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LINGUAGEM, TRABALHO

E TECNOLOGIA

INFORMÁTICA

PROFESSORA:
NICELENE BRUZZÃO FRANCO DA SILVA FONTEBASSO
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1. A IMPORTÂNCIA DA LINGUAGEM NO MUNDO


PROFISSIONAL

A linguagem também desempenha papel essencial nas atividades


profissionais. Um profissional pode dominar o conhecimento técnico de que precisa,
mas se não souber como se expressar adequadamente não conseguirá relacionar-
se com colegas, clientes e fornecedores. A capacidade de se expressar
adequadamente determina quem é esse profissional, o seu valor e a sua capacidade
de trabalho. É por meio da linguagem que ele conseguirá formar-se continuamente,
na escola e na vida.
Desde o momento em que ingressa no mundo do trabalho, o profissional tem
de demonstrar conhecimento das várias formas de linguagem oral e escrita, fator
que pesa cada vez mais decisivamente na hora da seleção para as vagas de
emprego.
O leque de habilidades que se requer hoje dos profissionais, mesmo em início
de carreira, é muito mais amplo, e para exercê-las é pré-requisito o uso adequado
das linguagens. É por isso que vamos discutir na disciplina de LTT as diversas
maneiras de se expressar e se comunicar em um ambiente de trabalho competitivo,
que passou a considerar o conhecimento da linguagem, em suas variadas formas,
não só um diferencial, mas um requisito básico.
Destacamos que, como acontece com as demais disciplinas dos cursos
técnicos oferecidos pelo Centro Paula Souza, há uma série de competências
relacionadas a Linguagem, Trabalho e Tecnologia importantes para a formação
profissional.

1.1 Variedade linguística

Uma mesma linguagem pode comunicar diferentes sentidos, dependendo das


condições nas quais os textos são produzidos ou lidos. Uma determinada
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informação também pode ser relatada por meio de linguagens diversas, que podem
fazer diferença no sentido que produzem.
A linguagem, portanto, varia. Suas variantes devem estar adequadas à
imagem que se quer construir do locutor e à situação de enunciação. Os
adolescentes, por exemplo, usam uma forma para se comunicar. Médicos utilizam
outra, diferente da praticada pelos advogados, especialistas em informática,
caminhoneiros, professores etc.
Entretanto, o modo de falar de uma pessoa não é determinado só pela
profissão que ela exerce. Vamos considerar duas situações:
 Um técnico em eletrotécnica fala sobre os riscos da eletricidade para os
funcionários responsáveis pela manutenção da rede de energia elétrica.
 O mesmo técnico em eletrotécnica fala sobre os mesmos riscos para um
grupo de adolescentes em uma escola.
Pense nas diferentes características do contexto em que esse técnico vai se
colocar nas duas situações. Ele deverá utilizar linguagens diferentes, apropriadas
para cada um dos contextos.
O importante na comunicação é observar quais palavras devemos usar para
que haja compreensão do que se deseja transmitir em determinado contexto. É
como o código da roupa: terno e smoking denotam maior formalidade, enquanto
camiseta e short são sinônimos de vestuário menos formal. Dificilmente as roupas
apropriadas a um contexto são usadas em outros – ninguém vai a uma entrevista de
emprego vestindo short, nem à praia de terno.
Com a linguagem não é diferente. Ela deve adequar-se ao contexto a que se
destina. Ela torna-se inadequada quando, por exemplo, a língua padrão é
empregada numa situação informal ou quando a gíria é utilizada em um contexto
formal
Veja a diferença entre estas conversas:

Pedro e um amigo: Pedro e seu chefe:


– E aí, cara? – Bom dia, Pedro.
– Falô... – Bom dia, chefe.
– Tá indo onde, tipo rangá? – Para onde você vai? Almoçar?
– Nada, mano. Pra city pegá uns – Não, senhor, vou até a cidade
baguios pra minha veia. buscar umas encomendas para minha mãe.
– Então tá, falô, tô notra, barriga – Ah! Entendi. Vou ficar e almoçar,
duendo de fome. estou com fome.
– Falô, vou nessa... – Está certo. Vou para a cidade. Até
a tarde!
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Como você viu, o entendimento foi perfeito entre os interlocutores nas duas
situações porque a linguagem entre eles estava adequada ao contexto. Leia a tira
reproduzida na figura 1 e perceba a relação entre o contexto e a linguagem utilizada
pela menina.
Uma variação da linguagem que costumamos reconhecer com facilidade é
aquela determinada pela região (variantes ou falares regionais). A variante
comumente falada pelos caipiras, por exemplo, é apresentada nas tiras do
personagem Chico Bento, de Mauricio de Sousa, como vemos na figura 2.

