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Título: Di�erénça e\1tr� os Sistemas filosóficos
de Fichte e de Schelling
Autor: G,W. F .. Hegel
Edição: Irnpí:�nsq Nacional-Casa da Moeda
Concepçâo gráffcâ: Dep\irtamento Editorial da INCM
Tiragein: 800 exemplares
Data de impressão: Setembro de 2003
ISBN: 972-27-1267-5
Depósito legal: 199 767 /03
G. W. F. Hegel

DIFERENÇA ENTRE
OS SISTEMAS FILOSÓFICOS
DE FICHTE E DE SCHELLING

Tradução, introdução e notas de Carlos Morujão

Revisão da tradução de Manuel do Carmo Ferreira

CENTRO DE FILOSOFIA DA UNIVERSIDADE DE LISBOA


IMPRENSA NACIONAL-CASA DA MOEDA
LISBOA
2003
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INTRODUÇÃO

1. HEGEL EM JENA

. t:J? diz�r d� _Rudolf Haym 1, a e�trafil!}é!Ji cena de 1ie�el no meio


lzterarzo e científico de /ena, onde, co�@"tirnente com. �lmg, assume
a �esponsabilidade pela direc(�O... �I<ritische J..\6�al der Philoso­
p�1e, e onde, no semestre .;;1thlerno de 1BW.1sô2, iniciará a sua car-
reira académica na . · idade Zoe, qi�?l!!ªrcada pe!o �eço de
uma du�la pole,�,) om a fi�� tMlingui���t>rfiM. �l?J lad�,
em partzculCl(� a de Kf!:l:J/. e .. e, e, por l':/Wf c9f�8cf.Jjilosofza
co�temporânea, em J? lféM.êl,r, tt/tifnão exclu · nt�{coh!ra;::ffe'K. L.
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Remhold e C. G,::· �di.lli'Z).Mâo é nostiO esttf:f1i.trodução,
seguir as s�FiJis fal�fdo desenwJci�'� ,:::p·ô �m($!ji:i;t�,7t1tl"lio 'pouco,
mostrar'i,Q'tú enraizamento ·
sf!:,,<!fêl":111at�q;li}'ltb do próprio
Hegel, desde os seus ano {tlEt�s.fJFfiÍ. sua prossecução
para lá do horizonte u&' m�e esta Diferença entre
os Sistemas �i{� e·.. �,@Schelling, até, pelo menos,
,.,
esse extraordi/:iar(�'. . ?,>q\Í<:;;,,'ifii1B07, abre a Fenomenologia do
1
Espírito. Notemos, ep cqiie raramente na história da filosofia se
1

'

terá visto entrada em e mais retumbante: Hegel, que contava já


31 anos (sendo cinco anos mais velho do que Schelling), mas era ainda
um desconhecido nos meios literários e científicos, tendo apenas publi­
cado, anonimamente, dois pequenos textos de carácter político, revela,

1 Rudolf Haym He el und seí11e Zeít, Berlin, Verlag Rudolf Gaertner,


, g
1857, reimp. Darmstadt, Wissenschaftliche Buchgesellschaft, 1974, p. 183.

7
nesta sua primeira obra filosófica, uma decidida vontade de «separar as
águas» em filosofia, com uma audácia e uma segurança pouco comuns
num estreante.
O título completo desta obra é Diferença entre os Sistemas Filo-
sóficos de Fichte e de Schelling, em relação com os «Contributos
para uma Mais Fácil Visão do Estado da Filosofia nos Começos
do Século Dezanove», l.º Fascículo, de Reinhold (de agora em
diante, referi-la-emas, simplesmente, pela abreviatura Differenzschrift),
tendo sido publicada em Jena, em 1801, pelo editor Seidler. A «Adver-
tência prévia» está datada de Julho desse mesmo ano, mas a redacção
deverá ter sido concluída em meados da Primavera. Numa nota à
p. 159 da edição original (ou seja, aproximadamente 4/5 do total das
184 páginas da 1." edição), Hegel refere-se ao 2.º Fascículo do livro de
Reinhold, publicado em meados de Abril de 1801, como tendo saído
após aqueles linhas terem sido redigidas. Não sendo impossível que
aquela nota tivesse sido acrescentada após a redacção definitiva da to-
talidade da obra - como aliás a «Advertência prévia» o foi - é vero-
símil que em inícios de Abril o trabalho se encontrasse já concluído.
A reacção dos contemporâneos foi um misto de surpresa e de admi-
ração. A Stuttgarter Allgemeine Zeitung escreveu: «Schelling cha-
mou da sua pátria um robusto campeão e, através dele, declara ao
público estupefacto que mesmo Fichte está muito abaixo das suas teo-
rias». Reinhold, em carta dirigida a Fr. Níethammer, a 27 de Janeiro
de 1802, reconhece que Schelling encontrou um companheiro talentoso
e hábil. Poder-se-ia ainda mencionar o testemunho de. Schiller, em car-
ta a W. von Humbolt de 18 de Agosto de 1803, .em que Hegel é con-
siderado uma «profunda cabeça filosófica», .embora aqui o juízo de
Schiller tenha já em conta a obra de 1802, Fé e Saber/ e, provavel-
mente, o renome que Hegel, entretanto, adquirira como professor de
filosofia na Universidade de Jena, apesar dos seus fracos dons de expo-
sição 2. O próprio Schelling, em carta dirigida a Fichte a 3 de Outubro
de 1801, refere-se à Differenzschrift como sendo a obra de um «espí-
rito excelente» 3.

2 Sobre a reacção dos contemporâneos, bem como sobre a relação de


Hegel com Schelling, à data da publicação da Differe11zscl1rift, pode
consultar-se a obra de Xavier Tilliette, Schelling. Une Philosoplzie en Deve11ir,
Paris, Vrin, 1992, 2.J ed., pp. 295-302.
3 Cf. Horst Fuhrmans, Sclzel!i11g. Briefe und D0kunze11te Band II, Bonn,
1

Bouvier Verlag, 1965, p. 355.

8
~1

Há algo de inesperado na escolha de Jena para o início de uma


actividade filosófica diante do público, embora a presença de Schelling
- a primeira figura filosófica da Universidade local, após o abandono
forçado de Fichte em 1799, no seguimento de urna acusação de ateísmo -
seja um factor de explicação preponderante. Fora em Jena, a capital do
primeiro romantismo, que, entre 1798 e 1800, Friedrich Schlegel diri-
gira a efémera revista Athenaum, em torno da qual se agruparam,
entre muitos outros, Novalis, Schleiermacher e Schelling. Nada, nas
preocupações filosóficas, teológicas e políticas do jovem Hegel o parece
aproximar desta primeira geração romântica, mantendo-se muito mais
próximo do espírito do iluminismo, na senda crítica e reformadora, por
exemplo, de um Lessing. O próprio facto de Hegel, na sua qualidade de
autor da Differenzschrift, se identificar como « Weltweisheit Doktor» 4,
termo utilizado preferencialmente pelos círculos iluministas (em parti-
cular pelo filósofo iluminista berlinense Fr. Nicolai) para designar o
filósofo, aponta já no sentido de uma certa filiação, que o conteúdo da
obra não desmentirá. Dir-se-ia, mesmo, que nada nas preocupações fi-
losóficas de Hegel, até 1800, indicia uma aproximação aos problemas
com que se debate, em particular nas obras de Fichte e de Schelling, a
filosofia alemã após Kant. Além disso,. muito mais do que nas obras,
quase contemporâneas, de Fichte ou de Schelling, transparece, neste
primeiro escrito de Hegel, uma relação viva com a totalidade da cultu- I
ra alemã da Aufklarung e do romantismo, um esforço consciente para
colocar a filosofia no.contexto das manifestações espirituais do seu tem-
po, concebendo-a éomo expressão da vida da humanidade, emprofunda
1/
conexão com o desenvolvimento e as exigências da histó.ria 5.
É certo que, como a Differenzschrift o reconhecerá de bom grado,
Fichte e Schelling souberam descobrir no pensamento de Kant - em
particular na Dedução Transcendental .das Categorias da Crítica da
Razão· Pura - o princípio especulativo que não r.ecebera aí o seu ple-
no desenvolvimento, a saber, a unidade do ser e do pensar. Mas as
preocupações hegelianas (e, como veremos, o ano de 1801 não 1narca

4 Literalmente: «doutor em sabedoria mundana».


5 Acerca do profundo conhecimento que Hegel possuía, desde os seus
tempos de estudante no Stift de Tübingen, da filosofia e da cultura alemãs
do século XVIII, bem como acerca das suas preferências no domínio da lite-
ratura, são ainda de grande utilidade as investigações de Wilhelm Dilthey;
cf. Die Jugendgesc/ziclzte Hegels, in Gesa111111elte Sc/zriften, IV. Band, Stuttgart,
Teubner/Gottingen, Vandenhoeck & Ruprecht, 1959.

9
aqui uma ruptura, mas sim um aprofundamento) situam-se numa ou-
tra esfera; ou melhor, reconhecendo embora a importância decisiva da-
quela descoberta, Hegel pergunta de que modo ela pode influir na vida
dos homens, realizando no plano prático (ou seja, no da religião e do
direito) aquilo que o filósofo fizera já no domínio do pensamento.
Não é menos certo que, ainda aqui, podemos detectar a profunda
influência de Kant. Um estudioso como Ernst Cassirer mostrou, quanto
a nós de forma convincente, que é no horizonte de uma reinterpretação
global da filosofia de Kant que Hegel, nos seus escritos teológicos de
juventude, desloca o problema da unidade sintética, do campo do
conhecimento puro para o campo da vida espiritual concreta, nomeada-
mente nas suas manifestações artísticas, religiosas e políticas 6 . Sim-
plesmente, a direcção que toma, em Hegel, a interpretação da filosofia
kantiana - e ainda tão patente, como veremos, nesta Differenzschrift -,
afasta-o das preocupações que, nos últimos anos do século XVIII, domi-
navam os principais intérpretes, seguidores e opositores do filósofo de
Konigsberg.
É significativo que Hegel possa afirmar, quase no início da
\
Differenzschrift, simultaneamente, que o filosofar começa com o filo-
sofar - ou seja, que nada pode ser considerado filosófico se não receber
da própria filosofia a sua justificação e legitimação-, e que a filosofia
não se apoia numa proposição-de-fundo, o.u que o absoluto não se
resume a uma proposição absoluta, da qual todas as outras se deduzi-
riam e na qual receberiam a sua fundamentação 7. Mas é igualmente
claro, pela leitura da carta que Hegel dirige a Schelling a 2 de Novem-
bro de 1800 (da qual vol.taremos ainda a falar màis adiante), que só
nele via Hegel alguém com quem pudesse compartilhar um programa
de acção destinado a transformar o panorama filosófico e cultural da
Alemanha, tal como apenas a amizade de Schelling - rnais novo, ,nas
gozando já de um apreciável. prestígio___.., lhe poderia abrir as portas
que proporcionassem à referida acção o âmbito alargado sem o qual

6
Ernst Cassirer, Das Erkenntnísproblem ín der Phílosophie und
Wíssenschaft der rzeueren Zeit, Band III, Berlin, Verlag Bruno Cassirer, 1923,
pp. 285 e segs.
7
Hegel, Differenzschrift, in Gesammelte Werke, Band 4, «Jenaer Kritische
Schriften», Hamburg, Felix Meiner, 1968, p. 24. Sobre este assunto, cf. Otto
Poggeler, Hegels Idee eíner Phiinomenologie des Geístes, Freiburg/München,
Karl Alber Verlag, 1993 2, pp. 110 e segs.; Richard Kroner, Von Kant bis
Hegel, Tübingen, J. C. B. Mohr (Paul Siebeck), 1977, 2.'1 ed., vol. 2.º, p. 152.

10
estaria condenada a permanecer um desejo vão. Exige-se, por isso, que
tentemos compreender mais claramente as intenções de Hegel, nos prin-
cípios do século XIX, as razões para, a partir de então, se dedicar exclu-
sivamente à «ciência», e a forma como tais razões, longe de instaura-
rem uma ruptura com as suas preocupações anteriores que, em face da
ciência, teriam de ser classificadas como subordinadas, exprimem a
muito consciente necessidade de proporcionar a estas o seu acabamento
sistemático, sem o qual seriam apenas opinião não fundamentada.

2. A NECESSIDADE DA FILOSOFIA

Será legítimo vermos, na mencionada carta a Schelling, uma reserva


de Hegel em face do curso seguido até então pelo pensamento do seu
antigo condiscípulo? Por outras palavras: a necessidade de filosofar
- que, no ano seguinte, esta Differenzschrift apresentará como carac-
terística fundamental da época, mas que resultou, em primeiro lugar, da
experiência pessoal do seu autor - e a proclamada intenção de o fazer
com Schelling, anunciarão uma adesão sem reservas às teses
schellinguianas? E por que motivo, nesta sua primeira obra, Hegel in-
siste, justamente, nas diferenças entre Ficlzte e Schelling? Sendo elas em-
bora, pelo menos parcialrnente,já do domínio público, Schelling procura-
va ainda um acordo com Fichte, corno é patente na Exposição do Meu
Sistema de Filosofia, cu}a publicação precede apenas de algumas sema-
nas a da Differenzschrift, e ainda, em 1802, em Bruno ou acerca do
Princípio Divino e Natural das Coisas. A pertinência .deste conjunto
de questões parece-nos a nós ser notória, a partir do momento em que
reparamos no seguinte: primeiro, que à data em que Hegel envia a refe- (
rida carta, .a obra principal de Schelling era o Sistema do Idealismo \.
Transcendental, publicado nesse mesmo. ano, onde mna adesão ao ·
fichteanisrno parecia ser ainda evidente, impedindo mesmo que tudo aquilo .
que, no desenvolvimento filosófico de Schellirtg desde 1797 - ou seja, na
<1ilosofia da natureza>r -----, parecia anunciar um caminho divergente, se
transformasse em ruptura declarada; segundo, que ainda em Outubro de
1801, na carta a Fiô1te que mencionámos na nota n. º 3 (ou seja, cinco
meses após a publicação da Exposição), a referência à obra de Hegel,
enquanto sinal de que a natureza das relações entre Fichte e Schelling
começava a ser objecto de debate entre o público filosófico, é precedida de
uma observação conciliadora, em que Schelling dá a entender que, pelo
menos provisoriamente, deixará a cada um o trabalho de descobrir even-
tuais diferenças entre ele próprio e Ficlzte.

11
12
um idealismo meramente subjectivo que permitirá superar a fixação
absoluta das cisões. Para um tal idealismo, de que o sistema fíchteano
fornece o exemplo acabado, a superação da cisão, realizada somente no
princípio do filosofar, é apenas postulada como atingível no mundo real
em que os homens vivem. Por este motivo, para Hegel, o pensamento
de Fichte revela-se mesmo incapaz de alcançar a unidade sistemática
que todo o autêntico filosofar exige, uma vez que o fim só assimpto-
ticamente - ou seja, de facto, nunca - coincide com o seu princípio.
Este ponto de vista fichteano, que Hegel denomina ponto de vista
da reflexão, equivale ao de uma filosofia que se mostra incapaz de ul-
trapassar as cisões com que opera o entendimento, a não ser através de
uma identidade que é, ela própria, produto do entendimento (e que
Fichte exprimiu no princípio supremo da sua filosofia: A = A), não
constituindo, por isso, aquela filosofia capaz de pensar as tarefas de
uma época em que o esforço da vida se dirige no sentido da recupera-
ção da harmonia perdida. Por um lado, conclui Hegel, tal filosofia fixa-
-se no absoluto como algo de superior e oposto aos contrários cindidos,
por outro, considera o pensamento dos contrários como algo de intrin-
secamente contraditório, perdendo, assim,·. não só a absolutidade do
primeiro -degradando-o em «absoluforelativo» -, mas também a pos-
sibilidade de superar a dilaceraçfa,\dos Segundo~;.
Julgamos que, a partir4~stas consideraçõe:s;é possível ver o que o
Sistema do Idealis~o '.f ranscendental cpoderá ter significado para
Hegel, o que, ao. lê;lo, Hegel poderá ter .Pio/to como anúnc.io da inevi-
tável ruptura entre Schelling<e Fkhte, numa altura,~1/1: que o\primeiro
esperava ainda, como . 9ís~emos, a possibilidade .de um acordo . com o
segundo 9. Maispr,ecisam~nte, diríamos ~?ora que, num piomento em
que Schelling fSperava que o siste,r~a, .de Fichte se 4esenvofoesse até

9 Rudolf I1aym, op:\cit., P·. 153, difâa propósito de Hegel na


Differenzschrif(: «Er istjn di~s~r Schrift, wenn man will, Schelling' scher als
Schelling», quer dizer,..c~paz já Mver, melhor do que o próprio Schelling,
as diferenças entre este e Fiçhte. Aliás, em princípios de 1801, no Prefácio
à referida Exposição do Meu Sistema de Filosofia, Schelling mostrava-se ainda
persuadido da quase inevitabilidade de um acordo com Fichte e de uma
identidade de pontos de vista que o prosseguimento do trabalho filosófico
por ambos não faria senão patentear. (Cf. SW, Stuttgart-Augsburg, Cotta
Verlag, 1856-1861, Band I/4, p. 110; para a compreensão do significado
desta e de outras siglas, o leitor reportar-se-á ao ponto 5 desta «Introdu-
ção».)

13
àquele ponto em que o acordo com o seu próprio sistema seria evidente
para todos (e, em primeiro lugar, para o próprio Fichte), Hegel procu-
rava demonstrar que o sistema de Schelling se tinha desenvolvido pre-
cisamente até àquele ponto que tornava já qualquer acordo impossível 10.

3. Ü PROBLEMA DO MÉTODO

Richard Kroner 11 observa acertadamente que, tal como antes dele


Fichte e Schelling, também Hegel inicia a sua actividade filosófica com
um escrito em que as preocupações de natureza metodológica desem-
penham um papel preponderante. Questões como o que é filosofar, que
é que o filosofar pressupõe, e que objectivos com ele se pretendem
alcançar, ocupam um papel de relevo nas páginas iniciais da Diffe-
renzschrift. Tais questões, no entanto, não constituem, para Hegel,
meras questões prévias, uma espécie de exercícios preparatórios de um
pensar que, com elas, pretendesse ganhar o balanço suficiente para
penetrar no domínio da verdade e do saber. A filosofia é amor da sa-
bedoria, mas tal amor é já saber efectivo. Se o não fosse, seria um
formalismo vazio de qualquer conteúdo,>{ste será, de agora em diante,
um tema recorrente nos escritos ç J:Iegel, reiterado ainda, em 1807, no
Prefácio à Fenomenologia ?º Espírito,. e dirigido aí contra Kant,
o
acusado de impedir todo conhecimento efectivo ao privilegiar, de for-
ma unilateral, uma irzvestigação pre}iminar sobre as suas.x:ondições de
possibilidade.
Para Hegel, o factodeo sujeito-objecto sc~ellirtguianó,em resulta-
do das investigações . cfefilosofia da natu.r~fa,s~. ter tor~ado objectivo,
o facto de anaJ{treza( fegundo uma fórmula schellirtguiana de 1797,
ser «espfríto invisívd», impedirá/que. a.filàsofia caianoformalisnw da
Doqtrina da Ciência de Fighte. ·. q paralelismo qa natureza e da inte-
ligêncía, a possibilidade .de ir .de un,,a à outra percorrendo o mesmo

10
J
A quem. se dirigirá .censura velada, expressa no início da «Adver-
tência Prévia» à Differenzschrift, de querer contornar ou ocultar a diferença
entre os sistemas de Fídite e de Schelling? Talvez não somente a Reinhold,
que é mencionado logo de seguida, mas também ao próprio Schelling que,
na sua polémica com Eschenmeyer (ou seja, em Acerca do Verdadeiro Co11cei-
to da Filosofia da Natureza, publicado nos inícios de 1801 no Jornal Crítico de
Filosofia), não clarificara ainda a questão.
11 ln Von Kant bis Hegel, ed. cit., p. 143.

14
caminho em direcções opostas, a igual dignidade da filosofia da natu-
reza e da filosofia transcendental - teses que Schelling defendera com
brio no Prefácio ao Sistema de 1800 -, servirão a Hegel para forne-
cer às suas preocupações teológico-políticas iniciais o acabamento siste-
mático que procurava. A unidade do finito e do infinito, em cuja har-
monia banhava a bela vida social da cidade-estado grega e que tão
dramaticamente se ausentara da vida moderna, pode agora ser recupe-
rada, uma vez que a especulação se assegurou do princípio que a pode
produzir. A filosofia pode, finalmente, tornar-se compreensão da posi-
ção de determinações opostas, mas também do processo da sua supres-
são enquanto meramente opostas, quer dizer, fixadas no seu ser-oposto 12
- é neste sentido que, para Hegel, ela é especulativa, ao mostrar como
cada uma delas se revê na outra e regressa a si através da outra-,
permitindo, então, essa «Riickkehr in das Leben des Menschen» que
reclamava a carta a Schelling de 2 de Novembro de 1800. A decisão de
Hegel pela ciência, que o conduz a lançar-se no turbilhão do meio lite-
rário de Jena, resulta assim, directamente, do seu desenvolvimento filo-
sófico anterior, pois só a ciência lhe dará a possibilidade de resolver o
que antes lhe parecia possível sem o seu auxílio.
Hegel, que, mais tarde e em público, criticará com alguma severi-
dade o rumo seguido pela filosofia dq, 1tàtureza (tcgito em Schelling
como, sobretudo, nos seus seguidqres, não distirrgttindo, contudo, os
segundos do primeiro), considera, na Difforenzschrift, ser precisamen-
te nesta que se evidene/a a superioridade> da filosofia de Schelling sobre
o sistema de Fichte. Recorde,no!:i que, para este ú[tüng, a filosofia
transcendental não tem diante des(twm filosofia d(l nati1.reza, ou seja,
uma ciência com iguaLqignidade filosófica; npn; tão-pauco,8 elemento
subjectivo da primeira. e? demento objectivo da segur1d{l se reúnem no
o
sujeito-objecto que tenl na arte organo11. do se.zi\conheçi1nento; para
Fichte, a filosofia transcendental tem diante de si, apenas, o saber co-
mum.
É certo que, para Hegelr.Piéhte11ão çaiU 1ws vulgaridades e nas
simplificações. de um ~einholdott> dey71rBnrdilli, e a sua filosofia é um
produto genuíno qa especulação 13, Ao primeiro princípio da sua fíloso-

12 Cf. a advertência em Gesammcltc Wcrkc, Band 4, ed. cit., p. 13: «a


cisão necessária é 11111 factor da vida, que se forma a si mesma opondo-se
eternamente.»
13 Cf. ibidem, p. 77.

15
fia, expresso na proposiçao . - Eu = Eu, on. . de se exprime
.. a t·aseentorna
ue
t'dade
1 do
a st•
subjectívo e do objectivo (mas apenas para ? st;J~tto' q - suficiente,
mesmo como objecto), Fichte não opõe o prmcipw de raza~ lógica) se
que justificaria o modo como aquela identidade (meramen ~·chte opõe
aplicaria a uma matéria de que não pode dar co~ta.
1
M:s
nsciência
ainda à multiplicidade do saber empírico a umd. ade aª c~ r•o'trienos
· · · , os Je • ;s dela,
transcendental; em Schelling, ao invés, a multiplicidade
naturais manifesta a actividade sintética do espírito que, atrave
se encaminha para a consciência-de-si. _ . ld contra o
Não se conclua, daqui, que a argumentaçao de Remh? .;lstiça, era
qual Hegel reage violentamente e, por vezes, com alguma lrl] ublicada
desprovida de todo o sentido. Em A Destinação do Horn~rn, ~o encoW
em 1800, Fichte dirá também que quem parte do conhecimen _ s como
trará apenas os princípios do conhecimento, e as represe,!1-taçoeealidade
resultado da actividade da faculdade de conhecer, mas nao ª. \ 1old, de
verdadeira. Em Fichte, porém, não se tratava, como em Rein tranhai
uma aplicação do conhecimento a uma realidade qu~ lhe era ~s ·media~
tratava-se, sim, de descobrir o órgão pelo qual a realidade SUrge :ro com
tamente em nós, e de mostrar com.º'. cÇ1n resulta. do desse encon r que,
• . ., >. .. , . • do pensa
a realidade, se desenvolveram ~mnos todas as q:itegonas . . , t'cO 1
14,
posteriormente, a filosofia teórica articular& num todo s1stenia

4. A CRÍ1JC:À AO SlSTEMAbEFlCHTE E A. F5ÚPEl~JORlDADE


DO . S\STEMA DE S{:HELUNG
·. . . ·. · . ,.( .< . . .,· · . .· \ . filosofia
Apesar do. caract~r especulahvodo seicpo~to partida, a de
a Jí~
de Fíchte é, .rara. Begel, umaJi}osofia da reflexão, quer dizer, urn

14 E' . · ·, . . .
• .· ·.·i···.·· . .
ass1II'l. que, en:.\ Ftc;hte, o lµgar que ocupa, no s1stem,
. °
a da f'l
1 sofia
u!llª
, . . .· . , . ·.d· ·. •.. ·..... · ..·.. . . • • al Que
teonca, o pnnc1p10 e r<\zão S\Jf\ciente é extremamente onginc · t de
- .. , nh. , . "' . , ,. '···· . , d pon o
acçao se op~ a a a,cçao doEu é algo de condicionado apenas O . • ada
· t · · ·•·1·· d . . · . ·. ,.·. · ' · d1c1on,
visª matet'la ;_ tPº~to de vista da forma, a oposição é tão. mcon . hte ex·
quanto ª posiÇao. J1mbora o primeiro princípio da filosofia de Fie un-
presse uma posição absoluta (a do Eu por si mesmo, justamente),.º _segl da
do prmc1p10
· ' · exprime · uma oposição igualmente absoluta e ·rn de nvave ·011 a
· · A
pnme1ra. va 1 a e og1ca l'd d l' · do princípio de razão suficiente (que relact . ate·
d . ·
1 , · 'ptO 111•
e stmgue os opostos) e demonstrada e determinada pelo pnnci . , da
na· l que sub or d'ma a opos1çao · - à posição. (Cf. Fundamentos
. da Doutrina
Ciência Completa, SW, 1, p. 111/GA, 1/2, p. 272.)

16
1
1

losofia em que a cisão entre o sujeito e o objecto é superada apenas


subjectivamente, mas na qual, diante do sujeito assim erigido em abso-
luto, permanece uma multiplicidade empírica de objectos (o não-Eu
fichteano), desprovida de espírito e apenas sintetizável graças à imagi-
nação produtora.
Hegel compartilha com Schelling alguma incompreensão relativa-
mente às verdadeiras intenções de Fichte. A segunda parte dos Funda-
mentos da Doutrina da Ciência Completa, de 1794-1795, intitulada
«Fundamentos do saber teórico», pretende proceder a uma génese das
categorias kantianas. Assim, a primeira proposição-de-fundo de Fichte,
que afirma que o Eu se põe absolutamente a si mesmo, funda a catego-
ria de realidade; a segunda, que afirma a oposição do não-Eu ao Eu,
funda a categoria de negação; a terceira, que afirma a relação entre o
Eu e o não-Eu, funda a categoria de limite. Trata-se, como aliás Hegel
observa acertadamente na Differenzschrift 1s, de uma síntese entre
opostos, possível na medida em que, embora absolutamente incon-
dicionada quanto à forma 16, a segunda proposição depende ainda ma-
terialmente da primeira: a negação deve ter ainda alguma realidade
(uma certa grandeza intensiva, para falarmos como Kant) e ser, por
conseguinte, um pôr. É assim que, de uma forma certamente diferente
da kantiana, Fichte legitima o uso transcendental das categorias e proz'be
o seu uso transcendente: elas deduzem-se do Eu (e não, como acontecia
em Kant, da tábua dos juízos) e aplicam-se a essa quantidade de acti-
vidade posicional que o Eu limitou em si mesmo, para que um mundo
objectivo pudesse surgir.
Só que, sendo assim, como Hegel obse,:va no seguimento de
Schelling, o sistema fichteano terá de se apoiar numà multiplicidade de
proposições-de-fundo: O princípio da oposição, fundando a categoria
de negação1 não é dedutível do princípio da posição, que funda a cate-
goria de realidade; por outra lado, a oposição do não-Eu ao Eu não

15 Cf. Gesmnmelte Werke 1 Band 4, ed. cit., p. 42.


16 Entende-se por forma de uma proposição aquilo que ela diz acerca
da relação do sujeito com o predicado. Neste sentido, é óbvio que a forma
da negação se opõe à da afirmação. Mesmo supondo que o sujeito e o
predicado são os mesmos, numa proposição afirmativa e numa negativa,
vê-se facilmente que a relação entre os dois é totalmente diferente num
caso e no outro. Sobre este assunto, cf. Rolf-Peter Horstmann, Die Grenze
der Vernunft, Weinheim, Athenaum Verlag, 1995, 2.'1 ed., p. 122.

17
tem para Fichte, qualquer fundamento no Eu, sendo apenas um facto
' - ompe-
contíngente 17. Que algo se opo_~ha~ poderá .aco~tecer .ºu, ~ao, c aber
tindo apenas à WL, enquanto c1encia dos primeiros pnncipws do s_ ht
humano, determinar o modo necessário como tal acontece. O que Fie e
nega é que no Eu, tal como a WL o concebe, possa residir, simultanea-
mente, o princípio do seu pôr-se e o do seu não se pôr.
00
Schelling, em carta dirigida a Fichte a 19 de Novembro de 1~ '
insistia na necessidade de fornecer uma comprovação materi~l do idr-
lismo, que mostrasse de que modo a natureza pode ser deduzida ~o . it,
não, obviamente, do eu subjectivo do filósofo, mas sim do Eu obJectivo,
do «puro objectivo da intuição intelectual», como dirá, em 1801, a Ex-
posição do Meu Sistema de Filosofia 18, Para Fichte, tal comprov;-
ção, não só era desnecessária, como também contrária aos princípios a
WL: que um mundo material exista fora da consciência comprova-s~
pela resistência que o Eu sente em fazer valer, por toda a parte, a li-
berdade absoluta, que é o fundamento do seu pôr-se a sí mesmo. .
É certo que, em Fichte, esta resistência recebe ainda wna explica-
çao de ordem transcendental. Se o Eu que se põe a si mesmo e' ª rea-
-
lidade absoluta, a negação só pode resultar de uma supressã?, !e.º 1
próprio Eu, da sua actividade posicional. É', por isso que a resistencta
que mencionámos não deve ser confundida com a afecção de que s~
socorre a filosofia de .Kant para explicar a origem dos. nossos conheci-
mentos; ~qi~ela, aQ co~trário desta, é, simultaneameµte, real e ideal,:_ re~
porqu~ Imuta . o Eu, ideal pôrque é posta pelo próprio Eu, ou se;~, '
como ~á ~iss~mos, o Eu limitando-se. Só. que, na i11terpretação he~eliana;
este limite mtemo, parecendo autorizar uma dedução da realidad~ .
partir do primeiro princípio da WL, falha, defacto, nos seus propoSL-

17
Fichte, Furidamentos da Doutri.·na da Ciência Completa, SW, I, P· 2521
GA I/2, p. 390. ··. ..
18 Re · t ·.
.. gis ..i-se aqm uma .c1ara evolução no pensamento seh e11·mgt1iano,
, . ,. : ' .
que Hegel não acompanhará, ou que, pelo menos 1 interpretará num senti-
do muito próprio. Enquanto no Sistema de 1800 Schelling admitia que 0
caminho do Eu à natureza era paralelo ao caminho que ia da natureza ª~
Eu, em 1801 defende que tanto O Eu como a natureza podem ser dedu~i-
~os_ de um puro _obj:ctivo, que não é nem sujeito nem objecto, ~~s sim
indiferença quantitativa relativamente a um e a outro. (Cf. Expo~içao,. § :,
SW, IV, PP· 114-115.) Ora, para Hegel, o «puro objectivo» schell!ngui_an '
º:1 o absoluto, não se caracteriza pela indiferença; ele é sujeito e obJecto
simultaneamente.

18
~=
tos: o princípio e o resultado do sistema, em Fichte, nunca coincidem,
pois o limite, urna vez posto, nunca é reabsorvido pela actividade
posicional. Como Hegel dirá (e é este o cerne da sua crítica ao sistema
de Fichte): neste «idealismo do dever», que transforma o absoluto em
produto da reflexão, e o racional em algo que é posto pelo entendimen-
to, o Eu nunca é igual a Eu, mas deve, somente, sê-lo. A sua identi-
dade final consigo mesmo necessitaria, para ser posta, da forma do
tempo, resultaria de um progresso infinito, que mais não seria do que
um progresso empírico indefinido, cujo termo, apenas postulado, se
anul~ria de facto como termo efectivo.
E assim que, no sistema de Fichte, de acordo com a interpretação
hegeliana, o sujeito e o objecto estão condenados a permanecer eterna-
mente opostos e a cisão entre ambos não poderá nunca ser suprimida.
O absoluto hegeliano, ao invés, é uma identidade da identidade dos
opostos e da sua não-identidade; eles são efectivamente suprimidos no
absoluto, na medida em que é também nele e por ele que são postos
como opostos. Mas, no sistema de Fichte, a resolução da tarefa da filo-
sofia, que consiste em suprimir a cisão, terá de ser indefinidamente
adzada, pois tal sistema resultou apenas. do facto de se ter elevado ao
absoluto um dos opostos, relativizando o outro. Ora um tal absoluto só
pode ser ainda algo de relativo, diríamos, até, de duplamente relativo:
não só relativo ao que se. lhe opõe, mas ta111bém à arbitrária decisão do
filósofo em o absolutizar dessa forma.
Na linguagem de Hegel, o sujeita fíchteano é, como já dissemos,
~ujeito-objecto subjectivo: nele, exprime-se uma }dentidade entre o su-
7ezto e o objecto, na medida em que o objecto resulta dCJ supressão da
actividade posicional dosujeito; e o objétto é igualmente sujeito-objecto,
(
pelas mesmas razões, mas agora Objectivo, ou seja, desprovido de ver-
dadeira capacidade posicional: o seu ser é um mero ser-posto, pois não
seria se um sujeito não o determinasse coma o objecto que é.
Aqui, segundo nos. parece, Hegel afasta-se de Schelling, embora,
(
até 1807, cmo de puvlicação da Fenomenologia do Espírito, as dife-
renças entre {l,mbos não sejam nunca claramente expressas. Tudo de-
pende, como julgamos q11e se estará a ver, do modo como cada um dos
dois filósofos encara o «começo» da actividade filosófica, ou, por outras
palavras, o modo como cada um deles procura ultrapassar o, que tanto
um como o outro consideram ser o falso começo fichteano. A primeira
(
vista, o acordo parece ser total: começa-se a filosofar com o absoluto.
Mas, a uma segunda aproximação, as diferenças saltam à vista. Pode-
remos começar absolutamente com o absoluto? Quer dizer, começa-se
com o absoluto enquanto identidade que suprimiu as diferenças entre o

19
bsoluto que se
sujeito e o objecto, entre o ser e o pensar, ou. com O a
manifesta na cisão daquilo que, justamente, difere? , . funda-
Encontramo-nos aqui diante de uma diferença metodo 1ogi~ á uma
mental, embora ainda não explicitamente assumida, e que g?~ ar Não é
.
outra dimensao - no « p reJaczo»
,f.' .
a, Fenomeno1og1c·a do Esp1nto. S 1 ,[líng
tanto acerca do absoluto como objecto único da filo~ofza que I;:sofía
e Hegel se opõem, nem tão-pouco sobre a impotência de uma bre 0
.
f
da reflexão, como a de Fichte, em atingir o absoluto, quanto ~o el 0
modo como o absoluto se torna presente na especulaç~o. ~ara _egco;no
absoluto não é independente do processo da sua próprz~ afirmaç~~da em
1
unidade da diferença, tornando-se apenas real para nos na m,e torna
que o fazemos surgir como união do que está cindido, o que so ~e-
possível na medida em que a própria unidade vive da e na ~zsao. lati-
Além disso, em 1801, Schelling e Hegel divergem, tambemCre cor-
vamente à natureza do organon do conhecimento do absoluto. ~n que
dando ambos na possibilidade do seu conhecimento, Hegel deferi e que
ele se realiza por intuição intelectual (ou transcendenta~), ao Pª~º ue,
Schelling, na Exposição do meu ~istema del1ilosofia, defen e'q ÍVO
s:
após a int:liç~o i.ntelectual torna ainda ,~c.essário um acto r:f::vo ))
I

da consczencia filosofante,, !Jlíe lhe permita aceder ao «puro obJ . tuí-


da intuição como já anteriormente. efplicámos, Por outr~ la! 0 a por
1

ção intelectual heteliana não .coindd:e, nem cor1>íl versao d~ ª ª


I t
Schelling, nos.anos 1794-1796,nemcom a intui~ãoe~tética do S15 1 le:aa
do IdeaUsmo Transcendent~l.Não coin5íde corri.aprirnei~a .11ª me a
em q·r····'e ela sígm·if,·
d ,i.ç.a,
· Pª. r.a· Schelling, .· ·uma .· P. e.r.da
· · d.as.ubj·e·
,. ·ct1v1dade,
Cartasurpn·1_
«expenencza .... emorte» da consciência . como se afmria nas e a
•A •

1oso'f.1cas s.oor~ ,_. .·. · . /. ' . \. ..· · ,.... · i·de com


p E>ogmatiE1mo e .pCriticismq;>nem come , a
.d ·• . , ·. ·. .· .· . · . . · . . .r: z·ntrinsec
seg·u·n·. dt;l na medz a em q1;te esta pisa suprir .wma deJ zciencza
·A •

.. _
da razao - Jr:1z oso~rzca, 1~capaz;
· ·· •
.de·. · · ....·< • ·
exibir aq]fílo <··• ··
·que pressupoe-
n ecessana
1
mente no seu rw1to de partida/ · . . la-
Estas .díferen~a$r n:r:mo qflC ainda não exp!ícít~men~e for~rana
das er~1801,.q~o~tllj'l'LJa.na>dzrecção que tomara a filosofia ~zeg ão do
nos anos<seguzntes, f.que culminará, em 1812, na publlcaÇ
1.º Tomo da.Çiênc;ia da Lógica. Para Hegel a unidade entre um~
f 1.losoJia
,r do espmto , • · e uma filosofia da natureza ' devera, ser demons·-
trada pela explicitação das estruturas lógicas que subjazem ao prt
metro· e a' segun da, e que os transformam a ambos em . mo mentas_
diferenciados. de uma mesma totalidade. Só numa tal esfera abra~l
gente, se assim nos podemos exprimír, uma filosofia transce nden
.l ,r d . que se
e .uf!1a f z osoJ za a rzati~reza - as duas partes principais .em ode~
divide, segundo Schelling, o sistema completo da filosofia - P

20
rãa fundamentar as hipóteses que colocam como o seu ponto de
partida. Nesta perspectiva, esta Differenzschrift, para lá do seu
m~rc~d? carácter polémico e da sua inserção no contexto histórico-
11Zosóf1co alemão dos começos do século XIX, antecipa a feição que
t~mará o idealismo absoluto de Hegel, quando o autor o expuser
diante do público na sua forma acabada.

5. CRITÉRIOS SEGUIDOS NA ORGANIZAÇÃO DESTA EDIÇÃO

A versão alemã que seguimos para esta tradução é a da


Gesammelte Werke, Band 4, «Jenaer kritische Schriften» (hrsg. Von
Hartmut Buchner und Otto Poggeler), Hamburg, Felix Meiner, 1968.
Na margem do texto desta tradução indicamos as páginas desta edição,
q.ue deve ser hoje considerada como de referência nos estudos hege-
lz~nos. Não assinalámos as correcções dos editores ao texto da versão ori-
ginal, por ser matéria que ultrapassa o âmbito desta edição portuguesa
e em parte, também, a nossa competência,.
As remissões, nas notas explicativas que se ençontram no final
desta edição, para as obras dos autores que Hegel menciona, cita, ou,
por vezes, parafraseia, fizeram-se a partir das edições seguintes:

a) KANT: Kants Gesammelte Werke, herausgegeben von der


Konigliche Preussische. Akademie der Wissenschaften,
Berlin, 1902 e segs. (A seguir ao título .da obra, assinala-
mos esta edição pela abreviatura Ak. Ausg., seguida da
indicação do volume elfl algarismos romanos e da página
em algarismos árabes.) Relativamente à. Crítica da Razão
Pura, reenviaremos exclusivamente para a 1. ª e 2." edições,
sigladas, .como é habitual, pelas letras A e B, respectiva-
mente, seguidas do· númer;o de página.
b) FICHTE: Gesamtaugabe der Bayerischen Akademie der
Wíssenschaften (hrsg. von Reinhard Lauth u. a.), Stuttgart-
-Bad Cannstatt, Frommann-Holzboog, 1962 e segs. (A se-
guir ao título da obra citada - tratando-se da Doutrina
(
da Ciência de 1794-1795, referida pela sigla WL, como é
habitual na Forschung fichteana -, referimos esta edição
pela sigla GA, indicamos o número da série em algarismos
romanos, o número do volume em algarismos árabes e a
paginação.) Sãmmtliche Werke (hrsg. von I. H. Fichte),
Berlin, 1845-1846. (Referimos esta edição pela sigla SW,

21
seguida da indicação do volume em algarismos romanos e
da paginação em algarismos árabes.)
e) SCHELLING: Historisch-Kritische Ausgabe, im Auftrag
der Schellíng-Komíssion der Bayerischen Akademie der
Wissenschaften, Stuttgart-Bad Cannstatt, Frommann-
-Holzboog, 1976 e segs. (A seguir ao título da obra, refe-
rimos esta edição pela sigla HKA, indicamos o número
série em algarismos romanos, 0 número do volume em a
ªt
garismos árabes e a paginação.) Samtlíche Werke (hrsg.
von K. F. A. Schelling), Stuttgart-Augsburg, Cotta Verl~g,
1856-1861. (Referimos esta edição pela sigla SW, seguid~
da indicação do volume em algarismos romanos e da pagi-
nação em algarismo árabes.)
d) K. L. REINHOLD: Beitrage zur leichtern Uebersicht des
Zustands der Philosophie beim Anfang des 19 ·
Jahrhunderts, Erstes Heft, Hamburg, Perthes, 180~.
(Abreviamos o título para .Beitrage e indicamos a seguir
ao título a paginação d.esta edição.)
· · et
e) C. G. BARDILLI: Gtunéiriss der ersten Logik, gerenng
von den Irrthümmern bisheriger Logiken überhau?t,
der kantischen insbesorrdere; keine Kritik sondern ei~e
Medicina Ment~s, brâuchbar hauptsãchlich fur
Deu~sc~lands kritische Philosophie, Suttgart,, bei Franz
Christian Lofl.und, 1800. {Abreviamos o titulo p~ra
Grundriss der ersten Logik e .indicamos aseguir ao tit~-
lo a paginação desta edição. Servimo-nos da reimpressao
publicada na colecção «Aetas Kantiana», Bruxelles, Culture
et Civilisaticm, 1970.)

6. NOTA SOBRE A 1'RADUÇÃO

Se, por um lado, dos três grandes idealistas, Fichte, Schelling e


Hegel, talve~ apenas Hegel não mereça que O qualifiquemos como urn
gra nde escritor, por outro lado, nos seus textos transparece uma von-
tade de explorar ª fundo todos os recursos que a língua alemã oferece
p~ra. pensar. Procurámos nesta tradução para português o máximo de
+zdelzdade ao estilo hege1zano
J'
· .
e ao rztrno da sua +rase desz'd era to que
nos pareceu mais z'mpo rtan t e que o da elegancza J'formal.
A • '

. . ~»:bora O al~mão ofereça largas possibilidades de substantivizar os


mfznztivos verbazs e os adjectivos, o que nos impede de caracterizar esta

22
prática como uma peculiaridade hegeliana, a verdade é que o seu uso
frequente por Hegel, por vezes mesmo ao arrepio do que é a prática
corrente da língua, obriga o tradutor a cuidados especiais. Preferi-
mos, por fidelidade ao original, correr o risco de despertar alguma
e~tranheza e optar, por exemplo, por «o intuir», em vez de «a intui-
ç~o», ou por «o subjectivo», em vez de «o sujeito». Também a plasti-
cidade que o sufixo alemão -heit proporciona, e de que Hegel larga-
mente faz uso, dificilmente encontra equivalente em português, em
todos os casos.
Procurámos fazer corresponder uma única palavra portuguesa a
uma única palavra alemã, embora nem sempre tal se tenha revelado
possível. Assim, sempre que tivemos que recorrer a duas ou mais pa-
lavras portuguesas para traduzir uma palavra alemã (por exemplo:
Bedingtheit, que traduzimos por «carácter-condicionado»), socorremo-
-nos do artifício da hifenização. No glossário final, o leitor encontrará
a palavra alemã que traduzimos daquela forma. Exceptuam-se, obvia-
mente, aqueles casos em que, sendo a palavra alemã formada pela jus-
taposição de dois substantivos, a tradztçiict>consagradapara português
obriga ao recurso a um substantivo. composto ser~. híf.en. (Por exemplo:
"".'echselwirkung traduz-se. por (<acção recíproca».) Exceptua-se tam-
bem o caso de todas as falavras formadas eom o auxílio do prefixo Ur-,
ª? qual fizemos rnr(esp.onder, com~ )itlgamort,er pacifico,.º nO$S0 adjec-
tzvo «origin~rÍO>\ ou, mais mramente<\ o.adjectivo :<original:,
Por outro lado, emquase··.todos ·os casos resreitamo~(l. hifenização
do original alemão~ nomeadarnente em palavrascon1postas ppr sich-,
ou selbst-, ou eventua}n10nte pelos dois . (Exemplá: sic.tselbs.t~setzen.)
Trata-se,q11ase sempre, de tem;os criadospelo próprio If~gel, mas que
fazem de tal maneira parte<do /seu vop~bulárioptóprio, estão tão
zndissoluvelmente lig~dOEi àqu.ilo ~ue qver Be/>dito e que não poderia,
provavelmente, ~çr cUto de outraforma,}ue o tradutor não pode senão
correr o risco desobrecarregar o terto português com substantivos
compostos, formqdos por um mímero invulgarmente grande de pala-
vras e letras.
A distinção entre os sufixos alemães -heit e -barkeit não nos pa-
receu, na maioria das situações, merecer qualquer distinção em portu-
guês, aliás sempre difícil nestes casos e, normalmente, artificial. Por
exemplo, em Bestimmtheit ou Wiederholbarkeit pareceu-nos que
aqueles sufixos indicariam uma mesma ideia, a saber, a «detemzinidade»
e a «repetibilidade», no sentido de, respectivamente, possibilidade de
determinação e de repetição, opostas à determinação e à repetição já
efectivamente realizadas. Nos dois casos mencionados, é claro que a

23
razão do seu emprego se justifica para marcar, também do ponto .de
vista do léxico, uma diferença relativamente a Bestimmung e Wie-
derholung.
Procedemos, também, a algumas alterações de pontuação, em [ace
0
do original. Por sistema, fizemos corresponder ao traço de suspensao
seu equivalente em português, a saber, os dois pontos. Em algwn~s
frases excepcionalmente longas, separámos, ou por traços de suspensao,
ou por parêntesis curvos, algumas orações subordinadas, de todas as
vezes que o seu sentido, ou a ênfase que o autor lhes pretendia d~r,,nos
pareceu exigi-lo. Noutras situações, mas mais raramente, substituzrnos
o ponto e vírgula pelo ponto final.

