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13 – DETALHAMENTO DE ARMADURAS LONGITUDINAIS EM VIGAS

13.1 – ACOMODAÇÃO DA ARMADURA NA SEÇÃO TRANSVERSAL

As barras de aço que compõem a viga devem estar posicionadas de maneira que possam fornecer os
esforços resistentes necessários e também que permita a passagem do concreto, favorecendo o total
envolvimento da armadura.

Para isso, a Norma (item 18.3.2.2) define os espaçamentos mínimos entre as barras, na seção transversal
da viga. O espaçamento mínimo livre entre as faces das barras longitudinais, medido no plano da seção
transversal, deve ser igual ou superior ao maior dos seguintes valores:
a) na direção horizontal (ah):
 20 mm;
 diâmetro da barra, do feixe ou da luva;
 1,2 vez a dimensão máxima característica do agregado graúdo;

b) na direção vertical (av):


 20 mm;
 diâmetro da barra, do feixe ou da luva;
 0,5 vez a dimensão máxima característica do agregado graúdo.

Durante a formulação das equações de equilíbrio, usadas no dimensionamento à flexão, considerou-se a


posição do vetor força resultante da armadura coincidente com o centro de gravidade desta armadura. Segundo a
NBR 6118, item 17.2.4.1, os esforços nas armaduras podem ser considerados concentrados no centro de
gravidade correspondente, se a distância deste centro de gravidade ao centro da armadura mais afastada, medida
normalmente à linha neutra, for menor que 10 % de h.

13.2 – ADERÊNCIA

Em um elemento de concreto armado, é admitida como hipótese fundamental o trabalho conjunto entre o
concreto e o aço em seu interior. Para que isso ocorra é necessária uma ótima aderência entre estes elementos,
visando garantir que não ocorra escorregamento relativo entre o concreto e as barras de aço.

Neste estudo é necessário que se considere dois aspectos: o mecanismo de transferência de força da
barra de aço para o concreto que a envolve e a capacidade do concreto resistir às tensões oriundas dessa força.

A transferência de força é possibilitada por ações químicas (adesão), por atrito e por ações mecânicas. O
estudo destas parcelas, que somadas definem a aderência, é meramente conceitual visto que não é possível
determinar precisamente a contribuição de cada uma delas individualmente.

13.2.1 –ADERÊNCIA POR ADESÃO

Após o lançamento do concreto fresco sobre uma chapa de aço, durante o endurecimento do concreto,
ocorrem ligações físico-químicas com a chapa de aço na interface, que faz surgir uma resistência de cola
(adesão), indicada pela força Rb1 , que se opõe à separação dos dois materiais. A contribuição da adesão à
aderência é pequena.

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13.2.2 –ADERÊNCIA POR ATRITO

Ao se aplicar uma força que tende a arrancar uma barra de aço inserida no concreto, verifica-se que a
força de arrancamento (Rb2) é muito superior à força Rb1 relativa à aderência por adesão. Considera-se que
surgem ao longo da barra tensões de cisalhamento, que originam forças de atrito que se opõem ao deslocamento
relativo entre a barra de aço e o concreto. Existe, portanto, uma contribuição do atrito à aderência.

A intensidade das forças de atrito depende do coeficiente de atrito entre o concreto e o aço, e quando
existir, da intensidade de forças de compressão transversais ao eixo da barra (Pt), provenientes da retração do
concreto, de ações externas, etc.

13.2.3 –ADERÊNCIA MECÂNICA

A aderência mecânica é aquela proporcionada pelas saliências (também chamadas nervuras ou mossas)
existentes na superfície das barras de aço de alta aderência, e pelas irregularidades da laminação no caso das
barras lisas. As saliências criam pontos de apoio no concreto, que causam uma resistência ao escorregamento
relativo entre a barra e o concreto. A aderência mecânica é a parcela mais importante e de maior intensidade da
aderência total.

13.2.4 –TENSÕES NO CONCRETO

A figura abaixo mostra a direção das tensões principais de tração e de compressão, em ensaio de
arrancamento, para o caso de ancoragem por barra reta. Na barra é aplicada a força de arrancamento Rs e o
corpo de prova está apoiado em um dispositivo, que proporciona as forças D. Na região de ancoragem reta as
tensões inclinadas de compressão propagam-se pelo concreto a partir da extremidade da barra, e oferecem
resistência ao arrancamento da barra.

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A força Rs de arrancamento na barra de aço leva à ocorrência de três tensões diferentes: tensões
tangenciais (τb) na interface aço-concreto, tensões diagonais de compressão (σce) e tensões transversais de
tração (σtt). As tensões σce são referentes às linhas tracejadas e as tensões σtt são referentes às linhas contínuas,
na figura anterior.

As tensões de tração, aproximadamente perpendiculares à barra, produzem no concreto um esforço de


tração transversal denominado esforço de fendilhamento, que pode dar origem às chamadas fissuras de
fendilhamento, como mostrada abaixo.

Para prevenir contra a possibilidade do surgimento de fissuras de fendilhamento, pode ser adotada uma
armadura em forma de barras transversais, chamada armadura de costura, dispostas ao longo da barra ancorada
por aderência. Esta armadura combate as tensões transversais de tração e impedem a ruptura longitudinal por
fendilhamento.

A armadura de costura evita também que, se ocorrerem fissuras, estas alcancem a superfície do concreto,
o que poderia comprometer a durabilidade da peça devido à corrosão da barra de aço ancorada.

Nas vigas há um efeito favorável proporcionado pelas bielas comprimidas de concreto, devidas às forças
cortantes. Os estribos também ajudam a combater o fendilhamento, pois funcionam como armadura de costura ao
resistirem às tensões transversais de tração; esta situação será mais favorável quanto menor for a distância entre
estribos.

