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Declaração de Fé

•O SEMINAD declara que:


Cremos
1. Na inspiração divina verbal e plenária da Bíblia Sagrada, única regra infalível de fé
e prática para a vida e o caráter cristão (2 Tm 3.14-17);
2. Em um só Deus, eternamente subsistente em três pessoas distintas que, embora
distintas, são iguais em poder, glória e majestade: o Pai, o Filho e o Espírito Santo;
Criador do Universo, de todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e
invisíveis, e, de maneira especial, os seres humanos, por um ato sobrenatural e
imediato, e não por um processo evolutivo (Dt 6.4; Mt 28.19; Mc 12.29; Gn 1.1; 2.7;
Hb 11.3 e Ap 4.11);
3. No Senhor Jesus Cristo, o Filho Unigênito de Deus, plenamente Deus, plenamente
Homem, na concepção e no seu nascimento virginal, em sua morte vicária e
expiatória, em sua ressurreição corporal dentre os mortos e em sua ascensão
vitoriosa aos céus como Salvador do mundo (Jo 3.16- 18; Rm 1.3,4; Is 7.14; Mt 1.23;
Hb 10.12; Rm 8.34 e At 1.9);
4. No Espírito Santo, a terceira pessoa da Santíssima Trindade, consubstancial com o
Pai e o Filho, Senhor e Vivificador; que convence o mundo do pecado, da justiça e do
juízo; que regenera o pecador;que falou por meio dos profetas e continua guiando o
seu povo (2 Co 13.13; 2 Co 3.6,17; Rm 8.2; Jo 16.11; Tt 3.5; 2 Pe 1.21 e Jo 16.13);
5. Na pecaminosidade do homem, que o destituiu da glória de Deus e que somente o
arrependimento e a fé na obra expiatória e redentora de Jesus Cristo podem restaurá-
lo a Deus (Rm 3.23; At 3.19);
6. Na necessidade absoluta do novo nascimento pela graça de Deus mediante a fé
em Jesus Cristo e pelo poder atuante do Espírito Santo e da Palavra de Deus para
tornar o homem aceito no Reino dos Céus (Jo 3.3-8, Ef 2.8,9);
7. No perdão dos pecados, na salvação plena e na justificação pela fé no sacrifício
efetuado por Jesus Cristo em nosso favor (At 10.43; Rm 10.13; 3.24-26; Hb 7.25; 5.9);
8. Na Igreja, que é o corpo de Cristo, coluna e firmeza da verdade, una, santa e
universal assembleia dos fiéis remidos de todas as eras e todos os lugares,

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chamados do mundo pelo Espírito Santo para seguir a Cristo e adorar a Deus (1 Co
12.27; Jo 4.23; 1 Tm 3.15; Hb 12.23; Ap 22.17);
9. No batismo bíblico efetuado por imersão em águas, uma só vez, em nome do Pai, e
do Filho, e do Espírito Santo, conforme determinou o Senhor Jesus Cristo (Mt 28.19;
Rm 6.1-6; Cl 2.12);
10. Na necessidade e na possibilidade de termos vida santa e irrepreensível por obra
do Espírito Santo, que nos capacita a viver como fiéis testemunhas de Jesus Cristo
(Hb 9.14; 1 Pe 1.15);
11. No batismo no Espírito Santo, conforme as Escrituras, que nos é dado por Jesus
Cristo, demonstrado pela evidência física do falar em outras línguas, conforme a sua
vontade (At 1.5; 2.4; 10.44-46; 19.1-7);
12. Na atualidade dos dons espirituais distribuídos pelo Espírito Santo à Igreja para
sua edificação, conforme sua soberana vontade para o que for útil (1 Co 12.1-12);
13. Na segunda vinda de Cristo, em duas fases distintas: a primeira — invisível ao
mundo, para arrebatar a sua Igreja antes da Grande Tribulação; a segunda — visível
e corporal, com a sua Igreja glorificada, para reinar sobre o mundo durante mil anos
(1 Ts 4.16, 17; 1 Co 15.51-54; Ap 20.4; Zc 14.5; Jd 1.14);
14. No comparecimento ante o Tribunal de Cristo de todos os cristãos arrebatados,
para receberem a recompensa pelos seus feitos em favor da causa de Cristo na Terra
(2 Co 5.10);
15. No Juízo Final, onde comparecerão todos os ímpios: desde a Criação até o fim do
Milênio; os que morrerem durante o período milenial e os que, ao final desta época,
estiverem vivos. E na eternidade de tristeza e tormento para os infiéis e vida eterna de
gozo e felicidade para os fiéis de todos os tempos (Mt 25.46; Is 65.20; Ap 20.11-15;
21.1-4).
16. Cremos, também, que o casamento foi instituído por Deus e ratificado por nosso
Senhor Jesus Cristo como união entre um homem e uma mulher, nascidos macho e
fêmea, respectivamente, em conformidade com o definido pelo sexo de criação
geneticamente determinado (Gn 2.18; Jo 2.1,2; Gn 2.24; 1.27).

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SÍNTESE DA HISTÓRI A BÍBLICA

1. DEUS criou o homem e o colocou no Jardim do Éden


2. O homem pecou e deixou de ser aquilo para o que Deus o tinha destinado. Foi
então que Deus pôs em andamento o plano para a salvação do homem e o fez
chamando Abraão para que fundasse uma nação, mediante a qual o plano seria
executado.
3. A nação não andou nos caminhos do Senhor e foram escravizados no Egito. Após
400 anos, sob a direção de Moisés, o povo foi tirado do Egito de volta à terra
prometida de Canaã. A nação se tornou um grande e poderoso reino.
4. O reino foi dividido no fim do reinado de Salomão: Israel, ao norte, 10 tribos, levada
cativa pela Assíria em 721 a. C., e Judá, ao sul, 2 tribos, levada cativa pela
Babilônia no ano 600 a. C.
5. Encerra-se o Antigo Testamento. 400 anos mais tarde, cumpre-se a promessa pelo
aparecimento de Jesus, o Messias, a esperança da humanidade, mediante Quem o
homem seria redimido e nascido de novo. Para realizar e consumar Sua obra
salvadora, Jesus Cristo MORREU pelo pecado humano, ressuscitou e ordenou que
os discípulos saíssem pelo mundo contando a história de Sua vida e Seu poder
redentor.
6. Assim, obedecendo à ordem (a “grande comissão”), partiram os discípulos por
toda parte, em todas as direções, levando as BOAS NOVAS, alcançando o mundo
civilizado conhecido da época. Assim, com o lançamento da obra da redenção
humana, encerra-se o Novo Testamento.

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A BÍBLIA

“A Bíblia é o Livro de Deus” (Is 34:16).


A palavra Bíblia (Livros) entrou para as línguas modernas por intermédio do
francês, passando primeiro pelo latim bíblia, com origem no grego biblos (folha de
papiro do século XI a. C preparada para a escrita). Um rolo de papiro tamanho
pequeno era chamado “biblion”, e vários destes era uma “Bíblia”. Portanto “Bíblia”
quer dizer coleção de vários livros.
No princípio, os livros sagrados não estavam reunidos uns aos outros como os
temos agora em nossa Bíblia. O que tornou isso possível foi a invenção do papel no
séc. II pelos chineses, bem como a invenção do prelo de tipos móveis, em 1450 A. D.
por Guttenberg, tipógrafo alemão. Até então tudo era manuscrito como ocorria
anteriormente com os escribas, de modo laborioso, lento e oneroso.
Com a invenção do papel desapareceram os rolos e a palavra biblos deu
origem a “livro” como se vê em biblioteca (coleção de livros), bibliografia, bibliófilo
(colecionador de livros).
A primeira pessoa a aplicar o nome “Bíblia” foi João Crisóstomo, grande
reformador e patriarca de Constantinopla, 398-404 A. D.

Teologicamente a Bíblia é a revelação de Deus para a humanidade.


Etimologicamente é uma coleção de livros pequenos, cujo autor é Deus, o
Espírito Santo é seu real intérprete e Jesus Cristo seu TEMA UNIFICADOR, seu
assunto central.

Cerca de 40 personagens se envolveram no registro e compilação dos 66 livros


que compõem a Bíblia Sagrada (1 Ts 2:13; 1 Pedro 1:20-21). Os escritores viveram
distantes uns dos outros (11 países diferentes), em épocas e condições diferentes,
não se conheceram (na época a comunicação era praticamente impossível)
pertenceram às mais variadas camadas sociais, e tinham cultura e profissões muito
diferentes.
Foram das mais diferentes categorias (19 ocupações diferentes): escritores,
estadistas, camponeses, reis, vaqueiros, pescadores, cobradores de impostos,

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instruídos e ignorantes, judeus e gentios. Ex: legislador (Moisés); general (Josué);
profetas (Samuel, Isaías, etc.); Reis (Davi e Salomão); músico (Asafe, compôs 12
Salmos); boiadeiro (Amós); príncipe e estadista (Daniel); sacerdote (Esdras); coletor
de impostos (Mateus); médico (Lucas); erudito (Paulo); pescadores (Pedro e João).
São aproximadamente 50 gerações de homens. Um exame das vidas dos
escritores mostra a verdade deste testemunho. Esses eram homens sérios. Eles
vieram de todos os caminhos da vida. Eram homens de boa reputação e mente
brilhante. Muitos deles foram cruelmente perseguidos e mortos pelo testemunho que
mantiveram. Não ficaram ricos pelas profecias que deram. Longe disso. Muitos
empobreceram. O autor dos cinco primeiros livros da Bíblia escolheu viver uma vida
terrivelmente pesada e de lutas ao serviço de Deus em oposição à vida milionária que
ele poderia ter tido como o filho do Faraó. Muitos escritores da Bíblia fizeram escolhas
semelhantes. Suas motivações certamente não foram convencionais nem
mundanamente vantajosas. Eles não eram homens perfeitos, mas eram homens
santos. As vidas que eles viveram e os testemunhos que deram e as mortes de que
morreram deram forte evidência de que estavam dizendo a verdade.
Cada escritor manifestou seu próprio jeito de escrever (idiossincrasia), seu
estilo e características literárias. A Bíblia possui aproximadamente 10 estilos literários
diferentes: poéticos (Jó, Sl, Pv); parábolas (evangelhos sinóticos); alegorias (Gl 4);
metáforas (Gn 6:6; Êx 15:16; Dt 13:17; Sl 18:2; 34:16; Lm 3:56; Zc 14:4; 2 Co 3:2-3;
Ef 4:30; Tg 3:6); comparações (Mt 10:1; Jo 21:25; Cl 1:23; Tg 1:6); figuras poéticas
(Jó 41:1); sátiras (Mt 19:24; 23:24); figuras de linguagem (Sl 36:7; Sl 44:23).
Demoraram cerca de aproximadamente 1600 anos para escrever os 66 livros.
1491 a. C., quando Moisés (teve a visão do passado) começou a escrever o
Pentateuco, no meio do trovão no monte Sinai, até 97 d. C., quando o apóstolo João
(teve a visão do futuro), ele mesmo um “filho do trovão” (Mc 3:17), escreveu seu
evangelho na Ásia Menor.
Entretanto, há na Bíblia um só plano ou projeto, que de fato mostra a existência
de um só Autor divino, guiando os escritores. A Bíblia é um só livro. Tem um só
sistema doutrinário, um só padrão moral (expressão da autoridade de Deus), um só
plano de salvação, um só programa das eras.

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As diversas narrativas ali encontradas dos mesmos incidentes e ensinamentos
não são contraditórias, mas suplementares. Não há em todo o seu conteúdo uma só
contradição, e um livro sempre dá continuidade ou complementa o outro, apesar das
condições em que foram escritos. Muitas vezes, um autor iniciava um assunto e,
séculos depois, outro o completava.
Os escritores humanos fornecem variedade de estilo e matéria. O Autor Divino
garante unidade de revelação e ensino.
Em todo o seu conjunto, possui uma harmonia, que só pode ser explicada
como sendo um “MILAGRE”.
A Bíblia é a coleção das exatas palavras dos 66 livros que constituem o seu
CÂNON (cânon significa autoridade, regra de fé. O cânon está fechado, não há mais
nenhum livro inspirado!!!). Vide (Mt 4:4; Jo 12:48; 2 Tm 3:16-17; 2 Pe 1:3; Jd 3).

Assim, a Bíblia é composta:

• 24 livros os do cânon judaico do VT (equivalentes aos nossos 39 livros, o


mesmo que hoje é chamado de "Texto Massorético de BEN CHAYyIM" e que,
depois da invenção da Imprensa, foi impresso por Daniel Bomberg, um
abastado cristão veneziano originário da
Antuérpia, em 1524-5. A edição da segunda publicação ficou a cargo de Jacob
Ben Chayyim);

Não confundir Ben Chayyim com Ben Asher. Não confundir o Texto
Massorético de Ben Chayyim (100% genuíno) com o falso Texto Massorético, de
Ben Asher (com falsificações e também referido como Bíblia Stuttgartensia).
Não confundir a Bíblia Hebraica de Kittel (BHK) 1ª e 2ª edição [1906 e 1912,
boas, baseadas no Texto Massorético de Ben Chayyim] com as BHK edições
posteriores, más, baseadas no falso Texto Massorético, de Ben Asher.

• 27 livros os do cânon do NT (os mesmos que, depois da invenção da


Imprensa, foram impressos, terminando por serem conhecidos pelo nome de
TR, ou "Textus Receptus", isto é, "O Texto Recebido").

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"Textus Receptus": do latim “textum ergo habes, nunc ab amnibus receptum”,
que significa: texto ora recebido por todos. Foi a frase escrita no prefácio da edição de
1633, do N.T. grego dos irmãos Elzevir (impressores holandeses de origem judaica).
São os 27 livros do N.T. que foram recebidos pelas igrejas do século I, das mãos dos
homens inspirados por Deus para escrevêlo; e, também, recebido pela Reforma, das
mãos das pequeninas igrejas fiéis {perseguidas por Roma} e da Igreja Grega
Ortodoxa. O T.R. foi o texto usado pela igreja por quase 2000 anos, antes de
surgirem as versões modernas e deturpadas da Bíblia, baseadas no texto crítico, em
1881, com o surgimento do “Novo Texto Grego” de Westcott e Hort. O T.R. foi usado
em todo o período bizantino (312-1453), donde foi traduzido por Almeida e é o texto
grego do N.T. que os reformadores (Reforma Protestante) usaram no século XVI e
XVII, para traduzir a Bíblia em vários idiomas, inclusive o português.

O nome “massoretas” se refere aos rabinos judeus surgidos aproximadamente


no ano 100 d.C. que conservavam e transmitiam o texto bíblico. Eles substituíram os
escribas. Faziam anotações às margens do texto, chamadas massorah. Eles
incorporaram os sinais vocálicos ao texto hebraico (que não possui vogais), entre o 5º
e 6º séculos.

Apesar de toda oposição, a Bíblia é o livro mais antigo, mais famoso e mais
lido do mundo. Escrito em mais de 2000 línguas e dialetos, já atravessou 3.000 anos.
É também o livro de maior circulação em todo o mundo. Em 1996, por exemplo, foram
distribuídos 20 milhões de Bíblias em todo o mundo. Só no Brasil, foram quase 7
milhões e na China circulam cerca de 3 milhões. Por tudo isto, podemos dizer, sem
medo de errar que a Bíblia tem origem sobre-humana!

Os nomes mais comuns dados à Bíblia são: Livro do Senhor (Is 34:16);
Palavra de Deus (Mc 7:13; Jo 10:35; Hb 4:12); Escrituras ou Sagradas
Escrituras (Mt 21:42; Lc 4:21; Jo 7:38, 42; Rm 1:2; Rm 4:3; Gl 4:30); a Verdade
(Jo 17:17; Rm 15:8); Lei (Sl 119); Lc 10:26; Mt 5:18); Mandamentos (Sl 119); a
Lei e os Profetas (Mt 5:17; Lc 16:16); a Lei de Moisés (Lc 24:44); Oráculos de
Deus (Rm 3:2).

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Assim como Jesus Cristo (que é a Palavra Viva = 1 Jo 1:1; Ap 19:13) é
100% Humano e 100% Divino, a Bíblia (que é a Palavra escrita) é humana e
divina e sem erros!!!

A Palavra de Deus é: inspirada (Sl 19:7-11; 119:89; 105, 130, 160; Pv 30:5-6; Is
8:20; Jr 1:2, 4, 9; Lc 16:31; 24:25-27; 44-45; Jo 5:39, 45-47; 12:48; 14:26; 16:13;
17:17; At 1:16; 28:25; Rm 3:4; 15:4; 1 Co 2:10-13; 2 Co 2:4; Ef 6:17; 1 Ts 2:13; 2 Tm
3:16-17; 1 Pe 1:11-12; 2 Pe 1:19-23; 1 Jo 1:1-3; Ap 1:1-3; 22:19); eterna (Sl 119:89;
Mt 24:35); única regra de fé e prática (Is 8:20; Jo 12:48); suficiente para a vida cristã
(Mt 4:4; Jo 12:48; 2 Tm 3:16-17; 2 Pe 1:3; Jd 3); lâmpada para os nosso pés (Sl
119:105); amada pelos salvos (Sl 119:47, 72, 82, 97); purificação da vida (Sl 119:9);
para ler, estudar e examinar (Dt 17:19; Js 1:8; Jo 5:39; At 17:11); alimento espiritual
(1 Pe 2:2); para a santificação (Jo 17:17); proveitosa para toda boa obra (2 Tm 3:16);
preservada (Lc 21:33); fogo consumidor (Jr 5:14); martelo (Jr 23:29); fonte de vida (Ez
37:7); poder para a salvação (Rm 1:16); penetrante (Hb 4:12); algo a ser defendido
pelos santos (Jd 3); para ser pregada a todos (Mt 28:18-20; Mc 16:15); espelho (Tg
1:23-25); semente (1 Pe 1:23); espada (Ef 6:17); comida (Hb 5:12-14); mel (Sl
119:103); leite (Hb 5:13); viva e atual (Jo 6:63 b; Hb 4:12; 1 Pe 1:23; 1 Jo 1:1).
NOTA IMPORTANTE: A BÍBLIA É O LIVRO PELO QUAL TODOS OS HOMENS
SERÃO JULGADOS: Jo 12:48

A UTILIDADE DA BÍBLIA:

“Toda escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão,
para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja
perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra.” 2 Tm 3:16-17. Examine ainda
1 Coríntios 10:11 e Romanos 15:4.
A BÍBLIA É UM LIVRO PARA:
Ser buscado/examinado (Jo 5:39); crido (Jo 2:22); lido (1 Tm 4:13); recebido (1
Ts 2:13); confirmado e aceito (At 17:11).

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A BÍBLIA TEM MUITOS OBJETIVOS:
Avisar os crentes (1 Co 10:11); manifestar o cuidado de Deus (1 Co 9:9, 10);
ensinar e instruir (Rm 15:4); aperfeiçoar o cristão para toda boa obra (2 Tm 3:16-17);
fazer o homem sábio para a salvação (2 Tm 3:15); produzir fé na divindade de Cristo
(Jo 20:31); produzir vida eterna (Jo 5:24).

A unidade da Bíblia é sem paralelo. Nunca, em qualquer outro lugar, uniram-se


tantos tratados diferentes, históricos, biográficos, éticos, proféticos e poéticos, para
perfazer um livro. Assim como todas as pedras lavradas e as tábuas de madeira
compõem um edifício ou, melhor ainda, como todos os ossos, músculos e ligamentos
se combinam em um corpo, assim também é com a Bíblia.

A MENSAGEM SINGUL AR DA BÍBLI A

Entre a Bíblia e os outros escritos religiosos e filosóficos existe um abismo


intransponível. A Bíblia é o único Livro que “se atreve” a prever o futuro e o faz com
100% de precisão e acerto!!! (Dt 18:20-22; Is 41:22-23; 42:8-9; 44:6-8).
Certamente, valores como a verdade, a honestidade, a justiça e o altruísmo são
comuns aos melhores escritos da humanidade. Nisso, a Bíblia se identifica com todos
os outros. Mas, o que dizer do Deus apresentado pela Bíblia? Que contraste com a
energia impessoal do Hinduísmo ou com os frágeis e grotescos deuses dos panteões
greco-romanos! Deus Se apresenta em toda a Sua majestade e grandeza: Santo,
Justo, Fiel, Onipotente, Onipresente e Onisciente; Perfeito em amor e misericórdia,
Imutável em todos os Seus atributos!!!
O próprio mistério da Trindade demonstra um Deus maior que nossa razão. O
homem, na Bíblia, é retratado no seu melhor e no seu pior estado. Enquanto na
Filosofia o homem é deificado como senhor do seu próprio destino, na Bíblia, o
homem é criatura de Deus, pecador e dependente.
Enquanto em algumas crendices o homem é parte de um jogo de dados
cósmicos, joguete nas mãos de forças poderosas, na Bíblia, o homem é criado por
Deus com dignidade e sentido na História.

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O caminho bíblico para a salvação vai de encontro à idéia arraigada, no espírito
humano, de que cada um deve promover a sua própria salvação. Na Bíblia, a
salvação é um presente que não pode ser comprado, mas deve ser recebido com
gratidão.
O perdão dos pecados não ocorre por cerimônias vazias (como na igreja
católica romana, por exemplo), mas, mediante a morte do Filho de Deus na cruz, no
lugar dos pecadores. O destino final, na Bíblia, não é a aniquilação da personalidade,
nem um paraíso de prazeres carnais (como no Islamismo); mas, a comunhão com
Deus por toda a eternidade. E isto ocorrerá somente para aqueles que um dia
aceitaram o caminho oferecido por Deus (Jesus Cristo – Jo 14:6).
Homens não narrariam seus próprios pecados, derrotas, idolatrias, etc.
Nenhum homem conceberia a idéia de um inferno de sofrimento eterno. Isto mostra
que a Bíblia é um livro inspirado por Deus!

A Bíblia se opõe a certos conceitos filosóficos do mundo, e os refuta:


1) Ateísmo (Sl 14:1; 53:1; Jr 4:22)
2) Politeísmo (Mc 12:32; 1 Co 8:6; Ef 4:6; 1 Tm 2:5; Tg 2:19)
3) Materialismo (Mt 6:19-21, 24; Mt 19:16-26, 29; 1 Tm 6:10a; Sl 62:10b)
4) Panteísmo (Gn 1:1, 26; Mt 1:1, 18; Jo 1:1, 18; 16:7; 2 Co 13:14; Hb 13:8; 1 Jo 5:7)
5) A eternidade da matéria (Gn 1:1).
6) Filosofia (1 Co 1:22; Cl 2:8; 1 Tm 6:20; Tg 1:5).

CAPÍTULOS E VERSÍCULOS:

A divisão da Bíblia em capítulos só veio acontecer no ano de 1250 A. D., pelo


cardeal Hugo de Sancto Caro, monge dominicano. Alguns pesquisadores atribuem
essa divisão também a Stephen Langton, professor da Universidade de Paris e mais
tarde arcebispo da Cantuária, em 1227.
Em 1525, Jacob Ben Hayim, na Bíblia Bomberg, em Veneza, havia dividido o
Antigo Testamento em versículos.

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BACHARELADO EM TEOLOGIA 10 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
O Novo Testamento foi dividido em versículos em 1551, por Robert Stephanus,
um impressor de Paris, que publicou a primeira Bíblia (Vulgata Latina) dividida em
capítulos e versículos em 1555.
ABREVIATURAS:

Em índices e citações bíblicas, é comum o uso de abreviaturas para se referir


aos textos bíblicos. Um dos formatos convencionados segue o padrão abaixo:


Os dois pontos (:) separam o capítulo dos versos;

O hífen (-) indica uma faixa contínua de versos;

A vírgula (,) indica uma seqüência não contínua de versos;

O ponto-e-vírgula (;) inicia um novo capítulo do mesmo livro ou não, se seguido
de nova abreviação.

Exemplos:
2 Ts 2:2-12 = Segunda Tessalonicenses, capítulo 2, versículos 2 a 12 Gn 3:1-15 =
Gênesis, capítulo 3, versículos 1 a 15.
Rm 11:18 = Romanos, capítulo 11, versículo 18.
Dn 9:25, 27; 11:3-43 = Daniel, capítulo 9, versículos 25 e 27; e capítulo 11, versículos
3 a 43. Mt 24-26; Ap 1:1-8 = Mateus, cap. 24 ao cap. 26; Apocalipse, capítulo 1,
versículos 1 a 8.

ALGUNS TERMOS IMPORTANTES E SEUS SIGNIFICADOS:

Antilegômena: (significa: falar contra). São os livros bíblicos que em certos


momentos da História foram questionados por alguns.
Apócrifos: (significa: escondidos ou duvidosos). Livros não-bíblicos aceitos por
alguns (como a igreja católica romana), mas rejeitados por outros, por não serem
inspirados e conterem muitos erros, o que prova serem de autoria humana e não
divina.

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BACHARELADO EM TEOLOGIA 11 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
Cânon = Do grego "kánon", e do hebraico "kaneh", regra; lista autêntica dos livros
considerados como inspirados.
Epístolas = Cartas.
Evangelho = Caminho; boas novas.
Homologoumena: (significa: falar como um). São os livros bíblicos que foram aceitos
por todos e que em momento algum foram questionados.
Paráfrase = Tradução livre ou solta, onde o objetivo é traduzir “a idéia” e não as
palavras;
Pseudepígrafos: (significa: falsos escritos). Livros não-bíblicos (não canônicos)
rejeitados por todos. Seus escritos se desenvolvem sobre uma base verdadeira,
seguindo caminhos fantasiosos;
Sinópticos = Síntese. Os três primeiros evangelhos são chamados de evangelhos
sinópticos, pois são muito parecidos e sintetizam a vida de Jesus;
Testamento = Aliança, Pacto, Acordo;
Tradução = Transliteração de uma língua para outra;
Variantes = Diferenças encontradas nas diferentes cópias de um mesmo texto,
mediante comparação. Elas atestam o grau de pureza de um escrito;
Versão = Tradução da língua original para outra língua.

CURIOSIDADES BÍBLICAS:


Jó é o livro mais antigo da Bíblia. Acredita-se que foi escrito por Moisés,
quando esteve no deserto;

Foram usados 3 idiomas na confecção da Bíblia: hebraico e aramaico (A.T.) e
grego (N.T.);

Foi escrita em aproximadamente 1500/1600 anos, por uns 40 autores e contém
66 livros;

Texto áureo da Bíblia: João 3:16;

A "Epístola da Alegria", a carta de Paulo aos Filipenses, foi escrita na prisão e
as expressões de alegria aparecem 21 vezes na epístola;

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BACHARELADO EM TEOLOGIA 12 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO

Quem cortou o cabelo de Sansão não foi Dalila, mas um homem (Jz 16:19);

O nome mais cumprido e estranho de toda a Bíblia é Maer-Salal-Has-Baz - filho
de Isaías (Is 8:3-4);

Davi, além de poeta, músico e cantor foi o inventor de diversos instrumentos
musicais (Am 6:5);

O nome "cristão" só aparece três vezes na Bíblia (At 11:26; At 26:28 e 1 Pe
4:16);

O capítulo 19 de 2 Reis é idêntico ao 37 de Isaías;

1 Cr 16:8-36 transcreve o Sl 105 na íntegra;

O A.T. encerra citando a palavra “maldição”; o N.T. encerra citando “a graça de
Nosso Senhor Jesus Cristo”;

O nome de JESUS consta no primeiro e último versículo do N.T.;

Israel é considerada a “menina dos olhos de Deus” (Dt 32:10; Zc 2:8);

A Bíblia contém cerca de 3.565.480 letras, 773.692 palavras, 31.173
versículos, 1.189 capítulos e 66 livros;

O capítulo mais comprido é o Salmo 119;

O capítulo mais curto é o Salmo 117;

O meio exato da Bíblia é o versículo 8 do Salmo 118;

O versículo mais longo está em Ester 8:9;

O versículo mais curto é: "Não matarás" em Êxodo 20:13 (10 letras);

As tábuas da lei foram feitas por Deus e quebradas por Moisés, e depois feitas
por Moisés e reescritas por Deus (Êx 34:1);

Moisés fez o povo beber o ouro do bezerro da desobediência (Êx 32:19-20);

A arca de Noé media 134 m de comprimento, 23m de largura e 14m de altura;
sua área total nos três pisos era de 9.250 (m²) e tinha um volume total de
43.150 (m³);

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 13 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO

Noé permaneceu na arca 382 dias, sendo o ano judaico de 360 dias (Gn 7:9-
11; 8:13-19);

Davi foi ungido três vezes obtendo uma gloriosa confirmação (1 Sm 16:13; 2
Sm 2:4; 1 Cr 11:3);

Salomão não era o único sábio, havia mais quatro sábios (1 Rs 4:29-31);

Salomão disse 3.000 provérbios e 1005 cânticos. (1 Rs 4:32);

O A.T. apresenta 332 profecias literalmente cumpridas na pessoa de Jesus
Cristo;

Paulo pregou o maior discurso descrito na Bíblia (At 20:7-11);

O maior profeta jamais realizou um milagre, contudo foi o pregador mais
convincente (Jo 10:41-42);

O "sermão do monte" poderia ser chamado de "sermão da planície" (Mt 5:1; Lc
6:17);

O Salmo 22 é alfabético - um versículo para cada letra do alfabeto hebraico;

O Salmo 119 tem, em hebraico, 22 seções de oito versículos. Cada uma das
seções inicia com uma letra do alfabeto hebraico, de 22 letras. Dentro das
seções, cada versículo inicia com a letra da seção;

No livro Lamentações de Jeremias, os capítulos 1, 2 e 4 tem versículos em
número de 22 cada, compreendendo as letras do alfabeto hebraico. O capítulo
3 tem 66 versículos, levando cada três deles, em hebraico, a mesma letra do
alfabeto;

A expressão "o caminho de um Sábado" corresponde ao caminho permitido no
dia de Sábado; a distância que ia da extremidade do arraial das tribos ao
tabernáculo, quando no deserto, isto é, cerca de 1.200 metros;

Para a leitura completa da Bíblia, são necessárias 49 horas, a saber: 38 horas
para a leitura do Velho Testamento e 11 horas para a do Novo Testamento;

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 14 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO

Para lê-la de forma audível, em velocidade normal de fala, é necessário
aproximadamente 71 horas. Se você deseja lê-la em 1 ano, deve ler apenas 4
capítulos por dia;

A menor Bíblia existente foi impressa na Inglaterra e pesa somente 20 gramas.
Este fabuloso exemplar da Bíblia mede 4,5 cm de comprimento, 3 cm de
largura e 2 cm de espessura. Apesar de ser tão pequenina, contém 878
páginas, possui uma série de gravuras ilustrativas e pode ser lida com o auxílio
de uma lente;

A maior Bíblia que se conhece, contém 8.048 páginas, pesa 547 quilos e tem
2,5 metros de espessura. Foi confeccionada por um marceneiro de Los
Angeles, durante dois anos de trabalho ininterrupto. Cada página é uma
delgada tábua de 1 metro de altura, em cuja superfície estão gravados os
textos;

Foi a primeira obra impressa por Gutenberg (vulgata), em seu recém inventado
prelo manual, que dispensava as cópias manuscritas, em 1452, em Mainz -
Alemanha;

A Bíblia foi escrita e reproduzida em diversos materiais, de acordo com a época
e cultura das regiões, utilizando tábuas de barro, peles, papiro e até mesmo
cacos de cerâmica/louças (óstracos);

Com exceção de alguns textos do livro de Esdras e de Daniel, os textos
originais do Antigo Testamento foram escritos em hebraico, uma língua da
família das línguas semíticas, caracterizada pela predominância de
consoantes;

A palavra "Hebraico" vem de "Hebrom", região de Canaã que foi habitada pelo
patriarca Abraão em sua peregrinação, vindo da terra de Ur;

Os 39 livros que compõem o Antigo Testamento estavam compilados desde
cerca de 400 a.C., sendo aceitos pelo cânon Judaico, e também pelos
Protestantes, Católicos Ortodoxos, Igreja Católica Russa, e parte da Igreja
Católica tradicional;

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 15 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO

A primeira Bíblia em português foi impressa em 1748. A tradução foi feita a
partir da Vulgata Latina e se iniciou com D. Diniz (1279-1325);

A primeira citação da redondeza da terra confirmava a idéia de Galileu, de um
planeta esférico. Bastava que os descobridores conhecessem a Bíblia. (Is 40:
22);

A Bíblia também mostra, em seu livro mais antigo (Jó), que a Terra está
suspensa no vazio (Jó 26:7);

A existência de dinossauros, convivendo com humanos, está narrado na Bíblia:
o Beemonte (Jó 40:15-17), e o Leviatã (Jó 41:1), sendo que, este último, em
algumas versões deturpadas da Bíblia, consta como “crocodilo”, o que
contradiz o contexto do capítulo;

Na Bíblia, também lemos que a luz foi criada antes do Sol, algo que só foi
descoberto pela ciência recentemente (Gn 1:3-5);

Lemos que Jesus será a luz da “nova Terra” (Lc 17:24; Ap 21:23; 22:5);

Jesus, a luz vista por Paulo, a caminho de Damasco, é mais brilhante que o Sol
do meio-dia (At 9:3; 26:13-15);

A palavra fé, no Antigo Testamento, é encontrada apenas em Hc 2: 4;

A palavra "DEUS" aparece 2.658 vezes no V.T. e 1.170 vezes no N.T., num
total de 3.828 vezes;

Há na Bíblia 177 menções ao diabo em seus vários nomes;

Os livros de Ester e Cantares de Salomão não possuem o nome DEUS;

A expressão "Assim diz o Senhor" e equivalentes aparecem cerca de 3.800
vezes na Bíblia;

A vinda do Senhor é referida 1845 vezes na Bíblia, sendo 1.527 no Antigo
Testamento e 318 no Novo Testamento;

A expressão "Não Temas!" é encontrada 366 vezes na Bíblia, o que dá uma
para cada dia do ano e mais uma para os anos bissextos!;

No Salmo 107, há 4 versículos iguais: 8, 15, 21 e o 31;

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 16 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO

Todos os versículos do Salmo 136 terminam da mesma maneira;

Em Êxodo 3.14, Deus, pela primeira vez, revela Seu Nome: “Eu Sou Quem
Sou”, ou Yahweh (Jeová) - Este é o nome mais comum de Deus no Velho
Testamento, aparecendo cerca de 6.800 vezes na língua original, o Hebraico.
Em nossa tradução, esse Nome vem traduzido por "Senhor" e aparece 1.853
vezes;

Adão - o homem no Jardim do Éden – o seu nome significa "ser humano";

À medida que os apóstolos levaram o evangelho pelo mundo, muitas das
palavras do Senhor e muitas reminiscências sobre Ele circulavam oralmente.
Uma evidência disso ocorre quando Paulo, ao falar aos anciãos de Éfeso,
empregou uma declaração de Jesus que não consta de parte alguma dos
evangelhos (At 20:35);

Adão e Eva tiveram ouros filhos e filhas, o que revela de onde Caim obteve sua
esposa (Gn 5:4);

Sara era meio-irmã de Abraão (Gn 20:12);

Eva não comeu uma “maçã”, mas um fruto não especificado (Gn 3:6);

Os magos que visitaram Jesus não eram reis e não eram três, pois a Bíblia diz
“uns magos” (Mt 2:1);

A palavra Salmos, em hebraico, significa “louvores” (do grego Psallo = Salmos);

A Bíblia tem 3 Autores: o Pai (2 Tm 3:16); o Filho (Gl 1:12) e o Espírito Santo (2
Pe 1:21);

Os Salmos 120 ao 134 são conhecidos como “Cânticos dos Degraus”, pois
eram cantados na peregrinação a Jerusalém, quando subiam os 15 degraus do
templo (15 Salmos).

Na leitura da Bíblia, é Deus quem fala aos corações dos homens. Na leitura
dos Salmos, geralmente, somos nós quem falamos com Deus.

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 17 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO

A Bíblia é a eterna Palavra de Deus. Foi dada ao homem por Deus para ser o
absoluto, o supremo, o competente, o infalível e imutável padrão de fé e
prática.

O livro de Isaías:
• Também conhecido como “o Evangelho do Antigo Testamento”.
• É tido como uma miniatura da Bíblia:

• Tem 66 capítulos, assim como a Bíblia tem 66 livros.


• A primeira seção tem 39 capítulos/livros e corresponde à mensagem do Antigo
Testamento.
• A segunda seção tem 27 capítulos/livros tratando do conforto, promessa e salvação,
correspondendo à mensagem do Novo Testamento.
• Assim como o NT termina falando do novo céu e nova Terra, o mesmo ocorre no
término de Isaías (66:22).
• O próprio nome Isaías tem semelhança com o significado do nome de Jesus: Isaías
quer dizer Salvação de Jeová e Jesus, Jeová é Salvação.

Algo muito significante é que a Bíblia contém três advertências solenes contra
qualquer tentativa de acrescentar (ou diminuir) palavras ao livro inspirado de Deus e
esta significação é grandemente acentuada pelo fato de que a primeira de tais
advertências foi escrita pelo primeiro de todos os escritores da Bíblia, enquanto que a
terceira foi escrita pelo último dos escritores:
MOISÉS – que teve visão, dada pelo Espírito, do passado desconhecido, escreveu a
primeira: Dt 4:2; 12:32;
SALOMÃO – o homem mais sábio que já viveu, escreveu a segunda: Pv 30:6; Ec 3:14;
JOÃO – para quem foi dada tão maravilhosa revelação do futuro, escreveu a terceira: Ap
22:18-19.

DIVISÃO DOS LIVROS:

Nós, cristãos (igreja), agrupamos os 39 livros do Antigo Testamento em:

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 18 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO

5 da Lei (Gn, Ex, Lv, Nm, Dt), formando o Pentateuco;

12 históricos (Js, Jz, Rt, 1 e 2Sm, 1 e 2Rs, 1 e 2Cr, Ed, Ne, Et);

5 poéticos (Jó, Sl, Pv, Ec, Ct);

5 profetas maiores (Is, Jr, Lm, Ez, Dn);

12 profetas menores (Os, Jl, Am, Ob, Jn, Mq, Na, Hc, Sf, Ag, Zc, Ml).

A Tanakh (o A. T. dos judeus) e a divisão de Flávio Josefo (Lc 24:44)

TEXTO MASSORÉTICO FLÁVIO JOSEFO - 22 livros (a


distribuição é hipotética)
TORÁH Gn, Ex, Lv, Nm, Dt = 5 Gn, Ex, Lv, Nm, Dt = 5
(A Lei) Chumash = os cinco livros / Pentateuco

NEBI'IM Profetas anteriores - Js, Jz, Sm, Rs = 4 Js, Jz-Rt, Sm, Rs. Is, Jr-Lm, Ez, XII, Dn,
(Profetas) Profetas posteriores - Is, Jr, Ez, XII = 4 Ec, Es-Ne, Et, Cr = 13

KEThUBhIM Poesia e sabedoria - Sl, Jó, Pv = 3 Poesia e sabedoria - Sl, Pv, Jó, Ct = 4
(Escritos) "Megilloth" - Rt, Ct, Ec, Lm, Et = 5
Gr. História - Dn, Ed-Ne, Cr = 3
Hagiographa

OBSERVAÇÕES:

a) Os Profetas e os Escritos: também eram conhecidos pelos nomes dos seus


primeiros livros, “Isaías” e “Salmos”, respectivamente.
b) Profetas Posteriores: porque exerceram o ministério no período compreendido
entre os cativeiros Assírio e Babilônico até o retorno dos judeus à Palestina, após
70 anos sob o domínio babilônico.
c) Os livros históricos são de autores que não eram profetas oficiais, mas que
possuíam o dom de profecia.
d) O Rolo dos Doze – XII inclui os livros de: Oséias, Joel, Amós, Obadias, Jonas,
Miquéias, Naum, Habacuque, Sofonias, Ageu, Zacarias, Malaquias.

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 19 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
e) Os Cinco rolos (Megilloth) são cada um usado na ocasião de uma festa específica:
Cantares na Páscoa; Rute no Pentecostes; Lamentações no dia 9 do mês Abibe
(no aniversário da destruição de Jerusalém); Eclesiastes na Festa dos
Tabernáculos; Ester na Festa de Purim.
f) O primeiro livro da Escritura hebraica é Gênesis e o último Crônicas (Mt 23:35; Gn
4:8; 2 Cr 24:20-22).
g) No Cânon hebraico, como no nosso Cânon, os livros não estão em ordem
cronológica.
h) São 24 livros, visto que os seguintes livros são assim considerados: Samuel
(engloba 1 e 2 Sm), Crônicas (engloba 1 e 2 Cr), Reis (engloba 1 e 2 Rs), Os Doze
(são contados como um só livro), Esdras (inclui Neemias). [39 livros menos 15 =
24).
i) Flávio Josefo, historiador judeu reduziu os 24 livros para 22 livros, em
correspondência às 22 letras do alfabeto hebraico, combinando Rute com Juízes e
Lamentações com Jeremias.
j) O Novo Testamento menciona uma divisão tripla do Antigo Testamento: "A Lei, os
Profetas e os Salmos" (Lucas 24:44).
k) Jesus Cristo mencionou estas 3 divisões do V. T. em Lc 11:49-51, Lc 24:44 e Mt
23:34-36.
l) O livro de Eclesiástico (apócrifo), escrito em cerca de 130 antes de Cristo fala em
"a lei, os profetas e os outros escritos". Confira Mateus 23:35 e Lucas 11:51 que
refletem o arranjo da Bíblia Hebraica.

“O Novo Testamento está no Antigo Testamento ocultado, e o Antigo


Testamento, no Novo Testamento revelado”.

Os 27 livros do Novo Testamento são:


(BIOGRAFIA) 4 Evangelhos (Mt, Mc, Lc, Jo);

(HISTÓRIA) 1 histórico (At);

(DOUTRINA) 21 epístolas. São elas:

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 20 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
a) 9 a igrejas locais (Rm, 1 e 2 Co, Gl, Ef, Fp, Cl, 1 e 2 Ts);
b) 6 pastorais (1 e 2 Tm, Tt, Fm, 2 e 3 Jo);
c) 6 universais (Hb, Tg, 1 e 2 Pe, 1 Jo, Jd).

(PROFECIA) 1 profético (Ap).

DIVISÃO CRISTOCÊNTRICA

Os crentes anteriores a Cristo olhavam adiante com grande expectativa (1 Pe


1:11-12), ao passo que os crentes de nossos dias vêem em Cristo a
concretização dos planos de Deus.

A Bíblia pode ser dividida na estrutura geral e Cristocêntrica. Isso se baseia nos
ensinos do próprio Jesus, cerca de cinco vezes no Novo Testamento (Mt 5:17; Lc
24:27; Jo 5:39; Hb 10:7). Sim, Cristo é o centro e o coração da Bíblia, porque o Antigo
Testamento descreve uma nação e o Novo Testamento descreve um HOMEM. Toda
a Bíblia se converge para Cristo, como deixa claro João 20:31.
CRISTO é a nossa Palavra Viva (Apocalipse 19:13) que percorre todas as páginas
das Sagradas Escrituras. Examine ainda Lc 24:44. Considerando CRISTO como o
tema central da Bíblia, toda ela poderá ficar resumida assim:

Centro = lugar de equilíbrio (Jesus = equilíbrio perfeito)


A Árvore da Vida, um tipo de Cristo, está no centro (Gn 2:9). O Sl 118:8 é o centro
da Bíblia (594 capítulos antes e 594 capítulos depois). O Tabernáculo, um tipo de Cristo,
ficava no centro do acampamento (Lv 26:11). Jesus, quando era criança, era o centro das
atenções (Lc 2:46). Ele está no meio (centro) dos crentes (Mt 18:20). Foi crucificado entre
dois ladrões (Mt 27:38). Jesus ressuscitado apareceu no meio dos discípulos (Jo 20:19).
Vide também Ap 1:13; 5:6.

ANTIGO TESTAMENTO: (Jesus virá)


OBS: de uma forma geral, todo o A. T. trata da preparação para o advento de Cristo.

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 21 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
LEI: Fundamento da chegada de Cristo.
HISTÓRIA: Preparação para a chegada de Cristo.
POESIA: Anelo pela chegada de Cristo.
PROFECIA: Certeza da chegada de Cristo.

NOVO TESTAMENTO: (Jesus já veio)


OBS: O N. T. trata da manifestação de Jesus Cristo.

EVANGELHOS: Manifestação de Cristo ao mundo, como Redentor.


ATOS: Propagação de Cristo, por meio da igreja.
EPÍSTOLAS: Explanação, interpretação e aplicação de Cristo. São os detalhes da
doutrina.
APOCALIPSE: Consumação de todas as coisas em Cristo.

BREVE ANÁLISE DOS LIVROS DA BÍBLI A

I - ANTIGO TESTAMENTO:

TRÊS PENSAMENTOS BÁSICOS DO ANTIGO TESTAMENTO:

1. A Promessa de Deus a Abraão - “todas as nações seriam abençoadas”


2. O Concerto de Deus com a nação hebraica - Se O servissem fielmente,
prosperariam. Em estabelecer a nação hebraica, o objetivo FINAL de Deus foi trazer
CRISTO ao mundo. O objetivo IMEDIATO de Deus foi estabelecer, em terra idólatra, em
preparação para a vinda de Cristo, a idéia de que há UM só Deus Vivo e Verdadeiro. A
bênção dessa nação se comunicaria ao mundo.
3. A Promessa de Deus a Davi - “que sua família reinaria para sempre...”

PORTANTO, CONCLUÍMOS QUE: (Êx 19:5-6; Dt 4:5-8; Rm 9:4-5; Jo 4:22)

1. A nação hebraica foi estabelecida para que, por ela, o mundo inteiro fosse
abençoado: A nação messiânica.

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 22 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
2. O meio pelo qual a benção da nação hebraica se comunicaria ao mundo seria a
família de Davi: A família messiânica.
3. O modo pelo qual a bênção da família de Davi se comunicaria ao mundo seria o
grande Rei que nasceria dela: O MESSIAS.

O ANTIGO TESTAMENTO É DIVIDIDO EM QUATRO PARTES:

1 – Pentateuco, Livros da Lei ou Torah – são 5 livros:

Gênesis – Como a palavra bem indica, é o livro dos princípios: do céu e da Terra, das
ilhas e dos mares, dos animais e do homem. Com Abraão, temos o começo de uma
raça, um povo, uma revelação divina particular e finalmente uma igreja.
Êxodo – Relata o povo de Deus escravizado no Egito e a grande libertação divina,
usando a instrumentalidade de Moisés.
Levítico – Leis acerca da moralidade, limpeza, alimentos, sacrifícios, etc.
Números – Relata a peregrinação de Israel, quarenta anos pelo deserto.
Deuteronômio – Repetição das leis.

2 – Livros Históricos – são 12 livros:

Divide-se em quatro períodos da História de Israel:


a) Teocracia (Juízes)
b) Monarquia (Saul, Davi, Salomão)
c) Divisão do Reino e Cativeiro (Judá, Israel)
d) Período pós-cativeiro

Josué – Trata da conquista de Canaã. O milagre da passagem do Rio Jordão, a


queda das muralhas de Jericó, a vitória sobre as sete nações cananéias, a divisão da
terra prometida e, finalmente, a morte de Josué com cento e dez anos.
Juízes – Várias libertações através dos quinze juízes.
Rute – A linda história de Rute, uma ascendente de Davi e de Jesus Cristo.

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 23 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
1 e 2 Samuel – Relatam a história de Samuel, da implantação da monarquia, sendo
Saul o primeiro rei ungido por Samuel, Samuel como o último juiz e a história de Davi.
1 e 2 Reis – Relatam a edificação do Templo de Jerusalém, a divisão do reino.
Ministério de Elias e Eliseu. Ainda em II Reis, está relatado o cativeiro do Reino do
Norte pelos exércitos assírios, e do Sul com o poderio caldeu de Nabucodonossor.
1 e 2 Crônicas – Registram os reinados de Davi, Salomão e dos reis de Judá até a
época do cativeiro babilônico.
Esdras – Relata o retorno de Judá do cativeiro babilônico com Zorobabel e a
reconstrução do templo de Jerusalém.
Neemias – Relata a história da reedificação das muralhas de Jerusalém.
Ester – Relata a libertação dos judeus por Ester e o estabelecimento da festa de
Purim.

3 – Livros Poéticos – são 5 livros:

Jó – Sofrimento, paciência e libertação de Jó.


Salmos – Cânticos espirituais, proclamações, poemas e orações.
Provérbios – Dissertações sobre sabedoria, temperança, justiça, etc.
Eclesiastes – Reflexões sobre a vida, deveres e obrigações perante Deus.
Cantares de Salomão – Descreve o amor de Salomão pela jovem sulamita,
simbolizando o amor de Jesus pela igreja.

4 – Profetas – são 17 livros:


São os livros proféticos de acordo com as duas grandes crises do povo judeu:

CRISE CRISE DURANTE O APÓS O


ASSÍRIA BABILÔNICA CATIVEIRO CATIVEIRO
BABILÔNICO BABILÔNICO
Joel Sofonias Daniel Ezequiel Ageu
Amós Habacuque Zacarias
Jonas Jeremias Malaquias
Oséias Lamentações
Isaías Obadias
Miquéias
Naum

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 24 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
a) Profetas Maiores – são 5 livros:
Isaías – Muitas profecias messiânicas. É considerado o profeta da redenção. O livro
contém maldições pronunciadas sobre as nações pecadoras.
Jeremias – Tem por tema a reincidência, o cativeiro e a restauração dos judeus.
Jeremias é considerado “o profeta chorão”.
Lamentações – Clamores de Jeremias, lamentando as aflições de Israel.
Ezequiel – Um livro que contém muitas metáforas para descrever a condição,
exaltação e a glória futura do povo de Deus. Daniel – Visões apocalípticas.

b) Profetas Menores – são 12 livros:


Oséias – Relata a apostasia de Israel, caracterizada como adultério espiritual.
Contém muitas metáforas que descrevem os pecados do povo.
Joel – Descreve o arrependimento de Judá e as bênçãos. “O Dia do Senhor” é
enfatizado como um Dia de juízo e também de bênçãos.
Amós – Através de visões, o profeta reformador denuncia o egoísmo e o pecado.
Obadias – A condenação de Edom e a libertação de Israel.
Jonas – Relata a história de Jonas, o missionário que relutou para levar a mensagem
de Deus à cidade de Nínive. O mais bem sucedido dentre os profetas. Um dos
profetas que pregou o arrependimento ao povo. O povo se arrependeu e o profeta
ficou triste e desejou a morte.
Miquéias – Condição moral de Israel e Judá. Também prediz o estabelecimento do
reino messiânico.
Naum – A destruição de Nínive e a libertação de Judá da opressão assíria.
Habacuque – O grande questionamento do profeta a Deus. Como pode Deus ser
Justo e permitir que uma nação pecadora oprima Israel? Contém uma das mais belas
orações da Bíblia.
Sofonias – Ameaças e visão da glória futura de Israel.
Ageu – Repreende o povo por negligenciar a construção do segundo templo e
promete a volta da glória de Deus.
Zacarias – Através de visões, profetiza o triunfo final do reino de Deus. Zacarias
ajudou a animar os judeus a reconstruírem o templo. Foi contemporâneo de Ageu.

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 25 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
Malaquias – Descrições que mostram a necessidade de reformas antes da vinda do
Messias.
Terminamos o Velho Testamento com a palavra "maldição". Até aqui Cristo foi
prometido, mas não visto. A Esperança era prevista, mas não obtida.

Por quase 400 anos, Deus não chamou nenhum profeta para dizer "assim
diz o Senhor". Em todo este tempo (de 397 a. C. até 6 a. C.), nenhum escritor
inspirado apareceu. Por isto, este período é chamado de: "Os Anos
Silenciosos", “O Período Intertestamentário” ou "O Período Negro". Os livros
apócrifos são deste período.

II - NOVO TESTAMENTO:

O Velho Testamento mostra o problema, mas não revela completamente a


solução. O Novo Testamento dá a resposta ao problema e aponta a solução:
JESUS CRISTO!

O NOVO TESTAMENTO TAMBÉM TEM QUATRO DIVISÕES:

1 – Os Evangelhos ou Biográficos:

• Mateus, Marcos, Lucas e João - Tratam do nascimento, vida, obra, morte,


ressurreição e ascensão de Um Homem chamado Jesus, O Filho de Deus, O
Messias Prometido a Israel. A questão central é a carreira terrena de Jesus Cristo.

• Os temas e as datas dos Evangelhos:

Mateus: O Prometido está - veja o Seu reinado/soberania (Suas qualificações).


Marcos: Assim Ele trabalhou - veja o Seu trabalho (Seu poder).
Lucas: Assim Ele era - veja a Sua humanidade (Sua natureza).
João: Assim Ele é - veja a Sua divindade.

