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PROCESSO Nº TST-RR-307-11.2012.5.05.

0311

A C Ó R D Ã O
(Ac. 3ª Turma)
GMALB/atmr/abn/AB/lds

RECURSO DE REVISTA. 1. MULTA POR


EMBARGOS PROTELATÓRIOS. Não revelado
o caráter protelatório dos embargos
declaratórios, indevida a aplicação
da multa prevista no parágrafo único
do art. 538 do CPC. Recurso de
revista conhecido e provido. 2. HORAS
EXTRAS. INTERVALO INTRAJORNADA.
JULGAMENTO "EXTRA PETITA".
Desrespeitados os limites da lide,
com deferimento de parcela não
pleiteada pelo autor, configura-se o
julgamento "extra petita". Recurso de
revista conhecido e provido. 3. HORAS
"IN ITINERE". NEGOCIAÇÃO COLETIVA.
SUPRESSÃO DE DIREITO. INVALIDADE. Não
merece conhecimento o recurso de
revista, lastreado apenas em
divergência jurisprudencial, quando o
único paradigma ofertado revela-se
inservível ao confronto de teses
(art. 896, "a", da CLT). Recurso de
revista não conhecido. 4. HORAS
EXTRAS. ACORDO DE COMPENSAÇÃO DE
HORÁRIO EM ATIVIDADE EM MINAS DE
SUBSOLO CELEBRADO POR ACORDO
COLETIVO. NECESSIDADE DE PRÉVIA
AUTORIZAÇÃO DA AUTORIDADE COMPETENTE.
A proibição constante do "caput" do
art. 295 da CLT à fixação de jornada
além daquela prevista no art. 293 do
mesmo texto da CLT, sem prévia
licença da autoridade competente em
matéria de saúde do trabalho, para o
trabalhador em minas de subsolo, traz
comando de ordem pública, de índole
imperativa, infenso, em primeiro
plano, à possibilidade de
flexibilização via negociação
coletiva, intento que nenhuma norma
autoriza, muito menos o art. 7º,
XXVI, da Lei Maior. A regra encerra
norma de conteúdo imperativo mínimo,
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amparada pelo princípio protetor,


peculiar ao Direito do Trabalho,
levando em conta o elevado grau de
insalubridade presente na atividade
em minas de subsolo. Constitui medida
de higiene, saúde e segurança do
trabalho. Recurso de revista não
conhecido. 5. INTERVALO   DO   ART.   298
DA CLT.  APELO DESFUNDAMENTADO. Sem a
indicação de ofensa à Lei ou à
Constituição, divergência
jurisprudencial ou contrariedade à
súmula desta Corte, o recurso de
revista resta desfundamentado,
desmerecendo conhecimento, nos termos
do art. 896 da CLT. Recurso de
revista não conhecido.

Vistos, relatados e discutidos estes autos de


Recurso de Revista n° TST-RR-307-11.2012.5.05.0311, em que é
Recorrente MINERAÇÃO CARAÍBA S.A. e Recorrido VALDEMILSON OLIVEIRA
DUARTE.

O Eg. Tribunal Regional do Trabalho da 5ª Região,


pelo acórdão de fls. 356/362, complementado a fls. 392/393-v, deu
parcial provimento ao recurso ordinário da reclamada e provimento ao
apelo do reclamante.
Inconformada, a ré interpôs recurso de revista,
com base no art. 896, "a" e "c", da CLT (fls. 397/404).
O apelo foi admitido pelo despacho de fls.
415/416-v.
Contrarrazões a fls. 418/434-v.
Os autos não foram encaminhados ao d. Ministério
Público do Trabalho (RI/TST, art. 83).
É o relatório.

V O T O

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Tempestivo o apelo (fls. 394 e 397), regular a


representação (fls. 404-v/405), pagas as custas (fls. 305-v e 411-v)
e recolhido o depósito recursal (fls. 305 e 412), estão presentes os
pressupostos genéricos de admissibilidade.

