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09/10/2019 Anexo-Circ408-18.

doc

CADERNO DE TEXTOS

38º CONGRESSO
do
ANDES-Sindicato Nacional

Belém/PA, 28 de janeiro a 2 de fevereiro de 2019

Tema Central: Por Democracia, Educação, Ciência, Tecnologia e Serviços Públicos: em


defesa do trabalho e da carreira docente, pela revogação da EC/95

36

ANDES – SINDICATO NACIONAL

Sindicato Nacional dos Docentes


das Instituições de Ensino Superior
SCS – Setor Comercial Sul, Quadra 2, Bloco C, Ed. Cedro II, 5º andar
Brasília - DF
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Fone: (61) 3962-8400 1/110
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09/10/2019 Gestão 2018/2020 Anexo-Circ408-18.doc

Presidente: Antonio Gonçalves Filho


Secretária-Geral: Eblin Farage
1ª Tesoureira: Raquel Dias Araújo
Diretor responsável por Imprensa e Divulgação: Cláudio Anselmo de Souza Mendonça

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SUMÁRIO

Apresentação – Diretoria do ANDES-SN 8

Metodologia de Trabalho 9

Proposta de Cronograma e Pauta do 38º CONGRESSO 10

Proposta de Regimento do 38º CONGRESSO 11

TEMA I – MOVIMENTO DOCENTE, CONJUNTURA E CENTRALIDADE DA


LUTA

Texto 1 – Movimento docente, conjuntura e centralidade da luta – Diretoria do ANDES-SN 22

Texto 2 – Matar a ilusão com a democracia burguesa. Recuperar a perspectiva


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anticapitalista – Contribuição do sindicalizado André Mayer (ADUFOP).

Texto 3 – A reorganização da classe trabalhadora como tarefa fundamental das lutas


classistas – Contribuição do(a)s sindicalizado(a)s: Sâmbara Paula Francelino
(SINDUECE); Raquel de Brito Souza (SINDUECE); Caroline Magalhães Lima
(SINDUECE); Luis Eduardo Acosta (ADUFRJ); Walcyr de Oliveira Barros
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(ADUFRJ); Mauro Iasi (ADUFRJ); Kate Lane Costa de Paiva (ADUFF); Douglas
Ribeiro Barbosa (ADUFF); Giovanni Frizzo (ADUFPel); Elza Peixoto (APUB);
Milton Pinheiro (ADUNEB); Sofia Manzano (ADUSB); Cleusa Santos (ADUFRJ);
Moisés Lobão (ADUFAC); Fábio Martins Bezerra (SINDCEFET-MG).

Texto 4 – Para resistir é necessário unidade e se reconectar com a nossa base - Significado
da vitória de Bolsonaro – Contribuição do(a)s sindicalizado(a)s: Adolfo Neto
(ADUFPA); Ana Carolina Feldenheimer (ASDUERJ); André Kaysel (ADUNICAMP);
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Joana Barros (Adunifesp); Leonardo Zenha (ADUFPA); Luiz Araújo (ADUnB);
Maíra Kubík Mano (APUB); Nathalia Cassettari (ADUnB); Rodrigo Pereira
(APUB); Sandra Cruz (ADUFPA); Welson Cardoso (ADUFPA).

TEMA II – POLÍTICAS SOCIAIS E PLANO GERAL DE LUTAS

Texto 5 – Política de Formação Sindical - Os desafios da organização do(a)s docentes e da


classe trabalhadora – Construir uma frente em defesa das liberdades democráticas – 44
Diretoria do ANDES-SN

Texto 6 – Política Educacional – Diretoria do ANDES-SN 50

Texto 7 - Política de Classe para as Questões Etnicorraciais, de Gênero e Diversidade


60
Sexual – Diretoria do ANDES-SN
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Texto 8 Política de Comunicação e Arte Diretoria do ANDES SN 66

Texto 9 – Política Agrária, Urbana e Ambiental – Diretoria do ANDES-SN


09/10/2019 Anexo-Circ408-18.doc69

Texto 10 – Política de Seguridade Social e Assuntos de Aposentadoria – Diretoria do 72

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ANDES-SN

Texto 11 – Política de História do Movimento Docente – Seminário Histórias do


Movimento Docente: Lutas por autonomia e liberdade, ontem e hoje – Diretoria do 79
ANDES-SN

Texto 12 – Política de História do Movimento Docente – Museu Nacional: Em defesa do


patrimônio histórico, cultural, arqueológico e artístico nacional - Diretoria do 80
ANDES-SN

Texto 13 – Políticas e ações para a carreira docente – Diretoria do ANDES-SN 81

Texto 14 – Fortalecimento da produção agroecológica de alimentos oriundos da agricultura


familiar por meio da consolidação do Programa Nacional de Alimentação Escolar
(PNAE) e do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar
85
(PRONAF) – Contribuição do(a)s sindicalizado(a)s: Eduardo Antunes Dias
(APROFURG); Eduardo Dias Forneck (APROFURG); Márcia Umpierre
(APROFURG).

Texto 15 – Consolidação da reserva legal no Bioma Pampa – Contribuição do(a)s


sindicalizado(a)s: Eduardo Antunes Dias (APROFURG); Eduardo Dias Forneck 86
(APROFURG).

Texto 16 – E agora ANDES, como prosseguir? Contribuição do(a)s sindicalizado(a)s:


Alexsandro Donato de Carvalho (ADFURRN); Lemuel Rodrigues da Silva 87
(ADFURRN); Rosimeiry Florêncio de Queiroz Rodrigues (ADFURRN).

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TEMA III– PLANO DE LUTAS DOS SETORES

Texto 17 – Plano de lutas do setor das IEES/IMES – Diretoria do ANDES-SN 91

Texto 18 Plano de lutas do setor das IFES – Diretoria do ANDES-SN 99

Texto 19 – Educação e integração solidária: Os desafios da UNILA e da UNILAB em


tempos de ataques aos direitos humanos – Contribuição do(a)s sindicalizado(a)s:
114
Andréia Moassab (SESUNILA); Giugliano (SESUNILA); Francieli Rebelatto
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(SESUNILA); Rogério Carla Rabelo (SESUNIPAMPA). 3/110
TEMA IV – QUESTÕES ORGANIZATIVAS E FINANCEIRAS

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Texto 20 – Alterações no Estatuto do ANDES-SN – Diretoria do ANDES-SN 118

Texto 21– Fundo Único – Fundo nacional de solidariedade, mobilização e greve do


125
ANDES-SN – Diretoria do ANDES-SN

Texto 22 – Homologações: novas seções sindicais, alterações regimentais, transformação


127
de associação de docente em seção sindical – Diretoria do ANDES-SN

Texto 23 – Prestação de contas do 63º CONAD – Diretoria do ANDES-SN 128

Texto 24 – Manutenção do apoio financeiro à Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF)


130
– Diretoria do ANDES-SN

Texto 25 – Manutenção do apoio financeiro à Auditoria Cidadã da Dívida – Diretoria do


132
ANDES-SN

Texto 26 – Manutenção de apoio financeiro ao Casarão da Luta e ao sistema de formação


política do movimento dos trabalhadores sem teto (MTST) – Diretoria do ANDES- 133
SN

Texto 27 – Sede do 39º Congresso do ANDES-SINDICATO NACIONAL – Diretoria do


134
ANDES-SN

Texto 28 – Grupos de trabalho (GT) DO ANDES-SN – Diretoria do ANDES-SN 135

Texto 29 – Por uma diretoria paritária no ANDES-SN – Diretoria do ANDES-SN 136

Texto 30 – Por maior participação das pequenas seções sindicais - Grupo de Trabalho de
138
Política e Formação Sindical – Diretoria do ANDES-SN

Texto 31 – Ação afirmativa e participação democrática nos Fóruns do Sindicato Nacional –


Contribuição do(a)s sindicalizado(a)s: Andréia Moassab (SESUNILA); Élen 140
Schneider (SESUNILA); Francieli Rebelatto (SESUNILA).

SIGLAS 142

Legislação citada nos textos da Diretoria do ANDES-SN 144

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Os Textos Resolução (TR) receberam a mesma numeração que os


Textos Apoio (TA) correspondentes. No caso de Texto de Apoio sem
Resolução, seu número foi preservado para que, porventura, seja
utilizado em proposta de Resolução apresentada durante o evento.

SUMÁRIO DOS TR

TEMA I – MOVIMENTO DOCENTE, CONJUNTURA E CENTRALIDADE DA


LUTA

TR 1 – Movimento docente, conjuntura e centralidade da luta 35

TR 2 – Matar a ilusão com a democracia burguesa. Recuperar a perspectiva anticapitalista 36

TEMA II – POLÍTICAS SOCIAIS E PLANO GERAL DE LUTAS

TR 5 – Política de Formação Sindical - Os desafios da organização do(a)s docentes e da


49
classe trabalhadora – Construir uma frente em defesa das liberdades democráticas

TR 6 – Política Educacional 58

TR 7 - Política de Classe para as Questões Etnicorraciais, de Gênero e Diversidade Sexual 65

TR 8 – Política de Comunicação e Arte 68

TR 9 – Política Agrária, Urbana e Ambiental 71

TR 10 – Política de Seguridade Social e Assuntos de Aposentadoria 78

TR 11 – Política de História do Movimento Docente – Seminário Histórias do Movimento


79
Docente: Lutas por autonomia e liberdade, ontem e hoje

TR 12 – Política de História do Movimento Docente – Museu Nacional: Em defesa do


80
patrimônio histórico, cultural, arqueológico e artístico nacional

TR 13 – Políticas e ações para a carreira docente


chrome-extension://bpmcpldpdmajfigpchkicefoigmkfalc/views/app.html 84 4/110

TR 14 – Fortalecimento da produção agroecológica de alimentos oriundos da agricultura


familiar por meio da consolidação do Programa Nacional de Alimentação Escolar
85
09/10/2019 (PNAE) e do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar
Anexo-Circ408-18.doc
(PRONAF)

TR 15 – Consolidação da reserva legal no Bioma Pampa 87

TR 16 – E agora ANDES, como prosseguir? 89

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TEMA III– PLANO DE LUTAS DOS SETORES

TR 17 – Plano de lutas do setor das IEES/IMES 98

TR 18 – Plano de lutas do setor das IFES - Diretoria do ANDES-SN 113

TR 19 – Educação e integração solidária: Os desafios da UNILA e da UNILAB em tempos


116
de ataques aos direitos humanos

TEMA IV – QUESTÕES ORGANIZATIVAS E FINANCEIRAS

TR 20 – Alterações no Estatuto do ANDES-SN 118

TR 21 – Fundo Único – Fundo nacional de solidariedade, mobilização e greve do ANDES-


126
SN

TR 22 – Homologações: novas seções sindicais, alterações regimentais, transformação de


127
associação de docente em seção sindical

TR 23 – Prestação de contas do 63º CONAD 128

TR 24 – Manutenção do apoio financeiro à Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF) 131

TR 25 – Manutenção do apoio financeiro à Auditoria Cidadã da Dívida 133

TR 26 – Manutenção de apoio financeiro ao Casarão da Luta e ao sistema de formação


134
política do movimento dos trabalhadores sem teto (MTST)

TR 27 – Sede do 39º Congresso do ANDES-SINDICATO NACIONAL 134

TR 28 – Grupos de trabalho (GT) DO ANDES-SN 135

TR 29 – Por uma diretoria paritária no ANDES-SN 138

TR 30 – Por maior participação das pequenas seções sindicais - Grupo de Trabalho de


139
Política e Formação Sindical

TR 31 – Ação afirmativa e participação democrática nos Fóruns do Sindicato Nacional 141

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Apresentação
O 38º Congresso do ANDES-SN será realizado em Belém – PA, sob a
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organização da diretoria do ANDES-SN e da ADUFPA Seção Sindical, no período de 28
de janeiro até 2 de fevereiro de 2019, com o tema central: “Por Democracia, Educação,
Ciência e Tecnologia e Serviços Públicos: em defesa do trabalho e da carreira docente,
pela revogação da EC/95”.
O ano de 2018 começou com a necessária pauta de combater a Emenda
Constitucional 95/2016, que já se fazia sentir no cotidiano de nossas instituições de
ensino; e de buscar unidade para mobilizar para lutar pela revogação da terceirização e da
reforma trabalhista; e de se opor à contrarreforma da previdência. Iniciamos o ano nos
posicionando contra os cortes de verbas nas instituições de ensino e combatendo os
projetos escola sem partido nos estados e municípios.
O ano de 2018 foi marcado também pelas eleições presidenciais, depois de
anos de polarização eleitoral, colocando em oposição, de um lado, os projetos dos
partidos da direita tradicional e, de outro, os projetos de conciliação de classe, que, mesmo
guardando diferenças, não expressavam os elementos para a construção de uma sociedade
em que o(a)s trabalhadore(a)s fossem realmente emancipado(a)s. Nesse contexto, o ano
de 2018 certamente entrará para a história do país como um dos momentos de maior
retrocesso na conformação política e social, tendo sido eleito um presidente de extrema-
direita que representa o espectro conservador e reacionário, apontando para grandes
perdas nas conquistas da classe trabalhadora.
Os retrocessos já anunciados pelo governo eleito incluem desde a proposta
de uma contrarreforma da previdência ainda mais dura e perversa à(o)s trabalhadore(a)s
do que a inicialmente proposta pelo governo Temer até a proposta de cobrança de
mensalidades nas Universidades Públicas.
Políticas, aparentemente, de cunho moral, mas que atendem, em boa
medida, ao capital, como os projetos escola sem partido, a tentativa de “varrer os
vermelhos do país”, a responsabilização do funcionalismo público pela oneração e pelos
privilégios do Estado, a negação dos direitos de mulheres, negros e negras, indígenas e
quilombolas junto com a militarização da vida e das relações sociais, indicam-nos que
tempos ainda mais difíceis estão por vir. Cabe ao nosso Sindicato, como sempre foi marca
de nossa história, lutar, ampliar a organização e resistir, sempre tendo como referência o
trabalho de base.
O 38º Congresso do ANDES-SN acontecerá em momento de enorme
desafio para a categoria docente e para o conjunto da classe trabalhadora, a saber, desafio
de lutar para não permitir mais retrocessos, o desafio de ampliar o arco de unidade de
ação, contribuindo para a construção de uma frente ampla nacional pelas liberdades
democráticas, o desafio de manter nossas instituições de ensino públicas e gratuitas,
pautadas no tripé do ensino-pesquisa-extensão.
Muitos são os desafios, mas grande é nossa disposição para lutar e resistir.
Resistir para existir! Resistir para avançar!

Diretoria do ANDES-SN
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Metodologia de Trabalho

O Congresso do ANDES-SN tem como tarefa maior definir posicionamentos


políticos estratégicos e aprovar o Plano de Lutas anual do Sindicato, a partir das
discussões e decisões das assembleias gerais do(a)s docentes frente a temas que estão
relacionados diretamente ao trabalho docente e suas reivindicações.
Os eventos nacionais deliberativos do ANDES-SN (Congressos e CONAD)
constituem espaços democráticos de debate, de participação da base da categoria e de
definições que norteiam as ações do Sindicato. Todo o trabalho é subsidiado por
Cadernos de Texto que disponibilizam, previamente, o conjunto de propostas em debate,
dentro do temário proposto.
A estrutura de funcionamento desses eventos deliberativos baseia-se na sucessão
de três tipos de espaços: grupos mistos, preparação e realização das plenárias.
Os grupos mistos têm como objetivo fazer com que todo(a)s o(a)s participantes,
reunido(a)s em pequenos agrupamentos, discutam os temas pautados no evento, de forma
a facilitar o amadurecimento das posições trazidas das assembleias gerais de cada Seção
Sindical, e apontar as propostas que serão submetidas à deliberação nas plenárias. O
resultado dos encaminhamentos dos grupos deve ser consolidado, uma vez que todos os
grupos debatem todos os temas.
A preparação das plenárias tem como tarefa fundamental essa consolidação,
para que a dinâmica de deliberações tome por base o que já foi apreciado e indicado nos
grupos mistos. O trabalho nessa fase é exaustivo, exige muitas horas de dedicação e é
realizado pelo(a)s diretore(a)s, que serão responsáveis pela condução da mesa dirigente da
plenária, com o apoio do(a)s relatore(a)s dos grupos.
A realização das plenárias tem revelado dinâmicas variáveis segundo o temário,
mas também segundo o conteúdo e a pertinência das propostas encaminhadas para
deliberação, abrindo espaço ao contraditório em relação às grandes polêmicas, e
cumprindo a sua função primordial, que é a de deliberar, pelo voto da maioria do(a)s
delegado(a)s, sobre as propostas vindas dos grupos mistos.
O Caderno de Textos está organizado de modo a contemplar os seguintes
aspectos:
1) O ordenamento dos temas do Congresso: conjuntura, centralidade, políticas
(contendo proposições de princípios e posicionamentos estratégicos) e depois os planos de
luta (contendo proposições de ações e agenda para sua implementação);
2) Os Textos de Apoio (TA) cumprem uma função pedagógica e de registro
histórico para o movimento; após cada TA, uma caixa de texto com as resoluções
aprovadas no 37o Congresso complementa o resgate histórico; e os Textos Resolução
(TR) apresentam o que é novo, de fato, em termos de propostas.
O desafio será definir as prioridades e ações para o ano de 2019, na forma de uma
agenda de lutas a ser apresentada à categoria e que se traduza em um chamamento forte à
mobilização, que é o caminho para as conquistas.

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PROPOSTA DE CRONOGRAMA E PAUTA PARA O 38º CONGRESSO DO ANDES-SINDICATO NACIONAL


Belém/PA, 28 de janeiro a 2 de fevereiro de 2019

Tema Central: Por Democracia, Educação, Ciência, Tecnologia e Serviços Públicos: em defesa do trabalho e da carreira docente,
pela revogação da EC/95

28/1 (2ª feira) 29/1 (3ª feira) 30/1 (4ª feira) 31/1 (5ª feira) 1º/2 (6ª feira) 2/2 (sábado)

9h às 12h
14h às 18h 9h às 12h 9h às 12h
9h às 12h 9h às 12h
Credenciamento Grupo Misto Plenária do
Grupo Misto Livre Plenária do
10h às 13h Tema II Tema II
Tema III Tema IV
Plenária de Abertura
Plenária de Instalação

13h30 às 17h30 13h30 às 16h30


13h30 às 17h30 13h30 às 17h30 13h30 às 15h30
Grupo Misto Plenária do
Grupo Misto Plenária do Plenária de
Tema IV Tema II
15h às 21h Tema II Tema III Encerramento
Plenária do Tema I
19h às 22h
Livre Livre Livre Plenária do
Tema IV

Pauta
Tema I – Movimento docente, conjuntura e centralidade da luta.
Tema II – Políticas sociais e plano geral de lutas.
Tema III – Plano de lutas dos setores.
Tema IV – Questões organizativas e financeiras.

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PROPOSTA DE REGIMENTO DO
38º CONGRESSO DO ANDES-SINDICATO NACIONAL

Capítulo I
Do CONGRESSO
Art. 1º. O 38º CONGRESSO do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de
Ensino Superior – ANDES-SINDICATO NACIONAL, previsto no inciso I do Art. 13
do Estatuto do ANDES-SINDICATO NACIONAL, convocado pela Diretoria, conforme
o inciso XII do Art. 30 do Estatuto do ANDES-SINDICATO NACIONAL e organizado
pela ADUFPA Seção Sindical, reunir-se-á no período de 28 de janeiro a 2 de fevereiro de
2019, na cidade de Belém (PA).
Parágrafo único. O período de realização do 38º CONGRESSO poderá ser estendido
pela plenária de encerramento para o dia 3 de fevereiro de 2019.
Art. 2º. O 38º CONGRESSO do ANDES-SINDICATO NACIONAL tem como
finalidade deliberar sobre a pauta aprovada em sua Plenária de Instalação, de acordo com
o disposto no Art. 19 de seu Estatuto.

Capítulo II
Das Atribuições
Art. 3º. São atribuições do 38º CONGRESSO, conforme dispõem os incisos I a X do
Art. 15 do Estatuto do ANDES-SINDICATO NACIONAL:
“Art.15. São atribuições do CONGRESSO:
I - estabelecer diretrizes para a consecução dos objetivos previstos no art. 5º;
II - decidir, em última instância, os recursos interpostos às decisões de exclusão de
sindicalizados tomadas pelas SSIND ou AD-SSIND;
III - decidir, em última instância, os recursos interpostos às decisões do CONAD ou da
DIRETORIA, que constarão obrigatoriamente de sua pauta;
IV - estabelecer a contribuição financeira dos sindicalizados do ANDES-SINDICATO
NACIONAL;
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V - alterar, no todo ou em parte, o presente Estatuto;
VI - referendar ou homologar a constituição de SSIND, ou revogar sua homologação,
observado o disposto no art. 45;
VII - elaborar o regimento das eleições da DIRETORIA, conforme o disposto
09/10/2019 no art. 52;
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VIII - decidir sobre a filiação do ANDES-SINDICATO NACIONAL às organizações
nacionais e internacionais conforme o disposto no art. 65;
IX - referendar as alterações verificadas nos regimentos das SSIND ou AD-SSIND,
observado o disposto no art. 45;
X - criar, indicando seus componentes, ou extinguir comissões ou grupos de trabalho,
permanentes ou temporários, sobre quaisquer questões.”

Capítulo III
Do(a)s Participantes
Art. 4º. São participantes do 38º CONGRESSO:
I – delegado(a)s devidamente credenciado(a)s, com direito à voz e ao voto;
a) um(a) delegado(a) de cada diretoria de seção sindical (SSIND.) ou AD-Seção Sindical
(AD-SSIND.) (art. 16, I do Estatuto) do ANDES-SINDICATO NACIONAL;
b) delegado(a)s de base de cada SSIND. ou AD-SSIND. (art. 16, inciso II do Estatuto) do
ANDES-SINDICATO NACIONAL, indicado(a)s em sistema de proporcionalidade
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fixado pelo § 1º do Art. 17 do Estatuto;


c) delegado(a)s representativo(a)s do(a)s sindicalizado(a)s via secretarias regionais (Art.
16, inciso III do Estatuto), indicado(a)s em proporção cumulativa, fixada pelo § 1º do art.
17;
d) delegado(a)s representativo(a)s) do(a)s sindicalizado(a)s, nos termos do Art. 41, inciso
VIII do Estatuto.
II - os membros da comissão organizadora e da comissão diretora do 38º CONGRESSO,
com direito à voz;
III – o(a)s sindicalizado(a)s do ANDES-SINDICATO NACIONAL, devidamente
credenciado(a)s como observadore(a)s pela sua respectiva SSIND. ou AD-SSIND., e
secretarias regionais, com direito à voz;
IV – o(a)s convidado(a)s pela comissão organizadora e comissão diretora, com direito à
voz.
§1º O(A)s sindicalizado(a)s do ANDES-SINDICATO NACIONAL não poderão
participar como convidado(a)s do 38º CONGRESSO, salvo na condição de
pesquisadore(a)s, participantes de seminários ou para prestar assessoria e/ou
esclarecimentos.
§2º O(A)s delegado(a)s, devidamente credenciado(a)s, só poderão ser substituído(a)s,
durante a realização do 38º CONGRESSO, obedecidas as seguintes condições:
a) comprovar junto à comissão diretora, a necessidade de ausentar-se definitivamente do
38º CONGRESSO;
b) haver suplentes de delegado(a)s indicado(a)s pelas assembleias das SSIND. ou AD-
SSIND, e pelas assembleias do(a)s sindicalizado(a)s, via secretarias regionais,
credenciado(a)s como observadore(a)s no 38º CONGRESSO;
c) quando o(a) delegado(a) de S. SIND. ou AD-SSIND, ou delegado(a) representativo(a)
do(a)s sindicalizado(a)s via secretarias regionais, comprovadamente se ausentar
definitivamente, sem providenciar a substituição, a comissão diretora o fará, respeitando o
presente Regimento.
Art. 5º. O Presidente do ANDES-SINDICATO NACIONAL preside o 38º
CONGRESSO, com direito à voz e a voto em suas sessões, e os demais membros em
exercício da Diretoria (art. 32, I, II, III e IV), excetuados aqueles cujo âmbito de
competência e atuação limita-se à área de sua regional (art. 32, V), participam com direito
à voz.
Capítulo IV
Do Credenciamento
Art. 6º. A ratificação ou a do credenciamento do(a)s delegado(a)s e observadore(a)s das
SSIND ou AD-SSIND do ANDES-SINDICATO NACIONAL e do(a)s delegado(a)s
representativo(a)s do(a)s sindicalizado(a)s, via secretarias regionais, ao 38º
CONGRESSO será das 9 (nove) horas às 12 (doze) horas e das 14 (quatorze) horas às
18h (dezessete) horas do dia 28 de janeiro, excetuando-se os casos justificados e
aprovados pela Plenária de Instalação.
§ 1º Não haverá recebimento da documentação necessária ao credenciamento no dia 28
de janeiro de 2018, excetuando-se os casos justificados e aprovados pela Plenária de
Instalação.
§ 2º Para o credenciamento do(a)s delegado(a)s, será exigida ata (ou extrato) da
assembleia geral que deliberou sobre sua escolha, com a respectiva lista de presença. A
documentação deverá ser enviada previamente, até às 24h do dia 25 de janeiro de 2019
para o e-mail secretaria@andes.org.br.
§ 3º Para o credenciamento do(a)s observadore(a)s, será exigida ata (ou extrato) e, no
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caso de não ter havido assembleia geral, será exigido documento da SSIND ou AD-
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SSIND que o(a)s indicou. A documentação deverá ser enviada previamente, até às 24h
do dia 25 de janeiro de 2019 para o e-mail secretaria@andes.org.br.
§ 4º Fica assegurado a qualquer delegado(a) credenciado(a) ter vista e cópias da totalidade
de documentos que credenciam o(a)s delegado(a)s e observadore(a)s de qualquer
SSIND., mediante requerimento à comissão diretora.
§ 5º Quaisquer recursos acerca do credenciamento poderão ser apresentados até o início
da Plenária de Instalação, que deverá deliberar sobre o assunto até o seu final.
§ 6º Cada delegado(a) ou observador(a), no ato do credenciamento, receberá um cartão de
identificação e/ou votação, em cores diferentes.
§ 7º No caso de perda ou dano do cartão, ele não será substituído, salvo por autorização
expressa da Plenária.
Capítulo V
Do Funcionamento

Seção I
Dos órgãos
Art. 7º. São órgãos do 38º CONGRESSO:
I – Comissão Organizadora;
II – Comissão Diretora;
III - Grupos Mistos;
IV - As Plenárias;
V - Comissão de Enfrentamento ao Assédio
§ 1º A Comissão organizadora será criada a partir da convocação.
§ 2º A Comissão de enfrentamento ao assédio será criada na plenária de instalação do 38o
CONGRESSO.
§ 3o Os demais órgãos têm existência restrita ao período de sua realização.
§ 4º O quórum mínimo para o funcionamento de cada órgão do 38º CONGRESSO é de
mais de 50% (cinquenta por cento) dos seus membros com direito a voto.
§ 5º Passados 15 (quinze) minutos do horário definido para o início dos trabalhos dos
grupos mistos, o quórum de funcionamento se reduz para 30% (trinta por cento) dos seus
membros com direito a voto.
§ 6º As deliberações só poderão ocorrer depois de verificado o quórum previsto no § 4º
deste artigo.

Seção II
Da Comissão Organizadora
Art. 8º. A Comissão Organizadora é constituída por 3 (três) representantes da ADUFPA
Seção Sindical e por 4 (quatro) Diretore(a)s do ANDES-SINDICATO NACIONAL.
Art. 9º. É de competência da Comissão Organizadora:
I - preparar a infraestrutura necessária à realização do 38º CONGRESSO;
II - organizar, junto com a comissão diretora, a Plenária de Abertura do 38º
CONGRESSO;
III - realizar, junto com a comissão diretora, o credenciamento do(a)s participantes do 38º
CONGRESSO.
Parágrafo único. Das decisões da comissão organizadora cabe recurso à comissão
diretora.

Seção III
36

Da Comissão Diretora
Art. 10. A Comissão Diretora do 38º CONGRESSO é composta pelo(a)s Diretore(a)s do
ANDES-SINDICATO NACIONAL.
Art. 11. É de competência da Comissão Diretora:
I - responsabilizar-se, junto com a Comissão Organizadora, pelo credenciamento do(a)s
participantes do 38º CONGRESSO;
II - decidir e efetivar a substituição de delegado(a)s, de acordo com o disposto no § 2º,
alíneas “a” e “c” do Art. 4º deste regimento, e anunciar a substituição do(a) delegado(a)
ao 38º CONGRESSO;
III - responsabilizar-se pelas receitas e despesas do 38º CONGRESSO, organizando o
rateio entre as seções sindicais;
IV - elaborar a prestação de contas do 38º CONGRESSO para apreciação no próximo
CONAD;
V - organizar e compor as mesas diretoras das Plenárias do 38º CONGRESSO;
VI - organizar a composição dos grupos mistos do 38º CONGRESSO em consonância
com o disposto neste Regimento.
VII - Responsabilizar-se, em conjunto com os relatores dos Grupos Mistos, pela
consolidação dos relatórios dos diferentes grupos.
Parágrafo único. Das decisões da comissão diretora cabe recurso à Plenária.

Seção IV
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Dos Grupos Mistos
Art. 12. Os Grupos Mistos são compostos por:
I – Delegado(a)s, devidamente credenciado(a)s, de SSIND, de AD-SSIND, de
09/10/2019
delegado(a)s representativo(a)s do(a)s sindicalizado(a)s nos termos Anexo-Circ408-18.doc
do Art. 41, inciso
VIII, do Estatuto e de delegado(a)s representativo(a)s do(a)s sindicalizado(a)s via
Secretarias Regionais, todo(a)s com direito à voz e ao voto;
II – Observadore(a)s devidamente credenciado(a)s, de SSIND, de AD-SSIND e de
sindicalizado(a)s via secretaria regional, com direito à voz;
III – Diretore(a)s do ANDES-SINDICATO NACIONAL, com direito à voz;
IV – Convidado(a)s, devidamente credenciado(a)s, com direito à voz.
Art. 13. Cada grupo misto é composto por, no máximo, 35 (trinta e cinco) delegado(a)s e
igual número de observadore(a)s.
Parágrafo único. Só poderá haver, no mesmo grupo, mais de um(a) delegado(a) de uma
mesma Seção Sindical ou AD-Seção Sindical, ou mais de um(a) delegado(a) do(a)s
sindicalizado(a)s de uma mesma Secretaria Regional, ou mais de um(a) delegado(a)
representativo(a) do(a)s sindicalizado(a)s nos termos do Art. 41, inciso VIII, do Estatuto,
caso o respectivo número de delegado(a)s seja superior ao número de Grupos Mistos.
Essa mesma regra se aplica ao(à)s observadore(a)s.
Art. 14. Os grupos mistos são dirigidos por uma mesa coordenadora, composta por 1
(um/uma) coordenador(a), 1 (um/uma) relator(a) e 1 (um/uma) secretário(a).
§ 1º Os membros da mesa coordenadora são eleito(a)s pelo(a)s delegado(a)s componentes
dos grupos.
§ 2º O(A) coordenador(a) e o(a) secretário(a) da mesa coordenadora serão eleito(a)s entre
o(a)s delegado(a)s componentes dos grupos e o(a) relator(a) poderá ser um(a)
observador(a), devidamente credenciado(a).
§ 3º A qualquer momento, o(a)s delegado(a)s integrantes do grupo podem deliberar sobre
proposta de alteração da Mesa Coordenadora, salvaguardando o disposto no parágrafo
anterior.
36

Art. 15. As reuniões dos grupos mistos iniciar-se-ão nos horários previstos no
Cronograma do 38º CONGRESSO, observado o quórum de mais de 50% (cinquenta por
cento) do(a)s delegado(a)s participantes do grupo.
§ 1º Passados 15 (quinze) minutos do horário previsto para o início das reuniões do
grupo, o quórum mínimo será de 30% (trinta por cento) do(a)s delegado(a)s participantes
do grupo.
§ 2º Passados 30 (trinta) minutos do horário previsto, iniciar-se-ão os trabalhos com
qualquer número de delegado(a)s presentes, sendo recolhida a 1ª (primeira) lista de
presença e aberta a 2ª (segunda) lista.
§ 3º As deliberações só serão tomadas por mais da metade do(a)s delegado(a)s inscrito(a)s
em cada grupo misto.
Art. 16. Compete ao(à) coordenador(a) dirigir a reunião do grupo, orientando os debates
e promovendo as votações de acordo com as normas deste Regimento.
Parágrafo único. A Comissão Diretora do 38º CONGRESSO deverá recomendar um
ordenamento da distribuição dos textos e do Anexo ao Caderno de Textos para o conjunto
dos grupos mistos no sentido de buscar garantir que cada TR seja debatido em pelo
menos um grupo misto do CONGRESSO.
Art. 17. É de competência do(a) relator(a):
I - elaborar o relatório da reunião do grupo de acordo com as normas deste regimento e
com as instruções da comissão diretora;
II - fazer constar do relatório o número de votos, texto completo das propostas surgidas no
grupo e a situação final de cada proposta submetida à deliberação.
III - fazer constar os nomes completos do(a) coordenador(a), relator(a) e secretário(a).
Art. 18. Compete ao(à) secretário(a) auxiliar o(a) coordenador(a) e o(a) relator(a) em suas
atividades.
Art. 19. O(A)s relatore(a)s dos Grupos Mistos dispõem de um prazo máximo de 1 (uma)
hora, após o encerramento da reunião dos referidos grupos, para entregar à comissão
diretora o relatório de seu grupo digitado, garantidas as condições pela comissão
organizadora.
Art. 20. A consolidação dos Grupos Mistos será feita em reunião pelos membros da
comissão diretora para tal designados, com auxílio do(a)s relatore(a)s dos diversos Grupos
Mistos.
Art. 21. Dos relatórios consolidados que serão apresentados às Plenárias do 38º
CONGRESSO constam, necessariamente:
I - as propostas aprovadas por maioria simples;
II - as propostas que tenham obtido, no mínimo, 30% (trinta por cento) dos votos dos
delegado(a)s presentes em, pelo menos, um dos grupos mistos;
III - as propostas de redação compatibilizadas pela comissão diretora e relatore(a)s.
§ 1º A comissão diretora poderá redigir e incluir no relatório sugestões de propostas
decorrentes de sistematização ou consolidação das propostas oriundas dos grupos mistos.
Não poderão ser feitas propostas de acréscimo ou alteração para inclusão no relatório que
não correspondam às propostas oriundas dos grupos mistos.
§ 2º O disposto neste artigo aplica-se às propostas das Plenárias dos temas II, III e IV do
38º CONGRESSO.
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Art. 22. O início das reuniões dos Grupos Mistos obedecerá, rigorosamente, aos horários
previstos no cronograma do 38º CONGRESSO.
Art. 23. As reuniões dos Grupos Mistos terão duração de:
a) do Tema II: 7 (sete) horas, em dois turnos;
09/10/2019 Anexo-Circ408-18.doc
b) do Tema III: 3 (três) horas;
36

c) do Tema IV: 4 (quatro) horas;


Parágrafo único. O prazo previsto no caput deste artigo poderá, por deliberação do grupo,
ser prorrogado por, no máximo, 1 (uma) hora, desde que não venha a interferir no
funcionamento de outras atividades do 38º CONGRESSO.

Seção V
Das Plenárias
Art. 24. As Plenárias são compostas por:
I – Delegado(a)s de SSIND, de AD-SSIND, de delegado(a)s representativo(a)s do(a)s
sindicalizado(a)s nos termos do Art. 41, inciso VIII, do Estatuto e de sindicalizado(a)s via
secretarias regionais, devidamente credenciado(a)s, e pelo Presidente do ANDES-
SINDICATO NACIONAL, todo(a)s com direito à voz e ao voto;
II - Observadore(a)s de SSIND, de AD-SSIND e de sindicalizado(a)s via secretarias
regionais, devidamente credenciado(a)s, com direito à voz;
III - Membros da comissão diretora com direito à voz;
IV – Convidado(a)s, devidamente credenciado(a)s, a critério da comissão diretora, com
direito à voz.
Art. 25. As Plenárias do 38º CONGRESSO serão dirigidas por mesas coordenadoras
cada qual composta por 1 (um/uma) presidente, 1 (um/uma) vice-presidente, 1 (um/uma)
1º (1ª) secretário(a) e 1 (um/uma) 2º (2ª) secretário(a).
§ 1º A Comissão Diretora indica, entre seus membros, o(a)s componentes das mesas
coordenadoras das Plenárias.
§ 2º A Plenária poderá, a qualquer momento, deliberar sobre proposta de modificação da
mesa coordenadora, devendo os membros não pertencentes à comissão diretora do 38º
CONGRESSO serem indicado(a)s pelo(a)s delegado(a)s presentes.
§ 3º As deliberações são adotadas por maioria simples - maior número de votos – do(a)s
delegado(a)s presentes, ressalvado o disposto no Art. 21 do Estatuto do Sindicato.
Art. 26. Compete ao(a) presidente da mesa coordenadora:
I - Preparar junto com o(a) 1º (1ª) secretário(a) a ordem dos trabalhos da Plenária;
II - Dirigir a Plenária, orientando os debates e promovendo a votação de acordo com este
regimento.
Art. 27. Compete ao(à) vice-presidente da mesa coordenadora:
I - Auxiliar o(a) presidente em suas atividades;
II - Substituir o(a) presidente em suas ausências ou impedimentos.
Art. 28. Compete ao(à) 1º (1ª) secretário(a):
III - Entregar o Relatório, digitado e na forma definitiva, à comissão organizadora até 3
(três) dias após a conclusão da Plenária.
Art. 29. Compete ao(à) 2º (2ª) secretário(a):
I - Auxiliar o(a) 1º(1ª) secretário(a) em suas atividades;
II - Elaborar a ata da Plenária;
III - Entregar a ata, digitada e na forma definitiva, à Comissão Organizadora até 3 (três)
dias após a conclusão da Plenária.
Art. 30. A duração de cada Plenária, contada a partir do horário previsto para o seu
início, será a seguinte:
I - As Plenárias de Abertura e de Instalação terão 3 (três) horas de duração, juntas e no
mesmo período;
II - Plenária do Tema I: 6 (seis) horas;
III - Plenária do Tema II: 6 (seis) horas em dois períodos;
IV - Plenária do Tema III: 4 (quatro) horas;
36

V - Plenária do Tema IV: 6 (seis) horas, em dois períodos;


VI - Plenária de Encerramento: 2 (duas) horas.
§ 1º Cada Plenária, excetuada a de encerramento, poderá ser prorrogada por até 1(uma)
hora;
§ 2º A Plenária do Tema I: Movimento Docente, Conjuntura e Centralidade da Luta será
dividida igualmente em 2 (dois) momentos subsequentes, pode ser prorrogadas por até 1
(uma) hora em qualquer uma de suas partes.
§ 3º A primeira parte da Plenária do Tema I será destinada à discussão do Movimento
Docente e Conjuntura; a segunda parte será destinada à apreciação das propostas e
votação da Centralidade da Luta, e somente serão considerados os textos apresentados no
caderno de textos e no anexo ao caderno de textos.
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§ 4º A Plenária de Encerramento poderá ser prorrogada a critério do plenário. 12/110
§ 5º As Plenárias poderão ter seu início antecipado por deliberação da Plenária anterior.
§ 6º Os Grupos Mistos poderão ter seu início antecipado por deliberação da reunião
anterior.
09/10/2019 Anexo-Circ408-18.doc
§ 7º As questões que não forem deliberadas no prazo estipulado neste artigo terão seu
encaminhamento decidido pela Plenária.
Art. 31. Compete à Plenária de Instalação:
I - aprovar o regimento, o temário e o cronograma do 38º CONGRESSO;
II - deliberar sobre a inclusão, nas discussões e deliberações do 38º CONGRESSO, de
textos encaminhados após a publicação do anexo ao caderno de textos deste evento;
III - deliberar sobre recursos acerca de credenciamento ao 38º CONGRESSO.
IV - deliberar sobre os recursos necessários para o financiamento da participação de
delegado(a)s representativo(a)s do(a)s sindicalizado(a)s, escolhido(a)s nos termos do Art.
41, inciso VIII, do Estatuto.
Art. 32. A verificação do quórum, no início da Plenária do 38º CONGRESSO, será feita
por meio de lista de presença, na qual constará: o nome do(a) delegado(a), o nome da
SSIND, AD-SSIND ou secretaria regional, assinatura do(a) delegado(a) e o horário da
assinatura.
§ 1º Passados 30 (trinta) minutos do horário previsto para o início da Plenária será
recolhida a 1ª (primeira) lista de presença e será aberta a 2ª (segunda) lista;
§ 2º A verificação de quórum, em qualquer momento do andamento da Plenária, será feita
pela contagem do(a)s delegado(a)s mediante cartão de voto.

Seção VI
Da Comissão de Enfrentamento ao Assédio
Art. 33. A Comissão será formada na plenária de instalação sendo composta por três
membros da Diretoria do ANDES-SINDICATO NACIONAL e por dois membros
indicados pela Diretoria da Seção Sindical que sedia o evento, devendo a mesma ser
composta por no mínimo 3/5 de pessoas do sexo feminino.
Art. 34. A Comissão de Enfrentamento ao Assédio tem como finalidade:
I - receber representações de assédio praticado contra participantes e colaboradores dos
eventos durante o período de sua realização;
II – dar encaminhamento às representações recebidas no âmbito do 38º CONGRESSO;
III – propor, em parceria com a comissão organizadora, estratégias educativas e de
prevenção ao assédio e demais opressões;
Art. 35. A Comissão divulgará durante o evento, o local e horário de atendimento e o
fluxo a ser seguido para a realização da representação.
Art. 36. Recebida a representação, a Comissão deve convidar o(a) representante e o (a)
36

representado (a) para uma reunião de oitiva, separadamente, registrando seus depoimentos
em relatório assinado pela parte e pela comissão;
Parágrafo único: O depoimento poderá ser gravado com a concordância do(a) depoente;
Art. 37. A Comissão poderá, como encaminhamento para cada representação:
I – realizar orientações e intervenções educativas, separadamente, imediatamente após
depoimento do (a) representante e do(a) representado (a);
II – sugerir à comissão organizadora a aplicação de penalidades de advertência e
suspensão a sindicalizado(a)s, na forma do artigo 11 do Estatuto do ANDES-
SINDICATO NACIONAL;
Parágrafo único – Caso o(a) representado(a) não seja sindicalizado(a), a comissão proporá
outras medidas cabíveis para cada caso.
III – Após a plenária de encerramento a comissão enviará para a diretoria do ANDES-
SINDICATO NACIONAL um relatório com a descrição das representações, apuração e
encaminhamentos.

Capítulo VI
Das Discussões e Votações
Art. 38. Quando uma proposição estiver em debate nas reuniões (Grupo Misto e ou
Plenária), a palavra somente será concedida, para discuti-la, a quem se inscrever na mesa
coordenadora, respeitada a ordem cronológica de inscrições ou sorteio, conforme definido
pelo Grupo Misto ou Plenária.
Art. 39. Para discussão de cada matéria, será estabelecido um período de tempo
compatível com o atendimento da discussão de todas as matérias e o prazo de duração
para o funcionamento do Grupo Misto ou da Plenária.
§ 1º O número de inscrições observará o prazo definido no caput deste artigo.
§ 2º O Grupo Misto ou a Plenária poderão deliberar, a qualquer momento, sobre a
prorrogação ou encerramento das discussões, atendidas as inscrições feitas antes da
decisão.
Art. 40. As discussões e votações têm o seguinte procedimento:
I - fase de discussão: com tempo de 3 (três) minutos, improrrogáveis, para cada inscrição;
II - fase de encaminhamento de votação de cada proposta: com tempo de 3 (três) minutos,
improrrogáveis, para cada inscrito(a) em encaminhamentos contra e a favor,
alternadamente e em igual número, com prévio conhecimento por parte da Plenária e
do(a)s inscrito(a)s;
III - fase de votação: por meio de levantamento do cartão de voto pelo(a)s delegado(a)s,
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de acordo com o encaminhamento dado pela mesa coordenadora, com aprovação do
Grupo Misto ou da Plenária.
§ 1º Na fase prevista no item II, não havendo encaminhamento contrário, não haverá
09/10/2019
encaminhamento a favor. Anexo-Circ408-18.doc
§ 2º Só serão apreciadas e deliberadas nas plenárias as seguintes propostas:
a) aprovadas nos Grupos Mistos;
b) minoritárias que tenham obtido, no mínimo, 30% (trinta por cento) dos votos do(a)s
delegado(a)s presentes em, pelo menos, um dos Grupos Mistos;
c) oriundas dos grupos mistos e que resultem em sistematização no Plenário;
d) sugeridas pela comissão diretora, conforme o inciso III do Art. 21.
§ 3º As propostas remetidas pelos grupos mistos para a Plenária só serão apreciadas nesta,
quando tiverem sido aprovadas, ou obtidos 30% (trinta por cento) dos votos em, pelo
menos, um grupo.
Art. 41. Os pedidos de esclarecimentos, e as questões de ordem e de encaminhamento,
36

têm precedência sobre as inscrições, sendo apreciadas pela mesa coordenadora, cabendo
recurso à Plenária.
§ 1º Na fase de encaminhamento das votações, só serão aceitas questões de ordem e
esclarecimento.
§ 2º Na fase de votação, não são aceitas questões de ordem, de encaminhamento e
esclarecimento.
Art. 42. As deliberações que impliquem alterações do estatuto do ANDES-SINDICATO
NACIONAL terão de ser aprovadas por mais de 50% (cinquenta por cento) do(a)s
delegado(a)s inscrito(a)s no 38º CONGRESSO, conforme dispõe o § 1º do Art. 21 do
Estatuto.
Capítulo VII
Das Disposições Gerais e Finais
Art. 43. As propostas de moções devem ser enviadas por e-mail à secretaria do 38º
CONGRESSO (secretaria@andes.org.br), até às 18 (dezoito) horas do dia 1º de fevereiro
de 2019, endereçadas à comissão diretora, sendo especificado(a)s o(a)s proponentes e
o(a)s destinatário(a)s, este(a)s último(a)s com endereço completo.
§ 1º As propostas de moções só poderão ser apresentadas por participantes do 38º
CONGRESSO; sendo, neste caso, participantes aquele(a)s estabelecido(a)s nos termos do
art. 4º e incisos deste Regimento.
§ 2º A comissão diretora deve divulgar aos participantes do 38º CONGRESSO o teor das
moções propostas, até às 10 (dez) horas do dia 2 de fevereiro de 2019.
§ 3º A critério da plenária de encerramento podem ser acrescidas e apreciadas outras
moções, apresentadas até 30 (trinta) minutos antes do início dessa plenária, cuja natureza
ou conteúdo justifiquem não terem sido apresentadas no prazo previsto, cabendo à
comissão diretora avaliar se atendem aos critérios estabelecidos. Propostas incompletas
não serão avaliadas pela comissão diretora.
§ 4º As propostas de moções das quais não constem o fato motivador, o(a)s
destinatário(a)s com os respectivos endereços completos (devidamente digitados) e o título
não serão recebidas para apreciação do 38º CONGRESSO.
§ 5º As propostas de moções cujos temas já tenham sido objeto de discussão nas
instâncias do 38º CONGRESSO e que não foram aprovadas pelo plenário não serão
acolhidas pelo CONGRESSO.
Art. 44. As contagens de votos nas Plenárias serão efetuadas pelos integrantes da
comissão diretora.
Art. 45. Nos grupos mistos e nas Plenárias, só serão aceitas declarações de voto de
delegado(a) que se abstiver no momento da votação, no tempo de 1 (um) minuto.
§ 1º Somente constarão da ata da sessão as declarações de votos feitas nas Plenárias, se
apresentadas por escrito à mesa.
§ 2º Não cabe declaração de voto em votação referente às propostas de encaminhamento.
Art. 46. A Diretoria terá como prazo máximo até o dia 5 de março de 2019 para divulgar
o relatório final do 38º CONGRESSO.
Art. 47. Os casos omissos neste Regimento serão solucionados pela comissão diretora,
cabendo recurso à plenária.
Art. 48. Este regimento entra em vigor a partir de sua aprovação pela Plenária de
Instalação do 38º CONGRESSO do ANDES-Sindicato Nacional.

Belém (PA), 28 de janeiro de 2019

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FORMULÁRIO PARA APRESENTAÇÃO DE MOÇÃO
09/10/2019 Anexo-Circ408-18.doc

Proponente(s)___________________________________________________________
______________________________________________________________________
_____________________________________________________________________

Seção Sindical: ________________________________________________________

Destinatário(a)(s)
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________

Endereço(s) do(a)(s) destinatário(a)(s):_____________________________________

Cidade:_____________________________________________ UF: ___________

Cep.:_____________________

e-mail: ____________________

Fato motivador da Moção:

______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________

MOÇÃO DE ...............

O(a)s delegado(a)s presentes ao 38º CONGRESSO do ANDES-SINDICATO


NACIONAL, realizado em Belém/PA, no período de 28 de janeiro a 2 de fevereiro de
2019, manifestam _______________________________________________________

______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
36

______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
___________________________________________________________________

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09/10/2019 Anexo-Circ408-18.doc

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TEMA I - MOVIMENTO DOCENTE,


CONJUNTURA E CENTRALIDADE DA
LUTA

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09/10/2019 Anexo-Circ408-18.doc

TEXTO 1
Diretoria do ANDES-SN

MOVIMENTO DOCENTE, CONJUNTURA E CENTRALIDADE


DA LUTA

TEXTO DE APOIO

Conjuntura Internacional

Em vários países do mundo, e também na América Latina, discutem-se as


consequências do assenso da extrema-direita ao poder, não apenas em lugares de pequeno
ou médio porte (como Áustria ou Hungria), mas também em países como Estados Unidos
e França. Portanto, identifica-se um processo embrionário de organização em âmbito
internacional de lideranças e partidos de extrema direita.
A experiência histórica aponta que há uma correlação entre a crise do
capitalismo e a constituição de experiências dos fascismos. Isso aconteceu nos anos 1930,
passando de sua forma embrionária, no caso fascismo italiano, à consolidada, o nazismo
alemão, incluindo-se regimes “aparentados” como o salazarismo português, o franquismo
espanhol e o militarismo japonês, os quais prefaciaram a marcha do mundo em direção à
Segunda Guerra Mundial (1939-1945), conflito intercapitalista, interimperialista e guerra
contrarrevolucionária que buscou estancar a revolução socialista.
Na atual emergência internacional da extrema-direita, as eleições norte-
americanas de 2016 guindaram o republicano Donald Trump ao poder, com um discurso
xenofóbico, sexista e racista. Na França, a Frente Nacional chegou pela segunda vez ao
segundo turno das eleições presidenciais e, no pleito de 2017, acabou servindo para que
uma candidatura neoliberal (Emmanuel Macron) fosse compreendida como progressista
frente ao fascismo. No discurso da Frente Nacional francesa compõem-se argumentos
contrários à União Europeia, à imigração e à defesa da deportação de imigrantes
desempregados. Nas eleições presidenciais holandesas, foi a vez de o Partido para a
Liberdade servir à comemoração da vitória do liberal de direita Mark Rutte. Na Itália, a
extrema-direita é representada pela Liga do Norte de Matteo Salvini, projetada com base
em uma retórica anticorrupção e de posturas anti-imigração, xenófobas, islamofóbicas e
contrárias à União Europeia, acentuando o discurso pela desintegração regional.
Já na Alemanha, o protagonismo da ultradireita fascista é da “Alternativa
para a Alemanha” (AfD), criada com o propósito de se opor ao envolvimento do país no
socorro às economias da zona do euro e do acolhimento a refugiados. Importa dizer que
isso se dá no mesmo solo em que já prosperava a neonazista NPD que, desde 2004,
passou a eleger parlamentares em estados importantes como no Parlamento Regional da
Saxônia. Nas eleições de 2017, os resultados expressaram os primeiros sucessos dessa
nova/velha força política no berço do nazismo. Pela primeira vez desde 1945 um partido
de extrema-direita adentrou ao Parlamento Alemão, o “Alternativa para a Alemanha”,
com uma representação acima dos 5% necessários, somando 13,1% dos votos, com um
discurso xenófobo e que afirmou não terem os alemães que se envergonharem do passado
36

em que vigorou o III Reich.


