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PRINCÍPIOS GERAIS E ESPECÍFICOS DA COMUNICAÇÃO CELULAR

Em primeiro plano, o conceito de comunicação é proveniente do latim communicare,


que significa compartilhar algo, tornar algo comum, implicando, assim, a troca de mensagens
entre o emissor e o receptor. De acordo com a escritora Lucia Santaella, um fator crucial para
o processo comunicativo, no geral, é a intencionalidade, sendo essa uma “atividade direcionada
a um objetivo, envolvendo, portanto, a validação”. Isto posto e relacionando com a temática em
questão, a comunicação entre as células pode ocorrer de diversas maneiras, ora por contato
direto, ora por intermédio de moléculas de sinalização, mas vai depender do objetivo e da
característica de cada processo comunicativo celular. Em suma, a comunicação celular é de
extrema importância não só para a sobrevivência da célula, mas também o exercício das funções
básicas celulares e para a integração e harmonia entre as células do mesmo e/ou diferentes
tecidos.

1 - MODALIDADES DE SINALIZAÇÃO CELULAR

Há basicamente cinco tipos de sinalização celular e as principais diferenças com relação


às suas características são a respeito da sua atuação em distâncias curtas e longas e a meia-vida
da molécula sinalizadora.
OBS.: Meia-vida é um conceito aplicado na Radioatividade e cinética química
radioativa e diz respeito ao tempo necessário para que determinada substância se reduza
à metade da inicial, sendo assim, reduz também sua atividade; com relação às moléculas
em sistemas bioquímicos, após determinado intervalo de tempo podem ser degradadas
e perder sua funcionalidade após serem secretadas, por exemplo, o neurotransmissor
acetilcolina se degrada em alguns milissegundos após ser secretado.

I - Comunicação por contato direto - é a de menor curto alcance, ocorre quando a


molécula sinalizadora não é secretada, ficando exposta na membrana plasmática da célula
sinalizadora, sendo assim, a célula-alvo precisa fazer contato para que a proteína receptora
possa se ligar, é uma interação direta de uma célula com outra adjacente.

FIGURA 1 - TIPOS DE COMUNICAÇÃO CELULAR POR CONTATO DIRETO


II - Comunicação Parácrina - a molécula sinalizadora terá meia-vida curta; ocorre
quando a célula sinalizadora e a alvo estão muito próximas, as moléculas sinalizadoras são
secretadas e difundem-se através do ambiente extracelular e permanecem no local onde foram
secretadas, por isso tais moléculas sinalizadoras são chamadas de mediadores locais sobre as
células próximas(onde estão os receptores). Na sinalização parácrina, ambas as células
(sinalizadora e célula-alvo) fazem parte do mesmo tecido.

III - Comunicação Autócrina - a molécula sinalizadora também tem meia-vida curta;


ocorre quando as células respondem a sinalização que produziram, ou seja, o receptor está na
mesma célula que emitiu a sinalização.

FIGURA 2 - COMUNICAÇÃO CELULAR DO TIPO AUTÓCRINA E PARÁCRINA

IV - Comunicação Neuronal - é uma comunicação celular de longo alcance, rápida e


precisa. A comunicação neuronal ou sináptica ocorre nos neurônios que são células
responsáveis pela condução do impulso nervosa(a transmissão do impulso nervoso é de
natureza Eletroquímica, sendo elétrica no axônio e química na sinapse). O neurotransmissor,
molécula sinalizadora extracelular, percorre a distância da comunicação nos prolongamentos
dos axônios e não no sangue ou no meio extracelular como ocorre com as outras comunicações
celulares. Na sinalização sináptica, o neurotransmissor que é a molécula sinalizadora é liberada
pela célula sinalizadora ou pré-sináptica pelo processo de transporte ativo Exocitose, e por meio
da fenda sináptica se dissemina para a célula pós-sináptica ou alvo.