1 – MULTA POR EMBARGOS PROTELATÓRIOS.


1.1 – CONHECIMENTO.
Ao responder aos embargos de declaração opostos, o
Egrégio TRT condenou a reclamada ao pagamento de multa de 1% (um por
cento) sobre o valor da condenação, considerando o seu intuito
protelatório (fls. 392/393-v).
Diz a recorrente ser indevida tal cominação, uma
vez que visava, tão somente, ver sanadas as omissões apontadas para
fins de prequestionamento, em especial quanto ao alegado julgamento
"extra petita". Aponta maltrato ao art. 538 do CPC.
Com efeito, os embargos declaratórios da reclamada
não se mostraram protelatórios, uma vez que o Regional, quando da
análise do recurso ordinário do autor, deu provimento ao apelo para,
afastando a hipótese de aplicação do art. 62, II, da CLT, determinar
o pagamento das horas extras, inclusive pela ausência de fruição do
intervalo intrajornada, sendo, então, questionada a possível
ocorrência de julgamento "extra petita".
A Eg. Corte de Origem, ao responder aos embargos
declaratórios, chegou a se manifestar sobre o tema, no sentido de
que:

"Ressalte-se, ainda, que parte da doutrina admite a possibilidade de o


Magistrado decidir fora do pedido ou além do pedido, em decorrência dos
princípios da celeridade, informalidade e simplicidade do processo
trabalhista. Note-se que tal entendimento tem guarida no quanto disposto
pelo artigo 131 do Código de Processo Civil, supletivo, cujo teor ora
transcrevo, verbis:
‘Art. 131. O juiz apreciará livremente a prova, atendendo
aos fatos e circunstâncias constantes dos autos, ainda que não
alegados pelas partes; mas deverá indicar, na sentença, os

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motivos que lhe formaram o convencimento. (Redação dada


pela Lei n° 5.925, de 1973)’
Assim, tem-se por certo que o acórdão vergastado não incorreu em
julgamento extra petita, nada havendo que ser podado, no particular."

Diante de tal quadro, não se configura situação


que justifique a penalidade aplicada.
À vista do exposto, conheço do recurso de revista,
por violação do art. 538 do CPC.

1.2 ­ MÉRITO.
Conhecido  o  recurso,  por  violação  do  art.  538  do
CPC, a consequência é o seu provimento, para excluir da condenação a
multa por embargos protelatórios.

2 – HORAS EXTRAS. INTERVALO INTRAJORNADA.


JULGAMENTO "EXTRA PETITA".
2.1 - CONHECIMENTO.
Eis,   quanto   ao   tema,   os   termos   da   r.   decisão
regional:

  "Em relação ao intervalo intrajornada, os autos além da própria


Reclamada, comprovaram que a jornada de trabalho do Reclamante no
subsolo era superior a 6 horas diárias.
Dessa forma, o autor faz jus a uma hora de intervalo intrajornada,
pois a hipótese dos autos recai na regra geral prevista no art.71, §3°, uma
vez que o art. 298 da CLT aplica-se apenas àqueles trabalhadores de minas
de subsolo que cumprem jornada de seis horas diárias.
A concessão parcial do intervalo para descanso e alimentação, após a
edição da Lei nº 8.923/94, implica no pagamento total do período
correspondente, nos termos da OJ 307 da SDI-1 do TST.
Vê-se, assim, que o reclamante é credor da verba correspondente ao
intervalo intrajornada de uma hora diária, ora acrescido à condenação, com
base no art. 71, § 4°, da CLT, acrescida do adicional de 50%, integrando-se
ao salário para repercussão em aviso prévio, férias, natalinas, repouso
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semanal remunerado e FGTS com 40%, nos termos da Orientação


Jurisprudencial 354 da SDI-I do TST.
Portanto, reformo a sentença ainda, para condenar a Reclamada no
pagamento do valor correspondente a uma hora de intervalo intrajornada,
acrescido do adicional normativo, sendo devidos os reflexos pleiteados na
peça exordial."  

