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PROCESSO Nº TST-RR-198300-16.2007.5.15.

0002

A C Ó R D Ã O
2ª Turma
GMJRP/lbm  

DESCONTOS   SALARIAIS   EFETUADOS   A


TÍTULO   DE   ASSISTÊNCIA   MÉDICA.
AUSÊNCIA   DE   AUTORIZAÇÃO   PRÉVIA   DO
TRABALHADOR.   NÃO   CARACTERIZAÇÃO   DE
CONCORDÂNCIA TÁCITA DO TRABALHADOR AO
USUFRUIR DO CONVÊNIO MÉDICO. 
A Súmula nº 342 do TST interpreta o
artigo  462, caput, da CLT, nos seguintes termos:
"Descontos salariais efetuados pelo empregador, com a
autorização prévia e por escrito do empregado, para ser
integrado em planos de assistência odontológica,
médico-hospitalar, de seguro, de previdência privada,
ou de entidade cooperativa, cultural ou recreativo-
associativa de seus trabalhadores, em seu benefício e
de seus dependentes, não afrontam o disposto no art.
462 da CLT, salvo se ficar demonstrada a existência de
coação ou de outro defeito que vicie o ato jurídico".
Com efeito, o Regional, ao condenar a
reclamada   à   restituição   dos   valores
descontados   a   título   de   plano   de
saúde,   em   razão   da   ausência   de
autorização   prévia   nesse   sentido,
mesmo   que   o   trabalhador   tenha
usufruído   do   convênio   de   saúde,
decidiu   em   consonância   com   a   Súmula
nº 342 do TST.
Recurso de revista não conhecido. 

MULTA   POR   EMBARGOS   DE   DECLARAÇÃO


PROTELATÓRIOS.   MULTA   POR   ATO   DE
LITIGÂNCIA DE MÁ­FÉ. 
A   reclamada   insurge­se   contra   a
decisão   em   que   foi   condenada   ao
pagamento   de   multa   por   embargos   de
declaração protelatórios e multa por
ato de litigância de má­fé, com base
no artigo 5º, incisos II, XXXV e LV,
da   Constituição   da   República.
Todavia,   compulsando   os   autos,
verifica­se   que   a   reclamada   não
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da Lei nº 11.419/2006, que instituiu a Infra-Estrutura de Chaves Públicas Brasileira.
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PROCESSO Nº TST-RR-198300-16.2007.5.15.0002

indicou,   na   peça   de   embargos   de


declaração,   exatamente   em   que
consistiria a omissão, contradição ou
obscuridade do acórdão embargado. Na
verdade,   na   peça   de   embargos   de
declaração,   apenas   se   reafirmam   as
razões do recurso ordinário, ao qual
foi   negado   provimento,   em   busca   de
rediscutir   a   tese   adotada   pelo
Regional.   Com   efeito,   flagrante   o
intuito protelatório dos embargos de
declaração   interpostos   pela
reclamada. 
Ademais,   a   invocação   genérica   de
violação   do   artigo   5º,   incisos   II,
XXXV e LV da Constituição Federal de
1988,   em   regra   e   como   ocorre   neste
caso, não é suficiente para autorizar
o conhecimento deste recurso com base
na previsão da alínea "c" do artigo
896   da   CLT,   na   medida   em   que,   para
sua   constatação,   seria   necessário
concluir,   previamente,   ter   havido
ofensa   a   preceito
infraconstitucional.   Divergência
jurisprudencial   não   caracterizada,
pois   os   arestos   indicados   como
paradigmas   estão   em   desacordo   com   a
Súmula nº 337, item IV, do TST. 
Recurso de revista não conhecido. 

Vistos,   relatados   e   discutidos   estes   autos   de


Recurso   de   Revista   n°  TST­RR­198300­16.2007.5.15.0002,   em   que   é
Recorrente  TOTAL   PACK   INDÚSTRIA   E   COMÉRCIO   LTDA.  e   Recorrido
GILBERTO ALVES DOS SANTOS.