Ao mesmo tempo, cabe notar que tem ocorrido um importante
protagonismo do(a)s trabalhadore(a)s na China, no sudeste da Ásia, em vários países da
América Latina e até nos EUA. Na Inglaterra, existe uma tendência para a esquerda que
se expressa no Labour Party de Jeremy Corbyn; enquanto nos EUA cresce uma
juventude de ideias socialistas que fornece as bases para a popularidade de Bernie
Sanders, que conquistou seu terceiro mandato como senador. À guisa de exemplo, o que
Trump recentemente anunciou, via Twitter, como um “tremendo sucesso”, logo após o
fechamento das urnas nas eleições de meio de mandato e referindo-se à maioria
republicana mantida no Senado, escamoteia a flagrante derrota de suas pautas na Câmara
dos Representantes. E não se trata aqui de exaltar os êxitos do Partido Democrata e, com
isso, depositar esperanças na institucionalidade da democracia burguesa, mas sim
explicitar os significados profundos da vitória de mais de 100 mulheres para a Câmara e o
Senado dos EUA, o que demonstra uma mudança importante na luta mundial das pautas
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feministas. Dentre elas, destaca-se a mulher mais jovem já eleita para a Câmara
(Alexandria Ocasio-Cortez, de 29 anos), com um programa político em defesa da classe
( e a d a Ocas o Co te , de 9 a os), co u p og a a po t co e de esa da c asse
trabalhadora e pró-imigração; as primeiras mulheres muçulmanas eleitas para o
09/10/2019
parlamento (Ilhan Omar e Rashid Tlaib); e as primeiras mulheres Anexo-Circ408-18.doc
indígenas (Deb
Haaland, Sharice Davids Deb Haaland e Sharice Davids). Além disso, soma-se a vitória
do primeiro governador declaradamente gay no Estado do Colorado (Jared Polis).
Isso tudo demonstra, em níveis distintos, que a classe trabalhadora tem se
movimentado. Entretanto, parece-nos pertinente observar que tais lutas não foram ainda
suficientes para alterar uma correlação de forças desfavorável à(o)s trabalhadore(a)s.
Um sintoma dramático da crise mundial e das disputas imperialistas é a intensificação dos
deslocamentos populacionais, resultado direto das contradições do atual ciclo de
acumulação e do recurso às guerras imperialistas para a manutenção de taxas de lucro.
Numa reedição das “guerras por procuração”, o centro nevrálgico da guerra
intercapitalista é o chão das guerras civis do Iraque (desde 2003) e da Síria (desde 2013),
etapas intensificadas com a deflagração de uma nova cruzada ocidental, capitaneada pelos
EUA à frente da OTAN, sob o pretexto de combater o Estado Islâmico, em 2014.
Fustigados pela guerra civil e em paisagens devastadas pelo imperialismo, contingentes de
desesperado(a)s engrossaram, desde então, os fluxos de deslocado(a)s no mundo.
De acordo com relatório da Anistia Internacional, a Guerra Civil que opõe
o Exército Livre da Síria contra as tropas regulares do regime de Bashar al-Assad
(incluindo-se, no chão dos conflitos, a presença do Estado Islâmico, do Hezbollah libanês,
da Guarda de Ouro da Revolução Iraniana, dos combatentes separatistas curdos e as
forças da coalizão internacional liderada pelos EUA, esta limitada a ataques aéreos) teria
matado, até o ano de 2017, 250 mil sírios, deixando outros 13,5 milhões em estado de
assistência humanitária urgente. No cômputo dos resultados do intervencionismo das
grandes potências, tem-se a maior crise de refugiados desde a Segunda Guerra Mundial,
de acordo com organizações como a Anistia Internacional e a Comissão Europeia.
Nesse contexto, é preciso considerar que com o fechamento da rota dos
Bálcãs, que fazia adentrar refugiados em solo europeu por meio da fronteira com a
Grécia, somado ao acordo firmado com o governo turco, com a finalidade de impedir que
36

atravessassem suas até então porosas fronteiras (há em torno de 3 milhões de


refugiado(a)s sírios, neste momento, em solo turco, impedidos de cruzar seu território em
direção à Europa Central), diminuiu consideravelmente, no último ano, o número de
desembarques de refugiado(a)s em solo europeu. Segundo os dados divulgados pelo Alto
Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) – Gabinete das Nações
Unidas para a Coordenação dos Assuntos Humanitários, Organização Internacional para
as Migrações – tem-se hoje o cômputo de 5 milhões de refugiado(a)s de ambas as guerras
civis em destinos os mais diversos.
O continente latino-americano não passa ileso dessa realidade. Temos
vivido, nos últimos anos, crises e abalos sociais e políticos que repercutem a própria crise
capitalista internacional. Depois da crise de 2007/2009, as economias regionais
experimentaram um breve ciclo de crescimento determinado por uma combinação de
circunstâncias: o auge da demanda de matérias-primas pela China e a migração de capitais
dos países centrais, determinada pela crise e a injeção de liquidez destinada a salvar o
capital metropolitano em vias de falência. Entretanto, desde 2013, a curva econômica
internacional voltou a descer e houve uma queda internacional de preços com forte
impacto nos países latino-americanos. Ainda, a partir de 2017, intensifica-se uma
acentuada saída de capitais.
Nesse quadro, o esgotamento das experiências de conciliação de classe
resultou não em governos da esquerda emancipatória ou revolucionários, mas em
governos de ultraliberalismo, como no caso argentino, da extrema-direita, no do Brasil ou
em grandes convulsões sociais, como na Nicarágua e Venezuela. Destaca-se, todavia, que
mesmo em condições desfavoráveis o povo trabalhador não tem deixado de lutar.
Importante enfatizar a resistência do povo trabalhador argentino na luta contra a
contrarreforma da previdência do FMI e do governo Magri, assim como da luta feminista
pela legalização do aborto. Na Nicarágua, a luta do(a)s trabalhadore(a)s contra a reforma
da previdência resultou em violentos confrontos nas ruas. Na Venezuela, a luta contra o
custo de vida e a crise de abastecimento tem resultado em violentos conflitos entre
governo e manifestantes, o que vem gerando a migração crescente de venezuelano(a)s em
território brasileiro. Vale destacar que o(a)s venezuelano(a)s têm sofrido constantes
ataques e ameaças xenófobas. Observa-se também que no contexto de profunda
instabilidade política em países como Nicarágua e Venezuela, grandes organizações
empresariais nacionais e internacionais utilizam o mal-estar da população, financiando e
incitando manifestações, e aprofundando a crise política.
Assim como a crise migratória é um drama mundial, não seria diferente
chrome-extension://bpmcpldpdmajfigpchkicefoigmkfalc/views/app.html
regionalmente. Para além do caso venezuelano mencionado, deslocamentos de 18/110
guatemalteco(a)s e hondurenho(a)s se constituem em um grave problema, na mesma
medida, o governo Trump tem estabelecido uma política de “tolerância zero à travessia”,
separando famílias na fronteira norte-americana, com crianças retiradas
09/10/2019 dos pais e
Anexo-Circ408-18.doc
dormindo em esteiras nos centros de detenção da polícia de fronteira, no Texas, enquanto
seus pais são processados criminalmente e levados a presídios federais. No final do
segundo semestre de 2018, acompanhamos as notícias de cerca de sete mil panamenhos,
que já atravessaram o México, agregando mexicanos e indo no sentido da fronteira com
os Estados Unidos, onde o governo Trump já se preparava com forte esquema militar para

36

evitar a entrada dos migrantes. Acompanhamos durante todo o ano de 2018 as


inúmeras tentativas frustradas de migrantes tentando chegar em países com alguma
promessa de futuro. Migrantes de vários países da África e Ásia que arriscam suas vidas e
de suas famílias, entre elas dezenas de mulheres e crianças, buscando fugir pelo mar.
Necessário destacar ainda, no cenário internacional, a violência do
governo do presidente da República das Filipinas, Rodrigo Duterte, que é responsável por
autorizar a execução de 5 a 6 mil pessoas, de modo extrajudicial, com base no discurso da
“guerra contra as drogas”, conforme informações da Anistia Internacional (2017). Essa é
uma tendência mundial. No Brasil, o presidente eleito apresentou no seu programa de
governo a defesa da figura jurídica da “exclusão de ilicitude” para as ações das forças de
segurança, uma licença para as polícias brasileiras estarem autorizadas a promover
execuções da população pobre, negra e moradora de favelas e periferias. Essa também foi
a proposta defendida pelo governador eleito do Estado do Rio de Janeiro.

Conjuntura Nacional

O Brasil tem passado por uma grave recessão econômica. Isso se expressa
na redução do PIB em 2015 e 2016, na ordem de 3,5% ao ano, e no pequeno crescimento
de 1%, em 2017. A perspectiva para o ano de 2018 saiu de 2,6%, em dezembro de 2017,
para os atuais 1,4%, conforme as previsões anunciadas em setembro pelo Banco Central.
Essa queda no PIB foi impulsionada pela redução da taxa geral de lucro
que sofreu vertiginosa queda a partir dos efeitos da crise dos subprimes desencadeada em
2007, e que tem efeitos concretos, a partir de 2009. A taxa geral de lucro caiu de 26%, em
2008, para 20%, em 2015, e tem sido impulsionada pela ampliação da financeirização e
pela redução da taxa de acumulação de capital fixo produtivo. Ou seja, a riqueza
produzida não tem retornado para impulsionar o crescimento do capital produtivo,
consequentemente, passa por um deslocamento para o capital financeiro a partir do
movimento da financeirização da economia.
Apesar da manutenção de valores positivos na balança comercial
brasileira, que se configura como o resultado entre exportações e importações, ela tem se
mantido positiva em virtude da redução global das trocas comerciais, ou seja, tanto as
exportações quanto as importações sofreram redução no último ano. De 2016 a 2017, o
saldo da balança comercial ficou na ordem de 67,5 bilhões de dólares, e fechou o último
período (2017-2018) na casa de 56 bilhões de dólares, uma redução de 17%.
As mudanças na economia repercutem, diretamente, no mundo do
trabalho. Desde o terceiro trimestre de 2014 ocorre redução do emprego assalariado com
carteira assinada no Brasil, a ponto de chegar ao primeiro trimestre de 2018 com um
acumulado de – 17,5%, cerca de 3,5 milhões a menos de empregos com carteira assinada,
conforme dados do IBGE (2018), e a taxa de desemprego no país se elevou para 13%. De
modo inverso, cresceu o volume de emprego assalariado sem carteira assinada no período
de 2016 a 2018, com alta de 13% e, em igual período, ampliaram-se os números de
empregos por conta própria na casa dos 5,5%.
Ao contrário do que foi divulgado sobre a contrarreforma trabalhista como
geradora de novas possibilidades de emprego, o que ocorreu foi o aumento do

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desemprego, a precarização e o surgimento de modalidades de trabalho guiadas


por uma completa desregulamentação da legislação trabalhista aprovada na forma da Lei
nº 13.467/2017, e com a Lei nº 13.249/2017, que estabeleceram normas para o trabalho
temporário e terceirizado, além de alcançar as relações sindicais, ao modificar o caráter
compulsório da contribuição sindical para a autorização prévia do(a) trabalhador(a).
Essas alterações atingem diretamente o(a)s trabalhadore(a)s do setor
chrome-extension://bpmcpldpdmajfigpchkicefoigmkfalc/views/app.html 19/110
privado e as empresas públicas, mas que têm se estendido também para o(a)s servidore(a)s
público(a)s quando sofrem interferências sobre a regulamentação dos atos públicos a
partir do que rege o(a)s trabalhadore(a)s do setor privado. Os contratos
09/10/2019 intermitentes de
Anexo-Circ408-18.doc
trabalho, que são pagos por hora trabalhada, têm gerado remuneração média abaixo do
salário-mínimo, para mulheres, e pouco acima do mínimo, para os homens e proporcionou
a ampliação das demissões em favorecimento de ampla e irrestrita terceirização, que
podem ser realizadas por contratos intermitentes.
Dois exemplos são explícitos, a adoção da lei de greve do setor privado
para normatizar a greve do serviço público (Recursos Extraordinário 693456/2016) e a
decisão do STF pela constitucionalidade da terceirização para as atividades fins. O
Decreto nº 9.507/2018 autoriza a contratação indireta para as atividades fins nos serviços
públicos em âmbito federal, apesar de, ainda, não colocar sob risco o(a)s servidore(a)s de
carreira, configurando como mais uma etapa em direção à terceirização na estrutura
pública.
Nessa conjuntura, a saída encontrada pela burguesia, no pós-eleição de
2014, foi o processo de impedimento da presidenta Dilma, com o objetivo de acelerar as
contrarreformas. Estiveram à frente desse processo os partidos de direita em conjunto com
grande parte do empresariado e da grande mídia. Alguns novos movimentos, satélites dos
velhos partidos de direita, ganham espaço nessa conjuntura, como o Movimento Brasil
Livre (MBL) e o Movimento Vem pra Rua.
O resultado desse processo foi a ascensão do governo Temer que desferiu,
de modo imediato, um duro golpe à(o)s trabalhadore(a)s ao propor e aprovar o
congelamento do orçamento social para os próximos vinte anos, ainda em 2016, com a
Emenda Constitucional nº 95 (EC-95), de 15 de dezembro de 2016, em que instituiu o
Novo Regime Fiscal no âmbito dos Orçamentos Fiscal e da Seguridade Social da União.
A EC-95 sacramentou a redução dos gastos sociais com centralidade para as pastas da
saúde e da educação. O movimento de resistência gerado, a partir desse período, foi
significativo e demonstrou que a classe trabalhadora está em permanente movimento. O
“Fora Temer” passou a ser uma das principais palavras de ordem de diversas entidades
estudantis e do(a)s trabalhadore(a)s em luta contra o ajuste fiscal encabeçado por este
governo desde 2016.
O ano de 2017 seguiu com mais ações unitárias em direção à construção
da Greve Geral. Uma das primeiras grandes atividades realizadas naquele ano foi o Dia
Internacional de Luta das Mulheres Trabalhadoras, dia 8 de Março (8M), em defesa da
igualdade de gêneros e na luta contra o feminicídio, além de ter se configurado como um
dia de mobilizações e paralisações para barrar as contrarreformas trabalhista e da
previdência.
O 8M impulsionou a construção da Greve Geral do dia 28 de abril de

36

2017, a partir da unidade de ação entre as centrais sindicais do país. O dia entrou
para a história do Brasil como a maior Greve Geral, com cerca de 40 milhões de
trabalhadore(a)s paralisando as suas atividades, com muitos atos de rua em várias cidades.
A luta contrária às contrarreformas trabalhista e previdenciária foram as principais pautas.
No ano de 2018, as lutas se mantiveram para barrar a aprovação da contrarreforma da
previdência que se mantém ainda na atual conjuntura a partir de ações unitárias – mesmo
com a aprovação da contrarreforma trabalhista o(a)s trabalhadore(a)s mantiveram-se em
movimento.
O congelamento dos investimentos públicos tem uma consequência direta
para a educação pública e, em especial, para as instituições de educação superior e a
ciência e tecnologia. A política de financiamento de editais que restringiam pesquisas em
diversos campos do conhecimento passam agora a serem completamente ameaçadas com
o corte de bolsas de estágio e auxílio permanência, redução no incentivo às pesquisas e
demissões de terceirizado(a)s. A própria manutenção da infraestrutura das instituições tem
sofrido com a diminuição dos recursos colocando em risco o funcionamento dos
restaurantes universitários, hospitais, laboratórios, pagamento de água e energia, dentre
outros.
Com o congelamento dos investimentos públicos para as áreas sociais,
produto da EC-95, o caminho da privatização da estrutura estatal desencadeado com mais
força desde a implementação do modelo neoliberal põe em risco a existência do(a)s
servidore(a)s público(a)s e aponta para a extinção de empresas consolidadas como a
Petrobras, Correios, Eletrobrás, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal. Essas
medidas escancaram a entrega dos serviços públicos ao setor privado sem nenhuma
regulamentação ou controle social e impulsiona o discurso de extinção da estrutura estatal
que ainda permanece a partir dos argumentos de ineficiência e alto custo que se
configuram categoricamente equivocados.
Uma das razões que sustentam as privatizações está no compromisso com
chrome-extension://bpmcpldpdmajfigpchkicefoigmkfalc/views/app.html 20/110
o pagamento da dívida pública que cada vez mais alcança elevado patamar. Apesar dos
avanços que se visualizam nos 13 anos dos governos do PT, como a política de
valorização do salário-mínimo, a ampliação dos recursos para educação, saúde e
09/10/2019 Anexo-Circ408-18.doc
habitação não deixaram de ocorrer privatizações de aeroportos, de rodovias, além da
ampliação das fundações da saúde, parcerias público-privadas entregando a educação e a
formação técnica profissional ao terceiro setor, como no exemplo dos Hospitais
Universitários com a criação da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH),
redimensionando o papel de espaços públicos de assistência à saúde, formação
acadêmica, pesquisa e extensão. Assim como na ampliação da educação superior privada
com recursos públicos destinados para salvar a crise de tais instituições (FIES e
PROUNI), além de promover uma política de reforma agrária muito tímida e a titulação
de terras indígenas e quilombolas aquém das necessidades, deixando essas populações
completamente vulneráveis em um período de mais ataque a ser materializado pelo
próximo governo.
Nesse quadro de retirada de direitos, ampliação do desemprego e da crise
econômica tem-se o crescimento da concentração de renda e da violência urbana.
Conforme se aprofunda a crise do capital, cresce a concentração da riqueza gerada no país
36

a ponto de chegar, em 2017, ao patamar de 43% da renda do país concentrada em


10% dos mais ricos e, no outro lado da balança, os 10% mais pobres concentram 0,7% da
renda. Além dessas diferenças gerais, que perpassam pelas distinções de classe,
permanecem diferenças no âmbito dos temas de gênero e étnico-racial. As mulheres
receberam, em 2016, 77% da remuneração média recebida pelos homens. E entre o(a)s
negro(a)s, a remuneração média recebida ficou em 56% do salário médio recebido pelos
brancos.
No âmbito da violência urbana, constata-se um crescimento linear dos
dados de homicídios no Brasil. De 2006 a 2016, o volume anual de homicídios saltou de
50 mil para 62 mil, elevando a taxa de 27 para 30 mortes por 100 mil habitantes. Entre a
população jovem (de 15 a 29 anos), em 2016, a taxa de homicídios se eleva para 65
mortes e para 122 mortes entre homens jovens por 100 mil habitantes. O quadro se agrava
quando se analisam os dados de homicídios de negros no Brasil, em que a taxa geral se
amplia para 40 mortes por 100 mil habitantes, em 2016, conforme dados do IPEA (2018).
As lutas travadas pelo (a)s trabalhadore(a)s organizado(a)s nos sindicatos,
nos últimos 10 anos, demonstram um movimento pendular de enfrentamentos. Em 2007,
o DIEESE registrou 316 greves nos setores público e privado, com 40% dessas greves de
um dia. Em 2013, tem-se o ápice de greves com o registro de 2.050, 30% desse volume
com um dia de duração. O último ano da série histórica (2017) fechou com o registro de
1.566, com 53% de greves de um dia. Os dados expressam o movimento do nível de
enfrentamento da classe trabalhadora, diante da crise econômica e dos impactos
econômicos e sociais que ela gera no seio da classe. Por fim, em 2007, as greves com
caráter defensivo representaram 46%, em 2013, avançou para 67% e, em 2017, encerrou
com 81% de greves de natureza defensiva. Fica desenhado, portanto, que há lutas por
parte da classe trabalhadora, mas com um quadro de ações defensivas profundas como
respostas aos brutais ataques que o grande capital tem desferido aos direitos sociais e aos
serviços públicos.
Nesse período, várias formas de conter as manifestações e as greves de
trabalhadore(a)s, a exemplo do endurecimento do Estado, por meio da força e da
judicialização/criminalização das lutas e lutadore(a)s, foram desenvolvidas. Após junho de
2013, a situação política de grandes manifestações só pode ser analisada à luz das
contradições de grupos conservadores e de uma juventude que desejava direitos mais
verbalizados contra o aumento das passagens do transporte coletivo. Esse curto período
foi extremamente violento, com ataques diretos contra a juventude.
Com a publicação do Decreto nº 7.974/2013, a Garantia da Lei e da
Ordem (GLO) foi reafirmada no Ministério da Defesa, autorizando o uso das forças
armadas contra a população que se manifestava contrária à privatização dos serviços, pelo
direito ao trabalho, às reformas estruturais, até mesmo questionando o processo das
eleições gerais, enquanto outros (reacionários) o reforçavam e levantavam bandeiras
contra a corrupção, mas trazendo uma marca de defesa nacional pintados de verde e
amarelo. O manual da GLO, publicado em 2014, tratou os movimentos sociais como
“forças oponentes”. Não se contentando, o executivo, preocupado em dar respostas aos
financiadores da copa e dos investidores no Brasil, resolve encaminhar, e o Congresso
aprovou a Lei Antiterror (Lei nº 13.260/2016) que trata da tipificação, julgamento e

36

chrome-extension://bpmcpldpdmajfigpchkicefoigmkfalc/views/app.html 21/110
09/10/2019 Anexo-Circ408-18.doc
punição para crimes de natureza terrorista no território nacional do Brasil. A lei
poderia ser utilizada para criminalizar qualquer manifestação de trabalhadores até dois
meses antes dos jogos da copa. Essa mesma legislação volta à discussão em 2018 para
criminalizar as lideranças dos movimentos sociais de luta pela terra e por moradia,
provocando um aprofundamento da perda à liberdade de manifestação e das mais
diferentes formas de opressão e exploração.
Nos país, a situação se agrava com a política de Estado opressor e
militarizado sem conseguir dar resposta aos mais diferentes interesses da sociedade. A
criminalização de favelas e periferias e da população negra se confunde com a “guerra às
drogas”, que provoca verdadeira chacina identificada de forma distorcida como “autos da
resistência”. O enfrentamento ao tráfico não é feito indo à raiz do problema, mas aparece
como uma cortina a qual esconde os grupos alimentados por bancadas que defendem a
redução da maioridade penal, penalidades mais duras de combate ao crime,
encarceramento em massa e subordinação dos agentes de segurança a condições
rebaixadas de vida.
Está em pleno ascenso, a legalidade e legitimidade de todo o sistema
opressor de aparato militar contra os mais pobres, mulheres, negro(a)s e indígenas. Não à
toa que foi realizada uma intervenção militar no estado do Rio de Janeiro e nos demais
Estados com uma forte presença da força nacional. No caso do Rio de Janeiro, a violência
não diminuiu, ao contrário, está em pleno processo de legitimação de forças que
executaram Marielle Franco, até hoje sem resposta. A prisão de 23 ativistas das jornadas
de junho no RJ, além de dezenas de jovens pobres da favela, filho(a)s da classe
trabalhadora. Ao mesmo tempo, a pauta do combate à corrupção mostrou o quanto é uma
falácia para selecionar por um poder arbitrário da toga os que devem e os que não devem
ser punidos. Uma justiça seletiva que está muito bem preparada para nos retirar das ruas,
das lutas e nos eliminar para manter as chamadas governabilidades e atendimento aos
grandes interesses do capital.
Por fim, o programa do presidente eleito aponta para um aprofundamento
da transformação da educação com elementos autoritários e de controle. No marco dos
governos de direita que chegam ao poder em diversos países, o governo que se inicia em
2019, no Brasil, apresenta-se com características programáticas da extrema-direita,
permeadas por diversos traços fascistas. O discurso nutrido de ódio à parcela da
população, principalmente à(o)s negro(a)s, à(o)s LGBTT e à(o)s indígenas, a negligência
perante à opressão vivida por grande parte das mulheres trabalhadoras, aliado à defesa do
extermínio explícito do(a)s que se colocaram contrário(a)s à candidatura do presidente
eleito, configura-se como a carga ideológica que ganhou força nas eleições presidenciais
de 2018.
Vale destacar que a tendência à privatização e à destruição do público e
gratuito ganhou força na atual conjuntura. E não se trata de uma simples coincidência que
o resultado qualificado das eleições aponte para maioria de eleitores das classes média e
alta como àqueles que elegeram Jair Bolsonaro. Destaca-se, ainda, que a somatória das
abstenções, dos votos nulos e brancos em conjunto com os votos obtidos pelo candidato
do PT são superiores ao total de votos no presidente. Nesse processo, o saldo positivo se
expressa na ampla unidade gerada com base no resultado do primeiro turno, em direção

36

ao combate aos pronunciamentos machistas, racistas e LGBTTfóbicos. Ficou,


portanto, expresso, para o próximo período, a necessidade de ampliar a resistência perante
o desmonte dos serviços públicos e o aprofundamento das privatizações, junto à tentativa
de cerceamento das liberdades democráticas e da liberdade de cátedra que precisam ser
combatidas frontalmente.

Educação e Serviço Público

Neste último ano (2018), um dos complexos sociais mais atacados pelo
governo ilegítimo de Michel Temer foi a educação, sobretudo sofrendo uma investida
ultraconservadora que impulsionou seus esforços para poder legitimar e reproduzir seus
valores. Por meio de mecanismos de coerção passou a “satanizar” a educação superior
pública e a perseguir e violentar os professore(a)s, por meio da censura à liberdade de
cátedra.
O ordenamento no qual seguiram “as massas”, que passaram a enxergar e
a compreender a vida, a partir de uma lógica binária (bem/mau; homem/mulher;
negra(o)s/branca(o)s; heterossexuais/homossexuais), se constituíram como
“determinações gerais do capital”, que “estritamente integradas na totalidade dos
chrome-extension://bpmcpldpdmajfigpchkicefoigmkfalc/views/app.html 22/110
processos sociais” também, estão “em sintonia com as determinações educacionais
gerais da sociedade como um todo”.
Como parte determinante desses processos, as contrarreformas impetradas
09/10/2019
pelo Estado capitalista brasileiro à educação, por meio de medidasAnexo-Circ408-18.doc
aprovadas ou que
tramitam no legislativo, visam o desmonte, a desregulamentação e o direcionamento da
educação pública, principalmente da educação superior, para atender aos interesses
mercantis. Essa perspectiva para educação condicionada à lógica de mercado é
extremamente limitante, pois restringe o processo educacional apenas a uma perspectiva
de atendimento da necessidade do capital de formação de “mão de obra” em detrimento
das múltiplas potencialidades que o ser humano pode desenvolver pelo processo
educacional.
Além do congelamento dos investimentos sociais por vinte anos levado a
cabo pela EC-95/2016 que atinge diretamente a educação, tivemos a aprovação da
contrarreforma do ensino médio (Lei nº 13.415/17) e da BNCC que a sustenta, a
tramitação na Câmara dos Deputados do PL 7180/2014 que objetiva impor uma escola
com censura por meio da mudança da LDB, com correlatos nos Estados e municípios etc.
Mais recentemente, a Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação
aprovou novas diretrizes para o Ensino Médio, com a possibilidade de até 20% da sua
carga horária ser ofertada na modalidade a distância ou 30% no caso de cursos noturnos e
o Senado, por sua vez, cortou em 50% os recursos do Fundo Social do Pré-Sal que seriam
destinados à educação. Outras medidas foram anunciadas no discurso e no Programa de
governo do presidente eleito, que têm como tônica a privatização do ensino superior, por
meio de cobrança de mensalidades, por exemplo.
Ainda, há outros projetos de leis similares nos Estados e municípios que,
entre outras arbitrariedades, pretendem excluir o debate sobre relações sociais de gênero e
sexualidade da escola básica. Além da crescente mercantilização da educação,

36

precarização do trabalho docente e a ressignificação do caráter público da


educação que estão presentes no PNE (2014-2024) e nos diversos projetos que tramitam
no Congresso Nacional, nas leis já aprovadas e nos programas e ação do governo em
andamento.
Entretanto, acreditamos que o governo eleito será ainda mais nefasto para educação
superior pública brasileira, pois antes mesmo de ter assumido, no processo do trânsito
eleitoral entre o primeiro e segundo turno, já ficou evidente, por meio da perseguição à
liberdade de cátedra, seu caráter censurador (conservador/reacionário). Na última semana
das eleições presidenciais em 2018, foram mais de 30 instituições de ensino superior
invadidas pela polícia federal e TRE e aumento exponencial de manifestações de
violência contra professore(a)s em plena função e exercício do cargo.
O contexto em que tais violências e censura se materializaram, para além
da acirrada disputa eleitoral, também foi marcado materialmente pelo projeto de extrema-
direita defendido pelo presidente eleito e pela bancada conservadora e reacionária que o
apoiou, a bancada Bíblia, Boi e Bala (BBB). Já tão conhecida em nosso meio apresentou
mais uma face com a publicização do “Manifesto à nação”, documento da Frente
Parlamentar Evangélica. Para além de orientar o voto dos seus fiés-militantes, sugerindo
que brasileiros e brasileiras exercessem a cidadania “escolhendo seus candidatos pelo
alinhamento deles com os valores do Reino de Deus”, também conclamou o
reordenamento da família, em seu formato nuclear, desconsiderando todo avanço
constitucional acerca de novos arranjos familiares e de laços de solidariedade que hoje
superam a consanguinidade como única forma de constituição familiar. Nessa mesma
perspectiva, apontou as relações sociais de gênero, como relações promíscuas, portanto
relacionou-as à pornografia.
O referido manifesto toma como referência o documento do Banco
Mundial, “Um ajuste justo: análise da eficiência e equidade do gasto público no Brasil”
para tratar do tema da educação no Eixo IV – “Revolução na Educação”, que parte do
pressuposto de que a crise educacional é resultado da má-gestão financeira e propõe a
limitação dos gastos por aluno(a) no ensino superior público, critica a vinculação
constitucional dos gastos com educação e denuncia a suposta doutrinação ideológica
promovida pelos professores, por meio da veiculação “da ideologia de gênero, da
ideologia da pornografia”.
Da mesma forma, o Programa de presidente eleito na parte que trata da
educação reproduz boa parte dos fundamentos e das medidas anunciados nos documentos
anteriores: valorização do ensino a distância em todos os níveis; privatização e parcerias
com o setor privado como mecanismo prioritário de obtenção de recursos; combate às
cotas raciais; fomento do empreendedorismo, do produtivismo e da centralidade do
mercado nas atividades do ensino superior; defesa do tecnicismo como contrapeso ao
suposto predomínio da doutrinação na educação etc.
chrome-extension://bpmcpldpdmajfigpchkicefoigmkfalc/views/app.html
Para enfrentar esse conjunto de ataques, as entidades sindicais da educação 23/110
e do movimento estudantil realizaram várias iniciativas unificadas no ano de 2018, ainda
como consequência das lutas que vêm sendo desenvolvidas conjuntamente desde 2016
com a ascensão de Michel Temer ao governo. Dentre essas ações,
09/10/2019 destaca-se, nesse
Anexo-Circ408-18.doc
momento, a rearticulação da Frente Nacional Escola sem Mordaça desde julho de 2018

36

para tentar impedir a aprovação do projeto na Câmara dos Deputados,


principalmente, após o segundo turno das eleições, período em que se intensificaram os
trabalhados da Comissão Especial destinada a aprovar o parecer sobre o Projeto Escola
sem Partido. De julho até o presente momento, foram cinco tentativas malogradas dessa
Comissão frente à resistência da Frente, da oposição parlamentar, do(a)s professore(a)s e
estudantes.
No âmbito do (a)s servidore(a)s público(a)s, o ano foi de desafio no
processo de construção unitária das lutas, mas avaliamos que o FONASEFE como espaço
de atuação de diversas entidades sindicais do(a)s servidore(a)s público(a)s federais tem
sido um espaço importante no que tange à construção de pautas unificadas, ao
fortalecimento de ações e ao enfrentamento conjunto das contraofensivas reacionárias e
conservadoras.
Ainda nessa orientação, o ANDES-SN participou de forma efetiva da
construção do Seminário do FONASEFE: “O Serviço Público que Queremos”, que
aconteceu em Brasília, entre os dias 30/31 de agosto e 1º de setembro de 2018, e
objetivou socializar e ampliar o debate entre as entidades sindicais municipais, estaduais e
federais sobre as transformações no mundo do trabalho no atual cenário político,
indicando perspectivas futuras nos serviços públicos e nos direitos do(a)s trabalhadore(a)s.
Outro passo importante frente aos ataques sofridos pela classe trabalhadora
foi o consenso estabelecido entre as entidades sindicais constitutivas do FONASEFE, em
relação à construção de ferramentas midiáticas que, além de publicizar os ataques
perpetrados pela EC 95/2016, se constituirá como mecanismos de aproximação do tema
junto às bases das entidades sindicais e de denúncia da devastação dos direitos sociais e
previdenciários. Dessa forma, foi construída a campanha “Revoga o Teto”, veiculada nas
redes sociais (Facebook, Twiter, Home Page –http://www.revogaoteto.com.br/).
A reativação da CNESF, espaço de construção das entidades do (a)s
servidore(a)s público(a)s federais, cuja história poderá ser acessada neste caderno,
também foi outro marco importante. No segundo semestre de 2018, aconteceram várias
reuniões entre as entidades (FASUBRA/SINASEFE/ANDES-SN) para reativação desse
espaço que pode vir a contribuir na composição de uma frente unitária de luta.

Reorganização da classe trabalhadora

A história do ANDES–SN tem início justamente em um dos momentos


importantes de reorganização da classe trabalhadora no Brasil, na década de 1980. Desde
então, a trajetória do sindicato tem sido de se manter construindo experiências e espaços
que contribuam para a organização da classe e também da categoria. Toda essa trajetória
foi marcada pela autonomia e independência de classe frente aos governos, aos patrões, às
administrações centrais e aos partidos políticos, pautando-se sempre pelas deliberações da
base e buscando formas de enraizar o sindicato por meio das ações das seções sindicais.
Ao mesmo tempo, por compreender que a pauta do Sindicato Nacional, centrada na
defesa da Educação Pública Superior, está estreitamente ligada à luta geral da classe
trabalhadora, desde sua origem, buscou formas de se articular e construir espaços
coletivos com outros segmentos da classe trabalhadora.

36

Tal como debatemos e acumulamos em nossos Congressos e CONAD, a


classe trabalhadora vem, nos últimos anos, realizando inúmeras lutas, especialmente
marcadas pelo combate aos ataques e aos retrocessos implementados por governos e
patrões em distintas frentes. Nesses processos de luta, o ANDES-SN tem participado de
várias iniciativas que buscam contribuir para a reorganização da classe trabalhadora nas
suas mais diversas etapas.
Apesar das lutas empreendidas até aqui por meio de greves, de lutas
feministas, enfrentamentos das questões urbanas e do direito à cidade e do surgimento de
importantes instrumentos de luta unitária (como o espaço Unidade de Ação, o
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FONASEFE e, especialmente, a CSP-CONLUTAS), o fato é que ainda há um explícito 24/110
déficit organizativo.
A lacuna organizativa resulta de inúmeros elementos e contribuíram, para
isso,
09/10/2019 processos complexos que vão desde os tortuosos refluxos dasAnexo-Circ408-18.doc
lutas sociais e as
reconfigurações da classe trabalhadora, inaugurados pela ofensiva neoliberal e pela
reestruturação produtiva até a desmoralização de instrumentos de luta da classe
trabalhadora, como partidos e sindicatos, resultante das políticas de conciliação de classe e
de apassivamento das massas dirigidas pelo Partido dos Trabalhadores/PT e pela CUT,
passando, ainda, por uma crise profunda das instituições jurídico-políticas da democracia
burguesa. Tudo isso, em um ambiente ideológico que dificulta o trabalho político com as
massas, que, ao mesmo tempo em que enfrentam dificuldades para encontrar soluções
coletivas aos seus problemas, são cotidianamente inundadas por inúmeras promessas de
saídas individuais. Esse contexto gerou desesperança e também uma grande rejeição aos
partidos, aos sindicatos e a outras organizações da classe trabalhadora. Esse cenário se
expressou nas eleições de outubro de 2018, e as urnas refletem a rejeição à política
tradicional, expressa pela derrota de partidos como o MDB e PSDB. Por outro lado,
também expressou a percepção de amplas parcelas da população em não identificar
alternativas, fato constatado na maior votação de votos brancos, nulos e abstenções da
história das eleições no país.
É nesse contexto que está o desafio de reorganização da classe
trabalhadora. Existe um contraditório processo em que há enorme disposição para a luta,
mas a ausência de organização e unidade poderiam possibilitar a ampliação de vitórias ou
a saída de um patamar meramente defensivo. A disposição de luta foi demonstrada em
diferentes momentos de 2018: a marcante, ainda que contraditória, greve dos
caminhoneiros; o festival em defesa da vida das mulheres pela descriminalização do
aborto; as massivas manifestações pelo #EleNão; e diversas greves em diferentes
categorias que conseguiram, assim, derrotar, em alguns locais de trabalho, a
implementação de medidas da reforma trabalhista.
Nesse sentido, compreendemos que nosso desafio central seja fortalecer os
espaços organizativos que já construímos, como a CSP-CONLUTAS, o FONASEFE, a
Frente Nacional Escola Sem Mordaça e as iniciativas locais. Por outro lado, se coloca
como desafio a reativação da CNESF, o fortalecimento das alianças com movimentos
sociais, entidades e setores dispostos a lutar contra o enorme retrocesso expresso na
eleição do presidente eleito, nas crescentes violações às liberdades democráticas, nos
diversos direitos que foram perdidos ao longo dos últimos anos e na intensificação dos

36

ataques e perseguições aos chamados grupos minoritários e aos ativistas e


organizações sindicais e políticas da classe trabalhadora.
A CSP-CONLUTAS tem sido um polo fundamental para a reconstrução
do sindicalismo classista e combativo, autônomo de governos e patrões. Nossa central
sindical não vacilou em apoiar e disputar os rumos da greve dos caminhoneiros em 2018,
contribuiu para impulsionar e dinamizar importantes lutas e participou de importantes
iniciativas para organizar ações unitárias da classe trabalhadora. Por outro lado, ainda
sobrevivem em seu interior práticas hegemonistas e autoproclamatórias de seu campo
majoritário as quais impedem que a entidade possa ocupar um espaço aberto pelo novo
ciclo de lutas. A intensificação dos ataques reacionários e o crescimento da extrema-
direita colocam na ordem do dia a intensificação de esforços para o fortalecimento de uma
organização ampla, de massas e classista. Se a CSP-CONLUTAS, no próximo período,
não for capaz de ser dinamizador da construção de uma frente única contra a extrema-
direita, poderá ficar isolada e estagnada em um momento histórico em que a própria
existência da classe trabalhadora e de suas organizações está sob forte ameaça.
No âmbito do funcionalismo público, o FONASEFE segue sendo um
importante instrumento, mas que, também, ainda não está à altura dos desafios colocados
pela conjuntura. Houve importantes avanços em 2018, entre eles o aprofundamento do
diálogo com o FONACATE que se expressou na realização do seminário nacional “O
serviço público que queremos”, o qual reuniu mais de 250 servidore(a)s municipais,
estaduais e federais entre 30 de agosto e 1º de setembro de 2018 e definiu um calendário
unitário de lutas. Também, em 2018, realizamos uma reunião com outras cinco entidades
(ASFOC-SN, ASSIBGE, FENAJUFE, FENASPS e SINASEFE) com a finalidade de
iniciar a rearticulação da Coordenação Nacional das Entidades dos Servidores Federais
(CNESF). Todos esses avanços são marcados por inúmeras mediações, especialmente a
existência de ritmos de organização e posições políticas muito diferenciadas. Por isso, são
processos que caminham lentamente.
No âmbito da educação, os esforços de reorganização se expressam,
especialmente, na construção da Frente Nacional Escola sem Mordaça e na organização
do III Encontro Nacional de Educação. Foi no âmbito das lutas contra a Escola sem
Partido que a Frente Nacional Escola sem Mordaça foi rearticulada e tem sido um
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importante espaço produzindo a unidade entre distintos setores da classe trabalhadora, das
entidades de trabalhadores e trabalhadoras da educação e do movimento estudantil. Além
de ter conseguido impedir a aprovação do projeto de lei Escola sem Partido em âmbito
09/10/2019 Anexo-Circ408-18.doc
nacional, por meio de uma intervenção combinada com a da oposição parlamentar que
implementa uma tática de obstrução da votação do projeto, as lutas por uma escola sem
mordaça conseguiram reverter derrotas em diferentes âmbitos locais, como São Lourenço
do Sul (RS) e Jataí (GO).
O III Encontro Nacional da Educação, que ocorrerá nos dias 12 a 14 de
abril de 2019, poderá ser um importante espaço para avançarmos na reorganização da
classe trabalhadora. Ampliar o número de entidades e movimentos, assim como a
organicidade daqueles que já atuam na CONEDEP é um desafio fundamental. Nesse
sentido, o espaço do III ENE poderá ajudar no acúmulo de forças em defesa da educação
pública, laica e gratuita, assim como no fortalecimento, em âmbitos local e nacional, de

36

frentes unitárias que lutam contra o fascismo, por direitos sociais e em defesa das
liberdades democráticas.
Os exemplos citados aqui são apenas alguns dos diversos esforços para
que a classe trabalhadora possa avançar nos esforços de reorganização. A eleição
presidente eleito é uma derrota para o movimento do(a)s trabalhadore(a)s e torna pior a
correlação de forças na luta social e política da classe trabalhadora. Uma mudança nesse
cenário depende, fundamentalmente, das ações concretas de nossa classe e de nossas
organizações. Compreendemos que diante da conjuntura o desafio central desse momento
é a construção de uma ampla Frente Nacional em Defesa das Liberdades Democráticas.
Ao longo do segundo turno, vimos o renascimento de um amplo e
espontâneo movimento de ativistas que passaram a agir não somente para impedir a
vitória do presidente eleito, mas também para organizar ações de autodefesa e de combate
à extrema-direita. Comitês de luta, frentes antifascistas e diversas ações mostraram que é a
organização pela base que pode dar uma resposta à pauta neoliberal e autoritária da
extrema-direita que saiu fortalecida do processo eleitoral de 2018.
Nessa conjuntura, impulsionado pelas deliberações do CONAD, o
ANDES-SN realizou reunião nacional com entidades buscando adequar as deliberações e
as demandas por reorganização da classe trabalhadora a conjuntura que se acirrou após o
primeiro turno das eleições do país.
O motor fundamental da resistência contra a extrema-direita é a ação
unificada e coordenada das organizações da classe trabalhadora. Hoje, nenhuma entidade
ou nenhum espaço de unidade de ação existente é capaz de responder aos ataques em
curso e que se anunciam. Somente um avanço na organização da luta pela base é que o
movimento da classe trabalhadora poderá garantir a defesa de seus direitos e de suas
liberdades democráticas.
Nesse sentido, o desafio posto para o ANDES-SN e o conjunto das
entidades de perspectiva classista são a construção de um espaço nacional que se replique
nos Estados.
Para isso, se faz necessário, que além dos esforços em curso entre as
instituições representativas da classe trabalhadora, movimentos sociais e partidos políticos,
o ANDES-SN, via seções sindicais e secretarias regionais, amplie seu trabalho de base,
envolvendo amplos setores da categoria na defesa da universidade pública e das
liberdades democráticas. O trabalho de base, motivado pela perspectiva “não fique só,
venha para seu sindicato”, também deve ocupar a centralidade de nossa ação no próximo
período. Necessário recuperarmos nossa capacidade de diálogo com o(a)s docentes e a
com a população, a exemplo do que foi o movimento “vira-voto”, que ocupou as ruas às
vésperas do segundo turno das eleições.
A conjuntura exige ampla unidade de ação. Isso não significa esquecer os
erros e as causas das derrotas presentes. Analisar o fracasso das políticas de conciliação de
classes e fazer a autocrítica dos erros que atravessaram as diversas forças da esquerda no
último período são condições para que da experiência da derrota atual surjam novas forças
políticas, baseadas na luta direta e na organização democrática pela base, que superem a
fragmentação que hoje nos impossibilita na construção unitária. Buscar unidade de ação,
nesse momento da conjuntura, significa compreender que nossa ação unitária é a tarefa

36

central para a garantia das liberdades democráticas e para a garantia da existência


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de nossas entidades e de nossa classe.
TR – 1
09/10/2019 Anexo-Circ408-18.doc
O 38º CONGRESSO do ANDES-SN delibera:
Construir uma Frente Nacional em Defesa das Liberdades Democráticas, em ampla
unidade de ação, para defender os direitos, os serviços e o(a)s servidore(a)s público(a)s, as
Universidades, os Institutos Federais e os CEFET com financiamento público,
preservando a autonomia e a independência de classe.

36

TEXTO 2
Contribuição do sindicalizado André Mayer (ADUFOP).

MATAR A ILUSÃO COM A DEMOCRACIA BURGUESA.


RECUPERAR A PERSPECTIVA ANTICAPITALISTA.

TEXTO DE APOIO

Se tem uma lição deste desfecho trágico, que levou a extrema direita ao poder no
Brasil, é a falência do sistema democrático burguês: é um sistema funcional ao sistema do
capital; uma ilusão como caminho para conquistas duradouras para a classe trabalhadora.
Tanto o processo eleitoral, dominado pelo mercado, como os mandatos
subsequentes - colocando com força férrea o Estado, a serviço do capital - compõem o
quadro de alienação em que estamos assentados, que tem sua base determinante no
fetichismo da mercadoria e na reificação das relações sociais.
Nosso “caso”, não é isolado!
Trata-se de uma tendência mundial, com forte ascendência na europa (Alemanha e
França) e expressão dura nos EUA, com Trump.
É uma reação do capital, para a todo custo, se manter como sistema de controle do
metabolismo social, no seio de uma crise mundial “rastejante”: uma capacidade produtiva
gigantesca - presa na teia de interesses da propriedade privada capitalista - convivendo
com uma condição miserável de trabalho e salário, sem capacidade de acessar o produto
dessa produção, porque tem a mediação do mercado, do dinheiro - da falta de dinheiro.
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Essa equação não se resolve! Rasteja! Ou pode explodir!
Por isso a necessidade da força militar, das amarras e perseguições do judiciário e das
ideologias que reforçam o “espírito do capitalismo”, como o “espírito de toda a
humanidade”: defesa da pátria, da família, da religião e da propriedadeAnexo-Circ408-18.doc
09/10/2019 privada.
De forma direta e dura, depois de quatorze anos de governos do PT - que não
cumpriu as tarefas necessárias que a história proporcionou - a tendência neoliberal-
financeira, iniciada com Collor e FHC, ganhou potência, e a sociabilidade apodreceu
ainda mais e sem resistência séria, resultando, primeiro na chegada de Temer à presidência
- como expressão precisa do pleno funcionamento da democracia, nos marcos do
capitalismo tupiniquim - e depois culminou na chegada de Bolsonaro ao poder.
Vai ser um governo de defesa do ultraliberalismo e da criminalização da pobreza e
dos movimentos sociais!
Nesse novo patamar da luta de classes, como organizar a resistência?
Lutar por democracia, direitos, políticas sociais, “Estado social”, mercado
capitalista, sociabilidade burguesa, elementos que nos trouxeram exatamente na miséria
que nos encontramos?
Recompor a perspectiva anticapitalista é tarefa elementar!

TR – 2
O 38º CONGRESSO do ANDES-SN delibera:

Cabe ao ANDES-SN, em articulação com entidades afins, fomentar o debate sobre os


limites da sociabilidade burguesa para atender os interesses da categoria docente das IES,
e de toda classe trabalhadora, e fomentar a discussão sobre a necessidade histórica de
36

outra sociabilidade.

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36

09/10/2019 Anexo-Circ408-18.doc

TEXTO 3
Contribuição do(a)s sindicalizado(a)s: Sâmbara Paula Francelino (SINDUECE);
Raquel de Brito Souza (SINDUECE); Caroline Magalhães Lima (SINDUECE); Luis
Eduardo Acosta (ADUFRJ); Walcyr de Oliveira Barros (ADUFRJ); Mauro Iasi
(ADUFRJ); Kate Lane Costa de Paiva (ADUFF); Douglas Ribeiro Barbosa (ADUFF);
Giovanni Frizzo (ADUFPel); Elza Peixoto (APUB); Milton Pinheiro (ADUNEB); Sofia
Manzano (ADUSB); Cleusa Santos (ADUFRJ); Moisés Lobão (ADUFAC); Fábio
Martins Bezerra (SINDCEFET-MG).

A REORGANIZAÇÃO DA CLASSE TRABALHADORA COMO


TAREFA FUNDAMENTAL DAS LUTAS CLASSISTAS

TEXTO DE APOIO

A reconfiguração do padrão de acumulação do capital, estabelecida pela burguesia


a partir do aprofundamento da crise global do capitalismo, tem implicado em alterações
bastante significativas na correlação de forças sociais e no conflito Capital-Trabalho em
todo o mundo. Como elementos centrais, o assalto ao fundo público através de
privatizações e o mecanismo da dívida pública acompanhadas das políticas de austeridade
(incluindo contrarreformas fiscais, trabalhistas e sociais) tem desdobrado em retrocessos
civilizatórios que precarizam ainda mais as condições de vida e trabalho da classe
trabalhadora.
Na Europa e nos EUA, a gestão do capital com políticas de abertura econômica
“globalizada” e acordos multilaterais com organismos internacionais que implicam em
cortes em direitos sociais, tal como vinha sendo aplicada até recentemente através de
governos de centro (esquerda e direita), vem sendo substituída por perspectivas
nacionalistas-conservadoras. Tal aspecto se demonstra nas políticas de Trump nos EUA e
do Brexit na Inglaterra, assim como, o crescimento de organizações e partidos de extrema-
direita nas eleições parlamentares na Europa (embora também se registre crescimento de
parlamentares eleitos de partidos de esquerda). Tais medidas também são explicitadas com
a adoção do fechamento das fronteiras em países europeus e norte-americano, que
ampliam a xenofobia nas regiões.
Por outro lado, as lutas sociais de corte classista também tem tido um significativo
impacto no centro do capitalismo. Além de greves gerais registradas durante o ano,
também greves de categorias e atos/manifestações contra a austeridade marcaram o ano de
2018. Lutas em defesa do direito ao aborto na Irlanda (um país com maioria da população
católica) e a descriminalização das relações homoafetivas na Índia, ocorridas neste ano,
são expressões importantes do avanço das lutas sociais contra as opressões.
Na América Latina, a contra-ofensiva imperialista reacionária tem avançado em
grau dramático para os povos latino-americanos. O recrudescimento do governo Trump
contra os trabalhadores mexicanos nas fronteiras, as brutais medidas destrutivas de Macri
na Argentina, a ampliação de bases militares norte-americanas (ao todo são 76 bases
militares na América Latina) e as intervenções na Venezuela são exemplos da dura
conjuntura para os trabalhadores latino-americanos. Na perspectiva da classe, importante
registro sobre o avanço de lutas sociais com a realização de greves gerais na Argentina,
Uruguai, Haiti e as lutas em defesa do direito ao aborto na Argentina.
36

No Brasil, um dos governos mais anti-populares da história com reprovação


recorde está chegando ao seu fim deixando um legado de ataques brutais aos interesses do
povo trabalhador. Não bastasse a contrarreforma trabalhista, a terceirização, a EC 95 e a
contrarreforma do Ensino Médio, em 2018, a entrega do patrimônio público brasileiro
através das privatizações e os impactos da EC 95 demarcaram um período de graves
consequências para a classe trabalhadora. Ampliou-se o desemprego, a miséria e a
violência social decorrente das condições mais precárias de vida que o povo brasileiro está
passando. E além da fracassada intervenção militar no Rio de Janeiro - somente aumentou
os assassinatos e a repressão ao povo trabalhador -, Temer publicou o Decreto nº
9.527/2018 que institui uma “Força-Tarefa de inteligência para o enfrentamento ao crime
organizado” na qual tipifica, dentre outros absurdos, a ocupação de propriedades
improdutivas em atos terroristas e dá poder as forças militares para operarem medidas de
repressão e criminalização contra diversas formas de ativismo social. Esse programa
fascistizante tem como objetivo principal a tentativa de superar a crise sistêmica do
capitalismo em nosso país, para garantir a implementação de políticas econômicas e
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sociais ultra-liberais e anti-nacionais, que retirem mais direitos trabalhistas e sociais,
coloquem mais ainda o Estado a serviço do grande capital, privatizem o que resta de
patrimônio público, através da mais cruel repressão às lutas dos movimentos populares e
09/10/2019
dos trabalhadores em particular. Anexo-Circ408-18.doc
Tais aspectos, inclusive, nos permitem projetar que o período imediatamente pós-
eleições poderá ter ainda desdobramentos bastante negativos para a classe trabalhadora,
pois a urgência da burguesia em aprovar contrarreformas em um governo que se encerra
pode acelerar, por exemplo, a contrarreforma da previdência ainda antes do novo governo
assumir em 1 de janeiro. E, ainda, o orçamento público para 2018 ainda não foi aprovado
e certamente terá como base as necessidades da burguesia contra o povo trabalhador,
implicando inclusive na devastação do serviço público, especialmente na educação
pública federal que agoniza com os cortes orçamentários e com a autorização, pelo STF,
da terceirização irrestrita no serviço público e privado inclusive de atividades-fim.