Insurge-se a reclamada, sustentando a ocorrência


de julgamento extra petita, sob o argumento de que não houve pedido
de pagamento de horas extras pela ausência de fruição do intervalo
intrajornada, com fundamento no art. 71, § 4 º, da CLT, mas apenas
dos intervalos disciplinados pelos arts. 298 e 384 da CLT. Aponta
violação dos arts. 128 e 460 do CPC.
De fato, embora conste do item "IX – DOS PEDIDOS"
(fls. 18/20) pedido de pagamento de horas extras, esses foram feitos
apenas com fundamento nos arts. 293, 298 e 384 da CLT.
Assim, não havendo pedido, impossível a respectiva
condenação, sob pena de violação dos arts. 128 e 460 do CPC.
Desta forma, o Eg. Regional, ao condenar a
reclamada ao pagamento de horas extras, correspondente a uma hora de
intervalo intrajornada, que não foram requeridas na inicial, acabou
por violar os dispositivos legais citados, ensejando o conhecimento
do apelo.
Conheço.

2.2 - MÉRITO.
Reconhecida a existência de julgamento além do
pedido, o provimento do apelo é medida que se impõe.
Dou, assim, provimento ao recurso, para excluir da
condenação o pagamento das horas extras pela ausência de fruição do
intervalo intrajornada.

3 – HORAS "IN ITINERE".


3.1 – CONHECIMENTO.

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No aspecto, assim está posta a r. decisão


regional:

"Por fim, mantenho incólume a decisão de base na parte que trata das
horas in itinere pelos seus próprios fundamentos, que transcrevo, in verbis
como razão de decidir: ‘Além de ser inválida a supressão das horas de
trajeto por meio de norma coletiva, os documentos trazidos aos autos às
fls. 246/249 não se mostram suficientes para evidenciar a existência de
transporte público entre a residência do autor e local da prestação dos
serviços. Cumpre registrar, nesse passo, que os horários das linhas ali
informadas não são compatíveis com os turnos de trabalho em que o
reclamante laborou para a empresa demandada no período em que exerceu
a função de Auxiliar de Operação’, (fl. 279v.)."

A recorrente pretende ver excluída a condenação ao


pagamento de horas in itinere, sob o fundamento de que a Eg. Corte
Regional não respeitou as normas coletivas. Argumenta que a
supressão é justificada em razão das vantagens conferidas aos
trabalhadores no instrumento coletivo. Colaciona aresto.
Noto que o recurso vem calcado apenas em
divergência jurisprudencial.
Ocorre que o único paradigma apresentado é
inserível ao confronto de teses, uma vez que proveniente de origem
vedada (art. 896, "a", da CLT.
Não conheço.

4 – HORAS EXTRAS. ACORDO DE COMPENSAÇÃO DE HORÁRIO


EM ATIVIDADE EM MINAS DE SUBSOLO CELEBRADO POR ACORDO COLETIVO.
NECESSIDADE DE PRÉVIA AUTORIZAÇÃO DA AUTORIDADE COMPETENTE.
4.1 – CONHECIMENTO.
Eis os termos da r. decisão regional:

"O Magistrado de piso, reconheceu a validade do acordo de


prorrogação de jornada diária superior a 6h (seis horas) contida em norma
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coletiva da categoria do obreiro, ao argumento de que à época em que o


