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A vírgula marca uma pausa breve e deve ser usada nos principais casos que se seguem:

CASOS OBRIGATÓRIOS

1. Usa-se para separar a saudação do vocativo: Boa tarde, Mafalda.

2. Usa-se para separar orações relativas explicativas: O Luís, que é o melhor aluno da
turma, recebeu um prémio de mérito.

3. Usa-se para separar expressões adverbiais de tempo, de lugar, de modo, etc.: Na


semana passada; em Coimbra; na sequência do seu contacto telefónico…

4. 1.º — Manuel, vai abrir a porta. Posso afirmar-lhe, minha Senhora, que o seu irmão
não passou por aqui. Vem cá, João.

5. Vê-se que o vocativo é sempre separado por vírgula.

6. 2.º O ouro, a prata, o ferro, o chumbo, são metais. Afonso Henriques conquistou
Lisboa, Santarém, Almada e Sintra.

7. Separam-se por vírgula todos os membros de uma oração que não sejam ligados por
conjunção.

8. Eu sou, efetivamente, crédulo. Estes campos são, com efeito, muito bonitos. Os
Ingleses, não haja dúvida, constituem um povo essencialmente prático. Amar as
árvores, disse um grande homem, é amar a terra.

9. Fica entre vírgulas qualquer palavra, frase ou sentença, intercalada numa oração.

10. Não, é impossível satisfazer o seu desejo. Não, isso é inacreditável.


11. Emprega-se a vírgula depois da partícula não, quando ela, no princípio da oração, se
refere a outra.

12. Sim, depois resolveremos o caso. Sim, vou passear.


13. Emprega-se igualmente depois de sim, no princípio de qualquer oração.

14. Este homem, bondoso em extremo, tudo sacrificou à família. Encontrei a Maria, filha
do Costa. A árvore, linda e viçosa, a cuja sombra me acolhi. A História chama
Conquistador a Afonso Henriques, primeiro rei de Portugal.
15. Os nomes apostos ou continuados são precedidos de vírgula.
16. Meus pais, a quem muito quero... Aquela filha, a quem tanto se dedicou, foi ingrata.
João, de quem recebi tantas provas de estima...
17. Quando a partícula quem é acompanhada de preposição, coloca-se a vírgula antes
dessa preposição.
18. Não sei se estamos longe da terra a que nos dirigimos. Este é o lugar histórico em
que Vasco da Gama embarcou. Encontrei ontem o teu primo António, que me
ofereceu uma bebida. Restavam alguns soldados, que combateram heroicamente.
19. Antes do relativo que, apenas se coloca vírgula se este introduz uma oração
explicativa.
20. Os animais domésticos prestam excelentes serviços ao homem. As pessoas mal-
educadas não podem merecer a estima de ninguém. Emprestei o livro de Geografia
ao Mário

Em suma, a vírgula usa-se para separar elementos que não são essenciais na frase, isto
é, que podem ser omitidos sem que a frase fique incompleta ou incorreta. Pelo
contrário, todos os elementos que são fundamentais para a compreensão de uma frase
nunca se separam por vírgula.

Ora vejamos os principais casos:


Casos proibidos

1. Entre o sujeito e o predicado: A livrança proveniente do contrato de Leasing, foi


anulada.
2. Entre o verbo e os seus complementos: O diretor informou os colaboradores, de
que o horário das reuniões será alterado.

3. A separar uma oração relativa restritiva: Os atletas, que não passarem na fase
eliminatória, não poderão participar na Final.

Há só um caso em que se usa vírgula, que é quando a frase depois do “e” fala de uma
pessoa, coisa ou objeto (sujeito) diferente da que vem antes dele. Assim:

O sol já ia fraco, e a tarde era amena.

Note que a primeira frase fala do sol, enquanto a segunda fala da tarde. Os sujeitos são
diferentes. Portanto, usamos vírgula. Outro exemplo:

A mulher morreu, e cada um dos filhos procurou o seu destino.


O mesmo caso, a primeira oração diz respeito à mulher, a segunda aos filhos.

