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JOHN f.

HAUGHT

DËUS APéS
DARWIN
M A T E O L O G I A
E V O L U C I O N I S T A

TRADUÇÃO
VERA W H AT E
LY
JOSÉ OLYMPIO
E D I T O R A
Título do original em inglês

GOD AFTER DARWIN: A THEOLOGY OF EVOLUTION

© 2000 by Westview Press, a member of the Persus Books

Group

Reservam-se os direitos desta edição à


EDITORA JOSÉ OLYMPIO LTDA.
Rua Argentina, 171 - Io andar - São Cristóvão Para Evelyn
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ISBN 85-03-00715-0

Capa: Victor Burton

CIP-Brasil. Catalogação-na-fonte Sindicato


Nacional dos Editores de Livros, RJ.

Haught, John F., 1942-


H298d Deus após Darwin: uma teologia evolucionista / John F. Haught;
tradução Vera Whately. - Rio de Janeiro: José Olympio, 2002.

Tradução de: God after Darwin: A Theology of Evolution Inclui


bibliografia ISBN 85-03-00715-0

1. Evolução - Aspectos religiosos - Cristianismo. I. Título. II. Título: Uma


teologia evolucionista.

3
CDD-231.765
02-0209 CDU-231.51
Sumário

Prefácio 9 Agradecimentos

13

1. Para além do desígnio de Deus 15

2. A idéia perigosa de Darwin 27

3. A teologia a partir de Darwin 41

4. A contribuição de Darwin à teologia 65

5. Religião, evolução e informação 79

6. Um Deus para a evolução 105

7. Evolução, tragédia e propósito cósmico 131

8. Religião, ética e evolução 149

9. Evolução, ecologia e a promessa da natureza 175

10. Evolução cósmica e ação divina 199

Conclusão 221

Notas 229

índice 251

5
Prefácio

Quaisquer idéias que tenhamos sobre Deus, após a vida e o trabalho de Charles
Darwin (1809-1882), dificilmente serão as mesmas que antes. A ciência evolucionista
mudou de modo dramático nosso entendimento do mundo; portanto, qualquer idéia
que possamos ter de um Deus que cria e zela por este mundo deve levar em conta o
que Darwin e seus seguidores nos disseram a esse respeito. Embora o próprio Darwin
visse uma certa "grandeza" em sua nova história da vida, muitos de seus seguidores,
em vez de se utilizarem de sua expansão dos horizontes do mundo como um
trampolim para uma visão mais suave de Deus, viram na evolução a derrota final do
teísmo. Nesse meio tempo, a teologia deixou de pensar em Deus de uma forma
proporcional à opulência da evolução. Estou convencido, porém, de que ela tem
recursos para tanto, e nas páginas seguintes tentarei apresentar algumas facetas de
uma "teologia da evolução".
Se a idéia de Deus deve despertar nosso instinto para a adoração, essa idéia não
pode ser inferior ao universo que a ciência tornou tão evidente para nós,
especialmente após Darwin. Mas, como exporei a seguir, não existe um bom motivo
para que as inovações evolucionistas não devam ser recebidas como um convite à
expansão do nosso senso do divino. O entendimento sobre Deus que muitos de nós
adquirimos na escola dificilmente pode ser expandido o suficiente para incorporar as
nuances do pensamento evolucionista. Além do mais, a benigna divindade
ordenadora da teologia natural tradicional, como o próprio Darwin concluiu, raras
vezes leva em conta as perturbações e contingências do processo da vida. A teologia
da evolução, por outro lado, considerará todos os desvios existentes nas
representações pós-darwinianas da natureza; e se essa consideração nos compele a
abandonar
John F. Haught

