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REALIZAÇÃO:

PATROCÍNIO:

MAIO 2019
REALIZAÇÃO:

PATROCÍNIO:

APOIO:

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ÍNDICE
Editorial …………………………………………………….………………………….. 04
A Liga Ventures ………………………………..….………………………….... 05
Metodologia …………………………………………….……………………….... 07
Entrevistados ………………………………………….…............................. 08
Food Techs - Introdução ………………………….…………………... 10
Entrevista - Rodrigo Oliveira ……………..……………………….. 14
Categorias …………………………………………………..………………………. 15
Mapa de Startups …………………………………….……………………….. 18
Entrevista - Tainá Rodrigues - AMBEV ………..………….. 19
Lista de Startups …………………………………...…………………………. 20
Espaço Inovativa Brasil …………….……………..…………………….. 28
Demographics………………………………………………………………….... 29
Entrevista - Carlos Prax - Cargill …………………………….…. 30
Um prato meio cheio: a cadeia de Food Service e
as tendências que já são realidade ………………………….. 31
A cadeia de Food Service………………….………………………….. 33
Delivery e a comida como experiência….…………….. 36
A alimentação saudável ...……………….………………………….. 39
Entrevista - Alex Anton ………….……………..……………………….. 43
Um prato meio vazio: os grandes desafios para a a
tecnologia no mercado de alimentação ………………. 44
Sustentabilidade ……………...……………….………………………….. 46
Combate ao desperdício …………………………………………... 49
Investir para evoluir ……………………………………………………... 52
Entrevista - Thalita Antony ………………………………………….. 56
O prato do futuro: as oportunidades de o o
desenvolvimento …………………………………………………………….. 57
Movimentações do mercado ……….………………………….. 59
Proteína alternativa ………...…………………………………………... 62
Novos produtos …………...………………………………………………... 65
Entrevista - Ana Carolina Bajarunas ……………………….. 69
Legal Talks - Derraik & Menezes ……………………………….. 70
Referências …………………………………………..….………………………….. 73

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EDITORIAL
Um estudo para pensar no
futuro da cadeia alimentar
Powered by:

Construir um relatório sobre um


assunto tão abrangente e presente na vida das
pessoas não é uma tarefa fácil, principalmente
quando falamos sobre a alimentação e sua
cadeia de valor, cruzando com tecnologias,
inovações e o cenário empreendedor para
novos produtos.

Não cabe a este estudo ser analisado


isoladamente de forma a delimitar o assunto,
pois sabe-se que o tema tem ramificações
muito mais vastas. Cada elo dessa cadeia, por
exemplo, comportaria um estudo próprio, com
Raphael Augusto, Head do Liga Insights
aprofundamentos e discussões específicas.
Recomendamos que o Liga Insights Food
aaaaa
Techs seja visto como parte de uma discussão, que se aprofunda no tema inovação no cenário
alimentar, mas que deve ser complementado com outros estudos, como os próprios Liga Insights
Varejo e Liga Insights Agro, pontes fundamentais dentro dessa cadeia de valor.

Atualmente, temos visto algumas grandes movimentações em torno das Food Techs, sejam
elas tratando sobre investimentos ou aquisições, como também sobre discussões relacionadas a novos
alimentos, hábitos de consumo, percepção ambiental, crescimento populacional, entre outras. O fato é
que o tema ganhará cada vez mais força e relevância no cenário de inovação, por atuar diretamente
com indústrias consideradas - inclusive por elas mesmas - tradicionais e “congeladas”.

Não é fácil redirecionar toda a estratégia e o processo produtivo desta indústria para um foco
de inovação no seu core, pois são movimentos gigantescos em torno de mercados massificados e com
uma demanda definida, a de se alimentar. Portanto, as Food Techs surgem nesse cenário como os
agentes catalisadores, capazes de responder de maneira rápida e ágil às novas demandas e desenhos
do mercado.

A população mundial cresce a passos rápidos e as matrizes de produção atuais já se dão conta
de um potencial colapso, seja por questões de demanda, como pela necessidade de insumos e
matérias-primas capazes de responder a isso. Em paralelo, e em um horizonte de tempo mais próximo,
o perfil dos consumidores também vem mudando, pautando a saúde e bem-estar como prioridades,
além de preocupações ambientes, desperdícios, digitalização das interações, custos e até em aspectos
culturais e de opções de dietas alimentares.

O Liga Insights Food Techs tem como objetivo não só discutir como todo esse cenário vem
influenciando na configuração dos mercados, mas mostrar quais estão sendo os desafios e
oportunidades para que as novas tecnologias e startups brasileiras consigam atuar como importantes
atores na construção do futuro do setor e da cadeia de alimentação.

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A LIGA
VENTURES
A Aceleradora
e o Liga Insights
Por meio de programas de aceleração em
diferentes verticais de mercado, eventos e inteligência
setorial, a Liga Ventures é a primeira aceleradora do
Brasil totalmente focada em conectar startups e
grandes corporações, gerando inovação e
oportunidades de negócios para ambos os lados.

Grandes players já estão com a gente, fazendo


da inovação aberta uma realidade! Entre eles, a Porto
Seguro (Oxigênio Aceleradora), AES Brasil, EMBRAER,
Cisco, Intel, TIVIT, Mercedes-Benz, Eaton, Cummins,
Sascar, Ticket Log, Repom, Webmotors, Brink’s, GPA,
Edenred e Unilever. Também somos parceiros no
Brasil da Plug and Play Tech Center, uma das maiores
aceleradoras do Vale do Silício. As startups conseguem
maior alcance no mercado, mais recursos e
aumentam sua rede de contatos. As corporações
inovam mais rápido, acessam novas tecnologias e se
aproximam da cultura empreendedora das startups.

O Liga Insights é uma plataforma de


inteligência que tem como objetivo analisar o
ecossistema brasileiro de startups e trazer para o
público - sejam empresas, startups ou pesquisadores -
visões de como o ecossistema está mudando os
diversos mercados do país.

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em outras listas, aparecendo para empresas que têm
interesse no seu segmento de atuação?
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Boa Leitura!

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5
PROGRAMAS:

NOSSOS EVENTOS:

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Metodologia
O estudo tem como objetivo compreender como o setor de
Alimentos e Bebidas está inovando e de que forma as startups que
apresentam soluções para esse mercado estão sendo desenvolvidas
e aplicadas no Brasil. Após entendimento do mercado e dos temas
que envolvem a área, foi iniciada uma pesquisa para determinar
quais são as inovações tecnológicas disponíveis atualmente e de que
forma elas podem impactar os processos e o atual cenário do
segmento. Aqui foram considerados relatórios, estudos e
informações de fontes como, CB Insights, Embrapa, PitchBook,
EXAME, O Globo, SEBRAE, Época Negócios, Computer World, Revista
12.213
Base total de
PEGN, Nielsen, Euromonitor, DCI, FAO|ONU, Nexo, Portal Terra, startups
McKinsey, EBC, Valor Econômico, Arcluster, The Guardian,
Crunchbase, SVB e outros.

Para entendermos melhor o cenário e importância das


inovações do segmento de alimentos e bebidas, tanto no mercado
brasileiro quanto internacionalmente, entrevistamos mais de 30
empreendedores, profissionais e pesquisadores da área. Entre outras
questões, buscamos entender como eles interpretam as startups que
apresentam soluções e produtos para o setor, as oportunidades
geradas, de que forma estão afetando a área e os principais desafios
para o futuro.

O estudo analisou 12.213 startups brasileiras e, dessas, 332


foram consideradas para a construção do landscape presente neste
estudo. Para a seleção das startups, utilizamos como critério incluir
aquelas que apresentam algum tipo de atividade, serviço e/ou
produto relacionados às áreas das seguintes categorias: Tecnologias
para Produção, Promoção do Varejo, Novos Alimentos e Bebidas,
Logística e Entrega, Gestão do Varejo, Alimentação em Casa e no
Trabalho, Farm-to-table, Marketplace de Alimentos e Delivery,
Marketplace para a Produção, Qualidade e Monitoramento, Serviços
em Bebidas, Informação e Orientação, Shoppers, Reaproveitamento
de Resíduos e Descartes, Marketplace B2B e Novos Canais de Vendas.

O mapeamento das startups foi realizado a partir de diversas


fontes, como inscrições para os programas de aceleração e eventos
da Liga Ventures, a plataforma DisruptBox, recomendações, notícias
em portais de negócios, bases abertas e busca ativa de startups. Por
se tratar de um mercado com mudanças constantes, este estudo é
dinâmico e terá atualizações periódicas para contemplar esses
332
movimentos e expor novas startups que não apareceram nesta Food Techs
versão.
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ENTREVISTADOS

Alex Anton Ana Carolina Bajarunas Augusto Terra Bruna Fausto


Diretor de Estratégia e CEO da Builders e Idealizadora Diretor da Food Diretora de Marketing
Novos Negócios do do FoodTech Movement Ventures do Grupo HEINEKEN
iFood no Brasil

Carlos Martins Christiano Guirlanda Cristina Souza David Miranda


Fundador e CEO da Engenheiro de Alimentos e Diretora Executiva da Coordenador de
Gran Moar Doutorando em Ciência de GS&Libbra Inteligência Competitiva
Alimentos pela UFMG na Flormel

Fabio Bagnara Felipe Carvalho Gilian Alonso Gustavo Guadagnini


Gerente Executivo de Diretor da A Tal da Fundadora da Food Managing Director do
Pesquisa e Desenvolvimento Castanha Finder The Good Food
na BRF Institute Brazil

Gustavo Penna Henrique Namura João Paulo Politano Juliana Glezer


Diretor comercial e Head de Produção e Supply Fundador e CEO da Especialista de
Cofundador da Menu.com.vc Chain na Benjamin A Padaria NetFoods Inovação na Nestlé

Kelly Galesi Lorena Viana Luis FIlipe Carvalho Marcelo Doin


Fundadora do Food Vice-Presidente de Vendas e Fundador da CEO da NoMoo
Academy e Consultora Cofundadora da Biomimetic Hakkuna

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ENTREVISTADOS

Mariana Falcão Mirela Damaso Vieira Nelson Andreatta Pii Chun


CEO da Mr.Veggy Gerente de Digital Innovation Fundador e CEO da Cofundador e CEO da
Lead do Grupo HEINEKEN no Eats for You Marmotex
Brasil

Priscila Sabará Profa. Dra. Valéria Ricardo Voltan Roberto Matsuda


Fundadora e CEO da Monteiro da Silva Empreendedor e Fundador e CEO da
FoodPass Eleutério Pulitano Investidor no mercado Fruta Imperfeita
Coordenadora do curso de de alimentação
Tecnologia em Alimentos
do IFSP

Rodrigo Carvalho Rodrigo Oliveira Ronaldo Portella Sérgio Pinto


Diretor da A Tal da Chef dos Restaurantes Sales Manager South of Latin Gerente Executivo de
Castanha Mocotó e Balaio IMS America, Brazil & Cuba na Inovação na BRF
Electrolux Professional

Steven Rumsey Thais Lima Thalita Antony de Souza Lima Victor Santos
Gerente Geral de Cofundadora da Food Gerente-Geral de Alimentos na Fundador e CEO da Liv
Inovação e Tecnologia Finder ANVISA Up
da Duas Rodas

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Food Techs
As startups que estão
mudando o setor de alimentos
Em comparação a outros segmentos de startups no Brasil –
como Saúde, Varejo, RH, Marketing, Agropecuária –, pode-se dizer
que o conceito e abrangência das Food Techs no Brasil ainda é
incipiente, dentro de um mercado que começa a dar seus primeiros
passos em direção à inovação e utilização de tecnologia em seus
processos e produtos. No entanto, já começam a impactar o setor,
suprindo demandas não cobertas pela grande maioria das
corporações já bem estabelecidas e oferecendo soluções
interessantes para a cadeia de produção e distribuição de
alimentos. Há quem diga, inclusive, que comida é a nova internet,
por conta do seu tamanho, prosperidade e possibilidades de
desenvolvimento.

Existem inúmeras definições para o termo Food Techs e,


apesar de elas não se diferenciarem totalmente entre si, algumas
carregam aspectos adicionais em relação às outras. Há definições,
por exemplo, que consideram startups do mercado de alimentação
Espera-se que o mercado
como aquelas que se utilizam de tecnologia para aprimorar a de Food Techs atinja
cadeia como um todo, seja na produção, distribuição, fornecimento um valor global de
ou pós-consumo dos alimentos. Outros as definem apenas como R$ 980 bilhões
inovações que permitem às pessoas consumirem alimentos mais
saudáveis, acessíveis, frescos, nutritivos e amigáveis para o meio
em 2022
ambiente; ou, então, uma definição mais abstrata: ideias
interessantes que estão alterando o modo de criar, comprar,
estocar, cozinhar e pensar sobre a comida. No fim das contas, sem O número de investidores
assumir nenhuma das definições como absoluta, as Food Techs dentro do segmento
podem ser vistas, de forma mais ampla, como novas tecnologias triplicou
que otimizam e renovam os processos presentes nos elos dentro da nos últimos quatro anos
cadeia de alimentação, ou que consigam, também, oferecer novas
Assim,
ofertas, produtos e inovações diretamente para o consumidor final.
consequentemente, os
Já com uma consolidação mais intensa e notável em países investimentos também
estrangeiros, a categoria já chama atenção em âmbito mundial, são cada vez mais
sendo tema de grandes palestras, eventos, notícias e reportagens expressivos
ao redor do mundo. Não por menos, já que o mercado é
extremamente próspero: segundo o The Food Tech Matters –
instituição britânica que busca conectar empreendedores do setor
com companhias, aceleradoras, investidores e outros players –,
espera-se que o mercado de Food Techs atinja um valor global de
£196 bilhões em 2022, aproximadamente R$ 980 bilhões. Além
disso, o número de investidores dentro do segmento triplicou nos
últimos quatro anos. Assim, consequentemente os investimentos
também são cada vez mais expressivos. De acordo com
informações do PitchBook, até maio de 2018, fundos de Venture
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Capital haviam investido mais de US$ 1,3 bilhão no segmento, praticamente igualando o valor
investido no ano inteiro de 2017 (US$ 1,5 bi).

Parte dos aportes realizados são motivados pelo interesse crescente de gigantes e grandes
corporações e nomes conhecidos mundialmente, dentro ou fora do mercado de alimentação. No
início de 2018, a Tyson Foods, por exemplo, investiu – por meio de seu braço de VC, a Tyson Ventures
– na Memphis Meats, startup de clean-meat, que produz carne de laboratório a partir de células
animais. De acordo com Justin Whitmore, Vice-Presidente Executivo de Estratégia Corporativa e
Diretor de Sustentabilidade da empresa, em comunicado, tal interesse significa novas
oportunidades de crescimento, de forma a entregar aos consumidores novas opções de produtos.
Nesse investimento, a companhia foi acompanhada pela Cargill e nomes como Richard Branson e
Bill Gates.

Em 2013, seis anos atrás, o CEO da Microsoft já enxergava no mercado de alimentação um


ambiente propício para a inovação, por ser, segundo ele, um segmento que pouco mudou nos
últimos 100 anos. Em post publicado no Mashable, expôs sua preocupação em relação ao desafio
de alimentar quase 9 bilhões de pessoas em 2050, enxergando grandes oportunidades para novas
ideias e negócios que possam facilitar o acesso à comida para as pessoas mais pobres,
especialmente quando se fala de proteínas. “Existe uma parte muito interessante relacionada à
física, química e biologia, que envolve as questões de sabor. Os cientistas de alimentos estão
criando alternativas com sabor e textura extremamente similares aos da carne tradicional”, diz em
seu artigo. Além disso, enxerga outra questão fundamental no desenvolvimento desses produtos,
que envolvem a saúde das pessoas e do planeta, já que podem ser mais nutritivos e menos
gordurosos, além de impactarem muito menos o meio-ambiente. Até o momento, Bill Gates já
realizou investimentos nas mais promissoras Food Techs, como a Beyond Meat, Impossible Foods e
Motif Ingredients.

Bill Gates, CEO da Microsoft, acredita que o


mercado da alimentação oferece
bastante espaço para inovação. Um dos
motivos é que a população mundial deve
chegar a 9 bilhões de pessoas em 2050.
Toda essa demanda por comida deve gerar
grandes oportunidades para novas ideias no
setor.

O bilionário Jeff Bezos é outro grande entusiasta do mercado, e sua visão otimista sobre as
Food Techs, inclusive, impacta no varejo alimentar brasileiro. No início de março deste ano, o
homem mais rico do mundo participou de um investimento de US$ 30 milhões na startup chilena
NotCo, que desenvolve produtos com textura e sabor idênticos aos de origem animal, mas à base
de vegetais. O montante investido, segundo notícia publicada pela Exame, será utilizado para
expansão da empresa pelos Estados Unidos e América Latina. A marca deve chegar ao Brasil ainda
em 2019.

Com o crescimento da penetração das Food Techs nos principais mercados internacionais,
é natural que isso acarrete em evoluções e melhorias também no cenário brasileiro. Com um maior
conhecimento sobre as inovações que acontecem mundo afora, é natural que os consumidores
passem a demandar produtos similares no Brasil; novos hábitos e demandas podem ser, portanto,
uma das forças de engrenagem para revolucionar, mesmo que aos poucos, o mercado de
alimentação. E, apesar de ser um segmento considerado “out of date” no aspecto tecnológico, já se
pode enxergar benefícios claros que a tecnologia pode trazer ao setor. “Antes de tudo, a tecnologia
traz acesso à qualidade, que antes não existia tão claramente nos produtos. Além disso, para a
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indústria, são formas de diminuição de custos, aumento do shelf life, desenvolvimento de novos
alimentos, novos ingredientes. O aumento de escala é importante, como novos equipamentos
muito mais produtivos, com menor uso de recursos. Isso revoluciona o processo de produção”, diz
Christiano Guirlanda, Engenheiro de Alimentos e Doutorando em Ciência de Alimentos pela UFMG.
Ainda, de acordo com ele, existe um grande espaço entre a indústria e o consumidor, já que faltam
informações dos dois lados: em um deles, as empresas não conseguem de fato mapear os novos
desejos das pessoas, que, por sua vez, ainda não entendem como as inovações, tecnologias e
startups impactam nos produtos que consomem, mas estão sempre ávidos por novidades.

Tais desejos e necessidades dos consumidores já apresentam consequências positivas no


segmento e abrem espaço para a consolidação de tendências globais também no mercado
brasileiro. As novas gerações, com um estilo de vida diferente em relação às passadas, baseiam seus
hábitos de consumo conforme sua rotina, buscando, cada vez mais, praticidade e conveniência em
sua alimentação. Por conta disso, o setor de Food Service tem registrado crescimentos expressivos
numericamente nos últimos anos, apesar da crise econômica pela qual o país passa, muito por
conta também da consolidação de serviços de delivery como iFood, UberEats e Rappi. Além disso, a
procura por alimentos saudáveis também se mostra notável, em um cenário em que as grandes
marcas têm focado seus esforços no lançamento de produtos mais nutritivos, com menos teor de
açúcar, gorduras e sódio. Atualmente, o Brasil ocupa a 5ª posição no ranking de países quando se
trata do consumo de alimentos saudáveis. Enxergando todo esse panorama, existem Food Techs já
atuando nessas áreas, sendo com soluções de gestão para os atores da cadeia de Food Service,
novos modelos de delivery e modelos de negócio que giram em torno da alimentação saudável.

Em relação a grandes desafios, existem dois principais que orbitam o mercado – e que
trazem consigo grandes oportunidades para a criação de soluções –, relacionados à
sustentabilidade na produção e a diminuição do desperdício de alimentos. Seja produzindo mais
com menos, diminuindo o impacto do setor no meio-ambiente, reutilizando produtos e resíduos
que seriam, a priori, jogados fora, ou pensando em formas concretas de mitigar o desperdício, certo
é que se espera a capacidade de alimentarmos um número cada vez maior de pessoas, o que talvez
represente dos maiores desafios mundiais. Isso porque mais de um bilhão de toneladas de
alimentos é desperdiçada anualmente dentro da cadeia, número que tende a crescer juntamente
com a produção. Ainda, os consumidores também cobram muito mais das marcas que consomem,
exigindo transparência sobre a atuação delas em relação à preservação do planeta. De acordo a
pesquisa global Environment Research, da Tetra Pak, de 2017, 95% dos entrevistados brasileiros
acreditam que questões ambientais serão ainda mais relevantes nos próximos anos.

O Brasil é 5o país no
ranking de maiores
consumidores de
produtos saudáveis

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Pensando em iniciativas que poderiam nascer a partir desses desafios, existe ainda um espaço para
amadurecermos em termos de investimentos em inovação e startups no setor, principalmente pela
fase inicial do mercado – seja ela relativa à abertura dos players do segmento para receber
inovações ou à falta de modelos mais concretos de negócio das Food Techs –, ou questões culturais
e mercadológicas. Segundo Ana Carolina Bajarunas, CEO da Builders Construtoria e Idealizadora do
FoodTech Movement, existe ainda um baixo nível de acesso à tecnologia dentro do setor. “Há duas
questões principais, a de mindset, que é natural e acontece na maioria das empresas, e uma
questão de pouco acesso à tecnologia de ponta. Grande parte dos empreendedores estão olhando
para a necessidade do consumidor e a entrega direta, serviços que não necessariamente precisam
envolver alta tecnologia. Já existe o uso de inteligência artificial e machine learning em alguns
casos, mas ainda é irrisório. É preciso aproximar mais as universidades e os cientistas desta
conversa, para tornar a discussão ainda mais profunda”, declara ela.

1 bilhão de Esse número tende a


crescer ainda mais com
toneladas o aumento da produção
De alimentos é
desperdiçada anualmente

Nesse sentido, movimentos começam a surgir no


setor - como é o caso do próprio FoodTech Movement -,
como forma de guiá-lo mais rapidamente em direção à
inovação e conexão com o ecossistema de startups, abrindo
espaço para grandes oportunidades. O Food Academy,
como outro exemplo, já está em atuação e busca formar
empreendedores do segmento de alimentação, justamente
para torná-los maduros para o mercado. Outras iniciativas,
sejam programas de aceleração apoiados por grandes
empresas, institutos focados no desenvolvimento de
tecnologias específicas ou abertura de espaços voltados à
integração entre os vários players da cadeia, começam a ser
mais numerosas e tornam mais ágil o ritmo de
transformação do setor. Além disso, são importantes dentro
do processo de consolidação de novas tecnologias, que às
vezes podem parecer muito distantes da realidade brasileira.
É o caso, por exemplo, do desenvolvimento e concepção de
novas proteínas, como as carnes produzidas em laboratório
e o consumo de insetos, que ainda enfrentam resistência no
Brasil, por questões culturais e dificuldade de produção e
desenvolvimento. Por outro lado, produtos plant-based,
alternativos aos de origem animal, já começam a ganhar
espaço na mesa dos brasileiros, impulsionados pelo
crescimento do número de veganos e vegetarianos no país,
sempre interessados em opções que preencham suas
demandas nutricionais.

