Você está na página 1de 47

Apontamentos

PSICOLOGIA DA JUSTIÇA

Paula | Exame | 2019


Índice

PÁGINA 1
Definição de Justiça

Gonçalves (1996)
A Ψ da Justiça é a aplicação da Ψ nos vários campos que a Justiça lhe
franqueia, isto é, a todas as áreas que englobem a justiça:
→ Justiça de menores (cível e penal)
→ Vítimologia
→ Ψ forense, Ψ criminal, Ψ penitenciária

Mira López (1961)


Ψ da justiça é uma Ψ aplicada no melhor exercício do direito.

Arce (2005)
Ψ jurídica é uma ciência em si, q engloba mtas psicologias da justiça em que
o todo é + do q a soma das partes

Existem Ψs da justiça com objectivos de estudo diferentes:

Ψ forense
Ocupa-se da aplicação do conhecimento psicológico a serviço da tomada de
decisão judicial, sendo, fundamental/ 1ª actividade pericial.

Ψ criminal
Domínio da PJ que estuda as condições psicológicas do criminoso e o modo
pelo qual nele se origina esse processa a ação criminosa

Ψ policial
Estuda e intervêm nos sistemas de segurança do estado ( PSP; GNR; PJ)

Ψ judiciaria
Corresponde a toda a prática psicológica realizada a pedido e a serviço da
justiça (ex: atuação do psicólogo dentro das prisões)

Vítimologia
Inclui os estudos sobre a vítima e os processos de vítimação

Ψ do ks desviantes
Envolve o estudo de fenómenos da autissocialidade em geral ( ex: crime,
prostituição, deliquência, juvenil…)

Para alguns autores , a Ψ do k desviante é o conceito + abrangente de todos pois está p/ além
Âmbito da Ψ dacrimininais/judiciais
das dimensões justiça (Arce 2005)

PÁGINA 2
Existe união de diversas áreas da Ψ aplicada que se foram desenvolvendo e
associando à justiça (pois é fundamental ter conhecimentos de outras áreas
da Ψ, como por ex: Ψ)

Há diversas linhas de intercessão entre a Ψ e o direito, desde a investigação,


a avaliação (de características de personalidade de risco de voltar a cometer
aquele crime) e a intervenção.

A Ψ da justiça já ñ é só aplicada (ñ é só auxiliar a tomada de decisão judicial)


c/o tb constrói teorias e métodos (ex: reações das vítimas, quais as estratégias
de intervenção + eficazes …)

O alcance da Ψ da justiça vai além do direito, pois atende ñ apenas ás


contingências legal/ definidas do ko humano ( ex: ser-se arguido ou vitima) as
tb às q o antecedem e precedem (ex: prevenção primaria, avaliação do risco).

A Ψ da justiça é interdisciplinar e multidisciplinar, auxiliando tb outras


ciências c/o a criminologia e a sociologia.

Ψ do testemunho, Ψ policial,
Psicologias Ψ penitenciarias, Ψ Forense

Direito Antrolologia

Psicologia
da Justiça
Psiquiatria Criminologia

Medicina
sociologia
legal

PÁGINA 3
Ψ da Justiça VS Ψ Forense

Ψ da justiça
Área disciplinar + ampla pois engloba todo o conj.de saberes oriundos da Ψ
aplicados à compreensão, avaliação e intervenção nos diversos fenómenos
definidos pela aplicação da Justiça.

Noutros países é chamada de Ψ legal (países francófonos) ou de Ψ jurídica


(Espanha).

Ψ Forense
Campo da Ψ aplicada q diz respeito ao fornecimento de informação, oriunda
de qualquer especialidade da Ψ, para ser usada pelo direito na tomada de
decisão judicial (Blackburn, 2006).

Definição restrita
Explicação e pratica da Ψ no sistema judicial, principalmente os
tribunais e focando a prática pericial

Definição alargada
Abrangente todos o envolvimento da Ψ com as dimensões da justiça
e do direito:
→ Crime e delinquência
→ Pratica pericial em processos criminais e cíveis
→ Prevenção da criminalidade e da vítimação

A definição de Ψ e a sua distinção de outras terminologias ñ é consensual,


mas, em Portugal, tem sido limitada a atividade pericial, q corresponde à
definição restrita.

A Ψ forense deve ser entendida como 1 campo interdisciplinar, cuja


especificidade é a interface entre a Ψ e o direito.

PÁGINA 4
Áreas de intervenção em Ψ da justiça:

PJ e as questões de infância e Crianças e adolescentes em risco,


juventude medidas de promoção e proteção)

PJ e o direito da família Separação/ divorcio, parentalidade)

PJ e o Direito cível Dano psíquico, interdições o sujeito


interdito é aquele q n pode gerir os
bens)

PJ e o direito do trabalho Indeminização, acidentes de trabalho

PJ e o direito penal Inimputabilidade e crime, delinquência

Ψ do testemunho Estudo do testemunho e falsas


memorias

Ψ Penitenciaria Penas alternativas, intervenção junto


dos reclusos

Ψ policial Seleção e formação de policias,


acompanhamento psicológico

Mediação Mediador nas questões de direito penal


e direito da família

PJ e direitos humanos Defesa e promoção dos direitos


humanos

Aplicações da Ψ da justiça

Avaliação e tratamento: individual ou em grupo


de agressores
vítimas

 intervenção na área social e de proteção de crianças e jovens (famílias


multiproblemáticas)

 formação e tratamento de profissionais da justiça e jovens ( ex: burnout


e stress)

PÁGINA 5
 perícia psicológica forense (ex: estudo da capacidade, credibilidade e
validade do testemunho)

 prevenção primaria e prevenção situacional do crime

O q fazem os psicólogos da justiça?

→ Investigação/ docência (professor=docente)

→ Avaliação forense e intervenção psicológica em:

o Delinquência juvenil (CPCJ)

o Delinquência adultos (tribunais, DGRSP-direção geral de


reinserção em serviços prisionais)

o Vítimas (IPSS, ONG, Policias)

o Medicação (familiar, RRP (regulação das


responsabilidades parentais), ofensor- vítima)

Onde estão os psicólogos da Justiça?

→ Instituições q acompanham crianças e jovens

→ Instituto nacional de medicina legal e ciências forenses

→ Associações de apoio à vitima ( ex: APAN)

→ Policias

→ Instituições universitários (enqto docentes e enqto profissionais)

PÁGINA 6
Avaliação Psicológica Forense VS Avaliação Psicológica Clínica

O psicólogo forense assume o papel O psicólogo clínico é visto e


de “adjunto do cliente” (se consultado representado como alguém ao
no contexto da prática privada) ou serviço do cliente e que
“informante imparcial” (se designado supostamente luta pelo seu
como perito pelo tribunal crescimento enqto ser humano

O cliente é o tribunal O cliente é o sujeito individual q nos


procura

Falta de: confidencialidade (qto aos Há confidencialidade e uma relação


resultados) reserva e intimidade (o de empatia entre o sujeito e o
sujeito ou o advogado pode ter acesso psicólogo
ao relatório e divulgá-lo entre outros
profissionais e até nos media)

Obrigação de aparecer pelo tribunal O cliente procura o psicólogo (é


na avaliação (determinação externa) voluntaria)

Os objetivos e os tempos s/ A definição de objetivos é da


determinados pelos tribunais responsabilidade do psicólogo clínico

A flexibilidade da avaliação é de A flexibilidade da avaliação é


caracter estático (refere-se aquele dinâmica (deve-se ter em conta todos
momento particular) os momentos)

Ñ há relação/ articulação entre Há relação/ articulação entre


avaliação e intervenção (o perito ñ faz avaliação e intervenção (até pq é
intervenção) necessário perceber se as
estratégias implementadas estão a
ser eficazes)
Há necessidade de tornar
compreensível a linguagem
psicológica (pq os relatórios vão ser
lidos por outras pessoas)

Há exposição do processo/resultados
(aos juízes, advogados das partes e,
por xs aos media)

PÁGINA 7
Âmbito de actuação da Ψ Forense:

→ Peritagem forense (penal, cível, penitenciário…)


→ Testemunha em audiência de julgamento (sustentar parecer emitido ou
prestar esclarecimentos técnicos)
→ Acompanhamento de menores em tomada de declarações p/ memoria
futura
→ Intervenção c/ os intervenientes (vítimação, agressão) no âmbito judicial
→ Formação, investigação e divulgação na área da Ψ da justiça.

Q condições p/ o exercício deve ter o psicólogo Forense?

