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Definições de figuras retóricas

Metalepse – chama-se metalepse a figura de retórica pela qual se faz entender a


causa, exprimindo a consequência; ou o antecedente pelo consequente.
Exemplo: Nós o choramos (por ele morreu), Eles viveram (por eles estão mortos)

Metáfora – em gramática tradicional, a metáfora consiste no emprego de uma


palavra concreta para exprimir uma noção abstrata, na ausência de todo
elemento que introduz formalmente uma comparação;
Exemplo: Estou ardendo de amor
Por extensão, a metáfora é o emprego de todo termo substituído por um outro que
lhe é assimilado após a supressão das palavras que introduzem a comparação.
Exemplo: Esta mulher é [como se fosse] uma pérola.

Metonímia – de um modo geral, de acordo com a etimologia, a metonímia é uma


simples transferência de denominação. A palavra é reservada, todavia, para
designar o fenômeno linguístico pelo qual uma noção é designada por um termo
diferente do que seria necessário, sendo as duas noções ligadas por:

1. uma relação de causa e efeito (a colheita pode designar o produto da


colheita e não apenas a própria ação de colher)
2. uma relação de matéria e objeto ou de continente e conteúdo (beber um
copo)
3. uma relação de parte ao todo (uma vela no horizonte).

Sinédoque – quando um falante, intencionalmente, em particular por motivos de


ordem literária, ou uma comunidade linguística, inconscientemente, atribuem a
uma palavra um conteúdo mais amplo que seu conteúdo usual: vela por barco (a
parte pelo todo), o homem pela espécie humana (particular pelo geral). Existe
igualmente sinédoque quando, por um processo inverso, toma-se o todo pela
parte: o Brasil em vez de a equipe brasileira.

Dubois, Jean e outros. Dicionário de Linguística. Tradução de Izidoro Blikstein.


São Paulo: Cultrix, 1998.

Muito freqüentemente se une a metonímia à sinédoque, como faz Du Marsais, no antigo Traité des
Tropes, onde tem o cuidado de tentar estabelecer diferenças entre as duas figuras: “a sinédoque é uma
espécie de metonímia, por meio da qual se dá um significado particular a uma palavra que, em sentido
próprio, tem um significado mais geral; ou, ao contrário, se dá um significado geral a uma palavra que, em
sentido próprio tem um significado particular. Em uma palavra: na metonímia, tomo um nome por outro,
enquanto que na sinédoque tomo o mais por menos, ou, o menos por mais.”
Entretanto, não há por que conceder demasiada importância a pequenas diferenças entre metonímia
e sinédoque, pois, mais que uma diferença de natureza, trata-se de uma diferença de grau: nos dois casos se
produz uma modificação que intervém sobre o eixo sintagmático, provocando, por sua vez, um traslado de
referência. Sem estabelecer diferença entre as duas figuras (metonímia e sinédoque), Roman Jakobson tenta
proporcionar uma base científica à oposição entre metonímia e metáfora: “toda forma de transtorno afásico
consiste em alguma alteração, mais ou menos grave, da faculdade de seleção e substituição ou da faculdade
de combinação e contextualização. A primeira suprime a relação de similaridade e a segunda, a de
contigüidade. A metáfora resulta impossível na alteração da similaridade e a metonímia, na alteração da
contigüidade.”
http://www2.fcsh.unl.pt/edtl/verbetes/M/metonimia.htm
[Pergunta] Tenho, por vezes, dificuldade em explicar aos meus alunos a diferença entre a
sinédoque e a metonímia.
Por exemplo: "ferro" em vez de "espada" é uma sinédoque ou uma metonímia?
Desde já agradeço os esclarecimentos que me possam dar.
Graça Pimentel :: Professora de Língua Portuguesa :: Coimbra, Portugal

[Resposta] Transcrevo um passo de Napoleão Mendes de Almeida na sua Gramática Metódica da


