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Esta apostila surgiu do pedido de alguns alunos, especialmente o

Felipe, da disciplina EEL42. Ela é uma cópia da primeira edição da


apostila de E812, não tendo sido revisada, somente convertida para
postscript e dai para pdf. Na conversão pode ter acontecido a perda
de algum caracter, visto que não foi possível a checagem minuciosa
da apostila após a conversão. A apostila original está sendo
revisada, ampliada, atualizada e corrigida, sem data para sua
conclusão. A maneira da disciplina ser exposta em sala de aula pode
diferir da estrutura desta apostila. Recomenda-se sempre a leitura
de livros a respeito do assunto para ampliar os conhecimentos.
Quero deixar aqui meu agradecimento ao prof. Carlos Alberto Dias
Coelho, que me forneceu os drives que permitiram a conversão do
arquivo original para postscript.

Cláudio Ferreira
Janeiro/2002
EFEI - ANÁLISE DE SISTEMAS DE POTÊNCIA 3-1
APOSTILA PARA DISCIPLINA DE EEL44/E812 - VERSÃO PRELIMINAR EM REVISÃO - CLÁUDIO FERREIRA

CAPÍTULO 3

ANÁLISE DE FLUXO DE POTÊNCIA

3.1 - Introdução

O cálculo do fluxo de potência, fluxo de carga, ou em inglês, load flow, em uma


rede de energia elétrica consiste essencialmente na determinação do estado de
operação desta rede dada sua topologia e uma certa condição de carga.

Este estado de operação consiste de:

- Determinação das tensões e ângulos para todos os nós (barramentos) do


sistema;
- Determinação dos fluxos de potência ativa e reativa através dos ramos do
sistema;
- Determinação das potências ativas e reativas, geradas, consumidas e perdidas
nos diversos elementos do sistema.

Esta análise de fluxo de potência é um dos estudos mais frequentes realizados em


Sistemas de Potência. Ele por si só pode constituir um estudo próprio ou fazer
parte de um outro estudo mais complexo, por exemplo:

- Estudo próprio: planejamento da operação, expansão do sistema, etc;


- Outros estudos: parte dos estudos de estabilidade, de otimização, de
confiabilidade, etc.

Como exemplo de aplicação de simulações de fluxo de potência, pode-se citar:

- Estudos para planejamento do Sistema Elétrico, verificando as providências


a serem tomadas com o crescimento do sistema;
- Avaliação das condições operativas do Sistema, ou seja, analisar as condições
operativas da rede em regime normal e de emergência;
- Estudos de avaliação e determinação de medidas corretivas para a operação do
sistema em condições de emergência, como, por exemplo, ajustes de taps de
transformadores, condições de chaveamento de bancos de capacitores,
redespacho de geração das unidades do sistema, sincronização de unidades fora
de operação, etc;
- Determinação dos limites de transmissão de potência do Sistema Elétrico;
- etc.

Até 1930 todos os cálculos de fluxo de potência eram feitos à mão, o que exigia
inúmeras simplificações e impossibilitava a análise de grandes sistemas, devido
a quantidade de cálculos matemáticos necessários para a obtenção de resposta,
mesmo para pequenos sistemas. Entre 1930 e 1956 foram usados analisadores de rede
para resolver problemas de fluxo de potência. Os analisadores de rede (Network
Calculators - Westinghouse ou Network Analysers - GE) são modelos em miniatura
da rede em estudo, onde o comportamento do sistema era determinado pela medida
de grandezas elétricas no modelo. O problema básico da imprecisão e lentidão de
cálculo continuou e só pode ser sanado mais modernamemente com a utilização de
computadores digitais. As primeiras tentativas tiveram sucesso limitado, visto
que os programas apenas automatizavam os cálculos dos métodos manuais, usando
equações de laços e de malhas, e não explorando adequadamente a capacidade do
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computador.

Em 1956, Ward e Hale apresentaram o primeiro programa de computador, realmente


bem sucedido, para solução de fluxo de potência. O programa apresentado por Ward
e Hale utilizava a formulação nodal do problema e resolvia as equações não
lineares que descreviam a rede, por um método iterativo de Newton modificado. Os
programas que imediatamente se seguiram, utilizaram o método de Gauss-Seidel. Com
o sucesso do método de Ward e Hale um grande número de artigos de Glimm e Stagg,
de Brown e Tinney foram publicados sugerindo modificações nos algoritmos e
incorporando características adicionais aos programas computacionais. Na década
de 60, com o crescimento dos Sistemas de Potência e com a tendência de
interligação dos mesmos, através de ligações em alta tensão, foi aumentado
rapidamente o número de ligações e de barramentos representativos do sistema. As
características do método de Gauss-Seidel fazem com que ele não se adapte bem a
sistema representados por um grande número de barras, de forma que se tornou
necessário a pesquisa de um outro método de solução de problemas de fluxo de
potência.

Após vários anos de pesquisa realizados pela Bonneville Power Administration


(BPA) foi desenvolvido um método extremamente bem sucedido de solução das
equações de fluxo de potência através do algoritmo de Newton-Raphson. O método
se adaptou muito bem a grandes sistemas, como também obtinha solução de problemas
em que o método de Gauss-Seidel havia falhado.

Atualmente, o método de Newton-Raphson é o mais utilizado para a solução de


problemas de fluxo de potência. Desde sua primeira formulação ele vem sofrendo
diversas complementações no sentido de torná-lo cada vez mais poderoso. Novos
métodos, utilizando algoritmos semelhantes ao de Newton-Raphson também vem sendo
dessenvolvidos a fim de obter maior rapidez e menor memória computacional, como
por exemplo, os métodos desacoplados.

Apesar de todos estes métodos, a solução do problema do fluxo de potência


continua sendo objeto de muita pesquisa e estudo, visando o desenvolvimento de
métodos de solução cada vez mais poderosos, rápidos e confiáveis.

De uma maneira geral, o problema do fluxo de potência caracteriza-se por ser não
linear e portanto são necessários, conforme já comentado e se verá adiante,
processos iterativos de cálculo númerico para resolução do problema (por isso os
métodos diretos de análise nodal ou de malhas, usados na teoria de circuitos não
podem ser utilizados). A não linearidade das equações decorre de certas
características da modelagem de alguns componentes do sistema.

Na análise de fluxo de potência interessa-se em obter uma solução do sistema


operando em regime permanente senoidal, por isso a modelagem do sistema é
estática, o que significa que as equações e inequações representativas da rede
são algébricas e não diferenciais.

Exercício 3.1-1
Responder as seguintes perguntas:
a) Em que consiste e com que finalidade é feito o cálculo do fluxo de potência
em Sistemas Elétricos?
b) Enumere cinco aplicações que a seu ver utilizem o fluxo de potência.
c) Enumere duas aplicações em planejamento de Sistemas Elétricos, que a seu ver
utilizem o fluxo de potência.
d) Enumere, de maneira clara e concisa, as informações que você acha que podem
ser obtidas de um estudo de fluxo de potência em um sistema Elétrico. Que
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utilidades tem essas informações?


e) O que se entende por estado de um Sistema de Potência?

3.2 - Suposições e Aproximações

Nos cálculos de fluxo de potência comumente são feitas as seguintes


simplificações:

a) As cargas ativas e reativas nos barramentos do sistema são supostas


constantes.

As cargas embora possam variar significativamenete dentro de períodos longos


de tempo, o fazem de maneira lenta e gradual, quase imperceptível dentro de
pequenos intervalos de tempo. Logo, o resultado é obtido em um estudo é
válido dentro de um intervalo de tempo razoável. Quando ocorre variações de
cargas muito elevadas basta alterar seu valor e efetuar uma nova simulação.

Em algumas situações especiais pode ser necessário modelar algumas


características dinâmicas das cargas. Isto pode acarretar a necessidade de
modelos mais elaborados da mesma, de outros componentes do sistema e também
de modificações no algoritmo de resolução das equações do sistema. Por
exemplo:

- carga de retificação (fábrica de alumínio, etc);


- carga de metrô, trem, etc;
- outros (efeito corona em linhas, etc);

Uma outra modelagem de cargas pode ser feita através de representação por
corrente constante ou impedância constante.

b) Admite-se que a rede opere de maneira equilibrada em suas três fases e,


portanto, uma representação unifilar é suficiente.

Esta simplificação não afeta de forma significativa a precisão dos


resultados.

Caso ocorra situações de desequilíbrio na rede, tais como:

- linhas não transpostas, ou não totalmente transpostas;


- cargas monofásicas ou bifásicas de elevada potência, tais como, fornos
elétricos, ferrovias, etc, em corrente alternada;
- faltas assimétricas de um modo geral, tais como defeitos fase-terra,
dupla fase, dupla fase-terra, bem como abertura de condutores;
- estudos mais sofisticados de estabilidade e proteção;
- etc;

será necessário a análise através de um fluxo de potência trifásico, onde são


representados todas as três fases do sistema.

c) Os elementos passivos do sistema são representados com parâmetros


concentrados.

Com isso é evitado a necessidade de equações diferenciais para representação


dos elementos.
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No presente curso, a atenção será focalizada no fluxo de potência convencional,


onde as três hipóteses acima são consideradas aceitáveis.

3.3 - Representação dos Componentes

3.3.1 - Geradores

São representados pelas potências ativa e reativa que devem entregar ao


barramento que estão conectados.

Estas potências podem ser conhecidas (especificadas) ou então obtidas como


resultado do fluxo de potência.

3.3.2 - Cargas

São representadas pelas potências ativa e reativa consumidas, supostas


constantes.

Algumas cargas podem ser representadas como uma impedância constante, ou seja,
por uma admitância ligada do barramento à referência:

onde:
- admitância ligada do barramento a referência (pu);
- potência ativa em MW absorvida pela carga a tensão em kV;
- potência reativa em MVAr absorvida pela carga a tensão em
kV;
- potência de base em MVA;
- tensão de base em kV.
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3.3.3 - Linhas de Transmissão

São representadas pelo seu circuito equivalente, conforme ilustrado abaixo:

No caso de linhas curtas ( até 40 [km]), é comum desprezar as susceptâncias


capacitivas no circuito equivalente.

As linhas médias e longas devem ser representadas pelo circuito equivalente


completo.

No caso das linhas longas os parâmetros devem ser corrigidos (teoria da linha
longa) e podem ser obtidos através dos parâmetros , , e da linha
considerada como um quadripolo:

onde:

sendo:
- impedância característica da linha de transmissão (pu);
- constante de propagação da linha de transmissão (rad).

Se a linha possuir reatores, é comum representá-los nos barramentos terminais da


mesma, como se fossem reatores de barra (item 3.3.9):
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Este procedimento evita tornar assimétrico o circuito equivalente da linha,


o que iria ocorrer caso os reatores forem diferentes nas duas extremidades da
linha (ou só existissem em uma delas) e fossem incorporados à susceptância shunt
da linha, e facilita a obtenção do fluxo reativo consumido pelos reatores (o que
não ocorre caso os reatores sejam incorporados à linha).

3.3.4 - Transformadores de 2 enrolamentos

Normalmente, são representados pela sua impedância de dispersão.

Se o transformador não apresenta taps, coloca-se simplesmente a impedância de


dispersão entre os barramentos terminais do transformador:

onde:

- impedância de dispersão do transformador em pu referida à potência de


base;

Se o transformador apresenta somente taps variáveis em fase:

cuja representação é a seguinte:

sendo:
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onde:
- impedância de dispersão do transformador em pu referida à potência de
base;
- tensão nominal do enrolamento (tap) do lado i;
- tensão nominal do enrolamento (tap) do lado k;
- tensão de base do barramento (i);
- tensão de base do barramento (k).

Ou então modelado com um único tap, conforme circuito equivalente desenvolvido


anteriormente, podendo ser referido a qualquer um dos lados:

cujo circuito equivalente são os seguintes:

sendo:

Pode-se observar do modelo acima à esquerda que ao se elevar o tap do


transformador do lado k ( > 1), por exemplo, para aumentar a tensão deste
barramento, tem-se que p > 1, acarretando que a susceptância do barramento (k)
para a terra resulta em um valor positivo (capacitivo) e do barramento (i) para
a terra um valor negativo (indutivo), tendendo a aumentar a tensão do barramento
(k) e a diminuir a do barramento (i), o que está de acordo com o esperado. A
mesma conclusão se chega nos outros modelos.

Se o transformador apresenta taps variáveis em fase e quadratura (ou só em


quadratura):

não é possível a determinação de um circuito equivalente, sendo o transformador


representado na forma matricial:
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3.3.5 - Transformador de 3 enrolamentos

Os transformadores de 3 enrolamentos podem ser representados por seu equivalente


em triângulo ou em estrela.

A representação pelo equivalente em estrela acarreta o aparecimento de um nó


fictício entre os barramentos terminais do transformador:

sendo:

onde:
- impedância i-k do transformador referida à potência de base, em pu;
- impedância k-j do transformador referida à potência de base, em pu;
- impedância j-i do transformador referida à potência de base, em pu.

As impedâncias , e são obtidas de ensaios de curto-circuito realizados


nos três enrolamentos do transformador. Todas a impedâncias devem estar em pu ou
então referidas ao mesmo lado do transformador.

Nesta representação o transformador de três enrolamentos é representado por três


transformadores de dois enrolamentos e se o mesmo apresentar taps variáveis eles
podem ser representados da maneira vista na seção precedente.

Uma outra maneira de representar o transformador de três enrolamentos é através


de um circuito ligado em triângulo. Nesta representação não é necessário a
criação do barramento fictício:
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As impedâncias entre os barramentos terminais do transformador podem ser obtidas


dos valores da representação em estrela:

deve-se observar que estas admitâncias são diferentes das obtidas no ensaio do
transformador.

Se o transformador apresentar taps variáveis em fase, tem-se o seguinte


equivalente:

sendo:
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onde:
- tensão nominal do enrolamento (tap) do lado i;
- tensão nominal do enrolamento (tap) do lado k;
- tensão nominal do enrolamento (tap) do lado j;
- tensão de base do barramento (i);
- tensão de base do barramento (k);
- tensão de base do barramento (j);

3.3-6 Compensadores Síncronos

São representados como geradores com a potência ativa zerada.

3.3.7 - Compensadores Estáticos

Existem vários tipos de compensadores estáticos, como por exemplo:


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- capacitores e reatores chaveáveis mecanicamente;


- reatores saturáveis;
- capacitores e reatores controlados (tiristores);
- etc.

Um modelo básico simplificado de um compensador estático e de sua característica


estão apresentados nas figuras abaixo:

Quando o compensador estático está funcionando dentro de sua faixa de controle


ele é representado por uma reatância (XCE) alocada entre o barramento do sistema
no qual o compensador está conectado e um barramento auxiliar com tensão fixa no
valor a ser controlado. A reatância XCE varia tipicamente entre 0 e 5% e pode ser
obtida das características dos componentes e da faixa de ajuste. Se XCE for igual
a zero o compensador é representado como um síncrono, fixando a tensão do
barramento no qual está conectado.

Quando o ponto de operação está fora da região de controle o compensador estático


é representado como um elemento shunt com uma susceptância (B), que depende do
ponto de operação (item 3.3.9):

Para:
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Dependendo do tipo de estudo a ser feito o compensador pode ser representado da


mesma maneira que os compensadores síncronos (item 3.3.6).

3.3.8 - Capacitores Série

São representados como uma reatância negativa.

Eventualmente os capacitores série também podem ser representados englobando sua


reatância à reatância do circuito equivalente da linha de transmissão. Esta
representação tem o inconveniente de não possibilitar obter a tensão nos
terminais do capacitor.

3.3.9 - Capacitores e Reatores de Barra

São representados pela potência reativa fornecida por eles, sob tensão nominal,
no barramento no qual estão conectados:

No caso de capacitores a potência reativa fornecida é considerada positiva e no


caso de reatores é considerada negativa.

Apesar dos capacitores e reatores apresentarem uma perda de potência ativa, que
é traduzido pelo seu fator de qualidade, ela é desprezada nos estudos de fluxo
de potência.

Como a potência fornecida por tais elementos é função do quadrado da tensão


(impedância constante) ela não fica constante durante a operação do sistema. Por
esta razão, quando se fornece a potência nominal do elemento se fornece também
a tensão para o qual esta potência está referida, possibilitando obter a
susceptância do elemento, valor este constante. Para uma condição qualquer de
tensão, tem-se:
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onde:
- potência reativa fornecida pelo elemento ao barramento no qual está
conectado (pu);
- módulo da tensão no barramento (pu);
- susceptância do elemento (pu);

Na condição nominal de operação do elemento, tem-se que a tensão é igual


a 1.0 [pu], logo:

A susceptância será conectada entre o barramento (k) e a terra:

O valor de é adicionado apenas ao elemento da matriz relativo ao


barramento (k).

3.4 - Formulação Matemática do Problema

Teoricamente existem uma infinidade de maneiras de descrição analítica das redes


elétricas, a partir das leis de Kirchhoff para os nós e malhas, e das relações
entre a tensão e corrente na resolução de fluxo de potência. Mas, na prática,
todos os métodos atuais de solução de fluxo de potência usam a análise nodal na
sua formulação, com a diferença que são consideradas as potências injetadas nos
nós (barras) do sistema, ao invés das correntes.

Seja um barramento qualquer de um Sistema Elétrico de Potência:

onde:
- potência complexa gerada no nó (k);
- potência complexa consumida no nó (k);
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- potência complexa transferida do nó (k) para os demais nós da


rede (incluindo a terra) através do sistema de transmissão.

O equilíbrio de potências (Primeira Lei de Kirchhoff) no nó (k) do sistema pode


ser dado por:

Como já visto, a equação nodal de uma rede de n nós, em termos da matriz é


dado por:

onde:
- matriz de admitância nodal do sistema, de ordem n x n;
- vetor das tensões nodais do sistema, contendo n elementos;
- vetor das correntes injetadas nos nós do sistema, contendo n elementos.

Como já comentado o objetivo fundamental do cálculo de um fluxo de potência é a


determinação das tensões nodais (dos barramentos) do sistema, ou seja, o vetor
. Se o vetor fosse conhecido, o problema estaria resolvido (bastaria
multiplicar por ). Ocorre, no entanto, que não é conhecido, uma vez
que as gerações e cargas são representadas através de potências. A potência
complexa injetada em um barramento (k) de um sistema, denominada , é dada pela
diferença entre a potência complexa gerada no barramento (k), , e a potência
complexa consumida neste barramento , valores estes constantes. Logo:

Tem-se que esta potência complexa injetada é exatamente a potência disponível


para ser transmitida aos demais barramentos do sistema.

Daí:

A potência injetada relaciona-se com a corrente complexa injetada no nó (k), por:

onde é a tensão do nó (k).

Usando a equação acima para cada barramento do sistema pode-se obter o vetor
em função das potências injetadas e das tensões nos barramentos:
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Embora as equações anteriores sejam lineares, a introdução da equação acima leva


a um modelo não linear.

