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De Bicca, Xavier, Porto & Magalhães Neto

Apostila de Imunologia – Material Didático

1º Edição
2017

1
AUTORES

Milene Bicca da Silveira Cláudia Costa Porto


Graduanda do Curso de Nutrição da Universidade Federal Graduanda do Curso de Nutrição da Universidade Federal
de Pelotas (UFPel) de Pelotas (UFPel)
Monitoria Voluntária Monitoria Voluntária

Taila Freitas Xavier Albino Magalhães Neto


Graduanda do Curso de Nutrição da Universidade Federal Professor de Microbiologia e Imunologia do Departamento
de Pelotas (UFPel) de Microbiologia e Parasitologia
Monitoria Voluntária

2
Sumário Linfócitos T-helper ....................................................................27
Prefácio .............................................................................................. 5 Linfócitos T-helper 1 .................................................................28
Introdução ......................................................................................... 6 Linfócitos T-helper 2 .................................................................28
Órgãos do Sistema Imune............................................................. 8 Linfócitos T-helper 17 ...............................................................29
Órgãos Linfoides Primários ......................................................... 9 Linfócitos T supressores .........................................................30
Timo .............................................................................................. 10 Linfócitos T- citotóxicos ..........................................................31
Medula Óssea ............................................................................. 11 Linfócitos B .....................................................................................31
Órgãos Linfoides Secundários .................................................. 12 Células NK (Natural Killer) ...........................................................32
Baço .............................................................................................. 13 Mecanismos Inatos .......................................................................33
Gânglios Linfáticos ................................................................... 14 Componentes do mecanismo Inato ..........................................34
Amigdalas.................................................................................... 15 Imunidade de Mucosa...................................................................35
Tecido Linfoide .......................................................................... 16 Placa de Peyer ................................................................................36
Placa de Peyer............................................................................ 17 Natureza dos antígenos ...............................................................37
Células do Sistema Imune .......................................................... 18 Diversidade das imunoglobulinas .............................................38
Células Fagocíticas ...................................................................... 19 Sistema Complemento .................................................................41
Neutrófilos................................................................................... 20 Vias de ativação do Sistema Complemento ...........................42
Eosinófilos .................................................................................. 21 Mecanismo Adquirido...................................................................44
Basófilos ...................................................................................... 22 Tipos de mecanismos adquirido ...............................................45
Monócitos .................................................................................... 23 Mecanismo de imunidade adquirida mediada por células .47
Macrófagos ................................................................................. 24 Cooperação entre mecanismos de imunidade adquirida
Mastócitos ................................................................................... 25 humoral e mediada por células ..................................................48
Linfócitos..................................................................................... 26 Tipos de Imunidade .......................................................................49
Linfócitos T ..................................................................................... 27 Imunidade Adquirida de forma Natural ................................49

3
Imunidade Adquirida de forma Artificial ............................. 51
Soros com anticorpos.............................................................. 52
O poder imunológico da amamentação .................................. 53
Referências Bibliográficas: ........................................................ 58

4
Prefácio revisão. No entanto, esperamos e acreditamos que sejam
úteis e interessantes para todo estudante de imunologia.
A ideia da publicação dessa apostila surgiu da Agradecemos em especial às queridas alunas, monitoras
necessidade conjunta dos alunos de graduação dos voluntárias, Cláudia Costa Porto, Milene Bicca da
cursos de Medicina e Nutrição de produzir material Silveira e Taila Freitas Xavier, que nos deram a honra,
didático, que atendesse as dificuldades dos mesmos decorrente de suas dedicações, de apresentar este
sobre o aprendizado de imunologia. Desse modo, o nosso material didático.
principal desafio é oferecer conteúdo que abarque tópicos
de importância básica, e, que ao mesmo tempo, possa
manter-se suficientemente atualizado. Esta apostila tem Prof. Albino Magalhães Neto
por finalidade servir como um texto introdutório de
imunologia nas disciplinas que as ementas garantem este
conhecimento para acadêmicos de Medicina, Nutrição e
de outras áreas que necessitam do conhecimento da
imunologia. É uma tentativa de aprender o campo da
imunologia de um ponto de vista mais simples, ou seja,
acima de tudo, o Sistema Imune existe para proteger o
hospedeiro da infecção, e sua história evolutiva deve ter
sido moldada, em grande medida, por esse desafio. O
conteúdo desta apostila deve auxiliar os estudantes a
aprender e entender a importância dos mecanismos
imunológicos básicos e, em particular, servir como

5
Introdução organismos estranhos, como células neoplásicas,
desenvolvem mecanismos de evasão para fugir da
O sistema imune é o conjunto de células, resposta imune. Provavelmente, a palavra que melhor
tecidos, órgãos e moléculas que os humanos e outros define o sistema imune, é “diversidade”. Esta diversidade
seres vivos usam para a eliminação de agentes externos é conseguida através da existência de receptores à
capazes de provocar doença (agentes patogénicos) tais superfície dos linfócitos que funcionam como pinças para
como vírus, bactérias, parasitas, fungos ou agentes agarrar os micro-organismos. Uma resposta imune
internos como os tumores, moléculas estranhas, com a específica, como a produção de anticorpos contra um
finalidade de se manter a homeostasia do organismo. Os determinado agente infeccioso, é conhecida como um
mecanismos fisiológicos do sistema imune consistem mecanismo de defesa adaptativo, uma vez que é obtida
numa resposta coordenada dessas células e moléculas durante a vida de um indivíduo como reação adaptativa à
diante dos organismos infecciosos e dos demais presença de patógeno específico. Em muitos casos, a
ativadores, o que leva ao aparecimento de respostas resposta imune adaptativa confere imunidade protetora
específicas e seletivas, inclusive com memória imunitária, contra reinfecções pelo mesmo agente infectante. Isso
que também pode ser criada artificialmente, através das diferencia essas respostas dos mecanismos de defesa
vacinas. Na ausência de um sistema imune funcional, inata (também denominada defesa natural ou nativa) que
infecções leves podem levar vantagem sobre o proporciona a defesa inicial contra micro-organismos.
hospedeiro e levá-lo à morte. Porém, mesmo com um Consiste em mecanismos de defesa celulares e
sistema imune funcional, o ser humano, por exemplo, bioquímicos, que já existem até mesmo antes da infecção
pode adquirir uma doença infecciosa ou um câncer, pois a e que estão prontos para responder rapidamente a
resposta imune específica, diante de um agente agressor, infecções. Nesta apostila, serão abordados conceitos
leva tempo para se desenvolver e, além disso, tanto

6
básicos dos principais componentes do sistema imune, os
mecanismos de defesa inata e adaptativo.

Figura 1: http://www.saudecuriosa.com.br/o-que-acontece-com-o-seu-corpo-
quando-voce-corta-o-acucar-refinado/

7
Órgãos do Sistema Imune

Os órgãos do sistema imune se dividem em:


órgãos linfoides primários e órgãos linfoides secundários.
Primários são Timo e medula óssea (local de formação
das células imunitárias).

Secundários: baço, gânglios linfáticos, amígdalas,


tecido linfático (local de circulação e armazenamento das
células imunitárias) e Placa de Peyer.

Figura 2: Ilustração da divisão dos órgãos do sistema imune

8
Órgãos Linfoides Primários

São considerados órgãos linfoides primários a


medula óssea e o timo. São definidos como primários
porque neles que os linfócitos expressam inicialmente os
receptores de antígenos.

Figura 3: Órgãos primários do sistema linfático.