 Ter formação especifica e atualizada


 Conhecer/ estar familiarizado c/ a linguagem judicial, c/ o processo legal
e enquadramento jurídico, devendo estar sempre em actualização
permanente
 Assumir responsabilidade técnica pelo processo de avaliação/ parecer

Perfil do psicólogo forense

o O psicólogo forense tem de ter conhecimentos

o Saber tirar boas notas (notas q sejam úteis)

o Deve ser objetivo ((subjetivo) sermos capazes de nos abstrair pois por
xs estamos mt centrados no caso e podemos ã estar a ser neutros)

o Rigoroso

o Persistente

o Deve saber lidar c/ imprevistos

o Estabilidade emocional

o Estar atento a detalhes

o Saber comunicar

o Saber trabalhar em equipa

PÁGINA 8
o Considerar/valorizar a supervisão na sua prática

Problemas técnicos na avaliação psicológica forense

Necessidade de utilizar estratégias p/ superar a resistência e a mentira por


parte dos avaliados
o Estratégias multi-metodo (entrevistas com avaliados, checklists, testes
psicológicos)
o Triangulação de informação (através de outros informantes: PDJ,
familiares…)
o Estratégias p/ despistar simulação (ex: utilizar vários métodos para
perceber se há congruência no que foi dito)

Contornar artificialidade da avaliação (o contexto por ser todo especifico-


afecta a avaliação e é promotor de depressão, isolamento… portanto a recolha
cuidadosa da historia de vida, a partir do próprio e dos seus significativos
poderá ajudar a valorar o relato e a relativizar o estado atual do sujeito)

Viés cultural
o Ter atenção à formulação de juízos de valor implícitos sobre os
avaliados (ex: etnia cigana)
o Selecionar instrumentos ajustados aos recursos e capacidades dos
avaliados (pois os sujeitos s/ de meios socioeconómicos desfavorecidos
e pouco escolarizados)
o Ter atenção o próprio viés cultural dos técnicos, principalmente de estes
vierem de meios económicos e sociais mt ≠tes dos arguidos, isto pq
pode gerar dificuldades em perceber o ponto de visita daqueles sobre
os crimes.

Escassez de provas aferidas p/ a população portuguesa e especial/ p/ a


população forense
o “os instrumentos de avaliação melhor valiados s/, frequente/ os menos
relevantes p/ as questões legais”

Facto de frequentemente ser solicitado ao perito q se pronuncie sobre o


estado mental passado ou futuro do arguido, sendo q este apenas pode
falar do momento da avaliação e ñ no passado/futuro.

PÁGINA 9
Questões éticas na avaliação psicológica Forense

→ Falta de confidencialidade: é necessário q o técnico clarifique junto do


sujeito os limites de confidencialidade
→ Salvaguardar o princípio da intervenção mínima (avaliação psicológica
forense orienta-se por este princípio)
→ Separação dos papes de terapeuta/perito (avaliador)- (o psicólogo ñ se
pode realizar um parecer forense sobre alguém q acompanha c/o
terapeuta)
→ Gestão de dificuldades emocionais: híper-empatia (acontece c/
determinadas vítimas – por ex: crianças)

Boas praticas no processo de avaliação psicológica forense

1. Recolha de informação (q permita responder aos quesitos)


2. Analise/ integração da informação recolhida
3. Elaboração do relatório/ formulação do parecer
4. Revisão doa relatório por supervisão do parecer
5. Envio do relatório

Dificuldades:

→ Pedidos frequentes de intervenção


→ Dificuldades na marcação de sessões
→ Demasiado envolvimento c/ processos principalmente em situações de
elevado sofrimento da vitima ( híper envolvimento problema em ferir
a empatia na avaliação da vitima)
→ Exposição de informação sobre experiência de vítimação desconhecida
(por ex: explicar os kos sofridos numa situação de abuso sexual)

Desafios

→ Maior clarificação junto dos tribunais das potencialidades e limitações


das avaliações forenses (nem tudo tem resposta! os psicólogos
trabalham com hipóteses de trabalho! Ñ é possível dar um “SIM” ou 1 “
Ñ” ).
→ Validação p/ Portugal de instrumentos de avaliação especifica/ forenses
→ Maior investimento na formação de profissionais especializados na
avaliação forense
→ Celeridade (rapidez) na articulação tribunal- perito, sem detrimento da
avalidade (nem sempre trabalhamos ao mesmo ritmo q os tribunais
querem)

PÁGINA 10
Tomada de decisão do tribunal

Ψ Forense Exige o reconhecimento do psicólogo enqto profissional c/


competência necessária p/ poder providenciar 1 contributo
relevante em diversas situações judiciais

Usa os princípios da Ψ p/ avaliara e estudar o sistema, havendo aqui 1ª relação


de equidade e paridade entre a Ψ e o sistema judicial, em q desta relação
podem resultar mudanças na forma c/o o sistema judicial opera e, mesmo, ao
nível da legislação (Blackburn, 2006)

A Ψ Forense faz a interface entre a Ψ e o direito, pretendendo dar resposta às


questões cientificas e práticas q o sistema judicial coloca aos psicólogos. (0
objetivo é conhecer e ter conhecimento do direito (penal/cível) de forma a
poder responder aos requisitos q os tribunais colocam, sendo p/ isso
fundamental ter conhecimentos sólidos de Ψ).

A Ψ Forense + do q meramente cooperativa, isto é, ao serviço do direito e


vice-versa, coloca 1 ramo do saber ao serviço de outro, acarretando uma serie
de consequências ao nível:
→ Do entendimento e comunicação entre campos do saber ( por ex: o
direito define personalidade de ≠ forma da Ψ)
Especificidades
→ Da definição do cliente e dos objetivos da avaliação associadas à
→ Da diferenciado e especificidade da Ψ Forense qdo comparada c/ outros psicologia
campos da Ψ ( na Ψ Forense s/ necessários conhecimentos de outros Forense
campos da Ψ, c/o por ex: da Ψ Clinica)
→ Dos cuidados a ter no processo de avaliação ( por ex: perceber se há
mentiras)

Ψ e direito: q relação?

Psicologia Direito

Estuda Julga

Ko Humano

PÁGINA 11
Diferenças paradigmáticas e conceptuais entre a Ψ e o
direito q se situam a 4 niveis:

 Conceção da verdade
Na Ψ a verdade é apenas mas hipótese de trabalho q pode ser revisto
qdo ñ se tornar útil ao trabalho psicológico.
O direito procurar uma verdade única, ñ sendo questionável depois do
trânsito em julgado

 Conceção de causalidade
p/ a Ψ a causalidade é multifacetada pois qualquer k é visto c/o produto
de mts factores (a Ψ prefere falar em probabilidades)
p/ o direito, as causas s/ lineares 1ª x q procura as certezas, isto é, se o
individuo participou (ou ñ) nos episódios e atribuir o grau de culpa.

 Linguagem
Tanto p/ a Ψ c/o p/ o direito existem leituras ≠tes p/ os mesmos
conceitos. Por ex: no direito, fala-se em perigosidade c/o sendo uma
característica da personalidade
A Ψ fala em risco explicando q é mt + do q 1a característica de
personalidade, isto pq temos de atender a factores sociais, biológicos
(..) do sujeito

 Coneção da natureza humana


P/ a Ψ o ser humano é complexo/ multifacetado e, portanto, a
perspectiva da Ψ é difícil de ser aceite pelo direito, pois p/ este as
pessoas ou s/ boas ou más.
O direito vê a Ψ c/o uma ciência ambígua (pois ñ há verdades absolutas)
e, desta forma, surgem contradições em relação à Ψ.
Ψ o direito, o arguido, a vítima e a testemunha s/ tidos c/o “entidades
unitárias”, pois todas elas têm 1 objetivo comum: perceber-se X
individuo é culpado.

Distintos qto ao objeto, qto à área e as premissas de intervenção, qto aos


métodos, direito e psicologia entrelaçam-se pq ambos se debruçam sobre a
previsão, a explicação e o controlo do k humano

PÁGINA 12
Esse entrelaçamento é tanto maior:
→ Qto + a lei procura criar e potenciar mecanismos de prevenção de
condutas desviantes, de prevenção do litígio e do seu tratamento de
forma mediada

Situações de conflito + extenso no tempo


→ À medida q aumenta a complexidade social
→ Qto + se procurar q a resposta da justiça ñ seja mera/ declarativa ou
repressiva, mas sim promotora de novos kos e de novas relações
humanas e sociais
→ Qto + se entende q julgar é compreender

Deste entrelaçamento resulta tb uma maior exigência qto aos conhecimentos


disponíveis, uma maior exigência de tratamento individualizado de cada
situação tendo em vista a construção da resposta adequada a cada caso
concreto.

Enquadramento legal: a prova pericial

o A prova pericial, tanto em direito civil c/o em direito penal, é 1meio de


prova q visa “ a perceção ou a apreciação dos factos”, qdo parental se
mostrem necessários conhecimentos especiais q ñ integrem o âmbito
de formação especifica de quem tem de decidir, p/ o q s/ nomeados
peritos q possuem saber técnico-científico ou artístico exigido (Carmo,
2011)

“A prova pericial tem lugar qdo a perceção ou a apreciação dos factos


exigirem especiais conhecimentos técnicos, científicos ou artísticos” artº
151º CPP

A prova pericial pode ser:


→ 1 meio intermediado de aquisição do conhecimento dos factos
→ 1 meio de avaliação de factos q já s/ do conhecimento do tribunal
→ 1meio de aquisição do conhecimento e avaliação dos factos.