Finalmente:

Para um barramento qualquer:

Pode-se notar que a cada barramento do sistema corresponde uma equação complexa.
Estas equações podem ser separadas em suas partes real e imaginária, cada uma
delas dando origem a duas equações resultantes reais. Assim para o nó (k)
resulta:

Logo, um sistema com n barramentos será modelado por 2n equações reais, não
lineares.

Pode-se observar que cada barramento do sistema fica caracterizado por seis
grandezas:
- a potência ativa gerada, ;
- a potência reativa gerada, ;
- a potência ativa consumida, ;
- a potência reativa consumida, ;
- o módulo da tensão, ;
- o ângulo de fase da tensão, .

Como no fluxo de potência convencional as cargas ativas e reativas (potência


consumidas) são supostas conhecidas, restam em cada barramento (nó), 4 variáveis
a serem determinadas: as potências ativa e reativa geradas e o módulo e ângulo
de fase da tensão. Logo, o número total de variáveis do problema é, então 4n.

Então para tornar possível uma solução das equações acima, e consequentemente do
fluxo de potência, tem-se que especificar a priori, para cada barramento (nó) do
sistema, duas das quatro variáveis, a fim de reduzir o número de incógnitas ao
número de equações.

À primeira vista, pode parecer que o mais lógico seria especificar os valores das
potências ativas e reativas geradas em cada barramento, deixando como incógnitas
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o módulo e o ângulo de fase da tensão, já que o objetivo básico do fluxo de


potência é a determinação das tensões dos barramentos do sistema. Isto, no
entanto, não é possível de ser feito porque em todo sistema elétrico operando em
estado permanente (situação do fluxo de potência) deve existir equilíbrio entre
a geração, o consumo e as perdas de energia. Este equilíbrio é dado por:

onde:
- potência complexa total gerada;
- potência complexa total consumida;
- potência complexa total perdida.

Embora as cargas ativas e reativas sejam conhecidas a priori, as perdas ativas


e reativas do sistema só ficam conhecidas se forem conhecidas as tensões de todos
os barramentos do sistema, o que só ocorre após a solução do fluxo de potência.
Consequentemente não se pode especificar os valores de todas as potências ativas
e reativas geradas no sistema, pelo menos uma potência ativa e reativa devem
ficar sem especificação para que as perdas do sistema possam ser supridas.

Dependendo de quais variáveis são especificadas e quais são consideradas como


incógnitas, pode-se definir três tipos de barramentos (nós):

a) Barramentos (Nós) de Carga ou Tipo PQ


São barramentos (nós) onde as potências ativa e reativas geradas são
especificadas e o módulo e o ângulo da tensão são as variáveis a serem
determinadas na solução do fluxo de potência:

Normalmente são considerados como nós deste tipo:


- barramentos de suprimento a consumidores;
- barramentos de chaveamento;
- barramentos fictícios criados para representar certos pontos de interesse
no fluxo de carga, embora fisicamente não sejam barramentos propriamente
ditos, como, por exemplo, pontos intermediários entre as barras terminais
da linha, nós criados por circuitos equivalentes de transformadores, etc;
- etc.

No caso de haver geradores conectados a este tipo de barramento, fixa-se


também as potências ativas e reativas geradas, e . Este tipo de
procedimento é usado, normalmente, para pequenos geradores do sistema.

b) Barramentos (Nós) de Geração ou Tipo PV ou de Tensão Controlada


São barramentos (nós) onde a potência ativa e o módulo da tensão são
especificados, ficando como incógnitas a potência reativa gerada e o ângulo
de fase da tensão:
EFEI - ANÁLISE DE SISTEMAS DE POTÊNCIA 3-17
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Normalmente são considerados como nós deste tipo:


- barramentos do sistema onde estão conectados geradores;
- barramentos do sistema onde estão conectados compensadores síncronos e
compensadores estáticos.

Na realidade, um barramento no qual esteja conectado uma máquina síncrona


tanto pode ser considerado como barramento tipo PV como tipo PQ, dependendo
de se especificar o módulo da tensão ou a potência reativa gerada,
respectivamente. Prefere-se especificar o módulo da tensão (tipo PV) por que
a faixa de valores aceitáveis para o módulo da tensão de um barramento é
muito mais restrita do que a dos valores de potência reativa gerada pelos
geradores e síncronos.

Caso exista uma carga neste barramento, utiliza-se o valor


durante a solução e o valor somente é utilizado após a
obtenção do fluxo de potência, pois a potência reativa total injetada é uma
das incógnitas a serem obtidas.

c) Barramento (Nó) de Referência ou Oscilante ou Compensador ou de Balanço ou


"Swing" ou "Slack" ou de Folga
É um barramento (nó) onde o módulo e o ângulo de fase da tensão são
especificados e as potências ativas e reativas geradas são as variáveis a
serem determinadas:

Este barramento tem duas funções principais:


- permitir que pelo menos uma potência gerada, ativa e reativa, não sejam
especificadas, de tal modo que as perdas ativas e reativas do sistema que
também são incógnitas e só serão conhecidas no final da solução, possam
ser incluidas no balanço de potência do sistema, após a solução do fluxo
de potência;
- fornecer uma referência para os ângulos de fase das tensões dos demais
barramentos do sistema. Normalmente, as equações usadas nos métodos de
solução são escritas em função das diferenças de ângulo de fase das
tensões em barramentos adjacentes, por isso, torna-se necessário fixar um
desses ângulos para que os demais possam ser determinados (pois uma mesma
distribuição de fluxos no sistema pode ser obtida ao adicionar uma
constante qualquer a todos os ângulos de fase dos barramentos do sistema,
o que mostra a indeterminação nas variáveis angulares, tornando necessária
a adoção de uma referência angular). Usualmente, fixa-se o valor zero para
o ângulo de fase da tensão do barramento oscilante, embora não seja
obrigatório.

O barramento oscilante não é (a não ser em casos especiais) a referência para


os módulos das tensões. Como visto na formação da matriz , esta
referência é, geralmente, a terra.

Em um sistema totalmente conexo, ou seja, que não apresenta subsistemas


desconexos, apenas um barramento oscilante é especificado, mas se o sistema
for constituido por vários subsistemas desconexos ou interligados apenas em
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corrente contínua, haverá necessidade de tantos barramentos oscilantes


quantos forem os subsistemas.

A escolha da barra oscilante deve ser feita entre os nós de geração do


sistema, e deve ser escolhido, se possível, um nó com potência suficiente
para atender os requisitos de potência necessários. Também, a fim de evitar
grandes diferenças entre os valores dos ângulos de fase de barramentos
situados nos extremos do sistema deve escolher um barramento, do ponto de
vista elétrico, o mais central possível.

Os três tipos de barras acima são as mais frequentes e mais importantes que
aparecem na formulação do fluxo de potência. Existem algumas situações
particulares, como:
- controle de intercâmbio entre áreas;
- controle de tensão de uma barra remota;
- etc.
nos quais são feitos formulações especiais e serão analisados futuramente.

Com as seis grandezas de especificação das barras e de acordo com as


especificações feitas acima, pode-se classificar as variáveis do sistema como:

a) Variáveis Não Controláveis ou de Perturbação


São as variáveis que estão fora do controle, como as cargas ativas e reativas
do sistema, visto que elas são determinadas pelo consumidor. As variações
imprevisíveis destas variáveis fazem com que o sistema desvie de suas
condições nominais, daí o nome de variáveis de perturbação.

Estas variáveis constitue um vetor de perturbação p:

b) Variáveis de Controle ou Independentes


São as variáveis que estão especificadas em cada barramento. Elas são
fisicamente usadas para "controlar" as demais. Dessa forma tem-se:

e - para os barramentos tipo PQ


e - para os barramentos tipo PV
e - para o barramento oscilante

As variáveis acima constitue um vetor de controle u:


EFEI - ANÁLISE DE SISTEMAS DE POTÊNCIA 3-19
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c) Variáveis de Estado ou Dependentes


São as variáveis que não são especificadas em cada barramento. Elas são as
variáveis que serão calculadas em cada barramento. Dessa forma tem-se:

e - para os barramentos tipo PQ


e - para os barramentos tipo PV
e - para o barramento oscilante

Estas variáveis constitue um vetor de estado x:

Em termos dos três vetores acima, as equações do fluxo de potência de um sistema


podem ser reunidas em um vetor [g] de equações não lineares de tal maneira que
o modelo do sistema para o fluxo de carga pode ser denotado pela equação
vetorial:

Esta notação, introduzida na literatura técnica em 1968, já tornou-se de uso


generalizado e representa uma forma concisa e matematicamente elegante de
referir-se ao modelo de fluxo de potência.

Exercício 3.4-1
Pergunta-se:
a) Como voce definiria barra de carga e barra de geração em termos de fluxo de
potência?
b) Que funções cumpre a barra de referência no fluxo de potência? Quais os
critérios para a escolha dessa barra?
c) O que você entende por vetor de controle, de estado e de perturbação em um
Sistema de Potência.
d) Deseja-se determinar a quantidade de compensação reativa estática (ou seja,
a potência de um banco de capacitores ou reatores) a ser instalada em uma
barra de carga de um sistema com a finalidade de manter o módulo da tensão
nesta barra com valores ao redor de 1.05 [pu], para uma certa condição de
carga. Indique como isto poderia ser feito, utilizando-se um programa de
fluxo de potência.
e) Em um estudo de planejamento de um sistema elétrico verificou-se que em
períodos de carga pesada, ao tentar-se manter a tensão da barra (i) em seu
valor nominal, a potência reativa fornecida por um condensador síncrono aí
conectado iria ultrapassar o seu limite máximo . Optou-se então por
operar com a tensão no valor mais próximo possível do nominal que não
viesse a causar a violação do limite acima. Indique como a determinação do
valor pode ser feita, utilizando-se o fluxo de potência.
f) Explique suscinta e objetivamente, como é o procedimento para tornar iguais
o número de equações e o número de incógnitas no modelo matemático do fluxo
de potência.
EFEI - ANÁLISE DE SISTEMAS DE POTÊNCIA 3-20
APOSTILA PARA DISCIPLINA DE EEL44/E812 - VERSÃO PRELIMINAR EM REVISÃO - CLÁUDIO FERREIRA

Exercício 3.4-2
Deseja-se determinar a quantidade de compensação reativa estática a ser instalada
em uma barra de carga de um sistema com a finalidade de manter o módulo da tensão
nesta barra com valores ao redor de 1.02 [pu], para uma certa condição de carga.
Qual da afirmativa abaixo é verdadeira:
a) Basta processar um fluxo de potência considerando esta barra como barra
oscilante e o valor reativo gerado por ela corresponderá ao capacitor ou
reator a ser colocado na barra;
b) Basta processar um fluxo de potência anulando a potência reativa da barra.
Se a tensão da barra resultar abaixo de 1.02 [pu] coloca-se um capacitor com
valor idêntico ao da potência reativa da barra. Em caso contrário coloca-se
um reator;
c) Se a tensão estiver abaixo de 1.02 [pu] basta processar um fluxo de potência
considerando um banco de capacitores na barra de valor idêntico a potência
reativa da barra. Em caso contrário considera-se um banco de reatores;
d) Com qualquer uma das alternativas acima se obtem o banco de capacitores ou
reatores necessário;
e) Nenhuma das alternativas acima é capaz de obter o banco de capacitores ou
reatores necessário.

Exercício 3.4-3
Um Sistema de Potência possui as suas barras numeradas consecutivamente de 1 a
8. A barra (2) é a de referência. As barras (3), (5) e (6) são de geração e as
demais, de carga. Montar os vetores das variáveis de controle e de estado para
este sistema.

Exercício 3.4-4
Considere o sistema da figura abaixo:

A barra (1) corresponde a uma usina térmica auxiliar, cuja potência máxima é
50 [MW]. A barra (2) corresponde a uma usina hidrelétrica de 800 [MW]. As barras
(3) e (4) são grandes centros de consumo de energia. Responda:
a) Como voce especificaria as barras desse sistema para um estudo de fluxo de
potência?
b) Dentro de sua especificação, como estão constituidos o vetor de controle e
o vetor de estado do sistema?
c) Monte o conjunto de equações:
EFEI - ANÁLISE DE SISTEMAS DE POTÊNCIA 3-21
APOSTILA PARA DISCIPLINA DE EEL44/E812 - VERSÃO PRELIMINAR EM REVISÃO - CLÁUDIO FERREIRA

que constitui o modelo básico do fluxo de potência.

Exercício 3.4-5
Seja uma barra qualquer de um Sistema Elétrico de Potência, especificada em um
estudo de fluxo de potência como tipo PQ:

O gerador é de 5 [MW] operando com fator de potência 0.95 adiantado. Monte a


equação básica para o estudo de fluxo de potência para esta barra. Use a potência
de base de 1000 [MVA].

Obs: a reatância de j0.1 [pu] já está na base de 1000 [MVA].

Exercício 3.4-6
Seja o transformador de 3 enrolamentos abaixo:

Caso se deseje fazer a representação desse transformador em um estudo de fluxo


de potência, através de seu equivalente em estrela, pede-se:
a) Explique como voce representaria a barra fictícia que surge devido a esta
representação;
b) Monte a equação básica para o estudo de fluxo de potência para esta barra
fictícia, explicando cada termo da equação.
EFEI - ANÁLISE DE SISTEMAS DE POTÊNCIA 3-22
APOSTILA PARA DISCIPLINA DE EEL44/E812 - VERSÃO PRELIMINAR EM REVISÃO - CLÁUDIO FERREIRA

Exercício 3.4-7
Seja o Sistema Elétrico de Potência, apresentado na figura abaixo:

a) Como voce representaria as barras deste sistema para um estudo de fluxo de


potência?
b) Baseado na sua representação como ficaria o vetor de controle para este
sistema.

Do que foi analisado até o presente momento, pode-se concluir que o cálculo do
fluxo de potência exige a solução de um sistema de equações algébricas não
lineares. Os recursos matemáticos para resolução de equações não lineares são
poucos e além disso tem-se o fato de geralmente não ser possível dizer se um
sistema de equações não lineares tem ou não solução, se a solução obtida é única
ou se existem várias outras soluções matematicamente válidas, se um determinado
método de solução é capaz de obter alguma ou todas as soluções possíveis ou ainda
qual solução será obtida.

Todos os problemas acima ficam atenuados pelo fato de que as faixas de valores
que podem assumir as variáveis envolvidas no fluxo de potência, praticamente são
as mesmas para a grande maioria dos Sistemas de Potência, o que permite uma
análise dos resultados obtidos e procurando-se corrigir as distorções que
aparecem.

Antes de analisar os métodos iterativos mais importantes para a resolução do


fluxo de potência serão vistas as expressões que, utilizando os valores de tensão
obtidos, permitem o cálculo dos fluxos de potência ativa e reativa em todos os
EFEI - ANÁLISE DE SISTEMAS DE POTÊNCIA 3-23
APOSTILA PARA DISCIPLINA DE EEL44/E812 - VERSÃO PRELIMINAR EM REVISÃO - CLÁUDIO FERREIRA

ramos do sistema, das perdas ativas e reativas em cada ramo e no sistema como um
todo, das potências ativa e reativa geradas no barramento oscilante e das
potências reativas geradas nos barramentos PV. Vale enfatizar que estes cálculos
são todos diretos (não iterativos), uma vez conhecidas as tensões nodais do
sistema.

a) Cálculo dos Fluxos de Potência Ativa e Reativa dos Ramos

Seja a figura abaixo que ilustra um ramo representado por uma linha de
transmissão ligando dois barramentos (i) e (k) de um sistema:

onde:
- tensão complexa do barramento (i);
- tensão complexa do barramento (k);
- resistência série total da linha, em módulo;
- reatância série total da linha, em módulo;
- susceptância shunt total da linha, em módulo.

Tem-se:

onde e são a potência complexa e a corrente que, saindo do barramento


(i), fluem pelo ramo i-k em direção ao barramento (k). Da mesma forma pode-se
escrever:

onde e são, agora, a potência complexa e a corrente que, saindo do


barramento (k), fluem pelo ramo i-k em direção ao barramento (i).

Da figura observa-se que a corrente desmembra-se em duas componentes,


uma que flue pelo elemento série do ramo i-k, denominado de e outra que
flue pelo pelo elemento shunt que está do lado do barramento (i) em direção
a terra, denominada por . Logo:

As componentes acima são dadas por:


EFEI - ANÁLISE DE SISTEMAS DE POTÊNCIA 3-24
APOSTILA PARA DISCIPLINA DE EEL44/E812 - VERSÃO PRELIMINAR EM REVISÃO - CLÁUDIO FERREIRA

onde é o elemento ik da matriz . Daí, tem-se:

Portanto:

As potências ativa e reativa que compõe a potência complexa acima, são dadas
por:

Desenvolvendo a expressão acima da potência complexa e tomando suas


partes real e imaginária obtem-se:

onde e são os módulos das tensões dos barramentos (i) e (k) e


é a diferença entre os ângulos de fase das tensões nas barras
(i) e (k).

Para obtenção de e , basta trocar os índices i e k dos módulos e


ângulos de fase das tensões nas expressões acima. Daí:

No caso de haver várias linhas de transmissão, em paralelo, ligando os


barramentos (i) e (k) do sistema, como ilustra a figura a seguir:
EFEI - ANÁLISE DE SISTEMAS DE POTÊNCIA 3-25
APOSTILA PARA DISCIPLINA DE EEL44/E812 - VERSÃO PRELIMINAR EM REVISÃO - CLÁUDIO FERREIRA

tem-se que a matriz conterá, nas posições i-k e k-i, a admitância


equivalente (com sinal trocado) de todos os ramos série em paralelo, o que
significa a perda das características próprias de cada uma das linhas de
transmissão do sistema. Normalmente, nos cálculos de fluxo de potência,
deseja-se determinar os fluxos de potência ativa e reativa em cada um dos
circuitos em paralelo, o que acarreta a não possibilidade de utilização
direta das expressões acima. Nesse caso deve-se calcular os fluxos de
potência usando os parâmetros físicos das linhas (resistência, reatância e
susceptância).

Tem-se que:

Substituindo nas expressões anteriores, obtem-se as seguintes expressões:

No caso do ramo que liga os barramentos (i) e (k) ser um transformador, sem
taps ou com taps nos seus valores nominais, tem-se a figura abaixo:
EFEI - ANÁLISE DE SISTEMAS DE POTÊNCIA 3-26
APOSTILA PARA DISCIPLINA DE EEL44/E812 - VERSÃO PRELIMINAR EM REVISÃO - CLÁUDIO FERREIRA

onde:
- tensão complexa do barramento (i);
- tensão complexa do barramento (k);
- resistência do transformador, representativa das perdas no
cobre;
- reatância de dispersão do transformador.