FIGURA 1: Exemplo de utilização de linguagem inadequada ao contexto.

FIGURA 2: Chico Bento, personagem que utiliza a variante de linguagem caipira.

Espaço, tempo, cultura e contexto determinam a variação linguística. Para


nosso estudo, o importante é sabermos que a adequação à situação de
comunicação é sempre fundamental para qualquer profissional, assim como o
conhecimento da norma padrão, por ser esta a variante utilizada na escrita,
valorizada socialmente e que confere, portanto, maior valor ao profissional.
Para conhecer a norma padrão, é importante o estudo das normas descritas
pela gramática normativa, aquela estudada nas escolas.

PROPOSTA DE ATIVIDADE
Numa pesquisa realizada por um sindicato, P. O., trabalhador rural de 19 anos que todos os
dias cuida de roças de arroz e milho, declarou: “Aqui ninguém ganha salário, é „de meia‟. A gente
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planta e colhe. Metade fica pro dono da terra e metade pra gente”.
Você percebeu que P. O. usou a expressão “de meia” e explicou o que ela significa.
Provavelmente achou que o entrevistador não a conhecesse. Imagine um contexto no qual essa
expressão tenha um sentido diferente. Compartilhe essa situação imaginada com seus colegas e
compare com as situações imaginadas por eles para a mesma expressão.

1.2 A construção dos sentidos

Analisando as relações entre língua e contexto, percebemos que uma mesma


palavra pode ter diferentes sentidos. Por exemplo: “descascar um abacaxi” é retirar
a casca da fruta e, também, “resolver um problema complicado”.
Nem todos os sentidos são compreensíveis numa primeira leitura. Algumas
interpretações só podem ser feitas com base em relações mais elaboradas. Em
certos textos, é preciso entender muito bem o contexto em que a linguagem está
sendo utilizada para compreender seu sentido. Isso acontece com anúncios
publicitários, charges, cartuns, letras de música etc. Para entendê-los, é preciso
relacioná-los a outros textos, a outros contextos.

FIGURA 3: Humor baseado em interpretação inadequada ao contexto.

Portanto, para compreender o sentido dos textos é preciso partir de


conhecimentos prévios, isto é, de uma circunstância antecedente. Isso porque a
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interpretação de um texto depende de outros textos ou de outras experiências com a


linguagem em nossa vida.
Eddie Sortudo, personagem dos quadrinhos apresentados na figura 3, é
conhecido por sempre entender um sentido diferente do adequado ao contexto em
que está. E nisso consiste o humor dessas tirinhas.
Informações também podem ser expressas de forma implícita. Envolvidas no
contexto, não reveladas claramente, ficam subentendidas, sugeridas nas
entrelinhas. Para compreendê-las, é necessário estar atento. Por seu poder
expressivo e instigante, esse recurso é muito usado em anúncios publicitários, em
textos humorísticos, na linguagem dos quadrinhos, em diálogos, na poesia, na letra
das músicas, em romances etc. Para perceber este recurso e compreendê-lo,
precisamos inferir essas informações do enunciado, isto é, deduzir, concluir a que
elas se referem.
Observe a tira da figura 4. O que você imagina que Hagar vai dizer no
quadrinho final? Que circunstâncias ou trechos do texto o levaram a pensar no
desfecho que você previu?

FIGURA 4
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Agora leia o último quadrinho da historinha (figura 4). Compare o final


concebido pelo autor Dik Browne com o final que você imaginou. Perceba que os
finais diferentes modificam o sentido da história.

1.3 Ambiguidade

Uma mesma expressão pode nos levar a sentidos muito diferentes em um


mesmo contexto. Chamamos isso de “ambiguidade da linguagem”. Como vimos até
aqui, é possível considerar ambíguos quaisquer linguagens ou textos, já que seu
sentido depende sempre de uma relação contextual. Assim, conforme o contexto, o
sentido de um mesmo elemento linguístico poderá ser diferente.
Em alguns casos, perceber a ambiguidade é essencial para interpretar um
texto, notar uma crítica ou seu humor, por exemplo. Esse é um recurso muito usado
na publicidade, em que se observa o uso e até o abuso da linguagem
plurissignificante.
Apesar de funcionar como recurso da língua, a ambiguidade pode ser um
problema para a comunicação, comprometendo, em determinadas ocasiões, o
objetivo desejado. Isso é comum, por exemplo, no uso de pronomes possessivos
como “seu” e “sua”. Observe a seguir.

