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P rojeto

PERGUNTE
E
RESPONDEREMOS
ON-LINE

Apostolado Veritatis Spiendor


com autorizagáo de
Dom Estéváo Tavares Bettencourt, osb
(in memoríam)
APRESENTAQÁO
DA EDIQÁO ON-LINE
Diz Sao Pedro que devemos estar
preparados para dar a razáo da nossa
esperanga a todo aquele que no-la pedir
(1 Pedro 3,15).

Esta necessidade de darmos conta


da nossa esperanga e da nossa fé hoje é
mais premente do que outrora, visto que
somos bombardeados por numerosas
correntes filosóficas e religiosas contrarias á
fé católica. Somos assim incitados a procurar
consolidar nossa crenga católica mediante
um aprofundamento do nosso estudo.

Eis o que neste site Pergunte e


Responderemos propóe aos seus leitores:
aborda questoes da atualidade
i controvertidas, elucidando-as do ponto de
vista cristáo a fim de que as dúvidas se
i dissipem e a vivencia católica se fortalega no
Brasil e no mundo. Queira Deus abengoar
este trabalho assim como a equipe de
Veritatis Splendor que se encarrega do
respectivo site.

Rio de Janeiro, 30 de julho de 2003.

Pe. Esteváo Bettencourt, OSB

NOTA DO APOSTOLADO VERITATIS SPLENDOR

Celebramos convenio com d. Esteváo Bettencourt e


passamos a disponibilizar nesta área, o excelente e sempre atual
conteúdo da revista teológico - filosófica "Pergunte e
Responderemos", que conta com mais de 40 anos de publicagáo.

A d. Estéváo Bettencourt agradecemos a confiaga depositada


em nosso trabalho, bem como pela generosidade e zelo pastoral
assim demonstrados.
Ano xlv Janeiro 2004 499
Ano sai, ano entra

"A busca do Jesús Histórico" (A. Schweitzer)

"Cristo, urna crise na vida de Deus"

Converteram-se ao Catolicismo

Todas iguais, as flores do jardim?

A Igreja e o preservativo

Bioética: Duas questoes candentes

Lavagem cerebral: Procedimentos

A oracáo: tres questoes

"Ciencia divina. A conquista da cura e do milagre"


(J. H.C. Resende)

Igreja, a instituicáo mais confiávei


PERGUNTE E RESPONDEREMOS JANEIRO 2004
Publicado Mensal N°499

Diretor Responsável
SUMARIO
Estéváo Bettencourt OSB Ano sai, ano entra 1
Autor e Redator de toda a materia Relendo a historia:
publicada neste periódico "A busca do Jesús Histórico", por
Albert Schweitzer 2
Diretor-Administrador:
Relendo os Evangelhos:
D. Hildebrando P. Martins OSB
"Cristo, uma crise na vida de Deus", por
Jack Miles 13
Administracao e Distribu ¡cao:
Edigóes "Lumen Christi" Protestantes:
Rúa Dom Gerardo, 40 - 5° andar-sala 501 Converteram-se ao Catolicismo 16
Tel.: (0XX21) 2291-7122-Ramal 327 Relativismo religioso:
Fax (0XX21) 2263-5679 Todas iguais, as flores do jardim? 22
Debate público:
Enderece- para Correspondencia: A Igreja e o preservativo 27
Ed. "Lumen Christi"
Na pauta da Bioética:
Caixa Postal 2666
Duas questóes candentes 30
CEP 20001-970 - Rio de Janeiro - RJ
Manipulando a Psiquiatría
Visite o MOSTEIRO DE SAO BENTO Lavagem cerebral: Procedimentos 35
e'PERGUNTE E RESPONDEREMOS" Sobre
na INTERNET: http://www.osb.org.br A oracáo: tres questóes 41
e-mail: lumenchristi@bol.com.br Pensamento positivo:
CNPJ: 33.439.092/0003-21 "Ciencia divina. A conquista da cura e do
milagre", por J. H. C. Resende 46
IMPRESSAO Igreja, a instituicáo mais confiável 48

COM APROVACÁO ECLESIÁSTICA


grAru mabwes saiuiva

NO PRÓXIMO NÚMERO:
A Inquisicáo Protestante. - Como cristianizar os Salmos? -A Igreja Católica acrescen-
tou livros ao Catálogo Bíblico? - Yehoshua ou Jesús? - Diaconisas: Quem eram? -
"Escolha sua Igreja...". -Yoga: Que é? -Ávida secreta na Igreja Univesal do Reino de
Deus. - A CNBB frente aos preservativos.

PARA RENOVACÁOOUNOVAASSINATURA (12 NÚMEROS) R$ 45,00.


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do Mosteiro de S. Bento/RJ ou BANCO BRADESCO, agencia 2579-8 na C/C 4453-9
das Edicóes Lumen Christi, enviando em seguida por carta ou fax comprovante do
depósito, para nosso controle.
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CHRISTI" Caixa Postal 2666 / 20001-970 Rio de Janeiro-RJ
Obs.: Correspondencia para: Edicóes "Lumen Christi"
Caixa Postal 2666
20001-970 Rio de Janeiro - RJ
ANO SAI, ANO ENTRA

Ano sai, ano entra... E o tempo passa.


Afinal que é o tempo, que passa táo rápidamente?
Sem querer recorrer a definicóes filosóficas, podemos dizer que o tem
po é o dom básico de Deus aos homens. Tudo o que fazemos, fazemo-lo no
tempo, de modo que, sem tempo nada de bom podemos realizar. A consci-
éncia do valor do tempo escapa fácilmente, visto que as ocupacoes cotidia
nas sao táo absorventes que dificultam urna reflexáo sobre o sentido do
tempo. Eis, porém, que a passagem de ano ocasiona algumas considera-
cóes.
Os anos se somam como os passos de urna caminhada, nao em de
manda do Nada, mas da Plenitude..., Plenitude de urna realidade eterna
que, pelo Natal, entrou no tempo e tende a desabrochar-se cada vez mais
dentro da temporalidade. Isto quer dizer que o cristáo vive simultáneamente
duas dimensóes: a temporal, á qual está ligado pelos vínculos da sua
corporeidade, e a eterna, da qual recebeu urna sementé no dia do seu Batis-
mo. É necessário que esta consciéncia de eternidade já iniciada se tome
cada vez mais perspicaz e oriente os passos do cristáo.
Sao Paulo apresenta a propósito urna bela imagem em 1 Cor 7,29-35.
Considerando os altos e baixos da vida presente, com tudo o que nos faz rir
e chorar, recomenda que o cristáo nao se derreta em lágrimas nem se de-
componha em gargalhadas, "pois passa a figura deste mundo" (7, 31). As-
sim falando, o Apostólo compara o decurso da historia humana ao enredo
de urna peca de teatro; a platéia é chamada a tomar parte respondendo,
aplaudindo, rindo, chorando...; os participantes assim inserem-se no enre
do, mas nao podem estar totalmente dentro deste, porque sabem que, quando
menos esperarem, caira a cortina sobre o palco, o enredo acabará, mas os
membros da platéia continuaráo, devendo prosseguir sua caminhada se
gundo a realidade transcendental existente em seu íntimo; é essa sementé
de eternidade que deve nortear todo o comportamento do cristáo, mesmo
quando ele é mais solicitado pelos afazeres temporais. A comparagáo da
historia deste mundo a um enredo de teatro, proposta pelo Apostólo, nao
deprecia as realidades temporais, mas ilumina-as, salientando seu papel de
sinais ou símbolos que apontam em direcáo do mais-além. Ela significa que
tudo passa (mesmo as situacóes mais aflitivas passam) e só Deus fica com
a infinita riqueza de seus dons, os únicos que podem saciar plenamente as
aspiracóes humanas. Com outra imagem pode-se dizer o mesmo: o cristáo
está ancorado na eternidade e, por isto, firme e estável em meio as vicissitu-
des da vida presente; cf. Hb 6,19.
É com o olhar assim aberto para o Absoluto e a áncora lancada no
océano da eternidade que iniciamos um novo ano. Seja para todos fecundo
em frutos imperecíveis!
E.B.
"PERGUNTE E RESPONDEREMOS"

Ano XLV - Ne 499 - Janeiro de 2004

Relendo a historia:

"A BUSCA DO JESÚS HISTÓRICO"


por Albert Schweitzer

Em síntese: Tratase de um livro publicado em 1906 pelo famoso


médico A. Schweitzer (1875-1965), que abandonou sua carreira na Euro
pa a fim de se dedicar as populagóes carentes da África como médico e
missionário.

Albert Schweitzer (1875-1965) nasceu na Alsácia {na época, pro


vincia alema) e dedicou-se á Música, á Medicina e as populagóes pobres
da África Equatorial Francesa (atual Gabáo), para onde embarcou em
1913. Em 1906, quando ainda estudava Medicina, publicou sua mais fa
mosa obra, que tem o título portugués "A Busca do Jesús Histórico"1;
percorre os autores racionalistas que instituíram a crítica dos Evange-
Ihos nos séculos XVIII e XIX. A obra vale por ser um marco da historiografia,
pois relata um passado ultrapassado pela crítica contemporánea; esta
procura ser mais madura e fundamentada, cultivando o chamado "Méto
do da Historia das Formas"; cf. PR 318/1988, pp. 195ss.

A seguir, seráo apresentados alguns dos autores considerados por


A. Schweitzer, enriquecendo assim os conhecimentos históricos do lei-
tor.

1. Hermann Samuel A. Reimarus (1694-1768): rapto do cadáver

Até o século XVIII os Evangelhos eram tranquilamente aceitos sem


que alguém pusesse em dúvida a sua fidelidade histórica. O iluminismo
ou racionalismo do século XVIII deu inicio á crítica e á suspeita de nao

1 Tradugáo de W. Fischer, Sergio Paulo de Oliveira e Claudio Rodrigues. Ed.Novo


Século, Sao Paulo, 160 x 230 mm, 477 pp.
"A BUSCA DO JESÚS HISTÓRICO"

historicidade do texto sagrado. Seguiram-se teorías varias tendentes a


desfazer o Transcendental nos Evangelhos de maneira, porém,
preconceituosa e gratuita.
Hermann Samuel Reimarus encabeca a lista. Nasceu em Hambur-
go aos 22/12/1694 e nessa cidade lecionou línguas orientáis até o fim da
vida (1768). Em 1906 observava Schweitzer:

"Quando nosso período de civilizagáo estiver completo, a teología


alema se destacará como um fenómeno único na vida mental e espiritual
do nosso tempo. Pois em parte alguma a nao ser no temperamento ale-
máo se pode encontrar com a mesma períeigao o complexo vivo de con-
digóes e fatores de pensamento filosófico, agudeza critica, visáo históri
ca e sentimento religioso - sem os quais nenhuma teología profunda é
possível" (p. 5).

Estaría assim explicado o pioneírismo de Reimarus.

Este autor professava a religiáo natural, filosófica ou o deísmo,


propalado na sua obra "Apología dos Cultores Racionáis de Deus" (1774-
1778). Segundo tal obra Jesús seria mero homem, agitador político; em
nome de um messianismo nacionalista pretendía libertar do jugo romano
o povo de Israel. Catívou adeptos, realizando feitos que na época eram
tídos como milagrosos. Todavía o povo recusou empunhar armas contra
os romanos, de modo que Jesús se viu abandonado; morreu desespera
do sobre urna cruz. Após a sua morte os discípulos resolveram restaurar
o ideal messíánico que os havia agitado, apregoando um messianismo
religioso e espiritual: "Roubaram o corpo de Jesús e o esconderam, e
proclamaram para todo o mundo que ele em breve voltaria. Eles no en-
tanto esperaram prudentemente cinqüenta días antes de fazer o anuncio
da segunda vínda de Jesús, a fim de que o corpo, caso fosse encontrado,
nao pudesse ser reconhecido" (Schweítzer, p. 30). - Os Evangelhos seri-
am o relato oficial dessa aventura.

A teoría de Reímarus, preconceituosa e arbitraria como é, nao fez


escola. A própria crítica racionalista encarregou-se de refutá-la, desta-
cando-se, entre os adversarios, Johann Salomo Semler.
2. Heinrich Eberhard Gottlob Paulus (1761-1851):
fenómenos naturaís

Era filho de um pai que julgava ter comunicacáo com os mortos;


para garantir a paz no lar, sentia-se obrigado a fingir que tinha comunica-
gao com o espirito de sua falecída mae. Em conseqüéncia Gottlob Paulus
concebeu profunda aversáo a todas as experiencias que ultrapassassem
o alcance da razáo. Ao ler os Evangelhos, nao negava a historicidade
dos relatos de milagres, mas procurava dar-lhes interpretacáo meramen-
"PERGUNTE E RESPONDEREMOS" 499/2004

te natural; os evangelistas, em sua mentalidade simplória e ignorante,


teriam dado a aparéncia de fenómenos extraordinarios a tais feitos. Paulus
pretende desembaracar o texto sagrado da carga "mística" imposta pe
los evangelistas.

Eis como o Pe. Pedro Cerruti refere as interpretacoes dadas por


Paulus, em sua obra "O Cristianismo em sua origem histórica e divina" d
157:

"O espetáculo de um pai doente, nevropata, vítima de continuas


visóes e alucinagóes, despertara em Paulus, desde a sua infancia, urna
aversao profunda contra tudo o que é sobrenatural, nao vendo ñas suas
manifestagóes senáo síntomas patológicos de visionarios desequilibra
dos. Assim interpretou os acontecimentos maravilhosos dos Evangelhos.
Algumas amostras:

Achava-se Jesús, de madrugada, no alto do Taborcom tres de seus


apostólos, quando passaram casualmente dois conhecidos vestidos de
branco. Neste momento despontou o sol no horizonte e envolveu o Sal
vador ñas rutiláncias de ouro dos seus esplendores nascentes. Pedro,
precipitado, exclama: 'Moisés! Elias!'. Eis a Transfiguragáo do Senho'r,
explicada... psicológicamente e 'naturalizada'!

Cristo cura um cegó de nascenga. É um fato real e histórico, diz o


Dr. Paulus. O erro está em atribui-lo a causas transcendentes. Jesús
empregou apenas um colirio conhecido e usado pelos oculistas... que
assim todos os dias restituem a vista aos nati-cegos! - E o espanto de
toda Jerusalém? E o processo desta cura instaurado pelos Fariseus?
Foram motivados pela aplicagáo corriqueira de um colirio conhecido?
A multiplicagáo dos páes? Nada de mais natural: a exemplo daque-
la crianga, de Jesús e dos Apostólos, cada um dos presentes se serviu
da matalotagem que trouxera consigo. -Eéporisso que tanto se admi-
rou toda aqueta multidáo e quería proclamar rei o Salvador?

O caminhar sobre as aguas foi um simples passear na margem


com as ondas, ao morrer, lambendo os pés de Jesús. -Eéem táo pouca
agua que ia afundando Pedro?

As ressurreigóes? Simples despertar de letargías. Lázaro, por exem


plo, nao morrera, mas caira em letargía quatro dias antes e fora deposto
atrás de urna porta. Por simples coincidencia venturosa, voltou a si quan
do Cristo o chamou. Que há de mais obvio e mais natural? - Mas nin
guém seguirá a doenga de Lázaro? Ninguém presenciara a sua morte e
seu sepultamento? E o espanto geral, quando Lázaro, ainda envolvido
nos panos mortuários, saiu vivo detrás daquela 'porta', que era urna pe-
dra sepulcral? (cf. L. Franca, A críse do mundo moderno, 1941, pp. 97-98)".
"A BUSCA DO JESÚS HISTÓRICO"

Também as interpretacóes de Paulus foram criticadas pela crítica


racionalista, que preferiu negar a historicidade dos milagres, como se
dirá logo a seguir.

3. Friedrich Strauss (1808-1874): mito

Strauss opoe-se as explicacóes dadas por Paulus, porque vé nos


Evangelhos um conjunto de mitos ou historias ficticias; só poderiam ser
tidos como históricos alguns poucos episodios e a morte de Jesús na
cruz. Com efeito; para Strauss; tudo o que escapa ao controle da razáo é
mito. Assim os discípulos atribuíram a Jesús feitos portentosos que o
assemelhavam ao Messias predito no Antigo Testamento. Eis alguns
espécimens do procedimento de Strauss, como o vé Schweitzer:

"Se o batismo de Joao era um batismo de arrependimento com vis


tas a 'aquele que há de vir', Jesús nao poderia considerarse sem pecado
quando se submeteu a ele. De outra forma, teríamos que suporque Ele o
fez meramente pelas aparéncias. Se foi no momento do batismo que a
consciéncia de sua messianidade despertou, nao saberíamos dizer. Ape
nas isto é certo, que a concepgáo de Jesús como tendo recebido o Espi
rito em Seu batismo era independente e anteriora outra concepgáo que o
tomava como tendo nascido de forma sobrenatural do Espirito. Nos te
mos, portanto, nos Sinópticos diversas carnadas de lenda e narrativa,
que em alguns casos se cruzam e em alguns sobrepoem-se urnas as
outras.

