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CENTRO UNIVERSITÁRIO ANHANGUERA DE SANTO ANDRÉ

CURSO DE PSICOLOGIA

Itaina Maria de Jesus


Kátia Priscila Gawriliuk
Leila Pereira Leme

DESENVOLVIMENTO HUMANO II
DIVERTIDAMENTE E AS TEORIAS DA ADOLESCÊNCIA

SANTO ANDRÉ
2019

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DIVERTIDAMENTE E AS TEORIAS DA ADOLESCÊNCIA

Itaina Maria de Jesus RA - 337356813595


Kátia Priscila Gawriliuk RA - 344175913595
Leila Pereira Leme RA – 342854213595

Trabalho da disciplina Desenvolvimento


Humano II para o curso de graduação em
Psicologia do Centro Universitário
Anhanguera.
Professora Dinah Stella

SANTO ANDRÉ
2019

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Sumário

Introdução ...................................................................................................................4
Resumo do Filme DivertidaMente................................................................................4
DivertidaMente e As Teorias da Adolescência.............................................................7
Apresentação Pessoal..................................................................................................9
Bibliografia .................................................................................................................14

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Introdução
Diante da complexidade dos estágios do desenvolvimento de um ser humano,
a psicologia se debruça com redobrado interesse sobre a adolescência. Uma fase
perturbadora e determinante do futuro do ser. Para tanto, conta com um arcabouço
de teorias e conceitos indispensáveis para a aplicação de técnicas eficazes em se
lidar com esse período, influenciado por mudanças biológicas, emocionais
psicológicas, sociais e culturais.
O objetivo deste trabalho será o de resgatar trechos vitais dessas teorias e
compará-las com uma animação da atualidade que aborda com singular carinho e
humor uma das mais conturbadas fases do desenvolvimento humano: a
adolescência.

Resumo do filme DivertidaMente


Para tanto, reavivemos nossa memória quanto à animação que, jocosamente,
intitula-se: Divertidamente!
“Já olhou para uma pessoa e perguntou ‘o que passa na cabeça dela? ’” Com
essa questão intrigante iniciamos o enredo da animação da Pixar.
Trata-se da história de Riley, uma garotinha, que tem todo seu
desenvolvimento, biológico e psicológico exposto para nós através da visão e do
comportamento de suas emoções em forma de personagens. O que torna a
animação de extremo interesse para todos é apreciarmos o processo de
desenvolvimento psicoemocional de Riley pelo lado de dentro e como as “ações” de
suas emoções se refletem no meio e vice-versa.
Para entendermos melhor, tudo começa com o nascimento de Riley e seu
primeiro contato com o meio (seus pais). Ao abrir os olhos e interagir com eles, a
animação constrói simbolicamente um ambiente que retrata de onde viriam as
respostas emocionais de Riley. Há uma tela que reflete tudo o que Riley vê. Dentro
desse ambiente denominado centro das emoções, a primeira criaturinha que aparece
é Alegria. No pequeno mundo das emoções de Riley, agora existe apenas Alegria e
um pequeno painel que esta aciona, quando observa, por exemplo, seus pais
brincando com ela. Acionado, o painel faz com que Riley responda aos estímulos
com risadas e gracejos expressando alegria. São os primeiros minutos desse bebê
em seu desenvolvimento. Para sermos exatos, 33 segundos de vida. Logo em
seguida o bebê apresenta desconforto e então conhecemos o segundo personagem

