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PROCESSO Nº TST-RO-198-91.2011.5.05.

0000

A C Ó R D Ã O
SEDC/2014
GMFEO/MEV/IAP

RECURSOS   ORDINÁRIOS  INTERPOSTOS   POR


SINDICATO DA INDÚSTRIA DA CONSTRUÇÃO
DO   ESTADO   DA   BAHIA   –   SINDUSCON/BA
(SUSCITANTE)   E   POR  SINTRACOM/BA -
SINDICATO DOS TRABALHADORES NA
INDÚSTRIA DA CONSTRUÇÃO E DA MADEIRA
DO ESTADO DA BAHIA E OUTROS
(SUSCITADOS). IDENTIDADE DE MATÉRIAS.
ANÁLISE CONJUNTA.

DISSÍDIO COLETIVO DE GREVE.  REAJUSTE
SALARIAL. Manutenção do acórdão
normativo recorrido, quanto à
concessão de índice de 9,47% (nove
vírgula quarenta e sete por cento)
para o reajuste salarial, a partir de
1º/01/2011, correspondente à soma da
inflação do período (6,47%),
acrescida da média de ganho real
obtido pela categoria profissional
nos anos anteriores (3%), ante a
presença de indicadores objetivos do
desempenho   econômico   no   segmento  de
empresas   diretamente   envolvidas   no
conflito,   não   impugnados
concretamente pelo sindicato patronal
recorrente, a amparar a concessão de
ganho   real,   no   patamar   estipulado,
conforme o §2º do art. 13 da Lei nº
10.192/2001 e a jurisprudência desta
Seção Especializada. CESTA BÁSICA.
REAJUSTE.
Manutenção da decisão recorrida, em
que se estabeleceu o índice de 10,13%
(dez vírgula treze por cento),
calculado pelo DIEESE, para o
reajustamento do valor previsto na
cláusula 13 (Cesta Básica) da
convenção coletiva de trabalho
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imediatamente precedente, o qual,


embora superior ao índice estipulado
para o reajuste geral dos salários
(9,47%), contou com a aceitação do
sindicato patronal suscitante em
juízo. Pretensão dos sindicatos
profissionais recorrentes, quanto à
concessão de reajuste do valor da
cesta básica, superior àquele fixado
no acórdão recorrido, que não
encontra respaldo na jurisprudência
desta Seção Especializada. Recursos
ordinários a que se nega provimento
quanto aos temas. PAGAMENTO DOS
SALÁRIOS CORRESPONDENTES AO PERÍODO
DE GREVE. Prevalece nesta Seção
Especializada o juízo de que a
paralisação dos serviços em
decorrência de greve importa na
suspensão do contrato de trabalho,
nos termos do disposto no art. 7º da
Lei nº 7.783/89, razão por que, não
havendo trabalho, independentemente
da qualificação jurídica da greve, o
empregador não está obrigado a
efetuar o pagamento dos valores
correspondentes ao período não
trabalhado, salvo situações
excepcionais. Precedente do Supremo
Tribunal Federal no mesmo sentido.
Hipótese em que a Corte Regional
declarou "a inexigibilidade da
obrigação do suscitante de pagar os
salários no período de greve aos
seus empregados que a ela aderiram",
fundamentando-se no art. 7º da Lei nº
7.783/89; porém, em razão da greve
ter perdurado por mais de 30 (trinta)
dias e do caráter alimentar do
salário, determinou que a dedução dos
valores correspondentes aos salários
dos dias não trabalhados em virtude
da greve fosse feita "de forma
diluída e proporcional, a partir do
mês de abril, nos cinco meses
subsequentes, ou no ato da rescisão",
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o que ocorresse primeiro. Acórdão


recorrido em sintonia com a
jurisprudência desta Seção
Especializada, em que se admite nas
situações de paralisação coletiva de
longa duração, hipótese vertente
(aproximadamente quarenta dias), a
adoção de medidas capazes de
minimizar o impacto da determinação
de não pagamento dos salários desse
período, de modo a evitar prejuízo à
sobrevivência do trabalhador e de sua
família. Recursos ordinários a que se
nega provimento.

Vistos,   relatados   e   discutidos   estes   autos   de


Recurso   Ordinário   n°  TST­RO­198­91.2011.5.05.0000,   em   que   são
Recorrentes SINDICATO DA INDÚSTRIA DA CONSTRUÇÃO DO ESTADO DA BAHIA
­   SINDUSCON­BA  e  SINDICATO   DOS   TRABALHADORES   DA   INDÚSTRIA   DA
CONSTRUÇÃO E DA MADEIRA DO ESTADO DA BAHIA ­ SINTRACOM E OUTROS  e
Recorridos OS MESMOS.

Em   03/03/2011,   o  Sindicato   da   Indústria   da


Construção   do   Estado   da   Bahia   –   SINDUSCON/BA   ajuizou   dissídio
coletivo   de   natureza   econômica   e   jurídica   perante   a  FETRACOM/BA -
Federação dos Trabalhadores na Indústria de Construção e da Madeira
do Estado da Bahia, o SINTRACOM/BA - Sindicato dos Trabalhadores na
Indústria da Construção e da Madeira do Estado da Bahia, SINDIOESTE
- Sindicato dos Trabalhadores Empregados nas Indústrias da
Construção Civil, Mobiliário, Madeireira e Assemelhados do Oeste da
Bahia, o SINTRACOMSAJ - Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias
da Construção Civil e do Mobiliário de Santo Antônio de Jesus, o
STCCMFS – Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção
Civil, Mobiliário e Madeira de Feira de Santana, o SINTRACCISA –
Sindicato dos Trabalhadores na Construção Civil de Santo Amaro, o
STICC - Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção
Civil de Juazeiro, o SINTRACOMA - Sindicato dos Trabalhadores nas
Indústrias da Construção e da Madeira de Serrinha e Teofilândia, o

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SINTRACOMVC - Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção


e da Madeira de Vitória da Conquista, o SINDRIO - Sindicato dos
Trabalhadores na Indústria da Construção e da Madeira no Vale do Rio
de Contas e o STICC - Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da
Construção e da Madeira de Canavieiras, em razão do impasse na
negociação coletiva, com a deflagração de greve, a propósito da
fixação dos índices de reajuste das cláusulas econômicas constantes
da convenção coletiva de trabalho em vigor no período precedente
(01/01/2010 a 31/12/2011), cuja rediscussão, a partir de janeiro de
2011, fora ajustada na cláusula 2ª (Vigência) desse instrumento
coletivo autônomo. Em caráter liminar, pleiteou a antecipação da
tutela de mérito, a fim de que se estipulasse, a partir de 1º
janeiro de 2011, o índice de reajuste de 6,47% (seis vírgula
quarenta e sete por cento), correspondente à inflação do período,
incidente sobre os valores previstos nas cláusulas 3ª (Piso
Normativo), 4ª (Piso Normativo para o Interior), 5ª (Piso Normativo
para Manutenção Industrial), 7ª (Recomposição Salarial para os
Demais Trabalhadores), 12 (Alimentação), 13 (Cesta Básica) e 17
(Auxílio para Assistência ao Filho Excepcional) da convenção
coletiva de trabalho vigente em período imediatamente anterior. Em
caráter definitivo, pleiteou: 1) a confirmação da decisão
antecipatória da tutela mérito; 2) a estipulação do índice de 6,47%
(seis vírgula quarenta e sete por cento) para o reajuste dos valores
previstos nas cláusulas 3ª (Piso Normativo), 4ª (Piso Normativo para
o Interior), 5ª (Piso Normativo para Manutenção Industrial), 7ª
(Recomposição Salarial para os Demais Trabalhadores), 12
(Alimentação), 13 (Cesta Básica) e 17 (Auxílio para Assistência a
Filho Excepcional) da convenção coletiva de trabalho vigente em
período imediatamente anterior (2010/2011), mantendo-se todas as
demais disposições constantes desse instrumento coletivo; 3) o
reconhecimento da suspensão do contrato de trabalho durante os dias
não trabalhados em virtude da greve em curso, iniciada em 09 de
fevereiro de 2011, desobrigando as empresas representadas do
pagamento dos salários e das demais obrigações correspondentes ao
período de paralisação dos serviços (fls. 01/13).
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Os sindicatos profissionais suscitados, em


conjunto, apresentaram defesa à ação coletiva (fls. 80/91).
De acordo com o parecer de fls. 524/525, a
Procuradoria Regional do Trabalho da 5ª Região opinou: 1) "pelo
deferimento do percentual, no limite necessário à reposição das
perdas ocorridas no ano anterior à vigência da decisão normativa",
relativamente ao reajuste dos pisos normativos; 2) pelo
indeferimento do aumento real, porque sujeito à negociação direta
entre as partes; 3) pela observância do índice de 10,13% (dez
vírgula treze por cento), calculado pelo DIEESE, para o
reajustamento do valor previsto na cláusula 13 (Cesta Básica); 4)
pela estipulação do mesmo índice previsto para o reajuste dos pisos
normativos, para a correção dos valores previstos nas cláusulas 12
(Alimentação) e 17 (Auxílio para Assistência a Filho Excepcional),
"conforme convencionado entre as partes na reunião realizada em
11.1.11 (Ata de fls. 118/119)"; 5) pela determinação de compensação
dos dias não trabalhados em virtude da greve, nas condições a serem
estabelecidas pelas partes.
Nos termos do acórdão de fls. 536/548, a Seção
Especializada em Dissídios Coletivos do Tribunal Regional do
Trabalho da 5ª Região decidiu: 1) fixar o índice de 9,47% (nove
vírgula quarenta e sete por cento) para o reajuste salarial, a
partir de 1º/01/2011, correspondente à soma da inflação do período
(6,47%) acrescida da média de ganho real obtido pela categoria
profissional nos anos anteriores (3%), com a observância dos
parâmetros e das "tabelas descritas nas cláusulas 3ª, 4ª, 5ª e 7ª e
respectivos parágrafos da Convenção Coletiva de 2010, compensadas as
antecipações de igual natureza jurídica concedidas espontaneamente
entre 1º/01/2010 e 31/12/2010" (fls. 540); 2) fixar o índice de
9,47% (nove vírgula quarenta e sete por cento) para o reajuste dos
valores previstos nas cláusulas 12 (Alimentação) e 17 (Auxílio para
Assistência a Filho Excepcional) da convenção coletiva de trabalho
precedente (2010); 3) estipular o índice de 10,13% (dez vírgula
treze por cento), calculado pelo DIEESE, para o reajustamento do
valor previsto na cláusula 13 (Cesta Básica) da convenção coletiva
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de trabalho precedente (2010); 4) declarar "a inexigibilidade da


