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INTRODUÇÃO

O Brasil é um dos países em que mais se pode encontrar sítios arqueológicos.

Algumas regiões, como na Serra da Capivara, em São Raimundo Nonato, abrigam as maiores quantidades de pinturas rupestres e objetos “pré-históricos” encontrados. Na região de Petrolina, no distrito de Rajada, também é possível encontrar estes sítios arqueológicos. São eles, o Chapada do Alegre, Manteiga I e Manteiga II. Sendo que todos eles têm proximidade ao Rio Pontal, e isso tem muita importância na explanação sobre a localidade das “pinturas” dessa região.

O distrito de Rajada foi criado em 20 de abril de 1893, sendo pertencente à cidade

de Petrolina, na Mesorregião do São Francisco, sertão do estado de Pernambuco. Com tanto tempo de existência, a equipe responsável pela coleta de dados históricos pôde registrar alguns relatos de moradores, sobretudo os mais velhos, quanto à memória e a importância histórica e social do açude.

Para entender melhor a localidade, é necessário entender que a cultura agropecuária foi um dos agentes responsáveis pela expansão territorial, que começa no século XVI e perdura até os dias atuais. Além disso, na região do Açude das Pedras, onde se encontram os “petróglifos”, é possível, quando o nível do Rio Pontal está baixo, perceber um muro onde, segundo os moradores, não se sabe quando ele foi feito. Segundo um morador entrevistado chamado de sr. José Antônio, quando o pai dele chegou ao local, por volta de 1937, esse muro já existia e servia para “reservar” a água.

Do ponto de vista arqueológico, o Açude das Pedras hospeda alguns petróglifos, que na definição mais ampla são inscrições em alto relevo sobre pedras e toma forma de acordo com a geometria do desenho. Partindo da livre interpretação, os petróglifos são desenhos de cotidianosou até mesmo de figuras geométricas, como círculos e triângulos. Estas inscrições ficam visíveis quando o açude está em seu nível de seca. No período de cheia, as pedras que abrigam as inscrições ficam submersas.

Do ponto de vista histórico, o espaço do Açude das Pedras, faz parte do imaginário da população. Em primeiro lugar porque um espaço faz parte da memória que as pessoas têm. São locais que elas viveram, se emocionaram, cresceram e desfrutaram. Por isso, a História se preocupa em entender como essas pessoas vêm aquele local, pois ele faz parte da construção da identidade daquele povo. Nas palavras de Gilberto, morador próximo aos sítios arqueológicos, Preservar o açude é também preservar a história do povo de

Rajada. ” Isso é confirmado pelo fato de que parte da população acredita que o açude deve ser preservado, não apenas pela sua capacidade de fornecer água em tempos de seca, mas também nas palavras de João Lucas, estudante e morador da região, o açude e os petróglifos deram visibilidade à Rajada.

Por isso, é essencial este projeto a fim de culminar com a preservação da região do açude, não apenas por abrigar inscrições arqueológicas, mas também porque isso é parte da construção da identidade de um povo e da consciência histórica, a fim de que o conhecimento forme cidadãos.