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da história: Tristeza. E para complicar mais, com o crescimento de Riley aparece o
Medo. A cada estímulo recebido do ambiente, um deles aperta o painel para provocar
na menina um sentimento que a ajude em seu dia-a-dia. O Medo, por exemplo, cuida
da segurança de Riley, impedindo-a de fazer coisas que causem um tremendo
estrago. Surge também, Nojinho, que impede que a menina seja “envenenada” por
coisas estranhas. Os quatro analisam pela tela o que se passa com a menina e, pelo
painel, agora com um pouco mais de recursos, emitem sinais que são convertidos em
ações na menina, como evitar brócolis, por exemplo!
Quando as pequenas “injustiças” começam a acontecer do ponto de vista de
Riley surge a Raiva, o quinto elemento que também controla o painel e que, tanto
quanto os outros quatro personagens ajudam a criar as memórias importantes para a
menina, retratadas como bolinhas translúcidas que são armazenadas em diferentes
lugares. Cada qual de acordo com sua importância, memória de trabalho, de base e
assim por diante. As memórias-base são armazenadas em um local especial em
Riley e molda cada uma, um aspecto de sua personalidade. Na animação, esses
aspectos viram ilhas ativas o tempo todo, como a da bobeira, do Hóquei, da amizade,
da honestidade, da família e etc... É o que fazem de Riley ser Riley!
Tudo corre normalmente, mas com a chegada dos onze anos da menina, uma
súbita mudança em sua rotina solapa todos os seus esquemas de felicidade: a
família se muda para outra cidade. O centro de comando se perde, uma vez que as
emoções começam se desorientar e entrar em conflito. Desesperados com o
desconhecido, Medo, Tristeza, Nojinho, Raiva e Alegria tentam a seu modo confortar
Riley, evocando memórias e reações numa guerra de consolo, revolta, nojo e
insegurança sem precedentes. Sem muitos recursos e na confusão, Tristeza se
perde e começa a tocar as memórias de Riley, provocando uma onda de tristeza.
Essa onda acaba por “contaminar” algumas memórias-base que prejudicam as ilhas,
ou os aspectos da personalidade de Riley. Apesar dos esforços da Alegria, a menina
começa a entrar num momento de melancolia, tristeza e, talvez até luto por toda a
infância que perdeu seus amiguinhos, escolinha, seu corpo, os cuidados diferentes
de seus pais, agora tão atarefados com os novos aspectos da vida em outra cidade.
Riley está em luto.
A sobrecarga aumenta a pressão. Nova escola, novos colegas, moda
diferente, atividades diferentes as quais ela não se encaixa. A primeira memória-base
triste de Riley se forma. Pânico geral. Para retratar essa confusão no íntimo de Riley,

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Alegria e Tristeza são expulsas acidentalmente da sala de comando para a seção de
armazenamento de memória de longo prazo. Com Alegria e Medo fora da sala de
comando Riley entra num estado de apatia sobrando apenas Raiva, Medo e Nojinho
que não sabem o que fazer. Com o controle do painel para si, eles lideram em
rompantes de raiva, nojo e medo sem controle de Riley. Um longo período se passa
enquanto Tristeza e Alegria tentam voltar à sala de comando. As ilhas, ou aspectos
infantis da personalidade da menina começam a ruir. Memórias antigas, obsoletas
são sugadas para o abismo do esquecimento para dar lugar a novas. Metalúrgicos
trabalham sem parar nesse processo. Alegria e Tristeza encontram o esquecido
amigo imaginário de Riley, Bing Bong. Meio algodão doce, meio gato, meio golfinho e
meio elefante. Numa aliança inimaginável eles tentam voltar para a sala de comando
e realinhar os sentimentos de Riley. Enquanto isso, a menina está em crise,
deslocada e sem entender seus sentimentos. A confusão só a afasta mais e mais de
fazer novas amizades e tentar ver um lado positivo em sua situação.
Mas a Raiva não se aguenta e explode em quase todas as situações. Riley
está perdendo todas as ilhas ou aspectos de sua antiga personalidade. O que
sobrará de seu antigo eu?
Com todos os desastres que Tristeza vai causando ao longo de sua jornada
na tentativa de voltar para a sala de comando, Alegria vai começando a entender o
lugar de ambas na vida da menina e que talvez nem tudo seja governado e
comandado pela Alegria. Uma jornada longa, mas cheia de aprendizado que se
reflete diretamente nas ações de Riley. Acostumada a sentir apenas as alegrias, Riley
também começa a enfrentar e dar espaço para outros sentimentos, experienciando-
os sem muita certeza. Revela suas inseguranças em seus sonhos. A equipe que
cuida da produção capricha nos desastres, ampliando os medos mais recônditos da
menina, que passa a ter pesadelos! Bing Bong é preso com as memórias-base de
Riley no subconsciente para onde são levadas as coisas que “causam problemas”
segundo a Alegria. Esta tenta recuperar as memórias-bases perdidas. Consegue e
continua tentando voltar para a sala de comando. Enquanto isso as ações de Riley
vão piorando. Ela tenta voltar para sua cidade natal fugindo de casa e roubando o
dinheiro dos pais. A “ilha da família" cai no abismo do esquecimento juntamente com
Alegria e Bing Bong. Ali eles sumirão para sempre. Mas Alegria continua tentando e
após um longo e árduo período, pelo sacrifício de Bing Bong ser esquecido para
sempre e por Alegria experimentar a mais profunda tristeza, medo e solidão, Alegria