FIGURA 3 - COMUNICAÇÃO NEURONAL


FIGURA 4 - ESQUEMA DA SINAPSE DOS NEURÔNIOS

V - Comunicação Endócrina - é uma comunicação celular de longo alcance e utiliza o


sistema circulatório como uma rede de distribuição para enviar as mensagens até a célula-alvo.
Nesse tipo de sinalização a molécula-sinal é denominada de hormônio e nos seres humanos são
produzidas pelas células das glândulas endócrinas(por exemplo, a tireóide, o hipotálamo e a
pituitária) e das gônadas(testículos e ovários).

FIGURA 5 - COMUNICAÇÃO ENDÓCRINA

2 - FEEDBACK DOS SINAIS

O feedback/resposta das células-alvo aos sinais transmitidos pelas moléculas-


sinais vai depender da presença ou não da proteína receptora na membrana plasmática
para a molécula-sinal em questão. Cada receptor vai funcionar de acordo com o
Complexo Chave-Fechadura, ou seja, para cada molécula-sinal deve haver o receptor
apropriado para a devida reação celular. Isso acontece porque no meio extracelular há
uma quantidade enorme de moléculas-sinais, sendo assim, de acordo com a
funcionalidade/especialidade celular, deve haver uma resposta seletiva aos sinais
expostos.
Ademais, o fato de as moléculas-sinais extracelulares poder alterar o
comportamento da célula-alvo é crucial para a manutenção das funções vitais do
organismo dos seres humanos, pois conseguem realizar a modificação celular de acordo
com a interação de diferentes sinais captados pelas proteínas receptoras. Isso acontece
porque cada célula pode responder de modo diferente a mesma molécula sinalizadora,
pois podem apresentar um conjunto diferente de receptores.
Somado a isso, na maioria das vezes, o sinal captado pela proteína receptora na
membrana plasmática é transmitida para o meio intracelular da célula-alvo com o
auxílio de molécula sinalizadoras intracelulares que atuam em sequência em um “efeito
cascata” de propagação e com isso conseguem alterar a atividade das proteínas efetoras.
Além disso, o tempo de resposta a um sinal varia de acordo com os constituintes
presentes na célula. Na maioria dos casos em que o feedback é rápido sucede da
presença de proteínas e/ou outras moléculas na célula que executam o comando da
informação recebida e interpretada pela célula-alvo; já os casos em que o feedback são
lentos ocorrem porque há uma necessidade de alteração na expressão gênica e produção
de novas moléculas de proteínas para realizarem determinada função na célula.
Em suma, para a sobrevivência e manutenção vital das células é imprescindível
a recepção e interação de vários sinais. Já que para sobreviver é necessário ter o
conhecimento do meio extracelular, por exemplo, sobre a disponibilidade de nutrientes,
para a divisão celular é preciso dos sinais de proliferação celular, para a célula se
especializar são necessários a ausência de sinais de proliferação e o aparecimento dos
de especialização. Nos casos de apoptose, ou seja, morte celular programada, é o
“suicídio programado” da célula quando não há o sinal adequado.

FIGURA 6 - CÉLULAS DE ACORDO COM O “FEEDBACK” DOS SINAIS

3 - NATUREZA DOS RECEPTORES


Inicialmente é importante analisar brevemente a membrana plasmática e sua
relação com a comunicação celular. A membrana plasmática circunda todas as células,
ao isolá-las do meio externo, mantém as diferenças essenciais entre o citosol e o meio
extracelular, e protege os seus constituintes químicos da célula do meio externo,
promovendo a homeostase celular. A estrutura da membrana plasmática segue o modelo
do mosaico fluido e é basicamente constituída de lipoproteínas, havendo também a
presença de oligossacarídeos. Todas as moléculas da M.P. são anfifílicas/anfipáticas.,
ou seja, possuem uma extremidade hidrofílica/polar e a outra extremidade
hidrofóbica/apolar. Essa propriedade química também é observada em outros lipídeos
de membrana – os esteróis (como o colesterol encontrado na membrana celular de
animais) e os glicolipídeos, que possuem açúcares como parte integrante da cabeça
hidrofílica. Por causa da estrutura característica da membrana plasmática, há
basicamente dois tipos de receptores e a principal diferença é acerca da polaridade da
molécula-sinal.
I - Caso a molécula-sinal for hidrofóbica e/ou pequena o suficiente para
atravessar a bicamada lipídica: receptor deve ser intracelular.

