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UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE – UERN

FACULDADE DE EDUCAÇÃO – FE
DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO – DE
DISCIPLINA: TEORIAS LINGUÍSTICAS E ALFABETIZAÇÃO
DOCENTE: Prof. Me. Antônia Maira Emelly Cabral da Silva
DISCENTES: Ellano Jonh da Silva Matias

FERREIRO, Emília. A representação da linguagem e o processo de


alfabetização. Caderno de Pesquisa, São Paulo, v. 52, n. 173, p.7-17, fev. 1985.
Disponível em: <http://publicacoes.fcc.org.br/ojs/index.php/cp/article/view/1357>.
Acesso em: 15 set. 2019.

Esse resumo crítico tem como base um artigo publicado na Revista Cadernos
de pesquisa da Fundação Carlos Chagas, sendo uma tradução por Horácio Gonzales
da obra de Emília Ferreira que trata sobre a representação da linguagem e o processo
de alfabetização das crianças. A autora divide o artigo em três pontos que irão
apresentar as suas reflexões sobre a representação a linguagem e o processo de
alfabetização e psicogênese da escrita da criança, destacando que as crianças
desenvolvem um papel fundamental na busca da compreensão desse processo.
Tendo como estruturação do artigo a seguinte estrutura, no primeiro ponto Ferreiro
(1985) traz como título do tópico “ A escrita como sistema de representação”, o
segundo “ as concepções das crianças a respeito do sistema de escrita” e por fim “ As
concepções sobre a língua subjacente à prática docente”, assim pretendemos aborda
um pouco sobre cada tópico abordado pela autora.
No início do artigo, Ferreiro (1985) traz uma discussão sobre a antiga
concepção da alfabetização e o seu papel, que muitos autores defendiam que sua
função depende apenas da relação entre o método utilizado e o estado de maturidade
da criança, porém Ferreiro (1985) aborda que deve-se perceber um terceiro elemento
que é a natureza do objeto de conhecimento, formando assim uma espécie de
triângulo para desenvolver o método de ensino, centralizado no professor, o estado
da criança que aprende e as concepções teóricas da escrita.
Em seguida a autora começa a discutir o primeiro tópico “ A escrita como
sistema de representação ”, A autora destaca que a invenção da escrita foi um
processo histórico de construção de um sistema de representação e não um sistema
de codificação. é nessa secção que Emília Ferreiro traz de início que a escrita se
apresentam em duas concepções que são desenvolvidas na prática pedagógica,
podendo ser compreendida como um sistema de representação da linguagem ou
como um código de transcrição gráfica de sons, ambas abordagens se diferenciam
pelo método utilizado para a construção da alfabetização. Tomando a escrita como
um sistema de representação da linguagem a autora destaca que as crianças
apresentam dificuldades conceituais, ocasionando que a criança reinventa essa
escrita. Ou seja, é nessa perspectiva que a criança deve compreender todo o seu
processo de construção e suas regras de produção para compreender a escrita.
Ferreiro (1985) diz que se compreendemos a escrita como um código de
transcrição sonora para o grafismo, destruímos signo linguístico por privilegiar a
técnica e a mecanização e este aprendizado será voltado para uma visão mais
conceitual da aprendizagem. A autora destaca também por meio da ação pedagógica,
essas duas formas de idealizar a linguagem gera posturas distintas, assim podemos
perceber a escrita como a representação gráfica dos sons é assumir um caráter
discriminatório tanto visual quanto auditivo, a linguagem não pode ser um contraste
de sons, isso consistiria na separação do significante do significado, e seu
aprendizado estaria ligado ao ensino de uma técnica, nessa fase a criança representa
sua escrita com diferenciação onde a mesma consegue diferencia as letras do seu
nome o outro aspecto não diferenciação é quando a criança escreve várias palavras
com a mesma letra.
No segundo ponto do artigo intitulado de “ As concepções das crianças a
respeito do sistema de escrita ”, Emília Ferreira irá nos apresentar e destacar os
período de evolução que a criança realiza atraves da explorações para compreender
a natureza da escrita, todo esse processo é por meio da produção espontâneas, são
por meio dessas escritas espontâneas que a Ferreiro (1985) destaca que temos um
material rico com hipóteses e ideias sobre as escritas desses sujeitos, para analisar e
tentar compreender com esse processo de alfabetização e a evolução psicogenética
da criança.
Nesse tópico também a autora, destaca que muitos docentes pensam que as
crianças só apreendem quando são submetidas a um ensino tradicional, que consiste
em prestar nos aspectos gráficos ignorando aspectos construtivos, porém Ferreiro
(1985) defende que devemos desenvolver a escrita na perspectiva construtivista por
seguir em uma linha evolutiva reguladora e surpreendente, assim a autora nos
apresenta três grandes períodos para análise da escrita e do processo de
alfabetização da criança dos quais cabem múltiplas subdivisões.
Sendo apresentada inicialmente pela distinção que a criança faz entre o modo
icônico (só desenha), porém essa representação importa porque representam a forma
do objeto e não-icônico ( escreve letras, sem desenhos), ou seja, o aluno consegue
distinguir as letras em relação ao desenho as formas utilizadas são as primeiras
características manifestas da escrita pré-escolar. O segundo ponto destacado por
Ferreiro (1985) é a construção de forma de diferenciação entre os critérios intrafigurais
( Eixos quantitativo), quando a criança escreve um minimo de letra que representa as
