓPICO 4 | LIMITES DE TOLERÂNCIA

12 LIMITES DE TOLERÂNCIA PARA AGENTES QUÍMICOS


Aqui estão relacionadas as atividades e operações, envolvendo agentes
químicos, consideradas insalubres em decorrência de inspeção realizada no local
de trabalho.

Os agentes químicos contemplados são:

• arsênico;
• carvão;
• chumbo;
• cromo;
• fósforo;
• hidrocarbonetos e outros compostos de carbono;
• mercúrio;
• silicatos;
• benzeno;
• cádmio;
• outras operações diversas, listadas no Anexo 15-A, da NR15.

13 LIMITES DE TOLERÂNCIA PARA AGENTES BIOLÓGICOS


No Anexo nº 14, da NR15, está a relação das atividades que envolvem
agentes biológicos, cuja insalubridade é caracterizada pela avaliação qualitativa.

Como exemplo de algumas destas atividades, podemos citar: trabalho em


contato permanente com pacientes em isolamento por doenças infectocontagiosas,
bem como objetos de seu uso, não esterilizados, esgotos (galerias e tanques),
lixo urbano (coleta e industrialização), laboratórios de análise clínica, cemitério
(exumação de corpos) etc.

117
UNIDADE 2 | SESMT, AGENTES AMBIENTAIS, RISCOS E LIMITES DE TOLERÂNCIA

LEITURA COMPLEMENTAR

TECNÓLOGO EM SEGURANÇA NO TRABALHO: SEU FUTURO NAS


EMPRESAS

Francisco Chagas C. Santos

Sempre pairou certa dúvida e incerteza quanto ao futuro da função


de Tecnólogo em Segurança no Trabalho. Os formandos em Tecnologia em
Segurança do Trabalho se perguntam: Teremos uma oportunidade de mostrar
nossos conhecimentos adquiridos durante o curso? Como as empresas estão
vendo esta questão?

Na minha visão, de aproximadamente 15 anos atuando na área de


segurança do trabalho em duas empresas de grande porte e mais de vinte anos
em outras funções que incluem as áreas de produção e qualidades, acredito que
haja espaço para esses profissionais.

Não quero neste artigo entrar no mérito dos questionamentos, já


demonstrado por categorias como a dos técnicos de segurança do trabalho, e,
também, do atual posicionamento do CREA sobre esta questão. É até natural este
debate. A propósito, participei no dia 9 de junho recentemente de um workshop
no congresso de Segurança do Trabalho da PREVENSUL, cujo tema foi “Situação
dos Cursos de Engenharia de Segurança e Formação de Tecnólogos em Segurança
do Trabalho, promovido pela APS - Associação Paranaense de Segurança do
Trabalho. O que este evento apresentou de novidade, além da confirmação de que
o Projeto de Lei que está no Congresso Nacional para discussão e aprovação tem o
apoio do Ministro da Educação e do Presidente do CONFEA – Conselho Federal
de Engenharia e Arquitetura –, foi a constatação de que a Câmara de Segurança
do Trabalho do CREA de Santa Catarina já está discutindo as atribuições para os
tecnólogos em segurança do trabalho, por entender que a regularização de curso
dar-se-á muito em breve.

Como profissional de segurança do trabalho, com visão bem abrangente


da aplicação da segurança do trabalho e que entende que esta atividade deve ser
praticada formal e sistematicamente por toda a liderança de uma empresa e não
apenas pelos profissionais do SEST, apego-me a esta visão, vendo que o tecnólogo
de segurança pode ter as seguintes oportunidades nas empresas:

• Na área de segurança do trabalho, em empresas onde não há obrigatoriedade


da contratação de um Engenheiro de Segurança do Trabalho, conforme prevista
na NR-4 e em empresas de consultorias.

Neste contexto, em empresas o Tecnólogo em Segurança do Trabalho


preencheria uma lacuna na gestão da segurança do trabalho, influenciando as
demais lideranças para sua prática no âmbito de toda a corporação. O(s) técnico(s)

118
TÓPICO 4 | LIMITES DE TOLERÂNCIA

de segurança sozinho(s) não consegue(m), na minha visão, este desafio. Também


em empresas de consultoria esta mão de obra seria bem aceita.

• Em outras áreas das empresas, recrutado pela sua afinidade com essas. Neste
outro contexto, o Tecnólogo em Segurança do Trabalho contribuiria com
seu aprendizado e visão de segurança no trabalho para a consolidação desta
tendência global: da gestão de segurança do trabalho ser, de fato, praticada
de modo formal e sistemático por todos os funcionários de uma organização,
principalmente pelas lideranças. Por esse ângulo, ele seria de grande
importância em empresas que se propõem a implementar programa de SMS –
Segurança, Meio Ambiente e Saúde e OHSAS 18001.

Assim, esta perspectiva acerca do mercado para os Tecnólogos em


Segurança do Trabalho marcaria o fim das dúvidas e questionamentos atuais e,
além disso, proporcionaria também mais uma oportunidade para os Engenheiros
de Segurança do Trabalho atuarem em médias e grandes corporações, em
departamentos diferentes do SESMT, para funções idênticas àquelas já sugeridas
neste artigo aos Tecnólogos em Segurança do Trabalho.

Com esta visão, posso afirmar que os questionamentos das pessoas


desavisadas acerca de possíveis conflitos com as funções de Engenheiro e Técnico
de Segurança do Trabalho que poderiam ser criados pela introdução no mercado
de trabalho dos Tecnólogos em Segurança do Trabalho seriam anulados pelas
definições de suas atribuições pelas Câmaras de Segurança do Trabalho dos
Conselhos Regionais de Engenharia e Arquitetura de todo o Brasil.

Considerando as oportunidades visualizadas acima, as empresas


poderiam estimular os funcionários que possuem a graduação em engenharia
a buscarem uma pós-graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho e
aqueles que não possuem a graduação em engenharia a buscarem a graduação
em Tecnologia em Segurança do Trabalho. Isto, sem sombra de dúvidas, viria
contribuir em muito para a viabilização de processo de gestão de segurança
na corporação. Isto, diga-se de passagem, sem colocar em risco o mercado de
trabalho dos Técnicos em Segurança do Trabalho. Pelo contrário, neste contexto,
tanto os Técnicos quanto os Engenheiros de Segurança seriam beneficiados, pois
teriam oportunidades também em outras áreas, sendo multiplicadores de seus
conhecimentos em segurança n o trabalho.
FONTE: SANTOS, Francisco Chagas C. Tecnólogo em Segurança no Trabalho: seu futuro nas
empresas. Revista Gestão e Saúde, Curitiba, v.1, n.1, p. 32-33, 2009. Disponível em: <http://www.
herrero.com.br/revista/Edicao%203%20Artigo%205.pdf>. Acesso em: 13 dez. 2010.

119
RESUMO DO TÓPICO 4
Neste tópico, você viu que:

• Limite de tolerância é a concentração ou intensidade máxima ou mínima


relacionada com a natureza e o tempo de exposição do agente, que não causará
dano à saúde do trabalhador, durante a sua vida laboral.

