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PROFESSORES CARLOS ALFAMA E PAULO IGOR

ESQUEMA DA AULA:
1. INTRODUÇÃO
2. RESPONSABILIDADE PENAL DA PESSOA JURÍDICA
2.1. RESPONSABILIDADE PENAL DA PJ NA CF/88
2.2. REQUISITOS
2.3. DISCUSSÃO DOUTRINÁRIA
2.4. DUPLA IMPUTAÇÃO
2.5. POSSIBILIDADE DE IMPETRAÇÃO DE HC POR PJ
2.6. DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA
3. SUJEITO ATIVO DOS CRIMES AMBIENTAIS
4. APLICAÇÃO DA PENA (DOSIMETRIA)
4.1. DOSIMETRIA DA PENA NO CP
4.2. CIRCUNSTÂNCIAS JUDICIAIS ESPECÍFICAS
4.3. ATENUANTES ESPECÍFICAS
4.4. AGRAVANTES ESPECÍFICAS
5. PENAS RESTRITIVAS DE DIREITOS
5.1. SUBSTITUIÇÃO DAS PENAS PRIVATIVAS DE LIBERDADE
PELA PRD
5.2. ROL ESPECÍFICO DE PRD (PRISP)
5.3. DURAÇÃO DAS PRD
6. PUNIÇÕES APLICÁVEIS ÀS PESSOAS JURÍDICAS
6.1. ROL DE PENAS APLICÁVEIS
6.2. PRD DAS PESSOAS JURÍDICAS (SINPRO)
6.3. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS À COMUNIDADE PELAS PJs
6.4. LIQUIDAÇÃO FORÇADA DA PJ
7. PENA DE MULTA
8. FIXAÇÃO DE VALOR MÍNIMO DA REPARAÇÃO DO DANO
9. SUSPENSÃO CONDICIONAL DA PENA
9.1. REQUISITOS
9.2. OBRIGAÇÕES
9.3. PERÍODO DE SUSPENSÃO
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10. SUSPENSÃO CONDICIONAL DO PROCESSO


10.1. REQUISITOS
10.2. OBRIGAÇÕES
10.3. PERÍODO DE SUSPENSÃO
11. TRANSAÇÃO PENAL
12. COMPETÊNCIA PARA JULGAMENTO
13. TERMO DE COMPROMISSO
14. PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA NOS CRIMES AMBIENTAIS
15. AÇÃO PENAL NOS CRIMES AMBIENTAIS
16. ELEMENTO SUBJETIVO DOS DELITOS AMBIENTAIS
17. PRESCRIÇÃO DOS CRIMES AMBIENTAIS
18. CRIMES AMBIENTAIS EM ESPÉCIE
19. CRIMES CONTRA A FAUNA
20. CRIMES CONTRA A FLORA
21. CRIMES DE POLUIÇÃO
22. CRIMES CONTRA O ORDENAMENTO URBANO E O PATRIMÔNIO
CULTURAL
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1. INTRODUÇÃO:
A lei dos crimes ambientais tem uma parte geral que destoa do
tratamento dado pelo CP:
 Dosimetria da pena (circunstâncias judiciais, agravantes e
atenuantes diferentes);
 Rol específico de penas restritivas de direito;
 Regra própria para o Sursis;
 Suspensão condicional do processo;
 Transação penal;

2. RESPONSABILIDADE PENAL DA PESSOA JURÍDICA:


2.1. RESPONSABILIDADE PENAL DA PJ NA CF/88:
A CF/88 prevê duas hipóteses de responsabilidade penal da pessoa
jurídica:

 Art. 173, § 5º - Crimes contra a ordem econômica e


financeira e contra a economia popular:
§ 5º A lei, sem prejuízo da responsabilidade individual dos dirigentes da
pessoa jurídica, estabelecerá a responsabilidade desta, sujeitando-a às
punições compatíveis com sua natureza, nos atos praticados contra a ordem
econômica e financeira e contra a economia popular.

ATENÇÃO: Tal dispositivo nunca foi regulamentado, logo não é


possível responsabilidade penal da PJ nesse caso.

 Art. 225, § 3º - Crimes ambientais:


§ 3º As condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente
sujeitarão os infratores, pessoas físicas ou jurídicas, a sanções penais e
administrativas, independentemente da obrigação de reparar os danos
causados.
Dispositivo regulamentado pela Lei 9.605/98, que prevê em seu art.
3º:
Art. 3º As pessoas jurídicas serão responsabilizadas administrativa, civil e
penalmente conforme o disposto nesta Lei, nos casos em que a infração seja
cometida por decisão de seu representante legal ou contratual, ou de seu
órgão colegiado, no interesse ou benefício da sua entidade.
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As pessoas jurídicas, portanto, podem ser responsabilizadas


penalmente nos casos de crimes ambientais.

2.2. DISCUSSÃO DOUTRINÁRIA A RESPEITO DA


RESPONSABILIZAÇÃO DA PJ:
Principais argumentos dos que são contrários à
responsabilização da PJ (e seus respectivos contra-
argumentos):
 Não há dolo e nem culpa nas condutas de uma pessoa jurídica,
ou seja, estaríamos diante de uma responsabilização objetiva.
 Não há culpabilidade (juízo de reprovação social que recai
sobre a conduta do agente, entretanto sem dolo e sem culpa não há
conduta, logo não há culpabilidade);

CONTRA-ARGUMENTO ÀS DUAS PRIMEIRAS CRÍTICAS:


Ainda que sob o ponto de vista ontológico (do ser, da essência, da
natureza) a PJ não tenha vontade, sob o prisma valorativo
(normativo), entretanto, a CF/88 afirma que a PJ tem que ser tratada
como um ser que possui vontade, tanto é que possui autonomia para
celebrar contratos, por exemplo.

 Não alcança os fins da pena (finalidade retributiva – a PJ não


é capaz de compreender a sanção que está recebendo, não consegue
compreender o caráter aflitivo da sanção – e preventiva – como a PJ
não tem capacidade de conscientização, não existe o efeito de coibir a
reincidência);

CONTRA-ARGUMENTO:
Sendo a PJ um ente autônomo e possuindo vontade, podemos
afirmar também que a PJ é capaz de assimilar a natureza coercitiva
da pena;
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 Inadequação das penas (a sanção mais característica do direito


penal é a privação de liberdade, a qual obviamente não pode ser
aplicada contra as PJs. As penas passíveis de aplicação não precisariam
do direito penal – multas, restritivas de direitos e prestação de serviços
à comunidade);

CONTRA-ARGUMENTO:
O direito penal não se limita à pena de privação de liberdade,
inclusive vem evoluindo no sentido de cada vez mais considerar a
pena privativa de liberdade como medida excepcional.

 Intranscendência das penas (ao aplicar uma pena contra a PJ,


automaticamente serão atingidos todos os sócios da empresa e até
mesmo os seus funcionários, os quais muitas vezes nem participaram
do ato ilícito praticado);

CONTRA-ARGUMENTO:
Não podemos confundir a sanção penal passando da pessoa do
condenado, com terceiros que recebem os reflexos da sanção penal.
O que os sócios e outros funcionários recebem são apenas reflexos
da condenação da PJ, são efeitos indiretos que atingem terceiros.

ATENÇÃO: Apesar da divergência doutrinária, o fato é


que os tribunais superiores admitem a
responsabilização penal das Pessoas Jurídicas.

2.3. REQUISITOS PARA RESPONSABILIZAÇÃO DA PJ:


- Infração cometida:
- Por decisão de seu representante legal/contratual;
- No interesse ou em benefício da entidade;

CUIDADO! Ainda existe CONTROVÉRSIA DOUTRINÁRIA


a respeito dessa possibilidade, mas na JURISPRUDÊNCIA
É PACÍFICO o entendimento de que a PJ pode ser sujeito
ativo de crimes ambientais.
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ATENÇÃO: A responsabilidade penal da pessoa jurídica independe da


cominação de sanção administrativa em relação ao mesmo fato.
ATENÇÃO: A responsabilidade penal da pessoa jurídica somente pode
existir nos casos em que a ação ou a omissão ocorrerem no interesse
ou no benefício da entidade.

2.4. DUPLA IMPUTAÇÃO (IMPUTAÇÃO PARALELA):


Consagrada no parágrafo único do art. 3º da Lei 9.605/98:
Parágrafo único. A responsabilidade das pessoas jurídicas não exclui a das
pessoas físicas, autoras, coautoras ou partícipes do mesmo fato.
Obviamente, somente responderá juntamente com a pessoa jurídica,
aquela pessoa física que agiu com dolo ou culpa em relação a produção
do resultado, evitando-se a responsabilização penal objetiva.