As expressões para cálculo dos fluxos de potência ativa e reativa podem ser
obtidas de maneira idêntica às obtidas para as linhas de transmissão
(inclusive podem ser usadas as mesmas expressões, só que zerando o termo
). Tem-se:

Como o transformador é ideal (sem perdas), a potência complexa que sai do


barramento (i) em direção ao barramento (k) é igual à que flue no
"secundário" do transformador no sentido i-k.

Logo:

Desenvolvendo as expressões complexas acima e tomando suas partes real e


imaginária obtem-se:

onde e são os módulos das tensões dos barramentos (i) e (k) e


é a diferença entre os ângulos de fase das tensões nas
barras (i) e (k). e são as partes real e imaginária do
elemento ik ou ki da matriz .

Como normalmente desprezam-se as perdas nos transformadores:

Daí:
EFEI - ANÁLISE DE SISTEMAS DE POTÊNCIA 3-27
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Logo:

onde é a reatância de dispersão do transformador.

Quando o transformador possue taps fora do nominal (em fase ou quadratura),


as expressões acima necessitam ser modificadas. Seja a figura abaixo:

Como o transformador é ideal, tem-se:

onde:

e e são as partes real e imaginária da admitância do transformador


referida ao lado k do mesmo (lado onde está o tap).

Desenvolvendo as expressões acima e tomando suas partes real e imaginária,


obtem-se:
EFEI - ANÁLISE DE SISTEMAS DE POTÊNCIA 3-28
APOSTILA PARA DISCIPLINA DE EEL44/E812 - VERSÃO PRELIMINAR EM REVISÃO - CLÁUDIO FERREIRA

Desprezando as perdas no transformador:

onde é a reatância de dispersão do transformador e (k) é o barramento onde


se situa o tap.

Se o transformador só apresenta taps em fase, ou seja, q = 0, tem-se:

onde e são as partes real e imaginária do elemento da matriz e


(k) é o barramento onde se situa o tap.

A expressão geral para um transformador sem perdas e com taps nos


enrolamentos do lado i (pi) e k (pk) e reatância de dispersão é a
seguinte:
EFEI - ANÁLISE DE SISTEMAS DE POTÊNCIA 3-29
APOSTILA PARA DISCIPLINA DE EEL44/E812 - VERSÃO PRELIMINAR EM REVISÃO - CLÁUDIO FERREIRA

Se o elemento que liga os barramentos (i) e (k) for um capacitor série, tem-
se a figura abaixo:

onde:
- tensão complexa do barramento (i);
- tensão complexa do barramento (k);
- reatância do capacitor série.

As expressões para cálculo dos fluxos de potência ativa e reativa são


idênticas à do transformador sem tap, e são as seguintes:

onde a reatância entra em módulo.

Finalmente para capacitores e reatores de barra (shunt) ligados no barramento


(i), tem-se a figura apresentada a seguir:
EFEI - ANÁLISE DE SISTEMAS DE POTÊNCIA 3-30
APOSTILA PARA DISCIPLINA DE EEL44/E812 - VERSÃO PRELIMINAR EM REVISÃO - CLÁUDIO FERREIRA

Como a potência reativa fornecida por tais elementos é função do quadrado da


tensão (a potência ativa é nula), tem-se:

b) Cálculo das Perdas Ativas e Reativas no Sistema

As perdas ativas e reativas em um ramo i-k de um sistema são dadas pelas


diferenças entre as potências ativas e reativas que saem do barramento (i)
e as que chegam ao barramento (k). Como as potências que chegam ao barramento
(k) vindas do barramento (i) são dadas pelo negativo das potências que saem
do barramento (k) em direção ao barramento (i), tem-se:

onde:
- perda de potência ativa no ramo i-k;
- perda de potência reativa no ramo i-k.

O valor de é sempre positivo indicando que para a potência ativa sempre


ocorre uma dissipação no ramo, a menos que a resistência entre os barramentos
(i) e (k) seja nula quando, então a perda ativa é zero. Para o caso de ,
pode-se encontrar valores negativos, indicando que na realidade ocorreu um
ganho de potência reativa no ramo i-k (o que ocorre com os bancos de
capacitores série e com as linhas de transmissão com um carregamento abaixo
de sua potência característica).

As perdas totais do sistema são dadas pela soma das perdas em todos os ramos.
No caso da potência ativa, a perda total obtida por esta soma é igual (a
menos de uma certa tolerância compatível com a tolerância de convergência do
processo iterativo) à soma das potências ativas injetadas nos barramentos,
ou seja, à diferença entre a geração ativa total do sistema e o consumo total
de potência ativa (cargas). Então:

No caso da potência reativa, a presença de eventuais capacitores ou reatores


de barra deve ser levada em conta no cálculo da perda total.

onde é a potência reativa gerada pelo capacitor ou reator shunt


porventura existente no barramento (j).
EFEI - ANÁLISE DE SISTEMAS DE POTÊNCIA 3-31
APOSTILA PARA DISCIPLINA DE EEL44/E812 - VERSÃO PRELIMINAR EM REVISÃO - CLÁUDIO FERREIRA

c) Cálculo das Potências Ativas e Reativas Geradas

As potências ativa e reativas geradas nos barramentos do sistema podem ser


obtidas diretamente das equações de equilíbrio de potência nos nós
(barramentos). Tem-se:

Separando as expressões acima em suas componentes real e imaginária, obtem-


se:

como e são dados pelas somas de todos os fluxos ativos e reativos,


respectivamente, que saem do barramento (j) em direção a todos os barramentos
ligados a ele (incluindo a terra através dos elementos shunt, no caso da
potência reativa), tem-se ainda:

onde a terra é denotada como barramento (0).

Estas fórmulas devem ser utilizadas para obter as potências ativa e reativa
geradas pelo barramento oscilante e a potência reativa geradas pelas barras
PV.

Deve-se lembrar que as expressões acima foram obtidas considerando-se a seguinte


convenção de sinais:

a) as injeções de potência são positivas quando entram nos barramentos e


negativa quando saem dos barramentos;
b) os fluxos de potência são positivos quando saem do barramento e negativos
quando entram;
c) os fluxos nos elementos shunt dos barramentos são positivos quando entram no
barramento e negativo quando saem.
EFEI - ANÁLISE DE SISTEMAS DE POTÊNCIA 3-32
APOSTILA PARA DISCIPLINA DE EEL44/E812 - VERSÃO PRELIMINAR EM REVISÃO - CLÁUDIO FERREIRA

Exemplos:

Exercício 3.4-8
Pergunta-se:
a) Uma solução de fluxo de carga é, normalmente, realizada em dois estágios.
Responda quais são estes estágios e que tipos de cálculos estão envolvidos
em cada um deles.
b) Além das tensões (módulo e ângulo), quais são as demais grandezas que,
normalmente, são calculadas no fluxo de potência? Quando é feito o cálculo
dessas grandezas (em relação ao das tensões)? Qual a principal diferença
entre esse cálculo e o cálculo das tensões?

Exercício 3.4-9
Coloque verdadeiro ou falso nas afirmativas abaixo:
a) A não linearidade das equações do fluxo de potência decorre de certas
características da modelagem de alguns componentes do sistema;
b) Em um estudo de fluxo de potência, o módulo da tensão da barra pode ser uma
variável de estado ou de controle dependendo do tipo da mesma;
c) Se a rede não opera de maneira equilibrada em suas três fases não é possível
a obtenção do fluxo de potência em regime permanente;
d) O fluxo de potência é normalmente realizado em dois estágios (iterativo e
direto) que podem ser resolvidos em qualquer ordem;
e) O número de barramentos PV em um Sistema Elétrico de Potência deve ser menor
ou igual ao número de barramentos PQ;
f) Caso se deseje, pode-se representar, em um estudo de fluxo de potência, uma
carga qualquer por uma impedância constante.
g) Os reatores de linha de transmissão podem ser representados como reatores
de barra nos estudos de fluxo de potência;
h) Se a potência da maior máquina do sistema é maior que a maior carga do mesmo
não é necessário representar a barra oscilante no estudo de fluxo de
potência;
i) A perda de potência reativa em um elemento qualquer de um Sistema Elétrico
de Potência pode ser positiva, negativa ou nula;
j) Em um estudo de fluxo de potência, deve-se ter mais de uma barra de
referência, quando o Sistema de Potência for muito grande;
k) As cargas ativas e reativas do sistema são variáveis de perturbação;
l) O fluxo de potência ativa flue sempre da barra de tensão mais elevada em
direção da barra de tensão mais baixa.
EFEI - ANÁLISE DE SISTEMAS DE POTÊNCIA 3-33
APOSTILA PARA DISCIPLINA DE EEL44/E812 - VERSÃO PRELIMINAR EM REVISÃO - CLÁUDIO FERREIRA

Exercício 3.4-10
A linha de transmissão abaixo tem resistência e capacitância desprezíveis, sendo
sua reatância de 0.075 [pu].

Os reguladores de tensão dos geradores mantem as tensões dos barramentos


constantes nos valores V1 = 0.98 [pu] e V2 = 0.97 [pu].

Suponha uma situação operacional caracterizada por um fluxo P12 de potência ativa
na linha igual a 5 [pu]. Calcule a perda de potência reativa na linha, nessa
situação.

Exercício 3.4-11
Uma linha de transmissão liga as barras (i) e (k) de um Sistema de Potência. Os
módulos das tensões nessas barras são mantidos constantes através da ação de
AVR’s (automatic voltage regulators) aí conectados.

Supondo desprezíveis a resistência e a capacitância da linha pergunta-se qual o


valor máximo da potência reativa que pode sair da barra (i) em direção a barra
(k)?

Exercício 3.4-12
A linha de transmissão representada abaixo tem resistência e capacitância
desprezíveis, sendo sua reatância 0.050 [pu].

Reguladores de tensão conectados as barras (i) e (k) mantém os módulos das


tensões constantes nos valores Vi = 1.022 [pu] e Vk = 0.995 [pu].

Em uma dada condição de operação, o fluxo de potência reativa Qik é igual a


2.0 [pu]. Nessa condição, qual é o valor do fluxo de potência ativa que chega à
barra (k)?

Exercício 3.4-13
Uma linha de transmissão possue os seguintes parâmetros:

Sabendo que a linha deve operar com tensão nominal em suas barras terminais,
determine qual é o valor máximo de potência ativa que pode ser transmitida pela
linha e esclareça em que condições isto ocorre.

Tem-se a potência emitida no barramento (i):


EFEI - ANÁLISE DE SISTEMAS DE POTÊNCIA 3-34
APOSTILA PARA DISCIPLINA DE EEL44/E812 - VERSÃO PRELIMINAR EM REVISÃO - CLÁUDIO FERREIRA

para Vi = Vk = 1 [pu] (tensão nominal):

Tem-se, lembrando que e correspondem ao elemento i-k da matriz :

Para a potência emitida corresponder a um ponto de extremo, tem-se:

Igualando a primeira expressão acima a zero:

Daí:

Substituindo na segunda expressão:

Portanto corresponde a uma condição de máximo.

Logo:

que corresponde ao valor máximo de potência ativa que pode ser emitido do
barramento (i) em direção ao barramento (k).

Querendo equacionar a potência recebida ao invés da emitida, tem-se:


EFEI - ANÁLISE DE SISTEMAS DE POTÊNCIA 3-35
APOSTILA PARA DISCIPLINA DE EEL44/E812 - VERSÃO PRELIMINAR EM REVISÃO - CLÁUDIO FERREIRA

para Vi = Vk = 1 [pu] (tensão nominal):

Para a potência acima corresponder a um ponto de extremo, tem-se:

Igualando a primeira expressão acima a zero:

Tem-se:

Substituindo na segunda expressão:

Portanto também corresponde a uma condição de máximo.

Logo:

que corresponde ao valor máximo de potência ativa que pode ser recebido no
barramento (k).

Colocando os resultados acima em um diagrama, tem-se:

Exercício 3.4-14
A linha de transmissão representada abaixo tem resistência e capacitância
desprezíveis, sendo sua reatância de 0.1 [pu]. Reguladores de tensão conectados
as duas barras extremas mantém os módulos das tensões constantes nos valores
indicados na figura a seguir:
EFEI - ANÁLISE DE SISTEMAS DE POTÊNCIA 3-36
APOSTILA PARA DISCIPLINA DE EEL44/E812 - VERSÃO PRELIMINAR EM REVISÃO - CLÁUDIO FERREIRA

a) Sabendo-se que a máxima corrente suportada pela linha de transmissão é de


5.0 [pu], pede-se obter a máxima potência ativa que pode circular pela mesma;
b) Plote em um diagrama os valores da potência ativa e reativa que circularão
pela linha na situação acima.

Exercício 3.4-15
Seja a linha de transmissão abaixo, parte de um Sistema Elétrico de Potência, em
230 [kV]:

Reguladores de tensão conectados as barras (1) e (2) mantem o módulo das tensões
constantes nos valores V1 = 1.020 [pu] e V2 = 1.010 [pu].

Em uma certa situação de carga foram feitas leituras na subestação (2) e obtidas
os seguintes fluxos de potência:
- a indústria consome uma carga de 80 + j20 [MW/MVAr];
- o fluxo nas demais ligações que saem da barra (2), com excessão da ligação
(1)-(2) é de 181.4 - j66.3 [MW/MVAr].

Pergunta-se:
a) Sendo necessário escolher um disjuntor para ser colocado no ponto A, e tendo
em disponibilidade os seguintes disjuntores:
Disjuntor X - Inominal = 700 [A]
Disjuntor Y - Inominal = 750 [A]
Disjuntor Z - Inominal = 800 [A]
Qual o menor disjuntor que voce escolheria.
b) Sabendo-se que, por motivos operativos, a maior abertura angular possível
entre as barras (1) e (2) é de 30o, o disjuntor escolhido no item anterior
pode ainda ser utilizado?

Exercício 3.4-16
a) Seja uma carga de 80 + j10 [MW/MVAr] alimentado por uma linha de transmissão
de impedância 0.02 + j0.18 [pu] e susceptância desprezível:
EFEI - ANÁLISE DE SISTEMAS DE POTÊNCIA 3-37
APOSTILA PARA DISCIPLINA DE EEL44/E812 - VERSÃO PRELIMINAR EM REVISÃO - CLÁUDIO FERREIRA

Sabendo que a tensão no barramento (1) é constante e igual a 1.02 [pu], obter
a tensão no barramento (2) de carga, sabendo que a mesma deve se situar entre
0.95 e 1.05 [pu].
b) Caso se deseje manter a tensão no barramento (2) igual a 1.0 [pu] defina o
tipo de estático (capacitor ou reator) e o seu valor nominal (MVAr) a ser
colocado neste barramento para tal intento.

Exercício 3.4-17
Sejam ramos de um Sistema Elétrico de Potência:

a)

Qual o sentido do fluxo de potência ativa neste ramo?

b)

Qual o sentido do fluxo de potência reativa neste ramo?

c)

O que se pode concluir com relação a P1 e P2 e Q1 e Q2?

d)
EFEI - ANÁLISE DE SISTEMAS DE POTÊNCIA 3-38
APOSTILA PARA DISCIPLINA DE EEL44/E812 - VERSÃO PRELIMINAR EM REVISÃO - CLÁUDIO FERREIRA

A linha de transmissão está pouco ou muito carregada, com relação a sua potência
característica?

O que se pode concluir com relação a P1 e P2?

Exercício 3.4-18
Seja um ramo qualquer entre as barras (1) e (2) de um Sistema Elétrico de
Potência, tendo resistência e susceptância desprezível:

Qual das afirmativas abaixo é CORRETA:


a) O fluxo de potência ativa flue da barra de tensão mais elevada em direção a
barra de tensão mais baixa;
b) Se V1 = V2 não flue potência ativa no ramo;
c) O fluxo de potência ativa flue da barra cujo ângulo é mais elevado para a
barra cujo ângulo é menor;
d) Não flue potência ativa no ramo, pois sua resistência é desprezível;
e) Se a barra (1) tiver controle de tensão a potência ativa irá fluir desta
barra para a barra (2);
f) Quanto maior a reatância X maior será a perda de potência ativa no ramo;
g) Não é possível determinar o sentido do fluxo de potência ativa com as
informações dadas acima.

Exercício 3.4-19
Seja um transformador ligado entre as barras (1) e (2) de um Sistema Elétrico de
Potência, tendo resistência desprezível, na situação abaixo:

Qual das afirmativas abaixo é CORRETA:


a) O fluxo de potência reativa sai da barra (1) e entra na barra (2);
b) O fluxo de potência reativa sai da barra (2) e entra na barra (1);
c) O fluxo de potência reativa flue das barras (1) e (2) para o transformador;
d) O fluxo de potência reativa flue do transformador para as barras (1) e (2);
e) Não flue potência reativa através do transformador.

Exercício 3.4-20
Seja uma linha de transmissão curta ligando dois barramentos (r) e (s) em um
Sistema Elétrico de Potência:
EFEI - ANÁLISE DE SISTEMAS DE POTÊNCIA 3-39
APOSTILA PARA DISCIPLINA DE EEL44/E812 - VERSÃO PRELIMINAR EM REVISÃO - CLÁUDIO FERREIRA

O módulo das tensões nos barramentos (r) e (s) são mantidos constantes através
de reguladores de tensão ai instalados. Qual das afirmativas abaixo é CORRETA:
a) Prs será máximo quando = 90o;
b) Se = , Prs será máximo quando = 45o;
c) Quando Prs for máximo, também Psr será máximo;
d) Se Prs for máximo para a diferença angular , Qrs será máximo para a
diferença angular 90o - ;
e) Quando Prs for máximo, Qrs também será máximo.

Exercício 3.4-21
Seja um transformador ligado entre as barras (1) e (2) de um Sistema Elétrico de
Potência, tendo resistência desprezível. Ao se aumentar o tap p, o fluxo de
potência reativa entre as barras (1) e (2):

a) Não se altera;
b) Aumenta;
c) Diminui;
d) Impossível determinar sem conhecer as tensões V1 e V2;
e) Impossível determinar sem conhecer os ângulos e .