Eleições 2018

As eleições de 2018 se realizaram em um contexto de crise econômica e política


em que prevaleceu o medo, a mentira e a disseminação de ideias retrógradas. Nesse
quadro, setores tradicionais da política foram derrotados sob um sentimento de mudança
que, em última instância, aprofundam as condições precárias de vida do ponto de vista
dos interesses da classe trabalhadora. Apesar de se manter como a maior bancada na
Câmara dos Deputados, o PT perdeu influência na sociedade, especialmente nas regiões
operárias onde tradicionalmente era hegemônico, deixando de ser uma alternativa para os
trabalhadores também na institucionalidade. Foi derrotado o ciclo da conciliação de
classes e uma nova fase da política brasileira tem início desde agora, assim como é preciso
afirmar que a esquerda socialista e revolucionária também não atingiu patamares de
enfrentamento necessário ao projeto da burguesia.
A insatisfação generalizada das massas com esta conjuntura e com o desgastado
sistema político burguês foi capturada pela extrema direita, que foi extremamente
competente no uso das redes sociais por onde centralmente se difundiu um turbilhão de
notícias falsas e preconceitos contra a esquerda e os movimentos sociais de modo geral,
que favoreceram a candidatura de Bolsonaro. O tsunami atingiu também velhas raposas
da política, as quais não foram reeleitas, assim como desidratou o PSDB, o MDB, a Rede
e outros partidos da direita tradicional.
36

Há riscos efetivos de que o ódio e a violência já praticados durante a campanha


eleitoral, provocando agressões físicas e mortes, sejam disseminados ainda mais
fortemente por parte das hordas fascistas incentivadas pelo clã dos Bolsonaro e
apoiadores. Além disso, novos ataques à legislação trabalhista, à previdência pública, à
soberania nacional e aos direitos democráticos podem ser desferidos por um governo e um
congresso moribundos que desejam mostrar serviço ao novo chefe.
O governo Bolsonaro será um governo fundado numa conjugação de forç as
reacionárias, entre as quais se incluem setores importantes das forças armadas, um
Congresso mais conservador que o atual e um Judiciário controlado. Estaremos diante de
um Estado de exceção institucionalizado, fortemente militarizado, contando com apoio de
grupos paramilitares fascistas e do respaldo social obtido pela propaganda ideológica
anticomunista e antidemocrática entre vários setores da sociedade. O novo governo
deverá aprofundar as medidas de criminalização aos movimentos sociais, ao ativismo
social e político de todos os matizes e à esquerda em particular. Vai querer fazer avançar
rapidamente o processo de privatizações das estatais, a subordinação aos interesses do
imperialismo estadunidense e a entrega das riquezas nacionais.

Reorganizar a classe para derrotar o fascismo enfrentar os ataques do capital

A crise internacional que atinge mais fortemente o Brasil é um fator preponderante


para entendermos o fortalecimento do fascismo e sua legitimação nas urnas em 2018. A
necessidade de fazer os trabalhadores pagarem pela crise, aliada às políticas de
austeridade, que se intensificaram e aceleraram, especialmente, após o golpe institucional
e midiático de 2016, criam um cenário cada vez mais caótico nos serviços sociais e
segurança pública do país, gerando um sentimento de insegurança e insatisfação
generalizados na população.
Este sentimento de insatisfação e desejo de mudança por parte da população
aliado a falta de resposta dos governos de conciliação de classe que, em nome da
governabilidade, conduziram ao imobilismo das entidades e movimentos populares, abriu
espaço para que a extrema-direita, com seu falacioso discurso de ordem e combate à
corrupção, se apresentasse como alternativa à classe trabalhadora.
A educação pública, gratuita, laica e de qualidade, por meio de seus sindicatos e
entidades, continuou existindo e resistindo, ao longo deste período, realizando greves e
fazendo a oposição necessária e todo e qualquer governo que ataque à classe
trabalhadora. Não à toa, esta categoria, é uma das mais perseguidas neste momento em
que o fascismo se legitima no país. O projeto Escola Sem Partido, que visa retirar o direito
democrático do estudante ao ensino crítico e ao exercício da cidadania, é um exemplo
chrome-extension://bpmcpldpdmajfigpchkicefoigmkfalc/views/app.html 30/110
desta perseguição, além do desmonte estrutural e sistemático da educação pública, que
vem sofrendo cortes no orçamento, aprofundados, especialmente após a aprovação da
EC95. Também não à toa que, ao longo das eleições de 2018, várias universidades foram
atacadas pela justiça eleitoral, juntamente com a polícia - braço armado
09/10/2019 do Estado-,
Anexo-Circ408-18.doc
simplesmente por defenderem e difundirem ideais democráticos.
O fascismo brasileiro, que nunca saiu das favelas, está em marcha, mesclando
características dos fascismos tradicionais – como o uso da violência contra a esquerda e o
movimento operário organizado, o ódio à razão, à cultura e ao conhecimento, a utilização
de símbolos e palavras de ordem xenofóbicas, a ideologia ultraconservadora em todos os
campos – com uma proposta econômica ultraliberal e desnacionalizante. Mas eles não
jogam sozinhos. Grande parte da população brasileira rejeitou o voto no candidato do
36

PSL. Por isso, é preciso desde já organizar a resistência, que será dura e difícil,
mas que tende a crescer a partir do momento em que as pessoas que acreditaram neste
projeto se derem conta de que foram enganadas de forma inescrupulosa.
Neste sentido, precisamos nos organizar para oferecer uma saída à classe
trabalhadora, não só setorialmente em nossa categoria, mas impulsionando e fortalecendo
organizações mais amplas da classe. Para tal, em nível setorial, é preciso fortalecer o III
Encontro Nacional de Educação - III ENE, que terá como tema “Por um projeto classista
e democrático de educação”.
O II ENE reuniu parte importante daqueles e daquelas que combatem
cotidianamente a exploração praticada pelos donos do poder contra a classe trabalhadora e
também reuniu aqueles e aquelas que enfrentam a exploração sofrida pelos setores mais
oprimidos da população: negros e negras, mulheres; LGBT’s, indígenas, quilombolas,
ribeirinhos e pessoas com deficiência, se configurando como um pólo classista importante
na defesa da educação pública.
Além disso, devemos criar condições para a construção do ENCLAT - Encontro
Nacional da Classe Trabalhadora - avançando na tarefa de luta por direitos e para derrotar
o fascismo. É preciso, imediatamente, que todas as forças populares e democráticas se
unam em torno da construção de uma ampla frente antifascista, que deverá mobilizar os
diversos setores sociais descontentes com a eleição de Bolsonaro e aqueles e aquelas que
terão seus direitos atingidos pelos ataques que virão. O ENCLAT deve pôr em prática
duas tarefas fundamentais: a) discutir e aprovar um plano comum de resistência e luta; b)
criar um Fórum Nacional de Mobilização que congregue todas as entidades sindicais e
populares dispostas a cerrar fileiras contra o fascismo no país e a avançar nas lutas em
defesa das liberdades democráticas, dos direitos políticos, sociais e trabalhistas e em favor
da soberania nacional.
O fascismo é a face mais cruel do capitalismo. Já foi derrotado outras vezes.
Poderá ser novamente. Cabe a nós empenharmos os esforços necessários na construção
da unidade em torno de movimentos capazes de reorganizar nossa categoria e a classe
trabalhadora para barrar a ofensiva fascista e os ataques do capital.

Contra o fascismo, a coragem dos revolucionários!

TEXTO 4
Contribuição do(a)s sindicalizado(a)s: Adolfo Neto (ADUFPA); Ana Carolina
Feldenheimer (ASDUERJ); André Kaysel (ADUNICAMP); Joana Barros (Adunifesp);
Leonardo Zenha (ADUFPA); Luiz Araújo (ADUnB); Maíra Kubík Mano (APUB);
Nathalia Cassettari (ADUnB); Rodrigo Pereira (APUB); Sandra Cruz (ADUFPA);
Welson Cardoso (ADUFPA).

PARA RESISTIR É NECESSÁRIO UNIDADE E SE


RECONECTAR COM A NOSSA BASE - SIGNIFICADO DA
VITÓRIA DE BOLSONARO
36

TEXTO DE APOIO

O nosso Congresso Nacional do ANDES-SN se realiza passado um mês da posse de Jair


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Bolsonaro. Não acontece, portanto, sob o signo da vitória eleitoral de um projeto
ultraliberal na economia, conservador nos costumes, fascista nas relações de poder e no
trato da oposição e das minorias e com legitimidade das urnas.
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Os 57 milhões de votos no Bolsonaro vieram de diferentes perfis sociais. Temos uma


parcela, minoritária e bastante empoderada, que é reacionária, comunga dos preconceitos
e da postura beligerante do eleito. Mas, com certeza, a maioria dos que o elegeram
votaram com raiva da política, dos políticos, convencidos que a corrupção foi inventada
pelo PT, que o eleito poderia colocar ordem no caos da violência e do desemprego.
Fenômeno semelhante levou Hitler a significativa votação no início da década de 1930.

A eleição de Bolsonaro representa um fecho no processo que se inaugurou com a


chamada Nova República, que deu origem ao pacto da Constituição de 1988 e que
garantiu a expansão de direitos sociais, mas a manutenção de controle político por parte
da elite da máquina estatal e o exercício de uma democracia frágil.

Bolsonaro está tão próximo de Erdogan (Turquia) e Rodrigo Duterte (Filipinas) quanto de
Trump. Viveremos um governo autoritário, liderado por um político fascista. As parcas
liberdades democráticas, dentre elas o direito de oposição e de organização sindical e
popular serão diariamente ameaçadas e fragilizadas. Teremos uma crescente
criminalização dos movimentos sociais, em patamares nunca vistos pela atual geração
pós-redemocratização.

Além da violência estatal, preocupa sobremaneira o empoderamento de setores racistas e


misóginos, homofóbicos. O número de agressões verbais e físicas vem aumentando desde
o primeiro turno e isso tem disseminado o medo e o adoecimento de mulheres negras,
lésbicas, gays e travestis. Diferentemente do período da ditadura militar, quando o inimigo
era o agente de segurança do Estado Militar, agora o temor é do guarda da esquina, do
cidadão de bem que acha que pode impor suas ideias e sua forma de pensar e que se sente
autorizado a fazer impor comportamentos de maneira direta. No campo estatal, tal clima
tem levado a uma postura de liberação do direito de matar para as forças policiais
estaduais, aumentando a letalidade destas contra os segmentos citados, especialmente nas
periferias.

Estes elementos são os que mais chamam a atenção no pós segundo turno, mas
combinado a um discurso moralista e conservador, temos uma essência autoritária e
ultraliberal. Um programa ultraliberal, mesmo que não apresentado aos eleitores, ganhou
condições políticas para ser implementado. Diferente de Collor, que foi um plano
emergencial e que foi eleito ainda com forte presença da lógica de direitos sociais na
sociedade, Bolsonaro tem melhores condições para implementar um programa arrojado de
36

privatizações em larga escala, desmonte dos serviços públicos, supressão de conquistas


históricas e precarização ainda mais radical das relações de trabalho e desregulamentação
da expansão capitalista sobre o meio ambiente.

A universidade pública será um dos alvos dos ataques de Bolsonaro. Este ataque virá em
várias direções e alguns deles começaram a ser pautados mesmo antes da posse. O
primeiro é o ataque à autonomia universitária, seja no formato de perseguição ao
pensamento crítico, seja na ameaça de extinguir as eleições para reitores. O segundo é a
privatização das instituições ou variações deste formato, como colocar na pauta a
cobrança de mensalidades.

Mas não serão apenas os aspectos educacionais que afetarão diretamente a nossa
categoria. O serviço público e os direitos dos servidores públicos serão duramente
atacados, começando pela retomada da reforma da previdência, desta feita buscando
inspiração no fracassado modelo chileno.

O que fazer? Resistir.

Diante de um terremoto político e da vinda de ondas de um tsunami conservador a melhor


forma de resistir é a unidade de todas as forças democráticas e isto deve ser especialmente
exercitado no campo sindical dos servidores públicos, primeiro alvo dos ataques.
Somente forte unidade pode barrar a reforma da previdência, que pode ser ainda mais
selvagem do que a proposta por Temer, a quebra da autonomia das universidades, com
reitores indicados fora das listas, e atentados contra a liberdade de ensinar.

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Mas para isso é necessário que o ANDES-SN faça correção em sua trajetória recente e
reconstrua pontes com demais setores populares e sindicais. E mais, é necessário que
façamos um trabalho firme para que a entidade de reconecte com parcelas significativas
da categoria.
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No último período erramos muito. Estivemos do lado errado da trincheira quando foi dado
o golpe parlamentar. Igualamos governos que eram diferentes no programa e na
composição social. Ficamos satisfeitos de nos isolar numa central sectária e de escassa
base de massas. No segundo turno, quando o fascismo batia as nossas portas, foi um parto
aprovar um posicionamento e nosso engajamento ficou muito aquém, tudo em nome de
uma autonomia sindical em relação aos partidos que beirou a omissão diante do avanço
do fascismo.

Por outro lado, a trajetória de radicalidade de nosso sindicato é uma herança fundamental
para o próximo período. Coragem e disposição de luta não são atributos individuais, na
verdade são características coletivas forjadas nos embates da luta de classes.

Contudo, a perda de representatividade na base da categoria, com assembleias pequenas,


36

votação de chapas com quórum aquém do que seria aceitável, mostra que se perdeu
conexão com parte relevante da categoria. E, nos próximos meses, se reconectar com essa
base social será fundamental para conseguir criar uma barreira que detenha o avanço das
ondas conservadoras sobre nossos direitos.

Eixos de ação para o próximo período

Patrocinar amplo movimento social e político em defesa da autonomia e da liberdade nas


universidades, realçando seu caráter público e gratuito. Tal movimento não pode ser nós
conversando entre a gente.

Mobilização permanente contra os ataques econômicos do Bolsonaro aos nossos direitos.


Este é o terreno que poderemos reconquistar parcela de nossa categoria que ajudou a
elegê-lo, seja se vingando do PT e de toda a esquerda, seja manifestando profundo
conservadorismo no campo dos direitos civis e dos chamados costumes. O principal de
nossos recursos deve estar sendo usado para explicar as consequências de cada ataque.

Criação de rede de defesa dos direitos individuais, apresentando mecanismos de debate


sobre gênero, raça e orientação sexual, colocando tais temas com o relevo que merecem
em nossa prática sindical. Devemos criar redes de proteção para o segmento da categoria
e da comunidade universitária mais vulnerável a ataques e agressões.

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TEMA II – POLÍTICAS SOCIAIS E PLANO


GERAL DE LUTAS

36

TEXTO 5
Diretoria do ANDES-SN

POLÍTICA DE FORMAÇÃO SINDICAL - OS DESAFIOS DA


ORGANIZAÇÃO DO(A)S DOCENTES E DA CLASSE
TRABALHADORA – CONSTRUIR UMA FRENTE EM DEFESA
DAS LIBERDADES DEMOCRÁTICAS

TEXTO DE APOIO

1. CONTRARREFORMAS E ATAQUES À CLASSE TRABALHADORA E À(O)S


DOCENTES
Em nosso país, vivemos uma das mais graves crises políticas de nossa
história moderna: a burguesia brasileira, ao descartar o PT e sua política de conciliação de
classes para constituir um governo “puro sangue”, busca intensificar e acelerar os ataques
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contra o(a)s trabalhadore(a)s. O Brasil vive uma conjuntura nacional complexa e muito
grave, que tem referência imediata na crise internacional do capital. As eleições no último
dia 28 de outubro de 2018 evidenciaram a crise dos governos de conciliação de classe e
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também da democracia liberal burguesa e suas instituições jurídico-políticas.
A eleição do candidato de extrema-direita, Jair Bolsonaro (PSL), demarca
um novo período e avanço do conservadorismo, atacando de forma direta os direitos
trabalhistas, previdenciários, de assistência social saúde e educação. Por meio do discurso
moral, objetiva-se o desmonte e a desmoralização das instituições públicas e incita-se
ódio, perseguição e violência dirigidos contra povos indígenas, mulheres, negros(a)s,
LGBTT, movimentos sociais, partidos de esquerda e sindicatos.
Ao mesmo tempo, verificamos que tal conjuntura não está restrita ao
Brasil, mas faz parte da crise estrutural do capitalismo que vem se aprofundando desde
2008. Em todo o mundo, há uma ofensiva generalizada da burguesia para colocar na
conta do(a)s trabalhadore(a)s todo o ônus da crise, além do aumento de tensões
internacionais, originárias de disputas intercapitalistas que estimulam a retomada da
corrida armamentista. A ascensão de governos de direita em um contexto de recessão
econômica na América Latina tem produzido uma difícil situação para a classe
trabalhadora. Nessa conjuntura internacional a política de conciliação de classes foi
substituída pela intensificação do neoliberalismo duro e puro, o qual tem resultado no
agravamento das tensões sociais e na piora das condições de vida da classe trabalhadora
no Brasil.
A velocidade e a gravidade dos ataques implementados pelo governo
Michel Temer mostram que o impedimento da presidente Dilma Roussef foi uma saída, à
direita, para a burguesia. O governo de conciliação de classes não conseguia implementar
os cortes sociais e a retirada de direitos na velocidade desejada por empresários e patrões.
O último período demonstrou a unidade do judiciário, do legislativo e do executivo na
articulação de ataques contra a classe trabalhadora.
36

Em 2018, um dos ataques mais graves implementado contra a classe


trabalhadora foi a aprovação definitiva, pelo STF, da terceirização irrestrita, consolidando
a Lei nº 13.429/2017. Sob o lema de que a classe trabalhadora deve escolher entre direitos
e empregos, juízes que contam com inúmeros privilégios vitalícios asseguraram a
terceirização para atividades-fim, o que consolida a destruição da CLT e a efetivação da
contrarreforma trabalhista. Até o momento de redação deste texto, vemos diversas
articulações para se tentar aprovar a contrarreforma da previdência no apagar das luzes do
governo Temer.
A classe trabalhadora tem apresentado sinais de reação, realizando greves
e diversas ações defensivas, que são, muitas vezes, atravessadas por inúmeras
contradições. A vitoriosa greve geral de 2017 foi a principal resposta aos diversos ataques
que foram realizados no último período. A contrarreforma da previdência de Temer não
foi implementada, entre outros motivos, porque a classe trabalhadora se mobilizou para
defender seus direitos.
Contudo, as respostas de patrões e de governos têm sido, cada vez mais, a
repressão direta às manifestações e lutas da classe trabalhadora e da juventude. Os
cadernos “Conflitos no Campo”, preparados pela Pastoral da Terra, revelam que o
número de assassinatos em conflitos no campo vem crescendo assustadoramente desde
2013, ou seja, de 34 morto(a)s no citado ano, o número saltou para setenta em 2017. Ao
mesmo tempo, desde as Jornadas de Junho de 2013, houve um agravamento no processo
de criminalização de lutadore(a)s sociais. Rafael Braga, o(a)s 23 do Rio de Janeiro, o(a)s
18 de São Paulo e vários outros sujeitos envolvidos nas lutas de 2013 enfrentam até hoje
as consequências da criminalização.
Importante destacar que Lei Antiterrorismo (Lei nº 13260/16) proposta e
sancionado pela então presidente Dilma Rousseff preparou o terreno para processos de
criminalização que estão em curso e que, com a eleição de Bolsonaro, se intensificarão em
quantidade e qualidade. A criminalização das lutas sociais já estava em curso durante os
governos de conciliação de classes. Diversas ações ilegais implementadas pelo aparato
repressivo em situações de manifestação foram naturalizadas durante aqueles governos,
como: uso de armas letais; ausência de identificação em uniformes policiais; e a exigência
de aviso prévio para a realização das manifestações. Tudo isso piorou com o governo
Temer, tal como foi visto, para citar apenas um exemplo, na virulenta e absurda repressão
às manifestações que tentaram barrar a aprovação da Emenda Constitucional nº 95/2016.
A prisão do ex-presidente Lula da Silva, a ausência de ações legais contra
os crimes cometidos por dirigentes do DEM, do PMDB e do PSDB, o processo de
invasão e perseguição política aos sindicatos e universidades na última semana de
campanha eleitoral e a nomeação de Sérgio Moro como Ministro da Justiça e da
Segurança são apenas alguns dos inúmeros elementos que mostram que o judiciário
disfarçará, cada vez menos, sua natureza repressiva e de classe.
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Os acontecimentos das últimas semanas do período eleitoral de 2018 –
agressões, assassinatos e censura política – junto com o discurso do presidente eleito sobre
a necessidade de “varrer os vermelhos do país” e as promessas de enquadrar movimentos
09/10/2019 Anexo-Circ408-18.doc
sociais, como o MST e o MTST como organizações terroristas mostram que o próximo
período será caracterizado pela tentativa de destruir as principais forças organizadas da

36

classe trabalhadora.
Nessa situação, o ANDES-SN tem sido agente importante nas lutas contra
a criminalização de lutadore(a)s e movimentos sociais. Além de inúmeras ações de apoio
e solidariedade, o nosso sindicato disponibilizou a Assessoria Jurídica Nacional para
suporte às vítimas das ações de perseguição estatal e de grupos conservadores. A
“Comissão de enfrentamento à criminalização e à perseguição política a docentes” tem,
também, cumprindo um papel muito importante na defesa de professore(a)s, assim como
na denúncia de situações de arbitrariedade, perseguição e violência política.
No próximo período, a principal tarefa será a construção de frentes
unitárias que, na luta contra ações fascistas e o aparato repressivo do novo governo,
atuarão em favor dos direitos de lutar, de organização política e de defesa dos interesses
objetivos da classe trabalhadora. Da mesma forma, frente ao aprofundamento dos ataques
e das contrarreformas, caberá ao sindicato manter o papel protagonista que teve no último
período nas discussões sobre a reorganização da classe e na construção de frentes, fóruns
e ações unitários de luta.

2. ESTRATÉGIAS E DESAFIOS DE REORGANIZAÇÃO DA CLASSE


TRABALHADORA DIANTE DA CONJUNTURA DE RETROCESSOS –
CONSTRUIR UMA FRENTE NACIONAL EM DEFESA DAS LIBERDADES
DEMOCRÁTICAS
Tal como foi afirmado, o Brasil vive um momento de acirramento da luta
de classe. As organizações e os fóruns unitários existentes em que atuamos cumprem, sem
dúvida, um papel progressivo na organização das lutas em favor da classe trabalhadora.
A CSP-CONLUTAS, no último período, foi um agente dinâmico e
progressivo na organização de ações envolvendo diferentes sindicatos e movimentos
populares combativos da classe trabalhadora. Sua contribuição para a construção da
Greve Geral de 2017 e de outras lutas desse período foi fundamental. Todavia, a CSP-
CONLUTAS, não obstante todas as suas contribuições para o processo de reorganização
da classe trabalhadora, é um instrumento que sozinho não será capaz de dar respostas aos
desafios postos pelo atual momento histórico. A recente conjuntura exige da classe
trabalhadora e de suas direções um instrumento muito mais amplo que possa contribuir na
luta contra os gravíssimos ataques que se apresentam hoje. Por isso, defendemos que é
necessário avançar no processo de reorganização da classe trabalhadora e superar a
polarização entre, de um lado, conciliação de classe e, de outro, saídas fascistas e mais
neoliberalismo. É fundamental fortalecer a unidade da classe trabalhadora e fomentar
entre trabalhadore(a)s e suas diversas organizações sindicais e populares pela construção
de uma frente ampla em defesa da democracia a fim de enfrentar a atual ofensiva
burguesa.
Ao mesmo tempo em que avaliamos ser de fundamental importância a
manutenção, em nosso horizonte, de ações para a construção do Encontro Nacional da
Classe Trabalhadora (ENCLAT), como já deliberado no 63º CONAD, compreendemos
que no primeiro semestre de 2019, nossa tarefa central é a de construir um ampla Frente
Nacional em Defesa das Liberdades Democráticas, agregando movimento sindical,
estudantil, popular, centrais sindicais, partidos, entidades acadêmicas e outras

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organizações da sociedade civil. Ao mesmo tempo, potencializar os espaços já


existentes, e que estão sendo construídos pelo ANDES-SN, com outras entidades e
movimentos, como FONASEFE, CNESF, III ENE, CSP–CONLUTAS, Frentes e
Fóruns Estaduais, para acumular forças e reflexões, compreendendo a reorganização
como um processo.
Ainda nesse contexto, é necessário que o ANDES-SN se posicione contra
os inúmeros retrocessos anunciados pelo presidente eleito, como o fim do Ministério do
Trabalho e o envio da secretaria de registro sindical para o Ministério da Justiça, contra a
transferência do ensino superior do Ministério da Educação para o Ministério de Ciência e
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Tecnologia e a constituição do “Ministério da Família”.
Para enfrentar os ataques e ainda garantir unidade para continuar lutando
pela Revogação da EC 95/2016, da lei das terceirizações e a Reforma trabalhista, bem
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como resistir à contrarreforma da previdência, é necessária a constituição de uma frente
ampla. Assim, compreendemos que o momento é de unidade de ação em defesa das
liberdades democráticas, das instituições autônomas da classe trabalhadora e da nossa
existência.
Por uma frente ampla em defesa das liberdades democráticas!

3. O ACÚMULO DO ANDES-SN NA ORGANIZAÇÃO MULTICAMPI


Para a organização sindical de sua base, ainda se coloca para o ANDES-
SN o desafio da organização multicampi. A modalidade surgiu como uma política de
democratização do ensino superior, inicialmente pelas instituições estaduais e
posteriormente passando a ser uma realidade também das instituições federais. Com a
emergência de múltiplos campi nas universidades, surgiu a tarefa de organizar o
Movimento Docente considerando as longas distâncias entre os campi regionais e a sede
de uma seção sindical. A multicampia caracteriza-se pela dispersão geográfica, o que
demanda das seções sindicais a adoção de medidas que garantam sua organicidade e
enraizamento com a categoria.
Pensando nessa realidade, o ANDES-SN busca atualizar seu Estatuto e
regulamentar as assembleias via videoconferências, assembleias simultâneas e
descentralizadas, desde que considerem a presença do(a)s docentes na universidade. Para
fortalecer o trabalho de base e responder à necessidade de interiorizar da luta do
Movimento Docente em uma realidade tão complexa, é necessário sistematizar os dados
levantados nos debates e seminários que pautaram a multicampia nos últimos anos.
Assim, poderemos estruturar propostas que considerem as especificidades da
multicampia.
Diante da realidade de grandes distâncias geográficas entre os campi, nas
universidades, se faz necessário, com base no acúmulo e nas experiências já existentes,
com realização de assembleias multicampi simultâneas, assembleias descentralizadas,
assembleias por vídeo conferência, organização de conselho de representantes,
organização de diretorias do interior, etc., apresentar uma sistematização, em forma de
cartilha, sobre as experiências em curso para contribuir com a organização das seções
sindicais que ainda não avançaram nesse tema.

36

4. A FORMAÇÃO SINDICAL COMO ESTRATÉGIA PARA INTENSIFICAR O


TRABALHO DE BASE NO ANDES-SN
A formação política sempre foi um princípio da organização da classe
trabalhadora no mundo e no Brasil. No campo das ciências sociais e políticas, muitos
foram o(a)s autore(a)s que contribuíram para formulações, teses e debates que visavam a
formação teórica e política do(a)s trabalhadore(a)s.
No ANDES-SN, a tradição da formação política, pela própria
característica da categoria, sempre se deu de forma diluída. Há a compreensão de que
todos os espaços do sindicato (como reuniões, grupos de trabalho, seminários,
Congressos, CONAD, etc.) são formativos. Temos, também, na Revista Universidade e
Sociedade, nas cartilhas e nos cadernos do ANDES-SN importantes instrumentos de
formação da categoria.
Uma nova estratégia de formação foi pensada pelo sindicato: a realização
do Curso Nacional de Formação do ANDES-SN. Foram realizadas edições do curso de
formação em 2016, em quatro etapas, com os temas: I. Fundamentos da sociedade
capitalista, mundo do trabalho hoje e organização sindical; II. Formação econômico-
política e social do Brasil e da América Latina; III. História dos movimentos sociais:
exploração, opressão e revolução; e IV. Universidade, trabalho e movimento docente.
Em 2017, com o tema “Movimentos sociais: exploração, opressão e
revolução”, organizado em quatro temas: I. “Mulheres, opressão pelo viés de classe na
perspectiva revolucionária”; II. “Indígenas, opressão pelo viés de classe na perspectiva
revolucionária”; III. “LGBTTfobia, luta de classe e revolução”; e IV. “Quilombolas, luta e
revolução”. E, em 2018, com o tema “Universidade, trabalho e movimento docente”,
organizado em apenas uma etapa.
A avaliação é a de que a construção dos cursos de formação política foi
acertada diante da conjuntura, da renovação da categoria docente e dos desafios postos
para a organização do sindicato e da classe trabalhadora como um todo.
Com base nas experiências e na avaliação da conjuntura que nos impõem
intensificar o trabalho de base, propomos além da realização do Curso Nacional de
Formação do ANDES-SN, para o ano de 2019, que o GTPFS elabore um conjunto de
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temas para palestras e debates a ser realizado nas seções sindicais, tendo o seu custo
subsidiado pelo caixa nacional, quando necessário/demandado. Da mesma forma,
propomos realizar curso de formação, descentralizado, durante o ano de 2019, com o
09/10/2019
tema “Da ANDES ao ANDES-SN: o movimento do movimento docente, Anexo-Circ408-18.doc
memórias,
contradições e desafios”.

5. COTAS RACIAIS: BALANÇO APÓS 15 ANOS DE SUA IMPLEMENTAÇÃO


A escravidão e a subjugação da população negra e indígena foram os
marcos fundadores da nação brasileira. Diante disso, as cotas étnico-raciais são ações
afirmativas necessárias para o país superar as desigualdades econômica e social, e tentar
diminuir as desvantagens entre brancos e não brancos, garantindo nas instituições públicas
igualdade de condições nas seleções e nos concursos públicos.
As cotas étnico-raciais nos vestibulares foi resultado das lutas dos
movimentos negro no Brasil. No ano de 2001, por força dos movimentos sociais e da

36

comunidade acadêmica, foi implementada a política de cotas na UNEB. No


mesmo ano, também na UERJ e na UENFF, por aprovação de lei estadual, inauguraram
as políticas de ações afirmativas no Ensino Superior. Desde então, a luta em defesa das
políticas de reparação se tornaram bandeiras presentes nas universidades, nos CEFET, no
IF e nos colégios de aplicação. Em 2012, a política de cotas no ingresso nas Instituições
Federais de Ensino Público foi regulamentada pela Lei nº 12.711/12, consolidando as
políticas de reparação e de ações afirmativas.
De acordo com o INEP/2017 e de pesquisa pioneira de José Jorge de
Carvalho (UnB), publicada no livro Inclusão étnica e racial no Brasil, 1,4% do(a)s
professore(a)s que atua hoje nas universidades públicas brasileiras é negro(a). A Lei nº
12.990/14 que trata da reserva à(o)s negro(a)s de 20% das vagas oferecidas nos concursos
públicos para provimento de cargos efetivos e empregos públicos no âmbito da
administração pública federal, das autarquias, das fundações públicas, das empresas
públicas e das sociedades de economia mista controladas pela União não está sendo
respeitada. Hoje, os concursos públicos garantem a entrada de até 7% de negro(a)s, mas
não há fiscalização ou qualquer mecanismo que possibilite a consolidação e a efetivação
do direito. Os dados apontam para a necessidade de intensificarmos o debate e de
elaborarmos balanços das conquistas e dos processos nas lutas para assegurarem a
efetivação das políticas de reparação e as ações afirmativas.

TR – 5
O 38º CONGRESSO do ANDES-SN delibera:

1. Que o ANDES-SN repasse para o FONASEFE, a partir de fevereiro de 2019, a


estrutura administrativa da CNESF (funcionário, sede, telefones, etc.).
2. Que o ANDES-SN priorize a rearticulação da CNESF, buscando outras entidades para
fortalecer a coordenação.
3. Que o ANDES-SN disponibilize sua estrutura física e administrativa para a
reorganização da CNESF.
4. Que o ANDES-SN continue participando do FONASEFE como espaço de fórum que
busca ações unitárias mais amplas.
5. Que o GTPFS elabore uma lista de temas para palestras/debates/oficinas que serão
ofertados para as seções sindicais realizarem ações na base. As palestras/debates/oficinas
devem ser realizadas por diretore(a)s do ANDES-SN;
5.1. as seções sindicais com até duzentos filiado(a)s que demandarem a realização das
palestras na sua base, terão as despesas de passagem e hospedagem do palestrante
custeados pelo caixa nacional.
6. Que o GTPFS elabore uma proposta de curso de formação descentralizada por região
ou estado, com o tema “Da ANDES ao ANDES-SN: o movimento do movimento
docente, contradições e desafios”.
7. Que o Curso Nacional de Formação de 2019 seja com o tema “Reorganização da
classe trabalhadora e os desafios para o movimento docente”, realizado em três etapas,
sendo a primeira o Seminário Nacional do GTHMD, intitulado “Histórias do movimento

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docente: lutas por autonomia e liberdade, ontem e hoje”.
8. Que o GTPFS construa uma cartilha com a história do ANDES-SN incluindo a
estrutura do sindicato e uma breve apresentação dos Grupos de Trabalho do ANDES-SN.
09/10/2019 Anexo-Circ408-18.doc
9. Apresentar no 64º CONAD a sistematização dos debates e as resoluções aprovados no
ANDES-SN sobre muticampia e indicar as políticas e as ações que contribuirão para a
organização sindical.
10. Que o ANDES-SN dê continuidade à iniciativa de construção de uma Frente
Nacional em Defesa das Liberdades democráticas, iniciada em outubro de 2018,
buscando contribuir para a construção de um espaço de unidade de ação capaz de fazer
frente aos retrocessos em curso e para defendê-las.
11. Intensificar a luta pela Lei nº 12.990/2014 (lei de cotas no serviço público),
defendendo a sua aplicação sobre o total de vagas dos editais lançados pela universidade,
garantindo assim sua efetivação, e a mudança no perfil étnico-racial docente das
instituições de ensino, no âmbito das lutas pela democratização e diminuição das
desigualdades sócio-raciais.
12. Participação do GTPFS no II Seminário Integrado do GTPCEGDS, que tratará
também dos quinze anos das políticas de reparação e das ações afirmativas nas IES,
CEFET, IF e Colégios de Aplicação.

TEXTO 6
Diretoria do ANDES-SN

POLÍTICA EDUCACIONAL

TEXTO DE APOIO

O neoliberalismo e os ataques neoconservadores estão se expressando na


educação. Há um conjunto articulado de ataques políticos, ideológicos e econômicos
contra a educação pública e a figura do(a) professor(a). Esse nítido avanço de forças
conservadoras e reacionárias na sociedade brasileira foi comprovado pela eleição de um
candidato da extrema-direita.
Nesse contexto, houve a desregulamentação da legislação trabalhista e a
aprovação das terceirizações irrestritas com a finalidade de flexibilizar e intensificar as
formas de exploração da força de trabalho. A decisão em favor do projeto que amplia a
terceirização para todas as áreas é mais um ataque à classe trabalhadora que inclui
medidas como a Emenda Constitucional nº 95/2016, a Reforma do Ensino Médio (Lei nº
13.415/2017) e a Reforma Trabalhista (Lei nº 13.467/2017).
A desregulamentação da legislação trabalhista se deu por meio da Lei nº
36

13.467/2017, que altera pontos fundamentais da CLT em um rebaixamento de direitos.


Importante observar que as citadas leis atingem mais diretamente o(a)s trabalhadore(a)s do
setor privado e das empresas públicas. No entanto, o serviço público pode ser afetado,
basta lembrar recentes decisões do STF: (1) a adoção da Lei de Greve do Setor Privado
como normatizador da greve no serviço público (Recurso Extraordinário 693456/2016);
(2) e a decisão pela constitucionalidade da terceirização para atividades-fim.
Ressaltam-se, ainda, dois decretos constitutivos do conjunto articulado de
ataques: (1) o Decreto nº 9.507/2018 que autoriza a contratação indireta para empresas
públicas e empresas de sociedade mista, como Banco do Brasil, Caixa Econômica
Federal, Petrobras, Correios e Eletrobrás, ampliando consideravelmente a ação das
empresas terceirizadas; e (2) o Decreto nº 9262/18 que extingue mais de sessenta mil
cargos do Serviço Público Federal.
A revista Nova Escola elenca problemas causados pela terceirização
irrestrita: (1) fim da carreira do(a) professor(a) concursado(a), já que é possível reduzir os
concursos públicos, fragilizando qualquer projeto pedagógico; (2) diminuição dos salários
e fim da Lei do Piso, pois terceirizado(a)s recebem, em média, 24,7% a menos do que
trabalhadore(a)s concursado(a)s, o que é uma pressão para o rebaixamento salarial; (3)
descontinuidade do corpo docente, pois empresas, Estados e municípios podem contratar
por períodos de até nove meses, impossibilitando carreiras estruturadas e prejudicando o
aprendizado de aluno(a)s; (4) desarticulação do(a)s docentes que operam como um
obstáculo para a sua organização sindical; (5) compromisso do(a) trabalhador(a) com a
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empresa e não com a escola, pois está sujeitado(a) aos interesses da empresa e não ao 39/110
projeto pedagógico da escola; (6) fortalecimento da Reforma do Ensino Médio, pois a
terceirização facilita a oferta de itinerários formativos flexibilizados, a precarização da
oferta de disciplinas e educação aligeirada (novaescola.org.br/conteudo/4865/6-possiveis-
09/10/2019 Anexo-Circ408-18.doc
efeitos-da-terceirizacao-na-educacao).
No quadro das contrarreformas, localizam-se, ainda, o congelamento dos
gastos públicos, os ataques ao caráter público da previdência social, a Contrarreforma do
Ensino Médio, o Programa Escola sem Partido, a Base Nacional Curricular Comum,
dentre outras medidas que se configuram como contrarreformas, porque se caracterizam
por retroceder direitos e conquistas ao invés de mantê-los e ampliá-los.
Umas das primeiras medidas aprovadas após o processo de impedimento
da presidente Dilma Rousseff foi a Emenda Constitucional nº 95/2016, a qual congela,
por vinte anos os investimentos em políticas sociais, afrontando diretamente preceitos
constitucionais. Isso implica numa maior precarização da educação pública, que se destina
às crianças e à(o)s jovens da classe trabalhadora.
Os efeitos da EC 95, no âmbito da IES e da C&T, são devastadores e já
são percebidos em várias situações da educação pública: demissões de terceirizado(a)s;
corte de bolsas de estágio e auxílio-permanência; redução nas despesas com diárias;
diminuição no incentivo à pesquisa; cortes na Política Nacional de Assistência Estudantil;
e aumento nas taxas cobradas por restaurantes universitários, etc.
Com os cortes financeiros, foram implementadas contrarreformas que
visam adequar a educação pública aos ditames do capital. A Base Nacional Comum
Curricular e a Reforma do Ensino Médio são medidas articuladas que atacam a figura

36

do(a)s professore(a)s, operacionalizam o controle e a mercantilização do conhecimento na


área de educação, preconizam uma formação supostamente flexível que impõe uma
concepção de pedagogia das competências e empobrecem a educação formal,
prejudicando, especialmente, a classe trabalhadora.
A BNCC representa proposta de centralização da seleção de conteúdos, e
sua uniformização possibilita a substituição de carga horária presencial por ensino a
distância. Para piorar a situação, efetiva a divisão do ensino por áreas do conhecimento de
forma tecnocrática e simplista. Assim, trata-se de um projeto que reforça tendências
internacionais de centralização curricular e que viabiliza a avaliação em larga escala e
externa às unidades escolares. Professore(a)s e gestore(a)s serão culpabilizado(a)s por
resultados de aprendizagem, avaliados sem considerar as condições reais das unidades
escolares. O estabelecimento de uma base homogeneizadora que elimina a autonomia
docente e padroniza o processo de formação de quem passa pela escola é um frontal
ataque ao projeto de educação pública e socialmente referenciada, defendido
historicamente pelo ANDES-SN.
No mesmo pacote de ataques, a Contrarreforma do Ensino Médio (Lei nº
13.415/17), além de atrelar a LDB à BNCC, representa uma mudança estrutural que
reformula as bases curriculares, pedagógicas e organizativas do ensino médio nacional, a
carga horária, a obrigatoriedade de disciplinas de língua estrangeira, filosofia, sociologia,
educação física e artes.
A reforma do ensino médio, assim, reforça a formação unilateral em um
contexto marcado por cortes nas políticas sociais. Trata-se de um ataque direto à formação
humana integral e, portanto, à difusão do conhecimento científico e artístico para a classe
trabalhadora. A lei também ataca a formação de professore(a)s, pois abre espaço para
instituições de ensino superior privadas, e/ou que se dão somente por meio de Educação a
Distância (EaD), assumam a formação docente.
Finalmente, a nova lei possibilita a jornada de trabalho diário de até doze
horas, já que abre espaço para o(a) professor(a) lecionar por mais de um turno em um
mesmo estabelecimento.
Outras tentativas de ataques à educação formal e ao trabalho docente
foram realizadas em 2018, quando o STF julgou, por exemplo, a tentativa de legalizar a
educação domiciliar, a partir de um lobby organizado por setores do fundamentalismo
evangélico. Felizmente, esse retrocesso não foi aprovado. Porém, o STF reconheceu
como legal a cobrança de taxas em escolas públicas militarizadas. Isso significa mais um
passo adiante no processo de destruição e privatização da educação pública e gratuita.
A estreita articulação dos múltiplos ataques implementados no último
período se expressa, também, no Programa Residência Pedagógica. Esse programa foi
apresentado pelo governo federal como uma novidade na formação de professore(a)s e
ganhou materialidade como estágio num formato conservador e tradicional. A inserção de
estudantes em formação na docência recebeu um desenho que reproduz a lógica de ações
parceladas em horas, com atividades previamente definidas, que apontam para uma
inserção pontual do(a) estudante na prática escolar.
Podemos observar relação intrínseca entre o Programa Residência
chrome-extension://bpmcpldpdmajfigpchkicefoigmkfalc/views/app.html 40/110
Pedagógica e a BNCC. O edital é explícito ao definir que um de seus objetivos é
36
09/10/2019 Anexo-Circ408-18.doc

“promover a adequação dos currículos e propostas pedagógicas dos cursos de formação


inicial de professores da educação básica às orientações da BNCC” (item2, IV).
A proposição de fracionamento das bolsas presente no edital da
Residência Pedagógica é outro indício do movimento agressivo de precarização. Entre
outros efeitos, visa estimular a participação voluntária de docentes e estudantes, condição
eufemisticamente denominada “atuação sem bolsa”.
Os ataques mais recentes incluem a aprovação pela Câmara de Educação
Básica do Conselho Nacional de Educação de novas diretrizes para o ensino médio, com
a possibilidade de até 20% da sua carga horária ser ofertada na modalidade a distância ou
30% no caso de cursos noturnos. Essa medida incentiva a inserção, cada vez maior, das
empresas educacionais que atuam com o Ensino a Distância e submete o ensino de jovens
da classe trabalhadora ao mercado.
No dia 7 de novembro de 2018, o Senado cortou pela metade uma das
fontes de recursos do Fundo Social do Pré-Sal que seria destinada para investimentos em
saúde e educação. A proposta ainda precisa passar pela Câmara dos Deputados, mas
indica a orientação privatista daquilo que tramita no Congresso.
Seguindo o pacote de ataques, há inúmeros projetos enquadrados dentro
do que se chama "Escola Sem partido”. Essa proposta serve, por um lado, como cortina
de fumaça para os problemas materiais da educação (salas superlotadas, degradadas,
insalubres, violência, baixa remuneração, fosso social etc.) Por outro, é instrumental para
o combate ideológico contra qualquer perspectiva que questiona valores conservadores e
reacionários.
O Projeto Escola sem Partido está na pauta da Comissão Especial
destinada a proferir parecer ao Projeto de Lei nº 7180 de 2014 e seus apensados, que
tratam de temas correlatos: a chamada “ideologia de gênero”, orientação e diversidade
sexual, a dita “doutrinação ideológica” etc. Importante destacar que os projetos
relacionados à perseguição e extinção da educação sobre as relações sociais de gênero,
orientação sexual e sexualidade, constituem parte da educação formal, que historicamente
naturalizam relações estruturais como o patriarcado – machismo, racismo e
heterossexualidade compulsória –, assim escamoteiam as relações sociais de gênero à
“natureza”, mascarando social, histórico e culturalmente como essas relações são
construídas. Assim, por meio dessa naturalização, objetivam manter o sistema de
opressões, o engessamento e a manutenção das relações de dominação, de opressão, de
expropriação e violência sobre mulheres, negro(a)s, indígenas e LGBTT.
Vale destacar que o Projeto Escola sem Partido tramita em caráter
conclusivo, isso significa que, se for aprovado na referida comissão, poderá seguir direto
para o Senado, sem passar pelo plenário da Câmara dos Deputados, a não ser que um
pedido de vista seja solicitado, o que encaminharia o projeto ao plenário da Câmara.
Em 2018, na esteira do aprofundamento dos ataques à educação e da
criminalização de docentes, ocorreram várias tentativas de aprovação do Projeto Escola
sem Partido. No dia 11 de julho de 2018, aconteceu a reunião da Comissão Especial, mas
não deliberou em razão do início da Ordem do Dia no Plenário do Congresso Nacional.
No dia 8 de agosto de 2018, houve nova tentativa da Comissão Especial para aprovar o
projeto, mas a reunião foi cancelada. Após o segundo turno das eleições, a Comissão e os

36

defensores do Projeto se reorganizaram para aprová-lo. Assim, nas semanas seguintes, o


projeto voltou à pauta três vezes consecutivas: 31 de outubro; 7 e 13 de novembro. A
resistência das organizações de professore(a)s e estudantes, da Frente Nacional Escola
sem Mordaça e da oposição parlamentar foi elemento que possibilitou vitórias na luta
contra a proposta.
Houve diferentes vitórias na luta contra o projeto Escola sem Partido em
alguns municípios ou Estados. No final de 2017, a toque de caixa, a Câmara de
Vereadores de Jataí (GO) aprovou a Lei nº 3955/2017 instituindo, em âmbito municipal, o
Programa Escola sem Partido. No entanto, uma ação declaratória movida pelo
SINASEFE e as mobilizações organizadas por trabalhadore(a)s e estudantes, que
contaram com o apoio do ANDES-SN e sua seção sindical (ADCAJ), a lei foi declarada
ilegal e, assim, foi possível reverter esse retrocesso. Da mesma forma, em julho de 2018,
na cidade de São Lourenço do Sul (RS), a Câmara de Vereadores aprovou um PL sobre o
chrome-extension://bpmcpldpdmajfigpchkicefoigmkfalc/views/app.html 41/110
programa, mesmo após ter recebido parecer desfavorável pela Comissão de Constituição,
Justiça, Ética, Redação e Bem-Estar Social do município. Nas semanas seguintes,
trabalhadoras e trabalhadores da educação, juventude, entidades e movimentos sociais se
09/10/2019 Anexo-Circ408-18.doc
mobilizaram em níveis local e nacional para denunciar o retrocesso e obtiveram uma
vitória importante, quando o prefeito do município vetou o projeto de lei aprovado por sua
ilegalidade.
Para enfrentar os ataques do Movimento Escola sem Partido, a Frente
Nacional Escola sem Mordaça foi reconstruída e passou a se reunir sistematicamente
desde julho de 2018 para pensar ações nacionais e locais de forma articulada com outros
movimentos e entidades da educação. Nesse sentido, a Frente acompanhou as diversas
reuniões da Comissão Especial e está organizando materiais de orientação à(o)s
professore(a)s vítimas de ameaças e ataques, e constituiu um Coletivo de Advogados para
dar suporte jurídico.
É fundamental o fortalecimento da Frente Nacional Escola sem Mordaça e
sua atuação em conjunto com outras entidades para fazer a defesa da educação pública,
gratuita e laica, da liberdade de cátedra, da autonomia e da democracia nas escolas e IES.
Há três documentos que revelam como os ataques são parte de um projeto
articulado de ajuste fiscal, desestruturação do Estado e do serviço público. O primeiro,
produzido pelo Banco Mundial, “Um ajuste justo: análise da eficiência e equidade do
gasto público no Brasil”, foi encomendado pelo governo Temer e publicizado em
novembro de 2017.
No capítulo que trata da educação, a tônica é a crítica aos gastos
considerados excessivos nos ensinos básico e superior. Há, ainda, denúncias sobre a
ineficiência do ensino e da baixa qualidade dos professores. O documento afirma que a
“vinculação constitucional dos gastos em educação a 25 por cento das receitas dos
municípios também contribui para a ineficiência dos gastos” e que os “gastos públicos
com o ensino superior também são altamente ineficientes, e quase 50% dos recursos
poderiam ser economizados”. E faz apologia ao ensino superior privado afirmando que as
“universidades privadas Brasileiras (sic) tendem a ser mais eficientes do que as
públicas”. A baixa qualidade do(a)s professore(a)s e o número excessivo de docentes são
apontados como as principais causas da ineficiência dos ensinos fundamental e médio.
36

Como soluções para os problemas da educação básica, o documento


sugere “aumentar a eficiência” por meio das seguintes ações: “introdução de um bônus
por frequência para os professores; melhora dos mecanismos para registrar ausências e
presenças; introdução e aplicação de ameaças de demissão por absenteísmo excessivo;
introdução de benefícios vinculados à aposentadoria; e publicação de índices médios de
absenteísmo nos relatórios de desempenho das escolas”.
Para o ensino superior, o documento indica “a necessidade de introduzir o
pagamento de mensalidades em universidades públicas para as famílias mais ricas e de
direcionar melhor o acesso ao financiamento estudantil para o ensino superior
(programa FIES)”. Em outro trecho, reforça a cobrança de taxas e recomenda a extensão
do Financiamento Estudantil (FIES) para custear o acesso às universidades públicas.
O segundo documento, em sintonia com o documento do Banco Mundial,
a Frente Parlamentar Evangélica lançou o “Manifesto à Nação”, estruturado em quatro
eixos, dentre os quais destaca-se o eixo “Revolução na Educação” (ver o Box 1), o qual
defende a ideia de que “o desempenho decepcionante da educação no Brasil” não resulta
da falta de recursos, mas sim de gastos malfeitos. O documento propõe, ainda, a limitação
dos gastos por aluno(a) no ensino superior público, critica a vinculação constitucional dos
gastos com educação, denuncia a suposta doutrinação ideológica promovida pelo(a)s
professore(a)s e sugere, na esteira do projeto Escola sem Partido, “libertar a educação
pública do autoritarismo da ideologia de gênero, da ideologia da pornografia, e devolver
às famílias o direito da educação sexual das suas crianças e adolescentes”.
Finalmente, o terceiro documento é o Programa de Governo de Bolsonaro.
O fragmento sobre educação reproduz boa parte dos fundamentos e das medidas
anunciados nos documentos anteriores: valorização da educação à distância em todos os
níveis; privatização e parcerias com o setor privado como mecanismo prioritário de
obtenção de recursos; fim das cotas raciais; fomento do empreendedorismo, o
produtivismo e a centralidade do mercado nas atividades do ensino superior; defesa do
tecnicismo como contrapeso ao suposto predomínio da doutrinação na educação etc. (ver
Box 2).
É preciso destacar que o programa do presidente eleito se insere em um
contexto de gravíssimas violações aos direitos constitucionais. Na última semana do
processo eleitoral de 2018, vimos assustadoras intervenções policiais e judiciais que
buscaram, explicitamente, cercear o direito à liberdade de expressão nas instituições de
ensino superior. Com ou sem legitimação judicial, pelo menos vinte instituições (UFGD,
chrome-extension://bpmcpldpdmajfigpchkicefoigmkfalc/views/app.html 42/110
UEPA, UENF, UFCG, UFF, UEPB, UFMG, UNILAB-Palmares, UNILAB-Fortaleza,
UNEB, UFU, UFRGS, UCP, UFSJ, UERJ, UFERSA, UFAM, UNESP Bauru, UFRJ,
IFB) foram invadidas por forças repressivas que, claramente, violaram a autonomia
09/10/2019
universitária. Anexo-Circ408-18.doc
Por isso, o ANDES-SN, com outras entidades, ingressou como Amicus
Curiae na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 548 de autoria
da Procuradoria-Geral da República, que tratou da liberdade de expressão nas
universidades. Na audiência, o sindicato realizou sustentação oral e na sua peça jurídica
citou a deputada de Santa Catarina que tem estimulado a perseguição à atividade docente.
O STF se posicionou enfaticamente a favor da liberdade de expressão da autonomia

36

universitária e da liberdade de cátedra. Os ministros também expressaram a tese de que o


Estado não pode usar a lei eleitoral como justificativa para violar a autonomia
universitária. O agravamento dos ataques no último período revela a existência de um
profundo e planejado ataque contra o projeto de educação historicamente defendido pelo
ANDES-SN.
Por isso, o ANDES-SN vem realizando diversos debates e ações voltados
para a defesa da educação pública e gratuita. Em primeiro lugar, cumpre assinalar o
processo de divulgação do conjunto de materiais produzidos pelo GTPE e outras
instâncias do sindicato sobre os ataques aprovados ou que estão em curso. Também
produzimos um InformAndes especial, divulgado em novembro de 2018, sobre o
conjunto de ataques operados na educação.
Dessa forma, o sindicato realizou um importante conjunto de atividades
efetivado com debates, seminários e reuniões sobre o capacitismo, fenômeno que se
manifesta em nossa sociedade de diversas formas: quando a pessoa com deficiência é
reduzida a alguém que sempre está em situação de necessidade e precisando de ajuda;
quando a deficiência é tomada como limitação, incapacidade ou desvio de padrões de
normalidade; quando a pessoa com deficiência é discriminada e tratada com termos
pejorativos. Trata-se de um processo que contribui para a difusão de atitudes
preconceituosas que hierarquizam as pessoas e impõem padrões de beleza e
funcionalidade instrumentais para o capital. Uma sociedade capacitista funciona
legitimando a falta de acessibilidade e de condições adequadas para todas e todos, assim
como justifica o isolamento, a discriminação e a invisibilização das pessoas com
deficiência, as quais são excluídas da participação social e das atividades cotidianas.
Em 29 de setembro de 2018 foi realizado, na SEDUFSM, em Santa
Maria(RS), o I Seminário Nacional sobre Capacitismo do ANDES-SN. Foi uma ação
conjunta dos GTPE, GTSSA, GTPCEGDS em cumprimento às deliberações do 37º
Congresso do ANDES-SN, que dá continuidade às discussões sobre o tema do
capacitismo nos fóruns do sindicato. A atividade contou com a participação de 27
sindicalizado(a)s de 11 seções sindicais, representantes de outras entidades sindicais e
estudantis, além de movimentos sociais.
Houve, também, a organização, pelo GTPE, de um levantamento de dados
(enviado nas Circulares nºs 38/2018 e 262/2018) sobre políticas, ações ou processos de
inclusão de pessoas com deficiência nas IES e nas seções sindicais do ANDES-SN. O
encaminhamento pretendia dar subsídios para a elaboração de ações e de políticas
voltadas à luta em defesa do direito à educação, acessibilidade e permanência, o que inclui
a elaboração de políticas de combate ao capacitismo. Porém, não houve respostas
suficientes para dar prosseguimento ao encaminhamento.
Além disso, o ANDES-SN publicou notas de repúdio às perseguições e de
solidariedade à(o)s perseguido(a)s, publicou materiais visuais e jornalísticos denunciando
os ataques contra a educação pública e as agressões sofridas por professore(a)s, estudantes
e outras pessoas motivadas pelo discurso de ódio.
Dentre as ações mais importantes em que o ANDES-SN tem papel
protagonista está a construção de uma ampla unidade por meio de atos articulados com o
conjunto das entidades da educação e estudantis, e com as organizações da classe

36

trabalhadora, para defender a educação pública, gratuita e laica.