FIGURA 7 - ENTRADA DA MOLÉCULA-SINAL

Uma das classes de moléculas sinalizadoras mais importantes para a manutenção


das funções vitais do corpo humano são os hormônios esteróide e da tireóide. Como são
moléculas hidrofóbicas e para conseguir atingir a célula-alvo utilizam a corrente
sanguìnea como uma rede de distribuição, e sendo o sangue e outros meios
extracelulares basicamente aquoso, necessitam se associar com moléculas hidrofílicas,
como as chamadas de carreadoras, proteínas que possuem um sítio de ligação adequado
para que ocorra a associação com a molécula em questão. Ao atingir o local onde a
célula-alvo está situada, a molécula sinalizadora se desprende da carreadora e se difunde
pela bicamada lipídica, pois possui a característica da molécula hidrofóbica. Ao
atravessarem a membrana plasmática das células-alvo, ligam-se a proteínas receptoras
na face citosólica ou no núcleo da célula, ambos os receptores são denominados de
receptores nucleares, pois vão atuar como reguladores transcricionais na região nuclear
para evocar respostas fisiológicas.
FIGURA 8 - ENTRADA DO HORMÔNIO NA CÉLULA

II - Caso a molécula-sinal for demasiadamente grande ou hidrofílica, sendo assim,


não conseguir atravessar a bicamada, o receptor deve estar exposto na superfície celular
transpassando a M.P, pois devem detectar o sinal no face extracelular por meio da
proteínas receptora e transmitir a informação para o meio intracelular.

FIGURA 9 - ENTRADA DA MOLÉCULA-SINAL

O processo de sinalização intracelular resultante (a resposta celular), geralmente, tem


como resultado uma “cascata de sinalização intracelular”, na qual a mensagem é propagada de
uma molécula sinalizadora intracelular para outra, assim, cada uma dessas moléculas ativa ou
consegue gera a próxima molécula-sinal, objetivando, assim, a resposta adequada, como a
ativação de uma enzima metabólica ou até a ligar ou desligar determinado gene.
FIGURA 10 - ESQUEMA DA COMUNICAÇÃO CELULAR

4 - VIAS DE SINALIZAÇÃO CELULAR

I - Eles podem simplesmente transmitir o sinal para diante e dessa forma auxiliar na
sua propagação por toda a célula.
II - Eles podem amplificar o sinal recebido, tornando-o mais forte, de forma que
poucas moléculas-sinal extracelulares são suficientes para evocar uma resposta
intracelular intensa.
III - Eles podem receber sinais de mais de uma via de sinalização intracelular e integrá-
los antes de transmitir o sinal para diante.
IV - Eles podem distribuir o sinal para mais de uma via de sinalização intracelular ou
proteína efetora, podendo criar ramificações no diagrama do fluxo de informações e
evocar uma resposta complexa. (ALBERTS, B.; Fundamentos da biologia celular,
3ed., 2011, p. 540).