Ao concluir o trabalho, a autor sente-se na obrigação de exprimir,


p~blica_mente, al~uns. agradecimentos. Em primeiro lugar, ao Centro !~
F'.losofza da U~1~ers1dade d~ Lisboa, que acolheu este projecto e patrto
cznou_a sua edtç~o. Em seguida, ao seu director, Prof Manuel do Carn _
Ferreira, que nao apenas procedeu à revisão desta tradução como tan:,
bém, com os seus comentários e sugestões, enriqueceu esta Introduçao
e as notas finais.

CARLOS MoRUJÃO

24
BIBLIOGRAFIA

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4. Obras sobre o debate }'l:egel/Fichte


. . . ·.. Grnyter,
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1965. . der
GIRNDT, H.,. Die Differenz des Fichfeschen ·und Hegelsdten Sy 5 fems in
Hegelschen «Differenzsdiri't» Bonn Bouvier Verlag 1965. deS
. · :1; ' .· ' .. · .· ' · ff renz
LAUT1;, Re~nhard, «Hegels spek,:llative Position in seiner 1 ~ «1?Lichte
Fichte ~chen und Schelling'schen Systems der Philosophie» nn
der Wissenschaf\~lehr~», in Kant-Studien, 4 (1980), 9 e ~egs_. ,r S ino-
- - , .':Das F~hlverst~_nd~1s der Wissenschaftslehre als ~ub1ekt1:e Jer1ag
zismus», m. Vermmftzge Durchdringung der Wírklichkeit, Nenned,
Ars Una, 1994, pp. 29-54.

26
~--...;;;;.==========-~-

DIFERENÇA ENTRE OS SISTEMAS FILOSÓFICOS


DE FICHTE E DE SCHELLING
)

~
---.....,,.:- -
.- ..... "'"'"""- . 111111 t:WZFnm'WlYIIW

5
ADVERTÊNCIA PRÉVIA

~as poucas expressões públicas nas quais se reconhece um


sentimento da diferença entre os sistemas filosóficos de Fichte e
~e Schelling, evidencia-se mais o esforço em contornar esta dis-
tinção, ou em ocultá-la, do que uma clara consciência dela. Nem
0 aspecto imediato de ambos os sistemas, tal como eles se en-
contram diante do público nem, entre outras, a resposta de
Sc~elling às objecções ideali~tas de Eschenmeyer 1 contra a filo-
~o~ia da natureza, exprimiram aquela distinção .. Ao invés,
einhold, por exemplo, teve tão-pouco um pressentimento dela
~ue~ antes, a outrora professada identidade completa de ambos
s sistemas lhe perturbou também, quanto a este assunto, o pon-
to .de vista acerca do sistema scheJUhguiano .•. Este equívoco de
Reinhold, mais do que a prometida - 01,1>rnelnor, já anunciada
como tendo acontecido ..,.-.. revolução çlaJHosofia por meio da sua
recondução à lógicaf; é a ocasiãg do tratado que se segue.
A filosofia 1$àntiana prec~souquéo seu espf~ito fosse separa-
do da sua letra e que.9 puro princípio especulativo fosse desta-
~ado ~~ restante,tqµe pertencia à reflexão Faciocinarite ou podia
~r utihzado .•adavor dela. No púncír,io dad~çlução.das catego-
r~as, esta filosofia é autêntiço 'ideahsmo, e est7 .J)rincípio é o que
Fic~t~ extraiu em forllla rt1é1is,purél e rigo;:osa e a que chamou
esp1nto da filos?fia d~ Kant. O facto. çie as coisas-em-si - atra-
vés do que 11ada s~•.expri111e objectivamente senão a forma vazia
da. oposição - Sér~~ d.e nçvo hipostasiadas e colocadas como
obJectividade absolu!atlàl como as coisas do dogmático - o
facto de as próprias categorias, transformadas, em parte, e~ f~-
c~ldades inertes e mortas da inteligência, em parte, em pnnc1-
P1~s supremos, por meio dos quais o enunciado, no qual o pró-
prio absoluto é expresso, como, por exemplo, a substância de

29
, . . f . ocinar negativo
,pinosa, e amqmlado, e de, dessa orma, o raci ar do filoso-
, ter podido colocar, agora tal como dantes, no lugc. 't'ica -,
- d fi1 , fia cri
rr, somente com mais pretensão, sob o nome e oso d dedu-
:stas circunstâncias residem, acima de tudo, na forma ª, ·ito· e
. , . ou espir '
;ão kantiana das categorias, não no seu principio . f senão
1
,e, de Kant, não tivéssemos outro pedaço da sua hloso ª la de-
. . 1· , l Naque e
este, aquela transformação seria \ quase mmte igive · e d mais
dução das formas do entendimento está expresso, do ~: ~idade
determinado, o princípio da especulação, a saber, ª i ~n adfr
do sujeito e do objecto; esta teoria do entendimento foi ap, esta
nhada pela razão. Pelo contrário, quando Kant tra1:_sfo;rªó fica,
mesma identidade, como razão, em objecto da reflexao_ 1 osto foi
a identidade desaparece por si mesma; se o entendimen en-
tratado com a razão, a razão, pelo contrário, é tratada c?rndo foi
tendimento. Torna-se aqui claro em que nível su? 0rd1 ;e do ~d'1
concebida a identidade do sujeito e do objecto. A 1dent1 ª enas
sujeito e do objecto restringe-se aqui a doze, ou melhor, ~p ofe-
a nove actividades puras do pensar, pois a modalid~de na~ re-
rece nenhuma determinação verdadeiramente objectiva; n~.ª cto·
side, essencialmente, a não-identidade do sujeito e do O }e ate-
Permanece fora das determinações objectivas por meio das e da
gorias um domínio empírico monstruos~>da sensibili~;;ide ~ 0 é
percepção, uma aposterioridade ab,soluta para\.\t\. q;1~1 na5ub-
indicada nenhuma aprioridade senão, apenas,,:uma maxirna ~ 0 _
jectiva da faculdade de julga1; reflexiorn111te; quer dize:, ª l:ªde
a
-identidade é eleva~a princípio absolutorNão l?ºderllil s;Juto
outra forma, a parhr.dp moment~ em, que da lde1c1.r dopr ... io-
da razão, é retiréé\da, a identida<ie, q~er dizer, ÇJ elen);eJ\to. rac tir
'd . , ·. . . . ·. . . . .. . . ·.· 1 .· . . ·e· a par
na1, e a 1 eia e oposta ªº.
~r de ~ma form.a,é,\bs~ ~1:ª.~. · .. à. re-
do momento em que cl.•raz~o, tomo f~ç\1ldc1.çle prat1ca,,fol. ~ ão
~e~t~da, não corno identidade ~bso\ut~,. ~ª~ l'>im .~r opo~iç tal
mhmta, com. ,1·· ....faculdade
···º.···.·.· da P....u. ra ·. u...n..·. ·..·. dad···.··
i. . . e• . do. ·.·.e.11.tend1rnentd'.
•. ·.. 1zer ,
como tem. ue ser pensada\, . partir do pensc11; finito, quer ara
.
do entendimento. .. ..u·
Sur·g··. e. .··.daq··· ...·. ·..io
. . r. ..e. ..·.s. . ..ult···ª·. ·····d···.ºcontrastante
. .. b. cttva5
que,~
o entendimento, n,ão existem 9:uais13.\1~r determinações O 1e
absolutas, porém, ex.i,~te~ para ç!- razão. . . e do
. O puro pensar de s1 n:lt9mo, a identidade do su1eit? e e
ob1ecto na forma Eu = Eu, é O princípio do sistema de ficht ('t l
quan d o nos detemos imediatamente neste único pnncip · ' io b' ªz
como, na filosofia de Kant, no princípio transcendental que 5tl 1ª e
'a d ed uçao
- d as categorias), · 0
obtemos O ousadamente exp ress

30
autêntico · , · d
do c . prmcil:'10 a especulação. Mas, mal a especulação sai
f onceito de si mesma que apresentou por si mesma e se con-
igt~ra como sistema, abandona-se a si mesma e ao seu princípio
: nao regressa a ele. Ela abandona a razão ao entendimento e
ransfere-se para a cadeia das finitudes da consciência, cadeia
essa a partir da qual não se reconstrói novamente a si mesma
~om_o _identidade e verdadeira infinitude. O próprio princípio, a
i7tmçao transcendental, põe-se, com isso, na posição equívoca de
~ go de oposto à multiplicidade que é deduzida a partir dele .
. absoluto do sistema mostra-se apenas na forma do seu apare-
cimento captado pela reflexão filosófica, e esta determinidade,
que lhe é dada por meio da reflexão, a saber, a finitude e a
oposição, nunca lhe é retirada. O princípio, o sujeito-objecto,
ªPr<:senta-se como um / sujeito-objecto subjectivo. O que é de- 7
~~zido dele reveste, com isso, a forma de uma condição da cons-
~iencia pura, do Eu = Eu, e a própria consciência pura reveste a
. or1:1a de uma consciência condicionada por uma infinitude ob-
Jectiva, a saber, a progressão temporal in infinitum, na qual se
perde a intuição transcendental e o Eu não se constitui a si
~esmo em ~uto-intuição ab~ol~it~, portanto, o Eu ~ Eu trans-
rma-se a SI mesmo no prmcip10: o Eu deve ser igual a Eu.
A r~zão posta na oposição absoluta, por conseguinte, despo-
tenciada em entendimento, torna-se, com isso, princípio das fi-
guras que o absoluto pode dar a si i11es:mo, e às·. suas ciências.
Ter de distinguir estes dois la<l,os do siste~~ ~ichteano - um,
segundo o qual ele expõe d~ n,.odo puro o ço,nceifo da razão e da
especulação, portanto, . to~ná a filosofi~>possível, outro, segundo o
q~al ele põe como. i1m SÓ a razãq e '.élCOJãSciência pur~ e eleva a
pnncípio a razão('.Oncebidanu:ma figura finita-:-:, tem de se mos-
:rar como necessidade .in.terna ·. da própria sqisa}; a pcasião externa
e dada pela própri~ neces~idade do . t~inpo .e . em. priineirq lugar,
1
pe~a obra de Reinhold Contribufos. para un1q Vísqo do Estqdo da Filo-
~ofia no Começo do Século XIX, que5e b~nhai1.esta.necessidade da
epoca, obra na qual não se re.paranq}atfo . e~lo qual o sistema de
Fichte é autêntica espeetdação e, porfanfo1Jilosofia, n~m no lad~ pelo
qt~a~ o sistema de ScheHin.g ~ distingue do de Fichte _e op~e ao
SUJeito-objecto subjectivo O sujeíço-objecto objectivo n_a filosofa~. da
natureza, e expõe-nos a ambos unidos em algo superior_ ao s~Jeito.
. No que diz respeito à necessidade do tempo, a filosofia de
Fi~hte fez tanta sensação e época que mesmo aqueles qu~ se ex-
plicam contra ela e se esforçam por abrir caminho a sistemas

31
· turvo e iríl-
especulativos próprios, apenas caem, de modo 1:1ms zes de se
uro no princípio da flloso. f'ia d e p·1chte e não sao capa enta a si.
P ' , . t que se apres
defenderem dele. O fenomeno segum e, d' ntos e os
mesmo num sistema que faz época, são os ~esenten imJo se pode
comportamentos desajeitados dos seus opositores. Qua~ , porque
. b <lido entao, e
dizer de um s1Stema que se tornou em sue: . ' ecessida-
se voltou para ele, com uma inclinação instintiva, mna n. rnesrfla,
de mais universal da filosofia, incapaz de dar à luz, por sli boração
a filosofia, pois, se o fosse, ter-se-ia · content ado com a . eª toca no
de um sistema; e a aparência de uma ace1· t aç,ão passiva ' . e e que,
facto de, no íntimo, estar presente o que o sistema exp~irntífica ou
de agora em diante, cada um faz valer na s1~a esfera ci~ hte que
vital. Neste sentido, não se pode dizer do sistema de ~e ndênCͪ
ele foi bem sucedido. Tanto, para isso, é um fa rd0 ª 0 rnais o
s não-filosófica \ da época, como, ao mesmo tempo, qua1;_ ·a para
t
entendimento e a utilidade sabem proporcionar importancti~ rnais
si mesmos e f azer valer para si mesmos fms . 1·1m1.tados ' ' tan ticnlar
existe o mais poderoso impulso do melhor espírito, em par rno os
no mundo desembaraçado e ainda jovem. Se fenómenos c_o neces-
Discursos sobre a Religião 3 não se adequam imediatamente ª rnais
sidade especulativa, indicam, bem como a sua aceita~ão, :-ª:ro 0u
ainda a dignidade com que, com um sentimento mais O se ber o
mais · conse1ente,
· a poeS1a · e a arte em ger~
1 começarn. 'a rece l qua1
seu verdadeiro âmbito, a necessidade de uma filosofia, pe a nos
a natureza seja reconciliada dosrnaus tratos de que padec~ eríl
05
sistemas kantiano e fichteat\ó, e a própria razão seja 1? 'razão

Pª dà
A . .. ·. · ..· ·.· . . .. dA . . qual a
concor d. anc1~ com e1a --- n:ão numa .i::on<;,C>:f ancia na. ; ·. irnageríl
renuncie a Sl mesmaou. se tenl1a deJornar m1rµa 1L. .. . .f nrar
da mesma, mas sim numa consonªncia, por a razão se con ig
.· • ·.. forças.
a s1 mesma como natureza, a partir das suas :pr~pt1ª~ >
• v. . .···•·· . ...\ • . •· ..··...· ·. ... · .. ,
critO
No que diz respeito às reflexões.~êraís/ com qµe est~ es etc.,
começa, sobre }3: heces5idade, 9 pr~s5trpo5tüt QS. princí?lOS, slla
da filosofia, têm o defeito de ser reflexões<gerais, e tern ª 5to,
razão de sér no facto\ge Sºrr\tais f~rm~s como pressupcdº e
princípios, etc., o.acess?ft filosoHa..,ser continuamente adi~ tro-
ocultado e, por isso,J, de certnmodo, necessário deixar-se in da
duzir nela, até ao<pon.fo d,e ser inteiramente e unicarnentemas
filosofia que se trata.' Alguns dos mais interessantes de5tes te
receb erao- am
. d a, noutra ocasião, um maior desenvo1vi·rnentü·

Jena, Julho de 1801.

32
AS DIVERSAS FORMAS QUE APARECEM 9
NO FILOSOFAR DOS NOSSOS DIAS

PONTO DE VISTA HISTÓRICO


SOBRE OS SISTEMAS FILOSÓFICOS

Uma época que deixou atrás de si, como passado, uma tal
~u~ntidade de sistemas filosóficos, parece ter de chegar àquela
Indiferença que a vida obtém após ter-se experimentado todas as
formas; o impulso para a totalidade ~x;prime-se ainda como im-
~ulso para a completude dos conµedrnentos, q11an:do a individua-
lidade ossificada já não se atreve· a viver; ela procura, através da
mul~iplicidade daquilo(Jlie tem, aparentar aquilo que não é. Na
medida em que .t~~n$forma a ciêi;l,cia p.rn conhecimrrito,recusou-
-~he a partidp~ção viva qu~ ª>dêpcü1requer, ll}~nteve-~. à distân-
cia e em pura figura obJectiya, e mantev.r-se a si mes111a, contra
todas as reivindicações a .erguer-se à ~miversalidad~, intocável na
sua particular,idade obstinada. f~ta este·•gén~nydeindiferença,
qu~ndo elêl sai de si mes111a por çurio5,idnde, não há nada de
mais agradável do qur dar. ttrn 1,1owe a yma filosofia de tipo
no~o, e, tal como .f,\,dã9 e,vpri111iu o se7! domínio sobre os ani-
mais no facto de 11-les ter dado 10.n nome, exprimir o domínio
sobre uma filosofia ~través ~a descoberta de um nome. Deste
(
°:0 do, ela é deslocadà pqta: o plano do conhecimento. Os conhe-
cimentos deparam-se êom objectos que lhes são estranhos; no
saber da filosofia, que nunca é outra coisa senão um conheci-
mento, a totalidade do interior não se moveu e a indiferença
afirmou completamente a sua liberdade.

33
2
Nenhum sistema de filosofia se pode subtrair à possibilidade
de um tal acolhimento; cada um é susceptível de ser tratado de
um ponto de vista histórico. Tal como cada figura viva pertence,
ao mesmo tempo, ao fenómeno, assim uma filosofia, como
fenómeno, se entregou àquele poder que a pode transformar
numa opinião morta e, desde o começo, em passado. O espírito
vivo que reside numa filosofia exige, para se revelar, nascer por
intermédio de um espírito semelhante. Ele passa diante da con-
duta histórica, que resulta de qualquer interesse pelo conheci-
mento de opiniões, como um fenómeno estranho, e não revela o
seu íntimo. Pode-lhe ser indiferente o facto de servir para en-
grossar a restante colecção de múmias e o amontoado universal
de contingências, pois ele próprio escapou ao coleccionar curioso
de conhecimentos disponíveis. Este agarra-se à sua tomada de
10 posição indiferente à verdade / e mantém a sua independência,
quer aceite quer recuse opiniões, quer se mantenha indecidido;
com os sistemas filosóficos, não pode ter qualquer outra relação
senão a de considerá-los opiniões, e tais contingências como
/ opiniões não lhe podem fazer ma,l algum; ainda não reconhece-
ram que a verdade existe.< . . <
Mas a história da filp,sofia ganha, qtra,ndo o impulso de alar-
1:ªn,ça
gar a ciência se . .a isso, u131 J~dô mais útil, na medida em
que deve servir1 nomeada131~nte; ~egundo Reinhold, para pene-
trar no espírito da filos?fia 131a,is. profundame~~te do que já acon-
teceu, ~ levar mais Jongeasopiniões prqpdasdos predecessores
sobre a fund~menta!ão da realidad~\.do c<:)nheciinento humano,
através de 11ovas opiniões próprias~ s?.~trayé.t\de um tal conhe-
cimento das t<tntativas que foramJeitasaté hoje para resolver a
t~re:fa da filosofia, poderá Pº{{ima tertatiV"iJ. dar efectivamente
resultado, se é quefoi.c?ncedi~oàhuinc1nidade alcançá-lo ·1. Vê-
-se que à fina,Iidade <le u a tal inyestigação subjaz uma repre-
131 a qual esta seria uma espécie de
sentação. .ela filosofia segundo.
arte rnân~ipb que ~(:l deixaria aperfeiçoar através de novos proce-
dimentos técp.iços it1~essantemente descobertos. Cada nova des-
coberta pressupqf! o conhecimento dos procedimentos já utiliza-
dos e dos seus· objectivos; mas, após todos os melhoramentos
feitos até ao presente, permanece ainda a tarefa fundamental,
que, depois de todos os outros, Reinhold parece pensar como a
descoberta de um último procedimento técnico universalmente
válido, por meio do qual, para todos os que fossem capazes de
o conhecer, a obra se realizaria por si mesma. Se se tratasse de

34
fazer uma tal descoberta e a ciência fosse a obra morta da habi-
lidade alheia, caber-lhe-ia, certamente, aquela perfectibilidade de
que são capazes as artes mecânicas, e, em cada época, os siste-
mas filosóficos anteriores não deveriam ser considerados senão
como exercícios preliminares para as grandes cabeças. Mas se o
absoluto, tal como a sua manifestação, a razão, é eternamente
um e o mesmo, como de facto é, então, cada razão que se dirige
e se conhece a si mesma produziu uma verdadeira filosofia e re-
solveu para si a tarefa que, tal como a sua solução, é a mesma
para todas as épocas 5• Porque, na filosofia, a razão que se conhece
a si mesma tem a ver somente consigo, reside também nela mes-
ma toda a sua obra e a sua actividade, e, em relação à essência
mais íntima da filosofia, não há antecessores nem seguidores.
Tal como não se pode falar de melhoramentos constantes, tam-
bém não se pode falar de pontos de vista próprios em filosofia 6•
Como poderia o racional ser uma coisa própria? Aquilo que é pró-
prio de uma filosofia, por ser próprio, só pode pertencer à forma
do sistema, não à essência da filosofia. Se algo de próprio consti-
tuísse efectivamente a essência de uma filosofia, ela não seria filo-
sofia alguma; e se um sistema explica que algo I de próprio cons- 11
titui a sua essência, tal sistema poderá - não obstante isso - ter
resultado da especulação autêntica, que apenas fracassou na tenta-
tiva de se exprimir na forma de uma ciência: Quem está prisioneiro
de uma peculiaridade, só vê nos outros peculiaridades; se, na es-
sência da filosofia, se conceder lugar a pontos de vista particulares,
e se Reinhold considera uma filosofià própria aquilo de que se
ocupou nos tempos mais recentes, então é certamente possível con-
siderar em geral todos os modos anteriores de expor e resolver a
tarefa da filosofiâ, com Reinhold, como sendo apenas peculiaridades
e exercícios preliminares, por meio dos quais, todavia, a tentativa
bem sucedida seria produzida de forma preparatória (pois não
devemos pôr de lado o ponto de vista teleológico quando vemos as
margens das ilhas afortunadas. da filosofia, pelas quais ansiamos,
cobertas apenas por barcos em. destroços, e não vemos nenhum
meio de transporte em bom .estado nas suas enseadas). Nem tão-
-pouco a partir da peculiaridade da forma na qual a filosofia de
Fichte se exprimiu, deve ser explicado que Fichte possa ter dito de
Espinosa que ele não poderia ter acreditado na sua própria filoso-
fia, nem poderia dela ter tido a convicção viva íntima e perfeita, e
possa ter dito dos antigos que era duvidoso o facto de terem pen-
sado com consciência a tarefa da filosofia.

35
to-
d , · sistema, ª
Se, aqui, a peculiaridade da forma o propno ressão,
1
talidade da sua natureza intrínseca, produziu uma ta expiste na
ao invés, a peculiaridade da filosofia de Reinhold consm pon-
tendência para instituir e fundamentar, que se ocUfª ~o fazer a
tos de vista filosóficos próprios e com a preocupaçao e altura
sua história. O amor e a fé na verdade elevou-se ª uma {0 seja
tão pura e vertiginosa que ele, para que a entrada no t:mr espa-
correctamente instituída e fundamentada, edifica um atnoduran-
çoso, no qual a verdade, para se poupar o passo, se ocupa merar 1
te muito tempo com o analisar, o metodologizar e O e~:~osofia, 1
até que afirma, como prova da sua incapacidade par:'1 ª rcíciOS
que os passos temerários dos outros não foram senao exe
preparatórios, ou erros do espírito. _ oprie-
A essência da filosofia não tem justamente chao para pr oprie·
dades e, para atingi-la, se o corpo exprime a soma d~s pr azãO,
dades, é necessário lançar-se nela à corps perdu 7; pois ª r ó se
que encontra a consciência prisioneira de peculiaridades, s a si
tornará especulação filosófica na medida em que se elevar á ao
mesma e se confiar a si mesma e ao absoluto, que ~e to;.n~;:1des
mesmo tempo o seu objecto. Ela só põe em risco ai as
da consciência e1 para as ultrapassar. e construir abso ~da- º.
1
tt t na

12 consciência, ~leva-se à especulação e, \ na <>.usência d~ uesrnª


s1
mento para as limitações e peculiaridades1 agarrou em 11'. ·da-
, . . . ·. .· ·1 - ., act!Vl
a sua pr.opna fundamentaçãó. Porque a especu açao e ª ' 1 se
de que a razão una e universal exerce sobre si roes.ma, ~ a, li-
li~ert~u. o seu prqprio ponto dê vista das cas_ual\d~des ee ;~er-
mitaçoes, deve (em vez de ver nos sistemas hlosohcos d ·sta
sas épocas e cabeças apenas diferentes modos e pont~s de v~or·
meramente própriost encontrar-se a si mesma atrave~ .da~ de
mas particulares, em vez de encontrar uma mera multiphcida : 0 é
conceitos . e opiniões razoáveis, pois uma tal multiplicidade _na é a
uma filosofia; O verdadeiramente próprio de uma filosofia si
· d.1v1'dua l'd
m 1 a d·e ·interessante, na qual a razão organi·zou para . lati
mesma uma figura, com os materiais de uma época particu5eu
a1,' a razao - especul ativa · ·
particular encontra o espi'rito do rt'la
esp~n' ·t~' a ~arne d a sua carne, mtm-se
· · a s1· nela com? u1nca .e a mesi" leta
essencia viva e como um outro. Cada filosofia e em si co~~ão-
5
e tem1 como uma autêntica obra de arte, a totalidade em \ael e
-pouco como a obra de Apeles ou de Sófocles, se Ra er
Shakespeare a tivessem conhecido, lhes teria podido apare~ª
como um exercício prévio para si mesmos, mas sim como u

36
força config
suas es pmtual
.. _apare n t ªd a a, sua, tao-pouco
- pode a razão nas
. préviosuraçoes
cios d pr ece d entes, ver-se a si mesma como exercí-
'
rou Home e que poderia tirar partido; e se Virgílio conside-
,
epoca mai·sro como
f. um ta1 exerc1c10 , . prévio para si e para a sua
. . ' ~' en eao a sua obra permaneceu um exercício
posteriore d remada
e 1mitaçao.

A NECESSID ADE DA FILOSOFIA

filosofia
Se conside rarmos mais . de perto a forma particular que uma
de viv; ;prese'.'ta, vêmo-la, por um lado, surgir da originalida·
rou pel O espmto, que, nela, produziu por si mesmo e contigu-
resultar ad sua acçã' 0 a. h armoma. d espedaça d a, por outro lado,
sistema A' ~o:m~ particular que traz a cisão e da8 qual surge o
lura d · , c15ao e a fonte da necessidade da filosofia e, como cul·
aquiloª epoc_a, 0 la_do não-livre e dado da sua figura. Na cultura,
fixou que e manifestação do absoluto isolou-se do absoluto e
nifest-se_c0 ~ 0 ª1go de autónomo. Mas, ao mesmo tempo, a ma-
consf~çao nao pode negar a sua origem e deve partir daí para
força 'ct°'r· como um todo a multiplicidade das suas limitações; a
colo e Imutar, a saber, o entendimento, liga ao seu edifício, que
é va~~ entre o homem e o absoluto, tudo o que [ para o homem 1,
os ioso e sagrado, consolida o seu edifício por meio de todos
PoJoderes da natureza e do talento e alarga-o até ao infinito.
p , e _encontrar-se aí a totalidade das limitações, só que não o
r:opno absoluto; perdido nas partes, ele impulsiollll o entendi·
en~:~ no sentido do desenvolvimento infinito da multiplicidade,
at, unento que, na medida em que se esforça, por se alargar
" e ao abs ou 1 to, mas apenas. se pro d uz sem cessar a s1. mesmo,
escarnece de si .mesmo. A razão só atinge o absoluto na medida
em que se arrancél: a estas partes múltiplas; quanto mais firme e
::s;landecente é O edifício do entendimento, tanto mais agitado
orna o esforço da vida, que nele está presa como uma parte,
p;'a dele sair em direcção à liberdade. Na medida em que ela se
ª asta como razão, ao mesmo tempo é aniquilada a totalidade das
limita
. -
çoes, · ·1ar e, com isso,
relacionada com o absoluto neste aniqt11 ·
im'.'diatamente compreendida e posta como mera manifestação; ª
cisao entre o absoluto e a totalidade das limitações desapareceu.
O entendimento imita a razão no pôr absoluto e, por meio
deS a mesma forma, dá a si mesmo a aparência de razão, embora
t

37
. . . t to finitas;
as co1Sas postas se1am em s1 mesmas opostas e, por an : rn
e fá-lo com tanto maior aparência quando transforma e f~xa nu to
produto o negar racional. O infinito, na medida em que _e opos ra
ao finito, é um racional posto pelo entendimento; exprime ~~a 1
si mesmo, como racional, apenas a negação do finito. Na rne t~
em que o entendimento fixa o infinito, opõe-no absolutarn~n ir
ao finito, e a reflexão, que se tinha elevado à razão, ao 5 uprnne-
o finito rebaixou-se de novo ao plano do entendimento, n\ m a
dida em que fixou o agir da razão na oposição; todavi_a, rec ª;s
ainda a pretensão de ser racional neste retroceder. Tais opor ~0 '
que deveriam valer como produtos da razão e como abso ut 5'
·f ren e
foram expostos de forma diferente pela cultura de d 1 e
épocas, e o entendimento deu-se a esse trabalho. Os opoS t º 1i~e,
5
. h . "f' d , ·t e rnateria,
ou trora, tm am s1gm 1cado, sob a forma e espin ·dade e te., °
a1ma e corpo, fé e entendimento, liberdade e necessi ' ' . a-
em esferas mais limitadas e ainda de modos diferenteS, e hg
• • .. i . f mararn-se,
vam a s1 todo o peso do mteresse humano, trans or ' ' -
. - tre razaO
com o progresso da cultura, na forma das opos1çoes en . r-
e sensibilidade, inteligência e natureza e, para o conceito uruve
sal, entn~ s~1bjectividade abso.luta. e objectividad~ .ab~oluté\e da
Suprimir tais opostos tornados· fixos é o .único mteres 1
razão. Este seu interesse não.significa que ela se coloque ,ern · gera,
é un,
contra ns oposições e as limitações· pois a cisão necessana
. . ' ·. . .. . ruente,
f actor d a vida, quese forma a simesn;ia opondo-se eterna ,
.d d. , ·, · ·. · · · d··· ·da atraves
e a t o t a l1. a · e so e possível, na forma suprema a vi ' ' ' _
14 do. restabelecimento a partir da· suprema· separação. 1 Mas ª ra _
zão ~oloca-se contra a fixação absolúta da cisão por meio do ~~­
tendimento, e isto tanto mais quanto os próprios termos abso
tamente opm;tos .tiveram origem na razão. . ho-
Qual\do o poder deunificação desaparece~l da vida ~º\ecí-
mens, e º. s ºP. o.s. .tos p.e. . rderam . a sua relação viva . e adacçao floso f.ia.
proca e ganharam autonomia, surge a necessidade a 1 , a
Nesta medida, é uma contingência mas sob a cisão dada,de
' ' . ·da e e
tentativa necessária para suprimir a oposição da subjectivi ' d
da objectividade consolidadas, e conceber o surgimento do rnun ~
intelectual e do mundo real como um devir I o seu ser • comdo
produto, como um produzir: na actividade infinita do devir ~ -o
d . - . b . u a cisa
pro uzir, a razao umu o que estava separado e re aixo . de
absoluta a uma relativa, que está condicionada pela identid~
originária. Quando, onde e sob que forma tais auto-reproduç~es
- · en-
da razao surgem como filosofias, é contingente. Esta conting

38
eia deve se .
mesrn r concebida como sendo o absoluto que se põe a si
°
contin co~o uma totalidade objectiva. A contingência é uma
A

1
absolufin~ .ª n~ tempo, na medida em que a objectividade do
da e e mtwda como um progresso no tempo; mas, na medi-
rnáti rn_ que aparece como contiguidade no espaço, a cisão é cli-
pens ca, na forma da reflexão fixada, como um mundo de um ser
tiva ante e _P:nsado, em oposição a um mundo de realidade efec-
Q eS ta crnao acontece no norte ocidental.
se t uanto mais a cultura prospera, quanto mais diversificado
cisã orna o desenvo1v1mento · das expressoes- da v1·a a, no qua1 a
da ~ ~e pode devorar a si mesma, tanto maior se torna o poder
estrcisaoh ' tanto mais · t·1rme a sua sacralidade chmahca,
· , · tanto mais·
for an os para a totalidade da cultura, e sem significado, os es-
tatiços, da vida para recuperar para si a harmonia. Aquelas ten-
cultªs, poucas relativamente à totalidade, dirigidas contra a nova
sad ura e as significativamente mais belas configurações do pas- i 1
O 1'
qu , ou d~ estranho, puderam apenas despertar aquela atenção !
ti e e possivel quando não pode ser eri.tendida a relação autên- . 1
1

ti ca e ma·is profun d a com a arte viva. Com o afastamento, re1a-


vadmente a ela, da totalid. adê do sistema .das relações vitais,
p er eu-se O conceito · da sua conexão abrangente, que se trans-
f
dormou, ou no conceito de uma superstição, ou no de um jogo
fo: entretenimento. A suprema perfeição estética - tal como se
a . ma numa determinada religião na qual o )'tomem se eleva
dcirna de toda a cisão e vê. desaparecer no reino da graça ª· liber-
t ade do · · e a necessidade do objecto - pod e apenas acon-
SUJelto
ecer
b , ene ·
rgrcamente âté · um determinado grau d a cu · ltura, e n a
arbarie universal ou na barbárie da p·1ebe. A cultura em pro- /
gress 0 separou-se dela e pô:la · ao·. seu
· lado
. ou " . ao zadO de,fa, 1s
· .pos-se
e porque O entendimen.to se tornóu mais seguro de si, prospe-
ram ambas, uma ao lado da outra m.1ma certa tranquilidade, na
med 1·d ª em que se. · separam ' ·em domínios
' totalmente d 1st· mto
· 5,
em que para cada um . ·deles ' não · tem qualquer significa d O aqm·10
que se passa no outro.
· Mas O entendimento pode também ser atacado, de forma
1mediat
pela razão, e a t en ta t·IV,a de aniqui-
1ar a c1· a,- no seu domínio, . , . re fl exao- e, com isso'. o seu
, sao por me10 da propna
caract
. _ er a b soluto pode ser melhor compreen dºda· 1 <, por rnso ' a
cisao, que se sen'tia atacada se voltou, durante tanto temp~,
com ód 10 · e raiva . contra a razao, ' _ ate, que o rei·no do entend1- .
mento se alçou a um poder tal, que se pode manter com mms

39
segurança diante da razão. Assim como se costuma dizer Ada
virtude que o maior testemunho da sua realidade é a ap~ren-
cia que a hipocrisia lhe pede de empréstimo, assim tambem ~
entendimento não se pode proteger da razão e pro_cura prJe
servar-se, através de uma aparência de razão, do sentimento t
falta de conteúdo interno e do medo secreto que atorrnen ª
qualquer limitação, aparência essa por meio da qual disfarça
as suas particularidades. O desprezo pela razão não se most~a
de forma mais forte pelo facto de ela ser livremente despreza ~
e injuriada, mas sim pelo facto de o carácter limitado se g{
bar do seu domínio sobre a filosofia e da sua amizade por e a.
A filosofia deve repelir a amizade por tais falsas tentativ~S, Ju:
se gabam de forma desleal da aniquilação das particul~r~da e '
partem da limitação e, para salvá-las e assegurá-las, utilizam ª
filosofia como um meio. f

)
Na luta do entendimento com a razão vem àquele uma or-
0
ça, somente na medida em que esta renuncia a si mesma;. ·da sdu-e
cesso da luta depende, por isso, dela própria e da autentl~~ade,
da necessidade, da qual ela surge de restabelecer a totah
. ' p~~
A necessidade da filosofia pode ser expressa como o seu f ·ta
posto, se é que à filosofia, que começa consigo mesma, deve ser eirn
uma espécie de átrio·' e' no,.·nosso tempO' muito se falou deda~ tlf'
pressuposto absoluto. Aquilo a que .se chama o pressupoS tº . '
1oso fia
· nao - e, senão a necessidade expressa dela. p arque, · 'assun, ª
necess1"dad e e, posta· para a reflexão·
· ·
devem · · d 01s
existir · pressupostos, ·,
Um e o propno·. a so. uto; ele e o al~o que se pro cura·' eled 0P7
' , · b 1 ·. ·. ' , · ·
, · cura ·
esta presente: de outro modo, como poderia ser pro ~ .
A - d . . . . d 1·mitaçoes,
razao pro u-lo apenas ao li\)ertar a consciência· as 1 ' t0
este suprimir das limitações está col).dicionado pelo pressupos
da ilimitabilidade. . .. ·da-
0 outro pressuposto seria. a saída da consciência da tota~ e
de, a cisão em ser e não-ser, ein conceito e ser, em finitu e ,
· d e. Para .· o ponto de. vista
· f'rmtu
m · da cisão a síntese ab s oluta e5
, . · · ' - às sua
um a1e~.- o indeterminado e sem forma que se ºfº~ ' rn do
16 determm1dades. \ O absoluto é a noite e a luz é mais 1ove a
que ela, e a distinção entre ambas tal como a saída da ltt~ro
. d . , ' d , prirne1 '
par tir a noite, e urna diferença absoluta - o Na a e O d Jtl·
do qual todo o ser, toda a multiplicidade do finito, proce ~os,
Mas a tarefa da filosofia consiste em unir estes pressupos _.
em pôr o ser no não-ser - como devir a cisão no absoluto
como sua manifestação, o finito no infi;ito - como vida.

40
Porém é desa· 't d .
um press ' 'Jei ª o exprimir a necessidade da filosofia como
cebe uma uposto
f da m esma, p01s,
· d esse modo, a necessidade
. re-
proposi·ç-' orma da fl -
' re exao; esta forma da reflexão aparece como
exigir às oes contr. ~ d't' · de que mais abaixo se falará. Pode-se
1 onas,

Ção destaf roposiç?e~ que se justifiquem a si mesmas; a justifica-


losofia e p~oposiçoes, como pressupostos, não será ainda a fi-
filosofía. ' assim, 0 sondar e fundamentar começa antes e fora da

.A REFLEXÃO
COMO INSTRUMENTO DO FILOSOFAR

A forma q ..
de ser ex ue revestma a necessidade da filosofia, se tivesse
sidade d r;;ssa ~orno pressuposto, fornece a transição da neces-
com0 rwa_, 1 osofia para o instrumento do filosofar, para a reflexão
tal é a t zaof. O absoluto deve ser construído para a consciência,
os produt are a da' filos 0_fia; mas, d ado que tanto o pro d uzIT
. como
tradição. is da reflexao são apenas limitações, isto é uma can-
ele não , absoluto deve ser reflectido, posto; mas deste modo
1ünitadoe ~ 0st0 , ~as_ sim suprimido, pois, ao ser posto, tornou-se
Deve-se · mediaçao desta contradição é a reflexão filosófica.
capaz d preferencialmente mostrar em que medida a reflexão é
cuiação e captar o absoluto e como, no seu trabalho como espe-
da co ' s~porta a necessidade e a possibilidade de ser sintetiza-
mentemtão a intuiç.ªº ab sol uta, e ser para s1,. subJect1vamente,
. . .
1usta-
consciê . perfeita como o seu produto, o absoluto construído na
nfclia, deve ser, ao mesmo tempo consciente e inconsciente.
A re ex- . ' .
mir do b ao isolada, enquanto pôr de opostos, seria um supn-
com0 ª_soluto; ela é a faculdade do ser e da limitação. Mas,
é razã razao, a reflexão { tem urna relação com O absoluto e só 17
O
mesm através desta relação· assim a reflexão aniquila-se a si
aeatd , ' .
gue se .0 0 o ser e a tudo o que é limitado, na medida em
1
mente rte aciona com o absoluto. Mas ao mesmo tempo, precisa-
subsist~ª rav' . es d a sua relação com o absoluto,
' o limitado tem uma
enc1a.
A razão apresenta-se a si mesma como força d o abso1u to
negativo
com0 f ' portanto, como negar absoluto, e, simultaneamente,
tiva. À.rça do pôr da totalidade dos opostos subjectivo e objec-
impuI . s vezes, eleva o entendimento acima dele mesmo,
81
Proctu" .0na-o
. em d'irecção a um todo semelhante a s1;· 1eva-o a
zu uma totalidade objectiva. Cada ser, na medida em que

41
_ _ _ _,..,.--Z7fti:lilililillllliilllP111il-l'7tfMi3CfflTlllllillllll.lllSlililll-.,__"'"'""'.=::::: - - ~

. . te· enten-
é posto, é um oposto, é condicionado e cond 1c10nan ' 0. _ das
dimento completa estas suas limitações através da posiçao JJ1.0
limitações opostas, como condições; estas necessitam do °:ets a
, . f .t Com is o,
completar e a sua tarefa alarga-se ate ao m 1m o. direc-
reflexão parece relevar apenas do entendimento, mas eS t ª reta
ção para a totalidade da necessidade é a participação_ e ª secsertl
eficácia da razão. Na medida em que torna o entendimen:.º ueza
fronteiras, ele e o seu mundo objectivo afundam-se n~ nq ser
infinita. Pois cada ser, que o entendimento produz,. e urnde si
determinado, e o determinado tem o indeterminado diante duas
e atrás de si, e a multiplicidade do ser encontra-se entre ·s 0
01
noites, sem se conseguir manter; ela repousa no nada, P da
na '·
indeterminado é nada para o entendimento, e acab ª ndO -i-
. · d . - do eterv•
A teimosia o entendimento permite que a opos1çao d na-
nado e do indeterminado, da finitude e da infinitude ab~n. ºsta-
·· 11
d a, permaneçam lado a lado por unificar; e que o ser · seJa ) , rio,
mente fixado diante do não-ser, para ele igualmente necetªrn.as
Porque a sua essência se dirige a uma determinação ge~a deter-
o seu determinado é imediatament.e limitado por um inf . no
mma · d o, o seu por e determinar.nunca comp1e t am 'a .tare
A
' a, ão-
próprio acontecimento do pôre determiJJ~}' encontra-se urn ,n'ria
-pôr e um indeterminado, portanto, continuamente, ª pro~os,
tarefa de pôr e determinar. Se o e1lte11.dimento fix,a ~stes opos er,
f . ·t . f. . . . , .. , . . ·.,· ·
O 1m O e O m . mito,. de modoa qtJe·ambos ..•..· eva ; ; t 'i se a si
d· ··.. 1 permanec
ao mesmo. tempo, cornp üpü$l0S Uffi
mesmo, p9is a posição· do ,finito e do ihfü;lito significa .qu '.Na
ao
()Utr.(), ·. · :.5 . ro - e na
.d .·· ... ·. ·'· , .. ·: •, rim1do,
me d 1 a em que Hit\.deies é posto,.\o mittü e .. $UP . ntoi
medida e1t1.que a razão reco.JJhecejsto~ 1:1updmi1J o entend1me rn.o
) o seu pôr aparece-lhe coino \lp:l nã()"-pôr,.os seus produtos cose-
negações. Este ani~uilar,:.0ll o.puro pôr da razão sem o~o.rdade

e: ,::i~o
ria, quando ela··.· . é·º.P···· qstf1à···· . º.bje·c. tiyidade infinita, a subjectlVl qt1e
infini~a: O reitlü claJi~erdade oposto ao mundo objecdti"V:· a
este e, nesta mesp,.a forma; oposto e condicionado, taIJl.·
razão, para suprimir absolutamente a oposição, aniqwla-la ificá-
18 bém na sua autonomia. 1 A razão aniquila-os a ambos ªº. t~n doS,
-1os,· pms · e1es sao- apenas na medida em que nao - sao - t.1n1frca -
0 05
Nesta unificação, subsistem ambos simultaneamente, pois O ~ o
to e, por conseguinte, limitado é com isto, relacionado co na
' . penas
ab so1uto. M as o oposto não permanece por s1; mas ª. tida-
medida em que é posto no absoluto, quer dizer, como ideni·da-
. · do, na medida em que pertence a uma elas tota 1
de; o 1imita

42
des op
ostas, porta t 1 . ,
medida e 'n °, re ativas, e ou necessário ou livre; na
pria limit:ç_q~ie, pertence à síntese de ambas, suprime a sua pró-
e sem consao, . e ao mesmo tempo, 1·1vre e necessano,
A '.
, . consciente
.
infinitud , cien_c~a. Esta identidade consciente do finito e da
1ectu 2 1 de, a umficaç- ' ao d os d ms · mundos, do sensível e do inte-
"' o nec , ·
Xão como f :sano e do livre, na consciência, é saber. A refle-
sintetizad acu
os na razao
ªª: do finito, e o infinito que lhe é oposto, são
· m · f'mitu
· d e capta em si o finito.
Na m d 'd ' ' , cup
1
objecto "e ª ~m que a reflexão se toma a si mesma como seu
da qual' el " sua le1 suprema, que lhe é dada pela razão e por meio
ela perm ª se torna em razão, é o seu aniquilamento; como tudo,
-1he; portanece eapen as, no a b souto, 1 mas, corno reflexao, - opoe-se-
-
seu auto- an_to, .para permanecer, deve dar a si mesma a lei do
constitui aniquilamento. A lei imanente, por meio da qual ela se
cípio de u como absoluta pelas suas próprias forças, seria o prin-
perman contr . ªd'içao, - nomeadamente, que o seu ser posto seja e
lutamen~ça, de5te modo, ela fixou os ~e.us produtos como abso-
0
Perman e P 0st0 s ao absoluto,. º. .n.·. ·. stituiu-se e.rn . . .·. · . .I. . ei eterna de
1
1
ecer e t d'
e.

se fixar e.
n en iment~ n~d se transfo~roat éin razão, e de r
Initada ~a sua obra t...i. e.~., . na oposição.·.'·ª.·. º·. ·. absoluto - e, como li- t
, e op t
os ª ao .·
q.