A gerente convocou o supervisor para uma reunião em sua sala.


Ambiguidade: a sala é a da gerente ou a do supervisor?
Eliminando a ambiguidade:
A gerente convocou o supervisor para uma reunião na sala dela.
A gerente convocou o supervisor para uma reunião na sala dele.

Roberto ensinou o procedimento a Mário no computador dele.


Ambiguidade: o computador é de Roberto ou de Mário?
Eliminando a ambiguidade:
Roberto, em seu computador, ensinou o procedimento a Mário.
Roberto, no computador de Mário, ensinou-lhe o procedimento.
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PROPOSTA DE ATIVIDADE
Em grupos pequenos, discutam as diferenças de interpretação e tentem solucionar o
problema decorrente das formulações ambíguas abaixo:
• Aquela senhora encontrou o garotinho em seu quarto.
• Sentado na varanda o menino avistou um mendigo.
• O barco chegou ao cais vazio.
• O professor falou com o aluno parado na sala.
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2. PROCESSOS DE ORGANIZAÇÃO TEXTUAL

Vamos estudar a seguir algumas das articulações que costumam ser usadas
na construção de um texto escrito formal e que nem sempre são acessíveis ao leitor
ou ao autor, mas que podem contribuir para a sua apresentação e compreensão.
Para que possamos estudar essa estruturação, não só na palavra escrita, mas
também na disposição dos elementos que o compõem, selecionamos alguns dos
principais tipos de formatação de textos escritos.

2.1 Tipos de textos escritos

Estudaremos, a seguir, textos escritos, tais como: fichamento ou relatório;


paráfrase; resumo; resenha; citação.

2.1.1 Fichamento ou relatório de leitura

O fichamento é uma forma de registrar o conteúdo lido ou visto nas diversas


fontes (livros, revistas, sites etc.), de maneira que, posteriormente, não seja
necessário recorrer a elas para buscar as informações.
Há diversas formas de fazer o fichamento e é possível que você encontre
diferenças se for pesquisar o assunto em livros sobre metodologia do trabalho
científico. Trata-se de um trabalho imprescindível à pesquisa, situação que exige
uma série de leituras e/ou entrevistas antes e durante a elaboração do relatório. O
fichamento é necessário para organizar essas informações e relacioná-las com o
trabalho científico.
Segundo Darcilia Simões (2004), há algumas perguntas que devem ser feitas
antes da leitura de um livro, para orientar o pesquisador quanto aos aspectos que
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serão estudados, de acordo com os objetivos da pesquisa. Entre as várias perguntas


que podem ser feitas, a autora destaca as seguintes:
 Por que ler este livro?
 Além do interesse imediato, para que mais ele pode me servir?
Durante a leitura deve-se sempre questionar:
 Qual é o tema principal?
 Qual é o ponto de vista do autor?
 Trata-se de argumentação profunda ou de abordagem superficial?
 Ficaram indagações que demandam novas leituras?
 Há referências para novas leituras?
Essas indagações preliminares permitem elaborar as anotações necessárias
ao fichamento do conteúdo pesquisado. É importante que você se organize,
mantendo os registros em um caderno ou em arquivos de computador. para poder
consultá-lo em fase posterior.

2.1.2 Paráfrase

Paráfrase é o ato de retomar o que foi dito por outras pessoas, mas usando
outras formas, outras palavras, outros contextos. A finalidade dela pode ser diversa:
fazer referência ao que outra pessoa disse ou escreveu sem repetir as palavras
dela; adequar a linguagem de determinado texto para outro tipo de público; relatar a
interpretação de uma leitura; registrar falas de entrevistados; fazer referência a uma
fala ou a um texto escrito de forma não literal, entre outros.

2.1.3 Resumo

Resumo é uma forma de sintetizar sem perder as ideias principais, a


essência, seja quando narramos fatos do cotidiano, seja quando nos referimos a um
texto literário, jornalístico, técnico ou científico. O resumo de artigos científicos é
regulamentado pela norma NBR 6028 da Associação Brasileira de Normas Técnicas
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– ABNT, que define como resumo uma “apresentação concisa dos pontos relevantes
de um texto”.
Para escrever um resumo temos de seguir algumas regras para que o texto
produzido seja fiel às ideias do original. O primeiro passo é fazer a leitura atenta do
original. É impossível resumir se houver dúvidas quanto ao conteúdo lido ou ao
sentido de alguma palavra. O uso do dicionário é imprescindível.
O importante é identificar a ideia principal de cada parágrafo, sublinhando-a.
Se necessário, faça uma segunda leitura. Algumas questões podem ajudar na
construção do resumo:
 Qual é o assunto de que trata o texto?
 Qual é a finalidade dele?
 Quais são as ideias principais do autor sobre o assunto?
 Que conclusões o texto apresenta?

