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2.

Equilíbrio
O equilíbrio é um parâmetro da imagem que
está diretamente relacionado com o inconsciente.
Andamos de modo equilibrado, sem pensar que o
estamos fazendo. Ao tentarmos a mesma experiência
numa corda bamba, teremos consciência de que
precisaremos nos equilibrar, essa necessidade virá
para o centro de nossas atenções. O desequilíbrio
espacial pode nos fazer cair, o desequilíbrio emocional
pode nos levar às psicoses, do mesmo modo, uma
imagem desequilibrada nos causa desconforto e
estranheza.

Dividiremos as formas de equilíbrio visual nas


seguintes categorias:

2.1 Simétrico por eixos


2.2 Simétrico estrutural
2.3 Simétrico estrutural inverso
2.4 Relativo
2.5 Central
2.6 Radial
2.7 Oculto

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2.1 Simetria. A forma mais elementar de
equilíbrio é a simetria. Se a fizermos em um eixo,
estaremos elaborando somente meia composição
(figura 2.1). Muitos logotipos, bandeiras, ícones,
símbolos entre outros, seguem essa estrutura rígida
com grande êxito.

Figura 2.1 O Vermelho Crescente - Simetria no eixo horizontal.

Se ela estiver baseada em dois eixos


ortogonais, então teremos composto ¼ da imagem
(figura 2.2). Nada impede que uma boa composição ou
produto sejam simétricos. Historicamente a simetria
total era buscada mais pelos designers do que pelos
artistas, embora isso não seja uma tendência
contemporânea.

Figura 2.2 Logotipo da Cruz Vermelha - Composição estática.

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Obviamente que uma estrutura poderá ser
simétrica em muitos eixos, como a Estrela de Davi,
que tem a estrutura de um hexágono regular (figura 2.3).

Figura 2.3 Estrela de Davi – simetria em 6 eixos.

É comum que um armário tenha uma estrutura


simétrica, uma cadeira e principalmente um par de
sapatos. Alguns grandes compositores da imagem
preferem “quebrar” a simetria de algum modo, embora
a utilizem no esqueleto da composição.

A simetria também é um dos fatores que


contribuem para a beleza humana, mas certamente não
é o único. É comum encontrarmos pessoas que
quebram a simetria da própria imagem através de
penteados assimétricos, bem como a utilização de
adornos que desviam a atenção do eixo central.
Discutiremos essa questão mais adiante quando
falarmos da proporção áurea.

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Na figura 2.4, Rafael Sanzio partiu de uma
estrutura simétrica em um eixo, mas a disposição dos
personagens trouxe dinâmica à composição, em
contraste com o equilíbrio estático que a simetria
exata produz.

Figura 2.4 Composição dinâmica com simetria no eixo vertical.

Rafael fez de tudo para quebrar a rígida


simetria que a perspectiva central lhe oferecia. Além
disso, desenhou as figuras da imagem com a
teatralidade que tinha sido uma das marcas do seu
predecessor Leonardo da Vinci. Variados aspectos
psicológicos são sugeridos e as figuras parecem estar
em movimento fluido, ou seja, temos a impressão de
que a qualquer momento elas se movimentarão. Por
sua vez, o desenho anatômico foi inspirado no estilo
robusto e monumental de Michelangelo.

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Veja alguns detalhes da Escola de Atenas (figura 2.5).

Figura 2.5 Análise.

1. Platão e Aristóteles estão no centro. O ponto de


fuga (o número 1 da cena) os destaca do grupo. Essa
idéia é inspirada em A Última Ceia de Leonardo (item
2.5).

2. Além de usar uma ideia de Leonardo, Rafael


retratou o seu predecessor na figura de Platão, numa
clara homenagem ao mestre.

3. As estátuas estão em equilíbrio relativo, como


veremos no item 2.4.

4. A figura solitária e pensativa que escreve algo é


uma representação de Michelangelo, a maneira como
Rafael via a sua outra fonte de inspiração.

4. Rafael se retratou no canto da cena olhando


diretamente para quem contempla a obra.

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2.2 Simetria Estrutural. Este é um caso muito
popular, no qual o desenho é completamente
espelhado e o artista quebra a simetria exata através da
utilização de cores ou valores. Ele é também
conhecido como positivo-negativo (figura 2.6).

Figura 2.6 Positivo-Negativo.

2.3 Simetria Estrutural Reversa. Outra


forma de equilíbrio é conseguida através da simetria
estrutural reversa, cujas cores e valores assumem
posições antagônicas em relação aos eixos principais
da composição (figura 2.7).

Figura 2.7 Estruturas simétricas reversas.

O símbolo Yin e Yang é um excelente exemplo


sobre as possibilidades do estilo reverso aplicado num
campo circular (figura 2.8).