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ENTRE_
VISTA
Como você enxerga a relação entre
alimentação e tecnologia?
Acredito que, se bem aplicada, ela é muito
proveitosa. Tecnologia é um pilar da inovação. E
por tecnologia não entendo necessariamente os Rodrigo Oliveira, Chef do Restaurantes
novos equipamentos, altamente complexos. A Mocotó e Balaio IMS
inserção de novas tecnologias, no sentido amplo,
na alimentação, está intimamente ligada à No primeiro caso, alimentos orgânicos, já vemos
tradição. Como disse um historiador italiano, países inteiros mobilizados na diminuição e até
tradição é uma inovação que deu certo. A extinção de agrotóxicos. No caso de consumo de
questão que precisamos estar atentos é a carne, ainda que não se tenha grandes
finalidade e as conseqüências dessa tecnologia movimentos dos Estados Nacionais, há um
empregada, se ela é ambientalmente crescimento expressivo do número de
responsável, se irá melhorar a experiência que vegetarianos e veganos. Por fim, o movimento
estou proporcionando. das PANC (Plantas Alimentícias não
Convencionais) veio para ficar - existem muitos
Como o mercado de alimentação e Food restaurantes adotando capuchinha, taioba,
Service podem se utilizar de tecnologia, diferentes arrozes e feijões em seus cardápios.
inovação e startups para otimizar processos? Nos três casos, vejo um motivo maior: nosso
Não vejo uma única forma, pois existem muitos modelo de consumo, de forma geral, vem se
modelos de negócio. Acredito que hoje, assim mostrando danoso para as pessoas e para o
como em outros segmentos, esses elementos são planeta. Para as pessoas porque consumimos
essenciais para qualquer negócio. Mesmo um produtos de baixa qualidade, que prejudica nossa
restaurante que se proponha a ser artesanal, por saúde. Para o planeta, porque estamos tirando
exemplo, que produza sua própria farinha ou que dele muito mais do que deveríamos, sem a
plante sua verdura, vai envolver tecnologias em capacidade dele se recuperar. Esse grande
outros processos, como softwares para controle modelo de consumo precisa ser revisto e nessa
de estoque, ou uma startup para otimizar algum revisão entram tendências como as citadas.
processo ou área do restaurante. Também
acredito que tecnologia e inovação não precisam Você é considerado um dos chefs mais
ter a imagem estereotipada que carregamos inovadores do país. Para você, o que significa
dela. inovação quando se trata de alimentação?
Acredito que a comida, antes de tudo, precisa ser
O que você enxerga de tendências no setor de boa. Boa para o paladar, boa para o corpo e para o
alimentação? ambiente. Por isso, estamos sempre disponíveis a
Vejo três tendências principais mais claras: o uso fazer diferente o que fazemos hoje. Nos nossos
de alimentos orgânicos, a diminuição do restaurantes estamos constantemente revendo
consumo de carne e a maior diversidade de um processo de trabalho para que possamos
vegetais consumidos. No primeiro caso, encontrar uma forma melhor de fazê-lo. Nada
alimentos orgânicos, já vemos países inteiros está acabado e tudo pode ser posto a prova. Isso
mobilizados na diminuição e até extinção de para mim é inovação. Não trabalhamos com
agrotóxicos. No caso de consumo de carne, ainda dogma e sim com o melhor jeito que
que não se tenha grandes movimentos dos encontramos para fazer aquilo que fazemos hoje.
aaaaaaaaaa

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CATEGORIAS
As 16 áreas de soluções
Após pesquisarmos as áreas de soluções no setor, o próximo passo na confecção do material
foi buscar e fazer a curadoria das startups brasileiras que estão oferecendo algum tipo de solução
para a área, resolvendo problemas, facilitando processos ou inovando entregas. Para isso, agrupamos
as 332 startups encontradas em 16 categorias explicadas a seguir:

Alimentação em Casa e no Trabalho


Startups que oferecem serviços e produtos relacionados à disponibilidade de alimentos de modo
conveniente para as pessoas em suas casas ou trabalho.

Farm-to-table
Startups que trazem soluções aplicadas ao conceito farm-to-table, ou seja, que conecta a
produção diretamente ao consumidor final.

Gestão do Varejo
Grupo de startups formado por soluções que auxiliam na gestão dos PDVs de restaurantes, bares
e outros estabelecimentos conectados à alimentação.

Informação e Orientação
Plataformas e soluções que orientam os usuários com relação aos hábitos de alimentação,
nutrição, restrição alimentar, entre outras frentes.

Logística e Entrega
Startups que apresentam soluções para suportar o processo logístico e de entrega de empresas
com produtos no ramo alimentar..

Marketplace de Alimentos e Delivery


Soluções que reúnem e unem as pontas para a compra e venda de alimentos, seja para consumo
imediato ou não, sendo que algumas também atende o delivery.

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Marketplace B2B (indústria, distribuidores e varejo)
Visam atender às demandas do varejo e distribuição de alimentos, para que bares, restaurantes e
outros pontos de vendas acessem itens com preços mais em conta e variedade de itens.

Marketplace para a Produção


Startups que apresentem soluções de e-commerce e marketplaces com itens para a área,
auxiliando na oferta de insumos e ferramentas para o setor produtivo..

Novos Alimentos e Bebidas


Startups que desenvolvem novos produtos no segmento de alimentos, com base em tecnologias,
para atender novos mercados, hábitos e necessidades.

Novos Canais de Vendas


Soluções que criam novos canais para o varejo de alimentos, usando de inovação e tecnologia
para facilitar o processo e oferecendo novas oportunidades de ganhos para o setor.

Promoção do Varejo
Startups que trabalham promocionando produtos, serviços e empresas no segmento alimentar,
oferecendo possibilidades de maior visibilidade e vendas.

Qualidade e Monitoramento
Plataforma e ferramentas que auxiliam no controle e monitoramento da qualidade de itens
alimentares, seja em sua produção, no ponto de venda e até no consumo direto e individual.

Reaproveitamento de Resíduos e Descartes


Startups que apresentam soluções e tecnologias que suportam o processo de gestão de resíduos
alimentares e descartes na alimentação, inovando na forma de tratar esses produtos.

Serviços em Bebidas
Startups que oferecem serviços e soluções em torno do segmento de bebidas, como
marketplaces, distribuição, entre outros.

Shoppers
Soluções que oferecem o serviço de compradores pessoais - os shoppers, com o objetivo de
facilitar e tornar o processo de compras mais conveniente.

Tecnologias para Produção (Biotecnologia / Hard Sciences)


Grupo de startups formado por soluções que tratam a biotecnologia e hard sciences aplicada à
cadeia de alimentação, desde sua etapa de produção, até a ponta de reutilização e resíduos.

16
Quer
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inovação
na sua
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EVENTOS, TENDÊNCIAS, CASES E INSIGHTS.

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LANDSCAPE
332 STARTUPS
www.insights.liga.ventures

Informação e Orientação
Alimentação em Casa e no Trabalho | 20 empresas Farm-to-table | 18 empresas Gestão do Varejo | 28 empresas 9 empresas

Marketplace de Alimentos e Delivery


Logística e Entrega | 28 empresas Finance & Insurance | 18 empresas
18 empresas Marketplace B2B (indústria, distribuidores e varejo) | 7 empresas Novos Alimentos e Bebidas | 43 empresas

Marketplace para a Produção | 14 empresas

Novos Canais
de Vendas | 3 empresas Promoção do Varejo | 53 empresas

Qualidade e Monitoramento
15 empresas

Reaproveitamento de Resíduos e Descartes


7 empresas Tecnologias para Produção (Biotecnologia / Hard Sciences) | 53 empresas

Shoppers
Serviços em Bebidas | 10 empresas 6 empresas

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ENTRE_
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Como vocês avaliam o mercado de Food Techs?


O mercado de alimentos e bebidas é muito
dinâmico e está em constante evolução, por isso
acreditamos na inovação e tecnologia como
ferramentas essenciais para acompanhar esse
ritmo de transformação. Nós enxergamos o
mercado de Food Techs no país como uma grande
oportunidade para todos os players se
desenvolverem cada vez mais, acompanhando o
mercado e entregando produtos de qualidade.
Tainá Rodrigues, Solutions PM - Tech Sustainability
Como as mudanças de hábitos de consumo na Ambev
impactam o mercado de alimentos e bebidas?
Os hábitos dos consumidores e o mercado em si Como as grandes empresas podem estimular o
estão em constante evolução, por isso trabalhamos ambiente de Food Techs?
com foco na inovação de nossos produtos e As grandes empresas podem estimular o
processos. Com isso, oferecemos produtos de alta crescimento de startups do segmento de diversas
qualidade e adequados ao paladar diverso do maneiras, como cedendo espaço físico e
brasileiro. Além disso, para nós, toda a cadeia aparelhagem para que elas possam desenvolver
produtiva importa – tudo começa no campo, testes e pesquisas, e compartilhando ferramentas e
passando pelas cervejarias, se estendendo aos conhecimentos aplicados dentro das próprias
bares, restaurantes, supermercados e outros empresas.
pontos de venda e terminando no copo dos nossos
consumidores. Para 2025, dentre as metas Como vocês se relacionam com startups?
socioambientais estabelecidas pela companhia, Desenvolvemos uma aceleradora que conta com
está a de Agricultura Inteligente, que prevê termos, apoio institucional do Pacto Global da Organização
no período, 100% de nossos agricultores parceiros das Nações Unidas (ONU), para identificar soluções
treinados, conectados e com estrutura financeira ambientais que contribuam com os desafios que
para desenvolverem um plantio cada vez mais nos propusemos a enfrentar pela construção de
sustentável. Em paralelo, buscamos desenvolver um mundo melhor. Foram mais de 600 soluções
produtos que vão ao encontro desses novos inscritas em 2018 (400 eram do Brasil). As 11
hábitos de consumo. A marca Do Bem é um startups finalistas tiveram a oportunidade de
exemplo, que tem um foco em saudabilidade com apresentar seus projetos nas áreas de gestão de
seus sucos, água de coco e produtos veganos. água, agricultura sustentável, embalagem circular
e mudança climática a representantes de fundos
Quais são os grandes desafios que existem na de investimento de alto impacto e stakeholders de
indústria de alimentação e bebidas atualmente? sustentabilidade e da área acadêmica, além de
O principal desafio é a mudança constante do executivos da cervejaria. A Maneje Bem, startup de
mercado, o que exige agilidade das empresas para Florianópolis (SC) fundada por três mulheres, foi
se adequarem rapidamente às novas exigências e escolhida como a vencedora, apresentando uma
preferências dos consumidores. Com isso, tendo ferramenta que oferece assistência técnica aos
em mente o perfil e estilo de negócio das startups, agricultores familiares para aumentar sua
que costumam resolver problemas e desenvolver produtividade e garantir a qualidade dos
os mais variados projetos de forma ágil e eficaz, alimentos/matéria prima que cultivam, com o
podendo ser aliadas importantes desse processo. intuito de ajudar 200.000 agricultores até 2030.

19
LISTA DAS STARTUPS POR CATEGORIA

STARTUPS SITE
alimentto www.alimentto.com
Apptite www.apptite.com
Alimentação em Casa e no Trabalho (20)

Beleaf www.beleaf.com.br
Chef Meat www.chefmeat.com.br
Cheftime www.cheftime.com.br
Do Bacon dobacon.com.br/
Eats for You www.eatsforyou.com.br/
FeelJoy feeljoy.com.br/
GastroBox gastrobox.com.br
Have a Coffee www.haveacoffee.com.br
le chef brasil www.lechefbr.com
Liv Up www.livup.com.br
LocalChef www.localchef.com.br
Lucco Fit www.luccofit.com.br/
Made in Natural madeinnatural.com.br
Mandala www.mandalacomidas.com.br/
Marmotex www.marmotex.com/
Perks Break perksbreak.com
The Market www.themarket.com.br
VYA vya.com.br

STARTUPS SITE
BeGreen www.begreen.farm
Clube Orgânico www.clubeorganico.com
Colheita Direta www.colheitadireta.com.br
Comida da Gente comidadagente.com/
Direto da Roça www.diretodaroca.net.br
Farm-to-table (18)

Farm Fresh farmfresh.com.br/


Gestor Orgânico gestororganico.com.br/
Onisafra onisafra.com
Orgânicos da Vila organicosdavila.com.br/
Orgânicos in Box organicosinbox.com.br/
Pede Sabores pedesabores.com.br
Pink Farms www.pinkfarms.com.br/
Plantário www.plantario.com.br
Ponto Verde Orgânicos pontoverdeorganicos.com.br/
Raizs www.raizs.com.br/
Sumá appsuma.com.br/
Tribo Viva triboviva.com.br/sobre
Ubaia cestas de saúde www.portalubaia.com.br

20
STARTUPS SITE
5mart www.5mart.com.br
Alyment www.alymente.com.br/
Becon becon.com.br
Chatfood www.chatfood.club/
DriveTrue Delivery www.drivetrue.com.br
Easemix Varejo Inteligente www.easemix.com
eMercado emercadoapp.com
FxData www.fxdata.com.br/
Gobots www.gobots.com.br/
Goomer goomer.com.br/
Gestão do Varejo (28)

Hand in Food www.handinfood.com.br/


Harlio www.harlio.com/
isyBuy www.isybuy.com
Mediar Solutions www.mediarsolutions.com
Menyoo menyoo.me
Nama nama.ai/
Omni.Chat www.omni.chat/
Onyo www.site.onyo.com/
Ouvi www.ouvi.com.br
Pedelogo pedelogo.online/
Pluginbot www.pluginbot.ai/
Primeira Mesa www.primeiramesa.com.br
Realize Hub realizehub.com
Seed Digital www.seeddigital.com.br/
Take take.net/
Talkall www.talkall.com.br
Ubots www.ubots.com.br/
VocêQpad app.voceqpad.com.br/

STARTUPS SITE
Informação e Orientação (9)

Home Chefs homechefs.com.br

iLergic - Saúde além do Rótulo ilergic.com

ManejeBem www.manejebem.com.br/

N2B Brasil www.n2bbrasil.com

Nutrebem nutrebem.com.br/

Nutrieduc nutrieduc.com.br

Nutrisoft nutrisoft.com.br/

Pip Recipes piprecipes.com/

We seek Food weseekfood.com/

21
STARTUPS SITE
AddLog www.addlog.com.br/
Aware Logistics www.awarelog.com
B2Log www.b2log.com
Balcão Balcão www.balcaobalcao.com.br
BRASIL FRETES www.brasilfretes.com.br
Carbono Zero www.carbonozero.com.br
CollectSpot collectspot.com/
Delivery Much www.deliverymuch.com.br/
dLieve www.dlieve.com/
Eu Entrego www.euentrego.com/#/
Logística e Entrega (28)

Frete Rápido freterapido.com/


goFlux www.goflux.com.br
Intelipost www.intelipost.com.br/
Levoo levoo.com.br/
Loggi www.loggi.com/
Mandaê www.mandae.com.br/
Melhor Envio www.melhorenvio.com.br/
Omniturn www.omniturn.com.br
Pedala www.pedala.eco.br
PegaKi www.pegaki.com.br/
Pegueleve www.pegueleve.com
Polifrete www.polifrete.com
QIRÁ www.qira.com.br
Rapiddo www.rapiddo.com.br/home
SimpliRoute www.simpliroute.com
Troque Fácil www.troquefacil.com.br/
Uello www.uello.com.br/
web rota www.webrota.com.br

STARTUPS SITE
Marketplace B2B - indústria,
distribuidores e varejo (7)

Cotabest www.cotabest.com.br

Food Fitting www.foodfitting.com

Food Truck www.foodtruck.com.br/

Luckro www.luckro.com/

Menu.com.vc menu.com.vc/

Minnis minnis.com.br/

Netfoods www.netfoods.com.br/

22
STARTUPS SITE

Aiqfome www.aiqfome.com/

Alfred Delivery alfreddelivery.com/

Allps Alimentos Saudáveis www.allps.com.br/


Marketplace de Alimentos e Delivery (18)

Appedidos appedidos.com.br

Box Delivery boxdelivery.com.br/

Cesta Feira cestafeiraorganicos.com.br/

ConnectFOOD connectfood.com.br

Fresh Organicos freshorganicos.com.br

FooDivine www.foodivine.com.br

Greens Market www.greens.market/

Hamgo hamgo.com.br

Ifood www.ifood.com.br/

Mercadinho On mercadinhoon.com.br

Natue www.natue.com.br/

OneMarket www.onemarket.com.br/

Organomix www.organomix.com.br/

Robin Food www.robinfood.com.br

Upaladar www.upaladar.com.br

STARTUPS SITE

AgriMart www.agrimart.com.br

Agrofy www.agrofy.com.br/
Marketplace para a Produção (14)

Alpago www.alpago.com.br/

C4 Cientifica c4cientifica.com.br

CBC Agronegocios www.cbcagronegocios.com.br

Cofferoo www.cofferoo.com

E-ctare www.ectare.com.br/

Grão Direto www.graodireto.com.br/

Içougue icougue.com

Izagro www.izagro.com.br

Karavel www.karavel.co/

Rural Sale www.ruralsale.com.br

Thebestcoffeeinbrazil www.thebestcoffeeinbrazil.com/

YouAgro www.youagro.com/

23
STARTUPS SITE
A Tal da Castanha ataldacastanha.com.br/
Ama-o www.amaofoods.com
Amazon Fruit Food amazonfruitsofficial.com
Amázzoni Gin www.amazzonigin.com/
Baer-Mate www.baermate.com/
Behind the Foods www.behindthefoods.com.br/
BR Spices www.brspices.com.br/
Brazil Beef Quality bbq-br.com
CeliVita Gluten Free www.celivita.com.br
Chock chock.com.br
Desinchá www.desincha.com.br/
Dr. Stanley www.drstanley.com.br/
Energia da Terra www.energiadaterra.com.br
Estação Solar estacaosolar.com.br/
Novos Alimentos e Bebidas (43)

Fazendafuturo www.fazendafuturo.io/
Feitosa Gourmet Feitosagourmet.com.br
Gold & Ko www.gold-ko.com.br/
Hakkuna hakkuna.com/
Hisnëk www.hisnek.com/
HolyNuts holynuts.com.br/
Inovamate www.inovamate.com.br
Jumbaí jumbai.com.br/
Lergurmê legurme.com.br/
Libre Alimentos www.librealimentos.com.br
Life Mix lifemix.com.br/
Mais Mu www.lojamaismu.com.br/
Nacho Loco nacholoco.com.br/
NoMoo www.nomoo.com.br/
Nossa Fruta nossafrutabrasil.com.br/
Noviga www.novigapartner.com.br/
Nutfree www.nutfree.com.br
Ocean Drop www.oceandrop.com.br/
PADARIA DOS BEBÊS www.padariadosbebes.com.br
Pic-Me www.picmenatural.com.br/
Pipó Gourmet www.pipogourmet.com.br
Purifica purifica.eco.br
Qfir www.qfir.com.br/
Rock 'n Roll Jam www.rocknrolljam.net
Roots To Go rootstogo.com.br/
Smart Food fit www.smartfoodfit.com.br
Solea Foods www.soleabrasil.com.br/
Tao Kombucha www.taokombucha.com/
We Wish wewi.com.br/

STARTUPS SITE
Vendas (3)
Canais de

Numenu www.numenu.info/
Novos

Snack car www.snackcar.com.br

Zuppitos www.zuppitos.com

24
STARTUPS SITE
Chefs Club www.chefsclub.com.br/
Cliente Fiel appclientefiel.com.br
Collact www.collact.com.br/
Compro e Ajudo www.comproeajudo.com.br/
Cupom Valido www.cupomvalido.com.br
Cuponeria www.cuponeria.com.br/
Cuponomia cuponomia.com.br
Dinvo www.dinvo.com.br/
DisputeClick www.disputeclick.com.br
Donuz www.donuz.co/site/
Dotz www.dotz.com.br/
Encart.es www.encart.es
FideliMax www.fidelimax.com.br
Fidelizi fidelizii.com.br/
Flowsense flowsense.com.br/
FoodPass foodpass.com.br/
Fronter fronter.com.br
Get In App www.getinapp.com.br/
GETMORE www.getmore.com.br
GoFind gofind.online
Guiato www.guiato.com.br/
homelist www.homelistapp.com.br
Promoção do Varejo (53)

InLoco inloco.com.br/
IZIO www.izio.com.br
Likin Do www.likin.do/
Mangos www.mangos.com.br/
Meliuz meliuz.com.br
Mercasy www.mercasy.com.br
Multifidelidade www.multifidelidade.com.br/multi/
O Polen www.opolen.com.br
Oktoplus www.oktoplus.com.br
Peixe Urbano www.peixeurbano.com.br/
Pelando www.pelando.com.br
Ponki Marketing www.ponki.com.br
Poup poup.com.br
PratoChef www.pratochefapp.com
Promobit promobit.com.br
Proxmobi proxmobi.com
Rede Parcerias www.redeparcerias.com
Reservatio www.reservatio.com.br
ReservLy reservly.com.br/
Risü www.risu.com.br
RunApp gonow.run/
Samplify samplify.com.br
Semsenha.com www.semsenha.com
Smartprice www.smartpriceapp.com.br
Topa www.apptopa.com.br
UpPoints uppoints.com/
Win Money www.winmoney.com.br/
WSpot www.wspot.com.br/
Zaply www.zaply.com.br/
Zmiles www.zmiles.com.br
Zygo https://site.zygotecnologia.com

25
STARTUPS SITE
Alimentares www.alimentares.com/
Amachains www.amachains.com
Qualidade e Monitoramento (15)

Cromai www.cromai.com/
Dooile www.dooile.com
FOODTECH www.foodtechconsultoria.com.br
if. Intelligent Foods intelligentfoods.com.br/
MVisia www.mvisia.com.br
Nexxto nexxto.com/
PackID www.packid.com.br
Quiper Fresh www.quiperfresh.com.br
Reciclapac reciclapac.com/
Safe Trace www.safetrace.com.br
Senfio www.senfio.com/
TBIT www.tbit.com.br
Trofitic trofitic.com/

STARTUPS SITE
Reaproveitamento

Brotei brotei.com.br/
de Resíduos e
Descartes (7)