A prova pericial está ao serviço da investigação da reconstrução histórica do


acontecimento e da sua avaliação.

O seu objeto é limitado a 1 conj. de factos relacionados c/ base em critérios


jurídicos, tendo em conta as normas aplicáveis ao caso concreto

PÁGINA 13
A prova pericial pode ser solicitada pelo direito penal, direito civil e pelo direito
de família e menores

Perícia sobre a Perícia P/ avaliação especial


Recurso de
personalidade de interdição/inabilitação
informações,
relatórios e inquéritos
sociais

A tarefa do perito ñ consiste em estabelecer uma classificação q represente a


aceitabilidade ou inaceitabilidade legal da conduta do sujeito ou do seu
desempenho na avaliação psicológica

Consiste em descrever da forma + clara e precisa possível, aquilo q o sujeito


avaliado sabe, entende, acredita e pode fazer!

A força probatória da prova pericial é ≠te em direito civil e em penal:

→ A lei civil determina q a “força probatória das respostas dos peritos é


fixada livremente pelo tribunal” o tribunal pode afastar-se livre/ do
parecer dos peritos, sem justificar o seu ponto de vista
→ A lei penal determina q o “ juízo técnico, cientifico ou artístico inerente à
prova pericial presume-se subtraído à livre apreciação do julgador” e q
“ sempre q a convicção do julgador divergir do juízo contido no parecer
dos peritos, deve aquele fundamentar a divergência”
→ As entidades jurídicas dependem das suas intuições pessoa p/ chegar
a conclusões sobre o processo de decisão
→ As decisões judiciais podem ser inconscientes c/ base em factores
arbitários ou c/ base em questões q ñ estão directa/ relacionadas c/ as
considerações + importantes de 1 caso
→ É erróneo considerar q a tomada de decisão judicial traduz 1 processo
mecânico e total/ neutro de aplicação da lei. (isto, pq o ser humano ñ é
total/ dissociável das suas experiências e outros factores pessoais no
desempenho das suas actividades quotidianas ou da sua profissão)
→ C/o consequência, tb os decisores judiciais ñ s/puramente nacionais
durante o processo de analise e tomada de decisão judicial ( isto pq a
mente humana ñ reproduz a realidade mas sim perceções acerca da
mesma)

Em relação às perícias de avaliação psicológica parece suceder q as


perspectivas de valoração (decisão) tanto do perito c/o do relatório de
avaliação psicologica, diferem de magistrado p/ magistrado aquando da
tomada de decisão judicial

PÁGINA 14
O processo de decisão/valoração das perícias
psicológicas aponta p/ a procura da verdade

→ O poder judiciário defende q, o parecer o perito deve funcionar c/o 1


operador de verdade, q irá apenas constar qual a veracidade dos
factores e argumentos q se constituem c/o elementos de prova.
→ Embora toda a ciência seja inerente/ probalistica qto ao seu
entendimento da verdade, alei exige no mínimo, uma aparência de
certezqa abslota, associada ao facto de as decisões executadas em
âmbito legal de terem uma grande magnitude e um carácter irrevogável.

No entanto

A verdade p/ o psicologo é ≠ da verdade p/ os actores da cena judicial, pois


estes procuram antes demais os factos e subalternizam a realidade psíquica
do arguido +/- de acordo c/ as suas sensibilidades

1 dos problemas + básicos verificados na integração das conclusões perícias


em âmbito legal diz respeito ao carácter probabilístico das avaliações.

Ñ permite afirmar taxativa/

2º TESTE

Acompanhamentos de vitimas especial/ vulneráveis na tomada de declarações


p/memoria futura ( cap. do manual de Ψ forense)

Ñ ocorrem em audiência de julgamento e ñ s/ na presença do arguido! - apenas está


presente o juiz, advogados das partes e o procurador.

→ As declarações p/ memoria futura constituem uma exceção à regra da


imediação vigente no processo penal. Isto pq as declarações q podem
ser utilizadas c/o prova em julgamento (e portanto, p/ fundamentar uma
condenação) todo de ser prestadas na audiência de julgamento. (e
estas ñ s/ declarações p/ memoria futura)

Foram introduzidas pela uma x no código penal, em 1987, p/ casos de doença


grave ou de deslocação p/ o estrangeiro de uma testemunha q a impeça de ser
ouvida em julgamento

PÁGINA 15
Em 1998 foram alargadas as declarações p/ vítimas de crimes sexuais.

Em 1999, a lei de proteção de testemunhas criou normas especificas sobre a


participação em actos processuais de testemunhas especial/ vulneráveis

A vulnerabilidade pode resultar:

→ Da diminuída idade ( menores de 14 anos)


→ Do facto de “ter de depor ou prestar declarações contra pessoa da
própria família ou de grupo social fechado em q esteja inserida numa
condição de subordinação ou dependência”

Determina-se “ c/ vista a garantir a espontaneidade e a sinceridade das


respostas” q as declarações de testemunha especial/ vulnerável devem ser
prestadas “ o + breve/ possível após a ocorrência do crime”

Evitando a sua repetição


Seria ideal p/ preservar a memória, mas nem sempre acontece
por xs cria-se resistência, principal/ por partes das crianças: eu pensei
q isto já tinha acabado, então eu já fui à policia e à psicóloga

Declarações p/ memória futura – Art.º 271º


1. (…) nos casos de vítima de crime de trafico de pessoas ou contra a
liberdade e autodeterminação sexual, o juiz de instrução (…) pode
proceder à sua inquirição no decurso do inquérito, a fim de q o
depoimento possa se necessário ser tomado em conta no julgamento

2. No caso de processo por crime contra a liberdade e autodeterminação


sexual de menor, procede-se sempre à inquisição do ofendido no
decorrer do inquérito, desde q a vítima ñ seja ainda maior

3. Nos casos previstos no nº2, a tomada de declarações é realizada em


ambiente informal e reservado, c/ vista a garantir nomeadamente a
espontaneidade e a sinceridade das respostas, devendo o menor ser
assistido no decurso do acto processual por 1 técnico ( é o psicólogo)
especial/ habilitado p/ o seu acompanhamento, previamente designado
p/ o efeito

PÁGINA 16
Pq razão se recorre às declarações p/ memória futura?

→ A previsível impossibilidade de comparência à audiência de discussão


e julgamento, limitada, contudo às situações provocadas por doença
grave ou deslocação p/ o estrangeiro.

→ Pela natureza do crime q a pessoa vai depor foi vitima-crime de trágico


de pessoas e crimes contra a liberdade e autodeterminação sexual.
Em qualquer das situações se visa:
Impedir q se torne inviável a recolha de prova necessária ao
esclarecimento da verdade no caso destes crimes procura-se garantir a
genuinidade do depoimento e a proteção de quem o presta, atendendo
à natureza e às circunstâncias q envolvem tias realidades criminais
(Carmo, 2010)

“ o abuso sexual, + do q as outras formas de violência contra crianças suscita


debates e polémicas acesas em torno da memoria, do discurso e da
sugestabilidade” mostrando a investigação q “ a entrevista + exata é a primeira”
( a entrevista + exata é a primeira” , isto pq ao longo de outras entrevistas as
crianças tendem a concordar a/ as “questões” e “sugestões”-“ ele fez-te isto, ñ
foi?)

Devendo ser realizada:

o Inquirição em data + próxima possível dos factos ( p/ ser fidedigno)

o Ambiente informal e reservado c/ vista a garantir a espontaneidade e


sinceridade

o Direito a assistência por técnico especial/ habilitado

Apesar das inovações relativa/ ao regime anterior… a nova disciplina legal


mostra-se insuficiente/ densificada qto aos aspectos centrais:

 O momento da realização da audição e a admissibilidade, ou ñ de outras


inquirições no decurso do inquérito

PÁGINA 17
 Quem executa a inquirição, qual o papel do técnico obrigatória/
nomeado, quem assiste à diligência e em q condições, quem nela pode
intervir e de que forma

 As características do local onde se realiza a audição e os meios


utilizados p/ o registo desta

Insuficiente a recuperação na prática judiciaria das alterações introduzidas na


lei

Nos casos dos menores de idade q devam depor em processo por crime contra
a liberdade e autodeterminação sexual, a repetição do seu depoimento em
audiência de julgamento deve, por princípio, ser afastada (respeito pelas
razões q fundamentam a obrigatoriedade da realização das declarações p/
memoria futura).

Só poderá ocorrer c/ carácter de excecionalidade, se o tribunal a considerar no


caso em concreto imprescindível.