Exercício 3.4-22
Seja o Sistema Elétrico de Potência abaixo, onde para um estudo de fluxo de
potência, as barras (1) e (4) foram especificadas como PV, a barra (3) como
referência e as demais como barras de carga (PQ).
EFEI - ANÁLISE DE SISTEMAS DE POTÊNCIA 3-40
APOSTILA PARA DISCIPLINA DE EEL44/E812 - VERSÃO PRELIMINAR EM REVISÃO - CLÁUDIO FERREIRA

Baseado nesta configuração tem-se as seguintes proposições:


1) Para aumentar P12 basta aumentar ;
2) Para aumentar P12 basta aumentar ;
3) Ao aumentar a carga P2 automaticamente P12 aumenta;
4) Para aumentar a tensão da barra (5) basta ligar o capacitor C7;
5) Para aumentar a tensão da barra (5) basta aumentar o tap do transformador T56
sendo o tap no lado da barra (5);
6) Para aumentar a tensão da barra (5) basta aumentar a tensão da barra (4);
7) Para aumentar a tensão da barra (5) basta aumentar a geração ativa da barra
(3);
Escolha abaixo a alternativa CORRETA:
a) Todas as proposições estão corretas;
b) Todas as proposições estão erradas;
c) Apenas as proposições (1), (2) e (6) estão corretas;
d) Apenas a proposição (6) está correta;
e) Apenas as proposições (2), (5) e (6) estão corretas;

Exercício 3.4-23
Considere uma linha de transmissão onde a resistência é desprezível (r = 0). A
linha é operada com sua capacidade máxima (isto é, com ângulo de potência igual
a 900) e com ambas as tensões terminais iguais a 1.0 [pu], em módulo. Definindo
a potência ativa máxima (Pmax) que pode fluir pela linha como base de potência
(isto é, Pmax = 1.0 [pu]), prove que:
a) As perdas reativas na linha são iguais a 2.0 [pu] (enormes portanto);
b) O módulo da tensão no meio da linha é de apenas 0.71 [pu].

Exercício 3.4-24
Uma linha de transmissão em que a resistência e a susceptância capacitiva são
desprezíveis e cuja reatância é de 0.25 [pu] opera com tensão nominal em suas
duas barras terminais (p) e (q). A potência ativa que flue por essa linha da
barra (p) para a barra (q) é de 2 [pu]. Nessas condições pergunta-se:
a) Qual é o valor máximo da corrente que flui pela linha?
b) Qual é o valor da tensão no meio da linha? (referir à barra (p)).

Exercício 3.4-25
Um Sistema de Potência com os seguintes dados (todos os valores em pu):

Ramo Resistência Reatância Susceptância

1 - 2 0.0180 0.0241 -

2 - 3 0.0040 0.0538 0.0025

4 - 5 0.0049 0.0612 0.0003

5 - 6 (1) 0.0007 0.0096 -

5 - 6 (2) 0.0040 0.0498 -

3 - 6 0.0014 0.0185 0.0018

1 - 4 0.0037 0.0467 -

4 - 2 0.0028 0.0262 -

5 - 3 0.0041 0.0512 -

Apresenta os seguintes resultados de um fluxo de potência (pu):


EFEI - ANÁLISE DE SISTEMAS DE POTÊNCIA 3-41
APOSTILA PARA DISCIPLINA DE EEL44/E812 - VERSÃO PRELIMINAR EM REVISÃO - CLÁUDIO FERREIRA

Geração Carga
Barra Tipo Tensão Ativa
Ativa Reativa

1 ref 1.0000 + j0.0000 1.4765 0.7320 0.0000

2 PQ 0.9965 - j0.0133 - 0.3230 0.2100

3 PQ 0.9963 - j0.0336 - 0.3780 0.0090

4 PV 1.0000 - j0.0086 0.3990 - -

5 PQ 0.9945 - j0.0356 - 0.8700 0.6340

6 PV 0.9995 - j0.0331 0.5000 0.0700 0.1776

Pede-se calcular:
a) A geração reativa da barra (4);
b) A perda total de potência reativa do sistema;
c) A perda de potência ativa na linha 2-3;
d) O mismatch final de potência ativa na barra (2);
d) O "mismatch" final de potência ativa na barra de referência.

Exercício 3.4-26
Seja o Sistema de Potência apresentado na figura abaixo:

A sua matriz de admitância nodal, em pu, na base de 100 [MVA], onde foram
desprezadas todas as susceptâncias das linhas de transmissão é a seguinte:
EFEI - ANÁLISE DE SISTEMAS DE POTÊNCIA 3-42
APOSTILA PARA DISCIPLINA DE EEL44/E812 - VERSÃO PRELIMINAR EM REVISÃO - CLÁUDIO FERREIRA

Após processado um fluxo de potência foram obtidos os seguintes resultados para


as tensões das barras:

Pede-se obter:
a) Calcular o fluxo de potência (ativa e reativa) que SAI do barramento (2) em
direção ao barramento (3) em cada uma das linhas de transmissão;
b) Calcular a perda de potência ativa e reativa na linha de transmissão que liga
os barramentos (1) e (2);
c) Obter o tap do transformador que liga os barramentos (3) e (5) e o fluxo de
potência (ativa e reativa) através do mesmo;
d) Qual a potência ativa e reativa gerada pelo barramento (1);

e) Calcular o "mismatch" de potência ativa e reativa no barramento (5);


f) Qual o tipo de estático que está ligado no barramento (4) e qual o fluxo de
potência absorvido ou gerado pelo mesmo.

Exercício 3.4-27
Um Sistema Elétrico de Potência com três barras apresenta a seguinte matriz de
admitância nodal :
montada sob as seguintes condições:
a) Todos os ramos shunt foram desprezados;
b) As resistências dos ramos com taps foram desprezadas;
c) Todos os taps existentes no sistema foram incluídos na matriz .
EFEI - ANÁLISE DE SISTEMAS DE POTÊNCIA 3-43
APOSTILA PARA DISCIPLINA DE EEL44/E812 - VERSÃO PRELIMINAR EM REVISÃO - CLÁUDIO FERREIRA

Resolvido um fluxo de potência no sistema, obteve-se os seguintes valores:

Nestas condições, pede-se calcular, para a linha (1)-(2) do sistema, os fluxos


de potência ativa e reativa que saem da barra (2) e que chegam à barra (1).

Exercício 3.4-28
Seja parte da saída do programa de fluxo de potência ANAREDE, apresentado a
seguir, onde pode-se fazer as seguintes observações:
- a indicação à frente do nome do barramento, se refere a tensão nominal do
mesmo;
- todos os reatores porventura existente são de linha, portanto não chaveáveis;
- a tensão mínima é de 0.95 [pu] e a máxima de 1.05 [pu] nas barras de 345 [kV]
e de 1.10 nas barras de 500 [kV].
Pede-se:
a) Plotar em um diagrama os fluxos de potência ativa e reativa referentes ao
barramento de Poços-345 (123);
b) Qual o fluxo de potência ativa e reativa que flui na LT Campinas-C.Paulista
500 kV, barramentos (80)-(87) (sentido Campinas-C.Paulista);
c) Qual a perda de potência ativa e reativa na LT Campinas-Araraquara-500
(barramentos (80)-(68));
d) Obter o tipo (capacitor ou reator) e a potência nominal (MVAr) do estático
que está ligado no barramento de Campinas-345 (79);
e) Obter o "mismatch" de potência ativa e reativa no barramento de Ararquara-500
(68);
f) Como a tensão no barramento de Poços-345 (123) está abaixo do mínimo
permitido que providências voce tomaria para enquadrá-la dentro dos limites,
usando dos recursos que podem ser visualizados neste resultado do fluxo de
potência?
EFEI - ANÁLISE DE SISTEMAS DE POTÊNCIA 3-44
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CASO REDUZIDO - SUDESTE BRASILEIRO

CASO BASE

RELATORIO DE BARRAS AC DO SISTEMA * AREA 1 * ************ SUDESTE ************

X--------------------X-----------X---------------X-----X---------------X-----X---------------X---------------X---------------X
BARRA TENSAO GERACAO FATOR INJECAO EQUIV FATOR CARGA LINK DC SHUNT
NUM. NOME TP MOD ANG MW MVAR GER % MW MVAR EQV % MW MVAR MW MVAR MVAR EQUIV
X----X------------X--X-----X-----X-------X-------X-----X-------X-------X-----X-------X-------X-------X-------X-------X-------X

62 ADRIAN---345 0 1.071 -16.0 0.0 0.0 0.0 0.0 0.0 0.0 1000.0 569.0 0.0 0.0 0.0 0.0
63 ADRIAN---500 1 1.020 -12.9 0.0 -383.3 0.0 0.0 0.0 0.0 0.0 0.0 0.0 0.0 0.0 0.0
67 ANGRA----500 1 1.041 -8.2 1679.0 -215.6 0.0 0.0 0.0 0.0 0.0 0.0 0.0 0.0 0.0 0.0
68 ARARAQ---500 0 1.049 -4.0 0.0 0.0 0.0 0.0 0.0 0.0 0.0 0.0 0.0 0.0 -323.5 0.0
79 CAMPIN---345 0 0.917 -22.8 0.0 0.0 0.0 0.0 0.0 0.0 764.0 -148.0 0.0 0.0 -465.4 0.0
80 CAMPIN---500 0 0.998 -10.3 0.0 0.0 0.0 0.0 0.0 0.0 -213.0 61.0 0.0 0.0 -59.8 0.0
87 CPAULI---500 0 1.050 -8.7 0.0 0.0 0.0 0.0 0.0 0.0 -885.0 99.0 0.0 0.0 0.0 0.0
88 ESTREI---345 1 1.037 -16.1 800.0 147.1 0.0 0.0 0.0 0.0 184.0 71.0 0.0 0.0 0.0 0.0
91 FURNAS---345 1 1.030 -21.2 800.0 220.6 0.0 0.0 0.0 0.0 42.0 67.0 0.0 0.0 0.0 0.0
93 GRAJAU---500 1 1.015 -15.3 0.0 56.0 0.0 0.0 0.0 0.0 1200.0 265.0 0.0 0.0 0.0 0.0
104 ITUTIN---345 0 1.071 -21.7 0.0 0.0 0.0 0.0 0.0 0.0 384.0 108.0 0.0 0.0 68.8 0.0
113 MARIMB---345 0 1.035 -1.2 0.0 0.0 0.0 0.0 0.0 0.0 -221.0 159.0 0.0 0.0 0.0 0.0
114 MARIMB---500 1 1.057 1.0 1100.0 -332.6 0.0 0.0 0.0 0.0 0.0 0.0 0.0 0.0 0.0 0.0
123 POCOS----345 0 0.946 -24.2 0.0 0.0 0.0 0.0 0.0 0.0 800.0 -86.0 0.0 0.0 -752.0 0.0
124 POCOS----500 0 1.064 -6.9 0.0 0.0 0.0 0.0 0.0 0.0 85.0 111.0 0.0 0.0 0.0 0.0
131 S.JOSE---500 0 1.028 -11.9 0.0 0.0 0.0 0.0 0.0 0.0 0.0 0.0 0.0 0.0 0.0 0.0
204 AVERME---500 0 1.079 -1.2 0.0 0.0 0.0 0.0 0.0 0.0 566.0 149.0 0.0 0.0 0.0 0.0
1067 JAGUAR---345 1 1.040 -16.5 550.0 494.3 0.0 0.0 0.0 0.0 -14.0 174.0 0.0 0.0 0.0 0.0
1068 SSIMAO---500 2 1.085 0.0 1259.5 133.8 0.0 0.0 0.0 0.0 -652.0 86.0 0.0 0.0 -214.3 0.0
1069 VGRAND---345 1 1.041 -8.5 340.0 142.3 0.0 0.0 0.0 0.0 -221.0 159.0 0.0 0.0 0.0 0.0
1090 BARREI---345 0 0.985 -52.5 0.0 0.0 0.0 0.0 0.0 0.0 1134.0 362.0 0.0 0.0 0.0 0.0
1091 JAGUAR---500 0 1.041 -19.1 0.0 0.0 0.0 0.0 0.0 0.0 -275.0 13.0 0.0 0.0 -296.0 0.0
1096 NEVES----345 1 1.009 -50.2 0.0 470.7 0.0 0.0 0.0 0.0 212.0 -87.0 0.0 0.0 0.0 0.0
1097 NEVES----500 0 1.009 -47.3 0.0 0.0 0.0 0.0 0.0 0.0 549.0 -108.0 0.0 0.0 0.0 0.0
1100 PIMENT---345 0 0.995 -31.6 0.0 0.0 0.0 0.0 0.0 0.0 750.0 24.0 0.0 0.0 0.0 0.0
1103 TAQUAR---345 0 0.987 -53.1 0.0 0.0 0.0 0.0 0.0 0.0 1083.0 -10.0 0.0 0.0 0.0 0.0
EFEI - ANÁLISE DE SISTEMAS DE POTÊNCIA 3-45
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CEPEL - CENTRO DE PESQUISAS DE ENERGIA ELETRICA - PROGRAMA DE ANALISE DE REDES - V04-06/91

CASO REDUZIDO - SUDESTE BRASILEIRO

RELATORIO COMPLETO DO SISTEMA * AREA 1 * ************ SUDESTE ************

X------------------ D A D O S - B A R R A -----------------X---------- F L U X O S - C I R C U I T O S ---------X


DA BARRA TENSAO GERACAO INJ EQV CARGA LINK DC SHUNT
NUM. TIPO MOD/ MW/ MW/ MW/ MW/ MVAR/ PARA BARRA FLUXOS
NOME ANG MVAR MVAR MVAR MVAR EQUIV NUM. NOME CIRC MW MVAR TAP DEFAS TIE
X------------X-------X-------X-------X-------X-------X-------X----X------------X----X-------X-------X-----X-----X---X

67 1 1.041 1679.0 0.0 0.0 0.0 0.0


ANGRA----500 -8.2 -215.6 0.0 0.0 0.0 0.0
63 ADRIAN---500 0 546.8 48.0
87 CPAULI---500 0 58.0 -132.8
87 CPAULI---500 0 58.0 -132.6
93 GRAJAU---500 0 632.8 27.5
131 S.JOSE---500 0 383.4 -25.7
68 0 1.049 0.0 0.0 0.0 0.0 -323.5
ARARAQ---500 -4.0 0.0 0.0 0.0 0.0 0.0
80 CAMPIN---500 0 490.3 102.4
114 MARIMB---500 0 -356.6 -118.2
114 MARIMB---500 0 -353.0 -119.5
124 POCOS----500 0 219.3 -188.1
79 0 0.917 0.0 0.0 764.0 0.0 -465.4
CAMPIN---345 -22.8 0.0 0.0 -148.0 0.0 0.0
80 CAMPIN---500 0 -809.9 -217.7
123 POCOS----345 0 45.9 -99.7
80 0 0.998 0.0 0.0 -213.0 0.0 -59.8
CAMPIN---500 -10.3 0.0 0.0 61.0 0.0 0.0
68 ARARAQ---500 0 -486.1 -253.2
79 CAMPIN---345 0 809.9 422.0
87 CPAULI---500 0
87 0 1.050 0.0 0.0 -885.0 0.0 0.0
CPAULI---500 -8.7 0.0 0.0 99.0 0.0 0.0
63 ADRIAN---500 0 340.5 10.7
63 ADRIAN---500 0 341.0 11.0
63 ADRIAN---500 0 341.0 11.0
67 ANGRA----500 0 -57.9 4.3
67 ANGRA----500 0 -57.9 5.2
80 CAMPIN---500 0
124 POCOS----500 0 -133.2 -169.9
123 0 0.946 0.0 0.0 800.0 0.0 -752.0
POCOS----345 -24.2 0.0 0.0 -86.0 0.0 0.0
79 CAMPIN---345 0 -45.6 44.9
88 ESTREI---345 0 -230.9 -149.1
88 ESTREI---345 0 -234.3 -150.2
91 FURNAS---345 0 -144.6 -205.8
91 FURNAS---345 0 -144.6 -205.8
124 0 1.064 0.0 0.0 85.0 0.0 0.0
POCOS----500 -6.9 0.0 0.0 111.0 0.0 0.0
68 ARARAQ---500 0 -218.5 -32.7
87 CPAULI---500 0 133.5 -78.3
EFEI - ANÁLISE DE SISTEMAS DE POTÊNCIA 3-46
APOSTILA PARA DISCIPLINA DE EEL44/E812 - VERSÃO PRELIMINAR EM REVISÃO - CLÁUDIO FERREIRA

Exercício 2.4-29
Seja o Sistema Elétrico de Potência, apresentado na figura abaixo:

Após o processamento de um fluxo de potência a tensão na barra (5) resultou


abaixo do valor mínimo estabelecido pelo critério.
a) Cite e explique três maneiras de ajustar esta tensão baseado nos equipamentos
representados no diagrama unifilar acima.
b) Indique qual das três maneiras que voce citou é a mais eficiente. Explique
por quê.

3.5 - Métodos Iterativos de Solução doFluxo de Potência

Como visto na seção anterior as equações do fluxo de potência são não lineares,
o que exige um processo iterativo para resolve-las. A literatura técnica registra
um sem número de métodos computacionais para o cálculo iterativo das tensões
nodais, a partir das equações já descritas. Apenas alguns poucos, no entanto,
chegaram a ter qualquer uso prático em programas de uso geral.

Qualquer que seja o método escolhido, cinco propriedades principais são


requeridas para sua utilização:

a) Alta velocidade computacional. Isto é especialmente importante quando se


trabalha com grandes sistemas, com aplicações em tempo real (on-line), com
múltiplos casos de fluxo de potência, em análise de contingências, etc;

b) Baixos requisitos de memória computacional. Isto é importante para grandes


sistemas e para uso de pequenos computadores que apresentam uma pequena
capacidade de memória como, por exemplo, nos computadores para aplicações on-
line.
EFEI - ANÁLISE DE SISTEMAS DE POTÊNCIA 3-47
APOSTILA PARA DISCIPLINA DE EEL44/E812 - VERSÃO PRELIMINAR EM REVISÃO - CLÁUDIO FERREIRA

c) Confiabilidade e segurança da solução obtida. O resultado obtido deve


inspirar confiança.

d) Versatilidade. É importante que o método seja versátil para representar e


resolver além dos problemas convencionais, diferentes ajustes nos sistema,
diferentes representações dos componentes e ser susceptível a incorporar
processos mais complicados.

e) Simplicidade. O algoritmo de resolução deve ser de fácil codificação


computacional.

Os métodos para resolução das equações do fluxo de potência podem ser divididos
quanto as equações da rede utilizada e quanto ao tipo de solução iterativa para
a determinação das grandezas da rede. Pode-se citar:

Em geral, pela facilidade de aplicação e construção são utilizadas as


equações nodais (já deduzida no ítem anterior), com a matriz (mais
comum) e a matriz .

Em cada um dos métodos acima existem algumas variantes e opções visando


melhorar a convergência, minimizar o número de cálculos e memória
computacional utilizada.

Inicialmente chegou a ser bastante usado o Método de Gauss-Seidel (versão


melhorada do Método de Gauss) que, na sua versão que trabalha com a matriz
, apresenta as vantagens de ser de implementação computacional muito
fácil e ocupar muito pouca memória de computador. No entanto, este método tem
as desvantagens de gastar muito tempo para chegar à solução e, mais grave,
apresentar baixa confiabilidade de convergência.

Na tentativa de melhorar a confiabilidade, foi desenvolvida uma versão do


método que trabalha com a matriz . Em parte, o objetivo foi conseguido
(maior confiabilidade de convergência), porém as custas de uma maior
dificuldade de implementação e gastos computacionais de tempo e memória bem
maiores.