13.2.5 –REGIÕES DE BOA E DE MÁ ADERÊNCIA

Ensaios experimentais realizados mostraram que a resistência de aderência, de barras de aço


posicionadas na direção vertical, é significativamente maior que a resistência de aderência de barras posicionadas
na horizontal. Para as barras horizontais, a distância ao fundo ou ao topo da fôrma (superfície de concreto)
determina a qualidade da aderência entre o concreto e a barra de aço. Assim ocorre porque, durante o
adensamento e o endurecimento do concreto, a sedimentação do cimento e principalmente o fenômeno da
exsudação, tornam o concreto da camada superior mais poroso, podendo diminuir a aderência à metade daquela
das barras verticais.
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A NBR 6118, item 9.3.1, define situações de boa e má aderência:
Consideram-se em boa situação quanto à aderência os trechos das barras que estejam em uma das
posições seguintes:

a) com inclinação maior que 45° sobre a horizontal;

b) horizontais ou com inclinação menor que 45° sobre a horizontal, desde que:
 para elementos estruturais com h < 60 cm, localizados no máximo 30 cm acima da face inferior do
elemento ou da junta de concretagem mais próxima;
 para elementos estruturais com h ≥ 60 cm, localizados no mínimo 30 cm abaixo da face superior do
elemento ou da junta de concretagem mais próxima.

Os trechos das barras em outras posições, e quando do uso de formas deslizantes, devem ser
considerados em má situação quanto à aderência.

A figura abaixo mostra as regiões de boa e má aderência para algumas situações:

13.2.6 – RESISTÊNCIA DE ADERÊNCIA

A resistência de aderência depende da resistência do concreto, da rugosidade da superfície da barra de


aço, da posição da barra na massa de concreto (situação de aderência) e do diâmetro da barra. As nervuras na
superfície da barra aumentam significativamente a resistência de aderência.

Embora a distribuição da tensão de aderência sobre o comprimento de ancoragem seja não linear, para
aplicações práticas e de projeto considera-se seguro considerar uma tensão média de valor constante.

Segundo a NBR 6118, item 9.3.2.1, a resistência de aderência de cálculo entre armadura e concreto na
ancoragem de armaduras passivas deve ser obtida pela seguinte expressão:

fbd = η1 η2 η3 fctd

onde:
η1 = 1,0 para barras lisas;
η1 = 1,4 para barras entalhadas;
η1 = 2,25 para barras nervuradas;
η2 = 1,0 para situações de boa aderência;
η2 = 0,7 para situações de má aderência;
η3 = 1,0 para  < 32 mm;
η3 = (132 − )/100 , para  ≥ 32 mm, onde  é o diâmetro da barra, expresso em milímetros (mm).

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13.3 – ANCORAGEM DE ARMADURA PASSIVA POR ADERÊNCIA

A NBR 6118, itens 9.4.1 e 9.4.1.1, contém as seguintes recomendações:

Todas as barras das armaduras devem ser ancoradas de forma que as forças a que estejam submetidas
sejam integralmente transmitidos ao concreto, seja por meio de aderência ou de dispositivos mecânicos ou por
combinação de ambos.

A ancoragem por aderência acontece quando os esforços são ancorados por meio de um comprimento
reto ou com grande raio de curvatura, seguido ou não de gancho. Com exceção das regiões situadas sobre apoios
diretos, as ancoragens por aderência devem ser confinadas por armaduras transversais (ver 9.4.2.6) ou pelo
próprio concreto, considerando-se este caso quando o cobrimento da barra ancorada for maior ou igual a 3 e a
distância entre barras ancoradas for maior ou igual a 3.

13.3.1 – COMPRIMENTO DE ANCORAGEM BÁSICO

O comprimento de ancoragem de uma barra de aço depende da qualidade e da resistência do concreto,


da posição e inclinação da barra na peça, da força de tração na barra e da conformação superficial da barra
(saliências, entalhes, nervuras, etc.).

A NBR 6118, item 9.4.2.4, define comprimento de ancoragem básico como o comprimento reto de uma
barra de armadura passiva necessário para ancorar a força-limite As . fyd nessa barra, admitindo-se, ao longo
desse comprimento, resistência de aderência uniforme e igual a fbd, conforme 9.3.2.1.

A ancoragem reta da barra representa um processo econômico e simples de projetar e executar. O


comprimento de ancoragem básico é dado por:

13.3.2 – COMPRIMENTO DE ANCORAGEM NECESSÁRIO

A NBR 6118, item 9.4.2.5 permite reduzir o comprimento de ancoragem através do cálculo do
comprimento de ancoragem necessário (lb,nec), que leva em consideração a existência ou não de gancho e a
relação entre a armadura calculada (As,calc) e a armadura efetivamente disposta (As,ef)

No processo de cálculo da armadura longitudinal de uma viga, a área de aço adotada é, em geral, maior
do que a área de aço obtida nos cálculos. Considerando que a força que atua na barra é igual a As x fyd, o uso de
uma maior área de aço ocasiona que a força que de fato atua sobre a barra é um pouco menor do que a obtida
pelo produto entre área de aço e tensão de escoamento. Este fator pode ser usado para diminuir o comprimento
de ancoragem.

O comprimento de ancoragem necessário é calculado por:

onde:
α = 1,0 para barras sem gancho;
α = 0,7 para barras tracionadas com gancho, com cobrimento no plano normal ao do gancho ≥ 3;
α = 0,7 quando houver barras transversais soldadas conforme 9.4.2.2;
α = 0,5 quando houver barras transversais soldadas conforme 9.4.2.2 e gancho com cobrimento no plano normal
ao do gancho ≥ 3 ;

A NBR 6118 estabelece ainda limites mínimos para o valor de o valor mínimo para l b,mín, mostrados
abaixo:

Permite-se, em casos especiais, considerar outros fatores redutores do comprimento de ancoragem


necessário.