A repetição do depoimento de crianças vitimas de crimes contra a liberdade e


autodeterminação sexual na audiência de julgamento ocorre devido à “ questão
da credibilidade do relato q, curiosamente apenas se coloca p/ a criminalidade
sexual” ( menor capacidade p/ depor e tb de uma maior porosidade às
influências externas e à fantasia- ainda q seja uma crença do q propriamente
a verdade)

A inquirição de menores vítimas de abuso sexual


A participação da criança no processo judicial + impreparação (falta de
preparação) técnica e física do sistema jurídico p/ a recolha do seu testemunho
leva a um debate público e profissional

A investigação e aprática profissional sugere q:

A participação judicial:

→ Fomenta o sentido de agencialidade (capacidade de decidir, de agir),


poder e justiça p/ as vítimas (a criança sente q tem um papel importante
no papel de fazer justiça)

PÁGINA 18
→ O envolvimento dos menores ≠te no processo judicial poderá tornar-se
uma fonte de vítimação secundária- desencadeando sintomatologia
ansiosa
Isto pq trata-se de uma tarefa demasiado exigente e p/ a qual a maior
parte dos menores ñ se encontra emocional/ preparada ( a tarefa de
prestar declarações perante juiz é mt exigente e é normal q as crianças
se sintam mal/ ansiosas)

Devido a isto tudo, torna-se impreterível a:


Necessidade de garantir e assegurar uma abordagem especializada a
estas crianças neste domínio os psicólogos poderão desempenhar 1
papel importante, sendo futural.

Vítima vulnerável Sistema orientado p/ adultos

Criança A justiça é 1 sistema orientado p/ adultos ( e


as xs nem isso)

Testemunhas em tribunal c/o momento particular/ ansiógeno, podendo potenciar (maior)


impacto negativo

Problemas inerentes ao dispositivo judicial (q s/ potenciadores de grande


desconforto p/ as vítimas):

→ Desadequação dos espaços


→ Exigências feitas à vítima no processo-crime (isto é a quantidade de xs
q a criança tem de falar, a quantidade de tempo q demora…)
→ Natureza (precária) das medidas de proteção
→ Impreparação do sistema jurídico p/ recolha do seu testemunho

Necessidade de abordagem especializado à menor vítima

Apesar da relevância atual da participação da criança no dispositivo legal,


durante vários anos o testemunho de menores vítimas foi ignorado ou
menosprezado pois achavam q os menores eram incapazes de
testemunhar ou eram + vulneráveis, devido á sugestionabilidade
(anteriormente)

PÁGINA 19
A investigação actual aparece contradizer estas
asserções:
 as crianças poderão apresentar ótimas competências comunicacionais
e testeminhais, bem como maoir capacidade de discernimento;
 ñ são tão sugestionáveis c/o se afigurava

No entanto, alguns elementos podem aumentar a sua sugestionabilidade

Quais?

✓ Atitude do entrevistador face à criança (ex: atitude intimidatória,


coersiva ou intolerante)
✓ Uso frequente de vocabulário jurídico ininteligível para a criança (temos
de adequar a linguagem)
✓ Tipo de questões q lhe são colocadas ( ex: repetição persistente da
mesma questão, colocar questões ñ centrais),( pode ser necessário
fazer às crianças questões diretivas mas ñ podem ser sugestivas!)

C/ efeito, a investigação comprova a necessidade e a importância de, na


Inquirição se atender ás especificidades desenvolvimentais, à sua
sugestionabilidade e competências comunicacionais.

(os juízes deviam ter formação de “c/o devem preguntar”, “o q deve


perguntar”, “ o q ñ devem perguntar” …)

Das ≠ças etapas desenvolvimentais

❖ Crianças em idade pré-escolar (0-5 anos) são particular/ vulneráveis


à sugestão! Devem-se ter cuidados específicos no seu
questionamento ( qto ao conteúdo, à forma e ao contexto das
perguntas formuladas)
❖ Em crianças em idade escolar (5-11 anos) estes cuidados
anteriormente descritos tb devem ser considerados! São tb
vulneráveis e portanto, devemos ter cuidado c/ a sugestionabilidade,
capacidade narrativa é + diminuída.
❖ Os adolescentes (a partir dos 11 naos) têm um desempenho
equiparado ao dos adultos. Apenas diferem em alguns aspectos: ≠te

PÁGINA 20
expressão emocional (maior embaraço), autoestima estratégias de
coping.

Se a criança sentir o ambiente c/o positivo e securizante então há facilidade na


superação das adversidades em tribunal, associadas à tarefa de testemunhar.

A qualidade do testemunho dos menores tem sido associada a 1ª


multiplicidade de factores q poderão ñ só determinar o:

→ Contributo ( positivo ou negativo) da criança no processo; como o


→ Impacto q o processo poderá ter sobre a criança

A literatura sugere a necessidade de se intervir em 3 vetores


fundamentais:

Interlocutores+ criança+ espaço físico judicial

Intervenção

Orientações gerais a considerar no procedimento de


inquirição p/ memoria futura

Os profissionais da Ψ e, + concreta/ da Ψ forense, podendo fornecer 1


contributo importante, tendo em conta os seus conhecimentos técnicos e
científicos específicos (ex: competências de avaliação psicológica e
intervenção c/ vítimas, conhecimentos acerca dos trânsitos judiciais,
competências especificas de questionamento…)

É fundamental a nomeação de técnico seja em tempo útil e oportuno devendo


este preparar toda a diligência, isto é, reunir informação sobre o caso de forma
a ter 1ª visão global da situação em apreço e, neste sentido preparar e
personalizar a sua intervenção de forma + adequada.

PÁGINA 21
Deve-se evitar q a vítima e o agressor se cruzem nas instalações do tribunal
de forma a reunir as condições contextuais mínimas p/ a implementação do
apoio á criança, aquando do procedimento de inquirição p/ memoria futura.

O procedimento deve ser realizado o + breve possível após a ocorrência do


crime da vivência abusiva pela criança.

Intervenção c/ a criança
1. Momento pré-inquirição
→ Estabelecer 1ª relação de confiança
→ Preparar a criança p/ a diligência, esclarecendo o significado
deste momento
→ Fazer 1ª avaliação desenvolvimental global da criança
→ Preparar a criança, familiarizando-a c/ o funcionamento do
dispositivo judicial:
• Detlhar a forma c/o deve comportar-se em tribunal
• Explicar-lhe os seus direitos e deveres
• Enumerar e referir o dignificado de alguns termos técnicos
• Explicar quem está presente durante a inquirição e as
funções
→ Apoiar o evocar e o comunicar da informação, podendo explicar-
se à criança o significado e a importância dos conceitos básicos
(ex: o quê, quem, onde, c/o…) p/ a compreensão de 1 relato
→ Regular/reduzir a ansiedade associada ao testemunho em
tribunal (devem ser ensinadas e trabalhadas c/ as crianças
estratégias de redução da ansiedade p/ a ajudar a lidar c/ os
momentos antes, durante e após o seu depoimento)
→ Promover/aumentar a resistência a eventuais questões
sugestionáveis:
• Explicar à criança q é normal e natural ñ saber responder a
toas as questões colocadas e q responder “ ñ sei” ou “ ñ
me lembro” são perfeita/ aceitáveis
• Explicar q, por xs podem ser feitas questões q possam
confundir e q, nesse caso devem parar p/ pensar e só
depois dar 1ª resposta

2. Momento da inquirição
→ Monitorizar o k da criança
• Identificando sinais de desconforto emocional e solicitar
interrupção da diligência p/ regular a ansiedade

PÁGINA 22
• Providenciando algum tipo de feedback relativamente à sua
prestação

3. Momento pós-inquirição
→ Elogiar e reforçar o k da criança, dar feedback a eventuais
dúvidas e fazer diminuir a tonalidade emocional do
acontecimento
→ Devolver feedback aos pais sobre o desempenho da criança
(pois estes tb vivenciam este momento c/ mta ansiedade)
→ Promover 1 suporte parental adequado

Interlocutores judiciais
1. Momento pré-inquirição
→ Articular c/ o sistema judicial p/ a inquirição
→ Informar o tribunal acerca da avaliação desenvolvimental global
realizada à criança ( q foi feita no momento da pré-inquisição)
→ Devem-se ter cuidados na forma de questionamento da criança,
sobretudo:

• Postura do inquiridor (ex: privilegiar 1ª postura


empática ñ confrontativa e informal, atender ao
estado emocional da criança e valorizar e
reforçar o seu depoimento
Fornecer
informações • Número de inquiridores: a importância de ser
sobre: apenas 1ª pessoa a efetuar o questionamento, p/
isso é sugerido q todos os intervenientes na
diligência comuniquem, previamente as
questões e/ou dimensões dos factos q querem
ver esclarecidas (junto da criança) ao magistrado

→ Orientações p/ o questionamento ( é importante q os citores judiciais


tomem consideração as múltiplas orientações q são essenciais no
questionamento de crinaças)

I. Privilegiar pelo menos 1ª fase inicial, o uso de questões + abertas


(por ex: “o q aconteceu?”)

