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SOCIEDADE EDUCACIONAL DE SANTA CATARINA

CENTRO DE EDUCAÇÃO SUPERIOR - UNICA


CURSO: BACHAREL EM ADMINISTRAÇÃO
CERTIFICADO PELA FUNDAÇÃO GETÚLIO VARGAS - FGV

TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO

PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO: ANÁLISE DE INCENTIVOS FISCAIS

Acadêmico: Henrique Martini de Souza


Professora Orientadora: Evanilde Drehmer Carminati

Florianópolis, SC
2013
HENRIQUE MARTINI DE SOUZA

PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO: ANÁLISE DE INCENTIVOS FISCAIS

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao


Centro de Educação Superior ÚNICA, mantido pela
Sociedade Educacional de Santa Catarina –
SOCIESC, Florianópolis/SC, coo requisito para
obtenção do título de bacharel em Administração
certificado pela Fundação Getúlio Vargas – FGV.

Orientadora: Evanilde Drehmer Carminati

Florianópolis, SC
2013
PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO: ANÁLISE DE INCENTIVOS FISCAIS

HENRIQUE MARTINI DE SOUZA

Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) apresentado como requisito parcial


para a obtenção do título de bacharel em Administração pelo Centro de Educação
Superior – UNICA/SOCIESC em Florianópolis/SC, e aprovado pela Banca
Examinadora.

.............................................................................................
Profa. Gisely J. Tonello Martins,MSC.
Coordenador de Cursos

.............................................................................................
Profa. Ana Lúcia de Faria Lucena Dantas, Dra.
Coordenadora de Estágios

Banca Examinadora integrada pelos Professores:

.............................................................................................
Profa. Evanilde Drehmer Carminati
Orientadora

.............................................................................................
Profa. Priscila Campana
Banca Examinadora
AGRADECIMENTO

Agradeço a Deus em primeiro lugar, por me conceder a oportunidade de


concluir mais uma fase muito importante em minha vida. Agradeço também pela
sabedoria, a qual viabilizou a absorção dos conhecimentos necessários para a
elaboração deste tão complexo trabalho.
Ao Centro de Educação Superior - UNICA, que teve papel fundamental ao
contribuir com cada disciplina aplicada para meu crescimento acadêmico.
À professora que me orientou, professora Evanilde Drehmer Carminati, na
parte de conteúdo, me auxiliando e sugerindo idéias da melhor forma possível para
a conclusão deste trabalho.
À minha mãe Mara e ao meu pai Natanael, que sempre me apoiaram e me
deram força para continuar esta jornada árdua, agradeço também pelo investimento
que fizeram e por sempre acreditar em meu potencial.
À minha irmã Jéssica, por me incentivar a priorizar momentos de estudo a fim
de enriquecer da melhor maneira possível este trabalho.
Enfim, agradeço a todos que direta ou indiretamente me auxiliaram e me
apoiaram para que hoje esse trabalho fosse uma realidade.
Dedico este trabalho aos meus pais e a
minha irmã. Sem dúvida família é a base
de tudo. Meu muito obrigado.
É só com o coração que se pode ver o
que é certo. O essencial é invisível aos
olhos.
(Antoine de Saint-Exupéry)
RESUMO
SOUZA, Henrique Martini. Planejamento tributário: análise de incentivos fiscais.
2013. 67 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Administração) – Centro de Educação
Superior – ÚNICA, Florianópolis, 2013.

Esta pesquisa foi realizada com a finalidade de estudar as estratégias adotadas


pelas empresas para reduzir seus custos e se manterem competitivas, passando
pelo planejamento tributário, em virtude da grande importância que os impostos têm
no atual contexto dos negócios. Tal planejamento vislumbra as oportunidades de
redução de impostos por meio de incentivos fiscais. Esta pesquisa apresentou como
tema a análise de incentivos fiscais de uma empresa tributada pelo lucro real,
estudando seu planejamento tributário, a fim de lhe reduzir os impostos e
contribuições federais. O objetivo geral avaliou os efeitos dos incentivos fiscais no
pagamento de tributos em uma empresa inserida no Lucro Real. Os objetivos
específicos estudaram a legislação tributária, analisaram o impacto na carga
tributária após a utilização dos incentivos fiscais e averiguaram os efeitos destes
incentivos fiscais. Na apresentação da pesquisa através do estudo de caso
empregou-se o método da pesquisa descritiva e qualitativa, utilizando-se das
técnicas bibliográficas e documentais.

Palavras-chave: Pessoa jurídica. Incentivos fiscais. Planejamento tributário. Lucro


real.
ABSTRACT
SOUZA, Henrique Martini. Planejamento tributário: análise de incentivos fiscais.
2013. 67 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Administração) – Centro de Educação
Superior – ÚNICA, Florianópolis, 2013.

We propose here a research project, whose purpose is setting the necessary and
legal elements for a survey to be held in Florianópolis/SC, in the Centre of higher
education – UNICA/SOCIESC. In present day, one of the various strategies adopted
by companies to reduce their costs and remain competitive is through the tax
planning, due to the great importance that the taxes have in the current business
context. Such planning envisions the opportunities for reducing taxes through
incentives. And this study showed precisely covered the analysis of tax incentives of
a company held in real income tax, studying it tax planning so it could be reduced the
load. Aiming evaluating the effects of tax incentives in the payment of taxes in a
company included in real income taxation. The specific objetives in studying tax law,
analyze the impact on the tax after the use of tax incentives and investigate the
effects of tax incentives. Presentation of research and case study, it was used the
inductive method, descriptive and qualitative, using techniques of bibliographical and
documentary.

Keywords: Legal entity. Legal and tax structure. Tax planning. Real profit.
LISTA DE ABREVIATURAS

CF Constituição Federal
COFINS Contribuição para Seguridade Social
CSL Contribuição Social sobre o Lucro
CSLL Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido
CTN Código Tributário Nacional
IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
ICMS Imposto Sobre as Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e
Sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e
Intermunicipal e de Comunicações
IN Instrução Normativa
IN/SRF Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal
IPI Imposto Sobre Produtos Industrializados
IR Imposto de Renda
IRRF Imposto de Renda Retido na Fonte
LA Lucro Arbitrado
LALUR Livro de Apuração do Lucro Real
LC Lei Complementar
LP Lucro Presumido
LR Lucro Real
PIS/PASEP Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do
Servidor Público
REFIS Programa de Recuperação Fiscal
RIR Regulamento do Imposto de Renda
SRF Secretaria da Receita Federal
OAB Ordem dos Advogados do Brasil
SEBRAE Serviços Brasileiro de Apoio as Micro Pequenas Empresas
SESI Serviços Social da Indústria
SENAI Serviços Nacional da Aprendizagem do Comércio
LISTA DE ILUSTRAÇÕES

Figura 01 – Exemplo Demonstração do Resultado do Exercício ................................. 31


Figura 02 – Percentuais de Estimativa Aplicáveis Sobre Receita Bruta ........................ 38
Figura 03 – Demonstração do Resultado do Exercício First S.A................................... 61
Figura 04 – Apuração Lucro Real ................................................................................. 62
Figura 05 – Ajuste do Lucro Líquido Após Doações .................................................... 63
Figura 06 – Cálculo Incentivos Fiscais ......................................................................... 64
Figura 07 – Cálculo Diferença de Impostos a Pagar .................................................... 64
SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO ........................................................................................................... 13
1.1 CONTEXTUALIZAÇÃO DO TEMA E PROBLEMA ................................................. 13
1.2 OBJETIVOS ........................................................................................................... 14
1.2.1 Geral ................................................................................................................... 14
1.2.2 Específico .......................................................................................................... 15
1.3 JUSTIFICATIVA ...................................................................................................... 15
1.4 ESTRUTURA DO ESTUDO ................................................................................... 16
2 REVISÃO DE LITERATURA ..................................................................................... 17
2.1 PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO ............................................................................. 17
2.1.1 Definição do Planejamento................................................................................ 18
2.2 ELISÃO E EVASÃO ............................................................................................... 20
2.3 REGIMES DE TRIBUTAÇÃO .................................................................................. 22
2.3.1 Lucro presumido ............................................................................................... 22
2.3.1.1 Opções pelo lucro presumido ........................................................................... 23
2.3.1.2 Alíquota e Base de Cálculo do Lucro Presumido .............................................. 24
2.4 LUCRO ARBITRADO ............................................................................................. 25
2.4.1 Aplicação do arbitramento de lucro ................................................................. 26
2.4.2 Ocorrência ......................................................................................................... 26
2.4.3 Receita bruta conhecida .................................................................................... 27
2.5 LUCRO REAL ......................................................................................................... 29
2.5.1 Pessoas jurídicas obrigadas ao lucro real ....................................................... 30
2.5.2 Base de cálculo .................................................................................................. 31
2.5.3 Apuração do lucro real – Lalur ......................................................................... 32
2.5.3.1 Adições ao lucro líquido .................................................................................... 32
2.5.3.2 Exclusões do lucro líquido ................................................................................. 33
2.5.3.3 Compensação de prejuízos ............................................................................... 34
2.5.4 Como calcular o lucro real ................................................................................ 35
2.5.5 Lucro real anual .................................................................................................. 36
2.5.6 Lucro real trimestral ........................................................................................... 38
2.6 SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTOS DE IMPOSTOS E
CONTRIBUIÇOÕES DAS MICROEMPRESAS E EMPRESAS DE PEQUENO
PORTE .......................................................................................................................... 39
2.6.1 Opção pelo simples............................................................................................ 40
2.6.2 Tributos integrantes do simples ....................................................................... 40
2.6.3 Tributos excluídos do simples .......................................................................... 41
2.6.4 Vedações ao simples ......................................................................................... 42
2.6.5 Alíquotas do simples nacional .......................................................................... 44
2.7 IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA ........................................................... 45
2.7.1 Base de Cálculo .................................................................................................. 46
2.7.2 Suspensão e redução do imposto .................................................................... 46
2.8 INCENTIVOS FISCAIS............................................................................................ 46
2.8.1 Incentivo caráter cultural ...................................................................................... 48
2.8.2 Incentivos fiscais dos projetos audiovisuais ........................................................ 48
2.8.3 PAT- Programa de auxílio Transporte ................................................................. 49
2.8.4 Lei rouanet .......................................................................................................... 50
2.8.5 Fundo Criança ..................................................................................................... 51
2.8.6 Incentivos Esportivos............................................................................................ 53
3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS .................................................................. 57
4 ESTUDO DE CASO .................................................................................................. 59
4.1 APRESENTAÇÃO DA ANÁLISE DOS DADOS ...................................................... 59
4.2 IDENTIFICAÇÃO DA EMPRESA ........................................................................... 59
4.3 INFORMAÇÕES ECONÔMICAS ........................................................................... 60
4.4 APURAÇÃO DO IRPJ E CSLL DO PERÍODO ....................................................... 61
4.4.1 Cálculo Incentivos Fiscais ................................................................................ 63
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS ...................................................................................... 65
REFERENCIAS ............................................................................................................ 67
13

1 INTRODUÇÃO

O presente estudo teve como finalidade apresentar um trabalho de conclusão


de curso, que foi realizado no âmbito do Centro de Educação Superior – UNICA/
SOCIESC -, localizado em Florianópolis.
Os elementos foram definidos e estabelecidos, facilitando a formulação dos
requisitos de um TCC, que teve como objetivos avaliar os efeitos de incentivos
fiscais no pagamento de tributos em uma empresa inserida no Lucro Real, bem
como estudar a legislação tributária federal, analisando os incentivos fiscais na
legislação; analisar o impacto na carga tributária após a utilização dos incentivos
fiscais. Para alcançar estes objetivos, foi utilizado o estudo de caso.
Para tanto, foram analisados os documentos de uma empresa e diversos
fatores tributários e organizacionais que a envolvem. Os dados descritivos sobre
pessoas, lugares e processos interativos foram obtidos por contato direto com a
situação estudada, procurando compreender os efeitos tributários da empresa em
estudo.

1.1 CONTEXTUALIZAÇÃO DO TEMA E PROBLEMA

A falta de planejamento nas empresas, em particular do tributário, pode


submetê-las a uma carga muitas vezes maior que a necessária ou, algumas vezes,
acarretar aplicações equivocadas, com um custo desnecessário ou nocivo à gestão
e à sobrevida da companhia. O planejamento tributário e a análise de incentivos
fiscais, utilizados corretamente, representam para a empresa, entre outros
benefícios, no mínimo uma redução da carga tributária.
Levando em conta a complexidade do processo da tributação das empresas
pelo Lucro Real, para que o planejamento possa ser considerado apurado, é
necessário analisar todos os possíveis incentivos fiscais. A legislação, independente
de se lhe reconhecer legitimidade ou oportunidade, é um fato a ser levado em
consideração. Seu conhecimento bem aplicado pode representar, no contexto, por
um lado, um fator de competitividade e, por outro, de redução da carga tributária,
14

com a vantagem de se beneficiar dos incentivos fiscais e, ao mesmo tempo, atuar de


acordo com a legislação.
Trata-se, na verdade, de uma competência própria do aparato comercial,
revestido de linguagem e apoiado em conhecimento especialista, mas que reflete um
princípio antigo de sabedoria dos romanos, que se impuseram seja pela organização
militar quanto pela administração, tanto assim que o direito romano continua sendo a
base dos direitos atuais.
O único meio de se lhe responder é planejar, prever. Isto requer um estudo
detalhado e apurado sobre Lucro Real e tributação. Pretende-se, com isso, um plano
de incentivos fiscais, implantado com base em planejamento tributário em uma
empresa inserida no Lucro Real.
O principal aspecto e preocupação, que tem a ver com eficiência e
competitividade, e, portanto, sobrevida no mercado procurou responder uma
pergunta clara e objetiva: Qual o efeito dos incentivos fiscais no recolhimento do
IRPJ de uma pessoa jurídica tributada pelo Lucro Real?

1.2 OBJETIVOS

Os objetivos são divididos em geral e específicos. O objetivo geral responderá


ao objetivo-fim do projeto. Os objetivos específicos são metas a cumprir para se
atingir o objetivo geral.