.
A ss1m absoluto - é nada
e0 · . \ .. · · _ ;\ ••·
entend. .1110 a razao, pox isso;. .se transformaep1\algo de
d o é p imento
tir exp~
d ade e
st
nme
\... e "" s ua }11
ª numa.oposiç.
com·0
. f'·····d·
ã·º
imtt! (\ em
·. . i(assim
·. ·
• . .mfmitu
. . . d e ~\!b....
tamb .e.·'m
. . · ·. •. pensar, se presta precism11ente a es.t<J am 1gm-
·.. ·>ªfo
. . rm
· ..····
1echya, quan-
··ª.Í·q.ue. º.··· reflec- b' · I
11

absol t a. . (\este 'ab uso.•··s···e·· O pensar não · · ··


for postoc;orno · ··
a aç{1v1 · 'd d
a e
mente u a da p ropna razao1 par~.ª qtmlnão ha pttra e s1mp1es-
, · - · ••. .. • , ·• ·
nas u nenhuma ºP?sição, n1as se o pensarfor considerado ape-
nas m reflect·1r.m~ns · · };JtH'o,. ··querd1zer.· • · \tlm •re • f··1 ectir · no qua 1 ap e-
se abstr 1··a·\· \ . .. 1
\' • -
Pode ~ a9posiçãprentão1 talpensamento abstract1vo nao
dev :1em seqtier sai.r do entendimento em direcção à lógica, que
e Incluir .. \ . ·. · . · · · d' - ' f'loso
fia A. em st a r. ª. zão;e muito menos em irecçao a 1 -
·
posta ess" ·
enc~a ou o carácter interno do pensar como pens~r e,
·•.. ··
me t por Remhold 9 como a repetição infinita de um e precisa-
Pren. e do mesmo, corno um e precisamente o mesmo, num e
= c1samente no mesmo, por meio de um e precisamente do
.,,esm
te c ? ou como identidade 10. Poder-se-ia, através deste aparen-
1

taz_aracter de uma identidade, ser induzido a ver neste pensar ª


sar aob) Ma' 8 através da sua oposição a) a uma ap1·1caçao - do pen-
pe~ uma materialidade absoluta, torna-se claro. que eS te
ª-
sar nao é a identidade absoluta, a identidade do su1eito e do

43
. - ta em si,
objecto, que suprime os dois na sua oposiçao e ~s cap b trac-
19 mas sim uma identidade pura, quer dizer, 1 surgida da ~-;ento
ção e condicionada pela oposição: é o conceito-de-enten I fixos.
abstracto de unidade, a saber, uma unidade de opo st osh'bi'to
, h . no a ,
Reinhold vê o erro das filosofias existentes ate 0 Je f da-
tão difundido entre os filósofos do nosso tempo e tão pro unpli-
mente enraizado, de representar o pensar em ger al e a sua total-
A
a
11
cação como algo de meramente subjectivo . S~ fo_ss.em~s deste
mente sérios para com a identidade e não-sub1echvida e hunlª
pensar, Reinhold não poderia, desde logo, estabelecer ;en pen-
diferença entre o pensar e a aplicação do pensar; quan O urgir °
sar é verdadeira identidade, não subjectiva, como pode .s, não
ainda algo de diferente do pensar, uma aplicaçã~, p~r~ i;uan-

) falar da matéria que é postulada por causa da aphcaçao. edida


do o método analítico lida com uma actividade, esta, na ~ sin-
em que deve ser analisada, deve aparecer-lhe como algo emen-
tético e, através da análise, surgem, logo de seguida, ,ºs e1e ta 12.
tos da unidade e de uma multiplicidade que lhe e opos bjec-
Aquilo que a análise expõe como unidade será cha~a~o ~u e 0
tivo e, enquanto tal, uma unidade oposta àinultiphcida e, odo,
pensar será caracterizado COlllQidentidadeal;,stract~; .deS te ~uma
O pensar é algo de puramente limitado,e a sua activ1dade e umª
aplicação conforme a uma lei, de a:cordo com uma regra, a bef,
é
matéria já existente; ou seja, tllgQ que não pode ating~r o s~ o
Só na in~<;licla em . gµe> ª. reflexão tein uina. relaçao, c~esta
absoluto érazão e asua actividade um.saber; mas,atraves é a
) - .·
UnICa reahdp.de
b .··.· . . · .
do
. ·. · · . . , - .: · manece e
~e1~çao, a .sua p. ra ga~sa e ap~11as ª, xe_1aça9 p-:-e~ ', nenhuIIlª
conheciII\Crtt9;; ,por JSSO, nao ~a a da stta
Ve~da?e/fª reflexão is9;l{lcla~ do ptlI:0 pe1:sar, sen~O roduzidO
amqmlaçao. Mas o absoh,J.tc\ porque, no filosofar, e P lida-
pela reflexão para)'l cQrtsêi~néiâ, .torria-se com isso uma tot~meW
cle objectiva,,µmtoclÔ ~esãber,tlma organização de conheCl todO,
tos. Nesta orgari.iza.ção, rnda parte é ao mesmo tempo O tem
pois consiste na. relação com o absoluto. Como parte qt~és de
outra fora de si, é algo de limitaclo, existindo apenas atra ntido
um outro; isolada como limitação é insuficiente, só tem : por
e significação através da sua conexão com o todo. Não Pº ~:.,en-
.
Isso, f a1ar-se d e conceitos singulares por si, nem d e conheCll><uIIlª
tos singulares, como se se tratasse de um saber. Pode haver qtta-
gran d e quanti'd ad e de conhecimentos empmcos ,· · lados·
ISO ' ..' na- na
0
1 a e e sa er da experiência, apresentam a sua JU st1f1caça
l'd d d b ·

44
experiência, . u . . .
sujeito e d q .er dizer, na identidade do conceito e do ser, do
ber científi O obJecto. Pi:_ecisamente por isso, não são nenhum sa-
dade lim·tcdo, porque tem a sua justificação apenas numa identi-
necessári 1 ad a e relafiva, e nem se legitimam
·· como uma parte
ciência nª e ~m todo de conhecimentos organizada na cons-
les, se 'to em ª identidade absoluta, a relação com o absoluto ne-
rnou conhec1·ct a por meio· da especulaçao.
- 1

A RELA - 20
e0M O ÇAO
-
DA ESPECULAÇÃO
SAO ENTENDIMENTO HUMANO

Também .
mano co h O ;~cwnal, que o chamado são entendimento hu-
gularida; ece, e igualmente constituído por um conjunto de sin-
lumino:o eS, transferidas do absoluto para a consciência, pontos
de, e co s que se. destacam por si mesmos da noite da totalida-
mo ao m os quais o homem se auxilia racionalmente a si mes-
1
rectos dongo da vida; constituem, P.~.ra.>.ele, pontos de vista cor-
Mas' os quais . par te e aos quais regressa.
Verdade' d~e t f~ct~, o hom~n\ só · tem, taII1Qém, ;tal confiança na
com um a~s smgularjdades, po~que o absoluto o acompanha
Verdades ~:nh~e~tp:, e some~tejsso.lh.~s dá signffka,fo. Tais
meramente is~~odentendim~nto. co~um, tomad~s ym si rn,~.smas,
tos em geral ª as q~mo do entendimento, oomoco11hecimen-
entend. 1
apar~cem eqµívocas e como meü1s verdades~ O são
tal comiment~ huma~oj)ode ser int;iuzicio . ·emerr9pelà.reflexão;
que aqú~I~le ª admi ~e em r~Jação a·•· st, âssilll tàtnbérp. reivindi~a

nomeada.me t
Valha CO.tno ~Ue exbpnm~.ago~a como p.roposiçãppara a reflexao
sa er., um conhet+mento; 91,andonou a sua força,
dade obscur: e(9S SU~S sente5ças,. a.penas para suportar a totali-
guer u ' l::>,l"~sent~ ,cpmo seqtimento, e somente com e1a er-
human::x ba:reira ~)nc~nstante reflexão. O são entendimento
senten prun_e-se, certamente, a favor da reflexão, mas as suas
com aÇas t tambem
. - contem, para a consciencia, a sua r elação
naoA • A •
e

ine:xp otahdade absoluta, mas esta permanece no íntimo e


huma
ressa p .
· or isso, a especulação entende o são enten 1men

° t
da espno, mas o sao - entendimento humano não enten d e o agi·r
nhecimeculação. A especulação reconhece como realidade do co-
que é dento apenas o ser do conhecimento na totalidade; tudo 0
relaçõ.o eterm·ma d o tem, para ela apenas realidade e verd ad e na
< reconhecida com o absol:ito. Por isso, ela reconhece tam-

45
bém o absoluto naquilo que subjaz às sentenças do são en:e:t~
mento humano; mas porque para ela o conhecimento ~o 0
realidade na medida em que está no absoluto, o conhecido e
sabido, tal como são expressos pela reflexão e têm, por con.s e-
niqu11a-
guinte, uma forma determinada, são ao mesmo tempo ª e
dos. As identidades relativas do são entendimento ht~m~nod q\
reivindicam, tal como aparecem na sua forma hm:ta ,~: a
1
absolutidade, tornam-se contingências para a reflexão ~iloso. ~' ~
O são entendimento humano não pode captar como o un~dia ~
mente sabido por ele é ao mesmo tempo, para a filosofia, u e-
nada; pois, nas suas verdades imediatas, sente apenas a SUa r
- com o ab souto,
1açao 1 mas nao - separa este sent'unen to do apare- . _
cimento delas, através do qual elas são limitações; e, todaviaÍ e~

)
quanto tais, devem também ter estabilidade, um ser abso u '
mas desaparecem diante da especulação. \ ~ n-
21 Mas não só o são entendimento humano não pode cornpree a
der a especulação, como também a deve odiar quando faz :
expenencia d e1a e, quando não se encontra na p 1ena seguranç,
• A •
~
0
da indiferença, detestá-la e persegui-la. Pois, como para.º :~-
entendimento humano a identidad~ da essência e da contmgedo
eia das suas sentenças é absohüa e ele não, cgnsegue separar e-
absoluto os limites da manifestação, t~tnl>ém aquilo ~ue e~ sli-
para na sua consciência é absolutamente oposto, e nao P0 e 0
~ar~ na consciência,com o ilimit~cfo, a.quilo que.ele co~ece cor:_
h~l ta ~o; embo+a eles sejaIXt mzle idênticos{. gsta, identtlda:ieg~ pde
rem, e e permanecealgo de interior,<um sei;ttlme:1,1 o, ' se
) desconhecido e ~e jnexprimido. A~~im co,mo. o, senso comum a
recorda do litnitadg eele é posto na eonsci€ncia1tarnbélll Pª: 0
esta o iliIXtitado é absoluta:t,nente opôsto•ao limitado. Est ª relaç:1
ou referência do caráctet\lin:ütadq . aôâbsoldto, referência na qt~a
(apenas. (a opos1çao · - esta; .prese}Jte ····· · ·. · ······ n,t .consc1encia
·A ···

- e (acerca •An-
. h ... · ª..º.. .ârtv········e·;··.:s.:,
identidade, . ª
·. . ex.···1·;.s
.. .. te
. . u.m . ... . . . completa ausência, det rco~s~lt~
s1nte 1co
C1a -, e ama-se crença,. A crença não exprime o carac e ~ ao
do sentimento ottda intuição; ela é uma relação da reflex~o ·ta
absoluto, a qual, nesta relação, é na verdade razão e se an~qu~la
. 1 an1qt1
a s1 mesma como o que separa e é separado, ta como ' ser-
os seus produtos - uma consciência individual-, mas con 13
vou am · d a a f orma da separação. A certeza imediata · d ª crença
,Anda,'
da qual tanto se falou como o último e supremo da co~se1e co-
não é senão a própria identidade a razão mas gue nao 5~ ~0
. ' ' .. os1ça .
nhece a s1 mesma e é acompanhada da consciência da 0 P

46
~ especulação' porém
ciência _ , el eva a, consc1encia
A .

a 1'd entl'd ad e sem cons-
ident/d pdara sao entendimento humano, ou constrói como uma
O

ciênci·a ad e consc·iene t o que e, necessariamente oposto na cons-


crença c o ente d'1
, n mento comum, uma unificação do separado na
subsisteque e, para ele, um horror. Porque o sagrado e o divino
nas na m 50 ~,:nte como objecto na sua consciência, ele vê ape-
soment opo]içao suprimida, na identidade para a consciência,
M e ª e5truição do divino.
nada as em . parfe icu1ar o são entendimento humano não pode ver
satisfa: do 115 ~UE; d~struição naqueles sistemas filosóficos que
cisão p ml ª exigencia da identidade consciente suprimindo a
tra já' fixado e o que um d os opostos, em particular quando se encon-
outro . ~ela cultura do tempo, é elevado ao absoluto e o
5
miu ce:taniqmlado. Aqui, a especulação, como filosofia, supri-
amente ea opos1çao, · - mas, como sistema, e1evou d e 1·imita- ·
d a a ab
1
que éc aso .uta uma forma sua habitual e conhecida. O único lado
existe
• e qu1 tomado
d f em cons1'd eraçao, - a saber, o espe.cu1ativo, . -
nao
te lado ' e orma 1
ª guma, para o são entendimento humano; es- d
que pa especulativo, o lim1.·tado é totalmente diferente daquilo
facto ede recet, eao •s-ao entendimento humarlOi j nomeadamente, pelo 22
A maté . edr sido elevado ao absoluto, ..1.· á não é es. te fünitado.
ºPõem na 'd O mat . ena · 1·1sta não é mais a· matéria morta a q. ue se
c1enc ·a a v1 a e 'a c11lt ura, ou o eu d o 1'd ea 1·1sta nao
• A - e, mats •. a cons-
1c em , ·
de s · C b pinca que, éomo. limitada tem ..de ·pôr um infinito fora
1. a e , f 1 . '
Verdad, d ª 1 osofia a pergunta sobre se o sistema purificou de
infinitoe : .toda a finitude a manifestação finifa, que alçou a
human' e se ª especulação, qnde Jni1is se .afasta do entendimento
ao dest? comum e das suas oposições fixas não está submetida
f Ino do 5:, .•. . ·. . . . '
orma do eu tempo, qué consiste em pôr absolutamente uma
culação r:bsoluto, portanto, algo por essência oposto. Se a espe-
as form 1 ertou realmente o finito, que tornou infinito, de todas
o entenda~ da manifestação, é antes de mais com o assumir que
lllod 1
- mento h umano comum aqm· esbarra, quan d o, d e ou t ro
0 , nao tem . Q uan-
d o a es _qua 1quer notícia do trabalho especulativo.
o aniqu·i peculaçao e 'penas e acto alça o f111Ito a 1111111 o e ass im
a d f . . . f' ·t
ger a tot .
1 ª-ea
' matena ,. e o eu, na medida em que devem abran-
o u, 1tim a1idade ' 1· a, nao - sao
- eu nem matena, • -, fa l ta, na ver d a de ,

°
aniqun ~icto da reflexão filosófica, a saber, a consciência da sua
laçã aaçao. E também quando independentemente desta aniqui-
0
Urna fo, ccontecid ª d e facto, o absoluto ' do sistema conservou a111 · da
1 ma dete ·
rmmada, pelo menos não se deve d esconl1ecer a

47
-
autêntica tendência especulativa, da qual, porém, o entendime~~
to humano comum nada compreende. Na medida em _que es _
último não vê sequer o princípio filosófico de suprimir a ºaºs
0
sição, mas apenas o princípio sistemático, encontra um.
opostos e1eva d o a absoluto e o outro amqm · ·1 a d o,. ne sta situa-à
ção, ainda havia, pelo seu lado, uma vantagem relativamen~e_ 0
cisão; nele, tal como no sistema, está presente uma opo~iÇ:'1
absoluta, todavia, era ele que tinha a completude da opos:ç~o~
15
Agora, sente-se duplamente atingido. Além disso, a um ta ~ 0
tema filosófico que padece da falha de elevar ao absoluto ~ âo
de ainda oposto por um certo lado, cabe, para lá do seu ~ 0
filosófico, ainda uma vantagem e um préstimo, das qua:,fíl
entendimento comum não só nada compreende, como tam e....,
1 -o de Uv•
tem d e detestar; a vantagem de ter, através da e evaça d a
finito ao princípio infinito, derrubado de uma só vez to ª '_
1
massa das finitudes, ligadas ao princípio oposto; o mérito, re ªe
.
tivamente a, cu1tura, de ter tornado a cisão am . d a ma is dura _ a
de ter reforçado ainda mais a necessidade de unificaçao n
totalidade 14.
A ob stmaçao
· - do sao - entendi~~nto
· humano em manter ' se·
50
guro na força da sua indolência o·• sem co11~ciência, no seu pe a
e oposição originários, em face da consciência, e em manter ra
23 matéria em \ face da diferença que á luz apenas traz até ela P~ ~
. .···· . , , . .····eri·orlS exig
,a Cons trmr numa nova smt~s7,nt!Jna potencia,.<sup
A •

'. n·
1
certamente n()S climas nórdico?/um perfo~Q de tempo mais O f
go para ser superada; para que a própria roatéria, çomr 0stª Pºe
) . 1· "d d.· . ·. .· d · ,·
uma mu lt 1p ic1\a \ eatomos, SeJ~.posta . em.mo
·· · · · · :. · · vimento
. e
deslocada dp _seu. próprio .tenen8'.: através .de um co~bin:f(la
decompe>t mais diversifiçad? que engen41:'e, desse mo ~' to
maior quantidade de átomos fixos; para que o ente nd imenda
humano, na suaélCtividad~ e sâber raciocinantes, se pertu:be J:st;
vez mais, .até q11erse l9:rne c~paz de suportar a supressao
confsusão e da pr~wja cisão. s o lado
e, para o são eptendimento humano, aparece apena a-
aniquilador da especulação também este aniquilar não lhe ap~-
rece em to d a a sua extensão. ' Se ele pudesse conceb er es ta exte e-
,- - t · 1
sao, nao omana a especu ação por sua adversaria; , · Pois a espfíl
cu 1açao,
- na sua smtese , suprema do conscien · t e e do seia .A

'A • • , • nscienc ,
consciencia, exige também a aniquilação da propna co bso·
e a razão submerge, com isso, o seu reflectir da identidade ª esta
luta e o seu saber e ela própria, no seu próprio abismo, e n

48
: reweererrmr:w:cwvxw MVrM#l'SBK

noite da mera refl - d d. . . ,


n-.e·io- ct·ia d e .d exao e o enten 1mento rac10cmante, que e o
"'
e a v1 a, ambos se podem encontrar.

Ü PRINCÍPIO DE UMA FILOSOFIA


NA FORMA DE UMA PROPOSIÇÃO-DE-FUNDO ABSOLUTA

A filosofi . ·
flex-
ao torna se
ª como .uma totalidade do saber produzida por re-
A. d .
tos . e- um sistema, uma totalidade orgamca e conce1-
' cu1a lei sup - , . · -
aqu 1 rema nao e o entendimento, mas sim a razao;
os se e tem de m os t rar correctamente a oposição · d aqm·1 o que poe, -
opo etus limites, fundamento e condição mas a razão une estes
s os - . ' .
terna e' poe-nos simultaneamente e suprime-os a ambos. Ao s1s-
se ex'·· orno uma organização de proposições, pode acontecer que
lJa que p 1 - .
prese t ' , ara e e, o absoluto, que subjaz à reflexao, esteJa
n e tambe d · -
·de-fundo m segun o o modo da reflexão, ~oAmo_ propo~~çao-
si as s~iprema e absoluta. Mas uma.tal ex1gencia tem Jª em
ua nulidade · 1 · < ·· . · ·.. ·. · · -
é por . 1 ; pois a go postopeJa reflexão, .l:!Jna propos1çao,
Coisa Sl a go de limitado ede COrtdicionado;e necessita de outra
o abs;1:~: ª, sua fundail1~ntação, e as5,ün até ao infini:º· Quan~o
~o pensar eep:xpresso. numa propo$ição-4e-fundo v,11i1?a~ at~da~es
hcas e t- 0 era o pensar, el1l que a.forma e a 11latena s,;19 1 en-
dad~ dn ; , Qlt é posta a,\pura.igualdade e .•é exrluídaivdesigual-
nada a orma e. d.a matêriar e a proposiçãerd~-fundo 12ondicio-
t
é
nã.o ép~ eS a desigualgade: neste.c~lSO, a proposição~~e7fundo !
entend~1. soI\lta, mas deficiente, texprill'!e ape11as un1 .conceito do 24
rnento l b .· .· . · .. . · ...•· · .. • · · , · t-
corno d . ' ima a strgicção; ou a.forma.ea matena es ao,
ao rnes esigualdade, . c()ntidas ime1iatame11te nela, a proposição é
·fundo
-
1:1° tem~o analítica e. sintética; então, a proposição-de-
e urna anti · · · · · ·. · · · · . · - , ·
Çao; en · ·. .flQllna e, por ~qnsegumte, nao e uma propos1-
si não quanto propo9içã6·está sob a lei do entendimento, que em
antinornc?ntradiz, não Sl. tpriine mas é algo de posto; mas como
ia sup . .. '
Esta ilu _ nme-se a si mesma. .
necessa . sao de que um termo posto pela reflexão deveria
ln.a e abriarnente encontrar-se, como propos1çao-de-fun · - d o supre-
t 1 soluta no t d . A • d
a sist ' opo e um sistema, ou que a essencia e um
Soluta erna se deixaria exprimir numa proposição que fosse ab-
a Para o pe , d · t
e o qual d. . nsamento, ocupa-se com ligeireza e um s1s em~
expresso inge a sua avaliação; pois de um tal pensado que e
condicio pela proposição pode facilmente demonstrar-se que está
nado po r um oposto, portanto, que não e, abso 1uto. Des te,

4:9
oposto à proposição, mostrar-se-á que deveria
portanto, aquele pensado que a proposição exprime e um is 0
s:rp~ st0, : ;:i~~
dade. A ilusão considera-se tanto mais justificada qua~to, 1:1ª na
próprio sistema exprime o absoluto, que é o seu principio, no
forma de uma proposição ou de uma definição, mas_ que ma
fundo é uma antinomia e que, por isso, se suprime a si m~s 0
0
como algo posto para a mera reflexão. Assim, por exemp ~ 0
conceito de substância de Espinosa, que é explicado ao messer
·t e como ,
tempo como causa e como resultado, como concei O . tJJ1ª
deixa de ser um conceito, pois os opostos estão unidos nt ior
contradição. Nenhum começo de uma filosofia pode ter_ ~sa:
aspecto do que o começo com uma definição, como em Espindar
fun e /
um começo que faz o mais estranho contraste com O de

)
· · d e d uzir
engir, · os pnncip1os
· , · d o sab er, com o pen aso. remeterJ.V1aS
toda a filosofia aos supremos factos da consciência, _etc. uela
quando a razão se purificou da subjectividade do reflectir, aq ria
ingenuidade de Espinosa, que começa a filosofia com ~ pr~~to,
filosofia e deixa a razão começar de modo igualmente une ·leda,
recia e
com uma antinomia, poderá ser convenientemen t e ª P . õeS
Se o princípio da filosofia tiver>de ser expresso em_ proposiÇrea·
formais para a reflexão, entã?, iiuediatame11te1 nada ex1s~e ~ara e do
lizar esta tarefa senão o saber, em geral'a síntese do subJe~tivo " de
objectivo, ou o pensé!-mento absolvto. Jvlas a reflexão não e capaz sta
. . , ·b·· ,. . ·. :·.·> . ; .····d ente se e
expn~r -ª s~tesea soluta n~n:tªPJOPOsição, ~omea. aro_ -o ara a
propos1çao tiver de valer com.o uma autêntica proposiça P bso·
reflexão; elà tem de.separara que é um só para ~identidade a osi-
luta, e exprimira, SÍI1tese e a al"ltítese separ~qas
ções, exprimindo numa a frlentid~ge e;na outra a cisao.
e~ c:_uas prop
bre o
E111 A.= A, como princípio de identi4.ade, reflecte-se so stãO
ser relacionado, e. ~ste r~laci?l"l<lf, este ser um, a igualdade, _e ual-
25 Cdontidos nestapura idel"ltidade; f abstrai-se de toda a 1:s:~zãO,
ade. A =A, a e.xpre~~ão do)pensamento absoluto ou . ões pró·
tem para a refle~ào f?rJTIJll, que se exprime em proposi~ de do
prias ~o entendim.ento; apenas o significado de identida ual se
entendimento, de unidade pura, quer dizer, uma tal na q
abstrai da oposição. .da de
- nao
M as a razao - se encontra expressa nes t a u nilaterah
' ' foi·
da unidade abstracta; ela postula também o pôr daquilo_ quelda·
abstraído na pura igualdade, o pôr dos opostos, da desigu~ífe·
de; um A é sujeito, o outro é objecto, e a expressão da 5 wtal·
rença é A não = A, ou A = B. Esta proposição contradiz
:~ª

50
mente a t .
- an erior· nela b .
a nao-ident'd d ' e, ª stram-se da pura identidade e é posta
m· eira põe a f 'iaeap f
ura orma do não-pensar 16, tal como a pri-
absoluto d" o~ma do puro pensar, que é distinta do pensar
so- porque ' A" razao
_ · S0' porque o nao-pensar - e, tambem , pensado,
ele ser posto~ªº= A~ posto também pelo pensar, pode em geral
:elacionar, 0 ~ e: A :1 ªº. = A, ou A = B, é posta a identidade, o
J_ectivament ' P~1me1ra proposição também, mas apenas sub-
e posto peli, quer dizer, apenas na medida em que o não-pensar
8 ar é tot"l pensar. Mas este ser-posto do não-pensar pelo pen-
« mente t'
Para a seg d con mgente para o não-pensar, uma mera forma
sua matériaun a proposiçao, . - d a qua1 se deve abstrair para ter a
Est em estado puro.
m eira. ea nsegunda propos1çao . - e, t-ao mcon . d.1c10na
. d a quanto a pn-.
ra e, condi ' essa
_ medida , con 1çao a pnmelfa, ta1 como a pnme1-
d· - d · · · ·
Pela segt Ç~o da segunda. A primeira proposição é condicionada
da desig inlda, na medida em que subsiste através da abstracção
em que ua ade . que a segunda contém; a segunda, na med'd 1 a
A se necessita de uma relação, para . ser uma proposição.
terna d 0 gu~da proposição foi aliás exprimida sob a .. forma subal-
baixact"' princípio de razão suficiente; ou melhor, ela só foi re-
que foi,, tnesta' sigm · ·t·reação altamente subalterna na medida em
fundam ran sf?rmada em princípio de causalidade. A tem um
de A, Aento , ' .s1gm'f1ca: a A é atriquído . ·. .· .,:
1.ún ser que não e o ser
não = A e tim ser-posto que não é o ser-posto de A; porté,!nto, A
tal com ' A = B. Se se abstrair do facto de A ser algo .de posto,
d o pu'"º deve . se. r· f e1to1
· para ter a segunda. · propos1çao· - em es ta-
Pôr Aro, então, ela exprime, em .geral, um não:-ser-posto de A.
como . . . . . , .,
Síntes d posto e, ao mesmo tempo, como não-posto e ;a a
A:b ª Primeira e da segunda proposições. . _
Só q as as proposições são .prvpo..sições sobre a contradiçao,
que Ue em sentiâo oposto. A primeira a da identidade, enuncia
a contr d'1 - ·· ' 1 ·o
nada c ª ~ªº é == O;. a. .segunda, .· '
na medida em qi~e. e re aci -
não- om ª pnmeira, que a contradição é tão necessana como ª
a m contrad·içao. - Ambas são, como proposições, postas por si· com
de t~ma potência. Na medida em que / a segunda é expressa 26
ela ª ~odo que a primeira é imediatamente relacio~ada com
tend ' e· 1a e ea maxuna, · expressão possíve1 d a razao - ar,t ·aves . do en- .
1tnento· ~ t - entre ambas e, a expressa- 0 da' 'antmomia,
e com : es a re1açao , . _
dif; 0 antinomia, como expressão da identidade absoluta, e 111
A - :rente pôr A = B ou A = A nomeadamente quando A == B e
A-. I ·- A==A
e aceite como relação de ambas as propoSiçoes.

51

e '
'1
contém a diferença de A como sujeito e de A com? obj~cto ~~ ;:.
1
mesmo tempo, a identidade, tal como A = B contem a iden
de de A e de B, com a diferença entre ambos. JllO
Se o entendimento, no princípio de razão suficiente, co a
uma relação entre ambas as proposições, não reconh:ce e
antinomia, então é porque não cresceu em direcção à raz~o~le'.
formalmente, a segunda proposição não é nada de nov? par~ do
Para o mero entendimento, a proposição A = B nã~ diz mais sto
que a primeira; o entendimento compreende, a segmr, 0 s~r Pº ele
de A e de B apenas como uma repetição de A, quer dize\uda
retém somente a identidade e abstrai do facto de que, na me ,,...,
, osto Uv•
em que A é repetido ao ser posto em B ou como B, e P , osto
outro, um não-A e, na verdade, como A, portanto, A e P al
como nao-A.- Quando se reflecte apenas sobre o aspec to forJll ,. a
d a especu laçao - e a smtese , do saber se fixa . na f orma anahtica,es·
antinomia, a contradição que se suprime a si mesma, é a expr
são formal suprema do saber e da verdade. da
1
Na antinomia, se for reconhecida como expressão for~ª ão,
verdade, a razão subordinou a si a essência formal da re ex er
Mas a essencia f ormal sobrepoe-~e,
A • - se o pensamen to deve da s
posto na única forma da priD=teira proposiç~o, oposta à seâun ri~
com o carácter de uma. uniâade abstra€ta como a ve rd ª e/eve
meira. da. filosofia, ~ se da análise da aplicação}º pensa~e se·
ser_ atmg1do um sistema de aplisaÇão do conhecimento. alítiCO
gmda, todo o seguim~rito d~ste trabalho puramente an
surge do lUOdo segµinte. · . •.. ···· . ·. ·. : A, é
O pensam7rito,··como repetfüilida~einfil}ita ~e A com~ ida·
uma abstrac;ção, ~primeiraJ>topo,s,içãoé expr!~sa como
de. Mas,. então, _falta ~}~gttn~a pro,posiç~·º' o nã~-~ensa 'rirnei-
ªt 1
leve-

-se transitar obngatox1alll~n.fe .rara elél como cond1çao da p stãO


ra, e também ela;a n:iatériél, ser }?.osta. Com isto, os op 0st0 s ecom
completos . . e. . . atr···ª·. .······
. nsiç···ã.·... ·.... ·é·u·.
··.º.·
....
.m .......
·. <2etto modo da relação, dema um~ s1ntese
a outra, que se c~~ma uma aplicação do pensar e e u . ela
alt~m~nte incompletél. Mas também esta síntese frac.a yers;s:,:::: A
propna, contra a pressuposição do pensar como pos1çao d sto
a te, ao m· t·mito;
· pois, · na aplicação, A torna-se ime · d.iaª'"
t .,.,ente. PºênCͪ
1st
como não-A, e o pensamento é suprimido na sua subs ue é
absoluta, como uma repetição infinita de A como A. o_ q corri
oposto ao pensamento é determinado, através da sua relaçao, urri
o pensamento, como pensado = A Mas porque um tal pensar einte,
pôr = A, condicionado por uma abstracção, e, por consegu

52
é um oposto, o e
~em também . P nsado, para além de ser / um pensado = A, 27
Independent ainda outras determinações = B, que são totalmente
e estas dete es. do mero ser-determinado através do puro pensar:
t rminações s-
anto exist' ao meramente dadas ao pensar. Deve por-
lítico U= ir para O pensamento, como princípio do filosofar ana-
, "'ª m t, ·
A fundam él_ ena absoluta, de que mais abaixo se falará.
formal n entaçao desta oposição absoluta não deixa ao trabalho
filosof/a ,º 9u~l consiste a famosa descoberta da recondução da
1'd entidad ' a 1dog1ca' 17, nenh uma outra síntese imanente senao - a da
O
nit0 . iv1as
1.. / em entendimento, a saber, a de repetir A até ao infi-
nos qu . esmo para repetir ela necessita de um B, um C, etc.,
.1 o possa ser posto; estes B, e, D, e tc., sao,
O
em prolaisda A re,P~ t'd -
ºPõe _ repehb1hdade de A, uma multiplicidade, algo que se
Posta cad~ um tem determinações particulares que não são
mu'lt· slatraves de A - quer dizer uma matéria absolutamente
ip a . ' ' .
que for ' cu~os B, C, D, etc. devem encaixar em ~ ~a D:ª~eira
tid"d P?ssivel; uma tal impureza do encaixe subst1tw-se a iden-
do " e ong·mana. , · O erro fundamental pôde . . . entao
- ser represen tª-

'
º.· ·
"nt· pelo facto de na consideração formal . nã. Sé reflectir na
" ino · ' " ·. ,· -
sub· mia de A == A e A = B. A uma tal essência analrtica nao
ab 1~2 a consciência de que o fenómeno puramente formal ~o

qu ...n duto é a .eº.ntl;'adição: uma. consciêm::ia que só pode 'dsurgt~r
· · A · mo 1 en 1-
dad
O
ª especulação parte da raz.ão e de A == ·. co
e absoluta do sujeito e do objecto.

INTUIÇÃO TRANSCENDENTAL

N . .. _ ,. ~ista do lado da mera


refl ~ medida em que a especulaçao e sínteses de opostos,
Por exao, a identidade. absolµt~ ap~rec\!V:elativas, nas quais a
ict ta:1to, em antinomias .. As. 1dfnti~ad verdade limitadas e,
entidade absoluta se diferencia, sa~ na t e não são antinó-
nessa d 'd ; . . . ntend1men o, . 'd
. me 1 a, existem para o e edida em que são 1de~h a-
lhicas; mas ao mesmo tempo, na m d' nto· e têm de ser tden-
d es - · d O entend 1meosto' pode permanecer
. , nao são puros conceitos
hdades, pois, numa filosofia, nada e do desta relação cada li-
sem relação com o abso1uto. Mas'ddod 1a (relativa) e, nessa med'1-
""' 1'ta d o é ele próprio, uma 1'dentl a- e e este é o la d o negativo
'" .
d a, algo de ' a ref1exao, ,. .
antinómico para ' zão se destro1 a s1 mesmo.
d o saber O formal que, regi.do pe1ta ra um' lado positivo, .. .
ou sep,
' '
Fora deste lado negativo, 0 . saber em

53
. - ) é o
a intuição. O puro saber (que seria o saber sem intwçao esta
aniquilamento dos opostos em contrad1çao; . - a mtmçao
· · - sem ciên-
,
smtese d os opostos e, uma mtmçao
· · - emp1nca,
, · d a dae, sem cons. tui·
eia. O saber transcendental unifica ambos, a reflexão el ª ~~tui·
2s ção; é, ao mesmo tempo, conceito e ser. Pelo facto d~ ªt~dade
ção se tornar transcendental, surge na consc1encta ª iden
•A • 1'
. wição
do subjectivo e do objectivo, que estão separados na in não
1
empírica; o saber, na medida em que se torna transcendent~ ~nüa
poe- meramente o conceito · e a sua cond'1çao
- - ol1 'a antin
b' ctiVO,
entre ambos, o subjectivo -, mas, ao mesmo tempo, 0 0 ie urna
o ser. No saber filosófico, o intuído é, ao mesmo temp.o, do
actividade da inteligência e da natureza, da consciêncid,a : ao
.
mconsc1ente.. . 1taneamente, a amb os, os mun
p ertence, s1mu . oligên·
'
ideal e ao real: ao ideal na medida em que é posto na intet rn 0
. e, por isso,
c1a . em liberdade; ao rea1, na me d'd
1 a em que e urn
seu lugar na totalidade objectiva, em que é deduzido com~º de
elo na cadeia da necessidade. Se nos colocarmos do pon sên·
vista da reflexão ou da liberdade, o ideal é o primeiro e ª ;~car·
eia e o ser apenas a inteligência esquematizada; se nos co ento
mos do ponto de vista da nece,?sidade ou do ser, 0 pensa;ental
é apenas um esquema do sêt absolut.q:No saber transcen srnª
ambos, o ser e a inteligêricia, encontram-se unidos; da ~eurnª
forma, o saber transcendentalra itttuição tra~scendental sa ara a
e a mesma c?isa; a expn~ssão diferencia~a aponti:l apenas p,
preponde!~ncia do factor 1ç_leal ou der real. > • do corn
Tem o mais f{Pfunçlo signifiSado ql~e se t.e11ha. afirma. ;uição
tanta seriedade/ qu.e a filosofi<l não pode[}ª existir sem. l~ltição?
tDrantsc~11dental: Que si~ni~i~aria ent,ªoftfl.o:ofadr s:::~tas; se·
es rtur-se a SI mesmo 1~f1mt~rnen.te em: mitu es isaS,
jam estas finitud~.s subjediv~s ou pbjectivas, conceitos ;l~l~~ro, o
tenha-se Olinão transitado d~ um género delas para . ·tudeS,
filosofar Sêm inlúição prossêgue numa série infinita de finl salto
e a passagemd. ºs·ê·r· ~oc~nceito ou do conceito ao ser~ un:t1.nto a
injustificado. éham.a~se formal a um tal filosofar, P01 ~ ~a do
coisa como o conceito, cada um para si, é apenas uma ordentaL
absoluto; ele pressupõe a destruição da intuição transcenf la do
uma oposição . absoluta do ser e do conceito, e, qua ndo ª' pre·
. d'1c10nado,
. 1'
mcon transforma-o novamente em a1go d e forma. ão ac
cisamente na forma de uma ideia que estivesse em 0P ~;'rnart'
05

ser. Quanto melhor é o método, mais deslumbrantes .se de urr


os resultados. Para a especulação, as finitudes são raios

54
foco inf·lnito
.
nelas e eIas ' que as irpd.Ia e e, co
a ºPosi ã 1; 0 foco. Na« intu · - mpos t O por elas; o foco é posto
Verso "tç o, e aniquilad"' t d1çao transcendental é suprimida toda
e, ravé 0
ªParece s e por meio« d .a a dit. erença d a construção do uni-
Z1r. d" com0 mdepend
· ta mtehgê
. · e a sua organização que
nem,
. « cons . en e e mt ,d
Idealid"d c1encia desta i·d t"d. u1 a como objectiva. O produ-
A

c, e e e en 1 ade, é a especu laçao,


- e porque a
a realidade são
um so nela, ela é intuição./

Os POSTULADOS
DA RAZÃO 29

A síntes d
trabalh
sup . 0 da ereflexão
os dois oposto s postos pela reflexão exigiu, como
sab rime .
a s1 mesm e / a sua complet
açao - como antmomia
. que se
)(à_ er especulativo da, ª sua subsistência na intuição. Porque 0
t; 0 e da intuição eve ser concebido como identidade da refle-
n, a . pa r te que e c ' bneste
, caso' na< me d 1ºd a em que somente é pos-
" ~mica) - e qtieª e ª reflexão (que, e. n.· .quanto racional, é anti-
,, int_u1çao
· - _ pod perma.nece, porem·. em
, r relação ne. cessária com
fI e)(ao N
d ' · ão se , de-se dizer d . t ... ,.,
. . a 1n mçao que é pqstt:dada pela re-
Utos da razã po e falar e.rp. postular ideia§;.pois estas são pro-
~ento como' o, ou .rp.elhor, são o T':1ciona1 posto pelo entendi-
~egundo o seuu:;~r?1uto. o r~tio11aJ.Jem de ser de4uzid_o
a contradí :,; · n eu o .teterminado, nomeadan;e~te, a partir
nas a intu. Jªº de det~rmina~ps opostos, cuja §Íl:ltese ri.e é; ape-
Dma tal -~ça_o, r,re,end1enqoe detendo o anti1,1ómíc9, é postulável.
ela de .e (Jt assim Jz0Stu1ada é () p17og:reS§() Jnfinítp/<uma mes-
1
é a su 111P :ico e de raciona1; . aque1e é~ intuíção<do ten;po, este
1
infinit pressa o do temp9, a sua j11finitização; mas 119 progresso
sistir nºei° tempo ~~p está F'P(ªrnente in~in~tfr,ad{): pois e~e. sub-
?
emp'. e comqfm1to,çomo 1119n:rcnto Ii111itado: e uma mfimtude
tad lrlca._ Aver.~adeita ar1titfOlrtÍél q;te os coloca a ambos, O limi-
°
idê~t7 ilimitado~ 11ãpjust~posto~, ~as ~im imediatamen:e _como
rn . cos, deve, com isso, suprimir imediatamente a oposiçao; na
t edida em que a antinomia postula a intuição determinada do
dempo, este deve _ momento limitado do presente e ilimitação
t O seu ser-posto-fora-de-si_ ser imediatamente ambos, portan-
o, ser eternidade.
Da mesma forma a intuição não pode ser exigida como um
oposto à ideia ou ~elhor, à antinomia necessária. A intuição
~
que é oposta ideia, é existência limitada prec~samente porqu;
exclui a ideia. A intuição é exactamente o que e postulado pela

55
• No) é o
a intuição. O puro saber (que sena o sa er
aniquilamento dos opostos em contrad 1çao; a
.
.
b
N
s: .
m intu1ça
mtu1çao se
N rn esta
nsciên.-
, · · - , · dada sem co ·
síntese dos opostos e uma mtmçao empmca, ' ' ' N a inttl1'
da. O saber transcendental unifica ambos, a reflexa~e e\ ca intni-
0
rn ção; é, ao mesmo tempo, conceito e ser. Pelo_~fac: a identidade
ção se tornar transcendental, surge na consciencia ' intllição
do subjectivo e do objectivo, que estão separados nda tal não
empírica; o saber, na medida em que se torna t ra nscen ent·no:rn1a ' ' ·
. - ou a an 1
põe meramente o conceito e a sua cond1çao - bjecti"º'
0 0
entre ambos, o subjectivo -, mas, ao mesmo tempo, 0
ll:rna
o ser. No saber filosófico, o intuído é, ao mesmo temp_ -~ eia do' e
actividade da inteligência e da natureza, da consoen d.os ao
inconsciente. Pertence, simultaneamente, a ambos os mt~ntelí~êll"
111
ideal e ao real: ao ideal na medida em que é posto na tem o
eia e, por isso, em liberdade; ao real, na medida e~ querno nJ.11
seu lugar na totalidade objectiva, em que é deduzido co nto de
elo na cadeia da necessidade. Se nos colocarmos ~o Pº essêll"
vista da reflexão ou da liberdade, o ideal é o primeiro e, ª olocar-
cia e o ser apenas a inteligência esquematizada; se nos c :rnento
mos do ponto de vista da necessidade ou do ser, 0 pensa dental
é apenas um esquema do ser absoluto. No saber transcen esi1lª
amb os, o ser e a mte ~ · encontram-se Uh
· 1·1gencia, ,.,1·dos·' da :rn nJ.11ª
N
O
a
forma, o saber transcendental e intuição transcendental sa ara a
e a mesma coisa; a expressão diferenciada aponta apenas P
preponderância do factor ideal ou do real. .. d coJ.11
Tem o mais profundo significado que se tenha afirma. º{nição
tanta seriedade, que a filosofia não poderia existir sern. in ição?
transcendental.. Que significaria então filosofar sem intttl . se-
D estnnr-se. a s1. mesmo .m f·1mtamente
. em f'nutn
. d es 'absolu as,isas,
jam estas finitudes subjectivas ou objectivas, conceitos ou c~ro 1
o
tenha-se ou não transitado de um género delas para o .º~ cÍes,
f1·1oso far sem· mtuição
· ·
prossegue numa.5:érie infim·ta de ,finitll urn salto
e a passagem do ser .ao conceito ou do conceito ao ser e to a
injustificado. Chamâ:~se formal a um tal filosofar, pois tan do
· . · forrnª
coisa como o conceito, cada um para si, é apenas urna_ dental
absoluto; ele pressupõe .a destruição da intuição transcen 1 de
· - do fa a
uma opos1çao absoluta do ser e do conceito, e, quan 1
pre
·mcond.1c10na
· d o, transforma-o novamente em algo d e forma, .
N a
cisamente na forma de uma ideia que estivesse em oposlçao 1
, Q ,
ser. uanto melhor e o metodo , mais
, ' ' , se wrn.ª
' deslumbrantes - . , de t 1
os resultados. Para a especulação, as finitudes sao raios

54
foco infinito, u ' . . ,
nelas e el q e as irradia e e composto por elas; o foco é posto
as no foco N · · -
a oposição , . ·. a mtmçao transcendental é suprimida toda
Verso atra ', e aniqmlada toda a diferença da construção do uni-
' ves e p · .
aparece c . or meio da inteligência, e a sua organização que
zir da co om_~ ui_dependente e intuída como objectiva. O produ-
idealidad:sciencia ?esta identidade é a especulação, e porque a
e a realidade são um só nela, ela é intuição./

Os POSTULADOS DA RAZÃO
29
A síntese d d .
trabalho d os_ ois opostos postos pela reflexão exigiu, como
suprime ª :eflexao, a sua completação como antinomia que se
saber esp ª s~ 11_1-esma, a sua subsistência na intuição. Porque o
Xão e d ~cu ativo deve ser concebido como identidade da refle-
a intuição ,
ta a part ' , ne~te caso, na medida em que somente e pos-
nómica) ~ que cabe a reflexão (que, enquanto racional, é anti-
a intuiç- e que permanece, porém, em relação necessária com
flexão ~~ -, pode-se dizer da intuição que é postulada pela re-
0
dutos ·d ª s: pode falar em postular ideias, pois estas são pro-
:a;::zao,
:rnento ou melhor, ~ão o racional posto pelo entendi-
segundo O ~ um pr~duto. O racional tem de ser deduzi~o
da cont d. s:u conteudo determinado, nomeadamente, a partir
nas a i ;a. 1-?ª0 de determinados opostos, cuja síntese ele é; ape-
Dma t~ t:iç~o, pr~enchendo e detendo o antü1ómico, .é postulável.
ela de id~i~ assim postulada é o progrésso infinito, uma mes-
é a su empi:ico e de racional; aquele ê a intuição do tempo, este
infinit!ressao do .tempo, a sua infinitização; .mas no progresso
sistir neI~ ~empo ~~o está puramente in(in!tizado: pois ?e:e. sub-
empí . orno finito, como momento hllltado: e uma mfm1tude
A
tado e O ·. . ve
rica . r dadeua
·· anhnomia
· ·· · · que os· coloca a ambos, o rum- ·
idênf ilunitado, não justapostos; nias sim imediatamente como
icos deve • . . . . d. t . - .
lhedid ' , com isso, ~upnmu une iatamen e a oposiçao, na
te1np 0 ª em que .â antinomia postula a intuição determinada do
do s , este d eve - momento limitado do presente e 1·1·1m1·taçao -
to 8 eu ser-posto-fora-de-si - ser imediatamente ambos, portan-
, er eternidade
op 0 Da , . a f arma,
t mesm · a intuição não po d e ser ex1g1 · "d a como um
que s so a 1d eia,"· ou melhor, à antinomia necessana. , · A m · tmçao,
. -
0 0st
exc1u~1 ~ _a à ideia, é existência limitada precisamente porque
ª ideia. A intuição é exactamente o que é postulado pela

55
razão, não como algo limitado, mas sim como completação da
unilateralidade do trabalho da reflexão; não para que permane-
çam opostas, mas sim para que sejam uma só. Vê-se em geral
que todo este modo de postular tem o seu fundamento somente
no facto de que se parte da unilateralidade da reflexão; esta
unilateralidade necessita de postular, para complemento da sua
insuficiência, o oposto que dela foi excluído. Mas, deste ponto
de vista, a essência da razão contém uma posição falsa, pois
aparece aqui como algo que não se basta a si mesmo, mas sim
como algo de necessitado. Mas quando a razão se conhece a si
mesma como absoluta, então aí começa a filosofia, com o que
termina aquele modo de proceder que parte da reflexão: com a
30 identidade da ideia / e do ser. Ela não postula um deles, mas
põe imediatamente ambos com a absolutidade, e a absolutidade
da razão não é senão a identidade de ambos.