PÁGINA 23
II. Usos de 1ª linguagem fácil p/ a criança p/ q ela compreenda o q
lhe foi perguntando (por ex: pedir à criança p/ definir determinado
conceito)

III. Evitar repetir questões e/ou respostas de forma a q a criança ñ


pense q deu a resposta “errada” / pretendida e altere

IV. Evitar questões c/ “porquê” pois pode ser entendido c/o critica ou
c/o forma de responsabilizar (culpabilizar o menor)

V. Evitar questões formuladas na voz passiva ou activa, de formato


sim/ñ (sobretudo c/ crianças em idade pré-escolar (0-5) por
serem + vulneráveis à sugestão), de escolha múltipla, c/múltiplas
partes ( ex: “ qdo é q isso aconteceu e quem estava presente?”)
ou mt abstratas (ex: “ o q pensar de situações desta natureza?”

VI. Fornecer 1 enquadramento narrativo e 1ª estrutura lógica p/ o


relato, essencial/ aquando da inquirição de crianças + novas (ex:”
antes foi assim “ e “depois”)

2. Momento da inquirição
→ Monitorização ou assumir 1ª intervenção ativa no processo de
questionamento

• Assegurar q a forma de questionamento é ajustada ao


nível de desenvolvimento da criança
O técnico
deverá
• Gestão equilibrada da inquirição e avaliar a
necessidade de eventuais pausas

• Ter 1 envolvimento + activo ( ex: eventual inquirição


O técnico da criança) se o magistrado assim o entender, devido
poderá à sua preparação técnica no questionamento e
interação com vítimas.

PÁGINA 24
3. Momento da inquirição
→ Partilhar de informações entre técnico e intervenientes judiciais:
• Analisar e discutir o desempenho da criança e eventuais
vulnerabilidades/fragilidades inerentes ao estilo de
questionamento adotado e à postura face à criança.

O objetivo é:

Aperfeiçoar a abordagem adotada em procedimentos futuras

Espaço físico judicial

1. Momento pré-judicial
→ Providenciar 1 espaço adequado p/ o 1º acolhimento ao menor (
necessidade de criar espaços adequados e próprios p/ o
acolhimento da criança em contexto judicial, + concreta/ a
existência de 1 espaço físico q esteja equipado c/ materiais lúcidos
a utilizar na interação c/ aquela);
→ Providenciar espaço adequado p/ a inquisição (importa sensibilizar
o juiz p/ a inquisição do menor num espaço menos formal e onde
este se possa sentir + à vontade)
→ Diminuir os formalismos legais inerentes a este procedimento
(através da ñ utilização de determinados tipos de vestuário- bem q
a criança seja questionada apenas por 1 espaço; os restantes
elementos pudessem estar presentes, mas numa sala q estivesse
1 espelho unidirecional)
→ Fazer 1ª visita guiada ao espaço da inquirição ( c/ o objetivo de
permitir 1ª maior familiarização face ao contexto indicial e diminuir
sentimentos de imprevisibilidade. Pode ser explicado onde ela irá
ficar sentada e onde estarão os restantes intervenientes)

Constrangimentos à implementação prática

❖ Ausência de recomendações especificas (tem a ver c/ questões


básicas c/o *. A ausência de recomendações refere-se ao papel de cada
1 durante a inquirição e , daí, q depois o procedimento acabe por variar
de juiz p/ juiz , de técnico p/ técnico / é o constrangimento principal).

Os tribunais solicitam cada vez + o contributo dos profissionais de Ψ na


elaboração de perícias forenses e, portanto, há 1 progressivo

PÁGINA 25
estreitamento das relações entre Ψ e o direito. Contudo, no q se refere
ao procedimento de inquirição p/ memoria futura, alguns esforços ainda
são necessários p/ otimizar a relação e colaboração entre a Ψ e a
justiça.

A ausência de recomendações especificas tem levado a q a actuação


dos magistrados judiciais e dos profissionais, q são chamados a c
lobarar, seja pela experiência pessoal e pelas idiossincrasias de cada
1.
→ Momento de realização da audição e admissibilidade, ou ñ , de outras
inquirições no decurso do inquérito;
→ * Quem executa a inquirição?
→ * Qual o papel do técnico obrigatória/ nomeado?
→ * Quem assiste à diligência e em q condições?
→ * Quem nela pode intervir e de q forma?
→ * As características do local onde se realiza a audição.
→ * Os meios utilizados p/ o registo da mesma.

Psicologia criminal: a personalidade criminal


• Emergência do conceito de personalidade:
→ A personalidade criminal foi inicial/ estudada pela psiquiatria e a sua
penetração no domínio penal foi através de estudos de homicidas q
eram chamados de “monomania homicida”
→ O conceito tb foi desenvolvido pela escola antropológica italiana
→ + tarde foi desenvolvido pelas ciências psicológicas, nomeada/ a
psicanálise ( 5 linhas de estudo)

Linhas de estudo da personalidade criminal (séc. XX)

→ Linha psicológica
Psicopatia
• Conceitos centrais
✓ Havia crime na ausência de perturbação intelectual
ou delírio (eles sabem o q fazem mas ñ se
A q levou a 1a
importavam c/ os outros )/ alucinações
✓ Leitura do desvio c/o perturbação do carácter e da
moral
✓ Ênfase na predisposição biológica (+ tarde
encontram-se causas ambientais)

PÁGINA 26
• Psicopatia VS personalidade antissocial
✓ Partilham de características comuns, mas ñ são a
mesma coisa! (violam os direitos dos outros)
✓ A psicopatia (antigamente chamada de “mania sem
delírio”)
• É 1 perturbação mental
• Os indivíduos ñ tem empatia pelos
outros, mostram ações atípicas e
agressivas, ñ têm remorsos

Hare VS Cooke

Refere q a psicopatia é Refere q a psicopatia é constituída


constituída por 4 factores: por 3 factores:

→ Factor interpessoal → Factor interpessoal


→ Objetivo → Afectivo
→ Estilo de vida → Estilo de vida
→ Antissocial

Hare identificou 2 factores:

Faceta clínica Faceta Antissocial

Factor afectivo Estilo de Antissocial


interpessoal vida

Hare refere q a expressão kortamental é 1ª componente da psicopatia

Mas Cooke refere q a leitura q Have faz ñ é a + cometa!

 Cooke refere q a componente antissocial é + autológica ( é circular) e,


portanto, a componente antissocial é 1ª consequência e ñ 1 sintoma!!

PÁGINA 27
• Existência de controvérsias em torno do conceito:

→ Adaptação (aquele a se adaptaram ñ foram apanhados prática do


crime) VS inadaptação social
→ Psicopatia VS desordem de personalidade antissocial

• Foi 1ª designação
alternativa ao termo
psicopatia

• Refere-se a indicadores
kortamentais associados à
perturbação

• Esta linha explica a psicopatia c/o sendo:


→ Incapacidade de aprender c/ a experiência
→ Ausência de sentido de responsabilidade
→ Incapacidade de estabelecer relações significativas
→ Dificuldade em controlar os impulsos
→ Antissocialidade
→ Ausência de culpa
→ Imaturidade emocional
→ Autocentração
→ A punição ñ modifica o k

Hare:

Faceta clínica: Faceta Antissocial:

• Loquocidade/encanto superficial • Necessidade de estimulação


• Sentido grandioso do valor de si • Estilo de vida parasita
próprio
• Mentir patológico • Deficiente controlo kortamental
• Estilo manipulativo • K problemática precose
• Ausência de remorsos • Ausência de objetivos realistas
• Superficialidade afetiva • Impulsividade
• Ausência de empatia
• Ñ se responsabilizam pelas suas
ações

 Kortamental sexual promisco


 Relacionamentos conjugais numerosos e de curta duração
 Versatilidade criminal

PÁGINA 28
• Problemas c/ o conceito:
→ Circularidade explicativa
→ Tradução cientifica de 1 julgamento moral
→ Incapacidade de explicar mts delitos

→ Linha Analítica/ dinâmica


Bowlby, Winnicott

Bowlby
Explica a personalidade
→ Privação materna
criminal através da infância e
→ Falha no processo de vinculação
experiências precoces

Winnicott

→ Incapacidade de brincar e de simbolizar em crianças (adultos


têm ks desviantes)
→ Roubo c/o expressão de falta afetiva em crianças
→ Delinquência por desejo encoberto de limites (devido à baixa
supervisão parental)

Aichom

→ Vida infantil desorganizada/pouco supervisionada


→ Falha no estabelecimento de relações emocionais precoces
→ Falha no processo de socialização

• Teoria da frustração- agressão (Magargee)


➢ Agressão ofensa de outrem
➢ Frustração interferência q interrompe 1 k direcionando p/ 1 objetivo
pretendido / valorizado.