. A dupla imputação é necessária no nosso ordenamento


jurídico?
O crime ambiental praticado por pessoa jurídica sempre é
plurissubjetivo, por essa razão o STJ, em tempos passados, exigia a
dupla imputação.
Porém, o STF sempre teve decisão firme no sentido de que a dupla
imputação não era obrigatória, tendo em vista que apesar de ser um
crime plurissubjetivo, nem sempre é possível identificar a conduta da
pessoa física, o que não poderia impedir a denúncia da PJ sozinha.

ATENÇÃO: Em nosso ordenamento jurídico a dupla


imputação não é considerada obrigatória pelos tribunais
superiores, ou seja, é possível que a pessoa jurídica
responda sozinha pelo crime ambiental praticado (STJ: RMS
39.173 (13/08/2015) e STF: 548.181 – 30/10/2014).

CUIDADO! É possível, inclusive, a condenação da pessoa jurídica


mesmo com a absolvição das pessoas físicas que agiam em nome dela.
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2.5. POSSIBILIDADE DE IMPETRAÇÃO DE HC POR PESSOA


JURÍDICA:
Como não é possível restringir a liberdade de locomoção da PJ, não é
possível a concessão de HC para PJ. Entretanto, nos casos em que uma
PF é denunciada juntamente com uma PJ, é possível que essa última
se beneficie com uma decisão dada em sede de HC para a PF.
Por exemplo, um trancamento da ação penal, em razão de HC
impetrado pela PF pode beneficiar indiretamente a PJ.

2.6. DESCONSIDERAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA:


Art. 4º Poderá ser desconsiderada a pessoa jurídica sempre que sua
personalidade for obstáculo ao ressarcimento de prejuízos causados à
qualidade do meio ambiente.
A PJ pode ser desconsiderada com vistas a facilitar a reparação de
danos causados ao meio ambiente.
Jamais poderá ser desconsiderada a personalidade jurídica de uma
empresa para fins de aplicação de uma sanção penal, em razão do
princípio da Intranscendência da Pena.

3. SUJEITO ATIVO DOS CRIMES AMBIENTAIS


Art. 2º Quem, de qualquer forma, concorre para a prática dos crimes
previstos nesta Lei, incide nas penas a estes cominadas, na medida da sua
culpabilidade, bem como o diretor, o administrador, o membro de conselho e
de órgão técnico, o auditor, o gerente, o preposto ou mandatário de pessoa
jurídica, que, sabendo da conduta criminosa de outrem, deixar de impedir a
sua prática, quando podia agir para evitá-la.
A Lei pune a conduta de quem:
 Concorreu de qualquer forma para a produção do resultado
(AÇÃO);
 Podendo agir para evitar a prática da conduta delituosa, nada
faz (OMISSÃO);

ATENÇÃO: O auditor, contratado por empresa poluidora, que


constatar irregularidades penais ambientais e nada fizer a respeito,
responderá por crime ambiental em razão de sua omissão.
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4. APLICAÇÃO DA PENA (DOSIMETRIA):


De acordo com o CP, em linhas gerais, a fixação da pena passa por
três fases:
1ª fase: análise das circunstâncias judiciais (art. 59) – Fixação da
pena-base;
2ª fase: análise das agravantes e atenuantes (arts. 61, 62 e 65, 66) –
Fixação da pena-provisória;
3ª fase: análise das causas de aumento (majorantes) e causas de
diminuição (minorantes) – fixação da pena definitiva.
Na Lei dos crimes ambientais, as duas primeiras fases de
aplicação da pena têm um tratamento diferenciado:

4.1. CIRCUNSTÂNCIAS JUDICIAIS ESPECÍFICAS (ART. 6º):


Art. 6º Para imposição e gradação da penalidade, a autoridade competente
observará:
I - a gravidade do fato, tendo em vista os motivos da infração e suas
conseqüências para a saúde pública e para o meio ambiente;
II - os antecedentes do infrator quanto ao cumprimento da legislação de
interesse ambiental;
III - a situação econômica do infrator, no caso de multa.
ATENÇÃO: As demais circunstâncias judiciais do art. 59 devem ser
somadas também, por força do art. 12 do CP. Esse é o entendimento
que prevalece na doutrina.

4.2. ATENUANTES (ART. 14):


Art. 14. São circunstâncias que atenuam a pena:
I - Baixo grau de instrução ou escolaridade do agente;

ATENÇÃO: O baixo grau de instrução pode, em casos excepcionais,


excluir a culpabilidade do agente, em razão da ausência de potencial
consciência da ilicitude (erro de proibição).
Exemplo: João, analfabeto e morador de zona rural desprovida de
energia elétrica, foi criado acostumado a caçar animais silvestres em
suas terras. Trata-se de um sujeito não culpável em razão da
impossibilidade de conhecer a ilicitude do ato que praticava
(analfabeto, sem acesso a televisão, rádio, internet e etc.).
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II - Arrependimento do infrator, manifestado pela espontânea reparação do


dano, ou limitação significativa da degradação ambiental causada;

ATENÇÃO: O arrependimento posterior pode ser aplicado


subsidiariamente a essa atenuante, ou seja, quando a reparação do
dano for feita antes do recebimento da denúncia, aplica-se o
arrependimento posterior (diminuição de 1/3 a 2/3) e não a
atenuante de pena. A atenuante (consagrada pela doutrina e
jurisprudência como diminuição de 1/6) só terá aplicação quando a
reparação for feita depois do recebimento.

III - comunicação prévia pelo agente do perigo iminente de degradação


ambiental;
IV - colaboração com os agentes encarregados da vigilância e do controle
ambiental.

ATENÇÃO: As atenuantes previstas nos art. 65 e 66 do CP também


podem ser aplicadas supletivamente.

4.3. AGRAVANTES (ART. 15)


Art. 15. São circunstâncias que agravam a pena, quando não
constituem ou qualificam o crime:
I - reincidência nos crimes de natureza ambiental;
II - ter o agente cometido a infração:
a) para obter vantagem pecuniária;
b) coagindo outrem para a execução material da infração;
c) afetando ou expondo a perigo, de maneira grave, a saúde pública ou o
meio ambiente;
d) concorrendo para danos à propriedade alheia;
e) atingindo áreas de unidades de conservação ou áreas sujeitas, por ato do
Poder Público, a regime especial de uso;
f) atingindo áreas urbanas ou quaisquer assentamentos humanos;
g) em período de defeso à fauna;
h) em domingos ou feriados;
i) à noite;
j) em épocas de seca ou inundações;
l) no interior do espaço territorial especialmente protegido;
m) com o emprego de métodos cruéis para abate ou captura de animais;
n) mediante fraude ou abuso de confiança;
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o) mediante abuso do direito de licença, permissão ou autorização ambiental;


p) no interesse de pessoa jurídica mantida, total ou parcialmente, por verbas
públicas ou beneficiada por incentivos fiscais;
q) atingindo espécies ameaçadas, listadas em relatórios oficiais das
autoridades competentes;
r) facilitada por funcionário público no exercício de suas funções.
É divergente na doutrina a possibilidade de aplicação subsidiária das
agravantes do CP aos crimes ambientais.
1ª corrente: Nega a possibilidade em razão de considerar analogia in
malam partem (PREVALECE);
ATENÇÃO: Perceba que as agravantes do CP são aplicadas às outras
leis penais especiais porque essas leis não preveem um rol de
agravantes, logo, é cabível a aplicação subsidiária, conforme o art. 12.
Porém, na Lei de crimes ambientais, existe um rol de agravantes, logo,
a aplicação das agravantes do CP aos crimes ambientais seria uma
analogia in malam partem.
2ª corrente: Defende a possibilidade em razão do art. 12 do CP que
é expresso ao afirmar que o CP deve ser aplicado subsidiariamente à
legislação penal especial.

5. PENAS RESTRITIVAS DE DIREITO:


5.1. REQUISITOS PARA SUBSTITUIÇÃO:
Os requisitos para substituição das penas privativas de liberdade por
restritivas de direitos estão no art. 7º:
Art. 7º As penas restritivas de direitos são autônomas e substituem as
privativas de liberdade quando:
I - tratar-se de crime culposo ou for aplicada a pena privativa de liberdade
inferior a quatro anos;
II - a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e a personalidade do
condenado, bem como os motivos e as circunstâncias do crime indicarem que
a substituição seja suficiente para efeitos de reprovação e prevenção do
crime.
CUIDADO! A reincidência não impede a substituição, diferentemente
do que ocorre no CP (art. 44, II)
ATENÇÃO: Obviamente, o art. 7º trata das penas restritivas de
direitos aplicáveis às pessoas físicas, já que substituem as privativas
de liberdade (que não podem ser aplicadas às PJs).
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5.2. ROL DE PENAS RESTRITIVAS DE DIREITOS:


Este rol é aplicável para as pessoas físicas (art. 8º):
Art. 8º As penas restritivas de direito são:
I - Prestação de serviços à comunidade;

Consiste na atribuição ao condenado de tarefas gratuitas junto a


parques e jardins públicos e unidades de conservação
ATENÇÃO: No caso de dano da coisa particular, pública ou
tombada, a prestação de serviços à comunidade consistirá na
restauração da coisa, se possível.