Mateus (40-55 d. C.): Foi escrito para os JUDEUS. Faz conexão com o Velho
Testamento (as Escrituras Hebraicas). Revela o Messias como o REI prometido do

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 26 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
Velho Testamento aos Judeus, O soberano que veio ordenar e reinar (autoridade
Mt 1:1; 16:16-19; 28:18-20). Traz a linhagem/genealogia “Real” de Jesus (Rei) até
Suas raízes judaicas, como Filho do Rei Davi (conf. Mt 1:1). O Novo Testamento é o
cumprimento do Velho Testamento - note logo no começo do Novo Testamento o que
diz Mateus 1:22. É por isto que Deus diz em Mateus: "Este é o meu amado Filho em
quem me comprazo: escutai-O" (Mt 17:5). É o evangelho que mais traz profecias.

Marcos (57-63 d. C.): Foi escrito para o povo ROMANO. Representa o Messias
como o SERVO Fiel e Obediente de Deus, Aquele que veio servir e sofrer (Mc
10:45). Não traz genealogia, pois para o servo, isso não conta, pois servo não é uma
pessoa de quem se procure uma genealogia. Marcos é um judeu-gentio (João
Marcos), cujo nome faz conexão com o judeu e o gentio. Relata mais milagres, pois
os romanos se interessavam mais por ações/resultados que palavras.

Lucas (63 d. C.): Foi escrito para os GREGOS. Relata o Messias como o Homem
Perfeito, o FILHO DO HOMEM, Aquele que veio repartir e Se compadecer (Lc
19:10). Os gregos gostavam de tudo detalhado. Lucas tem genealogia, mostrando
que Jesus é Perfeito. Traz a linhagem/genealogia “humana” de Jesus até o primeiro
homem, Adão, mostrando Jesus como Homem Perfeito (conf. Lc 3:38). Mesmo
tentado na carne, Ele continuou Perfeito. Lucas era um médico e um gentio (narra o
sofrimento de Cristo em detalhes que só um médico poderia fazer).

João (90 d. C.): foi escrito para TODO O MUNDO, com o propósito de levar o homem
a Cristo. João apresenta Jesus como o FILHO DE DEUS, Aquele que veio revelar e
redimir (Jo 1:1-4; 20:31). Tudo no evangelho de João ilustra e demonstra o
relacionamento de Cristo com o Pai. É onde Jesus trata mais a Deus como Pai (Abba
Pai). Não traz genealogia, pois, Jesus Cristo, sendo 100% Deus, é Eterno, sem
princípio, meio ou fim. Sua linhagem é “espiritual”, eterna!!!
A crítica está cada vez mais voltando ao ponto de vista tradicional quanto à
data e autoria de diversos livros. Há razão para crermos que os Evangelhos
sinópticos foram escritos na ordem: Mateus, Lucas e Marcos. Orígenes
freqüentemente os cita nessa ordem e Clemente de Alexandria, antes dele, coloca os
Evangelhos que contêm genealogia primeiro, com base na tradição que ele recebeu
dos “antigos antes dele”. De acordo com Euzébio, H. E., Vi. Xiv. Esta opinião é

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 27 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
reforçada pela consideração de que os Evangelhos surgiram das circunstâncias e
ocasiões da época. (Palestras em Teologia Sistemática, Henry Clarence Thiessen
(Ed. Batista Regular, pág 58).

Os quatro relatam os tipos mostrados em Ezequiel 1.10 e em Apocalipse 4.6-8,


ilustrando os quatro animais "no meio do trono, e ao redor do trono" com a
semelhança de:
• leão (Mateus - rei),
• bezerro (Marcos – servo),
• rosto como de homem (Lucas - filho do homem) e • semelhante a uma águia
voando (João - filho de Deus).

2 – Histórico:

• Atos dos Apóstolos - Propagação do Evangelho. Trata dos resultados da


morte e da ressurreição de Jesus Cristo, com a propagação das “Boas Novas”,
por impulso e liderança do Espírito Santo, começando em Jerusalém, Judéia,
Samaria e até os confins da Terra.

3 – Epístolas:

Os fundadores das igrejas, freqüentemente impossibilitados de visitá-las


pessoalmente, desejavam entrar em contato com seus convertidos no propósito de
aconselhá-los, repreendê-los e instruí-los. Assim surgiram as Epístolas.
(Circulação das epístolas: 1 Ts 5:27; Cl 4:16; 1 Pe 1:1-2; 2 Pe 3:14-16; Ap 1:3)

• Epístolas Paulinas – a) 9 dirigidas a igrejas: Romanos, 1 e 2 Coríntios,


Gálatas, Efésios, Filipenses, Colossenses, 1 e 2 Tessalonicenses; b) 4
dirigidas a indivíduos: 1 e 2 Timóteo, Tito, Filemom.
• Epístolas Gerais – a) 1 dirigida a um povo: Hebreus; b) 7 universais: Tiago, 1
e 2 Pedro, 1, 2 e 3 João, Judas.

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 28 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
OBS: Fp, Ef, Cl e Fm são chamadas epístolas da prisão, escritas por Paulo, na prisão
em Roma.

IMPORTANTE: As Cartas Paulinas apresentam a Teologia para a Igreja. A


essência do que Deus tem para a Igreja está nas Cartas. O crente deve se guiar
pelas Cartas Paulinas e não pelas regras e leis do Antigo Testamento. Elas
foram escritas para orientar, instruir e exortar os crentes a viverem uma vida
cristã plena, frutífera, operosa, abundante, VITORIOSA. Leia as Cartas! Medite!!!

4 – Profético:

Apocalipse – Revelação, Consumação e Juízo de Deus. Um novo Céu e uma nova


Terra.
Cada livro da Bíblia deve ser estudado convenientemente para que o seu
ensino seja aprendido, retido na mente e no coração, colocando os princípios
em prática.

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INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 29 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
AS LÍNGUAS E OS MATERIAIS DA BÍBLIA:

A ERA DA ESCRITA:

Parece que a escrita se desenvolveu durante o IV milênio a.C. No II milênio


a.C. várias experiências conduziram ao desenvolvimento do alfabeto e de
documentos escritos por parte dos fenícios. Tudo isso se completou antes da época
de Moisés, que escreveu alguns Livros do Pentateuco aproximadamente em 1491
a.C.
Já em 3500 a.C. os sumérios usavam tabuinhas de barro para a escrita
cuneiforme, e registraram, por exemplo, a descrição sumeriana do dilúvio (o Épico de
Gilgamesh), que teria sido gravada em 2100 a.C.
Os egípcios (em 3100 a.C.) apresentavam documentos escritos em hieróglifos
(pictografia = desenhos, pinturas).
A partir de 2500 a.C. usavam-se textos pictográficos em Biblos (Gebal) e na
Síria. Em Cnosso e em Atchana, grandes centros comerciais, apareceram registros
gravados anteriores à época de Moisés. Outros elementos correspondentes de
meados a fins do II milênio a.C. acrescentam mais evidências de que a escrita já se
havia desenvolvido bem antes da época de Moisés. Em suma, Moisés e os demais
autores da Bíblia escreveram numa época em que a humanidade estava
“alfabetizada”, ou melhor, já podia comunicar seus pensamentos por escrito.

AS LÍNGUAS BÍBLICAS EM PARTICULAR:

As línguas utilizadas no registro da revelação de Deus, a Bíblia, vieram das


famílias de línguas semíticas e indo-européias. Da família semítica, originaram-se as
línguas básicas do Antigo Testamento, quais sejam: o Hebraico e o Aramaico (Siríaco:
2 Rs 18:26; Ed 4:7; Dn 2:4). Além dessas línguas, o Latim e o Grego representam a
família indo-européia. De modo indireto, os fenícios exerceram um papel importante
na transmissão da Bíblia, ao criar o veículo básico que fez com que a linguagem
escrita fosse menos complicada do que havia sido até então: inventaram o
ALFABETO.

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 30 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
AS LÍNGUAS DO ANTIGO TESTAMENTO:

O Hebraico é a língua principal do Antigo Testamento, especialmente


adequada para a tarefa de criar uma ligação entre a biografia do povo de Deus e o
relacionamento do Senhor com esse povo. O Hebraico se encaixou bem nessa tarefa
porque é uma língua pictórica (= desenhos). Expressa-se mediante metáforas vívidas
e audaciosas, capazes de desafiar e dramatizar a narrativa dos acontecimentos. Além
disso, o Hebraico é uma língua pessoal. Apela diretamente ao coração e às emoções,
e não apenas à mente e à razão.
É uma língua em que a mensagem é mais sentida que meramente pensada.
É chamada no A. T. de “língua de Canaã” (Is 19:18) e “língua Judaica” (Is
36:11-13; Ne 13:24; 2 Rs 18:26-28). Ela, provavelmente, desenvolveu-se a partir do
antigo hebraico falado por Abraão, em Ur dos caldeus (Gênesis 14.13) e vários
estudiosos crêem que esse hebraico era anterior a Abraão e que era a “mesma
língua” e “a mesma fala” dos tempos pré-Babel (Gênesis 11.1). Em outras palavras,
crêem que essa era a língua original do homem.
A língua hebraica é conhecida como “quadrática” e suplanta em beleza a todas
as outras escritas. Possui raiz triconsonantal (3 consoantes). Lê-se da direita para
esquerda, seu alfabeto se compõe de 22 letras e serve também para representar
números.
As 22 letras do Hebraico se encontram no Sl 119 e no Livro de
Lamentações.
Em Gn 31:47, vemos Labão (vindo da Caldéia), falar em Aramaico e Jacó,
vindo de Canaã), falar em Hebraico.
O Aramaico (uma língua cognata, muito próxima do hebraico) era a língua dos
sírios, tendo sido usada em todo o período do Antigo Testamento. Na verdade,
substituiu o hebraico no tempo do cativeiro. Era falado desde 2000 a. C., em Arã, na
Síria. Tinha o mesmo alfabeto do Hebraico, mas diferenciava no som e estrutura das
palavras. Era a língua “comercial” do mundo antigo, quando a Assíria e a Babilônia
dominaram o mundo da época (cativeiros). Era a língua diplomática, no tempo de
Senaqueribe (705-681 a.C.). Depois do Cativeiro Babilônico (500 a.C.), tornou-se a
língua comum naquela região.

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 31 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
Durante o século VI a.C., o Aramaico se tornou a língua geral de todo o Oriente
Próximo. Seu uso generalizado se refletiu nos nomes geográficos e nos textos
bíblicos de Esdras (4:8-6:18; 7:12-26), pelo fato de ser o aramaico a língua oficial do
Império Persa; um versículo em Jeremias (10:11), onde há a citação de um provérbio
aramaico; e uma parte relativamente grande do livro de Daniel (2:4 a 7:28), onde o
aramaico é usado, provavelmente, por ser uma seção inteira que trata das nações do
mundo.

AS LÍNGUAS DO NOVO TESTAMENTO:

As línguas semíticas também foram usadas na redação do Novo Testamento.


Na verdade, Jesus e Seus discípulos falavam o Aramaico, sua língua materna, tendo
sido essa a língua falada por toda aquela região na época.

As expressões “Talita cumi” (Mc 5:41); “Eli, Eli, lamá sabactâni” (Mt 27:46);
“Maranata” (1 Co 16:22); “Aba Pai” (Rm 8:15; Gl 4:6) são em Aramaico.

O Hebraico fez sentir mais sua influência mediante expressões idiomáticas,


como uma que, no português, quer dizer “e sucedeu que”. Outro exemplo da
influência hebraica no texto grego vemos no emprego de um segundo substantivo, em
vez de um adjetivo, a fim de atribuir uma qualidade a algo ou a alguém, como ocorre
na 1 Ts 1:3. O epitáfio na cruz de Cristo (o Nome de Deus = YHWH) é em Hebraico.
Além das línguas semíticas a influenciar o N. T., temos as indo-européias, o
Latim e o Grego. O Latim influenciou ao emprestar muitas palavras, como “centurião”,
“tributo” e “legião”, e pela inscrição trilíngue na cruz (em Latim, em Hebraico e em
Grego).
No entanto, a língua em que se escreveu o N. T. foi o Grego. Até fins do século
XIX, cria-se que o grego do N. T. (o Grego helenístico, koinê = comercial) era a
“língua especial” do Espírito Santo; mas, a partir de então, essa língua tem sido
identificada como um dos cinco estágios do desenvolvimento da língua grega.
Esse grego koinê era a língua mais amplamente conhecida em todo o mundo
do século I. O alfabeto havia sido tomado dos fenícios. Seus valores culturais e

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 32 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
vocabulário cobriam vasta expansão geográfica, vindo a tornar-se a língua oficial dos
reinados em que se dividiu o grande império de Alexandre, o Grande, uma língua
quase universal.
O aparecimento providencial dessa língua, ao lado de outros
desenvolvimentos culturais, políticos, sociais e religiosos, ampla rede de
estradas, progresso, etc., durante o século I a.C., fica implícito na declaração de
Paulo: “Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de
mulher, nascido sob a lei” (Gl 4:4).

Grego: 25 letras, começando no Alfa e terminando no Ômega.


Jesus Se identifica com o N.T., que foi escrito em Grego, ao declarar: “Eu sou o Alfa e
o Ômega, o princípio e o fim, o primeiro e o derradeiro” (Ap 22:13).

O Grego do N. T. se adaptou de modo adequado à finalidade de interpretar a


revelação de Cristo em linguagem teológica. Tinha recursos linguísticos especiais
para essa tarefa, por ser um idioma intelectual. Era a segunda língua dos escritores
do N.T., com exceção de Lucas.
Era um idioma da mente, mais que do coração, e os filósofos atestam isso
amplamente. O Grego tem precisão técnica de expressão não encontrada no
Hebraico. Além disso, o Grego era uma língua quase universal.

A verdade do A. T. a respeito de Deus foi revelada inicialmente a uma


nação, Israel, em sua própria língua, o Hebraico.
A revelação completa, dada por Cristo, no Novo Testamento, não veio de
forma tão restrita. Em vez disso, a mensagem de Cristo deveria ser anunciada
ao mundo todo, por isto, era necessária uma língua universal: “... em seu nome
se pregará o arrependimento e a remissão dos pecados, em todas as nações,
começando por Jerusalém” (Lc 24:47)

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 33 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
OS MATERIAIS DA ESCRITA:
Os autores da Bíblia empregaram os mesmos materiais para a escrita, que
estavam em uso no mundo antigo.
O papiro foi usado na antiga Gebal (Biblos) e no Egito, por volta de 2100 a.C.
Eram folhas de uma planta, cuja popa era cortada em tiras que eram colocadas
superpostas umas às outras de forma cruzada, coladas, prensadas e depois polidas.
Eram escritas de um lado apenas. A cor era amarelada. Foi o material que o
apóstolo João usou para escrever o Apocalipse (Ap 5:1) e suas cartas (2 Jo 12).

A antiga Gebal é atualmente a cidade de Jubayl (nome árabe) e fica a 42 km


de Beirute. É considerada a cidade mais antiga do mundo. Seu nome em Grego é
Biblos, pois de lá vinham os papiros (biblos).

O velino, o pergaminho e o couro são palavras que designam os vários


estágios de produção de um material de escrita feito de peles de animais curtida e
preparada para a escrita. Seu uso generalizado vem dos primórdios do Cristianismo,
mas já era conhecido em tempos remotos, pois temos uma menção de Isaías 34:4
sobre um livro que era enrolado. O velino era a pele de bezerros e antílopes. O
pergaminho era a pele de ovelhas e cabras.
Tudo indica que o termo pergaminho derivou o seu nome da cidade Pérgamo,
na Ásia menor, cujo Rei, Eumenes II (159 - 197 d. C.), fez uma grande biblioteca para
rivalizar com a de Alexandria no Egito, haja vista que o Rei do Egito havia cortado o
suprimento de papiro. O Novo Testamento menciona este material gráfico em 2 Tm
4:13 e Ap 6:14. O velino era desconhecido até 200 a.C., pelo que Jeremias teria tido
em mente o couro (Jr 36:23).
O A.T. foi escrito basicamente no couro, pois o Talmude assim o exigia. O N.T.
foi escrito basicamente em papiro. No século IV A.D., foi utilizado o velino para os
manuscritos. Outros materiais para a escrita eram o metal (Êx 28:36), a tábua
recoberta de cera (Is 30:8; Hc 2:2; Lc 1:63), as pedras preciosas (Êx 39:6-14) e os
cacos de louça (óstracos), como mostra Jó 2:8. O linho era usado no Egito, na Grécia
e na Itália, embora não tenhamos indícios de que tenha sido usado no registro da
Bíblia.

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 34 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
A TINTA E OS INSTRUMENTOS DE ESCRITA:

A tinta utilizada pelos escribas era uma mistura de carvão em pó com uma
substância líquida parecida com a goma arábica (Jr 36:18; Ez 9:2; 2 Co 3:3; 2 Jo 12; 3
Jo 13).
Para a escrita em papiro e pergaminho, os escribas usavam penas de aves,
pincéis finos e um tipo de caneta feita de madeira porosa e absorvente. Para uso em
cera, utilizavam um estilete de metal (Is 30:8).

OS TIPOS DA ESCRITA DOS MANUSCRITOS:

Alguns tipos de escrita utilizados nos manuscritos são:


a) Uncial: os mais antigos manuscritos gregos só usavam letras maiúsculas
desenhadas e sem separação entre palavras. Datam do IV século A. D.
b) Cursivo: Era o tipo de escrita onde letras minúsculas eram conectadas com
espaço entre palavras, pois, naquela época (séc. VI a X d.C.), havia maior
necessidade de cópias dos manuscritos.
c) Sinais Vocálicos: Mais ou menos ao redor dos anos 500 a 900 d.C., eruditos
judeus chamados Massoretas introduziram um sistema de pontos colocado acima,
abaixo e entre o texto consonantal do Velho Testamento, de forma a marcar a
vocalização do texto. Além disto, eles cercaram o texto de uma série de anotações
chamadas Massorah que garantiam a imutabilidade do texto. Estes pontos, chamados
pontos vocálicos, exerceriam a função de vogais, mas tinham a vantagem de nada
acrescentar ou tirar do texto consonantal inspirado. Este sistema preservou a
pronúncia do Hebraico que, nesta época, era a língua dos eruditos judeus. Foi o texto
hebraico preservado por este grupo de eruditos judeus que chegou aos dias de hoje.
OBS: É conveniente lembrarmos que, nos manuscritos mais antigos, não era
usado um sistema de pontuação. E, também, é bom lembrarmos que não há nenhum
manuscrito original preservado nos dias de hoje (para se evitar a idolatria!!!).

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 35 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
O FORMATO DOS MANUSCRITOS (MSS):

Os manuscritos do Antigo Testamento tinham os formatos de livros (códices) e


rolos. Os códices eram feitos de pergaminho cujas folhas tinham normalmente 65 cm
de altura por 55 cm de largura. Os rolos podiam ser de papiro ou pergaminho. Eram
presos a um cabo de madeira para facilitar o manuseio durante a leitura. Eram
enrolados da direita para a esquerda. Sua extensão dependia da escrita a ser feita.

A BÍBLIA É INSPIRADA

Jesus Cristo ensinou que a Bíblia é infalivelmente inspirada (Jo 10:35b;


17:17; Mt 4:4; 5:17-18) e também eterna e perfeitamente preservada por Deus (Mt
4:4; 5:18; 24:25, Lc 16:17; 21:33; 24:44)
Juramento de John Burgon: “Juro pelo Nome do Deus Triúno: Pai, Filho e
Espírito Santo, que creio que “a Bíblia não é outra coisa senão a voz d'Aquele que
está sentado no trono. Cada livro dela, cada capítulo dela, cada versículo dela, cada
palavra dela, cada sílaba dela, cada letra dela, são elocuções diretas do Altíssimo.
A Bíblia não é nada mais que a Palavra de Deus; nenhuma parte dela é mais,
nenhuma parte dela é menos, mas todas as partes de igual modo, são expressões
d'Aquele que está sentado no Trono, sem defeito, sem erro, supremas.” Assim ajude-
me Deus, AMÉM”.

SIGNIFICADO DA INSPIRAÇÃO (inspiração = registro escrito):

Inspiração é o homem escrevendo o que Deus revelou. A Inspiração é o


registro escrito das revelações de Deus e daquilo que Ele quis que os escritores
registrassem por escrito. A inspiração, portanto, é o processo pelo qual Deus
manifesta uma influência sobrenatural sobre certos homens, capacitando-os para
registrar acurada e infalivelmente o que quer que tenha sido revelado. “Homens
santos de Deus”, lemos, “falaram inspirados pelo Espírito Santo” (2 Pe 1:21). O
resultado desse processo é a Palavra de Deus escrita, a “escritura da verdade” (Dn
10:21).

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 36 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
Como ocorreu o processo da inspiração:

A própria Bíblia clama ser a Palavra de Deus. O termo “inspiração” é o termo


teológico tirado da Bíblia que expressa a verdade que a Bíblia é a Palavra de Deus.
Talvez a melhor definição de inspiração seja a de L. Gaussen: “aquele
inexplicável poder que o Espírito divino estendeu antigamente aos autores das
Sagradas Escrituras, para que fossem dirigidos mesmo no emprego das palavras que
usaram, e para preservá-los de qualquer engano ou omissão”.
Para entendermos a inspiração, devemos olhar para dois versículos clássicos
das Escrituras, a seguir:

“Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para


redargüir, para corrigir, para instruir em justiça” (2 Tm 3:16)

A palavra inspiração é “theopneutos”, que significa “theo” = Deus, e “pneutos” =


assoprar. A palavra hebraica é “nehemiah” e é usada somente uma vez no Velho
Testamento (em Jó 32:8). O versículo está dizendo que Deus assoprou nos escritores
da Bíblia que escreveram assim as próprias Palavras de Deus. O adjetivo empregado
nesta passagem significa <<insuflado por Deus>> (cf. Gn 2:7).
A palavra “Escritura”, vem do Grego “graphe”, que siginifica escrita, grafia,
palavra. Deus “assoprou” palavras! Podemos dizer então que tudo o que foi “escrito”
(as Escrituras) foi dado pelo “sopro de Deus”. Portanto, o que Deus “soprou” foram
palavras (graphe). Cada palavra, cada letra é importante para Deus.

É importante frisarmos que a Bíblia é inspirada e não os escritores. Se


fosse o contrário, tudo aquilo que eles escrevessem, de uma forma geral, seria
Bíblia...

A próxima passagem é:

“Porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum,


mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo.” (2 Pe
1:21)

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 37 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
Literalmente, o que o versículo está dizendo é que a inspiração é o processo
pelo qual o Espírito Santo “ moveu” ou dirigiu os escritores das Escrituras para que o
que eles escrevessem não fossem palavras deles, mas a própria Palavra de Deus.
Deus nos está dizendo que Ele é o Autor da Bíblia, e não o homem.
Os escritores da Bíblia são chamados <<homens impelidos (ou “carregados”)
pelo Espírito Santo>> (2 Pe 1:20-21; cf. Ap. 19:9; 22:6; 2 Sm 23:2). Eles foram
“movidos”, “tomados”, “levados”. A palavra “inspirados” no versículo acima é a mesma
palagra grega que foi usada em Atos 27:15 (o barco foi “levado”).
O próprio Jesus Cristo afirmou que o Espírito Santo faria os Seus discípulos se
lembrarem de tudo o que presenciaram: “Mas aquele Consolador, o Espírito Santo,
que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará
lembrar de tudo quanto vos tenho dito” (Jo 14:26) e os anunciaria fatos futuros:
“Mas, quando vier aquele, o Espírito de verdade, ele vos guiará em toda a
verdade; porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e vos
anunciará o que há de vir” (Jo 16:13). (1 Co 2:10-13; 2 Co 2:4, 13; 1 Jo 1:1-3).

O Deus que soprou o fôlego de vida nos seres viventes é o mesmo que soprou
Sua Palavra nas consciências dos Seus profetas.

Se o próprio Espírito Santo supervisionou a entrega e o registro da revelação,


Ele, sendo Deus Onipresente, Onisciente e Onipotente, garantiu que isto seria feito
sem erros.
O Espírito de Deus de tal modo guiou e superintendeu os escritores da Bíblia,
mesmo fazendo uso das suas características pessoais (idiossincrasias), que os seus
originais (e os Textos Massorético e Texto Recebido, miraculosamente preservados
por Deus, sem nenhuma falha, e traduzidos fielmente na Almeida Original e na
Almeida Corrigida e Revisada FIEL, da Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil) são a
única e completa, plena, verbal, infalível e inerrável, autoritativa corporificação
de TUDO o que Deus quis comunicar ao homem. Assim, cada palavra da Bíblia é
literalmente de Deus e é a única base para doutrina.
Inspiração é o poder estendido pelo Espírito Santo, mas não sabemos
exatamente como esse poder operou. É limitado aos escritores das Escrituras

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 38 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
Sagradas. Isto EXCLUI todos os outros livros “sacros” por não serem inspirados;
também nega autoridade final a todas as igrejas, concílios eclesiásticos, credos e
clérigos.

A inspiração não exclui a diversidade de expressão sobre o mesmo assunto


(Mt 16:16; Mc 8:29; Lc 9:20). Até os 10 mandamentos têm expressões diferentes, pois
o Autor é Deus, e Ele pode Se exprimir de formas diferentes sobre o mesmo
assunto!!! (Êx 20:8-11; Dt 5:12-15).

O mais próximo que conseguimos chegar da inspiração é chamando-a de


“orientação”. Isto é, o Espírito Santo supervisionou a seleção dos materiais a serem
usados e das palavras a serem empregadas por escrito. Finalmente, Ele preservou os
autores de todos os erros e omissões. Temos na Bíblia, portanto, a Palavra de Deus
verbalmente inspirada.

O apóstolo Paulo relatou, inclusive, seus lapsos de memória (1 Co 1:14-16),


suas emoções pessoais (Gl 4:14), suas palavras (1 Co 7:12, 40). Entretanto, ele
mesmo frisa que, apesar de expor sentimentos e impressões pessoais, tudo o que ele
registrou nas Escrituras são Palavras do Senhor! (1 Co 2:13; 14:37-38; Gl 1:12).
Inclusive, quando ele aborda a questão do papel e posição da mulher na igreja, ele
declara que o que disse são “mandamentos do Senhor” e não seu entendimento
pessoal! (1 Co 14:37-38).

Observamos, além disso, que a inspiração se estende às palavras, não


simplesmente aos pensamentos e conceitos, ou idéias gerais. Se se estendesse
simplesmente aos últimos, ficaríamos sem saber se os escritores entenderam
exatamente o que Deus disse, se se lembraram exatamente do que Ele disse, e se
eles tinham capacidade para expressar os pensamentos de Deus com exatidão. Será
que cada palavrinha da Bíblia é mesmo inspirada?
O que Jesus disse acerca deste assunto? Vamos lá ver, o que nosso Senhor
falou:

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 39 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
“Ele, porém, respondendo, disse: Está escrito: Nem só de pão viverá o homem,
mas de TODA a palavra que sai da boca de Deus.” (Mt 4:4)

Que sublime afirmação do Mestre! Ele claramente nos diz que TODAS (não
somente algumas, não somente as que constam nos “melhores e mais antigos
manuscritos”, nem as que têm certa preferência da crítica textual), mas sim que todas
as palavras que saem da boca de Deus são alimento para o homem.
Ou que dizer acerca do cumprimento cabal da lei, declarado por Jesus:

“Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, nem um jota
ou um til se omitirá da lei, sem que tudo seja cumprido.” (Mt 5:18)

Ora, aqui Jesus nos diz que TUDO o que está na lei, será cumprido, “timtim por
timtim”. Existem versículos que claramente proíbem acrescentar, ou diminuir, o que
quer que seja (Dt 4:2; 12:32; Pv 30:6; Ec 3:14; Ap 22:18-19). Lembre-se que uma
vírgula numa frase pode alterar totalmente o sentido da mesma. Em Gl 3:16, vemos a
importância e falta que faz uma simples letra “s”!!!
Assim, a Bíblia, obra de escritores humanos, é, contudo, de natureza divina (1
Ts 2:13) e isto num sentido mais elevado do que o que se dá ao fazer referência a
outras obras que se costumam dizer “inspiradas”.

Embora a Bíblia seja inspirada por Deus (Sl 19:7-11; 119:89; 105, 130, 160; Pv 30:5-
6; Is 8:20; Jr 1:2, 4, 9; Lc 16:31; 24:25-27; 44-45; Jo 5:39, 45-47; 12:48; 14:26; 16:13;
17:17; At 1:16; 28:25; Rm 3:4; 15:4; 1 Co 2:10-13; 2 Co 2:4; Ef 6:17; 1 Ts 2:13; 2 Tm
3:16-17; 1 Pe 1:11-12; 2 Pe 1:19-23; 1 Jo 1:1-3; Ap 1:1-3; 22:19), a participação do
homem na recepção da revelação assumiu várias formas. Isto se deu naturalmente,
de modos diversos: ora os escritores simplesmente registravam fatos históricos; ora
registravam as mensagens que profetas e apóstolos recebiam de Deus; ora refletiam
intimamente sobre coisas de Deus e Este usava seus pensamentos para levar Sua
mensagem aos homens; ora eram guiados por Deus a escrever palavras revestidas
de sentido mais profundo do que eles próprios sabiam (1 Pe 1:10-12; cf. Dn 8:15;
12:8-12).

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 40 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
Ocasionalmente, descreveram visões, sonhos ou aparições que
testemunharam (Is 6; Jr 24; Dn 7-12; Ap 1-22); vários autores puderam escrever seu
testemunho pessoal, pois foram testemunhas oculares dos eventos que relataram (Js
24:26; Jo 19:35; 21:24; 1 Jo 1:1-4; 2 Pe 1:1618); também citaram documentos
antigos, que tinham à sua disposição, frutos de suas pesquisas [isto é inspiração
(registro escrito) sem revelação (sem ser algo recebido diretamente de Deus)] (Dn 4;
2 Cr 36:23; Ed 1:2-4; 7:11-26; 1 Jo 1:1-4; Lc 1:1-4; etc.), inclusive houve citações de
fontes extrabíblicas (At 17:28; Tt 1:12; Jd 14-15); compuseram, como artistas, poesia
e outras manifestações da sabedoria (Salmos, Provérbios, etc). Vale lembrarmos que
os 10 mandamentos foram escritos diretamente por Deus (Êx 31:18).
Os profetas estavam tão cônscios da responsabilidade de entregar a
mensagem de Deus (e não suas) que muitas vezes pediam a Deus que os poupasse
desse peso (Vide a resistência de Jonas). Os escritores do Novo Testamento também
reconheceram terem sido guiados pelo Espírito Santo para registrar as revelações de
Deus.
A Bíblia é um livro divino-humano: humano porque, escrito por homens,
manifesta sentimentos e pensamentos humanos, às vezes em desacordo com
os de Deus (ver, por exemplo, os discursos dos amigos de Jó, que o próprio
Deus refutou); divino, porque é obra de homens a quem a Palavra de Deus foi
revelada.
A IMPARCIALIDADE DA BÍBLIA PROVA QUE ELA É A PALAVRA DE DEUS
Quando os homens escrevem biografias dos seus heróis, eles normalmente
limpam suas faltas, mas a Bíblia exibe sua qualidade divina mostrando o homem
como ele é. Não apenas a Bíblia é verdadeira, mas também é clara e sincera. Mesmo
os melhores homens descritos na Bíblia são descritos com suas faltas. Conhecemos
claramente a rebelião de Adão, a bebedeira de Noé, o adultério de Davi, a apostasia
de Salomão, a desobediência de Jonas, o desaforo de Pedro para com o Mestre, a
briga de Paulo e Barnabé e espante-se com a descrença dos discípulos a respeito da
ressurreição de Cristo. O que se segue foi publicado em “The Berean Call” [O
Chamado de Beréia], Janeiro 2005:
“As Escrituras revelam honestamente as fraquezas e pecados dos melhores
santos – mesmo quando tais fatos poderiam ter sido evitados. Tal honestidade dá a

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 41 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
coroa da verdade às Escrituras. Um dos relatos mais estranhos foi a descrença dos
discípulos quanto à ressurreição de Cristo. De fato, seu ceticismo e aparente má
vontade em acreditar, mesmo quando Cristo os encontrou face a face, parece que
dificilmente um escritor de ficção ousaria retratá-lo. Cristo acusa Seus discípulos de
dureza de coração (Marcos 16:14). Eles não creram, mesmo quando Cristo lhes
apareceu (Lucas 24:36-38). Mas um dos ladrões crucificados com Cristo creu em Sua
ressurreição, ou ele não teria pedido “E disse a Jesus: Senhor, lembra-te de mim,
quando entrares no teu reino.” (Lc 23:42). As dúvidas dos discípulos não tinham
desculpa em vista das muitas profecias messiânicas. Eles terem sido tão cegos em
relação às Escrituras, mesmo depois de terem sido ensinados pessoalmente por
Cristo durante tantos anos, nos faz reexaminarmos a nós mesmos para não sermos
culpados da mesma cegueira.”
A aceitação da Bíblia como Palavra de Deus não é matéria de prova científica e
sim de fé. Isso não quer dizer que tomamos atitude irracional ou sem fundamento.
Antes, nossa atitude se baseia no testemunho de Jesus, a respeito do Antigo
Testamento.
De certo modo, podemos compará-la à nossa fé em Jesus Cristo como Filho
Unigênito de Deus, a qual não depende, em última análise, de provas humanas de
Sua divindade, e sim, de um ato de fé.
A experiência cristã tem confirmado que de fato Deus Se revela aos homens
através de TODA a Bíblia, ainda que o faça com maior nitidez em certas partes
(João, por exemplo) do que em outras que são, por assim dizer, periféricas em
relação à suprema revelação em Jesus Cristo.
Não é que o Evangelho segundo João seja “mais inspirado” do que Eclesiastes,
por exemplo; antes, é que, naquele, Deus estava concedendo a João a mais suprema
e plena revelação de Deus; ao passo que, em Eclesiastes, fornecia o registro das
últimas tentativas humanas para conseguir a felicidade “debaixo do sol”.
Outrossim, mesmo que algumas partes da Bíblia pareçam não trazer
mensagem de Deus para nós, em nossa situação atual, é muito possível que tenham
falado, ou que ainda venham a falar, a outras pessoas em situações diferentes.
Basta lembrarmos, por exemplo, como o livro do Apocalipse tem revivido, vez
após vez, para cristãos que sofriam de perseguição.

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 42 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
Devemos lembrar também, que a própria Bíblia não nos autoriza a dividi-la em
partes, mas, antes, considerá-la um todo orgânico, tendo cada livro um papel a
desempenhar na obra total (2 Tm 3:16).
De imediato, as pessoas dizem que a Bíblia é um livro de homens. Em outras
palavras, “falha e imperfeita”. Por mais sinceros, eruditos e criteriosos que fossem os
profetas, eles ainda estavam sujeitos às limitações da sua época e do seu
conhecimento. Como poderiam deixar de errar?
É natural, assim, esperar que a Bíblia apresente erros gritantes em questões
filosóficas, científicas, literárias ou históricas. Os milagres, por exemplo, são vistos
como lendas da Antiguidade, tão verdadeiros e históricos quanto Branca de Neve e os
Sete Anões.

De fato, tais conclusões seriam inevitáveis se o fator sobrenatural fosse


descartado. Mas, se o Espírito Santo, sendo o mesmo Deus, estava por trás da
produção da Bíblia, então é perfeitamente admissível que homens falhos fossem
instrumentos para transmitir informações infalíveis. E foi exatamente isso o que
ocorreu!!!
Este volume é a escrita do Deus vivo: cada letra foi escrita por um dedo Todo-
poderoso; cada palavra saiu dos lábios eternos, cada frase foi ditada pelo Espírito
Santo. Ainda que Moisés tenha sido usado para escrever suas histórias com sua
ardente pluma, Deus guiou essa pluma. Pode ser que Davi tenha tocado sua harpa,
fazendo que doces e melodiosos salmos brotassem de seus dedos, porém Deus
movia Suas mãos sobre as cordas vivas de sua harpa de ouro. Pode ser que Salomão
tenha cantado os Cânticos de amor ou pronunciado palavras de sabedoria
consumada, porém Deus dirigiu seus lábios, e fez eloquente ao Pregador. Se sigo o
trovejador Naum, quando seus cavalos aram as águas, ou a Habacuque quando vê as
tendas de Cusã em aflição; se leio Malaquias, quando a terra está ardendo como um
forno; se passo para as serenas páginas de João, que nos falam de amor, ou para os
severos e fogosos capítulos de Pedro, que falam do fogo que devora os inimigos de
Deus, ou para Judas, que lança anátemas contra os adversários de Deus; em todas
as partes vejo que é Deus quem fala.

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 43 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
É a voz de Deus, não do homem; as palavras são as palavras de Deus, as
palavras do Eterno, do Invisível, do Todo-Poderoso, do Jeová desta Terra. Esta Bíblia
é a Bíblia de Deus; e quando a vejo, parece que ouço uma voz que surge dela,
dizendo: “Sou o livro de Deus; homem, leia-me. Sou a escrita de Deus: abra minhas
folhas, porque foram escritas por Deus; leia-as, porque Ele é meu Autor, e O verá
visível e manifesto em todas as partes”. “[Eu] escrevi-lhe as grandezas da minha lei,
porém essas são estimadas como coisa estranha” (Oséias 8:12). (Retirado do Sermão
do Reverendo C. H. Spurgeon: A Bíblia (The Bible ) - Um Sermão (Nº 0015) -
Pregado na Manhã de Domingo, 18 de Março de 1855, no Exeter Hall, Strand—
Londres —Inglaterra).

Distinção entre Inspiração e Autoridade:


Algo deve ser dito a respeito da distinção entre Inspiração e Autoridade.
Geralmente, as duas são idênticas, de modo que aquilo que é inspirado tem também
autoridade com respeito ao ensino e à conduta. Mas, ocasionalmente, não é isso o
que acontece.
Por exemplo: o que Satanás disse para Eva foi registrado na Bíblia por Moisés,
que foi inspirado por Deus, mas não é a verdade (Gn 3:4-5); o conselho que Pedro
deu a Cristo (Mt 16:22); a declaração de Gamaliel ao Concílio (At 5:38-39). O mesmo
ocorre com textos retirados do contexto, que assumem um significado totalmente
diferente de quando inseridos no contexto, etc.

A BÍBLI A, REGISTRO MERECEDOR DE CONFI ANÇA

A Bíblia é uma revelação de Deus absolutamente fidedigna. Essa afirmativa se


baseia na atitude de Jesus para com o Antigo Testamento e no testemunho da própria
Bíblia a seu respeito (Mt 5:17-18; Mc 7:1-13; 12:35-37; Jo 5:39-47; 10:34-36; 1 Co
14:37-38; Ef 3:3).
A Bíblia não tem a pretensão de ser uma enciclopédia infalível de informações
sobre todos os assuntos e, por isso, não nos fornece a resposta a todas as perguntas
que possamos fazer a respeito do mundo a nosso redor. (NEM TUDO NOS É
REVELADO!).

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 44 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
“As coisas encobertas pertencem ao SENHOR nosso Deus, porém as reveladas
nos pertencem a nós e a nossos filhos para sempre, para que cumpramos
todas as palavras desta lei”. (Dt 29:29).

Ela é escrita na linguagem do povo e não com a terminologia e exatidão


científicas do nosso século. De fato, seria tolice esperar que o fosse, e se, por algum
milagre, isso fosse conseguido, o livro se tornaria incompreensível para a maioria de
nós, para todos os que nos precederam e, dentro de pouco tempo, a linguagem se
tornaria arcaica.
A Bíblia registra uma revelação progressiva de Deus (Is 42:8-9; 44:6-8; Os 6:3;
Hb 1:1-2) através de muitos séculos e a povos vários. Não devemos, portanto, tomar
suas afirmações isoladamente, mas considerá-las à luz do todo, do contexto. Não
podemos basear nossas crenças em versículos isolados, destacados de seu contexto.

LEMBRE-SE: Texto fora de contexto é pretexto para heresias!


Através de uma compreensão integral da Bíblia, podemos descobrir que
muitas discrepâncias desaparecem ou são de somenos importância, no que se
refere à verdade da Bíblia, vista como um todo.

É inegável que a moderna ciência da Arqueologia muito tem feito no sentido de


confirmar a exatidão da história registrada na Bíblia. Muito raramente, e em assuntos
de pequena importância, põe um ponto de interrogação ao lado do registro bíblico.
Uma vez que a Bíblia registra uma revelação que se deu através da história,
podemos sentir satisfação em saber que o esboço histórico apresentado na Bíblia é
capaz de tanta confirmação arqueológica.
Muitos problemas que se alegam existir na Bíblia devem-se à nossa deficiência
em saber interpretá-la corretamente. Às vezes, procuramos, por exemplo,
informações literais em passagens que devem ser tomadas como poéticas e, em
outras, interpretamos simbolicamente passagens que deveriam ser literais.

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 45 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
REGRA DE OURO PARA A INTERPRETAÇÃO DA BÍBLIA:
“Quando a interpretação direta, imediata e literal das escrituras faz sentido, não
procure nenhuma outra interpretação. Portanto: Interprete cada palavra no seu sentido
literal, usual, costumeiro e mais comumente usado, a não ser que os fatos do contexto
imediato indiquem clara e indiscutivelmente o contrário, quando estudados à luz de
passagens correlatas e de verdades fundamentais e axiomáticas.” (Dr. David L. Cooper)

TERMOS RELACIONADOS COM A INSPIRAÇÃO:

A) A REVELAÇÃO DE DEUS: (Pv 11:2; Mt 11:25; 1 Co 2:10; Gl 1:12)

Revelação, no Grego, significa: descobrir, deixar aberto aquilo que estava


velado/coberto.

“REVELAÇÃO É AQUELE ATO DE DEUS PELO QUAL ELE MESMO SE


DESCERRA E COMUNICA VERDADE À MENTE, MANIFESTANDO ÀS SUAS
CRIATURAS AQUILO QUE NÃO PODERIA SER CONHECIDO DE NENHUM
OUTRO MODO”.

Uma definição concisa, mas exata, da revelação vem da caneta do Dr. James
Bannerman. Ele escreveu: “A revelação, como ato divino, é a apresentação da
verdade objetiva ao homem de maneira sobrenatural por Deus. A revelação, como
resultado de tal ato, é a verdade objetiva então apresentada”

• MÉTODOS DE REVELAÇÃO:
a) Por anjos: 3 anjos, Abraão, Sodoma (Gn 18);
b) com voz alta, punindo a queda (Gn 3:9-19);
c) com voz suave, a Elias (1 Rs 19:11, 12; Sl 32:8);
d) pela natureza (Sl 19:1-3);
e) por um jumento,a Balaão (Nm 22:28);
f) por sonhos (Gn 28:12);
g) em visões (Gn 46:2; At 10:3-6);

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 46 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
h) o próprio Livro de Apocalipse;
i) Cristofanias (Êx 3:2).

Hoje, Deus só fala através da Sua Palavra (Hb 1:1; 2 Tm 3:16). Não há mais
revelações!!!

A Revelação de Deus no Antigo Testamento é uma revelação com as seguintes


características:
a) É uma revelação autoritativa - Jo 5:39; Lc 19:19-31.
b) É uma revelação verídica - Jo 10:35; Is 34:16.
c) É uma revelação progressiva - Is 42:8-9; 44:6-8; Os 6:3; Hb 1:1-2. Ex: - As
peculiaridades do sistema mosaico ficam claras à luz de uma Revelação
progressiva. A Lei a Graça e a doutrina do Espírito Santo estão interligadas ao
propósito dispensacional de Deus.
d) É uma revelação parcial - Hb 1:1, 2; Cl 2:17; Hb 10:1.

• A NECESSIDADE DA REVELAÇÃO:

Certamente o Senhor Deus não fará coisa alguma, sem ter revelado o seu
segredo aos seus servos, os profetas. (Amós 3:7)

Será possível ao homem, finito e limitado como é, em sua capacidade e em seu


entendimento, compreender a grandeza do Deus infinito?
Por si mesmo, é evidente que não. A não ser que Deus se revele ao homem,
este não pode conhecê-Lo.
Chega-se, portanto, à conclusão de que Deus Se revelou às Suas criaturas.

• A REVELAÇÃO DE DEUS DIVIDE-SE EM GERAL E ESPECIAL:

Revelação geral de Deus: (Sl 19:1-6; 104). É endereçada e acessível a TODA


criatura inteligente, e tem por objetivo persuadir a alma a buscar o verdadeiro Deus. É
suficiente para condenar os homens, tornando-os inescusáveis. Mas, não é suficiente
para os salvar! Ela ocorre:

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 47 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
a) Na Natureza: (Jó 12:7-9; Sl 8:1, 3; 19:1-3; Is 40:12-14, 26; At 14:15-17; Rm 1:19-
23, 2:14-15). Sua finalidade é incitar o homem a buscar o Deus Verdadeiro, para
receber mais luz. Algumas verdades contidas nas religiões pagãs derivam-se dessa
fonte de revelação.
É, contudo, insuficiente. Se revela a grandeza, a sabedoria e o poder de Deus,
nada diz do interesse que ele tem no homem pecador, nem se este pode se salvar.

b) Na História de nações tais como o Egito, a Assíria, etc. Embora Deus possa usar
uma nação mais ímpia para castigar uma menos ímpia, ao final tratará a mais ímpia
com maior severidade (Hc 1:12:20). E, muitíssimo mais, na espantosa história da
“pulguinha” Israel (Dt 28:10; Sl 75:6-8; Pv 14:34; At 17:2-4; Rm 13:1), o “verme de
Jacó” (Is 41:14). Esse povo acreditava que Deus, a quem conhecia por nome de
Javé ou Jeová, agia na sua vida individual e nacional (Sl 78); que lhe falava por
meio de profetas (1 Sm 3; Is 6; Os 1; Am 7:14-17), revelando-lhes que Seu caráter
era de justiça e amor (Is 6:3; Am 5:6-27; Dt 7:8; Jr 31:3; Os 11:1); que Israel era
Seu povo escolhido (Dt 7:7-26; Jr 7:23; 13:11) e que dele Deus reclamava não só o
culto, como também a justiça e o amor em sua vida social e nacional (Am 5:21-24;
Is 1:27; Mq 6:8). Esse Deus era Senhor da criação (Is 40; 42:5; Am 5:8) e Rei moral
da história (Dt 28; Jz 2; Am 5:14). Haveria, um dia, de julgar o mundo e estabelecer
um reino de justiça. Seu propósito final para os homens era, portanto, a salvação e,
para esse fim, escolhera a Israel para Seu servo, o qual deveria levar todos os
homens à religião verdadeira. Como, porém, Israel estava prejudicado pelo seu
pecado, Deus prometera levantar, futuramente, para executar esta tarefa, um
Libertador, chamado, ora de Rei, na sucessão de Davi, ora de Servo do Senhor (Is
2:1-4; 9:1-7; 42:1-9; 49:1-6; 50:4-9; 52:13; 53:12; Jr 31:31-40; 33:1416; Ez 34:23-
24).
Esta revelação já é mais explícita e informativa do caráter pessoal de Deus, do
que a revelação através da natureza. Contudo, é também incompleta.

c) Na Consciência: Na nossa consciência temos outra revelação de Deus (Rm 2:14-


16). A Lei gravada nos corações, “uma espiã de Deus em nosso peito”, “uma
embaixadora de Deus em nossa alma”, como os puritanos costumavam chamá-la.

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 48 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
É a presença no homem desta ciência do que é certo e errado, deste algo
discriminativo e impulsivo, que constitui a revelação de Deus. Não é auto-imposta,
como fica evidenciado pelo fato de que o homem frequentemente se livraria de suas
opiniões se pudesse. É o reflexo de Deus na alma.
Suas proibições e ordens, Suas decisões e impulsos não teriam qualquer
autoridade real sobre nós se não sentíssemos que na consciência temos de alguma
forma a realidade, algo em nossa natureza que, todavia, está acima desta natureza.
Em outras palavras, nossa consciência revela o fato de que há uma lei absoluta
do certo e do errado no universo e de que há um Legislador Supremo que encarna
esta lei em Sua própria Pessoa e conduta.

d) Na providência divina: (Pv 16:9; At 14:15-17); na preservação do mundo: (Hb


1:3)

• Revelação especial de Deus: (Sl 19:7-14). Abrange os atos de Deus pelos quais
Ele Se fez conhecer e à Sua verdade, em ocasiões especiais e a pessoas específicas,
mas quase sempre para o benefício de todos. É uma Revelação completa!
É necessária porque o homem não respondeu à Revelação Geral (Rm 1:20-
23,25; 1 Co 1:21; 2:8). Ela ocorre:

a) Em Jesus Cristo, A SUPREMA REVELAÇÃO DE DEUS (Jo 1:14; Cl 1:15; 2:9;


Hb 1:3). Necessária porque o homem não respondeu às outras Hb 1:1-3. Cristo é a
melhor prova da: existência, natureza, e vontade de Deus! A vinda de Jesus Cristo foi
a manifestação suprema e o pleno cumprimento da Revelação que Deus começara a
fazer de Sua Pessoa, na vida de Israel.
Jesus afirmou expressamente que Ele era Aquele de quem os profetas falavam
(Mt 5:17; Lc 24:44). Referia-Se a Si mesmo como o Filho de Deus (Mt 11:25-27) e
atribuía às Suas próprias palavras a autoridade de Deus (Mc 2:1-12; 13:31; 14:62).
Além das Suas palavras, o caráter e as ações de Cristo deviam ser considerados
manifestações de Deus aos homens. Disso eram sinais: Seus milagres e Suas obras
poderosas (Lc 12:54-56; Jo 3:2; 14:11). Toda a Sua vida demonstrara o amor que
caracteriza a Deus (Mc 2:17; 10:21, 45; Lc 19:1-10; Jo 3:16). Sua morte coroou Sua

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 49 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
vida de abnegação em favor dos homens (Mc 14:22-24) e Sua ressurreição e
ascensão declararam que Deus Se agradara da obra de Seu Filho e O tinha exaltado
(At 3:14-26; Rm 1:4). Seus discípulos passaram o restante de suas vidas anunciando-
O como Aquele que verdadeiramente revelava Deus aos homens e lhes restabelecia
a relação adequada com Deus Pai.
As provas impressionantes de Sua influência nas vidas humanas, a partir de
então, são outras tantas confirmações de Seu objetivo de revelar Deus aos homens.
Esta Revelação, na qual Deus Se fez homem, na Pessoa de Seu Filho Jesus Cristo, é
uma Revelação pessoal, perfeita e que não se repete. No sentido mais completo,
Jesus Cristo é a PALAVRA DE DEUS aos homens (Jo 1:1-18; Hb 1:1-2; Ap 19:13).
É evidente, portanto, que ninguém pode conhecer a Deus, senão por Jesus Cristo (Jo
1:18; Mt 11:27).

b) Nas experiências pessoais de certos homens: Enoque e Noé andaram com


Deus (Gn 5:21-24; 6:9); Deus falou a Noé (Gn 6:13; 7:1; 9:1); a Abraão (Gn 12:1-3); a
Isaque (Gn 26:24); a Jacó (Gn 28:13; 35:1); a José (Gn 37:5-11); a Moisés (Êx 3:3-10;
12:1); a Josué (Js 1:1); a Gideão (Jz 6:25); a Samuel (1 Sm 3:2-4); a Davi (1 Sm 23:9-
12); a Elias (1 Rs 17:2-4); a Isaías (Is 6:8), etc. Da mesma maneira, no N. T. Deus
falou a Jesus (Mt 3:16-17; Jo 12:27-28); a Pedro, Tiago e João (Mc 9:7); a Felipe (At
8:29); a Paulo (At 9:4-6; 18:9; Gl 1:12); e a Ananias (At 9:10). Nas experiências de
nós, crentes da dispensação da graça, que temos a testificação do Espírito Santo de
que somos filhos de Deus. Hoje, Deus só fala através da Sua Palavra (Hb 1:1; 2
Tm 3:16). Não há mais revelações!!!

c) Em milagres: eventos fora do usual e natural, realizando uma obra útil,


revelando a presença e poder de Deus, visando trazer homens a Cristo (Jo 20:30-31).
Êx 4:2-5 (Deus transformou vara em cobra) contraste Êx 7:1-2 (imitação,
desmascarada).

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 50 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
Milagres podem ser:

a) de intensificação (exemplo: dilúvio) ou “tempo exato” (terremoto na


crucificação) de fenômenos naturais (praga de saraiva e fogo); a força de Sansão,
etc.
b) de alteração das leis naturais (multiplicação dos pães, florescimento da vara de
Arão, obtenção de água da rocha, cura dos doentes, ressurreição de mortos).

Se alguém quiser contestar a existência de milagres, lembre-lhe que a


pergunta certa é “as testemunhas são absolutamente confiáveis?” e não “o
evento é naturalmente possível?”. Demonstre a historicidade da ressurreição de
JESUS CRISTO. Mostre que se ele crer na ressurreição e no Ressurreto Homem-
Deus, aceitará todos os milagres da Bíblia.

d) Em Profecias-predição de eventos, só possível pela comunicação direta da


parte de Deus. Ex: O Livro de Isaías foi escrito em aproximadamente 698 a.C. e falou
sobre Ciro, com uma antecedência de séculos (Is 44:28-45:1). Se alguém quiser
contestar a existência de profecias, mostre-lhe que se ele crer em Jesus Cristo,
aceitará todas as profecias da Bíblia. Por exemplo: compare 1 Rs 13:2 com 2 Rs
23:15, 16; 1 Rs 13:22 com 2 Rs 23:17, 18; 1 Rs 21:19 com 1 Rs 22:38; 1 Rs 21:23
com 2 Rs 9:36.