• Encontramos na NR15 uma lista de todas as atividades insalubres. Quando


alguém trabalha em condições insalubres, ganha um adicional de insalubridade,
conforme o grau de insalubridade. Se o empregador conseguir cessar esta
insalubridade, cessará também este pagamento.

120
AUTOATIVIDADE

Prezado(a) acadêmico(a), responda às seguintes questões:

1 Por que há, na medição de ruídos, dois circuitos de respostas para


esta medição?

2 Pesquise como fazer um termômetro para medir a umidade, com


recursos simples.

3 Descreva quais os limites de tolerância para o trabalho em locais


frios e em locais quentes.

121
122
UNIDADE 3

INSPEÇÃO PRÉVIA, MAPA DE RISCOS


E CIPA

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
A partir desta unidade você será capaz de:

• definir como é realizada a inspeção prévia nas instalações;

• construir e avaliar mapas de risco;

• saber como funciona uma CIPA.

PLANO DE ESTUDOS
Esta unidade está dividida em três tópicos. No final de cada um deles
você encontrará atividades que o(a) auxiliarão a fixar os conhecimentos
abordados.

TÓPICO 1 – INSPEÇÃO PRÉVIA

TÓPICO 2 – MAPA DE RISCOS

TÓPICO 3 – CIPA

123
124
UNIDADE 3
TÓPICO 1

INSPEÇÃO PRÉVIA

1 INTRODUÇÃO
A inspeção prévia está contemplada na NR2. Ela estabelece as situações
em que os estabelecimentos deverão solicitar ao MTE – Ministério do Trabalho
e do Emprego – a realização da inspeção prévia em seus estabelecimentos, bem
como a forma de sua realização.

Esta norma tem sua existência jurídica assegurada, em nível de legislação


ordinária, nos artigos 160 e 161 da CLT. (SESI, 2008).

2 INSPEÇÃO PRÉVIA
Ao iniciar um novo empreendimento, ou fazer sua expansão, ou trocas
de maquinários, será necessário protocolar um pedido na Delegacia Regional
de Trabalho, a fim de que seja verificada a instalação e assegurado seu início de
atividades livre de riscos de acidentes e/ou de doenças de trabalho.

Caso o estabelecimento seja reprovado nesta inspeção prévia, ele fica


sujeito ao impedimento de suas atividades, conforme estabelecido no artigo
160, da CLT. Este impedimento segue até que sejam cumpridas as exigências
legais.

A contratação de um engenheiro para fazer esta inspeção pode trazer


economia para a empresa, além de evitar acidentes. Este profissional irá apontar
os defeitos reais da edificação, fornecendo um laudo técnico, que servirá
de parâmetro para a solicitação de orçamentos. Agindo desta forma, serão
eliminados os riscos já no início do funcionamento do empreendimento. Este
laudo apontará, além dos problemas da edificação, soluções e especificações
técnicas. É importante que este engenheiro tenha cursos específicos nesta área
de conhecimento.

125
UNIDADE 3 | INSPEÇÃO PRÉVIA, MAPA DE RISCOS

QUADRO 1 – MODELO DE CADASTRO DE APROVAÇÃO DAS INSTALAÇÕES

MINISTÉRIO DO TRABALHO
SECRETARIA DE SEGURANÇA E MEDICINA DO TRABALHO

DELEGACIA_____________________________
DRT ou DTM

CERTIFICADO DE APROVAÇÃO DE INSTALAÇÕES


CAI nº________________

O DELEGADO REGIONAL DO TRABALHO OU DELEGADO DO TRABALHO


MARÍTIMO, diante do que consta no processo DRT ____________ em que é interessada
a firma__________________________________ resolve expedir o presente Certificado de
Aprovação de Instalações – CAI – para o local de trabalho, sito na _______________________
______________nº __________, na cidade de ______________________________ neste Estado.
Nesse local serão exercidas atividades __________________________________________ por
um máximo de _____________________ empregados. A expedição do presente Certificado
é feita em obediência ao Art. 160 da CLT com a redação dada pela Lei nº 6.514, de 22.12.77,
devidamente regulamentada pela NR 02 da Portaria nº 35 de 28 e não isenta a firma de
posteriores inspeções, a fim de ser observada a manutenção das condições de segurança e
medicina do trabalho previstas na NR.

Nova inspeção deverá ser requerida, nos termos do § 1o do citado Art. 160 da CLT,
quando ocorrer modificação substancial nas instalações e/ou nos equipamentos de seu(s)
estabelecimento(s).

_______________________________
Diretor da Divisão ou Chefe da Seção
de Segurança e Medicina do Trabalho

____________________________
Delegado Regional do Trabalho
ou do Trabalho Marítimo

FONTE: NR2 (2011)

Este relatório deve ser feito por um Técnico ou por um Engenheiro de


Segurança, porém a responsabilidade técnica deste deve ser assinada somente
pelo Engenheiro de Segurança.

126
TÓPICO 1 | INSPEÇÃO PRÉVIA

Após a correção dos itens apontados, este deve ser encaminhado à DRT,
que então emitirá um CAI (Certificado de Aprovação de Instalações), que deverá
ser mantido num lugar visível dentro da corporação.

3 DECLARAÇÃO DAS INSTALAÇÕES


A organização também poderá encaminhar à DRT uma declaração das
instalações do empreendimento novo, a qual poderá ou não ser aceita pelo órgão,
para fins de fiscalização, caso não haja a possibilidade de se realizar a inspeção
prévia antes de o estabelecimento iniciar suas atividades.

QUADRO 2 – MODELO DA DECLARAÇÃO DE INSTALAÇÕES

FONTE: NR2 (2011)

127
RESUMO DO TÓPICO 1

Neste tópico, você viu que:

• A Inspeção Prévia estabelece as situações em que as empresas deverão solicitar


ao MTE a realização de inspeção prévia em seus estabelecimentos, bem como a
forma de sua realização. A fundamentação legal, ordinária e específica, que dá
embasamento jurídico à existência desta NR, é o artigo 160 e 161 da CLT.

• A inspeção prévia e a declaração de instalações previstas na NR 2 constituem


os elementos capazes de assegurar que o novo estabelecimento inicie suas
atividades livre de riscos de acidentes e/ou de doenças do trabalho.

• A empresa que não atender ao disposto naqueles itens fica sujeita ao


impedimento de seu funcionamento, conforme estabelece o artigo 160 da CLT,
até que seja cumprida a exigência deste artigo.

128
AUTOATIVIDADE

1 Qual das NRs trata da Inspeção Prévia?

2 Somente ao iniciar uma nova instalação deverá ser solicitada


esta Inspeção ao DRT?

3 O que acontece se o empreendimento for reprovado nesta


inspeção?

4 O que é e quando pode ser utilizada a Declaração das


Instalações?

129
130
UNIDADE 3
TÓPICO 2

MAPA DE RISCOS

1 INTRODUÇÃO
O mapa de riscos é uma demonstração gráfica do conjunto de fatores que
estão presentes nos locais de trabalho, que são capazes de acarretar prejuízos à
saúde do trabalhador. Estes fatores se originam nos diversos elementos do processo
de trabalho (materiais, equipamentos, processos, instalações, suprimentos e nos
espaços de trabalho, onde ocorrem as transformações, e da forma de organização
do trabalho (arranjo físico, ritmo de trabalho, método de trabalho, turnos de
trabalho, postura de trabalho, treinamentos etc.). (MATTOS; FREITAS, 1994).

