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Instituto Superior de Ciências Educativas

Mestrado em Treino Desportivo: Especialização em Futebol

Dissertação apresentada para a obtenção do grau de

mestre pelo Instituto Superior de Ciências

Educativas

O Contexto de Estágio no âmbito da Modalidade de

Futebol no Estoril Praia

Júri:
Presidente
Professor Doutor Paulo Malico Sousa

Arguente
Professor Doutor Fernando Santos

Orientador Académico
Professor Doutor Valter Pinheiro

André Pires Rijo

2018
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Agradecimentos

Para a elaboração deste relatório, foi imprescindível a colaboração e o apoio de algumas pessoas, sem
as quais não seria possível concretiza-lo e às quais não podia deixar de demonstrar o meu apreço.
Ao Orientador de Estágio, o Professor Valter Pinheiro, pela paciência e pela orientação ao longo deste
processo de estágio.
Aos professores que ao longo destes dois anos de mestrado transmitiram de forma apaixonada todos os
ensinamentos, nas mais diversas áreas.
Aos professores da licenciatura em Educação Física e Desporto, pela forma como conseguiram
transmitir informação e conhecimento fulcrais para que este Mestrado fizesse mais sentido, aliás, todo
o sentido.
Aos treinadores, colegas das equipas técnicas onde vivenciei o estágio de mestrado, pela forma como
fui recebido e por diariamente contribuírem para a minha evolução pessoal e profissional.
A todos os treinadores e colegas que ao longo destes anos tive o prazer de conhecer e de partilhar
ideias, sendo sempre uma fonte inesgotável de reflexão.
Um agradecimento especial a todos os jogadores com quem até aos dias de hoje tive oportunidade de
conviver, como um deles ou já na função de treinador. Foi com eles que pude experienciar muitas
coisas. Cometer erros, acertar, refletir e voltar a errar, sendo essenciais neste processo de crescimento
como Treinador de Futebol.
Aos meus colegas de Mestrado que ao longo destes dois anos tive oportunidade de conhecer, e que por
variadíssimas vezes foram fulcrais nesta caminhada.
Ao Diogo Fernandes e ao Ricardo Diogo, colegas e AMIGOS de licenciatura e também de mestrado.
Não teria ultrapassado estes cinco anos e alcançado este objetivo sem eles, só nós sabemos. Desejo-
lhes o dobro daquilo que desejo para mim, tanto a nível pessoal como profissional.
Por último, à minha família pelo apoio incondicional desde sempre e para sempre, antes, durante e
depois desta licenciatura, foram eles o meu suporte a todos os níveis e é para eles o último e o maior
agradecimento.

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ÍNDICE

1. Análise Contextual – Juniores A………………………………………………………………6


1.1. Enquadramento e Análise do Contexto de Estágio…………………………………………..6
1.1.1. Caracterização Geral do Clube………………………………………………….……...6
1.1.2. Caracterização Geral das Infraestruturas………………………………………….….....8
1.1.3. Papel do Estagiário na Equipa Técnica………………………………………………….8
1.1.4. Caracterização da Equipa Técnica………………………………………………………8

1.1.5. Caracterização do Plantel…………………………………………………..…………...10


1.1.6. Caracterização do Contexto Competitivo……………………………………..……….11
1.1.7. Caracterização dos Objetivos Competitivos e Formativos……………………………13

1.2. Objetivos Gerais e Específicos……………………………………………………………….13


1.2.1. Objetivos Gerais………………………………………………………………………13
1.2.2. Objetivos Específicos……………………………………………………………..…..14

2. Revisão de Literatura………………………………………………………………………….15
2.1. Modelo de Jogo………………………………………………………………………….……15
2.2. Jogos Reduzidos e Condicionados………………………………………………………...…17
2.3. Liderança e Comunicação……………………………………………………………………20
2.4. Treino de Jovens vs Treino de Adultos………………………………………………………22
2.5. O Microciclo/Morfociclo de Treino………………………………………………………….24
2.6. O Comportamento do Treinador no Treino e Competição………………………………..25
3. Avaliação e Análise em Contexto Prático…………………………………………….………26
3.1. Avaliação Coletiva e Individual……………………………………………………………..26
3.1.1. Avaliações Individuais………………………………………………………………..26
3.1.2. Análise “Micro Enquadrada no Macro”……………………………………………..49
3.1.3. Análise Coletiva – Pontos Fortes…………………………………………………….49

3.1.4. Análise Coletiva – Pontos Fracos……………………………………………………49

3.2. Análise Metodológica e Conceptual………………………………………………………..50


3.2.1. Objetivos Período Preparatório………………………………………………………50
3.2.2. Análise: Microciclos Período Preparatório………………………………………….51
3.2.3. Análise: Microciclos Período Competitivo…………………………………………56
3.2.4. Análise: Jogos Período Competitivo………………………………………………..66

4. Análise Contextual – Juniores B……………………………………………………………75


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4.1 Enquadramento e Análise do Contexto de Estágio……………………………………..75
4.1.1. Caracterização Geral do Clube……………………………………………………75

4.1.2. Caracterização Geral das Infraestruturas…………………………………………...77


4.1.3. Caracterização da Equipa Técnica……………………………………………...…..77
4.1.4. Caracterização do Plantel…………………………………………………………...78
4.1.5. Caracterização do Contexto Competitivo………………………………………..…79
4.1.6. Caracterização do Objetivos Competitivos e Formativos……………………..……80

5. Avaliação e Análise em Contexto Prático II………………………………………….….....80


5.1. Avaliação Coletiva e Individual……………………………………………………………80
5.1.1. Avaliação Individual………………………………………………………………….80
5.1.2. Análise Coletiva – Pontos Fortes……………………………………………………..88
5.1.3. Análise Coletiva – Pontos Fracos…………………………………………………….88
5.1.4. Análise: Microciclos Período Competitivo………………………………...…………89
5.1.5. Enquadramento e Objetivos do Período Transitório………………………………….92
5.1.6. Análise: Microciclos Período Transitório…………………………………………….92
5.1.7 Análise: Jogos Período Competitivo…………………………………………….……93

6. Apresentação e Discussão de Resultados……………………………………………………..97


6.1. Sobre Modelo de Jogo…………………………………………...…………………………...97
6.2. Sobre Jogos Reduzidos e Condicionados………………………….………………………...98
6.3. Sobre Liderança e Comunicação…………………………………………………………....99
6.4. Sobre Treino de Jovens e Treino de Adultos…………………………..…………………..100
6.5. Sobre Microciclo/Morfociclo de Treino…………………………………………………….101
6.6. Sobre o Comportamento do Treinador…………………………………………………….102
7. Conclusões Finais de Estágio………………………………………………………………….103
8. Referências Bibliográficas…………………………………………………..…………………104

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1. Análise Contextual – Juniores A
1.1 Enquadramento e análise do contexto de estágio
1.1.1 Caracterização geral do Clube
Foi no início do Séc. XX, mais precisamente a 10 de Novembro de 1910, que por
desinteligências entre elementos do Bomfim Foot-ball Club, um dos clubes onde se
praticava essa nova modalidade importada das ilhas britânicas chamada Futebol, levaram
Joaquim Venâncio, Henrique Santos e Manuel Gregório a abandonar esse clube, lançando a
ideia da formação de um pequeno grupo a que dariam o nome
de Sport Vitória. «A Vitória será nossa» dizia o entusiasta Joaquim Venâncio, e daí o nome
que ficaria para a posteridade de Vitória.

A 20 de Novembro de 1910 estava constituído o clube, com alguns dos nomes que iriam ter
um papel preponderante no seu futuro, e que iria passar a chamar-se por sugestão de
Joaquim Correia da Costa, a 5 de Maio de 1911, aquando da primeira reunião de
Assembleia Geral, de Victória Foot-ball Club.

Evolução do logótipo do Vitória Futebol Clube.

Embora o clube sadino se tenha mudado para o seu berço, o Campo dos Arcos, a 15 de
Setembro de 1913, enfrenta a recusa dos clubes de Lisboa em se deslocarem a Setúbal (não
havia campeonato nacional, apenas regional em Lisboa). O Vitória continuou a jogar, domingo
após domingo na capital e apesar das dificuldades acaba por se sagrar vencedor do Campeonato
Regional de 2.ªs categorias em 1916/17. Este resultado incentiva o Vitória a participar no
Campeonato de 1.ª categoria em 1918/19, e enquanto as suas 2.ªs categorias repetiam o feito em
1921/22 e 1925/26 a primeira equipa sagrava-se Campeã de Lisboa em 1923/24 e 1926/27
suplantando clubes como o Benfica, o Sporting ou o Belenenses. Acabaria por falhar a
conquista do campeonato de Portugal nas duas ocasiões.

Nessa altura o Vitória não era só o futebol, mantendo secções de tiro, natação, ciclismo e
corridas, criando a génese de clube eclético que mantêm atualmente, e em

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que, por intermédio de secções como a ginástica, o ténis de mesa, o andebol, o atletismo,
futsal, futebol juvenil, ou o aikido e o judo o clube movimenta centenas de atletas .

Voltando ao Futebol, o Vitória acabaria por abandonar mais tarde os campeonatos de Lisboa,
fundando, com outros clubes, a associação de Futebol de Setúbal. Com o passar dos anos, o
clube foi crescendo e criando raízes mais sólidas. Em 1943/44 o clube atinge pela primeira vez
uma final da Taça de Portugal, pela mão do treinador Armando Martins, e embora o Vitória
tivesse perdido com o Benfica em Lisboa por um expressivo 5–1, a alegria do povo setubalense
deixa espantada a capital. Onze anos mais tarde repete a presença na final onde defronta o
Sporting e uma equipa de arbitragem de critérios duvidosos. O Vitória acaba injustamente
derrotado por 3-2, mas em Setúbal organiza-se uma subscrição pública e com os donativos do
povo setubalense é feita uma Taça que recebe o nome de «Taça Recompensa», para assim
distinguir aqueles que teriam sido justos vencedores do Troféu nacional.

Entretanto, face ao crescimento do Clube, nasce a ideia de construir um novo Estádio. Mário
Ledo será um dos homens que guiará essa obra a bom porto. A 16 de Setembro de 1962 é
inaugurado o Estádio do Bonfim numa festa que traz a Setúbal, em caravanas de automóveis,
pessoas de toda a região. Estavam criadas condições para a década dourada do futebol vitoriano.

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1.1.2 Caracterização geral das Infraestruturas

O Vitória Futebol Clube possui, concretamente para a área do futebol, um estádio (Estádio do
Bonfim), com capacidade para 18642 espetadores, onde a equipa sénior realiza os seus treinos
e jogos.
Para o setor de formação, o clube dispõe de 2 campos de futebol 11 relvados e um campo de
futebol 7 sintético, assim como um campo de futebol 11 sintético, cedido camarariamente.
Dispõe de um departamento médico, 6 balneários para jogadores, 1 para árbitros e 1 para
treinadores. Tem também nas suas instalações, uma rouparia, uma lavandaria e um
departamento de futebol de formação.

1.1.3 Papel do Estagiário na Equipa Técnica

Referir que é um papel que considero ser mais do que apenas um estágio, encarando-o como mais uma
etapa da minha carreira, neste percurso de 7 anos, que me proporcione vivências e suporte aquele que
é o grande objetivo, ser Treinador de Futebol.

1.1.4 Caracterização da Equipa Técnica


Tabela 1 – Constituição e funções da equipa técnica

Nome Função
Sandro Mendes Treinador Principal
André Rijo Treinador Adjunto
Ricardo Diogo Treinador Adjunto
Carlos Silvestre Treinador de Guarda-Redes
Tomás Tengarrinha Treinador Estagiário
Alfredo Almeida Treinador Estagiário
Alexandre Estaca Fisioterapeuta

O planeamento de todo o período preparatório coube ao Treinador Principal,


enquanto que a restante equipa técnica teve a função a apoiar em todo o processo de
operacionalização do mesmo. Em relação ao planeamento do treino, tanto no
período preparatório como no período competitivo, o Treinador Principal ficou
também responsável pelo planeamento integral de toda a sessão de treino, desde a
parte inicial, à parte fundamental e à parte final do mesmo, com exceção do treino de
Guarda Redes que era da inteira responsabilidade do Treinador de Guarda Redes.
A dinâmica de funcionamento da operacionalização do treino era realizada por
todos os elementos da equipa técnica. Apesar da operacionalização ser efetuada
por todos, cada elemento tinha

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funções específicas. Assim sendo, os treinadores adjuntos ficavam responsáveis por
assumir o “controlo” do treino na sua parte inicial, juntamente com o apoio dos
treinadores estagiários. Na parte fundamental do treino era o treinador principal que
assumia o controlo do mesmo, ficando os restantes elementos da equipa técnica em
funções de apoio operativo- logísticos. Na parte final do treino/retorno à calma,
voltavam a ser os treinadores adjuntos a ficar responsáveis pelo mesmo. A exceção
acontecia quando o Treinador Principal não estava presente nos treinos, e nesses
casos, eram os Treinadores Adjuntos a ficar a cargo da operacionalização do treino.
O Fisioterapeuta ficava responsável por acompanhar a equipa em todos os treinos e
jogos, para apoiar a equipa na área da sua competência especifica, assim como de
fazer o treino suplementar de Prevenção de Lesões.
Para além da equipa técnica supramencionada, dispúnhamos da colaboração de um técnico de
equipamentos, assim como da presença assídua de um diretor (diretor de equipa).

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1.1.5 Caracterização do Plantel

Ao longo da época o número de jogadores tem variado, em função de várias entradas e saídas
de jogadores pelos mais diversos motivos. Desta forma, a lista em baixo apresentada, é o
plantel dos juniores do Vitória Futebol Clube, à data da realização deste documento.

Tabela 2 – Constituição do plantel

Posição Nome Ano Nascimento Clube anterior


Guarda-Redes GR1 2000 SL Benfica
Guarda-Redes GR2 1999 Vitória FC
Guarda-Redes GR3 2000 Vitória FC
Defesa Central DC1 2000 Vitória FC
Defesa Central DC2 2000 Vitória FC
Defesa Central DC3 1999 Vitória FC
Defesa Central DC4 2000 Estoril Praia
Lateral Direito DD1 1999 Vitória FC
Lateral Direito DD2 2000 Cova da Piedade
Lateral Esquerdo DE1 2000 Estoril Praia
Médio Defensivo MDC1 2000 Vitória FC
Médio Defensivo MDC2 1999 1º Dezembro
Médio Interior MC1 1999 Vitória FC
Médio Interior MC2 1999 Vitória FC
Médio Interior MC3 2000 Vitória FC
Médio Ofensivo MOC1 2000 Vitória FC
Extremo EXT1 1999 Linda-a-Velha
Extremo EXT2 1999 Vitória FC
Extremo EXT3 1999 Vilafranquense
Extremo EXT4 1999 *Canadá
Avançado AV1 2000 Vitória FC
Avançado AV2 1999 Tourizense

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1.1.6 Caracterização do Contexto Competitivo
A equipa de Juniores A do Vitória Futebol Clube, na época 2017-2018, esteve inserida no
Campeonato Nacional de Juniores A – 1ª Divisão, Zona Sul.
O Campeonato Nacional de Juniores A – 1ª Divisão, é o patamar mais alto a nível nacional deste
escalão. Este campeonato é disputado por 24 equipas, divididas entre zona norte e zona sul (12
equipas cada). Após 22 jornadas, ou seja, jogarem todos contra todos, em casa e fora, os 4
primeiros classificados da zona sul, e os 4 primeiros classificados da zona norte, disputarão entre
si, a duas voltas, o título de campeão nacional. As 8 equipas que ficarem fora dos lugares de
apuramento, tanto na zona sul, como na zona norte, disputarão (cada zona), os lugares de
manutenção no campeonato nacional, sendo que na presente época, descem 3 equipas de cada
zona.

Tabela 3 – Calendário e Resultados até à 16ª Jornada do Campeonato Nacional

Data Adversário Local Resultado


19/08/17 Cova da F D (1-0)
Piedade
26/08/17 Real SC C V (2-1)

10/09/17 Belenenses F E (1-1)

16/09/17 Sacavenense C V (1-0)

23/09/17 Alcanenense F V (0-4)

30/09/17 Sporting C E (1-1)

14/10/17 Académica F V (0-1)

21/10/17 Benfica C E (1-1)

28/10/17 Estoril F D (1-0)

04/11/17 Naval F Anulado


(desistiu)
18/11/17 Leiria C E (2-2)

25/11/17 Cova da C E (2-2)


Piedade
02/12/17 Real F E (1-1)

09/12/17 Belenenses C V (4-2)

16/12/17 Sacavenense F E (1-1)

23/12/17 Alcanenense C V (1-0)

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Tabela 4 – Lista de equipas participantes no Campeonato Nacional Juniores A – Zona Sul

Equipas Campeonato Nacional de Juniores A – 1ª Divisão – Zona Sul


Vitória Futebol Clube SAD

Sport Lisboa e Benfica SAD


Sporting Clube de Portugal SAD

União Desportiva de Leiria

Grupo Desportivo Estoril Praia


Real Sport Clube

Clube Desportivo da Cova da Piedade SAD

Associação Académica de Coimbra

Associação Naval 1º de Maio

Atlético Clube Alcanenense


Sport Grupo Sacavenense

Clube de Futebol “Os Belenenses”

Tabela 5 – Classificação Campeonato Nacional Juniores A – à 16ª Jornada

Posição Equipa Pontos


1º Benfica 33
2º Sporting 32
3º Vitória FC 25
4º Estoril 24
5º Leiria 24
6º Académica 17
7º Alcanenense 16
8º Sacavenense 15
9º Real 13
10º Belenenses 12
11º Cova Piedade 11
12º Naval 0

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1.1.7 Caracterização dos Objetivos Competitivos e Formativos
Para a época desportiva de 2017-2018, ficou acordado entre a direção/coordenação e a equipa
técnica o seguinte objetivo desportivo: Passagem à fase de apuramento de campeão nacional de
Juniores A. Em paralelo, um dos grandes objetivos da época será conseguir que o maior
número possível de jogadores de último ano, possam ingressar a equipa sénior do clube, assim
como dar seguimento ao processo de crescimento de todos os jogadores do plantel, tentando
que também os jogadores de primeiro ano possam integrar regularmente a equipa sénior do
Vitória FC.

1.2 Objetivos Gerais e Especifícos


1.2.1 Objetivos Gerais
- Desenvolvimento de competências de liderança num sentido multidisciplinar

- Correlacionar e desenvolver as aprendizagens académicas em contexto prático, conseguindo


paralelamente fazer face a todas as circunstâncias positivas e/ou negativas que esse mesmo
contexto de alta exigência me permitirá vivenciar.

- Desenvolver competências ao nível do planeamento e periodização do treino, inserido no


contexto mais competitivo do futebol de formação a nível nacional.

- Desenvolver/sustentar a minha capacidade de operacionalização no processo de treino, com


jogadores que certamente abrirão “portas” para a reflexão constante acerca do processo e das
incidências do mesmo.

- Desenvolvimento de um sentido crítico acerca do processo de treino, assim como acerca


das ideias de jogo, como intenção em ato, que prevalecem no campeonato nacional de
juniores, é outro dos grandes objetivos deste estágio.

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1.2.2 Objetivos Específicos
No que aos objetivos específicos diz respeito, estes serão descritos, tendo em conta as funções
que me foram solicitadas ao longo do estágio, tendo estas surgido sempre em função das
necessidades do momento da equipa, assim como algumas propostas por parte do orientador de
estágio.

- Análise individual de cada jogador do plantel de Juniores do Vitória Futebol Clube, com os
seguintes critérios, análise antropométrica e fisiológica do jogador, análise tático-técnica do
jogador e análise psicológica e comportamental.

- Análise constante à equipa durante os jogos, assim como a elaboração de um dossier


individual de cada jogador, em formato de video, com ações positivas e negativas em todos os
jogos.

- Liderar o grupo, essencialmente em momentos de treino, como várias vezes ao longo do estágio
me foi solicitado pelo treinador principal, quando não estava presente no treino.

- Potenciar as capacidades físicas de todos os jogadores no período preparatório, assim como no


período competitivo.