II - Interdição temporária de direitos;

Consiste na proibição de o condenado:


- Receber incentivos fiscais ou qualquer outro benefício do
poder público;
- Participar de licitações;
- Contratar com o poder público;
Todas as proibições pelo prazo de 5 anos nos crimes dolosos e de 3
anos nos crimes culposos;

III - Suspensão parcial ou total de atividades;


IV - Prestação pecuniária;

Consiste no pagamento, em dinheiro, à vítima, entidade pública ou


privada com fins sociais. O valor do pagamento varia de 1 a 360
salários mínimos.
O valor pago a título de prestação pecuniária será deduzido de
posterior obrigação de pagamento de indenização cível que venha a
ocorrer.

V - Recolhimento domiciliar.

Será cumprido sem vigilância. Baseado no senso de responsabilidade


e autodisciplina do condenado, que deverá trabalhar, frequentar
cursos e outras atividades autorizadas e se recolher à residência nos
horários de folga.
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5.3. DURAÇÃO DAS PENAS RESTRITIVAS DE DIREITO


Parágrafo único. As penas restritivas de direitos a que se refere este artigo
terão a mesma duração da pena privativa de liberdade substituída.
ATENÇÃO: Devemos lembrar da pena de interdição temporária de
direitos, que nos casos de crimes dolosos chegará ao prazo máximo de
5 anos, portanto, superior à pena privativa de liberdade (a qual para
ser substituída deve ser inferior a 4 anos).

6. PENAS APLICADAS ÀS PESSOAS JURÍDICAS:


6.1. ROL DE PENAS APLICÁVEIS:
De acordo com o art. 21 são:
Art. 21. As penas aplicáveis isolada, cumulativa ou alternativamente às
pessoas jurídicas, de acordo com o disposto no art. 3º, são:
I - Multa;
II - Restritivas de direitos;
III - Prestação de serviços à comunidade.

6.2. PRD PARA AS PESSOAS JURÍDICAS:


As penas restritivas de direito para as PJs são (art. 22):
Art. 22. As penas restritivas de direitos da pessoa jurídica são:
I - Suspensão parcial ou total de atividades;
II - Interdição temporária de estabelecimento, obra ou atividade;
III - Proibição de contratar com o Poder Público, bem como dele obter
subsídios, subvenções ou doações.

O prazo de duração dessa pena é de no máximo 10 anos.

6.3. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS À COMUNIDADE PELAS PJs


A prestação de serviços à comunidade pelas PJs consiste em (art. 23):
Art. 23. A prestação de serviços à comunidade pela pessoa jurídica consistirá
em:
I - Custeio de programas e de projetos ambientais;
II - Execução de obras de recuperação de áreas degradadas;
III - Manutenção de espaços públicos;
IV - Contribuições a entidades ambientais ou culturais públicas.
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6.4. LIQUIDAÇÃO FORÇADA DA PESSOA JURÍDICA:


Art. 24. A pessoa jurídica constituída ou utilizada, preponderantemente, com
o fim de permitir, facilitar ou ocultar a prática de crime definido nesta Lei terá
decretada sua liquidação forçada, seu patrimônio será considerado
instrumento do crime e como tal perdido em favor do Fundo Penitenciário
Nacional.
É a sanção mais grave para uma PJ. Sempre que o Juiz perceber que
a PJ foi criada preponderantemente para a prática de crimes
ambientais, poderá determinar a sua liquidação forçada, destinando o
seu patrimônio para o fundo penitenciário nacional.

7. MULTA
Regulada pelo art. 18:
Art. 18. A multa será calculada segundo os critérios do Código Penal; se
revelar-se ineficaz, ainda que aplicada no valor máximo, poderá ser
aumentada até três vezes, tendo em vista o valor da vantagem econômica
auferida.
Art. 19. A perícia de constatação do dano ambiental, sempre que possível,
fixará o montante do prejuízo causado para efeitos de prestação de
fiança e cálculo de multa.
A multa será calculada de acordo com os parâmetros do CP, que assim
determina:
1º momento: Fixação de dias-multa (de 10 a 360 dias multa);
2º momento: Valor de cada dia-multa (de 1/30 do salário mínimo a 5
vezes o salário mínimo);
CUIDADO! Nos crimes ambientais é possível triplicar a multa máxima
determinada no CP para garantir a eficácia da sanção estabelecida.

ATENÇÃO: A pena de multa será calculada com base na situação


econômica do infrator e no montante do prejuízo causado, podendo
ser aumentada em até três vezes de acordo com o valor da vantagem
econômica auferida e a eficácia da medida punitiva.
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8. FIXAÇÃO DE VALOR MÍNIMO DA REPARAÇÃO DO


DANO:
Regulada pelo art. 20:
Art. 20. A sentença penal condenatória, sempre que possível, fixará o
valor mínimo para reparação dos danos causados pela infração, considerando
os prejuízos sofridos pelo ofendido ou pelo meio ambiente.
Parágrafo único. Transitada em julgado a sentença condenatória, a
execução poderá efetuar-se pelo valor fixado nos termos do caput, sem
prejuízo da liquidação para apuração do dano efetivamente sofrido.
Esse dispositivo segue o que hoje é a regra no nosso ordenamento
jurídico, de acordo com o art. 387, IV do CP.

9. SUSPENSÃO CONDICIONAL DA PENA (SURSIS):


A suspensão condicional da pena é um benefício concedido pelo CP
para aqueles condenados a penas privativas de liberdade de curta
duração. O Juiz pode suspender a execução da pena privativa de
liberdade e estabelecer o cumprimento de determinadas obrigações
durante certo período de tempo, ao fim do qual a punibilidade estará
extinta.
Nos crimes ambientais, o sursis é possível nos termos do art. 16:
Art. 16. Nos crimes previstos nesta Lei, a suspensão condicional da pena pode
ser aplicada nos casos de condenação a pena privativa de liberdade não
superior a três anos.

9.1. REQUISITOS:
 Condenação a pena privativa de liberdade não superior a 3
anos.
 Impossibilidade de substituição por penas restritivas de
direito;
 Não ser reincidente em crime doloso;
 Circunstâncias judiciais favoráveis;

9.2. OBRIGAÇÕES:
Deverão ser relacionadas com a proteção ao meio ambiente.
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9.3. PERÍODO DE SUSPENSÃO


A execução da pena ficará suspensa pelo período de 2 a 4 anos.
Cumpridas todas as obrigações durante o período de prova, ao fim o
Juiz declara extinta a punibilidade do réu.
ATENÇÃO: No CP existem ainda outras duas espécies de sursis: o
etário e o humanitário. Prevalece que esses institutos podem ser
aplicados nos crimes ambientais (analogia in bonam partem).

10. SUSPENSÃO CONDICIONAL DO PROCESSO:


Benefício trazido pela Lei 9.099/95 que possibilita ao Juiz suspender o
andamento do processo e determinar o cumprimento de determinadas
obrigações por determinado período, ao fim do qual a punibilidade
estará extinta.

10.1. REQUISITOS:
 Pena mínima igual ou inferior a um ano;
 Não estar sendo o agente processado por outro crime ou ter
sido condenado por outro crime;
 Demais requisitos do art. 77 do CP (suspensão condicional da
pena);

10.2. OBRIGAÇÕES:
 Reparar o dano;
 Comparecimento pessoal obrigatório, mensalmente, ao juízo;
 Proibição de frequentar determinados lugares;
 Proibição de se ausentar da comarca sem autorização prévia
do juízo;
ATENÇÃO: O juiz pode determinar outras obrigações que se adequem
ao caso concreto.

10.3. PERÍODO DE SUSPENSÃO:


O prazo será de 2 a 4 anos.
O prazo pode ser prorrogado por duas vezes para que a reparação seja
concluída, desde que respeitado o prazo máximo de suspensão,
acrescido de mais 1 ano (ou seja, 5 anos).
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Durante o período da prorrogação, a única obrigação que subsiste é a


reparação do dano.