Comida Invisível comidainvisivel.com.br/


Desperdício Zero www.facebook.com/desperdiciozero2019/
Food Finder foodfinder.eco.br/
Fruta Imperfeita frutaimperfeita.com.br/
Ndays www.ndays.com.br/
Saveadd www.saveadd.com.br/

STARTUPS SITE

BeerGO beergo.app
Serviços em Bebidas (10)

Chopp Fácil www.choppfacil.com.br

ChoppUp www.choppup.com.br

Ecooler www.ecooler.com.br

Evino www.evino.com.br/

Oh Beer! ohbeerapp.com

QrDrinks qrdrinks.com

Rapidili www.rapidili.com/

Saidera Brasil www.saiderabrasil.com.br


Wine www.wine.com.br/

STARTUPS SITE
Home Refill www.homerefill.com.br
Shoppers (6)

INSTASHOP instashop.net.br
Shopper shopper.com.br
Shoppr shoppr.com.br
Supermercado Now www.supermercadonow.com
Suub suub.me

26
STARTUPS SITE
Achilles Genetics www.achillesgenetics.com.br
Agricast www.agricast.com.br
Agrointeli agrointeli.com.br/home/
Arborea Biotech www.arboreabiotech.com/
AS31 - QualiSticker biostartuplab.org.br/startup/as-31/
Atlântica Sementes www.atlanticasementes.com.br/
Bejo www.bejo.com.br
Bio Bureau www.biobureau.com.br/
BioClone www.bioclone.com.br
BioLogicus www.biologicus.com.br/
Biomimetic www.biomimeticsolutions.com.br/
Biopolix www.biopolix.com.br/
Biosolvit www.biosolvit.com
Tecnologias para Produção (Biotecnologia / Hard Sciences) (54)

Bioware www.bioware.com.br/
BPI bpibiotecnologia.com.br
C4 Biotecnologia www.c4biotecnologia.com.br
Carbosolo www.cietec.org.br/project/carbosolo/
Cerrado Científica www.cerradocientifica.com.br
CiaCamp www.linkedin.com/company/ciacamp/
Defensive Agrovant www.defensiveagrovant.com.br/
Diagene www.ucb.br/
Elysios elysios.com.br
Farmacore www.farmacore.com.br/
Feeling Food superaparque.com.br/empresas/
Fermentec www.fermentec.com.br/
Gentros gentros.com.br/
GoGenetic www.gogenetic.com.br/
Gran Moar www.linkedin.com/company/granmoar/
In Vitro Brasil invitroclonagem.com.br
Inovagro superaparque.com.br/empresas/
Inprenha www.inprenha.com.br
Invitra www.invitra.com.br/
Kayros www.kayrosambiental.com.br
Nanomix www.nanomix.co
Nanotropic www.nanotropic.com.br
Neoprospecta neoprospecta.com
Ogawa www.ogawabiocycles.com
Pangea biotec www.pangeiabiotech.com/
PEXON NANOTECHNOLOGY www.pexon.com.br
Phyll phyll.co/pt/
Plante Sempre www.plantesempre.com.br/
Pro-Clone www.proclone.com.br/
ProbioCau www.facebook.com/ProbioCau-1296494150445509
Probiom www.probiom.com.br/
ProdutorAgro www.produtoragro.com.br/
Scheme Lab www.schemelab.com
SEAS Agro www.seasagro.com
SoluBio solubio.agr.br
Superbac www.superbac.com.br
Verdatis verdartis.com.br/
Vigns www.vignis.com.br/
WTA www.wtavet.com.br/
Ylive ylive.com.br/

27
FOOD TECHS SURGEM PARA SUPRIR AS
NECESSIDADES DA POPULAÇÃO

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De acordo com as últimas projeções da Organização das Nações Unidas (ONU), a população
mundial aumentará de 6,8 bilhões para 9,1 bilhões em 2050, o que significa que a demanda por
alimentos também crescerá. São esses fatores que estão inspirando diversas pessoas a se aventurarem
no universo alimentício para suprir as necessidades deste segmento e fortalecê-lo.

Hoje, esta é uma das verticais que mais crescem no Brasil, apesar do movimento ainda ser
novo no país. Por esse motivo, empresas como a iFood, maior e mais conhecida foodtech brasileira
especializada em entregas por aplicativo, têm se destacado no cenário nacional. Ela descobriu um
nicho no mercado que estava precisando de atenção e hoje é a principal referência quando se trata de
pedir comida à domicílio.

Mas este não é o único segmento explorado por empresas que desenvolvem tecnologias para
auxiliar os consumidores no processo de compra de alimentos. De 2013 a 2018, diversas Food Techs
inovadoras passaram pelo InovAtiva Brasil, o maior programa de aceleração de startups da América
Latina, e mostraram todo o seu potencial para aprimorar o mercado.

> Comida caseira: Muitas pessoas têm procurado por aquilo que chamam de ‘comida de verdade’,
fugindo um pouco dos fast foods e congelados tradicionais. Tendo isso em vista, a LocalChef criou uma
tecnologia que conecta consumidores a chefs autônomos de cozinha. Pela plataforma é possível pedir
pratos para almoço, kits para refeições semanais, kits customizados, pratos para festas, bolos e doces.

> Alimentação fora do lar: Outra vertente em expansão é a de alimentação fora do lar. Para ajudar os
trabalhadores que precisam otimizar o horário de almoço foi criado o VocêQpad, um aplicativo de
autoatendimento focado no segmento de foodservice que funciona no formato de marketplace.
Portanto, os estabelecimentos (restaurantes/bares/lanchonetes) parceiros disponibilizam o seu
cardápio no app que, após baixado pelo usuário, o cliente escolhe o que vai consumir, faz o pagamento
com seu cartão ou voucher (vale refeições) cadastrado previamente e retira seu pedido quando pronto.
Sem esperas, sem fila.

> Comida saudável: A Liv Up é uma startup brasileira que produz, comercializa e entrega alimentos
saudáveis a consumidores de grandes centros urbanos, onde há demanda por conveniência e
comodidade. Atualmente, a empresa oferece refeições e porções ultracongeladas, snacks, lanches e
pastas: um menu para comer bem o dia todo, a qualquer hora.

> Delivery de supermercados: Com o eMercado, o cliente do food service consegue organizar suas
compras, comparar preços, criar alertas e outras funcionalidades. Enquanto isso, os supermercados
podem ver de forma gráfica e visual como está a estratégia dos concorrentes. Complementando este
serviço, o Supermercado Now, uma das maiores plataformas de supermercados online, permite uma
compra completa, inclusive de alimentos frescos, de uma forma prática e rápida. Por meio de
shoppers, compradores pessoais, as compras são feitas no próprio mercado e entregue à domicílio. O
consumidor pode descrever exatamente sua lista, inclusive, escolher o estado de maturação e
quantidade exata de produtos.

Enfim, como podemos ver, são inúmeras as verticais em que o setor de Food Techs pode
apostar e, consequentemente, fortalecer todo o ecossistema de inovação, tendências e soluções que
atendam a população.

28
DEMOGRAPHICS

Por Categoria

SP (56%) São Paulo (39%)


Foram
RJ (8%) Rio de Janeiro (7%) mapeadas
Por Cidade e startups em
SC (7%) Curitiba (4%) 82 cidades
Estado em 16
MG (7%) Porto Alegre (4%) estados
diferentes
RS (6%) Campinas (4%)

Por Ano de
Fundação

29
ENTRE_
VISTA
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Como a Cargill analisa as Food Techs no Brasil?


Na Cargill temos o foco de garantir que as pessoas
tenham acesso a alimentos seguros, nutritivos e
acessíveis e sabemos que não será possível fazermos
isso sozinhos. A diversidade cultural presente no
Brasil é um importante fator para o surgimento de
inovação para o setor. O País conta com empresas,
universidades e instituições de pesquisa de alta
qualidade em alimentos e que podem ser
protagonistas nesse processo. Mais que tecnologia
por tecnologia, procuramos inovações que façam
diferença para os clientes e consumidores. Buscamos Carlos Prax, Diretor de Pesquisa e Desenvolvimento
ser promotores da retomada do crescimento e da para América do Sul na Cargill
competitividade do Brasil. Alguns fatores que podem
acelerar esse processo são a colaboração entre as competitivas e mais ágeis, além de possíveis
organizações, o crescimento das exportações e a parcerias com as empresas de alimentos e do
demanda dos consumidores. varejo. No nosso caso, buscamos trabalhar com
startups em diversos modelos, não apenas para
De que forma os novos hábitos de consumo potencializar nossos negócios como também para
afetam e mudam os rumos do setor? desenvolvermos novos modelos negócios.
O consumidor precisa se alimentar melhor, com
produtos de melhor qualidade e com um custo A Cargill já se relaciona com Food Techs?
acessível. Além disso, as necessidades são cada vez Apoiamos e estamos buscando parcerias com
mais específicas, o que abre possíveis novos startups em vários estágios de maturidade e
mercados em vários nichos. Como empresa modelos de atuação. Já atuamos com startups em
acreditamos que o consumidor deve dispor de estágio inicial e com foco social, e agora estamos
excelentes opções para que possa escolher de estruturando atuação com os negócios. Em relação
acordo com seus valores e necessidades. Então ao foco social, liderado pela Alice Damasceno, nossa
trabalhamos com várias indústrias para reconhecer gerente da Fundação Cargill, atuamos há mais de 3
essas tendências e desenvolver novos produtos anos buscando impacto positivo na área da
atendendo às mais diversas necessidades. A atuação alimentação. Já trabalhamos com a Artemisia na
com tecnologias digitais também alavancam esses identificação de oportunidades com startups na
objetivos. cadeia da alimentação como, por exemplo, a Sumá.
No ano passado aceleramos 16 startups e 3 delas
Quais são os grandes desafios que existem nesta receberam um prêmio de destaque: Enjoy,
indústria? Como as startups podem ajudar? InQuímica e Eats for You. Junto aos negócios,
O varejo no Brasil vem sofrendo muito nos últimos atuamos em nosso Centro de Inovação em
anos pelas condições macroeconômicas e pelas Campinas no desenvolvimento de diversas soluções
transformações dos hábitos de consumo, trazendo para o mercado e para nossos clientes. Mais
necessidades de mudança também para todas as recentemente, estamos abrindo as portas para
empresas que atuam na cadeia de valor de parcerias também com startups e Food Techs que
alimentos. Existem oportunidades em toda a cadeia, queiram acelerar conosco oportunidades de
principalmente pensando em sustentabilidade e em inovação. Globalmente temos investimentos em
novos modelos de negócios, nos quais tecnologias startups que estão trabalhando com proteínas
digitais trazem amplas oportunidades. startups vegetais com a Puris e carne cultivada com a
buscarem atuação onde conseguem ser mais Memphis Meats, por exemplo.
aaaaaaaaaa

30
Aprofundamento
Um prato meio cheio: a cadeia de
Food Service e as tendências que
já são realidade
Por se tratar de um segmento cujo consumo é baseado em
necessidades e desejos, não existem formas de o mercado de
alimentação escapar das tendências e hábitos apresentados pelos
consumidores. Até porque tais mudanças impactam na cadeia
inteira, desde os produtores até os restaurantes e varejo alimentar.

O setor de Food Service, por exemplo, tem sido impactado


positivamente, em questão de movimentação, pelos novos hábitos da
população. Seja por questões de conveniência, praticidade ou falta de
tempo, o brasileiro cada vez mais opta por fazer suas refeições fora de
casa, ou, então, pedí-las por meio do delivery. Hoje,
aproximadamente 27% do faturamento total do mercado de
alimentos é gerado pelo segmento de serviços alimentares, que
cresceu 3,5% em 2018. Tais resultados são consequência, de acordo
com o SEBRAE, de uma mudança de estilo de vida dos novos
consumidores, cada vez mais presentes em ambientes urbanos,
interessados em novas experiências de consumo em relação à
alimentação, maior renda e, também, uma maior presença das
mulheres no mercado de trabalho, que impactam os modelos
antigos para atividades domésticas. Com um cenário pulverizado
27%
do faturamento total
como é o mercado de restaurantes, bares, padarias e outros
do mercado de alimentos é
operadores de Food Service, que encontram uma demanda cada vez
gerado pelo segmento
maior dos consumidores, soluções de automatização e que facilitem
de serviços alimentares
a vida dos empreendedores e donos de negócios se mostram não
apenas bem-vindas, mas necessárias para esse elo da cadeia.

Além disso, agora com mais informações, os consumidores


também querem ter novas experiências com a comida. Isso implica
em um maior valor dado às artes culinárias, uma relação mais afetiva
com os alimentos, o que entrega aspectos de entretenimento ao
mercado. Isso é evidenciado com o aumento de festivais de
alimentação e eventos gastronômicos, que usualmente contam com
a presença de inúmeros chefes de cozinha renomados, que ensinam
suas receitas e esgotam ingressos. Ainda mais forte que isso é a
Só em 2018, o setor
tendência por mais comodidade e praticidade no momento das chegou a crescer
refeições. As novas plataformas e aplicativos de delivery, como iFood,
3,5%
Rappi e UberEats, entenderam bem esse comportamento e
ajudaram e ajudam a alavancar o setor. Segundo estudos, a nova
geração baseia suas escolhas conforme o ritmo de sua rotina, de
forma que consigam economizar tempo durante as refeições. E, claro,
os consumidores buscam por variedade de produtos nesses
momentos, demanda bem captada pelos serviços de entrega. Para se
ter uma ideia, em janeiro de 2019, o iFood registrou mais de 14
milhões de pedidos e já conta com quase 11 milhões de usuários
aaaaa

31
ativos. O sucesso desse modelo fez com que novas iniciativas fossem criadas, baseadas em outros
desejos dos consumidores, que buscam, por exemplo, por uma alimentação mais caseira e,
principalmente, mais saudável e natural.

Uma ida ao mercado basta para perceber o intenso boom causado pelo desejo da
população brasileira – seguindo tendências mundiais – por alimentos mais saudáveis, que assim já
se apresentam no rótulo. Segundo um estudo da Nielsen, realizado com mais de 30 mil pessoas,
94% dos respondentes latino-americanos afirmaram uma pretensão de pagar mais por produtos
com atributos saudáveis, uma característica mais presente nas novas gerações, mas que também
afeta as mais antigas. O mercado desse segmento, por sua vez, cresceu 98% entre 2009 e 2014, e as
vendas já alcançam os R$ 100 bilhões no país. Tal tendência, unida à busca por praticidade no
consumo por parte da população, alavanca o surgimento de novos negócios como o de refeições
saudáveis e congeladas.

Assim, com as mudanças no comportamento dos consumidores brasileiros, cabe também


às empresas entenderem de forma mais aprofundada o cenário atual, de maneira a buscarem
respostas às atuais demandas de consumo que existem e outras que podem passar a existir a
qualquer momento. Abaixo, analisamos alguns recortes desse cenário – já que, claramente, existem
muitas outras tendências se consolidando –, a maneira como corporações já bem posicionadas
estão lidando com todas essas mudanças e os espaços encontrados para a atuação de novos
negócios dentro do mercado de alimentação.

94%
dos latino-americanos afirmam que Essa tendência é mais forte
pretendem pagar mais por produtos com entre os mais jovens, mas também
atributos saudáveis afeta as gerações antigas

O segmento cresceu
98% entre 2009 e 2014;
As vendas já alcançam os
R$ 100 bilhões no país

32
A cadeia de
Food Service
O termo Food Service – serviços de alimentação, em tradução do inglês americano –
designa todas as atividades referentes à alimentação fora do lar, que, por sua vez, abrange toda a
produção e distribuição de insumos e alimentos que têm o consumidor final como destino. Sendo
assim, dentro da cadeia de Food Service estão inclusos produtores e fornecedores, distribuidores e
operadores, como restaurantes, padarias, lanchonetes e afins. Além disso, serviços de entrega de
comida em domicílio, o delivery, também é enquadrado na categoria. De acordo com dados do
SEBRAE, o mercado de alimentos e bebidas representa 10,1% do PIB brasileiro, sendo 2,7% desse
montante gerados pelo segmento de serviços alimentares.

Em 2018, o setor de Food Service cresceu 3,5% em faturamento, segundo a Associação


Nacional dos Restaurantes; a taxa de crescimento, embora menor do que a projetada no início do
ano passado (5%), representa um fôlego a mais para o segmento, que apresentava quedas desde
2015. De acordo com Cristiano Melles, presidente da ANR, a paralisação dos caminhoneiros, ocorrida
em maio de 2018, impactou de forma negativa os resultados, visto que muitos restaurantes não
puderam se abastecer de itens essenciais no período. Para 2019, a expectativa se mantém nos 5%
do ano passado, por conta da perspectiva por parte da ANR de melhora na economia, a depender
da aprovação de reformas econômicas no Congresso. Ainda, o segmento de Food Service vem
apresentando um cenário positivo com um crescimento acumulado de 246,2% nos últimos dez
anos, tendo as vendas da indústria para esse mercado crescido, em média, 13,2% anualmente,
conforme informações da Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação (ABIA).

É notável que o brasileiro sedimenta, cada vez mais, o hábito de se alimentar fora de casa
ou por delivery. Em estudo realizado em 2018, o SEBRAE listou motivos para o crescimento do
segmento no Brasil: crescimento demográfico em ambientes urbanos; modificação da estrutura
familiar, com maior número de casais sem filhos, possibilitando investimentos em outras
experiências de consumo; aumento na renda, que pode demandar um consumo mais qualificado
de alimentos; e, ainda, a maior presença das mulheres no mercado de trabalho, que resulta em
menos tempo dedicado por elas a atividades domésticas, que estimula a alimentação fora de casa.
Assim, com o consumidor ditando as novas regras, é ele quem muda os panoramas e cenários, de
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Food Service
designa todas as atividades referentes à
alimentação fora do lar, ou seja, toda a
produção e distribuição de insumos e
alimentos que têm o consumidor final
como destino.
Dentro da cadeia de Food Service estão
fornecedores, distribuidores e
operadores, como restaurantes, padarias,
lanchonetes e afins
acordo com suas exigências e necessidades. É necessário, então, que o segmento inove em seus
processos, de forma que simultaneamente supra as demandas do novo consumidor e torne a
atuação dos operadores, distribuidores e fornecedores menos operacional.

No entanto, características inerentes ao mercado ainda se apresentam como barreiras à


inovação tecnológica. De acordo com Cristina Souza, Diretora Executiva da consultoria GS&Libbra,
especializada Estratégia e Gestão para Food Service, adaptar-se aos desejos do consumidor na
velocidade das suas transformações é o grande desafio enfrentado pelas empresas do setor. “No
contexto das grandes redes e operadores profissionais, existe a questão de adaptação do modelo
de operação, que ainda pode ser engessado e lento. O mercado de Food Service padece do que
basicamente todos os outros mercados brasileiros padecem, que é tecnologia, produtividade de
mão de obra e capacitação. Já quando falamos de qualidade de atendimento, o Brasil é referência
nesse setor, o que mais falta é técnica e padronização. Mas, sem dúvidas, existe um ambiente fértil
quando pensamos em empatia e desejo de servir”, afirma Souza. A falta de barreiras de entrada
nesse mercado atrai empreendedores muito interessados no setor, que, no entanto, não possuem a
capacitação necessária voltada ao negócio. Como outra consequência disso, temos um mercado
extremamente pulverizado. Atualmente não se sabe, por exemplo, o número exato de
estabelecimentos e operadores de Food Service no país (as estimativas apontam a existência 1,3
milhão de pontos de venda no Brasil); tal pulverização também dificulta uma melhor comunicação
entre os elos e players do segmento.

crescimento acumulado do
mercado de Food Techs no
246%
nos últimos
mundo. Tendo as vendas da
indústria para esse mercado
10 anos
crescido, em média,
13,2%, ao ano

Essa dificuldade na comunicação afeta a cadeia como um todo, visto que aumenta os
custos dos operadores, que, por consequência, acarreta em um preço maior dos produtos para os
consumidores finais. Segundo Henrique Namura, Head de Produção e Supply Chain na Benjamin A
Padaria, a informalidade nas interações entre compradores e fornecedores representa e provoca
um grande atraso operacional e tecnológico do segmento. “Hoje o setor está na mão de muitos
players pequenos, que não estão olhando muito para tecnologia. O foco é no negócio, em
conseguir sobreviver, então não existe muita abertura para isso. A informalidade dificulta um pouco
para quem quer empreender e crescer dentro do setor. A forma que os pedidos são feitos, por
exemplo, por telefone, é algo muito antigo. Funcionava bem há dez anos, hoje não faz mais sentido.
Hoje os operadores precisam de rastreabilidade, de um controle e monitoramento maiores. E
existem tecnologias que permitem isso”, diz Namura.

Sendo assim, surgem a importância e a necessidade de um intermediador – função que


pode ser exercida por startups, por exemplo, que comumente possuem sua origem em tecnologia
– entre fornecedores e operadores da cadeia, que automatize e facilite essa comunicação referente
a controle de pedidos, estoque e rastreabilidade, principalmente para pequenos e médios negócios,
que dominam o mercado e possuem menos condições de negociação com a ponta inicial da
cadeia. “As startups têm um papel super importante quando o assunto é democratização. Elas
oferecem a um restaurante pequeno o poder de ter a mesma condição de venda de uma grande
rede de Food Service. Promovem a oportunidade de empreender hoje de forma menos
complicada. A base e o conceito das startups hoje estão ligados à democratização do
conhecimento e na conexão de pessoas e negócios. Essa é a maior prestação de serviços que uma
startup pode fazer pela cadeia de Food Service”, declara Souza, da GS&Libbra.

34
aaaaaaaaa
Em convergência a isso, de acordo com Namura, soluções de automatização e gestão de
vendas tornariam menos necessária a presença de grandes intermediadores na cadeia, fator que
aumenta a pulverização e fragmentação de informações. “Eu gosto da ideia de ter algum player
que consiga consolidar a informação fragmentada de cada um desses estabelecimentos e levar
isso para a indústria. As condições são muito diferentes para as PMEs em comparação com as
grandes redes. No fim das contas, o grande volume está nos pequenos. Os operadores poderiam
comprar melhor da indústria e a indústria poderia vender melhor também”, defende ele.

Pensando nisso, a Menu.com é uma startup que nasceu a partir da percepção de que os
mercados de varejo e alimentação careciam de canais digitais com soluções B2B. A startup fornece
uma plataforma de e-commerce para indústrias e distribuidores, de forma que esses possam
disponibilizar produtos em um site personalizado para os clientes. Assim, para o lado da indústria,
além das facilidades, torna possível também o alcance a clientes aos quais ela não tinha acesso, de
regiões mais distantes; para o lado do comerciante, como donos de restaurantes, é uma otimização
de tempo e custos.

