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A vida de Adler

Alfred Adler, filho de um comerciante judeu de classe média, nasceu em sete de


fevereiro de 1870 em Viena, Áustria. Sua infância foi marcada pela doença, pela morte e
pela rivalidade com o irmão mais velho.
Adler sofria de raquitismo, isso o impedia de brincar com as outras crianças.
Tinha ciúmes do irmão que era forte e saudável e podia participar de brincadeiras e
atividades físicas que ele não podia. Por causa de sua fraqueza física, Alfred sentia-se
inferior às outras crianças, que eram saudáveis e atléticas. Ele lutou muito para superar
esse sentimento de inferioridade e compensar suas dificuldades decorrentes da doença.
Forçava-se a participar de jogos e esportes, mesmo possuindo algumas limitações
físicas. Então, conseguiu um senso de auto-estima e aceitação social, tornou-se muito
popular entre as crianças, e pelo resto de sua vida foi uma pessoa muito sociável.
Nos primeiros dois anos de vida era muito próximo da mãe, que o mimava por
ser uma criança doente. Porém o nascimento de outro bebê alterou essa relação, então
aproximou-se mais do pai, que o manteve como seu favorito.
Quando Adler tinha três anos, o irmão mais novo morreu na cama ao lado da
sua. O próprio Alfred Adler escapou da morte em dois acidentes envolvendo
atropelamento e aos 4 anos quase morreu de pneumonia, ao se salvar decidiu tornar-se
médico.
Nos primeiros anos de escola era um aluno medíocre, contudo, seus esforços e
persistência o tornaram o melhor aluno da turma.
“Em vários aspectos, a história da infância de Adler parece uma tragédia, mas é
também um texto que exemplifica a sua teoria da personalidade, um exemplo de
superação das fraquezas e do sentimento de inferioridade para moldar o destino.”
(SCHULTZ; SCHULTZ, 2008, p. 117)
Aos 18 anos ingressou na Universidade de Viena para estudar medicina.
Interessou-se pelo socialismo e frequentou reuniões políticas. Em uma dessas reuniões
conheceu sua futura mulher, a estudante russa Raissa Epstein, com quem casou em
1897.
Recebeu o diploma de médico em 1895. No começo de sua carreira exerceu
oftalmologia, mas logo se mudou para clínica geral, e terminou por se especializar em
psiquiatria e neurologia.
Sua associação com Freud começou em 1902 quando este o convidou para
participar de encontros semanais para discutir psicanálise. Inicialmente Freud tinha
grande estima por Adler. É importante lembrar que ele nunca foi aluno de Freud e sim
um dos membros fundadores da Sociedade Psicanalítica de Viena, tendo-a presidido em
1910 e sendo também co-editor de sua revista. Nessa época, as divergências teóricas
entre eles já estavam bastante acentuadas. Em 1911, Adler rompeu definitivamente com
a psicanálise, fundando em 1912 seu próprio grupo, que ficou conhecido como a
Sociedade de Psicologia Individual, o qual atraiu seguidores no mundo todo.
Alfred serviu ao Exército Austro-Húngaro na Primeira Guerra Mundial (1914-
1918). Quando a guerra acabou, juntamente com seus seguidores interessou-se pelo
campo da educação, especialmente no treinamento de professores, pois exaltavam a
importância da instrução dos profissionais que moldavam a mente e o caráter dos
jovens. Patrocinado pelo governo, criou centros de orientação nas escolas públicas onde
as crianças e suas famílias recebiam aconselhamento. Nessas clínicas de
aconselhamento, Adler desenvolveu procedimentos de treinamento e orientação de
grupos, que são os precursores da terapia de grupo.
Em 1926, fez sua primeira viagem para os EUA onde lecionou e ministrou
palestras. Fez várias outras viagens ao país, nas quais participava de conferências. Por
fim, em 1935, mudou-se definitivamente para Nova York, onde continuou seu trabalho
para desenvolver e promover a Psicologia Individual e aceitou um cargo de psicologia
médica na Escola de Medicina de Long Island. Seu trabalho foi muito bem recebido
pelos americanos, através de seus livros e palestras se tornou o primeiro psicólogo
popular nos EUA.
Morreu de ataque cardíaco na Escócia em 1937, durante uma tournée de
palestras na Europa.