A RELAÇÃO DO FILOSOFAR COM UM SISTEMA FILOSÓFICO

A necessidade da filosofia não se pod~ saJisfazer com ser a


descoberta do princípio c;la.aniquilação .ele todos os opostos fi-
xos, e do princípio da.relação do lilll.itàdo com o absoluto. Esta
satisfação no priµçípio da identidade absoluta enco11tra-se no fi-
losofar em geral. o sabido seria, .q.uanto ao s~u conteúdo, algo
de conti~gente, a cisã91>a ,cuja, . aniquilação(-) filo.safar se dirige,
dada.e desapare~ida e n.unca uma sí11tese de .novo c.qnstruída; º
conteúdo de.µm t~Lfüosofar nun.ça ter}a em g~ral qualquer co-
nexão ~qb si e\não constit~ifia ttnla totalidade °,bjectiva do sa-
beL Somente por causa d,1 incoe:rência do seir conteúdo é que
este filosofar não. ~ qecess~riamertte um .r;aciocinar. Este último
º.
dispersa somen.te gue é posto····e~ maiores multiplicidades e
quando, precipitado nesta cbrrente, nada sem cessar, a própria
totalidi!.de da.extensã?se~c~im da multiplicidade do entendimen-
to deve permanecer; f>elo contrário, para o verdadeiro filosofar,
mesmo incoereht~, desaparece o posto e o seu oposto, na medi-
( da em que não ctmexiona apenas o limitado com outros limita-
dos, mas relaciona-o como absoluto e assim suprime-o.
Mas porque esta relação do limitado com o absoluto é um
múltiplo, pois os limitados são-no, deve portanto o filosofar co-
meçar por pôr em relação esta multiplicidade. Deve surgir a
necessidade de produzir uma totalidade do saber, um sistema

56
da c1encia. Só na medida em que recebem os seus lugares na
conexão da totalidade objectiva do saber e é realizada a sua
perfeição objectiva é que a multiplicidade daquelas relações se
liberta da contingência. O filosofar que não se constrói em siste-
ma é uma fuga constante diante das limitações, é mais uma luta
da razão pela liberdade do que um puro autoconhecimento de si
mesmo, que se tornou seguro e claro sobre si. A livre razão e o
seu acto são uma só coisa e a sua actividade é uma pura expo-
sição de si mesma.
Nesta autoprodução da razão, o absoluto configura-se numa
totalidade objectiva, uma totalidade em si mesma produzida e
acabada, que não tem nenhum fundamento fora de si, mas que
se funda em si mesma no seu início, no seu meio e no seu fim. 1
Um tal todo aparece como uma organização de proposições e de 31
intuições. Cada síntese da razão e da intuição que lhe corres-
ponde - ambas estando unidas na especulação - está, como
unidade do consciente e do inconsciente, para si no absoluto e
infinitamente; mas, ao mesmo tempo, ela é finita e limitada, na
medida em que está posta na totalidade objectiva e tem outras
sínteses fora de si. A objectividade menos cindida - objectiva-
mente, a matéria, subjectivamente, o sentir (a consciência-de-si) -
é ao mesmo tempo, um oposto lnfinito, uma identidade totalmen-
te relativa; a razão, a faculdade da totalidade (nessa medida
objectiva) completa"'µ através do que lhe é oposto e produz, por
meio de uma síntese de ambas, uma nova identidade, que é
novamente, diante da razão, uma identidade deficiente, que, por
isso mesmo, se completa de novo. O método do sistema, que não
deve ser chamado nem analítico nem sintético, aparece no esta-
do mais puro quando se apresenta como um: desenvolvimento
da própria razão, que não reclaJna seJn cessar. para si a emana- /
ção do seu aparecimento como nma duplicidade- com isto ape-
nas a aniquilaria -, mas se constrói a si mesma na forma de uma
identidade condicionada por aquelà duplicidade, opõe de novo
a si mesma esta identiçiade relativa, de modo que o sistema pros-
segue até uma totalidade completa e objectiva, une-a com a vi-
são do mundo oposta, subjectiva até à infinitude, cuja expansão,
dessa forma, se contraiu, simultaneamente, na identidade mais
rica e mais simples.
É possível que uma autêntica especulação não se exprima
perfeitamente no seu sistema, ou que a filosofia do sistema e o
próprio sistema não coincidam, que um sistema exprima, da for-

57
ma mais determinada, a tendência para aniquilar os opostos, e
não consiga alcançar a identidade mais acabada. A diferença
entre estas duas considerações torna-se importante particular-
mente na avaliação dos sistemas filosóficos. Quando, num siste-
ma, a necessidade que lhe subjaz não se configurou perfeitamen-
te e um condicionado, um subsistente apenas na oposição, se
elevou ao absoluto, tal sistema tornou-se, enquanto tal, dogma-
tismo; mas a verdadeira especulação pode encontrar-se nas mais
diversas filosofias, que se caluniam entre si como dogmatismo e
desorientação espiritual. A história da filosofia só tem valor e
interesse quando se detém neste ponto de vista. De outro modo,
não se apresenta como a história da razão una e eterna, que se
apresenta em infinitas e múltiplas formas, mas apenas como uma
narrativa de acontecimentos ocasionais do espírito humano e de
opiniões sem sentido que são imputadas à razão, e que, todavia,
são uma carga só para quem não reconheceu o racional nelas e,
por isso, as subverteu./
32 Uma autêntica especulação, mas que não se realizou até à
sua completa autoconstrução sob a forma de sistema, parte ne-
cessariamente da identidade absoluta; a cisão da identidade em
subjectivo e objectivo é umq produção do. absoluto. O princípio
de base é, por conseguinte, completamente transcendental e, a
partir do seu ponto de vista, não há nenhuma oposição absoluta
do subjectivo e do objectivo. Mast assim, o aparecimento do
absoluto é uma oposição; o absoluto não se encontra no seu
aparecimento, ambos se opõém. O aparecimento não é identida-
de. Esta oposição não pode ser suprimida transcendentalmente,
quer dizer, não de forma que, em si, não haja nenhuma oposi-
ção; com isto, o aparecimento é apenas aniquilado e, todavia, ele
deve igualmente ser; afirmar-se-ia que o absoluto, no seu apare-
cimento, teria saído para fora de si. Portanto, o absoluto deve
pôr-se a si mesmo no seu aparecimento, quer dizer, não o deve
aniquilar, mas sim construi-lo. como identidade. A relação causal
entre o ab.soluto e o seu aparecimento é uma falsa identidade,
pois a oposição absoluta subjaz a esta relação. No absoluto am-
(
bos os opostos permanecem, mas com um grau diferente; a uni-
ficação é violenta, na medida em que um submete o outro; um
domina, o outro torna-se subordinado. A unidade foi forçada a
uma identidade meramente relativa; a unidade, que deve ser
absoluta, é incompleta. O sistema tornou-se num dogmatismo
- num realismo que põe absolutamente a objectividade, ou num

58
idealismo que põe absolutamente a subjectividade -, contra a
sua filosofia, quando ambos (o que é mais ambíguo no primeiro
do que no segundo) saíram da verdadeira especulação.
O puro dogmatismo, que é um dogmatismo da filosofia, tam-
bém permanece, segundo a sua tendência, imanente na oposição.
Nele domina como princípio fundamental a relação de causalida-
de, na sua forma mais completa, como acção recíproca, como in-
fluência do intelectual sobre o sensível ou do sensível sobre o
intelectual. No realismo e idealismo consequentes desempenha
apenas um papel subordinado, mesmo quando parece ainda do-
minar, e, naquele, o sujeito é posto como produto do objecto e
neste o objecto como produto do sujeito; mas a relação de causa-
lidade foi, segundo a sua essência, suprimida, na medida em que
o produzir é um produzir absoluto e o produto é um produto
absoluto, quer dizer, na medida em que o produto não tem qual-
quer estabilidade senão no produzir, não é posto como algo de
autónomo, subsistente antes e independentemente do produzir, tal
como acontece na pura relação causal, que é o princípio formal do
dogmatismo. Neste, ele é um posto através de A e, ao mesmo
tempo, um não-posto através de .f\; .f\, pórtanto, ab,solutamente, é
apenas sujeito, e A = A exprime apenas a ideptidade do entendi- l
mento. Mesmo quando aJilôsbfia, no s:u}ràbalho transcendental,
se serve da relaçãoç.aqsal, \ B, que parece oposto ao sujeito, de 33
acordo com os~u ser oposto'.}.,uma .ni:era possibilidade e perma-
nece absolutamente uma possibiliqade, quer diz~r, éci,penas um
a
acidente; e a verdadein~ relação da especulação., relação substan-
cial, é, sob a ap~rência>da relação ~ausal, o princípioi transcen-
dental. Formalmentçristo pode ser expresso d~. !,,egui11te forma: o
verdad 7irq)dogmatismo rec~nhece ~mbos os princ(pios, A = A e
A = B, mas, na sua antipomfo,>p~rmanecem u111ao lado do outro
/
sem serem sintetiza~os, o dogmaUsmo não reconhece que há aqui
uma antinomia e, por .isso, também i;i.ão reconhece a necessidade
de suprimir . SlJPSistê11da dos op6stos; a passagem de um ao
outro por meio da .relaçã9de causalidade é, para ele, a única sín-
tese possível incompl~ta; · Não obstante o facto de a filosofia
transcendental ser nitidamente distinta do dogmatismo, ela é ca-
paz, na medida em que se constrói como sistema, de transitar para
ele, quando ela, nomeadamente - uma vez que nada existe senão
a identidade absoluta e nela se suprime toda a diferença e subsis-
tência dos opostos-, não deixa permanecer nenhuma relação
causal real, mas - na medida em que o aparecimento deve ao

59
mesmo tempo permanecer e, com isso, deve existir uma relação
do absoluto com o aparecimento que seja diferente da aniquilação
deste último - introduz a relação causal, transforma o apareci-
mento numa subordinação e põe, por conseguinte, a intuição
transcendental apenas subjectivamente, não objectivamente, ou não
põe a identidade no aparecimento. A = A e A = B permanecem
ambos incondicionadamente; só deve valer A = A; isto quer dizer,
porém, que a sua identidade não é exposta na sua verdadeira sín-
tese, que não é nenhum mero dever-ser. Assim, no sistema de
Fichte, Eu = Eu é o absoluto. A totalidade da razão introduz o
segundo princípio, que põe um não-Eu; nesta antinomia da posi-
ção de ambos não está apenas posta a completude, mas também
é postulada a síntese entre eles. Mas nesta permanece a oposição;
tanto o Eu como o não-Eu não devem ser aniquilados, mas deve
permanecer uma proposição que seja de nível superior à outra. A es-
peculação do sistema exige a supressão dos opostos, mas o pró-
prio sistema não os suprime; a síntese absoluta a que este chega
não é Eu = Eu, mas sim o Eu deve ser igual a Eu. O absoluto é
construído para o ponto de vista tr;;t.t;1scendental, mas não para o
do aparecimento; ambos contrc1dizem-se ainda. Porque a identida-
de não foi ao mesmo temp() posta no ª!?ªrecimento, ou porque a
identidade também nfü) transitou c<:mipletamente para a objectivi-
dade, a própria transcendentalidade.é\ um oposto, algo de subjec-
tivo, e pod~-se também dizrr que\O aparecim~nto não foi total-
mente .c1niquilado.
Tentar-se-á . ru()~füàr{.•n.a exposiçãp..que se sêgtie. do sistema
de Fichte, que a co.nsdência pura, a ideptid~dedosujeito e do
objecto cplocada como absolµta Il0. sistema, é uma identidade
34 s~~Jrctiva do sujeito edo A
objecto. .1 exrgs~ção tomará º cami-
nho de demonstray.que o•Eu, .9 pri~çfpio do sistema, é um
sujeito-objecto . . Pubjectiyo, tanto imediatamente quanto no modo
de deduçàg da natureza e, particularmente, na relação da iden-
tidade 11as ciên;ias particulares da moral e do direito natural, e
na relação da totéllidad~ do sistema com a estética.
( É já claro por. ,;tquilo que se disse acima que, nesta exposi-
ção, trata-se, em primeiro lugar, desta filosofia como sistema e
não, na medida em que é a especulação mais fundamentada e
profunda, um autêntico filosofar, o que é tanto mais maravilho-
so quanto se tem em conta o tempo no qual aparece e no qual
também a filosofia kantiana não tinha conseguido incitar a razão
a retomar o desaparecido conceito da autêntica especulação.

60
EXPOSIÇÃO DO SISTEMA DE FICHTE 34

O fundamento do sistema de Fichte é a intuição intelectual,


o puro pensar de si mesmo, a pura autoconsciência Eu = Eu, Eu
sou; o absoluto é sujeito-objecto, e o Eu é esta identidade do su-
jeito e do objecto.
Na consciência comum, o Eu apar1;iêe em oposição; a filosofia
tem de esclarecer esta oposição . cliante de um oçjecto; esclarecê-la
significa mostrar o seu çafácter-condicionado por um outro e
comprová-la, por co1:~eguinte, como fenómeno. Se, relativamente
à consciência empírica, se compi;9vm que ela está c9n1pletamente
fundada na sonsciência pura e não é rrteramentecqndi,ciqnada por
a
ela, com isso está s~primid? sua oposição,, soba con~ição de,
por outro lado, .ª\,~púsiçijo estar c0111plefa'. citH,~rdize[1não estar
apenas mostrada uma identidadrparciaL\çlas so1)sciê11cias pura e
empírica. A. identidade é apenas parcia1 seá consci,~ncia empírica
sobrar uma parte pela (J;Ual ela IJ.ã:O ~ determint,1da pela pura, mas
permanece incondici()nada; e porçt\te a con$ciência pura e empírica
surgem apenas §Orno, merrl~res)do élntagonismo supremo, então, a
própria consciência purq ,seri,a .determinada e condicionada pela
empírica, na medida errt ~µe esta fosse incondicionada. A relação /

seria, deste modo, uma reciprocidade, que englobaria em si o


determinar e o ser determinado, mas que pressuporia uma oposi-
ção absoluta do que permanece na acção recíproca e, por conse-
guinte, a impossibilidade de elevar a cisão à identidade absoluta, !
Ao filósofo, surge esta pura autoconsciência na medida em 35
que, no seu pensar, abstrai de tudo o que é estranho, do que não

61
é Eu, e apenas mantém a relação do sujeito ao objecto. Na intui-
ção empírica, sujeito e objecto são opostos; o filósofo concebe a
actividade do intuir, intui a intuição e concebe-a, assim, como
uma identidade. Este intuir do intuir é, por um lado, reflexão
filosófica, e oposta, em geral, tanto à reflexão comum como à
consciência comum, que não se eleva acima de si mesma e das
suas oposições; por outro lado, esta intuição transcendental é, ao
mesmo tempo, objecto da reflexão filosófica, o absoluto, a iden-
tidade originária. O filósofo elevou-se à liberdade e ao ponto de
vista do absoluto.
A sua tarefa é, de agora em diante, a de suprimir a oposição
aparente entre a consciência transcendental e a consciência em-
pírica. Em geral, isto acontece pelo facto de a última ser deduzida
da primeira. Esta dedução não pode, necessariamente, ser a tran-
sição para algo estranho; a filosofia transcendental procede de
modo a construir a consciência empírica, não a partir de um

) princípio que lhe seja exterior, mas sim a partir de um princípio


imanente, como uma emanação activa ou autoprodução do prin-
cípio. Na consciência empírica nada pode surgir que não seja
construído a partir da pura consciência-de-si, tal como a cons-
ciência pura não é, de acordo. com a sua essêhcia algo de dife-
rente da empírica. A forma de ambas distingue-se precisamente
pelo facto de aquilo que na consciência empírica aparece como
objecto oposto ao sujeito, ser posto como idêntico na jntuição
desta intuição empírica, e, com isso, a consciêntia. empírica se
completar através daquilo que constitui .a sua essência. Disto,
porém, ela não tem qualquer consciência.
A tarefa pode também ser expressa do seguinte modo: atra-
vés da filosofia, a consciência pura dev~ ser suprimida como
conceito. Na oposição à consciência empírica, a intuição intelec-
tual, o puro pensar de si mesmo, aparece como conceito, nomea-
damente, como abstracção de toda a multiplicidade, de toda a
desigualdade do sujeito e do objeéto. Ela é, na verdade, actividade,
acção, intuir puros, ela existe apenas na auto-actividade pura que
a produz; este acto, que se arranca de tudo o que é empírico,
múltiplo, oposto, e se eleva à unidade do pensar, Eu = Eu, iden-
tidade do sujeito e do objecto, tem, no entanto, uma oposição a
outros actos; nessa medida, ele é passível de ser determinado
como conceito, e tem com o que lhe é oposto uma esfera comum
superior, a do pensar em geral. Fora do pensar de si mesmo há
ainda um outro pensar, fora da consciência-de-si há uma cons-

62
ciência empmca múltipla, j fora do Eu como objecto há ainda 36
múltiplos objectos da consciência. O acto da consciência-de-si
distingue-se de forma determinada do acto de outra consciência
pelo facto de o seu objecto ser igual ao sujeito; Eu = Eu é, nessa
medida, oposto a um mundo infinito objectivo.
Desta forma, não surgiu nenhum saber filosófico por meio
da intuição transcendental, mas, pelo contrário, quando a refle-
xão se apodera dela e a opõe a outras intuições, nenhum saber
filosófico é possível. Este acto absoluto da livre auto-actividade é
a condição do saber filosófico, mas ainda não é a própria filoso-
fia; por meio desta, a totalidade objectiva do saber empírico é
equiparada à pura consciência-de-si, esta última é, com isso, to-
talmente suprimida como conceito ou como oposto, e, com isso,
também a primeira o é. Notar-se-á que, em geral, só existe a
consciência pura, Eu = Eu é O absoluto; toda a consciência
empírica seria apenas um puro produto do Eu = Eu, e a consciên-
cia empírica seria, nessa medida, totalmente negada, enquanto
nela ou através dela existisse uma absoluta dualidade, nela apa-
recesse um ser-posto que não fosse um ser-posto do Eu, para o
Eu e através do Eu. Com a autoposição do Eu tudo seria posto,
fora ,~ele nada seria posto; a identidade da consc~ê~ci,a. pura e
emp1nca não é urna abstracção do seti ser-oposto ongmano, mas,
pelo ~o~t~ário, a sua oposição é urna abstracção da sua identida-
de ongmaria.
Com isto, a intuição intelectual é posta igual a tudo, ela é a
totalidade. O ser:-idêntico de toda a consciência e1npírica com a
p_ura é o saber; e a filosofia, que sabe deste ser:idêntico~ é.ª. ciên-
cia do saber; ela tem de mostrar através do agir a multiplicidade
d~ consciência empírica. como idêntica com a pura, º\l seja, a tra-
ves do desenvolvimento efec.tivo do objectivo a partir do ~u, e
descrever a totalidade d.a consciência <empírica como totalidade
objectiva da consciência-de-si· no Eu= fa\ está dado, para ª filo-
sofia, ~oda a multiplicidade .do saber, Para a mera refl:xão, est~
deduçao aparece como o. começo contraditóri(~: deduzir da_ uru-
~ade a multiplicidade, da pura unidade a dualidade; mas a 1~en-
tidade do Eu = Eu não é nenhuma identidade pura, quer dizer,
nenhuma identidade surgida através do abstra~r da reflexão.
Quando a reflexão concebe o Eu = Eu como umdade, deve ao
mesmo tempo concebê-lo também como dualidade; Eu = Eu é, ao
mesmo_ tempo, unidade e duplicidade, é uma oposição no ~u = Eu.
O Eu e uma vez sujeito, outra vez objecto; mas, o que e oposto

63
~ . " . A consc1e·"11Cͪ
a o Eu é igualmente Eu; os opostos sao 1denhcos. sair da
, . . moum
empírica não pode ser considerada, por isso_,,.. co_ do saber, qne
consciência pura; deste ponto de vista, uma c1encia -senso; o
saísse da consc1enc1a .,.. . pura, sena, . cer t amente , um contra , . se teria .
.,.. ·a
1 emp1nca
ponto de vista segund o o qual na consc1enc . ·ma, \ 110
17 saído da consciência pura subjaz à abstracção refenda ~Cl nquan-
qual a reflexão isola aquilo que lhe é oposto. A reflexao, ~nttüção
to entendimento, é, em e por si, incapaz de conc~b: : de si, a
0
transcendental; e quando a razão atinge o conhecim 11 . onal e
reflexão, onde lhe for dado espaço, subverte O raci
transforma-o de novo em algo de oposto. tra11s·
Até ao momento, descrevemos o lado purament er po·
cendental do sistema, no qual a reflexão não tem qua qltt razãO·
der, e a tarefa da filosofia foi determinada e descn·tª pe a tro '
110
Por causa deste autêntico lado transcen enta e q d 1 , ue o ou ' sell
110
qual domina a reflexão, é , não só tão difícil de agarrar ie per·
ponto de partida como, em geral, de fixar, pois para O ~l trans·
tence ao entendimento, ou seja, àquilo em que a reflex~~o O re·
formou o elemento racional, permanece sempre em ab mostrar
gresso ao lado transcendental. Por conseguinte, deve-se fle)(áo,
que os dois pontos de vista, o da especulação e o da r~ qtte o
pertencem essencialmente a este siste~a e de modo ta se eW
último não tem um lugar subordin~dô, mas 9:ue ambos O ceJ:i·
11
contram de forma absolutamente<Ilecessáriai\e separados, cnla·
tro do sistema. Ou Eu :::: E\1 é o princípi() absoluto da es~eO E,n
ÇãO, mas esta identidaçle não é II\QStr~da pelo sistema, erJJ1ª'
objectivo não é identificado coin oEu subjectivc,/ arnQO~ ~esfllº
necem absolutamente opost9s. OEu não seenc0I1tra ª 5 ~ 0 E,tl,
no seu apared.mento º~<1;10 s.eu pôr; P~fa seenco~var co;-t1 pôr
deve negar o seu apare~imento. 1\ (?SSênd.à do Eu e, 0

O.
não coinciderr1: Eu itão se to~~a parn. sl1nesmo objectivo . . ,., 0 Jo
Fichte. ' . na. Doutrina dª . . c ... í.ênc·i·ª.·..·."€St·.. 1.~eu···.·. ·.P. ~ra a exposiçda 1 Je
º.·.

princípio.
· · do seu
d'd d siste..m
...··.·ª
·. · ª..· .
fo .·. .·.d~.·. ·P··.·.·.r()posições-de-ft1n
· · . ·rm. ª.•····.· · ·· · rop 051 ~ çãO'
cuia mcomo 1 a e $~ falou 11\p.is ac,hna. A primeira P cofllº
-de-_ft~nd~ f~ ?. absoluto PÔf'Sea si mesmo do Eu, o ;;osiçãO
pos1çao m 1mta; a se~t~gda, é â oposição absoluta, ou ' dtia5
de. u~ infinito não-Eu; atetceira, é a absoluta unificação~d~~tl e a
pnme~r~s por meio da absoluta divisão do Eu e do n':º -Etl di-
reparhçao da esfera infinita num Eu divisível e num nao trê5
· , 1 E t "
v1swe · s as tres proposições-de-fundo absolutas apres entaJJ1 wto5
actos absolutos do Eu. Desta multiplicidade de actos absO

64
segue-se im d. t
são e Ia amente que estes actos ou proposições-de-fundo
n'ae constr
apenas factores relativos, ou, na medida em que tomam parte
- d .
ideai uçao a totalidade da consciência, apenas factores
s. O Eu - Eu t t . - 1,
actos abso - em nes .ª ~~s1ça_o, na qua e opo~:º ~ outros
na m d"d luto s, apenas a s1gmfrcaçao da pura consc1encia-de-si,
1
to tat ~ em que esta é oposta à consciência empírica; enquan-
cieAn : eS t a condicionado pela abstracção relativamente à cons-
c1a em , ·
posi _ puica, e, tanto quanto a segunda e terceira pro-
com çoes-~e-f:mdo são condicionadas, o mesmo acontece também
imed·\Pnmeira. Já a multiplicidade de actos absolutos aponta
tamb ~aamente para esse facto, mesmo que o seu conteúdo seja
cessá e~ totalmente desconhecido. Não é de forma alguma ne-
com no qt~e O Eu = Eu, o / pôr-se a si mesmo absoluto, seja 38
acimpree nd1 do como condicionado; pelo contrário, vimo-lo mais
ta (eª ~o seu significado transcendental como identidade absolu-
Eu = ;ao ~penas do entendimento). Mas nesta forma, quando o
-fund u _e apresentado como uma entre várias proposições-de-
-de-s ·o, nao tem outra significação senão a da pura consciência-
ta à ~iPº~:ª à_ consciência empírica, a da reflexão filosófica opos-
M nsc1enc1a comum.
ram as estes factores ideais do puro pôr e do puro opor pode-
ªPes:pe;~s ser _rostos em benefíci() d/Í reflexão filosçHca, a qual,
(parar e partir da identidad.e originária, corneça justamente
com_ poder descrever a verdadeira essê.ntia desta identidade)
antinim~:~~:~çã~ d~s.abso1~tame~t~.··opostos, dligando-()S cob··mo
luto ' e e\9 umco meio para a n~flexão e expotoj so-
da ~o~::~t~etirar imediat?~en,te a identidade. ?~s?luta;dqad· esfera
abstr . d e para a Çonsht.~ur; não COlll?<uma1qent1 .ª € que
Sujeitai O suje.ito e do Objecto, mas CQmO<Up;la identid.~1e do
tal mº; doqbJecto. Esta identi~aden&.o podeser con5ebida de
arnbasº a~ aq:e .dº puro pôr-se::a-si;wesIU.o e o l?u~o opor-se de
tal id . c 1v1 ades sejam urn e predsamente o mesmo Eu; uma
trans entidade não seria dt}f6rma alguma tràn:scendental, mas sim
nd
necerce en~~; a âbs9lµ.t~ contràdiçãodos opostos deverá penna-
Conc '. ª unificação de .a111bo~ reciuziu-se a uma unificação no
trans eito universal de actHridade. Exigir-se-á uma unificação
ela pr, cendental
. ' , na qual a contradição de ambas as act1v1 · "d ades sera,'
rá tirn : ' ipnm1 a e, a partir dos factores 1 ems, se cons tnu-·
ºPna st · "d "d ·
8
dacta a 111tese ver d adeira, ao mesmo tempo id ea 1 e rea1. Es ta e'
Um_ -pelo te rceuo · princípio: 0 Eu opõe, no Eu, ao Eu d"1v1s1ve · ' 1
nao-E u d.1 . , 18
-
v1s1vel . A esfera infinita objectiva, o oposto, nao

65
= ST7571l'lillffl
----....::.~~~--__:_~~-· _._.2r:Ni11
II lf\17 __--··-·---"'----"'---
_;_ ..

. aquilo que
é nem Eu absoluto, nem não-Eu absoluto, mas sun que se
abarca os opostos e é preenchido pelos factores ºI:º stos, e ue iun
encontra a si mesmo na seguinte relação: na medida em q outro
é posto, o outro não é, na medida em que um se eleva, 0
decai. . . _ , . Eu subjec-
Mas, nesta síntese, o Eu obJectlvo nao e igual ao ão se
tivo; o subjectivo é Eu, o objectivo é Eu +. não-Eu. Ne1~ ;u e a
expõe a identidade originária; a consciência pura Eu - as nas
consciência empírica Eu= Eu+ não-Eu, com todas as_ forO::' corrt-
quais esta se constrói, permanecem opostas entre si. A_ i~o-de-
pletude desta síntese, que exprime a terceira proposida pro-
-fundo, é necessária, se os actos da primeira e segun t ªs ou,
posições-de-fundo forem actividades absolutamente op_os ª penas
no fundo, nenhuma síntese é possível; a síntese é, entao~t opor
39 possível quando a actividade do pôr-se-a-si-mesmo I e
O
aditó-
são postas como factores ideais. Parece ser realmente contr con-
rio que actividades que não podem, de forma alguma, se~u e 0
ceitos, devam ser tratadas como factores ideais; mas se O J1l ser
não-Eu, o subjectivo e o objectivo, os elementos q;.1e deve r) ol.1
unificados, forem expressos como actividades (por e ?P? qual-
como produtos (Eu objectivo e não-Eu), isso não co~stitu~ cípío
quer diferença, nem em si, nem para um sistema CUJO pnn pos-
é a identidade. A sua característica de serem al;)solutamente Ohece
tas torna-as em algo de absolutamente ideal, e Fichte reco,n tese,
esta sua pura idealidade, Para ele, os opostos, antes ~a sinínte-
são algo de completamente diferente dó que são depois .~~ s rrt é
se; antes da síntese são meramente opostos e. nada mais, it seJ:11
aquilo que o outro não é,evice~versa: um mero pensamen~?dade-
qualquer realidade, .ai.nda assim pensamento da mera rea 1
0 0
Na medida em que um entra, o outro é .aniquilado; mas coJ'.ll do
primeiro só pode entrar com. o .predicado .de ser o opoSto ..,,, 0
. . .. meS1•·
outro, como, desse modo, com o· seu conceito, entra ªº- ode
tempo o conceito ÔQ outro e aniquila-o, o primeiro nao P be-
entrar. Com isto,.nada. est.cá pres.ente e tudo era apenas umda ziu
' 1a i·1usao
nevo - da imaginação,
· ·.
que, sem repararmos,,1·ntro ensar
u
um substrato naqueles meros opostos e tornou possivel P ada
19
neles - Resulta da idealidade dos factores opostos que eles n 0
são senão na actividade sintética que só através desta ele~l~"a-
- ' , ut1 iµ
seu ser-oposto sao postos, e que a sua oposição apenas e ensí-
da em proveito da construção filosófica, para tornar compre, fia
vel a faculdade sintética. A imaginação produtiva seria a prop

66
identidade 'ab soluta, representada como actividade, a qual, so-
mente
mesmo' na t medida em que co1oca o produto, o limite, coloca ao
imaginaç:mpo os ~postos como aquilo que limita. O facto de a
o que é c~~d'r~dutiva, como faculdade sintética, aparecer como
de vista d icrnnado pelos opostos, valeria apenas para o ponto
tuição ' a reflexã 0 , que parte d os opostos e compreende a in-
reflexã~~~;as_ ~orno uma ligação deles. Mas, ao mesmo tempo, a
subjectiv 1 osof~ca _deveria, para indicar este ponto de vista como
cendent ~ e pr_opno da reflexão, produzir o ponto de vista trans-
opostas ª ' pois reconhece aquelas actividades absolutamente
totalme tcomo sendo apenas factores ideais, como identidades
to a conn e. rel ~ fivas em face da identidade absoluta, na qual tan-
A

.
ciência sc1enc1a emp1nca, , · como o seu contrario
, · (a sab er, a cons-
rio ), sã pura, ~u~, como abstraída daquela, tem nela um contrá-
transce Odsupnmidas. Só neste sentido o Eu é o ponto médio
relativan ental de ambas as actividades opostas e indiferente
signific ~ente a ambas; a sua oposição absoluta tem somente um
s· ª 0 para a sua idealidade. !
sa naimplesment
t . ·, a mcompletude
e, Jª · ,
da smtese, que esta, expres- 40
um Eu erce~ra proposição-de-fundo e na qual o Eu objectivo é
opostas+ ~ao-Eu, desperta a desconfiança de que as .actividades
como f nao d:vem valer apenas como identidades relativas,
se Visseactores ideais, aquilo pelo que poderiam ser tomadas se
título d apenas a sua relação com a síntese e se se abstraísse do
como et absolutidade que ambas as activídades recebem, tal
Ma erceira.
relaçã;s O pôr-se-a-si-mesmo e O opor nãa, devem surgir nesta
é actividu: com o outro e contra as actividades sintétkas. Eu = Eu
como id ª e_ absoluta, que em nenhuma perspectiva deve ser vista
u111 nã ~nhdade relativa e coino factor ideal. Para este Eu = Eu,
neces; ?-. u é um absolutamente oposto; mas a sua unificação é
Ção é ana e, o umco , . inter.esse ' Mas que um·r1ca-
. da especulação.
.
tos? Épossivel se supusermos a existência de opostos absolu-
deve cl~ro que propriamente ·nenhuma; ou - dado que se
a terc partu
· ' pe1o menos em parte, · do oposto da abso1uh'd a d e, e
a op e~r: proposição-de-fundo deve necessariamente surgir, mas
adeosiçao
b s u b'Jaz - apenas uma identidade pareia · 1. A 1'd en t'1-
d a solut , 1 - mas per-
111.anec ª e, na verdade princípio da especu açao,
e, tal ' _
realiza - . como a sua expressao Eu = Eu, apenas a regra, cuJa ·
e Çao mf
s1ste111a.

m1't a e, apenas postulada, mas nao- cons trm'd a no

67
O ponto fundamental deve ser o de comprovar que o pôr-se-
-a-si-mesmo e o opor são actividades absolutamente opostas no
sistema. Na realidade, as palavras de Fichte expressam-no de
forma imediata; mas esta oposição absoluta deve ser justamente
a condição sob a qual, somente, a imaginação produtiva é possí-
vel. Mas a imaginação produtiva é o Eu apenas enquanto facul-
dade teórica, que não se pode elevar acima da oposição; para a
faculdade prática, a oposição desaparece, e a faculdade prática é
a única que a suprime. Deve por isso demonstrar-se que tam-
bém para esta a oposição é absoluta, e que mesmo na faculdade
prática o Eu não se põe igual a Eu, mas que o Eu objectivo é
igualmente um Eu + não-Eu, e a faculdade prática não penetra
até ao Eu = Eu. Ao invés, a absolutidade da oposição surge da
incompletude da síntese suprema do sistema, na qual está ainda
presente.
O idealismo dogmático conserva a unidade do princípio na
medida em que nega o objecto em geral e põe um dos opostos,
a saber, o sujeito na sua determinidade, como o absoluto, tal
como o dogmatismo, que é materialismo na sua pureza, nega o
sujeito. Se, para o filosofar, a necessidade tem apenas na base
uma tal identidade, que deve ser rétthzada p~loJacto de um dos
41 opostos ser negado e delese abstrair abs9lutamente, 1 então é
indiferente qual dos ~ois,> o subjectivp< ou o objectivo, é negado.
A sua oposição ~ncpntra-se na.consciência e a realidade de um,
tal como a realiqade do outrw está.aí fondamentaçla; a consciên-
cia pura/ não pode ser nem. inpis nem menos cgmprovada na
consciên,da empírica( çlo qtie a coisa-e~~sído dogmático. Nem o
subjectivo, ne~ Q objectiVo, isolados, pre~nchetn\çl.\COnsciência; O
puro subjectivo ~ uma abstracç~o, tal çomo. o P½ro objectivo; o
o
ideahsino dogmático põe subjectiva, como fundamento-real do
objectivo, o realismo.• qog~ático põ~ ·~.· opjectivo como funda-
mento-real do subjecti:'º· o r~alism() qgnsequente nega absoluta-
mente a cpnsdênd<;1 coino µma çi'l-rto-actividade do pôr-se. Mas
quando tç1mbél1l ô SfV obj~cto, que o realismo põe como funda-
mento-real da cpnsciêncJa, é expresso como não-Eu = não-Eu,
quando ele indica .ª realidade do seu objecto na consciência e,
portanto, para ele a identidade da consciência é feita valer como
um absoluto, oposto ao seu alinhamento objectivo de finito em
finito, deve, certamente, abandonar a forma do seu princípio de
uma pura objectividade. Mal ele concede um pensar, o Eu = Eu
deve ser exposto a partir de uma análise do pensar. Trata-se do

68
pensar expresso como propos1çao; pois o pensar é o auto-
-relacionamento activo de opostos, e relacionar é pôr os opostos
como idênticos. Simplesmente, como o idealismo faz valer a
unidade da consciência, o realismo pode fazer valer a sua dupli-
cidade. A unidade da consciência pressupõe uma duplicidade, o
relacionar pressupõe um ser-oposto; ao Eu = Eu opõe-se uma
outra proposição igualmente absoluta: o sujeito não é idêntico ao
objecto; ambas as proposições têm o mesmo nível. Tanto como
certas formas, nas quais Fichte expôs o seu sistema, poderiam
induzir a tomá-lo por um sistema de idealismo dogmático, que
nega o princípio que lhe é oposto - tal como Reinhold não re-
para no significado transcendental do princípio de Fichte, segun-
do o qual se exige pôr no Eu = Eu, ao mesmo tempo, a diferença
do sujeito e do objecto, e vê no sistema de Fichte um sistema da
absoluta subjectividade, quer dizer, um idealismo dogmático 20 - ,
assim o idealismo de Fichte se distingue pelo facto de que a
identidade, que ele apresenta, não nega o objectivo, mas põe o
subjectivo e o objectivo no mesmo nível de realidade e de certe-
za, e a consciência pura e empírica são uma só. A favor da iden-
tidade do sujeito e do objecto, ponho as coisas fora de mim com
tanta certeza quanto me ponho a mim mesmo; tão certo como
eu ser, as coisas são. Mas se o Eu puser apenas coisas ou se se
puser a si mesmo, apenas uma das duas coisas ou ambas ao
mesmo tempo, mas separadas, então o Eu não se tornará ele
próprio, no sistema, sujeito = objecto; O subjectivo é certamente
sujeito = objecto, mas o objectivo não, e, portanto, o sujeito não
é igual ao objecto. J
Como faculdade teórka, o Eu não se consegue pôr completa- 42
mente a si mesmo, de modo objectivo, e sair da oposição. «O Eu
põe-se ·ª si mesmo como determinado pelo não~Eu» 21 , é aquela
parte da terceira proposição,de-fundb através da qual o Eu se
constitui como inteligente. Embora o .mundo objectivo se mostre
como um acidente da inteligência, e o não-Eu, por meio do qual
a inteligência se põe .a si mesma de modo determinado, seja um
indeterminado, e cada determinação sua seja um produto da
inteligência, resta ainda um lado da faculdade teórica pelo qual
ela é condicionada; nomeadamente, o mundo objectivo, na sua
determinação infinita por meio da inteligência, permanece sem-
pre, simultaneamente, algo para ela, que para ela é, simultanea-
mente, algo de indeterminado. Na verdade, o não-Eu não tem
qualquer carácter positivo, mas tem o carácter negativo de ser,

69
em geral, um outro, quer dizer, um oposto; ou, como Fichte se
exprime: a inteligência está condicionada por um choque, mas
que é, em si mesmo, indeterminado. Porque o não-Eu exprime
apenas o negativo, um indeterminado, este carácter cabe-lhe
apenas por meio de um pôr do Eu: o Eu põe-se a si mesmo como
não posto; o opor em geral, o pôr de um absolutamente indeter-
minado por meio do Eu, é ele próprio um pôr do Eu 22 . Nesta
viragem, é afirmada a imanência do Eu, mesmo como inteligên-
cia, em relação ao ser condicionado por meio de um outro = X.
Mas a contradição recebeu apenas uma outra forma, por meio
da qual ela própria se tornou imanente; nomeadamente, o opor-
-se do Eu e o pôr-se-a-si-mesmo do Eu contradizem-se entre si;
e desta oposição a faculdade teórica não é capaz de sair; por isso,
ela permanece para si mesma absoluta. A imaginação produtiva
é um flutuar entre opostos absolutos, que ela pode apenas sinte-
tizar no limite, mas cujos extremos opostos não pode unificar 23 •
Por meio da faculdade teórica, o Eu não se torna objectivo
para si mesmo; em vez de se impor como Eu = Eu, o objecto
surge para ele como Eu + não-Eu; ou a consciência pura não se
mostra como idêntica à empírica.
Resulta daqui o .carácter da dedução transcendental do mun-
do objectivo. () Eu = Eu, como princípio da especulação ou da
reflexão filosófica subjectiva; que se opõe à conscsíência empírica,
deve. mostrar-se a si mesmo ôbjectivamente como princípio da
filosofia, pelo facto de suprimir a oposição relativamente à cons-
ciência empírica. Isto tem de acontecer se a consciência pura
produ~ir a partir de si mesma uma multiplicidacl.e de activida-
des, que é igual à multiplicidade da consciência empírica; com
isto, o Eu = Eu seria comprovado co010 o fundamento real
imanente da totalidade da contiguidade da objectividade. Mas na
consciência empírica existe um oposto, um X, que a consciência
pura não pode produzir nem suprimir a partir de si mesma, pois
43 ela é um pôr-se-a-si-mesma, J mas que tem de pressupor. Pode-
-se perguntar se a identidade absoluta, na medida em que apa-
rece como faculdade teórica, não se pode também abstrair total-
mente da subjectividade e da oposição relativamente à consciência
empírica, e, no interior desta esfera, tornar-se a si mesma objec-
tiva, A = A. Mas esta faculdade teórica, na qualidade de Eu que
se põe a si mesmo como um Eu determinado pelo não-Eu, não
é, de forma alguma, uma esfera imanente pura; no seu interior,
cada produto do Eu é, ao mesmo tempo, um produto não deter-

70
minado pelo Eu; a consciência pura, na medida em que produz
a partir de si mesma a multiplicidade das consciências empíricas,
aparece, por isso, com o carácter da insuficiência. Esta insufi-
ciência originária da consciência pura constitui, desde logo, a pos-
sibilidade de uma dedução do mundo objectivo em geral, e o
subjectivo dela aparece com a maior clareza nesta dedução.
O Eu põe um mundo objectivo na medida em que se reconhece
a si mesmo como insuficiente na medida em que se põe; e, com
isto, desaparece a absolutidade da consciência pura. O mundo
objectivo relaciona-se com a consciência como sendo uma condi-
ção dela. A consciência empírica e a pura condicionam-se mutua-
mente, uma é tão necessária quanto a outra; prossegue-se, segun-
do a expressão de Fichte, em direcção à consciência empírica,
porque a consciência pura não é uma consciência completa. Nesta
relação recíproca, permanece a absoluta oposição entre elas; a
identidade que pode ser realizada é altamente incompleta e su-
perficial; é necessária uma outra, que compreende a consciência
pura e a empírica, mas que as suprime a ambas naquilo que são.
Da forma que o objectivo (ou a natureza) recebe, por meio
deste género de dedução, falar-se-á mais abaixo .. Mas a subjec-
tividade da consciência pura, que surge da forma de dedução
que foi discutida, dá-nos a explicação para ,uma outra forma dela,
na qual a produção do objectivo é um acto puro da actividade
livre. Se a consciência~de-si estiver conqicionada pela consciên-
/
cia empírica, a consciência empírica não poderá ser um produto
da liberdade absoluta e a livre actividade do Eu tornar-se-á ape-
nas um factor na construção da intuição de um mundo objectivo.
O facto de o mundo ser um produto da liberdade da inteligência
é o princípio do idealismo expresso com determinação, e se o
idealismo fichteano não construiu este prif1cípio como um siste-
ma, o fundamento disso enc.ontra-se no carácter com que a liber-
dade surge neste sistema.
A reflexão filosófica é. um acto de liberdade absoluta, eleva-
-se com arbítrio absoluto acima da esfera do dado e produz com
consciência o que, na consciência empírica, a inteligência produz
inconscientemente e que, por isso, aparece como dado. No sen-
tido em que, para a reflexão filosófica, a I multiplicidade das re- 44
presentações necessárias surge como um sistema produzido por
liberdade, a produção inconsciente de um mundo objectivo não
é vista como um acto de liberdade - pois, nesta medida, a cons-
ciência empírica e a consciência filosófica opõem-se -, mas sim

71
r
1

na medida em que ambas são a identidade do pôr-se-a-si-mesmo;


0 pôr-se-a-si-mesmo, identidade do sujeito e do objecto, é activi-
dade livre. Na apresentação precedente da produção do mundo
objectivo a partir da consciência pura ou do pôr-se-a-si-mesmo,
aparece necessariamente uma oposição absoluta; isto acontece na
medida em que o mundo objectivo deve ser deduzido como um
acto de liberdade, como uma autolimitação do Eu por si mesmo,
e a imaginação produtiva é construída a partir dos factores da
actividade indeterminada, dirigindo-se ao infinito, e da activida-
de limitante, que se finitiza. Se a actividade reflexionante for ao
mesmo tempo posta como infinita, tal como deve ser posta
- na medida em que é aqui um factor ideal, um oposto absoluto -,
pode ser também ela posta como um acto da liberdade, e o Eu
limita-se a si mesmo livremente. Deste modo, a liberdade e o
limite não se oporiam um ao outro, mas pôr-se-iam de modo
infinito e finito; o mesmo que acima surgiu como oposição entre
a primeira e a segunda proposições-de-fundo. A limitação é, com
isso, sem dúvida, algo de imaneflte, pois é o Eu que se limita a
/ si mesmo; os objectos são ape~às· postos pura explicar esta limi-
tação, e o limitar-se a si iy.esmo da i13teligência é o único real.
Deste modo, a oposição absoluta, que a consciência empírica põe
entre o sujeito ~·· o dbjecto, é svp:timida, mas é transportada de
uma outr~ fotma para a intelígêJ1çfo.; e a inteligência encontra-se
a si .mesma, uma vez 11\ais, encerrada ern\Hll\ites.jnconcebíveis,
tem para Si COfi1;0Jei ininteligível O lirnitar~se, a\ Si mesma; mas é
o
justamente facto <dª oposição cta c()nsdêpcia comum ser
ininteli~íyel par:<1 >ela que imp.ulsiona. ct espect1foção 1 Mas o carác-
ter ininteligível permanece 1;10 sistema através do limite posto na
própria inteligência, .e quebrar o·s~u.círculo é o único interesse da
necessidade dafilosofia,Sehouv:er u~aoposição entre a liberdade
e a actividac:leJirnitante, corµo entre o pôr-se-a-si-mesmo e o opor,
a liberdade torna..se cou:dicicmç1da, o que não deve acontecer; se,
também, a actividade liIT1;itante for posta como uma actividade da
liberdade ---corno~ Ulí(ÜS acima, o pôr-se-a-si-mesmo e o opor fo-
ram ambos postos no Eu-, a liberdade é identidade absoluta, mas
contradiz o seu aparecimento, que é sempre um não-idêntico, finito
e não-livre. A liberdade não consegue produzir-se a si mesma no
sistema; o produto não corresponde à actividade produtiva; o sis-
tema, que parte do pôr-se-a-si-mesmo, leva a inteligência à sua
condição condicionada, num sem-fim de finitudes, sem a produzir
de novo neles e a partir deles.