Acentuação

 O ´ (acento agudo) serve para indicar a vogal da sílaba tónica principal, quando
isso é preciso para indicar a pronúncia. O acento agudo é obrigatório:

1.º Na vogal aberta da sílaba predominante das palavras esdrúxulas:

Ex.: fábrica, sílaba, pálido, tépido, Márcia, único, espírito;


2.º Na sílaba final das palavras agudas, quando a respetiva vogal seja a, e ou o:

Ex.: já, sabiá, café, rapé, pó;

3.º Na vogal predominante que se segue a outra vogal, quando não deve formar ditongo
com ela:

Ex.: saída, saúde, baú, caído.

 O ` (acento grave) emprega-se:

1.º Na contração da preposição a com as formas femininas do artigo ou pronome


demonstrativo o: à (de a + a), às de (a + as);

2.º Na contração da preposição a com os demonstrativos aquele(s), aquela(s) e aquilo


ou com os compostos aqueloutro(s), aqueloutra(s) e suas flexões: àquele(s), àquela(s),
àquilo, àqueloutro(s), àqueloutra(s);

3.º Em contrações em que a primeira palavra é uma inflexiva terminada em a: ò (de a +


o), òs (de a + os); prò (de pra + o), (de pra + os), etc.;

 A , (cedilha) indica que o c antes de a, o, u, tem o valor de s inicial:

Ex.: açafate, açafrão, açor, açorda, açúcar, açude.


 Utiliza-se s:

a) na maior parte dos substantivos comuns: asa, atraso, aviso, casa, confusão, dose,
frase, mesa, peso, tesoura;

b) na generalidade dos adjetivos: confuso, difuso, preciso, tísico;

c) no sufixo -esa, quando este diz respeito ao feminino dos nomes de naturalidade que
no masculino se escrevem-se com s: portuguesa, francesa;

d) no sufixo -esa, quando este forma o feminino de cargos ou títulos: baronesa, duquesa,
marquesa;

e) em substantivos com origem no particípio passado de verbos com radical terminado


em d: defesa (de defender), despesa (de despender), presa (de prender), surpresa (de
surpreender);

f) na terminação -isar de verbos da mesma família de palavras com s: alisar (de liso),
analisar (de análise), avisar (aviso), bisar (de bis), frisar (de frisa), guisar (de guisa =
modo, maneira, guisado), improvisar de improviso), paralisar (paralisia), pesquisar (de
pesquisa), pisar (piso), precisar (de preciso), sisar (de sisa), visar (visão, visto);

g) sempre nos sufixos -oso e -osa: famoso, guloso, harmonioso orgulhoso, pavoroso,
preguiçoso, saudoso, ventosa;

h) normalmente antes do sufixo -eiro (a): baboseira, braseira, caseiro, louseiro,


raposeira, roseira, traseira. Excepções: arcabuzeiro (de arcabuz), banzeira (de banzé),
cruzeiro (de cruz), maracujazeiro;

i) como elemento do prefixo des- (separação, acção contrária, negação): desatento,


deselegante; desiludir, desobedecer, desusado (não confundir com palavras formadas a
partir do numeral dez);

j) nas formas dos verbos que não têm z no infinitivo: quiseram, quiseste (querer),
puseram, puseste (pôr), coseram, coseste (coser a roupa, do lat. consuere).
 2. Utiliza-se z:

a) como evolução de t ou c de palavras latinas: avaritia- > avareza; cocere > cozer
(cozinhar); dicere > dizer, facere > fazer, placere prazer;

b) muitas vezes a seguir a a que inicia palavra: azáfama, azagaia, azálea, azar, azedo,
azeite, azémola, azenha, azevinho, azia, aziago, ázimo, azimute, azinheira, azo, azul,
azulejo.

Excepções: asa e derivados, Ásia e derivados, asilo e derivados, asinha (depressa),


asinino.

c) no sufixo -eza da maior parte dos substantivos abstractos: avareza, beleza, franqueza,
riqueza;

d) nos aumentativos e diminutivos, quando a palavra da qual são formados não termina
em s, ou seja, nos sufixos -ázio, -zão, -zarrão, -zada, -zona, -zinho, -zito: copázio, mauzão,
homenzarrão, paizinho, rapazito;

e) na maior parte dos verbos terminados em -izar e palavras da mesma família: ajuizar,
juízo, civilizar, civilização, utilizar, utilização, deslizar, deslize, matizar, matiz, envernizar,
verniz, finalizar, organizar, realizar;

f) na maior parte dos verbos terminados em -ir: cerzir, desfranzir, estrezir, franzir,
desparzir, esparzir, aduzir, conduzir, deduzir, induzir, introduzir, luzir, produzir,
reconduzir, reduzir, reproduzir, seduzir, traduzir, transluzir, tremeluzir, zurzir.
Excepções: asir, desasir e requisir.