Outra iniciativa nesse modelo é a NetFoods, que tem como foco otimizar a conexão e o
processo de abastecimento entre indústria, distribuidores e operadores de Food Service,
principalmente redes de hotéis, restaurantes e empresas de catering. De acordo com João Paulo
Politano, Fundador e CEO da startup, a solução é uma plataforma cujo foco principal é reduzir os
custos comerciais para os fornecedores e, consequentemente, para os operadores. “Criamos a
plataforma para que ela funcione como um marketplace, com funcionalidades principais de
gestão e inteligência de negócio. Um dado de uma transação detém diversas informações que são
úteis para o mercado como um todo. É um trabalho de unificar as informações que existem”, conta.
Para os fornecedores, é oferecido um dashboard que possibilita a visualização de vendas, novos
clientes e um entendimento maior sobre o mix de produtos e a demanda de cada um deles.

Portanto, compreender a fundo as exigências dos consumidores se tornou um dos maiores


desafios da cadeia de alimentação, visto que movimenta o ciclo por completo: se os clientes
demandam, os restaurantes precisam suprir e ofertar, lógica que vale também para os
fornecedores que atendem os operadores.

A Menu.com.vc é uma startup que desenvolveu uma plataforma de


e-commerce exclusiva que conecta os principais distribuidores e indústrias
do mercado com os estabelecimentos comerciais. A startup já foi
acelerada pelo GPA, no programa Liga Retail.

A Goomer é uma solução de autoatendimento para bares e restaurantes,


por meio de totens ou cardápios digitais, que podem ser integrados ao
sistema do estabelecimento, junto a uma plataforma de inteligência, para
análise de resultados. Em 2018, levantou R$ 3 milhões com a DOMO Invest.

Fundada nos Emirados Árabes Unidos, o BonApp é um aplicativo que


conecta operadores de Food Service e consumidores, possibilitando que
restaurantes disponibilizem alimentos e refeições em excesso que seriam
descartados, por preços mais baixos.

A americana Say2Eat se integra às plataformas de mensageria de redes de


restaurantes (Facebook, iMessage, SMS, outros) para receber pedidos
online de consumidores, criando experiências customizadas por meio de
inteligência artificial. Em 2017, US$ 2,5 milhões em investimentos.

35
Como, quando e onde: o
momento do delivery e a comida
como experiência

Compreender as novas tendências – que agora já se apresentam como realidade –


e˙hábitos de consumo dos consumidores se mostra não apenas como um desafio para as
empresas de alimentação, mas também uma necessidade. Isso porque o mundo digital
proporcionou a eles uma infinidade de informações, utilizadas como base de comparação e
posterior escolha por determinado produto alimentício ou serviço de alimentação. Além disso,
existe uma necessidade de conexão maior entre as duas pontas: o consumidor quer ter
experiências satisfatórias com as marcas, que por sua vez precisam entendê-lo melhor para atender
a esses desejos.

De acordo com o estudo Brasil Food Trends 2020, se movimentos de mudança no


comportamento dos consumidores se apresentavam com uma lentidão maior no passado,
atualmente o panorama é totalmente diferente: registra-se uma “redução exponencial dos
intervalos de tempo necessários a transformações mais significativas”. Sendo assim, elenca as
principais exigências e tendências mundiais apresentadas por parte dos consumidores. Uma das
principais é a relacionada a Sensorialidade e Prazer, presente em sete das nove pesquisas
analisadas para elaboração do estudo. De acordo com a análise, essa tendência é resultado de um
aumento do nível de educação, renda e maior exposição a informações por parte da população.
Assim, há uma maior valorização de artes culinárias e experiências gastronômicas por parte do
consumidor, que impacta diretamente na prestação de serviços e desenvolvimento de produtos
por parte da indústria. Tais aspectos implicam também em um maior valor dado à socialização da
alimentação, entregando aos alimentos um poder de conexão entre pessoas. Em suma, tornam o
mercado alimentício também em um espaço de entretenimento.

A Foodpass nasceu dessa percepção da gastronomia como forma de cultura e um produto


de entretenimento, com o objetivo de reconectar as pessoas com o alimento. A empresa é uma
plataforma digital que promove uma ponte entre consumidor, especialistas e marcas. Atua sobre
três pilares: marketplace que vende tickets para eventos gastronômicos; a Comunidade, uma
plataforma de conteúdo; e design de projetos que usam o potencial de encantamento da
experiência alimentar em ativações de marketing. De acordo com Priscila Sabará, fundadora e CEO
da startup, o consumidor atual busca, cada vez mais, informações sobre a cadeia de produção e
querem conectar-se com os produtos que consomem e com as marcas que os produzem. “A
experiência alimentar cria oportunidades de escrever histórias inovadoras com alto engajamento
afetivo. Existe uma necessidade latente de repensar o consumo alimentar evidenciado pelos
problemas de saúde individual e do meio ambiente. Os consumidores se tornam coprodutores ao
se responsabilizarem por suas escolhas de consumo. Vejo o poder de entretenimento da comida
como uma ferramenta muito óbvia, sedutora e simples para gerar essa reconexão. Isso possibilita
que a indústria se reinvente e proponha ações que efetivamente acompanhem as mudanças do
mercado. A nova geração possui uma consciência de consumo totalmente diferente, em busca de
mais experiências, e estão conscientes que suas escolhas tem o poder de enriquecer ciclos de
produção dentro da cadeia”, declara Sabará.

Ainda segundo o estudo Brasil Food Trends 2020, outra principal tendência é a
Conveniência e Praticidade (indicada em 78% das pesquisas analisadas) que as pessoas buscam no
momento das refeições. Isso significa que os consumidores baseiam suas escolhas de acordo com
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o ritmo de sua rotina, buscando economizar tempo e esforços para se alimentar. Assim, passam a
optar, por exemplo, por refeições prontas, congeladas, alimentos de fácil preparo e, principalmente,
pelo delivery. Se antigamente as opções de pedido se limitavam a pizza, esfihas, lanches e comida
chinesa, atualmente serviços como o iFood, Rappi e Uber Eats oferecem uma infinidade de
alternativas, com cozinhas cada vez mais especializadas. Uma evidência da maturidade desse
mercado é o fato do iFood ter captado, no final de 2018, US$ 500 milhões em investimentos, a maior
rodada já registrada por uma startup brasileira – um unicórnio desde março de 2017, de acordo com
Fabricio Bloisi, CEO da Movile, empresa dona do aplicativo de entregas. De acordo com informações
do portal Computer World, o app registrou 14,1 milhões de pedidos em janeiro de 2019, que
representa uma média de 500 mil diários; conta, ainda, com aproximadamente 10,8 milhões de
usuários.
Atualmente, o consumidor valoriza
mais as artes culinárias e as
experiências gastronômicas,
o que impacta diretamente na
prestação de serviços
e no desenvolvimento de produtos
por parte da indústria
O mercado alimentício se torna
também um espaço de
entretenimento

Apesar da liderança atual do iFood dentro do mercado de delivery – a empresa é, segundo


informações da SimilarWeb publicadas em matéria do portal PEGN, 16 vezes maior do que o
concorrente brasileiro mais próximo em número de usuários –, o panorama se mostra favorável
para a grande maioria das startups que se inserem nele. Conforme dados divulgados em 2018 pela
Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), o setor registrou faturamento acima dos R$
10 bilhões em 2017. Grande parte desse cenário favorável e promissor se dá pela flexibilidade de
opções de produtos que podem ser entregues, desde refeições comuns até outras mais
especializadas, segmentadas e naturais.

Uma iniciativa que surgiu nessa onda do delivery e de uma demanda dos consumidores
por comidas mais naturais é a Eats for You, criada em 2018, um aplicativo de entrega de refeições
caseiras. De acordo com Nelson Andreatta, Fundador e CEO da startup, a ideia surgiu após uma
percepção de que os restaurantes localizados próximos do seu antigo escritório de trabalho não
supriam suas necessidades no horário de almoço, situação que ele considera comum em regiões
corporativas. “Quando idealizamos o negócio, percebemos que mais pessoas passavam por isso, um
desejo por aquela alimentação feita em casa. Ao mesmo tempo, era um momento de crise, com
milhões de desempregados, então era uma opção de renda extra para pessoas que gostam de
cozinhar. Hoje existe um propósito muito claro, de levar esse tipo de alimentação às pessoas, por
um preço justo e gerar renda para a outra ponta”, conta Andreatta. Segundo ele, o sistema de
logística, baseado em PDDs (Pontos de Distribuição), é um grande diferencial do serviço. São
trailers e foodbikes localizados em lugares estratégicos, como prédios empresariais, que contam
com grande fluxo de pessoas. Tal opção, conforme Andreatta, reduz o preço da refeição, já que não
adiciona a taxa de delivery. Em um ano de operação, a startup comercializou um número superior a
40 mil refeições, que resultaram em mais de R$ 400 mil gerados para donos e donas de casa.

Outra startup que desenvolveu uma solução que foge das convencionais de delivery é a
Marmotex, focada em entrega de almoços corporativos em empresas. Atualmente, oferece três
tipos de serviço: entrega de refeições unitárias (para um único dia e/ou agendadas), um clube de
assinatura de dez ou 20 refeições ou pacotes customizados para as empresas. As condições
necessárias para a realização dos pedidos são duas: que eles sejam feitos até as 11h da manhã e que
a empresa cadastrada esteja dentro do raio de entrega das refeições. Atualmente, a Marmotex atua
em um formato praticamente D2C (Direct to Consumer), produzindo 80% dos pedidos que recebe
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e delegando 20% a restaurantes parceiros, principalmente àqueles de cozinhas regionais e étnicas.
“No início, trabalhamos com o mercado de marketplace puro, não produzíamos nenhuma das
refeições. Depois começamos a fazer testes com poucos restaurantes, até chegarmos no modelo
atual, em que internalizamos a produção. Assim, atualmente nós recebemos os pedidos,
produzimos e entregamos, praticamente 100% de forma interna”, conta Pii Chun, Cofundador e
CEO da Marmotex. A startup possui, em 2019, uma base de 15 mil usuários recorrentes mensais,
com oito mil empresas cadastradas e seis mil ativas, tendo realizado a entrega de mais de 350 mil
refeições.

Segundo Chun, a internalização desses processos permitiu uma padronização da entrega


final, desde a produção dos alimentos até a embalagem utilizada, conferindo um maior valor
agregado e qualidade ao consumidor, além de um preço mais competitivo. A pivotada fez com que
se tornasse menos complicada a entrega de refeições que vão de acordo com as necessidades dos
clientes da Marmotex e outros eventuais consumidores. “Atualmente existe essa procura por
personalização, de entregar de acordo com o hábito de consumo da pessoa. As startups têm
facilidade em se adaptar a comportamentos. Existe, por exemplo, esse boom de alimentação
saudável e nós queremos cada vez mais deixar isso personalizado, porque é claro o interesse nesse
segmento”, afirma.

Andreatta também enxerga no mercado um caminho em direção a uma alimentação cada


vez mais saudável, que já apresenta seus sinais atualmente. “Não existe mais a demanda do
mercado, só a do consumidor: o que ele quer e como. Acredito que as startups têm facilidade em
atender a esses desejos. As pessoas estão em um estágio de conveniência tão grande que não
admitem mais alguns aspectos do mercado tradicional. É crescente, por exemplo, o afastamento de
produtos industrializados. Atualmente, 40% das nossas vendas são de comidas saudáveis, 10% são
de refeições vegetarianas e veganas. As novas gerações têm hábitos muito diferentes e a adaptação
é necessária”, finaliza ele.

Assim, aos aspectos relativos à conveniência e praticidade que já fazem parte dos hábitos
de consumo das pessoas, unem-se tendências relativas a Saudabilidade e Bem Estar, cuja
intensidade resulta em um dos segmentos alimentícios mais crescentes do Brasil: o mercado de
alimentação saudável.

A Apptite é um aplicativo de delivery que conecta consumidores e chefes


de cozinha experientes em seu serviço, que preparam cardápios variados,
incluindo refeições orgânicas, veganas, vegetarianas e sem glúten. A
startup já recebeu R$ 1,3 milhão em investimentos.

A ChefsClub, startup de assinatura para benefícios em restaurantes, com


uma base de mais de 2.500 estabelecimentos cadastrados, oferece
experiências gastronômicas diferenciadas para os consumidores. Depois
de receber R$ 1,8 milhão em investimentos, se fundiu com a Grubster.

O Restorando é uma startup argentina presente no Brasil e em grande


parte da América do Sul. Sua solução permite um controle em tempo real
das mesas disponíveis e permite a construção de uma base de dados para
campanhas de marketing direcionadas. Em quatro rodadas, recebeu mais
de US$ 26 milhões e investimentos; em 2019, foi adquirida pela The Fork.

A americana ZumePizza criou uma plataforma automatizada de delivery


de pizza e outras refeições, que se utiliza de dados para prever a demanda
em determinado dia, região e horário. Além disso, as entregas são
realizadas por vans, que funcionam como cozinhas móveis. A Zume Pizza
já recebeu um total de US$ 423 milhões em investimentos.

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O mercado de alimentação
saudável: uma movimentação
mundial

Existem inúmeras evidências que mostram que o mercado de alimentação saudável é uma
das principais tendências que cada vez mais se torna uma realidade no Brasil e no mundo. Esse
movimento, claramente disruptivo, não é, de forma alguma, negativo para a indústria e empresas
do ramo de alimentos, apenas demanda mudanças nos processos de produção e idealização de
novos produtos. Para um futuro próximo, é comum o pensamento de que aquelas que não se
adaptarem, ficarão para trás, visto a velocidade de mudança de mentalidade dos consumidores.

Apesar de possíveis dificuldades, adaptar-se a essa demanda deve trazer ótimos resultados
para a indústria de alimentação. De acordo com informações do estudo Nielsen’s 2015 Global
Health & Wellness Survey, que entrevistou mais de 30 mil pessoas, públicos de mercados em
desenvolvimento pretendem pagar mais por produtos com atributos saudáveis. Essa é a opinião,
por exemplo, de 94% dos respondentes da América Latina, 93% do público pacífico-asiático e 92%
dos entrevistados da África e Oriente Médio. E, apesar de ser um aspecto que importa mais à
Geração Z (que será maioria em 2019), a tendência também é adotada por outras gerações, desde
os Baby Boomers. Ainda de acordo com a Nielsen, consumidores estão procurando por alimentos
funcionais que forneçam benefícios que possam reduzir o risco de doenças ou promovam uma boa
saúde. Assim, produtos com alto teor de fibras (36%), proteínas (32%), integrais (30%) e fortificados
com cálcio (30%) e vitaminas (30%) são os principais elencados pelos entrevistados.

No Brasil, o crescimento desse mercado também é notável. De acordo com informações do


Euromonitor, publicadas no portal do SEBRAE, o segmento cresceu 98% entre 2009 e 2014; em
2016, as vendas desse segmento totalizaram um valor de R$ 93,6 bilhões, resultado que coloca o
Brasil na 5ª posição no ranking de países quando se trata de alimentação saudável. Ainda conforme
o Euromonitor, até 2021, esse mercado deve crescer 4,41% por ano, em média, no país.

Presente no mercado desde 1987, a Flormel tem origem familiar e, 18 anos atrás, inovou ao
entregar ao público consumidor uma paçoca totalmente sem açúcar; desde então, tem focado
seus esforços em produtos saudáveis e inovadores. De acordo com David Afonso, Coordenador de
Inteligência Competitiva da empresa, a Flormel está em um processo de transformação digital,
buscando estar mais próxima de seus públicos, cujos interesses dentro do segmento de
alimentação saudável mudam rapidamente. “Temos uma filosofia de trabalho como de uma
startup, muito dinamismo e alto fluxo de comunicação entre as equipes. Nosso time comercial, por
exemplo, atuam no mercado como consultores de negócio focados em saudabilidade ,
fomentando os elos da cadeia para o novo universo de alimentação saudável. Estamos o tempo
todo ouvindo os consumidores e entendendo os problemas de alimentação do dia a dia”, conta
Afonso.

Para que possa entregar uma oferta que vá ao encontro dos desejos de seu público, a
Flormel criou o Comitê de Produtos, um projeto interno que, em resumo, apresenta-se como um
movimento colaborativo para gerar insights sobre diversos produtos a respeito de textura, sabor,
embalagem ou quaisquer outros aspectos que possam ser alterados, de modo que resolvam
problemas dos nossos consumidores. Isso, segundo Afonso, possibilita uma resposta rápida, de
forma a agregar mais valor àquilo que produzem. Nos últimos três anos, em acompanhamento à
prosperidade do mercado, a Flormel registrou um crescimento de 30%, em média.

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No entanto, realizar mudanças internamente para se adequar ao cenário não se apresenta
como tarefa fácil para a grande maioria das empresas já bem estabelecidas no segmento (e que
não possuíam, no passado, foco no mercado de alimentos saudáveis), dada a velocidade de
mudança de mindset dos consumidores. Segundo Kelly Galesi, Fundadora do Food Academy - uma
plataforma de educação e desenvolvimento voltada para empreendedores do mercado de
alimentação - e consultora, as grandes marcas ainda estão barrando inovações pelo pensamento
de produção em grande escala, quando deveriam olhar de forma mais assertiva e objetiva para os
desejos do público. “Vejo uma dificuldade muito grande de customização, segmentação e
atendimento de necessidades específicas das pessoas. São necessárias uma flexibilização maior de
produção e uma conexão maior com os consumidores, estabelecer um diálogo. Hoje em dia, existe
uma relação emocional das pessoas com os alimentos, cada vez mais isso fica nítido, elas querem
saber o que estão ingerindo, querem entender quem produziu, como isso foi produzido, os
cuidados envolvidos. Essa questão mais social surge como um desafio”, afirma Galesi. Segundo ela,
a ascensão de startups nesse mercado é um ponto positivo exatamente nessa questão, visto que,
por sua flexibilidade e por terem pequena escala, conseguem estar mais próximas do público e,
consequentemente, atender às necessidades mais rápida e apropriadamente.

A assinatura de kits de refeições


saudáveis é uma das principais
tendências dentro do setor.
Os consumidores têm se mostrado
dispostos a gastar dinheiro com esses
kits, se isso lhes poupar tempo

Segundo o estudo Top 5 Trends in Health and Wellness, do Euromonitor, uma das principais
tendências dentro do segmento é a de assinaturas de kits de refeições saudáveis. Segundo análise
feita pela companhia, a disposição por parte dos consumidores em gastar dinheiro se isso lhes
poupar tempo impulsiona a inovação, em um cenário mais aberto e flexível. Isso representa uma
oportunidade enorme para modelos de negócios alternativos na indústria de alimentação, com a
emergência veloz de kits de refeições. Entre os participantes da pesquisa (que responderam se já
haviam se utilizado ou se utilizavam desse tipo de serviço), que contou com 11 nacionalidades,
apenas os americanos e chineses ficaram à frente dos brasileiros. Isso, consequentemente, cria
uma competição maior entre os players, que devem criar pacotes cada vez mais sofisticados e
segmentados para se diferenciar no cenário.

No Brasil, a união de aspectos de saudabilidade, conveniência e praticidade se mostra uma


tendência forte e que já é realidade por conta de presença de alguns atores importantes. Para se
ter uma ideia, segundo informações da Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação (Abia)
publicadas no DCI, o setor de supergelados e congelados faturou, em 2015, um total de R$ 14,5
bilhões, valor R$ 1,3 bilhão maior em comparação a 2014. Da convergência entre esses mercados,
nasceu a Liv Up, startup brasileira de produção e entrega de alimentos saudáveis, sob uma
tecnologia de ultracongelamento, que mantém suas propriedades sensoriais e nutricionais.

De acordo com Victor Santos, Fundador e CEO da Liv Up, a empresa foi criada a partir de
uma percepção de que não havia produtos saborosos, saudáveis, práticos e com preços acessíveis
no mercado, muito por consequência da falta de conexão entre indústria e consumidores.
Atualmente com um modelo Direct to Consumer, a startup conta com operações verticais,
controlando desde a produção até a entrega das refeições na casa dos clientes, realizando as
vendas por canais próprios. “Verticalizar o negócio possibilita que estejamos sempre em contato
com os clientes, entendendo o que eles precisam e do que sentem falta. Sempre vai existir esse
desafio, porque os hábitos mudam constantemente. Capturar todas essas tendências resulta em
uma evolução da empresa, do serviço e portfólio de produtos que nós oferecemos”, conta Santos.
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Para ele, as tecnologias nesse mercado surgem como uma maneira de oferecer melhores
experiências para o consumidor final, em um cenário com inúmeras oportunidades, por conta de
se tratar de um setor muito tradicional, que mudou pouco nas últimas décadas.

Para Santos, a configuração atual dos canais de venda é um ponto que atrapalha na
necessária ponte que precisa existir entre empresas e consumidor final; a etapa de venda no varejo,
por exemplo, acaba por bloquear um fluxo de informações que podem ser úteis para a indústria.
“Estamos vendo modelos de negócios que estão surgindo justamente para dar mais voz aos
clientes, levar isso para dentro das atividades cotidianas dentro das companhias, isso em todos os
mercados. Além disso, fazer a conexão entre os mundos digital e físico é um grande desafio, mas
necessário”, diz. Fundada em 2016, já conta com uma equipe com aproximadamente 200
funcionários e registrou um crescimento de 400% de 2017 para 2018. Hoje, o cardápio
disponibilizado pela empresa conta com uma grande variedade de refeições, feitas a partir de
produtos orgânicos, de agricultura familiar e ingredientes naturais, sem uso de conservantes e
outros aditivos químicos.

No fim das contas, hábitos de alimentação saudável se ligam ao mercado como um todo e


à grande parte dos desafios e oportunidades inerentes ao setor. Tal preocupação está diretamente
ligada aos comportamentos da cadeia de Food Service, a questões de sustentabilidade,
desperdício, desenvolvimento de novos produtos e, também, à necessidade de maiores
investimentos na área, de forma que se transforme em um mercado mais acessível à população de
forma geral.

A Raízs é uma plataforma de venda online que conecta consumidores e


pequenos produtores de alimentos orgânicos. A startup atua com um
modelo de assinaturas ou pedidos avulsos de produtos como frutas,
verduras, ovos e laticínios, captando mais de R$ 300 mil em investimentos.

A startup BeLeaf de São Paulo oferece serviços de delivery de alimentação


saudável, com entrega de pacotes - número que varia conforme a
demanda do cliente - de refeições plant-based e orgânicas, sob tecnologia
de ultracongelamento. Recebeu mais de R$ 1 milhão em investimentos.

A Sugarlogix é uma startup californiana da área de biotecnologia, cuja


tecnologia permite a criação de açúcares funcionais, com benefícios para a
saúde e que se diferencie dos adoçantes convencionais. A startup já
captou aproximadamente US$ 3 milhões em investimentos.