72
Porque no produzir sem consciência a especulação não pode
indicar completamente o seu princípio Eu = Eu, mas o objecto
da faculdade teórica I contém em si, necessariamente, algo de 45
não determinado pelo Eu, somos remetidos para a actividade prá-
tica. Ao Eu não chega pôr-se a si mesmo, através do produzir
inconsciente, como Eu = Eu, ou intuir-se como sujeito = objecto;
há ainda a exigência de o Eu se produzir como identidade, como
sujeito = objecto, quer dizer, praticamente, de se metamorfosear
a si mesmo no objecto. Esta suprema exigência permanece, no
sistema fichteano, uma exigência; ela, não somente não é resolvi-
da numa síntese autêntica, como, pelo contrário, é fixada como
exigência, para que o ideal se oponha absolutamente ao real, e a
suprema auto-intuição do Eu como um sujeito = objecto se torne
impossível.
O Eu = Eu é postulado do ponto de vista prático, e isto é
representado de tal modo que o Eu se torna deste modo, enquan-
to Eu, um objecto, na medida em que surge numa relação causal
com o não-Eu, na qual o não-Eu se desvaneceria e o objecto seria
algo de absolutamente determinado pelo Eu, portanto, = Eu.
Aqui, a relação causal torna-se dominante e, com isso, a razão,
ou sujeito = objecto, é fixada como um dos opostos, e a verda-
deira síntese torna-se impossível.
Esta impossibilidade do Eu se reconstruir a partir da oposição
entre a subjectiyidade e o X, que surge para ele no produzir in-
consciente, e de se tornar um só c:om o seu aparecimento, exprime- (
-se de tal forma que. a ..síntese suprema, que. o sistema rnostra, é
um dever. O Eu igual a Eu transforma-se em: Eu deve.ser igual a
Eu; o resultado do sistema não regressa ao seu começo.
O Eu deve aniquilar o mu.ndo objectivo,0 Eu deve ter cau-
salidade absoluta sobre o não-Eu; isto .será considerado contradi-
tório, pois com isso o não-Eu seria suprimido e o pôr ou o opor
de um não-Eu é absoluto. A relação de uma actividade pura com
\
um objecto só pode ser posta como um esforço. O Eu objectivo,
igual ao subjectivo, porque clpresenta o Eu = Eu, encontra-se, ao /
mesmo tempo, diante de uma oposição, portanto, de um não-Eu;
aquele, o ideal, este, o real, devem ser idênticos. Este postulado
prático do dever absoluto não exprime senão uma ligação pensada
da oposição, que não se une numa intuição, ou seja, apenas a antí-
tese da primeira e da segunda proposições-de-fundo.
O Eu = Eu é, com isso, abandonado pela especulação e re-
verte a favor da reflexão; a consciência pura não surge mais como

73
identidade absoluta, mas sim, na sua suprema dignidade, é opos-
ta à consciência empírica. A partir daqui, torna-se claro que ca-
rácter tem a liberdade neste sistema; ela não é a supressão dos
opostos, mas sim a oposição a eles e, nesta oposição, é fixada
como liberdade negativa. A razão constitui-se como unidade por
meio da reflexão, à qual se opõe absolutamente uma multi-
46 plicidade; o dever exprime esta oposição permanente, 1 o não-
-ser da identidade absoluta. O puro pôr, a actividade livre é posta
como uma abstracção na forma absoluta de algo de subjectivo.
A intuição transcendental, da qual parte o sistema, era algo de
subjectivo sob a forma da reflexão filosófica, que se eleva ao puro
pensamento de si própria por meio da abstracção absoluta; para
ter a intuição transcendental na sua verdadeira ausência de
forma, teve-se de abstrair deste carácter de algo de subjectivo; a
especulação teve de afastar a forma do seu princípio subjectivo,
para o elevar à verdadeira identidade do sujeito e do objecto.
Mas, assim, a intuição transcendental, na medida em que perten-
ce à reflexão filosófica, e a intuição transcendental, na medida
em que não é nada de subjectivo nem de objectivo, permanece-
ram uma e a mesma coisa. O sujeito = objecto não sai mais da
diferença e da reflexão, permanece um sujeito = objecto subjecti-
vo, para o qual o aparecimento é algo de absolutamente estra-
nho e que não consegue intuir-se a si mesmo no seu apareci-
mento.
Tal como a faculdade teórica do Eu não consegue atingir a
auto-intuição absoluta, também a faculdade prática não o conse-
gue; esta, tal como aquela, está condicionada por um choque,
que, como facto, não se deixa deduzir do Eu, e cuja dedução
significa que é mostrado como condição da·· faculdade teórica e
prática. A antinomia penrianece.como antinomia e exprime-se no
esforço, que é o dever como actividade. Esta antinomia não é a
forma na qual aparece o absoluto da reflexão, tal como para a
reflexão não é possível nenhuma outra concepção do absoluto
senão através. da antinomia; mas este oposto da antinomia é o
fixado, o absoluto. Como actividade, nomeadamente, como um
esforço, o opostó deve ser a síntese suprema e a ideia de
( infinitude permanecer uma ideia em sentido kantiano, absoluta-
mente oposta à intuição. Esta oposição absoluta da ideia e da
intuição, e a síntese de ambas, que não é senão uma exigência
que se destrói a si mesma - a saber, a exigência de uma unifi-
cação que não deve acontecer-, exprime-se no progresso infi-

74
nito. A oposição absoluta é, com isto, relegada para a forma de
um ponto de vista inferior, que, durante muito tempo, valeu
como uma verdadeira supressão da oposição e suprema dissolu-
ção da antinomia por meio da razão. A existência prolongada na
eternidade inclui a infinitude da ideia e a intuição, mas a ambas
de tal forma que torna impossível a sua síntese. A infinitude da
ideia exclui toda a multiplicidade; o tempo, pelo contrário, inclui
imediatamente em si a oposição, uma exterioridade recíproca, e
a existência no tempo é algo de em si mesmo oposto, múltiplo,
e a infinitude está fora dela. O espaço é, igualmente, um ser-
-posto-fora-de-si; mas, no [ seu carácter de oposição, pode ser 47
considerado uma síntese infinitamente mais rica do que o tem-
po. A prioridade, que o tempo contém, de o progresso dever
acontecer nele, pode consistir apenas no facto de o esforço ser
absolutamente oposto a um mundo sensível externo e ser posto
como um interior, pelo que o Eu é hipostasiado como sujeito
absoluto, como unidade do ponto e, mais popularmente, como
alma. Se o tempo deve ser uma totalidade, como tempo infinito, /
então o próprio tempo é suprimido, e não era necessário recor-
rer ao seu nome e a um progresso da existência alongada. A ver-
dadeira supressão do tempo é o eterno presente, quer dizer, a
eternidade; e, nesta, são abolidos o esforço e a permanência dos ;/

opostos absolutos. Aquela existênc.ia alongada atenua a oposição


apenas na síntese do tempo, cttjà indigência, através desta liga-
ção atenuante com uma infinitude que se lhe opõe él.bsolutamente,
não se torna completa, mas mais acentuada.
Todos os desenvolvimentos posteriores do que está contido
no esforço e a síntese da oposição resultantes desse desenvolvi-
mento, têm em si o princípio da não~identidàde. Todo o prosse-
guimento posterior do sistema releva. de uma reflexão conse-
quente; a especulação não tem qualquer participação nisso.
A identidade absolüta está apenas presente na forma de um opor,
a saber, como ideia; a ligação causal incompleta subjaz a cada
/
uma das suas ligações com· os opostos. O Eu que se põe a si
mesmo na oposição, ou que se limita a si mesmo, e o que vai
em direcção ao infinito, aparecem na seguinte ligação: o primeiro
sob o nome de subjectivo, o segundo sob o nome de objectivo;
pois o determinar-se a si mesmo do Eu subjectivo é um determi-
nar de acordo com a ideia do Eu objectivo, da auto-actividade
absoluta, da infinitude, e o Eu objectivo, a auto-actividade abso-
luta, é determinado por meio do subjectivo, de acordo com esta

75
ideia A sua determmaçao . - e, uma d etermmaçao . - recíproca. O Eu
atéria
subj~ctivo, ideal, recebe do objectivo, por assim dizer,_ª;-t,errni-
da sua ideia, a saber, a auto-actividade absoluta, ª 1~ .e i·tado
nação. O Eu objectivo, real, que se dmge . . ao m · fm~·to, e 1nn ideia
pelo subjectivo; mas o subjectivo, porque determina pet\o 1 na
de infinitude, suprime d e novo a l'1mitaçao,. - torna O obJeCf 1 itude, '
sua infinitude, finito, mas ao mesmo tempo, na sua 1~ _ da
0
infinito. Nesta determinação recíproca permanece a opo~iç~eter-
finitude e da infinitude, da determinidade real e da in Eu
minidade ideal; idealidade e realidade não estão unidas'. 0 :1 ºue;
as actividades ideal e real simultaneamente, que se diS tl~g ula-
apenas como direcções diferentes, unificou em sínteses s mgstr~-
res incompletas as suas direcções diferentes, tal como s: motinge
48 rá mais à frente, no impulso, no sentimento, \ mas nao ª pro-
nelas uma exposição completa de si mesmo. Ele pro~u~, node si
gresso infinito da existência prorrogada, partes infinitas. tuir-
mesmo, mas não se produz a si 1;11esmo na eternidade do m
-se a si mesmo como sujeito-objecto. .·. . \\\ por
O agarrar-se à subjectiv!dade da intµição transcende~ta1' pa-
meio da qual O eu permanece um Sujeito-objecto subjedlVO, ~1.rte
rece mais nitida111e;nte na relaçqo doJ:.u com a n~.t~lreza, em p,
na dedução desta, em parte na dência qu~ n,efa ~e f1,1 nd a.l uJ.11
Porquç o Eu é sujeito~objeçto subject~yo, perinanece n~ e ual
lado pelo qual um objectoJhe é abs()lµtam~nte ?:P~sto ~ pe O Gso-
ele é condici?:.nado por ele; o pôr t\togm,ático de um qb1ect~ ª. tar-
1u to transfprma-5;eneste idest~ismo, . . tal·como·vh:n,os, num 11:;1 er-
-se-a~si~inesmo, absolut~mente ppostoà ·. a~tividade livre. ~ste
-p()s.to da natureza atr9vés. do Eu. é a Sl_lª dedução e nisto coni5 an-
o ponto de vistct tra1;scenden,~a:l; m9strar-se-á até onde ele ª e
ça e qualé• o seu.signifi~~do: · · rni-
. Co010 _c~n?i:ç~? d,a iI1teligência é postulada uma de:~lade
mdade or~gmar1~, O que apareceu acima como a neces le-
(porque a puri c~Asciência não é nenhuma consciência coind ve
ta) de prosseguir em direcção à consciência empírica. O E~ e
0
limitar-se, opor-se absolutamente a si mesmo; ele é sujeito e a
1.1m1·te esta' ne1e e através dele. Esta autolimitação e' tanto uJ.11b-
limitação da actividade subjectiva, de inteligência, como ~a ~va
· f1va; a achv1
Jec · "dad e objectiva limitada é O instinto 24 ; a 5 ub1ect1 la
limitada é o conceito de fim. A síntese desta determinidade d~dp s.
e' o sen t·mzento;
· ne1e, o conhecimento e o instinto estao - uni ·ec-0

Mas, ao mesmo tempo, o sentir é algo de simplesmente sub)

76
tivo 2s e, ct·iante do Eu = Eu, dºiante d o m
sobretud . d etermmado,. aparece
um sub. 0 ~orno um determinado em geral e, na verdade, como
como um f . ' em opos1çao
Jechvo . - ao Eu como obº1ect1vo; . ele aparece
como dº mito em geral, tanto diante da actividade infinita real
um obiºe1antet· d ª m · fmitude
· .
ideal, e em relação a esta última como'
como sí ct Ivo. Mas ' , p ara s1· mesmo, o sentimento · ·
caractenzou-se
instinto n ese do subjectivo e do objectivo, do conhecimento e do
indeter' ~' p;rque_ é síntese, desaparece a sua oposição diante do
infinitam~~a ~' seJa este indeterminado apenas uma actividade
a reflex: Jechva ou subjectiva. Ele é em geral finito apenas para
tal com o, que produz aquela oposição à infinitude; em si, ele é,
que est O ª- matéria, subjectivo e objectivo, identidade, contanto
o sa nao . se tenh a reconstrmdo , em totalidade.
.
e a ext:~tu~ento, tal como o instinto, aparecem como limitados,
e senti nonzação do limitante e da limitação em nós é instinto
os e smento· . ' o sistema ongmanamente· · · d etermma · d o d e ms · t·m-
t. enhmento ' d 1
import s e a natureza. Porqu~ a consc1encia . e a nos
·A •

ma de u_n~ e, ao mesmo tempo, a substância, no qual este siste-


11m1tações
11vreme
. t ' J se encontra, deve ser aquela que pensa e quer 49
nossa n t ' n e e que nos ' pomos como nos , mesmos, e' que e1a e' a
-objecto a ureza 26 E . ·
. ' . · et1 e a mm a naturezah · constitmmos
· , · ·to-
o .su1e1
Poré subJ;chvo, a minhanatureza está, ela própria, no Eu.
º_Posição~ tem de ser distinguidos dois modos. ~e _rnediaç~o. ~a
rio e . . n_tre a natureza e a liberdade, entre º.l.1m.1tar ongma-
a medO · 11imitar
_ ' ongmano; · · , · e · d eve-se essencia · 1mente mos trar que
numa iaçao . acon tece d·e modos diferentes. Isto mostrar-nos-a ...· ,
cenden~~va forma a diferenciação .do ponto de vista trans-
Prime ª ~ do ponto de vista da reflexão, em que o último re-
tad0 d O pru~eiro: a diferença entre o ponto de partida e o resul-
D este sistema.
e a memas veze 8 , o Eu e, .= .Eu . a. liberdade
.. . .
e o mstmto - uma
sao
de ape sma' co 15 · a: este ·. é o ·ponto ' de vista transcendental. «Apesar
~ossível or .ª parte daquilo que me pertence d. ever ser apenas
nas um
hberctad P liberdade, e uma outra parte disso independente da
disso, to~ t~l como a própria liberdade deve ser independente
e a me avia, a substância que as inclui a ambas é apenas uma
que eusma . ' e e, posta como uma e precisamente a mesma. O Eu
· smto E , ºd o por um
1nstinto, e o 'Ee O u que eu penso, o Eu que e movi
111esm u que me leva a decidir com vonta e 1·1vre, sao d - o
~
d encia
o.» 2 7 «O
meu instinto como ser da natureza, a mm rn ten-
. . l
corno puro espírito, são-, do ponto de vista trans-

77
· arnente 0
cendental, pontos de vista que partem de urn e prec~sc . . to
mesmo instinto originário, que constitui a minha essencia, vis
. ·d de re-
simplesmente de dois lados diferentes.» 2s A sua d1vers1 a
side apenas no aparecimento. . ~ u-
Outras vezes, são ambos diferentes, um é a cond1çao do .º to
· tin
tro, um domina o outro. Na verdade, a natureza como ~nsd si
deve ser pensada como determinando-se a si mesma atraves ed
mesma, porém, ela caracteriza-se por ser o contrário da líbe rd.ª ~~ 1
Por isso, dizer-se que a natureza se determina a si mesrna sig1:
fica: ela é determinada a determinar-se, por meio da sua essêfeia~
formalíter, ela nunca pode ser indeterminada corno um ser iVt
pode perfeitamente sê-lo; ela está também, materíaliter, perfeitarnen-
te d etermma · d a e não pode, como o ser livre, escolher entre urna da
certa determinação e o seu oposto 29. A síntese da natureza e _
liberdade dá, então, a seguinte reconstrução da identidade, ª .Pªr0
tir da cisão e em direcção à totalidade. Eu, como inteligência,
indeterminado, e Eu que sou movido pelo instinto, a natureza, ~
determinado, torno-me no mesm()1 pêlo fact? de o impulso v~r
para a c~nsciência; então, nest~médida, e,l~.e8tá em mei: pod_er, ~:
quase nao age nesta regiã?h mas sou ~ll que ajo, ou nao ªJº,.
acordo com ele 30 . O . i:eflectinte é SHperfor ao reflectido; o in5 hnt~
do reflec:inte,. dosµjeifo da CO:t1SCiêP:CÍá1 chama-9e}nst~nt~
mo 31 ; o mfer1or, a nature~í,1,. de,v~ ser posto ria d~p~J'fdencia
Sl;~:-
perior, da rnflexão. A i:elaçãode dependê11cià de um aparecimento
do Eu relativame11.te ao a
outro deveser síntese 9uprerna. .
Mas esta últim~ id,entidad; e.Jt i~.entidade do ponto de vi~t~
transcend~ntal são totalme11t~ üp()stas .. ~a tr~n.scendental, ha a
50 Eu ::: ?"1.11 o Eu posto na.relação subst~ncial \ ou, pelo menos~ 11
relação recíproca; pelQ c01:1trârio, nésta .reconstrução da ident:dª:
de, uma é a domiuantejbut.rá éa dominada, O subjectÍVO n~O e
igual ao 0 bi.~çtiv?'..mas ~ri,êú11.ti:am~se numa relação de causahd~-
de: um deles. aparefe co~o dependente; das duas esferas da_ li-
berdade e da neoessid"'de; esta está subordinada àquela. Assim,
0
0 final do sistema é ihfiel ao seu início o seu .resultado infiel ª
seu princípio. O princípio era Eu ::: E~; 0 resultado é Eu não~-:::.
Eu. A primeira identidade é ideal-real forma e matéria e5t ªº
unidas; a última é meramente ideal, for~a e matéria estão sepa-
radas; ela é uma síntese meramente formal.
Est a síntese do domínio surge do seguinte modo. Ao pi1ro
·impulso, que, para a sua autodeterminação absoluta, age por rnor ~
do agir, opõe-se um impulso objectivo, um sistema de lirnitaçoes.

78
Na medida .
abandona em que a liberdade e a natureza se unificam, aquela
tética p ª sua pureza e esta a sua impurezai a actividade sin-
, ara ser t d .
tima acf 'd ' 0 avia, pura e infinita, deve ser pensada como
' ivi
absoluta . dade obJ'ectiva, CUJO
. f'im u'l timo
. e, l'b
1 erd ad e absoluta,
( ln epe dA ' d
nunca pod n enc1a e toda a natureza: um fim último que
prossegu· e ser alcançado 32, uma série infinita, através de cujo
zer O E imento O Eu se tornaria absolutamente = Eui quer di-
, u su . .
bé 111 co p~i~e-se a si mesmo como objecto e, com isso, tam-
Eu há amo SUJeito. Mas ele não se deve suprimiri assim, para o
do com ren~s l~m tempo prorrogado indefinidamente, preenchi-
Prestar a i:itaç?es e quantidades, e o conhecido progresso deve
nece se ª ªJudai onde é esperada a suprema síntese, perma-
exterior:~~e ª ~esma antítese do presente limitado e de uma
a totalid d e existente no seu exterior. O Eu = Eu é o absoluto,
Vai até ª e~ fora do Eu não há nada; mas, até então, o Eu não
lá cheg ªº, SIS tema e, se o tempo estiver misturado nisso, nunca
ara· el , b
consegu 'A e e a solutamente afectado por um não-Eu e só
dade deeEt~r-se constantemente a si mesmo como uma quanti-
Co ·
.morto ~ 1st0, a natureza é algo de essencialmente determinado e
Prátic~ ~to do ponto de vista teóricocomó do ponto de vista
a
qtier di. aquele ponto de vista,. ela é a~tolimitação intuída,
-
é dedu::, 0 lado objectivo do autolimHar-se; na medida em que '""'li?
~ '<'

1
concti·ç- ª como condição· da. consciência-de-si e é p. osta c. orno .J',
,
de Post pa'ra exp1·1car a consciência-de-si,
ao . ela é meramente algo 1,,
.
Urna p odem ben.efício da explicação pela reflexão, o r~sultaclo de \
ro uçã 'd .. d ' >--iifi!t"':
a cons . A.... 0 1 eal. Mas se a natureza já possui, pelo facto e
·
1gua1 ciencia-d"
d. . e-SI· ser mostrada · cowo cond1c1onada
· · por e1a, uma ·~
. ;,;;
'[li,
Só é p ignidade da au.tonomia, então, a sua autonomia, porque i~.,'
0sta atr , d · ·· b, ·
quilada e ' aves. ,ª reflexão, é, por isso mesmo, tam em arn-
0
Da seu caracter fundamental é o do ser-oposto.
detern,. mesma forma, do ponto de vista prático, na síntese do
atravé.. llnar-se-
d .
a-si-mesmo sem •consc1encrn
. A . e do auto determmar-se
.
dacte s e um conceito, do impulso natural e do impulso da liber-
causalpdor mor da liberdade 33 a natureza torna-se, através da 1
• e i ade d . / . , '
guint . a liberdade, um produto real. O resultado e o se- 51
0
reza de. conceito · deve ter causalidade sobre a natureza e a natu-
Q eve ser posta como algo de absolutamente determinado.
Solutouancto a re fl exao - poe- completamente a sua ana'I'1se d o ab-
·1ndetermi numa .' an inomia, quando põe um dos mem bros como Eu,

nidade ou determinar-se-a-si-mesmo, e o outro mem-

79
bro como objecto, ser-determinado, e reconhece ambos como
originários, afirma deste modo a relativa incondicionalidade de
ambos e, com isso, também a sua relativa condicionalidade.
A reflexão não pode ir além desta acção recíproca do condicionar
mútuo. Ela mostra-se como razão pelo facto de apresentar a
antinomia do incondicionado condicionado, e, na medida em que,
através deles, aponta para uma síntese absoluta da liberdade e
do impulso natural, não afirmou a oposição e a subsistência de
ambos, ou de um deles, nem se afirmou a si mesma como o
absoluto e o eterno, mas aniquila-os e derruba-os no abismo do
seu termo. Mas quando se afirma a si e a um dos seus opostos
como o absoluto e se fixa na relação causal, então, o ponto de
vista transcendental e a razão são subordinados ao ponto de vista
da mera reflexão e ao entendimento, que conseguiu fixar o racio-
nal, sob a forma de uma ideia, como um absolutamente oposto.
Nada resta para a razão senão a impotência de uma exigência
que se suprime a si mesma e a aparência de uma mediação - em-
bora formal e própria do entendimento - da natureza e da li-
berdade na mera ideia da supressão dos opostos, na ideia da in-
/
dependência do Eu e do absoluto ser-determinado da natureza,
I que, como algo para ser negado, é posto como absolutamente de-
pendente. Mas a oposição não desapareceu, mas sim - porque,
na medida em que permanece um membro dela, o outro tam-
bém permanece - foi tornada infirtita.
Deste ponto de vista supremo, a natureza tem o carácter da
objectividade absoluta. ou da morte; só de um ponto de vista
inferior ela surge com a aparência· de uma vida, como sujeito =
/ = objecto. Tal como, do ponto de vistà supremo, o Eu não perde
a forma da sua manifestação como sujeito, ao invés, o carácter
da natureza de ser sujeito :::;: objecto torna.-se mera aparência e a
sua essência torna-se objectividade absoluta.
A natureza é o produzir sem consciência do Eu e o produzir
do Eu é um determinar-se-a~si-mesmo; a natureza é, portanto,
Eu, sujeito = objecto; e tal como a minha natureza é posta, há
também uma natureza fora da minha, que não é a totalidade da
natureza; a natureza fora de mim é posta para explicar a minha
natureza. Porque a minha natureza é determinada como impulso,
um determinar-se-a-si-mesmo por meio de si mesmo, também a
natureza fora de mim deve ser assim determinada, e esta deter-
minação fora de mim é o fundamento de explicação da minha
natureza 34 •

80
Deste determinante-de-si-mesmo através de si mesmo devem
ser agora predicados, na sua antinomia, os produtos da reflexão,
causa e efeito, todo e partes, etc., 1 portanto, a natureza deve ser 52
posta como causa e efeito de si mesma, como todo e parte, etc.
simultâneos, por meio do que ela conserva a aparência de ser
algo de vivo e orgânico 35.
Simplesmente, este ponto de vista, a partir do qual o objec-
tivo é caracterizado, pela faculdade de julgar reflexionante, como
algo de vivo, transforma-se num ponto de vista inferior. O Eu só
se encontra a si mesmo como natureza na medida em que intui
apenas o seu carácter-limitado originário e põe absolutamente o
limite absoluto do impulso originário, portanto, põe-se objectiva-
mente a si mesmo. Mas, do ponto de vista transcendental, o
sujeito = objecto é reconhecido apenas na consciência pura, no
pôr-se-a-si-mesmo ilimitado; mas este pôr-se-a-si-mesmo tem
diante de si um oposto absoluto, o qual, deste modo, é determi-
nado como limite absoluto do impulso originário. Na medida em
que o Eu, como impulso, não se determina a si mesmo segundo
a ideia de infinitude, portanto, põe-se como finito, este finito é a
natureza; como Eu, ele é simultaneamente infinito e sujeito-
-objecto. O ponto de vista transcendental, na medidà em que põe
apenas o infinito como Eur faz, assim, uma separação entre o
finito e o infinito. Ele extrai a subjectividade-objectividade da-
quilo que aparece como natureza, e esta não permanece senão
como o invólucro morto da objectividàde. A ela, ao até então
finito-infinito, é retirada a infinitude, e ela permanece pura
finitude, oposta ao Eu = Eu; o que o Eu ei;a nela, é atraído pelo
sujeito. Se agora o ponto de vista .transcendental Eu = Eu, no
qual nada há de subjectivo nem de objectivo, progride da iden-
tidade para a diferença entre os dois, a qual, como opor, perma-
neceu contra o pôr-se-a-si-mesmo, contra o Ett = Eu, e determina
cada vez mais a oposição, chega também a um ponto de vista no
qual a natureza é posta para si mesma como sujeito = objecto;
mas não se d~ve esquecer que esta visão da natureza é apenas
/
um produto da reflexão a partir do ponto de vista mais baixo.
Na dedução transcendental, o limite do impulso originário (ob-
jectivamente posto: natureza) permanece uma pura objectivida-
de, absolutamente oposta ao impulso originário, à essência ver-
dadeira, que é Eu = Eu, sujeito = objecto. Esta oposição é a
condição pela qual o Eu se torna prático, quer dizer, tem de
suprimir a oposição; esta supressão é pensada de modo tal que

81
um é posto como dependendo do outro. A natureza é posta, na
perspectiva prática, como algo absolutamente determinado pelo
conceito; na medida em que ela não é determinada pelo Eu, o
Eu não tem causalidade ou não é prático; e o ponto de vista que
põe a natureza viva cai novamente, pois a sua essência, o seu
em-si, não deve ser senão um limite, uma negação. Deste ponto
de vista prático, a razão permanece apenas a regra morta e
mortal da unidade formal posta à disposição da reflexão, que põe
53 o sujeito e o objecto numa I relação de dependência mútua, ou
de causalidade, e, deste modo, põe totalmente de lado o princí-
pio da especulação, a identidade.
Na exposição e na Dedução da natureza, tal como ela é feita no
Sistema do Direito Natural, mostra-se em toda a sua dureza a opo-
sição absoluta da natureza e da razão e o domínio da reflexão.
O ser racional deve construir uma esfera para a sua liberda-
de, esfera essa que prescreve a si mesmo; mas ele é esta esfera
apenas em oposição, na medida ein que se põe a si mesmo aí
em exclusividade, de modo qtle, J,Lenhuma ot1t{a pessoa a possa
escolher; na medida em que aí a prescreye a si mesmo, opõe-na
essencialmente a si. O sqjeito -com? •o absoluto, em si mesmo
activo e determinélndo-se a si mes01,o a pensar um objecto - põe
fora de si ª esNta \que lhe pE!rtence. cta sua liberdad~} e põe-se ª
a
si mesmo/separado delé;t.~6, a suareterência e,}a é élpenas um
A
ter. característica fJ,indm:r1ental da natureza ~. ser um mundo
do orgânico,. ll~· oposto absoluto; .~ El~$ênciél da natureza é um
atomismo.. ~orto'. uina matéria 01,ais. fluida, ou,tnais resistente e
mais s.ólida 37,que, de múlttplos ~odos, é.01,utu~mente causa e
I efeito. o conceito de. acç.ão reçíproca ~iminui pouco a oposição
total entre o que f mera,ca.usa .e o que. mero produto; com
isso, a matéria. tprna-sEJ. mu!µamente tnodificável de muitas for-
mas, masmEJsm?a forçadesta ligação indigente reside fora dela.
A independ.ê.ncia das partes ,graças à qual elas podem constituir
1

em si mesl}las todos orgânicos, tal como a dependência das par-


tes em relação ao todo, é a dependência teleológica do conceito,
pois a articulaçã0 38 é posta em benefício de um outro, o ser ra-
cional, que é essencialmente distinto dela. O ar, a luz, etc., trans-
formam-se em matéria atómica configurável, e, aqui, trata-se, na
verdade, de matéria em geral no sentido vulgar, como o sim-
plesmente oposto ao que se põe-a-si-mesmo.
Deste modo, Fichte está mais próximo do que Kant de con-
seguir vencer a oposição da natureza e da liberdade, e de mos-

82
trar a natureza como algo de absolutamente causado e morto;
em Kant, a natureza é igualmente posta como algo de absoluta-
mente determinado. Porém, ela não pode ser pensada como de-
terminada por aquilo que, em Kant, se chama entendimento, mas
os seus múltiplos fenómenos particulares devem ser deixados
indeterminados pelo nosso entendimento humano discursivo, devem
ser pensados como determinados por um outro entendimento,
mas de tal modo que isto vale apenas como uma máxima da
nossa faculdade de julgar reflexionante, e nada é decidido acerca
da realidade de um outro entendimento. Fichte não necessita
deste desvio que consiste em deixar a natureza surgir como algo
de determinado apenas pela ideia de um outro entendimento
separado, diferente do entendimento humano; ela é imediatamen-
te determinada através da I e para a inteligência. Esta, limita-se 54
a si mesma absolutamente, e este limitar-se-a-si-mesma não pode
ser derivado do Eu = Eu, mas apenas deduzido, quer dizer, deve
mostrar-se a sua necessidade a partir do estado de carência da
consciência pura, e a intuição deste seu absoluto carácter limita-
do, quer dizer, da negação, é a natureza objectiva.
Das consequências que daí resultam, sobressai esta relação
de dependência da natureza relativamente ao conceito, de oposi- r

ção à razão, nos dois sistemas da comunidade dos homens.


A comunidade é representada como uma comunidade de
seres racionais, obrigada a desviar~se pelo domínio do conceito.
Cada ser racional é algo de duplo para o outro: a)· um Sér livre
e racional; b) uma matéria modificável, algo capaz de ser tratado
como uma mera coisa 39 . Esta separação é absoluta e, deste modo,
uma vez posta na stta não-naturalidade, não é mais possível uma
referência pura de uns relativamente aos outros, na qual a iden-
tidade originária se exponha e .reconheça, mas. cada referência é
um dominar e ser dominado de acordo com as leis de um enten-
dimento consequente; .a totalidade do edifício da comunidade dos
seres vivos é erigida pela .reflexão.
A comunidade de seres racionais aparece como condiciona-
da pela limitação necessária da liberdade, que dá a si mesma a
lei para se limitar 40; e o conceito do limitar constitui um reino
da liberdade, em que cada acção recíproca da vida, infinita e ili-
mitada para si mesma, quer dizer, bela, é aniquilada, dado que
o vivo é despedaçado em conceito e matéria, e a natureza é posta
numa situação de dependência. A liberdade é o carácter da
racionalidade, ela é aquilo que em si suprime todas as limitações

83
. . . comunidade
e O ponto supremo do sistema flchteano, mas na , a li-
. ossive1 '
com outros ela deve ser abandonada, para que sep P racio-
berdade de todos numa comunidade permanente de sel~bes rdade,
nais, e a comunidade . e,, de novo, uma cond'içao. - da i de com '
A liberdade deve suprimir-se a si mesma pa~a ser .hbe ªd:·mera- rd
isto, torna-se de novo claro que a liberdade e, aqui, algo corno
1
mente negativo, a saber, indeterminidade absoluta, ot~, ta puro
em cima foi mostrado acerca do pôr-se-a-si-mesmo'. e u; refle-
factor ideal: a liberdade considerada do ponto de viS tª ! mas
xão. Esta liberdade não se encontra a si mesma como razao, osto,
sim como ser racional, quer dizer, sintetiza~a co~ um. op limi-
um finito; e já esta síntese da personalidade mclu: em.~ ªdade,
tação de um dos factores ideais, como é aqm ª 1: er zãO e
A razão e a liberdade como ser racional não são mais ra ssoa
liberdade, mas sim algo de singular; e a comunidade da pde dei-
com outros nao - d eve ser v1Sta. como uma 1·imi.t açao - da' ver adela.
ra liberdade do indivíduo, mas sim como um alargamento onto
A suprema comunidade é a suprema liberdade, tanto. dod~ essa
55 de vista do poder como do exercício; suprema \ comtmi~a e omº
na qual, porém, a liberdade, como factor ideal, e a razao, c
oposto da natureza, desaparecem totalmente. . fl'.lª
Se a comunidade dos seres racionais fosse, por ess~ncia,,;a a
limitação da verdadeira liberdade, seria em si e para Sl m~bs da-
. . , s a li er
suprema tirania; mas porque, por enquanto, e apena ' erá
de como algo de indeterminado e éomo factor ideal, que stra-
limitado, não surge ainda imediatamente na comunidade, ª da
vés daque:a representação para si, a tirania. Ma~ ela 5urg~eve
forma mais completa através do mo.do como a liberdade. eJ·a
. · d a, para que a liberdade
· 5
ser limita dos outros seres raci·ona1s ·d de,
possível; nomeadamente a liberdade através da comunl ª.fl'.\
51
não deve perder a forrn~ de àlgo de ideali de oposto, mas i~
nessa qualidade, tornar~se tixa e dominante. Através da comurte-
~ · vivas
d ad e d e re ferenc1as · · ·
autenticamente .
livres,. o in
· d'víduo
1 rn-
negou a sua indeterminidade, que se .chamava liberdade. sorne la
t f ~ . . . 1· ·. d' d m que e
.e n ª. re er~ncia v~bv~. existe 1berdade, na me 1 a e ""' outras
me1m em s1 a poss1 thdade <ie se suprimir e de entrar ei« . de-
referências; quer dizer, a liberdade é posta de lado corno 111 r-
termm1 · 'da d e, como
· factor ideal. Numa relação viva, a 1·ndete~
0
· 'd d
mm1 a e, na medida · em que é livre, é apenas o passive ' 1I eM na
5
algo de efectivo feito para dominar, um conceito imperativo. ~ a
0
é
no Sistema do Direito Natural, a indeterminidade suprimida 11 ª

84
compreendida . . - .
mectida em u com~ l~mit~çao livre _da sua liberdade; porém, na
Vacta a le. q / ª hmitaçao por me10 da vontade comum é ele-
Possibilida1d e <lixada ~º1:11º conceito, a verdadeira liberdade, a
lacta. A ref e e_ su~nm1r uma referência determinada, é aniqui-
A

da, porta /ren_cia ,viva não é mais possível de ser indetermina-


minada en? nao e mais racional, mas sim absolutamente deter-
dependent ixada por meio do entendimento; a vida tornou-se
triunfou eb e ª reflexão transportou para ela o seu domínio e
reito nEJ.i.. so re ª razão. Esta situação de indigência torna-se di-
e <Llra 1 e não ,
f
osse su . . e e af'irma d a como se o seu supremo ob'1ectlvo .
do enten~~Imi-lo, e, no lugar desta comunidade feita à medida
da Vida iment~ e não-racional, construir uma livre organização
ao invés por mew da razão, livre da escravidão sob o conceito;
acima d; ~ estado de indigência e a sua extensão infinita vale,
ta. Esta c odo ? movimento da vida, como necessidade absolu-
Presentadº~unid ade sob o domínio do entendimento não é re-
ma, com ª .e modo tal que ela própria devesse ter para si mes-
1
uma bel: ei su~rema, a supressão, na verdadeira infinitude de
Posta po co1;11unidade, desta indigência da vida, na qual ela é
nar e do rdmei? do entendimento, e por este sem-fim do determi-
tumes a dominar, tornando dispensáveis as leis graças aos cos-
do, e ~ cr· eso rd em da vida insatisfeita graças élO gozo santifica-
Por grandin-1.e d? força comprimida graças AtJ:Ctividade / possível 56
e a escra ~~-ºbJectos; mas, pelo contrário, o domínio do conceito
ªº infinit~~ ª 0 da natureza são absolutamente feitos e alargados
(
Os . .
mostra em-fim
d 0 ·. d 0 d eterminar, · no· ·· qual o entendimento · · d eve cair,
·
do dom· modo mais imediato a insuficiência. do seu princípio,
c Inar por . . . .d . d.
ºnhece . . . . conceitos. Também este estado e m 1gencia
A •

e1:1 Vez de ª final'd 1. ªd e de impedir ~s ofenséls


· · .·· seus
dos ·· ·c1'd ad-aos,
nao s0111 as vingar quando já aconteceram. Portanto, ele tem
ta mbém ente de de pr?1'b·Ir .ofensas .reais · por meio
· · d e cas t'1gos, ~~ s
0
: :rn. essa f P~evenir .a possibilidade de uma ofensa, e pr01bir,
JUd_icar ninina~1dade, acções que, em e para si, não parecem pre-
mais fácil Juem e ser totalmente indiferentes, mas que _tornam
descabe t ofensa de outros e dificultam a sua protecçao ou ª
te
ªº se sr ba dos cu Ipados 41 . Se então por um lado, um hornem
1 IZar u mete ao estado por nenhum
Ut'J· ' outro impu1so senao - 0 de
não há e gozar de forma tão livre quanto possível o seu poder,
o entendime 'Por outro lado, de forma alguma, qualquer acçao - d a qua1
nto consequente deste estado não possa calcular uma

85
possível ofensa para outros. É com esta possibilidade interminá-
vel que tem que lidar o entendimento que previne e o seu po-
der, o dever de policiamento, e neste ideal de estado não há
acção nem movimento que não tenham de ser necessariamente
submetidos a uma lei, tomados sob inspecção imediata e obser-
vados pela polícia e pelas restantes autoridades, de modo que
(2." Parte, p. 155 42 ) num estado com uma constituição fundada
nestes princípios a polícia sabe bastante bem onde está cada ci-
dadão a cada hora do dia e o que é que ele faz*.

* O modo como o sem-fim do determinar se perde e ao seu fim,


clarificar-se-á melhor com alguns exemplos. Através do aperfeiçoamento da
polícia previne-se toda a quantidade de crimes que são possíveis em esta-
dos imperfeitos, por exemplo, a falsificação de letras de câmbio e de di-
nheiro. Vemos de que modo, na página 148: «Aquele que transporta uma
letra de câmbio deve demonstrar, através de um passe, que é essa deter-
minada pessoa, onde pode ser encontrado, etc. O que a recebe põe então,
junto ao nome do transportador, no lado de trás da letra de câmbio, sim-
plesmente isto: «com o passe de tal ou. ta}\mtoridade». Só é preciso escre-
ver mais duas palavras e são apenas néêessários mqis.um ou dois minutos
( para observar o passaporte.~. a.pessoa; e, aci~a de tudo, o assunto é tão
fácil como anteriormente.» (Ou melhor, m~is sirhples, pois um homem cui-
dadoso proterger-se-~ 1:1resumivelme1:Je.de àceitar de um ho'.n~m que não
conhece de modo .ilgum uma letra.de cârnbiç>, mesmo que 15sta pareça estar
totalmente .em ordem; e verificar .lllll passaporte e 111,11a pessoa é infinita-
57 mente ~ais fácil do que, de (l~ .g_ualquer outro n1odo, receber dela qual-
1

quer informação.) <1NQ casq de a letra de câmbio, todavia, 5 .rtalsa, a pes-


a 7
soa é em bre~e encontrada, quando inyestigé!ção chegou até ela. Não é
permitidq a ningu~Ill viajar parqfqra do seu lugar; pode ser detido às
port~s<da cidade.» (0 facto ?C a.s hOS~élS al?eias e ~11iias cidades não te-
rem. portas de entrada, nem. ~uito menos as lwbitações isoladas, não é
nenhuma objecção; pelo ton.trád.O, délqi,\i ded~l;>'.".Se a necessidade da porta.)
«Ele deve det~~minar o l';!gar para onde viaja, o que será registado no re-
gisto do .lugar e no passapo,rte.,> (Resulta daqui o postulado de o escrivão
da porta pod~I".~istin?uiri.rm>\.'iéljante de qualquer outra pessoa que passe
pela porta.) «Ningtiém será aceite senão no lugar determinado pelo passa-
porte.» «No passaporte encontra-se a verdadeira descrição da pessoa
(p. 146), ou, em vez disso, dado que a descrição permanece sempre ambí-
gua, em pessoas importantes que o possam pagar» (no nosso caso, aquelas
que podem falsificar a letra de câmbio) «deverá encontrar-se um retrato
muito parecido.» «O passaporte está escrito num papel exclusivamente des-
tinados para o efeito, que está nas mãos e sob a vigilância da suprema
autoridade e das autoridades subordinadas, que têm de prestar contas do

86
Nesta infinitude, em direcção à qual tem de prosseguir, o
determinar e o ser-determinado suprimiram-se a si mesmos.
A limitação da liberdade deve ser, ela própria, infinita; nesta
antinomia do carácter-limitado ilimitado desapareceu a restrição
da liberdade e o estado; a teoria do determinar negou a limita-
ção, o seu princípio, pelo facto de o alargar ao infinito.
Os estados normais são inconsequentes pelo facto de alarga-
rem o direito superior da polícia apenas a poucas possibilidades
de ofensa e de, no restante, confiarem os cidadãos a si mesmos,
na esperança de que cada um deles não tenha de I ser limitado ss /
através de um conceito e graças a uma lei, de modo a não mo-
dificar a matéria modificável do outro, o que cada um pode real-
/
mente fazer, na medida em que, como ser racional, pode pôr-se
a si mesmo, segundo a sua liberdade, como determinando o não-
-Eu, e pode prescrever a si mesmo a faculdade de modificar a
matéria em geral. Os estados imperfeitos são imperfeitos pelo
facto de terem de fixar um qualquer oposto; são inconsequentes
porque não levam a cabo a sua oposição através de todas as re-
ferências; mas para tornar infinita a oposição que cinde absolu-
tamente o homem num ser racional e núma matéria modificável,
e para que a determinação nã? tertha fim, esta consequência
suprime-se a si mesma, e aq~tela inconsequência é o que há de
mais perfeito em estaclos imperfeitos.

papel consumido. Este papel não será falsificado, pois. P.arn Uma .falsa letra
de câmbio basta apenas u11rpassaporte, para o q71aL de~ei:n .ser tomadas
tantas disposições e unictantos artifki~s.:\ (tporJanto, postulaqo que num
estado bern organizado poderia ape~as s:1rgir a necessiclaq~ ele um passe
falso, por conseguinte, que fábriças de passes fé.l.lsos, tal como são por vezes
descobertas nos estados yVlgar?s,. não et)çontrariain nenhum comprador.
Para a prevenção díl itnitaçà<J do papel pri.vilegiaclo agiria também uma
outra organizaçàq doe?taclo, siue, de acordo com a p. 152, seria encontra-
da «para a impedi~ a moeda.falsa»,). «Na medida em que o estado tem o
monopólio dos metais, .etc., nãf' .deve entregá-la aos pequenos comercian-
tes, sem comprovar é:om qüçrn e para que utilização o anteriormente rece-
bido seria gasto.» Cada cidadão ocupará, tal como entre os militares prus-
sianos um estrangeiro tem apenas um confidente para fiscalizar, não apenas
um, mas pelo menos uma meia dúzia de homens para fiscalizar, prestar
contas, etc., cada um destes vigilantes terá, por sua vez, outros tantos, e
assim até ao infinito; tal como cada um dos mais simples negócios dá ori-
gem a uma quantidade infinita de negócios.

87
O direito natural, através da oposição absoluta do impulso
puro e do impulso natural, torna-se a exposição do domínio
completo do entendimento e da escravidão completa da vida:
uma construção na qual a razão não toma qualquer parte e que,
por conseguinte, rejeita, porque ela tem de se encontrar, da for-
ma mais expressa, na organização mais perfeita que pode dar a
si mesma, a saber, na autoconfiguração sob a forma de um
povo. Porém, aquele estado do entendimento não é uma orga-
nização, mas sim uma máquina, o povo não é o corpo orgânico
de uma vida comum e rica, mas sim uma multiplicidade
atomística e pobre de vida, cujos elementos são substâncias
absolutamente opostas, às vezes uma quantidade de pontos, os
,.,,··. seres racionais, outras vezes matérias modificáveis de diversos
modos pela razão, quer dizer, nesta forma, pelo entendimento;
a unidade desses elementos é um conceito, a sua ligação é um
dominar interminável. Esta absoluta substancialidade dos pon-
tos funda um sistema da atomística da filosofia prática, no qual,
tal como na atomística da natureza, um entendimento estranho
aos átomos torna-se lei, que no. plano prático se chama direito;
um conceito da totalidade, que se opõe a cada acção - pois cada
uma é uma acção determinada-, a deve determinar, portanto,
deve matar o que há de vivo 11ela, a saber, a verdadeira iden-
tidade. Fiat iustitia, pereat mundus, é a lei, mas nem sequer no
sentido em que Kant a interpretou 43: aconteça o direito, mes-
mo que desapareçam todos os malandros do mundo, mas sim:
o direito tem dé acontecer, mesmo que, para tat tivessem de
ser exterminados, a ferro e fogo, como se costuma dizer, a con-
fiança, o prazer e o amor, teclas as potências de uma autêntica
identidade moral.
Passamos agora para Q sistema da comunidade ética hwnana.
A Doutrina da Ética tem .em comum com o direito natural o
facto de a ideia dominar absolutamente o impulso, a liberdade,
a natureza; m.às distinguem-se no facto de o direito natural ter
como finalidade· o domínio dos seres livres sob o conceito uni-
versal, de modo que o abstracto fixado da vontade geral perma-
nece também fora do indivíduo e tem poder sobre ele. Na dou-
trina da ética, o conceito e a natureza devem ser postos e
unificados numa e precisamente a mesma pessoa; no estado, deve
dominar apenas o direito, no domínio da moralidade só o
59 dever I deve ter poder, na medida em que é reconhecido como
lei pela razão do indivíduo.