Antecedentes Intelectuais

Dentre as ideias que influenciaram Adler estão a teoria evolucionista de Darwin,


a Psicanálise, a vontade de poder de Nietzsche, a “filosofia do como se” de Hans
Vaihinger e o Holismo de Jan Smuts.
O conceito adleriano de luta pela superioridade é fundamentado na importância
dada pelo darwinismo à adaptação ao meio ambiente para a sobrevivência das espécies.
Ele discordava do darwinismo social, que enfatiza a sobrevivência do mais adaptado e a
eliminação do incapaz, acreditava que a inferioridade orgânica leva a uma superação e
não a derrota. Além disso, enfatizava que o sentimento comunitário é mais importante
que a luta competitiva.
A psicanálise o influenciou no que diz respeito à importância do relacionamento
mãe-filho, ao desenvolvimento psicológico nos primeiros seis anos de vida, na
interpretação dos sintomas neuróticos e na análise dos sonhos.
Os primeiros conceitos de Alfred Adler sobre os instintos agressivos se
assemelhavam com a vontade de poder de Nietzsche. Mais tarde, reformulou esse
conceito, descrevendo sua ideia de luta pela superioridade, que é um conceito mais
amplo que luta pelo poder. Seu interesse social de contradiz as ideias de Nietzsche.
Já os conceitos de objetivo de vida e o esquema de apercepção, receberam
influencia do filósofo Hans Vaihinger, que analisava a concepção pessoal de mundo.
Este sistema era denominado “filosofia do como se” e afirmava que as pessoas são mais
influenciadas pelas expectativas futuras do que pelas experiências passadas.
Também encontrou confirmação para algumas de suas ideias na filosofia
holística de Jan Smuts. O holismo afirma que o sistema como um todo tem propriedades
diferentes das de suas partes, que há um impulso para a totalidade em cada indivíduo e
por isso não devemos estudar seus componentes separadamente.

Psicologia Individual

A psicologia individual de Adler se concentra na singularidade do individuo,


na consciência e no social e não nas forças biológicas. Para ele somos seres sociais e
nossa personalidade é caracterizada pelo nosso ambiente e interações sociais peculiares.
Seu sistema minimizava o sexo, dava mais crédito às metas futuras do que aos eventos
passados. Defendeu a existência do livre arbítrio individual, onde criamos nosso estilo
de vida através das habilidades e experiências que nos são passadas pela herança
genética e pelo ambiente social.
Em sua teoria da personalidade, Afred Adler enfatizou a importância do grupo
de colegas da mesma idade e sugeriu que as relações com os irmãos e crianças que não
eram da família eram muito mais importantes do que Freud pensava. E nos ensinou que
é preciso superar fraquezas e o sentimento de inferioridade para moldar o nosso destino.
Sentimentos de Inferioridade

Alfred Adler acreditava que os sentimentos de inferioridade são comuns a todas


as pessoas, e que não significam sinal de fraqueza ou anormalidade, e sim, um
comportamento normal e saudável, algo compartilhado por todos. Estes sentimentos se
manifestam, primeiramente, na infância, onde as crianças não conseguem executar
muitas das tarefas “adultas”, consequentemente elas se sentem inferiores pelo seu
tamanho, pela sua falta de poder e força no mundo adulto. Adler também acreditava que
são estes sentimentos de inferioridade que nos impulsionam a superar nossas
dificuldades reais e imaginárias, nos estimulando a atingir níveis mais altos de
desenvolvimento.

Complexo de Inferioridade

Pessoas que não conseguem compensar os seus sentimentos normais de


inferioridade desenvolvem um complexo de inferioridade onde possuem uma imagem
ruim sobre si mesmas, sentindo-se incapazes de responder às demandas. Este complexo
pode surgir de três fontes na infância:

a) Inferioridade Orgânica
Este conceito foi apresentado pela primeira vez em 1907, no qual Adler teve
como objetivo explicar porque as doenças afetam os indivíduos diferentemente. Ele
acreditava que em cada pessoa certos órgãos são mais frágeis que outros, deixando-
as mais sensíveis e mais suscetíveis a doenças nestes locais. Alfred também afirmou
que pessoas com inferioridade orgânica tentarão compensar suas debilidades,
transformando, através de exercícios e treinos, um órgão fraco em um órgão forte e
saudável. Os esforços que não forem bem sucedidos poderão ocasionar um
complexo de inferioridade.

b) Mimo
Uma criança mimada acostuma-se a ser sempre o centro das atenções, onde
seus desejos e necessidades são constantemente satisfeitos e quase nada lhe é
negado. Quando esta criança começa a freqüentar outros círculos sociais,
como, por exemplo, a escola, ela tem dificuldade em se adaptar a não ser
mais o centro das atenções, podendo assim, desenvolver o complexo.

c) Negligência
Esta infância é caracterizada pela falta de amor, acolhimento e segurança.
Assim tornam-se pessoas desconfiadas e hostis, que possuem fortes
sentimentos de falta de valor e até mesmo de raiva.