Uma das tarefas que se situa nesse escopo é a construção do III ENE, que
se realizará no período de 12 a 14 de abril de 2019, na Universidade de Brasília, com o
tema “Por um Projeto Classista e Democrático de Educação”, dando continuidade aos I
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e II ENE, que ocorreram, respectivamente, em 2014 e 2016. Consideramos, diante da
nova conjuntura, que um desafio é a ampliação dos nossos espaços de atuação, incluir o
próprio Encontro Nacional de Educação. Por isso, o ANDES-SN deve se esforçar para
09/10/2019 Anexo-Circ408-18.doc
dialogar com e convidar entidades que não participaram dos I e II ENE. Assim, o III ENE
deve assumir como objetivo ser um espaço de mobilização e resistência de lutadores e
lutadoras.

Box 1 – Análise do Eixo IV do Documento da Frente Parlamentar Evangélica


EFICIENTIZAÇÃO
DOS RECURSOS
MÉRITO: A DESTINADOS À
EIXO IV – BASE DE UM ESCOLA SEM O NOVO EDUCAÇÃO.
REVOLUÇÃO SISTEMA IDEOLOGIA E ENSINO PRIORIDADE À
NA EDUCACION ESCOLA SEM SUPERIOR UNIVERSALIZAÇÃ
EDUCAÇÃO AL DE PARTIDO BRASILEIRO O DO ENSINO
SUCESSO BÁSICO E
TÉCNICO DE
QUALIDADE
● Desprezo ● Libertar a ● Imenso ● Sistema ineficiente.
quanto ao educação atraso do ● Universidades
esforço, pública das Brasil, salas públicas têm
estudo e ideologias de de aula alunos(as) 2 ou 3
mérito. gênero e da vazias e um vezes mais caros(as)
● Visão das pornografia. custo do que alunos(as)
escolas e ● Escolas e gigantesco de universidades
universidades universidades para um privadas.
públicas a serviço de resultado ● Tempo dos
como ideologias microscópic professores
caminho mais totalitárias e o. dedicados à aula
curto para a ditaduras ● Isso se deve como elemento de
CRÍTICAS À demagogia, o comunistas ao fato de ineficiência.
ESCOLA E À uso político- envenenaram que ● Alto absenteísmo de
UNIVERSIDADE partidário e a o espírito das orientadores professores.
PÚBLICAS instrumentaliz últimas de mestrado ● A vinculação
ação gerações e e doutorado constitucional dos
ideológica destruiu a só podem gastos em educação
para preparar qualidade de orientar até a 25% das receitas
a revolução ensino. oito pode gerar
comunista. ● Introduziram estudantes. ineficiências.
● O nas escolas ● Os gastos no ensino
democratismo todo tipo de superior tendem a
comunista pornografia, ser regressivos.
leva à licenciosidade
destruição do e perversão
ensino com o objetivo
36

qualidade. de destruir os
● O populismo alicerces da
educacional civilização.
formou
incompetente
s
● Valorização ● Devolver às ● Libertar a ● O desempenho
do mérito famílias o pós- decepcionante da
como direito da graduação educação no Brasil
condição do educação da repressão não está associado à
sucesso sexual das aos(às) falta de
individual. crianças e professores( investimentos.
● O mérito é adolescentes. as) pela ● O investimento
democrático, ● Escola e CAPES. público em
pois é ideologia são ● Incentivar educação como
acessível a inconciliáveis. trabalhos percentual do PIB
todos(as). ● Devolver a voltados ao no Brasil é maior do
● A escola e a desenvolvim que diversos países.
sustentabilida universidade ento das ● Limitar os gastos
de do sistema públicas ao commodities por aluno(a) aos
é possível seu leito e das níveis das
quando a tradicional e patentes universidades mais
meritocracia conservador. tecnológicas. eficientes
PROPOSIÇÕES
vai da ● Instituir o ● Alfabetizaçã (privadas).
E IDEIAS-
educação ensino moral. o solidária ● Fazer auditoria nos
CHAVE
básica ao ● Difundir os (obrigar programas:
doutorado. mais elevados universitário PROUNI, FIES,
e profundos s(as) a SISU e PRONATEC.
princípios e trabalharem,
valores da por um
civilização. semestre,
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● Universalizaçã para uma
o do amor à
turma de
Pátria, aos analfabetos
09/10/2019 símbolos e em todo oAnexo-Circ408-18.doc
heróis território
nacionais e nacional).
demais
instituições
que agem no
plano
simbólico.

Box 2 - Elementos do Programa do Presidente Eleito para a Educação


● Fim das cotas raciais.
● Criação de uma escola militar em cada Estado, podendo cobrar mensalidades
● Mudanças nos conteúdos e nos métodos de ensino para combater “doutrinação e
sexualização precoce”.
● Priorização da educação básica, do ensino médio e técnico em detrimento do
ensino superior.
● Criar contraposição na distribuição dos recursos priorizando investimentos na

36

educação básica em detrimento do ensino superior.


● Mudar a BNCC para expurgar a ideologia de Paulo Freire, impedir a “aprovação
automática” e disciplinar comportamentos nas escolas.
● Valorizar pesquisas para avanços técnicos, elevação da produtividade, da riqueza e
do bem-estar da população.
● Estabelecimento da Educação a Distância como importante instrumento em todos
os níveis.
● Fomentar parcerias e pesquisas com a iniciativa privada.
● Promover o empreendedorismo como perfil profissional prioritário da formação
superior e a defesa da abertura das universidades para o mercado e as empresas.
● Defesa da integração dos sistemas municipal, estadual e federal sem explicitar os
mecanismos pelos quais tal processo será operacionalizado.
● Retirada do ensino superior do Ministério da Educação e sua alocação no
Ministério de Ciência e Tecnologia.
● Transformação do MEC no Ministério da Educação, Esportes e Cultura.
● Garantir aproximação entre empresas e pós-graduação para o desenvolvimento da
ciência e da tecnologia.

TR - 6
O 38º CONGRESSO do ANDES-SN delibera:

1. Realizar ações multimídia em defesa da educação pública, em conjunto com outras


entidades sindicais e estudantis da educação.
2. Intensificar a organização do III ENE que ocorrerá nos dias 12 a 14 de abril de 2019 e
seus (os) encontros preparatórios regionais e estaduais em conjunto com entidades
sindicais da educação, movimento estudantil e movimentos sociais, que atuem em
educação popular, como espaços de resistência e mobilização para enfrentar os ataques à
educação.
2.1. Intensificar esforços para ampliar o espectro de entidades e movimentos que
participam do ENE.
3. Fortalecer a Frente Nacional Escola sem Mordaça e incentivar a participação das
seções sindicais e secretarias regionais nas Frentes Regionais/Estaduais em que houver e
indicar a criação onde não houver.
3.1. Produzir a cartilha do ANDES-SN sobre o Projeto Escola sem Partido;
3.2. Elaborar manual de orientação sobre as ameaças e ataques à(o)s professore(a)s, até
mesmo em formato eletrônico;
3.3. Incentivar que as seções sindicais realizem debates, aulas públicas e atividades sobre
democracia, autonomia, liberdade na educação, Escola sem Partido, ataques à educação
etc.;
4. Realizar o Seminário Estado e Educação no segundo semestre de 2019;
5. Buscar as entidades científicas, acadêmicas, sindicais da educação básica e estudantis
para dialogar e construir unidade para enfrentar, de forma coletiva, os ataques à educação
e reafirmar a defesa da educação pública e gratuita.
6. Fazer ações multimídia em defesa da valorização e do papel social do(a)s professore(a)s
frente à destruição da identidade docente promovida por campanhas difamatórias.
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7. Intensificar a luta nacional, articulada com as diversas categorias do(a)s servidore(a)s


público(a)s, com o apoio das entidades classistas, movimentos populares e sociedade em
geral, pela revogação da EC 95/2016 que vem produzindo efeitos devastadores sobre a
oferta de serviços públicos e a produção de ciência e tecnologia.
8. Produzir cartilha articulada com o GTPE, GTCARREIRA e os setores das IFES, IEES
e IMES sobre formas de controle do trabalho docente e apresentar no 64º CONAD.
9. Atualizar cartilha Projeto do Capital para a Educação.
10. Reproduzir atividades semelhantes ou que abordem os temas das mesas do Seminário
Nacional de Capacitismo nas seções sindicais ou nos Encontros das secretarias regionais.
11. Realizar ações multimídia em defesa da acessibilidade nas universidades, nos CEFET
e nos Colégios de Aplicação.
12. Realizar, no segundo semestre de 2019, em conjunto com o Setor IEES/IMES e GT-
CARREIRA o Encontro Nacional do ANDES-SN sobre a Carreira EBTT e o Ensino
Básico das Instituições Estaduais de Ensino Superior.

36

TEXTO 7
Diretoria do ANDES-SN

POLÍTICA DE CLASSE PARA AS QUESTÕES ETNICORRACIAIS, DE


GÊNERO E DIVERSIDADE SEXUAL

TEXTO DE APOIO

O último cenário eleitoral apresentou um processo de agudização das perspectivas mais


reacionárias da sociedade brasileira. Traços advindos da estrutura patriarcalista e racista
que formaram a história do país se apresentaram novamente num momento de aumento da
crise econômica e política articulados aos valores de família tradicional, da religião e da
moral.
Os ataques preconceituosos vieram tanto dos grupos de extrema-direita
organizados, quanto de outros setores que neste momento se sentiram representados pelo
discurso do presidente eleito. O racismo, a xenofobia, o machismo e a LGBTTfobia
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foram externados de forma perversa em pichações nas universidades, em cartazes nas
ruas, com agressões e assassinatos. A morte de Moa do Katendê no dia 7 de outubro de
2018, na Bahia, teve requintes de crueldade quando o assassino o executou com facadas
09/10/2019 Anexo-Circ408-18.doc
pelas costas, após Moa defender a importância das políticas para a população negra no
Brasil. Em diversas regiões do país, como em São Paulo e Aracaju, travestis foram
assassinadas aos gritos de “Bolsonaro Presidente”. O povo de terreiro tem tido suas
práticas atacadas de forma intensificada por outros grupos religiosos, sendo agredido(a)s
nas ruas e tendo suas casas incendiadas, o que aponta o preconceito radicalizado contra a
cultura afro-brasileira. De acordo a Coordenação Nacional de Articulação das
Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ), os assassinatos de lideranças
indígenas e quilombolas, entre os anos de 2016 e 2017, tiveram aumento exorbitante de
350%.
A atual conjuntura evidencia uma importante tarefa de novamente
sensibilizarmos a sociedade brasileira sobre a importância da pauta dos Direitos Humanos.
Essas pautas fundamentais foram reduzidas nos últimos anos e principalmente no decorrer
da campanha política do presidente eleito e seus aliados, ao discurso de que só serviriam
para “defender bandido”, esvaziando toda uma construção histórica que ampliou as
liberdades democráticas na Constituição Federal de 1988. Temas como o da
democratização do acesso à terra e o reconhecimento daquelas ocupadas pelos povos
tradicionais quilombolas e indígenas, as políticas de reparações ao povo negro, os serviços
públicos de qualidade como educação, saúde e previdência foram extremamente
banalizados e tem sido cotidianamente criminalizados. O discurso da “defesa de bandido”
generaliza também um importante debate colocado na sociedade brasileira que é a
chamada “guerra às drogas”, que tem se mostrado ineficaz no combate ao tráfico,
criminalizando e matando a juventude negra periférica. A exemplo, há a intervenção
militar na Secretaria de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro, que só fez
aumentar a militarização da vida das favelas e periferias. O ANDES-SN já se posicionou

36

pela descriminalização das drogas, entendemos ser fundamental retomar esse


debate, pois é urgente uma reação à política de genocídio e encarceramento de nossa
juventude negra.
O ANDES-SN vem realizando debates, seminários e reuniões sobre o
Capacitismo, e o acúmulo sobre o tema evidenciou que a discriminação ou violências
praticadas contra as pessoas com deficiência têm intersecção com gênero, classe e raça.
A imposição da corponormatividade é fundamental para a dominação de classe
relacionada com produção e corpo na perspectiva de funcionamento no sistema produtivo.
Ao longo da história, as pessoas com deficiência já foram consideradas “frutos do
pecado”, em um discurso religioso, na perspectiva do sagrado e castigo. Com o modelo
biomédico, a pessoa com deficiência é retirada do campo teológico e passa a ser um ser
que tem corpo, passível de correção e cura. Há pouco mais de quarenta anos, as pessoas
com deficiência começaram a pautar suas questões com base no modelo social da
deficiência como parte da diversidade humana. Nessa perspectiva, a concepção da
deficiência com o viés da patologia é ampliada para uma compreensão pela
transversalidade da identidade de cada um(a), considerando gênero, raça, religião e
geração.
Nos últimos anos o ANDES-SN potencializou sua militância nas lutas
contra as opressões. Diversos encontros e materiais de formação foram desenvolvidos.
Nossa militância tem apresentado o entendimento da importância das lutas contra o
machismo, o racismo, a LGBTTfobia, o capacitismo e a defesa dos povos tradicionais.
Urge mais do que nunca, neste primeiro semestre em que a conjuntura estará mais
radicalizada nos ataques à(o)s trabalhadore(a)s e suas formas de ser e reconhecer no país,
priorizarmos a resistência de classe contra as opressões patriarcalistas, misóginas e
racistas. Devemos nos empenhar em lutar e resistir com os movimentos sociais negros,
indígenas, de mulheres, LGBTT, ou seja, contra todas as agressões e políticas que
venham ferir nossa existência.
Nesse sentido, no segundo semestre de 2019, propomos a realização do II
Seminário Integrado do GTPCEGDS – IV Seminário Nacional de Mulheres; do III
Seminário de Diversidade Sexual; do IV Seminário de Reparação e Ações Afirmativas.
Esses seminários serão fundamentais para qualificar a resistência, analisar nossas ações e
ampliar as estratégias de enfrentamento.

A luta pelos direitos das mulheres e dos(as) LGBTT

A história tradicional brasileira tardou a reconhecer o protagonismo das


mulheres no país. Na atual conjuntura, o movimento feminista e de mulheres vem fazendo
a diferença nas lutas pelos direitos sociais. A primavera das mulheres contra o ex-
chrome-extension://bpmcpldpdmajfigpchkicefoigmkfalc/views/app.html 47/110
deputado federal Eduardo Cunha, em setembro de 2016, o 8M como levante feminista, a
luta contra o texto substitutivo da PEC 181/15 em novembro de 2017, o movimento de
mulheres #EleNão na luta contra o fascismo no período eleitoral de 2018 e o movimento
09/10/2019
de mulheres negras na luta antirracista são a expressão da força Anexo-Circ408-18.doc
desse segmento da
sociedade brasileira.
Contudo, a representatividade das mulheres nas instituições de ensino

36

superior ainda deixa a desejar. Há uma desigualdade entre homens e mulheres


representada na estrutura machista que fundou as universidades no Brasil e que se reflete
nas instituições e entidades. As mulheres são maioria da população, representam grande
parte da classe trabalhadora, mas ainda são minoria nos centros de pesquisas, nas direções
de institutos e departamentos, e nos sindicatos. As mulheres têm ocupado os espaços de
militância sindical, entretanto a sua participação nos eventos e na direção nacional do
ANDES-SN ainda reflete as desigualdades existentes na sociedade. O debate sobre
paridade de gênero na Diretoria do Sindicato Nacional é reflexo do avanço qualificado do
protagonismo das mulheres no ANDES-SN.
Entre 1998 e 2016, a presença de mulheres variou entre 20 e 45,7% na
composição da diretoria do ANDES-SN. Nas gestões da diretoria entre 2006 e 2016, a
participação feminina no grupo dos 11 variou entre 2 (18,2%) e 3 (27,3%).
Excepcionalmente, a atual gestão (2018-2020) tem a participação de 7 (sete) mulheres no
grupo dos 11, mas a presença de mulheres entre os 83 é de 31 (37,3%). A alteração da
participação no grupo dos 11 pode refletir a expressão de mulheres como lideranças nas
lutas do último período do sindicato nacional.
O debate sobre paridade na diretoria do ANDES-SN necessita ser
acompanhado do enfrentamento das barreiras que geralmente dificultam a participação de
mulheres nas atividades do sindicato local e nacionalmente. No 34o Congresso o
ANDES-SN, foi aprovada a garantia de espaços de convivência infantil em suas
atividades para favorecer a participação de sindicalizada(o)s. No 36o Congresso foi
indicado às seções sindicais que criassem espaços semelhantes para garantir a participação
de docentes com dependentes nas atividades sindicais e debatessem as formas de
viabilizar “a participação, prioritariamente das mulheres e responsáveis por dependentes
que exigem cuidados diretos, nas atividades das seções sindicais e do ANDES-SN”, como
consta de Resolução aprovada. Nesse mesmo Congresso, foi aprovada a indicação para as
seções sindicais promoverem o debate sobre a garantia de apoio financeiro adicional para
o(a)s dependentes de seus(suas) representantes que participem de atividades sindicais fora
do seu domicílio. Nas reuniões do GTPCEGDS, nossa base informou que nas seções
sindicais pouco tem sido debatido ou deliberado sobre essa questão. No âmbito da
diretoria nacional, a meia diária como auxílio para dependente foi instituída também no
36º Congresso. Essa estratégia tem favorecido a participação de diretora(e)s nas atividades
do sindicato fora do domicílio. Importante sinalizar que os espaços de convivência infantil
foram iniciados no 35º Congresso em Curitiba, e, desde então, as seções sindicais que
sediaram os Congressos e os CONAD, em colaboração com a diretoria nacional, têm
aprimorado o processo de organização desse espaço. Torna-se necessário avaliar
continuamente a qualidade dos espaços de convivência e a possibilidade de ampliação da
oferta em outros eventos do sindicato.
Nem presa, nem morta! No ano de 2018, o sindicato nacional construiu e
participou da luta pela descriminalização do aborto, da audiência pública no STF e do
Festival “É pela vida das Mulheres”. Foi um momento histórico para o movimento
feminista e para a classe trabalhadora, considerando a conjuntura de retirada de direitos e
o recrudescimento do conservadorismo. O festival e as audiências evidenciaram a
organização e a disposição das mulheres trabalhadoras para luta, o que inspirou

36

combativas e combativos apoiadora(e)s. O aborto inseguro mata todos os dias


mulheres pobres, negras e jovens, se configurando como uma questão de saúde pública, e
a luta pela descriminalização e legalização do aborto é fundamental para a vida das
mulheres trabalhadoras!
O GTPCEGDS e os setores das IFES e das IEES/IMES pautaram em sua
agenda um dia de combate ao assédio moral e sexual, realizado no 17 de outubro, quando
diversas atividades e debates foram realizados nas universidades em todo país. O combate
ao racismo está na agenda conjunta do dia 22 de novembro, com propostas de intensas
chrome-extension://bpmcpldpdmajfigpchkicefoigmkfalc/views/app.html 48/110
mobilizações. As violências que geraram essa agenda de resistência no sindicato nacional
adoecem docentes, estudantes e técnico(a)s administrativo(a)s e terceirizado(a)s, tornando
adoece doce tes, estuda tes e téc co(a)s ad st at vo(a)s e te ce ado(a)s, to a do
os espaços das universidades agressivos, por vezes se tornando limitadores da
09/10/2019
permanência, o que deve ser combatido cotidianamente. MateriaisAnexo-Circ408-18.doc
específicos foram
produzidos e reimpressos para estimular o debate, e as agendas possibilitaram a
visibilidade e o fortalecimento dessas pautas no sindicato.
O Brasil é o país que mais mata gays, lésbicas e trans/travestis no mundo.
Esse dado é relevante e se soma à intolerância contra a população LGBTT dentro das
Instituições de Ensino Superior. O discurso de ódio e as agressões coloca a tarefa de nos
somarmos ao Dia Internacional do Orgulho LGBTT, em 28 de junho, e construir essa
data como de luta nacional do ANDES-SN nas universidades contra a LGBTTfobia.
Desrespeito ao direito do nome social e a LGBTTfobiA são responsáveis pelo
afastamento de estudantes da universidade e pelo adoecimento de docentes. Na atual
conjuntura, os ataques a essa comunidade se acirraram, como os casos de pichações e
agressões tidos nas universidades públicas. Tivemos censura às manifestações antifascistas
na UFF, no Rio de Janeiro, e na ADUFCG Seção Sindical do ANDES-SN, na Paraíba.
A operação orquestrada pela Justiça Eleitoral atacou a liberdade de expressão das
universidades e a democracia interna das instituições, e ocorreram também em
Universidades dos Estados do Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul e Bahia.
Dada a conjuntura atual, precisamos ampliar a participação nas diferentes
iniciativas de combate à misoginia, à LGBTTfobia nas universidades e também fora
delas.

A luta pela efetivação e permanência das políticas de reparações nas IES

Há cerca de duas décadas que as ações afirmativas para negro (a)s


passaram a ser utilizadas para ingresso nas instituições de ensino superior. Instituídas
primeiramente por decreto nas universidades estaduais do Rio de Janeiro em 2001 e na
Bahia em 2002, aprovada pela comunidade universitária da UNEB, as ações afirmativas
tiveram seu mérito julgado como constitucional pelo Supremo Tribunal Federal em 2012.
Como parte de um conjunto de políticas de reparações em relação à opressão da
escravidão vivida pelo povo negro no Brasil, as cotas étnico-raciais, desde então,
passaram a ser uma realidade nas instituições brasileiras.
Se por um lado, a política mudou a realidade das universidades, levando
jovens negro(a)s a estudarem no ensino superior, por outro ainda seguem os desafios.
Dentre eles, podemos citar as políticas de permanência que ainda deixam a desejar em

36

algumas universidades brasileiras. Outro problema para esse avanço das políticas
afirmativas na última década foram as contínuas práticas de fraude nas autodeclarações
étnico-raciais. Na maioria das instituições, a autodeclaração é fundamental no projeto de
legitimidade da política, pois fortalece o processo de autoidentificação do homem ou
mulher negra. O problema é que muitos branco(a)s têm se utilizado de autodeclarações
como negro(a)s de forma fraudada, principalmente em cursos com grande concorrência,
como os de medicina e direito. No caso do(a)s indígenas e quilombolas, a declaração da
liderança de suas comunidades evidenciando que o(a) candidato(a) advém dessas
populações, ainda que seja passível de fraude tem se tornado um elemento de sucesso
para a ocupação da vaga de forma legítima.
Nos últimos anos, foram constituídas nas universidades, CEFET e IF
comissões de verificação que objetivam evitar as fraudes. Diversos tipos de estratégias
foram tomadas, a maioria delas elogiadas pela politização desse processo de afirmação da
identidade negra, e algumas criticadas como as que caíam em critérios eugênicos ou que
acabavam se debruçando em concepções do determinismo biológico. Em 10 de abril deste
ano, foi publicada pelo Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão, a Portaria
Normativa nº 4/2018 que regulamentou a forma como deveriam proceder as Comissões
de Heteroidentificação como complementares à autodeclaração do(a)s candidato(a)s
negro(a)s para preenchimento das vagas reservadas nas seleções e nos concursos públicos
federais. A heteroidentificação significa que terceiros irão confirmar ou não as
informações da autodeclaração do pretenso candidato negro(a)s. O STF, em 2017,
quando julgou a constitucionalidade da Lei de Cotas no serviço público federal, já havia
declarado o uso da heteroidentificação como critério de subsídio à autodeclaração,
mantendo como princípio o respeito à dignidade humana e garantido o contraditório e a
ampla defesa.
A atual conjuntura apresenta um cenário que combate estas políticas e não
são pouco conhecidas as posições do candidato eleito à presidência da república
argumentando que irá cortar a oferta das ações afirmativas. Acreditamos que é
fundamental defender a política pública das ações afirmativas, no caso aqui, baseada na
chrome-extension://bpmcpldpdmajfigpchkicefoigmkfalc/views/app.html
reserva de vagas para negros e negras como uma forma de reparação. 49/110
A autodeclaração é um princípio que valoriza a identidade negra no país.
E deve ser defendida como critério para o preenchimento das vagas. Mesmo com alguns
problemas, pois ainda é uma experiência em andamento, também
09/10/2019 acreditamos ser
Anexo-Circ408-18.doc
fundamental defender as comissões de verificação nas universidades, e que possam contar
com militantes dos movimentos sociais negros em suas composições, assim como
prioritariamente serem também compostas por servidore(a)s negro(a)s. Essas comissões de
verificação têm também executado um papel importante como atividades de acolhimento
para estudantes negro(a)s, se constituindo como espaços fundamentais para o futuro de
permanência discente.
Especificamente sobre a categoria docente, a Lei nº 12.990/2014, inserida
no bojo das políticas de cotas, se configurou como um ganho no processo de inserção de
negro(a)s no corpo docente, sob a mesma perspectiva de representatividade, de ampliação
do conhecimento produzido e no debate político. Mas também tem enfrentado práticas de
fraudes que ocorrem nas instituições de ensino superior, como o “drible” que as gestões

36

têm realizado para não colocarem na prática essa lei que reserva à(o)s negro(a)s 20% das
vagas oferecidas nos concursos públicos. As vagas dos concursos são fracionadas para
que não sejam atendidas a reserva de vagas quando da concorrência, o que tem
inviabilizado na prática a adoção da legislação. É fundamental que as seções sindicais
realizem essa luta nas suas universidades e exijam que a legislação seja cumprida,
acionando até mesmo suas assessorias jurídicas nessa luta.
As experiências escravagista e colonialista no Brasil deixaram marcas
sentidas até os dias de hoje na constituição da sociedade brasileira. Ainda que negro(a)s
representem mais de 50% da população brasileira, essa representatividade não é expressa
em diferentes instituições e espaços decisórios. Diferentes medidas são apontadas como
estratégias de reparação e construtoras de novos cenários de participação e produção
intelectual dessa parte da população na medida em que a presença e também o resgate da
sua ancestralidade e saberes devem ser considerados. Entre essas medidas, as políticas de
cotas para o ensino superior têm produzido mudanças interessantes e transformadoras no
seio das comunidades acadêmicas para a produção do conhecimento. Dados do último
censo do INEP apontam que negro(a)s representam 1,4% do universo de professore(a)s
do ensino superior. A maior participação de negro(a)s também permanece um desafio para
o sindicato nacional e é fundamental que intensifiquemos esse debate em nossas bases.
Urge, mais do que nunca, na atual conjuntura que se mostra cada vez mais
perversa sobre os direitos da população negra, defender as políticas de reparação.

TR – 7
O 38º CONGRESSO do ANDES-SN delibera:

1. Que o ANDES-SN intensifique a produção material de combate a LGBTTfobia para


divulgar nas universidades, nos Institutos Federais e nos CEFET.
2. Que o GTPCEGDS construa em conjunto com setor das IEES/IMES e IFES o Dia
Internacional do Orgulho LGBTT (28 de junho) como uma data de luta nacional do
ANDES-SN contra a LGBTTfobia.
3. Que o ANDES-SN intensifique a Luta pela descriminalização e legalização do Aborto.
4. Realizar no segundo semestre de 2019, o II Seminário Integrado do GTPCEGDS (IV
Seminário Nacional de Mulheres do ANDES-SN; III Seminário Nacional de Diversidade
Sexual; IV Seminário Nacional de Reparação e Ações Afirmativas).
5. Que o ANDES-SN construa com os Movimentos indígenas uma agenda de luta pelos
direitos das populações indígenas.
6. Que o ANDES-SN realize um painel que discuta a descriminalização das drogas
vinculando o debate ao tema do genocídio da juventude negra.
7. Que o ANDES-SN, via seções sindicais, defenda a existência e os trabalhos das
Comissões de Heteroidentificação para evitar fraudes e garantir a efetiva política das
ações afirmativas no ensino superior.
8. Que as seções sindicais se empenhem na luta pela implementação da Lei nº
12.990/2014 que reserva à(o)s negro(a)s 20% das vagas oferecidas nos concursos
públicos, acionando suas assessorias jurídicas nesta luta.

36

chrome-extension://bpmcpldpdmajfigpchkicefoigmkfalc/views/app.html 50/110
8.1. Que o ANDES-SN acione a AJN para realizar uma análise da Lei nº 12.990/2014
para verificar as possibilidades para impedir que seja burlada.
8.2. Que o ANDES-SN acione a ANDIFES, a ABRUEM e o CONIFAnexo-Circ408-18.doc
09/10/2019 para que cobrem o
cumprimento dessa lei.
9. Que as seções sindicais intensifiquem o debate sobre a garantia de apoio adicional à(o)s
dependentes de seus representantes que participem de atividades sindicais fora do seu
domicilio.
10. Que o ANDES-SN ofereça espaço de convivência infantil em seus seminários
nacionais desde que as demandas sejam solicitadas com a antecedência e comunicadas na
circular de convocação.

TEXTO 8
Diretoria do ANDES-SN

POLÍTICA DE COMUNICAÇÃO E ARTE

TEXTO DE APOIO

“Eu não sei qual é o motivo dessa


supervalorização da racionalidade. Os
pássaros só são livres porque podem
voar. A liberdade é, justamente, a
incapacidade de se perceber as
limitações.”
Frida Kahlo

A sociedade brasileira vive, atualmente, um de seus momentos políticos e


sociais mais agudos. O crescimento de forças conservadoras e reacionárias, o
fortalecimento de ideologias de ódio contra as mulheres, negro(a)s, LGBTT,
nordestino(a)s, refugiado(a)s, e o avanço das políticas de retiradas de direito sociais,
trabalhistas e ambientais, acirraram a luta de classe e polarizaram posições políticas.
Uma referência para a realização dos eventos culturais que o ANDES-SN
se propõe a fazer no próximo ciclo é o Mestre Moa do Katendê, assassinado tragicamente
em Salvador (BA), no dia do primeiro turno das eleições de 2018. Esse bravo lutador
popular teve sua vida ceifada por um trabalhador que se alinhou aos discursos de ódio.
Foram mais de doze facadas, as quais romperam o corpo de Romualdo Rosário da Costa,
que também era grande mestre de capoeira e músico reconhecido. Sua história de
militância e protagonismo se confunde com a própria narrativa da ascensão das
36

manifestações artísticas afro-brasileiras na década de 1970, na capital baiana.


Entre outras ações, ele contribuiu para a formação do Bloco Afro Ilê Aiyê e criou o
Afoxé Badauê. Sua ausência ainda causa imensa tristeza e indignação no mundo das
artes.
Nesse sentido, pensamos que as expressões artísticas podem ser outra
possibilidade de diálogo com a categoria e com a sociedade. Além disso, a disputa de
hegemonia com os nossos pares está e estará sempre presente na nossa atuação sindical.
Entendemos que hegemonia não é apenas uma ideologia eficaz ou algo que está
localizado meramente no campo da superestrutura, mas também abarca feições
ideológicas, culturais, políticas e econômicas.
É importante salientar que historicamente a burguesia sempre pautou o
controle dos meios de comunicação tradicional como forma de transformar seus anseios
particulares em desejos da classe trabalhadora. De acordo com EBC, “o Brasil é um dos
países onde há maior concentração da mídia. Apenas seis grupos de Comunicação
detêm a propriedade de 667 veículos, entre emissoras de TV, rádios e jornais, segundo
apontam dados da pesquisa 'Os Donos da Mídia', do Instituto de Estudos e Pesquisa em
Comunicação”.
Desde a CF 88, percebemos que esse processo de oligopolizacão da mídia
tradicional avançou com um peso significativo de políticos, de banqueiros e de
latifundiários. Interessante perceber que os mesmos agentes que determinam a política
econômica também controlam as mídias tradicionais, tendo nas últimas décadas o
chrome-extension://bpmcpldpdmajfigpchkicefoigmkfalc/views/app.html 51/110
incremento de grupos religiosos pentecostais e neopentecostais. Então, é dentro desse
ambiente, agravado com a ascensão de forças da extrema-direita, que o Departamento de
Comunicação do ANDES-SN assume um papel privilegiado, pois continuará servindo
09/10/2019 Anexo-Circ408-18.doc
como canal de informação de nossa base, alimentando nossos sonhos e lutas.
Destaca-se, por outra parte, o fortalecimento das novas mídias na atual
conjuntura. Se por um lado permitiu uma maior ampliação da informação, todavia tal
conhecimento continua sendo produzido hegemonicamente pelos donos das mídias
tradicionais. Além disso, cabe mencionar o problema relacionado à proliferação de ideias
da extrema-direita, dos fóruns fascistas e de outras tantas ações de intolerância e ódio,
além do uso das fake-news, que ficaram famosas na campanha e no governo Trump. Essa
divulgação de notícias falsas possui um objetivo de induzir à desinformação, criando um
ambiente propício para a formação de opiniões com base em mentiras ou em situações
descontextualizadas. Tais ações foram bastante empregadas nas campanhas do Brexit, do
Trump e na última campanha para presidente no Brasil, que elegeu Jair Bonsonaro. O
sucesso dessa estratégia informativa potencializou-se com o emprego massivo das redes
sociais e a modelagem de bolhas, emprego de bots que visam influenciar a visão de
mundo e as opiniões do(a)s usuário(a)s.
Dessa forma, percebemos um curioso protagonismo das mídias sociais, em
especial os aplicativos de mensagem, nas eleições de 2018. Termos como “bolha”,
“robôs”, etc. surgiram como novidade para grande parte das pessoas. Nesse sentido,
entendemos que o ANDES-SN deve subsidiar e fomentar um aprofundamento no
conhecimento dessas e de outras questões relativas à comunicação da Direção Nacional e
das seções. Um outro espaço a ser conquistado também pela nossa militância são os das

36

mídias sociais, sem deixar de priorizar as ruas e os espaços físicos públicos.


Sendo assim, transferimos para o 1º semestre de 2019 o VI Encontro de Comunicação e
Arte do ANDES-SN, que terá como sede a ADUFES Seção Sindical, em Vitória (ES), e
terá como tema central: “CULTURAS AFROBRASILEIRA E ARTES POPULARES
RESISTINDO ÀS AMEAÇAS DO FASCISMO”, que em meio a esse cenário de
resistência popular frente à ascensão conservadora e reacionária, pode evocar o potencial
criativo da nossa categoria docente. Além disso, poderemos dar visibilidade às
experiências que de diálogo que já existem com as comunidades, as favelas e, também,
com os projetos sociais nascidos das ações extensionistas. Esse encontro também
contribuirá para a construção do I Festival de Arte e Cultura do ANDES, que acontecerá
no 2º semestre de 2019, na APRUMA, em São Luís, no Maranhão.
As manifestações artísticas que nos aproximaremos, são aquelas que
possuem como inspiração a emancipação humana, a crítica à sociedade capitalista e todas
suas ideologias que buscam coisificar o sujeito. A arte entendida como grande
instrumento de diálogo com o(a)s trabalhador(a)s, posicionada na luta de classes, e
animadora do(a)s militantes revolucionário(a)s. A arte implica imaginação e criatividade
emancipatória. Nesse sentido, como bem destaca Breton, Rivera e Trotksy, “[…] em
matéria de criação artística, importa essencialmente que a imaginação escape a
qualquer coação, não se deixe sob nenhum pretexto impor qualquer figurino. […]”.
Dessa forma, propomos um ambiente de troca de disposições estéticas, reciclagens e
novas conexões. Procuraremos favorecer o diálogo fértil entre o(a)s docentes de norte a
sul do Brasil. A proposta é favorecer o encontro desinteressado, a troca de experiências,
as várias expressões políticas submetidas à linguagem artística. Não aderimos à ideia da
competitividade e da hierarquização da produção artística de cada docente, que é próprio
da cultura capitalista. Pretendemos, assim, reforçar ou criar pontes entre o popular e o
acadêmico, estabelecendo diálogos horizontais.
Além da abertura para diversas manifestações artísticas, serão organizadas:
palestras, debates, rodas de conversas e intervenções artísticas. A ideia é criar espaços
frutíferos de troca de experiências e vivências com a arte.

TR – 8
O 38º CONGRESSO do ANDES-SN delibera:

1. Fomentar em seus encontros (Congressos, CONAD, etc.) mostras artísticas e culturais da


base do ANDES-SN na programação oficial. Mostra de artes visuais durante o período do
evento, com um dia de exposição especial. E, ainda, que seja inserido um momento cultural.
2. Realizar o VI Encontro de Comunicação e Arte do ANDES, no primeiro semestre de
2019, na ADUFES, em Vitória (ES).
3. Realizar o I Festival de Cultura e Arte do ANDES, no 2º semestre de 2019, na APRUMA,
em São Luís (MA).
4. Realizar atividades para tratar das mídias sociais e das diversas estratégias de comunicação.
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5. Promover campanha de sindicalização com o tema: “Não fique só, sindicalize-se”;
Campanha em defesa da Universidade Pública, Institutos Federais e CEFET.

36
09/10/2019 Anexo-Circ408-18.doc

36

TEXTO 9
Diretoria do ANDES-SN

POLÍTICA AGRÁRIA, URBANA E AMBIENTAL

TEXTO DE APOIO

Nas eleições gerais no Brasil, em 2018, durante a campanha para a


presidência da República, foi patente a aproximação de ruralistas e de grandes
empresários do atacado, do varejo, da indústria de armamentos em torno do candidato do
Partido Social Liberal (PSL), o qual venceu o pleito eleitoral. Com uma proposta de
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governo intitulada “O Caminho da Prosperidade: Constitucional, Eficiente e Fraterno”,
o presidente eleito tem divulgado ideias controversas sobre pautas caras ao Grupo de
Trabalho de Política Agrária, Urbana e Ambiental (GTPAUA)Anexo-Circ408-18.doc
09/10/2019 do ANDES-SN.
Posteriormente à sua vitória, ele e seus aliados propalaram a decisão sobre a fusão do
Ministério do Meio Ambiente com o Ministério da Agricultura. No entanto, após pressão
da comunidade internacional, da mídia nacional, de parte de seu eleitorado e aliados,
recuou dessa decisão. Sobre a política agrária, o presidente eleito concedeu à Frente
Parlamentar da Agropecuária a chancela para indicar o nome ao Ministério da
Agricultura, evidenciando enxergar o campo como um lugar de produtivismo econômico
e não um espaço de vidas. Além disso, frequentemente, utiliza um discurso fomentador de
ódio, homogeneizador, binário, centrado no sexo masculino e no singular, menosprezando
as questões de gênero, de diversidade, de pluralidade e ambientais existentes também no
meio rural.
Diante desse contexto, da reprimarização das exportações brasileiras, do
ímpeto pelo crescimento da economia e da flexibilização sobre o uso de agrotóxicos,
vislumbra-se que, para o próximo ano, no meio rural, o cenário de lutas em defesa da
agroecologia, dos diversos modos de vida no campo, da biodiversidade, da educação do
campo estará mais intenso. A ameaça à biodiversidade se soma ao clima de tensão
crescente envolvendo as populações originárias e as tradicionais, tendo em vista os
ataques às populações indígenas, quilombolas, ribeirinhas e aos movimentos de
trabalhadore(a)s rurais. Vale lembrar que o Brasil é um dos países com maiores índices de
homicídios de lideranças de trabalhadore(a)s rurais e de ativistas ambientais, conforme a
Anistia Internacional e a Comissão Interamericana de Direitos Humanos. Cabe ao
ANDES-SN, por meio do GTPAUA, reafirmar a necessidade de manutenção dos órgãos
públicos e das políticas públicas que visam defender os direitos e a promoção da vida das
populações e movimentos citados, bem como permitir que o(a)s gestore(a)s desses órgãos
tenham vinculação com a defesa dos direitos dessas populações.
Nas cidades, o cenário brasileiro não é diferente das desigualdades sociais
existentes no meio urbano, as quais remontam ao período colonial de nossa história e ao
processo de industrialização da economia brasileira no século XX. As reformas urbanas e
a doutrina do higienismo são exemplos de como os governos federal, estadual e municipal
têm encarado as questões da classe trabalhadora, configurando as cidades com redutos de
36

pobreza e ilhas de riqueza. Atualmente, vários são os desafios a serem enfrentados


por uma população de cerca de 210 milhões de habitantes, por exemplo, a mobilidade
urbana; a acessibilidade das pessoas com mobilidade reduzida ou de baixa renda; os
apagões de energia elétrica; a privatização da água; o adensamento urbano; a especulação
imobiliária; a militarização da segurança pública; o menosprezo aos direitos da população
em situação de rua; as dificuldades de tornar efetivo o direito à educação, à cultura, à
saúde, ao lazer, ao transporte, ao saneamento básico (água, resíduos, esgoto), às condições
dignas de habitação, à segurança pública, dentre outros.
Quanto aos resíduos sólidos, o descaso dos governos para lidar com a
problemática faz com que o estilo de vida contemporâneo aumente os impactos sobre o
meio ambiente e a saúde humana. Esse descuido se revela por meio do não cumprimento
da Lei nº 12.305/10 que determinou a eliminação dos lixões até 2018, substituindo-os por
aterros sanitários. Referente aos apagões de energia elétrica é necessário discutir os
modelos energéticos.
Diante disso tudo é preciso somar esforços para avançar no debate sobre o
direito à cidade, com o objetivo de contribuir para a construção de espaços urbanos
inclusivos. Tendo em vista o posicionamento do presidente eleito, que frequentemente dá
demonstrações de menosprezar as consequências da falta de investimentos em políticas
sociais, incitar a violência urbana e intensificar a militarização nas questões de segurança
pública, é necessário que o ANDES-SN, via GTPAUA, articule-se com outras entidades
de classe e movimentos sociais, a fim de cobrar as responsabilidades dos governos
federal, estadual e municipal. Em especial, no que tange às indenizações para populações
atingidas por desastres naturais ou não – tais como, inundações, deslizamentos,
rompimento de barragens, desertificação, muitas vezes mascarados como acidentes, mas
que configuram negligência de governos com políticas públicas agrárias, urbanas ou
ambientais de prevenção. Tais ausências causam mortes, sofrimentos e danos ambientais
evitáveis, como o maior desastre ambiental ocorrido no Brasil, em Mariana (MG), em
2015. E após três anos do fato, ainda tem causado danos ao meio ambiente. Além desse,
há os casos de vazamentos de rejeitos minerais em Barcarena (PA) em 2018; de
deslizamento em Niterói (RJ) em 2018; de inundações em Itajaí (SC) em 2013; de
deslizamentos na região serrana do Rio de Janeiro (RJ) em 2011 e no Morro do Bumba
(RJ) em 2010; de vazamentos de efluentes líquidos tóxicos na baía de Sepetiba (RJ) em
1998; e de desertificação do Pampa e da Caatinga, dentre outros.
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Por fim, ressalta-se a importância do(a)s professore(a)s somarem-se às 54/110
lutas assumidas pelo ANDES-SN, uma vez que, no âmbito do GTPAUA, questões
envolvendo o uso de agrotóxicos e temas referentes ao direito à cidade, supracitados,
precisam de enfrentamento e organização coletiva, por também dizerem
09/10/2019 respeito às
Anexo-Circ408-18.doc
universidades. Experiência interessante está relacionada às feiras de produtos
agroecológicos que, muitas vezes, são realizadas no interior das universidades. Para
ilustrar, atualmente, também estão sob ameaça de cortes as verbas públicas para os
programas das universidades públicas voltados às populações indígena, quilombola,
ribeirinha e do campo.
Tendo em vista a realização do seminário nacional do GTPAUA, sobre
agrotóxicos, em Curitiba (PR), de 23 a 25 de novembro de 2018, será feita uma

36

atualização para o caderno anexo, após o evento.

TR – 9
O 38º CONGRESSO do ANDES-SN delibera:

1. Reafirmar, em articulação com outras entidades de classe, movimentos sociais,


populações indígenas e quilombolas, o direito de as populações manterem seus modos de
vida, como expressão da diversidade cultural do povo brasileiro;
1.1. Defender a manutenção dos órgãos públicos e das políticas públicas de defesa dos
direitos e da promoção da vida das populações indígenas, quilombolas e ribeirinhas;
1.2. Defender que os gestores dos órgãos públicos e das políticas públicas sejam
indicados a partir de sua vinculação com a defesa dos direitos dessas populações.
2. Defender a destinação de verbas públicas para os programas das universidades públicas
voltados às populações indígenas, quilombolas, ribeirinhas e do campo.
3. Intensificar as denúncias, nacional e internacionalmente, sobre os massacres, as
perseguições, as torturas, as prisões, as chacinas, os assassinatos e a criminalização de
trabalhadore(a)s rurais e urbanos.
4. Realizar, via GTPAUA, com o auxílio do GTPCEGDS, GTSSA, GTPE e das seções
sindicais, no segundo semestre de 2019, um seminário nacional sobre “Direito à Cidade”.
5. Exigir dos governos federal, estadual e municipal, em articulação com outras entidades
de classe e movimentos sociais, ações que visem indenizar as populações rurais ou
urbanas atingidas por desastres naturais ou não, tais como enchentes, deslizamentos,
rompimento de barragens e desertificação.
6. Denunciar, com outras entidades sindicais, movimentos sociais e ambientais, as gestões
municipais que descumprirem a Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei nº
12.305/2010), a qual estabelece o fim dos lixões.
7. Continuar apoiando, via secretarias regionais em articulação com as seções sindicais do
ANDES-SN, os movimentos sociais dos trabalhadore(a)s rurais e urbanos, combatendo as
tentativas da grande mídia e dos governos federal, estadual e municipal de criminalizar as
ações coletivas desse(a)s trabalhadore(a)s.
8. Que o ANDES-SN, junto a movimentos sociais urbanos e rurais, lute contra a
aprovação do PLS 272/16, que quer transformar as ocupações em crime.

36

TEXTO 10
Diretoria do ANDES-SN

POLÍTICA DE SEGURIDADE SOCIAL E


chrome-extension://bpmcpldpdmajfigpchkicefoigmkfalc/views/app.html ASSUNTOS DE 55/110
APOSENTADORIA
09/10/2019
TEXTO DE APOIO Anexo-Circ408-18.doc

O ANDES-SN tem realizado, no último período, análises sobre a política


de seguridade social e assuntos de aposentadoria com base nas condições econômicas e
sócio históricas que situa o aprofundamento do modelo econômico de base neoliberal e
seus rebatimentos para a classe trabalhadora e, em específico, para a universidade pública,
a reorganização do trabalho docente, bem como os direitos à educação e dos seus
trabalhadores. O 38º Congresso do ANDES-SN se realizou quando a Constituição
Federal de 1988 completou trinta anos de existência. No entanto, continuamos
constatando a não materialização da Política de Seguridade Social (Saúde, Previdência e
Assistência Social) tal qual foi formalmente descrita como um sistema de previdência
social de ampla abrangência, assentado nos princípios de solidariedade geracional
contributiva e de natureza pública. Ao contrário, o sistema foi formalmente desmontado
pelos sucessivos governos (Collor, FHC, Lula, Dilma e Temer), utilizando-se de recursos
formais expressos por leis, decretos, medidas provisórias que transformaram o conteúdo
da política pública em política de interesse individual e privado para atender às demandas
das classes dominantes e do sistema financeiro. Previdência e saúde passaram a serem
tratadas cada vez mais como mercadorias.
A partir dos anos 1990, em toda a América Latina, os governos cederam
ao imperialismo norte americano e realizaram diferentes formas de mudanças estruturais
no Estado, contrarreformas que impediram o avanço dos direitos e afetaram diretamente a
vida do(a)s trabalhadore(a)s, com grau cada vez mais alto de exploração. No Brasil, essa
realidade não foi diferente, mas talvez mais agressiva que alguns países que já haviam
experimentado algum nível de estado do bem-estar social.
[...] No Governo FHC (1998), o(a)s servidore(a)s perderam a prerrogativa
de uma aposentadoria diferenciada do(a)s demais trabalhadores e trabalhadoras e foi
criado o fator previdenciário. Em 2003, o Governo Lula acabou com a integralidade e a
paridade no benefício. Isto significa que o(a)s servidore(a)s que ingressaram a partir de
2004 passaram a ter aposentadoria pela média dos maiores salários. No Governo Dilma,
foi instituída a Previdência Complementar, a Fundação de Previdência Complementar do
Servidor Público Federal (FUNPRESP). Assim, o(a)s servidore(a)s contratado(a)s após
4/2/2013 passaram a ter o teto do RGPS como aposentadoria e, se quisessem receber
mais, teriam que contribuir para a previdência complementar. A Lei nº 12.618/12, além de
instituir esse novo regime de previdência, também fixou o limite máximo para a concessão
de aposentadorias e pensões pelo regime de previdência previsto no art. 40 da CF, que
trata da matéria. Também alterou a Lei nº 10.887 de 2004, que versa sobre proventos de
aposentadoria.
No segundo mandato do Governo Dilma, foi aprovada a Lei 13.183/15,

36

que consagra a fórmula 85/95, que permite a exclusão do fator previdenciário do cálculo
do valor das aposentadorias quando a pessoa atingir tal pontuação pela somatória de idade
e tempo de contribuição (85 pontos para a mulher e 95 para o homem).
De forma extraconstitucional, foram empreendidas alterações, como o
fator previdenciário, mudanças na pensão por morte e auxílio reclusão, cuja consequência
foi restringir ou extinguir o direito ao acesso (Caderno de Textos. 37º Congresso
ANDES-SN, 2018, p. 130).
Essas medidas extinguiram direitos de aposentadoria por tempo de serviço,
aposentadoria proporcional, paridade entre ativo(a)s aposentado(a)s, aumento de
contribuição do(a) aposentado(a) e pensionista em 11% sobre a fração do salários que
extrapola o teto do Regime Geral da Previdência Social (RGPS), equiparação do teto do
funcionalismo público ao teto do RGPS e, por fim, a criação da previdência
complementar privada para o funcionalismo público (FUNPRESP). Mesmo com toda a
abertura ao capital por parte dos governos anteriores, a partir de 2016, o governo Temer
aprofundou a reestruturação capitalista propondo medidas que alteram a Constituição
Federal de 1988, a exemplo da Emenda Constitucional 95/2016, conhecida por “Teto dos
Gastos” – na realidade, uma política de arrocho fiscal que incide diretamente na retirada
dos direitos do(a)s trabalhadore(a)s.
A PEC 287/2016 que trata da contrarreforma da previdência, amplamente
debatida em nossa base, propõe alterações que aprofundarão ainda mais a retirada dos
direitos da classe trabalhadora. Entre as alterações propostas destacam-se:

 estabelecimento de normas para impedir a aposentadoria por invalidez,


readaptando o(a)s servidore(a)s público(a)s em função da limitação ou
incapacidade;
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 criação de novas regras de aposentadoria e de pensão por morte, diminuindo
drasticamente os benefícios;
 extinção das regras de transição então existentes, que proporcionam integralidade
09/10/2019 Anexo-Circ408-18.doc
e paridade, tendo em vista a data de ingresso;
 extinção das aposentadorias especiais de risco e periculosidade – vedando a
caracterização por categoria profissional ou ocupação;
 estabelecimento de limite máximo do regime geral de previdência social para
concessão de benefícios nos regimes próprios;
 obrigatoriedade da criação de previdência complementar para o(a)s servidore(a)s
público(a)s estaduais e municipais, no prazo máximo de 2 (dois) anos;
 possibilidade do aumento automático da idade mínima para todos os tipos de
aposentadoria, com base no aumento da expectativa de vida, para além dos 65
anos e 40 anos de contribuição;
 substituição do auxílio-doença por auxílio à incapacidade temporária ou
permanente para o trabalho;
 extinção da vinculação ao salário-mínimo de benefícios previdenciários, exceto
aposentadorias;
 proíbe o recebimento conjunto de benefícios previdenciários, até mesmo entre
regimes distintos, exceto aposentadorias provenientes de cargos acumuláveis;

36

 criação de obstáculos, com objetivo de dificultar a aposentadoria do(a)


trabalhador(a) rural.