A historia da tentagáo é igualmente insatisfatória, seja interpretada


como sobrenatural, ou como simbólica, seja de urna luta interior ou de
eventos externos (como por exemplo na interpretagáo de Venturini, onde
a parte do Tentador é interpretada por um fariseu); é simplesmente lenda
crista primitiva, construida de sugestóes do Antigo Testamento.

O chamado dos primeiros discípulos nao pode ter acontecido como


é narrado, sem que antes eles nao soubessem nada sobre Jesús; a for
ma do chamado é modelada sobre o chamado de Eliseu por Elias. A
lenda seguinte que foi adicionada - a pesca milagrosa de Pedro - surgiu
do dito sobre 'pescadores de homens', e a mesma idéia é refletida, num
outro ángulo de refragáo, em Joáo 21. A missáo dos setenta nao é histó
rica.

Se a puríficagáo do templo é histórica, ou se ela surgiu da aplica-


gao messiánica do texto, nao pode ser determinado" (p. 104).

As hipóteses levantadas por Strauss suscitaram polémica e oposi-


cáo; no decorrer de cinco anos foram publicados cerca de cinqüenta en-
saios sobre o assunto, diante dos quais Strauss se revelou um péssimo
polemista. Na verdade, o embelezamento ou a idealizacáo de urna figura
"PERGUNTE E RESPONDEREMOS" 499/2004

do passado requer tempo; faz-se aos poucos; por isto Strauss postulava
urna data tardía (século II) para a redacáo dos Evangelhos. Ora a
peleografia mais e mais demonstra que os Evangelhos datam da segun
da metade do século I, tendo comecado a respectiva redacáo por volta
do ano 50. Ver a propósito PR 398/1995, pp. 290ss.

4. Ferdinand Christian Baur (1792-1860): tendencias

Bauraplicou á historia do Cristianismo nascente o esquema dialético


de Hegel, segundo o qual a historia procede por tese, antítese e síntese.
Ora na Igreja nascente

- a tese foi a corrente petrina, judaizante; quería subordinar á Leí


de Moisés os pagaos convertidos ao Cristianismo, obrigando-os a obser
vancias judaicas;

- a antítese terá sido a corrente paulina, aberta aos pagaos, que


seriam dispensados da Lei de Moisés e introduziriam a cultura helenística
para dentro do Cristianismo;

- a síntese seria a Igreja Católica, compromisso conciliatorio, no


qual as duas tendencias se encontram parcialmente absorvidas.

Os Evangelhos Sinóticos representariam as tentativas de concilia-


cáo redigidas no século II: o de Mateus, de ¡nspiracao petrina com alguns
elementos paulinos; o de Lucas, predominantemente paulino; em mea
dos do século II terá sido redigido Marcos, de característica neutra. Quanto
ao Evangelho de Joio, seria mera especulacao teológica aínda mais tardía.

A propósito é de notar que tal teoría está baseada ñas premissas


da filosofía de Hegel mais do que na consideracáo dos textos do Novo
Testamento. Sao Pedro foi o primeiro a apregoar o universalismo da fé
crista {ver At 4,12); foí também o primeiro a receber um pagáo - o centuriáo
Cornélio com seus familiares - na Igreja sem Ihe impor a Lei de Moisés
(ver At 10, 1-48); no concilio de Jerusalém Pedro e Paulo distribuíram
entre si harmoniosamente as tarefas do apostolado (ver Gl 2, 6-10). Sao
Paulo reconhecia a autoridade da Igreja-mae, que ele foi visitar ao voltar
do seu retiro na Arabia, "para avistar-me com Cefas e fiquei com ele quin-
ze dias" {cf. Gl 1, 18s).

Quanto ao incidente de Antioquía (Gl 2,11-14), ver p. 12 deste fas


cículo.

5. Ernest Renán (1823-1892): estilo de romance

Foi seminarista, mas, após ler a literatura crítica alema, perdeu a fé


e tornou-se livre pensador. Escreveu urna famosa "Vida de Jesús", que
em 1867 estava na 133 edicáo e foi traduzída para varias línguas. Eis
como Schweitzer a avalia:

6
"A BUSCA DO JESÚS HISTÓRICO"

"Difícilmente haverá outra obra sobre este assunto com táo abun
dantes lapsos de gosto - e do tipo mais deprimente - como a Vie de
Jésus de Renán. É arte crista no pior sentido do termo - a arte da ima-
gem de cera. O gentil Jesús, a linda María, os belos galileus que forma-
vam a companhia do 'simpático carpinteiro', poderiam tomar forma num
corpo de vitrine de urna loja de arte eclesiástica na Place St. Sulpice.
Aínda assim, há algo de mágico sobre a obra. Ela ofende e atrai. Ela
nunca será realmente esquecida, nem é provável que seja superada em
sua própria linha, pois a natureza nao é pródiga em mestres do estilo, e
raramente um livro é táo diretamente nascido do entusiasmo quanto aquele
que Renán planejou entre as colinas da Galiléia" (p. 119).

Escrita com grande habilidade literaria, em estilo de romance1, a


Vie de Jésus de Renán foi acolhida com aplausos pelos incrédulos; exer-
ceu vasta influencia sobre a carnada popuiacional de cultura media. Mas
também foi severamente criticada; "há urna especie de insinceridade no
livro, do inicio ao fim, Renán declara representar o Cristo do quarto Evan-
gelho, mas nao acredita na autenticidade dos milagres daquele Evange-
Iho. Ele declara escrever urna obra científica, mas está sempre pensan
do no grande público e na maneira de Ihe interessar; "Ele fundiu assim
duas obras de caráter dispar" (Schweitzer, p. 229). Escreve Cerruti (obra
citada, p. 162):

"Obra de arte, na qual, com 'visáo de pintor, imaginagáo de poeta,


inducáo de filósofo racionalista' (Weinel), o autor impoe aos textos suas
próprías sugestoes, a Vida de Jesús é um romance do diletantismo táo
na moda durante o século XIX e de que Renán foi o perfeito modelo
(Guignebert, op. cit, págs. XXVIII-XXX). Como obra de ciencia, nenhum
valor".

6. Alfred Loisy (1857-1940) e os escatologistas

Foi católico e, como tal, lecionou no Institut Catholique de Paris.


Em 1893 foi destituido da cátedra por ensinar teorías nao católicas: as
fórmulas de fé seriam apenas metáforas e símbolos, sujeitos a diversas
interpretacoes. No tocante a Jesús, afirmava: "Jesús apregoou o Reino
de Deus, mas o que veio, foi a Igreja". Com outras palavras: Jesús terá
compartilhado a expectativa dos judeus de seu tempo, que aguardavam
ansiosamente urna intervencáo de Deus: mediante um cataclismo uni-

1 Efe dois espécimens desse estilo citados por Cerruti, p. 162:


"Os possessos do demonio eram simples loucos ou pessoas excéntricas e 'urna
palavra meiga basta muitas vezes nesse caso para 'expulsar o demonio'. As curas
sao devidas ao influxo moral exercido por Jesús, porque 'a presenga de um homem
superior que trate o doente com mansidáo e com alguns sinais sensiveis, Ihe garan
te a cura, é muitas vezes um remedio decisivo'(Vie de Jésus, c. XVI)".
"PERGUNTE E RESPONDEREMOS" 499/2004

versal, o Altíssimo viria destruir o reino da iniqüidade dominante na Térra


e instauraría um reino de justica, felicidade e paz. Jesús terá esperado
essa catástrofe; por isto quis preparar os discípulos para esse grande
evento, apregoando urna "Ética do provisorio": nao resistir aos assaltan-
tes, dar a túnica a quem quer levar o manto, apresentar a face esquerda
a quem esbofeteia a direita (cf. Mt 5, 38-42). Conseqüentemente, segun
do Loisy e sua escola, tudo o que nos Evangelhos insinúa a Igreja como
sociedade estável e duradoura, só pode ser acréscimo tardio devido aos
discípulos que, frustrados, fundaram a Igreja (pois Jesús mesmo nao a
fundou, engañado como estava no tocante á escatologia).

Tais idéias foram professadas outrossim por Charles Guignebert,


C. Burkitt, Johannes Weiss, constituindo a escola escatologista.

A propósito convém notar: se nos Evangelhos se encontram alu-


soes ao juízo final e á gloria celeste, existem também {indicios presentes
em todos os manuscritos antigos) de que Jesús contava com a longa
duracáo de sua obra; assim a parábola do joio e do trigo refere o paulati
no crescimento das sementes até que chegue o dia da messe (cf. Mt 13,
24-30); o mesmo se depreende da parábola do grao de mostarda que
cresce a ponto de tomar-se urna grande árvore; os Apostólos sao envia
dos a todos os povos {cf. Mt 28,18-20).

A crítica assumiu aínda outro aspecto na

7. Historia das Religioes comparadas: Gunkel, Eichhorn, Wrede

No fim do século XIX os estudos da historia haviam progredido


tanto que os pesquisadores procuraram descobrir a origem do Cristianis
mo no ambiente religioso pagáo que cercava o povo de Israel. Especial
mente importante, no caso, parecía ser o culto das religioes de misterios.
Estas constavam de ritos dos quais participavam apenas os iniciados, a
quem eram transmitidas doutrinas religiosas secretas,... doutrinas que
deviam levar o iniciado á felicidade e á salvacáo; os ritos aplicados com-
preendiam locoes purificadoras, entrega de símbolos e de fórmulas den
tro de urna atmosfera de dramaticidade. Em conseqüéncia fundavam-se
contrarias religiosas como as de Mitra, Dionisio, Zagreu, Osíris, Adonis,
Átis..., onde o "mista" devia chegar á uniáo com a Divindade. Eis algu-
mas das semelhancas que fundamentariam a pretensa dependencia do
Cristianismo:

Trindades babilónicas e Trimurti da india »- Trindade crista


(Pai, Filho e Espirito Santo);
Avatares (homens divinos) da india •- Encamacáo do Verbo;
Deus salvador nos misterios de Átis, Osíris, Dionisio +- Jesús
Salvador;
ressurreicáo nos mesmos misterios •- ressurreicáo de Cristo;
"A BUSCA DO JESÚS HISTÓRICO"

Ic^óes purificadoras *- Batismo;


banquetes sagrados *- Eucaristía;
Ascese budista •- ascese crista.
Afirmando a dependencia do Cristianismo em relacáo aos cultos
pagaos, os historiadores classificavam como lendária a mensagem his
tórica que acompanha a Boa-Nova de Cristo. O Apostólo Paulo terá sido
o responsável pela distorcáo paganizante da pregacáo semita de Jesús;
Paulo terá helenizado o Cristianismo nascente.

Alguns críticos chegaram mesmo a negar a existencia de Jesús,


visto que a nocáo de Deus feito homem é, para a razáo, totalmente incon-
cebível. Táo radical posicáo hoje em dia nao conta com serios adeptos.
A propósito seja observado:
1) há manifestacóes religiosas espontáneas a todo homem que:
por ser espontáneas, podem aparecer em regióes (e religioes) diversas
sem que haja dependencia. Assim o levantar as máos para o céu, o ajo-
elhar-se, o prostrar-se por térra...

2) Também há símbolos cujo significado é o mesmo para todos os


homens e, por isto, ocorrem cá e lá sem que haja dependencia. Assim a
agua como sinal e fator de purificacáo (donde a locáo das máos, dos pés,
do corpo), o fogo, o sal, a luz, as trevas...
3) O conceito de ascese ou mortificacáo das paixóes desregladas
para que exista uniáo com Deus é outro elemento que aflora por si mes
mo á consciéncia de todo homem sincero.

4) O simbolismo de certos números é o mesmo para todos os po-


vos; assim tres é sinal de perfeicáo, porque lembra o triángulo equilátero,
figura sempre igual a si mesma e, por isto, invencível: quatro, idem; don
de o valor positivo de 3 + 4 e 3 x 4.
5) Nos casos em que há identidade de sinais (agua, refeicáo sa
grada entendida como partilha), é preciso investigar qual a mentalidade
que inspira o uso de tal símbolo; será panteísta?... politeísta?...
monoteísta? Se a mentalidade difere de um caso para o outro, torna-se
improvável a dependencia. A respeito veja-se quanto já foi ponderado
em PR 266/1983, pp. 30-33:

a) A Trindade crista (Pai, Filho e Espirito Santo) seria análoga as


tríades de deuses da Babilonia (Anu.Bel, Ea) ou á Trimurti hindú (que
professa Brama, o criador casado com Sarasvati, a deusa da sabedoria;
Visnu, o conservador, casado com Lakchmi, a deusa da beleza^Siva, o
destruidor e o renovador, casado com Cali, a deusa da destruicáo).
Como se vé, em religioes nao cristas há tríades de deuses distintos
uns dos outros e entendidos em sentido politeísta. Tém suas aventuras e
10 "PERGUNTE E RESPONDEREMOS" 499/2004

lutam entre si pela hegemonía. Acontece, porém, que na mensagem cris


ta há um só Deus, cuja natureza é tao rica que ela se afirma em tres
pessoas (que nao sao tres deuses nem repartem a natureza divina). É de
notar que os cristaos passavam por "ateus" no Imperio Romano pelo fato
de nao cultuarem os deuses da mitología greco-romana - o que bem
mostra como eram infensos ao politeísmo.

b) As encarnacóes de Vísnu, que se manifesta em avatares (Buda,


Krishnamurti...) seriam paralelas á Encarnacáo do Verbo... Ora um exa-
me mais detido mostra a oposicao frontal entre um e outro termo. O Cris
tianismo professa que a segunda Pessoa da SS. Trindade quis assumir a
natureza humana, sem nada perder do que é de Deus, a fim de santificar
o homem e o mundo. Ao contrario, as crencas hindus professam a meta-
morfose de Visnu em sucessivos avatares como seriam o peixe, a tarta
ruga, o javali, o leáo e..., no fim do mundo, o cávalo. Visnu aparece tam-
bém em dois heróis (Rama e Krishna), da casta dos guerreiros, que a
Ienda divinizou. Krishna, com suas facanhas cruéis e sua vida devassa,
foi a antítese do que o Cristianismo atribuí a Jesús Cristo.
c) Quanto aos pretensos paralelos de ressurreicáo, verifica-se que
as narracoes pagas estáo muito distantes do evento professado pelo
Cristianismo. Examinemos os mitos mais freqüentemente aduzidos:
Dionisio Zagreu, nascido da uniáo de Júpiter com sua filha
Perséfona, foi morto, despedazado e devorado por Titas, instigados por
Hera, esposa de Júpiter. Todavía, diz o mito, o coracáo de Dionisio esca
para á voracidade dos Titas. Ora Júpiter (segundo uma Ienda) ou Semeie
(segundo outra) engoliu tal coracáo e em conseqüéncia deu á luz um
outro Dionisio. - Como se vé, este episodio da mitología se diferencia
radicalmente do que se chama "a paixáo, morte e ressurreicáo de Jesús
Cristo". Seria despropositado querer aproximá-los entre si.
Set ou Tifón mostra a seus convivas um cofre maravilhoso e pro
mete doá-lo a quem o achar exatamente proporcionado ao seu tamanho.
Apenas o seu irmáo Osíris, que nao suspeitava da cilada, nele se acomo-
dou, Set fez pregar a tampa e lancar o cofre no Nilo; pouco depois, dece-
pou o cadáver e dispersou os pedacos! -Tal terá sido a Paixáo de Osíris!
- Ora, continua a Ienda, Isis, irmá e esposa desse infeliz, consumada
feiticeira, tornou a unir os membros espalhados. Em váo, porém, se es-
forgou por reanimá-los. Foi-lhe revelado contudo que, enquanto a múmia
reconstituida se conservasse em Heliópolis, seu marido poderia ter uma
vida nova no outro mundo; reinaría doravante sobre os mortos. Tal terá
sido a "ressurreicáo" de Osíris!

