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TEORIA BEHAVIORISTA OU COMPORTAMENTISTA

Maria Celita de Oliveira Parreiras


Faculdade de Filosofia Ciências e Letras –
Universidade de Itaúna, MG, Brasil

ORIGEM HISTÓRICA

“O germe do associacionismo pode ser encontrado já em Aristóteles, quando


observou que uma coisa faz a gente lembrar de outra. Se (A) faz com que a gente
se lembre de (B), qual é a relação de (A) para (B)?” Segundo MILHOLLAN e
FORISSHA (1978: 30), a chamada Psicologia Científica do Século XIX – XX
derivou-se de dois grandes movimentos:

1-A critica ao racionalismo cartesiano - ruptura contra inadequações e


inconsistências das tendências mentalistas [objeto de estudo: consciência], e à
introspecção como método único de investigação dos sistemas psicológicos
anteriores - disciplina mental e a percepção .
2-O surgimento da teoria positivista da ciência - do filósofo francês Augusto
Comte (1789-1857).

TEORIA PSICOLÓGICA BEHAVIORISTA OU AMBIENTALISTA, OU


COMPORTAMENTISTA, OU ASSOCIACIONISTA, E SEUS TIPOS E TEÓRICOS

Segundo MERCHAN (2000: 23), “Os comportamentistas entendiam a


aprendizagem como um processo pelo qual mudava a conduta de um organismo,
sempre que, nas mudanças, não se dava a maturação e não tinham caráter
ocasional (como as mudanças de conduta que são respostas, por exemplo, a fadiga)
mas que sejam estáveis”.
Em seu desenvolvimento a teoria condutista se baseou nos seguintes
pressupostos:
1- Compreendem o associacionismo como aspecto essencial da aprendizagem.
2- O reducionismo ambientalista é mais ou menos radical conforme o momento
ou o investigador.
3- O ambientalismo está na base de condutas consideradas passivas no
processo de aprendizagem.
4- A crença de que toda conduta por mais complexa que seja, se pode separar
em elementos simples.
5- A equipotencialidade das leis da aprendizagem, em qualquer ambiente ou
referida a qualquer tipo de organismo.
“As posturas conductistas se centraram na utilização de três idéias principais:

1 – Reducionismo: A experiência pode ser decomposta em suas partes


elementares. Mediante o método analítico pode-se estudá-los separadamente
para estabelecer uma explicação comum.
2 – Causalidade: Tudo é explicável em forma de relações simples de causa-
efeito. É possível a análise de situações mediante sistemas fechados aos que
supõem estar fora da influencia ambiental.
3 – Determinismo: O sentido mecanicista que se dá à ordem natural das coisas
leva a afirmar que tudo está predeterminado no mundo, e em última instância, a
conduta segue o rumo pelas leis naturais.”
(Delclaux, p. 27 em SALVAT, CD)

A partir de um conjunto de princípios específicos da aprendizagem, que


permitiam explicar a conduta do indivíduo ou animal, foram desenvolvidos pelo
behaviorismo, dois modelos teóricos de aprendizagem, o CONDICIONAMENTO
CLÁSSICO e o CONDICIONAMENTO INSTRUMENTAL OU OPERANTE. Estes modelos
permitiram verificar que os princípios da aprendizagem não são aplicados a todas
condutas. Tem que se levar em conta a influência de fatores biológicos de uma
conduta e a predisposição evolutiva para aprender determinadas respostas ou
associações de estímulos.
O embasamento teórico, a partir de experimentação e formulação de princípios, que
constituem a base do behaviorismo, aconteceu ao longo das primeiras décadas do
século XX nos Estados Unidos e na Europa.

PRESSUPOSTOS ESSENCIAIS DO CONDICIONAMENTO CLÁSSICO

1 – Todo comportamento animal – incluindo o homem – pode ser estudado em


termos de estímulo e respostas, formação de hábitos e similares.