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13.3.3 – PROLONGAMENTO RETILÍNEO DA BARRA OU GRANDE RAIO DE CURVATURA

As barras tracionadas podem ser ancoradas ao longo de um comprimento retilíneo ou com grande raio de
curvatura em sua extremidade, de acordo com as condições a seguir:

a) obrigatoriamente com gancho para barras lisas;

b) sem gancho nas que tenham alternância de solicitação, de tração e compressão;

c) com ou sem gancho nos demais casos, não sendo recomendado o gancho para barras de  > 32 mm ou para
feixes de barras.

As barras comprimidas devem ser ancoradas sem ganchos; esta medida visa diminuir a possibilidade de
ocorrer flambagem na barra, o que poderia comprometer o cobrimento de concreto.

Para o uso de barras transversais soldadas, consultar a NBR 6118, item 9.4.2.2.

13.3.4 – GANCHOS DAS ARMADURAS DE TRAÇÃO

Segundo o item 9.4.2.3 da Norma, quando se fizer uso de ganchos nas extremidades das barras da
armadura longitudinal de tração, os ganchos podem ser:

a) semicirculares, com ponta reta de comprimento não inferior a 2 ;


b) em ângulo de 45° (interno), com ponta reta de comprimento não inferior a 4 ;
c) em ângulo reto, com ponta reta de comprimento não inferior a 8 .

Para as barras lisas, os ganchos devem ser semicirculares.

O diâmetro interno da curvatura dos ganchos das armaduras longitudinais de tração deve ser pelo menos
igual ao estabelecido na Tabela 9.1.

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13.3.5 – ARMADURA TRANSVERSAL NA ANCORAGEM

No item 9.4.2.6.1, a Norma recomenda que, para barras com  < 32 mm, ao longo do comprimento de
ancoragem deve ser prevista armadura transversal capaz de resistir a 25 % da força longitudinal de uma das
barras ancoradas. Se a ancoragem envolver barras diferentes, prevalece, para esse efeito, a de maior diâmetro.
Para barras com  ≥ 32 mm, consultar a Norma (item 9.2.4.6.2)

EXEMPLO 13.1
Calcular o comprimento de ancoragem reto básico para uma barra de Φ = 12,5 mm, usando aço CA 50 e concreto
C20, considerando:
a) barra ancorada em região de boa aderência
b) barra ancorada em região de má aderência

EXEMPLO 13.2
Calcular o comprimento de ancoragem com o uso de gancho de ângulo reto para uma barra de Φ = 12,5 mm,
usando aço CA 50 e concreto C20, considerando barra ancorada em região de boa aderência.

EXEMPLO 13.3
Detalhar a barra de aço CA 50 da viga de concreto armado esquematizada abaixo:

13.4 – EMENDA DE BARRAS

As barras de aço apresentam usualmente o comprimento em torno de 12 m. Em elementos estruturais de


comprimento superior a 12 m, como vigas e pilares por exemplo, torna-se necessário fazer a emenda das barras.
Além disso, existem situações em que é permitido interromper uma barra de maior diâmetro, substituindo-a por
outra de menor diâmetro, em regiões específicas do elemento estrutural, devido à diminuição da intensidade dos
esforços no trecho.

A NBR 6118, item 9.5, define quatro tipos de emendas para barras no concreto armado:

 por traspasse (ou transpasse);


 por luvas com preenchimento metálico, rosqueadas ou prensadas;
 por solda;
 por outros dispositivos devidamente justificados.

No caso das emendas do tipo luva e solda, o concreto não participa da transmissão de forças de uma
barra para outra, podendo as emendas ser dispostas em qualquer posição. No caso da emenda por transpasse é
necessário que o concreto participe na transmissão dos esforços, o que exige um estudo mais minucioso.

Nesta apostila serão mostradas apenas as características das emendas por transpasse, que são as mais
comuns na prática das estruturas de concreto.

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13.4.1 – EMENDA POR TRANSPASSE

No caso de emenda de barras por transpasse, a emenda é feita pela simples justaposição longitudinal das
barras num comprimento de emenda definido como comprimento de transpasse. A NBR 6118, item 9.5.2,
estabelece que a emenda por transpasse só é permitida para barras de diâmetro até 32 mm.

A transferência da força de uma barra para outra numa emenda por transpasse ocorre por meio de bielas
inclinadas de compressão. Ao mesmo tempo surgem também tensões transversais de tração, que requerem uma
armadura transversal na região da emenda.

As barras a serem emendadas devem ficar próximas entre si, numa distância não superior a 4. Barras
com saliências podem ficar em contato direto, dado que as saliências mobilizam o concreto para a transferência
da força.

A resistência da emenda depende do comprimento de transpasse, do diâmetro e espaçamento das barras


e da resistência do concreto. O aumento do comprimento de transpasse não aumenta a resistência da emenda na
mesma proporção.

13.4.2 – PROPORÇÃO DAS BARRAS TRACIONADAS EMENDADAS

Como visto, a emenda de barras introduz tensões de tração e de compressão no concreto na região da
emenda. Para evitar altas concentrações de tensão, deve-se limitar a quantidade de emendas numa mesma
seção da peça.

A NBR 6118, item 9.5.2.1, considera na mesma seção transversal as emendas que se superpõem ou
cujas extremidades mais próximas estejam afastadas de menos que 20 % do comprimento do trecho de
traspasse. Quando as barras têm diâmetros diferentes, o comprimento de traspasse deve ser calculado pela barra
de maior diâmetro.