trabalhador laborou em cargo de auxiliar de operação (até junho/2008),
estaria em vigor a Súmula n° 349, que precindia da inspeção prévia de
autoridade competente em matéria de higiene do trabalho, para a validação
de acordos nesta natureza. E, assim, deferiu ‘...o pagamento das diferenças
de horas extras, assim consideradas aquelas prestadas após a 7ª diária e a
42ª semanal até o mês de junho de 2008, observada a redução ficta da hora
noturna...’, (fl. 280). Assevera, que ‘a partir de julho de 2008 o reclamante
passou a exercer a função de Supervisor de Operação, tendo poderes de
gestão conforme se infere, inclusive, do seu depoimento pessoal à fl. 274.’,
e portanto, indefere o pagamento de horas extras após esse período;
reconhece a invalidade da supressão das horas de trajeto e fixa ‘o tempo in
itinere era de 50 minutos antes do início da jornada registrado nos
controles de ponto e mais 30 minutos ap(k o registro da saída, totalizando
1h20min por dia, tempo este que deve ser acrescido à jornada de trabalho
do autor até junho de 2008 ‘, bem como; invalida a supressão do intervalo
intrajornada, aplicando o entendimento contido nas OJs 307 e 354 da SDI-I
do TST. Por fim, considerando, que o Autor é do sexo masculino, indeferiu
o pleito ao intervalo de 15 (quinze) minutos para repouso entre o término da
jornada normal e o início da jornada extraordinária.
A Reclamada, inconformada com tal decisão assevera, em síntese,
que a prorrogação e compensação de jornada, assim como o não direito à
hora in itinere tem amparo nos Acordos Coletivos de Trabalho colacionados
aos autos, assinados pelo sindicato obreiro. Evoca, como fundamentação de
sua tese, o disposto no inciso XIV, do art. 7°, da CF/88. Alega que todas as
horas extrapoladas e não compensadas foram integralmente quitadas.
Aduz, que caso mantida a condenação relativa às horas extras, que
seja aplicada a Súmula 85, do TST, condenando-a apenas ao pagamento dos
adicionais limitado ao mês de junho/2008. Pugna que esse limite também
seja aplicado ao pagamento das horas in itinere, caso mantida a condenação
a quo.
Alega ainda, ser incabível o pagamento de diferenças de Repouso
Semanal Remunerado em razão das horas extras e do adicional noturno, ao
fundamento de que sendo o Reclamante mensalista já possuiria o RSR
imbutido na sua remuneração. Por fim, afirma que a empresa já obedecia a
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hora noturna reduzida, conforme Acordo Coletivo de 1997/1998,


englobando todos os valores devidos, inclusive em relação à hora reduzida.
De outro lado, o Reclamante fundamenta sua tese no art. 293, da CLT,
que dispõe sobre a jornada de trabalhadores em minas e subsolo, limitando-
a à duração normal de 06h/dia (seis horas diárias) e 36h (trinta e seis horas)
semanais. Alega a não comprovação da autorização ou lincença prévia do
Ministério do Trabalho e Emprego, para o acordo de prorrogação da
jornada. Mensiona diversos julgados anteriores ao cancelamento da Súmula
394, do TST, que invalidam as cláusulas coletivas que prorrogam a jornada
além das seis horas diárias. Por conseguinte, pleiteia a invalidade das
clásulas em comento, e conseqüente deferimento das horas extras laboradas
após as seis horas diárias e trinta e seis mensais. Pugna ainda, pelo
deferimento do intervalo interjornada, nos moldes do ar. 384, da CLT.
Pois bem.
Inicialmente, cabe ressaltar que apesar de reconhecida e correta a
possibilidade de sindicatos e empresas ajustarem condições de trabalho e
firmarem acordos ou convenções coletivas de trabalho (art. 7°, XXVI, da
CF/88), a ordem jurídica, no entanto, impõe limites a ao processo negocial.
Um desses limites, explicita que a negociação coletiva de trabalho não
poderá suprimir ou reduzir direitos trabalhistas absolutamente
indisponíveis, como o por exemplo direito à assinatura da CTPS, ou
matérias relacionadas à saúde, higiene e segurança do trabalho.
E nesta senda, o art. 293 da CLT, que estabelece duração específica
para o trabalho em minas de subsolo não excedente de 6 (seis) horas diárias
ou de 36 (trinta e seis) semanais, constitui medida de higiene, saúde e
segurança do trabalho, e, portanto, norma cogente, que no entender desta
Julgadora ad quem, não pode ser afastada pela negociação coletiva
desacompanhada da prévia autorização da autoridade competente. É que
nesse sentido, a Constituição Federal/88 pugna, no inciso XXII do artigo
7°, pela ‘redução dos riscos inerentes ao trabalho, por meio de normas de
saúde, higiene e segurança’.
Assim, diverge esta Relatoria do entendimento apresentado pelo
Magistrado singular, ao considerar regra prevista no art. 295, do TST
exigível apenas após a publicação Resolução nº 174/2011 (DEJT em 27, 30
e 31/05/2011), que cancelou a Súmula no 349, do TST, que considerava
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dispensável a inspeção prévia da autoridade competente em matéria de