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2. Revisão de Literatura
2.1 O Modelo de Jogo

De acordo com Leal e Quinta (2001), citado por Dias (2015), o modelo de jogo consiste na conceção
de jogo do treinador que engloba vários fatores necessários para a organização dos processos
defensivos e ofensivos da equipa. Integram esses fatores os princípios, métodos e os sistemas de jogo,
da mesma forma um conjunto de atitudes, comportamentos e valores que caracterizam a organização
dos processos individuais e, fundamentalmente, coletivos da equipa.
De acordo com Azevedo (2011), o Modelo de jogo é algo que identifica uma determinada
equipa, não é apenas um sistema de jogo, não é o posicionamento e disposição dos jogadores,
mas sim a forma como os jogadores estabelecem as relações entre si e como expressam a sua
identidade, uma determinada organização apresentada em cada momento do jogo que se
manifesta com regularidade.
Segundo Vitória (2014), muito antes de se falar no sistema tático, ter-se-ão que criar um
conjunto de conceitos e princípios, que servirão de suporte à implementação de qualquer
dispositivo tático.
Segundo Frade (2003), citado por Azevedo (2011), o Modelo de Jogo nunca está acabado
porque o processo ao acontecer vai fornecer indicadores de modo a serem interpretados por
quem os gere, no sentido de ir gerindo para estimular uma melhor qualidade.
De acordo com Carvalhal (2014) o jogo tem um fluxo contínuo. Mais afirma que quando se
fala em princípios de jogo fala-se da sua articulação, não só entre si, como também na relação
e articulação com os subprincípios e concomitantemente a articulação entre estes.
Segundo Maciel (2011), o Modelo é o ato de Modelação, é o processo e resulta do
entrecruzamento dinâmico e complexo de uma intencionalidade estabelecida à priori com a
sua operacionalização num determinado contexto, o qual, conjuntamente com a gestão que
dele vamos fazendo vai permitir o emergir de uma realidade única.
Segundo Silva (2008), o modelo envolve a operacionalização dos princípios de ação dos
jogadores nos vários momentos de jogo. Por isso o conceito de Modelo de Jogo não se reduz a
uma ideia geral, tratando-se sobretudo de configurar as interações dos jogadores.
Segundo Azevedo (2011), é essencial que o treinador saiba muito bem aquilo que pretende em
cada momento do seu jogar, definindo uma série de comportamentos e uma articulação entre
eles, que vão permitir que a equipa apresente uma identidade especifíica.
De acordo com Le Moigne (1994) citado por Silva (2008) a configuração do modelo de jogo
resulta da articulação e desenvolvimento dos princípios para que o jogo adquira uma dada
identidade. Desta forma define uma qualidade comportamental promovida pelos princípios de
ação sobre os quais o treinador e os jogadores analisam e interpretam os factos do jogo e de
desenvolvimento do processo.
Segundo Frade (2004), citado por Silva (2008), afirma que o jogar é uma organização
15
construída pelo processo de treino, face a um futuro que se pretende atingir. Deste modo,
esclarece que o processo configura o jogo fazendo emergir determinadas regularidades no
comportamento da equipa e jogadores.
De acordo com Cano (2009), citado por Dias (2015), um modelo de ação deve reger a execução
das ações coletivas, com base na mesma interpretação dos sucessos e das possibilidades que
surgem do mesmo.
Segundo Carvalhal (2014) podemos dizer que o modelo de jogo é algo utópico, podemos andar
lá perto mas nunca o alcançamos! Está em permanente evolução e reconstrução, até porque o
“descobrir” as capacidades e deficiências dos nossos próprios jogadores leva a que muitas
vezes se enriqueça ou empobreça o modelo inical que se idealiza.
De acordo com Pinheiro e Baptista (2013) quando falamos em Modelo de jogo referimo-nos a
um conjunto de princípios (comportamentos) que resultam na organização de uma equipa
dentro do contexto do jogo, ou seja, um conjunto de pautas que ajudem os atletas a saberem o
que devem fazer em cada um dos quatro momentos do jogo de futebol (organização Ofensiva,
Transição Defensiva, Organização Defensiva e Transição Ofensiva). Significa que com este
conjunto de princípios, cada atleta estará preparado para saber com exatidão o que deve fazer e
como fazer a cada momento, expressando uma Unidade Coletiva de pensamentos.

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2.2 Jogos Reduzidos e Condicionados

O comportamento dinâmico de uma equipa de Futebol é mais do que a soma de


variáveis quantitativas e qualitativas dos seus integrantes, é um processo de
coordenação intra e inter pessoal altamente relevante para a compreensão da eficácia e
da dinâmica da equipa no jogo (Costa et al, 2002). Dentro da equipa os mesmos autores
referem que “a ação de um jogador é consequência da interação de capacidades
percetivas, processuais, táticas, técnicas, físicas, psicológicas e de tomada de decisão,
que coordenadas juntamente com todas as ações de outros jogadores da equipe
possibilitará recuperar, conservar e mover a bola para atingir o objetivo do jogo, o
golo”. Considerando estes dois fatores podemos constatar através da afirmação de
Tavares et al (2014) que “a otimização do treino desportivo tem vindo a ser alvo de
incessante investigação por parte das ciências do desporto. No caso específico dos jogos
desportivos coletivos, a conversão de métodos analíticos e com reduzida especificidade,
por métodos mais ecológicos que integram múltiplas variáveis da performance tem
vindo a ser alvo de dedicação pela específica comunidade de investigadores”.
Para Costa et al (2010) a forma centrada nos jogos condicionados caracteriza-se pela
decomposição do jogo em unidades funcionais, que propiciam a aprendizagem e a
vivência das mesmas interações presentes nos jogos oficiais entre as dimensões tática, técnica,
psicológica e fisiológica, porém em escalas inferiores de complexidade. A partir
disto, o ensino é concebido através da apresentação e interação dessas unidades
funcionais, onde o jogo apresenta problemas que são direcionados através das situações
criadas que proporcionam comportamentos desejados através da intenção e
compreensão do jogo promovida pelo professor/treinador. Esta abordagem
metodológica evidencia o desenvolvimento das capacidades, dos conhecimentos
específicos dos jogadores, do jogo contextualizado e direcionado para os
comportamentos desejados. Garganta (1998), citado por Oliveira e Paes (2004), parece
concordar desta afirmação ao afirmar que “o jogo é decomposto em unidades funcionais
sistemáticas de complexidade crescente, nas quais os princípios do jogo regulam a
aprendizagem. As ações técnicas são desenvolvidas com base nas ações táticas, de
forma orientada e provocada”. Os jogos reduzidos, na perspetiva da abordagem centrada
nos constrangimentos, permitem a elaboração de tarefas específicas e representativas do
jogo formal. A partir da contínua interação dinâmica entre cada indivíduo, ambiente e
tarefa, emergem padrões comportamentais adaptativos das equipas que refletem a sua
expressão tática (Chang et al, 2014). Outros estudos como o descrito por Hahn (1988),
citado por Costa et al (2010), referem que parecem pertinentes: 1) especificidade de

17
acordo com cada etapa de formação; 2) desenvolvimento de conteúdos nas aulas ou
treinos de acordo com os processos volitivos e de maturação; 3) periodização do
processo de ensino e aprendizagem orientados muito mais pelas necessidades
específicas dos atletas jovens e muito menos pelos modelos de periodização do universo
da teoria do treinamento. Citado pelo mesmo autor, outra proposta, apresentada por
Musch e Mertens (1991) e retomada por Graça et al. (2006), referencia uma ideia do
jogo no qual as situações de exercícios da técnica aparecem claramente nas situações
táticas, simplificando o jogo formal para jogos reduzidos e relacionando situações de jogo com o jogo
propriamente dito. Eles preconizam que essa forma de ensino preserva
a autenticidade e a autonomia dos praticantes, respeitando o jogo formal, no qual as
estruturas específicas de cada modalidade são mantidas, como: a finalização, a criação
de oportunidades para o drible, o passe, os lançamentos nas ações ofensivas, etc.
Para que todas estas ações e técnico-táticas surjam nos jogos é necessário estarem
presentes os princípios fundamentais da modalidade, futebol. Assim, Costa e
Nascimento (2004) referem que “o modelo centrado nos jogos condicionados a
aprendizagem inicia-se no jogo, daí partindo para as situações particulares (unidades
funcionais). Além disso, nesse modelo, os princípios do jogo é que regulam a
aprendizagem, estimulando a interpretação e aplicação dos princípios do jogo, sendo a
técnica ensinada a partir das dificuldades táticas”.
Relativamente ao espaço, os princípios fundamentais do jogo de Futebol (fazer
campo grande a atacar e campo pequeno a defender) permanecem inalterados em JRC
jogados em campos de diferentes dimensões. Neste sentido, os JRC constituem tarefas
representativas do jogo formal que podem ser usadas para treinar comportamento tático
(Carvalho et al,2014).
Para que os comportamentos desejados e a evolução dos atletas seja constante, existe
grande responsabilidade no papel do treinador/professor, deste modo, através do estudo
realizado por Tavares et al (2014) é possível verificar que diferentes condições de
prática induzem desempenhos técnicos distintos em futebolistas. Nesse sentido,
incumbe-se ao treinador manipular as variáveis de acordo com os conteúdos definidos
para cada tarefa. A manipulação do espaço de jogo em jogos reduzidos e condicionados
(JRC) é uma forma de propiciar aos praticantes a exploração de diferentes problemas de
jogo favorecendo, assim, adaptações funcionais em termos coletivos e individuais
(Carvalho et al, 2014). Assim, durante a implantação dos jogos reduzidos, segundo Oliveira e Graça
(1998), citado por Costa e Nascimento (2004), “os professores devem
preocupar-se em manter os objetivos do jogo e os elementos estruturais essenciais do
jogo formal. Além disso, deve-se evidenciar a ligação entre o ataque e a defesa, ou seja,
dar continuidade ao jogo sem determinar totalmente as tarefas, para que os alunos
possam participar do processo de tomada de decisão”.
18
Relativamente ao papel do exercício, os mesmos autores sublinham que “nessas
atividades o aluno terá que decidir entre situações diferenciadas que evidenciam a ação
tática e a possibilidade de tomada de decisão perante os problemas inerentes à prática
desportiva”.
Olhando agora para um estudo mais objetivo realizado por Silva et al (2013), sobre
diferenças entre vencedores e derrotados em jogos reduzidos e condicionados realizados
por vários escalões, podemos verificar que:
- Observa-se que as equipas derrotadas realizaram um menor número de ações em todos
os princípios táticos defensivos;
-As ações apresentadas pelos jogadores das equipas vencedoras estão de acordo com
Garganta (2002), segundo o qual, “uma equipe deve buscar, em sua defesa, cobrir e
reforçar permanentemente o eixo central do campo, além de “enviar” o ataque
adversário para as zonas laterais, e de menos perigo no campo, além de possuir um
número ideal de jogadores entre a bola e a baliza”.
-O presente estudo permitiu observar a superioridade apresentada na organização
defensiva por parte das equipes vencedoras.
-A frequência e precisão dos remates para golo, as recuperações de bola em situações
diretas contra o adversário e a proteção efetiva da própria baliza foram os mais
significativos. Estes parecem ser fatores decisivos que permitem a organização
defensiva da equipa, bem como possibilitam organizar uma transição ofensiva adequada de modo a
aproveitar os espaços concedidos pelo adversário para criar situações de
golo.

19
2.3 Liderança e Comunicação

De acordo com Vitória (2014) , um treinador é um exemplo e uma referência. Tem de ser o primeiro a
dar o exemplo, a cumprir. Tem de exigir o máximo aos seus jogadores e tem de ser o primeiro a dar o
máximo.
Também segundo Vitória (2014), um líder deve ser confiante em si próprio e na equipa que lidera.
Sugere ainda que esse valor, esse sentimento, é crucial. Só se tomam decisões corajosas se confiarmos,
se acreditarmos que aquela é a decisão certa. O mesmo autor acrescenta ainda que um líder não poderá
ser um exemplo para os seus soldados se não for persistente. A persistencia é outra das características
de um líder.
De acordo com Lourenço (2010) a liderança é um processo social complexo, sistémico e contextual,
ou seja, é composta pelos mais variados sistemas que se relacionam constantemente entre si de tal
forma que permanecem em constante evolução, sendo que as ações do líder dependem e adaptam-se
ao contexto. Assim, um mesmo líder pode atuar de formas diferentes em situações idênticas, mas
inseridas num contexto diferente.
Lourenço e Guadalupe (2017) afirmam que a liderança é um processo intencional que acontece entre
pessoas. Para haver liderânça têm de existir lider e seguidores,este é um processo que pressupõe
aceitação: alguém está disposto a liderar e vários estão dispostos a seguir aquele em quem confiam.
De acordo com Lourenço e Guadalupe (2017) os líderes não foram inventados pelas democracias,
contudo no contexto atual não acreditam em lideranças impostas. As pessoas estão cada vez mais
conscientes de si, das suas capacidades, dos seus conhecimentos.
Para Cecília Carmo (2010) a relação dos treinadores com aqueles que comandam tem sido ao longo
das gerações uma das principais preocupações dos treinadores de futebol. É fundamental impor
respeito, sem criar sensação de medo.
Ainda Lourenço e Guadalupe (2017) afirmam que culturalmente em Portugal, existe a ideia de que a
liderança se posiciona, ou deve posicionar, no topo da pirâmide. O lider é percecionado, quase
exclusivamente, como o superior hierárquico. Acrescentam ainda que esta ideia errada, tem levado a
uma das grandes confusões sobre a temática, acabando de certa forma a desvirtuar o papel da
liderança. Ao posicionarmos a liderança no topo da pirâmide, no topo da cadeia de comando, estamos
a confundir a liderança com o poder formal escudado na posição do cargo que ocupa.
Vallé e Bloom (2005) dizem-nos que o processo de comunicação estabelecido na competição é
importante para o reforço de liderança do treinador e fundamental para o sucesso da relação treinador-
atleta. Treinador é uma profissão complexa e exigente que inclui muito mais do que apenas treinar
atletas para competir.
Segundo Giacobbi et.al (2002) durante a competição o processo de comunicação estabelecido pelo
treinador deve ter em conta as características individuais dos jogadores. O conhecimento individual
dos atletas é crucial para a tomada de decisão por parte do treinador relativamente ao tipo de feedback
a ser emitido.
20
Também Côte e Sedwick (2003) afirmam que é importante reconhecer as diferenças individuais e
estabelecer um relacionamento positivo com os atletas, pois permite estabelecer uma melhor interação
treinador-atleta.
Segundo Brandão e Carchan (2010) o comportamento e a capacidade de comunicação do treinador são
fundamentais para uma liderança efetiva. De acordo com esta afirmação os mesmos autores referem
que existem alguns aspetos que os treinadores devem ter atenção na interação com os atletas, pois
podem influenciar positiva e negativamente o rendimento dos jogadores em competição: tom de voz,
quantidade e qualidade da informação emitida, momento das intervenções, momentos em que o
treinador tem um comportamento mais opressivo ou um comportamento direcionado para a instrução
ou reforço. Estas variáveis são importantes para o treinador ter em conta no processo de comunicação,
devendo estar de acordo com o contexto das situações de jogo, bem como as características dos atletas.
Segundo Terroso e Pinheiro (2010) o processo de comunicação estabelecido entre o treinador e os
atletas pode ser determinante para o nível de prestação que os jogadores e equipa conseguem atingir.
Criar um clima favorável e motivador para que os jogadores exprimam todas as suas potencialidades,
conseguir que os jogadores acreditem nos processos de jogo da equipa, nas capacidades individuais e
coletivas, é determinante para os objetivos definidos sejam alcançados. Desta forma, o treinador na
atualidade tem de possuir um conjunto de conhecimentos e capacidades superiores às que eram
exigidas aos treinadores do passado.

21
2.4 Treino de Jovens vs Treino de Adultos
De acordo com Horta (2003) o estádio de maturação condiciona o nível de rendimento desportivo
como a resposta ao treino. Assim como certos níveis de esforço ou de destreza motora não são
realizáveis enquanto o organismo não dispuser de condições funcionais e estruturais requeridas, de
igual forma um estímulo para ser eficiente necessita também de uma base orgânica capaz de assegurar
um certo grau de reactividade.
Segundo Wein (2001) para se desenvolver com sucesso os jovens jogadores de futebol, é necessário
descobrir e compreender as suas necessidades, por forma a não se submeter os jovens a exercícios
desmotivantes ou até mesmo mais indicados para adultos.
De acordo com Reis (2008) o treinador de futebol infantil deve saber que o treino a realizar neste nível
assume características completamente diferentes em relação ao treino a efectuar com atletas adultos,
devendo os métodos e os exercícios seleccionados atender ao crescimento e ao nível cognitivo do
jovem praticante, objetivando um adequado desenvolvimento íntegro e harmonioso das suas
capacidades físicas e cognitivas ao longo do tempo sem existir o risco de se comprometer o seu futuro.
Ainda de acordo com Reis (2008) o jogo deve ser adequado às caracterísiticas dos participantes,
devendo-se adaptar o peso e o tamanho da bola, o número de jogadores a defrontar, as dimensões do
campo e das balizas, favorecendo-se assim a sua aprendizagem e motivação. O mesmo autor
acrescenta ainda que o futebol de alta competição e praticado pelos adultos não pode ser o mesmo que
exigimos aos principiantes, dado que eles não estão preparados para um estrutura tão complexa. Como
tal, deverá criar-se um jogo caracterizado por uma estrutura mais simples e adequado às possibilidades
das crianças, proporcionando-lhes condições de êxito.
Segundo Garganta (1996) nas fases iniciais de aprendizagem, o jogo deve ser aprendido num espaço
mais reduzido, com menor número de jogadores, de modo a permitir uma melhor leitura de jogo e
mais sucesso nas ações. Acrescenta ainda que esta abordagem permitirá um maior prazer e
divertimento, pela maior frequência com que contactam com a bola e obtêm situações de golo.
Para Castelo (2004) os métodos de treino devem basear-se na análise e conhecimento da lógica interna
de cada modalidade desportiva, devendo ser determinados por um conjunto de regras suportadas por
um modo de agir e pensar, com base na análise do conteúdo e contextualidade situacional. Com a
colocação em prática dos métodos de treino pretende-se alcançar diferentes objectivos de carácter
motor (técnico), físico (capacidades condicionais), intelectual (táctico) e social (relações de
cooperação e oposição).
Para Reis (2008) o treino desportivo de jovens atletas é um processo a longo prazo que deve ser
conduzido por etapas, produzindo alterações anatómicas, fisiológicas, biológicas e psicológicas,
devendo assentar na integração dos diversos factores de treino: físico, técnico, táctico e psicológico.
Segundo Pacheco (2001) no processo de ensino/aprendizagem do futebol deverá utilizar-se métodos
de ensino eficazes que contribuam para uma correcta aprendizagem dos jovens praticantes. De acordo
com este autor existem três métodos de ensino do futebol: Método Global (caracterizado pela
22
utilização exclusiva da situação formal de jogo, 11x11 ou 7x7); Método Analítico (caracterizado por
se partir das situações técnicas analíticas para o jogo formal); Método Sistémico (caracterizado por se
partir do jogo para as situações particulares e pela decomposição do jogo em complexidade crescente,
1x1, 3x3, 5x5,etc)
Para Queiroz (1989) toda a dinâmica do jogo está centrada no espaço e no tempo. Quanto menor é o
espaço, menor é o tempo que um jogador tem para solucionar um problema no jogo.
Para Ardá e Casal (2003) o processo de ensino do futebol deve ter como principal conteúdo o próprio
jogo e as suas características fundamentais, ou seja, a interação entre as duas equipas. Os mesmos
autores afirmam ainda que o processo deve partir da análise do jogo, da definição dos problemas que
se pretendem apresentar ao jogador e à equipa em cada momento do seu desenvolvimento desportivo.

23
2.5 O Microciclo/Morfociclo de Treino

Segundo Vitória (2014) o treino, actualmente, organiza-se em função dos chamados ciclos, que podem
ser micro, meso e macro, consoante o número de unidades de treino e de competição em cada um
deles. Normalemente, num microciclo tipo temos seis dias de trabalho por semana, contando com o
dia do jogo. Em função da maior ou menor proximidade ao dia do jogo, são preparados treinos e
exercícios diferentes.
De acordo com Carvalhal (2014) o morfociclo não é mais do que o espaço temporal entre 2 jogos.
Assim, durante a semana, no treino, tenta-se desenvolver as dinâmicas da equipa a nível coletivo e
individual (individual de forma a potenciar a organização coletiva), no sentido de preparar o próximo
jogo tendo em consideração o que se passou no jogo anterior e o que se prespectiva para o jogo
seguinte.
Para Tamarit (2010) o treino e a competição são indissociaveis , porque durante todo o morfociclo, em
cada treino, tem de haver competição com a intenção de aumentar a motivação dos nossos jogadores
para conseguir estar em rotina mas sem cair na rotina.
Tamarit (2010) afirma que em cada jogo há um desgaste enorme em todos os sentidos: fisico,
emocional...então o resto do morfociclo tem como obejctivo recuperar a equipa para chegarem
recuperados ao jogo seguinte sem que deixem de adquirir novos niveis de resposta, tendo em conta
que há jogadores que não participaram na partida anterior.
Segundo Mallo (2015) a estrutura do morfociclo é introduzida o mais cedo possível no inicio da
época, de forma a garantir uma adaptação a uma forma de jogar e às exigências metabólicas dessa
mesma forma de jogar, ao mesmo tempo procurando uma estabilização através do desenvolvimento de
hábitos.
De acordo com Oliveira, in Silva (2008) o padrão semanal é fundamental para a organização do
processo uma vez que após o jogo analisa e define um conjunto de objetivos a incidir ao longo da
semana. Desta forma “o padrão semanal seguinte visa preparar o próximo jogo tendo em
consideração o que se passou no jogo anterior e o que se prespectiva para o jogo seguinte”. A partir
daqui direciona o processo de treino para a competição seguinte.
Segundo Carvalhal (2014) o planeamento semanal deve ser sempre relacioando com o modelo de
jogo, de forma a preparar os comportamentos a adoptar nos diferentes momentos do jogo.
Também de acordo com Carvalhal (2014) o microciclo diz respeito ao planeamento da semana de
trabalho. E nele contém os conteúdos objetivos específicos a serem alcançados em cada semana de
trabalho (ou em cada conjunto de algumas unidades de treino).

24
2.6 Comportamento do Treinador no treino e competição

Gomes, Pereira e Pinheiro (2008) no seu estudo sobre liderança, coesão e satisfação com atletas
portugueses de equipas de Futebol e Futsal indicam-nos que os próprios atletas valorizam os
comportamentos interativos dos treinadores, mesmo quando estes se relacionam com aspectos menos
positivos. Isto só reforça o impacto que tem o comportamento do treinador durante o treino pois os
próprios atletas têm perceção da sua latitude.
Pinheiro e Camerino (2008), analisaram o comportamento do treinador na promoção do fair play,
concluindo que os treinadores revelam poucas condutas promotoras do Espírito Desportivo.
De acordo com Pinheiro et.al, in Rodrigues e Sequeira (2017) o treinador tende a ser mais elogioso
quando está a ganhar por uma margem confortável. Mais afirmam que o treinador “diz palavrões” com
maior frequência quando está empatado do que quando está a ganhar por mais de dois golos. Parece
que o fator resultado confortável assume aqui particular interesse, pois o maior número de palavrões
ocorre quando o resultado não é uma vitória. Os mesmos autores referem que que o treinador é mais
desrespeitoso, quanto mais desfavorável for o resultado. Sugerem que o uso de encorajamento e
reprovação estão intimamente relacionados com o resultado.
Também Pinheiro et. al, in Rodrigues e Sequeira (2017) dizem-nos que o treinador “desrespeita as
decisões do Juiz” com maior frequência quando está empatado do que quando está a ganhar.
Acrescentam ainda que este comportamento vem corroborar que, o treinador é influenciado pelo
resultado e quanto mais desfavorável é o mesmo, mais comportamentos despromotores de fair play
são expressados. Assim, perante um resultado menos favorável, como é o caso do empate, o treinador
discute mais com o árbitro.
Costa et.al, in Rodrigues e Sequeira (2017) dizem-nos que quem trabalha com jovens nunca se deve
esquecer que eles estão a viver um processo de maturação física e mental, atravessando um momento
importante da sua formação pessoal, não só desportiva como humana.
Santos et.al (2014) afirmam que o processo de comunicação estabelecido em competição é um fator
que influencia o rendimento dos jogadores e equipa. O treinador deve promover um clima favorável
para que os jogadores expressem todas as suas potencialidades, a fim de conseguirem atingir os
objetivos pretendidos. A forma como o treinador comunica contribui para o reforço da sua liderança
perante a equipa, uma vez que os seus comportamentos na direção da equipa, pode ter implicações
para além da competição.