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 51 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
Mostre-lhe algumas das 332 profecias cumpridas em Cristo:

Ele deveria ser nascido de uma virgem (Is 7:14; Mt 1:23);

da semente de Abraão (Gn 12:3; Gl 3:8);

da Tribo de Judá (Gn 49:10; Mt 1:2-3; Hb 7:14);

da linhagem de Davi (Sl 110:1; Jr 23:5; Mt 1:6; Rm 1:3);

deveria nascer em Belém (Mq 5:2; Mt 2:6);

ser ungido pelo Espírito (Is 61:1-2; Lc 4:18-19);

entrar em Jerusalém montado em um asno (Zc 9:9; Mt 21:4-5);

ser traído por um amigo (Sl 41:9; Jo 13:18);

ser desprezado (Is 53:4-6, 10-12; 2 Co 5:21);

ser rejeitado (Is 53:3; Jo 8:48; 9:34);

ser vendido por trinta moedas de prata (Zc 11:12-13; Mt 26:15; 27:9-10);

ser abandonado por seus discípulos (Zc 13:7; Mt 26:31, 56);

ter suas mãos e pés traspassados, mas não ter nenhum osso quebrado (Sl 22:16;
34:20; Jo 19:36; 20:20, 25);

os homens iriam dar-lhe fel e vinagre a beber (Sl 69:21; Mt 27:34);

repartir Suas vestes e lançar sortes sobre Sua túnica (Sl 22:18; Mt 27:35);

Ele seria abandonado por Deus (Sl 22:1; Mt 27:46);

enterrado com os ricos (Is 53:9; Mt 27:57-60);

Ele iria surgir dos mortos (Sl 16:8-11; At 2:27);

subir às alturas (Sl 68:18; Ef 4:8);

e se assentar à mão direita do Pai (Sl 110:1; Mt 22:43-45), etc.
Será que não temos nestas predições que já foram cumpridas uma forte prova do
fato que Deus Se revelou por profecia? E se Ele o fez nestas predições, o que nos impede
de crer que O fez em outras também?

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 52 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
e) Nas Escrituras (1 Pe 1:12; 1 Co 1:21): Se a suprema revelação de Deus é
Jesus Cristo, surge o problema: como então pode Deus Se revelar a nós, que
vivemos dois milênios depois de Cristo?
Não estando Jesus visivelmente entre nós, ficamos privados da possibilidade de
alcançar a plena Revelação de Deus?
A resposta a essas perguntas é que existe ainda outra forma de Revelação. É
que o Espírito de Deus capacitou homens a darem testemunho escrito da Revelação
que receberam, de modo a poderem interpretá-la e transmiti-la às gerações
posteriores.
Assim, podemos chegar ao conhecimento da Revelação de Deus na Natureza,
na História, etc, e em Jesus Cristo, através do registro (inspiração) que dela temos em
mãos, na BÍBLIA, e pela qual Deus fala hoje aos homens (Hb 1:1-3).
Deste modo, Jesus Cristo Se revela ainda aos homens. Ele não é uma extinta
Figura do passado, mas o FILHO VIVO DE DEUS, de maneira que os cristãos que
vivem em eras posteriores à Sua crucificação podem afirmar que O conhecem e têm
comunhão com Ele, através das Escrituras, que reúnem toda a Revelação que Deus
quis que ficasse inerrantemente corporificada, sendo a base para todas as disciplinas
da Teologia.

As doutrinas da revelação e da inspiração nada seriam sem a doutrina da


preservação das Escrituras.
Jesus disse: “O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não hão
de passar” (Mateus 24:35). As evidências comprovam que Deus tem cuidado da
Sua Palavra através dos séculos, embora não tenhamos mais os originais
(autógrafos). Existem mais de 5.000 manuscritos e partes de manuscritos que
concordam entre si, o chamado Texto Bizantino (em sua forma impressa ele se
chama Textus Receptus [TR], ou o Texto Recebido, termo que surgiu com a
impressão do Novo Testamento Grego de Elzivir em 1633).
Uma vez que é a Bíblia o meio pelo qual seguramente Deus Se revela hoje
aos homens, devemos examinar com algum cuidado seu caráter, sua suficiência
e a confiança que merece como Revelação de Deus (2 Tm 3:15-16; Hb 1:1).

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 53 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
B. A ILUMINAÇÃO:

“É AQUELE MÉTODO USADO PELO ESPÍRITO SANTO PARA DERRAMAR


LUZ DIVINA SOBRE TODO O HOMEM QUE O BUSQUE, AO SER ESTE HOMEM
EXPOSTO À PALAVRA DE DEUS.” (Sl 119:18, 125)
A ILUMINAÇÃO é o entendimento que temos da leitura da Bíblia, pela ação do
Espírito Santo (Êx 31:3; 35:31; 1 Rs 3:11; 4:29; Jó 11:12; 2 Sm 22:29; Sl 18:28; 36:9;
111:10; 119:18, 34, 99, 104, 125, 130, 169; Pv 2:1-12; 4:7; Is 11:2; Dn 1:17; 4:34-36;
5:12-14; Lc 24:45; Jo 14:26; Rm 12:2; 1 Co 2:14-16; 2 Co 4:6-7; Ef 1:18; 2 Tm 2:7; 2
Pe 1:20; 1 Jo 5:20).
“Filho meu, se aceitares as minhas palavras, e esconderes contigo os meus
mandamentos, para fazeres o teu ouvido atento à sabedoria; e inclinares o teu
coração ao entendimento; se clamares por conhecimento, e por inteligência alçares a
tua voz, se como a prata a buscares e como a tesouros escondidos a procurares,
então entenderás o temor do Senhor, e acharás o conhecimento de Deus. Porque o
Senhor dá a sabedoria; da sua boca é que vem o conhecimento e o entendimento.
Ele reserva a verdadeira sabedoria para os retos. Escudo é para os que caminham na
sinceridade, para que guardem as veredas do juízo. Ele preservará o caminho dos
seus santos. Então entenderás a justiça, o juízo, a eqüidade e todas as boas veredas.
Pois quando a sabedoria entrar no teu coração, e o conhecimento for agradável à tua
alma, o bom siso te guardará e a inteligência te conservará; para te afastar do mau
caminho, e do homem que fala coisas perversas”. (Pv 2-1:12)
• A iluminação se faz necessária por causa das cegueiras: natural Rm 10:2; 1 Co
2:14; Ef 4:18; induzida pelo Diabo 2 Co 4:3-4; induzida pela carne 1 Co 3:1;
2:14; Hb 5:12-14; Cl 1:21; Tt 1:15.
• Só com a iluminação é que pecadores são salvos (Sl 119:30; 146:8) e crentes
são fortalecidos (Sl 119:105; 1 Co 2:10; 2 Co 4:6).
• Antes de iluminar, o Espírito Santo procura por sinceridade do homem (Dt 4:29;
Hb 11:6) e diligente estudo do crente (At 17:11; 2 Tm 2:15; 1 Pe 2:2).
• O Espírito Santo sempre tem que usar um crente (que O tem) para iluminar o
descrente (que não O tem) At 8:31 (Filipe e o eunuco etíope).

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 54 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
C. COMPARAÇÃO REVELAÇÃO-INSPIRAÇÃO-ILUMINAÇÃO:

Revelação: comunicação da verdade. (1 Co 2:10-12) [já cessou!!!]


Inspiração: registro escrito da verdade. (1 Co 2:13) [já cessou!!!]
Iluminação: entendimento da verdade. (1 Co 2:14-16) [ainda existe!!!]

---inspiração---> DEUS
---revelação---> Homem
BÍBLIA <---iluminação---

Podemos ter revelação (comunicação da verdade por Deus ao homem) sem


inspiração (registro escrito dessas verdades), como tem sido o caso de muitas
pessoas piedosas no passado, que receberam verdades de Deus, mas não
registraram por escrito (inspiração), não há livros bíblicos escritos por eles (Noé,
Abraão, Jacó, Elias, etc.) e como fica claro pelo fato de João ter ouvido as vozes dos
sete trovões (revelação/comunicação da verdade por Deus), apesar de não lhe ter
sido permitido escrever/registrar o que eles disseram os trovões (Ap 10:3-4).
Podemos também encontrar inspiração sem revelação, como quando os
escritores registram o que viram com seus próprios olhos ou descobriram pela
pesquisa (1 Jo 1:1-4; Lc 1:1-4). É o que ocorre quando os relatos bíblicos parecem
ser meras declarações dos escritores humanos. Isto é inspiração (registro escrito)
sem revelação (sem a comunicação de uma verdade por Deus).
A iluminação (o entendimento da verdade bíblica) geralmente acompanha a
inspiração ou está incluída nela, mas nem sempre, conforme Pe 1:10-12; cf. Dn
8:15; 12:8-12.

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 55 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
PROVAS DA INSPIR AÇÃO PLENÁRI A, VERBAL, INF ALÍVEL
A Bíblia é inspirada (“assoprada para dentro do homem”) por Deus:
[Ver a seção: “A Bíblia é a corporificação da Revelação de Deus”].

Note:
- Inspiração é um mistério. A Bíblia é inspirada por Deus (At 1:16; 2 Tm 3:16-17; Hb
10:15-17; 2 Pe 1:20-21). Inspiração é essencialmente proteção contra erros, como
se Deus dissesse “As verdades que Eu quero transmitir, você as escreverá com
as suas palavras, mas Eu vou guiá-lo para você não deixar de escrever toda e
só a verdade que Eu quero que seja escrita, e não errar nem sequer uma
letrinha ou o menor sinal de acentuação.” A inspiração é plenária: significa que a
Bíblia é inspirada toda ela, de capa a capa, sobre todo e qualquer assunto (Mt 5:18;
2 Tm 3:16-17). A inspiração é verbal: significa que a Bíblia é inspirada palavra por
palavra, e não apenas os pensamentos principais, como ocorre com as versões
deturpadas da Bíblia, como as paráfrases (Ex: Bíblia na Linguagem de Hoje). (Sl
138:2; Mt 4:4-5; 5:17-18; 22:32; 1 Co 2:13; Gl 3:6). A inspiração torna a Biblia
infalível e inerrável: A Bíblia não contém nenhum erro, sendo incapaz de errar ou
falhar!!! (Mt 5:18; Jo 10:35b). Toda a Bíblia é igualmente inspirada, mas não
igualmente importante (Ex: Jo 3:16 versus Jz 3:16).
- Cada palavra é inspirada, mas só é autoritativa: a) no seu contexto; b) quando é de
Deus [diretamente ou pelos Seus profetas] e não o registro (inspirado, infalível!) das
mentiras do Diabo, demônios ou homens.
- A inspiração não exclui o uso de fontes extra-Bíblicas (At 17:28; Tt 1:12; Jd 14-15).
- Inspiração não exige mesmos detalhes no relato de um mesmo evento (Mt 27:37 +
Mc 15:26 + Lc 23:38 + Jo 19:19).
- A inspiração está terminada, finalizada (Ap 22:18-19) e só abrangeu a Bíblia.

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 56 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
• A NATUREZA DA INSPIRAÇÃO PLENÁRIA, VERBAL E INFALÍVEL DA
BÍBLIA É ASSEGURADA POR:

a) O caráter de Deus (Sl 138:2): IRIA O DEUS PERFEITO, ETERNO E IMUTÁVEL,


CONSENTIR QUE AS SUAS REVELAÇÕES FOSSEM EXPRESSAS IMPERFEITA
E FALIVELMENTE PELOS SEUS PROFETAS? ISTO É INIMAGINÁVEL!

b) O caráter e declarações da própria Bíblia:

b.1) (Ver: “O caráter transcendente da Bíblia”). A Bíblia tem unidade, conteúdo


e padrão moral incomparavelmente superiores a todos os outros livros.

b.2) (Ver: “Declarações da Bíblia sobre si mesma”). A Bíblia é absolutamente


confiável em tudo o que pode ser checado. Então devemos aceitar o que
ela diz de si mesma:

b.3) A Bíblia clama ser a plenária, verbal e infalível Palavra de Deus:



Explicitamente em Sl 138:2; 2 Tm 3:16; 2 Pe 1:20-21.

Mais de 3800 vezes em frases diretas como “Assim diz o Senhor” no V. T.: Êx
14:1; Is 43:1; Ez 1:3.

No reconhecimento de um escritor/livro por outro: 2 Rs 17:13; Sl 19:7; 33:4;
119:89; Is 8:20; Gl 3:10; 1 Pe 1:23; At 1:16; 28:25; 1 Pe 1:10-11. Pedro
reconheceu a inspiração dos escritos de Paulo 2 Pe 3:15-16. Pedro e Paulo
reconhecem a inspiração de todo o restante das Escrituras: 2 Tm 3:16; 2 Pe
1:20.

Cristo ensinou que a Bíblia é infalivelmente inspirada (Jo 10:35b; Mt 4:4; 5:17-
18; 22:32) e também eterna e perfeitamente preservada por Deus (Mt 4:4; 5:18;
24:35 [= Lc 21:33]; Lc 16:17)

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 57 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
OBJEÇÕES À INSPIRAÇÃO PLENÁRIA E VERBAL:

A) ALEGAM QUE HÁ “RECONHECIMENTO DE NÃO INSPIRAÇÃO”: basta um bom


exame do contexto, ou um perfeito entendimento dos idiomas e dos manuscritos
pelos quais Deus preservou infalivelmente Sua palavra: Texto Massorético e
Textus Receptus. Exemplo: em 1 Co 7:12, 25, Paulo, que estava só repetindo Mt
5:31-32; 19:3-9 (sobre o Divórcio), agora introduz um mandamento igualmente
inspirado (compare: 1 Co 7:40).

B) ALEGAM QUE HÁ “CITAÇÕES EXPRESSANDO ERROS”: Ora, são apenas


citações (fiéis!) de errados e/ou mentirosos homens (Sl 10:4; 14:1) ou do Diabo (Gn
2:4-5; Jo 8:44).

C) “ERROS HISTÓRICO-CIENTÍFICOS”: Basta lembrarmos que:


• Assim como os cientistas usam expressões “pôr-do-sol”, “quatro cantos da Terra”
(por serem referenciais cômodos, de fácil entendimento), a Bíblia usa a linguagem
das aparências, em certas passagens, etc. Ademais, a Bíblia é 100% exata, mas
não é formal, matemática.
• A Bíblia só relata fragmentos da verdade Jo 20:30-31.
• Relatos distintos podem se complementar (contradizer!) ou podem enfatizar
diferentes aspectos dos eventos ou doutrinas.
• A Bíblia foi por Deus infalivelmente inspirada e preservada (através do Texto
Massorético e do Textus Receptus), palavra por palavra, til por til; mas, os tradutores
mais fiéis e tremendamente cuidadosos podem aqui e acolá ter sido algo menos que
perfeitos...
• A verdadeira ciência se limita a fatos da observação ou experimentação (a Teoria da
Evolução, das Camadas Geológicas, da Astrofísica, etc., não o fazem, resultam de
meras suposições loucas!).
• Cientistas hoje admitem que, por exemplo, a luz apareceu antes do sol (Gn 1:3-5).

D) “APARENTES CONTRADIÇÕES”: sempre tem explicações, se prestarmos muita


atenção. Alguns exemplos:

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 58 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
1) Nm 25:9 versus 1 Co 10:8 (diferentes números de mortos pela praga):
Números não se limitou a 1 só dia!
2) Lc 6:17 versus Mt 5:1 (o sermão foi no monte ou em lugar plano?): Ou foram 2
sermões, sendo 1 para os discípulos, outro para o povo. Ou, 1 sermão, em lugar
plano no meio do monte? A planura em Lc 6:17 era provavelmente na mesma
montanha mencionada em Mt 5:1.
3) Mt 20:29 versus Mc 10:46 + Lc 18:35 (1 ou 2 cegos? na entrada ou saída de
Jericó?): 2 cegos na entrada, 1 na saída. Provavelmente, foram os 2 cegos curados
entre a Jericó velha e a Jericó nova, sendo que Mc e Lc mencionam somente o mais
notável. OBS: há uma infalível regra matemática que diz que “onde quer que haja 2,
sempre haverá 1”.
4) Mt 8:5-13 versus Lc 7:1-10: Centurião de Cafarnaum com o servo moribundo:
ouviu falar de Jesus -> enviou anciãos judeus para chamá-lo -> enviou amigos -> foi
ele mesmo -> creu -> voltou -> constatou milagre.

E) “ERROS EM PROFECIAS”: esses aparentes ‘erros’ são más interpretações


das profecias, ou profecias ainda a serem cumpridas (Dn 2, 7, 9, 11, 12; Zc 12-14; a
maior parte do Livro de Apocalipse). Nem Paulo, nem Tiago, nem Pedro ensinaram
que Cristo viria imediatamente, mas simplesmente, que Ele poderia vir a qualquer
hora = volta iminente (2 Co 5:4; 1 Ts 4:15-17; Tg 5:9; 2 Pe 3:4, 8, 9).

F) “IMPOSSIBILIDADE CIENTÍFICA DE MILAGRES”: (ver o item “a Revelação


Especial de Deus”). Quando a existência do Deus Todo-Poderoso é aceita, então não
há problema em se aceitar a Sua intervenção sobrenatural (e coerente Consigo
mesmo): se, quando, como, e onde Ele o deseje.

G) “ERROS NA CITAÇÃO E INTERPRETAÇÃO DE SI PRÓPRIA”: Às vezes, os


escritores do Novo Testamento simplesmente expressam suas idéias com palavras
emprestadas de uma passagem do Velho Testamento, sem a pretensão de interpretar
a passagem (Rm 10:6-8, cf. Dt 30:12-14). Às vezes, eles destacam um elemento
típico em uma passagem que não tem geralmente sido reconhecido como típico (Mt

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 59 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
2:14, cf. Os 11:1). Às vezes, dão crédito a uma profecia mais recente, quando eles
realmente estão citando uma forma mais antiga da mesma (Mt 27:9, cf. Zc 11:13). Às
vezes, eles combinam duas citações em uma só, e atribuem o todo ao autor mais
proeminente (Mc 1:2-3). Ademais, o Autor (o Espírito Santo) de toda a Bíblia tem todo
o direito de re-expressarSe e re-explicar-Se conforme Seu desejo soberano!!!

H) “IMORALIDADE DOS HOMENS”: É registrada; honestamente (!); mas nunca


é sancionada. Ex: a bebedeira de Noé (Gn 9:20-27), o incesto de Ló (Gn 19:30-38), a
falsidade de Jacó (Gn 27:1924), o adultério de Davi (2 Sm 11:1-4), a poligamia de
Salomão (1 Rs 11:1-3, cf. Dt 17:17), a severidade de Ester (Et 9:12-14), as negações
de Pedro (Mt 26:69-75).
LEMBRE-SE: As aparentes sanções à imoralidade são sanções só a uma virtude
acompanhante. Exemplos:
I) DIVÓRCIO (Dt 24:1 versus Mt 5:31-32 + 19:7-9), etc: foram
tolerados/disciplinados como um bem relativo, nunca recomendados como um bem
absoluto.
J) A MATANÇA DOS CANANEUS (Dt 7:1-2; 20:16-18), OS SALMOS
IMPRECATÓRIOS (35, 69, 109, 137), etc: mostram um Deus Soberano, Santo, e
Justo, que pode usar homens para executar Seus desígnios.
Strong diz que os salmos imprecatórios são “não a ebulição de ódio pessoal,
mas a expressão de indignação judiciosa contra os inimigos de Deus”, e que a
destruição dos cananitas “foi simplesmente cirurgia benevolente que amputou um
membro pútrido, e assim salvou a vida religiosa da nação hebraica e do mundo
posterior”.

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 60 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
TEORI AS ANTIBÍBLICAS SOBRE A INSPIRAÇÃO
A) TEORIA MECANISTA, OU DO DITADO = “Deus usou homens como meros
amanuenses”. (= escreventes, copistas).
Esta teoria ignora diferenças de estilo entre os escritores; ignora que Deus não
usou robôs inanimados nem psicografistas (“pneumografistas”) talvez até
inconscientes do que escreviam, mas usou, sim, homens com personalidades
distintas; e ignora que a Bíblia é ambos 100% divina e 100% humana, respeitando a
personalidade e estilo de cada escritor! (2Pe 1:21).
Deus usou as personalidades e modos de expressão peculiares a cada escritor
(idiossincrasias): “somente” os protegeu do menor erro, desvio, omissão e excesso.
Inspiração é basicamente esta proteção.

B) TEORIA DA INSPIRAÇÃO NATURAL = “a inspiração da Bíblia é só momentos


de superioridade do homem natural, como Beethoven na “Sinfonia Inacabada”.
(2 Pe 1:20-21).
Assim, cometem o erro de pensar que: “o Salmo 23 não é mais inspirado que
o grande hino ‘Rude Cruz’; o Sermão do Monte não é mais inspirado que ‘Pecadores
nas Mãos de um Deus Irado’, de Jonathan Edwards; a História do Filho Pródigo não é
mais inspirada que ‘O Peregrino’, de John Bunyan, etc.”

C) TEORIA DA INSPIRAÇÃO PARCIAL, dinâmica = “A Bíblia só é inspirada no


espiritual e essencial, não na História, Ciência, etc. e no que achamos ‘secundário’.”
(2 Tm 3:16; Jo 3:12).
O que é essencial? Aquilo que você gosta??!!! Isto é puro subjetivismo louco!
Como crer o maior (o espiritual, invisível, eterno) de quem não creio o menor
(material, tangível, histórico, efêmero)? (Jo 3:12). “A teoria dinâmica não explica,
nem mesmo tenta explicar, como os escritores poderiam estar possuídos de
conhecimentos sobrenaturais ao registrarem uma sentença e serem rebaixados a um
nível muito inferior na seguinte. Ela não nos dá a psicologia daquele estado de
espírito que pode se pronunciar infalivelmente sobre matérias de doutrina, enquanto
que se desvia a respeito dos fatos mais simples da história.

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 61 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
Ela não tenta analisar a relação existente entre as mentes Divina e humana,
que produz tais resultados.” (Marcus Dods, em A Bíblia: Sua Origem e Natureza,
1912, pág. 122)

D) TEORIA DA INSPIRAÇÃO SÓ DO PENSAMENTO PRINCIPAL, não das


palavras em si (Sl 138:2; Mt 5:18; 1 Co 2:13; 2 Tm 3:16). OBS: é o que ocorre
com as versões modernas/deturpadas da Bíblia, tais como: NVI, Bíblia na
Linguagem de Hoje, etc.

E) TEORIA DO “ENCONTRO MÍSTICO” = “Aqueles que tiveram ‘encontros’


(experiências emocionais) com Deus (sic), escreveram a verdade sem a Sua
proteção, muito misturada com mitos e imaginações. Hoje, a Bíblia não é, mas apenas
contém a Palavra de Deus, que eu descubro quando, num ‘encontro’ (» nirvana),
percebo o que Deus tem por baixo dos ‘mitos bíblicos’. Só então, ela se torna a Sua
Palavra, para mim.”
Isto é puro subjetivismo louco, levando às mais disparatadas conclusões! (2 Tm 3:16)

A BÍBLI A É A CORPORIF ICAÇÃO DA REVEL AÇÃO DE DEUS

DECLARAÇÕES DA PRÓPRIA BÍBLIA:


A Bíblia é absolutamente genuína e confiável em tudo que podemos checar com fatos
(ver seções “genuinidade” e “confiabilidade da Bíblia”)!
Portanto, como é natural até nas relações diplomáticas e comerciais, somos
justificados em aceitar o que ela diz de si mesma, declarando-se no V. T. (mais de
3800 vezes: Êx 14:1; Is 43:1; Ez 1:3) e no N. T. (1 Co 14:37; Gl 1:11-12; Hb 2:1-4;
2 Pe 3:2; 1 Jo 5:10; Ap 22:18-19) como a corporificação da revelação de Deus. 2
Tm 3:16-17; 2 Pe 1:20-21.

ARGUMENTOS:

a) ARGUMENTO “A PRIORI” (prova que tem que haver uma Bíblia Divina, mas
ainda não prova que é a nossa):

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 62 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
O homem é depravado e não pode ir a Deus. Deus é bom, amor, misericórdia,
graça, ... Portanto, esperar-se-ia que Deus se revelasse e corporificasse Sua
revelação.

b) ARGUMENTO DA ANALOGIA: (exige haver uma Bíblia divina, mas ainda não
prova que é a nossa):
Homens ± “bons” comunicam verdades aos que a necessitam. Deus é
infinitamente bom (At 14:15-17). Portanto, seguramente, Deus Se revelou e
corporificou Sua Revelação.

A SINGUL AR E ESP ANTOSA INDESTRUTIBILIDADE DA BÍBLIA

Mesmo sob a mais tenaz/variada, violenta/sutil perseguição já vista, a Bíblia


nunca foi destruída! Portanto ela tem que ser divina. (“Os malhos se amassam-
despedaçam, mas a bigorna permanece”).

Pink diz: “Quando pensamos no fato da Bíblia ter sido objeto especial de infindável
perseguição, a maravilha da sua sobrevivência se transforma em milagre... Por dois
mil anos, o ódio do homem pela Bíblia tem sido persistente, determinado, incansável e
assassino. Todo esforço possível tem sido feito para corroer a fé na inspiração e
autoridade da Bíblia, e inúmeras operações têm sido levadas a efeito para fazê-la
desaparecer. Decretos imperiais têm sido passados ordenando que todas as cópias
existentes da Bíblia fossem destruídas, e quando essa medida não conseguiu
exterminar e aniquilar a Palavra de Deus, ordens foram dadas para que qualquer
pessoa que fosse encontrada com uma cópia das Escrituras fosse morta. O próprio
fato de ter a Bíblia sido o alvo de tão incansável perseguição, nos faz ficar
maravilhados diante de tal fenômeno”. (Arthur W. Pink, The Divine Inspiration of the
Bible – págs. 113/114).

O ataque satânico contra a palavra de Deus remonta ao Jardim do Éden. A


primeira intervenção de Satanás na História foi adulterando e pondo dúvida na

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 63 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
Palavra de Deus: nascia a primeira Bíblia na Linguagem de Hoje! O primeiro pecado
de Eva foi o de aceitar a suposta palavra de Deus "modernizada" da boca do Diabo.

"ORA, a serpente era mais astuta que todas as alimárias do campo que o SENHOR
Deus tinha feito. E esta disse à mulher: É assim que Deus disse?: Não comereis
de toda a árvore do jardim?"
(Gn 3:1) [grifos meus]

Repare que quem fica a ganhar com esta controvérsia Bibliológica, é o pai da
mentira (Satanás); e não o povo de Deus.
Séculos mais tarde, Satanás recorreu novamente às Escrituras para tentar o
Mestre Jesus em Mateus 4:1-11.
Os imperadores romanos descobriram que os cristãos baseavam sua crença
nas Escrituras.
Conseqüentemente, buscaram suprimi-las ou exterminá-las. O mais notável foi
Dioclécio (em 301304 A. D.) que, através de um decreto real em 303 A. D., ordenou
que todos os exemplares da Bíblia fossem queimados. Ele havia matado tantos
cristãos e destruído tantas Bíblias que, quando os cristãos ficaram quietos por algum
tempo e permaneceram escondidos, ele achou que havia realmente conseguido
eliminar as Escrituras. Ele fez com que em uma medalha fosse gravada a seguinte
inscrição: “A religião cristã está destruída e o culto aos deuses restaurado”.
Entretanto, não demorou muito para que Constantino subisse ao trono e fizesse do
Cristianismo a religião oficial.
O que diria Dioclécio se pudesse voltar à Terra e ver como a Bíblia tem
prosseguido em sua missão mundial!
Durante os dois séculos em que o Papado teve poder absoluto na Europa
Ocidental (10731294), os estudiosos passaram a colocar o credo acima da Bíblia.
Enquanto que a maioria deles ainda procurava o apoio das Escrituras para o
credo, alguns deles se apegavam a revelações posteriores, transmitidas apenas pela
tradição, e não tão dependentes nos ensinamentos da Bíblia. Fisher diz que durante
este período: “a leitura da Bíblia por parte dos leigos ficou sujeita a tantas restrições,
especialmente após a ascensão ao poder dos Valdenses, que, se não era

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 64 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
absolutamente proibida, era vista com graves suspeitas”. (George P. Fisher, História
da Igreja Cristã, pg. 219).
Muitos meios foram usados para que a Bíblia ficasse restrita ao pequeno
círculo dos sacerdotes, padres, bispos e papas. Dentre as medidas para conter o
avanço da Palavra de Deus, estão as seguintes:
1) Em 1229, o Concílio de Toulouse (França), o mesmo que criou a diabólica
Inquisição, determinou: “Proibimos os leigos de possuírem o Velho e o Novo
Testamento... Proibimos ainda mais severamente que estes livros sejam possuídos
no vernáculo popular. As casas, os mais humildes lugares de esconderijo, e mesmo
os retiros subterrâneos de homens condenados por possuírem as Escrituras devem
ser inteiramente destruídos. Tais homens devem ser perseguidos e caçados nas
florestas e cavernas, e qualquer que os abrigar será severamente punido.” (Concil.
Tolosanum, Papa Gregório IX, Anno Chr. 1229, Canons 14:2). Foi este mesmo
Concílio que decretou a Cruzada contra os albigenses. Em Acts of Inquisition, Philip
Van Limborch, History of the Inquisition, cap. 08, temos a seguinte declaração
conciliar: “Essa peste (a Bíblia) assumiu tal extensão, que algumas pessoas
indicaram sacerdotes por si próprias, e mesmo alguns evangélicos que distorcem e
destruíram a verdade do evangelho e fizeram um evangelho para seus próprios
propósitos... (elas sabem que) a pregação e explanação da Bíblia são absolutamente
proibidas aos membros leigos”.
2) No Concílio de Constança, em 1415, o santo Wycliffe, protestante, foi
postumamente condenado como “o pestilento canalha de abominável heresia, que
inventou uma nova tradução das Escrituras em sua língua materna”.
3) O Papa Pio IX, em sua encíclica “Quanta cura”, em 8 de dezembro de 1866,
emitiu uma lista de oito erros sob dez diferentes títulos. Sob o título IV ele diz:
“Socialismo, comunismo, sociedades clandestinas, sociedades bíblicas... pestes estas
devem ser destruídas através de todos os meios possíveis”.
4) Em 1546, Roma decretou: “a Tradição tem autoridade igual à da Bíblia”. Esse
dogma está em voga até hoje, até porque existe o dogma da “infalibilidade papal”.
Ora, se os dogmas, bulas, decretos papais e resoluções outras possuem autoridade
igual à das Sagradas Escrituras, os católicos não precisam buscar verdades na
Palavra de Deus.

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 65 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
5) O Papa Júlio III, preocupado com os rumos que sua Igreja estava tomando, ou
seja, perdendo prestígio e poder diante do número cada vez maior de “irmãos
separados” ou “’cristãos novos” ou “protestantes” (apesar dos massacres), convocou
três bispos, dos mais sábios, e lhes confiou a missão de estudarem com cuidado o
problema e apresentarem as sugestões cabíveis. Ao final dos estudos, aqueles bispos
apresentaram ao papa um documento intitulado “DIREÇÕES CONCERNENTES AOS
MÉTODOS ADEQUADOS A FORTIFICAR A IGREJA DE ROMA”.
Tal documento está arquivado na Biblioteca Imperial de Paris, fólio B, número
1088, vol. 2, págs 641 a 650. O trecho final desse ofício é o seguinte:
“Finalmente (de todos os conselhos que bem nos pareceu dar a Vossa
Santidade, deixamos para o fim o mais necessário), nisto Vossa Santidade deve pôr
toda a atenção e cuidado de permitir o menos que seja possível a leitura do
Evangelho, especialmente na língua vulgar, em todos os países sob vossa jurisdição.
O pouco dele que se costuma ler na Missa, deve ser o suficiente; mais do que isso
não devia ser permitido a ninguém.
Enquanto os homens estiverem satisfeitos com esse pouco, os interesses de Vossa
Santidade prosperarão, mas quando eles desejarem mais, tais interesses declinarão.
Em suma, aquele livro (a Bíblia) mais do que qualquer outro tem levantado contra nós
esses torvelinhos e tempestades, dos quais meramente escapamos de ser totalmente
destruídos.
De fato, se alguém o examinar cuidadosamente, logo descobrirá o desacordo,
e verá que a nossa doutrina é muitas vezes diferente da doutrina dele, e em outras
até contrária a ele; o que se o povo souber, não deixará de clamar contra nós, e
seremos objetos de escárnio e ódio geral. Portanto, é necessário tirar esse livro das
vistas do povo, mas com grande cuidado, para não provocar tumultos” - Assinam
Bolonie, 20 Octobis 1553 - Vicentius De Durtantibus, Egidus Falceta, Gerardus
Busdragus.
Durante a época da Reforma, quando a Bíblia foi traduzida para a língua do
povo, a igreja Católica Romana impôs severas restrições à sua leitura, alegando que
as pessoas eram incapazes de interpretá-la. Tinha-se que obter permissão para lê-la,
mas mesmo quando essa permissão era dada, era com a condição de que o leitor não

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 66 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
tentasse interpretá-la por si só. Muitos deram suas vidas pela simples razão de serem
seguidores de Cristo e colocarem sua confiança nas Escrituras.
Newman diz: “Um esforço persistente foi feito pelos romanizantes para eliminar
a Bíblia inglesa. Em 1543, um decreto foi passado proibindo terminantemente o uso
da versão de Tyndale, e qualquer leitura das Escrituras em assembléias, sem a
permissão real”. (A. H. Newman, Um Manual da História da Igreja, pág. 262).
A princípio, foram feitas tentativas de proibir a impressão de sua Bíblia; e
quando ele finalmente publicou seu Novo Testamento em Worms, teve que despachá-
lo para a Inglaterra em engradados de mercadorias. Quando os livros chegaram à
Inglaterra, foram comprados em grandes quantidades pelas autoridades eclesiásticas
e queimados em Londres, Oxford e Antuérpia. Dos 18.000 exemplares que se estima
terem sido impressos entre 1525-1528, sabe-se que apenas dois fragmentos
restaram.
Em 06/10/1536, o clero católico queimou vivo William Tyndale, por traduzir e
distribuir a Bíblia.
Todos esses maléficos expedientes usados para eliminar, alterar ou suprimir as
Sagradas Escrituras não conseguiram êxito. A Bíblia é o livro mais vendido e mais lido
em todo o mundo e está traduzido para quase 2.000 línguas e dialetos. Só no Brasil
são vendidos por ano mais de quatro milhões de bíblias, afora uns 150 milhões de
livros com pequenos trechos (bíblias incompletas).

O tempo não afeta a Bíblia. É o livro mais antigo do mundo e ao mesmo tempo
o mais moderno. Em mais de 20 séculos o homem não pôde melhorá-la. Se a Bíblia
fosse de origem humana em 20 séculos ela já estaria superada, ou seja,
desatualizada.
Uma vez que o homem moderno se farta de tanto saber, era de se esperar que
já tivesse produzido uma Bíblia melhor! Para o salvo isto é uma evidência da Bíblia
como a Palavra imutável de Deus.

Os reflexos desses expedientes, ou seja, as tentativas de algemar a Palavra de


Deus, ainda hoje são sentidos. No Brasil são poucos os católicos que se dedicam à
leitura da Bíblia. Regra geral, se contentam “com o pouco que lhes é oferecido na

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 67 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
missa”, e enquanto se contentam com esse pouco (como sugeriram aqueles bispos
ao papa, item 5 retro) continuam errando. “ERRAIS, NÃO CONHECENDO AS
ESCRITURAS, NEM O PODER DE DEUS”. (Mateus 22.29)
Com o passar dos séculos, o ataque satânico ficou mais bem elaborado,
usando supostos crentes e sociedades Bíblicas. Nasciam as "versões", com textos
manipulados e com técnicas de tradução traidoras do texto original como é o caso da
equivalência dinâmica. Veremos porque a versão King James, conhecida como a
“Versão do Rei Tiago” (e sua equivalente no português – A Almeida Corrigida e
Revisada FIEL, da Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil) é muitíssimo superior às
versões modernas, as quais devem ser rejeitadas pelos crentes sérios.
A mais recente tentativa de roubar a autoridade da Bíblia é o esforço
modernista para degradá-la até o nível de todos os outros antigos livros religiosos. Se
a Bíblia tem que estar em circulação, então tem que ser demonstrado que ela não tem
autoridade sobrenatural. Os crentes verdadeiros, entretanto, reconhecem logo este
estratagema de Satanás, e apesar de tudo que é feito para enfraquecer as Escrituras,
a Bíblia é hoje encontrada em mais de 1000 línguas no mundo. O fator da
indestrutibilidade da Bíblia pesa fortemente em favor de ser ela a incorporação de
uma revelação divina.

“Eu sei que tudo quanto Deus faz durará eternamente; nada se lhe deve
acrescentar, e nada se lhe deve tirar; e isto faz Deus para que haja temor diante
dEle.” (Ec 3:14)

No tempo de Esdras, parecia que as Escrituras tinham sido destruídas, mas logo se
acharam 2 cópias, preservadas por Deus, e logo havia incontáveis Bíblias! (2 Cr 34:18-21
e Ne 8).
Na grandiosa tuma de Dioclécio funciona uma igreja já faz mais de 1000 anos.
É interessante notar que Voltaire (morreu em 1778), o famoso infiel francês
apregoava: “Deus morreu” e predisse que em 100 anos, a partir de sua época, o
Cristianismo estaria extinto. Mas, em vez disso, apenas 25 anos após sua morte, na sua
casa funciona uma grande impressora de Bíblias, a Sociedade Bíblica Inglesa e
Estrangeira, e as mesmas impressoras que haviam imprimido a literatura infiel de Voltaire

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 68 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
tem sido usadas, desde então, para imprimir a Bíblia!
Como se pode ver, nem decreto imperial, nem restrições papais, nem destruição
eclesiástica, conseguiram exterminar a Bíblia. Quanto maiores os esforços feitos para
levar a cabo tal destruição, maior tem sido a circulação da Bíblia.

TRANSCENDENTE CARÁTER:

a) O padrão moral da Bíblia é tão inatingível e condenador, que não pode ser, senão
Divino
(Êx 20; Lv 20:7; Mt 5:21-22, 27-28 [ou 20-48]; Tg 2:10). Contraste com outros “livros
sagrados” (Os deuses grego-romanos, os dos egípcios, cananeus, tupis-guaranis...!)

b) A unidade singular e perfeita da Bíblia prova: seu autor é Deus. Embora escrita
por uns 40 homens, de umas 19 ocupações diferentes, em 11 países, durante pelo
menos 1600 anos, em uns 10 gêneros literários diferentes, escritores não
conhecendo muitos ou todos os outros, a Bíblia é clara e espantosamente UM
Livro! Que contraste com os “outros livros sagrados”, que essencialmente são
coleções de material heterogêneo, sem começo, meio ou fim, inúmeras vezes
discordantes!

OBSERVAÇÕES:
1) O sentido de cada palavra ou conceito é sempre o da sua primeira menção (“amor”
Gn 22:2 + Jo 3:16); Os “tipos” ou “sombras” do V. T. encaixam-se
perfeitamente com o “Corpo” no N. T. (serpente de bronze Nm 21:6 + Jo 3:14-15,
Cordeiro pascal)!
2) O 1o e o último livro da Bíblia encaixam-se de modo assombroso!!! Vejamos:

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 69 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
GÊNESIS APOCALIPSE
Gn 1:1 - céu e Terra, temporários Ap 21:1- novo céu e nova Terra, eternos
1:27-28 - primeiro Adão (com esposa, 21:9 - último Adão (com a noiva, na cidade de
no jardim do Éden), reina sobre a Terra Deus), reina sobre o universo
1:10 – mares 21:1 - “e o mar não mais existe”
1:5, 16 - sol e lua, dia e noite 21:23 - nenhum sol, lua, nem noite; o Cordeiro é
o Eterno sol, luz, dia!
3:22 - a árvore da vida é negada aos 22:2 - folhas da árvore da vida darão saúde e
caídos cura às nações
3:17 - “maldita é a terra” 22:3 - não existirá mais maldição
3:1 - aparece Satanás, para atormentar 20:10 - desaparece Satanás, para ser
o homem, temporariamente atormentado ele mesmo, para sempre.
7:12 - a antiga Terra foi punida pelo 21:1 (+2Pe 3:6-12) - a nova Terra será purificada
dilúvio pelo fogo
2:10 - lar à beira de rio 22:1 - lar eterno à beira de rio
19 - Deus retira cidade terrestre, 21:1 - Deus traz cidade celestial, a Nova
Sodoma, do solo Jerusalém, dos céus
23:2 - Abraão chora por esposa, morta 21:4 - Deus enxugará todas as lágrimas da noiva
(= cada salvo, eternamente vivo)
50:1-3 - Gênesis termina com um 21:4 – o Apocalipse termina com todos crentes,
crente, morto, jazendo no Egito, num vivos, de pé na eternidade, reinando para
caixão sempre.

c) A precisão histórica da Bíblia é única e perfeita! No final do século XIX, alguns


pseudocientistas (1 Tm 6:20) ridicularizaram a Bíblia, afirmando que continha
“centenas de disparates históricos”. Mas, com o extraordinário avanço da Arqueologia,
os zombadores têm sido sufocados por cada pá dos escavadores.

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 70 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
Tem sido comprovado, por exemplo: A universalidade da crença num
dilúvio universal (Épico de Gilgamesh; nativos da Nova Guiné, etc.); a existência
e súbita destruição (2000 a. C.) das populosas Sodoma e Gomorra (sob o Mar
Morto?); os tijolos sem palha e a morte dos primogênitos, no Egito; os muros de
Jericó caídos para fora (!); um arrependimento e conversão para monoteísmo
em Nínive; a existência de Dario; a sequência dos reis das nações citadas; etc.

SUPERNATURAL PRECISÃO CIENTÍFICA

A Bíblia sempre declarou que a Terra é um esferóide Is 40:22 suspenso no


vazio Jó 26:7.
A primeira Lei da Termodinâmica Hb 4:3, 10 (“No universo, nada se cria, nada
se perde, tudo se transforma”) e a segunda das mais universais leis da ciência, a 2ª
Lei da Termodinâmica Sl 102:26 (“Em tudo há aumento da entropia, da degradação,
do caos, da morte do universo”), serão abolidas (Ap 21:1-5).
A Bíblia também sempre declarou que vida só vem de vida, e do mesmo tipo
Gn 1:21, contrariando a farsa da Teoria da Evolução!!! (1 Tm 6:20; Cl 2:2-3).

Integridade topográfica e geográfica: As descobertas arqueológicas provam que os


povos, os lugares e os eventos mencionados nas Escrituras são encontrados
justamente onde as Escrituras os mencionam, no local exato, e sob as circunstâncias
geográficas exatas, descritas na Bíblia. O Dr. Kyle diz que os viajantes não precisam
de outro guia além da Bíblia quando descem pela costa do mar vermelho, ao longo
seguido no Êxodo, onde a topografia corresponde exatamente à que é dada no relato
bíblico.

OBSERVAÇÕES:

a) O objetivo de Deus na Bíblia não foi o de nos dar um livro texto científico perfeito e
completo, abrangendo Física, Astronomia, Biologia, etc. Mas, sempre que o Criador
fala da Sua criação, o faz de modo infalível e perfeito.

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 71 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
OBS: Se Deus não pudesse ser infalível no campo científico, como o seria no
campo espiritual? Alguns exemplos:

Texto na Bíblia Fato científico implicado pela Ciência do homem:


Bíblia
Is 40 A Terra é esférica 540 a. C.: um grego conjeturou;
foi rejeitado. 15?? Magalhães
demonstrou.
Jó 26:7 A Terra paira no espaço 1687: Newton explicou como a
gravidade do sol era equilibrada
pela força centrífuga da rotação
da terra.
Gn 15:15 As estrelas são 150 d. C.: Ptolomeu errou: “há
(Jr 33:22; Hb incontáveis exatamente 1056 estrelas”.
11:12) Outros erraram, mas cada vez
chegam mais perto de
reconhecer o que Deus disse.
2Sm 22:16; Jn Há montanhas e canyons no leito 1880: A Oceanografia surgiu,
2:6 do mar chumbadas descobriram as
montanhas no leito do mar.
Gn 7:11; 8:2; Há fontes d’água no leito 1948: Batiscafos (sondas)
Pv 8:28 do mar descobriram
Sl 8:8 Há correntes, caminhos no mar 186?: Matthew Fontaine Maury,
ministro da Marinha americana,
movido pela Bíblia, descobre
correntes, premiando quem
achasse garrafas semeadas por
navios.
Jó 26:8; 36:27- A água segue “ciclo hidrológico” 17??: Cientistas entenderam
28; 37:16; (mar, nuvem, chuva, rio, mar)
38:25-27; Sl
135:7; Ec 1:6-7
Gn 1:21; 6:19 Vida só vem de vida. E da mesma 1862: Pasteur mostrou que
espécie moscas não se “geravam
espontaneamente”: vida só vem
de vida. 1865: Mendel provou:
vida só vem da mesma espécie.
Lv 17:11 A vida da carne está no sangue 18??: Abandonou-se o conceito
de que “sangue excessivo é a
raiz de todas as doenças”,
prática que
matou milhões de pessoas (por
exemplo: George Washington),
com as sangrias!...
Gn 2:1-3; Sl “No universo, nada se cria, nada se 177?: Lavoisier formula a 1ª Lei
33:6-9; 102:25; perde. Tudo apenas se transforma” da Termodinâmica, uma das
Hb 4:3,10 duas leis mais universais da
ciência.
Sl 102:26; Rm “Em tudo há aumento da entropia, 18??: É formulada a 2ª Lei da
8:18- 23; Hb da degradação, do caos, da morte Termodinâmica, uma das duas

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 72 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
1:10-12 do universo” leis mais universais da ciência.
Is 65:17; 66:22; A 2ª Lei da Termodinâmica, a Só assim o universo
2Pe 3:13; Ap tendência à degradação, não permanecerá eternamente
21:1-5 existirá na nova criação, que,
assim, será perfeita, eterna,
eternamente perfeita
Lv 13, 14 Há contágios. A prevenção é feita No tempo de Moisés, o Papiro
com a total quarentena (doenças Ebers (“o máximo da ciência”)
passageiras) e isolamento receitava: sangue de lagarto,
(doenças como a lepra) dente de porco, carne e banha
podres, cera de ouvido de porco,
excrementos humanos, etc. Só
houve vitória contra a lepra, etc.,
obedecendo-se à Bíblia.
Dt 23:12-13 Isolar e dar rapidíssimo sumiço aos até 1790: todos excrementos
excrementos eram lançados e ficavam nas
ruas, mesmo nas capitais e
côrtes!
Lv 7:22-27 Evitar certas carnes e misturas 1960: descoberto que causam
colesterol, etc.
Lv 15:7, etc. Purificação (meticulosa!) pela água até 1900: até cirurgiões eram
sujos, não praticavam nem
ensinavam higiene; 17% das
grávidas que entravam no melhor
hospital do mundo (em Viena)
morriam de infecção! Ainda hoje,
purificação salva mais que todos
os remédios juntos.
Gn 17:12 Circuncisão ao 8º dia OBS: as 1946: descobriu-se que
judias são as mulheres com o circuncisão controla câncer
menor índice de câncer uterino. cervical. Depois, que, até o 5º dia
de vida, a criança não produz
vitamina K, e a circuncisão traria
perigosa hemorragia. Do 7º dia
em diante a produção de
vitamina K normaliza-se. No 8º
dia, o nível de protombina
alcança o máximo de toda a vida.
O dia ideal.

b) Contraste com os disparates da falsa ciência:

1. A Biblioteca do Louvre tem 7 km de livros científicos obsoletos!


99,99...% de todos os livros científicos com mais de 50 anos estão estufados de
erros, hoje unanimemente reconhecidos.

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 73 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
2. Em 1861, a Academia Francesa de Ciência listou 51 “fatos
científicos indiscutíveis que fazem a Bíblia inaceitável.”. Hoje, esses 51 “fatos” é
que são ridicularizados pela própria ciência!

c) Contraste com os inúmeros disparates científicos presentes em todos os outros


livros ditos sagrados:
1. O livro dos Vedas (4 textos em sânscrito, que são as escrituras
sagradas do Hinduísmo) ensina: a Lua está 50000 léguas mais alta que o Sol, e
brilha por sua própria luz; ... ; a Terra é chata, triangular, e composta de 7 camadas: a
1ª de mel, a 2ª de açúcar, a 3ª de manteiga, a 4ª de vinho, etc., tudo sobre as
cabeças de incontáveis elefantes, os quais, ao tropeçarem, provocam terremotos!!!
2. Livro dos Egípcios: um gigantesco ovo foi chocado; mas, tendo asas,
fugiu, e depois se dividiu, redividiu-se, etc., formando o universo. O sol é um mero
reflexo da luz da Terra. Os homens surgiram de vermezinhos brancos que pululam no
lodo deixado pela inundação do Nilo.

ASSOMBROSA (!) PRECISÃO PROFÉTICA


Este é o argumento esmagador: A Bíblia é singular, tem muitas centenas de
profecias detalhadas e “impossíveis” (aos olhos humanos); mas, todas as que deviam
ser cumpridas o foram literalmente! (Dt 18:20-22; Is 41:22-23; 42:8-9; 44:6-8; 46:9-
10; 2 Pe 1:19)
a. Profecias sobre centenas de nações: Exemplos: Tiro destruída (Ez 26:4-5, 14),
mas Egito só humilhada, rebaixada (Ez 29:15); tão minuciosas são as
correspondências de Dn 11 (534 a.C.) com a História, que anti-supernaturalistas,
sem prova nenhuma, o picham como mera História, escrita após 168 a.C.,
relatando fatos que já teriam ocorrido “no passado” !!!...

