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José Joaquim Cesário Verde nasceu em Lisboa a 25 de fevereiro de 1855 e foi um dos pioneiros

da poesia portuguesa que seria praticada em Portugal no século XX.

Filho de Maria Santos e do lavrador e rico comerciante José Verde, Cesário Verde, desde cedo
teve uma grande ligação ao espaço rural e ao campo e foi através da agricultura e comércio
que inicialmente se repartiu a sua vida, segundo o próprio. Paralelamente, ia alimentando o
seu gosto pela leitura, embora longe dos meios literários oficiais com que nunca se deu bem,
tendo aos 18 anos matriculado se no Curso Superior de Letras, que apenas frequentou alguns
meses.

Apesar disso, aí conheceu Silva Pinto, que ficou seu amigo para o resto da vida.

A vida profissional de Cesário dividia-se entre a produção de poesias publicadas em jornais,


como o semanário Branco e Negro, e as revistas O Ocidente, Renascença e O Azeitonense e as
atividades comerciais herdadas do pai.

Em 1877 começou a apresentar sintomas de tuberculose pulmonar, a mesma doença levou à


morte da sua irmã Maria Verde e mais tarde seu irmão Joaquim Verde. Porém as mortes de
seus irmãos inspiraram um de seus principais poemas, nós, escrito em 1884. Tinha mais um
irmão, Jorge Verde, e uma irmã, Adelaide Eufémia Verde falecida de anginas (dores no peito ou
desconfortos torácicos).

Tenta curar-se da tuberculose, mas, sem sucesso, vem a falecer no dia 19 de julho de 1886, aos
31 anos. No ano seguinte Silva Pinto organiza O Livro de Cesário Verde, compilação das suas
poesias

Agora falando sobre a sua literatura…

Na literatura, retratou com grande sensibilidade a cidade e o campo, que são os seus cenários
preferidos

A importância que as cidades tinham sobre o campo levou o poeta a dividir esses espaços e a
tratá-los separadamente. O contacto com o campo na sua infância explica a sua visão e a sua
preferência. Para Cesário o campo não tem um aspeto paradisíaco, puro e ingénuo, mas sim
um espaço real, concreto, que lhe confere liberdade. É um espaço de vitalidade, alegria, beleza,
vida saudável

… Na cidade, o ambiente físico, cheio de contrastes, apresenta ruas esburacadas, casas


apalaçadas, edifícios cinzentos e sujos… e é neste sentido que podemos reconhecer a
capacidade de Cesário de trazer para a poesia a realidade do dia a dia do homem citadino.

A lírica de Cesário Verde é, então, reveladora de uma preocupação social e intervém


criticamente.

Deambulando por estes dois espaços, depara ainda com dois tipos de mulher. À mulher fatal,
fria, madura, destrutiva, dominadora, sem sentimentos, está associada cidade. Já em relação à
mulher do campo é apresentada uma perspetiva diferente. Sempre feias, pobres e por vezes
doentes, ou em esforço físico, porém estas mulheres trabalhadoras são objeto de admiração
para Cesário.

Se se tiver em conta o interesse pela captação do real, é fácil detetar aqui a afinidade ao
Realismo. A ligação aos ideais do Naturalismo verifica-se na medida em que o meio surge
determinante dos comportamentos. Porém, sua obra ainda tem um certo sentimentalismo que
remete ao Romantismo. Cesário aproxima-se ainda dos impressionistas que captam a
realidade, mas que a retratam já filtrada pelas perceções, o que lhe vale o título de inovador e
vanguardista da literatura portuguesa, e um lugar no quadro dos poetas fundadores da
modernidade. parecendo Cesário Verde o predecessor do heterónimo Álvaro de Campos e
sendo citado várias vezes por Alberto Caeiro e Bernardo Soares.

Eis algumas das características estilísticas e linguísticas: vocabulário objetivo; pormenor


descritivo; mistura o físico e o moral; mistura de sensações; metáforas, comparações, hipálage;
uso de dois ou mais adjetivos; quadras, em versos decassilábicos ou versos alexandrinos.
Multifacetada que ele transmite com objetividade e realismo