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retorna para a sala de comando juntamente com a Tristeza numa incrível reviravolta,
uma vez que a Alegria entende a importância e o lugar da Tristeza.
Mas os sentimentos de Riley se foram. A apatia e a raiva a tomaram por
completo. Ela está fugindo de casa.
Alegria e Tristeza retornam a sala de comando e a Alegria deixa tudo no
comando da Tristeza. Esta, finalmente eclode com toda a sua força. Riley volta para
casa e irrompe em prantos, soltando toda sua frustração, mágoa e dor. Neste
processo todas as suas memórias são envoltas pela luz a azul da Tristeza e Riley
finalmente pode expor sua dor em toda sua extensão para seus pais, que passam a
entender a dor de sua filha. A Tristeza traz de volta a união da família. Riley está
amadurecendo. Surge uma nova memória-base mesclada de alegria e tristeza que
agora fará parte da construção das novas ilhas da menina: discussão amigável, ilha
da moda e etc...
Um novo painel é recebido na sala de comando. Os sentimentos se
reorganizam, Riley está pronta até para conhecer garotos. Riley faz doze anos! Ela
está se desenvolvendo perfeitamente, no novo painel o botão puberdade, e a Alegria
questiona: “o que pode acontecer?!”

DivertidaMente e As Teorias Da Adolescência


Diante desse cenário, separamos algumas cenas para ilustrar as teorias
sobre adolescência que nos foram apresentadas.
Uma das teorias estudadas foi a Síndrome da Adolescência de Aberastury e
Knobel.
Para eles a adolescência é um momento decisivo no processo de
desprendimento que se inicia ao nascer.
Depois de passar por uma mudança repentina e desastrosa, Riley se depara
com o luto pelos pais da infância.
No momento em que ela interfere na discussão de seus pais, por conta do
caminhão de mudança que se perdeu e não chegará na data prevista, Riley pega o
taco de hóquei e começa a jogar com eles, mas, o telefone de seu pai toca, e ele
deixa a esposa e filha para ir trabalhar, o Medo questiona: “o papai foi embora?”, e a
Tristeza de Riley, afirma: “eu acho que não nos ama mais”.
Em outra cena, o pai de Riley está ao telefone discutindo com os investidores,
e sua mãe está ocupada com deveres de casa, ela pede pelo “boa noite” deles, mas

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não é atendida de imediato. Riley começa a perceber que não tem mais a atenção de
antes.
Logo após Alegria e Tristeza serem sugadas da sala de comando e Riley
sofrer um apagão geral, ela passa a ter constantes flutuações de humor e estado de
ânimo, como na cena em que a mãe diz que existe um time de hóquei na cidade e o
teste será no dia seguinte, Riley age com total indiferença por ser comandada pela
Nojinho; a cena segue e a pergunta seguinte sobre como foi o dia na escola, é
respondida com receio e insegurança, pois é o Medo que está no comando; e
quando o pai reforça a pergunta, “como foi na escola?”, a Raiva assume o controle e
Riley responde de maneira agressiva, fazendo o pai “chutar o balde” colocando-a de
castigo.
Em outra cena, Alegria e Tristeza estão com o Bing Bong na terra da
imaginação, lá eles descobrem a necessidade de Riley fantasiar um namorado
imaginário para “diminuir a solidão”. Lembrando que na cena anterior, Riley está
tomando o lanche sozinha na escola, quando os três entram no mundo abstrato, e os
Metalúrgicos dizem que o sentimento abstrato a ser compreendido naquele momento
é a solidão.
Saindo um pouco de Aberastury e Knobel, uma cena chama atenção é
quando Bing Bong é preso, e jogado no subconsciente, lugar que segundo a Tristeza,
é um lugar para onde levam quem causam problemas. Lá estão reprimidos os piores
medos da Riley, como a escada para o porão, o aspirador de pó da vovó, o palhaço
Jangles. Com a necessidade de acordar a Riley, Tristeza e Alegria despertam o
palhaço que emerge do subconsciente, para o consciente, acordando a menina com
um pesadelo. Esse conceito do Consciente, Subconsciente e Inconsciente é de
Sigmund Freud que também foi utilizado por sua filha Ana Freud.
Voltando as teorias de Aberastury e Knobel, em um momento que a Raiva
assume o controle, Riley faz seu plano de fuga, sua conduta acarreta na queda da
ilha da honestidade, ao roubar o cartão de crédito da mãe para comprar passagem e
fugir. Toda sequência a seguir mostra as contradições sucessivas em seus
comportamentos e ações.
Quando finalmente conseguem voltar para a sala de comando, Alegria deixa a
Tristeza comandar a situação, fazendo com que Riley sinta a dor, vivenciando o luto
pelo papel e identidade infantil, ela revê em pensamento, suas memórias bases com
o prisma da tristeza, e isso a ajuda compreender que está passando por uma fase de

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mudança e amadurecimento. E com esse amadurecimento, novas ilhas surgem e as
antigas se reconstruíram e expandiram.