A americana Miraculex produz proteínas naturais adoçantes e


modificadores de sabor por meio de plantas, frutas e tecnologias de
fermentação, que podem ser utilizados para a produção de alimentos sem
açúcar. A startup já recebeu investimentos, com valores não revelados, por
fundos relevantes no setor como a H1 Investors.

41
A adoção e a difusão de inovações em sabor e experiência de
consumo são fatores essenciais para o desenvolvimento de produtos e
fortalecimento do setor de alimentos e bebidas. O mercado está em constante
mudança e as empresas precisam acompanhar o crescimento e aumento do
padrão no paladar do consumidor.

Em menos de uma década da chegada ao Brasil, a HEINEKEN incluiu


opções que atendem às exigências do consumidor, como a formulação de
bebidas não alcoólicas, que foram revistas e reduziram em 30% o açúcar, e as
cervejas 100% naturais, sem aditivos.

E, para entender o consumidor e desenvolver soluções que atendam


às suas necessidades e preferências, metodologias ágeis e um ecossistema Mirella Damaso Vieira e
de inovação são utilizados da identificação da oportunidade ao Bruna Fausto
desenvolvimento da solução. As áreas de Digital Innovation e Inovação, por Gerente de Digital Innovation
exemplo, estão constantemente interagindo com as demais áreas da Lead e Diretora de Marketing
do Grupo HEINEKEN no
companhia disseminando este mindset de startup, metodologias ágeis e
Brasil
novas tecnologias que podem ser aplicadas ao negócio.
CASES

O mercado de Food Service é um setor imaturo no Brasil,


extremamente pulverizado. Essa característica faz com que os donos de
estabelecimentos comerciais e alimentícios realizem inúmeras tarefas
simultaneamente, o que inclui a realização das compras, que demanda tempo
ou até a contratação de alguém para isso.

A nossa plataforma concentra todos os possíveis fornecedores,


disponibilizando uma comparação de preços, tempo de entrega, informações
de produtos, buscando descomplicar toda a gestão de pedidos para o
restaurante ou pequeno varejo. Resumidamente, é uma redução considerável
da complexidade de cotação e do tempo de compra e maior facilidade em
conquistar créditos com os principais distribuidores do segmento.
Gustavo Penna
Diretor Comercial e
Desenvolvemos um projeto com o GPA, ainda a ser lançado, voltado Cofundador da
para esse mercado de serviços de alimentação, em que a nossa plataforma Menu.com
vai ser utilizada com foco nos operadores da cadeia de Food Service, que vão
ter acesso aos produtos da marca por meio da nossa solução.

Keywords para acompanhar o tema

COMIDA COMO DESCENTRALIZAÇÃO


EXPERIÊNCIA DA DISTRIBUIÇÃO
ALIMENTAÇÃO
SAUDÁVEL
AMPLIAÇÃO DO
ALIMENTAÇÃO
DELIVERY NA
CONVENIENTE
ALIMENTAÇÃO
MEAL KITS

42
42
ENTRE_
VISTA
Como o iFood pretende se posicionar como líder
do movimento de Food Techs no Brasil?
O propósito do iFood é revolucionar o universo da
alimentação por uma vida mais prática e
prazerosa. No começo de qualquer startup, o
objetivo é resolver um problema mais funcional e
sobreviver. Agora, a empresa possui uma posição Alex Anton, Diretor de Estratégia e Novos
relevante no mercado, com uma boa rede de Negócios no iFood
usuários e colaboradores, então queremos fazer
muito mais. Hoje, nós conseguimos captar muitos Você acha que esses são os mesmos obstáculos
hábitos do consumidor. A gente percebe, por que impedem, por exemplo, a criação de novos
exemplo, que as pessoas querem cozinhar menos, negócios (como novas startups) e o
elas têm menos tempo, e comer em casa por meio desenvolvimento desse ecossistema?
de serviços de delivery traz muita comodidade. Eu acho que sim. Esse é um mercado
Olhamos bastante para a jornada do usuário, financeiramente difícil, as margens são apertadas,
pensando como agregar mais valor no universo da esse é um outro motivo que faz com que
alimentação, queremos estar presentes em outros investidores ainda resistam para injetar dinheiro
momentos além do almoço e jantar. nesse segmento. É um segmento que tem muita
recorrência, mas ao mesmo tempo as margens são
Como vocês estão enxergando o mercado de relativamente apertadas, existem muitos
alimentação no Brasil em relação à adoção de substitutos, há muita concorrência. Eu acho que
inovação e tecnologia nos processos? tudo isso faz com que o espaço de inovação pesada
Acho que está bem no começo, principalmente seja um pouco menor do que em outras indústrias.
quando a gente olha pela ótica do restaurante. É
uma indústria muito tradicional, que existe há Você acha que o mercado de Food Techs ainda
muito tempo. É um mercado muito fragmentado, carece de investimentos e fundos interessados
especialmente no Brasil. Aqui existem muitos mercado?
empreendedores relativamente pequenos, No Brasil, sim. Nos EUA, por exemplo, existem
diferentemente, por exemplo, do mercado de fundos dedicados exclusivamente para o segmento.
serviços financeiros, em que os grandes bancos Aqui, já vimos investimentos interessantes em Food
atendem grande parte da população. Quem Techs, é um mercado próspero, a tendência é que
comanda o setor de alimentação no Brasil são os aconteça mais frequentemente. Mas acho que ainda
restaurantes pequenos, pequenos é uma questão de prioridade. Outras indústrias
empreendedores, que estão se esforçando em apresentam mais oportunidades de retorno
manter o próprio negócio, então não dispõem de financeiro, como fintechs, mobilidade, que são
tempo e capital para pensar em como tornar o grandes mercados, e que talvez ofereçam mais
negócio mais eficiente, mais escalável, inovador. oportunidade para a tecnologia revolucionar. Então
Ainda é muito operacional, em que a tecnologia acaba existindo essa priorização e foco. Mas, com o
pode ajudar muito, porém ainda envolve processos tempo, à medida que o mercado se desenvolver
muito operacionais. São barreiras que desaceleram como um todo, com certeza mais oportunidades em
a velocidade de inovação. Food Techs virão.

43
Aprofundamento
Um prato meio vazio: os grandes
desafios para a tecnologia no
mercado de alimentação
Muitas das movimentações que acontecem no mercado de
alimentação têm – ou deveriam ter – como base a busca por soluções
de um principal e único desafio (que, por sua vez, acarreta em outros
desafios menores): o de alimentar e satisfazer a demanda de
aproximadamente 10 bilhões de pessoas em 2050, sem prejudicar
ainda mais o meio-ambiente. Em relação a isso, novas discussões são
criadas, eventos são promovidos, diálogos são estabelecidos, tudo
para tentar entender quais possíveis soluções para essa problemática,
cada vez mais próxima do presente. Sendo assim, conceitos e práticas
de sustentabilidade, redução de desperdício e aumento de
investimentos na área começam a surgir, mas aplicá-los de forma
mais ativa e acentuada é, simultaneamente, uma necessidade e um
desafio.

Para as empresas, características sustentáveis são


importantes não só pelos impactos que seus processos podem
causar dentro do contexto atual, mas também porque os
consumidores estão cada vez mais informados e demandam
transparência por parte da indústria. De acordo com uma pesquisa
da Tetra Pak de 2017, o público já atribui mais valor a produtos
sustentáveis e que não impactem negativamente o meio ambiente e,
procuram, por exemplo, selos que certifiquem boas práticas
corporativas. Uma amostra disso é a preocupação crescente dos Seriam necessários apenas
consumidores com o destino de embalagens jogadas fora, visto que,
se for mantido o atual comportamento de consumo, haverá mais 25%
plástico do que peixes nos oceanos em questão de décadas. Além do 1,3 bilhão de
disso, o controle e diminuição do descarte de resíduos orgânicos
também se mostra relevante, visto que grande parte disso tem como toneladas que é
destino aterros e lixões urbanos. Tais fatos abrem espaços e desperdiçado anualmente
oportunidades para a criação de iniciativas que consigam entre a cadeia de produção
reaproveitar esse descarte. para a acabar com a fome
no mundo
Ligada de forma direta à consciência de consumo está a
necessidade de diminuir e mitigar ao máximo o desperdício de
alimentos não só no Brasil, mas no mundo inteiro, pelo simples fato
de existirem centenas de milhões de pessoas no mapa da fome
mundial, que poderiam ser alimentadas pela quantidade de
alimentos que são descartados em boa condição todos os anos. De
acordo com informações da FAO (Organização das Nações Unidas
para a Alimentação e Agricultura), 1,3 bilhão de toneladas de
alimentos é desperdiçada ou perdida anualmente entre a cadeia de
produção; 25% do que é descartado seria suficiente para suprir as
necessidades da população com fome. Uma parte disso é
responsabilidade dos restaurantes e outros operadores de Food
aaaaa

44
Service, que desperdiçam aproximadamente seis mil toneladas de alimentos por ano no Brasil.
Outro grande problema envolve os produtos FLV (frutas, legumes e verduras), muitas vezes
desperdiçados apenas por conta de sua aparência. Fato é que não existem soluções para um
combate certeiro do desperdício, mas startups e novas iniciativas estão surgindo, seja para
reaproveitamento de comida descartada por restaurantes ou alimentos desperdiçados por
questões estéticas.

Um grande desafio para que novos negócios e iniciativas floresçam no mercado é o


aumento de incentivos e investimentos nas Food Techs. Enquanto que internacionalmente muito
já se fala sobre isso, com startups captando dezenas de milhões de dólares, o cenário nacional
ainda é muito incipiente. São muitas questões que envolvem e dificultam os aportes no segmento,
que torna mais lenta sua evolução em direção à inovação e tecnologia. Aspectos culturais e
mercadológicos, a falta de integração entre os elos do mercado, o grau de maturidade das startups
e modelos de negócios ainda barram um aquecimento do setor.

No fim das contas, as questões de consumo consciente listadas acima estão


intrinsecamente ligadas à necessidade de maiores investimentos em inovação na área, que
possibilitam uma utilização mais robusta de tecnologia, necessária em um segmento com tantos
desafios. A seguir, apresentamos como cada um desses aspectos estão sendo tratados por algumas
empresas no país, as mudanças necessárias para que o segmento realize movimentos mais
expressivos e startups que estão atuando para transformá-lo.

45
Sustentabilidade
Não é exagero afirmar que Sustentabilidade é a ou uma das palavras de força dentro de
mercados de consumo, principalmente no de alimentos. Com a velocidade e abrangência da
disseminação de informações, os consumidores adquirem muito mais conhecimento sobre os
produtos que compram, como eles são produzidos e como se posiciona a marca fabricante em
relação a essa questão. Assim, por mais óbvia e clichê que seja esta afirmação, empresas que não se
preocuparem com esses aspectos em seus processos de produção serão, aos poucos, deixadas de
lado pelos consumidores.

Um dos assuntos em voga atualmente é a questão das embalagens. De acordo a pesquisa


global Environment Research, da Tetra Pak, cujas informações foram publicadas com exclusividade
no jornal O Globo, divulgada no final de 2017, os consumidores estão atribuindo mais valor a
produtos sustentáveis e que não possuam impacto negativo no meio ambiente. Entre os
entrevistados brasileiros, 95% deles acreditam que questões ambientais vão ser ainda mais
relevantes nos próximos anos. Além disso, quase metade dos respondentes (47%) procuram por
selos certificadores quando compram bebidas e 81% consideram relevante a presença do selo FSC®
(Forest Stewardship Council) – que certifica empresas e produtos cujas embalagens respeitam
critérios ligados à sustentabilidade – no momento de decisão de compra.

Segundo a Profa. Dra. Valéria Monteiro da Silva Eleutério Pulitano, Coordenadora do curso
de Tecnologia em Alimentos do IFSP-Matão, as embalagens utilizadas para envolver os alimentos
estão ligados a eles desde a finalização da produção, mas normalmente é com o descarte que as
pessoas se preocupam mais, já que isso está normalmente ligado a prejuízos ao meio ambiente. De
acordo com ela, a tecnologia representa uma virada na indústria de embalagens, apesar de ainda
ser um processo caro de produção. “Não são todas as empresas que possuem capital para investir
em uma embaladora de última geração, por exemplo. Mas, ao mesmo tempo, essa é uma
preocupação que está crescendo. Existem novos tipos de embalagens, controladas, de menor
tamanho, que possibilitam um transporte menos complicado de alimentos e conferem uma
validade mais prolongada. A evolução é notória. No entanto, existe uma grande preocupação com
os impactos do descarte, em questões de sustentabilidade. Os consumidores estão muito atentos a
isso, é uma tendência e também um grande desafio”, afirma.

Os consumidores estão atribuindo mais valor a


produtos sustentáveis e que não possuam
impacto negativo no meio ambiente

47% dos entrevistados em uma pesquisa


procuram por selos certificadores de meio
ambiente quando compram bebidas

46
Mundialmente, a Nestlé é uma empresa que tem reunido esforços globalmente para um
futuro mais sustentável. Por meio do Henri, uma plataforma colaborativa de idealização de projetos,
em conjunto com startups, pesquisadores e especialistas no tema que está sendo tratado. Lançado
em 2016, o programa atua apenas com projetos de impacto positivo, que envolvam questões de
saúde, bem estar e sustentabilidade. Conforme Gerardo Mazzeo, Diretor Global de Inovação da
marca, em um press release divulgado após o lançamento da plataforma, “com a criatividade e
espírito inovador das startups, o Henri pode ajudar a resolver alguns dos maiores desafios de
nutrição, saúde e bem-estar do mundo, criando oportunidades de financiamento para conduzir
impacto real positivo em grande escala”. Durante os projetos, a Nestlé oferece um suporte
financeiro de US$ 50 mil e o acompanhamento e apoio de um patrocinador da marca.

Em 2019, a empresa lançou seu primeiro projeto no Brasil, com o objetivo de repensar a
utilização dos canudos de plástico nas embalagens que utilizam. O desafio é idealizar uma solução
que mitigue ou até mesmo elimine o impacto ambiental causado pelo plástico dos canudos. O
lançamento do desafio não poderia ser mais pontual e importante, visto o atual cenário. Em
pronunciamento realizado em 2018, no Dia Mundial do Meio Ambiente, o secretário-geral da ONU,
António Guterres, pediu que o mundo se una para vencer a poluição causa pelo plástico, já que
mais de oito milhões de toneladas têm os oceanos como seu destino final. Além disso, afirmou que
se as tendências de consumo continuarem, em 2050 os oceanos terão mais plástico do que peixes.

Os resíduos orgânicos
gerados no Brasil representam
50% do total de
resíduos sólidos urbanos

Apesar da importância do consumo consciente de materiais que impactam de forma


negativa o meio ambiente, como é o caso do plástico, clara e obviamente a sustentabilidade dentro
de processos de produção vai muito além disso. Com o esperado crescimento da população, é
consequente a necessidade de maior produção de alimentos. Segundo estimativas da FAO, em
2050 haverá água suficiente para a produção da quantidade de alimentos necessários para suprir
as demandas, mas o excesso no consumo, a degradação e o impacto climático reduzirá a
disponibilidade de água principalmente em regiões de países em desenvolvimento. Uma
declaração do pesquisador Antonio Gomes Soares (da Embrapa Agroindústria de Alimentos), em
palestra durante o 8º Fórum Mundial da Água, realizado em 2018, em Brasília, mostra como o
conceito de sustentabilidade ainda não é disseminado como deveria. “Quando se fala em
sustentabilidade do ambiente, pensamos em quais ações devem ser realizadas para não poluir,
preservar áreas naturais, reciclar o lixo, economizar água, dar preferência às fontes alternativas de
energia. Entretanto, raramente lembramos que o ato de nos alimentar também pode causar
impactos negativos ao meio ambiente”, afirmou.

Pensando nisso, a Electrolux Professional, linha da marca que oferece equipamentos e


maquinário profissional para os setores de Cozinha e Lavanderia, posiciona-se como uma empresa
que inova ao oferecer ferramentas que vão de acordo com princípios de sustentabilidade e
produtividade. Com um direcionamento B2B, afirma ter “um compromisso firme com a
sustentabilidade, melhorando a eficiência em água e eletricidade para economizar custos”.
Segundo Ronaldo Portella, Sales Manager South of Latin America, Brazil & Cuba na Electrolux
Professional, a empresa busca desenvolver produtos tecnológicos na cozinha profissional que
facilitem a vida de cozinheiros e donos de negócio, sem impactar negativamente o ambiente em
aspectos de água, energia e utilização de recursos. “Por meio da tecnologia é possível maximizar a
velocidade de produção, redução da perda de matéria-prima e melhorar o resultado final. O nosso
objetivo é que os nossos produtos possibilitem diminuir o uso de recursos, como óleo, gás, água e
aa

47
eletricidade necessários para a produção. Os nossos equipamentos são compostos 98% por
materiais recicláveis. O grande desafio é produzir mais, mas com menos impacto”, diz Portella.

De acordo com ele, existe ainda uma grande tendência relativa à sustentabilidade, que é a
utilização, controle e consequente diminuição do descarte, um redirecionamento aos resíduos
produzidos pela indústria. Conforme informações da ABRELPE, publicadas no site EcoCircuito, os
resíduos orgânicos gerados no Brasil representam 50% do total de resíduos sólidos urbanos (RSU).
Como grande parte desses resíduos são originários do setor de alimentação e em volumosa
quantidade, existe uma grande oportunidade de reaproveitamento desses materiais que, seriam
descartados, transformando-os, por exemplo, em novos alimentos.

Uma iniciativa que enxergou oportunidade de negócio nesse cenário é a Gran Moar,
fundada em 2017, em Belo Horizonte (MG). A startup, do setor de biotecnologia, transforma o
bagaço de malte, matéria residual da produção de cerveja, em um produto alimentício, a farinha de
malte. O coproduto, além de se apresentar como uma alternativa ao descarte tradicional, carrega
consigo um alto teor nutricional, com fibras, proteínas e minerais. “Em empresas convencionais,
85% dos coprodutos gerados pelas cervejarias são compostos de bagaço de malte. Com base nessa
informação, começamos a pesquisar o que poderia ser feito para agregar valor e torná-lo comercial.
Então, desenvolvemos um processo, por meio do qual, conseguimos manter as propriedades
funcionais do bagaço de malte, e o produto final pode ser utilizado em receitas de pães, biscoitos,
barras de cereais e outros”, conta Carlos Viana, Fundador e CEO da startup.

Em estágio de produção laboratorial, a Gran Moar está em um processo de ganho de


escala. Atualmente, o bagaço de malte é fornecido por uma cervejaria artesanal de grande porte,
que produz em torno de 800 mil litros mensais de cerveja, que acarreta em dezenas de toneladas
de insumo que seria descartado. “Fechar essas parcerias não é simples, mesmo que se trate de um
descarte. As cervejarias querem saber mais detalhes do que está sendo desenvolvido a partir do
que elas nos fornecem e quais benefícios nós podemos entregar. Além disso, é muito gratificante
perceber que os nossos clientes olham para os produtos feitos com a farinha, como a barra de
cereais, de outra forma. É a questão de saudabilidade unida à de sustentabilidade, no contexto de
economia circular, trazendo algo que seria descartado de volta para a cadeia produtiva com valor
agregado. Isso é muito bem visto e relevante nos dias de hoje”, finaliza Viana.

A Gran Moar é uma startup de Belo Horizonte (MG), da área de


biotecnologia, que atua transformando o bagaço de malte descartado pela
produção de cerveja em uma farinha nutricional e funcional, que pode ser
utilizada para a produção de outros alimentos.

A Desperdício Zero, por meio de um app, oferece aos consumidores finais


alimentos e produtos que estão com a data de vencimento próxima, ainda
em boa qualidade, por preços até 75% mais baixos. A plataforma conecta
varejistas e consumidores, otimizando os serviços por filtros de localização.

A israelense Hinoman desenvolveu, por meio de um sistema tecnológico


próprio e sustentável, o Mankai, uma planta nutricional, altamente
proteica, que pode ser consumida em seu estado original ou utilizada para
a produção de novos alimentos. Captou US$ 15 milhões em investimentos.

A Regrained, que já captou US$ 2,5 milhões, é uma startup americana,


que se utiliza do descarte de grão resultante da produção da cerveja para
produzir uma farinha proteica e nutritiva, utilizada para a produção de
barras de cereais em embalagens sustentáveis.

48
O consumo consciente para
combate ao desperdício

Ligada diretamente ao consumo consciente e desenvolvimento sustentável está a questão


do desperdício e a necessidade de contê-lo, de forma que os alimentos como um todo sejam
melhor aproveitados e direcionados. Isso porque para a produção dos alimentos, há uma grande
quantidade de recursos utilizados - água, energia, embalagens - cuja parte da utilidade, no fim das
contas, também é jogada fora.

Em dados absolutos, os números relacionados ao desperdício são surpreendentemente


negativos. De acordo com informações da FAO (Organização das Nações Unidas para a
Alimentação e Agricultura), 1.3 bilhão de toneladas de alimentos é desperdiçada ou perdida
anualmente entre a cadeia de produção. Esse volume representa ⅓ do total produzido em todo o
planeta. Conforme informações publicadas no Nexo, apenas 25% do que é descartado seria
suficiente para suprir as necessidades da população com fome. Ainda segundo o órgão
internacional, o desperdício é responsável por 46% da comida que vai para o lixo, enquanto que as
perdas correspondem aos outros 54%.

De acordo com afirmação do pesquisador Antonio Gomes Soares (Embrapa Agroindústria


de Alimentos - Rio de Janeiro, RJ), durante uma palestra no 8º Fórum Mundial da Água, esse
volume acaba representando, também, um desperdício de 170 trilhões de litros de água por ano,
além de outras consequências. “É importante salientar que desperdiçar alimentos é jogar dinheiro
fora. Mas, mais importante que isso é a falta de conscientização com as pessoas que não têm
acesso ao alimento no Brasil e no mundo. Ao desperdiçar alimentos ou aumentar as perdas de
alimentos durante a cadeia de produção, comercialização e consumo, aumenta também a emissão
adicional de gases de efeito estufa, uma vez que grande parte desse desperdício é jogada em
aterros sanitários”, declarou o pesquisador em sua palestra.

Globalmente, uma parte da cadeia responsável por parte do desperdício em massa de


alimentos são os restaurantes, o que acarreta em prejuízo para os estabelecimentos além, claro, das
questões sociais de combate à fome. Segundo informações do World Resources Institute (WRI)
Brasil publicadas no portal Terra, o desperdício de alimentos no Brasil soma mais de 41 mil
toneladas, sendo 15% dessas em restaurantes, aproximadamente seis mil toneladas. Além disso,
ainda conforme o instituto, 9,55% da comida preparada em estabelecimentos de fast food é jogada
fora, índice que chega a 11,3% em restaurantes que oferecem todo o serviço.