palavras apresentada e critérios interfigurais ( Eixo qualitativo), quando a criança troca
as letras ou a sequência as letras, proibido a compreensão da palavra. E o terceiro
ponto é a Fonetização da escrita, ou seja, a descoberta da relação entre som / grafia
da palavra, começa com o período silábico e culmina no período alfabético.
Nesse mesmo tópico Emília Ferreira irá nos mostrar por meio da análise dos
testes aplicados a algumas crianças, possíveis hipóteses de classificação da evolução
da escrita infantil por meio de quatro períodos, sendo eles período pré-silábico,
quando as crianças escrevem sem estabelecer qualquer correspondência entre a
pauta sonora da palavra e a representação escrita, período silábico é quando se dá a
descoberta de que as representações escritas têm um vínculo com a pauta sonora da
palavra: uma letra para cada sílaba; tantas letras quantas sílabas, período silábico-
alfabético que é quando a criança começa a compreender que as sílabas possuem
mais que uma letra, onde ela fará a transição de ora utilizar uma letra para cada sílaba,
outra reconhecer os demais fonemas das palavras e por fim a período alfabético
quando a criança consegue reproduzir adequadamente todos os fonemas de uma
palavra, ou seja a escrita convencional.
No último tópico do artigo a autora faz os questionamentos sobre “ As
concepções sobre a língua subjacente à prática docente”. Inicia-se relatando que as
discussões sobre as práticas alfabetizadoras tem se centrado sobre os métodos
utilizados, sempre estamos buscando colocar os diversos métodos uns contra os
outros, mas Ferreiro (1985) diz que nunca percebemos ou procuramos compreender
quais as concepções ou práticas que exercem uma efetividade significativa nas
crianças.
Existem práticas que apenas levam as crianças a interpretar que o
conhecimento é sempre terá o apoio por meio de uma terceira pessoa, outras práticas
que segundo autora “ que levam a criança a ficar de “fora” do conhecimento, como
espectador ou receptor mecânico, sem nunca encontrar respostas aos porquês”. Ela
também nos diz que nenhuma prática é neutra, sendo todas apoiadas por modos de
conceber o processo de aprendizagem da escrita. São essas práticas e não os
métodos, que têm efeitos no domínio da língua escrita ou em outros conhecimentos,
Emília defende que as reflexões psicopedagógica necessita se apoiar em uma
reflexão epistemológica, para poder surtir efeito no processo.
No texto também é apresentado as polemicas sobre a ordem em que se deve
apresentar as letras e inserir atividades de leitura e escrita para as crianças. Por fim
ela apresenta as experiencias executadas por Ana Teberosky, em Barcelona,
baseada em três ideias simples, porém fundamentais, sendo elas: Deixar entrar e sair
para buscar informação extra-escolar disponível, com todas as consequências disso;
O professor não é mais o único que sabe ler e escrever na sala de aula; todos podem
ler e escrever, cada um ao seu nível; As crianças não alfabetizadas contribuem na
própria alfabetização e na dos companheiros quando a discussão a respeito da
representação escrita da linguagem se torna prática escolar. Por meio dessas
observações Emília Ferreiro, acredita que devemos fazer uma revolução conceitual
sobre a alfabetização e seu processo, que o conhecimento da representação da língua
escrita não se restingue somente ao conhecer as letras, mas a todo o processo da
criança.
Na conclusão Ferreiro (1985) nos afirma que as mudanças no sistema de
alfabetização, não se apoiam em novos métodos, nem com novos testes, nem com
novos materiais e sim , é preciso mudar os pontos por onde nós fazemos passar o
eixo central das nossas discussões. Para ela, temos uma imagem empobrecida da
língua escrita e uma imagem empobrecida de criança que aprende, um novo método
não resolve os problemas. É preciso reanalisar as práticas de introdução da língua
escrita.
Com base na leitura do artigo de Emília Ferreira, pode-se perceber que não
devemos unificar o processo de aquisição da escrita da criança, que alguns métodos
precisam ser utilizados e modificados para o desenvolvimento da criança, mas que
aprendizagem não ocorrer de uma mesma forma e no mesmo momento para todas
as crianças, intervêm das diferenças individuais, o perfil de cada criança e como cada
um aprende. Necessitamos compreender que esse processo ele é evolutivo, ou seja,
construídos por etapas que devem ser seguidas a fim de desenvolver de uma melhor
forma o processo de alfabetização das crianças. É perceptível que a criança deve ser
considerada como um sujeito ativo do processo e que todo o seu conhecimento
cotidiano deve ser levado em conta, possibilitando ao professor utilizar esse
conhecimento para desenvolver a linguagem escrita de forma prazerosa e fácil, então
cabe ao docente perceber esse conhecimento prévio da criança e desenvolver ações
na perspectiva.
A criança deve ser estimulada para uma melhor evolução no processo da
representação da linguagem escrita. Concordo com a autora quando ela relata que
devemos realizar uma revolução no sistema de alfabetização, para que esse processo
não seja cansativo e enfadonha para a criança e que no processo de alfabetização
que o educador seja consciente da função que exerce e da responsabilidade que o
mesmo tem em mãos a cumprir, pois hoje a educação não pode ser realizada na
concepção que só o educador é dono absoluto do saber, mas sim, que nesse processo
o objeto principal é o educando, que precisa ser um ser ativo e participativo em sua
formação, buscando inúmeras estratégias pedagógicas e espaços adequados para
refletir a escrita.