O belo Adonis, amado simultáneamente por Venus e Proserpina,


rainha dos infernos, foi morto por um javali; as duas deusas o reclama-
10
"A BUSCA DO JESÚS HISTÓRICO" 11,

ram entáo. Para dirimir o litigio, Júpiter decidiu que passaria quatro me
ses com urna e quatro meses com outra, ficando livre para dispor dos
quatro meses restantes. - Como se vé, tal seria a paixáo e a ressurreicáo
de Adonis!

Cibele, máe dos deuses, fez morrer a Ninfa, que Átis prefería á
própria Cibele. Depois disto reteve consigo o jovem pastor Átis. Este,
porém, sucumbiu á ferida que sotrera no segundo instante do seu deses
pero. Cibele entáo obteve pelo menos que o corpo de Átis permanecesse
incorrupto; Júpiter concedeu ainda a Cibele que a cabeleira do seu prote
gido continuasse a crescer e que o seu dedinho ficasse sempre em mo-
vimento. Tal terá sido a "ressurreicáo" de Átis!
Como se percebe, todos esses mitos estáo muito longe de trans
mitir o auténtico conceito de ressurreicáo da Divindade; nao podem ser
tidos como paralelos ou analogías da Paixáo, Morte e Ressurreicáo de
Jesús. É simplório ou anticientífico aproximar entre si termos cuja inspi-
ragáo fundamental é antagónica; na verdade, o Cristianismo é essencial-
mente monoteísta, ao passo que a mitología é politeísta... Alias, sabe-se
que a ¡déia de ressurreicáo era muito estranha ao pensamento helenista;
ela nao representava ideal algum a que os gregos aspirassem, pois para
muitos destes o corpo era o cárcere ou o sepulcro da alma; nao brotaría
do ámago da mentalidade helenista a concepcáo de ressurreicáo como
meta para os homens. Muito a propósito diz o escritor cristáo Tertuliano
no comego do século III: "A pregacáo da ressurreicáo, inaudita até entáo,
abalou as nacóes com a sua novidade" (De resurrectione carnis 3).

d) O conceito de salvacáo ñas religióes pagas geralmente se refe


re ao plano medicinal e mágico, tendo em vista o alivio dos sofrimentos
terrestres. O Cristianismo, sem negligenciar tal aspecto da salvacáo (te-
nham-se em vista os milagres realizados por Jesús), apregoa a expiacáo
e o perdáo dos pecados, a plenitude da vida em comunháo com Deus
mediante a oblacáo de Cristo. - O paganismo nao tinha a nocáo de peca
do "ofensa a Deus", ao passo que o Cristianismo a propóe como fundo
de cena da sua mensagem; é o que reconhece o crítico liberal R.
Reitzenstein: "O que há de novo no Cristianismo, é a redencáo enquanto
remissáo do pecado. A temerosa seriedade da pregacáo do pecado e da
expiacáo nao se acha no helenismo" (Poimandres, Leipzig 1904, p. 180).

e) Se há semelhanca de expressóes entre as religióes helenistas


ou orientáis e o Cristianismo, devem-se ao fato de que os sentimentos
religiosos sao básicamente os mesmos em todos os homens; há, sim,
urna religiosidade natural no pagáo e no cristáo, que recorre aos mes
mos símbolos e gestos para se exprimir; assim o uso da agua e das
ablucóes rituais significa naturalmente a pureza interior; a ceia ou a refei-

11
12 "PERGUNTE E RESPONDEREMOS" 499/2004

cao exprime a comunháo ou participacio; o Sol, a Luz, as estrelas expri-


mem o brilho da Divindade que ilumina o homem... O Cristianismo nao
recusou adotar expressóes religiosas dos povos pré-cristáos na medida
em que correspondem ao patrimonio religioso comum de todos os ho-
mens e, conseqüentemente, dos próprios cristáos. Tal fenómeno nao
implica dependencia do conteúdo ou da mensagem do Cristianismo em
relacáo as religioes nao cristas, visto que a inspiracáo fundamental do
Cristianismo é diferente da do paganismo.

8. Conclusáo

O livro de Albert Schweitzer é importante como informativo da his


toria da crítica dos Evangelhos desde o comeco do século XVIII até o
inicio do século XX; mostra o esforco de intelectuais racionalistas para
explicar o teor do Livro Sagrado sem o apoio da fé. Foram propostas
teorías preconceituosas, que a própria crítica no século XX rejeitou, en
veredando por trilhas mais fundamentadas, que sao o Método da Historia
das Formas, Método nao necessariamente racionalista, pois pode ser
cultivado também em chave católica; cf. PR 318/1988, pp. 491-201.

APÉNDICE
Seja brevemente considerado o chamado "incidente da Antioquia"
(Gl 2, 11-14). Este episodio aínda vem a ser um testemunho indireto da
autoridade do Primaz: Paulo diz ter chamado a atencáo de Pedro justa
mente porque o exemplo deste Apostólo era de tal modo persuasivo que
coagia moralmente os étnico-cristáos a o imitarem ou a observaren) a Lei
de Moisés: "Se tu, que és judeu, dizia Paulo, vives á maneira dos gentíos,
e nao dos judeus, como forcas os gentíos a se fazerem judeus?" (Gl 2,
14). A falha de Pedro parece ter consistido em nao estar plenamente
cónscio da influencia que ele exercia ou em nao ter percebido que sua
condescendencia para com amigos, embora fosse legítima, era mal in
terpretada, perturbando a Igreja inteira. Note-se que, na sua atitude forte,
Paulo nao disse palavra contra os direitos de S. Pedro a exercer tal influ
encia sobre os fiéis. De tudo ¡sso concluí Loisy que o gesto de S. Paulo
"atesta ter sido Simao Pedro o chefe do servico evangélico, o homem
com o qual era preciso entrar em acordó, sob pena de trabalhar em váo"
(Les Évangiles synoptiques 14).

CD SOBRE REENCARNAQÁO
A ESCOLA "MATER ECCLESIAE" EDITOU UM CD SOBRE O DIS
CUTIDO TEMA DA REENCARNACÁO. SE VOCÉ JÁ TEM OPINIÁO FOR
MADA A RESPEITO, TALVEZ SEUS FAMILIARES E AMIGOS NAO A TE-
NHAM. POR QUE NAO APROVEITAR O SUBSIDIO? - PEDIDOS PELO
TELEFAX 0 XX 21-2242-4552.

12
Relendo os Evangelhos:

"CRISTO. UMA CRISE NA VIDA DE DEUS"


por Jack Miles

Em síntese: O autor atribuí a Deus urna atitude de arrependimento


por nao ter libertado do jugo estrangeiro o povo de Israel. Para reparar
essa falha, Deus se fez homem e morreu como os demais homens, mas
ressuscitou para dizer a todos que a morte nao é morte... O livro carece
de valor filosófico-teológico por causa do grosseiro antropomorfismo, que
identifica Deus com um homem volúvel.
* * *

Jack Miles é ex-seminarista jesuíta. Doutor em línguas do Oriente


Medio pela Universidade de Harvard e autor do Livro "JESÚS. UMA CRI
SE NA VIDA DE DEUS"1, livro que pretende ser urna nova interpretacáo
dos Evangelhos. A seguir, apresentaremos a tese do autor, á qual seráo
propostos alguns comentarios.

1. Oconteúdodo livro

Segundo Jack Miles, Deus prometeu ao povo de Israel no século


VI a.C. Vitorias sobre seus inimigos, como havia feito no século XIII a.C.
tirando seu povo do cativeiro egipcio. Acontece, porém, que Deus mudou
seu plano e deixou os judeus sob o jugo estrangeiro desde 587 a.C. até o
século I d.C. A crise que assim se instaura em Deus, é solucionada pela
encarnacao do Filho de Deus, que assume a morte do homem para dizer
a este que a morte nao é morte; tal mensagem é válida nao somente para
os judeus, mas para todos os povos. - Eis como a primeira orelha do livro
define a respectiva tese:

"A figura de Jesús surge no Novo Testamento como a solugáo en


contrada por Deus para urna crise política decorrente de quinhentos anos
de subjugagáo do povo de Israel a potencias opressoras.

No Velho Testamento Deus prometerá aos hebreus salvá-los da


escravidáo por meio de Vitorias militares como a obtida por Moisés contra
os egipcios. As frustragóes acumuladas, entretanto, comegavam a por
em dúvida a capacidade de Deus cumprir os seus compromissos".

1 Tradugáo de Carlos Eduardo Lins da Silva e María Cecilia de Sá Porto. - Compa-


nhia das Letras, Sao Paulo 2002, 160 x 230 mm, 400 pp.

13
14 "PERGUNTE E RESPONDEREMOS" 499/2004

Miles explica como o impasse é solucionado. Jesús altera o discur


so de Deus - que deixa de se basear no poder militar e toma o poder
moral como norte -, amplia a base de seus fiéis (dos judeus para toda a
humanidade) e mostra que a morte nao deve ser encarada como ponto
final, mas como o inicio da vida eterna. Deus assume a responsabiiidade
por nao ter cumprído suas promessas e por todos os erros do mundo,
pune-se a si próprio - por meio da morte de Jesús - e, com isso, livra
seus súditos, os seres humanos, da necessidade de pagar por seus erros".

O autor chega a dizer:

"Como foi que o guerreiro divino acabou pregando o pacifismo? A


teología crista tem apresentado a tendencia dessa mudanga como cres-
cimento espiritual em Deus, embora raramente usando urna expressáo
como 'crescimento espiritual'. A resposta sugerida aquí é que Deus criou
urna nova virtude humana a partir de sua necessidade. Encontrou um
modo de transformar sua derrota em vitória, mas a derrota veio primeiro"
(p. 154).

Estas noticias já proporcionam suficiente idéia do que J. Miles quer


transmitir ao público. Donde a pergunta:

2. Que dizer?

Seráo propostas tres ponderacoes:

1) O livro em foco nao merece ser levado a serio pela exegese


científica, pois viola os principios nao só da fé, mas também os da razáo
humana, apresentando um Deus sujeito ás vicissitudes humanas - o que
é urna contradicáo; mesmo no plano meramente racional ou Deus existe
como a Suma Perfeicáo ou nao existe.

2) J. Miles justifica seu procedimento afirmando que considera a


Biblia de maneira diferente do modo convencional; trata-a sim como obra
literaria, na qual o que importa nao é a fidelidade histórica, mas "o signi
ficado poderoso que o texto constrói para o leitor". (23 orelha). Salvo enga
ño, esta declaracáo quer dizer que o autor nao se interessou pela historia
real como vem narrada pela Biblia, mas fez do texto sagrado urna fonte
inspiradora de urna estória ou de um enredo fantasioso. - Pois bem; re-
conhecemos a Miles o direito de elaborar suas divagacoes imaginosas,
mas eremos que tomar a Biblia como pré-texto para tanto equivale a ferir
a consciéncia de milhóes de fiéis que respeitam o texto sagrado e lamen-
tam o fato de ter sido explorado para deturpar a imagem de Deus e o
sentido cristáo da Redencáo.

J. Miles foi certamente fecundo na criacáo do seu contó, mas infe


liz por ter assim manipulado o texto sagrado.

14
"CRISTO. UMACRISE NA VIDA DE DEUS" 15

3) O autor fala insistentemente do suicidio de Deus ou de Cristo.


Justifica a expressáo dizendo que Deus quis punir a si mesmo por ter
cometido urna omissáo em relacao ao povo do Antigo Testamento; ora a
pena nao podia ser infligida a Deus por alguma criatura; só Deus a podia
infligir; Ele o fez...

-A propósito é de notar que há urna grande diferenca entre a morte


voluntaria de Cristo e um suicidio. Com efeito; o suicidio é fruto do desa
tino e do desespero, ao passo que a entrega de Jesús á morte foi consci
ente, livre e voluntaria. Ele quis ir até a morte por obediencia e amor ao
Pai como segundo Adáo, já que o primeiro foi até a morte por desobedi
encia e desamor: Ele quis assim reformular o conceito de morte, fazendo
déla urna passagem para a eternidade. Era preciso, pois, que Ele tomas-
se a iniciativa de atravessar a morte com lucidez de mente e senhorio da
trajetória. Isto nao é suicidio.

Outros comentarios se poderiam tecer ao livro de J. Miles. Estes


bastam para se concluir que é ficcáo despropositada.

Manual da Comunidade, organizado por F. Battistini. Ed. Vozes,


Petrópolis 2004 (19a edigáo atualizada), 130 x 200 mm, 218 pp.

Freí Battistini oferece ao povo de Deus um livro portador das ora-


góes mais freqüentes na vida do fiel católico: texto da Missa, tergo medi
tado, Via Sacra, ladainhas, cantos; além disto, propóe breve catequese
sobre a Biblia, Jesús Cristo, a Igreja, os sacramentos e a Moral católica.
Tratase de um compendio muito bem estruturado e de grande utilidade;
basta dizerqueja está na 19- edigáo.

O mesmo autor publicou um breve tratado da doutrina da fé e da


Moral católicas, tendo em vista a preparagáo para a Primeira Eucaristía,
como alias bem insinúa o titulo "Primeiro Encontró".

Com vistas á devogáo mañana em particular, Frei Battistini escre-


veu o livro "María no Projeto de Deus", em que expóe o significativo papel
da Virgem SSma. na vida de Cristo e na historia da Igreja.

Os livros de Frei Battistini sao inspirados por intensa experiencia


pastoral e redigidos em estilo simples, que atinge as carnadas mais hu
mildes da populagáo. Possa o autor continuar seu belo trabalho
catequético, fecundo e necessário como é. Seus livros podem ser solici
tados pelos telefones (83) 235-1458 e 9966-1890.

15
Protestantes

CONVERTERAM-SE AO CATOLICISMO

Em PR 497/2003, pp. 487-492 foi apresentado o livro "Por que es


tes ex-Protestantes se tornaram católicos" de Jaime Francisco de Moura,
coletánea de testemunhos de convertidos. Ñas páginas que se seguem,
vao transcritos tres depoimentos extraídos dessa obra. Mostram como o
estudo da própria Biblia e da historia é caminho que leva o crente á Santa
Máe Igreja. Quem examina sem preconceitos a documentacáo básica,
verifica que o protestantismo é um desvio e nao urna renovacáo.

I. POR QUE SOU CATÓLICO

Cari Olson, ex-protestante fundamentalista


"A um de meus escritores favoritos, o grande Apologista G.K.
Chesterton, muitas vezes perguntaram por que se tornou católico. 'Por
que o Catolicismo é a verdade' era a resposta habitual. Essa é a resposta
que eu dou a meus amigos protestantes quando me fazem a mesma
pergunta. Eles dizem freqüentemente que isso é arrogante. Mas é ho
nesto. Se o Catolicismo nao é verdade, por que se aborrecem?
Eu fui educado como um fundamentalista e freqüentei urna Facul-
dade de Biblia Evangélica. Aprendí a acreditar em Deus, confiar em Je
sús para minha salvacáo e defender minha fé Crista contra as falsidades
do ateísmo, mormonismo e catolicismo. Nos fizemos consideracoes aos
católicos de que nao eram Cristáos porque adoravam Maria, o Papa e
nunca liam a Biblia.

Com o passar do tempo fiquei mais maduro. Especialmente en-


quanto eu estava na Faculdade, comecei a questionar algumas das inter-
pretacóes da Biblia que me eram ensinadas.

Alguns anos atrás comecei a estudar historia da Igreja e Teología


com a ¡ntencáo de descobrir o que realmente aconteceu nos 2000 anos
depois que Jesús esteve na térra. Estudando a real presenca na Eucaris
tía, um assunto importante para mim, achei que foi professada claramen
te pelos Padres da Igreja e que ninguém questionou isto até o ano de
1500 aproximadamente.

Já que eu estudeí a Reforma, descobri que Lutero nao foi o grande


campeao do Cristianismo Bíblico, mas, sim, um monge ansioso e angus
tiado, que quebrou os verdadeiros ensinamentos da Igreja, criando a
anarquía na Alemanha mediante os seus falsos ensinamentos.

