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EDUCAÇÃO POR PRINCÍPIOS - UMA

METODOLOGIA DE APRENDIZADO CRISTÃO


Jonas Luiz de Souza
Prof. Cristiano Vianna
Centro Universitário Leonardo da Vinci - UNIASSELVI
Curso (HID20) – Prática do Módulo IV
23/11/2018

RESUMO

Neste trabalho apresento a abordagem Educacional por Princípios ou Metodologia de Educação


por Princípios, a qual tomei conhecimento a partir da realização do Estágio Curricular
Obrigatório I. A Educação por Princípios é uma alternativa confessional para a educação, sem
perder de vista a preocupação com a proposta curricular estabelecida pelas Diretrizes
Curriculares Nacionais. O trabalho é resultado de uma pesquisa qualitativa realizada mediante a
prática de observação referente ao Estágio I, em uma escola confessional cristã, privada,
localizada no município de Novo Hamburgo. Em linhas gerais apresento o funcionamento e a
metodologia da escola, bem como um rápido histórico desta modalidade de instituição de ensino e
quais os princípios que a norteiam.
Palavras-chave: Educação. Princípios. Ensino. Metodologia.

1. INTRODUÇÃO

O presente trabalho origina-se da oportunidade surgida através da realização do Estágio


Curricular Obrigatório I, requisito do quarto semestre, 2018-2, da UNIASSELVI, onde fui
apresentado a uma modalidade de instituição educacional denominada Educação por Princípios. A
partir deste primeiro contato, busquei pesquisar e aprofundar um pouco mais sobre o tema e
apresentar uma ideia geral sobre esta modalidade metodológica de ensino, a Educação por
Princípios.
De um modo geral, vou abordar o currículo de uma escola de caráter confessional,
partindo de um entendimento que a Educação por Princípios não é ainda muito conhecida no âmbito
educacional, fora das escolas confessionais. Então a proposta deste trabalho objetiva ampliar a
compreensão da Educação Cristã por Princípios, sua história, sua filosofia, seus métodos de ensino
e a aplicabilidade dos princípios no currículo escolar, contribuindo assim na compreensão desta
vertente educacional, destacando seus principais objetivos e seus diferenciais em relação ao ensino
tradicional.
A problematização que surge a partir deste trabalho, pode ser identificada na pergunta:
A Educação por Princípios pode funcionar em uma escola não confessional?
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2. ENSINO CONFESSIONAL

Primeiramente, vou definir o que é uma Escola Confessional, a partir do editorial da


página web Educa Brasil. De acordo com o Dicionário Interativo da Educação Brasileira, publicado
no site Educa Brasil, a Escola Confessional,
“Refere-se à escola vinculada ou pertencente a igrejas ou confissões religiosas. A escola
confessional baseia os seus princípios, objetivos e forma de atuação numa religião,
diferenciando-se, portanto, das escolas laicas. Para esse tipo de escola o desenvolvimento
dos sentimentos religioso e moral nos alunos é o objetivo primeiro do trabalho educacional.
Dessa forma, se a escola leiga constrói sua proposta baseada apenas em correntes
pedagógicas, a confessional procura ter um embasamento filosófico-teológico.

Deste modo as escolas confessionais, via de regra, professam uma doutrina ou princípio
filosófico a ser seguido e tem como prática pedagógica o desenvolvimento de uma opção religiosa.
As escolas confessionais de cunho evangélico-protestante, normalmente tem a instituição de ensino,
vinculada diretamente à corrente denominacional ou igreja de confissão, seja ela Batista,
Presbiteriana, Adventista, Quadrangular, etc. As Igrejas Luteranas e Católicas, mantém a mesma
tradição de escolas confessionais, mas, por serem mais antigas, já desvincularam as escolas dos
prédios ou áreas da igreja.
Deste modo, segundo Mariluce Bittar (2003), já podemos estabelecer uma diferença
entre escolas confessionais e escolas laicas, onde esta última norteia seu currículo pedagógico nos
métodos teórico-histórico-pedagógico, legitimado exclusivamente pelo conhecimento científico,
sem nenhum vínculo com qualquer confissão religiosa. Vejamos como a forma e a adaptação da
organização curricular fortalece a Educação por Princípios.

3. ORGANIZAÇÃO CURRICULAR

O currículo representa a proposta de ensino da organização, a fragmentação dos


conteúdos e a ordem de aplicação dos mesmos. Ao definir o currículo, a organização está definindo
a maneira como a práxis será implementada, ou seja, é uma seleção prévia, sistematizada dos
conteúdos a aprender, tais conteúdos regularão a didática de ensino durante o processo de
escolarização, (SACRISTÁN, 2013, p. 18). Resume ainda Sacristán (2006), que ao definir o
currículo descrevemos a concretização das funções da própria escola e a forma de enfocá-las num
momento histórico e social.
Por isto é importante compreendermos o papel do currículo como sendo a expressão do
projeto cultural e educacional da instituição, onde a mesma explicita a forma em que vai
desenvolver nos sujeitos elencados, sejam alunos ou professores, as relações de poder, ideologias,
identidades e a transmissão do saber. Para Sacristán, o currículo vai além das questões conceituais e
ideológicas, destacando suas palavras, podemos sintetizar que
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[...] o estudo do currículo deve servir para oferecer uma visão da cultura que se dá nas
escolas, em sua dimensão oculta e manifesta, levando em conta as condições em que se
desenvolve. [...] trata-se de um projeto que só pode ser entendido como um processo
historicamente condicionado, pertencente a uma sociedade, selecionado de acordo com as
forças dominantes nela, mas não apenas com capacidade de reproduzir, mas também de
incidir nessa mesma sociedade. [...]. O currículo é um campo no qual interagem ideias e
práticas reciprocamente. [...]. Como projeto cultural elaborado, condiciona a
profissionalização do docente e é preciso vê-lo como uma pauta com diferente grau de
flexibilidade para que os professores intervenham nele (SACRISTÁN, 1998, p. 105).