2 AVALIAÇÕES DE RISCO
Os mapas de riscos provêm das avaliações dos riscos, as quais constituem
um conjunto de procedimentos que tem o objetivo de estimar o potencial de danos
à saúde ocasionados pela exposição de indivíduos a agentes ambientais. Estas
avaliações servem de subsídios para o controle e a prevenção dessa exposição.
Nos ambientes de trabalho, esses agentes podem estar relacionados a processos
de produção, produtos e resíduos. (HOKERBERG et al., 2006).

A obrigatoriedade da identificação dos riscos à saúde humana nos


ambientes de trabalho está contemplada na NR9, sendo que cabe à CIPA a
elaboração dos mapas de riscos ambientais. Este arranjo normativo é considerado
uma tentativa de garantir o controle social e a participação do trabalhador na
definição de suas condições e processos de trabalho. (HOKERBERG et al., 2006).

3 O MAPA DE RISCO
Foi na Itália, entre o final da década de 60 e o início da década de 70, que o
mapeamento de risco teve seu início, através de um movimento sindical que, na
época, desenvolveu um modelo próprio de atuação na investigação e controle das
condições de trabalho pelos trabalhadores. Este modelo tinha como premissas a
formação de grupos homogêneos, a experiência ou subjetividade dos operários,
a validação consensual, a não delegação, a qual possibilitava os trabalhadores a
participar nas ações de planejamento e controle da saúde nos locais de trabalho,
não delegando assim estas funções aos técnicos e valorizando a experiência e o
conhecimento operário existente. (MATTOS; FREITAS, 1994).

131
UNIDADE 3 | INSPEÇÃO PRÉVIA, MAPA DE RISCOS

Para que o ambiente de trabalho fique livre da nocividade que sempre


o acompanha, é necessário que as descobertas científicas neste
campo sejam socializadas, isto é, trazidas aos conhecimentos dos
trabalhadores de uma forma eficaz; é necessário que a classe operária
se aproprie delas e se posicione como protagonista na luta contra
as doenças, as incapacidades e as mortes no trabalho. Somente uma
real posição de hegemonia da classe operária diante dos problemas
da nocividade pode garantir as transformações que podem e devem
determinar um ambiente de trabalho adequado para o homem.
Somente a luta, uma ação sindical conduzida com precisos objetivos
reivindicatórios, com a conquista de um poder real dos trabalhadores
e do sindicato, é possível impor as modificações, sejam tecnológicas,
técnicas ou normativas, que possam anular ou reduzir ao mínimo
os riscos a que o trabalhador está exposto no local de trabalho.
(ODDONE et al., 1986).

Este modelo de mapa de risco se disseminou por todo o mundo e chegou


ao Brasil no início da década de 80.
Técnicos da Fundacentro de Minas Gerais foram designados para
estudar o método de trabalho e acompanhar os resultados. Após um
longo acompanhamento e a constatação dos resultados positivos,
eles começaram como agentes multiplicadores a ensinar esta técnica
por todo o país. Em São Paulo, graças aos esforços conjuntos da
Fundacentro, São Paulo, Delegacia Regional do Trabalho de Osasco
e Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco, que em 1982 patrocinaram
dois cursos com os técnicos de Minas Gerais, preparando 40 novos
instrutores de diversos ramos de atividades, aproximadamente 200
empresas já estão aplicando esta técnica com resultados positivos.
(ABRAHÃO, 1993).

A confecção dos mapas de risco tornou-se obrigatória para todas as


empresas do país que tenham CIPA, através da NR5.

De acordo com o 1º artigo desta NR, cabe às CIPAs a construção dos


mapas de riscos dos locais de trabalho. Utilizando os seus membros, a CIPA
deverá ouvir os trabalhadores de todos os setores da empresa, e poderá contar
com a colaboração do Serviço Especializado de Medicina e Segurança do Trabalho
(SESMT) da empresa, caso exista.

Os riscos deverão ser apresentados em uma planta baixa ou num esboço


do local de trabalho (croqui) e os tipos de riscos relacionados em tabelas próprias,
anexas à referida NR. Posteriormente, estes mapas deverão ser afixados em locais
visíveis em todas as seções para o conhecimento dos trabalhadores, e deverão
permanecer no local até uma nova gestão da CIPA, quando então os mesmos
deverão ser refeitos.

Conforme visto anteriormente neste caderno, temos cinco tipos de riscos


ambientais que serão representados no mapa de riscos. Cada um destes riscos
possui uma cor correspondente. Veja o quadro a seguir:

132
TÓPICO 2 | MAPA DE RISCOS

QUADRO 3 – GRUPOS DE RISCOS


Grupo Riscos Cor Exemplos
Ruído, vibração, calor, frio, pressão, umidade, radiações
1 Físicos Verde
ionizantes e não ionizantes, infrassons e ultrassom.
Poeiras, fumos, gases, vapores, névoas, neblinas,
2 Químicos Vermelho
substâncias compostas ou produtos químicos em geral.
3 Biológicos Marrom Fungos, vírus, parasitas, bactérias, protozoários e bacilos.
Esforço físico intenso, levantamento e transporte manual
de peso, exigência de postura inadequada, controle
rígido de produtividade, imposição de ritmos excessivos,
4 Ergonômicos Amarelo
trabalho em turno e noturno, jornadas de trabalho
prolongadas, monotonia e repetitividade e outras
situações causadoras de estresse físico e/ou psíquico.
Arranjo físico inadequado, iluminação inadequada,
probabilidade de incêndio e explosão, eletricidade,
5 Acidentes Azul
máquinas e equipamentos sem proteção, armazenamento
inadequado, quedas e animais peçonhentos.

FONTE: O autor

Ao se desenhar o mapa de riscos, classificamos em três graus estes riscos,


e o representamos em círculos de três tamanhos:

ATENCAO

Para que você tenha uma melhor visualização das figuras a seguir, sugiro que
você consulte o ambiente virtual de aprendizagem – AVA.

133
UNIDADE 3 | INSPEÇÃO PRÉVIA, MAPA DE RISCOS

Modelos de mapas de risco:

FIGURA 29 – MODELO SIMPLIFICADO DE MAPA DE RISCO

FONTE: Disponível em: <http://www.areaseg.com/sinais/mapaderisco.html>. Acesso em: 16


dez. 2010.

FIGURA 30 – MODELO DE MAPA DE RISCO COM SOBREPOSIÇÃO/ADIÇÃO DE RISCOS

FONTE: Disponível em: <http://protecaoradiologica.unifesp.br/download/GerRrisLab.pdf>.


Acesso em: 16 dez. 2010.
134
RESUMO DO TÓPICO 2

Neste tópico você viu que:

• O mapa de risco é um levantamento gráfico dos pontos de risco, nos diversos


setores da empresa. Com uma ligeira visualização do mapa, conseguimos
saber quais são as situações e os locais perigosos no setor ou na empresa.

• Este mapa consiste de plantas e/ou croquis dos ambientes de trabalho, e nele
são discriminadas as cinco classes de riscos (químicos, físicos, biológicos,
ergonômicos e de acidentes), se houver. Cada classe é representada por uma
cor específica e, conforme a gravidade, aumentamos ou diminuímos o tamanho
de sua representação.