(http://merciacallou.blogspot.com.br/2011/02/funcao-dos-orgaos-linfoides-
primarios-e.html)

9
Timo quando o homem chega na terceira idade, sobra apenas
um pequeno resto atrofiado da glândula.

O timo é um órgão bilateral (dois lobos) localizado


na porção antero superior da cavidade torácica. É
considerado um órgão linfoide primário, porque é nele que
os linfócitos T se desenvolvem. Cada lóbulo do timo é
subdividido em vários outros lóbulos, sendo que cada um
possui uma região mais externa denominado córtex (zona
escura) e uma mais interna denominada medula. O córtex
é mais rico em pequenos linfócitos do que a medula.
Outros tipos celulares estão espalhados pelo timo como
macrófagos e células dendríticas. É nele que ocorre a
diferenciação dos linfócitos T e a remoção dos linfócitos T
reativos contra auto antígenos, ou seja, antígenos do
próprio organismo, uma questão importante para a
Figura 4: Timo e sua localização. ( http://www.paxala.com/el-timo/)
indução de tolerância aos antígenos próprios.

O timo atinge seu máximo desenvolvimento em


relação ao peso corporal imediatamente após o
nascimento. No entanto, apresenta seu maior tamanho na
puberdade e após esta fase, ele começa a regredir,

10
Medula Óssea

A medula óssea consiste em uma estrutura


reticular esponjosa, localizada na parte interna da coluna
vertebral. Ela é reconhecida pelo fato de ser o local de
produção de anticorpos, este fato deve-se a presença de
linfócito B que são gerados nos tecidos linfoides
periféricos, que reconheceram um antígeno especifico.
Estas células estimuladas migram para medula e lá
executam sua função por muitos anos, pois encontram um
ambiente favorável para a sua sobrevivência.

Figura 5: Medula óssea e sua localização. ( http://www.infoescola.com/anatomia-


humana/medula-ossea/)

11
Órgãos Linfoides Secundários

Os órgãos linfoides secundários são tecidos


anatomicamente distintos que concentram antígenos
estranhos para que neles ocorra o início da resposta
imune adaptativa. Alguns desses órgãos estão
espalhados por todo nosso corpo, dessa forma facilitam
uma reação adaptativa rápida. São eles: baço, gânglios
linfáticos, amígdalas, tecido linfoide (associado às
mucosas e o sistema imunológico cutâneo) e Placa de
Peyer.

Figura 6: Órgãos secundários do sistema linfático:

( http://merciacallou.blogspot.com.br/2011/02/funcao-dos-orgaos-linfoides-
primarios-e.html)

12
Baço

É o maior órgão do sistema linfático, tem a função


imunológica desempenhada por duas polpas, uma branca
(formado por tecido linfoide) que produz e armazena os
linfócitos, que produzem por sua vez, anticorpos
(proteínas especializadas que protegem contra a invasão
de substancias estranhas) e o outra vermelha que filtra o
sangue, removendo materiais indesejados. Ela contém
outros glóbulos brancos denominados fagócitos, que
ingerem microrganismos, como bactérias, fungos, e vírus,
também controla os glóbulos vermelhos e destrói aqueles
que são anormais, estão demasiadamente velhos ou
danificados para funcionar apropriadamente. Armazena
Figura 7: Baço e sua localização. ( http://www.saudedescomplicada.com/anatomia-
células de defesa, liberando-as na circulação quando humana/funcao-do-baco/)
necessário.

13
Gânglios Linfáticos

Possuem a forma parecida a de uma amêndoa,


formam uma espécie de cacho, nas regiões do pescoço,
axilas, tórax e abdômen. Tem como função filtrar a linfa
de substancias estranhas, produzem glóbulos brancos
como linfócitos e células plasmáticas, encarregados de
destruir substancias nocivas.

Figura 8: Gânglios linfáticos localizados no pescoço. (https://www.tuasaude.com)

14
Amigdalas

São duas estruturas localizadas perto da garganta


que contribuem para o sistema defesa do organismo.
Grande parte dos agentes infecciosos entram pela boca
com a respiração, as amigdalas permitem uma resposta
rápida a eles, ao entrarem em contato com o vírus e
bactérias elas passam a produzir anticorpos. Mas essa
influência no sistema imunológico é pequena, na infância
representa 2% da produção de anticorpos, diminuem a
Figura 9: Amígdalas e sua localização. ( https://biosom.com.br)
medida em que a pessoa cresce e na adolescência
perdem praticamente e utilidade.

15
Tecido Linfoide

É formado por vários tipos de células do


sistema imunológico que atuam no combate a
infecções. A maioria das células são linfócitos, um
tipo de glóbulo branco do sangue.

Figura 10: Tecido linfoide nodular

16
Placa de Peyer

São aglomerados de nódulos linfáticos


localizados principalmente na mucosa do íleo. Elas tem a
mesma atividade que as amigdalas: produzem linfócito B
que secretam IgA - secretória para a mucosa, para
proteger essa da ação de microrganismos que vivem em
simbiose conosco ou microrganismos patogênicos. Figura 11: Ilustração do intestino delgado localizando a placa de peyer

17
Células do Sistema Imune

As células tronco hematopoiéticas dão origem a


todas as células sanguíneas na medula óssea. As células
precursoras mielóides dão origem aos eosinófilos,
basófilos, mastócitos, neutrófilos, monócitos
(macrófagos), plaquetas e algumas células dendríticas.
Os linfócitos B, linfócitos T, células Natural Killer e
algumas células dendríticas possuem origem na linhagem
Figura 12: Conjunto de células do sistema imune.
linfoide. Além de todas as células desenvolverem na http://biomedicinanordestina.blogspot.com.br/2016/02/sistema-imunologico.html
medula óssea, muitas também maturam neste ambiente
ou permanecem quando se tornam células de memória.
As células do sistema imune inato e adaptativo são
denominadas de células sanguíneas brancas ou
leucócitos.

18
Células Fagocíticas

Os fagócitos, incluindo os neutrófilos e os


macrófagos, são células cuja função principal é identificar,
ingerir e destruir microrganismos.

As respostas funcionais dos fagócitos na defesa


do hospedeiro consistem em recrutamento ativo das
células para os locais de infecção, reconhecimento dos
antígenos, ingestão e destruição dos mesmos pelo
processo de fagocitose. Além disso, os fagócitos
produzem importantes citocinas para a comunicação
imunológica.

19
Neutrófilos

São as células mais numerosas e importantes nas


respostas imunes inatas. Eles capturam, uma variedade
de microrganismos por fagocitose e os destroem
eficientemente em vesículas intracelulares usando
enzimas de degradação e outras substancias
antimicrobianas armazenadas em seus grânulos
citoplasmáticos.

Figura 13: Ilustração de um neutrófilo

20
Eosinófilos

São células importantes no combate a infecções,


sendo sua ação antiparasitária (helmintos) uma das mais
potentes e eficazes do organismo. São também
importantes nas reações alérgicas e asma, após a
maturação, circulam pela corrente sanguínea em
pequenas quantidades, podendo ser encontradas em
maior número nas regiões de mucosas, como do trato
gastrointestinal, respiratório e geniturinário. Combatem
infecções parasitarias por citoxicidade mediada por
células dependentes de anticorpos. Durante esse
processo aderem aos patógenos revestidos com
anticorpos IgE ou (IgA). Uma vez ativados, os eosinófilos Figura 14: Ilustração de um eosinófilo

induzem inflamação, mediante produção e liberação do


conteúdo dos grânulos.

21
Basófilos

São um dos subtipos de leucócitos (glóbulos


brancos). Estas células são muito importantes no
funcionamento de nosso sistema imunológico.
Durante o combate a uma infecção em nosso
corpo, os basófilos liberam duas importantes substâncias.
A heparina, que é um importante anticoagulante. A outra é
a histamina, que atua como vasodilatadora nas alergias.
São formados em nossa medula óssea.