Com a evolução da tecnologia dos computadores principalmente no que conserne


ao aumento de capacidade de memória, o Método de Newton-Raphson surgiu com
uma boa opção e começou ser bastante investigado. Nos dias de hoje,
praticamente todos os programas de uso geral para a solução de fluxos de
EFEI - ANÁLISE DE SISTEMAS DE POTÊNCIA 3-48
APOSTILA PARA DISCIPLINA DE EEL44/E812 - VERSÃO PRELIMINAR EM REVISÃO - CLÁUDIO FERREIRA

potência utilizam diferentes variações do Método de Newton-Raphson. Esse


método foi desenvolvido em sua formulação clássica no fim da década de
sessenta. Apesar de ser de implementação não muito simples, ele apresenta
gastos computacionais de tempo e memória bastantes razoáveis. Mais
importante, porém, e a sua grande confiabilidade de convergência que veio
permitir o seu uso generalizado, mesmo em sistemas antes considerados
difíceis, embora reconheça-se que em alguns tipos de aplicações o método de
Gauss-Seidel possa ser mais eficiente. Mais modernamente, surgiram
formulações alternativas, baseadas no método de Newton-Raphson que, sem perda
significativa da confiabilidade, proporcionam uma maior eficiência
computacional e são indicadas em situações onde o aspecto de tempo de solução
torna-se predominantemente importante.

O Método da Relaxação pode-se dizer que é uma variante do método de Gauss-


Seidel. Já o Método da Secante deriva-se do método de Newton-Raphson. O
Método Misto apresenta combinações dos métodos anteriores, como por exemplo,
iniciar o processo iterativo com o método de Gauss-Seidel passando
posteriormente para o método de Newton-Raphson.

Deve-se ter em mente que apesar do grande desenvolvimento dos computadores


digitais no que se refere aos aumentos de velocidade de processamento e de
capacidade de memória é ainda de grande importância se ter um método eficiente
para a resolução do problema do fluxo de potências no que tange à redução do
tempo de processamento e da memória requerida.

Esta importância decorre tanto do fato de que cada vez mais os Sistemas de
Potência estão crescendo vertiginosamente, apresentando um grande aumento no
número de barramentos representados e no número de ligações entre estes
barramentos exigindo computadores com maiores capacidades de memória como também
do fato de se ter necessidade do controle mais direto do sistema, necessitando
daí um método mais rápido.

Também a convergência do processo iterativo que existe na solução do fluxo de


potência pode ficar comprometida nas redes modernas pois além de complexas estas
redes às vezes possuem capacitores série (reatâncias negativas), cargas bastante
pesadas, transformadores de três enrolamentos, além de, mais recentemente, também
a representação de elos de corrente contínua, compensadores estáticos variáveis,
cargas variando com a tensão, representação de motores de indução, etc, situações
que normalmente prejudicam a convergência.

Dos métodos acima descritos serão analisados, o de Gauss e Gauss-Seidel devido


a sua significação histórica e à facilidade de programação em computadores e o
de Newton-Raphson bem como uma variante devido à sua presente utilização
universal. Os demais métodos serão feitos uma referência no final do ítem.

Exercício 3.5-1
Qual dos seguintes aspectos computacionais voce considera o mais importante em
um método de solução de fluxo de carga, a economia de memória de computador ou
a confiabilidade de convergência. Por que?

3.5.1 - Método de Gauss

Conforme já comentado o Método de Gauss já caiu em desuso atualmente, mas no


início da utilização dos computadores digitais ele foi muito aplicado, o que
caracteriza seu valor didático.
EFEI - ANÁLISE DE SISTEMAS DE POTÊNCIA 3-49
APOSTILA PARA DISCIPLINA DE EEL44/E812 - VERSÃO PRELIMINAR EM REVISÃO - CLÁUDIO FERREIRA

Seja resolver o sistema de equações:

Inicialmente reescreve-se o sistema de equações acima na forma:

A seguir executa-se o processo iterativo abaixo:

até que a diferença entre duas iterações consecutivas seja menor que uma certa
tolerância , para todas as variáveis, ou seja:

A lenta convergência é uma das desvantagens desse método. Uma outra desvantagem
é que poderá não ocorrer a convergência, dependendo das estimativas iniciais
adotadas.
EFEI - ANÁLISE DE SISTEMAS DE POTÊNCIA 3-50
APOSTILA PARA DISCIPLINA DE EEL44/E812 - VERSÃO PRELIMINAR EM REVISÃO - CLÁUDIO FERREIRA

Para aplicar o método de Gauss as equações do fluxo de potência, tem-se para uma
barra (k) qualquer:

Logo:

A equação acima será processada para todas as barras do sistema, menos a barra
oscilante.

O resultado a ser obtido será a tensão complexa em módulo e ângulo ou em partes


real e imaginária, bastando desmembrar a equação acima em duas equações reais:

Uma economia em tempo de processamento pode ser obtida se for calculado antes de
iniciar as iterações, algumas constantes que não mudam durante os cálculos.

Como para as barras PV a potência reativa injetada é variável a cada iteração,


também será variável a constante correspondente, não tendo conseqüentemente
EFEI - ANÁLISE DE SISTEMAS DE POTÊNCIA 3-51
APOSTILA PARA DISCIPLINA DE EEL44/E812 - VERSÃO PRELIMINAR EM REVISÃO - CLÁUDIO FERREIRA

interesse o seu cálculo e para a barra oscilante não será necessário obter
nenhuma destas constantes.

As constantes e podem ser armazenados em forma de matrizes:

sendo a matriz um vetor coluna constituído por elementos complexos e a


matriz simétrica com a diagonal principal nula e também constituída por
elementos complexos.

Com isso a equação iterativa anterior torna-se:

O processo iterativo deve continuar até que as tensões obtidas se revelem cada
vez mais próximas do valor real, que satisfaz as equações da rede. Como o tempo
de cálculo (computação) varia linearmente com o número de iterações, deve-se ter
um critério para limitar este número. O critério normalmente adotado é de que a
variação de tensão em qualquer barra, entre duas iterações consecutivas, seja
menor que uma dada tolerância (normalmente 0.0001 [pu]):

ou

A tolerância pode também ser especificada em termos das potências ou correntes


das barras em cada iteração. A potência, ou corrente, em cada barra, é calculada
com base na solução das tensões e comparada com a potência especificada da barra.
A diferença (desvio de potência) mede a aproximação das tensões calculadas com
relação a solução real:

Geralmente, é especificado na faixa de 0.01 a 0.0001 [pu].

O inconveniente de se utilizar este tipo de critério de tolerância está no fato


do aumento do tempo computacional, por isso este critério raramente é usado no
método de Gauss. Como o teste de tensão é mais rápido do que o teste da potência,
pode-se usar este teste até que seja menor que uma tolerância e a partir
daí usar o teste da potência. Pelo critério de potência o número de iterações é
EFEI - ANÁLISE DE SISTEMAS DE POTÊNCIA 3-52
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aumentado.

Cabe ressaltar que, se a rede possui impedâncias anormalmente pequenas, as


diferenças de potência e corrente tendem a ser muito elevadas, para uma dada
tolerância de tensão, o que inviabiliza a solução obtida do fluxo de potência.

No caso da existência de barras PV no sistema, em uma iteração (i + 1) qualquer,


antes de calcular a tensão na barra (k), suposta PV, estima-se sua potência
reativa injetada com os valores de tensão da iteração anterior:

com este valor de potência reativa injetada, na equação da tensão pode-se obter:

donde só interessa a fase da tensão :

prosseguindo a iteração (i + 1) até a última barra.

Após a convergência do sistema de equações para todas as barras do sistema, pode-


se calcular a potência injetada pela barra oscilante, a potência reativa gerada
pelas barras PV, o fluxo de potência nos ramos e elementos shunt do sistema, e
também as perdas de potências ativa e reativa em todos elementos, utilizando das
fórmulas já deduzidas anteriormente.

O algoritmo simplificado para a solução do fluxo de potência pelo método de Gauss


é o seguinte:

a) Com os dados de barras e ligações do sistema, montar a matriz ;

b) Assumir condições iniciais (iteração 0) para as tensões das barras.


Normalmente, para as barras tipo PQ adota-se =
(1.00 + j0.00) [pu], ou seja, perfil plano ou "flat-start" e para as barras
PV, = ( + j0.00)[pu];

c) Para todas as barras (menos a barra oscilante), verifica-se se barra é tipo


PQ ou PV:
- se for tipo PQ, calcula-se a tensão da barra, usando os valores de
tensão conhecidos da iteração anterior;
- se for tipo PV, estima-se a potência reativa injetada pela barra e com
este valor e os valores de tensão conhecidos da iteração anterior obtem-
se a nova tensão da barra. Desta tensão utiliza-se somente o ângulo de
fase, já que o módulo é especificado;

d) Após todas as barras (menos a oscilante) terem sido processadas, a iteração


está completada. Testa-se se houve convergência do processo iterativo. Se
houver, o processo está terminado e os últimos valores de tensão obtidos
constituem a solução do problema. Se não houve convergência, o processo
iterativo é reiniciado no passo anterior.
EFEI - ANÁLISE DE SISTEMAS DE POTÊNCIA 3-53
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Como no método de Gauss, somente no final da iteração é que todos os valores das
tensões são atualizados, esta técnica recebe o nome de substituição simultânea.

As técnicas usadas para melhorar a eficiência do método de Gauss, bem como as


principais vantagens e desvantagens deste método serão analisadas em conjunto com
o método de Gauss-Seidel.

Exercício 3.5.1-1
Obter o fluxo de potência para o sistema abaixo usando o método de Gauss. Adote
uma precisão de 0.0001 [pu].

Os dados para o sistema acima são:

- Linhas de Transmissão:

De - Para

Alfa - Beta 0.055 0.450 8.800 100

Beta - Teta 0.055 0.450 8.800 140

Alfa - Gama (1) 0.060 0.300 7.600 210

Alfa - Gama (2) 0.060 0.300 7.600 210

Gama - Teta 0.060 0.300 7.600 190

- Transformadores:

De - Para Tensão S Num.


[kV/kV] [MVA] Unid.

Alfa Ger - Alfa 16/230 110 13.2 2

Teta Ger - Teta 13.8/230 80 9.6 2

Adotando numeração para os barramentos do sistema apresentado acima e adotando


como potência de base 100 [MVA], pode-se montar o seguinte diagrama unifilar em
pu:
EFEI - ANÁLISE DE SISTEMAS DE POTÊNCIA 3-54
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Com os dados acima pode-se montar a matriz :

Admitindo a barra (1) como barra oscilante, não será necessário realizar nenhuma
iteração para esta barra.

Adotando como condição inicial para as tensões das barras os seguintes valores:
EFEI - ANÁLISE DE SISTEMAS DE POTÊNCIA 3-55
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Para a 1ª iteração, tem-se:

- barra (2) - PV:


Estima-se o valor da potência reativa gerada com os dados de tensão disponíveis
(da iteração anterior):

Obtem-se em seguida a nova tensão da barra (como o módulo esta fixado, só


interessa o ângulo):

- barra (3) - PQ:

- barra (4) - PQ:


EFEI - ANÁLISE DE SISTEMAS DE POTÊNCIA 3-56
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- barra (5) - PQ:

- barra (6) - PQ:

Com todas as tensões obtidas está completada a 1ª iteração, podendo em seguida


verificar o maior erro de tensão, comparando os valores do módulo e ângulo ao
final da 1ª iteração com os respectivos valores da iteração anterior (no caso
valores iniciais).

O maior erro de tensão encontrado nesta iteração foi na barra (3):

Como o maior erro encontrado é maior que o erro máximo admissível o processo
iterativo deve continuar.

Se for utilizado o desvio de potência como critério de convergência, o tempo


computacional para realizar cada iteração aumentará significativamente (neste
exemplo foi da ordem de 95%), pois será necessário calcular a potência em cada
uma das barras. Nesta iteração o maior desvio de potência ocorreu na barra (4),
e vale:
EFEI - ANÁLISE DE SISTEMAS DE POTÊNCIA 3-57
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Após 86 iterações obtem-se convergência dentro da precisão adotada em termos de


tensão (0.0001 [pu]).

As tabelas a seguir ilustram os valores de tensão obtidos e os erro máximos de


tensão e potência nas 4 primeiras e nas 4 últimas iterações:

Iteração 1 2 3 4

Barra (2)

Barra (3)

Barra (4)

Barra (5)

Barra (6)

Valor 0.085097 0.047458 0.030247 0.017747

Barra (3) (4) (3) (4)

Valor 2.231822 0.766630 0.838507 0.406800

Barra (4) (3) (4) (3)

Iteração 83 84 85 86

Barra (2)

Barra (3)

Barra (4)

Barra (5)

Barra (6)

Valor 0.000119 0.000108 0.000106 0.000096

Barra (2) (6) (2) (6)

Valor 0.003749 0.002038 0.003340 0.002581

Barra (4) (4) (6) (6)


EFEI - ANÁLISE DE SISTEMAS DE POTÊNCIA 3-58
APOSTILA PARA DISCIPLINA DE EEL44/E812 - VERSÃO PRELIMINAR EM REVISÃO - CLÁUDIO FERREIRA

Após obtida a convergência, os resultados encontrados são:

Em termos do critério utilizando os erros de tensão, diminuindo a precisão para


0.001 [pu] obtem-se a convergência com 48 iterações e aumentando para
0.00001 [pu] a convergência é obtida com 168 iterações.

Da tabela acima nota-se quando da convergência (86ª iteração) que o desvio de


potência ativa é de 0.002581 [pu], o que pode acarretar a obtenção de uma solução
com baixa precisão, o que pode sugerir a utilização do critério de desvio de
potência.

Se fosse utilizado o critério de desvio de potência seriam necessários 104


iterações para obter um erro menor que 0.001 [pu] (0.000996 - barra (6)) ou 147
iterações para que o erro seja menor que 0.00001 [pu] (0.000010 - barra (6)).
Como esperado o número de iterações realmente é aumentado ao se utilizar este
critério. Neste caso o tempo total de processamento é aumentado
significativamente devido o aumento do tempo para realização de cada iteração e
ao aumento do número de iterações.

A figura apresentada a seguir mostra o gráfico do módulo da tensão da barra (3)


em função do ciclo de iteração i a fim de ilustrar como o processo iterativo
conduz à convergência.

Pode-se notar que o módulo da tensão oscila nas primeiras iterações caminhando
logo após para o valor final. Esta é uma das características do método de Gauss.

Após obtida a convergência, está terminado o processo iterativo, que corresponde


a 1ª etapa de resolução do fluxo de potência.
EFEI - ANÁLISE DE SISTEMAS DE POTÊNCIA 3-59
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Com os valores de tensão encontrados (módulo e ângulo) a determinação das demais


grandezas pode ser feita através de cálculos diretos, utilizando de fórmulas já
deduzidas no ítem anterior. Estes cálculos correspondem a 2ª etapa de resolução
do fluxo de potência. Tem-se:

a) Potência injetada pela barra oscilante (1):

Pode-se notar que a barra oscilante está fornecendo potência reativa ao


sistema.

b) Potência reativa injetada pela barra (2) - PV:

o que significa que o gerador da barra (2) também está fornecendo potência
reativa ao sistema.

c) Fluxo nas ligações do sistema:


EFEI - ANÁLISE DE SISTEMAS DE POTÊNCIA 3-60
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d) Perda de potência nos ramos do sistema:

e) A perda ativa total será dado pela soma de todas as perdas nos ramos do
sistema:

valor este que praticamente coincide com a soma das potências injetadas pelas
barras:

a menos de um pequeno erro (0.002 [pu] = 0.2 [MW]), perfeitamente aceitável.

3.5.2 - Método de Gauss-Seidel

O Método de Gauss-Seidel é um aperfeiçoamento do método de Gauss e possibilita


uma maior velocidade de convergência. A única diferença em relação ao método de
Gauss consiste em usar a iteração seguinte, assim que ela for obtida, ou seja,
ao se calcular um qualquer, são utilizados os valores de
já obtidos para esta iteração i.

Seja resolver o sistema de equações abaixo, já colocado na forma adequada:

Iterativamente, tem-se:
EFEI - ANÁLISE DE SISTEMAS DE POTÊNCIA 3-61
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A aplicação do método de Gauss-Seidel as equações do fluxo de carga, resulta para


uma barra (k) qualquer:

Todas as demais considerações já feitas no método de Gauss continuam válidas no


método de Gauss-Seidel.

No caso da existência de barras PV, em uma iteração (i + 1) qualquer, antes de


calcular a tensão na barra (k), suposta PV, estima-se sua potência reativa
injetada com os valores de tensão disponíveis:

com este valor de potência reativa injetada, na equação da tensão pode-se obter:

donde só interessa a fase da tensão :

prosseguindo na iteração (i + 1) até a ultima barra.

Após a convergência do sistema de equações para todas as barras do sistema, pode-


se calcular a potência injetada pela barra oscilante, o fluxo de potência nas
linhas, transformadores e elementos shunt e também as perdas de potências ativa
e reativa em todos os ramos do sistema, utilizando das fórmulas já deduzidas.

Um algoritmo para a solução de fluxo de potência pelo método de Gauss-Seidel


praticamente é idêntico ao utilizado para o método de Gauss, só observando que
apenas os valores ainda não calculados na presente iteração são os da iteração
anterior.
EFEI - ANÁLISE DE SISTEMAS DE POTÊNCIA 3-62
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No método de Gauss-Seidel assim que um valor de tensão é calculado ele substitui


o valor da iteração anterior, por isso esta técnica é denominada de substituição
sucessiva.

Exercício 3.5.2-1
Resolver o Sistema de Potência do exercício 3.5.1-1, pelo método de Gauss-Seidel.

Utilizando de todos os valores da rede já obtidos no exercício 3.5.1-1, pode-se


entrar no processo iterativo.

Admitindo a barra (1) como barra oscilante, não será necessário realizar nenhuma
iteração para esta barra.

Adotando como condição inicial para as tensões das barras os seguintes valores:

Para a 1ª iteração, tem-se:

- barra (2) - PV:


Estima-se o valor da potência reativa gerada com os dados de tensão
disponíveis:

Obtem-se em seguida a nova tensão da barra (como o módulo esta fixado, só


interessa o ângulo):
EFEI - ANÁLISE DE SISTEMAS DE POTÊNCIA 3-63
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- barra (3) - PQ:

- barra (4) - PQ:

A diferença entre o método de Gauss-Seidel e de Gauss começa a ser notada nesta


barra.

- barra (5) - PQ:

- barra (6) - PQ:


EFEI - ANÁLISE DE SISTEMAS DE POTÊNCIA 3-64
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Com todas as tensões obtidas está completada a 1ª iteração.

Pode-se notar que a ordem na qual forem ordenadas as barras (e com isso as
equações para obtenção de suas tensões) influenciará os valores de tensão obtidas
em cada iteração. Tal fato não ocorre quando se utiliza o método de Gauss.