88
Ser-se senhor e escravo de si mesmo parece, na verdade, ser
preferível à situação na qual o homem é o escravo de um estra-
nho. Simplesmente, a relação da liberdade e da natureza, se se
deve tornar, na moralidade, um domínio e uma escravidão sub-
jectivas, uma submissão própria da natureza será muito mais anti-
natural do que a relação no direito natural, no qual o que orde-
na e tem poder aparece como um outro, situado fora do
indivíduo vivo. Nesta relação do direito natural, o vivo tem con-
tinuamente uma autonomia fechada em si mesma; o que não se
encontra unido nele, ele exclui de si; o que se opõe é um poder
estranho. E quando se perde também a crença na unidade do
interior com o exterior, pode todavia subsistir a crença na sua
concordância íntima, uma identidade sob a forma de carácter; a
natureza íntima é fiel a si mesma. Mas quando, na doutrina dos
costumes, o que ordena é transferido para o próprio homem e
quando nele um ordenante e um subordinado são absolutamen-
te opostos, a harmonia interna é destruída; a desunião e a cisão
absoluta constituem a essência do homem. Ele tem de procurar
uma unidade, mas, na não-identidade absoluta subjacente, resta- /
-lhe apenas uma unidade formal.
A unidade formal do conceito, que deve dominar, e a
multiplicidade da natureza, contradizem-se, e o conflito entre
ambas não tarda em mostrar um significativo estado de mal.
O conceito formal devê dominar; mas ele é um vazio e deve ser
preenchido pela referência ao impulso e, assim, surge uma
multiplicidade infinita de possibilidades para agir. Mas .sé a ciên-
cia o mantém na sua unidade, ela não realizou nada através de
um tal princípio v:azio e formal. O Eu deve determinár-se a si
mesmo de acardo com a ideia de uma auto-activiciade absoluta
no sentido de suprimir o mundo objectivo, deve ter causalidade
sobre o Eu objectivo, entra, .porté).nto, em relação com ele.
O impulso ético torna-se um impulso mistürado 44 e, assim, tão
múltiplo quanto o impulso objectivo: daqui resulta, então, uma
grande multiplicidade de deveres. Tal multiplicidade pode ser /

grandemente diminuída quando, como Fichte, se permanece na


universalidade dos conceitos; mas, então, tem-se apenas, de novo,
princípios formais. A oposição de múltiplos deveres toma o nome
de colisão e traz consigo uma contradição significativa. Quando
os deveres deduzidos são absolutos, não podem colidir; mas coli-
dem necessariamente, porque são opostos; devido à sua idêntica
absolutidade, a escolha é possível e, por causa da colisão, neces-

89
sária; nada permite decidir senão o arbítrio. Se não devesse existir
qualquer arbítrio, não deveriam os deveres permanecer no mesmo
plano de absolutidade; um deveria, como se tem de dizer, ser mais
60 absoluto do que os outros, o que contradiz o conceito, 1 pois cada
dever é, como dever, absoluto. Mas, porque temos de lidar com
esta colisão, portanto, abandonar a absolutidade e um dever ter
preferência relativamente aos outros, tudo depende agora, para
que se possa atingir a autodeterminação, de, através de uma ava-
liação, estabelecer a primazia de um conceito de dever sobre o
outro e, entre os deveres condicionados, escolher segundo o me-
lhor exame. Se o arbítrio e a contingência das inclinações são ex-
cluídos na autodeterminação da liberdade pelo conceito supremo,
então, a autodeterminação transita, de agora em diante, para a
contingência do exame e, com isso, para a inconsciência do móbil
de um exame contingente. Se Kant, na sua doutrina dos costumes,
acrescenta a cada dever exposto absolutamente perguntas
casuísticas, e se não se quer acreditar que ele, com isso, quis
mostrar o seu desprezo pela absolutidade do dever exposto, deve-
mos aceitar que ele apontou, antes, para a necessidade de uma
casuística no que respeita à doutrina dos costumes, e, com isso,
para a necessidade de não confiar no seu próprio exame, que é,
na verdade, algo .de totalmente contingente. Só que a contingência
é o que deve ser suprimido por uma doutrina dos costumes; trans-
formar a contingência das. inclinações na contingência do exame
não pode satisfazer o impulso ético, que busca a .nécessidade.
Em tais sistemas da doutrina dos costumes e do direito na-
tural, a potaridade fixa e absoluta .da libm:dade e da necessidade
não permite pensar em nenhuma síntese nem em nenhum ponto
de indiferença; a tran.scendentalidade é totalmente perdida no
fenómeno e no seu poder;. o en,tendimento; nela, a identidade
absoluta não se encontra nem se produz. A oposição permanece
também absolutamente fixada, mesmo se embelezada pelo pro-
gresso infinito. Ela não se. pode verdadeiramente dissolver, nem
para o indivíduo, no ponto de indiferença da beleza do espírito
e da obra, nem para a comunidade verdadeiramente viva dos
indivíduos, numa colectividade.
Na verdade, Fichte fala também do sentido estético - quando
menciona, entre os deveres dos diferentes estados, os deveres dos
artistas estéticos, como de um último complemento da moral -
como sendo um elo de ligação entre o entendimento e o coração; e
porque o artista nem se volta somente para o entendimento, tal

90
como o sábio, nem somente para o coração, como o doutrinador
popular, mas sim para a totalidade do espírito na unificação das
suas faculdades 45 , prescreve ao artista estético e à formação estética
uma relação altamente eficaz no incremento dos fins da razão 46 .
Acima de tudo, o facto de não se compreender como na ciên-
cia que se baseia numa oposição absoluta, tal como este sistema
da doutrina dos costumes, se pode falar de um elo de unifica-
ção I entre o entendimento e o coração, da totalidade do espírito 61
- pois a determinação absoluta da natureza por meio de um
conceito significa o domínio absoluto do coração pelo entendi-
mento, condicionado pela unificação suprimida-, mostra-o já o
lugar perfeitamente subalterno que ocupa a formação estética,
quão pouco em geral se conta com ela para o acabamento do
sistema. Indicou-se, aí, que a arte deve ter uma relação altamen-
te eficaz com o incremento dos fins da razão, na medida em que
prepara o solo para a moralidade, de tal modo que, quando a
moralidade surge, encontra já metade do trabalho realizado, no-
meadamente, a libertação dos laços da sensibilidade.
É espantoso como Fichte se exprime de forma excelente acer-
ca da beleza, mas inconsequentemente em relação ao seu siste-
ma, e, por isso, não faz em geral nenhuma aplicação dela relati-
vamente a este, e, imediatamente, em relaç&o à representação da
lei dos costumes, uma falsa aplicação.
A arte, exprime-se Fichte, transforma o ponto de vista trans-
cendental em ponto de vista comum, na. medida em que, para àquele, o
mundo é feito, para este, é dado; mas, do ponto de ~ista estético, é dado
tal como é feito. Através da faculdade estética, há uma verdadeira
e
unificação do produzir .da inteligência do produto que aparece
a ela como dado, do Eu que se reconhece como ilimitado e ao
mesmo tempo como pondo a limitação, ou melhor, uma unifica-
ção da inteligência e da natureza, a qual, justamente em prol des-
ta unificação possível, é ainda algo mais do que um produto da
inteligência. O reconhecirnento da unificação estética do produzir
/
e do produto é algo de .completamente diferente da posição do
dever absoluto e do esforço, e do progresso infinito, conceitos que,
na medida em que se reconhece aquela suprema unificação, se
anunciam como antíteses, ou apenas como sínteses de esferas mais
subalternas e, com isso, carenciadas de algo superior.
O ponto de vista estético é, além disso, descrito desta forma:
o mundo dado, a natureza, tem dois lados; ela é o produto da
nossa limitação e o produto do nosso agir livre e ideal; cada figu-

91
ra no espaço deve ser vista como exteriorização da íntima pleni-
tude e da força do corpo que tem tal figura. Quem segue apenas
o primeiro ponto de vista, vê apenas formas desfiguradas, com-
primidas, angustiadas; vê apenas a fealdade. Quem segue o últi-
mo, vê a plenitude poderosa da natureza, a vida e a ascensão; vê
a beleza 47 . O agir da inteligência no direito natural produzira a
natureza apenas como matéria modificável; não era, portanto, um
agir livre e ideal, um agir da razão, mas sim do entendimento.
O ponto de vista estético da natureza é agora aplicado também às
leis morais e, certamente, à natureza não seria permitido, antes
das leis morais, ter a primazia da capacidade de um ponto de vista
belo. A lei moral comanda absolutamente e subjuga todas as inclinações
naturais. Quem a vê deste modo, comporta-se diante dela como um es-
62 cravo. Mas, todavia, a lei moral I é, ao mesmo tempo, o próprio Eu, ela
surge da profundidade íntima da nossa própria essência; e, quando lhe
obedecemos, obedecemos todavia apenas a nós mesmos. Quem a vê deste
modo, vê-a esteticamente 48 . Que nós obedecemos a nós mesmos sig-
nifica que a nossa inclinação natui;al obedece à nossa lei moral;
mas na intuição estética da natureza, vista como exteriorização da
íntima plenitude e força dos corpos, não surge uma tal separação
do obedecer, tal como na eticidade, de acordo com este sistema,
intuímos no obedeçer a si mesmo a inclinação natural limitada pela
razão vizinha, o impulso submetido ao conceito ..Este ponto de
vista nec.essário sobre a eticidade, em vez de ser estético, deve ser
justamente aquele que mostra a forma desfigurada, angustiada e
comprimida, a, saber, a fealdade.
Se a .lei moral incrementa apenas a autonomia como um de-
terminar de acordo com e através de conceitos; e se a natureza
apenas pode justificar-se por meio de uma limitação da liberdade
de acordo com o conceito de liberdade de. muitos seres racionais; e
se estes dois modos comprimidos constituem o meio supremo pelo
qual o homem se constitui como homem; então, não se pode en-
contrar lugar para o sentido estético, tomado no seu âmbito mais
largo - a saber, como auto-configuração completa da totalidade
na unificação da liberdade e da necessidade, da consciência e do
sem consciência -, nem na medida em que se expõe no puro gozo
ilimitado de si mesmo, nem no seu aparecimento limitado, na ju-
risdição civil e na moralidade. Pois, no sentido estético, todo o
determinar por conceitos está de tal modo suprimido que, para
ele, esta essência ao modo do entendimento, que consiste em
dominar e determinar, quando é encontrada, é feia e odiosa.

92
COMPARAÇÃO ENTRE O PRINCÍPIO DA FILOSOFIA 62
DE SCHELLING E O DE FICHTE

Como carácter fundamental do princípio de Fichte mostrou-


-se que o sujeito = objecto sai desta identidade e não pode mais
regressar a ela, pois o que-estabelece-a~diferença 49 foi transferi-
do para a relação de causalidade. Opl"lncípio de)clentidade não
se torna princípio do sistema; rpal o sistema .~~> começa a confi-
gurar, a identidade é abandonada. O próprio sistema é uma
quantidade conseque:;}te de finitucle~ que relevam do .entendi-
mento, que não co11segue captara identic;lade originárié} 1 no foco
da totalidacle~ como auto-intuição absoluta. o$yjeito '.'° objecto
torna-se, por isso, subjectivo! e não é capaz•• de. stiprimir esta
63

si
subjectividade e pôr-se objectivamente>a rne$mO.
o prinC~Pfº de i~entidade é 01;7rincípio absol.uto·da totalidade
do sisternil schellinguiano; filosofia~. ;;istemª coinddem; a identi-
dade não se perde nas partes, muito rpenosai1-i.da nos resultados.
Para que a identidade é1QS0lutí.1 seja ü> princípio de todo um
e
sistema é neces~ário q11e o s::1jeito oobjecto sejam ambos postos
como sujeito~objeç~o, ~o}}Sternª de Fichte, a identidade consti-
tuiu-se apenas eomo sujeito~.objecto subjectivo. Isto necessitou,
/

como complemento, de µ.rrt sujeito-objecto objectivo, de modo que


o absoluto se expõe em cada um dos dois, apenas se sente com-
pleto nos dois como síntese suprema na negação de ambos, na
medida em que são opostos, engloba os dois em si como o seu
ponto absoluto de indiferença, engendra-os a ambos e engendra-
-se a partir de ambos.

93
Quando a supressão da cisão é posta como tarefa formal da
filosofia, a razão pode procurar a solução da tarefa do seguinte
modo: aniquila um dos opostos e eleva o outro ao infinito. Foi
isto o que, de facto, aconteceu no sistema de Fichte; mas, deste
modo, a oposição permanece, pois aquele que é posto como
absoluto é condicionado pelo outro e, tal como ele permanece,
também o outro permanece. Para suprimir a cisão, ambos os
opostos, o sujeito e o objecto, teriam de ser suprimidos; eles são
suprimidos como sujeito e objecto na medida em que são postos
como idênticos. Na identidade absoluta, o sujeito e o objecto
estão relacionados um com o outro e, com isso, são aniquilados;
nesta medida, nada está presente para a reflexão e para o saber.
O filosofar que não pode atingir um sistema vai apenas até aí;
ele satisfaz-se com o lado negativo, que submerge todo o finito
no infinito; poderia perfeitamente surgir também como saber, e
é uma contingência subjectiva se o facto de a necessidade de um
sistema está ou não ligado a ele. Mas se este mesmo lado nega-
tivo é o princípio, tal filosofar não pode alcançar o saber, pois
cada saber parcial pertence, imediatamente, à esfera da finitude.
O entusiasmo agarra-se a esta intuição da luz sem cor; encontra-
-se nele uma multiplicidade apenas na medida em que combate
o múltiplo. Ao entusiasmo falta a consciência de si mesmo de
que a sua co:qtracção está condicionada por uma expansão; ele é
unilateral, pois ele próprio se rixa num oposto e transforma a
identidade absoluta num oposto. Na identidade absoluta, o su-
jeito e o objecto são suprimidos; mas, porque eles se encontram
na identidade absoluta, subsistem ao mesmo tempo, e é esta
mesma subsistência que to.ma possível o saber, .pois no saber é,
em parte, posta a separação entre ambos; A actividade separadora
é o reflectir; na medida em que .é considerada por si mesma, ela
64 suprime a identidade e o I absoluto, e cada conhecimento seria
pura e simplesmente um erro, porque nele existe uma separação.
Este aspecto, pelo qual o conhecer é um separar e o seu produto
é algo de finito, torna cada saber um saber limitado e, com isso,
uma falsidade; mas, na medida em que cada saber é, ao mesmo
tempo, uma identidade, não existe nenhum erro absoluto. Assim
como se faz valer a identidade, assim também se deve fazer valer
a separação. Na medida em que a identidade e a separação são
opostas uma à outra, são ambas absolutas; e se a identidade deve
ser fixada pelo facto de a cisão ser aniquilada, elas permanecem
opostas entre si. A filosofia deve conceder o seu direito à sepa-

94
ração entre sujeito e objecto; mas, na medida em que os põe
igualmente de forma absoluta com a identidade oposta à separa-
ção, pô-los apenas de forma condicionada, tal como uma tal iden-
tidade - que é condicionada pela aniquilação dos opostos - é
também apenas relativa. Mas o próprio absoluto é, por isso, a
identidade da identidade e da não-identidade; o opor e o ser-um
coexistem nele.
Na medida em que a filosofia separa, não pode pôr os sepa-
rados sem os pôr no absoluto; pois, de outro modo, eles são
puramente opostos, que não têm nenhuma outra característica
senão a de um não ser enquanto o outro é. Esta referência ao
absoluto não é, de novo, a supressão de ambos, pois assim não
seriam separados; pelo contrário, devem permanecer como sepa-
rados e não perder este carácter, na medida em que são postos
no absoluto e o absoluto é posto neles. E, de facto, ambos têm
de ser postos no absoluto: que direito teria um relativamente ao
outro? Em ambos encontra-se, não apenas o mesmo direito, mas
também a mesma necessidade; pois se apenas um estivesse rela-
cionado com o absoluto e o outro não, a essência de ambos seria /
posta de forma diferente e a sua unificação - portanto, a tarefa
da filosofia que consiste em suprimir a cisão -,-. seria impossível.
Fichte pôs apenas um dos opostos no ahsofuto ou como o ab-
soluto; o direito e a necessidade reside, para ele, na consciência-de- ;?
-si, pois apenas esta é um pôr-se-a-si-mesmo, um sujeito = objec-
to, e esta consciência-de-si não é. inicialmente relacionada com o
absoluto como algo de mais elevado, mas é ela própria o abso-
luto, a identidade. absollita. O seu direito mais elevado em ser
posta como o absoluto consiste precisamente no facto de ela se
pôr a si mesma e o objecto não, o qual é simplesmente posto por
meio da consciência. Mas, que es.ta posi.ção do objecto é apenas
contingente mostra-se .a partir da contingência do sujeito-objecto,
na medida em que este. é. posto como consciência-de-si; pois este
sujeito-objecto é ele próprio um condicionado. O seu ponto de /
vista não é, por conseguinte, o supremo; ele é a razão posta
numa forma limitada, e só a partir do ponto de vista desta for-
ma limitada o objecto aparece como algo que não se I determina 65
a si mesmo, como algo de absolutamente determinado. Por isso,
ambas as formas têm de ser postas no absoluto ou o absoluto
em ambas as formas e, ao mesmo tempo, ambas permanecer
separadas; com isto, o sujeito é sujeito-objecto subjectivo, e o
objecto é sujeito-objecto objectivo. E de agora em diante, uma vez

95
, · mesmo ultl
posta uma d_u~li_dade, cada um ,dos ?P?s_tos e em 51 0
sujei-
oposto e a d1v1sao prossegue ate ao mfmito; cada parte d .den-
1
to e cada parte do objecto é, ela própria, no absolut,o, uma da-
tidade do sujeito e do objecto: cada conhecimento e uma ver
de, tal como cada grão de poeira é uma organizaçã?·. b" cto
Só na medida em que o próprio objecto é um suieito-o se t
é que o Eu = Eu é o absoluto. Então, para que o Eu :::: Eu nao er
. t· deve s '
transforme em Eu deve ser igual a Eu, o Eu ob iec 1vo
ele próprio, sujeito = objecto. - ultl
Na medida em que tanto o sujeito como o obj,ecto sao osi-
0
sujeito-objecto, a oposição do sujeito e do objecto e uma , Pdele
ção real; pois ambos são postos no absoluto e têm atraves -se
realidade. A realidade dos opostos e a oposição real ~ncont;~rn
apenas por meio da identidade de ambos *. Se o obJecto e 0 _
objecto absoluto, é um objecto meramente ideal, tal comoª opde
sição é meramente ideal. Pelo facto de o objecto ser algo a-
. ·t torn,
meramente ideal e não se encontrar no absoluto, o su)e 1 0 . ão
) -se também algo de meramente ideal so, e tais factores ideal~ De
o Eu como pôr-se-a-si-mesmo e o não-Eu como oposto ª si. le
5

nada ajuda o facto de o Eu ser .vida e agilidade puras , _de ena


próprio ser fazer e agir, o mais real de tudo, o mais imediato b-
O
consciência de cada um; mal ele é opósto absolutamente ao rn
jecto, deixa de ser algo de real, mas apenas algo de pensado,~ a
puro. produto .da reflexão, uma
. mera
. forma.
. . do. conhecer.
. tnur. ,,"
partir de meros produtos dél.. reflexão não se pode cons _ da
identidade como totalidade, pois eles surgem por abstracçao, e
"d "d d b · · · ··· ·
1 enti a e a soluta que, em rel3:ção a eles, imed1atamen .' Tais
te so s
pode comportar como aniquiladora, não. como construto~ª: de,
produtos da reflexão são~ precisamente, infinitude e fliutu a
indeterminidade e d~terminidade, etc. Do infinito não há nenhum

* - . .·.. . . da ideW
Platao exprime do seguinte modo a oposição real, por meio si
t1 a e a so uta: «O elo verdadeiro e belo é aquele que se trans·fOrma
.d d b l •
ªoit
. d , · , -ed1da 5
e ao 11ga o num so. Pois, quando de quaisquer três numeros, '" , ao
f orças, o pnme1ro · ·
esta, para o do meio tal como o do meio ·
esta .par ara
u, 1hmo,
· ·
e vice-versa, , .
o ultimo esta, para o do meio tal como o d O m e10. P'01 e
. ,· .
0 pnme1ro - e, de segmda, o do meio tornou-se o pnme1ro e O u _
. . 'ltirtl-
1es
. . 'l'
o pnme1ro e o u hmo tornaram-se o do meio e vice-versa-, e . , doS ntao,e
tornam-s'.: necessariamente no mesmo; mas, os que estão uns diante
outros, sao todos um só.» (Timeu, 31 c-32 a.)

96
passagem p f .
sage ara O 1mto, do indeterminado não há nenhuma pas-
torn m para O determinado. A passagem, tal como a síntese
a-se um t" . '
que a . , ª an _mo~1a; a reflexão, a separação absoluta (e é ela
do in(u~ da a lei) nao pode fazer surgir uma síntese do finito e
nas O ~~It~, do determinado e do indeterminado; / ela tem ape- 66
que a .Ir_~Ito de fazer valer uma unidade formal, na medida em
aceite· cisao entre infinito e finito, que é obra sua, foi admitida e
Se um' mas a. razão e sm· te t·1za-a na antmomrn
· · e, assim, · amqm · ·1 a-a.
da ide \?Josição ideal é obra da reflexão, que abstrai totalmente
1
da ra ~ ade absoluta, uma oposição real é, pelo contrário, obra
idênt~ao, que põe os opostos, identidade e não-identidade, como
icos não
bém t' meramente na forma do conhecimento, mas tam-
0 rma d
real na o ser. E e, somente na farma d e uma ta l opos1çao · -
-obJ·e tque o su1·e·t
1 0 bº b
e o o 1ecto são am os postos como suJeito- ..
c o sub · ·
absoI t ' sistmdo ambos no absoluto, estando em ambos o
bém u o, portanto, havendo em ambos realidade. Por isso, tam- (
princísomente
. na' opos1çao · - rea 1 o prmc1p10
· , · d e 1"d en tºd 1 a d e e, um
Perm pio real; se a oposição for ideal e absoluta, a identidade ',
anece um . , . 1 l , t
numa d pnnc1p10 meramente forma , e a e apenas pos a
-object as form . as opostas e não se pode fazer va 1er como su3e1 · ·to-
~i
numa 1 A f~losofia cujo princípio é formal torna-se, ela própria, (
Para a oso~i__a formal, tal como Fichte diz também algures que,
ser-pos~onsciencia-de-si de Deus - uma consdênda na qual pelo
0
uma. do Eu tudo seria posto - o seu sistema teria apenas
b '
o jecto , correcção ' f orma l 51• Quando,.pelo ' , ·
contrano, a ma t,ena, · o
tna e ' e ela própria um su1'eito-ob1'ecto, a separação entre a for-
a mat' ·
seu p nnc . , ·ena.pode ser .posta. ·de lado' e o s.·istema, t;;ll· como o
1 10 - ·.
tempo P , nao é mais meramente formal, mas, ao mesmo
hita s2' ;ateria! e formal; tudo é posto por mêio da razão abso-
0
Slljeit~ na oposição real o absoluto pode pfü.:se na forma do
iecto pa~~ io º?i.ecto, o sujeito t~a1:_sif~r po.ra ?.objecto ou o ob~
tnesm 0 . SUJe1to, segundo a essencia: 0 t3UJeito tornar-se a s1 ~
Porqu obJect· . ivo, porque . ·
ele é origin~riamente ob'1ec t'1vo, ou ·
O
nar-see º?Jecto éele próprio suiPifo-objecto, ou o objecto tor- ~
Sºtne t subJe e fivo, ·porque . · · é• originariamente
r · ·t o-o b'1ec t o.
StlJeI
cI ade· n e . no fac tO d é ambos ·. . serem sujeito-obJecto
. .t
cons1s e a ver-
Ira Idenf d d
de que arnb 1 ~ e e, ao mesmo tempo, a verdadei.r~ opo~1çao, . -
a. ºPos·IÇao - os sao capazes Se ambos não forem su1eito-ob3ecto,
é 1ºd . e C
Identict eal e o princípio de identidade é formal. om uma
0
titru ade , fo nna 1 e uma oposição ideal não e, poss1ve , 1 nenlmma
smtese senao , " - uma síntese incompleta, quer d'1zer, a 1'den-

97
-----'-·--·-· ·-

tidade, na medida em que sintetiza os opostos, é apenas t1m


quantum, e a diferença é qualitativa, à maneira das categorias,
nas quais a primeira, por exemplo, a de realidade, é posta ape-
nas quantitativamente na terceira, tal como a segunda. Mas, ao
invés, quando a oposição é real, ela é apenas quantitativa 53; 0
princípio é ao mesmo tempo ideal e real, ele é a única qualida-
de, e o absoluto, que se reconstrói a si mesmo a partir da dife-
rença quantitativa, não é um quantum, mas sim uma totalidade. 1
67 Para pôr a verdadeira identidade do sujeito e do objecto,
ambos serão postos como sujeito-objecto; e cada um por si é, de
agora em diante, capaz de ser objecto de uma ciência particular.
Cada uma destas ciências exige uma abstracção relativamente ao
princípio da outra 54• No sistema da inteligência, os objectos não
existem em si, a natureza tem apenas uma subsistência na cons-
ciência; abstrair-se-á do facto de o objecto ser uma natureza e de
que a inteligência como consciência está condicionada por isso.
No sistema da natureza esquecer-se-á que a natureza é algo de
sabido; as determinações ideais que a natureza recebe na ciência
são-lhe, ao mesmo tempo, imanentes. Mas a abstracção recíproca
não é uma unilateralidade das ciências, não é uma abstracção
subjectiva dos princípios. reais da outra/ que seria feita em prol
do saber e que desapareceria num ponto de vista superior, na
medida em que, considerados em si mesmos, os objectos da cons-
ciência que, para o idealismo, não são senão produtos da cons-
ciência, seriam todavia algo de absolutamente diferente e teriam
uma subsistência. absoluta fora da essência da consciência; e a
natureza, pelo contrário, que na sua ciê.ncia se to.rna determinante
de si mesma e. posta em si mesma de forma ideal, seria, conside-
rad.a em si mesma, apenas objecto, e toda a identidade que a
razão nela reconhece seria apenas uma forma que lhe é empres-
tada pelo saber. Não se abstra.irá do princípio interno, mas ape-
nas da forma pec\tliar da outra ciência, para conservar cada uma
de forma p~tr.a, quer dizer1 a íntima identidade de ambas; e a
abstracção do que é peculiar na outra é uma abstracção da
unilateralidade. A .natureza e a consciência-de-si são, em si, tal
como foram postas pela especulação na ciência própria de cada
uma; são, por isso, dessa forma em si mesmas porque é a razão
que as põe, e a razão põe-nas como sujeito-objecto, portanto,
como o absoluto, e o único em-si é o absoluto. Ela põe-nas como
sujeito-objecto pois é ela que, como natureza e como inteligên-
cia, as produz e se conhece a si mesma nelas.

98
Em prol da verdadeira identidade, na qual o sujeito e o ob-
jecto são postos, nomeadamente, na medida em que ambos são
sujeito-objecto, e porque a sua oposição é, por isso, real, e por-
tanto um é capaz de transitar para o outro, o ponto de vista
diferente de cada ciência não contradiz o da outra. Se o sujeito
e o objecto fossem absolutamente opostos e apenas um fosse
sujeito-objecto, as duas ciências não poderiam permanecer uma
ao lado da outra com igual dignidade; só um dos pontos de vista
seria o da razão. As duas ciências são apenas possíveis na medi-
da em que uma e a mesma coisa é, em ambas, construída na
forma necessária da sua existência. As duas ciências parecem
contradizer-se porque em cada uma delas o absoluto é posto
numa forma oposta. Mas a sua contradição não se suprime pelo
facto de apenas uma delas ser afirmada como a única ciência I e 68
aniquilar a outra a partir do seu ponto de vista; o ponto de vista
mais elevado, que em verdade suprime a unilateralidade de
ambas as ciências, é aquele que reconhece nas duas precisamen-
te o mesmo absoluto. A ciência do sujeito-objecto subjectivo
chamou-se, até ao momento, filosofia transcendental; a do sujeito-
-objecto objectivo, chamou-se filosofi~ da natmezp: Na medida
em que ambas se opõem, o s~bjedivo é prirue~ro naquela, e o
objectivo é primeiro nesta. ~m ambas, o supjectivo e o objectivo
são postos numa relação. de substancialidade; na filosofia trans-
cendental, o sujeit0;como intel~gência, é>a substância absoluta, e
é
a natureza tobjecto, um acidente; na filosofia.da n~t\.lreza, a
natureza éa substân~ié1absolqtél/ e o sujeito, a int~Jigência, ape-
nas um acidente•. 9 pont~) de vista mais el~yado ~ã?é, então,
nem aquele fl(.) qual uma ou oytra ciência é •s~prirniçla e, ou
o
apenas o.sujeito, ou apenas objecto, é afirmado corno absoluto,
nem também aquele noq\.,lalall}bas asóências são confundidas.
No que diz respeito à copfusi'ío1 confundir aquilo que per-
tence à ciênciada nawrezaç?m oqµe pertence ao sistema da /
inteligênciéldá ª~.J1ipóteses tra11s.cendentes, que podem ofuscar
por meio de ~.rua féll~a apa1;ência de unificação do consciente e
do sem consciênc~a; aojnvés, o elemento inteligente enquanto tal,
misturado na doutrina da natureza, dá o hiperfísico, em parti-
cular as explicações teleológicas. Ambos os erros da confusão par-
tem da tendência para explicar, a favor da qual a inteligência e
a natureza são postas em relação de causalidade, uma como
fundamento, a outra como fundada, relação pela qual apenas a
oposição é fixada como absoluta; por meio da aparência de uma

99
roinho
tal identidade formal, como é a identidade causal, 0 ca
P ara a absoluta unificação é totalmente cortado. ambas
O outro ponto de vista, pelo qual o contra d't, . emdeixasse
i ono_ "'
as ciências deve ser suprimido, seria aquele que nao d alismo
uma ou outra ciência valer como ciência do absolut~. ~ ud ·x:an·
pode perfeitamente seguir-se da ciência da inteligencia, ei dis·
do ainda as coisas valerem como essências próprias; a favo:n tal
to, pode ainda apropriar-se da ciência da natureza como .u para
·
sistema d a essencia
A · propna , · d as coisas;
· cad a ciência valeria lado
ele aquilo que quiser; elas têm pacificamente lugar umaA ª0 . a de
da outra. Mas, com isso, . não se repararia · que a . essenci b olllto
ambas as ciências é serem ciências do absoluto, pois O ª s
não é uma coisa ao lado da outra. uma
Há ainda um outro ponto de vista, segundo o qual n r luto,
nem a outra ciência valeriam como uma ciência do a 50 de-
69 nomea d amente, aquele I segundo o qual o prmc1p 10 .
. , · de uma to deste
las, posto no absoluto, ou o absoluto posto no aparecimend vista
princípio, seria suprimido. Nesta perspectiva, º. pon~o e trans·
mais espantoso é o do habitualme11te chamado 1deahsm0 b'ecti·
cendental; afirmou-se que esta ciência do sujeito-oqj~cto ~~ Jmas
vo é, ela própria, uma da~ çiências integrantes .da filoso 1~:ncia,
uma delas apenas. Mostrou-se a unilat~ralidade desta c~e e a
quando se afirmou a si mesma como cieência 1<:ait' t~oxnv, nsi-
figura que teq:t a ·natureza a partir dela. Aqui faíta ain~a c~ ida
derar a forma que recebe a ciência ela nàtureza, quando e er g
a partir deste ponto de vista. · _ ob·
Kant reconhece.· .uma natureza na. medida em que poe ºt ) e
·JeC
· ,t. O Como Um U1. · d· eterminaclo
· ·(por. meio d O en t endimen que°'
apresenta a natureza como um sujeito-objecto na medida em fi-
considera. o prod:uto .da natureza como um fim da natur~~;\,.ti-
nalizado sem conceito de fim, necessário sem mecanismo,. 1_ e da
camente conce1 · ' · to e ser. ' M as, ao mesmo tempo, e sta . e visa0enas
natureza deve va.ler apenas teleologicamente, quer dizer, ap •
, · d o nosso entendimento humano hm1 · ·tª do_e petão11
como max1ma
. . . nao es
sand o d iscursivamente, em cujos conceitos universais e. d te
5
contidos os fenómenos particulares da natureza; por melO e da
mo~o humano de considerar, nada deve ser expresso ace;ca or·
realidade da natureza; o modo de considerar permanec ' Pra·
. .
t anto, mteiramente subjectivo e a natureza como a1go de dpUter·
mente ob1'ectivo, um mero pensado A síntese da natureza e da
mmada. pelo entendimento e, ao mesmo · .
tempo, mdeterm ina ''

100
num tal entend.
uma mer 'd . imento. sensível, deve, na verdade, permanecer
a i eia. pa , J .
Vel que . ' !ª nos wmens deve, na verdade, ser impossí-
conformi~ :p hca~ao por meio do mecanismo concorde com a
subordin ; e ª .fins. Estes pontos de vista críticos, altamente
ºPõem ~ os e irracionais, elevam-se todavia, mesmo quando
81
absoluta 1:°1~1e~mente uma à outra a razão humana e a razão
J
zão; não' ideza de um entendimento sensível, quer dizer, à ra-
Vel que O ;:e P?rtanto em si, quer dizer, na razão, ser impossí-
concorde canismo natural e a conformidade natural a um fim
possível m. Mas Kant não abandonou a diferença entre um em si
cessá.ria ed um real, nem. elevou à realidade a ideia suprema ne-
sua ciên . e um entendimento sensível, e por isso, para ele, na
intelecç ci: da natureza, por um lado, é impossível em geral a
uma ta.{º.A ª _Possibilidade das forças fundamentais, por outro,
quer d. ciencia da natureza, para a qual a natureza é a matéria,
1
de si mizer' 'algo d e ab soutamente oposto, mas nao - d etermmante.

já a m
d uz um
t?.
breza d es7o, pode construir apenas uma mecânica. Com a po-

a. ena
orças de atracção e de repulsão 55, tal ciência tornou
<lemas·
. ' ia d o nca;
· pois · a força e, um m · terior
· que pro-
de vist exterior, é um pôr-se-a-si-mesmo = Eu, e, de um ponto
I<:ant c ª puramente idealista, tal coisa não pode caber à matéria.
ºPosto oncebe a ma t,eria . meramente como o ) ob'1echvo, . como o 70
lllas ta ª~ ,Eu; para ele, aquelas forças são, não apenas supérfluas,
ou tr m em, ou meramente ideais - e então não são forças -,
nâmicanscendent d es. NNao ha,, para ele, nenntima
li.
construçao - d'i-
tivaçã; d os fen_ómenos, mas apenas matemática 55 . A efec-
catego . os fenomenos, que têm de ser dados, por meio das
tos ria s , pode certamente foraecer muitos conceitos correc-
' 111 as nenh · ,
d a ne . uma necessidade para os fenomenos, e a ca d eia
·
truçã cessidade é O elemerttoformal da cientificidade da cons-
natur~~aº~ ~àRcei,tos P!rrn~n~ceµ1 algo de ocasional p~ra a
Para ' ª como a. natureza permanece algo de ocas10nal
llleio ~ conceitos. As síl\t~ses correctamente construídas por
su,, as categorias não teriam por isso, necessariamente a
" com _ ,
nas O f provaçao na própria natureza; a natureza pode ape-
lllcs erecer jogos múltiplos que poderiam valer como esque-
" cont· ' .
exem ingentes para as leis do entendimento: ou se1a, como
10s
do p , cujo aspecto peculiar e vivo seria justamente afasta-
foss na med i·d a em que apenas as determmaçoes · - d a re fl exao-
esqu em nel ·
es reconhecidas. Ao invés, as categorias sao apenas -
emas indigentes da natureza 57.

101
- é
Se a natureza for apenas matéria e não sujeito-objecto, nao_ 0
t
ossível nenhuma tal construção científica da mesma, conSurn ruçao'
P s .
essa para a qual o que conhece e o conhecido devem ser a
fl - 0 por urn,
Uma razão que se transformou a si mesma em re exa _ de
oposição absoluta ao objecto, apenas por meio da deduçao P~ d~
a priori, dizer mais da natureza do que o seu carácter gera i-
mat~ria; esta perma1:ece como subjacente, as _múltiplas d~ter;or
naçoes posteriores sao postas para e por me10 da re~le~ao. a
isso, uma tal dedução tem a aparência de um apnonSrno ni-
medida em que põe os produtos da reflexão, a saber, os concea-
tos, como algo de objectivo; porque não põe mais nada, ·a A
perrnurn,a
nece certamente imanente. De acordo com a sua essenc1c ' 1
tal dedução identifica-se com aquele ponto de vista que reco~-~:~ 1
ce na natureza apenas uma conformidade a fins externa. A te
rença é apenas que aquela dedução parte mais sistematicame~
. . d es rac10-
d e um ponto d etermmado, por exemplo, a vida os ser r
nais; em ambas, a natureza é absolutamente determinada P~a
algo que lhe é estranho, a saber, pelo conceito. O ponto de_visda
teleológico, que reconhece a natureza apenas como determina '
por fins externos, tem, do ponto de vista da completude, urn
. ·1,eg10,
pnv1 . na me.d"d .
1 a em que toma a multiplic1 a e a
"d d d natureza
' _ da
tal como ela é dada empiricamente. Ao invés, a deduçao
. . . ·. . r causa
nat~reza, que parte de um ponto determinado e que, Pº. _ é
da. mcompletude . deste,
·· ·poshüa ainda...· mais. ·qualquer coisa· fe1·t a
msto que con·s.1ste a dedução-, .está . i.mediatamente
. .satistu d o
com o que foi postulado, que deve imediatamente realizar de
o que .o conceito exige. Se um objecto real da nature,za Pº de
sozinho realizar o exigido~ isso pouco lhe importa, e so O Pº te
encontrar por meio da ~xperi~ncia; se o objecto imediatame~u-
postulado não se e1.1contrar na nàtureza, será deduzido um ·d 0
tro, e assim pw diante, até que o fim se encontre preenchi ~
A ordenação destes obj~ctos deduzidos depende dos fins dete:_
minados dos. quais se partiu; e só na medida em que eles se rão
71 lacionam por consideração a \ este fim é que têm uma conex,
ent re s1.· Mas, propriamente,
· eles não são capazes de nenhu111ª t
conexao mterna; pois se o objecto que devia ser ime d'ia t a rnen e0
- . .
deduzido se mostrar, na experiência, como insuficiente p~ra
conceito que deve ser preenchido, por meio deste único obje~to,
porque ele é exteriormente determinável de modo infintl~,
realizou-se a dispersão na infinitude: uma dispersão que efecti- 05
vamente só seria evitada pelo facto de a dedução traçar com

102
seus múlt' 1
porém ip ~s ~ontos um círculo, em cujo íntimo ponto médio,
1
de ext' : ª nao e capaz de se colocar, pois, desde o início, é algo
.
Jecto, enor · Para
~
o concei'to, o ob'Jecto e, um exterior, para o ob-
,
0
conceito e um exterior.
N enhuma das d ·A •
como , . ' uas ciencias se pode, portanto, constituir
desse ª l~ica, nenhuma pode suprimir a outra. O absoluto seria,
pôr-se mofo, P0st0 apenas numa forma da sua existência, e ao
forma na. orma da existência tem de se pôr numa dualidade da
p~ pois O aparecer e o cindir-se são um só.
ambas r ca~sa da identidade interna de ambas as ciências - pois
Potênc· ex~oem. 0 absoluto, tal como ele se engendra a partir das
dacte dªs mfenores de uma forma da manifestação, até à totali-
sua co ess_a forma -, cada uma das ciências, de acordo com a
pleme ~exao e a sua progressão, é igual à outra. Uma é um com-
damen~ ~ da outra. Tal como um antigo filósofo disse, aproxima-
tna qt e. ª ordem e a conexão das ideias (do subjectivo) é ames-
existe ie ª conexão e a ordem das coisas (do objectivo) 58 • Tudo
de sub~pe~as numa totalidade; a totalidade objectiva e a totalida-
são u~ectiva, o sistema da natureza e o sistema da inteligência,
precis 1 e O mesmo; a uma deterrµinídade subjecHva corresponde
C~ ment~ a mesma deterl!linidade obje~tiva.
de lim ~~ ciencias, e.l.~s são totalida~es objectivas, e progridem
absoJu: a ,º a limitacfo. Mas c~dét litrtit<l@O está, elepi:óprio, no
li:rnita _ü, e,J~ortMto, interiQrmente1 um ilimitado; ele perde a sua
talict;dªº e':ter~a porqt1~ é po;,to em conex.~p sistei~,;ltic~ na to-
... · .ti11:nb·.·.e.'111 qma ver-
dacte e ob3ectiva; 11es·tª,. . · c:omo limitª. .d. . 9{ tem
, ' e a det ·· · " ·d · · ·· , · · b d 1
A. express- ennma~ao o seu. I?gar e o_ Sª er ':~~rca e e.
ganizacto\~o de Jacobi de qye. os s~st~mas. ;,ao um .n;m~saber or-
conh ' deve apenas acrescentar-se que o não-saber - o
Um s:~: do singulç1r ~ pelo t~cto âé s~w•or~anizado, se torna
r.
na !ªrd~
e ida ·· · · ····. eex·te···:.·.r.n~f
lá edá ig\;laid·ª···d··.· ·.. · · . ·. ·.· que caracteriza estas ·ciências
, ·
Penet m qu~ perrµanecem separadas, os seus prmc1p10s
ria S ram-se reciprocamente imediatamente, de forma necessá-
0
é
outra e, princípio de uma o sujeito-objecto subjectivo e o da
exist e O sujeito-objecto objectivo, no sistema da subjectividade
Objec~· ~e facto, ao mesmo tempo, o objectivo, e no sistema da
1
tanto v1dade ·
. existe, ao mesmo tempo, o su b'1ectlvo: · a na tureza e,
dacte tma idealidade imanente, quanto a inteligência uma reali-
·se , manente. Os dois pólos do conhecer e do ser I encontram- 72
em cada' uma d elas, portanto, ambas tem tam b,em em s1. o
A

103
ponto de indiferença; só que num dos sistemas o pólo do ideal
é predominante, noutro é o do real. Na natureza, o primeiro não
chega ao ponto da abstracção absoluta, que se põe a si mesmo
como ponto contra a expansão infinita, como acontece quando o
ideal se constrói a si mesmo na razão; o segundo, não chega, na
inteligência, até ao desenvolvimento do infinito, que, nesta con-
tracção, se põe infinitamente fora de si, como acontece quando o
real se constrói a si mesmo na matéria.
Cada sistema é ao mesmo tempo um sistema da liberdade e
da necessidade. Liberdade e necessidade são factores ideais e,
portanto, não estão em oposição real; por isso, o absoluto não se
pode pôr em nenhuma destas formas como absoluto, e as ciên-
cias da filosofia não podem ser, uma um sistema da liberdade, a
outra um sistema da necessidade. Uma tal liberdade separada
seria uma liberdade formal, tal como uma necessidade separada
seria uma necessidade formal. A liberdade é um carácter do
absoluto quando ele é posto como um interior que, na medida
em que se põe a si mesmo numa forma limitada, em pontos
determinados da totalidade objectiva, permanece aquilo que é,
um não limitado; quando, por conseguinte, é considerado em
oposição ao seu ser, quer dizer, como um interior, portanto, com
a possibilidade de o abandonar e transitar para uma outra mani-
festação. A necessidade é o carácter do absoluto na medida em
que ele é considerado como um exterior, como uma totalidade
objectiva, portanto, como uma <:antiguidade a cujas partes, po-
( rém, não cabe nenhum ser senão no todo da objectividade. Por-
que a inteligência e a natureza, pelo facto de serem postas no
absoluto, têm uma oposição real, cabem a cada uma delas os
factores ideais da liberdade e da necessidade. Mas a aparência
de liberdade, o arbítrio, quer dizer,. uma liberdade na qual se
abstrairia totalmente da necessidade, ou da liberdade como uma
totalidade, que só pode aco11tecer na medida em que a liberdade
é já posta no interior de uma esfera singular; tal como a aparên-
cia de arbítrio, correspondente ao acaso no plano da necessida-
de, com o qual são postas partes singulares, como se não existis-
sem na totalidade objectiva e apenas através dela, mas sim para
si mesmas; este arbítrio e contingência, que só têm lugar de um
ponto de vista muito subordinado, são banidos do conceito da
ciência do absoluto. Ao invés, a necessidade pertence à inteligên-
cia, tal como à natureza. Pois, pelo facto de a inteligência estar
posta no absoluto, cabe-lhe também, igualmente, a forma do ser;

104
ela deve cindir-se de si mesma e manifestar-se; ela é uma orga-
nização completa de conhecimento e intuição. Cada uma das suas
figuras é condicionada por uma figura oposta e quando a iden-
tidade abstracta da figura como liberdade é isolada das próprias
figuras, é apenas um pólo ideal do ponto de indiferença da inte-
ligência, a que corresponde uma totalidade objectiva como o J
outro pólo imanente. A natureza, ao invés, tem liberdade, pois 73
ela não é um ser em repouso, mas, ao mesmo tempo, um devir:
é um ser que não é cindido e sintetizado do exterior, mas que se
separa e que se une em si mesmo e que em nenhuma das suas
figuras se põe a si mesmo como meramente limitado, mas sim
livremente como o todo. O seu desenvolvimento sem consciência
é uma reflexão da força viva que se cinde sem fim, mas que em
cada figura limitada se põe a si mesma e permanece idêntica; e,
nessa medida, nenhuma figura da natureza é limitada, mas sim
livre.
Portanto, se a ciência da natureza em geral é a parte teórica
da filosofia, e a ciência da inteligência a parte prática, cada uma
delas tem ao mesmo tempo para si uma parte teórica e uma parte
prática próprias. Tal como no sistema da natureza a identidade
existente na potência da luz, não em si, mas como potência, não
é nada de estranho à matéria pesada, umq vez que a cinde e a
une para lhe dar coesão e produz um sistema da natureza inor-
gânica, também para a inteligência gue se produz a si mesma
nas intuições objectivas, a identidade, na potência do pôr-se-a-si-
-mesmo, não é algo de presente: a identidade não se reconhece
a si mesma na intuição; ambos, o pôr-se-a~si~mesmo e a intuição,
são um produzir da identidade que não reflecte no seu agir,
portanto, objecto de uma parte teórica. Precisamente como, ao
invés, a inteligência se co.nhece a si mesma na vontade e se in- /

troduz como tal na objectividade, e aniquila as suas intuições


produzidas sem consciência, assim a natureza se torna prática
na natureza orgânica, na medida. ern que a luz irrompe nos seus
produtos e se toma interior. Se a luz põe, na natureza inorgânica,
o ponto de contracção no exterior, na cristalização, como uma
idealidade exterior, igualmente se configura na natureza orgâni-
ca como interior, como contracção do cérebro; isto acontece já na
planta como flor, na qual o princípio interior da luz se dispersa
em cores e nelas rapidamente esmorece; mas nelas, tal como mais
fixamente nos animais, põe-se a si mesma ao mesmo tempo sub-
jectiva e objectivamente na polaridade dos sexos; o indivíduo

105
5
procura-se e encontra-se a s1. mesmo num outro. N 0 eanimal, ªa
luz permanece mais · intensamente
· no in · t enor,
· no qual co1ocamo
sua individualidade como voz mais ou menos mutável, como
individualidade sub1·ectiva em comunicação universal, co e
reconhecendo-se e querendo ser reconhecida. Na me d 1.d a em qu ,. a
a ciência da natureza expõe a identidade, tal como recon st rot ~
partir do interior os momentos da natureza inorgânica, ,tem ~ a
si uma parte prática. O magnetismo prático, reconstruido, ~ r
supressao - do peso expandindo-se . em po, 1os para O ,exteri e
0 1

contraindo-o de novo no ponto de indiferença do cerebro,de


transpondo-o dos dois pólos para o interior como dois pont?~·ta
indiferença, tal como a natureza o mostra também na 0 ~ ~e-
elíptica dos planetas; a electricidade reconstruída a partir do 1~ \
15
rior põe a diferença sexual nos organismos, cada um dos qu! .e
74 a produz por si mesmo; como resultado da sua carencia,
poe-A 5
te •

idealmente a si mesmo, encontra-se a si mesmo objectiv~~e~se


num outro e tem de conferir iclefltidade a si mesmo, fundtn 0
°.
nele. A natureza, na medid~/érn que .seJôrna prática P?r me~
do processo químico, ppe nele meswo, como um interior, u
terceiro· e1ement? que·· ·· · . ·· ·medeia. q~· ·diferentes,
· ·· ·
mtenor· esse
. que,ai
como tom, éu;ffia sonoridac:l~jnterior que se prqduz a s1 me~11l é
tal como ~ terceiro co~po do . processo inorgâ,nico este inteno~ _
sem-p?tência e desy~nec~-:;;e> dissolve. asub~t~ncialidade abso ~-
1
ta. das essências. dif~re(ltes e trá-.lªs à. inci~fere11ç~. do reconhe ~ 0
menta m1tiio, ~e um pôr id,E!.al) qµe; ão 12ontrário da relaça
sexual., n~o m9rre de novq num.:i. iderttidade reãl 60 . a
Até agora, opusemos.uma,ã outra ámbê\S as ciências pela ~uo
·a·• t"d d .
1 en 1 a e interna.; nml).a, O~bsolut() ~ um elemento su
> • .· • • '. · .···• • · bJ·ecttV a

na forma do qmhec~r, na 01:itra, ll(l1 elemento objectivo na _f;::s,


do serf :Qd\~er ~9 Coflhecert9rnam-se factores ou formas 1ntr,arrt
61
1
pe º. acto .e seren\opostos um ao outro; ambos se enco
.·d· N • •
• • . . .•. . o ser a, •

nas uas c1en9as, ~as•numa o conhecer é a matena e


forma, n~ ():t;ttra Q ser é a matéria e o conhecer a forma. ora ~
absoluto é o mesmo em ambas, e as ciências não expõem n:ei~-
me~te os op~stos ~orno formas; mas, na medida ~;11 '.lue ~ suJ: efl"
-obiecto se poe a s1 mesmo nelas, essas mesmas c1encias nao 5
contram numa oposição ideal mas sim real e por isso, deverrta
.
ser consideradas ao mesmo tempo ' '
numa continuidade, cot11° urn
•A. • •A. ostas,
c1encia coerente. Na medida em que são c1encias op
enco~tram-se, na verdade, interiormente fechadas em ~i e form::
totalidades, que, ao mesmo tempo, são apenas relativas, e,