2.1.4 Resenha

A resenha, diferentemente do fichamento e do resumo, avança mais em


direção à análise de textos (MATOS, 1985). Ela consiste em uma exposição breve e
opinativa de uma obra – é, portanto, uma paráfrase.
A resenha deve estruturar-se em:
 cabeçalho, no qual são transcritos os dados da obra, seguindo o modelo
da referência bibliográfica;
 informação sobre o autor do texto; exposição sintética do seu conteúdo;
 comentário crítico, que consiste na avaliação que o resenhista faz do
texto, podendo ressaltar tanto os pontos positivos quanto as falhas e as
incoerências.
Com isso, chega-se ao objetivo da resenha, que é fornecer uma apreciação
crítica sobre a obra.

2.1.5 Citação
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De acordo com a norma NBR 10520 da ABNT, citação é a menção, no corpo


do texto, de uma informação extraída de outra fonte. Tudo o que é citado no texto
precisa ser referenciado, por causa das exigências da lei de direitos autorais.
Assim, é preciso indicar os dados de referência – autor, título, local, editora e
data de publicação da obra da qual se extraiu o trecho citado. Normalmente, não se
usa paráfrase no texto científico, nem no TCC, pois o que interessa é apenas copiar
o texto original, citá-lo.
Citação, portanto, é a cópia, palavra por palavra, do que alguém disse ou
escreveu.

2.2 O uso da pontuação

A pontuação determina o sentido de um texto. Se malfeita, pode prejudicar a


leitura e os objetivos da comunicação.
Um erro muito comum é relacionar as pausas da fala à pontuação do texto.
Fala e escrita têm recursos de organização textual diferentes. A fala utiliza as
entonações e as pausas, a escrita utiliza a pontuação e a forma do texto. Ambas
obedecem a padrões que nem sempre correspondem.

FIGURA 5: Peça publicitária da Associação Brasileira de


Imprensa.
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Observe a peça publicitária da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), com


exemplos de uso da vírgula, e como o sentido resulta diferente com o seu uso.
Você percebeu que a vírgula, dependendo de como é usada, pode alterar
significativamente o sentido da frase. O mesmo pode ocorrer com o uso inadequado
de outros sinais de pontuação.
As diversas regras que determinam a pontuação correta do texto podem ser
encontradas na gramática normativa. Selecionamos a seguir algumas das normas
que orientam o uso de vírgulas, descritas na Nova Gramática do Português
Contemporâneo, de Celso Cunha e Lindley Cintra. As gramáticas costumam explicar
as regras de pontuação em uma seção específica.
a) Para separar elementos apresentados numa relação:
A nossa empresa está contratando engenheiros, economistas, analistas de
sistemas e secretárias.
b) Para isolar o vocativo, termo usado para chamar a pessoa com quem se fala:
Cristina, podemos começar a reunião?
Por favor, Ricardo, venha até o meu gabinete.
c) Para isolar palavras, trechos e expressões explicativas (como: isto é, ou
melhor, aliás, além disso etc.):
Gastamos R$ 5.000,00 na reforma da fachada, isto é, tudo o que tínhamos
economizado.
Eles viajaram para a América do Norte, aliás, para o Canadá.
Marina, que é boa funcionária, conseguiu encontrar uma saída para a crise da
empresa.
d) Para isolar, nas datas, o nome do lugar:
São Paulo, 22 de maio de 2010.
Roma, 13 de dezembro de 2011.
e) Para isolar os adjuntos adverbiais:
A multidão foi, aos poucos, avançando para o edifício.
Os candidatos serão atendidos, das sete às onze, pelo próprio diretor.
f) Para isolar as orações coordenadas, exceto as introduzidas pela conjunção
“e”:
Ele já deu bons conselhos, por isso é digno de confiança.
Você pode usar o carro da empresa, mas tome muito cuidado ao dirigir.
Não compareci ao trabalho ontem, pois estava doente.
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g) Para indicar a elipse de um elemento da oração:


Vamos cumprir as tarefas aos poucos. Primeiro, faremos os relatórios; depois,
os requerimentos.
A reunião estava confusa. Uns diziam que o procedimento era bom; outros,
que não.
h) Após a saudação ou a despedida em correspondência (social e comercial):
Bom dia,
Atenciosamente,
Obrigado,
i) Para isolar orações intercaladas:
A equipe, disse ele, é fantástica.
Aprendi, depois de exercitar muito, a usar corretamente a vírgula .