No esquema da figura abaixo, ℓ01 e ℓ02 são os comprimentos das emendas de quatro barras. O critério para
definir se duas emendas são consideradas ou não na mesma seção da peça é função da distância a:

- se a < 0,2 ℓ01 → as emendas ocorrem na mesma seção;

- se a ≥ 0,2 ℓ01 → as emendas ocorrem em seções diferentes.

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Ou seja, as emendas não necessitam estarem perfeitamente alinhadas para serem consideradas na
mesma seção ao longo da peça.

Ainda segundo o item 9.5.2.1 da Norma, a proporção máxima de barras tracionadas da armadura principal
emendadas por traspasse na mesma seção transversal do elemento estrutural deve ser a indicada na Tabela 9.3.

Quando se tratar de armadura permanentemente comprimida ou de distribuição, todas as barras podem


ser emendadas na mesma seção.

13.4.3 – COMPRIMENTO DE TRANSPASSE DE BARRAS TRACIONADAS ISOLADAS

Segundo a NBR 6118, item 9.5.2.2, quando a distância livre entre barras emendadas estiver
compreendida entre 0 e 4, o comprimento do trecho de traspasse para barras tracionadas deve ser:

onde α0t é o coeficiente função da porcentagem de barras emendadas na mesma seção, conforme Tabela 9.4 e o
valor de ℓ0t,mín é dado abaixo:

Quando a distância livre entre barras emendadas for maior que 4, ao comprimento calculado deve ser
acrescida a distância livre entre as barras emendadas. A armadura transversal na emenda deve ser justificada,
considerando o comportamento conjunto concreto-aço, atendendo ao estabelecido em 9.5.2.4.

13.4.4 – COMPRIMENTO DE TRANSPASSE DE BARRAS COMPRIMIDAS ISOLADAS

Segundo o item 9.5.2.3 da NBR 6118, quando as barras estiverem comprimidas, adotar a seguinte
expressão para cálculo do comprimento de traspasse:

onde

13.4.5 – ARMADURA TRANSVERSAL NAS EMENDAS POR TRANSPASSE EM BARRAS ISOLADAS

Com o objetivo de combater as tensões transversais de tração, que podem originar fissuras na região da
emenda, a Norma recomenda a adoção de armadura transversal na região da emenda.

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13.4.5.1 –BARRAS TRACIONADAS

Segundo o item 9.5.2.4.1 da Norma, quando  < 16 mm e a proporção de barras emendadas na mesma
seção for menor que 25 %, a armadura transversal deve satisfazer o descrito em 9.4.2.6, ou seja, obedecer aos
mesmos critérios para a armadura transversal nas ancoragens.

Nos casos em que  ≥ 16 mm ou quando a proporção de barras emendadas na mesma seção for maior ou
igual a 25 %, a armadura transversal deve:

 ser capaz de resistir a uma força igual à de uma barra emendada, considerando os ramos paralelos ao
plano da emenda;
 ser constituída por barras fechadas se a distância entre as duas barras mais próximas de duas emendas
na mesma seção for < 10;
 concentrar-se nos terços extremos da emenda.

13.4.5.2 –BARRAS COMPRIMIDAS

Segundo o item 9.5.2.4.2 da Norma, devem ser mantidos os critérios estabelecidos para o caso anterior,
com pelo menos uma barra de armadura transversal posicionada 4 além das extremidades da emenda.

Os esquemas abaixo ilustram a distribuição das armaduras transversais nas emendas, para barras
tracionadas e comprimidas:

EXEMPLO 13.4
Detalhar as emendas das barras para a viga abaixo esquematizada.
Dados:
seção 15 x 30 cm
Φt = 6,3 mm
N1 – Φ = 12,5 mm
N2 – Φ = 8,0 mm
N3 – Φ = 12,5 mm
N4 – Φ = 10,0 mm

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13.5 – ANCORAGEM DA ARMADURA LONGITUDINAL DE FLEXÃO EM VIGAS

Neste item será verificado como deve ser feito o detalhamento da armadura longitudinal de tração de
vigas, ou até que posição do vão as barras devem se estender, e também a ancoragem de barras nos apoios
intermediários e extremos.

13.5.1 – DECALAGEM DO DIAGRAMA DE FORÇA NO BANZO TRACIONADO

A NBR 6118, no item 17.4.2.2, prescreve que quando a armadura longitudinal de tração for determinada
através do equilíbrio de esforços na seção normal ao eixo do elemento estrutural, os efeitos provocados pela
fissuração oblíqua podem ser substituídos no cálculo pela decalagem do diagrama de força no banzo tracionado.

A consequência disso é que para determinação do ponto de interrupção ou dobramento das barras
longitudinais nas peças fletidas, o diagrama de forças Rsd na armadura deve ser deslocado (decalagem do
diagrama), aplicando-se aos pontos uma translação paralela ao eixo da peça, no sentido mais desfavorável, de
valor aℓ.

Essa decalagem pode ser substituída, aproximadamente, pela correspondente decalagem do diagrama de
momentos fletores.

O valor da decalagem aℓ deve ser adotado em função do modelo de cálculo escolhido no


dimensionamento da armadura transversal. Para o modelo de cálculo I, o valor de aℓ é dado por:

[ ( ) ]
( )
onde:
aℓ = d, para | Vsd,máx | ≤ |Vc|
aℓ ≥ 0,5 d, no caso geral;
aℓ ≥ 0,2 d, para estribos inclinados a 45°.