Luta pela Superioridade

Adler descreveu esta luta como o fato fundamental do viver, onde o indivíduo
busca o objetivo principal de sua vida, ou seja, atingir a perfeição. No sentido de
perfeição estar relacionada ao aperfeiçoamento e completude humana.

A) Finalismo de Ficção
Finalismo no sentido em que todos buscamos algo final, uma meta principal
e um objetivo específico. E ficção, pois lutamos por potencialidades e não
por realidades, lutamos pelos nossos desejos subjetivos.

Estilo de Vida

Superioridade ou perfeição é a nossa principal meta e tentamos alcançá-la por


meio de vários padrões de comportamentos diferentes, que Adler chamou de caráter
distinto ou estilo de vida.
O estilo de vida vai se desenvolvendo e para entender, analisamos os conceitos
de sentimento de inferioridade e compensação, por exemplo, a criança doente pode lutar
para aumentar a capacidade física, praticando vários tipos de exercícios, tornando-se
uma rotina e fazendo parte do estilo de vida.
Adler sugeriu que o estilo de vida fica tão firmemente cristalizado com a idade
de quatro ou cinco anos que dificilmente muda depois.

a) O Esquema de Apercepção: Faz parte do estilo de vida, cada indivíduo


desenvolve uma concepção de si próprio e do mundo. O conceito de mundo
de uma pessoa é que determina o seu comportamento. Este esquema é auto-
reforçador.

O Poder Criativo do Self

Adler defendia que temos o controle do nosso destino, não somos vítimas dele.
Já na primeira infância descobrimos que o estilo de vida é determinado pelas relações
sociais, sujeito a poucas mudanças após esta fase. Isso pode parecer tão determinista
quanto a visão freudiana, que enfatiza a importância da infância na formação da
personalidade do adulto. Mas a teoria de Adler não é tão rígida quanto pode parecer, ele
resolveu este dilema propondo um conceito que descreveu como o poder criativo do
self, onde afirma que a pessoa cria o seu próprio estilo de vida. Ou seja, nós criamos o
nosso self, a nossa personalidade, o nosso caráter. E uma vez que o criamos, prosseguirá
o mesmo a vida inteira.

Os Estilos Dominador, Dependente, Esquivo e Socialmente Útil

Adler descreveu problemas universais, agrupando-os em três categorias:

a) Trabalho: inclui todas as atividades que são úteis a comunidade e não só as


ocupações remuneradas. O trabalho nos traz satisfação e automerecimento apenas na
medida em que beneficia outros. Para Adler a importância de nosso trabalho esta
principalmente baseada em nossa dependência do meio físico. “Estamos vivendo neste
planeta, unicamente com seus recursos (sua riqueza mineral, fertilidade do solo, clima,
atmosfera...)”. A humanidade tem o dever de encontrar a resposta certa para o problema
que essas condições apresentam. “Sempre foi necessário lutar pelo aperfeiçoamento e
maiores realizações”.

b) Amizade: expressa nossa obstinação, teimosia a raça humana e nossa


constante necessidade de adaptação e interação com os outros seres humanos. Nossas
amizades específicas estabelecem laços essenciais com nossa comunidade, já que
nenhum individuo relaciona-se abstratamente. O trabalho construtivo depende
integralmente do empenho amistoso e cooperativo. As pessoas precisam contribuir para
que a sociedade realize suas metas pessoais e comunitárias.
c) Amor: para Adler e visto como amor heterossexual. E a união intima de mente
e corpo e a cooperação entre duas pessoas de sexos opostos. Baseia-se na diferenciação
dos sexos e na intimidade dos sexos como forma de continuação de nossa espécie. Adler
cre que o vinculo intimo do casamento expressa o nosso maior desafio de cooperação
para com outro ser humano. Então, um casamento bem sucedido possibilita o melhor
meio para promover cooperação e interesse social nas crianças.

