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ESTRATÉGIA INTERSETORIAL DE REDUÇÃO DO USO DE AGROTÓXICOS

E APOIO A AGROECOLOGIA E A PRODUÇÃO ORGÂNICA EM MINAS


GERAIS

PLANO ESTRATÉGICO

PLANERA / 2018-2022

“Será que alguém acredita que é possível lançar tal


bombardeio de venenos sobre a superfície da Terra
sem torná-la imprópria para toda a vida? Tais
substâncias não deveriam ser chamadas
‘inseticidas’, e sim ‘biocidas”.

Rachel Louise Carson 1907-1964


Ecologista, bióloga, cientista e escritora norte-
americana, autora de Primavera Silenciosa.

Minas Gerais

2018
GRUPO EXECUTIVO PERMANENTE DA ESTRATÉGIA INTERSETORIAL DE
REDUÇÃO DO USO DE AGROTÓXICOS E APOIO A AGROECOLOGIA E A
PRODUÇÃO ORGÃNICA EM MINAS GERAIS

Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão – Seplag;

Secretaria de Estado de Governo – Segov;

Secretaria de Estado de Desenvolvimento Agrário – Seda;

Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento – Seapa;

Secretaria de Estado de Saúde – SES;

Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável –


Semad;

Secretaria de Estado de Direitos Humanos, Participação Social e Cidadania –


Sedpac;

Secretaria de Estado de Trabalho e Desenvolvimento Social – Sedese;

Secretaria de Estado de Educação – SEE;

Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e


Ensino Superior– Sedectes;

Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais


– Emater-MG;

Instituto Mineiro de Agropecuária – IMA;

Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais – Epamig;

Instituto Estadual de Florestas – IEF;

Instituto Mineiro de Gestão das Águas – Igam.


EQUIPE TÉCNICA

Coordenação Geral: Edmar G. Gadelha - Emater-MG

1. Fiscalização, controle e monitoramento

Rodrigo Carvalho – SEAPA (Coord.)

Carolina Cristiane Pinto – IGAM

José Ilton Moreira – FUNDACENTRO

Marcela Ferreira – IMA

Marcelo Araki – IEF

Nataniel Nogueira – IMA

Vanildo Paiva - SEMAD

2. Vigilância em saúde de populações expostas aos agrotóxicos

Ângela Ferreira Vieira - SES (Coord.)

Ana Flávia Quintão - ESP-MG

Cristiane Moreira Magalhães Andrade – SES

Eliane Novato – GESTRU/UFMG

Jandira Maciel da Silva – GESTRU/UFMG

Joice Rodrigues da Cunha – SES

Karla da Silva Freitas – SES


Maria Lanna – SEE

Vanessa Heloisa Ferreira de Faria – FUNED

3. Educação e comunicação

Maria Aparecida Rodrigues – CONSEA-MG (Coord.)

Ana Cristina – IMA

Aloísio Lopes – Agência Metropolitana

Daniela Ribeiro – SEDESE

Daniele Souza lima – SES

Maria do Rosário – SEE

Tatiane Guimarães Maciel – SEE

4. Apoio a agroecologia e produção orgânica

Juliana Simões – EPAMIG (Coord.)

Cacilda Carvalho – SEDPAC

Alexandre Soares Moreno – SEDA

Fernando Tinoco - Emater- MG

José Ciotola – Emater-MG

Paulo César de Souza – FUNDACENTRO


Mayara Márcia Sarsur - IMA

Matheus Arcelo Silva – SEDA

Rogério Fernandes – IMA

Silvia Contreras – SEDINOR

5- Normatização, Regulação, Medidas Econômicas, Financeiras e Fiscais

Renata Seidi – SEPLAG (Coord.)

Elisa Costa – SEDECTES

Fernando Rabelo – SEGOV

José Antônio Ribeiro – SEDA

Letícia Campos – SEGOV

Neila Batista – SEGOV

6. Monitoramento Geral do Plano de Ação

Edmar Gadelha – Emater – MG (Coord/ Sec. Executivo GEP)

Fernando Rabelo – SEGOV

José Antônio Ribeiro – SEDA

Maria Aparecida Miranda – CONSEA


SUMÁRIO

Siglas .............................................................................................................. 11

Lista de tabelas .............................................................................................. 14

Lista de gráficos...................................................................................... 14

Lista de figuras......................................................................................... 14

Lista de quadros ............................................................................................. 14

Apresentação ................................................................................................. 15

Introdução....................................................................................................... 18

2. Agrotóxicos em minas gerais ..................................................................... 23

2.1 Produção agropecuária em Minas Gerais ................................................ 23

Tabela 1: PIB do agronegócio - Agrícola e Pecuária - Minas Gerais de 2008 a


2014........................................................................................................................... 23

2.2 Consumo de agrotóxicos em Minas Gerais .............................................. 25

2.1.1 Tabela 2. Dados de ingredientes ativos, área plantada, taxa de consumo


de agrotóxicos e incidência de MINAS GERAIS........................................................ 26

Quadro 1 – Dados do cadastramento do uso de agrotóxicos em Minas Gerais


– 2016........................................................................................................................ 26

2.3 Populações expostas a agrotóxicos e Saúde dos trabalhadores e


trabalhadoras em Minas Gerais ................................................................................ 27

Gráfico 1- Número de casos notificados de intoxicação exógena por


agrotóxicos* não relacionados e relacionados ao trabalho, MG, 2013 – 2017.......... 28
Figuras 2 e 3 – Números de casos notificados de intoxicação exógena por
agrotóxicos não relacionados e relacionados ao trabalho, por URS, MG, 2013 –
2017........................................................................................................................... 28
Gráfico 2- Número de casos notificados de intoxicação exógena por agrotóxicos, por
exposição/contaminação, MG, 2013 – 2017................................... 30

Tabela 4 – Dez primeiras ocupações do total de casos de intoxicações


exógenas por agrotóxicos relacionados ao trabalho, MG, 2013-2017....................... 31

2.4 Impactos socioambientais e sanitários decorrentes do uso dos


agrotóxicos......................................................................................... 32

2.5 Marco regulatório dos agrotóxicos ............................................................ 33

2.5.5 A gestão tripartite do processo regulatório dos agrotóxicos................... 33

2.5.2 Legislação.............................................................................................. 35

2.5.3 Classificação dos agrotóxicos................................................................ 40

3. Estratégias intersetoriais, diretrizes e objetivos .......................................... 41

3.1. A abordagem intersetorial ...................................................................... 41

4. Eixos de ação ............................................................................................. 47

4.1. Fiscalização, controle e monitoramento .................................................. 47

4.1.1. Ações e instrumentos de fiscalização, controle e monitoramento da


fabricação, comercialização e uso de agrotóxicos..................................................... 48

4.1.1.1. Fiscalização do Comércio de Agrotóxicos.......................................... 49

Gráfico 3 – Estabelecimento de Agrotóxicos Registrados.............................. 51

4.1.1.2. Prestadores de Serviços de Aplicação Aérea de Agrotóxicos............ 52


Quadro 3- Competências na fiscalização da aplicação de agrotóxicos e
afins............................................................................................................................ 52

IMA.................................................................................................................. 52

MAPA............................................................................................................... 52

4.1.1.3. Fiscais Agropecuários........................................................................ 52

4.1.1.4 Fiscalização da emissão de receituários agronômicos Agrotóxicos e


afins............................................................................................................................ 53

4.1.1.5. Monitoramento de Resíduos de Agrotóxicos...................................... 53

4.1.2.1. Monitoramento de resíduos de agrotóxicos em águas superficiais.... 55

4.2. Vigilância em saúde de populações expostas aos agrotóxicos ............... 57

4.2.1. Fortalecimento das ações de vigilância em saúde entre populações


expostas aos agrotóxicos.......................................................................................... 58

4.2.2. Fortalecimento das atividades de toxico vigilância desenvolvidas pelos


centros de informação e assistência toxicológica...................................................... 59

4.3. Educação e comunicação ........................................................................ 60

4.3.1. A Comunicação para Redução do Uso de Agrotóxicos ......................... 60

4.3.1.2. Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida.............. 61

4.3.2. Ações Educativas para Redução do Uso de agrotóxicos...................... 61

4.3.2.2. Educação ambiental........................................................................... 63

4.4. Apoio a agroecologia e a produção orgânica ........................................... 65

4.4.1. Construção do conhecimento agroecológico ........................................ 66


4.4.1.2. Assistência técnica e extensão rural agroecológica........................... 69

4.4.2. Construção social dos Mercados para agroecologia ............................ 71

4.4.2.1. Certificações de produtos orgânicos.................................................. 72

4.4.2.2. Acesso à alimentação saudável: Feiras agroecológicas.................... 73

4.4.2.3. Mercados institucionais para produtos agroecológicos...................... 73

4.4.3. Crédito, fomento e insumos para agroecologia......................................73

4.4.3.1. Pronaf Agroecologia.......................................................................... 73

4.5. Normatização, Regulação, Medidas Econômicas, Financeiras e


Fiscais............ ........................................................................................................... 74

4.5.1. Avançar na consolidação de marcos regulatório no Brasil e em Minas


Gerais......................................................................................................................... 74

4.5.2. Medidas econômicas, financeiras e fiscais ........................................... 76

5. Governança do plano estratégico ............................................................... 77

5.1. Estrutura da Governança ......................................................................... 77

5.1.1. Grupo Executivo Permanente - GEP .................................................... 78

5.1.1.2. Coordenação Colegiada.................................................................... 79

5.1.1.3. Câmaras Técnicas............................................................................. 79

5.1.3.1. Comissão Intersetorial de Acompanhamento e Controle................... 82

6. Estratégias e atividades por eixos .............................................................. 82

Eixo 1- Fiscalização, controle e monitoramento.............................................. 82


Eixo 2 - Vigilância em saúde de populações expostas aos agrotóxicos......... 85

Eixo 3 - Educação e comunicação.................................................................. 87

Eixo 4 - Apoio a agroecologia e produção orgânica........................................ 89

Eixo 5 - Normatização, regulação, medidas econômicas, financeiras e


fiscais......................................................................................................................... 91

5.1. Avançar na consolidação de marcos regulatórios sobre agrotóxicos em


Minas Gerais. ............................................................................................................ 92

5.1.1. Acompanhar a tramitação do Projeto de Lei nº 4.652/2017, do Deputado


Gilberto Abramo (PRB), que determina a criação de uma Política e a elaboração do
Plano, visando sua aprovação. ................................................................................. 92

7 Monitoramento geral do plano estratégico ................................................... 94

7.1 Metodologia de monitoramento ................................................................ 94

7.2. Macros indicadores.................................................................................. 95

7.3.Fases e Etapas para Implementação do Plano ........................................ 96

8. Referências ................................................................................................ 99

9. Anexos ...................................................................................................... 103


SIGLAS

AMA – Articulação Mineira de Agroecologia

ABRASCO – Associação Brasileira de Saúde Coletiva

ADI – Ação Direta de Inconstitucionalidade

AGROFIT – Sistemas de Agrotóxicos Fitossanitários

ANVISA – Agencia nacional de vigilância Sanitária

CEDRAF – Conselho Estadual de Desenvolvimento Rural Sustentável

CONFAZ - Conselho Nacional de Política Fazendária

CONSEA – Conselho Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional


Sustentável

CGVAM – Coordenadoria Geral de Vigilância

CNPq – Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico

EMATER – Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais

EPAMIG – Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais

FAPERJ – Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro

FAPEMIG – Fundação de Amparo à Pesquisa do estado de Minas Gerais

FUNED – Fundação Ezequiel Dias

GEP – Grupo Executivo Permanente da Estratégia Intersetorial de Redução do


Uso de Agrotóxicos e Apoio a Agroecologia e a Produção Orgânica

IMA – Instituto Mineiro de Agropecuária


IBAMA – Instituto Brasileiro do Meio Ambiente

IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

ICMS – Imposto Sobre a Circulação de Mercadorias

MAPA – Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento

MEC – Ministério da Educação

MDA – Ministério do Desenvolvimento Agrário

MCTI – Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

NEA – Núcleo de Estudo de Agroecologia

OMS – Organização Mundial de Saúde

OGM – Organismo Geneticamente Modificado

PEAPO – Política Estadual de Agroecologia e Produção Orgânica

PNARA - Política Nacional de Redução de Agrotóxicos

ATER – Assistência Técnica e Extensão Rural

PEARA - Política Estadual de Redução de Agrotóxicos

PIB- Produto Interno Bruto

PGR – Procuradoria Geral da República

PRONAF – Programa nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar

PSOL – Partido Socialismo e Liberdade

PNUMA – Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente


SAT – Sem agrotóxicos

SEAPA – Secretaria de Estado da Agricultura, Pecuária e Abastecimento

SEDA – Secretaria de Estado do Desenvolvimento Agrário

SEE – Secretaria de Estado da Educação

SEMAD – Secretaria de Estado do Meio Ambiente e do Desenvolvimento


Sustentável

SES - Secretaria de Estado da Saúde

SEPLAG – Secretaria de Estado do Planejamento e Gestão

SINAN – Sistema de Informação de Agravos de Notificação

SINDAG – Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola

SPG – Sistema Participativo de Garantia da Conformidade Orgânica


LISTA DE TABELAS

Tabela 1: PIB do agronegócio - Agrícola e Pecuária - Minas Gerais de 2008 a


2014 (R$ milhões). Ano Insumo Básico Agroindustrial

Tabela 2. Dados de ingredientes ativos, área plantada, taxa de consumo de


agrotóxicos e incidência de MINAS GERAIS

Tabela 3 – Dez primeiras ocupações do total de casos de intoxicações


exógenas por agrotóxicos relacionados ao trabalho, MG, 2013-2017

LISTA de GRÁFICOS

Gráfico 1- Número de casos notificados de intoxicação exógena por


agrotóxicos* não relacionados e relacionados ao trabalho, MG, 2013 – 2017

Gráfico 2- Número de casos notificados de intoxicação exógena por


agrotóxicos, por exposição/contaminação, MG, 2013 – 2017

Gráfico 3 – Registro/ Cadastro de agrotóxicos

Gráfico 4 – Estabelecimentos de agrotóxicos Registrados

LISTA de FIGURAS

Figuras 1 e 2 – Números de casos notificados de intoxicação exógena por


agrotóxicos não relacionados e relacionados ao trabalho, por URS, MG, 2013
– 2017

LISTA DE QUADROS

Quadro 1 – Dados sobre o cadastramento e uso de agrotóxicos em Minas


Gerais – 2016

Quadro 2 – Legislação e normas sobre agrotóxicos

Quadro 3 – Competências na fiscalização de agrotóxicos


15

APRESENTAÇÃO

O Plano de Ação da Estratégia Intersetorial de Redução do Uso de Agrotóxicos


e Apoio a Agroecologia e a Produção Orgânica em Minas Gerais - PLANERA é
um instrumento de natureza estratégica, estabelecido com a finalidade de
orientar a implementação da Política Estadual de Agroecologia e produção
Orgânica – PEAPO instituída pela LEI Nº 21.146, DE 14 DE JANEIRO DE 2014.

Este Plano de Ação consolida e articula uma série de iniciativas já existentes


no âmbito do Estado e outras apresentadas no curso de sua elaboração, e se
constitui no primeiro instrumento de gestão da política, correspondente ao
período 2018 - 2022. Fruto de um intenso processo de articulação institucional,
o Plano Estratégico consolida as ações estabelecidas nas diferentes entidades
e secretarias de Estado e das instâncias de controle social afetas, configurando
o pacto institucional estabelecido em torno da construção de um projeto de
desenvolvimento sustentável que preconiza o direito humano à alimentação
adequada e saudável para toda população de Minas Gerais. Ao final de sua
elaboração, entre as principais recomendações das instâncias e instituições
envolvidas, destaca-se a proposição de publicação de relatórios periódicos de
acompanhamento, como ferramenta de monitoramento e avaliação do Plano.
O presente documento apresenta, ainda, as estratégias e ações a serem
implementadas, as principais fontes de financiamento, o grau de abrangência
dessas ações, e os temas que receberão mais atenção dos órgãos e
secretarias envolvidas.

A elaboração deste documento coube ao Grupo Executivo Permanente da


Estratégia Intersetorial de Redução do Uso de Agrotóxicos e Apoio à
Agroecologia e à Produção Orgânica no Estado, instituído pelo Decreto Nº
47.223, de 26 de julho de 2017. Foram constituídos grupos de trabalho,
formado por especialistas, considerando os respectivos eixos temáticos, que
abordaram as questões e analisaram as ações implementadas pelos diversos
órgãos.

Para a elaboração do Plano foram consideradas as resoluções da 2ª


16

Conferência Estadual de Desenvolvimento Rural Sustentável de Solidário de


Minas Gerais, cujo tema foi “por um Brasil rural com gente do jeito que a gente
quer – vida no campo, dignidade e cidadania”, da 6ª Conferência de Segurança
Alimentar e Nutricional de Minas Gerais, cujo tema foi “Comida de verdade no
Campo e na Cidade: por direitos e soberania alimentar” e da 2ª Conferência
Estadual de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais, cujo lema
foi lema “ATER, agroecologia e alimentos saudáveis”. Todas elas enfáticas em
recomendar a redução do uso dos agrotóxicos e a promoção da agroecologia
como forma de produzir alimentos que promovam a saúde da população.

Em tempo, lembramos aqui, que a proposição para criação de um Plano de


Estratégico para redução do uso de agrotóxicos em Minas Gerais, foi
apresentada pelas organizações da sociedade civil participantes do Conselho
Estadual de Desenvolvimento Rural Sustentável – CEDRAF e no Conselho
Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional – CONSEA. A Articulação
Mineira de Agroecologia – AMA, apresentou argumentos robustos sobre os
graves impactos do uso abusivo de agrotóxicos para os trabalhadores e
trabalhadoras rurais, para o meio ambiente, bem como de dados, revelando os
interesses econômicos das indústrias em manter o mercado dessas
substâncias em constante crescimento.

O GEP agradece a todas as instituições que colaboraram para a elaboração


deste Plano Estratégico, com especiais agradecimentos aos representantes
das entidades da Sociedade Civil representadas no Conselho de
Desenvolvimento Rural Sustentável de Minas Gerais, Conselho de Segurança
Alimentar e Nutricional Sustentável de Minas Gerais, Conselho de Alimentação
Escolar de Minas Gerais, Conselho Estadual de Saúde de Minas Gerais,
Conselho Estadual de Política Ambiental, Conselho Estadual de Recursos
Hídricos, Comitês de Bacias Hidrográficas e o Conselho Estadual de Política
Agrícola, que compõem sua instância de controle social.

Mais do que uma exigência legal, o presente Plano Estratégico busca ser um
instrumento efetivo de implementação das ações públicas – e, apontará,
juntamente com os Relatórios Executivos, os resultados diretos e indiretos
17

alcançados e demonstrando as atividades realizadas para se produzir e


consumir alimentos adequados e saudáveis em Minas Gerais.
18

INTRODUÇÃO

Desde 2008, o Brasil assumiu a triste liderança de maior consumidor mundial


de agrotóxicos. Atualmente, o país ultrapassou a marca de 1 (um) milhão de
toneladas, o que equivale a um consumo médio de 5,2 kg de agrotóxico ao ano por
pessoa. Significa dizer que em grande medida, os alimentos que consumimos
diariamente podem estar seriamente contaminados por venenos. Em outras palavras
não temos Soberania Alimentar. E Soberania Alimentar é o direito dos povos de decidir
seu próprio sistema alimentar e produtivo, pautado em alimentos saudáveis e
culturalmente adequados, produzidos de forma sustentável e ecológica, o que coloca
aqueles que produzem, distribui e consome alimentos no coração dos sistemas e
políticas alimentares, acima das exigências dos mercados e das empresas, além de
defender os interesses e incluir as futuras gerações.

O que faz um alimento saudável é sua composição. Os agrotóxicos na


alimentação podem alterar o funcionamento normal das células do corpo humano,
causando mutações e maior probabilidade do desenvolvimento de doenças no
presente e no futuro, entre elas o câncer.

O uso de agrotóxicos é cada vez mais considerado como um importante


problema ambiental e de saúde pública, apesar de seu uso histórico no combate a
vetores como insetos e ratos. A Organização Mundial de Saúde - OMS e Programa
das Nações Unidas para o Meio Ambiente - PNUMA estimam que a taxa de
intoxicações por agrotóxicos é de dois a três por minuto, com aproximadamente
20.000 mortes de trabalhadores expostos todos os anos (Pimentel, 2002 apud
SOARES, 2010). Muitos fatores contribuem para esse fato como o baixo nível de
informação e escolaridade da população, a regulamentação, os métodos de controle
e os cuidados para a aplicação frequentemente negligentes ou inexistentes, (Soares,
2010).

Segundo o dossiê da Associação Brasileira de Saúde Coletiva – ABRASCO, o


Ministério da Saúde estima que, no Brasil, anualmente, existam mais de 400 mil
pessoas contaminadas por agrotóxicos, com cerca de quatro mil mortes por ano.

Esses números são uma estimativa tendo em vista que há um grande sub-
19

registro das intoxicações por agrotóxicos no Brasil, uma das grandes vulnerabilidades
institucionais do país entre as relacionadas ao controle de agrotóxicos e saúde
ambiental.

Em um passado recente, o uso dos agrotóxicos e fertilizantes, incentivado por


meio de uma política agrícola que subsidiou o crédito para compra e incentivou a
implantação de indústrias no país, serviu para mascarar os efeitos da degradação do
solo em função da mecanização pesada e do próprio uso desses insumos na
agricultura moderna. Autores apontam o fato de esses subsídios governamentais
distorcerem os custos dos vários métodos de controle de pragas, colaborando para
que o uso dos agroquímicos tenha se tornado economicamente preferível aos outros
métodos não químicos. Mesmo diante dos números positivos no rendimento das
culturas, a resposta ainda assim teria sido lenta nesse período, uma vez que o
consumo desses produtos se ampliou em cerca de sete vezes e a produtividade
aumentou no máximo 60% (KONRADSEN et al, 2003 apud SOARES, 2010).

Segundo o IBAMA, conforme dados divulgados no Boletim de Comercialização


de Agrotóxicos e Afins – Histórico de Vendas 2000 a 2012, as vendas anuais de
agrotóxicos e afins no Brasil no período tiveram um crescimento de 194,09%,
passando de 162,5 mil para 477,8 mil toneladas de ingredientes ativos
comercializados, sendo que os principais estados - SP, MT, PR, RS, GO, MG, BA, MS,
SC e MA – são responsáveis por mais de 82,8% das vendas.

Em 2013, conforme o último Boletim Anual de Produção, Importação,


Exportação e Vendas de Agrotóxicos no Brasil disponível na página web do IBAMA1,
135 empresas titulares de registro apresentaram seus relatórios semestrais de
produtos técnicos, agrotóxicos e afins2. Dos 372 ingredientes ativos reportados por
essas empresas, 85 foram divulgados, por representarem as vendas de marcas
comerciais cujos ingredientes ativos tenham no mínimo três empresas detentoras de
registro. Esses ingredientes ativos correspondem a uma venda total de 445.863,40
toneladas no mercado interno, ou seja, 90% do valor total das vendas de ingredientes

1 http://www.ibama.gov.br/

2 Conforme consta no art. 41 do Decreto n° 4.074 de 2002.


20

ativos.

Os relatórios apontaram que em 2013, na classe de uso INSETICIDA a


quantidade comercializada teve um aumento de 53% em relação às vendas de 2012.
Os relatórios recebidos em 2013 também apontaram que as vendas na região Sudeste
tiveram uma queda de aproximadamente 8% em relação a 2012, mas em
contrapartida, o Estado do Mato Grosso, na região Centro-Oeste, teve um aumento
significativo de 22,9%.

O mercado mundial de agrotóxicos hoje se encontra concentrado: 13 empresas


detêm quase 90% deste mercado, conforme Victor Manoel Pelaez Alvarez3. Elas
passaram a comandar a oferta desses insumos para a agricultura. Assim, trabalham
com base em pacotes tecnológicos voltados aos sistemas convencionais de
agricultura, cada vez mais dependentes de insumos externos, a maioria deles
provenientes de recursos naturais não renováveis.

Quando um agricultor despende recursos para a compra de agrotóxicos ele não


paga pelo possível dano que a sua utilização possa causar à saúde e ao ambiente.
Consequentemente, quando vende aos consumidores finais, o bem agrícola
produzido, também não cobra um preço que incorpore esses danos, o que significa
que, em termos econômicos, todo esse custo passa a ser socializado, ou melhor,
externalizado e assumido pelo sistema de saúde e da previdência social, dentre
outros, (Soares, 2010).

Mas, o custo com registro de um medicamento na Anvisa é de 80 mil reais e o


de um agrotóxico 1.800 reais; no caso dos medicamentos, a cada cinco anos há
exigência de um novo registro, enquanto que nos agrotóxicos não há prazo para
renovação. Recentemente, a Anvisa4 vem submetendo alguns agroquímicos a
reavaliações quando há algum indício de não eficácia agronômica ou evidências de
sérios riscos ambientais e à saúde humana.

3http://www.agroecologia.org.br/index.php/noticias/347-brasil-o-mercado-internacional-dos-

agrotóxicos.

4 Conforme previsto na Lei nº 9782/99.


21

Como a legislação brasileira define que os produtos utilizados na agricultura


para “alterar a composição da flora ou da fauna a fim de preservá-las da ação danosa
de seres vivos considerados nocivos”, são agrotóxicos, acabamos por ter gerado
processos complexos e demorados para todos os agrotóxicos, independentemente do
seu grau de risco toxicológico e ecotoxicológico, o que acaba fazendo com que não
tenhamos incentivado a oferta, no Brasil, de produtos menos perigosos para o meio
ambiente e a saúde humana como são os produtos biológicos, por exemplo, (Soares,
2010).