PROPOSTA DE ATIVIDADE
Para praticar as regras que você acabou de estudar, pontue o texto a seguir:
Tudo o que vemos ao nosso redor definimos por algum tipo de linguagem tudo com que
temos contato também é através de alguma linguagem mas a comunicação nem sempre é uma
tarefa fácil para que se utilize a linguagem com proficiência é preciso saber primeiramente o que se
quer comunicar com qual objetivo para quais pessoas enfim em qual contexto portanto a
comunicação é um processo que vai muito além do simples uso de palavras por um interlocutor

2.3 Textos técnicos

Os textos técnicos que vamos abordar aqui são aqueles tradicionalmente


utilizados nos meios acadêmicos ou no ambiente profissional dos técnicos. Eles
serão mais ou menos intensamente utilizados por você de acordo com a
especialidade do seu curso.
Para escrever esses textos, temos de seguir padrões convencionados, que
serão descritos adiante. Antes disso é sempre necessária uma análise do contexto
em que o texto técnico será apresentado, para que se possa adequar a linguagem à
situação específica. Essa análise requer que se pense sobre algumas questões
antes de escrever. Sugerimos as seguintes:
 O que preciso comunicar com este texto?
 Em que momento (social ou político da empresa) vou escrevê-lo?
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 De/para qual lugar (seção, departamento etc.) vou escrevê-lo?


 Para quem estou escrevendo?
 Como interlocutor, quais imagens de mim mesmo pretendo passar em
meu texto?
 Escrevo com qual objetivo?

2.3.1 Ofício

O objetivo do ofício é manter a comunicação administrativa. Ele é muito


utilizado por órgãos públicos e em correspondência protocolar. Observe no quadro a
seguir a padronização adotada na redação de ofícios.

FORMATAÇÃO DO OFÍCIO
Margem esquerda: 5 cm
Margem direita: 2 cm
Tamanho do papel: Ofício (21,59 x 35,56 cm. A folha A4 tem 21 x 29,70 cm)
Fonte do texto: Arial ou Times, tamanho 12

Informações que deve conter:

FIGURA 6: Exemplo de Ofício


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2.3.2 Carta comercial

Enquanto o ofício é uma correspondência entre autoridades ou funcionários


públicos, a carta comercial é utilizada na indústria e no comércio e tem como
objetivo iniciar, manter ou encerrar transações ou, ainda, fazer solicitações ou
comunicados. Embora haja modelos, sua formatação varia muito.

FORMATAÇÃO DA CARTA COMERCIAL


Margens: não têm formatação padrão, mas
devem ser as mesmas ao longo de todo o texto.
Tamanho do papel: Ofício, A4 ou Carta
Fonte do texto: Arial ou Times, tamanho 12

Figura 7: Exemplo de carta comercial

2.3.3 Requerimento

O objetivo do requerimento é fazer uma solicitação, geralmente a uma


autoridade, muitas vezes, considerando aspectos legais.

FORMATAÇÃO DO REQUERIMENTO
Margem esquerda: 3 cm
Margem direita: 2 cm
Tamanho do papel: A4 ou Carta
Fonte do texto: Arial ou Times, tamanho 12
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FIGURA 8: Modelo de requerimento

2.3.4 Procuração

A finalidade da procuração é permitir que uma pessoa atue em nome de


outra. A pessoa que a escreve, dita outorgante ou constituinte, pode conceder
plenos poderes à pessoa designada, dita outorgado ou procurador, ou limitar essa
atuação, especificando-a.

FORMATAÇÃO DA PROCURAÇÃO
Margens: não apresentam formatação padrão,
mas devem ser as mesmas ao longo de todo o texto.
Tamanho do papel: Ofício
Fonte do texto: Arial ou Times, tamanho 12
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FIGURA 9: Exemplo de procuração

2.3.5 Currículo

O objetivo do currículo é apresentar dados pessoais, formação escolar e


profissional do candidato a um emprego.