O   Tribunal   Regional   do   Trabalho   da   15ª   Região


negou   provimento   ao   recurso   ordinário   interposto   pela   reclamada,
mantendo   a   sentença   no   tocante   ao   à   condenação   de   restituir   ao
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reclamante os valores descontados indevidamente, a título de plano
de saúde. 
A   reclamada   interpôs   embargos   de   declaração,   os
quais foram rejeitados.
Em   consequência,   o   Regional   aplicou   multa   de   1%
sobre   o   valor   da   causa,   por   considerar   os   embargos   de   declaração
protelatórios.   Além   disso,   aplicou   multa   de   10%   sobre   o   valor   da
causa,   por   entender   que   a   reclamada   agiu   de   má­fé,   nos   termos   do
artigo 17, incisos IV e VI, do Código de Processo Civil.  
A   reclamada   interpõe   recurso   de   revista   às   págs.
764­782,   no   qual   sustenta ser   indevida   a   devolução   dos   descontos
efetuados a título de plano de saúde, ao argumento de que, embora
ausente   a   autorização   prévia,   o   autor   gozou   regularmente   dos
benefícios por sua livre e espontânea vontade. 
Nesse contexto, assevera que a situação dos autos
não se amolda ao disposto na Súmula nº 342 do TST. 
Colaciona   arestos   para   caracterização   de
divergência jurisprudencial.  
A   reclamada   insurge­se   contra   a   condenação   ao
pagamento de multa de 1% sobre o valor da causa, correspondente a
interposição de embargos de declaração supostamente protelatórios, e
de   10%   sobre   o   valor   da   causa,   correspondente   a   suposto   ato   de
litigância   de   má­fé,   ao   argumento   de   que,   pelos   embargos   de
declaração, a parte tinha por finalidade prequestionar o tema acerca
dos   descontos   salariais   de   plano   de   saúde   nos   casos   em   que   o
trabalhador,   mesmo   não   tendo   autorizado   previamente,   usufruiu   do
benefício.
Para   tanto   indica   violação   do   artigo   5º,   incisos
II, XXXV e LV, da Constituição da República.
Colaciona   arestos   para   caracterização   de
divergência jurisprudencial. 
Não foram apresentadas contrarrazões ao recurso de
revista (certidão à pág. 800). 

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Não houve remessa dos autos ao Ministério Público
do   Trabalho   ante   o   disposto   no   artigo   83   do   Regimento   Interno   do
Tribunal Superior do Trabalho. 
É o relatório.

V O T O

DESCONTOS   SALARIAIS   EFETUADOS   A   TÍTULO   DE


ASSISTÊNCIA   MÉDICA.  AUSÊNCIA   DE  AUTORIZAÇÃO   PRÉVIA  DO   TRABALHADOR.
NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CONCORDÂNCIA TÁCITA DO TRABALHADOR AO USUFRUIR
DO CONVÊNIO MÉDICO.

CONHECIMENTO

O   Tribunal   Regional   do   Trabalho   da   15ª   Região


negou   provimento   ao   recurso   ordinário   interposto   pela   reclamada,
mantendo   a   sentença   no   tocante   à   condenação   de   restituir   ao
reclamante os valores descontados indevidamente, a título de plano
de saúde. 
A   fundamentação   do   acórdão   recorrido   foi   a
seguinte:

"CONVÊNIO MÉDICO E PLANO DE SAÚDE –


RESTITUIÇÃO DOS VALORES DESCONTADOS
INDEVIDAMENTE:
Conquanto fira o bom senso e o sentimento de Justiça a determinação
para restituição de valores pagos a título de ‘PARTICIPAÇÃO CONV.
MÉDICO’ e ‘PLANO MÉDICO’, quando impossível devolver-se as
garantias usufruídas, tanto pelo empregado como por seus familiares, não
há prova nos autos de que o reclamante tenha autorizado expressamente os
referidos descontos, não socorrendo à reclamada, para tanto, a autorização
genérica de fls. 58, voltada especificamente para despesas realizadas em
estabelecimentos nos quais mantinha convênio.
Aliás, consoante entendimento expresso na Súmula 342 do C.
Tribunal Superior do Trabalho, só não afrontam o disposto no artigo 462 da
CLT os descontos salariais efetuados pelo empregador, para integração em
planos de assistência médico-hopitalar (dentre outros nela relacionados),
com autorização prévia e por escrito do empregado e desde que não fique