ATENÇÃO: É possível a extinção da punibilidade mesmo sem a


reparação total do dano, DESDE QUE após o fim do prazo da segunda
prorrogação, seja emitido um laudo que comprove ter o acusado
tomado as providências necessárias à reparação integral do dano.

11. TRANSAÇÃO PENAL


Instituto previsto na Lei 9.099/95, em seu art. 76, o qual é aplicável
aos crimes ambientais.
A transação penal consiste em o MP deixar de oferecer a denúncia e
propor a transação penal, consistente em:
- Aplicação direta de pena de multa ou pena restritiva de direitos.
O autor da infração pode aceitar ou recusar a proposta. Aceitando, o
Juiz proferirá sentença homologatória da transação, a qual não gera
reincidência (não é condenatória e nem absolutória).

ATENÇÃO: Para que a transação penal possa ser realizada, a LCA


exige a prévia reparação do dano, ressalvada a impossibilidade de
fazê-lo.

12. COMPETÊNCIA PARA JULGAMENTO


Em regra, compete à justiça estadual. Perceba que a Lei 9.605/98 não
prevê expressamente a competência estadual (que é uma competência
residual).
Somente será de competência da Justiça Federal nas hipóteses
previstas no art. 109 da CF:
 Infrações penais praticadas em detrimento de bens, serviços
ou interesse da União ou de suas entidades autárquicas ou empresas
públicas;

ATENÇÃO: A ofensa aos bens, interesses ou serviços da União deve


ser DIRETA. De acordo com os tribunais superiores, não basta que a
União possua um interesse mediato e genérico para que a
competência seja deslocada para a Justiça federal.
Como exemplo, podemos citar os delitos praticados em terras
particulares localizadas na Floresta Amazônica brasileira, na Mata
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Atlântica, na Serra do Mar ou no Pantanal Mato-grossense, que ainda


que praticados dentro de área considerada patrimônio nacional não
deslocam a competência para a Justiça Federal.
Não podemos confundir patrimônio nacional com bem da União
(nacional é de todo mundo, enquanto da União é só da União).
Art. 225 (...)
§ 4º A Floresta Amazônica brasileira, a Mata Atlântica, a Serra do Mar, o
Pantanal Mato-Grossense e a Zona Costeira são patrimônio nacional (...).

CUIDADO! No caso da zona costeira a competência será da JF porque


trata-se de bem da União (art. 20, IV da CF/88).

 Crimes transnacionais (aqueles previstos em tratado ou


convenção internacional, quando, iniciada a execução no País, o
resultado tenha ou devesse ter ocorrido no estrangeiro, ou
reciprocamente);
Exemplo: Tráfico internacional de animais silvestres (art. 29 da LCA);
 Crimes cometidos a bordo de navios ou aeronaves;
 Em caso de conexão com crimes de competência da Justiça
Federal (STJ – Súmula 122);

13. TERMO DE COMPROMISSO


A assinatura do termo de compromisso com o poder público não
impede o início da ação penal, dada a independência entre as esferas
penal e administrativa.
Exemplo: Empresa têxtil que arremessava produtos químicos
diretamente em um rio, desatendendo à regulamentação do
procedimento e firmou um termo de compromisso com o poder público
para interromper a conduta ilícita, não vai deixar de responder pelo
crime ambiental previsto no art. 54 da LCA.

14. PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA NOS CRIMES


AMBIENTAIS
De acordo com os tribunais superiores é possível a aplicação do
princípio da insignificância aos crimes ambientais.
Exemplos:
AP 439 – Desmatamento realizado por Clodovil: O STF entendeu tratar-
se de conduta insignificante dada a pequena área desmatada (apenas
0,0652 hectares).
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HC 112.563/SC – Pesca ilegal de 12 camarões. O STF considerou


insignificante a conduta dada a pequena quantidade de espécimes
encontradas na posse do agente.
Entretanto, tal aplicação deve ser feita com prudência para evitar
danos irreparáveis ao meio ambiente.

15. AÇÃO PENAL NOS CRIMES AMBIENTAIS:


Os crimes ambientais sempre serão crimes de ação penal pública
incondicionada.

16. ELEMENTO SUBJETIVO DOS CRRIMES


AMBIENTAIS:
Os crimes ambientais podem ser praticados dolosa ou culposamente.

ATENÇÃO: Existem, inclusive, vários crimes de dano culposos na Lei


9.605/98 (exemplos: arts. 38, 41 e 49).

17. PRESCRIÇÃO NOS CRIMES AMBIENTAIS:


Os crimes ambientais prescrevem tanto para as pessoas físicas quanto
para as pessoas jurídicas, sendo a prescrição calculada sempre pela
pena privativa de liberdade cominada ao delito praticado.

18. CRIMES AMBIENTAIS EM ESPÉCIE:


São cinco espécies de crimes previstos:
 Contra a fauna;
 Contra a flora;
 Poluição;
 Ordenamento urbano e patrimônio cultural;
 Crime contra a administração ambiental;
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19. CRIMES CONTRA A FAUNA


19.1. CRIME DE CAÇA (ART. 29):
CONDUTA:
- Caçar, Apanhar, Matar, Perseguir ou Utilizar (CAMPU);
- Espécime da fauna silvestre;
- Nativo ou em rota migratória;
- Sem a devida licença, permissão ou autorização ou em desacordo
com a obtida;
Pena: Detenção de 6 meses a 1 ano e multa.

ATENÇÃO: Não é necessário que o animal seja nativo do Brasil, ou


seja, uma ave nativa da Argentina que se desloque anualmente para
o Brasil (onde coloca os seus ovos) pode ser objeto desse delito.

O que é espécime da fauna silvestre?


O conceito é definido pelo próprio art. 29 em seu § 3º:
§ 3° São espécimes da fauna silvestre todos aqueles pertencentes às espécies
nativas, migratórias e quaisquer outras, aquáticas ou terrestres, que tenham todo ou
parte de seu ciclo de vida ocorrendo dentro dos limites do território brasileiro, ou
águas jurisdicionais brasileiras.

CONDUTAS EQUIPARADAS:
§ 1º Incorre nas mesmas penas:
I – Quem impede a procriação da fauna, sem licença, autorização ou
em desacordo com a obtida;
II - Quem modifica, danifica ou destrói ninho, abrigo ou criadouro
natural;
III - Quem vende, expõe à venda, exporta ou adquire, guarda, tem em
cativeiro ou depósito, utiliza ou transporta ovos, larvas ou espécimes
da fauna silvestre, nativa ou em rota migratória, bem como produtos
e objetos dela oriundos, provenientes de criadouros não autorizados
ou sem a devida permissão, licença ou autorização da autoridade
competente;
PERDÃO JUDICIAL:
No caso de guarda doméstica de espécie silvestre não considerada
ameaçada de extinção, pode o juiz, considerando as circunstâncias,
deixar de aplicar a pena.
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ATENÇÃO: O STJ já admitiu a aplicação do princípio da insignificância


na guarda doméstica de boa-fé de animais silvestres (HC 72.234).

GUARDA DOMÉSTICA DE LONGO PRAZO:


O STJ já determinou a devolução de duas aves silvestres apreendidas
pelos órgãos de fiscalização ambiental. Alegou o tribunal que as aves
eram mantidas, por mais de 20 anos, sem indícios de maus tratos, em
guarda doméstica, e que por essa razão poderiam permanecer na
guarda de seu dono (Informativo 550).
COMPETÊNCIA PARA O JULGAMENTO:
O crime, em regra, é de competência da Justiça Estadual. Entretanto
pode ter sua competência deslocada para a Justiça Federal sempre que
praticado contra animais que estejam presentes em listas nacionais de
extinção.
CAUSAS DE AUMENTO DE PENA:
A pena é aumentada de metade, se o crime é praticado:
I - Contra espécie rara ou considerada ameaçada de extinção, ainda
que somente no local da infração;
II - Em período proibido à caça;
III - Durante a noite;
IV - Com abuso de licença;
V - Em unidade de conservação;
VI - Com emprego de métodos ou instrumentos capazes de provocar
destruição em massa.
A pena é triplicada quando:
O crime decorre do exercício de caça profissional
INAPLICABILIDADE DO ART. 29 AOS ATOS DE PESCA:
§ 6º As disposições deste artigo não se aplicam aos atos de pesca.