Apenas entre 1% e 2% dos leucócitos presentes


em nosso sangue são basófilos.

Figura 15: Ilustração de um basófilo

22
Monócitos

São células do sangue que fazem parte do sistema


imunológico que têm como função defender o organismo
de corpos estranhos tais como bactérias ou vírus, além de
remover partículas estranhas e destruir células tumorais.
O monócito é um dos cinco tipos principais
de leucócitos existentes e originam-se na medula óssea.
Após sua origem e diferenciação, os monócitos movem-se
para a corrente sanguínea e permanecem nela por
algumas horas até finalmente migrar para os tecidos,
onde diferenciam-se em macrófagos.

Figura 16: Ilustração de um monócito

23
Macrófagos Podem induzir a produção aumentada de células
envolvidas em uma resposta inflamatória e/ou imunitária.
É uma célula derivada do monócito, um tipo de
linfócito produzido na medula óssea através da Além das funções descritas, os macrófagos têm a

diferenciação de células-tronco hematopoiéticas através capacidade de expor em sua superfície fragmentos

de um processo conhecido como hematopoese. Após o derivados de sua atividade fagocitária, essa exposição

processo de diferenciação destas células pluripotentes, pode iniciar uma resposta imunitária quando reconhecidos

os monócitos são eliminados na corrente sanguínea onde pelos linfócitos, quando exercem essa função, os

posteriormente saem do sangue atravessando a parede macrófagos também recebem o nome de células

dos vasos sanguíneos diferenciando-se em macrófagos. apresentadoras de antígenos.

Os macrófagos são reconhecidos como as células de


limpeza do corpo tendo como função primária fagocitar
partículas, sejam elas restos celulares, partículas inertes
ou microrganismos.

Algumas funções dos macrófagos:

Atraem outras células para um local em que esteja


ocorrendo uma reação inflamatória;

Regulam o funcionamento de células envolvidas na


resposta imunitária;

Figura 17: Ilustração de um macrófago

24
Mastócitos

São células grandes, livres, caracterizadas pela


presença, em seu citoplasma, de inúmeros grânulos
metacromáticos, os quais são tão abundantes que podem
chegar a mascarar o núcleo esférico e central. A principal
função dos mastócitos é armazenar potentes mediadores
químicos da inflamação, como heparina (anticoagulante),
histamina (vasodilatador). Além disso, a superfície dos
mastócitos contém receptores específicos para
imunoglobulina E (IgE) produzida pelos linfócitos B. A
maior parte das moléculas de IgE fixa-se na superfície
dos mastócitos e dos granulócitos basófilos. A liberação
de mediadores químicos armazenados nos mastócitos
Figura 18: Ilustração de um mastócito
promove reações alérgicas denominadas “reações de
sensibilidade imediata”, nas quais atrai os leucócitos até o
local e causa também vasodilatação.

25
Linfócitos

Os linfócitos T e B maduros são oriundos de


células precursoras linfoides derivadas da medula óssea.
Durante o desenvolvimento as células T imaturas migram
para o timo, onde amadurecem, enquanto as células B
desenvolvem-se na própria medula.

Figura 19: Ilustração de um linfócito

26
Linfócitos T Linfócitos T-helper

São células que tem diversas funções no


organismo, e todas são de extrema importância para o
Possui receptor CD4 na superfície, que tem a
sistema imune. O nome linfócito T derivada das células
função de reconhecer macrófagos ativados. É o principal
serem dependentes do timo para o seu desenvolvimento,
alvo do vírus HIV. Esta célula é o mensageiro mais
sendo então o T de Timo-dependentes.
importante do sistema imune. Ele envia mensagens de
Funcionalmente os linfócitos são separados em ataque para diversos leucócitos para realizar a guerra
linfócito T-helper, linfócito T-citotóxico, linfócito T- imunológica contra o agente agressor.
supressor e linfócito T de memória. Cada um deles possui
receptores característicos (além do TCR que é padrão
para as células T), que são identificáveis por técnicas
imunológicas e que tem funções específicas. Entretanto,
todas as células T possuem os receptores TCR e o CD3.

27
Linfócitos T-helper 1 Linfócitos T-helper 2

As células Th1 mediam a resposta imunológica As células Th2 mediam a defesa do hospedeiro
contra agentes patogénicos intracelulares. Nos humanos, contra parasitas extracelular, onde se inclui os helmintos.
elas são essenciais na resistência São importantes na indução e na persistência da asma e
a infeções micobacterianas. As células Th1 são de outras doenças alérgicas. As células Th2 produzem IL-
responsáveis pela indução de algumas doenças 4, IL-5, IL-9, IL-10, IL-13, IL-25 e anfiregulina. A IL-4 é
autoimunes. As principais citocinas libertadas por este tipo uma citocina de feedback positiva para a diferenciação
de células T são: o interferão-γ (IFN-γ), linfotoxina alfa de células Th2 e é o principal mediador na estimulação da
(LT-α) e interleucina-2 (IL-2). O IFN-γ produzido expressão de IgE nos linfócitos B. A IL-5 tem um papel
pelas células Th1 é importante central no recrutamento de eosinófilos. Para além do seu
na ativação de macrófagos e o consequente aumento da efeito nos mastócitos e nos linfócitos, a IL-9 induz a
sua atividade microbicida. A produção de IL-2 é produção de mucina nas células epiteliais durante
importante para as células T CD4+ de memória. a reação alérgica. A IL-10, produzida pelas células
As células IFN-γ+IL-2+ são consideradas as percursoras Th2, suprime a proliferação das células Th1 e, por
das células Th1 de memória. vezes, suprime a função das células dendríticas. Em
relação à IL-13, é uma citocina
efetora na expulsão dos helmintos e na indução de
algumas hipersensibilidades. A anfiregulina faz parte da
família dos fatores de crescimento epidermal (EGF, do
inglês “epidermal growth factor) e funciona como
um indutor da proliferação das células epiteliais. A IL-

28
25 (também conhecida como a IL-17E) é também Linfócitos T-helper 17
uma citocina produzida pelas células Th2. Este mediador
induz o aumento de produção das citocinas IL-4, IL-5 e IL- As células Th17 mediam a resposta imunológica
13. Assim, a IL-25 pode funcionar como um promotor e, contra fungos e bactérias extracelulares. São
também, como um amplificador das respostas por parte responsáveis por, ou participam na, indução de
das células Th2. A IL-25 também pode induzir a produção muitas doenças autoimunes. As células
de quimiocinas, como o RANTES (CCL5) e Th17 produzem IL-17a, IL-17f, IL-21 e IL-22. A IL-
a eotaxina (CCL11) que recruta os eosinófilos. 17a pode induzir muitas citocinas inflamatórias, como
a IL-6 e a IL-8 (também conhecida como CXCL8), e assim
tem um papel relevante na indução de respostas
inflamatórias. Tanto a IL-17a como a IL-17f
recrutam e ativam neutrófilos durante a resposta
imunológica contra fungos e bactérias extracelulares.
A IL-21 produzida pelas células Th17 é
um estimulador na diferenciação das Th17 e atua como
um amplificador de feedback positivo, tal como o IFN-
γ para células Th1 e a IL-4 para as células Th2.
Esta citocina também atua nas células T CD8+,
nos linfócitos B , nas células natural killer e nas células
dendríticas. A IL-22 tem um
papel protetor dos hepatócitos durante a inflamação
aguda do fígado. Também media a defesa do hospedeiro

29
contra bactérias patogénicas. No entanto, estas funções Linfócitos T supressores
dependem largamente da estimulação de IL-
23 que induz a produção de IL-22 por parte das células da
resposta inata, do que através da ação das células Th17. São linfócitos que tem a função de modular a
resposta imune através da inibição da mesma. Ainda não
se conhece muito a respeito desta célula, mas sabe-se
que ele age através da inativação dos linfócitos T
citotóxicos e helpers, limitando a ação deles no organismo
numa reação imune. Sabe-se que o linfócito T-helper ativa
o linfócito T-supressor que vai controlar a atividade deste

linfócito T- helpers, impedindo que eles exerçam


suas atividades excessivamente.

