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UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO JANEIRO

Departamento de Engenharia Sanitária e do Meio Ambiente - UERJ


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Disciplina: ÁGUAS E ÁGUAS RESIDUÁRIAS I
Professor: Gandhi Giordano
Matéria: Produto de Solubilidade

Índice
1.1 – Introdução
1.2 – Produto de Solubilidade
1.3 – Fatores que Afetam a Solubilidade
1.4 – Precipitação e Separação do Íons
1.5 – Exercícios
1.6 – Bibliografia

1.1 – I n t ro d u ç ã o

Vimos, nas outras apostilas, muitos equilíbrios que foram


homogêneos, ou seja, todas as espécies químicas presentes no
equilíbrio apresentavam apenas uma fase ( aspecto ). Iremos, agora,
estudar equilíbrios químicos que são heterogêneos, ou seja, as espécies
químicas no equilíbrios apresentam fases diferentes.

Estes equilíbrios estão muito presentes no cotidiano. A formação de


cáries deve-se a dissolução do esmalte do dente em soluções ácidas. As
pedras nos rins são precipitações de determinados sais. As estalactites
e estalagmites dentro das grutas são formados pela preci pitação de
CaCO3 da água do subsol o.

Na engenharia sanitária, estes equilíbrios estão presentes em m uitos


processos de tratamento de efluentes. Muitas vezes torna-se preciso
retirar os metais pesados da água. A precipitação de al gumas
substâncias como, o hidróxido de alumínio, arrasta as impurezas para o
fundo do tanque. Com isso, é de grande utilização nas estações de
tratamento de efluentes.

Veremos que a dureza da água pode ser influenciada através de


outras substâncias, caso sejam adicionadas na água.

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1 . 2 – P ro d u to d e S o l u b i l id a d e

Os equilíbrios químicos heterogêneos, aos quais nos referimos acima,


são compostos por sólidos pouco solúveis em água. Os íons que são
liberados pela dissociação do sal são rapidamente cristalizados. Com
isso, ocorre o equilíbrio entre o sólido que está muito pouco dissolvido e
os íons hidratados em solução.

Então, o equilíbrio é dado entre o soluto sólido iônico e seus íons em


uma solução aquosa saturada.

Tomaremos o exemplo do equilíbrio heterogêneo do sulfato de bário,


BaSO4, para calcular a constante desses equilíbrios que é chamada de
constante de solubilidade, ou então, produto de solubilidade.

Como o produto de solubilidade nos fornece o produto das


concentrações molares do íons do composto que estão dissolvidos na
solução, podemos concluir que quanto maior for o Kps, maior será a
quantidade de íons hidratados. Com isso, maior será a solubilidade do
composto. E quanto menor o Kps, menor será a solubilidade do
composto. É possível concluir que o Kps nos dá uma noção da
solubilidade do composto. Quanto maior o produto de solubilidade do
composto, mais solúvel ele será.

O Kps é o produto das concentrações molares do íons envolvidos na


solução saturada, cada um elevado à potência de seu coeficiente na
equação de equilíbrio.

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Um conceito que aparece muito nesses equilíbrios heterogêneos é a
solubilidade. A solubilidade é a quantidade de substância que se
dissolve para formar uma solução saturada. Ela é geralmente expressa
em g/L.
A solubilidade molar é a quantidade de matéria, mol, da substância
que se dissolve formando um litro de solução saturada de soluto. É
expressa em mol/L.

A solubilidade molar pode nos fornecer a concentração molar dos


íons presentes na solução saturada, e desse modo, podemos calcular o
Kps. É possível fazer o processo inverso também.

1 . 3 – F a t o r e s q u e Af e t a m a S o l u b il i d a d e

Existem três f atores que afetam a solubilidade dos com postos


iônicos. Estes são: Presença de íons comuns, o pH da solução e a
presença de agentes complexantes.

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Tom emos o exemplo do equilíbrio heterogêneo do fluoreto de cálcio,
CaF2 para explicar como a presença de íons comuns na solução afetam
a solubilidade das substâncias.

Caso haja um soluto que forneça qualquer um dos íons Ca+2 ou F-,
teremos um acréscimo na quantidade de um desses íons. Com isso, o
equilíbrio reagirá de modo a consumir este acréscimo com a finalidade
de minimizar o efeito da adição de algum íon. Desse modo, haverá mais
formação de CaF2, ou seja, o equilíbrio se deslocará para a esquerda,
diminuindo assim a presença dos íons na solução saturada. Assim, o
sólido torna-se menos solúvel.

Então, quando temos um soluto que forneça mais quantidade de


algum dos íons que está em equilíbrio, o composto iônico sólido se
tornará menos solúvel.

Veja na tabela abaixo como a solubilidade do CaF2 diminui à medida


que é adicionado NaF à solução.

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Com o equilíbrio de CaF2, podemos ver que se há dureza na água, a
concentração do íon fluoreto torna-se muito bai xa.