16
CONVERTERAM-SEAO CATOLICISMO 17

Eu tinha aprendido que o Catolicismo estava cheio de supersti-


cóes, submissao cega para um Papa dominante, que repugnava a Biblia;
mas cheguei á conclusáo de que aqueles professores do catolicismo e
teólogos conheciam as Sagradas Escrituras. Eu achei que o culto da
Igreja Católica estava cheio de respeito profundo pela Biblia e o Corpo
de Cristo, respeito que se perdeu ñas igrejas protestantes. Embora eu
conhecesse católicos que nao sabiam muito sobre o que eles acredita-
vam, conheci também católicos cuja maturidade espiritual, amor cristáo
e conhecimento, eram impossíveis de se negar.
Simplesmente, vi que o Protestantismo tinha anulado muitos
ensinamentos essenciais da antiga Igreja Crista. Quando estudei mais,
vi como eu tinha sido determinado a urna representacáo inexata da Igreja
Católica. Tudo o que aconteceu no culto da Igreja, particularmente a Mis-
sa, tem um certo significado, normalmente fundado em tradicoes de mui
tos séculos atrás.

Durante algum tempo tive muitas conversas com os amigos e ten-


tei enfatizar que nao tinha abandonado as conviccóes evangélicas. Se a
Igreja Católica realmente é a Santa Igreja Católica Apostólica, entáo ela
merece ser levada a serio e examinada de perto. Convenci-me da minha
própria experiencia e com os testemunhos de muitos outros. Ela é a 'casa
de Deus'éa 'Coluna e o sustentáculo da verdade'que Paulo descreve a
Timoteo (1Tm 3, 15)" (pp. 171 s).
REFLETINDO...

Tres pontos chamam a atencáo no texto apresentado:


1) Cari Olson verifica que preconceitos desfiguram a Igreja Católi
ca aos olhos dos protestantes; estaría cheia de supersticoes e gente ig
norante do texto sagrado;
2) o protestantismo "anulou muitos ensinamentos essenciais da
antiga Igreja Crista". Na verdade, o que esvazia o protestantismo é a
recusa do conceito de Igreja-sacramento, com sua Liturgia (perpetuacao
da Páscoa de Cristo) e seu magisterio;
3) o estudo é o caminho que propicia a conversáo. O Cristianismo
nao comecou no secuto XVI com "o monge Lutero ansioso e angustiado",
mas com Jesús Cristo. Daí a importancia de examinar a linha histórica
que vai de Jesús até nossos dias, como fez a escola de Oxford.
II. ELES ME CONDUZIRAM Á EUCARISTÍA
Testemunho de Conversáo de Linda Temple
Ex-Metodista

"Eu nasci em 8 de dezembro de 1941. Meus pais eram metodistas


e sempre me levaram para a igreja. Eu me lembro de entrar na igreja

17
18 "PERGUNTE E RESPONDEREMOS" 499/2004

com a idade de 11 anos, num domingo de Páscoa. Depois de duas se


manas, já fazia parte daquela Igreja. Sei que era real, e estava bem aten
ta para pedir a Jesús que entrasse em meu coracáo e em minha vida. Eu
era ativa nessa igreja, até os meus 34 anos, mas depois passei a fre-
qüentar a Igreja Batista.

Fui trabalhar em 1989 em urna firma; era secretaria de um homem


católico muito devoto, o Jerry. Ele era urna grande pessoa, marido e pai
de cinco enancas. Nos ficamos amigos e ele me ajudou muito em minha
vida pessoal. Jerry nunca discutiu a fé católica comigo, mas nos discuti
mos a Biblia e outros tópicos cristáos. Ele e a esposa eram ativos na
igreja e fizeram seminarios familiares cristáos.

Em julho de 1994, Jerry comecou a ter problemas de estómago


que foram diagnosticados como hernia de hiato. Ele perdeu de 15 a 20
kg. Em Janeiro, de 1995, a doenca foi diagnosticada como cáncer de
estómago. Embora com 3 a 4 semanas para viver, Deus teve outros pla
nos e a vida dele foi prolongada para um ano e tres semanas. Por este
ano, eu conduzi o grupo de oracáo no trabalho para Jerry e sua familia.
Nos o visitamos varias vezes. Nunca discutimos a Igreja Católica. Po-
rém, em 1995 um tapete novo foi colocado em nosso escritorio. Quando
nos estávamos reformando o escritorio, ele decidiu pendurar um crucifi-
xo em cima da porta. Eu ofereci a ajuda. Segurei o crucifixo e Ihe disse
que nao entendia por que os católicos sempre tinham que ter Jesús na
Cruz, quando Ele já tinha subido aos Céus. A doce resposta de Jerry era:
"Sim, Jesús ressuscitou, mas o crucifixo nos faz lembrar sua Paixáo e
seu sofrímento". Respondí que nao precisava de me lembrar dos sofri-
mentos dele na Cruz. Jerry suavemente disse: "Sim, vocé faz assim e
tudo está ceño". Entáo ele se sentou á sua mesa e foi trabalhar como se
quisesse dizer: 'Discussáo terminada'. Nada mais havia a dizer.

Jerry foi estar com Deus em Janeiro de 1996. Eu visitei a igreja com
Sylvia, sua esposa, varias vezes. Perguntei-lhe qual era o significado da
Eucaristía. Sylvia me disse que nao era só comunháo, mas "o Corpo e o
Sangue de Jesús Cristo". Sendo urna boa crista protestante, eu pergun-
tei onde isso estava na Biblia. Ela respondeu que em Joáo 6. Marquei
em minha Biblia. Em fevereiro de 1996 Sylvia me deu varios livros para
ler. Enquanto eu lia um deles, minha filha perguntou, "O que vocé vai
fazer, Mae? Se tornar católica?" Sendo urna protestante, isso estava me
alarmando. Todos os sinos e apitos entraram em minha mente e eu dis
se: "NAO! Eu nao vou!" Assim comecou urna corrida para a Igreja Católi
ca que durou 15 meses.

Durante este tempo, comparecí a minha Igreja de origem, mas logo


percebi que nao era o bastante, nao entendia o porqué. Adquirí, toda vez
18
CONVERTERAM-SEAO CATOLICISMO 19

que ¡a á Igreja Católica, urna experiencia que parecía um aviso, para


mim especialmente quando a igreja servia a Comunháo. Eu nao sabia o
que estava acontecendo, só que eu tinha fome de Deus e nao podía estar
satisfeita em minha igreja protestante regular. Viví em urna escundao,
deserto estéril durante pelo menos oito meses. Eventual mente, senti que
nao poderia nem mesmo conversar com Deus.
Em maio de 1997, Sylvia me chamou. Fui á casa déla. Conversa
mos durante varias horas até de madrugada. Enquanto estava lá, eu no-
tei um livro que estava com a face virada para baixo, em cima da mesa.
Por curiosidade, eu peguei este livro, que tinha o título "Cruzando o Tibet"
(Thomas Ray) Era "o testemunho da conversao de um batista que tinha
passado para a Igreja Católica". Sylvia me emprestou o livro. Li em tres
dias Rezei em cada secáo, observando todas as centenas de referenci
as bíblicas citadas no livro. Quando eu tinha terminado, contei para Sylvia
que nao era mais urna protestante, mas eu nao sabia para onde Deus iría
me conduzir. Rezei a Deus questionando; se a fé católica fosse a real
verdade, Ele teria que me mostrar.
Eu visitei Sylvia muitas vezes depois disso. Li muitos livros. Recita-
va o Rosario com ela. Isso era o comeco de minha conversao para a
Igreja Católica Se vocé nao notou, meu aniversario é aos 08 de dezem-
bro, o dia da festa da Imaculada Conceicáo de María, a Máe de Deus.
Fiquei diante do Santíssimo durante oito semanas pelo menos cin
co vezes por dia. Foi maravilhoso. Hoje eu rezo o Rosario todos os dias.
Leio aproximadamente vinte livros, vejo muitas coisas maravilhosas na
internet. Já me confessei, fui crismada em um domingo, 31 de Agosto de
1997, as tres horas.

Sylvia colocou urna Medalha Milagrosa e um crucifixo no meu pes-


coco Nos chamamos isto de meu "sim, vocé faz", em memoria da pes-
soa que comecou tudo, Jerry, agora um dos santos de Deus, que com
certeza já está nos céus.
Todo o elogio e gloria por esta conversao váo para Deus, nosso
Pai e Maria Santíssima. Eu já amava Deus antes em toda a minha vida,
mas agora tudo se cumpriu. Este caminho está mais íntimo com meu
Salvador. Que o Nome de Jesús seja glorificado para sempre.
Eu só tenho um pedido a apresentar a qualquer um que ler esta
minha historia: quando fizer urna oracáo a Deus, reze par que minha fe
nunca venha a se enfraquecer. Obrigada, Jesús! (pp. 175-177).
REFLETINDO...

O ponto decisivo para a conversao de Linda Temple foi a Eucaris


tía. Os respectivos textos bíblicos sao muito explícitos ao afirmar a real
19
20 "PERGUNTE E RESPONDEREMOS" 499/2004

presenca eucarística de Jesús; ver Mt 26, 26-28; Me 14, 22-25; Le 22,


19s; 1Cor 11, 24-25; Jo 6, 51-56. Os protestantes tentam fugir da inter-
pretacáo realista de tais textos, mas nao convencem.

III. DE ANTI-CATÓLICA PARA A IGREJA DE JESÚS


Testemunho de Jennifer Nashif
"Eu me convertí ao Catolicismo com 24 anos, depois de toda a vida
ser uma anti-católica declarada. Na realidade, eu era algo como agnóstica,
ou coisa parecida. Como poderia um Deus permitir tantas coisas terríveis
acontecerem neste mundo, até mesmo em virtuosas pessoas? E como
essa igreja adora a uma mulher mortal e reza diretamente a "padroeiros"
em vez de rezar a Deus?

Eu dizia que a Igreja era promovida por homens celibatários que


nao entendiam os fardos e dificuldades de uma familia! Meu marido, um
católico somente no nome, nao tinha resposta para mim. Quando'nós
nos casamos, seis anos atrás, eu Ihe disse que eu nunca concordaría em
criar nossos filhos dentro do Catolicismo, e isso estava bem para ele.
Nos fomos casados em uma igreja protestante. Dois anos depois, nas-
ceu a nossa primeira filha.

Depois de varios anos, mudando de um lugar para outro, eu sentía


um anseio para fazer parte de uma comunidade junto com nossa filhinha
que estava crescendo. Nos comecamos a ir a uma igreja protestante, é
claro, em nossa cidade nova. Foi quando eu comecei a adquirir a cons'ci-
éncía de que nos deveríamos tentar uma Igreja Católica. Apesar de todas
as suas faltas, respeitei esse compromisso por causa da familia de meu
marido.

De onde essa idéia veio? Como eu poderia ter decidido, em um


momento, converter-me a uma Igreja que eu nao aceitava? Depois de ler
alguns livros de Apologética numa biblioteca, percebi que meus precon-
ceitos contra a Igreja estavam baseados em desinformacoes. Como eu
lia nesses livros, as informacóes contidas e as explicacoes estavam con-
dizentes com a verdade. Meu marido estava bem surpreso por minha
mudanca. Ficou ansioso para voltar novamente.

Á Vigilia da Páscoa, eu fui acompanhada por meu marido minha


filha e meu pai, que era católico. Naquela noite fui batizada, crismada e
recebi minha primeira comunháo, tudo em uma noite gloriosa Eu que
havia pouco, sentía os véus da parte dos Céus, quase poderia ver a face
de Jesús, de Maria, todos os Anjos e Santos.

Diariamente, agradeco a Deus porque ele sempre me tinha cha


mado, apesar de mínhas blasfemias contra a sua Igreja. Em honra de
20
CONVERTERAM-SEAO CATOLICISMO

Nossa Máe Santíssima, nos nomeamos nossa filha com o nome de Ma


ría!" (pp. 173s).

REFLETINDO...

Dois pontos dificultaran! a conversáo de Jennifer Nashif:

1) o mal no mundo. O mal nao é causado por Deus, que por defini-
cáo é agente perfeitíssimo. Acrescenta S. Agostinho: "Deus nunca permi
tiría o mal (que o homem comete), se nao tivesse recursos para tirar do
mal bens ainda maiores".

2) O culto aos santos. Estes sao amigos de Deus, mais do que


outros, habilitados a interceder por nos. É Cristo quem Ihes confere a
graca de interceder por nos, querendo assim associar as criaturas huma
nas á sua obra redentora.

(Continuagáo da p. 48)

Nao é esta a primeira vez que a Igreja Católica lidera tais inquéri-
tos. Ver Alvaro Barreiro, "Povo Santo e Pecador", Ed. Loyola, 1994:
Pp. 149s, nota 21. "Dois exemplos. Na pesquisa feita entre os dias
29 de outubro e 3de novembro de 1993, quando estaya em pleno anda
mento a CPI da corrupgáo, as tres instituigóes mais confiáveis foram a
Igreja Católica (77%; o índice de confianga ñas outras Igrejas foi de 42%),
os meios de comunicagáo (62%) e o sindicato dos trabalhadores (61%);
e as tres últimas foram os empresarios (29%), os partidos políticos (19%)
e os políticos (15%). (cf. Jornal do Brasil de 11 de nov. de 1993, p. 4). Na
pesquisa feita logo após o segundo turno da eleigáo presidencial de 1989,
a Igreja Católica ocupou o primeiro lugar com 82%, ácima da credibilidade
dos próprios institutos de pesquisa, do Tribunal Superior Eleitoral e do
presidente eleito (Cf. a materia a respeito publicada pelo Jornal de Opi-
niáo, de 6-12 de margo de 1993).

P. 22, nota 8. No caso do Brasil, a credibilidade da Igreja é um fato


estatisticamente demonstrado. Desde que a Igreja Católica foiintroduzida,
em 1984, ñas pesquisas de opiniáo feitas pelo IBOPE sobre as institui
góes mais confiáveis, ocupou sempre o primeiro lugar".

Urna síntese do livro de A. Barreiro se encontra em PR 391/1994,


pp. 530ss.

Ver o resultado de inquéritos posteriores publicado em

PR 412/1996, pp. 392-394;


491/2003, p. 236;
496/2003, p. 471;
498/2003, p. 558.

21
Relativismo religioso:

TODAS IGUAIS, AS FLORES DO JARDIM?

Em síntese: O Pe. Zezinho compara as diversas religióes as flores


de um jardim. Sao diferentes, pois o jardineiro sabe fazer a variedade.
Todavía nao se pode dizer que urna flor é mais bela do que as outras,
para nao cair no fanatismo. - Assim os Credos religiosos sao diversos,
mas equivalentes entre si. Esta conclusáo relativista é refutada no artigo
que se segué, visto que os Credos sao contraditórios uns com os outros;
donde se depreende que um deles (o monoteísta) é verdadeiro e os de-
mais (o pantefsta e o politeísta) háo de ser falsos. Contudo quem profes
sa um falso Credo pode salvarse nao por efeito do erro que professa,
mas por causa da eventual candura ou boa fé com que professa o erro.
* * *

O Pe. Zezinho (José Femandes Oliveira) divulgou pela intemet urna


quase parábola que incute o relativismo religioso. É "simpática", mas fere
a verdade tanto no plano filosófico como no teológico, tornando a verda-
de vaga ou mesmo secundaria.

A seguir, transcreveremos a "poesia-parábola" do Pe. Zezinho e


Ihe proporemos um comentario.

1. AS FLORES DO JARDIM

(Pe. Zezinho)

Fui ver aquele jardim famoso e fiquei lá urnas duas horas.

Flores de todos os tipos, cultivadas ao ar livre ou em estufas.


Flores de todas as cores e de todos os nomes.
Flores de todos os perfumes.

Difícil comparar. Flores, a seu modo, sao bonitas e vistosas.


Depende de qual flor está perto de qual flor.
É ousadia comparar as flores pela beleza.
Mais ousadia ainda, afirmar qual délas é mais flor do que a outra.
Admirei o jardineiro que planejara tudo aquilo.

Vejo a salvacáo e a graca como um ¡menso jardim de Deus.


As religióes como canteiros.

22
TODAS IGUA1S, AS FLORES DO JARD1M? 23

As flores como igrejas ou comunidades.


Se todos os canteiros fossem iguais e só tivessem um tipo de flor.
Se um jardineiro tolo, desses que se acham os "super-eleitos",
conseguisse acabar com todas as outras flores
e finalmente plantasse no seu canteiro urna só flor,
e se ainda conseguisse convencer outros jardineiros
a plantar só a sua flor,
eu diria que ele tomou de assalto a obra de Deus...

É bem isso o que alguns pregadores de igrejas andam fazendo.