5 - PRINCIPAIS CLASSES DE PROTEÍNAS RECEPTORAS DE SUPERFÍCIE


NUCLEAR

Os receptores específicos presentes na membrana plasmática funcionam como


transdutores de sinais, isto é, transdução é a conversão dos sinais de informação de uma forma
para outra, assim vão converter de acordo com a interação, captação e interpretação da
mensagem para alterar e realizar a manutenção da célula-alvo.
FIGURA 11 - ESQUEMA DA TRANSDUÇÃO

Há três tipos básicos de receptores de superfície nuclear, sendo definidas segundo os


seus mecanismos de transdução de sinais: os receptores associados a canais iônicos, os
receptores associados a proteínas G e os receptores associados a enzimas.
I - Receptores do tipo canal - também conhecido como ionotrópico, os receptores desse
tipo podem ser os próprios canais ou quando estão associados com um canal iônico. Tem como
resultado a mudança conformacional induzida pela interação entre o receptor e o ligante,
ativando, assim, o canal para que ele se abra. Esse tipo de receptor é comumente encontrado
nos neurônios (ao transmitir de maneira rápida os sinais pelas sinapses no sistema nervoso) e
nas células musculares, isto é, vai estar presente em células eletricamente excitáveis; pois o
canal iônico permite o fluxo de íons através da bicamada lipídica, fazendo com que ocorra uma
alteração no potencial de membrana (diferença de potencial) e produzindo pela conversão dos
sinais químicos em elétricos, a corrente elétrica.

FIGURA 12 - RECEPTORES ASSOCIADOS A CANAIS IÔNICOS

II - RECEPTORES ASSOCIADOS À PROTEÍNA G


A Proteína G é uma classe de proteínas envolvida na transdução de sinais celulares ela
é formada por uma superfamília de proteínas. Elas são chamadas de proteínas G porque
funcionam como "chaves moleculares", alternando entre um estado de ligação com uma
guanosina difosfato inativa (GDP) e outro com uma guanosina trifosfato ativa (GTP). A
proteína G é composta por 3 subunidades: alfa (α), beta (β) e gama (γ). A unidade α possui um
sítio de ligação com o GTP ou GDP. As subunidades β e γ permanecem sempre unidas. A
proteína G se localiza na superfície interna da membrana da célula, ligada ao receptor acoplado
à proteína G.

FIGURA 12 - SINALIZAÇÃO VIA PROTEÍNA G

Um receptor associado à proteína G ativado ativa encorajando a subunidade α


abandonar seu GDP e captar um GTP. (A) No estado não estimulado, o receptor e a proteína G
estão inativos. Embora sejam mostrados aqui como entidades separadas na membrana
plasmática, em alguns casos, pelo menos, eles estão associados em um complexo pré-formado.
(B) A ligação de um sinal extracelular ao receptor muda sua conformação, o que, por sua vez,
altera a configuração da proteína G que está ligada a ele. A alteração da subunidade α da
proteína G permite que ela troque seu GDP por GTP. O receptor permanece ativo enquanto a
molécula sinal externa estiver ligada a ele e, por isso, pode catalisar a ativação de muitas
moléculas de proteína G. Existem vários tipos de proteínas G. Cada uma é específica para um
grupo particular de receptores e um grupo particular de enzimas-alvo ou canais iônicos na
membrana plasmática. Porém, todas essas proteínas G são parecidas na sua estrutura geral e
desempenham suas funções de forma semelhantes.