higiene do trabalho para efeito de validade de acordo coletivo ou convenção
coletiva de compensação de jornada em atividade insalubre.
Embora, as súmulas representem o entendimento predominante dos
tribunais acerca de determinada matéria submetida a reiterados
julgamentos, servindo de norte para decididos posteriores, contudo, a
interpretação de determinado dispositivo legal baseado na edição ou no seu
cancelamento de uma súmula de jurisprudência não tem o condão de afastar
tal norma jurídica do ordenamento por certo lapso, como entendeu o
julgador a quo. Portanto, não há falar em direito à interpretação de norma
jurídica contida em súmula de jurisprudência, até porque a sua observância
não é obrigatória, à exceção daquelas vinculantes, representando, apenas, o
entendimento dominante nos tribunais sobre uma determinada matéria
controvertida.
Nesse diapasão, ante a ausência de autorização prévia de autoridade
competente em higiene do trabalho, reputo inválida a cláusula normativa
que prevê a prorrogação/compensação da jornada de trabalho e,
consequentemente, reconheço como extras aquelas horas laboradas após a
6ª diária e a 36ª semanal (art. 293, da CLT)
Nesta senda, afasto também o pleito alternativo da Reclamada de
aplicação do disposto no item III, da Súmula nº 85, do TST, pois sendo nula
a compensação de jornada em atividade insalubre sem a prévia licença do
Ministério do Trabalho e Emprego, e devido o pagamento das horas
excedentes ao limite legal, acrescidas do adicional legal ou normativo.
Nessa linha, segue o julgado do Tribunal Superior do Trabalho, abaixo, in
verbis:
‘RECURSO DE REVISTA - (...). HORAS EXTRAS -
PRESTAÇÃO HABITUAL -ACORDO DE COMPENSAÇÃO
DE JORNADA - ATIVIDADE INSALUBRE - REGIME
12X36 - NULIDADE - EFEITOS. Esta Corte, recentemente,
cancelou a Súmula n. 349, segundo a qual -A validade de
acordo coletivo ou convenção coletiva de compensação de
jornada de trabalho em atividade insalubre prescinde da
inspeção prévia da autoridade competente em matéria de
higiene do trabalho (art. 7°, XIII, da CF/1988; art. 60 da CLT).-
Não é mais possível a entabulação de Acordo ou Convenção
Coletiva de compensação de jornada de trabalho em atividades
insalubres, notadamente quando há prestação de horas extras
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habituais em regime de 12 horas por 36 de descanso. Os itens


III e IV da Súmula n.° 85, ao determinarem o pagamento apenas
do adicional em relação às horas extras que tiverem sido
compensadas dentro da jornada normal semanal, só se aplicam
quando a invalidade do ajuste decorrer apenas da prestação de
horas extras habituais ou do mero desatendimento de exigências
legais, o que não é o caso dos autos, que além da prestação
habitual de horas extras, foi constatado o trabalho em atividade
insalubre. Declarado absolutamente nulo o acordo de
compensação de jornadas, são devidas as horas extras a partir
da 8ª diária ou da 44ª semanal, nos termos do art. 7°, XIII, da
CF/88. Recurso conhecido e provido. (...) (RR - 276400-
09.2008.5.09.0069, Relator Ministro: Carlos Alberto Reis de
Paula, Data de Julgamento: 22/06/2011, 8ª Turma, Data de
Publicação: 27/06/2011)"