A entrada das sementes transgênicas no mercado se deu com o forte apelo de


que elas trariam uma redução no uso de agrotóxicos, porém, na prática, o que
pudemos observar não foi isso já que a expansão do plantio da soja, milho e algodão
transgênicos coincide com a forte expansão do consumo de agrotóxicos. Podemos
destacar o crescimento vertiginoso no consumo do herbicida glifosato associado às
sementes de cultivares geneticamente modificadas, para serem resistentes a ele e
que acabaram por trazer, também como consequência, a resistência de diversas
plantas invasoras a esse produto, obrigando ao uso de outros princípios ativos
associados.

Conforme apontado por STEFFEN et al (2011)5, “a partir do momento em que


a molécula de um determinado agrotóxico é aplicada no ambiente,
independentemente da forma de aplicação, na maioria dos casos, atinge o solo
podendo seguir diferentes rotas, atingindo diferentes ecossistemas e interferindo na
dinâmica de inúmeros seres vivos. No momento da utilização, os agrotóxicos podem
ser depositados no solo de várias maneiras, como por exemplo: 1) pela aplicação
direta do produto utilizado no controle de insetos, doenças ou plantas daninhas; 2)
através da utilização de água contaminada para aplicação de produtos químicos ao
solo; 3) contaminação pelo contato do solo com embalagens contaminadas,
depositadas indevidamente sem a realização da tríplice lavagem; 4) contaminação
através da deriva de produtos aplicados sobre as culturas, principalmente quando tal

5 STEFFEN, Gerusa Pauli Kist; STEFFEN, Ricardo Bemfica; ANTONIOLLI, Zaida Inês.
Contaminação do Solo e da Água pelo uso de agrotóxicos. Tecno-Lógica, Santa Cruz do Sul, v. 15, n.
1, p. 15-21, jan./jun. 2011.
22

aplicação é realizada via pulverização aérea; 5) deposição sobre o solo devido à


volatilização e posterior precipitação, processo que pode ocorrer com algumas classes
de herbicidas; e 6) pela contaminação do solo proveniente da dessecação de culturas
de cobertura e sua posterior incorporação”.

Segundo Steffen et al (2011), a percolação de agrotóxicos no solo até pontos


onde existem reservatórios de água se dá via fraturas e poros existentes nas rochas
ou no próprio solo. Embora alguns estudos mostrem que a presença de agrotóxicos
utilizados na agricultura é de baixa porcentagem nas águas subterrâneas, produtos
com alta mobilidade no solo estão sendo detectados nestas águas subterrâneas
principalmente nas zonas rurais, sendo responsáveis por contaminações tanto em
animais como em humanos.

Para efeito de execução, o presente Plano foi estruturado em 3 (três) partes. A


primeira trata do diagnóstico da situação do uso de agrotóxicos em Minas Gerais, seus
impactos sociais, econômicos e ambientais. O diagnóstico servirá de referência para
o monitoramento e avaliação dos resultados alcançados. A segunda parte define as
estratégias, as ações e as atividades a serem executadas de forma articulada, pelos
órgãos e secretarias de Estado. Já a terceira parte, apresenta a forma de governança
do Plano, onde ficam definidas as responsabilidades de cada instância, entre elas a
coordenação, o controle social, e os órgãos executivos. São apresentados, também,
os meios de verificação e os indicadores de monitoramento.
23

2. AGROTÓXICOS EM MINAS GERAIS

2.1 Produção agropecuária em Minas Gerais

Diagnóstico do setor agropecuário de Minas Gerais6, de forma similar ao Brasil,


também possui uma enorme capacidade de desenvolvimento agropecuário devido às
condições edafoclimáticas que permitem a produção durante todo o ano de produtos
tropicais e temperados. Além disso, o estado possui uma localização estratégica, no
centro do país, o que possibilita um escoamento de produtos com fluxo contínuo tanto
internamente, devido à proximidade com os grandes centros consumidores nacionais,
quanto externamente, por possibilitar o acesso aos principais portos exportadores,
Tubarão e Vitória no Espírito Santo, Sepetiba no Rio de Janeiro e Santos em São
Paulo. Há, portanto, um ambiente propício para a produção agropecuária,
caracterizada por sua diversidade e heterogeneidade. Produto Interno Bruto do
Agronegócio Mineiro Entre os anos de 2008 e 2014, o Produto Interno Bruto (PIB) do
agronegócio mineiro, em valores corrigidos, passou de R$ 118,12 bilhões para
R$ 159,83 bilhões, perfazendo crescimento de 35,3% (Tabela 1).

Tabela 1: PIB do agronegócio - Agrícola e Pecuária - Minas Gerais de 2008


a 2014 (R$ milhões). Ano Insumo Básico Agroindustrial
Ano Insumo Básico Agroindustrial Serviços Total

2008 9.689 45.652 27.324 35.459 118.123

2009 8.803 41.765 28.811 34.802 114.181

2010 8.206 46.881 35.142 40.611 130.839

2011 9.764 55.632 36.012 44.275 145.683

2012 9.922 49.704 34.923 41.320 135.869

2013 9.224 56.536 37.778 46.052 149.590

2014 9.368 62.780 38.507 49.173 159.827

Fonte: Adaptado de Barros et al. (a preços de março/2015).

O aumento das demandas interna e externa contribui para a valorização dos


produtos, com geração de renda. O comportamento de cada um dos segmentos que
compõem o agronegócio estadual (insumos, básico ou “dentro da porteira”, indústria
e distribuição) pode ser observado na Tabela 1. O segmento à montante das
24

atividades agropecuárias (referente às desempenhadas “antes da porteira”) registrou


redução de 3,3% entre 2008 e 2014, atingindo R$ 9,36 bilhões no último ano. Já o
PIB proveniente do segmento básico passou de R$ 45,65 bilhões para R$ 62,78
bilhões, aumento de 37,5%. As atividades que incorporam o segmento de distribuição
geraram renda no valor de R$ 49,17 bilhões, com crescimento de 38,7% entre os anos
de 2008 e 2014. Em relação ao PIB do segmento industrial houve um crescimento de
38,7% e atingiu R$ 38,51 bilhões em 2014. O aumento da agroindustrialização se
integra ao processo de mudanças estruturais do setor agropecuário estadual e
nacional. Nesse contexto, inserem-se mudanças tecnológicas e industriais que
implicam em maior profissionalização das atividades produtivas, exemplificadas pela
integração crescente da produção primária à agroindústria. Entretanto, subdividindo-
se a renda do agronegócio de 2014 entre os quatro segmentos supracitados, verifica-
se que os insumos respondem por 5,8%, o segmento básico, 39,3%, industrial, 24,1%
e o de distribuição, 30,8%. Tal composição evidencia que o segmento que representa
a maior parcela da renda gerada pelo agronegócio ainda se concentra nas atividades
“dentro da porteira”.

Para o ano de 2015, há uma expectativa que o Produto Interno Bruto (PIB) do
agronegócio mineiro gere um valor de R$ 166,57 bilhões, o que representa quase um
terço da economia mineira. Deste valor, o segmento agroindustrial representa 23,84%
(R$39,79 bilhões), bem abaixo dos valores no segmento básico (R$66,17 bilhões) e
no de serviços (R$51,37 bilhões), no entanto superior ao segmento de insumos
(R$9,29 bilhões). A expressividade da produção agropecuária faz do segmento básico
o principal gerador de riqueza, pois no setor pecuário há uma participação expressiva
no ranking nacional, possuindo a maior bacia leiteira, o primeiro rebanho de equinos,
o maior polo produtor de peixes ornamentais e trutas, o segundo rebanho bovino, o
terceiro plantel de aves de postura, o quarto plantel de suínos e coelhos, o quinto
plantel de frango de corte e o quarto produtor de produtos apícolas. Em relação ao
setor agrícola, Minas Gerais se destaca como maior produtor de café, segundo na
produção de cana-de-açúcar e de feijão, além de deter a maior área plantada de
florestas comerciais. A agregação de valor no setor pecuário, pelas agroindústrias, em
2014, representa 8,8% dos R$ 81,50 bilhões gerados, ou seja, os frigoríficos (bovinos,
aves e suínos), e os laticínios não processam a maioria do leite e dos animais
produzidos no território mineiro. No setor agrícola a geração no segmento
25

agroindustrial é superior ao pecuário.

Dos R$ 77,70 bilhões gerados 41,1% são provenientes das agroindústrias. A


maior participação se deve ao setor sucroalcooleiro (açúcar, álcool hidratado e anidro)
e a indústria de celulose, unidades fabris consolidadas que utilizam a maior parcela
da produção primária. Esses indicadores sinalizam a importância da atração de
empreendimentos que possam processar a maior parte das matérias-primas
produzidas. No segmento de lácteos há uma produção de 9,3 bilhões de litros por ano
e 34% deste volume não são industrializados, sendo comercializados em outros
estados e outra parcela na informalidade na forma in natura ou de queijos. O mesmo
ocorre para as carnes, principalmente para a bovina. No caso específico do café, o
mercado externo é propício para o desenvolvimento da cultura exportadora café em
grão (verde), chegando a exportar 90% da produção estadual. No entanto, as
barreiras tarifárias impostas pelos principais países importadores (Alemanha, Estados
Unidos da América, Japão e Itália) dificultaram a comercialização de cafés
processados o que limitou o desenvolvimento de um parque fabril mineiro

2.2 Consumo de agrotóxicos em Minas Gerais

O Brasil se destaca, desde 2008, como o maior consumidor mundial de


agrotóxicos, respondendo por 19% desse mercado. Em 2012, estudo da ANVISA e do
Observatório da Indústria dos Agrotóxicos da Universidade Federal do Paraná, mostra
que a taxa de crescimento do mercado brasileiro de agrotóxicos, entre 2000 e 2010,
foi de 190%, contra 93% do mercado mundial. Em sete anos, a quantidade de
agrotóxicos utilizada por área plantada aumentou significativamente, passando de
mais de 10 kg por hectare em 2007 para mais de 18 kg por hectare em 2012, segundo
dados do AGROFIT/MAPA e IBGE.

Desde 2007, observou-se um acentuado crescimento da taxa de consumo de


agrotóxicos em Minas Gerais, enquanto houve um pequeno aumento da área plantada
(Tabela 1). De maneira geral, esse comportamento é semelhante ao perfil nacional,
sendo uma de suas explicações o aumento da produtividade agrícola (capacidade de
produzir mais por área cultivada).
26

2.1.1 Tabela 2. Dados de ingredientes ativos, área plantada, taxa de consumo de


agrotóxicos e incidência de MINAS GERAIS
2007 2008 2009 2010 2011 2012

Ingrediente
18.803.000 21.154.000 24.998.000 72.766.879 86.516.297 139.409.729
ativo (kg)
Área
4.598.477 4.740.522 4.789.178 5.091.784 4.951.412 5.099.200
Plantada (ha)

Taxa de
Consumo de 4,09 4,46 5,22 14,29 17,47 27,34
Agrotóxico (kg/ha)

Fonte: AGROFIT/MAPA - IBGE

O último Censo Agropecuário do IBGE, em 2006, recenseou 551.617


estabelecimentos agropecuários em Minas Gerais, sendo que a agricultura
familiar predomina em 79% desses estabelecimentos. Dentre os
estabelecimentos recenseados para a agricultura familiar, responsáveis por
32% do Valor Bruto de Produção do estado, estão em maior número aqueles
responsáveis pela produção de café, milho em grão e feijão.

Os agricultores e agricultoras enquadrados na categoria da agricultura familiar


vêm apresentando maior risco de contaminação em relação ao uso de
agrotóxicos. A exposição a essas substâncias tende a ser mais significativa
nesse grupo devido à pouca assistência técnica disponível e o baixo uso de
Equipamentos de Proteção Individual (EPI), totalmente inapropriados para o
uso nas regiões de clima quente.

Quadro 1 – Dados do cadastramento do uso de agrotóxicos em Minas


Gerais – 2016
Produtores
Revendas P. de Serviços Fabricantes Armazenadores
usuários
939 116 9 121 177.548
27

Produtos
Ingredientes Ativos (IA)
Cadastrados
Nº Nº Concentração % Média
Média
1.578 287 481g/Kg 43,10%

Fonte: IMA

2.3 Populações expostas a agrotóxicos e Saúde dos trabalhadores e


trabalhadoras em Minas Gerais

A população em geral e, principalmente, os trabalhadores de setores produtivos


como os da agropecuária, saúde pública, empresas desinsetizadoras, de transporte,
comércio e indústria de síntese estão expostos aos agrotóxicos (BRASIL, 1996).

A exposição pode ocorrer de forma direta ou indireta durante o manuseio,


preparo, aplicação e no transporte desses agentes e ainda por meio do consumo da
água, alimentos e leite materno contaminados com resíduos, podendo acarretar
diferentes graus e tipos de intoxicação (ABRASCO, 2015).

No Sistema Único de Saúde (SUS), os casos de intoxicações exógenas,


incluindo por agrotóxicos, devem ser notificados no Sistema Nacional de Agravos de
Notificação (SINAN). Contudo, assim como outras doenças e agravos, também são
subnotificados (Silva, et al.).

Para a Vigilância em Saúde de Populações Expostas a Agrotóxicos (VSPEA),


a notificação desses casos é imprescindível para desencadear o processo
“informação/decisão/ação”, propiciando o monitoramento constante da saúde da
população (BRASIL, 2016).

Em relação as intoxicações exógenas relacionadas a agrotóxicos*, notificados


no SINAN entre 2013-2017, no estado de Minas Gerais verifica-se houve 4323 casos,
sendo que 1779 foram declarados como relacionados ao trabalho (Gráfico 1) o que
representa 41,15% do total.
28

Gráfico 1- Número de casos notificados de intoxicação exógena por


agrotóxicos* não relacionados e relacionados ao trabalho, MG, 2013 –
2017

700
600
635
500 530
494
474 473
400 412
300 331 372
292 310
200
100
0
2013 2014 2015 2016 2017
intoxicações exógenas por agrotóxicos não relacionadas ao trabalho
intoxicações exógenas por agrotóxicos relacionadas ao trabalho

Fonte: SINAN, 2018 (acesso em 14/03/18) * Agrotóxicos considerados: de uso agrícola, doméstico e

saúde pública.

Observa– se ainda que, ao analisar os dados por Unidade Regional de Saúde


(URS)7, constata – se que na categoria das sete (7) URS que mais apresentaram
casos notificados de intoxicações por agrotóxicos não relacionados e relacionados ao
trabalho encontram-se Uberaba, Pouso Alegre, Patos de Minas e Manhumirim,
respectivamente. Em contrapartida, as URS de Pedra Azul, Leopoldina, Januária, Juiz
de Fora e Diamantina foram as que apresentam sequencialmente, menor número de
casos registrados em relação aos grupos especificados. Vale destacar que Regiões
de Saúde que apresentaram maior frequência de casos notificados podem ser, na
verdade, localidades mais sensibilizadas para o diagnóstico e notificação dos casos
no SINAN.

Figuras 2 e 3 – Números de casos notificados de intoxicação exógena por


agrotóxicos não relacionados e relacionados ao trabalho, por URS, MG,
2013 - 2017
29

Relacionado ao trabalho

Não relacionado ao trabalho

Do total de intoxicações exógenas por agrotóxicos, 67% são do sexo masculino


e 33% são do sexo feminino. Dos casos relacionados ao trabalho, observa-se que há
predomínio de intoxicação nos homens em se tratando de agrotóxicos de uso agrícola
(81,8%) e na saúde pública (53,3%). Entretanto, verifica- se maiores índices nas
mulheres (52,2%) quando a utilização é doméstica.

Com relação a circunstância da exposição/contaminação, a tentativa de


suicídio predominou (53%), seguidas da acidental (30%), outros (8%), ambiental (5%)
30

e habitual (4%), conforme demonstrado no Gráfico 2. Destaca-se que as


manifestações clínicas intensas ocorridas no caso de suicídio ocasionam em maior
procura aos serviços de saúde, elevando assim a notificação dessa ocorrência.

Gráfico 2- Número de casos notificados de intoxicação exógena por


agrotóxicos, por exposição/contaminação, MG, 2013 – 2017

8%
4%
5%

53%

30%

Tentativa de suicídio Acidental Ambiental Habitual Outros

Fonte: SINAN, 2018 (acesso em 14/03/18)

Considerando o tipo de exposição (Tabela 3), 3854 (89,11%) foram agudas,


100 crônicas (2,31%) e 369 (8,58%) ignorado/ branco. Os casos crônicos de
intoxicação tendem a ser menos notificados que os casos agudos, visto que a
sintomatologia crônica pode surgir anos após a exposição, sendo de difícil
reconhecimento clínico e, muitas vezes, é complexo associar a causa ao efeito (SILVA
et al., 2005).

Tabela 3 – Dez primeiras ocupações do total de casos de intoxicações


exógenas por agrotóxicos relacionados ao trabalho, MG, 2013-2017
Tipo de
2013 2014 2015 2016 2017 Total
exposição
Ign/Branco 105 75 75 51 63 369
Aguda–única 861 676 593 592 719 3441
Aguda–
77 81 84 67 75 384
repetida
31

Crônica 57 19 9 8 7 100

Aguda sobre 9 10 4 4 2 29
crônica
Total 1109 861 765 722 866 4323

Fonte: SINAN, 2018 (acesso em 14/03/18)

Em relação as dez (10) ocupações com maior número de casos relacionados


ao trabalho, noves (9) estão relacionadas ao setor agropecuário (Tabela 4), atestando
assim que os maiores índices de intoxicação por agrotóxicos ocorrem em
trabalhadores desse setor, o que evidencia a importância de políticas públicas
destinadas às populações do campo e das florestas. Destaca-se que significativo
quantitativo de fichas sem o preenchimento do campo ocupação (28%) pode mascarar
a ocorrência de atividades ocupacionais.

Tabela 4 – Dez primeiras ocupações do total de casos de intoxicações


exógenas por agrotóxicos relacionados ao trabalho, MG, 2013-2017
Posição Ocupação Frequência
1 Trabalhador agropecuário em geral 643
2 Trabalhador volante da agricultura 113
3 Tratorista agrícola 55
4 Trabalhador da cultura de café 51
5 Produtor agropecuário, em geral 46
6 Produtor agrícola polivalente 45
7 Trabalhador da cultura de cana-de-açúcar 39
8 Cafeicultor 16
9 Caseiro (agricultura) 12
10 Empregado doméstico nos serviços gerais 22

Fonte: SINAN, 2018 (acesso em 14/03/18)

A subnotificação e a qualidade dos dados no SINAN não refletem com


fidedignidade a realidade, portanto os números apresentados devem ser analisados
cautelosamente. Nesse sentido, um importante desafio para o avanço das ações de
VSPEA é aumentar o número, a qualidade e a oportunidade dos dados, para que
possam dar maior visibilidade ao problema e subsidiar com mais eficiência o processo
decisório.
32

2.4 Impactos socioambientais e sanitários decorrentes do uso dos


agrotóxicos

A Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano consiste no


conjunto de ações adotadas continuamente para garantir que a água consumida pela
população atenda ao padrão de potabilidade estabelecido na legislação vigente,
Portaria de Consolidação Nº 5 - Consolidação das normas sobre as ações e os
serviços de saúde do Sistema Único de Saúde - Anexo XX do Controle e da Vigilância
da Qualidade da Água para Consumo Humano e seu Padrão de Potabilidade (Origem:
PRT MS/GM 2914/2011), bem como avaliar e prevenir os possíveis riscos que os
sistemas e as soluções alternativas de abastecimento de água podem representar à
população abastecida, abrangendo todo o sistema de produção de água potável.

O monitoramento dessa qualidade envolve procedimento programado de


amostragem, mensuração e subsequente registro de diversas características da água,
com vistas à avaliação da conformidade da água ao uso pretendido. O Plano de
Monitoramento de Agrotóxicos permite considerar as especificidades locais e, por
conseguinte, priorizar municípios com maior probabilidade de ocorrência de
agrotóxicos na água de consumo humano. Os parâmetros, número de amostras e
frequência de monitoramento estão descritos nos documentos “Orientações Técnicas
para o Monitoramento de Agrotóxicos na Água para Consumo Humano”, Brasília,
fevereiro de 2018 e “Diretrizes Nacional do Plano de Amostragem da Vigilância da
Qualidade da Água para Consumo Humano”, revisado e publicado em fevereiro de
2014.

Com relação à Vigilância da Qualidade da Água em Minas Gerais, segundo o


“Boletim Epidemiológico – Monitoramento de Agrotóxicos na Água para Consumo
Humano no Brasil, 2016 - número 12”, foram identificados 12 municípios com pelo
menos algum resultado analítico fora do padrão de potabilidade, localizados nos
estados de São Paulo e Minas Gerais. Ressalta-se a redução significativa no
quantitativo de dados relacionados ao monitoramento executado pelo Controle em
2014 quando comparado a 2013. Entretanto, tal redução pode ser explicada pela
disponibilização da nova versão do SISAGUA em 2014, que demandou necessidade
de capacitação para a operacionalização do sistema. Há necessidade de inserção de
33

dados no SISAGUA de forma periódica e oportuna, com vistas a subsidiar o


planejamento, o direcionamento das ações e a tomada de decisão dos gestores,
fortalecendo, desta forma, a vigilância de populações expostas aos agrotóxicos no
Brasil.

2.5 Marco regulatório dos agrotóxicos

2.5.5 A gestão tripartite do processo regulatório dos agrotóxicos

De acordo com Pelaez, V, et alli, em 1989 foi aprovada no Congresso Nacional


a Lei 7.802, conhecida como a Lei dos Agrotóxicos, que substituiu o Decreto 24.114
de 1934. Essa lei surge em um contexto de mobilização parlamentar em torno da
preservação do meio ambiente na Assembleia Constituinte de 1988, bem como na
criação de leis estaduais de controle de agrotóxicos oriundas de movimentos
ambientalistas organizados em alguns estados da federação (Jacobi, 2003). O grande
avanço dessa lei deu-se com o estabelecimento de regras mais rigorosas para a
concessão de registro aos agrotóxicos, cabendo à empresa registrante o ônus da
prova quanto às características de desempenho agronômico e toxicidade humana e
ambiental. O artigo 3º, § 6º, incorporou a avaliação de perigo ao determinar a proibição
de registros de agrotóxicos que revelem características carcinogênicas, teratogênicas,
mutagênicas e que causem distúrbios hormonais. Essa Lei previu também a
possibilidade de impugnação ou cancelamento do registro por solicitação de entidades
representativas da sociedade civil (Brasil, 1989, art. 5°).

A nova estrutura de registro dos agrotóxicos, antes exclusiva do Ministério da


Agricultura, passou a ser compartilhada pelos Ministérios da Agricultura, da Saúde e
do Meio Ambiente. Ao Ministério da Agricultura coube a avaliação do desempenho
agronômico do produto, ao da Saúde a avaliação toxicológica e ao do Meio Ambiente
a avaliação ambiental. O registro de agrotóxicos é, no entanto, centralizado no
Ministério da Agricultura, responsável por emitir o parecer agronômico e conceder o
registro após receber os pareceres técnicos das agências de saúde e de meio
ambiente. Cada um dos órgãos é autônomo em sua respectiva área de competência,
sendo necessários os três pareceres deferindo o produto, para a concessão do
34

registro. A inserção dos demais ministérios no processo de avaliação visou atender a


demanda da sociedade e dos estados da federação que, no início da década de 1980,
criaram leis estaduais mais restritivas do que a federal. Essas leis defendiam
avaliações prévias para o registro dos agrotóxicos no Brasil quanto aos efeitos à saúde
e meio ambiente, 9 bem como, lograram atenuar a hegemonia histórica do Ministério
da Agricultura, cujo foco de trabalho sempre foi o estímulo à produção agrícola.

A gestão tripartite do processo regulatório tem apresentado conflitos de


interesses, sobretudo entre o Ministério da Agricultura e o da Saúde, no que tange aos
processos de reavaliação de agrotóxicos estabelecidos por este último.

Apesar de terem sido introduzidas, pela nova legislação, regras rigorosas para
pesquisa, produção, comercialização e uso dos agrotóxicos, os órgãos fiscalizadores
do poder público não foram munidos com recursos materiais, humanos e financeiros
necessários para as atividades de registro e fiscalização dos agrotóxicos.

Não há ainda na legislação brasileira a implementação de exigências de


garantias financeiras às empresas que registram agrotóxicos, caso seus produtos
causem impactos indesejáveis ao ambiente, à saúde ou à produção agrícola. Esta é
uma questão relevante em termos de políticas públicas, sobretudo pelo fato de um
número considerável (53%) de empresas pleiteantes de registro de agrotóxicos serem
apenas escritórios de representação comercial com baixo investimento de capital.
Nesses casos, a incidência de impactos em larga escala à saúde e ao ambiente,
poderia levar a uma responsabilização do próprio Estado, na ausência de capacidade
financeira dos agentes privados.

A regulação tripartite de agrotóxicos, envolvendo órgãos dos Ministérios da


Agricultura, da Saúde e do Meio Ambiente, como esboçada nos Estados Unidos da
América nas décadas de 1950 e 1960 e implementada no Brasil da década de 1980,
perpetua por um lado os conflitos de interesse imanentes à perene polarização do
produtivismo versus o ambientalismo. Por outro lado, esse tipo de gestão
compartilhada pode reduzir os riscos de captura em relação à centralização da
regulação em uma única agência, sobretudo em países nos quais a agenda política
relativa a questões ambientais e sanitárias é ainda incipiente, como no Brasil. No caso
desse país, que é atualmente o maior mercado consumidor de agrotóxicos, as
35

agências reguladoras enfrentam ainda fragilidades institucionais consideráveis no que


tange aos recursos disponíveis e à sua independência financeira e política. Isto ocorre,
sobretudo ao nível do executivo, pelas ingerências diretas dos Ministérios aos quais
as agências estão subordinadas, e ao nível do judiciário. As constantes ações judiciais
impetradas pelas empresas retardam e chegam mesmo a inibir a atuação das
agências, no que tange à aplicação de medidas restritivas aos produtos. Da mesma
forma, retardam a aplicação do aumento de taxas de registro fundamentais às
atividades regulatórias.