• Quem tem a responsabilidade de sua elaboração é a CIPA, contando com o


auxílio dos funcionários daquele local de trabalho e do SESMT.

135
AUTOATIVIDADE

1 Qual a NR em que o mapa de risco está contemplado?

2 Qual cor devemos utilizar para representar os riscos químicos?

3 Qual cor devemos utilizar para representar o risco de uma


superfície quente?

4 Qual cor devemos utilizar para representar a utilização de


raios X industrial?

5 Qual cor devemos utilizar para representar trabalho em altura?

136
UNIDADE 3
TÓPICO 3

CIPA

1 INTRODUÇÃO
A CIPA (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes) é regida pela
Lei nº 6.514 de 22/12/77 e regulamentada pela NR5 do Ministério do Trabalho e
Emprego, e foi aprovada pela portaria nº 3.214 de 08/06/76, publicada no DOU de
29/12/94 e modificada em 15/02/95.

A CIPA é uma comissão composta por representantes do empregador e dos


empregados e tem como objetivo a prevenção de acidentes e doenças decorrentes
do trabalho, de modo a tornar compatível permanentemente o trabalho com a
preservação da vida e a promoção da saúde do trabalhador.

2 A CIPA

2.1 SUA CONSTITUIÇÃO E ORGANIZAÇÃO


Segundo a NR5 (2011), devem constituir CIPA, por estabelecimento, e
mantê-la em regular funcionamento, as empresas privadas, públicas, sociedades
de economia mista, órgãos da administração direta e indireta, instituições
beneficentes, associações recreativas, cooperativas, bem como outras instituições
que admitam trabalhadores como empregados.

A CIPA deverá ser composta de representantes do empregador e dos


empregados, de acordo com o Quadro nº1, da NR5 (2011). Alguns grupos
econômicos, quando disciplinados em atos normativos para setores econômicos
específicos, podem possuir outra representatividade.

Em sua composição, estão alocados representantes designados pelo


empregador e votados (por escrutínio secreto) pelos empregados. A duração
do mandato dos cipeiros é de 1 (um) ano, sendo permitida uma reeleição. Estes
cipeiros têm seu emprego garantido na empresa: é vedada a dispensa arbitrária
ou sem justa causa do empregado eleito para cargo de direção de Comissões
Internas de Prevenção de Acidentes desde o registro de sua candidatura até um
ano após o final de seu mandato. Também serão garantidas aos membros da
CIPA condições que não descaracterizem suas atividades normais na empresa,

137
UNIDADE 3 | INSPEÇÃO PRÉVIA, MAPA DE RISCOS

sendo vedada a transferência para outro estabelecimento sem a sua anuência,


ressalvado o disposto nos parágrafos primeiro e segundo do artigo 469, da CLT.

O empregador deverá garantir que seus indicados tenham a representação


necessária para a discussão e encaminhamento das soluções de questões de
segurança e saúde no trabalho analisadas na CIPA.

O empregador designará entre seus representantes o Presidente da CIPA, e


os representantes dos empregados escolherão entre os titulares o vice-presidente.
O secretário e seu substituto serão indicados, de comum acordo com os membros
da CIPA, entre os componentes ou não da comissão, sendo neste caso necessária
a concordância do empregador.

A posse dos membros da CIPA (eleitos e designados) será no primeiro


dia útil após o término do mandato anterior. Após esta posse, a empresa deverá
protocolizar, em até dez dias, cópia das atas de eleição e posse, bem como o
calendário anual das reuniões ordinárias. Uma vez protocolizada, a CIPA não
poderá ter seu número de representantes reduzido, bem como não poderá ser
desativada pelo empregador, antes do término do mandato de seus membros,
ainda que haja redução do número de empregados da empresa, exceto no caso de
encerramento das atividades do estabelecimento.

2.2 ATRIBUIÇÕES
Conforme a NR5 (2011), as atribuições da CIPA são as seguintes:

a) identificar os riscos do processo de trabalho e elaborar o mapa de riscos,


com a participação do maior número de trabalhadores, com assessoria
do SESMT, onde houver;

b) elaborar plano de trabalho que possibilite a ação preventiva na solução


de problemas de segurança e saúde no trabalho;

c) participar da implementação e do controle da qualidade das medidas de


prevenção necessárias, bem como da avaliação das prioridades de ação
nos locais de trabalho;

d) realizar, periodicamente, verificações nos ambientes e condições de


trabalho visando à identificação de situações que venham a trazer riscos
para a segurança e saúde dos trabalhadores;

e) realizar, a cada reunião, avaliação do cumprimento das metas fixadas em


seu plano de trabalho e discutir as situações de risco que foram identificadas;

138
TÓPICO 3 | CIPA

f) divulgar aos trabalhadores informações relativas à segurança e saúde no


trabalho;

g) participar, com o SESMT, onde houver, das discussões promovidas


pelo empregador, para avaliar os impactos de alterações no ambiente e
processo de trabalho relacionados à segurança e saúde dos trabalhadores;

h) requerer ao SESMT, quando houver, ou ao empregador, a paralisação


de máquina ou setor onde considere haver risco grave e iminente à
segurança e saúde dos trabalhadores;

i) colaborar no desenvolvimento e implementação do PCMSO e PPRA e de


outros programas relacionados à segurança e saúde no trabalho;

j) divulgar e promover o cumprimento das Normas Regulamentadoras, bem


como cláusulas de acordos e convenções coletivas de trabalho, relativas à
segurança e saúde no trabalho;

k) participar, em conjunto com o SESMT, onde houver, ou com o


empregador, da análise das causas das doenças e acidentes de trabalho e
propor medidas de solução dos problemas identificados;

l) requisitar ao empregador e analisar as informações sobre questões que


tenham interferido na segurança e saúde dos trabalhadores;

m) requisitar à empresa as cópias das CAT emitidas;

n) promover, anualmente, em conjunto com o SESMT, onde houver, a


Semana Interna de Prevenção de Acidentes do Trabalho – SIPAT;

o) participar, anualmente, em conjunto com a empresa, de Campanhas de


Prevenção da AIDS.

O empregador deve proporcionar aos membros da CIPA os meios


necessários ao desempenho de suas atribuições, garantindo tempo suficiente
para a realização das tarefas constantes no plano de trabalho.

139
UNIDADE 3 | INSPEÇÃO PRÉVIA, MAPA DE RISCOS

Cabe aos empregados:

a) participar da eleição de seus representantes;


b) colaborar com a gestão da CIPA;
c) indicar à CIPA, ao SESMT e ao empregador situações de riscos e
apresentar sugestões para melhoria das condições de trabalho;
d) observar e aplicar no ambiente de trabalho as recomendações quanto à
prevenção de acidentes e doenças decorrentes do trabalho.

Cabe ao Presidente da CIPA:

a) convocar os membros para as reuniões da CIPA;


b) coordenar as reuniões da CIPA, encaminhando ao empregador e ao
SESMT, quando houver, as decisões da comissão;
c) manter o empregador informado sobre os trabalhos da CIPA;
d) coordenar e supervisionar as atividades de secretaria;
e) delegar atribuições ao Vice-Presidente.