Um dos grandes problemas e desafios nisso tudo é que não existem soluções 100%
certeiras para resolver os problemas e todas as recomendações, apesar de coerentes, são pouco
imperativas e não têm resultado em grandes mudanças no cenário. No entanto, aos poucos
nascem iniciativas, muitas delas ligadas à tecnologia, que buscam mudar esse panorama. É o caso
da Too Good to Go, iniciativa dinamarquesa que reaproveita alimentos em boas condições que
seriam descartados – que não participaram da montagem de um prato, por exemplo – por
restaurantes, estabelecimentos, hotéis, buffets, padarias e outros, comercializando-os com
consumidores por meio de um aplicativo. Para os usuários representa um modo sustentável de
alimentação, por preços mais baratos, enquanto que para a outra ponta significa uma renda extra,
visto que os alimentos seriam jogados fora. O serviço, presente em países escandinavos e no Reino
Unido, distribuiu mais de 510 mil novas refeições, evitando a emissão de aproximadamente mil
aaaaaaaaaaa

49
toneladas de dióxido de carbono no ambiente. O Too Good To Go conta com uma comunidade com
número superior a 570 mil usuários e 1560 estabelecimentos cadastrados.

No Brasil, a Desperdício Zero é uma startup que conecta o varejo com o consumidor final,
em uma plataforma que disponibiliza produtos perto da data de validade, mas ainda em boas
condições de consumo, por preços até 75% mais baixos. Assim, de um lado supermercados e outros
estabelecimentos registram as ofertas e, do outro, consumidores selecionam conforme a demanda,
por localização e categoria de produto. A criação de iniciativas como essas, além da importância
que possuem por conta do seu objetivo principal, também é importante para uma maior
conscientização da população a respeito do grande problema e desafio que a questão do
desperdício representa.

61% dos brasileiros


descartam um ou dois
9,55% alimentos em perfeito
estado, por semana. E
da comida
aproximadamente metade
preparada em
deles faz isso diariamente.
estabelecimentos
Colocando o Brasil entre os
de fast food é
10 que mais desperdiçam do
jogada fora
mundo

De acordo com um levantamento feito pela Unilever em 2017, apoiado pela Organização
das Nações Unidas, 61% dos brasileiros descartam um ou dois alimentos em perfeito estado, por
semana. E aproximadamente metade (49%) faz isso diariamente. Tais índices colocam o Brasil entre
os dez países que mais desperdiçam comida no mundo, com uma média de 41,6 quilos descartados
por cada brasileiro no ano. Em relação aos supermercados, os números também espantam: em
2016, houve uma perda de R$ 7,11 bilhões em faturamento desses estabelecimentos por conta de
desperdício de alimentos, segundo dados da Abras (Associação Brasileira de Supermercados). A
startup Food Finder nasceu a partir de uma percepção de que havia (como há, de fato) um
desperdício exagerado por parte da indústria e do varejo alimentar. Atualmente, disponibiliza uma
plataforma para que essa ponta se conecte com a outra dentro da cadeia de Food Service,
possibilitando que restaurantes, bares e padarias comprem produtos próximos da data de validade
em bom estado, que seriam jogados fora, por preços mais baixos. Além disso, também conecta
partes interessadas na doação de alimentos, normalmente direcionada a Food Banks e ONGs, sem
cobrança.

Dentre as categorias de alimentos, os mais desperdiçados são os perecíveis, como saladas


(74%), vegetais (73%) e frutas (73%), ainda segundo o estudo da Unilever. No momento de descarte,
os principais aspectos levados em consideração pelos brasileiros são aparência, para 85% dos
entrevistados e prazo de validade expirado (83%). Uma iniciativa brasileira que busca mitigar o
desperdício de alimentos FLV (frutas, legumes e verduras) por conta da aparência é a Fruta
Imperfeita, fundada em 2015, em São Paulo. De acordo com informações no site da própria
empresa, 10% da produção total de frutas e legumes não se encaixa nos padrões estéticos exigidos
pelo varejo, seja em relação ao tamanho, formato ou cor, e acabam sendo descartados. Segundo
Roberto Matsuda, Fundador e CEO da startup, era necessário que, antes de qualquer outro
posicionamento, a empresa fosse um movimento de consumo consciente e combate ao
desperdício de alimentos. “Nós queríamos empreender, mas de forma que pudéssemos fazer bem
à cadeia como um todo, sem pensar unicamente no lucro. Após algumas análises e pesquisas sobre
o segmento, percebemos que os pequenos produtores rurais precisavam de mais ajuda e suporte,
porque existem dificuldades para eles acessarem o mercado. E, a partir disso, percebemos o
problema da padronização estética dos produtos, e o pequeno produtor, sem opções, acaba por
aaaaaaa

50
desperdiçar os alimentos considerados feios. Assim, com a nossa solução, conseguimos gerar mais
renda para esse elo da cadeia”, conta Matsuda.

Hoje em dia, a Fruta Imperfeita atua como delivery de produtos FLV, entregues em cestas
de diferentes tamanhos, conforme o desejo do consumidor. Em seus três anos de existência, a
startup cresceu 100% a cada ano, possui uma base de 1500 assinantes recorrentes e salvou mais de
600 toneladas de alimentos que seriam jogados fora. Para Matsuda, os novos hábitos dos
consumidores ajudaram a alavancar a empresa, em um contexto de consumo mais consciente e
alimentação saudável, mas ainda existe um desafio de atingir uma maior parte da população e de
convencimento sobre os “produtos imperfeitos”. “Nossos clientes veem o valor da sustentabilidade
da Fruta Imperfeita, eles entendem e valorizam o movimento. Simultaneamente, existe essa
preocupação, por parte das pessoas, de atenção em relação à procedência do produto, a tendência
e desejo de comprar do pequeno produtor, do artesanal, do natural. Isso é muito forte na geração
mais jovem com poder de consumo. No entanto, claramente ainda é um mercado mais nichado,
principalmente na questão etária e de classe social, apesar dos preços competitivos. Então existe
esse desafio de chegar em um número maior de pessoas, ser lucrativo também e convencer os
consumidores de que os alimentos feios são tão bons quanto os outros”, finaliza ele.

A Ndays, marketplace de compra e venda de produtos perecíveis cuja data


de validade está próxima com descontos de até 70%, conecta a indústria
ao varejo e ao consumidor final, que pode receber os produtos desejados
por serviços de entrega.

O aplicativo Comida Invisível conecta restaurantes, hotéis, buffets, bares e


varejo com ONGs, com o objetivo de facilitar a doação de alimentos que
seriam descartados. O serviço se utiliza de geolocalização para otimizar as
doações.

A Too Good to Go é uma startup dinamarquesa que reaproveita alimentos


em boas condições, mas que seriam descartados por restaurantes
estabelecimentos, hotéis e outros, comercializando-os com consumidores
por meio de um aplicativo. Já recebeu investimentos de € 6 milhões.

A startup sueca Whywaste desenvolveu um sistema data-driven que ajuda


o varejo a identificar alimentos cuja data de validade está próxima,
possibilitando que sejam processados, utilizados ou doados, em vez de
descartados. Já recebeu aproximadamente R$ 3,7 milhões em
investimentos.

51
Investir para evoluir

Em 2019, muito já se falou sobre expressivos investimentos realizados em Food Techs, visto
que nomes mundialmente conhecidos estão olhando com atenção para esse mercado. Jeff Bezos,
CEO da Amazon, apostou parte de suas fichas na chilena NotCo, startup de produtos veganos
(como maionese, queijos e iogurte) a partir de inteligência artificial; Bill Gates, grande entusiasta
desse mercado, já investiu milhões de dólares em startups como Impossible Foods, Beyond Meat e
Motif Ingredientes, e enxerga as “novas proteínas” como um dos melhores investimentos para esse
ano. Outro exemplo é a Starbucks, maior rede de cafeterias no mundo, que pretende investir US$
100 milhões em novos negócios voltados a produtos e serviços para alimentação e varejo, por meio
do fundo Valor Siren Ventures. No entanto, apesar da prosperidade desse mercado em âmbito
internacional, ainda são poucos casos brasileiros expressivos e que chegam ao conhecimento do
público. Além do iFood, que no final de 2018 recebeu um aporte de US$ 500 milhões – o maior já
registrado na América Latina –, outro exemplo é a LivUp, que captou R$ 5 milhões em 2017.

São bastantes os desafios que envolvem a questão de aportes no mercado e sua evolução
em direção à inovação e tecnologia: a descentralização do mesmo, o grau de maturidade por parte
de seus empreendedores, modelos de negócio em consolidação, a demanda dos consumidores
ainda não totalmente vinculada a processos e produtos inovadores. Segundo Christiano Guirlanda,
Engenheiro de Alimentos e Doutorando em Ciência de Alimentos pela UFMG, as características
intrínsecas ao segmento de alimentação fazem com que a indústria não veja motivos claros para a
implementação de inovação e tecnologia em seus processos. “É um mercado em que grande parte
da população compra por necessidade, então as empresas não dão atenção à inovação para
continuar vendendo. Mas, aos poucos, quem não tiver um diferencial, um caráter inovador, vai ficar
para trás. Além disso, grande parte do mercado é formado por empresas pequenas, que não têm
recursos para investimentos nos seus próprios processos, e a tecnologia é entendida como algo
caro para esses empreendedores. As áreas de P&D (Pesquisa e Desenvolvimento) ainda são vistas
como algo para o futuro, quando essas empresas crescerem. No fim, se investem, é de forma muito
irrisória, baseando-se em necessidades próprias. Mas, à medida que a demanda dá preferência para
produtos inovadores, as empresas se veem obrigadas a seguir isso”, afirma.

Por conta disso, são as próprias startups que estão realizando o movimento rumo à
diferenciação, posicionando-se, aos poucos, no mercado. No entanto, de acordo com Augusto Terra,
Diretor da Food Ventures, apesar de o segmento de Food Techs no Brasil ser muito promissor, ainda
carece de uma maior integração dentro do ecossistema de inovação e uma melhor formação de
empreendedores. “Em 2018, pouco se falava disso no Brasil, havia pouca coisa acontecendo, mas
com um potencial de ser referência mundial no setor, se não fosse a falta de organização. É um
mercado promissor, com ideias boas, inovadoras e ótimos produtos. Existe a questão da educação
empreendedora, da formação de times, que ainda é um obstáculo, porque falta a união de modelo
de negócio e produto. Precisa pensar na escala do negócio, entregar uma projeção. A partir do
momento em que houver mais hubs e outros movimentos para entendimento do mercado, os
fundos vão aparecer como consequência, porque é um bom investimento”, afirma.

Se seguir tendências mundiais – como já tem acontecido –, o setor é, de fato, muito


promissor. De acordo com o Pitchbook, fundos americanos de venture capital estão mais
interessados em Food Techs do que nunca: até junho de 2018, haviam gasto mais de US$ 1.3 bilhão
aa

52
nesse mercado, número que representa proporcionalmente quase o dobro do valor investido em
2017 e 2016, em que o total registrado foi de US$ 1.5 bi no período de um ano inteiro. Em
comparação a números da década passada, foi registrado, em 2008, investimentos que totalizaram
US$ 60 milhões; em 2013, esse valor alcançara os US$ 290 milhões. Fora do Brasil, por exemplo, a
Perfect Day Foods, startup californiana que produz laticínios veganos, captou US$ 24.7 milhões em
uma rodada Series A. No Brasil, A Tal da Castanha e NoMoo são representantes desse mercado, com
negócios semelhantes ao da empresa americana.

O crescimento desse mercado está diretamente ligado às mudanças das preferências dos
consumidores e das novas gerações. O setor de Food Techs engloba novas tecnologias para
restaurantes, aplicativos de delivery, startups que produzem kits de refeições, varejo de alimentos e
desenvolvimento de novos produtos. Simultaneamente, cada vez mais os consumidores tomam
suas decisões baseadas em conveniência e praticidade para comprar comida, aspectos e
características oferecidas e encontradas em muitas das Food Techs em ascensão. “O que as
startups brasileiras estão conseguindo fazer é oferecer mais opções para o público, hoje é muito
simples e fácil consumir produtos de uma empresa pequena. Isso está se desenvolvendo no Brasil.
Ainda não chegam a impactar o market share das grandes marcas, mas já acolhem uma demanda
do público”, diz Terra.

Somente no primeiro semestre de


2018, os investimentos em venture
capital em Food Techs alcançaram
US$ 1.3 bilhão,
valor que chega a ser
(proporcionalmente) quase o dobro
do alcançado nos dois anos
anteriores 2016 e 2017
2016 e 2017 Junho de 2018

Quando se fala em investimentos, também é válida uma análise sobre o fomento do


ecossistema, e não apenas no lado financeiro da questão. Muitas das grandes empresas do
mercado de alimentação estão começando agora a olhar para inovação, tecnologia e Food Techs,
ou seja, de forma ainda incipiente. Segundo post da AgFunder News, cenário parecido é vivenciado
na Europa, em que as corporações atuam de forma lenta, mas já mais atentamente, por conta de
uma movimentação que se inicia no mercado. Assim, emerge uma convergência de interesses
entre corporações e investidores, em busca de escalar “futuros campeões” do setor. Como
consequência da falta de percepção por parte das empresas de que o sistema de alimentação
começa a se quebrar, novas oportunidades para as startups começam a existir no setor.

De acordo com Kelly Galesi, Fundadora do Food Academy e Consultora, as mudanças no


mercado brasileiro são recentes, mas começam a ser mais claras. As empresas já olham mais para
as startups como fundamentais catalisadoras de mudança, o que deve fazer “girar a roda de
inovação”. “Pouco se falava sobre isso no Brasil até dois anos atrás, havia poucas corporações
atuando nesse cenário. A grande maioria não achava que as mudanças poderiam atingi-las. Com a
movimentação do cenário global, elas perceberam que isso chegaria a qualquer momento no
Brasil. Então já existe uma disposição para ouvir, entender e mapear possíveis parcerias com
startups do setor. No fim das contas, tudo está interligado: se houver mais investimentos, as
startups podem amadurecer mais rapidamente, o que atrairá mais empresas e parceiros também
ou vice-versa. Sem isso, a credibilidade nesses novos negócios tende a ser menor, porque torna o
mercado desaquecido”, declara Galesi.

Apesar dos pesares, o Brasil é visto como um importante pólo quando o assunto são
tecnologias ligadas à agricultura e alimentação. Um exemplo disso foi o fato de a ONG Thought for
Food – que tem o objetivo de empoderar novos empreendedores nesses setores – ter escolhido o
aaa

53
Rio de Janeiro como sede da sua primeira cúpula realizada em uma região fora da Europa, em julho
de 2018. Em entrevista à revista Época Negócios, Christine Gould, CEO da organização, afirmou que
o país representa o futuro da inovação na agricultura, além de concentrar um “resumo de desafios
globais da cadeia produtiva de alimentos”. Além disso, enxerga aqui um terreno fértil para
mudança, com startups que crescem rapidamente, com bons rendimentos e soluções
interessantes para os problemas que existem na indústria. Em convergência à opinião de Galesi,
Gould afirma que existe um grande espaço de aprendizado, em um contexto no qual as grandes
empresas não estão mais advogando pontos de vista, mas ouvindo abertamente e buscando
aprender sobre os desafios que precisam enfrentar.

Assim, movimentos de fomento a esse ecossistema – como é o Thought for Food Summit,
que reúne startups, empreendedores, representantes de grandes corporações e outras lideranças
da área de inovação – tornam-se extremamente necessários para o desenvolvimento do mercado
no Brasil. Como citado anteriormente, a questão de investimentos em tecnologia e inovação dentro
do setor de alimentação, como acontece também em outras indústrias, acaba por obedecer uma
relação até óbvia de causa e consequência: um maior nível de maturidade das startups puxará mais
investimentos (que por sua vez podem ajudar novos negócios a se tornarem mais maduros),
acabando por atrair mais atenção de grande parte dos players do mercado. A criação de centros,
hubs e espaços de inovação possibilita a geração de proveitosas discussões, que no fim abrem mais
espaços para a atuação de tecnologia dentro dos gaps que existem no segmento.

A startup Live Up cria kits de refeições saudáveis, sob a tecnologia de


ultracongelamento. Com uma equipe de engenheiros, nutricionistas e
chefs de cozinha, oferece um cardápio diversificado, com produtos
orgânicos e ingredientes naturais. Em 2017, recebeu um aporte de R$ 5
milhões da Kaszek Ventures.

Fundada em 2011, a startup californiana Impossible Foods produz carnes e


laticínios à base de vegetais, imitando aspectos como cor, sabor e textura
de alimentos de origem animal. A Impossible Foods já captou mais de US$
387 milhões em investimentos, de acordo com o Crunch Base.

Com mais de US$ 20 milhões captados, a americana Memphis Meats


produz carne em laboratório, com pretensões de lançar no mercado, em
2021, almôndegas sintéticas. A startup, que desenvolve seus produtos a
partir de células animais, recebeu aportes da Tyson Foods

Fundada em Jerusalém, a Future Meat é uma startup que criou uma


plataforma de produção de carne não-transgênica, a partir de células
animais e do desenvolvimento de músculos e gordura. Com atuação
desde 2018, já captou mais de US$ 2 milhões em investimentos.

54
Temos uma área de transformação digital que inclui um hub de
inovação corporativa, focado em olhar possíveis espaços de atuação para a
empresa e novos negócios. Ainda, todas as nossas unidades de negócios
contam com uma pessoa responsável pela inovação, desde o conceito até a
entrega final do produto.

Enxergamos a inovação como uma resposta para os desafios da


atualidade, de forma que ela esteja totalmente centrada no consumidor. Essa
é uma preocupação que existe desde a fundação da companhia e que hoje
conta com os recursos da tecnologia como meio para ampliar a compreensão
de como entregar produtos e experiências de um jeito cada vez personalizado.

A Nestlé também tem um relacionamento contínuo com startups, Juliana Glezer


que nos ajuda a identificar tendências, promover inteligência na tomada de Especialista de Inovação na
decisões e a aprimorar o mindset empreendedor de nossos próprios Nestlé
colaboradores. A companhia também desenvolve projetos de inovação
aberta, como o Henri, que contribui para causas ambientais extremamente
relevantes.
CASES

A nossa principal preocupação e objetivo tiveram início em combater


o desperdício de alimentos. A solução veio como uma alternativa para fazer
isso em um volume maior, por meio de tecnologia. Hoje, o Food Finder é um
marketplace B2B.

Com a nossa plataforma, a indústria, o varejo e distribuidores


comercializam produtos cuja data de validade está próxima com restaurantes,
bares e outros operadores de Food Service, por um preço mais baixo, mas que
lhes representam uma renda extra, já que esses produtos seriam inicialmente
descartados. A estimativa é que esse desperdício represente uma perda de
1% a 3% no faturamento para essa ponta da cadeia.

A nossa função, em resumo, é achar um comprador para esses Gillian Alonso e


produtos. Os operadores de Food Service brigam muito para conseguirem Thais Lima
Cofundadoras da
produtos variados por preços mais competitivos, e a nossa plataforma
Food Finder
oferece isso a eles. Atualmente, temos uma base de 350 clientes cadastrados
e mais de 30 marcas já anunciaram na nossa plataforma. Repassamos em
média 600 kg de alimentos por mês.

Keywords para acompanhar o tema

PROCESSAMENTO DE PRODUTIVIDADE E
RESÍDUOS/DESCARTES EFICIÊNCIA
CONSUMO
CONSCIENTE
FOOD SERVICE
TRANSPARÊNCIA DAS
INTELIGENTE E
MARCAS
CONECTADO
INVESTIMENTO

55
55
ENTRE_
VISTA
Quais são os grandes desafios para o
desenvolvimento de novos produtos no Brasil, em
termos de regulação?
Avanços científicos, inovações tecnológicas e o uso
de tecnologia digital têm o potencial de contribuir
para uma transformação estrutural em larga escala
dos sistemas alimentares. Novos alimentos surgem Thalita Antony de Souza Lima, Gerente-Geral
como uma das alternativas nesse rol de novas de Alimentos - GGALI (ANVISA)
tecnologias. No entanto, muitas das inovações
ultrapassam os conhecimentos atuais dos órgãos Como vocês enxergam o atual cenário de
reguladores sobre seus reais riscos e benefícios e, alimentação e as atuais tendências alimentares ?
principalmente, sobre a forma como eles devem ser A mudança do cenário de alimentação tem
regulados. Esse cenário acaba trazendo obstáculos à ocorrido, em grande parte, a partir de uma
entrada de novos produtos no mercado. Por outro exigência dos próprios consumidores. Assim,
lado, do ponto de vista do órgão regulador, o empoderar esse grupo com informações claras e
desenvolvimento de novos produtos e tecnologias precisas e a partir de estratégias de educação é
deve ser explorado sob a perspectiva da segurança fundamental para impulsionar a melhoria da
e da eficácia e também de sua aceitação pelos qualidade nutricional dos alimentos. Por outro lado,
consumidores. Ainda nos deparamos com muitas é necessário reconhecer que ainda existem mitos e
incertezas e com lacunas de dados e evidências incertezas científicas sobre os reais riscos e
científicas que respaldem a tomada de decisão benefícios de determinados alimentos e
pelos reguladores. orientações dietéticas, os quais devem ser tratados
com transparência pelos órgãos de governo, que
Qual o envolvimento da ANVISA na criação de precisam assumir um papel pró-ativo na
novos produtos alimentícios? comunicação com os consumidores.
A regulação sanitária obedece a um ciclo: 1) cria-se a
regra buscando-se, de um lado, que esta seja O que é necessário para que um novo alimento
compatível e proporcional ao risco e, de outro, ou ingrediente seja regularizado pela ANVISA?
flexível o bastante para permitir que as inovações Para ser ofertado no mercado, um novo alimento ou
emerjam e que não haja obstáculos desnecessários ingrediente necessita de uma avaliação prévia pela
ao comércio; 2) verifica-se se a implementação da Anvisa quanto à sua segurança de uso e, caso haja
regra está sendo cumprida pelos agentes regulados; alguma alegação sobre uma função metabólica ou
3) verifica-se se a implementação da regra atingiu fisiológica específica no organismo, é necessária
seu objetivo regulatório e se os resultados estão também a avaliação da eficácia deste benefício
ocorrendo conforme previstos inicialmente; 4) alegado. A comprovação pré-mercado da segurança
revê-se o regulamento e as práticas de fiscalização de uso de determinados alimentos e ingredientes é
de sua implementação, conforme melhorias uma exigência legal, com objetivo de proteger a
identificadas nas duas etapas anteriores. O ciclo saúde da população e reduzir os riscos associados
regulatório gira da mesma maneira com os novos ao consumo desses produtos. Devem ser atendidas
produtos, com a complexidade do fato de inovação a Resolução n. 16, de 30 de abril de 1999 e a
inerente ao produto. Resolução n. 17, de 30 de abril de 1999.