As tentativas de aprovar a contrarreforma da previdência por parte do


Governo Temer foi seguida por mobilizações e atos e greves em todo o país. Em abril de
2017, o ANDES-SN e a classe trabalhadora sindicalizada, operária e camponesa
realizaram a maior greve geral do último período. Em novembro de 2017, o governo e o
relator da PEC 287 apresentaram uma nova proposta a Emenda Aglutinativa da PEC
287/16. O texto substitutivo proposto exclui alguns artigos, como aqueles relativos ao
trabalhador rural e à concessão do benefício assistencial aos idosos e às pessoas com
deficiência (BPC), e prejudica ainda mais o(a)s trabalhadore(a)s nas regras de transição,
no que trata da aposentadoria integral com paridade. A pressão dos movimentos dos
trabalhadores influenciou a retirada dessa PEC de pauta em fevereiro de 2018. Os
prováveis candidatos à reeleição para a Câmara Federal e Senado não quiseram arcar com
o ônus das suas posições sobre a contrarreforma.
Apesar da retirada do texto substitutivo, houve modificação da sistemática
do Benefício de Prestação Continuada da Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS),
em agosto de 2018, por meio do Decreto nº 9.462/18 que alterou as regras de
comunicação com o usuário, que passou a ser feita pela rede bancária (com a utilização de
terminais eletrônicos e extratos do pagamento do benefício). O bloqueio pode ser
determinado mesmo que o INSS, responsável pelo pagamento, não consiga notificar o(a)
beneficiário(a). Tal medida é bastante prejudicial à(o)s beneficiário(a)s, que pelo seu perfil
socioeconômico e educacional têm dificuldade de acesso aos meios informacionais.
O presidente eleito prometeu o aprofundamento ultraconservador e
ultraliberal e, desde sua eleição, ameaça a fusão ou extinção de alguns ministérios, com
especulações em que o próprio Ministério do Trabalho seria extinto, e o Ministério da
Previdência, fundido. Se compromete com a contrarreforma da previdência mais rígida
que a contrarreforma proposta por Temer, acelerando a completa privatização dos direitos
previdenciários e apontando para o fim do sistema de previdência universal e por
repartição, substituindo-o por um sistema de capitalização individual, porém sem
apresentar quais pontos serão alterados.
Na esteira das ações do GTSSA, foi possível realizar a intensificação da
luta contra a Contrarreforma da Previdência (PEC 287/2016) que mobilizou a categoria,
como também realizar denúncias sobre as perdas da classe trabalhadora e da categoria
docente em especial e a exposição do(a)s parlamentares favoráveis à Contrarreforma da
Previdência. Quanto à prática do Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão
(MP), de fornecer dados pessoais e profissionais da categoria docente (ativo(a)s e
aposentado(a)s) para que o sistema financeiro ofereça empréstimos consignados (leia-se
expropriação do salário), segundo a AJN, a Lei nº 13.709/2018 que dispõe sobre a
proteção de dados pessoais e altera a Lei nº 12.965, de 23 de abril de 2014 (Marco Civil
da Internet), que entrará em vigor em janeiro de 2020, garantirá a proteção dos dados
pessoais do(a)s docentes.
As propostas do presidente eleito nas eleições presidenciais de 2018
apontam para uma modificação nas atribuições do Estado que, orientada por uma

36
chrome-extension://bpmcpldpdmajfigpchkicefoigmkfalc/views/app.html 57/110
09/10/2019 Anexo-Circ408-18.doc

perspectiva ultraliberal, concentra sua atuação em funções militarizadas e preconiza a


privatização e mercantilização dos serviços públicos, com sua substituição por
equivalentes privados. Essa reorientação atinge com especial gravidade o sistema de
seguridade social, que abrange a saúde, a previdência e a assistência social, com
consequências para a categoria docente.

Saúde

Em dezembro de 2017, o Banco Mundial apresentou ao governo brasileiro


o documento intitulado “Um Ajuste Justo – Análise da Eficiência e Equidade do Gasto
Público no Brasil”, que dedica um capítulo à saúde pública e explicita que cerca de 0,3%
do PIB pode ser economizado na área da saúde por meio da melhoria da eficiência no
nível local “mantendo o mesmo nível” de serviço de saúde. Alega que a ineficiência da
saúde resulta da fragmentação do sistema público de saúde, com o alto número de
pequenos hospitais, impedindo a economia da escala de prestação de serviços. Sustenta
que para melhorar a eficiência aos serviços de saúde será importantíssimo que o setor
possa garantir o aumento previsto dos custos associados a alterações demográficas.
Defende claramente a privatização da saúde, quando alega que existe uma insuficiência
de incentivos oferecidos a prestadores e pacientes para a escolha do tratamento mais
eficaz em relação ao custo. Além disso, defende que os médicos atuem na média e alta
complexidade, e a atenção primária à saúde seja oferecida por enfermeiros, por meio de
protocolos já pré-estabelecidos pelos programas de saúde.
Com o congelamento dos recursos do orçamento federal pela EC 95/2016,
a redução do financiamento da saúde significará um provável aumento nas iniquidades no
acesso a bens e serviços de saúde e a inviabilidade da efetivação do direito à saúde no
Brasil. A perspectiva de duplicação da população idosa nos próximos vinte anos ilustra a
necessidade de ampliar a oferta de serviços públicos de saúde e a urgência em revogar
essa Emenda Constitucional, pois a restrição orçamentária para a saúde poderá resultar no
aumento de epidemias e da morbimortalidade por doenças transmissíveis e não
transmissíveis. O desmonte das políticas sociais e de saúde também se faz perceber na
Política Nacional de Atenção Básica (PNAB), publicada pelo Ministério da Saúde, no dia
21 de setembro de 2017, retirando a prioridade da Estratégia de Saúde da Família,
facilitando a opção dos municípios pela implantação do modelo tradicional ambulatorial
da atenção básica. Além disso, induz a redução do número de agentes comunitários de
saúde e aumenta a precarização e a intensificação do trabalho. Como exemplo do
desmonte na atenção primária em curso, no município do Rio de Janeiro ocorreu um
ajuste brutal no número de agentes de saúde, reduzindo as equipes e consequentemente
precarizando os serviços prestados à população.
Ao mesmo tempo em que aprofunda a crise no SUS, o governo Temer
deixa explícito que seu compromisso é com o setor de saúde suplementar e o
capital/mercado. O ex-ministro da Saúde, Ricardo Barros, ligado às administradoras dos
planos de saúde, defendeu a criação de planos com um rol menor de cobertura de
procedimentos, com os chamados “planos populares”. Consonante com essa lógica, o
deputado Rogério Marinho (PSDB/RN) apresentou em outubro de 2017 um substitutivo

36

ao PL 7419/06, que altera a regulamentação do setor de saúde suplementar. Entre as


modificações constam: reajustes escalonados nas mensalidades para os idosos; multas
menores para as operadoras que negarem atendimento aos beneficiários; e alteração da
forma como é recolhido o ressarcimento das operadoras ao SUS quando um beneficiário
utiliza o serviço público.
No âmbito da saúde mental, a Portaria nº 3.588, de 21 de dezembro de
2017, alterou as Portarias de Consolidação relacionadas com a Rede de Atenção
Psicossocial, aumentando o valor da diária de internação paga aos hospitais psiquiátricos,
e amplia de 15 para 20% o número de leitos psiquiátricos nessas unidades, isso evidencia
um retrocesso no tratamento dado aos pacientes da saúde mental e incentiva a cultura da
hospitalização. A portaria retrocede avanços importantes conquistados nas últimas
décadas pela luta Antimanicomial, que construiu a chamada Rede de Atenção
Psicossocial (RAPS), a qual se baseia na lógica do atendimento humanizado e
multidisciplinar aos usuários dos serviços de saúde mental.
Essa Portaria interfere diretamente na Rede Psicossocial, entre outras coisas, à
medida que exige uma taxa de ocupação de 80% dos leitos de saúde mental nos hospitais
chrome-extension://bpmcpldpdmajfigpchkicefoigmkfalc/views/app.html 58/110
gerais como condição para que a instituição receba a verba de custeio do serviço.
Consequentemente representa sérios danos à saúde e à dignidade humana, reforçando a
lógica da segregação, contrapondo-se à política moderna de saúde mental, pautada na
09/10/2019 Anexo-Circ408-18.doc
inclusão social, na sociabilidade e no cuidado, preconizando um tratamento mais próximo
ao local de moradia, evitando internações de longa permanência.
No âmbito das universidades, a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares
(EBSERH) tem sido, desde sua criação, combatida pelo ANDES-SN, o que continua na
ordem do dia, sobretudo após o anúncio da intenção do novo governo de privatizar as
empresas públicas como a EBSERH, o que nos distanciará ainda mais da retomada da
gestão dos Hospitais Universitários. Até novembro de 2018, um total de 32 IFES
possuíam contrato com a EBSERH, e no seminário realizado pelo GTSSA em junho de
2018, “Oficina de Produção de Dossiê sobre a EBSERH”, foram denunciados os
problemas nos hospitais Universitários (HU), sob gestão dessa empresa, relacionados com
a qualidade do serviço prestado, infraestrutura, baixa ocupação, quarteirização dos
serviços, restrição de acesso à(o)s docentes e estudantes.
Nesse mesmo evento, foi debatida a temática da federalização dos
hospitais universitários, com ênfase no Hospital São Paulo, que é o de ensino da
UNIFESP, uma instituição filantrópica de direito privado de propriedade da Associação
Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM), atual mantenedora, realizando
atendimento com dupla porta de entrada (público e privado). A crise financeira vivenciada
por esse hospital e o risco de redução de serviços para o sistema público de saúde já
demonstram que as propostas de mercantilização da saúde podem agravar ainda mais o
direito e o acesso à saúde. Ainda foi possível refletir sobre o processo de privatização de
hospitais municipais – entrega da gestão à EBSERH, chamado equivocadamente de
federalização por esta empresa – e o quanto a referida medida vai na contramão dos
interesses da população usuária dos serviços de saúde.
Nesse sentido, é imprescindível que o ANDES-SN siga na luta pela defesa
do SUS público e 100% estatal, pelo retorno da gestão dos hospitais universitários pelas

36

universidades e pela ampliação do debate dos modelos de “federalização”, pois da


forma como realizada trata-se da privatização de hospitais públicos.

Adoecimento Docente

A partir dos anos 2000, houve uma ampliação dos cursos de graduação e
pós-graduação das universidades públicas no país, com o crescimento da relação
numérica aluno(a)/professor(a). Essa ampliação carretou um expressivo aumento da
demanda do trabalho docente, porque os acréscimos no quadro docente efetivo não foram
proporcionais ao número de cursos ampliados e/ou novos que foram implementados. À
sobrecarga de trabalho em atividades de ensino, pesquisa e extensão foram acrescidas
exigências desmedidas de produtividade, que se somaram às de cunho burocrático.
No mundo acadêmico, as exigências de produtividade e do cumprimento
de metas são justificadas como imperativas para que, sobretudo, os programas de pós-
graduação permaneçam funcionando. O(A)s docentes introjetaram, assim, a necessidade
de se empenhar cada vez mais no cumprimento das inúmeras atividades acadêmicas e a
investir em produtividade (concebida em termos quantitativos) independente das
condições objetivas de trabalho. O(A)s professore(a)s submetem-se ao desgaste físico e
psíquico, sacrificando o seu tempo de lazer e convívio familiar, permitindo que o seu
trabalho invada o seu espaço privado.
A intensificação do trabalho docente não pode ser desvinculada da questão
do financiamento interno e externo das universidades, do controle e da avaliação do
desempenho acadêmico, que classificam programas de pós-graduação e professore(a)s
pesquisadore(a)s conforme a sua produtividade científica; o que induz os trabalhadore(a)s
da educação à corrida pela titulação, publicação, participação em eventos, bancas de
avaliação e competições com seus pares por captação de recursos, por meio de
financiamento individual externo, inserindo-se no sistema meritocrático. Além disso, a
redução da oferta de vagas para novos concursos para docentes e técnicos administrativos
e a exigência de relatórios de produtividade contribuem para a sobrecarga de trabalho.
Esse cotidiano, perpassado por conflitos pessoais, é propício à incidência
de mal-estar, sofrimento emocional, físico e psíquico, ou seja, ao adoecimento
comprovado por inúmeros pedidos de afastamento docente e por licenças médicas.
Dentre os problemas de saúde mais comuns entre os docentes, podem ser
mencionados os que se seguem: lesão por esforço repetitivo (LER); estresse; varizes;
problemas circulatórios; lombalgias; problemas na coluna; hipertensão; asmas; labirintites;
torcicolos; enxaquecas; e rouquidão ou perda de voz. Problemas de adoecimento que não
podem ser vistos como decorrentes exclusivamente de fatores ergonômicos, físicos e
chrome-extension://bpmcpldpdmajfigpchkicefoigmkfalc/views/app.html
biológicos, pois sofrem influência das condições objetivas do trabalho docente. 59/110
A depressão e a síndrome de Burnout são identificadas como doenças
mentais que mais afetam o(a)s docentes das universidades públicas brasileiras. Nesse
sentido, a Organização Internacional do trabalho (OIT) considera Anexo-Circ408-18.doc
09/10/2019 a depressão como
doença do(a)s professore(a)s. Como fatores de adoecimento podem ser citados: exaustão
física e mental; atividades excessivas; cobranças implícitas e explícitas; perda da
autonomia; competitividade; dentre outras. O processo crescente de precarização das

36

condições de trabalho é um fator que intensifica o processo de adoecimento,


porque a saúde do(a) docente sofre influência direta do ritmo e das condições concretas de
trabalho impostas pelas universidades.
Profissionais da área de saúde mental identificam um elo entre
comportamento suicida (os pensamentos, os planos e a tentativa de suicídio) e transtorno
mental (depressão, transtorno de humor bipolar, dependência de álcool e de outras drogas
psicoativas), e isso deve ser motivo de preocupação, porque no âmbito das universidades
têm ocorrido casos de suicídio. O suicídio na categoria docente existe e pode ter índices
assustadores de frequência. Um levantamento realizado com as associações docentes das
universidades estaduais baianas evidenciou que, em três anos, ocorreram quatro casos de
suicídio de professore(a)s da UNEB e três da UESB
(http://www.andes.org.br/andes/print-ultimas-noticias.andes?id=9149).
O suicídio é uma questão de saúde pública, e o tema ainda é considerado
um tabu. Transtornos mentais como a depressão são relacionados ao suicídio. Entretanto,
existem outros fatores de risco como os socioculturais, genéticos, filosóficos existenciais,
ambientais e econômicos.
Como estratégia de prevenção ao suicídio, nacionalmente foi lançada a
Campanha Setembro Amarelo, que foi uma iniciativa do Centro de Valorização da Vida
(CVV), do Conselho Federal de Medicina (CFM) e da Associação Brasileira de
Psiquiatria (ABP), para divulgar a causa intensamente durante o mês, já que no dia 10 de
setembro é celebrado o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio. Essa Campanha propicia
a divulgação dos fatores de risco e precipitantes, estratégias de prevenção e intervenção.
A atual conjuntura sinaliza para o aprofundamento das perdas de direitos
sociais, da perseguição ideológica e do denuncismo contidos nos projetos como o Escola
sem Partido, que estimula o assédio moral e a criminalização, e tendem a agravar esse
quadro do adoecimento docente na medida em que desrespeita a liberdade de expressão e
de cátedra do(a)s professore(a)s.

TR - 10
O 38º CONGRESSO do ANDES-SN delibera:

1. Continuar a luta contra a Contrarreforma da Previdência, intensificando e ampliando a


divulgação da situação superavitária da previdência, alargando o debate em todas as
instituições de ensino superior e se articulando, de forma unificada, com as diversas
categorias do serviço público, entidades de classe e movimentos populares.
2. Realizar a Jornada de Mobilização do(a)s Aposentado(a)s no primeiro semestre de
2019.
3. Produzir um áudio visual sobre o(a)s aposentado(a)s a partir do registro da Jornada de
mobilização do(a)s Aposentado(a)s.
4. Realizar o VII Seminário Nacional de Saúde do(a) Trabalhador(a) Docente, no
segundo semestre de 2019.
5. Publicar, em 2019, um caderno sobre saúde do(a) trabalhador(a) docente.
6. Inserir na agenda dos Setores das IFES e IEES/IMES do ANDES-SN uma campanha

36

de sensibilização e de prevenção ao suicídio nas IES no mês de setembro.


7. Elaborar dossiê sobre a EBSERH, em conjunto com a Frente Nacional Contra a
Privatização da Saúde.
8. Dar continuidade à luta em conjunto com movimentos sociais e entidades pela
revogação da Portaria nº 3.588/2017 que dispõe sobre a rede de atenção psicossocial.

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09/10/2019 Anexo-Circ408-18.doc
TEXTO 11
Diretoria do ANDES-SN

POLÍTICA DE HISTÓRIA DO MOVIMENTO DOCENTE –


SEMINÁRIO HISTÓRIAS DO MOVIMENTO DOCENTE: LUTAS
POR AUTONOMIA E LIBERDADE, ONTEM E HOJE

TEXTO DE APOIO

O 37º Congresso do ANDES-SN deliberou pelo trabalho conjunto do


GTHMD e da Comissão da Verdade do ANDES-SN, tendo em vista a afinidade temática
e as ações que deverão ser realizadas pelas seções sindicais e pelo sindicato para a
continuidade dos trabalhos. Desde então, ocorreram duas reuniões desses setores em
conjunto, as quais tiveram uma significativa participação das seções sindicais.
Tudo leva a crer que na conjuntura atual as questões relativas à memória
das lutas e à resistência do movimento docente serão relegadas, mais ainda, ao
esquecimento e à negação. Os discursos negando os efeitos da ditadura empresarial-
militar ganharam espaço a partir das declarações do candidato eleito para a presidência da
República. Isso coloca em um novo patamar a disputa pela memória das lutas e da
resistência à ditadura. Neste contexto, evidenciam-se, ainda, os questionamentos da Lei da
Anistia (Lei nº 6.683, de 28 de agosto de 1979), a manutenção de aparelho repressivo e
de leis que remetem à Lei de Segurança Nacional (Lei nº 7.170, de 14 de dezembro de
1983), como a Garantia da Lei e da Ordem – GLO (Art. 142 da CF-88, Lei
Complementar 97 de 1999 e Decreto nº 3.897 de 2001), a lei antiterrorismo (Lei nº
13.260, de 16 de março de 2016), que criminaliza os movimentos sociais, e o decreto que
criou a Força-Tarefa de Inteligência para o enfrentamento ao crime organizado no Brasil
(Decreto nº 9.527, de 15 de outubro de 2018).
O ANDES-SN foi fundado em 1981 como Associação Nacional dos
Docentes do Ensino Superior, da união de várias associações docentes que já existiam
desde 1978, com base na luta por carreira, salário, autonomia universitária e democracia.
Após a promulgação da Constituição de 1988, o(a)s servidore(a)s público(a)s puderam se
36

organizar em sindicatos. Dessa forma, “a” ANDES passa a ser “o” ANDES-
Sindicato Nacional.
O evento pretende construir uma reflexão sobre a trajetória de lutas do
ANDES-SN, buscando também referências para o período que se abre de intensas lutas.
Durante o seminário, realizaremos entrevistas com o(a)s participantes para contribuir ao
acervo de História Oral das lutas do ANDES- Sindicato Nacional.

TR - 11
O 38º CONGRESSO do ANDES-SN delibera:

Realizar, no 1º Semestre de 2019, um seminário com a temática – “Movimento docente:


Lutas por autonomia e Liberdades, Ontem e Hoje”, em conjunto com o GTPE e GPTFS.
TEXTO 12
Diretoria do ANDES-SN

MUSEU NACIONAL: EM DEFESA DO PATRIMÔNIO


HISTÓRICO, CULTURAL, ARQUEOLÓGICO E ARTÍSTICO
NACIONAL

TEXTO DE APOIO

O incêndio, tragédia anunciada, do Museu Nacional do Rio de Janeiro, na


madrugada de 3 de setembro de 2018, colocou em evidência a situação de sucateamento
institucionalizado do nosso patrimônio cultural, arqueológico e artístico nacional. É
inegável o papel do Museu Nacional, unidade da Universidade Federal do Rio de Janeiro
chrome-extension://bpmcpldpdmajfigpchkicefoigmkfalc/views/app.html 61/110
(UFRJ), na vida cultural do município, do Estado e do país. O Museu era uma instituição
de apoio às universidades e aos centros de pesquisa no âmbito do ensino, da pesquisa e da
extensão, política de patrimônio e cultura, gerida pela UFRJ. Essa tragédia anunciada vem
09/10/2019
ameaçando outros locais, como os incêndios no Museu de Arte Moderna Anexo-Circ408-18.doc
do Rio de
Janeiro (MAM-RJ); a Cinemateca Brasileira; e o Museu da Língua Portuguesa (São
Paulo); e a inundação do Museu da Casa do Pontal no Rio de Janeiro, além de outros
episódios que indicam o descaso e a deterioração do patrimônio histórico, arqueológico,
artístico e cultural.
Mais grave ainda no episódio do incêndio do Museu Nacional do Rio de
Janeiro foi a tentativa de responsabilizar a reitoria da UFRJ e criminalizar o reitor por
suposta negligência na manutenção do equipamento, além das notícias falsas e
tendenciosas que foram divulgadas pela mídia, com o agravante das declarações do
Ministro da Cultura e do próprio presidente da República, de que era necessário privatizar
a gestão dos nossos museus, pressionando para que a gestão deixasse de ser da UFRJ e
passasse para um conglomenrado de bancos e empresas privadas.
O Governo Temer editou Medida Provisária (MP 850) que cria a
36

ABRAM (Agência Brasileira de Museus) e privatiza o IBRAM (Instituto Brasileiro de


Museus). Na sequência, edita também a MP 851, que autoriza a administração pública a
firmar instrumentos de parceria e termos de execução de programas, projetos e demais
finalidades de interesse público com organizações gestoras de fundos patrimoniais.

TR - 12
O 38º CONGRESSO do ANDES-SN delibera:

1 Lutar pela permanência da gestão dos museus universitários nas IES, cobrando a
destinação de verbas necessárias para a continuidade das funções dessas instituições.
2. Que o ANDES-SN se posicione contra a privatização e a transformação do Instituto
Brasileiro de Museus (IBRAM) em Agência Brasileira de Museus (ABRAM) e a
transferência da gestão do patrimônio público para a iniciativa privada.

TEXTO 13
Diretoria do ANDES-SN

POLÍTICAS E AÇÕES PARA A CARREIRA DOCENTE

TEXTO DE APOIO

A aprovação do Plano Único de Classificação e Retribuição de Cargos e


Empregos (PUCRCE), Decreto nº 94.664/1987, resultado de anos de mobilizações e de
lutas do(a)s professore(a)s, que se iniciou no final da década de 1970, garantiu a
consolidação da isonomia na carreira, da proporcionalidade expressa por meio dos steps e
do regime de trabalho prioritário com base na Dedicação Exclusiva, a fim de dar suporte
ao caráter público das universidades federais brasileiras, com centralidade à
indissociabilidade entre o ensino, a pesquisa e a extensão, conforme aprovado na
Constituição Federal de 1988.
Nos anos seguintes, essa conquista da categoria possibilitou que grande
parte das universidades federais se tornasse centros de excelência na produção de
pesquisa, na formação acadêmica com qualidade, na produção de conhecimento e no
retorno à sociedade que a sustenta. Contudo, esses avanços ocorreram num ambiente de
governos neoliberais que investiram na desestruturação da nossa carreira, resultando no
aprofundamento da precarização do trabalho docente e na política salarial, muitas vezes,
imposta à revelia da categoria, estabelecendo-se, assim, profundas distorções em nossa
malha salarial.
Desse modo, acumularam-se deficiências, agravaram-se as dificuldades e
incutiram em nosso trabalho princípios de funcionamento contrários à natureza do caráter
público e social que lhes são intrínsecos. Em lugar do trabalho solidário, colocou-se a
competição, reduziram-se os recursos, produziu-se uma expansão desqualificada,
desproporcional em relação às necessidades materiais e de corpo docente. As políticas
36

chrome-extension://bpmcpldpdmajfigpchkicefoigmkfalc/views/app.html 62/110
governamentais aviltaram os salários, precarizaram os contratos de trabalho e
vampirizaram a vida daquele(a)s que já se aposentaram, retirando-lhes a paridade com
09/10/2019 Anexo-Circ408-18.doc
integralidade e a isonomia salarial que guardavam em relação à(o)s docentes da ativa.
Contudo, na avaliação da maioria do movimento docente, o ataque de
maior impacto promovido pelo governo ocorreu em 2012. Nesse ano, as Leis nºs
12.702/2012 e 12.772/2012, resultantes de acordos não assinados pelo ANDES-SN,
desestruturaram a concepção de carreira expressa por meio do PUCRCE, aprofundando-
se a partir do conteúdo das Leis nºs 12.863/2013 e 13.325/2016. As alterações colocaram
a carreira docente em um lugar peculiar, no qual os reajustes salariais abaixo da inflação
são utilizados como chantagem, por parte do governo federal, até 2019 (data de validade
da lei imposta em 2016). Além disso, dificultam a construção da unidade com outras
categorias de servidore(a)s público(a)s federais, na medida em que os acordos que muitas
categorias assinaram naquela época duraram apenas dois anos e já se encerraram.
O entendimento das investidas contra os serviços e o(a)s servidore(a)s
público(a)s de modo geral e da educação em particular, passa pela consolidação da
Reforma do Estado fundamentada no escopo neoliberal, mesmo que em períodos de
governos de conciliação de classes. As políticas de ajustes fiscais, cortes de verbas de
investimentos/gastos sociais, pagamento de juros exorbitantes da dívida pública (sem uma
auditoria pública); a flexibilização e retiradas de direitos trabalhistas que se sustentam nas
contrarreformas aprovadas e as que estão em curso como a da Previdência, bem como as
recorrentes narrativas de que se faz “necessário acabar com os privilégios do(a)s
servidore(a)s público(a)s” se coadunam com a lógica e ditames do mercado sob o véu da
pseudorretórica de que essas contrarreformas vão possibilitar a retomada do crescimento
econômico e do pleno emprego.
Mesmo diante de um cenário adverso, o ANDES-SN, a partir do diálogo
permanente com representantes do Setor das Instituições Federais de Ensino (IFES),
procurou aprofundar o debate no sentido de organizar a luta em conjunto com o(a)s
demais servidore(a)s público(a)s federais, em todos os estados, para superarmos não
apenas as consequências da EC-95/2016, mas também as restrições orçamentárias
anteriores oriundas de políticas pactuadas com base em cortes orçamentários seletivos
dentro do espectro do “ajuste fiscal”. A Campanha Unificada dos Servidores Público
Federais (SPF) de 2018, além de construída pelo Fórum das Entidades Nacionais dos
Servidores Públicos Federais (FONASEFE) também realiza ações conjuntas com o
Fórum Nacional Permanente de Carreiras Típicas de Estado (FONACATE). Após
reunião ampliada no início de fevereiro, a Campanha 2018 foi lançada no dia 19 daquele
mês, com ato em Brasília, em frente ao Ministério do Orçamento, Planejamento e Gestão
(MPOG). Na oportunidade, foi protocolada a pauta de reivindicações que, dentre outros
temas, prevê a correção salarial de 25,63% em virtude das perdas inflacionárias dos SPF
no último período.
Portanto, as atuais mudanças na Carreira do Magistério Federal têm gerado
grandes diferenças no interior da categoria, com efeitos salariais não isonômicos entre as
classes e discrepâncias significativamente superiores para o associado e o titutar. Além
disso, são graves as perdas remuneratórias inseridas ao Regime de Dedicação Exclusiva
na Lei nº 13.325/2016, com variação de percentuais considerando as classes e a titulação,
36

com impactos no processo de aposentadoria, principalmente a partir da Lei nº


12.618/2012, que estabeleceu o limite do teto do INSS para a aposentadoria e pensões
dos serviços públicos federais.
No âmbito do Setor das IEES/IMES, há um conjunto de universidades
com planos de carreira atualizados, muitos dos quais são fundamentados no PUCRCE,
com sua concepção e estrutura reproduzidas em vários aspectos, assim como algumas
instituições como diversos problemas no âmbito dos Planos de Carreira. Contudo, há
muitos ataques à implementação do conteúdo da base legal que fundamentam os Planos
de Carreira, principalmente no particular das promoções e progressões, da dedicação
exclusiva e dos concursos públicos.
Insere-senesse campo a UESPI, que apresenta os meses de maio e outubro
para realizar as progressões, que deixaram, contudo, de ocorrer de forma regular, apenas
com pressão por parte da categoria e negociação com a administração superior. Da mesma
forma, as promoções estão paralizadas. Metade do corpo docente pertence ao regime de
DE, entretanto ficou bloqueado o acesso a esse regime de trabalho no concurso que
ocorreu em 2018.
Na UEPA, a situação é parecida quanto às promoções que deixaram de
ocorrer, desde 2014, em virtude da não existência de vagas para as classes de adjunto e
assistente, resultando em uma fila de 167 e 60 docentes na fila desses cargos,
respectivamente, com significativos prejuízos financeiros e na carreira. Com o problema
chrome-extension://bpmcpldpdmajfigpchkicefoigmkfalc/views/app.html 63/110
da progressão, a pauta do concurso público é uma demanda posta nas últimas três greves
realizadas pela categoria docente (2015, 2016 e 2018), em virtude do elevado déficit de
docentes. Por fim, apesar de ser reconhecida no Plano de Carreira como regime de
09/10/2019
trabalho de Dedicação Exclusiva, o acesso ao regime é condicionado Anexo-Circ408-18.doc
à aprovação
meritocrática em edital específico para tal.
As progressões e as promoções na UEMG e da UNIMONTES têm
ocorrido com muita lentidão, aproximadamentede três a quatro meses para progressões
por titulação. O Plano de Carreira passa por reestruturação de diversos pontos
conquistados na greve de 2016, e o regime de trabalho de Dedicação Exclusiva está
previsto na carreira. Contudo, o seu acesso está condicionada à aprovação do conselho
universitário dessas IES.
Nas estaduais do Rio de Janeiro, pelo aprofundamento da crise econômica
no Estado, os processos de progressões e as promoções na UERJ ampliaram o nível de
burocratização a partir da publicação da portaria da Secretaria de Fazenda em que passou
a exigir parecer da Divisão Jurídica da universidade. Além disso, foi retiradaa autonomia
administrativa da universidade para efetivar as promoções e progressões no sistema de
RH do Estado. Acerca do acesso regime de trabalho de Dedicação Exclusiva, a Divisão
Jurídica da UERJ vem impondo entraves para a entrada de novos docentes e estão
exigindo que os conselhos superiores deliberem critérios para o acesso. Ainda no Rio de
Janeiro, estão paralizados os processos de progressão e a promoção na UEZO, e não está
previsto o regime de trabalho de Dedicação Exclusiva em virtude da não publicação do
plano de carreira aprovado no CONSUN, em 2015, e de vetos sobre a autonomia
universitária por parte do governo.
O Fórum das AD das universidades estaduais da Bahia tem denunciado o

36

congelamento de mais de 850 processos de promoção e progressão. Nessa mesma


direção, os processos que possibilitam o acesso ao regime de trabalho de Dedicação
Exclusiva estão parados, em alguns casos os processos beiram os três anos.
Nas estaduais do Paraná, um dos principais problemas está relacionado
com o regime de trabalho de Dedicação Exclusiva. Desde 1997, com a publicação da Lei
Estadual nº 11.713, a Dedicação Exclusiva está prevista como regime de trabalho.
Contudo, o Tribunal de Contas do Estado expediu parecer com o entendimento de que era
uma gratificação, logo não passível de incorporação no momento da aposentadoria. Após
muitas lutas, a categoria conseguiu aprovar a Lei Estadual nº 19.557/2018, em que ficou
garantida a Dedicação Exclusiva como regime de trabalho.
Por fim, a UNIRG tem o seu Plano de Carreira desde 2008, porém
ameaçado de modificação, hoje atingido pelo teto salarial com base no salário do Prefeito
Municipal que, desde 2015, não reajusta o próprio salário. A universidade negociou com
a gestão passada dosindicato o pagamento de progressão para quarenta professore(a)s e
ficaram mais 42 para 2019. No que tange à Dedicação Exclusiva, há 45 professore(a)s em
regime de DE, prevalecendo um forte discurso de que a Instituiçãonão suporta manter
mais essa forma de trabalho.
Em cenário mais recente, com base nos discursos do presidente eleito, as
investidas contra os serviços e servidore(a)s público(a)s, de modo geral, ganharam novas
dimensões, aumentando ainda mais necessidade de organizarmos a resistência e a luta
para garantir nossos direitos e a própria autonomia e gratuidade das universidades
brasileiras.
Diante do cenário, acreditamos ser fundamental para o ANDES-SN:

TR - 13
O 38º CONGRESSO do ANDES-SN delibera:

1. Estimular a criação e/ou consolidação do GT CARREIRA nas seções sindicais,


envidando esforços para retomar o debate da carreira, com base nas ações desenvolvidas
pelas seções sindicais e secretarias regionais, com o objetivo de potencializar a defesa da
carreira.
2. Realizar ações para ampliar a divulgação da atual proposta de carreira do setor das
IFES do ANDES-SN, assim como analisar de forma crítica a carreira vigente do
Magistério Federal e dos eixos e princípios para Planos de Carreira expressos no Caderno
2 do ANDES-SN.
3. Ampliar a articulação entre o GT CARREIRA e o GT VERBAS, com base na
realização dos plenos desses GT, de modo conjunto, com o objetivo de realizar o
acompanhamento da aprovação das leis orçamentárias e os seus impactos nos gastos da
União, dos Estados e dos municípios, no âmbito da educação.
4. Organizar, no decorrer do ano de 2019, seminários regionais e um seminário nacional
para tratar dos eixos e princípios da Carreira do ANDES-SN e das carreiras vigentes nos
chrome-extension://bpmcpldpdmajfigpchkicefoigmkfalc/views/app.html 64/110
distintos setores.
5. Lutar para garantir o afastamento do(a)s docentes da carreira EBTT para cursos de
09/10/2019 Anexo-Circ408-18.doc
36

qualificação, previsto em legislação vigente e denunciar o assédio moral que dificulte ou


impeça sua liberação/afastamento.
6. Intensificar a defesa da Dedicação Exclusiva (DE) como regime de trabalho
preferencial e a luta contra qualquer restrição/flexibilização ou sua supressão nas IES,
perceptíveis na Lei nº 13.243/2016 (Marco Legal de C&TI), dentre outras.
7. Aprofundar o debate e intensificar a luta unificada com as entidades dos serviços
públicos e da classe trabalhadora como um todo contra a proposta da Reforma da
Previdência que aprofunda os efeitos da Lei nº 10.887/2004, a qual acabou com a
integralidade e a paridade em relação ao benefício à(o)s aposentado(a)s.
8. Que o GT CARREIRA estude em conjunto com o setor das IEES/IMES: a) Lei de
recuperação fiscal no sentido dos gatilhos de ataque à carreira e aos salários, num
contraponto à Lei de Responsabilidade Fiscal (sistema de dívida pública) como estratégia
de denúncia; e b) Estudo sobre os planos de carreira com melhor consolidação para
construir uma base que seja a proposta do ANDES-SN às IEES/IMES como start para as
construções locais.
9. Reafirmar a defesa da linha única salarial com base na incorporação das gratificações
ao salário base, e que a malha salarial seja estruturada a partir do regime de trabalho, dos
níveis e das classes.
10. Que o GTCarreira, realize no segundo semestre de 2019, em conjunto com o setor
das IEES/IMES e GTPE, o Encontro Nacional do ANDES-SN sobre a Carreira EBTT e
Ensino Básico das Instituições Estaduais de Ensino Superior.

TEXTO 14
Contribuição do(a)s sindicalizado(a)s: Eduardo Antunes Dias (APROFURG); Eduardo
Dias Forneck (APROFURG); Márcia Umpierre (APROFURG).

FORTALECIMENTO DA PRODUÇÃO AGROECOLÓGICA DE


ALIMENTOS ORIUNDOS DA AGRICULTURA FAMILIAR POR
MEIO DA CONSOLIDAÇÃO DO PROGRAMA NACIONAL DE
ALIMENTAÇÃO ESCOLAR (PNAE) E DO PROGRAMA
NACIONAL DE FORTALECIMENTO DA AGRICULTURA
FAMILIAR (PRONAF).

TEXTO DE APOIO

A agricultura familiar recebeu um grande incentivo graças à criação, em


2009, do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), e também por meio da lei
nº 11.947/2009, queestabeleceu30% dos recursos repassados pelo Fundo Nacional da
Alimentação Escolar (FNDE) para a aquisição de produtos oriundos desta atividade. Esta
ação estava perfeitamente articulada com o Programa Nacional de Fortalecimento da
Agricultura Familiar (PRONAF), ligado ao Ministério do Desenvolvimento Agrário

36

(MDA), e inserida na política nacional de segurança alimentar e nutricional para


grupos sociais em situação de vulnerabilidade. Consequentemente, sistemas
agroecológicos e orgânicos de produção animal e vegetal em pequena escala foram
largamente favorecidos. Com a extinção do MDA, o Programa de Aquisição de
Alimentos (PAA) e o PNAE foram duramente atingidos. Para se ter uma ideia, em julho
de 2017, houve uma redução de 67% dos recursos do PAA em relação à execução do ano
anterior. Portanto, toda uma política de segurança alimentar de cunho social, baseada na
alimentação saudável, foi prejudicada, deixando os próprios agricultores familiares em
situação de vulnerabilidade. Além disso, os cortes no orçamento de 2018 explicitam que a
agricultura familiar não terá mais o mesmo espaço no pacto político nacional. Um
exemplo muito representativo sobre esta questão foi a exclusão de perguntas sobre a
chrome-extension://bpmcpldpdmajfigpchkicefoigmkfalc/views/app.html
agricultura familiar do questionário aplicado no censo agropecuário2017,realizado pelo 65/110
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o que levará a uma fragmentação
do conceito geral de agricultura devido à segregação da agricultura familiar do restante
que supostamente é considerado como "agricultura formal". Com Anexo-Circ408-18.doc
09/10/2019 base neste cenário
prejudicial para os filhos dos trabalhadores que consumiam produtos saudáveis da
agricultura familiar nas escolas, sugerimos sanções de repúdio às atuais políticas
implementadas pelo governo Temer que prejudiquem a agricultura familiar e apoio às
políticas nacionais vigentes no governo anterior.

TR - 14
O 38º CONGRESSO do ANDES-SN delibera:

1. Reivindicar o restabelecimento das chamadas públicas de aquisição de alimentos


saudáveis oriundos da agricultura familiar para a merenda escolar nos mesmos patamares
dos anos anteriores a 2017, garantidas pelos 30% dos recursos repassados pelo Fundo
Nacional da Alimentação Escolar (FNDE);
2. Repudiar a metodologia utilizada pelo IBGE no Censo Agropecuário de 2017 que
segregou a Agricultura Familiar;
3. Repudiar a extinção do MDA;
4. Prestar apoio irrestrito às políticas públicas que incentivam a produção agroecológica
de alimentos de origem vegetal e animal.

TEXTO 15
Contribuição do(a)s sindicalizado(a)s: Eduardo Antunes Dias (APROFURG); Eduardo
Dias Forneck (APROFURG).

36

CONSOLIDAÇÃO DA RESERVA LEGAL NO BIOMA PAMPA

TEXTO DE APOIO

No mês de dezembro de 2015 a 10ª Vara da Fazenda Pública emitiu uma


decisão referente à ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público do Estado do Rio
Grande do Sul visando assegurar o percentual de 20% de área com cobertura de
vegetação nativa, a título de Reserva Legal, no Bioma Pampa. Nesta decisão, determinou
que se enquadrasse como “área remanescente de vegetação nativa” a área rural
anteriormente declarada como “consolidada por supressão de vegetação nativa com
atividades pastoris”. Entretanto, o Projeto de Lei No 4.508-A, de 2016, ameaça esta
decisão, pois descaracteriza o conceito de Reserva Legal, ao introduzir o termo
“forrageira cultivada”. A Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e
Desenvolvimento Rural, em reunião ordinária, aprovou unanimemente o Projeto de Lei
no 4.508/2016, com emenda, nos termos do Parecer da Relatora, Deputada Shéridan,
visando alterar a Lei no 12.651, de 25 de maio de 2012, que dispõe sobre o novo Código
Florestal brasileiro, para autorizar o apascentamento de animais em área de Reserva
Legal. Nota-se que o problema não reside na questão do uso sustentável da Reserva Legal
por meio do apascentamento de animais, já que a decisão da 10a Vara da Fazenda Pública
reforça que a atividade pastoril não descaracteriza o Bioma Pampa, pelo contrário, o
conserva. Porém, ao introduzir o termo “forrageira cultivada” no conceito de Reserva
Legal, abre-se um precedente perigoso para substituírem-se as forrageiras nativas pelas
cultivadas, desvirtuando assim o seu propósito. Reforça-se que a Lei no 12.651, de 25 de
maio de 2012, diz em seu Art. 12: “Todo imóvel rural deve manter área com cobertura de
vegetação nativa, a título de Reserva Legal […]”; e em seu Art. 17: “A Reserva Legal
deve ser conservada com cobertura de vegetação nativa pelo proprietário do imóvel rural,
possuidor ou ocupante a qualquer título, pessoa física ou jurídica, de direito público ou
privado. § 1o Admite-se a exploração econômica da Reserva Legal mediante manejo
sustentável, previamente aprovado pelo órgão competente do Sisnama, de acordo com as
modalidades previstas no art. 20.” Reforçamos que o Pampa é um dos biomas mais
vulneráveis do país e importantíssimo para a manutenção das atividades da Pecuária
Familiar que tem como base o campo nativo. Tanto o Bioma Pampa quanto a Pecuária
Familiar estão desaparecendo em função do avanço de monoculturas como a da soja e a
da silvicultura e que agora também estão ameaçados por projetos de mineração.
chrome-extension://bpmcpldpdmajfigpchkicefoigmkfalc/views/app.html 66/110
TR - 15
O 38º CONGRESSO do ANDES-SN delibera:
09/10/2019 Anexo-Circ408-18.doc

1. Suprimir o termo “ou cultivadas” do Artigo 24-A do Projeto de Lei no 4.508/2016 que
visa alterar a Lei no 12.651, de 25 de maio de 2012, que dispõe sobre o novo Código
Florestal brasileiro;
2. Assegurar o percentual de 20% de área com cobertura de vegetação nativa, a título de
Reserva Legal, no Bioma Pampa.

36

TEXTO 16
Contribuição do(a)s sindicalizado(a)s: Alexsandro Donato de Carvalho (ADFURRN-
SSind), Lemuel Rodrigues da Silva (ADFURRN-SSind) e Rosimeiry Florêncio de
Queiroz Rodrigues (ADFURRN-SSind).

E AGORA ANDES, COMO PROSSEGUIR?

TEXTO DE APOIO

“Professores e doutrinadores estarão inconformados e revoltados[...] filme ou


grave todas as manifestações político-partidárias ou ideológica.”. Com esta frase a recém-
eleita deputada estadual pelo PSL em Santa Catarina, Ana Caroline Campagnolo deu
continuidade ao processo de perseguição a professore(a)s e destruição de um modelo de
educação/escola e ensino/aprendizagem que mesmo não sendo em sua plenitude um
projeto que edifique a formação do(a) estudante na constante luta pela sua emancipação
através da consciência de sua condição de homem-sujeito transformador de sua condição
social nos garante a liberdade de cátedra.
O modelo de educação/escola e ensino/aprendizagem que temos nos permite
inserir em nossas atividades o debate sobre os mais variados temas de interesse da
sociedade, garantindo a liberdade de cátedra para os professore(a)s e de expressão para
o(a)s aluno(a)s. Essa liberdade garantida na Constituição Federal de 1988 vem sendo
ameaçada desde o surgimento de manifestações isoladas em defesa de uma “Escola sem
Partido” que levou a apresentação de vários Projetos de Lei – PL, dentre elas a PL
7180/14 em tramitação na Câmara dos Deputados. Existem outros projetos na Câmara e
em quase todos os Estados da Federação e municípios.
A Aduern/SS vem desenvolvendo desde 2014 através do GTPFS- Política de
Formação Sindical atividades junto a escolas, sindicatos, câmaras de vereadores,
universidades, associações de bairros, entre outros espaços da sociedade civil, com o
objetivo de esclarecer e debater o projeto com ampla participação das comunidades
envolvidas, nos deparando com as mais diversas opiniões sobre a proposta.
Uma das principais e, talvez, a mais séria, diz respeito a quase total falta de
informação dos(as) estudantes e de muitos colegas professores(as), o que tem nos causado
preocupação, haja vista o avanço conservador dentro e fora das escolas.
Mesmo com a presença de Centrais Sindicais como a CSP-Conlutas e CUT e
entidades como ANDES/SN e a CNTE como signatárias da Frente Nacional Escola sem
Mordaça, sentimos falta de uma maior mobilização e aproximação da sociedade para
tentar barrar o avanço conservador e a possibilidade concreta da aprovação da PL
7180/14 e os demais que correm na esteira, como também nos estados e municípios.
O quadro tende a se agravar na gestão de Jair Bolsonaro, não custa lembrar que as
primeiras propostas apresentadas foram em 2014 pelo então deputado estadual, hoje
senador Flávio Bolsonaro e seu irmão, o vereador Carlos Bolsonaro, ambos do PSL-RJ.

36

A onda conservadora tende a devastar as salas de aulas com denúncias infundadas


e perseguições a professore(a)s, aluno(a)s e direções de escolas que não seguirem à risca a
política pretendida pelo novo governo.
chrome-extension://bpmcpldpdmajfigpchkicefoigmkfalc/views/app.html 67/110
Além dos costumeiros desafios que enfrentamos, das retiradas de direitos, reforma
da previdência, congelamentos de investimentos, etc., o que nos espera em nossas salas?
De que maneira poderemos ampliar nossa resistência e impedir mais uma retirada de
direitos – o da liberdade de cátedra e expressão?
09/10/2019 Anexo-Circ408-18.doc
Precisamos chegar juntos aos pais e mães de aluno(a)s via escola, não apenas
através de manifestações, precisamos de algo concreto que possa gerar nas famílias a
consciência da defesa de uma escola livre, de uma aula sem vigilância e ameaças.
Mesmo que a Frente Nacional Escola sem Mordaça tenha disponibilizado cartilhas
em seu site, ainda sentimos a necessidade de ações mais ousadas, concretas, que mobilize
a categoria em conjunto com as escolas, famílias, ONGs, igrejas, etc., as palestras nas
escolas e demais entidades não nos parecem suficientes para conter o avanço conservador.
O projeto tem objetivos claros em relação ao ensino a ser ministrado nas escolas
do nosso imenso país, e atinge todos nós, professoras e professores, alunas e alunos, mas
atinge principalmente as disciplinas ligadas às Ciências Humanas, como a História.

Os Parâmetros Curriculares Nacionais – PCN – estabelecem um paralelo entre as


condições internas do país e a conjuntura internacional. A constatação é que em algumas
áreas conseguimos avanços importantes – tecnologia, informação, comunicação –, mas
continuávamos uma nação com profundas desigualdades sociais. Era enorme o fosso que
separava a imensa população sem acesso a bens e serviços em relação a uma minoria
privilegiada. A miséria, a violência, o analfabetismo tiravam de milhões a condição de
sequer chegar à vida adulta. Neste sentido, o documento estabelece o exercício da
cidadania, que pressupõe a participação política de todos na definição de rumos que serão
assumidos pela nação e que se expressa não apenas na escolha de representantes políticos
e governantes, mas também na participação em movimentos sociais, no envolvimento
com temas e questões da nação e em todos os níveis da vida cotidiana, é prática pouco
desenvolvida entre nós (BRASIL, 2001, p.20-21).
A cidadania sempre presente nas propostas de governo, nas propostas
pedagógicas, nos currículos de diversas disciplinas, como é o caso da História, ainda
parece ser uma meta longe de ser alcançada. Portanto, essa é uma luta que terá de ser
cotidiana, e nós, professores e professoras, mais do que nunca temos a obrigação de
ensinar isto ao(a)s nosso(a)s aluno(a)s. Ensinar que a luta pela conquista da cidadania é
cotidiana e significa assumir posições.
Portanto, concordando com o italiano Antonio Gramsci em um texto escrito no
século passado, ao dialogar com Friederich Hebbel, onde afirma “‘Viver significa tomar
partido.’ Quem verdadeiramente vive não pode deixar de ser cidadão, e partidário.
Indiferença é abulia, parasitismo, covardia, não é vida. Por isso odeio os indiferentes.”

TR – 16

O 38º CONGRESSO do ANDES-SN delibera:

1 - Que o ANDES-SN, via SSind, setor das IEE-IMES, desenvolva o debate sobre o
tema e sistematize as experiências em curso, ou já implementadas, nas instituições de

36

ensino, a fim de formular estratégias de ação;


2 - Criação de uma cartilha com conteúdo didático de fácil compreensão para ser
trabalhada junto as comunidades escolares e não escolares;
3 - Ampla campanha nas redes sociais em favor da Escola Livre e da Liberdade de
Cátedra.