obrigação do suscitante de pagar os salários no período de greve aos
seus empregados que a ela aderiram"; 5) determinar que a dedução dos
valores correspondentes aos salários dos dias não trabalhados em
virtude da greve fosse feita "de forma diluída e proporcional, a
partir do mês de abril, nos cinco meses subsequentes, ou no ato da
rescisão", o que ocorresse primeiro.
Os embargos de declaração opostos pelos sindicatos
profissionais   suscitados   (fls.   551/552)   foram   providos,   para   se
corrigir erro material existente na decisão embargada a respeito da
cláusula   alusiva   à   cesta   básica,   determinando­se   "que o limite
mínimo para o fornecimento da cesta básica é de 100 (cem)
trabalhadores, a partir de janeiro de 2011", conforme acórdão de
fls. 560 e verso.
O   Sindicato   da   Indústria   da   Construção   do   Estado
da Bahia – SINDUSCON/BA interpôs recurso ordinário (fls. 563/574).
Pleiteou   a   exclusão   do   acórdão   normativo   recorrido   do   percentual
concedido a título de ganho real (3%), com a consequente estipulação
do índice de 6,47%  (seis vírgula quarenta e sete por cento) para o
reajuste dos valores previstos na convenção coletiva de trabalho
vigente no período precedente a título de pisos salariais, de
alimentação e de auxílio para assistência ao filho excepcional.
Ainda, pleiteou que se afastasse a "forma diluída e proporcional"
estipulada para a dedução dos valores correspondentes aos salários
dos dias não trabalhados em virtude da greve, autorizando-se a
dedução imediata e integral desses valores.
Os sindicatos profissionais suscitados também
interpuseram recurso ordinário (fls. 576/588), com a finalidade de
obter: 1) a fixação de reajuste salarial de 12% (doze por cento), a
incidir sobre as cláusulas 3° (Piso Normativo), 4ª (Piso Normativo
para o Interior), 5ª (Piso Normativo para Manutenção Industrial), 7ª
(Recomposição Salarial para os Demais Trabalhadores), 12
(Alimentação) e 17 (Auxílio para Assistência a Filho Excepcional) da
convenção coletiva de trabalho vigente em período precedente, ou,
sucessivamente, "a fixação de reajuste salarial imediato de 10% (dez
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por cento), mais 1% (um por cento) a partir de julho/2011, tendo-se


em vista a proposta convencionada anteriormente pelo patronato"
(fls. 588); 2) a fixação do valor de R$ 90,00 (noventa) reais para a
cesta básica especial e de R$ 60,00 (sessenta) reais para a cesta
básica comum ou, sucessivamente, "a fixação da cesta básica especial
no valor de R$ 80,00 (oitenta reais), tendo-se em vista a proposta
convencionada anteriormente pelo patronato" (fls. 588); 3) a
determinação de regular pagamento dos salários e das demais
vantagens correspondentes aos dias não trabalhados em virtude da
greve ou, sucessivamente, "o regular pagamento de 40% (quarenta por
cento) dos salários e demais vantagens, tendo-se em vista o
histórico da negociação coletiva da categoria" (fls. 588).
Os recursos ordinários foram admitidos por meio da
decisão de fls. 589 e verso.
O   Sindicato   da   Indústria   da   Construção   do   Estado
da Bahia – SINDUSCON/BA (fls. 592/600) e os sindicatos profissionais
suscitados   (fls.   606/615)   apresentaram   contrarrazões   aos   recursos
ordinários.
O processo não foi submetido a parecer do
Ministério Público do Trabalho.
É o relatório.

V O T O

RECURSOS   ORDINÁRIOS   INTERPOSTOS   POR   SINDICATO   DA


INDÚSTRIA   DA   CONSTRUÇÃO   DO   ESTADO   DA   BAHIA   –   SINDUSCON/BA
(SUSCITANTE)   E   POR  SINTRACOM/BA - SINDICATO DOS TRABALHADORES NA
INDÚSTRIA DA CONSTRUÇÃO E DA MADEIRA DO ESTADO DA BAHIA E OUTROS
(SUSCITADOS). IDENTIDADE DE MATÉRIAS. ANÁLISE CONJUNTA.

1. CONHECIMENTO

Atendidos   os   pressupostos   legais   de


admissibilidade dos recursos ordinários, deles conheço.

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2. MÉRITO

2.1.  REAJUSTE SALARIAL. ALIMENTAÇÃO. AUXÍLIO PARA


ASSISTÊNCIA A FILHO EXCEPCIONAL 

Nos termos do acórdão de fls. 536/548, a Seção


Especializada em Dissídios Coletivos do Tribunal Regional do
Trabalho da 5ª Região decidiu: 1) fixar o índice de 9,47% (nove
vírgula quarenta e sete por cento) para o reajuste salarial, a
partir de 1º/01/2011, correspondente à soma da inflação do período
(6,47%), acrescida da média de ganho real obtido pela categoria
profissional nos anos anteriores (3%), com a observância dos
parâmetros e das "tabelas descritas nas cláusulas 3ª, 4ª, 5ª e 7ª e
respectivos parágrafos da Convenção Coletiva de 2010, compensadas as
antecipações de igual natureza jurídica concedidas espontaneamente
entre 1º/01/2010 e 31/12/2010" (fls. 540); 2) fixar o mesmo índice
de 9,47% (nove vírgula quarenta e sete por cento) para o reajuste
dos valores previstos nas cláusulas 12 (Alimentação) e 17 (Auxílio
para Assistência a Filho Excepcional) da convenção coletiva de
trabalho precedente (2010).
A propósito da fixação das cláusulas em destaque,
a Corte Regional consignou no acórdão o seguinte fundamento:

"REAJUSTE SALARIAL
O suscitante propõe a concessão de reajuste salarial correspondente a
6,47% sobre os salários de 1º de janeiro de 2010.
Os suscitados, por sua vez, pugnam pelo deferimento de reajuste
salarial no patamar de 12%, sob o fundamento de que o setor da construção
civil cresceu 18,7% e que o suscitante sempre concedeu reajustes em
percentuais superiores aos da inflação, o que não ocorreu em relação ao
presente dissídio.
Com efeito, é fato público e notório o crescimento do setor da
construção civil na Bahia, fruto do aumento da renda da população, da boa
fase da economia brasileira, dos investimentos em programas
governamentais como o PAC – Programa de Aceleração do Crescimento e
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Minha Casa, Minha Vida, não esquecendo, ainda, da realização, nesta


capital do Salvador, de alguns jogos da próxima Copa do Mundo de
Futebol, fato, aliás, determinante para a construção de um novo estádio de
futebol no lugar da antiga Fonte Nova.
A Revista ADEMI de 2010, por exemplo, cuja cópia está nos autos,
noticia uma expectativa de crescimento de 33% de unidades
comercializadas em relação ao ano anterior, quando foram vendidos 11.250
imóveis, fl. 148.
O Presidente da ADEMI registrou que "as condições da economia
são favoráveis e há uma grande demanda, portanto, os negócios se mantém
aquecidos" (fl. 148).
Em outro periódico, também do setor imobiliário, consta que, de
acordo com os dados da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais
da Bahia – SEI, "o setor da construção civil na Bahia experimentou um
crescimento de 13,9% entre junho de 2009 e junho de 2010, enquanto no
mesmo período a taxa de elevação do setor no Brasil ficou em 5,5%, fl.
156.
Pois bem; a despeito do enorme crescimento do setor, fato
comprovado a olhos vistos por todos aqueles que transitam neste Estado,
que há cerca de pelo menos três anos vem-se transformando em verdadeiro
canteiro de obras, inclusive com o aumento significativo do valor das
unidades imobiliárias, o sindicato patronal ofereceu, apenas, o reajuste no
valor correspondente às perdas inflacionárias do ano anterior.
O art. 766, da CLT, fixa as diretrizes do poder normativo da Justiça do
Trabalho ao dispor que "Nos dissídios sobre estipulação de salários, serão
estabelecidas condições que assegurando justos salários aos trabalhadores
permitam também justa retribuição às empresas interessadas", destacou-se.
Significa dizer, portanto, que o Julgador, valendo-se da equidade e do
princípio da razoabilidade e da proporcionalidade, deve, na estipulação dos
salários, assegurar justos salários aos trabalhadores permitindo, ainda,
justa retribuição às empresas interessadas.
Ao assim proceder, o Julgador estará dando concretude aos princípios
constitucionais da dignidade da pessoa humana, dos valores sociais do
trabalho e da livre iniciativa (art. 1º, inciso III e IV).

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Não se pode, ainda, perder de vista que constituem objetivo da


República Federativa do Brasil a construção de uma sociedade livre, justa e
solidária; a garantia do desenvolvimento econômico; a erradicação da
pobreza e a redução das desigualdades sociais e regionais (art. 3º, incisos I,
II e III da Constituição Federal).
E mais: o princípio da função social da propriedade (art. 170, inciso
III), atinge também a empresa, que é uma das unidades econômicas mais
importantes do sistema capitalista moderno.
Conforme registrou o Ministro Eros Grau, citado por José Affonso
Dallegrave Neto "o que mais releva enfatizar, entretanto, é o fato de que o
princípio da função social da propriedade impõe ao proprietário – ou a
quem detém o poder de controle, na empresa – o dever de exercê-lo em
beneficio de outrem e, não, apenas de não o exercer em prejuízo de outrem.
Isso significa que a função social da propriedade atua como fonte da
imposição de comportamentos positivos – prestação de fazer, portanto, e
não meramente não fazer – ao detentor do pedir que deflui da
propriedade" in Responsabilidade Civil no Direito do Trabalho, 4ª Edição,
Editora LTr, pág. 559.
Assim, não é justo, muito menos razoável que se conceda reajuste
salarial levando em conta, apenas, o índice inflacionário do período, diante
do exponencial crescimento das empresas representadas pelo suscitante.
Por outro lado, aumento real acima dos índices inflacionários
constitui benefício que vem sendo conquistado pela categoria. Tanto isso é
verdade que nas últimas Convenções Coletivas firmadas entre as partes
foram garantidos, a título de reajuste salarial, percentuais superiores àqueles
registrados para a inflação do período, a exemplo do ano 2008, em que
acordaram reajuste de 8% (fl. 84), enquanto a inflação medida nesse
período foi de 5,16%. O mesmo ocorreu, v.g., no ano seguinte, em que a
categoria profissional obteve 9,15% de reajuste, enquanto o índice
inflacionário foi de 6,48%.
Ora, considerando que reajustes salariais superiores aos índices
inflacionários vêm sendo garantidos à categoria profissional, por meio de
livre negociação coletiva entre as partes, força é de convir que, por
autonomia da vontade, o suscitante vem concedendo benefícios superiores
aos mínimos legais, de sorte que não lhe é, data venia, dado alegar que, em
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assim também agindo, a Justiça do Trabalho estaria extrapolando o seu


