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Queda Livre: força gravítica e aceleração

gravítica

Relatório final de período orientado pelo Prof.


 Objetivo:

A realização da atividade “queda livre” tem como objetivo determinar a aceleração


média da queda de graves e a verificação da não dependência da massa dos
corpos. Pretende-se também distinguir os conceitos de força, velocidade e
aceleração. Em suma, ao realizar esta atividade no laboratório pretende-se
responder à questão: “Um grupo de amigos salta para uma piscina. Terão a mesma
aceleração no movimento de queda?”

 Introdução:

Desde a antiguidade que o homem tem curiosidade para explicar as leis da


natureza e desta vez o agradecimento vai para Galileu que por meio de
experiencias desconhecidas provou que corpos com diferentes massas caem com
a mesma aceleração. Ideia esta que anos anteriores foi contrariada por Aristóteles.
No entanto anos mais tarde Newton confirma esta ideia e por isso a queda dos
corpos não depende da massa mas sim da resistência do ar e da altitude do local
em relação ao nível do mar sendo por isso esta ideia agora aceite por todos.

A queda livre ou a queda livre de um grave são os termos utilizados para descrever
o movimento de um corpo, que parte do repouso, e está sujeito somente à força
gravítica terrestre, desprezando por isso a resistência do ar. Logo à sua aceleração
dá-se o nome de aceleração gravítica, representado pelo símbolo g. Podemos
concluir assim que a Terra está em queda livre à volta do sol pois apesar de
existirem muitas forças entre esta e outros corpos do sistema solar, a força que
esta exerce sobre o sol é muito superior permitindo-lhe o seu movimento de
translação (condições iniciais da formação do sistema solar há 4500 milhões de
anos). A Terra não cai para o Sol pelo facto de ter uma velocidade adequada que,
em combinação com a força gravítica, determina a sua órbita elíptica. Se
imaginarmos que a força gravitacional desaparece-se de repente a Terra sairia da
sua órbita bem como o sol, não existindo por isso forças gravíticas os astros
passavam a ter movimento retilínio uniforme. O mesmo não acontece com um
paraquedista pois este não está em queda livre enquanto o seu paráquedas estiver
aberto. O estudo da queda de um paraquedista é um exemplo de queda vertical em
que a resistência do ar não é desprezável e por tal razão estes tipos de movimento
nunca são movimentos uniformemente variados como nas quedas livres pois a
resistência de ar não é uma força constante, dependendo da velocidade e da área
exposta pelo corpo sendo a aceleração não constante.

Clarificando, se uma maça, redutível a uma partícula, caísse de uma árvore (sendo
por isso considerado queda livre) as forças que atuariam sobre ela seriam a
aceleração e a velocidade tal como demonstra a figura 1:

v
P g
Fig.1

Devido à segunda Lei de Newton, a aceleração tem o mesmo sentido e direção que
a resultante da forças, direção vertical e sentido de cima para baixo. A maçã na
queda apresenta um movimento retilínio uniformemente acelerado. O movimento é
retilínio pois a força resultante tem a mesma direçao da velocidade (que varia
apenas em módulo) e por isso a mesma da acelaração. Se compararmos o raio da
Terra com a altura de queda, a força gravítica é constante e por esse motivo a
aceleração também o é explicando por isso o facto de o movimento ser uniforme.
Este é também acelerado pois o sentido da força resultante, aceleração e
velocidade é o mesmo. Considerando por isso se duas maças com diferentes
massas caíssem da árvore a aceleração seria igual pois o valor de g não depende
da massa do objeto.
Para determinar experimentalmente, com uma célula fotoelétrica ligada a um
cronómetro digital, a velocidade de um corpo num dado instante na sua queda
deve-se calcular o quociente entre a espessura do corpo e o intervalo de tempo
que a espessura do corpo demora a passar sobre o feixe de luz da célula
fotoelétrica obtendo por isso um resultado para a velocidade média. (Esta
velocidade média aproxima-se tanto mais da velocidade num instante quanto
menor for o intervalo de tempo que o corpo demora a atravessar o feixe de luz)

Para determinar a aceleração de um corpo no seu movimento de queda, partindo


do conceito de aceleração média basta medir o tempo de passagem quando a
esfera atravessa as células 1 e 2 e o diâmetro da esfera. Pode calcular-se então
dividindo o seu diâmetro pelo tempo de passagem. Por isso para calcular a
aceleração deve-se dividir a variação de velocidade nos dois tempos de passagem
pelo intervalo de tempo que a esfera demorou a percorrer a distância entre as duas
células.

 Material utilizado:
 Suporte universal
 Duas células fotoelétrica
 Cronometro digital
 Duas esferas com diferentes massas
 Craveira

 Reagentes/produtos:

 Esquema/diagrama:

 Riscos/precauções/segurança:

Tal como em todas as atividades laboratoriais realizadas existem precauções que


devemos tomar neste caso devemos deixar cair as esferas (que está num local
superior à célula 1 de modo a poder ser considerada nula a velocidade com a
esfera passa nessa célula) sempre da mesma posição. Devemos também ter
cuidado ao colocarmos as células fotoeletricas certificando-nos que estão na
horizontal e quando a esfera passar acciona a contagem do tempo.