25
3. Avaliação e Análise em Contexto Prático
3.1 Avaliação Coletiva e Individual
3.1.1 Avaliações Individuais

Durante o período preparatório, foi-nos solicitado pelo clube, a fim de obter crédito perante a
Federação Portuguesa de Futebol, vários trabalhos de forma a enriquecer um projeto para a
aceitação do clube como “Entidade Formadora Certificada” pela FPF, processo esse que se
encontra aceite “provisoriamente”.
Um dos pontos que achamos que poderia enriquecer, era um documento sobre cada jogador do
clube com várias características que pudessem descrever esses mesmos jogadores nas mais
diversas dimensões de rendimento do jogo.
Assim sendo, em baixo seguem os documentos que foram por nós estruturados para o clube,
tendo em conta algumas características exigidas também pelos diretores que estão a trabalhar
neste processo.

26
VITÓRIA FUTEBOL CLUBE
DEPARTAMENTO DE FUTEBOL DE FORMAÇÃO

Relatório Individual - GR

Nome GR1 Nascido 2000 Nacionalidade Português


Posição Preferencial Guarda-redes Posição Secundária --------------

Altura 1,85 Morfologia Ectomorfo Pé Dominante Direito

Peso 75

Avaliação Quantitativa (1-fraco; 5 – excelente)


Saída da baliza 4
Controlo de cruzamentos 2
Atitude Competitiva 4
Leitura Jogo 4
Disciplina 4
Jogo de pés 4
Comunicação 4

Avaliação Qualitativa

Antropométrica e Fisiológica
Jogador Alto, com rápido deslocamento entre os postes, ágil.

Tático – Técnica
Boa capacidade de leitura e antecipação de cada momento do jogo.
Com capacidade de jogar adiantado no terreno fazendo parte da construção do jogo ofensivo.
Dificuldade no controlo dos cruzamentos.

Comportamental e Psicológica
Capacidade de lidar com a adversidade, conseguindo sair da espiral negativa que por vezes o
jogo promove após várias ações com menor sucesso.
Gosta de aprender e aceita o feedback sempre como um factor construtivo no
seu desenvolvimento. Boa comunicação

27
VITÓRIA FUTEBOL CLUBE
DEPARTAMENTO DE FUTEBOL DE FORMAÇÃO

Relatório Individual - GR

Nome GR3 Nascido em 2000 Nacionalidade Português


Posição Preferencial Guarda-redes Posição Secundária -----------

Altura 1,81 Morfologia Ectomorfo Pé Dominante Direito

Peso 70

Avaliação Quantitativa (1-fraco; 5 – excelente)


Saída da baliza 3
Controlo de cruzamentos 4
Atitude Competitiva 2
Leitura Jogo 3
Disciplina 4
Jogo de pés 2
Comunicação 1

Avaliação Qualitativa

Antropométrica e Fisiológica
Para guarda-redes não é um jogador muito alto, ágil mas demonstra alguma debilidade a nível
imunológico.

Tático - Técnica
Pouca qualidade na construção, agravado pelo que lhe é solicitado ( “jogar longo para não
perder perto”). Demonstra capacidade no controlo dos cruzamentos.

Comportamental e Psicológica
Predisposto para trabalhar, mas a sua falta de comunicação leva-nos a pensar que exista
pouca motivação intrínseca para a tarefa. Demonstra alguma falta de confiança e um perfil
pouco interventivo com o grupo de trabalho.

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VITÓRIA FUTEBOL CLUBE
DEPARTAMENTO DE FUTEBOL DE FORMAÇÃO

Relatório Individual - GR

Nome GR2 Nascido em 1999 Nacionalidade Português


Posição Preferencial Guarda-redes Posição Secundária ----------

Altura 1,87 Morfologia Ectomorfo Pé Dominante Direito

Peso 72

Avaliação Quantitativa (1-fraco; 5 – excelente)


Saída da baliza 4
Controlo de cruzamentos 2
Atitude Competitiva 4
Leitura Jogo 2
Disciplina 2
Jogo de pés 2
Comunicação 3

Avaliação Qualitativa

Antropométrica e Fisiológica
Como guarda-redes, o jogador com os melhores requisitos físicos pedidos (pela
maioria) para esta posição, rápido, alto e fisicamente forte.

Tático - Técnica
Pela falta de treino específico, anteriormente recebido, revela muitas lacunas no
posicionamento, quer a nível espacial como na colocação dos apoios defensivos. Nem sempre
toma as melhores decisões.

Comportamental e Psicológica
Alegre e com disponibilidade para aprender e trabalhar, sendo um jogador de segundo ano e
com contrato de formação sente que a sua influência tem baixado no grupo (nunca foi
chamado à equipa sénior ao contrário do GR1) e consequentemente motivação baixa
também.

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VITÓRIA FUTEBOL CLUBE
DEPARTAMENTO DE FUTEBOL DE FORMAÇÃO

Relatório Individual

Nome DD1 Nascido em 1999 Nacionalidade Português


Posição Preferencial Defesa Direito Posição Secundária Defesa esquerdo

Altura 1,78 Morfologia Ectomorfo Pé Dominante Direito

Peso 70

Avaliação Quantitativa (1-fraco; 5 – excelente)


Velocidade Deslocamento 4
Força 4
Atitude Competitiva 3
Leitura Jogo 4
Disciplina 4
Capacidade Execução 5
Velocidade Execução 4

Avaliação Qualitativa

Antropométrica e Fisiológica
Agressivo, rápido, ágil e com grande capacidade de resistência, fazendo com relativa
facilidade o seu corredor vezes sem conta.

Tático - Técnica
Muito competente nas tarefas ofensivas, mas demonstra algumas debilidades no
posicionamento com a restante linha defensiva. Sendo um jogador com valências cognitivas
poderá melhorar o seu jogo nesse sentido. Tendo facilidade técnica em ambos os pés
(multilateralidade) consegue dar ao jogo soluções no jogo interior como no jogo exterior.

Comportamental e Psicológica
Exemplar no treino, mas na competição demonstra alguma ansiedade competitiva. Por
vezes entra numa espiral negativa, e toda as seguintes ações correm-lhe.

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VITÓRIA FUTEBOL CLUBE
DEPARTAMENTO DE FUTEBOL DE FORMAÇÃO

Relatório Individual

Nome DD2 Nascido em 2000 Nacionalidade Português


Posição Preferencial Defesa direito Posição Secundária Médio Direito

Altura 1,69 Morfologia Ectomorfo Pé Dominante Direito

Peso 59

Avaliação Quantitativa (1-fraco; 5 – excelente)


Velocidade Deslocamento 5
Força 2
Atitude Competitiva 3
Leitura Jogo 3
Disciplina 5
Capacidade Execução 4
Velocidade Execução 4

Avaliação Qualitativa

Tático - Técnica
Grande qualidade nos cruzamentos, tem facilidade em chegar ao último terço devido à sua
velocidade. Denota-se muitas vezes falta de qualidade nas suas decisões. Sendo de primeiro
ano caso seja estimulado a tomar melhores decisões é um jogador competente.

Antropométrica e Fisiológica
Jogador Baixo, mas muito rápido sem bola.

Comportamental e Psicológica
Introvertido, mas com boa resposta seja em treino seja em competição. Não tem por hábito
desistir quando as coisas não lhe correm bem. No entanto tem tido poucas oportunidades mas
continua a trabalhar como sempre(motivação intrínseca).

31
VITÓRIA FUTEBOL CLUBE
DEPARTAMENTO DE FUTEBOL DE FORMAÇÃO

Relatório Individual

Nome DC2 Nascido em 2000 Nacionalidade Português


Posição Preferencial Defesa-central Posição Secundária -----------

Altura 1,86 Morfologia Ectomorfo Pé Dominante Direito

Peso 73

Avaliação Quantitativa (1-fraco; 5 – excelente)


Velocidade Deslocamento 3
Força 4
Atitude Competitiva 4
Leitura Jogo 2
Disciplina 4
Capacidade Execução 3
Velocidade Execução 2

Avaliação Qualitativa

Antropométrica e Fisiológica
Jogador muito forte nos duelos individuais, tendo muitas vezes sucesso nessas acções. Não é
um jogador rápido mas também não podemos avaliar como lento.

Tático - Técnica
Devido ao sucesso nos duelos individuais procura muitas vezes essa abordagem o que nem sempre
é preveitoso para a equipa/jogo. Na construção revela muitas dificuldades, tentanto jogar sempre
longo para esconder essa debilidade, no aspecto defensivo tem muitos erros nos apoios defensivos
( muitas das vezes paralelos)

Comportamental e Psicológica
Lida mal com a frustração, quando a realidade não é o expectável para ele,chora. No
entanto demonstra uma capacidade competitiva muito boa.

32
VITÓRIA FUTEBOL CLUBE
DEPARTAMENTO DE FUTEBOL DE FORMAÇÃO

Relatório Individual

Nome DC1 Nascido em 2000 Nacionalidade Português


Posição Preferencial Defesa-central Posição Secundária ----------

Altura 1,90 Morfologia Ectomorfo Pé Dominante Direito

Peso 73

Avaliação Quantitativa (1-fraco; 5 – excelente)


Velocidade Deslocamento 4
Força 5
Atitude Competitiva 4
Leitura Jogo 1
Disciplina 4
Capacidade Execução 1
Velocidade Execução 1

Avaliação Qualitativa

Antropométrica e Fisiológica
Faz das suas capacidades físicas a sua referência. Usando o seu físico para resolver quase
todas as contrariedades apresentadas pelo jogo.

Tático - Técnica
Revela muitas dificuldades no posicionamento, devido a falta de conhecimento do jogo.
É facilmente batido por contextos mais complexos que os adversários apresentem.

Comportamental e Psicológica
Dificuldade em perceber os exercícios em treinos e incapacidade de resolver a aleatoriedade.
Introvertido.

33
VITÓRIA FUTEBOL CLUBE
DEPARTAMENTO DE FUTEBOL DE FORMAÇÃO

Relatório Individual

Nome DC3 Nascido em 1999 Nacionalidade Português


Posição Preferencial Defesa-Central Posição Secundária Médio Defensivo

Altura 1,80 Morfologia Ectomorfo Pé Dominante esquerdo

Peso 70

Avaliação Quantitativa (1-fraco; 5 – excelente)


Velocidade Deslocamento 2
Força 2
Atitude Competitiva 3
Leitura Jogo 4
Disciplina 4
Capacidade Execução 3
Velocidade Execução 3

Avaliação Qualitativa

Antropométrica e Fisiológica
Jogador não muito alto para o estilo de jogo que a equipa preconiza. Perde muitos dos duelos
físicos , no entanto tenta arranjar outro tipo de soluções. Lento no deslocamento.

Tático - Técnica
A compreensão do jogo ajuda-o nas decisões tomadas em jogo, no entanto procura resolver
os problemas apresentados sem recorrer aos duelos físicos o que na nossa equipa é contra
aquilo que se pensa/exige. Sendo canhoto entrega mais capacidade na primeira fase de
construção à equipa

Comportamental e Psicológica
Não tendo muitas oportunidades para jogar demonstra alguma falta de confiança e motivação.
Mantendo o seu comportamento exemplar, tem sido um dos capitães das equipas de formação
do vitoria fc .

34
VITÓRIA FUTEBOL CLUBE
DEPARTAMENTO DE FUTEBOL DE FORMAÇÃO
Relatório Individual

Nome DC4 Nascido em 2000 Nacionalidade Brasileiro


Posição Preferencial Defesa-Central Posição Secundária ----------

Altura 1,83 Morfologia Ectomorfo Pé Dominante Direito

Peso 70

Avaliação Quantitativa (1-fraco; 5 – excelente)


Velocidade Deslocamento 2
Força 2
Atitude Competitiva 2
Leitura Jogo 2
Disciplina 2
Capacidade Execução 2
Velocidade Execução 2

Avaliação Qualitativa

Antropométrica e Fisiológica
Para defesa-central e com o nosso estilo de jogo não é alto. Tem sido presença assídua no
posto médico com várias lesões musculares.

Tático - Técnica
Débil na colocação dos apoios defensivos , e fraco sentido posicional. Muitas das vezes fora
das suas zonas de acção, o que revela fraco conhecimento do jogo.

Comportamental e Psicológica
Desiste facilmente e demonstra pouca capacidade de foco nas tarefas.

35
VITÓRIA FUTEBOL CLUBE
DEPARTAMENTO DE FUTEBOL DE FORMAÇÃO

Relatório Individual

Nome DE1 Nascido em 2000 Nacionalidade Português


Posição Preferencial Defesa-esquerdo Posição Secundária Médio Esquerdo

Altura 1,84 Morfologia Ectomorfo Pé Dominante Esquerdo

Peso 73

Avaliação Quantitativa (1-fraco; 5 – excelente)


Velocidade Deslocamento 2
Força 4
Atitude Competitiva 2
Leitura Jogo 2
Disciplina 3
Capacidade Execução 3
Velocidade Execução 2

Avaliação Qualitativa

Antropométrica e Fisiológica
Pé dominante o esquerdo. Não sendo um jogador rápido utiliza muitas das vezes o seu porte
físico para vencer os duelos individuais.

Tático - Técnica
Boa capacidade de cruzamento no último terço do campo, mas sem grande conhecimento dos
momentos do jogo. Sendo um jogador de primeiro ano tem margem de progressão para um
melhor entendimento dos terrenos que pisa, com e sem bola.

Comportamental e Psicológica
Pouca resiliência e com pouca capacidade de ouvir o feedback. Achando que nunca erra , fica
aquém daquilo que poderia render caso gostasse de aprender.

36
VITÓRIA FUTEBOL CLUBE
DEPARTAMENTO DE FUTEBOL DE FORMAÇÃO
Relatório Individual

Nome MDC1 Nascido em 2000 Nacionalidade Português


Posição Preferencial Médio Defensivo Posição Secundária Médio Interior

Altura 1,79 Morfologia Ectomorfo Pé Dominante Direito

Peso 70

Avaliação Quantitativa (1-fraco; 5 – excelente)


Velocidade Deslocamento 3
Força 3
Atitude Competitiva 5
Leitura Jogo 4
Disciplina 5
Capacidade Execução 4
Velocidade Execução 4

Avaliação Qualitativa

Antropométrica e Fisiológica
Não sendo um jogador muito alto, procura resolver os problemas de outra forma. Boa
capacidade na gestão do esforço, não se fazendo notar um decréscimo acentuado no seu
rendimento no jogo.

Tático - Técnica
Sem dúvida um dos nossos melhores jogadores , com um conhecimento do jogo acima da
média ,procura estar sempre bem posicionado de forma a conseguir ter sucesso nas suas ações
defensivas e ofensivas.

Comportamental e Psicológica
Um exemplo dentro do grupo. Aceita cada desafio com seriedade e empenho tentando( e
conseguindo ) esconder a ansiedade competitiva. Grande controlo emocional , é altamente
competitivo. Líder.

37
VITÓRIA FUTEBOL CLUBE
DEPARTAMENTO DE FUTEBOL DE FORMAÇÃO

Relatório Individual

Nome MDC2 Nascido em 1999 Nacionalidade Haitiano


Posição Preferencial Médio Defensivo Posição Secundária Médio Interior

Altura 1,82 Morfologia Ectomorfo Pé Dominante Direito

Peso 71

Avaliação Quantitativa (1-fraco; 5 – excelente)


Velocidade Deslocamento 3
Força 4
Atitude Competitiva 3
Leitura Jogo 2
Disciplina 2
Capacidade Execução 2
Velocidade Execução 2

Avaliação Qualitativa

Antropométrica e Fisiológica
Faz da força a sua maior valência para resolver os problemas do jogo, ao contrário do nosso
outro médio defensivo é um jogador que procura muito o contacto pois sabe que é onde pode
ter sucesso.

Tático - Técnica
Pela falta de compreensão do português revela muitas dificuldades em conseguir entender as
suas zonas de acção e as missões que lhe são pedidas. No entanto com a extensa repetição dos
exercícios poderia não entender mas copiar visto que a repetição é constante.

Comportamental e Psicológica
Comportamento problemático, criador de conflitos no grupo de trabalho e com pouca
capacidade de trabalho.

38
VITÓRIA FUTEBOL CLUBE
DEPARTAMENTO DE FUTEBOL DE FORMAÇÃO
Relatório Individual

Nome MC1 Nascido em 1999 Nacionalidade Português


Posição Preferencial Médio Centro Posição Secundária Médio Defensivo

Altura 1,80 Morfologia Ectomorfo Pé Dominante Direito

Peso 73

Avaliação Quantitativa (1-fraco; 5 – excelente)


Velocidade Deslocamento 3
Força 4
Atitude Competitiva 4
Leitura Jogo 2
Disciplina 4
Capacidade Execução 3
Velocidade Execução 2

Avaliação Qualitativa

Antropométrica e Fisiológica
Forte e com boa capacidade aeróbia .

Tático - Técnica
Jogador pouco versátil, no entanto competente . Compreende rápido o que lhe é pedido a
nível posicional e cumpre.

Comportamental e Psicológica
Boa capacidade de ouvir o feedback, denota-se alta capacidade de resiliência . Assume o erro
e tem uma atitude muito competitiva. Muito focado na tarefa no dia a dia.

39
VITÓRIA FUTEBOL CLUBE
DEPARTAMENTO DE FUTEBOL DE FORMAÇÃO

Relatório Individual

Nome MOC1 Nascido em 2000 Nacionalidade Português


Posição Preferencial Médio Ofensivo Posição Secundária Médio Interior

Altura 1,78 Morfologia Ectomorfo Pé Dominante Direito

Peso 69

Avaliação Quantitativa (1-fraco; 5 – excelente)


Velocidade Deslocamento 3
Força 3
Atitude Competitiva 4
Leitura Jogo 5
Disciplina 5
Capacidade Execução 5
Velocidade Execução 5

Avaliação Qualitativa

Antropométrica e Fisiológica
Consequência de uma lesão no ombro percebe-se um mecanismo de defesa na sua marcha.
No entanto nada impeditivo no seu alto rendimento no jogo. Com 1,78cm não faz do físico a
sua valência para resolver os problemas.

Tático - Técnica
Não se limita a fazer o que lhe é pedido, encontra soluções para os problemas de forma
extremamente criativa. O seu leque de opções técnicas é visível mas a sua tomada de
decisão é muito acima da média, sendo o principal responsável , muitas das vezes, de
desbloquear os jogos. A sua capacidade de jogar dentro do bloco adversário é notória.

Comportamental e Psicológica
Sereno e com bom índice de trabalho. Focado na tarefa e com a motivação intrínseca que
alimenta o sonho de chegar a jogador profissional.
Auto-determinado.

40
VITÓRIA FUTEBOL CLUBE
DEPARTAMENTO DE FUTEBOL DE FORMAÇÃO
Relatório Individual

Nome MC2 Nascido em 1999 Nacionalidade Português


Posição Preferencial Médio Interior Posição Secundária Médio Ofensivo

Altura 1,79 Morfologia Ectomorfo Pé Dominante Direito

Peso 69

Avaliação Quantitativa (1-fraco; 5 – excelente)


Velocidade Deslocamento 2
Força 2
Atitude Competitiva 3
Leitura Jogo 4
Disciplina 4
Capacidade Execução 4
Velocidade Execução 4

Avaliação Qualitativa

Antropométrica e Fisiológica
Após vir de uma lesão ( Rotura Ligamento cruzado anterior (LCA) ) demonstra algumas
limitações, por proteção. No entanto com o decorrer da época a marcha começa a normalizar
não deixando de por vezes ter comportamentos defensivos involuntários .

Tático - Técnica
Tendo uma boa compreensão do jogo , consegue jogar dentro do bloco adversário, no entanto
não é muito criativo . Com boa capacidade de passe curto e longo esta é a sua maior valência
.

Comportamental e Psicológica
Boa capacidade de superação, recuperou da lesão provando a todos que poderia ser titular no
Vitória FC. Personalidade forte.

41
VITÓRIA FUTEBOL CLUBE
DEPARTAMENTO DE FUTEBOL DE FORMAÇÃO

Relatório Individual

Nome MC3 Nascido em 2000 Nacionalidade Português


Posição Preferencial Médio Interior Posição Secundária Defesa Esquerdo

Altura 1,69 Morfologia Ectomorfo Pé Dominante Direito

Peso 66

Avaliação Quantitativa (1-fraco; 5 – excelente)


Velocidade Deslocamento 4
Força 3
Atitude Competitiva 3
Leitura Jogo 3
Disciplina 3
Capacidade Execução 3
Velocidade Execução 3

Avaliação Qualitativa

Antropométrica e Fisiológica
Jogador baixo e rápido no deslocamento

Tático - Técnica
Jogador mais versátil do plantel, bom entendimento do jogo.

Comportamental e Psicológica
Resiliente e muito auto-determinado.

42
VITÓRIA FUTEBOL CLUBE
DEPARTAMENTO DE FUTEBOL DE FORMAÇÃO
Relatório Individual

Nome EXT2 Nascido em 1999 Nacionalidade Português


Posição Preferencial Extremo Posição Secundária Médio Ofensivo

Altura 1,72 Morfologia Ectomorfo Pé Dominante Direito

Peso 68

Avaliação Quantitativa (1-fraco; 5 – excelente)


Velocidade Deslocamento 4
Força 3
Atitude Competitiva 4
Leitura Jogo 4
Disciplina 4
Capacidade Execução 4
Velocidade Execução 4

Avaliação Qualitativa

Antropométrica e Fisiológica
Jogador com baixo centro de gravidade. Velocidade de deslocamento considerável.