Figura 20: Ilustração dos T-Helper 1,2 e 17 e suas funcionalidades

30
Linfócitos T- citotóxicos Linfócitos B

São células que fazem parte de 5 a 15% dos


linfócitos circulantes, se originam na medula óssea e se
Apresenta receptores TCR. Especializado para o desenvolvem nos órgãos linfoides, têm como função
reconhecimento de antígenos associados ao complexo própria, a produção de anticorpos contra um determinado
MHC-I na superfície de outras células. Produz perforinas agressor. Anticorpos são proteínas denominadas de
e outras proteínas que matam células estranhas, células imunoglobulinas que exercem várias atividades de acordo
infectadas por vírus e algumas células cancerosas. com o seu isotipo (IgG, IgM, IgA), linfócitos B possuem
como principal marcador de superfície a IgM monomérica,
que participa do complexo receptor de antígenos. Esta
imunoglobulina entra em contato com o antígeno quando
lhe é apresentado diretamente ou indiretamente pelos
macrófagos. Em repouso não produzem imunoglobulinas,
mas quando estimulados por substâncias químicas como
interleucinas (como a IL-4 e a IL-1). Secretam ativamente
anticorpos específicos na resposta imune específica.

31
Células NK (Natural Killer) em sua superfície celular. Essas moléculas receptoras de
células NK são subdivididas em duas categorias
diferentes: receptores NK tipo imunoglobulinas e
Também conhecidas como células exterminadoras
receptores NK do tipo C, semelhante à lectina. Os ligantes
naturais ou células NK são definidas como células
para esses receptores são as moléculas encontradas na
citotóxicas não específicas que são importantes na
superfície celular cuja expressão sofreu alteração
resposta precoce às células tumorais e infecções virais.
resultante da infecção ou da lesão. As células NK também
São oriundas da medula óssea, linfócitos granulares
facilitam a resposta precoce às infecções virais, não
grandes que correspondem a 5-15% das células
apenas respondendo às citocinas produzidas
mononucleares do sangue periférico. Possui tamanho
precocemente durante uma infecção viral, mas também
ligeiramente maior que o do linfócito pequeno, e a
pela produção de citocinas que auxiliam diretamente a
presença do citoplasma granular abundante, permitem
reposta imune.
diferenciá-las do linfócito T. Seu citoplasma, bem como o
dos linfócitos T, é caracterizado por grânulos citotóxicos
que contêm dois potentes mecanismos que medeiam a
lise da célula-alvo. Apesar de as células NK não
expressarem nenhuma molécula específica
para antígenos, elas são altamente eficientes em
reconhecer e exterminar as células que apresentam
alterações ou que estão infectadas por vírus. As
atividades das células NK são reguladas por meio da
ativação e inibição das moléculas receptoras expressas

32
Mecanismos Inatos direcionada tanto contra antígenos microbianos quanto
para não-microbianos.

Atualmente sabe-se que a imunidade inata está


Todos os organismos multicelulares dentre eles
direcionada especificamente contra microrganismos,
plantas, invertebrados e vertebrados possuem
sendo um mecanismo inicial poderoso capaz de controlar,
mecanismos interno para defendê-los contra as infecções
e até extinguir as infecções antes que a imunidade
microbianas. Como esses mecanismos de defesa estão
adquirida se torne ativa.
sempre presentes, são os primeiros a serem
reconhecidos e eliminam os patógenos.

Os componentes da imunidade inata formam o


sistema imunológico inato. A característica em comum
dos mecanismos de imunidade inata é que eles
reconhecem e respondem aos microrganismos, porém
não reagem a substâncias não-bacterianas. Ela também
pode ser desencadeada pelas células do hospedeiro que
são danificadas pelos microrganismos.

A imunidade inata se contrapõe a imunidade


adquirida que precisa ser estimulada e se adapta para
encontrar o microrganismo antes de se tornar eficaz, além
disso a resposta imunológica adquirida pode ser

33
Componentes do mecanismo Inato Fagócitos: Neutrófilos e Monócitos/Macrófagos:

Em resposta ás infecções, a produção dos neutrófilos na

O sistema imunológico inato consiste em epitélio, que medula óssea cresce rapidamente e seu número pode até

fornece barreira às infecções, células na circulação e nos dobrar. A produção é estimulada pelas citocinas,

tecidos e diversas proteínas plasmáticas. Esses conhecidas como fatores estimulantes de colônias, que

componentes desempenham diversos papéis, mas se são produzidas por muitos tipos celulares em resposta ás

complementam, assim bloqueando a entrada de infecções, e que atuam nas células-tronco da medula

microrganismos e eliminando aqueles que entram nos óssea. Estes são o primeiro tipo celular a responder a

tecidos do hospedeiro. maioria das infecções, mas precisamente as infecções


bacterianas e fúngicas. Atuam ingerindo os
microrganismos na circulação e entram rapidamente nos
tecidos extravasculares nos locais de infecção, onde
Barreira epitelial:
também ingerem os patógenos morrendo depois de
São conhecidas como as portas de entrada mais algumas horas.
frequentes dos microrganismos, isto é, a pele, o trato
gastrointestinal e o trato respiratório. Estas são as três
principais interfaces entre o corpo e o ambiente externo. Citocinas do Mecanismo Inato:
Os microrganismos do meio externo podem entrar através
Em resposta aos patógenos, os macrófagos e outras
do contato físico, ingestão ou respiração. Todas elas são
células secretam proteínas, chamadas de citocinas, que
revestidas por um epitélio continuo que interfere na
são intermediarias em muitas reações celulares da
entrada dos patógenos.
imunidade inata. São proteínas solúveis que servem de

34
mediadoras nas reações imunológicas e inflamatórias, Imunidade de Mucosa
sendo responsáveis pela comunicação entre leucócitos e
As mucosas consistem em regiões anatômicas
entre os leucócitos e outras células. A maioria delas tem
extensas, que podem ser alvos de processos infecciosos
estrutura molecular definida na qual é chamada por
de maneira muito fácil, pois serve de porta de entrada por
convenção de interleucina, o que significa que essas
diversas vias: aéreas, ingestão de alimentos ou água
moléculas são produzidas pelos leucócitos e atuam nos
contaminada, contato sexual (vias gênito-urinárias) ou o
leucócitos. Na imunidade inata, os macrófagos ativados,
próprio trato urinário, onde o micro-organismo pode
ao reconhecerem os microrganismos, são a principal fonte
invadir e ascender esse trato até chegar a determinados
de citocinas. Elas também são produzidas na imunidade
órgãos.
celular.