Para o caso de estribos verticais (α = 90o), a equação acima pede ser simplificada em:

( )

A figura a seguir mostra o esquema de uma viga biapoiada com o diagrama de momentos fletores e o
diagrama decalado de aℓ:

13.5.2 – DETERMINAÇÃO DO PONTO DE INÍCIO DA ANCORAGEM

Com o propósito de diminuir o consumo de aço é permitido que se retire de serviço algumas barras que
compõem a armadura longitudinal. O ponto ao longo do vão de uma viga onde podemos interromper uma barra é
definido no item 18.3.2.3.1 da NBR 6118. Segue a transcrição do texto da Norma:

O trecho da extremidade da barra de tração, considerado como de ancoragem, tem início na seção
teórica, onde sua tensão σs começa a diminuir (a força de tração na barra da armadura começa a ser transferida
para o concreto). Deve prolongar-se pelo menos 10ϕ além do ponto teórico de tensão σs nula, não podendo em
caso algum, ser inferior ao comprimento necessário estipulado em 9.4.2.5 (ℓb,nec). Assim, na armadura longitudinal
de tração dos elementos estruturais solicitados por flexão simples, o trecho de ancoragem da barra deve ter início
no ponto A (Figura 18.3) do diagrama de forças RSd = MSd/z, decalado do comprimento aℓ, conforme 17.4.2. Esse
diagrama equivale ao diagrama de forças corrigido FSd,cor.

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Se a barra não for dobrada, o trecho de ancoragem deve prolongar-se além de B, no mínimo 10ϕ. Se a
barra for dobrada, o início do dobramento pode coincidir com o ponto B (ver Figura 18.3).

Segue o estudo de uma viga para explicar as regras da norma. A viga é de um tramo e biapoiada em dois
pilares, com carregamento uniformemente distribuído que causa momentos fletores positivos ao longo do vão, e
momentos fletores negativos nos apoios extremos, considerados engastes elásticos. A viga é considerada ter
simetria na posição do momento fletor máximo positivo (Mmáx).

Para armadura longitudinal positiva de flexão no vão, a viga tem seis barras de mesmo diâmetro,
agrupadas de duas em duas (2N2, 2N3 e 2N4), posicionadas em duas camadas, como mostrado na figura, para
proporcionar resistência ao momento fletor positivo máximo (Mmáx). Existem também duas barras superiores
próximas aos apoios (negativas - 2N1), responsáveis por proporcionar resistência aos momentos fletores
negativos existentes na ligação da viga com os pilares extremos.

No detalhamento das armaduras superiores existem algumas possibilidades. As barras N1 podem ser
estendidas ao longo de todo o vão, de apoio a apoio, de modo que no trecho interno do vão as barras servem para
fixação dos estribos (alternativa 1). Quando se deseja economia, as barras N1 podem ser interrompidas e
estendidas somente no trecho do momento fletor de ligação, e no trecho interno do vão devem ser dispostas duas
barras construtivas (armadura chamada “porta-estribo” – 2N5, alternativa 2), posicionadas nos vértices dos
estribos para a sua amarração.

No caso das barras da armadura positiva, ao menos duas devem ser estendidas até os apoios extremos
do tramo, para comporem a armadura longitudinal a ancorar nos apoios. Geralmente, as barras dos vértices do
estribo (N2) é que são estendidas até os apoios para a ancoragem. As demais barras positivas podem ser
interrompidas (“cortadas”) antes dos apoios, conforme o “cobrimento” do diagrama de momentos fletores decalado
de aℓ, de acordo com as regras da Norma.

A figura mostra também o diagrama de momentos fletores solicitantes de cálculo decalado de aℓ, e com o
“cobrimento” do diagrama de MSd . Está suposto que as barras N3 e N4 não necessitam ser estendidas até os
apoios para a ancoragem. O momento fletor positivo máximo está dividido em três partes iguais, conforme os três
grupos (2N2, 2N3 e 2N4), e cada grupo proporciona resistência a uma parcela do momento máximo.

As duas barras N2, como já comentado, devem se estender até os apoios e ancorar em um comprimento
a partir da face do apoio. Se as duas barras (N2) não forem suficientes para atender a área necessária a ancorar
no apoio, as duas barras N3 podem também ser estendidas até os apoios. Outra possibilidade é estender até os
apoios somente as duas barras N2, e acrescentar grampos para atender a área de armadura a ancorar no apoio.

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EXEMPLO 13.5
Determinar os pontos de interrupção das barras para a viga de concreto armado abaixo esquematizada, com base
nos dados fornecidos. Os valores apresentados no esquema estático da viga e no diagrama de momentos fletores
são os valores de cálculo (vãos efetivos e Md) Representar, através de um desenho, a distribuição das barras da
armadura longitudinal ao longo do comprimento da viga.
Dados:
boa aderência – ℓb = 78 cm
má aderência – ℓb = 105 cm
aℓ = d = 50 cm

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13.5.3 – ARMADURA DE TRAÇÃO NAS SEÇÕES DE APOIO

Segundo a NBR 6118, item 18.3.2.4, os esforços de tração junto aos apoios devem ser resistidos por
armadura longitudinal a ser obtida a partir dos diferentes casos.

13.5.3.1 – APOIO COM MOMENTO FLETOR POSITIVO

No caso de ocorrência de momentos positivos, as armaduras nos apoios devem ser as obtidas através do
dimensionamento da seção.

13.5.3.2 – ANCORAGEM DA ARMADURA LONGITUDINAL POSITIVA EM APOIOS EXTREMOS

Apoio extremo pode ser definido como o apoio onde não ocorre a continuidade da viga, geralmente o
primeiro e o último.

A ancoragem da armadura longitudinal positiva nos apoios extremos de vigas simples ou contínuas é
muito importante para a segurança estrutural, devendo por isso ser cuidadosamente avaliada.

Nos apoios extremos, a fim de garantir a ancoragem da diagonal de compressão e devido à decalagem de
aℓ do diagrama de momentos fletores, surge um momento fletor, geralmente positivo e que traciona a borda
inferior do apoio, dado por:
Md,apoio = VSd . aℓ

sendo: VSd = força cortante solicitante de cálculo no apoio;


aℓ = decalagem do diagrama de momentos fletores na região do apoio.