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Figura 2.8 Yin e Yang. Simetria Estrutural Reversa.

2.4 Relativo. O equilíbrio também pode ser


relativo. Essa é uma modalidade que está diretamente
relacionada com o significado das imagens. Para a
nossa percepção duas cadeiras diferentes podem ficar
equilibradas numa foto, pois as vemos como dois
elementos da mesma espécie. Dessa forma, duas
árvores de diferentes tipos seriam interpretadas apenas
como “duas árvores” e, se a disposição no campo
visual for satisfatória, elas nos passarão a ideia de
equilíbrio.

Na figura 2.9 mostramos um desenho de Paul


Klee que utiliza esse tipo de relatividade perceptiva. A
imagem apresenta dois homens se observando, cada
um acreditando que o outro era o maior. As duas
figuras estilizadas se equilibram harmoniosamente no
desenho.

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Figura 2.9 Two Men Meet, Each Believing the Other of Higher
Rank.

Como foi citado no item 2.1, o afresco de


Rafael tem duas estátuas desenhadas no alto da parede
interna, que estão em equilíbrio relativo (figura 2.10).

Figura 2.10 Fragmento da Escola de Atenas de Rafael.

A Criação de Adão, pintura de Michelangelo


para o teto da Capela Sistina, também está em
equilíbrio relativo. O Criador e a criatura se encontram
dispostos ao longo da diagonal do campo, desde 1483,
ano da inauguração da obra (figura 2.11).

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Figura 2.11 A Criação de Adão (1483).

O cineasta Steven Spielberg utilizou a força do


ícone dramático de A Criação de Adão, no seu filme
E.T. (1982). Quinhentos anos depois de Michelângelo.

Figura 2.12 Fragmento do cartaz do Filme E.T. O Extra-Terrestre


e a comunicação íconográfica do toque de dedos.

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2.5 Central. No equilíbrio central todos os
elementos estão subordinados a uma região que
pertence ao centro expandido da composição (figura
2.14). Nas figuras 2.13 e 2.15 vemos como as curvas e
as diagonais da perspectiva dirigem a atenção do
espectador.

Figura 2.13 Figura 2.14 Figura 2.15

Não importa por onde você comece a observar


a imagem, a estrutura vai lhe guiar até o ponto de
interesse. Na figura 2.16, temos A Última Ceia,
afresco de Leonardo da Vinci, onde Cristo é a figura
central.

Figura 2.16 A Última Ceia.

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Na figura 2.17 pode-se notar que o ponto de fuga o
coloca como o principal ponto de interesse.

Figura 2.17 O ponto de fuga determina o ponto de interesse.

Até a produção deste afresco de Leonardo,


ninguém havia retratado de tal forma o espírito
humano. As figuras do mestre florentino são
expressivas. Depois do anúncio de Jesus, de que um
dos presentes o trairia, as emoções transbordantes são
representadas em cada um dos personagens, numa
teatralidade comovente e dramática.

2.6 Radial. Ao contrário da ocupação central,


no equilíbrio radial as laterais têm papel de destaque.
Essa estratégia para a obtenção do equilíbrio parte da
aplicação do princípio: “O que é bom para o centro,
não pode ser mau para as laterais”. O centro
desocupado, total ou parcialmente, fica sob forte
tensão, influenciado, à distância, pelas configurações
marginais (figuras 2.18, 2.19 e 2.20).

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Figura 2.18 Figura 2.19 Figura 2.20

A estrutura da figura 2.18 é uma variação de


uma composição de Claude Lorain (figura 2.21).

Figura 2.21 O ponto de fuga determina o ponto de interesse.

O ponto de fuga (P.F.) não dirige a atenção de


quem olha para a imagem, muito ao contrário das
estratégias vistas no equilíbrio central (figuras 2.22, 2.23
e 2.24).

P.F.

Figura 2.22 Figura 2.23 Figura 2.24


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2.7 Oculto. Quando a composição encontra-se
equilibrada, mas não é possível identificar nenhum
dos métodos anteriores, então tem-se o equilíbrio
oculto. Nesta técnica as forças se compensam apesar
das suas naturais diferenças (figura 2.25).

Fig. 2.25 Equilíbrio Oculto, composição do autor.

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Um meio de identificarmos se uma
composição está perfeitamente equilibrada, é o de
observá-la em todos os seus eixos principais. Uma
boa imagem continuará sendo boa mesmo se vista de
ponta cabeça (figura 2.26).

Figura 2.26 Auto-retrato de Gustave Courbet.

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Exercício para a
verificação da aprendizagem:

1. O(s) equilíbrio(s) que predomina(m)


nas imagens a seguir é (são):

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2.27

2.28

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2.29

2.30

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2.33

2.34

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2.35

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