poder normativo, uma vez que estará, apenas e tão somente, garantindo
disposição benéfica anteriormente conquistada.
Ilegalidade haveria se fosse concedida, apenas, a reposição
inflacionária do período, como quer o suscitante, desprezando, por
completo, a conquista anterior da categoria – aumento real - garantia mais
benéfica que vem sendo pactuada ao longo dos anos, em sede de normas
convencionais.
Decerto. O § 2º, do art. 114, da Constituição Federal, com a redação
dada pela Emenda Constitucional nº 45/2004, dispõe que "Ajuizado
dissídio coletivo de natureza econômica de comum acordo, a Justiça do
Trabalho pode decidir o conflito, respeitadas as disposições mínimas legais
de proteção ao trabalho, bem como as convencionadas anteriormente",
destacou-se.
O dispositivo supra - ao determinar que a Justiça do Trabalho, no
legítimo exercício de seu poder normativo, portanto ao decidir o litígio,
observe as disposições convencionadas anteriores - não teria qualquer
sentido se não considerar conquistas já obtidas pela categoria.
Noutras palavras: as condições obtidas por meio de acordo ou
convenção coletiva de trabalho são conquistas de trabalho da categoria
profissional que devem balizar o julgamento do dissídio coletivo, sob pena
de se fazer tabula rasa do §2º, do art. 114, da Carta Magna.
Elas somente poderiam ser desconsideradas em sede de sentença
normativa se as condições fáticas tivessem sido alteradas sensivelmente,
como por exemplo, enorme prejuízo em face da modificação das
conjunturas econômicas, o que, decididamente, não é o caso dos autos.
Decerto. Não tem nenhuma procedência o argumento do suscitante,
de que o crescimento da construção civil registrado pelo PIB setorial não
serve como parâmetro para provar a lucratividade das empresas, uma vez
que, segundo sustenta, os suscitados, ao postular aumento real, não levaram
em conta as especificidades de cada setor, mormente a expressiva queda de
produtividade do trabalhador, o que acarretaria o aumento dos custos do
empreendimento.
Justamente porque se a produtividade não está satisfatória, em
decorrência da falta de qualificação dos empregados, cabe aos empresários
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contratar novos profissionais, tecnicamente mais bem preparados, pagando-


lhes maiores salários, ou então qualificar os atuais. Não há, contudo,
notícias de que tal conduta vem sendo adotada pelos empresários do ramo
da construção civil.
Observe-se, ainda, que o aumento do crescimento do setor, inclusive
do valor monetário das unidades imobiliárias, gera uma presunção de que
também houve o aumento dos lucros, presunção que, por sua vez, não foi
elidida pelo suscitante.
Com efeito. A propósito, cabe o registro de que o suscitante não
moveu uma palha, sequer, para trazer aos autos um único documento que
seja, em ordem a demonstrar a veracidade do argumento de que o
crescimento vertiginoso do setor não tenha, na mesma medida, gerado
aumento dos lucros para as empresas do ramo.
Pelo princípio da aptidão da prova o ônus deve recair sobre a parte
que se encontra em melhor posição e com melhor aptidão para revelar a
verdade, acentuando-se seu dever de colaboração no processo.
Cabia, pois, ao sindicato patronal solicitar junto às empresas que
representa os lançamentos contábeis, em ordem a provar que os seus lucros
não ocorreram na mesma medida que o crescimento do setor, mas assim
não procedeu.
Além disso, sequer foi implantado o programa de participação nos
lucros como forma de minimizar a tensão entre o capital e o trabalho, uma
vez que a Convenção Coletiva de 2010, ao dar conta de que as empresas
poderão celebrar acordos específicos para tal fim, editou norma
programática, mera possibilidade que pode ocorrer ou não. Nesse diapasão,
noto que sequer há, nos autos, notícia da existência de acordos coletivos
garantidores do benefício convencionado.
Desse modo, DEFIRO o reajuste salarial, arbitrando-o no percentual
de 9,47% (nove vírgula quarenta e sete pontos percentuais), que
corresponde à soma da inflação (6,47%) + 3%, que é a média de ganho real
obtida pela categoria nos anos anteriores, com a seguinte redação:

REAJUSTE SALARIAL - As empresas reajustarão os salários de


todos os seus empregados, em 1º/01/2011, no percentual de 9,47% (nove
vírgula quarenta e sete por cento), devendo incidir sobre os salários
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fls.13

PROCESSO Nº TST-RO-198-91.2011.5.05.0000

vigentes em 1º/01/2010, observando-se os parâmetros e as tabelas descritas


nas cláusulas 3ª, 4ª, 5ª e 7ª e respectivos parágrafos, da Convenção Coletiva
de 2010, compensadas as antecipações de igual natureza jurídica
concedidas espontaneamente entre 1º/01/2010 e 31/12/2010.
O reajuste salarial alcança todos aqueles nominados na CCT de 2010,
ou seja, os empregados da Região Metropolitana de Salvador, os
empregados do interior do Estado da Bahia onde o SINTRACOM tenha
abrangência, observado quanto a estes o quanto prevê a cláusula 4ª, §2º
desta convenção, os empregados do segmento da área de manutenção
industrial, bem como aqueles que sendo do ramo da construção civil estão
executando serviços em áreas industriais, os trabalhadores das prestadoras
de serviço de saneamento básico, assim como os demais empregados que
prestam serviços nos Municípios para as empresas representadas pelo
suscitante e cujos salários não estejam enquadrados no rol acima.

ALIMENTAÇÃO E AUXÍLIO PARA ASSISTÊNCIA A FILHO


EXCEPCIONAL

A CCT de 2010 prevê que a alimentação e o auxílio assistência a filho


excepcional serão reajustados com o mesmo índice do reajuste salarial, fl.
21, que ora se fixa em 9,47%.
Sendo assim, DEFIRO as pretensões com as seguintes redações,
preservando os parâmetros estipulados na CCT/2010 conforme postula,
inclusive, o suscitante:

ALIMENTAÇÃO - As Empresas que atuam na base territorial do


SINDUSCON/BA e do SINTRACOM/BA concederão almoço subsidiado
ou vale refeição, para todos os Empregados, cujo teto máximo para
desconto, no salário do Empregado, em folha de pagamento, não poderá ser
superior a 5% (cinco por cento) do valor do almoço.
§1º - Fica estabelecido que a partir de janeiro de 2011, o valor facial
do vale refeição será R$ 9,51 (nove reais e cinquenta e um centavos) cada
um.
§2º - As Empresas fornecerão, sem ônus para seus Empregados
lotados nos canteiro de obras, inclusive canteiros centrais de Empresas que
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fls.14

PROCESSO Nº TST-RO-198-91.2011.5.05.0000

prestam serviços às concessionárias de Energia Elétrica e Saneamento


Básico, escritórios dos canteiros de obras e frentes de trabalho de serviços
de manutenção, o café da manhã antes do início da jornada normal de
trabalho, composto de 03 (três) pães de 50 (cinquenta) gramas com
margarina ou manteiga e 01 (um) copo de 300 (trezentos) ml de café com
leite.
§3º - As Empresas manterão instalações adequadas para as refeições
dos seus Empregados, devendo zelar pela manutenção da sua limpeza e
higiene.
§4º - De Segunda a sexta-feira, havendo necessidade de trabalho
extraordinário, com duração superior a duas horas, as Empresas fornecerão
lanche gratuito igual ao café da manhã conforme discriminado no § 2º.
Excepcionalmente quando a jornada extraordinária de trabalho exceder a
cinco horas será servido o jantar em vez do lanche.
§5º - Quando houver necessidade de trabalho aos sábados, domingos
ou feriados, e cuja jornada de trabalho exceder a 05 (cinco) horas, as
Empresas concederão almoço subsidiado na forma do caput desta Cláusula,
devendo ser servido no horário habitual.
§6º - As Empresas que executarem serviços de turno à noite,
fornecerão jantar aos seus empregados, subsidiados conforme caput, que
deverá ser servido na metade da jornada.
§7º - As empresas servirão almoço a seus empregados utilizando
bandejões ou pratos, desde que haja a concomitância dos seguintes
requisitos:
a) que o contingente de trabalhadores seja superior a 50 (cinquenta)
empregados no canteiro; e b) que haja concentração de trabalhadores que
permitam este tipo de serviço.

AUXÍLIO PARA ASSISTÊNCIA A FILHO EXCEPCIONAL - As


Empresas ressarcirão as despesas efetuadas com saúde e educação de filhos
excepcionais de seus Empregados, até o limite de R$ 253,07 (duzentos e
cinquenta e três reais e sete centavos), por filho, por mês, nas seguintes
condições:
a - O Empregado que tenha filho excepcional deverá fazer a
comprovação através de documentação fornecida por Instituição
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fls.15

PROCESSO Nº TST-RO-198-91.2011.5.05.0000

especializada no tratamento de excepcionais, preferencialmente, ou pela


Previdência Social;
b - As despesas a que se referem o caput desta Cláusula serão pagas
diretamente à Instituição especializada que prestou o atendimento ou
serviço educacional ao filho excepcional;
c - O valor estabelecido no caput desta Cláusula será atualizado na
mesma proporção dos reajustamentos a que fizer jus a Categoria
Profissional aqui representada;
d - O SINDUSCON/BA e o SINTRACOM/BA elaborarão e
colocarão à disposição das Empresas, quando solicitados, listagem das
principais instituições especializadas em atendimento e tratamento de
excepcionais" (fls. 537-verso/541).

Nas razões do recurso ordinário, o Sindicato da


Indústria da Construção do Estado da Bahia – SINDUSCON/BA pleiteia a
reforma do acórdão normativo, a fim de obter a estipulação do índice
de 6,47% (seis vírgula quarenta e sete por cento), correspondente à
inflação acumulada no período de 01/01/2010 a 31/12/2010, para o
reajuste dos valores previstos na convenção coletiva de trabalho
vigente no período precedente a título de pisos salariais, de
alimentação e de auxílio para assistência ao filho excepcional.
Alega que a Corte Regional extrapolou os limites do poder normativo
conferido à Justiça do Trabalho quando concedeu aos trabalhadores
representados, via sentença normativa, ganho real à razão de 3%
(três por cento). Sustenta que, na jurisprudência deste Tribunal
Superior Trabalho, se admite apenas a recomposição da perda do poder
aquisitivo do trabalhador, pela aplicação de percentual de reajuste
pouco inferior ao índice de preços divulgado para o período, a fim
de se evitar a indexação vedada no art. 13 da Lei nº 10.192/2001,
remetendo-se para a negociação coletiva a estipulação de aumento
real. Aduz que "não se pode perder de vista que a interpretação dos
instrumentos normativos é regida pela teoria do conglobamento, pelo
que não deve o Julgador valer-se de interpretação isolada de
determinada cláusula, especialmente quando iminentemente de natureza
econômica, haja vista que eventuais hipóteses de concessão de ganhos
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fls.16