1.2.1 Geral

Avaliar os efeitos de incentivos fiscais no pagamento de tributos em uma


empresa inserida no Lucro Real.
15

1.2.2 Específicos

O objetivo geral será conseguido vencendo-se as seguintes etapas:


a) estudar a legislação tributária federal e os incentivos fiscais disponíveis;
b) analisar o impacto na carga tributária após a utilização dos incentivos fiscais;
c) comparar o resultado encontrado com a não utilização dos incentivos fiscais.

1.3 JUSTIFICATIVA

É comum o SEBRAE (Serviço brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas


Empresas) e o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgarem
dados a respeito de abertura e fechamento de empresas de acordo com a lei, não
importa se micro, pequenas ou médias. A sobrevida, analisada segundo critério de
tempo, vai de um a cinco anos. O percentual das sobreviventes vai baixando
progressivamente após um baque significativo já no primeiro ano. Entre as causas,
inexperiência ou aventureirismo, com prejuízos de poupanças acumuladas em anos
ou aplicação de fundos de garantia e outros recursos em casos de demissão. Há
uma grande diferença entre experiência de vida e experiência de mercado.
Raramente um empregado, a menos que já tenha operado na área, entende de
administração e competitividade.
É elementar, em qualquer negócio, o conhecimento do princípio da tributação,
e é o mesmo em todo o mundo. A diferença, em nosso país, é que a carga tributária
é alta. Mais que uma variável, a tributação constitui um dos eixos do negócio.
Enquanto tributação é taxa constante e independe de fluxo, a contrapartida da
demanda pelo serviço é incerta. Daí a necessidade de planejamento em geral e, em
particular, dos tributos incidentes na atividade.
O planejamento tributário deve ser apurado e preciso, tanto no aspecto
prescritivo quanto em suas brechas, para que seja possível a redução do pagamento
dos encargos de acordo com a legislação. Para isso se requer medir todas as
possibilidades de redução da carga, já que a saída, ou seja, o desembolso, é certa.
16

O propósito do presente trabalho, com base na fundamentação teórica, foi


abordar a diferença entre uma empresa tributada pelo Lucro Real, utilizando as
ferramentas de incentivos fiscais disponíveis, e a mesma que simplesmente não
utiliza esses mesmos incentivos, ou que ignore a contrapartida do incentivo (ou o
custo do benefício).

1.4 ESTRUTURA DO ESTUDO

Este trabalho foi dividido em seis capítulos. O primeiro apresenta a


introdução, que contextualiza o tema e o problema, ou seja, a comparação do
resultado encontrado entre a utilização ou não dos incentivos fiscais no pagamento
de IRPJ em uma empresa inserida no Lucro Real, além dos objetivos e da
justificativa pela escolha do tema.
No segundo capítulo encontra-se a revisão da literatura e os conceitos
utilizados, pesquisas e teorias. O terceiro trata dos procedimentos metodológicos,
bem como a caracterização da pesquisa.
O quarto capítulo apresenta a pesquisa realizada na empresa em questão e a
explicação das demonstrações coletadas, bem como a análise dos dados.
No quinto tópico são apresentadas as conclusões, contendo o resultado
obtido na comparação da utilização dos incentivos.
17

2 REVISÃO DA LITERATURA

Foram analisadas, em detalhe, todas as ferramentas tributárias, com vistas a


se conhecer a legislação corrente e os tributos devidos na empresa analisada.
Admitir a necessidade do tributo e o respeito aos dispositivos legais, é, por outro
lado, conveniente a qualquer negócio fazê-lo com o menor custo possível.
O primeiro passo nesse meandro é o planejamento, de acordo com sua
definição, tanto para se agir dentro da lei como para evitar procedimentos que
possam caracterizar ilícitos, que poderão, além de penalidades, ou por elas, trazer
prejuízos à viabilidade e à continuidade do negócio.
À parte as providências de abertura de uma pessoa jurídica, que a grosso
modo podem ser equiparadas aos papéis de tabelionato, importa principalmente,
para o exercício do ofício, conhecer de tributação. São diversos os regimes
previstos, assim como diversas são as opções, que exigem um sólido embasamento
legal para a decisão mais acertada na relação custo/benefício.
Os diversos regimes de tributação devem casar com o que se pretende em
toda transação, que é o lucro, o que implica conhecer alíquotas e bases de cálculo,
receita, provisões, implicações administrativas, tais como contabilidade e os
lançamentos no diário e no razão. Uma vez estabelecido o regime conveniente,
importa conhecer exatamente os tributos, impostos e contribuições incidentes, aos
quais esteja sujeito ou que possa isentar, a existência ou não de incentivos fiscais,
seus valores ou como possam ser utilizados.

2.1 PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO

O planejamento tributário é um instrumento utilizado pelas empresas para


prevenir fato administrativo, quando se pesquisam efeitos jurídicos e econômicos e
as alternativas legais menos onerosas.
O planejamento deve ser realizado com muito cuidado para estabelecer uma
relação de custo/benefício e aí buscar alternativas que variam em função dos
valores envolvidos, da época, do local, etc.
18

A obra pioneira no estudo do planejamento tributário é o livro Legislação


Tributária: uma introdução ao planejamento tributário, de Nilton Latorraca. Sua
primeira edição deste livro é de 1971, publicada pela Editora Atlas. Nas edições
seguintes, o autor passou a chamá-lo Direito Tributário: impostos de renda das
empresas. Esta obra, como outras que dão aporte teórico a este trabalho, são de
grande valor para o entendimento do planejamento tributário.

2.1.1 Definição de Planejamento

Entende-se por planejamento tributário “o processo de escolha de ação ou


omissão lícita, não simulada, anterior à ocorrência do fato gerador, que vise, direta
ou indiretamente, economia de tributos (MALKOWSKY 2000, p.22), em Fabretti
conclui-se que:

O planejamento tributário é na verdade a atividade empresarial estritamente


preventiva, que tem como fator de análise o tributo e visa identificar e
projetar os atos e fatos tributáveis e seus efeitos, comparando-se os
resultados prováveis, para os diversos procedimentos possíveis, de tal
forma a possibilitar a escolha da alternativa menos onerosa, sem extrapolar
o campo da licitude (FABRETTI, 2009, p .8).

Com a evolução da tecnologia e da economia, as empresas hoje necessitam


aproveitar cada vez melhor seus recursos e profissionais com a finalidade de
maximizar os lucros e a rentabilidade, tornando-os mais rentáveis em relação aos de
seus concorrentes. O planejamento tributário surgiu como uma ferramenta que se
encaixa dentro da esfera jurídica e econômica e proporciona alternativas legais para
reduzir a tributação gerada na empresa, assim viabilizando os benefícios que se
encaixam na forma de tributação por ela escolhida.
A carga tributária no Brasil é bastante elevada e é de grande importância que
as empresas se planejem tributariamente. Malkowsky (2000) define planejamento
tributário como processo de escolha de ação ou omissão lícita, não simulada,
anterior à ocorrência do fato gerador, que vise, direta ou indiretamente, economia de
tributos.
19

Segundo Fabretti (2005, p. 32), “o estudo feito preventivamente, ou seja,


antes da realização do fato administrativo, pesquisando seus efeitos jurídicos e
econômicos e as alternativas legais menos onerosas, denomina-se planejamento
tributário. O planejamento exige, antes de tudo, bom senso do planejador.”
O Código Tributário Nacional (CNT), em seu art. 3º, define o conceito de
tributo:

Art. 3º Tributo é toda a prestação pecuniária compulsória em moeda ou cujo


valor nela se possa exprimir, que não constitua sansão de ato ilícito,
instituída em lei cobrada mediante atividade administrativa plenamente
vinculada.

Fabretti (2005) diz que o planejamento tributário pode se classificar


obedecendo aos seguintes critérios.

Pelo critério das áreas de atuação, ele pode ser:


a) Administrativo: por intervenções diretas no sujeito ativo, por exemplo: a
consulta fiscal;
b) Judicial: pleito de tutela jurisdicional, como em ação declaratória de
inexistência de débito fiscal e
c) Interno: os atos realizados dentro da própria empresa, como o Comitê de
Planejamento Tributário (OLIVEIRA, 2009, p. 203).

De acordo com o mesmo autor (2005), o planejamento pode utilizar vários


métodos que se interligam. Para que seja mais eficaz, é imprescindível considerar
todos os incidentes na operação empresarial. O tributo precisa ser analisado
individualmente com a finalidade de se poder confrontar a redução do ônus fiscal
com os reflexos de outros tributos.
A integração de todos os departamentos da empresa é um fator
preponderante para que se obtenha eficácia em economia legal de impostos e
contribuições. A participação das pessoas nas tomadas de decisões do
planejamento é importante para que o comitê interno tenha sucesso.
Todos os sujeitos que tenham ligação direta ou indireta com o funcionamento
da empresa precisam estudar e analisar as alternativas de redução de custos
tributários a fim de que se obtenha o resultado efetivo.
O estudo do planejamento tributário deve ser bem avaliado pelo seu
planejador, pois ele se resume em alternativas fiscais legais e não em mágicas para
20

reduzir impostos devidos; ele serve como uma alternativa para a empresa, que vise
à relação custo/benefício.
Planejamento tributário não deve ser confundido com sonegação fiscal, pois é
uma escolha entre formas lícitas de tributação que possam aumentar a rentabilidade
da empresa, enquanto sonegar é utilizar de meios ilícitos para deixar de recolher
tributos devidos.
Para que se perceba o resultado efetivo, é importante que o planejamento
estratégico seja implantado de maneira correta e de forma contínua. Por outro lado,
o consultor precisa ter uma relação de relevância e conhecer a fundo a legislação
tributária, devendo, de preferência, ser um especialista na área, pois o planejamento
objetiva verificar as brechas na legislação e, exige do consultor, bom senso e
dedicação a esse estudo, uma vez que as mudanças constantes na legislação
requerem atenção e atualização nas leis, justamente para conseguir maior eficácia
na redução da carga tributária.
A empresa, sob o ponto de vista jurídico, pode, em determinada operação,
utilizar a alternativa que indique o menor ônus tributário, empregando todos os
recursos legais exigidos do administrador. Faz-se necessário encontrar a forma de
reduzir custos da empresa e as de oferecer serviços de qualidade, elevando o nível
de competitividade e maximizando os lucros, visto que com a globalização dos
mercados a elevada carga tributária sufoca as empresas. Uma forma eficaz,
aplicada corretamente para gerenciar os custos, é o planejamento tributário, também
denominado elisão fiscal, de acordo com Oliveira (2009, p. 201), “o planejamento
tributário realizado antes da ocorrência do fato gerador é conhecido como elisão
fiscal”.
Segundo Malkowski (2000, p. 19), “a consideração do Planejamento Tributário
como parte da rotina empresarial aponta o caminho que deve ser trilhado pelo
administrador no trato com a questão fiscal”.

2.2 ELISÃO E EVASÃO

A elisão e a evasão são formas de evitar pagamento de tributos. Segundo


Oliveira (2009), o conceito corrente na doutrina brasileira de evasão fiscal
21

corresponde ao agente (contribuinte) que, por meios ilícitos, visa a eliminar, reduzir
ou retardar o recolhimento de um tributo, já devido pela ocorrência do fato gerador.
Em momento precedente, na elisão fiscal, o agente licitamente visa evitar, minimizar
ou adiar a ocorrência do próprio fato gerador, que daria origem à obrigação
tributária.
Tem-se caracterizada a evasão fiscal pelas seguintes práticas:
Simulação: pode ser caracterizada por relativa (dissimulação: sob o ato ou
negócio praticado, jaz outro negócio, oculto, que pode corresponder à real vontade
das partes) ou absoluta (fingir que não existe).
Sonegação: ocultação de rendimentos na declaração de imposto de renda,
que levaria ao pagamento de um tributo menor do que o devido.
Fraude: corresponde a atos tais como falsificação ou adulteração de
documentos, levando o contribuinte a furtar-se ao pagamento de tributos devidos.
A elisão se caracteriza como um meio de se auto-organizar, utilizando o
planejamento tributário de maneira lícita para se ajustar à melhor forma de tributação
possível.
Segundo Oliveira (2009), a atuação do particular de se auto-organizar
corresponde a um direito que lhe dá a Constituição, pois é absoluta a garantia ao
exercício da autonomia privada, dentro dos limites estabelecidos pelo Estado.
Esta autonomia é desenvolvida pelo planejamento tributário, que ajusta o
contribuinte na melhor forma de tributação, a qual, em conformidade com as regras
da Constituição, permitem-lhe reduzir os tributos ou alíquotas a ser pagos. Pode-se,
então, resumir a elisão fiscal como procedimento lícito adotado pelo contribuinte
antes da ocorrência do fato gerador, para que possa postergar ou eliminar a
quantidade de tributos devidos. Em Oliveira (2009) conclui-se que:

Atualmente, o governo evita onerar com encargos tributários os produtos de


exportação, visando a manter sua competitividade nos mercados externos.
Por essa razão, costuma-se isentar os produtos exportados de tributos
indiretos, inclusive os incidentes nos insumos (matérias-primas, embalagem,
partes e peças) que se incorporam aos produtos finais. Com isso, impede-
se a ocorrência de fato gerador do IPI, do ICMS, do PIS e da Confins, visto
que esses tributos não incidem nas exportações para o exterior, mas, sim,
nas vendas ao mercado interno (OLIVEIRA, 2009, p. 194).
22

A citação acima referida é um incentivo do governo para as empresas de


exportação ampliarem seus negócios, oportunizando, desta forma, maiores vendas,
marcando a presença do Brasil no mercado externo.
As empresas de exportação, como as do mercado interno, estão vinculadas a
regimes de tributação que elas precisam conhecer, já que são eles que orientam as
suas ações.

2.3 REGIMES DE TRIBUTAÇÃO

A legislação brasileira prevê, em seus regulamentos e leis, algumas formas


de tributação. O contribuinte poderá se enquadrar naquela que lhe seja mais
favorável, de acordo com seu planejamento tributário.
As formas de tributação disponíveis são:
a) Lucro presumido;
b) Lucro real;
c) Lucro arbitrado e
d) Simples nacional.