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36

TEMA III – PLANO DE LUTAS DOS


SETORES

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TEXTO 17
Diretoria do ANDES-SN

PLANO DE LUTAS DO SETOR DAS IEES/IMES

TEXTO DE APOIO

Após as longas greves no ano de 2017, muitas seções sindicais focaram


suas reivindicações nas negociações com os governos, com base nos acordos firmados
por ocasião das greves. É chegada a hora de o movimento docente fazer um balanço e
cobrar dos gestores os compromissos assumidos após as vitoriosas mobilizações no ano
anterior. Entretanto, as pautas comuns por melhores condições de trabalho, salário,
previdência, financiamento e autonomia universitária continuaram a fazer parte do
cotidiano sindical das seções.
A implantação das progressões e promoções e a realização de concurso
público não estão acontecendo regularmente na maioria das IEES-IMES. Nos últimos
anos, vário(a)s docentes aguardam progressões e promoções em diversas IES. Em relação
ao regime de trabalho em Dedicação Exclusiva (DE), a coordenação do setor encaminhou
uma planilha para coleta de informações (Circular nº 335/18) das 56 seções sindicais do
setor das IEES-IMES, apenas quinze responderam, das quais somente a metade tem a DE
como regime de trabalho, revelando que essa forma ainda está longe de ser implantada em
todas as IES como parte da carreira. Em muitos casos, trata-se de um adicional de
gratificação, não incorporado na aposentadoria.
Nos estados da Bahia, do Ceará, do Mato Grosso, do Mato Grosso do Sul,
do Pará, do Paraná, do Piauí, de São Paulo, de Santa Catarina, do Rio Grande do Norte, o
regime de DE é previsto como concepção na carreira. Em Minas Gerais, na UEMG,
nesse momento, o regime de DE só pode ocorrer para os casos regimentais de gestão
administrativa acadêmica e pós-graduação. Na UEZO-RJ, o(a)s docentes estão na luta
pela implantação do Plano de Carreira com a inclusão do regime de DE. No Paraná, o(a)s
docentes têm enfrentado ataques ao regime de Tempo Integral com DE, bem como uma
maior precarização do trabalho docente por meio da ampliação da carga horária e da
intensificação das formas de controle.
No último período, a maioria dos concursos realizados pelas IES não
foram ofertados com a possibilidade da entrada com o regime de DE. A falta de concurso
público para efetivação de professore(a)s tem tido consequência no aumento significativo
de contratação de docentes temporários, chegando a 30%, em muitos casos, sendo que as
aposentadorias, os falecimentos e as exonerações não têm tido repostas na mesma
quantidade nas vagas oferecidas em concursos.
A grave crise financeira dos estados da Federação teve efeitos profundos
sobre o financiamento das IEES-IMES no contexto do congelamento dos investimentos
em políticas sociais promovidos por meio da Emenda Constitucional nº 95/2016 com
redução drástica dos recursos destinados a essas instituições de ensino. Em Minas Gerais

36

e Rio Grande do Norte, por exemplo, os governos atrasaram ou parcelaram os salários


do(a)s servidore(a)s e pensionistas. No Ceará, foi aprovado, em 2016, a Emenda
Constitucional nº 88 que congelou por dez anos os investimentos públicos. Diante desse
cenário, SINDURCA, SINDUECE e SINDIUVA (seções sindicais do ANDES-SN)
realizaram uma pesquisa para analisar os orçamentos dessas três universidades.
Constatou-se que o Ceará, mesmo apresentando resultados econômicos
melhores do que a média nacional mantém os investimentos com as universidades abaixo
do que a lei exige, mas, por outro lado, tem priorizado gastos com juros da dívida estadual
em detrimento dos investimentos na Educação, Ciência & Tecnologia.
O corte nos orçamentos das IES nos últimos anos tem tido impacto direto
sobre o salário do(a)s professore(a)s das IEES-IMES, causando defasagem salarial,
denunciado por várias seções sindicais.
Avançando mais ainda nos ataques à(o)s servidore(a)s público(a)s
estaduais e, como consequência, à(o)s docentes das universidades, observamos que há um
processo de implantação da previdência complementar (privada) praticamente em todos os
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Estados. Esse movimento acontece ainda que de forma desigual, ou seja, algumas regiões 70/110
já aprovaram e implantaram, outras aprovaram e estão em fase de regulamentação e
algumas em processo de tramitação de projetos de lei. No XVI Encontro Nacional do
Setor das IEES-IMES, a professora Sara Granemann (UFRJ) apresentou
09/10/2019 os resultados da
Anexo-Circ408-18.doc
pesquisa realizada sob sua coordenação, a pedido do ANDES-SN, sobre a previdência
nos Estados. Essa investigação alcançou os 27 Estados da Federação e o Distrito Federal,
os quais serão lançados em um caderno neste Congresso do ANDES.
Os temas carreira, salário, previdência e financiamento foram os eixos do
XVI Encontro Nacional do Setor das IEES-IMES do ANDES-SN, ocorrido na
Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF), que contou com a presença de 22
seções sindicais nos três dias de evento. Logo no primeiro dia, as seções construíram, de
forma coletiva, um painel contendo diversas informações (concurso público, números da
graduação e pós-graduação, carreira, salário, trabalho docente, previdência, assistência à
saúde, financiamento, democracia, assédio e criminalização, mobilizações e greves e
negociações com os governos). As mesas de debates foram antecedidas de rica discussão
sobre o momento peculiar da luta de classes que estamos vivendo no país. Destacam-se,
principalmente, os retrocessos que a classe trabalhadora tem vivenciado nos últimos anos
com ênfase nos ataques do capital sobre a educação pública, situando os projetos que
estavam em disputa no pleito eleitoral de 2018 e apontando que a saída para a classe
trabalhadora estaria na organização, na luta e independência de classe. As mesas seguintes
discutiram previdência e financiamento público, com contribuições das professoras
Renata Ramos da Silva Carvalho (UEG) e Sara Granemann (UFRJ), e precarização do
trabalho docente, à luz das contrarreformas e das perspectivas para a universidade
brasileira, com as participações do professor Epitácio Macário Moura (UECE) e da
professora Deise Mancebo (UERJ).
Com a intensificação dos ataques dos governos aos direitos do(a)s
docentes, ocorreram algumas greves e paralisações em 2018, como na UEPA, UERN,
UENF e nas estaduais paulistas.
No ano de 2018, o(a)s docentes da UEPA protagonizaram mais um forte

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movimento de greve. As principais pautas do movimento paredista que se iniciara no dia


8 de maio, que perdurou por 57 dias, localizaram-se no reajuste salarial de 29% relativo à
defasagem dos últimos três anos, na ampliação dos recursos para custeio e capital que
reduziram, de 2011 a 2017, em 26 e 82%, respectivamente. Além disso, a categoria tem
lutado pela aprovação do novo Plano de Carreira para que seja possível ampliar o número
de vagas e realizar novos concursos, tendo em vista o déficit de 650 docentes no quadro
de efetivos da universidade. O novo PCCR possibilitará, também, o livre acesso ao
regime de trabalho em DE, tendo em vista que na atualidade o acesso a esse regime de
trabalho ocorre por meio editais e apenas 16% do quadro docente se encontram nesse
regime de trabalho. O concurso público também se configura como uma demanda para
que se possa reduzir o volume de docentes temporário(a)s (substituto(a)s e horistas) que
perfez, em 2017, o total de 28%. Por fim, uma pauta que mais mobilizou a categoria foi a
progressão vertical. Desde 2014, há uma fila de docentes que finalizaram doutorados e
mestrados e não receberam a progressão vertical na carreira, em virtude da não existência
de vagas no Plano de Carreira. O direito a progredir na carreira é garantido, contudo o
artifício criado e mantido pelo governo, como instrumento de contenção de despesas, tem
se configurado como o grande violador desse direito. O último dado apresentou o número
de 167 e 60 docentes na fila de adjunto e de assistente, respectivamente, com implicações
na carreira e no salário desse(a)s docentes.
As universidades estaduais paulistas deflagraram greve, em 2018, tendo
adesão de docentes na UNESP e da USP, e teve como pauta central a reposição salarial
de 16,04% (maio de 2015 a maio de 2018) para a UNESP, e 12,6% para USP e
UNICAMP. A diferença de percentuais se explica pelo fato de que o último reajuste
salarial aplicado à(o)s funcionário(a)s da USP e UNICAMP aconteceu em 2015, e na
UNESP, foi em 2012. Além dessa reivindicação, há outras na pauta da greve, como
aquelas relativas ao financiamento adequado das universidades. Entre as reivindicações
levantadas pelo(a)s estudantes, incluíam-se a reabertura da Creche Oeste, fechada desde o
início de 2017, o reajuste no valor das bolsas de pesquisa e apoio socioeconômico,
inseridas no Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (PAPFE), e a
implementação de internet para o(a)s moradore(a)s do Conjunto Residencial (CRUSP).
Na UENF-RJ, após seis meses de greve entre 2017-2018, houve retorno
das aulas com jornada extensa em março de 2018 com dois semestres em um. A
ADUENF fez luta também contra a cobrança do aumento de 11 para 14% de desconto
previdenciário, assim como a ASDUERJ, e denunciou os prejuízos à(o)s docentes
causados pelo Regime de Recuperação Fiscal (não abertura de concursos, sem aumento
salarial, congelamento de progressões).
Na UERN, entre novembro de 2017 e março de 2018, houve greve. O
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movimento foi realizado com atos, ocupações, acampamentos e diversas manifestações,
sendo realizada em conjunto com os servidores da saúde na maior parte do tempo. Em
janeiro de 2018, o(a)s grevistas ficaram durante três semanas em frente
09/10/2019 à Assembleia
Anexo-Circ408-18.doc
Legislativa impedindo que os parlamentares entrassem para votar um pacote de ajuste
fiscal encaminhado pelo governo, o qual retirava vários direitos como: progressões,
quinquênios, licença prêmio, bem como o aumento da alíquota previdenciária e a
previdência complementar. Com exceção da previdência complementar, as demais

36

propostas foram derrotadas.


Nas outras IEES e IMES, as lutas continuaram em forma de mobilização,
paralisação, dia de luta etc., as quais serão apresentadas de forma ilustrativa a seguir. Na
Bahia, o Fórum das AD-FAD, que congrega as quatro seções sindicais do ANDES-SN
das universidades estaduais da Bahia (ADUFS, ADUSB, ADUSC e ADUNEB),
protocolou a pauta de reivindicações 2018, em dezembro de 2017. Desde o início do
semestre letivo, as quatro AD decidiram em assembleia aprovar o indicativo de greve. No
entanto, o governo de Rui Costa (PT) não recebeu a categoria para discutir a pauta e a
crise orçamentária das universidades estaduais.
O ano de 2018 começou com a denúncia da crise orçamentária das
universidades estaduais baianas no Fórum Social Mundial, realizado em janeiro em
Salvador (BA). O movimento docente realizou duas paralisações, uma em 25 de abril,
com ato público na Praça da Piedade, em Salvador, e outra em 27 de setembro, no Dia
Nacional de Lutas, Mobilizações e Paralisações do setor das IEES-IMES, incluindo a
pauta específica do FAD, denunciando o congelamento de mais de 850 processos de
promoção, de progressão e de ampliação de regime de DE, que estão parados. A fila dos
processos pode chegar a mais de dois anos, em algumas classes. O(A)s docentes da
UNEB paralisaram as atividades por uma semana, entre os dias 6 a 11 de agosto, por
conta de problemas de infraestrutura e locomoção dos docentes dos campi do interior que
residem em outras cidades. O governo Rui Costa (PT) anunciou a suspensão dos salários
do(a)s docentes e também do(a)s técnico(a)s-administrativo(a)s, que também paralisaram
as atividades no dia 16 do mesmo mês. Apesar da ameaça, a luta do(a)s docentes e do(a)s
técnico(a)s pela revisão da medida surtiu efeito, e a Secretaria de Administração (SAEB)
pagou os salários em folha suplementar.
O movimento docente também tem feito um esforço para unificar a luta em
defesa das universidades estaduais, retomando a organização do Fórum das 12, que
congrega o Fórum das ADs, o Fórum dos Técnicos-Administrativos e Analistas, e as
representações estudantis (DCE e CA). Como esforço de unidade, o Fórum das 12
divulgou uma Nota Pública conjunta em 23 de outubro denunciando o sucateamento das
universidades estaduais e a recusa do governo de Rui Costa (PT) em receber as categorias
para negociação. Ainda em outubro, o Fórum das AD apresentou um pedido de emenda à
Lei Orçamentária Anual (LOA) 2019, indicando o aumento do orçamento para 7% da
Receita Líquida de Impostos (RLI). O governo do Estado vem mantendo, desde 2012,
cerca de 5% da RLI para custeio, pessoal, investimento e manutenção. A previsão de data
para a votação da LOA 2019 é o mês de novembro, mas até a finalização do caderno de
textos, ainda não havia sido votada. A categoria segue apreensiva, tendo em vista que o
atual governador Rui Costa (PT) foi reeleito com quase 70% dos votos e não sinalizou
qualquer alteração nos planos para as universidades estaduais.
No Ceará, as lutas organizadas em 2018 pelo Fórum das Três
(SINDUECE, SINDURCA e SINDIUVA) foram as pautas da previdência do
financiamento público da universidade, do plano de assistência à saúde, do concurso para
professor(a) efetivo(a), do reajuste salarial e da defesa das liberdades democráticas. No
início de 2018, o governo Camilo Santana (PT) enviou três mensagens de Projeto de Lei
para a Assembleia Legislativa propondo mudanças nas regras atuais da previdência. A

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intenção desses projetos era a regulamentação da lei que foi aprovada em 2013. Essa
regulamentação foi aprovada no início de novembro de 2018 e, com isso, foram criadas
duas fundações: a Fundação de Previdência Social do Ceará (CEARAPREV),
responsável pela gestão da aposentadoria até o teto do INSS e a Fundação de Previdência
Complementar do Ceará (CE-PREVCOM), que fará gestão do Fundo Complementar
para aquele(a)s que receberão acima desse teto. Vale destacar que em dezembro de 2016 o
governo já havia majorado a alíquota de contribuição previdenciária do(a)s servidore(a)s
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público(a)s, no Ceará, de 11 para 14%, com aumento progressivo de 1% ao ano a partir
de 2017. Aliada a essas perdas, o(a)s servidore(a)s já acumulam perdas salariais em torno
de 25%, desde 2016. Ainda em 2018, o plano de assistência à saúde do(a)s servidore(a)s
09/10/2019 Anexo-Circ408-18.doc
público(a)s incluiu a coparticipação, uma clara consequência do esvaziamento do
investimento público por meio do Estado.
O descaso governamental com as universidades ainda pode ser visto por
meio do déficit de quase 700 professore(a)s efetivo(a)s para as três universidades estaduais
(UECE, UVA e URCA), o que tem colocado em cheque o funcionamento normal dessas
instituições. Como consequência disso, tem aumentado de forma assustadora a
contratação de professore(a)s substituto(a)s, chegando à proporção de aproximadamente
30% do quadro total de docentes. O governo descumpre compromisso com as seções
sindicais firmado por ocasião da greve de 2016. Nesse período, as seções sindicais
mantiveram as suas lutas em defesa das liberdades democráticas, o combate às políticas do
governo Temer, em particular, a Escola Sem Partido, a contrarreforma do Ensino Médio e
da BNCC, além de ter expressado a defesa das diversidades e o(a)s oprimido(a)s.
Na UESPI, foram realizadas diversas manifestações e, em alguns casos,
com paralisações. Dentre as pautas, estava o reajuste salarial de 33%. Em mesa de
negociação, o governo alegou o ano eleitoral para justificar o reajuste, conforme a
inflação de 2017 (2,98%). Há 16 campi com o quadro de professore(a)s efetivo(a)s
insuficientes. Foi realizado concurso público com 297 vagas, porém sem regime de DE,
apenas 20 e 40h, contudo nenhum(a) candidato(a) aprovado(a) tomou posse. A
implantação das progressões, das promoções e das mudanças de regime de trabalho do(a)s
professore(a)s também esteve na pauta da ADCESPI.
No Paraná, desde o início do mandato do Beto Richa (PSDB), não há
reposição salarial para o(a)s servidore(a)s. Além da questão salarial que constitui pauta
unitária das universidades estaduais, outra que ganhou destaque foi a do regime de
trabalho com DE. Desde 1997, com a publicação da Lei Estadual nº 11.713/1997, a DE
está regulamentada com a natureza de regime de trabalho. Contudo, o Tribunal de Contas
do Estado expediu parecer com o entendimento de que era uma gratificação, logo não
passível de incorporação no momento da aposentadoria. Um projeto de lei começou a
tramitar na Assembleia Legislativa explicitando a DE como regime de trabalho. Esse
ataque levou o(a)s docentes das universidades estaduais do Paraná a lutarem pela
manutenção do regime de trabalho de Tempo Integral de Dedicação Exclusiva (TIDE),
como está expresso na “Manifestação de sindicatos sobre o veto da Lei do TIDE”,
publicada no dia 3 de agosto de 2018, no site da SESDUEM. Ainda como parte dessa
luta, na UNICENTRO, o acesso ao regime de DE de novo(a)s docentes não tem sido
possível, embora tenha ocorrido a ampliação da carga horária de trabalho dos efetivos

36

devido à redução do número de contratado(a)s. Assim, as pautas internas da categoria na


Unicentro perpassaram, principalmente, pela necessidade de ampliar o quadro docente.
No Rio de Janeiro, depois dos últimos anos de intensos ataques, incluindo
os atrasos salariais de três meses ou mais, por três vezes, o(a)s docentes da UERJ
passaram a receber o pagamento do salário em dia (10º dia útil) desde janeiro de 2018, o
que provocou um refluxo no movimento docente, mesmo com diversos ataques internos.
A carreira foi fortemente atacada por meio da não implantação do Plano de Cargos e
Carreira aprovado desde 2016, da não liberação dos processos de solicitação de DE e da
falta de realização de concursos. Por outro lado, o(a)s professore(a)s obtiveram vitória
importante, por meio de liminar, ao barrar o aumento da contribuição previdenciária de 11
para 14%. Vale destacar que O Conselho Universitário da UERJ deliberou por renomear
sua concha acústica com o nome de Marielle Franco com realização de evento de
nomeação.
Vale destacar, ainda, a condenação de 23 ativistas pelas manifestações de
2013 no Estado do Rio de Janeiro com penas que variam de 5 a 13 anos de prisão, dentre
os quais está uma professora da UERJ. A decisão, em primeira instância, dá possibilidade
do(a)s ativistas recorrerem e responderem em liberdade. No entanto, a condenação dos 23
é considerada, na avaliação da professora Camila Jourdan (UERJ), uma das condenadas,
“uma condenação exemplar” e “visa de fato condenar toda a mobilização popular e o que
significou 2013. É certamente um recado dos poderosos para manter os movimentos
sociais calados” (InformAndes-agosto, 2018). O ANDES-SN repudiou a sentença,
argumentando que ela expressa “a seletividade da justiça e a criminalização dos
movimentos sociais e dos trabalhadores que se organizam na luta pelos seus direitos”.
A situação das universidades municipais não é diferente das estaduais,
revelando que os problemas enfrentados pelo(a)s docentes das IES municipais são muito
mais graves, pelas suas características peculiares.
A UNIRG (Gurupi-TO) está em fase de mudança de Centro Universitário
para Universidade pelo Conselho Estadual. Está sendo votado pelo Conselho Superior da
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UNIRG o novo Regimento Acadêmico. No entanto, sem a devida participação
democrática do corpo docente, discente e servidores, evidenciando total desrespeito a
muitas reivindicações da comunidade universitária, a exemplo do próprio mandato de
09/10/2019 Anexo-Circ408-18.doc
reitor, que já foi estendido de dois para quatro anos, o que feriu frontalmente a deliberação
da comunidade acadêmica.
Assim como vem ocorrendo em muitas IES, na UNIRG, há registro de
vários casos de perseguição a professore(a)s. Muitos estão em processo de sindicância e
ou/processo administrativo, acarretando problemas de diversas ordens, doenças e
afastamentos do trabalho. Outra pauta comum entre as IES municipais e estaduais é a
reivindicação por concurso público para professores efetivos diante de um quadro de
carência de pessoal.
Vale destacar a decisiva participação da seção sindical nas negociações em
torno da reposição salarial que se iniciaram em agosto de 2017, quando da entrega da
pauta de reivindicações, e se intensificou a partir de janeiro de 2018, resultando na
aprovação do percentual de recomposição salarial, retroativo a janeiro de 2018 (data-base)
de 2,95% pelo IPCA de janeiro a dezembro de 2017.

36

Na Autarquia de Ensino Superior de Arcoverde (AESA), em


Pernambuco, instituição municipal de ensino superior, a situação não é difrente. O Plano
de Cargos e Carreira que existe desde 2002 nunca foi impantado. Há muito controle e
vigilância com ponto de entrada e sáida do(a)s docentes e diversos casos de assédio. O
presidente da ESA (cargo semelhante a reitor) sequer precisa ser professor(a) da
instituição e nem é escolhido pela comunidade acadêmica, sendo indicado pela prefeitura.
Para fazer o combate a todos esses ataques aos direitos e enfrentar a
situação de retorcessos, o setor das IEES-IMES do ANDES-SN realizou, além do
Encontro Nacional que elegeu um conjunto de encaminhamentos para o próximo período,
o Dia Nacional de Luta com atividades nas Instituições em defesa da previdência, da
carreira, do salário e do fianciamento público, no dia 27 de setembro de 2018, o Dia
Nacional contra o Assédio Sexual e Moral, 17 de outubro, em conjunto com o setor das
IFES. Vale destacar também as reuniões do setor realizadas ao longo de 2018 e aquelas
feitas em conjunto com o setor das IFES.
O cenário que se desenha a partir das eleições ocorridas em novembro não
é animador. Ao contrário, indica que os desafios serão muito maiores e exigirão esforços
concentrados para enfrentar os planos dos governos estaduais de privatização do ensino
superior público. Nesse contexto, destacamos, a título de ilustração, a perigosa vitória de
duas candidaturas no Rio de Janeiro e em Minas Gerais.
As eleições para o governo estadual do Rio de Janeiro transcorreram em
um contexto de graves ameaças aos direitos e liberdades políticas, com repressão da
justiça eleitoral ao ativismo de esquerda, seja partidário ou relacionado a movimentos
sociais como o feminista, negro e o LGBTT. A manutenção do caráter público, plural e
socialmente inclusivo das universidades estaduais também esteve sob ataque. O programa
de governo do candidato eleito no Rio de Janeiro, Wilson Witzel, ex-juiz federal estreante
na política e eleito a partir do apoio do presidente eleito e das igrejas evangélicas,
apresentava como prioridade cursos tecnológicos e geradores de patentes e aumento da
produtividade da economia. Privilegiava, portanto, a formação técnico-profissional em
detrimento de uma educação humanista e socialmente referenciada. Em entrevistas e
eventos públicos, o candidato defendeu a cobrança de mensalidades na UERJ, UENF e
UEZO como solução para a crise de financiamento dessas universidades. O candidato
também defendeu a possibilidade de transformar os colégios de aplicação estaduais em
colégios militares.
Em Minas Gerais, o candidato do Partido Novo, Romeu Zema, alinhou-se
à candidatura do presidente eleito já no primeiro turno, desrespeitando o candidato do seu
próprio partido. Em seu programa original de governo estava a privatização da
Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG). Após o primeiro turno, houve um
recuo dessa posição, mas as ações políticas propostas para a educação mineira são de
transferência para a iniciativa privada, com a metodologia de fornecimento de voucher
para as famílias que não poderiam pagar. Sob o engodo de que: “o filho do pobre vai
poder estudar onde ele quiser”, venceu os adversários do PT e do PSDB.
As universidades públicas serão alvos dos ataques do governo federal com
desdobramentos nos Estados e municípios, como já vem se observando nos discursos e
nos anúncios do presidente eleito, bem como está registrado no seu Programa de

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Governo, com destaque para a defesa da educação a distância em todos os níveis; de
09/10/2019 Anexo-Circ408-18.doc
parcerias com o setor privado como mecanismo prioritário de obtenção de recursos; do
fim das cotas raciais; do fomento ao empreendedorismo, ao produtivismo e à centralidade
do mercado nas atividades do ensino superior, dentre outros aspectos que apontam para a
privatização como a tônica da política educacional.
Para tanto, é preciso ampliar o espectro da unidade da classe trabalhadora,
intensificar as ações realizadas de forma unificada pelos setores das IFES, IEES-IMES do
ANDES-SN como vem ocorrendo ao longo do ano de 2018, para reafirmar a luta em
defesa da inclusão da DE como parte integrante da carreira e barrar qualquer ataque que
vise desestruturá-la; pela implantação de plano de carreira nas IES quando houver; pela
realização de concurso para professore(a)s efetivo(a)s; pela ampliação do financiamento
público e revogação as emendas constitucionais que limitam o teto de gastos com as
universidades.
TR - 17
O 38º CONGRESSO do ANDES-SN delibera:

1. Reafirmar a luta em defesa da inclusão da dedicação exclusiva como parte integrante da


carreira.
2. Lutar pela implantação de plano de carreira nas IES quando não houver, e onde houver,
barrar qualquer ataque.
3. Realizar a semana de lutas unificada do setor das IEES/IMES, de 20 a 24 de maio de
2019, dando visibilidade ao papel das IEES-IMES na política de interiorização do ensino
superior público nos Estados, na defesa do(a)s servidore(a)s e do serviço público como
investimentos social, e ampliação do financiamento público.
4. Pautar audiências públicas nos Estados e municípios para denunciar o desmonte das
IEES-IMES, revogar as emendas constitucionais que limitam o teto de gastos com as
universidades, os impactos do marco de ciência e tecnologia na educação pública e o
ataque aos direitos do(a)s servidore(a)s.
5. Reafirmar a cobrança à ABRUEM de audiência para tratar sobre as posições frente aos
ataques perpetrados pelos governos estaduais e municipais às IEES-IMES.
6. Realizar, no segundo semestre de 2019, o 17º Encontro Nacional do Setor das IEES-
IMES, com tema e data a serem definidos na reunião preparatória do setor.
7. Lutar para que a contratação de professore(a)s substituto(a)s se atenha ao caráter de
substituições temporárias, e seus editais de seleção assegurem a equiparação salarial de
acordo com os vencimentos dos professores efetivos.
8. Que o setor das IEES/IMES realize, no segundo semestre de 2019, em conjunto com o
GT-Carreira e o GTPE, o Encontro Nacional do ANDES-SN sobre a Carreira EBTT e
Ensino Básico das Instituições Estaduais de Ensino Superior.
9. Que o setor das IEES/IMES contrua com o GTPCEGDS, o Dia Internacional do
Orgulho LGBTT (28 de junho), como uma data de luta nacional do ANDES-SN contra a
LGBTTfobia.
10. Realizar o Dia Nacional de Lutas contra o assédio moral e sexual nas instituições
federais, estaduais e municipais de ensino superior (IFES, IEES, IMES).
11. Realizar, em novembro de 2018, Dia Nacional de Lutas nas instituições federais,

36

estaduais e municipais de ensino superior (IFES, IEES, IMES) contra o racismo.


12. Que o setor das IEES/IMES, no segundo semestre de 2019, realize junto com o setor
das IFES e GT Carreira o Encontro Nacional do ANDES-SN sobre a Carreira EBTT e o
Ensino Básico das Instituições Estaduais de Ensino Superior.
13. Realizar estudos em conjunto com o GT Carreira sobre: a) Lei de recuperação fiscal
no sentido dos gatilhos de ataque à carreira e aos salários, num contraponto à Lei de
Responsabilidade Fiscal (sistema de dívida pública) como estratégia de denúncia; b) Os
planos de carreira com melhor consolidação para construir uma base que seja a proposta
do ANDES-SN às IEES/IMES como start para as construções locais.

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09/10/2019 Anexo-Circ408-18.doc

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TEXTO 18
Diretoria do ANDES-SN

PLANO DE LUTAS DO SETOR DAS IFES

TEXTO DE APOIO

Em 2018, a agenda de lutas do Setor das Instituições Federais de Ensino


Superior (IFES) continuou intensa sob a conjuntura de ataques aos direitos sociais e aos
serviços públicos. Por um lado, a pauta das contrarreformas encabeçadas pelo governo
Temer e uma série de projetos de leis prejudiciais à(o)s trabalhadore(a)s avançou no
Congresso Nacional; por outro a aplicação da Emenda Constitucional 95 (antiga PEC do
Teto dos Gastos) tem sufocado as IFES, agravando sua situação financeira que já vinha
fragilizada nos últimos anos por meio dos sucessivos cortes no orçamento realizados pelos
governos federais.
Com a eleição de Jair Bolsonaro para presidência da República, a
perspectiva de acirramento dos ataques é ainda mais grave. Aliando uma agenda
econômica ultraliberal com uma defesa explícita de práticas autoritárias – especialmente
dirigidas aos movimentos sociais e ao campo político da esquerda –, o novo governo de
extrema-direita aponta para um projeto de destruição dos direitos sociais da população
brasileira. O(A)s servidore(a)s público(a)s são um alvo importante de seus ataques.
Exemplo disso é a retomada da qualificação de “marajás” para se referir a tais pessoas,
visando confundir a opinião pública a respeito de quem são os responsáveis pela crise
econômica enfrentada pelo país. A agenda destrutiva já está colocada antes mesmo de sua
posse, com o esforço de sua equipe para aprovar a Contrarreforma da Previdência de
Temer ainda em 2018.
O conjunto de declarações e medidas aventadas pelo presidente eleito e
sua equipe de governo coloca em gravíssimo risco à existência das IFES como espaços de
produção e de ensino de um conhecimento crítico. O próprio trabalho docente é atacado
com as ameaças à liberdade de ensino, o incentivo à perseguição e o enquadramento de
docentes como “doutrinadores”. De forma estrutural, o ataque se intensifica com a
possibilidade de transferência das universidades públicas do âmbito do Ministério da
Educação para o Ministério de Ciência e Tecnologia. Esse cenário é preocupante, pois,
além de representar grande distorção das concepções que fundamentam a universidade
como instituição de ensino, pesquisa e extensão, deve agravar ainda mais o seu estado de
subfinanciamento, como atesta a queda intensa na destinação de recursos para ciência e
tecnologia nos últimos anos. A título de ilustração, os gastos da União com C&T, em
2017, foram de R$ 6,34 bilhões, cerca de metade dos R$ 11,42 bilhões em 2013. Esses
valores relativos a 2017 representam, percentualmente, somente 0,63% do que foi gasto
com o pagamento de juros e amortizações da dívida pública.
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A seguir, recuperamos as ações realizadas ao longo de 2018, pontuando os
principais enfrentamentos e apresentando as perspectivas de luta para 2019.
09/10/2019 Anexo-Circ408-18.doc
36

NO ÂMBITO DOS SPF

O 37º Congresso do ANDES-SN deliberou pela necessidade de


intensificar as ações de servidore(a)s público(a)s federais, estaduais e municipais com
outras organizações (entidades e centrais), movimentos sociais populares, reforçando a
articulação classista na base com destaque para a necessidade de fortalecer ou de construir
fóruns de atuação pela revogação da EC 95, da Contrarreforma Trabalhista, da Lei no
13.429/2017 (Lei da Terceirização), do Programa de Desligamento Voluntário (PDV), da
MP 805/17, do Decreto no 9262/18 e contra a aprovação da Contrarreforma da
Previdência e do PLS 116/17 e PLS 204/16.
A Emenda Constitucional (EC) 95, promulgada em 15 de dezembro de
2016, instituiu o Novo Regime Fiscal (NRF) que impôs limites de despesas primárias para
os poderes Executivo, Judiciário, Legislativo e seus órgãos, além das entidades da
administração pública federal (direta e indireta) e empresas estatais, por um período de
vinte anos. Os resultados da entrada em vigor dessa medida foram a redução drástica das
políticas públicas, o aumento da precarização dos serviços públicos, a redução dos postos
de trabalho, o enxugamento do número de servidore(a)s, entre outros, preparando assim o
terreno para a mercantilização dos serviços públicos e desresponsabilizando o Estado com
a implementação dos direitos sociais. A Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2019
já foi aprovada seguindo as diretrizes dessa Emenda Constitucional, ou seja, vedando
investimentos em todas as áreas do serviço público federal, proibindo gastos, reposição de
trabalhadore(a)s, reajustes de despesas, dentre outros efeitos, agravando as condições de
vida dos(as) trabalhadore(a)s, sobretudo os que se encontram em vulnerabilidade social.
Em síntese, corta os investimentos em políticas sociais, privando o(a)s trabalhadore(a)s de
seus direitos básicos para manter os gastos exorbitantes com o pagamento da dívida
pública.
A Contrarreforma Trabalhista retira direitos do(a)s trabalhadore(a)s no
âmbito laboral, pois permite que: a remuneração obrigatória passe a ser por produção e o
pagamento do piso ou salário-mínimo não seja obrigatório, porque se insere a
possibilidade de formas de remuneração que não precisam fazer parte do salário; e o
tempo despendido no transporte de ida e volta do trabalho não seja mais computado na
hora do trabalho. Além disso, regulamenta o trabalho intermitente, cujo pagamento por
período trabalhado, férias, FGTS, Previdência e 13º salário são proporcionais; determina
que as convenções e os acordos coletivos podem prevalecer sobre a legislação, e que o
banco de horas seja pactuado por acordo individual escrito igualmente; define que o
contrato de trabalho pode ser extinto de comum acordo, com pagamento de metade do
aviso prévio e metade da multa de 40% sobre o saldo do FGTS, e que o(a) trabalhador(a)
não tenha direito ao seguro desemprego, dentre outros.
Essas alterações – estabelecidas pela Lei nº 13.567/17 –, que passaram a
valer a partir de 11 de novembro de 2017, foram justificadas como necessárias para gerar
mais emprego (falava-se em dois milhões de novos postos de trabalho), mas na verdade só
contribuíram para a flexibilização dos direitos trabalhistas e o aumento do desemprego,

36

cuja cifra gira em torno de treze milhões de desempregado(a)s. As vagas formais


geradas foram ínfimas, e o que se reduziu foram as ações nas Varas do Trabalho, as quais
diminuíram em 38%, comparando-se com 2017, o que se explica pelo fato de que o(a)
trabalhador(a), caso perca a ação na justiça, deva arcar com as custas do processo.
A Lei de Terceirização se traduz na ampliação da desocupação, na
redução do salário, na deterioração das condições de trabalho, com o consequente
aumento dos riscos de acidentes, extensão da jornada sem a correspondente remuneração,
entre outros efeitos. Em síntese, deixou o(a)s trabalhadore(a)s privado(a)s da cobertura
trabalhista, previdenciária e por acidentes de trabalho. E com o julgamento, em 30 de
agosto de 2018, da ADPF 324 e do RE 958.252, em que o STF (por 7 votos a 4)
concebeu a constitucionalidade da terceirização da atividade-fim, tornando-a irrestrita,
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ampliou-se a possibilidade dessa forma de contratação.
Por fim, no âmbito do serviço público, o Decreto nº 9.507/2018 que não
trata diretamente do(a)s docentes, que dispõe sobre a terceirização na administração
09/10/2019 Anexo-Circ408-18.doc
pública direta e nas empresas públicas e de sociedade mista, controladas pela união, deixa
um flanco aberto para a contratação de docentes, nas universidades públicas, via
organizações sociais, sem concurso de provas e títulos, sem estabilidade funcional,
portanto em condição de extrema precarização.
Embora tenha sido revogado, o Decreto nº 9262/18 que extingue 60.932
cargos não ocupados e que preconiza que os cargos a vagar não serão repostos, e que
veda a abertura de concurso público e provimento de vagas adicionais de 58 cargos, todos
para técnicos-administrativos em educação (TAE) das Instituições Federais de Ensino
(IFE), além de extinguir setenta cargos de professor(a) de 1º e 2º Grau – do Ensino
Básico e Tecnológico, dos quais oito já estão vagos e 62 ocupados, significou mais um
ataque à(o)s trabalhadore(a)s da área educacional, concebido na lógica da EC 95. Isso
ilustrativo em relação à continuidade das investidas do governo federal contra a educação
pública.
A Medida Provisória 805/17 que elevava a contribuição previdenciária
do(a)s servidore(a)s público(a)s para 14% sobre os salários acima do INSS perdeu o prazo
de validade, e, assim, a sua eficácia. Contudo, a liminar de Ação Direta de
Inconstitucionalidade (ADI) contra o texto ainda aguarda julgamento pelo Plenário do
STF, o que sinaliza para a necessidade de pressão sobre o Judiciário.
O PLS 116/17 que regulamenta o art. 41, § 1º, III, da Constituição
Federal, para dispor sobre a perda do cargo público por insuficiência de desempenho
do(a) servidor(a) público(a) estável, ainda não foi apreciado pelo Senado, porque atuação
das entidades sindicais de servidore(a)s – entre elas o ANDES-SN – conseguiu que
alguns parlamentares emplacassem manobras protelatórias. No entanto, em 2 de
novembro de 2018, a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado
aprovou novas regras para a demissão por “insuficiência de desempenho” de servidor(a)
público(a) estável. As novas regras podem ser aplicadas a todos os níveis da Federação e
a todos os poderes. A respeito do PLS 204/16 que dispõe sobre a cessão de direitos
creditórios originados de créditos tributários dos entes da Federação, ainda não apreciado
no Congresso Nacional.
Desde 2017, o(a)s servidore(a)s público(a)s federais (SPF), aglutinado(a)s

36

no FONASEFE, têm se reunido muitas vezes, encaminhando as lutas conjuntas


contra todos esses retrocessos, empreendendo ações para enfrentar a agenda regressiva
imposta pelo governo federal e que representa um forte ataque aos direitos do(a)s
trabalhadore(a)s.
Em articulação com as principais entidades e centrais sindicais, o ANDES-
SN aderiu a dias unitários de luta, como o “Dia Nacional de Greves, Paralisações e
Mobilizações”, em 19 de fevereiro de 2018, em defesa dos serviços públicos e contra a
Reforma da Previdência, bem como o “Dia do Basta!”, em 10 de agosto de 2018, com
mobilizações e paralisações em defesa do emprego, da aposentadoria e contra a
Contrarreforma Trabalhista.
Ainda nessa orientação, o ANDES-SN participou de forma efetiva da
construção do Seminário: “O Serviço Público que Queremos”, que aconteceu em Brasília,
entre os dias 30/31 de agosto e 1º de setembro de 2018. O objetivo foi: socializar e
ampliar o debate entre as entidades sindicais do Serviço Publico Municipal, Estadual e
Federal frente às transformações no mundo do trabalho no atual cenário político,
indicando perspectivas futuras nos serviços públicos e nos direitos do(a)s trabalhadore(a)s;
promover o debate dos impactos que podem decorrer das mudanças no Estado formatado
pela edição da Emenda Constitucional nº 95/2016, Reforma da Previdência, o Regime
Fiscal e seus impactos para sociedade brasileira; e promover também avaliação política do
atual cenário indicando perspectivas futuras na luta contra a retirada de direitos e o
desmonte do serviço público, construindo a unidade de ação a fim de traçar estratégias
eficientes de enfrentamento na defesa do(a)s servidore(a)s e da melhoria de qualidade dos
serviços públicos para a população.
Outro passo importante, frente aos ataques sofridos pela classe
trabalhadora, foi o consenso estabelecido entre as entidades sindicais constitutivas do
FONASEFE em relação à construção de ferramentas midiáticas que, além de publicizar
os ataques perpetrados pela EC 95/2016, se constituiu como mecanismos de aproximação
do tema com as bases das entidades sindicais e de denúncia da devastação dos direitos
sociais e previdenciários. Dessa forma, foi construída à Campanha Revoga o Teto,
veiculada nas redes sociais como Facebook, Twitter, home page
(http://www.revogaoteto.com.br/).
Contra a EC 95, no dia 13 de setembro de 2018, com a posse do novo
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presidente do STF, as entidades que integram o FONASEFE e o FONACATE realizaram
Marcha a Brasília pela sua revogação, e as seções sindicais do ANDES-SN e as
secretarias regionais realizaram debates, panfletagem e outras atividades a fim de
09/10/2019
conscientizar a comunidade universitária sobre os impactos dos cortesAnexo-Circ408-18.doc
de verbas nas IES
públicas.
Como reação à Contrarreforma da Previdência, foram realizados atos
públicos nos diversos estados brasileiros com mobilizações locais, pressão sobre o(a)s
parlamentares para que votassem a favor do(a)s trabalhadore(a)s, participação na greve
geral e na marcha #OcupaBrasília, dentre outros, ao longo de 2018. Com a aprovação da
Contrarreforma da Previdência, PEC nº 287/2016, no âmbito da Câmara, as ações
prosseguiram no sentido de denunciar o(a)s parlamentares que votaram a favor de sua
aprovação. Assim, foram produzidos, em várias cidades brasileiras, outdoors, lambe-
36

lambes, panfletos, cards, entre outros instrumentos de comunicação, com a


imagem do(a)s parlamentares que se posicionaram contra os direitos da classe
trabalhadora. No final do primeiro semestre de 2018, a apreciação da Reforma da
Previdência, no âmbito do Senado, foi postergada, tendo em vista a luta dos
trabalhadore(a)s e o processo eleitoral que se avizinhava.
Conforme já destacado, com os resultados das eleições de 2018, os nossos
desafios se intensificaram ainda mais, pois o presidente eleito e a sua equipe econômica
pretendem, para além da alteração do atual regime previdenciário, criar um sistema de
capitalização em que cada pessoa deverá acumular sua própria reserva de aposentadoria.
Merece menção, ainda, a campanha nacional “Estão Roubando a nossa Previdência e
aprofundando mecanismos que transferem nosso patrimônio e recursos públicos para o
setor financeiro. Exigimos respeito e vida digna para todas as pessoas!”.
Indubitavelmente, não podemos aceitar que seja imposto no Brasil a experiência chilena,
que é um modelo falido que só favorece ao grande capital, em que mais de 90% dos
aposentados recebem apenas 149 mil pesos por mês, cerca de R$ 694,08. O salário
mínimo no país é de 264 mil pesos, aproximadamente R$ 1226,20.
É imprescindível, portanto, que o(a)s servidore(a)s público(a)s unifiquem
e intensifiquem as suas lutas com o(a)s demais trabalhadore(a)s, sindicatos, movimentos
sociais e populares pela revogação da EC 95, da Contrarreforma Trabalhista e da Lei da
Terceirização, por meio da Coordenação Nacional das Entidades de Servidores Federais
(CNESF). É imperativo que o nosso sindicato, o ANDES-SN, prossiga em suas ações em
defesa das IFES, IEES, IMES, CEFET e colégios de aplicação.

NO ÂMBITO DO SETOR DAS IFES

No ano de 2018, o Setor das Federais teve os desafios ampliados pelo


aprofundamento dos ataques ao caráter público e à liberdade de cátedra e de expressão.
A perseguição aos docentes, segundo matéria publicada pelo Intercept
Brasil, aponta um aumento exponencial dos casos registrados no ano de 2018, conforme o
gráfico a seguir:

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09/10/2019 Anexo-Circ408-18.doc

Fonte: Intercept Brasil (2018).

A conjuntura indica que essa tendência deve se agravar ainda mais com o
presidente eleito, que, em seu “programa” de governo, apontava a necessidade de
combater os “doutrinadores ideológicos”. Imediatamente após a eleição, uma deputada
estadual eleita pelo PSL/SC incentivou que estudantes filmassem seus(suas)
professore(a)s “doutrinadore(a)s”. Esse quadro intensificará o assédio, a perseguição e a
criminalização do trabalho docente.
O ANDES-SN tem acompanhado vários desses casos por meio da
Comissão de Enfrentamento à Criminalização e à Perseguição Política a Docentes, criada
a partir de deliberação do seu 37º Congresso. A Comissão realizou, ao longo do ano de
2018, reuniões com dirigentes e docentes das seções sindicais, em conjunto com as
assessorias jurídicas regionais e nacional, a fim de receber denúncias das seções e debater
encaminhamentos políticos e jurídicos relativos ao enfrentamento desses casos.
Em outubro de 2018, a partir das discussões no âmbito da reunião
conjunta dos Setores das IFES e das IEES/IMES, a grande possibilidade de vitória
eleitoral do projeto fascista expresso pelo então candidato Jair Bolsonaro levou ao
encaminhamento de remeter às assembleias das seções sindicais os posicionamentos em
relação ao combate ao fascismo e à defesa da democracia. Com base nas posições
deliberadas pela base, o ANDES-SN se engajou nas atividades relativas à campanha do
#EleNão, movimento autônomo e liderado por mulheres, contra o projeto eleitoral fascista
e o voto branco e nulo.
Em represália, ao longo do período eleitoral, as universidades, os
sindicatos em geral, seções sindicais do ANDES-SN e entidades estudantis foram alvos
de perseguições por parte de juízes eleitorais e das polícias, atitudes que não eram
presenciadas no país desde o período de ditadura empresarial-militar. Essas ações foram

36

agravadas a poucos dias do segundo turno. Faixas foram retiradas, bandeiras


(como na Faculdade de Direito da UFF), e seções sindicais sofreram buscas e apreensões.
Houve mandados de busca e apreensão, e também casos de diretore(a)s que tiveram de
prestar depoimento (a exemplo da ADUFCG), algumas salas de professore(a)s foram
invadidas e fiscalizadas (como na UENF), aulas, debates e seminários foram proibidos,
dentre outros episódios de repressão. Tais ações feriram frontalmente a autonomia
universitária, o direito de aprender e ensinar, o direito de expressão e de organização
sindical e estudantil (vide Box).
É importante destacar que o ANDES-SN respondeu rapidamente a esses
ataques, convocando, com o SINASEFE, a FASUBRA e a UNE, uma coletiva de
imprensa para denunciar publicamente essas ações como medidas autoritárias,
incompatíveis com o regime democrático, expressando a força da luta social organizada,
que nosso sindicato protagoniza, e dando mostras do intenso processo de resistência que
deveremos organizar no próximo período. Nesse sentido, além de construir e participar
dos atos contra essas ações arbitrárias, o ANDES-SN ingressou imediatamente como
amicus curiae na ADPF 548, proposta pela Procuradora-Geral da República, Raquel
Dodge, no STF. No dia 31 de outubro de 2018, o ANDES-SN esteve presente na
votação pelo plenário do STF sobre a medida cautelar solicitada na ação. A decisão do
STF reafirmou a autonomia universitária e o direito de cátedra, reprimindo os atos de
perseguição à(o)s professore(a)s pelos adeptos do “Escola Sem Partido”.
As reuniões e os debates realizados ao longo do ano de 2018 apresentaram
uma dinâmica diferenciada na medida em que a construção da luta em defesa dos direitos
sociais e a necessidade do combate ao desmonte dos serviços públicos, em especial no
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contexto das eleições, exigiram organização entre os diferentes setores (federais, estaduais
e municipais) do Sindicato Nacional, privilegiando as pautas comuns a toda a categoria e
uma atenção especial às lutas mais gerais: dos direitos da classe trabalhadora, da defesa do
09/10/2019 Anexo-Circ408-18.doc
caráter público de educação e a garantia da função social das IFES; da garantia de
autonomia e democracia; da defesa do projeto de carreira única do ANDES-SN para o
magistério federal; da conquista de melhores condições de trabalho, da valorização salarial
de ativo(a)s e aposentado(a)s; da defesa da previdência social pública/derrota das
contrarreformas; da luta contra o FUNPRESP, a EBSERH.
Nas reuniões do setor, o conjunto de seções sindicais apresentou os
impactos negativos que os cortes no orçamento da educação federal, em especial em
decorrência da aprovação da EC 95/2016, têm trazido para o trabalho docente e a
formação dos estudantes: diminuição de despesas de custeio, que gerou aumento de
demissão de trabalhadore(a)s terceirizado(a)s e corte das verbas para assistência
estudantil; congelamento de concursos públicos; paralisação de obras de infraestrutura;
controle do trabalho docente por ponto eletrônico; barreiras nas progressões e promoções
docentes; as ameaças aos pagamentos de adicionais de insalubridade, fronteira; defesa da
democracia contra os discursos de ódio, machismo e LGBTTfobia que se somaram aos
atos #EleNão, em setembro e outubro de 2018.
Nesse âmbito, cabe também destacar que o Governo Temer, em resposta à
catástrofe anunciada do incêndio do Museu Nacional, defendeu a transferência dessa
unidade da UFRJ para a administração, por meio de organizações sociais, apontando para
36

um processo de privatização. Nesse contexto, editou, em seguida, as Medidas


Provisórias nº 850 e 851, no dia 11 de setembro de 2018. Entretanto, segundo a
Assessoria Jurídica Nacional (AJN), tais MPs, que criam a Agência Brasileira de Museus
(Abram), em clara substituição do atual Instituto Brasileiro de Museus e fundo patrimonial
para os museus, respectivamente, ainda que não afetem diretamente o patrimônio das
universidades, abrem brechas para formas mais intensas de esvaziamento do
financiamento público desses instrumentos de pesquisa e memória com a aposta no
financiamento privado.
Nesse mesmo movimento de ataques à política de investimento público às
IFES e à autonomia universitária, em outubro de 2018, a Frente Parlamentar Evangélica
apresentou, na Câmara dos Deputados, a proposta de um Novo Ensino Superior
Brasileiro organizado em duas frentes – o desenvolvimento de commodities e o
desenvolvimento das patentes tecnológicas. O documento apresenta ainda o projeto de
Alfabetização Solidária que determina a obrigatoriedade do trabalho de estudantes de
graduação e pós-graduação em turmas de “analfabeto(a)s”.
Com vistas a atender às demandas do setor das IFES, foram realizadas
reuniões com o MEC (em agosto) e a ANDIFES (em novembro), e foi organizado um
encontro sobre a carreira EBTT (em outubro). Com o MEC, foram debatidos os pontos
como a situação orçamentária das universidades públicas, os concursos públicos, a
situação de professore(a)s da carreira do Ensino Básico, Técnico e Tecnológico (EBTT) e
as condições de trabalho. Além disso, foi debatido o aumento de casos de perseguição e a
criminalização a docentes. Também foi apresentada a posição do sindicato contrária ao
controle do trabalho docente EBTT por ponto eletrônico.
No Encontro Nacional do ANDES-SN sobre a Carreira EBTT e Ensino
Básico, das Instituições Estaduais de Ensino Superior, realizado em Niterói, nos dias 20 e
21 de outubro de 2018, foram debatidos os pontos sobre a imposição do controle do
trabalho docente por ponto eletrônico, a RSC, a BNCC e a Reforma do Ensino Médio.
Na reunião com ANDIFES, em 2018, avaliou-se a importância da unidade
na defesa das IES, os serviços públicos, a democracia e a Constituição Federal. Nessa
reunião, foi definido o agendamento de outra reunião, e serão realizadas palestras e
atividades nas IES para debater a democracia e os trinta anos da Constituição.
Diante do exposto, é ainda mais necessária a reorganização da luta nas
IFES, considerando as mudanças na conjuntura. Com base nesse cenário de acirramento
político, em que os enfrentamentos contra o já grave pacote de medidas antissociais do
Governo Temer passarão a ser realizados no âmbito da chegada ao Executivo de um
governo que abraça explicitamente ideias autoritárias, do aumento da bancada reacionária
no Congresso Nacional e do avanço do fascismo entre setores da sociedade brasileira,
urge a necessidade da resistência. Dentro e fora das IFES, devemos cada vez mais atuar
com vistas à formação e ao fortalecimento de espaços que privilegiem a discussão e a
articulação ampla entre a categoria docente e o(a)s servidore(a)s público(a)s, em conjunto
com a classe trabalhadora e os movimentos sociais, para produzir instrumentos de luta e
ações que nos permitam, ao mesmo tempo, denunciar a perversidade do pacote de
medidas, defender nossas liberdades democráticas e ressaltar a importância das IFES e do
trabalho docente para a sociedade brasileira, bem como estabelecer pontes de diálogo com
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09/10/2019 Anexo-Circ408-18.doc

a população.