2.5.2 Legislação

No Brasil, os agrotóxicos são regulados pela Lei n.º 7.802/89, até então a
matéria era regulada apenas por portarias ministeriais e representou um grande
avanço no controle destas substâncias. A referida lei é regulamentada pelo Decreto
n.º 4.074, de 2002. Agrotóxico, segundo o Decreto, em seu artigo 1º, inciso IV, é
definido como:

“produtos e agentes de processos físicos, químicos ou biológicos, destinados


ao uso nos setores de produção, no armazenamento e beneficiamento de produtos
agrícolas, nas pastagens, na proteção de florestas, nativas ou plantadas, e de outros
ecossistemas e de ambientes urbanos, hídricos e industriais, cuja finalidade seja
alterar a composição da flora ou da fauna, a fim de preservá-las da ação danosa de
seres vivos considerados nocivos, bem como as substâncias e produtos empregados
como desfolhantes, dessecantes, estimuladores e inibidores de crescimento”.

Quadro 2 – Legislação e normas sobre agrotóxicos


NORMA DATA EMENTA
Lei Federal nº 11 de Julho Dispõe sobre a pesquisa, a experimentação, a produção, a embalagem e
7.802 de 1989 rotulagem, o transporte, o armazenamento, a comercialização, a propaganda
comercial, a utilização, a importação, a exportação, o destino final dos
resíduos e embalagens, o registro, a classificação, o controle, a inspeção e a
fiscalização de agrotóxicos, seus componentes e afins, e dá outras
providências.
Lei Federal nº 06 de Altera a Lei nº 7.802, de 11 de julho de 1989
9.974 junho de
2000
36

Decreto 04 de Regulamenta a Lei no 7.802, de 11 de julho de 1989, que dispõe sobre a


Federal nº janeiro de pesquisa, a experimentação, a produção, a embalagem e rotulagem, o
4.074 2002 transporte, o armazenamento, a comercialização, a propaganda comercial, a
utilização, a importação, a exportação, o destino final dos resíduos e
embalagens, o registro, a classificação, o controle, a inspeção e a fiscalização
de agrotóxicos, seus componentes e afins, e dá outras providências.

Lei Federal nº 12 de Dispõe sobre sansões penais e administrativas derivadas de condutas e


9.605 fevereiro atividades lesivas ao meio ambiente, e dá outras providências
de 1998
Lei Estadual nº 13/12/1991 Dispõe sobre a produção, comercialização e uso de agrotóxico e afins e dá
10.545 outras providências.
Decreto 08 de Aprova o Regulamento da Lei nº 10.545, de 13 de dezembro de 1991, que
Estadual nº agosto de dispõe sobre produção, comercialização e uso de agrotóxicos e afins e dá
41.203 2000 outras providências
Portaria IMA nº 18 de Revoga as portarias IMA nº 650, de 16 de junho de 2004 e nº 862 de 29 de
1650 agosto de agosto de 2007 e baixa normas para registro de estabelecimento de
2016 agrotóxico e afim, armazenamento, exposição, comercialização de
agrotóxicos e afim, destinação de embalagens vazias e para cadastro de
agrotóxicos e afins, destinados ao uso nos setores de produção agropecuária,
armazenamento, beneficiamento de produtos agrícolas, pastagens,
agroindústrias e proteção de florestas no Estado de Minas Gerais.
Resolução nº 05 de Dispõe sobre os requisitos e critérios técnicos mínimos necessários para o
465 - CONAMA dezembro licenciamento ambiental de estabelecimentos destinados ao recebimento de
de 2004 embalagens de agrotóxicos ou afins, vazias ou contendo resíduos.
Deliberação 09 de Estabelece critérios para classificação, segundo o porte e potencial poluidor,
Normativa nº setembro de empreendimentos e atividades modificadoras do meio ambiente passíveis
74 - COPAM de 2004 de autorização ou de licenciamento ambiental no nível estadual, determina
normas para indenização dos custos de análise de pedidos de autorização e
de licenciamento ambiental, e dá outras providências.
Deliberação Estabelece normas para a regularização ambiental de estabelecimento que
Normativa nº comercializam produtos agrotóxicos e altera o anexo I da Deliberação
109 - COPAM Normativa do COPAM nº 74

Atualmente tramita na Câmara dos Deputados mais de 18 Projetos de Leis que


visam à alteração da atual Lei Federal nº 7.802/1989. O projeto que deu origem a essa
série de mudança foi o PL 6299/2002. Esse PL altera os artigos 3º e 9º da Lei nº 7.802,
de 11 de julho de 1989, e na explicação da ementa, ele dispõe que « o registro prévio
do agrotóxico será o do princípio ativo; dá competência à União para legislar sobre
destruição de embalagem do defensivo agrícola » (Câmara dos Deputados)68. Junto
ao PL 6299/2002, foram apensados 18 projetos de lei, chamados pela sociedade de

8Texto retirado do site da Câmara dos Deputados. Disponível em :


http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=46249, visitado em
25/03/2018.
37

pacote veneno. Esses PLs abordam matérias semelhantes, ou seja, a flexibilização


no processo de registros e comercialização de agrotóxicos no país.

Dentre os apensados, o PL que possui mais alteração é o de número


3200/2015. Esse PL compõe-se de propostas carregadas de dissensos sobre sua
efetividade em relação à proteção do meio ambiente, da saúde humana,
especialmente, a dos trabalhadores rurais. Esse PL dispõe sobre a Política Nacional
de Defensivos Fitossanitários e de Produtos de Controle Ambiental, seus
componentes e afins, bem como sobre a pesquisa, a experimentação, a produção, a
embalagem e rotulagem, o transporte, o armazenamento, a comercialização, a
propaganda comercial, a utilização, a importação, a exportação, o destino final dos
resíduos e embalagens, o registro, a classificação, o controle, a inspeção e a
fiscalização de defensivos fitossanitários e de produtos de controle ambiental, seus
componentes e afins, e dá outras providências. Ele traz como explicação da Ementa
a revogação das Leis nº 7.802, de 1989 e 9.974, de 2000. Com a Aprovação do PL nº
3200/2015, a denominação AGROTÓXICO, será substituído por DEFENSIVOS
FITOSSANITÁRIOS E PRODUTOS DE CONTROLE AMBIENTAL (artigo 1º do PL). A
alteração do nome busca camuflar o nome agrotóxico, uma vez que tal termo suscita,
no âmbito da sociedade, a impressão de algo tóxico e prejudicial.

O PL nº 3200/2015, foi apensado ao PL 1687/2015 cuja ementa é: « Altera a


Lei nº 7.802, de 11 de julho de 1989, para instituir a Política Nacional de Apoio aos
Agrotóxicos e Afins de Baixa Periculosidade» (Câmara dos Deputados). Cabe
ressaltar que, esse PL1687/2015 foi apensado ao PL 6299/2002. De acordo com os
registros disponíveis na Câmara dos Deputados, a última ação legislativa sobre o
PL6299/2002 data de 22/06/2016.

Por fim, ressalta-se uma proposição de PL com uma abordagem sobre os


agrotóxicos, diferente dos PLs supracitados. O mesmo possui, de forma significativa,
um viés social. Sua finalidade é a redução do uso de agrotóxicos e, seu pressuposto
é o acesso a informação sobre os impactos do uso de agrotóxicos para a saúde
humana. Assim, encontra-se em tramitação, o PL nº 6670/2016 que institui a Política
Nacional de Redução de Agrotóxicos– PNARA, que ao contrário dos outros, é de
iniciativa popular e pretende a redução do consumo de agrotóxicos e a ampliação do
38

uso de produtos de origem biológicas em perigo e risco para a saúde e meio ambiente.
Um ponto importante trazido pelo PL6670/2016 refere-se aos instrumentos, e a
imposição ao Poder Executivo para a implementação de iniciativas para o
aprimoramento, monitoramento e a responsabilização quanto à produção,
comercialização e uso dos agrotóxicos. O autor da proposta foi a Associação Brasileira
de Saúde Coletiva (ABRASCO).

De acordo com o art. 1°desse PL:

Esta Lei institui a Política Nacional de Redução de Agrotóxicos – PNARA, com


o objetivo de implementar ações que contribuam para a redução progressiva do uso
de agrotóxicos na produção agrícola, pecuária extrativista e nas práticas de manejo
dos recursos naturais com ampliação da oferta de insumos de origens biológicas e
naturais, contribuindo para a promoção da saúde e sustentabilidade ambiental, com a
produção de alimentos saudáveis.

E no seu art. 2° foram definidos os oito objetivos da PNARA, em que


destacamos dois destes:

I - Reduzir, gradual e continuadamente, a disponibilidade, o acesso e o uso de


agrotóxicos, ampliando a disponibilidade e uso de produtos de origem
biológicas em perigo e risco para a saúde e meio ambiente;

II - Promover a avaliação, o controle, a fiscalização e o monitoramento de


resíduos de agrotóxicos.

Ação Direta de Inconstitucionalidade – ADI de nº 5.553/16, requerido pelo


Partido Socialismo e Liberdade – PSOL

Trata - se de ação direta de inconstitucionalidade (ADI), com pedido de medida


cautelar, ajuizada em 29/6/20161 pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), tendo
como objeto do controle normativo os seguintes atos: (i) a Cláusula Primeira (em
parte) e a Cláusula Terceira do Convênio ICMS 100/97 do Conselho Nacional de
Política Fazendária – CONFAZ (o qual reduz a base de cálculo do Imposto sobre
Circulação de Mercadorias e Serviços – ICMS - nas saídas dos insumos
agropecuários que especifica e dá outras providências); e, (ii) o Decreto 7.660, de 23
39

de dezembro de 2011, no pertinente à isenção total de Imposto sobre Produtos


Industrializados (IPI) a substâncias relacionadas a agrotóxicos.

O parecer da Procuradoria-Geral da República, Nº 273.198/2017-


SFConst/PGR, considerou que:

O ordenamento constitucional, internacional e infraconstitucional demonstra a


preocupação com a utilização os agroquímicos, impondo severas restrições à
produção, registro, comercialização e manejo, com vistas à proteção do meio
ambiente, da saúde e, sobretudo, dos trabalhadores.

Os instrumentos tributários impugnados percorrem o caminho inverso, eis que,


ao estipularem benefícios fiscais aos agrotóxicos, intensificam o seu uso e, portanto,
sujeitam o meio ambiente, a saúde e a coletividade dos trabalhadores aos perigos
inerentes ao manuseio em larga escala. Nesse aspecto, além de divergir da
compreensão do princípio do poluidor-pagador, não atende à necessidade de
implementação de uma política voltada à responsabilidade intergeracional

Em recente decisão, o Supremo Tribunal Federal declarou incidentalmente a


inconstitucionalidade do art. 2º da Lei 9.055, de 1º de junho de 1995, haja vista o
“consenso em torno da natureza altamente cancerígena do mineral e da inviabilidade
de seu uso de forma efetivamente segura” (ADI 3937/SP).

Ao fomentar a intensificação do uso de agrotóxicos, o Estado descumpre


importante tarefa de extração constitucional, referente à preservação do meio
ambiente e afronta diretamente a melhor compreensão do princípio constitucional do
poluidor-pagador.

Portanto, o incentivo fiscal endereçado aos agrotóxicos traduz prática contrária


ao aos ditames constitucionais de proteção ao meio ambiente (CR, art. 225) e à saúde
(CR, art. 196), sobretudo dos trabalhadores.

Desta forma, opina por conhecimento da ação e por procedência do pedido,


com declaração da inconstitucionalidade material das Cláusulas Primeira (em parte)
e Terceira do Convênio ICMS 100/97 do Conselho Nacional de Política Fazendária –
CONFAZ, e do Decreto 7.660, de 23 de dezembro de 2011, no pertinente à isenção
40

total de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) a substâncias relacionadas a


agrotóxicos.

2.5.3 Classificação dos agrotóxicos

Segundo a Lei nº 7.802, de 11 de julho de 1989, agrotóxicos são produtos ou


agentes de processos físicos, químicos ou biológicos destinados ao uso nos setores
de produção, no armazenamento e beneficiamento de produtos agrícolas, nas
pastagens, na proteção de florestas, nativas ou implantadas, e de outros
ecossistemas e também de ambientes urbanos, hídricos e industriais, cuja finalidade
seja alterar a composição da flora ou da fauna, a fim de preservá-las da ação danosa
de seres vivos considerados nocivos (BRASIL, 1989). Os agrotóxicos são também as
substâncias e os produtos empregados como desfolhantes, dessecantes,
estimuladores e inibidores de crescimento.

Conforme o organismo alvo e o grupo químico Estes produtos são classificados


em inseticidas, os quais possuem ação de combate a insetos, larvas e formigas;
fungicidas, que atuam no combate a fungos; herbicidas são aqueles que apresentam
ação sobre plantas invasoras; rodenticidas e/ou raticidas são utilizados no combate
de roedores; acaricidas, que têm ação sobre diferentes ácaros; nematicidas, agem no
controle de nematoides; fumigantes, utilizados no controle de pragas e bactérias;
moluscicidas, produtos para o combate de moluscos; adjuvantes, utilizados em
mistura com produtos formulados para melhorar a sua aplicação; reguladores de
crescimento, substâncias sintetizadas em uma parte do organismo, transportadas a
outros sítios onde exercem controle comportamental ou regulam o crescimento de
organismos; etc.

Conforme a toxicidade os agrotóxicos são classificados pela Anvisa baseando-


se na toxicidade relacionada aos seus efeitos agudos através da dose letal 50%
(DL50) oral das formulações líquidas e sólidas; entretanto, para a Organização
Mundial da Saúde (OMS), essa classificação é fundamentada na DL50 em ratos, oral
e dérmica, por mg/kg de peso, das formulações líquidas e sólidas. Em ambos os
métodos, os produtos são classificados em: classe I – altamente tóxico (faixa
vermelha); classe II - mediamente tóxico (faixa amarela); classe III - pouco tóxico (faixa
azul); classe IV - praticamente não tóxico (faixa verde).
41

3. ESTRATÉGIAS INTERSETORIAIS, DIRETRIZES E OBJETIVOS

3.1. A Abordagem Intersetorial

Para Burlandy (2004) a intersetorialidade compõe os diferentes setores que


constroem, de forma conjunta e pactuada, um projeto integrado destinado a alcançar
objetivos mais amplos. Esse planejamento inclui a identificação de determinantes,
envolvimento dos sujeitos implicados no processo e a formulação de intervenções
estratégicas que transcendam as ações setoriais e impactem diferentes dimensões
do problema em um processo técnico e político. A composição de um trabalho de
maneira transversal exige, de acordo com Bronzo (2007), recursos estruturados em
torno de dois eixos: o primeiro refere-se ao conhecimento, à capacidade de análise e
formulação de estratégias; o segundo, à capacidade relacional, à integração das
políticas e programas setoriais, aos setores do governo, da sociedade civil e do
mercado, destacando-se como um novo arranjo institucional e organizacional
necessário, principalmente em programas de âmbito municipal, devido à proximidade
com o público a ser assistido e à necessidade de se obter informações quanto às
demandas dos cidadãos. “A gestão transversal permite conferir uma visibilidade
horizontal à organização sem que se perca a qualidade técnica e a especialização”
(BRONZO, 2007, p. 15). Desde modo, o trabalho intersetorial supõe não apenas o
diálogo ou o trabalho simultâneo entre os atores envolvidos, e sim a busca por
resultados integrados (INOJOSA, 2001, grifo nosso), dando ênfase a uma nova
estratégia de gestão da administração pública. Nesse aspecto, a relação entre a
participação, a descentralização, o controle social, e a própria intersetorialidade, têm
possibilidades de efetivação:

A qualidade de vida demanda uma visão integrada dos problemas sociais. A


gestão intersetorial surge como uma nova possibilidade para resolver esses
problemas que incidem sobre uma população que ocupa determinado território. Essa
é uma perspectiva importante porque aponta uma visão integrada dos problemas
sociais e de suas soluções. Com isso busca-se otimizar os recursos escassos
procurando soluções integradas, pois a complexidade da realidade social exige um
olhar que não se esgota no âmbito de uma única política social (JUNQUEIRA, 1999,
p. 27).
42

A partir desta lógica de gestão voltada para o social, a gestão tradicional


perderia espaço e a atuação do governo passaria a ter como referência a
transformação da sociedade. A intersetorialidade apresenta-se como uma perspectiva
inovadora na política pública para a condução e operacionalização dos serviços
ofertados, e para a reorganização da gestão, viabilizando uma nova relação entre o
munícipe e os gestores, considerando-se as peculiaridades locais e o envolvimento
dos seres sociais que compõem as tramas dessas relações, trazendo sua
singularidade e subjetividade, implicados como sujeitos no processo de gestão. E a
partir da efetivação dos processos sociais, podemos almejar a condução de um novo
projeto societário. Intrínsecos ao campo da intersetorialidade há princípios básicos, a
se destacar: senso de responsabilidade, de compartilhamento, parceria,
envolvimento, articulação, cooperativismo, interface, conexão, participação, diálogo,
trabalho em rede, integração, dentre outros. Esta envolve ações integradas de
distintos setores no atendimento à população cujas necessidades são pensadas a
partir de sua realidade concreta, de modo a colocar em pauta as peculiaridades de
suas condições de vida (INOJOSA; JUNQUEIRA; KOMATSU, 1997). A intenção é
investir no caráter democrático para a construção da intersetorialidade, que não pode
ser compreendida como uma estratégia automática, natural nem espontânea nas
políticas públicas. Implementar estratégias de ação intersetorial requer um amplo
esforço pessoal e das diversas áreas para atuar de forma integrada, no intuito de
consolidar um novo modo de direcionar ações para a resolução das expressões da
questão social. A estratégia intersetorial, com a efetivação de trabalhos simultâneos
para obtenção de resultados integrados, remete-nos ao trabalho em rede, com a
interconexão dos atores envolvidos.

Uma vez perfazendo a ação intersetorial, as redes de base local e/ou regional,
reclamam por valorização e qualificação na interconexão de agentes, serviços,
organizações governamentais e não governamentais, movimentos sociais e
comunidades. Intervir em rede, na atualidade, requer que se estabeleçam,
entre as diversas instituições de defesa de direitos e prestadoras de serviços, vínculos
horizontais de interdependência e de complementaridade (COMERLATTO, 2007, p.
269).

Pertinente é destacar que, neste contexto, as redes não consistem em pontos


43

de contato somente, mas em conexões possíveis a partir das demandas


apresentadas, considerando sua interdependência e complementaridade. Esta
análise aponta para uma visão integrada dos problemas sociais e a necessidade de
articulação para suas soluções. A este respeito, considera-se que não basta
encaminhar, orientar, direcionar para a rede de serviços, é necessário conhecê-la para
desenvolver um planejamento possível de ações entre os diversos setores. Esta
abordagem nos leva a perceber o trabalho em rede como fundamental para a
efetivação da intersetorialidade. Contudo não basta argumentar que o trabalho em
rede é a base, deve-se compreender como é a dinamicidade deste processo. A rede
pode ser compreendida como o resultado do processo de agregação de várias
organizações e entidades em torno de um interesse em comum. A sistematização a
seguir permite compreender as etapas para a concretização da intersetorialidade via
trabalho em rede. Devido à amplitude de ações compreendidas em cada etapa, será
adotado, para cada uma, o termo “dimensão”, ou seja, concretizando as ações das
três primeiras dimensões tem-se a possibilidade de operacionalizar a
intersetorialidade. Este é um conceito que necessita ser sistematizado, para que,
didaticamente, possamos expressar as dimensões que englobam sua execução, que
envolve em sua estratégia de operacionalização, dinamicidade no processo, relação
dialética, envolvimento. A partir de uma perspectiva de envolvimento e participação,
podendo ser aplicada em vários âmbitos e setores das políticas públicas. A seguir,
apresentar-se-á, o que se convencionou analisar como dimensões da
intersetorialidade, no propósito de sua efetivação. *

3.2 A Intersetorialidade no Plano

O presente Plano Estratégico utiliza um conceito amplo de intersetorialidade,


tida especialmente como estratégia política, como prática de gestão e ainda com um
sentido ampliado de envolvimento da sociedade. Ressalta a dimensão estratégica
para a garantia de direitos, portanto com um sentido de cidadania (dimensão política)
como estratégia de gestão, e remete à rede e à resolutividade na prestação do serviço
(dimensão administrativa).

A intersetorialidade, aqui utilizada, é uma estratégia política complexa, cujos


resultados alcançados na resolução dos problemas causados pelos agrotóxicos a
44

população e ao meio ambiente, deverão ocorrer na medida em que a superação da


fragmentação das ações nas várias áreas onde são executadas, se consolidarem. A
intersetorialidade adotada na elaboração e implementação do Plano Estratégico
permite o estabelecimento de espaços compartilhados de decisões entre instituições
e diferentes setores do governo que atuam na formulação, implementação e
acompanhamento de políticas públicas que possam ter impacto positivo sobre a
melhoria de vida e saúde da população. Permite considerar o cidadão na sua
totalidade, nas suas necessidades individuais e coletivas, demonstrando que ações
resolutivas em meio ambiente e saúde, por exemplo, requerem necessariamente
parcerias com outros setores como educação, desenvolvimento agrário, ATER,
segurança alimentar e nutricional e outros. Intersetorialidade remete também ao
conceito/ideia de rede, cuja prática requer articulação, vinculações, ações
complementares, relações horizontais entre parceiros e interdependência de serviços
para garantir a integralidade das ações. Finalmente, o contexto de intersetorialidade
estimula e requer mecanismos de envolvimento da sociedade. Demanda a
participação dos movimentos sociais nos processos decisórios sobre qualidade de
vida.

3.3. Diretrizes

A Estratégia Intersetorial de Redução do Uso de Agrotóxicos e Apoio a


agroecologia e Produção Orgânica em Minas Gerais tem como base as diretrizes da
Política Estadual de Agroecologia e Produção Orgânica, instituída pela Lei Estadual
21.146, de 14 de janeiro de 2014, a saber:

I – A promoção da soberania e segurança alimentar e nutricional e do direito


humano à alimentação adequada e saudável em consonância com as demais
ações de desenvolvimento agrícola do Estado;

II – A conservação dos ecossistemas naturais, a recomposição dos


ecossistemas modificados e a promoção dos agroecossistemas sustentáveis;

III – A implementação de políticas de estímulos que favoreçam a transição


agroecológica;
45

IV – A estruturação de circuitos de produção, distribuição, comercialização e


consumo de produtos agroecológicos, orgânicos e em transição agroecológica,
que aperfeiçoem as funções econômica, social e ambiental da agricultura e do
extrativismo florestal, respeitando-se as tradições culturais;

V – A estímulo às experiências locais de uso e conservação dos recursos


genéticos vegetais e animais, especialmente àquelas que envolvam o manejo
de espécies nativas, raças e variedades locais, tradicionais e crioulas;

VI – O fortalecimento dos agricultores na gestão e na conservação dos bens


naturais com vistas à manutenção da sociobiodiversidade, respeitados os
ciclos de renovação do meio ambiente;

VII – A implementação da perspectiva agroecológica nas instituições de ensino,


pesquisa e Assistência Técnica e Extensão Rural – Ater;

VIII – O estímulo ao consumo de produtos agroecológicos, orgânicos e em


transição agroecológica;

IX – A valorização do protagonismo dos destinatários a que se refere o art. 3°


desta Lei (agricultor familiar, agricultor urbano e povos e comunidades
tradicionais), nos processos de construção e socialização de conhecimento e
na gestão, na organização social e nas atividades produtivas da agroecologia,
da produção orgânica e da transição agroecológica.

3.4. Objetivos

I – Reduzir, gradual e continuadamente, a disponibilidade, acesso e uso de


agrotóxicos em Minas Gerais;

II – Desestimular o uso de agrotóxicos, por meio da eliminação de subsídios e


da taxação progressiva sobre os agrotóxicos de maior perigo toxicológico e
ecotoxicológico, zerando as alíquotas para os aprovados para a agricultura
orgânica e os de controle biológico, desde que não oriundo de Organismo
Geneticamente Modificado (OGM);
46

III – Fomentar a atenção integral a saúde de populações expostas a


agrotóxicos, incluindo ações de assistência e vigilância em saúde (vigilância
sanitária, vigilância em saúde do trabalhador, vigilância em saúde ambiental,
etc.);

IV – Ampliar a realização de projetos de pesquisa e desenvolvimento voltados


a disponibilização de tecnologias de baixo perigo toxicológico e
ecotoxicológico, capazes de enfrentar os principais problemas fitossanitários
da agricultura brasileira e substituir os agrotóxicos considerados como
prioritários para reavaliação de suas autorizações de uso;

V – Promover, ampliar e consolidar processos e experiências de acesso e


intercâmbio do conhecimento relacionado a produtos e processos, de baixo
perigo toxicológico e ecotoxicológico, que contribuam para a prevenção e
controle de problemas fitossanitários, priorizando a redução da dependência
de insumos externos;

VI – Intensificar a qualificação de agentes de Ater para priorizar formas de


agricultura de base agroecológica e orgânica, e sensibilizar, capacitar, qualificar
e atualizar conhecimentos quanto aos riscos e impactos dos agrotóxicos,
visando a indução do uso de produtos e processos, para a prevenção e controle
fitossanitário, com baixo risco toxicológico e ecotoxicológico;

VII – Aprimorar e diversificar os mecanismos de informação à população, com


linguagem adequada para os diversos públicos, incluindo as atividades
regulares das vigilâncias epidemiológicas, sanitária, saúde ambiental e de
saúde do trabalhador, utilizando os diversos meios de comunicação
audiovisual, incluindo internet e redes sociais;

VIII – Promover e intensificar ações de conscientização e instrumentalização


de trabalhadores rurais assalariados e temporários, populações expostas e
grupos vulneráveis para a atuação em defesa da própria saúde e da ambiental,
conscientizando quanto à viabilidade e de modelos sustentáveis de produção;

IX – Desenvolver e fortalecer a integração de ações, para identificação,


47

monitoramento, prevenção e controle da contaminação por agrotóxicos; e

X – Garantir acesso à informação, a participação e o controle social quanto aos


riscos e impactos dos agrotóxicos à saúde e ao meio ambiente.