2.3.1 Lucro presumido

É uma forma de tributação simplificada e opcional, baseada numa presunção


legal da lucratividade para cálculo do Imposto de Renda. O lucro presumido
independe dos resultados apurados. Fabretti explica que:

É uma alternativa para as pequenas empresas, até o limite da receita bruta


total estabelecido em lei. Estas, em vez da apuração do lucro real, ou seja,
de escrituração contábil, podem presumir esse lucro. Consideram, como tal,
o resultado da aplicação de determinado percentual sobre a receita total
(por exemplo: 8% de uma receita de 100.000,00 = lucro presumido de R$
8.000,00) (FABRETTI, 2003, p. 202).

Lucro presumido também é um conceito tributário, segundo Fabretti (2003):


23

Tem a finalidade de facilitar o pagamento do IR, sem ter que recorrer


à complexa apuração do lucro real que pressupõe contabilidade
eficaz, ou seja, capaz de apurar o resultado antes do último dia útil do
mês subsequente ao encerramento do trimestre (FABRETTI, 2003, p.
219).

O lucro presumido não pode ser utilizado por qualquer contribuinte para
recolhimento de tributos. Beneficia apenas pessoas jurídicas que se encaixam nas
regras para seguir esta forma simplificada de apuração de tributos.
As pessoas jurídicas que optarem e se encaixarem nesse sistema, ficam
isentas da incidência de IR nos dividendos dos sócios, acionistas que não
ultrapassaram o valor que serviu de cálculo do IRPJ (art.39, XXIX, do RIR). Estes
lucros ou dividendos devem ser distribuídos de acordo com o capital investido por
cada sócio.

2.3.1.1 Opção pelo lucro presumido

Para se encaixar na forma de tributação do lucro presumido, deve-se


observar a legislação vigente, sendo este o considerado regime de tributação mais
simplificado.
Podem optar pelo ingresso no regime de lucro presumido as empresas:

a. Cuja receita bruta total tenha sido igual ou inferior a R$ 48.000.000,00


(quarenta e oito milhões de reais), no ano-calendário anterior, ou a R$
4.000.000,00 (quatro milhões de reais) multiplicado pelo número de
meses em atividade no ano-calendário anterior (Lei nº 10.637, de 2002,
art. 46).
b. E que não estejam obrigadas à tributação pelo lucro real em função da
atividade exercida ou da sua constituição societária ou natureza jurídica
(RECEITA FEDERAL).

Segundo Higuchi (2009), não podem optar pelo regime de lucro presumido as
empresas:

a) Cuja receita total, no ano-calendário anterior, seja superior a R$


48.000.000,00 ou proporcional ao número de meses do período, quando
inferior a doze meses;
24

b) Cuja atividade seja de instituições financeiras ou equiparadas;


c) Que tiverem lucros, rendimentos ou ganhos de capital oriundos do
exterior;
d) Que, autorizadas pela legislação tributária, usufruam de benefícios
fiscais relativos à relativos a isenções ou redução de impostos;
e) Que, no decorrer do ano-calendário, tenham efetuado pagamento
mensal pelo regime de estimativa, inclusive mediante balanço ou
balancete de suspensão ou redução de impostos;
f) Cuja atividade seja de “factoring” (HIGUCHI, 2009, p. 53).

A partir de janeiro de 2013 o limite da receita bruta passa a ser de R$


72.000.000,00 anuais.
O IRPJ no lucro presumido, apurado trimestralmente, é uma forma de
tributação simplificada, que pode ser adotada por pessoas jurídicas que obedeçam
às regras acima, o que favorece as de menor porte, desobrigadas a seguir a
complexa apuração do regime de lucro real.

2.3.1.2 Alíquota e base de cálculo do lucro presumido

Todos os percentuais a serem aplicados no regime de lucro presumido são


determinados pela legislação para formação da base de cálculo do imposto de renda
das empresas que utilizam essa forma de tributação.
O art. 15 da Lei 9.249, de 1995, determina quais os percentuais se aplicam
para cada atividade:

a) 1,6% na revenda, para consumo, de combustíveis derivados de petróleo,


álcool etílico carburante e gás natural;
b) 8% na revenda de mercadorias e produtos;
c) 8% na prestação de serviços de transporte e cargas;
d) 8% na prestação de serviços hospitalares;
e) 8% na venda imóveis das empresas com esse objetivo social (art. 3, § 7°
da IN n° 93/97);
f) 8% das indústrias gráficas;
g) 8% na construção civil por empreiteira com emprego de materiais;
h) 16% na prestação de serviços de transportes, exceto de cargas;
i) 16% na prestação de serviços em geral pelas empresas jurídicas com
receita bruta de até R$ 120.000,00, exceto de serviços hospitalares,
transportes e profissões regulamentadas (art. 40 da Lei n° 9.250/250);
j) 32% na prestação de demais serviços não incluídos nos incisos
anteriores.
25

O que gera um certo desconforto nos contribuintes que optam por esse
regime de tributação é a impossibilidade de deduzir da base de cálculos dos tributos
as despesas e os custos gerados na empresa.
Isso quer dizer que os tributos acima dispostos serão calculados
independentemente de a empresa ter receita suficiente para cobrir despesas e
custos.

2.4 LUCRO ARBITRADO

Em meio às possibilidades previstas na legislação, que permitem determinar


trimestralmente o lucro sobre o qual incidirá o IRPJ, existe aquela em que o lucro
será arbitrado pelo Fisco (autoridade tributária), através de um procedimento de
ofício, ou, em outros casos, pode ser determinado pelo próprio contribuinte,
modalidade conhecida como autoarbitragem.
O lucro arbitrado é aplicado pela autoridade tributária em situações em que a
pessoa jurídica deixar de cumprir com suas obrigações acessórias no que diz
respeito à determinação do lucro real ou presumido, de acordo com a situação. Nos
casos em que a receita bruta é conhecida, e desde que ocorrida qualquer das
hipóteses de arbitramento descritas na legislação fiscal, é permitido ao contribuinte
recolher o imposto correspondente devido, com base nas regras do lucro arbitrado.
De acordo com Machado:

Não sendo conhecida a receita bruta, a autoridade poderá arbitrar o lucro


com base no valor do ativo, do capital social, do patrimônio líquido, da folha
de pagamento dos empregados, das compras, do aluguel das instalações
ou do lucro auferido pelo contribuinte em períodos anteriores (MACHADO,
2003, p. 39).

Seguindo a RIR/1999, art. 220 e 530 , desde 1° de janeiro de 1997, a


tributação baseada no lucro arbitrado ocorre de forma trimestral, e os períodos de
apuração se encerram em 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de
dezembro de cada ano-calendário.
26

2.4.1 Aplicação do arbitramento de lucro

Na ocorrência de qualquer das hipóteses que ensejam o arbitramento do lucro


descritas na legislação fiscal, o arbitramento poderá:
a) Ser aplicado pelo fisco, baseado em qualquer dos casos previstos na
legislação do imposto de renda;
b) Ser adotado pelo próprio contribuinte, quando tiver conhecimento de sua
receita bruta.
De acordo com Higuchi (2004), o lucro arbitrado consiste em a autoridade
fiscal tributar o imposto de renda, quando a pessoa jurídica descumprir as normas
relativas ao lucro real quando a este estiver sujeita. A fiscalização apura a ocorrência
do fato gerador com base na legislação aplicável, calcula o montante do tributo
devido e notifica ao contribuinte o valor do tributo a pagar. A notificação ao sujeito
passivo (contribuinte ou responsável) além do valor a contribuir também contém o
prazo em que deve proceder ao pagamento do tributo. No caso do lucro arbitrado, a
base de cálculo será apurada mediante a aplicação dos percentuais fixados para o
lucro presumido, acrescidos de 20%, quando conhecida a receita bruta, exceto para
as instituições financeiras em que o percentual é de 40% (ART.519 do RIR/99).
Segundo Ataliba (1992), a base de cálculo é o valor sobre o qual é aplicado o
percentual para apurar o tributo a se pagar. A base para o imposto de renda é
determinado sobre o montante da renda ou proventos de qualquer natureza.

2.4.2 Ocorrência

A tributação arbitrada ocorrerá quando o contribuinte se enquadrar em uma


das seguintes situações: quando o contribuinte assim preferir, quando o contribuinte
se enquadrar nos critérios de tributação baseado em lucro real e não dispuser de
escrituração contábil nas formas exigidas por lei, nos casos em que o contribuinte
deixar de cumprir com as obrigações acessórias no que diz respeito à sua
determinação, em caso de recusa de apresentação de livros ou documentos
27

solicitados, em caso de contabilidade inconsistente, e ineficaz, para determinação


com exatidão dos lucros reais ou presumidos e nos casos em que o representante
de pessoa jurídica estrangeira não apurar em separado os lucros referentes a este e
ao comitente representado (OLIVEIRA ,2009).
É dada ao contribuinte que se enquadra nos critérios citados a opção de,
antes de terminada a fase do lançamento administrativo, ou mesmo já na esfera
judicial, comprovar, através de balanço, o lucro real auferido pela empresa e assim
utilizá-lo como referência para o cálculo de seu imposto de renda.
Concluindo, o lucro arbitrado, quando adotado como base para a tributação,
ocorre por iniciativa do Fisco, nos casos em que a empresa tenha sua escrituração
documental contábil desqualificada. A desqualificação ocorre quando é considerada
sem valor ou inidônea, ou por iniciativa da própria empresa. Isto pode ocorrer em
casos fortuitos ou de força maior, quando comprovados, conforme definição da
legislação civil e desde que conhecida a receita bruta. Nestes casos, as bases de
cálculo são determinadas pelo IRPJ e CSLL e é semelhante à do lucro presumido,
com 20% de acréscimo.

2.4.3 Receita bruta conhecida

Pinto (2011) define receita bruta como o produto da venda de bens e serviços
nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas
operações em conta alheia, não incluídas as vendas canceladas e os descontos
incondicionais concedidos.
Os artigos 48 a 55 da Lei 8.981, de 20 de janeiro de 1995, regulam a matéria
sobre o lucro arbitrado a partir do período-base, iniciado em 1° de janeiro de 1995.
Os percentuais aplicáveis às atividades de pessoa jurídica são determinados, para
efeito do lucro arbitrado (art. 48), de acordo com a receita bruta conhecida. Esses
percentuais só vigoraram em 1995 porque, a partir de 1° de janeiro de 1996 entrou
em vigor o art. 16 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, o qual reza:

O lucro arbitrado das pessoas jurídicas será determinado mediante


aplicação sobre a receita bruta, quando conhecida, dos percentuais fixados
no art. 15, acrescidos de 20%.
28

Parágrafo Único: No caso das instituições a que se refere o inciso III do art.
36 da Lei 8.981, de 20 de janeiro de 1995, o percentual para a
determinação do lucro arbitrado será de 40%.

Os percentuais fixados no art.15 da Lei nº 9.249/95 são os seguintes:


a) 8%, venda de mercadorias e produtos e serviços hospitalares;
b) 1,6%, venda, para consumo, de combustíveis derivados de petróleo, álcool
etílico carburante e gás natural;
c) 16%, prestação de serviços de transporte, exceto o de carga que é de 8%;
d) 32%, prestação de demais serviços.
Os percentuais para determinar o lucro arbitrado podem recair em outras
variáveis, caso não seja conhecida a receita bruta. No entanto, independente de
conhecer a receita bruta, deverão ser acrescidos ao lucro arbitrado os seguintes
valores:

a) Os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras,


inclusive nos mercados de renda variável, como bolsa de valores, de
mercadorias, de futuros e assemelhados e no mercado de balcão Os
juros ativos e os descontos obtidos em pagamentos de obrigações;
b) Os valores cuja tributação havia sido deferida e que estão sendo
organizado;
c) Os juros recebidos a título de remuneração do capital próprio por outras
empresas, das quais a pessoa jurídica seja sócia ou acionista;
d) Controlados na parte “b” do Lalur da pessoa jurídica que, até o ano-
calendário anterior, foram tributados com base no lucro real; e
e) Os valores recuperados pela empresa referentes a custos ou despesas,
inclusive com perdas no recebimento de créditos, que tenham sido
reduzidos na apuração do lucro real em períodos anteriores (OLIVEIRA,
2009, p. 115).

A base de cálculo do IRPJ por estimativa corresponderá ao resultado


multiplicado sobre a receita bruta mensal da pessoa jurídica de determinados
percentuais” (OLIVEIRA, 2009, p. 106). Os percentuais variam de acordo com as
atividades operacionais que a pessoa jurídica desenvolve. Oliveira explica que:

(...) a base de cálculo mensal do imposto de renda das pessoas jurídicas


prestadoras de serviço em geral, cuja receita bruta anual seja de até R$
120.000,00 ( cento e vinte mil reais), será determinada mediante a aplicação
do percentual de 16% sobre a receita bruta auferida mensalmente, não se
aplicando às pessoas jurídicas que prestam serviços hospitalares e de
transporte, bem como às sociedades prestadoras de serviços de profissões
legalmente regulamentadas (OLIVEIRA, 2009, p. 107)
29

2.5 LUCRO REAL

Lucro Real é o lucro líquido do exercício ajustado pelas adições, exclusões ou


compensações prescritas ou autorizadas pela legislação tributária (art. 6°, Decreto-
Lei n° 1598 de 26 de dezembro de 1977). O art. 7° da mesma lei determina que “o
lucro real será determinado com base na escrituração que o contribuinte deve
manter, com observância das leis comerciais e fiscais”.
O Decreto-Lei n° 1598 determina ainda em seu art. 8° que: “O contribuinte
deverá escriturar, além dos demais registros requeridos pelas leis comerciais e pela
legislação tributária, os seguintes livros: I – Livro de Apuração do Lucro Real
(LALUR) e II – Razão Auxiliar em ORTN.”
Com a extinção da correção monetária o Razão Auxiliar em ORTN caiu em
desuso, porém o LALUR ainda é obrigatório.
Para que a empresa possa optar pelo Lucro Real deve observar as normas
das legislações fiscais e comerciais, mantendo sua escrituração contábil em perfeita
ordem e dentro dos Princípios Contábeis.
Os livros exigidos pela Receita Federal são citados nos artigos 258, 259, 260
e 262 do Decreto n° 3.000 de 26/03/1999 e são os seguintes:
a) Livro diário;
b) Livro razão;
c) Registro de inventário;
d) Registro de entradas (compras);
e) Livro de Apuração do Lucro Real - LALUR;
f) Livro para registro permanente de estoque, para as pessoas jurídicas que
exercerem atividades de compra, venda incorporação e construção de
imóveis, loteamento ou desmembramento de terrenos para venda;
g) Livro de Movimentação de Combustíveis, a ser escriturado diariamente
pelo posto revendedor.
A elaboração das Demonstrações Contábeis através da escrituração contábil,
que constarão no Livro Diário da Empresa, servirão para comprovar os valores
devidos ao Imposto de Renda e à Contribuição Social sobre o lucro líquido.
O Cálculo do Imposto de Renda é feito à alíquota de 15% sobre a base de
cálculo, ou seja, o lucro real apurado trimestralmente, ou a estimativa. Para o lucro
30

que exceder o limite de R$ 20.000,00 mensais, ou R$ 240.000,00 anuais, calcula-se


um adicional de 10%.
O Lucro Real é o Lucro Contábil somando-se a ele as adições e diminuídas
as exclusões/Compensações.