Nao acham que outras igrejas sejam igrejas,
nao conseguem ver a graca de Deus nos outros;
falam como se suas igrejas fossem flores cheirosas
e as outras, flor que nao se cheira.
Deus, o jardineiro eterno, fez milhares de flores diferentes.
Eles, jardineiros aloprados e abiloidados,
querem que o mundo só tenha urna flor: a deles.
Urna só igreja: a deles.
No jardim de Deus só há lugar para jardineiros
que respeitem todos os tipos de flores.
Os outros erraram de profissáo.
Religiosos incapazes de ver beleza nos outros nao sao religiosos
de verdade.
Se fossem, teriam percebido a obra multicolorida de Deus.
No jardim de Deus cabem muitos tipos de flores.
No dos fanáticos só urna: a deles!

II. QUE DIZER?

O fiel católico pode muito bem reconhecer valores religiosos fora


do Catolicismo: leitura da Biblia, oracáo, prática da caridade... Isto, po-
rém, nao equivale a dizer que todas as religioes sao igualmente boas e
verídicas; só pode haver urna verdade; o que Ihe contradiz nao é verdade.
Descendo ao ámago da questáo, distinguiremos o ponto de vista
subjetivo e o objetivo.

23
24 "PERGUNTE E RESPONDEREMOS" 499/2004

1. Aspecto objetivo

Nao se pode dizer que todas as religioes sao equivalentes entre si,
pois nao coincidem entre si quanto ao Credo: algumas sao politeístas
(admitem varios deuses), outras sao panteístas (identificam a Divindade,
o mundo e o homem entre si), outras sao monoteístas (professam um só
Deus, distinto do mundo). Mesmo dentro de cada tronco há correntes e
variantes... Ora a verdade é urna só, de modo que, objetivamente falan-
do, haverá Credos verídicos (em grau pleno ou menos pleno) e Credos
erróneos.

Sem dúvida, o senso religioso ¡nato é o mesmo em todos os ho


mens. Ele tem as mesmas expressoes religiosas, independentemente
do Credo que professam; por efeito de sua religiosidade natural, todos os
homens rezam, dobram os joelhos, prostram-se por térra, levantam as
máos ao céu, e praticam as virtudes ditadas pela Ética natural: o senso
religioso ensina a nao matar, nao roubar, nao caluniar, nao adulterar...
Todavía, além dessa base natural comum a todas as religioes, cada reli
giao tem o seu Credo, seu culto e sua Moral própria; neste plano é que se
dáo as divergencias: há quem creia na reencarnacáo e quem nao a acei
te; há quem admita o divorcio, o aborto, o homossexualismo, a guerra
santa, a poligamia... e há quem nao os admita.

Em conclusao: objetivamente falando, as religioes nao sao equiva


lentes entre si; nao sao igualmente verídicas, nem sao igualmente boas.
Os católicos, a bom título, dizem que só há urna religiao revelada
por Deus: a que culmina em Jesús Cristo e se prolonga através dos sé-
culos no Corpo de Cristo que é a Igreja confiada por Jesús a Pedro e
seus sucessores.

É o que o Concilio do Vaticano II professa na Declaracáo Dignitatis


Humanae n91:

"Professa o Sacro Sínodo que o próprio Deus manifestou ao géne


ro humano o caminho pelo qual os homens, servindo a Ele, pudessem
salvarse e tornarse felizes em Cristo.-Oremos que essa única verdadei-
ra Religiao subsiste na Igreja católica e apostólica, a quem o Senhor
Jesús confiou a tarefa de difundi-la aos homens todos, quando disse aos
Apostólos: 'Ide pois e ensinai os povos todos, batizando-os em nome do
Pai e do Filho e do Espirito Santo, ensinando-lhes a guardar tudo quanto
vos mandei' (Mt28, 19-20). Por sua vez, estáo os homens todos obriga-
dos a procurar a verdade, sobretudo aquela que diz respeito a Deus e a
Sua Igreja e, depois de conhecé-la, a abragá-la e praticá-la".
Na Constituicáo Lumen Gentium ns 8 lé-se:
"Esta é a única Igreja de Cristo, que no Símbolo professamos urna,
santa, católica e apostólica (12), e que o nosso Salvador, depois da sua

24
TODAS IGUAIS, AS FLORES DO JARDIM? 25

Ressurreigáo, confiou a Pedro para que ele a apascentasse (Jo 21, 17),
encarregando-o, assim como aos demais Apostólos, de a difundirem e de
a governarem (cf. Mt28, 18s), levantando-apara sempre como 'coluna e
esteio da verdade'(1Tm 3, 15). Esta Igreja, como sociedade constituida e
organizada neste mundo, subsiste na Igreja Católica, governada pelo
sucessor de Pedro e pelos Bispos em comunháo com ele, ainda que fora
do seu corpo se encontrem realmente varios elementos de santificagáo e
de verdade, elementos que, na sua qualidade de dons próprios da Igreja
de Cristo, conduzem para a unidade católica".
Por conseguinte nao se pode considerar fanático aquele que pro
clama urna verdade obvia: o monoteísmo é lógico. O politeísmo e o
panteísmo sao ilógicos. Fanático é, antes, aquele que tem medo de ver
apregoada a verdade.

Quanto ao conceito de Igreja, observe-se: o fundador da Igreja é


Jesús Cristo (cf. Mt 16,18); essa Igreja chega até nos mediante a suces-
sáo apostólica (cf. Mt 28, 18-20). Donde se segué que, onde falta a su-
cessáo apostólica, nao se pode falar de Igreja, mas sim de comunidade
eclesial. Tal discurso é lógico. Nao se deve manipular a verdade para
fazer amigos.

2. Aspecto subjetivo

É fato que nem todos os homens chegam ao conhecimento do


Evangelho tal como Jesús Cristo o pregou e continua a pregar na sua
Igreja; nao tém culpa disto. Todavía tém coragáo reto e sincero ao seguir
urna filosofía religiosa diferente do Catolicismo: nao duvidam de que es-
táo professando a verdade e a ela devem obedecer, mesmo praticando a
poligamia ou crendo que a reencamacáo divide os homens em castas
diferentes, que tém que sofrer (uns) ou ser inclementes (outros). A tais
pessoas Deus nao pedirá contas do que nao tiver revelado ou do que
tiverem ignorado sem culpa própria. Poderáo salvar-se nao pelo falso
Credo que professam, mas pela boa fé ou sinceridade candida com que
o professam. É o que declara a Constituyo Lumen Gentium n9 16:
"Aqueles que ignoram sem culpa o Evangelho de Cristo e sua Igre
ja, mas buscam a Deus na sinceridade do coragáo, e se esforgam, sob a
agáo da graga, porcumprirna vida a sua vontade, conhecida através dos
difames da consciéncia, também esses podem alcangar a salvagáo eter
na. Nem a Divina Providencia nega os meios necessários para a salva-
gao aqueles que, sem culpa, ainda nao chegaram ao conhecimento ex
plícito de Deus, mas procuram com a graga divina viver retamente. De
fato, tudo o que neles há de bom e de verdadeiro, considera-o a Igreja
como preparagáo evangélica e dom daquele que ilumina todo homem
para que afinal venha a ter vida".

25
26 "PERGUNTE E RESPONDEREMOS" 499/2004

Ou ainda a Constituicáo Gaudium et Spes n2 22:

"Tendo Cristo morrido por todos e sendo urna só a vocagáo última


do homem, isto é, divina, devenios admitir que o Espirito Santo oferece a
todos a possibilidade de se associarem, de modo conhecido por Deus, a
este misterio pascal".

Assim, de um lado, fica excluido todo relativismo religioso - o que


seria relativizar a verdade. Doutro lado, fica excluido também todo fana
tismo cegó, que nao leva em conta a inocencia ou a caridura de quem,
sem culpa própria, nao adere á verdade, mas se esforca por cumprir o
que o único Deus Ihe revela através dos ditames da consciéncia reta e
sincera. Deve-se acrescentar que quem se salva fora da Igreja visível,
salva-se por Cristo e pela Igreja Católica, mesmo que nao conheca Cris
to e a Igreja. Nao há outro caminho de salvacáo senáo Jesús Cristo e seu
Corpo Místico.

Comentario do Antigo Testamento I, por varios autores sob a


coordenagáo de S. G Oporto e M. S. Garda. Tradugáo de José Joaquim
Sobral. Ed. Ave María, Sao Paulo 2003, 180 x 270 mm, 750 pp.

É muito benvinda a inidativa de publicar um comentario aos livros


sagrados. A Editora Ave María assume esta tarefa entregando ao público
brasileiro o primeiro volume da obra, com introdugáo e comentario aos
livros históricos do Antigo Testamento. O ponto mais delicado de tal volu
me é a introdugáo ao Pentateuco: o autor J. M. Carrasco expóe o que a
crítica mais recente propóe sobre a origem desses cinco livros; as hipóte-
ses se tém multiplicado, desconcertando o leitor despreparado. Falam os
críticos de fragmentos avulsos colecionados por redatores tardíos, tais
hipóteses sao aceitáveis na medida em que nao se oponham á
historicidade dos Patriarcas bíblicos. Na Revetagáo de Deus ao povo do
Antigo e do Novo Testamento a historia é de importancia capital para o
crístáo; as historias vém a ser um longo discurso de Deus. O dentista nao
se preocupa com este aspecto da questáo; mas o leitor crístáo nao pode
deixar de o levar em conta.

Conseqüentemente a obra em foco é recomendável aos estudio


sos que saibam distinguir nítidamente entre hipóteses discutíveis e sen-
tengas comprovadas. Á p. 5 lé-se urna advertencia dos coordenadores:
"O leitor pode servirse deste tomo como livro de consulta rápida sobre
textos bíblicos concretos, mas obterá maior proveito se ler estes comen
tarios de maneira continua, detendo-se ñas introdugóes em particular e
nos diversos blocos ou secgóes de cada livro".

26
Debate público:

AIGREJA E O PRESERVATIVO

Em síntese: A Igreja Católica foi acusada de mentir por afirmar


que o preservativo nao garante sexo seguro; pelo mesmo motivo o Papa
perdeu o Premio Nobel da Paz em outubro 2003. Na verdade, a Igreja
nao mentiu. O preservativo, quando comegou a ser mais intensamente
propalado era tido como cerca de 30% faino: foi aperfeigoado, de modo
a tornarse 10% falho. Eis, porém, que, segundo recentes declaragoes
de autoridades médicas, já é tido como 100% seguro. Tal resultado e
recente- a Igreja, ao tratar do assunto outrora, baseava-se ñas pesquisa
do seu tempo. Mesmo agora sexo seguro nao existe, pois o preservativo
pode ser mal colocado ou pode romperse.
* * *

A Igreja foi acusada de mentir por afirmar que o preservativo nao


garante sexo seguro; ver O GLOBO, edicáo de 1/10/03. O debate de
alguns anos tomou-se assim mais candente, exigindo esclarecimentos,
que, a seguir, seráo propostos.
1. Moral Católica e preservativo
Quando há alguns anos, comecou a ser apregoado o uso da cami-
sinha como preventivo da AIDS, a Igreja se manifestou contraria a tal
medida por dois motivos:
a) razáo de ordem moral: o preservativo sugere que as relacoes
sexuais sao lícitas desde que se tenha a necessária cautela para evitar
gravidez O Governo do Brasil tem distribuido preservativos aos jovens,
de modo a perderem todo receio de praticar o sexo. Ora a promiscuidade
daí resultante é condenável pela lei de Deus e pelo bom senso;
b) razóes de ordem técnico-científica: a camisinha nao garante
sexo seguro ou porque o látex se rompe ou porque é mal colocada ou
porque (dizia-se) seus poros deixam passar o espermatozoide e o HIV.
Ora aos 14/10/03 o Ministerio da Saúde em Brasilia divulgou urna
nota de protesto contra a Santa Sé, que afirma serem os poros do preser
vativo maiores do que o virus da AIDS. A Igreja seria irresponsavel, pres
tando um desservico ao mundo. É a esta alegacáo que se impoe urna
resposta.
2. Respondendo...

O histórico da eficacia do preservativo compreende tres fases:

27
"PERGUNTE E RESPONDEREMOS" 499/2004

- nos primeiros anos da década de 1990 diziam serios pesquisa-


dores que o preservativo era cerca de 30% falho. Veja-se a noticia se-
guinte, já publicada em PR 406/1996, pp. 269-270:
"Eis o resultado da pesquisa da Dra. Susan C. Weller no artiao A
Meta-analysis of Condom Effectiveness in Reducing Sexually
Transmitted HIV, publicado na revista Social Science and Medicine
1993, volume 36, issue 12, pp. 1635-1644. Á p. 1635 lé-se em inglés o
que vai aqui traduzido para o portugués:

'As pesquisas indican) que o condom (camisinha) é 87% eficiente


naprevengao da gravidez. Quanto aos estudos da transmissáo do HIV
mdicam que o condom diminuí o risco de infecgáo pelo HIV aproximada
mente em 69%, o que é bem menos do que o que normalmente se supoe'.
Esta verificagáo significa que aproximadamente um tergo dos usu
arios do preservativo está sujeito a contaminagao apesar do recurso uti
lizado. Esta porcentagem é especialmente expressiva e grave se sepen-
sa que o risco a incorrer éode graves sofrimentos que desembocam em
morte sem que naja remedio a contrapor".

- poucos anos mais tarde a industria do preservativo se aperfeico-


ara de modo que se pode afirmar ser ele 10%, e nao 30%, falho Ver PR
467/2003, pp. 502-5, texto que faz referencia a um artigo do Dr. Jacques
Suaudeau publicado no Lexicón do Pontificio Conselho para a Familia;
- pode-se crer que a industria se tenha aperfeicoado mais aínda a
ponto de poder garantir um látex totalmente impermeável áo
espermatozoide e ao HIV. É na base desta última etapa que o Ministerio
acusa a Igreja de uma inverdade. Tal acusacáo pode ser relativizada
visto que durante anos a própria comunidade científica admitiu faihas dó
preservativo. Desde que a ciencia prove a plena impermeabilidade do
preservativo, a Igreja a reconhecerá. Pode-se mesmo dizer que já a re-
conhece, dado que cientistas da Organizacao Mundial de Saúde e do
Brasil a afirmam.

3. Mas...

Ainda que esteja assegurada a plena ¡mpermeabilidade do preser


vativo, a Moral católica nao pode aceitar o uso do mesmo, pois favorece
a promiscuidade, insinuando que, eliminado o perigo da gravidez e de
contammacao, nada se opoe ao livre uso da sexualidade. Esta insinua-
cao tem sido causa de graves desastres na vida de adolescentes princi
palmente do sexo feminino.

Ademáis nao se pode esquecer que mesmo os mais recentes mo


delos de preservativo podem ser mal colocados e gerar surpresas como
28
AIGREJA E O PRESERVATIVO 29

também se podem esporádicamente romper. Daí as restricoes feitas, de


quando em quando, pelo bom senso mesmo, ao uso da camisinha.

4. A solucáo

Asolucio para o problema das doencas sexualmente transmissíveis


apregoa a disciplina sexual: relacionamento com um parceiro único e
estável. Esta proposta implica sacrificio e renuncia, sacrificio, porém, que
é indispensável se alguém quer formar em si urna personalidade forte e
bem tracada.

Diráo: tal solucáo é de ordem moral, tocando as consciéncias. Ora


nao convém ao Governo fazer moralismo, e sim atender aos anseios da
populacáo que nao prejudiquem o bem comum. - Em resposta, observa
mos que o Governo, por mais democrático que seja, nao pode deixar de
ter suas leis para a defesa dos interesses comuns; essas leis háo de ser
o eco fiel da lei natural, impressa pelo Criador na consciéncia de todo ser
humano; ora essa lei natural ensina que o relacionamento sexual, íntimo
como é, nao pode ser o comeco de um namoro ou de um noivado, mas
exige a total e mutua doacáo do homem e da mulher comprometidos
entre si por um vínculo estável. Compete ao Governo laico ao menos nao
favorecer qualquer prática que viole a lei natural.

Eis a resposta que nos ocorre frente á acusacáo de ter a Igreja dito
alguma inverdade.

NOVIDADE: D1REITO CANÓNICO POR CORRESPONDENCIA


A Escola "Mater Ecclesiae" acaba de publicar seu 21Q Curso por
Correspondencia, versando este sobre Direito Canónico {Livros II, III, IV
e V do Código). O texto é da autoría do conhecido canonista Dom Dadeus
Grings, Arcebispo de Porto Alegre (RS) (apresentacáo do Pe. Esteváo
Bettencourt O.S.B.). Sao 39 Módulos que tratam do Povo de Deus, da
Missáo da Igreja de ensinar e santificar, como também dos bens materi-
ais da Igreja.