Cabe ao Vice-Presidente:

a) executar atribuições que lhe forem delegadas;


b) substituir o Presidente nos seus impedimentos eventuais ou nos seus
afastamentos temporários.

O Presidente e o Vice-Presidente da CIPA, em conjunto, terão as


seguintes atribuições:

a) cuidar para que a CIPA disponha de condições necessárias para o


desenvolvimento de seus trabalhos;
b) coordenar e supervisionar as atividades da CIPA, zelando para que os
objetivos propostos sejam alcançados;
c) delegar atribuições aos membros da CIPA;
d) promover o relacionamento da CIPA com o SESMT, quando houver;
e) divulgar as decisões da CIPA a todos os trabalhadores do estabelecimento;
f) encaminhar os pedidos de reconsideração das decisões da CIPA;
g) constituir a comissão eleitoral.

O Secretário da CIPA terá por atribuição:

a) acompanhar as reuniões da CIPA e redigir as atas apresentando-as para


aprovação e assinatura dos membros presentes;
b) preparar as correspondências; e
c) outras que lhe forem conferidas.

140
TÓPICO 3 | CIPA

2.3 FUNCIONAMENTO
Através de um calendário preestabelecido, as reuniões ordinárias serão
mensais, durante o expediente normal da empresa e em local apropriado.
(NR5, 2011).

As reuniões terão as suas atas assinadas por todos os presentes, e após


serão enviadas cópias para todos os membros. Estas atas deverão ficar à disposição
dos Agentes de Inspeção do Trabalho – AIT. (NR5, 2011).

Segundo a NR5 (2011), poderá também haver reuniões extraordinárias,


quando:

a) houver denúncia de situação de risco grave e iminente que determine


aplicação de medidas corretivas de emergência;
b) ocorrer acidente do trabalho grave ou fatal;
c) houver solicitação expressa de uma das representações.

As decisões da CIPA deverão ocorrer preferencialmente por


consenso, e, na falta deste, e frustradas as tentativas de negociação direta
ou com mediação, será instalado processo de votação, registrando-se
a ocorrência na ata da reunião. Das decisões da CIPA caberá pedido de
reconsideração, mediante requerimento justificado. Este pedido será
apresentado à CIPA até que ocorra a próxima reunião ordinária, quando
será analisado, devendo o Presidente e o Vice-Presidente efetivar os
encaminhamentos necessários.

O membro titular perderá o mandato, sendo substituído por suplente,


quando faltar a mais de quatro reuniões ordinárias sem justificativa. A
vacância definitiva de cargo, ocorrida durante o mandato, será suprida por
suplente, obedecida a ordem de colocação decrescente registrada na ata de
eleição, devendo o empregador comunicar à unidade descentralizada do
Ministério do Trabalho e Emprego as alterações e justificar os motivos.

No caso de afastamento definitivo do presidente, o empregador


indicará o substituto, em dois dias úteis, preferencialmente entre os
membros da CIPA. No caso de afastamento definitivo do vice-presidente,
os membros titulares da representação dos empregados, escolherão o
substituto, entre seus titulares, em dois dias úteis.

2.4 TREINAMENTO
Quanto ao treinamento, a NR5 (2011) nos diz que:

141
UNIDADE 3 | INSPEÇÃO PRÉVIA, MAPA DE RISCOS

A empresa deverá promovê-lo para os membros da CIPA, tanto


os titulares como os suplentes, antes da posse. Este treinamento deverá
contemplar, no mínimo, estes itens:

a) estudo do ambiente, das condições de trabalho, bem como dos riscos


originados do processo produtivo;
b) metodologia de investigação e análise de acidentes e doenças do trabalho;
c) noções sobre acidentes e doenças do trabalho decorrentes de exposição aos
riscos existentes na empresa;
d) noções sobre a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida – AIDS –, e
medidas de prevenção;
e) noções sobre as legislações trabalhistas e previdenciária relativas à segurança
e saúde no trabalho;
f) princípios gerais de higiene do trabalho e de medidas de controle dos riscos;
g) organização da CIPA e outros assuntos necessários ao exercício das
atribuições da Comissão.

O treinamento deverá ter carga horária de vinte horas, sendo no máximo


em 8 horas diárias, e realizado durante o expediente normal da empresa.
Poderá ser ministrado pelo SESMT da empresa, entidade patronal, entidade
de trabalhadores ou por profissional que possua conhecimentos sobre os temas
ministrados. (NR5, 2011).

A CIPA será ouvida sobre o treinamento a ser realizado,


inclusive quanto à entidade ou profissional que o ministrará, constando
sua manifestação em ata, cabendo à empresa escolher a entidade ou
profissional que ministrará o treinamento.

Quando comprovada a não observância ao disposto nos itens


relacionados ao treinamento, a unidade descentralizada do Ministério do
Trabalho e Emprego determinará a complementação ou a realização de
outro, que será efetuado no prazo máximo de trinta dias, contados da data
de ciência da empresa sobre a decisão.

FONTE: NR5 (2011)

2.5 PROCESSO ELEITORAL


Sobre o processo eleitoral da CIPA, a NR5 (2011) diz que:

Compete ao empregador convocar as eleições para a escolha dos


representantes dos empregados na CIPA, no mínimo 60 (sessenta) dias
antes do término do mandato que está em curso.

142
TÓPICO 3 | CIPA

O processo eleitoral observará as seguintes condições:

a) publicação e divulgação de edital, em locais de fácil acesso e visualização,


no prazo mínimo de 45 (quarenta e cinco) dias antes do término do
mandato em curso;
b) inscrição e eleição individual, sendo que o período mínimo para inscrição
será de quinze dias;
c) liberdade de inscrição para todos os empregados do estabelecimento,
independentemente de setores ou locais de trabalho, com fornecimento
de comprovante;
d) garantia de emprego para todos os inscritos até a eleição;
e) realização da eleição no prazo mínimo de 30 (trinta) dias antes do término
do mandato da CIPA, quando houver;
f) realização de eleição em dia normal de trabalho, respeitando os horários
de turnos e em horário que possibilite a participação da maioria dos
empregados;
g) voto secreto;
h) apuração dos votos, em horário normal de trabalho, com acompanhamento
de representante do empregador e dos empregados, em número a ser
definido pela comissão eleitoral;
i) faculdade de eleição por meios eletrônicos;
j) guarda, pelo empregador, de todos os documentos relativos à eleição,
por um período mínimo de cinco anos.

Caso a participação dos empregados na eleição for inferior a cinquenta por


cento, não haverá a apuração dos votos e a comissão eleitoral deverá organizar
outra votação, que ocorrerá no prazo máximo de dez dias. (NR5, 2011).

Se for constatada alguma irregularidade neste processo de eleição, as


denúncias deverão ser protocolizadas na unidade descentralizada do MTE,
num prazo de até trinta dias após a posse dos novos membros da CIPA. Se esta
unidade descentralizada do MTE confirmar as irregularidades no processo
eleitoral, deverá determinar sua correção ou proceder à anulação. Neste caso, a
empresa tem cinco dias, a contar da data de ciência, para convocar nova eleição,
com as inscrições anteriores garantidas. Se esta anulação ocorrer antes da posse
dos novos membros, ficará assegurada a prorrogação do mandato anterior, até a
complementação do processo eleitoral. (NR5, 2011).