Tático - Técnica
Com alto conhecimento dos momentos do jogo, forte no 1x1. Toma boas decisões

Comportamental e Psicológica
Focado na tarefa, demonstra capacidade de liderança

43
VITÓRIA FUTEBOL CLUBE
DEPARTAMENTO DE FUTEBOL DE FORMAÇÃO

Relatório Individual

Nome EXT3 Nascido em 1999 Nacionalidade Português


Posição Preferencial Extremo Posição Secundária Avançado

Altura 1,60 Morfologia Ectomorfo Pé Dominante Direito

Peso 60

Avaliação Quantitativa (1-fraco; 5 – excelente)


Velocidade Deslocamento 4
Força 2
Atitude Competitiva 3
Leitura Jogo 2
Disciplina 3
Capacidade Execução 2
Velocidade Execução 2

Avaliação Qualitativa

Antropométrica e Fisiológica
Baixo e com grande velocidade de deslocamento.

Tático - Técnica
Pouco conhecimento do jogo para um contexto de juniores nacional, procura muitas
vezes, por vezes sem ser a melhor opção, o 1x1

Comportamental e Psicológica
Não sabe gerir a frustração. Pouco sentido de entreajuda.

44
VITÓRIA FUTEBOL CLUBE
DEPARTAMENTO DE FUTEBOL DE FORMAÇÃO
Relatório Individual

Nome EXT1 Nascido em 1999 Nacionalidade Português


Posição Preferencial Extremo Posição Secundária Médio Ofensivo

Altura 1,62 Morfologia Ectomorfo Pé Dominante Direito

Peso 54

Avaliação Quantitativa (1-fraco; 5 – excelente)


Velocidade Deslocamento 5
Força 2
Atitude Competitiva 3
Leitura Jogo 4
Disciplina 4
Capacidade Execução 4
Velocidade Execução 4

Avaliação Qualitativa

Antropométrica e Fisiológica
Baixo e muita velocidade de deslocamento. Bastante agilidade.

Tático - Técnica
Boa leitura de jogo,bom no 1x1 , boa qualidade de passe. E mostra qualidade nos remates de
média e longa distância. Muita qualidade ao nível da finalização.

Comportamental e Psicológica
Pouca capacidade de trabalho e tenta contagiar os que o rodeiam para a brincadeira. Pouco
foco na tarefa

45
VITÓRIA FUTEBOL CLUBE
DEPARTAMENTO DE FUTEBOL DE FORMAÇÃO

Relatório Individual

Nome Ext4 Nascido em 1999 Nacionalidade Canadiano


Posição Preferencial Extremo Posição Secundária Avançado

Altura 1,67 Morfologia Ectomorfo Pé Dominante Direito

Peso 58

Avaliação Quantitativa (1-fraco; 5 – excelente)


Velocidade Deslocamento 5
Força 2
Atitude Competitiva 4
Leitura Jogo 2
Disciplina 2
Capacidade Execução 3
Velocidade Execução 3

Avaliação Qualitativa

Antropométrica e Fisiológica
Dos jogadores mais rápido do plantel, embora seja pequeno tem bom poder de elevação

Tático - Técnica
Pouco conhecimento do jogo e como tem dificuldade na língua portuguesa não consegue
perceber o jogo.

Comportamental e Psicológica
Pouco expressivo e introvertido. Resiliente e focado na tarefa

46
VITÓRIA FUTEBOL CLUBE
DEPARTAMENTO DE FUTEBOL DE FORMAÇÃO
Relatório Individual

Nome AV1 Nascido em 2000 Nacionalidade Português


Posição Preferencial Avançado Posição Secundária Extremo

Altura 1,75 Morfologia Ectomorfo Pé Dominante Direito

Peso 68

Avaliação Quantitativa (1-fraco; 5 – excelente)


Velocidade Deslocamento 3
Força 3
Atitude Competitiva 5
Leitura Jogo 3
Disciplina 4
Capacidade Execução 4
Velocidade Execução 4

Avaliação Qualitativa

Antropométrica e Fisiológica
Relativamente baixo. Alguma velocidade de deslocamento.

Tático - Técnica
Competente e com capacidade para tomar melhores decisões caso seja estimulado para tal.

Comportamental e Psicológica
Bom índice de trabalho. Focado na tarefa e muito competitivo

47
VITÓRIA FUTEBOL CLUBE
DEPARTAMENTO DE FUTEBOL DE FORMAÇÃO

Relatório Individual

Nome AV2 Nascido em 1999 Nacionalidade Guiniense


Posição Preferencial Avançado Posição Secundária ----------------

Altura 1,92 Morfologia Ectomorfo Pé Dominante Direito

Peso 75

Avaliação Quantitativa (1-fraco; 5 – excelente)


Velocidade Deslocamento 2
Força 2
Atitude Competitiva 1
Leitura Jogo 3
Disciplina 3
Capacidade Execução 3
Velocidade Execução 3

Avaliação Qualitativa

Antropométrica e Fisiológica
Alto e com boa capacidade de salto

Tático - Técnica
Boa capacidade para jogar de costas servindo de apoio frontal, nem sempre toma as
melhores opções pela sua falta de formação e consequente conhecimento do jogo.

Comportamental e Psicológica
Pouco competitivo, pouco focado e sem espíritoto de sacrificio

48
3.1.2 Análise “Micro Enquadrada no Macro”

A análise “micro enquadrada no macro”, mais não é do que a identificação de algumas


características individuais e/ou grupais que alguns jogadores aportam ao processo coletivo, no
fundo, o inopinado, aquilo que aparece sem que haja intervenção direcionada ao nível do
pormenor.
Portanto, a destacar as seguintes características:
- Qualidade individual acima da média do campeonato da maioria dos elementos do plantel
- Diferentes estilos de jogadores para cada posição, que nos oferece uma variabilidade de
soluções bastante interessante para os diferentes contextos de jogo.
- Sector Intermédio com qualidade superior ao nível da resolução dos problemas que o jogo
origina
- Laterais com grande qualidade ofensiva e defensiva
- 2 jogadores no plantel (internacionais pela seleção nacional), que individualmente
conseguem resolver grande parte dos jogos disputados

3.1.3 Análise Coletiva – Pontos Fortes

Em relação aos aspectos mais de características meso e macro, podemos referir:


- A qualidade da equipa na manutenção da posse de bola torna-se fácil devido à
qualidade decisional da maioria dos jogadores;
- Boa capacidade de defender e atacar no que aos esquemas táticos diz respeito, devido à
altura de alguns elementos e à qualidade técnica de outros;
- Índice de trabalho acrescido pela motivação de subir à equipa sénior;
- Jogadores com grande capacidade de apreensão e aprendizagem dos
exercícios/contextos de exercitação

3.1.4 Análise Coletiva – Pontos Fracos

- Equipa com algum desgaste mental e físico/periférico devido à intensa carga de treino
durante o periodo preparatório, a motivação para a tarefa nem sempre é a melhor.
- Alguma dificuldade dos defesas centrais na 1ª fase de construção
- Mecanização de movimentos/jogadas, retirando o jogo interior da equipa, quando poderia
ser um ponto forte dada a grande qualidade de jogadores no sector intermédio.

49
3.2 Análise Metodológica e Conceptual
3.2.1 Objetivos Período Preparatório

O período preparatório, como supramencionado, foi inteiramente planeado e pensado pelo


treinador principal da equipa. Este planeamento foi apresentado à equipa técnica na reunião
inicial de 26/6/2017, sendo que a nomenclatura exposta abaixo, foi aquela que nos foi
apresentada e aquela com a qual diariamente jogadores e equipa técnica convivem.

1º microciclo
O primeiro microciclo tinha como objetivo a observação e analise dos jogadores que se
encontravam no clube e que se encontravam fora do clube (captações) com vista a estruturar e
edificar o plantel para a época que se avizinhava.

2º microciclo
O objetivo deste microciclo era o aumento da capacidade aeróbia dos jogadores. Também
neste microciclo realizaram-se as medições e os testes físicos com vista à obtenção do maior
número de informações àcerca dos jogadores.

3º microciclo
O principal objetivo deste microciclo foi potenciar os índices de “força”, tendo em conta este
objetivo realizaram-se imensos circuitos de força e fomos presença assídua na praia de
Albarquel.

4º microciclo
Neste microciclo o objetivo traçado era “tático”, portanto aqui existiu um grande aumento de
volume das sessões de treino, onde se realizaram e repetiram algumas circulações táticas
ofensivas, assim como corridas táticas defensivas.

5º microciclo
Nesta semana, o objetivo voltou a ser “tático” e, portanto, a semana teve uma
estrutura e configuração semelhante à anterior.

6º microciclo

Redução do volume de treino para cerca de 2h-2h30, com o objetivo prioritário de treinar
a “velocidade”. Tendo em conta este objetivo realizaram-se ao longo da semana algumas
ações descontextualizadas de velocidade.

50
7º microciclo
Embora este microciclo seja o microciclo que antecede a competição, foi pensado e planeado
como mais um microciclo de período preparatório, tendo como principal objetivo a
“velocidade de reação”, tendo em conta este objetivo, durante a semana, realizaram-se
exercícios em que tinham de reagir a vários estímulos.

3.2.2 Análise: Microciclos Período Preparatório

1º Microciclo 03/07/2017 a 09/07/2017


Neste primeiro microciclo existiram 5 unidades de treino (2ª feira,3ª feira, 4ª feira, 5ª feira e
6ª feira) e duas folgas (Sábado e Domingo).

Este microciclo tinha como objetivo fundamental a observação e análise dos jogadores. Nesta
semana, em função da medíocre e tardia preparação da época desportiva, vimo-nos obrigados a
começar mais cedo, abrindo nesta semana uma espécie de “captações abertas” a qualquer
jogador que quisesse ir treinar ao clube. Durante esta semana as unidades de treino foram
sempre iguais. Na parte inicial das UT’s, começávamos com uma sessão de alongamentos
estáticos – 5’, seguindo-se um momento de corrida continua – 20’ (5’ lentos; 15’ com um
aumento de intensidade), terminando com meínhos – 10’. Na parte fundamental do treino, dava-
se apenas a realização de jogo formal (jogos de 20’ cada), para observação de todos os
jogadores. O tempo total da sessão de treino variava em função dos jogadores que compareciam
ao mesmo. Neste microciclo, cumpriu-se grande parte do seu objetivo primário, que era definir
um plantel. Não ficou definido neste microciclo, no entanto, em 55 jogadores que
compareceram aos treinos nos mais diversos dias, escolhemos 29 deles, para dar seguimento ao
processo.

2º Microciclo 10/07/2017 a 16/07/2017


Este microciclo teve 7 unidades de treino (2ª feira,3ª feira, 4ª feira, 5ª feira e 6ª feira), sendo que
existiram treinos bi-diários na 3ª feira e 5ª feira. Também na 2ª feira durante toda a tarde
realizaram-se os testes físicos e respetivas medições. No sábado realizámos o primeiro jogo do
período preparatório, frente aos Juvenis Sub-17 do clube. No domingo deu-se a folga semanal.

51
O objetivo deste microciclo era o aumento da “capacidade aeróbia” dos jogadores. Em relação
aos testes físicos e medições realizados na 2ª feira da parte da tarde, os mesmos centraram-se
em medir a altura dos jogadores, pesagem numa balança de bioimpedância, o teste de
flexibilidade “sit and reach”, o teste de velocidade em 10, 20 e 30 metros de distância e o teste
de agilidade, “teste T”.
Nos dias de treinos bi-diários, na parte da manhã, a equipa deslocou-se à mata de São Paulo em
Setúbal, onde realizava após uma pequena ativação, corrida continua (estilo maratona, para ver
quem chegava primeiro) durante 30’, seguido de um circuito com dois troncos de árvores, de
diferente tamanho, onde os jogadores tinham de saltar para e/ou sobre esses troncos (2x8
repetições), seguido de 2x20 repetições de “pull ups”, seguido de várias séries, de diferentes
tipos de abdominais, totalizando as 400 repetições, e terminando com mais 100 repetições de
“push ups” com os membros inferiores em cima de uma mesa. À tarde, os treinos foram iguais
em ambos os dias, sendo que na parte inicial realizaram-se alongamentos estáticos por 10’,
meínhos 15’ e mobilização geral 10’, seguindo-se na parte fundamental apenas circulações
táticas ofensivas durante 30’.
Nos restantes dias do microciclo, as unidades de treino foram sempre idênticas, começando
sempre com alongamentos estáticos por 5’, corrida continua 20’ (5’ lento e 15’ com uma
intensidade elevada) , seguindo-se na parte fundamental, um exercício de passe durante 15’,
depois exercício de “posse e pressão “ com diferentes relações numéricas e terminando com o
jogo das 3 equipas.
Fazendo uma reflexão da semana, parece-nos que os objetivos não foram alcançados, desde logo
pelas reações ao longo da semana, fazendo crer que os jogadores, na sua maioria, não
acreditavam neste tipo de opções metodológicas. Pareceu também que no final do microciclo os
jogadores encontravam-se com níveis de fadiga bastante elevados, sendo que os feedbacks que
nos foram passando aqui e ali levavam a crer nessa ideia.

3º Microciclo 17/07/2017 a 23/07/2017

Este microciclo teve 7 unidades de treino (2ª feira,3ª feira, 4ª feira, 5ª feira e 6ª feira), sendo
que existiram treinos bi-diários na 3ª feira e 5ª feira. No sábado realizámos o segundo jogo do
período preparatório, frente ao Pêro Pinheiro. No domingo deu-se a folga semanal.

Este microciclo tinha como objetivo o desenvolvimento dos níveis de “Força”.


Nos dias de treinos bi-diários, na parte da manhã, a equipa deslocou-se à praia de Albarquel,
onde realizou corrida continua de 20’ a uma intensidade média/alta (com

52
castigo para quem não conseguia acompanhar o grupo), seguido de 2x10 repetições
de multisaltos unipedais, com distancias entre 2 metros e 4 metros cada salto, seguido de uma
estação de deslocamentos laterais com travagens e arranques 12x1’ com uma densidade de 1/2
(desempenho/recuperação), seguindo-se uma estação de pliometria/força reativa com barreiras
4x6 repetições, e terminando com 4 saídas em velocidade de 15 metros e 4 de 30 metros a subir
encosta acima.
Na parte da tarde, já no campo, os treinos em ambos os dias foram, parte inicial: alongamentos
estáticos 10’, meínhos 15’, corrida tática defensiva e circulações táticas ofensivas 40’(20’+20’).
Nos restantes dias, a parte inicial dividiu-se em: alongamentos estáticos 5’, corrida continua
10’ (2’+8’), circuito de força dos membros inferiores 15’. Parte Fundamental: jogos de posse
com superioridade, com diferentes relações numéricas 20’, Jogo condicionado com corredores
de forma promover o jogo exterior 20’.
No final do microciclo, ficou claro que este não foi profícuo no alcance dos seus objetivos.
Sentimos cada vez mais um desgaste a todos os níveis por parte dos jogadores, em relação às
opções a nível metodológico, assim como um claro aumento dos níveis de fadiga dos mesmos.
Também durante e no final da semana, começaram a aparecer as primeiras lesões por parte dos
jogadores.

4º Microciclo 24/07/2017 a 30/07/2017

Este microciclo teve 6 unidades de treino (2ª feira,3ª feira, 5ª feira e 6ª feira), sendo que
existiram, a imagem das semanas anteriores, treinos bi-diários na 3ª feira e 5ª feira. Na 4ª feira
realizámos o terceiro jogo do período preparatório, frente ao Moura, e no sábado realizámos
outro jogo treino frente ao Vendas Novas. No domingo deu-se a folga semanal.
O objetivo deste microciclo era o desenvolvimento “tático”. Nesta semana deu-se um aumento
significativo do volume das unidades de treino, sendo que cada uma destas (dos treinos
realizados de manhã) teve uma duração entre 2h30’ e 3h30’. Durante toda a semana os treinos
realizados de manhã, tiveram a seguinte configuração:
Parte Inicial: alongamentos estáticos 5’; corrida continua 10’ (2’lentos+8’ maior intensidade);
exercício de passe 15’ ; Jogos de Posse e Jogos condicionados com diferentes relações
numéricas, por ex:10x10;12x12;14x14. ; Terminando sempre com situação de jogo formal. Nos
treinos da tarde (bi-diários), estes baseavam-se muito na repetição das Circulações táticas
ofensivas de 10xGR, feitas até então à data.
À semelhança do microciclo anterior, também neste voltaram a surgir mais alguns casos
de lesão. Pareceu-nos também que os jogadores

53
relevante. Refletindo também sobre o “jogar” da equipa, ficava para nós evidente que os
jogadores não tinham princípios comuns enquanto equipa, mas sim, tinham algumas
movimentações repetidas várias vezes, decoradas, evidenciando um jogo decorado.

5º Microciclo 31/07/2017 a 06/08/2017

Este microciclo foi igual ao anterior, o objetivo era o mesmo, “tático”. Alteraram apenas os
jogos treino, sendo que na 4f jogamos frente aos Séniores do clube, e no sábado defrontamos os
Juniores Sub-19 do Sporting de Pombal.
A escolha pelos jogos, serviu essencialmente para tentar elevar os níveis emocionais/anímicos,
pelo facto de jogarem com jogadores profissionais e pelo facto de terem um adversário bastante
mais débil, que permitiria na teoria um jogo com mais situações de sucesso.
No final da semana, entendemos que o objetivo acabou por não ser cumprido, sendo que
tivemos a infeliz noticia de que 3 jogadores, com os quais contávamos para a época oficial,
acabaram por querer sair da equipa, alegando não estarem satisfeitos e felizes naquele
contexto.

6º Microciclo 07/08/2017 a 13/08/2017

Este microciclo teve 6 unidades de treino (2ª feira,3ª feira, 5ª feira e 6ª feira), sendo que
existiram, a imagem das semanas anteriores, treinos bi-diários na 3ª feira e 5ª feira. Na 4ª feira
realizámos jogo treino frente aos Juniores Sub-19 do Pinhalnovense, e no sábado realizámos
outro jogo treino frente ao Palmelense. No domingo deu-se a folga semanal.
O objetivo designado para este microciclo de acordo com o planeamento efetuado era a
“velocidade” e a finalização. Importa referir, que houve uma diminuição do volume/duração
total das unidades de treino, passando nesta semana, para durações de cerca de 2h.
Nos dias com apenas um treino, este estruturava-se da seguinte forma. Parte Inicial:
alongamentos estáticos 5’; corrida continua (5’+5’ maior intensidade); Exercício de passe 15’.
Parte Fundamental: Vagas (2x1+GR e 3x2+GR) e/ou “vai e vem” com finalização. Exercício de
1xGR c/ 1 a perseguir, em distancias que variavam entre 40 e

54
60 metros; Jogo das 3 equipas. Nos treinos à tarde (bi-diários), estes voltavam a ter
enfâse na repetição das circulações táticas ofensivas realizadas ao longo do período
preparatório, até à data.
Embora em alguns momentos das sessões de treino, o padrão de contração muscular, assim
como o aparecimento de alguns exercícios com mais finalização, pudessem indicar que
estaríamos a seguir os objetivos planeados, em nosso entender, ficou mais uma vez patente o
grande desgaste ao qual os jogadores estavam a ser expostos durante este período preparatório,
evidenciando de forma clara que a aquisição de um jogar concreto e de qualidade, não estava a
ser atingido. Também nesta semana voltaram a surgir novas lesões, e a ressurgir lesões de
jogadores que tinham voltado à poucos dias a integrar as sessões de treino.

7º Microciclo 14/08/2017 a 20/08/2017

Este microciclo teve 7 unidades de treino (2ª feira,3ª feira, 4ª feira, 5ª feira e 6ª feira), sendo que
existiram, a imagem das semanas anteriores, treinos bi-diários na 3ª feira e 5ª feira. No sábado
defrontámos o Cova da Piedade, jogo a contar para a 1ª Jornada do Campeonato Nacional de
Juniores A – 1ª Divisão – Zona Sul. No domingo foi o dia de folga.

Semana em que o objetivo traçado era a “velocidade de reação”. Durante a semana, nos treinos
matinais, introduzimos alguns exercícios sectoriais, jogos condicionados com corredores e
sectores, sendo que no ultimo treino, 6ª feira, o foco foram as bolas paradas defensivas e
ofensivas. Também nos treinos à tarde (bi-diários), para além das já habituais repetições das
circulações táticas ofensivas, houve a introdução de exercícios de “velocidade de reação”,
assim como das bolas paradas ofensivas e defensivas

55
3.2.3 Análise: Microciclos Período Competitivo

8º Microciclo a 12º Microciclo 21/08/2017 a 24/09/2017


Durante o período competitivo houve uma estabilização do microciclo, em que os treinos
eram idênticos de semana para semana, de forma a familiarizar os jogadores às semanas de
treino. Durante estas datas, acima descritas, o microciclo foi o abaixo apresentado.