Um exemplo de profecia cumprida: Ezequiel e Tiro


Ezequiel profetizou durante o período de 592-570 a. C. Além de outras nações
e cidades, ele profetizou contra Tiro, uma cidade costeira da Fenícia. Ezequiel
predisse que: a) Muitas nações subiriam contra Tiro (Ezequiel 26:3); b) Os muros de
Tiro seriam derrubados e a cidade completamente varrida (26:4); c) O local da cidade

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 74 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
se tornaria um lugar para os pescadores estenderem suas redes (26:5,14); d) Os
escombros de Tiro seriam atirados ao mar (26:12); e) Tiro jamais seria reconstruída
(26:14)
O cumprimento destas profecias é surpreendente! Ezequiel identificou
Nabucodonosor, rei da Babilônia, como aquele que atacaria a cidade de Tiro e a
destruiria (26:7). Nabucodonosor assediou esta cidade na praia do Mar Mediterrâneo
de 585 a 572 a. C. e quando, finalmente, rompeu as portas da cidade, ele descobriu
que o seu povo, na maior parte, tinha evacuado a cidade por navio e fortificado outra
cidade numa ilha a cerca de um quilômetro da costa. Nabucodonosor destruiu a
cidade da terra firme (572 a.C.), mas foi incapaz de destruir a cidade da ilha. Estes
acontecimentos não são, talvez, muito admiráveis porque aconteceram não muitos
anos depois das profecias de Ezequiel. Contudo, a história de Tiro não tinha
terminado.
O império medo-persa substituiu o dos babilônios e, por sua vez, o general
grego Alexandre, o Magno, capturou o território dos persas. Depois de vencer Dario III
na Ásia Menor, Alexandre se mudou para o Egito e conclamou as cidades fenícias a
abrirem suas portas (332 a. C.). A cidade na ilhota de Tiro se recusou e, por isso,
Alexandre a assediou e começou a construir uma ponte flutuante com 60 metros de
largura, desde a praia até a ilha. Ele usou os escombros (26:12) da velha cidade de
Tiro, limpando completamente o terreno, para fazer uma "estrada" até a cidade na
ilha. Depois de um cerco de sete meses, ele tomou a cidade. Sua fúria contra os tírios
foi grande; ele matou 8.000 dos habitantes e vendeu outros 30.000 para a escravidão.
Muitas cidades antigas, que foram destruídas de tempos em tempos, foram
reconstruídas, mas nenhuma cidade jamais foi reconstruída no antigo local de Tiro. O
terreno, até mesmo hoje, é usado por pescadores para estender suas redes para
limpar, remendar e secar. (26:5, 14).
Como teria sido possível a Ezequiel saber o que Alexandre, o Magno, faria
para capturar a cidade de Tiro 250 anos mais tarde? Nenhum homem poderia ter
previsto com tal pormenor o futuro incomum de Tiro; profecias como estas são
claramente a obra de Deus.
O estatístico Peter Stoner, usando o princípio da probabilidade, dedica a esta
profecia um em setenta e cinco milhões a possibilidade de cumprimento. A moderna

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 75 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
cidade de Sur está situada perto da antiga cidade de Tiro, mas a própria Tiro de fato
nunca foi reconstruída.

b. Profecias sobre o milagre da indestrutibilidade de Israel: TODAS AS OUTRAS


NAÇÕES ESPALHADAS DESAPARECERAM! (Gn 12:1-3; 15:5 versus Jr 30:11; Dt
7:6-8; Lv 26:44; Nm 24:9b; Is 11:11-12; 41:14; Jr 31:35-37; 46:28; Ez 37:21; Zc
2:8b; Mt 24:34; Rm 11:1-5; 25-32).

c. Profecias sobre a História de Israel: Israel teve profetizada sua dispersão (Lv
26:33; Dt 28:15, 64-65; Jr 15:4; 16:13; 24:9; Os 3:4; 9:17). Primeiro seria dispersa só a
parte de Israel (1 Rs 14:15; Is 7:6-8; Os 1:6-8). Depois, Judá seria dispersa (Is 39:6; Jr
25:9-12). 70 (Setenta) anos depois, Judá seria parcialmente restaurada (Mq 1:6-9
versus Jr 29:10-14). Até o nome de Ciro, o rei Persa que restauraria Judá, foi previsto
com 120 anos de antecedência !!! (Is 44:28-45:1). Isaías predisse que Jerusalém e o
templo seriam reconstruídos por ordem de Ciro, o persa, que permitiria aos israelitas
regressarem do cativeiro (44:28 - 45:13). Quando Isaías fez estas profecias, em cerca
do ano 700 a. C., a cidade de Jerusalém e o templo ainda estavam em pé, o reino do
sul de Judá ainda não tinha sido levado em cativeiro, e os assírios eram a potência
mundial. Ciro não libertaria os cativos de Judá antes do ano 536 a.C., 160 anos mais
tarde e, entretanto, Isaías o chamou pelo nome! O Estado de Israel foi fundado em 15
de Maio de 1948 (Is 60:9-10; 61:6; Jr 23:3; 30:3; 31:36; Ez 11:17; 36:19-27; 37).

d. Profecias sobre a sequência dos impérios mundiais (Dn 7);

e. 332 profecias sobre a 1ª vinda de Jesus Cristo, TODAS (mais de 90 explícitas)


literalmente cumpridas!: montado num jumento (Zc 9:9-10), entrada em
Jerusalém em “6 de Abril de 32” (Dn 9:24-26 + calendário). espantosos detalhes da
crucificação (Sl 22:14-18); ossos (Sl 34:20); fel (Sl 69:21); transpassado (Is 53:4-6;
Zc 12:10); ressurreição (Sl 16:10; 30:3, 9; 40:1-2; Is 53:1; Os 6:2). [vide outras
profecias sobre Jesus Cristo no quadro da página 28 desta apostila]. Por exemplo:
Em cerca de 538 a. C., Daniel, o profeta, predisse (Dn 9:24-27) que Jesus viria
como o Salvador e Príncipe prometido para Israel exatamente 483 anos depois que

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 76 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
o imperador persa (Artaxerxes) desse aos judeus permissão para reconstruir a
cidade de Jerusalém que estava em ruínas nesta época. Essa profecia foi clara e
definitivamente cumprida no tempo exato;

f. Profecias sobre os últimos dias (do domínio dos gentios sobre o local do
templo Lc 21:24): Uniformitarianismo evolucionista (2 Pe 3:3-4). Tremendas:
multiplicação das viagens e ciência (Dn 12:4); disparidade e tensão sócio-econômica
(Tg 5:1-6); degradação moral (Lc 17:26-37; 2 Tm 3:1-7); apostasia religiosa (2 Pe 2:1;
3:3-4; 2 Tm 3:7; 4:4); demonismo (Mt 24:24; 1 Tm 4:1). Os sinais de: cataclismas e
tribulações (Mt 24:3-8); o progresso do conhecimento e das viagens nos últimos
tempos (Dn 12:4); Confederação de dez dedos-nações revivendo o Império Romano
[a Comunidade Econômica Européia] (Dn 7:19-24); russos e árabes juntando-se
contra Israel (Ez 28:1-6); enorme exército oriental, contra Israel (Ap 16:12). Profecias
para a igreja (Jo 14:1-3).

OBS: As profecias de Daniel capítulo 11 são tão exatas, em detalhes, que os céticos
querem datar o livro de Daniel como se tivesse sido escrito após os eventos, como
mero relato histórico de algo passado e não uma predição de eventos. O livro de
Daniel foi escrito entre 607-534 a.C., e os críticos procuram datá-lo em 168-165 a.C.!!!
g. Análise probabilística:
A probabilidade composta de apenas (!) as profecias do primeiro advento
(nascimento de Jesus Cristo) terem se cumprido por acaso é muitíssimo menor que
1/10300, comparável a um macaco, brincando, por acaso (!) acertar na primeira
tentativa o número telefônico do presidente de cada país no mundo !!!
A probabilidade de Mq 5:2 ter acertado o local do nascimento de Jesus Cristo
por acaso é de (1/12 tribos) x (1/200 cidades em Judá) = 1/2.400; tomemo-la apenas
como 1/2.000. A probabilidade de Dn 9:24-26 ter acertado a data de entrada de
Cristo em Jerusalém por acaso é de 1/(2.500 anos x 365 dias) = 1/900.000. A
probabilidade composta desses 2 eventos é de (1/2.000) x (1/900.000) =
(1/1.800.000.000).
3268 profecias do A.T. já foram cumpridas cabalmente. Isto equivale a 10-984.

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 77 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
A BÍBLI A É GENUÍNA ( A U T Ê NT ICA )
(cada livro foi escrito pela pessoa e na época que lhe são tradicionalmente atribuídos,
não foi falsificado, não é espúrio, forjado, corrompido)
OBS: Tradição firme entre os fiéis e conservadores judeus e os crentes: (tradição
indisputada quanto à genuinidade e quanto aos autores, conforme abaixo indicados.
Só há variação quanto a alguns pouquíssimos anos da data exata de alguns dos
livros):

A LEI – O PENTATEUCO (Torah) Foi escrita por Moisés (século XV a. C.):


Gn (1491 a.C.), Ex (1491 a.C.), Lv (1490 a.C.), Nm (1451 a.C.), e Dt (1451 a.C.),
foram escritos por Moisés.

Possibilidade: já na época de Hammurabi se escrevia. Moisés pode ter


recebido todo o livro de Gênesis por revelação direta de Deus ou ter compilado os
tabletes escritos diretamente por Deus (a partir de Gn 1:1), e aqueles, divinamente
inspirados, escritos por Adão (a partir de Gn 2:4), Noé (de Gn 5:1); Sem (Gn 10:1);
Abraão (Gn 11:10); Isaque (Gn 25:12); Jacó (Gn 37:2); e José (Gn 50:6).

PROVAS:
NO PENTATEUCO: Êx 17:14 + 24:4; 34:27-28.
NO VELHO TESTAMENTO: Js 8:31; 23:6; 1 Rs 2:3; 2 Rs 14:6; Ne 13:1; Dn 9:11.
POR CRISTO: Mt 8:4; Lc 16:29; 24:27; Jo 5:45-47.
NO NOVO TESTAMENTO: At 15:21; 1 Co 9:9; Hb 9:19.
O AUTOR, OBVIAMENTE, FOI TESTEMUNHA OCULAR DO ÊXODO.
COSTUMES E PALAVRAS SÃO DO EGITO, 2000 a. C.

A descendência abençoada de Noé - seu filho Sem:


Noé tinha três filhos: Sem, Cão e Jafé, que depois de deixarem a arca, foram
para diferentes regiões. Sem permaneceu na Ásia, Cão foi para a África e Jafé para a
Europa. De Sem nasceu um povo que continuou explorando as terras imediatas ao
berço da civilização. Desse povo é que descende o grande amigo de Deus – Abraão,
“o pai dos hebreus”.

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 78 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
Sem foi o INTERMEDIÁRIO: nasceu 120 anos antes do dilúvio, conheceu a
Noé, seu pai, a Lameque, seu avô (que conviveu com Adão 50 anos) e a
Matusalém, seu bisavô (que conviveu com Adão por 250 anos).
Noé viveu até ao tempo de Abraão e Sem chegou a alcançar o tempo de Jacó.
Esses fatos demonstram a maneira pela qual os conhecimentos históricos do
princípio da raça foram comunicados às gerações posteriores.

OS PROFETAS (NEBHIIM = “Isaías”):

Josué 1427 a.C Josué. Js 24:26. Eleazar ou seu filho Finéias


podem, inspirados, ter concluído 24:29-33.
Juízes 1080 a.C., tempo de Samuel. Jz 19:1; 21:25, 1:21; 2 Sm 5:6-8.
Saul
1 Sm 1-24 1060 a.C. Samuel. 1 Cr 29:29
1 Sm 25, 1018 a.C. Natan + Gad. 1 Cr 29:29
2 Sm fim
1 Rs 1-11 1004 (ou, num sentido Cronistas (ou, num sentido menos conservador,
menos conservador, Jeremias ou seu contemporâneo), selecionados
Jeremias, 590) a.C. por Jeremias ou seu contemporâneo.
1 Reis 12- 897 (ou, num sentido Cronistas (ou, num sentido menos conservador,
fim menos conservador, Jeremias ou seu contemporâneo), selecionados
Jeremias, 590) a.C. por Jeremias ou seu contemporâneo.
2 Reis 1004 (ou, menos Cronistas (ou, num sentido menos conservador,
conservador, Jeremias ou seu contemporâneo), selecionados
Jeremias, 590) a.C. por Jeremias ou seu contemporâneo.
Isaias 698 a.C. Isaías. 2 Cr 32:32 // 2 Cr 26:22 // Is 1:1 // Mt 8:17
+ Is 53:4; Lc 4:17-19 + Is 61:1; Jo 12:38-41 + Is
53:1 + 6:10. Cristo atestou a genuinidade do
livro de Isaías.
Jeremias 588 a.C. Jeremias. Jr 30:2; 51:60; Baruque foi seu
amanuense Jr 36 + 45:1.
Ezequiel 574 a.C. Ezequiel. 24:2; 43:11
Habacuque 626 a.C. Habacuque. 2:2
Oséias 740 a.C. Oséias
Joel 800 a.C. Joel
Amós 787 a.C. Amós
Obadias 587 a.C. Obadias
Jonas 862 a.C. Jonas
Miquéias 750 a.C. Miquéias
Naum 713 a.C. Naum
Sofonias 630 a.C. Sofonias
Ageu 520 a.C. Ageu
Zacarias 520 a.C. Zacarias
Malaquias 397 a.C. Malaquias

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 79 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
OS ESCRITOS (KETHUBHIM = Hagiographa = “Salmos”):

Salmos diversas datas, de ± 73 Salmos por Davi (2 Cr 35:4); 2 por Salomão, 12


1491 a ± 480 a.C. por Asafe; 11 pelos filhos de Coré; 1 por Etan; 1
por Moisés; 50 anônimos. Asafe e Coré eram de
famílias levitas, dedicadas ao louvor!!!
Provérbios 1000 a.C. Salomão: Pv 1-24 ele escreveu e publicou; Pv 25 a
1-29 29 foram copiados dos seus escritos, pelos servos
de Ezequias, ± 700 a.C.; Pv 30 foi escrito por Agur,
mas Salomão, inspirado, o selecionou como
inspirado, e o publicou; Pv 31 foi escrito por “Rei
Lemuel”, mas Salomão, inspirado, também o
selecionou como inspirado e publicou; ou, mais
provável porque não há registro deste “Rei
Lemuel”, provavelmente ele é Salomão. Lemuel (=
“Dedicado a Deus”) seria carinhoso “apelido”
usado só pela mãe ao lhe falar, e perdido com o
tempo.
Jó 400 anos do Jó. Não se refere à Lei, nem sequer a Abraão e à
Pentateuco, da Lei aliança
provavelmente em abraâmica, deve ser o livro mais antigo da Bíblia,
2000 a.C. pode ser mais antigo que os mais antigos
hieróglifos! Algo da sabedoria do mundo pré-
diluviano pode ter sido transmitida a Jó.
Cantares 1013 a.C. Salomão. Ct 1:1.
Rute 1060 a.C. Contemp. Samuel
de Davi. Rt 4:22
Lamentações 588 a.C. Jeremias
Eclesiastes 975 a.C. Salomão (Ec 1:1, 16; 2:4-11), não obstante alguns
pequenos problemas lingüísticos.
Ester 509 a.C. Mordecai. Mas (ao menos cap. 10) pode ter sido
escrito por judeu seu contemporâneo e com
acesso às crônicas dos reis da Média e da Pérsia
Et 2:23; 9:20; 10:2-4.
Daniel 607-534 a.C. Daniel. 7:2; 8:1,15; 9:2; 10:2; 12:4; Mt 24:15.
Esdras 457 a.C. Esdras. 7:28 + 7:1
Neemias 434 a.C. Neemias 1.1
1Crônicas Até 1015 (ou, Cronistas (ou, num sentido menos conservador,
menos conservador, Esdras),
antes de Esdras selecionados por Esdras. 1, 2 Rs lidam com os
450- aspectos
proféticos da história, 1,2 Cr com os sacerdotais.
425 a.C.)
2Crônicas 1004 (ou, menos Cronistas (ou, num sentido menos conservador,
1-9 conservador, antes Esdras),
de Esdras 450-425 selecionados por Esdras. 1, 2 Rs lidam com os
a.C.) aspectos
proféticos da história, 1,2 Cr com os sacerdotais.
2Crônicas 10 623 a.C.

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 80 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
O NOVO TESTAMENTO:
Mateus 38 (ou, pouco Mateus, em Grego, na Judéia (ou, num sentido
conservador: pouco conservador, fora da Judéia, após deixar a

50) região, hoje conhecida como Palestina, para


pregar aos gregos, e após escrever este
evangelho em Aramaico, em 45 d.C.)
Marcos 65 ou (67 a 68), de João Marcos.
Roma
Lucas 58 (ou 63), da Grécia Lucas, o médico amado

Jó 85-90 da Ásia Menor João 21:24. Alguns, inconformados com a ênfase


na divindade de Cristo, afirmam que é espúrio e
escrito após 160 ou mesmo 200 d.C. Mas não
têm fatos, só maus desejos. A descoberta do
Papiro 52, com fragmento do capítulo 18 e
datado de somente 120 d.C., destrói a teoria.
Atos 64, da Grécia Lucas, o médico amado

Romanos 58, de Corinto Paulo. As pequenas mudanças de estilo nas


epístolas pastorais são esperáveis!...
1 Coríntios 56, de Éfeso Idem

2 Coríntios 57 Macedônia Idem

Gálatas 52 de Corinto ou Idem


Macedônia
Efésios 61. de Roma Idem

Filipenses 62, de Roma Idem

Colossenses 62, de Roma Idem


1 Tess. 52, de Corinto Idem

2 Tess. 52, de Corinto Idem

1 Timóteo 64 da Macedônia Idem

2 Tm 65, de Roma Idem

Tito 64, da Macedônia Idem


Filipenses 62, de Roma Idem

Hebreus 63, de Roma Anônimo. Ninguém (Apolo, etc.) é mais provável


que Paulo (Hb 13:23; 2 Pe 3:15); apoio da mais

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 81 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
antiga e respeitável tradição.
Tiago 49 de Jerusalém Tiago. Um dos pelo menos 7 filhos de Maria,
irmão de Jesus. É a mais antiga das epístolas!
1 Pedro 64 de Roma Pedro. Silvanus pode ter ajudado no estilo de 1
Pe (ler 5:12), daí as pequenas diferenças quanto
2 Pe.
2 Pedro 65, de Roma Idem

Judas 66, local incerto Judas. Um dos pelo menos 7 filhos de Maria,
irmão de Jesus.
1 João 69, da Judéia João. Pequenas diferenças de estilo são
esperáveis, ou semelhantes às de Pedro.
2 João 69, Éfeso João. Pequenas diferenças de estilo são
esperáveis, ou semelhantes às de Pedro.
3 João 69, de Éfeso João. Pequenas diferenças de estilo são
esperáveis, ou semelhantes às de Pedro.
Apocalipse 96 de Patmos João. Pequenas diferenças de estilo são
esperáveis, ou semelhantes às de Pedro.

OBS: Note que o Evangelho segundo Mateus foi escrito por Mateus em grego.
Alguns, inconformados com a ênfase na divindade de Jesus Cristo, afirmam
que o Evangelho segundo João é espúrio e escrito após 200 d. C., mas não têm
sequer uma prova, só maus desejos (O Papiro 52, datado de 120, com trechos de
João 18, esmigalha seus desejos. O livro de Hebreus foi escrito em 63,
anonimamente (Por Paulo, cremos!). A epístola 1 Pedro pode ter recebido o auxílio
gramatical de Silvanus; pequenas diferenças no estilo das epístolas de Pedro são
esperáveis pelos tempos (Ou, pode ter havido o auxílio de “amanuenses-
dialogadores” diferentes).
“Em caso de dúvida, deve-se favorecer o próprio documento, e não a posição
questionadora do crítico” (Aristóteles).

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 82 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
A BÍBLI A É CONF IÁVEL, VERÍDICA
[Um livro é confiável se relata veridicamente tudo aquilo de que trata].

O ANTIGO TESTAMENTO É CONFIÁVEL:

a) Os fatos da História, da Arqueologia, da Geografia e Topografia, sempre


concordam assombrosamente com a Bíblia!

TODAS AS TEORIAS DESDENHADORAS DA BÍBLIA TÊM SIDO


DESTRUÍDAS PELOS FATOS.

Sabe-se que Salmanezer IV sitiou a cidade de Samaria, mas “o rei da Assíria”,


que sabemos ter sido Sargom II, carregou o povo para a Assíria (II Reis 17:3-6). A
história mostra que ele reinou de 722-705 a. C. Ele é mencionado pelo nome apenas
uma vez na Bíblia (Is 20:1). Nem Belsazar (Dn 5), nem Dario, o Medo (Dn 6), são
mais considerados como personagens fictícios. Os hieróglifos egípcios indicam que a
escrita já era conhecida mais de mil anos antes de Abraão. A arqueologia também
confirma o fato de Israel ter vivido no Egito, que o povo foi escravo naquela terra e
que ele finalmente saiu daquele país. O pesquisador John Garstang, dá a data do
êxodo como 1447 a. C. Os Hititas ou heteus, cuja existência era posta em dúvida até
recentemente, foram mostrados como tendo sido um povo poderoso na Ásia Menor e
na (região, hoje conhecida como) Palestina, na mesma época indicada na Bíblia, pela
descoberta de uma biblioteca hitita na Turquia. Descobertas arqueológicas também
confirmam a veracidade do Novo Testamento. Quirino (Lucas 2:2) foi governador da
Síria duas vezes (16-12 e 6-4 a. C.), sendo que Lucas se refere a esse último período.
“Lisânias, o Tetrarca” é mencionado em uma inscrição no local de Abilene na época a
que Lucas se refere. Uma inscrição em Listra registra a dedicação da estátua a Zeus
(Júpiter) e Hermes (Mercúrio), o que mostra que esses deuses eram colocados na
mesma classe no culto local, conforme insinuado em Atos 14:12. Uma inscrição de
Pafos faz referência ao “procônsul Paulo”, que já foi identificado como o Sérgio Paulo
de Atos 13:7.

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 83 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
OS TABLETES DE EBLA CONFIRMARAM A EXISTÊNCIA DE SODOMA E
GOMORRA. ARQUEÓLOGOS MODERNOS TAPARAM AS BOCAS DOS QUE
ZOMBAVAM DA REALIDADE DE DARIO! Etc.

Os Manuscritos do Mar Morto:

Em Março de 1947, um pastor beduíno árabe, chamado Muhammad ad Dib,


descobriu por acaso, nas cavernas de Qumram, próximo ao Mar Morto (região de Jericó),
a mais preciosa coleção de Manuscritos do Velho Testamento. Foram encontrados cerca
de 823 manuscritos, sendo que a maior parte é de livros bíblicos ou relacionados.
Essas descobertas trouxeram à luz textos que confirmam a exatidão da transmissão
textual do Antigo Testamento. É muito conhecido o caso do famoso Rolo do livro de
Isaías, chamado 1QIsª, datado de 150-100 a.C., que era cerca de 1000 anos mais velho
que os mais antigos manuscritos até então existentes!
Os Manuscritos do Mar Morto foram escondidos nas cavernas de Qumram pelos
essênios - seita ascética judaica, durante a segunda revolução dos judeus contra os
romanos em 132-135 d.C.
Os Manuscritos de Qumram são os mais antigos do mundo, conhecidos até o
momento.
Foram encontrados em Qumram manuscritos de todos os livros do Antigo Testamento
exceto do livro de Ester.
Um famoso teólogo do início do século XIX, F. C. Baur, dizia que o evangelho de
João só tinha sido escrito por volta do ano 160 d.C., negando a origem apostólica do
documento. Mas, no século XX já se descobriu um fragmento do Evangelho de João, no
Egito, datado de 125 d.C., derrubando completamente a teoria daquele "erudito". Este
papiro (tecnicamente conhecido como Papiro 52), contém poucos versos do Evangelho de
João (18.31-33, 37-38), mas era o texto mais antigo do Novo Testamento que
conhecíamos e mostra que o evangelho que havia sido escrito depois de 90 d.C. já tinha
alcançado uma cidade do Egito em menos de 35 anos! É desta forma que as descobertas
recentes confirmam o relato e o texto da Bíblia.

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 84 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
b) Cristo Onisciente reconheceu integralmente a inspiração do V.T.: Mt 5:17-
18; Lc 24:27, 44-45; Jo 10:35b.

Jesus endossou um grande número de ensinamentos, como verdadeiros:

a) Ele acreditou no literal relato da criação segundo Gênesis (Mt 19:4-6; Mc 10:6-8;
13:19).
b) Acreditou que o autor do Pentateuco foi Moisés (Mt 8:4; 19:7-8; Mc 7:10; 12:26; Jo
7:22-23, Jo 5:46-47; 7:19).
c) Acreditou na revelação de Deus na sarça a Moisés (Mc 12:26).
d) Acreditou na literal historicidade e na universalidade do Dilúvio de Noé (Mt 24:37-
39; Lc 17:26-27).
e) Acreditou na historicidade de Abraão (Jo 8:56).
f) Acreditou na destruição de Sodoma e Gomorra e o livramento de Ló (Mt 10:15;
11:23-24; Lc 17:28-30).
g) Acreditou que a esposa de Ló foi literalmente transformada em uma coluna do sal
(Lc 17:32).
h) Acreditou que Deus deu o literal maná do céu a Israel (Jo 6:31-32, 49, 58).
i) Acreditou que Davi foi um autor de Salmos (Mt 22:43).
j) Acreditou na historicidade de Jonas e da literal baleia (Mt 12:39-41).
k) Acreditou na existência do Tabernáculo (Lc 6:3-4).
l) Acreditou que o escritor do livro Daniel foi o real Daniel (Mt 24:15).
m) Acreditou na unidade do livro de Isaías (Mt 8:17; 13:14-15; Mc 7:6; Lc 4:17-18; Jo
12:38-41)
n) Acreditou que os judeus tiveram uma história de rejeitar a Palavra de Deus (Lc 11:
47-51).
o) Aceitou no Cânon judaico do Velho Testamento, mas rejeitou o Apócrifo (Lc 24:44)
p) Severa e publicamente repreendeu os Saduceus por sua ignorância das Escrituras
(Mt 22:29).
q) Ensinou que cada palavra das Escrituras procede de Deus (Mt 4:4).
r) Ensinou a doutrina da perfeita e incessante preservação das Escrituras (Mt 5:17-
18; 24:35; Lc 16:17).

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 85 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
s) Ensinou que as Escrituras do Velho Testamento apontavam para Ele (Lc 24:27,
44).
t) Ensinou que o homem será julgado pela Palavra de Deus (Jo 12:47-48).
u) Ensinou a autoridade absoluta das Escrituras (Jo 10:34-36).
v) Pré-autenticou os escritos do Novo Testamento como realmente sendo as
Escrituras (Jo 14:26; 16:12-13)
w) Ensinou sobre a personalidade de Satanás e seu caráter maligno (Jo 8:44).

Conclusão: Se o próprio Jesus Cristo crê na inspiração da Bíblia, por que


nós não creremos nela?
Em muito mais que 180 dos 1800 versos onde Jesus Cristo fala, Ele cita o
V.T. !

O NOVO TESTAMENTO É CONFIÁVEL:

Seus escritores eram competentes, qualificados (humana e divinamente


falando).
Eles (inclusive Paulo) foram testemunhas oculares de todo o ministério, morte e
ressurreição de Cristo, aprendendo diretamente dEle. Lucas foi companheiro de
Paulo, fidelíssimo registrador do que viu, e também do que os apóstolos viram e lhe
ensinaram diretamente. Marcos foi o intérprete de Pedro, segundo Papias e Irineu.
Tiago e Judas eram irmãos do Senhor. Eram honestos (mesmo até o ponto de darem
suas vidas!).
Foram investidos pelo Espírito Santo. Seus escritos se harmonizam
perfeitamente uns com os outros, e sempre concordam com os fatos da História e da
experiência.

(As aparentes “contradições” entre os escritos de Paulo e Tiago): Eles


somente falam de pontos de vista complementares: o que Deus vê e o que os
homens vêem; a verdadeira fé, que resulta em obras e a fé falsa, que nada produz.
Há progresso no desenrolar da doutrina dos evangelhos para as epístolas e

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 86 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
diferentes ênfases na revelação dos ensinos (por exemplo: do divórcio; dos cultos e
adoração; etc.), mas nunca contradição!

Os registros do N. T. estão de acordo com a História: o recenseamento quando


Quirino era governador da Síria (Lc 2:2); os Atos de Herodes o Grande (Mt 2:16-18);
de Herodes Antipas (Mt 14:1-12), de Agripa I (At 12:1); de Gálio (At 18:12-17); Agripa
II (At 25:13 – 26:32), etc.

A BÍBLI A É CANÔNICA

Um livro é canônico quando, desde o seu primeiro dia, foi aceito pelo povo de
Deus como divinamente inspirado, como realmente o é (Ver o item “Inspiração”)].
CÂNON do grego "kánon", e do hebraico "kaneh" (= regra; lista autêntica dos
livros considerados como inspirados).
Significava originalmente “vara de medir”, depois “norma ou regra” (Gl 6:16), e
hoje significa “catálogo de uma revelação completa e divina”.
A palavra cânon acha-se em três passagens do N.T.: Gl 6:16, Fp 3:16 e 2 Co
10:13-17.

A inspiração diz respeito à ação divina no ato do registro escrito, garantindo o


resultado fiel.
Já a canonização do Texto diz respeito à ação humana, reconhecendo a
qualidade divina daquele material.
A “CANONIZAÇÃO” DE UM LIVRO NÃO SIGNIFICA QUE HOMENS LHE
CONCEDERAM AUTORIDADE E INSPIRAÇÃO DIVINA, MAS SIM QUE HOMENS
FORMALMENTE OFICIALIZARAM O QUE SEMPRE FOI RECONHECIDO COMO
INSPIRADO POR DEUS [EM OUTRAS BASES, SUFICIENTES].

Esse processo de reconhecimento se deu no seio da comunidade da Fé — a


comunidade hebraica, quanto ao A.T., e a comunidade cristã (igreja primitiva), quanto
ao N.T.

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 87 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
A canonização tem tudo a ver com a preservação do Texto, pois, a comunidade
da Fé só iria se preocupar em transmitir e proteger os livros "canônicos", tidos como
inspirados.
A parte humana na transmissão do Texto fica patente, mas será que houve
ação divina também, protegendo o Texto (a exata redação do Texto)?
Se o Criador quis que Sua revelação chegasse intacta, ou pelo menos de forma
íntegra e confiável, até o século XX e seguintes, fatalmente teria que vigiar o processo
da transmissão através dos séculos. Teria que proibir a perda irrecuperável de
qualquer parte genuína, bem como a inserção indetectável de material espúrio. (Ver
item Preservação, a seguir).

A BÍBLIA É PRESERVADA, ATRAVÉS DO “TEXTO RECEBIDO”

(da “Almeida Corrigida e Revisada, Fiel ao Texto Original”, da Sociedade


Bíblica Trinitariana do Brasil) [Gl 3:16; 2 Tm 3:16]
Deus jurou e realmente PRESERVOU Suas palavras, de um modo
absolutamente PERFEITO, de maneira que cada palavra do Texto (em Hebraico-
Aramaico e em Grego) por Ele preservado e que temos agora escrita em papel, nas
nossas (a Bíblia), é plenária, exclusiva, inerrável, infalível e verbalmente a própria
Palavra eterna do próprio Deus!
Esta preservação só requereu a infalível PROVIDÊNCIA de Deus, não Seu
milagre contínuo. Falamos de TEXTO, de PALAVRAS, não de suas representações,
nem de manuscritos e outros meios físicos. 1 Cr 16:15; Sl 12:6-7; 19:7-8; 33:1; 100:5;
111:7-8; 117:2; 119:89,152,160; 138:2b; Is 40:8; 59:21; Mt 4:4; 5:18; 24:35; Lc 4:4;
16:17; 21:33; Jo 10:35b; 16:12-13; 1 Pe 1:23,25; Ap 22:18-19.
Os próprios autores humanos sabiam que estavam escrevendo "as Palavras de
Deus". Os líderes cristãos do 1º século e do 2º século (e 3º, 4º, etc.) utilizaram e
citaram material neotestamentário lado a lado com material do A.T. como sendo
Palavra de Deus.
Entendendo, como entenderam, que estavam lidando com coisa sagrada, iriam
zelar por essa Palavra, vigiando o processo da transmissão. Dispomos de
declarações cabais dessa preocupação a partir do próprio N. T. (Ap 22:18-19).

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 88 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
Justino Mártir (150 d. C.) escreveu que era costume nas congregações cristãs,
quer na cidade quer no campo, ler tanto o N. T. como o A. T. cada Domingo.
Resulta dali que tinham que existir cópias, muitas cópias (não se pode ler sem
livro), e teriam que ser cópias boas (os usuários seriam exigentes).
Embora o processo de copiar à mão resulte em erros sem querer, muitas
vezes, no início, seria possível verificar qualquer cópia contra o Autógrafo (documento
original), e principalmente nas regiões mais próximas da igreja detentora do
Autógrafo.
Tudo indica que pelo menos 18 e talvez até 24 dos 27 Autógrafos (2/3 a 8/9) se
encontravam na região Egéia (Grécia e Ásia Menor).
Foi exatamente nessa área que a Igreja mais prosperou, e ela se tornou o eixo
da Igreja até o 4º século (pelo menos). [lembrar que Jerusalém foi saqueada em 70 d.
C., e provavelmente quaisquer Autógrafos ali existentes foram levados para a
Antioquia, ou ainda mais longe].
Foi também nessa área que a língua Grega foi mais usada, e durante mais
tempo — foi a língua oficial do império bizantino (transmissão exata de qualquer texto
é possível unicamente na língua original).
A Ásia Menor foi caracterizada também por uma mentalidade conservadora
quanto ao Texto Sagrado. Na Antioquia, surgiu uma "escola" de interpretação
literalista (por formação, um literalista é obrigado a se preocupar com a exata redação
do texto, pois sua interpretação se prende a ela).
Quer dizer que até o ano 300 d. C. tinha um fluxo cada vez maior de cópias
boas, fidedignas emanando da região Egéia para o mundo cristão, precisamente
porque aquela região reunia todos os requisitos para se impor à confiança da Igreja,
quanto ao Texto Sagrado. Em contraste, no Egito, a igreja era fraca, herética, não se
usava o Grego, não havia nenhum Autógrafo (fatalmente o texto ali existente sempre
seria de 2ª mão, no mínimo), grassava uma mentalidade alegorista enfim, o Egito
seria um dos últimos lugares onde procurar um texto bom).
É bom notarmos que nada de bom vem do Egito. Deus chamou chamou Jacó
para fora do Egito (Gn 49); Israel para fora do Egito (Êx 15); os ossos de José para
fora do Egito (Êx 13); bem como Jesus Cristo para fora do Egito (Mt 2).

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 89 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
Aí houve a campanha de Diocleciano (303 d. C.), visando destruir os MSS
(manuscritos) do N. T. Sendo que a perseguição mais ferrenha se deu exatamente na
região Egéia, teria sido uma oportunidade perfeita para os tipos de texto existentes no
Egito e na Itália conquistarem espaço maior no fluxo da transmissão do Texto e
fossem considerados aceitáveis ou viáveis. Mas não aconteceu; os grandes
pergaminhos ℵ, B e D não têm "filhos" — ninguém quis copiar semelhante texto.
Aliás, podemos deduzir que a campanha de Diocleciano teve um efeito
purificador na transmissão. Grosso modo, os MSS menos preciosos e
respeitados seriam os primeiros a serem entregues à destruição; já os
exemplares mais cotados e respeitados seriam protegidos a qualquer custo, e
uma vez que a perseguição passou serviriam de base para suprir as igrejas com
cópias boas novamente.

O movimento Donatista girou em torno da punição merecida pelas pessoas que


entregaram seus MSS (entre outras coisas). Obviamente muitos não os entregaram, e
os que entregaram foram discriminados.
É geralmente reconhecido por eruditos de todas as linhas teóricas que, a partir
do 4º século, o fluxo da transmissão do Texto foi tranquilamente dominado por um tipo
de texto, geralmente conhecido por "Bizantino" em nossos dias. "Bizantino" porque
esse império abrangeu exatamente a região Egéia, a região que reunia todas as
qualificações necessárias para garantir a transmissão fiel do Texto. Até hoje, as
"Igrejas Ortodoxas" do oriente utilizam esse tipo de texto.
Lá pelo 9º século, houve um "movimento" (parece que foi mais ou menos
espontâneo) no sentido de mudar o estilo de grafia de letras maiúsculas (unciais) para
cursivas (minúsculas). Os exemplares antigos eram copiados na nova "roupagem" e
aparentemente grande número desses antigos foram destruídos (ou reciclados, daí os
"palimpsestos", manuscritos apagados e escritos por cima).
Dos MSS gregos existentes hoje (do N. T.), uns 95% trazem o texto "Bizantino"
e os outros 5% são um tanto heterogêneos (o erudito Frederic Wisse fez uma
comparação minuciosa de 1.386 MSS gregos nos capítulos 1, 10 e 20 de Lucas e
chegou à conclusão de que apenas oito deles representavam o tipo de texto egípcio,
geralmente chamado "Alexandrino" em nossos dias — 8 contra 1.375 !!!).

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 90 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
Cabem aqui algumas ressalvas:
A mera antiguidade de um MS não garante nada quanto à sua qualidade. Aliás,
devemos perguntar: como poderia um MS sobreviver fisicamente durante mais de
1.500 anos? Teria que ficar no desuso e ainda num clima seco. Como todos os MSS
mais antigos estão cheios de erros cabais, tudo indica que foram reprovados no seu
tempo — certo é que não foram copiados, a julgar pelos MSS existentes.
Como é que não dispomos de MSS tipicamente "Bizantinos" de antes do 5º
século? Qualquer MS digno de uso seria usado e gasto por esse uso. Assim, seria
estranho encontrar um MS bom com tanta idade. Os MSS fidedignos foram
intensamente usados e copiados, e acabados; mas, o texto (ou redação) que traziam
foi preservado através das sucessivas gerações de cópias.
A idéia de que teria havido um congresso ou concílio no 4º século que
"normalizou" o texto do N. T. carece de qualquer sustentação histórica. No caso da
Vulgata Latina, que na hipótese seria análogo (o papa tentou impor a nova tradução),
não resultou o consenso que existe entre os MSS "Bizantinos".
Como é que a grande maioria dos eruditos dos últimos cem anos tem preferido
o texto "Alexandrino" e desprezado o texto "Bizantino"? A resposta está nas
pressuposições e no terreno espiritual (por exemplo, nenhum dos cinco redatores
responsáveis pelo texto eclético, ora em voga, acredita que o N. T. seja inspirado por
Deus, e o próprio Senhor Jesus adverte que a neutralidade no terreno espiritual não
existe [Lc 11:23]).

Resumindo, os livros neotestamentários foram reconhecidos como


"Bíblia" desde o início e, através das décadas e dos séculos, as gerações
sucessivas de crentes zelaram pela transmissão fiel desses livros. O Texto
nunca se "perdeu". Nos primeiros 200 anos, era sempre possível constatar a
exata redação de qualquer livro.
A preservação divina operou durante todos os séculos, de tal modo que
ainda hoje podemos ter certeza razoável, com base em critérios objetivos, da
exata redação original do N. T.

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 91 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
E daí? Daí, uma preservação tamanha, uma preservação semelhante,
abrangendo tantos séculos de transmissão à mão, e passando por tantas tribulações
— uma preservação assim é simplesmente divina! É uma prova aparente da atuação
divina, que vale dizer também que Deus abonou a escolha da Igreja, o Cânon.
O argumento mais contundente e convincente a favor do exato Cânon que
a Igreja vem defendendo através dos séculos é exatamente a preservação
divina desse Cânon. Essa preservação é igualmente um forte argumento a
favor da inspiração do Texto. É o argumento lógico.

Se o Criador fosse dar uma revelação à nossa raça, deveria também preservá-
la. Constatamos que Ele a preservou, com efeito. Por que Ele cuidou tanto de
preservar esse Texto, e só esse Texto? Portanto, porque Ele tinha interesse especial
nesse Texto.
Deus realmente não só inspirou, mas também preservou Sua Palavra
incessante-inerrávelinfalível-verbalmente, da forma mais perfeita e absoluta (Is 40:8,
59:21; Mt 5:18; Jo 10:35; 1 Pe 1:23-25). Vejamos:

Salmos 12:6-7-- As palavras do SENHOR são palavras PURAS, [como] prata
refinada em fornalha de barro, purificada sete vezes. (7) Tu os GUARDARÁS,
SENHOR, desta geração os livrarás [PRESERVARÁS] PARA SEMPRE.
(Também pode [e deve!] ser traduzido “Tu as GUARDARÁS, ... as
PRESERVARÁS ...”, referindo-se às palavras de Deus!)

Salmos 19:7-- A lei do SENHOR é PERFEITA, e refrigera a alma; o
testemunho do SENHOR é FIEL, e dá sabedoria aos símplices. (8) Os
preceitos do Senhor são RETOS e alegram o coração; o mandamento do
Senhor é PURO e ilumina os olhos.

Salmos 119:89-- [lamed:] PARA SEMPRE, ó SENHOR, a tua palavra
PERMANECE [está estabelecida] no céu.

Salmos 138:2-- ... engrandeceste a tua PALAVRA acima de todo o teu nome
(! Que inspiração verbal, isto é, palavra por palavra!).

Isaías 40:8-- Seca-se a erva e cai a flor, porém a PALAVRA de nosso Deus
subsiste ETERNAMENTE.

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 92 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO

Mateus 4:4-- ... Está escrito: Nem só de pão viverá o homem, mas de TODA a
PALAVRA que sai da boca de Deus.

Mateus 5:18-- ... até que o céu e a terra passem, nem um jota ou um til se
omitirá da lei, sem que tudo seja cumprido.

Mateus 24:35-- O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras NÃO HÃO
DE PASSAR.

Lucas 16:17-- E é mais fácil passar o céu e a terra do que cair um til da lei.

DEUS PR ES ER V OU SU A P AL AV R A D E M OD O T Ã O M AR AV ILH OS O , S OM E NTE

AT R AV É S D O T E XT O M AS S ORÉT IC O (V.T.) E DO T E XT O R EC EB ID O (N.T.)

• ANTIGO TESTAMENTO:

Cuidados extremos dos copistas garantiram que mesmo hoje apenas uma de
cada 1580 letras do V. T. tenha variante, mesmo que esta variante seja totalmente
improvável! E nenhum desses casos tem o menor dos menores efeitos em nenhuma
doutrina!
O rigor com o qual os judeus transmitiram a Bíblia Hebraica até hoje pode ser visto
nas prescrições abaixo, preservadas no Talmude:
“Um rolo de sinagoga deve ser escrito sobre peles de animais limpos, preparadas
por um judeu, para o uso particular da sinagoga. Estas devem ser unidas mediante tiras
[de couro] retiradas de animais limpos. Cada pele deve conter certo número de colunas,
igual em toda a extensão do códice. A altura da coluna não deve ser menor do que 48
nem maior do que 60 linhas; e a largura deve ser de 30 letras. Toda a cópia deve ser
primeiro dotada de linhas; e se três palavras forem escritas nela sem uma linha, será sem
valor. A tinta deve ser preta, não vermelha, verde nem de qualquer outra cor e deve ser
preparada de acordo com uma receita definida. Uma cópia autêntica deve ser o modelo
do qual o transcritor não deve desviar-se até nos menores detalhes. Nenhuma palavra,
letra e nem ainda um yod deve ser escrito de memória sem que o escriba não a tenha
olhado no códice que está à sua frente. ... Entre cada consoante deve intervir o espaço
de um cabelo ou de um pavio; entre cada palavra o espaço será de uma consoante
estreita; entre cada novo parashah, ou secção, o espaço será de nove consoantes; entre

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 93 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
cada livro, três linhas. O quinto livro de Moisés deve terminar exatamente com uma linha,
mas os restantes não necessitam terminar assim. Além disto, o copista deve sentar-se
com vestimenta judia completa, lavar todo o seu corpo, não começar a escrever o nome
de Deus com a pena recentemente molhada na tinta e mesmo que um rei lhe dirigisse a
palavra enquanto estava escrevendo este nome, não deve dar atenção a ele.”
Cada jovem escriba era advertido pelo escriba ancião: “Acautela-te de como fazes
teu trabalho, porque este é o trabalho do céu, não aconteça que tu omitas ou insiras uma
letra e assim te tornes o destruidor do mundo!” (mundo = humanidade).
Cada palavra e cada letra era contada, e se UMA letra tivesse sido omitida ou
inserida, ou se UMA letra tocasse uma outra letra, a página era imediatamente (!)
destruída (!); três erros numa página condenavam todo o manuscrito!

• NOVO TESTAMENTO:

Há cerca de 6000 manuscritos em Grego. Compare:


“Texto Recebido” (Impresso por Erasmus, “Textos Críticos” (Impressos por Westcott
Stephen, Beza, Elzevir, etc., a partir de e Hort, etc., a partir de 1881)
1516)
São cerca de 95% dos manuscritos em São cerca de 5% dos manuscritos em Grego
Grego
São absolutamente consistentes entre si São absolutamente inconsistentes entre si
(e, até, cada um consigo próprio)
Vieram de igrejas firmes Vieram de igrejas introdutoras de heresias
(Alexandria)
Únicos textos adotados pelas igrejas fiéis e Só recentemente descobertos / adotados
instruídas, sempre, antes e após a Reforma. pelos liberais e modernistas, que os
chamam “mais antigos e melhores textos”.
Das cerca de 140.000 palavras do N.T. em Grego, os T.C’s.
omitem/alteram/adicionam cerca de 10.000. Dos 200 casos que examinei [Hélio M.
da Silva, do site: www.solascriptura-tt.org], os T.C’s. sempre (!) diminuem a
inspiração das Escrituras, a divindade de Cristo, Seu sangue, Seu nascimento
virginal, a natureza vicária da Sua morte, a Trindade, outras doutrinas cardinais.
Agora, responda: Em que Texto está evidenciado o sutil e destruidor dedo do
Diabo? Ef 6:12.

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 94 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
Por tudo isto, e: por ser impensável que Deus tenha falhado seu juramento de
incessante-inerrável-verbalmente preservar Sua Palavra; por ser impensável que ela
não reinou, reine e reinará em uso pelas igrejas fiéis através dos séculos e até a
eternidade; por ser impensável que Deus deixou uma versão “imperfeita” reinar entre
os fiéis, para só neste século (só em 1958 na língua Portuguesa!, com a “Atualizada”)
restaurar uma versão “melhor, mas ainda não absolutamente indubitável em cada
letra, afinal ninguém realmente muito erudito e inteligente pode ter certeza absoluta
de cada palavra de um livro passado por mãos humanas...”

Temos que concluir que: O único e verdadeiro N.T., plena-verbal-infalivelmente


inspirado e preservado por Deus, é o do Texto Recebido. Assim, o crente que quiser
ser ao máximo fiel à Palavra de Deus não tem senão duas versões em Português a
escolher: “Almeida Revista e Corrigida”, da IBB (Imprensa Bíblica Brasileira), mais
antiga e tradicional; e - “Almeida Corrigida e Revisada, Fiel ao Texto Original” (da
SBTB - Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil), que é ainda melhor que a anterior.
Ambas as versões mencionadas são as traduzidas fielmente somente do Texto
Recebido.

Todas as outras versões “protestantes” mesmo tidas como “conservadoras”


(Contemporânea, Atualizada, “de acordo com os melhores textos”, NVI, etc.)
são baseadas nos Textos Críticos e devem ser rejeitadas pelo crente que quiser
ser ao máximo fiel a Deus.

Os autógrafos originais de todos os livros do Novo Testamento não existem


mais. Eram feitos de papiro e este material não resistia aos séculos em condições
normais de uso. O que temos hoje, são cópias destes originais. O fato dos originais
não existirem não deve assustar ninguém. Até mesmo a obra de Camões, "Os
Lusíadas", só é preservada por cinco cópias e não há o original.
Mesmo assim, ninguém duvida de que temos a obra como Camões a escreveu
com sua própria mão. A famosa “Ilíada” de Homero é atestada por 643 manuscritos,
sendo que o mais antigo manuscrito completo é do século treze! As tragédias gregas
de Eurípides são atestadas por aproximadamente 330 manuscritos.

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 95 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
A VERSÃO ALMEIDA CORRIGIDA E REVISADA FIEL AO TEXTO ORIGINAL
(SBTB)
Durante os períodos da Reforma e dos Puritanos, apareceu uma quantidade de
versões protestantes, todas baseadas nos mesmos textos autênticos e traduzidos de
acordo com os mesmos princípios incontestáveis.
A BÍBLIA SAGRADA, em Português, é resultado de mais de 350 anos de
esforços dedicados, desde quando João Ferreira de Almeida começou o seu trabalho
de tradução.
Jovem inteligente, Almeida nasceu em Torre de Tavares, Portugal, no ano de
1628. Aos catorze anos ele já estava na cidade de Batávia (hoje Jacarta, capital da
Indonésia). Um dia recebeu um folheto escrito na língua espanhola que o levou ao
encontro pessoal com Deus, como “Nicodemos—Saulo de Tarso”. Logo começou a
pregar nas Igrejas Reformadas Holandesas (a maior parte do povo, a quem ele
ministrava, falava português, pois só fazia um ano que Portugal havia perdido o
controle da região).
No ano de 1644, com a idade de 16 anos, Almeida iniciou a sua primeira
tradução do Novo Testamento, usando versões em latim, espanhol, francês e italiano.
Não contente com essa tradução, anos mais tarde, ele fez uma segunda, desta vez
baseada no texto grego, o Textus Receptus (o mesmo usado pelos reformadores).
Num folheto chamado Cartas para a Igreja Reformada, em 1679, ele escreveu o
seguinte, na conclusão daquela obra, que só foi publicada em Amsterdã, no ano de
1681: “O Novo Testamento, isto é, todos os sacrossantos livros e escritos evangélicos
e apostólicos do Novo Concerto do nosso fiel Senhor, Salvador e Redentor Jesus
Cristo, agora traduzidos em português por João Ferreira d’Almeida, pregador do santo
Evangelho”.
Almeida chegou a traduzir o Velho Testamento, de Gênesis até Ezequiel 48:31,
usando o texto Massorético (hebraico). Não pôde terminar os últimos versículos do
livro de Ezequiel, porque o Senhor Deus o levou à Sua presença em 1691, com 63
anos de idade. O volume I do Velho Testamento, contendo os livros de Gênesis a
Ester, foi impresso no ano de 1748. O holandês Jacobus op den Akker completou a
obra da tradução do Velho Testamento e, em 1753, o volume II foi publicado.

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 96 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
A primeira revisão da Bíblia em português, feita pela Trinitarian Bible Society
(TBS— Sociedade Bíblica Trinitariana), foi iniciada no dia 16 de maio de 1837. O Rev.
Thomas Boys, do Trinity College, Cambridge, foi encarregado de liderar o projeto.
A revisão do Novo Testamento foi completada em 1839. A revisão completa do
Velho Testamento só terminou em 1844. O último volume foi impresso em Londres,
no ano de 1847. Aquela primeira edição, chamada Revista e Reformada, sofreu
revisões ortográficas posteriores, feitas tanto pelo Rev. Boys como por outros,
tornando-se, inclusive, uma parte da edição chamada Correcta. Segundo os dados
históricos, a edição Revista e Reformada também fez parte do leque das várias
revisões que foram usadas para chegar à versão conhecida como a Corrigida. Restou
do frontispício da primeira impressão da tradução de Almeida pela TBS uma
expressão, “Segundo o original”, ou, em outras palavras, “Fiel aos textos originais”.
No ano de 1968, em São Paulo, foi fundada a Sociedade Bíblica Trinitariana do
Brasil, com o objetivo de revisar, com as devidas correções ortográficas, e publicar a
Bíblia de João Ferreira de Almeida, como mais um instrumento nas mãos de Deus
para a preservação da Sua Palavra.
A Bíblia na Edição Corrigida e Revisada foi preparada por pessoas com a
mesma convicção do tradutor, João Ferreira de Almeida, de que as palavras das
Sagradas Escrituras, originariamente escritas em hebraico, em aramaico e em grego,
foram inspiradas por Deus; e, uma vez que Deus preserva a Sua Palavra, as
Sagradas Escrituras falam com nova autoridade a cada geração, levando as pessoas
à salvação, fazendo com que sirvam a Cristo para a glória de Deus.
Há séculos, a tradução de Almeida tem sido a preferida da grande maioria dos
leitores da Bíblia em língua portuguesa. Indiscutivelmente, continua sendo. Almeida
seguiu o sistema de tradução chamado “equivalência formal”, assim como fizeram os
grandes reformadores; ou seja, tentou traduzir cada palavra, usando o mínimo de
palavras de transição, necessárias para garantir a fluência da leitura em português.
É possível dizer que João Ferreira de Almeida é o tradutor mais amado e
respeitado; pode-se dizer também que a versão mais respeitada e procurada é a
Corrigida. Embora os editores, que publicam as edições denominadas corrigida,
tenham variado na liberdade de modificar ou até de tirar uma palavra ou outra, mesmo
assim, todas elas são praticamente idênticas.

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 97 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
Como Almeida, os editores deste texto, a Edição Corrigida e Revisada, Fiel ao
Texto Original, também conhecido por Almeida, Corrigida, Fiel (ACF), todos crêem
que as palavras da Bíblia foram inspiradas por Deus. “Toda a Escritura é divinamente
inspirada...” (II Tm 3:16).
Por essa razão, os editores do texto bíblico gastaram anos, com dezenas de
revisores, na produção do texto, objetivando modificar o mínimo possível, conquanto
corrigissem a ortografia e tirassem qualquer influência do Texto Crítico do Novo
Testamento que fora introduzida indevidamente ao trabalho de Almeida.

A DIFERENÇA ENTRE OS LIVROS CANÔNICOS E OUTROS ESCRITOS


RELIGIOSOS

Nem todos os escritos religiosos dos judeus eram considerados canônicos pela
comunidade de religiosos judeus. É óbvio que havia certa importância religiosa em
alguns livros primitivos como o livro dos justos (Js 10:13), o livro das guerras do
Senhor (Nm 21:14) e outros (1 Rs 11:41). Os livros apócrifos dos judeus, escritos
após o encerramento do período do Antigo Testamento (400 a. C.), têm significado
religioso definido, mas jamais foram considerados canônicos pelo Judaísmo oficial.
A diferença essencial entre escritos canônicos e não-canônicos é que aqueles
são normativos (têm autoridade), ao passo que estes não são autorizados. Os livros
inspirados exercem autoridade sobre os crentes; os não-inspirados poderão ter algum
valor devocional ou para a edificação espiritual, mas jamais devem ser usados para
definir ou delimitar doutrinas.
Os livros canônicos fornecem o critério para a descoberta da verdade,
mediante o qual todos os demais livros (não-canônicos) devem ser avaliados e
julgados. Nenhum artigo de fé deve se basear em documento não-canônico, não
importando o valor religioso desse texto.
Os livros divinamente inspirados e autorizados são o único fundamento
para a doutrina.
Ainda que determinada verdade canônica receba algum apoio complementar
da parte de livros não-canônicos, tal verdade de modo algum confere valor canônico a

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 98 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
tais livros. Esse apoio terá sido puramente histórico, destituído de valor teológico
autorizado.

A verdade transmitida pelas Escrituras Sagradas, e por nenhum outro


meio, é que constitui cânon ou fundamento das verdades da fé. (Is 8:20; Is 30:8;
Sl 19:7,8; Dt 4:2; Mt 15:2,6,9; Ap 22:18).