56
Aprofundamento
O prato do futuro: as oportunidades
de desenvolvimento

Grande parte das inovações visíveis na indústria de


alimentação estão concentradas nos produtos, não nos processos,
como comumente acontece em outros mercados. No entanto, apesar
de muitos produtos já se apresentarem como realidade fora do Brasil,
no cenário nacional ainda são considerados tendências em seu
período inicial. Esse relativo atraso do mercado brasileiro, aos poucos
começa a ser deixado para trás, muito por conta de movimentos que
surgem no país, buscando implantar e tangibilizar a inovação no
mercado. Assim, gradativamente, o terreno voltado para as Food
Techs é fertilizado e abre grandes oportunidades de geração de
frutos em um futuro próximo. Iniciativas como o FoodTech
Movement, Food Academy e Food Lab se mostram muito relevantes No Brasil, existem cerca de
para impulsionar o surgimento de novos negócios, empreendedores
e startups, seja por meio de palestras, mapeamentos, plataformas de
30 milhões
educação, criação de espaços de desenvolvimento e outras ações. de pessoas veganas e
vegetarianas,
Além disso, nota-se também uma mudança de
representando um mercado que
comportamento por parte das empresas, que começam a se
organizar para buscar espaços internamente para a implantação de tende a aumentar ainda mais
inovações. Parte delas já dão os primeiros passos, em busca da
transformação de mindset e cultura organizacional, por meio da
criação de projetos internos, como é o caso da Duas Rodas,
corporação B2B, focada no desenvolvimento de aromas, extratos e
ingredientes para a produção de alimentos. Outras, como Nestlé, GPA
e Electrolux, já dão passos mais largos, estando em contato direto
com startups e Food Techs, seja em projetos separados, programas
de aceleração mais robustos, ou apoio às novas iniciativas. Todas
essas movimentações podem resultar em uma integração maior do
setor, que facilita a evolução do mesmo em direção a um mercado
cada vez mais moderno, cujas ofertas correspondem às novas
demandas existentes.

Um exemplo de mercado muito próspero no Brasil é o de O consumo de insetos


produtos alternativos relacionados ao bem-estar, saudabilidade e/ou
é tido como um dos
regimes e restrições alimentares, que abrem diversas oportunidades
caminhos para a mitigação
para o desenvolvimento de novos alimentos e negócios. Isso porque,
da fome mundial, além de
conforme estudos, aspectos de Saúde e Bem-Estar passarão a ser
ter uma produção mais
levados muito em consideração pelos consumidores. Além disso, o
número de adeptos de movimentos veganos e vegetarianos cresce
sustentável
cada vez mais no país, representando um mercado de
aproximadamente 30 milhões de pessoas, segundo pesquisa IBOPE
publicada no portal da Sociedade Vegetariana Brasileira, número que
só tende a aumentar.

57
A expectativa sobre mercados segmentados como esse são grandes porque, além das
escolhas pessoais de parte do público de não consumir alimentos de origem animal, existe
também uma preocupação em relação ao meio ambiente e às maneiras pouco sustentáveis da
pecuária. Além de ser responsável, por exemplo, pela emissão de quantidades relevantes de gases
do efeito estufa, a criação de gado impulsiona o desmatamento e consome muita água. Assim, um
aumento de produtividade desse setor se torna necessário diante do enorme desafio de alimentar
cada vez mais pessoas no mundo inteiro. Uma alternativa, defendida pela ONU já há pelo menos
cinco anos, é o consumo de insetos, tido como um dos caminhos para a mitigação da fome
mundial e cuja produção é mais sustentável. Ainda, estudos já mostram que esse mercado é
extremamente promissor, podendo atingir valores bilionários nos próximos anos.

Outra tendência que já se mostra frutífera internacionalmente, mas que ainda dá seus
primeiros passos no Brasil – o que significa, portanto, que existem boas oportunidades de atuação
nesse campo – é a carne produzida em laboratório. Nos EUA, por exemplo, startups como a
Memphis Meats, Impossible Foods e Beyond Meat chamam atenção do mundo inteiro e captam
importantes investimentos de fundos e nomes muito bem conhecidos no campo da tecnologia.
Algumas das marcas, inclusive, já são vendidas no varejo, à disposição dos consumidores. Aqui,
algumas iniciativas relacionadas a essa produção já se mostram ao mercado, como é o caso da
Biomimetic e da Behind the Foods.

A seguir, analisamos a importância de alguns movimentos em atuação no Brasil,


principalmente em relação à evolução de tecnologias no setor de alimentação e à geração de novas
oportunidades; ainda, apresentamos um panorama sobre o mercado das proteínas alternativas e
novos produtos de origem vegetal, já mais bem posicionados no varejo alimentar.

Enquanto o gado precisa de Insetos precisam de apenas


8 quilos de comida 2 quilos de comida
para produzir para produzir
1 quilo 1 quilo

A carne produzida em laboratório é


também uma tendência promissora
em alternativa ao consumo de
proteína animal.

58
Movimentações do
mercado: garfos no futuro
Com as mudanças que ocorrem dentro do mercado de alimentação, principalmente por
conta dos novos hábitos de consumo das pessoas e da necessidade de otimização de processos na
cadeia, tornou-se necessária a presença de movimentos que de alguma forma fomentem a
inovação, de maneira a agilizar a transformação digital que aos poucos começa a acontecer. E, para
atender às novas demandas do consumidor – mais conveniência, praticidade, alimentação mais
saudável, preocupação com sustentabilidade e desperdício, entre outras – e do mercado, as Food
Techs têm mais facilidade em se aproximar do público e arriscar, por conta de sua natureza, que
representa um menor risco para o negócio, em comparação com as grandes corporações.

Tendo em vista essa necessidade, iniciativas interessantes já se apresentam no país,


oferecendo suporte tanto para Food Techs quanto para empresas. Uma delas é o Foodtech
Movement, que tem o objetivo de reunir interessados, entusiastas e transformadores da área,
conectando diversos atores da cadeia para promover discussões sobre os desafios que envolvem o
segmento de alimentação no Brasil. Busca também criar boas condições para que
empreendedores e novos negócios possam se desenvolver. Atualmente, realiza os Food Talks,
encontros periódicos que envolvem corporações, academia, empreendedores, investidores e
consumidores, para discutir o cenário de alimentação, de forma a manter um relacionamento
contínuo entre os elos do setor.

Com foco maior no segmento de startups brasileiro, o Food Academy é uma plataforma de
educação voltada para o empreendedor do mercado de alimentação, com o objetivo de acelerar o
desenvolvimento de novos negócios. Segundo Kelly Galesi, Cofundadora do curso, a ideia central é
oferecer suporte a empreendedores early-stage ou intra-empreendedores (atuando dentro de
grandes organizações) que precisam tirar os projetos inovadores do papel, estão em busca de um
MVP ou piloto, ou necessitam captar investimentos e construir o negócio de forma concreta. A
plataforma já está implementada no Brasil e já formou o primeiro ciclo de empreendedores. De
acordo com ela, junto com o projeto Food&Co – um hub de conexão de empreendedores em food
para desenvolvimento de negócios de forma colaborativa –, o objetivo é estabelecer os primeiros
passos para auxiliar na evolução de empreendedores e negócios em Food no Brasil, visto que esse
aa

No atual cenário da inovação em Food Techs, as


corporações podem expor seus problemas e
desafios enfrentados e ter conhecimento sobre
novas iniciativas que surgem, além de entender
como outros players do segmento estão se
posicionando quanto ao assunto

As startups é uma possibilidade de contato com


eventuais clientes e com outros atores envolvidos na
cadeia, que podem ajudar a alavancar o negócio

59
momento inicial é uma grande dor das startups, que nem sempre possuem conhecimento técnico
e espaço físico para desenvolver a solução.

Neste cenário, as corporações podem expor seus problemas e desafios enfrentados e ter
conhecimento sobre novas iniciativas que surgem, além de entender como outros players do
segmento estão se posicionando quanto ao assunto. Às startups é uma possibilidade de contato
com eventuais clientes e com outros atores envolvidos na cadeia, que podem ajudar a alavancar o
negócio. Para a Academia, por sua vez, é uma grande oportunidade de entender mais de perto o
cenário do mercado, e buscar alternativas e soluções em faculdades, laboratórios e afins. Por fim,
para o consumidor, a tendência é que toda essa integração resulte em ofertas mais adequadas à
sua demanda e cada vez mais acessíveis.

Assim, já é possível perceber iniciativas também por parte das corporações em direção a
processos e produtos mais inovadores, seja internamente ou por meio de parcerias com startups e
centros de inovação. Segundo Galesi, “não é segredo a dificuldade de entrar em uma organização
de grande porte e querer mudar a mentalidade do dia para a noite. Porque, independentemente
da necessidade de inovar, o core business vai continuar. Por conta disso, as empresas começam
pela procura de soluções que curem dores internas, porque o resultado é mais tangível, concreto, e
se torna possível movimentar a organização como um todo, aos poucos. É fazer entender a
importância dessa transformação, que certamente vai acontecer”, afirma.

Um dos aspectos que tornam as startups interessantes aos olhos das corporações são
exatamente os modelos ágeis de trabalho, sob uma perspectiva de que a proximidade com os
novos negócios tende a impactar a cultura organizacional das empresas. A Duas Rodas, corporação
com foco em desenvolver aromas, extratos naturais e ingredientes para a composição de alimentos,
organizou-se internamente para desenvolver o projeto PLANTA.VC, com moldes de startups, em
busca de entender de forma mais aprofundada os desejos dos consumidores e,
consequentemente, as necessidades dos clientes que possui. “É um projeto que funciona como um
caminho direto para o consumidor, que muda muito rápido e segmenta cada vez mais. Novas
comunidades estão surgindo, então novos produtos precisam ser criados também. Além disso, o
PLANTA.VC nos ajuda a pensar como uma startup, abre muito o nosso mindset, ajuda a modificar a
cultura corporativa da empresa, para que ela dê passos mais significativos em questões de
inovação”, conta Steven Rumsey, Gerente Geral de Inovação e Tecnologia da empresa.

Uma empresa que já se mostra aberta e tem se esforçado globalmente para inovar em seus
processos, estar mais perto das tendências de consumo e do ecossistema de startups é a Nestlé.
Além do Henri@Nestlé, plataforma global de inovação aberta – que tem como objetivo buscar
soluções para desafios de sustentabilidade, bem estar e saúde – e que está presente no Brasil, a
corporação tem ramificado seus campos de atuação para estar mais próxima dos novos negócios
que estão impactando o mercado de alimentação. No início de 2019, participou do programa
Scale-Up Endeavor Alimentos e Bebidas, que apoiou 19 startups do segmento.

Outra gigante do setor que também se posiciona ao lado da inovação e trabalha


diretamente com startups é o GPA (Grupo Pão de Açúcar). Trabalhando junto ao ecossistema já há
dois anos, a companhia tem olhado com mais atenção para as Food Techs. Um dos exemplos disso
foi a parceria fechada em 2019 com a Cheftime, que elabora receitas e envia kits com os
ingredientes necessários para o consumidores, com um passo a passo de como prepará-las. Além
disso, para o segundo ciclo do Liga Retail – programa de aceleração de startups, em parceria com a
Liga Ventures –, o Grupo demonstra grande interesse em parcerias com Food Techs, além de
startups voltadas para o varejo. Ainda, em comunicado ao mercado, o grupo se apresenta em
“contínuo desenvolvimento do ecossistema de startups”, após a inauguração do GPA Lab Foodtech
no Cubo, em São Paulo.

No entanto, de acordo com Ricardo Voltan, Empreendedor e Investidor do mercado de


Food no Brasil, grande parte das empresas que compõem o segmento, por serem de
aaaaaaaaaaaaa

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pequeno-médio porte, ainda demoram para entender os cenários da nova economia dentro de um
mercado altamente competitivo, em que é preciso se reinventar o tempo todo. Por conta disso,
desenvolveu o projeto do Food Lab, em parceria com a Electrolux Professional, ainda não
implementado no país, mas com o objetivo de ser um grande pólo de desenvolvimento e inovação
na cadeia de alimentos. “As indústrias estão atrás de cozinhas de alta tecnologia, para o
desenvolvimento e teste de produtos, um laboratório que possibilite um contato com inovação. Isso
ainda não existe no Brasil ou na América Latina, um local em que as empresas possam arriscar. A
ideia é que seja um espaço aberto de inovação, para que aconteça essa integração entre indústria,
empreendedores, startups e consumidores, que atinja a cadeia de ponta a ponta. As cadeias de
alimentação e Food Service são muito desprovidas de informação, o que dificulta um
empoderamento e tomada de decisão mais assertiva dos consumidores em relação às marcas”,
conta Voltan.

Em convergência a isso, segundo Ronaldo Portella, Sales Manager South of Latin America,
Brazil & Cuba na Electrolux Professional, a busca por tecnologia na cozinha e indústria alimentícia é
muito pequena no Brasil, o que torna o país atrasado em aspectos de inovação. Por conta disso,
enxerga no Food Lab uma grande oportunidade e importância para empreendedores,
principalmente os de menor porte. “Estou muito em contato com outros países vizinhos e vejo
muito acontecendo na América Latina e do Sul, mas não vejo no Brasil. Existe até uma falta de
interesse em tecnologias novas, é muito no copiar do que já existe. Então, o Food Lab tem essa
perspectiva, de ajudar quem quer entrar no mercado, mas não tem condições de fazer
investimentos grandes, arriscar capital, testar para ver o que pode dar certo. Além, disso, existe
também a intenção de promover a reinvenção da cadeia, mudar os processos por meio de
tecnologia”, diz ele.

Claramente, além das citadas, muitas outras empresas, instituições e pessoas estão se
mobilizando e criando iniciativas que impactem positivamente o mercado de alimentação. Todas
são muito importantes dentro de um cenário em que os consumidores transformam suas próprias
demandas frequentemente e por consequência buscam transformação naquilo que lhes é
ofertado. Assim, a partir dos primeiros passos, que já foram dados, novas oportunidades são criadas,
e as tendências podem passar a ser vistas como o início de uma nova realidade no segmento.

A startup Desinchá desenvolveu um chá com efeitos funcionais de


desinchamento do corpo e eliminação de retenção de líquidos, além de
outros benefícios para a saúde. A empresa une oito ingredientes em um só
produto, vendido em kits por meio de clubes de assinatura.

Fundada em 2015, a startup mineira BeGreen produz hortaliças


hidropônicas gourmet, sem adição de agrotóxicos, em um modelo de
fazendas urbanas ativas - uma no Boulebard Shopping em Belo Horizonte
e outra na planta da Mercedes-Benz em São Bernardo do Campo.

A Motif é uma Food Tech que se utiliza de biotecnologia e fermentação


para desenvolver proteínas alternativas, além de vitaminas, aminoácidos,
enzimas e sabores para a produção de novos alimentos. Em 2019, a startup
captou US$ 90 milhões em investimentos.

A Better Juice, que já captou US$ 550 mil, é uma startup fundada em
Ashdod, Israel, que criou uma solução que, por meio de microorganismos
não transgênicos e imobilizados, reduz o açúcar de sucos naturais e
produtos derivados de frutas, transformando-o em fibras dietéticas.

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Proteína alternativa

Pensar em alternativas à proteína tradicional de origem animal não é apenas uma


tendência global de alimentação, mas uma necessidade praticamente de sobrevivência. Com a
expectativa de a população mundial atingir, em 2050, a casa dos 9.8 bilhões de pessoas, é estimado
pela ONU que seja necessário aumentar em 70% a produção de proteínas para corresponder à
demanda esperada, e de maneira que não prejudique ainda mais o meio ambiente. Isso porque,
além de ser responsável por emissão de altas quantidades de gases do efeito estufa, a pecuária
impulsiona o desmatamento para o cultivo de pasto e consome aproximadamente sete mil litros de
água para produzir apenas 500 gramas de carne, de acordo com matéria d’O Globo, baseada em
informações de um estudo britânico.

Os obstáculos para que haja uma virada de cenário, no entanto, não são simples. Apesar do
aumento no número de vegetarianos e veganos entre a população mundial, a carne ainda é
poderosa como um rei, de acordo com o CB Insights. Segundo estimativas, 30% das calorias
consumidas mundialmente pelos humanos são representadas por proteína animal, que inclui
principalmente a carne bovina, frango e porco. Além disso, a média de consumo desse tipo de
proteína é de aproximadamente 43kg por pessoa, anualmente. Para atender a essa demanda, que
deve crescer na próxima década, não há garantia de que a indústria se utilize de métodos
sustentáveis de produção.

Isso surge como um grande desafio para as empresas do segmento, que agora enxergam
um público muito mais conscientizado, informado e fiscalizador. Existe, portanto, uma pressão
social e internacional para que os modelos e processos de produção se alterem ou, então, que se
encontrem alternativas. Uma delas, apesar de todo o tabu que carrega consigo, é o consumo de
insetos. Já em 2014, seis anos atrás, um relatório divulgado pela ONU já defendia essa prática como
um dos caminhos para a erradicação da fome no mundo, cuja produção é mais sustentável:
enquanto o gado precisa de 8kg de comida para produzir 1kg, os insetos precisam de apenas 2kg.

De acordo com uma pesquisa sobre insetos comestíveis da Arcluster, consultoria de


Singapura que estuda tendências, cujos dados foram publicados em parte no portal ComCiência, o
mercado de insetos é promissor no setor de alimentação, com expectativas de que atinja um valor
de US$ 1.52 bilhão em 2023. Conforme o relatório, o número de consumidores desses produtos, já na
casa dos dois bilhões, cresce cada vez mais, impactado pela busca por uma alimentação mais
natural e saudável, já que os insetos são uma boa fonte de proteínas e minerais.

A procura por uma alternativa mais natural e rica em proteínas foi justamente o motivo da
criação da Hakkuna, startup brasileira que produz alimentos à base de grilos, como farinha proteica,
barra de cereais e snacks. De acordo com Luiz Filipe Carvalho, fundador da empresa, iniciativa
surgiu a partir de uma necessidade pessoal, que conta também com aspectos de sustentabilidade
e diminuição dos impactos do consumo no meio ambiente. “Na época eu estava procurando por
uma opção proteica prática, mais saudável, de boa qualidade, sem ingredientes químicos. Acabei
encontrando algumas empresas de fora, em 2014, que estavam lançando produtos à base de grilos.
Os insetos em geral, além de serem muito nutritivos, compostos por 70% de proteína e outras
vitaminas, são muito sustentáveis se comparados com a produção de carne bovina”, conta
Carvalho. Segundo ele, esse tipo de ingrediente também é uma opção interessante
aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa

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por conta da sua versatilidade. A farinha, por exemplo, pode ser uma substituta à farinha vegetal e
servir de base para outros produtos, como pães, massas e biscoitos.

No entanto, de acordo com Carvalho, a iniciativa ainda dá seus primeiros passos no Brasil, já
que são poucos os produtores, e trazer a matéria-prima de outros países é um processo de alto
custo. Além disso, muito do que é produzido internamente ainda é voltado para a alimentação
animal. No atual momento, a Hakkuna tem a pretensão de trabalhar externamente em um modelo
B2B e, internamente, em um modelo B2C, com a perspectiva de entregar cinco mil barrinhas de
cereais ao mercado em um futuro próximo. Mas, para que isso vire uma realidade de fato no Brasil,
ainda existe um grande obstáculo: a regulação. De acordo com informações publicadas no portal
ComCiência, atualmente a Anvisa só discute aspectos sanitários do produto, como a RDC
(Resolução da Diretoria Colegiada) nº14, de 2014, que limita uma quantidade de matérias estranhas
em alimentos, categoria na qual estão inclusos os insetos. Criada em 2015, a Abrasci (Associação
Brasileira dos Criadores de Insetos), constituída de criadores e pesquisadores do tema, trabalha
para que os insetos sejam reconhecidos como alimentos, sob normas de produção, comercialização
e fiscalização.

US$ 1.52 bilhão


é o valor esperado que o mercado de
insetos na alimentação atinja
em 2023

Outra tendência, que já é realidade no exterior, mas ainda muito incipiente no Brasil, é a
carne produzida em laboratório, a partir de células animais, conhecida como clean meat. Além
disso, também existem as proteínas que imitam a carne, feitas a partir de vegetais (chamadas de
plant-based): fibras, lipídios e proteínas são retirados de plantas e reconectados na mesma forma
da estrutura molecular da carne animal. Nos EUA a Memphis Meats, startup que se encaixa na
primeira categoria descrita, já recebeu mais de US$ 20 milhões em investimentos, tendo, entre seus
investidores, Bill Gates, fundador da gigante Microsoft, e a Tyson, uma das maiores empresas
produtoras de carnes no mundo. Por sua vez, a Impossible Foods e a Beyond Meat, startups de
produção plant-based, já captaram mais de US$ 387,5 milhões e US$ 122 milhões, respectivamente,
conforme dados do Crunchbase.

No Brasil, o GFI (The Good Food Institute) é uma ONG com o objetivo de estimular o
mercado de alternativas aos ingredientes de origem animal, fazendo parte de um movimento de
inovação da indústria. Sendo assim, além de outros campos de atuação, trabalha junto a empresas
do setor para direcioná-las meio a esse cenário de evolução e disrupção. O instituto, uma
organização americana, possui operações, além da brasileira, na Índia, Europa, região da
Ásia-Pacífico e Israel. De acordo com Gustavo Guadagnini, Managing Director do GFI, o desafio de
alimentar cada vez mais pessoas de forma produtiva e sustentável é e precisa ser o principal motivo
para que as empresas, principalmente desse setor, repensem seus modelos de produção e
incentivem as iniciativas que estão aparecendo.

“O principal tema hoje que une inovação e alimentação é sobre essa necessidade de
alimentar quase dez bilhões de pessoas no mundo daqui a 30 anos. Atualmente, o que causa a
improdutividade do sistema de alimentos é o fato de que grande parte do que é plantado serve
para a alimentação de gado, que depois vira alimento uma vez só. Sem contar toda a parte relativa
ao meio ambiente, porque a pecuária colabora muito negativamente para o aquecimento global.
Uma das análises sobre o Acordo de Paris (documento assinado por 195 países para reduzir a
emissão de gases relacionados ao efeito estufa) é que é impossível alcançar as metas estipuladas
sem diminuir a atividade desse setor”, diz Guadagnini. Além de atuar de forma próxima à indústria
de alimentos, a GFI também oferece suporte a startups que possuam o negócio focado em
aaaaaaaaaaaaa

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produtos substitutos ao mercado de leite, carne e ovos, conectando pesquisadores, cientistas e
empreendedores que atuam no meio.