Para o momento fletor no apoio deve-se dispor uma armadura resistente, a ser convenientemente
ancorada no apoio. Tomando o equilíbrio das forças resultantes na seção de apoio, o momento fletor deve ser
igual à força resultante na armadura tracionada multiplicada pelo braço de alavanca z:

Md,apoio = FSd . z

Igualando as duas equações para Md,apoio e considerando o braço de alavanca z aproximadamente igual à
altura útil d (z ≈ d), obtém-se:

A Norma recomenda que, quando existir uma força de tração (NSd) aplicada na viga na região do apoio,
essa força deve ser somada ao valor de Fsd:

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A área de armadura longitudinal a ancorar no apoio, necessária para resistir à força F Sd , é dada por:

( )

Se a força normal de tração NSd não existir, a área de armadura a ancorar no apoio é:

Ainda segundo as orientações da Norma, a armadura a ser ancorada nos apoios extremos, bem como
também nos apoios intermediários, deve ser composta por no mínimo duas barras, geralmente as dos vértices
inferiores dos estribos, da armadura positiva do vão. A armadura a ancorar deve atender aos seguintes valores
mínimos:

As figuras baixo mostram as hipóteses para a armadura mínima a ser disposta nos apoios extremos:

I)

II)

As barras da armadura correspondente a As,anc devem ser convenientemente ancoradas a partir da face
interna do apoio, geralmente viga ou pilar, com o comprimento de ancoragem básico (18.3.2.4.1).

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Inicialmente procura-se estender as barras dentro do apoio num comprimento reto, para apoio do tipo viga
ou pilar. Para isso ser possível, o comprimento de ancoragem efetivo do apoio, dado por ℓ b,ef = b – c, deve ser
maior que o comprimento de ancoragem básico, onde c é a espessura do cobrimento de concreto e b é a
dimensão do apoio na direção da armadura a ancorar.

Como geralmente a armadura efetiva de ancoragem não é exatamente igual à área de armadura a ancorar
calculada, o comprimento básico a ancorar pode ser corrigido para o valor ℓb,corr, segundo a proporção entre a
armadura calculada e a armadura efetiva:

Sendo o comprimento de ancoragem corrigido limitados pelos valores mínimos dados na NBR 6118, item
18.3.2.4.1:

sendo: r = D/2 = raio de curvatura do gancho


ϕ = diâmetro da barra ancorada.

Quando o comprimento de ancoragem corrigido é maior que o comprimento de ancoragem efetivo


(lb,corr > lb,ef), a ancoragem reta não é possível. Neste caso pode-se usar gancho na extremidade das barras da
armadura, o que possibilita diminuir o comprimento de ancoragem corrigido. Com o gancho, o comprimento a
ancorar passa a ser:

Existem situações em que o comprimento de ancoragem com gancho ainda é maior que o comprimento
de ancoragem efetivo. Uma solução para isso, sem alteração nas dimensões do apoio, consiste em aumentar a
quantidade de armadura ancorada para As,corr , mantendo-se o gancho nas barras. A armadura a ancorar é
aumentada segundo a proporção entre o comprimento de ancoragem básico e o comprimento de ancoragem
efetivo, considerando o gancho, de tal forma que a área de armadura é corrigida para:

A armadura corrigida será ancorada no comprimento de ancoragem efetivo do apoio e com gancho a 90º.
Nessa solução, o acréscimo de armadura a ancorar no apoio é obtido com a extensão de mais barras da
armadura longitudinal do vão.

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Outra solução para resolver o problema é manter a armadura efetiva a ancorar e acrescentar uma
armadura longitudinal na forma de grampo, com o objetivo de aumentar a área de armadura ancorada. A área de
grampo é a diferença entre a armadura corrigida e a armadura efetiva.

O comprimento longitudinal do grampo deve ser de no mínimo 95ϕgr, segundo indicação no manual da
TQS. Na figura abaixo está mostrado o detalhamento da armadura, com acréscimo de dois grampos com
comprimento de 100ϕgr.

O espaçamento livre mínimo na direção vertical entre os grampos é dado por:

Entre as duas soluções, o projetista pode escolher se aumenta a armadura longitudinal a ancorar ou
mantém a armadura longitudinal e acrescenta grampos, considerando o menor custo (consumo de materiais, mão
de obra, dificuldades construtivas, etc.).

13.5.3.3 – ANCORAGEM DA ARMADURA LONGITUDINAL POSITIVA EM APOIOS INTERMEDIÁRIOS

Conforme o item 18.3.2.4 da NBR 6118, nos apoios intermediários de vigas contínuas, uma parte da
armadura longitudinal de tração proveniente do vão deve ser estendida até o apoio, devendo a armadura a
ancorar atender aos mesmos valores mínimos estabelecidos para os apoios extremos:

Se o ponto A de intersecção da barra com o diagrama de momento fletor decalado estiver fora do apoio,
as barras da armadura assim determinadas podem ser ancoradas com comprimento 10Φ a partir da face do apoio,
desde que não haja qualquer possibilidade de ocorrência de momentos positivos na região dos apoios,
provocados por situações imprevistas, particularmente por efeitos de vento e eventuais recalques. Quando essa
possibilidade existir, as barras devem ser contínuas ou emendadas sobre o apoio, segundo a NBR 6118, item
18.3.2.4.1.

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13.5.3.3 – ANCORAGEM DA ARMADURA LONGITUDINAL NEGATIVA EM APOIOS EXTREMOS

A transmissão de esforços da viga para os pilares extremos em pórticos origina esforços de tração
diagonais e alternância de esforços de tração para compressão na armadura longitudinal do pilar, como ilustra a
figura abaixo:

Na ancoragem da armadura negativa da viga no pilar recomenda-se que seja feito o detalhamento
mostrado na figura abaixo.