2 –É possível conhecer e controlar a conduta na medida que os estímulos permitem


prever respostas e vice-versa.

3 – Segundo Leahey em (MERCHAN,2000: 23), referindo-se a Watson:

(...)” a aprenzagem é um processo incosciente, de sorte que a consciencia não


desempenhava nenhum papel no aperfeiçoamento do pensamento. (...) Todo
pensamento ocorre na musculatura periférica (...) e opinava que os psicólogos
deviam arquivar os problemas “banais” problemas da cognição, até poderem
estabelecerem bases firmes nos estudos dos processos mais simples”

“É obvio que Watson desejava reformular os métodos, problemas e objetivos da


psicologia. Substituir a introspecção pelo condicionamento clássico; as questões
da atenção, do sentimento, do pensamento e a descrição da consciência, pelo
problema da aprendizagem. O objetivo da explicação psicológica seria
substituído pela predição prospectiva e o controle da conduta seria concebido
segundo o modelo da física”.
A) SEGUNDO IVAN PETROVC PAVLOV (1849/1936)

O condicionamento clássico, também chamado respondente, foi originalmente


estudado por Pavlov que iniciou suas pesquisas em um cão, em situação de
laboratório. Essa forma de condicionamento é o fundamento de uma série de
comportamentos reflexos involuntários Ao descobrir e iniciar a investigação do
condicionamento clássico, como método de análise da conduta, Pavlov, através dos
seus estudos sobre a conduta reflexa, embasou tecnicamente a Psicologia da
Aprendizagem. Para ele o processo de aprendizagem consistia na formação de uma
associação entre um estímulo e um resposta aprendida através da contigüidade,
envolvendo alguma espécie de conexão no sistema nervoso central entre um S
(estímulo) e um R (reflexo ou resposta)

O princípio básico desta teoria estava relacionado com o associacionismo,


levando Pavlov tentar associar, em experiência com animais em laboratório, um
estímulo neutro (som) com uma resposta (salivação) que em princípio estava
associado a outro estímulo (a comida).

Nesse tipo de aprendizagem há momentos bem nítidos, a saber:

1 – O processo de condicionamento clássico (reflexo)

Fases:

A EC EC = estímulo condicionado ou neutro (luz)


(salivação)
EI!!!!RI EI = estímulo Incondicionado (comida) ! RI =
resposta incondicionada
B EC = estímulo condicionado ou neutro (luz) + EI =
(comida) estímulo incondicionado
EC + EI !!RI
!!! RI = resposta incondicionada (salivação)
C EC!!! RC EC = estímulo condicionado ou neutro (luz) ! RC =
(salivação) reposta condicionada

2 – O processo de generalização que permite a aparição de resposta similar à


condicionada, a um estimulo semelhante ao que se usou no condicionamento
original – cão saliva com o som de campainha, pode salivar com o som de um
diapasão. Generalizar é descobrir semelhanças no estímulo.

3 – O processo de discriminação é o oposto a generalização. O organismo dá


resposta a um dado estímulo, mas não a estímulos semelhantes a ele, diferenciando
assim respostas a estímulos diferentes - cão saliva com o som de campainha, mas
não saliva com o som de um diapasão. Discriminar é encontrar diferenças e está
influenciado pelo grau de maturação do indivíduo, não acessível a organismos
imaturos.
4 – O processo de extinção é o enfraquecimento de uma resposta, devido à
apresentação do estímulo condicionado independente do estímulo incondicionado,
atuando assim como supressor ou inibidor de uma resposta – Apresentando-se a
campainha, sem a apresentação da carne em pó, pode aguardar que a extinção
ocorra após certo tempo.

5 – O processo de recuperação do comportamento extinto acontece quando o


sujeito é colocado na situação experimental – o cão, no qual já ocorrera a extinção,
pode voltar a salivar quando recolocado na sala experimental. A recuperação
espontânea é a reintegração do comportamento extinto.
Fatores que influenciam no condicionamento:
1 - Intervalo de tempo entre EC-EI !elemento reforçador ou debilitador da
contigüidade e suas conseqüências;
2 – O efeito de duração dos intervalos entre ensaios experimentais;
3 – A intensidade e a duração do EI e do EC e suas conseqüências na
resposta.