 Domingo – Folga

 Segunda-feira: objetivo “recuperação /adaptação”


Parte Inicial:
- Alongamentos estáticos 5’
- Corrida continua 10’ ( lento para os que jogaram; maior intensidade para os que não
jogaram)
- Mobilidade geral 10’
Parte Fundamental:
Jogadores que jogaram
- Alongamentos 5’
- 4 saídas a meio campo a 80%
- Futvolei 25’
- Alongamentos 5’ Jogadores
que não jogaram
- Jogo de posse entre a grande área e o meio campo 15’
- Jogo reduzido 25’
- Alongamentos 5’

 Terça-feira: Objetivo “força”


Parte Inicial:
- Alongamentos 5’
- Prevenção de lesões 25’

Parte Fundamental:
- Circuito de força inferior (pliometria e suicídios com travagens e arranques) 15’
- Jogo de pressão com 3 equipas em espaço reduzido 25’
- Jogo 3 equipas na dimensão da grande área 20’

56
Parte final:
- Reforço muscular 10’
- Alongamentos 5’

 Quarta-feira : Objetivo “resistência”


Parte Inicial:
- Alongamentos estáticos 5’
- Mobilidade geral 10’
- Exercício de passe descontextualizado 15’
Parte fundamental:
- Posse de bola 3 equipas em meio campo(2Equi.x1Equi.) 25’
- “vai e vem” (3x3) 15’
- Jogo condicionado com 4 balizas 25’
Parte Final:
- Reforço Muscular 10’
- Alongamentos 5’

 Quinta-feira : Objetivo : Velocidade e Finalização


Parte Inicial :
- Alongamentos estáticos 5’
- Prevenção de lesões 20’
- Coordenação Motora 10’
Parte Fundamental:
- Velocidade com perseguição e finalização 15’
- Vagas (3x2+GR e 2x1+GR) 20’
- Circulações ofensivas 10xGR 30’
Parte Final:
- Alongamentos 5’
- Crioterapia

 Sexta-feira : Objetivo : velocidade de reação


Parte Inicial:
- Alongamentos estáticos 5’
- Meínhos recreativos 15’
- Mobilidade geral 10’

57
Parte Fundamental:
- Velocidade de reação com diferentes estímulos auditivos e visuais ( palma, bola no solo,
bola ao ar ) 10’
- Esquemas táticos ofensivos e defensivos 30’
Parte Final:
- Alongamentos 10’

13º Microciclo a 16º Microciclo 25/09/2017 a 22/10/2017

 Domingo – Folga

 Segunda-feira: objetivo “recuperação /adaptação”


Parte Inicial:
- Alongamentos estáticos 5’
- Corrida continua 10’ (lento para os que jogaram; maior intensidade para os que não
jogaram)
- Mobilidade geral 10’
Parte Fundamental:
Jogadores que jogaram
- Alongamentos 5’
- 4 saídas a meio campo a 80%
- Futvolei 25’
- Alongamentos 5’ Jogadores
que não jogaram
- Jogo de posse entre a grande área e o meio campo 15’
- Jogo reduzido 25’
- Alongamentos 5’

 Terça-feira: Objetivo “força”


Parte Inicial:
- Alongamentos 5’
- Prevenção de lesões 25’

Parte Fundamental:
- Circuito de força inferior a pares 15’
- Meínhos de Pressão 25’

58
- Jogo 3 equipas na dimensão da grande área 25’ Parte
final:
- Reforço muscular 10’
- Alongamentos 5’

 Quarta-feira: Objetivo “resistência”


Parte Inicial:
- Alongamentos estáticos 5’
- Mobilidade geral 10’
- Exercício de passe descontextualizado 15’
Parte fundamental:
- Posse de bola 3 equipas em meio campo(2Equi.x1Equi.) 25’
- Posse de bola com transição ofensiva 15’
- Jogo condicionado com 4 balizas 25’
Parte Final:
- Reforço Muscular 10’
- Alongamentos 5’

 Quinta-feira : Objetivo : Velocidade e Finalização


Parte Inicial :
- Alongamentos estáticos 5’
- Prevenção de lesões 20’
- Saídas de 8m com mudanças direção 10’
Parte Fundamental:
- Velocidade com perseguição e finalização 15’
- Circulações ofensivas 10xGR 35’
Parte Final:
- Alongamentos 5’
- Crioterapia

 Sexta-feira : Objetivo : velocidade de reação


Parte Inicial:
- Alongamentos estáticos 5’
- Meínhos recreativos 15’
- Mobilidade geral 10’

59
Parte Fundamental:
- Velocidade de reação com diferentes estímulos auditivos e visuais (palma, bola no solo,
bola ao ar ) 10’
- Esquemas táticos ofensivos e defensivos 30’
Parte Final:
- Alongamentos 10’

17º Microciclo a 20º Microciclo 23/10/2017 a 19/09/2017

 Domingo – Folga

 Segunda-feira: objetivo “recuperação /adaptação”


Parte Inicial:
- Alongamentos estáticos 5’
- Corrida continua 10’ (lento para os que jogaram; maior intensidade para os que não
jogaram)
- Mobilidade geral 10’
Parte Fundamental:
Jogadores que jogaram
- Alongamentos 5’
- 4 saídas a meio campo a 80%
- Futvolei 25’
- Alongamentos 5’ Jogadores
que não jogaram
- Jogo de posse entre a grande área e o meio campo 15’
- Jogo reduzido 25’
- Alongamentos 5’

 Terça-feira: Objetivo “força”


Parte Inicial:
- Alongamentos 5’
- Prevenção de lesões 25’

Parte Fundamental:
- 4 estações de força 20’
- Jogo pressão 2 equipas onde cada equipa deixa 2 jogadores na zona neutra (5x3) 25’

60
- Jogo 3 equipas na dimensão da grande área 25’ Parte
final:
- Reforço muscular 10’
- Alongamentos 5’

 Quarta-feira: Objetivo “resistência”


Parte Inicial:
- Alongamentos estáticos 5’
- Mobilidade geral 10’
- Meínhos de pressão 15’
Parte fundamental:
- Posse de bola 3 equipas em meio campo(2Equi.x1Equi.) 25’
- Posse de bola com transição ofensiva 15’
- Jogo condicionado com 4 balizas 25’
Parte Final:
- Reforço Muscular 10’
- Alongamentos 5’

 Quinta-feira : Objetivo : Velocidade e Finalização


Parte Inicial :
- Alongamentos estáticos 5’
- Prevenção de lesões 20’
- Saídas de 8m com mudanças direção 10’
Parte Fundamental:
- Velocidade com perseguição e finalização 15’
- Circulações ofensivas 10xGR 35’
Parte Final:
- Alongamentos 5’
- Crioterapia

 Sexta-feira : Objetivo : velocidade de reação


Parte Inicial:
- Alongamentos estáticos 5’
- Meínhos recreativos 15’
- Mobilidade geral 10’

61
Parte Fundamental:
- Velocidade de reação com diferentes estímulos auditivos e visuais (palma, bola no solo,
bola ao ar ) 10’
- Esquemas táticos ofensivos e defensivos 30’
Parte Final:
- Alongamentos 10’

21º Microciclo a 24º Microciclo 20/11/2017 a 17/12/2017

 Domingo – Folga

 Segunda-feira: objetivo “recuperação /adaptação”


Parte Inicial:
- Alongamentos estáticos 5’
- Corrida continua 10’ (lento para os que jogaram; maior intensidade para os que não
jogaram)
- Mobilidade geral 10’
Parte Fundamental:
Jogadores que jogaram
- Alongamentos 5’
- 4 saídas a meio campo a 80%
- Futvolei 25’
- Alongamentos 5’ Jogadores
que não jogaram
- Jogo de posse entre a grande área e o meio campo 15’
- Jogo reduzido 25’
- Alongamentos 5’

 Terça-feira: Objetivo “força”


Parte Inicial:
- Alongamentos 5’
- Prevenção de lesões 25’

Parte Fundamental:
- 4 estações de força 20’
- Jogo pressão 2 equipas com corredores área a área 25’
- Circulações Táticas Ofensivas 10xGR 20’

62
Parte final:
- Reforço muscular 10’
- Alongamentos 5’

 Quarta-feira: Objetivo “resistência”


Parte Inicial:
- Alongamentos estáticos 5’
- Mobilidade geral 10’
- Exercício de Passe em “Y” 15’
Parte fundamental:
- Posse de bola 3 equipas em meio campo(2Equi.x1Equi.) 25’
- Jogo condicionado com 4 balizas 25’
- Jogo Formal 20’
Parte Final:
- Reforço Muscular 10’
- Alongamentos estáticos 5’

 Quinta-feira: Objetivo : Velocidade e Finalização


Parte Inicial:
- Alongamentos estáticos 5’
- Prevenção de lesões 20’
- Saídas de 8m com mudanças direção 10’
Parte Fundamental:
- Velocidade com perseguição e finalização 15’
- Circulações ofensivas 10xGR 35’
- Livre (cada jogador escolhe o que faz) 10’
Parte Final:
- Alongamentos 5’
- Crioterapia

 Sexta-feira : Objetivo : velocidade de reação


Parte Inicial:
- Alongamentos estáticos 5’
- Meínhos recreativos 15’
- Mobilidade geral 10’

63
Parte Fundamental:
- Velocidade de reação com diferentes estímulos auditivos e visuais (palma, bola no solo,
bola ao ar) 10’
- Esquemas táticos ofensivos e defensivos 30’
Parte Final:
- Alongamentos 10’

25º Microciclo 18/12/2017 a 24/12/2017)

 Domingo – Folga

 Segunda-feira: objetivo “recuperação /adaptação”


Parte Inicial:
- Alongamentos estáticos 5’
- Corrida continua 10’ (lento para os que jogaram; maior intensidade para os que não
jogaram)
- Mobilidade geral 10’
Parte Fundamental:
Jogadores que jogaram
- Alongamentos 5’
- 4 saídas a meio campo a 80%
- Futvolei 25’
- Alongamentos 5’ Jogadores
que não jogaram
- Jogo de posse entre a grande área e o meio campo 15’
- Jogo reduzido 25’
- Alongamentos 5’

 Terça-feira: Objetivo “força”


Parte Inicial:
- Alongamentos 5’
- Prevenção de lesões 30’

Parte Fundamental:
- 5 estações de força 15’
- Jogo 2 equipas com corredores e setores área a área 25’
- Posse de bola 2 equipas com superioridade (4 apoios) 20’

64
Parte final:
- Reforço muscular 10’
- Alongamentos 5’

 Quarta-feira: Objetivo “resistência”


Parte Inicial:
- Alongamentos estáticos 5’
- Mobilidade geral 10’
- Exercício de Passe frente a frente 15’
Parte fundamental:
- Posse de bola com 2 jokers em meio campo 25’
- Jogo condicionado com 4 balizas 1/4 campo 25’
- Jogo Holandês 3 equipas (bola não pode ser passada para trás) 20’ Parte
Final:
- Reforço Muscular 10’
- Alongamentos estáticos 5’

 Quinta-feira: Objetivo: Velocidade e Finalização


Parte Inicial:
- Alongamentos estáticos 5’
- Prevenção de lesões 20’
- Coordenação com saídas 10’
Parte Fundamental:
- Velocidade com perseguição e finalização 15’
- Circulações ofensivas 10xGR 35’
- Livre (cada jogador escolhe o que faz) 10’
Parte Final:
- Alongamentos estáticos 5’
- Crioterapia

 Sexta-feira : Objetivo : velocidade de reação


Parte Inicial:
- Alongamentos estáticos 5’
- Meínhos recreativos 15’
- Mobilidade geral 10’

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Parte Fundamental:
- Velocidade de reação com estímulos numéricos 10’
- Esquemas táticos ofensivos e defensivos 30’
Parte Final:
- Alongamentos 10’

3.2.4 Análise: Jogos Período Competitivo

1ª Jornada 19/08/17

Cova da Piedade vs Vitória FC (1-0)

Primeira jornada do campeonato nacional, o Cova da Piedade apresentou-se numa estrutura de


1-5-3-2, enquanto que a nossa equipa apresentou-se numa estrutura de 1-4-3-3. O Cova da
Piedade preferiu não pressionar a nossa 1ª fase de construção, definindo um bloco medio/baixo,
definindo a pressão nos nossos laterais a partir do meio campo defensivo. Em transição
ofensiva, procuraram até à exaustão o passe vertical (normalmente pelo ar) à procura dos seus
avançados, que conseguiam segurar bastante bem a bola e esperar pelo apoio dos dois
interiores, que aparecendo de frente se tornavam algo perigosos pela sua capacidade de drible e
passe. Em organização ofensiva, não elaboraram demasiado o jogo, tentando explorar o jogo
direto. Em transição defensiva, mostraram-se algo fortes, pois aquando da perda, tinham
praticamente todos os jogadores atrás da linha da bola.

A nossa equipa controlou quase sempre o jogo com bola, fruto do espaço cedido pelo
adversário. Em organização ofensiva embora tivéssemos muita bola numa primeira fase, quase
nunca conseguimos ligar o jogo de forma consequente e variada, limitando-nos em grande
parte do tempo a tentar explorar o espaço (inexistente) nas costas dos laterias, com
movimentos diagonais dos nossos interiores. Em transição defensiva a equipa acabou por não
ter grandes dificuldades devido ao facto do jogo adversário, sem qualquer pressão, nos ter
“oferecido” a bola vezes sem conta, devido ao jogo quase sempre longo. Em transição ofensiva
a equipa sentiu dificuldades pois não conseguia sair para contra-ataque e ataque rápido, devido
à aglomeração de jogadores.

66
2ª Jornada 26/08/17

Vitória FC vs Real SC (2-1)

Segundo jogo para o nosso campeonato, primeiro jogo em casa, um campo com as
dimensões mínimas permitidas. O Real apresentou-se com um esquema de 1-4-3-3, onde nas
transições ofensivas o avançado era a referência para segurar a bola e lançar os extremos nos
corredores laterais de forma a promover o 1x1. Nós apresentamo-nos, como é hábito, no 1-4-4-
2 Losango com os nossos médios centros a procurarem o jogo interior, sendo que a largura é
dada pelos defesas laterais. O ataque à profundidade é feito pelos avançados, exceto quando
existe a troca posicional entre o avançado e um dos médios.
O Real desde o inicio deu a iniciativa do jogo ao Vitoria, deixando o bloco médio baixo, e
procurando o jogo direto e o ganho das segundas bolas, sendo uma equipa forte do ponte de
vista físico, causou nos instantes iniciais algumas dificuldades. Ao intervalo foi pedido aos
jogadores para evitar o contacto físico, sendo que a bola terá de circular com maior velocidade e
em jogo exterior. Foi pedido aos dois avançados para procurarem ganhar a 1ª bola, para depois
se jogar a partir desse momento. Nem sempre com sucesso. Os golos surgem em dois lances de
bola parada, um canto ofensivo ao segundo poste e de um livre direto à entrada da área.
O jogo termina com os primeiros três pontos para nós , mas num jogo nem sempre bem
jogado e as equipas a “sobreviverem” do talento individual de alguns jogadores.

3ª Jornada 10/09/17

Belenenses vs Vitória FC (1-1)

O Belenenses apresentou-se numa estrutura de 1-4-4-2 clássico, enquanto da nossa parte


mantivemos o 1-4-4-2 losango.

Fomos algo surpreendidos pela abordagem do Belenenses ao jogo, dando-nos


totalmente a iniciativa de jogo, quando esperávamos exatamente o contrário.
Conseguimos, portanto, controlar o jogo todo com bola, naquele que foi talvez o melhor jogo
da época até então. Os jogadores conseguiram sair das “amarras” das movimentações
mecanizadas, e jogaram um jogo (deles) totalmente distinto daquilo que é pretendido, com
um jogo interior mais forte e com os jogadores criativos a conseguirem encontrar espaço
com qualidade para poderem fazer a diferença. O

67
Belenenses tentou sempre em contra-ataque surpreender-nos, principalmente através do
extremo direito (melhor jogador adversário), mas quase sempre sem sucesso.
Da nossa parte, sentimos que o jogo estava controlado, estivemos quase sempre bem em todos
os momentos do jogo, ficando quem sabe, a faltar um pouco mais de princípios de jogo coletivo
que nos permitissem resolver, ou ajudar a resolver, algumas situações de jogo, que facilmente,
com outra análise do jogo e respetiva estratégia para o mesmo seriam encontradas soluções,
como a espaços, foram.

4ª Jornada 16/09/17

Vitória FC vs Sacavenense (1-0)

O Sacavenense apresentou-se com um sistema de jogo base definido em 1-4-3-3 utilizando 2


médios de cobertura com zona pressionante alta. Em certa medida conseguiram surpreender-
nos visto que em todos os jogos anteriores vimos que os adversários baixavam as linhas e
tentavam sair nas transições defesa/ataque. Num jogo em nossa casa, onde o adversário veio
causar algumas dificuldades, ao intervalo existia o nulo no resultado, sentimos os jogadores
algo ansiosos, com medo de errar. Tentamos tranquiliza-los e mostrar que seria possível,
explorando a altura de um dos nossos avançados. Foi pedido aos laterais que cruzassem, sem
muito critério, é certo. Na segunda parte existiram alguns lances em que a bola chegou ao nosso
avançado, mas nem sempre conseguimos ficar com a posse de bola. Num remate de meia
distância onde o nosso médio centro, progredir pelo corredor central surge o golo da Vitória,
Daniel Silva faz assim o primeiro e único golo do jogo, uma vez mais numa jogada individual.
Nesta fase já existia algum cansaço nas duas equipas, sendo que o jogo perde alguma
qualidade, muitas faltas e muitas bolas divididas. Faltando pouco tempo para acabar o jogo o
Vitoria fica sem o controlo do jogo, o Sacavenense toma conta do jogo, mantendo a nossa
equipa nos últimos 30 metros.

5ª Jornada 23/09/17

Alcanenense vs Vitória FC (0-4)

Equipa do Alcanenense organizada estruturalmente em 1-4-3-3. Nós apresentámo-nos com uma


estrutura de 1-4-4-2 Losango

A equipa adversária, como esperado, apresentou-se num bloco baixo, dando toda a iniciativa
do jogo à nossa equipa. Em organização ofensiva, o alcanenense limitou-se

68
a jogar direto para o seu avançado, que raramente conseguiu ganhar um duelo com os nossos
centrais, sendo que mesmo quando conseguia, o facto de a equipa ter bastantes preocupações em
não atacar com muitos, limitava-lhe muito as opções. Em organização defensiva estiveram
bastante compactos, pois tinham sempre muita gente atrás da linha da bola, beneficiando
também do facto da nossa equipa, em organização ofensiva, ter-se limitado a criar condições de
1x1, 1x2 em corredor lateral para o cruzamento, conseguido eles condicionar bastante bem essas
situações.
Em transição defensiva, ambas as equipas estiveram seguras, por motivos diferentes, o
alcanenense pelo facto de ter muita gente atrás aquando da perda, enquanto nós conseguimos
de forma sistemática condicionar as primeiras ações, fosse em passe fosse em condução, do
adversário, através de uma pressão forte.
Embora o resultado tenha sido “volumoso”, os nossos golos surgiram de jogadas
individuais, concretamente de remates de longa distancia (com a equipa adversária quase
toda atrás da linha da bola) e em esquemas táticos.

6ª Jornada 30/09/17

Vitória FC vs Sporting CP (1-1)

Nesta fase talvez o jogo com maior grau de dificuldade, sabíamos de antemão que a equipa
tinha qualidade (da equipa titular: defesa direito, o defesa central do lado esquerdo, o extremo
esquerdo, o nº10 e o avançado),pois muitos dos jogadores ja estavam a trabalhar na equipa B.
Neste jogo tivemos alguma informação do adversário sabíamos que se iam apresentar em
1x4x2x3x1 mas que o avançado iria procurar explorar os corredores laterais, tentando criar
superioridade (2x1) foi pedido para que no processo defensivo da nossa equipa, o médio lateral
contrário ao lado da bola fecha-se o médio centro da equipa do SCP, com sucesso.
Mesmo o SCP tendo algumas iniciativas coletivas interessantes a qualidade individual do
Vitoria foi resolvendo os problemas criados, não foi um jogo sempre bem disputado. O
sporting tentando solicitar o seu jogador de referência (André leão) mas com as dimensões do
campo nem sempre teve o espaço necessário para fazer a diferença.

7ª Jornada 14/10/17

Académica vs Vitória FC (0-1)

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Académica com uma organização estrutural de 1-4-4-3 e nos em 1-4-4-2 losango
como tem sido habitual.

A académica entrou a tentar dominar o jogo. Nós tentámos e conseguimos anular a 1ª fase de
construção da académica, e aí anulámos praticamente todo o jogo adversário, que passava
muito pelo recrutamento das ligações entre jogadores exteriores e médio mais defensivo e um
dos interiores (claramente os melhores jogadores adversários). Da nossa parte, sem grande
qualidade para ter bola, conseguimos através de ataques rápidos, essencialmente, chegar perto
do ultimo terço, embora sem grande critério e muito em iniciativas individuais. O golo chegou
de bola parada, quando a académica se instalava cada vez mais no nosso meio campo. Sentimos
neste jogo que a equipa esteve e apresentou-se com um desgaste/fadiga muito grande, o que
levou a que não tivéssemos abordado os lances da melhor forma possível, quase desde meio da
primeira parte.

8ª Jornada 21/10/17

Vitória FC vs SL Benfica (1-1)

Com apenas o intervalo de um jogo após Sporting CP, a motivação de jogar contra o Benfica
estava em cima, naturalmente. Jogo em que todos os jogadores aparecem motivados, mas
nervosos também é verdade. O Benfica manteve os seus melhores juniores na equipa B, ao
contrário do que fez o Sporting que baixou para nos defrontar. O Benfica tentou controlar o jogo
mantendo a bola em seu poder, sabíamos que não iriamos conseguir manter a posse de bola por
muito tempo, então tentámos ser fortes no momento do ganho da bola, para que as nossas
transições tivessem efeitos práticos. Conseguindo chegar com perigo à baliza do Benfica, surge
o golo do Benfica contra a corrente do jogo. Um livre direto bem cobrado dá a vantagem para a
equipa do Benfica, o Benfica tentava atrair o vitoria a um dos corredores laterais para que
depois conseguisse tirar a bola para o corredor contrário e aproveitar os extremos rápidos e
virtuosos. O sistema apresentado pelo Benfica 1-4-3-3 fez-nos alterar a dinâmica a meio campo,
também no nosso 1x4x3x3, isto é, deixamos de ter (1-2) a meio campo e passámos a ter (2-1)
com dois médios de cobertura. Num remate de fora da área chegamos ao empate, o Benfica
tenta reagir, mas sem sucesso.

9ª Jornada 28/10/17

Estoril vs Vitória FC (1-0)

70
O Estoril apresentou-se numa organização estrutural de 1-4-3-3 com um médio
defensivo e dois médios interiores. A nossa equipa entrou no habitual 1-4-4-2 losango.