É oportuno que o fiel católico conhega a estrutura jurídica da Igreja,


pois ele vive numa sociedade bem organizada, cuja face humana depen
de da fidelidade de seus membros á ordem jurídicamente constituida.

Amigo(a), nao perca a ocasiao. Poderá fazer seu pedido á Escola


"Mater Ecclesiae" Caixa Postal 1362, 20001-970 Rio (RJ) ou pelo telefax
0 XX 21 2242-4552.

29
Na pauta da Bioética:

DUAS QUESTÓES CANDENTES

Em súrtese: Váo abordadas, a seguir, a questáo de dizera vertía-


de ao paciente e a da manipulagáo política da Psiquiatría. A primeira se
resolve positivamente: o paciente tem o direito de ser informado a respei-
to do seu estado de saúde principalmente no fim da vida terrestre, quan-
do Ihe é necessárío prepararse mais atentamente para o encontró com o
Além. Quanto á manipulagáo política da Psiquiatría, era praticada pelos
regimes totalitarios, que tratavam como doentes mentáis os que divergí-
am da ideología reinante.
* * *

Duas candentes questóes de Bioética váo, a seguir, consideradas


na base de quanto afirma Elio Sgreccia em seu "Manual de Bioética", vol.
I, pp. 624-626 e vol. II, pp. 84-87.

1. Dizer a verdade ao paciente?

Ao lado dos que á pergunta ácima respondem positivamente, há


os que optam pela recusa, alegando os efeitos nocivos que, para o enfer
mo, acarretaria a comunicacao da verdade; chegam mesmo a querer
despertar nele urna falsa expectativa de cura para urna molestia muito
adiantada e (humanamente talando) incurável.

O melhor alvitre é, sem dúvida, o primeiro, embora mais penoso e


delicado. Vejamos como o fundamentar.

1. Antes do mais, é preciso evitar a mentira e a falsidade; nao sao


premissas sobre as quais possa haver digno relacionamento de médico
a paciente ou de familiares a familiar. O ser humano foi feito para a ver
dade; por isto há de sentir espontáneo repudio pela falsidade ou o fingi-
mento ou "fazer de conta que...". Daí a necessidade de nao querer con
solar o paciente terminal com a proposta de viagem turística, altos estu-
dos, crescente éxito na carreira... Isto equivaleria a tratar um adulto como
enanca, impedindo-o de exercer suas faculdades mais nobres frente á
questáo mais importante de todas, que é a do sentido da vida (de onde
venho? Para onde vou?).

A situacáo se torna particularmente penosa quando o paciente des


cobre que foi engañado e tratado como crianca. Perde a confianca na-
queles que o cercam e sente-se envolvido na solidáo.

30
DUAS QUESTÓES CANDENTES 31

2. Também nao é recomendável o silencio sistemático, que nao diz


nem mentira nem a verdade. Alias tal silencio nao se sustenta por muito
tempo. O paciente acaba por descobrir ao menos alguns dados referen
tes ao seu estado de saúde.

3. Rejeitadas as duas atitudes anteriores, é preciso tender a dizer a


verdade ao paciente. Este tem direito a tal, pois a vida é como um livro,
do qual cada dia é urna página bem ou mal escrita, com erras de pontu-
acáo, acentuacáo, grafía; é preciso que, chegando ao fim do livro, o autor
o possa rever para corrigir o que ficou faino, inacabado, mal entendido -
o que só é possível se o paciente está consciente de que deve redigir a
conclusao de seu livro. Ele o deve fazer de maneira tranquila e adulta,
devidamente informado da situacáo em que se encontra, procurando per-
doar e pedir perdáo, agradecendo, recomendando...

4. As informacóes devidas seráo transmitidas ao paciente segundo


duas modalidades:

- gradativamente ou de acordó com as disposicoes do enfermo, de


modo que este nao se surpreenda com urna noticia aparentemente es-
magadora. Quando mais nao se possa fazer, ao menos dé-se ao pacien
te ocasiáo de leras bulas dos remedios que toma. Assim irá compreen-
dendo o seu estado de saúde;
- a comunicacáo nao seja feita ao paciente em termos frios e técni
cos apenas, mas procure-se usar linguagem de solidariedade fraterna e
estima, disposta a ajudar o(a) irmáo(á)...
5. Para que alguém receba com ánimo tranquilo a noticia de seu
desenlace próximo, requer-se urna preparacáo remota. Nao é na última
hora que alguém vai dispor-se a enfrentar a morte. A perspectiva desta
deve estar presente ao cristáo todos os dias de sua caminhada terrestre,
como também aos nao cristáos, pois, como se diz, "a morte é a única
certeza que a enanca tem quando nasce".
É nos dias de saúde plena e lucidez de mente que a pessoa sabia
deve considerar a sua consumacáo; nao aguarde a chegada dos primei-
ros avisos da morte para refletir sobre ela, pois entáo poderá estar
esclerosado, cegó, cansado e assim incapacitado de meditar sobre o
assunto.

Aprofundando estas consideracóes, importa acrescentar mais dois


itens:

6. A morte é correlativa ao tipo de vida. Muito temerario seria fazer


da misericordia divina um pretexto, mais ou menos consciente, para ne
gligencia e tibieza na vida espiritual. É sabio crer que cada um morre
31
32 "PERGUNTE E RESPONDEREMOS" 499/2004

como viveu. Quase cada ato do homem, no decorrer desta vida, deixa
urna marca ou um vestigio em sua personalidade; e a morte nao faz se-
náo manifestar definitivamente esse tipo de personalidade do individuo.
Por conseguinte, os últimos instantes nao sao algo de essencialmente
novo na vida do homem; mas, preparados pelas fases anteriores desta
peregrinacáo, vém a ser o seu desabrochamento normal e a sua última
expressao. Na morte a pessoa recapitula toda a sua vida e a entrega ao
Pai Celeste; ora, a menos de urna intervencáo extraordinaria de Deus,
nao pode recolher senáo o que tenha semeado dia-a-dia na térra. Os
atos cotidianos, aparentemente transitorios, pela morte se tornam impe-
recíveis, depondo para sempre em abono ou desabono do seu autor.
Surge entáo a pergunta:

7. Como nos preparamos para a morte? - Respondemos que a


melhor preparacáo para a morte é a vida de cada día, vivida quando
estamos lúcidos ou precisamente quanto a morte ainda parece distante.
E nos días bons que nos preparamos para os días fináis e para a morte,
e nao apenas quando as faculdades mentáis e físicas comecam a desfa-
lecer (pois entáo é mais difícil pensar, ler, orar...). A acáo de sedativos e
analgésicos dificulta o raciocinio e obnubila a mente. A tendencia a afas-
tar o pensamento da morte é paradoxal, pois, como dito, "a morte é a
única certeza que temos desde a infancia".

Cada qual viva como desejaria morrer, prestando atencáo as coi


sas que realmente terao algum valor naquele momento e distinguindo-as
bem de bagatelas e ninharias, que nada significaráo no momento final,
mas que muito empolgam e apaixonam no decorrer desta caminhada.
Procure o cristáo julgar tudo como Deus julga, ou seja.a partir da eterni-
dade; coloque-se assim na rota e na luz do definitivo, e a morte nao será
um susto nem urna desinstalacáo. Assuma o cristáo as provacóes desta
vida como aprendizado para o instante terminal. Trabalhe por deixar este
mundo um pouco melhor do que o encontrou, pois este aspecto entrará
na prestacáo de contas que cada qual fará a Deus. Ame os irmáos com
sinceridade e benevolencia. E principalmente ore, pois o contato com
Deus cultivado na oracao é a mais viva antecipacáo do grande encontró
final.

É tradicional pedir a Deus que nos preserve da morte subitánea e


imprevista. É para desejar que estejamos táo maduros na fé que vamos
conscientemente ao encontró da morte. Como dizíamos, a nossa vida de
cada dia é como um livro, do qual escrevemos diariamente urna página;
no fim da redacáo, é oportuno que tenhamos um espaco de tempo e
lucidez de espirito para rever esse livro, corrigir o que nele esteja errado
ou inadequado, e ainda melhorar o que precise de ser melhorado; assim
32
DUAS QUESTÓES CANDENTES 33

o cristáo poderá entregar aos pósteros o livro de sua vida emendado e


rematado - o que será, sem dúvida, um grande presente.
Possa ainda cada qual morrer reconfortado pelos últimos sacra
mentos, exclamando as palavras fináis da Escritura Sagrada: "Vem, Se-
nhor Jesús!" (Ap 22, 20).
A boa morte é fruto de graca especial ou do dom da perseveranca
final Nao é algo que se possa merecer, mas algo que o Senhor concede,
atendendo as oracóes dos seus fiéis. Merecer o dom da perseveranca
final seria o mesmo que merecer a graca - o que é contraditório (a graca
é sempre gratuita). A oracáo, porém, humilde e confiante obtém o grande
dom- por isto, pedir a graca de urna boa morte é coisa freqüentemente
recomendada pelos Santos e teólogos. Alias, ao invocarmos diariamente
a Virgem Santíssima na "Ave Maria", pedimos-lhe que rogue por nos "agora
e na hora da nossa morte".
2. A Psiquiatria manipulada pela Política

Na antiga URSS e nos países satélites (e ainda em nossos dias


talvez em países totalitarios) a Psiquiatria era (é) aplicada á "cura" ou a
punicáo de dissidentes políticos ou de adversarios do Governo; estes
eram assim "regenerados" ou faziam pretensas confissoes de delitos e
denunciavam seus cúmplices. Os procedimentos entáo aplicados se torna-
ram conhecidos ao grande público pelo depoimento daqueles que escapa-
ram de tais "terapias" e das respectivas prisóes. Eis o que se pode apurar:
O tratamento "científico" comecava por um diagnóstico médico, que
declarava ser o réu um doente mental; como esquizofrénico nao por so-
f rer dissociacóes psíquicas, mas por se dissociar da ideología do Gover
no Em conseqüéncia era internado num manicomio sob estrita vigilan
cia O Código de Processo Penal da antiga URSS dizia em seu artigo
403- "As medidas coercitivas de caráter médico sao aplicadas pela Corte
em relacáo as pessoas que cometeram acóes socialmente perigosas".
As técnicas aplicadas visavam todas a enfraquecer a personalida-
de do sujeito para que concordasse com tudo quanto Ihe fosse sugerido
pelos examinadores; procuravam extinguir sua capacidade crítica mental
de tal modo que ele chegasse a dizer que a filosofía do Governo era a
única plausível orientacáo para o país,... orientacáo que ele havia com
batido, merecendo severa censura.

Os tratamentos eram, em parte, farmacológicos: ministravam-se


remedios neurolépticos, que provocavam continua perda de memoria,
degradacáo intelectual, emotiva e moral. Além disto, aplicavam-se pan
cadas privacáo de alimentos e sobretudo de sonó (o individuo que nao
dorme o suficiente, perde a resistencia aos estímulos do ambiente). Os
33
"PERGUNTE E RESPONDEREMOS" 499/2004

"enfermeiros" recorriam também á privado de luz ou ao quarto escuro e


silencioso como igualmente praticavam a imersáo dentro da agua.
Para receber o laudo de "cura completa", o paciente tinha que con-
fessar tudo o que Ihe fosse sugerido e denunciar os supostos cúmplices
dos seus crimes. Era posto em liberdade como amigo do Partido e réu de
delitos contra a patria.

Eis o que se chama "lavagem cerebral", tema que será mais am-
plamente explanado no próximo artigo.

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34
Manipulacáo da Psiquiatría:

LAVAGEM CEREBRAL: PROCEDIMENTOS

Em síntese: O artigo expóe as tres etapas de auténtico processo


de lavagem cerebral: violencia, brandura, produtos farmacéuticos. Visam
a "regenerar" os dissidentes políticos, mudando por completo a sua per-
sonalidade.
* * *

O jornalista e historiador russo Anatole Krasnov-Levitine foi exilado


em 1974 e fixou residencia na Suíca, conservando-se a par dos aconte-
cimentos ocorrentes em sua térra natal. Concedeu uma entrevista sobre
os episodios de perseguicáo religiosa mais recentes na Rússia ao perió
dico mensal Religia i Ateizm V SSSR (Kónigstein/Taunus, FRA). O texto
desta entrevista foi publicado em traducao francesa pelo boletim ortodo
xo SOP (Service Orthodoxe de Presse et d'lnformation) nQ 14, Janeiro
1981, pp. 10-14. É de tal fonte que o extraímos.
1. Que é a lavagem de cránio?
A expressáo "lavagem de cránio" (ou "lavagem de cerebro" ou "lim-
peza da mente") entrou no vocabulario moderno no fim da última guerra
mundial; parece ser a traducáo do termo chinés Hsi-Nao. Designa a apli-
cacáo de uma serie de recursos da medicina e da psicología que visam a
influir no comportamento de uma pessoa a ponto de mudar (ou, como
dizem, "limpar, lavar") por completo o modo de falar e agir de tal pessoa.
Em co'nseqüéncia de uma dessas lavagens de cránio, quem, por exem-
plo sempre foi infenso ao sistema marxista, faz declaracóes entusiastas
ern" favor do comunismo, denuncia os colegas "capitalistas burgueses",
"reconhece" ter cometido delitos contra o regime vigente e a patria; numa
palavra: desdiz totalmente os seus hábitos e suas afirmacoes de outro-
ra... - Por isto, há quem proponha para tal técnica o nome, certamente
mais fiel, de "menticídio".
Tal fenómeno nos interessa na medida em que constituí uma mani-
festacáo requintada de ciencia e técnica, associadas á hipocrisia sádica,
a fim de servir ao odio, á mentira e á deturpacáo da personalidade. Toda
a grandeza da criatura parece assim empenhada em contrariar ao Cria
dor e as leís do Criador - o que é satánico!
2. Os fundamentos científicos

A inteligencia e a vontade, faculdades características da alma hu


mana, necessitam, para agir, do concurso do corpo e, em particular, do
35
36 TERGUNTE E RESPONDEREMOS" 499/2004

cerebro. O cerebro vem a ser quase a "central telefónica" onde as im-


pressoes captadas pelos sentidos externos e pelo sistema nervoso em
geral sao colecionadas e ulteriormente transmitidas á inteligencia, a fim
de que esta distinga o essencial do acidental, formule definicoes, avalie
as proporcoes entre meios e fins, etc.

Daí a grande importancia que tem a saúde ou o funcionamento


normal do cerebro para as manifestacoes da inteligencia e da vontade do
respectivo sujeito. Ora, conscientes disto, médicos e psicólogos moder
nos tém concebido métodos esmerados que conseguem influir no siste
ma nervoso e, por conseguinte, no cerebro de um paciente de modo tal
que este produza manifestacóes da inteligencia e da vontade bem diver
sas das que ele antes produzia. Tais métodos consistem ora em parau
sar, por inteiro ou em parte, urna determinada funcáo do sistema nervoso
ou do cerebro, ora em canalizar essa funcáo a fim de que ela reaja sem-
pre do mesmo modo.

A lavagem de cránio utiliza muito particularmente as descobertas


do fisiologista russo, pai da medicina cortico-visceral, Ivan Petrovitch
Pavlov, sobre os chamados "reflexos adquiridos" ou "condicionados": por
cerca do ano de 1929, Pavlov averiguou, sim, que certos estímulos ou
agentes extrínsecos podem provocar ou condicionar reflexos (isto é, rea-
coes inconscientes) táo arraigados em determinado sujeito que este pas-
sa a reagir de tal modo (mesmo fora de propósito e em circunstancias
ridiculas) todas as vezes que seja atingido por tal ou tal estímulo...
Urna das experiencias mais significativas realizadas por Pavlov
versava sobre um cao e urna campainha. - Sempre que se levava o ali
mento a um cao, Pavlov mandava tocar urna campainha; depois de as-
sim haver feito numerosíssimas vezes, o cientista mandou tocar a cam
painha, mas nada dar de comer ao animal por essa ocasiáo. Observou
entáo estranho fenómeno: o cao acostumado a comer logo após ouvir a
campainha, conservou o hábito de salivar copiosamente a boca ao som
da campainha, mesmo quando já nao Ihe serviam comida. O animal ficou
assim "condicionado" a responder ao som da campainha como se este
som tivesse o odor e o sabor de alimento. Pavlov verificou ainda que
outros estímulos, repetidamente aplicados ao mesmo animal, provoca-
vam reacóes ou, como se diz, reflexos ainda mais complicados.
Ora, de experiencia em experiencia, os cientistas descobriram que
também o homem é capaz de adquirir reflexos condicionados inconsci
entes; o que quer dizer: é capaz de contrair certos hábitos e tomar atitu-
des marcantes (por palavras ou gestos) mediante a influencia de fatores
mecánicos devidamente concebidos pelos psicólogos e médicos.
No homem a capacidade de adquirir reflexos condicionados pode
ser utilizada para remediar a situacoes doentias e compórtamenos mo-
36
LAVAGEM CEREBRAL: PROCEDIMENTOS 37

raímente viciados da personalidade humana. Ela pode, porém, ser explo


rada para o mal, ou seja, para esmagar e destruir a personalidade. É isto
justamente o que faziam os "limpadores de cránio" nos países totalitarios.