Os atos de pesca serão punidos por crimes específicos previstos nos


arts. 34 e 35 da LCA.
CAUSAS DE EXCLUSÃO DO CRIME (ART. 37):

ATENÇÃO: Para fins didático, abordamos essas causas de exclusão


no estudo do art. 29 (abate de animais silvestres), porém a causa
de exclusão é aplicada para qualquer animal, seja ele
silvestre, doméstico ou domesticado.
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Não é crime o abate de animal, quando realizado:


I - Em estado de necessidade, para saciar a fome do agente ou de sua
família;

ATENÇÃO: O agente não pode ter alternativa. Não basta matar o


animal para comer, tem que ficar constatado que não havia fonte
alternativa de saciar a fome.

II - Para proteger lavouras, pomares e rebanhos da ação predatória ou


destruidora de animais, desde que legal e expressamente autorizado
pela autoridade competente;
III - Por ser nocivo o animal, desde que assim caracterizado pelo órgão
competente.
Exemplo: É com base nesse inciso, por exemplo, que a vigilância
sanitária mata animais recolhidos (cachorros, gatos e etc.) sem que
sua conduta seja considerada ilícita.

19.2. MAUS TRATOS DE ANIMAIS (ART. 32):


CONDUTA:
- Praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar;
- Animais silvestres, domésticos ou domesticados;
- Nativos ou exóticos;

ATENÇÃO: A própria CF/88 veda a crueldade contra animais (art.


225, §1º, VII). O STF entende que tal vedação é norma de eficácia
plena, não depende de regulamentação (precedentes do STF:
proibição da farra do boi ou da rinha de galos).

CONDUTA EQUIPARADA:
§ 1º Incorre nas mesmas penas quem:
- Realiza experiência dolorosa ou cruel;
- Em animal vivo;
- Ainda que para fins didáticos ou científicos;
- Quando existirem recursos alternativos;
CAUSA DE AUMENTO DE PENA:
A pena é aumentada de um sexto a um terço:
- Quando ocorre morte do animal;
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19.3. CRIME DE PESCA PREDATÓRIA (ART. 34):


CONDUTA:
- Pescar;
- Em período no qual a pesca seja proibida ou em lugares interditados
por órgão competente:
Pena - detenção de um ano a três anos ou multa, ou ambas as penas
cumulativamente.
CONDUTA EQUIPARADA:
Parágrafo único. Incorre nas mesmas penas quem:
I - pesca espécies que devam ser preservadas ou espécimes com
tamanhos inferiores aos permitidos;
II - pesca quantidades superiores às permitidas, ou mediante a
utilização de aparelhos, petrechos, técnicas e métodos não permitidos;
III - transporta, comercializa, beneficia ou industrializa espécimes
provenientes da coleta, apanha e pesca proibidas.
CONCEITO DE PESCA:
Art. 36. Para os efeitos desta Lei, considera-se pesca todo ato tendente a retirar,
extrair, coletar, apanhar, apreender ou capturar espécimes dos grupos dos
peixes, crustáceos, moluscos e vegetais hidróbios, suscetíveis ou não de
aproveitamento econômico, ressalvadas as espécies ameaçadas de extinção,
constantes nas listas oficiais da fauna e da flora.

ATENÇÃO: Ainda que o agente não consiga capturar (pegar) nenhum


peixe, o crime estará caracterizado. Trata-se de crime formal, em
que não é possível a tentativa.

19.4. PESCA MEDIANTE EXPLOSIVOS, SUBSTÂNCIAS TÓXICAS


OU ASSEMELHADAS (ART. 35):
CONDUTA:
Pescar mediante a utilização de:
I - Explosivos ou substâncias que, em contato com a água, produzam
efeito semelhante;
II - Substâncias tóxicas, ou outro meio proibido pela autoridade
competente:
Pena - reclusão de um ano a cinco anos.
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20. CRIMES CONTRA A FLORA:


20.1. DESTRUIÇÃO, DANO OU UTILIZAÇÃO DE FLORESTA
PERMANENTE (ART. 38):
CONDUTA:
- Destruir ou danificar;
- Floresta considerada de preservação permanente, mesmo que em
formação; ou
- Utilizá-la com infringência das normas de proteção;
Pena - detenção, de um a três anos, ou multa, ou ambas as penas
cumulativamente.
CRIME CULPOSO:
Trata-se de situação especial em que o crime de dano pode ser
praticado na modalidade culposa, gerando uma causa de diminuição
de pena:
- Se o crime for culposo, a pena será reduzida à metade.

20.2. INCÊNDIO EM MATA OU FLORESTA (ART. 41):


CONDUTA:
- Provocar incêndio em mata ou floresta:
Pena - reclusão, de dois a quatro anos, e multa.

ATENÇÃO: Se o incêndio não for produzido em mata ou floresta, mas


em vegetação rasteira, pode haver o crime do art. 250 do CP
(Incêndio), desde que tenha havido risco para integridade física ou
patrimônio de outrem.

CRIME CULPOSO:
Parágrafo único. Se o crime é culposo:
A pena é de detenção de seis meses a um ano, e multa.

20.3. SOLTAR BALÕES (ART. 42):


CONDUTA:
- Fabricar, vender, transportar ou soltar
- Balões que possam provocar incêndios nas florestas e demais formas
de vegetação;
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- Em áreas urbanas ou qualquer tipo de assentamento humano;


Pena - detenção de um a três anos ou multa, ou ambas as penas
cumulativamente.

20.4. DESTRUIR OU DANIFICAR PLANTAS DE ORNAMENTAÇÃO


(ART. 49):
CONDUTA:
- Destruir, danificar, lesar ou maltratar,
- Por qualquer modo ou meio,
- Plantas de ornamentação;
- De logradouros públicos ou em propriedade privada alheia;
Pena - detenção, de três meses a um ano, ou multa, ou ambas as
penas cumulativamente.
CRIME CULPOSO:
Parágrafo único. No crime culposo:
- A pena é de um a seis meses, ou multa.

21. CRIMES DE POLUIÇÃO:


21.1. POLUIÇÃO (ART. 54):
CONDUTA:
- Causar poluição de qualquer natureza;
- Em níveis tais que resultem ou possam resultar;
- Em danos:
- À saúde humana;
- Que provoquem:
- A mortandade de animais
- Destruição significativa da flora;
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.
CRIME CULPOSO:
§ 1º Se o crime é culposo:
Pena - detenção, de seis meses a um ano, e multa.
FIGURA QUALIFICADA:
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§ 2º Se o crime:
I - Tornar uma área, urbana ou rural, imprópria para a ocupação
humana;
II - Causar poluição atmosférica que provoque a retirada, ainda que
momentânea, dos habitantes das áreas afetadas, ou que cause danos
diretos à saúde da população;
III - Causar poluição hídrica que torne necessária a interrupção do
abastecimento público de água de uma comunidade;
IV - Dificultar ou impedir o uso público das praias;
V - Ocorrer por lançamento de resíduos sólidos, líquidos ou gasosos,
ou detritos, óleos ou substâncias oleosas, em desacordo com as
exigências estabelecidas em leis ou regulamentos:
Pena - reclusão, de um a cinco anos.
POLUIÇÃO OMISSIVA:
§ 3º Incorre nas mesmas penas previstas no parágrafo anterior quem deixar de
adotar, quando assim o exigir a autoridade competente, medidas de precaução em
caso de risco de dano ambiental grave ou irreversível.

ATENÇÃO: O crime de poluição omissiva ocorre


INDEPENDENTEMENTE de ter ocorrido ou não a poluição!

Exemplo: A autoridade pública observa que o casco de um navio que


transporta óleo está rachado, em razão disso, determina ao seu
proprietário que proceda à reparação do navio. Entretanto, ainda que
avisado e tendo a possibilidade de realiza a manutenção, o comandante
do navio nada faz.
Nesse caso, já está consumado o crime do art. 54, ainda que o óleo
não seja derramado pelo casco rachado do navio.
CAUSAS DE AUMENTO DE PENA (ART. 58):
As causas de aumento de pena previstas nesse art. 58 somente se
aplicam ao crime doloso de poluição.
As penas serão aumentadas:
I - De um sexto a um terço, se resulta dano irreversível à flora ou ao
meio ambiente em geral;
II - De um terço até a metade, se resulta lesão corporal de natureza
grave em outrem;
III - Até o dobro, se resultar a morte de outrem.
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Parágrafo único. As penalidades previstas neste artigo somente serão


aplicadas se do fato não resultar crime mais grave.
22. CRIMES CONTRA O ORDENAMENTO URBANO E O
PATRIMÔNIO CULTURAL:
22.1. DESTRUIÇÃO DE BEM PROTEGIDO (ART. 62):
CONDUTA:
- Destruir, inutilizar ou deteriorar:
I - Bem especialmente protegido por:
- Lei;
- Ato administrativo;
- Decisão judicial;
II - Arquivo, registro, museu, biblioteca, pinacoteca, instalação
científica ou similar protegido por lei, ato administrativo ou decisão
judicial:
Pena - reclusão, de um a três anos, e multa.
CRIME CULPOSO:
Parágrafo único. Se o crime for culposo:
- A pena é de seis meses a um ano de detenção, sem prejuízo da multa.