Lista das universidades veiculadas como alvos, conforme notícias jornalísticas:

● UFGD (Dourados) – Intervenção policial para suspender aula sobre fascismo legitimada
por mandado de notificação expedido pelo juiz eleitoral Rubens Witzel Filho, da 17ª Zona
Eleitoral do Mato Grosso do Sul. Por meio de ligação telefônica à respectiva zona eleitoral,
obtivemos a informação de que o mandado foi expedido em razão de inquérito policial
federal. Fonte jornalística:
https://www.brasildefato.com.br/2018/10/25/agentes-do-estado-invadem-universidades-em-
todo-o-pais-as-vesperas-do-2o-turno/
● UEPA (Iguarapé-Açu) – Intervenção policial, sem decisão judicial favorável, que
coagiu o professor a prestar esclarecimentos sobre o conteúdo ministrado em aula na
delegacia. Fonte jornalística:
https://www.brasildefato.com.br/2018/10/25/agentes-do-estado-invadem-universidades-em-
todo-o-pais-as-vesperas-do-2o-turno/
● UFCG (Campina Grande) – Intervenção policial legitimada por mandado de busca e
apreensão expedido pelo Juiz Eleitoral Horácio Ferreira de Melo Júnior, da 17ª Zona
Eleitoral de Campina Grande, para apreender suposto material de campanha de candidato à
presidência. Fonte jornalística:
https://congressoemfoco.uol.com.br/amp/eleicoes/associacoes-de-professores-denunciam-
acoes-abusivas-da-pf-em-universidades/
● UFF (Niterói) – Intervenção policial legitimada por decisão da juíza Maria Aparecida da
Costa Bastos da Zona Eleitoral de Niterói. O texto da decisão e suas razões não foram
divulgados de modo oficial, não sendo possível analisar a sua natureza ou se há processo
instaurado. Fonte jornalística:
https://oglobo.globo.com/brasil/justica-eleitoral-apreende-materiais-faz-fiscalizacao-em-17-
universidades-de-nove-estados-23185086
https://noticias.uol.com.br/politica/eleicoes/2018/noticias/2018/10/24/fiscais-do-tre-rj-
removem-bandeira-antifascista-em-faculdade-da-uff.htm
● UFF (Campos) – Operação do TRE no DCE e laboratórios de professores em razão de
denúncia de propaganda eleitoral.
● UFF (Macaé) – Operação da PF e TER em evento da Frente Antifascista indo às salas
em busca do(a)s organizadore(a)s da atividade.
● UEPB – Pessoas que se identificaram como fiscais do TRE abordaram professora para
prestar informações a respeito do conteúdo ministrado em aula. Os supostos fiscais não
utilizavam crachás, apenas uma etiqueta do TRE. Fonte jornalística:
https://www.brasildefato.com.br/2018/10/25/agentes-do-estado-invadem-universidades-em-
todo-o-pais-as-vesperas-do-2o-turno/
● UFMG – Há notícias genéricas sobre intervenções policiais e do TRE que cercearam a
liberdade de expressão do corpo discente e docente. Fonte jornalística:
https://www.revistaforum.com.br/universidades-sao-alvo-de-acoes-de-censura-e-repressao-
as-vesperas-das-eleicoes/
● Cepe-RJ – Há notícias genéricas sobre intervenções policiais e do TRE que cercearam a
liberdade de expressão do corpo discente e docente. Fonte jornalística:
https://acoluna.co/coluna-36-universidades-pelo-pais-sofrem-com-acao-acusada-de-censura/
https://www.revistaforum.com.br/universidades-sao-alvo-de-acoes-de-censura-e-repressao-
as-vesperas-das-eleicoes/

36

● Unilab (Fortaleza) – Há notícia genérica sobre intervenção policial que obstou a


liberdade de expressão do corpo discente e docente, supostamente legitimada por decisão
judicial. No entanto, não encontramos referência expressa à natureza da decisão, tampouco
ao juiz(a) que a expediu. Fonte jornalística:
https://www.revistaforum.com.br/universidades-sao-alvo-de-acoes-de-censura-e-repressao-
as-vesperas-das-eleicoes/
http://cnews.com.br/cnews/noticias/131155/campus_da_unilab_e_alvo_de_fiscalizacao_do
_tre-ce
● UNEB (Serrinha) – Há notícias genéricas sobre intervenções policiais e do TRE que
cercearam a liberdade de expressão do corpo discente e docente. Fonte jornalística:
https://www.revistaforum.com.br/universidades-sao-alvo-de-acoes-de-censura-e-repressao-
as-vesperas-das-eleicoes/
● UFU (Uberlândia) – Há notícia genérica sobre intervenção policial que retirou faixa
com propaganda eleitoral no campus da universidade. Fonte Jornalística:
https://g1.globo.com/mg/triangulo-mineiro/noticia/2018/10/24/faixa-com-propaganda-
eleitoral-irregular-e-retirada-da-ufu-em-uberlandia.ghtml
chrome-extension://bpmcpldpdmajfigpchkicefoigmkfalc/views/app.html 82/110
● UFG – Há notícias genéricas sobre intervenções policiais e do TRE que cercearam a
liberdade de expressão do corpo discente e docente. Fonte jornalística:
https://oglobo.globo.com/brasil/justica-eleitoral-apreende-materiais-faz-fiscalizacao-em-17-
universidades-de-nove-estados-23185086
09/10/2019 Anexo-Circ408-18.doc
● UFRGS – Segundo notícia jornalística, o juiz auxiliar Rômulo Pizollati da Zona Eleitoral
de Porto Alegre cancelou aula pública a favor da democracia, com a presença de Guilherme
Boulos, no campus da universidade. Sua decisão atendeu ao requerimento dos deputados
federais Jerônimo Goergen (PP) e Marcel van Hattem (recém-eleito pelo Novo). A equipe
da referida zona eleitoral não soube responder, por ligação telefônica, qual a natureza da
decisão expedida ou se foi instaurado um processo.
https://renovamidia.com.br/juiz-impede-realizacao-de-ato-pro-haddad-na-ufrgs/
https://www.revistaforum.com.br/universidades-sao-alvo-de-acoes-de-censura-e-repressao-
as-vesperas-das-eleicoes/
● UCP (Petrópolis) – Há apenas notícias jornalísticas informando que estudantes foram
impedidos de realizar planária em favor da democracia por funcionários do TRE. Fonte
jornalística:
http://www.une.org.br/noticias/estudantes-e-professores-resistem-contra-a-censura-em-
universidades/
https://acoluna.co/eventos-envolvendo-direitos-humanos-e-contra-a-extrema-direita-sao-
alvos-em-universidades-pelo-pais/
● UFSJ – Há notícias genéricas sobre intervenções policiais e do TRE que cercearam a
liberdade de expressão do corpo discente e docente. Fonte Jornalística:
http://www.esquerdadiario.com.br/Judiciario-censura-sindicatos-e-universidades-por-uma-
campanha-nacional-contra-os-ataques
https://www.revistaforum.com.br/universidades-sao-alvo-de-acoes-de-censura-e-repressao-
as-vesperas-das-eleicoes/
● UERJ – Há notícia informando a retirada de faixas contra o fascismo por fiscais do TRE
no campus da universidade. No entanto, não foram encontradas decisões judiciais que
legitimaram a ação. Fonte jornalística:
https://noticias.uol.com.br/politica/eleicoes/2018/noticias/2018/10/26/tre-tira-faixa-
antifascista-da-uff-e-fiscais-vao-a-uerj-oab-acusa-censura.htm
https://www.revistaforum.com.br/universidades-sao-alvo-de-acoes-de-censura-e-repressao-
as-vesperas-das-eleicoes/
36

● UFERSA – Há notícias genéricas sobre intervenções policiais e do TRE que obstaram a


liberdade de expressão do corpo discente e docente. Fonte jornalística:
https://www.revistaforum.com.br/universidades-sao-alvo-de-acoes-de-censura-e-repressao-
as-vesperas-das-eleicoes/
http://www.esquerdadiario.com.br/Judiciario-censura-sindicatos-e-universidades-por-uma-
campanha-nacional-contra-os-ataques
https://acoluna.co/coluna-36-universidades-pelo-pais-sofrem-com-acao-acusada-de-censura/
● UFAM – Há notícias genéricas sobre intervenções policiais e do TRE que obstaram a
liberdade de expressão do corpo discente e docente. Fonte jornalística:
https://www.revistaforum.com.br/universidades-sao-alvo-de-acoes-de-censura-e-repressao-
as-vesperas-das-eleicoes/
http://www.esquerdadiario.com.br/Judiciario-censura-sindicatos-e-universidades-por-uma-
campanha-nacional-contra-os-ataques
https://acoluna.co/coluna-36-universidades-pelo-pais-sofrem-com-acao-acusada-de-censura/
● UNESP (Bauru) – Há notícias genéricas sobre intervenções policiais e do TRE que
obstaram a liberdade de expressão do corpo discente e docente. Fonte jornalística:
https://www.revistaforum.com.br/universidades-sao-alvo-de-acoes-de-censura-e-repressao-
as-vesperas-das-eleicoes/
http://www.esquerdadiario.com.br/Judiciario-censura-sindicatos-e-universidades-por-uma-
campanha-nacional-contra-os-ataques
https://acoluna.co/coluna-36-universidades-pelo-pais-sofrem-com-acao-acusada-de-censura/
● UFRJ – Há notícias genéricas sobre intervenções policiais e do TRE que obstaram a
liberdade de expressão do corpo discente e docente. Fonte jornalística:
https://www.revistaforum.com.br/universidades-sao-alvo-de-acoes-de-censura-e-repressao-
as-vesperas-das-eleicoes/
http://www.esquerdadiario.com.br/Judiciario-censura-sindicatos-e-universidades-por-uma-
campanha-nacional-contra-os-ataques
https://acoluna.co/coluna-36-universidades-pelo-pais-sofrem-com-acao-acusada-de-censura/
● IFB – Há notícias genéricas sobre intervenções policiais e do TRE que obstaram a
liberdade de expressão do corpo discente e docente. Fonte jornalística:
https://www.revistaforum.com.br/universidades-sao-alvo-de-acoes-de-censura-e-repressao-
as-vesperas-das-eleicoes/
http://www.esquerdadiario.com.br/Judiciario-censura-sindicatos-e-universidades-por-uma-
campanha-nacional-contra-os-ataques
https://acoluna.co/coluna-36-universidades-pelo-pais-sofrem-com-acao-acusada-de-censura/
● UFFS (Fronteira Sul) – A assembleia da comunidade foi cancelada por liminar.
● UFRRJ (Seropédica) – Denúncia de estudantes gerou a ida de fiscais do TRE (não
identificados) para investigar se a Reitoria e a ADUR-RJ financiaram ônibus para o ato em
29 de setembro de 2018. Evento sobre Defesa da Democracia foi acompanhado por fiscais
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do TRE (identificados) para avaliar se havia campanha eleitoral no local. 83/110
● UENF – Invasão de sala de professor por milícia fascista que se identificou como “fiscais
do TRE”, o denuncismo levou a ida de fiscais do TRE para acompanhamento de plenária
das IES realizada na UENF.
09/10/2019 Anexo-Circ408-18.doc

PAUTA DE REIVINDICAÇÕES DOS DOCENTES DAS INSTITUIÇÕES FEDERAIS DE ENSINO –


CAMPANHA 2018

1. UNIVERSIDADE PÚBLICA E O TRABALHO DOCENTE

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a) garantia de que o caráter público da universidade, sua autonomia constitucional e a função


social da atividade docente sejam os elementos definidores das políticas de financiamento público e do
regramento das relações de trabalho;
b) garantia de financiamento público estável e suficiente para as Instituições Federais de Ensino
(IFE), assegurando incrementos compatíveis para a expansão com qualidade, tal como apresentado no
PNE da Sociedade Brasileira;
c) garantia das condições adequadas para que o exercício do trabalho docente se desenvolva
fundamentado no princípio da indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão, em busca do padrão
unitário de qualidade nacional;
d) garantia de carreira única para todos os docentes das IFE;
e) garantia de aposentadoria integral, de forma a assegurar a paridade entre ativos e aposentados,
resguardando o poder aquisitivo dos proventos, além de todos os direitos e vantagens percebidos quando
da aposentadoria;
f) garantia das condições para que as IFE cumpram a sua responsabilidade de oferecer educação
pública, gratuita, democrática, laica e de qualidade para todos, como direito social e dever do Estado,
combatendo todas as formas de precarização decorrentes das iniciativas que vêm sendo impostas;
g) garantia de que a contratação do corpo docente se dê unicamente pelo Regime Jurídico Único
via concursos públicos;
h) manutenção da estabilidade no emprego como regra nas IFE e nos serviços públicos;
i) garantia do princípio da isonomia salarial entre cargos públicos com funções, titulação e regime
de trabalho equivalentes;
j) garantia do caráter público e da função social das IFE, assim como sua desprivatização;
k) garantia de estatuto jurídico público para as IFE e seus órgãos complementares,
preferencialmente como autarquias de regime especial, assegurando a responsabilidade do Estado e a
autonomia universitária constitucional;
l) garantia de um sistema de avaliação institucional das IFE de caráter autônomo e democrático,
tendo como referência o projeto político acadêmico de cada instituição, resguardando-se o integral
financiamento público do sistema;
m) garantia de condições estruturais e acadêmicas que propiciem a universalização do acesso e
permanência dos estudantes às universidades públicas do país;

n) garantia da gratuidade, integralidade e universalidade das ações dos hospitais universitários


(HUs), com adoção de medidas contra sua mercantilização e privatização.
o) revogação das leis que criaram a EBSERH e as Organizações Sociais (OS) assim como a
anulação de todas as ações decorrentes de tais leis (contratualizações e criações de empresas)

2. AUTONOMIA, FINANCIAMENTO E VAGAS DOCENTES


a) cumprimento do preceito constitucional que dispõe recursos à manutenção e desenvolvimento do
ensino público, aplicando o índice nunca inferior a 18% previsto sobre a arrecadação líquida de
impostos, somando-se a arrecadação das contribuições, excluídas apenas as contribuições relativas à
previdência social e ao salário educação, e destinando no mínimo 75% desses recursos às IFE;
b) preenchimento dos cargos atualmente vagos e a criação de novos cargos, pelo RJU, em
dedicação exclusiva, para suprir as necessidades da política de expansão das IFE, com a realização
imediata de concursos públicos;
b.1) Autorizar a imediata realização de concursos públicos, com professores efetivos
preferencialmente em regime de dedicação exclusiva, e imediata contratação dos concursados;
b.2) assegurar a distribuição transparente dos cargos respeitando as necessidades definidas
autonomamente por cada IFE;
b.3) recompor o quadro docente das IFE considerando o déficit historicamente acumulado nas
últimas décadas; ou seja, além do número de vagas não repostas decorrentes de aposentadoria, de
invalidez, de morte e de demissões, considerar o crescimento proporcional do número de vagas e cursos
criados a partir do REUNI e o que está previsto para a sua respectiva consolidação;
c) contratação de professores substitutos, limitada às situações eventuais de excepcionalidade,
para suprir a falta de professor na carreira, por prazo determinado, decorrente de exoneração ou
demissão, falecimento, aposentadoria, afastamento para qualificação docente, licenças e afastamentos
previstos na Lei 8.112 – RJU;
c.1) assegurar que a ampliação do número de matrículas e criação de cursos sejam condicionadas à
ampliação do número de cargos docentes preferencialmente em regime de dedicação exclusiva, e técnico-
administrativos em educação, conforme projeção de necessidades definida de forma autônoma em cada
unidade acadêmica, com autorização de concursos efetivos, espaço físico e equipamentos adequados.
d) retirada do PLP nº 92/07, que autoriza o Poder Público a instituir, em várias áreas do serviço
36

público, as chamadas Fundações Estatais de Direito Privado, autorizando a venda de serviços que hoje se
constituem em direitos de cidadania sob responsabilidade do Estado;
e) manutenção da natureza jurídica dos HUs em autarquias públicas vinculadas ao MEC e às
universidades públicas, com financiamento viabilizado por meio de recursos públicos oriundos da
seguridade social, da ciência e tecnologia e da educação, de modo a garantir condições adequadas de
funcionamento, preservando as finalidades concomitantes de integrar-se à rede do SUS e suas atividades
de ensino, pesquisa e extensão;

chrome-extension://bpmcpldpdmajfigpchkicefoigmkfalc/views/app.html
f) autonomia de nomeação, pelas IFE, de seus procuradores jurídicos, com garantia de atuação 84/110
igualmente autônoma, sem subordinação administrativa à AGU;
g) prioridade do financiamento da educação pública em relação ao pagamento dos encargos da
dívida pública;
h)
09/10/2019 instituição de uma mesa de negociação para discutir o orçamento das IFE na perspectiva de
Anexo-Circ408-18.doc
estabelecer os quantitativos de suplementações necessárias ao orçamento de 2017, além das diretrizes e
montantes para a LDO e LOA de 2018, tendo como referência a garantia de orçamento global, mantendo-
se separadas as rubricas de Pessoal e OCC, de forma a que os recursos para OCC sejam de, no mínimo,
28% dos recursos destinados à despesa de pessoal e encargos em cada IFE, e mais 3% da soma dos
recursos de Pessoal e OCC para assistência estudantil, além dos recursos destinados à expansão e
fomento;
i) Conclusão imediata das obras e reforma de infraestrutura para atender a expansão precarizada
promovida pelo REUNI garantindo plenamente as atividades de ensino, pesquisa e extensão;
i.1) conclusão das obras com prazo de conclusão vencido já iniciadas nas IFE;
i.2) construção de salas de aula respeitando o limite de vagas ofertadas para o ingresso dos alunos
em cada curso;
i.3) construção dos laboratórios, clínicas, ambulatórios e demais espaços previstos nos projetos
políticos pedagógicos dos cursos, atendendo às normas de biossegurança;
i.4) adequação dos laboratórios, clínicas e ambulatórios já existentes às normas de biossegurança,
bem como adequação dos demais espaços previstos nos projetos políticos pedagógicos;
i.5) criação de restaurantes universitários que atendam à demanda da comunidade universitária,
definida em cada IFE e ligada às suas estruturas de gestão autônoma e democrática;
i.6) adequação de todas as estruturas físicas das IFE (já existentes, em construção, e a serem
construídas) às normas de acessibilidade vigentes no país;
i.7) realizar auditoria sobre o REUNI, avaliando as metas impostas de expansão de matrículas e a
contrapartida governamental no que concerne à ampliação de recursos humanos e instalações físicas;
i.8) Construção de moradias estudantis e/ou casa do estudante que garanta a permanência
estudantil nas IFE para toda a demanda existente dos estudantes
j) fim dos cortes no orçamento federal e ampliação do financiamento público para qualificação
dos serviços públicos;
k) afastar qualquer possibilidade de medidas que possam levar a contingenciamentos ou retenções
de verbas orçadas, exigindo regularidade no fluxo de liberação financeira;
l) manutenção dos saldos de exercício financeiro na instituição para execução no ano seguinte;
m) aplicação imediata de recursos públicos, da ordem de 1,5% do PIB, em ciência e tecnologia;
m.1) retirada de todos os dispositivos privatistas (parceria público privadas, inserção de empresas
privadas nas IFE etc) da pesquisa estabelecidos no Marco Legal de Ciência, Tecnologia e Inovação,

bem como a revogação da Lei 13.243/2016;


n) fixação de recursos, nos orçamentos das IFE, para o desenvolvimento das atividades de pesquisa
e extensão, com a definição democrática desses valores;
o) políticas de incentivo à pesquisa dos órgãos financiadores direcionadas às instituições públicas
federais de educação básica, técnica e tecnológica;
p) autonomia das universidades no que diz respeito aos instrumentos centralizados de gestão
administrativa e financeira do governo;
q) revogação da cobrança de taxas, a qualquer título, nas IFE;
r) desvinculação das IFE com as fundações privadas ditas de apoio, impedindo o estabelecimento
de convênios e ajustes para implementação de suas atividades fins, devendo para isso recuperar as suas
instâncias administrativas de infraestrutura e pessoal competente para tais tarefas;
s) remoção, respeitadas as regras de controle e transparência do uso do dinheiro público, das
dificuldades legais e entraves administrativos que dificultam o bom andamento do trabalho acadêmico e
administrativo das IFE, em especial a execução de projetos e convênios de interesse acadêmico da
instituição;
t) exigir, junto ao MEC, a realização de concursos para as vagas já existentes e a criação de novas
36

vagas para atender às demandas atuais dos Colégios de Aplicação;

3. DEMOCRATIZAÇÃO DAS INSTITUIÇÕES E DAS RELAÇÕES DE TRABALHO


a) escolha dos dirigentes pela comunidade universitária em eleições diretas, no mínimo paritárias;
b) respeito aos resultados dos processos eleitorais em que a comunidade universitária escolhe os
dirigentes das IFE, garantindo a sua homologação no âmbito da própria instituição;
c) definição democrática de critérios públicos para a distribuição interna de recursos e de cargos,
além de outras medidas de transparência na gestão;
d) condições equânimes de participação na vida acadêmico-institucional a todos os docentes,
inclusive os substitutos, os em estágio probatório e os dos campi descentralizados;
e) Que seja respeitada a decisão contrária a adesão à EBSERH, dos conselhos universitários, sem
prejuízos de destinação orçamentária;
f) assegurar o direito à livre manifestação política nas IFE;
g) garantia de liberação para o exercício de mandato classista, sem perda da remuneração e demais
direitos, mediante alteração do artigo 92 da Lei nº 8112/90 (RJU);
h) revogação imediata da Lei nº 9192/95, do Decreto nº 1916/96, que a regulamenta, e do
parágrafo único do artigo 59 da LDB – 9394/96, que ferem os preceitos constitucionais da democracia e
da autonomia universitária na escolha de dirigentes;
l) democratização das agências de fomento à pesquisa como CAPES, CNPq e FINEP.

4. CONDIÇÕES DE TRABALHO, CAPACITAÇÃO E SEGURIDADE


a) eliminação de todas as formas de precarização do trabalho docente, tais como: aumento da
relação professor/aluno e de horas em sala de aula, vinculação de parcela do salário ao cumprimento de
metas meritocráticas, posto que descaracterizam a carreira docente e prejudicam a qualidade do trabalho
docente;
b) impedimento de qualquer tipo de contrato precário de trabalho, assim como dos mecanismos que
impliquem a transferência de responsabilidades docentes para estudantes de pós-graduação, estagiários
ou técnico-administrativos;
c) nenhuma contratação via Organizações Sociais ou quaisquer outras formas de terceirização;
d) condições adequadas de funcionamento dos novos cursos, especialmente nos campi
descentralizados, para que a comunidade acadêmica possa desenvolver, com qualidade, seu trabalho,
que, em relação aos docentes, implica o respeito ao princípio da indissociabilidade entre ensino, pesquisa
e extensão;
e) ampliação da infraestrutura necessária à pesquisa nas IFE, incluindo laboratórios,
equipamentos, logística, pessoal e setores administrativos da própria instituição com capacidade de
gerenciamento eficiente de projetos e convênios;
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f) recuperação do preceito constitucional original de paridade e integralidade da aposentadoria; 85/110
g) eliminação do padrão do produtivismo científico que, além de reforçar uma competição
individualista, tem contribuído para a redução na qualidade da produção acadêmica;
h) eliminação, no sistema de avaliação acadêmica, de qualquer exigência do cumprimento de metas
burocrático-gerenciais;
09/10/2019 Anexo-Circ408-18.doc
i) reversão da crescente criminalização do direito de divergir, bem como combate à perseguição
àqueles que lutam em defesa da universidade pública, incluindo a não aplicação de quaisquer
mecanismos oriundos da ideologia fascista do Escola Sem Partido que fere a liberdade e autonomia
pedagógica;
j) combate ao assédio moral, causa crescente de doenças físicas e psíquicas dos docentes,
denunciando-o ao Ministério Público e às Delegacias do Trabalho;
k) controle dos fatores determinantes das condições de insalubridade, periculosidade, penosidade e
que representem qualquer tipo de risco à saúde dos docentes em suas atividades acadêmicas;
l) condições de funcionamento para as atividades acadêmicas noturnas idênticas àquelas
oferecidas durante os expedientes diurnos;
m) apoio oficial adequado à capacitação docente, tanto dos órgãos de fomento como da própria
IFE, o que envolve atualização do valor das bolsas de estudo e dos seus prazos de cobertura
n) Instituição para todas as carreiras do Magistério Federal, de forma efetiva e de acordo com a
demanda, um Programa Nacional de Capacitação docente que vise qualificar, em nível de pós- graduação
(mestrado e doutorado acadêmicos) os docentes de todas as áreas de conhecimento.

o) Que os sistemas de operacionalização acadêmica não sejam utilizados como ferramenta de


vigilância, controle e subnotificação do trabalho nas IFE.

36

5. CARREIRA ÚNICA
a) imediata abertura de negociações para a reestruturação da Carreira do Magistério Federal, em
vista que hoje a carreira docente foi substituída por tabelas remuneratórias que não expressam relações
condizentes com o trabalho e a vida docente nas IFE;
b) restauração dos direitos dos servidores públicos suprimidos do texto original da Lei nº 8112/90
(RJU);
c) extinção do mecanismo de gestão da força de trabalho docente através do banco de professor-
equivalente, dado seu caráter precarizador e fragmentador da categoria, a fim de garantir que todos os
professores efetivos nas IFE tenham direito ao regime de dedicação exclusiva.
d) paridade salarial entre ativos e aposentados;
e) isonomia de todos os benefícios entre os poderes;
f) retirada dos projetos do Congresso Nacional que atacam os direitos dos SPF e aprovação
imediata dos projetos de interesse dos SPF
g) incorporação de todas as gratificações produtivistas;
h) liberação de dirigentes sindicais, com ônus para o Estado, sem prejuízo das promoções e
progressões na carreira e demais direitos trabalhistas;

6. POLÍTICA SALARIAL
Estabelecimento de pontos comuns com os SPF:
a) revisão anual dos vencimentos dos servidores públicos, como preceitua a Constituição, em índice
no mínimo igual à desvalorização monetária, de acordo com o ICV DIEESE;
b) paridade salarial entre ativos e aposentados, inclusive em relação ao RSC;
c) política salarial permanente com correção das distorções e reposição das perdas inflacionárias;
d) estabelecimento de política salarial que recupere as perdas históricas;
e) reivindicar do governo a retomada do processo de discussão, a fim de definir as Diretrizes Gerais
para Planos de Carreira dos Servidores Públicos (DPC);
f) reconhecimento da data-base em 1º de maio;
g) restabelecimento dos anuênios;
h) pagamento imediato de todos os precatórios pendentes. Pontos da política salarial dos docentes
das IFE;
i) piso salarial para os docentes das IFE nos termos do artigo 7º, inciso 5º, combinado com o artigo
206, incisos 5º e 8º da Constituição Federal, no valor do salário-mínimo do DIEESE em 1º de

janeiro de 2016, para docente graduado em Regime de Trabalho de 20 h;


j) equivalência da remuneração e condições de trabalho dos professores substitutos com a dos
docentes efetivos com a mesma titulação e regime de trabalho;
k) manutenção dos valores destinados a cobrir as despesas de pessoal e encargos dos aposentados e
pensionistas com recursos do Tesouro Nacional, no orçamento e na folha de pagamentos da IFE de
origem. Esse pagamento não será incluído a título de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino;
l) reversão do confisco nos proventos de aposentadoria e pensão decorrentes da exigência de
contribuição dos aposentados e pensionistas à Previdência, bem como dos impactos decorrentes das Leis
nº 11.784/08, nº 12.772/12, nº 12.863/13 e nº 13.325/2016.
m) Revogação da MP 805/17 que aumenta a alíquota de contribuição previdenciária de servidores
público federais

7. PROPOSTA SALARIAL
a) incorporação de todas as gratificações ao vencimento, assegurando isonomia salarial pela
remuneração integral e uniforme do trabalho prestado pelo professor do mesmo nível da carreira, mesmo
regime de trabalho e mesma titulação;
b) piso remuneratório no valor de R$ 4.013,08, correspondente ao salário-mínimo do DIEESE em 1º
de janeiro de 2017, para docente graduado, em Regime de Trabalho de 20 h;
c) interstício de 5% entre os níveis da carreira;
d) remuneração integral e isonômica dos integrantes de mesmo nível da carreira, que unifique em
uma linha só no contracheque os percentuais correspondentes à titulação e regime de trabalho. Os
percentuais de acréscimos relativos à titulação serão: de 75% para doutor ou livre-docente; de 37,5%
para mestre; de 18% para especialização; de 7,5% para aperfeiçoamento. Tendo por base o regime 20
horas semanais, os percentuais de acréscimo relativo ao regime de trabalho serão: 100% para o regime de
40 horas; 210% para o regime de DE;
e) paridade e integralidade para os aposentados;
f) reposicionamento, de forma a resguardar a posição do docente em relação ao topo da carreira
na data da aposentadoria, e garantia dos direitos decorrentes da aplicação do artigo 192, da Lei nº
36

chrome-extension://bpmcpldpdmajfigpchkicefoigmkfalc/views/app.html 86/110
8.112/90 (RJU), aos docentes que se aposentaram até 1997 e aos seus pensionistas.
09/10/2019 Anexo-Circ408-18.doc
Brasília, 15 de março de 2018

TR – 18
O 38º CONGRESSO do ANDES-SN delibera:

A – NO ÂMBITO DOS SPF:


1. Mobilizar a categoria, com o(a)s demais servidore(a)s público(a)s, para dar continuidade à
luta contra os ataques à(o)s servidore(a)s e serviços públicos.
2. Fortalecer a unidade da classe trabalhadora, por meio da participação na Frente em Defesa
das Liberdades Democráticas para intensificar a luta pela revogação da Emenda
Constitucional 95, das contrarreformas trabalhista e previdenciária, da terceirização e pela
defesa dos serviços públicos.
3. Intensificar a luta contra a contrarreforma da previdência, estimulando e fortalecendo as
articulações com os sindicatos de outras categorias, entidades e movimentos sociais, buscando
estrategicamente formas de dialogar e contemplar os setores que estão na informalidade e com
o(a)s desempregado(a)s.
4. Construir a Campanha 2019 dos SPF de forma articulada com o FONASEFE e a CNESF,
a partir da definição dos eixos organizativos da pauta, de estratégias de ação e de calendário,
integrando e consolidando a unidade política de ação dos SPF.
5. Propor pauta da campanha unificada dos SPF para 2019 será apresentada no 38º
Congresso.
6. Que o ANDES-SN construa junto com o FONASEFE um percentual índice de
reivindicação de perdas salariais para o funcionalismo público federal.

B – NO ÂMBITO DAS IFES:


1. Dar continuidade à articulação das entidades de educação, SINASEFE, FASUBRA,
ANPG, UNE, FENET, UBES, dentre outras, em defesa da autonomia universitária e da
carreira docente.
2. Que as seções sindicais fortaleçam a formação de Comitês e Frentes em defesa das
liberdades democráticas.
3. Protocolar a pauta de reivindicações do setor da IFES no MEC e no Ministério do
Planejamento, Desenvolvimento e Gestão (MPDG).
4. Indicar que as seções sindicais e a comunicação do ANDES-SN invistam em peças
publicitárias em defesa da universidade pública.
5. Que as seções sindicais intensifiquem na base a divulgação da Comissão de Enfrentamento
à Perseguição e à Criminalização a Docentes.
6. Realizar no segundo semestre de 2019, em conjunto com o Setor IEES/IMES e GT-
Carreira e GTPE, Encontro Nacional do ANDES-SN sobre a Carreira EBTT e Ensino
Básico das Instituições Estaduais de Ensino Superior.

36

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36

TEXTO 19
Contribuição do(a)s sindicalizado(a)s: Andréia Moassab (SESUNILA); Giugliano
(SESUNILA); Francieli Rebelatto (SESUNILA); Rogério Carla Rabelo
(SESUNIPAMPA).

EDUCAÇÃO E INTEGRAÇÃO SOLIDÁRIA: OS DESAFIOS DA


UNILA E DA UNILAB EM TEMPOS DE ATAQUES AOS
DIREITOS HUMANOS

TEXTO DE APOIO

A educação é um dos direitos humanos fundamentais previstos desde 1948 no artigo 26


da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Décadas mais tarde as Nações Unidas
elaboraram o "Pacto Internacional sobre Direitos Econômicos, Sociais e Culturais" que
reza em seu 13o artigo que "A educação de nível superior deve igualmente tornar-se
acessível a todos, com base na capacidade de cada um, por todos os meios apropriados e,
principalmente, pela implementação progressiva do ensino gratuito". O pacto foi
ratificado pelo Brasil em junho de 1992.

A despeito disso, o que tem se visto no Brasil nos últimos anos é um ataque contínuo e
permanente à educação. Os tímidos avanços duramente conquistados nas últimas décadas
resultado de lutas históricas travadas pelo povo brasileiro têm sido a cada dia
desmontados. O projeto de lei intitulado “Escola sem partido”, a retirada das referências à
gênero e sexualidade dos Planos Nacionais de Educação com efeito cascata nos planos
estaduais e municipais, os contínuos cortes de verba - tema central desta mesa - que
inviabilizam a manutenção dos projetos existentes e a expansão e democratização do
ensino superior público e gratuito, a contrarreforma do ensino médio, para citar alguns
destes ataques, são as manifestações mais evidentes de uma repulsa generalizada à
educação nos últimos tempos. Na escalada do ódio da atual conjuntura do governo eleito,
a Universidade Federal da Integração Latino-Americana, a UNILA e a Universidade da
Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira, a UNILAB, se tornaram os alvos
preferidos do ataque do capital, do racismo e da xenofobia por parte da elite brasileira.

Num cenário como esse, é preciso afirmar o óbvio: a educação não é mercadoria, mas um
direito humano fundamental. Por isso, educadoras e educadores defendem historicamente
a educação pública, gratuita e de qualidade. Os cortes financeiros às universidades são um
ataque ao direito à educação e uma afronta aos tratados internacionais dos quais o Brasil é
signatário. Frente a um mundo onde se amplia o cenário de pobreza e desigualdade social,
os Direitos Humanos devem ser buscados a todo instante, sendo inadmissível a sua não
efetividade. A situação de miséria e de violência que assola o mundo exige cada vez mais
investimentos em educação e não o seu contrário, pois, como disse Paulo Freire certa vez,
a educação sozinha não muda o mundo, mas tampouco o mundo muda sozinho sem ela.
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Vale lembrar parlamentares e representantes do Brasil em órgãos como a UNESCO, que
guiaram o debate sobre educação no país, Anísio Teixeira e Darcy Ribeiro. O baiano
Anísio Teixeira foi árduo defensor do ensino público, gratuito, laico e obrigatório, o que
09/10/2019 Anexo-Circ408-18.doc
provavelmente lhe custou a vida em tempos sombrios da história deste país. Anísio
36

Teixeira, ao lado do senador e também educador Darcy Ribeiro, foi um dos fundadores da
Universidade de Brasília.

A Universidade de Brasília foi fundada com a promessa de reinventar a educação


superior, entrelaçar as diversas formas de saber e formar profissionais engajados na
transformação do país, projeto do qual a UNILA é tributária. Se a UNB foi criada com o
intuito de integrar as distintas regiões do país, apostando na diversidade regional como seu
grande potencial científico, a UNILA e a UNILAB, numa versão renovada e apropriada
para o século XXI, apostam na integração internacional como a sua maior riqueza
acadêmica.

Ainda, as ideias do senador Darcy Ribeiro sobre identidade latino-americana


influenciaram vários estudiosos e estudiosas do mundo todo, inspirando reformas
universitárias no Chile, Peru, Venezuela, México e Uruguai. Anísio Teixeira e Darcy
Ribeiro sempre atrelaram a educação à democracia, sendo esta última impossível sem
aquela. Atacar a educação é, portanto, atacar a democracia.
O mesmo Darcy Ribeiro, nos anos 70, dizia “Educação não é crise, é um projeto”. Foi
exatamente a luta docente liderada pelo ANDES-Sindicato Nacional juntamente com as
lutas dos setores populares, as responsáveis em retardar o projeto de feroz privatização da
educação, já em curso naquela ocasião, com vistas a transformá-la numa mercadoria de
acesso restrito, numa ferramenta da manutenção de privilégios. Os ataques à educação
que vimos assistindo é uma retomada violenta daquele projeto denunciado pelo antigo
parlamentar e educador.

É neste cenário que se inseriu a Emenda Aditiva do deputado Sérgio Souza (PMDB/PR),
de 2017, que determinava a extinção da UNILA, num artifício antidemocrático das
chamadas “emendas jabutis”. Acreditamos que outras medidas e subterfúgios dessa
natureza eclodirão no cenário atual, pelo que clamamos ao ANDES-Sindicato Nacional a
defesa dos projetos de educação voltados para a integração solidária dos povos, como é o
caso da UNILA com a América Latina e Caribe e, a UNILAB com os países africanos de
língua portuguesa e Timor Leste. Ademais, ambas universidades representam imensos
avanços para a integração regional no país, com forte atuação na região da fronteira
trinacional com o oeste do Paraná, no caso da UNILA, e no interior do nordeste, no caso
da UNILAB.

Transformar a UNILA em universidade do “Brasil para brasileiros”, como advogava o


deputado sem quaisquer pudores, é uma afirmação profundamente racista. Tal discurso é
estrategicamente seletivo, na medida em que não é acionado contra imigrantes brancos
vindos da Europa ou dos Estados Unidos. Ao desconfigurar o caráter internacionalista da
UNILA, a emenda aditiva esquece-se deliberadamente do preceito constitucional a favor
da integração entre os países latino-americanos, inscrito no parágrafo único do Artigo 4 da
Carta de 1988: “A República Federativa do Brasil buscará a integração econômica,
política, social e cultural dos povos da América Latina, visando à formação de uma
comunidade latino-americana de nações.” A criação de uma universidade da integração
latino-americana, portanto, no plano cultural e científico, é a concretização da carta
magna.

Na última década observou-se o maior crescimento do ensino superior público no Brasil,


desde a época de Juscelino Kubitschek. Foram criadas mais de 18 novas universidades e
36

viabilizados outros 173 novos campi, majoritariamente no interior do país. Foi o maior
crescimento das universidades públicas do Brasil. No entanto, as universidades em risco
iminente de fechar as portas desde o Golpe são estes dois projetos de integração. A
autonomia universitária na produção de conhecimento sempre incomoda aqueles
interessados na manutenção das estruturas de poder. O pensamento crítico nunca é bem-
vindo quando privilégios de uma elite são questionados. A extinção, desmonte ou
desvirtuamento de universidades como a UNILA e a UNILAB representam uma afronta
aos avanços nos debates internacionais sobre direitos, autonomia e autodeterminação dos
povos, respeito à diversidade, justiça social e radicalização da democracia. É um
silenciamento brutal da luta por um mundo melhor.
Finalmente, importa relatar que a comunidade acadêmica da UNILA se organizou no
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movimento UNILA RESISTE, que tem feito diversas ações em defesa da nossa
instituição. De igual modo diversas entidades locais, nacionais e internacionais, desde as
ameaças de 2017, têm manifestado publicamente a defesa da nossa universidade
conforme previsto na sua lei de criação, a lei federal 12.189 de 2010,
09/10/2019 aprovada por
Anexo-Circ408-18.doc
unanimidade neste congresso nacional.

Clamamos, portanto, juntos ao ANDES/SN a defesa contundente de vida longa à UNILA


e à UNILAB como propostas inovadoras e necessárias em favor da autonomia
universitária, ao ensino público, gratuito e de qualidade, e da integração solidária dos
povos.

TR - 19
O 38º CONGRESSO do ANDES-SN delibera:

1. Que O ANDES/SN reconheça a importância das universidades voltadas para a


integração internacional como a UNILA e a UNILAB inserindo na sua agenda a luta pela
manutenção desses projetos conforme aprovado pelo Congresso Nacional.

2. Que seja criado no ANDES/SN o GT de Fronteira e Integração, com vistas a reunir as


demais instituições fronteiriças e as universidades temáticas, em favor de debater suas
especificidades tais como a realização facilitada de projetos de ensino, pesquisa e extensão
nos países e municípios vizinhos, a possibilidade de emissão de documentos bilíngues, a
validação facilitada de diplomas de alunos/as e docentes vindos/as países vizinhos e/ou
integrantes do escopo de ação da universidade, entre outras questões.

36

TEMA IV – QUESTÕES ORGANIZATIVAS E


FINANCEIRAS

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36

TEXTO 20
Diretoria do ANDES-SN

ALTERAÇÕES NO ESTATUTO DO ANDES-SN

TEXTO DE APOIO

A diretoria do ANDES-SN está propondo um conjunto de alterações


estatutárias visando, por um lado, corrigir erros de digitação que geram dupla
interpretação, incluir flexão de gênero, realizar ajustes para eliminar as possíveis
interpretações dúbias, e, por outro, incluir algumas alterações com o objetivo de regular as
práticas existentes no cotidiano das seções sindicais e também para adequar o estatuto às
práticas dos eventos nacionais.
Há ainda outro elemento importante a se considerar no conjunto de
propostas de alteração estatutária apresentado pela diretoria nacional do ANDES-SN, que
são as constantes exigências realizadas pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) no
momento de registro da ata de posse da diretoria e de atualização dos “Dados Perenes” do
Sindicato Nacional junto ao referido Ministério.
Muito tem nos preocupado as novas e constantes exigências feitas pelo
MTE. Em 2018, levamos cerca de seis meses para ter a ata de posse da nova diretoria
reconhecida pelo setor de registro sindical. Umas das exigências era que todo(a)s o(a)s 83
diretore(a)s deveriam assinar a ata de posse e ter firma reconhecida. Conseguimos, via
atuação da Assessoria Jurídica Nacional (AJN), reverter a situação, que levou meses.
Diante dos possíveis ataques que se anunciam com o novo governo, que,
dentre outras coisas, chegou a propor o fim do MTE, bem como considerando a proposta
da bancada evangélica para o novo governo de passar a Secretaria de Registro Sindical
para o intitulado “super” Ministério da Justiça, a ser conduzido pelo juiz Sérgio Moro,
avaliamos ser necessário realizar todos os ajustes que adequem o atual estatuto às práticas
já em uso no Sindicato, minimizando o risco de ataques.

TR – 20
O 38º CONGRESSO do ANDES-SN aprova as seguintes alterações no Estatuto do
ANDES-SN:

1. Fazer a flexão de gênero em todo o estatuto, adequando-o aos debates em curso no


sindicato;
2. Alterar o Artigo 1º:
Onde se lê:
Art. 1º. A Associação Nacional dos Docentes do Ensino Superior - ANDES, criada
originalmente pelo Congresso Nacional dos Docentes Universitários, a 19 de fevereiro de
1981, em Campinas, Estado de São Paulo, como pessoa jurídica de direito privado, com
natureza e fins não lucrativos e duração indeterminada, constituiu-se em Sindicato
Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior, a partir do II CONGRESSO
Extraordinário, realizado de 25 a 27 de novembro de 1988, na cidade do Rio de Janeiro,

36

Estado do Rio de Janeiro, para fins de defesa e representação legal dos docentes, sejam
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estes da educação básica ou da educação superior e respectivas modalidades, das 91/110
Instituições de Ensino Superior - IES, públicas e privadas, por prazo indeterminado, com
a denominação de ANDES-SINDICATO NACIONAL.
Leia-se:
09/10/2019 Anexo-Circ408-18.doc
Art. 1º. A Associação Nacional dos Docentes do Ensino Superior - ANDES, criada
originalmente pelo Congresso Nacional dos Docentes Universitários, a 19 de
fevereiro de 1981, em Campinas, Estado de São Paulo, como pessoa jurídica de
direito privado, com natureza e fins não lucrativos e duração indeterminada,
constituiu-se em Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino
Superior, a partir do II CONGRESSO Extraordinário, realizado de 25 a 27 de
novembro de 1988, na cidade do Rio de Janeiro, Estado do Rio de Janeiro, para
fins de defesa e representação legal do(a)s docentes, sejam este(a)s da educação
básica ou da educação superior e respectivas modalidades das Instituições de
Ensino Superior - IES, públicas e privadas, por prazo indeterminado, com a
denominação de ANDES-SINDICATO NACIONAL.
Justificativa: Retirada de vírgula (“e respectivas modalidades, das Instituições de Ensino
Superior – IES...”) para aprimorar a redação.

3. Alterar o parágrafo único do Artigo 1º.


Onde se lê:
Parágrafo único. Incluem-se, entre as Instituições de Ensino Superior, os Centros de
Educação Tecnológica.
Leia-se:
Parágrafo único. Incluem-se, entre as Instituições de Ensino Superior, aquelas
pertencentes à Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica e
congêneres em nível distrital, estadual e municipal.
Justificativa: Apesar de o ANDES-SN já possuir seções sindicais de instituições
pertencentes a essa Rede, em especial nos IFET, a redação estatutária atual não contempla
essa possibilidade.

4. Alterar o artigo 11 do Título II – Dos Sindicalizados, seus Direitos e Deveres.


Onde se lê:
Parágrafo único. As sanções são de advertência, suspensão e exclusão, sendo as duas
primeiras aplicáveis pelo CONAD e a última exclusivamente pelo CONGRESSO,
garantido sempre o amplo direito de defesa.
Leia-se:
Parágrafo único. As sanções são de advertência, suspensão e exclusão, sendo
aplicáveis pelas S.SIND, cabendo ao CONAD e ao CONGRESSO, respeitadas as
competências estatutárias, analisar os recursos interpostos dessas decisões,
garantido sempre o amplo direito de defesa e contraditório.
Justificativa: Compatibilizar esse dispositivo com as competências do CONGRESSO e
do CONAD previstas nos artigos 15, II e III e 23, VIII.

36

5. Alterar o parágrafo único do artigo 13 do Título III - Da estrutura organizativa do


ANDES-Sindicato Nacional.
Onde se lê:
Parágrafo único. É vedado o voto por procuração nas instâncias de deliberação do
SINDICATO NACIONAL e de suas SEÇÕES SINDICAIS ou AD-SEÇÕES
SINDICAIS.
Leia-se:
Parágrafo único. É vedado o voto por procuração ou não presencial nas instâncias
de deliberação do SINDICATO NACIONAL e de suas SEÇÕES SINDICAIS ou
AD-SEÇÕES SINDICAIS.
Justificativa: Assegurar que as deliberações sejam sempre tomadas com a presença
do(a)s filiado(a)s.

6. Alterar o inciso II do artigo 16 do CAPÍTULO I - Do Congresso do ANDES -


Sindicato Nacional.
Onde se lê:
II - por delegado(a)s de base de cada S.SIND ou AD-S.SIND indicado(a)s em sistema de
proporcionalidade fixado pelo § 1º do art. 17
Leia-se:
II - por delegado(a)s de base de cada S.SIND ou AD-S.SIND, eleito(a)s em
assembleia geral no sistema de proporcionalidade fixado pelo § 1º do art. 17
Justificativa: Deixar explícita que a forma de escolha do(a)s delegado(a)s é por
intermédio de eleição na assembleia geral da seção sindical.
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7. Incluir parágrafo segundo no inciso V do artigo 16 do CAPÍTULO I - Do Congresso
do ANDES - Sindicato Nacional.
09/10/2019 Anexo-Circ408-18.doc
Parágrafo - § 2º. Na representação do(a)s filiado(a)s diretamente às Secretarias
Regionais só será permitida a eleição de 1 (um/uma) observador(a) por regional.
Justificativa: Limitar os custos do rateio das despesas do Congresso.

8. Alterar o artigo 18 do CAPÍTULO I - Do Congresso do ANDES-Sindicato Nacional.


Onde se lê:
I - ordinariamente, uma vez por ano, entre o mês de janeiro e a primeira quinzena do mês
de março, em data e local fixado pelo CONGRESSO anterior.
Leia-se: I - ordinariamente, uma vez por ano, entre o mês de janeiro e a primeira
quinzena do mês de março, em local fixado pelo CONGRESSO anterior.
Justificativa: Adequar o texto, pois já costumeiramente a data é fixada pela
DIRETORIA.

9. Alterar o artigo 19 do CAPÍTULO I - Do Congresso do ANDES-Sindicato Nacional.


Onde se Lê:
Art. 19. Por ocasião da convocação do CONGRESSO, a DIRETORIA deverá
apresentar proposta de pauta e de cronograma de atividades.
Leia-se: Art. 19. Por ocasião da convocação do CONGRESSO, a DIRETORIA

36

deverá apresentar data, proposta de pauta e de cronograma de atividades.


Justificativa: Em consonância com a proposta de alteração do artigo 18, I, estabelecer a
atribuição da Diretoria para fixar a data do CONGRESSO.

10. Alterar o artigo 20 do CAPÍTULO I - Do Congresso do ANDES - Sindicato


Nacional.
Onde se lê:
Art. 20. O quorum de funcionamento de cada plenária é de mais de 50% (cinquenta por
cento) dos delegados inscritos no CONGRESSO
Leia-se: Art. 20. O quórum de instalação de cada plenária é de mais de 50%
(cinquenta por cento) do(a)s delegado(a)s inscrito(a)s no CONGRESSO
Justificativa: Otimizar os trabalhos do CONGRESSO, assegurando um maior tempo
para os debates.

11. Excluir o parágrafo único do artigo 24 do CAPÍTULO II - Do Conselho do


ANDES - Sindicato Nacional.
EXCLUIR: Parágrafo único. Essas deliberações não podem contrariar decisões tomadas
em CONGRESSOS anteriores.
Justificativa: Sugere-se a exclusão do parágrafo único, tendo em vista que o mesmo se
apresenta como um limitador para que, em situações excepcionais e de urgência, o
CONAD possa rever posicionamento anteriormente aprovado no CONGRESSO.
Ressaltamos que na eventualidade dessa hipótese, o caput do artigo garante que a decisão
deverá ser referendada no CONGRESSO seguinte.

12. Alterar o inciso III do artigo 25 do CAPÍTULO II - Do Conselho do ANDES-


Sindicato Nacional.
Onde se lê:
III - por observadore(a)s de base das S.SIND ou AD-S.SIND e Secretarias Regionais,
com direito a voz
Leia-se: III - por observadore(a)s de base das S.SIND ou AD-S.SIND e do(a)s
sindicalizado(a) diretamente nas Secretarias Regionais, com direito a voz.
Justificativa: Explicitar que o(a) observador(a) do inciso III do artigo 25 é aquele(a)
eleito(a) pelo(a)s sindicalizado(a)s diretamente nas Regionais.

13. Alterar o parágrafo IV do artigo 25 do CAPÍTULO II - Conselho do ANDES -


Sindicato Nacional.
Onde se lê:
IV – pelos demais membros em exercício na DIRETORIA (art. 32, I, II, III e IV),
excetuados aqueles cujo âmbito de competência e atuação limita-se à área de sua Regional
(art. 32, V) dele participam com direito a voz.
Leia-se: IV – pelos demais membros em exercício na DIRETORIA (art. 32, I, II, III
e IV), exceto aqueles cujo âmbito de competência e atuação limita-se à área de sua
Regional (art. 32, V), com direito a voz.
Justificativa: Aprimorar a redação, com inclusão de vírgula ao final, pois a redação
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09/10/2019 Anexo-Circ408-18.doc

original dava margem a uma interpretação de que o(a)s diretore(a)s mencionado(a)s no


artigo 32, V, teriam direito a voz no CONGRESSO.

14. Alterar o parágrafo I do artigo 26 do CAPÍTULO II- Conselho do ANDES -


Sindicato Nacional.
Onde se lê:
I - ordinariamente, uma vez por ano, entre os meses de junho e agosto, em data e local
fixados pelo CONAD anterior.
Leia-se: I - ordinariamente, uma vez por ano, entre os meses de junho e agosto, em
local fixado pelo CONAD anterior.
Justificativa: Adequar o texto, pois já costumeiramente a data é fixada pela
DIRETORIA.

15. Alterar o artigo 27 do CAPÍTULO II - Conselho do ANDES-Sindicato Nacional.


Onde se lê:
Art. 27. Por ocasião da convocação do CONAD, a DIRETORIA deverá apresentar
proposta de pauta e de cronograma de atividades.
Leia-se: Art. 27. Por ocasião da convocação do CONAD, a DIRETORIA deverá
apresentar proposta de data, pauta e de cronograma de atividades.
Justificativa: Em consonância com a proposta de alteração do artigo 26, I, estabelecer a
atribuição da Diretoria para fixar a data do CONAD.

16. Alterar o parágrafo II do artigo 35 do CAPÍTULO III – Da diretoria do ANDES-SN.


Onde se lê:
II - abrir, instalar e presidir o CONGRESSO, o CONAD e as reuniões de DIRETORIA.
Leia-se: II – convocar, abrir, instalar e presidir o CONGRESSO, o CONAD e as
reuniões de DIRETORIA.
Justificativa: Incluir, como já costumeiramente é feito, a competência do(a) Presidente de
convocar o CONGRESSO, CONAD e Diretoria.

17. Alterar a letra b) do parágrafo VIII do artigo 41 do CAPÍTULO III- Da diretoria do


ANDES-SN
Onde se lê:
b) escolha de delegado(s) (arts. 16, II, e 25, I).
Leia-se: b) escolha de delegado(a)(s) (arts. 16, II, e 25, I), excluída a possibilidade de
eleição de observadore(a)s.

Justificativa: Explicitar que esse parágrafo disciplina apenas a eleição de delegado(a)s,


evitando dupla interpretação. Disciplinar que essa situação excepcional, restringindo a
indicação de observadore(a)s, evitando onerar os gastos do ANDES-SN com a realização
dos CONGRESSOS e CONAD.

18. Alterar o artigo 42 do CAPÍTULO III- Da diretoria do ANDES-SN.


Onde se lê:

36

Art. 42. Qualquer membro da DIRETORIA pode ser destituído em CONGRESSO


convocado especificamente para este fim, observado o disposto no art. 21, § 1º, III, o
mesmo se aplicando à DIRETORIA coletivamente.
Leia-se: Art. 42. Qualquer membro da DIRETORIA pode ser destituído em
CONGRESSO convocado especificamente para este fim, observado o disposto no
art. 21, § 1º, o mesmo se aplicando à DIRETORIA coletivamente.
Justificativa: Exclusão da menção ao inciso III, visto que, além de inexistente no § 1º, no
§ 2º, trata da dissolução do ANDES-SN, portanto inaplicável ao tema da destituição de
membro da DIRETORIA.