As regras não dão resposta a todas as dúvidas. O melhor mesmo é a leitura continuada,
até o olhar se familiarizar com a grafia das palavras e a interiorizar sem custo. Poderá
consultar os prontuários, que contêm este tipo de palavras em listas, o que facilita a
memorização.
 Por que /porque

É de facto muito vulgar esta incorreção que consiste em utilizar por que em vez de
porque nas frases interrogativas.

Três regras essenciais que talvez contribuam para um melhor esclarecimento:

1. Utiliza-se porque em geral nas frases interrogativas e, portanto, na expressão


«porque é que».

2. Utiliza-se também porque nas orações causais («Fomos embora, porque se fazia
tarde»).

3. Utiliza-se por que (preposição por e interrogativo ou relativo que) quando pode ser
substituído por «por qual», «por quais», «pelo qual», «pela qual», «pelos quais», «pelas
quais», ou seja, normalmente quando está presente na frase o substantivo a que o que
se refere.

3.4. Por que mulher foste capaz de fazer tal loucura? (= por qual)

3.5. Ele sabe por que caminho deverá enviar os seus homens.

3.6. Tarda a decisão por que anseio. (= pela qual)

3.7. São muitas as provações por que temos de passar. (= pelas quais)

3.8. Ele desconhece a causa por que lutamos. (= pelos quais)

 A/Há

À é a contração da preposição "a" com o artigo definido no feminino singular "a".


Ex.:1. Vou à escola.

2. Disse à minha irmã que...

3. Emprestei os livros à Patrícia.

4. Voltei à biblioteca no dia seguinte.

Três processos simples, para verificar que se trata da contração da preposição com o
artigo:

1.º: Altere a frase substituindo a palavra que se segue a "à" por outra de género e
número diferente. Se o puder fazer, e tiver que alterar a forma à, contraindo a
preposição com outro artigo definido, é sinal de que se trata da contração da preposição
com o artigo:

Ex.:

1. Vou à praia. (a + a)

2. Vou ao jardim. (a + o)

3. Vou às compras. (a + as)

4. Vou aos saldos. (a + os)

2.º Veja se pode substituir esse à por "a uma". Se o puder fazer e a frase ficar correta,
é porque se trata da contração da preposição.

Ex.:

1. Fui à loja. / Fui a uma loja.

2. Respondi à menina. / Respondi a uma menina.

3. Ela fugiu à pergunta. / Ela fugiu a uma pergunta.

3.º Essa contração da preposição "a" com o artigo definido no feminino singular "a" (=
à) tem de anteceder sempre uma palavra no feminino singular. Repare nos exemplos
anteriores, todos palavras desse género e número: escola, minha irmã, Patrícia,
biblioteca, praia, loja, menina, pergunta.

Há é uma forma do verbo haver: a 3.ª pessoa do singular do Presente do Indicativo.


Significa existir.

Ex.: 1. Há barulho na sala.

2. Há muita gente no passeio.

3. Há muitas pessoas no passeio.

4. Há oito dias que o não vejo.

Um processo simples para verificar se se trata do verbo haver: tente substituir essa
forma verbal por outra do mesmo verbo, mas em tempo diferente.

Ex.: 1. Hoje há aulas.

2. Ontem houve aulas.

3. Às terças-feiras, havia aulas de Educação Física.

4. Amanhã haverá aulas.

5. Se os professores não viessem, não haveria aulas.

Uma regra: com expressões de tempo, trata-se do verbo haver.

Ex.:

1. Ele foi-se embora há uma semana.

2. Isto aconteceu há dias.

3. Fui há quinze dias a Lisboa e...

4. Há muito tempo que ele andava doente.

5. Há anos, estava ela no jardim...


6. Ela festejou o aniversário há pouco tempo.

Uma chamada de atenção: quando significa existir, o verbo haver não tem plural.

Ex:

1. Hoje há aula de... / Hoje há aulas de...

2. Não o vejo há um mês. / Não o vejo há tempos.

3. Há um político que... / Há muitos políticos que...

4. Houve uma pessoa... / Houve várias pessoas..