A FORMAÇÃO DO CANON DO NOVO TESTAMENTO

O Cânon do Antigo Testamento foi formado num espaço de -/+ 1046 anos - de
Moisés a Esdras. Moisés escreveu as primeiras palavras do Pentateuco por volta de
1491 a.C. O cânon das Escrituras do V. T. foi encerrado por Esdras e seus
companheiros piedosos, que formaram a Grande Sinagoga (120 membros, segundo a
literatura judaica), cerca de 445 anos a. C. (Ed 7:10, 14).
Os livros do Antigo Testamento formaram o Cânon de maneira lenta e gradual,
à medida que iam sendo credenciados, como inspirados por Deus, perante o povo
comum, seus líderes, seus profetas e sacerdotes.
A história da formação do Velho Testamento começa com Moisés, que recebeu
a revelação divina em várias formas e depois a transcreveu em livros. Ele os redigiu
usando livros, tradição oral, oráculos recebidos diretamente de Deus, além do fato de
que participou de toda a história narrada entre Êxodo e Deuteronômio (Nm 33:2). Ele
recebeu ordens expressas de escrever (Êxodo 17:14; 24:4, 7; 34:27-28). Relatou os
acontecimentos da época.
No fim de sua vida, com os cinco primeiros livros praticamente terminados, já
tinha perfeita percepção de que estes livros se tornariam normativos para o povo:
seriam “o Livro da Lei”, os cinco primeiros livros (Pentateuco) [Dt 28:58, 61; 29:20-29;
30:10; 31:9-13, 19, 22, 24-26].
Devemos lembrar que Moisés viveu com o povo de Israel por quarenta anos no
deserto, e teria não somente tempo, mas conhecimento e condições para escrever.
Durante a época de Moisés e depois dele, outros profetas continuaram sua
obra oral e escrita (Nm 12:6; Dt 18:15-22; 34:10; Jz 4:4; 6:8). Os sacerdotes e levitas
foram encarregados de guardar, colecionar e copiar os livros do V. T. O Tabernáculo

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 99 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
e depois, o Templo, eram o centro de reunião dos materiais inspirados. Os profetas
guardavam as obras na Arca (“perante o Senhor”) (Dt 17:1820; 31:9-13, 24-29; Js
24:26; 1 Sm 10:25; 2 Rs 22:8; 23:24; Js 24:26).
Os livros estavam disponíveis aos líderes da nação e do sacerdócio. Caso eles
fossem também profetas, como era o caso de Josué, eles também acabariam por
escrever algo ou até uma obra inteira que seria incorporada à coleção de livros
sagrados (Josué 1:8; 24:26). O período da conquista da terra de Canaã e também dos
Juízes, evidencia a presença dos livros pela prática dos seus ensinos: a aliança foi
lembrada (Jz 2:1-5) e alguns rituais foram praticados (Jz 13:2-7,13-14).
Samuel, como “primeiro profeta”, tratou de dar impulso à historiografia profética
(1 Sm 10:25; 1 Cr 29:29). Os profetas foram os historiadores de Israel: eles narravam
os acontecimentos, privilegiando os assuntos que interessavam ao desenvolvimento
dos propósitos de Deus para o seu povo (2 Crônicas 9:29; 12:15; 13:22; 20:34; 26:22;
32:32; 33:18, 19)
No período dos reis e profetas, bastante material já estava centralizado no
Templo de Jerusalém (2 Crônicas 34:14-18; Jeremias 36). Os reis Davi, Salomão,
Josias, Ezequias e os vários profetas são escritores ou divulgadores dos livros
bíblicos. Os reis deviam sempre obedecer à Lei (2 Reis 14:6). O sacerdote Hilquias
achou “o Livro da Lei” (2 Rs 22:8-10). Neemias achou “o Livro dos Judeus” (Ne 7:5).
Os textos de alguns livros foram sendo compilados durante o período dos reis.
A frase final do Salmo 72.20 mostra que houve uma época em que a coleção
dos Salmos terminava ali. Depois ela foi ampliada. Da mesma forma, Provérbios 25:1
mostra que o livro de Provérbios foi ampliado. Todas estas compilações a
amplificações dos livros ocorreram dentro da inspiração divina, através do Espírito
Santo.

Os profetas pregaram e escreveram suas obras (Is 30:8; Jr 25:13; 29:1; 30:2,
36:1-32; 51:60-64; Ez 43:11; Hc 2:2; Dn 7:1; 2 Cr 21:12). Eles sabiam que estavam
deixando suas obras para o futuro e até as enviaram para outros lugares (Jr 29:1;
36:1-8; 51:60-61; 2 Cr 21:12). Liam, citavam e usavam as obras uns do outros (Is 2:1-
5 e Mq 4:1-5 / Jr 26:18 cita Mq 3:12), atestando a existência da coleção de livros

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 100 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
inspirados (Dn 9:2). Entendiam que seus livros se tornariam obra de referência e
consulta no futuro (Is 34:16; Dn 12:4).
Este material inspirado foi levado ao exílio e à dispersão (Dn 9:2), quando os
judeus foram deportados da Palestina. Talvez tenha sido trazido de volta por aqueles
que iriam iniciar a religião dos samaritanos (2 Rs 17:24-41). Mas, o grande retorno da
lei à (região hoje conhecida como) Palestina ocorreu com Esdras, sacerdote e grande
escriba (Ed 7; Ne 8-10). O oficio de Esdras como sacerdote e levita mostra que, no
Velho Testamento, os sacerdotes eram os que centralizaram e preservaram o Velho
Testamento.
Os últimos profetas a escrever (Ageu, Zacarias e Malaquias) tiveram suas
obras reconhecidas e incorporadas no Velho Testamento, assim também, os últimos
livros históricos tais como Crônicas, Esdras, Neemias e Ester.

Nos últimos anos do período incluso no Cânon, cinco grandes homens de Deus
viveram simultaneamente numa época de profundo despertamento religioso, a saber:
Esdras, Neemias, Ageu, Zacarias e Malaquias, sendo Esdras, dos cinco, o mais hábil
e versátil.
Foi este poderoso sacerdote-escriba que, segundo a tradição judaica, presidiu
a chamada Grande Sinagoga, que selecionou e preservou os rolos sagrados,
determinando, dessa maneira, o Cânon das Escrituras do Antigo Testamento (Ed
7:10, 14). A Esdras é atribuído também a tríplice divisão do Cânon hebraico (A Lei, Os
Profetas e os Escritos).
Ao encerramento do V. T. (isto é, ao terminar de ser escrito o seu último livro
[Neemias ou Malaquias] no século V antes de Cristo) foi reconhecido por TODOS os
crentes fiéis que o cânon do V. T. (isto é, a coleção dos 39 livros que o constituem)
estava encerrado para sempre, e incluía o livro de que falamos.
Depois do acima referido encerramento do V. T., tudo isto acima dito (e que
sempre foi o consenso entre os crentes fiéis) foi meramente RECONHECIDO,
reconhecido e declarado OFICIALMENTE e por TODOS, sob o comando de Esdras,
em cerca do ano quatrocentos e poucos a. C.

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 101 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
O VELHO TESTAMENTO é canônico, porque sempre foi reconhecido como
inspirado por Deus:
• A Lei: sempre foi reconhecida como canônica: Dt 17:18-20; 31:10-13, 24-26; Js
1:8; 1 Rs 11:38; 2 Rs 22:8; 23:1-2; Ne 1:7-9; Ed 3:2.
• Profetas/Escritos: sempre foram reconhecidos como canônicos: 2 Rs 17:13;
Dn 9:2; Mt 22:29; 23:35; Lc 24:44; Jo 5:39; 10:35; 2 Tm 3:16; 2 Pe 1:20-21.
- Objeção: As 3 divisões do V.T. (Lei, Profetas, Escritos) implicam 3 “campanhas
humanas concedendo autoridade”.
- Refutação: Não há sequer uma prova disto! As divisões são pelas naturezas dos
assuntos/escritores. Em Israel o divino se tornava aceito, e não o aceito se
tornava divino! 2 Rs 22:8; 23:1-2; Ne 8:1-3 não são outorgamentos, mas sim
reconhecimentos da inspiração divina.

- Objeção: Os Livros de Eclesiastes e Cantares de Salomão ainda eram duvidados


por alguns até depois do Concílio de Jamnia (90 d.C.), portanto o cânon do V.T.
ainda estava em aberto até cerca de 200 d.C..
- Refutação: No Concílio de Jamnia, os judeus apenas discutiram sobre alguns livros
e apenas RATIFICARAM o que já era canônico. Exigir unanimidade absoluta, o que
se quer é nunca ter um cânon autoritativo e final! Os eruditos judeus sempre
mantiveram que, já em 445 a.C., no reino de Artaxerxes Longânimo, Esdras “juntou,
ordenou e publicou” o V.T. na sua forma final, como o conhecemos. Josephus (80
d.C.) corrobora isto e usa cânon e divisões Massoréticas. Esdras é chamado de “o
escriba” (Ne 8:1, 4, 9, 13; 12:26, 36), “escriba versado na lei de Moisés” (Ed 7:6), e
“o escriba das palavras dos mandamentos e dos estatutos do Senhor sobre Israel”
(Ed 7:11).

- Objeção: os apócrifos figuram na Septuaginta.


- Refutação: Mas nunca no cânon judaico!

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 102 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
CLASSIFICAÇÃO DOS LIVROS DO VELHO TESTAMENTO

Estudiosos de eras posteriores, nem sempre totalmente conscientes dos fatos


a respeito da aceitação original do cânon, tornavam a levantar dúvidas sobre certos
livros. Com isso, surgiu a terminologia técnica, conforme vemos abaixo:

1- HOMOLOGOUMENA: (significa: falar como um). São os livros bíblicos que


foram aceitos por todos.
A canonicidade de alguns livros jamais foi desafiada por nenhum dos grandes
rabis da comunidade judaica. Desde que alguns livros foram aceitos pelo povo de
Deus como documentos produzidos pela mão dos profetas de Deus, continuaram a
ser reconhecidos como detentores de inspiração e de autoridade divina pelas
gerações posteriores. 34 dos 39 livros do Antigo Testamento podem ser classificados
como “homologoumena”. Os cinco excluíveis seriam: Cantares de Salomão,
Eclesiastes, Ester, Ezequiel e Provérbios.

2 - ANTILEGOMENA: (significa: falar contra). São os livros bíblicos que em


certa ocasião foram questionados por alguns.
A canonicidade de 5 livros do Antigo Testamento foi questionada numa ou
noutra época, por algum mestre do Judaísmo: Cantares de Salomão, Eclesiastes,
Ester, Ezequiel e Provérbios. Cada um deles se tornou controvertido por razões
diferentes; todavia, no fim prevaleceu a autoridade divina de todos os cinco livros.
Cantares de Salomão: Alguns estudiosos da escola de Shammai
consideravam esse cântico como sendo sensual em sua essência. Porém, é mais
provável que a pureza e a nobreza do casamento façam parte do propósito essencial
desse livro. É preciso ver esse livro da perspectiva espiritual correta. A figura do
casal, neste livro, representa Cristo e igreja (2 Co 11:2; Ef 5:25-29).
Eclesiastes: Alguns objetaram que esse livro parece cético. Alguns até o
chamam de “O Cântico do ceticismo”. Qualquer pessoa que procure a máxima
satisfação “debaixo do sol”, com toda a certeza há de sentir as mesmas frustrações
sofridas por Salomão, visto que a felicidade eterna não se encontra neste mundo
temporal.

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 103 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
Além do mais, a conclusão e o ensino genérico desse livro estão longe de ser
céticos. Depois “de tudo o que se tem ouvido”, o leitor é admoestado: “a conclusão é:
Teme a Deus, e guarda os seus mandamentos, pois isto é todo o dever do homem”
(Ec 12:13).
Assim como o livro Cantares de Salomão, o problema básico é de interpretação
do texto e não de canonização ou inspiração.
Ester: Pela ausência do nome de Deus neste livro, alguns pensaram que ele não
fosse inspirado. Perguntavam como podia um livro ser Palavra de Deus, se nem ao
menos trazia o Seu nome. (YHWH).
Porém, uma coisa é certa: a ausência do nome de Deus é compensada pela
presença de Deus na preservação de Seu povo. (Ver Et 4:14).
O fato de Deus haver concedido grande livramento, como narra o livro, serve
de fundamento e razão da festa judaica do Purim (Et 9:26-28). Basta este fato para
demonstrar a autoridade atribuída ao livro, dentro do Judaísmo.
Ezequiel: Alguns na escola rabínica pensavam que esse livro era antimosaico em seu
ensino. Achavam que o livro não estava em harmonia com a lei mosaica. No entanto,
essa tese não prevaleceu e demonstrou mais uma vez ser uma questão de
interpretação e não de inspiração.
Provérbios: Achavam-no um livro contraditório (Pv 26:4-5). Achavam contraditório o
leitor ser exortado a responder e ao mesmo tempo não responder. Todavia, o sentido
aqui é que há ocasiões em que o tolo deve receber resposta de acordo com sua
tolice, e em outras ocasiões isso não deve ocorrer. Porém, nenhuma “contradição”
ficou demonstrada em nenhuma passagem de Provérbios.

OBS: É importante frisar que a Bíblia em momento algum é contraditória, pois é a


Palavra de Deus (Infalível). O que “parece” contradição é erro de interpretação
humana.

3 - PSEUDEPÍGRAFOS: (significa: falsos escritos). Livros não-bíblicos


rejeitados por todos.

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 104 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
Grande número de documentos religiosos espúrios que circulavam entre a
antiga comunidade judaica são conhecidos como “pseudepígrafos”. Nem tudo nesses
escritos é falso. De fato, a maior parte desses documentos surgiu de dentro de um
contexto de fantasia ou tradição religiosa, possivelmente com raízes em alguma
verdade. Com freqüência, a origem desses escritos estava na especulação espiritual,
a respeito de algo que não ficou bem explicado nas Escrituras canônicas.
As tradições especulativas a respeito do patriarca Enoque, por exemplo, sem
dúvida são a raiz do livro de Enoque. De maneira semelhante, a curiosidade a
respeito da morte e da glorificação de Moisés, sem dúvida se acha por trás da obra
Assunção de Moisés.
No entanto, essa especulação não significa que não exista verdade nenhuma
nesses livros.
Ao contrário, o Novo Testamento se refere a verdades implantadas nesses dois
livros (vide Jd 14,15) e chega a aludir à penitência de Janes e Jambres (2 Tm 3:8).
Entretanto, esses livros não são dotados de autoridade, como Escrituras inspiradas.
Paulo também citou alguns poetas nãocristãos, como Arato (At 17:28), Menânder (1
Co 15:33 traz uma linha do poema grego “Taís de Alexandre”) e Epimênides (Tt 1:12).
(Nm 21:4; Js 10:13; 1 Rs 15:31).
Trata-se tão somente de verdades verificáveis, contidas em livros que, em si
mesmos, nenhuma autoridade divina tem. É importante que nos lembremos que Paulo
cita apenas aquela faceta da verdade, e não o livro pagão como um todo, como
conceito a que Deus atribuiu autoridade e fez constar no Novo Testamento.

A verdade é sempre verdade, não importa onde se encontre, quer pronunciada


por um poeta pagão, quer por um profeta pagão (Nm 24:17), por um animal irracional
e mudo (Nm 22:28) ou mesmo por um demônio (At 16:17). (Caifás – Jo 11:49).

É possível que o fato mais perigoso a respeito desses falsos escritos


(pseudepígrafos) é que alguns elementos da verdade são apresentados com palavras
de autoridade divina, num contexto de fantasias religiosas que, em geral, contem
heresias teológicas.

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 105 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
A infundada reivindicação de autoridade divina, o caráter altamente fantasioso
dos acontecimentos e os ensinos questionáveis (e até mesmo heréticos) desses livros
levaram os pais do Judaísmo a considerá-los espúrios (pseudepígrafos).

São eles:
Lendários: O livro do Jubileu; Epístola de Aristéias; O livro de Adão e Eva; O martírio
de Isaías
Apocalípticos: 1 Enoque; Testamento dos doze patriarcas; O oráculo sibilino;
Assunção de Moisés; 2 Enoque, ou O livro dos segredos de Enoque; 2 Baruque, ou O
apocalipse siríaco de Baruque (*); 3 Baruque, ou O apocalipse grego de Baruque.
Didáticos: 3 Macabeus; 4 Macabeus; Pirque Abote; A história de Aicar.
Poéticos: Salmos de Salomão; Salmo 151 (consta na Septuaginta).
Históricos: Fragmentos de uma obra de Sadoque

OBS:

a) 1 Baruque está relacionado entre os apócrifos.


b) Há outros livros, sendo que alguns foram descobertos entre os manuscritos do Mar
Morto, tais como: Gênesis apócrifo e Guerra dos filhos da luz contra os filhos das
trevas, dentre outros.

4 - APÓCRIFOS: (significa: escondidos ou duvidosos). Livros não-bíblicos


aceitos por alguns, mas rejeitados por outros. Pelos católicos romanos são
conhecidos como Deuterocanônicos (= 2º Cânon). Foram acrescentados às Escrituras
(Dt 4:2, 12:32; Pv 30:6; Ec 3:14; Ap 22:18-19).
Na realidade, os sentidos da palavra apocrypha refletem o problema que se
manifesta nas duas concepções de sua canonicidade. No grego clássico, a palavra
apocrypha significava “oculto” ou “difícil de entender”. Posteriormente, tomou o
sentido de esotérico, ou algo que só os iniciados (não os de fora) podem entender.
Pela época de Ireneu e Jerônimo (séc. III e IV), o termo apocrypha veio a ser
aplicado aos livros não-canônicos do Antigo Testamento, mesmo aos que foram
classificados previamente como “pseudepígrafos”.

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 106 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
Desde a era da Reforma, essa palavra tem sido usada para denotar os escritos
judaicos não-canônicos originários do período intertestamentário.
O Novo Testamento jamais cita um livro apócrifo indicando-o como inspirado.
As alusões a tais livros não lhes emprestam autoridade, assim como as alusões a
poetas pagãos não lhes conferem inspiração divina.
Aliás, desde que o N.T. faz citações de quase todos os livros canônicos do A.T.
e atesta o conteúdo e os limites desse Testamento (omitindo os apócrifos) parece
estar claro que o N.T. indubitavelmente exclui os apócrifos do cânon hebraico.
Os apócrifos não foram aceitos pelos judeus palestinos, zelosos preservadores
dos ensinos bíblicos que não estiveram sujeitos às influências helenizantes dos
judeus de Alexandria, muitos dos quais (mas não todos) acatavam tais livros como de
origem divina, como Palavra de Deus.
Aliás, toda a problemática de aceitação da canonicidade desses livros envolve
exatamente o grande centro da cultura grega no Oriente, a cidade de Alexandria. Os
judeus ali sofreram grande influência da filosofia grega, e houve até um destacado
intelectual judeu, Filo, que se empenhou por fundir o Judaísmo com os conceitos
gregos, que o empolgavam.
Jesus Cristo Se referiu à Bíblia Sagrada na Sua oração sacerdotal a Seu Pai
dizendo: “Santifica-os na verdade; a Tua Palavra é a verdade” (João 17:17). Como
poderiam obras cheias de conceitos que se chocam com os claros ensinos de
apóstolos e profetas, além de crendices supersticiosas, lendas, inexatidões históricas
e até mentiras qualificar-se como essa verdade de divina inspiração?
O Concílio de Trento, 1546, reagiu a Lutero, canonizando os livros apócrifos,
com o voto de 53 prelados sem conhecimentos históricos destacados sobre
documentos orientais, encontrando oposição de grandes homens como o cardeal
Polo que afirmou que assim o Concílio agiu a fim de dar maior ênfase às diferenças
entre católicos romanos e os evangélicos. Outro destacado líder católico, Tanner
afirmou que a igreja católica romana encontrou nesses livros o seu próprio espírito
(apud Introdução ao Antigo Testamento, Dr. Donaldo D. Turner, IBB).
A ação do Concílio não foi apenas polêmica, foi também prejudicial, visto que
nem todos os 14 (15) livros apócrifos foram aceitos pelo Concílio.

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 107 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
A Oração de Manassés e 1 e 2 Esdras [3 e 4 Esdras dos católicos romanos; a
versão de Douai denomina 1 e 2 Esdras, respectivamente, os livros canônicos de
Esdras (1 Ed) e Neemias (2 Ed)] foram rejeitados.
A rejeição de 2 Esdras é particularmente suspeita, porque contém um versículo
muito forte contra a oração pelos mortos (2 Esdras 7.105). Aliás, algum escriba
medieval havia cortado essa seção dos manuscritos latinos de 2 Esdras, sendo
conhecida pelos manuscritos árabes, até ser reencontrada outra vez em latim por
Robert L. Bentley, em 1874, numa biblioteca de Amiens, na França.
O cânon do Antigo Testamento até a época de Neemias compreendia 22 (ou
24) livros em hebraico, que, nas bíblias dos cristãos, seriam 39, como já se verificara
por volta do século IV a.C. As objeções de menor monta a partir dessa época não
mudaram o conteúdo do cânon.
Foram os livros chamados apócrifos, escritos depois dessa época, que
obtiveram grande circulação entre os cristãos, por causa da influência da tradução
grega de Alexandria (Septuaginta), que os incluiu.
Com exceção de 2 Esdras (escrito em 100 d.C.), esses livros preenchem a
lacuna existente entre Malaquias e Mateus (o chamado “período intertestamentário”) e
compreendem especificamente dois ou três séculos antes de Cristo.
No entanto, até a época da Reforma Protestante esses livros não eram
considerados canônicos. A canonização que receberam no Concílio de Trento não
recebeu o apoio da história. A decisão desse concílio foi polêmica e eivada de
preconceito.

LOCALIZAÇÃO HISTÓRICA:

Os apócrifos foram produzidos entre o 3o e 1o século a. C. (com o cânon já


definido), no período intertestamentário, com exceção de 2 Esdras (escrito em 100 d.
C.).
A cultura gentia os assimilou (o cânon de Alexandria). O historiador Josefo, os
judeus e a Igreja cristã rejeitaram.

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 108 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
A LXX (Septuaginta) os incluiu como adendo (seguindo o cânon alexandrino).
No Concílio de Cártago, em 397 d. C. foram considerados próprios para a leitura. O
Concílio Geral de Calcedônia, 451 d. C., negou-os.
Foram colocados no cânon em uma sessão em 08 de Abril de 1546, no
Concílio de Trento, com 5 cardeais e 48 bispos, apenas, e não foi por unanimidade.
Em 1827, a Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira os excluiu da Bíblia (não
os editando nem mesmo como adendo). Desde então esta é a postura protestante.

RAZÕES DA REJEIÇÃO:

• •
O Velho Testamento já estava produzido; A maioria dos apócrifos foi
produzida em grego;

Prevaleceu para os judeus o cânon palestiniano.
Isto quer dizer que estes livros não eram acessíveis a todos e:
a) Jamais foram incluídos no cânon pelas autoridades reconhecidas: As maiores e
mais reconhecidas autoridades judaicas nunca reconheceram os apócrifos: Esdras (o
profeta, que “juntou, ordenou e publicou” o V. T. na sua forma final e como o
conhecemos); os fariseus; Josephus (o historiador judeu, provavelmente o maior
historiador de todos os tempos); os pais da igreja primitiva; etc.
b) JAMAIS FORAM ACEITOS PELOS JUDEUS.
c) SÓ EM 08 DE ABRIL DE 1546, no Concílio de Trento, a igreja romana os declarou
canônicos, mas só em reação à Reforma Protestante.
d) JAMAIS FORAM CITADOS POR JESUS CRISTO OU POR NENHUM OUTRO
ESCRITOR DA BÍBLIA. (Judas cita dois pseudepígrafos, mas não parece lhes ceder
declaradamente o conceito de inspirados).
e) NENHUM LIVRO APÓCRIFO ALEGA SER INSPIRADO (NA REALIDADE,
ALGUNS DELES ADMITEM NÃO SER INSPIRADOS! MACABEUS 15:38).
f) Alguns apócrifos têm incontornáveis erros históricos e geográficos.
g) Alguns apócrifos ensinam doutrinas falsas e que contradizem a Bíblia como um
todo (Macabeus 12:43-46 ensina que podemos e devemos orar pelos mortos. A Bíblia
como um todo ensina que não adianta) Ver 2 Ed 7.105.

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 109 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
Alguns erros ensinados pelos apócrifos: Livros canônicos:

1 - Narração de anjo mentindo sobre sua origem. Tobias 5:1-9 Isaías 63:8; Oséias 4:2

2 - Diz que se deve negar o pão aos ímpios. Eclesiástico 12:4-6 Provérbios 25:21-22

3 - Uma mulher jejuando toda a sua vida. Judite 8:5-6 Mateus 4:1-2

4 - Deus dá espada para Simeão matar siquemitas, Judite 9:2 Gênesis 34:30; 49:5-7

5 - Dar esmola purifica do pecado. Tobias 12:9 e Eclesiástico 3:30 1 Pedro 1:18-19

6 - Queimar fígado de peixe expulsa demônios. Tobias 6:6-8 Atos 16:18

7 - Nabucodonossor foi rei da Assíria, em Nínive. Judite 1:1 Daniel 1:1

8 - Honrar o pai traz o perdão dos pecados. Eclesiástico 3:3 1 Pedro 1:18-19

9 - Ensino de magia e superstição. Tobias 2:9 e 10; 6:5-8; 11:7-16 Tiago 5:14-16

10 - Antíoco morre de três maneiras. 1 Macabeus 6:16; 2 Macabeus


Isaías 63:8; Mateus 5:37 1:16; 9:28

11 - Recomenda a oferta pelos mortos. 2 Macabeus 12:42-45 Eclesiastes 9:5-6

12 - Ensino do purgatório ou imortalidade da alma. Sabedoria 3:14 1 João 1:7; Hebreus 9:27

13 - O suicídio é justificado e louvado. 2 Macabeus 14:41-46 Êxodo 20:13

A postura protestante: a Bíblia produziu a Igreja. Postura católica: a Igreja


produziu a Bíblia, e também a Tradição (Inclusive as nivela). Por isto, pode
acrescentar e tirar. Não é a Bíblia protestante que tem livros a menos. A Bíblia
católica é que tem livros a mais.
Foi a Igreja Católica quem os acrescentou. (Ap 22:18-19)

COMO OS APÓCRIFOS FORAM APROVADOS:

A igreja romana aprovou os apócrifos em 08 de Abril de 1546 como meio de


combater a Reforma Protestante. Nessa época, os protestantes combatiam
violentamente as doutrinas romanistas do purgatório, oração pelos mortos, salvação

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 110 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
pelas obras, etc. Os romanistas viam nos apócrifos base para tais doutrinas, e
apelaram para eles aprovando-os como “canônicos”.
Houve prós e contras dentro dessa própria igreja, como também depois. Nesse
tempo, os jesuítas exerciam muita influência no clero. Os debates sobre os apócrifos
motivaram ataques dos dominicanos contra os franciscanos. O biblicista católico John
L. Mackenzie em seu "Dicionário Bíblico", sob o verbete Cânone, comenta que no
Concílio de Trento houve várias "controvérsias notadamente candentes" sobre a
aprovação dos apócrifos.
Mas o cardeal Pallavacini, em sua "História Eclesiástica" declara mais
nitidamente que, em pleno Concílio, 40 bispos dos 49 presentes travaram luta
corporal, agarrando às barbas e batinas uns dos outros...
Foi nesse ambiente "ESPIRITUAL", que os apócrifos foram aprovados. A
primeira edição da Bíblia (“versão”) católico-romana com os apócrifos deu-se em
1592, com autorização do papa Clemente VIII. Os Reformadores protestantes
publicaram a Bíblia com os apócrifos, colocando-os entre o Antigo e Novo
Testamentos, não como livros inspirados, mas bons para a leitura e de valor literário
histórico. Isto continuou até 1629.

VULGATA DE JERÔNIMO:

O arranjo da Vulgata (versão latina oficial da Igreja católica romana, desde o


Concílio de Trento) completa em 450 depois de Cristo, mas aceita plenamente em
cerca de 650 depois de Cristo, em geral, segue a LXX, só que 1 e 2 Esdras são
iguais a Esdras e Neemias, e as partes apócrifas (3 e 4 Esdras), tanto como a Oração
de Manassés, são colocados no fim do Novo Testamento. Os Profetas Maiores são
colocados antes dos Profetas Menores. É uma tradução do Hebraico para o Latim,
língua oficial do império romano.
Quando Jerônimo traduziu a Vulgata, em Belém (a pedido do papa Dâmaso I),
incluiu os apócrifos oriundos da Septuaginta, através da antiga versão latina de 170,
porque lhe foi ordenado, mas indicou que os mesmos não poderiam ser base de
doutrinas.

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 111 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
Os livros são: 1 Esdras, 2 Esdras, Tobias, Judite, Adição a Ester, Sabedoria de
Salomão, Eclesiástico, Baruque, Adições a Daniel (Cântico dos 3 Rapazes, História
de Susana, Bel e o Dragão), Oração de Manassés, 1 Macabeus, 2 Macabeus.

A Bíblia protestante segue a mesma ordem tópica do arranjo da Vulgata, só


que omite todas as partes apócrifas... Na ordem, a Bíblia protestante segue a
Vulgata, no conteúdo, segue a Hebraica.

A VERSÃO CATÓLICO-ROMANA:

Seguindo a Vulgata que traduziu da LXX (Septuaginta), com exceção de


Oração de Manassés, o cânon católico incorporou os apócrifos após a Reforma.
Quando a Vulgata os inseriu, distinguiu-os dos canônicos. Aos apócrifos, chamou de
deuterocanônicos, isto é, livros do “segundo cânon” (eclesiásticos).
Na versão de edição Católico-Romana, há um total de 73 livros, sendo 7
apócrifos, além de 4 acréscimos ou apêndices a livros canônicos, sendo assim um
total de 11 escritos apócrifos:
Tobias (após Esdras); Judite (após Tobias); Sabedoria de Salomão (após
Cantares); Eclesiástico (após Sabedoria de Salomão); Baruque – incluindo a Epístola
a Jeremias (após Lamentações); 1 Macabeus (após Ester); 2 Macabeus (após 1
Macabeus).

São os seguintes os apêndices apócrifos:

Acréscimos a Ester (Et 10:4 – 16:24); acréscimos a Daniel: (Cântico dos três
rapazes – Dn 3:24-90; História de Suzana – Dn 13; Bel e o Dragão – Dn 14).
Além disso, as bíblias católicas possuem livros canônicos com nomenclatura
diferenciada da empregada nas edições evangélicas. No entanto, esta diferença não
tem importância. No entanto é bom conhecê-las:

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 112 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
BÍBLIA EVANGÉLICA BÍBLIA CATÓLICA
1, 2 Samuel 1, 2 Reis
1, 2 Reis 3, 4 Reis
1, 2 Crônicas 1, 2 Paralipômenos
Esdras e Neemias 1, 2 Esdras
Lamentações de Jeremias Trenos

Como podemos ver estas diferenças são apenas de nomes, mais ou menos
apropriados e que para todos eles existem justificativas históricas e tradicionais.
Existem também diferenças na numeração dos Salmos:

BÍBLIA EVANGÉLICA BÍBLIA CATÓLICA


Sl 9 Sl 9,10
Sl 10 - 112 Sl 11 - 113
Sl 113 Sl 114, 115
Sl 114 - 115 Sl 116
Sl 116 - 145 Sl 117-146
Sl 146 - 147 Sl 147
Sl 148 - 150 Sl 148 - 150

Os 39 livros que do nosso Antigo Testamento os católicos denominam


Protocanônicos, os livros que nós chamamos apócrifos, eles chamam de
deuterocanônicos e os livros que nós chamamos pseudepígrafos, eles chama de
apócrifos. (estes livros, os pseudepígrafos, não aparecem em nenhuma Bíblia de
edições católica ou protestante).

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 113 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
O ESTUDO DAS ESCRITURAS E O MITO DA SEPTUAGINT A

A conquista da Palestina por Alexandre, o Grande, ocasionou uma nova


dispersão dos judeus por todo o império greco-macedônico. Pelo ano 300 antes de
Cristo, a colônia de judeus na cidade de Alexandria, Egito, era numerosa, forte e
influente. Morrendo Alexandre, seu domínio se dividiu em quatro ramos, ficando o
Egito sob a dinastia dos Ptolomeus.
Com o advento da sinagoga, o estudo e a interpretação das Escrituras
começou a ganhar importância sobremodo independente, ocupando o centro da vida
religiosa judaica.
Foi nessa época de propagação popular das Escrituras que o Rei Ptolomeu II,
Filadelfo, rei do Egito (Tempo dos Filadelfos: 284-247 a. C.), grande amante das
letras, preocupou-se em enriquecer a famosa biblioteca que seu pai havia fundado.
Com este objetivo, muitos livros foram traduzidos para o grego.
Naturalmente, as Escrituras Sagradas do povo hebreu foram levadas em conta,
apreciando-se também a grande importância que teria a tradução da Bíblia de seus
antepassados da (região hoje conhecida como) Palestina para os judeus cuja língua
vernácula era o grego.
Orgulhava-se de possuir todos os livros do mundo. Faltavam as Escrituras.
Portanto, mandou traduzir a Torah para o grego, em Alexandria, em 277 a. C. a partir
da proposta de Demétrio Falerus, Diretor da Biblioteca de Alexandria.
A ordem de tradução foi enviada a Eleazar, o Sumo Sacerdote. Segundo um
relato de Josefo, Sumo Sacerdote de Jerusalém, Eleazar enviou uma embaixada de
72 tradutores a Alexandria, com um valioso manuscrito do Velho Testamento, do qual
traduziram o Pentateuco.
No começo, só o Pentateuco foi traduzido. A tradução continuou depois, não se
completando senão no ano 150 antes de Cristo. Esta tradução, que se conhece com o
nome de Septuaginta ou Versão dos Setenta (por terem sido 70, em número redondo,
seus tradutores), foi aceita pelo Sinédrio judaico de Alexandria; mas, não havendo
tanto zelo ali como na (região hoje conhecida como) Palestina e devido às tendências
helenistas contemporâneas, os tradutores alexandrinos fizeram adições e alterações

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 114 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
e, finalmente, sete dos Livros Apócrifos foram acrescentados ao texto grego como
Apêndice do Velho Testamento.
Os estudiosos acham que os apócrifos foram unidos à Bíblia, por serem
guardados juntamente com os rolos de livros canônicos, e quando foram iniciados os
Códices, isto é, a escrituração da Bíblia inteira em um só volume, alguns escribas
copiaram certos rolos apócrifos juntamente com os rolos canônicos.
Todos estes livros, com exceção de Judite, Eclesiástico, Baruque e 1
Macabeus, estavam escritos em Grego (sendo Baruque em Hebraico e Tobias em
Aramaico), e a maioria deles foi escrita muitíssimos anos depois de o profeta
Malaquias, o último dos profetas da Dispensação antiga, escrever o livro que leva o
seu nome.
O que se pode concluir daí é que, quando a Septuaginta era copiada, alguns
livros não canônicos para os judeus eram também copiados. Isso também poderia ter
ocorrido por ignorância quanto aos livros verdadeiramente canônicos.
Pessoas não afeiçoadas ao Judaísmo ou mesmo desinteressadas em distinguir
livros canônicos dos não canônicos tinham por igual valor todos os livros, fossem eles
originalmente recebidos como sagrados pelos judeus ou não. Mesmo aqueles que
não tinham os demais livros judaicos como canônicos certamente também copiavam
estes livros, não por considerá-los sagrados, mas apenas para serem lidos. Por que
não copiar livros tão antigos e interessantes?
Estes livros, entretanto, têm a importância de refletir o estado do povo judeu e o
caráter de sua vida intelectual e religiosa durante as várias épocas que representam;
particularmente, a do período de 400 anos, chamado intertestamentário (entre
Malaquias e João Batista). É, talvez, por estas razões que os tradutores os juntaram
ao texto grego da Bíblia, mas os judeus da (região hoje conhecida como) Palestina
nunca os aceitaram no cânon de seus livros sagrados.
Essa tradução nos explica porque foram acrescentados os livros apócrifos à
Septuaginta - para tê-los na Biblioteca de Alexandria como literatura da nação
israelita.
Parece que o prólogo de Eclesiástico refere-se à Septuaginta. As cópias, completas
ou quase completas, mais antigas que temos desta versão são do século IV, e foram

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 115 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
confeccionadas por cristãos. Elas têm todos os livros da Bíblia hebraica e alguns dos
livros apócrifos.
Isto levou alguns a teorizarem a existência de dois “cânones” do Velho
Testamento, um palestiniano e outro alexandrino. Tal teoria, porém, cai por terra
quando se observa o conteúdo dos grandes manuscritos da Septuaginta do quarto e
quinto séculos. Eles têm os seguintes livros apócrifos e pseudepígrafos:

Nome do Manuscrito Sigla de Apócrifos Pseudepígrafos presentes


identificação omitidos
Vaticano B 1 e 2 Mc 1 Ed
Sinaitico alefh Bar 4 Mc
Alexandrino A nenhum 1 Ed, 3 e 4 Mc
A tabela mostra que os grandes manuscritos cristãos da Septuaginta, embora
tivessem todos os livros da Bíblia Hebraica, não tinham os apócrifos com constância e
até tinham alguns livros que ninguém, nem mesmo a igreja romana, tenta incluir na
Bíblia.
Isto é suficiente para mostrar que não havia consenso sobre que livros
adicionar na Septuaginta. A omissão de vários dos apócrifos e a inclusão de livros
que ninguém nunca aceitou como inspirados, ajuda a ver que não havia uma “lista
oficial” de livros em Alexandria que era diferente da “lista oficial” da Judéia.
Antes de mais nada, é bom lembrar de novo que as cópias encadernadas da
Septuaginta que temos hoje são oriundas dos cristãos e não dos judeus. O fato das
cópias da Septuaginta incluirem e omitirem apócrifos e pseudepígrafos mostra que a
colocação destes livros numa só encadernação com os inspirados não era indicação
de sua aceitação no “cânon” bíblico. Além disto, a igreja lia estas obras, mas as
considerava secundárias. Não há nada que pudesse ser chamado de "cânon
alexandrino".

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 116 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
Filon e Josefo, que utilizavam quase exclusivamente esta versão grega (a LXX),
sempre defenderam o cânon da Bíblia hebraica. Flávio Josefo (aprox. 90 d.C.) disse: "Não
temos dezenas de milhares de livros em desarmonia e conflitos, mas só vinte e dois
contendo o registro de toda a história, que , conforme se crê com justiça, são divinos.
Cinco são de Moisés, que referem tudo o que aconteceu até a sua morte, durante perto de
três mil anos, e a sequência dos descendentes de Adão. Os profetas que sucederam este
admirável legislador, escreveram em treze livros tudo o que se passou depois de sua
morte até o reinado de Artaxerxes, filho de Xerxes, rei dos Persas, e os quatro outros
livros contêm hinos e cânticos feitos em louvor de Deus e preceitos para os costumes.
Escreveu-se também tudo o que se passou desde Artaxerxes até os nossos dias, mas
como não se teve, como antes, uma sequência de profetas, não se lhes dá o mesmo
crédito que aos outros livros de que acabo de falar e pelos tais temos tal respeito que
ninguém jamais foi tão atrevido para tentar tirar ou acrescentar ou mesmo lhe modificar a
mínima coisa. Nós os consideramos como divinos, chamamo-los assim ..." (Contra Ápio
1.8). Josefo fala apenas de 22 livros porque os judeus dividiam seus livros de modo
diferente do nosso. Suas Bíblias tinham 22 ou 24 livros, mas estes são exatamente iguais
aos 39 livros do A.T. da nossa Bíblia. Josefo reconhece as 3 divisões do cânon e os
mesmos livros da Bíblia Hebraica (22). Na opinião dele, nenhum livro canônico foi escrito
depois do reinado de Artaxerxes (462-424 a.C.) e ainda afirma que, durante estes séculos,
desde Artaxerxes, nada foi alterado nos livros sagrados. Embora Josefo conhecesse os
livros do período interbíblico, não os considerava canônicos. Embora fosse um leitor da
Septuaginta, não cria que os chamados apócrifos fizessem parte da Bíblia.
Pode a existência da Septuaginta ser uma fabricação usada contra a Palavra
de Deus e ser outro exemplo da agressão satânica de longa data contra as
Escrituras? Este é um assunto importante que merece estudo.

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 117 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
ATENÇÃO===>>> Vejam esta citação:
A LXX nunca existiu!
Foi Orígenes que fabricou a dita obra (quinta coluna da sua Hexapla - a partir da
falsificação conhecida por "Carta de Aristeas") para corromper a igreja com os livros
apócrifos dos alegoristas e mais tarde dos IDÓLATRAS do catolicismo, adotando-a na
tradução que veio a ser chamada "A Vulgata" de Jerônimo.
Jesus NUNCA fez qualquer referência a tal FANTASMA de versão, nem iria
desonrar as Escrituras do Velho Testamento, cotando a suposta tradução com os livros
apócrifos pósMalaquias. O Espírito Santo jamais inspiraria uma versão "milagrosa",
como é chamada pelos eruditos não se sabe de quê, levada a cabo por 72 tradutores
de 12 tribos que tinham desaparecido do mundo físico. Enfim, uma lenda para crianças
da instrução primária! (Ler o livro "The Mythological Septuagint", do Dr. Peter S.
Ruckman). Fim da citação.

Em um documento lido em uma reunião da prestigiosa Deacan Society de


Burgon, 10-11 de julho de 1996, Dr. Kirk D. DiVietro focaliza afiadamente o assunto:
“Você pode perguntar, Por que, afinal, você está trilhando por esta estrada? O
que ela significa para mim? Ela significa muito para você. A própria autoridade de sua
Bíblia está em jogo. A Septuaginta não é uma tradução literal. Utiliza frequentemente
a teoria de "equivalência dinâmica" de tradução. Às vezes passa malabarismos
fantásticos, não-literais, inexatos do hebraico. Se nós aceitamos a alegação de que a
LXX foi aceita por Jesus e os escritores das Sagradas Escrituras como a Palavra
autorizada de Deus, então nós temos que dissolver esta sociedade, e nos unir ao
clube de semana da Bíblia moderna... Se Jesus e os escritores de Escritura aceitaram
esta como Escritura autorizada, então a inspiração plena, verbal da Escritura é
irrelevante. Se Jesus e os escritores de Escritura aceitassem esta como Escritura
autorizada, então a doutrina de preservação é um vexame.”
Veja essa outra citação:
“A tradução foi realizada indubitavelmente durante o 3º e 2º séculos a. C., e é
pretendido ter sido acabada já no tempo de Ptolemy II Philadelphus, de acordo com a
denominada Carta de Aristeas para Philocrates (c. 130 - 100 a. C.). De acordo com a
Carta de Aristeas, o bibliotecário de Alexandria persuadiu Ptolemy II Philadelphus

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 118 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
para traduzir a Torá para o grego para uso pelos judeus da Alexandria. A carta
menciona que foram selecionados seis tradutores de cada uma das 12 tribos e que
eles completaram a tradução em apenas 72 dias. Enquanto os detalhes desta história
são indubitavelmente fictícios, o núcleo de fato contido nisto parece ser que o
Pentateuco foi traduzido para o grego em algum dia durante a primeira metade do 3º
século a. C. Durante os próximos dois séculos o remanescente do VT foi traduzido,
como também algum livro apócrifo e não-canônico.” [Charles F. Pfeiffer, Howard F.
Vos, and John Rhea. editors. Wycliff Bible Encyclopedia, vol. 2
(Chicago: Moody Press, 1975), "Versions, Ancient And Medieval," by William E.
Nix.]
Unger escreve: "Os mais velhos e mais importantes manuscritos da
Septuaginta são os seguintes: (a) Códice Vaticanus (b) Códice Alexandrinus... (c)
Códice Sinaiticus ". Duas coisas golpearão o leitor perspicaz imediatamente. Estes
são manuscritos que não são mais antigos do que o quarto século d. C. Além disso,
eles são os manuscritos corruptos nos quais o Texto notório de Westcott-Hort é
baseado. Se estes são "os mais velhos e mais importante dos manuscritos" da
Septuaginta, nós temos que concluir que os mesmos não são muito velhos e eles não
são muito bons. [Merrill F. Unger, Unger's Bible Dictionary (Chicago: Moody Press
1957),p.1149f.]
Jones traz o quadro em aguçado enfoque ao escrever: “Constantemente nos é
falado que Vaticanus... e Sinaiticus são os mais velhos manuscritos gregos existentes,
consequentemente os mais fidedignos e os melhores; que eles são de fato a Bíblia.
Ainda o Texto Grego Novo que substituiu o Textus Receptus representa nas mentes
da vasta maioria dos estudiosos o empreendimento privado de apenas dois homens,
dois muito religiosos, embora homens não convertidos, Westcott e Hort. Estes
homens fundaram a “Bíblia” deles baseada quase que exclusivamente na quinta
coluna do Velho Testamento de Orígenes e no Novo Testamento editado pelo
mesmo. As leituras do Novo Testamento deles é derivado quase que exclusivamente
sobre apenas cinco manuscritos, principalmente sobre apenas um só - Vaticanus B.
Além disso, deve ser visto que o testemunho destes dois manuscritos corrompidos é
(sic) quase que o único responsável para todos os erros introduzidos nas Sagradas
Escrituras, em ambos os testamentos, isto através dos críticos modernos!”

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 119 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
LIVROS APÓCRIFOS DA SEPTUAGINTA:
3 Esdras, 4 Esdras, Oração de Azarias (Cântico dos Três Rapazes), Tobias, Adições
a Ester, A Sabedoria de Salomão, Eclesiástico (Também chamado de Sabedoria de
Jesus, filho de Siraque), Baruque, A Carta de Jeremias, Os acréscimos de Daniel, A
Oração de Manassés, 1 Macabeus, 2 Macabeus, Judite.

A FALSA REIVINDICAÇÃO DE QUE JESUS USOU A SEPTUAGINTA:


D. A. Waite desafia a contenção que Jesus citou da Septuaginta. Em Mateus
5:18, Jesus falou sobre a Lei e disse: "Porque em verdade vos digo que, até que o
céu e a terra passem, de modo nenhum passará da lei um só i ou um só til, até que
tudo seja cumprido." Nosso Senhor falou do "i" e do "til", as menores partes das letras
hebraicas. Quão pequeno? Bem, o "i" se refere à letra hebraica “yodh” que é do
tamanho de uma apóstrofe. Esta é um terço da altura das outras letras
hebraicas. O "til" se refere aos chifres, ou extensões minúsculas, de algumas
letras hebraicas, como o “daleth”, algo parecido com o golpe vertical do lábio
em nosso “m” ou “n". Isto excluiria uma Bíblia grega. Além disso, o Novo
Testamento se refere a uma divisão tripartite do Velho Testamento - Lei, Profetas e
Salmos (Lucas 24:27, 44). Os manuscritos do Velho Testamento grego são, porém,
entremeados com escritos apócrifos, nunca reconhecidos como "escritura" pelos
rabinos, ou por Cristo ou pelos apóstolos.
Waite também nos refere para Mateus 23:35 como sendo apropriada a esta
discussão: “para que sobre vós caia todo o sangue justo, que foi derramado sobre a
terra, desde o sangue de Abel, o justo, até o sangue de Zacarias, filho de Baraquias,
que mataste entre o santuário e o altar".
Ele escreve:
Por esta referência, o Senhor pretendeu responsabilizar os Escribas e os
Fariseus por todo o sangue de pessoas inocentes derramado do VT inteiro. Abel se
acha em Gênesis 4:8, mas Zacarias se acha em 2 Crônicas 24:20-22. Se você olha
sua Bíblia hebraica, você achará II Crônicas no último livro (i.é, o último livro na
terceira seção, os Escritos). Se, por outro lado, você olha em sua edição da
Septuaginta, tal como publicada pela Sociedade Bíblica Americana, 1949, Terceira
Edição, editada por Alfred Rahlfs, você vê que ela termina com Daniel seguida por

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 120 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
"Bel e o Dragão" !! Isto é prova clara que Nosso Salvador usava o Velho
testamento hebraico e não o grego. (Ver Lucas 11:51).
Esta é uma observação significante. A frase, "Abel até Zacarias," é apenas
outro modo de declarar, "do início ao fim". Jesus não disse, "de Abel até Bel e o
Dragão".

A FALÁCIA DE QUE O NOVO TESTAMENTO FAZ CITAÇÕES DA LXX:

Uma citação no NT de uma passagem do VT, que não é automaticamente uma


citação literal do Texto Massorético, não implica necessariamente que o escritor do
Novo Testamento estava usando uma versão diferente do Texto Massorético. Em Ef
4:8, por exemplo, o apóstolo Paulo cita Salmo 68:18 (67:18 na LXX), mas a citação
não concorda nem com o Texto Massorético nem com a LXX.
Quando citações no NT variam do Texto Massorético hebraico do VT não
implica necessariamente o uso da LXX. Os escritores do NT, escrevendo debaixo da
inspiração do Espírito Santo, sentiram-se livres para levar a passagem do VT a dar
um significado mais completo a eles revelado pelo Espírito Santo.

DiVietro afirma:
Seria errado presumir que Jesus usou a Septuaginta. Qualquer liberdade que
Ele praticou com o texto das Escrituras hebraicas, Ele o fez como Seu Autor, não
como Seu Crítico. Estaria, também, errado presumir que os escritores do Novo
Testamento usaram a Septuaginta como o Velho Testamento autorizado deles. Suas
formas características de tradução não fornecem nenhuma defesa da prática
moderna de tradução de paráfrase e ou equivalência dinâmica. As leituras
aberrantes da LXX não deveriam ser elevadas sobre as leituras do Texto
Massorético.

FORMAÇÃO DO CÂNON DO NOVO TESTAMENTO


A história do cânon do N.T. difere da do A.T. em vários aspectos:
Primeiro: o Cristianismo (N.T.) foi desde o começo uma religião internacional e
não restrita a um só povo, como no caso do período do A.T. (restrito aos judeus), não

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 121 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
havia comunidade profética fechada que recebesse os livros inspirados e os coligisse
(colecionasse) em determinado lugar, etc. Por isto, o processo mediante o qual todos
os escritos apostólicos se tornassem universalmente aceitos levou muitos séculos.
Felizmente, há mais manuscritos do Novo Testamento do que do Antigo Testamento.
Segundo: uma vez que as discussões resultaram no reconhecimento dos 27
livros canônicos do N. T., não mais houve movimentos dentro do Cristianismo, no
sentido de acrescentar ou eliminar livros.
O cânon do N. T. encontrou acordo geral no seio da igreja universal. Não há N.
T. com apócrifos.

O CÂNON DO N.T. DEU-SE DE FORMA PROGRESSIVA:

Desde o início, havia escritos falsos, não-apostólicos, em circulação (Lc 1:1-4;


2 Ts 2:20; 2 Ts 3:17).
No início da igreja primitiva (século I), havia um processo seletivo em operação.
Toda e qualquer palavra a respeito de Cristo, oral ou escrita, era submetida ao ensino
dos apóstolos (1 Jo 1:3; 2 Pe 1:16).
Era o “cânon vivo” das testemunhas oculares, mediante o qual os escritos
vieram a ser reconhecidos.
Os primeiros cristãos (igrejas) iam recebendo, lendo e colecionando as cartas
apostólicas, cheias de autoridade divina, lançando assim o alicerce de uma coleção
crescente de documentos inspirados (Circulação das Cartas: 1 Ts 5:27; Cl 4:16; 1 Pe
1:1-2; 2 Pe 3:14-16; Ap 1:3). As igrejas, assim, estavam envolvidas em um processo
iniciante de canonização.
Os cristãos eram admoestados a ler continuamente as Escrituras (1 Tm 4:11,
13).
A única maneira pela qual se poderia realizar isto no seio de um número
crescente de igrejas era fazer cópias, de tal sorte que cada igreja ou grupo de igrejas
tivesse sua própria compilação de escritos autorizados.
Essa aceitação original de um livro, o qual era autorizadamente lido nas igrejas,
teria importância crucial para o reconhecimento posterior de um livro canônico.