3.5. Vigência

A Estratégia Intersetorial de Redução do Uso de Agrotóxicos e Apoio a


Agroecologia e a Produção Orgânica em Minas Gerais será executada de forma
permanente e contínua, com base no Decreto Nº 47.223, DE 26 DE JULHO DE 2017,
sendo seus objetivos e eixos temáticos revisados a cada quatro anos.

3.6. Abrangência

A Estratégia Intersetorial de Redução do Uso de Agrotóxicos e apoio a


Agroecologia e a Produção Orgânica em Minas Gerais terá abrangência estadual e
será executada a partir das ações de cada secretaria de Estado e órgãos públicos
estaduais que compõe o GEP, em diálogo com os órgãos públicos federais, podendo
os municípios se integrar a Estratégia Intersetorial. Busca-se também a sensibilização
e articulação com os ministérios públicos e com a Assembleia Legislativa de Minas
Gerais quanto às necessidades de criação e revisão de normas vigentes, de forma a
dar maior segurança e amplitude às iniciativas.

Quanto à execução de suas ações, em virtude das diferenças socioprodutivas


e ambiental brasileira, presentes em Minas Gerais, e visando dar integralidade e
complementariedade nas ações previstas na Estratégia Intersetorial, será realizado
um mapeamento e priorização de áreas de maior necessidade de atuação.

4. EIXOS DE AÇÃO

4.1. Fiscalização, controle e monitoramento

A Lei Estadual nº 10.545, de 13 de dezembro de 1991, regulamentada pelo


Decreto nº 41.203, de 08 de agosto de 2.000, elaborada de acordo com as normas
definidas no âmbito federal, dispõe sobre a produção, comercialização e uso de
48

agrotóxico e afim no Estado de Minas Gerais e reflete um esforço da sociedade


mineira, para disciplinar o uso desses produtos no Estado.

O Decreto Estadual nº 41.203 de 08 de agosto de 2000, regulamentou da Lei


nº 10.545, de 13 de dezembro de 1991, que dispõe sobre produção,
comercialização e uso de agrotóxicos e afins e dá outras providências.

Cabe ressaltar que no Decreto 41.203, dentre a gama de competências


existentes na esfera de agrotóxicos, elas são distribuídas para três Secretarias do
Estado de Minas Gerais:

Secretaria de Estado de Agricultura Pecuária e Abastecimento – delega as


atribuições para sua vinculada o Instituto Mineiro de Agropecuária - IMA;

Secretaria de Estado de Saúde; e Secretaria de Estado de Meio Ambiente e


Desenvolvimento Sustentável.

Essa distribuição de competências é primordial para garantir a estrutura e a


expertise necessária para abranger de forma ampla as ações de fiscalização, controle
e de educação, na cadeia produtiva da agropecuária, no meio ambiente e para as
populações expostas aos agrotóxicos.

A fiscalização é definida em lei como sendo “a ação direta dos órgãos do poder
público, com poder de polícia, na verificação do cumprimento da legislação
especifica”, sendo por isso, uma atividade indelegável.

4.1.1. Ações e instrumentos de fiscalização, controle e monitoramento da


fabricação, comercialização e uso de agrotóxicos

A Secretaria de Estado da Agricultura, Pecuária e Abastecimento- SEAPA


delega ao Instituto Mineiro de Agropecuária - IMA as respectivas competências de
fiscalização e de educação sanitária sobre os agrotóxicos e afins. Para tanto, utiliza-
se dos seguintes instrumentos:

Cadastro de Agrotóxicos – além do registro em âmbito federal, para um


agrotóxico estar apto para comercialização e, por conseguinte, utilização no Estado
49

de Minas Gerais ele precisa obrigatoriamente ser cadastrado pelo Instituto Mineiro de
Agropecuária. (Vide portaria IMA nº 1.650 de 1808/2016)

Já os registros de agrotóxicos são de competência dos órgãos federais, como:

Registro de Agrotóxicos – é uma atividade exclusivamente do Governo Federal,


sendo o registro final de competência do Ministério da Agricultura, Pecuária e
Abastecimento – MAPA, subsidiado por análises prévias do Ministério da
Saúde/Anvisa e do Ministério do Meio Ambiente/IBAMA, a partir das seguintes
competências e atribuições:

MAPA - Registro final de agrotóxicos e aferição da eficiência agronômica;

MS/ANVISA – Classificação e Impacto toxicológicos dos Agrotóxicos;

MMA/IBAMA – Classificação e Impacto Ambiental dos Agrotóxicos.

Gráfico 2 – Registro/Cadastro de Agrotóxicos

1800
1514

287
Agrotóxicos Ingredientes Agrotóxicos
Cadastrados em Ativos de Registrados no
MG Agrotóxicos / MG Brasil

Fonte: MAPA e IMA – Registros de cadastro de Agrotóxicos no Brasil e em Minas


Gerais.

4.1.1.1. Fiscalização do Comércio de Agrotóxicos

Todo Estabelecimento que armazena, comercializa ou presta serviços na


aplicação de agrotóxicos no Estado de Minas Gerais deve ser registrado no Instituto
Mineiro de Agropecuária - IMA (vide Portaria IMA nº 1650 de 18/08/2016).
50

Cabe ressaltar que embora o registro final seja do IMA, ele é alicerçado também
no crivo de outras instituições para que esse estabelecimento esteja apto para
trabalhar com agrotóxicos, destacando-se:

Poder municipal – emitir alvará de localização e funcionamento com alusão


clara ao trabalho com agrotóxicos;

Centrais ou postos de Recebimento de Embalagens Vazias de Agrotóxicos –


no ato de registro é uma condição obrigatória estar filiado e indicar ao produtor rural
aonde devolver as embalagens vazias de agrotóxicos;

CREA – Conselho Regional de Engenharia e Agronomia – obrigatoriamente o


estabelecimento tem que ter nos seus quadros um profissional legalmente habilitado,
para ser o responsável pela segurança dos agrotóxicos, no armazenamento, comércio
ou prestação de serviços de aplicação. Atualmente em Minas Gerais os profissionais
habilitados para serem responsáveis técnicos em Estabelecimentos de Agrotóxicos
são os engenheiros agrônomos; engenheiros florestais; e os técnicos agrícolas;
(desde que vinculados ao Sindicato dos técnicos Agrícolas de Minas Gerais).

Após análise crítica da documentação o IMA procede a uma vistoria “in loco”
verificando indicadores como área compatível, iluminação, arejamento, piso
impermeável, identificação visuais de risco, e os Equipamentos de Proteção
Individuais - EPI para os trabalhadores.

Após as análises documentais e técnicas, se não houverem inconformidades é


concedido o registro para o Estabelecimento de Agrotóxicos.

O Instituto Mineiro de Agropecuária - IMA na busca pela melhoria contínua das


suas ações de fiscalização na esfera de agrotóxicos desenvolveu o Sistema de
Controle e Comércio de Agrotóxicos e Afins – SICCA.

O SICCA tem como objetivo monitorar o comércio e o uso de agrotóxicos em


Minas Gerais, tendo por base o fornecimento de informações seguras que propiciem
um diagnóstico da realidade sobre comercialização e uso de agrotóxicos no Estado.

De acordo com a legislação todo estabelecimento que comercializa ou aplica


51

agrotóxicos e afins no estado de Minas Gerais, deve manter a relação do estoque


existente, nome comercial dos produtos, quantidade comercializada e
semestralmente remetê-las para o Instituto Mineiro de Agropecuária por meio do
SICCA.

Constituindo-se em uma ferramenta de suma importância para a Logística de


Fiscalização do comércio e do uso de agrotóxicos pelo IMA, o SICCA propicia maior
detalhamento e rastreamento das movimentações comerciais dos produtos, possibilita
estratificações por ingredientes ativos, marcas comerciais, municípios e produtores
rurais.

Tais informações são extremamente relevantes, pois contribuem para o


norteamento das ações de educação, orientação e fiscalização de agrotóxicos em
Minas Gerais, executadas pelo IMA.

As fiscalizações são realizadas no mínimo 3 vezes ao ano em cada


estabelecimento de Agrotóxicos registrado junto ao IMA. São realizadas 2
fiscalizações por município em potenciais estabelecimentos que comercializam
agrotóxicos (cooperativas, lojas de materiais agropecuários, etc.,)

Gráfico 3 – Estabelecimento de Agrotóxicos Registrados

Fabricantes de Agrotóxicos 10

Prestadores de Serviços de Aplicação de


159
Agrotóxicos (Aerea e Terrestre)

Armazenadores de Agrotóxicos 43

Distribuidoras de Agrotóxicos 1139

Fonte: IMA
52

4.1.1.2. Prestadores de Serviços de Aplicação Aérea de Agrotóxicos

Cabe destacar que é uma fiscalização com interface compartilhada entre


o IMA e o MAPA, sendo:
Quadro 3- Competências na fiscalização da aplicação de agrotóxicos e
afins

IMA MAPA
Registro da Empresa Registro da Empresa

Local da aplicação Condições da Aeronave

Agrotóxicos a ser aplicado (registro, Se a Empresa possui piloto


cadastro, nota fiscal, receituário Credenciado
agronômico, validade etc.)
Profissional com curso em
Cultura a ser pulverizada (produtos Coordenação de Aviação Agrícola
autorizados para a cultura)
Empresa com pátio de
descontaminação

Distâncias mínimas de povoações e


cursos d’água

4.1.1.3. Fiscais Agropecuários

Embora a estrutura física seja essencial na logística, a equipe técnica do IMA


é essencial para as ações de fiscalização e educação sobre agrotóxicos.

As ações de fiscalização em estabelecimentos comerciais de agrotóxicos,


armazenadores, prestadores de serviços de aplicação, revendas de agrotóxicos ou
potenciais revendas de agrotóxicos, devem ser realizadas no mínimo por 2 fiscais
agropecuários do IMA, devidamente qualificados, sendo via de regra a equipe formada
por 1 (um) fiscal agropecuário (engenheiro/a agrônomo/a) e 1 (um) fiscal Assistente
agropecuário (Técnico/a em agropecuária).
53

4.1.1.4 Fiscalização da emissão de receituários agronômicos Agrotóxicos e


afins

Só poderão ser comercializados diretamente ao usuário, mediante


apresentação de receita agronômica emitida por profissional legalmente habilitado
(engenheiro agrônomo ou florestal, e técnico agrícola – desde que filiado a
SINTAMIG).

A emissão de uma receita agronômica, prescrita por profissionais


credenciados, é importante instrumento de controle e monitoramento do uso de
agrotóxico. Contudo, a forma predominantemente que vem sendo utilizada, apenas
como uma validação de venda fere a essência da sua criação.

A receita agronômica deve ser pautada no essencial diagnóstico e anamnese


in loco nas propriedades rurais para, verificar se realmente existe a necessidade da
utilização de agrotóxicos, para manejar as pragas e doenças que possam ocorrer nas
lavouras.

Neste sentido, este Plano Estratégico se propõe a intensificar, junto ao CREA


– Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Minas Gerais, que é órgão
responsável por assegurar o exercício e ética profissional, ações de melhoria no
exercício de emissão dos receituários agronômicos de forma a realização fidedigna
de todos os preceitos para uma efetiva e segura receita agronômica.

4.1.1.5. Monitoramento de Resíduos de Agrotóxicos

O monitoramento de resíduos de agrotóxicos é extremamente importante para


todos os atores envolvidos na cadeia de agrotóxicos, desde os produtores até os
consumidores.

No entanto, para a fiscalização, trata-se de uma ferramenta ainda mais


essencial, subsidiando as tomadas de decisões de potenciais revisões toxicológicas
de ingredientes ativos, bem como das ações de fiscalização e de educação sanitária,
priorizando, por exemplo, as espécies agrícolas que apresentaram o maior número de
não conformidades.
54

Em relação aos resíduos de agrotóxicos, existem dois tipos de não


conformidades:

Limite máximo de resíduo acima do permitido;

Uso de Agrotóxico não autorizado para a cultura;

Cabe ressaltar que dentre essas não conformidades, mais de 90% são por
causa de utilização de agrotóxicos não autorizados para a cultura.

Em Minas Gerais, existem três programas governamentais de monitoramento


de resíduos de agrotóxicos:

Programa PARA – programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em


alimentos – ANVISA;

PNCRC – Programa Nacional de Controle de Resíduos de Contaminantes –


MAPA;

Programa de Monitoramento de Resíduos de Agrotóxicos – IMA

4.1.2. Ações de Fiscalização, controle e Monitoramento no meio


ambiente

A Secretaria de Estado do Meio Ambiente e do Desenvolvimento Sustentável-


Semad tem por finalidade formular, coordenar, executar e supervisionar as políticas
públicas para conservação, preservação e recuperação dos recursos ambientais,
visando ao desenvolvimento sustentável e à melhoria da qualidade ambiental do
Estado.

Neste contexto, são passíveis de licenciamento ambiental no âmbito estadual


os empreendimentos e atividades relacionadas com a produção e transporte de
agrotóxicos, bem como aquelas que fazem o recebimento de embalagens vazias ou
contendo resíduos e também que fazem a reciclagem, conforme códigos
estabelecidos no anexo único da DN Copam nº 217/2017, listados abaixo:

C-04-14-6 Fabricação de agrotóxicos e afins;


55

F-01-08-1 Centrais e postos de recebimento de embalagens de agrotóxicos e


afins, vazias ou contendo resíduos;

F-02-01-1 Transporte rodoviário de produtos e resíduos perigosos;

F-05-03-7 Reciclagem de embalagens de agrotóxicos;

No licenciamento são avaliadas as condições de localização, instalação,


ampliação e a operação do empreendimento, considerando as disposições legais e
regulamentares e as normas técnicas aplicáveis ao caso.

Através do Núcleo de Controle Ambiental é feito o acompanhamento e


verificação do cumprimento de condicionantes e dos sistemas de controle ambiental
estabelecidos para os empreendimentos, de acordo com as diretrizes estabelecidas
no Plano Anual de Fiscalização, bem como autuação e aplicação penalidades às
pessoas físicas e jurídicas, de direito público ou privado, pelo descumprimento da
legislação ambiental, florestal, de recursos hídricos, pesqueiros e faunísticos.

Ações de instrução, divulgação e esclarecimento de pessoas físicas e jurídicas


em relação ao uso de agrotóxicos e afins têm sido realizadas no Estado, com apoio
do Instituto Estadual de Florestas – IEF, com foco na conservação dos recursos
ambientais.

4.1.2.1. Monitoramento de resíduos de agrotóxicos em águas superficiais

No estado de Minas Gerais, o monitoramento da qualidade das águas


superficiais no Estado é realizado pelo Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam),
por meio do Programa Águas de Minas, em execução desde 1997.

Os vinte e um anos de operação da rede de monitoramento vêm demonstrando


a sua importância no fornecimento de informações básicas necessárias para a
definição de estratégias e da própria avaliação da efetividade do Sistema de Controle
Ambiental, sob responsabilidade da SEMAD, e para o planejamento e Gestão
Integrada dos Recursos Hídricos, subsidiando a formação e atuação dos Comitês e
Agências de Bacias a cargo do Igam/CERH.
56

Os principais objetivos desse programa de monitoramento são:

 Conhecer e avaliar as condições da qualidade das águas superficiais em


Minas Gerais;
 Divulgar a situação de qualidade das águas para os usuários e apoiar o
estabelecimento de metas de qualidade;
 Fornecer subsídios para o planejamento da gestão dos recursos
hídricos;
 Verificar a efetividade de ações de controle ambiental implementadas e
propor prioridades de atuação.

A área de abrangência do programa de monitoramento das águas superficiais


inclui as principais bacias dos rios mineiros. A rede básica de monitoramento (macro-
rede), em 2017, conta com 580 estações de amostragem distribuídas nas bacias
hidrográficas dos rios São Francisco, Grande, Doce, Paranaíba, Paraíba do Sul,
Mucuri, Jequitinhonha, Pardo, Buranhém, Itapemirim, Itabapoana, Itanhém, Itaúnas,
Jucuruçu, Peruípe, São Mateus e Piracicaba/Jaguari.

O Estado tem conhecimento da situação de qualidade dos principais cursos


d'água que drenam seu território. A importância desse conhecimento pode ser medida
pelo interesse dos usuários das águas, em especial pelos comitês e consórcios de
bacias já constituídos, e da comunidade técnica institucional e privada, pelos
resultados que são divulgados anualmente. Essas informações vêm sendo a base
para a indicação das regiões problemáticas em termos de qualidade de água e
daquelas onde a atuação integrada de gestão dos recursos hídricos já promoveu a
melhoria da qualidade ambiental.

Atualmente, o monitoramento da qualidade das águas do Estado de Minas


Gerais, executado por meio do Programa Águas de Minas, não contempla a avaliação
da presença de agrotóxicos nas águas superficiais. Portanto, seria necessário um
monitoramento mais abrangente que inclua não apenas a avaliação físico-química e
microbiológica da qualidade da água, mas, também, a caracterização dos agrotóxicos.
Isso se torna extremamente importante para obtenção de subsídios técnico-científicos
que permitam definir formas de remediação e/ou ações para melhoria da qualidade
57

de águas altamente contaminadas por atividades antrópicas, bem como de prevenção


e controle das fontes de contaminação com o intuito de evitar que os agrotóxicos se
tornem uma fonte perene de contaminantes nos ecossistemas aquáticos.

Além disso, deve-se levar em consideração que a avaliação da presença de


agrotóxicos fica comprometida em programas de monitoramento por falta de
sensibilidade analítica dos laboratórios. Isso, também, é sinalizado no inciso XVII,
artigo 7°, do Projeto de Lei nº 4.652/2017, que Institui a Política Estadual de Redução
de Agrotóxicos - PEARA.

Caso o programa de monitoramento seja implantando, as análises de


agrotóxicos nos cursos d’água possibilitarão uma avaliação ambiental das áreas
contaminadas, sendo possível estabelecer quais são os agrotóxicos usados que estão
contaminando o ambiente e qual é a proporção dessa contaminação.

4.2. Vigilância em saúde de populações expostas aos agrotóxicos

O fortalecimento da Vigilância em Saúde de Populações Expostas a


Agrotóxicos constituiu-se em um instrumento fundamental para as ações de controle
e prevenção dos agravos a saúde relacionadas à utilização dos agrotóxicos.

Destaca-se um sistema de vigilância constitui-se, em importante instrumento


para o planejamento, organização, desenvolvimento a avaliação das ações pelos
serviços de saúde, como também para a normatização de atividades técnicas
correlatas. Sua operacionalização envolve atividades de produção de conhecimento,
baseadas no levantamento e análise sistemática de dados e de intervenção nas
situações de risco compreendendo um ciclo completo de funções específicas e
intercomplementares, que devem ser necessariamente desenvolvidas de modo
contínuo, permitindo conhecer, a cada momento, o comportamento epidemiológico da
doença ou agravo escolhido como alvo das ações, para que as medidas de
intervenção pertinentes possam ser desencadeadas com oportunidade e eficácia, ou
seja, a INFORMAÇAO PARA AÇÃO (BRASIL, 1996).

As ações de vigilância em saúde envolvem todos os níveis do sistema e


58

contemplam as seguintes etapas: coleta, processamento, análise e interpretação dos


dados; implementação de ações de promoção à saúde, proteção/prevenção/controle
de riscos, agravos e doenças; avaliação da eficácia e efetividade de medidas
adotadas e divulgação das informações.

Quanto mais eficientemente essas funções forem realizadas no âmbito local,


maior será a oportunidade com que as ações tenderão a ser desencadeadas. Além
disso, a atuação competente no nível local estimulará maior visão de conjunto nos
níveis estadual e nacional, abarcando o amplo espectro dos problemas prioritários a
serem enfrentados, em diferentes situações operacionais. Para o desenvolvimento
satisfatório desse sistema é fundamental o fortalecimento de sistemas estaduais e
municipais de vigilância, dotados de autonomia técnico-gerencial para enfocar os
problemas de saúde próprios de suas respectivas áreas de abrangência (BRASIL,
1996). No âmbito desse Plano, os recursos serão direcionados para atender às
necessidades da área, em termos de riscos, doenças e agravos, que sejam
identificados como prioritários.

4.2.1. Fortalecimento das ações de vigilância em saúde entre populações


expostas aos agrotóxicos

Para o fortalecimento do sistema estadual de vigilância da saúde de


populações expostas a agrotóxicos, propõem – se:

a) elaborar protocolo estadual de vigilância e atenção da saúde das populações


expostas a agrotóxicos;

b) implantar o protocolo estadual de vigilância e atenção da saúde as


populações expostas a agrotóxicos em unidades sentinelas;

c) fomentar as ações de qualificação na rede SUS;

d) fomentar as ações de promoção da saúde.


59

4.2.2. Fortalecimento das atividades de toxico vigilância desenvolvidas


pelos centros de informação e assistência toxicológica.

O Serviço de Toxicologia de Minas Gerais, (Centro de Informações e


Assistência Toxicológica do Hospital João XXIII - CIATox-BH), tem como finalidade
prestar assistência ao paciente intoxicado e vítimas de acidentes por animais
peçonhentos assim como o tratamento estatístico dos dados epidemiológicos aos
agravos relacionados. Atua no atendimento direto aos pacientes e por meio de
atendimento telefônico à população. O Setor Informativo da Unidade tem a função de
fornecer informação e orientação sobre o diagnóstico, prognóstico, tratamento e
prevenção das intoxicações, assim como toxicidade das substâncias químicas e
biológicas e os riscos que elas oferecem à saúde.

A Unidade de Toxicologia do Hospital João XXIII - CIATBH fornece informações


a órgãos e entidades governamentais e instituições ligadas à assistência, educação e
prevenção de intoxicações, acidentes tóxicos e por animais peçonhentos;

Interage com os serviços de Saneamento, Zoonoses e Vigilância Sanitária para


identificar e avaliar possíveis focos de intoxicação e animais peçonhentos;

Promove campanhas com o objetivo de orientar a população sobre possíveis


intoxicações e acidentes por animais peçonhentos;

Interage com os outros CITS e CIATS para definir normas de assistência e


prevenção tóxico-farmacológica e realiza intercâmbio de informações técnico-
científicas através da ABRACIT (Associação Brasileira de Centros de informação e
assistência toxicológica e toxicologistas clínicos, assim como outras entidades
nacionais e internacionais.

No âmbito deste Plano, propões – se que o CIATox-BH:

Estimular e qualificar as atividades de registro dos agravos relacionados à


vigilância em saúde de população expostas a agrotóxicos;
60

4.3. Educação e comunicação

4.3.1. A Comunicação para Redução do Uso de Agrotóxicos

4.3.1.1. Acesso a informação sobre agrotóxicos

a) Portal de Dados Abertos sobre Agrotóxicos

Segundo Débora Motta, da FAPERJ, nem sempre as informações sobre o


consumo de agrotóxicos são divulgadas pelas empresas e instituições
governamentais de modo facilitado para consulta pública. Afirma que, “um dos
grandes problemas para os pesquisadores da área e formuladores de políticas
públicas é a dificuldade de acesso a dados oficiais sobre o consumo de agrotóxicos
no País. Alguns dados não são publicados, ou são, mas em formato PDF [Portable
Document Format], por exemplo, o que dificulta a leitura por computadores e sua
divulgação”

Afirma ainda que, “pela lei, é obrigação das empresas que vendem agrotóxicos
no País informarem seus balanços comerciais às autoridades reguladoras, que são o
Ministério da Saúde, através da Anvisa [Agência de Vigilância Sanitária], e o Ministério
do Meio Ambiente, pelo Ibama [Instituto Brasileiro do Meio Ambiente]. Elas têm
obrigação de divulgar dados, como o quanto venderam e a porcentagem do
componente químico ativo em cada produto, para sabermos os níveis de toxicidade
permitidos para a saúde humana. Mas apenas o Ibama divulga em seu site esses
dados, de forma bem atrasada”

Com a contribuição do portal (http://dados.contraosagrotoxicos.org/) e o


avanço da pesquisa sobre agrotóxicos no Brasil, espera-se ter subsídios para
responder, com mais precisão, à pergunta: o quanto de agrotóxicos um brasileiro
consome, em média, em seu prato de comida?

No Portal de Dados Abertos sobre Agrotóxicos podem ser pesquisados


conjuntos de informações nas seguintes categorias: Comercialização (dados sobre a
comercialização de agrotóxicos no Brasil); Agroecologia e Produção Orgânica (fontes
de informações sobre produção de alimentos livres de agrotóxicos e transgênicos,
dentro da agroecologia e da produção orgânica); Bases de Dados (reunindo
61

informações sobre agrotóxicos, tanto no Brasil quanto no exterior); Doenças (relações


entre tipos de agrotóxicos / grupos químicos e sintomas e doenças); Conflitos (dados
sobre conflitos gerados pelos agrotóxicos, e pelo modelo do agronegócio em geral);
Intoxicações (registro de intoxicações por agrotóxicos); Resíduos em Alimentos
(dados sobre análises de resíduos em alimentos); Transgênicos (dados sobre
transgênicos); Uso do Solo (dados sobre uso do solo no Brasil e no mundo); entre
outras.

4.3.1.2. Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida.

O aprendizado campanha mostra que foi aberto um debate com a população


sobre a falta de fiscalização no uso, consumo e venda de agrotóxicos, ademais disso
sobre a contaminação dos solos e das águas, bem como a denúncia dos impactos
dos venenos na saúde dos trabalhadores, das comunidades rurais e dos
consumidores nas cidades. Para além de denunciar as mazelas causadas pelas
empresas e pelo uso de agrotóxicos, a campanha apoiou a construção de projetos de
lei para restringir o uso de venenos e de impedir a sua expansão, propondo ainda,
portarias e iniciativas legais e jurídicas. Outro campo de atuação da campanha é o
anúncio da possibilidade de construção de um modelo agrícola diferente, baseado na
agricultura camponesa e agroecológica. Baseados nos estudos e experiências que
comprovam que essa forma de produzir é viável e que é possível produzir em
quantidade e em qualidade suficiente para abastecer o campo e a cidade. Assim, a
campanha reforçou o movimento agroecológico apoiando a construção da PNAPO.
Produzir alimentos saudáveis com base em princípios agroecológicos, em pequenas
propriedades, com respeito à natureza e aos trabalhadores é a única forma de acabar
com a fome e de garantir qualidade de vida para as atuais e futuras gerações107.