PROCESSO Nº TST-RO-198-91.2011.5.05.0000

reais em determinadas negociações, por certo, é fruto de tantos


outros benefícios e concessões pelas partes no curso processo de
negociação, não sendo autorizado ao magistrado ater-se a este fato
como autorizador de concessão de ganho real em sede de sentença
normativa, pois os índices concedidos à época das outras negociações
foram definidos de acordo com aquela realidade negocial não se
aplicando, por óbvio, ao momento atual" (fls. 568). Assinala que
"malgrado a concessão de ganho real tenha sido objeto de negociações
anteriores, este jamais poderá ser entendido como disposição
convencionada entre as partes, como o fez o acórdão atacado, de modo
que, por se tratar de matéria reservada à autonomia das partes no
processo negocial, é vedada a interferência do Poder Judiciário,
ante o óbice imposto pelo texto constitucional" (fls. 568). Destaca
que o crescimento do setor não é suficiente para justificar a
concessão de reajuste acima da inflação do período, pois os índices
que indicam esse crescimento não evidenciam a rentabilidade do
setor, tampouco a capacidade de pagamento das empresas
representadas. Argumenta que as empresas de grande porte, que se
destacam no capital produtivo nacional, são minoria sob a sua
representação, "pois a categoria, em sua essência, é composta por
empresas de médio e pequeno porte, que têm a sua capacidade
econômica afetada não apenas pelas altas cargas tributárias vigentes
em nosso país, mas também por dificuldades orçamentárias,
cronogramas de obras exíguos, baixa produtividade e margem de lucro
ínfima, sendo que estas, por certo, não detêm o poderio econômico
necessário para angariar, reajustar e/ou qualificar uma mão-de-obra
com a facilidade esposada no decisum hostilizado", de modo que não é
cabível "presumir a lucratividade das empresas tomando-se como base
tão-somente os índices de crescimento do setor" (fls. 569/570).
Alega que não lhe cabia demonstrar a ausência de rentabilidade das
empresas que representa, uma vez que esse ônus incumbia aos
Suscitados que, na contestação, pleitearam a concessão de reajuste
no índice de 12% (doze por cento), sob o fundamento de crescimento
do setor e da lucratividade das empresas, assumindo, dessa forma, "o
encargo de provar o fato impeditivo articulado" (fls. 571). Sustenta
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fls.17

PROCESSO Nº TST-RO-198-91.2011.5.05.0000

que os sindicatos profissionais recorridos não se desvencilharam


desse ônus, uma vez que não trouxeram documento "capaz de comprovar
cabalmente o aumento de lucratividade do setor", mas se limitaram a
juntar "informativos periódicos de associação composta por algumas
empresas do
segmento, que detêm natureza essencialmente propagandista com a
finalidade de demonstrar a solidez do setor e atrair investimentos
para o empreendimento imobiliários, sendo que dados e índices ali
consignados não detêm a certificação técnica necessária para
demonstrar a rentabilidade do setor, nem tampouco capacidade de
pagamento das empresas" (fls. 571).
Por sua vez, os sindicatos profissionais, em seu
arrazoado recursal, pleiteiam a fixação de reajuste salarial de 12%
(doze por cento), a incidir sobre as cláusulas 3° (Piso Normativo),
4ª (Piso Normativo para o Interior), 5ª (Piso Normativo para
Manutenção Industrial), 7ª (Recomposição Salarial para os Demais
Trabalhadores), 12 (Alimentação) e 17 (Auxílio para Assistência a
Filho Excepcional) da convenção coletiva de trabalho vigente em
período precedente, ou, sucessivamente, "a fixação de reajuste
salarial imediato de 10% (dez por cento), mais 1% (um por cento) a
partir de julho/2011" (fls. 588). Alegam que a Corte Regional
incorreu na violação do art. 766 da CLT quando concedeu à categoria
profissional ganho real de apenas 3% (três por cento), de acordo com
a média aritmética dos últimos índices de aumento real auferidos,
sem observar o "pujante crescimento do setor da construção civil
baiana no ano de 2010", na ordem de 18,8% (dezoito vírgula oito por
cento), demonstrado através dos documentos de fls. 134/146
(relatórios do DIEESE) e 147/170 (periódicos). Argumentam que estão
presentes elementos que permitem a fixação de reajuste salarial à
razão de 12% (doze por cento), percentual que se alcança facilmente
"a partir de um cálculo que leve em conta as duas variáveis
incidentes, quais sejam, o índice inflacionário e o crescimento do
setor produtivo" (fls. 581) e, além disso, esse foi o índice
proposto pelos mediadores da Superintendência Regional do Trabalho e
Emprego do Estado da Bahia, conforme ata de fls. 19. De outro lado,
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Superior do Trabalho, nos termos da Lei nº 11.419/2006.
fls.18

PROCESSO Nº TST-RO-198-91.2011.5.05.0000

sustentam que "o percentual de reajuste salarial estipulado pelo


juízo a quo, de 9,47% (nove vírgula quarenta e sete por cento), é
inferior àquele aceito pelos empregadores no curso da negociação
coletiva autônoma", conforme documentos de fls. 211 e 227, que
evidenciam "que o patronato concordou com a proposta da mediação,
que sugeriu um aumento salarial imediato de 10% (dez por cento),
mais 1% (um por cento) a partir de julho/2011". Aduzem que, de
acordo com a "reportagem veiculada pelo conceituado sítio de
notícias Folha.com, o próprio Presidente da entidade recorrida, Sr.
Carlos Alberto Matos Vieira Lima, confessou a possibilidade de um
reajuste total de 11% (onze por cento)". Dessa forma, assinalam que,
a teor do art. 114, §2º, da Constituição Federal, "o percentual
mínimo a ser fixado pelo Poder Judiciário para o reajuste salarial é
de 11% (onze por cento), nos termos firmados acima, sob pena de
restarem desrespeitadas as disposições convencionadas anteriormente
pelas partes".
No   art.   13   da   Lei   nº   10.192/2001   veda­se   a
"estipulação ou fixação de cláusula de reajuste ou correção salarial
automática vinculada a índice de preços".
Entretanto, estabelece-se no art. 12, §1º, da
mesma Lei nº 10.192/01, que "a decisão que puser fim ao dissídio
será fundamentada, sob pena de nulidade, deverá traduzir, em seu
conjunto, a justa composição do conflito de interesse das partes, e
guardar adequação com o interesse da coletividade".
Ainda, estipula-se no art. 766 da CLT que nos
"dissídios sobre estipulação de salários, serão estabelecidas
condições que, assegurando justos salários aos trabalhadores,
permitam também justa retribuição às empresas interessadas".
Assim, a teor desses dispositivos de lei, firmou-
se a jurisprudência desta Seção Especializada no sentido de que, se
as partes não chegarem a consenso sobre o índice de reajuste
salarial, a política econômica oficial, orientada para a
desindexação da economia, não obsta que a Justiça   do   Trabalho,
dentro do poder normativo que lhe é assegurado no art. 114, §2º, da
Constituição   Federal, como forma de pacificar o conflito, conceda
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Superior do Trabalho, nos termos da Lei nº 11.419/2006.
fls.19

PROCESSO Nº TST-RO-198-91.2011.5.05.0000

percentual   de  reajuste  que   julgue   condizente   com   a   perda  salarial


sofrida   pela   categoria   profissional, desde que isso não implique
reajuste "automático" vinculado a índice de preços.
De outro lado, no §2º do art. 13 da Lei nº
10.192/2001 dispõe-se sobre a condição para a concessão de aumento
real de salários por meio de sentença normativa:

"Qualquer concessão de aumento salarial a título de produtividade


deverá estar amparada em indicadores objetivos".

Apesar das implicações da política salarial, não


há impedimento à apreciação do aumento salarial sob o prisma da
produtividade, conforme §2º do art. 13 da Lei nº 10.192/2001, razão
por que a jurisprudência desta Seção Especializada, amparada nesse
preceito legal, orienta-se no sentido de que o deferimento de
aumento real, por meio de decisão normativa, deverá estar
fundamentado em indicadores objetivos. O conceito e a caracterização
desses   indicadores,   como   se   sabe,   vinculam­se   ao  desempenho
econômico no segmento de empresas diretamente envolvidas no dissídio
coletivo.
De   fato,   a   preexistência   em   instrumento   coletivo
de norma concessiva de aumento real de salários não é determinante
para a sua permanência no instrumento normativo superveniente, sendo
imprescindível   para   esse   fim   a   presença   de   elementos   econômicos,
objetivos   e   seguros,  referentes   ao   novo   período   em   revisão.
Entretanto,   uma   vez   que   presente   esse   requisito   essencial,   o
histórico   do  convencionado   anteriormente  a   respeito  da   estipulação
de  ganho  real  para  a  categoria  profissional   é  fator  que  contribui
para   a   fixação   do   respectivo   índice   a   ser   observado   nesse   novo
período,  em   atenção   ao   disposto   no   art.   114,   §2º,  in   fine,   da
Constituição Federal.          
Na hipótese, os documentos anexados demonstram
aquecimento da economia da Bahia no período em revisão, em especial,
do setor da construção civil.

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fls.20

PROCESSO Nº TST-RO-198-91.2011.5.05.0000

O quarto número do "Boletim Trabalho e


Construção", fundado em dados fornecidos pelo PED – Pesquisa de
Emprego e Desemprego, realizada pelo convênio DIEESE/SEADE/MTE-FAT e
parceiros regionais no Distrito Federal e nas regiões metropolitanas
de São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife e Salvador (fls.
195/200), expõe a seguinte notícia:
"Em 2010, a retomada do crescimento econômico em patamar
superior ao verificado nos últimos anos - após uma momentânea
interrupção por conta da crise internacional em 2009 - tem propiciado uma
melhora, ainda que de forma e intensidade diferenciadas, dos mercados de
trabalho das regiões pesquisadas pela Pesquisa de Emprego e Desemprego -
PED.

Nesse contexto, a Construção Civil tem sido um dos principais


carros-chefes do crescimento econômico atual, impulsionada pela
recuperação dos investimentos, maior facilidade de acesso ao crédito e
prorrogação da isenção do Imposto sobre Produto Industrializado - IPI
para material de construção até dezembro de 2010. Como resposta ao
dinamismo do setor, o número de postos de trabalho na Construção Civil
ampliou-se, juntamente com o crescimento do rendimento médio real, no
primeiro semestre de 2010, na maioria das regiões pesquisadas" (fls.
195 – grifou-se).

De acordo com o estudo de fls. 122/146, elaborado


pelo DIEESE (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos
Socioeconômicos), no mercado há mais de 50 (cinquenta) anos, no
primeiro semestre de 2010, "dentre as atividades da indústria, o
maior crescimento ficou com a construção civil (15,7%)" (fls. 124).
Relativamente à conjuntura baiana, no primeiro
semestre de 2010, conforme o mesmo estudo do DIEESE, a construção
civil cresceu 18,8% (dezoito vírgula oito por cento), resultado
diretamente relacionado ao crescimento imobiliário da Região
Metropolitana de Salvador e às obras de infraestrutura do PAC em
todo o estado (fls. 126/127).