A técnica longa e complexa da lavagem de cránio conserva até


agora índole um tanto misteriosa; as declaracoes das respectivas vítimas
parecem, a certos peritos, tendenciosas, nao merecedoras de pleno cré
dito.

Como quer que seja, pode-se reconstituir o curso geral de um pro-


cesso de limpeza de cránio nos termos que váo abaixo delineados.

3. Como se desenvolve a técnica

A lavagem de cránio pode processar-se em tres etapas, de cres-


cente penetracáo e eficiencia.

a) Primeira etapa: a violencia

A primeira etapa costuma recorrer á violencia, a fim de ¡nduzir o


"réu" a confessar suas culpas ou a professar a ideología que ele jamáis
quis aceitar.

A vítima é encerrada num cubículo de prisáo. Dáo-lhe vestes ca


racterísticas, que as vezes apresentam urna particularidade aparente
mente secundaria: nao tém botóes; basta isto para provocar urna situa-
cáo estranha; o "réu" terá que ficar continuamente sentado ou, todas as
vezes que se quiser levantar, deverá fazer o papel ridículo de segurar as
caigas com as máos.

Apenas dois orificios perfuram esse cubículo de cimento: urna boca


para entrada do ar, e urna viseira na porta, através da qual dois olhos, de
dez em dez minutos, controlam qualquer atitude do prisioneiro. A ilumina-
cáo é fornecida por urna lámpada elétrica que "pisca" em ritmo regular,
produzindo luz ora vermelha, ora amarela. Se o encarcerado pergunta ao
vigía por que a iluminacáo é táo anómala, após a centésima interrogacáo
respondem-lhe que a instalacáo elétrica está com defeito; é, porém, um
defeito apto a tornar louco o paciente!

Alias, tudo que vai acontecendo nesse cubículo, é apto a gerar a


loucura. O prisioneiro nao pode ver a luz natural, mas também nao tem
relógio, de modo que nunca sabe ao certo que horas sao; assim as no-
coes básicas de "día" e "noite" para ele se váo esvanecendo. Quando
saiu de casa, a esposa e os filhos estavam para voltar das ferias, ela
esperando mais um nene; "que susto nao terá ela experimentado?", per
gunta constantemente o prisioneiro de si para si. Nao sabe por que nem
por quanto tempo se acha na situacáo presente. Todo contato com o
mundo externo Ihe é peremptoriamente vedado; esse isolamento absolu-

37
38 "PERGUNTE E RESPONDEREMOS" 499/2004

to tende a desarraigar o prisioneiro e a subtrair-lhe os pontos cardeais


segundo os quais a sua personalidade se orientava antigamente.

Dentro do cubículo, durante meses a fio verificam-se fenómenos


intrigantes, de índole aparentemente inofensiva e casual, mas na reali
dade todos premeditados e desencadeados de modo a desconsertar cada
vez mais o paciente. Por exemplo, freqüentemente Ihe dirigem a pergun-
ta: "És realmente N. N...?" Fazem-lhe ouvir discos que imitam a sua voz,
em tom de sussurro, de modo que é levado a confundir vozes reais e a
voz do íntimo da sua consciéncia em soliloquio. Um dia, a refeicáo princi
pal consta de um osso apenas, como se nada mais houvera na cozinha;
há ocasioes em que os olhos do carcereiro ficam a espreitá-lo incessan-
temente durante urna hora, a tal ponto que o encarcerado comeca a du-
vidar da realidade da sua própria visáo. O piscar sistemático da lámpada,
o fato de ter que segurar as caigas ñas máos sempre que se levante,
ainda contribuem para dar á vítima a impressáo de que está vivendo num
mundo novo, mundo em que tudo é absurdo. Nem sequer Ihe permitem
dormir um pouco a fim de esquecer a triste realidade em que se acha!
Desta maneira o sistema nervoso da vítima se vai esgotando; cedo ou
tarde poderá parecer-lhe que o preto se tornou branco, e que o branco
"virou" preto.

Finalmente, nesse estado de extrema debilidade e vacilacáo men


tal o prisioneiro recebe certo dia a visita de um homem... Vira para con
versar? - O estranho, munido de capacete de acó, comeca a interro
gar...; mas que coisas absurdas nao pergunta ele!? Mostra-se, além dis
to, brutal; esbofeteia, aplica o choque elétrico mediante pincas fixas ás
partes mais sensíveis do corpo, e durante quarenta e oito horas continu
as intima periódicamente: "Confessa! Confessa! Confessa!".

Após tres visitas deste tipo, o complexo do medo está implantado


na maioria dos homens corajosos; a vítima perde todo senso de crítica e
de resistencia, assemelhando-se a um animal medroso!

Alguns pacientes, de temperamento fraco, após tais tratamentos,


se tornam totalmente maleáveis ñas máos de seus carrascos. Confes-
sam tudo que se Ihes sugira, mesmo as coisas que eles reconhecem
como falsas.

b) Segunda etapa: a brandura

Admitamos que o "réu" ainda queira contradizer aos seus acusado


res, mesmo após tais maus tratos. Comeca entao um segundo grau de
"lavagem" ou de "extorsáo". - Outro visitante o vai procurar no cárcere:...
alguém que, desta vez, o parece deixar á vontade e confiante; é um ope
rario, no caso de ser o prisioneiro um operario, ou entáo um militar, um

38
LAVAGEM CEREBRAL: PROCEDIMENTOS 39

intelectual, urna mulher, um jovem ou um anciáo, de acordó com a iden-


tidade do "réu". Usa de voz branda, atitudes calmas, a fim de explorar a
situagáo psicológica do paciente: este, vendo-se no extremo abandono,
mil vezes hostilizado, tende a se deixar cativar espiritualmente pela pri-
meira pessoa que se Ihe mostré benigna. Consciente disto, o "benévolo"
visitante poe-se a aconselhar: "Nao tens esperanca de escapar, caso nao
confesses. Confessa, e recuperarás teu regime de vida normal, com tua
esposa e teus filhos". Essas palavras, de teor aparentemente táo amigo,
nao podem deixar de impressionar e mesmo desconsertar a quem só
espera maus tratos. A vítima entáo, já muito debilitada física e moralmen-
te, desarmada como enanca, fácilmente se entrega confiante, ou mesmo
sentimentalmente, ao conselheiro... E confessa tudo, chegando a inven
tar a narrativa de faltas que Ihe sejam sugeridas pelos acusadores.

O conselheiro aproveita-se da situacáo para fazer um exame junta


mente com a vítima:

"Nunca disseste tal ou tal coisa?"

- "É possível... creio que sim... Ah, agora lembro-me: disse-o!"

- "Serias capaz de o confessar em público?"

- "É melhor. A verdade tem que ser dita".

- "Levarao em conta a tua declaracáo espontánea".

- "Sim; hei de confessá-lo'.

Assim se processa a autocrítica, muito explorada por ocasiáo dos


"expurgos stalinianos" empreendidos pelo Governo soviético após a morte
de Stalin. Muitas vezes a autocrítica se efetua numa atmosfera de "delirio
místico", em que a vítima é estimulada a se penitenciar e sacrificar em
prol dos "interesses da coletividade", chegando mesmo a aceitar como
graca ditosa a pena capital!

c) Terceira etapa: os meios farmacéuticos

Dado que o segundo grau de "lavagem cerebral", assim descrito,


nao produza todos os efeitos desejados, os técnicos conhecem mais um
recurso, que constituí o terceiro grau, de todo irresistível. Utilizam desta
vez táticas nao propriamente psicológicas, mas fisiológicas e violentas;
aplicam, sim, ao paciente injecóes de insulina e series de choques elétri-
cos. A insulina queima a glicose do organismo, glicose indispensavei para
que o cerebro possa controlar as suas percep$6es; assim o cerebro fica
exposto a receber, sem defesa nem capacidade de discernimento, todas
as palavras e imagens sugestivas que se incutam á vítima. Os choques
elétricos, por sua vez, acabam de destruir qualquer vestigio de resistén-

39
40 "PERGUNTE E RESPONDEREMOS" 499/2004

cia. Desta maneira destrói-se a antiga personalidade moral do individuo


e outra, nova, Ihe pode ser impingida, feita segundo a medida dos
"lavadores de cránio". Como dizem, essa nova personalidade moral é
extremamente tenaz; a vítima doravante é um autómato sem ¡dentidade,
"teleguiado" até a morte.

Como se compreende, os resultados obtidos pelos recursos da "la-


vagem" dependem, em parte, do temperamento do paciente: pessoa co
lérica reage aos choques mais rápidamente do que pessoa sanguínea;
quem tem o senso prático da realidade, resiste melhor do que um sonha-
dor ¡solado do mundo em que vive. Conscientes dessas particularidades,
os limpadores de cránio tendem a produzir em torno do povo urna atmos
fera de entusiasmo ou delirio coletivo; em vista disto, costumam promo
ver vultosas concentracóes de massas, em que longos discursos, espe-
táculos e demonstracóes de esporte ou de forca brutal, holofotes e gritos
apoteóticos marcam profundamente a mentalidade dos participantes.
Quem respira dentro de tal atmosfera, difícilmente se subtrai á sua
influencia nefasta. A resistencia á acáo dos limpadores de cránio tem que
ser empreendída já a longa distancia. O conhecimento dos artificios que
eles empregam, certamente ajuda o individuo a desmascará-los e a imu-
nizar-se psicológicamente contra eles. Além disto, para que aiguém Ihes
possa resistir, torna-se necessário que viva da maneira mais coerente
possível com a sua consciéncia, isento de conflitos internos, de paixoes
obcecantes, procurando dominar em tudo os impulsos e as reacoes da
sua sensibilidade. Está claro que tal nivel de vida só poderá ser adequa-
damente atingido com o auxilio da graca de Deus, ou seja, mediante um
procedimento cristáo que, removendo toda languidez e rotina de ánimo,
utilize em grau máximo os dons que Deus dá a cada um de seus filhos
para que se torne "sal da térra e luz do mundo" (cf. Mt 5, 13s).

COMEpO DO ANO: NOVAS ATIVIDADES PARA CRESCER


Caro(a) leitor(a), o comeco do ano abre novas perspectivas e incu-
te o desejo de crescer... Se vocé quer ser mais seguro(a) e esclarecido(a)
no tocante ao sentido da sua vida, da sua fé, da sua luta de cada día,
procure fazer um dos Cursos da Escola "Mater Ecclesiae", que percor-
rem os tratados da Filosofía (Sabedoria Racional) até os dos últimos acon-
tecimentos da trajetória humana, passando pelo estudo de Deus, Jesús
Cristo, a Igreja, os Sacramentos... Refletindo com perseveranca sobre
tais assuntos, vocé experimentará a alegría de quem sabe ser amado(a)
pelo Amor Absoluto.

Pedidos de informacóes sejam dirigidos á Escola "Mater Ecclesiae"


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40
Sobre a...

ORAQÁO: TRES QUESTÓES

Em síntese: Sao considerados dois casos de demora no atendi-


mento a oragáo ou de aparente nao atendimento. Além do que é comen
tada a religiosidade do homem que, posto em crise financeira, procura
socorro espiritual em qualquer fonte religiosa. É de lembrar, frente a es-
ses problemas, que a oragáo feita em uniáo com Cristo nunca é perdida;
Deus, porém, sabe methor do que nos o que nos convém.
* * *

Eis o primeiro caso:

1. No ar obstáculos á oragáo?

"Inicialmente, a cirurgia revelou-se um sucesso; todavía, sobrevie-


ram síntomas de rejeigao e volteta ser internado com o objetivo de rever
ter o quadro, a fim de que o transplante produza o efeito desejado.
De familia católica, recebi urna mensagem de urna senhora de um
grupo católico ai no Rio, dizendo que quando o grupo se reúne em ora-
góes a meu favor, percebem um obstáculo impedindo que as oragóes
cheguem até mim e esta seria a causa da rejeigao até aqui manifestada.
Por se tratar de grupo de católicos fervorosos, sem pieguismo e
sem sofismas, lembrei-me de consultar PR".
Que dizer?

Proporemos quatro observares:


1) a oracáo nao é um fluxo ou urna corrente de energía cujo curso
possa ser embargado por algum obstáculo no ar. É, antes, urna palavra
ou um afeto dirigido a Deus por filhos e filhas que se voltam para o Pai. A
oracáo pode ser algo de muito íntimo, mas algo que Deus - e Deus so -
reconhece, pois Ele sonda os coracóes. Por conseguinte nao se deve
imaginar a oracao subindo ao céu através dos espacos celestes.
2) Paralelamente se deve dizer: as gracas que Deus concede ao
orante nao vém como um fluxo ou urna caudal que desee pelos espacos
e está'sujeita a embargos e obstáculos na via. Deus age diretamente na
alma e no corpo de quem O invoca, sem emitir raios ou ondas. Por con
seguinte evite-se qualquer tipo de antropomorfismo.
3) O Pai do céu pode demorar para atender ás nossas oracoes. S.
Agostinho o explica: "Bate (á porta), Ele quer dar. Mas, o que Ele quer
41.
"PERGUNTE E RESPONDEREMOS" 499/2004

dar, E o protela, para que o protelamento avive os teus desejos. A dádiva


teña menos valor aos teus olhos, se Ele a concedesse ¡mediatamente".
Assim o orante é exortado a pedir. Se Deus nao atende logo, Ele o
faz para que dilatemos o nosso desejo e mais estimemos o dom de Deus.
Se Deus nao nos dá aquilo que nos Ihe sugerimos, dá-nos algo
que mais convenha á nossa salvacáo, pois nao sabemos o que devemos
pedir (cf. Rm 8,26). Afinal, a oracáo nao é um meio de "dobrar a vontade
de Deus", adaptando-a á nossa (a vontade de Deus é mais santa do que
a do homem), mas é um meio de nos fazer colaborar com o plano de
Deus; sugerimos-1 he o que nos parece mais conveniente; Ele responde,
concedendo-nos isso mesmo ou algo de melhor. Como exemplos bíbli
cos de oracáo perseverante, citam-se o cegó de Jericó, que gritava tanto
mais quanto mais Ihe queriam impor silencio (cf. Me 10,46-52), a mulher
cananéia que cansava os discípulos com seus rogos a Jesús {cf. Mt 15,
21 -28), o paralítico que, junto á piscina, esperava urna ajuda caridosa (cf
Jo 5, 1-8)...

4) Positivamente qual o papel da oracáo, que o Senhor Jesús tanto


recomendou? Cf. Le 11, 9-13. Ei-lo: desde toda a eternidade, Deus de-
cretou dar as suas criaturas os bens de que precisam; as criaturas irraci-
onais recebem-nos inconscientemente; o homem, porém, dotado de in
teligencia e vontade, deve recebé-los conscientemente. Para tanto, o
orante sugere a Deus os bens que Ihe parecem oportunos para que atin
ja a sua finalidade suprema; sugere mesmo o pao de cada dia, a saúde
o emprego..., tudo que seja honesto e pareca condizer com a auténtica
meta do homem; assim este colabora com o plano da Providencia Divina,
que quer dar ao homem..., mas quer dar mediante a oracáo. Pela oracáo
nao é o homem que rebaixa Deus ao nivel das suas finitas cogitacoes,
mas é Deus quem eleva o homem ao plano da sua sabia Providencia.'
Assim entendida, nenhuma oracáo é inútil; desde que realizada em uniáo
com Cristo, que dizia: "Pai, se possível, passe este cálice; mas faca-se a
tua vontade, e nao a minha" (Me 14, 26), a oracáo encontra sempre res-
posta; se o Pai nao nos dá aquilo que, na nossa simplicidade, Lhe suge
rimos, dá-nos algo de equivalente ou melhor.