22.2. ALTERAÇÃO DE EDIFICAÇÃO OU LOCAL PROTEGIDO (ART.


63):
CONDUTA:
- Alterar o aspecto ou estrutura
- De edificação ou local especialmente protegido por:
- Lei;
- Ato administrativo;
- Decisão judicial;
- Em razão de seu valor paisagístico, ecológico, turístico, artístico,
histórico, cultural, religioso, arqueológico, etnográfico ou monumental;
- Sem autorização da autoridade competente ou em desacordo com a
concedida;
Pena - reclusão, de um a três anos, e multa.
PROFESSORES CARLOS ALFAMA E PAULO IGOR

22.3. PICHAÇÃO E GRAFITE (ART. 65):


CONDUTA:
- Pichar ou por outro meio conspurcar;
- Edificação ou monumento urbano;
Pena - detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, e multa
FIGURA QUALIFICADA:
§ 1º - Se o ato for realizado em monumento ou coisa tombada em
virtude do seu valor artístico, arqueológico ou histórico:
- A pena é de 6 (seis) meses a 1 (um) ano de detenção e multa
CAUSA DE EXCLUSÃO DO CRIME:
§ 2º - Não constitui crime:
- A prática de grafite
- Realizada com o objetivo de valorizar o patrimônio público ou
privado;
- Mediante manifestação artística;
- Desde que consentida pelo proprietário e, quando couber, pelo
locatário ou arrendatário do bem privado;
- E, no caso de bem público, com a autorização do órgão competente
e a observância das posturas municipais e das normas editadas pelos
órgãos governamentais responsáveis pela preservação e conservação
do patrimônio histórico e artístico nacional;
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QUESTÕES DE PROVAS ANTERIORES


1. (FMP/ PROMOTOR DE JUSTIÇA – MPE-AM/ 2015) A
responsabilidade delitiva exige sempre o dolo em qualquer tipo de
crime ambiental, perpetrado por pessoa física ou jurídica.
2. (FMP/ PROMOTOR DE JUSTIÇA – MPE-AM/ 2015) Os crimes
ambientais prescrevem, de acordo com a pena prevista para o tipo
penal.
3. (FMP/ PROMOTOR DE JUSTIÇA – MPE-AM/ 2015) Todos os
crimes ambientais são de ação penal pública incondicionada.
4. (FMP/ PROMOTOR DE JUSTIÇA – MPE-AM/ 2015) A
responsabilidade das pessoas jurídicas não exclui a das pessoas físicas,
autoras, coautoras ou partícipes do mesmo fato.
5. (FCC/ JUIZ SUBSTITUTO – TJSC/ 2015) Por decisão do
representante contratual da Empresa BETA, que produz fertilizante
agrícola, alguns funcionários, inclusive o próprio representante
contratual, utilizaram espécimes da fauna silvestre em rota migratória,
sem a devida permissão, licença ou autorização, em pesquisa realizada
sem o conhecimento da empresa e divorciada de qualquer atividade de
interesse ou que pudesse trazer algum benefício, ainda que indireto,
para ela. A empresa
a) poderá ser responsabilizada no campo do direito penal, a depender
de outros elementos, uma vez que a conduta praticada é tipificada
como contravenção penal.
b) será responsabilizada no campo do direito penal, uma vez que a
conduta praticada é tipificada como crime.
c) não será responsabilizada no campo do direito penal.
d) será responsabilizada no campo do direito penal, uma vez que a
conduta praticada é tipificada como contravenção penal.
e) não será responsabilizada no campo do direito penal porque o fato
é atípico.
6. (FUNIVERSA/ DELEGADO DE POLÍCIA – PCDF/ 2015) São
penas restritivas de direitos da pessoa jurídica, entre outras, a
prestação pecuniária e a interdição temporária de direitos.
7. (FUNIVERSA/ DELEGADO DE POLÍCIA – PCDF/ 2015)
Diferentemente do que ocorre com as pessoas físicas, não se aplica às
pessoas jurídicas, no que tange à responsabilidade penal ambiental, a
prestação de serviços à comunidade, mas apenas a pena de multa e
as penas restritivas de direitos.
PROFESSORES CARLOS ALFAMA E PAULO IGOR

8. (FUNIVERSA/ DELEGADO DE POLÍCIA – PCDF/ 2015) No que


se refere às pessoas físicas, as penas restritivas de direitos podem
substituir as penas privativas de liberdade, mas apenas quando se
tratar de crime culposo ou for aplicada pena privativa de liberdade
inferior a quatro anos.
9. (FUNIVERSA/ DELEGADO DE POLÍCIA – PCDF/ 2015) De
acordo com a jurisprudência do STF e do STJ, a competência para
julgamento do crime ambiental será da justiça federal quando atingir,
ainda que de forma indireta e genérica, interesse da União ou de suas
autarquias e empresas públicas.
10. (FCC/ JUIZ SUBSTITUTO – TJPE/ 2015) O auditor contratado
por uma indústria petroquímica apurou, por meio de seu trabalho,
conduta da empresa, ordenada por seu diretor (representante
contratual), tipificada como crime ambiental pela Lei Federal n o
9.605/98. Podendo agir para fazer cessar o crime ambiental, quedou-
se inerte. Neste caso, a responsabilidade penal recairá
a) sobre a pessoa jurídica, o diretor da empresa e o auditor
contratado.
b) apenas sobre o auditor contratado.
c) apenas sobre o diretor da empresa.
d) somente sobre a pessoa jurídica.
e) apenas sobre o diretor da empresa e a pessoa jurídica.
11. (CESGRANRIO/ PROFISSIONAL JÚNIOR – PETROBRAS/
2015) Sr. K, após solicitado pelas autoridades ambientais, realizou
termo de ajustamento de conduta com o fito de reparar danos
provocados em imóvel de sua propriedade. Apesar disso, continuou
tramitando processo criminal iniciado com base nos mesmos fatos,
objeto do termo de ajustamento. Diante dos fatos enunciados, a(o)
a) assinatura do termo de ajustamento implica reconhecimento dos
fatos e extinção de todos os processos vinculados.
b) assunção da responsabilidade civil ou administrativa implica
confissão penal.
c) extinção do processo criminal ocorrerá por ausência de justa causa.
d) processo criminal continuará, com base na independência entre os
processos.
e) termo de ajustamento de conduta somente teria efeitos externos
se subscritos pelo Ministério Público.
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12. (VUNESP/ JUIZ DE DIREITO – TJPA/ 2014) A Lei de Crimes


Ambientais, em seu art. 3.º, estabelece a responsabilidade penal da
pessoa jurídica. Com relação a este tema, a doutrina posiciona-se de
forma eclética existindo aqueles que defendem que a pessoa jurídica
não pode cometer crimes.
13. (PUC – PR/ AUDITOR DE CONTROLE EXTERNO – TCE-MS/
2013) Em relação à responsabilidade da pessoa jurídica em
decorrência da prática de crimes ambientais, é CORRETO afirmar que:
a) é possível a responsabilização penal da pessoa jurídica em crimes
ambientais desde que haja a imputação simultânea do ente moral e da
pessoa física que atua em seu nome ou em seu benefício.
b) a pena restritiva de direitos da pessoa jurídica, no que tange à
proibição de contratar com o Poder Público, terá duração máxima de 3
(três) anos.
c) a responsabilidade penal da pessoa jurídica independe da
cominação de sanção administrativa em relação ao mesmo fato e
somente pode existir nos casos em que a ação ou a omissão ocorrerem
no interesse ou no benefício da entidade.
d) o ordenamento jurídico brasileiro não admite a desconsideração da
pessoa jurídica, pois esta, possuindo personalidade distinta de seus
membros, responde diretamente pelos danos ambientais decorrentes
de suas atividades.
e) as pessoas jurídicas, sejam elas de direito público ou de direito
privado, não poderão incorrer na pena de prestação de serviços à
comunidade.
14. (CESPE/ ANALISTA ADMINISTRATIVO – IBAMA/ 2013) As
penas restritivas de direitos são aplicadas às infrações administrativas
contra o meio ambiente. Já os crimes ambientais são punidos com
penas privativas de liberdade, penas pecuniárias e prestação de
serviços à comunidade, isoladas ou cumulativamente.
15. (CESPE/ ESCRIVÃO DE POLÍCIA - PF/ 2013) A
responsabilidade penal da pessoa jurídica, indiscutível na
jurisprudência, não exclui a responsabilidade de pessoa física, autora,
coautora ou partícipe do mesmo fato delituoso, o que caracteriza o
sistema paralelo de imputação ou da dupla imputação.
16. (FCC/ JUIZ SUBSTITUTO – TJPI/ 2015) Nos crimes previstos
na Lei de Crimes Ambientais − Lei Federal n° 9.605/1998, a suspensão
condicional da pena pode ser aplicada nos casos de condenação à pena
a) restritiva de direito não superior a dois anos.
b) privativa de liberdade não superior a dois anos.
PROFESSORES CARLOS ALFAMA E PAULO IGOR

c) privativa de liberdade não superior a três anos.