4.3.2. Ações Educativas para Redução do Uso de agrotóxicos

A educação permanente em saúde tem como objetivo transformar as práticas


profissionais e da própria organização do serviço, a partir da problematização do

10CLEBER A. R. FOLGADO. Secretaria Operativa da Campanha Permanente Contra os


Agrotóxicos e Pela Vida
62

processo e da qualidade do trabalho. Para a eficiência da VSPEA, a necessidade de


capacitação dos profissionais de saúde em relação à exposição da população aos
agrotóxicos deve ser identificada e suprida periodicamente.

4.3.2.1. Educação alimentar e nutricional

Segundo o Marco de Referência da Educação Alimentar e Nutricional para as


Políticas Públicas (EAN), este é um campo da Promoção da Saúde, considerada uma
estratégia fundamental para a prevenção e controle dos problemas alimentares e
nutricionais contemporâneos. Entre os seus resultados potenciais identificam-se a
prevenção e controle de doenças crônicas não transmissíveis e deficiências
nutricionais, a valorização das diferentes expressões da cultura alimentar, o
fortalecimento de hábitos regionais, a redução do desperdício de alimentos e a
promoção do consumo sustentável e da alimentação saudável.

O Marco de Referência da EAN tem o objetivo de promover um campo comum


de reflexão e orientação da prática no conjunto da sociedade, mas visa principalmente
potencializar as ações públicas nos diversos setores vinculados ao processo de
produção, distribuição, abastecimento e consumo alimentar. Nesse sentido, a EAN,
quando integrada a estratégias mais amplas como a “redução do uso de agrotóxicos
e fomento a agroecologia e produção orgânica”, poderá contribuir, em grande medida,
para melhorar a qualidade de vida da população.

Configura-se como uma estratégia para garantir o Direito Humano à


Alimentação Adequada e Saudável e contempla o campo de conhecimento e de
práticas transdisciplinares contínuas e permanentes. Devem utilizar abordagens e
recursos educacionais problematizadores e ativos, que inclui os saberes populares,
favorecem o diálogo junto a indivíduos e grupos populacionais, considerando todas as
fases do curso da vida, etapas do sistema alimentar, as interações e significados da
prática alimentar. As ações de EAN fornecem subsídios para pessoas, famílias e
comunidades adotarem práticas alimentares saudáveis respeitando a cultura
alimentar e assim estimulando a autonomia dos sujeitos para que sejam
transformadores da realidade.

Os processos de EAN devem aprimorar e diversificar os mecanismos de


63

informação à população, com linguagem adequada para os diversos públicos,


incluindo as atividades regulares das vigilâncias epidemiológicas, sanitária, saúde
ambiental e de saúde do trabalhador, utilizando os diversos meios de comunicação
audiovisual, incluindo internet e redes sociais. E ainda devem abordar os conceitos de
empoderamento, maior participação, valorização do saber popular, compartilhamento
dos saberes e construção de parcerias.

4.3.2.2. Educação ambiental

De acordo com a Política Nacional de Educação Ambiental - Lei nº 9795/1999,


Art. 1º, entendem-se por educação ambiental os processos por meio dos quais o
indivíduo e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades,
atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente, bem de uso
comum do povo, essencial à sadia qualidade de vida e sua sustentabilidade.

Para Sorrentino, et all, “ a educação ambiental nasce como um processo


educativo que conduz a um saber ambiental materializado nos valores éticos e nas
regras políticas de convívio social e de mercado, que implica a questão distributiva
entre benefícios e prejuízos da apropriação e do uso da natureza. Ela deve, portanto,
ser direcionada para a cidadania ativa considerando seu sentido de pertencimento e
co-responsabilidade que, por meio da ação coletiva e organizada, busca a
compreensão e a superação das causas estruturais e conjunturais dos problemas
ambientais. ”

Na educação ambiental escolar deve - se enfatizar o estudo do meio ambiente


no contexto do aluno e da aluna, buscando abordar os principais problemas
cotidianos, as contribuições da ciência, da arte, dos saberes populares, dos
conhecimentos necessários e as possibilidades reais para a sua solução (REIGOTA,
2009).

A Educação Ambiental crítica é uma das mais importantes exigências


educacionais contemporâneas, podendo ser considerada uma grande contribuição à
educação em geral. Está impregnada na utopia de mudar radicalmente as relações
que conhecemos atualmente, sejam elas entre a humanidade, sejam elas entre a
humanidade e a natureza (REIGOTA, 2009).
64

Para Guimarães (1995) a educação ambiental crítica deve apresentar-se como


uma dimensão do processo educativo, voltada para a participação de seus atores,
educandos e educadores na construção de um novo quadro, que contemple os
desejos populares de melhor qualidade de vida socioeconômica e de um mundo
ambientalmente sadio. Ademais, ela tem o importante papel de promover a percepção
da necessária integração do ser humano com a natureza. Por estabelecer uma
relação de harmonia, consciente do equilíbrio dinâmico com o meio ambiente, torna
possível a inserção de cidadãos e cidadãs no processo de transformação do atual
quadro do nosso planeta.

Dentre os vários problemas ambientais, é notório que o consumo de


agrotóxicos vem tomando proporções cada vez maiores e que sua utilização em larga
escala é responsável por um grande número de contaminações e doenças de
trabalhadores das lavouras, além das consequências ao meio ambiente e do agravo
nas condições de saúde da população que consome alimentos contaminados.

Um dos caminhos para iniciar a construção do conhecimento sobre a


problemática do uso de agrotóxicos é por meio propostas de Educação Ambiental na
escola, local onde as crianças, jovens, adultos, podem ser sensibilizados diariamente
nas aulas.

4.3.2.3. Educação sanitária

O Instituto Mineiro de Agropecuária – IMA, buscando um processo de


fiscalização eficiente sobre o uso, a comercialização e destinação das embalagens de
agrotóxicos, adota como estratégia a coexistência nas ações de fiscalização e de
educação sanitária.

Neste contexto, foi lançado em 2003 o Projeto Sanitaristas Mirins com o


objetivo de promover o aprendizado de alunos, matriculados nas escolas públicas, por
meio da disponibilização de informações sanitárias agropecuárias, procurando
contribuir positivamente na formação dos seus comportamentos futuros e de seus
familiares em relação aos cuidados com a sanidade animal, vegetal, ambiental e da
segurança alimentar.
65

4.4. Apoio a agroecologia e a produção orgânica

O enfrentamento ao problema dos agrotóxicos tem que contar,


necessariamente, com a oferta de tecnológicas que possibilitem aos agricultores, o
uso de produtos e práticas com riscos mínimos ou nulos toxicológicos e
ecotoxicológicos. Para tanto, devem ser disponibilizadas tecnologias, comerciais e/ou
de produção própria, e a promoção da utilização de práticas de manejo que previnam
ou mitiguem a ocorrência de problemas fitossanitários. Além disso, há que se restringir
o uso de determinados processos e produtos tecnológicos em ambientes específicos.
Para tanto, medidas deverão ser implementadas, como:

 O resgate e a interação do conhecimento tradicional e técnico, visando


ao manejo agroecológico de insetos fitófagos, fitopatógenos e plantas
espontâneas;
 A valorização de medidas de manejo cultural, físico, biológico, genético,
e químico de baixa toxicidade (caldas naturais protetoras);
 A priorização de medidas preventivas e as direcionadas para o aumento
e a manutenção da biodiversidade de cultivos.

Para o desenvolvimento das medidas citadas, é necessário que se invista na


formação de quadros dos serviços de ensino, pesquisa, assistência técnica, extensão
rural, certificação e de defesa fitossanitária, pública e privada. Além disso, é
fundamental a redução da dependência de insumos externos, e a criação de áreas de
uso restrito e zonas livres da influência de agrotóxicos e transgênicos.

Pretende-se, com isso, a independência dos insumos externos às unidades


produtivas, a substituição gradativa de produtos de alta toxicidade e ecotoxicidade por
produtos menos perigosos, até a eliminação do seu uso.

A Política Estadual de Agroecologia e Produção Orgânica – PEAPO foi


instituída pela Lei nº 21.146, de 14 de janeiro de 2014 com o objetivo promover e
incentivar o desenvolvimento da agroecologia e da produção orgânica no Estado.

Para os fins da Lei, agroecologia compreende o campo do conhecimento


transdisciplinar que estuda os agroecossistemas, visando ao desenvolvimento das
66

relações entre capacidade produtiva, equilíbrio ecológico, eficiência econômica,


equidade social e uso e conservação da biodiversidade e dos demais bens naturais,
por meio da articulação entre conhecimento técnico-científico, práticas sociais
diversas e saberes e culturas populares e tradicionais.

Entre os objetivos da política, destacam-se:

Ampliar a capacidade de geração e socialização de conhecimentos em


agroecologia, produção orgânica e transição agroecológica por meio da valorização
dos conhecimentos locais e do enfoque agroecológico nas instituições de ensino,
pesquisa e Ater;

Ampliar a inserção da abordagem agroecológica nos diferentes níveis e


modalidades de educação e ensino, incluindo a formação e a capacitação dos
profissionais envolvidos;

Assegurar a participação das organizações da sociedade civil na elaboração e


na gestão de programas e projetos de pesquisa, ensino e Ater em agroecologia,
produção orgânica e transição agroecológica;

Viabilizar a construção e o desenvolvimento de redes de Ater especializadas


em agroecologia;

Fomentar a pesquisa e a inovação científica e tecnológica com foco na


agroecologia.

4.4.1. Construção do conhecimento agroecológico

4.4.1.1. Redes de interface pesquisa/extensão

O fortalecimento das redes de interface pesquisa, extensão envolvendo


agricultores, com vistas à integração e aperfeiçoamento do processo de construção,
geração e socialização de conhecimentos em agroecologia, deve ocorrer por meio de
metodologias participativas de pesquisa, que valorizem os conhecimentos locais, as
diversidades e especificidades. Essa interação em rede propicia o protagonismo dos
agricultores na apropriação de tecnologias, processos e práticas que motiva e
67

possibilita transição agroecológica. Diferentemente da oferta simplista de tecnologias


por intermédio de métodos convencionais de transferência e difusão. Para tal é
necessário:

 Proporcionar adequada capacitação e atualização de pesquisadores,


extensionistas e agricultores em metodologias participativas de
pesquisa;
 Proporcionar adequada capacitação e atualização de pesquisadores,
extensionistas e agricultores em agroecologia e agricultura orgânica;
 Identificar diferentes níveis de transição agroecológica em comunidades
rurais e propor formas de avançar no conhecimento e na prática;
 Desenvolver tecnologias adequadas às leis e às normas para sistemas
orgânicos para diferentes agroecossistemas de Minas Gerais;
 Desenvolver metodologias e periodicamente prospectar demandas em
diferentes regiões de Minas Gerais;
 Apresentar periodicamente respostas às demandas prospectadas a
partir de tecnologias desenvolvidas, ou preexistentes para diferentes
regiões de Minas Gerais;
 Articular com instituições públicas e com a sociedade civil organizada,
especialmente de pesquisa, ensino e extensão rural, buscando
integração e contínuo aperfeiçoamento do processo de geração de
conhecimento e de tecnologia, bem como de capacitação tecnológica;
 Identificar oportunidades de captação de recursos e indução de editais
para atender as demandas;
 Identificar, caracterizar e sistematizar as práticas desenvolvidas a partir
do movimento agroecológico em cada região do Estado e analisar os
modos de produção e de trabalho das populações do campo;
 Interagir em rede os resultados das avaliações de experiências
caracterizadas e sistematizadas em Minas Gerais.

b) Núcleos de estudos em agroecologia - NEA's

Processos de transições agroecológicas evoluem e se capilarizam em


diferentes regiões do Brasil por meio de redes locais de inovação, que articulam
68

agricultores e agricultoras familiares e suas mais variadas formas de organização. Ao


contrário das abordagens metodológicas empregadas em programas convencionais
de desenvolvimento rural, essas redes têm como traço característico principal a
adoção de métodos que unem em um só processo a produção de conhecimentos e a
sua aplicação prática. Em vez da verticalidade inerente aos conceitos de “assistência
técnica” e de “transferência de tecnologias”, as redes de inovação se espraiam
horizontalmente, conduzindo um número crescente de pessoas e organizações a
dinâmicas sociais voltadas para a definição e o enfrentamento de problemas
vivenciados em conjunto.

Neste contexto, os Núcleos de Estudos em Agroecologia – NEA's que se


multiplicam nas universidades, institutos federais e instituições de pesquisa, como a
Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais - EPAMIG, são um exemplo
consistente de avanço de modalidades diferenciadas de construção de
conhecimentos nas instituições públicas de ensino e pesquisa em Minas Gerais. Os
grupos de agroecologia protagonizados pelos estudantes como espaços de promoção
e construção do conhecimento agroecológico que devem ser fortalecidos e
incentivados.

c) Editais Universais de apoio a pesquisa em agroecologia

A ampliação e disseminação das experiências agroecológicas passam,


necessariamente, por uma mudança de enfoque das práticas de ensino, pesquisa e
assistência técnica e extensão rural, devendo ocorrer de forma articulada entre si por
meio da conformação de redes territoriais de construção do conhecimento. Essa
mudança de enfoque implica, em primeiro lugar, o reconhecimento e a valorização do
protagonismo da agricultura familiar, camponesa, urbana e dos povos e comunidades
tradicionais e suas organizações nos processos de produção e socialização de
conhecimentos.

Nesse sentido, a publicação dos editais do Conselho Nacional de


Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), em parceria com o Ministério do
Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), do extinto Ministério do
Desenvolvimento Agrário (MDA), Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento
(MAPA), Ministério de Ciência e Tecnologia e Inovação (MCTI), Ministério da
69

Educação (MEC) e outros ministérios voltados à promoção da ATER com enfoque


agroecológico; o apoio à criação dos núcleos de estudo em agroecologia; a criação
de cursos formais de agroecologia em universidades e institutos federais de
educação; e o esforço da Embrapa de aproximar a pesquisa em agroecologia das
dinâmicas de desenvolvimento rural em âmbito territorial foi essencial para o avanço
da agroecologia.

No âmbito deste Plano de Ação, a publicação de editais de apoio a pesquisa


pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG),
contemplando as pesquisas em agroecologia, bem como para apoio aos Núcleos de
Estudos em Agroecologia – NEA, vinculados as instituições de ensino e de pesquisa
são estratégicos para o avanço da construção do conhecimento e da inovação no
campo da agricultura sustentável.

4.4.1.2. Assistência técnica e extensão rural agroecológica

A Emater–MG, acatando a orientação do Governo do Estado e reconhecendo


a importância da participação do público, sujeito dos direitos de seus serviços e
produtos, como determina a Lei federal 12.188/2010 (PNATER), promoveu amplo
processo de diálogo com representantes das organizações e instituições parceiras,
entre os quais órgãos públicos estaduais, federais e municipais, dos núcleos
vinculados à academia e principalmente das organizações de agricultores familiares,
que resultou na elaboração da Agenda Estratégica para o período 2015–2018.

A Agenda Estratégica 2015-2018 considerou as proposições dispostas em


documentos públicos entre os quais o Plano de Governo da Coligação Minas pra Você,
do Plano Estadual de Desenvolvimento Rural Sustentável, do Plano Estadual de
Segurança Alimentar e Nutricional, além dos novos marcos legais de promoção da
população do campo, como a Lei Estadual que instituiu a Política de Desenvolvimento
Rural Sustentável, a Lei Estadual que instituiu a Política de Agroecologia e Produção
Orgânica, e a Lei Estadual que instituiu a Política de Desenvolvimento dos Povos e
Comunidades Tradicionais. Por fim, foram levadas em conta ainda, as proposições
apresentadas na I Conferência Estadual de Assistência Técnica e Extensão Rural de
Minas Gerais, realizada em março de 2013. A Agenda ora elaborada, revisa o
Planejamento Estratégico 2013-2017 dando carga para os desafios e questões
70

recentes e emergenciais apresentadas pela realidade adversa, com destaque para os


impactos decorrentes das mudanças climáticas e seus efeitos mais imediatos, como
a crise hídrica.

Neste sentido, os serviços e produtos derivados desta Agenda Estratégica


reforçam o compromisso da Emater–MG na construção da dignidade e vida no campo
em Minas Gerais, entre eles a ATER em Agroecologia merece destaque na presente
agenda e se constitui em parte integrante deste Plano Estratégico.

Redes de ATER agroecologia

A Rede Agroecologia da Emater - MG corresponde a um coletivo, articulado e


construído de forma participativa, com voz ativa de todos os envolvidos e foco no
fortalecimento da extensão rural em agroecologia em Minas Gerais.

A figura do arranjo integra a nova forma de organização da programação de


trabalho da Emater-MG, que reúne e concentra os esforços de ações e projetos sobre
temas diversos com o objetivo de fortalecer os resultados para a sociedade. Os
projetos que tratam de grandes temas da agricultura (mudanças climáticas, sistemas
de produção de base ecológica, etc.), os arranjos englobam subtemas como
agroecologia com recorte territorial, diversificação de culturas para determinadas
áreas, reprodução animal etc.

A estrutura e metodologia da Rede Agroecologia da Emater - MG trata das


seguintes temáticas:

a) agroecologia: o que conquistamos, como e onde precisamos chegar;

b) os desafios enfrentados e demandas da sociedade para o desenvolvimento


da Agroecologia;

c) povos e comunidades tradicionais e a Agroecologia: estratégias para o


desenvolvimento sustentável;

A Rede de Agroecologia tem como objetivo contribuir para a efetivação da


Agroecologia nas ações públicas de assistência técnica e extensão rural, em todo o
71

território de Minas Gerais e em sintonia com a Política Nacional de Assistência Técnica


e Extensão Rural. Esta Rede será formada por extensionistas - articuladores do tema
e deverá envolver também técnicos de organizações não-governamentais de ATER.
Vem sendo estruturada estrategicamente, considerando a concepção e estrutura
organizacional, historicamente construída na empresa, base para consolidar a
reorientação necessária prestação de serviços de ater na perspectiva da transição
agroecológica.

No âmbito da Rede de agroecologia da Emater- MG são previstas a


organização de redes temáticas que deverão dinamizar os processos de transição
agroecológica da agricultura familiar. Entre elas:

 Rede de sementes crioulas


 Rede de café orgânico
 Rede de fruticultura orgânica
 Rede de agricultura urbana
 Rede leite

4.4.2. Construção social dos Mercados para agroecologia

A construção dos mercados passa por diversos atores sociais que configuram
espaços de comercialização a partir da percepção dos consumidores, sendo o
principal player, na atualidade, as grandes redes de supermercados (Wilkinson, 2003;
Guivant et al., 2010). Contudo, outros espaços de comercialização estão surgindo e
mantendo-se ao longo do tempo. Dentre estes, destacamos: (a) as cooperativas de
consumo, que na sua maioria buscam preservar relações estreitas com os agricultores
familiares; (b) os produtos com denominação de origem, com enraizamento nos
territórios; (c) os movimentos em volta dos chamados consumo consciente
( estimulado por preocupações sociais e ambientais a respeito do bem estar da
sociedade atual como também das futuras); com apologias contra ou a favor de
determinados tipos de alimentos; e (d) os chamados espaços “alternativos”, como as
feiras locais, regionais e estaduais.
72

4.4.2.1. Certificações de produtos orgânicos

Desde 2011, todos os produtos orgânicos vendidos em estabelecimentos


comerciais devem estar em conformidade com a legislação brasileira. Para isso,
precisam ser identificados por um Selo do Sistema Brasileiro de Avaliação da
Conformidade Orgânica (SisOrg) ou, no caso de feiras livres, por uma Declaração de
Cadastro no Ministério da Agricultura (MAPA). Deste modo, nenhuma mercadoria sem
certificação pode ser vendida como orgânica.

Certificação por Auditoria – A concessão do selo SisOrg é feita por uma


certificadora, pública ou privada, credenciada no Ministério da Agricultura (MAPA). A
avaliação da conformidade é regida por critérios internacionais, além de requisitos
técnicos estabelecidos pela legislação brasileira. Em linhas gerais, o processo de
certificação deve ser feito através de visitas periódicas de inspeção, realizadas na
unidade de produção agrícola, quando o produto é comercializado in natura, e também
nas unidades processadoras, quando o produto for processado, e de comercialização,
no caso de entrepostos;

Sistema Participativo de Garantia – Obtenção do certificado de conformidade


orgânica, através do sistema participativo de garantia da qualidade orgânica, formado
por um grupo de produtores e demais interessados, como comercializadores,
técnicos, organizações sociais e consumidores, além de um Organismo Participativo
de Avaliação de Conformidade (OPAC) credenciado junto ao MAPA. Esta forma de
certificação também dá direito ao produtor de utilizar o selo do Sistema Brasileiro de
Conformidade Orgânica;

Controle Social na Venda Direta – A legislação brasileira abriu uma exceção na


obrigatoriedade de certificação dos produtos orgânicos para a agricultura familiar.
Exige-se, porém, o credenciamento numa organização de controle social cadastrado
em órgão fiscalizador oficial. Com isso, os agricultores familiares passam a fazer parte
do Cadastro Nacional de Produtores Orgânicos. Neste caso, os produtores poderão
incluir na rotulagem ou no ponto de comercialização a expressão: “Produto orgânico
para venda direta por agricultores familiares organizados não sujeito à certificação de
acordo com a Lei nº 10.831, de 23 de dezembro de 2003”.
73

4.4.2.2. Acesso à alimentação saudável: Feiras agroecológicas

As famílias agricultoras que comercializam seus produtos nas feiras


agroecológicas estão respaldadas legalmente para isso. Elas se cadastram junto ao
Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento através de uma Organização de
Controle Social – OCS, que nada mais é do que um grupo de agricultores que interage
e se autorregula para garantir que sua produção é orgânica. Essa garantia também
se baseia na relação de confiança entre quem vende e quem compra. Esses
agricultores passam a constar em um cadastro nacional de produtores orgânicos, mas
que não podem utilizar o selo de orgânicos nos seus produtos. Eles devem exibir na
barraca o seu cadastro e ainda permitir que seus consumidores visitem sua
propriedade para que possam verificar o que é produzido e de que forma. Também
permitem a entrada dos órgãos de fiscalização sempre que preciso. Esse sistema é a
regulação e aperfeiçoamento do bom e velho sistema informal de confiança que
sempre existiu nas feiras agroecológicas e que antecede a legislação.

4.4.2.3. Mercados institucionais para produtos agroecológicos

Os mercados institucionais como o Programa de Aquisição de Alimentos – PAA


e o Programa Nacional de Alimentação Escolar – PNAE são fundamentais para
garantir a realização do direito humano à alimentação. Dos alimentos adquiridos, mais
de 50% da produção comercializada pelo PAA em 2012 foi de produtos frescos (frutas,
legumes e verduras), contribuindo para o aumento do consumo de vegetais, sobretudo
por pessoas que vivem em situação de insegurança alimentar e nutricional, público
prioritário do Programa. Somado ao consumo de produtos frescos, um terceiro grupo
de alimentos - os processados - também apresentam peso significativo nas aquisições
do PAA, contabilizando quase 1/3 do total dos alimentos orgânicos e agroecológicos
consumidos, em 2012 (PORTO, 2014, p. 61).

4.4.3. Crédito, fomento e insumos para agroecologia

4.4.3.1. Pronaf Agroecologia:

A promoção da agroecologia e dos processos de transição agroecológica


depende de instrumentos de políticas públicas voltados ao fomento e ao crédito. No
74

entanto, as políticas de financiamento dos sistemas agroecológicos e dos processos


de transição permanecem como grande desafio no âmbito do Planapo. O Pronaf
Agroecologia, por exemplo, não pode cumprir esse objetivo enquanto reproduzir a
lógica da produção agropecuária propugnada pelos agentes financeiros e pela Ater
tradicional. O reconhecimento dos sistemas agroecológicos na sua diversidade
produtiva é essencial e requer a ruptura com os paradigmas dominantes na área da
produção e do financiamento, que continuam referenciados segundo a lógica
empresarial de gestão dos agroecossistemas.

O reconhecimento dos projetos e da organização produtiva das mulheres deve


se traduzir em condições objetivas para o acesso a linhas de crédito e fomento que
incluam os quintais produtivos e a produção para o autoconsumo, que se reverte em
renda familiar. Os jovens e as mulheres registram suas dificuldades e ao mesmo
tempo sua perseverança na busca de alternativas para o acesso a linhas de crédito e
fomento que tornem possível a realização, com autonomia, de projetos de vida e de
produção agroecológica.

4.5. Normatização, Regulação, Medidas Econômicas, Financeiras e


Fiscais

A Normatização, regulação, medidas econômicas, financeiras e fiscais, são as


estruturas e instrumentos reguladores do mercado para o bem-estar e proteção da
sociedade e de suas futuras gerações. Elas devem buscar a proteção e a defesa dos
direitos sociais expressos no artigo 6° da Constituição Federal de 1988. Assim, os
conteúdos e objetivos contidos nessas estruturas e instrumentos reguladores vão
expressar a tendência (aproximação ou distanciamento) entre o que está posto e o
dever de promover de proteger os direitos sociais constitucionais. Num caso de um
distanciamento, governos e sociedades, devem propor alternativas.

4.5.1. Avançar na consolidação de marcos regulatório no Brasil e em


Minas Gerais

O controle de produção e comercialização de agroquímicos é de


75

responsabilidade do poder público. A CF/88 em seu art. 225, §1º, inciso II, aduz que:
« Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao Poder Público: V - controlar
a produção, a comercialização e o emprego de técnicas, métodos e substâncias que
comportem risco para a vida, a qualidade de vida e o meio ambiente ».