2.5.1 Pessoas jurídicas obrigadas ao Lucro Real

Segundo o art. 14 da Lei n. 9.718/98, estão obrigadas à apuração do lucro


real as pessoas jurídicas:

a) Cuja receita total, no ano-calendário anterior, seja superior ao limite de


R$ 48.000.000,00 (quarenta e oito milhões de reais), ou proporcional ao
número de meses do período, quando inferior a 12 (doze) meses
(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002);
b) Cujas atividades sejam de bancos comerciais, bancos de investimentos,
bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito,
financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário,
sociedades corretoras de títulos, valores mobiliários e câmbio,
distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento
mercantil, cooperativas de crédito, empresas de seguros privados e de
capitalização e entidades de previdência privada aberta;
c) Que tiverem lucros, rendimentos ou ganhos de capital oriundos do
exterior;
d) Que, autorizadas pela legislação tributária, usufruam de benefícios
fiscais relativos à isenção ou redução do imposto;
e) Que, no decorrer do ano-calendário, tenham efetuado pagamento
mensal pelo regime de estimativa, na forma do art. 2º da Lei nº 9.430, de
1996;
f) Que explorem as atividades de prestação cumulativa e contínua de
serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito,
seleção e riscos, administração de contas a pagar e a receber, compras
de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de
prestação de serviços (factoring);
g) Que explorem as atividades de securitização de créditos imobiliários,
financeiros e do agronegócio (Incluído pela Lei nº 12.249, de 11 de junho
de 2010) (Vide Lei nº 12.249/2010, art. 139, inc. I, d) (OLIVEIRA, 2009,
p. 101 e 102).

O que se nota é que as demonstrações contábeis precisam ser registradas


adequadamente, pois é com base nelas que se determina o encargo tributário da
pessoa jurídica. Todos os fatos devem ser registrados com obrigatoriedade, pois a
31

escrituração contábil exerce um caráter universal. A legislação tributária é


“estruturada, pautada em inúmeros conceitos do Direito Comercial como: balanço
patrimonial, patrimônio líquido, reservas, incorporação, cisão, dividendo, etc...”
(OLIVEIRA, 2009, p. 102).

2.5.2 Base de Cálculo

Segundo Fabretti (2009, p. 213), “o lucro real é apurado a partir do resultado


contábil do período-base, e pode ser positivo (lucro) ou negativo (prejuízo). Logo,
pressupõe escrituração contábil regular e mensal”.
Abaixo, um exemplo de demonstração do resultado do exercício (art. 187).
Exercício
Receita bruta das vendas e serviços A
Dedução das vendas, abatimentos e impostos (-)B
______
Receita líquida das vendas e serviços C
Custo das Mercadorias e serviços vendidos (-)D
_____
Lucro Bruto E
Despesas com vendas, despesas financeiras deduzidas das receitas,
Despesas gerais e administrativas e outras despesas operacionais (-)F
_____
Lucro (ou prejuízo) operacional G
Outras receitas +H
Outras despesas (-)1
Saldo da conta de correção monetária do ativo permanente e do
Patrimônio líquido (Revogada- Lei nº9.249/95 (+ ou -)J
_______
Resultado do exercício antes do Imposto de Renda L
Participações de debêntures, empregados, administradores e partes
beneficiárias (inclusive instrumentos financeiros (-)N

Provisão para o Imposto de Renda e CSLL (-)M


Contribuições para instituições ou fundos de assistência ou previdência
de empregados (não classificados como despesa) (-)0
Lucro (ou prejuízo) líquido efetivo do exercício (R$ por
ação do capital social (+ ou -)P

Figura 1: Exemplo demonstração do resultado do exercício


Fonte: Fabretti 2009

A demonstração transcrita do resultado obedece ao art. 187 da Lei 6.404/76.


2.5.3 Apuração do lucro real – Lalur
32

Segundo o conceito de IR, resultado antes do IR (L), o lucro líquido é


transportado e ajustado mediante as adições, exclusões e compensações
determinadas por ele, apurando-se o lucro real (Lucro Líquido antes do IR) +
adições-exclusões-compensações = lucro real).

2.5.3.1 Adições ao lucro líquido

As adições referem-se a valores que devem ser somados ao lucro contábil,


em função das seguintes situações:
a) Despesas que afetaram o resultado contábil do período mais não estão
autorizadas pela legislação fiscal como redutora da base de cálculo do
imposto de renda, tais como multa por infração de trânsito, brindes, etc.;
b) Receitas que no período anterior tenham sido excluídas do lucro contábil
para definir o lucro real, por uma condição de deferimento para ser
adicionado em períodos posteriores, tais como venda a prazo de bens ou
serviços para órgãos públicos, para recebimento nos períodos seguintes;
c) Despesas que em períodos anteriores foram excluídas do resultado
contábil para definição do lucro real, em função da antecipação do
reconhecimento da despesa fiscal, mas somente agora está sendo
contabilizado. Como exemplo, empresa que tenha a atividade rural e
compra equipamentos, o contribuinte considera totalmente depreciado para
fins do imposto de renda, contábil reconhece a despesa no prazo da vida
útil do bem (OLIVEIRA, 2009).
São adições ao Lucro Real:
a) Multas por autos de infração ou por lançamento de ofício;
b) Retiradas de dirigentes e de membros do conselho fiscal e de
administração que não correspondam a remuneração mensal e fixa por
prestação de serviços;
c) Remuneração indireta a administradores, quando os beneficiários não
forem identificados ou identificados e não individualizados;
d) Participações atribuídas a dirigentes;
33

e) Participações atribuídas a técnicos estrangeiros;


f) Excesso de depreciação, amortização ou exaustão;
g) Despesas não relacionadas com a produção ou comercialização;
h) Contribuições não compulsórias;
i) Doações feitas a fundos controlados pelos Conselhos Municipais,
Estaduais e Nacional dos Direitos das Criança e do Adolescente;
j) Doações ou patrocínios relativos a projetos aprovados nos termos do art.
18 da Lei 8.313/91, com as alterações da Lei 9.874/1999
k) Gastos com alimentação de administradores;
l) Gastos com alimentação de empregados, cujo fornecimento não seja
efetuado indistintamente;
m)Despesas com brindes;
n) Provisões, exceto as provisões para férias, para décimo terceiro salário, as
provisões técnicas das companhias de seguros e de capitalização, e as
provisões das Entidades de Previdência Privada, cuja constituição é
exigida por lei (OLIVEIRA, 2009).

2.5.3.2 Exclusões do lucro líquido

As exclusões são referentes a valores que devem ser deduzido do lucro


contábil, que pode ser em função das seguintes situações:
a) Receitas que afetaram o resultado contábil, mas a legislação define com
receita isenta do imposto de renda, exemplo receita de equivalência
patrimonial;
b) Despesas que no período anterior tenham sido adicionadas ao resultado
contábil, por uma condição necessária para sua dedutibilidade.
c) Deduções por incentivos fiscais, tais como depreciação acelerada para fins
fiscais;
São exclusões do Lucro Real:
a) Resultados não tributáveis de sociedades cooperativas;
b) Lucros e dividendos de investimentos avaliados pelo custo de aquisição;
c) Ganho na avaliação de investimentos pela equivalência patrimonial
34

d) Ganho de capital nas vendas a prazo de bens (reconhece-se apenas a


parcela do preço recebido em cada período de apuração);
e) Depreciação acelerada incentivada;
f) Outras exclusões e exclusões não realizadas em exercícios anteriores
(OLIVEIRA, 2009).

2.5.3.3 Compensação de prejuízos

De acordo com o art. 31 da Lei 9249/95: Os prejuízos não operacionais,


apurados pelas pessoas jurídicas, a partir de 1º de janeiro de 1996, somente
poderão ser compensados com lucros de mesma natureza, observado o limite
previsto no art. 15 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995.
A soma dos prejuízos fiscais operacionais não poderá exceder o limite de
30% do lucro líquido do período da compensação, ajustado pelas adições e
exclusões.
O valor do prejuízo não operacional a ser compensado em cada período de
apuração também não poderá exceder 30% do lucro líquido somado aos prejuízos
de outras atividades, apurado no período a compensar. OLIVEIRA et al. (2003)
O art. 42 da Lei 8.981, a partir de 1º de janeiro de 1995, para efeito de
determinação do lucro real:

O lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas ou autorizadas


pela legislação do imposto de renda, poderá ser reduzido em, no máximo,
30%.
Parágrafo único: A parcela dos prejuízos fiscais apurados até 31 de
dezembro de 1994, não compensada em razão do disposto no caput deste
artigo, poderá ser utilizada nos anos-calendários subsequentes.

As disposições neste artigo foram complementadas pelo artigo 15 da Lei


9.065/95.

Art. 15. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do ano-


calendário de 1995 poderá ser compensado, cumulativamente com os
prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido
ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação do Imposto de
35

Renda observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento


do referido lucro líquido ajustado.
Parágrafo Único: O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas
jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação
fiscal, comprobatórios do montante do prejuízo fiscal utilizado para a
compensação (FABRETTI, 2009, p. 216).

Pela legislação vigente a partir de 1995, portanto, os prejuízos fiscais


apurados em exercícios anteriores só poderão ser compensados em 30% do
resultado do período atual:

2.5.4 Como calcular o lucro real

Serão adicionados ao lucro líquido (RIR/1999, art. 249):


a. Os custos, despesas, encargos, perdas, provisões, participações e
quaisquer outros valores deduzidos na apuração do lucro líquido que, de
acordo com a legislação tributária, não sejam dedutíveis na determinação
do lucro real (exemplo: resultados negativos de equivalência patrimonial,
custos e despesas não dedutíveis);
b. Os resultados, rendimentos, receitas e quaisquer outros valores não
incluídos na apuração do lucro líquido que, de acordo com a legislação
tributária, devam ser computados na determinação do lucro real (exemplo:
lucros auferidos por controladas e coligadas domiciliadas no exterior);
Em Oliveira et al (2003) encontra-se que o Livro de Apuração do Lucro Real,
LALUR, tem por finalidade demonstrar os ajustes do resultado do período através
das adições, exclusões ou compensações autorizadas, que servirão para apuração
do Lucro Real.
A determinação da base de cálculo do IRPJ é feita através da escrituração do
LALUR, sendo ele, portanto, peça fundamental para a apuração do Lucro Real.
Estão obrigadas a escriturar o LALUR todas as pessoas jurídicas submetidas ao
Lucro Real, ainda que por opção.
O LALUR divide-se em duas partes (Parte A e Parte B) e pode ser utilizado
em forma de livro encadernado ou sistema eletrônico de processamento de dados.
Na primeira e na última página do livro devem constar, respectivamente os termos
36

de abertura e de encerramento, que identificam o contribuinte, especificando a razão


social; o número e a data do arquivamento dos atos na Junta Comercial ou no
Cartório do Registro Civil das Pessoas Jurídicas; o número de registro no Cadastro
das Pessoas Jurídicas (CNPJ). Os termos de Abertura e Encerramento devem ser
datados e assinados pelo diretor, gerente ou titular da pessoa jurídica e por
contabilista legalmente habilitado.
A legislação tributária admite a escrituração do LALUR mediante a utilização
de sistema eletrônico de processamento de dados, desde que observadas as
normas baixadas pela SRF. A exemplo dos demais livros, os formulários contínuos,
após escriturados, devem ser encadernados em forma de livro, contendo Termo de
Abertura e de Encerramento.
O Livro de Apuração do Lucro Real não está sujeito a autenticação ou registro
em órgão oficial.
Caso a utilização de uma das partes do LALUR se complete antes do término
da outras, as páginas em branco devem ser canceladas, prosseguindo-se a
escrituração, integralmente, no livro subseqüente. (OLIVEIRA et al .2003)

2.5.5 Lucro real anual

Conforme dispõe o art. 230, do RIR, a pessoa jurídica pode suspender ou


reduzir o pagamento mensal do imposto calculado com base na presunção dos
lucros.

Desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais que o


valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional,
calculado com base no lucro real do período em curso (FABRETTI, 2009, p.
222).