Interesse Social

Adler percebeu que nos darmos bem com os outros é a primeira tarefa que
encontramos na vida. Embora sejamos influenciados mais fortemente pelas forças
sociais do que pelas biológicas, na opinião de Adler, o potencial para o interesse social é
inato.
As comunidades são indispensáveis para os seres humanos para a proteção e
sobrevivência. O recém nascido, por exemplo, está numa situação que requer
cooperação, primeiro da mãe ou da pessoa que proporciona os cuidados básicos, depois
de outros membros da família e das pessoas da creche ou da escola. Adler achava que o
papel da mãe era fundamental no desenvolvimento do interesse social e aspectos da
personalidade.

‘’Esta ligação [entre mãe e filho] é tão íntima e de longo alcance que nunca
vamos poder apontar nenhuma característica como hereditária mais adiante na vida.
Todas as tendências que poderiam ser herdadas já foram adaptadas, treinadas, educadas
e refeitas pela mãe. A sua capacidade ou falta dela influenciará toda a potencialidade da
criança.’’ (Adler, apud Grey, 1998, p.71)

Quando Adler fazia parte do grupo de Freud, era considerado intratável e


ambicioso, brigando pela prioridade de suas idéias. Mas posteriormente abrandou e o
seu sistema também mudou da ênfase no poder e no domínio como forças motivadoras
para o destaque da força mais benigna do interesse social e comunitário.
Ordem do Nascimento

Adler observou que as personalidades do primogênito, do filho do meio e do


caçula em uma família tendiam a ser bem diferentes, mesmo morando na mesma casa,
com os mesmos pais, os filhos tem personalidade diferentes. Ele atribuiu tais diferenças
às experiências distintas que cada criança tem como membros de um grupo social. Para
ele certos estilos de vida se desenvolverão a partir da ordem do nascimento.

a) Filho Primogênito: recebe muita atenção até o nascimento do segundo filho; é


o filho mais desejando e portanto, recebe toda a atenção dos pais, a dedicação é
totalmente para ele, até que nasce o segundo filho, ele é então subitamente destronado
de sua posição privilegiada e precisa dividir a afeição dos pais com o novo bebê. Essa
experiência pode condicionar o filho mais velho de várias maneiras, tais como odiar
pessoas, proteger-se se súbitos reveses do destino e sentir-se inseguro, ele pode ter
comportamentos tais como, não querer comer, dormir, ter acessos de raiva,
principalmente aqueles que foram extremamente mimados pelos pais, segundo Adler,
sofrem mais a queda do trono.
O primeiro filho geralmente, pode exercer algum poder sobre os irmãos , ele também
tende a se voltar ao passado e
Os neuróticos, os criminosos, os bêbados e os perversos, observa Adler,geralmente são
primogênitos. Se os pais manejam sabiamente a situação preparando a criança para o
aparecimento de um rival, o primogênito tem maior probabilidade de transformar-se em
uma pessoa responsável e protetora.

b) Segundo filho ou filho do meio: caracteriza-se por ser ambicioso. Ele está
constantemente tentando superar o mais velho, mas esse nunca terá a mesma posição do
primogênito, pois mesmo que nasça outro irmão, ele não terá a mesma sensação de
destronamento, já que os pais estão mais experientes e não reservam atenção total a essa
criança, e a forma de educá-lo será diferente do primeiro filho Ele também tende a ser
rebelde e invejoso, mas de um modo geral é mais bem-ajustado do que o primogênito ou
o caçula.

c) O caçula: é o filho mimado, não perde o trono, querem sempre superar os


irmãos mais velhos e se desenvolvem muito rápido, exceto se forem excessivamente
mimados, pois daí acharão que ganham tudo nas mãos, sem ter que ir buscar seu
desenvolvimento, e então sofrerão com isso, terão dificuldades em se ajustar como
adultos.
d) O filho único: é totalmente ele, nada mais do que ele, é soberano na família,
não perde a atenção, amadurecem mais rápido por não conviver com crianças em casa,
tendem a sofrer quando começam a freqüentar ambientes sociais, como a escola, onde
vão se sentir desamparados, não serão o centro das atenções, não aprenderam a
compartilhar nem a competir.