A recorrente sustenta, em síntese, a validade do


acordo coletivo que estendeu a duração do trabalho em minas de
subsolo para 7h diárias. Assevera que o art. 60 da CLT, que entende
violado, deve ser interpretado com redução de texto. Colaciona
aresto.
Correto o Regional, quando destaca que, sendo o
reclamante trabalhador de minas de subsolo, a ele se aplica a regra
do art. 293 da CLT, que limita a duração normal do trabalho aos
empregados de minas em subsolo a seis horas diárias ou trinta e seis
semanais.
Convém salientar que a proibição constante do
caput do art. 295 da CLT quanto à fixação de jornada além daquela
prevista no art. 293 do mesmo texto, sem prévia licença da
autoridade competente em matéria de saúde do trabalho, para o
trabalhador em minas de subsolo, traz comando de ordem pública, de
índole imperativa, infenso, em primeiro plano, à possibilidade de
flexibilização via negociação coletiva, intento que nenhuma norma
autoriza, muito menos o art. 7º, XXVI, da Lei Maior.
A regra encerra norma de conteúdo imperativo
mínimo, amparada pelo princípio protetor, peculiar ao Direito do
Trabalho, levando em conta o elevado grau de insalubridade presente

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na atividade em minas de subsolo. Constitui medida de higiene, saúde


e segurança do trabalho.
No mesmo sentido, os seguintes precedentes desta
Corte:

"(...)RECURSO DE REVISTA DA RECLAMADA. 1. TRABALHO


EM MINAS DE SUBSOLO. COMPENSAÇÃO DE JORNADA. NORMA
COLETIVA. HORAS EXTRAS. AUSÊNCIA DE AUTORIZAÇÃO DA
AUTORIDADE COMPETENTE EM MATÉRIA DE HIGIENE DO
TRABALHO. A prestação de serviços em jornada extraordinária em minas
de subsolo, atividade penosa, está sujeita à licença prévia da autoridade
competente em matéria de higiene do trabalho, nos termos do art. 295 da
CLT, o que não restou comprovado nos autos. Trata-se de norma cogente,
em matéria de higiene, saúde e segurança do trabalho. Nesse contexto, o
recurso de revista não se viabiliza pela indicada contrariedade à Súmula 85,
III, desta Corte, uma vez que referido verbete sumular não alude à situação
especial dos trabalhadores em minas de subsolo, os quais têm
regulamentação específica na legislação consolidada. Recurso de revista
não conhecido. (...)"(TST-ARR-12900-80.2009.5.12.0053, Ac. 8ª Turma,
Rel. Ministra Dora Maria da Costa, DEJT 22.6.2012).

"AGRAVO DE INSTRUMENTO - TRABALHO EM MINAS DE


SUBSOLO - NORMA COLETIVA - PRORROGAÇÃO DA JORNADA
DE TRABALHO. A decisão do Regional está em consonância com a
jurisprudência desta Corte ao concluir pela inaplicabilidade da Súmula nº
349/TST aos trabalhadores de minas de subsolo. A especificidade desse tipo
de trabalho, tal como preveem o art. 293 e ss. da CLT, limita a jornada
diária a 6 horas, condicionando a negociação coletiva sobre prorrogação de
jornada à prévia autorização do órgão competente de saúde e higiene do
trabalho. Como não há no v. acórdão alusão a possível autorização, não é
viável concluir pela regularidade da norma coletiva alegada pela recorrente
(Súmula nº 126 desta Corte). Agravo de instrumento não provido" (TST-
AIRR-678-11.2010.5.12.0000, Ac. 1ª Turma, Rel. Ministro José Pedro de
Camargo Rodrigues de Souza, DEJT 8.6.2012).