A regulamentação do art. 225 da CF/88 foi realizada pela vigente lei de


agrotóxicos de n.º 7.802, de 11 de julho de 1989, que dispõe sobre a pesquisa, a
experimentação, a produção, a embalagem e rotulagem, o transporte, o
armazenamento, a comercialização, a propaganda comercial, a utilização, a
importação, a exportação, o destino final dos resíduos e embalagens, o registro, a
classificação, o controle, a inspeção e a fiscalização de agrotóxicos, seus
componentes e afins, e dá outras providências. Esta lei foi regulamentada pelo
Decreto n.º4.074, de2002. Para o controle do mercado de agrotóxicos, o Decreto
4074/2002 conta com o auxílio de instruções normativas, resoluções, portarias e leis
estaduais e municipais.

Diante desse quadro normativo, as esferas de governo, de acordo com as suas


respectivas competências, devem adotar medidas para garantir o cumprimento da
legislação que visa a proteção à saúde humana, animal e ao meio ambiente. Os
principais órgãos são aqueles que atuam nas áreas da saúde, do meio ambiente e da
agricultura, por serem os responsáveis pelo registro, avaliação e fiscalização da
cadeia produtiva dos agrotóxicos. Assim, para se obter o registro e iniciar a
comercialização dos agrotóxicos, de forma segura para a saúde e para o meio
ambiente, faz-se necessário a análise técnica de três órgãos federais: Agência
Nacional de Vigilância Sanitária - ANVISA, Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos
Recursos Naturais Renováveis - IBAMA e Ministério da Agricultura, Pecuária e
Abastecimento – MAPA. A análise desses órgãos não possui um prazo específico
previsto em alguma norma. Por não haver prazos, as avaliações são
consideravelmente demoradas (DE OLIVEIRA, 20068).

8DE OLIVEIRA, Caren Cristina Almeida. DESENVOLVIMENTO ECÔNOMICO X MEIO


AMBIENTE EQUILIBRADO: A UTILIZAÇÃO DE AGROTÓXICOS NO MERCADO BRASILEIRO. 2006,
18 pag.
76

Cabe ressaltar que a legislação federal sobre os agrotóxicos não impede a


criação de instruções normativas, resoluções, portarias e leis estaduais e municipais
mais restritivas e auxiliadoras da regulamentação principal.

No âmbito estadual tramita na Assembleia Legislativa de Minas Gerais o


Projeto de Lei nº 4.652/2017, do Deputado Gilberto Abramo (PRB), que Institui a
Política Estadual de Redução de Agrotóxicos - PEARA, com o objetivo de implementar
ações que contribuam para a redução progressiva do uso de agrotóxicos na produção
agrícola, pecuária, extrativista e nas práticas de manejo dos recursos naturais, com
ampliação da oferta de insumos de origens biológicas e naturais , contribuindo para a
promoção da saúde e sustentabilidade ambiental, com a produção de alimentos
saudáveis.

Outro projeto de Lei relevante para o controle e a redução de agrotóxico no


território do estado de Minas Gerais é o PL nº 2.192/2015, do Deputado Rogério
Correia (PT), que dispõe sobre a proibição da pulverização aérea de agrotóxico em
todo o território do Estado.

4.5.2. Medidas econômicas, financeiras e fiscais

No que tange às medidas fiscais, ressalta-se no âmbito da legislação fiscal


brasileira, a instituição do Convênio ICMS n° 100/97 do Conselho Nacional de Política
Fazendária (CONFAZ) e assinado pelo Ministro de Estado da Fazenda Federal e pelos
Secretários de Fazenda dos Estados. Tal convênio confere incentivos fiscais às
operações com agrotóxicos, ou seja, reduz a base de cálculo do imposto brasileiro
sobre a circulação de mercadorias (ICMS), nas saídas dos insumos agropecuários,
retratados como agrotóxicos.

Considerando os pressupostos constitucionais relacionados à proteção do


meio ambiente e da saúde humana, o uso de agrotóxicos não deve ser incentivado
pelo Poder Público, que por sua vez, tem o dever de estimular o desenvolvimento de
produtos condizentes com os princípios de sustentabilidade.

A redução da base de cálculo, ao representar uma diminuição do montante


sobre o qual irá incidir a alíquota do imposto, confere benefícios para a
77

comercialização dos agrotóxicos. Assim dispõe a Cláusula primeira do citado


Convênio:

Cláusula primeira – Fica reduzida em 60% (sessenta por cento) a base de


cálculo do ICMS nas saídas interestaduais dos seguintes produtos: I - inseticidas,
fungicidas, formicidas, herbicidas, parasiticidas, germicidas, acaricidas, nematicidas,
raticidas, desfolhantes, dessecantes, espalhantes, adesivos, estimuladores e
inibidores de crescimento (reguladores), vacinas, soros e medicamentos, produzidos
para uso na agricultura e na pecuária, inclusive inoculantes, vedada a sua aplicação
quando dada ao produto destinação diversa.

Este instrumento normativo ao prever a redução de base de cálculo e isenção


do ICMS para tais produtos, promove uma sanção premial à um comércio danoso ao
meio ambiente.

No entanto, cabe destacar que o ICMS é um imposto de competência dos


Estados. Porém, ele depara-se com constrangimentos impostos pelo Governo Federal
em função da padronização de determinados aspectos a ele inerentes, tais como as
alíquotas a ser em utilizadas nas operações interestaduais, a fim de evitar a “guerra
fiscal” (BELCHIOR9). Nesse contexto, os benefícios quanto a este imposto só poderão
ser concedidos após manifestação prévia dos entes políticos, em virtude do pacto
federativo.

5. GOVERNANÇA DO PLANO ESTRATÉGICO

5.1. Estrutura da Governança

A estrutura da governança da Estratégia Governamental Intersetorial de


Redução do Uso de Agrotóxicos e Apoio a Agroecologia e a Produção Orgânica em
Minas Gerais é composta pela reunião do GEP, coordenado de forma colegiada pelos

9BELCHIOR, Germana Parente Neiva. AGROTÓXICOS E INCENTIVOS FISCAIS: UMA


ANÁLISE DA POLÍTICA FISCAL BRASILEIRA. 2012
78

representantes da SEDA, SEAPA, SES e SEMAD. Compõem a estrutura ainda, as


Câmaras Técnicas, a Secretaria Executiva, e a Comissão Intersetorial de
Acompanhamento e Controle.

As reuniões ordinárias do GEP são realizadas mensalmente para deliberar


sobre a ordem do dia, conforme convocação da Coordenação Colegiada.

Parte da estrutura de Governança, a secretaria Executiva reporta-se a


Coordenação Colegiada no cotidiano de suas atividades. Já a Comissão Intersetorial
de Acompanhamento e Controle, composta por representantes de Conselhos de
Políticas Públicas indicadas no decreto que instituiu o GEP, atua a partir de
regulamento próprio.

5.1.1. Grupo Executivo Permanente - GEP

O Grupo Executivo Permanente da Estratégia Intersetorial de Redução do Uso


de Agrotóxicos e Apoio à Agroecologia e à Produção Orgânica – GEP – tem o objetivo
de elaborar, coordenar e implementar a Estratégia Intersetorial de Redução do Uso
de Agrotóxicos e Apoio à Agroecologia e à Produção Orgânica no Estado.

5.1.1.1. Composição do GEP

a) Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão – Seplag;

b) Secretaria de Estado de Governo – Segov;

c) Secretaria de Estado de Desenvolvimento Agrário – Seda;

d) Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento – Seapa;

e) Secretaria de Estado de Saúde – SES;

f) Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável –


Semad;

g) Secretaria de Estado de Direitos Humanos, Participação Social e Cidadania


– Sedpac;
79

h) Secretaria de Estado de Trabalho e Desenvolvimento Social – Sedese;

i) Secretaria de Estado de Educação – SEE;

j) Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e


Ensino Superior– Sedectes;

k) Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas


Gerais – Emater-MG;

l) Instituto Mineiro de Agropecuária – IMA;

m) Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais – Epamig;

n) Instituto Estadual de Florestas – IEF;

o) Instituto Mineiro de Gestão das Águas – Igam.

5.1.1.2. Coordenação Colegiada

A coordenação das atividades do GEP será colegiada e exercida pela Seda,


Seapa, SES e Semad, que prestarão suporte técnico e administrativo para o seu
funcionamento.

Será adotado sistema de rodízio entre as Secretarias que compõe o Colegiado,


na coordenação do GEP. Cada Secretaria exercerá a coordenação por um período de
3 (três) meses, iniciando-se pela SEDA.

5.1.1.3. Câmaras Técnicas

O GEP atuará mediante pareceres técnicos das Câmaras Técnicas instituídas


e poderá ainda, receber proposições da Câmara Técnica de Agroecologia e Produção
Orgânica do Conselho Estadual de Desenvolvimento Rural Sustentável de Minas
Gerais – CEDRAF. Quando necessário, poderá convidar representantes de outros
órgãos e entidades afetos aos temas trabalhados ou que desenvolvam atividades
consideradas relevantes para a viabilização das atribuições do Grupo.
80

5.1.3. Participação e controle social

A Declaração dos Direitos Humanos, vários tratados e acordos internacionais,


a Constituição Federal brasileira e a Constituição Estadual de Minas Gerais
asseguram a participação e o controle social como mecanismos de democratização
dos direitos civis e políticos, reconhecendo-os como um direito da população. A partir
desses instrumentos houve a criação ou o fortalecimento de canais de participação
social, direito da sociedade e dever do Estado.

O controle das ações do Estado pela sociedade civil se dá nos processos de


formulação, implementação, deliberação, avaliação, monitoramento e fiscalização das
políticas públicas por meio da participação social em conselhos, comissões, comitês,
conferências, audiências públicas, ação popular, mesas de diálogo e a ação civil
pública. O controle social está intrinsecamente vinculado à democracia representativa,
que assegura os mecanismos de participação da população.

Os conselhos, fóruns etc., começaram a ganhar espaço na década de 1990.


São espaços públicos não estatais, de articulação entre a sociedade civil e o poder
público para a gestão das políticas, programas e ações públicas que dizem respeito
ao atendimento das demandas sociais. Nos últimos 10 anos o Conselho Nacional de
Segurança Alimentar e Nutricional – Consea, o Conselho Nacional de Saúde – CNS,
o Conselho Nacional do Meio Ambiente – Conama e o Conselho Nacional de
Desenvolvimento Rural Sustentável e Solidário – Condraf têm debatido e
encaminhado propostas e posicionamentos ao governo sobre os agrotóxicos, diante
dos riscos e dos impactos de seu uso, que representam graves ameaças e violações
aos direitos à alimentação adequada e saudável, à saúde e ao meio ambiente.

Em Minas Gerais, o Conselho Estadual de Desenvolvimento Rural Sustentável


de Minas Gerais (CEDRAF-MG) e o Conselho de Segurança Alimentar Nutricional
Sustentável do Estado de Minas Gerais (CONSEA-MG) têm pautado estes assuntos
em seus debates.

Muitas conquistas nos mais diversos campos foram obtidos a partir dos debates
e das reivindicações das organizações da sociedade civil, não obstante, alguns temas
que ainda carecem serem melhor debatidos, como é o caso do impacto do uso
81

indiscriminado de agrotóxicos para a saúde humana e o meio ambiente. Percebe-se


que muitos desses canais de participação já instituídos não discutem o tema dos
agrotóxicos e transgênicos, como por exemplo, os Conselhos de Alimentação Escolar
(CAE) estaduais e municipais, que, em geral, trabalham uma agenda voltada para a
segurança do alimento apenas no que se refere à contaminação microbiológica e
física.

A realização do direito à alimentação, à saúde e ao meio ambiente ainda é


desconhecida, tanto por parte da sociedade civil quanto dos agentes públicos. Isso,
associado ao desconhecimento sobre a legalidade do uso e comercialização de
agrotóxicos, dificulta que a população saiba a quem, onde e como procurar auxílio em
caso de violações dos seus direitos.

Assim, neste eixo constam objetivos, estratégias e iniciativas que garantem


informação, participação e controle social para a redução do uso de agrotóxicos, bem
como de transgênicos, em razão da associação do uso de agrotóxicos e o cultivo de
organismos geneticamente modificados.

O controle social da Estratégia Intersetorial de Redução do Uso de Agrotóxicos


e Apoio à Agroecologia e à Produção Orgânica no Estado será realizado pelos
seguintes Conselhos:

I – Conselho Estadual de Desenvolvimento Rural Sustentável de Minas Gerais;

II – Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável de Minas


Gerais;

III – Conselho de Alimentação Escolar de Minas Gerais;

IV – Conselho Estadual de Saúde de Minas Gerais;

V – Conselho Estadual de Política Ambiental;

VI – Conselho Estadual de Recursos Hídricos;

VII – Comitês de Bacias Hidrográficas;


82

VIII – Conselho Estadual de Política Agrícola.

5.1.3.1. Comissão Intersetorial de Acompanhamento e Controle

Cada Conselho indicará 2 (dois) representantes da sociedade civil, sendo 1


(um) titular e 1 (um) suplente, que comporão a Comissão Intersetorial de
Acompanhamento e Controle Social do GEP.

6. ESTRATÉGIAS E ATIVIDADES POR EIXOS

Eixo 1- Fiscalização, controle e monitoramento

Objetivo: Controlar, fiscalizar, monitorar e restringir o uso de agrotóxicos,


aplicando as medidas legais pertinentes.
Estratégia Descrição da Ação Instituição Ref.
PPAG/LOA

1.1. Fiscalização das IMA 2371.20.609.102.42


revendas de agrotóxicos 50.0001.0.60.1
1.2. Fiscalização dos IMA 2371.20.609.102.42
armazenadores de 50.0001.0.60.1
agrotóxicos
1.3. Fiscalização dos IMA
prestadores de serviços
de aplicação aérea e
terrestre de agrotóxicos
1. Fortalecer a fiscalização dos 2371.20.609.102.42
estabelecimentos comerciais de 50.0001.0.60.1
agrotóxicos

1.4. Fiscalização de IMA 2371.20.609.102.42


potenciais 50.0001.0.60.1
estabelecimentos
“clandestinos” que
comercializam
agrotóxicos
83

2371.20.609.102.42
2. Fortalecer a fiscalização do uso 2.1. Fiscalização do uso
50.0001.0.60.1
de agrotóxicos em propriedades de agrotóxicos em IMA
rurais propriedades rurais

2371.20.609.102.42
3.1. Coletas fiscais de
50.0001.0.60.1
espécies agrícolas em IMA
propriedades Rurais

2371.20.609.102.42
3.2. Análises
50.0001.0.60.1
multiresiduais de IMA
resíduos de agrotóxicos

3.3. Levantamento das


principais regiões,
bacias hidrográficas ou
Unidades de 2371.20.609.102.42
IMA
Planejamento e Gestão 50.0001.0.60.1
de Recursos Hídricos
(UPGRHs) com uso
intenso de agrotóxicos.
3.4.identificação

3. Fortalecer o monitoramento de das principais culturas e IMA e 2371.20.609.102.42

resíduos de agrotóxicos os agrotóxicos utilizados EMATER 50.0001.0.60.1


em cada UPGRH.
3.5. Levantamento da
localização geográfica
das culturas (plantio), e
o reconhecimento da
região de abrangência Incluir na Revisão do
IMA e IGAM
das estações de PPAG
amostragem de modo a
confirmar as estações
de monitoramento
propostas.
3.6. De acordo com os
agrotóxicos utilizados
em cada região,
IMA e IGAM
levantar os parâmetros
que devem ser Não se

monitorados aplica
84

3.7. Estudo da
biodegradabilidade dos Incluir na Revisão do
IGAM
compostos a serem PPAG
monitorados
3.8. Definição de Não se
metodologia específica aplica
IGAM
para análise de
agrotóxicos
Não se
3.9. Levantamentos dos aplica
IGAM
custos

3.9.1. Seleção de bacia


hidrográfica piloto
IGAM e IMA
Não se
aplica
3.9.2. Monitoramento da *IGAM contrata
bacia hidrográfica pré- esses serviços para
selecionada, para a outros escopos,
IGAM
investigação da sendo, portanto,
presença de agrotóxicos necessário
contratação;
3.9.3 Análise e
Incluir na
Avaliação dos IGAM
Revisão do PPAG
Resultados
3.10. Seção específica
Não se
no PARA em relação a
aplica
alimentações escolar SES/ANVISA
PNAE, PAA e outros
mercados institucionais
2371.20.609.102.42
4. Educação sanitária em relação 4.1. Palestras, reuniões, 50.0001.0.60.1
IMA
aos agrotóxicos dias de campo
85

Eixo 2 - Vigilância em saúde de populações expostas aos agrotóxicos

Objetivo: Fortalecer o Sistema de Gestão de Vigilância em Saúde de


Populações Expostas a Agrotóxicos, de forma que tenham capacidade técnico-
gerencial para identificar os problemas e desenvolver as ações de vigilância e
promoção da saúde, que minimizem ou eliminem os impactos causados pela
exposição aos agrotóxicos.

Ref.
Estratégia Iniciativa Responsável
PPAG

1.1. Constituir equipe Não se


1. Elaborar protocolo estadual sob a coordenação da aplica
de vigilância e atenção da SES - MG para SES, ESP FUNED,
saúde das populações expostas elaboração do UFMG, SEE
a agrotóxicos documento a ser
apresentado ao GEP
2.1. Demanda de GEP Não se
acesso a informações aplica
sobre comercialização
de agrotóxicos
2.2. Realização de SES Incluir na
análise da situação de Revisão do
saúde das populações
2. Implantar o protocolo PPAG
expostas a agrotóxicos
estadual de vigilância e atenção
da saúde das populações 2.3. Estruturar a GEP, SES Não se
expostas a agrotóxicos em vigilância sentinela das aplica
unidades sentinelas populações expostas a
agrotóxicos e avaliar a
ampliação da oferta de
exames de apoio
diagnóstico com
destaque para as
comunidades
tradicionais
3.1. Qualificar e SES, ESP, UFMG, Não se
sensibilizar profissionais FUNED, SEE, aplica
da Atenção Primária a FUNDACENTRO
Saúde. EMATER
3. Fomentar as ações de 3.2. Qualificar e SES, ESP, UFMG, Incluir na
qualificação na rede SUS sensibilizar profissionais FUNED, SEE, Revisão do
da Vigilância em Saúde FUNDACENTRO,
EMATER PPAG

3.3. Qualificar e SES, ESP, UFMG, Incluir na


sensibilizar profissionais FUNED, SEE,
86

da urgência, FUNDACENTRO Revisão do


emergência e rede PPAG
hospitalar
3.4. Qualificar e SES, ESP, UFMG, Incluir na
sensibilizar profissionais FUNED, SEE, Revisão do
da rede de FUNDACENRO
especialidades PPAG

4.1. Estimular a análise SES Não se


de notificação – Plano aplica
de intervenção de
acordo com
diagnósticos locais
4. Estimular e qualificar as 4.2. Estimular o SES Não se
atividades de registro dos preenchimento dos
agravos relacionados à aplica
campos ocupação, raça
vigilância em saúde de e cor na ficha de
população expostas a notificação de
agrotóxicos intoxicação exógena
por meio da análise
periódica de fichas com
os referidos campos em
branco e retorno aos
municípios
5.1. Elaborar material Incluir na
informativo para Revisão do
diferentes públicos e SES, ESP, FUNED,
meios de comunicação UFMG, SEE PPAG

5.2. Estimular a SES, ESP, FUNED, Incluir na


participação popular UFMG,SEE, Revisão do
nas ações de vigilância FUNDACENTRO
em saúde de PPAG
5. Fomentar as ações de populações expostas a
promoção da saúde agrotóxicos e a criação
de grupos de vigilância
popular em saúde

5.3. Implantar ações de Incluir na


vigilância e de Revisão do
promoção no Programa
Saúde na Escola PPAG

5.4. Estimular a Não se


articulação dos órgãos aplica
de extensão nos órgãos
de promoção a saúde
87

6. Realizar estudos e pesquisar 6.1. Lançamento de GEP Incluir na


em populações inseridas em editais da FAPEMIG Revisão do
diferentes modelos de produção para apoio a extensão PPAG
agrícolas- agrotóxicos e pesquisas de: câncer,
agroecologia má formação,
alterações no sistema
nervoso, adoecimento
mental, bioindicadores,
boas práticas
agroecológicas

Eixo 3 - Educação e comunicação

Objetivo: Promover ações destinadas a informar e educar a população sobre


os perigos causados pelos agrotóxicos, contribuindo para fortalecer sua autonomia
nas escolhas de uma alimentação adequada e saudável, considerando a preservação
do meio ambiente e a sustentabilidade dos sistemas agroalimentares.

Estratégia Iniciativa Ref.


Instituição PPAG

3.1. Incluir o tema dos agrotóxicos 1. Organizar seminários e/ou Incluir na


nas discussões dos Fóruns oficinas de mobilização e Revisão do
Regionais de Governo capacitação no âmbito dos Fóruns SEDIF, SEGOV, PPAG
Regionais GEP

3.2. Instituir campanha educativa 2.1. Criar peças radiofônicas e SEGOV, TV Incluir na
permanente nas mídias do televisivas sobre o perigo dos Minas, Agência Revisão do
Governo agrotóxicos, utilizando os diversos Minas, Radio PPAG
meios de comunicação Inconfidência,
audiovisual, incluindo internet e SEDA, EMATER
redes sociais

2.2. Levar a Campanha para as


Feiras livres e agroecológicas

2.3. Instituir um calendário


permanente sobre os riscos dos
88

agrotóxicos

2.4. Levar o conteúdo da


Campanha para as capacitações
dos diferentes setores públicos
(estaduais e municipais), bem como
nas equipes locais: Profissionais de
saúde, rede de educação, equipes
de CRAS, agentes de meio
ambiente, comitês de bacias,
Universidades, comitês regionais
de combate ao agrotóxico, entre
outros;

3.3. Fortalecer as ações de EAN no 3.1. Criar a Coordenadoria de EAN SEE, SES Não se aplica
âmbito do PNAE na SEE;

3.2. Implementar as atividades


nas redes públicas estaduais e
municipais de educação;

3.3. Divulgar as “Boas


Experiências” da sociedade civil e
do poder público;

3.4. Fortalecer as parcerias para 4.1. Formalizar o protocolo de Não se aplica


implementação do Observatório parcerias institucionais para
dos Agrotóxicos em Minas Gerais implementação do Observatório FUNDACENTRO,

dos Agrotóxicos MPT, GEP

3.5. Organizar e divulgar 5.1. Mapear espaços onde são Não se aplica
informações sobre os espaços de produzidos e comercializados
comercialização de produtos alimentos agroecológicos e SEDA, EMATER

agroecológicos e orgânicos no orgânicos


estado
5.2. Divulgar no Observatório as
experiências bem-sucedidas

3.6. Elaboração de material 1.1. Desenvolver conteúdo para SEE, EMATER, Incluir na
didático da Campanha e do população EPAMIG, IMA, Revisão do
89

Observatório, com linguagem 1.2. Desenvolver conteúdos para ESP PPAG


adequada para os diversos escolas
públicos, incluindo as atividades
regulares das vigilâncias 1.3. Desenvolver conteúdos

epidemiológica, sanitária, saúde específicos para o

ambiental e de saúde do trabalhador/produtor rural

trabalhador

Eixo 4 - Apoio a agroecologia e produção orgânica

Objetivo: Ampliar as ações de pesquisa, assistência técnica e extensão rural e


apoio à comercialização, visando a transição agroecológica e os sistemas
sustentáveis de produção. Nesta perspectiva:

 Aumentar o número de agricultores produzindo em bases


agroecológicas;
 Ampliar a oferta de produtos orgânicos certificados para o mercado;
 Ampliar o acesso dos agricultores familiares ao Pronaf Agroecologia;
 Aumentar a inserção e permanência de agricultores familiares nos
espaços de comercialização socialmente construídos.

Estratégia Iniciativa Instituição Ref.


PPAG
Ação:

4.1. Ampliar a execução de 1.1. Fortalecer o Programa de EPAMIG, 4056 e 4057


pesquisa em agroecologia da EMATER, IMA
projetos de pesquisa e
Epamig e as ações com interface
desenvolvimento voltados a pesquisa/extensão

disponibilização de
tecnologias
Ação:

de baixo perigo toxicológico e


1.2. Fortalecer e ampliar os EPAMIG, 4056 e 4057
90

Núcleos de Estudos em FAPEMIG


ecotoxicológico, capazes de Agroecologia - NEA's
UEMG
enfrentar os principais

problemas fitossanitários da Ação: 4057

agricultura mineira e 1.3. Publicar Editais Universais


de apoio a pesquisa em
substituir os agrotóxicos
agroecologia FAPEMIG

considerados como
prioritários

para reavaliação de suas

autorizações de uso.
4057

EMATER

4.2. Fortalecer a Rede de Ater EPAMIG


agroecologia
1.1. Promover e intensificar a
sensibilização, a capacitação, a
qualificação, o intercâmbio e a
atualização de conhecimentos
dos agricultores, pesquisadores
e técnicos nos princípios,
práticas e técnicas da produção
agroecológica e orgânica.