As águas do esgoto apresentam em média uma concentração de


4mg/L de fósforo no fosfato que apresenta em média 12,26mg/L. A
dureza do cálcio apresenta-se em média 20mg/L. Caso a água tenha
m uita dureza, muitos íons Ca+2, o fosf ato, que serve de nutrientes para
os microorganismos que fazem processos biológicos, é reduzido por
causa do equilíbrio dos íons de cálcio, fosfato e o sulfalto de cálcio.

Agora veremos como o pH afeta a solubilidade de compostos iônicos


sólidos.

A solubilidade dos compostos que possuem ânions básicos é afetada


pel o pH. Quando uma solução torna-se mais ácida, a concentração
molar de H+ no meio aumenta. Com isso, haverá a reação do ânion
básico com os íons H+. Desse modo, a quantidade de íons no equilíbrio
diminui. O equilíbrio reage formando mais íons que foram consumidos
com a finalidade de minimizar o efeito da redução do íon, fazendo com
que o equilíbrio seja deslocado para a direita, ou seja, haja mais
quantidade de íons no equilíbrio.

Então, os sólidos que possuem ânions básicos tornam -se mai s


solúveis quando o pH diminui, ou seja, o meio fica mais ácido.

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Quanto mais básico for o ânion, maior a solubilidade do composto
será afetada pelo pH. Outros ânions básicos que são CO3-2, PO4-3,CN-
ou S-2.

O último fator que influencia a solubilidade dos compostos iônicos


sólidos é a presença de agentes complexantes na solução.

Os íons metálicos possuem uma propriedade que é a habilidade deles


em agir como ácidos de Lewis, ou receptores de elétrons, mediante
moléculas de água, que agem como bases de Lewis, ou doares de
elétrons.

Os íons metálicos, especialmente íons de metais de transição podem


agi r como ácido de Lewis, mediante a outras bases de Lewis.

À medida que os íons metálicos reagem com as bases de Lewis, o


equilíbrio vai sendo deslocado para produzir mais íons que foram
consumidos. Com isso, há mais quantidade de íons na solução, e o
composto iônico sólido vai se dissolvendo, tornando-se mais solúvel.

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Para que ocorra a reação entre as bases de Lewis de os íons
metálicos, é preciso que as bases de Lewis tenham mais afinidade com
os íons metálicos do que com a água.

A espécie química form ada entre a reação do íon metálico com a base
de Lewis é chamada de íon complexo. A constante de equilíbrio para
este tipo de reação é chamada de constante de formação, Kf.

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1.4 – Precipitação e Separação dos Íons

É importante saber que o equilíbrio pode ser atingido começando com


as substâncias de qualquer lado da reação. O equilíbrio de BaSO4(s),
Ba+2(aq) e SO4-2(aq) pode ser atingido com BaSO4 sólido.Também pode
ser atingido começando com soluções que contenham os íons Ba+2(aq) e
SO4-2(aq), como por exemplo: BaCl2 e Na2SO4. Desse modo, o BaSO4
precipitará caso o produto das concentrações molares dos íons,
Q=[ Ba+2][ SO4-2], for maior que o Kps.

As relações que existem entre o produto das concentrações molares


dos íons na solução, Q, e o Kps são:

Caso Q > Kps, ocorrerá a precipitação até que Q= Kps


Caso Q = Kps, existirá o equilíbrio ( solução saturada )
Caso Q < Kps, o sólido será dissolvido até que Q= Kps.

A precipitação seletiva é o processo para separar íons em uma


solução aquosa. Este processo consiste na adição de um reagente que
formará um composto que precipitará. Exemplo: Em uma solução que
contenha os íons Ag+ e Cu+2 é adicionado HCl. Um dos compostos que
se form ará, AgCl, precipitará porque o Kps do AgCl=1,8x10-10. Enquanto
o Cu+2 permanece dissolvido em solução porque o CuCl2 é solúvel.

O íon sulfeto é muito usado para precipitar, porque as solubilidades


dos sais de sulfetos são muito baixas. KpsCuS=6x10-37. KpsZnS=2x10-25.

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Os hidróxidos pouco solúveis na água são facilmente preci pitados
com a alcalinização da solução, porque, a concentração molar dos íons
hidroxilas aumentará fazendo com que o equilíbrio se desloque de modo
a consumir as hidroxilas. Desse modo, formará mais quantidade do
sólido que se tornará menos solúvel.

1.5 – Exercícios

1 – Dado a solubilidade do íon prata, Ag+, que é 1,3x10-4mol/L no


equilíbrio com o íon CrO4-2 e o sólido Ag2CrO4. Calcule o Kps desse
composto,

Resp: Temos que escrever a expressão da constante de solubilidade


para o composto e depois aplicar os valores das concentrações molares
no equilíbrio fornecidos pela solubilidade do íon prata.