● Proteínas G Regulam Canais iônicos e Ativam Enzimas ligadas à membrana


Proteínas G podem ativar ou inativar diretamente canais iônicos na membrana
plasmática da célula-alvo, alterando a permeabilidade iônica e a excitabilidade elétrica. Por
exemplo, quando receptores muscarínicos de acetilcolina do músculo cardíaco ativam a
proteína Gi,ligam-se a canais de potássio, abrindo-os, isso torna mais difícil despolarizar a
célula, contribuindo para o efeito inibitório da acetilcolina.A visão e o olfato dependem de
RLPGS que regulam canais iônicos relacionados a nucleotídeos cíclicos.
As células olfatórias receptoras usam RLPGs chamadas receptores olfatórios para
reconhecer odores; esses receptores estão na superfície do cílio modificado de cada célula. Eles
agem por meio de AMP cíclico, quando estimulados por moléculas olfativas, eles ativam uma
proteína G específica do olfato (Golf), que ativa a adenilil.
O nucleotídeo cíclico envolvido na visão é o GMP cíclico, a ativação do receptor
mediada pela luz causa uma queda no nível do nucleotídeo, o caminho foi bem estudado em
bastonetes da retina, responsáveis pela visão sem cores em pouca luz.O aparato de
fototransdução está no segmento externo do bastonete, que contém uma pilha de discos, cada
um formado por um saco de membrana com muitas moléculas fotossensíveis de rodopsina. O
segmento externo contém canais de cátions relacionados a GMP cíclico; o cGMP ligado a esses
canais os mantém abertos no escuro; a luz cria uma hiperpolarização, que inibe a transmissão
sináptica. Ela ocorre porque a ativação da rodopsina, induzida pela luz, diminui a concentração
de cGMP, fechando os canais de cátions.
As interações com enzimas têm consequências complicadas provocando a produção de
moléculas sinalizadoras intracelulares adicionais. As duas enzimas-alvo mais frequentes das
proteínas G são a adenilato-ciclase, a enzima responsável pela síntese do AMP cíclico, uma
molécula sinalizadora intracelular pequena, e a fosfolipase C, responsável pela síntese das
pequenas moléculas sinalizadoras intracelulares trifosfato de inositol e diacilglicerol. Essas
duas enzimas são ativadas por tipos diferentes de proteínas, de maneira que as células são
capazes de acoplar a produção das pequenas moléculas sinalizadoras intracelulares a sinais
extracelulares diferentes.O acoplamento frequentemente chamadas de mensageiros pequenos
ou segundos mensageiros. Eles são produzidos em grande quantidade quando as enzimas a
adenilato-ciclase ou a fosfolipase C são ativadas, e eles se difundem rapidamente, disseminando
o sinal por toda a célula.

● Vias de sinalização iniciados pelos receptores associados às proteínas G.

A via do AMP cíclico pode ativar enzimas e genes.A adenosina-monofosfato-cíclico


(AMP Cíclico, cAMP) é um dos mensageiros secundários mais importantes envolvidos na
transdução de sinais, regulação de genes, biossíntese de hormônios esteróides e sinalização
intracelular. A sua função regulatória estende-se ao sistema nervoso, crescimento e
diferenciação celular, mecanismos imunológicos e metabolismo em geral. A produção de AMP
Cíclico é estimulada por compostos (hormônios, drogas, neuromoduladores) ligados às células-
alvo através de receptores de membrana celular. Estes eventos de ligação, ativam as proteínas
G que por sua vez ativam a enzima adenilato ciclase. Adenilato ciclase converte ATP em AMP
Cíclico. As quinases dependentes de AMP Cíclico podem ser ativadas resultando na
fosforilação de substratos de proteínas. O nível de AMP cíclico pode ajudar a entender o
mecanismo de ação de uma variedade de hormônios e substâncias biologicamente ativas.
● A via do fosfolipídio

A via do fosfolipídio de inositol pode desencadear um aumento no Ca2+intracelular alguns


GPCRs exercem seus efeitos por meio de proteínas G que ativam a enzima fosfolipase C, em
vez da adenilato-ciclase. A fosfolipase C, uma vez ativada, propaga o sinal pela degradação de
uma molécula lipídica que é um componente da membrana plasmática. A molécula é um
fosfolipídio de inositol (um fosfolipídio que contém o açúcar inositol ligado à sua cabeça) que
está presente em pequenas quantidades na face citosólica da bicamada lipídica da membrana
plasmática por conta do envolvimento desse composto, a via de sinalização que inicia com a
ativação da fosfolipase C é conhecida como a via do fosfolipídio de inositol. Essa cascata de
sinalização ocorre em quase todas as células eucarióticas e regula muitas proteínas efetoras
diferentes.