106
9uanto tais 'eesfor~am-se por atmgir
identidade . . o ponto de md1ferença;
. . como
a parte totalidade relativa, este último encontra-se por toda
delas p n~1ªs' mas, como totalidade absoluta, encontra-se fora
soluto· orem . ' n ª me d"d
1 a em que cada uma das ciências do ab-
' assim
pólos d . d" como a . - e, rea,1 conex10nam-se,
' sua opos1çao, . como
os póloª m iferença, nesta última; elas são as linhas que ligam
uma ve: ~~ ce~tro. Mas este centro é, ele próprio, algo de duplo,
as ciên . entidade, a outra totalidade, e, nesta medida, ambas
como cias aparecem como a progressão do desenvolvimento, ou
O pon;u~oc?ns~rução da identidade, em direcção à totalidade.
em queº e 1~diferença pelo qual ambas as ciências - na medida
se esfo; ~c::;_si~eradas do lado dos factores ideais, são opostas -
do abs Í ' e O todo, representado como uma autoconstrução
de tranº .u:o, 0 ponto último e supremo delas. O centro, o ponto
construs~çao da id_entidade que se constrói como natureza, à sua
reza c çao como inteligência, é o devir interior da luz da natu-
con;tit 0 ?1° diz Schelling, o relâmpago do ideal no real e o seu
é pou~r-se a ~i mesmo como ponto. Este I ponto, como razão, 75
O
pirâmi~ 0 de viragem das duas ciências, é o cume supremo da
complete da natureza, o seu último produto, ao qual ela chega
numa ª nd º-se; mas, como ponto, deve igualmente expandir-se
partir ~~tureza: Quando a ciência se põe nele como centro e a
como e se c1~de em duas partes, e um dos lados se anuncia
ela sabº ~rod~zir sem consciência, o outro, como o consciente,
transp e, imediatamente, que a inteligência,,como um factor real,
autoc orta ao mesmo tempo consigo, para o outro lado, toda a
que aonstruçã .· 0 d a natureza, e. tem em si ou ao seu 1ad o tu d o o
real precedeu, tal como sabe que na natureza, como um factor
isto'~ que se lhe opõe na ciência é igualmente imanente. E, com
UniÍa; suprimida toda a idealidade dos factores e a sua forma
as ci eral · este e, o umco
A • ' , • ponto de vista · superior
· no qua 1 amb as
separenc1as
_ ,se perd em uma . .
na outra, . em que a sua
na medida
dos tçao e reconhecida como apenas científica, e a idealidade
.
Inal'dactores e, reconhecida · como sendo apenas pos ta com es ta
f s1 bade
Vo, . · Este ponto de vista é, imediatamente, apenas negah- ·
mas u s1ste apenas a separação de ambas as c1enc1as · ~ · e d as for-
real nas
n- qua·is o ab soluto se pôs a si mesmo, nao - uma sm, tese
são 'a ~o ? ponto de indiferença absoluto, no qual estas formas
giná ~iqulladas na medida em que ele as une. A identidade ori-
. ria' que expandiu a sua contracção sem consc1encia - sub -
Jectiv •A •

amente, d o sentir, objectivamente, d a matena , · - na con f1-

107
guidade do espaço e na sucessão do tempo, organizadas sem fim,
como totalidade objectiva, e opôs a esta expansão a contracção,
que se constitui a si mesma, aniquilando-a no ponto que se co-
nhece a si mesmo da razão (subjectiva), a saber, a totalidade
subjectiva; aquela identidade deve uni-las a ambas na intuição
do absoluto que se torna objectivo na totalidade completa: na
intuição do eterno devir humano de Deus, da geração do Verbo
desde o início.
Esta intuição do absoluto que se configura e se encontra
objectivamente a si mesmo, pode igualmente ser considerada de
novo numa polaridade, na medida em que são postos em pre-
ponderância, como factores deste equilíbrio, de um lado, a cons-
ciência, do outro, o sem consciência. Aquela intuição aparece, na
arte, mais concentrada num ponto, e dominando a consciência:
ou, na arte propriamente dita, como obra, que, sendo objectiva,
é em parte duradoura, e em parte pode ser tomada, pelo enten-
dimento, como uma exterioridade morta, um produto do indiví-
duo, do génio, mas pertencendo à humanidade; ou aparece na
religião como um movimento vivo que, sendo subjectivo, satisfa-
zendo apenas por momentos, pode ser posto pelo entendimento

) como um mero interior, o produto de uma multidão, de uma


genialidade universal, mas pertencendo também a cada indiví-
duo. Na especulação, aquela intuição aparece mais como cons-
ciência, e, alargada na· consciência,. como um agir da· razão sub-
jectiva, que suprime a objectividade e o sem consciência. Se para
a arte, na sua verdadeira amplitude, o absoluto aparece mais na
76 forma I do ser absolutor para a especulação ele aparece mais
como algo que se engendra a si mesmo na stia intuição infinita;
mas, na verdade, na medida .em que se concebe como um devir,
põe ao mesmo tempo a identidade do devir e .do ser, e o que lhe
aparece como engendrando-se a si mesmo é posto, ao mesmo
tempo, como o ser originário absoluto, que apenas pode devir
na medida em que é. Ela sabe, deste modo, afastar a preponde-
rância que a consciência tem sobre si, uma preponderância que
é, mesmo assim, algo de essencialmente exterior. Ambas, a arte
e a especulação, são, na sua essência, ofício divino, ambas são
uma intuição viva da vida absoluta e, por isso, estão em unidade
) com ela.
Deste modo, a especulação e o seu saber encontram-se no
ponto de indiferença, mas não, em si e para si, no verdadeiro
ponto de indiferença; se se encontram aí, depende do facto de se

108
reconhecerem apenas como um lado desse ponto. A filosofia
transcendental é uma ciência do absoluto, pois o sujeito é, ele
próprio, sujeito-objecto e, nessa medida, razão; se ela se puser a
si mesma, na qualidade desta razão subjectiva, como o absoluto,
ela é então uma razão pura, quer dizer, formal, cujos produtos,
as ideias, são absolutamente opostos a uma sensibilidade ou
natureza, e, em relação aos fenómenos, podem apenas servir
como regra de uma unidade que lhes é estranha. Na medida em
que o absoluto é posto na forma de um sujeito, esta ciência tem
um limite imanente; ela só se eleva a ciência absoluta e ao ponto
de indiferença absoluto pelo facto de conhecer o seu limite e de
saber suprimir-se a si mesma e a este, e fazendo-o, de facto, de
forma científica. Na verdade, muito se falou, no passado, das
barreiras da razão humana e também o idealismo transcendental
reconhece limites que não se podem conceber da consciência-de-
-si, nos quais estamos encerrados de uma vez por todas; mas, na
medida em que os limites são ali aceites como barreiras da razão
e aqui como inconcebíveis, a ciência reconhece a sua impotência
para se suprimir por si mesma, quer dizer, a não ser por um
salto mortale ou pelo subjectivo, no qual ela pôs a razão para
novamente dela abstrair.
Porque a filosofia transcendental põe o seu sujeito como um
sujeito-objecto e, com isso, é um lado do ponto. de iqdiferença
absoluto, a totalidade está com· certeza nela; a própria filosofia
da natureza no seu conjunto cai, enquanto saber, no ínterior da
sua esfera. E não se .pode proibir a ciência do saber, que consti-
tuiria apenas uma parte da filosofia transcendental, nem tão
pouco a lógica, de reivindicar a forma que ela dá ao saber e a
identidade que se encontra no saber, ou melhor, de isolar a for-
ma como consciência e de constrüir por si o fenómeno. Mas esta
identidade, separada de toda a multiplicidade do saber, como
pura consciência-de-si, mostra-se como relativa, pelo facto de não
sair, em nenhuma das suas formas, do seu ser condicionado, por
meio de um oposto.
O princípio absoluto, o único fundamento real e ponto de
apoio estável da filosofia é, tanto na filosofia de Fichte como na
de Schelling, a intuição intelectual; 1 dito para a reflexão: a iden- 77
tidade do sujeito e do objecto. Na ciência, ela torna-se objecto de
reflexão; e, por isso, a reflexão filosófica é, ela própria, intuição
transcendental, torna-se objecto para si própria e é uma só com
ele; desta forma, é especulação. Por isso, a filosofia de Fichte é

109
um produto autêntico da especulação. A reflexão filosófica está
condicionada, ou a intuição transcendental vem à consciência
através da livre abstracção de toda a multiplicidade da consciên-
cia empírica. Nessa medida, ela é subjectiva. Se a reflexão filosó-
fica se transformar, assim, a si mesma, em objecto, ela transfor-
ma algo de condicionado em princípio da sua filosofia; para
captar puramente a intuição transcendental, ela deve ser ainda
abstraída deste elemento subjectivo, de modo a que ela não seja,
para a reflexão filosófica, como fundamentação da filosofia, nem
subjectiva nem objectiva, nem consciência-de-si oposta à matéria,
nem matéria oposta à consciência-de-si, mas sim identidade ab-
soluta, nem subjectiva nem objectiva, pura intuição transcen-
dental 62 • Como objecto da reflexão, torna-se sujeito e objecto 63;
a reflexão filosófica coloca estes produtos da pura reflexão, na

) sua permanente oposição, no absoluto. A oposição da reflexão


especulativa não é mais um objecto e um sujeito, mas sim uma
intuição transcendental subjectiva e uma intuição transcendental
objectiva: aquela é um Eu, esta é uma natureza. Ambas são a
suprema manifestação da razão absoluta que se intui a si mes-
ma. Pelo facto de estes dois opostos - que se . chamam, então,
Eu e natureza, consciência-de-si pura e empíriça,. conhecer e ser,
pôr-se e opor-se a si mesmo':· finitude e infinitude - serem pos-
tos ao mesmo tempo n.o.absoluto, ar~fiexão comum não vê nes-
ta antinomia senãq çontradiçã?;rsó a. razão vê a .verdade nesta
contradição al;>soluta, por Il'\eio da qual ambos são postos e am-
bos são aniquilados, ne11hum é e os dois .s.ã9 ao. wesmo tempo.

110
ACERCA DO PONTO DE VISTA DE REINHOLD 77

E A FILOSOFIA

Resta ainda dizer, por um lado, alguma coisa acerca do ponto


de vista de Reinhold sobre a filosofia de Fichte e de Schelling, por
outro, acerca da sua própria filosofia.
No que respeita àquele ponto de vista, em primeiro lugar,
Reinhold não reparou na diferença entre ambas como sistema, e,
em segundo lugar, não as tornou como filosofias.
Reinhold não parece ter suspeitado que, há muito, uma ou-
tra filosofia, diferente do idealismo transcendental, se encontrava
diante do público; de forma espantosa, ele não vê na filosofia,
tal como Schelling a expôs, senão um princípio .do elemento
conceptual da subjectivida,de, da egoidade 64. Reinhold consegue,
de uma só vez, dizer que Schelling descob.riu que o absoluto, na
medida em que nãó é mera subjectividade,. nada mais é nem
pode ser I do que a mera objectividade, ou mera natureza en- 78
quanto tal, e que o caminho para tal .consiste em pôr o absoluto
na absoluta identidade da inteligência e da natureza 65 ; portanto,
consegue representar o princípio schellinguiano num traço: a) o
absoluto, na medida. em que não é mera subjectividade, é mera
objectividade e, por conseguinte, não é a identidade de ambos;
b) o absoluto é a identidade de ambos. Ao invés, o princípio da
identidade do sujeito e do objecto teve de se tornar o caminho
para ver que o absoluto, como identidade, não é nem mera /
subjectividade nem mera objectividade. Correctamente, Reinhold
apresenta a seguir a relação entre as duas ciências de tal modo
que ambas são apenas diferentes pontos de vista, não certamente

111
, ·co E pre-
da mesma coisa, mas da absoluta mesmida d e, d o um. · , '. da
cisamente por isto, nem o princípio de uma, nem O pnnciplO ito
outra, são mera subjectividade ou mera objectividade, n:m, i:~ra
menos, aquilo em que ambas se interpenetram e a de
egoidade, a qual, tal como a natureza, é engolida no ponto
indiferença absoluto. na
Quem, pensa Reinhold, está tomado pelo amor e cren? ue
verdade, e não pelo sistema, deixar-se-á facilmente persuadi~ q a
o erro da solução que foi descrita reside no modo_ de conce e~as
tarefa; mas não é tão fácil explicar em que cons1st~ o e:ro flo-
1
descrições de Reinhold daquilo que, segundo Schelhng, e ª
sofia, nem como foi possível este modo de a conc~ber. Jdea-
De nada serve remeter para a Introdução ao Sistema do ta-
lismo Transcendental, na qual se expõe a sua relação c~m ª to ~a
lidade da filosofia e o conceito desta totalidade; pois, n~ s, 0
avaliação dele, Reinhold restringe-se a esta Introdução e ve ª~a-
contrário daquilo que lá se encontra. Muito menos se pode: . e0
mar a atenção para alguns lugares dela, nos quais o verda eir_
5
ponto de vista é expresso da forma mais determii:1ª~ª' /º~e
Reinhold menciona estes lugares na sua primeira avahaçao e; 5
sistema; em tais lugares determinados.afirma-se que só num~ d ª _
ciências necessárias e fundamentais da filosofia, a saber, no 1 ea
lismo transcendental, o subjectivo é ó primeiro 66, e não, como erll
Rem · h old: que. co· l ?Cª imediatamente
· · · as
a própria coma ' eavessaS,
, do
que ele e o pnme1ro de toda a filosofia· não se trata tamberll
puro subjectivo, que é apenas o prin;ípio do idealismo trans-
cendental, mas si.m. do sujeito-objecto subjectivo. 5
Para aqueles que são cap~zes de não perceber em cert~-
enunciados o seu contrário, não é talvez impérfluo chamar ª ate _
ção, para além da Introdução ào Sistema do Idealismo Tran;a
cendental, e mesmo para além dos números mais recentes
Revista, d: Física Especulativa, já para a 2.ª Parte do 1.º v~!~~;
79 deste ultima, \ na qual Schelling se exprime deste modo ·
filosofia da naturéza ~ uma explicação física do idealismo; {...1ª
n~tureza disp~s-se, desde longe, a chegar a estas alturas, qu~
atmge na razao. O filósofo só não repara nisto porque toma
seu objecto, com o primeiro acto, já na mais alta potência, co~~
Eu, como dotado de consciência, e apenas O físico dissipa es
ilusão. [... ] O idealista está certo quando transforma a razão nda
au tocna· dora de tudo [...}, ele tem para si a própria intenÇ<
· ão ªé
natureza relativamente ao homem; mas justamente porque e5t a

112
a intenção
próprio [ da] ' natureza [.._.] aquele mesmo idealismo torna-se, ele
teórica 'd ···. algo de explicável, e nisso coincide com a realidade
sar de' o 1dealis ' mo. so, quan d o os homens aprenderem a pen-
qualqz mo~o puramente teórico, de forma puramente objectíva e sem
isto.» ter mzstura d0 su b1ectzvo,
· · e, que aprenderão a compreender

tent~uat~do Reinhold coloca o defeito principal da filosofia exis-


aspecto a edeagora' no .fª.cto d e se ter representado o pensar sob o
faça a t ~ma achv1dade meramente subjectiva, e exige que se
é sup ~ntati_va de abstrair 68 da sua subjectividade, isto é, como
princt~ o, nao a~enas no que foi mencionado, mas também no
mal } 1~ da totalidade do sistema schellinguiano, o carácter for-
subi'eet· und º desta filosofia: a saber, a abstracção do elemento
formaC IVO. da' m . tmçao
. - transcendental. E, o que foi afirmado de
i.ap; ;ums determinada na Revista de Física Especulativa, vol. 2. ,
0

de Es r;, por ocasião das Objecções contra a Filosofia da Natureza,


trac enmayer, que são tomadas tendo corno fundamento o idealis-
1110
como n;cendental, no qual a totalidadeéapehaS posta como ideia, 69
N ª go de pensado, quer dizer, como algo .d,~.subjectivo .
conzunº que diz respeito à pp~ição de Reínho.ld so5re o elemento
apar 1 ª ambos os sistemas, de serem filosofia especulativa, eles
ecem nec · .· ·. . ·. · · •· · .·.· · d · 1· d
Reinh ld essanamente, par~ o .ponto\ e vista pec11 1ar e
sendo ºn' co:no peculiaridad~s, e, por··. conseguinte,com°:\não
a
essenc· ~ osofrn.s. Se, de acordo co.m Reinhold, ocupa.ção mais
lidade 1~' 0 tema .e º.Prin,cípio da filosofif é fund,;,upenta~ a rea-
ção O conhecunent(). pela análise?º, quet dizer, pela separa-
mi; ~ertainente que a especulação(foja.ta'refa:upren1aé'supri-
entã' separação na identicia.dedo.5ujeitf i:t do obJecto, não tem
ma ~l qu~l~uer significado, e o lado.111a.is esse11cial de um siste-
segu ·~osofico, q11econ.si5te/ell1; s,er especulação, não pode, de
posi 1_ a, ser tido·. . e.in>con,siçleração;nada resta, a não ser uma
do ça~ peculiar e uma ..mais . forte ou mais fraca desorientação
apaespmto. Assim, por exetrtplo para Reinhold, o materialismo
Alem rece co mo uma desonentaçao .: _, do espmto, , . que nao - tem, na
autê a~ha, lugar de residência 71, e não reconhece nele nada da
ma dntica I ,ne cess1'd a d e filosófica de suprnmr · · a c1sao
· - so b a for- 80
da e espirito e matéria. Se a localização ocidental da cultura,
quequalt- este sistema
· saiu o mantém afasta d o d e um pais, , a
Unil s ªº é b '
sa er se este afastamento nao provem e uma - , d
Valoateralid
. a d e em sentido oposto da cultura; e mesmo que o seu
r c1entT1 1co seia. mmto . pequeno, nao - se deve ao mesmo tem-

113
po desconhecer que, por exemplo, no Systeme de la Nature 72, se
exprime um espírito que se perdeu no seu tempo e que se repro-
duziu na ciência; nem como o desgosto sobre o engano geral do
seu tempo, sobre a desorganização insondável da natureza, so-
bre a mentira infinita que se chama verdade e direito, como tal
desgosto, que sopra sobre o todo, conserva força suficiente para
construir, numa ciência, o absoluto que escapou do fenómeno da
vida, como verdade de uma autêntica necessidade filosófica e de
uma verdadeira especulação. A forma daquela ciência aparece no
princípio local objectivo, tal como, ao invés, a cultura alemã se
refugia frequentemente na forma do subjectivo - a que pertence
também o amor e a fé- sem especulação. Uma vez que o lado
analítico, porque se reporta à oposição absoluta, não deve repa-
rar no lado filosófico de uma filosofia que se dirige à unificação
absoluta, aparece-lhe como o mais espantoso de tudo que Schelling,
como Reinhold se exprime, tenha introduzido na filosofia a liga-
ção do finito com o infinito, como se filosofar não fosse senão
pôr o finito no infinito. Por outras palavras, aparece-lhe como o
mais espantoso que o filosofar d~.\Tél ser introduiido na filosofia.
Do mesmo modo, Reinholc;Lnão vê, nos .sistemas de Fichte e
de Schelling, não só eip. geràl o lado. e5peculativo e filosófico,
mas também toma-os. pbt uma descol;,erta e uma revelação im-
portantes, quandq; para ele, ospr.i11cfpios desta fil()sofia se trans-
formam n() mais particular de tud(), e o mais . :universa,l, a iden-
tidade. do sujeito. edo objecto, se transf()rtlla PªFf ele no mais
na
particular, a saber1 própria individuaH<ladepessopl dos senho-
res Fichte ~. Schellirig 73. Quand() Rêfohold; COIT\O que. das altu-
ras, dei)(ct cair () seu princípi()jimitac{O e 0\S€U ponto de vista
pe~uliar no abismo do ponto de vista, Jimitaqo destes sistemas,
tal é compreensível .e necess~rio. Mas a. \Tiragem torna-se contin-
gente e odiosa<' quando Reinlwlcl, provisoriamente no Teutscher
Merkur e':<rnais p9rmenol"izadam.ente, no número seguinte dos
Contríb11.tos *,. explico\t.a partlcularidade destes sistemas a partir
da imoralidade,e de tal.modo que a imoralidade teria recebido,
nestes sistemas,· a .fornià de um princípio e a forma da filoso-
fia 74 . Pode-se chamar a esta viragem uma coisa deplorável e

* O que aconteceu depois de isto ter sido escrito. (Cf. Beitriige, 2. Heft,
pp. 104 e segs.)

114
vituperá-la como um expediente da exasperação, etc., como se
queira. Sobre isto, a liberdade é total. Além do mais, uma filoso-
fia surge da sua época e, se se / quer compreender o despeda- 81
çamento desta última como uma imoralidade, a filosofia surge
da imoralidade; mas para restabelecer os homens da desorgani-
zação da época, e salvaguardar a totalidade despedaçada pelo
tempo.
No que diz respeito à filosofia própria de Reinhold, ele dá uma
história pública dela: no decurso da sua metempsicose filosófica,
começou por vaguear na filosofia kantiana, e depois de a ter aban-
donado vagueou pela de Fichte, desta passou à de Jacobi e, de-
pois de a ter também abandonado, introduziu-se na lógica de
Bardilli. Após ter, de acordo com a página 163 dos Contributos,
«limitado a ocupação com ela ao puro aprender, ao puro receber
e à meditação no sentido mais autêntico, para combater a imagina-
ção estragada pelos maus hábitos e para desalojar finalmente da
cabeça os antigos tipos transcendentais através dos novos
racionalistas», começa agora a elaboração daquela lógica nos
Contributos para um mais fácil Panorama do Estado da Filosofia no
Começo do Século XIX. Estes Contributos abrangem a época tão im- /
portante no avanço da formação do espírito humano que é o
surgimento do novo século, <<para o felicitar por a causa da oca-
sião de todas as revoluções filosóficas não ter sido realmente des-
coberta nem antes nern depois dos derradeiros anos do século XVIII
e, com isso, a sua necessidade ter sido suprimida» 75. Tal como
demasiadas vezes foi dec.retado ern França que la révolutíon est finie,
também Reinhold já anunciou muitos fins da revolução filosófica.
Agora, reconhece a última finalização .das finalizações, e, «apesar
de as piores consequências da revolução transcendental ainda
durarem um longo espaço de tempo», acrescenta .ainda a pergun-
ta sobre «se não se equivocará. outra vez, se, mesmo assim, tam-
bém este verdadeiro e autêntico fim. não poderá ser de novo,
apenas, o começo de uma nova viragem tortuosa?» 76 . Talvez se
devesse antes. perguntar se .este fim, na medida em que não é
capaz de ser um fim, será capaz de ser o início de qualquer coisa.
A tendência para fundar e sondar, o filosofar antes da filoso-
/
fia, soube, por fim, exprimir-se perfeitamente a si mesmo. En-
controu justamente aquilo que devia ser feito: a transformação
da filosofia num elemento formal do conhecer, em lógica.
Se a filosofa como um todo se funda a si mesma e funda em
si mesma a realidade dos conhecimentos, segunda a sua forma e

115
o seu conteúdo, o fundar e o sondar, ao invés, no seu impulso
de comprovar e analisar, de estabelecer o porquê e o «na medi-
da em que», o então e o «até que ponto», nem saem de si mes-
s2 mos nem I entram na filosofia. Para a angústia incessante, que
aumenta constantemente com a sua própria ocupação, todas as
investigações chegam demasiado cedo, e cada começo é uma
antecipação, tal como cada filosofia é apenas um exercício pré-
vio. A ciência afirma fundar-se em si mesma na medida em que
põe absolutamente cada uma das suas partes e, com isso, cons-
titui no começo e em cada ponto singular uma identidade e um
saber; como totalidade objectiva, o saber funda-se tanto mais
quanto mais se forma a si mesmo, e as suas partes existem ape-
nas enquanto fundadas ao mesmo tempo com esta totalidade dos
conhecimentos. O centro e o círculo estão de tal modo relaciona-
dos entre si que o primeiro início do círculo é já uma referência
ao centro, e este não é um centro completo senão quando todas
as suas referências, a totalidade do círculo, estão completas: um todo
que necessita tão pouco de um motivo particular de fundamenta-
' ção quanto a terra necessita de um, 1Botivo particular para sofrer a
influência da força que a faz girar à volta do Sol li, ao mesmo tem-
po, a mantém em toda amultiplicidade yiv~:l das suas figuras.
Mas o fundar ocupa-,se sempre em, procurar o motivo e em
balancear-se em. pirecção à f~lqsofia .viva; ele transforma este
balanço em.obra verdadeira e, pelo seu princípio,;toma impossí-
vel atil}gir o saber e ª . filosofia; O conhedmento J9gico, quando
prossegue realme1;te em çlirecção à razão, de~e ter corno resulta-
do ser aniquiiado na {azão; deve reçonhecer a antinomia como a
sua lei ~u13tema. No tema deI{einhold da apliçaçã(o do pensar, o
A.
pen~~i;torna-se na repetibilidade i.1;1finHa,çle enquanto A em A
e através de A 77, e~ de factpr de modo aptinómico, na medida
em que A, ao ser aplicaçlo, éJ?QStO de facto como B. Mas esta
antinomia. est.~ prese11tede forma totalmente sem consciência e
não rec.onhed~arpois () pe~sar, sua aplicação e a sua matéria
coexistem pacifica1nente, Por isso, o pensar, como faculdade da
unidade abstrat;ta; tal como o conhecimento, são meramente for-
mais, e toda a fundamentação deve ser apenas problemática e
hipotética, até que, com o tempo, ao progredir no problemático
e no hipotético, se choque com o verdadeiro originário da verda-
de, e com o verdadeiro por meio do verdadeiro originário 78 •
Mas, por um lado, isto é impossível, pois de uma absoluta for-
malidade não se pode atingir nenhuma materialidade (ambas são

116
absolutamente opostas), nem, muito menos, uma síntese absolu-
ta, que deve ser mais do que um mero encaixe; por outro lado,
nada se fundamentou, em geral, com algo de hipotético e de pro-
blemático. Ou, então, o conhecimento é relacionado com o abso-
luto, torna-se uma identidade do sujeito e do objecto, do pensar
e da matéria, e, assim, não é mais formal, surgiu um saber ma-
çador, e, uma vez mais, a fundamentação antes do I saber não 83
foi conseguida. À angústia de entrar no saber nada resta senão o
consolo do seu amor e da sua crença e a sua tendência fixa para
analisar, metodologizar e narrar.
Se o balanço não transpõe o fosso, o erro não cai sobre este
perpetuar do balanço, mas sim sobre o seu método. Porém, o
verdadeiro método seria aquele em que o saber fosse atraído para
este lado do fosso, para o espaço de jogo do balanço, e a filoso-
fia fosse reduzida à lógica.
Não podemos passar imediatamente à consideração deste
método, pelo qual a filosofia deve ser colocada no âmbito do
balanço, pois temos de falar, em primeiro lugar, daqueles pressu-
postos que Reinhold considera necessários para a filosofia, portan-
to, para o balanço para o balanço.
Como condição prévia do filosofar, da qual deve .sair o esforço
para fundar o conhecimento, Reinhold menciona o amor à verda-
de e à certeza; e como este amor é reconhecido imediatamente e
com suficiente facilidade, Reinhold não se detém mais nele 79 •
E, de facto, o objedo da reflexão filosófica não pode ser senão o
verdadeiro e o certo. Se a consciência se encontra preenchida por
este objecto, uma reflexão sobre o subjectivo, sob a forma do
amor, não tem qualquer lugar; esta reflexão só produz o amor
na medida em que f~xa o subjectivo, o qual, tçndo uµ,. objecto
tão sublime como a verdade, é transformado - não menos que
o indivíduo animado por um tal amor, cuja existência ela postula -
em algo de supremamente sublime.
A segunda condição essenciç1.l do filosofar, a fé na verdade como
verdade, não será tão facilmente reconhecida como o amor. A pa-
lavra fé teria certamente expresso de forma suficiente o que deve
ser expresso; em relação à filosofia, poder-se-ia falar, de facto,
da fé na razão como sendo a autêntica saúde; o carácter supér-
fluo da expressão «fé na verdade como verdade», em vez de
tornar a fé edificante, transforma-a em algo de equívoco. O prin-
cipal é que Reinhold explica com seriedade que mio se llze deve
perguntar o que é a fé na verdade; aquele para quem isto não é claro

117
por si mesmo não tem, nem conhece, a necessidade de ver comprovado
pelo saber aquilo que só pode partir desta fé. Não se entende a si mesmo
com aquela pergunta; e Reinhold não tem mais nada a dizer-lhe 8º.
Se Reinhold acredita ter uma justificação para postular, é nos
postulados da intuição transcendental que se encontra o pressu-
posto de algo de sublime para lá de qualquer prova, bem como
o direito e a necessidade de postular daí resultantes. Todavia,
84 Fichte e Schelling, como o próprio Reinhold afirma, 1 descreveram
o agir peculiar da razão pura, a saber, a intuição transcendental,
como uma acção que regressa a si mesma 81 ; mas, àquele que
pedisse uma descrição da fé reinholdiana, Reinhold nada teria a
dizer. Todavia, ele faz mais do que aquilo a que se julga vin-
culado; pelo menos, define a fé por oposição ao saber, como algo
que se tem por verdadeiro sem ser sustentado por nenhum sa-
ber, e a definição daquilo que é o saber mostrar-se-á, também,
no decurso da fundamentação problemática e hipotética, tal como
a esfera comum do saber e da fé, e, portanto, a descrição ficará
completa.
Se Reinhold acredita estar dispensado de qualquer afirmação
posterior, parece-lhe, ao invés, qq.e surgiu d.e fotina surpreenden-
te o facto de os senhores ffchte e Schelling terem postulado; os
seus postulados valem para ele com9 uma idiossincrasia da cons-
ciência de certosindivíduos extraordinários, equipaçios para isso
com um sentido particula~, ern cttjos escritos a wópriarazão pura
publkitap seu saber qc;tuante . e o seu agir sabedor 82. Reinhold
também acredita .(p.1213) ter--se encontraplo :qo interior deste cír-
culo mágico, ter s~ú:lo dele e estar agorn.em collciições de reve-
lar o mi.stério. O/que ele agora propala é q4e o qµe há de mais
urüversal, o agir da razào/ $e trqnSforllla para si no mais parti-
cular, numa idiossincrasia~9s se.nhores Fichte e Schelling. Aque-
le para quem··.q amor e.a fé .c.ie Reinhold não são claros e para
quem Reirwpld n~da fern q dizer.sobre isso, não tem de o ver no
círculo •,nágic9 çie µlll mistério, cujo possuidor, como represen-
tante do amor e ?ª fé,afirma estar equipado com um sentido
particular; um arçarm que se ergue e apresenta na consciência
deste indivíduo extraordinário, e se quis publicitar no mundo
sensível através do Compêndio de Lógica e dos Contributos que
trabalham para ele.
O postulado do amor e da fé soa mais agradável e mais suave
do que uma exigência maravilhosa de uma intuição transcen-
dental. Um público pode ser mais edificado por meio de um pos-

118
tulado suave, mas ser repelido pelo postulado agreste da intuição
transcendental; simplesmente, isto nada tem a ver com o assunto
principal.
Chegamos agora ao pressuposto fundarnental que diz respeito,
finalmente, do modo mais imediato, ao filosofar. Àquilo que a
filosofia deve pressupor, provisoriamente, para poder sequer ser
pensada como tentativa, chama Reinhold o verdadeiro originá-
rio *, / o que é verdadeiro e certo por si mesmo, o fundamento 85
explicativo de todo o verdadeiro concebível; mas aquilo com que
a filosofia começa deve ser o primeiro verdadeiro concebível e,
na verdade, o verdadeiro primeiro concebível, o qual, por en-
quanto, é apenas aceite de forma problemática e hipotética pelo
esforço filosófico; porém, no filosofar como saber, ele mostra-se
como o único primeiro possível se e na medida em que, quando
e até onde, surge com uma certeza completa; o facto de ele pró-
prio, e a possibilidade e a realidade do conhecível e do conheci-
mento, serem possíveis por meio do verdadeiro originário, como
o fundamento originário de tudo, que se anuncia no possível e
no real, e as razões porque eles o são; como e porque ele é ver-
dadeiro por meio do verdadeiro originário, fora da sua relação
com o possível e o real no qqal .se revela, .eis o que é simples-
mente inconcebível, inexplicável e inomeáyel 83,
Vê-se, a partir de~.taforma do alJsoluto como um verdadeiro
originário, que, porjsso, não setratad~produzir, er1:1..filosofia, o
saber e a verdade por me.iq>da }ª~ão, que o ab~ofot?; na. forma
da verdade\não é uma qbta qarazão, ma~ que ele .é já e1n. Cpara
si algo de verdadeir9 e certo, por conseguinte, algo c:le ~onhecido
e sabido. A rí.lzão Pf'O pode dar\çl si we~ma .11.e~1hu.~.ª relação
activa C?;m ele; ao invés, cada activiqade.~a razijcv cada forma
que o absoluto recebe atra-vésdda, deveria ser vista como uma
modificação dele, .e Hmª . ~qdific~ção. dp verdadeiro originário
seria a produção do erro. Por 5sso, filo.s()far significa tomar em si

* Reinhold conserva àqüi a linguagem de Jacobi, mas não o assunto; /

teve de o abandonar, como diz. Quando Jacobi fala da razão como da fa-
culdade da pressuposíçâo do verdadeiro, opõe o verdadeiro, como a cssê11cí11
verdadeira, à verdade formal, mas nega, como céptico, que ela possa ser
sabida humanamente; ao invés, Reinhold diz que aprendeu a pensá-lo por
meio de um fundamento formal, no qual, para Jacobi, o verdadeiro não se
encontra.

119
o já sabido de forma totalmente pronta com uma receptividade
pura e simplesmente passiva: e não se deve negar a comodidade
deste modo de proceder. Não é necessário recordar que a verda-
de e a certeza fora do conhecimento, seja este uma fé ou um
saber, é um absurdo, e que só através da auto-actividade da
razão o absoluto se torna em verdadeiro e certo. Mas com-
preende-se que seja estranho que esta comodidade, que já pres-
supõe um verdadeiro originário pronto, o possa encontrar, quan-
do se exige que o pensamento se potencie em saber por meio da
auto-actividade da razão, que através da ciência a natureza seja
constituída para a consciência, e que o sujeito-objecto não seja
nada se não se constituir por meio de uma auto-actividade.
A unificação da reflexão e do absoluto no saber acontece graças
àquele procedimento cómodo, completamente de acordo com o
ideal de uma utopia filosófica, na qual o absoluto se prepara já
86 para si mesmo num verdadeiro e certo e I se entrega totalmente
ao gozo do pensar passivo, que necessita somente de escancarar
a boca. Desta utopia, está banido o criar e construir trabalhosos,
assertóricos e categóricos; através de uma sacudidela problemá-
tica e hipotética caem da árvore do conhecimento, plantada na
areia do fundamentar, os frutos que se rnastigam e digerem por
si mesmos. Para a ..totalidade da ocupação da filosofia reduzida,
/_,..,,,
que quer aper1-as uma tentativa problemática e hipotética e um
carácter provisório, o absoluto· deve ter-se já necessariamente
postQ como o verdadeiro originário e sabido; pois como é que,
de outro modo, a verdade e o saber.poderiam resultar do pro-
blemático e do hipotético?
Porque e na medida em que o pressuposto da filosofia é o
inconcebível em si e o verdadeiro originário, por este motivo e
nessa medida ela deve poder anunciar-se num verdadeiro conce-
bível, e a filosofia não pode partir de um verdadeiro originário
inconcebível, mas tem de o fazer a partir de um verdadeiro con-
cebível. Não somente não se demonstra esta consequência como,
pelo contrário, deve tirar-se a conclusão oposta: se o pressuposto
da filosofia é o verdadeiro originário, um inconcebível, então, o
verdadeiro originário anunciar-se-ia através do seu oposto, logo,
falsamente. Dever-se-ia antes dizer que a filosofia teria de come-
çar, prosseguir e terminar com conceitos, mas com conceitos in-
concebíveis: pois, na limitação de um conceito, o inconcebível,
em vez de ser anunciado, é suprimido. E a unificação de concei-
tos opostos na antinomia, o que para a capacidade de conceber

120
é uma contradição, não é a verdadeira revelação do inconcebível
em conceitos, meramente problemática e hipotética, mas sim,
devido à conexão imediata com ele, a manifestação assertórica e
categórica, tornada possível pela reflexão. Se, de acordo com
Reinhold, o absoluto é inconcebível fora da sua relação com o
real e o possível, nos quais se revela, se ele é para conhecer no
possível e no real, isto é apenas um conhecimento por meio do
entendimento e não um conhecimento do absoluto. Pois a razão,
que intui a relação do real e do possível ao absoluto, suprime,
precisamente por isso, o possível e o real enquanto tais; diante
dela, desaparecem estas determinidades bem como a sua oposi-
ção, e, desta forma, ela não reconhece a manifestação externa
como revelação, mas sim a essência, que se revela a si mesma;
tem, pelo contrário, de reconhecer um conceito em si, tal como a
unidade abstracta do pensar, não como um anúncio da essência,
mas como um seu desaparecimento da consciência; certamente
que ela em si não desapareceu, mas sim graças a uma tal espe-
culação. 1
Passamos agora a considerar o que é a verdadeira tarefa da 87
filosofia reduzida à lógica. Ela consiste em. descobrir e expor, por
meio da análise da aplicação do pensar enquanto pensar, o ver-
dadeiro originário com o verdadeiro, e o verdadeiro através do
verdadeiro originário; vemos os diversos.absolutos que para tal
são exigidos:

a) O pensar não se torna somente pe11sar na e através da


aplicação e como um aplicado, roas deve ser. aqui en-
tendido o seu carácter interno, a saber, a possibilidade
infinita de repetição de uma e precisamente a mesma
coisa, numa e precisamente a mesma, através de uma
e precisamente a mesma: a pura identidade, a infini-
tude absoluta, excluindo d~ si toda a exterioridade,
toda a sucessividade e toda a contiguidade 84 ;
b) Algo de totalmente diferente do pensar é a aplicação
do pensar. Tão certo quanto o próprio pensar de forma
alguma é a aplicação do pensar, é igualmente certo
que se tem de chegar ao pensar na aplicação e através /
dela;
e) Tem de se acrescentar um terceiro elemento = C, a sa-
ber, a matéria da aplicação do pensar 85; esta materia-
lidade 86 , em parte aniquilada no pensar, em parte

121
6
encaixando-se nele, é postulada, e a legitimidade e a
necessidade de aceitar e pressupor a matéria reside no
facto de ser impossível o pensar poder ser aplicado
no caso de não existir uma matéria. Porque a matéria
não pode ser aquilo que o pensar é - pois se fosse o
mesmo não seria um outro e não se encontraria ne-
nhuma aplicação, pois o carácter interno do pensar é
a unidade-, o carácter interno da matéria é a mul-
tiplicidade, oposta àquela unidade 87 • Precisamente o
que outrora fora aceite como empiricamente dado, é,
desde os tempos de Kant, postulado, o que significa
que permanece imanente. Só no elemento subjectivo
- pois o objectivo tem de ser postulado - são ainda
admitidas leis empíricas dadas, ou formas, ou o que
se quiser, sob o nome de factos da consciência.

No que, em primeiro lugar, diz respeito ao pensar, como já

) acima se recordou, Reinhold coloca o erro fundamental de toda


a filosofia moderna no preconceito fundamental e no mau há-
bito de se tomar o pensar por uma mera actividade subjectiva,
e procura, apenas como tentativa e a título provisório, que se
abstraia de toda a sua subjedividade e objédividade. Mas não
é difícil de ver que, enquanto o pensar for posto na unidade

) pura, quer dizer, que abstrai de toda a materialidade e, por con-


seguinte, se lhe opõe, e em seguida, 'como é necessário, se se-
guir desta abstracção o postulado de uma matéria.essencialmen-
te diversa e independente do pensar, aquele erro e aquele
preconceito fundamentais surgem, eles. próprios, em toda a sua
força. O pensar, aqui, não é essencialmente a identidade entre
88 o sujeito e o objecto, pela qual J é caracterizado como activida-
de da razão e, por isso, simultaneamente, é abstraído de toda a
subjectividade e objectiVidade pelo facto de ser as duas ao
mesmo tempo, mas. o objecto é uma matéria postulada para o
pensar e, deste modo, o pensamento não é senão algo de sub-
jectivo. Se se quiser, em prol daquela tentativa, abstrair da
subjectividade do pensar e pô-lo, ao mesmo tempo, como sub-
jectivo e objectivo e, portanto, simultaneamente, sem nenhum
destes predicados, tal não será concedido; mas, através da opo-
sição de um objectivo ele será determinado como um subjecti-
) vo, e a oposição absoluta transformar-se-á em tema e princípio
da filosofia, reduzida pela lógica.

122
De acordo com este princípio, desaparece também a síntese. Ela
é, dito com uma expressão popular, uma aplicação, e mesmo nesta
figura indigente - para a qual não se pode, de dois opostos absolu-
tos, esperar grande coisa para sintetizar - ela não está de acordo com
o facto de o primeiro tema da filosofia dever ser algo de concebível;
pois mesmo a mais pequena síntese da aplicação contém uma passa-
gem da unidade para a multiplicidade, uma unificação do pensar e
da matéria, inclui portanto em si algo pretensamente concebível. Para
os poder sintetizar, o pensamento e a matéria não deveriam ser pos-
tos como absolutamente opostos, mas sim como sendo originariamen-
te um só, e, com isso, estaríamos diante da triste identidade do sujei-
to e do objecto, da intuição transcendental, do pensar intelectual.
Todavia, nesta exposição prévia e introdutória, Reinhold não
trouxe nada que, partindo do Compêndio de Lógica, pudesse servir
para atenuar aquele tipo de dificuldade que se encontra na oposi-
ção absoluta. Nomeadamente, o Compêndio, para além da matéria
postulada e da sua multiplicidade deduzida, postula também uma
capacidade interna e uma aptidão da matéria para ser pensada;
ao lado da materialidade que tem de ser aniquilada no pensar,
postula ainda mais qualquer coisa quf não se deixa aniquilar pelo
à
pensar, que também não falta percepção doseava.los: a saber,
uma forma independente do pensar, com a gual (porque, segundo
a lei da natureza, a formanão se deixa aniquilar pela forma) a forma
do pensar se tem de juntar, fora da{materia,lidade nãa, pel)Sável, da
coisa-em-si, a saber, uma matéria absoh,üamente reprêsentável, que
é independe8te daquele que •. representa, mas que, na,.representa-
ção, é relacionada coma f9rma. 88. A este referir dafo.rn;ta à maté-
ria Reinhold chama sempre aplica~ão do perlsar, tevita o termo
«represen~ap>,, ··que B.ardilli emprega. ptira es.se efeitorJá se notou
que o Çpmpêndio de Lógica 11ão é ~e11ão aJilosofífl. elementar requen-
tada 89 . Não parece quese te~.a atribuído a Reinhold o intuito de
ter querido introduzir de nov?, norn\indo filosófico, ª filosofia
elementar I nesta .forma Iigerramfnte modificada que º público iá s9
não procura, 11).í;l~ sinl que a J).'l.ais simples recepção e a pura apren-
dizagem da lógica se tenl'}a introduzido propriamente com ele na
escola, sem o saber. Reinhold opõe, nos Contributos, a este ponto
de vista sobre o assunto, os fundamentos seguintes: /

- Que, em primeiro lugar, em vez de procurar a sua filo-


sofia elementar no Compêndio de Lógica, viu nele uma
«afinidade com o idealismo», e, na verdade, por cau-

123
sa do desprezo irónico com que Bardillí, sempre
vem a propósito, menciona a teoria de Reinhold, teri.
q~:
. l' da sua,
suspeitado de qualquer outra filoso f ia a em e
- Que as palavras «representação», «represen;a~~>~JJ1
«mera representação», etc., aparecem no Cornpe~d~ do
sentido totalmente oposto àquele que foi utiliza .
, r10
pelo autor da filosofia elementar, o que ele prop
teria de saber melhor do que qualquer outro; l-
- Que quem afirma que aquele Compêndio, nu1:1
quer sentido em que se possa pensar, sena
~;a _
reelaboração da filosofia elementar de Reinhold, rno:o
trou que nada entendeu daquilo que está a JU · lgar ·

. . . , . o não há
Quanto ao pnme1ro fundamento, o desprezo ironic , _
d · · steza re
na a a a.crescentar. O que resta, são afirmações cuia JU fu:n-
sulta facilmente de uma breve comparação dos momentos
<lamentais da Teoria 91 com o Compêndio.
corn°
De acordo com a Teoria, pertencem ao representar,
condição interna, elementos essenciais da representação:

a) Uma matéria da representação, o dado da receptivi-


dade, cu1· a forma é a multiplicidade;
b) Uma forma da representação, oprnduzido pela espon-
taneidade, cuja forma é .a unidade 92.

Na Lógica:

a) Um pensar, uma actividadé, cujo carácter fundarne:n-


tal é a unidade;
b) Uma matéria, cu1·0 carácter é a multiplicidade;
c)
o refenr-se.
.. .· . .
de um.a à outra chama-se
·enª
na Teoria r
Lógica, representar, só que Reinhold diz sempre i- 1.
c~ção do pensar. Forma e matéria, pensar e 1:1ªt;;1ª'
sao, em ambas, igualmente subsistentes por si so ·

Ainda no que diz respeito à matéria:

a) Uma parte dela, na Teoria e na Lógica, é a coisa-em-~i;


, · objecto na medida em que na 0
naque1a, e' o propno
e' representave
' 193, mas que tão
' pouco pod e ser nega-
t
do quanto os próprios objectos representáveis 94 ; neS ª'

124
é a materialidade que tem de ser destruída no pensar
b) a mat'ena
· que não é pensável; / '
A outra parte do objecto é, na Teoria, a conhecida matéria 91
da_ representação 95, na Lógica, a inexterminável forma do
96
º~Jecto independente do pensar, e que, porque a forma
nao pode exterminar a forma, se deve ajustar a ela.

tunaEabpara1 lá desta bºiparf1çao


- d o obº1ecto - o qual, por um lado, é
sar sab so :1ta ma~erialidade para o pensamento, com a qual o pen-
quer d'e nao se a;ustar, mas com a qual nada faz senão aniquilá-la,
jecto n izer, abstrair dela, e, por outro, é uma peculiaridade do ob-
que O tvamente independente de todo o pensar, mas uma forma
ajusta Ooma apropriado para ser pensado, e com a qual o pensar se
queda melhor que pode -, o pensar deve lançar-se à vida 97• Da
ço Part~u~a tal dualidade, o pensar chega à filosofia com o pesco-
U:
lllas o, uma dualidade pode mudar infinitamente as suas for-
teorÍa as engendra sempre uma e a mesma não-filosofia. Nesta
Vê -'dq~e apresenta novamente a sua própria doutrina, Reinhold
seu gr e dorma não muito diferente da daquele homem, que, para
adega an e contentamento, tivesse bebido o vinho da sua própria
terlllin ~ 0 cumprimento de todas as suas esperanças e desejos,
de ag a as as revoluções filosóficas no novo século, de forma que,
(
diata;ra em diante, a eterna paz filosófica pode estabelecer-se ime-
R _e~e com a redução universal da filosofia pela lógica.
outro ein ?1d começa o novo trabalho nesta vinha filosófica, como
a narra ? Jornal político começava cada um dos seus artigos, com
rente ratrva
d d e que tudo aconteceu como sempre d e mo d o d"t 1 e-
O
que a ~ue ele tinha vaticinado: «De modo diferente daquele
le quenunciara no início da revoluçãoi de modo diferente daqu:-
ferent procurara promover no meio da revolução, de modo di-
ta se e_ daquele que acreditava ter atingído perto do fim; pergun-
ilus- nao se iludirá pela quarta vez.» 98 Aliás, se a quantidade de
te àoes_ Pode facilitar o cálculo das probabilidades e, relativamen-
cons·d
tras
quiio qu e se chama uma autondade,
1
eração
.
.
, po e-se, a partir dos Contn utos, acrescen tar ou -
d .
llla, ;:is ~quelas três que foram reconhecidas antes desta últi-
nao tem qualquer realidade:
ç
pod e ser toma d o em
"b

1) Segundo a p. 126, Reinhold teve de aban?onar para ~


sempre o ponto de vista intermédio que 3ulgava t~r
encontrado entre as filosofias de Fichte e de Jacobi;

125
2) Ele acreditava, julgava, etc. (p. 129), que O essencial
. es-
da filosofia de Bardilli se deixava reconduzir ao e
sendal da filosofia de Fichte, e vice-versa, e lançou-s
com toda a seriedade para Bardilli a fim de O co1;-ve~o-
- , B rdil11 na
cer de que era um idealista. Ma~ ~ao ~o ~ ld for-
foi convencido, como, pelo contrario, foi Remho 0
çado, pela carta de Bardilli (p. 130), a abandonar
idealismo em geral; \ . lan-
3) Porque a tentativa com Bardilli foi mal suc_edida, )
91
çou a Fichte, com insistência, o Compêndw (p .. ht:
163
exclamando: «Que triunfo para a boa causa, se F~·in'
rompendo o baluarte da sua letra e da dele (B~r a~ ~~
avançasse para se unir a eles!» Como as cois,
passaram, é conhecido.