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 122 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
Assim, o processo de canonização estava em andamento desde o início da
igreja.
As primeiras igrejas foram exortadas a selecionar apenas os escritos
apostólicos fidedignos. Desde que determinado livro fosse examinado e dado por
autêntico, fosse pela assinatura, fosse pelo emissário apostólico, era lido na igreja e
depois circulava entre os crentes de outras igrejas.
As coletâneas desses escritos apostólicos começaram a tomar forma nos
tempos dos apóstolos. Pelo final do século I, todos os 27 livros do N. T. haviam sido
recebidos e reconhecidos pelas igrejas cristãs como divinamente inspirados. O cânon
estava completo, e todos os livros haviam sido reconhecidos pelos crentes de outros
lugares.
Por causa da multiplicidade dos falsos escritos e da falta de acesso imediato às
condições relacionadas ao recebimento inicial de um livro, o debate a respeito do
cânon prosseguiu durante vários séculos, até que a igreja universal finalmente
reconheceu a canonicidade dos 27 livros do N. T.
Logo após a primeira geração, passada a era apostólica, todos os livros do N.
T. haviam sido citados por algum pai da igreja, como dotados de autoridade. Por sinal,
dentro de 200 anos depois do século I, quase todos os versículos do N. T. haviam
sido citados em uma ou mais das mais de 36 mil citações dos pais da igreja.
Uma tradução do N. T. (Antiga siríaca) circulou na Síria pelo fim do século IV,
representando um texto que datava do século II e incluía os livros do N. T., exceto 2
Pedro, 2 e 3 João, Judas e Apocalipse.
Atanásio, o “Pai da Ortodoxia”, relaciona com clareza todos os 27 livros do N.
T. como canônicos (Cartas, 3,267,5).
Resumindo: o processo de coligir os escritos apostólicos confiáveis iniciou-se
nos tempos do N. T. No século II, houve exame desses escritos mediante a citação da
autoridade divina de cada um dos 27 livros do N. T. No século III, as dúvidas e as
objeções a respeito de determinados livros prosseguiram, culminando nas decisões
dos pais da igreja e dos concílios influentes do século IV.

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 123 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
FATORES QUE INFLUENCIARAM A IGREJA NO CÂNON DO N. T.:
Alguns fatores influenciaram para que a igreja primitiva definisse de vez a lista
dos livros canônicos do N. T.
Márcion (ou Marcião) foi um herege gnóstico (150 d.C.) que, dentre outras
coisas, fez uma lista de livros a serem aceitos. Rejeitou todo o Velho Testamento por
considerá-lo obra de um “deus inferior”. Sua lista de livros bíblicos incluiu: uma versão
resumida de Lucas (retirando os primeiros capítulos por serem muito judaicos) e mais
dez epístolas de Paulo (as chamadas “Pastorais” não foram aceitas por lhe serem
contrárias, assim como todas as outras). Chamou “Efésios” de “Laodicenses”.
Sua rejeição dos livros bíblicos forçou as igrejas a tomarem uma posição
explícita sobre estes livros. De fato, a rejeição dos livros prova que já havia um
consenso, mas a igreja se tornou mais consciente deste consenso na luta contra a
heresia. As heresias levaram à defesa da fé. Afinal, “os germes estimulam a formação
de anticorpos” ...
Na segunda metade do segundo século, o Novo Testamento já foi considerado
par do Antigo. Começam os comentários, trabalhos literários e traduções do Novo
Testamento. As traduções para o Latim antigo e para o Siríaco neste período já
incluem todo o Novo Testamento, exceto 2 Pedro na versão Siríaca.
A heresia de Marcião e de Montano, bem como os movimentos gnósticos,
contribuíram para a aceleração do processo de reconhecimento dos livros inspirados;
uma vez que Marcião negava muitos livros. Montano alegava ter novas revelações e
os gnósticos buscaram produzir sua literatura “superior”.
Outros fatores que influenciaram foram as perseguições do imperador romano
Diocleciano (302-305 d.C.). De acordo com o historiador cristão Eusébio, houve um
edito imperial da parte de Diocleciano (303 d.C.), ordenando que “as Escrituras
fossem destruídas pelo fogo”.
A perseguição motivou um exame sério da questão dos livros canônicos, quais
eram realmente canônicos e deveriam ser preservados.
É sabido que, traiçoeiramente, mesmo durante a vida dos apóstolos, no século
I, já havia algumas pessoas que insinuavam a existência de uma ou outra corrupção
na Palavra de Deus.

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 124 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
Livros falsificados, quer totalmente (como a Epístola de Hermas, de Barnabé,
etc.), quer parcialmente, já tentavam se insinuar nas igrejas, mesmo durante a vida
dos apóstolos! Que ousadia! O apóstolo Paulo já advertia:

“Porque nós não somos, como muitos, falsificadores da palavra de Deus, antes
falamos de Cristo com sinceridade, como de Deus na presença de Deus.” (2 Coríntios
2:17). “Que não vos movais facilmente do vosso entendimento, nem vos
perturbeis, quer por espírito, quer por palavra, quer por epístola, como de nós,
como se o dia de Cristo estivesse já perto.” (2 Tessalonicenses. 2:2).

Mas ninguém pode deixar de ver e se esquivar de reconhecer que todas estas
corrupções do século I e todas as poucas corrupções subseqüentes foram totalmente
rejeitadas pela massa das igrejas! Particularmente, os textos dos pouquíssimos
manuscritos alexandrinos (séculos IV em diante) em que todo o TC se edifica foram
totalmente rejeitados pelo total da enorme massa das igrejas e jamais foram copiados
e usados para qualquer coisa. (Usamos o plural "textoS" porque cada um destes
manuscritos alexandrinos difere terrivelmente dos outros, em muitos milhares de
pontos! Diferem mais entre si do que diferem do TR!!!...).
Podemos resumir dizendo que a grande maioria dos livros do N. T. jamais
sofreu polêmicas quanto à sua inspiração desde o início. Certos livros não-canônicos,
que gozavam de grande prestígio, que eram muito usados e que tinham sido incluídos
em listas provisórias de livros inspirados, foram tidos como valiosos para emprego
devocional e homilético, mas nunca obtiveram reconhecimento canônico por parte da
igreja.
Só os 27 livros do N. T. são tidos e aceitos como genuinamente apostólicos e
encontraram lugar no cânon do Novo Testamento.

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 125 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
Assim, podemos dizer que, logo no mais tenro início, no primeiro e segundo
século do Cristianismo, ocorreu a canonização (no sentido de "reconhecimento
informal e consensual, pela grande massa das igrejas locais fiéis"):
a) tanto de quais os 27 LIVROS que compunham o NT;
b) como também de quais as PALAVRAS exatas que compunham cada um destes 27
livros.

Também podemos dizer que, ao final do século IV, ocorreu a canonização (no
sentido de "declaração formal e oficial da grande massa de igrejas locais, mesmo que
já não totalmente locais e nem todas fiéis, posto que o Romanismo já se desenvolvia,
Roma já se impunha, ainda que o Romanismo ainda tivesse muito em que
degenerar"):
a) tanto de quais os 27 LIVROS que compunham o NT;
b) como também de quais as PALAVRAS exatas que compunham cada um destes 27
livros.

CRITÉRIOS PARA SE RECONHECER A CANONICIDADE DE UM LIVRO

Quatro princípios gerais ajudaram a determinar quais livros deveriam ser aceitos como
canônicos:
a) Apostolicidade: foi escrito por um apóstolo, ou, senão, tinha o escritor do livro um
relacionamento tal com um apóstolo, de modo a elevar seu livro ao nível dos livros
apostólicos? (At 4:13 mostra a credibilidade dos apóstolos).
b) Conteúdo: era o conteúdo de um dado livro de tal natureza espiritual que lhe desse
o direito a esta categoria? Esse teste eliminou muitos livros apócrifos ou pseudo-
apócrifos.
c) Universalidade: era o livro recebido universalmente pela igreja?
d) Inspiração: mostrava o livro evidência de ter sido divinamente inspirado? Era o
teste final. Tudo tinha que cair diante dele.

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 126 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
Da mesma forma que a apostolicidade é provada, também é provada a
canonicidade dos livros do Novo Testamento, tal como se prova a autoria dos
renomados escritores mundiais cujas obras trazem seus nomes.
A consciência cristã, dominada pelo Espírito, discerniu entre o puro e o impuro.
Cumpre ressaltar que tal realização não se deve nem à própria Igreja, mas que ela
aconteceu obedecendo aos mesmos processos da canonização do Velho
Testamento. Isto é, cada livro foi se impondo e falando por si mesmo com suas
provas internas e externas até que, em determinado tempo, foi reconhecido pelas
autoridades eclesiásticas e pelos Pais da Igreja como possuindo autoridade
apostólica, não havendo a intervenção de Concílios.
Os livros apareceram primeiramente separados, em épocas e localidades
diferentes. Foram guardados com carinho pelas Igrejas e aceitos como apostólicos.
Eram lidos nas assembléias cristãs, em reuniões devocionais, inspirativas e
doutrinárias.

Ao encerramento do N. T. (isto é, ao terminar de ser escrito o livro de


Apocalipse, em cerca do ano 96 depois de Cristo) foi reconhecido por TODOS os
crentes fiéis que o cânon do N. T. (isto é a coleção de 27 livros que o constituem)
estava encerrado para sempre, e incluía o livro do Apocalipse. Claro que, sempre
houve, há e haverá um pequeno grupo de descrentes em algum livro, sempre há e
haverá os infiéis, os agentes que o Diabo sempre introduz para levantar dúvidas a
princípio leves e sutis, depois mais pesadas.
Algo depois do acima referido encerramento do N. T., tudo isto acima dito (e
que sempre foi o consenso entre os crentes fiéis) foi meramente RECONHECIDO e
declarado OFICIALMENTE e por TODOS, mesmo sob a coordenação/comando do
distorcedor Romanismo incipiente, no III Concílio de Cártago, em 397 d. C.

Desde os primeiros séculos foi reconhecido e desde a Reforma foi re-


confirmado o cânon dos CONTEÚDOS (as Exatas PALAVRAS) dos Livros da
Bíblia. Portanto, o assunto está encerrado, fechado !!!
(Dt 4:2, 12:32; Pv 30:6; Ec 3:14; Ap 22:18-19; 2 Pe 1:3; Jd 3)

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 127 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
O NOVO TESTAMENTO é canônico, uma vez que todos os seus livros, e
somente eles, foram desde o início universalmente reconhecidos como inspirados,
PORQUE:


Foram escritos pelos apóstolos (ou suas segundas pessoas) Cl 1:1-2.

Foram universal e espontaneamente aceitos 1 Ts 2:13.

Foram aceitos pelos “pais da igreja” (filhos ou netos espirituais dos apóstolos,
por quem foram ensinados, diretamente. Exemplo: Policarpo, filho na fé de

João). Tem conteúdo evidentemente inspirado, edificante, espiritual,
harmônico com toda a Bíblia.
É notável o fato de não termos tido interferência da autoridade da igreja na
constituição de um cânone; nenhum concílio discutiu esse assunto; nenhuma decisão
formal foi tomada. O Cânone do N.T. parece ter se formado sozinho... Lembremo-nos
que esta não-interferência de autoridade constitui um tópico valioso de evidência
quanto à genuinidade dos quatro evangelhos; pois assim parece que não foi devido a
qualquer autoridade adventícia, mas sim a seu próprio peso, que desbancaram todos
os seus rivais. (George Salmon – Uma Introdução Histórica ao Estudo dos Livros do
Novo Testamento, 1888, pág. 121).

É bom que fique claro, que certos livros do Novo Testamento foram
considerados canônicos independentemente de se conhecer quem os escreveu. O
exemplo clássico que temos disso é a Carta aos Hebreus.
Muitos dos debates que ainda perduram até hoje sobre alguns livros do Novo
Testamento, não se ligam à sua canonicidade, mas à sua autoria.

OBSERVAÇÕES:
a) Em 200 d.C., só um pequeno punhado de cristãos [pelo menos na aparência]
ainda tinha algumas pequenas dúvidas sobre os livros: Hebreus (“quem escreveu”), 2
e 3 João (“não seriam só cartas para uso pessoal dos endereçados?”), 2 Pedro (“será
um pseudepígrafo, autor usando nome de outrem, respeitado?”), Tiago (“será que
contradiz os escritos de Paulo?”), Judas (“será que quis implicar que o livro de

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 128 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
Enoque era inspirado mas foi perdido?”) ou Apocalipse (“será mesmo João que o
escreveu? Os símbolos não são misteriosos demais?”).
b) Em 397 d. C., o N.T., tal qual o temos hoje, foi oficialmente reconhecido no
Concílio de Cártago, para o Ocidente. Em 500 d. C., o foi no Oriente.

Finalmente, também podemos dizer que, após a invenção da Imprensa, e no


início do século XVI, com o maravilhoso movimento de Deus trazendo a Reforma
Protestante, ocorreu a RE-confirmação do Cânon dos conteúdos (as exatas
PALAVRAS) dos 39 livros do V. T. e 27 do N. T. (por UNANIMIDADE de TODAS as
igrejas "protestantes" de TODAS as nações raças e povos !!!).

Desde os primeiros séculos e desde a Reforma Protestante está definitiva


e completamente fechado o Cânon das exatas PALAVRAS das Escrituras, em
Hebraico-Aramaico e em Grego, tanto quanto está fechado o Cânon de quais
são os 66 LIVROS que formam a Bíblia! (Dt 4:2, 12:32; Pv 30:6; Ec 3:14; Ap
22:18-19; 2 Pe 1:3; Jd 3)

É tão impensável e intolerável levantarmos dúvidas (seja através de colchetes


ou de notas de rodapé, seja direta e expressamente, como ocorre em alguns versões
modernas da Bíblia) sobre uma sequer das palavras do Texto Massorético de Ben
Chayyim, mais o Textus Receptus (mais particularmente, aquele usado pela Bíblia
KJV-1611), omitirmos ou modificarmos tal palavra, quanto fazermos a mesma coisa
em relação a um dos livros da Bíblia!

A Bíblia foi escrita e seus livros reunidos num conjunto que foi transmitido,
através dos séculos até os nossos dias. Através de cópias feitas à mão, os textos
bíblicos do Velho e do Novo Testamentos foram transmitidos e preservados até a
invenção da imprensa.
Em 1516, um humanista conhecido como Desidério Erasmo ou Erasmo de
Rotherdan, publicou o primeiro Novo Testamento em Grego, encerrando o período de
transmissão manuscrita do N. T. e iniciando uma verdadeira "febre" de publicação de
textos gregos do Novo Testamento. Foi com base nestes textos gregos que, mais

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 129 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
tarde, as traduções bíblicas foram reiniciadas e a Palavra de Deus divulgada cada vez
mais.
Tecnicamente, o primeiro Novo Testamento Grego foi impresso pelo cardeal
Ximenes de Cisneros; mas, como a obra aguardava o término da impressão do texto
do Velho Testamento para ser distribuída, a obra de Erasmo é considerada a
primeira.
CLASSIFICAÇÃO DOS LIVROS DO N. T. :

1 - HOMOLOGOUMENA: (significa: falar como um). São os livros bíblicos que


foram aceitos por todos.
Em geral, 20 dos 27 livros do N. T. foram aceitos por todos. Exceto: Hebreus,
Tiago, 2 Pedro, 2 e 3 João, Judas e Apocalipse. Outros três livros, Filemom, 1 Pedro
e 1 João, foram omitidos, não questionados.

2 - ANTILEGOMENA: (significa: falar contra). São os livros bíblicos que em certa


ocasião foram questionados por alguns.

De acordo com o historiador cristão Eusébio, houve 7 livros cuja autenticidade


foi questionada por alguns dos pais da igreja, e por isto ainda não haviam obtido
reconhecimento universal por volta do século IV.
Isto não significa que não haviam tido aceitação inicial por parte das
comunidades apostólicas e subapostólicas. Tampouco, o fato de terem sido
questionados, em certa época, por alguns estudiosos, é indício de que sua presença
no cânon seja menos firme que os demais livros. Ao contrário, o problema básico a
respeito da aceitação da maioria desses livros não era o reconhecimento de sua
inspiração divina ou falta de inspiração; mas sim, a falta de comunicação entre o
Oriente e o Ocidente a respeito de sua autoridade divina.
São eles: Hebreus, Tiago, 2 Pedro, 2 e 3 João, Judas e Apocalipse.
Hebreus: foi basicamente a anonimidade do autor que suscitou dúvidas. Por
isso, o livro permaneceu sob suspeição para os cristãos do Oriente, que não sabiam
que os crentes do Ocidente o haviam aceito como autorizado e inspirado.

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 130 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
Outro fator que influenciou foi o fato de que os montanistas heréticos terem
recorrido a Hebreus em apoio a algumas de suas concepções errôneas, o que fez
demorar sua aceitação nos círculos ortodoxos.
Ao redor do século IV, no entanto, sob a influência de Jerônimo e Agostinho,
esse livro encontrou lugar permanente no cânon.

Tiago: sua veracidade e autoria foram desafiadas. Os primeiros leitores


atestaram que era Tiago, irmão de Jesus (At 15 e Gl 1). Todavia, a igreja ocidental
não teve acesso a esta informação. Também, houve a questão do aparente conflito
com o ensino de Paulo sobre a justificação somente pela fé. No entanto, sua
aceitação como canônico baseia-se na compreensão de sua compatibilidade
essencial com os ensinos paulinos.
2 Pedro: foi a Carta que mais ocasionou dúvidas quanto à sua autenticidade.
Isto se deveu à dessemelhança de estilo com a primeira Carta de Pedro. As
diferenças, porém, podem ser explicadas facilmente, por causa do emprego de um
escriba em 1 Pedro, o que não ocorreu em 2 Pedro (vide 1 Pe 5:12).
2 e 3 João: o fato do seu questionamento foi porque o escritor se identificou
apenas como “o presbítero” e, além da anonimidade, sua circulação foi limitada.
Porém, a semelhança de estilo e de mensagem com 1 João, que já havia sido aceita,
mostrou ser óbvio que 2 e 3 João vieram também do apóstolo João.
Judas: a confiabilidade deste livro foi questionada por alguns. A contestação
se centrava nas referências ao livro pseudepígrafo de Enoque (Jd 14, 15) e numa
possível referência ao livro Assunção de Moisés (Jd 9). Porém, suas citações não são
diferentes das citações feitas por Paulo de poetas não-cristãos (At 17:28; 1 Co 15:33;
Tt 1:12). O que Judas fez foi citar um fragmento de verdade encravado naqueles
livros e não dizer que eles teriam autoridade divina. Sua canonicidade foi reconhecida
pelos primeiros pais da igreja (Ireneu, Clemente de Alexandria, Tertuliano). O Papiro
Bodmer (P72), recentemente descoberto, confirma o uso de Judas ao lado de 2
Pedro, na igreja copta (igreja ortodoxa no Egito) do século III.
Apocalipse: A doutrina do Milenarismo (Ap 20) foi o ponto central da
controvérsia, que durou até fins do século IV. Como os montanistas heréticos
basearam seus ensinos heréticos no livro de Apocalipse, no século III, a aceitação

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 131 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
definitiva desse livro acabou sofrendo uma demora. A partir do momento em que se
tornou evidente que este livro estava sendo mal usado pelas seitas, embora tivesse
sido escrito por intermédio de João (Ap 1:4; 22:8-9), e não dentre os hereges,
assegurou-se o lugar definitivo no cânon sagrado.

RESUMO: Alguns pais da igreja haviam se posicionado contra esses livros, por causa
da falta de comunicação, ou por causa de más interpretações desses livros
antilegomena. A partir do momento em que a verdade passou a ser do conhecimento
de todos, tais livros foram aceitos plena e definitivamente, passando para o cânon
sagrado, da forma exata como haviam sido reconhecidos pelos cristãos primitivos
desde o início.

3- PSEUDEPÍGRAFOS: (significa: falsos escritos). Livros não-bíblicos rejeitados


por todos.
Durante os séculos II e III, numerosos livros espúrios e heréticos surgiram
(escritos falsos). A corrente principal do Cristianismo seguia Eusébio, que os chamou
de livros “totalmente absurdos e ímpios”.
Esses livros tem apenas interesse histórico. O conteúdo deles resume-se em
ensinos heréticos, eivados de erros gnósticos (seita filosófica que arrogava para si
conhecimento especial dos mistérios divinos), docéticos (ensinavam a divindade de
Cristo, mas negavam Sua humanidade, alegando que Ele só tinha a aparência de ser
humano) e ascéticos (os monofisistas ascéticos ensinavam que Cristo tinha uma
única natureza, uma fusão do divino com o humano).
Tais livros revelavam desmedida fantasia religiosa. Evidenciavam uma
curiosidade para descobrir mistérios não revelados nos livros canônicos (como onde
esteve Jesus dos 12 aos 30 anos).
Eles, em sua maior parte, não haviam sido aceitos pelos pais primitivos e
ortodoxos da igreja, nem pelas igrejas, não sendo, portanto, considerados canônicos.
O número exato desses livros é difícil de apurar. Por volta do século XIX, Fótio
havia relacionado cerca de 280 obras. Depois apareceram outras.

Alguns deles:

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BACHARELADO EM TEOLOGIA 132 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
Evangelhos: O Evangelho de Tomé, O Evangelho dos ebionitas, O Evangelho de
Pedro, O ProtoEvangelho de Tiago, O Evangelho dos egípcios, O Evangelho arábico
da infância, O Evangelho de Nicodemos, O Evangelho do carpinteiro José, A História
do carpinteiro José, O Passamento de Maria, O Evangelho da natividade de Maria, O
Evangelho de um Pseudo-Mateus, Evangelho dos Doze, de Barnabé, de Bartolomeu,
dos Hebreus, de Marcião, de André, de Matias, de Pedro, de Filipe.
Atos: Os Atos de Pedro, Os Atos de João, Os Atos de André, Os Atos de Tomé, Os
Atos de Paulo, Atos de Matias, de Filipe, de Tadeu.
Epístolas: A Carta atribuída a nosso Senhor, A Carta perdida aos coríntios, As (Seis)
Cartas de Paulo a Sêneca, A Carta de Paulo aos laodicenses (também pode ser
considerado entre os apócrifos).
Apocalipses: de Pedro (também pode ser considerado entre os apócrifos), de Paulo,
de Tomé, de Estêvão, Segundo Apocalipse de Tiago, Apocalipse de Messos, de
Dositeu. (os 3 últimos foram descobertos em 1946, em Nag-Hammadi, no Egito).
Outras obras: Livro secreto de João, Tradições de Matias, Diálogo do Salvador.
(também descobertos em 1946, em Nag-Hammadi, no Egito).

4 - APÓCRIFOS: (significa: escondidos ou duvidosos). Livros não-bíblicos aceitos por


alguns, mas rejeitados por outros.
Esses livros gozavam de grande estima pelo menos da parte de um pai da
igreja. Tiveram, quando muito, o que Alexander Souter chamou de “canonicidade
temporal e local”. Haviam sido aceitos por um número limitado de cristãos, durante
um tempo limitado, mas nunca receberam um reconhecimento amplo ou permanente.
Eram considerados mais importantes que os pseudepígrafos e faziam parte
das bibliotecas devocionais e homiléticas das igrejas primitivas, pelas seguintes
razões: revelam os ensinos da igreja do século II; fornecem documentação da
aceitação dos 27 livros canônicos do N.T.; fornecem informações históricas a respeito
da igreja primitiva, quanto à sua doutrina e liturgia.
São eles: Epístola do Pseudo-Barnabé; Epístola aos coríntios; Homilia antiga
(chamada “Segunda epístola de Clemente); O pastor, de Hermas (foi o livro não-
canônico mais popular da igreja primitiva); O Didaquê (ou “Ensino dos doze
apóstolos”); Apocalipse de Pedro; Atos de Paulo e de Tecla; Carta aos laodicenses;

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 133 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
Evangelho segundo os hebreus; Epístola de Policarpo aos filipenses; Sete epístolas
de Inácio (este teria sido discípulo de João, mas não reivindica para si autoridade
divina).

A SUFICIÊNCIA DA BÍBLIA (Sl 119:89-104; Lc 16:29-31)

Faz parte integrante da fé evangélica a convicção de que a igreja nada pode


acrescentar à Bíblia (Dt 4:2, 12:32; Pv 30:6; Ec 3:14; Ap 22:18-19; 2 Pe 1:3; Jd 3) e de
que todas as suas doutrinas devem ser testadas pela sua fidelidade às Escrituras (At
17:11).
Embora nos valendo da erudição dos expositores, nem por isso devemos
aceitar deles, ou de quem quer que seja, qualquer opinião que esteja em conflito com
o sentido claro da própria Bíblia (At 17:11) – pois cremos que esta nunca se contradiz.
Em última análise, devemos depender da unção do mesmo Espírito de Deus
que inspirou os escritores (Jo 16:13; 1 Co 2:10-14; 1 Jo 2:27). Para tanto, havemos de
<<permanecer Nele>>, a fim de sabermos o que é que nos diz o Deus que <<falou
aos profetas>> (Jo 6:63; 2 Co 3:6).

“Toda escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão,
para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja
perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra.”
2 Timóteo 3:16-17

A AUTORIDAD E SUPREM A D AS ESCRITURAS

Pergunta-se: Qual a maneira mais convincente de demonstrar a autoridade de um


leão?
Resposta: solte-o e verás...
É assim com a Bíblia também...

A igreja primitiva recebia a Bíblia como a autoridade final. Gaussen diz:

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 134 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
“Com exceção unicamente de Theodore de Mopsuestia, tem sido impossível
encontrar, ao longo dos oito primeiros séculos do cristianismo, um único doutor que
tenha negado a inspiração plena das Escrituras, a menos que fosse no seio das mais
violentas heresias que têm atormentado a igreja cristã; isso equivale a dizer, entre os
gnósticos, os maniqueístas, os anomistas e os maometanos”. L. Gaussen,
Theopneustia (Chicago: The Bible Institute Colportage Ass’n n. D.) pág. 139 e segs.
(Palestras em Teologia Sistemática – Henry Clarence Thiessen, pg. 45).
A autoridade suprema das Escrituras também é uma doutrina puritano-
presbiteriana. A ela, os puritanos tiveram que apelar frequentemente na luta que
foram obrigados a travar contra as imposições litúrgicas da Igreja Anglicana.

A Confissão de Fé de Westminster
professa a referida doutrina em três parágrafos do seu primeiro capítulo. No
quarto parágrafo, ela trata da origem ou fundamento da autoridade das Escrituras: “A
autoridade da Escritura Sagrada, razão pela qual deve ser crida e obedecida,
não depende do testemunho de qualquer homem ou igreja, mas depende
somente de Deus (a mesma verdade) que é o Seu Autor; tem, portanto, de ser
recebida, porque é a Palavra de Deus”.

O décimo e último parágrafo desse capítulo confere às Escrituras (a voz do


Espírito Santo) a palavra final para toda e qualquer questão religiosa, reconhecendo-a
como supremo tribunal de recursos em matéria de fé e prática: “O Juiz Supremo,
pelo qual todas as controvérsias religiosas têm de ser determinadas, e por
quem serão examinados todos os decretos de concílios, todas as opiniões dos
antigos escritores, todas as doutrinas de homens e opiniões particulares; o Juiz
Supremo, em cuja sentença nos devemos firmar, não pode ser outro senão o
Espírito Santo falando na Escritura”.

Mas, visto que Cristo nos fala agora pelo Seu Espírito por meio das Escrituras
(Hb 1:1), e que as revelações da criação e da consciência não são nem perfeitas e
nem suficientes à salvação do homem, por causa da queda, que corrompeu tanto uma
como outra, a Palavra final, suficiente e autoritativa de Deus para esta

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 135 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
dispensação são as Escrituras Sagradas. O fato é que, por procederem de Deus,
as Escrituras reivindicam atributos divinos: são perfeitas, fiéis, retas, puras, duram
para sempre, verdadeiras, justas (Sl 19:7-9) e santas (2 Tm 3.15). Cf. também Salmo
119:39, 43, 62, 75, 86, 89, 106, 137, 138, 142, 144, 160, 164, 172, Mateus 24:34;
João 17:17; Tiago 1:18; Hebreus 4:12 e 1 Pedro 1:23, 25.
Que autoridade teria Paulo para exortar aos gálatas no sentido de rejeitarem
qualquer evangelho que fosse além do Evangelho que ele lhes havia anunciado, ainda que
viesse a ser pregado por anjos?
Só há uma resposta razoável: ele sabia que o Evangelho por ele anunciado não era
segundo o homem; porque não o havia aprendido de homem algum, mas mediante a
revelação de Jesus Cristo (Gl 1:8-12).
Jesus também atesta a autoridade suprema das Escrituras: pelo modo como a
usa, para esclarecer qualquer controvérsia: "está escrito" (exemplos: Mt 4:4, 6, 7,
10; etc.), e ao afirmar explicitamente a autoridade das mesmas, dizendo em João
10:35 que "a Escritura não pode falhar."
A fé reformado-puritana reconhece a autoridade de todo o conteúdo das
Escrituras, e sua plena suficiência e suprema autoridade em matéria de fé e práticas
eclesiásticas.
Tão importante foi a redescoberta destas doutrinas pelos reformadores
(Reforma Protestante) que se pode afirmar que, da aplicação prática das mesmas,
decorreu, em grande parte, a profunda reforma doutrinária, eclesiástica e litúrgica que
deu origem às igrejas protestantes.
Todas as doutrinas foram submetidas à autoridade das Escrituras. Todos os
elementos de culto, cerimônias e práticas eclesiásticas foram submetidos ao
escrutínio da Palavra de Deus. A própria vida (trabalho, lazer, educação, casamento,
etc.) foi avaliada pelo ensino suficiente e autoritativo das Escrituras. Muito entulho
doutrinário teve que ser rejeitado. Muitas tradições e práticas religiosas acumuladas
no curso dos séculos foram reprovadas quando submetidas ao teste da Suficiência e
da Autoridade Suprema das Escrituras. E a profunda Reforma religiosa do século XVI
foi assim empreendida.

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 136 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
CONCLUSÃO

Mas, muito tempo já se passou desde então. O evangelicalismo moderno


recebeu, especialmente do século passado, um legado teológico, eclesiástico e
litúrgico que precisa ser urgentemente submetido ao teste da doutrina reformada da
Autoridade Suprema das Escrituras.
É tempo de reconsiderar as implicações desta doutrina. É tempo de reavaliar a
nossa fé, nossas práticas eclesiásticas e nossas próprias vidas à luz desta doutrina.
Afinal, admitimos que a Igreja reformada deve estar sempre se reformando — não
pela conformação constante às últimas novidades, mas pelo retorno e conformação
contínuos ao ensino das Escrituras.

Lema da Reforma: “Eclésia Reformata Semper Reformanda” (a igreja deve sempre


estar aberta para ser corrigida por Deus, arrepender-se dos seus pecados e se
reformar, em conformidade com o ensino das Escrituras). (Ap 2:5, 16, 21; 3:3, 19).

No atual clima de relativismo, a opinião parece ser o único referencial para o


que a pessoa deve crer ou praticar. Dentro desse contexto, o aborto e o
homossexualismo são analisados apenas por critérios puramente pragmáticos. O fato
de Deus ter revelado os limites da sexualidade humana e o respeito pela vida não é
mais válido para o homem moderno. Ele não acredita que Deus tenha falado.
Entretanto, para nós evangélicos, que aceitamos a Bíblia como a Palavra de
Deus, pesa a responsabilidade de levar essa convicção a sério. Não obstante, é triste
notar que, também neste caso, a teoria está longe da prática.
Hoje em dia, infelizmente, supostas revelações místicas tem mais autoridade
do que a clara exposição da Bíblia. As pessoas crêem em idéias jamais ensinadas
pelos profetas, por Jesus ou pelos apóstolos: regressão psicológica, decreto, entre
outras coisas que jamais foram ensinadas na Bíblia. Então, por que as praticam? [O
motivo é] Por que funcionam? [O motivo é] Por que atraem as pessoas?
Vale aqui lembrarmos uma famosa frase de Lutero: "Qualquer ensinamento que
não se enquadre nas Escrituras deve ser rejeitado, mesmo que faça chover milagres
todos os dias".

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 137 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
“Mas o Espírito expressamente diz que nos últimos tempos apostatarão alguns da fé,
dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios”. (1 Tm 4:1 -
A.C.F.)
“Porque se levantarão falsos cristos, e falsos profetas, e farão sinais e prodígios, para
enganarem, se for possível, até os escolhidos”. (Mc 13:22 - A.C.F.)

Assumir a autoridade da Bíblia implica enfatizar aquilo que ela enfatiza. Em


nome da relevância, muitos assimilam filosofias da época atual e saem em busca de
textos fora de contexto para justificar suas práticas antibíblicas.

A partir do instante em que aceitamos a autoridade da Bíblia, somos


chamados pela força da Palavra a nos submetermos à autoridade de Deus. Se
Ele, o Criador, de fato Se revelou aos homens através de palavras, tal revelação
tem a força de lei para as Suas criaturas.
Como Soberano do Universo, Deus tem o direito de exigir plena
obediência às Suas ordens e fazer valer Sua autoridade através de justo
julgamento. Deus, sendo Onisciente e Eterno, faz da Sua Palavra autoridade
para todas as áreas da vida humana, sejam elas espirituais, morais, intelectuais
e físicas.

Uma pregação teocêntrica enfatizará a mensagem da Bíblia. Certamente, ela


não é popular. Nunca o foi. Se o crescimento numérico fosse o critério para a
verdade, Jesus não teria tido muito sucesso na Sua vida terrena, pois até alguns dos
Seus discípulos mais próximos O abandonaram quando Ele começou a expor todas
as implicações do discipulado. Se cremos na Bíblia como a Palavra de Deus,
devemos pregá-la, quer ouçam quer deixem de ouvir!!!

O povo de Deus abandona as águas cristalinas da verdade para beber nas


cisternas furadas e apodrecidas do erro. O remédio de Deus parece ser mais
amargo, porém é eficaz!

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 138 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
Sabendo que a nossa natureza pecaminosa nos impulsiona em direção ao erro
e ao pecado, conhecendo o engano e a corrupção do nosso próprio coração,
reconhecendo os dias difíceis pelos quais passa o evangelicalismo moderno
(particularmente no Brasil), a ojeriza doutrinária, a exegese superficial e a ignorância
histórica que em grande parte caracterizam o evangelicalismo moderno no nosso
país, não temos o direito de assumir que nossa fé e práticas eclesiásticas sejam
corretas, simplesmente por serem geralmente assim consideradas. É necessário
submeter nossa fé e práticas eclesiásticas à Autoridade Suprema das Escrituras.
Assim fazendo, não é improvável que nós, à semelhança dos Reformadores,
também tenhamos que rejeitar considerável entulho teológico, eclesiástico e litúrgico
acumulados nos últimos séculos. Não é improvável que venhamos a nos surpreender,
ao descobrir um evangelicalismo profundamente tradicionalista, subjetivo e
racionalista. Mas não é improvável também que venhamos a presenciar uma nova e
profunda reforma religiosa em nosso país.
Que assim seja!
Não que concordemos com tudo o que houve na Reforma Protestante. Até
porque os batistas não são protestantes. A história Batista revela que esta
denominação não é filha de Roma, pois não surgiu da Reforma.

Oh! quanto amo a tua lei! É a minha meditação em todo o dia.


Tu, pelos teus mandamentos, me fazes mais sábio do que os meus inimigos;
pois estão sempre comigo. Tenho mais entendimento do que todos os meus
mestres, porque os teus testemunhos são a minha meditação. Entendo mais do
que os antigos; porque guardo os teus preceitos. Desviei os meus pés de todo
caminho mau, para guardar a tua palavra. Não me apartei dos teus juízos, pois
tu me ensinaste. Oh! quão doces são as tuas palavras ao meu paladar, mais
doces do que o mel à minha boca. Pelos teus mandamentos alcancei
entendimento; por isso odeio todo falso caminho. Lâmpada para os meus pés é
tua palavra, e luz para o meu caminho. (Salmos 119-97-105)

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 139 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
MÉTODOS DE ESTUDOS BÍBLICOS

CONCEITO GERAL

Poucas observações bastariam para ressaltar nosso dever como estudantes de


teologia do estudo diário das Escrituras. Note que é um dever e não uma opção,
considerando que este era o proceder de Nosso Mestre, da Antiga Comunidade e dos
próprios escritores bíblicos.
O que conhecemos da Revelação de Deus está na forma de um Livro que
necessita ser estudado para poder obter dele uma plena, absoluta e segura
compreensão dessa revelação. Este estudo pressupõe, ou parte do pressuposto que
o futuro pastor (ou líder de Comunidade Evangélica) é e será um estudioso das
Escrituras, por essa razão este estudo dará uma orientação metodológica para que
esse estudo seja eficaz.
Todos os que se aproximam das Escrituras, utilizam-se de um método de
estudo da mesma, consciente ou inconscientemente. Não há problema em ter um
método de estudo das Escrituras, desde que esse método seja válido e nos conduza
a resultados verdadeiros.
É necessário verificar se o método que utilizamos para estudar as Escrituras é
bom. Mesmo aqueles grupos que afirmam não estudar a Bíblia, têm seu modo
especial de basear nela os seus pensamentos. Outros, mas conscientes da
necessidade de estudo, utilizam-se de Comentários, Dicionários Bíblicos, livros de
estudo dirigido e outras obras, para obter compreensão do texto bíblico. Ouvir

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 140 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
palestras, aulas, “garimpar” estudos na Internet, comprar muitos livros e assistir a
pregações é para a maior parte das pessoas o único método de estudar as Escrituras
que conhecem.
Uma pergunta aqui é oportuna: Por que devo estudar as Escrituras com um
método específico? Uma infinidade de pessoas já não fez estudos que estão em bons
livros, enciclopédias e dicionários bíblicos? Qual é a razão de tentar estudar de novo?
Como resposta apresentamos quatro boas razões:

Razão 1- Não podemos absorver a “teologia” dos que nos rodeiam. Uma leitura
atenta nas Escrituras comprova que esta sempre foi a causa principal do desvio da fé
do povo de Israel, ele absorveu os conceitos e costumes dos povos vizinhos, apesar
das claras advertências que lhe foram dadas. “Modismos” criam teologias e
tendências doutrinárias que, por se tornarem populares, agradam a multidões de
pessoas despreocupadas com o estudo sério e a comprovação acurada da verdade.
O que chamamos de “modas” teológicas não é necessariamente sinônimo de
sucesso espiritual correto, pois, esse sucesso na maioria das vezes está
fundamentado numa mentira.

Usando um método correto


Primeira razão para o estudo das Escrituras: Não podemos absorver a
“teologia” dos que nos rodeiam.

Vejamos como exemplo: as multidões seguiram aqueles homens que se


revelaram contra Moisés no deserto, o bezerro de ouro teve sucesso como atrativo
visível para uma nova fé, nesse momento o povo de Deus criou uma nova “teologia”.
Era a moda do momento cantar e dançar em volta do novo ídolo que brilhava
sob os raios do sol matinal. Era contagiante a alegria desse povo, eles pareciam tão
felizes! Josué pensou até que eram gritos de batalha. Porém, não havia nada de
verdade, era a alegria e o entusiasmo momentâneo de uma falsidade religiosa nova e
atraente, uma falsidade cheia de dança e euforia.
Condenável condição do povo! Triste desvio da fé! Tudo era vão e ilusório (Leia
atentamente: Êxodo 32:4-7 e versos 17-19). Na sua misericórdia, porém, O Eterno

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 141 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
corrigiu o povo, com severidade, é certo, mas deveriam aprender uma dura lição, uma
amarga experiência que ficaria marcada para gerações futuras.
Examinemos a fé à luz da razão e da revelação que foi dada. Examinemos
pelas próprias Escrituras toda nova tendência, todo modismo e teologia nova.
Sejamos, especialmente como futuros líderes, de uma fé madura suficiente para
poder discernir o certo do errado. Com certeza o Pai Celestial se agrada de
“verdadeiros adoradores”. João 4:23.

Razão 2 - Para termos um método correto de estudo das Escrituras: Evitar a má


exegese encontrada na literatura “cristã” sobre a Bíblia. Se um teólogo preparar
seus comentários sobre as Escrituras Sagradas fundamentado na consulta de alguns
comentários bíblicos suspeitos de heresias como, por exemplo: de Testemunhas de
Jeová, Ciência Cristã, Reverendo Moon, etc, ou até comentários e dicionários bíblicos
editados pelo cristianismo, porém de autores cuja opinião não se ajusta com a Bíblia,
vai acabar ensinando mentiras em nome da fé.
O teólogo deve aprender que o único critério de verdade das Escrituras
Sagradas é a própria Escritura Sagrada. O ponto fundamental é que não podemos
ensinar opinião humana incorreta, porém, ao mesmo tempo devemos ser honestos
em reconhecer que entre toda a palha há comentários que se ajustam com a verdade,
a esses comentários corretos, dentro do padrão da verdade, daremos o maior valor.
Aqui convêm citar o critério bíblico: “examinai tudo e reter o bem” (I
Tessalonicenses 5:21). Devemos aprender a ter uma perfeita noção de discernimento
para distinguir o trigo da palha, o ouro da escória. Esperamos que neste curso o
futuro teólogo aprenda a ter esse discernimento.

Entendemos em primeiro lugar que Deus deseja ser buscado para ser
conhecido, portanto, se Deus ama suas criaturas, cuida delas e anela traze-las de
volta à Sua comunhão, então, com certeza a revelação é possível e necessária.
Necessária porque as opiniões humanas são pessoais, e, portanto, não são
guias seguras e nem suficientes nas questões como a vida, a fé e o destino eterno.
As opiniões humanas são variadas e sempre contraditórias.

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 142 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
Isto nos leva a compreender a necessidade de Deus se revelar mediante Sua
Palavra, de maneira escrita, clara, objetiva, simples e compreensível. Se o Eterno
falasse com cada homem em segredo, o homem poderia dizer em público o que
achasse ser mais de acordo com seu próprio proveito, enquanto outro homem diria
justamente o contrário do primeiro, resultando daí a confusão.

Usando um método correto


Segunda razão para o estudo das Escrituras: Evitar a má exegese encontrada
na literatura sobre a Bíblia

Razão 3 – O teólogo não tem um “interprete oficial” da Bíblia. Como por exemplo:
Acreditam os católicos que seja o papa o único a determinar o que é certo ou errado
em questões de doutrina, ou como os Russelitas (Testemunhas de Jeová) que
afirmam que o único interprete correto da Bíblia é o chamado “corpo governante”. O
teólogo deverá aprender a estudar de forma correta para determinar com exatidão o
que a Escritura está dizendo. Se não fizermos isto, estaremos de alguma forma
endossando uma espécie de “credo oral” que substitui as Escrituras como critério de
verdade. Deve perceber que inúmeras vezes o “credo oral” passou a ser “credo
escrito” (Exemplo: credo de Nicéia). E se estabeleceu definitivamente na igreja como
doutrina.
Não é assim que um verdadeiro teólogo deve agir, se ele é e continuará a ser
um estudante espiritual da Palavra ele mesmo deverá aprender de Deus a encontrar o
sentido correto das palavras bíblicas que encontra em seu estudo.
Deverá ser estabelecido como verdade unicamente o que as Escrituras
realmente ensinam e nunca uma tradição, por mais anos ou séculos que ela tenha.
Há nos Evangelhos evidente condenação por manter tradições que não são
verdades. (Mateus 15:6).

Usando um método correto


Terceira razão para o estudo das Escrituras: Determinar com exatidão o que as
Escrituras estão dizendo, pois não temos um interprete oficial.

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 143 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
Razão 4 – Reconhecimento da autoridade das Escrituras com Sagradas. Com toda
certeza Deus deveria dar à humanidade perdida uma revelação por escrito, para
revelar-se desde o início e dando assim, a conhecer o Plano de Salvação. Deveria ser
uma Revelação com (1) autoridade suficiente para não ser questionada, e para que a
mensagem divina pudesse ser (2) preservada para todas as gerações. Deveria ser
ao mesmo tempo uma Revelação (3) escrita, para evitar que a mensagem seja
esquecida, alterada ou distorcida. Deveria ser (4) inspirada e (5) conclusiva, para
impedir que seja substituída por outra de opiniões humanas, variadas e contraditórias.
Finalmente, deveria a Revelação ser (6) compreensível, objetiva e clara, ao alcance
de todos, para que todo aquele que deseje alcançar a salvação prometida, encontre
na simplicidade da Revelação esse Caminho.
Em resumo acreditamos que Deus nos deu uma revelação com autoridade, por
escrito, inspirada e compreensível.

Usando um método correto


Quarta razão para o estudo das Escrituras: Reconhecimento da autoridade das
Escrituras como Sagradas – Necessária, por escrito, inspirada, conclusiva e
compreensível.

O Eterno quer que o teólogo se aproxime o máximo possível de sua Vontade.


As Escrituras é o registro dessa Vontade divina. Logo, é essencial que estudemos a
Palavra de Deus e procuremos compreendê-la.
Um dos conselhos mais repetidos nas Escrituras, direta ou indiretamente é
justamente para que procuremos entender a Revelação.

Deus é sábio. Se Ele, na Sua sabedoria deixou Sua Vontade revelada em um


livro, então temos a certeza de que é possível compreender a vontade de Deus pelo
estudo das Escrituras. Se não o fizermos ou desistirmos da tarefa, estaremos
desconsiderando a sabedoria divina.

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 144 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
MÉTODOS DE ESTUDOS BÍBLICOS

Num curso teológico deve haver necessariamente um método de estudo das


Escrituras, pois, já analisamos em detalhes as razões e a necessidade de ter um
método adequado de estudo.
O Texto Sagrado deve ser estudado seguindo um padrão, uma forma que seja
correta e evite os desvios “teológicos”, devemos seguir um método que nos aproxime
com exatidão da verdade bíblica.
Se falarmos em método, falaremos em metodologia. Vejamos a definição de
conceitos:

Método:
1. Procedimento organizado que conduz a certo resultado.
2. Processo ou técnica de ensino.
3. Modo de agir, de proceder.
4. Regularidade e coerência na ação.
Metodologia: Conjunto de métodos, regras e postulados utilizados em determinada
disciplina e sua aplicação.
(Dicionário Aurélio, Século XXI, Editora Nova Fronteira, 2001).

O método para o estudo que prepara um pastor é conhecido como método


histórico-crítico.
O que chamamos de histórico-crítico é o método de estudo e pesquisa bíblica
que procura levar em consideração o contexto histórico que envolve o texto,
fazendo uma análise e avaliação profunda, acurada (crítica) de todas as relações
desta informação com o sentido original do texto.
É importante notar a frase: “sentido original”, pois uma ênfase quanto ao
sentido gramatical e histórico da narrativa bíblica é a meta ou alvo deste método.
Realiza-se com o texto bíblico a tarefa de um pesquisador, o mesmo trabalho de um
historiador que avalia um documento antigo com o propósito de compreende-lo, pois
acreditamos que essa é a única maneira de encontrar o significado original do texto.

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 145 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
Deve-se, antes de tudo, ao estudar um texto levar em conta a época e a
situação original em que o texto foi escrito. Considere: A Escrituras Sagradas é a
palavra do Eterno dada através de pessoas históricas - Ele “falou pelos profetas”
(Hebreus 1:1-2), portanto, o trabalho de compreender as Escrituras é o trabalho de
um historiador, e a história é uma ferramenta de trabalho.
O próprio texto bíblico, em geral, contém elementos históricos suficiente para
nós dar uma idéia da situação original. Neste ponto dois elementos precisam ser
levados em consideração quando tratamos das Escrituras Sagradas:

Elemento 1 – Sua particularidade histórica contrabalançada por sua validade eterna.


O que isto significa? A particularidade histórica diz respeito ao que estava
acontecendo na situação original, porém a relevância eterna leva em conta que
mesmo em uma situação diferente, a mensagem original tem importância para
cada geração posterior.

Elemento 2 – Nosso método é um método crítico porque requer o uso de nossas


faculdades mentais em raciocínios, julgamentos, estudos, pesquisa, esforços.
Lembremos que a Eterna Inteligência e Bom Censo de Deus está refletidos em Sua
Palavra. É necessário que usemos a inteligência que ele nos deu para compreende-
la. A palavra: “crítico” tem geralmente um sentido negativo, não queremos usa-la
nesse sentido.
O método é crítico porque pretende avaliar os resultados obtidos e em construir
um pensamento correto, portanto, é uma crítica construtiva e nunca contra as
Escrituras.

Sendo assim, a tarefa de um teólogo na sua aproximação da Bíblia é dupla;


Primeiro, um teólogo deve descobrir o que o texto significa originalmente, esta tarefa
tem um nome científico, é chamada de exegese. Em segundo lugar, devemos
aprender a discernir o mesmo significado na multiplicidade de contextos novos ou
diferentes dos nossos próprios dias, esta é a tarefa da hermenêutica.
Em definições clássicas você poderá encontrar que a hermenêutica abrange
ambas tarefas, mas em tratados mais recentes a tendência tem sido separar as duas.

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 146 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
Para um estudo correto, na forma e no método de estudo de um teólogo,
exegese é ler e explicar os textos sagrados em empatia com os escritores bíblicos. O
teólogo é primeiramente, no estudo exegético, um historiador que analisa os
documentos.
Todavia, o teólogo deve ir além da análise puramente interpessoal, ele deve
assumir a fé que o escritor possuía para entender seus escritos e sua forma de
pensar. Exegese no método de um teólogo é um trabalho: científico, crítico,
histórico, literário e espiritual, sendo que, a ordem destes fatores poderá ser
primeiramente espiritual, sem deixar de usar o resto das ferramentas.
A seguir, devemos acrescentar que a hermenêutica é necessária para a
exegese. Exegese é uma palavra que vem da língua grega, sendo composta da
preposição EK (de) e da forma substantiva do verbo HEGEOMAI (ir, guiar, conduzir) e
significa “conduzir para fora” o sentido original de um texto.
Na exegese nos procuramos entrar no texto (EIS), e ficar nele (EM), para então
sairmos dele (EK) tirando lições para nós. A hermenêutica é a síntese dos resultados
da exegese, tornado-a relevante para o leitor, ou auditório.
O trabalho de estudar as Escrituras Sagradas é um grande projeto, mas
também um grande desafio. Deve ser conduzido com todo cuidado e perseverança.
Excelência e compenetração são o mínimo que se pode almejar no estudo do Livro.
O trabalho de um teólogo deve ser caracterizado pela alta qualidade. Na
exposição e no ensino dos preceitos e conceitos bíblicos, esta alta qualidade só é
atingida com empenho e dedicação. No prefácio de sua edição Manual do Novo
Testamento Grego, edição de 1735, J. A. Bengel, escreveu: “aplica-te totalmente
ao texto: aplica-o totalmente a ti”.
A maior parte dos desvios da verdade está na confusão entre a palavra dos
homens e a Palavra do Deus. (lembre-se da questão da tradição, no estudo T_0031).
Pelo estudo acurado e cuidadoso da palavra Divina devemos nos assegurar de
transmitir a mais pura vontade divina, e não apenas nossa opinião sobre ela.
A Escritura não pode falhar (João 10:35), este é um dos pressupostos de
Jesus, devemos aprender a pensar e acreditar dessa maneira também.

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 147 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
A inescrutabilidade – O que isso significa? (Deuteronômio 29:29) Existem coisas
que nunca saberemos agora, deste lado da eternidade. Diante disso devemos ter
especial cuidado ao lidar com o que não foi claramente revelado nas Escrituras, não
estamos autorizados a fazer conjeturas ou construir suposições sobre assuntos
obscuros, pois muitas coisas foram guardadas sob o conhecimento apenas de Deus.
(Atos 1:7, é um exemplo disto).
O que se requer de um teólogo é um trabalho em três etapas: Estudar
(exaustivamente o texto), compreender (o texto no seu contexto histórico) e explicar
(com exatidão e correção).
Vejamos um exemplo: Em Atos 8, podemos notar estes três elementos.
A Escritura estava sendo lida (pelo etíope – verso 28), mas não estava sendo
compreendida (versos 30-31). Filipe, quando entrou em contato com o etíope, já
compreendia o texto (porque tinha estudado em profundidade), e, portanto, explicou
corretamente a passagem (versos 32-36).
O etíope não entendia o texto apesar de fazer a pergunta correta: “a quem se
refere o profeta?” (verso 34). Faltava-lhe informações históricas e textuais; de fato;
faltava-lhe uma visão maior do plano de Deus, ou seja, do significado das promessas
messiânicas no livro de Isaías.
O grande perigo que existe em esboçar uma metodologia é levar alguém a
pensar que cada item é independente dos outros. Na verdade todos os itens do
método proposto são interdependentes e formam um conjunto inseparável.
Quatro palavras-chaves resumem o método: TEXTO – CONTEXTO –
PALAVRAS – IDÉIAS. Estas são as ferramentas empregadas na busca de
informações fundamentais para a compreensão das Escrituras.
No próximo estudo iniciaremos as considerações sobre estas quatro palavras-
chaves da metodologia para o estudo das Escrituras. Esta ordem deve ser mantida
em toda aproximação da Palavra do Eterno.
Quem estuda somente os homens, adquire o corpo do conhecimento sem
a alma; e quem estuda somente os livros, a alma sem o corpo. Quem adiciona
observação àquilo que vê, e reflexão àquilo que lê, está no caminho certo do
conhecimento, com a certeza que ao sondar os corações dos outros, não
negligencie o seu próprio. Caleb Colton.

