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PMI 3090 - Tratamento de Minérios

Escola Politécnica da Universidade de São Paulo


Departamento de Engenharia de Minas e de Petróleo

RELATÓRIO

PRÁTICA LABORATORIAL 1:
ANÁLISE GRANULOMÉTRICA POR PENEIRAMENTO

Gabriel Borba Galvani NUSP: 9327797


Wendel Gomes de OliveIra NUSP: 9359705
Lucas Granato Mazzeo NUSP: 8585411
Pedro K. Filho NUSP: 9853057
Emanuel Vicenzo NUSP: 9377251
1. Objetivo

Realizar ensaio de análise granulométrica por meio da técnica de


peneiramento, além de mostrar as variantes desta técnica (peneiramento a seco e
peneiramento a úmido).

2. Procedimento

Neste experimento, foram realizados 3 ensaios de peneiramento:

● Peneiramento a seco no agitador (10 min);


● Peneiramento a seco no agitador (20 min);
● Peneiramento a úmido em bacias com água.

Em todos os ensaios, as amostras ensaiadas eram minério de ferro, doadas


pela companhia Vale S/A, tomada na alimentação do circuito de flotação de
Timbopeba, MG. O material foi secado em estufa a 90°C, e foram retirados 3
alíquotas de 300 g. Nos ensaios a seco, as peneiras foram sobrepostas uma às
outras, em ordem crescente de abertura da tela da base para o topo. Para os
ensaios a úmido, o peneiramento foi feito manualmente e com as mesmas peneiras
do ensaio a seco, com uma mangueira de água utilizada para a agitação do minério
na peneira. Os retidos do ensaio úmido foram secados na estufa antes da pesagem.
As peneiras utilizadas foram 65, 100, 150, 170, 200, 250, 270, 325 e 400 mesh tyler
(série completa).
As massas retidas em cada peneira foram medidas cuidadosamente, e assim
pôde-se calcular as perdas de massa durante o experimento. Com os dados das
massas retidas, foram plotadas curvas de porcentagem de retido simples em função
da abertura, assim como a porcentagem de retido acumulado, para cada um dos
ensaios. As massas Gaudin foram calculadas para cada peneira através da fórmula
de massa máxima representado pela equação 1 a seguir:
m = π.D².p.(di + ds)/4 (1)

Onde:

m = massa máxima (g).


D = diâmetro do caixilho da peneira (cm), considerado 20,32 cm.
di = abertura da peneira em questão (cm).
ds = abertura da peneira imediatamente acima (cm).
p = massa específica da amostra a ser ensaida (g/cm³), adotada de 3,82 g/cm³.

3. Resultados

Tabela 1: Dados do ensaio a seco, com duração de 10 min.

Tabela 2: Dados do ensaio a seco, com duração de 20 min.

Tabela 3: Dados do ensaio a úmido.


Figura 1: Curva de quantidade passante em função da abertura da peneira, para os 3
ensaios.

Tabela 4: Perdas percentuais de massa em cada ensaio


Ensaio Massa inicial (g) Massa final (g) Perdas (%)

Seco (10 min) 299,85 297,78 0,69%

Seco (20 min) 297,78 295,40 0,80%

Úmido 300 295,04 1,65%


4. Discussão

Como podemos notar a partir dos resultados da tabela 4 ambos ensaios a


seco foram representativos com perdas inferiores a dois pontos percentuais. As
perdas observadas, mesmo que mínimas foram devido ao manuseio,
principalmente das partículas mais finas como pudemos notar que durante a
pesagem. Além disso, pode-se verificar que parte das partículas ficaram retidas nas
aberturas das peneiras. A perda a úmido foi de 1,65%, e provavelmente decorreu
de descuidos na hora de se retirar o excesso de água das amostras a serem
submetidas à estufa, por exemplo, ou na pesagem após a secagem das amostras.
Em termos de massa máxima presente em cada peneira ao final dos ensaios
tanto a úmido, quanto a seco temos um peneiramento confiável que pode ser
adotado como distribuição granulométrica. Isto porque a massa retida em cada
peneira nos dois tipos de ensaios não ultrapassa a quantidade de material máximo
que pode ficar retido na tela da peneira, segundo a equação 1.
Comparando-se os diferentes tempos de peneiramento a seco, não há
variação considerável na distribuição granulométrica. Assim, um tempo de 10
minutos para realizar o peneiramento já é suficiente para ter uma distribuição
significativa, apesar do tempo de 20 minutos ser mais representativo. Além disso, a
partir da figura 1, constatamos o que foi dito, a curva obtida da porcentagem
passante em função da abertura da peneira nos dois casos é praticamente a
mesma. Ainda assim, como podemos notar comparando as tabelas 1 e 2 temos
partículas com diâmetro menor que a abertura da peneira que não passaram pela
tela correspondente, sendo então o tempo de 20 minutos mais preciso.
Relacionando-se o peneiramento a úmido e a seco fez-se um gráfico
representado na figura 1, onde foi comparado o passante acumulado em função da
abertura da peneira, para cada caso. A partir do gráfico constatamos que no
peneiramento a úmido, partículas finas que antes ficavam grudadas nas partículas
grossas, passaram com mais facilidade. Além disso, a maioria dessas partículas
ficaram retidas na peneira de 250#, pois verificamos um aumento expressivo da
massa retida desta tela. Portanto, podemos concluir que o peneiramento a úmido é
mais indicado para essa amostra , uma vez que tem grandes quantidades de finos
que retêm umidade e podem grudar nas partículas grossas, influenciando o
resultado da análise granulométrica.
Após o peneiramento, as massas retidas em cada peneira foram separadas
em sacos transparentes e observou-se diferença de aparência entre as frações
granulométricas. As partículas mais finas tiram coloração mais escura do que as
partículas retidas nas primeiras peneira. Isso ocorre pois as partículas mais grossas
são de sílica, material mais duro que o minério de ferro e que, portanto, ao ser
britado, gera partículas maiores.

5. Conclusão

Conclui-se, assim, a partir do experimento realizado, que, para a amostra em


questão, é mais vantajoso o peneiramento a úmido - ou uma combinação dos dois
tipos de peneiramento -, pois uma quantidade de expressiva de finos retêm umidade
e podem se aderir às partículas mais grossas, influenciando negativamente na
análise granulométrica do peneiramento a seco, uma vez que há obstrução das
peneiras com aberturas menores. Ensaios a seco, assim, são mais indicados para
minérios com granulometria grossa, e a combinação de peneiramento a seco e a
úmido geralmente é a mais benéfica, pois o peneiramento a úmido remove
justamente as partículas mais finas, aumentando a eficiência do peneiramento.