É obtida convergência para a tolerância de 0.0001 [pu] após 34 iterações,


portanto bem mais rápido que o método de Gauss. O desvio de potência é de
0.001355 [pu] (0.1 [MW]) ao final das 34 iterações. Para um desvio de potência
de 0.0001 [pu] são necessários 50 iterações.

As tabelas a seguir ilustram as 4 primeiras e as 4 últimas iterações, bem como


os maiores erros de tensão e potência encontrados:

Iteração 1 2 3 4

Barra (2)

Barra (3)

Barra (4)

Barra (5)

Barra (6)

Valor 0.085097 0.028537 0.020845 0.012739

Barra (3) (4) (3) (2)

Valor 0.974082 0.480643 0.256113 0.204858

Barra (4) (3) (3) (2)

Iteração 31 32 33 34

Barra (2)

Barra (3)

Barra (4)

Barra (5)

Barra (6)

Valor 0.000147 0.000124 0.000105 0.000089

Barra (2) (2) (2) (2)

Valor 0.002221 0.001883 0.001598 0.001355

Barra (2) (2) (2) (2)

É apresentado na figura abaixo o gráfico do módulo da tensão da barra (3) em


função do número da iteração.
EFEI - ANÁLISE DE SISTEMAS DE POTÊNCIA 3-65
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O resultado final para as tensões é o seguinte:

Com os valores de tensão obtidos pode-se calcular a potência injetada pela barra
oscilante, a potência reativa injetada pela barra (2), o fluxo de potência nos
ramos do sistema e as perdas de potência em todos os elementos do sistema.

O método de Gauss-Seidel além de ser mais rápido para convergir do que o método
de Gauss ainda economiza memória computacional pois o vetor das tensões da
iteração anterior não necessita ser armazenado visto que a tensão é
atualizada a medida que é calculada.

Apesar de ser mais rápido do que o método de Gauss, o método de Gauss-Seidel


também normalmente apresenta uma convergência lenta, e tende suavemente para a
solução, após algumas oscilações nas primeiras iterações (o que se pode notar dos
resultados dos exercícios 3.5.1-5 e 3.5.2-1). Para acelerar a velocidade de
convergência, aplica-se um fator de aceleração ao processo. Existem vários
métodos para acelerar o processo, mas o mais simples e mais utilizado é o da
extrapolação linear. A aceleração por extrapolação linear consiste em multiplicar
a variação de tensão entre duas iterações consecutivas por um fator constante
maior que a unidade, e considerar a nova tensão como sendo o resultado da adição
da tensão anterior com esta variação de tensão, ou seja:

ou
EFEI - ANÁLISE DE SISTEMAS DE POTÊNCIA 3-66
APOSTILA PARA DISCIPLINA DE EEL44/E812 - VERSÃO PRELIMINAR EM REVISÃO - CLÁUDIO FERREIRA

e os valores acelerados se utilizam no restante da iteração i.

O efeito real do fator de aceleração é mostrado graficamente nas figuras


abaixo, onde a utilização de um fator muito elevado pode levar o caso a
divergência.

O valor específico que se deve escolher para deve ser determinado em cada caso.
Para a solução das equações de fluxo de carga um valor entre 1.4 e 1.8 mostrou
ser o que oferece melhores características de convergência (um valor típico é 1.6
para o módulo e ângulo da tensão e de 1.6 para a parte real e 1.7 para a parte
imaginária da tensão).

A aplicação do fator de aceleração no exercício 3.5.2-1, resultou em:

1.0 1.2 1.4 1.6 1.8

Iterações 34 23 14 18 46

Para fatores de aceleração superiores a 1.8 não foram obtidas convergência:

2.0 2.1 2.2

Iterações não converge diverge diverge

O gráfico a seguir ilustra a atuação dos fatores de aceleração utilizados no


exercício em questão.
EFEI - ANÁLISE DE SISTEMAS DE POTÊNCIA 3-67
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Após a análise dos métodos de Gauss e de Gauss-Seidel na solução das equações do


fluxo de carga em Sistemas de Potência é conveniente relacionar as principais
vantagens e desvantagens da utilização destes métodos. Muitas destas
características são função da própria natureza dos métodos, enquanto outras
surgiram da análise de sua eficiência não solução dos casos, não havendo
portanto, comprovação teórica de sua veracidade. As vantagens e desvantagens
listadas a seguir foram observadas e relatadas em vários trabalhos publicados a
respeito do assunto.

As principais vantagens dos métodos de Gauss e de Gauss-Seidel na resolução das


equações de fluxo de carga são:

- devido a simplicidade dos algoritmos utilizados nestes métodos existe uma


facilidade na elaboração de programas computacionais;

- devido a alta esparsidade da matriz , são necessários pequenos


requisitos de memória em computadores, se utilizados das técnicas de
armazenamento compacto;

- barras tipo PV não trazem problemas de convergência do caso de fluxo de


carga;

- casos não convergentes divergem lentamente permitindo determinar a área com


problemas;

- a escolha das condições iniciais para o caso do fluxo de carga não afetam
significativamente a convergência do mesmo, embora influam no número de
iterações necessárias para a sua convergência;

- tolerância a erros nos dados do sistema, visto que, neste caso, a falha da
convergência ocorrerá apenas em algumas áreas da rede, facilitando sua
identificação.

As principais desvantagens dos métodos de Gauss e de Gauss-Seidel na resolução


das equações de fluxo de carga são:

- dificuldade de convergência para sistemas grandes. O efeito de ajuste da


tensão de uma barra durante uma iteração, reflete-se apenas nas barras
vizinhas a ela, de forma que são necessárias várias iterações para que este
ajuste se propague por todo o sistema;
EFEI - ANÁLISE DE SISTEMAS DE POTÊNCIA 3-68
APOSTILA PARA DISCIPLINA DE EEL44/E812 - VERSÃO PRELIMINAR EM REVISÃO - CLÁUDIO FERREIRA

- tempo computacional para obter uma solução varia quadraticamente com o número
de barras, já que o tempo por iteração e o número de iterações são
aproximadamente iguais ao número de barras, em um sistema grande e bem
condicionado;

- fatores de aceleração ótimos para a solução do fluxo de potência são difíceis


de calcular, devendo ser determinados empiricamente. O fator de aceleração
a ser escolhido depende das características da rede, mas varia normalmente
entre 1.4 e 1.8.

- o critério de convergência usual, comparando as variações das tensões das


barras entre duas iterações consecutivas, pode acarretar a obtenção de uma
solução com baixa precisão. O aumento exagerado da tolerância, a fim de
diminuir o erro, acarreta um aumento no número de iterações e
conseqüentemente no tempo de computação necessário;

- convergência lenta ou impossível nos casos onde existem barras nas quais
chegam linhas com admitância de ordens de grandeza muito diferentes. Nas
referências são citadas que devem ser evitadas relações superiores a 100
entre a maior e menor admitância do sistema, além de indicar impossibilidade
de convergência dos casos onde esta razão ultrapassa a 1000;

- incapacidade de resolver sistemas onde existem reatâncias negativas devido


à transformadores de 3 enrolamentos ou capacitores série. Esta situação está
ligado à importância da dominância dos termos da diagonal principal da matriz
;

- dificuldade em convergir sistemas onde existam defasagens angulares


superiores a 70o. Para minimizar o problema pode-se adotar para as condições
inicias tensões com ângulos próximos daqueles esperados a serem obtidos no
sistema;

- dificuldade de convergência de sistemas onde existem radiais longos;

- a convergência de um caso pode ser sensível a escolha da barra oscilante, do


fator de aceleração e também da ordenação dos nós.

3.5.3 - Método de Newton-Raphson

O método de Newton-Raphson ou simplesmente método de Newton é um método numérico


para a determinação de raízes reais de equações não lineares mais sofisticado.
Não só, na maioria dos casos, ele não oferece riscos de divergência, como também,
como regra geral, a convergência por ele proporcionada é muito mais rápida do que
nos métodos visto anteriormente. O método de Newton é um método de interpolação
e a idéia da resolução de equações não lineares por este método veio de I.Newton,
sendo posteriormente alterada por J.Raphson.

Será feito inicialmente uma análise geral do método, inclusive com um exemplo e
em seguida aplicado ao problema do fluxo de potência.
EFEI - ANÁLISE DE SISTEMAS DE POTÊNCIA 3-69
APOSTILA PARA DISCIPLINA DE EEL44/E812 - VERSÃO PRELIMINAR EM REVISÃO - CLÁUDIO FERREIRA

Seja resolver o sistema de equações abaixo:

Seja um vetor das variáveis que constituem uma


aproximação a uma das raízes do sistema acima. Assumindo que
sejam as correções necessárias para que
, correspondam a solução deste sistema, tem-se que:

Antes de prosseguir, cabe relembrar o teorema de Taylor para uma função de duas
ou mais variáveis.

O teorema de Taylor para uma função de duas ou mais variáveis em torno de um


ponto ,diz que:

onde a função f deve ter derivadas parciais contínuas até ordem (m + 1) inclusive
e que todas as derivadas de f que aparecem são calculadas no ponto
. Rm é o erro que depende da mais alta derivada
EFEI - ANÁLISE DE SISTEMAS DE POTÊNCIA 3-70
APOSTILA PARA DISCIPLINA DE EEL44/E812 - VERSÃO PRELIMINAR EM REVISÃO - CLÁUDIO FERREIRA

considerada:

Dependendo da aproximação desejada para a função f é que se escolhe o valor de


m a partir do qual as derivadas de ordem superior a m da função serão
desprezadas.

Expandindo a série de equações anteriores pela fórmula de Taylor e se os valores


de estão perto da solução, tem-se que
são relativamente pequenos e todos os termos de
potência acima de 2 podem ser desprezados. A série de equações resulta em:

onde as derivadas parciais são calculadas no ponto .

O processo acima "linearizou" o sistema de equações que originalmente era não


linear. A interpretação geométrica deste processo para somente uma equação é
EFEI - ANÁLISE DE SISTEMAS DE POTÊNCIA 3-71
APOSTILA PARA DISCIPLINA DE EEL44/E812 - VERSÃO PRELIMINAR EM REVISÃO - CLÁUDIO FERREIRA

equivalente a substituir um pequeno arco da curva f(x1) = 0 por uma reta


tangente, traçada a partir do ponto . Para o sistema de equações consiste em
traçar um "plano tangente" à superfície .

Colocando as equações acima em uma forma matricial, pode-se escrever:

ou seja

onde:

- vetor que contem os valores numéricos das equações f(x);

- matriz quadrada de ordem n que contem valores numéricos das derivadas


parciais de primeira ordem de todas as equações f(x), com relação a
todas as incógnitas x, calculadas na iteração i. Esta matriz é
denominada matriz jacobiana das funções f(x), e seus elementos são
definidos por:

- vetor das variações de todas incógnitas x na iteração i.

Logo:

onde os elementos das matrizes e são obtidos pela substituição dos


EFEI - ANÁLISE DE SISTEMAS DE POTÊNCIA 3-72
APOSTILA PARA DISCIPLINA DE EEL44/E812 - VERSÃO PRELIMINAR EM REVISÃO - CLÁUDIO FERREIRA

valores atuais (iteração i) das incógnitas x.

A solução para cada pode ser obtida pela aplicação de qualquer método para
solução de sistemas de equações lineares (Gauss, Gauss-Jordan, inversão de
matrizes, triangularização e substituição de trás para frente, etc).

Os novos valores das variáveis x são então calculadas.

O processo é repetido até que entre duas iterações sucessivas a diferença para
as funções f sejam menores que uma tolerância especificada. A este tipo de
convergência diz-se absoluta. Pode-se adotar uma convergência que verifique a
variação dos valores de xk, ou seja, os valores de . Neste caso os valores
das funções f dependerão dos parâmetros das funções f1, f2, ... , fk.

Pode-se notar que o número de iterações até a convergência, como também a


possibilidade de ocorrer a convergência dependerá dos valor inicial adotado. As
figuras abaixo ilustram esta situação:

Observa-se destas figuras que o método de Newton-Raphson não é muito indicado


para resolver equações cuja curva, próxima do ponto de interseção com os eixos
das variáveis, é quase horizontal, pois neste caso a derivada da função poderá
dar um número muito grande levando a erros. Normalmente, o método de Newton-
Raphson funciona bem com funções contínuas convexas. Também, se a obtenção da
derivada das funções f for muito complicada ou sujeita a erros, é desaconselhável
a utilização deste método (pode usar, por exemplo, o método da secante, próximo
ao de Newton). Finalmente, existem situações no qual o método de Newton-Raphson
não traz bons resultados, como mostram as figuras abaixo:

No método de Newton-Raphson também pode-se usar fatores de aceleração, ou seja:


EFEI - ANÁLISE DE SISTEMAS DE POTÊNCIA 3-73
APOSTILA PARA DISCIPLINA DE EEL44/E812 - VERSÃO PRELIMINAR EM REVISÃO - CLÁUDIO FERREIRA

sendo o fator de aceleração, que inclusive pode ser variável para cada equação
k.

Como afirmado a matriz deve ser atualizada a cada iteração. Uma variante do
método de Newton é obtida considerando-se a matriz constante durante algumas
iterações. Nesta variante, o número de iterações para uma dada tolerância de
convergência, em geral, é maior que no método original, mas cada uma das
iterações se torna mais rápida pois a matriz jacobiana não precisa ser
recalculado a cada passo. As figuras abaixo ilustram estas situações para uma
função x qualquer.

Um outra variante do método de Newton, consiste em considerar em cada equação


somente uma variável, mantendo as demais fixas, ou seja, cada equação é função
de cada uma das variáveis. Com isto é eliminado a matriz jacobiana, e a equação
genérica para uma função fk qualquer fica:

Exercício 3.5.3-1
Resolver o sistema de equações abaixo pelo método de Newton-Raphson:

usando as estimativas iniciais:


EFEI - ANÁLISE DE SISTEMAS DE POTÊNCIA 3-74
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Tem-se que:

Derivando as equações acima com relação a cada variável, obtem-se:

A expressão geral para a matriz jacobiana resulta:

Pode-se notar que a matriz jacobiana não é simétrica.

Substituindo-se as estimativas iniciais obtem-se:

Para a estimativa inicial obtem-se a seguinte matriz jacobiana:

Invertendo a matriz:

Logo:

O novo vetor das variáveis será:


EFEI - ANÁLISE DE SISTEMAS DE POTÊNCIA 3-75
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O processo é repetido até que entre duas iterações sucessivas o vetor


resulte menor que a tolerância especificada. No exercício com 5 iterações obtem-
se a resposta.

Iteração x y z

1 0.9000 0.8400 0.3000

2 0.5687 0.8878 0.4657

3 0.5027 0.8996 0.4987

4 0.5000 0.9000 0.5000

5 0.5000 0.9000 0.5000

Pode-se notar que na primeira iteração os valores obtidos ainda não estão
próximos das raízes, mas quando se aproxima dos valores corretos o método de
Newton-Raphson possibilita uma convergência rápida. Esta é a grande vantagem
deste método, que como pode ser provado matematicamente, possui convergência
quadrática, o que significa que quanto mais se aproxima da solução, mais rápido
o método tende a convergir para ela. Por isso o método de Newton-Raphson é
bastante influenciado pela escolha da estimativa inicial, que dependendo do valor
pode até divergir da solução. A tabela abaixo ilustra algumas situações:

Iteração x y z x y z

0 0.0100 0.0100 0.0100 3.0000 2.0000 3.0000

1 0.1672 52.8781 0.6664 1.4737 1.4657 0.0131

2 0.0935 26.2708 0.7033 0.8907 0.8797 0.3047

3 0.0655 12.9869 0.7173 0.5744 0.8819 0.4628

. . . . . . .
. . . . . . .

6 0.2192 1.6651 0.6402 0.5000 0.9000 0.5000

. . . .
. . . .

10 0.5000 0.9000 0.5000

A figura abaixo ilustra graficamente f(x). Note que o problema tem várias
soluções, que como já comentado, a solução fornecida pelo método de Newton
depende basicamente da estimativa inicial escolhida. Deve-se lembrar que
alguma(s) da(s) solução(ões) pode(m) não corresponder a solução desejada ou
verdadeira.
EFEI - ANÁLISE DE SISTEMAS DE POTÊNCIA 3-76
APOSTILA PARA DISCIPLINA DE EEL44/E812 - VERSÃO PRELIMINAR EM REVISÃO - CLÁUDIO FERREIRA

Outros dois valores de x que são solução podem ser obtidos com as estimativas
indicadas na tabela a seguir.

Iteração x y z x y z

0 -1.0000 0.0000 1.0000 5.0000 0.0000 5.0000

1 -2.1400 3.9000 1.8200 2.7871 -0.2054 -.6435

. . . . . . .
. . . . . . .

7 -1.0769 1.1591 1.2885 1.4202 -0.6033 0.0399

A grande desvantagem desse método é a necessidade de determinar e inverter a


matriz jacobiana a cada iteração. No exemplo acima mantendo a matriz constante
durante cada 2 iterações as raízes são obtidas após 13 iterações. Mantendo
durante 10 iterações são necessárias 28 iterações.

2 iterações 10 iterações

Iteração x y z x y z

0 0.0000 1.0000 0.7500 0.0000 1.0000 0.7500

1 0.9000 0.8400 0.3000 0.9000 0.8400 0.3000

2 -0.4320 1.0467 0.9660 -0.4320 1.0467 0.9660

3 -2.4784 1.3934 1.9892 0.5671 -0.8961 0.4665

. . . . . . .
. . . . . . .

13 0.5000 0.9000 0.5000 0.6775 0.8705 0.4112

. . . .
. . . .

28 0.5000 0.9000 0.5000


EFEI - ANÁLISE DE SISTEMAS DE POTÊNCIA 3-77
APOSTILA PARA DISCIPLINA DE EEL44/E812 - VERSÃO PRELIMINAR EM REVISÃO - CLÁUDIO FERREIRA

O método de solução de fluxos de potência com a utilização do método de Newton-


Raphson foi descrito pela primeira vez em 1959, em um artigo de J.E.Van Ness
publicado no AIEE. Embora o método se revelasse promissor, já que conseguia
resolver problemas impossíveis de serem resolvidos pelo método de Gauss-Seidel,
com um pequeno número de iterações, a solução era lenta e exigia uma grande
memória para o armazenamento da matriz jacobiana e solução do sistema de equações
lineares. Até 1967, o método ficou em dúvida se era vantajoso com relação ao
método de Gauss-Seidel. A partir deste ano, após a publicação de uma série de
artigos da BPA (Boneville Power Administration) relatando os progressos feitos
na aplicação do método de Newton-Raphson ele tomou o devido impulso e hoje se
constitui praticamente a base de todos os programas de fluxo de potência.

A aplicação do método de Newton-Raphson a solução de fluxos de carga consiste em


definir um sistema de equações a ser resolvido, que é definido a partir das
potências injetadas nos nós do sistema.