Por fim, não se poder esquecer, tendo em conta os pontos ~~


vista históricos, que as coisas se passaram de forma diferente da
que Reinhold pensava, quando acreditava ver numa parte ta
filosofia schellinguiana a totalidade do sistema, e considerav~ es
0
filosofia como aquilo a que habitualmente se chama ideal~tu0 ~
Como, finalmente, se passará coma redução lógica da fi. ºlos
fia, não é muito difícil vaticinar. A descoberta tem demasia
Préstimos, para nos mantermos fora da filosofia
·.
e todavia filos~-
· ra-
far., para não ser desejada; simplesmente, ela con~ena-se a si Pos-
pna. Nomeadamente, uma vez que entre as mm.tas formas P a
síveis do ponto de vista da r.eflexão se deve escolher ulll'
qualquer, cada um poderá arranjar a que for màis do seu ag.ra~
do. Seguidamente, cham.a~se a isso rep.elir um sis. tema antlgd
.. . . f ma a
através de um novo, e .deve chamar-se assim, porque a or .
reflexão deve. ser considerada como a essência. âo sistema; assiin,
o próprio Reinhold poderfa ter visto na lógica de Bardilli uin
sistema diferente do da sua teoria. .d
A tendên~ia para a fundfl.mentação que daí parte, n~ se~tl d~
de reconduzir a filosofia à lógica como a manifestaçao fixa.
em si mesma de um dos. lados da ;ecessidade universal da filosofia,
tem d e tomar o seu lugar necessário e ob1ec · t·vo
1 na
~ultip~icidade dos esforços da cultura que se relacionam coind:
filosofia, mas dar de si mesma uma figura estável antes .
chegar à própria filosofia. O absoluto na linha do seu próprio
desenvolvimento, que produz até ao seu acabamento, d eve,
' I ªº
mesmo tempo, re frear-se a si mesmo em cada ponto e organ~~~ '

126
--=-~ m:rmwrra
- -
'M/"'1rrrmwzrzs
. _ . . · S5Tat5pner;:r

numa f
igura; nest
-se a si ,,.esmo
"" ª mu lhp
. 1· .
1c1dade, ele aparece como formando-
Se a necessid d d f.
tra como ª e a 1Iosof1a. nao -
alcança o seu centro mos-
lllente int . separados d . l d
os 01s a os do absoluto, que é simultanea- '
a
e essência .
enor e exterior, essencrn e mam·testaçao:
A • - em partlcu · lar,
terna tor Interna e a manifestação externa. A manifestação ex-
na-se p ·
~Ultiplicid d ara SI _em totalidade absoluta objectiva, em
direcção , ª e q~e se dispersa no infinito, que, no esforço em
·"
CJencfa ª quantidad e m · f.m1ta,
· anuncia a sua conexão sem cons-
O
justific~/om absoluto; os cuidados não-científicos devem
sidacte d se pelo facto de eles sentirem qualquer coisa da neces-
alargar O e um_a. totalidade, na medida em que se esforçam por
Por isso empi~i~o até ao infinito, apesar de no fim, exactamente
ria infinit ma.ten~ se tornar muito escassa. Este cuidar da maté-
que se e ; ob3echva / constitui o pólo oposto ao da densidade, 92
atingir s orça por permanecer na essência interna e não pode
ria Sóli; expansão científica a partir da contracção da sua maté-
numa O ª· Aquele esforço traz à morte da essência, com que lida

a:~
trem;ce cupação infinita, não uma vida, mas sim, todavia, um es-
nunca e se as Danaídas, por cau~a. do eterno fluir da água,
d
dados, n~!e; 1 plenitude, ta1:JbéJ11 rtão o aHI1ge,m aqueles ct~i-
de um , e. 1 a em qm~ alargam ao infiniitq.oseu mar por me10
llada e acrescimo constante 99. Comq.n~(f obtêm a satisfação de
Va, Pre:~::::teque n~o tivesse.• Jido. T:olhad ~ pela água dat· chu-
lllente d ·. J\ ·... por ISSO, aStta. OC,Upação a11meJ1.ta--s~ con mua-
quaJ ª .sl.J.perfície seJll límttes; fixando-se no adágio segundo o
(
COnfigno Inter. l.·ºf .da.\n. atureza nã·º·.. penetra nén. h.t,1P} espírito
urador mo ·.d.· . • · . •• ·. · · · > · · ·. ·· · t ·
e de v· ...· · . •. • •.··, es1stem de conflguraz: o espmto e um m enor,
1
-n
força j_Y hcat o morto traI1~formâI1q 9 êm náttire~a. Ao invés, a
contr·b e. ~tracção int~úor do ent~~i~sta desqenha a água, cuja
ra; 0 ~ tuçao à de~siclade.lhe permitiria cristalizar-se numa figu-
raJ deImpuI~o;em ferntént~9ão, que.\res~lta da necessidade natu-
él natut:ºaduziru~a.ügura1 repeie a sua possibilidadef~ dissolve
s: a
c1s111 0
ref1e _ em esp1ritps, configura-a em figuras sen~ 1?ura, o~,
Xao prevalece sobre a fantasia, nasce o autentico ceph-
Dma fI1 . , ..
u111 f I osofia popular e que se apoia em formulas constitui
os co °
aso p on t intermédio
. entre os dois pontos d e vista,
· -
que nao
de O m~reendeu e, por isso acredita poder satisfazê-los pelo facto
Prin · · ' ~ ·
' atrav,cipio de cada um deles permanecer na sua. essencia e,
de
es de uma modificação dos dois, eles se a3ustarem um

127
ao outro. Ela não concebe ambos os pólos em si, mas, numa
modificação superficial e uma união por vizinhança, dei~a .esca-
par a essência de ambos, e permanece alheia a ambos e a filoso-
fia. Do pólo da dispersão, ela tem o princípio da oposição, ~as
os opostos não devem ser meros fenómenos e conceitos ate ª?
infinito, mas um deles deve ser também um infinito e inconcebi-
vel; deste modo, seria satisfeita a carência do entusiasta relativa-
mente a um supra-sensível. Mas o princípio da dispersão desde-
nha do supra-sensível, tal como o princípio do entusi~sID: 0
desdenha a oposição do supra-sensível e qualquer permanen~ia
de um limitado diante dele. Do mesmo modo, qualquer aparen-
cia de um ponto intermédio, que a filosofia popular dá a~ ~eu
princípio de uma não-identidade de um finito e de um infinito,
será rejeitado pela filosofia, que transforma em vida a morte dos
termos cindidos, por meio da identidade absoluta, e através da
- que os d evora a ambos e os põe, maternalmente, em 1g
razao, · ua~
dade, quer atingir a consciência desta identidade do finito e do
infinito, quer dizer, o saber e a verdade.

128
NOTAS
i C A
especula.tiv · Eschenmayer (1768-1852), filósofo, físico, médico e teólogo
to do ide., ~' personagem de segundo plano no contexto do desenvolvimen-
« 11srno I -
CU1ar no d , . ª emao, mas autor de algumas obras curiosas, em parti-
Schelling (dommw da filo~ofia da natureza; quase sempre em reacção a
tas Vezes aoe q~e~ era, aliás, amigo e correspondente), elas serviram mui-
Prio pens propno Sche11ing de estímulo para a elaboração do seu pró-
Filosofia (~:nto. Na «Advertêncfa prévia» à Exposição do Meu Sistema de
Eschenm ' IV, P· 113), Schelling aconselha a leltura das obras de
quanto p ayer sob re f'I 1 oso.. f'rn da natureza, t.anto • pelo
·· seu valor mtrmseco
· ,
e 1a po881'b'J'd1 1 ade que oferecem de tornar claras as diferenças entre
o Pensa
Ções ideml~nto de Eschenmayer e o seu. ,:\ «resposta de ScheJling às objec-
a Istas de E h . . , .
go Public d · . ;~ enmayer», menc10nada por Hegel, e o pequeno artl-
1.º Beft ~ ~ em mic19s de 1801 na Zeitschrift für spekulative Plzysik, Band 2.
SW, Ba~dinhtulado 1,Uber den wahren Begriff der Naturphífosophie» (cf.
taneitat ::: . IV, pp. 81-103), em resposta âo ensaio de Eschenmayer «Spon-
biicado .. Weitseele, oder das Mchste Príncip der Naturphilosophie», pu-
no mes , . ·
2
5 h mo numero da referida revü;ta.
iguaJm ac e Se!bst no original. Esta expressãq (dé que há outras traduções
etc.) é mu·ente poss1'v"·
:. . <e1s para ·port1.1.gues: · • ,«coma
· mesma», «propno · · assun to»,
Orige it? frequente em Hegel; embora não conheçamos ao certo a sua
tico am, regi stamos j~ a sua presença em Schelling, com um sentido idên-
O
Prese que lhe é dado por Hegel, sendo talvez uma das marcas da forte
Scheu·nça sche111·ngmana · - ahas • · f'l1 oso'f'1ca d e
· , naturat d a d a a 1mportancia
·
llles ing ~esta altura - na Differenzsclzrift. A «própria coisa», ou a «coisa
trata_ Ina» SIgni'f'ica «aquilo que está em causa», isso mesmo de que a obra
o fil, 0 seu assunto, portanto -, e cujo movimento de auto-apresentação
Dirr. osofo deverá seguir. Os textos de Schelling, próximos no tempo da
')Ji:'renzsc/111·ijit, em que esta expressão ocorre são: Sistema . do 1,'dea z·ismo

131
. . d Filosof'ía da
Transcendental (SW, III, p. 332), Acerca do Verdadeiro Concert_o a. J./
IV
Natureza (SW, IV, p. 83) e Exposição do Meu Sistema de Filosofia (S ' '
P· 11 4). . . über
3 Hegel refere-se à obra do teólogo Fr. Schleiermacher 1~t1tulada _
1799
die Religion. Reden an die Gebildeten unter ihren Veriichtern, publicada em r
Posteriormente, em Glauben und Wissen (in Gesammelte Werke, «Jenaed
Kritische Schriften», hrsg. von Hartmut Buchner und Otto Põggeler, Ban.
' cri-
4, Hamburg, Felix Meiner Verlag, 1968, p. 385), Hegel pronunciar-se-a •
· ortaw
ticamente acerca de Schleiermacher, mas, em 1801, percebe-se a imp us
eia que esta obra possa ter tido a seus olhos, em sintonia com os si
próprios projectos filosóficos. A religião representava, para Schleier~ac
uma forma de o homem se elevar acima da vida finita, ou seja, da mflu~n
:r~
eia que o mundo dos objectos exerce sobre si, permitindo-lhe, assim,
desprender-se do poder do entendimento e da sua legislação.
4 Reinhold, Beitriige, 1. Heft, pp. 5 e segs. . ue
5 O termo «razão», neste contexto, deve ser entendido no sentido q d
Schelling lhe deu na Exposição do meu Sistema de Filosofia, embora o fado e
a Differenzschrift ter sido publicada quase simultaneamente torne poucr
verosímil a existência de uma influência directa de Schelling sobre I-{egbe '
so re
pelo menos no plano textual. Em todo caso, este era um dos temas d0
que assentava o trabalho comum dos dois autores. (Aliás, e mau gra.
. . . . d rime1ra
algumas diferenças que iremos assmalando, a lmguagem esta P
obrà de Hegel ainda é, como já dissemos, largamente schellinguiana.) par~
a compreensão desta passagem, o leitor reportar-se-á aos §§ 1 e 2 da mr.
cionada obra de Schelling, in SW, IV, pp. 114-116, nos quais se defen .e.
1) que esta razao - deve ser considerada
. · · como umà razão absoluta, ou sej3,,
uma razao - na qual o pensar ab stram · daquele · .· ·que pensa, e qu e não e,_
portanto, razão de um rnjeito, mas não é ta.mbém razão objectiva, na ~e.
<lida em que algo de objectivo só é possível por oposição. ao subjectiv;,
2) que uma tal razão nada tem fora, de si, de modó que o seu ponto e
vista é o do absoluto na sua automanifestaçãó. ,
6 N-
ao e, 1mposs1ve
. , l. que. Hege1, aqui, se queira
. . tan to de Fichte
distanciar
0
como de Schelling. Efectivamente, em: 1796, nas Cartas Filosóficas sobre
Dogmatismo e o Criticismo, Schelling defendera que O princípio supremo em
que se apoia uma filosofia ~ seja dogmática ou crítica - não pode ser
demonstrado teoricamente, devendo àntes ser produzido como resultado
de uma livre decisão do filósofo. Fichte, no ano seguinte, na Segunda Intro-
dução à Doutrina da Ciêritia, fizera. eco a esta tese, dizendo que o tipo de
filosofia que se escolhe depende do tipo de homem que se é. E ainda
1801, poucas semanas antes da publicação da Differenzschrift, Schelling
:m
publicara, como dissemos, uma Exposição do Meu Sistema de Filosofia. No
fundo, tanto Fichte como Schelling limitaram-se a retomar uma tes:
1
kantiana; Kant defendera que os sistemas filosóficos rivais têm a sua_ 0; '
gem no espírito humano (cf. Crítica da Razão Pura Prefácio à 1.º ediçao,
A Vll-IX) e que uma análise do modo como ele se ;ompreende a si mesmo

132
nos d ana · a chave -
tante· 0 h '. para ª compreensao de todos eles. Consequência impor-
. con ec1me t d
- taref
' a que
°e ,n. correcto o modo como o espírito humano funciona
permit· . .ª ntica da Razão Pura teria, segundo Kant, levado a cabo -
ina a mstau - d .
não tanto . ' raçao a paz filosófica. Hegel recusa esta perspectiva,
instaur _ por Julgar esta paz impossível, quanto por admitir que a sua
açao supõe 0 d .
conflitos d. _ esenvolv1mento, e mesmo a agudização, de todos os
suite .á e_ Il~ceraçoes de que o espírito humano é capaz, até que daí re-
. ' 1 nao
sistemar "d simplesmente m ais · um s1s · t ema, mas a consc1encia
"' · d a propna ' ·
excluir Ict ade do espírito, expondo-se ao longo da sua história. (Não é de

partir d
do «""
t
corrigindu~ Sche~ling tenha reagido imediatamente a esta tese hegeliana,
0
se .ª st mesmo, ao publicar, em 1802, as Exposições Ulteriores a
zs~ema de Filosofia, e já não, note-se, como ainda em 1801, a partir
•«eu» SJstema •)
7

8
Em francês no original.
a trad Traduzimos
_ Bed"·,/'.
ur;ms. por «necessidade», . reservan d o «carencra»
, . para
' uçao d M
e angel. Os contextos em que a palavra ocorre não permitem
quaJq
aqueleuer confusao - com outros sentidos de «necessidade», em particular
Bedürj; ~ue corr~sponde à palavra alemã Notwendigkeit. Quanto à expressão
duça- nzs der Phzlosophie, registe-se uma primeira ocorrência sua na «Intro-
o» a !d ·
nota/HKA ezas para uma Filosofia da Natureza, de Schelling (SW, II, p. 15,
lhe d , 'I/S, P· 72), embora com um sentido diferente daquele que Hegel
do O ara na DifJrr, 1'Jerenzschrift; · Schelling . defende que, tendo o homem quebra-
1
com : ~~os de solidariedade que o Jigavnm à natureza, separando-se dela
ltleJh Ito de a conhecer e dominç1rr necessita da filosofia apenas para
mani~r co1:1preender essa natureza de que se separoi.1. Mas o fim da hu-
1osof ade e O restabelecimento daqueles laços, de modo que, não só a fi-
Un-. Ia, mas mesmo º. seü próprio nome; estão condenados a desaparecer,
'"ª9 Vez ultrapassada aquela separação.
Cf B ·t ..
10 C · .e~ rage, l. Heft, pp. rn6 e segs. . .
tese d f._ ibidem, p. 106. Quer-nos parecer que Hegel simplifica um pouco a
Num~ ~emhold, que parte de uma reflexão acerca da naturezà da cópula «é».
ert Jlltzo, por exemplo, defende R(;!inhold1 apenas o «é» exprime aquilo que
P
do ence ao ' pensar enquanto pensar. Este, pelo seu·.lado, · nao··"· pod e ser d ef'1m-·
é· , em term k · ·. · · ·
, os antianos, como a função que opera a smtese d o d·rverso, p01s , ·
s
q~mpos rvel de artic.ular de acordo com as divisões do quadro categorial. (Daí
cate, pa_ra Reinhold, não haja lugar para qtrnlquer dedução transcendental: as
est egorras t'em a sua··· ongem · · ·na
··· mátena, · a que o pensamento se ap1·rca, sen d o
d ranhas ' ª sua essênda enquanto puro pensamento.) Tudo o resto - aqm·1o
' · · . · . ·
e que . 1 . .. . -
Perte se JU ga, se se tratar de um juízo-, é acrescentado ao pensar, nao
ria. E:e. ao pensamento puro e constitui aquilo a q~e chamá1;1~s ª. sua ~até-
lmguagem hegeliana diríamos que para Reinhold, a tm1ca identidade
q~paj ' ' .
emos conceber é a do pensar consigo mesmo, enquanto a diferença,
que aqueJ 'd , .
ª 1 entidade nunca poderá reduzir a si, é a que separa o propno
Pensar da matena , · do pensamento (Sobre o mesmo assunto, cf., 1gua · 1men te,
Bardil]·1 . ' ·
' Grundrzss der crsten Logik, pp. 19-21.)

133
11 Reinhold, ibidem, p. 96.
- · ressu-
12 Acerca das concepções de análise e de síntese, que sao aqm P d
postas, dever-se-á consultar o Sistema do Idealismo Transcendental, ~
Schelling (SW, UI, pp. 455-456). O procedimento sintético consiS te em ; 0
guir as acções do Eu, no termo das quais surge, para este, um m:tn 'á
objectivo, ao passo que o procedimento analítico supõe aquelas acçoes J'
0
realizadas e transformadas em conceitos de acção. Assim, o filósofo P e,
uma vez que aquelas acções tenham acedido à reflexão, enumerá-las e
. . d síntese
descrever o seu modus operandi, ou sep, a forma como, no p 1ano a
derivada do conhecimento, se aplicam ao diverso da intuição.
13 Vários poderão ser os visados por Hegel, nesta sua crítica da certe-
za imediata da crença, como relação com um absoluto posto fora do sabe:d
Em primeiro lugar, evidentemente, Friedrich Heinrich Jacobi, que, em Dav;)
Hume über den Glauben, oder Idealismus und Realismus (publicado em 178 '
criticara Kant por este, alegadamente, ter submetido a sensibilidade ao
tendimento, mera capacidade formal para ligar conceitos, mas desprov~ ª
~t
de qualquer conteúdo material. Só a sensação poderia ser, para Jac~bi,dª

)
percepção de alguma coisa efectiva, de algo de positivo cuja r~al~da ~
1
postulamos e é o objecto primeiro da nossa crença. Não é de exclmr, igua
mente, que Eschenmeyer (d. nota n.º 1) seja aqui também avisado, que,
contra Schelling, defendera a existência de um absoluto exterior ao abso~u-
to da filosofia, acessível somente mediante a crença. Finalmente, não é ain-
da de excluir a hipótese de Hegel visar os mais recentes desenvolvimentos
do pensamento de Fichte, em particular a tese expressa na 3.° Parte de
A Destinação do Homem, publicada em 1800, intitulada, justamente, «Cren-
ça». (No entanto, Hegel não cita A Destinação do Homem, não sendo, por
isso, possível garantir que, em 1801, já a conheceria.) Esta _obra encontr.ou-
-se no centro do intenso debate epistolar travado por Fichte e por Schelling,
nos anos 1800-rn.02. A tese schellinguiàna, que Hegel, ao que nos parece,
0
quanto ao essencial compartilha,. resume-se ao seguinte: Fid:i,te nega que
saber possa conter em si o princípio do real («O que n<1,sce através do saber
t
e a partir do saber é apenas saber.»), de modo que O reconhecimento deS ª
impossibilidade condu lo a procurar na crença ó que não é possível de en-
0

contrar por meio dà especu1ação.


14 O visado pode, ui;na vez mais; ser Fichte, que, em A Destinação do

Homem (cf. SW, II, pp. 246~247 /GA, l/6, p. 252), separara o saber e ª re~-
lidade e afirmam a irµpossibilidade de atingir a segunda através do ~ri-
meiro. Para ultrapassar o abismo entre um saber entregue aos seus próprios
princípios reflexivos e uma realidade inatingível, Fichte, como dissemos. 11ª
nota anterior, afirmava a realidade de uma crença _ que, em última ins-
tância, é de natureza moral, pois abre ao domínio da intersubjectividade e
do direito - que liga o homem ao solo onde se enraíza toda a especula-
ção. ~ argumentação ~e Hegel, na Differenzschrift, será retornada Pº:.
')
..·· ...
..
Schelling em carta a F1chte de 3 de Outubro de 1801. (Cf. Fichte, Ge
samtausgabe, Band III/5, pp. 82-83.)

134
is B I
filosofi ;ge resume, nestas linhas, um dos aspectos mais complexos da
recto e ªt ªd~atureza de Schelling, e da filosofia da identidade. Para um cor-
caracte~· en u~ent~ do texto, salientamos os aspectos seguintes. 1) Schelling
jecto e st\ª ~denhdade absoluta como indiferença entre o s1tjeito e o ob-
represe;1 ohza-a por A = B. 2) Face a ela, quer o espírito, quer a matéria,
Illodo n am apenas o predomínio de um dos pólos daquela identidade, de
que os pode
tido dº mos representar por A+ = B ou por A = B+; neste sen-
rnatéri iferença
' ª ~
entre espm ' ·to e matena
, · e, meramente quanhtahva,· · · a
pors
tornouª ~,aque!a mesma identidade, na qual, somente, a objectividade se
to de 1fo~edomm~nte; Schelling chamará também à matéria (mas num tex-
proctu _ ' P0 _ste_n~r, portanto à Differenzschrift; cf. SW, II, p. 225) a «eterna
enqti~ çato da mfmrtude na finitude». 3) O espírito, ou princípio ideal, é,
«no tal 1T1 · ,
identif ' ' mitavel, mas pode tornar-se limitado na medida em que se
cham icar com o real. Ao ser-limitado do princípio ideal = A, Schelling
O
entr a peso, considerando-o como o princípio das diferenças qualitativas
e os corpo ( . -
rninad s ou se1a, do modo como cada um preenche a porçao deter-
não ª de espaço que ocupa). 4) Mas, sendo ilimitado enquanto ideal, A
recu se pode deixar identificar totalmente com o real, esforçando-se por
élconf erar os seus direitos ou a sua idealidade; é, segundo Schelling, o que
Perio ece com ~ fenómeno da luz. 5) A luz é, então, A numa potência su-
reaI. ~, q~~r dizer, o ideal que venceu o limite que lhe foi imposto pelo
élssu chellmg representa-o por A2, ou potência superior de A. (Sobre estes
sw ~t; s
, cf. 0 Primeiro Projecto de. um Sistema de Filosofia da Natureza, in
pp '45 ' p. 2 4, n. 1; Deduçffo Geral dos Processos Dinâmicos, SW, IV,
46
· 16 - ;_ Exposição do Meu Sistema de Filosofia, SW, IV, pp. 148-152.)
17
Remhold, Beitrtige, 1. Heft, p. 111. ·
18 gem,_ ibidem, p. 98. .. . .
GA, I/ · f. Fichte, Grundlage der Gesamten Wtssenschaftslelrre, SW, I, p. 110/
(!eh 21 p. 272. Hegel não çífü correctamente. Fichte escreve: «Eu oponho»
co setz__e) e não «o Eu opõe» ([eh setzt). Este equívoco tem pesadas
é jnsequenc' . ···tas para toda · ·. · a interpretação hegeliana · ··
do. pensamento de F1chte;

qu~sf<lmente a livre actividade do filásofo que desaparece, resultando da-


trillar, imedi ª tamente, uma ontolog1zaça. · · - o .do· ·Eu fichteano,
· que na d a na D ou-
da e· . . ..
19
zencza aut.oriza.
20
lde:nt ibidem, SW, t, pp. 224-225/GA, I/2, pp. 366-367.
21
R_ernhold;Beitrüge, 1. Heft, pp. 124 e segs.
22 Fi~hte1 fbüiem/ SW,I, p. 127 /GA, I/2, p. 287. .
"' Nao cairá Fic!Jt.e numa contradição, na medida em que parece afir-
,,,iJ.r que · , ) •
-
n ª~Eu ' no Eu, o Eu se suprimiu (ou seja, não e posto, para se por o
- ' mas também que, no Eu, 0 Eu tem de ser posto para se por o •
n ao-Eu? M , e d p· 1
élf · éls so existiria contradição, como Hegel parece de1en er, se 1c 1te
-f irmélsse que o Eu é == não-Eu· ora tal não acontece. A 3! proposição-de-
r llndo. d··1z-nos apenas que eu' empmco
O
, . (ou mtel!gente
· · ) e o nao-
- Eu sao -
eciproc
soJ amente limitados, de modo que ambos podem coexistir no •u a b- · · E
uto. Esta limitação recíproca é de ordem quantitativa: há uma certa quan-

135
tidade de actividade que é limitada no Eu, à qual corresponde uma certa
quantidade de actividade que é afirmada no não-Eu.
23 Cf. com o que dizemos, na Introdução, acerca da intenção de Fichte
em proceder a uma génese das categorias de Kant, e da incompreensão,
por Hegel, das intenções fichteanas.
24 Fichte, Das System der Sittenlehre, SW, Bd. IV, pp. 105 e segs./GA, I/5,

pp. 105 e segs.


25 Idem, Grundlage der gesamten Wissensc/zaftslehre, SW, I, p. 289/GA, I/2,

p. 419.
26 Idem, Das System der Sittenlehre, SW, Bd. IV, p. 109/GA, I/5, p. 108.

27 Idem, ibidem, SW, Bd. IV, p. 108/GA, I/5, p. 107.


28 Idem, ibidem, SW, Bd. IV, p. 130/GA, I/5, p. 125.
29 Idem, ibidem, SW, Bd. IV, pp. 111 e segs./GA, I/5, pp. 109 e segs.

Cf., igualmente, A Destinação do Homem, SW, Bd. II, p. 184/ GA, l/ 6,


pp. 202-203. A natureza determinada Jormaliter é, segundo Fichte, a natureza
tal como Espinosa a concebeu, na qual cada produto - na obra menciona-
da, Fichte socorre-se do exemplo de uma árvore-, nas suas exteriorizações,
quer dizer, no aspecto exterior que sucessivamente reveste, não faz senão
aquilo que a sua natureza interna lhe exige. Se imaginássemos uma tal ár-
vore dotada de consciência, esta seria apenas a observação das fases neces-
sárias do seu crescimento, nunca a origem de um sentimento de limitação.
Qualquer limitação só lhe poderia aparecer como algo que, do exterior,
perturbasse o seu desenvolvimento, inflectindo·o numa direcção diferente
daquela que normalmente tomaria. Neste sentido, pode afirmar-se que a
árvore está completamente determinada, não possuindo a indetermina-
ção do ser livre, ou seja, a possibilidade de escolher entre determinações
opostas.
30 Idem, Das System der Sittenlelzre, SW, Bd .. IV, pp. 126 e segs./GA, I/5,

/ pp. 121 e segs.


31 Idem, ibidem, SW, Bd. IV, p. 131/GA, I/5, p. 126,
32
Idem, ibidem, SW, Bd. IV, pp. 144 e 131/GA, I/5, pp. 136 e 126.
33 Idem, ibidem, SW, Bd. IV, p. 139/GA, I/5, p. 231.

34 Idem, ibidem, SW, Bd. IV, p. 113/GA, 1/5, pp. 111-112.


35 Idem, ibidem, SW, Bd. IV, p. 114 e segs./GA, 1/5, pp. 112 e segs.
36 Idem, Gr.undlage des Naturrechts, SW, Bd. III, pp. 57 e segs./GA, 1/3,

pp. 361 e segs.


37 Idem, ibidein, SW, Bd. III, pp. 67 e segs./GA, 1/3, pp. 369 e segs.
38 Idem, ibidem, SW, Bd: III, p. 61/GA, 1/3, p. 363.
39 Idem, ibidem, SW, Bd. III, pp. 86 e segs./GA, 1/3, pp. 384 e segs.

/ Hegel distorce um pouco o pensamento de Fichte. Na realidade, este escre-


vera: «Cada um pôs também como matéria o corpo do outro, como maté-
ria configurável conforme o conceito: cada um prescreveu em geral a si
mesmo a faculdade de modificar a matéria. Cada um pode, por isso, cla-
ramente, modificar o corpo do outro, na medida em que ele é material.»
É óbvio que a intenção de Fichte é mostrar que o outro, na medida em que

136
não é apenas um corpo material, mas também um ser de razão, não pode
ser modificável, e que a minha acção sobre ele depende de uma lei da li-
berdade. Por outras palavras: o outro exige-me que o reconheça como livre
e que paute por essa decisão a minha relação com ele. O que Fichte defen-
de, e nisto Hegel já não o seguirá, como a leitura do seguimento tornará
claro, é que não há nenhum fundamento absoluto para que um ser racio-
nal mantenha aquela decisão, que é, por este motivo, obra da liberdade.
40 Idem, ibidem, SW, Bd. III, pp. 85 e 92 e segs./GA, I/3, pp. 383-384 e

389 e segs.
,lJ Idem, ibidem, SW, Bd. III, p. 294/GA, I/4, p. 86.
42 Idem, ibidem, SW, Bd. III, p. 302/ GA, I/ 4, p. 92.
43 Kant, Zwn Ewigell Frieden, B 93/ Kants Gesammelte Werke, Ak. Ausg.,

Bd, 8, pp. 378-379. Kant diz: «A proposição, de facto bem sonante, posta
em circulação sob forma de sentença, mas verdadeira: fiat iustitía, pereat
mundus, que significa em alemão. «que a justiça domine, mesmo que todos
os malandros do mundo desapareçam totalmente com ela», é uma pedra
angular e um princípio fundamental do direito, que corta todos os cami-
nhos ínvios traçados pela astúcia ou pelo poder.»
44 Fichte, Das System der Síttenlehre, SW, IV, p. 152/GA, 1/5, p. 143.
4 5 Idem, ibidem, p. 353/p. 307.
4 6 Idem, ibidem, p. 355/p. 309.

47 Idem, ibidem, p. 354/p. 308.


48 Idem, ibidem, p. 354/p. 308.
49 Das Differente, no original.

so O primeiro «ideal» trad1.1z ó alemão Ideal; 'e O segundo, o alemão


Ideel. Ideal é o objecto fora do absoluto e, por.conseguinte, oposto ao sujei-
to; Ideel é o sujeit~ opóstô ao objedo.
51 Fichte, Gn1nâlage der Gesamterz Wisseriscliaftslehre, SW, I, p. 253/GA, I/2,

pp. 391-392. Fichte, no enta1:tp; não giz que, para Deqs, o seµ sistema seria
apenas formalmente CO~l;"CCtO, .111as sim, O que <I).ãO é beJR a m~sma coisa,
que até mesmo Pªt'~ Deus ele teria correcç.ão for111<;'t.
52 Sobre Q çonceiti.J de razão abs~Iuta, cf, Schelling, DarsteU1mg meines

Systems d~r. Pllilosophie, SW, Bd .. JV, pp. 114~115,


53 Idem, ibidem, pp. 12J.e sêg~>· .·. . • . . .·
5·1 Idem, System des tnmszende1ttalen 1dealisu1.us, «Vorrede», in SW, III,

pp. 329-334.
55 Kant, lvfdaphysísd1eÀ1zfar1gsgrü11dedet Nat11rwíssc11sc/11zft, A 34 e segs./

Ak. Ausg., Bd. t pp. 4~6e.segs.


56 Idem, ibidem, A Vll/pp. 469-470.

57 Idem, ibidem, A XVI/p. 474.


58 Espinosa, Ética, Livro II, Prop. VII.
59 Cf. Jacobi an Fic/1te, in Werke, Leipzig, Fr. Roth e Fr. Koppen, 1812- /
-1825, Bd. III, p. 29.
60 O magnetismo, a electricidade e os processos químicos constituem,

para Schelling, a 2: potência da construção do mundo material, ou «pro-


1

137
cesso dinâmico». Convém, no entanto, que não se compreenda a relação
entre estes três momentos como relevando de uma sucessão de carácter
temporal. São, em primeiro lugar, categorias que se encontram ao serviço
da nossa especulação, ou seja, do modo como o espírito humano expõe a
construção da matéria; e como cada etapa da construção da matéria repete,
a um nível superior, o que aconteceu em todos os outros, não há processos
1
químicos sem magnetismo ou electricidade, tal como, aliás, nesta 2: potên-
cia da construção do mundo material se repetem os mesmos momentos da
1:1 potência (a saber, a força atractiva, a força repulsiva e o peso). Por outro
lado, Schelling defende que aquelas categorias têm um carácter dinâmico e
não meramente transcendental; isto significa que não constituem somente,
à maneira kantiana, uma condição de possibilidade do nosso conhecimento
do mundo material, pois são, em primeiro lugar, as condições originárias
que possibilitam que a matéria se construa a si mesma. (Cf. Primeiro Pro-
jecto de um Sistema de Filosofia da Natureza, SW, Bd. III, pp. 1-268/HKA, Bd.
l/7; Deduçüo Geral do Processo Dinâmico, SW, Bd. IV, pp. 1-78; Exposição do
Mell Sistema de Filosofia, esp. §§ 68-159, SW, Bd. IV, pp. 153 e segs.)
61 Para uma melhor compreensão do significado do conceito de forma,

tal como Hegel aqui o emprega, cf. Schelling, Exposição do Meu Sistema de
Filosofia (§ 15), SW, IV, p. 120: «A identidade.absoluta existe apenas sob a forma
da proposição A = A, ou esta forma é imediatamente posta pelo seu ser. Pois
ela só existe de forma incondicionada e não pode ser de modo condiciona-
do, mas o ser incondicionado pode apenas ser posto sob a forma daquela
proposição. Portanto, com o ser da identidade absoluta é posta também
imediatamente aquela forma, e não· há aqui nenhuma passagem, nenhum
antes ou depois, mas sim absoluta simultaneidade do ser e da própria
~jr::·; _ . forma.» Uma primeira ocorrência do conceito de forma, em Schelling, num
sentido já muito próximo do que adquirirá posteriormenté na .filosofia da
identidade, encontra-se no Primeiro ProjeclQ de um Sistema de_ Filosofia da Na-
," . '.-': :--:
tllreza, de 1799, in SW, III, p. 13/ HKA, I/7, p. 78.
62
A exigêncià de abstrair daquele que pensa, para se ficar com o «puro
objectivo» da intuição (a que Hegel, na Differenzsc!irift, chama transcen-
dental), fora já formulada por Schelling no § 1. da Exposiç/io do Meu Sistema
de Filosofia (SW, IV, pp. 114-115). Este puro objectivo, contudo, não é o
objecto oposto ao suje/to, dado que este não é mais tido em conta, mas o
em-si verdadeiro, ou seja, o ponto de indiferença entre o subjectivo e o
objectivo.
63 A mesma palavra .portuguesa «objecto» traduz, neste contexto, res-

pectivamente, Gegenstand e Objekt. No primeiro caso significa o mesmo que


«tema de estudo», ou «conteúdo», no segundo caso, «aquilo que se opõe
ao sujeito».
64 Reinhold, Beitriige, 1. Heft, p. 86.
65 Idem, ibidem, p. 85.
66 Cf. Schelling, Sistema do Idealismo Transcendental, in SW, Bd. III,

p. 342: «Se, portanto, há uma filosofia transcendental, só lhe resta a direc-

;z:;J:.;;t
..... .
)•••
. .
~
138
ção oposta: partir do subjectivo como o primeiro e absoluto e fazer surgir dele o
objectivo. Portanto, a filosofia da natureza e a filosofia transcendental
dividiram-se nas duas possíveis direcções da filosofia; e se toda a filosofia
deve, ou fazer surgir da natureza uma inteligência, ou fazer surgir da inte-
ligência uma natureza, então, a filosofia transcendental, que tem esta últi-
ma tarefa, é a outra ciência fundamental necessária da filosofia.»
67 Hegel cita o § 63 da Deduçüo Geral do Processo Dinâmico ou das Cate-

gorias da Física, publicado em 1800 (no mesmo anos, portanto, do Sistema


do Idealismo Transcendental) no referido número da Revista de Física
Especulativa, que Schelling fundara e dirigia em Jena. A passagem citada
pode ler-se em SW, Bd. IV, p. 76.
68 Reinhold, Beitriige, l. Heft, pp. 96 e 98.
69 Hegel refere-se ao artigo de Schelling, publicado na Zeitschrift fiir

spekulative Physik (Zweyten Bandes, ertes Heft, pp. 110-146), intitulado


«Anhang zu dem Aufsatz des Herrn Eschenmayer bettrefend den wahren
Begriff der Naturphilosophie und die richtige Art ihre Probleme auf-
zulõsen». Este artigo era uma resposta de Schelling ao artigo de Es-
chenmayer intitulado «Spontaneitat = Weltseele oder das hi:ichste Prinzip
der Naturphilosophie», publicado no mesmo número da revista, pp. 3-68.
O artigo de Schelling pode ser lido em SW, Bd. IV, pp. 81-103.
70 Idem, ibidem, pp. 1 e segs., p. 90.
71 Idem, ibidem, p. 77.
72 Hegel refere-se à obra do filósofo materialista francês Paul-Henri

Dietrich d'Holbach, Systeme de la Nature.ou des Lois du Monde Physique et du


Monde Moral, publicada em Londres' em 1770. O objectivo de d'Holbach
era mostrar que o estudo da .natureza comprovava que o argumento das
causas finais, utilizado na demonstração da existência de .Deus, era
injustificado. A ordem da natureza. consistia, segundo o autor francês, numa
disposição rigorosamente nec~ssária das suas partes constituintes elemen-
tares, em resultado da essência da matéria, tal como se exprimia, por exem-
plo, nos princípios da gravitação universal de Newton.
73 Idem, ibidem, p. 153.
74 Pelo fom e pelo conteúdo, ésta passagem. da Differ.enzsc/zrift pode

comparar-se com a longa nota. de Schelling à p. 112 da Exposiç110 do Meu


Sistema de Filosofia. O mencionado ~rtigo do Teutsclzer Merkur, publicado
em Março de 1801, intitulava-se «O espírito da época enquanto espírito da
filosofia». \
75 Idem, ibidem, pp. IV e VI.
76 Idem, ibidem, pp. v e segs.
77 Idem, ibidem, p. 1!)8:
78 Idem, ibidem, pp. 90 e segs.
/
79 Idem, ibidem, p. 67.
80 Idem, ibidem, p. 69.
81 Idem, ibidem, p. 141.
82 Idem, ibidem, p. 140.

139
83 Idem, ibidem, pp. 70-75, passim.
84 Idem, ibidem, pp. 100 e 106 e segs.
85 Idem, ibidem, pp. 107 e 110.
86 Materiatur no original. O termo é empregue por Bardilli nos Grundriss

der ersten Logík, p. 35.


87 Cf. Bardilli, Gnmdriss der ersten Logik, p. 114: «Seria todavia uma

contradição querer procurar ainda um plus no «uma vez um eternamente


um», enquanto é um e eternamente um. Para ser possível a aplicação da-
quele um, tem, portanto, de ser acrescentado um plus, ou seja, um qual-
quer coisa. Este qualquer coisa não pode ser de novo aquele um; pois, a ser
assim, não teríamos nenhum plus, mas sim, novamente, o próprio um. Este
qualquer coisa, porém, tem de ser constituído de tal modo que aquele um
o possa aceitar; de outra forma, como é que se reuniriam aquele um e este
qualquer coisa?» Cf., igualmente, Reinhold, Beitriige, l. Heft, pp. 111 e segs.
88 Bardilli, op. cit., pp. 66, 67, 88, 114, etc.
89 Filosofia elementar (Elementarphilosoplzie) é o nome pelo qual

Reinhold designa a sua própria filosofia, a partir de 1789, data em que


publica uma das suas obras principais, o Versuch einer 11eue11 Tlzeorie des
menschlichen Vorste/lungsvermogens. Aquela designação, que recorda, certa-
mente, a «Doutrina Transcendental dos Elementos» da Crítica da Razão Pura,
mas, igualmente, os Elementos de Geometria, de Euclides, indica a tarefa que
Reinhold se propunha levar a cabo, prosseguindo os intentos sistemáticos
pressupostos, mas nunca cabpJmente explicitados, na obra de Kant: estudar
a faculdade representativa humana, para nela descobrir os elementos fun-
damentais de todo ·o conhecimento.
90 Reinhold, Beitrage, l. Heft, pp. 128 e segs.
91 Hegel refere-se à .obra de Reinhold intitulada Versuçh eíner neuen

Theorie des rnenschlichen VorsteUungsvermogens, que mencionámos na nota 89.


92 Reinhold, ibidem, pp. 230 e 255-285. Na p. 230 (início do § xv),

Reinhold escrevera: «Pertence a cada representrção, como condição interna


(como elemento essencial da mera representação), algo que corresponde ao
representado (o objecto, distinguido, pela consciência, da representação); e a
isto chamo a matéria da representação.» Na p. 255 (início do § xvm): «Em
cada representação, a mera matéria deve ser dada, e a mera forma deve ser
produzida para ela.»
93 Idem, ibidem, p. 244..
94 Idem, ibidem, p. 433.
95 Idem, ibidem, p. 304.
96 Bardilli, Gnmdriss der ersten Logik, p. 82. Hegel não cita correctamen-

te. Bardilli não emprega a expressão «forma do objecto», mas sim «forma
na matéria» (Form am Stoffe) do objecto, referindo-se ao espaço tridimen-
sional, que permite que o pensar, aplicando-se a ela, possa criar as propo-
sições apodícticas da geometria.
97 Idem, ibidem, p. 69.

98 Reinhold, Beitriige, l. Heft, pp. m-rv.

140
99 A compreensão do sentido desta passagem, difícil de traduzir, é fa-
cilitada pela atenção a um subtil jogo de palavras, intraduzível para portu-
guês, entre os dois sentidos do verbo alemão regen: estremecer e chover.
Hegel compara o provocar um estremecimento com o fim de simular a
vida, mas que não produz vida autêntica, com uma tentativa de esvaziar o
mar que fosse constantemente contrariada pelo acréscimo da quantidade
da água, provocado pela chuva. Nos dois casos, estamos diante de uma
tarefa impossível.
°
10 Cf. Albrecht von Haller, «Die Falschheit der menschlichen Tugen-

den», in Versuclz sclzweizericher Gedichte, Bern, 1732.

141
·.·,~
,.,_
...
.,
/

GLOSSÁRIO ALEMÃO-PORTUGUÊS

/
Anfang - início Einsicht - intelecção
Ansich - em-si Endlos - sem-fim; interminável
Aufheben - suprimir Endlosigkeit - sem-fim
Aussersichgestztsein - ser-posto- Endzweck - fim final; finalidade
-fora-de-si Entgegensetzung - oposição
Bedingtheit - carácter-condicionado Entzweiung - cisã.o
Bedingung - condição Etganzung - complemento
Bedürfnis - necessidade Erklarungsgrund - fundamento de
Bedürftiges - necessitado .explicação
Begrenztheit - carácter-limitado Erscheinung - aparecimento; fenó-
Beschrankung - limitação meno
Bestand - estabilidade Gégensatz - antagonismo; oposto
Bestehen - (v.) subsistir; (sub.) sub- Gemüt - espírito
sistência · Gestalt - figura
Bestehendes - (sub.) subsistente Gestaltung - figuração
Bestimmen . - determinar; definir Glaube - crença; fé
Bestimmtheit - determinidade Gleic.hheit - igualdade
Bestimmung - determinação; definição Grund - fundamento
Bewusstlos - sem çonsciência Grqndlegung - fundamentação
Beziehung - relação; referência Grundsatz - proposição-de-fundo
Bürger - cidadão Handeln - agir
Darstellen - expor; apresentar Handlung - acção
Darstellung - exposição;apresentação Ichheit - egoidade
Dasein - existência Ideell - ideal
Dieselbigkeit - mesmidade Mangel - carência /

Eigentümlich - próprio Mangelhaftigkeit - insuficiência


Eigentümlichkeit - peculiaridade; Materiatur - materialidade
propriedade Neigung - inclinação

145
Nicht-Ich - não-Eu Ungleichheit - desigualdade
Not - indigência Unterschied - distinção
Prinzip - princípio Vereinigung - unificação
Rasonieren - raciocinar Verendlichen - finitizar
Realgnmd - fundamento-real Verhaltniss - relação
Reelle - real Vermittlung - mediação
Reflektierende - reflexionante Vermogen - faculdade; poder
Sache - coisa Vernichten - aniquilar
Satz - proposição; princípio Vernunftwesen - ser racional;
Schein - aparência -de-razão.
Schranke - limite Verschiedenheit - distinção
Schwarmerei - fanatismo Vervollstandigung - completaçã
Selbstanschauung - auto-intuição Verweisen - remeter
Sittlichkeit - eticidade Verwirrung - perturbação
Selbstsetzen - autoposição Vollstandigkeit - completude
Sich-selbst-setzen - pôr-se-a-si- Voraussetzung - pressuposição
-mesmo Wechselverhiiltniss - reciprocidad
Sich-Setzen - pôr-se Willkür - arbítrio
Standpunkt - tomada de posição Wirken - actuar
Streben - esforço Zerreissen - despedaçar
Tat - acto Zerstorung - destruição
Tatigkeit - actividade Zerstreuen - dispersar
Trennung - separação Zufall - acaso
Trieb - impulso Zufiilligkeit - contingência
Tun - agir Zusammenhang - conexão
Unbegreifflich - ininteligível Zweckmassigkeit - conformidade a
Unbestimmtheit - indeterminação um fim

146
7

ÍNDICE

Introdução de CARLOS MORUJÃQ :...).......................... ,.,;,:............................ 7

Bibliografia ................... ,...... ,.............................,................................................ 25

DIFERENÇA Ê'NTfE (JS SISTEMAS FJCDSÔFICO·S


DE .FICHTE E DE SCHELLING

Advert~ncía prévia ....................... ,.,, ..,.......... ,... ,............ ,,., .. ,.......... ,.,, ...:........ . 29
i , ',,-,,, ,,>

As' diversas formas que aptitêcêITl. no filo(lofar dos .11pssos dias ...... 33

Exposição do sistema de F.ichtf! 61

Compar~Jão entreoprincípioda füosofia cie Schellli1g e o de Fid1te .... . 93


Acerca do ponJo de vista de RfinhoJd e a filosofia .......................... .. 111

Notas ............................. :................................................................................... . 129

Glossário alemão-português.............................................................................. 145


/

147
Acabou de imprimir-se
cm Setembro de dois mil e três.

Edição n." 1008741

www.incm.pt /
E-mail: dco@incm.pt
E-mail Brasil: livraria.carnocs@incm.com.br
---·-·............... -·-~··-·-···-·· __-

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