1.2.fomentar o uso de insumos SEDA, Incluir na


para controle fitossanitário com EMATER, Revisão do
baixo risco toxicológico e EPAMIG PPAG
ecotoxicológico
1.3. Construir procedimentos EPAMIG, Não se
técnicos para orientar a EMATER, IMA aplica
91

produção no processo de
transição agroecológica
1.4. Promover ações de resgate EMATER, Ações:
de materiais propagativos SEDA,
(sementes e mudas), raças e EPAMIG 4046, 4057,

variedades locais tradicionais ou


4056, 4058
crioulas
4.3. Apoiar e fortalecer as 1.1. Ampliar o programa de EMATER, Ações:
feiras agroecológicas e as distribuição de Kit’s de Feiras SEDA
compras institucionais de livres agroecológicas 4056, 4057,

produtos agroecológicos
4058,4059,

4060,4061 e
4062
1.2. Qualificar Agricultores EMATER Ação 4242
familiares para a comercialização
da produção orgânica para o SEDA

PNAE e PAA

4.4. Criar condições objetivas 1.1. Assessorar grupos de EMATER Incluir na


para auxiliar os agricultores a agricultores/as familiares em Revisão do
vencerem os obstáculos SPG - Sistema Participativo de PPAG
encontrados, principalmente Garantia.
na certificação e 1.2. Ampliar de 25 para 50 SEAPA, IMA Ação: 4677
comercialização dos produtos propriedades orgânicas
orgânicos, contribuindo, de certificadas em 2018 e em 2019
forma significativa, para a para 65 propriedades. No SAT
expansão da agricultura ampliar de 15 para 360
orgânica, por meio do propriedades em 2018 e em
Programa Certifica Minas 2019 para 450 propriedades

Eixo 5 - Normatização, regulação, medidas econômicas, financeiras e


fiscais

Objetivo: Utilizar medidas econômicas e financeiras para desestimular a


utilização de agrotóxicos, com ênfase nos produtos de maior risco perigo toxicológico
92

e eco- toxicológico.

Ref.
Estratégia Iniciativa Instituição
PPAG
5.1.1. Acompanhar a
tramitação do Projeto de Lei
nº 4.652/2017, do Deputado
Gilberto Abramo (PRB), que CEDRAF CONSEA Não se
determina a criação de uma CAISAN aplica
Política e a elaboração do
Plano, visando sua
aprovação.
5.1.2. Acompanhar a
tramitação do Projeto de Lei CEDRAF CONSEA
nº 2.192/2015, do Deputado CAISAN
Rogério Correia (PT), que
Não se aplica
dispõe sobre a proibição da
pulverização aérea de
agrotóxico em todo o
5.1. Avançar na
território do Estado.
consolidação de marcos
5.1.3. Estudar o texto, os
regulatórios sobre
vetos e a regulamentação da
agrotóxicos em Minas
Lei nº22.913, de 12/01/18,
Gerais.
que altera a Lei nº 10.545, de GEP
13 de dezembro de 1991, Não se aplica
que dispõe sobre produção, IMA
comercialização e uso de
agrotóxico e afins e dá outras
providências.
Orçamento
5.1.4. Elaborar e implementar
SEDA e
o Plano Estadual de SEDA, SEAPA,
EMATER –
Agroecologia e Produção EMATER, IMA,
identificar
Orgânica, instituído pela Lei EPAMIG
ações e
Estadual 21.146/2014.
valores
5.1.5. Revisar as normas GEP
infra legais (portarias, Não se aplica
resoluções, etc.) sobre a IMA
93

fiscalização do uso de
agrotóxicos. SES

SEMAD

FEAM

IEF

IGAM
5.1.6. Pesquisar e estudar
marcos regulatórios e
GEP Não se aplica
medidas de outros estados e
países.
5.2.1. Propor a revisão das GEP
alíquotas do ICMS para os Não se aplica
agrotóxicos. SEF
GEP

5.2.2. Revisar as penalidades IMA


5.2. Desestimular o uso de
referentes ao uso, produção,
agrotóxicos, com ênfase nos SEMAD
comercialização, transporte,
de maior toxicidade, por Não se aplica
armazenamento e descarte
meio da eliminação de FEAM
de embalagens de
subsídios e da taxação
agrotóxicos. IEF
progressiva sobre os
agrotóxicos de maior perigo
IGAM
toxicológico e
5.2.3. Ação Direta de
ecotoxicológico, zerando as
Inconstitucionalidade (ADI)
alíquotas para os aprovados
5.553, movida pelo Partido
para a agricultura orgânica e
Socialismo e Liberdade
os de controle biológico,
(PSOL) no Supremo Tribunal
desde que não oriundo de CEDRAF CONSEA
Federal (STF), contra duas
Organismo Geneticamente CAISAN
cláusulas do Convênio Não se aplica
Modificado – OGM.
100/1997, do Conselho
Nacional de Política
Fazendária (Confaz), e
dispositivos da Tabela de
Incidência do Imposto sobre
Produtos Industrializados
94

(Tipi), estabelecida pelo


Decreto 7.660/2011, que
beneficiam a indústria dos
agrotóxicos.
5.3.1. Fomentar a criação de GEP Não se aplica
fórum junto ao MP
5.3. Realizar atividades de
advocacy que visem o 5.3.2. Realizar audiência
fortalecimento e adequação pública no âmbito legislativo
das políticas públicas em
atendimento a este Plano 5.3.3. Realizar discussões no

Estratégico âmbito do judiciário

5.4 Instituir o Amicus 5.4.1. Subsidiar promotores, GEP Não se aplica


curiae para fornecer magistrados e defensores
subsídios às decisões dos públicos para a atuação em
tribunais, oferecendo-lhes casos que envolvam riscos à
melhor base para questões saúde pública e ao meio
relevantes e de grande ambiente decorrentes do uso
impacto. de agrotóxicos

7 MONITORAMENTO GERAL DO PLANO ESTRATÉGICO

7.1 Metodologia de monitoramento

a) O monitoramento do PLANERA tem como objetivo acompanhar a execução das


ações governamentais voltadas para a redução do uso de agrotóxicos em Minas
Gerais e aferir o desempenho da atuação governamental nessa temática,
possibilitando intervenções que visem o aprimoramento da gestão pública.

b) O conjunto de informações gerado nas atividades de monitoramento também é


fundamental para a prestação de contas da ação governamental à sociedade.

c) Neste sentido, criou-se, no âmbito do Grupo Executivo Permanente para Redução


do Uso de Agrotóxicos e Apoio à agroecologia e a Produção Orgânica em Minas
Gerais, a Comissão Intersetorial de Acompanhamento e Controle com a atribuição de
95

definir instrumentos e metodologia para monitorar, avaliar e divulgar a implementação


dos objetivos e metas pactuados no PLANERA.

d) A Comissão é composta por (dois) representantes da sociedade civil, sendo 1 (um)


titular e 1 (um) suplente, de cada Conselho de políticas públicas indicadas no Decreto
nº 47.223, de 26 DE julho de 2017.

7.2. Macros indicadores

SINAN

O SINAN é alimentado, principalmente, pela notificação e investigação de


casos de doenças e agravos que constam da lista nacional de doenças de notificação
compulsória (Portaria de Consolidação nº 4, de 28 de setembro de 2017, anexo V -
Capítulo I), mas é facultado a estados e municípios incluir outros problemas de saúde
importantes em sua região.

PARA

O Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA) da


Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) foi criado em 2001 como um projeto
com o objetivo de estruturar um serviço para avaliar e promover a qualidade dos
alimentos em relação ao uso de agrotóxicos e afins. Em 2003, o projeto transformou-
se em Programa, através da Resolução da Diretoria Colegiada - RDC 119/03, e
passou a ser desenvolvido anualmente no âmbito do Sistema Nacional de Vigilância
Sanitária (SNVS). O PARA tem por objetivo verificar se os alimentos comercializados
no varejo apresentam níveis de resíduos de agrotóxicos dentro dos Limites Máximos
de Resíduos (LMR) estabelecidos pela Anvisa e publicados em monografia específica
para cada agrotóxico. Permite, também, conferir se os agrotóxicos utilizados estão
devidamente registrados no país e se foram aplicados somente nas culturas para as
quais estão autorizados.

SICCA
96

O Sistema de Controle e Comércio de Agrotóxicos e Afins – Sicca, além do


cumprimento do arcabouço legal visa obter dados confiáveis do comércio e do uso do
produto em Minas Gerais. O não cumprimento do prazo de envio configura em uma
irregularidade, sendo, portanto, lavrado auto de infração e aberto processo
administrativo contra os estabelecimentos comerciais inadimplentes.

Todo estabelecimento que comercializa ou aplica agrotóxicos e afins em Minas


Gerais deve manter a relação do estoque existente, nome comercial dos produtos, a
quantidade comercializada e remetê-las ao IMA semestralmente, por meio do Sicca.

Certificações SAT/ Orgânicos

Para o escopo SAT, a ação será fomentada pela Lei nº 22.926, de 12 de janeiro
de 2018, que dispõe sobre o Programa de Certificação de Produtos Agropecuários e
Agroindustriais – Certifica Minas e dá outras providências, e pela resolução da
Secretária de Agricultura, Pecuária e Abastecimento que institui o Programa Certifica
Minas – SAT (Produção Vegetal sem Agrotóxico). Visando alcançar a meta 15 para
360 propriedades certificadas no ano de 2018, e em 2019, 450 propriedades.

Para o escopo Orgânico, que é acreditado pelo Inmetro e credenciado pelo


Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, a meta para 2018 é de 25 para
50 propriedades e em 2019 atingir 65 propriedades.

7.3.Fases e Etapas para Implementação do Plano

ANO 2018 2019

ETAPA I ETAPA II ETAPA III ETAPA IV


97

Elaboração do Elaboração e Acompanhament


Plano detalhamento do o da execução
Estratégico Plano de Ação do Plano de
Ação

Balanço das
ações,
análises dos
I resultados
I alcançados e
FASES
Consulta Elaboração do Divulgação dos revisão do

Pública Sistema de dados Plano de

Monitoramento preliminares de Ação e

execução Indicação de

(boletins) Ações para


novo PPAG

I Lançamento Teste do Sistema de Apontamentos


II do Plano Monitoramento para novo PPAG

Plano de Ação
elaborado

PRODUTOS Plano Estratégico Documento de Informações


elaborado e lançado Sistema informatizado balanço das obtidas no
de monitoramento do ações processo de
Plano em governamentais monitoramen
funcionamento elaborado e to
divulgado analisadas,
processadas
e divulgadas-
98

Plano
revisado

- Realizar oficinas das - Realizar ajustes no - Utilizar os - Elaborar


Câmaras Técnicas; Sistema resultados do boletins com
monitoramento os resultados

- Realizar Seminário - Realizar oficinas para subsidiar a do

de apresentação da intersetoriais para a revisão do Plano monitoramen

Versão Preliminar; pactuação sobre a to

execução e - Sistematizar

- Identificar as ações e priorização das metas informações e - Apresentar

metas do PLANO que do Plano de Ação preparar os resultados


AÇÕES
estão no PPAG documento de do
balanço monitoramen
to nas
- Incluir no Sistema as
- Sistematizar os reuniões do
informações de
resultados das Pleno dos
monitoramento do
oficinas Conselhos
SIGPLAN – ano de
referentes à de Controle
2018
revisão e Social

priorização
- Complementar o
Sistema com os dados
de execução das
metas que não estão
no PPAG – 1º
semestre de 2018
99

8. REFERÊNCIAS

ABRASCO - Associação Brasileira de Saúde Coletiva - Dossiê ABRASCO: um


alerta sobre os impactos dos agrotóxicos na saúde / Organização de
Fernando Ferreira Carneiro, Lia Giraldo da Silva Augusto, Raquel Maria
Rigotto, Karen Friedrich e André Campos Búrigo. - Rio de Janeiro: EPSJV; São
Paulo: Expressão Popular, 2015. 624 p.: il.

BOMBARDI, LARISSA MIES, Pequeno Ensaio Cartográfico Sobre o Uso de


Agrotóxicos no Brasil / Larissa Mies Bombardi. – São Paulo: Laboratório de
Geografia Agrária - USP. Blurb, 2016.

BRASIL. Decreto nº 4.074, de 4 de janeiro de 2002. Regulamenta a Lei nº


7.802, de 11 de julho de 1989, que dispõe sobre a pesquisa, a experimentação,
a produção, a embalagem e rotulagem, o transporte, o armazenamento, a
comercialização, a propaganda comercial, a utilização, a importação, a
exportação, o destino final dos resíduos e embalagens, o registro, a
classificação, o controle, a inspeção e a fiscalização de agrotóxicos, seus
componentes e afins, e dá outras providências.

BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Secretaria de Vigilância em Saúde.


Departamento de Vigilância em Saúde Ambiental e Saúde do Trabalhador.
Agrotóxicos na ótica do Sistema Único de Saúde / Ministério da Saúde,
Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de Vigilância em Saúde
Ambiental e Saúde do Trabalhador. – Brasília: Ministério da Saúde,

BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Secretaria de Vigilância em Saúde. Diretriz


nacional do plano de amostragem da vigilância em saúde ambiental
relacionada à qualidade da água para consumo humano / Ministério da
Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde. – Brasília: Ministério da Saúde,
2006. 60 p. – (Série A. Normas e Manuais Técnicos)

BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Organização Pan-Americana da Saúde.


Manual de vigilância da saúde de populações expostas a agrotóxicos.
Brasília, DF: OPAS/OMS, 1996 Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de
Vigilância em Saúde. Guia de vigilância epidemiológica / Ministério da Saúde,
Secretaria de Vigilância em Saúde. – 6. ed. – Brasília: Ministério da Saúde,
2005.

BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Portaria Federal de Consolidação nº 4,


de 03 de outubro de 2017, que dispõe sobre a Consolidação das normas sobre
os sistemas e os subsistemas do Sistema Único de Saúde.

BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Portaria Federal de Consolidação nº 5,


de 03 de outubro de 2017, que dispõe sobre a Consolidação das normas sobre
as ações e os serviços de saúde do Sistema Único de Saúde;

BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Portaria nº 1.378, de 9 de julho de 2013.


Regulamenta as responsabilidades e define diretrizes para execução e
100

financiamento das ações de Vigilância em Saúde pela União, Estados, Distrito


Federal e Municípios, relativos ao Sistema Nacional de Vigilância em Saúde e
Sistema N.

BRASIL. MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO. Portaria nº 86, de 3 de


março de 2005. Aprova a Norma Regulamentadora de Segurança e Saúde no
Trabalho na Agricultura, Pecuária, Silvicultura, Exploração Florestal e
Aquicultura – NR31.

BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Secretaria de Vigilância em Saúde.


Departamento de Vigilância em Saúde Ambiental e Saúde do Trabalhador.
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a agrotóxicos – Brasília 2017. Acesso em 07/03/2018. Disponível em
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PORTO, S, acesso em 7/5/2018,


https://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Mae-Terra/A-agroecologia-e-o-
Programa-de-Aquisicao-de-Alimentos-PAA-/3/36284.

SILVA, JANDIRA M. DA; NOVATO-SILVA, ELIANE; FARIA, HORÁCIO


PEREIRA; PINHEIRO TARCÍSIO MÁRCIO M., Agrotóxico e trabalho: uma
combinação perigosa para a saúde do trabalhador rural, Ciênc. Saúde
coletiva vol.10 no.4 Rio de Janeiro Out/Dez. 2005.

SOARES, W. L. Uso dos agrotóxicos e seus impactos à saúde e ao


ambiente: uma avaliação integrada entre a economia, a saúde pública, a
ecologia e a agricultura. 2010. 163 f. Tese (Doutorado em Saúde Pública e
Meio Ambiente) –Escola Nacional de Saúde Pública, Fundação Oswaldo Cruz,
Rio de Janeiro, 2010.

STEFFEN, GERUSA PAULIKIST; STEFFEN, RICARDO BEMFICA;


ANTONIOLLI, ZAIDA INÊS. Contaminação do Solo e da Água pelo uso de
agrotóxicos. Tecno-Lógica, Santa Cruz do Sul, v. 15, n. 1, p. 15-21, jan/jun.
2011.
103

9. ANEXOS

Anexo 1.

DECRETO Nº 47.223, DE 26 DE JULHO DE 2017

PUBLICADO MG 27/07/2017

Cria o Grupo Executivo Permanente da Estratégia Intersetorial de Redução do


Uso de Agrotóxicos e Apoio à Agroecologia e à Produção Orgânica no Estado.

O GOVERNADOR DO ESTADO DE MINAS GERAIS, no uso de atribuição que


lhe confereo inciso VII do art. 90 da Constituição do Estado e tendo em vista o
disposto na Lei nº 21.146, de 14 de janeirode 2014, e na Lei nº 21.156, de 17
de janeiro de 2014,

DECRETA:

Art. 1° – Fica criado o Grupo Executivo Permanente da Estratégia Intersetorial


de Redução do Uso de Agrotóxicos e Apoio à Agroecologia e à Produção
Orgânica – GEP – com o objetivo de elaborar, coordenar e implementar a
Estratégia Intersetorial de Redução do Uso de Agrotóxicos e Apoio à
Agroecologia e à Produção Orgânica no Estado.
104

Art. 2° – A Estratégia Intersetorial de Redução do Uso de Agrotóxicos e Apoio


à Agroecologia eà Produção Orgânica no Estado levará em consideração as
diretrizes estabelecidas pela Lei nº 21.146, de 14 de janeiro de 2014, as
resoluções da 2ª Conferência Estadual de Desenvolvimento Rural Sustentável
de Solidário de Minas Gerais, da 6ª Conferência de Segurança Alimentar e
Nutricional de Minas Gerais e da 2ª Conferência Estadual de Assistência
Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais e tem como objetivos:

I – Construir políticas públicas unificadas para proteção e promoção da saúde


humana e dos ecossistemas impactados negativamente pelos agrotóxicos;

II – Reduzir, de forma gradual e contínua, a disponibilidade, o acesso e o uso


de agrotóxicos no Estado, bem como fomentar a prática da Agroecologia e da
Produção Orgânica;

III – Fomentar a atenção integral à saúde de populações expostas aos


agrotóxicos, incluindo ações de assistência e vigilância em saúde;

IV – Estabelecer controle rígido da logística reversa de embalagens e dos


processos de coleta, transporte, armazenamento e reciclagem de embalagens
de agrotóxicos;

V – Ampliar a realização de projetos de pesquisa e desenvolvimento voltados


à disponibilização de tecnologias de baixo perigo toxicológico e ecotoxicológico
capazes de enfrentar os principais problemas fitossanitários da agricultura
estadual e substituir os agrotóxicos considerados como prioritários para
reavaliação de suas autorizações de uso;

VI – Promover, ampliar e consolidar processos e experiências de acesso e


intercâmbio do conhecimento relacionado a produtos e processos de baixo
perigo toxicológico e ecotoxicológico que contribuam para a prevenção e
controle de problemas fitossanitários, priorizando a redução da dependência
de insumos externos;

VII – Intensificar a qualificação de agentes de Assistência Técnica e Extensão


Rural para priorizar formas de agricultura de base agroecológica e orgânica,
105

sensibilizar, capacitar, qualificar e atualizar conhecimentos quanto aos riscos e


impactos dos agrotóxicos, com vistas a induzir o uso de produtos e processos
para a prevenção e controle fitossanitário com baixo risco toxicológico e
ecotoxicológico;

VIII – Aprimorar e diversificar os mecanismos de informação à população, com


linguagem adequada para os diversos públicos, utilizando-se dos diversos
meios de comunicação audiovisual;

IX – Promover e intensificar ações de conscientização e instrumentalização de


trabalhadores rurais assalariados e temporários, populações expostas e grupos
vulneráveis para a atuação em defesa da saúde laboral e ambiental,
conscientizando quanto à viabilidade de modelos sustentáveis de produção;

X – Desenvolver e fortalecer a integração de ações para identificação,


fiscalização, monitoramento, prevenção e controle da contaminação por
agrotóxicos;

XI – Garantir de forma ampla a participação e o controle social quanto aos


riscos e impactos dos agrotóxicos à saúde e ao meio ambiente;

XII – Promover ações de rastreabilidade dos alimentos comercializados no


Estado, identificando aqueles que utilizam agrotóxico em sua produção;

XIII – Garantir a aquisição institucional de alimentos que atendam os padrões


de segurança quanto ao uso de agrotóxicos.

Art. 3º – A construção do Plano de Ação da Estratégia Intersetorial de Redução


do Uso de Agrotóxicos e Apoio à Agroecologia e à Produção Orgânica no
Estado deverá respeitar as realidades locais e regionais, assegurando as
práticas sociais diversas.

Art. 4º – Compete ao GEP:

I – Organizar as informações e a interação das ações existentes dos diversos


setores com a finalidade de otimizar a administração pública sobre a gestão e
106

o controle do uso de agrotóxicos no Estado;

II – Elaborar, coordenar e implementar o Plano de Ação da Estratégia


Intersetorial de Redução do Uso de Agrotóxicos e Apoio à Agroecologia e à
Produção Orgânica no Estado;

III – acompanhar e monitorar a execução dos programas, projetos e ações


estabelecidos no âmbito da Estratégia Intersetorial de Redução do Uso de
Agrotóxicos e Apoio à Agroecologia e à Produção Orgânica no Estado;

IV – Contribuir na revisão do Plano Plurianual de Ação Governamental, no que


se refere às inciativas relacionadas à Estratégia Intersetorial de Redução do
Uso de Agrotóxicos e Apoio à Agroecologia e à Produção Orgânica no Estado;

V – Organizar as atividades a serem desenvolvidas;

VI – Coordenar os estudos sobre temas das áreas de conhecimento afetas às


suas atividades;

VII – indicar outros membros e convidados que integrarão o GEP;

VIII – editar normas complementares para a realização das atividades;

IX – Emitir relatórios semestrais contendo as ações implantadas pela Estratégia


Intersetorial de Redução do Uso de Agrotóxicos e Apoio à Agroecologia e à
Produção Orgânica no Estado, para fins de controle social;

X – Assegurar o livre acesso a documentos para o efetivo acompanhamento da


execução nas instituições executoras.

Art. 5º – Integram o GEP os representantes dos seguintes órgãos e entidades


do Poder Executivo:

a) Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão – Seplag;

b) Secretaria de Estado de Governo – Segov;

c) Secretaria de Estado de Desenvolvimento Agrário – Seda;


107

d) Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento – Seapa;

e) Secretaria de Estado de Saúde – SES;

f) Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável –


Semad;

g) Secretaria de Estado de Direitos Humanos, Participação Social e Cidadania


– Sedpac;

h) Secretaria de Estado de Trabalho e Desenvolvimento Social – Sedese;

i) Secretaria de Estado de Educação – SEE;

j) Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e


Ensino Superior– Sedectes;

k) Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas


Gerais – Emater-MG;

l) Instituto Mineiro de Agropecuária – IMA;

m) Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais – Epamig;

n) Instituto Estadual de Florestas – IEF;

o) Instituto Mineiro de Gestão das Águas – Igam.

§ 1° – A coordenação das atividades do GEP será colegiada e exercida pela


Seda, Seapa, SES e Semad, que prestarão suporte técnico e administrativo
para o seu funcionamento.

§ 2° – Cada órgão ou instituição indicará à Seda, por meio de ofício, três


representantes para compor o GEP, sendo um titular e dois suplentes, no prazo
de até sessenta dias contados da publicação deste decreto.

§ 3° – O GEP atuará mediante pareceres técnicos da Câmara Técnica de


Agroecologia e Produção Orgânica do Conselho Estadual de Desenvolvimento
108

Rural Sustentável de Minas Gerais e poderá convidar representantes de outros


órgãos e entidades afetos aos temas deste decreto ou que desenvolvam
atividades consideradas relevantes para a viabilização das atribuições do
Grupo.

§ 4° – Os membros do GEP não serão remunerados pelo exercício de suas


atribuições.

§ 5° – O funcionamento do GEP será definido por meio de regulamento próprio,


aprovado em até sessenta dias.

Art. 6º – O GEP contará com uma Secretaria Executiva, competindo-lhe prestar


o apoio administrativo para a consecução dos trabalhos desenvolvidos.

Art. 7º – O controle social da Estratégia Intersetorial de Redução do Uso de


Agrotóxicos e Apoioà Agroecologia e à Produção Orgânica no Estado será
realizado pelos seguintes Conselhos:

I – Conselho Estadual de Desenvolvimento Rural Sustentável de Minas Gerais;

II – Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável de Minas


Gerais;

III – Conselho de Alimentação Escolar de Minas Gerais;

IV – Conselho Estadual de Saúde de Minas Gerais;

V – Conselho Estadual de Política Ambiental;

VI – Conselho Estadual de Recursos Hídricos;

VII – Comitês de Bacias Hidrográficas;

VIII – Conselho Estadual de Política Agrícola.

Art. 8º – O GEP encaminhará à Seplag, no prazo de até noventa dias contados


da publicação dar e solução de nomeação dos seus membros, o relatório final
contendo o Plano de Ação da Estratégia Intersetorial de Redução do Uso de
109

Agrotóxicos e Apoio à Agroecologia e à Produção Orgânica no Estado.

Art. 9º – O GEP apresentará semestralmente os relatórios das ações de


execução do Plano de Ação da Estratégia Intersetorial de Redução do Uso de
Agrotóxicos e Apoio à Agroecologia e à Produção Orgânica no Estado, a ser
encaminhado ao Governador.

Art. 10º – Este decreto entra em vigor na data de sua publicação.

Palácio Tiradentes, em Belo Horizonte, aos 26 de julho de 2017; 229º da


Inconfidência Mineira e196º da Independência do Brasil.

FERNANDO DAMATA PIMENTEL


110

Anexo 2.

DELIBERAÇÃO Nº01 /2018

O GRUPO EXECUTIVO PERMANENTE DA ESTRATÉGIA INTERSETORIAL


DE REDUÇÃO DO USO DE AGROTÓXICOS E APOIO A AGROECOLOGIA E
A PRODUÇÃO ORGÂNICA EM MINAS GERAIS, no uso das atribuições que
lhe confere o inciso VII do art. 4º do Decreto nº 47.223, de 26 de julho de 2017,

RESOLVE:

Art. 1º Aprovar o seu Regimento, cujo inteiro teor se publica a seguir.

Art. 2º Esta Deliberação entra em vigor na data de sua publicação.

Belo Horizonte, 1º de fevereiro de 2018.