Jogo muito habitual neste campeonato, com muito jogo direto, as equipas demasiado
estendidas em campo, a defender por vezes em cerca de 60 metros (algo normal na nossa
equipa), com muitos duelos e divididas, e um jogo em nada ligado com qualidade e sentido.
O Estoril a jogar muito direto, e muito forte nas segundas bolas, foi a partir daí que
conseguiu criar quase todas as suas oportunidades.
Já nós também apostamos muito num jogo direto, quase sempre sem critério. Ao intervalo
mudámos para 1-4-3-3, com os extremos bem abertos, com o intuito de jogar direto nestes, para
que numa jogada de ressalto e 2ªas bolas pudessem fazer a diferença, sem qualquer efeito
prático.

10ª Jornada

Vitória Fc vs. Naval 1ºde Maio

Jogo anulado, desistência da Naval 1ºde Maio .

11ª Jornada 18/11/17

Vitoria FC vs Leiria (2-2)

A equipa do União de Leiria apresentou-se numa organização estrutural de 1-4-3-3 com um


médio defensivo e dois médios interiores. Nós apresentámo-nos em 1-4-4-2 Losango.

Consegui-mos ter mais bola e mais domínio espácio-temporal, iniciando a nossa fase de
construção com a linha de quatro atrás, conseguindo circular com alguma facilidade a toda a
largura, e com os interiores a jogarem bastante por fora, para serem opção aí, como normal,
passarmos a primeira pressão adversaria pelos corredores laterais. O nosso médio ofensivo
procurou muitas vezes diagonais nas costas dos laterais, assim como os avançados.
Conseguimos condicionar relativamente bem essas tentativas de jogar na profundidade, no
entanto tivemos mais dificuldade quando saíam com critério desde trás, abrindo imensos
espaços.
Sem bola, o leiria tentou sempre condicionar os nossos centrais a jogar para os laterais para
aí sim pressionar, muitas vezes também encostando os seus 3 médios

71
aos nossos (com a saída do 10 em diagonal, ficava 3x3), fechando as linhas de passe para estes,
que por falta de princípios de jogo neste momento não conseguiram encontrar espaço para
receber, obrigando a que os nossos jogadores do sector defensivo recorressem ao jogo direto
muitas vezes sem critério.
Em transição ofensiva procurámos muitas vezes acelerar e variar o corredor de jogo
procurando situações de superioridade ou igualdade numérica, quase sempre sem sucesso. O
leiria tentou quase sempre transitar de forma a apanhar os nossos laterais fora de posição.
No momento de transição defensiva foi onde nos encontrámos mais fortes, sempre com
muitos homens atrás da linha da bola e muito agressivos sobre o portador, embora não tanto
nos espaços circundantes. Já o Leiria tentou sempre baixar para trás da linha da bola
rapidamente, para aí sim (já organizados), organizarem a sua pressão.

12ª Jornada 25/11/17

Vitória FC vs Cova da Piedade (2-2)

. A equipa adversária apresentou um sistema tático de base 1-4-3-3. Foi uma primeira parte
de claro domínio da nossa equipa em que conseguimos trocar a bola a nosso belo prazer por
dentro e por fora das linhas adversárias. Os adversários apenas conseguiam criar situações de
perigo através das bolas paradas, tentando corrigir o resultado obtido no primeiro jogo do
campeonato, derrota no campo do Cava da Piedade, desde cedo fomos à procura do golo, mas
foi novamente o cova da peidade a marcar primeiro . Ao intervalo , e com a desvantagem para
nós, foi feita a alteração de sistema, procurámos dar maior mobilidade ao nosso médio mais
ofensivo, daniel silva, com isto começámos a jogar mais no meio campo ofensivo, mas sem
efeitos práticos porque foi novamente o cova da peidade a chegar ao golo, num livre direto.
Com o resultado 2-0 os jogadores do vitória arriscaram mais, e através do jogo interior e de maior
qualidade chegamos ao empate com duas jogadas bem delineadas, a ligar jogo por dentro do
bloco adversário. Apito final, e o sabor amargo na boca, sentimento que podia ser um jogo fácil
para nós.

13ª Jornada 02/12/17

Real vs Vitória FC (1-1)

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O Real apresentou-se num sistema de 1-4-2-3-1, enquanto que nós entrámos com a estrutura
de 1-4-3-3.

Foi um jogo equilibrado, Em que as equipas conseguiram em termos de organização


defensiva, bloquear praticamente todo o jogo adversário. Muita dificuldade me organização
ofensiva, onde tentaram sempre solicitar os jogadores dos corredores laterais, a fim de criar
situações de 1x1 nesses corredores.
Foi em transição ofensiva que ambas as equipas conseguiram criar, aqui e ali alguma qualidade
na ligação do seu jogo, embora não tivessem criado especial perigo.
O Real conseguiu por vezes aproveitar algumas debilidades ao nível do posicionamento e da
orientação espacial da nossa ultima linha, para criar algumas situações de cruzamento, sem
consequência. Foi de bola para que ambas as equipas conseguiram criar algumas situações de
perigo, inclusive os golos.

14ª Jornada 09/12/17

Vitória FC vs Belenenses (4-2)

O Belenenses apresentou-se numa estrutura de 1-4-4-2 clássico, enquanto da nossa


apresentou-se em 1-4-3-3.

A abordagem do Belenenses ao jogo, dando-nos totalmente a iniciativa de jogo, já era esperada


pela nossa equipa.
Conseguimos, portanto, controlar o jogo todo com bola, embora nem sempre com a qualidade
desejada. Tentámos demasiadas vezes explorar os extremos e o avançado, de forma a que este
segurasse a bola e jogasse para os corredores laterais, para então existir um aceleramento do
jogo nesses momentos. O Belenenses tentou sempre em contra-ataque surpreender-nos,
principalmente através do extremo direito (melhor jogador adversário), mas quase sempre sem
sucesso.
Curiosamente foi pelo corredor central, das poucas vezes que o explorámos, que conseguimos
criar as melhores oportunidades, inclusivamente, 3 dos nossos golos surgiram de jogadas com
ligações muito interessantes por dentro do bloco adversário.

15ª Jornada 16/12/17

Sacavenense vs Vitória FC (1-1)

À imagem da primeira volta, o sacavenense apresentou-se em 1-4-3-3, enquanto que nós nos
apresentámos em 1-4-4-2 losango.

73
O sacavenense, provou mais uma vez ser uma das equipas que melhor futebol pratica o
campeonato nacional. Conseguiu de inicio ao fim dominar todas as incidências de jogo, não
permitindo que nós conseguíssemos criar algo de relevante.
Percebeu-se também que nos tinham observado, pois fecharam quase sempre de forma frontal
os nossos laterais, quando com bola, obrigando-os a procurar soluções interiores, que na nossa
equipa são expressamente oprimidos, pois tentamos sempre jogar por fora, e é essa a ideia da
equipa. Quando nos fecharam essa possibilidade, inevitavelmente e caracteristicamente
começamos a jogar mais longo, a tentar as 2ªas bolas. O golo do empate, surge já no final, no
jogada de insistência, com alguns ressaltos à mistura, que felizmente caíram para o nosso lado.

16ª Jornada 23/12/17

Vitória FC vs Alcanenense (1-0)

A equipa do Alcanenense apresentou-se numa estrutura tática de 1-4-4-2 clássico. Fomos


para este jogo com bastantes baixas (vários jogadores titulares lesionados), tendo em conta o
estilo de jogo do Alcanenense, fortes nos duelos físicos e procuram muito jogar nas costas da
nossa defesa e/ou nas segundas bolas, tentámos que o nosso médio defensivo junta-se mais aos
nossos centrais de forma a nunca assumirmos o risco do 2x2. Assim com a superioridade
assegurada tivemos mais chances de sucesso quando colocavam a bola nas suas referências.
N´s demonstrámos alguma debilidades físicas ao longo do jogo, muitos jogadores a acusarem
fadiga muscular. No entanto num jogo com muito poucos lances que merecessem relevo de
ambas as partes, nota para o nosso médio ofensivo Daniel Silva, que num lance individual no
corredor central enquadrado para a ultima linha do adversário conseguiu rematar cruzado para
o único golo do jogo. No final , muita preocupação porque vários dos nossos jogadores
queixaram-se com dores musculares ( adutores e quadricípites ) sendo este um padrão em
muitos dos nossos jogadores.

74
4. Análise Contextual – Juniores B
4.1 Enquadramento e Análise do Contexto de Estágio
4.1.1 Caracterização Geral do Clube

“Em véspera da Segunda Guerra Mundial São João do Estoril tornava-se sinónimo de
desenvolvimento e riqueza. A freguesia crescera depois da Primeira Guerra Mundial como o centro do
que então se convencionava chamar de Riviera Portuguesa. Em 1928 a zona do Estoril, Monte e
Cascais era rebatizada de Costa do Sol, pela Sociedade de Propaganda da Costa do Sol que assim
tentava atrair para a zona o investimento nacional e estrangeiro. Fausto Cardoso de Figueiredo fora o
principal promotor da ideia. Já em 1905 fundara a Sociedade Estoril Plage, que uma década mais tarde
lançou a primeira pedra do projeto da construção do Casino. Em 1926 inaugurava-se a linha de
comboios de Cascais, pertença da empresa de Fausto Cardoso de Figueiredo. Seria ele também um dos
principais mentores da fundação do Grupo Desportivo Estoril-Praia, que por influência da sociedade
gestora, era também conhecido à época como Estoril-Plage. Seria a 17 de maio de 1939 com o
beneplácito de Cardoso que um grupo formado entre outros por Joaquim Cardim, José Ereia, João
Rebelo, Ernesto Tomás, Joaquim Nunes e Armando Vilar fundou o novo clube. Com o apoio da
grande empresa, com o sol e a praia como símbolos, o futuro do Estoril-Praia prometia-se
esplendoroso, contudo a Segunda Guerra Mundial começaria a 1 de setembro do mesmo ano, lançando
nuvens de desconfiança sobre o futuro da novel coletividade. Os primeiros passos do clube começou
pelas competições regionais, passando a participar no Campeonato de Lisboa ao lado dos grandes
clubes como Sporting, Benfica e Belenenses. Participando também na Taça de Portugal, onde chegou
à final da Taça em 1943/44, no primeiro grande feito do seu historial. Contudo, essa tarde nas Salésias
em Lisboa não seria de boa memória, com os «canarinhos» a serem esmagados pelo Benfica com um
pesado 8x0. A Europa vivia a Segunda Guerra Mundial, mas em Portugal como país neutral vivia-se
em paz. Ricos e poderosos que fugiam ao conflito refugiavam-se em terras lusitanas, especialmente na
Costa do Sol, com o Estoril em destaque, sendo nessa época a localidade com mais cabeças coroadas
por metro quadrado. Carol II da Roménia, O Conde de Barcelona, pai do futuro Rei Juan Carlos,
Miklos Horthy regente da Hungria, Umberto II de Itália, todos se refugiaram no Estoril, onde o
próprio Ditador português, António de Oliveira Salazar se refugiava no verão, da canícula lisboeta. Os
Anos de ouro, em 1944/45 qualificou-se pela primeira vez para o Campeonato da Primeira Divisão. A
estreia saldar-se-ia por um sexto lugar (empatado com Olhanense) numa época em que conseguiu um
histórico 8x1 sobre o FC Porto em casa. No regresso ao principal campeonato em 1946/47 o «clube da
linha» conquistou o quinto lugar. Durante três épocas o Estoril ombreou com os maiores de Portugal,
terminados duas vezes em quinto (em 1947 e 1949) e uma vez em quarto (1948) um feito de destaque
numa época em que em Portugal havia quatro grandes: Benfica, Belenenses, Porto e Sporting. Em
1947, liderado pelo húngaro Lippo Hertzka que antes treinara clubes como Athletic de Bilbau, Real
Madrid, Belenenses e Benfica, chegou a São João do Estoril com ambição de levar o clube bem alto.
Graças ao bom trabalho a equipa acabou a liga com os mesmos 33 pontos de Belenenses e FC Porto,

75
mas muito longe de Benfica e do campeão Sporting na primeira época com os «Cincos Violinos». Na
segunda época, outro húngaro, Janos Biri, que orientara o Benfica durante oito anos e ganhara oito
campeonatos foi chamado para tomar o lugar de Hertzka. O Estoril conseguiu a melhor classificação
de sempre até então e acabou em quarto lugar com os mesmos pontos do quinto FC Porto e com
menos um que o Belenenses, terminando apenas a quatro de leões e águias, no famoso campeonato
que ficou conhecido como o do «Pirolito». A terceira época da trilogia dourada do «clube da Linha»
seria 1949 com o Estoril a ficar em quinto atrás dos quatro do costume. Biri fez as malas e rumou para
Guimarães e pode dizer-se que o Estoril-Praia não seria mais o mesmo nos anos seguintes, Biri
também guiara o Porto à conquista do título em 1936.”

No recente historial do clube, esta última década teve uma importância vital para a história do clube. A
temporada de 2011/2012 começou algo atribulada, com o despedimento do treinador brasileiro
Vinícius Eutrópio, a 27 de setembro, na quinta jornada, após o empate (0-0) com a Oliveirense, tendo
assumido o cargo "um homem da casa" Marco Silva, antigo "capitão" e que naquele momento era
secretário técnico. O 10.º lugar, com seis pontos e a dois da "linha de água", fruto de uma vitória e três
empates, não fez tremer o presidente Tiago Ribeiro que apostou tudo em Marco Silva, nunca
escondendo que o objetivo traçado no início da temporada se mantinha (subida à 1ª divisão). A derrota
na ronda seguinte, com o Penafiel (3-1), foi o ponto de viragem dos "canarinhos", já que a partir daí
somaram um ciclo de 15 jogos sem perder, com um impressionante registo de 11 triunfos, seis deles
consecutivos, assumindo a liderança à 12.ª jornada, após o triunfo (1-0) sobre o Moreirense. O Estoril
Praia conseguiu ser vencedor da segunda liga de futebol na mesma época, o que implicou o regresso à
Liga principal de futebol, ao vencer no reduto do Leixões, por 1-0, consumando o objetivo traçado no
início da época pelo presidente da SAD Tiago Ribeiro (Em outubro de 2010, a Traffic Sport adquiriu
74% do capital da SAD do Estoril-Praia, pagando ao proprietário João Lagos 200 mil euros). A última
presença dos "canarinhos" (uma das alcunhas do clube) tinha acontecido após a conquista, agora
repetida, da Liga de Honra, há nove anos, em 2003/2004, pelas mãos do treinador Ulisses Morais
(agora no Desportivo das Aves), que em 2001/2002 tinha pegado na equipa na II divisão. Contudo, o
regresso foi apenas por uma temporada, já que em 2004/2005, na altura orientado por Litos (agora na
Liga Desportiva de Maputo), o Estoril-Praia não foi além de um 17.º lugar. Sete anos após a queda, a
equipa regressava ao convívio com os grandes.
Na época de 2012/2013, a equipa conseguiu o quinto lugar do principal campeonato português,
qualificando na próxima época para uma competição europeia, Liga Europa. No ano seguinte, o clube
ficou em quarto lugar da primeira divisão de futebol, e ficou inserido no grupo H da Liga Europa.
No palmarés do clube estão 2 títulos nas Competições Regionais na AF Lisboa 1ª Divisão nos anos de
1961/62, 1968/69. Nas Competições Nacionais 8 títulos na segunda divisão 1941/42, 1943/44,
1945/46, 1980/81, 2002/03, e mais recentemente 2 títulos na II Liga Portuguesa, nas épocas de
2003/04 e 2011/12.
A sede do Estoril Praia SAD fica no estádio António Coimbra da Mota com capacidade para 8000
76
lugares. O Grupo Desportivo Estoril Praia neste momento tem vários escalões de formação (futebol
feminino e masculino), desde os 3 anos até aos 23 anos, uma pratica diária que ocorre no seu
Complexo Desportivo, situado junto ao estádio. O clube tem várias modalidades em atividade, como o
Futsal, Basquetebol, Muay-Thai, Futebol de Praia, Pesca Submarina e Triatlo. O clube tem vários
projetos associados à prática de Futebol para todas as faixas etárias, promovendo a prática da
modalidade para todos, com os projetos Fut4Women e Fut4All.

4.1.2 Caracterização Geral das Infraestruturas

O Centro de Treinos e Formação Desportiva do Grupo Desportivo Estoril Praia dispõe de um campo
de futebol 11 com uma bancada, um campo de futebol 7 e 5 campos de futebol 5. No edifício central
existe um Bar e um Restaurante, os serviços administrativos e salas de reuniões, 2 balneários para os
treinadores, ginásio, sala da fisioterapia, 4 balneários para os jogadores dos diversos escalões, uma
sala para o material de treino e uma lavandaria.

4.1.3 Caracterização da Equipa Técnica


Tabela 6 – Constituição e funções da equipa técnica

Nome Função
Rui Satiro Treinador Principal
Gonçalo Alves Treinador Adjunto
Fernando Lopes Treinador Adjunto
André Rijo Treinador Adjunto
Nuno Lopes Treinador de Guarda Redes

O planeamento das sessões de treino era da responsabilidade do treinador principal, sendo estas
apresentadas à restante equipa técnica antes das sessões, com excepção do planeamento do treino de
Guarda-Redes, que era da inteira responsabilidade do treinador de Guarda-Redes. Em relação à
dinâmica de operacionalização das unidades de treino, a parte inicial da mesma cabia a dois dos
treinadores adjuntos, visto o terceiro elemento só estar presente nos dias de jogo. A parte principal da
sessão era o momento em que o treinador principal era mais interventivo, onde assumia o controlo
do(s) exercício(s) fundamentais da sessão, sendo que quando a parte fundamental era realizada numa
dinâmica de estações, cada treinador ficava responsável por uma delas. Na parte final/retorno à calma
da sessão, esta normalmente era caracterizada com mais leviandade, ficando os jogadores responsáveis
pela realização dos seus próprios alongamentos, visto já conhecerem o protocolo dos mesmos.

77
4.1.4 Caracterização do Plantel
No momento da época em que dei início as minhas funções, o plantel já se encontrava bastante estável
no que diz respeito a entradas e saídas de jogadores. Deste modo, a tabela em baixo contém a listagem
de jogadores que se encontravam no plantel do Grupo Desportivo Estoril Praia aquando da minha
entrada e saída, assim como as respectivas informações sobre os mesmos.

Tabela 7 – Constituição do plantel


Posição Nome Ano Nascimento Clube anterior
Guarda-Redes GR1 2001 Estoril Praia
Guarda-Redes GR2 2001 Oeiras
Defesa Central DC1 2001 Estoril Praia
Defesa Central DC2 2001 Estoril Praia
Defesa Central DC3 2001 Estoril Praia
Lateral Direito DD1 2001 1º Dezembro
Lateral Direito DD2 2001 Estoril Praia
Lateral Esquerdo DE1 2001 Estoril Praia
Lateral Esquerdo DE2 2001 Estoril Praia
Médio Defensivo MDC1 2001 Estoril Praia
Médio Defensivo MDC2 2001 1º Dezembro
Médio Interior MC1 2001 Estoril Praia
Médio Interior MC2 2001 1º Dezembro
Médio Interior MC3 2001 Estoril Praia
Extremo EXT1 2001 Sem Clube
Extremo EXT2 2001 Estoril Praia
Extremo EXT3 2001 Estoril Praia
Extremo EXT4 2001 Estoril Praia
Avançado AV1 2001 Estoril Praia
Avançado AV2 2001 Estoril Praia
Avançado AV3 2001 Estoril Praia

78
4.1.5 Caracterização do Contexto Competitivo
A equipa de Juniores B do Grupo Desportivo Estoril Praia, na época 2017-2018, esteve inserida
no Campeonato Nacional de Juniores B – Série D.
O Campeonato Nacional de Juniores B, é o patamar mais alto a nível nacional deste escalão. Este
campeonato é disputado por 48 equipas, divididas em 4 séries com 12 equipas cada. Após 11
jornadas, ou seja, jogarem todos contra todos, apenas uma vez, os 4 primeiros classificados de
cada série têm acesso à presença na 2ª fase da competição, sendo esta dividida entre série sul e
série norte, onde disputarão entre si, a duas voltas o acesso à fase de apuramento de campeão. As
8 equipas que ficarem fora dos lugares de apuramento, nas 4 séries disputarão os lugares de
manutenção no campeonato nacional, sendo que na presente época, descem 4 equipas de cada
série juntamente com os 2 piores 4º classificados da fase de manutenção.

Tabela 8 – Calendário e Resultados entre a 9ª jornada e a 14ª jornada da 2ª fase – Série Sul do
campeonato nacional

Data Adversário Local Resultado


28/01/18 Sacavenense C E (1-1)

03/02/18 Benfica F D (4-1)

18/02/18 Sintrense C D (0-2)

25/02/18 Belenenses F D (2-0)

04/03/18 Sporting F D (2-1)

24/03/18 Leiria C D (0-1)

Tabela 9 – Lista de equipas participantes no Campeonato Nacional Juniores B 2ª fase – Série Sul

Equipas Campeonato Nacional de Juniores B 2ª Fase – Série Sul


Sport Lisboa e Benfica SAD

Sporting Clube de Portugal SAD


União Desportiva de Leiria

Grupo Desportivo Estoril Praia

Real Sport Clube

Sport União Sintrense

Sport Grupo Sacavenense

Clube de Futebol “Os Belenenses”

79
Tabela 10 – Classificação Final Campeonato Nacional Juniores B 2ª fase – Série Sul

Posição Equipa Pontos


1º Benfica 39
2º Sporting 31
3º Belenenses 25
4º Real 23
5º Sacavenense 22
6º Sintrense 11
7º Estoril Praia 8
8º Leiria 4

4.1.6 Caracterização dos Objetivos Competitivos e Formativos

Para a época desportiva de 2017-2018, ficou acordado entre a coordenação e a equipa técnica o
seguinte objetivo desportivo: Passagem à 2ª fase do Campeonato Nacional de Juniores B, sendo
esse um objetivo atingido aquando da minha chegada. Outro dos grandes objetivos da época
será conseguir que o maior número possível de jogadores possam integrar a equipa de Juniores
A do clube, na próxima época desportiva.