d) privativa de liberdade não superior a um ano.
e) privativa de liberdade ou restritiva de direito não superior a dois
anos.
17. (GESTÃO DE CONCURSOS/ ADVOGADO – COHAB MINAS/
2015) Sobre os crimes ambientais e a responsabilidade de pessoas
físicas e jurídicas, assinale a alternativa CORRETA.
a) Nas infrações penais contra o meio ambiente, a ação penal pode
ser pública incondicionada, ou condicionada, nos crimes de menor
potencial ofensivo.
b) A situação econômica do infrator deverá ser observada, pela
autoridade, para imposição e gradação da penalidade de multa, nos
crimes ambientais.
c) As pessoas jurídicas não poderão ser responsabilizadas penalmente
pelos ilícitos ambientais, embora possam ser responsabilizadas civil e
administrativamente.
d) A responsabilidade da pessoa jurídica exclui a das pessoas físicas,
autoras, coautoras ou partícipes do mesmo fato, não sendo possível,
nem mesmo, a desconsideração da personalidade jurídica da pessoa
física para alcançar a física.
18. (FCC/ JUIZ SUBSTITUTO – TJAL/ 2015) São penas
restritivas de direitos da pessoa jurídica que pratica crime ambiental:
a) proibição de contratar com o Poder Público, bem como dele obter
subsídios, subvenções ou doações, interdição temporária de
estabelecimento, obra ou atividade e suspensão parcial ou total de
atividades.
b) suspensão apenas parcial de atividades e interdição permanente de
estabelecimento, obra ou atividade.
c) proibição de contratar com o Poder Público, bem como dele obter
subsídios, subvenções ou doações e interdição permanente de
estabelecimento, obra ou atividade.
d) proibição, que não poderá exceder o prazo de 5 anos, de contratar
com o Poder Público, bem como dele obter subsídios, subvenções ou
doações, interdição temporária de estabelecimento, obra ou atividade
e suspensão parcial ou total de atividades.
e) interdição permanente de estabelecimento, obra ou atividade e
suspensão parcial ou total de atividades.
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19. (FUNIVERSA/ DELEGADO DE POLÍCIA – PCDF/ 2015) Na


aplicação e gradação da penalidade, a autoridade competente
observará, entre outros aspectos, os antecedentes do infrator quanto
ao cumprimento da legislação de interesse ambiental, assim como a
sua situação econômica, no caso de multa.
20. (FMP/ DEFENSOR PÚBLICO – DPE-PA/ 2015) De acordo
com a Lei n. 9605/98, são penas restritivas de direitos aplicáveis à
pessoa jurídica:
a) a suspensão parcial ou total de atividades e a prestação pecuniária.
b) a interdição temporária de estabelecimento, obra ou atividade e a
proibição de receber incentivos fiscais.
c) a proibição de contratar com o Poder Público, bem como dele obter
subsídios, e o recolhimento domiciliar.
d) as penas previstas nas alternativas “A”, “B” e “C”.
e) a interdição temporária de estabelecimento, obra ou atividade e a
proibição de contratar com o Poder Público, bem como dele obter
subsídios, subvenções ou doações.
21. (FCC/ JUIZ SUBSTITUTO – TJRR/ 2015) Nas infrações
penais previstas na Lei de Crimes Ambientais Lei n° 9.605/98, a ação
penal é pública incondicionada.
22. (CS-UFG/ PROCURADOR – AL-GO/ 2015) A Constituição
Federal prevê a responsabilidade penal da pessoa jurídica, que poderá
ser condenada pela prática de crime ambiental ainda que absolvidas as
pessoas físicas ocupantes de cargo de presidência ou direção.
23. (CS-UFG/ PROCURADOR – AL-GO/ 2015) O baixo grau de
instrução e escolaridade do agente, assim como o desconhecimento
das leis e dos atos normativos em matéria ambiental são circunstâncias
que atenuam a pena.
24. (FCC/ JUIZ SUBSTITUTO – TJPE/ 2015) José foi condenado
por crime ambiental a uma pena restritiva de direito, qual seja, a
prestação de serviços à comunidade consistente na obrigação de
restaurar um imóvel particular tombado danificado por sua conduta
típica, antijurídica e culpável, e multa. Diante da apelação apresentada
pelo réu, o Tribunal de Justiça deverá
a) reformar a sentença para obrigar o réu a prestar apenas serviços
indiretos no imóvel tombado.
b) reformar a sentença para impor ao réu somente o pagamento de
multa.
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c) manter a sentença, que encontra fundamento na legislação


vigente.
d) reformar a sentença, uma vez que a prestação de serviços à
comunidade não pode ser realizada em imóvel particular.
e) reformar a sentença, uma vez que a prestação de serviços à
comunidade não pode ser realizada em bem tombado.
25. (FUNRIO/ QUÍMICO – UFRB/ 2015) A Lei Nº 9.605, de 12 de
fevereiro de 1998, dispõe sobre as sanções penais e administrativas
derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente, e dá
outras providências. No artigo 8º são enumeradas as penas restritivas
de direito. Com relação a prestação pecuniária, consiste:
a) Na atribuição ao condenado de tarefas gratuitas junto a parques e
jardins públicos e unidades de conservação (...)
b) Na proibição ao condenado em contratar com o Poder Público, de
receber incentivos fiscais (...)
c) No pagamento em dinheiro à vítima ou à entidade pública ou
privada com fim social (...)
d) No condenado ficar recolhido nos dias e horários de folga em
residência (...)
e) No pedido de perdão à vítima, seja pessoa física, jurídica ou órgão
público (...)
26. (VUNESP/ DELEGADO DE POLÍCIA – PCCE/ 2015) O
recolhimento domiciliar baseia-se na autodisciplina e senso de
responsabilidade do condenado, que deverá, sem vigilância, trabalhar,
frequentar curso ou exercer atividade autorizada, permanecendo
recolhido nos dias e horários de folga em residência ou em qualquer
local destinado a sua moradia habitual, conforme estabelecido na
sentença condenatória.
27. (VUNESP/ DELEGADO DE POLÍCIA – PCCE/ 2015) As penas
de interdição temporária de direito são a proibição de o condenado
contratar com o Poder Público, de receber incentivos fiscais ou
quaisquer outros benefícios, bem como de participar de licitações, pelo
prazo de três anos, no caso de crimes dolosos.
28. (VUNESP/ DELEGADO DE POLÍCIA – PCCE/ 2015) As penas
restritivas de direito são autônomas e substituem as privativas de
liberdade quando se tratar de crime culposo ou for aplicada a pena
privativa de liberdade inferior a seis anos.
29. (VUNESP/ DELEGADO DE POLÍCIA – PCCE/ 2015) A
prestação de serviços à comunidade consiste na atribuição ao
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condenado de tarefas gratuitas ou onerosas junto a parques e jardins