Os candidatos mais votados assumirão a condição de membros titulares e


suplentes. Como critério de desempate, assumirá aquele que tiver mais tempo de
serviço no estabelecimento. (NR5, 2011).

Os candidatos votados e não eleitos serão relacionados na ata de eleição


e apuração, em ordem decrescente de votos, possibilitando nomeação posterior,
em caso de vacância de suplentes. (NR5, 2011).

143
UNIDADE 3 | INSPEÇÃO PRÉVIA, MAPA DE RISCOS

3 ROTEIRO PARA IMPLANTAÇÃO DE UMA CIPA


Como exemplo de implantação de uma CIPA, iremos listar os
procedimentos necessários para esta implantação.

3.1 CALENDÁRIO

FIGURA 31 – CALENDÁRIO DA IMPLANTAÇÃO DA CIPA

FONTE: O autor

3.2 EDITAL DE CONVOCAÇÃO DA ELEIÇÃO DA CIPA


A empresa deverá publicar um edital de convocação para as eleições dos
representantes dos empregados na CIPA, no prazo mínimo de 60 dias antes do
término do mandato que está em curso.

Este edital deverá ficar fixado durante quinze dias, de tal forma que
todos os empregados que queiram se candidatar o vejam e providenciem sua
inscrição.

No ato da inscrição, o candidato receberá um recibo e terá garantia de


emprego até a eleição. Qualquer funcionário, de qualquer setor e área poderá
se candidatar.

A seguir, vamos a um modelo de convocação:

144
TÓPICO 3 | CIPA

QUADRO 4 – EDITAL DE ELEIÇÃO

XXXXXXXX, DIA de MÊS de ANO.

De acordo com a Norma Regulamentadora NR5, aprovada pela Portaria


nº 3.214, de 08.06.78, baixada pelo Ministério do Trabalho, convidamos todos
os empregados desta empresa, que estão interessados em participar como
candidatos à eleição da CIPA - Comissão Interna de Prevenção de Acidentes do
Trabalho, a se inscreverem na(o) xxxxxxx, até DIA/MÊS/ANO.

________________________
(Assinatura do Empregador)
FONTE: O autor

3.3 FORMAÇÃO DE COMISSÃO ELEITORAL E EDITAL


DE ELEIÇÃO
Em até cinquenta dias antes do término da gestão do mandato dos cipeiros,
deverá ser constituída, pelo empregador, uma Comissão Eleitoral, que terá como
responsabilidade organizar e acompanhar o processo eleitoral.

Essa comissão deverá publicar um Edital de Divulgação, no qual deverão


constar os nomes dos empregados que se candidataram. Este edital deverá estar
fixado por quinze dias, a fim de que todos os empregados tomem conhecimento
dos candidatos inscritos.

Para a formação desta comissão, não há um número de pessoas


especificadas na norma, e estas pessoas podem ser os cipeiros. No auxílio da
eleição, é interessante que se tenha, no mínimo, um presidente, um ou dois
mesários e um secretário. No caso de empresas maiores, pode-se aumentar o
número dos integrantes.

A comissão deverá publicar um novo edital, indicando o local e a data da


votação, bem como a relação dos candidatos inscritos. A seguir temos um modelo
deste edital:

145
UNIDADE 3 | INSPEÇÃO PRÉVIA, MAPA DE RISCOS

QUADRO 5 – EDITAL DE ELEIÇÃO CIPA

Edital de convocação de eleição para a CIPA

Ficam convocados os empregados desta empresa para a eleição dos membros da CIPA –
Comissão Interna de Prevenção de Acidentes, de acordo com a Norma Regulamentadora NR5,
aprovada pela Portaria nº 8, de 23/02/1999, baixada pelo Ministério do Trabalho e Emprego,
a ser realizada em escrutínio secreto, no dia ___/___/_____, com início às ___:___ e término às
___:___, nas dependências do(a) _______________________.

Apresentam-se e serão votados os seguintes candidatos:


Candidato 1 (setor .......)
Candidato 2 (setor .......)
Candidato 3 (setor .......)
Etc.

Cidade, em ___ de ________________ de _______

____________________________________
Nome do Responsável
Nome da Empresa

FONTE: O autor

3.4 ELEIÇÃO E DIVULGAÇÃO DOS RESULTADOS

No dia da eleição, a Comissão Eleitoral deverá providenciar as cédulas


(ou qualquer outro meio, inclusive eletrônico) para que os funcionários possam
eleger seus representantes à CIPA.

Esta eleição se dará no prazo mínimo de 30 dias antes do término do


mandato da CIPA, e deverá ocorrer em dia normal de funcionamento da empresa
e em horário que possibilite a presença da maioria dos funcionários. Muitas vezes,
a Comissão Eleitoral se divide, a fim de que todos os turnos de trabalho possam
participar da eleição.

A apuração dos votos deverá ocorrer também em horário normal de


funcionamento da empresa, e na presença de representantes do empregador e
dos empregados.

Todos os documentos gerados neste processo eleitoral deverão ser


guardados por um período mínimo de 5 anos.

Após a apuração, temos a divulgação dos resultados e a proclamação da


ata, conforme modelo descrito a seguir:
146
TÓPICO 3 | CIPA

QUADRO 6 – ATA DE ELEIÇÃO DOS MEMBROS DA CIPA

Ata de eleição dos membros da CIPA

Aos ____ do mês de _______________ de ______, nas dependências da Empresa _________________,


com a presença dos senhores ____________________ (função ....), ____________________ (função
....), _____________________ (função ....) etc. , instalou-se a mesa receptora às ___:____. O senhor
Presidente da Mesa declarou iniciados os trabalhos. Tudo ocorreu normalmente. Às ___:___,
o presidente declarou encerrados os trabalhos de eleição, verificando que compareceram ____
empregados, e passou-se à apuração dos votos, na presença de tantos quanto desejassem.

Após a apuração, chegou-se aos seguintes resultados:

Titulares votos Suplentes votos


Nome mais votado Próximo nome mais votado

Segundo nome mais votado Próximo nome mais votado

Etc. Etc.

Após a classificação dos representantes dos empregados por ordem de votação, dos titulares e
suplentes, esses representantes elegeram o(a) senhor(a) ___________________ vice-presidente
da CIPA.

Os demais votados, em ordem decrescente de votos, foram:

Nomes votos Nomes votos

E, para constar, mandou o Sr. Presidente fosse lavrada a presente Ata, por mim assinada
(_____________________), secretário, pelos membros da mesa e pelos eleitos.

_______________________________ _______________________________
Nome do participante e função Nome do participante e função

_______________________________ _______________________________
Nome do participante e função Nome do participante e função

FONTE: O autor

147
UNIDADE 3 | INSPEÇÃO PRÉVIA, MAPA DE RISCOS

3.5 ATA DE INSTALAÇÃO E POSSE DA CIPA


Com o intuito de formalizar a eleição e a posse da nova CIPA, deve ser
feita a Ata de instalação e posse da CIPA, conforme o modelo a seguir:

QUADRO 7 – MODELO DE ATA DE INSTALAÇÃO E POSSE DA CIPA

MODELO DE ATA DE INSTALAÇÃO E POSSE DA COMISSÃO INTERNA DE PREVENÇÃO


DE ACIDENTES – CIPA DA EMPRESA __________________

Aos ...................................... dias do mês de ....................... do ano de dois mil e ................, no ..