5. Avaliação e Análise em Contexto Prático II


5.1 Avaliação Coletiva e Individual
5.1.1 Avaliação Individual

Tendo em conta que as avaliações indivuais feitas anteriormente neste documento recaíram sobre os
jogadores do plantel de Juniores A, do Vitória Futebol Clube, e que estas incídiram
predominantemente nalguns critérios solicitados pelo clube supramencionado, assim sendo, o
documento onde essas avaliações foram ralizadas são propriedade intelectual do clube, não podendo
utilizá-lo para outro contexto. As avaliações individuais que se seguem são relativas ao plantel de
Juniores B, do Grupo Desportivo Estoril Praia, que sendo num formato distinto do anterirmente
apresentado, não se distanciará no que diz respeito às características e critérios avaliados em cada um
dos jogadores.

80
NOME: GR1
POSIÇÃO: GR POSIÇÃO SEC: -
Antropométrica e Fisiológica
Altura aceitável para um GR. Velocidade de reação bastante apurada.

Tático-Técnica
Muita qualidade a jogar com os pés, especialmente a colocar a bola a média-longa distância.
Qualidade ao nível do controlo do espaço aéreo tanto em bolas vindas de corredor lateral, como do
corredor central.
Comportamental e Psicológica
Bastante focado na tarefa. Atitude muito competitiva.

NOME: GR2
POSIÇÃO: GR POSIÇÃO SEC: -
Antropométrica e Fisiológica
Altura aceitável para um GR. Grande capacidade de impulsão.

Tático-Técnica
Excelente capacidade de leitura do momento e de antecipar cenários, chegando quase sempre
primeiro que os adversários. Qualidade a jogar com os pés, tomando boas decisões, e jogando
longo, assim como mais curto.
Comportamental e Psicológica
Muito focado na tarefa. Alguma dificuldade em lidar com a frustração caso algum lance suceda com
menos sucesso, influenciando por vezes o resto da exibição.

NOME: DC1
POSIÇÃO: Defesa Central POSIÇÃO SEC: Médio Defensivo Centro
Antropométrica e Fisiológica
Realtivamente alto. Boa capacidade de impulsão. Não é muito veloz.

Tático-Técnica
Alguma cultura no que diz respeito a princípios como contenção e cobertura defensiva, assim como
no alinhamento da última linha. Dificuldade em interagir com estímulos de controlo de espaço
(encurtar e afundar). Dificuldades ao nível do passe, principalmente por falta de boas decisões.
Comportamental e Psicológica
Muito focado na tarefa. Um líder no balneário. Capaz de agragar o grupo mas também de ser o
primeiro a exigir aos colegas.

81
NOME: DC2
POSIÇÃO: Defesa Central POSIÇÃO SEC: Médio Defensivo Centro
Antropométrica e Fisiológica
Realtivamente baixo. Boa capacidade de impulsão. Não é muito veloz.

Tático-Técnica
Dificuldade em interagir com estímulos de controlo de espaço (encurtar e afundar). Alguma
qualidade na 1ª fase de contrução. Bastante inteligente a gerir o espaço à frente dos centrais quando
joga a médio defensivo centro.
Comportamental e Psicológica
Auto-determinado. Introvertido socialmente, mas bastante comunicativo em campo

NOME: DC3
POSIÇÃO: Defesa Central POSIÇÃO SEC: -
Antropométrica e Fisiológica
Bastante alto, o maior do plantel. Alguma velocidade, embora nos primeiros metros tenha alguma
dificulade, pouco ágil e coordenado.

Tático-Técnica
Muita qualidade no jogo aéreo, ganhando grande parte do duelos. Dificuldade em intrepertar o
espaço defensivo nas várias fases desses momentos de jogo. Dificuldade em construir na 1ª fase.

Comportamental e Psicológica
Bastante extrovertido. Índices de concentração no jogo e no treino bastante baixos. Pouco
determinado e focado.

NOME: DD1
POSIÇÃO: Lateral Direito POSIÇÃO SEC: Lateral Esquerdo
Antropométrica e Fisiológica
Muito rápido em deslocamento, dos mais rápidos do campeonato.

Tático-Técnica
Alguma dificuldade posicional defensiva. Muita qualidade técnica no 1x1 ofensivo e nos
cruzamentos. Boas decisões com e sem bola.

Comportamental e Psicológica
Bastante extrovertido. Auto-determinado.

82
NOME: DD2
POSIÇÃO: Lateral Direito POSIÇÃO SEC: Defesa Central
Antropométrica e Fisiológica
Alguma velocidade. Relativamente baixo

Tático-Técnica
Domina com facilidade os conceitos de contenção e cobertura. Boa qualidade defensiva no 1x1.
Com bola, algo rudimentar na construção.

Comportamental e Psicológica
Extremamente focado na tarefa. Dos mais aplicados no dia a dia.

NOME: DE1
POSIÇÃO: Lateral Esquerdo POSIÇÃO SEC: Extremo Esquerdo
Antropométrica e Fisiológica
Bastante rápido. Relativamente baixo

Tático-Técnica
Grande facilidade com bola, tecnicamente a todos os níveis, bastante evoluído. Dificuldades
defensivas no 1x1, assim como no controlo do espaço à profundidade.

Comportamental e Psicológica
Extremamente focado na tarefa. Extrovertido.

NOME: DE2
POSIÇÃO: Lateral Esquerdo POSIÇÃO SEC: Extremo Esquerdo
Antropométrica e Fisiológica
Muito rápido. Relativamente baixo. Forte nas suas ações e robusto.

Tático-Técnica
Nos duelos defensivos é bastante forte. Ofensivamente quando solicitado no espaço torna-se
periogoso, embora por vezes defina mal. Alguma dificuldade técnica.

Comportamental e Psicológica
Extremamente focado na tarefa. Muito competitivo, tanto em jogo como em treino.

83
NOME: MDC1
POSIÇÃO: Médio Defensivo Centro POSIÇÃO SEC: Médio Centro
Antropométrica e Fisiológica
Débil em relação à velocidade de deslocamento. Relativamente alto.

Tático-Técnica
Grande qualidade na gestão dos ritmos da equipa. Normalmente é ele que consegue colocar algum
critério na 1ª fase de contrução e na ligação com a 2ª fase. Qualidade de passe acima da média.

Comportamental e Psicológica
Extrovertido. Pouco focado na tarefa.

NOME: MDC2
POSIÇÃO: Médio Defensivo Centro POSIÇÃO SEC: Médio Centro
Antropométrica e Fisiológica
Altura média.

Tático-Técnica
Não foi possível observar algo do jogador pelo facto de ter estado em processo de recuperação de
lesão durante a minha estadia.

Comportamental e Psicológica
Não foi possível observar algo do jogador pelo facto de ter estado em processo de recuperação de
lesão durante a minha estadia.

NOME: MC1
POSIÇÃO: Médio Centro POSIÇÃO SEC: Médio Ofensivo Centro
Antropométrica e Fisiológica
Estatura baixa. Não é rápido no deslocamento, nem apresenta grande robustez física.

Tático-Técnica
Muito critativo. Grande qualidade na fase de criação e contrução. Muito inteligente na gestão do
ritmo de jogo, sabendo quando acelerar e quando pausar o mesmo. Qualidade de passe muito acima
da média, tanto a curta, média e longa distância.
Comportamental e Psicológica
Introvertido mas muito focado na tarefa. Um exemplo dentro do campo.

84
NOME: MC2
POSIÇÃO: Médio Centro POSIÇÃO SEC: Médio Ofensivo Centro
Antropométrica e Fisiológica
Estatura média. Algo robusto, mas pouca velocidade de deslocamento.

Tático-Técnica
Muita qualidade de passe. Não sendo muito criativo, é na construção que se evidencia. Remate de
média e longa distância é um dos seus pontos fortes.

Comportamental e Psicológica
Introvertido mas muito focado na tarefa.

NOME: MC3
POSIÇÃO: Médio Centro POSIÇÃO SEC: Médio Ofensivo Centro
Antropométrica e Fisiológica
Estatura baixa. Não é rápido no deslocamento, nem apresenta grande robustez física.

Tático-Técnica
Grande qualdiade na fase de contrução. Joga com bastante à vontade dentro e fora do bloco
adversário. Qualidade de passe acima da média e também bastante eficaz na fase de criação.

Comportamental e Psicológica
Auto-determinado. Focado na tarefa.

NOME: EXT1
POSIÇÃO: Extremo Direito POSIÇÃO SEC: Extremo Esquerdo
Antropométrica e Fisiológica
Estatura média. Não é muito robusto, mas é bastante rápido.

Tático-Técnica
Grande qualidade no dribe, no 1x1 e até mesmo em inferioridade númeirca. Alguma qualdiade na
finalziação perto da baliza. Muita dificuldade na compreensão do jogo, e das suas várias fases e
momentos.
Comportamental e Psicológica
Extremamente introvertido. Não tem qualquer relação social com qualquer colega de equipa e isso
acaba por relacionar-se com a pouca relação dentro do jogo.

85
NOME: EXT2
POSIÇÃO: Extremo Direito POSIÇÃO SEC: Extremo Esquerdo
Antropométrica e Fisiológica
Estatura baixa. Muito rápido e ágil, com mudanças de direção e velocidade bastante significativas.

Tático-Técnica
Muita qualidade no 1x1 ofensivo. Bastante díficil tirar-lhe a bola, conseguindo usar o seu corpo
para protegê-la, assim como um domínio de bola notável. Qualidade de passe e de finalziação a
curta e média distância. Extremamente criativo, podendo jogar dentro do bloco adversário, assim
como por fora.
Comportamental e Psicológica
Extrovertido. Extremamente bem disposto. Auto-determinado.

NOME: EXT3
POSIÇÃO: Extremo Esquerdo POSIÇÃO SEC: Extremo Direito
Antropométrica e Fisiológica
Estatura média. Relativamente rápido.

Tático-Técnica
Qualidade nos cruzamentos e no aproveitamento do espaço à profundidade. Não é muito criativo,
sendo que é mais capaz quando solicitado no espaço.

Comportamental e Psicológica
Focado na tarefa.

NOME: EXT4
POSIÇÃO: Extremo Direito POSIÇÃO SEC: Extremo Esquerdo
Antropométrica e Fisiológica
Estatura baixa. Muito rápido e algo robusto.

Tático-Técnica
Qualidade ao nível do remate e do 1x1 ofensivo. Débil no que ao entendimento do jogo diz respeito.
Dificuldade em associar-se com os colgas.

Comportamental e Psicológica
Pouco focado na tarefa e mais focado no ego. Extrovertido.

86
NOME: AV1
POSIÇÃO: Avançado POSIÇÃO SEC: Extremo Direito
Antropométrica e Fisiológica
Estatura média. Alguma velocidade de deslocamento. Algo robusto

Tático-Técnica
Grande qualdiade a jogar de costas para a baliza, servido de apoio frontal e ligando o jogo por
dentro com relativa qualidade. Dificuldade no ataque a zonas de finalização.

Comportamental e Psicológica
Introvertido. Auto-determinado.

NOME: AV2
POSIÇÃO: Avançado POSIÇÃO SEC: Extremo Direito
Antropométrica e Fisiológica
Estatura média. Velocidade de deslocamento considerável. Algo robusto

Tático-Técnica
Mais forte quando solicitado no espaço à profundidade. Revela algumas lacunas a nível técnico.
Qualidade ao nível da finalização.

Comportamental e Psicológica
Extrovertido. Auto-determinado.

NOME: AV3
POSIÇÃO: Avançado POSIÇÃO SEC: -
Antropométrica e Fisiológica
Estatura média. Muito Robusto.

Tático-Técnica
Não foi possível observar algo do jogador pelo facto de ter estado em processo de recuperação de
lesão durante a minha estadia.

Comportamental e Psicológica
Não foi possível observar algo do jogador pelo facto de ter estado em processo de recuperação de
lesão durante a minha estadia.

87
5.1.2 Análise Coletiva – Pontos Fortes

No que concerne a aspectos mais de ordem macro e meso, enquandrando também características
índividuais dos jogadores, o seguinte:

- Equipa demonstra capacidade em ter a posse de bola, principalmente na 1ª e 2ª fase de


construção, derivado da qualidade técnica e decisional dos jogadores do sector
intermédio.
- Amplitude da equipa sempre máxima, com relevo para o posicionamento e
disponibilidade dos laterais da equipa, sendo que são estes que maioritáriamente
asseguram esta característica à equipa.
- Alguma qualidade da equipa em alternar o jogo interior com o jogo exterior, sendo que é bastante
capaz de provocar com qualidade por dentro, de forma a acelerar por fora.
- Capacidade ímpar em sair da pressão, construíndo de forma mais direta através dos Guarda-Redes,
pela qualidade que ambos apresentam a jogar com os pés.

- Jogadores com grande capacidade de apreensão e aprendizagem dos


exercícios/contextos de exercitação.

5.1.3 Análise Coletiva – Pontos Fracos

- Dificuldades defensivas no controlo do espaço à profundidade.


- Defesas centrais algo débeis nos duelos índividuais, quando confrontados com jogadores
mais rápidos e ágeis.
- Primeira e segunda linhas de pressão sem indicadores, apreendidos, para pressionar,
sendo que por vezes a pressão é feita de forma desorganizada.
- Dificuldade em manter o bloco defensivo compacto quando equipa se organiza de forma
mais alta.
- Índice de trabalho e motivação em decréscimo, pela falta de objetivos competitivos.

88
5.1.4 Análise: Microciclos Período Competitívo

28º Microciclo 23/01/2018 a 28/01/2018


Este microciclo teve 3 unidades de treino (3ª feira,4ª feira e 6ª feira). No Domingo defrontámos o
Sacavenense, em jogo a contar para a 9ª Jornada da 2ª fase do Campeonato Nacional de Juniores B –
Série Sul.

Os objetivos delíenados para esta semana de treinos foram, em relação à organização defensiva, a
consolidação das zonas de pressão da 1ª linha defensiva. No que diz respeito à organizção ofensiva, a
consilidação do sistema de coberturas, e criação de profundidade e largura ofensivas. Também os
esquemas táticos defensivos e ofensivos foram abordados no último dia da semana.

29º Microciclo 29/01/2018 a 03/02/2018


Este microciclo teve 3 unidades de treino (3ª feira,4ª feira e 5ª feira). No Sábado defrontámos o
Benfica, em jogo a contar para a 10ª Jornada da 2ª fase do Campeonato Nacional de Juniores B –
Série Sul.

Os objetivos definidos para a semana de treinos, em função do facto de irmos defrontar o Benfica,
treinar o bloco defensivo médio/baixo, assim como o momento de transição ofensiva, com ênfase para
a tentativa em sair para contra-ataque e ataque rápido.

30º Microciclo 06/02/2018 a 11/02/2018


Este microciclo teve 3 unidades de treino (3ª feira,4ª feira e 6ª feira). Não existiu competição oficial
neste microciclo.

Os objetivos para a semana foram, ao nível da transição defensiva, treinar a reação à perda, sendo que
em organização ofensiva voltámos a consolidar o processo frente a um bloco médio/baixo.

89
31º Microciclo 13/02/2018 a 18/02/2018
Este microciclo teve 3 unidades de treino (3ª feira,4ª feira e 6ª feira). No Domingo defrontámos o
Sintrense, em jogo a contar para a 11ª Jornada da 2ª fase do Campeonato Nacional de Juniores B –
Série Sul.

Nesta semana de treinos e devido ao facto de defrontármos uma equipa (Sintrense) que se iria
encontrar mais na expectativa, os objetivos da semana foram definidos, tendo esse propósito.
Consolidar o processo ofensivo frente a um bloco médio/baixo, assim como grande ênfase no
momento da perda de bola, transição defensiva, de forma a recuperá-la no imediato.

32º Microciclo 20/02/2018 a 25/02/2018


Este microciclo teve 3 unidades de treino (3ª feira,4ª feira e 6ª feira). No Domingo defrontámos o
Belenenses, em jogo a contar para a 12ª Jornada da 2ª fase do Campeonato Nacional de Juniores B –
Série Sul.

Os objetivos delineados para este microciclo, foram a consolidação de um bloco defensivo médio/alto,
com ênfase especial da 1ª linha de pressão, de forma a condicionar a 1ª fase de construção adversária.
A nível ofensivo maior ênfase na nossa 1ª fase de construção e ligação com a 2ª fase. Também no
último dia da semana voltamos a realizar momentos de vivenciação dos esquemas táticos ofensivos e
defensivos.

33º Microciclo 27/02/2018 a 04/03/2018


Este microciclo teve 3 unidades de treino (3ª feira,4ª feira e 6ª feira). No Domingo defrontámos o
Sporting, em jogo a contar para a 13ª Jornada da 2ª fase do Campeonato Nacional de Juniores B –
Série Sul.

Os objetivos definidos para a semana de treinos, à imagem do microciclo da jornada frente ao Benfica,
neste caso, em função do facto de irmos defrontar o Sporting, consolidámos o bloco defensivo
médio/baixo, assim como o momento de transição ofensiva, com ênfase para a tentativa em sair para
contra-ataque e ataque rápido.

90
34º Microciclo 06/03/2018 a 11/03/2018
Concedida uma semana de férias aos jogadores.

35º Microciclo 13/02/2018 a 16/03/2018


Este microciclo teve 3 unidades de treino (3ª feira,4ª feira e 6ª feira). Não existiu competição oficial
neste microciclo.

No que concerne aos objetivos semanais, ao nível da organização defensiva consolidámos processos
em bloco alto, com ênfase na nossa primeira linha de pressão. Em organização ofensiva deu-se maior
importância à ligação das várias fases de jogo intersectorialmente. Também os esquemas táticos
ofensivos e defensivos forma preocupação no útimo dia da semana.

36º Microciclo 20/03/2018 a 24/03/2018


Este microciclo teve 3 unidades de treino (3ª feira,4ª feira e 5ª feira). No Sábado defrontámos a União
de Leiria, em jogo a contar para a 14ª Jornada e última, da 2ª fase do Campeonato Nacional de
Juniores B – Série Sul.

Os objetivos pretendidos ao longo da semana, tiveram uma configuração e estruturação bastante


macro, sendo que foram definidos da seguinte forma: Consolidação dos conteúdos adquiridos ao longo
da época, em organização ofensiva e defensiva e em transição ofensiva e defensiva, sendo que a
vivenciação destes objetivos foi realizada em formas mais formais de jogo.

91
5.1.5 Enquadramento e Objetivos do Período Transitório

A época oficial terminou no dia 24/03/2018, o Treinador Principal cessou as suas funções no clube, no
final desse mesmo mês (Março), tendo sido dada uma semana de folga aos jogadores após esse último
jogo do campeonato nacional.
Tendo em conta estes episódios, assim como o facto de um dos adjuntos, como supramencionado,
apenas estar presente nos jogos oficiais, e portanto, também ali cessou as suas funções, foi-nos (André
Rijo e Gonçalo Alves) solicitado pelo coordenador do futebol de formação do Grupo Desportivo
Estoril Praia, que ficássemos responsáveis pelo período transitório e pela operacionalização das
sessões de treino desse mesmo período. Este período, teve inicio no dia 03/04/2018 e terminou no dia
27/04/2018, momento em que o novo Treinador do escalão de Juniores B entrou em funções.
De forma a que o Treinador da equipa de Juniores A do clube, que estaria presente em todos os
treinos, pudesse observar os atletas e assim retirar as informações necessárias para a transição do
escalão de Juniores B para Juniores A, em consonância com todos, sessões de treino tiveram grande
parte do seu tempo, vivencião de jogo formal.

5.1.6 Análise: Microciclos Período Transitório

Tendo em conta o enquadramento e objetivos supramencionados, os microciclos compreendidos entre


o 37º Microciclo e o 40º Microciclo, de 03/04/2018 a 27/04/2018, tiveram todos a mesma
configuração e estruturação, assim como as sessões de treino realizadas neste período tiveram também
elas uma estrutura idêntica. Deste modo, em baixo segue um esboço, do padrão de uma sessão de
treino realizada neste período:

Parte Inicial:
Meínhos 10’
Torneio “escada” 15’

Parte Fundamental:
Jogo reduzido e condicionado 20’ (exemplo: posse de bola 2 equipas x 1 equipa)
Jogo Formal 30’

Parte Final:

Penáltis 5’
Alongamentos estáticos 5’

92
5.1.7 Análise: Jogos Período Competítivo

9ª Jornada 28/01/18

Estoril Praia vs Sacavenense (1-1)

Nona jornada do campeonato nacional, o Sacavenense apresentou-se numa estrutura de 1-4-4-2,


enquanto que a nossa equipa apresentou-se numa estrutura de 1-4-3-3. O Sacavenense tentou
condicionar a nossa 1ª fase de construção a 2, com os dois avançados, e enconstando hxh no nosso
médio mais defensivo de forma a que este não conseguisse ligar jogo por dentro. Jogaram num bloco
médio/alto, embora a equipa nem sempre conseguisse encurtar os espaços entre linhas e intra linhas.
Em organização ofensiva tentaram de forma insistente procurar situações de 1x1 e 2x1 nos corredores
laterais, tanto com o aparecimento do lateral, como do médio desse lado. Em transição ofensiva, onde
eram mais forte, conseguiram com qualidade sair da pressão e criar algumas situações que poderiam
ter criado perigo.

Nós apresentamo-nos bem em organização ofensiva, controlando grande parte do jogo com bola,
embora com dificuladades em entrar por dentro da estrutura adversária, principalmente na fase de
criação. Tívemos alguma dificuldade no momento de transição defensiva, não conseguindo por vezes
parar os primeiros passes adversários. Em organização defensiva tívemos qualidade a condicionar o
jogo adversário, obrigando-os vezes sem conta a jogar sem critério.

10ª Jornada 03/02/18

Benfica vs Estoril Praia (4-1)

Décima jornada do campeonato nacional, o Benfica apresentou-se numa estrutura de 1-4-3-3, assim
como a nossa equipa, que igualmente apresentou-se numa estrutura de 1-4-3-3.