Fabretti (2009, p. 222) explica que “Se a pessoa jurídica tem prejuízo desde o
início do trimestre, não é preciso pagar o imposto para depois reduzi-lo”. Convém
lembrar que é preciso comprovar com a escrituração contábil, com balancetes, a
apuração dos lucros descritos na Lalur. Se a documentação comprovar o prejuízo
37

desde o início do ano-calendário, “a pessoa jurídica está dispensada de recolher o


IR estimado” (FABRETTI, 2009, p. 222).
Quando o lucro real for menor do que o apurado por estimativa, também é
permitido pagar o imposto, desde que comprovado pela escrituração contábil,
balancete e apuração do lucro real transcrito no Lalur.
Quando a opção for por lucro real, pago por estimativa e mensalmente, é
considerado como antecipação do IR devido no encerramento do ano-calendário.
As pessoas obrigadas à apuração do resultado pelo lucro real e os
percentuais de presunção do lucro aplicáveis sobre a receita bruta são os seguintes:

a) 8% sobre a receita proveniente de vendas de mercadorias (exceto


revenda de combustíveis para consumo) ou produtos, do transporte de
cargas e de serviços hospitalares, bem como de outras atividades para
as quais não esteja previsto percentual específico.
b) 1,6% sobre a receita proveniente da revenda, para consumo, de
combustível derivado do petróleo, álcool etílico carburante e gás natural;
c) 32% sobre a receita proveniente das atividades de:
I. Prestação de serviços em geral(excetuados os serviços hospitalares e
de transporte e as empresas prestadoras de serviços com receita bruta
anual não superior a R$120.000,00);
II. Intermediação de negócios;
III. Administração, locação ou cessão de bens imóveis, móveis e direitos de
qualquer natureza;
IV. Prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia,
mercadológica, gestão de crédito, seleção de riscos, administração de
contas a pagar e a receber;
d) 16% sobre a receita proveniente da prestação de serviços de:
I. Transporte (exceto cargas);
II. Prestadoras de serviços com receita bruta anual não superior a R$
120.000,00.
De acordo com o § 4º do art. 223 do RIR, nas empresas prestadoras de
serviços cuja receita bruta anula seja igual ou inferior a 120.000,00, o lucro
presumido mensal será determinado mediante a aplicação do percentual de
16% sobre a receita bruta de cada mês (FABRETTI, 2009, 219).

O Decreto 3.000/1999 determina, portanto, que os pagamentos mensais do


IRPJ e da CS são calculados por estimativa mensal. Os balancetes intermediários
serão levantados mensalmente a fim de suspender ou reduzir o pagamento mensal
do imposto calculado com base na receita bruta e acréscimos.
A opção é manifestada pelo pagamento do imposto relativo ao mês de janeiro
ou ao mês de início das atividades e pela transcrição no Diário do
balanço/balancete, e no LALUR da Demonstração do Lucro ou Prejuízo do período
em curso. A base de cálculo do Imposto de Renda a ser pago mensalmente é o
resultado do somatório de um percentual aplicado sobre a receita bruta do mês,
38

acrescido de ganhos de capital, demais receitas e resultados positivos, excetuados


os rendimentos ou ganhos tributados como de aplicações financeiras. Os
percentuais aplicáveis sobre a receita bruta variam de acordo com a atividade da
pessoa jurídica e constam do art. 15 da Lei n° 9.249/96:
PERCENTUAIS DE ESTIMATIVA APLICÁVEIS SOBRE RECEITA BRUTA
IRPJ E CSLL
ATIVIDADE IR CS
Revenda para consumo de combustível derivado de petróleo, álcool etílico
1,6% 12%
carburante e gás natural.
Prestação de serviços, pelas sociedades civis, relativo ao exercício de profissões
legalmente regulamentadas, prestação de serviços em geral. 32% 32%
Intermediação de negócios (inclusive representação comercial por conta de
terceiros e corretagem de Seguros, imóveis e outros). 32% 32%
Administração, locação ou cessão de bens e imóveis (exceto a receita de
aluguéis, quando a pessoa jurídica não exercer a atividade de locação de
32% 32%
imóveis).
Administração de consórcios de bens duráveis. 32% 32%
Cessão de direitos de qualquer natureza. 32% 32%
Construção por administração ou por empreitada unicamente de mão-de-obra. 32% 32%
Serviços de transporte, exceto de carga. 16% 12%
Revenda de mercadorias, vendas de produtos de fabricação própria. 8% 12%
Industrialização por encomenda (material fornecido pela encomendante). 8% 12%
Atividade rural. 8% 12%
Representação comercial por conta própria. 8% 12%
Loteamento de terrenos, incorporação imobiliária e venda de imóveis construídos
ou adquiridos para revenda execução de obras de construção civil com emprego
8% 12%
de materiais.
Prestação de serviços hospitalares. 8% 12%
Transporte de cargas. 8% 12%
Outras atividades não caracterizadas como prestação de serviços. 8% 12%
Figura 2: Percentuais de estimativa aplicáveis sobre receita bruta – IRPJ e CSLL
Fonte: Decreto N° 3.000/1999

2.5.6 Lucro real trimestral

No Decreto 3.000 de1999 encontra-se que no lucro real trimestral os prejuízos


de trimestres anteriores só poderão ser compensados até o limite de 30% do lucro
do trimestre atual, podendo ficar sujeito ao pagamento do IR e da CS em
determinado trimestre, mesmo havendo prejuízos a compensar em trimestres
anteriores. A cada trimestre existe a obrigação de encerrar o balanço, e os
recolhimentos do IRPJ e da CS são considerados definitivos. A opção pelo lucro real
trimestral é exercida pelo pagamento da primeira quota, ou quota única relativa ao
primeiro trimestre do ano-calendário.
39

2.6 SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES


DAS MICROEMPRESAS E EMPRESAS DE PORTE

Considera-se Microempresa a pessoa jurídica cuja receita bruta, no ano-


calendário, for igual ou inferior a R$ 360.000,00 e a Empresa de Pequeno Porte
aquela cuja receita bruta for superior a R$ 360.000,00 e inferior a R$ 3.600.000,00
(Lei Complementar 123/2006 e alterado pela Lei Complementar 139/2011, MEI até o
limite de R$ 60.000,00 anuais (LEI COMPLEMENTAR Nº 123, DE 2006).
Além do limite de R$ 3.600.000,00 com receitas auferidas no mercado
interno, a EPP poderá obter, adicionalmente, receita com exportação de mercadorias
até o valor de R$ 3.600.000,00, sem prejuízo do seu enquadramento como EPP e
da sua opção pelo Simples Nacional.
Todavia, para fins de determinação da alíquota aplicável no cálculo dos
tributos devidos, será considerada a receita bruta total da empresa nos mercados
interno e externo.
No caso de início de atividade no próprio ano-calendário, os limites acima
serão proporcionais ao número de meses de funcionamento no período (1/12 do
limite multiplicado pelo número de meses compreendidos entre a data de abertura
constante no CNPJ e o final do respectivo ano-calendário).
A EPP optante que, no ano-calendário, exceder o limite de receita bruta anual
ou o limite adicional para exportação de mercadorias fica excluída do Simples
Nacional, de acordo com as regras a seguir:
a. Se o excesso for superior a 20%, em qualquer dos limites, a exclusão se
dará a partir do mês subsequente ao da ocorrência do excesso;
b. Se o excesso não for superior a 20%, em qualquer dos limites, a exclusão
se dará no ano-calendário subsequente.(LEI COMPLEMENTAR Nº 123,
DE 2006).

2.6.1 Opção pelo simples


40

A opção pelo regime de reconhecimento de receita bruta de que trata o § 1º


do art. 16 deverá ser registrada em aplicativo disponibilizado no Portal do Simples
Nacional. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 18, § 3º)

Parágrafo único. A opção pelo Regime de Caixa servirá exclusivamente


para a apuração da base de cálculo mensal, aplicando-se o Regime de
Competência para as demais finalidades, especialmente, para determinação
dos limites e sublimites, bem como da alíquota a ser aplicada sobre a
receita bruta recebida no mês (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 18, §
3º).

2.6.2 Tributos integrantes do simples

A Lei Complementar nº 123/2006 determina que integram o simples os


seguintes tributos:
a) Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas – IRPJ;
b) Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do
Patrimônio do Servidos Público - PIS/PASEP;
c) Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CS;
d) Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS;
e) Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI;
f) Contribuições para a Seguridade Social, a cargo da pessoa jurídica (parte
empresa do INSS, contribuição para terceiros, seguro de acidente de
trabalho);
g) Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços – ICMS;
h) Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza –ISS

2.6.3 Tributos excluídos do simples

Segundo a Lei Complementar nº123/2006, não integram o simples:


a) Imposto sobre Operações de Crédito, Cambio e Seguro, ou relativas a
Títulos e Valores Mobiliários – IOF;
41

b) Imposto sobre Importação de Produtos Estrangeiros - II;


c) Imposto sobre Exportação de Produtos Nacionais ou Nacionalizados – IIE;
d) Imposto de Renda, relativo aos pagamentos ou créditos efetuados pela
pessoa pessoas físicas – IRRF;
e) Imposto de Renda, relativo aos rendimentos ou ganhos líquidos auferidos
em aplicações financeiras de renda fixa ou variável;
f) Imposto de Renda relativo aos ganhos de capital auferidos na alienação de
bens do ativo permanente;
g) Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR;
h) Contribuição Provisória sobre a Movimentação Financeira – CPMF;
i) Contribuição para o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS;
j) Contribuição para a Seguridade Social, relativa à pessoa do empresário, na
qualidade de contribuinte individual, carcaterizado como microempresa
(INSS),
k) Contribuição para o PIS/Pasep, COFINS e IPI incidentes na importação de
bens e serviços;
ICMS devido:
a) nas operações ou prestações sujeitas ao regime de substituição tributária;
b) na entrada do território do estado ou Distrito Federal, de petróleo, inclusive
lubrificantes e combustíveis líquidos e gasosos dele derivados, bem como
energia elétrica, quando não destinados à comercialização ou
industrialização;
c) por ocasião do desembaraço aduaneiro;
d) na aquisição ou manutenção em estoque de mercadoria desacobertada de
documento fiscal;
e) na operação ou prestação desacobertada de documento fiscal entre outras.
ISS devido:
a) em relação aos serviços sujeitos à substituição tributária ou retenção na
fonte;
b) na importação de serviços.
Contribuição sindical patronal.
As ME e EPP ficam dispensadas do pagamento das demais contribuições
instituídas pela União.
42

2.6.4 Vedações ao Simples

De acordo com o art. 3º da LC 123/2006, não poderá se beneficiar do


tratamento jurídico diferenciado previsto nesta Lei Complementar a pessoa jurídica:
I - De cujo capital participe outra pessoa jurídica;
II - Que seja filial, sucursal, agência ou representação, no País, de pessoa
jurídica com sede no exterior;
III - De cujo capital participe pessoa física que seja inscrita como empresário
ou sócio de outra empresa que receba tratamento jurídico diferenciado nos
termos desta Lei Complementar, desde que a receita bruta global
ultrapasse o limite de que trata o inciso II do caput deste artigo;
IV - Cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital
de outra empresa não beneficiada por esta Lei Complementar, desde que a
receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso II do caput
deste artigo;
V - Cujo sócio ou titular seja administrador ou equiparado de outra pessoa
jurídica com fins lucrativos, desde que a receita bruta global ultrapasse o
limite de que trata o inciso II do caput deste artigo;
VI - Constituída sob a forma de cooperativas, salvo as de consumo;
VII - Que participe do capital de outra pessoa jurídica;
VIII - Que exerça atividade de banco comercial, de investimentos e de
desenvolvimento, de caixa econômica, de sociedade de crédito,
financiamento e investimento ou de crédito imobiliário, de corretora ou de
distribuidora de títulos, valores mobiliários e câmbio, de empresa de
arrendamento mercantil, de seguros privados e de capitalização ou de
previdência complementar;
IX - Resultante ou remanescente de cisão ou qualquer outra forma de
desmembramento de pessoa jurídica que tenha ocorrido em um dos 5
(cinco) anos-calendário anteriores;
X - Constituída sob a forma de sociedade por ações.
43

Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional


a microempresa ou a empresa de pequeno porte (Art. 17 LC 123/2006):
a) Que explore atividade de prestação cumulativa e contínua de serviços de
assessoria creditícia, gestão de crédito, seleção e riscos, administração de
contas a pagar e a receber, gerenciamento de ativos, compras de direitos
creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de
serviços (factoring);
b) Que tenha sócio domiciliado no exterior;
c) De cujo capital participe entidade da administração pública, direta ou
indireta, federal, estadual ou municipal;
d) Que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social - INSS, ou
com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja
exigibilidade não esteja suspensa;
e) Que preste serviço de transporte intermunicipal e interestadual de
passageiros;
f) Que seja geradora, transmissora, distribuidora ou comercializadora de
energia elétrica;
g) Que exerça atividade de importação ou fabricação de automóveis e
motocicletas;
h) Que exerça atividade de importação de combustíveis;
i) Que exerça atividade de produção ou venda no atacado de: cigarros,
cigarrilhas, charutos, filtros para cigarros, armas de fogo, munições e pólvoras,
explosivos e detonantes;
j) De bebidas a seguir descritas: alcoólicas; refrigerantes, inclusive águas
saborizadas gaseificadas; preparações compostas, não alcoólicas (extratos
concentrados ou sabores concentrados), para elaboração de bebida refrigerante,
com capacidade de diluição de até 10 (dez) partes da bebida para cada parte do
concentrado; cervejas sem álcool;
k) Que tenha por finalidade a prestação de serviços decorrentes do exercício de
atividade intelectual, de natureza técnica, científica, desportiva, artística ou
cultural, que constitua profissão regulamentada ou não, bem como a que preste
serviços de instrutor, de corretor, de despachante ou de qualquer tipo de
intermediação de negócios;
l) Que realize cessão ou locação de mão-de-obra;
m) Que realize atividade de consultoria;
44

n) Que realize atividade de locação de imóveis próprios, exceto quando se


referir a prestação de serviços tributados pelo ISS (Redação dada pela Lei
Complementar nº 139, de 2011);
o) Com ausência de inscrição ou com irregularidade em cadastro fiscal
federal, municipal ou estadual, quando exigível. (Incluído pela Lei
Complementar nº 139, de 2011);
p) No art.17, § 2º da LC 123/2006) encontra-se ainda que poderá optar pelo
Simples Nacional a microempresa ou empresa de pequeno porte que se
dedique à prestação de outros serviços que não tenham sido objeto de
vedação expressa neste artigo, desde que não incorra em nenhuma das
hipóteses de vedação previstas nesta Lei Complementar.

2.6.5 Alíquotas do Simples Nacional

A Lei Complementar nº 123/2006 determina que o contribuinte deverá


considerar, destacadamente, para fim de pagamento:
a) As receitas decorrentes da revenda de mercadorias;
b) As receitas decorrentes da venda de mercadorias industrializadas pelo
contribuinte;
c) As receitas decorrentes da prestação de serviços, bem como a de locação
de bens móveis;
d) As receitas decorrentes da venda de mercadorias sujeitas a substituição
tributária e tributação concentrada em uma única etapa (monofásica), bem
como, em relação ao ICMS, antecipação tributária com encerramento de
tributação;
e) As receitas decorrentes da exportação de mercadorias para o exterior,
inclusive as vendas realizadas por meio de comercial exportadora ou da
sociedade de propósito específico prevista no art. 56 desta Lei
Complementar. (recolher CSLL, IRPJ e CPP).