A Cristo que pediu a isencáo da Paixáo dolorosa, o Pai do céu


atendeu, conforme Hb 5, 7... Atendeu, nao por té-lo dispensado de mor-
rer na Cruz, mas por Ihe ter dado mais do que um tipo de morte natural-
deu-Lhe, sim, a Vitoria sobre a morte e o senhorio sobre o Hades (cf. Ap
1, 18).

2. "Os meus pecados impedem que seja atendido?"


Escreve um amigo:

42
QRAgÁO: TRES QUESTÓES 43

Ten/io pedido a Deus urna grande graga; mas até hoje, após mui-
tos anos de oragáo, nada conseguí. Verdade é que sou pecador. Sera
que meus pecados impedem o atendimento?"
Que dizer?

Pecadores sao todos os homens. Nao obstante, Jesús nos incita a


rezar assegurando-nos que seremos atendidos. Na verdade, como dito,
nenhuma oracáo é perdida ou inútil, desde que feita em uniao com a de
Cristo que dizia: "Se é possível, passe este cálice... Faca-se, porem, a
tua vontade, ó Pai, e nao a minha" (ver Me 14, 36 e Le 11, 9s). O Pai sabe
melhor do que nos o que nos convém, de modo que, se Ele nao da o que
Lhe sugerimos, dá algo de melhor ou mais conveniente. - Esta temática
já foi explanada na resposta anterior.
Importa mutto nao considerar Deus como um policial que "aguarda
o pecador na esquina" para puni-lo, deixando de atender as suas ora-
coes.

Estas verdades váo abaixo expressas em estilo vivencial:


NAO RECEBI NADA DO QUE PEDÍ
(oragáo de um atleta americano que, aos 24 anos,
ficou paralítico e encontrou Deus no sofrimento)

Pedi a Deus para ser forte,


a fim de executar projetos grandiosos.
E Ele me fez fraco,
para conservar-me humilde.

Pedi a Deus que me desse saúde,


para realizar grandes empreendimentos.
E Ele me deu a doenca
para compreendé-Lo melhor.

Pedi a Deus a riqueza,


para tudo possuir,
e Ele me deixou pobre,
para nao ser egoísta.

Pedi a Deus poder, para que os homens


precisassem de mim
E Ele me deu humildade,
para que eu precisasse deles.

Pedi a Deus tudo, para gozar a vida.


E Ele me deu a vida, para gozar de tudo.

43
"PERGUNTE E RESPONDEREMOS" 499/2004

Senhor, nao recebi nada do que pedí,


Mas me deste tudo do que eu precisava.
E, quase contra a minha vontade,
as preces que nao fiz foram ouvidas.

Louvado sejas, ó meu Deus!


Entre todos os homens
NINGUÉM TEM MAIS DO QUE EU!
3. A religiosidade do povo brasileiro
No JORNAL DO BRASIL de 28 de setembro 2003 lé-se o seguinte:
UlMA BÉNCÁO PARA SALVAR A INDUSTRIA
Santinhos e loterías lucram com a retracáo da economía
Este ano nao será dos piores, pelo menos para um seleto grupo de
empresas. Sao fabricantes de velas e motocicletas, casas lotéricas e
editoras de livros de auto-ajuda financeira que, ao contrario dos demais
setores da economía que amargam meses consecutivos de perdas es-
tao faturando com a crise.

Em tempos dificéis, as oragóes dos fiéis sao a salvagáo dos comer


ciantes de artigos religiosos e esotéricos. Que o diga a rede Mundo Ver
de. No ano passado, 17% do faturamento da rede (R$ 23 miihóes) foram
obtidos com a venda de velas, tergos, santinhos, incensos e escapularios
A previsao para este ano é de um crescimento de 25%. Um verdadeiro
milagre, tendo em vista que as vendas do comercio caíram 5 4% no pri-
meiro semestre do ano em comparagáo com o mesmo periodo de 2002.
Segundo Jorge Eduardo Antunes, diretor-executivo do Mundo Ver
de, em épocas de crise aspessoas ficam mais propensas a comprar oro-
dutos que "tragam bem-estar".

.... ~A venda de Prod^os esotéricos cresce sensivelmente em tempos


dificeis porque eles proporcionam boas vibragóes, aumentando a auto
estima - afirmou Antunes.

-Éafé que move nossos negocios - resumiu Jair Caldas Netto


propnetario da fábrica de velas Allanjo.

Segundo Netto, no período que antecede os días santos as ven


das aumentam até 30%.

- Nesses últimos tres meses Vivemos um crescimento significativo


Aspessoas estáo tendo que apelar para todos os santos para nao con-
traír dividas - acrescentou.

44
ORAQÁO: TRES QUESTÓES 45

Com a renda em queda e o desemprego em alta, os santos mais


requisitados sao Santo Expedito, das causas urgentes, Santa Edwiges,
dos endividados, e Sao Judas Tadeu, das causas impossíveis.

Da mesma forma que as crengas místicas e religiosas vém deter


minando o crescimento das vendas dos artigos esotéricos, a tradicional
fezinha multiplica o número de adeptos. A Caixa Económica Federal esti
ma que, este ano, a arrecadagáo das Lotéricas será de R$ 3,5 bilhóes,
16,6% a mais do que em 2002.

Que dizer?

O texto revela a religiosidade do povo brasileiro; sabe que existe


um Senhor Deus capaz de ajudá-lo na tribulacáo.

Todavía esse sentimento religioso é pouco ou nada esclarecido pela


razáo. Fica sendo emotivo e cegó. Procura nos símbolos religiosos um
fator profilático que imunize contra a desgraca e seja canal de paz. O
bem-estar subjetivo é o criterio para avaliar as expressóes religiosas.
Estas se tornam terapia para o homem mais do que um culto a Deus.

Na verdade, a fé nao dispensa as credenciais que a razáo Ihe pos-


sa oferecer; a fé cega pode tornar-se crendice e supersticáo. É preciso
que o fiel saiba por que eré ou quais as razóes que recomendam crer em
Jesús Cristo, na Igreja, na Escritura Sagrada...

Rezar 15 dias com Margarida Maria, por Gérard Dufour. Tradu-


gáo de Odila Aparecida de Queiroz. - Ed. Loyola, Sao Paulo 2003, 130 x
210 mm, 124 pp.

O livro nao é diretamente um manual de oragóes, mas urna biogra


fía , em quinze capítulos, de Santa Margarida Maria (1647-1690), Religi
osa Visitandina, a quem Jesús apareceu expondo-lhe o seu Coragáo,
símbolo do Amor Divino, numa época em que a heresia jansenista afasta-
va de Deus os homens, incutindo-lhes pavor de se aproximar do Senhor.
O autor do livro aproveita o ensejo para explicar o significado teológico
da devogáo do S. Coragáo: Jesús pediu consagragáo dos fiéis ao seu
amor e desagravo pelas numerosas faltas cometidas contra este. Sao
palavras de Jesús á Santa: "Eis o Coragáo que tanto amou os homens,
que nada poupou até se esgotar e se consumir para Ihes testemunhar o
seu amor e em reconhecimento nao recebe da maioria deles senáo in-
gratidáo por suas irreverencias e seus sacrilegios, pela frieza e pelo des-
prezo que tém por mim neste sacramento de amor" (p. 55).
O livro merece serlido, pois, além de informar sobre seu tema prin
cipal, esclarece a faixa etária da Igreja assim focalizada.

45
Pensamento positivo:

"CIENCIA DIVINA
A CONQUISTA DA CURA E DO MILAGRE"1
por José Humberto Cardoso Resende

O Dr. José Humberto Cardoso Resende é um médico que se tem


dedicado ao estudo do Santo Sudario. Acaba de publicar um livro dife
rente dos seus anteriores escritos, pois trata do pensamento positivo e
dos poderes que o autor Ihe atribuí.

Examinemo-lo sumariamente.

1. Já o título do livro sugere comentarios: "Ciencia Divina. A Con


quista da Cura e do Milagre".

A expressáo "Ciencia Divina" volta freqüentemente no decorrer da


obra. Na verdade, nao é senáo o chamado "pensamento positivo", como
explica o autor á p. 13:

"Ciencia divina é a ciencia pura e limpa do pensamento positivo e


construtivo utilizada pornossa mente,... criando urna sintonía direta entre
Deus e o homem, dando resultados fantásticos que denominamos mila-
gres".

"A conquista do milagre...". - Segundo este linguajar, milagre nao


seria urna graca de Deus ou um dom totalmente gratuito, mas seria um
produto do pensamento positivo ou do resultado de boa aplicacáo da
mente:

"Definimos milagre como sendo o resultado conquistado através


da Ciencia Divina, com interagáo ou nao de outra mente (viva ou espiri
to), que nao é explicado pela ciencia humana da época, ocasionando
resultado positivo, ¡mediato".

Para o autor, quem pensa com mente limpa em determinado bem e


0 deseja, consegue obté-lo, tal seria o poder da Ciencia Divina.

"Seremos os edificadores dos bens de Deus, do 'querer', 'estar


convicto, decidido e esperangoso'. Basta urna dúvida para o desejo vir
abaixo; porisso o milagre é táo raro" (p. 133).

Ora tal concepcáo nao é crista; assemelha-se á nocáo de "poder


da oracáo" proposta por Joseph Murphy (ver PR 498/2003, pp. 57s). O

1 Edigáo do autor, Rio de Janeiro, 2001, 140 x 210 mm, 190 pp.

46
"CIENCIA DIVINAA CONQUISTA DA CURA E DO MILAGRE" 47

cristio pede com humildade as grasas de que necessita, sem possuir


receita para "forcar a Deus". A mente humana nao emite ¡rradiacóes ca-
pazes de conseguir o que nao se consegue pelos recursos da ciencia e
da tecnología.

Mais: a expressáo "outra mente (viva ou espirito)" é inadequada,


pois o espirito também é vivo. O autor tem em vista os justos que vivem
na térra e os que passaram para a outra vida.
2. Podem-se apontar aínda outras imprecísóes ou falhas de língua-
gem da parte do Dr. José Humberto, que tenciona ser católico, mas cede
ao ecletícismo {panteísta ou espirita). Assim:
"Hoje, após exemplos e experiencias, diña: 'Afeé a confianga ple
na e inabal'ável no acontecer, no acreditar, e é a forga plena da leí que
nao falha, perfeigáo, a confianga plena em Deus'" (p. 83).
"Tudo o que vocé cria na mente, pode acontecer" (p. 92).
"É chegada a hora de despertarmos o nosso consciente e infundir-
mos no nosso subconsciente a necessidade de ligagáo coma Forga Divi
na única e capaz de realizar transformagóes positivas e promover a cura
e o milagre". - Pergunta-se: Que Forga Divina é essa? Porque avivar o
subconsciente?

"Anos atrás o fígado foi considerado o órgáo do sentimento... Para


o futuro será o cerebro o centro do sentimento ou o inicio do sentimento
da ligagáo que explica a Ciencia Divina. Sao Tomás chamou 'centelha
Divina, virtudes'" (p. 136).
- Nao se vé muíta lógica nestes dízeres. Ademáis que significa a
"Centelha Divina" de que falaria S. Tomás?
Chama ainda a atencao a grafia "intersecáo", que ocorre freqüen-
temente no livro em lugar da escrita correta "intercessáo".
Em suma, o livro do Dr. José Humberto tem páginas interessantes
e válidas sobre higiene mental e otimismo, mas em seu conjunto é ambi
guo, pois adota concepcóes heterogéneas que nao se conciliam com a
fé crista.

SANTO SUDARIO MEDIEVAL?


No programa televisivo de Jó Soares, certo profesional, en
trevistado, afirmou ser o Sudario de Turim urna peca medieval. - Ora
o teste do Carbono 14, que levou a tal conclusáo, já foi amplamente
reconhecido como falso, havendo indicios de que o Sudario data do
século I. Ver PR 418/1997, pp. 104ss e 425/1997, pp. 440s.

47
Que instituigáo?

IGREJA, A MAIS CONFIÁVEL

Aos 21 de novembro 2003 a Redacáo de PR recebeu o seguinte e-


mail:

"INSTITUIQÁO MAIS CONFIÁVEL NO BRASIL


Igreja é instituigjo brasileira de maior credibilidade, diz pes
quisa divulgada pela OAB.

74% dos entrevistados dizem confiar na Igreja, em segundo lugar


aparece a Imprensa.

Brasilia, 13 de novembro de 2003. - Segundo pesquisa realizada


pelo Instituto "Toledo e Associados", a instituicáo brasileira mais confiável
é a Igreja, com 74% de aceitacáo.

A pesquisa foi divulgada essa segunda-feira pelo Conselho Fede


ral da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil). A pesquisa buscava enfocar
a opiniáo pública sobre a Advocacia e o Judiciário.

Foram entrevistadas 1.700 pessoas das classes sócio-económi-


cas A, B, C e D, de 16 capitais brasileiras.

Segundo a pesquisa, a instituicao brasileira de maior credibilidade


é a Igreja (74%), seguida da Imprensa (60%). Logo após vém a Presiden
cia da República (58%), a Advocacia (55%), o Poder Judiciário (39%), o
Ministerio Público (37%) e o Congresso Nacional (34%).

Como a pesquisa enfocava a Advocacia e o Judiciário, as razoes


negativas a respeito do Poder Judiciário advém do fato de "haver muitos
juízes envolvidos em escándalos, lavagem de dinheiro, corrupcáo, tráfi
co de drogas", isso na citacao de 35% dos entrevistados.

Segundo a pesquisa, 47% acreditam (plenamente 7% e em parte


40%) na Justica brasileira, enquanto 41% desacreditam (em parte 24% e
plenamente 17%).

Os principáis problemas brasileiros citados pelos entrevistados sao-


Desemprego (86%), Saúde (79%), Violencia/Armas (67%), Educacáo/
Escolas (57%), Casa própria/Moradia (41%)".

(Continua na p. 21)

48
"Em igualdade de
circunstancias, dé-se a
primaziti ao canto
Canto Gregoriano gregoriano, como o

canto próprio da
Liturgia romana. De
modo nennuxn se devem
excluir outros géneros
de música sacra,
principalmente a
polifonía, desde que
correspondam ao
espirito da acao
litúrgica e favorecam a
Mosteiro de Sao Bento
Río Je Janeiro participacao de todos os
fiéis." (InstrucSo Geral
do Missal Romano,41)

"Canto Gregoriano ", primeiro CD executado pelo coro dos monges


do Mosteiro de Sao Bento do Rio de Janeiro, sot a direcao deDom Plácido
Lopes de Oliveira,OSB.
Com um variado repertorio de 26 pegas, varias délas tradicionais,
alo-urnas inéditas na discograíia gregoriana, como o Anuncio do Natal,
o Suscipe, me Domine (cantado no ritual da proíissao dos monges) e a
Seqiiéncia da íesta de Sao Dentó.

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1

1
Esta obra, sem similar no
Brasil, contém, em traducáo
portuguesa os documentos do
Magisterio da Igreja referentes á
Fé Católica.
F "'' V
Traducáo do prof. Paulo
Rodrigues, cotejada com os 11
origináis em latim e grego e
A EÉ CATÓUCA
atualizada com 19 documentos
Documental do Mogtofrio da fenjq |
chegando-se até á Declaracao
"Dominus Iesus"(2000). TtadufOo de Rotto Rodrigues
CHataomtíaUa de AbJuaU Rodrigues

"AFéCatótica-Documenfos do Magisterio da Ignja. Das origens aos nossos diai\t de autoría do Pe.Justo
Collantes, SJ, professor de Eclesiologia na Faculdade de Teologia de Granada, Espanha. Foi publicada
onginalmcnte pela prestigiosa B.A.C. -Biblioteca de Autores Cristianos. O autor antes de falecer, cm 2000,
enviou uma Apresentacao especial para a edicáo brasilcira. O teólogo Candido Pozo, SJ., explica que "trata-sé
de um Denzinger", mas com os documentos em ordem sistemática e nao só cronológica e com introducoes
históricas para cada documento.

O livro trata dos seguintes temas: Fé e raz5o, As fontes da rcvelacáo, Deus criador, Cristo Salvador, Maria
na obra da salvacáo, Deus revelado por Cristo, A Igreja, A graca, Os sacramentos, As realidades escatológicas,
Símbolos da fe católica. Sobrecapa com texto de Dom Estevao Bcttencourt, O.S.B. e Prefacio do Pe. lngo
Dollinger, ex-reitor do Institutum Sapientiac, de Anápolis, da Ordem dos Cóncgos da Santa Cruz.

EdifSes Lumen Cbristi- Rio de Janeiro/2003. Formato: 14 x 21 cm. 1.345 páginas.


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