B) SEGUNDO JOHN B.WATSON (1878/1958) - base empirista

Watson foi o iniciador da escola behaviorista, considerou a pesquisa animal a


única verdadeira por ser extrospectiva e não mentalista. Com Watson, a Psicologia
mudou seu foco, da consciência, dos fenômenos psíquicos, para o comportamento e
dados observáveis e verificáveis. Sofreu influência da filosofia empírica de John
Locke e da psicologia fisiológica de Ivan Pavlov, de quem aceitou o condicionamento
clássico para explicar a aprendizagem, admitindo que nascemos com certas
conexões de estímulo-resposta chamados reflexos.

Watson foi o primeiro representante do ambientalismo, lançou o behaviorismo e


transformou o estudo da aprendizagem em um processo pelo qual a conduta de um
organismo muda como resultado da experiência. Afirmou que não há limite para o
efeito do ambiente sobre a natureza humana. Watson não foi muito profundo no
trato dos problemas de aprendizagem.

De acordo com GOULART (1987 – p.43), três pontos fundamentais destacam-


se no pensamento de Watson:
1 – A rejeição da introspecção como fonte insatisfatória de dados pela falta de
objetividade, a rejeição ao estudo da consciência e da análise da motivação
em termos de instintos.

2 – A crença de que a hereditariedade determina o comportamento humano.

3 – A afirmativa de que o efeito deste ambiente se dá principalmente através


de um processo de condicionamento de reflexos ou involuntários.

Sua Psicologia é conhecida como behaviorismo, termo que engloba todas as


teorias de condicionamento S-R.
PRESSUPOSTOS ESSENCIAIS DO MODELO DE CONDICIONAMENTO
INSTRUMENTAL OU OPERANTE:

A) EDWARD LEE THORNDIKE (1874/1949) - base empirista

Thorndike foi o pioneiro das tentativas para compreender a aprendizagem dos


animais através da realização de experimentos. Para ele, aprender consistia em
estabelecer uma conexão entre uma resposta e a produção de situação agradável e
que a repetição de um ato que causava um resultado agradável, aumentava a
probabilidade de ocorrência deste ato – era a Lei do Efeito. Fez da aprendizagem,
particularmente a aprendizagem por conseqüências recompensadoras, um conceito
central da psicologia, estabelecendo assim, os princípios do condicionamento
operante.

Seu trabalho foi influenciado por várias correntes, dentre elas estão:

1 – Teoria Evolucionista de Darwin – aproximou o comportamento humano e


animal.

2 – Tradição Associacionista – presumiu que a aprendizagem é a formação


de laços associativos, ou conexões, processo de ligação de acontecimentos
físicos (estímulos e respostas) e acontecimentos mentais (coisas sentidas ou
percebidas), em várias combinações. Thorndike achava que o principal
caminho para a formação de conexões do tipo S-R era através de ensaio e
erro ao acaso.

Para Thorndike a aprendizagem, é o processo (passivo, mecânico e


automático) de selecionar e associar unidades físicas e mentais, gravando as
respostas corretas e eliminando as incorretas, como resultado de suas
conseqüências agradáveis (recompensa) ou desagradáveis (punição). A esse gravar
e eliminar deu o nome de conseqüências da Lei de Efeito, segundo a qual, se
consolida a resposta seguida de satisfação e tende a desaparecer a seguida de
castigo.

De acordo com BIGGE (1977 p.56), Thorndike formulou “leis” da


aprendizagem a saber:

1 –A lei de prontidão – quando uma unidade de condução (neurônio e sinapse


envolvidos no estabelecimento de uma ligação ou conexão) está pronta para
conduzir, conduzir é gratificante e não conduzir é irritante.