2.7 IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA


45

Segundo Oliveira (2009) o imposto sobre a renda (ou imposto de renda) é de


competência da União, que determina que o fato gerador desse imposto é a
aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica da renda ou proventos de
qualquer natureza.
De acordo com o Art. 43 do Código Tributário Nacional:

Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de


qualquer natureza, tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade
econômica ou jurídica:
I - de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da
combinação de ambos;
II - de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos
patrimoniais não compreendidos no inciso anterior.
§ 1° A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do
rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da
origem e da forma de percepção (Parágrafo incluído pela LCP nº 104, de
10.1.2001).
§ 2° Na hipótese de receita ou de rendimento oriundos do exterior, a lei
estabelecerá as condições e o momento em que se dará sua
disponibilidade, para fins de incidência do imposto referido neste artigo
(Parágrafo incluído pela LCP nº 104, de 10.1.2001).
Art. 44. A base de cálculo do imposto é o montante, real, arbitrado ou
presumido, da renda ou dos proventos tributáveis.
Art. 45. Contribuinte do imposto é o titular da disponibilidade a que se refere
o artigo 43, sem prejuízo de atribuir a lei essa condição ao possuidor, a
qualquer título, dos bens produtores de renda ou dos proventos tributáveis.

O enquadramento e a escolha do regime tributário é que definirão a base de


cálculo e a incidência dos impostos federais. Os tipos de regimes disponíveis para
enquadramento foram citados anteriormente.
Cada um desses regimes possui uma maneira própria de tributação e define
os procedimentos que a empresa deve seguir para se enquadrar ao mais adequado.

2.7.1 Base de cálculo

Como regra geral, a base de cálculo do imposto consiste no lucro, apurado a


partir do resultado contábil do período-base, que pode ser real, presumido ou
arbitrado.
46

2.7.2 Suspensão e redução do imposto

Além do Imposto do Renda, a CSLL, Contribuição Social sobre o Lucro


Líquido, é outro tributo incidente sobre o resultado da entidade, e sua base de
cálculo pode ser o Lucro Real, Presumido ou Arbitrado, porém seu alcance é apenas
para as pessoas jurídicas.
Instituída pela Lei no 7.689, de 15 de dezembro de 1988, a contribuição social
sobre o lucro das pessoas jurídicas é destinada ao financiamento da seguridade
social, juntamente com a COFINS. O art. Art. 4º desta mesma lei determina: “São
contribuintes as pessoas jurídicas domiciliadas no País e as que lhes são
equiparadas pela legislação tributária.“
A partir de 01.02.2000 a alíquota da CSLL é de 9% (nove por cento).
(OLIVEIRA, 2009).

2.8 INCENTIVOS FISCAIS

Os incentivos fiscais dedutíveis do imposto de renda devido pelas pessoas


jurídicas foram alterados pela Lei nº 9.532/97 e pela Medida Provisória nº 2.189-
49/01, com vigência a partir de 1° jan. 98. O art. 10 da Lei nº 9.532/97 dispõe que,
do imposto apurado com base no lucro arbitrado ou no lucro presumido, não será
permitida qualquer dedução a título de incentivo fiscal. Com isso, os incentivos
fiscais dedutíveis do imposto de renda só podem ser utilizados pelas empresas
tributadas com base no lucro real.
Há incentivos fiscais que podem ser deduzidos dos pagamentos mensais
obrigatórios, enquanto outros somente podem ser deduzidos na declaração de
rendimentos, de acordo com a Lei 8.981 art, 34 de 1995:
I - Dedutíveis nos pagamentos mensais ou na declaração:
a) PAT – Programa de Alimentação do Trabalhador;
b) Doação para fundo da criança;
47

c) Atividade cultural;
d) Atividade audiovisual.
II Dedutíveis na declaração anual:
a) PDTI e PDTA.
A dedução global ficou dividida em dois grupos. Com isso, a empresa poderá,
por exemplo, deduzir, do imposto de renda devido no mês ou na declaração, 4% do
incentivo fiscal como PAT e mais 4% como incentivo da atividade cultural ou 3% de
audiovisual e ainda os outros incentivos que não estão nos limites globais tais como
doação para fundo da criança.
Os arts. 5º e 6º da Lei no 9.532/97, com a redação dada pelo art. 10 da MP nº
2.189-49/01, alteraram os limites individuais e globais das deduções de incentivos
fiscais, como segue:
I - dedução isolada limitada a 4%:
PAT – Lei no 6.321/76
Cultura – Lei no 8.313/91
PDTI e PDTA – Lei no 8.661/93
II - dedução global limitada a 4%
1o Grupo:
PAT – Lei no 6.321/76
PDTI e PDTA – Lei no 8.661/93
2o Grupo:
Cultura – Lei no 8.313/91
Audiovisual – Lei nº 8.685/93 e art. 44 da MP n° 2.228/2001
Continuam em vigor os limites individuais de dedução dos seguintes
incentivos fiscais:
a) audiovisual – 3% fixado pela Lei nº 9.323 de 05-12-96;
b) fundo da criança –1% fixado pelo Decreto nº 794 de 5 abr.93.
A Lei nº 11.077, de 2004, prorrogou diversos benefícios fiscais do setor de
informática e automação.

2.8.1 Incentivo de caráter cultural


48

O Ministério da Cultura expediu a Portaria nº 46, de 13-03-98, com a qual


disciplina a elaboração, a formalização, a apresentação e a análise dos projetos
culturais, artísticos e audiovisuais para fins de benefício fiscal.
Também expediu a Portaria nº 500, de 18 dez. 98, que disciplina a
elaboração, a formalização, a apresentação, a análise e a execução de projetos
audiovisuais e radiofônicos para fins de incentivos fiscais.
A MP nº 2.228, de 6 set/2001, que estabelece Política Nacional do Cinema e
criou a ANCINE, instituiu benefícios fiscais na aquisição de quotas dos Funcines
(Lucro Real Trimestral ou Anual, calendário de 2010).

2.8.2 Incentivos fiscais dos projetos audiovisuais

Pode-se aplicar 3% fixado pela Lei nº 9.323, de 5 dez. 96. O parágrafo único
do art. 44 da MP nº 2.228, de 6 set/2001 prorrogou até o ano-calendário de 2006 o
incentivo fiscal de audiovisual da Lei nº 8.685, de 1993.
Na época da entrega de declarações de renda das pessoas jurídicas, surgem
indagações quanto à possibilidade ou não de efetuar aplicações em projetos
audiovisuais e gozar do benefício fiscal da dedução do imposto de renda devido uma
vez findo o período de apuração.
A solução de consulta nº 155, da 7a RF (DOU de 18 set. 01), diz que a partir
de janeiro de 1996, com a vigência da IN nº 62, de 21 dez. 95, que deu nova
redação aos artigos 1º e 2º da IN nº 56, de 18 jul. 94, não mais é possível a
dedução, na declaração de rendimentos, de valores relativos à aplicação de
recursos em projetos audiovisuais que sejam feitos após o encerramento do ano-
base correspondente, como expressamente era autorizado pela antiga redação do
§1º do art. 2º da IN nº 56, de 1994. (HIGUCHI, 2005, p. 34).
Na história do Imposto de Renda no Brasil, duas leis de incentivo à cultura
foram personalizadas. A Lei nº 7.505/86 ficou conhecida como Lei Sarney, em
referência ao presidente da República, e a Lei nº 8.313/91, como Lei Rouanet, nome
do secretário de Cultura da Presidência da República, embaixador Sergio Paulo
Rouanet.
49

A primeira lei de incentivo fiscal à cultura, conhecida como Lei Sarney, se


estendeu até 1990. Aprovada em 2 de julho de 1986, foi precursora do mecanismo
de incentivos dessa natureza e culturais em geral.

2.8.3 PAT – Programa de Auxílio Transporte

O vale-transporte é um benefício que auxilia o empregado em sua locomoção.


Somando-se ao que ganha em seu salário, libera o que seria investido por ele.

O vale-transporte foi instituído pela Lei nº 7.418/85. A despesa líquida, ou


seja, o custo de aquisição de vale transporte ou do fornecimento de
transporte pelo próprio empregador aos seu empregados, deduzido da
parcela descontada dos salários destes (máximo 6%), pode ser deduzida
como despesa operacional ( FABRETTI, 2009, p. 284).

O incentivo consistia em aplicar a alíquota normal do IRPJ (15%) sobre a


despesa líquida e deduzir o valor assim determinado no imposto devido.
A dedução do incentivo do vale-transporte se limitava a 8% do imposto
devido. Este incentivo foi revogado pelo art. 80, inciso II f da nova Lei nº 9.532/97, a
partir de 1º jan. 98. Sua dedução é mantida como despesa operacional, revogado
apenas o incentivo.
Em complemento ao vale-transporte dentro do Programa de Alimentação ao
Trabalhador - PAT -, criado pela Lei nº 6.321 de 14 de abril de 1976 e
regulamentado pelo Decreto nº 5 de 1991, há o programa de vale-alimentação.
Trata-se de um programa estruturado na parceria entre governo, empresa e
trabalhador, tendo como unidade gestora a Secretaria de Inspeção do Trabalho e do
Departamento de Segurança e Saúde do Trabalho.
A empresa que deseja ser parceira do programa deverá ter o PAT
previamente aprovado pelo Ministério do Trabalho e Emprego - MTE. Esta
aprovação é realizada automaticamente, desde que a empresa providencie junto à
Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos - ECT - ou via internet, no site do
Ministério do e Emprego, o registro de formulário próprio, com as informações a
respeito do programa a ser desenvolvido. Uma vez efetivada a adesão ao PAT, esta
será por prazo indeterminado (Portaria Interministerial nº 05/1999).
50

O PAT não é um programa assistencialista, pois seu custeio é dividido entre


as partes envolvidas. As empresas assumem parcela dos custos de alimentação de
seus empregados; os trabalhadores fazem sua contribuição com um percentual de
seu salário e o governo concede incentivo fiscal às entidades cadastradas. A
Participação do trabalhador fica limitada a 20% do custo direto da refeição.

2.8.4 Lei Rouanet

O programa prevê benefícios para todas as partes envolvidas. A Lei nº


8.313/91, criada em 1991, com alterações em 2008, através da Lei 11.646/08,
instituiu o Programa Nacional de Apoio à Cultura também é conhecida como Lei
Rouanet (PRONAC), com o principal objetivo de captar recursos para investimentos
em projetos culturais, além de contribuir para o grande salto da cultura no Brasil
nestes últimos anos.
Esta lei permite que pessoas jurídicas deduzam, do Imposto de Renda
devido, os recursos aplicados em projetos aprovados pelo Ministério da Cultura.
A Receita Federal editou a Instrução Normativa nº267/02 para disciplinar a
dedutibilidade dos incentivos das pessoas jurídicas. Com base nesses atos
regulamentadores, serão analisados os limites e as condições aplicáveis aos
incentivos à cultura.
Existem duas formas de uso do incentivo fiscal estabelecidas pela lei Lei
Rouanet: doação ou patrocínio, também conhecido como mecenato.
2.8.5 Fundo Criança

O Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei nº 8.069/90), entre outras


inovações, prevê, em seu artigo 88, inciso IV, a criação e a manutenção dos Fundos
dos Direitos da Criança e do Adolescente nas três esferas governamentais. Estes
fundos conhecidos, como FUNCRIANÇA, têm por finalidade arrecadar e gerenciar
recursos destinados a desenvolver projetos em benefício da criança e do
adolescente, e, de acordo com o Manual de Incentivos Fiscais, do CRC-RS, busca o
atendimento infanto-juvenil:
51

As contribuições ao FUNCRIANÇA visam a assegurar à criança e ao


adolescente o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer,
à profissionalização, à cultura, ao respeito, à liberdade e à convivência
familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de
negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão
(CRC-RS, 2009, p. 30).

O Funcriança tem seus fundos para transferências vindas de recursos


públicos, oriundas de recebimento de multas por desrespeito aos direitos da criança,
dotação orçamentária e doações de terceiros
Todo recurso do fundo é gerenciado pelos Conselhos da Criança e do
Adolescente (Condeca), órgãos subordinados à administração pública e que têm
como função fiscalizar e aplicar as doações, bem como as demais receitas do
FUNCRIANÇA. Por sua vez, o poder público é responsável pela execução dos
programas.
O Estatuto da Criança e do Adolescente prevê multas decorrentes de
apuração de infrações administrativas e crimes, além de multas decorrentes de
sanções cominatórias em ação civil pública. Tais multas, quando recolhidas ou
executadas judicialmente, deverão ser revertidas para o Fundo Municipal, por força
do art. 214 do Estatuto da Criança e do Adolescente.
As transferências de recursos são encaminhadas no âmbito de cada governo,
pela dotação orçamentária do executivo. O Executivo Municipal deve incluir no
orçamento uma dotação destinada à área da infância e da juventude.
Pessoas jurídicas e pessoas físicas podem fazer doações tanto em dinheiro,
como em bens móveis ou imóveis.
A pessoa jurídica, tributada com base no Lucro Real, pode contribuir com o
FUNCRIANÇA em dinheiro ou por meio de doações em bens. Neste caso,
recomenda-se que se consulte o Conselho dos Direitos da Criança e do Adolescente
a fim de se certificar-se de que contemple doação de bens, observando alguns
critérios:
a) Comprovação da propriedade dos bens tem que ser comprovada;
b) Valor contábil dos bens;
c) Alternativamente, poderá ser adotado o valor de mercado, desde que
apurado em laudo técnico, emitido por perito ou empresa especializada,
reconhecida para a aferição do valor;
52

d) Para bens imóveis, admite-se a adoção do valor que serviu de base para o
imposto de transmissão (ITBI).
De ciência do valor a ser doado, é importante decidir qual a instituição que se
beneficiará desta doação. Alguns conselhos permitem que o doador escolha, entre
as entidades cadastradas, a que será beneficiada com a doação; outros, não.
A municipalização e o contribuinte farão a sua doação com base em um dos
princípios valorizado pelo Estatuto Criança e do Adolescente.
Os serviços municipais precisam se tornar cada vez mais qualificados e
informados para que os direitos das crianças e adolescentes sejam assegurados
nas diferentes regiões do País.
Os fundos dos direitos da criança e do adolescente são obrigados a enviar à
Receita Federal, anualmente, até o último dia útil de março do ano seguinte ao das
contribuições, a Demonstração de Benefícios Fiscais - DBF, com o nome dos
contribuintes, CNPJ e o valor total da doação recebida. De posse desta informação,
a Receita Federal vai cruzar os valores informados pelos contribuintes em sua DIPJ.
A doação ao fundo, do ponto de vista do contribuinte do Imposto de Renda,
pode ser entendida como uma possibilidade de incentivo fiscal.
Através dos artigos do Estatuto da Criança e do Adolescente, o governo
federal concede incentivo fiscal à empresa tributada pelo Lucro Real que destinar
recursos aos fundos. Será concedida dedução do Imposto de Renda, limitada a 1%
do valor do imposto devido (IN 267/02, art. 11, §1º).
Inexiste limite global (coletivo) de dedução às doações efetuadas ao Fundo
dos Direitos da Criança e do Adolescente; basta o contribuinte observar o limite de
1%, informado anteriormente, sem se importar com as demais contribuições.
Existe um fundo – seja municipal, distrital, estadual ou nacional - que abriga a
parcela do Imposto de Renda devido ao governo federal pelo contribuinte, ficando à
disposição para ser aplicado para financiar projetos e programas que garantam à
criança e jovens um futuro melhor.
Limite global é a soma algébrica dos incentivos fiscal passíveis de dedução.