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RECURSO DE REVISTA - HORAS EXTRAORDINÁRIAS -


COMPENSAÇÃO DE JORNADA - FIXAÇÃO EM ACORDO
COLETIVO - TRABALHO EM MINAS DE SUBSOLO. Da exegese do
caput do art. 295 da CLT, extrai-se que a elevação da jornada além daquela
prevista no art. 293 do mesmo diploma, mediante acordo escrito ou coletivo
de trabalho, somente é possível com prévia licença da autoridade
competente em matéria de higiene do trabalho. Cuida-se de normas de
ordem pública e de cunho protetivo a direito indisponível, recepcionadas
pela Constituição Federal de 1988, no que com ela se compatibiliza, como
se observa da redação do art. 7º, XXII. Conquanto haja previsão na Carta
Constitucional no sentido de facultar a compensação de horários e a
redução da jornada de trabalho, mediante acordo ou convenção coletiva de
trabalho (art. 7º, III), e de prestigiar o princípio da autonomia da vontade
das partes (art. 7º, XXVI), em situações específicas, como a que ora se
discute, há de prevalecer o princípio da reserva legal, não havendo lacuna
para que a norma autônoma fixe regras ao arrepio da lei, pelo que não se
vislumbra ofensa ao art. 7º, XIII e XXVI, da Constituição da República. A
Súmula nº 349 do TST não contempla a especificidade do trabalho exercido
pelo autor - minas de subsolo -, sujeito a regulamentação específica.
Arestos inespecíficos à luz da Súmula nº 296 do TST. Recurso de revista
não conhecido" (TST-RR-325800-12.2008.5.12.0003, Ac. 1ª Turma, Rel.
Ministro Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, DEJT 24.6.2011).

Diante de tal quadro, resta incólume o preceito


evocado pela parte.
Por fim, registro que é inservível ao dissenso
aresto oriundo do mesmo Regional prolator da decisão recorrida,
pois, contraria o disposto no art. 896, "a", da CLT.
Não conheço.

5 – INTERVALO DO ART. 298 DA CLT.
5.1 – CONHECIMENTO.
Pugna   a   reclamada   o   afastamento   da   condenação   ao
pagamento   de   horas   extras   pela   ausência   de   fruição   do   intervalo

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PROCESSO Nº TST-RR-307-11.2012.5.05.0311

previsto   no   art.   298   da   CLT.   Afirma   que   a   supressão   foi   fruto   de


vontade coletiva e deve prevalecer.
Em relação ao tema em epígrafe, a recorrente não
indica, no recurso de revista, contrariedade a súmula ou apresenta
arestos para comprovação de dissenso jurisprudencial, deixando,
ainda, de apontar, expressamente, os dispositivos de lei ou da
Constituição supostamente tidos como violados.
O apelo, como se vê, está desfundamentado, à luz
do art. 896 da CLT.
Não conheço.

ISTO POSTO

ACORDAM os Ministros da Terceira Turma do Tribunal
Superior   do   Trabalho,  por unanimidade, conhecer do recurso de
revista, quanto à multa por embargos protelatórios, por violação do
art. 538 do CPC e, no mérito, dar­lhe provimento, para excluir da
condenação   a   referida   cominação.   Por   unanimidade,   conhecer   do
recurso   de   revista, quanto  ao  julgamento "extra petita", por
violação dos arts. 128 e 460 do CPC, e, no mérito, dar-lhe
provimento, para excluir da condenação o pagamento das horas extras
pela ausência de fruição do intervalo intrajornada. Por unanimidade,
não conhecer do recurso de revista em relação aos temas
remanescentes.
Brasília, 05 de novembro de 2014.

Firmado por Assinatura Eletrônica (Lei nº 11.419/2006)


ALBERTO LUIZ BRESCIANI DE FONTAN PEREIRA
Ministro Relator

Firmado por assinatura eletrônica em 05/11/2014 pelo Sistema de Informações Judiciárias do Tribunal
Superior do Trabalho, nos termos da Lei nº 11.419/2006.