O Benfica controlou praticamente todo o jogo com bola. Apresentou dinâmicas em corredor lateral
que nos colocou algumas dificulades, sendo que todas as jogadas de perigo surgiram em situações a
partir dessas zonas. Transição defensiva muita forte, principalmente a retirar-nos as referências mais
adiantadas.
Conseguimos anular praticamente todo o jogo interior do Benfica, surgindo como mencionado, alguns
problemas a controlar as dinâmicas em corredor lateral. Transição ofensiva muito débil, levou a que o
jogo se passasse todo nos nossos ultimos 40 metros.

93
11ª Jornada 18/02/18

Estoril Praia vs Sintrense (0-2)

Décima primeira jornada do campeonato nacional, o Sintrense apresentou-se numa estrutura de 1-4-3-
3, assim como a nossa equipa, que igualmente apresentou-se numa estrutura de 1-4-3-3.

O Sintrense apresentou-se num bloco médio-alto, tentando condicionar a nossa construção.


Orientaram com qualidade a pressão para os corredores laterais, sendo aí bastante agressivos
conseguindo quase sempre com que os nossos jogadores sentissem a necessidade de jogar direto no
avançado.
Também da nossa parte existiu essa tentativa de condicionar a construção adversária, e também no
nosso caso foi bem-sucedida, pois também o Sintrense poucas vezes conseguiu jogar com critério.
Foi no momento de transição ofensiva que conseguimos criar mais dificuldades à equipa adversária,
conseguindo consecutivamente e com êxito, variar o centro de jogo de um corredor lateral para o
outro, com critério, conseguindo muitas situações 1x1 em que os nossos extremos são fortes,
conseguindo criar inclusive algumas situações de golo através desses lances.
Embora o Sintrense demonstrasse algumas dinâmicas ofensivas sistematizadas, nenhuma delas foi
particularmente executada com êxito.
Onde o Sintrense conseguiu ser mais perigoso, foi através de esquemas táticos ofensivos, com a
marcação de cantos curtos, que acabaram por desorganizar a zona que formamos nesses momentos.

12ª Jornada 25/02/18

Belenenses vs Estoril Praia (2-0)


Décima primeira jornada do campeonato nacional, o Belenenses apresentou-se numa estrutura de 1-4-
4-2, enquanto que a nossa equipa se apresentou numa estrutura de 1-4-3-3.

Jogo bastante disputado, com o Belenenses a ter um ligeiro ascendente. Em organização ofensiva,
ambas as equipas tentaram sair a jogar desde trás, no entanto pelo pressing alto que ambas realizaram,
por vezes tiveram de recorrer a um jogo mais direto. Nós à procura de potenciar os extremos
principalmente no espaço, o Belenenses na tentativa de explorar as costas dos nossos laterais com
ruturas dos interiores nesse espaço.
Foi em transição ofensiva que as equipas se mostraram mais perigosas. Da nossa parte, a capacidade
dos nossos médios em tirar a bola da zona de pressão, isolando os extremos em situações constantes de
1x1, fez com que conseguíssemos criar algumas situações de perigo. O Belenenses tentando explorar o
espaço entre o nosso sector defensivo e intermédio, conseguindo enquadrar com bastante perigo para a
nossa última linha.

94
Também em esquemas táticos ofensivos a equipa do sacavenense se mostrou bastante perigosa,
principalmente em lances no 2ºposte.

13ª Jornada 04/03/18

Sporting vs Estoril Praia (2-1)


Décima primeira jornada do campeonato nacional, o Sporting apresentou-se numa estrutura de 1-4-3-
3, sendo que a nossa equipa se apresentou numa estrutura de 1-5-3-2.

Sporting em organização ofensiva marcadamente pelos corredores laterais. Conseguimos controlar


com relativa facilidade em organização defensiva, pela largura da nossa linha defensiva e a
agressividade positiva dos nossos médios, a chegar com bastante rapidez e lucidez no apoio aos
laterais. Em transição defensiva ambas as equipas conseguiram controlar com qualidade os espaços,
obrigando quase sempre o adversário a entrar em organização ofensiva, e não deixando qualquer das
equipas utilizasse o ataque rápido ou o contra-ataque.
O Sporting conseguiu com facilidade superiorizar-se à nossa equipa nos esquemas táticos, onde
conseguiu sempre, fosse através de cantos ou livres, criar perigo para a nossa baliza.

14ª Jornada 24/03/18

Estoril Praia vs União Leiria (0-1)


Décima primeira jornada do campeonato nacional, a União de Leiria apresentou-se numa estrutura de
1-4-3-3, sendo que a nossa equipa se apresentou também ela numa estrutura de 1-4-3-3.
O leiria conseguiu ter mais bola e mais domínio espácio-temporal, iniciando a sua fase de construção
com a linha de quatro atrás, conseguindo circular com alguma facilidade a toda a largura, com um dos
interiores (do lado contrário ao centro de jogo) a baixar para a linha do médio defensivo, enquanto que
os extremos procuravam bastante zonas interiores. O avançado atacava quase sempre a profundidade
nas costas dos nossos centrais e o interior do lado do centro de jogo procurou muitas vezes a rutura nas
costas dos nossos laterais.
Conseguimos condicionar relativamente bem essas tentativas de jogar na profundidade, no entanto
tivemos mais dificuldade quando saíam com critério desde trás, abrindo imensos espaços.
Tivemos sempre a tentação de jogar em profundidade nos extremos e no avançado, quase sempre com
pouco critério e pouco sucesso. Conseguimos mais situações com sucesso quando os extremos
conseguiam espaço no 1x1.
Sem bola, o leiria tentou sempre condicionar os nossos centrais, muitas vezes também encostando os
seus 3 médios aos nossos, fechando as linhas de passe para estes, que por falta de princípios de jogo
95
neste momento não conseguiram encontrar espaço para receber, obrigando a que os nossos jogadores
do sector defensivo recorressem ao jogo direto muitas vezes sem critério.
Em transição ofensiva procurámos muitas vezes acelerar e variar o corredor de jogo procurando
situações de igualdade numérica, quase sempre sem sucesso. O leiria tentou quase sempre transitar de
forma mais pausada e segura, embora também aqui não tenha estado particularmente bem.
No momento de transição defensiva foi onde nos encontrámos mais fortes, sempre com muitos
homens atrás da linha da bola e muito agressivos sobre o portador, embora não tanto nos espaços
circundantes. Já o Leiria tentou sempre baixar para trás da linha da bola rapidamente, pressionando
apenas o 1º e 2º passe da nossa parte, mostrando-se suficiente pois raramente conseguimos realizar
mais de 5 passes seguidos. Notou-se bastante na nossa equipa uma falta de motivação para este jogo
em particular.

96
6. Apresentação e Discussão de Resultados
6.1 Sobre Modelo de Jogo

Vivenciando dois contextos completamente distintos, nos Juniores A do Vitória Futebol Clube e nos
Juniores B do Grupo Desportivo Estoril Praia, foram evidentes as diferenças entre ambas, não apenas
pelo contexto em si (clube, condições de trabalho, jogadores, entre outros), mas também pela clara
diferença de pensamento epistemológico, metodológico e conceptual dos líderes dos respectivos
processos.
No contexto vivenciado nos juniores A, o modelo, mais concretamente nos seus momentos ofensivos,
Organização Ofensiva e Transição Ofensiva, especialmente no primeiro momento, o modelo de jogo
era idealizado tendo em conta determinados movimentos padronizados, tendo seis ou sete movimentos
(com e sem bola) e jogadas “estudadas”, vivenciadas e repetidas em processo de treino, que serviam
para que os jogadores as realizassem em campo, até ao ponto de reconhecerem exatamente que jogada
deveriam fazer em função dos movimentos de dois ou três jogadores. De outra forma, nos juniores B,
o modelo era idealizado de forma mais arbitrária, sendo que eram definidos alguns princípios, de jogo
para jogo, em função do adversário que se iria defrontar no fim-de-semana seguinte, portanto, dando
mais autonomia para os jogadores jogarem um jogo (de cada um) no qual se sentiam confortáveis,
com alguma incidência no fator estratégico.
Numa lógica contrária a qualquer um destes entendimentos de modelo de jogo, Carvalhal (2014) diz-
nos que podemos dizer que o modelo de jogo é algo utópico, podemos andar lá perto mas nunca o
alcançamos! Está em permanente evolução e reconstrução, até porque o “descobrir” as capacidades e
deficiências dos nossos próprios jogadores leva a que muitas vezes se enriqueça ou empobreça o
modelo inical que se idealiza. Na mesma lógica, Azevedo (2011) acrescenta que o Modelo de jogo é
algo que identifica uma determinada equipa, não é apenas um sistema de jogo, não é o posicionamento
e disposição dos jogadores, mas sim a forma como os jogadores estabelecem as relações entre si e
como expressam a sua identidade, uma determinada organização apresentada em cada momento do
jogo que se manifesta com regularidade.

97
6.2 Sobre Jogos Reduzidos e Condicionados

Segundo Costa et al (2010) a forma centrada nos jogos condicionados caracteriza-se pela
decomposição do jogo em unidades funcionais, que propiciam a aprendizagem e a
vivência das mesmas interações presentes nos jogos oficiais entre as dimensões tática, técnica,
psicológica e fisiológica, porém em escalas inferiores de complexidade.
No contexto de juniores A, os jogos reduzidos e condicionados, para além da sua escassa utilização,
estes tinham como intencionalidade inerente à sua realização, uma prespectiva menos ecológica dos
mesmos, centrando-se e tendo como objetivos principais a aquisição de melhorias físicas, no fundo
mais centradas nas capacidades condicionais dos atletas, e portanto, distanciando-se um pouco da
citação supramencionada.
Já nos juniores B, como referido em cima, as grandes preocupações de semana para semana eram o
adversário seguinte, no entanto, a opercionalização dos jogos reduzidos e condicionados eram uma
norma bastante evidente e presente no dia-a-dia da equipa. Estes jogos reduzidos e condicionados
tinham preocupações mais e técnicas, físiológicas e psicológicas aquando da sua operacionalização,
assim como preocupações táctico-estratégicas, indo de encontro à citação acima.
Também corroborando a ideia anterior, Graça et al. (2006), dizem-nos que a ideia de
jogo no qual as situações de exercícios da técnica aparecem claramente nas situações
táticas, simplificando o jogo formal para jogos reduzidos e relacionando situações de jogo com o jogo
propriamente dito. Eles preconizam que essa forma de ensino preserva
a autenticidade e a autonomia dos praticantes, respeitando o jogo formal, no qual as
estruturas específicas de cada modalidade são mantidas, como a finalização, a criação
de oportunidades para o drible, o passe, os lançamentos nas ações ofensivas, etc.
Também nesta lógica Costa e Nascimento (2004) referem que “o modelo centrado nos jogos
condicionados a aprendizagem inicia-se no jogo, daí partindo para as situações particulares (unidades
funcionais). Além disso, nesse modelo, os princípios do jogo é que regulam a
aprendizagem, estimulando a interpretação e aplicação dos princípios do jogo, sendo a
técnica ensinada a partir das dificuldades táticas”.

98
6.3 Sobre Liderança e Comunicação

Tendo vivenciado dois contextos extremamente diferentes entre si, talvez seja no tema da liderança
que ambos se distanciam mais um do outro. No contexto de juniores A a liderança exercida pelo líder
do processo pautava-se por ser autoritária em quase todos os momentos de treino, de jogo, assim como
os momentos de convivio mais social entre a equipa, sendo que a exeriência de ter sido jogador
profissional de futebol coloca-va o líder como uma referência e um exemplo para os jogadores, como
nos diz Vitória (2014).
Este estilo de liderança, marcadamente pessoal, surgia e emergia em todas as vertentes e vectores do
clube e da equipa, criando sobre o líder uma espécie de superior hierárquico.
Lourenço e Guadalupe (2017) afirmam que é cultural do nosso país, que existe a ideia de que a
liderança se posiciona, ou deve posicionar, no topo da pirâmide. O lider é percecionado, quase
exclusivamente, como o superior hierárquico. Acrescentam ainda que esta ideia errada, tem levado a
uma das grandes confusões sobre a temática, acabando de certa forma a desvirtuar o papel da
liderança. Ao posicionarmos a liderança no topo da pirâmide, no topo da cadeia de comando, estamos
a confundir a liderança com o poder formal escudado na posição do cargo que ocupa.
Já no contexto de juniores B, a liderança exercida era claramente uma liderança mais democrática, esta
exacerbava-se em todos os momentos, e muito pontualmente o líder alterava o seu tipo de liderança,
tendo-o feito sempre que considerou sustentável e benéfico fazê-lo. Esta prespectiva é corroborada por
Lourenço (2010), quando nos diz que a liderança é um processo social complexo, sistémico e
contextual, ou seja, é composta pelos mais variados sistemas que se relacionam constantemente entre
si de tal forma que permanecem em constante evolução, sendo que as ações do líder dependem e
adaptam-se ao contexto. Assim, um mesmo líder pode atuar de formas diferentes em situações
idênticas, mas inseridas num contexto diferente.

99
6.4 Sobre Treino de Jovens e Treino de Adultos

Uma das características onde os dois contextos em que estive envolvido ao longo da época
convergiram mais significativamente foi no treino. Não propriamente na sua estruturação e
confirguração, mas sim ao nível do pensamento por detrás e envolvente no mesmo. Ao definir-se
como grande prioridade os resultados desportivos, consequência do contexto em que nos encontrámos
sempre, Campeonatos Nacionais, onde os clubes/entidades apostam sempre para que a manutenção
(mínimo exigido) seja cumprida, o pensamento que se relaciona e que é subdesenvolvido por esta
premissa, levou a que os treinos, embora de diferentes formas, se desenvolvessem como se de uma
equipa sénior profissional se tratasse.
Este paradigma vai contrastar com o que encontrámos na literatura, onde Wein (2001) afirma que para
se desenvolver com sucesso os jovens jogadores de futebol, é necessário descobrir e compreender as
suas necessidades, por forma a não se submeter os jovens a exercícios desmotivantes ou até mesmo
mais indicados para adultos. Na mesma lógica, Reis (2008) diz-nos que o treinador de futebol infantil
deve saber que o treino a realizar neste nível assume características completamente diferentes em
relação ao treino a efectuar com atletas adultos, devendo os métodos e os exercícios seleccionados
atender ao crescimento e ao nível cognitivo do jovem praticante, objetivando um adequado
desenvolvimento íntegro e harmonioso das suas capacidades físicas e cognitivas ao longo do tempo
sem existir o risco de se comprometer o seu futuro.
Horta (2003) acrescenta ainda que o estádio de maturação condiciona o nível de rendimento
desportivo como a resposta ao treino. Assim como certos níveis de esforço ou de destreza motora não
são realizáveis enquanto o organismo não dispuser de condições funcionais e estruturais requeridas, de
igual forma um estímulo para ser eficiente necessita também de uma base orgânica capaz de assegurar
um certo grau de reactividade.

100
6.5 Sobre Microciclo/Morfociclo de Treino

Neste tema em particular os microciclos de treino forma bastante distintos nos contextos onde estive,
desde logo por questões de ordem espacial e disponibilidade de campos para treinar. Nos juniores A os
treinos davam-se de 2ª feira a 6ª feira, com jogo ao sábado e folga ao domingo. Nos juniores B
treinávamos 3ª feira, 4ª feira e 6ª feira, com jogo ao domingo. Portanto, passamos de um universo de 5
treinos semanais (7/8 no periodo preparatório) sempre com todo o campo para treinar, para um
universo de 3 treinos semanais, em que apenas um deles era em campo inteiro.
Nos juniores A os microciclos no periodo preparatório foram prespecitvados de forma a exponenciar
as capacidades condicionais, dando pouca importância à aquisição dos princípios e sub-princípios de
jogo da equipa, sendo que o autor Mallo (2015) não corrobora desta ideia, quando nos diz que a
estrutura do morfociclo é introduzida o mais cedo possível no inicio da época, de forma a garantir uma
adaptação a uma forma de jogar e às exigências metabólicas dessa mesma forma de jogar, ao mesmo
tempo procurando uma estabilização através do desenvolvimento de hábitos. Seguindo o teor desta
prespectiva Oliveira, in Silva (2008) diz-nos que o padrão semanal é fundamental para a organização
do processo uma vez que após o jogo analisa e define um conjunto de objetivos a incidir ao longo da
semana.
Já nos juniores B pela especificidade da limitação do número de treinos, toda a semana era
prespectivada de forma a adquirir determinados comportamentos para o jogo seguinte, indo de
encontro ao que diz Carvalhal (2014) , quando este afirma que o morfociclo não é mais do que o
espaço temporal entre 2 jogos. Assim, durante a semana, no treino, tenta-se desenvolver as dinâmicas
da equipa a nível coletivo e individual (individual de forma a potenciar a organização coletiva), no
sentido de preparar o próximo jogo tendo em consideração o que se passou no jogo anterior e o que se
prespectiva para o jogo seguinte.
No entanto, talvez pela escassez de sessões semanais de treino, não era prespectivado qualquer tipo de
treino com um intuito de recuperar os jogadores utilizados no jogo anterior, sendo que Tamarit (2010)
afirma que em cada jogo há um desgaste enorme em todos os sentidos: fisico, emocional...então o
resto do morfociclo tem como obejctivo recuperar a equipa para chegarem recuperados ao jogo
seguinte sem que deixem de adquirir novos niveis de resposta, tendo em conta que há jogadores que
não participaram na partida anterior. Já no contexto de juniores A, existia esta preocupação ao nível da
recuperação dos jogadores no primeiro dia da semana (2ª feira).

101
6.6 Sobre o Comportamento do Treinador

Segundo Pinheiro et.al, in Rodrigues e Sequeira (2017) o treinador tende a ser mais elogioso quando
está a ganhar por uma margem confortável. Mais afirmam que o treinador “diz palavrões” com maior
frequência quando está empatado do que quando está a ganhar por mais de dois golos. Parece que o
fator resultado confortável assume aqui particular interesse, pois o maior número de palavrões ocorre
quando o resultado não é uma vitória. Os mesmos autores referem que que o treinador é mais
desrespeitoso, quanto mais desfavorável for o resultado. Sugerem que o uso de encorajamento e
reprovação estão intimamente relacionados com o resultado. Tendo em conta a citação anterior,
claramente é um fator fácilmente corroborável nos contextos em que exerci funções nesta última época
desportiva, sendo que qualquer um dos líderes dos processos tende a ser mais elogioso quando se
encontra em vantagem no marcador, especialmente quando essa vantagem é maior, assim como tende
a ser mais injurioso quando se encontra com resultados menos favoráveis.
Pinheiro e Camerino (2008), analisaram o comportamento do treinador na promoção do fair play,
concluindo que os treinadores revelam poucas condutas promotoras do Espírito Desportivo. Segundo
este aspecto é também possível verificar a sua veracidade, no entanto, prespectivamos também que
estas condutas promotoras de espírito desportivo, oscilam também em função do resultado do jogo,
sendo que foi mais marcante este facto nos juniores A que nos juniores B.
Tendo em conta o estudo sobre liderança, coesão e satisfação com atletas portugueses de equipas de
Futebol e Futsal levado a cabo por Gomes, Pereira e Pinheiro (2008) em que estes nos indicam que os
próprios atletas valorizam os comportamentos interativos dos treinadores, mesmo quando estes se
relacionam com aspectos menos positivos. Mais acrescentam que isto só reforça o impacto que tem o
comportamento do treinador durante o treino pois os próprios atletas têm perceção da sua latitude.
Assim como importa salientar o que Costa et.al, in Rodrigues e Sequeira (2017) nos dizem, afirmando
que quem trabalha com jovens nunca se deve esquecer que eles estão a viver um processo de
maturação física e mental, atravessando um momento importante da sua formação pessoal, não só
desportiva como humana. É portanto imperativo e de extrema importancia que os treinadores no geral
consigam comportar-se de forma idêntica quando confrontados com diferentes resultados desportivos,
tentando sempre promover o fair-play e o espírito desportivo.

102
7. Conclusões Finais de Estágio

O presente trabalho teve como principal ambição desenvolver e sustentar capacidades práticas no
exercício da função de treinador de futebol, inserido em equipas técnicas com diferentes experiências
e valências, permitindo assim aportar conteúdos de reflexão constantes.
Terminando uma época extremamente intensa e com demasiadas peripécias, muitas das quais nunca
tinha vivenciado como treinador ou jogador, considero ter adquirido mais e melhores competências
que me permitirão encarar esta carreira com muito mais capacidade e conhecimento de causa, dentro e
fora de campo, que certamente me aportarão mais sustentabilidade no meu percurso.
Abordando sumariamente toda a experiência vivenciada ao longo desta época desportiva, mas nunca
separada das demais experiencias passadas, tanto a nível social, como profissional e académico, foram
algumas as conclusões e considerações que ficaram como constatações finais.
Ao longo deste processo percebi, como nunca antes, que a capacidade de adaptação aos mais diversos
contextos é de facto um elemento fundamental para o sucesso de qualquer profissional nesta área,
deparando-me com diversos contextos situacionais que mais que qualquer coisa, fizeram sobressair o
meu carácter, personalidade e profissionalismo.
Foi também de extrema relavância treinar com os jogadores que treinei, pela sua qualidade ímpar quer
a nível humano quer a nível futebolístico, capacitando-me de forma sustentada de uma constante
reflexão ao nível do treino e do jogo.
Os contextos onde decorreram estes processos fizeram-me também crescer sobremaneira no que diz
respeito ao planeamento e operacionalização do treino e no constante entrecruzamento e articulação
entre estes.
Consolidei também a ideia já antes por mim percecionada, de que o Modelo de Jogo, na sua visão
mais complexa, é de facto a referência pela qual todas as restantes dimensões são “arrastadas”, sendo
que de forma bastante evidente este Modelo pode emergir de variadíssimas formas e através de
questões mais macro ou mais micro.
Também sobre o Modelo de Jogo, importante foi perceber a diferença que faz este ser aplicado a
jogadores de topo, mesmo com ações/ideias mais deterministas, a capacidade de improviso, do
aparecimento do inopinado, condiciona e sobrevalora todo e qualquer modelo que se queira
implementar.

103
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