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 148 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
O propósito de ter um método de estudo é a total transformação da pessoa. O
método visa a substituição de velhos e destruidores hábitos de pensamento por novos
hábitos vivificadores. Em parte alguma este propósito é visto mais claramente do que
na forma em que um teólogo se aproxima do texto.
E texto é a primeira palavra-chave que define o método (veja de novo estudos
anteriores). É no texto que devemos aplicar toda nossa energia mental, pois o
primeiro passo no estudo das Escrituras, seguindo o método histórico-crítico, é
estabelecer o texto.
É preciso ler com cuidado a passagem, notando qualquer dificuldade textual,
palavras desconhecidas e estruturas gramaticais. Também é necessário observar o
gênero literário (se é epístola, narrativa, poesia, alegoria, parábola, etc.), e se dedicar
ao estudo do texto.
O teólogo é um homem transformado pela Palavra de Deus. Como se
processa isto? Em Romanos 12:2 lemos que a transformação é mediante a
renovação da mente.
A mente é renovada quando colocamos nela as coisas que a transformarão:
“tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é de
boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o
vosso pensamento” (Filipenses 4:8).
Você notou a virtude que encabeça a lista? “Tudo o que é verdadeiro”, isto é
significativo, pois indica a prioridade a ser buscada no estudo.
O estudo é o veículo básico que nos leva a ocupar o pensamento, quando
estamos concentrados no estudo, o pensamento não está por conta de seus próprios
inventos. (mente desocupada, oficina do diabo – Já ouviu este velho provérbio?).
Estudo é um tipo específico de experiência em que, mediante cuidadosa observação
de estruturas objetivas, levamos os processos do pensamento a moverem-se numa
determinada direção.
As Escrituras Hebraicas instruem no sentido de as leis serem escritas nas
portas e nos umbrais das casas, e atadas aos punhos, de sorte que “estejam por
frontal entre os vossos olhos” (Deuteronômio 11:18). A finalidade desta instrução
era dirigir a mente de forma repetida e regular a certos modos de pensamentos
referentes a Deus e suas ordenanças e às relações humanas.

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 149 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
O que estudamos determina que tipos de hábitos devem ser formados.
O processo que ocorre no estudo deve distinguir-se da meditação. A meditação
é um processo mais devocional; o estudo é analítico.
A meditação saboreará o texto; o estudo deve explicar o texto. Embora a
meditação e o estudo muitas vezes se superponham e funcionem concorrentemente,
constituem dois processos diferentes.
Acreditamos que o estudo do texto deve vir primeiro, pois proporciona ao texto
uma determinada estrutura, objetiva, e dentro da qual a meditação pode funcionar
com êxito, o estudo estará a serviço da meditação, precedendo-a.
O método histórico-crítico aplicado:
O primeiro passo no estudo de um texto é a:

REPETIÇÃO

A repetição é uma forma de canalizar a mente de modo regular, numa direção


específica, firmando assim hábitos de pensamentos. A repetição desfruta, hoje de
certa má fama. Contudo, é importante reconhecer que a pura repetição, mesmo sem
entender o que está sendo repetido, em realidade, afeta a mente interior.
Hábitos arraigados de pensamentos podem ser formados apenas pela
repetição, mudando assim o comportamento. Esse é o princípio lógico central da
psicologia, que treina a pessoa para repetir certas afirmações regularmente (por
exemplo, para quem tem problema de auto-afirmação ou problema de auto-imagem
negativa, deve repetir a frase, acreditando na verdade nela contida: amo a mim
mesmo incondicionalmente).
Nem mesmo é importante que a pessoa esteja consciente do processo mental
que está desenvolvendo; basta que a afirmação seja repetida. A mente interior é
assim treinada, e afinal responderá modificando o comportamento para conformar-se
à afirmação.
Naturalmente, este princípio tem sido conhecido durante séculos, mas só em
anos mais recentes recebeu confirmação científica. É por isso que a programação de
televisão tem tanta importância, os anunciantes sabem disso e fazem da repetição
uma forma de fixar na mente do tele espectador um determinado produto.

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 150 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
O mesmo processo é aplicado na música, pela repetição constante de uma
letra musical, a verdade nela contida se fixa também mentalmente.

CONCENTRAÇÃO

A concentração é o segundo elemento prático no estudo. Se além de conduzir


a mente repetidas vezes ao assunto em questão a pessoa concentrar-se no que está
sendo estudado, a aprendizagem aumenta sobremaneira. A concentração centraliza a
mente. Ela prende a tenção em detalhes específicos.
A mente humana tem a capacidade incrível de concentrar-se. Ela está a todo
instante recebendo milhares de estímulos, cada um dos quais capaz de armazenar-se
em seus bancos de memória enquanto se concentra nuns poucos apenas. Esta
capacidade natural do cérebro aumenta quando, com unidade de propósito,
concentramos nossa atenção num desejado objeto de estudo.
Quando não apenas de maneira repetida canalizamos a mente num
determinado sentido, concentrando nossa atenção no assunto, mas entendemos o
que estamos estudando, então atingimos um novo nível.

COMPREENSÃO

A compreensão nos leva ao discernimento da verdade contida no texto e provê


uma base sólida na percepção dessa verdade, de maneira que se torna clara para
nós e para ser explicada. O estudo das Escrituras, como feita por um teólogo, começa
com as Escrituras e com a mente aberta para ela.
O Texto é a passagem ou trecho das Escrituras que vai ser estudado
envolvendo os três itens acima: Repetição, concentração e compreensão, na
verdade três passos que não podem deixar de ser levados em conta na hora do
estudo.
Voltamos nossa atenção para os estudos anteriores, onde definimos as
palavras-chaves da metodologia de estudo das Escrituras, a primeira palavra-chave é:
Texto. Um resumo do que temos considerado até aqui.

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 151 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
Abordamos o texto para o estudo seguindo os três passos definidos nesta
lição: repetição, concentração e compreensão.

“O vocábulo texto deriva do latim texere, que significa tecer, e que


figurativamente quer dizer reunir, construir, compor e expressar o pensamento em
contínuo discurso ou escrita. O substantivo textus indica então o produto do ato de
tecer, o tecido, a trama, e, assim, no uso literário, a trama do pensamento de alguém,
uma composição contínua” J. A. Broadus, O Sermão e o seu Preparo – Casa
Publicadora Batista, 1967, Segunda edição, Rio de Janeiro, pág. 15.

Primeiro Passo No Estudo Crítico, Histórico, Literário das Escrituras


Estudo do Texto
Considere com atenção esta declaração de Jerônimo a propósito da Vulgata:

“De velha obra me obrigais a fazer obra nova... Qual de fato, o sábio e mesmo
o ignorante que, desde que tiver nas mãos um exemplar (novo, ou da Vulgata), depois
de o haver percorrido apenas uma vez, vendo que se acha em desacordo com o que
está habituado a ler, não se ponha imediatamente a clamar que eu sou um sacrílego,
um falsário, porque terei a audácia de ACRESCENTAR, SUBSTITUIR, CORRIGIR
alguma coisa nos antigos livros? Um duplo motivo me consola desta acusação.
O primeiro é que vós, que sois o soberano pontífice, me ordenou que o fizesse,
o segundo é que a verdade não poderia existir em coisas que divergem...”
Enciclopédia Barsa – Serviço de Pesquisa, No 1.976 – Carta de S. Jerônimo ao papa
Damaso, a propósito da Vulgata. Extraído de: Introdução à Bíblia (I – Introdução
Geral) de Caetano M. Perella, O. M. e Luigi Vagaggini, O. M. Edição da Editora
Vozes. (parêntese e destaque são nossos).
Todo estudante do Curso de Teologia tem a obrigação de examinar com
atenção a declaração de Jerônimo em que ele reconhece ter feito mudanças,
acréscimos e alterações na Bíblia. Uma outra conceituada obra de consulta, a
Enciclopédia Delta-Larousse nos informa que por outras obras de Jerônimo sobre
as Escrituras e por causa, especialmente, de sua tradução para o latim (Vulgata),

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 152 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
Jerônimo tornou-se o fundador “da exegese católica” Delta-Laroussse, Vol. VI pág
3.131.
Surge assim uma interpretação muito apropriada aos interesses da Igreja que
se configurava através de Concílios, pois sabemos que exegese é uma interpretação
da Bíblia, que se for moldada nos padrões católicos resulta numa teologia católica.
O professor presbiteriano B. P. Bittencourt que é Doctoris Philosophian Pela
Boston University, USA, e com pós-graduação na Rüprecht Kart Univertät, de
Heidelgerg, Alemanha, no seu excelente livro: O Novo Testamento – Metodologia
da Pesquisa Textual, Terceira Edição, Revista, Atualizada e Ampliada, Editora
JUERP, Rio de Janeiro, na página 167, escreve:
“Sabe-se que a Vulgata é base sumamente fraca para uma tradução da Bíblia.
Deve-se lembrar que Figueiredo traduziu a Bíblia no século 18, depois de muitas
tentativas para a publicação de uma edição crítica dos textos originais e da Vulgata, e
essas tentativas tornaram-se fonte de corrupção textual em vez de melhora.
Frederic Kenyon, grande crítico inglês, diz sobre a Vulgata, quanto ao Novo
Testamento, o que, sem dúvida, se poderia aplicar também ao Antigo: ‘Tanto quanto
interessa a uma tradução do Novo Testamento, a Vulgata é meramente revisão das
velhas versões latinas, mais ou menos boa, embora não exata nos Evangelhos, muito
superficial nos outros livros’” Citando Handbook, pág. 218.
Notamos, portanto, que os eruditos reconhecem que a Vulgata não é exata nos
Evangelhos, e muito superficial no resto dos livros, uma base sumamente fraca para
uma tradução. Qualquer que se aventurar a fazer uma tradução da Vulgata para outra
língua estará cometendo um sem número de erros.
Portanto, a Vulgata Latina é uma clara demonstração de como a corrupção
textual pode se perpetuar. Na página 127, o Dr. Bittencourt afirma o seguinte:
“Acaba o estudante de ver, metodicamente apresentado, as múltiplas e
variadas formas que a corrupção textual tomou nos primeiros séculos da transmissão
do texto do Novo Testamento”.
Diante de uma afirmação tão clara, como podem algumas pessoas ainda
afirmar que a Bíblia não sofreu corrupção textual?
Começou a corrupção textual apenas com Jerônimo no quarto século? Não, a
corrupção textual já tinha começado muito tempo antes dele. Tertuliano (anos 160-

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 153 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
220) e que, portanto, viveu muito antes de Jerônimo já mencionava o fato de que os
originais da Bíblia se tinham perdido e o que existia eram copias adulteradas,
corrompidas da Bíblia. De Tertuliano o professor Dr. Bittencourt escreve:
“Embora Tertuliano faça referência a cartas autênticas em sua época, os
originais já se haviam perdido e a corrupção textual já tivera início”. Pág. 118
Ainda sobre essa época chamada de “patrística” (relacionada com os ‘pais da
Igreja’) e sobre a corrupção do texto o Dr. Bittencourt acrescenta:
“Orígenes... no seu comentário sobre Mateus queixa-se de que as diferenças
entre os escritos dos Evangelhos se haviam tornado grandes, quer através da
negligência de alguns copistas, quer através da perversidade audaz de outros, que
alongam ou abreviam o texto”. Pág. 118.
Por favor, leia de novo o documento acima, examine cada frase e comprovará
que nos primeiros séculos a Bíblia sofreu grande influência e muita coisa foi mudada,
quer seja intencional ou casual. “Diferença entre os escritos dos Evangelhos”, isso
não lhe diz nada? Não? Não é possível que você não veja o alcance desta frase de
um erudito.
Por essa razão, única razão, como teólogo, ou futuros teólogos, devemos ter
em alta estima o texto original, na busca do mais autêntico e na restauração do
sentido original da Palavra. Como verdadeiros e sinceros estudantes da Palavra de
Deus voltamos nosso olhar e entendimento para o sentido semítico, isso para o
Antigo Testamento, ou seja, o entendimento hebreu das Escrituras Hebraicas,
posicionando o texto em estudo, se for do Antigo Testamento, no seu contexto
histórico, que era o mundo semítico, numa cultura hebraica, da época da Palestina –
Onde, como exemplo muito comum, o ato de rasgar a roupa e encher a cabeça de
cinza era uma expressão de luto, dor e tristeza.
Com relação ao Novo Testamento, cujas obras foram escritas em grego, nosso
olhar como estudantes da Bíblia e nossa aproximação dela deve ser crítico (no
sentido científico que essa palavra tem), devemos estar examinando cada frase, cada
palavra somente à luz do que é mais próximo do original. Lembrando que o escritor
da Bíblia quer sejam profetas, quer seja apóstolo, com raras exceções eram semitas,
eram hebreus, numa época distante da nossa em que muitas palavras por eles
usadas têm um sentido e um significado próprio para essa cultura e época. Como

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 154 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
Teólogos devemos sempre confessar nossa fidelidade às Escrituras nos seus
textos originais.
A Vulgata Latina, de Jerônimo ganhou valor e prestígio na Igreja de Roma, e foi
considerada como a rainha das versões, tanto é, que até pouco tempo, no mundo
inteiro, a missa (liturgia Católica) era ministrada em latim, porém, a Vulgata
prevaleceu e prevalece ainda até hoje, mesmo que outras vozes se tenham levantado
em protesto contra ela, como exemplo: pessoas que levantaram seu grito de protesto
contra a Vulgata podemos citar um documento extraído da Enciclopédia Delta-
Larousse, Vol. III, pág 1.116:
“Ulrico de Hutlen, defensor do humanista Reuchlin, que iniciara as
controvérsias religiosas chamando a atenção para as traduções defeituosas da
Vulgata”.
Ora! De novo você encontra uma declaração honesta, e se você é também
honesto em sua fé, acredite que a Bíblia sofreu por causa de traduções defeituosas.
Estamos considerando a Vulgata Latina porque foi ela que formou a base da
maioria das traduções das Bíblias chamadas de Católicas. Nota: Isso será assunto de
estudos mais detalhados na disciplina “História do Texto Bíblico”. Apenas mais um
pequeno acréscimo sobre a Vulgata Latina.

Os Discursos Mudam a Mentira em Verdade

Gostaríamos agora que o estudante prestasse especial atenção nesta


declaração de um cônego católico:
“O católico recebe a Sagrada Escritura como sendo a própria Palavra de Deus,
recebe a garantia de que todos os livros da Bíblia, com suas diversas partes, tais
como se apresentam na versão Latina chamada Vulgata, são inspiradas, isto é, têm
como autor o próprio Deus, e assim sendo não podem conter erro algum”. Artigo do
cônego Gustave Bardy, com imprimatur da Igreja Católica Apostólica Romana:
Divione, dei XXa, octobris 1935 – Assinado por G. Jacquin, v. g. para a Enciclopédia
Delta-Larousse, Vol. IV, pág 1.839.
Esta é uma afirmação, talvez, arrogante demais. Atribuir à Vulgata inspiração
divina, é um discurso bem preparado para induzir os católicos a crer que a Bíblia não

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 155 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
contem erros. Se nos já sabemos que o próprio Jerônimo, tradutor da Vulgata
confessa que fez acréscimos, mudanças e correções nos Livros tradicionais, então é
obvio que uma afirmação como a de cima é uma declaração improcedente.
Posteriormente, os papas Gregório VII (1073-1085) e Inocêncio III (1198-1216),
usaram a autoridade da Igreja para conservar unicamente essa versão latina, a
Vulgata, evitando qualquer outra versão ou tradução feita dos originais.
O Concílio de Tousousse na França, em 1229, decretou que ninguém poderia
usar outra versão da Bíblia que não fosse a Vulgata Latina, e para impor esse decreto
a Igreja usou a Inquisição, que durante 400 anos perseguia e mandava matar
qualquer pessoa que tivesse uma versão diferente da Vulgata Latina, como exemplo
desses fatos podemos citar vários, bastam dois exemplos para uma amostra.
Francisco Enzinas na Espanha foi encarcerado pela inquisição católica (1544), por ter
traduzido e publicado o Novo Testamento em espanhol. Da mesma maneira
lembramos de Miguel Servet, condenado à fogueira, sendo queimado lentamente pelo
“crime” de discordar de traduções mal feitas.
Com estas considerações não queremos desfazer da Bíblia, mas fazer com
que todo estudante de Teologia compreenda que devemos ter o máximo de cuidado
no estudo da Bíblia para não cometer os mesmos erros do passado e ensinar o que
não era original dos apóstolos e profetas. Quando ensinar um “assim diz o Senhor”
que não seja falso, mas firmemente fundamentado no alicerce da Palavra.
Ainda hoje, em nossos dias, depois de 1965, logo após o Concílio Vaticano II, a
Igreja de Roma começou as comemorações do dia da Bíblia, na semana do dia de 30
de setembro, data do falecimento de Jerônimo, que traduziu para o Latim a versão
chamada Vulgata, versão que foi definitivamente oficializada no Concílio de Trento
(1545).
Finalmente, para concluir esta parte relacionada com a Vulgata citamos de
novo o Dr. Bittencourt:
“A fim de purificar o texto da Vulgata, várias edições foram feitas por Alcuino,
Teodulfo, Lanfrano e Estevão Harding, durante a Idade Media. Cada tentativa de
restaurar o trabalho de Jerônimo piorou o que existia. Daí resultar que os 8 mil
manuscritos da Vulgata hoje conhecidos apresentam as mais curiosas
contaminações. Chama-se Vulgata esta tradução de Jerônimo por ter esta versão

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 156 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
grande circulação na Igreja Católica desde o sétimo século, e gozar da aprovação da
Igreja Católica como versão autorizada, o que aparece, depois na forma explícita na
primeira edição do papa Sixto V, em 1590, e do papa Clemente II, em 1592, até a
Nova Vulgata, esta última edição foi feita por iniciativa do papa Paulo VI pela
constituição apostólica em 25 de abril de 1979, época em que começou a circular.
Esta nova Vulgata... apresenta inumeráveis alterações do texto de Jerônimo
em matéria puramente estilística... sendo que a edição de 1590 já havia sofrido mais
de 5 mil alterações”. Pág. 95-96.
Este documento do Dr. Bittencourt nos apresenta a informação de que a
Vulgata foi tão infiel ao original que em 1590 foram feitas mais de cinco mil alterações
e mesmo assim não foram suficientes para purificar o texto de Jerônimo. Terminando
está primeira parte, em que foram examinados fatos e conclusões de eruditos sobre a
Vulgata, fazemos algumas perguntas: Como um teólogo deve encarar os fatos? Como
podemos ter certeza de que a Bíblia que temos em mãos não é mais uma outra
“vulgata” com seus inúmeros erros? Como foi que a Versão de João Ferreira de
Almeida chegou até nós? Como estudar a Bíblia? A resposta então se torna óbvia:
Devemos aprender a estudar a Bíblia de maneira correta, para não fazer
interpretações erradas que levem a conclusões também erradas. Neste Curso
estamos aprendendo uma metodologia de estudo da Bíblia que nos levará a
conclusões verdadeiras sobre a revelação divina.
Estamos na primeira parte do estudo - O texto – Considerando o que foi
exposto sobre a Vulgata, concluímos que o Texto Bíblico em estudo, Deveria
representar o conteúdo da mensagem que o escritor bíblico quis transmitir. Deveria
ser a mensagem original, no seu contexto literário histórico.
Deveria expressar a verdade. Quando usamos a palavra “deveria” no
condicional, é porque todos sabemos a dificuldade que qualquer estudante das
Escrituras encontra, pois as Bíblias em português são traduções e muitas vezes não é
a mensagem nas palavras literais dos escritores originais. Muitas traduções já são, na
verdade, uma INTERPRETAÇÃO do texto, portanto, NÃO é o texto original. Por
causa disto devemos aprender a conferir a fidelidade da tradução que vamos estudar.
Está ela de acordo com o sentido original? Expressa corretamente o pensamento do

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 157 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
autor? Não houve modificação de palavras e frases no texto em estudo? Esta
disciplina responderá essas questões teológicas.
A maioria dos brasileiros sabe que a Bíblia não foi escrita originalmente em
português. De alguns anos para cá se tem popularizado em especial duas versões
bíblicas uma chamada de Corrigida e outra chamada de Atualizada. Lembremos que
a palavra “Versão” indica uma tradução da Bíblia para uma determinada língua e
indica sua modalidade específica, por isso falamos em Versão Corrigida e Versão
Atualizada. Nestas duas versões encontramos numa leitura de um mesmo texto
diferenças em algumas palavras, na sua maior parte são diferenças de estilo
(estilísticas) e não de conteúdo. Essas diferenças entre Corrigida e Atualizada, porém,
não tem causado tantas questões como as suscitadas por Versões mais recentes que
não são baseadas na tradução tradicional de João de Ferreira de Almeida, de 1748.
Se hoje um brasileiro, recém convertido, entrar numa livraria evangélica e
perguntar por uma Bíblia para comprar ficará consternado e até confuso ao ver tantas
Versões. Então surgem algumas perguntas que necessariamente devem ser
respondidas. Pois na maioria das vezes é o pastor, ou líder de uma Comunidade
Cristã que deve responder: Por que existem tantas Versões da Bíblia? Por que aquela
Versão não tem todas as palavras que minha Versão tem? E se há palavras
diferentes, e até palavras omitidas, qual é a Versão mais certa? Será que mais de
uma pode ser correta? Se há somente uma certa, porque existem as outras e são
também “Bíblia” – Palavra de Deus? Como pode uma instituição cristã vender aos
crentes Versões contraditórias até?
Você está percebendo que estas perguntas podem surgir na mente de
qualquer novo convertido e ir com essa pergunta para o pastor? Qualquer pessoa que
entra numa livraria evangélica verá uma infinidade de Versões. Já fiz a experiência de
fazer essas perguntas para um irmão encarregado de uma livraria, e a impressão que
me causou a resposta foi que não havia tanto interesse no conteúdo da Bíblia, mas
em ter uma variedade delas para poder vender a pessoas com diferentes gostos. Não
queria ter saído da livraria pensando que era apenas uma questão de “comércio”,
gostaria de ter recebido uma resposta mais perto da adequada.
Como então tirar proveito do estudo da Bíblia: Lembre que estamos até aqui
estudando a primeira parte do método, ou seja, o que se refere ao TEXTO. Então, é

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 158 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
significativo a esta altura ter uma resposta correta da pergunta: Por que existem
tantas Versões da Bíblia? Se nos estamos estudando um texto, como podemos saber
se o texto em estudo é o correto de acordo com a Versão que tenho em mãos?

A Importância de uma Tradução.

Quando o salmista escreveu que as Escrituras era uma luz no seu caminho
(Salmo 119:105), com certeza estava se referindo às Escrituras Hebraicas que ele
conhecia. Mas, para a maioria dos brasileiros que não conhecem Hebraico, não seria
uma luz, pois, não entenderiam nada do que está escrito. A menos que as palavras
hebraicas fossem traduzidas para o idioma nacional.
Se a fé vem pelo ouvir a pregação e o ouvir da pregação é da Palavra de Cristo
(Romanos 10:17). Como então poderíamos ter fé se as Palavras de Cristo não
fossem traduzidas. Agradecemos a Deus pelas traduções, e agradecemos mais ainda
pelas traduções que se aproximam das fontes originais.
Voltemos nossa atenção para a problemática das Versões: imaginemos um
professor de Bíblia ensinando sobre a parábola dos dois filhos (Mateus 21:28-32) e
não entender porque seus alunos insistem em dizer que o primeiro obedeceu a seu
pai, enquanto ele está lendo claramente em sua Bíblia que o segundo é que
obedeceu. Se ele tivesse tomado conhecimento dos problemas crítico-textuais
envolvidos neste texto, não teria sido apanhado de surpresa. A resolução deste
enigma é que o professor está usando a Almeida Revista e Atualizada (desde
agora: ARA) e os alunos estão usando a Versão de Almeida Revista e Corrigida
(desde agora: ARC). Uma versão diz que é o segundo filho que obedeceu, enquanto
que outra diz que foi o primeiro.

(Nota: O aluno deve guardar as abreviaturas das versões ARA e ARC).

Um bom modo de procurar estabelecer o texto certo, mesmo quando não se


tem acesso ou condições de consultar um texto original com aparato crítico (veja
nota), é consultar muitas versões do texto bíblico em estudo. Ler e comparar várias
traduções pode mostrar variações devidas a problemas textuais (diferentes

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 159 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
manuscritos usados como fonte de tradução), ou mudanças de entendimento na
tradução do original.
É importante lembrar que a maior parte das diferenças entre traduções
(versões) é devida a este segundo fator. Entretanto, há casos em que um estudo
minucioso comparando as diversas traduções ajuda a ver as diferenças devidas a
problemas de transmissão do texto.

Nota: Aparato Crítico são as explicações em pé de página que se encontram nas


Bíblias em Hebraico e Grego, explicando a razão das variantes. Variantes: são as
diferenças de um mesmo versículo que se encontra entre vários manuscritos antigos.
A leitura de Colossenses 3:4 em várias versões mostra que há uma possível
divergência de origem crítico-textual sobre qual o pronome certo que deve ser
colocado ali: “nossa” (apoiado por ARA, ARC) ou “vossa” (apoiado pela Bíblia de
Jerusalém [BJ], Bíblia na Linguagem de Hoje [BLH] e pela versão revisada de
Almeida [VR]). Neste caso a divergência tem pouca importância para o sentido geral
do texto (como a maior parte das variações textuais da Bíblia), mas é bom saber usar
as traduções para encontrar estas variações. E, uma vez encontradas, elas são uma
alerta para prestar maior atenção.
Antes de continuar, é importante dar uma palavra sobre as versões bíblicas. A
ARC é geralmente a mais problemática nas questões crítico-textuais, por basear-se
num texto grego preparado antes do desenvolvimento da crítica textual. Ela foi
baseada no chamado Texto Recebido (Textus Receptus). Versões católicas como BJ
e a Bíblia editora Ave Maria (BAM) são úteis por usarem textos críticos mais
modernos. Porém, é necessária uma palavra de cuidado: as versões católicas são
sempre influenciadas pela Vulgata Latina; e, por isso, muitas de suas decisões crítico-
textuais não são imparciais.
Sobre a BJ é necessário dizer algo mais: o espírito não ortodoxo de alguns
comentários textuais aconselha o uso da mesma com reservas. A BLH e VR parecem
ser as mais atualizadas no que diz respeito às variações dos textos, assim mesmo,
parece que a BLH tem a tendência de emendar muito o texto do Antigo Testamento.
A ARA é boa, embora não tão atualizada quanto esta última. A Mattos Soares (MS)
serve para ver o que diz a Vulgata, já que não é uma tradução dos originais, mas da

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 160 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
famosa versão de Jerônimo. Estas palavras sobre as versões são gerais, havendo
necessidade de avaliar, em cada leitura, os méritos de cada uma delas.
Em Colossenses 2:2 vemos que a BJ segue um texto inferior ao seguido por
ARC, ARA, BAM, BLH e VR. Como era de se esperar MS segue a Vulgata. Assim
cada leitura das versões merece análise cuidadosa. No caso de Mateus 21:28-32, o
texto da ARC é melhor do que o da ARA e VR.
Imaginemos uma cena: A Igreja onde foi convidado usava a Versão chamada:
NVI Nova Versão Internacional, sabendo disso, e como a palestra tratava justamente
sobre Versões, para iniciar pedi que abrissem a NVI em Atos 8:37, então eu li a
passagem na minha versão: “Disse Filipe: Você pode, se crê de todo o coração. O
eunuco respondeu: Creio que Jesus Cristo é o Filho de Deus” Atos 8:37.
Os irmãos ficaram procurando o texto na NVI e para supressa comprovaram
que Atos 8 tem o versículo 36 e então pula para o 38, omitindo o 37! A NVI não tem o
verso 37 de Atos 8. Você estudante de teologia pode também fazer essa
comprovação em qualquer livraria evangélica que venda a NVI. Isso ilustra o que
estamos tentando ensinar. As Versões apresentam diferenças, e elas devem ser
consideradas com cuidado a fim de não sair por ai pregando o que não é original.
Uma “Testemunha de Jeová” (errados na doutrina da Trindade) está visitando
de casa em casa e para tentar provar a malfadada teoria antitrinitária faz com que o
novo convertido leia 1a João 5:7-8 e apela para o argumento de que esse texto é uma
interpolação (acréscimo posterior) e confunde o pobre irmão dizendo que todos os
outros textos que falam da Trindade na Bíblia também foram acrescentados. O que é
falso. Uma afirmação verdadeira, 1a João 5:7-8 foi de fato um acréscimo posterior,
mas é falso afirmar que outros textos também são acréscimos.
Sobre 1a João 5:7-8, inserimos a seguir a explicação dada pela Sociedade
Bíblica do Brasil SBB.

Estimado irmão,

Recebemos mensagem eletrônica do irmão argüindo-nos acerca do motivo por


que algumas palavras de 1João 5.7-8 aparecem entre colchetes na tradução de
Almeida Revista e Atualizada.

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 161 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
Sobre esta questão, precisamos compreender o significado dos colchetes na
RA. Isto nos aprendemos ao ler no artigo "Explicação de Formas Gráficas Especiais,
Títulos, Referências e Notas", adendo ao "Prefácio à 2a. Edição": algumas passagens
do Novo Testamento aparecem entre colchetes.
Estas passagens não se encontram no texto grego adotado pela Comissão
Revisora, mas haviam sido incluídas por Almeida com base no texto grego disponível
na época (Mt 6.13).
Almeida traduziu a Bíblia para a Língua Portuguesa no século XVII. O Novo
Testamento em português ficou pronto em 1681. Almeida traduziu-o a partir de um
texto grego denominado Textus Receptus ("o texto recebido"), que fora compilado
pelo famoso humanista holandês Erasmo de Roterdã no início do século XVI. A
tradução de Almeida a partir dos manuscritos que ele possuía em sua época
cristalizou-se na chamada Edição Revista e Corrigida (RC), publicada pela Sociedade
Bíblica do Brasil e adotada por inúmeras denominações evangélicas em países de
fala portuguesa, destacando-se Portugal e Brasil. A RC espelha bem o teor do Textus
Receptus utilizado por Almeida.
Quando a tradução de Almeida já estava concluída, Deus permitiu que
arqueólogos, historiadores e teólogos verificassem um considerável avanço no
achado, recuperação e decifração de manuscritos bíblicos, alguns dos quais
indisponíveis a Almeida na época em que traduziu a Bíblia. A Edição Revista e
Atualizada (RA) surgiu em 1956 em decorrência dessas novas descobertas, quando a
Comissão Revisora da Sociedade Bíblica do Brasil achou por bem confrontar o texto
de Almeida com os novos manuscritos encontrados. A RA passou por uma segunda
revisão em 1993, afinando ainda mais o texto bíblico aos textos originais em hebraico,
aramaico e grego, pelo que é uma das mais amadas e adotadas traduções da Bíblia
Sagrada no Brasil e no exterior.
Dito isto, fica um pouco mais simples compreender a diferença de tratamento
dado àquelas palavras de 1João 5.7-8 na RC e na RA. Na primeira - que corresponde
à tradução mais antiga de Almeida - as palavras "no céu: o Pai, a Palavra e o Espírito
Santo; e estes três são um. E três são os que testificam na terra" constavam do texto
original grego utilizado pelo tradutor. Já na RA, confrontando-se a tradução de
Almeida com os manuscritos encontrados (mais antigo e, portanto, mais próximos do

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 162 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
tempo em que João escreveu sua primeira carta) e desde que as referidas palavras
não contradizem nem ofendem a mensagem bíblica da salvação em Cristo Jesus,
estas palavras foram colocadas entre colchetes. Com isto, a RA respeitou o trabalho
valioso de João Ferreira de Almeida, sem, contudo, ter aberto mão da fidelidade ao
melhor texto original grego a que se tem acesso nos dias atuais.
(Nas traduções desenvolvidas pela própria Comissão de Tradução da
Sociedade Bíblica do Brasil, todavia, como é o caso da Bíblia na Linguagem de Hoje,
as palavras questionadas de 1Jo 5.7-9 foram eliminadas por completo do texto
bíblico).
Por fim, acerca da procedência das palavras questionadas de 1Jo 5.7-8,
convém mencionar a opinião do Dr. Bruce Metzger, uma das maiores autoridades
atuais sobre os manuscritos gregos do Novo Testamento, que coopera com as
Sociedades Bíblicas Unidas, a fraternidade da qual a Sociedade Bíblica do Brasil faz
parte. Conforme o Dr. Metzger, todos os manuscritos gregos mais antigos do Novo
Testamento (datados dos séculos II e III) omitem as palavras "no céu: o Pai, a Palavra
e o Espírito Santo; e estes três são um. E três são os que testificam na terra" em 1Jo
5.7-8. Estas palavras só começaram a aparecer em comentários e sermões sobre o
texto de 1João no final do século IV e, muito posteriormente, em um manuscrito latino
do século XIII.
Segundo o Dr. Metzger, as palavras aqui em questão podem ter sido o
comentário que um copista (pessoa encarregada de copiar a Bíblia na Idade Média)
fez na margem do pergaminho em que trabalhava; um copista posterior, ao tomar o
manuscrito mencionado como texto base para sua cópia, incorporou o comentário
marginal do seu outro colega ao texto bíblico, erro que mais recentemente foi
descoberto sem grandes dificuldades pela comparação dos manuscritos mais
recentes com os mais antigos.
Sendo isto para o momento, agradecemos muitíssimo sua paciência e atenção.
A Sociedade Bíblica do Brasil faz votos de que o irmão continue sendo um leitor fiel e
dedicado da Palavra do Senhor, fonte de orientação e consolo eternos.
Cordialmente em Cristo,

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 163 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
p/ Comissão de Tradução
Sociedade Bíblica do Brasil
traducao@sbb.org.br

A leitura de várias versões contribui, como já dissemos, para a compreensão


do TEXTO apresentando as diferentes maneiras de traduzir o original para o
português. Geralmente as traduções convergem para um mesmo sentido, usando
palavras diferentes. Isto já explica muitas coisas para o estudante de teologia.
Ocasionalmente, haverá divergências de sentido entre elas: nestes casos é
necessário um estudo mais detalhado.
O texto de Colossenses 2:15 apresenta uma pequena dificuldade de tradução
percebida pelos que não podem ler o original, na comparação das traduções. ARC
diz: “... triunfou em si mesmo”, enquanto ARA (e também VR, BJ, BLH, BAM) diz: “...
triunfando... na cruz”. A diferença de sentido não é grande, mas há uma diferença.
Neste caso as duas traduções são possíveis, mas a última é a melhor, pela
gramática e pelo contexto. Entretanto, àqueles que não podem ler o texto grego resta
apenas constatar o problema e aguardar auxílio externo para resolver a questão. De
qualquer forma, é bom sempre antecipar os problemas, ficando atentos às possíveis
contribuições na sua resolução.
É importante NÃO usar versões esquisitas ou contaminadas como a dos auto-
denominados “Testemunhas de Jeová”. Se tiver uma, veja a adulteração flagrante do
texto em Colossenses 1:15-20 em favor de sua blasfêmia da “criação” de Jesus.
Versões desse tipo só atrapalham. Além de não terem sido feitas com base nos
originais (são traduções de traduções), elas só podem nos fazer incorrer nos erros
incorporados ao texto dessas “versões”.
Um pouco deste cuidado deve ser usado com respeito a todo tipo de Bíblia
com notas e auxílios nas margens e rodapés. A Bíblia de Scofield é uma destas que
não recomendaríamos a quem deseja fazer um estudo sério. O sistema de notas
empregado direciona o intérprete a um sistema teológico completamente estranho ao
dos escritores inspirados.
A Bíblia Vida Nova é menos culpável de direcionamento doutrinário do que a
de Scofield, mas também se deve ter cuidado ao examinar algumas de suas

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 164 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
orientações doutrinárias. Não deve ser usada como ferramenta inicial de trabalho. Se
o aluno quiser, pode usar a Bíblia Vida Nova no momento que for consultar os
comentários: neste ponto ela é uma fonte útil de informação e esclarecimentos.
O mesmo conselho se estende às versões católicas com anotações. Com
relação à chamada de Bíblia Viva, na verdade ela não é uma versão; mas uma
paráfrase. É quase um comentário, e sendo assim, é melhor utiliza-la mais tarde, nos
estudos. A consulta de comentários bíblicos encontrados ao pé de página de muitas
Bíblias comentadas, não deve servir de base para a formação doutrinária, mas
apenas como fonte de consulta crítica e geral.
Por que? Por esses comentários tem o sabor e influência de seus autores
humanos, da mesma forma como será um absurdo elaborar uma teologia e uma
doutrina com base nos títulos de parágrafos e de capítulos, esses títulos de
parágrafos e capítulos são acréscimos posteriores.
Uma vez estabelecido o texto certo pela consulta do texto original, seja
hebraico, aramaico ou grego e a comparação de várias traduções, ficamos prontos
para a segunda etapa do tratamento do texto: estabelecer a estrutura do texto.
Assunto de nossa próxima lição.
Estabelecer a estrutura do texto é compreender que tipo de material escrito
está diante de nós e qual a forma de sua apresentação. É neste momento que
devemos compreender as relações gramaticais e sintáticas do texto. Também é o
momento de avaliar os recursos literários de que o autor lançou mão.
A simples divisão dos capítulos e dos versículos não pode ser usada como
base para a estruturação do texto bíblico. A divisão em capítulos do Novo Testamento
foi feita em 1206 por Stephan Langton, (posteriormente arcebispo de Cantuária); a
divisão em versículos é de 1551, feita por Roberto Estevão (Stephanus) impressor
parisiense.
“Tem sido dito freqüentemente que Stephanus fez sua divisão em versos
enquanto andava a cavalo e ao sabor do balanço do animal, o que, embora não se
possa provar, perece ser verdade, pois há lugares onde a divisão é inteiramente
arbitrária”. Bittencourt, B P. – “O Novo Testamento – Língua – Cânon – Texto”, São
Paulo, ASTE, 1965, 1ª Edição, págs 172-173.

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 165 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
A divisão em parágrafos já constitui melhor ajuda para o estudante. Em
Colossenses 4:1 temos o exemplo de uma divisão de capítulos infeliz. O problema se
agrava em Versões como a ARA que transformam 4:1 em um parágrafo novo,
destacado de 3:18-25.
Devemos compreender que 3:18 até 4:1 é uma estrutura literária única e deve
ser tratada como tal. É possível dividi-la em subparágrafos como fez a BLH, mas
mesmo assim, deve ficar claro que todos eles formam uma “tábua de conselhos
domésticos”.
Os livros bíblicos podem ser encarados como representantes de diferentes
tipos de literatura. As epístolas são comparadas a cartas, enquanto o livro de
Apocalipse já pertence a outro gênero literário (Apocalíptico-profético). Isaías tem
características completamente diferentes dos evangelhos.

Na medida do possível ler e adquirir o livro: “Entendes o que Lês?” de G. D. Fee


e D. Stuart – Edições Vida Nova.
O entendimento do tipo ou natureza de literatura não deve abranger apenas o
aspecto global do livro, mas também o trecho específico que estamos estudando. Os
gêneros literários podem variar muito dentro de um mesmo documento.
Nos Evangelhos (que são um gênero literário incomparável) temos discursos,
narrativas, parábolas, citações do Antigo Testamento, milagres e sumários. No livro
de Daniel, metade do livro é composta de narrativas e a outra metade de visões e
interpretações das mesmas.
Devemos então especificar a natureza literária do texto que estamos tratando
em particular. Podemos ter oração a Deus, exortação, discurso profético, citação do
Antigo Testamento, narrativa, alegoria, discurso didático, polêmica, citação de um
documento histórico, explicação editorial, sumário ou resumo, cântico ou poesia,
simbolismo, parábola, relato de milagre, etc.
Uma variedade enorme de gêneros e tipos pode compor um único documento.
Não devemos ser absolutamente técnicos na classificação destes gêneros, mas é
preciso aprender a diferencia-los e entende-los. Por exemplo: A carta aos
Colossenses de Paulo tem sido dividida em duas partes: Doutrinária e Parenética (ou
prática). Embora esta classificação seja primária, é, em geral verdadeira. Saber situar

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 166 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
um texto em uma ou outra destas partes da carta está incluído no processo de
caracterizar o tipo de texto que estamos estudando. Sendo assim, notamos que o
texto de 4:7-17 de Colossenses pode ser classificado como “notícias”, notas
pessoais, recados e saudações. O importante é notar que tem características próprias
em relação ao resto do livro.
A observação de partículas como: “portanto”, “porque”, “pois” e “ora” é muito
importante. Elas mostram o relacionamento de subordinação ou coordenação de
frases ou de seções inteiras da carta. Em Colossenses 3:5 a palavra “pois” liga o que
segue com o que foi dito anteriormente. Os colossenses deviam “fazer morrer a
natureza terrena” por participar das coisas do alto (3:1-4). A palavra “pois” está
ligando os pensamentos. Está marcando a transição da causa para o efeito.
Observar os recursos literários que o autor empregou em sua obra é também
parte da boa observação da estrutura do texto. Recomendamos que o estudante da
Bíblia saiba identificar figuras de linguagem no texto (figuras de palavras, de
construção, e de pensamento). É útil recordar este assunto em uma gramática. Esta
compreensão ajuda a não perder a mensagem do escritor por não entender o veículo
que ele utiliza para transmiti-la.
“Língua dos anjos” em 1ª Coríntios 13:1 é uma hipérbole. Há uma fina ironia na
palavra “justos” em Marcos 2:17. A designação de Cristo como “cabeça” da igreja, o
“corpo” é uma metáfora (Efésios 5:22-33). A expressão “carne e sangue” como se
encontra em Gálatas 1:16 substitui a idéia de pessoas, sendo, portanto, uma
sinédoque. Mais importante do que saber nomear estas figuras de linguagem ou
modos de falar é identificá-las.
“Produzindo fruto” em Colossenses 1:6 é uma destas figuras (metáfora) e é
facilmente entendida como tal, mas o que dizer de “toda criatura debaixo do céu” em
1:23: é literal (impossível), é sinédoque (criaturas – homens), ou é uma hipérbole
(exagero)? Neste último caso a compreensão fica muito alterada, conforme a figura
que identificamos. “Luta” em 2:1 é uma bela metáfora para descrever o ministério
cristão! E assim, a estrutura e natureza do texto ficam cada vez mais claras.
Enfim, mesmo sem buscar termos técnicos para definir o que está vendo, o
estudante da Bíblia deve ficar atento a todo tipo de padrão ou estrutura que o ajude a
entender a direção que o texto está tomando.

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 167 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
O USO DO DICIONÁRIO PORTUGUÊS

O dicionário português é uma das primeiras necessidades do leitor da Bíblia. A


linguagem da Escritura é nobre, e muitas vezes a dificuldade de compreensão
começa no nível de entendimento dos vocábulos. Os exemplos são muitos: o que são
“chocarrices” em Efésios 5:4? Poucas pessoas sabem o que quer dizer esta palavra
em português “normal”. O que é “dolo”? Talvez os advogados conhecem bem o
termo, mas não as pessoas comuns.
O que é o “geco” (Provérbios 30:28)? Há bons dicionários que não definem
este termo, quanto mais os que não conhecem este regionalismo. O uso do dicionário
português, nestes casos, é essencial.
Neste momento do estudo, procura-se ter uma compreensão inicial do que o
texto estaria dizendo. Será uma compreensão provisória, mas importante como
alicerce do trabalho posterior. Não é possível ir até as próximas etapas se não
conseguirmos ler o que o texto pode estar dizendo
O dicionário português não será usado apenas para palavras que não
entendemos, mas para todas as palavras que julgarmos necessário estudar. Isto é
recomendável, pois a função do bom dicionário é definir o sentido das palavras no uso
cotidiano. Precisamos saber todas as possíveis significações atuais do vocábulo, para
buscar, posteriormente, a que mais se adapta ao sentido bíblico naquele texto e
contexto. O dicionário, portanto, não está errado em definir “batizar” como “pôr nome,
alcunha ou epíteto a” entre outras coisas: ele está mostrando como as pessoas usam
e compreendem este verbo na atualidade.
Este não é o significado bíblico do termo, mas é como muitos entendem
erroneamente o texto bíblico. Torna-se então, importante saber como o dicionário
classifica e ressalta o uso comum de um termo para saber explicar o que realmente a
palavra de Deus quer dizer com ele.
Todo cuidado é pouco no uso do dicionário português. Ele se assemelha a uma
pesquisa de mercado: não emite juízos sobre o certo ou o errado, mas apenas diz
qual o uso popular do termo. O dicionário define palavras pelo uso que se faz delas,
logo o dicionário em português não basta em nosso estudo. De forma alguma ele
deve ser considerado um “juiz” para resolver os dilemas de significado.

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 168 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
Em boa parte dos casos o dicionário português nos dá sinônimos da palavra, o
que é muito útil no entendimento e transmissão do seu significado a outros. A
paráfrase utilizará muitos destes significados paralelos ou sinônimos, se forem
corretos.
Estabelecer o texto certo, assim como estabelecer a estrutura do texto, são as
primeiras tarefas do estudante da Bíblia (teólogo). A partir de então há segurança
para uma análise do contexto, a estrutura maior onde o nosso texto está inserido.
Este trabalho se faz por meio de leituras repetidas do texto, inclusive de versões
diferentes. O teólogo conhece bem o texto antes de fazer seu estudo mais detalhado.
Porém o texto está rodeado de um contexto, não é uma ilha literária, o texto faz parte
de um conjunto e será esse conjunto que nos vamos estudar agora: O CONTEXTO.
Estudando uma abordagem ao contexto em estudo, vamos definir o que é um
contexto: É o ambiente da passagem bíblica. Ele é composto pelos versículos que
rodeiam a passagem estudada: os anteriores e posteriores, no livro estudado. É
também o mundo que rodeia a passagem, sendo especificamente o mundo do
escritor e dos receptores dessa mensagem bíblica.
O contexto contém, portanto, elementos históricos, culturais, literários,
lingüísticos, além de espirituais. Em alguns textos o contexto pode ter vários níveis: o
contexto histórico da narrativa, o contexto literário da narrativa no livro que a contém
e o contexto do autor e dos leitores, que pode ser diferente dos dois primeiros. Sendo
o contexto “o todo do qual o texto é parte”, ele é a chave para compreender o
argumento inteiro.
Usando a metáfora do teatro, o contexto é principalmente o cenário e o “pano
de fundo” onde a peça se desenrola; secundariamente é também o “pano de frente”,
isto é, as cortinas, a reação do público, etc. Ou seja, tudo o que contribui para a
melhor compreensão da peça.

A importância do contexto.

Não é possível falar demais sobre a importância do estudo do texto no seu


contexto. Iremos apresentar agora alguns itens para mostrar este fato. Os princípios e

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 169 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
exemplos citados servem de incentivo a uma boa pesquisa do contexto, e já ensinam
como trabalhar com ele.

1 - O contexto ajuda a não torcer a Palavra de Deus.

Os que deturpam ou torcem a Palavra são chamados de ignorantes e instáveis


(2a Pedro 3:16). Estes termos descrevem não apenas o caráter destes “torturadores
da Palavra”, mas também seu modo de estudar a Bíblia: são despreparados e sem
alicerce para o estudo. O contexto fornece preparo e alicerce sólido para uma boa
exegese. Uma frase como “a ressurreição já se realizou” pode ser a afirmação de
uma verdade, como a ressurreição espiritual que indica o cumprimento da “nova vida
em Cristo” (Colossenses 2:12 e 3:1), ou a declaração de uma heresia (2a Timóteo
2:17-18); tudo depende do contexto em que essa frase é interpretada.

2 - O sentido correto da Bíblia vem do contexto.

Esta é quase uma repetição do que dissemos acima. Pensemos em um caso


específico como, por exemplo: o que é a blasfêmia contra o Espírito Santo? Todo
tipo de resposta tem sido dada para esta questão. Há quem associe este pecado com
a de “mentir ao Espírito Santo” de Atos 5:3, 4, 9. Outros gostam de responder citando
o misterioso “pecado para a morte” de 1a João 5:16-17. Hebreus 6:4-8 também entra
na lista das explicações propostas. Qual destas é a melhor explicação?
O problema mencionado acima seria facilmente resolvido se, antes de tudo,
tivéssemos buscado o texto que fala da blasfêmia contra o Espírito Santo e estudado
o texto no seu contexto. Marcos 3:28-29 é um dos trechos que falam deste assunto.
Observando o contexto notamos que os escribas estavam atribuindo o poder de
Jesus sobre os demônios ao próprio diabo. Jesus argumentou mostrando que isso
não era lógico, pois o diabo não iria destruir seu próprio domínio.
A expulsão dos demônios, ao contrário, apontava para o fato de que Jesus era
mais poderoso de que Satanás. Foi neste momento que Jesus falou sobre o pecado
contra o Espírito. No último versículo deste parágrafo há uma explicação chamada
“editorial”, ou seja, do autor e não de Jesus. “Isto porque diziam: está possesso de

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 170 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
um espírito imundo” Marcos 3:30. Grifamos a expressão “isto porque” para mostrar
que ela já é uma resposta, mostrando do que se trata a blasfêmia contra o Espírito
Santo. Blasfemar contra o Espírito, em Marcos, é atribuir ao diabo a obra do Espírito;
é a rebeldia de não aceitar a maior evidência que Deus pode dar, na atuação de Seu
Espírito.
Poderíamos trabalhar mais ainda com o contexto de Marcos e ampliar a
resposta, mas o que foi feito basta para mostrar a importância do contexto e para
deixar uma advertência: cuidado com as associações de certos textos com outros que
nunca foram escritos para serem ligados entre si num mesmo contexto.

3 - O sentido correto das palavras vem do contexto.

Isto é normal em qualquer língua do mundo. O verbo “apanhar” pode ter


sentidos completamente diferentes. Por exemplo: “O menino desobediente apanhou
do pai” usa o verbo em um sentido diferente da frase: “O menino apanhou do chão a
carteira do pai”.
No estudo da Bíblia, e esse é o tema desta disciplina, isto é muito importante.
Há uma tendência de definir uma palavra de antemão e depois tentar impor esse
sentido a todos os textos em que ela ocorre. A Melhor prática é observar o sentido
que a palavra assume em função dos vários contextos em que essa palavra é usada,
e só então definir o conceito geral do texto em questão. Uma comparação entre Tiago
2:24 com Efésios 2:8-9 leva alguns a pensarem numa contradição.
Quem estaria errado: Paulo ou Tiago? Martinho Lutero ficou do lado de Paulo,
e considerou o escrito de Tiago como algo de pouco valor. Não precisamos ir a
extremos como estes, basta reconhecermos que as palavras “fé” e “obras” estão
sendo usadas em sentidos diferentes em cada um dos textos, pois se trata de épocas
diferentes na vida de Abraão. Esta atribuição de significados não é arbitrária: é
decorrente de uma análise cuidadosa dos contextos.

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 171 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
4 - O contexto é a garantia da verdade nas escrituras.