Todas as citocinas são produzidas em pequenas Esse tecido está presente nas glândulas salivares e

quantidades em resposta a um estimulo externo, como mamares, no tecido do trato gênito-urinário, no tecido

um microrganismo. Elas se ligam a receptores de alta respiratório como um todo - desde a mucosa nasal, oral e

afinidade nas células-alvo. A maioria das citocinas age o tecido pulmonar - e também no tecido de mucosa que

nas células que as produzem (ações autócrinas) ou nas compõe o sistema digestório (estômago e

células adjacentes (ações parácrinas). Na reação principalmente intestino). No tecido digestório há uma

imunológica inata contra as infecções, pode ser ativado especialização maior: o tecido linfoide associado à

um grande número de macrófagos, de forma que são mucosa, onde em sua grande extensão haverá

produzidas grandes quantidades de citocinas que podem componentes do tecido imune como macrófagos, células

atuar em locais distantes de onde foram secretadas. dendríticas e linfócitos difusos. Na região intestinal,
sobretudo, há uma organização ainda maior desse tecido.
Ele recebe um nome especial, GALT (tecido linfoide
35
associado ao intestino), e é alvo de muitos estudos da Placa de Peyer
imunologia. Nele, as respostas imunes funcionam um
pouco diferente do que a gente viu. Do que, por exemplo, Trata-se de uma região mais frequente no
linfócitos sendo ativados em linfonodos e no baço. intestino delgado e com estruturas que se assemelham
a um linfonodo: uma região exclusiva de linfócitos B,
uma região exclusiva de linfócitos T, células
dendríticas prontas para reconhecer e apresentar ao
B, regiões foliculares que geram centros germinativos.

Na placa de Peyer há uma célula muito


importante: a célula M. Essa célula é diferente dos
enterócitos – não apresenta micro vilosidades, não
secreta muco, e não atua como célula do intestino,
mas agirá no transporte de antígenos para o tecido
epitelial associado a mucosas. Ela tem a capacidade
de capturar o antígeno peptídeo no lúmen do
intestino, transportar e “largar” na Placa de Peyer.
Quando ela faz isso, imediatamente uma Célula dendrítica
próxima pode capturar esse antígeno e induzir uma
resposta.

Linfócitos;

Linfócitos B: células secretoras de anticorpos


36
IgA (obs: imunoglobulina, não célula) Natureza dos antígenos

Na parte epitelial, inseridos entre as células


O antígeno (do grego anti, contra e gen, gerar) é qualquer
epiteliais da mucosa, estão linfócitos. Estes são
substância solúvel, celular ou particulada que pode ser
chamados de linfócitos intraepiteliais. Há, também,
especificamente ligada por um anticorpo ou por um
células endríticas muito próximas do epitélio, e seus
receptor de antígeno de célula T. Os antígenos possuem
prolongamentos (bracinhos) alcançam a luz intestinal.
duas propriedades: a da imunogenicidade, que é a
Assim, essas células podem capturar antígenos de capacidade de induzir uma resposta imune específica, e a
dentro do lúmen e transportar para o tecido linfoide da antigenicidade, que é a capacidade de interagir com os
associado ao intestino. Isso acontece, por exemplo, linfócitos T ou linfócitos B já sensibilizados. Assim, todas
dentro da placa de Peyer, ativando uma resposta que, as substâncias imunogênicas são também antigênicas. As
a depender do antígeno, pode ser inflamatória efetora moléculas que desencadeiam a resposta imune são
(patógeno) ou regulatória (microbiota ou antígeno chamadas de imunógenos. Pequenas substâncias
próprio). químicas não são capazes de estimular uma resposta e,
portanto, recebem o nome de hapteno. Para ter
capacidade de induzir uma resposta imune, o hapteno é
ligado a uma macromolécula, que é chamada de
carreadora. O complexo hapteno-carreador, ao contrário
do hapteno livre, pode atuar como um imunógeno.

Os antígenos podem ser classificados em:

37
Imunógeno: Antígeno capaz de suscitar uma resposta Diversidade das imunoglobulinas
imune e memória.
A estrutura básica da molécula de imunoglobulina
Hapteno: Moléculas pequenas incapazes de provocar
consiste de quatro cadeias polipeptídicas, sendo duas
uma resposta imune sozinhas, necessitando proteínas.
cadeias leves e duas cadeias pesadas, unidas por pontes
dissulfeto formando uma proteína globular em forma de Y.
A haste do Y é denominada fragmento Fc e é responsável
pela atividade biológica (função efetora) dos anticorpos.
Diferenças estruturais no Fc definem os cinco isotipos
principais ou classes de imunoglobulinas: IgA, IgD, IgE,
IgG e IgM. Tanto as cadeias pesadas quanto as cadeias
leves têm uma região constante e uma região variável. A
região variável é responsável pela interação com o
antígeno – são os “braços” da molécula de anticorpo e
são denominados
fragmentos Fab (Fragment antigen binding). As moléculas
de imunoglobulinas ou anticorpos apresentam diferenças
na sequência de aminoácidos nas porções Fab. A
diversidade nesses sítios de ligação ao antígeno garante
que haja um repertório quase ilimitado de especificidades
de anticorpos.

38
IgA: Representa 15-20% das imunoglobulinas do soro
humano. No homem, mais de 80% da IgA ocorre sob a
forma monomérica e está presente no sangue sob esta
forma. A IgA é a imunoglobulina predominante em
secreções: saliva, lágrima, leite, mucosas do trato
gastrintestinal (TGI), respiratório e geniturinário. Nestas
secreções ela se une a um componente secretor, e forma
a IgA secretora. Esta é composta por duas unidades
(dimérica) ligadas a uma cadeia J unida pelas porções Fc
no componente secretor. A função desse componente é
proteger a molécula das enzimas hidrolíticas
(destrutivas). O principal papel da IgA é proteger o
organismo de invasão viral ou bacteriana através das
mucosas (neutralização).

Figura 21: Estrutura básica em Y dos anticorpos IgD: perfaz menos de 1% do total de imunoglobulinas

A classe de um anticorpo é definida pela estrutura de sua plasmáticas e a função biológica precisa dessa classe de

cadeia pesada, algumas das quais possuem vários imunoglobulina é ainda incerta. A IgD é co-expressa com

subtipos, e esses determinam a atividade funcional de a IgM na superfície de quase todas as células B maduras

uma molécula de anticorpo. As cinco classes principais de e inativas (fase de reconhecimento), sendo que a IgD é

imunoglobulinas são IgA, IgD, IgE, IgG e IgM: expressa mais tardiamente, indicando uma célula B mais
madura.

39
IgE: é encontrada nas membranas superficiais dos grau de imunidade passiva ao feto e ao recém-nascido. É
mastócitos e eosinófilos em todos os indivíduos. Essa o anticorpo principal nas respostas imunes secundárias e
classe de imunoglobulina sensibiliza as células nas a única classe antitoxinas. A região Fc ativa o
superfícies das mucosas conjuntiva, nasal e brônquica. A complemento (quando unida ao antígeno) e auxilia a
IgE pode ter ainda importante papel na imunidade contra fagocitose por se ligar a macrófagos (opsonização). Com
helmintos, embora nos países desenvolvidos esteja mais a ativação do complemento, há uma amplificação da
comumente associada a reações alérgicas como asma e resposta inflamatória (com geração de quimiotaxia de
rinite. Metade dos pacientes com doenças alérgicas tem neutrófilos, aumento da permeabilidade vascular),
altos níveis de IgE. A interação entre o antígeno e a IgE opsonização e montagem do MAC (complexo de ataque à
ligada no mastócito resulta em liberação de histamina, membrana).
importante mediador inflamatório, causando
vasodilatação, aumento da permeabilidade vascular, IgM: Perfaz aproximadamente 10% do conjunto de
contração de músculo liso e quimioatração de outras imunoglobulinas. Sua estrutura é pentamérica, as cinco
células inflamatórias. cadeias são ligadas entre si por pontes dissulfeto e por
uma cadeia polipeptídica inferior chamada de cadeia J. É
IgG: É uma imunoglobulina monomérica que perfaz 80% a primeira imunoglobulina a ser expressa na membrana
das imunoglobulinas do organismo. É a imunoglobulina do linfócito B inativo. Na membrana das células B, a IgM
mais abundante no soro e está distribuída uniformemente está na forma monomérica. O primeiro anticorpo
entre os espaços intra e extravasculares. É o anticorpo produzido numa resposta imune primária é sempre IgM
mais importante da resposta imune secundária. Em pentamérica. A IgM é encontrada principalmente
humanos, as moléculas de IgG de todas as subclasses intravascular, sendo uma classe de anticorpos "precoces"
atravessam a barreira placentária e conferem um alto

40
(são produzidas nas fases iniciais agudas das doenças Sistema Complemento
que desencadeiam resposta humoral).