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fls.21

PROCESSO Nº TST-RO-198-91.2011.5.05.0000

Além disso, consta da pesquisa elaborada pelo


DIEESE que, no primeiro semestre de 2010, foram lançadas 5.682
(cinco mil seiscentas e oitenta e duas) unidades, a significar "um
aumento de 311% em comparação a igual período do ano passado, quando
os negócios foram impactados pela crise" (fls. 128). Consta também
que o "volume de unidades comercializadas no 1º semestre chegou a
5.913" e o que "está sendo lançado está sendo vendido e não há
estoque como acontece em outros estados" (fls. 128).
Os periódicos anexados a fls. 147/170 corroboram
essa pesquisa, trazendo notícias diversas a respeito do crescimento
da indústria da construção civil no Estado da Bahia no ano de 2010,
resultante principalmente das obras relacionadas ao Programa de
Aceleração do Crescimento (PAC), ao programa "Minha Casa, Minha
Vida" e à construção de novo estádio para a copa do mundo de futebol
de 2014, no lugar da antiga "Fonte Nova".
Dentre as matérias inseridas nesses periódicos,
destaca-se a da revista da Associação de Dirigentes de Empresas do
Mercado Imobiliário da Bahia (ADEMI-BA), referente ao ano de 2010,
em que se noticia uma expectativa de crescimento de 33% (trinta e
três por cento) de unidades comercializadas em comparação com o ano
anterior. Já na matéria veiculada no periódico de fls. 156, consta
que, "segundo dados da Superintendência de Estudos Econômicos e
Sociais da Bahia (SEI), o setor da construção civil na Bahia
experimentou um crescimento de 13,9% entre junho de 2009 e junho de
2010, enquanto no mesmo período a taxa de elevação do setor no
Brasil ficou em 5,5%".
Acresce que esses indicadores objetivos não foram
diretamente impugnados pelo sindicato patronal suscitante, que se
limita a destacar a "natureza essencialmente propagandista" de
"informativos periódicos de associação composta por algumas empresas
do segmento", sem trazer quaisquer outros dados concretos capazes de
se contraporem àqueles extraídos dos diversos documentos trazidos
com a defesa das entidades sindicais profissionais suscitadas, o que
lhe cabia, inclusive porque somente as empresas representadas detêm

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fls.22

PROCESSO Nº TST-RO-198-91.2011.5.05.0000

os documentos aptos a demonstrar de forma precisa o desempenho


econômico no setor.
Portanto, é certo que o segmento da construção
civil na Bahia cresceu acima da média no ano de 2010.
Ademais, constata-se que o processo de negociação
coletiva, que antecedeu o ajuizamento deste dissídio coletivo, já
tendo em conta esse cenário de crescimento do setor no ano de 2010,
incluiu proposta do sindicato patronal de aumento real de salário
para a categoria profissional, desde a concessão do Índice Nacional
de Preços ao Consumidor (INPC) de 6,46% (seis vírgula quarenta e
seis por cento), acrescido de 1% (um por cento) de ganho real, até o
limite de 11% (onze por cento), sem o pagamento dos dias não
trabalhados em virtude da greve. A propósito, os seguintes
documentos: ata de reunião perante o Ministério do Trabalho e
Emprego (fls. 112), notícia "Folha.com" (fls. 211), notícia jornal
"A Tarde"/Salvador (fls. 218), notícia jornal "Correio"/Bahia (fls.
220), notícia jornal "A Tarde"/Salvador (fls. 221), notícia jornal
"A Tarde"/Salvador (fls. 222), notícias "A Tarde"/online (fls. 226,
227 e 228).
Diante disso, não se sustenta a tese do sindicato
patronal a respeito da falta de demonstração da capacidade   do
segmento  econômico  de  suportar  a  concessão  de  aumento  real  para  a
categoria   profissional, tampouco se justifica a   proposição de   se
fixar   a   esta   altura   apenas   o   índice   de   reajuste   de   6,47%  (seis
vírgula quarenta e sete por cento), correspondente à inflação
acumulada no período de 01/01/2010 a 31/12/2010.
De outra parte, analisando-se a evolução salarial
da categoria profissional nos últimos 10 (dez) anos (2001 a 2010),
infere-se que, por meio de negociação coletiva autônoma, os salários
contaram com aumentos bem acima dos índices inflacionários medidos
pelo INPC/IBGE, principalmente nos últimos seis anos, em que se
alcançou a média anual de 3% (três por cento) de ganho real,
conforme quadro abaixo apresentado pelos sindicatos profissionais
suscitados na defesa (fls. 84):

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fls.23

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ANO REAJ.CATEGORIA INFLAÇÃO ANO REAJ.CATEGORIA INFLAÇÃO

2001 7,66% 5,27% 2006 9% 5,05%

2002 10% 9,44% 2007 6% 2,81%

2003 15% 14,74% 2008 8% 5,16%

2004 12% 10,38% 2009 9,15% 6,48%

2005 10% 6,13% 2010 10% 4,11%

Desse modo, houve considerável ganho no poder de


compra dos salários nos últimos dez anos, com a valorização
gradativa da condição social dos integrantes da categoria
profissional, como é desejável que aconteça, a revelar, da mesma
forma, impacto real nos custos das empresas. 
Tratando-se de dissídio coletivo intersindical, a
adequação salarial da categoria profissional, com a estipulação de
ganho   real,  deve ser feita comedidamente, considerando­se   as
especificidades   do   setor   e   o   histórico   do   convencionado
anteriormente a respeito, de modo a não inviabilizar financeiramente
as empresas que compõem o segmento, cujas particularidades diversas
impactam na respectiva rentabilidade e capacidade de pagamento.
Assim, conquanto seja indispensável a presença de
indicadores objetivos de crescimento econômico do setor em questão
para a concessão de aumento real de salários, bem como respeitável o
teor das propostas patronais realizadas no período de prévia
negociação coletiva, a atuação do poder normativo, por meio de
dissídio coletivo, a eles não está atrelada, cabendo à Justiça do
Trabalho exercer em cada caso o juízo de equidade.
E,   no   caso   concreto,   a   Corte   Regional   bem
desempenhou   esse   papel,   quando   arbitrou reajuste salarial para a
categoria profissional à razão de 9,47% (nove vírgula quarenta e
sete por cento), correspondente à soma da inflação (6,47%),
acrescida da média de ganho real obtida pela categoria nos anos
anteriores no valor de 3% (três por cento).
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fls.24

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Esse índice de 9,47% (nove vírgula quarenta e sete


por cento) representa meio-termo entre as propostas em juízo do
sindicato patronal suscitante (6,47%) e aquela apresentada pelos
sindicatos profissionais suscitados (12%). Além disso, observa a
prática adotada pelas partes nos anos anteriores, por negociação
coletiva, a propósito da estipulação de ganho real à média de 3%
(três por cento).
Por esses fundamentos, nego provimento a ambos os
recursos ordinários no particular.

2.2. CESTA BÁSICA. REAJUSTE


Nos termos do acórdão de fls. 536/548, a Seção
Especializada em Dissídios Coletivos do Tribunal Regional do
Trabalho da 5ª Região estipulou o índice de 10,13% (dez vírgula
treze por cento), calculado pelo DIEESE, para o reajustamento do
valor previsto na cláusula 13 (Cesta Básica) da convenção coletiva
de trabalho precedente (2010), conforme o seguinte fundamento:

"REAJUSTE DA CESTA BÁSICA

Em relação ao valor da cesta básica também não é possível acolher a


pretensão do suscitante, a fim de que seja corrigido com base, apenas, no
índice oficial da inflação.
Justamente porque os alimentos tiveram um reajuste maior (10,13%),
superior ao índice da inflação do mesmo período, conforme informa o
DIEESE no seu sítio: www.dieese.org.br.
No mesmo sentido é o opinativo do d. Ministério Público do
Trabalho, no parecer de fl. 524-verso.
Assim, DEFIRO o reajuste da cesta básica, observando os mesmos
parâmetros e requisitos fixados na CCT de 2010 porque foi fruto da
autonomia de vontade das partes, tal qual proposição feita pelo suscitado e
aceita pelos suscitados (sic):

"CESTA BÁSICA - Nos canteiros de obras ou nos


canteiros centrais das empresas de Construção Civil que
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prestam serviços às concessionárias dos serviços de saneamento


básico e manutenção industrial, que atingirem mais de 130
(cento e trinta) trabalhadores, as empresas abrangidas por esta
sentença normativa, fornecerão, mensalmente, a partir de
janeiro de 2011, uma cesta básica a seus trabalhadores que ali
trabalham, de acordo com as condições estabelecidas nos
parágrafos seguintes:

§1° - Farão jus a uma cesta básica ou vale alimentação, no


valor de R$ 60,57 (sessenta reais e cinquenta e sete centavos),
também a partir de janeiro de 2011, o trabalhador enquadrado
na situação prevista no caput desta cláusula e que atendam os
seguintes requisitos:

I - tenha, no mês anterior ao da concessão do benefício,


recebido salário, como contraprestação de serviços, um valor
não superior a 10 (dez) salários mínimos vigentes;

II - seja assíduo, entendendo-se como tal, a ocorrência de,


no máximo, duas faltas ou dois atestados médicos por mês,
ressalvadas apenas as ausências por motivo de acidente do
trabalho. Serão consideradas justificadas as faltas previstas
como tal na legislação trabalhista, devidamente comprovadas
por documentos hábeis, sendo que estas também não
interferirão na concessão da cesta básica prevista neste
parágrafo. Os atrasos no início da jornada serão tolerados, para
os efeitos deste parágrafo, até o limite cumulativo de 75 (setenta
e cinco) minutos no respectivo mês.
III - O fornecimento da cesta básica ao acidentado e ao
trabalhador em gozo de auxilio doença ficará limitado ao
período de 60 (sessenta) dias;

§2° - As empresas fornecerão, a partir de março de 2011,


nos canteiros de obra acima de 130 (cento e trinta)
trabalhadores, em vez da cesta básica prevista no §1° da
presente cláusula, uma cesta básica especial de R$ 77,09
(setenta e sete reais e nove centavos) somente para aqueles
trabalhadores que forem plenamente assíduos, ou seja, não
tiverem nenhuma falta mensal e atestados médicos, exceto
aquelas faltas relativas a acidentes de trabalho.

§3° - Fica estabelecido que a partir de 1° de janeiro de


2011, o contingente de trabalhadores nos canteiros de obras
para os fornecimentos das cestas básicas, será de 100 (cem)
empregados.
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§4° - No mês em que o trabalhador for admitido, a cesta


básica somente será devida se a admissão ocorrer até o dia 15
(quinze).

§5° - A cesta básica prevista nesta cláusula poderá ser


fornecida "in natura", ou em cartão alimentação, ficando vedada
a sua substituição por pagamento em pecúnia.

§6° - A cesta básica de que trata esta cláusula não terá


caráter salarial, nem integrará à contraprestação do trabalhador
para qualquer fim.

§7° - É vedada a comercialização, venda ou troca da cesta


básica total ou parcialmente sob pena de se excluir do programa
de concessão desse benefício o trabalhador que infringir esta
condição.

§8° - Uma vez fornecida a cesta básica, nos canteiros com


mais de 130 (cento e trinta) trabalhadores, a mesma deverá ser
mantida mesmo que o contingente seja diminuído, ficando
aquém daquele estabelecido no "caput" desta cláusula" (fls.
541/542).