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demonstrada a existência de coação ou outro defeito que vicie o ato


jurídico.
Assim, considerando que no caso específico dos autos não restou
provada a autorização prévia e escrita do reclamante para os descontos em
epígrafe (ônus que incumbia à reclamada, por se tratar de fato extintivo de
direito), a restituição pretendida na inicial deve ser acatada, em face da
intangibilidade salarial prevista no artigo 462 da CLT, que não foi
respeitada.
Mantenho a r. sentença" (págs. 725-726, grifou-se).

A reclamada interpôs embargos de declaração, os


quais foram rejeitados, nos termos seguintes:

"II – MÉRITO:
Argumenta a embargante que os embargos opostos não tem efeito
protelatório, mas a finalidade de prequestionar matéria. Sustenta que o
reclamante usufruiu do plano de saúde e convênio médico. Aduz que não se
justifica a devolução dos descontos efetuados. Defende que não se pode
admitir a tese de que referidos descontos teriam afrontado o disposto no
artigo 462 da CLT. Requer sejam acolhidos os embargos.
Ocorre, no entanto, que não obstante a natureza jurídico-recursal dos
embargos de declaração, estes somente podem ostentar efeito modificativo
quando sanadas eventualmente omissões, contradições ou obscuridades
ocorrentes no julgado embargado se e desse saneamento resultar
modificação do quanto se decidiu anteriormente. Entretanto, no presente
caso não foram sequer apontadas referidas máculas. E os embargos de
declaração prestigiam apenas elas (CLT, artigo 897-A; CPC, artigo 535).
Assim, inadequada se mostra a via eleita, até porque a questão
relativa à restituição dos valores descontados indevidamente a título de
convênio médico e plano de saúde foi devidamente examinada (e exaurida)
no v. acórdão embargado.
Na realidade, o que pretende obter é a reapreciação do julgado e
rediscussão da matéria, elegendo meio inábil para tal fim.
E tendo sido adotada tese a respeito, considera-se prequestionada a
matéria e atendida a Súmula nº 297 do C. TST.
Os embargos interpostos, portanto, revelam-se nitidamente
protelatórios, enquadrando-se no disposto no parágrafo único do artigo 538
do CPC, razão pela qual fica a embargante condenada a pagar (ao
reclamante) multa de 1% sobre o valor da causa, no importe de R$ 565,00
(Quinhentos e sessenta e cinco reais).
Mas não é só. A conduta da embargante provocou incidente
manifestamente infundado, denotando temerária intenção de resistir
injustificadamente ao andamento do processo. Caso esteja inconformado
com o v. acórdão, deve fazer uso do instrumento processual adequado para
o fim de obter a reforma do julgado.
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Admitir expedientes como este é permitir que o processo se torne um


eterno diálogo entre as partes e o julgador, o que foge completamente aos
escopos fundamentais do direito processual, quais sejam, resolver o litígio e
apaziguar as partes da maneira mais rápida e econômica possível.
Por consequência, ajusta-se também tal atitude às previsões contidas
nos incisos IV e VI do artigo 17 do CPC, reputando-se-a litigante de má-fé.
Assim, de ofício, conforme faculta o artigo 18 do Código de Processo Civil
e nos termos do § 2o do mesmo dispositivo, condeno o embargante ainda
por litigância de má-fé, a pagar R$ 5.650,00 (Cinco mil seiscentos e
cinquenta reais) ao reclamante, quantia equivalente a 10% sobre o valor da
causa.

III – CONCLUSÃO:
Posto isso, decido conhecer dos Embargos de Declaração da
reclamada e, rejeitando-os, declará-los meramente protelatórios para
condená-la a pagar multa de 1% sobre o valor da causa, no importe de R$
565,00 (Quinhentos e sessenta e cinco reais), bem como, reputando-a
litigante de má-fé, a indenizar o embargado em importância que ora é
fixada em R$ 5.650,00 (Cinco mil seiscentos e cinquenta reais), tudo nos
termos da fundamentação.
Em virtude das cominações supra, rearbitro o valor da condenação
para R$ 16.215,00 (Dezesseis mil duzentos e quinze reais), alterando as
custas para R$ 324,30 (Trezentos e vinte e quatro reais e trinta centavos),
parcialmente satisfeitas com o recolhimento comprovado nos autos".