Estrutura

a) Corpo: é a maior fonte de sentimentos de inferioridade na criança, pois esta


rodeada por aqueles que são maiores e mais fortes e que fisicamente atuam de forma
mais real. Adler salientava que o principal é nossa atitude em relação a nosso corpo.
Muitas pessoas atraentes não resolveram sentimentos de não-aceitação que tiveram na
infância e ainda se comportam como se não tivessem atrativos. Entretanto, através da
compensação, pode ocorrer de pessoas com deficiência físicas lutarem e desenvolverem
seus corpos além do normal, fazendo deste comportamento parte do seu estilo de vida.

b) Relacionamento social: os relacionamentos sociais são o centro das teorias


de Adler. Integram a expressão direta do interesse social e são essenciais no
desenvolvimento de um estilo de vida construtivo e realizador.
c) Vontade: significa, para Adler, a luta pela superioridade e realização de
objetivos de vida. (Temos o controle de nosso destino não somos vitimas dele).

d) Emoções: Para Adler há dois tipos de emoções, as emoções socialmente


disjuntivas (raiva, medo ou repulsa) referem-se a conquista de objetivos individuais,
podem gerar uma mudança positiva na situação de vida do indivíduo, embora, às vezes,
às custas dos outros. Resultam do sentimento de fracasso ou inadequação, servindo para
mobilizar a força do indivíduo, com o intuito de realizar novos esforços. E as emoções
socialmente conjuntivas, estas promovem a interação social. Tendem a ser socialmente
orientadas, como no desejo de compartilhar nossa alegria e riso com os outros. A
emoção da simpatia é “a mais pura expressão de interesse social” e revela o grau da
nossa relação com os outros.
e) Intelecto: Adler faz uma diferenciação entre razão e inteligência.
Neuróticos, criminosos e outros que fracassaram em sua atuação na sociedade são muito
inteligentes, não raro dão argumentos e justificativas lógicas para seu comportamento.
No entanto, Adler caracterizou esse tipo de inteligência como “inteligência pessoal” ou
pensamento que se restringe ao objetivo de superioridade pessoal do individuo mais do
que pelas considerações de utilidade social. Por outro lado, a razão é “o tipo de
inteligência que contém interesse social e que esta, desta forma, limitada ao comumente
útil”. A razão segue o senso comum, ou seja, atitudes e valores culturais básicos.

f) Self: É o estilo de vida – estrutura guia de todos os comportamentos


posteriores – do indivíduo. É a personalidade considerada como um todo integrado.

g) Terapeuta - Adler define os três aspectos da terapia: Compreender o estilo


de vida próprio do paciente, ajudar os pacientes a se compreenderem, fortalecer o
interesse social.

h) Compreensão do estilo de vida: O estilo de vida forma um todo basicamente


consistente, por isso o terapeuta procura os temas que impregnam o comportamento do
indivíduo. Para determinar o estilo de vida, Adler pedia a seus pacientes as primeiras
recordações, os fatos mais marcantes da primeira infância. Ele partia do pressuposto de
que o plano de vida do paciente cresce sob condições negativas, de modo que o
terapeuta deveria comover-se na busca de inferioridades orgânicas, superproteção ou
rejeição durante a infância. Adler também dava muito valor ao comportamento
expressivo, incluindo postura e entonação.

i) Promoção da autocompreensão: Para Adler o principal problema da maioria


dos pacientes era o esquema errôneo de apercepção (intuição) determinado por um
objetivo inacessível e irreal de superioridade sobre todos os outros. O terapeuta precisa
ajudar os pacientes a compreenderem seu próprio estilo de vida, incluindo seu modo de
encará-la. Aí, então, depois da autocompreensão é que os pacientes irão corrigir seu
estilo de vida não-adaptativo. Desta forma, os resultados virão quando a explicação
terapêutica for clara e detalhada dirigindo-se especialmente a experiência do paciente.
Autocompreensão é aprender a ver os erros que cometemos ao enfrentar situações
cotidianas, requer uma melhor compreensão de como o mundo é feito e de nosso lugar
nele. Adler salientou a importância de aprendermos a entender as conseqüências de
nosso comportamento, mais do que a de aprender mais sobre nos mesmos. O sucesso do
terapeuta depende essencialmente do paciente.

j) Fortalecimento do interesse social: A terapia é sinônimo de cooperação entre


terapeuta e paciente, uma relação de apoio que ajuda este último a desenvolver
cooperação e interesse social. Frequentemente o terapeuta necessita dar apoio, cuidado e
senso de cooperação que os pais nunca deram ao filho/paciente. Adler convenceu-se de
que o interesse voltado apenas para si mesmo era o núcleo dos problemas psicológicos,
sentia-se na missão de fazer com que o paciente aos poucos perdesse o interesse
exclusivo em si próprio e se voltasse para um trabalho construtivo para os outros, como
um membro de valor para a comunidade.