A equação que expressa o equilíbrio de potências em uma barra (k) qualquer da


rede, é dada por:

Para todas as barras do sistema, tem-se:


EFEI - ANÁLISE DE SISTEMAS DE POTÊNCIA 3-78
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ou seja:

ou ainda:

Aplicando o método de Newton-Raphson, obtem-se:

onde:

- vetor das variações das tensões na iteração i;

- jacobiano do sistema;

- vetor constituído por termos do tipo:

sendo:
- potência ativa injetada na barra (k), obtida com valores
de tensão disponíveis da iteração anterior;
- potência reativa injetada na barra (k), obtida com valores
de tensão disponíveis da iteração anterior.

Daí:

O sistema acima é constituído de equações complexas, que devem ser desmembradas


em equações reais, para que seja possível sua resolução. Este desmembramento pode
ser feito em coordenadas polares ou cartesianas.

O desmembramento em coordenadas polares dá origem aos métodos desacoplados, e


EFEI - ANÁLISE DE SISTEMAS DE POTÊNCIA 3-79
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apresenta a vantagem de trabalhar com módulo e ângulo das tensões, que são
variáveis que possuem significado físico nos sistemas de potência. Já o
desmembramento em coordenadas cartesianas, de acordo com a literatura a respeito,
tem se mostrado mais eficiente ao se aplicar o método de Newton-Raphson. Também,
como se verá adiante, o desmembramento das equações em coordenadas polares
possibilita a eliminação das equações dos módulos das tensões das barras tipo PV.
No desmembramento por coordenadas cartesianas perde-se a vantagem desta
simplificação.

O critério normal para convergência no fluxo de potência é que os erros de


potência e/ou (dependendo do tipo da barra (k)) sejam menores que um
erro (ou tolerância) máximo especificado, ou seja:

onde e são valores empíricos, e normalmente . Os valores do erro


máximo usados na prática variam de sistema para sistema e de problema para
problema. Em grandes sistemas, um erro de 1 [MW]/[MVAr] oferece precisão
suficiente para a maioria dos estudos práticos (neste caso em pu, basta fornecer
como tolerância o inverso da potência de base do sistema em estudo). Precisão
mais elevada, da ordem de 0.1 [MW]/[MVAr] são necessários para estudos especiais,
como por exemplo, em estudos de estabilidade. Em pequenos sistemas, o valor do
erro pode ser reduzido. Face a estas incertezas, há uma tendência de se usar
pequenos valores de tolerância, menores que os realmente necessários.

O critério acima é o mais comumente usado. Uma variante utilizada para se testar
a convergência é a seguinte:

Os programas para cálculo de fluxo de potência também podem incluir outros tipos
de testes para verificar se o método de solução está conduzindo o sistema para
a divergência ou para alguma solução estranha. Um teste razoável é checar após
cada iteração se o valor das tensões nos barramentos estão dentro de uma faixa
arbitrária (por exemplo, 0.8 a 1.2 [pu]), cancelando o processamento em caso
contrário. Com isto pode evitar gastos desnecessários em tempo de computação e
também problemas de overflow ou underflow nas operações matemáticas.

a - Método de Newton-Raphson em coordenadas polares

Expressando as tensões das barras em forma polar e as admitâncias do sistema em


forma cartesiana, as expressões de equilíbrio de potência tornam-se:
EFEI - ANÁLISE DE SISTEMAS DE POTÊNCIA 3-80
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Separando as partes real e imaginária das equações acima, tem-se:

onde para uma barra qualquer:

Rearranjando e agrupando adequadamente as equações acima, obtem-se:


EFEI - ANÁLISE DE SISTEMAS DE POTÊNCIA 3-81
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EFEI - ANÁLISE DE SISTEMAS DE POTÊNCIA 3-82
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ou

Aplicando o método de Newton-Raphson a este conjunto de equações, tem-se:


EFEI - ANÁLISE DE SISTEMAS DE POTÊNCIA 3-83
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ou seja:

Dai:

A matriz jacobiana, neste caso, constará de 4 submatrizes, da forma:

sendo os elementos que formam cada submatriz:

- submatriz [H]

- submatriz [N’]

- submatriz [M]

- submatriz [L’]

Os indices r e s adotados acima referem-se aos nós do sistema e não propriamente


aos eixos da matriz jacobiana.

Com a finalidade de tornar iguais numericamente os termos e , e simétricos


os termos e da matriz jacobiana, redefine-se o vetor das variações das
incógnitas V e , como:

com isso as submatrizes N’ e L’ passam a ser denominadas N e L e seus elementos


redefinidos como:
EFEI - ANÁLISE DE SISTEMAS DE POTÊNCIA 3-84
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- submatriz [N]

- submatriz [L]

Logo:

As equações de definição dos elementos das submatrizes [H], [N], [M] e [L], são
os seguintes:

- submatriz [H]:

. elementos de fora da diagonal (r ≠ s):

. elementos da diagonal (r = s):

- submatriz [N]:
EFEI - ANÁLISE DE SISTEMAS DE POTÊNCIA 3-85
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. elementos de fora da diagonal (r ≠ s):

. elementos da diagonal (r = s):

- submatriz [M]:

. elementos de fora da diagonal (r ≠ s):

. elementos da diagonal (r = s):

- submatriz [L]:

. elementos de fora da diagonal (r ≠ s):


EFEI - ANÁLISE DE SISTEMAS DE POTÊNCIA 3-86
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. elementos da diagonal (r = s):

Os valores e correspondem aos erros (desvios ou "mismatches") de


potência ativa e reativa na barra (r), e são obtidos com as fórmulas já
descritas. Cabe lembrar que não se pode obter o "mismatch" de potência reativa
nas barras PV.

Das expressões apresentadas pode-se notar que as submatrizes [H], [N], [M] e [L]
apresentam simetria em relação à diagonal principal e que sempre que as barras
(r) e (s) não estiverem diretamente conectadas, os termos , , e
(e seus simétricos) serão nulos. Estas particularidades e mais as já relatadas
nas equações apresentadas permitem economia no tempo computacional na montagem
da matriz jacobiana, além do fato da matriz jacobiana ser uma matriz esparsa e
com estrutura de esparsidade semelhante à estrutura de esparsidade da matriz .

Para se levar em conta os tipos de barras na utilização do método de Newton-


Raphson tem-se que:

- barra tipo PQ:


Para uma barra (k) qualquer, tipo PQ, como Vk e são desconhecidos, são
necessários duas equações fk e gk.

- barra tipo PV:


Para uma barra (k) qualquer, tipo PV, como Vk é conhecido e é desconhecido,
só é necessário uma equação fk (a equação correspondente a pode ser
desprezada).

Para as barras tipo PV, como o módulo da tensão não varia, todas as derivadas
parciais com relação a esta tensão serão nulas:

sendo por isto a tensão Vk eliminada do vetor coluna das incógnitas.

- barra tipo :
Para a barra oscilante, como V e são conhecidos, não é necessário nenhuma
equação para esta barra.

Portanto, se um sistema qualquer, conexo, apresenta n barras, sendo uma


oscilante, do tipo PV e do tipo PQ, tem-se:
EFEI - ANÁLISE DE SISTEMAS DE POTÊNCIA 3-87
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- número total de equações:

- número total de incógnitas:

- dimensão da matriz jacobiana:

- dimensão da submatriz [H]:

- dimensão da submatriz [N]:

- dimensão da submatriz [M]:

- dimensão da submatriz [L]:

Um algoritmo simplificado para a resolução das equações de fluxo de carga em


coordenadas polares pelo método de Newton-Raphson é o seguinte:

- estima-se valores iniciais para os módulo das tensões e ângulos das barras
dos sistema. Normalmente adota-se (perfil chamado plano ou
"flat-start") para todas as barras PQ e a tensão especificada com ângulo zero
para as barras PV e oscilante (fixada). Inicia-se o processo iterativo com
i = 0;

- calcula-se os valores dos elementos dos vetores e , comparando-


os os valores máximos de e com as tolerâncias especificadas. Se
forem menores o processo iterativo está terminado e o fluxo de potência
estará convergido;

- forma-se a matriz jacobiana , utilizando-se os valores de módulos e


ângulos das tensões disponíveis no momento;

- obtem-se os vetores e , através da resolução de sistema de


equações lineares;

- obtem-se os novos valores de módulos e ângulos das tensões, e


, que serão utilizados na próxima iteração;

- faz-se i = i + 1 e retorna ao segundo passo;

- após a convergência do fluxo de potência, calcula-se a potência da barra


oscilante e das barras PV, e o fluxo e as perdas de potência nos ramos do
sistema.
EFEI - ANÁLISE DE SISTEMAS DE POTÊNCIA 3-88
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Exercício 3.5.3-2
Obter o fluxo de potência para o Sistema de Potência do exercício 3.5.1-1, pelo
método de Newton-Raphson. Use uma tolerância de 0.1 [MW]/[MVAr].

A tolerância especificada corresponde a:

Com a matriz já montada no exercício 3.5.1-1 e adotando como condição


inicial para as tensões das barras os seguintes valores:

pode-se obter os valores dos elementos dos vetores e , a fim de


verificar o erro de potência:
EFEI - ANÁLISE DE SISTEMAS DE POTÊNCIA 3-89
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Comparando o maior valor do erro de potência encontrado acima com o erro


tolerado, tem-se:

Com isso o processo iterativo inicia. O primeiro passo é montar a matriz


jacobiana. Para isto é mais fácil montar inicialmente as quatro submatrizes [H],
[N], [M] e [L], como indicado a seguir, onde e representam as funções
e do erro de potência.

- Submatriz [H]:

Substituindo os valores (iteração 0), obtem-se:


EFEI - ANÁLISE DE SISTEMAS DE POTÊNCIA 3-90
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- Submatriz [M]:

Substituindo os valores (iteração 0), obtem-se:

- Submatriz [N]:

Substituindo os valores (iteração 0), obtem-se:


EFEI - ANÁLISE DE SISTEMAS DE POTÊNCIA 3-91
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- Submatriz [L]:

Substituindo os valores (iteração 0), obtem-se:

Nas submatrizes [H], [M], [N] e [L], pode-se notar o grau de esparsidade, apesar
de ser um sistema pequeno, em comparação com a matriz e também a simetria
apresentada pelos valores numéricos de seus elementos.

- Matriz jacobiana:
A dimensão da matriz jacobiana será 9 x 9, correspondendo a quatro barras
tipo PQ e uma barra tipo PV. Utilizando-se das submatrizes obtidas pode-se
montar a seguinte matriz jacobiana, para a primeira iteração:

Obtida a matriz jacobiana pode-se montar a seguinte equação:


EFEI - ANÁLISE DE SISTEMAS DE POTÊNCIA 3-92
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A equação acima, para obtenção dos vetores incógnitas e , pode ser

resolvida de várias maneiras, sendo uma das mais indicadas, inclusive para uso
computacional, através da triangularização de Gauss da matriz jacobiana e a
solução do sistema resultante por substituição de trás para frente. No presente
exercício será feito a inversão da matriz jacobiana, visto que sua dimensão não

é muito elevada e em seguida a multiplicação pelo vetor . Invertendo a


matriz jacobiana resulta:

Logo os vetores de variação e ficam:


EFEI - ANÁLISE DE SISTEMAS DE POTÊNCIA 3-93
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Resultando em:

onde os valores das correções dos ângulos estão em radianos e os valores das
correções de tensão em pu. Com estes valores pode-se obter as tensões e ângulos
das variáveis para a primeira iteração:

Com os valores acima pode-se obter e , os quais devem ser


comparados com a tolerância de 0.001 [pu]. O processo iterativo irá continuar até
ser obtida a convergência, o qual ocorre com 3 iterações. A tabela abaixo ilustra
os valores encontrados a cada iteração.
EFEI - ANÁLISE DE SISTEMAS DE POTÊNCIA 3-94
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Iteração 1 Iteração 2 Iteração 3

Barra (2)

Barra (3)

Barra (4)

Barra (5)

Barra (6)

7.271 0.052 0.000

Barra (3) (3) (3)

23.088 0.443 0.000

Barra (4) (4) (4)

b - Método de Newton-Raphson em coordenadas cartesianas


O método de Newton-Raphson em coordendas cartesianas não será apresentado nesta
apostila.

A seguir serão relacionadas as principais vantagens e desvantagens da utilização


do método de Newton-Raphson na solução das equações de fluxo de potência. Muitas
destas caracteristicas são inerentes ao próprio método enquanto outras surgiram
da análise de um grande número de casos, não existindo comprovação teórica de sua
veracidade.

As principais vantagens da solução de fluxo de potência com o método de Newton-


Raphson são as seguintes:

- rapidez de resolução de grandes sistemas. O número de iterações é quase


independente do tamanho do sistema, e o tempo por iteração varia linearmente
com o número de barras. Logo, o tempo total de solução permanece proporcional
ao número de barras. Foi verificado que para grandes sistemas típicos, o
tempo para cada iteração de Newton-Raphson equivale, grosseiramente, a 7
iterações de Gauss-Seidel (para o mesmo sistema);
- o método em casos normais tem uma convergência muito rápida, levando de 2 a
5 iterações para convergir em sistemas normais sem excesso de controle. Logo,
a partir de 35 iterações do método de Gauss-Seidel, o método de Newton-
Raphson tende a ser mais vantajoso em termos de tempo de computação;

- o método é pouco sensível a certos fatores que causam problemas a outros


métodos, tais como:

. reatâncias negativas, ou seja, compensação série em linhas e shunt em


barras;

. linhas com impedâncias de valores muito diferentes chegando a uma mesma


barra. Pode resolver sistemas com razão entre impedâncias da ordem de 106;

. defasagens angulares da ordem de 90o;


EFEI - ANÁLISE DE SISTEMAS DE POTÊNCIA 3-95
APOSTILA PARA DISCIPLINA DE EEL44/E812 - VERSÃO PRELIMINAR EM REVISÃO - CLÁUDIO FERREIRA

. sistemas radiais longos;

. escolha da barra oscilante;

- o método não exige fatores de aceleração;

- os critérios de convergência do método de Newton-Raphson, são mais precisos.


Os critérios normalmente adotados estão associados aos erros de potência
ativa e reativa, obtidos durante o processo iterativo e são indicadores bem
mais reais da precisão da solução, do que as comparações entre variações de
tensão entre iterações, que são normalmente utilizadas no método de Gauss-
Seidel;

- convergência do caso de fluxo de potência não é afetada pela dominância dos


termos da diagonal principal.

As principais desvantagens da solução de fluxo de potência com o método de


Newton-Raphson são as seguintes:

- requisitos de memória superiores ao do método de Gauss-Seidel. Os gastos em


memória do método de Newton-Raphson crescem em forma proporcional ao número
de barras do sistema quando é considerada a esparsidade. Caso não seja levada
em conta a esparsidade, o requisito de memória será proporcional ao quadrado
do número de barras;

- muito sensível a escolha das condições iniciais para as tensões. Em muitos


casos uma escolha mal feita das condições iniciais pode levar o caso
rapidamente à divergência ou convergência para uma solução irreal.

Por esta razão era comum nos programas digitais iniciar as iterações pelo
método de Gauss-Seidel, e só depois de um número especificado de iterações
(normalmente duas ou três) é que se procedia a utilização da rotina de
cálculo pelo método de Newton-Raphson. Isto procurava garantir um bom ponto
de partida para as tensões para o método de Newton-Raphson. A experiência
mostrou que tal processo não é tão razoável, visto que nas primeiras
iterações, é comum, no método de Gauss-Seidel as tensões se afastarem da
solução (vide gráfico no Exercício 4.2-1). Atualmente tal procedimento não
é mais utilizado. Uma boa estimativa é utilizar o perfil chamado plano (ou
"flat-start") para as barras PQ e tensão especificada com
ângulo zero para as barras PV;

- casos não convergentes divergem rapidamente dificultando a localização da


área da rede com problemas;

- intolerância a erros nos dados, com o caso divergindo sem que seja possível
determinar a área onde está o erro;

- número de iterações influenciado por ajustes e restrições nas variáveis do


caso;

- necessidade de formar e inverter uma matriz jacobiana diferente em cada


iteração, caso seja resolvido da maneira apresentada no texto. Em programas
de uso prático são desenvolvidas técnicas, que compreendem armazenamento
compacto da matriz jacobiana triangularizada, ordenação ótima das equações,
tringularização de Gauss, resolução de sistemas lineares, procurando explorar
a esparsidade da matriz jacobiana e diminuindo o número de operações
EFEI - ANÁLISE DE SISTEMAS DE POTÊNCIA 3-96
APOSTILA PARA DISCIPLINA DE EEL44/E812 - VERSÃO PRELIMINAR EM REVISÃO - CLÁUDIO FERREIRA

aritméticas necessárias para obter a solução a cada iteração. Sem o uso


destas técnicas o método de Newton-Raphson não teria como ser usado na
prática. Apesar de tudo a matriz jacobiana tem de ser montada a cada
iteração. Em sistemas bem condicionados, às vezes pode-se ganhar tempo de
computação mantendo o mesmo jacobiano durante duas iterações sucessivas;

- devido a complexidade de implementação do método de Newton-Raphson são


necessárias pessoas especializadas para tal tarefa.

3.5.4 - Métodos Desacoplados

Os Sistemas Elétricos apresentam, quando operando em regime normal, um fraco


acoplamento entre os fluxos de potência ativa e reativa (esta propriedade é mais
efetiva para redes em tensões mais elevadas, acima de 230 [kV]). Os fluxos de
potência ativa são fortemente influenciados pelo ângulo de fase das tensões das
barras e praticamente independentes dos módulos das tensões. Já os fluxos de
potência reativa são fortemente dependentes do módulo das tensões das barras e
fracamente influenciados pelos ângulos de fase dessas tensões. Logo, pequenas
variações na tensão não causam variações significativas na potência ativa e
pequenas variações no ângulo não acarretam variações significativas na potência
reativa.

Os métodos desacoplados procuram tirar partido destas propriedades e estão


intimamente relacionados com o método de Newton-Raphson tradicional.

As equações básicas do método de Newton-Raphson em coordenadas polares são as


seguintes:

Os termos e que são as correções no ângulo e na tensão a cada iteração


são valores aproximados (devido ao truncamento no termo de 1ª ordem das equações
de fluxo de potência desenvolvidas segundo o método de Taylor). Como os resíduos
e são calculados de maneira exata, a solução final pode ser obtida com
qualquer precisão adotada, simplesmente prolongando-se o processo iterativo,
independente da maior ou menor precisão das correções a cada iteração.

A afirmação acima pode ser verificada no exercício 3.5.3-1, quando a matriz


jacobiana foi mantida constante durante algumas iterações e o resultado obtido
foi o mesmo (foram necessárias somente mais algumas iterações). A introdução
destas aproximações na matriz jacobiana alterou o processo de convergência, ou
seja, mudou o caminho percorrido entre o ponto inicial e a solução, mas não
alterou a solução final pois o problema resolvido foi o mesmo.