Apresentação Pessoal
O paralelo atribuído entre o filme Divertidamente e a teoria de Aberastury e
Knobel, fazem ênfase a estrutura adolescente marcada por divergências entre
equilíbrio e instabilidade extremos do adolescer.
Aberastury e Knobel englobam e enriquecem todas as teorias de
compreensão, sobre este fenômeno que é adolescência, visto que, a grande
dificuldade em lidar com este processo é parte inerente da vida cotidiana, tanto dos
viventes, como dos pais, que se encontram alienados a um meio que para eles
representa a não aceitação do processo de crescimento. Com isso, não sabem como
lidar com toda avalanche de evidencias, biológicas, culturais, familiares e emocionais.
Analisando as referências atribuídas a essa análise e compreender a
ressignificação do sofrimento do adolescente ao vivenciar essa etapa necessária é
imprescindível, visto que, a instância do desamparo que o adulto sem querer comete,
agarrando-se aos seus valores e autoridades simboliza proteção para consigo
mesmo.
Parafraseando, Aberastury, os pais precisam saber que na adolescência
moças e rapazes passam por um período de profunda dependência, por isso,
quebrar as barreiras entre pai e filho adolescentes é o primeiro degrau na construção
de um crescimento interno e externo saudável.
Segundo Knobel é preciso considerar critérios diferentes, de caráter social,
sociocultural, econômico, como predominantes no estudo da adolescência, refletir
sobre um fenômeno especifico dentro de toda a história do desenvolvimento do ser
humano, mas por outro lado explorar seu caráter geográfico e temporal histórico-
social.
Não só Aberastury e Knobel falam deste desenvolvimento psicossocial e
consequentemente de um desenvolvimento da personalidade, como também, Erik
Erikson, que atribui esse conjunto, como um construtor do ciclo da vida, onde ter um
comportamento é dessa natureza, integrando não apenas fatores passionais,
biológicos e inatos, mas também, fatores sociais, aprendidos em contextos histórico-
culturais específicos.

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Lévisky (1998) aprofunda. Preconiza que o adolescente não acompanha seu
desenvolvimento físico, tendo dificuldade em expressar o conflito de ver seu ego e
seu corpo transformando-se. As imagens que ele tem de si mesmo são subjetivas e
atravessadas pelos condicionantes sociais.
Para fazer o fechamento das relações teóricas abordadas à cerca da
adolescência, Melanie Klein (1937), traz uma questão primordial em seu texto ¨Amor,
Culpa e Repressão¨, onde ela fala que as formas de amor que desenvolvemos na
vida adulta são a representação do amor que vivemos com nossos pais na infância.
Diante destes requisitos surgem indagações, tais como: A ressignificação
temporal do ato de adolescer e a estrutura maturacional da puberdade, trazem
prejuízos quando são internalizados de modo incorreto? Será que se fossem
impostos novas formas de reeducação familiar, pautadas em políticas públicas
efetivas, a filosofia educacional individuo/ família, modificara-se em longo prazo?
Talvez se déssemos vozes aos que querem ser ouvidos, o futuro poderia ser
modificado e as tendências discutidas na atualidade sobre saúde mental,
diminuídas?
São tantos “talvez”, que a realidade acabe sendo a única unidade de medida
certa, mas não é. É de suma importância que o conhecimento chegue a todos, e
todos os lugares e de diversas formas. É imprescindível que a sociedade produza
palavras e instigue a conquista, pois o significado que produz nos adolescentes é
crucial. É preciso fazer apologia a não prevalência do conflito familiar mostrando o
quão adequado seria se todo aparato viesse de uma estrutura que possibilitasse a
este individuo tudo o que ele necessita aceitação, base familiar, amor, aconchego,
companheirismo, diálogo e principalmente referências significativas para que este
possa intensificar-se e que o coloque à frente de seu passado, que organize
problemas do seu presente e que possibilite enxergar perspectivas futuras. Afinal é
nessa etapa que o adolescente aprende a lidar com seus medos, suas frustrações, e
seu luto do corpo. É também neste período que a busca pela identidade se afirma e a
necessidade de uma base sólida na reconstrução psíquica é insubstituível.
Contudo, lidar com esse desconhecido não é tarefa fácil, porém é transitória e
de consequências marcantes para toda a vida e para ambos, família/ adolescente.

REFERÊNCIAS

10
BERASTURY, Arminda; KINOBEL, Mauricio. Adolescência Normal: um enfoque
psicanalítico. 10° ed Porto Alegre: Artes Médicas,1981.

SILVIA, Iúri; DOLCI, Dr° Inês. Onde está o amor de nossos pais? A adolescência
e seus conflitos: www.assis.unesp.br

SCHOEN-FERREIRA, Teresa; AZNAR-FARIS, Maria; SILVARES, Edwigens. A


construção da Identidade em adolescentes: um estudo exploratório: Estudos
de Psicologia. 2003,8(1), 107-115

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