Conforme   decisão   de   fls.  560 e verso, a Corte


Regional deu provimento aos   embargos   de   declaração   opostos   pelos
sindicatos   profissionais   suscitados   (fls.   551/552),   a   fim   de
corrigir erro material existente na decisão embargada a respeito da
cláusula   alusiva   à   cesta   básica,   determinando­se   "que o limite
mínimo para o fornecimento da cesta básica é de 100 (cem)
trabalhadores, a partir de janeiro de 2011".
Nas   razões   do   recurso   ordinário,   os sindicatos
profissionais suscitados pleiteiam a fixação do valor de R$ 90,00
(noventa) reais para a cesta básica especial e de R$ 60,00
(sessenta) reais para a cesta básica comum ou, sucessivamente, "a
fixação da cesta básica especial no valor de R$ 80,00 (oitenta
reais)" (fls. 588). Alegam que a Corte Regional, na fixação do
índice de reajuste do valor da cesta básica, não levou em
consideração disposição benéfica anteriormente conquistada pela
categoria profissional por meio de negociação coletiva, em
contrariedade ao disposto no art. 114, §2º, da Constituição Federal:
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50% (cinquenta por cento) de reajuste no valor da cesta básica no


ano de 2009. Sustentam que, "malgrado o DIEESE tenha apontado para
um aumento da cesta básica no referido percentual, outros fatores
devem ser considerados, sobretudo o valor real da cesta básica em
nosso país" que, em dezembro de 2010, era de R$ 201,70 (duzentos e
um reais e setenta centavos), de acordo com o informativo de fls.
171, "quase quatro vezes maior do que aquele pago à categoria
profissional aqui representada" (fls. 583). Argumenta que "somente
com reajustes acima dos índices inflacionários será possível atingir
um valor que realmente satisfaça às necessidades básicas dos
trabalhadores" (fls. 583). De outro lado, sustentam que o valor
fixado pela Corte Regional a título de cesta básica especial (R$
77,09 – setenta e sete reais e nove centavos) é inferior à proposta
dos empregadores realizada no período de negociação autônoma (R$
80,00 – oitenta reais), conforme comprovam os documentos de fls. 175
e 179. Dessa forma, assinalam que, a teor do art. 114, §2º, da
Constituição Federal, "o valor mínimo a ser fixado pelo Poder
Judiciário para a referida cesta básica especial é de R$ 80,00
(oitenta reais), sob pena de restarem desrespeitadas as disposições
convencionadas anteriormente" (fls. 584).
De acordo com entendimento predominante nesta
Seção Especializada, a fixação de cláusula concessiva de cesta
básica não se insere no âmbito de atuação do poder normativo
conferido à Justiça do Trabalho no Texto Constitucional, por
importar custo financeiro adicional às empresas, cuja
suportabilidade não é aferível de imediato. Portanto, em regra,
norma referente a benefício dessa natureza depende essencialmente de
ajuste entre as partes.
Todavia, na hipótese de haver a fixação em
instrumento coletivo preexistente (acordo coletivo, convenção
coletiva ou acordo homologado nos autos de dissídio coletivo) de
cláusula em que se estipula a concessão de cesta básica, orienta-se
a jurisprudência desta Seção Especializada, no sentido de que
cabível a manutenção do benefício, por força do disposto no art.
114, §2º, in fine, da Constituição Federal, inserindo-se na
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PROCESSO Nº TST-RO-198-91.2011.5.05.0000

competência normativa da Justiça do Trabalho a determinação de


reajuste do correspondente valor, a fim de recuperar a  perda   do
poder   aquisitivo   que   igualmente   o   atinge; porém, apenas pela
utilização do mesmo índice adotado para o reajuste geral dos
salários.  A concessão de índice maior para reajuste do valor da
cesta básica, com eventual correção de distorção em relação ao real
preço de mercado dos alimentos que a compõem, não se concebe nesta
Seção Especializada por força de atuação do poder normativo, salvo
se contar com a concordância do segmento patronal.
A hipótese vertente é de revisão da   cláusula   13
(Cesta Básica) da convenção coletiva de trabalho vigente em período
imediatamente   precedente   (fls.   21/48),  a amparar a manutenção do
benefício conquistado pela categoria (Cesta Básica), por aplicação
do art. 114, §2º, in fine, da Constituição Federal, em que se
preconiza a observância em dissídio coletivo das disposições
"convencionadas anteriormente"; mas não necessariamente dos índices
de reajustes alcançados anteriormente em instrumentos coletivos
autônomos para o reajustamento do respectivo valor, pois
evidentemente são resultantes de realidades diversas daquela
vivenciada no período em foco neste dissídio coletivo que os
sucedeu.
Acresce que o índice de 10,13% (dez vírgula treze
por cento), calculado pelo DIEESE, adotado no acórdão regional
recorrido para o reajustamento do valor previsto na cláusula 13
(Cesta Básica) da convenção coletiva de trabalho precedente, além de
ser superior ao índice estabelecido para o reajuste geral dos
salários (9,47%), foi o único que contou com a aceitação do
sindicato patronal suscitante em juízo, inclusive, como se observa
do teor das contrarrazões ao recurso ordinário em exame:
"Cumpre notar, ainda, que a própria documentação carreada aos autos
pelos Recorrentes, mais precisamente a reportagem colacionada à fl. 171
dos autos, comprova que o aumento da cesta básica em 2010 foi na ordem
de 10,13%, evidenciando o total descompasso da pretensão deduzida nas
razões recursais.

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E, nesse sentido, se verifica a razoabilidade do decisum


hostilizado, de concessão do reajuste em conformidade com o
percentual inflacionário da cesta básica apurada no período de 2010,
eis que não se pode perder de vista que, além da cesta básica fornecida aos
trabalhadores, as empresas disponibilizam aos seus empregados
alimentação (café da manhã e almoço) nos canteiros de obra, conforme
evidenciam as Convenções Coletivas carreadas aos autos" (fls. 597 –
grifo nosso).

De outra parte, verifica-se dos indicados


documentos de fls. 175 e 179 que a proposta patronal realizada no
período de negociação autônoma, de estipulação da cesta básica
especial no valor de R$ 80,00 (oitenta reais), estava vinculada à
oferta de reajuste geral dos salários pelo  índice   de   6,47%  (seis
vírgula quarenta e sete por cento), correspondente à inflação
acumulada no período de 01/01/2010 a 31/12/2010, que afinal não foi
aceita.
Em consequência, a pretensão dos sindicatos
profissionais recorrentes, quanto à concessão de reajuste do valor
da cesta básica, superior àquele estipulado no acórdão recorrido,
não encontra respaldo na jurisprudência desta Seção Especializada,
razão por que nego provimento a seu recurso ordinário no particular.

2.3. PAGAMENTO DOS SALÁRIOS CORRESPONDENTES AO


PERÍODO DE GREVE
Nos termos do acórdão de fls. 536/548, a Seção
Especializada em Dissídios Coletivos do Tribunal Regional do
Trabalho da 5ª Região decidiu: 1) declarar "a inexigibilidade da
obrigação do suscitante de pagar os salários no período de greve aos
seus empregados que a ela aderiram"; 2) determinar que a dedução dos
valores correspondentes aos salários dos dias não trabalhados em
virtude da greve fosse feita "de forma diluída e proporcional, a
partir do mês de abril, nos cinco meses subsequentes, ou no ato da
rescisão", o que ocorresse primeiro.

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PROCESSO Nº TST-RO-198-91.2011.5.05.0000

A propósito, a Corte Regional consignou no acórdão


o seguinte fundamento:
"DESCONTOS DOS SALÁRIOS

O suscitante requer, enfim, que seja declarada a inexigibilidade do


pagamento dos salários no período de greve.
Com efeito, nos moldes do que estabelece o art. 7°, da Lei n°
7.783/89, os movimentos paredistas em que foram observadas as
formalidades legais têm o condão de suspender o contrato de trabalho,
donde se conclui que as obrigações principais do contrato de trabalho, que
são a prestação de serviços e o pagamento dos salários, ficam paralisadas
temporariamente.
Se o legislador quisesse que os salários fossem pagos no período do
movimento paredista, certamente teria estabelecido que a hipótese trata de
interrupção, em que há a suspensão da prestação dos serviços, mas subsiste
a obrigação do empregador de pagar-lhe os salários.
Inquestionavelmente esse não é o caso, uma vez que o legislador
estabeleceu que a greve suspende o contrato de trabalho dos empregados.
Greve é, com efeito, o exercício de um lídimo e constitucional direito.
Mas que, nele, traz ínsito um risco, que é - salvo acordo em sentido
contrário - não ver pagos os salários do período de paralisação. Afinal, o
direito de greve sustenta-se na faculdade de não cumprir uma obrigação
inerente ao contrato de trabalho, a prestação laborai. Muito bem. Se o
empregado não presta serviço, por certo não se sustenta qualquer obrigação
para o empregador de pagar-lhe salários durante o período correspondente,
por mais ordeiro e pacífico que seja o movimento, caso presente.
Afinal, não há como nem por que impor a apenas uma das partes de
uma relação bilateral obrigação sem que a parte contrária cumpra a que lhe
compete. Precisamente porque não há falar em exercício de um direito sem
tratar da obrigação que lhe é subjacente.
Ora, como registrei, a própria norma que regulamenta o exercício do
direito de greve prevê que durante esse período o contrato de trabalho
permanece suspenso. E se assim é, por certo o empregador não está
obrigado a pagar salários aos empregados.