A “força” da frustração
Aumenta c/ valorização do k frustrado
Número de frustrações
Na presença do “responsável” pela frustração

A “força” da inibição é tudo maior qdo maior os castigos antecipados;

PÁGINA 29
➢ Qto maior a inibição perante o “responsável” pela frustração, maior a
probabilidade de agressões indiretas ou deslocamento da agressão
➢ Após a resposta agressiva existe 1ª redução da instigação
(probabilidade) p/ a agressão

(A)- instigação p/ agressão (somatório das motivações q impelem p/ a


agressão)

(H)- hábitos de agressão (tendências agressivas adquiridas através


aprendizagem directa ou social)

(I)- inibições da agressão (somatório de fatores q opõe à agressão, ex:


perceção de custos associados à resposta agressiva, valores “ anti violência”,
identificação c/ a vitima)

(Sa)- factores situacionais ativadores/facilitadores da agressão

(Si)- factores situacionais inibidores da agressão

Segundo esta teoria o k agressivo surge:

(A) + (H) + (Sa) ˃ (I) + (Si)

Qdo estes níveis = acontece agressão qdo é ao contrario ñ


são + altos do q

• Limitações à linha Analítica/ dinâmica

Dificuldade em explicar todo o tipo de criminalidade

→ Linha Diferencial/Clinica (define a personalidade c/o 1


conjuntos de traços)

Eysenck, Pinatel, Le Blanc & Fréchéte

• Personalidade Criminal
➢ Deliquencia explicável por 1ª estrutura especifica de
personalidade, mas ñ por psicopatologia
➢ Diferenças de grau num conjunto de traços identificáveis
na população em geral

PÁGINA 30
Neuroticismo
Eysenck
Extroversão
✓ Existem 3 factores p/ o temperamento
Psicoticismo

✓ O k resulta da interação de factores biológicos, de personalidade e


ambientais, sendo q há particular atenção aos factores biológicos.

✓ Segundo este autor os delinquentes nascem c/ diferentes


características ao nível do SNC, isto é, têm menor capacidade de
aprender e menor condicionabilidade

• Maior neuroticismo (labilidade emocional)


• Ertroversão- menor ativação do SNC (incapacidade de aprender c/
a experiência; maior tolerância à dor)
• Maior psicoticismo (solitários, cruéis, insensíveis)
• Baixa inteligência (dificuldade em aprender regras e perceber a
punição)

Portanto, Neuroticismo + Extroversão = crimes

Neuroticismo + Extroversão = crimes

Neuroticismo + Extroversão = crimes

Neuroticismo + Extroversão = crimes

Verificou ainda que:

Psicoticismo + Extroversão + Neuroticismo = psicopatia primaria ( falta de


empatia de remorsos, mentiras e egoísmo)

Psicoticismo + Extroversão + Neuroticismo = psicopatia secundária (baixa


tolerância à frustração, estilo de vida auto-destruitivo, q leva a + ansiedade)

PÁGINA 31
Limitações a estas descobertas de Eysenck

• Reduzida evidência empírica


• Negligência de factores ambientais (centra-se nos factores
biológicos)
• É determinista

Pinatel

Teoria da personalidade criminal

➢ Traços de origem psicológica, psicomoral e psicossocial, onde os


delinquentes apresentam 1 limiar(limite) delinquencial + baixo q os ñ
delinquentes, q pode explicar a sua maior propensão p/ delinquir

 O criminoso distingue-se pela sua “aptidão p/ a passagem ao acto”,


 Esta aptidão exprime-se por 1ª dada estrutura de personalidade
 É 1ª estrutura especifica da personalidade criminal, qdo é equiparável a 1ª
psicopatologia
 A personalidade é descrita por traços psicológicos

Existência de 1 nó central, q é composto por 4 dimensões:

Egocentrismo, labilidade, agressividade e indiferença afectiva

Existência de variantes: actividade, aptidões, necessidades

Nó central governa a passagem ao acto

Variantes orientam as diferenças modalidades de passagem ao acto

Para Pinatel a personalidade trata-se de 1ª estrutura dinâmica cujo núcleo é


constituído pela reunião e associação de 4 elementos dos quais nenhum é
anormal em si mesmo, no entanto encontram-se numa intensidade e grau
superior à média, q operam na ação e interação entre si.

PÁGINA 32
Personalidade criminal = nó central + variantes

Problemas c/ o conceito de personalidade de Pinatel:

➢ Inconsistências qto ao nº e tipo de traços (ele apenas indicou as


variantes e as 4 dimensões, e ñ os traços)
➢ Resultados inconscientes c/ os testes de personalidade
➢ Amostras são enviesadas (pois são constituídas por reclusos)

Le Blanc & Fréchéte

A personalidade delinquente constitui 1ª estrutura especifica q se sobrepõe


em certos indivíduos (aos q cometem crimes) a outras estruturas da
personalidade e apenas esta permite a passagem ao acto

✓ Síndrome da personalidade delinquente


• Constituído por componentes psicodinâmicos diversos, q
concedem ao seu k delitivo 1 sentido ≠ :
 Egocentrismo (centro dos componentes)- através dos
componentes medializam-se os factores sociais
 Delinquentes
- traços (sintomas) criminalóides enraizamento
criminal
Os traços convergem c/ 1 efeito geral de
consolidação recíproca q multiplica a sua força de
activação criminogénia. Este enraizamento manifesta-se
numa dissociação q perdura e num egocentrismo
exacerbado (individuo c/o centro de tudo e q desconsidera
as vontades dos outros)

Estes traços levam a q o individuo rompe c/ a sociedade e q haja q 1 bloquei


da comunicação interpessoal

Assim, delinquente seria alguém q tivesse personalidade egocêntrica

PÁGINA 33
Personalidade egocêntrica

• Surge deste enraizamento criminal


• Manisfesta-se através da forma c/o se inicia e continua o processo de
actividade criminal

➢ Activação (estímulo q despolta q o sujeito se envolva no crime)


➢ Agravamento (gradual severidade dos actos – aumenta a
frequência e a gravidade dos actos / acontece sempre no 1º ciclo
e nos seguintes)
➢ Saturação (ocorre normalmente na fase adulta, onde o sujeito
chega a 1 ponto q reduz os crimes)
• A delinquência caracteriza-se pela precocidade, frequência, duração e
variedade criminal (os sujeitos começam a manifestar ks na 1ª infância
c/o por ex: mentiras)

Para além desta perturbação egocêntrica, existem factores disfuncionais do


meio q influenciam as crianças, adolescentes e jovens: (diferenciando-se de
Pinatel)

 Factores preditores- família e meio socioeconómico


 Factores precipitantes- escola e espaços de tempos livres
 Factores desencadeados- pressão social, influencia de pares marginais,
envolvimento c/ condutas / k desviantes

→ Linha Cognitiva
Yochelson, e Somenow

Distorções cognitivas promovem 1 estilo de vida criminal

Beck et al. Identificou esquemas de pensamentos disfuncionais, q se dividem


em 2 grupos:

 Visão do self: solitário, autónomo, forte


 Visão dos outros: vulneráveis ou exploradores

Assi, os indivíduos q cometem crimes têm 1ª visão de si (do self) c/o solitários,
autónomos e fortes, e 1ª visão dos outros c/o sendo vulneráveis ou
exploradores.

PÁGINA 34
Yochelson, e Somenow identificaram 2 elementos importantes no
pensamento criminoso:

1. Padrões de pensamento criminal


➢ Semelhantes a “traços de personalidade”
➢ Ñ são exclusivos dos criminosos, mas eles atingem níveis e 1ª
associação q ñ se encontram nos sujeitos normativos

Ex: energia, medo, estado zero, revolta, orgulho, mentira, perfecionismo

2. Erros de pensamento (q na visão do criminoso ñ são erros, p/ ele está


tudo bem)
➢ Automatismos de pensamento
➢ Ñ são erros do ponto de vista dos criminosos. P/ eles são 1ª
forma de pensar coerente e lógica.

Ex: têm 1ª mente mt fechada, “ñ posso”, papel de vítimas, falta de perspetiva


do tempo, incapacidade de se colocar na posição dos outros/ de considerar q
prejudica os outros / de assumir obrigações, medo do medo, falta de confiança,
fraca capacidade de tomar decisões.

Indicadores de mudança do pensamento criminoso:

➢ Menos queixas
➢ Assumir menos o papel de vítimas ou de vitorioso
➢ Dissociar-se dos grupos criminais
➢ Utilizar menos o caldo de rua
➢ Procurar ajuda, reconhecer problemas, ser auto-crítico

Problemas/ Críticas

➢ Reproduz modelos anteriores (ex: psicopatia)


➢ Apenas refere os défices (e ñ as potencialidades)
➢ Baseia-se em apenas 240 ofensores, considerados “ñ culpados por
razão de insanidade”

4 aspectos fundamentais

1. Condições (q podem ser pessoais e/ou sociais)


➢ Vinculação social
➢ Necessidade de excitação/busca de estímulos

PÁGINA 35
➢ Autoconceito (se o sujeito tiver 1ª imagem de si boa, consegue
dominar os outros)

2. Escolha: o individuo escolhe envolver-se no crime


➢ p/ evitar responsabilidade
➢ pq tem dúvidas sobre as vantagens de 1 ko convencional
➢ tem sentimento de incompetência ( em kos pró-sociais, c/o
envolver-se na escola)
➢ pq fazem 1ª ponderação entre custos VS ganhos

3. Cognições: (walters pega nas cognições desenvolvidas por Yocheyon e


Somenow)
➢ Autodesculpabilização (“pq ele quis”, “ pq ela procurou”)
➢ Curto-circuito (afastamento e eliminação de emoções, tentam
evitar ter medo)
➢ (auto-) permissividade (pode fazer tudo e ter todo o tipo de K)
➢ Controlo do meio
➢ Sentimentalismo (aparentar ser 1ª boa pessoa)
➢ Superotimismo (visão irreal das suas competências)
➢ Indolência cognitiva (reduzida apetência p/ pensarem a longo
prazo e é tudo c/ base na lei do menor esforço)
➢ Inconsistência ( pouca preserverância ou capacidade p/ levar a
cabo 1ª tarefa, desistem se houverem dificuldades).