Pela fórmula de dissociação do sal, temos que o sal formará 2 íons


Ag+ para cada íon CrO4-2 form ado. Isto nos f ornece que a concentração
m olar dos íons CrO4-2 será a metade da concentração m olar do íon Ag+.
[CrO4-2]=6,5x10-5mol/L.

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2 – O fluoreto de cálcio, CaF2, tem o Kps=3,9x10-11. Determine as
concentrações molares dos íons Ca+2 e F- em equilíbrio.

Resp: [Ca+2]=1,98x10-4mol/L [F-]=3,96x10-4mol/L

3 – Uma solução saturada de Mg(OH)2 em contato com o sólido não


dissolvido é preparado a 25oC. Encontra-se que o pH da solução é
10,17. Calcule o Kps para esse composto.

Resp: Kps=1,6x10-12.

4 – Calcule a solubilidade de CaF2 em uma solução que é 0,010mol/L


em Ca(NO3)2.

Resposta: Na presença de Ca(NO3)2, a solução terá mais quantidade


de íons Ca+2. Com isso, o equilíbrio deslocará para consumir esse
excesso. Tornando o sólido menos solúvel.

CaF2 Ca+2 2F-


INÍCIO 0,010 0
REAGIU +x +2x
EQUILÍBRIO 0,010 + x 2x

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Encontraremos um valor de x=3,1x10-5mol/L.

Logo, 3,1x10-5mol/L de CaF2 dissolvem-se em cada litro de solução


0,010mol/L de Ca(NO3)2.

5 – Calcule a solubilidade de CaF2 a 25oC em uma solução de


0,010mol/L de NaF. KpsCaF2=3,9x10-11.

Resp: Sol ubilidade de CaF2 = 3,9x10-7mol/L

6 – O valor do Kps para o Mn(OH)2 é 1,6x10-13. Calcule a solubilidade


molar do Mn(OH)2 em uma solução que contenha 0,020mol/L de NaOH.

Resp: Sol ubilidade do Mn(OH)2 = 4x10-10mol/L

7 – Sabendo que a dureza, em média, da água dos esgotos é de


20mg/L=0,5mmol/L. Calcule a quantidade de fosfato disponível para os
microorganismos. Dado Kps Ca3(PO4)2 = 1,0x10-27

Resp: Sabemos que [Ca+2]=5x10-4mol/L nas águas do esgoto. Temos


os equilíbrio entre os íons Ca+2, PO4-3 e o sóli do iônico pouco solúvel
Ca3(PO4)2

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Encontraremos que [PO4-3]=2,9x10-9mol/L. Então a dureza da água
faz com que haja menos fosfato na água, que serve de nutrientes para
os microorganismos que fazem processo biológico.

8 – Uma solução contém 1,0x10- 2mol/L de Ag+ e 2,0x10-2mol/L de


Pb+2. Quando Cl- é adici onado à solução, tanto AgCl (Kps=1,8x10-10),
quanto PbCl2 (Kps=1,7x10-5) precipitam da solução. Quando a
concentração necessária de Cl- para iniciar a precipitação de cada sal?
Qual sal precipita prim eiro?

Resp: [Cl-]=1,8x10-8mol/L para precipitar AgCl


[Cl-]=2,9x10-2mol/L para precipitar PbCl2.
O sal que precipitará prim eiro é o AgCl porque necessita de uma
concentração muito menor de Cl-.

9 – Uma solução consiste em 0,050mol/L de Mg+2 e de 0,020mol/L de


Cu+2. Qual íon precipitará primeiro à medida que OH- for adici onado à
solução? Qual a concentração necessária para começar a precipitação
de cada cátion? KpsMg(OH)2=1,8x10-11. KpsCu(OH)2=2,2x10-20.

Resp: [OH-]=1,0x10-9mol/L para precipitar Cu(OH)2


[OH-]=1,9x10-5mol/L para precipitar Mg(OH)2
O Cu(OH)2 precipita primeiro porque necessitará de uma
concentração muito menor de OH- para precipitar.

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1.6 – B i b l i o g ra f ia

SAW YER C.N., McCarty P.L, PARKIN, G.F. “Chemistry f or


Environmental
Engineering and Science” – 5a edition - International Editions;
Mc Graw - Hill
Higher Education, Boston (USA) 2004.

B R OW N , L E M A Y , B U R S T E N – Q U Í M I C A A C I Ê N C I A C E N T R A L – 9 a
edição – PEARSON Prentice Hall, São Paulo.

JEROME L. ROSENBERG, LAW RENCE M.EPSTEIN – QUÍMICA


GERAL – 8a edição – Bookman, Coleção SCHAUM, 2003.

ATKINS, PETER – PRINCÍPIOS DA QUÍMICA: QUESTIONANDO A


VIDA MODERNA E O MEIO AMBIENTE/ PETER ATKINS E LORETTA
JONES; TRAD. IGNEZ CARACELLI – PORTO ALEGRE: BOOKMAN, 2001.

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