 Procedimento experimental:
1. Medir o diâmetro das duas esferas, esfera 1 e esfera 2, com uma
craveira tendo em conta a sua incerteza absoluta.
2. Ligar a célula 1 ao cronómetro selecionando o modo correto (A ou B)
e de seguida deixar cair a esfera 1 (que está num local superior à
célula 1) e registar o tempo de passagem pela célula 1. Repetir este
processo 4 vezes.
3. Ligar a célula 2 ao cronómetro selecionando o modo correto (A ou B)
e de seguida deixar cair a esfera 1 (que está num local superior à
célula 1) e registar o tempo de passagem pela célula 2. Repetir este
processo 4 vezes.
4. Ligar as duas células ao cronómetro selecionando o modo correto (A
ou B) e deixar cair a esfera 1 (que está num local superior à célula 1)
e registar o tempo entre as duas células. Repetir este processo 4
vezes.
5. Repetir os procedimentos anteriores para a esfera 2.
6. Fazer a média para os tempos de passagem da célula 1 e 2 e os
tempos entre as células 1 e 2 para ambas as esferas
7. Calcular a velocidade de passagem pela célula 1 e 2 para ambas as
esferas
8. Calcular a aceleração para ambas as esferas .

 Observações experimentais:

Instrumentos de Alcance Incerteza absoluta de leitura


medida
Balança 9,999 g 0,001g
Digitímetro 99,999 ms 0,001 ms
Craveira 12 cm 0,05 mm

Esfera 1 Esfera 2
d = (2,145 x 10-2 ± 0,05) mm d = (2,250 x10-2 ± 0,05) mm
m = (5,190 ± 0,001) g m = (5,168 ± 0,001) g
𝞓t1 / ms 𝞓t1 / ms 𝞓tcélulas / ms 𝞓t1 / ms 𝞓t2 / ms 𝞓tcélulas / ms
22,266 22,266 477,830 22,266 5,208 477,830
21,497 21,497 428,820 21,497 5,010 428,820
22,916 22,916 426,050 22,916 4,862 426,050
21,841 21,841 405,550 21,841 5,162 405,550
 Cálculos e resultados:

Esfera 1
d = (2,145 x 10-2 ± 0,05) mm
m = (5,190 ± 0,001) g
𝞓t1 / ms 𝞓t1 / ms 𝞓t2 / ms 𝞓t2 / ms 𝞓tcélulas / ms 𝞓tcéulas / ms

22,266 5,208 477,830


21,497 22,130 5,010 5,060 428,820 420,140
22,916 4,862 426,050
21,841 5,162 405,550

𝒅𝟏 𝟐, 𝟏𝟒𝟓 × 𝟏𝟎−𝟐
𝒗𝟏 = <=> 𝒗𝟏 = <=> 𝒗𝟏 = 𝟎, 𝟗𝟔𝟗 𝒎/𝒔
∆𝒕 𝟐𝟐, 𝟏𝟑𝟎 × 𝟏𝟎−𝟑

𝟐, 𝟏𝟒𝟓 × 𝟏𝟎−𝟐
𝒗𝟐 = <=> 𝒗𝟐 = 𝟒, 𝟐𝟑𝟗 𝒎/𝒔
𝟓, 𝟎𝟔𝟓 × 𝟏𝟎−𝟑

𝒗𝟐 − 𝒗𝟏 𝟒, 𝟐𝟑𝟗 − 𝟎, 𝟗𝟔𝟗
𝒂𝟏 = <=> 𝒂𝟏 = <=> 𝒂𝟏 = 𝟕, 𝟕𝟖𝟑 𝒎/𝒔𝟐
∆𝒕𝒄𝒆𝒍𝒖𝒍𝒂𝒔 𝟒𝟐𝟎, 𝟏𝟒𝟎 × 𝟏𝟎−𝟑

Esfera 2
d = (2,250 x10-2 ± 0,05) mm
m = (5,168 ± 0,001) g
𝞓t1 / ms 𝞓t1 / ms 𝞓t2 / ms 𝞓t2 / ms 𝞓tcélulas / ms 𝞓tcéulas / ms

22,963 5,074 434,880


24,485 24,571 5,066 5,026 433,530 437,030
24,508 5,055 442,680
24,719 4,915 457,660

𝒅𝟏 𝟐, 𝟐𝟓𝟎 × 𝟏𝟎−𝟐
𝒗𝟏 = <=> 𝒗𝟏 = <=> 𝒗𝟏 = 𝟎, 𝟗𝟏𝟔 𝒎/𝒔
∆𝒕 𝟐𝟒, 𝟓𝟕𝟏 × 𝟏𝟎−𝟑

𝟐, 𝟐𝟓𝟎 × 𝟏𝟎−𝟐
𝒗𝟐 = <=> 𝒗𝟐 = 𝟒, 𝟒𝟕𝟕 𝒎/𝒔
𝟓, 𝟎𝟐𝟔 × 𝟏𝟎−𝟑

𝒗𝟐−𝒗𝟏 𝟒,𝟒𝟕𝟕−𝟎,𝟗𝟏𝟔
𝒂𝟏 = ∆𝒕𝒄𝒆𝒍𝒖𝒍𝒂𝒔 <=> 𝒂𝟏 = 𝟒𝟑𝟕,𝟎𝟑𝟎×𝟏𝟎−𝟑 <=> 𝒂𝟏 = 𝟖, 𝟏𝟒𝟖 m/s2

Cálculo do valor mais provável da aceleração da gravidade:

𝒂𝟏 + 𝒂𝟐 𝟕, 𝟕𝟖𝟑 + 𝟖, 𝟏𝟒𝟖
𝒈= <=> 𝒈 = <=> 𝒈 = 𝟕, 𝟗𝟔𝟔 𝒎/𝒔𝟐
𝟐 𝟐
Calculo do erro relativo percentual

|𝑉𝑣−𝑉𝑒𝑥𝑝| |9,8−7,966|
∈p= × 100 = × 100 = 18,7%
𝑉𝑣 9,8

 Conclusões e discussões:

Neste trabalho, concluímos que o valor da aceleração da gravidade é


independente da massa do corpo em queda livre e para lugares próximos da
superfície da Terra (onde a resistência do ar é desprezada).

Os resultados obtidos experimentalmente para o valor de g não são exactos


visto não ser possível desprezar a resistência do ar aliado facto da medição da
altura não ser muito precisa.

De acordo com os resultados obtidos pudemos concluir que o tempo mais


provável da passagem pela célula 2 da esfera 1 é 5,060 ms com velocidade
nessa posição de 4,239 m/s e para a esfera 2 5,026 ms e 4,477 m/s,
respetivamente. O tempo de queda mais provável entre as duas células para a
esfera 1 é 420,140 ms e para a esfera 2 é 437,030 ms e têm aceleração 7,783
m/s2 e 8,148 m/s2, respetivamente.

Nesta atividade as medidas diretas foram obtidas com a craveira aquando da


medida do diâmetro da esfera e com o cronómetro digital aquando do tempo de
passagem das duas esferas por cada uma das células e a distância entre as
duas. As medidas indiretas são a velocidade e a aceleração.
Obtiveram-se valores da aceleração na ordem dos 7,966 m/s2 que são valores um
pouco díspares do valor tomado como referência. O facto do valor não se
apresentar igual ao valor padrão tem a ver com o cometer de erros sistemáticos
que afetaram a exatidão, tendo assim desvios na ordem dos 18,7% como por
exemplo o facto de ao deixar cair uma das esferas, que está num local superior à
célula 1, a velocidade não ser nula podendo também haver erros aquando da
colocação da esfera sempre da mesma posição. Outro erro que pode estar
associado é o objeto em queda não ter interrompido o feixe de luz pela sua
dimensão máxima. A utilização de um tubo verticalmente alinhado com a célula
fotoelétrica poderá contribuir para minimizar este problema. O próprio cronómetro
digital tem erros associados tal como qualquer instrumento de medida. Assim como
todas as outras medições diretas referidas anteriormente podem ser afetadas com
erros de leitura por parte do leitor. Apesar de o próprio valor de referência ser um
valor aproximado penso que uma forma de melhorar a precisão dos resultados era
aumentar o número de ensaios feitos. Concluo portanto que o valor mais exato foi o
|9,8−7,783|
da esfera 2 pois o erro percentual da esfera 1 é de ∈p== × 100 = 20,6%
9,8
|9,8−8,148|
enquanto o da esfera 2 foi ∈p== × 100 = 16,9%, tendo menor erro
9,8

percentual. Os valores obtidos para as duas esferas são similares uns do outro
apesar de serem muito inferiores ao tabelado devido certamente a erros
experimentais.

Para terminar pretendo concluir demonstrando que a aceleração não depende da


massa quando um corpo está em queda livre e sujeito apenas à açao da força
gravítica exercida pela Terra:

𝑀𝑡𝑒𝑟𝑟𝑎×𝑚
Fg= G 𝑟2

𝑀𝑡𝑒𝑟𝑟𝑎
Como Fg=Fr então, a=G e por isso a aceleração da gravidade não depende
𝑟2

da massa do corpo em queda.

Apesar de não fazer parte dos objetivos do trabalho acho importante referir que se
aumentássemos a distância em que a esfera estava da célula 1 esta demoraria
mais tempo e como a aceleração é constante implicaria uma maior velocidade o
mesmo não aconteceria se aumentássemos a distancia entre as duas células pois
a aceleração não depende disso nem do diâmetro das esferas.

Em suma e respondendo à questão inicial “Um grupo de amigos salta para uma
piscina. Terão a mesma aceleração no movimento de queda?” respondemos agora
que de acordo com os dados obtidos em que duas esferas com massas diferentes
têm acelerações idênticas sendo que as diferenças evidenciadas foram erros e
incertezas nas medidas efetuadas, esta não depende da massa e por isso os
amigos ao saltarem para a piscina teriam a mesma aceleração independentemente
do seu peso atingindo por isso a piscina em simultaneo.
 Referências bibliográficas:

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 Apêndice:

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