4. ko
➢ violação de regras sociais
➢ intrusividade interpessoal
➢ irresponsabilidade

Segundo Walters, o estilo de vida de 1 agressor caracteriza-se pela:

 irresponsabilidade na escola, no trabalho e em casa


 propensão p/ o envolvimento em atividades marcadas pela indiferença,
a desinibição, a impulsividade e a autorresponsabilização
 inicio precoce na violação de normas, regras e costumes sociais e
ofensas aos direitos e à dignidade das pessoas.

PÁGINA 36
Estas crenças irracionais tendem-se a associar a padrões de k específicos q
determinam o estilo de vida criminal:

Auto desculpabilização + curto-circuito responsabilidade

(Auto) permissividade + do meio intrusividade interpessoal

Sentimentalismo + superotimismo autoindulgência (capacidade de


perdoar os próprios erros)

Indulgência cognitiva + inconsistência violação de regras sociais

Walters e White elaboram o processo desenvolvimento criminal, isto é “ c/o se


dá o acto criminoso”:

 ponto de partida
 iniciação do processo
 validação processual
 fase processual (cognitiva)
 Ação final ( o k criminoso)

→ Propostas fenomenológicas/Construtivistas (surgem


c/o resposta às linhas diferenciais)
De Greef, Debuyst

De Greef (1950)

Os crimes dão-se pois existe, nestes criminosos, 1ª predisposição p/ reagir


antissoacialmente a 1 certo estimulo, em concordância c/ experiências
passadas consistentes na presença de 1 forte sentimento de injustiça padecida
pelo individuo.è infligida, sobretudo pela sociedade ou pelas instituições
(através de sentenças de tribunais, discriminação e exclusão) ou por 1ª
alteração do modo de estar vinculado ao meio ambiente.

Traços de personalidade comuns à personalidade de todos os delinquentes:

➢ Imaturidade psicoafectiva
➢ Imaturidade do ego (egocentrismo)
➢ Extrema dificuldade em estabelecer relações interpessoais

PÁGINA 37
Debyst (1977,1981,1989)

➢ Critica o conceito de personalidade criminal tal c/o ele é definido pelos


teóricos da linha diferencial, dizendo q é 1ª construção ingénua do real
e q se reduz de forma inaceitável, isto pq estes teóricos têm 1ª conceção
estática q ñ traduz a heterogeneidade das pessoas e dos seus actos

Refere-se q a delinquência e a criminalidade devem ser analisadas a partir de


3 aspectos:

1. A oposição q o sujeito ocupa na sociedade


2. Os processos q daí resultam bem c/o as características do contexto e
as suas interações múltiplas
3. As características da personalidade do individuo

Aqui o conceito central é o processo, e ñ a determinação ou a causalidade c/o


nas abordagens anteriores

Portanto, temos de analisar as ações num tempo histórico e de forma


contextual, onde as ações só adquirem sentido assim.

Criminalidade ñ é 1fenómeno uno nem estático! (seria ingénuo acreditar q


apenas as características seriam úteis p/ analisar o acto criminoso! Deve-se
ter em conta o contexto!)

O papel do psicólogo da justiça na reinserção social

Agressores conjugais: características e perfis

✓ O agressor conjugal padece de alguma perturbação emocional ou


distúrbio da personalidade

PÁGINA 38
Tipologia e perfis:

 A violência é 1 acto volitivo (as pessoas podem optar por outros tipos k)
 Existe 1 heterogeneidade ao nível dos perfis dos agressores:
• Apenas 25% apresentam perturbação psicológica ou da
personalidade significativa
• 7% a 14% apresentam traços psicopatológicos
• 50% ñ apresentam perturbação ou défices significativos ao
nível do funcionamento
A grande maioria destes indivíduos estão bem inseridos na
sociedade e só agridem as companheiras no sentido de
exercer domínio e controlo sobre o outro!

➢ Baixa assertividade
➢ Baixa autoestima
➢ Défices ao nível das competências sociais
➢ Dificuldades no controlo dos impulsos
➢ Distorções cognitivas

Existem 3 tipos de agressores conjugais:

1. * Limitados à família – menos violentos, ausência de distúrbios da


personalidade, baixo/moderado consumo de substâncias, baixo
envolvimento noutros crimes, raiva moderada - 50%

2. Distóricos-borderline - vidência moderada a severa, baixo/ moderado


envolvimento noutros crimes, tem estruturas de personalidade
borderline ou esquizoide, raiva elevada - 25%

3. Violentos/antissociais- grupo + violento, formas de violência severa,


desordem da personalidade antissocial ou psicopatia, elevado
envolvimento noutro tipo de crimes, consumo de substâncias elevado,
raiva moderada – 25%

Mais tarde surge 1 outro tipo:

4. Baixo nível antissocial- q se situam entre os limitados à família * e os


geralmente violentos/ antissociais

“O agressor conjugal é alcoólico/abusa do álcool”(nem todos os bêbados


batem, nem todos os q batem são bêbados)

PÁGINA 39
Consumos de álcool:

~ 50% dos agressores apresentam consumos de álcool em excesso

60% dos casos de violência severa contra parceira ocorreram sob o efeito de
álcool. ( ñ é o álcool q motiva a violência! Existe é 1ª maior probabilidade de,
enqto bêbados tenderem a usar violência + severa!)

Q agressores conhecemos?
Existe 1 efeito desinibidor do álcool!
-baixa escolaridade
A relação álcool- violência conjugal é controversa
-baixo nível socio-económico

“ o agressor conjugal ñ apresenta motivação p/ a mudança”

Motivação:

De 1 modo geral, por mt q prometam os agressores conjugais:

➢ Revelam baixa motivação p/ a mudança


➢ Ñ reconhecem o seu k abusivo c/o problemático
➢ Ñ reconhecem o impacto do seu k abusivo em si, na vitima e noutros
elementos,
➢ Têm dificuldades no “pedido de ajuda” – vergonha (o factor de pedir
ajuda leva a q o sujeito se denuncie e, c/o é crime público já ñ o faz, isto
é, já ñ pede ajuda.)

A motivação é 1 pré-requisito p/ a mudança!

“ C/ os agressores conjugais devem ser usadas estratégias confrontativas!”

Estratégias de intervenção:

Devemos ter 1a :

➢ Aceitação positiva do cliente/agressor


➢ Autenticidade e congruência
➢ Empatia (é fundamental)
➢ Assertividade
➢ Responsabilização VS culpabilização (ñ interessa de quem é a culpa!
Interessa é quem é o responsável pelo k! desta forma, o objetivo ñ é
culpabilizar, mas responsabilizar)

PÁGINA 40
Empatia, cordialidade, recompensa e diretividade = eficácia do tratamento

Confrontação = eficácia do tratamento

As estratégias confrontativas na reabilitação/ ressocialização de agressores


conjugais promovem a resistência face à intervenção

“Ñ é possível reabilitar/tratar 1 agressor conjugal! 1 agressor nunca


muda…”

Mudança: vários estudos mostram

➢ O homem agressor pode mudar atitudes e kos e (re) aprender formas


de relacionamento interpessoal ñ violento
➢ Agressores q participam em programas de intervenção adquirem
competências pessoais e sociais
➢ Homens integrados em programas de intervenção apresentam 1ª
redução na reincidência:
• Modelo risco-necessidades-responsividade
• Modalidade de intervenção (em grupo ou individual)
• Modelo de intervenção

➢ Eficácia da intervenção c/ agressores conjugais:


• Segundo vários estudos verificou-se q os agressores conjugais
tratados reincidem menos (têm + baixa %) do q os ñ tratados
(reincidem +).
• A investigação mostra q os programas de cariz cognitivo-
kortamental têm maior eficácia em grupo!

Estudos + actuais falam-nos de 1ª técnica que se chama:


Entrevista motivacional

➢ Tem c/0 objetivo promover a mudança, podendo ser feita


individualmente ou em grupo (é + eficaz)
➢ O q se faz habitual/ é utilizar as técnicas da entrevista, na fase inicial

PÁGINA 41
➢ Esta entrevista deve-se adequar ao estado emotivacional em q o
individuo se encontra
➢ Baseia-se nos estádios do Modelo Transteórico da Mudança

Modelo Transteórico da Mudança

• Pré-contemplação
• Contemplação
• Preparação p/ a ação
• Ação
• Manutenção
• Recaída ( 1º nós temos de identificar o estádio em motivacional em q o
individuo se encontra, depois utilizamos as estratégias especificas e
adequadas ao estádio, no sentido de promover a mudança)

O modelo interfere significativa/ c/ a mudança! E, portanto, os resultados das


revisões da literatura e das meta-análises mostram-se contraditórios e mistos!

