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LENDAS DE SÃO LUÍS DO MARANHÃO

LENDA DA PRAIA DO OLHO D'ÁGUA

Conta a lenda que, inicialmente, houve ali uma aldeia indígena cujo
chefe era Itaporama. Sua filha apaixonou-se por um jovem da tribo, mas
este, por ser muito bonito, provocou paixão de mãe d’água que, através
LENDA DA SERPENTE ENCANTADA
de seus poderes, conquistou-o e levou-o para seu palácio encantado nas
profundezas do mar. Perdendo para sempre seu grande amor, a filha de
Diz a lenda da serpente encantada, que nas galerias subterrâneas que
Itaporama caiu em grande desolação, deixando de se alimentar e indo
percorrem o Centro Histórico de São Luís, mora a serpente encantada de
para a beira do mar chorando até morrer. De suas lágrimas surgiram duas
tamanho descomunal que cresce sem parar. O gigantesco animal crescerá
nascentes que até hoje correm para o mar e que deram origem à
sem parar até o dia que sua cabeça e sua calda se encontrarem levando
denominação da praia.
para o fundo do mar a Ilha, provocando seu completo desaparecimento.
Segundo os antigos, a serpente vive nas galerias desde o início do século
XV, e ela nasceu nas imediações do Forte de São Luís.
A cauda do animal estaria na igreja de São Pantaleão, a barriga na igreja
do Carmo e a cabeça na secular Fonte do Ribeirão. Os que já passaram
por seus túneis dizem que é possível até ver, através da grade de uma das
entradas da fonte, a cabeça do monstro, com seus terríveis olhos
vermelhos, com boca aberta e uma língua muito comprida e vermelha
saindo do meio dos dentes, como descreve Josué Montello em seu
romance “Os degraus do paraíso”.
LENDA DO MILAGRE DE GUAXENDUBA

Conta a lenda que no principal combate travado entre portugueses e


franceses, no dia 19 de novembro de 1614, no forte de Santa Maria de
Guaxenduba, quando os portugueses estavam por ser derrotados por sua LENDA DA CARRUAGEM DE ANA JANSEN
inferioridade de homens, armas e munições, surgiu entre eles uma
formosa mulher envolta em auréola resplandecente. Ao contato de suas Diz a lenda que Ana Jansen era poderosa e discutida matrona
mãos milagrosas, a areia era transformada em pólvora e os seixos em maranhense de marcante presença na vida econômica, social e política de
projéteis, fazendo com que os portugueses se revigorassem moralmente e São Luís no século XIX, ela ficou conhecida na cidade pela
derrotassem os franceses. Em memória deste feito, foi a virgem desumanidade e maus tratos que, segundo rumores, aplicava a seus
considerada a padroeira da cidade, sob a invocação de Nossa Senhora da escravos. Conta a lenda que os notívagos da cidade, ao pressentirem a
Vitória. aproximação de uma horrenda carruagem penada, fugiam aterrorizados, à
procura de um abrigo seguro. Se assim não fizessem, estariam sujeitos a
receber a alma penada de Ana Jansen, uma vela acesa que amanheceria
transformada em osso de defunto. Dizem, ainda, que o coche era puxado
por cavalos decapitados, conduzidos por um escravo, também,
decapitado e com o corpo sangrando. Por onde passava, horripilantes
sons eram ouvidos, que pareciam resultantes da combinação de atrito de
velhas e gastas ferragens com o coro de lamentações dos escravos.
Palácio dos Leões), contavam, como principais instrumentos de combate,
com dois canhões assestados para a Igreja do Carmo. Notando que a
artilharia portuguesa concentrava seu fogo na direção dessas armas, os
holandeses colocaram junto a elas, em lugar bem visível, uma grande
imagem de São João Batista. Pretendiam impedir que os portugueses
atirassem, ou obrigá-los a, fazendo-o, cometer um sacrilégio que os
atingiria moralmente. Diz Frei Francisco de Nossa Senhora dos Prazeres
Maranhão, na Poranduba maranhense, que “não só a imagem ficou ilesa
dos nossos tiros, mas, também, no primeiro que disparou um dos
referidos canhões, rebentou com tantos estragos daqueles iconoclastas,
que, ficando confusos com semelhante sucesso, retiraram logo a santa
imagem com menos indecência”.