2 – A lei do efeito –uma resposta é fortalecida se seguida de prazer e


enfraquecida se seguida de dor ou castigo.

3 – A lei do exercício ou da repetição – quanto mais um estímulo-resposta for


repetido e se conecte com uma recompensa por mais tempo será retido.
Clark L. Hull pensou na aprendizagem em termos de conexões receptoras-
geradoras e em reforçamento em termos de redução de necessidade ou de
estímulos de impulso. Na década de trinta a Lei do Efeito voltou a ser a pedra
angular do behaviorismo, associada, desta vez ao nome de Hull. Ele erigiu uma
teoria detalhada e específica, tratando da motivação e introduziu uma nova
modalidade no tratamento do método científico.
Segundo Tolman A Lei do Efeito foi abalada, no final da década de trinta, pela
descoberta de que, não há somente recompensas, há também punições que o
homem ou animal procuram evitar.

“A explicação da recompensa, assim como da punição, tornava-se explicável por


- Tolman – que admitiu a construção de uma espécie de mundo real dentro do
sistema nervoso, quer quando se é gratificado, quer quando se tenta o
comportamento de esquiva”. (GOULART, 1987 – p.44).

A teoria de Tolman é a única behaviorista que explica a aprendizagem segundo


um modelo hipotético-dedutivo.

B) B.F. SKINNER (1904/1990) - base positivista

“A psicologia de Skinner, behaviorismo operante, é uma visão moderna


das primeiras psicologias mecanicistas de estímulo-resposta, como o
conexionismo desenvolvido por Thorndike e o behaviorismo desenvolvido
por Watson”.
Psicologia mecanicista pressupõe que todas as ações humanas são
reações seqüenciais a estímulos internos ou externos. (...) Skinner, como
Thorndike e Watson, considera que o ser humano é neutro e passivo e
que todo comportamento pode ser descrito em termos mecanicistas
seqüenciais. (...) para eles Psicologia é a ciência do comportamento”.
(BIGGE, 1977 p.56)

Skinner apresentou experimentalmente o condicionamento instrumental ou


operante, como alternativa ou complemento ao condicionamento clássico de
Watson. A questão básica para ambos modelos era o estabelecimento de resposta a
fatores determinantes. Enquanto o comportamento reflexo ou respondente
(condicionamento clássico) é controlado por um estímulo precedente, o
comportamento operante (condicionamento instrumental ou operante) é controlado
por suas conseqüências – estímulos (reforço) que se seguem às respostas.

!No condicionamento operante, um operante (resposta) é fortalecido pelo


reforçamento ou enfraquecido pela sua extinção.

!Um operante é uma série de atos ou ações, pelas conseqüências que geram, são
fortalecidos ou enfraquecidos de modo a aumentar ou diminuir a probabilidade de
sua ocorrência Contudo, não é a resposta específica (R) que é fortalecida, mas a
tendência geral em emitir a resposta. Daí, um operante é uma classe de respostas
da qual uma resposta específica é um exemplo ou membro.
!O comportamento opera sobre o ambiente e gera conseqüências. As
conseqüências que fortaleceram o comportamento são chamadas reforço, que se
refere a qualquer evento ou estímulo que aumenta a força de algum comportamento
operante.

Segundo COUTINHO E MOREIRA (1991: 47) Skinner classificou assim os


reforços presentes na relação do indivíduo com as estimulações do meio:

1. Reforço Positivo: é todo estímulo cuja apresentação após uma resposta,


aumenta a probabilidade de sua ocorrência, isto é a força da contingência
(conexão) resposta-estímulo.Quando atendemos aos desejos de uma
criança que faz birra, estamos fortalecendo o seu comportamento de fazer
birra, pelas conseqüências que gera.
2. Reforço Negativo: Refere-se a todo estímulo aversivo que, quando
retirado, aumenta a probabilidade de ocorrência de uma certa resposta. A
retirada do estímulo aversivo (dor de cabeça) pelo uso de comprimidos
aumenta o procedimento de tomar comprimidos.
3. Reforço Primário: São estímulos relacionados às funções de
sobrevivência, que têm importância biológica para o organismo.Comida,
água, contato sexual, afetividade, entre outros, por estarem ligados a
funções vitais.
4. Reforço Secundário: São estímulos condicionados aos primários, como
por exemplo, o dinheiro que mesmo não sendo, diretamente, de
importância biológica para o individuo, é um meio de se conseguir
alimentos e outras satisfações ligadas à sobrevivência.
5. Reforço de Razão: Refere-se ao reforço que ocorre em decorrência da
emissão de um comportamento desejado.
6. Reforço de Razão Fixa: Refere-se ao reforçamento do comportamento
desejado, fixando-se previamente o número de vezes que o indivíduo
devera apresentar aquele comportamento para que receba o reforço –
elogiar (reforço) o aluno a cada três notas boas – de acordo com
(MERCHAN, 2000 –32) : (programa de razão fixa)
7. Reforço de Razão Variável: Refere-se à aplicação do reforço sem o
estabelecimento do número de comportamentos adequados que justifique
a aplicação do reforço – elogiar, de vez em quando, o bom
comportamento de alguém – de acordo com (MERCHAN, 2000: 32) :
(programa de razão variável)
8. Reforço de Intervalo: Caracteriza-se pelo fato do reforço não ser
aplicado, imediatamente, após a emissão de uma resposta esperada mas
depois de um certo tempo arbitrado pelo experimentador (ou por quem
esteja condicionando alguém)
9. Reforço de Intervalo Fixo: Refere-se à presença de reforço em intervalos
previamente definidos – o tempo decorrido entre a produção de uma
resposta e a aplicação do reforço ser sempre o mesmo. Se um estudante
sabe que um professor dá provas de oito em oito dias, ele só começará a
estudar, provavelmente, às vésperas do 8º dia – de acordo com
(MERCHAN, 2000:32) : (programa de intervalo fixo)
10. Reforço de Intervalo Variável: Refere-se à presença de reforço em
intervalos não fixos, sendo impossível, por parte do indivíduo, fazer
qualquer previsão – o professor que aplica suas avaliações em dias
diferentes, cria uma expectativa que leva o aluno a estar sempre em dia
com a matéria – de acordo com (MERCHAN,2000: 32) : (programa de
intervalo variável)
11. Reforço por Imitação: Quando se observa alguém ser reforçado por
causa de algum comportamento emitido, a tendência é imitar aquele
comportamento – crianças aprendem a fazer birra por observarem a
conseqüência satisfatória desse recurso para consegui algo.

O reforçamento tem como objetivo aumentar a probabilidade de resposta,


assim como na sua ausência a resposta torna-se menos freqüente; isto é a extinção
operante.

Enfraquecimento e extinção de uma resposta é a diminuição da freqüência


de uma resposta ou a supressão desta resposta, ainda que temporária, pela não
aplicação do reforço incompatível ou punição – não atender a criança que dá birra, é
enfraquecer este comportamento até sua extinção.

1. Reforço Incompatível – reforçar comportamentos incompatíveis é instalar


através do reforço, um comportamento diferente do comportamento
indesejável – atender a criança desde que esteja emitindo o comportamento
de birra.
2. Punição – é outra forma de enfraquecer um comportamento, através da
aplicação de estímulos aversivos imediatamente após o comportamento
indesejável. A retirada do reforço positivo pode também pode se constituir
como uma punição.

Skinner considerou que o propósito da psicologia é predizer e controlar o


comportamento dos organismos individuais. Limitou o estudo psicológico cientifico
ao comportamento observável do organismo através da observação sensorial e
definiu a Psicologia como a ciência do comportamento manifesto.