públicos e unidades de conservação, e, no caso de dano da coisa
particular, pública ou tombada, na restauração desta, se possível.
30. (VUNESP/ DELEGADO DE POLÍCIA – PCCE/ 2015) A
prestação pecuniária consiste no pagamento em dinheiro ao fundo de
defesa de direitos difusos, de importância, fixada pelo juiz, não inferior
a um salário-mínimo nem superior a trezentos e sessenta e cinco
salários-mínimos; podendo o valor pago ser deduzido do montante de
eventual reparação civil a que for condenado o infrator.
31. (CESPE/ AGENTE DE POLÍCIA – PF/ 2014) Considere que
Jorge tenha sido preso por pescar durante a piracema, o que o tornou
réu em processo criminal. Nessa situação hipotética, se a lesividade ao
bem ambiental for ínfima, segundo o entendimento do Superior
Tribunal de Justiça, o juiz poderá aplicar o princípio da insignificância.
32. (CESGRANRIO/ TÉCNICO AMBIENTAL JR – PETROBRAS/
2014) A Lei Federal nº 9.605/1998 dispõe sobre as sanções penais e
administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio
ambiente. De acordo com essa Lei, a(s)
a) infração ter sido cometida à noite ou em domingos ou feriados é
uma circunstância que agrava a pena.
b) prestação pecuniária não pode ser usada para deduzir o montante
de eventual reparação civil a que for condenado o infrator.
c) penas de prestação de serviços à comunidade não são aplicáveis às
pessoas jurídicas.
d) penas restritivas de direitos não são autônomas e não podem
substituir as privativas de liberdade.
33. (IBFC/ ESCRIVÃO DE POLÍCIA – PCSE/ 2014) Segundo a
Lei dos Crimes Ambientais (Lei n° 9.605/98), são circunstâncias que
agravam a pena, quando não constituem elemento ou qualificadora do
crime, exceto:
a) Ter o agente cometido a infração concorrendo para danos à
propriedade alheia.
b) Ter o agente cometido a infração atingindo áreas urbanas ou
quaisquer assentamentos humanos.
c) Ter o agente cometido a infração atingindo espécies ameaçadas,
independentemente de listagem em relatórios oficiais das autoridades
competentes.
d) Ter o agente cometido a infração em épocas de seca ou inundações.
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34. (MPE-RS/ ASSESSOR JURÍDICO/ 2014) Assinale a


alternativa INCORRETA no que diz respeito à responsabilidade civil,
administrativa e penal, decorrente de ação ou omissão lesiva ao meio
ambiente.
a) As pessoas jurídicas serão responsabilizadas administrativa, civil e
penalmente conforme o disposto na Lei nº 9.605/98, nos casos em que
a infração seja cometida por decisão de seu representante legal ou
contratual, ou de seu órgão colegiado, no interesse ou benefício da sua
entidade.
b) A responsabilidade das pessoas jurídicas exclui a das pessoas
físicas, autoras, coautoras ou partícipes do mesmo fato.
c) Poderá ser desconsiderada a pessoa jurídica sempre que sua
personalidade for obstáculo ao ressarcimento de prejuízos causados à
qualidade do meio ambiente.
d) Quem, de qualquer forma, concorre para a prática dos crimes
previstos na Lei nº 9.605/98, incide nas penas a estes cominadas, na
medida da sua culpabilidade, como o diretor, o administrador, o
membro de conselho e de órgão técnico, o auditor, o gerente, o
preposto ou mandatário de pessoa jurídica, que, sabendo da conduta
criminosa de outrem, deixar de impedir a sua prática, quando podia
agir para evitá-la.
e) A sentença penal condenatória, sempre que possível, fixará o valor
mínimo para reparação dos danos pela infração, considerando os
prejuízos sofridos pelo ofendido ou pelo meio ambiente.
35. (FCC/ PROMOTOR DE JUSTIÇA – PE/ 2014) No tocante às
penas aplicáveis às pessoas jurídicas por crimes ambientais, é correto
afirmar que
a) possível a suspensão parcial ou total de atividades por tempo
indeterminado.
b) são autônomas e substitutivas.
c) a proibição de contratar com o Poder Público não poderá exceder
dez anos.
d) só podem ser aplicadas cumulativamente.
e) a multa deverá ser aplicada em salários mínimos.
36. (MPE-SC/ PROMOTOR DE JUSTIÇA/ 2014) Segundo dispõe
a Lei n. 9.605/98, o baixo grau de instrução ou escolaridade do agente
não é circunstância que atenua a pena do infrator ambiental, não
podendo ser levada em consideração quando da condenação.
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37. (FUNCAB/ DELEGADO DE POLÍCIA – PCRO/ 2014) Nos


termos da Lei n° 9.605/1998, a pena de multa será calculada com base
na situação econômica do infrator e no montante do prejuízo causado,
podendo ser aumentada em até três vezes de acordo com o valor da
vantagem econômica auferida e a eficácia da medida punitiva.
38. (CESPE/ ANALISTA LEGISLATIVO – CÂMARA DOS
DEPUTADOS/ 2014) A lei que dispõe sobre as sanções penais e
administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio
ambiente determina, expressamente, que os crimes ambientais nela
previstos são de competência da justiça estadual.
39. (CESPE/ PROMOTOR DE JUSTIÇA – MPE-AC/ 2014)
Segundo entendimento consolidado do STJ, não é possível a aplicação
do princípio da insignificância aos tipos penais que tutelam a proteção
ao meio ambiente, em razão da necessidade de proteção ao direito ao
meio ambiente ecologicamente equilibrado.
40. (CESPE/ PROMOTOR DE JUSTIÇA – MPE-AC/ 2014) Entre
as circunstâncias que atenuam a pena dos delitos previstos na Lei dos
Crimes Ambientais incluem-se o baixo grau de instrução ou
escolaridade do agente e o arrependimento do infrator, manifestado
pela espontânea reparação do dano ou limitação significativa da
degradação ambiental causada.
41. (CESPE/ PROMOTOR DE JUSTIÇA – MPE-AC/ 2014) O valor
pago em dinheiro à vítima ou à entidade pública ou privada com fim
social, em razão da aplicação da pena restritiva de direitos de
prestação pecuniária, prevista na Lei dos Crimes Ambientais, não
poderá ser deduzido do montante de eventual reparação civil a que for
condenado o infrator.
42. (CESPE/ PROCURADOR DO ESTADO – PGE-BA/ 2014) A
empresa poderá ser responsabilizada penalmente caso pratique ato
ilícito, podendo ser desconsiderada a pessoa jurídica se a
personalidade for obstáculo ao ressarcimento de prejuízos causados ao
meio ambiente.
43. (FMP-RS/ JUIZ SUBSTITUTO – TJ-MT/ 2014) A sentença
penal condenatória por crime ambiental, sempre que possível, fixará o
valor mínimo para reparação dos danos causados pela infração,
considerando os prejuízos sofridos pelo ofendido ou pelo meio
ambiente.
44. (CESPE/ ANALISTA LEGISLATIVO – CÂMARA DOS
DEPUTADOS/ 2014) Tanto a pena restritiva de direitos quanto a
pena de prestação de serviços à comunidade podem ser aplicadas às
pessoas jurídicas.
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45. (CESPE/ ANALISTA LEGISLATIVO – CÂMARA DOS


DEPUTADOS/ 2014) Tratando-se de pena taxativa, é irrelevante
para a gradação penal, no caso de aplicação de multa, a situação
econômica do infrator.
46. (CESPE/ ANALISTA LEGISLATIVO – CÂMARA DOS
DEPUTADOS/ 2014) No âmbito do direito ambiental, as penas
restritivas de direitos são autônomas e substituem as penas privativas
de liberdade se se tratar de crime culposo ou se for aplicada a pena
privativa de liberdade inferior a quatro anos e quando a culpabilidade,
os antecedentes, a conduta social e a personalidade do condenado,
bem como os motivos e as circunstâncias do crime indicarem que a
substituição da pena seja suficiente para efeitos de reprovação e
prevenção do crime.
47. (CESPE/ ANALISTA LEGISLATIVO – CÂMARA DOS
DEPUTADOS/ 2014) Alterar o aspecto de edificação, protegida por
ato administrativo, em razão do seu valor turístico, sem autorização da
autoridade competente, tipifica uma infração penal prevista na lei dos
crimes ambientais.
48. (CESPE/ PROMOTOR DE JUSTIÇA – MPE-AC/ 2014) A
prática de abuso e maus-tratos a animais, como feri-los ou mutilá-los,
prevista na Lei dos Crimes Ambientais, incide somente nas hipóteses
em que o animal seja silvestre, nativo ou exótico, sendo a conduta
praticada em relação a animal doméstico configurada apenas como
contravenção penal.
49. (CESPE/ PROMOTOR DE JUSTIÇA – MPE-AC/ 2014) O
agente que dolosamente promova a queimada de lavouras e pastagens
deve responder pela prática do delito de incêndio previsto na Lei dos
Crimes Ambientais.
GABARITO
1–E 2–C 3–C 4–C 5–c 6–E 7–E 8–E
9–E 10 – a 11 – d 12 – C 13 – c 14 – E 15 – C 16 – c
17 – b 18 – a 19 – C 20 – e 21 – C 22 – C 23 – E 24 – c
25 – c 26 – C 27 – E 28 – E 29 – C 30 – E 31– C 32 – a
33 – c 34 – b 35 – c 36 – E 37 – C 38 – E 39 – E 40 – C
41 – E 42 – C 43 – C 44 – C 45 – E 46 – C 47 – C 48 – E
49 - E
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