FORMATAÇÃO DO CURRÍCULO
Margens: não têm formatação padrão, mas devem ser as mesmas ao longo de todo o texto.
Tamanho do papel: A4
Fonte do texto: Arial ou Times, tamanho 12
Informações que deve conter:
1. título (Currículo);
2. dados pessoais (nome, data de nascimento, estado civil, nacionalidade, endereço,
telefones, e-mail);
3. objetivos (a qual vaga pretende candidatar-se, qual a atividade que pretende exercer);
4. experiência profissional (locais onde já trabalhou, período e atividades que desenvolveu;
ordenar pelas datas ou pela relevância da atividade);
5. formação escolar (curso, instituição de ensino e período; ordenar pelas datas ou pela
relevância do curso);
6. cursos e formação complementar (por exemplo, conhecimentos de informática e línguas
estrangeiras);
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7. trabalhos voluntários.

Figura 10: Exemplo de currículo


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É importante que o currículo seja conciso e que suas informações estejam


bem organizadas ao longo do documento, com o emprego de apenas um padrão de
margens, marcadores, formatação de itens etc. Essa padronização pode variar de
um currículo para outro. Como cada vaga exige especificações determinadas, até
mesmo algumas informações podem variar.

2.3.6 Relatório

O relatório é um texto muito importante. Ele é bastante utilizado em contextos


técnicos e sua formatação é semelhante à dos trabalhos de conclusão de curso.
O relatório, como o próprio nome diz, é um relato sobre algo que já
aconteceu. Nas empresas, ele também pode ser utilizado para apresentar
procedimentos técnicos ou administrativos, especialmente na padronização das
operações (criando o chamado procedimento operacional padrão) que garantem a
reprodução dos processos. Essa padronização é exigida pelos órgãos certificadores.
Seus objetivos também são variáveis: registrar e documentar procedimentos
desenvolvidos, oferecer orientação para o futuro, relatar problemas ou atividades
decorridas, entre outros. Experimentos científicos, estágios, visitas técnicas,
processos administrativos e viagens são as principais situações em que a redação
de um relatório é necessária ou costuma ser solicitada.
A linguagem deve ser concisa e adequada ao objetivo. Isso pode ser facilitado
com o uso da linguagem não verbal, com a apresentação de tabelas, gráficos e
imagens, além da própria formatação.
Não há padrões fixos para a formatação de um relatório. As empresas
costumam criar identidades visuais com formatação própria para documentos
técnicos e, especialmente, relatórios e correspondências. Observe a seguir um
exemplo de relatório.
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FIGURA 11: Exemplo de relatório


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3. DIFICULDADES ORTOGRÁFICAS COMUNS

A Língua Portuguesa tem algumas características que muitas vezes são


ignoradas. É preciso ficar atento, pois há erros que costumam ser cometidos e que
prejudicam a compreensão do texto.
Neste capítulo, estudaremos o uso de algumas palavras e expressões que
podem ser confundidas na produção do texto; veremos as regras de acentuação
gráfica; as regras do uso do hífen e as redundâncias.

3.1 Palavras e expressões que podem confundir

Veja o quadro abaixo:

Termo
Características Exemplo
utilizado

Quando exprime tempo, é


Fazer Faz cinco anos que ele voltou.
invariável.

Com o sentido de existir, é


Haver Houve muitos acidentes.
invariável.

Quando relaciona dois


Preferir elementos, pede a preposição Prefiro ler a resumir.
“a”.

Para eu fazer
Não se usa o pronome “mim”
(ou outros Ele pediu para eu levar os relatórios.
na função de sujeito.
verbos)

Com a preposição entre, usa-


Entre mim e
se mim se este pronome for Ele está entre mim e você.
você
colocado primeiro.
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É usado com verbos de Não sei aonde ele quer chegar.


Aonde
movimento. Aonde vamos?

Indica lugar, não tempo nem Onde fica a loja? Perto da empresa
Onde
pessoa. onde trabalho?

Quando estiver explícita ou Explique por que você faltou. Não sei
Por que (frases
implícita a palavra “razão”, ou por que ele saiu. Só eu sei as
declarativas)
no sentido de “pela qual”. estradas por que passei.

Por que (frases Sempre que estiver no início


Por que ela está preocupada?
interrogativas) ou no meio de uma questão.

Ao final da frase interrogativa


Por quê ou próximo de outro sinal de Não foi ao cinema por quê?
pontuação.

Eu faltei porque estava doente. Ele


Porque Usado nas respostas. saiu depressa porque estava
atrasado.

Não sei o porquê do riso. Começo a


Porquê Funciona como substantivo.
entender o porquê da dúvida.