Comportamento é ”(...) o movimento de um organismo ou de suas partes num


quadro de referencias oferecido pelo próprio organismo ou por vários objetos
externos ou campo de força” Skinner, em (BIGGE, 1977 p.123)

A aprendizagem é definida como uma mudança na probabilidade de resposta,


quase sempre provocada por condicionamento operante, processo pelo qual uma
resposta (ou operante) torna-se mais provável ou mais freqüente, porque o operante
é fortalecido – reforçado.

“Skinner chegou a estabelecer toda uma tecnologia da conduta baseada no


estabelecimento de planos ou programas que definem regras de contingência e
relações entre estímulo e respostas. Em essência se se quer associar uma
resposta a um determinado estímulo, deve-se elaborar um plano que permita, em
termos similares aos seguintes:” (MERCHAN, 2000 –31)
Conseqüência que Apresentação do Reforço Retirada do reforço
segue a resposta
*Reforço Positivo Fortalece a aparição da resposta Debilita a resposta por
castigo
*Estímulo Aversivo Debilita a resposta por castigo Fortalece a resposta
por reforço negativo
*Não há conseqüência Extinção da resposta Extinção da resposta

A consolidação da aparição de uma resposta é a sua associação com as


conseqüências que seguem, um programa de contingências pode planejar o
resultado que se deseja, atuando sobre a apresentação do reforço ou sua retirada,
por uma parte, e com a administração de conseqüências positivas ou negativas que
o sujeito interprete como reforço ou como castigo. Os resultados são os que
aparecem no quadro acima, onde se pode ver o condicionamento de consolidação
ou desaparecimento da conduta.

Fatores que influenciam o aparecimento ou desaparecimento da resposta, de


acordo com (MERCHAN, 2000 –32) :

1. O efeito da quantidade de reforço administrado e suas variações.


2. A influencia do valor do incentivo ou motivação que o reforço exerce sobre a
conduta.
3. As conseqüências do tempo de demora na administração do reforço.
4. A influencia da duração e intensidade de todas as variáveis que intervêm no
estabelecimento da resposta condicionada.

Quatro formas diferenciadas de centrar os programas de reforçamento segundo


se realizem a administração de reforço, de acordo com (MERCHAN,2000: 32):

1. programa de razão fixa – ver acima em reforço de razão fixa.


2. programa de razão variável – ver acima em reforço de razão variável.
3. programa de intervalo fixo – ver acima em reforço de intervalo fixo.
4. programa de intervalo variável – ver acima em reforço de intervalo variável.

Estes programas são aplicados a situações escolares – as instruções


acadêmicas, as sugestões do professor, os materiais educativos – poderiam ser
entendidos como reforços que utilizados como se indica na tabela, se associariam a
respostas que se quisesse condicionar. Nos processos empregados na informação
pelos meios de comunicação, na publicidade, não seria difícil encontrar exemplos de
atuações onde parece que estão aplicando programas como estes.
É interessante na educação se considerar o papel dos reforços sociais no
ambiente de aprendizagem (atenção, afeto, aprovação) e a associação do
conhecimento do aluno ou a demonstração de suas habilidades com algum tipo de
reforço que gere a aparição de capacidades autoreforçantes e de motivação.
Não se pode generalizar o principio conductista do efeito do reforço em
situações de aprendizagem (aparição de conduta), em especial quando se trata de
castigos que deterioram a relação professor/aluno, diminuindo a potencialidade do
agente reforçador, gerando ansiedade no alunado e, portanto interferindo na sua
capacidade de aprendizagem a médio e longo prazo.

APRENDIZAGEM ESCOLAR E AS TEORIAS DO CONDICIONAMENTO

As teorias que explicam a aprendizagem, através do condicionamento refletem


uma concepção empirista do desenvolvimento e aprendizagem humanos, uma vez
que seu pressuposto básico é o de que forças externas ao indivíduo são os
determinantes principais de seu comportamento. Dentro de tal visão o indivíduo é
sempre paciente de um processo que ocorre, na maioria das vezes, à revelia da sua
vontade.
O modelo do condicionamento operante é a teoria que mais teve aplicação do
condutismo na aprendizagem escolar, e para Skinner ensinar é planejar um
programa de contingências de reforço que permita ao aluno aprender novas
condutas.