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Ao final de contas, não é razoável e muito menos justo que apenas a


empresa arque com as consequências do movimento grevista: solução desse
jaez desequilibra uma relação jurídica comutativa, fazendo com que uma
das partes fique à completa mercê de outra. É necessário, pois, que ambos
os litigantes tenham em linha de mira os riscos que a greve implica: para a
empresa, o prejuízo econômico-financeiro do seu empreendimento, em face
da redução da margem de lucro; para o trabalhador, a possibilidade não
receber salário durante todo o período em que se mantém paralisado, sem
cumprir sua obrigação de prestar trabalho.
Não é outro o entendimento do TST, para o qual a greve importa
suspensão do contrato de trabalho (art. 7° da Lei n° 7.783/89), razão por
que, não havendo trabalho, mesmo que declarada a legalidade da greve, não
deve ser pago o período não trabalhado, salvo acordo diverso entre as partes
ou comprovação de que o empregador, por meio de conduta recriminável
ou inerte, tenha contribuído decisivamente para que houvesse a paralisação,
como nas hipóteses de atraso no pagamento dos salários e prática de lock-
out (art. 17, parágrafo único, da Lei de Greve), exceções não verificadas no
caso concreto.
Notícia publicada ontem, dia 16/3/2011, no site do Tribunal Superior
do Trabalho, demonstra que, ao julgar o Processo n° DC 2173626-
89.2009.5.00.0000, a SDC manteve desconto de dias parados da greve de
2009 dos empregados da Dataprev. Confira-se:

"A Seção Especializada em Dissídios Coletivos (SDC) do


Tribunal Superior do Trabalho, por maioria, negou provimento
a recurso em que os empregados da Empresa de Tecnologia e
Informações da Previdência Social – DATAPREV pretendiam
evitar o desconto nos salários dos dias de paralisação durante a
greve da categoria em outubro de 2009, com a compensação
desses dias por meio de serviços extras. O recurso (embargos
infringentes em embargos declaratórios em dissídio coletivo)
foi interposto pela Federação Nacional dos Empregados em
Empresas e Órgãos Públicos e Privados de Processamentos de
Dados.
Originalmente, o dissídio coletivo foi ajuizado pela
Dataprev em maio de 2010. A empresa pretendia que o TST
declarasse a greve abusiva. A SDC julgou improcedente o
pedido, mas autorizou o desconto dos dias parados. Desde
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então, a federação dos empregados vem tentando reverter essa


decisão.
A relatora dos embargos na sessão de segunda-feira (14),
ministra Dora Maria da Costa, afirmou que o artigo 7° da Lei n°
7.783/1989 (Lei de Greve) dispõe que a participação em greve
suspende o contrato de trabalho, o que justificaria o desconto e
a não-compensação dos dias parados. Ainda segundo o artigo
7°, as relações obrigacionais durante o período devem ser
regidas por acordo, convenção, laudo arbitral ou decisão da
Justiça do Trabalho.
"Não tendo havido ajuste das partes quanto a esta questão,
a decisão cabe à SDC, cuja jurisprudência encontra-se
pacificada no sentido dos descontos, a serem efetuados dos
salários dos trabalhadores", afirmou a relatora. Por esse
entendimento, o desconto em folha só não estaria autorizado
quando a greve fosse motivada por atraso no pagamento dos
salários ou por falta de fornecimento de equipamentos de
trabalho aos empregados.
No julgamento dos embargos dos empregados da
Dataprev, o ministro Barros Levenhagen, corregedor-geral da
Justiça do Trabalho, fez uma ressalva em seu voto, embora
seguindo relatora. Para ele, como o próprio TST julgou a greve
não abusiva, poderia haver um meio-termo na decisão, como a
possibilidade de compensar os dias parados, pois o artigo 7° da
Lei de Greve deixa claro que a Justiça do Trabalho pode dirimir
as relações obrigacionais.
Mesmo com a ressalva, o ministro preferiu seguir a
"jurisprudência consolidada do Tribunal". A divergência foi
aberta pelo ministro Márcio Eurico Vitral Amaro, relator do
dissídio coletivo originário, que adotou os termos da ressalva,
acompanhando pelos ministros Maurício Godinho Delgado e
Maria Cristina Peduzzi, que ficaram vencidos" (destacou-se).

Por tais razões, declaro a inexigibilidade da obrigação do suscitante


de pagar os salários no período de greve aos seus empregados que a ela
aderiram.
Verifico, contudo, que o movimento paredista ultrapassou 30 (trinta)
dias, donde se conclui que o desconto integral nos salários dos empregados
lhes causará sérios transtornos financeiros, comprometendo a sua
subsistência e de sua família.
Desse modo, levando em conta a função social da empresa, o caráter
alimentar dos salários e os baixos salários dos empregados, o que infere que
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PROCESSO Nº TST-RO-198-91.2011.5.05.0000

eles não possuem reservas financeiras para fazer face a tais descontos de
forma imediata e integral, determino que a dedução seja feita de forma
diluída e proporcional, a partir do mês de abril, nos cinco meses
subsequentes, ou no ato da rescisão, o que ocorrer primeiro.
Apenas para explicitar, a fim de que não sobejem dúvidas, esclareço
que, desse modo, as empresas pagarão os salários do período
correspondente à paralisação - ou o saldo respectivo -, e, somente a partir
do mês de abril, ou seja, no ato do pagamento do salário de março, passarão
a efetuar os descontos dos dias parados" (fls. 542/544).

Nas   razões   do   recurso   ordinário,   o   Sindicato   da


Indústria da Construção do Estado da Bahia – SINDUSCON/BA sustenta
que  a "forma diluída e proporcional" estipulada na decisão
recorrida, para a dedução dos valores correspondentes aos salários
dos dias não trabalhados em virtude da greve, não encontra respaldo
em lei, tampouco na jurisprudência deste Tribunal Superior do
Trabalho, determinando a transformação das empresas representadas
"em financiadoras de empréstimos a custo zero" (fls. 573). Alega que
a greve perdurou por aproximadamente quarenta dias e, por força da
decisão recorrida, as empresas estão obrigadas a disponibilizar
"valores que ultrapassam o fechamento de uma folha mensal, na medida
em que deverão conceder aos trabalhadores um ‘empréstimo’
correspondente a aproximadamente 40 (quarenta) dias de (não)
trabalho, o que, por certo, comprometerá a saúde financeira de
diversas empresas do setor e, quiçá, a sobrevivência de muitas
delas" (fls. 574). Aduz que são inegáveis os prejuízos às empresas
representadas que, nesse longo período de greve, tiveram que
continuar "arcando com os custos para manutenção dos seus canteiros
de obra (aluguel de equipamentos, vigilância patrimonial, dentre
outros)", sujeitando-se "à aplicação de penalidades em virtude dos
atrasos das obras, sem registrar, contudo, qualquer faturamento
neste período em decorrência do movimento paredista deflagrado pelo
Suscitado". Aduz que, "além dos prejuízos experimentados com a
paralisação dos canteiros de obras, não é razoável admitir que seja
transferido para o empresário mais este encargo decorrente de uma
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greve que sequer deu causa, na medida em que deflagrado de forma


deliberada, em campanha salarial de data base, devendo a categoria
arcar com os riscos e consequências dos próprios atos, até mesmo
como medida educativa" (fls. 574). Em consequência, requer a reforma
do acórdão recorrido, a fim de que, "a partir do reconhecimento da
suspensão dos efeitos do contrato de trabalho e da inexigibilidade
da obrigação de pagamento do salário, seja determinado o não
pagamento dos dias parados, afastando a hipótese de pagamento para
posterior dedução diluída e proporcional dos valores" (fls. 574).
Por sua vez, os sindicatos profissionais
recorrentes alegam que a interpretação literal conferida na decisão
recorrida ao art. 7º da Lei nº 7.783/89, de enquadramento da greve
na hipótese de suspensão do contrato de trabalho, não encontra
respaldo no sistema jurídico-constitucional, contrariando o art. 9º
da Constituição Federal. Sustentam que "o direito de greve, direito
social fundamental previsto na Carta Maior, traduz-se em importante
conquista histórica dos trabalhadores, tendo por objetivo exercer
pressão sobre os detentores do poder econômico, com vistas ao
alcance de condições de trabalho mais dignas e justas. Logo, seu
exercício não pode ser interpretado, jamais, como hipótese de
suspensão do contrato de trabalho, salvo nos casos de flagrante
ilegalidade ou abusividade do movimento paredista, o que não se
verificou no caso presente" (fls. 584). Assinalam que "se os
obreiros estão no exercício regular de um direito, não se afigura
razoável conceber que o exercício desse direito seja fundamento para
sacrificar o direito à própria sobrevivência, a qual se vincula ao
efetivo recebimento do salário, verba de indiscutível natureza
alimentar" (fls. 585). Argumentam que, "durante a negociação
coletiva realizada no ano de 2009, o Ministério Público do Trabalho
propôs que, com relação aos dias paralisados pela greve, os encargos
seriam na ordem de 50% (cinquenta por cento) para cada parte" e que
"ao fim das negociações, chegou-se ao pagamento de 40% (quarenta por
cento) dos dias parados, sem necessidade de compensação aos sábados,
domingos e feriados", a evidenciar o histórico das negociações
coletivas entabuladas pelas partes, que deve ser considerado "quando
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da construção da norma que regerá o presente caso, pois constitui


fonte informativa essencial para a elaboração da Sentença Normativa"
(fls. 587). Dessa forma, pleiteiam a reforma da decisão recorrida, a
fim de se determinar o regular pagamento dos salários e das demais
vantagens correspondentes aos dias não trabalhados em virtude da
greve ou, sucessivamente, "o regular pagamento de 40% (quarenta por
cento) dos salários e demais vantagens, tendo-se em vista o
histórico da negociação coletiva da categoria" (fls. 588).
Prevalece nesta Seção Especializada o juízo de que
a paralisação dos serviços em decorrência de greve importa na
suspensão do contrato de trabalho, nos termos do art. 7º da Lei nº
7.783/89, razão por que, não havendo trabalho, independentemente da
qualificação jurídica da greve, o empregador não está obrigado a
efetuar o pagamento dos valores correspondentes ao período não
trabalhado, salvo acordo diverso entre as partes ou a comprovação de
que o empregador, por meio de conduta recriminável ou inerte, tenha
contribuído decisivamente para que houvesse a paralisação, como nas
hipóteses de greve motivada por descumprimento de instrumento
coletivo vigente, atraso no pagamento dos salários, más condições
ambientais, com risco à higidez dos trabalhadores, e a de prática de
lockout, na forma do art. 17, parágrafo único, da Lei de Greve
(Precedentes: TST-RO- 337-72.2013.5.05.0000, Data de Julgamento:
17/03/2014, Rel. Ministra: Kátia Magalhães Arruda, Seção
Especializada em Dissídios Coletivos, Data de Publicação: DEJT
21/03/2014; AgR-ES- 5001-87.2013.5.00.0000, Data de Julgamento:
09/09/2013, Rel. Ministro: Carlos Alberto Reis de Paula, Seção
Especializada em Dissídios Coletivos, Data de Publicação: DEJT
20/09/2013; RODC - 20244/2005-000-02-00.0, Rel. Min. Mauricio
Godinho Delgado, DEJT 07/08/2009; RXOF e RODC - 512/2008-000-15-
00.0, Rel. Min. Dora Maria da Costa, DEJT 30/04/2009; RODC -
20326/2007-000-02-00.7, Rel. Min. Márcio Eurico Vitral Amaro, DEJT
20/03/2009; RODC - 2001700-59.2004.5.02.0000 Data de Julgamento:
12/06/2008, Relator Ministro: Márcio Eurico Vitral Amaro, Seção
Especializada em Dissídios Coletivos, Data de Publicação: DJ
27/06/2008).
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Portanto, o risco de não recebimento de salários é


inerente à greve e deve, em regra, ser assumido por seus
participantes.
No mesmo sentido, já decidiu o Supremo Tribunal
Federal no julgamento do Mandado de Injunção nº 670/ES, nestes
termos:

"6.4. Considerados os parâmetros acima delineados, a par da


competência para o dissídio de greve em si, no qual se discuta a
abusividade, ou não, da greve, os referidos tribunais, nos âmbitos de sua
jurisdição, serão competentes para decidir acerca do mérito do pagamento,
ou não, dos dias de paralisação em consonância com a excepcionalidade de
que esse juízo se reveste. Nesse contexto, nos termos do art. 7º da Lei no
7.783/1989, a deflagração da greve, em princípio, corresponde à suspensão
do contrato de trabalho. Como regra geral, portanto, os salários dos dias de
paralisação não deverão ser pagos, salvo no caso em que a greve tenha sido
provocada justamente por atraso no pagamento aos servidores públicos
civis, ou por outras situações excepcionais que justifiquem o afastamento
da premissa da suspensão do contrato de trabalho (art. 7o da Lei no
7.783/1989, in fine)" (MI - 670/ES,
../jurisprudencia/l MI<font color=RED

Rel. Min. Maurício Corrêa, Julgamento:


25/10/2007, Órgão Julgador: Tribunal Pleno, DJE-
206, Divulgado em 30-10-2008, Publicado em 31-10-
2008, Impte.: Sindicato dos Servidores Policiais
Civis do Estado do Espírito Santo – SINDPOL e
Impdo.: Congresso Nacional – grifo nosso).