idéias confortáveis da ordem divina, devemos aceitar essa perda agradecidos. A identificar Deus com noções restritas de ordenamento e desígnio. A meu ver,
teologia da evolução não deve contornar e, sim, atravessar todas as escarpas e devemos olhar "além do desígnio" (design), como um primeiro passo para um exame
abismos que tanto conturbaram as pré-concepções religiosas de Darwin e seus responsável de Deus após Darwin. Rompidos os limites da obsessiva e restritiva
contemporâneos. associação de Deus com o "ordenamento" cósmico e outras formas de ordem, a
Da mesma forma, entretanto, de nada serve a teologia falar sobre Deus em reflexão teológica será capaz de colocar a teologia no seu cenário mais apropriado —
termos vagos, que se abstraem das particularidades de nossas tradições de fé e de a evolução em si.
suas formas próprias de entendimento da realidade última. Os pensadores
John R Haught
religiosos só podem lidar com a evolução de uma forma significativa se tomarem
como base suas próprias experiências do sagrado, mediadas pelas comunidades de
fé às quais pertencem. Caso contrário, suas argumentações sobre "Deus" e a
evolução se afastarão tanto das experiências religiosas reais que se tornarão sem
sentido e desinteressantes. Proponho aqui que os aspectos fundamentais da tradição
bíblica, por exemplo, podem nos iniciar em uma forma de sentir e pensar sobre a
realidade última, que é não apenas religiosamente satisfatória como também capaz
de iluminar o caráter evolucionista do mundo. Quando a idéia da criatividade
divina é amenizada com considerações sobre a vulnerabilidade de Deus e quando a
própria natureza é vista como uma promessa e não simplesmente um ordenamento
ou projeto, a evidência da biologia evolucionista não apenas surge, consoante com a
fé, como também lhe empresta uma nova profundidade. Uma adequada
compreensão religiosa de Deus não só tolera como exige a aventurosa extensão das
fronteiras cósmicas implicadas na ciência evolucionista.
O engajamento da teologia na evolução será benéfico para a consciência
religiosa e também para a causa da ciência, que tanto sofreu em razão das idéias de
um de seus mais brilhantes pensadores terem sido consideradas, por um grande
setor da população mundial (inclusive muitos cristãos americanos), absolutamente
irreconciliáveis com um senso apropriado sobre Deus. Muito dessa desconfiança
origina-se do fato de os próprios cientistas evolucionistas apresentarem, muitas
vezes, idéias darwinianas com uma roupagem intelectual, fazendo-as parecer
inexoravelmente irreligiosas ou antiteísticas. Assim sendo, não é de surpreender
que, ao se depararem com uma escolha entre evolucionismo e Deus, muitos
religiosos dêem as costas à alternativa darwiniana. Portanto, é do interesse da
educação científica em si que examinemos com cuidado se essa opção,
aparentemente forçada, é a única disponível.
Contudo, não é apenas a má interpretação de experiências religiosas por parte
de alguns evolucionistas que força a escolha entre Deus e Darwin. A persistente
rejeição ao evolucionismo origina-se também de questionáveis hábitos teológicos de
7 11
Agradecimentos

Nos capítulos 2 e 4, usei material extraído do meu ensaio "Darwin's gift to theology",
que aparece em Evolutionary and molecular biology: scientific perspectives on divine action,
editado por Robert J. Russel, William R. Stoeger, S.J., e Francisco J. Ayala (usado aqui
com permissão do Centro para Teologia e Ciências Naturais). O capítulo 3 amplia uma
conferência realizada no Chicago's Field Museum (novembro de 1977), que aparece
em outra versão na publicação interna da AAAS — American Association for the
Advancement of Science (Associação Americana para o Progresso da Ciência), The epic
evolution, editada por James Miller para o Programa de Diálogo entre Ciência e
Religião da AAAS. Os capítulos 5 e 6 contêm idéias inicialmente apresentadas nas
conferências anuais da Russel Fellowship, no Centro para Teologia e Ciências
Naturais (Berkeley, Califórnia, abril de 1996). Versões dessas conferências apareceram
no CTNS Bulletin, volume 18 (inverno de 1998). Gostaria de agradecer a Robert
Russell, Richard Randolph, Ted Peters e o staff do CTNS pela oportunidade de discutir
com eles minhas idéias sobre evolução e teologia. O capítulo 7 é adaptado de
"Evolution, tragedy and hope", que apareceu inicialmente em Science and theology: the
new consonance, editado por Ted Peters (Boulder, Colorado: Westview Press, 1998). E o
capítulo 9 modifica e amplia um ensaio, "Ecology and eschatology", publicado em And
God saw that it was good, editado por Drew Christiansen, S.J., e Walter Grazer
(Washington, D.C.: Conferência Católica dos Estados Unidos, 1996), usado aqui com a
sua permissão. Finalmente, gostaria de agradecer aos eficientes editores Laura
Parsons, Sarah Warner e Lisa Wigutoff, da Westview Press, por tornarem possível a
publicação deste livro. E devo agradecimentos especiais a David Toole, por suas várias
sugestões inspiradas e sua excepcional competência editorial.

J. F. H.
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