LENDA DO MILAGRE DE SÃO JOÃO BATISTA

Conta a lenda que na invasão holandesa do Maranhão, em 1641, histórias


de desrespeitos à população e de profanações, a primeira das quais,
praticada logo no desembarque pelo Desterro, cuja ermida, então de
frente para o mar; os flamengos teriam invadido e depredado. Quando,
após mais de dois anos de dominação, os portugueses, com o bravo
concurso de índios e outros homens da terra, organizaram a revolta que
terminaria expulsando definitivamente do Maranhão os enviados de
Nassau, travaram-se diversos e rudes combates no interior e em São Luís.
Aqui, sob o comando de Antônio Muniz Barreiros, que, morrendo, teve
em Antônio Teixeira de Melo o competente e indispensável sucessor; as
tropas portuguesas fizeram da Igreja do Carmo seu quartel-general. Lá,
concentraram a ofensiva contra os hereges flamengos, como ao tempo se
dizia. Os holandeses, sediados no Forte de São Filipe (onde hoje está o
LENDA DO PALÁCIO DAS LÁGRIMAS

Na rua 13 de maio, em frente a Igreja São João e no canto com a rua da


Paz havia um casarão de três pavimentos. Sobre o imóvel foram
inventadas várias lendas, das quais se destaca a seguinte: dois irmãos
portugueses vieram ao Maranhão para buscar riqueza. Um deles
conseguiu enquanto o outro jamais saiu da pobreza. Cheio de inveja, o
irmão pobre resolveu assassinar o outro a fim de herdar a grande fortuna, LENDA DA MANGUDA
já que o irmão rico vivia amasiado com uma escrava e não tinha filhos
legítimos, já que seus filhos eram fruto de uma união ilegal. Após o Nos últimos anos do século passado, mais um personagem lendário foi
assassinato e de posse dos bens herdados, passou a tratar os escravos, incorporado às noites de’ São Luís, trazendo pavor e sobressalto às
inclusive a ex-mulher do irmão e seus filhos, com extrema crueldade. crianças e a considerável parte da população adulta da pacata e ainda mal
Certo dia, quando um de seus sobrinhos descobriu que fora ele o iluminada cidade provinciana. Deu origem à lenda a farsa idealizada e
assassino de seu próprio irmão, matou-o, após arremessá-lo de uma das mandada executar por comerciantes envolvidos no contra bando de
janelas do sobrado. Descoberto o crime, e, por ser escravo, seu autor foi mercadorias – principalmente tecidos europeus – introduzidas na praça
condenado a morte na forca levantada em frente ao sobrado. No local sem o pagamento dos tributos devidos.
momento do enforcamento, o condenado amaldiçoou o sobrado com Para ludibriar a fiscalização, diversos portos alternativos foram usados.
essas palavras “Palácio que viste as lágrimas derramadas por minha mãe Mas a vigilância das autoridades punha em sérios riscos as descargas,
e meus irmãos. Daqui por diante serás conhecido como palácio das não raro descobertas e frustradas por flagran tes e apreensões. O porto do
lágrimas”. E assim o sobrado passou a ser chamado. Jenipapeiro, nas imediações da Quinta Vitória, em que residia, o poeta
Joaquim de Sousândrade, apresentava-se como excelente opção, já que
para lá não se dirigiam as patrulhas de policiamento. As autoridades
jogavam desnecessária a providência, considerando o local
suficientemente protegido pela guarnição permanente da Penitenciária,
localizada onde hoje se acha o Hospital Presidente Dutra.
O bairro dos Remédios passou, então, a ser o ponto predileto das
aparições de uma figura fantasmagórica, logo batizada por Manguda, em
virtude de trajar chambre alvo, de mangas muito largas e compridas. O
rosto era dissimulado por máscara, e da cabeça nascia uma nuvem de
fumaça.

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