Segundo indicação de LEONHARDT e MÖNNIG (1982), o comprimento do gancho da armadura negativa


deve se estender 35ϕ no pilar além do centro do pino de dobramento. Os estribos do pilar devem ter espaçamento
menor que 10 cm dentro do trecho de comprimento 2b + h, como indicado abaixo. A barra inclinada unindo a viga
ao lance superior do pilar é também indicada, porém, não é comum a sua aplicação.

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14 – PROJETO DE VIGAS DE CONCRETO ARMADO

Este item se dedica a obtenção de modelos representativos de vigas adequados à análise estrutural e
dimensionamento.

No item 14 da NBR 6118 temos uma série de informações relativas à Análise Estrutural. Os itens
relevantes para o estudo nesta etapa do curso serão citados.

Segundo o item 14.2.1, o objetivo da análise estrutural é determinar os efeitos das ações em uma
estrutura, com a finalidade de efetuar verificações dos estados-limites últimos e de serviço. A análise estrutural
permite estabelecer as distribuições de esforços internos, tensões, deformações e deslocamentos, em uma parte
ou em toda a estrutura.

Ainda no mesmo item, a Norma considera que a análise estrutural deve ser feita a partir de um modelo
estrutural adequado ao objetivo da análise. Em um projeto pode ser necessário mais de um modelo para realizar
as verificações previstas na Norma. O modelo deve representar a geometria dos elementos estruturais, os
carregamentos atuantes, as condições de contorno, as características e respostas dos materiais, sempre em
função do objetivo específico da análise. A resposta dos materiais pode ser representada por um dos tipos de
análise estrutural apresentados em 14.5.2 a 14.5.6. Os métodos de análise admitem que os deslocamentos da
estrutura são pequenos.

Segundo o item 14.6.1, estruturas ou partes de estruturas que possam ser assimiladas a elementos
lineares (vigas, pilares, tirantes, arcos, pórticos, grelhas, treliças) podem ser analisadas admitindo-se as seguintes
hipóteses:
a) manutenção da seção plana após a deformação;
b) representação dos elementos por seus eixos longitudinais;
c) comprimento limitado pelos centros de apoios ou pelo cruzamento com o eixo de outro elemento estrutural.

Temos a seguir as definições para adequação dos modelos representativos.

14.1 – VÃO EFETIVO

No item 14.6.2.4 da Norma, temos que o vão efetivo pode ser calculado por:

ℓef = ℓ0 + a1 + a2

com a1 igual ao menor valor entre (t1/2 e 0,3h) e a2 igual ao menor valor entre (t2/2 e 0,3h), conforme figura abaixo:

14.2 – LARGURA E ALTURA

De modo geral, a preferência dos engenheiros e arquitetos é de que as vigas fiquem embutidas nas
paredes de vedação, de tal forma que não possam ser percebidas visualmente. Para que isso ocorra, a largura
das vigas deve ser escolhida em função da espessura final da parede, a qual depende basicamente das
dimensões e da posição de assentamento das unidades de alvenaria (tijolo maciço, bloco furado, bloco de
concreto, etc.), e da espessura da argamassa de revestimento (reboco), nos dois lados da parede. O revestimento
com argamassa tem usualmente a espessura de 1,5 cm a 2,0 cm, e o com gesso em torno de 5 a 6 mm.

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Existe no comércio uma infinidade de unidades de alvenaria, com as dimensões as mais variadas, tanto
para os blocos cerâmicos de seis como para os de oito furos, como também para os tijolos maciços cerâmicos.
Antes de se definir a largura da viga é necessário, portanto, definir o tipo e as dimensões da unidade de alvenaria,
levando-se em consideração a posição em que a unidade será assentada.

No caso de construções de pequeno porte, como casas, sobrados, barracões, etc., onde é usual se
construir primeiramente as paredes de alvenaria, para em seguida serem construídos os pilares, as vigas e as
lajes, é interessante escolher a largura das vigas igual à largura da parede sem os revestimentos, ou seja, igual à
dimensão da unidade que resulta na largura da parede.

A altura das vigas depende de diversos fatores, sendo os mais importantes o vão, o carregamento e a
resistência do concreto. A altura deve ser suficiente para proporcionar resistência mecânica e baixa
deformabilidade (flecha). Considerando por exemplo o esquema de uma viga como mostrado na figura abaixo,
para concretos do tipo C20 e C25 e construções de pequeno porte, uma indicação prática para a estimativa da
altura das vigas de Concreto Armado é dividir o vão efetivo por doze:

A altura das vigas deve ser preferencialmente modulada de 5 em 5 cm, ou de 10 em 10 cm. A altura
mínima indicada é de 25 cm. Vigas contínuas devem ter a mesma altura em todos os vãos.

14.3 – COBRIMENTO DA ARMADURA

A NBR 6118 classifica o ambiente em que a obra será construída quanto à agressividade em 4 classes,
mostradas na tabela 6.1, no item 6.4.1:

 Classe de agressividade 1 – Fraca


Estruturas expostas a uma atmosfera mais limpa não sofrem com as agressões químicas decorrentes da
poluição urbana, como a chuva ácida, por exemplo. O risco de deterioração da estrutura é insignificante. Por isso,
é possível utilizar uma camada menos espessa de concreto sobre as armaduras. Enquadram-se nesse grupo as
edificações implantadas em ambientes rurais.

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 Classe de agressividade 2 – Moderada
Os ambientes classe 2 estão mais expostos a agressões ambientais, como as provenientes do gás
carbônico e dos cloretos presentes no ar. Mas não há tanta umidade constante e o risco de deterioração da
estrutura é pequeno. Nesse grupo enquadram-se as estruturas construídas nas cidades, residenciais e
comerciais.