"DECISÃO : vistos, etc.


Trata-se de agravo de instrumento contra decisão obstativa de recurso
extraordinário, este interposto com suporte na alínea "a" do inciso III do art.
102 da Constituição Republicana, contra acórdão do Tribunal Regional
Federal da 4ª Região. Acórdão assim ementado (fls. 48):

"ADMINISTRATIVO. MANDADO DE SEGURANÇA.


DIREITO À GREVE. PREVISÃO CONSTITUCIONAL.
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AUSÊNCIA DE REGULAMENTAÇÃO EM LEI.


RAZOABILIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE DESCONTOS
E ANOTAÇÕES EM ASSENTO FUNCIONAL.
1. O direito de greve é direito fundamental, revestido de
auto-aplicabilidade, como faz certa a redação do parágrafo 1°
do artigo 5° da CF/88, cujos termos alcançam todos os direitos
fundamentais arrolados no texto constitucional.
2. Não é correto deduzir que a omissão normativa
infraconstitucional diante do art. 37, VII, da CF/88 tenha o
efeito de anular a força normativa de uma norma constitucional
veiculadora de direito fundamental.
3. Resta, portanto, afastada a possibilidade da
Administração descontar os dias de paralisação bem como de
proceder quaisquer anotações nos assentos funcionais.
4. Apelação provida."

2. Pois bem, a parte recorrente alega afronta ao inciso VII e ao caput


do art. 37 da Magna Carta Federal. Sustenta que "no momento em que os
servidores faltam ao serviço sem justificativa legal (princípio da legalidade
estrita), o desconto da respectiva remuneração não é tão-somente uma
faculdade, mas um dever da Administração, no trato da coisa pública, no
trato do dinheiro público, além de proceder a todas as anotações funcionais
decorrentes" (fls. 84/85).
3. A seu turno, a Procuradoria-Geral da República, em parecer da
lavra do Subprocurador-Geral Paulo da Rocha Campos, opina pelo
"provimento do presente agravo, provendo-se, parcialmente, desde dá o
apelo extraordinário de fls. 74/100, a fim de que retornem os autos ao
Tribunal de origem, para que analise se a situação dos autos justifica ou não
o afastamento da premissa da suspensão do contrato de trabalho e, por
conseguinte, o desconto dos dias não trabalhados." (fls. 158-163).
4. Tenho que a insurgência merece parcial acolhida. Isso porque, ao
julgar o MI 708, esta nossa Casa de Justiça garantiu aos servidores públicos
o direito ao exercício da greve, nos termos da Lei 7.783/1989. Contudo, a
meu sentir, não discriminou taxativamente as hipóteses de suspensão do
pagamento da remuneração dos servidores ante o movimento grevista. Ao
contrário, remeteu a análise de cada caso concreto aos tribunais. Leia-se do
voto do Ministro Gilmar Mendes, relator do mencionado mandado de
injunção:
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"Revela-se importante, nesse particular, ressaltar que a


par da competência para o dissídio de greve em si no qual se
discute a abusividade, ou não, da greve também os referidos
tribunais, nos seus respectivos âmbitos, serão competentes para
decidir acerca do mérito do pagamento, ou não, dos dias de
paralisação em consonância com a excepcionalidade com a qual
esse juízo se reveste.
Nesse particular, nos termos do art. 7º da Lei nº
7.783/1989, a deflagração da greve, em princípio, corresponde à
suspensão do contrato de trabalho. Na suspensão do contrato de
trabalho não há falar propriamente em prestação de serviços,
nem tampouco no pagamento de salários. Como regra geral,
portanto, os salários dos dias de paralisação não deverão ser
pagos, salvo no caso em que a greve tenha sido provocada
justamente por atraso no pagamento ou por outras situações
excepcionais que justifiquem o afastamento da premissa da
suspensão do contrato de trabalho.
Os tribunais mencionados também serão competentes
para apreciar e julgar medidas cautelares eventualmente
incidentes relacionadas ao exercício do direito de greve dos
servidores públicos civis (...)."

Ante o exposto, e frente aos §§ 3º e 4º do art. 544 do Código de


Processo Civil, dou provimento ao agravo de instrumento, para conhecer o
recurso extraordinário e dar-lhe parcial provimento. O que faço para
determinar ao Tribunal de origem que analise se a deflagração do
movimento grevista caracterizou situação de suspensão do contrato de
trabalho, apta a ensejar a suspensão da remuneração dos servidores" (AI
851683 / RS,
Rel. Min. Ayres Britto, Julgamento:
21/10/2011, Publicação Dje-214, Divulg.
09/11/2011, Public. 10/11/2011, Agte.: União e
Agdos.: Sindicato dos Fiscais de Contribuições
Previdenciárias do Estado do Rio Grande do Sul -
SINDIFISP/RS).

No caso concreto, constata-se que a greve em


questão decorreu do interesse dos trabalhadores em ver atendidas, na
data-base, reivindicações de natureza econômica, não se evidenciando
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quaisquer das situações excepcionais de que trata a jurisprudência


desta   Seção   Especializada,   capazes   de   afastar   o   enquadramento   do
período   não   trabalhado   na   hipótese   de suspensão do contrato de
trabalho.
Nessa situação, o posicionamento deste Relator é
no sentido de que, mesmo que se cuide de paralisação coletiva de
longa duração, hipótese vertente (aproximadamente quarenta dias), o
empregador fica desobrigado do pagamento dos valores referentes aos
salários dos dias não trabalhados em virtude da greve, não
respaldando a lei a dedução salarial desses valores em suaves
prestações.
Compete ao sindicato representante da categoria
profissional financiar a greve com recursos próprios ou mediante
arrecadação especial, e não ao empregador, a quem incumbe suportar
apenas a cota de prejuízos que lhe advém de paralisação coletiva que
se estende no tempo.
A fórmula adotada na decisão do Tribunal Regional
significa atribuir ao empregador o financiamento da greve e a custo
zero, como alegado pelo sindicato patronal recorrente.
Para o enfrentamento de situação como a dos autos,
a lei prevê ser direito dos grevistas a "arrecadação de fundos"
(art. 6º, II, Lei nº 7.783/89). Portanto, a legislação indica o
procedimento adequado para minimizar a perda que os trabalhadores
possam ter na sustentação de uma greve mais longa.
Assim, este Relator negava provimento ao recurso
ordinário interposto por Sindicato dos Trabalhadores da Indústria da
Construção e da Madeira do Estado da Bahia ­ SINTRACOM e outros, mas
provia o recurso ordinário interposto por Sindicato da Indústria da
Construção do Estado da Bahia – SINDUSCON/BA, a fim de estabelecer
que   as   empresas   representadas   estão   autorizadas   a   não  pagar os
salários correspondentes ao dias não trabalhados em virtude da greve
e, em consequência, excluía da decisão recorrida a forma determinada
para pagamento dos salários nesse período: "diluída e proporcional,
a partir do mês de abril, nos cinco meses subsequentes, ou no ato da
rescisão", o que ocorresse primeiro.
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Todavia, a maioria dos componentes desta Seção


Especializada resolveu negar provimento ao recurso ordinário
interposto por Sindicato   da   Indústria   da   Construção   do   Estado   da
Bahia – SINDUSCON/BA também no que se refere à forma estipulada no
acórdão recorrido para o pagamento dos salários no período da greve.
A   maioria   dos   Ministros   considerou   que   a   decisão
recorrida   quanto   ao   aspecto   respeita   a   jurisprudência   da   Seção
Especializada   em   Dissídios   Coletivos,   no   sentido   de   que,   nas
situações de paralisação coletiva de longa duração, como a vertente
(aproximadamente quarenta dias), o desconto integral e imediato dos
valores referentes aos dias não trabalhados em virtude da greve
acarreta ônus excessivo ao trabalhador, com prejuízos à sua
sobrevivência e a de sua família, razão por que, a teor do art. 7º
da Lei nº 7.783/89, em que se atribui à Justiça do Trabalho
competência para decidir sobre as relações obrigacionais relativas
ao período de greve, cabível a adoção de medidas capazes de
minimizar o impacto da determinação de não pagamento dos salários
desse período, inclusive, de providência menos rigorosa do que
aquela adotada no acórdão recorrido: compensação de parte dos dias
não trabalhados em virtude da greve e desconto salarial apenas dos
valores referentes ao restante dos dias.
A propósito, os julgados a seguir, proferidos em
situações de greves de trabalhadores da Empresa Brasileira de
Correios e Telégrafos - ECT: DC - 6535-37.2011.5.00.0000 Data de
Julgamento: 11/10/2011, Relator Ministro: Mauricio Godinho Delgado,
Seção Especializada em Dissídios Coletivos, Data de Publicação: DEJT
de 17/10/2011; DC - 8981-76.2012.5.00.0000, Data de Julgamento:
27/09/2012, Relatora Ministra: Kátia Magalhães Arruda, Seção
Especializada em Dissídios Coletivos, Data de Publicação: DEJT de
05/10/2012.
Em consequência, a maioria dos componentes desta
Seção Especializada resolveu negar provimento a ambos os recursos
ordinários.

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ISTO POSTO

ACORDAM os Ministros da Seção Especializada em


Dissídios Coletivos do Tribunal Superior do Trabalho: I - por
unanimidade, negar provimento ao recurso ordinário interposto por
Sindicato dos Trabalhadores da Indústria da Construção e da Madeira
do Estado da Bahia - SINTRACOM e outros; II – por maioria, negar
provimento ao recurso ordinário interposto por Sindicato da
Indústria da Construção do Estado da Bahia – SINDUSCON/BA, vencido o
Exmo. Sr. Ministro Relator, que dava provimento parcial ao recurso
para excluir da decisão recorrida a forma determinada para o
pagamento dos salários no período de greve.
Brasília, 10 de novembro de 2014.

Firmado por Assinatura Eletrônica (Lei nº 11.419/2006)


FERNANDO EIZO ONO
Ministro Relator

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