2.8.6 Incentivos esportivos


53

Definido no art. 3°, I, do Decreto nº 6.180/07, entende-se por projeto


desportivo o plano elaborado pela entidade de natureza esportiva (proponente),
apresentado nos formulários fornecidos pelo Ministério do Esporte e enquadrado em
uma das manifestações desportivas: desporto educacional, de participação ou de
rendimento.
O desporto de participação é caracterizado pela não-exigência de regras
formais, objetivando o desenvolvimento do indivíduo através do esporte. É o esporte
como lazer. Conforme os termos do Decreto 6.180/07:

II – desporto de participação, caracterizado pela prática voluntária,


compreendendo as modalidades desportivas com finalidade de contribuir
para a integração dos praticantes na plenitude da vida social, na promoção
a saúde e da educação e na preservação do meio ambiente (DECRETO
6.180/07, art. 4º).

Os alunos matriculados em instituições de ensino fazem parte do público


beneficiário do desporto educacional. No processo educacional e na prática de lazer,
o esporte é um instrumento auxiliar. Já o desporto do rendimento, conforme art. 4º
do Decreto 6.180/07, é “praticado segundo regras nacionais e internacionais, com a
finalidade de obter resultados, integrar pessoas e comunidades do País e, destas,
com as de outras nações”.
O art. 3º trata de quesitos para que os proponentes de projetos desportivos,
ou paradesportivos, possam se cadastrar, por meio eletrônico, junto ao Ministério do
Esporte, estabelecendo o que é necessário e indispensável para cada projeto.
Os contribuintes que encaminham recursos para os projetos pertencem a
pessoas jurídicas que, além de veicular sua marca em toda a mídia referente ao
projeto, também pagam menos impostos. Mas há situações que impedem a
utilização dos recursos da Lei de Incentivo ao Esporte:

Desporto de rendimento praticado de modo profissional: fica assim proibido


o pagamento de remuneração a atletas profissionais, de quaisquer
despesas relativas à manutenção e organização de equipes profissionais de
alto rendimento ou mesmo de competições profissionais. Nos termos da lei
Decreto nº 6.180/07:
Art. 5º: É vedada a utilização dos recursos oriundos dos incentivos previstos
no art. 1º para o pagamento de remuneração de atletas profissionais, nos
termos da Lei n° 9.615, de 24 de março de 1998, em qualquer modalidade
esportiva.
§ 1º Considera-se remuneração, para os efeitos deste Decreto, a definição
constante dos artigos 457 e 458 da Consolidação das Leis do Trabalho,
aprovada pelo Decreto-Lei n° 5.452, de 1º de maio de 1943.
54

§ 2º É vedada, ainda, a utilização dos recursos de que trata o caput para o


pagamento de quaisquer despesas relativas à manutenção e organização
de equipes desportivas ou paradesportivas profissionais de alto rendimento,
nos termos do inciso I do parágrafo único do art. 3º da Lei nº 9.615, de
1998, ou de competições profissionais, nos termos do parágrafo único do
art. 26 daquela lei (Art. 5º do Decreto nº 6.180/07).

Conforme o art. 15 do Decreto 6.180/07, para os projetos que preveem a


prática de atividade regular desportiva - projeto desenvolvido em circuito privado e
que apresente comprovada capacidade de atrair investimentos - não será admitida a
cobrança de valores dos beneficiários. Nos termos do Decreto nº 6.180/07:

Art. 24: É vedada a concessão de incentivo a projeto desportivo:


I. Que venha a ser desenvolvido em circuito privado, assim considerado
aquele em que o público destinatário seja previamente definido, em
razão de vínculo comercial ou econômico do patrocinador, doador ou
proponente; e
II. Em que haja comprovada capacidade de atrair investimentos,
independentemente dos incentivos de que trata este Decreto.

Para manter a transparência durante todo o projeto, apesar de haver a


obrigação de prestação de contas ao final do projeto, o Ministério do Esporte poderá,
a seu critério, pedir apresentação de contas parcial, além de ter acesso aos extratos
e saldos das contas-correntes utilizadas.
A inclusão do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal como únicos
bancos responsáveis pela movimentação dos recursos provenientes da lei de
incentivo é para que haja um maior controle do Ministério do Esporte na verificação
da destinação destas verbas.
O art. 37 do Decreto 6.180/07 estabelece que as informações relativas aos
repasses dos valores disponíveis através da utilização desta lei deverão ser
disponibilizados no site do Ministério do Esporte.

Art. 37. Todos os recursos utilizados no apoio direto a projetos desportivos e


paradesportivos previstos neste Decreto deverão ser disponibilizados na
rede mundial de computadores pelo Ministério do Esporte.
Parágrafo único. Os projetos autorizados, além de publicação no Diário
Oficial da União, serão disponibilizados na página oficial do Ministério do
Esporte, no endereço www.esporte.gov.br, contendo a razão social e CNPJ
do proponente, número e nome do projeto, número do processo, valor
autorizado para captação, valor captado [...].
55

Segundo determina a Lei de Incentivo Fiscal ao Esporte, em seu art. 10, as


infrações possíveis pelo não-cumprimento das exigências estabelecidas por esta lei,
são:

Art. 10. Constituem infração aos dispositivos desta lei:


I - o recebimento pelo patrocinador ou doador de qualquer vantagem
financeira ou material em decorrência do patrocínio ou da doação
qualquer vantagem financeira ou material em decorrência do patrocínio
ou da doação que com base nela efetuar;
II - agir o patrocinador, o doador ou o proponente com dolo, fraude ou
simulação para utilizar incentivo nela previsto;
III - desviar para finalidade diversa da fixada nos respectivos projetos dos
recursos, bens, valores ou benefícios com base nela obtidos;
IV - adiar, antecipar ou cancelar, sem justa causa, atividade desportiva
beneficiada pelos incentivos nela previstos;
V - o descumprimento de qualquer das suas disposições ou das
estabelecidas em sua regulamentação (Art. 10, Lei 11.438/06).

Com a definição das infrações através do art. 10, o art. 11 impõe as sanções
que poderão ser aplicadas aos que não cumprirem com os requisitos da Lei
11.438/06:
Art. 11. As infrações aos dispositivos desta Lei, sem prejuízo das demais
sanções cabíveis, sujeitarão:
I - o patrocinador ou o doador ao pagamento do imposto não recolhido,
além das penalidades e demais acréscimos previstos na legislação;
II - o infrator ao pagamento de multa correspondente a 2 (duas) vezes o
valor da vantagem auferida indevidamente, sem prejuízo do disposto no
inciso I do caput deste artigo.
Parágrafo único. O proponente é solidariamente responsável por
inadimplência ou irregularidade verificada quanto ao disposto no inciso I do
caput deste artigo.

O inciso I do art. 11 informa que aquele que não pagou o imposto com base
na lei de incentivo o deverá recolher e incluir o pagamento das penalidades previstas
na legislação. Ainda com base no parágrafo único do artigo acima, aquele que
propõe o projeto esportivo junto ao Ministério do Esporte se torna solidário com este
sobre as irregularidades encontradas na destinação dos recursos aprovados. A lei
de incentivo ao esporte é instrumento de suma importância, pois estabelece
incentivos fiscais para pessoas jurídicas para que elas, pelo encaminhamento de
recursos, patrocinem e estimulem o desenvolvimento do esporte nacional, através
de projetos desportivos e paradesportivos.
A análise do caput do artigo 1º da Lei 11.438/06 traz a informação sobre o
prazo inicial e final dos benefícios desta lei:
56

Art. 1º A partir do ano-calendário de 2007 e até o ano-calendário de


2015, inclusive, poderão ser deduzidos do imposto de renda devido,
apurado [...] em cada período de apuração, trimestral ou anual, pela
pessoa jurídica tributada com base no lucro real os valores
despendidos a título de patrocínio ou doação, no apoio direto a
projetos desportivos e paradesportivos previamente aprovados pelo
Ministério do Esporte.

Toda contribuição encaminhada para os fundos que incentivam o


envolvimento de crianças e jovens é fundamental para o seu desenvolvimento e a
inserção na sociedade como cidadão.
57

3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

Procedimentos metodológicos, aplicados a determinada pesquisa, são:

o „‟caminho do pensamento" e a "prática exercida" na apreensão da


realidade, e que se encontram intrinsecamente constituídos pela visão
social de mundo veiculada pela teoria da qual o pesquisador se vale. O
processo de apreensão e compreensão da realidade inclui as concepções
teóricas e o conjunto de técnicas definidos pelo pesquisador para alcançar
respostas ao objeto de estudo proposto. É a metodologia que explicita as
opções teóricas fundamentais, expõe as implicações do caminho escolhido
para compreender determinada realidade e o homem em relação com ela
(MINAYO,1994, p. 22).

Foi realizado um estudo de caso, caracterizado por um tipo de pesquisa que


tem por objetivo analisar de forma mais aprofundada uma unidade. Trata-se de uma
abordagem de investigação pela qual procura-se compreender, explorar ou
descrever acontecimentos complexos, que envolvem diversos fatores. Ponte (2006)
define estudo de caso com base nas características do fenômeno a ser estudado,
com base num conjunto de características associadas ao processo de recolha de
dados e às estratégias aplicadas em sua análise. Coutinho (2003) refere que quase
tudo pode ser um caso: um indivíduo, um personagem, um pequeno grupo, uma
organização, uma comunidade ou, até, uma nação.
De forma semelhante o apresenta Ponte explica que:

É uma investigação que se assume como particularista, isto é, que se


debruça deliberadamente sobre uma situação específica que se supõe ser
única ou especial, pelo menos em certos aspectos, procurando descobrir o
que há nela de mais essencial e característico e, desse modo, contribuir
para a compreensão global de um certo fenômeno de interesse (PONTE,
2006, p. 2).

Também foi utilizada a pesquisa descritiva. Esta, de forma análoga, preocupa-


se em observar os fatos e em os registrar, classificar, analisar e interpretar. O
pesquisador não interfere neles. Assim, os fenômenos do mundo físico e humano
são estudados, mas não manipulados pelo pesquisador. A pesquisa descritiva pode
também propor-se a descrever características de grupos (idade, procedência, sexo,
etc.), como também processos dentro de uma organização.
58

Por último, foi utilizada a pesquisa qualitativa, que se preocupa com as


ciências sociais em um nível de realidade que não pode ser quantificado,
trabalhando com o universo de crenças, valores, significados e outros construtos
profundos das relações que não podem ser reduzidas à operacionalização de
variáveis.
Godoy (1995, p. 58) explica algumas características principais de uma
pesquisa qualitativa. Afirma que ela considera o ambiente como fonte direta dos
dados e o pesquisador, como instrumento-chave; que o processo é o foco principal
de abordagem e não o resultado ou o produto. A análise dos dados, neste caso, é
realizada de forma intuitiva e indutivamente pelo pesquisador, sem o uso de técnicas
e métodos estatísticos. Por fim, também não tem a preocupação maior de
interpretar fenômenos e resultados.
A pesquisa qualitativa não procura enumerar e/ou medir os eventos
estudados, nem emprega instrumental estatístico. Envolve a obtenção de dados
descritivos sobre pessoas, lugares e processos interativos pelo contato direto do
pesquisador com a situação estudada, procurando compreender os fenômenos
segundo a perspectiva dos sujeitos, ou seja, dos participantes da situação em
estudo.
59

4 ESTUDO DE CASO

A seguir apresentar-se-á o estudo de caso da empresa FIRST S.A que foi


elaborado com uma estrutura própria, contemplando apresentação e análise dos
dados, identificação da empresa, informações econômicas, apuração do IRPJ e
CSLL do período e por fim o cálculo dos incentivos fiscais.

4.1 APRESENTAÇÃO DA ANÁLISE DOS DADOS

Neste capítulo são apresentadas as análises dos dados colhidos na empresa


objeto do estudo de caso, a fim de obter as informações necessárias à resolução do
problema proposto.

