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COMPLEXO DE EDIPO

“O complexo de Édipo é a representação inconsciente pela qual se exprime o desejo


sexual ou amoroso da criança pelo genitor do sexo oposto e sua hostilidade para com o
genitor do mesmo sexo. Essa representação pode inverter-se e exprimir o amor pelo
genitor do mesmo sexo e o ódio pelo do sexo oposto. Chama-se Édipo à primeira
representação, Édipo invertido à segunda, e Édipo completo à mescla das duas. O
complexo de Édipo aparece entre os 3 e os 5 anos. Seu declínio marca a entrada num
período chamado de latência, e sua resolução após a puberdade concretiza-se num novo
tipo de escolha de objeto” (ROUDINESCO, p. 166)
Foi numa carta de 15 de outubro de 1897, dirigida a Wilhelm Fliess*, que Freud
interpretou pela primeira vez a tragédia de Sófocles, fazendo dela o ponto nodal de um
desejo incestuoso infantil: “Encontrei em mim, como em toda parte, sentimentos
amorosos em relação à minha mãe e de ciúme a respeito de meu pai, sentimentos estes
que, penso eu, são comuns a todas as crianças pequenas, mesmo quando seu aparecimento
não é tão precoce quanto naquelas que ficam histéricas. Se realmente é assim, é
compreensível, a despeito de todas as objeções racionais que se opõem à hipótese de uma
fatalidade inexorável, o efeito cativante de Édipo rei (...). A lenda grega apoderou-se de
uma compulsão que todos reconhecem, porque todos a sentiram. Todo espectador, um
dia, foi em germe, na imaginação, um Édipo, e se assombra diante da realização de seu
sonho*, transposto para a realidade.” (ROUDINESCO, p. 167)

SUPEREU
“Essa formação é correlata do apagamento da estrutura edipiana. Num primeiro tempo, o
supereu é representado pela autoridade parental que dá ritmo à evolução infantil,
alternando as provas de amor com as punições, geradoras de angústia. Num segundo
tempo, quando a criança renuncia à satisfação edipiana, as proibições externas são
internalizadas.” (ROUDINESCO, p. 744)
“Freud sublinhou também que o supereu não se constrói segundo o modelo dos pais, mas
segundo o que é constituído pelo supereu deles. A transmissão dos valores e das tradições
perpetua-se, dessa maneira, por intermédio dos supereus, de uma geração para outra. O
supereu é particularmente importante no exercício das funções educativas.”
(ROUDINESCO, p. 745)
PSICOLOGIA DAS MASSAS
“O caráter inquietante e compulsivo da formação da massa, evidenciado em seus
fenômenos de sugestão, pode então ser remontado, com justiça, à sua origem a partir da
horda primeva. O líder da massa continua a ser o temido pai primordial, a massa quer
ainda ser dominada com força irrestrita, tem ânsia extrema de autoridade, ou, nas palavras
de Le Bon, sede de submissão. O pai primevo é o ideal da massa, que domina o Eu no
lugar do ideal do Eu.” (FREUD, 1921, p.71)
“As massas humanas exibem novamente a familiar imagem do indivíduo superforte em
meio a um bando de companheiros iguais, também contida em nossa representação da
horda primeva. A psicologia dessa massa, tal como a conhecemos das descrições até aqui
mencionadas — a atrofia da personalidade individual consciente, a orientação de
pensamentos e sentimentos nas mesmas direções, o predomínio da afetividade e da psique
inconsciente, a tendência à imediata execução dos propósitos que surgem —, tudo isso
corresponde a um estado de regressão a uma atividade anímica primitiva, como a que nos
inclinamos a atribuir à horda primeva.” (FREUD, 1921, p.66)
“Basta-nos dizer que na massa o indivíduo está sujeito a condições que lhe permitem se
livrar das repressões dos seus impulsos instintivos inconscientes [...] numa massa todo
sentimento, todo ato é contagioso, e isso a ponto de o indivíduo sacrificar facilmente o
seu interesse pessoal ao interesse coletivo.” (FREUD, 1921, p.15)