...................................... nesta cidade, presente(s) o(s) Senhor(es) Diretor(es) da Empresa, bem
como os demais presentes, conforme Livro de Presença, reuniram-se para Instalação e Posse
da CIPA desta Empresa, conforme o estabelecimento pela Portaria nº.........................................
........................ o Senhor ...............................................representante da Empresa e Presidente da
sessão, tendo convidado a mim,............................................... para Secretário da mesma, declarou
abertos os trabalhos, lembrando a todos os objetivos da Reunião, quais sejam: Instalação e
Posse dos componentes da CIPA. Continuando declarou instalada a Comissão e empossados
os Representantes do Empregador.
Titulares Suplentes
________________________________ ________________________________
________________________________ ________________________________
________________________________ ________________________________
Da mesma forma declarou empossados os Representantes eleitos pelos Empregados:
Titulares Suplentes
________________________________ ________________________________
________________________________ ________________________________
________________________________ ________________________________
A seguir, foi designado para Presidente da CIPA o Senhor................................., tendo sido
escolhido entre os Representantes eleitos dos Empregados o Senhor ..................para Vice-
Presidente. Os Representantes do empregador e dos Empregados, em comum acordo, escolheram
também o(a) Senhor(a) para secretário(a)..................................., sendo seu(sua) substituto(a) o(a)
senhor(a) ......................................
Nada mais havendo para tratar, o Senhor Presidente da sessão deu por encerrada a reunião,
lembrando a todos que o período de gestão da CIPA ora instalada será de 01 (um) ano a contar
da presente data. Para constar, lavrou-se a presente Ata, que, lida e aprovada, vai assinada por
mim, Secretário, pelo Presidente da Sessão, por todos os Representantes eleitos e/ou designados,
inclusive os Suplentes.
................................................ ...............................................
Presidente da Sessão Secretário
Titulares Suplentes
________________________________ ________________________________
________________________________ ________________________________
________________________________ ________________________________

FONTE: O autor
148
TÓPICO 3 | CIPA

3.6 TREINAMENTO DOS CIPEIROS


Segundo a NR5 (2011), cabe à empresa promover o treinamento para
os membros da CIPA, tanto aos titulares como aos suplentes, antes que tomem
posse. Caso seja o primeiro mandato, este treinamento poderá ser realizado em
até 30 dias, contados a partir do dia da posse.

No treinamento dos cipeiros, deverão constar, no mínimo, os seguintes


itens, conforme a NR5 (2011):

• estudo do ambiente, das condições de trabalho, bem como dos riscos originados
do processo produtivo;
• metodologia de investigação e análise de acidentes e doenças de trabalho;
• noções sobre acidentes e doenças do trabalho, decorrentes da exposição aos
riscos existentes na empresa;
• noções sobre a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida – AIDS, e medidas de
prevenção;
• noções sobre as legislações trabalhista e previdenciária relativas à segurança e
saúde no trabalho;
• princípios gerais de higiene do trabalho e de medidas de controle dos riscos;
• organização da CIPA e outros assuntos necessários ao exercício das atribuições
da Comissão.

Os candidatos reeleitos que receberam treinamento de acordo com a


Portaria Nº 8, de 23 de fevereiro de 1999 da SSST, juridicamente só necessitariam
refazer o curso novamente mediante alteração do programa do mesmo, ou
seja, quando da edição de uma nova Portaria. Porém, em caráter preventivo,
recomenda-se que sempre que um funcionário for integrar uma nova CIPA,
que o mesmo participe do treinamento, até mesmo para uma reciclagem dos
seus conhecimentos.

3.7 FUNCIONAMENTO DA CIPA


A CIPA terá uma reunião a cada mês, salvo evento que provoque uma
reunião extraordinária, tais como: denúncia de situação de risco grave ou eminente
que determine aplicação de medidas corretivas de emergência; se ocorrer acidente
grave ou fatal ou se houver solicitação expressa de uma das representações.

149
UNIDADE 3 | INSPEÇÃO PRÉVIA, MAPA DE RISCOS

LEITURA COMPLEMENTAR

INVESTIGAÇÃO DE ACIDENTES E INCIDENTES


COM UMA ABORDAGEM SISTÊMICA

Cássio Eduardo Garcia



1 INTRODUÇÃO

Muitas organizações ainda não se conscientizaram de que acidentes


são um fator de aumento de custos. Com certeza não conhecem claramente a
extensão destes custos e, o pior, os assumem como se fossem normais no processo
produtivo.

Sabemos que os acidentes não são eventos normais de um processo, todos


são evitáveis. É importante também citar que as mesmas causas que atuam nos
acidentes também atuam em perdas de produtividade e qualidade, sem dizer que
os acidentes podem atingir diretamente a imagem da empresa, causando perdas
incalculáveis.

Figura - Custos dos acidentes

Em função da característica de um iceberg, consegue-se ver somente a


ponta, a grande parte do seu corpo está submersa e não se consegue enxergar. Os
custos dos acidentes são similares a um iceberg, visualiza-se uma parte menor dos
custos, a maior parte não se verifica, está oculta por outros fatores.

Geralmente um acidente ocorre quando uma pessoa, equipamento ou

150
TÓPICO 3 | CIPA

meio ambiente entra em contato com uma substância ou fonte de energia (química,
térmica, acústica, mecânica, elétrica etc.) que está acima da sua capacidade de
absorção de energia.

Por exemplo, um braço pode queimar porque não resiste à energia térmica
do fogo. Esta visão do acidente é micro e analisa exatamente as partes envolvidas,
no ponto de contato e no exato momento do contato.

Devemos prosseguir com a investigação e descobrir exatamente por que


este contato ocorreu. No caso de perdas no processo, podemos ter perdas de
matéria-prima ou produto acabado. Em termos de propriedade, incêndios ou
explosões, e por último, em relação ao meio ambiente, contaminação de solo,
água ou ar.

Aqui temos uma quebra de paradigma, a maioria das organizações


assume apenas lesões humanas como sendo acidentes de trabalho, ou seja, temos
o estudo da “vitimologia”.

Sabemos que isto não é verdade, acidentes são eventos que causam perdas
para a organização, dentre elas as lesões humanas.

Do mesmo modo, eventos que não resultam em lesão humana, mas


causam perdas em processo, produto ou meio ambiente também são considerados
acidentes, pois causam uma perda para a organização.

Lesões e enfermidades resultam de acidentes, mas nem todos os acidentes


resultam em enfermidades e lesões.

Infelizmente não existe no Brasil a cultura de se fazer uma investigação e


análise de acidentes com perdas no processo, propriedade e meio ambiente. Com
certeza estes acidentes são uma fonte potencial de perdas para as organizações e
suas causas, com certeza, atuam em acidentes com lesões humanas.