4.2 IDENTIFICAÇÃO DA EMPRESA

A FIRST S.A. é uma empresa especializada em soluções tributárias e em


negócios internacionais. Oferece propostas personalizadas, de acordo com a
necessidade dos clientes, independente do segmento.
É altamente conceituada devido ao gerenciamento de negócios. A qualquer
momento, os processos podem ser integralizados, abrangendo logística
internacional, despacho aduaneiro, armazenagem e distribuição nacional.
A visão vai muito além do gerenciamento do processo de importação. A
FIRST S.A. busca aperfeiçoar a relação com fornecedores, consumidores,
servidores dos departamentos integrados e áreas de negócios independentes dos
seus clientes. Desta forma consegue otimizar o fluxo de informações, fazendo com
que cheguem de forma mais rápida e precisa.
A FIRST S.A. faz parte do FIRST.GROUP, constituído por um grupo de
empresas com foco em comércio exterior.
60

Em 2010, foi a maior Trading Company do estado de Santa Catarina e


ganhou o título de melhor Trading Company do Brasil da Agência Brasileira de
Promoção de Exportações – Apex.
O grupo mantém sua matriz em São Paulo, e escritórios estratégicos em
Santa Catarina, Paraíba, Paraná, Tocantins, Espírito Santo e Pernambuco, contando
com mais de 300 colaboradores, especializados em negócios internacionais e
procedimentos operacionais.
Atua com mais de 60 clientes de mercados distintos, sempre oferecendo
serviços de qualidade, soluções diferenciadas e vantagens competitivas.

4.3 INFORMAÇÕES ECÔNOMICAS

A empresa, no exercício de 2012, era optante pelo lucro real anual pois
devido a receita não pode optar pelo presumido ou simples nacional, dessa forma a
tributação que incide é de 1.65% de PIS e 7.6% de COFINS sobre o faturamento.
Sobre o lucro auferido no exercício, calcula-se o IRPJ com um percentual de 15% e
a CSLL, de 9%.
O faturamento bruto obtido nesse ano foi de R$ 344.758.167,27 (Trezentos e
quarenta e quatro milhões setecentos e cinquenta e oito mil cento e sessenta e sete
reais e vinte e sete centavos), que resultaram em lucro líquido de R$ 2.796.421,28
(dois milhões, setecentos e noventa e seis mil quatrocentos e vinte e um reais e
vinte e oito centavos). A demonstração do resultado do exercício está transcrita
abaixo:
61

DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO
RECEITA OPERACIONAL BRUTA 344.758.167,27
MERCADO EXTERNO 123.808,00
MERCADO INTERNO 344.634.359,27
DEDUCOES DA RECEITA BRUTA (112.192.273,87)
IMPOSTOS (68.159.539,28)
DEVOLUCOES (44.032.734,59)
DEVOLUCOES DE VENDAS (44.032.734,59)
RECEITA OPERACIONA LÍQUIDA 232.565.893,40
CUSTO DAS MERCADORIAS VENDIDAS (196.057.225,72)
LUCRO BRUTO OPERACIONAL 36.508.667,68
(-) DESPESAS OPERACIONAIS
DESPESAS VARIAVEIS (23.412.119,07)
MERCADO EXTERNO (98.581,47)
COMISSOES S/ VENDAS (1.296.004,61)
RESULTADO A VALOR PRESENTE (1.684.623,99)
DESPESAS FIXAS (17.972.971,94)
DESPESAS COM PESSOAL (8.746.503,14)
DESPESAS ADMINISTRATIVAS (9.039.679,51)
OUTRAS RECEITAS E DESPESAS OPERACIONAIS (191.826,31)
OUTRAS RECEITAS OPERACIONAIS 2.841.691,13
OUTRAS DESPESAS OPERACIONAIS (3.092.005,64)
RESULTADO A VALOR PRESENTE 5.037,02
RESULTADO FINANCEIRO 9.618.468,00
DESPESAS FINANCEIRAS (26.412.978,30)
RECEITAS FINANCEIRAS 22.816.803,38
VARIACAO CAMBIAL 2.376.710,71
CREDITO PRESUMIDO DE ICMS 10.837.932,21
LUCRO ANTES DO IRPJ E CSLL 4.742.044,67
IMPOSTO DE RENDA (1.219.290,29)
CONTRIBUICAO SOCIAL -447.096,98
LUCRO LIQUIDO APÓS IRPJ E CSLL 3.075.657,40
(-) PARTICIPAÇÕES NO LUCROS
PARTICIPAÇÕES (139.618,06)
PARTICIPAÇÕES (139.618,06)
PARTICIPAÇÕES (139.618,06)
PARTICIPAÇÕES DE PARTES BENEFICIARIAS (139.618,06)
PARTICIPAÇÃO DOS EMPREGADOS (139.618,06)
(=) LUCRO LÍQUIDO DO EXERCÍCIO 2.796.421,28
Figura 3 – Demonstração do Resultado do Exercício – FIRST S.A - 2012Fonte: Dados da pesquisa

4.4 APURAÇÃO DO IRPJ E CSLL DO PERÍODO


62

O lucro do período, uma vez obtido, é transportado para o Lalur para que
seja ajustado mediante as adições, exclusões e compensações determinadas por
lei, obtendo-se, assim o lucro real do período, para fins de cálculo do IRPJ e da
CSLL devidos.
Para a apuração do IRPJ da empresa, foram identificados, no período,
pagamentos de doações e brindes, multas, entre outros, e, como determinado no
RIR/1999, art. 249, estes pagamentos serão adicionados ao lucro do período, como
demonstrado abaixo:
LUCRO DO EXERCICIO ANTES DO IRPJ E CSLL 4.742.044,67
(+) ADIÇÕES (289.604,73)
BRINDES DOACOES E BONIFICACOES (78.843,75)
DESPESAS C/ LANCHA (51.045,80)
DOACOES IGREJA ADVENTISTA (90.724,35)
MULTA DE TRANSITO (2.298,11)
DESPESA COM TRANSPORTE (1.140,77)
OUTRAS DESPESAS (660,00)
PROVISAO PARA CONTINGENCIAS TRIBUTARIA 25.046,12
TAXAS MUNICIPAIS (10.049,08)
PERDAS INDEDUTIVEIS 27.683,22
MULTAS S/ NOTIFICACOES (3.118,90)
GASTOS COM VEICULOS (30.850,66)
DESPESA COM SEGUROS (70.632,76)
ALUGUEL (2.969,89)
(-) EXCLUSÕES
EQUIVALENCIA PATRIMONIAL 58.488,20
LUCRO REAL 4.973.161,20
IR 15% 745.974,18 745.974,18
ADICIONAL DO IR 10% S/(4.973.161,10 - 240.000,00) 473.316,11
Figura 4 - Apuração de lucro real
Fonte: Dados da pesquisa

Após a adição das doações e brindes, entre outros, em conformidade com o


regulamento citado, foi apurado um lucro real, auferido pela empresa no período,
correspondente ao valor de R$ 4.973.161,20 (quatro milhões novecentos e setenta e
três mil cento e sessenta e um reais e vinte centavos), o qual gerou imposto de
renda a pagar de R$ 1.219.290,29 (um milhão duzentos e dezenove mil duzentos e
noventa reais e vinte e nove centavos). Na contribuição social nota-se que as multas
e gratificações não são adições da base de cálculo da contribuição social. No quadro
a seguir encontram-se as adições à CSLL:
63

LUCRO DO EXERCICIO ANTES DO IRPJ E CSLL 4.742.044,67


(+) ADIÇÕES (284.187,72)
BRINDES DOACOES E BONIFICACOES (78.843,75)
DESPESAS C/ LANCHA (51.045,80)
DOACOES IGREJA ADVENTISTA (90.724,35)
DESPESA COM TRANSPORTE (1.140,77)
OUTRAS DESPESAS (660,00)
PROVISAO PARA CONTINGENCIAS TRIBUTARIA 25.046,12
TAXAS MUNICIPAIS (10.049,08)
PERDAS INDEDUTIVEIS 27.683,22
GASTOS COM VEICULOS (30.850,66)
DESPESA COM SEGUROS (70.632,76)
ALUGUEL (2.969,89)
(-) EXCLUSÕES
EQUIVALENCIA PATRIMONIAL 58.488,20
BASE DE CÁLCULO DA CSLL 4.967.744,19
CSLL = 4.967.744,19 9% 447.096,98 447.096,98
Quadro 5 – Ajuste do lucro líquido após doações
Fonte: Dados da pesquisa

O procedimento utilizado para apuração do lucro real para a formação da


base de cálculo da CSLL levou em consideração a determinação do RIR/1999 em
seu art. 249, incluindo as doações e brindes e despesas não dedutiveis efetuados
no período, chegando no lucro real igual ao do IRPJ.
Após a formação da base de cálculo para o IRPJ e CSLL, aplicaram-se os
percentuais pertinentes à atividade da empresa e determinados pela legislação do
imposto de renda que gerou uma contribuição social no valor de R$ 447.096,98
(quatrocentos e quarenta e sete mil e noventa e seis reais e noventa e oito
centavos).

4.4.1 CÁLCULO INCENTIVOS FISCAIS

Após a apuração do IRPJ devido pode-se reduzi-lo dos incentivos previstos


legislação, os quais, porém, não são calculados sobre o adicional do IRPJ. No caso
do PAT, uma vez apurado o incentivo pelo método exposto tem um limite de
dedução de 4%. No caso das doações para fundo da criança e do adolescente esse
limite fica em 1%, já na lei Rouanet que é o programa nacional de apoio a cultura
tem-se um limite de dedução de 4% e finalmente o incentivo ao esporte é limitado a
64

1% de dedução do Imposto de Renda previsto. O quadro abaixo demonstra o cálculo


dos incentivos fiscais:
INCENTIVOS FISCAIS
IMPOSTO DE RENDA 745.974,18
PAT - PROGRAMA ALIMEBTAÇÃO TRABALHADOR 4% 29.838,97
DOAÇÕES P/FUNDO CRIANÇA E DO ADOLESCENTE 1% 7.459,74
LEI ROUANET 4% 29.838,97
INCENTIVO AO ESPORTE 1% 7.459,74
Total Incentivos 74.597,42
Quadro 6 – Cálculo incentivos fiscais
Fonte: Dados da pesquisa

Nota-se que a redução no imposto devido é de R$ 74.597,42 (setenta e


quatro mil quinhentos e noventa e sete reais e quarenta e dois centavos). A seguir o
Imposto de renda a recolher após os incentivos fiscais:
IR 15% 745.974,18 745.974,18
ADICIONAL DO IR 10% S/(4.973.161,10 - 240.000,00) 473.316,11
(-) Incentivos Fiscais (74.597,42)
IR após os incentivos fiscais 1.144.692,87
Quadro 7 – Cálculo diferença imposto a pagar
Fonte: Dados da pesquisa

Considerando os incentivos fiscais, além da redução de impostos devidos,


onde o lucro antes dos incentivos fiscais foi de R$ 1.219.290,29 (um milhão
duzentos e dezenove mil duzentos e noventa reais e vinte e nove centavos) e após
estes passou para R$ 1.144.692,87 (um milhão cento e quarenta e quatro mil
seiscentos e noventa e dois reais e oitenta e sete centavos), a empresa poderá se
valer do marketing institucional que é extremamente valorizado pelos clientes e
fornecedores. Isso tem um efeito grande no caixa e na imagem que a empresa
apresenta sem custo adicional.
65

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A carga tributária que incide sobre as empresas é bastante alta, o que faz
com que estas paguem um montante significativo de impostos sobre as suas
receitas. Em função disso, os empresários e profissionais da contabilidade
envolvidos, necessitam de alternativas rápidas e precisas para a redução de seus
custos. Para que obtenham sucesso, é necessário que sejam feitos diversos estudos
e análises das informações contábeis disponíveis na empresa, visando assim
encontrar alternativas legais que venham maximizar seus lucros.
O planejamento tributário é um método muito eficaz que pode resultar em real
economia para as empresas, sem a preocupação com posteriores complicações
com o fisco. A análise das rotinas e procedimentos operacionais, além de visualizar
a empresa globalmente, assegurando que fornecedores e clientes sejam
considerados na visualização sistêmica da empresa como um todo, faz parte do
processo de planejamento.
Para realizar um bom planejamento tributário é necessário que sejam
diariamente analisados: a legislação tributária, a possibilidade de compensação de
tributos, se os produtos, mercadorias ou serviços têm ou não tratamento tributário
diferenciado como o caso da substituição tributária, analisar o ramo de atuação da
empresa, o perfil dos clientes, o melhor enquadramento tributário para a empresa e
atentar para o possível aproveitamento de créditos tributários.
Desta forma o trabalho realizado teve como objetivo principal avaliar os
efeitos de incentivos fiscais no pagamento de tributos em uma empresa inserida no
lucro real, o qual foi alcançado no capítulo 4, ao analisar-se os dados da empresa
objeto do estudo de caso.
O Lucro Real vem se mostrando uma das melhores alternativas na hora de se
apurar os impostos, pois, além de exigir uma escrituração contábil mais rigorosa,
permite ao empresário visualizar a verdadeira situação patrimonial em que a
empresa se encontra ainda aproveitar os benefícios dos incentivos fiscais, vedados
aos demais regimes, Lucro Presumido, Lucro Arbitrado e Simples Nacional.
Os objetivos específicos também foram alcançados sendo que ao estudar a
legislação tributária federal e os incentivos fiscais, foi possível analisar o impacto na
carga tributária que estes incentivos proporcionam e comparando-se o resultado
66

entre a utilização ou não dos incentivos fiscais, concluiu-se que o benefício social
gerado é relevante.
O problema foi respondido pois foi demonstrado que houve uma redução na
carga tributária devida num montante de R$ 74.597,42 (Setenta e quatro mil
quinhentos e noventa e sete reais e quarenta e dois centavos, o qual foi aplicado em
benefícios para a comunidade através dos incentivos fiscais.
Comprovou-se então que através deste estudo que é possível, através de um
planejamento tributário, reduzir o pagamento de tributos, sem infringir a legislação.
Com a devida apuração dos resultados e a constatação de que, quando se opta pelo
regime tributário correto, obedecendo sempre os princípios e as determinações da
legislação tributária, a minimização da influência desses resultados se dá de forma
bastante significativa, e em muitos casos, resulta na própria manutenção e
permanência da empresa no mercado reduzindo a tributação e principalmente
aprimorando a sua imagem frente à sociedade em geral.
Desta forma, ao realizar o planejamento tributário foi possível aprimorar e
aprofundar os conhecimentos na área tributária e, em especial a legislação e,
principalmente, contribuir com informações necessárias para o desenvolvimento da
empresa.
67

REFERÊNCIAS

ATALIBA, Geraldo. Hipóteses de incidência tributária. 5. ed. São Paulo: Editora


Malheiros, 1992.

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