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6.

ºano
História e Geografia
de Portugal

Portugal do século XVIII à consolidação da sociedade liberal

Portugal na 2.ª metade do séc. XIX: os meios urbanos

Portugal no séc. XIX: os meios urbanos – síntese

Ao longo do século XIX, as cidades portuguesas cresceram, sobretudo as de Lisboa e Porto. As


principais fábricas e as mais modernas vias de comunicação situavam-se nas cidades. Os
espaços urbanos eram habitados por burgueses, classes médias, operários e outros
trabalhadores.
Contudo, as habitações tinham características diferentes, consoante a riqueza de cada grupo
social.
A burguesia era um grupo social rico, que vivia em palacetes luxuosos, bem decorados e
rodeados de agradáveis jardins. Os burgueses menos abastados, pertencentes à chamada
classe média, viviam em apartamentos confortáveis. Eram advogados, funcionários públicos,
médicos, etc.. Os operários e os mais pobres viviam em bairros degradados, chamados “ilhas”
no Porto e “pátios” em Lisboa. As casas eram pequenas para famílias numerosas e não tinham
nem condições de higiene (esgotos, água potável, etc.) nem condições de segurança.
A alimentação dos grupos populares era pobre, à base de pão, batatas, toucinho e às vezes
bacalhau, havendo mesmo quem passasse fome e mendigasse nas ruas. A burguesia
alimentava-se de forma variada e abundante, à base de carne, peixe e doces. Eram assíduos
frequentadores dos salões de chá e cafés.
A moda francesa era seguida pelos mais ricos. Os homens vestiam calça, casaco comprido,
lenço enrolado ao pescoço, chapéu alto, luvas e bengala. As senhoras da burguesia usavam
vestidos decotados ou saias compridas e armadas, com corpete e camisa de mangas largas.
Saíam sempre à rua com luvas, chapéu e sombrinha. Os mais pobres usavam roupas velhas e
remendadas, andando, muitas vezes, descalços, mesmo no inverno.
Viver na cidade nem sempre significava viver bem, sobretudo para aqueles que não tinham
emprego e eram miseráveis. Mesmo assim, havia locais de divertimento.
As tabernas eram o local de convívio de operários, vendedores e serviçais, depois de um dia de
trabalho árduo. Os passeios ao ar livre eram divertimentos que agradavam a todos. Em Lisboa,
caminhava-se pelo passeio público e no Porto pelos espaços verdes, como o Jardim de S.
Lázaro. Os espetáculos de teatro, ópera e tourada eram muito apreciados pelas famílias mais
abastadas, as únicas que tinham rendimentos para adquirirem os bilhetes e apresentarem-se
com trajes requintados. No século XIX, as praias e as termas eram procuradas pelos habitantes
da cidade para se divertirem, mas também para prevenirem ou curarem algumas doenças. As
famílias burguesas tinham mesmo casas de praia para “irem a banhos”.
Os passeios de bicicleta e as partidas de ténis eram o passatempo de alguns burgueses. As
senhoras também faziam as suas pedaladas.
As feiras, romarias e bailaricos animavam a vida dos grupos sociais mais pobres. Os jantares
elegantes, as festas e os bailes animavam os serões das famílias endinheiradas das cidades.
Durante o dia, o convívio fazia-se nos cafés, clubes e salões de chá.

Todavia, muitos portugueses emigraram no século XIX à procura de uma vida melhor.
Muitos dos emigrantes portugueses no Brasil, o principal destino, enriqueceram e acabaram por
regressar a Portugal. Eram os chamados “brasileiros de torna-viagem”. Com a sua riqueza
contribuíam para o desenvolvimento das suas aldeias, através da construção de escolas,
hospitais, praças, ao mesmo tempo que compravam terrenos e construíam casas luxuosas. Era
uma forma de exibirem o seu sucesso e de se tornarem influentes.

O desenvolvimento da cultura portuguesa também foi possível, no século XIX, graças às


reformas no ensino, ao desenvolvimento dos meios de comunicação e à liberdade de expressão.

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História e Geografia
de Portugal

Nos finais do século XIX, o ferro e o vidro foram os novos materiais utilizados na construção de
vias de comunicação, como as pontes, e na construção de edifícios, como mercados e pavilhões
para exposições. Na construção de edifícios civis predominou a imitação de vários estilos do
passado, misturando-se as características do românico, do gótico, do manuelino e do barroco,
como sucede no Palácio da Pena em Sintra. Na escultura portuguesa do século XIX seguiram-se
duas tendências: o romantismo, primeiro e depois o realismo. No romantismo recorria-se a
temas relacionados com a história e as tradições de Portugal. No realismo, procurava-se
retratar a realidade. Soares dos Reis foi um dos maiores escultores portugueses deste tempo.
Rafael Bordalo Pinheiro destacou-se na cerâmica ao caricaturar o povo português na figura do
Zé Povinho.
O romantismo literário inspirava-se em temas relacionados com a história de Portugal e com o
mundo dos sentimentos.
Camilo Castelo Branco, Júlio Dinis e Almeida Garrett foram alguns dos escritores que seguiram
esta corrente.
O realismo literário retratava, por um lado, episódios da realidade, por outro lado, criticava o
atraso económico e as mentalidades retrógradas do país. Eça de Queirós, Antero de Quental e
Ramalho Ortigão foram alguns dos escritores realistas portugueses.

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