19. Alterar o parágrafo III do artigo 47 do CAPÍTULO IV - das Seções Sindicais ou AD-
seções sindicais.
Onde se lê:
III - fixar a contribuição financeira dos sindicalizados de sua jurisdição territorial destinada
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ao seu custeio nos termos do seu regimento.
Leia se: III fixar a contribuição financeira do(a)s sindicalizado(a)s de sua
jurisdição territorial destinada ao seu custeio nos termos do seu regimento,
09/10/2019
respeitadas as disposições do artigo 75, deste Estatuto. Anexo-Circ408-18.doc
Justificativa: Incluir menção ao artigo 75, do Estatuto, que estabelece a política de
contribuição do ANDES-SN.

20. Alterar os parágrafos I e III do artigo 48 do CAPÍTULO IV - das Seções Sindicais ou


AD-seções sindicais.
20.1. Onde se lê:
I – para a constituição de seções sindicais ou AD-seções sindicais, a jurisdição territorial
compreenderá uma instituição de ensino superior.
Leia-se: I – para a constituição de S.SIND ou AD-seções sindicais, a jurisdição
territorial compreenderá uma instituição de ensino superior, excetuadas as IES que
possuem campi em mais de um município, hipótese em que será possível a criação de
outra S.SIND na mesma IES, desde que estabelecidas em municípios distintos.
Justificativa: Regular as diferentes seções sindicais da mesma instituição, ou seja, nos
casos de multicampia.
20.2. Onde se lê:
III – não poderá haver duplicidade de jurisdição territorial de qualquer seção sindical em
relação a qualquer IES, nem duplicidade de sindicalização no âmbito de qualquer IES.
Leia-se: III – não poderá haver duplicidade de jurisdição territorial de qualquer
seção sindical em relação a qualquer IES, excetuada a hipótese prevista no inciso I
deste artigo, não sendo admitida duplicidade de sindicalização no âmbito de
qualquer IES.
Justificativa: Adequar a redação em relação ao que foi estabelecido no inciso I deste
artigo.

21. Alterar o inciso 1º do artigo 54 do Título IV – Das Eleições.


Onde se lê:

36

§ 1º. Durante o CONGRESSO, o registro de chapa(s) é procedido mediante a


apresentação de manifesto e dos candidatos a Presidente, Secretário-Geral e Primeiro-
Tesoureiro.
Leia-se: § 1º. Durante o CONGRESSO, o registro de chapa(s) é procedido mediante
a apresentação de manifesto e dos nomes do(a)s candidato(a)s a Presidente,
Secretário(a)-Geral e Primeiro(a)-Tesoureiro(a).
Justificativa: Tendo em vista episódio recente, retirar a obrigatoriedade da presença
do(a)s candidato(a)s durante a apresentação da chapa no CONGRESSO.

22. Alterar o artigo 55 do Título IV – Das Eleições.


Onde se lê:
Art. 55. É proclamada eleita a chapa que obtiver maior número de votos, sendo
empossada como DIRETORIA eleita num prazo de até quarenta e cinco (45) dias após a
data da realização das eleições, durante o CONAD.
Leia-se: Art. 55. É proclamada eleita a chapa que obtiver maior número de votos,
sendo empossados num prazo de até quarenta e cinco (45) dias após a data da
realização das eleições, durante o CONAD, os membros da DIRETORIA previstos
no artigo 32, I, II, III e IV. Os demais membros previstos no artigo 32, V, serão
empossados perante as Secretarias Regionais no prazo de 30 (trinta) dias após a
realização do CONAD.
Justificativa: Evitar problemas, como o ocorrido neste ano, em que o Ministério do
Trabalho exigiu a assinatura de todos os membros da Diretoria na ata de posse, para
efetivar a atualização dos Dados Perenes.

23. Excluir o parágrafo único do artigo 75 das Disposições Transitórias.


Parágrafo único. As AD às quais se refere o caput deste artigo deverão, para se
constituírem em AD-Seções Sindicais, até o trigésimo oitavo (38º) CONGRESSO,
aprovar seus regimentos e encaminhar à DIRETORIA as atas das assembleias gerais
convocadas especificamente para este fim, juntamente com a comprovação de ampla
divulgação prévia, inclusive em órgão de imprensa oficial ou de grande circulação local
com, no mínimo, 72 (setenta e duas) horas de antecedência (art. 45), para homologação
no CONAD, ad referendum do CONGRESSO (art. 23, XI), ou no CONGRESSO (art.
15, VI).
Justificativa: Evitar a necessidade de alteração desse dispositivo a cada novo
CONGRESSO.
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24. Alterar o artigo 78 e os incisos 1, 2, 3 e 4 do Título VIII – Disposições Transitórias.
24.1. Onde se lê:
Art. 78. Poderão filiar-se ao ANDES-SINDICATO NACIONAL Anexo-Circ408-18.doc
09/10/2019 as Associações de
Docentes de Instituições de Ensino Superior constituídas com estatuto próprio, cuja
finalidade seja a promoção e a defesa da qualidade de vida, de trabalho, dos interesses
sociais e culturais de seus associados.
Leia-se: Art. 78. Excepcionalmente, poderão filiar-se ao ANDES-SINDICATO
NACIONAL as entidades de representação do(a)s docentes das instituições de

36

ensino superior constituídas com estatuto próprio, cuja finalidade seja a promoção e
a defesa da qualidade de vida, de trabalho, dos interesses sociais e culturais de
seus(suas) associado(a)s.
Justificativa: Ampliar o espectro de entidades que podem se filiar ao ANDES-SN, mas
deixando expresso que se trata de situação excepcional.
24.2. Onde se lê:
§1º O pedido de filiação da Associação de Docentes ao ANDES-SINDICATO
NACIONAL deve ser examinado pela DIRETORIA, que o encaminhará ao
CONGRESSO a fim de que seja apreciado para homologação.
Leia-se: § 1º O pedido de filiação ao ANDES-SINDICATO NACIONAL deve ser
examinado pela DIRETORIA, que analisará o caso concreto e o encaminhará ao
CONGRESSO a fim de que seja apreciado para homologação.
Justificativa: Compatibilizar o texto com a alteração do caput do artigo.
24.3. Onde se lê:
§2º Os deveres e direitos dos docentes, pertencentes às Associações de Docentes filiadas,
estão previstos no Título II deste Estatuto.
Leia-se: § 2° Os deveres e direitos do(a)s docentes, pertencentes às entidades filiadas,
estão previstos no Título II deste Estatuto.
Justificativa: Compatibilizar o texto com a alteração do caput do artigo.
24.4. Onde se lê:
§3º As Associações de Docentes e seus associados poderão participar de todas as
instâncias e eleições do ANDES-SINDICATO NACIONAL, conforme definição geral
deste Estatuto.
Leia-se: § 3° As entidades e seus(suas) filiado(a)s poderão participar de todas as
instâncias e eleições do ANDES-SINDICATO NACIONAL, conforme definição
geral deste Estatuto, porém não se constituindo para todos os efeitos em S.SIND.
Justificativa: Compatibilizar o texto com a alteração do caput do artigo, mas deixando
expresso que não se constituíram em S.SIND.
24.5. Onde se lê:
§4º As Associações de Docentes filiadas deverão repassar, mensalmente, 20% da
contribuição de seus associados ao ANDES-SINDICATO NACIONAL.
Passa-se a ler: § 4° As entidades filiadas deverão repassar, mensalmente, 20% da
contribuição de seus(suas) filiado(a)s ao ANDES-SINDICATO NACIONAL.
Justificativa: Compatibilizar o texto com a alteração do caput do artigo.

TEXTO 21
Diretoria do ANDES-SN

FUNDO ÚNICO – FUNDO NACIONAL DE SOLIDARIEDADE,


36

MOBILIZAÇÃO E GREVE DO ANDES-SN

TEXTO DE APOIO

O Fundo Único, denominado Fundo Nacional de Solidariedade,


chrome-extension://bpmcpldpdmajfigpchkicefoigmkfalc/views/app.html 96/110
Mobilização e Greve do ANDES-SN, foi criado no 32º Congresso, realizado no Rio de
Janeiro, em março de 2013. É mantido pela destinação de 2% (dois por cento) da receita
integral das contribuições mensais do(a)s sindicalizado(a)s, relativamente às parcelas
09/10/2019 Anexo-Circ408-18.doc
correspondentes a cada seção sindical e à tesouraria nacional. Nessa premissa, cada seção
sindical destina 2% de suas arrecadações líquidas mensais (arrecadação total menos
repasse à tesouraria nacional) ao fundo, e a tesouraria nacional destina 2% de sua receita
mensal de contribuições ao fundo.
O 61º CONAD (Boa Vista/2016) alterou os critérios para utilização do
fundo único a partir da delegação do 35º Congresso (Curitiba/2016). A nova resolução
prevê, no artigo primeiro, que “As solicitações de apoio financeiro das seções sindicais
com dificuldades financeiras para despesas com greves e mobilizações devem ser feitas,
por escrito, à Tesouraria do ANDES-SN, informando as Secretarias Regionais,
justificando os motivos do pedido e os usos a que se destinam e a planilha financeira
explicitando as despesas”.
O valor total disponibilizado pela Diretoria do ANDES-SN corresponderá
a 60% do saldo bancário do Fundo Único em 1º de janeiro de cada ano, distribuídos nos
seguintes montantes: até 20% para Solidariedade, até 40% para a Mobilização e até 60%
para Greve.
No ano de 2018, o Fundo Único foi utilizado, na parcela relativa à
mobilização, para realização de várias das jornadas de lutas. No mês de fevereiro: no dia
19, Dia Nacional de Greves, Paralisações e Mobilizações. Em março: dia 8, Dia
Internacional de Lutas da Mulher Trabalhadora; dia 28, Dia Nacional de Lutas dos
Estudantes Brasileiros. Em maio, dia do trabalhador. Em junho, dias 19 e 20, Marcha
Brasília em Defesa dos Serviços Públicos, pela revogação da EC/95 e data base já para
todo o funcionalismo; e ato no STF. Em agosto, dia 3, Marcha em Defesa da Vida das
Mulheres.
Essas atividades de mobilização permitiram ao ANDES-SN contribuir
com o conjunto das entidades, seções sindicais e com a CSP-Conlutas, no esforço de
trazer a Brasília várias caravanas de estudantes, professore(a)s e de movimentos populares
organizados.
Além dessas despesas, convocamos a Comissão Nacional de Mobilização
por algumas semanas e repassamos recurso para implantação de novas seções sindicais e
ajuda para outras seções com dificuldades financeiras.
O Fundo contribuiu, ainda, com o movimento das IEES do Ceará, Rio
Grande do Norte, Pará e Piauí, que entraram em greve ou passaram por dificuldades
financeiras em 2018, como também algumas seções do setor das federais.
O 37º Congresso autorizou a diretoria do ANDES-SN a ordenar despesas
para garantir o custeio das atividades de mobilização, campanhas, marchas e eventos,

36

reconhecidas como centrais na luta do Sindicato, no limite de 800 mil reais da


parcela referente à mobilização para 2018. Na mesma resolução, também autorizou o 61º
CONAD a apreciar e deliberar sobre os custeios de mobilização e de luta para o segundo
semestre de 2018. Neste sentido, estamos corrigindo o valor de 800 para 900 mil no ano
vindouro (2019), em razão da perspectiva de mais ataques patrocinados pelo governo
eleito.
Tomando como referência a data de 13 de novembro de 2018, o Fundo
Único apresenta um saldo de R$ 7.409.567,21. Nesse balanço preliminar, podemos
afirmar que o aporte financeiro mensal, proveniente da contribuição das seções sindicais e
do ANDES-SN, estabelecido pelo 32º Congresso, está sendo suficiente para a
manutenção do Fundo Único e cumprimento das ações previstas para o seu uso.

TR – 21
O 38º CONGRESSO do ANDES-SN delibera:

1. Autorizar a diretoria do ANDES-SN a ordenar despesas para garantir o custeio das


atividades de mobilização, campanhas, marchas e eventos definidos pelo 38º Congresso,
como centrais na luta do Sindicato, no limite de 900 mil reais da parcela referente à
mobilização.
2. Autorizar o 64º CONAD a apreciar e deliberar sobre os custeios de mobilização e de
luta para o segundo semestre de 2019.
3. Autorizar as seções sindicais do setor das IEES/IMES em dificuldades financeiras, que
entrarem em greve no ano de 2019, a suspender a contribuição para o Fundo Único,
enquanto durar o movimento paredista.
4. Autorizar a diretoria do ANDES-SN a disponibilizar recursos da parcela de
mobilização do Fundo Único Nacional de Solidariedade, Mobilização e Greve para
chrome-extension://bpmcpldpdmajfigpchkicefoigmkfalc/views/app.html 97/110
ajudar nas ações políticas e organizativas de novas seções sindicais pelo prazo de um ano,
a partir de sua homologação, tempo para que consigam viabilizar a autossustentação e a
regularização das receitas por meio da contribuição do(a)s sindicalizado(a)s,
09/10/2019 mantendo-se
Anexo-Circ408-18.doc
válidas as demais resoluções pertinentes definidas pelo 58º CONAD.

TEXTO 22
Diretoria do ANDES-SN

HOMOLOGAÇÕES DE SEÇÕES SINDICAIS: CONSTITUIÇÃO,


REORGANIZAÇÃO E ALTERAÇÃO REGIMENTAL

TEXTO DE APOIO
36

A Diretoria Nacional do ANDES-SN, cumprindo as suas atribuições


estatutárias e dando sequência ao processo de ampliação de sua base e adequação dos
regimentos de seções sindicais ao Estatuto do sindicato nacional, apresenta ao 38º
Congresso as seguintes proposições.

TR – 22
O 38º CONGRESSO do ANDES-SN delibera:

1. REORGANIZAÇÃO DE SEÇÃO SINIDCAL


Considerando a deliberação da assembleia geral do(a)s docentes do
Sindicato dos Professores do Ensino Superior Público de Londrina e Região -
SINDIPROL/ADUEL, realizada no dia 19 de outubro de 2018, o 38º CONGRESSO do
ANDES-SINDICATO NACIONAL manifesta-se favoravelmente à aprovação da
incorporação do SINDIPROL-ADUEL como seção sindical do ANDES-SN, ficando
condicionada sua efetivação a aprovação a posteriori do seu regimento nos termos do
Estatuto do ANDES-SN.

2. ALTERAÇÃO REGIMENTAL:
2.1. Em consonância com o art. 15 do Estatuto do Sindicato Nacional dos
Docentes das Instituições de Ensino Superior e de acordo com a documentação
apresentada, o 38º CONGRESSO do ANDES-SN manifesta-se favoravelmente à
aprovação das alterações verificadas no Regimento da Associação dos Docentes da
Universidade Estadual do Rio de Janeiro - ASDUERJ, inclusive a sua transformação de
associação docente para seção sindical do ANDES-SN, com a denominação ASDUERJ-
SSIND.
2.2. Em consonância com o art. 15 do Estatuto do Sindicato Nacional dos
Docentes das Instituições de Ensino Superior e de acordo com a documentação
apresentada, o 38º CONGRESSO do ANDES-SN manifesta-se favoravelmente à
aprovação das alterações verificadas no Regimento da Seção Sindical dos Docentes da
Universidade Federal do Pampa – SESUNIPAMPA Seção Sindical.
2.3. Em consonância com o art. 15 do estatuto do Sindicato Nacional dos
Docentes das Instituições de Ensino Superior e de acordo com a documentação
apresentada, o 38º CONGRESSO do ANDES-SN manifesta-se favoravelmente à
aprovação das alterações verificadas no Regimento da Associação dos Docentes da
Universidade Federal da Paraíba – Patos (ADUFCG-Patos Seção Sindical).

TEXTO 23
Diretoria do ANDES-SN

PRESTAÇÃO DE CONTAS DO 63º CONAD

36

chrome-extension://bpmcpldpdmajfigpchkicefoigmkfalc/views/app.html 98/110
09/10/2019 Anexo-Circ408-18.doc
TR - 23
O 38º CONGRESSO do ANDES-SN aprova a prestação de contas do 63º CONAD.

RATEIO RATEIO
Nº ITEM SINDUECE
ANDES –SN
1 PESSOAL
1.1 ANDES-SN
Passagens Aéreas/ Terrestre/ Hospedagem 17.003,72 0,00
Diárias 6.120,00 60,00
Hora extras 32.705,68 1.255,73
Táxi 0,00 446,33
SUBTOTAL 55.829,40 1.762,06
2 IMPRENSA E DIVULGAÇÃO
Arte dos Cartazes 0,00 5.150,00
Outdoor 0,00 1.850,00
Caderno Textos (papel, transporte, toner) 1.312,00 0,00
Cartazes Gráfica 550,00 0,00
Banner 0,00 1.950,00
Stand 0,00 1.500,00
Informativo do Congresso 0,00 4.200,00
Repografia 0,00 0,00
SUBTOTAL 1.862,00 14.650,00
3 INFRAESTRUTURA
Estrutura Física
Locação de Móveis 0,00 5.940,00
Correios 7.149,70 0,00
Placas de Sinalização 0,00 4.164,55
Decoração 0,00 3.817,08
Apresentação Cultural 0,00 5.900,00
Aluguel de máquina de café 0,00 2.892,50
SUBTOTAL 7.149,70 22.714,13
4 Prestação de Serviços
Som/ Audio/ Filmagem e Aluguel de impressora 366,00 26.240,00
Serviços Enfermagem/ Ambulância 0,00 7.600,00
Água Mineral 0,00 0,00
Prestador de Serviço/Moto Boy 0,00 2.792,00
Aluguel de cadeiras/ Mesas 0,00 2.120,00
Coffe Break 0,00 59.717,50
Serviços de Eletricista / Hidráulica / Refrigeração 0,00 2.275,00
Serviço de Segurança 0,00 0,00
Serviços de Informática 0,00 3.226,00
Apoio/ Copa/ Limpeza 0,00 7.840,00
Locação de Veículo/ Combustível 0,00 615,00
Uber/ Táxi 0,00 1.160,00
Serviços de Monitore(a)s 0,00 7.680,00

36

Educadoras espaço convivência 0,00 3.480,00


Reprografia 0,00 2.400,00
Material Pedagógico Infantil 0,00 3.617,20
Transportadora 13.409,41 830,00
Alimentação do Espaço de Convivência 0,00 46,75
Prestação Serviços de Apoio 3.762,09 480,00
Prestação de Serviço de Jornalista 9.000,00 0,00
Encargos sociais 0,00 6.252,84
SUBTOTAL 26.537,50 138.372,29
5 Material de Consumo
Medicamentos farmácia 0,00 122,63
Material de Escritório e expediente 45,00 195,60
Material de Consumo 0,00 1.493,20
Material de Informática 4.895,30 305,00
SUBTOTAL 4.940,30 2.116,43

Material distribuido à(o)s delegado(a)s e


6
observadore(a)s
Pastas/ Bolsas 0,00 7.350,00
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Camisetas 0,00 7.490,00
Crachá 0,00 918,00
Convite 0,00 0,00
09/10/2019 Canetas Anexo-Circ408-18.doc
0,00 560,00
Guia do(a) Congressista 0,00 210,00
Blocos 0,00 1.102,00
SUBTOTAL 0,00 17.630,00
7 COMISSÃO ORGANIZADORA
Diárias 4.440,00 240,00
Alimentação 0,00 241,72
Passagens Aéreas 8.246,18 93,48
Hospedagem 6.623,25 0,00
Estacionamento 0,00 14,00
SUBTOTAL 19.309,43 589,20

Despesa c/ transporte de um(a) delegado(a) 8.709,89 0,00


8
das SSIND c/ menos de 101 filiado(a)s
SUBTOTAL 8.709,89 0,00

Delegado(a)s Eleito(a)s Conforme do Art. 41 6.990,07 0,00


9
Inciso 8 §5 (via Secretaria Regional )
SUBTOTAL 6.990,07 0,00

TOTAL 131.328,29 197.834,11

Total de Despesas Realizadas 329.162,40

36

TEXTO 24
Diretoria do ANDES-SN

MANUTENÇÃO DO APOIO FINANCEIRO À ESCOLA


NACIONAL FLORESTAN FERNANDES

TEXTO DE APOIO

A Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF), situada em Guararema,


na Região Metropolitana de São Paulo, é um centro de educação e formação idealizado
pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). A ENFF não é apenas uma
escola do MST; é uma unidade escolar da classe trabalhadora e está a serviço dos
movimentos populares do Brasil e de vários países do mundo.
Neste ano, a ENFF completa quatorze anos, após muito esforço de mais
de 1.200 trabalhadore(a)s do MST que a construíram coletivamente. Já passaram pela
Escola mais de 4.400 estudantes, em cursos formais, com diversas etapas em alternância –
todo(a)s filho(a)s da classe trabalhadora. Aproximadamente, 12 mil pessoas participaram
em distintas atividades formativas esporádicas, como seminários, eventos, congressos e
conferências de curta duração. Nesse período, 286 professores e professoras colaboraram
de forma solidária com a Escola.
A instituição promove cursos formais e informais voltados para produção,
comércio e gestão dos acampamentos e assentamentos. Os cursos, em diversas áreas,
estimulam a capacidade crítica das pessoas e o desenvolvimento de conhecimento para a
construção de um projeto popular para o Brasil. A grande diferença em relação às demais
escolas é que, após passar pela ENFF, o(a)s aluno(a)s voltam para a sua comunidade rural
e utilizam na prática o que aprenderam no banco escolar. Exemplos de cursos ministrados
na ENFF: alfabetização; administração cooperativista; pedagogia da terra; saúde
comunitária; planejamento agrícola e técnicas agroindustriais.
O(A)s professore(a)s que lecionam na escola trabalham nas universidades
conveniadas e escolas técnicas. Os cursos de formação técnica são ministrados pelo
Instituto Técnico de Pesquisa e Reforma Agrária (ITERRA), registrado no MEC, ou por
outros parceiros, como a UNICAMP (Realidade Brasileira), a UERJ (Teorias Sociais), a
UFMG (Realidade Latino-Americana), a UFPB (História) e a UFJF (Especialização em
Estudos Latinos).
Acrescente-se que, também, contribuem para o sistema educacional do
chrome-extension://bpmcpldpdmajfigpchkicefoigmkfalc/views/app.html 100/110
MST amigo(a)s e simpatizantes do Movimento – quase todo(a)s voluntário(a)s. Além dos
cursos, são realizados, na Escola, muitos encontros, seminários e atividades culturais para
assentado(a)s e acampado(a)s.
09/10/2019 A Escola foi construída graças ao trabalho voluntárioAnexo-Circ408-18.doc
de 1.115 militantes
dos movimentos sociais brasileiros. As obras foram iniciadas em 2000. O projeto
36

conceitual e arquitetônico das cinco edificações que compõem o campus é de


autoria da arquiteta Lilian Avivia Lubochinski, ex-professora da PUC-SP.
O(A)s trabalhadore(a)s e militantes do MST que ajudaram a ENFF
passaram por cursos de alfabetização e supletivos ao longo da obra. Organizado(a)s em
brigadas, esse(a)s trabalhadore(a)s ficavam cerca de 60 dias trabalhando na construção da
Escola, em seguida, voltavam para seus estados e eram substituído(a)s por nova brigada.
Ao retornar a seus locais de origem, utilizavam os ensinamentos obtidos na Escola para
melhorar a qualidade dos assentamentos e acampamentos.
Para além da importância política da Escola Nacional Florestam
Fernandes, a Diretoria Nacional do ANDES-SN, desde 2016, tem buscado uma
aproximação com a direção da Escola e também com o MST, no sentido de realizar
atividades conjuntas em unidade de ação, mantida a autonomia de cada entidade. Porém,
as tentativas de diálogo não se mostraram frutíferas e faz alguns anos que o ANDES-SN
não consegue desenvolver nenhuma relação política e nem mesmo ações de unidade de
ação. Por isso, compreendendo que o ANDES-SN deve estabelecer relação política de
parceria e cooperação com as entidades que apoia, avaliamos ser fundamental, para a
manutenção da parceria, a realização de uma reunião entre a diretoria nacional e a direção
da ENFF.
Desse modo, é importante a continuidade da ajuda financeira do ANDES-
SN à Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF) para que ela possa se manter, com
autonomia, como uma referência de grande importância para o processo de formação da
militância do MST e de outras organizações que lutam na defesa da reforma agrária,
porém buscando diálogo político com o ANDES-SN.

TR – 24
O 38º CONGRESSO do ANDES-SN delibera:

1. Autorizar a Diretoria do ANDES-SN a manter a contribuição, por um período de 12


meses, de R$ 3.000,00 (três mil reais) mensais para a Escola Nacional Florestan
Fernandes (ENFF).
2. Que a diretoria nacional do ANDES-SN realize reunião com a direção da ENFF e com
a direção nacional do MST buscando realizar ações conjuntas de unidade de ação.
TEXTO 25
Diretoria do ANDES-SN

MANUTENÇÃO DO APOIO FINANCEIRO À AUDITORIA


CIDADÃ DA DÍVIDA

TEXTO DE APOIO

A AUDITORIA CIDADÃ DA DÍVIDA (ACD) é uma associação não


governamental, sem fins lucrativos, que tem, entre os seus objetivos: “Art. 2º (...) i)
36

Realizar, de forma cidadã, auditoria da dívida pública brasileira, interna e externa,


federal, estaduais e municipais; ii) Demonstrar a necessidade do cumprimento do
disposto no artigo 26 do ADCT da Constituição Federal de 1988, que prevê a realização
da auditoria da dívida externa”.
A Auditoria Cidadã da Dívida (ACD), criada no ano de 2001, vem, desde
então, realizando estudos, investigações, publicações e eventos sobre o endividamento
público brasileiro – interno e externo – e respectivos impactos nas políticas públicas e nos
direitos sociais da população brasileira.
O ANDES-SN, com base nas contribuições dos grupos de trabalhos (GT)
chrome-extension://bpmcpldpdmajfigpchkicefoigmkfalc/views/app.html
e, tendo como referência as deliberações decorrentes de Congresso e CONAD, tem 101/110
articulado junto a ACD para viabilizar ações que embasem a luta por reivindicações
específicas do movimento docente e por bandeiras gerais do movimento sindical e de
movimentos sociais.
09/10/2019 Anexo-Circ408-18.doc
Desde a edição da PEC 55/2016 (que tramitou na Câmara como PEC
241/2016), transformada na EC 95/2016, a ACD vem alertando que a PEC “que insere
no texto da Constituição Federal o congelamento de gastos e investimentos sociais por até
20 anos, garante recursos para pagamento de juros de uma dívida pública, não auditada, e
para ‘empresas estatais não dependentes’”. Assim, essa emenda privilegia a destinação de
recursos para esse esquema financeiro ilegal, enquanto sacrifica a saúde, a educação, a
assistência, a segurança e todos os demais gastos e investimentos sociais. Para a ACD, os
Projetos de Lei 204/2016, 181/2015 e 3337/2015 visam “legalizar” esse esquema de
ataque ao fundo público.
O ANDES-SN compõe o Conselho Político da ACD e, desse lugar,
apoiou uma articulação no âmbito do Congresso Nacional que resultou na criação da
Frente Parlamentar Mista pela Auditoria da Dívida Pública com Participação Popular,
cujo lançamento ocorreu em agosto de 2016.
No início de novembro de 2017, o ANDES-SN apoiou um importante
evento internacional, qual seja, o Seminário Internacional “Esquema Financeiro
Fraudulento e Sistema da Dívida”, organizado pela Auditoria Cidadã da Dívida, do qual
participaram representantes da Diretoria do ANDES-SN, de seções sindicais, de outras
entidades sindicais e de movimentos sociais.
Em 2018, a ACD mais uma vez desenvolveu importante parceria com o
ANDES-SN através de análise de dados para elaboração de caderno do sindicato sobre os
cortes na Educação e Ciência e Tecnologia, elaborou carta a ser apresentada à(o)s
candidato(a)s a presidente pontuando a importância da Auditoria da Dívida Pública. Em
parceria com o ANDES-SN, reeditou um curso nacional para formar militantes em todo o
Brasil, o qual é oferecido à distância e realizado em módulos temáticos.
O ANDES-SN contribui com uma ajuda financeira para a ACD, mensal e
regularmente, desde o 30º Congresso – Uberlândia/MG (realizado de 14 a 20 de fevereiro
de 2011). E, desse modo, a Diretoria propõe a continuidade dessa ajuda financeira.

TR – 25
O 38º CONGRESSO do ANDES-SN delibera:

36

1. Autorizar a Diretoria do ANDES-SN a manter a contribuição, por um período de 12


meses, de R$ 3.000,00 (três mil reais) mensais para a Auditoria Cidadã da Dívida (ACD).
2. Que as seções sindicais avaliem a possibilidade de contribuição com os núcleos da
ACD nos estados.

TEXTO 26
Diretoria do ANDES-SN

MANUTENÇÃO DO APOIO FINANCEIRO AO CASARÃO DA


LUTA DO MOVIMENTO DOS TRABALHADORES SEM TETO
(MTST)

TEXTO DE APOIO

O apoio político e financeiro do ANDES-SN revela-se indispensável à


realização de um conjunto variado de atividades nacionais de formação político-cultural
do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), que acontece, sobretudo, no
Casarão da Luta. Como conquista de um ciclo de lutas de mais de uma década, o
movimento conseguiu, além de moradias, a desapropriação de uma casa ociosa em
Taboão da Serra (SP), que passou a ser chamada Casarão da Luta.
A partir daí, o MTST instaurou um espaço nacional de formação. Com
apoio político e financeiro do ANDES-SN, o movimento mobilizou a militância e
conseguiu organizar biblioteca, videoteca, brinquedoteca, estrutura de creche (para
assegurar a participação das militantes com filho(a)s e mantém o esforço de preservá-las.
chrome-extension://bpmcpldpdmajfigpchkicefoigmkfalc/views/app.html 102/110
Importante destacar que, no processo diário de mobilização, organização e
luta de trabalhadores e trabalhadoras concentrado(a)s nos territórios de pobreza das
periferias urbanas, o MTST desenvolve um repertório de ações, cujo Anexo-Circ408-18.doc
09/10/2019 centro é a ocupação
de latifúndios urbanos que não cumprem função social. Com isso, a matriz do percurso
formativo do movimento é a própria vida cotidiana nas ocupações (e o conjunto de ações
e experiências a ela vinculadas). Entretanto, essa matriz formativa requer mais mediações
formativas e formadoras para se potencializar e se qualificar. Por isso, os diversos cursos,
debates, oficinas, dinâmicas e vivências de grupos, desenvolvidos no Casarão,
contribuem, decisivamente, para o cotidiano de atuação do MTST.
No último período, o MTST tem estado com o ANDES-SN e outras
entidades, organizações e movimentos na construção das greves gerais, na construção dos
atos em Brasília contra as contrarreformas, na Frente Nacional Escola Sem Mordaça e no
apoio às diversas iniciativas de defesa da educação e das Universidades Públicas.

36

Compreendemos que o MTST é um dos movimentos sociais urbanos mais


importantes dessa quadra histórica e que diante do acirramento da conjuntura se faz
necessário apoiar e construir ações conjuntas com os movimentos sociais de cunho
anticapitalista.
Levando em conta que o MTST preserva o princípio da autonomia perante
empresas, governos, igrejas e partidos políticos e aglutina uma base social formada por
desempregado(a)s, informalizado(a)s ou precarizado(a)s e considerando que parceria
estabelecida com o movimento em diferentes estados do Brasil e nas lutas travadas no
último período, a diretoria do ANDES-SN propõe manter o apoio político e financeiro,
por um período de mais doze meses, ao Casarão da Luta e ao sistema de formação do
Movimento.

TR - 26
O 38º CONGRESSO do ANDES-SN delibera:

1. Autorizar a Diretoria do ANDES-SN a contribuir, por um período de 12 meses, com


R$ 3.000,00 (três mil reais) com o Casarão da Luta e o sistema de formação do
Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST);
2. Que as seções sindicais apoiem as iniciativas do MTST e de outros movimentos de luta
urbana nos estados, construindo resistência e lutas conjuntas.

TEXTO 27
Diretoria do ANDES-SN

SEDE DO 39º CONGRESSO DO ANDES-SINDICATO


NACIONAL

TEXTO DE APOIO
As seções sindicais que se dispuserem a sediar o 39º CONGRESSO do ANDES-SN
deverão apresentar proposta, por escrito, até às 18h do dia 29/01/19, para garantir a sua
discussão nos grupos mistos do Tema 4 - Questões Organizativas e Financeiras.

TR - 27
O 39º CONGRESSO do ANDES - SINDICATO NACIONAL realizar-se-á na cidade
de ....., sob a organização da ... Seção Sindical.

36

TEXTO 28
chrome-extension://bpmcpldpdmajfigpchkicefoigmkfalc/views/app.html 103/110
Diretoria do ANDES-SN
GRUPOS DE TRABALHO (GT) DO ANDES-SN
09/10/2019 Anexo-Circ408-18.doc
TEXTO DE APOIO
O ANDES-SN tem em funcionamento os seguintes Grupos de Trabalho: GTPE, GTC&T,
GTCA, GTPAUA, GT-Carreira, GT-Verbas, GTHMD, GTPFS, GTPCEGDS, GT-Fundações
e GTSS/A. As seções sindicais que desejarem se integrar aos Grupos de Trabalho ou
modificar a sua participação deverão preencher o formulário abaixo e encaminhá-lo com
suas propostas de participação nos GT à Secretaria do ANDES-SN, para homologação no
38º CONGRESSO.

Seção Sindical:

Grupo de Trabalho:

Componentes:

36

TEXTO 29
Diretoria do ANDES-SN

POR UMA DIRETORIA PARITÁRIA NO ANDES-SN

TEXTO DE APOIO

O século XX, marcado pela Revolução Russa de 1917, apontou a


necessidade de mudanças no modelo de família patriarcal e na divisão social do trabalho
que legou às mulheres as tarefas domésticas e do cuidado. Também surgiram diversos
movimentos sociais de mulheres e feministas os quais possibilitaram o reconhecimento de
que a violência doméstica não é um problema privado, mas público e, por isso, deve ser
enfrentado politicamente. Do movimento abolicionista às sufragistas, o feminismo
garantiu para as mulheres, em toda a sua diversidade, instrumentos para romper com a
invisibilidade das suas pautas e de suas lutas.
Desde o início do século XXI, as mulheres tiveram destaque na conjuntura
política nacional com diversas lutas: pela equiparação salarial; por melhores condições de
vida; por trabalho e acesso à educação; e por mecanismos de combate à violência
doméstica e das lutas antirracistas. Essas lutas resultaram em diversas conquistas, como a
implementação da Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/06).
chrome-extension://bpmcpldpdmajfigpchkicefoigmkfalc/views/app.html 104/110
Com o acirramento da luta de classes, emergiram diversos ataques
conservadores que afetam diretamente a vida das mulheres: projetos de lei que
criminalizam a prática do aborto, inclusive nos casos já salvaguardados às mulheres (PEC
09/10/2019 Anexo-Circ408-18.doc
181); criminalização da discussão de gênero nas escolas (PL n° 20/2016); e reforma
trabalhista que flexibiliza e precariza as relações de trabalho e devasta os direitos sociais
das mulheres. É nesse contexto que lutadoras têm ocupado cada vez mais as ruas, as
instâncias de representação e as entidades sociais e políticas.
Em 2016, as mulheres foram protagonistas no processo de mobilização de
rua que culminaram na prisão de Eduardo Cunha. Em 2018, foram fundamentais no
processo eleitoral, defendendo liberdades democráticas com as mobilizações pelo
#EleNão, colocando milhares de pessoas nas ruas contra o fascismo e o discurso de ódio.
Essa mobilização foi fruto também do agravamento do acirramento das lutas de classes
nos últimos dois anos, afetando mulheres trabalhadoras de diversas maneiras: veto às
alterações da Lei Maria da Penha que propunham medidas protetivas; reforma trabalhista
que permitiu o trabalho de mulheres grávidas em lugares insalubres; texto substitutivo da
PEC 181/2015, a EC 95/16 que prevê a redução orçamentária para as políticas sociais;
cortes nas bolsas de estudantes nas universidades; o avanço do Projeto de Lei Escola Sem
Partido e da luta ideológica contra a “ideologia de gênero”. Essas e outras medidas
impõem a tarefa de nos organizarmos e enfrentarmos os retrocessos e, assim,
consolidarmos as pautas que historicamente as lutas feministas defenderam no combate às
opressões.
Embora as universidades, os Colégios de Aplicação, IF e os CEFET sejam

36

compostos por um grande número de mulheres, o debate sobre direitos, carreira,


seguridade social e combate às violências não se dá de forma igualitária. Compreendendo
a importância da necessária articulação do movimento sindical, aos movimentos sociais,
dentre eles os movimentos feministas e de mulheres, o ANDES-SN aprovou importantes
resoluções de combate às opressões, destacando-se os dias nacionais de combate aos
assédios moral e sexual e o dia de combate ao racismo. Trata-se de uma agenda que foi
incorporada por nossa central, CSP-CONLUTAS e pelo FONASEFE. Além disso, o
sindicato nacional se posicionou favorável à descriminalização e legalização do aborto e
reconheceu a necessidade de ampliar o debate de direitos sexuais e reprodutivos com a
categoria, vinculando a discussão à carreira docente e às pautas da classe trabalhadora.
Por isso, foram construídas ações políticas na CSP-CONLUTAS e em parceria com
movimentos que atuam em defesa dos direitos sexuais e reprodutivos das mulheres.
As mulheres têm ocupado os espaços de militância sindical. Entretanto a
sua participação nos eventos e na diretoria nacional do ANDES-SN ainda reflete as
desigualdades existentes na sociedade. Por exemplo, em relação aos 1.477 participantes
dos CONAD, entre 2010 e 2017, o número de homens e mulheres foi, respectivamente,
906 (61,3%) e 571 (38,7%). No levantamento realizado com 1.953 participantes dos
Congressos do ANDES-SN entre 2015 e 2018, identificou-se que apenas 40,3% eram
mulheres.
Na diretoria do sindicato, a situação também é semelhante: até o momento,
o ANDES-SN teve dezenove presidentes, somente seis gestões foram de mulheres. No
âmbito das regionais, em levantamento realizado a partir do ano 2000, a presença de
mulheres na composição dos cargos foi, em média, de 37%. Esses números preliminares
demonstram a necessidade de mudança para que exista maior participação das mulheres
nas instâncias deliberativas e diretivas do sindicato.
Os dados também apontam para um elemento relevante: as políticas
voltadas para assegurar maior participação das mulheres nos diversos espaços do
ANDES-SN são muito recentes. Políticas como o espaço de convivência infantil criado
nos Congressos e no CONAD, o auxílio-dependente e a recomendação sobre os espaços
infantis nas SSIND para garantir a participação de pais, de mães e de responsáveis nas
assembleias de base e atividades sindicais foram criados há menos de cinco anos. Isso
significa que são fruto de um contexto histórico marcado pelo levante feminista no Brasil.
As mulheres disputam hoje os espaços políticos e cobram a dívida histórica que a
esquerda e as entidades de classe têm com as suas lutas e os seus anseios.
Com base nesses debates e deliberações no último Congresso e no último
CONAD, após diversas atividades promovidas pelas seções sindicais e secretarias
regionais, e com o aprofundamento da discussão no GTPCEGDS e no GTPFS,
observou-se a necessidade de praticar a paridade de gênero no ANDES-SN. Instituir essa
pauta significa incentivar, estimular e garantir condições reais de participação das
mulheres nas seções sindicais para que essa medida não se torne apenas uma ação
burocrática. A mudança na composição da nossa diretoria é possível e viável.
A paridade de gênero é parte da política de construção de lideranças
feministas e garante a participação das mulheres nos espaços de formulação da política
chrome-extension://bpmcpldpdmajfigpchkicefoigmkfalc/views/app.html 105/110
dentro do ANDES-SN. Essa proposição significará um avanço às lutas das mulheres e o
36
09/10/2019 Anexo-Circ408-18.doc

combate às práticas machistas que afastam ou dificultam a participação das


mulheres nos espaços de decisões e das direções de nossas seções sindicais. A presença
predominante de homens nas diversas diretorias do ANDES-SN não significa a ausência
das mulheres no sindicato, mas reflete a ausência de políticas que garantam a presença de
mulheres nesses espaços. A paridade de gênero é a continuidade do projeto iniciado em
1917. E garanti-la é uma tarefa da esquerda e das organizações e entidades classistas que
lutam contra o machismo.

TR - 29
O 38º CONGRESSO do ANDES-SN delibera:

Paridade nos 83 cargos da Diretoria do ANDES-SN, garantindo que todas as secretarias


regionais tenham em sua composição a participação de mulheres; sendo seis mulheres no
grupo dos onze se o presidente for homem, e seis homens se a presidente for mulher.

TEXTO 30
Diretoria do ANDES-SN

POR MAIOR PARTICIPAÇÃO DAS PEQUENAS SEÇÕES


SINDICAIS - GRUPO DE TRABALHO DE POLÍTICA E
FORMAÇÃO SINDICAL

TEXTO APOIO

PARTICIPAÇÃO DAS SEÇÕES SINDICAIS PEQUENAS EM REUNIÕES DOS


SETORES DAS IFES E DAS IEES/IMES

O 37º Congresso deliberou que o GTPFS debatesse e indicasse as


possibilidades de viabilizar a participação de seções sindicais com até duzentos filiados
em reuniões do setor das federais e estaduais/municipais, a ser deliberado no 38º
Congresso.
O Fundo Único, denominado Fundo Nacional de Solidariedade,
Mobilização e Greve do ANDES-SN, foi criado no 32º Congresso, realizado no Rio de
Janeiro, em março de 2013, a partir da fusão dos antigos fundos de mobilização e de
solidariedade. O fundo é mantido pela destinação de 2% (dois por cento) da receita
integral das contribuições mensais do(a)s sindicalizado(a)s, relativamente às parcelas
36

correspondentes a cada seção sindical e à tesouraria nacional.


Cada seção sindical destina 2% de suas arrecadações líquidas mensais
(arrecadação total menos o repasse à tesouraria nacional) ao fundo, e a tesouraria nacional
destina também 2% de sua receita mensal de contribuições ao fundo.
O valor total disponibilizado pela Diretoria do ANDES-SN corresponde a
60% do saldo bancário do Fundo Único no primeiro dia de janeiro de cada ano,
distribuído da seguinte maneira: até 20% para Solidariedade; até 40% para Mobilização; e
até 60% para Greve.
Quando se trata de aumentar despesas do sindicato, algumas questões
devem ser apresentadas para se destacar em que se expressam alguns possíveis
estrangulamentos no financiamento do órgão. Temos o desafio de pautar para o conjunto
do nosso sindicato as questões sobre sustentação financeira da entidade. O salário e o
número de sindicalizado(a)s são elementos primários para a receita do ANDES-SN e
chrome-extension://bpmcpldpdmajfigpchkicefoigmkfalc/views/app.html
precisamos ampliar urgentemente o debate. 106/110
Com relação aos salários, a crise econômica já atinge o nível de vida
do(a)s trabalhadore(a)s brasileiro(a)s com perdas salariais (redução da receita do ANDES-
SN) e aumento da inflação (aumento das despesas do ANDES-SN).Anexo-Circ408-18.doc
09/10/2019 Um rigoroso ajuste
fiscal e a retirada de direitos para os próximos anos fazem com que as possibilidades de
aumento das receitas do sindicato sejam incertas e vão depender das nossas lutas e do
nosso trabalho de base.
Considerando a realidade financeira do sindicato e a demanda apresentada
no 37º Congresso do ANDES-SN de ampliar a participação das pequenas seções
sindicais, foi realizado um estudo de viabilidade considerando o número de
sindicalizado(a)s nas seções sindicais.
Nesse sentido, é urgente, entre outras ações, que as seções sindicais que
ainda não arrecadam 1% da “totalidade dos vencimentos ou remuneração de cada
sindicalizado”, como definido no parágrafo 1º do artigo 75 do estatuto do ANDES-SN,
assumam esse desafio político para a implementação.
Dessa forma, foi pensada uma forma para absorver a resolução do 37º Congresso: utilizar
o Fundo Único, mantida a sua atual composição, no montante de mobilização para
possibilitar a representação de duas seções sindicais em reunião dos setores.

A seguir um quadro com um mapa do número de sindicalizado(a)s das seções sindicais:

Número de filiados Quantidade de seções sindicais


Até 100 filiado(a)s 40 seções
De 101 até 200 filiado(a)s 12 seções
De 201 até 300 filiado(a)s 12 seções
De 301 até 400 filiado(a)s 8 seções
Mais de 401 filiado(a)s 56 seções

TR – 30

36

O 38º CONGRESSO do ANDES-SN delibera:

1. As reuniões dos setores das IFES e IEES-IMES terão a participação de duas seções
sindicais que tenham até duzentos(a)s sindicalizado(a)s financiada com recursos do Fundo
Único, do montante de mobilização, obedecendo aos seguintes critérios:
1.1. A Diretoria do ANDES-SN convocará as seções sindicais, com até duzentos(a)s
sindicalizado(a)s, após a convocação da reunião dos setores, com antecedência mínima de
15 (quinze) dias, admitindo-se a convocação em prazo menor somente em situações
excepcionais.
1.2. A circular de convocação deverá explicitar:
1.2.1. O prazo limite, nunca inferior a 24 horas, para manifestação das seções sindicais,
por correio eletrônico dirigido à secretaria do ANDES-SN;
1.2.2. Que o(a) representante da seção sindical deverá permanecer por todo o período da
reunião;
2. A seção sindical será definida observando-se a seguinte ordem de prioridades:
2.1. As seções sindicais com menor número de participações nos últimos doze meses;
2.2. As seções sindicais com menor número de docentes sindicalizado(a)s;
2.3. A ordem de chegada das indicações das seções sindicais.
3. A definição da seção sindical terá como critério eliminatório adimplência com a
tesouraria nacional.

TEXTO 31
Contribuição do(a)s sindicalizado(a)s: Andréia Moassab (SESUNILA); Élen Schneider
(SESUNILA); Francieli Rebelatto (SESUNILA).

AÇÃO AFIRMATIVA E PARTICIPAÇÃO DEMOCRÁTICA NOS


FÓRUNS DO SINDICATO NACIONAL

chrome-extension://bpmcpldpdmajfigpchkicefoigmkfalc/views/app.html 107/110
TEXTO DE APOIO
Nos últimos anos têm se observado um aumento significativo de seções sindicais do
ANDES-SN. Em um momento de enormes ataques, tanto ao campo Anexo-Circ408-18.doc
09/10/2019 sindical combativo,
como às universidades públicas, esta é uma resposta importante da categoria docente, que
entende o ANDES-SN como seu representante legítimo. No entanto, para que o
enraizamento do ANDES-SN nestas novas comunidades acadêmicas se dê por completo,
é necessário uma certa atenção a essas novas seções sindicais. As dificuldades
financeiras, inerentes a uma seção sindical nova, muitas vezes isolam estes/as novos/as
militantes dos fóruns e espaços naturais do sindicato. Embora seja corrente o

36

entendimento de que a direção nacional não deva ajudar financeiramente as seções


sindicais para participarem de fóruns deliberativos, nada impede de que os escritórios
regionais ajudem financeiramente as seções sindicais novas ou pequenas, para
participarem de fóruns não deliberativos. Em acordo com o Estatuto do ANDES/SN
atualizado e consolidado até o 37o Congresso, as instâncias deliberativas são: o
Congresso, maior instância deliberativa (art. 14), o Conselho, instância deliberativa
intermediária (art. 22) e as Seções Sindicais constituem a menor instância organizativa e
deliberativa territorial do ANDES/SN (art. 44). Ou seja, reunião dos setores, encontros
regionais, encontros de GTs, seminários de formação, por exemplo não são deliberativos.
Acreditamos, portanto, fazer-se necessária uma ação afirmativa do ANDES para equalizar
as desigualdades de partida entre as seções sindicais, para de fato, garantir a participação
democrática de todos/as. Em outras palavras, além de motivar e aproximar os/as novos/as
militantes do cotidiano do ANDES-SN, a participação nestes fóruns é fundamental para
sua formação sindical, garantindo o futuro no nosso sindicato.

TR - 31
O 38º CONGRESSO do ANDES-SN delibera:

1. Que a direção nacional do ANDES/SN viabilize em termos financeiros, sempre que


possível e quando solicitado, o deslocamento de representante das seções sindicais com
menos de 200 filiados/as para participar de fóruns não deliberativos do sindicato, como
por exemplo: reunião dos setores, encontros regionais, encontros de GTs, seminários de
formação e outros.

36

SIGLAS
ABRAM: Agência Brasileira de Museus
ACD: Auditoria Cidadã da Dívida
AESA: Autarquia de Ensino Superior de Arcoverde
chrome-extension://bpmcpldpdmajfigpchkicefoigmkfalc/views/app.html 108/110
AfD: Alternativa para a Alemanha
AGU: Advocacia-Geral da União
AJN: Assessoria Jurídica Nacional
09/10/2019
ANDIFES: Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições FederaisAnexo-Circ408-18.doc
de Ensino
Superior
C&T: Ciência e Tecnologia
CAPES/MEC: Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior /MEC
CF: Constituição Federal
CEFET: Centro Federal de Educação Tecnológica
CLT: Consolidação das Leis de Trabalho
CNE: Conselho Nacional de Educação
CNESF: Coordenação Nacional das Entidades de Servidores Federais
CNPQ: Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico
CONAD: Conselho do Andes Sindicato Nacional
CONED: Congresso Nacional de Educação
CONGRESSO: Congresso do Andes-SN
CONLUTAS: Coordenação Nacional de Lutas.
CONLUTE: Coordenação Nacional de Luta dos Estudantes
CPI: Comissão Parlamentar de Inquérito
DE: Dedicação Exclusiva
DIEESE: Departamento Intersindical de Estatística e Estudo
DPC: Diretrizes Gerais para Planos de Carreira dos Servidores Públicos
EaD: Educação a Distancia
EBSERH: Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares
EC: Emenda Constitucional
ETF: Escolas Técnicas Federais
ENADE: Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes
ENCLAT: Encontro Nacional da Classe Trabalhadora
ENEM: Exame Nacional do Ensino Médio
ENFF: Escola Nacional Florestan Fernandes
FASUBRA-Sindical: Federação de Sindicatos de Trabalhadores das Universidades
Brasileiras
FIES: Financiamento Estudantil
FGTS: Fundo de Garantia por Tempo de Serviço
FHC: Fernando Henrique Cardoso
FINEP: Financiadora de Estudos e Projetos
FNDC: Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação
FNDE: Fundação Nacional de Desenvolvimento da Educação
FNDEP: Fórum Nacional em Defesa da Escola Pública
FUNDEB: Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de
Valorização dos Profissionais da Educação
FUNPRESP: Fundação de Previdência Complementar do Servidor Público Federal
GEBTT: Gratificação da Educação Básica, Técnica e Tecnológica
GEMAS: Gratificação de Estímulo ao Magistério Superior
GLO: Garantia da Lei e da Ordem
GT
36

: Grupo de Trabalho
GTCA: Grupo de Trabalho de Comunicação e Arte
GTPFS: Grupo de Trabalho de Política e Formação Sindical
HU: Hospital Universitário
IBRAM: Instituto Brasileiro de Museus
IEES: Instituições Estaduais de Ensino Superior
IES: Instituições de Ensino Superior
IFE: Instituições Federais de Ensino
IFES: Instituições Federais de Ensino Superior
IFET: Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia
IMES: Instituições Municipais de Ensino Superior
IPES: Instituições Particulares de Ensino Superior
LDB: Lei de Diretrizes e Bases
LDO: Lei de Diretrizes Orçamentárias
LGBTT: Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgênero
LOA: Lei Orçamentária Anual
LOAS: Lei Orgânica da Assistência Social
MAM–RJ: Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro
MDA: Ministério do Desenvolvimento Agrário
MDE: Manutenção e Desenvolvimento do Ensino
MEC: Ministério do Estado da Educação
MP: Medida Provisária
MTE: Ministério do Trabalho e Emprego
OAB: Ordem dos Advogados do Brasil
OIT: Organização Internacional do Trabalho
PDE: Plano de Desenvolvimento da Educação
PDI: Plano de Desenvolvimento Institucional – Diretrizes para a Educação
PEC: Proposta de Emenda Constitucional
PIB: Produto Interno Bruto
PL: Projeto de Lei
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PLANFOR: Plano Nacional de Formação Docente
PLC: Projeto de Lei da Câmara dos Deputados
09/10/2019 Anexo-Circ408-18.doc

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