Os métodos numéricos são mais efetivos quando incorporam em si as propriedades


físicas dos sistemas aos quais são aplicados. Por isso, os métodos desacoplados
desenvolvidos para a solução do fluxo de potência procuram explorar as
características de acoplamento P e QV, ou seja:
EFEI - ANÁLISE DE SISTEMAS DE POTÊNCIA 3-97
APOSTILA PARA DISCIPLINA DE EEL44/E812 - VERSÃO PRELIMINAR EM REVISÃO - CLÁUDIO FERREIRA

Este desacoplamento no método de Newton-Raphson traduz nos valores numéricos dos


elementos das submatrizes [M] e [N]. Tem-se que:

Os elementos das submatrizes [N] e [H] são dados por:

Logo, pode observar que:

Os elementos das submatrizes [M] e [L] são dados por:

Logo, pode observar que:

Baseado no exposto acima foram desenvolvidos vários métodos para a solução do


fluxo de potência explorando estas características. Estes métodos desacoplados
alteram apenas o algoritmo de resolução, sem afetar o modelo da rede, por isso
não afetam a solução final do fluxo de potência.

a) Método de Newton-Raphson Desacoplado (Decoupled Newton)

Baseado nas considerações anteriores desprezando-se as submatrizes [M] e [N] e


as equações do fluxo de potência tornam-se:
EFEI - ANÁLISE DE SISTEMAS DE POTÊNCIA 3-98
APOSTILA PARA DISCIPLINA DE EEL44/E812 - VERSÃO PRELIMINAR EM REVISÃO - CLÁUDIO FERREIRA

Daí:

As equações acima são denominadas equações do fluxo de potência desacopladas.

As equações acima são resolvidas simultaneamente e depois atualizado os valores


de e de , até obter-se a convergência final:

O esquema mais adequado consiste em resolver as equações do fluxo de potência


desacoplado em alternância, sempre atualizando os valores, ora de , ora de
, até obter-se a convergência final:

Pode-se notar que no algoritmo na forma alternada as aproximações feitas


(desprezando [M] e [N]) são parcialmente compensadas pela imediata correção das
variáveis e V a cada meia iteração.

Em alguns artigos os autores recomendam trocar a segunda equação do fluxo


desacoplado pela equação de corrente abaixo, o qual melhora o processo de
convergência:

onde é o "mismatch" das partes imaginárias das correntes injetadas nas


barras.

O método desacoplado pode ainda sofrer uma modificação que, em alguns sistemas,
pode apresentar uma convergência um pouco mais rápida.

As submatrizes [H] e [L] podem ser escritas como:


EFEI - ANÁLISE DE SISTEMAS DE POTÊNCIA 3-99
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onde a matriz [V] é uma matriz diagonal cujos elementos são as magnitudes das
tensões nodais. Logo as equações do fluxo desacoplado ficam:

Logo:

onde os elementos destas submatrizes são:

Com a utilização do desacoplamento tanto a memória computacional exigida na


utilização do algoritmo como o tempo computacional de cada iteração são
reduzidos. O número de iterações para chegar a convergência é, geralmente, maior
que o método clássico.

Existem situações nos quais os subsistemas P e QV tem velocidades de


convergência distintas: um dos subsistemas converge antes do outro. Nestes casos
pode-se iterar somente com o subsistema ainda não convergido. Para que isto seja
possível são adotados indíces para indicar se os subsistemas P e QV estão
convergidos. Ao final de cada meia iteração verifica-se se o outro subsistema
está convergido, em caso afirmativo, volta-se a iterar no mesmo subsistema.

Vários algoritmos são possíveis para a resolução alternada das equações do fluxo
de potência pelo método desacoplado, sendo mais indicado resolver sempre as
equações desacopladas utilizando os valores de e [V] mais recentes.

Como o método de Newton-Raphson desacoplado é bastante semelhante ao método de


Newton-Raphson tradicional ele mantem muitas das características deste método.

As principais vantagens desse método são:

- Requisitos de memória reduzidos. Embora a memória computacional necessária


seja maior que o método de Gauss-Seidel, ela é cerca de 35 a 40% menores em
relação ao método de Newton-Raphson tradicional;
EFEI - ANÁLISE DE SISTEMAS DE POTÊNCIA 3-100
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- Rapidez de resolução de grandes sistemas. O número de iterações é


praticamente constante, independente do tamanho do sistema, e o tempo por
iteração varia linearmente com o número de barras. O número de iterações é
basicamente o mesmo do método de Newton-Raphson, mas o método desacoplado é
da ordem de 10 a 20% mais rápido;

- Boas características de convergência. O algoritmo não tem dificuldades de


obter convergência nas situações que o método não é adequado para o algoritmo
de Gauss-Seidel e apresenta uma convergência tão confiável quanto a do método
de Newton-Raphson tradicional;

- Facilidade de execução de ajustes no sistema. Como a maioria dos ajustes


afeta basicamente os fluxos de potência ativa e reativa independentemente,
é possível explorar as características do desacoplamento P e QV, de forma
a não aumentar muito o número de iterações;

- Aplicação do método não exige fatores de aceleração;

- Critérios de convergência mais precisos do que os usualmente utilizados no


método de Gauss-Seidel;

- A convergência do método não é afetada pela dominância dos termos da diagonal


principal da matriz , o que acontece com o método de Gauss-Seidel.

As principais desvantagens desse método são:

- Pode ocorrer dificuldade de convergência caso haja ângulos de fase da ordem


de 90o no sistema. A escolha da barra de referência pode minimizar este
problema;

- Precisões muito elevadas podem aumentar muito o número de iterações e


conseqüentemente, o tempo de simulação. O método desacoplado é mais rápido
do que o método de Newton-Raphson tradicional, mas devido a perda da
característica de convergência quadrática, que passa a ser linear, uma
solução altamente precisa é demorada;

- A convergência do método tem característica oscilatória, com a peculiaridade


de que os "mismatches" de potência podem aumentar em certos estágios do
processo;

- Intolerância a erros nos dados, com o caso divergindo sem fornecer


informações de onde está o erro;

- Sensível à escolha das condições iniciais, podendo divergir caso seja adotada
uma condição inicial desfavorável;

- Dificuldade de convergência de sistemas com linhas de razão pequenas;

- Casos não convergentes divergem rapidamente, não fornecendo informações da


área do sistema com problemas;

- Pode apresentar problemas de convergência caso haja restrição de reativos.


EFEI - ANÁLISE DE SISTEMAS DE POTÊNCIA 3-101
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b) Método de Newton-Raphson Desacoplado Rápido (Fast Decoupled)

Este método é um prolongamento do método desacoplado e foi desenvolvido por Alsac


e Stott.

Seja as expressões dos elementos das submatrizes [H] e [L]:

As seguintes aproximações podem ser introduzidas:

- Em sistemas de transmissão, principalmente em alta tensão, x >> r. Para


linhas de transmissão acima de 230 [kV], a relação x/r é maior do que 5,
podendo chegar a 20 em linhas de 500 [kV]. Os transformadores também
apresentam uma resistência desprezível. Logo, para um elemento qualquer entre
as barras (r) e (s):

- Sob condições normais de carregamento, as defasagens angulares entre os


barramentos do sistema apresentam um valor não muito elevado, donde pode-se
aproximar:

- As reatâncias shunt (cargas, reatores, capacitores, shunt de linhas) de um


sistema de transmissão são muito maiores que as reatâncias série (linhas e
transformadores). Logo, em pu, em valor absoluto, pode-se dizer:

Com isso as expressões acima podem ser reescritas como:

Logo as equações desacopladas ficam:

As tensões a esquerda estão relacionadas com os termos e . Logo:


EFEI - ANÁLISE DE SISTEMAS DE POTÊNCIA 3-102
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As tensões a direita estão relacionadas com os termos e . Logo:

Os termos V a direita de influenciam os fluxos de potência reativa.


Considerando estes termos como sendo fixos no valor 1 [pu], tem-se as equações:

que são as equações do método desacoplado rápido.

Pode-se notar que:

- As submatrizes e são elementos da matriz , portanto só


dependem dos parâmetros da rede, não dependendo das variáveis do sistema
(módulo e ângulo das tensões das barras);

- A submatriz tem dimensão da submatriz [H], portanto de (n - 1) x (n -


1), onde n é o número de barras do sistema.

- A submatriz tem dimensão da submatriz [L], portanto de nPQ x nPQ, onde


nPQ é o número de barras PQ do sistema.

O método desacoplado é completado com:

- Omite-se da submatriz a representação de componentes que afetam


predominantemente os fluxos reativos (reatâncias shunt, taps em fase de
transformadores);

- Omite-se da submatriz a representação de componentes que afetam os


fluxos ativos (taps em quadratura de transformadores);

- Desprezam-se as resistências série no cálculo dos elementos de ,

aproximando-se por . Isto não é muito importante mas segundo alguns

autores contribui para a convergência.


EFEI - ANÁLISE DE SISTEMAS DE POTÊNCIA 3-103
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Com isso os elementos das submatrizes e são dados por:

onde:
e - são os elementos da matriz de susceptâncias [B] (parte imaginária da
matriz );
- reatância série da linha de transmissão ou transformador (em módulo).

Com tudo isso as submatrizes e resultam reais, esparsas e constantes.


Dependendo do método adotado para resolução das equações desacopladas, estas
submatrizes necessitam ser invertidas ou triangularizadas apenas uma vez no
começo da solução do fluxo de potência. A submatriz é simétrica e, se não
existem transformadores defasadores no sistema (ou se existem, alternativamente),
também resulta simétrica.

As equações do método desacoplado rápido são resolvidas rapidamente que é um dos


maiores atrativo deste método. Vários algoritmos são possíveis para a resolução
das equações do fluxo de potência desacoplado rápido, sendo mais indicado
resolver sempre as equações alternativamente usando os valores de e [V]
mais recentes.

As principais vantagens do método desacoplado rápido são:

- Facilidade de elaboração de um programa computacional, visto a simplicidade


do algoritmo de resolução;

- Requisitos de memória reduzidos, cerca de 40% menores em relação ao método


de Newton-Raphson tradicional. Estes gastos de memória podem ser ainda mais
reduzidos (à custa de maior tempo computacional) com transferências em bloco
memória principal-memória auxiliar, sendo neste caso, semelhantes aos do
método de Gauss-Seidel;

- Rapidez de resolução de grandes sistemas. O número de iterações é


praticamente constante, independente do tamanho do sistema, e o tempo por
iteração varia linearmente com o número de barras. O número de iterações
normalmente varia entre 2 e 5;

- O método é extremamente rápido, sendo cada iteração cerca de 5 vezes mais


rápida que a do método de Newton-Raphson e 1.5 vezes mais rápida do que a do
método de Gauss-Seidel. Esta fato compensa a taxa mais lenta de convergência;

- Boas características de convergência. A convergência do método é geométrica,


característica dos métodos iterativos de tangente constante. O método não é
tão rápido como o de Newton-Raphson (que apresenta convergência quadrática),
mas apresenta a vantagem de não se desviar do curso devido aos "calombos" ou
"elevações" (humps) nas funções que definem o problema, o que pode acontecer
com os métodos de Newton-Raphson e desacoplado. Por esta razão o método
funciona bem com sistemas difíceis;
EFEI - ANÁLISE DE SISTEMAS DE POTÊNCIA 3-104
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- Facilidade de execução de ajustes no sistema. Como a maioria dos ajustes


afeta basicamente os fluxos de potência ativa e reativa independentemente,
é possível explorar as características do desacoplamento P e QV, de forma
a não aumentar muito o número de iterações;

- Aplicação do método não exige fatores de aceleração;

- Não tem dificuldades de convergir sistemas, nos quais o método de Gauss-


Seidel falhava como:
. sistemas muito malhados;
. sistemas radiais;
. sistemas com reatância série negativa;
. sistemas com tensões muito diferentes de 1 [pu];
. sistemas com defasagens elevadas entre tensões de
barras;

- Método se ajusta a estudos de fluxo de potência precisos e também para


cálculos de contingências "on-line" e "off-line" e monitoramento em tempo
real;

- Casos não convergentes fornecem informações da área do sistema com problemas,


ao contrário dos métodos de Newton-Raphson e desacoplado;

As principais desvantagens desse método são:

- A convergência será lenta se as condições do sistema não forem condizentes


com as hipóteses adotadas, ou seja, naquelas situações nos quais os
barramentos apresentam razões r/x próximas ou superiores a 1 e os
circuitos tem carregamentos elevados. O primeiro destes problemas pode ser
eliminado, com a adoção de um barramento fictício (f) no meio do ramo com
razão r/x alta dividindo-o em 2 ramos, como mostram as figuras abaixo:

Um dos ramos apresenta uma reatância fictícia x1, e outro com reatância x2 tal
que a razão seja baixa e x1 + x2 seja igual a x.

Exercício 3.5.4-1
Obter o fluxo de potência para o Sistema de Potência do exercício 3.5.1-1, pelos
métodos desacoplado e desacoplado rápido. Utilize os mesmos valores de
tolerâncias utilizadas neste exercício.

A matriz do sistema, já foi montada no exercício citado. Utilizando-se desta


matriz e adotando as condições iniciais abaixo ("flat-start"), tem-se:
EFEI - ANÁLISE DE SISTEMAS DE POTÊNCIA 3-105
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- Método Desacoplado:

Inicialmente deve-se obter os valores dos elementos do vetor , utilizando


os valores de tensão (módulo e ângulo) disponíveis (estimativa inicial), a fim
de verificar o erro de potência ativa:

Comparando o maior valor do erro de potência ativa encontrado com o erro tolerado
(0.001 [pu]), tem-se:

Como o erro resultou superior à tolerância especificada será necessário proceder


a correção dos ângulos. No método desacoplado, através da "meia" iteração, os
novos valores dos ângulos serão dados por:

A submatriz [H], idêntica a mesma submatriz do método de Newton-Raphson


tradicional, é dada por:
EFEI - ANÁLISE DE SISTEMAS DE POTÊNCIA 3-106
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Substituindo os valores, obtem-se:

Tem-se então:

Resolvendo o sistema de equações lineares acima, obtem-se:

Com isto os novos valores dos ângulos das tensões (primeira iteração) passam a
ser:
EFEI - ANÁLISE DE SISTEMAS DE POTÊNCIA 3-107
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Pode-se então obter os valores dos elementos do vetor , utilizando os


valores das tensões (módulos da iteração anterior e ângulos já corrigidos nesta
"meia" iteração), para obter o erro de potência reativa:

Comparando o maior valor do erro de potência reativa encontrado acima com o erro
máximo tolerado, tem-se:

Como o erro resultou acima da tolerância, completa-se a primeira iteração (com


a segunda "meia" iteração) corrigindo o módulo das tensões, através da equação:
EFEI - ANÁLISE DE SISTEMAS DE POTÊNCIA 3-108
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A submatriz [L], cujos elementos são idênticos aos da mesma submatriz do método
de Newton-Raphson tradicional, é dada por:

Substituindo os valores (lembrando que o ângulo das tensões estão atualizados


nesta iteração), obtem-se a seguinte matriz:

Tem-se então:

Resolvendo o sistema de equações lineares acima, obtem-se:


EFEI - ANÁLISE DE SISTEMAS DE POTÊNCIA 3-109
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Com isto os novos valores dos módulos das tensões passam a ser:

Completando-se a primeira iteração.

O processo iterativo irá continuar até ser obtida a convergência, o qual ocorre
na 3ª iteração. A cada iteração são mudados os valores numéricos das submatrizes
[H] e [L]. A tabela a seguir ilustra os valores encontrados a cada iteração,
lembrando que é obtido após a correção do ângulo da tensão.

Iteração 1 Iteração 2 Iteração 3

18.762 0.774 0.014

Barra (3) (3) (5)

Barra (2)

Barra (3) CONVERGÊNCIA


Barra (4)
POTÊNCIA
Barra (5)
ATIVA
Barra (6)

4.473 0.224 0.003

Barra (4) (3) (5)

Barra (3)
CONVERGÊNCIA
Barra (4)
POTÊNCIA
Barra (5)

Barra (6) REATIVA

- Método Desacoplado Rápido:

A seqüência de cálculos é idêntica a do método desacoplado, só que as


submatrizes e são montadas somente uma vez no início do processo
iterativo.

A matriz é obtida desprezando os elementos shunt do sistema (no caso,


somente as susceptâncias das linhas de transmissão) e a resistência de todos os
elementos. Com isso, montando a matriz pode-se extrair:
EFEI - ANÁLISE DE SISTEMAS DE POTÊNCIA 3-110
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A matriz , como não existe transformadores defasadores no sistema, é


extraída diretamente da matriz :

Os elementos do vetor , nesta primeira iteração, são idênticos aos já


obtidos anteriormente, devido a mesma estimativa inicial adotada para as tensões.
Como o erro resultou superior à tolerância especificada será necessário proceder
a correção dos ângulos. No método desacoplado rápido, na primeira "meia"
iteração, os novos valores dos ângulos serão dados por:

Tem-se então:

Resolvendo o sistema de equações lineares acima, obtem-se:


EFEI - ANÁLISE DE SISTEMAS DE POTÊNCIA 3-111
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Com isto os novos valores dos ângulos passam a ser:

Os elementos do vetor , utilizando os valores de tensão (módulo da


iteração anterior e ângulo já corrigido nesta "meia" iteração), são:
EFEI - ANÁLISE DE SISTEMAS DE POTÊNCIA 3-112
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Comparando o maior valor do erro de potência reativa encontrado com o erro máximo
tolerado, tem-se:

Como o erro resultou acima da tolerância, completa-se a iteração (com a segunda


"meia" iteração) corrigindo o módulo das tensões, através da equação:

Tem-se então:

Resolvendo o sistema de equações lineares acima, obtem-se:

Com isto os novos valores dos módulos das tensões passam a ser:

completa-se assim a primeira iteração.

O processo iterativo irá continuar até ser obtida a convergência, o qual ocorre
na 3ª iteração, do mesmo modo que no método desacoplado, só que o tempo
computacional gasto foi menor. A tabela a seguir ilustra os valores encontrados
a cada iteração, lembrando que é obtido após a correção do ângulo da tensão.
EFEI - ANÁLISE DE SISTEMAS DE POTÊNCIA 3-113
APOSTILA PARA DISCIPLINA DE EEL44/E812 - VERSÃO PRELIMINAR EM REVISÃO - CLÁUDIO FERREIRA

Iteração 1 Iteração 2 Iteração 3

9.626 0.786 0.016

Barra (3) (3) (4)

Barra (2)

Barra (3) CONVERGÊNCIA


Barra (4)
POTÊNCIA
Barra (5)
ATIVA
Barra (6)

0.579 0.117 0.007

Barra (4) (3) (3)

Barra (3)
CONVERGÊNCIA
Barra (4)
POTÊNCIA
Barra (5)

Barra (6) REATIVA

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