“Um texto fora do contexto é um pretexto” diz o adágio dos estudos de


exegese. Qualquer um pode ensinar o que quiser usando a Bíblia, se conseguir
ignorar o contexto. Até o diabo fez isso, tirou o texto do contexto para tentar Jesus.
Satanás citou parte do Salmo 91 (verso 11 em parte e todo o verso 12) fora do
contexto.
Ele até omitiu uma parte de sua citação, a fim de favorecer seu argumento. De
qualquer forma, o Salmo 91 fala de confiar em Deus e não de usar Deus. É Deus
quem decide (verso 14), e não há como obrigar Deus a fazer de outra maneira.
(Lucas 4:10-11).
Muitos livros de “doutrina” ou de apologética (polêmica religiosa) têm essa
tendência. No calor da disputa, quase ninguém se lembra de perguntar o que o texto
significa no seu contexto, mas apenas se ele é conveniente para “dizer o que eu
quero que ele diga”.
O melhor modo de estudar as Escrituras é aprender a pensar de acordo com o
contexto: é aprender a extrair a mensagem inteira de textos longos; é também ler
como leram os primeiros leitores.
Lembro de uma historia que ouvi, se ela é verdade não posso afirmar, por isso
a passo aos alunos da forma como a escutei. Um certo obreiro foi convidado a
participar de um congresso. Ele viu nesse convite uma oportunidade de ganhar um
dinheiro extra, e mandou imprimir mil camisetas com o logotipo e o lema do
congresso. Arrumou uma mesinha na entrada do local de reuniões e colocou o filho
como encarregado de vender as camisetas. No último dia de reuniões, foi verificar o
resultado se seu negocio e viu com surpresa que só tinha vendido vinte camisetas,
horrorizado comprovou que estava com um prejuízo de 980 camisetas. Como ele
tinha o sermão de encerramento, subiu aquela noite no púlpito, e disse:
“Amados irmãos, hoje eu tenho uma mensagem de Deus para vocês”. –
Aleluia! Exclamou entusiasmada a platéia que lotava o recinto – “Deus falou comigo!”
– continuou o pregador – E Ele diz, com voz clara e audível que eu deveria seguir a
Bíblia e que eu deveria obedecer também o que ela diz. Então eu pergunte a Deus. O

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 172 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
que eu devo fazer Senhor? Eu fiz a mesma pergunta de Paulo no Caminho de
Damasco. Então o Senhor me respondeu: “Abra a Palavra e leia, leia e obedeça!”.
“Irmãos, então, tomei a minha Bíblia e abri, a leitura que o Senhor me mostrou
estava em Marcos 10:21. O Senhor me diz, pela sua Palavra: “Vai, vende tudo...”.
“Agora eu tenho que obedecer e vocês têm que cumprir essa ordem do
Senhor, eu estou com 980 camisetas ali na entrada, elas são abençoadas pelo
Senhor, e Deus me diz: Vai vendo tudo, por isso eu não posso sair daqui até não ter
vendido até a última delas. Irmãos... Está escrito, vai e vende tudo, eu tenho que
obedecer”.
Não sei se é verdade, mas essa história ou estória ilustra muito bem o que
estamos querendo passar a nossos alunos, muitos textos das Escrituras são usados
para afirmar as mais estranhas coisas, e mal usados para desculpas suspeitas, sem
falar nas inumeráveis heresias que são o fruto de um punhado de textos fora do
contexto. Portanto, se não pesquisarmos bem o contexto de uma passagem bíblica,
corremos o perigo de ensina-la fora de seu sentido original, em interpretações que
não passam de tentativas de achar um significado para ela.
No estudo do contexto há um fator importante a ser considerado, que é o
estudo da palavra em se mesma. As palavras são comparadas a tijolos com os quais
a comunicação seja ela falada ou escrita, é construída. O correto significado das
palavras é a chave numa comunicação correta. Se você deseja se comunicar e se
fazer entender, deve conseqüentemente empregar o correto uso das palavras, em
especial com um significado apropriado.
No estudo das Escrituras nada é tão importante como o estudo original das
palavras. Depois de estudar o texto e seu contexto devemos fixar nossa atenção nas
palavras. Vamos definir o estudo de palavras – É a atividade de descobrir o
significado original de uma palavra no texto bíblico. Lembremos que as palavras
transmitem idéias, expressam sentimentos, indicam ações e demonstram qualidades.
Nosso alvo como teólogos será entender o significado que as palavras tinham
para o autor bíblico que a empregou, e que conseqüentemente há de ser o significado
dos primeiros leitores da obra. Devemos nos colocar como leitores na época em que
autor usou a palavra para expressar suas idéias. Nos veremos porque. Um estudo
cuidadoso é necessário, visto que as línguas se modificam de geração para geração,

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 173 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
e não desejamos descobrir o que a palavra pode significar hoje, mas, sim, o que ela
significou originalmente.
Há palavras na Bíblia cujo significado bíblico difere do sentido moderno. É
o caso da palavra “piedade” como é empregada no Novo Testamento. Conforme o
uso dos autores do Novo Testamento “piedade” significa temor a Deus, respeito e
reverência em relação a Deus. Ou seja, piedade é o que devemos ter em nosso
relacionamento com Deus, um adjetivo derivado explica melhor este sentido: Piedoso.
O sentido moderno da palavra “piedade” é completamente diferente,
significando dó, pena, uma demonstração de compaixão. A palavra hebraica,
empregada no Antigo Testamento também significa dó, pena e compaixão. Portanto,
estamos também diante de um caso em que, pelo menos nas versões, há diferença
de sentido das palavras de Testamento para Testamento. Se você consulta um
dicionário verá a explicação dos dois sentidos, porém o mais conhecido é o sentido
que expressa um sentimento de dó e pena por outros.
No Novo Testamento não ocorre este uso, mas apenas aquele em que
“piedade” é o modo certo de relacionar-se com Deus. Este exemplo ilustra a
necessidade de fazer um bom estudo de palavras na pesquisa e relação entre Texto,
Contexto e Palavra.
O estudo de palavras também é importante pelo fato de nossas versões
fazerem uso de termos que mudaram de sentido. A palavra “caridade” é um bom
exemplo. Nas versões antigas (como ARC) este termo é o principal para designar o
“amor” (ARA). De acordo com o dicionário, este último uso é o mais correto.
Mas talvez a “caridade” seja entendida como amor a Deus em algumas regiões
do Brasil, porém, em geral, o termo “caridade” é mais associado a atos de
benevolência (dar esmolas) do que com a dedicação e amor a Deus.
Os tradutores bíblicos, ao empregar a palavra “caridade” talvez desejassem
imprimir um sentido mais nobre e elevado a esta palavra grega, pois geralmente se
emprega em grego a palavra “ágape” em contraste com “fileo”. Portanto, as
diferenças de sentido das palavras como usadas em versões bíblicas é um forte
incentivo para o estudo das palavras.

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 174 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
O estudo de palavras não é, porém, feito apenas para evitar usos seculares e
errôneos de um termo. É bom lembrar que existem diferenças no sentido das
palavras de contexto para contexto.
A palavra “carne” é um exemplo deste tema. Esta palavra: “carne” pode
significar literalmente a parte do corpo que está em contraste com os ossos (Lucas
24:39), onde Jesus mostra que mesmo após a ressurreição ele tem “carne” e ossos.
Pode também significar o corpo todo (Colossenses 2:5 – “ausente quanto à
carne...” Original grego) palavra que é traduzida corretamente como “corpo”. A
palavra carne pode significar ser humano, como em João 1:14, onde se explica que o
Verbo (Jesus) se fez carne (não só carne, mas também ossos, pele, sangue, etc), isto
é, um ser humano. Pode também significar a descendência humana e mortal como
em Romanos 1:3. Pode significar o lado exterior ou terreno da vida (Filipenses 3:3-4).
Pode ser usada para designar o instrumento voluntário do pecado, ou a nossa
natureza cheia de pecado (Romanos 7:5, 18, 25; Gálatas 5:13, 16-17; Judas 23).
Notamos em especial que todos estes sentidos são bíblicos e corretos, mas o
significado muda de acordo com o contexto. É possível indicar o sentido exato do
termo em todos os contextos em que aparece. Aqueles que insistem em afirmar que
uma palavra tem sempre o mesmo significado, sem ter feito antes uma boa pesquisa
para chegar a essa conclusão, eles correm o risco de ensinar o erro e cair em
contradição. Qual é então a regra? Há termos com um só significado, mas encontra-
los depende da pesquisa. Da mesma forma, afirmar vários sentidos para um termo é
algo que tem de ser provado.
Mais uma vez o contexto é a chave para encontrar o exato sentido das
palavras. O estudo de palavras para uma explicação correta da Bíblia é encontrar o
sentido da palavra no texto e contexto que está sendo estudado e analisado.
Algumas palavras bíblicas evocam significados próprios à luz de sua
história. É o caso da palavra “ágape” (traduzida como: amor), que é definida em
termos bíblicos pelo ato de Deus em enviar Jesus ao mundo para ser oferta pelo
pecado. Somente à luz da história bíblica é que o termo adquire seu sentido pleno.
Assim também palavras como “Reino”, “sacerdócio” e “unção”. O estudo da sua
história é a chave para entender o pleno significado dessas palavras.

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 175 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
Certas palavras bíblicas têm um significado técnico específico, ou até
podemos dizer, um uso teológico do termo. Por exemplo: a palavra “sacrifício” e seus
cognatos, sempre evocam e se referem (literal ou figurativamente) às ofertas rituais
do Antigo Testamento, jamais significando “passar privações” ou “sujeitar-se a uma
situação difícil” O termo é técnico na Bíblia e é usado para explicar o abate de animais
em oferecimento a Deus.
A palavra Abba, não traduzida, mas sempre transliterada, as vezes como Aba,
é um termo técnico que quer dizer “Pai” em sentido mais pleno do que apenas “pai”.
(Marcos 14:36; Romanos 8:15; Gálatas 4:6), expressa em sentido mais amplo o modo
de Jesus orar a Deus, e posteriormente a igreja orar.
Há palavras que possuem vários significados e às vezes esta compreensão
é essencial para o entendimento do texto. A palavra grega “diatheke” é usada para
significar tanto “testamento” como “aliança” em Hebreus 9:15-20. Os dois sentidos do
termo são usados em um mesmo contexto para ilustrar um argumento do autor.
Somente um cuidadoso estudo das palavras pode tornar entendível a diferença no
uso da palavra.
Há casos em que uma palavra possui um sentido quase intraduzível para o
português, o que é em grego ou hebraico uma única palavra, deve ser traduzida em
muitas palavras. Por exemplo: a frase “Enviados, pois, e até certo ponto
acompanhados” que tem em português sete palavras em grego é uma só (Atos 15:3).
Certas palavras são pictóricas, ou seja, são usadas para evocar um quadro
na mente do leitor. Os filipenses eram cidadãos romanos, pois sua cidade era uma
colônia romana. Viviam como romanos. Então Paulo usa a palavra “vivei” em
Filipenses 1:27 como uma expressão que estabelece os direitos do cidadão de um
reino.
Evoca a idéia dos cristãos vivendo como cidadãos do reino de Deus,
procurando viver nessa conformidade. O estudo da palavra ajuda a ver melhor o
quadro pintado por ela (ARA coloca uma nota neste verso para tentar preservar a
imagem sugerida por Paulo).
Algumas palavras possuem sinônimos e antônimos que ajudam a
conhecer e especificar melhor o seu significado. É o caso da palavra “novo”. Pode

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 176 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
ser a tradução de dois termos originais no Novo testamento grego – “neos” ou
“kainos”.
A primeira designa mais a idéia de novo em tempo e, a segunda, a idéia de
novo em qualidade. Há casos onde as duas palavras têm o mesmo significado e
sentido (Mateus 9:17), e outros casos em que o sentido diferente é importante para se
ter uma melhor compreensão do texto (2a Pedro 3:13)
Uma nova qualidade de céus e terra. Em Lucas 5:39 um vinho “novo” recém
fabricado. Da mesma forma o uso de antônimos facilita o entendimento: “Velho”
homem contra “novo” homem (Efésios 4:22, 24) kainos; (Colossenses 3:9-10) neos.
Há termos cuja etimologia é importante ou instrutiva. Tomemos por
exemplo: a palavra “santo” (em hebraico = qadosh). A origem desta palavra é uma
raiz que significa “separação” ou “extirpação”. Nesta origem, ou estudo etimológico,
há, portanto, uma boa ilustração no sentido da palavra. Palavras como “Igreja” (Ek-
klesia), “evangelho” têm origem etimológica, formação histórica interessantes que nos
ajudam a compreender melhor o uso da palavra.
Há palavras que se conhecem como palavras aparentadas, cuja relação é
importante e útil. As palavras “graça” e “dom” em português, são traduções de “charis”
e “charisma” em grego. As palavras vêm de uma mesma raiz e a definição ou
ilustração de uma pela outra ajuda a entendê-las.
Há palavras que não foram traduzidas, mas transliteradas: Batismo,
diácono, presbítero, etc, são termos não traduzidos, mas transliterados; ou seja, a
palavra é igual (ou quase) ao termo grego original, escrito com letras do nosso
alfabeto. A idéia original do termo só aparece através do estudo da palavra em sua
origem: Batismo = imersão.
Palavras teologicamente importantes. Há palavras que encerram um vasto
conteúdo ou implicação teológica e, portanto, merecem toda nossa atenção. Por
exemplo: a palavra “resgate” em 1a Timóteo 2:6 é importante para compreender a
natureza da obra salvadora de Jesus. Palavras como “justificação”, “graça”, “perdão”,
“comunhão”, “adorar” e salvação entre muitas outras, sempre merecem estudo e
consideração.
Poderíamos citar outros inúmeros casos, mas estes são os mais comuns.
Apenas para enfatizar o fato de que estudos deste tipo, estudos do texto, do contexto

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 177 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
e de palavras é que nos ajudam a deixar os preconceitos de lado e encarar a verdade
bíblica com toda sua pureza.
Nos estudos anteriores concluímos assuntos importantes de como devemos
estudar com proveito e acima de tudo com exatidão as Sagradas Escrituras, agora
vamos analisar a Paráfrase. Vamos chamar de Paráfrase ao resultado do estudo, ou
seja, são as conclusões às quais chegamos após tanto esforço. A Paráfrase é como
se fosse tradução e explicação do texto nas suas próprias palavras. E podem ser
feitas de duas maneiras básicas:

1. Ser uma descrição fiel do pensamento do autor.


2. Uma explicação às necessidades atuais dos ouvintes.

O trabalho conclusivo de um método de estudo é sempre apresentado na


forma de um sermão (homilia), ou uma aula, ou um estudo bíblico. Paráfrase é,
portanto, fazer a exegese passar pela hermenêutica. (tarefa pessoal: procurar no
dicionário o significado destas duas palavras).
Em outras palavras “paráfrase” propriamente dita nos dá a idéia de explicar um
texto ou um documento com maior número de palavras do que o próprio texto. Uma
paráfrase usa termos diferentes dos contidos no texto em que se baseia, pois o seu
propósito é comunicar a mesma mensagem d modo mais entendível ou para uma
melhor compreensão do que o original. Seu alvo é explicar, traduzir, ou como diz o
ditado popular “trocar em miúdos”, é falar a linguagem comum.
A palavra paráfrase tem a sua origem no grego: PARAPHRASIS. No grego a
palavra é composta de: PARA = “ao lado de”; e de: PHRAZÕ = “propor em termos
claros, dizer algo para ser compreendido”, esta palavra ocorre em Mateus 15:15
significando, “explicar, interpretar, expor”.
Onde Pedro solicita a Jesus uma “paráfrase” da parábola, e é justamente isso
que Ele fez, expôs em outras palavras o conteúdo do texto anterior (a parábola).

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 178 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
A importância da Paráfrase.

1. É importante para verificar se entendemos o texto bíblico que terminamos de


estudar.
A paráfrase será o “teste” do estudo. Se, depois de fazer todo o trabalho de
empregar o Método de Estudo das Escrituras, ainda não conseguimos explicar o texto
com nossas próprias palavras, a conclusão óbvia é que não houve real entendimento.
Quando entendemos o texto, ele pode ser explicado. Talvez seja uma
explicação difícil, no caso de um texto complexo, mas haverá sempre um meio de
esclarecer a sua mensagem.
A paráfrase que simplesmente repete as palavras do texto bíblico não tem
valor. Se uma palavra do texto for usada na paráfrase é necessário que essa palavra
ou expressão seja compreendida bem por todos em sua forma original, ou seja, no
próprio texto. Uma paráfrase pode usar o termo “graça de Deus” se todos os leitores
ou ouvintes já souberem muito bem do que se trata.
Caso contrário, é necessário explicar o termo. Já imaginou alguém
evangelizando um incrédulo, que nunca entrou numa igreja usando expressões como:
“o pastor da igreja é um instrumento ungido”; “O apóstolo dos gentios ensinou...”;
“nos evangelhos sinóticos se explica que...”.
O pobre homem que nunca ouviu o “significado” de tais expressões não
entenderá nada, não haverá comunicação e, portanto, a pregação ou evangelização
será mais difícil. Lembre que o Espírito Santo não vai traduzir para o homem palavras
complicadas ou próprias de denominações, pois sabemos que cada denominação vai
acunhando termos próprios. Devemos, antes de tudo, numa paráfrase ter a certeza de
que somos compreendidos.
Colossenses 4:6, diz: “A vossa palavra seja sempre agradável, temperada com
sal, para saberdes como deveis responder a cada um”. Este texto não pode ser
parafraseado como se segue: “O modo cristão de responder a cada pessoa é:
primeiro, usar palavras agradáveis, e em segundo lugar, usar palavras temperadas
com sal”. Isto não é paráfrase! Houve apenas uma inversão da ordem do texto.

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 179 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
Estes termos “palavras agradáveis”, “temperadas com sal” e até às vezes o
próprio verbo “responder” precisam ser explicados, neste contexto, ou seja,
explicando o que Paulo tencionou dizer, ou como ele diria isso mesmo aos brasileiros.
O fato de considerarmos difícil realizar a paráfrase de um certo texto, isto indica
que ele deve ser novamente estudado. Quando percebemos, ao iniciar a paráfrase,
que ela contém elementos difíceis de explicar com as nossas palavras, o texto está
então nos convidando para nova análise, novo aprofundamento e novo estudo.

2. Organizar e resumir as idéias principais são outras razões para entender a


importância da paráfrase.
Durante todo o processo de estudo, o estudante acumula uma série de fatos,
idéias, conclusões e lições. No momento de fazer a paráfrase ele vai poder sintetizar
todo este material, dando ênfase aos elementos relevantes. A paráfrase nos força a
ter algo para dizer, e não apenas muitas idéias isoladas das quais queremos falar. O
estudo do texto, como aprendemos nesta disciplina, pode ser comparado à reserva do
material para a construção de uma casa; a paráfrase é o uso deste material.
Justamente neste ponto deve haver uma separação entre o estudo de pontos
secundários e dos pontos essenciais do texto. A paráfrase não deve perder-se nos
detalhes e esquecer o ponto principal. Todos os estudos ajudam a compreender o
texto, mas a paráfrase dará o peso justo a cada material conforme as exigências do
próprio texto. Dando importância ao que é essencial, se tornará mais clara a
mensagem.
No livro de Neemias encontramos o exemplo de uma excelente paráfrase:
“Leram no Livro, na lei de Deus, claramente, dando explicações, de maneira que
entendessem o que se lia”. Neemias 8:8.
Ao usar a linguagem do povo, os eventos do dia e as necessidades do
momento, a paráfrase faz com que a Palavra Eterna de Deus seja entendida pelos
homens de hoje.
O estudo bíblico tem como alvo à clarificação da mensagem do texto, de forma
que muitos possam aprender dele.

3. A paráfrase também ajuda para ilustrar a verdade.

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 180 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
Na paráfrase podemos usar idéias e ilustrações que não estão evidentes no
texto, mas que o explicam com justiça. Para ilustrar a expressão “árbitro contra vós
outros” de Colossenses 2:18, certo comentário contou a história de um “falso-juiz” que
interveio em uma corrida, prejudicando muitos atletas por seu rigor excessivo.
A ilustração é excelente, pois se fundamenta num bom estudo do pensamento
de Paulo; e, ao mesmo tempo, transmite bem a idéia da expressão “juizes severos e
desautorizados” que ficam criando regras e regrinhas que prejudicam a vida cristã de
muitos. Uma boa paráfrase é uma verdadeira obra de arte, onde a mensagem
original é mantida, mas os elementos para a transmissão da mesma só podem ser
obtidos depois de bastante reflexão.
Quando estudamos a Bíblia, não devemos obedecer unicamente a critérios
pragmáticos. Quem estuda o texto apenas para achar respostas práticas para as suas
questões, corre o risco de transformar a Palavra de Deus em uma forma de espelho
onde ele só pode ver sua própria imagem. Por outro lado, é necessário admitir que
sempre haverá algo a aprender.
O estudo bíblico é uma disciplina acadêmica cujo valor é incalculável, e cujo
alvo é o intelecto; mas se trata, acima de tudo, de um confronto com deus e seu modo
de agir com o ser humano.
A paráfrase irá ressaltar o aspecto prático dos textos bíblicos, tanto daqueles
de ênfase prática, como também os de feição mais doutrinária. A paráfrase traz o
texto da antiguidade para os nossos dias. O estudo bíblico geralmente tem dois
horizontes; o primeiro é o horizonte do escritor e dos ouvintes originais; o segundo é o
nosso. A paráfrase é a tentativa de aplicar ou entender um texto bíblico no nosso
horizonte (hoje), a partir daquilo que o texto diz no seu primeiro horizonte (original).
É muito comum ouvir exposições da Palavra contaminadas com idéias
populares ou preconcebidas. Um método apropriado no Estudo das Escrituras e a
paráfrase do texto nos ensina a colocar tudo em “pratos limpos”, pois estes estudos
nos ajudam de uma maneira prática a trocar o modo subjetivo de ler a Bíblia por um
modo objetivo.

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 181 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
As aplicações de um bom estudo e uma boa paráfrase não são introduzidas
por uma frase subjetiva: “eu acho que o texto diz...” mas sim por uma idéia objetiva da
frase “O texto diz...”.

Exemplo de paráfrase:
Texto: Lucas 8:25
Uma pergunta sem resposta: “onde esta a vossa fé” – depois de acalmar a
tempestade, depois de ter acabado com a fúria dos ventos e ter aquietado o mar
bravio, Jesus pergunta pela fé de Seus discípulos. Por que eles não responderam?
Nem o mais impetuoso dos apóstolos, Pedro, teve desta a vez a coragem e
responder.
Se Jesus hoje, em meio às tormentas humanas, os conflitos da sociedade
moderna, e em meio a velas desgarradas pelos ventos da incerteza, perguntasse
“onde está a vossa fé?” Teria o homem chamado de “atualizado” alguma coisa a
dizer? Ou talvez o mesmo silencio ecoasse através dos tempos e de novo Jesus
ficaria esperando sua resposta?
Sentimentos em Conflito: “Possuídos e temor e admiração” – O medo era a
barreira que lhes impedia de compreender “quem era aquele que os ventos lhe
obedeciam”. A admiração aqui não era um sentimento de respeito, mas, a expressão
grega usada neste texto expressa um sentimento de espanto, assombro ou surpresa
por causa do milagre. Diante do inesperado e à vista do que é incompreensível ao
coração humano, perdemos a visão de Jesus, nos perguntamos um aos outros, e
esquecemos de perguntar para Deus.
Ele tem a resposta: este que acalma os ventos e tranqüiliza a fúria das ondas é
meu Filho. No silêncio da bonança, no meio do mar, agora quieto. Deus fala a nosso
coração. Ele, Jesus, pode acalmar teus temores.

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 182 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
Curso: Métodos de Estudo das Escrituras
É a Bíblia a Palavra De Deus?

Embora a Bíblia seja um Livro de texto sobre a fé, seja mais um livro de
doutrina e religião, muitas vezes tocam em outras matérias como história, geografia e
ciências. Quando toca, podemos conferir comparando-a com a arqueologia, etc. Se a
Bíblia fosse escrita pelo Criador que sabe tudo, esperaríamos precisão.
Além disso, a Bíblia foi escrita há 2000-3500 anos, quando os erros científicos
eram abundantes. Descrentes já procuraram impiedosamente achar erros nela. Mas
se, apesar disso, podemos confirmar que não contêm os erros comuns daquela época
- se verdadeiramente fala fatos que eram desconhecidos pelos cientistas até séculos
mais tarde - então isso reforçaria bastante a nossa confiança de que não vem dos
homens, mas sim de Deus.
Considere os exemplos a seguir nos quais a Bíblia já foi provada ser precisa,
mesmo quando estudiosos não concordaram com ela.

História e geografia

1. A nação hetéia
A Bíblia freqüentemente fala desta nação antiga (2 Samuel 11:3, 6, 17, 24;
Gênesis 15:19-21; Números 13:29; Josué 3:10), mas durante anos descrentes
argumentavam que a Bíblia estava errada, pois a história nada falava desse povo.
Depois, em 1906, Hugo Winckler desenterrou Hattusa, o capitão heteu. Agora
sabemos que, no auge, a civilização hetéia disputou com o Egito e a Assíria em
esplendor!

2. Pitom e Ramessés

A Bíblia diz que os escravos israelitas construíram estas cidades egípcias


usando tijolos de barro misturado com palha, depois de barro com restolho, e depois
apenas de barro (Êxodo 1:11; 5:10-21). Em 1883, Naville examinou as ruínas de
Pitom e achou os três tipos de tijolos.

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 183 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
3. O Livro de Atos

Sir William Ramsay era um descrente que procurou contestar Atos traçando as
viagens de Paulo. Em vez disso, suas investigações fizeram dele um cristão tenaz da
precisão do Livro!
O ponto decisivo foi quando ele provou que, ao contrário da sabedoria já
aceita, a Bíblia estava certa quando deixa subentendido que Icônio ficava numa
região diferente de Listra e Derbe (Atos 14:6). (Veja Free, Archaeology and Bible
History, 317.)

Considere estas citações de arqueólogos notáveis:

"... pode ser afirmado categoricamente que jamais uma descoberta arqueológica tem
negado uma referência Bíblica. Um grande número de descobertas arqueológicas
foram feitas que conferem em resumo claro ou em detalhes exatos afirmações
históricas na Bíblia. E, pela mesma moeda, uma avaliação adequada de descrições
Bíblicas tem levado a descobertas incríveis" - Dr.
Nelson Glueck (Rivers in the Desert, 31).
"... a arqueologia tem confirmado inúmeras passagens que tinham sido rejeitadas por
críticos como não-históricas ou contraditórias a fatos conhecidos.... No entanto
descobertas arqueológicas mostraram que estas acusações críticas estão erradas e
que a Bíblia é confiável justamente nas afirmações pelas quais foi deixada de lado por
não ser confiável.
Não sabemos de nenhum caso no qual a Bíblia foi provada errada" - Dr.
Joseph P. Free (Archaeology and Bible History, 1, 2, 134).

Ciência
Qual é a forma da terra?

"Ele é o que está assentado sobre a redondeza da terra, cujos moradores são como
gafanhotos; é ele quem estende os céus como cortina e os desenrola como tenda
para neles habitar". (40:22).

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 184 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
Isaías escreveu isso quando os homens acreditavam que a terra era plana
("redondo" = "um circulo, esfera" - Gesenius). Hoje temos fotos tiradas do espaço que
mostram a forma da terra, mas como Isaías sabia disso?

Como a terra é sustentada (apoiada)?

"Ele estende o norte sobre o vazio e faz pairar a terra sobre o nada." (Jó
26:7). Os homens antigos acreditavam em muitos erros (quatro pilares enormes, nas
costas de Atlas, etc.). Como Jó sabia a verdade?
O que fica no mar de acordo com este versículo?
"... as aves do céu, e os peixes do mar, e tudo o que percorre as sendas dos mares."
(Salmos 08:8).
Os homens não sabiam das sendas dos mares até que Matthew Maury leu este
versículo e resolveu achá-las. Ele descobriu as correntezas do oceano, e ficou
conhecido como o Pai da Oceanografia. (Impact, 9/91, pág. 3-4).
O que esse versículo nos diz sobre os rios?
"Todos os rios correm para o mar, e o mar não se enche; ao lugar para onde
correm os rios, para lá tornam eles a correr". (Eclesiastes 1:7).
Hoje entendemos como isso acontece através do ciclo da água e da
evaporação.
Como Salomão sabia disso?
A Bíblia contradisse teorias não-comprovadas, mas se for entendida
corretamente nunca contradiz qualquer fato científico comprovado. No entanto, muitas
vezes afirmou verdades científicas séculos antes dos homens conhecerem-nas.
Enquanto a Bíblia já foi provada ser precisa repetidamente, aqueles que
criticam a Bíblia foram incapazes de provar o contrário. Isso certamente fortalece
nossa fé em outros ensinamentos Bíblicos.

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 185 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
Um achado Arqueológico.

Ao lado encontramos um achado arqueológico. O


esqueleto de um homem crucificado, o tumulo tem o nome de
“Yehochanan” e pode ser visto como pelo buraco que foi feito
pode ser colocado o prego romano empregado na execução.
Esta é uma evidência concreta e real de que a morte
por crucificação era um método comum empregado pelo
Império Romano no primeiro século. Podemos observar na
figura ao lado, um resto do pé e a reconstituição feita em
gesso mais a esquerda. Outro detalhe é que se conservou a forma e tamanho do
prego usado, pois ao que tudo indica Yehochanan foi retirado da cruz e não retiraram
o prego do pé.

COMENTÁRIOS SOBRE VERSÕES

A Bíblia do Rei Tiago (uma versão inglesa muito consultada pelos teólogos)
criada por um grupo de tradutores católicos e protestantes. Esta era a única maneira
de produzir um texto geralmente aceitável, mas a tentativa de neutralidade não foi
bem-sucedido.
Os católicos tentaram junto ao parlamento Inglês, se sobrepor e os
protestantes acusaram os tradutores de estarem a favor dos católicos, em todo caso,
a Bíblia sobreviveu, mas os tradutores tiveram que usar a "exatidão política." Depois
de muitos debates, e divergências sobre as palavras "politicamente corretas."
Fizeram ressurgir palavras que já não eram usadas na língua inglesa por
séculos. Palavras obscuras, velhas e obsoletas foram trazidas à tona a fim de
fornecer a exatidão política para a Bíblia do Rei Tiago, mas que ninguém poderia
compreender. Ao mesmo tempo, William Shakespeare fazia do mesmo modo com
suas peças.
Se nos olharmos os livros de referência que existiram antes desta Versão e de
Shakespeare e os que existiram imediatamente após, veremos que o vocabulário da

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 186 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
língua inglesa aumentou por mais de cinqüenta por cento, em conseqüência das
palavras trazidas da obscuridade pelos escritores do século XV.
Embora eminentemente poética, a língua da Bíblia inglesa autorizada é
completamente diferente de toda a língua falada por qualquer um na Inglaterra ou nos
estados Unidos.
Não carrega nenhuma relação com o grego ou ao latim de que foi traduzida.
Mas desta interpretação canônica aprovada, todas as Bíblias inglesas restantes
emergiram em suas várias formas. Apesar de todas essas dificuldades, é a
remanesce mais próxima de todas as traduções da língua inglesa dos manuscritos
gregos originais.
Todas as versões inglesas modernas, corrompidas significativamente, são
completamente insustentáveis para o estudo sério por qualquer um, porque têm suas
próprias anotações específicas.

COMO SE FAZEM ALGUMAS TRADUÇÕES

Nós podemos citar uma versão extrema de como se trabalha na prática.


Podemos olhar uma Bíblia emitida atualmente (hoje) em Papua no Pacífico em Nova
Guiné onde há tribos que experimentam a familiaridade em uma base diária com um
animal, com o porco. Na edição atual de sua Bíblia, cada animal mencionado no texto,
se originalmente é um boi, leão, burro, carneiro ou o quer que seja, agora é um porco!
Mesmo Jesus, o "Cordeiro tradicional de Deus", nesta Bíblia é o "Porco de Deus"!
Assim, para facilitar a confiança, nos Evangelhos e na Bíblia em geral, nos devemos
olhar os Manuscritos gregos originais com suas palavras usadas no seu contexto
original.
Muitas palavras não conseguem uma tradução exata para a língua nativa, isso
acontece porque as palavras originais não têm nenhuma contraparte direta em outras
línguas.
Nós fomos orientados que o pai de Jesus, José era um carpinteiro. Por que
não? Assim que dizem as traduções, mas, isso não foi dito nos evangelhos originais.
A melhor tradução, explica realmente que José era um mestre de ofício. A
palavra "carpinteiro" era apenas o conceito da época do para um artesão.

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 187 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
Qualquer um que conheça a Maçonaria, por exemplo, reconhecerá o termo
"ofício". O texto maçônico interpreta que José era mestre ou professor. Vamos olhar
a água e o vinho de Canaã, depois da história em que a Bíblia nos diz, e que era um
evento sobrenatural, um milagre. O casamento de Canaã é descrito somente em
João. É relatado que quando quiseram o vinho, sua mãe, Maria diz: "Acabou o vinho".
O Evangelho relata que a pessoa que ocupava o cargo era um mestre de
cerimônias. Isto define de forma específica que era uma cerimônia de casamento
(bodas). Porém os costumes judeus da época desmentem o costume romano e por
isso, o texto traduzido é adaptado.
A festa só poderia ser um pré-casamento (noivado) isso mais de acordo com o
costume judaico da época. Pois, o vinho nessa festa só era disponível aos sacerdotes
e aos judeus celibatários, não aos homens casados, noviços ou quaisquer que não
fossem "santificados". O ritual de purificação da água foi permitido somente para um,
conforme foi indicado no livro de João.
NOTA: Se hoje o judaísmo não aceita o Novo Testamento é principalmente devido a
deturpação romana de seus costumes mais antigos. Não há nada mais desagradável
do que ver nossa cultura deturpada pela ignorância dos costumes culturais.

A QUESTÃO DO MONTE SINAI

As escavações arqueológicas 1891 são restritas a regras de exploração. No


Egito e na Mesopotâmia, tiveram que ser aprovadas e só foram financiadas por
determinadas fontes. E estas fontes eram controladas por um grupo de autoridades.
Uma destas autoridades designadas era o "Fundo Egípcio de Exploração", que foi
fundada na Grã-Bretanha em 1981.
Nas primeiras páginas dos artigos da associação do Fundo Egípcio informava:
"O objetivo dos fundos é promover o trabalho da escavação com a finalidade de
ilustrar as narrativas do VT".
O que isso significa na realidade é: Se algo fosse encontrado pelos
arqueólogos que estejam de acordo com as Escrituras como é ensinada hoje, seria o
público informado sobre ela; qualquer outra coisa seria considerada mitologia.

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 188 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
Se não servisse interpretação corrente dada na Bíblia, não chegaria ao domínio
público. Isso foi há 100 anos atrás.
Nós sofremos ainda de muitos regulamentos e, de acordo com as leis vigentes
no País, a descoberta é colocada num envoltório e fechado secretamente como é o
exemplo da montanha so Sinai.
Há poucas informações nos círculos internos e acadêmicos e de muitas
descobertas nada escrito é para o domínio público.
No contexto do livro do Êxodo há uma montanha significativa nomeada na
Bíblia. Situa-se na Península do Sinai, que é um triângulo entre o Egito e o Jordão. É
conhecida pelo nome de Horeb. Foi chamada mais tarde de Sinai e depois, para
Horeb outra vez.
Esse é o nome que o remanesce da narrativa bíblica nos legou enquanto nos
incorporamos a progressão da história e essa história e a de Moisés, tirando os
Israelitas do Egito e seu encontro com Jeová na montanha sagrada.
Há aproximadamente 1360 aC, não existia nenhuma montanha chamada Sinai
e nem na época de Jesus.
O Monte Sinai está atualmente no sul da península do triângulo e foi batizada
por monges cristãos gregos que lá construíram uma pequena missão, pois decidiram
que ali era o Sinai. Hoje ainda existe um local chamado Monastério de Santa
Catarina.
Seria realmente a Montanha do Sinai Bíblico?
O Êxodo pode explicar o local onde a verdadeira Montanha Sagrada estava e o
percurso que Moisés e os Israelitas fizeram entre o Egito e o Jordão.
Seguindo a rota dada no Êxodo, ficaria centenas de milhas afastado do
Monastério do Sinai que é mostrado nos mapas de hoje.
Além disso, está longe, a milhares de metros do Mar Vermelho onde Moisés
separou as águas.
Em árabe, Horeb quer dizer "deserto". O Monte Horeb e as montanhas de
deserto são bem conhecidas. Fica a 2000 pés acima do nível do mar, exatamente
onde o livro do Êxodo revela a rota do Egito.
Em 1890, Egiptólogo Britânico Flinders Petry da Universidade de Londres,
patrocinado pelo "Fundo Egípcio de exploração”, publicou confidencialmente os

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 189 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
resultados de seu trabalho; mapas, fotografias, registros foram entregues, porém,
suas anotações não foram colocadas à disposição do público e suas anotações só
poderiam ser lidas por membros oficiais.
Segundo o relato bíblico, os Israelitas derreteram ouro (para fazer o carneiro de
ouro); lá não havia nenhum resquício de materiais de fundição.
Porém encontraram lajes de pedra e abaixo destas, armazenados com cuidado
4 a 5 toneladas de um tipo de pó, o mais fino e branco possível. Embalados
firmemente no assoalho. Não havia indícios de metalurgia em milhas de distância,
mas pó branco era obtido de queimadas de plantas para produzir alcalinos. Porque
queriam alcalinos? Por outro lado, porque o fariam a 2600 pés da montanha e não no
vale? Os resultados nunca foram publicados.
O Monte Sinai fica no deserto de Neguev, no sul de Israel, e não na desértica
península egípcia do Sinai onde segundo a Bíblia, Moisés recebeu de Deus as duas
tábuas dos Dez Mandamentos.
É o que diz o arqueólogo italiano Emanuel Anati, que passou 19 anos fazendo
escavações em Karkom, este monte que já era considerado sagrado pelos povos que
habitaram suas proximidades na Idade do Bronze e onde foram encontrados restos
de altares, objetos de cultos e lápides. "O Monte Sinai, segundo o Êxodo é o Karkom,
na cidade de Eilat, às margens do Mar Vermelho."
A descoberta de um altar feito de pedra talhada em forma de meia-lua,
"Símbolo do deus babilônico: Sin," coincide com a tese que desta esta raiz Sin
derivou o nome Sinai para o Monte.

A VERSÃO DOS SETENTA (LXX)

Os líderes do judaísmo em Alexandria foram responsáveis por uma tradução


do Antigo Testamento hebraico para o grego, que integraria a Biblioteca de
Alexandria, e foi chamada de Septuaginta, ou Versão dos Setenta (LXX).
Esta tradução já estava concluída em 150 a.C. e foi feita por eruditos judeus e
gregos, provavelmente para o uso dos judeus alexandrinos. Assim que a igreja
primitiva passou a utilizar a Septuaginta como Antigo Testamento, a comunidade
judaica perdeu o interesse na preservação do original hebraico.

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 190 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
Esta versão teve um papel muito importante para o estudo e divulgação do
Antigo Testamento em outras línguas, já que os textos hebraicos apresentam grande
dificuldade de compreensão.
Outras versões surgiram após a Septuaginta, devido à oposição do cânon
judaico a esta tradução. São elas:
A versão de Áquila (130 a 150 d.C.) - manteve o padrão de pensamento e as
estruturas de linguagem hebraicas, tornando-se uma das versões mais utilizadas
pelos judeus.
A revisão de Teodócio (150 a 185 d.C.) - revisão de uma versão anterior - a
dos LXX ou a de Áquila.
A revisão de Símaco (185 a 200 d.C.) - preocupou-se com o sentido da
tradução, e não com a exatidão textual. Exerceu grande influência sobre a Bíblia
latina, pois Jerônimo fez grande uso desse autor para compor a Vulgata Latina.
Os Héxapla de Orígenes (240 a 250 d.C.) - promoveu-se uma visão
comparativa dos textos hebraicos com a tradução dos LXX, de Áquila, de Teodócio e
de Símaco, procurando harmonizar os textos em busca de uma tradução fiel do
hebraico.
Uma edição do texto hebraico, por volta de 100 d.C., veio a estabelecer o texto
massorético.
A Vulgata Latina Sendo o grego, considerado pela Igreja como a língua do
Espírito Santo, o latim assumiu o papel de língua popular imposta pelos soldados nas
conquistas romanas, motivo pelo qual a Bíblia latina recebeu o nome de Vulgata.

Os Textos Massoréticos

Alguns sábios judeus, chamados massoretas, iniciaram, entre os séculos VI a X d.C.,


um trabalho de padronização dos textos hebraicos do Antigo Testamento.
Estes textos, como se sabe, foram escritos praticamente sem vogais. No
trabalho de padronização, foram inseridas as vogais nos textos originais, o que
contribuiu para o desaparecimento dos mesmos.

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 191 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
Provas da Veracidade do Antigo Testamento
Coleção Babilônica em Sterling Memorial Library
O Cilindro da Conquista de Jerusalém VI século
antes de Cristo
Nabucodonosor II (604-562 Antes de Cristo).
Este cilindro comemora a reconstrução do templo
do deus babilônico na cidade de Marada e a
conquista da cidade de Jerusalém (2 Reis 24:10-17
etc.).
Literature: W.W. Hallo, "Nebukadnezar
Comes to Jerusalem," in Jonathan V. Plaut, ed.,
Through the Sound of Many Voices: Writing
Contribute on the Occasion of the 70th Birthday of
W. Gunther Plaut (Toronto, Lester and Orpen
Dennys, 1882) 40-57.
A seguir encontramos um excelente
exemplo de como deve ser feita uma pesquisa
histórica e bíblica. O (a) aluno (a) poderá notar
as muitas referências a consultas de livros e
obras especializadas, tudo isso para comprovar
uma verdade: Existiu a cidade de Nazaré?

Introdução

Neste estudo trataremos da cidade de Nazaré, primeiro, como ela é citada nas
fontes cristãs, pois nos registros encontramos várias citações dessa cidade como
sendo uma cidade da Galiléia, como exemplo, podemos citar o registro de que era
nessa cidade o lar de Maria e José1 encontramos também a narrativa de que nessa
cidade havia uma sinagoga judaica2

1
Como é registrado por Lucas no capítulo l, verso 26, e no capítulo 2, verso 39. Em Marcos no capítulo
1 verso 9. Também em João no capitulo l, versos 45-46.
2
Como é anotado por Lucas no capitulo 4, verso 16.

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 192 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
Até certa altura das investigações, os estudiosos e pesquisadores acreditavam
que a cidade de Nazaré tinha sido apenas uma tradição, um certo arranjo literário
para dar credibilidade á profecia de que Ele seria chamado "Nazareno".3 Eles tinham
chegado a essa conclusão porque não encontravam nenhuma citação da cidade fora
da Bíblia. Por exemplo, podemos citar o resumo feito por Jack Finegam:
"No Antigo Testamento, Josué 19:10-15 contém uma lista de todas as cidades
da tribo de Zabulon..., mas não há nenhuma menção a Nazaré. Josefo, que foi
responsável pelas operações militares nessa área durante a Guerra dos Judeus...,
cita 45 cidades da Galiléia, mas não toca no nome de Nazaré. Além disso, o Talmude,
apesar de se referir a 63 cidades da Galiléia, não menciona Nazaré sequer uma vez”.4
É interessante notar que os textos judaicos que abarcam uma totalidade de
quase 1.500 anos não falam absolutamente nada de Nazaré. Haveria alguma razão
para deixar de falar dessa cidade? Por que especificamente o Talmude judaico nunca
falou dela? Nos teremos as reposta no decorrer desta pesquisa.

A Arqueologia Descobre Nazaré

Apesar do silêncio, apesar de tudo, as escavações feitas pela arqueologia veio


em auxílio da história, trazendo surpreendentes fatos sobre a existência de uma
aldeia na região da Galiléia chamada: Nazaré.
Quando falamos que Nazaré era uma "aldeia", estamos descrevendo uma
característica fundamental da condição dessa pequena vila, portanto, devemos em
primeiro lugar identificar corretamente essa nomeação. Consideremos as
características topográficas5 da região da Galiléia no início da dominação romana.
Por causa dessas características do terreno existiam a chamada "Alta Galiléia"
e a chamada "Baixa Galiléia". Esta última possui quatro serras com altura um pouco
acima dos 300 metros. Entre essas pequenas serras encontramos vales que correm
no sentido leste-oeste.

3
Conforme é registrado no Evangelho de Mateus, capitulo 2 , verso 23.
4
Jack Finegan. “The Archasology of the New Testament: Tize life of Jesus and the Beginng of the
Early Church" - Princeton, Princeton Univ. Press, 1969.
5
São estudos feitos pela geografia física do solo, ou seja, estudos geológicos e topográficos.

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 193 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
O formato entre serras e vales, forma um contraste entre altos e baixos, como
se fosse o telhado de uma casa, porque por outro lado, temos na Alta Galiléia a serra
de Meiron que chega a uma altura de quase 700 metros, que seria considerado como
a parte mais alta do "telhado”.
Os estudos demonstram que a aldeia de Nazaré poderia ser encontrada no
extremo sul de uma das quatro serras que formavam a Baixa Galiléia. A área da
Baixa Galiléia era de aproximadamente 24 por 40 quilômetros, e havia um
considerável número de centros urbanos e de aldeias espalhados pela região.
Muitas outras aldeias foram construídas na mesma região ao pé dos outros três
morros ou serras, porém, ao contrário, no morro ou serra de Nazaré as aldeias e
povoados estão construídos no topo. Isso fazia com que essas aldeias ficassem
isoladas do resto das regiões urbanas, e principalmente das estradas e caminhos
mais usados para o intercâmbio comercial.
É importante levar em consideração este ponto, pois era o fluxo de comercio
que determinava se uma cidade era maior, menor, vila ou apenas uma aldeia, ou seja,
a classificação era política-comercial. Na época em estudo, isto é, o primeiro século
de nossa era, ou era comum, na região da Galiléia existia uma cidade grande, não
pela quantidade de habitantes, mais pela influência comercial. Era o movimento de
mercado que determinava se uma cidade era grande, menor ou vila. Seguindo esse
critério de classificação a cidade grande na época era Beisã (em grego era conhecida
como Citôpolis).
Na mesma classificação, agora como cidades menores, se encontravam
Séforis e Tiberíades. Segundo estudos históricos, quando Herodes Antipas recebeu
as regiões da Galiléia e Peréia para ocupar o cargo de Tetrarca, no ano três antes da
Era Comum, ele “fortificou Séforis para que ela se tornasse a jóia de toda a Galiléia, e
mudou o nome da cidade para Autocratoris”.6
O autor judeu Flávio Josefo quando descreve sua campanha militar na Galiléia,
menciona a cidade de Séforis como: “situada no coração da Galiléia, cercada por

6
John Domininic Crossan - O Jesus Histórico, 2ª Edição, Editora Imago, 1994, pág. 2. - Citando Flávio
Josefo, Antiguidades Judaicas , Vol. 18.

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 194 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
diversas aldeias”.7 Certamente Nazaré era uma dessas aldeias, cujos nomes não
foram incluídos nas listas de registros judaicos.
Estamos agora em condições de entender a razão pela qual Nazaré não foi
citada nas listas judaicas, pois essas listas incluíam unicamente as cidades grandes,
menores e vilas, as aldeias e aldeolas não eram citadas, pois não tinham destaque
comercial, e sendo que as aldeias da Serra de Nazaré estavam no topo do morro,
eram isoladas das rotas de comercio.
Na classificação político-comercial não se incluíam aldeolas sem importância.
Talvez seja essa também a razão pela qual se faz uma menção pejorativa sobre
Nazaré: “De Nazaré pode sair alguma coisa boa?” mostrando que na época a aldeia
de Nazaré era um povoado insignificante.
Podemos encontrar também uma forte razão para entender o motivo pelo qual
o Messias de Israel mudou de cidade ao início de sua vida pública, o Evangelho de
Mateus registra o fato com estas palavras: “e, deixando Nazaré, foi morar em
Cafernaum, situado a beira-mar, nos confins de Zabulon e Naftali” 8

A Reorganização do Sacerdócio Confirma a existência da Cidade de Nazaré

É um fato reconhecido por todos que a cidade e o templo de Jerusalém foram


destruídos pelos romanos no ano 70 da Era Comum. Posteriormente, na terceira
guerra entre judeus e romanos no ano 135 da Era Comum, os judeus foram
novamente derrotados e desta vez foram também expulsos do território de Jerusalém
pelo imperador Adriano, que para quebrar qualquer sentimento nacionalista mudou o
nome da cidade para Aelia Capitolina. O que aconteceu com o sacerdócio judaico
depois da diáspora (dispersão)?
Uma leitura atenta do primeiro livro das Crônicas, no capitulo 24 encontramos
que o sacerdócio judaico, na época do rei David, foi dividido em 24 turnos por ano,
cada turno de 15 dias que se revezavam nos ofícios do templo, na época da
destruição do templo ainda funcionavam esses 24 turnos, tanto é que o sacerdote

7
Flávio Josefo, Autobiografia, pág 346, citação de John Domninic Crossan, Op. Cit.
8
Citação do Evangelho de Mateus capítulo 4, verso13

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 195 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
Zacarias, o Pai de João "o batizador", era do turno de Abias, ou seja, do oitavo turno9
O interessante neste estudo é comprovar que depois que o templo foi destruído os
judeus reorganizaram as 24 ordens e as distribuíram pelas cidades e aldeias da
Galiléia O que a arqueologia descobriu de importante em relação com esses 24
turnos reorganizados?
“A primeira menção a Nazaré fora dos textos cristãos foi encontrada numa
Inscrição fragmentária feito num pedaço de mármore cinza escuro encontrado em
Cesaréia, em agosto de 1962, e que datava do século III ou IV da Era Comum (...)
Havia uma lista dessa localidade: afixada à parede da sinagoga de Cesaréia,
construída no ano 300 E.C. O texto reconstituído da Inscrição diz: “Décima oitava
ordem religiosa [ Hapizzez], [reinstalada em] Nazaré”10
Outras escavações foram feitas pelo franciscano e erudito em história
Bellarmino Bagatti, durante cinco anos entre 1955 e 1960, no terreno da velha Igreja
da Anunciação, na atual cidade de Nazaré. O que foi descoberto?
Sabemos que no final do século II antes da Era Comum a dinastia judaica
conhecida como os asmodeus, conseguiu conquistar finalmente a cidade de Samaria,
que a essa altura já era uma cidade grega, com a queda de Samaria foi aberto o
passo para a conquista da planície de Esdrelon e toda a região da Galiléia. Foi nessa
época, exatamente, que Nazaré foi de novo reconstruída.
“No século segundo antes da Era Comum voltamos a encontrar uma grande
quantidade de artefatos o que indica que a aldeia foi fundada novamente nesse
período (...) Isso significa que a aldeia tinha menos de duzentos anos no século I da
Era Comum”11

Era a cidade de Nazaré uma aldeia de grande movimento comercial?

Bagatti também encontrou varias grutas artificiais dentro de aldeia antiga, além
de cisternas para água, prensas de azeitonas, tonéis de óleo, mós e silos para grãos.

9
Confira a leitura de Lucas capítulo l, verso 5 com 1° de Crônicas capítulo 24, verso10.
10
John Dominic Crossan, Op. Cit.
11
Eric Meyer. Galilean Regionalism as a Factor in Historical Reconstruction, Basor, 220/221, 93-101,
1975-76.

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 196 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
Isso significa que a atividade principal dos aldeões era a agricultura, nenhuma das
descobertas aponta para algum tipo de prosperidade ”. 12
Todos os dados indicam que Nazaré era uma aldeia no topo da serra da Baixa
Galiléia, cuja principal atividade era a agricultura. Os dados servem para moldar um
quadro sobre “o Galileu” como também era chamado. 13 Portanto, os habitantes da
aldeola de Nazaré eram na sua maioria agricultores, pobres, de baixa posição social,
era uma classe desfavorecida, e ao que tudo indica, tinham, sem dúvida até um
“modo de falar” 14 diferente, ou seja, um sotaque aramaico característico, próprio dos
camponeses da Baixa Galiléia.
Sendo assim, o quadro que a arqueologia e os estudos da época nos dão do
Galileu e sua gente é de pessoas muito humildes, comuns, homens e mulheres,
camponeses das aldeias e dos morros, trabalhadores da agricultura, os menos
favorecidos por uma sociedade de elites, pessoas que sobreviviam dos produtos do
campo e do artesanato tais como tecelão e carpinteiro.
A esta altura podemos também destacar o fato de como as classes sociais
mais abastadas desprezavam as classes humildes, isso sempre foi uma constante
das civilizações, tanto no passado como no presente. A título de exemplo: Na
importante obra do pesquisador e erudito professor Ramsay MacMullen pode-se ler
um apêndice intitulado: “O léxico do esnobismo” onde o autor cita uma longa lista de
termos e palavras utilizadas pelos autores gregos e romanos nos primeiros séculos
para mostrar como eram profundom os preconceitos que as classes dominantes
tinham das classes desfavorecidas.15
Esses termos incluíam as palavras "tecelão" - tanto de “tecelão” de lã (eriurgo)
como o "tecelão" de linho (linurgo), assim também era incluído o termo de
"carpinteiro" (técton), a mesma palavra usada em Marcos (o Evangelho grego de
Marcos).
É importante notar ainda que ao nome da pessoa, muitas vezes se incluía seu
ofício, para designar dessa maneira a origem humilde, como podemos encontrar na

12
Eric Meyer. Op. Cit., Pág 56, citado em John Dominic Crossan. Op. Cit.
13
Leitura do Evangelho de Mateus capítulo 26, verso 69.
14
De acordo com a narrativa do Evangelho de Mateus capitulo 26, verso 73.
15
Ramsay MacMullen, Roman Social Relationes: 50 BC. To A.D. 384 New Haven
e Londres, Yale Univenity Press, 1974.

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 197 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO
16
leitura grega de Marcos , onde o Messias de Israel é nomeado como "carpinteiro",
ou seja, se lhe atribui o ofício, por outro lado no Evangelho de Mateus ele é
17
reconhecido apenas como "o filho do carpinteiro".
Em resumo, e para concluir este estudo, podemos notar que os fatos apontam
para a realidade histórica de uma aldeola chamada Nazaré, edificada nos morros da
baixa Galiléia, é dessa aldeia humilde, pobre, de pessoas trabalhadoras, do campo e
do artesanato, que no primeiro século de nossa Era, aparece um Homem, reclamando
o direito de ser o Messias, reclamando o direito de ser o cumprimento de uma
promessa milenar dada a um povo.
Ele era o Messias de Israel. Era O homem de Nazaré o Messias prometido
pelos profetas hebreus.

16
Veja Marcos capitulo 6, verso 3, onde o "escândalo" dos habitantes de Nazaré está em contraste
com o oficio, pois a admiração era de como um "carpinteiro" poderia ser agora um "rabino"
(mestre). Ou propositadamente o "Evangelho" grego de Marcos, acrescenta o termo pejorativo
"carpinteiro" para mostrar a procedência humilde do Homem de Nazaré.
17
Leitura do Evangelho de Mateus capítulo 13, verso 55.

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
BACHARELADO EM TEOLOGIA 198 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO