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--------- A viagem do Bush A vinda do Bush não tem nada a ver com o Brasil,

muito menos com o etanol.


Os Estados Unidos não querem estreitar os laços comerciais com o Brasil.
Tentaram a ALCA, mas nós recusamos.
O Brasil representa um acréscimo de somente 4% de potencial de venda para uma
empresa americana. O mercado americano teria representado um acréscimo de 2000%
para uma empresa brasileira. Quem tinha maior interesse na ALCA, as empresas
brasileiras ou as americanas?
Como não temos administradores no governo para fazerem estas contas, quem se
opôs à ALCA fomos nós.
Bush vem ao Brasil para avisar dos perigos do Hugo Chávez. Vai lembrar que
enquanto Chávez minava a ALCA, fechava acordos para vender 80% de sua produção
de petróleo para os Estados Unidos.
O inimigo atual do Chávez não é os Estados Unidos, é o Brasil. Chávez quer unir
a América Latina, para somente depois atacar os Estados Unidos.
E, para unir a América Latina, ele está mostrando as injustiças e o imperialismo
estatal brasileiro. Já convenceu Evo Morales a romper com a Petrobrás. Sua
próxima cartada é fazer o Paraguai romper com a Eletrobrás. Lentamente, ele vai
encarecendo a matriz energética brasileira e enfraquece a economia brasileira.
Chávez irá lentamente isolar o Brasil da América Latina. Nós brasileiros, nunca
nos identificamos com nossos vizinhos espanhóis, portanto a análise de Chávez é
perfeita e fácil de realizar.
Poderá Lula conter o objetivo de Chávez? Chávez é inteligente, é um militar
disciplinado, tem poder absoluto sobre a Venezuela e se manterá no poder até
2020. Lula é inteligente, não é muito disciplinado, não comanda sequer seu
partido e só tem mais três anos e nove meses de mandato.
Fernando Henrique Cardoso desorganizou nosso exército, e a sociedade brasileira
é hoje contra militares que precisariam agora nos defender. O Brasil ficará
isolado da América Latina e do Mundo ao mesmo tempo.
Enquanto Lula gastou quatro anos querendo ser o líder do Terceiro Mundo, Chávez
vai se consolidar como o LÍDER inconteste da América Latina.
Como sabemos, brasileiro nunca deu bola para a América Latina. Nosso povo e
nossos empresários querem aprender inglês, e não espanhol. Nossos governantes e
intelectuais querem aprender francês e tupi-guarani.
Bush vem dizer a Lula e aos brasileiros que Chávez é um problema brasileiro. A
tática brasileira de ameaçar apoiar a União Soviética para conseguir vantagens
não funciona mais. O mundo não é mais bipolar, o mundo é um salve-se quem puder.
E neste cenário, o petróleo da Venezuela é mais importante do que a soja
brasileira.
Bush não vai comprar etanol brasileiro para substituir o petróleo venezuelano.
Ele continuará a comprar petróleo da Venezuela fortalecendo a economia
venezuelana. Bush vem comprar matérias-primas do Brasil, como faz a China, e não
produtos industrializados. Para entender nosso futuro é necessário observar o
mapa mundo abaixo.
É diferente de todos os que vocês conhecem, porque coloca a China no centro, e
não Greenwich, Inglaterra. Com a China se tornando o país que mais cresce do
mundo, ela será o centro das atenções, e países como Japão, Índia, Coréia,
Singapura e Austrália estão estrategicamente posicionados para serem
fornecedores deste crescimento. A pouca distância está a Europa, Oriente Médio e
pasmem - Seattle, Oregon.
Distante, bem distante, encontra-se a América Latina. O Brasil fica pior ainda
por causa da Cordilheira dos Andes. Nossos navios precisam passar pelo Canal do
Panamá, costeando a Venezuela, esperando na fila duas semanas. Nossos
intelectuais, nossos comentaristas e jornalistas sempre foram contra a ampliação
do Canal do Panamá, lembram-se?
O Brasil passa a ficar no fim do mundo cercado por países antagônicos como
Argentina, Paraguai, Bolívia, Venezuela e Equador. Por que Chávez comprou nove
submarinos por 3 bilhões de dólares? Para afundar navios de quem? Petroleiros
americanos buscando petróleo? Algo para se meditar. Os franceses, que sempre
estimularam o isolamento da América Latina, não estarão nem aí para nos
proteger.
Os amigos da Sorbonne dos nossos militares e políticos do PSDB, como Fernando
Henrique Cardoso, estão interessados na União - na União Européia. O mundo já
riscou o Brasil do mapa há muito tempo, pela nossa incompetência administrativa.
Não inventamos nenhum produto, não temos nenhuma patente útil, não temos nenhuma
empresa multinacional de que eles dependam, não temos matérias-primas que irão
se esgotar.
Nossos economistas nunca se preocuparam com isto, foram sempre antibusiness,
anti-administradores, anti-negócios em geral. Seremos uma Nova Zelândia do
turismo radical, do turismo barato e ocasional. Ninguém no Brasil pensa em
investir na Nova Zelândia e no novo mapa-múndi.
Ninguém pensará em investir no Brasil, pós Chávez. Nossos intelectuais já haviam
nos isolado do mundo moderno, do neomarxismo, neoliberalismo,
neoconservadorismo, de tudo que era novo e moderno. "Vocês estão absolutamente
sozinhos", dirá Bush aos seus interlocutores. "Eu quis ter o prazer de dizer
isto a vocês, pessoalmente. Depois de recusar uma aliança com os Estados Unidos
que poderia ter criado um bloco econômico poderoso, depois de dar ouvido aos
franceses que queriam nos dividir para nos enfraquecer, e conseguiram, vocês
brasileiros estão sem aliados." "Os franceses os convenceram que nós, dos
Estados Unidos, éramos os inimigos, e nenhum de vocês percebeu que tínhamos os
mesmos imigrantes europeus, os mesmos negros africanos, o mesmo pavor da tirania
européia, o mesmo clima, os mesmos ideais, e que nunca guerreamos em 500 anos de
história.
Enquanto que os franceses, alemães e ingleses, arquiinimigos, se uniam em torno
da União Européia." "Vocês se deixaram enganar pela política diplomática e
maquiavélica francesa, que enviaram professores para a USP e adidos militares
para a ADESG para enganá-los e empobrecê-los." "Quero ter o prazer de dizer as
últimas palavras de um governo americano que se encheu com o antiamericanismo
constante de seus estudantes, jornalistas e elite intelectual." "Goodbye".
Stephen Kanitz