O sistema complemento corresponde a um


conjunto de cerca de 20 proteínas plasmáticas e de
membrana que participam da imunidade inata contra
microrganismos (defesa do hospedeiro), além de auxiliar
na imunidade humoral (lesão tecidual mediada por
anticorpo). Esse complexo sistema está envolvido na
resposta imune e no processo inflamatório pela geração
de fragmentos que promovem quimiotaxia das células
inflamatórias, aumento da fagocitose por neutrófilos e
macrófagos, participação na ativação de células B e T e
remoção de imunocomplexos (IC) circulantes e de células
apoptóticas.

Figura 22: Classe de imunoglobulinas, suas representações, ocorrências e funções

41
Vias de ativação do Sistema Complemento fragmentos do C4b serve como opsoninas e o restante
para a formação da C3 convertase. Cada C3 convertase
A ativação sistema complemento ocorre gera muitas moléculas de C3 ativadas (C3b), fase de
rapidamente após influência de um estímulo específico, amplificação, que quando depositadas no alvo servem
seguindo uma cascata de auto amplificação. As três vias como opsoninas, enquanto outras irão formar a C5
principais de ativação: Via clássica é ativada quando convertase (C4b2a3b). Esta cliva C5 levando a formação
anticorpos IgG ou IgM se ligam a antígenos (vírus, do complexo de ataque à membrana, composto de C5b,
bactérias ou auto antígenos) formando ICs, fazendo parte 6,7,8 e 9. A formação do MAC determina lise osmótica da
da resposta imune específica. célula e consiste em uma interação proteína-proteína, não
requerendo clivagens proteolíticas. A ativação de C5
Etapas: A fase de ligação é iniciada quando o C1q
também libera uma potente anafilatoxina, o C5a.
do complexo C1 se liga à porção Fc de um anticorpo do
tipo IgG ou IgM. Este complexo é composto de uma
subunidade de C1q, associada a duas moléculas de C1r e
duas de C1s por ligações dependentes de cálcio. As
esterases C1r e C1s são necessárias para a fase de
ativação.O C1s cliva (quebra) C4 e C2. As moléculas
ativadas de C4 e C2 se agrupam próximo ao sítio em que
o anticorpo está ligado. Os fragmentos maiores do C4
(C4b) e do C2 (C2a) formam o complexo chamado C3
convertase (C4b2a). Cada molécula de C1 ativada gera
muitos fragmentos de C4b e C2a. A maioria dos Figura 23: Mecanismo de ação: via clássica

42
Via alternativa corresponde a um sistema mais C5 convertase (C3bBbC3bP). O restante do processo de
primitivo, que não requer a presença de anticorpos ativação é similar ao da via clássica.
específicos, sendo ativada a partir da hidrólise
espontânea do terceiro componente do complemento (C3)
e sua deposição na superfície do microrganismo.

Etapas: É a via mais antiga da imunidade inata,


que precede a imunidade adaptativa, não necessitando de
um contato prévio com microrganismo para sua ativação.
Funciona como um sistema imune primitivo, capaz de
reconhecer e eliminar agentes infectantes. A ativação
dessa via ocorre quando uma pequena quantidade de C3
plasmático é hidrolisado espontaneamente, originando o Figura 24: Mecanismo de ação: via alternativa

fragmento C3b. Este, após alteração estrutural, liga-se a Via da Lecitina é composta pela lectina ligadora de
uma serina protease, denominada fator B. A clivagem do manose (LLM), uma proteína da família das lectinas
fator B pelo fator D origina o fragmento Bb, que dependentes de cálcio,que tem estrutura homóloga a
juntamente com o C3b origina a C3 convertase da via C1q. Essa via é ativada quando a lectina se liga ao
alternativa, a qual é estabilizada pela properdina terminal manose existente em diferentes grupos de
(C3bBbP). Esse complexo promove mais clivagem de C3, bactérias.
alça de amplificação, resultando em deposição de
Etapas: Essa via é iniciada por proteínas
grandes quantidades de C3b no alvo. Parte do C3b
plasmáticas denominadas lectinas ligadoras de manose
formado irá agrupar-se ao complexo C3bBb, originando a
(LLM), que são membros da família das lectinas

43
dependentes de cálcio, as colectinas, com similaridades Mecanismo Adquirido
estrutural e funcional com C1q. Essas proteínas
reconhecem porções específicas de carboidrato (manose)
presentes na superfície de alguns patógenos. A LLM Apesar de a imunidade inata poder combater
pertence à mesma família de proteínas do C1q, muitas infecções de maneira eficaz, microrganismos
entretanto, enquanto o C1q tem um domínio que se liga patogênicos para os seres humanos que são capazes de
ao Fc das imunoglobulinas, a lectina reconhece causar doenças, evoluíram para resistir aos seus
carboidratos. Essa ligação leva à ativação de serinas mecanismos. A defesa contra esses agentes infecciosos é
proteases associadas à manose, que correspondem a C1r função da resposta imunológica adquirida, e é por isso
e C1s, com subsequente clivagem de C4 e C2. O restante que defeitos nesse sistema resultam em maior
do processo de ativação é similar ao da via clássica. suscetibilidade a infecções. O sistema imunológico
adquirido é formado pelos linfócitos e seus produtos,
como os anticorpos. Enquanto os mecanismos da
imunidade inata reconhecem estruturas comuns a classes
de microrganismos, as células da imunidade adquirida, ou
seja, os linfócitos expressam receptores que reconhecem
especificamente diversas substâncias produzidas pelos
microrganismos, assim como moléculas não-infecciosas,
essas substancias são chamadas de antígenos

As respostas imunológicas adquiridas só são


Figura 25: Mecanismo de ação: via da ligação à manose por lectina
desencadeadas se os microrganismos ou seus antígenos

44
passarem pelas barreiras epiteliais e forem transportadas Tipos de mecanismos adquirido
para os órgãos linfoides, onde podem ser reconhecidos
pelo linfócitos, elas geram mecanismos especializados A imunidade humoral faz parte da imunidade
para o combate de diversos tipos de infecção. As adquirida que se baseia na diferenciação dos linfócitos em
respostas adquiridas geralmente usam células e diferentes locais a partir de linfo blastos (células
moléculas do sistema imunológico inato para eliminar os precursoras que são produzidas na medula vermelha).
microrganismos, e funções imunológicas adquiridas para
A imunidade humoral tem como efetores os
aumentar acentuadamente esses mecanismos
linfócitos B. Este tipo de células reconhece uma grande
antibacterianos da imunidade inata.
variedade de diferentes antígenos, como por exemplo,
bactérias, toxinas produzidas por bactérias, vírus e
moléculas solúveis.

Os Linfócitos B reconhecem uma vasta


variedade de antígenos, devido aos receptores que se
encontram na respectiva membrana. Estes receptores
que até então não tinham tido contato com os antígenos,
passam a ter, e quando isto acontece os linfócitos
experimentam uma sequência de modificações a fim de
produzirem grandes quantidades de imunoglobulinas
(receptores da membrana) idênticas ao seu receptor, que
vão atuar no meio extracelular.