TEORIAS DO CONDICIONAMENTO E A PROGRAMAÇÃO DE OBJETIVOS DE


ENSINO

A ênfase que o modelo pedagógico tecnicista dá à formulação muito precisa de


objetivos educativos parece ser suficiente para uma programação eficaz, de
desenvolvimento de processos de aprendizagem necessários, em vez de toma-los
como

“(...) primeiro passo para estudar a ação que os processos de ensino tem que
desenvolver para que, estimulando e guiando os processos de aprendizagem, o
aluno alcance de alguma forma, os objetivos propostos. O projeto consiste em
prever o processo de ensino mais adequado para despertar o processo de
aprendizagem nas condições precisas para que o aluno alcance as metas. Partir
de uns objetivos claros e definidos não é somente o primeiro passo para adequar
o projeto que prefigura tanto o processo de ensino como o de aprendizagem”.
(Sacristán em (MERCHAN, 2000 : p.37)

A critica realizada pelo autor citado, estabelece que esta pedagogia visa
através da educação a mudança direcionada de comportamento definindo com
exatidão os objetivos operacionais que devem ser alcançados para promover estas
mudanças, especificando:

1. O que o aluno deve fazer em termos de conduta final;


2. que objetivos específicos, o aluno deve alcançar, através das estratégias de
ensino (ações), para manifestar a conduta prevista no objetivo geral.

Aparecem então taxionomias complexas combinando tipos de capacidades,


condutas gerais, condutas finais operativas, especificas.
Surgem muitas interrogações como:
- Quantos objetivos específicos são necessários para se considerar
plenamente alcançado um objetivo geral?
- Quando estará esgotado o mundo do observável, o significado de um
conceito ou de um objetivo geral?
- Quais são os critérios de validação de uma hierarquia de objetivos?
- Que indicações são oferecidas de como conseguir desenvolver e dinamizar
os processos necessários que influenciam o ensino?

Concluindo Sacritán argumenta:

“(...) uma psicologia que descreve o ser humano como algo estático, não
pode ajudar aos educadores a estabelecerem uma metodologia
pedagógica para alcançar esses resultados educativos”. (Sacristán em
(MERCHAN, 2000: p.39)

AS OBJEÇÕES ESTABELECIDAS AO CONDUTISMO:

1 – Objeção à possibilidade de generalizar os resultados de investigação com


animais em relação com conduta humana – a conduta humana responde a
princípios totalmente distintos dos que regem a conduta animal.

2 – Objeção ao principio básico do condutismo de identificação entre aprendizagem


e conduta manifesta, pois a aprendizagem é um evento ou um conjunto de eventos
inobserváveis.

3 – Objeção à semelhança entre as condutas elementares dos animais com as


condutas complexas humanas. Tornando o condutismo um enfoque reducionista no
que se refere à aprendizagem humana.

4 – Objeção à consideração condutista do conhecimento como uma soma de


informações construídas de forma linear, prescindindo por completo dos processos
cognitivos.

5 – Objeção à ênfase nos resultados obtidos e atividades mecânicas e não nos os


processos internos e nas atividades criativas e descobridoras do indivíduo
MERCHAN que aprende.

BIBLIOGRAFIA
BIGGE, M. L. Teorias da aprendizagem para professores. São Paulo: editora
pedagógica e universitária, 1971
COUTINHO, M. T. C., MOREIRA, M. C. Psicologia da educação. São Paulo: Lê,
1991
GOULART, I. B. Psicologia da educação. São Paulo: Vozes, 1987
MILHOLLAN, F., FORISHA, B. E. Skinner x Rogers. São Paulo: Summus, 1978
PARREIRAS, M. C. O. Teoria behaviorista ou comportamentista.
http://www.geocities.com/celitaparreiras/cond.htm