 Classe de agressividade 3 – Forte


Nessa categoria estão as edificações expostas à atmosfera marinha, como as construções em cidades
litorâneas. Também estão algumas indústrias. Com maior teor de umidade, esse tipo de ambiente possui
atmosfera com agentes agressivos mais concentrados. Para se ter uma ideia, a velocidade de corrosão em
ambiente marinho pode ser da ordem de 30 a 40 vezes superior à que ocorre em atmosfera rural.

 Classe de agressividade 4 – Muito Forte


Nesse grupo estão as estruturas implantadas em locais úmidos, dentro de indústrias, ou diretamente em
contato com a água do mar. Esse tipo de ambiente é extremamente agressivo ao concreto e às suas armaduras.
Daí a necessidade de maior proteção.

De acordo com a classe de agressividade ambiental, existe a necessidade de maior ou menor proteção ao
aço no interior de elementos estruturais. No item 7.4 da Norma está representada a tabela 7.2, que relaciona a
classe de agressividade do ambiente com o cobrimento nominal mínimo para as armaduras:

14.4 – VALORES MÍNIMO E MÁXIMO PARA A ARMADURA LONGITUDINAL

14.4.1 – ARMADURA MÍNIMA

A NBR 6118, item 17.3.5.2.1, define que a armadura mínima de tração, em elementos estruturais armados
ou protendidos deve ser determinada pelo dimensionamento da seção a um momento fletor mínimo dado pela
expressão a seguir, respeitada a taxa mínima absoluta de 0,15 %:

Md,mín = 0,8W0 fctk,sup

onde:
- W0 é o módulo de resistência da seção transversal bruta de concreto, relativo à fibra mais tracionada;

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- fctk,sup é a resistência característica superior do concreto à tração:
fctk,sup = 1,3 fct,m
para concretos de classes até C50: fct,m = 0,3( fck)2/3

Alternativamente, a armadura mínima pode ser considerada atendida se forem respeitadas as taxas
mínimas de armadura da Tabela 17.3.

14.4.2 – ARMADURA MÁXIMA

No item 17.3.5.1 da Norma temos que a especificação de valores máximos para as armaduras decorre da
necessidade de se assegurar condições de ductilidade e de se respeitar o campo de validade dos ensaios que
deram origem às prescrições de funcionamento do conjunto aço-concreto.

No item 17.3.5.2.4 é dado que a soma das armaduras de tração e de compressão (As + As’) não pode ter
valor maior que 4 % Ac, calculada na região fora da zona de emendas, devendo ser garantidas as condições de
ductilidade requeridas em 14.6.4.3 (x/d ≤ 0,45).

14.5 – ESTRUTURAS USUAIS DE EDIFÍCIOS – APROXIMAÇÕES PERMITIDAS

No item 14.6.6.1 a NBR 6118 apresenta considerações relativas ao projeto de vigas contínuas. Segundo a
Norma, pode ser utilizado o modelo clássico de viga contínua, simplesmente apoiada nos pilares, para o estudo
das cargas verticais, observando-se a necessidade das seguintes correções adicionais:

a) não podem ser considerados momentos positivos menores que os que se obteriam se houvesse engastamento
perfeito da viga nos apoios internos;

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b) quando a viga for solidária com o pilar intermediário e a largura do apoio, medida na direção do eixo da viga, for
maior que a quarta parte da altura do pilar, não pode ser considerado o momento negativo de valor absoluto
menor do que o de engastamento perfeito nesse apoio;

c) quando não for realizado o cálculo exato da influência da solidariedade dos pilares com a viga, deve ser
considerado, nos apoios extremos, momento fletor igual ao momento de engastamento perfeito multiplicado pelos
coeficientes estabelecidos nas seguintes relações:

com:
rinf = rigidez do lance inferior do pilar;
rsup = rigidez do lance superior do pilar;
rvig = rigidez do tramo extremo da viga;
Meng = momento de engastamento perfeito da viga no
pilar extremo, considerando engastamento perfeito no
pilar intermediário.

A rigidez é a razão entre o momento de inércia da seção transversal e o comprimento do elemento

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No caso da rigidez da viga, ℓi é o vão efetivo entre o apoio extremo e o apoio intermediário. No caso da
rigidez do pilar, ℓi é tomado como a metade do comprimento de flambagem do lance do pilar.

EXEMPLO 14.1
A figura abaixo mostra a planta de fôrma de uma edificação com dois pavimentos utilizáveis (térreo e pavimento
superior). Pede-se projetar e detalhar as armaduras da viga VS1. São conhecidos:
- ; ; ;
- aço CA-50; concreto C25 (fck = 25 MPa);
- conforme NBR 6120: ; ;
- edificação em área urbana de cidade: classe II de agressividade ambiental

OBSERVAÇÕES:
a) há uma parede de vedação sobre a viga em toda a sua extensão, constituída por blocos cerâmicos de oito furos
(com dimensões de 9 x 19 x 19 cm), com espessura final de 23 cm e altura de 2,40 m;
b) a laje é do tipo pré-fabricada treliçada, com altura total de 16 cm e peso próprio de 2,33 kN/m 2;
c) as argamassas de revestimento das lajes, nos lados inferior e superior (contra piso), tem respectivamente a
espessura média de 1,5 e 3,0 cm.
d) carga acidental sobre as lajes, segundo a NBR 6120, igual a 2,0 kN/m2;
e) revestimento (piso final) em porcelanato sobre a laje, com : .

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A figura abaixo mostra a vista em elevação do pórtico que contém a viga VS1

Diagramas de esforços – Momento Fletor e Esforço Cortante

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