REGIMENTO INTERNO DO GRUPO EXECUTIVO PERMANENTE DA


ESTRATÉGIA INTERSETORIAL DE REDUÇÃO DO USO DE AGROTÓXICOS
E APOIO A AGROECOLOGIA E A PRODUÇÃO ORGÂNICA EM MINAS
GERAIS

CAPÍTULO I - DAS DISPOSIÇÕES PRELIMINARES

Art. 1º - Esta Deliberação estabelece o Regimento Interno do Grupo Executivo


Permanente da Estratégia Intersetorial de Redução de Uso de Agrotóxicos e
Apoio à Agroecologia e a Produção Orgânica em Minas Gerais, doravante
denominada GEP, que tem como objetivo elaborar, coordenar e implementar a
111

Estratégia Intersetorial de Redução do Uso de Agrotóxicos e Apoio à


Agroecologia e à Produção Orgânica no Estado.

CAPÍTULO II - DA ORGANIZAÇÃO

Art. 2º - A estrutura orgânica do GEP é a que se segue:

I – Plenário

II- Coordenação Colegiada

III - Câmaras Técnicas

IV- Secretaria Executiva

V- Comissão Intersetorial de Acompanhamento e Controle

Art. 3º - O Plenário, instância superior de deliberação do GEP, tem como


competências aquelas dispostas no art. 2º do Decreto nº 47.223, de 26 de julho
de 2017 e terá como coordenação os representantes da Secretaria de Estado
do Desenvolvimento Agrário -SEDA, a Secretaria de Estado de Agricultura,
Pecuária e Abastecimento – SEAPA, a Secretaria de Estado de Saúde – SES
e a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável -
SEMAD.

Parágrafo primeiro – A cada semestre será realizado rodízio entre os membros


da coordenação colegiada, para o exercício de coordenação das reuniões
plenárias, obedecendo a seguinte ordem: SEDA, SEAPA, SES e SEMAD.

Parágrafo segundo – A critério da coordenação colegiada o secretário executivo


poderá coordenar as reuniões plenárias.

Art. 4º - A Coordenação do GEP compete:

I. Manter a ordem na condução dos trabalhos, suspendendo-os sempre que


necessário;
112

II. Assinar as correspondências, memórias de reunião, deliberações e atos do


Plenário;

III. Representar o GEP;

IV. Submeter à apreciação do Plenário, quando necessário, os assuntos que


lhe forem encaminhados;

V. Definir, juntamente com o Secretário Executivo, a pauta das reuniões do


Plenário;

VI. Zelar pelo cumprimento das disposições deste Regimento Interno,


adotando, para este fim, as providências que se fizerem necessárias;

VII. Criar Câmaras Técnicas para estudos ou tratamentos de assuntos


correlatos aos seus objetivos;

VIII. Criar oportunidades e facilidades para a participação democrática de todos


os membros do GEP.

Art. 5º - Aos membros do GEP compete:

I. Comparecer às reuniões e, na impossibilidade, enviar suplente e sempre


justificar ausências inadiáveis;

II. Participar do debate das matérias em discussão, sempre com espírito


construtivo;

III. Requerer informações, providências e esclarecimentos à Secretaria


Executiva;

IV. Propor matéria ao Plenário para inclusão na pauta;

V. Propor questão de ordem nas reuniões do Plenário;

VI. Observar em suas manifestações o bom senso e decoro visando uma


convivência harmoniosa;
113

VII. Zelar pelo cumprimento das disposições deste Regimento Interno.

CAPÍTULO III – DA COMPOSIÇÃO

Art. 6º - Os órgãos e Secretarias componentes do GEP, conforme disposto no


art.5º do Decreto nº 47.223, de 26 de julho de 2017, terão um representante e
dois respectivos suplentes para substituição em suas ausências e
impedimentos, indicados pelos seus dirigentes máximos, mediante ofício
encaminhado à coordenação do GEP.

Parágrafo Único: O GEP atuará mediante pareceres técnicos da Câmara


Técnica de Agroecologia e Produção Orgânica do Conselho Estadual de
Desenvolvimento Rural Sustentável de Minas Gerais e poderá convidar
representantes de outros órgãos e entidades afetos aos temas do Decreto nº
47.223/17 ou que desenvolvam atividades consideradas relevantes para a
viabilização das atribuições do Grupo.

CAPÍTULO IV – DO FUNCIONAMENTO

Art. 7º - A Reunião do Pleno ocorrerá, ordinariamente, no mínimo 1 (uma) vez


por mês.

Art. 8º - As convocações para as reuniões do GEP serão feitas pela Secretaria


Executiva com, no mínimo, 5(cinco) dias corridos de antecedência nas reuniões
ordinárias e, nas reuniões extraordinárias, até o dia anterior à sua realização,
conforme a urgência da demanda.

Art. 9º - A convocação das reuniões ordinárias e extraordinárias será realizada


por meio eletrônico, através de endereço eletrônico (e-mail) com definição de
dia, local e hora da reunião, acompanhada da pauta e dos documentos a serem
submetidos à discussão e deliberação.

Parágrafo Único: Do expediente de convocação deverá constar,


114

obrigatoriamente:

I. Pauta da reunião com indicação dos assuntos a serem objeto de discussões


e deliberações;

II. Relação de instituições eventualmente convidadas e descrição dos assuntos


a serem por elas tratados.

Art. 10- As reuniões do Plenário ocorrerão na Cidade Administrativa do Estado


de Minas Gerais.

Art. 11 - A deliberação das matérias discutidas no Plenário deverá obedecer à


seguinte sequência:

I. O Coordenador apresentará o item incluído na pauta e dará a palavra ao seu


responsável;

II. Finda a exposição, a matéria será colocada em discussão podendo qualquer


um dos presentes manifestar - se a respeito do assunto;

III. As deliberações e encaminhamentos serão acordados pelo Plenário.

Art. 12 - As reuniões do Plenário serão registradas em atas e serão


encaminhadas pelo endereço eletrônico (e-mail) aos participantes que
assinarem a lista de presença.

Art. 13 – O Plenário poderá apreciar, nas reuniões ordinárias, matéria não


constante de pauta, mediante (i) justificativa do seu membro e (ii) aprovação
dos demais membros presentes.

Parágrafo Único - A matéria proposta e não discutida em reunião poderá ser


incluída na pauta da reunião subsequente, seja ordinária ou extraordinária.

Art. 14 - Os representantes dos órgãos e secretarias deverão comparecer às


reuniões do GEP e, na impossibilidade, deverão enviar suplentes e sempre
justificar ausências inadiáveis.
115

Parágrafo Único - O não comparecimento do representante dos órgãos ou


secretarias ou de seu suplente, sem justificativa, por 2 (duas) reuniões será
comunicado ao dirigente máximo para substituição.

CAPÍTULO V - DAS CÂMARAS TÉCNICAS

Art. 15 – O GEP poderá instituir Câmaras Técnicas para analisar, estudar e


apresentar propostas sobre matérias específicas, considerando seus objetivos,
a saber:

I – Construir políticas públicas unificadas para proteção e promoção da saúde


humana e dos ecossistemas impactados negativamente pelos agrotóxicos;

II – Reduzir, de forma gradual e contínua, a disponibilidade, o acesso e o uso


de agrotóxicos no Estado, bem como fomentar a prática da Agroecologia e da
Produção Orgânica;

III – Fomentar a atenção integral à saúde de populações expostas aos


agrotóxicos, incluindo ações de assistência e vigilância em saúde;

IV – Estabelecer controle rígido da logística reversa de embalagens e dos


processos de coleta, transporte, armazenamento e reciclagem de embalagens
de agrotóxicos;

V – Ampliar a realização de projetos de pesquisa e desenvolvimento voltados


à disponibilização de tecnologias de baixo perigo toxicológico e ecotoxicológico
capazes de enfrentar os principais problemas fitossanitários da agricultura
estadual e substituir os agrotóxicos considerados como prioritários para
reavaliação de suas autorizações de uso;

VI – Promover, ampliar e consolidar processos e experiências de acesso e


intercâmbio do conhecimento relacionado a produtos e processos de baixo
perigo toxicológico e ecotoxicológico que contribuam para a prevenção e
controle de problemas fitossanitários, priorizando a redução da dependência
116

de insumos externos;

VII – Intensificar a qualificação de agentes de Assistência Técnica e Extensão


Rural para priorizar formas de agricultura de base agroecológica e orgânica,
sensibilizar, capacitar, qualificar e atualizar conhecimentos quanto aos riscos e
impactos dos agrotóxicos, com vistas a induzir o uso de produtos e processos
para a prevenção e controle fitossanitário com baixo risco toxicológico e
ecotoxicológico;

VIII – Aprimorar e diversificar os mecanismos de informação à população, com


linguagem adequada para os diversos públicos, utilizando-se dos diversos
meios de comunicação audiovisual;

IX – Promover e intensificar ações de conscientização e instrumentalização de


trabalhadores rurais assalariados e temporários, populações expostas e grupos
vulneráveis para a atuação em defesa da saúde laboral e ambiental,
conscientizando quanto à viabilidade de modelos sustentáveis de produção;

X – Desenvolver e fortalecer a integração de ações para identificação,


fiscalização, monitoramento, prevenção e controle da contaminação por
agrotóxicos;

XI – Garantir de forma ampla a participação e o controle social quanto aos


riscos e impactos dos agrotóxicos à saúde e ao meio ambiente;

XII – Promover ações de rastreabilidade dos alimentos comercializados no


Estado, identificando aqueles que utilizam agrotóxico em sua produção;

XIII – Garantir a aquisição institucional de alimentos que atendam os padrões


de segurança quanto ao uso de agrotóxicos.

§ 1º - Ficam instituídas as Câmaras Técnicas:

I – Fiscalização e Monitoramento
117

II - Vigilância em saúde de populações expostas aos agrotóxicos

III - Educação e comunicação

IV - Apoio a agroecologia e produção orgânica

V – Normatização, Regulação, Medidas Econômicas, Financeiras e Fiscais

§ 2º As Câmaras Técnicas tratarão das temáticas relacionadas aos eixos do


Plano de Ação da Estratégia Intersetorial de Redução de Uso de Agrotóxicos e
Apoio à Agroecologia e a Produção Orgânica em Minas Gerais e outros que se
apresentarem necessárias.

§ 3º - As Câmaras Técnicas terão seus componentes, cronograma e data de


encerramento dos seus trabalhos estabelecidos pelos membros do GEP no
Plenário.

§ 4º - O prazo para conclusão dos trabalhos poderá ser prorrogado, a critério


dos membros do GEP, em Plenário, quando for necessário, mediante
justificativa do representante da Câmara Técnica.

§ 5º - Além das Câmaras Técnicas, o GEP poderá instituir grupos de trabalho


para estudos ou tratamento de assuntos correlatos aos seus objetivos.

Art.16 - Os componentes das Câmaras Técnicas poderão ser escolhidos entre


os membros do GEP ou indicados de acordo com a especialidade da matéria
em discussão.

Art. 17 - A forma de funcionamento das Câmaras Técnicas será determinada


pelos seus membros.

Art. 18 - A Secretaria Executiva do GEP assegurará quando necessário e dentro


de suas possibilidades o funcionamento dos Grupos de Trabalho, prestando-
lhes apoio técnico e administrativo.
118

VI – DA SECRETARIA EXECUTIVA

Art. 19- A Secretaria Executiva do GEP é o órgão de apoio e de suporte


administrativo, competindo-lhe:

I. Preparar as reuniões do Plenário, incluindo convites, preparação de informes,


remessa de materiais aos representantes dos órgãos e entidades e outras
providências;

II. Acompanhar as reuniões do Plenário e lavrar a ata;

III. Providenciar a remessa da cópia da ata a todos os membros das Câmaras


Técnicas e participantes do Plenário;

IV. Dar ampla publicidade, por qualquer meio, a todos os atos de convocações
das reuniões e demais atividades do GEP;

V. Dar encaminhamento às conclusões do Plenário e acompanhar a


implantação das deliberações de reuniões anteriores;

VI. Despachar os processos e expediente de rotina;

VII. Elaborar, trimestralmente, relatório de todas as atividades do GEP;

VIII. Manter organizado acervo de assuntos de interesse do GEP.

Parágrafo Único: As atividades da Secretaria Executiva serão exercidas por


servidores indicados pelos membros representantes do Poder Executivo
Estadual e serão coordenadas por um Secretário/a Executivo/a designado pela
coordenação colegiada do GEP.

VII – DO CONTROLE SOCIAL

Art. 20 – O controle social da Estratégia Intersetorial de Redução do Uso de


Agrotóxicos e Apoio à Agroecologia e à Produção Orgânica no Estado será
realizado pelos seguintes Conselhos:
119

I – Conselho Estadual de Desenvolvimento Rural Sustentável de Minas Gerais;

II – Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável de Minas


Gerais;

III – Conselho de Alimentação Escolar de Minas Gerais;

IV – Conselho Estadual de Saúde de Minas Gerais;

V – Conselho Estadual de Política Ambiental;

VI – Conselho Estadual de Recursos Hídricos;

VII – Comitês de Bacias Hidrográficas;

VIII – Conselho Estadual de Política Agrícola.

Art. 21 – Os Conselhos referidos no Art. 20, indicarão 2 (dois) representantes


da sociedade civil, sendo 1 (um) titular e 1 (um) suplente, que comporão a
Comissão Intersetorial de Acompanhamento e Controle.

Art. 22 – A Comissão Intersetorial de Acompanhamento e Controle contará com


o apoio da Secretaria Executiva de GEP para realizar suas atividades, cabendo
a cada Conselho arcar, quando necessário, com as despesas de custeio de
seus membros indicados.

Art. 23 – Caberá a Comissão Intersetorial de Acompanhamento e Controle


informar aos Conselhos indicados no Art. 20 as atividades realizadas, bem
como as medidas tomadas pelo GEP referentes aos seus objetivos.

CAPITULO VI – DISPOSIÇÕES FINAIS

Art. 24- As propostas de deliberações que implicarem despesas deverão indicar


a fonte da respectiva receita.

Art.25 – A atuação no GEP não será remunerada e os gastos relativos a viagens


120

e diárias de seus membros será de responsabilidade dos respectivos órgãos e


secretarias.

Art.26 – Os casos omissos e as dúvidas surgidas na aplicação deste Regimento


Interno serão solucionados pela Coordenação Colegiada.

Belo Horizonte, MG, 1º de fevereiro de 2018.


121

Anexo 3.

LEI 10.545, DE 13/12/1991

Dispõe sobre produção, comercialização e uso de agrotóxico e afins e dá outras


providências.

(Vide art. 55 da Lei nº 18.031, de 12/1/2009.)

(Vide arts. 32 e 73 da Lei nº 11.405, de 28/1/1994.)

O Povo do Estado de Minas Gerais, por seus representantes, decretou e eu,


em seu nome, sanciono a seguinte Lei:

Art. 1º- A produção, a inspeção, o armazenamento e a fiscalização do


transporte, do comércio e do uso de agrotóxico, seus componentes e afins, bem
como de seus resíduos e embalagens, são regidos por esta Lei.

(Vide Lei nº 15.697, de 25/7/2005.)

Art. 2º- O transporte e o armazenamento de agrotóxico, seus componentes e


afins observarão, além do estabelecido na legislação específica em vigor, as
normas complementares fixadas na regulamentação desta Lei.

Art. 3º- Para os efeitos desta Lei, consideram-se:

I- Agrotóxicos e afins:

a) os produtos e os agentes de processos físicos, químicos ou biológicos


destinados ao uso nos setores de produção, no armazenamento e no
beneficiamento dos produtos agrícolas, nas pastagens, na proteção de
florestas nativas ou implantadas, de outros ecossistemas e de ambientes
urbanos, hídricos e industriais, cuja finalidade seja alterar a composição da flora
ou da fauna, a fim de preservá-las da ação danosa de seres vivos considerados
nocivos;

b) substâncias e produtos, empregados como desfolhantes, dessecantes,


122

estimulantes e inibidores de crescimento;

II-componentes: os princípios ativos, os produtos técnicos, as matérias-primas,


os ingredientes inertes e aditivos usados na fabricação de agrotóxico e afins.

Art. 4º- Os agrotóxicos, bem como seus componentes e afins, só poderão ser
produzidos, transportados, armazenados, comercializados e utilizados no
Estado de Minas Gerais se registrados no órgão federal competente e
cadastrados nos órgãos estaduais próprios, observado o disposto nesta Lei,
em sua regulamentação e demais normas oficiais.

Parágrafo único - O cadastro a que se refere o “caput” deste artigo tem validade
de um ano e será renovado anualmente.

(Parágrafo acrescentado pelo art. 3º da Lei nº 14.125, de 14/12/2001.)

Art. 5º- Para dar entrada no pedido de registro perante o órgão federal
competente, as pessoas físicas e jurídicas, produtoras, manipuladoras e
embaladoras de agrotóxicos, seus componentes e afins são obrigadas a obter,
além do alvará municipal, o Registro Inicial de Estabelecimento Produtor na
Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente.

Art. 6º- As pessoas físicas e jurídicas prestadoras de serviços na aplicação de


agrotóxicos, de seus componentes afins, bem como as que os comercializem,
ficam obrigadas a se registrar na Secretaria de Estado da Agricultura, Pecuária
e Abastecimento ou na Secretaria de Estado da Saúde, segundo a competência
de cada uma.

Parágrafo único- São prestadores de serviços as pessoas físicas e jurídicas


que executam trabalhos de prevenção, destruição e controle de seres vivos
considerados nocivos, aplicando agrotóxico, seus componentes e afins.

Art. 7º- Possuem legitimidade para requerer o cancelamento ou a impugnação


do registro no cadastro de agrotóxico, seus componentes e afins, arguindo
prejuízos ao meio ambiente, à saúde humana e dos animais:
123

I- Entidade de classe representativa de profissão ligada ao setor;

II- Partido político com representação na Assembléia Legislativa do Estado de


Minas Gerais;

III- Entidade legalmente constituída para a defesa dos interesses difusos


relacionados à proteção do consumidor, do meio ambiente e dos recursos
naturais.

§ 1º- O pedido de cancelamento ou impugnação do registro no cadastro de


agrotóxico, seus componentes e afins, deve ser acompanhado de informações
toxicológicas de contaminação ambiental e comportamento genético, bem
como sobre os efeitos no mecanismo hormonal, e são de responsabilidade do
estabelecimento registrante ou da entidade impugnante, devendo proceder de
laboratório capacitado.

§ 2º- O pedido de cancelamento ou impugnação a que se refere o parágrafo


anterior será formalizado através de petição dirigida à Secretaria de Estado
competente, acompanhado de laudo técnico firmado por, no mínimo, dois
profissionais habilitados na área de biociências.

§ 3º- A Secretaria de Estado que receber a petição, verificado o atendimento


das condições exigidas, providenciará sua publicação no órgão oficial do
Estado e notificará a empresa cadastrante para apresentar contestação, no
prazo de 30 (trinta) dias, não podendo a decisão final ultrapassar o prazo de 90
(noventa) dias.

§ 4º- Decidida a impugnação ou o cancelamento do registro, o produto não


mais poderá ser comercializado no território do Estado de Minas Gerais, e o
registrante terá o prazo de 30 (trinta) dias para efetuar sua retirada dos
estabelecimentos comerciais, findo o qual o produto será apreendido pelos
órgãos competentes, com lavratura de auto de infração em nome do
registrante.

§ 5º- Sempre que um produto tiver seu registro impugnado ou cancelado por
decisão de outra unidade da Federação ou por recomendação de organização
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internacional responsável pela saúde, alimentação ou meio ambiente da qual o


Brasil faça parte, caberá à respectiva Secretaria de Estado rever seu cadastro,
adotando os procedimentos previstos nesta Lei.

Art. 8º- Os produtos agrotóxicos e afins somente poderão ser vendidos a


usuários à vista de receituário expedido por profissional legalmente habilitado.

Art. 9º- As embalagens dos agrotóxicos e afins deverão conter, além do previsto
na legislação federal e sem prejuízo da verificação por parte do consumidor
das demais informações exigidas, a indicação do número de registro do produto
no cadastro da Secretaria de Estado competente, acompanhado da sigla da
unidade da Federação.

(Vide art. 93 da Lei nº 13.317, de 24/9/1999.)

Art. 9º-A Sem prejuízo das exigências contidas na legislação federal, os órgãos
competentes do sistema operacional da agricultura e de meio ambiente
estabelecerão, em regulamento, normas técnicas para a aplicação de
agrotóxico com o uso de aeronaves, nas quais serão definidas, pelo menos:

I - A distância mínima entre o local da aplicação e cidades, povoações, áreas


rurais habitadas e moradias isoladas;

II - A distância mínima entre o local da aplicação e mananciais de


abastecimento público, mananciais de água e agrupamentos de animais.

Parágrafo único. O descumprimento das normas a que se refere o caput deste


artigo sujeita o infrator ao pagamento de multa, nos termos do inciso II do caput
do art. 14.

(Artigo acrescentado pelo art. 1º da Lei nº 18.028, de 12/1/2009.)

Art. 10- As responsabilidades administrativas, civis e penais pelos danos


causados à saúde das pessoas, dos animais e do meio ambiente, quando as
disposições desta Lei, sua regulamentação e legislação complementar não
forem cumpridas, cabem:
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I- Ao profissional, quando comprovado ser a receita errada, displicente ou


indevida;

II- Ao usuário ou prestador de serviços, quando em desacordo com o


receituário;

III- Ao comerciante, quando efetuar venda sem o respectivo receituário ou em


desacordo com a receita;

IV- Ao registrante que, por dolo ou culpa, omitir informação ou fornecer


informação incorreta;

V- Ao produtor que produzir mercadoria em desacordo com as especificações


constantes no registro do produto, no rótulo, na bula, no folheto e na
propaganda;

VI- Ao empregador, quando não fornecer e não fizer manutenção dos


equipamentos adequados à proteção da saúde dos trabalhadores, ou dos
equipamentos na produção, distribuição e aplicação dos produtos;

VII- Ao proprietário da terra, pessoalmente, se agricultor e a ele solidariamente


com o meeiro ou arrendatário, em razão do uso de área interditada para
determinada finalidade.

Art. 11- Aquele que produzir, comercializar, transportar, armazenar, receitar,


usar, aplicar ou prestar serviços na aplicação de agrotóxico ou seus
componentes e afins, der destino às suas embalagens e resíduos,
descumprindo as exigências estabelecidas na legislação vigente, comprovada
a culpa, ficará sujeito à pena de reclusão de dois a quatro anos, além de multa
de 100 (cem) a 1.500 (mil e quinhentas) UPFMG.

Art. 12- O empregador, o profissional, o responsável ou o prestador de serviços


que deixar de promover as medidas necessárias de proteção à saúde e ao meio
ambiente, estará sujeito, comprovada a culpa, à pena de reclusão de dois anos
a quatro anos, além da multa de 100 (cem) a 1.500 (mil e quinhentas) UPFMG.
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Art. 13- A fiscalização, por disposto nesta Lei, incumbe, no uso das atribuições,
à Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente, à Secretaria
de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento e à Secretaria de Estado
da Saúde, através do trabalho integrado de seus órgãos técnicos, de forma a
garantir o pleno aproveitamento dos recursos humanos e materiais disponíveis.

Art. 14- Sem prejuízo das responsabilidades civil e penal cabíveis, a infração
de disposição desta Lei acarretará, isolada ou cumulativamente, nos termos
previstos em sua regulamentação, a aplicação das seguintes sanções:

I- advertência;

II- multa de até 1.500 (mil e quinhentas) UPFMG, aplicada em dobro em caso
de reincidência;

III- condenação de produto;

IV- inutilização de produto;

V- suspensão de registro no cadastro;

VI- cancelamento de registro no cadastro;

VII- interdição temporária ou definitiva de estabelecimento;

VIII- interdição temporária ou definitiva de área agricultável para usos


específicos;

IX- destruição de vegetal, parte de vegetal e alimento, nos quais tenha havido
aplicação de agrotóxico de uso não autorizado ou que apresentem resíduos
acima do permitido.

§ 1º- No caso da aplicação de sanção prevista neste artigo, não caberá direito
a ressarcimento ou indenização por eventuais prejuízos.

§ 2º- Os custos referentes à destruição correrão por conta do infrator.

§ 3º- A autoridade fiscalizadora fará divulgação da imposição de sanção ao


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infrator desta Lei.

Art. 15- Após a conclusão do processo administrativo, os agrotóxicos, bem


como seus componentes e afins, apreendidos como resultado da ação
fiscalizadora, serão inutilizados ou poderão ter outro destino, a critério da
autoridade competente.

Art. 16- O poder público promoverá pesquisas e a adoção de práticas


destinadas ao incentivo, promoção e difusão de métodos e tecnologias
alternativas ao uso de agrotóxicos e afins.

Art. 17- O Poder Executivo desenvolverá ações de instrução, divulgação e


esclarecimento que estimulem o uso seguro e eficaz dos agrotóxicos, seus
componentes e afins, com o objetivo de reduzir os efeitos prejudiciais aos seres
humanos, animais e meio ambiente, além de prevenir acidente que decorra de
sua utilização imprópria.

Art. 18- As empresas e os prestadores de serviços que já exerçam atividades


no ramo de agrotóxicos e de seus componentes e afins têm o prazo de três
meses, a contar da regulamentação desta Lei, para se adaptarem às suas
exigências.

Art. 19- A Secretaria de Estado competente para a execução desta Lei poderá
delegar essa competência a autarquia a ela vinculada.

Art. 20- A regulamentação desta Lei pelo Poder Executivo será feita através de
decreto, no prazo de 60 (sessenta) dias, a contar de sua publicação, e
estabelecerá os procedimentos administrativos para aplicação de pena, assim
como normas complementares para interposição de recurso, seus efeitos e
prazos.

Art. 21- Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Art. 22- Revogam-se as disposições em contrário, especialmente a Lei nº


9.121, de 30 de dezembro de 1985.
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Dada no Palácio da Liberdade, em Belo Horizonte, aos 13 de dezembro de


1991.

HÉLIO GARCIA

Evandro de Pádua Abreu

Alysson Paulinelli

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Data da última atualização: 14/1/2009.