• Uns estudos realçam mudanças significativas


• Outros mostram mudanças pouco efetivas ou 1ª ausência de resultados

Intervenção c/ agressores: perspetiva histórica

 Intervenção psicológica no âmbito da violência íntima inicial/ dirigida às


vitimas, directas e indirectas
 Nos anos 7 assistiu-se ao inicio de 1ª mudança paradigmática deste
fenómeno iniciando-se a intervenção psicológica c/ o agressor
 Movimentos feministas imprimiram visibilidade ao fenómeno da
violência doméstica, alertando p/ a necessidade da intervenção c/ o
homem agressor

 Sistema de saúde mental dispunha de escassas alternativas p/ esta


problemática

Ñ eram eficazes! Pq estas formas de intervenção


• Terapia familiar
podem promover a violência, 1ª vez q está
• Terapia de casal
agressor e vítima no mesmo contexto! A vítima
pode sentir-se intimidada e podendo partilhar as
suas experiências

PÁGINA 42
O trabalho centrado nas vítimas mostrava-se ineficaz:

 Inacapacidae de mtas delas romperem c/as situações de violência


 Tendência p/ ñ arranjar alternativas p/ a sua condição
 Grande parte das mulheres acolhidas em casa-abrigo voltava p/ os seus
companheiros abusivos ou ñ pretendiam abandonar a relação
 Homens agressores tendiam a envolver-se em relações abusivas
mesmo c/ parceiras (daí a necessidade de desenvolver programas de
intervenção p/agressores conjugais

 Térmico do ko abusivo através do trabalho de igualdade de género e da


responsabilização do ofensor pelo seu k abusivo e concetualizavam a
violência c/o 1ª ação instrumental e intencional
• 1980- Domestic Abuse Intervension Project (DAIP)
(programa de intervenção p/ agressores de caris feminista +
conhecido!)
• EMERGE
• Abusive Men Exploring New Directions (AMEND)

 Intervenção c/ agressores:
• Nothing Works (Martinson, 1974), ñ existe nehuma maneira de
reabilitar os delinquentes
• Os programas p/ agressores ñ só funcionam c/o tb são
conhecidas as condições p/ o seu efeito ótimo= what Works? (=
o q funciona)

➢ Nem sempre a intervenção c/ agressores foi aceite. Inicial/ houve 1


percurso positivo, no sentido do desenvolvimento dos programas de
intervenção c/ agressores, por volta dos anos 70, c/ Martinson,
retrocedem-se nesta questão da intervenção c/ ofensores, pois ele dizia
q “ Wothing works”, no geral ñ havia nada a fazer.

Foi-se percebendo q ñ era bem assim e a questão ñ era “ nothing works”,


mas sim “nothing works” pq se constatou q nem todos os agressores
beneficiavam do mesmo tipo de intervenção! É importante nós
adequarmos a intervenção ñ só às necessidades de intervenção de
cada ofensor c/o tb às suas características, à responsabilidade, à forma
c/o eles iam responder e ao risco q eles representavam.

PÁGINA 43
Neste momento nós estamos no “ What Works” e, portanto, sabemos q
ñ podemos adotar programas “ one size fits all”, pois temos de
compreender q cada caso é 1 caso e, por isso mesmo, qdo utilizarmos
intervenção em grupo, aquilo q nós fazemos é, 1ª vez q ñ podemos
adequar o programa às características de cada 1, avaliamos a
agressores e excluímos aqueles q ñ se adequam ao programa (sendo
inseridos noutros programas).

A intervenção c/ agressores baseia-se pelo principio da justiça


terapêutica em q o objetivo é trabalhar, justamente *c/ a justiça, “puni-
los”/ condená-los, responsabilizá-los pelo crime mas tb reabilita-los (
reinserir na sociedade).

• Intervimos c/ os agressores p/ reeduca-los e reabilitá-los de


forma o q eles se reintegrem na sociedade, re-estabeleçam
vínculos familiares elaborais e, tb p/ diminuir o risco de
reincidência!

❖ Porquê q é td importante intervir c/ agressores?


✓ Mtas mulheres vítimas de violência doméstica regressam p/ os seus
companheiros abusivos ou ñ pretendem por fim à relação
✓ Os homens maltratantes tendem a manter kos e dinâmica abusivas
mesmo c/ novas companheiras
✓ É fundamental garantir a segurança da vítima e de outras vítimas
indirectas, nomeadamente os filhos
✓ Os programas de intervenção c/ vítimas tinham 1 enfoque inicial mt
na vítima (e a verdade é q apenas trabalhar c/ a vítima ñ é suficiente)
✓ Há 1ª elevada prevalência de violência doméstica
✓ Existem poucos programas de intervenção p/ agressores conjugais
em Portugal (ex: Contigo (açores), PAVD,GEAU,UCPJ)
✓ Mudanças na legislação no q concerne à responsabilidade penal
face ao crime e à atuação judicial (prevenção e tratamento ao
agressor);
✓ Crescente nr. De pedidos de avaliação e intervenção c/ agressores
de violência doméstica na sequência de decisões judiciais
✓ Entendimento do contexto familiar violento c/o desestruturante ao
normal desenvolvimento das crianças

PÁGINA 44
Avaliação:
O modelo + eficaz ao nível da intervenção c/ agressores conjugais são os
modelos cognitivo-comportamentais em grupo, e c/o nós ñ devemos utilizar 1
modelo “one Size fits all”, p/ conseguirmos garantir q o modelo vai responder
às suas necessidades, nós temos então q os avaliar e perceber se cumprem,
ou ñ os critérios necessários p/ integrar o grupo.

Esta avaliação é fundamental, a avaliação pré-intervenção, pois vai ser esta q


vai permitir a adequação da nossa intervenção a 3 princípios bfundamentais q
orientam o modelo de intervenção Risco- Necessidades- Responsividade:

• O risco-adequação da intervenção ao nível de risco


• Necessidades criminógenas- necessidades de intervenção
• Responsividade- características de agressor

Este modelo, desenvolvido por Andrews e Bouta (2010), foi criado


especificamente p/ a intervenção c/ agressores no geral e baseia-se em 3
principio:

1. O principio do risco (q se baseia-a em 2 pressupostos-base:


• 1º o k criminoso/desviante pode ser predito, e por isso é q nós
avaliamos o risco (avaliar o risco é avaliar a probabilidade do
individuo voltar a cometer aquele k no futuro)
• 2º por outro lado, é possível adequar o nível de intervenção ao
nível de risco do agressor
Desta forma, qto maior for o risco de reincidência de 1
determinado individuo, + estruturada e + intensiva deve ser a
nossa intervenção pois maiores sendo as suas necessidades ao
nível da intervenção!
Em termos de intervenção, nós devemos focarmos nos
indivíduos de maior risco pq são aqueles cuja probabilidade de
reincidir é maior!

2. O outro principio é a necessidade, q se refere aos factores q se podem


constituir c/o alvos de tratamento e intervenção, dentro das
necessidades temos aquelas q se podem chamar de necessidades
criminógenas, q no fundo são os factores q mantêm aquele ko.

O princípio da necessidade implica a distinção entre as necessidades


criminógenas e as ñ criminógenas
As criminógenas constituem-se c/o atributos dinâmicos, e por isso éq
maioritária/ são os alvos de intervenção e, encontram-se directamente
relacionadas c/ o k desviante, e por isso mesmo, modificáveis qdo são
alvo de intervenção-por ex: as crenças.

PÁGINA 45
As necessidades ñ criminógenas tb são factores dinâmnicos mas ñ
estão directa/ relacionadas c/ o ko abusivo, c/o por ex: a baixa
autoestima, baixa autoeficácia.
Desta forma, as intervenções eficazes devem ser, então dirigimos e
centradas nas necessidades criminógenas dos indivíduos.

3. O outro principio é a responsabilidade q se refere à adequação do


programa de intervenção ao estilo de aprendizagem do individuo. Desta
forma, assume q as intervenções cognitivo- kortamentais e psico-
educativas são aquelas q são + eficazes em ensinar e a aprender novos
kos, pois baseiam-se nos princípios da Teoria da Aprendizagem Social
( se os kos aprendidos então tb podem ser desaprendidos)

Na questão da responsabilidade é importante a relação q se estabelece


entre o terapeuta e o cliente.

Factor de risco = é 1a qualquer variável (ou conjunto de variáveis) q


aumentam a probabilidade de ocorrência de 1 determinado fenómeno


Factor de proteção= é aquele atenua o efeito dos factores de risco,
protegendo o individuo da ocorrência de 1 determinado fenómeno

PÁGINA 46