45
Os anticorpos são também chamados de
imunoglobulinas. As imunoglobulinas são de diferentes
formas dando-se o nome de isotipo ou classes. Os
diferentes tipos distinguem-se pelas suas propriedades,
tanto biológicas como de localização e ainda pelas
funcionalidades e habilidades para lidar com os vários
antígenos. São constituídas por duas cadeias pesadas,
unidas a uma cadeia leve, através de duas pontes
de enxofre e mais duas cadeias pesadas unidas entre si.
Estes anticorpos possuem uma zona variável
que determina a que antígeno se unirá o anticorpo. A
zona que não varia, ou seja, a zona constante,
determina a classe do anticorpo.
Figura 26: Imagem explicativa sobre imunoglobulinas

46
Mecanismo de imunidade adquirida mediada do ataque imunológico. Como resultado final da resposta
por células imune, o invasor é removido.
Num determinado momento, as células T
A imunidade mediada por células é um processo encontram-se num estado inativo. Os receptores de
que resulta da intervenção dos linfócitos T que possuem antígenos que se encontram na superfície das células T,
receptores membranas específicos, designados por chamados receptores de células T (RCT), reconhecem e
receptores T., Contudo, estes linfócitos só reconhecem ligam-se especificamente a fragmentos antígenos
antigénicos que estão presentes na superfície das células estranhos que são apresentados na forma de complexos
do nosso organismo ligados a moléculas identificadoras MHC-antígeno. Existem milhões de diferentes células T,
do indivíduo, como parasitas multicelulares. Exemplo: cada um com um único RCT que reconhece um MHC
fungos, células cancerosas, tecidos acrescentados e antígeno específico.
órgãos transplantados. Para além de esta ser à base de Quando um antígeno entra no corpo, apenas
reconhecimento dos próprios antígenos é também a partir um número reduzido de células T expressam os RTC que
desta base que há o reconhecimento de antígenos que são capazes de reconhecer e ligar-se ao antígeno. O
são estranhos quando apresentados por células reconhecimento do antígeno envolve também outras
apresentadoras a células especializadas. proteínas de superfície presentes nas células T, sendo
A imunidade mediada por células começa pela a essas proteínas a CD4 ou CD8. Estas proteínas
ativação de um número reduzido de células T específicas. interagem com os antígenos do MHC e ajudam a manter
Uma vez que as células T são ativadas proliferam e a ligação entre o TCR-MHC. Por esta razão, é que estes
diferenciam-se em um clone de células efetoras, uma se chamam de co-receptores. O reconhecimento do
população de células idênticas que são capazes de antígeno pelo TCR com a proteína CD4 ou CD8 é o
reconhecer o mesmo antígeno e reproduzir certos aspetos primeiro sinal de ativação da célula T.

47
Cooperação entre mecanismos de imunidade
adquirida humoral e mediada por células

Quer os mecanismos de defesa Humoral quer os


mecanismos de defesa mediada por células não são
independentes um do outro e interagem de várias
maneiras.
Os linfócitos B e os linfócitos T influenciam-
se um ao outro de várias formas. Por um lado, os
anticorpos que são produzidos pelas células B podem
facilitar ou diminuir a capacidade das células T atuarem,
ou seja, de atacarem e destruírem as células invasoras.
Pode também ocorrer que as células T auxiliares
intensifiquem a produção de anticorpos pelas células B e
que os linfócitos T supressores suprimam essa produção.
Os linfócitos T nunca produzem anticorpos, Figura 27: Mecanismos de ação

no entanto, controlam a capacidade dessa produção (de


anticorpos) por parte das células B.

48
Tipos de Imunidade Imunidade Adquirida de forma Natural

Dentro do nosso corpo há um impressionante Imunidade natural é o processo de resistência que se


mecanismo de proteção, chamado sistema imunitário que adquire contra os agentes patogénicos que depois de
está feito para o defender de milhões de bactérias, terem atravessado um percurso com uma série de
micróbios, vírus, toxinas e parasitas que tentam invadir o barreiras de defesa naturais do nosso organismo (nariz,
nosso corpo. Quando morremos, demora apenas algumas garganta, pulmões, sistema digestivo), ao longo das quais
semanas para que esses organismos destruam encontram inúmeras células do sistema imunitário não
completamente nosso corpo, ficando apenas o esqueleto. específico, às quais conseguiram sobreviver alcançando
Obviamente, isto não acontece devido ao facto do sistema assim a corrente sanguínea, onde aí as células do
imunitário existir, dado que a função do mesmo é impedir sistema imunológico específico (linfócitos) os esperam
que essa destruição não aconteça enquanto estamos para os destruir e, portanto, os linfócitos tiveram tempo
vivos. suficiente para se prepararem para combater os agentes
patogénicos.

Quanto mais o organismo pratica a sua capacidade de


Existem dois tipos de imunidade que
descriminação e combate contra os agentes patogénicos,
são: imunidade natural e imunidade artificial.
maior será o armazenamento de estratégias e
mecanismos bem-sucedidos que serão gravados na
memória das células do organismo. Portanto, quanto mais
desenvolvido e experiente for o organismo, menos
vulnerável será o sistema imunitário desse organismo.

49
A imunidade natural pode ainda ser ativa ou passiva.

A imunidade natural ativa é o autodesenvolvimento de


imunidade como resposta à invasão do organismo por um
micróbio.

A imunidade natural passiva é a administração direta de


anticorpos específicos, neste caso o desenvolvimento de
imunidade é induzido pela introdução de anticorpos
produzidos por outro organismo (por exemplo: quando a
mãe amamenta o seu filho).

A imunidade pode desenvolver-se naturalmente, como


acabamos de lhe descrever acima, mas também pode ser
induzida artificialmente (imunidade artificial). Figura 28: Imagem ilustrativa sobre aleitamento materno que é um tipo de
imunidade natural

50
de anticorpos produzidos por outro organismo, portanto o
receptor dos anticorpos não necessita de produzir mais
anticorpos. Este tipo de imunização é feito com recurso
a soros com anticorpos.
Imunidade Adquirida de forma Artificial

Este tipo de imunidade é utilizado quando o próprio


organismo não consegue arranjar solução para combater
os agentes patogénicos de que é alvo, e o que acontece é
que o desenvolvimento da imunidade é induzido por um
fator externo ao organismo. Como na imunidade natural a
imunidade artificial também pode ser ativa ou passiva.

Imunidade artificial ativa é quando o


desenvolvimento da imunidade é feito através
de vacinas em que o indivíduo que a recebe é estimulado
Figura 29: Imagem ilustrativa sobre vacinação que é um tipo de imunidade artificial
pela mesma a produzir anticorpos para combater os
agentes patogénicos presentes na vacina não podendo
estes multiplicarem-se.

Imunidade artificial passiva é quando o


desenvolvimento da imunidade é induzido pela introdução

51
problemas, como a inserção involuntária de proteínas
desconhecidas ao plasma do receptor.
Soros com anticorpos

Os soros com anticorpos são utilizados na


imunidade passiva que pode ser induzida, em
determinadas infeções, através da administração de
anticorpos, retirados do plasma de um indivíduo que já
tenha estado em contato com esse antígeno ou de
animais que foram expostos a esse antígeno. As soluções
que são administradas e que contém esses anticorpos
são chamadas de soros ou soros imunes.

Os soros são utilizados quando os antígenos têm um


efeito arrebatador sobre o organismo como por exemplo,
o tétano ou os envenenamentos devidos a mordeduras de
cobras, isto é, não dão tempo ao organismo de criar os
seus próprios anticorpos levando à necessidade da
administração dos anticorpos.