● Cascata de sinalização

As cascatas de sinalização conectadas aos receptores associados à proteína G levam somente


alguns segundos para serem executadas. Por exemplo o aroma de um alimento pode fazer você
salivar (por meio de receptores de acetilcolina associados à proteína G nas células salivares,
que estimulam a secreção). Entre a mais rápida de todas as respostas mediadas por um receptor
associado à proteína G, no entanto, está a resposta do olho à luz: demora somente 20 ms para
que as mais rápidas células fotorreceptoras da retina (os cones, fotorreceptores responsáveis
pela visão colorida no claro) produzam sua resposta elétrica a um súbito clarão de luz.

III - RECEPTORES ASSOCIADOS A ENZIMAS

Os receptores associados a enzimas são proteínas transmembrana que interagem com ligantes
na superfície externa da membrana plasmática, no citoplasma os receptores forma um complexo
com outra proteína com atividades enzimática. Os receptores associados a enzimas tem função
em resposta às proteínas-sinal extracelular (“fatores de crescimento”) que regula crescimento,
proliferação, diferenciação e sobrevivência das células dos tecidos animais. A maiorias das
proteínas-sinal funciona como mediados locais, as resposta as elas são geralmente lentas, que
requer muitas etapas de transdução intracelular que produz mudança na expressão gênica.
Os receptores associados a enzimas, podem mediar reconfigurações rápidas e do
citoesqueleto, que controla a maneira que a célula altera sua forma e se move. os sinais
extracelular que levam essa alterações são proteínas de sinalização não difusíveis. Os distúrbios
de crescimentos de crescimento, proliferação, diferenciação, sobrevivência e migração celular
são fundamentais no câncer, as anomalias na sinalização por receptores associados a enzimas
podem desencadear essa classe de doença.

● Receptores tirosina-cinase ativados agrega um complexo de proteína sinalizadoras


intracelulares
Para funcionar como um transdutor de sinal, um receptor associado a enzimas tem de acionar a
atividade enzimática de seu domínio intracelular, quando uma molécula-sinal se liga ao seu
domínio extracelular. A ligação de uma molécula-sinal faz com dois receptores se reúnam na
membrana, formando um dímero. O contato entre as caudas dois receptores intracelular ativa a
sua função de cinase, que tem como resultado a fosforilação mútua. Receptores tirosina-cinase,
as fosforilações acontece, em tirosinas específicas localizadas nas suas causas citosólicas.
Fosforilação das tirosinas desencadeia um complexo de sinalização intracelular nas caudas
do receptor, que serve como sítio de ligação para cada proteína sinalizadoras intracelular, que
podem se tornar ativas após a ligação. Algumas dessas proteínas são fosforiladas e se torna
ativa, propagando o sinal, outras atua somente como adaptadores. Essas proteínas de sinalização
é capaz de reconhecer tirosinas fosforiladas específicas.
Esses sinais são transmitidos ao longo de várias rotas para muitos destinos dentro da célula,
dessa forma, ativam e coordenam várias mudanças bioquímicas como a proliferação celular.
Receptores tirosina-cinase ativados recrutam grupos distintos de proteínas sinalizadoras
intracelular, forma grandes complexos de sinalização, outra proteína sinalizadora ativada por
quase todos os receptores tirosina-cinase é a proteína de ligação a GTP denominada Ras.