Língua Portuguesa, a partir dum trabalho meu intitulado Introdução ao estudo da semântica,
que este filólogo brasileiro e meu grande amigo, infelizmente já falecido, resume amavelmente: «A
sinédoque (gr. synedochê = compreensão) consiste no emprego de uma palavra em lugar de
outra na qual está compreendida, com a qual tem íntima conexão: pão, por alimento; vela, por
navio; ferro, por espada ou âncora; lar (ou fogão), por casa.» Aqui tem, portanto, a resposta. E
logo a seguir, Napoleão Mendes de Almeida continua a resumir-me (p. 328 da 11.ª edição): «A
metonímia é simples variante da sinédoque; são denominações essas de distinção tão subtil que
autores há que dão como exemplo de metonímia aquilo mesmo que outros subordinam à
sinédoque, e tratadistas há que mal mencionam essas denominações de tropos semânticos. [...]
Se na sinédoque se emprega o nome de uma coisa em lugar do nome de outra nela compreendida,
na metonímia a palavra é empregada em lugar de outra que a sugere, ou seja, em vez de uma
palavra emprega-se outra com a qual tenha qualquer relação por dependência de ideia: damasco
= tecido de seda com flores ou espécie de abrunho, ambas provenientes de Damasco [...]; louro,
por glória, prémio; cãs, por velhice; Fulano é um bom garfo [...].» E chega de citações minhas por
interposta pessoa!
http://www.ciberduvidas.com/pergunta.php?id=10844

Distinção entre metonímia e sinédoque


Muitas pessoas me têm perguntado se metonímia e sinédoque são uma só figura de
linguagem ou se há distinção entre elas. Essa pergunta é relevante, pois em alguns livros não se
faz a diferença entre essas duas figuras, enquanto outros as classificam como duas figuras
diferentes.
Na metonímia e na sinédoque, ao contrário do que ocorre com a metáfora, a mudança de
significado não requer a transposição de um domínio para outro. Nelas, há entre os termos uma
relação real e direta, caracterizada pela proximidade. Na metáfora, uma coisa lembra outra
porque guarda com ela traços de similaridade. Na metonímia e na sinédoque, um conceito não
lembra outro, não há transposição de domínio, não há comparação. Um conceito implica outro
porque guarda com ele uma relação direta e real de contiguidade. Por isso a interpretação de uma
metonímia ou de uma sinédoque requer menos esforço por parte do intelocutor do que a de uma
metáfora, já que nesta a transposição de significado é subjetiva e naquelas, objetiva.
Considera-se a figura como sinédoque quando a relação entre os termos é quantitativa, ou
seja, pela sinédoque alarga-se ou reduz-se a significação da palavra. As relações entre os termos
são basicamente as seguintes: parte pelo todo, singular pelo plural, gênero pela espécie, o
particular pelo geral (ou vice-versa).
Considera-se a figura como metonímia, quando a relação entre os termos é qualitativa. Na
metonímia, há uma implicação entre os conceitos que decorre de uma relação de contiguidade
entre eles. As relações entre os termos são, por exemplo, a causa pelo efeito, o continente pelo
conteúdo, o autor pela obra, o lugar pelo produto, o instrumento pela pessoa que o utiliza etc.
Como se pode notar, a diferença entre metonímia e sinédoque é bastante sutil e a distinção
entre elas não é de todo relevante. Como o conceito de metonímia abarca o de sinédoque, a
maioria dos autores prefere não mais fazer distinção entre essas duas figuras, optando usar o
nome metonímia para designar as figuras de linguagem em que a transposição de significado
decorre de uma relação contiguidade material ou conceitual entre os termos.
Em nossos livros, não fazemos a distinção entre metonímia e sinédoque, por considerá-la
irrelevante, reservando a palavra metonímia para designar toda figura de linguagem em que uma
palavra é empregada no lugar de outra por haver entre elas uma relação lógica de proximidade.
http://www.ernaniterra.com.br/texto_002.php