Avaliação

As teorias de Alfred Adler influenciaram profundamente a psicologia humanista,


psicoterapia e teoria da personalidade. Ele inovou ao dar grande atenção ao interesse
social e aos processos conscientes, dando origem à primeira psicologia do ego. Apesar
de seus grandes feitos, Alfred não recebeu crédito por suas realizações, as quais muitas
vezes são confundidas erroneamente como obras de outros teóricos.
A postura profissional de Adler era muito mais informal e relaxada que a de
Freud, que permanecia atrás do divã. Adler e seu paciente sentavam-se frente a frente
em confortáveis poltronas, e seu diálogo estava mais para uma conversa entre amigos do
que para uma abordagem formal. Ele também usava o humor em suas terapias e
observava muito os seus pacientes, avaliando suas personalidades pelas posturas
corporais, a posição em que dormia, além de seus métodos básicos de avaliação, que
consistiam em ordem de nascimento, primeiras lembranças e análise dos sonhos.

A Pesquisa na Teoria de Adler

a) Sonhos: as pesquisas comprovaram a proposta de Adler de que as pessoas


costumam sonhar com situações que estejam enfrentando. Foi realizado um
experimento no qual pessoas foram expostas a situações nas quais não conseguir matar
uma charada era uma ameaça à personalidade. Depois permitiu-se que elas dormissem.
As que puderam sonhar lembravam-se melhor da charada do que as que não sonharam.
Os especialistas concluíram que o sonho permite lidar com maior eficácia com uma
situação ameaçadora atual.

b) Primeiras lembranças: pesquisas corroboraram o argumento de Adler de que


as primeiras lembranças indicam o estilo de vida da pessoa e que podem ser utilizadas
como instrumento terapêutico. Por exemplo, os estudos registraram que as primeiras
lembranças de pessoas neuróticas ansiosas envolviam medo; das deprimidas era o
abandono; dos pacientes psicossomáticos envolviam doenças; de criminosos envolviam
situações perturbadoras ou agressivas com outras pessoas. Outra pesquisa mostrou que
as lembranças tendem a ser recriações subjetivas e não eventos reais.

c) Negligencia na infância: pesquisas feitas com pacientes hospitalizados por


depressão classificavam seus pais como hostis, desligados e rejeitadores. Entrevistas
com parentes dos pacientes confirmaram a declaração.

d) Interesse social: estudos que utilizaram a Escala de Interesse Social


mostraram que pessoas com a pontuação mais elevada apresentaram menos estresse,
depressão e ansiedade do que as com menor índice de interesse social, também
mostraram ser mais colaborativas, responsáveis, empáticas e populares.

e) Ordem de nascimento: realizou-se uma quantidade considerável a respeito


desta proposição, algumas delas não apresentaram resultados que comprovassem os
efeitos da ordem de nascimento na personalidade e no comportamento.
Para Adler os primogênitos preocupam-se com poder e autoridade e buscariam
isso na realização profissional. Alguns estudos mostraram que eles são maioria nos
cursos superiores e nos cargos executivos e tendem a ter mais prestígio na carreira. Os
primogênitos costumam ser mais dependentes das outras pessoas e ficam mais ansiosos
em situações estressantes. Eles atingem pontuações mais baixas em testes de depressão,
e tem mais alto-estima, podendo ser mais extrovertidos e conscienciosos que os não
primogênitos. As filhas mais velhas costumam ser mais obedientes, responsáveis e
sentem-se mais intimas dos pais. Há indícios de que sejam mais inteligentes que os não
primogênitos.
Não há suporte para o argumento de Adler de que os segundos filhos sejam mais
competitivos e ambiciosos que seus irmãos. Possuem menos auto-estima que os
primogênitos e os caçulas.
Pesquisas a respeito dos caçulas comprovaram que eles possuem maior
probabilidade do que os primogênitos de se tornar alcoólatras. Adler previu que se os
caçulas fossem muito mimados teriam problemas de adaptação na vida adulta, esse
motivo frequentemente é usado para explicar o alcoolismo. Eles também costumam ser
mais populares.
As pesquisas nem sempre confirmam a proposta de que os filhos únicos sejam
egoístas e busquem ser o centro das atenções como eram na infância. Um estudo
comprovou que eles são mais cooperativos que as pessoas que possuem irmão, outro
comprovou que são mais egocêntricos e menos populares. Há evidencias de que sejam
mais inteligentes e bem ajustados social e emocionalmente que as pessoas que possuem
irmãos.