Nas razões de revista, a reclamada sustenta ser


indevida a devolução dos descontos efetuados a título de plano de
saúde, ao argumento de que, embora ausente a autorização prévia, o
autor gozou regularmente dos benefícios por sua livre e espontânea
vontade.
Nesse contexto, assevera que a situação dos autos
não se amolda ao disposto na Súmula nº 342 do TST.
Colaciona arestos para caracterização de
divergência jurisprudencial.
Sem razão a reclamada, ora recorrente.
No caso, conforme se observa da fundamentação do
acórdão recorrido, a reclamada, mesmo sem autorização previa do
reclamante, descontou do seu salário percentual correspondente à
assistência média e odontológica.

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Em razão disso, concluiu o Regional que, tendo em


vista a ausência de autorização prévia por parte do reclamante, os
descontos salariais a título de plano de saúde afronta o artigo 462
da CLT, nos termos da Súmula nº 342 do TST.
Ressalta-se que, ao contrário do que sustenta a
reclamada, não há nos autos notícia no sentido de que o reclamante
usufruiu dos benefícios oriundos da assistência médica e
odontológica.
Ademais, ainda que o reclamante tenha
eventualmente usufruído dos benefícios do convênio de saúde, não é
possível o desconto salarial sem a comprovação de autorização prévia
nesse sentido.
Sobre o tema em discussão, o seguinte precedente
desta Corte superior:

"RECURSO DE REVISTA DO RECLAMANTE. DESCONTOS


SALARIAIS. AUSÊNCIA DE AUTORIZAÇÃO PRÉVIA E POR
ESCRITA DO RECLAMANTE. SÚMULA N.º 342 DO TST. Essa Corte,
por intermédio da Súmula n.º 342, pacificou o entendimento que são lícitos
os descontos salariais efetuados a título de planos de assistência
odontológica e médico-hospitalar, desde que previamente autorizados, por
escrito, pelo empregado, in verbis: ‘Descontos salariais efetuados pelo
empregador, com a autorização prévia e por escrito do empregado, para
ser integrado em planos de assistência odontológica, médico-hospitalar, de
seguro, de previdência privada, ou de entidade cooperativa, cultural ou
recreativo-associativa de seus trabalhadores, em seu benefício e de seus
dependentes, não afrontam o disposto no art. 462 da CLT, salvo se ficar
demonstrada a existência de coação ou de outro defeito que vicie o ato
jurídico’. Ora, tendo o Regional, apesar de reconhecer a inexistência de
autorização expressa do Reclamante, consignado a validade dos descontos
salariais, ao fundamento de que os benefícios médicos e odontológicos
foram usufruídos pelo Obreiro, sua decisão diverge do entendimento dessa
Corte. Recurso de Revista parcialmente conhecido e provido"
(Processo: ARR - 105-60.2011.5.09.0019, data de
julgamento: 25/9/2013, Relatora Ministra: Maria de
Assis Calsing, 4ª Turma, data de publicação: DEJT
27/9/2013, destacou-se)

Com efeito, o Regional, ao condenar a reclamada à


restituição dos valores descontados a título de plano de saúde, em
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PROCESSO Nº TST-RR-198300-16.2007.5.15.0002

razão da ausência de autorização prévia nesse sentido, mesmo que o


trabalhador tenha usufruído do convênio de saúde, decidiu em
consonância com a Súmula nº 342 do TST.
A divergência jurisprudencial suscitada não
prospera, pois os arestos indicados como paradigmas não atendem aos
pressupostos de admissibilidade exigidos na Súmula nº 337, item IV,
do TST, ante a ausência de indicação do órgão prolator da decisão e
da data de publicação no Diário Eletrônico da Justiça do Trabalho.
De qualquer sorte, estava superada nos termos do artigo 896, § 4º,
da CLT.
Diante do exposto, não conheço do recurso de
revista.