Menos É invariável, nunca feminino. Menos cansada, menos isposição.

É designativo de oposição;
Mas semelhante a porém, Trabalha muito, mas ganha pouco.
entretanto, todavia.

Pessoas más destruíram o local de


Más Plural do adjetivo má.
trabalho.

Designativo de aumento, Quero mais água. Quanto mais


Mais
grandeza, soma, adição. leitura, mais informação.

É a fusão da preposição “a” com Eles passearam a pé. Ele começou a


o artigo definido feminino “a” ou chorar.
Crase (à, às) “as”. Portanto, nunca ocorre Dirijo-me a V.Sª. Fui à nova secretaria.
antes de palavra masculina, O assunto só diz respeito às pessoas
verbos ou pronomes pessoais. presentes.
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Semelhante a: “sobre”, “a
Acerca Falei acerca deste assunto.
respeito de”.

Há cerca de Indica estimativa de tempo. Voltei há cerca de uma hora.

Semelhante a “caso contrário”, É bom que a crise passe, senão


Senão
“a não ser que”. teremos cortes...

Se não melhorar, teremos


Se não Semelhante a “caso não”.
problemas.

De mais Contrário de “de menos”. Ela não fez nada de mais.

Exerce função de intensidade Há pessoas demais. Voltem os dois


Demais
ou de um pronome. e prossigam os demais.

Singular quando indica


Elas estão bastante cansadas. Há
Bastante intensidade, plural quando
bastantes carteiras nesta sala.
indica quantidade.

Usada só para indicar o Minha meia sujou. Sobrou meia


meia
substantivo ou a metade. garrafa de água.

3.2 Acentuação gráfica

A acentuação gráficas das palavras na língua portuguesa às regras


apresentadas à seguir:

3.2.1 Palavras oxítonas

Acentuam-se graficamente as palavras oxítonas com uma ou mais sílabas


terminadas em -a(s), -e(s), -o(s). Exemplos: vatapá(s), jacaré(s), rês, café(s),
maiô(s), cós, bisavô(s).
Também são acentuadas graficamente as palavras oxítonas com mais de
uma sílaba e terminadas em -em, -ens. Exemplos: vintém, parabéns.
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3.2.2 Palavras paroxítonas

Acentuam-se as palavras paroxítonas terminadas em -i(s), -u(s), -ão(s), -ã(s),


-on(s), -um, -uns, -l, -n, -r, -x, -ps e em ditongos seguidos ou não de -s. Exemplos:
difícil, sêmen, caráter, fênix, táxi(s), vírus, órgão(s), órfã(s), próton(s), álbum, fóruns,
aéreo(s).
Atenção
 As palavras paroxítonas terminadas em -n não são acentuadas no plural (-
ns). Exemplos: hífens, polens, semens.
 As palavras paroxítonas terminadas em -em, -ens não são acentuadas.
Exemplos: item, mentem, jovens, imagens.
 Nas palavras paroxítonas, não se acentuam os ditongos abertos -ei e –oi.
Exemplos: geleia, centopeia, androide, joia.

3.2.3 Palavras proparoxítonas

Acentuam-se todas as palavras proparoxítonas: álgebra, pólvora, lúcido,


relâmpago, trânsito.
Também são acentuadas as palavras terminadas em ditongo crescente
(seguido ou não de -s), que pode ser pronunciado como hiato: área, idônea, glórias,
espécies, mágoa, trégua, vácuo.

3.2.4 Hiatos

Acentuam-se as vogais -i e -u tônicas dos hiatos quando aparecem sozinhas


na sílaba ou são seguidas de s: paraíso, uísque, ciúme, balaústre.
Atenção
As vogais -i e -u não são acentuadas quando:
 Embora apareçam sozinhas na sílaba, são seguidas de -nh: rainha,
ventoinha;
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 Embora sozinhas na sílaba, em palavras paroxítonas, são acentuadas por


ditongos: taoísmo, baiúca, feiúra.
Não se acentua graficamente a primeira vogal tônica dos hiatos oo e ee: coo,
enjoo, veem, leem.

3.2.5 Acento diferencia

É empregado para diferenciar apenas as seguintes palavras paroxítonas:


pôde (verbo na 3ª pessoa do singular do pretérito perfeito do indicativo), para
distingui-la de pode (3ª pessoa do singular do presente do indicativo), e pôr
(infinitivo do verbo pôr), para diferenciá-la de por (preposição).
Não são diferenciadas por acento as palavras:
 para (preposição) e para (verbo parar);
 pelo (substantivo), pelo (verbo pelar) e pelo (antiga preposição per + o).