A TEORIA EM PRIMEIRA MÃO

Um dos métodos analíticos de Adler e o das primeiras recordações. Aqui ele


discute a sua importância e demonstra sua técnica.
As primeiras recordações mostram o estilo de vida em suas origens e
expressões mais simples. Pode-se a partir dela saber se a criança foi mimada, rejeitada,
cooperativa com os outros, que problemas enfrentou e como os solucionou. Por
exemplo, se uma criança teve dificuldades de visão, suas impressões serão de natureza
visual. Suas recordações serão assim: “Olhei a minha volta...” ou descrevera cores e
formas. Já uma criança com problemas de movimento como andar, pular, correr
demonstrara esses interesses em suas recordações. É importante observar quais pessoas
do meio aparecem, pois é provável que o individuo tenha sofrido muito sua influência.
Episódios de infância relembrados estão muito próximos do interesse principal do
individuo e conhecendo seu interesse principal conheceremos seu objetivo e seu estilo
de vida. Esses fatos é que tornam essas recordações tão importantes na orientação
vocacional.
Através das primeiras recordações é possível saber as relações da criança com
o pai, a mãe ou outros membros da família. É extremamente importante a forma como o
individuo inicia sua história, pois mostrará a visão de vida fundamental do individuo, o
que ele tomou como ponto de partida para seu desenvolvimento. Adler nunca
investigaria uma personalidade sem procurar a primeira recordação. Por meio das
recordações as pessoas revelam seu propósito de vida, seus relacionamentos, sua visão
do meio ambiente... É indiferente o fato das recordações serem precisas ou não o que
importa é que representam o julgamento do indivíduo.
As primeiras lembranças são uma síntese e por serem simples nos permite usá-
las também em investigações de massa. Um exemplo:
-“Visto que minha irmã...” podemos supor que há uma rivalidade entre elas, a
qual gera dificuldades adicionais para o desenvolvimento. Quando a criança se ocupa
com a rivalidade ela não mostrará tão bem seus interesses quanto o faz quando coopera.
Porém elas podem ser grandes amigas.
-“Visto que minha irmã e eu éramos as mais novas da família, não me foi
permitido freqüentar a escola até que ela não tivesse idade suficiente para ir”. Agora sim
é possível afirmar a rivalidade. Minha irmã me atrapalhou! Fui forçada a esperar por
ela! Se este for o real significado da recordação, poderíamos dizer que a menina (o)
sinta-se assim: “o maior perigo na minha vida é quando alguém me restringe e impede
meu livre desenvolvimento”. É provável que essa pessoa seja uma menina, pois
dificilmente um garoto teria esse problema.
-“Consequentemente, começamos no mesmo dia”. Esta não é a melhor forma
de educação para uma menina em tal situação, podemos dar-lhe a impressão de que por
ser mais velha deve ficar atrás. E esta menina interpretou o fato assim, ela se sente
rejeitada e culpará alguém por isso, certamente a mãe. Não nos surpreenderia se ela se
apegasse mais ao pai.
-“Lembro claramente que mamãe contou a todo mundo como ela se sentiu
sozinha em nosso primeiro dia de aula. Ela disse: Eu corri ao portão muitas vezes nesta
tarde e procurei as meninas. Realmente pensei que elas jamais chegassem”. Esta
descrição da mãe não foi muito inteligente é o retrato que a menina faz da mãe. “Pensou
que jamais chegássemos”. A mãe tinha afeição por elas, mas era ansiosa e tensa.
Conversando com esta moça ela contaria mais sobre a preferência da mãe pela
irmã mais nova. Isso não nos impressionaria, uma vez que o filho mais novo é quase
sempre mimado. Desta recordação Adler concluiu que a irmã mais velha sentiu-se
prejudicada pela rivalidade com a irmã mais nova. No futuro encontraríamos marcas de
ciúme e medo de competição. Provavelmente ela teria aversão por mulheres mais novas.
Algumas pessoas sentem-se demasiado velhas por toda sua vida e muitas mulheres
ciumentas sentem-se inferiores em relação a outras mais jovens.