MULTA POR EMBARGOS DE DECLARAÇÃO PROTELATÓRIOS.


MULTA POR ATO DE LITIGÂNCIA DE MÁ-FÉ

CONHECIMENTO

O Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região


rejeitou os embargos de declaração interpostos pela reclamada, ante
a ausência de vícios a serem sanados no acórdão embargado.
Em consequência, o Regional aplicou multa de 1%
sobre o valor da causa, por considerar os embargos de declaração
protelatórios. Além disso, aplicou multa de 10% sobre o valor da
causa, por entender que a reclamada agiu de má-fé, nos termos do
artigo 17, incisos IV e VI, do Código de Processo Civil.
A fundamentação do acórdão foi a seguinte:

"II – MÉRITO:
Argumenta a embargante que os embargos opostos não tem efeito
protelatório, mas a finalidade de prequestionar matéria. Sustenta que o
reclamante usufruiu do plano de saúde e convênio médico. Aduz que não se
justifica a devolução dos descontos efetuados. Defende que não se pode
admitir a tese de que referidos descontos teriam afrontado o disposto no
artigo 462 da CLT. Requer sejam acolhidos os embargos.
Ocorre, no entanto, que não obstante a natureza jurídico-recursal dos
embargos de declaração, estes somente podem ostentar efeito modificativo
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da Lei nº 11.419/2006, que instituiu a Infra-Estrutura de Chaves Públicas Brasileira.
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PROCESSO Nº TST-RR-198300-16.2007.5.15.0002

quando sanadas eventualmente omissões, contradições ou obscuridades


ocorrentes no julgado embargado se e desse saneamento resultar
modificação do quanto se decidiu anteriormente. Entretanto, no presente
caso não foram sequer apontadas referidas máculas. E os embargos de
declaração prestigiam apenas elas (CLT, artigo 897-A; CPC, artigo 535).
Assim, inadequada se mostra a via eleita, até porque a questão
relativa à restituição dos valores descontados indevidamente a título de
convênio médico e plano de saúde foi devidamente examinada (e exaurida)
no v. acórdão embargado.
Na realidade, o que pretende obter é a reapreciação do julgado e
rediscussão da matéria, elegendo meio inábil para tal fim.
E tendo sido adotada tese a respeito, considera-se prequestionada a
matéria e atendida a Súmula nº 297 do C. TST.
Os embargos interpostos, portanto, revelam-se nitidamente
protelatórios, enquadrando-se no disposto no parágrafo único do artigo 538
do CPC, razão pela qual fica a embargante condenada a pagar (ao
reclamante) multa de 1% sobre o valor da causa, no importe de R$ 565,00
(Quinhentos e sessenta e cinco reais).
Mas não é só. A conduta da embargante provocou incidente
manifestamente infundado, denotando temerária intenção de resistir
injustificadamente ao andamento do processo. Caso esteja inconformado
com o v. acórdão, deve fazer uso do instrumento processual adequado para
o fim de obter a reforma do julgado.
Admitir expedientes como este é permitir que o processo se torne um
eterno diálogo entre as partes e o julgador, o que foge completamente aos
escopos fundamentais do direito processual, quais sejam, resolver o litígio e
apaziguar as partes da maneira mais rápida e econômica possível.
Por consequência, ajusta-se também tal atitude às previsões contidas
nos incisos IV e VI do artigo 17 do CPC, reputando-se-a litigante de má-fé.
Assim, de ofício, conforme faculta o artigo 18 do Código de Processo Civil
e nos termos do § 2o do mesmo dispositivo, condeno o embargante ainda
por litigância de má-fé, a pagar R$ 5.650,00 (Cinco mil seiscentos e
cinquenta reais) ao reclamante, quantia equivalente a 10% sobre o valor da
causa" (págs. 742-743).