Um exemplo de startup brasileira que atua nesse mercado é a Biomimetic, fundada em


2016, com foco na produção de biomateriais. Atualmente, a empresa produz o chamado scaffold,
material que serve de insumo para a produção da carne de laboratório, possibilitando um cultivo
celular em 3D que, por sua vez, possibilita a criação das carnes estruturadas, ou seja, em formato de
filés – almôndegas, hambúrgueres e embutidos se encaixam na categoria de desestruturadas.

Um outro grande desafio – e que aos poucos está sendo superado – é o alto custo de
produção desses alimentos. Em 2013, segundo matéria do The Guardian, o cientista Mark Post, da
Universidade de Maastricht (Holanda), apresentou os resultados do que seria o primeiro
hambúrguer criado em laboratório, por meio de células bovinas – sem o abate de nenhum animal,
gasto de energia 70% menor do que utilizado no método tradicional e utilização de 90% menos
água e terreno. O aspecto desfavorável disso tudo, no entanto, é o preço. O projeto inteiro, desde
seu início até a produção final, que resultou em uma unidade do hambúrguer, custou €250 mil,
aproximadamente R$ 1,5 milhão. Além disso, produtos plant-based, como os produzidos pela
Beyond Meat, também possuem preços ainda pouco acessíveis: 1kg da proteína que imita a carne
de frango custa, aproximadamente, 500 reais. Um quilo de frango custa, em média, entre dez e
quinze reais no Brasil. Para Guadagnini, novas iniciativas podem ajudar a dar mais velocidade a
uma eventual implementação desses alimentos no mercado. “Os produtos já existem, esse é o
primeiro passo, falta chegar no custo. A taxa de queda está muito boa. Acredita-se que em cinco
anos os produtos vão estar no mercado de forma consistente, e em dez com paridade de custos.
Acho que as startups podem ser muito úteis para abrir mais o mercado, empresas pequenas
conseguem testar e lançar novos produtos mais rapidamente. As grandes corporações podem se
beneficiar dessa agilidade de teste”, finaliza.

A NoMoo é uma Food Tech brasileira, do Rio de Janeiro, que produz


queijos e iogurtes a partir da castanha de caju, aplicando tecnologia à
produção de alimentos.

A Tal da Castanha é um spin-off da Amêndoas do Brasil, e produz leites


saborizados naturais e veganos, a partir da castanha de caju e amêndoas.
Também oferece ao mercado shakes proteicos, snacks naturais e pastas
alimentares.

A chilena NotCo desenvolve produtos veganos, como maionese e queijos, à


base de vegetais, por meio de inteligência artificial. O software criado pela
startup combina alimentos e ingredientes de forma a criar produtos cujo
sabor e textura se aproximem dos tradicionais. Em 2019, recebeu US$ 30
milhões em investimentos.

A startup israelense INDI desenvolveu um leite análogo ao materno, de


origem vegetal, sem soja, com composição saudável, nutritiva, sustentável,
a partir da transformação e combinação tecnológica de duas plantas.

64
Novos Produtos

Enquanto outras formas de proteína como insetos, carnes produzidas em laboratório e as


feitas a partir de vegetais ainda dão seus primeiros passos para implementação no Brasil, o
mercado de produtos alternativos e relacionados ao bem estar, saudabilidade e/ou regimes
alimentares cresce cada vez mais no país, abrindo grandes e diversas oportunidades para o
desenvolvimento de novos alimentos e negócios. Notícias recentes de suntuosos investimentos de
bilionários conhecidos como Bill Gates e Jeff Bezos no mercado de alimentação têm chamado
atenção para esses novos produtos, que normalmente são feitos a partir de ingredientes
alternativos àqueles de origem animal. O presidente e CEO da Amazon, por exemplo, liderou a
rodada de investimentos que resultou na captação de US$ 30 milhões pela NotCo, startup chilena
fundada em 2015. A empresa se utiliza de inteligência artificial para combinar produtos de base
vegetal de forma a criar alimentos com textura, sabor e consistência iguais aos de origem. A
startup, cujos produtos devem chegar ao Brasil ainda em 2019, possui um portfólio que inclui
maioneses, iogurtes, queijos e sorvetes, todos 100% vegetais.

De acordo com o estudo Food & Beverage: 2019 Trends to Watch, 2019 é o ano em que as
marcas vão precisar estar mais próximas dos consumidores, em que o aspecto de Saúde e Bem
Estar é um dos principais temas a serem levados em consideração. Produtos proteicos feitos a partir
de ervilha, castanhas e grãos são as grandes tendências dentro desse mercado. Fora do Brasil,
gigantes da indústria como General Mills, PepsiCo e KraftHeinz já se movimentaram, realizando
investimentos e aquisições de startups focadas no negócio da proteína vegetal. Sendo assim, o CB
Insights avalia que não só os substitutos à carne que estão disruptando a cadeia tradicional, mas
também as alternativas de produtos que substituem outros nas refeições.

Um dos grandes motivos para que exista uma grande expectativa sobre esse mercado
também no Brasil é, claramente, pela mudança de hábitos do consumidor e pela aderência a
movimentos como o vegetarianismo e veganismo. Segundo pesquisa divulgada em 2018 pelo
IBOPE, encomendada pela Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB), 14% da população brasileira se
declara vegetariana, índice que chega aos 16% em regiões metropolitanas como São Paulo, Rio de
Janeiro, Recife e Curitiba. Nessas áreas houve um crescimento de quase 100% desde 2012, quando
8% dos entrevistados se consideravam vegetarianos. Ou seja, é um mercado de aproximadamente
30 milhões de pessoas. Além disso, há de se esperar também um futuro próximo próspero dentro
do segmento: 55% dos respondentes afirmaram que consumiriam mais produtos veganos se esses
tivessem uma identificação mais clara ou o mesmo preço em relação aos que consomem
tradicionalmente (60%), índice que alcança os 65% nas capitais.

A Mr.Veggy é uma empresa focada na produção e comercialização de congelados


vegetarianos fundada em 2004, uma época em que pouco se falava em dietas vegetarianas, um
cenário, consequentemente, de poucas opções àqueles que optavam por uma alimentação sem
produtos de origem animal. De acordo com Mariana Falcão, CEO da companhia, esse é um
mercado cada vez mais aquecido, com grande potencial de mudança cultural e perspectiva de
expansão em rede. “A empresa nasceu para atingir o público vegetariano estrito, que restringe
quaisquer produtos de origem animal da sua direta, oferecendo alimentos saborosos, de qualidade.
Existe um grande desafio de trazer mais pessoas para esse universo, porque existe uma cultura
muito ligada à carne. Mas eu sinto que o mercado está contando com cada vez mais opções, a
aaaaa

65
cadeia toda está se preocupando mais”, conta Falcão. Segundo ela, esse estilo de vida ainda atinge
apenas a uma bolha, uma pequena parte da população; sendo assim, existe uma grande
oportunidade para que startups comecem a se posicionar mais claramente no mercado, de forma
que estejam amadurecidas quando houver a expansão.

Além dessa parte da população que opta por hábitos alimentares restritivos, existe também
a parcela intolerante a alguns tipos de açúcar, como a lactose. Conforme informações de um
levantamento do Datafolha, publicadas no Portal Viva Bem, 35% dos brasileiros – aproximadamente
53 milhões – acima dos 16 anos possui certa intolerância ao açúcar do leite; em âmbito mundial,
75% da população não tolera bem a lactose, de acordo com o Instituto Nacional de Saúde dos
Estados Unidos (NIH). Entre os brasileiros, 34% dos que sofrem com a intolerância afirmam que
deixam de consumir um alimento caso ele seja identificado como o responsável pelo problema.

60% dos entrevistados de uma


pesquisa encomendada pelo 55% dos entrevistados
Sociedade Vegetariana Brasileira diz que consumiriam
diz que consumiria mais produtos mais produtos veganos
veganos se eles tivessem o mesmo se esses tivessem uma
preço que os outros que identificação mais clara
consomem tradicionalmente

Seja ou não por opção do consumidor, dietas restritivas podem ser, de certa forma,
obstáculos ao aspecto social da alimentação. Essa percepção é defendida por Marcelo Doin, CEO da
NoMoo, startup que produz queijos a partir do leite de castanhas. De acordo com ele, a partir do
momento em que uma pessoa vegetariana corta derivados de leite e ovo da dieta, isso representa a
“quebra” do último vínculo de socialização à mesa na hora das refeições, seja com amigos ou
família. “A partir do momento em que se adota a dieta vegetariana estrita, naturalmente se torna
mais complicada a parte social da alimentação, porque as outras pessoas vão ter concepções e
hábitos diferentes. A NoMoo nasceu dessa percepção, de uma necessidade de resgatar laços
sociais, sem exclusão. Gastronomia é cultura e é triste pensar que existe uma parte da população
que não pode consumir um alimento por uma questão de doença ou alergia”, diz Doin.

Para o CEO da startup, a ascensão de tendências no mercado da alimentação fez com que
muitos produtos fossem lançados no mercado, mas sem qualidade. Como as opções eram, até
então, escassas, os consumidores se viam obrigados a absorver o que existia pois, caso contrário,
não poderiam desfrutar de certos alimentos. “Nós passamos um ano, entre 2015 e 2016,
pesquisando sobre esse mercado no Brasil, fazendo testes com os consumidores nas feiras
gastronômicas. Percebemos que havia um público muito grande e o nosso produto não agradava
só os veganos. Atualmente, o nosso público principal é o focado em bem estar, preocupados com a
saúde e com a funcionalidade do alimento, 88% deles não são veganos. A saudabilidade não é uma
moda, é um caminho sem volta. A redução no consumo de alimentos de origem animal está
acontecendo, e a indústria de laticínios, por exemplo, já sentiu a queda”, afirma ele. Entre 2018 e
2019, a NoMoo registrou um crescimento de 70%.

De acordo com pesquisa realizada pela consultoria McKinsey, a mudança no


comportamento do consumidor tem resultado em dificuldades para grandes empresas do setor de
laticínios. No mercado americano, entre 2015 e 2018, foram registradas quedas nas vendas de queijo
(-1,4%), leite (-4,9%) e iogurte (-2,3%). Enquanto isso, as vendas de bebidas à base de vegetais e
castanhas em 2017 aumentaram 9%, que representam um total de US$ 141 milhões de crescimento.
Se considerarmos o market share, bebidas plant-based foram de 10%, em 2015, a 13% em 2018. Por
fim, o estudo, realizado com 56 CEOs da indústria de laticínios, revelou que as empresas estão
atentos a esses novos tipos de negócios e produtos: 51% deles acreditam no crescimento das novas
concorrentes.

66
Criada em 2015 como uma spin-off da Amêndoas do Brasil – presente há mais de 25 anos
no mercado brasileiro –, a A Tal da Castanha é uma scale-up que fabrica novos produtos a partir da
castanha de caju e amêndoa, como leites saborizados, snacks e pastas. De maneira similar à
NoMoo, busca oferecer ao mercado produtos de qualidade superior, mais saudáveis e mais naturais.
“Em linhas gerais, produtos como os nossos demandam muitos estabilizantes e conservantes e são
preparados com muitos ingredientes. A nossa proposta é de um produto clean, com apenas dois
ingredientes, é uma composição única, o mais natural possível. Seguindo nessa linha, lançamos, por
exemplo, um shake proteico, que é feito com o leite de castanhas e polpa de frutas, também
produzida por nós. Também temos trabalhado bastante em educar os consumidores, mostrar a
vantagem de substituírem os alimentos e bebidas tradicionais pelos nossos, porque a ideia é atingir
o público como um todo, não apenas os veganos, intolerantes e alérgicos ao leite”, contam Rodrigo
e Felipe Carvalho, diretores d’A Tal da Castanha.

De acordo com Rodrigo, posicionar a empresa era uma tarefa complicada em 2015, quando
produtos desse tipo ainda estavam sendo introduzidos no mercado. Era difícil, inclusive, vender a
ideia para o varejo, que pouco enfrentava esse tipo de demanda. Atualmente, enxerga uma
tendência global de balanço das dietas e procura por alimentos de origem vegetal. “Hoje é uma
ideia muito mais disseminada, as pessoas já sabem do que se trata. É perceptível a mudança, por
exemplo, em supermercados, que repensam o layout das lojas e conferem uma maior participação
de áreas destinadas a produtos saudáveis e buscam ter um maior mix nessa categoria. Existem
corredores especiais, só para isso”, finaliza. Nos últimos dois anos, a empresa cresceu 250% e,
excluindo a categoria de produtos feitos à base de soja, são líderes no segmento de leites vegetais.

A Hakkuna é uma startup brasileira que realiza o cultivo de grilos para a


produção de snacks, barras de cereais e farinha proteica, que pode ser
utilizada como ingrediente de outros alimentos, como bolos, pães e
biscoitos.

A startup Behind the Foods, fundada em São Paulo, produz carnes


plant-based, utilizando-se de inteligência artificial e ingredientes como
ervilhas, batatas konjac, fécula de batata, proteína isolada de soja e outros.
A expectativa é que lance seus produtos no mercado ainda em 2019.

A Hargol é uma startup israelense, que cultiva gafanhotos para a produção


de uma farinha com 70% de conteúdo proteico e rica em aminoácidos. A
empresa desenvolveu um sistema de criação que diminuiu o tempo de
incubação de ovos de 40 semanas para entre 2 e 4 semanas. Recebeu, até
o momento, US$ 2,5 milhões em investimentos.

A israelense SuperMeat, fundada em 2015, se juntou à indústria de carnes e


companhias farmacêuticas para desenvolver produtos clean-meat,
similares à proteína animal, tornando desnecessária a criação de gado.
Captou, desde sua criação, mais de US$ 4 milhões em investimentos.

67
Acreditamos no equilíbrio entre as fontes de proteínas animais e
vegetais como componentes essenciais de uma dieta balanceada. Sobre
produtos exclusivamente vegetais ou proteínas desenvolvidas em laboratório,
acompanhamos o desenvolvimento das tecnologias e também a
aplicabilidade delas a médio e longo prazo.

Temos interesse em fomentar o movimento de Food Techs, ainda


incipiente no Brasil. Em setores como os de automação e logística, as
tecnologias estão mais avançadas. Quando nos voltamos ao produto final, é
raro encontrar algo em estágios mais disruptivos. A inovação é fundamental
no desafio de alimentar uma população mundial em crescimento. As startups,
pela agilidade do modelo de negócio, podem apresentar soluções Sérgio Pinto e
interessantes e aplicáveis em diferentes escalas de produção. Acreditamos Fabio Bagnara
que a combinação entre startups e grandes empresas pode trazer sinergias Gerente Executivo de
interessantes para o crescimento da produção de alimentos e acessibilidade Inovação e Gerente Executivo
de Pesquisa e
para a população, desenhando um novo mercado de alimentação.
Desenvolvimento na BRF
CASES

A Biomimetic é uma empresa com especialidade em pesquisa e


produção de biomateriais. Começamos atuando na área de engenharia de
tecidos, com foco em medicina regenerativa. Nosso objetivo era a produção
de órgãos e tecidos em laboratório. Depois de passar por algumas
acelerações no Brasil, fomos convidadas a participar do Rebel Bio, no Reino
Unido, um dos programas mantidos pela SOSV, uma aceleradora que já tem
certa expertise em clean meat. Então, nós pivotamos. Verificamos uma
oportunidade para a comercialização de scaffolds para a produção de carne
limpa.

O primeiro produto da empresa foi produzido empregando-se


nanotecnologia a substâncias bioativas não-tóxicas, aliada a uma técnica de
Lorena Viana
produção que permite o desenvolvimento de estruturas com propriedades Vice-Presidente de
modulares e adaptáveis à necessidade de cada cliente, com as características Vendas e Cofundadora
favoráveis ao desenvolvimento da carne estruturada. Atualmente, estamos em da Biomimetic
um momento de finalização, para o lançamento de um pré-piloto, e de
captação de investimentos para pesquisas.

Keywords para acompanhar o tema

NOVOS HÁBITOS DE
CLEAN-MEAT
CONSUMO
BIOTECNOLOGIA
NOVOS ALIMENTOS
PRODUTOS
ALIADOS À
PLANT-BASED
TECNOLOGIA
DESENVOLVIMENTO
DA COMUNIDADE

68
68
ENTRE_
VISTA
Quais os motivos para a criação do FoodTech
Movement e quais os campos de atuação do
movimento?
A Builders nasceu com a proposta de realizar
conexões entre corporações e startups. A gente
enxergou na cadeia de alimentação muitas
Ana Carolina Bajarunas, CEO da Builders e
oportunidades para a criação de novos produtos,
Idealizadora do FoodTech Movement
serviços e negócios, dentro de um mercado que
está começando a ganhar notoriedade. Como não
existia um hub especializado no setor, que atrasado em relação à sua capacidade real. Então
concentrasse informações relevantes, idealizamos o existem muitas oportunidades, é um mercado a
FoodTech Movement. Fizemos um mapeamento ser explorado. As empresas precisam mudar o
para entender como o setor estava se mindset, é necessário mostrar a elas como a
movimentando e observamos um crescimento inovação pode funcionar internamente por meio
relevante. Atualmente, realizamos os Food Talks, de parcerias e conexões, aquisições também.
eventos com o objetivo de construir e manter Porque essas novas formas de negócio são
relacionamento entre os atores desse setor, rentáveis e bem vistas pelos olhos dos
incluindo corporações, empreendedores, fundos, consumidores, mas as corporações ainda possuem
Academia e consumidores. uma visão muito fechada em relação a isso. Com a
intensa movimentação dos mercados estrangeiros
Qual é a importância da existência de e o boom das Food Techs, a tendência é que isso
movimentos como esse no Brasil? aconteça por aqui. Mas, ao mesmo tempo, em
São importantíssimos. Temas relacionados à alguns casos, ainda falta maturidade das startups
alimentação são muito discutidos fora do Brasil, em relação a modelo de negócio e produto.
porque existe o desafio de alimentar dez bilhões de
pessoas em 2050. E dizem que esse é um problema O que você enxerga de tendências dentro do
que afeta menos o Brasil, por conta da diversidade e mercado de alimentação?
fertilidade dos solos. Mas nós não estamos O consumidor está muito mais consciente, com a
aproveitando isso, o que nos coloca em um atraso necessidade e desejo de ser mais saudável, de um
considerável em relação a outros mercados, como o consumo mais sustentável. Então, existem drivers
americano, europeu, israelense, em questão de muito fortes relacionados à saúde, bem-estar,
tecnologia e manipulação de alimentos. Então os praticidade e conveniência. Pensando em um
movimentos são necessários, para aproveitar a médio-prazo, para os próximos dez anos, o
genética empreendedora do brasileiro, as mercado substituto da carne é uma tendência
oportunidades e transformar os processos, para forte, com o desenvolvimento de novos tipos de
produzir melhor, de forma mais sustentável e proteínas, à base de plantas e cultivadas em
rentável. laboratório. A projeção, conforme pesquisas, é que
isso adquira maturidade em um período de três
Quão aberto a inovações e tecnologia é o anos. E, daqui a dez, a expectativa é de que parte
mercado brasileiro hoje em dia? Ainda falta do mercado de carnes tradicionais comece a ser
abertura? substituída por novos produtos, por conta dos
Falta bastante, é um mercado que nesse aspecto hábitos das novas gerações, que já consomem
ainda está no início. O Brasil está bastante menos produtos de origem animal.
aaaaaaaaa

69
LEGAL
TALKS
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Quando olhamos para as Food Techs no


Brasil e identificamos que o perfil mais comum
é o de entrega de refeições, é possível entender
o motivo do iFood ter recebido um aporte de
capital de US$ 500 milhões liderada por Movile,
Naspers e Innova Capital, tornando-o no
primeiro unicórnio do segmento Food Techs
em nosso país.

E quais são os demais perfis e quais são


as tendências das startups focadas nesse Maysa Zardo, Coordenadora da área de
Propriedade Intelectual
segmento tecnológico?

De acordo com a Consultoria Builders, varejo inteligente, marketplaces de foodservice, comida


do futuro, reciclagem e combate ao desperdício de alimento, além de necessidades do consumidor
também são perfis das Food Techs estudadas.

Como é possível notar, e não poderia ser diferente, todas estão em busca de tecnologias para
revolucionar o setor alimentício, assim como ocorreu com a mobilidade, com a música, com o
entretenimento e até com o setor financeiro.

Diferente dos demais setores que buscavam suprir problemas como a saturação, por exemplo,
as Food Techs estão atualmente focadas em não apenas aprimorar o sistema de entregas ou, ainda, a
qualidade da alimentação, mas também reduzir o custo operacional de todo o processo.

Em outras palavras, significa dizer que o objetivo também inclui a redução do prazo do
lançamento de um alimento, que hoje sofre com entraves regulatórios, ou mesmo o tempo que o
alimento demora para chegar às prateleiras, não parando por aí, pois também abrange questões
relacionadas à produção, fabricação, distribuição, varejo e gestão dos resíduos.

Notamos que, justamente em razão da qualidade das soluções e velocidade com que elas são
apresentadas ao mercado, as Food Techs vêm chamando a atenção dos investidores, dentre eles
corporate ventures relevantes dos setores de varejo, alimentício e agrícola, que passaram a investir no
aprimoramento de tecnologias ou a firmar parcerias tendo em vista a imensa oportunidade no
segmento de alimentos, que certamente crescerá exponencialmente ao longo dos próximos anos.

70
MAIO 2019

INFORMAÇÕES PARA O USO


E REPRODUÇÃO DESTE MATERIAL

A Liga Insights produz estudos que têm por objetivo


aprofundar, explorar e divulgar as formas como as
startups brasileiras estão se desenvolvendo e rela-
cionando em suas áreas de atuação.

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REFERÊNCIAS
Introdução
https://foodtechmatters.com/wp-content/uploads/2018/12/Food-Tech-Matters-2019-brochure.pdf
https://pitchbook.com/news/articles/recipe-for-growth-vcs-are-more-interested-in-food-tech-than-ever
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mphis-meats
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Novos hábitos
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https://www.terra.com.br/noticias/dino/como-combater-o-desperdicio-de-alimentos-em-restaurantes,
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https://liberal.com.br/revista-l/bem-estar/brasileiro-desperdica-muito-alimento-892045/
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