● A maioria dos receptores tirosina-cinase ativam a GTPase monomérica Ras

Ras são pequenas proteínas ligada à face citoplasmática da membrana por uma cauda
lipídica. Praticamente todos os receptores tirosina-cinase ativam Ras. Proteína Ras pertence a
família de proteínas ligadoras de GTP e forma uma única cadeia polipeptídica, denominadas
GTPase monomérica. Ras funciona como interruptor molecular, alterna entre dois estados -
ativa quando ligada a GTP e inativo quando ligado a GDP. a interação com uma proteína
sinalizadora ativada faz com que a Ras troque seu GDP por um GTP. Após um tempo, a própria
Ras hidrolisa o GTP a GDp, tornando-se inativa.
Em estado ativo, a Ras promove a ativação de uma cascata de fosforilação, uma série de
serina/treonina-cinases fosforilam e ativam uma à outra em sequência. Este sistema que conduz
o sinal da membrana plasmática para o núcleo, inclui um módulo de três proteínas-cinases
chamadas de módulo de sinalização de Map-cinase. Nessa via, a MAP-cinase é fosforilada e
ativada por uma enzima chamada de MAP-cinase-cinase. Essa enzima é ativada por uma MAP-
cinase-cinase-cinase (é estimulada por Ras). No final da cascata, a MAP-cinase fosforila várias
proteínas incluindo reguladores de transcrição, alterando sua capacidade de capacidade de
controlar a transcrição gênica, esse resultado final depende de quais outros genes estão ativos
na célula e que outros sinais a célula recebe.
A importância da Ras é que se a proteína for inibida por um injeção intracelular de anticorpo
por exemplo, que a inativam, as células deixam de responder alguns dos sinais extracelulares.
Ao contrário, se a Ras for mantida em ativação permanente, as células podem se comportar com
se tivesse sendo bombardeada com mitógenos extracelulares estimulando a proliferação. (visto
no Capítulo 18). A proteína Ras é encontrada em células cancerosas humanas, a mutação inativa
a atividade GTpásica da Ras, que causa a proliferação celular descontrolada e o
desenvolvimento do câncer. Muitos dos genes que codificam essas proteínas sinalizadoras
intracelulares é o oncogenes, genes promotores de câncer. Cerca de 30% dos cânceres humanos
têm seus genes Ras com as mutações ativadoras, e cânceres não produzem proteínas Ras
mutantes contêm mutações seus genes do qual produtos estão na mesma via de sinalização da
Ras.

● Os receptores tirosina-cinase ativam a PI-3-cinase na produção de sítio lipídico de


ancoragem, na membrana plasmática

As proteínas-sinal que pertence à família de fatores de crescimentos semelhantes à insulina, que


é ativada pelos receptores tirosina-cinase para promover o crescimento e a sobrevivência célula
que conta com a enzima fosfoinositídeo-3-cinase (PI-3-cinase), que fosforila fosfolipídeos de
inositol na membrana plasmática, são transferidas do citosol para a membrana plasmática que
se ativa mutuamente.
Umas da mais importante proteínas transferidas é a serina/treonina-cinase AKT, que promove
o crescimento e a sobrevivência de muitos tipos celulares, pela inativação das proteínas
sinalizadoras fosforiladas por ela, Exemplo: AKT fosforila e inativa uma proteína citosólica
denominada Bad. Além disso, a via de sinalização PI3-cinase-AKT estimula o crescimento das
células pelo aumento da síntese proteica e pela inibição da degradação.

● Alguns receptores associados a enzimas ativam um caminho rápido para o núcleo

Não são todos os receptores associados a enzimas que desencadeiam cascatas de


sinalização, alguns receptores utilizam uma rota mais direta para controlar a expressão gênica.
Alguns hormônios e muitos mediadores chamados de citocinas se ligam a receptores que podem
ativar reguladores de transcrição que são mantidos em estados latentes próximos à membrana
plasmática. Essa proteínas são chamadas de STATs ou transdutora de sinal e ativadores de
transcrição de genes específicos. São utilizadas, por exemplo, pelos interferons, com a função
de instruir outras células na produção de proteínas que irão torná-la mais resistentes à infecção
viral. Os receptores de citocina estão associados a tirosina-cinases citoplasmática JAKs, ao
serem ativadas, fosforilam e ativam as STATs, que migram para o núcleo, que estimulam a
transcrição de genes-alvo específicos.