III – CONCLUSÃO:
Posto isso, decido conhecer dos Embargos de Declaração da
reclamada e, rejeitando-os, declará-los meramente protelatórios para
condená-la a pagar multa de 1% sobre o valor da causa, no importe de R$
565,00 (Quinhentos e sessenta e cinco reais), bem como, reputando-a
litigante de má-fé, a indenizar o embargado em importância que ora é
fixada em R$ 5.650,00 (Cinco mil seiscentos e cinquenta reais), tudo nos
termos da fundamentação.
Em virtude das cominações supra, rearbitro o valor da condenação
para R$ 16.215,00 (Dezesseis mil duzentos e quinze reais), alterando as
Firmado por assinatura digital em 09/10/2014 pelo sistema AssineJus da Justiça do Trabalho, nos termos
da Lei nº 11.419/2006, que instituiu a Infra-Estrutura de Chaves Públicas Brasileira.
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PROCESSO Nº TST-RR-198300-16.2007.5.15.0002

custas para R$ 324,30 (Trezentos e vinte e quatro reais e trinta centavos),


parcialmente satisfeitas com o recolhimento comprovado nos autos".
(págs. 742-743, destacou-se)

A reclamada insurge-se contra a condenação ao


pagamento de multa de 1% sobre o valor da causa, correspondente a
interposição de embargos de declaração supostamente protelatórios, e
de 10% sobre o valor da causa, correspondente a suposto ato de
litigância de má-fé, ao argumento de que os embargos tinham por
finalidade prequestionar o tema acerca dos descontos salariais de
plano de saúde nos casos em que o trabalhador, mesmo não tendo
autorizado previamente, usufruiu do benefício.
Para tanto indica violação do artigo 5º, incisos
II, XXXV e LV, da Constituição da República.
Colaciona arestos para caracterização de
divergência jurisprudencial.
Sem razão a reclamada, ora recorrente.
Conforme se observa da fundamentação do acórdão
regional pelo qual se negou provimento ao recurso ordinário
interposto pela reclamada, a Corte de origem expressamente consignou
o motivo pelo qual considerou indevidos os descontos salariais a
título de assistência médica e odontológica.
O Regional considerou ilícitos os descontos
efetuados pela reclamada, em razão da ausência de autorização prévia
do reclamante nesse sentido.
Nesse contexto, condenou a reclamada à restituição
dos valores, em consonância com a Súmula nº 342 do TST.
Compulsando os autos, verifica-se que a reclamada
não indicou, na peça de embargos de declaração, exatamente em que
consistiria a omissão, contradição ou obscuridade do acórdão
embargado.
Na verdade, a parte, em embargos de declaração,
apenas reafirmou as razões do recurso ordinário, ao qual foi negado
provimento, em busca de rediscutir a tese adotada pelo Regional.
Com efeito, flagrante o intuito protelatório dos
embargos de declaração interpostos pela reclamada.
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da Lei nº 11.419/2006, que instituiu a Infra-Estrutura de Chaves Públicas Brasileira.
fls.11

PROCESSO Nº TST-RR-198300-16.2007.5.15.0002

Ademais, a invocação genérica de violação do


artigo 5º, incisos II, XXXV e LV da Constituição Federal de 1988, em
regra e como ocorre neste caso, não é suficiente para autorizar o
conhecimento deste recurso com base na previsão da alínea "c" do
artigo 896 da CLT, na medida em que, para sua constatação, seria
necessário concluir, previamente, ter havido ofensa a preceito
infraconstitucional.
A divergência jurisprudencial não suscitada não
prospera, pois os arestos indicados como paradigmas às págs. 772-774
não atendem aos pressupostos de admissibilidade exigidos na Súmula
nº 337, item IV, do TST, ante a ausência de indicação do órgão
prolator da decisão e da data de publicação no Diário Eletrônico da
Justiça do Trabalho.
Diante do exposto, não conheço do recurso de
revista.

ISTO POSTO

ACORDAM  os Ministros da Segunda Turma do Tribunal
Superior do Trabalho, por unanimidade, não conhecer integralmente do
recurso de revista. 
Brasília, 08 de outubro de 2014.

Firmado por assinatura digital (Lei nº 11.419/2006)


JOSÉ ROBERTO FREIRE PIMENTA
Ministro Relator

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