Como os anticorpos administrados não são produzidos


pelo próprio organismo, o seu efeito é apenas temporário.
Por outro lado, este processo só é possível em algumas
infeções e envenenamentos e, por vezes, causam alguns

52
O poder imunológico da amamentação contém todos os aminoácidos essenciais, que atuam
como fatores de proteção e transportam hormônios e

A infância é um período em que se desenvolve grande vitaminas.

parte das potencialidades humanas. Os distúrbios que O leite humano possui numerosos fatores imunológicos
incidem nessa época são responsáveis por graves que protegem a criança contra infecções. A IgA secretória
consequências para indivíduos e comunidades. O é o principal anticorpo, atuando contra micro-organismos
aleitamento materno é a mais sábia estratégia natural de presentes nas superfícies mucosas. Os anticorpos IgA no
vínculo, afeto, proteção e nutrição para a criança e leite humano são um reflexo dos antígenos entéricos e
constitui a mais sensível, econômica e eficaz intervenção respiratórios da mãe, ou seja, ela produz anticorpos
para redução da morbimortalidade infantil. Permite ainda contra agentes infecciosos com os quais já teve contato,
um grandioso impacto na promoção da saúde integral da proporcionando, dessa maneira, proteção à criança contra
dupla mãe/bebê. os germens prevalentes no meio em que a mãe vive. A

Amamentar é muito mais do que nutrir a criança. É um concentração de IgA no leite materno diminui ao longo do

processo que envolve interação profunda entre mãe e primeiro mês, permanecendo relativamente constante a

filho, com repercussões no estado nutricional da criança, partir de então. Além da IgA, o leite materno contém

em sua habilidade de se defender de infecções, em sua outros fatores de proteção, tais como anticorpos IgM e

fisiologia e no seu desenvolvimento cognitivo e emocional. IgG, macrófagos, neutrófilos, linfócitos B e T, lactoferrina,
lisosima e fator bífido. Este favorece o crescimento do
Além dos componentes básicos (proteínas,
Lactobacilus bifidus, uma bactéria não patogênica que
carboidratos e gorduras), a composição do leite materno
acidifica as fezes, dificultando a instalação de bactérias
varia, sendo única para cada bebê. Por exemplo, as
proteínas do leite materno possuem diversas funções:

53
que causam diarreia, tais como Shigella, Salmonella e sueco que fez a descoberta estava explorando as
Escherichia coli. propriedades antibióticas do leite quando um pesquisador
notou que as células cancerosas do pulmão em um tubo
O sistema imunológico da mãe produz anticorpos
de ensaio morreram ao entrar em contato com leite
criados especificamente para proteger o lactente contra
materno. Foi descoberto então que quando a alfa-
os patógenos adquiridos no seu entorno. Novos
lactoalbumina se mescla com ácidos (presentes no
anticorpos são produzidos cada vez que a mãe entra em
próprio leite materno ou no estômago de lactentes) se
contato com microrganismos prejudiciais ou quando
transforma num composto chamado de HAMLET (sigla
amamenta, pois, há troca de microbiota da saliva do bebê
em inglês para Alfa-lactoalbumina Humana Transformada
para a mãe no ato da amamentação. Isto indica ao
em Letal para Células Tumorais). A pesquisa mostrou
sistema imunológico que produza anticorpos que serão
que, depois de 5 dias com tratamento com HAMLET,
passados ao filho em próximas mamadas.
pacientes com câncer de bexiga urinavam células mortas
Se o bebê toma leite artificial, terá somente seus de câncer após cada sessão de tratamento.
próprios anticorpos (que são presentes em níveis baixos)
Estudos com ratos mostraram que, depois de sete
e um sistema imunológico imaturo, se tornando
semanas de tratamento um tumor cerebral - glioblastoma
extremamente vulnerável a infecções.
altamente invasivo era sete vezes menor no grupo tratado
Alfa-lactoalbumina: com HAMLET. O fator mais importante é que a substância

É a principal proteína do leite materno, não tem efeitos secundários, pois somente elimina o

representando 10-20% da proteína total. Pesquisas câncer e não danifica células sãs. O professor Karlsson

mostraram que esta proteína provoca apoptose (“suicídio (que conduziu os estudos) acredita que esta terapia
celular”) de mais de quarenta tipos de câncer. O grupo

54
estará sendo utilizada em 5 anos para pacientes adultos eliminando células infectadas por vírus ou células
com câncer. tumorais, por exemplo.

Células Tronco: Já os linfócitos T CD4+ são um subgrupo de


linfócitos que se encarregam de coordenar a resposta
Estudos recentes mostram que o leite materno
imune celular. Estas células são peculiares pois não
contém células-tronco pluripotentes. Estas células têm
atuam diretamente destruindo células infectadas ou
uma notável capacidade de converterem-se em tipos
patógenos, e sim interagem com outras células do
diferentes de células no corpo, que por sua vez atuam
sistema imune, ativando-as e coordenando-as.
como uma espécie de “sistema de reparação interna”.
Estudos sugerem que estas células permanecem no
corpo muito tempo depois do desmame. As células tronco
Imunoglobulinas (IgA, IgG, IgM e IgD):
de outras fontes são utilizadas para tratar leucemia e
poderiam auxiliar no tratamento de afecções oculares.
Cientistas também estão estudando seu potencial no Imunoglobulinas podem ser transferidas para o
tratamento de condições como lesões medulares, bebê através da amamentação. As mais importantes são
Diabetes e Doença de Parkinson. as IgA, que recobrem as mucosas e protegem o bebê da
entrada de microrganismos causadores de infecções,
como E. coli, salmonella, shigella, estreptococo,
Linfócitos T:
estafilococo, pneumococo, poliovirus e rotavirus.
É conhecida a transferência de linfócitos T
maternos para o lactente via amamentação. Linfócitos T
CD8+ são importantes na resposta imune citotóxica,

55
Macrófagos e Neutrófilos: Citocinas:

Acredita-se que participam de um importante


papel da modulação e da proteção do sistema imune do
São os leucócitos (glóbulos brancos) mais comuns
leite materno. A maioria das citocinas que são deficientes
no leite humano e atuam rodeando e destruindo bactérias
no recém-nascido se encontra em quantidades
patológicas. Os macrófagos também fabricam a lisozima,
significativas no leite materno. Acredita-se que a principal
uma enzima que destrói bactérias mediante a
citocina do leite materno seja a interleucina 7 (IL-7) ,
desorganização de sua parede celular. Os macrófagos no
relacionada com o tamanho do timo, um dos órgãos
trato digestivo podem recrutar linfócitos para atuação
centrais no sistema imunológico. Se descobriu uma
contra patógenos.
correlação entre tamanho de timo e mortalidade infantil na
Gâmbia, sendo levantada a hipótese da importância da IL-

Lactoferrina: 7 nesse processo.

É uma proteína que se une ao ferro e atua como


fator de defesa, prevenindo o crescimento bacteriano e a
formação de biofilmes. A lactoferrina está atualmente
sendo investigada como um imunomodulador em doenças
como artrite reumatoide e esclerose múltipla.

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Defensinas:

São peptídeos antimicrobianos inatos que


participam de maneira importante na defesa contra
invasão microbiana. Beta-defensinas são encontradas no
leite materno e podem proteger os lactentes contra
infecções.

Fatores de Crescimento:

Fatores como EGF, M-CSF e TGF (Epidermal


Growth Factor, Macrophage Colony Stimulating Factor e
Transforming Growth Factor, respectivamente) são
encontrados no leite materno e contribuem para a
maturação de sistemas fisiológicos do organismo do
bebê, como no desenvolvimento da mucosa intestinal e
na imunomodulação. Os níveis do Fator de Crescimento
Epidérmico são mais altos em mães que tem bebês
Figura 30: Árvore da vida: a imunidade através da amamentação
prematuros, o que reduz drasticamente a taxa de
Enterocolite Necrosante (ECN) e inflamação intestinal.

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