3.2.6 Verbos

Os verbos ter e vir são acentuados, no presente do indicativo, na forma da 3ª


pessoa do plural, para diferenciá-la da forma da 3ª pessoa do singular. Exemplos:
ele tem, eles têm, ele vem, eles vêm.
Atenção
Os verbos derivados de ter e vir seguem a regra de acentuação das oxítonas
terminadas em -em; a terceira pessoa do plural tem acento circunflexo para
diferenciar-se da 3ª pessoa do singular (acento agudo). Exemplos: ele mantém, eles
mantêm, ele provém, eles provêm.

3.3 Emprego do hífen

Leia a seguir as regras do uso do hífen. Emprega-se o hífen para:


a) Separar sílabas: pneu-mo-ni-a, an-si-o-sas, com-pa-nhi-a.
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b) Ligar os pronomes oblíquos a verbos: estimá-lo, conservar-se-á, deixa-se


ficar, precisa-se de.
c) Unir palavras compostas: luso-brasileiro, amarelo-ouro, ano-luz.
d) Ligar os sufixos de origem tupi que representam formas adjetivas (-açu,
-mirim e -guaçu) a palavras terminadas em vogal acentuada graficamente ou
quando a pronúncia exige a distinção gráfica dos dois elementos: sabiá-
-guaçu, capim-açu.
e) Ligar topônimos:
 iniciados por grã ou grão: Grã-Bretanha;
 iniciados por verbo: Passa-Quatro (município de MG);
 em que há artigo entre os elementos: Baía de Todos-os-Santos.
f) Unir palavras compostas cujo primeiro elemento é além-, aquém-, recém-,
sem-: além-túmulo, aquém-terra, recém-chegado, sem-teto.
g) Unir o advérbio mal- a palavras iniciadas por vogal ou h: mal-amado, mal-
estar, mal-habituada.
h) Separar ante-, arqui-, auto-, contra-, extra-, hiper-, infra-, inter-, intra-,
micro-, neo-, pronto-, pseudo-, semi-, sobre-, sub-, super-, supra-, ultra-
do segundo elemento, caso ele:
 Seja iniciado por h: anti-horário, neo-hispânico, proto-história, semi-
hospitalar, super-homem, sub-humano;
 Comece com a mesma vogal do primeiro elemento: anti-inflamatório,
arqui-inimigo, micro-organismo, semi-interno.
i) Ligar circum- e pan- e palavras iniciadas por vogal, h, m ou n. Exemplos:
circum-adjacente, circum-navegação, pan-americano, pan-helenismo, pan-
mágico.
j) Ligar hiper-, inter- e super- a palavras iniciadas por r: hiper-resisstente, inter-
regional, super-real.
k) Ligar ex-, vice-; e pós-, pré- e pró- tônicos, independentemente da letra com
que se inicia a palavras à igual que se ligam: ex-presidiário, vice-líder, pós-
moderno, pré-vestibular, pró-saúde.
l) Ligar os prefixos ab-, ad-, ob-, sob-, sub- a palavras iniciadas por r: ab-rogar,
ad-renal, ob-recepção, sob-roda, sub-raça.
Atenção
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Não se emprega o hífen:


 Nas palavras compostas em que o primeiro elemento termina em vogal e o
segundo começa por r ou s: contrarregra, pseudossábio, semirreta,
ultrarromantismo, minissaia.
 Nas palavras em que o primeiro elemento termina em vogal e o segundo
começa por vogal diferente. Exemplos: autoavaliação, bioética,
infraestrutura, intrauterino.

3.4 Redundâncias

Deve-se prestar atenção às repetições. As formas pelas quais se pode fazer


referência a um mesmo termo sem repeti-lo. Mas a repetição não acontece só com
as palavras. Também existe o que chamamos redundância, uma espécie de
repetição de ideias. Observe alguns exemplos clássicos: entrar para dentro (só pode
ser para dentro); sair para fora (só pode ser para fora); subir para cima (só pode ser
para cima); elo “de ligação” (se é elo, liga); viúva do falecido (só pode ser viúva se
morreu o marido).
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

MEGID, Cristiane Maria; CAMPANA, Suely Betanho. Linguagem, Trabalho e


Tecnologia. Fundação Padre Anchieta: São Paulo, 2011.

SARMENTO, Leila Lauar; TUFANO, Douglas. Português: Literatura, Gramática e


Produção de texto. Moderna: São Paulo 2010.