Acidentes causam perdas, podemos dizer que estas perdas podem ocorrer
em quatro categorias distintamente ou em conjunto, dependendo da gravidade
do evento:

• Pessoa.
• Processo.
• Propriedade.
• Meio ambiente.

É importante neste momento definir acidente e incidente:

• Acidente: evento não planejado que resulta em morte, doença, lesão, dano ou
outra perda.
• Incidente: evento que deu origem a um acidente ou que tinha o potencial de
levar a um acidente.
151
UNIDADE 3 | INSPEÇÃO PRÉVIA, MAPA DE RISCOS

2 POR QUE INVESTIGAR ACIDENTES E INCIDENTES?

A principal razão para a realização de uma investigação de acidentes ou


incidentes é aprender com os erros e evitar que os mesmos ocorram novamente.

O objetivo é descobrir o que realmente ocorreu e por que ele ocorreu,


não devemos procurar quem foi o culpado do acidente. A procura de culpados
deve ser excluída definitivamente. Quando a organização procura um culpado, e
encontra um, começa a criar uma cultura de repulsão das pessoas porque alguns
profissionais começam a ser vistos como a polícia da empresa. Este fato é o início
do descontrole cultural.

Investigações de acidentes e incidentes suportam a empresa para:

• aprender com os erros;


• melhorar o sistema de gerenciamento de segurança do trabalho e meio
ambiente;
• melhorar o controle dos riscos;
• reduzir a probabilidade de recorrência e ajudar a prevenir acidentes e incidentes
similares com a mesma gravidade;
• fundamentar um histórico dos acidentes, seus perigos e riscos;
• prover informações para reforçar a cultura de segurança do trabalho e meio
ambiente.

3 PROPÓSITOS DE UMA INVESTIGAÇÃO DE ACIDENTES E INCIDENTES

Os propósitos de uma investigação de acidentes e incidentes são:

• identificar as causas por atos e condições abaixo do padrão; geralmente existem


ambas em um acidente;
• identificar falhas básicas no sistema de gerenciamento de segurança do trabalho
e meio ambiente;
• prevenir que os acidentes e incidentes ocorram novamente;
• reportar o acidente, suas causas e ações corretivas internamente e externamente
quando necessário.

Mais especificamente as investigações:

• determinam o que ocorreu: as investigações reúnem e analisam as evidências e


chegam a uma declaração exata do que ocorreu;
• avaliam os riscos: as investigações proveem a base para estudo da probabilidade
de recorrência levando em conta o potencial para perdas maiores. Servem de
base para decidir a profundidade e escopo das investigações;
• desenvolvem medidas necessárias de controle: as investigações capacitam
controles efetivos para minimização ou eliminação das causas;
• demonstram comprometimento: as investigações demonstram
comprometimento da organização e seu compromisso em alcançar boas
práticas de segurança do trabalho e meio ambiente.
152
TÓPICO 3 | CIPA

4 QUAIS ACIDENTES E INCIDENTES DEVEM SER INVESTIGADOS


FORMALMENTE

É de responsabilidade da organização a realização da investigação


de acidentes e incidentes. Deve determinar quais acidentes e incidentes irão
investigar e qual será aprofundidade da investigação.

Um notável esforço deve ser dedicado aos acidentes e incidentes


significativos onde temos sérias lesões, doenças ocupacionais e impactos
ambientais consideráveis tão quanto aqueles incidentes que têm o potencial de
causar sérias lesões, perdas e impactos ambientais.

Alguns exemplos de acidentes e incidentes que devem ser formalmente


investigados:

• acidentes que resultem em morte;


• acidentes que resultem em lesões significantes (permanentes);
• casos graves de doença ocupacional oriunda de exposição a agentes perigosos
no trabalho;
• acidentes que resultem em danos significantes para a propriedade ou
equipamento, como grandes incêndios, explosões e falhas de equipamentos;
• acidentes que resultem em danos significativos ao meio ambiente;
• acidentes que resultem em danos leves, mas com alto potencial de perda para
o homem, propriedade, processo ou meio ambiente;
• incidentes com alto potencial de perda para o homem, propriedade, processo
ou meio ambiente;
• qualquer acidente e incidente que resulte em processos externos de órgãos
governamentais.

5 PASSOS BÁSICOS DE UMA INVESTIGAÇÃO DE ACIDENTES

Os passos básicos de uma investigação de acidentes são:

1º Passo: assumir o controle da situação:


• iniciar as primeiras ações imediatas;
• reconstituir o evento;
• descrever inicialmente o acidente.

2º Passo: formar a equipe de investigação:


• formar a equipe;
• desenvolver um plano de ação.

3º Passo: reunir evidências e informações:


• observar e inspecionar;
• entrevistar;
• documentar;
• rever as evidências;
• comparar condições x especificações.
153
UNIDADE 3 | INSPEÇÃO PRÉVIA, MAPA DE RISCOS

4º Passo: determinar e analisar as causas:


• modelo causal de perdas;
• árvore de causas;
• modelo de causas e efeitos;
• etc.

5º Passo: determinar as ações corretivas:


• desenvolver um plano de ação;
• determinar responsáveis e prazos.

6º Passo: reportar o acidente;

7º Passo: realizar follow-up das ações corretivas:


• verificar a efetividade das ações.

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS E RECOMENDAÇÕES

Investigações de acidentes e incidentes são uma importante ferramenta


para utilização em uma organização. Elas auxiliam no entendimento da sequência
dos fatos e na determinação das ações corretivas e preventivas. Em função destas
considerações recomenda-se:

• as organizações devem desenvolver sistemas de investigação de acidentes e


incidentes compatíveis com seus riscos e impactos;
• as pessoas que participam das investigações devem ter conhecimento,
competência e habilidades específicas para conduzir esta atividade;
• as organizações devem definir qual método utilizarão para conduzir e
determinar as causas dos acidentes. As pessoas devem conhecer claramente o
método utilizado;
• deve ser feito um acompanhamento rigoroso para a implantação das ações
corretivas e preventivas. Todas as ações devem ter responsáveis e prazos para
a implantação devem ser definidos;
• a eficiência das ações deve ser avaliada.

FONTE: Disponível em: <http://www.scribd.com/doc/6717822/InvestigaCAo-de-Acidentes-e-


Incidentes-Com-Uma-Abordagem-SistEmica>. Acesso em: 13 jan. 2011.

154
RESUMO DO TÓPICO 3

Neste tópico vimos que:

• Uma CIPA – Comissão Interna de Prevenção de Acidentes – é uma comissão


composta por representantes dos empregados e do empregador, e que tem
como objetivo a prevenção de acidentes e doenças decorrentes do trabalho, de
modo a tornar compatível permanentemente o trabalho com a preservação da
vida e a promoção da saúde do trabalhador.

• Vimos quais as atribuições da CIPA, sua constituição e organização, seu


funcionamento, treinamento para os cipeiros e o processo de eleição de seus
membros.

155
AUTOATIVIDADE

1 Qual é a NR que regulamenta a CIPA?

2 Explique quem deve compor a CIPA.

3 Quais as atribuições da CIPA?

4 Qual o papel do presidente da CIPA?

5 Como se dá o treinamento para os futuros cipeiros?

6 Como funciona a eleição para a CIPA?

156
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161
ANOTAÇÕES

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