Para Borges (2002) a Educação por Princípios precisa estar completamente integrada ao
currículo escolar exigido por lei, para que a Educação por Princípios, cumprindo a exigência do
currículo, possa trazer uma educação diferenciada de fato, sem com isto burlar ou passar por cima
da legislação.

4. ESCOLA CONFESSIONAL E EDUCAÇÃO POR PRINCÍPIOS

Como citado anteriormente, neste trabalho me propus a analisar a proposta da Educação


Por Princípios e sua configuração no currículo em uma escola confessional da cidade de Novo
Hamburgo, denominada Escola Batista Cristo é a Vida (EBCV). Segundo Eugênio e Silva (2015), a
proposta da Educação Por Princípios Bíblicos apresenta-se como uma metodologia que propõe a
preocupação com a formação do sujeito como ser integral e reflexivo dentro do espaço escolar,
trabalhando, além da dimensão intelectual, física e social dos seus educandos, o desenvolvimento
dos aspectos morais e espirituais como parte integrante do processo educacional.
O ensino confessional vem acontecendo desde os primórdios da história do Brasil,
começando em 1549, com a iniciativa dos jesuítas, principais missionários e educadores do Brasil
Colonial. Segundo afirma Matos (2008), com o passar do tempo, criam-se várias escolas
Confessionais Católicas, Evangélicas, entre outras denominações. Aonde iam se estabelecendo
Igrejas Evangélicas, as mesmas adotavam escolas de ensino dominical. Os Presbiterianos foram os
precursores em criar uma escola dominical, fundada por Robert e Sarah Kalley em Petrópolis no dia
19 de agosto de 1868. “A educação com bases cristãs era oferecida também nos grandes colégios
que começaram a surgir em diversos pontos do país: Escola América Mackenzie College (São
Paulo), Colégio Internacional (Campinas), Colégio Grambery e muitos outros” (ALVES, 2012).
Mesmo já existindo diversas escolas confessionais, sendo o ensino destas direcionado
segundo a ideologia das igrejas e denominações várias, surge como Método Padronizado de Ensino
a proposta de uma Educação Baseada em Princípios Bíblicos, ou, como é conhecida, Educação por
Princípios. Segundo Eugênio e Silva (2015),
A Metodologia de Educação por Princípios Bíblicos (Evangélica) teve início nos
EUA, em meados de 1930. Verna Hall, historiadora americana, pesquisou durante 30 anos
documentos históricos, apontando como os cristãos americanos aplicaram o cristianismo à
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sua nação na área de governo. Na década de 1960, publicou o livro História Cristã da
Constituição dos EUA, documentando como a providência divina e a aplicação de uma
filosofia cristã produziram a primeira nação construída com base em princípios bíblicos.
[...] Rosalie J. Slater foi também inspirada a pesquisar o modelo colonial de educação e
caráter americano. Publicou em 1965 Ensinando e Aprendendo a História Cristã
Americana, ano em que também fundam a FACE (Foundation For American Christian
Education).

Segundo o site da Associação de Escolas Cristãs Por Princípios (AECEP), os ideais de


Educação Por Princípios chegam ao Brasil ainda na década de 1980. “É nesse ano que Cida Mattar
faz estágio com Paul Jehle na The New Testament Christian School, Plymouth – Massachussets
USA, e se vê comissionada a trazer esta visão de educação para o solo brasileiro”. Já em 1992
Roberto Rinaldi e Ana Beatriz fundam o CRE (Centro Renovo de Educação) em São Paulo, com o
objetivo de orientar escolas que tivessem interesse de adotar a metodologia.

5. SETE PRINCÍPIOS DA EDUCAÇÃO

A metodologia da Educação por Princípios considera ser a educação um processo amplo


de transmissão de conhecimento e valores às gerações futuras, capacitando-as na construção de uma
sociedade justa e equilibrada, como cidadãos reflexivos e conscientes de seus deveres para com a
sociedade. Neste aspecto, de acordo com Borges (2001), entende-se que educar é projetar um futuro
com ferramentas adequadas para lidar com os problemas e os desafios sociais que se apresentam.
Desta maneira, a Educação por Princípios seria uma forma de desenvolver a cidadania.
Rubem Alves (2001), contextualiza a questão de princípio, de uma maneira bem
humorada, citando o evangelho de São João, “No princípio era o verbo”,
[...] Princípio, em grego, é palavra filosófica, que significa não apenas ‘princípio’ no
sentido de começo e tempo, mas fundamento, aquilo que é base do que existe. O autor
sagrado não ficaria bravo comigo se eu fizesse uma tradução livre para os tempos
modernos: “No princípio era a educação”. Pois a educação em essência é precisamente isso:
o exercício do verbo. (ALVES, 2001, p. 24).

O autor enfatiza ainda que no seu sonho para a educação, “o universo tem um destino de
felicidade, o homem deve encontrar o paraíso” (ALVES, 2001, p. 25).
Segundo a AECEP - que tem como missão estruturar, organizar e compartilhar os
conceitos e práticas pedagógicas dentro da Abordagem Educacional por Princípios Cristãos - os sete
princípios são: caráter, mordomia, autogoverno, soberania, individualidade, união e semear e
colher.
Definindo de uma maneira breve, cada princípio enunciado, tem as seguintes
características:
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 1º O caráter é uma marca. A criança é ensinada a expressar o que realmente é. Este princípio
visa desenvolver no aluno o caráter cristão manifestado em uma boa conduta diante da
sociedade.

 2º A mordomia, ou administração da vida. É o ato de cuidar, administrar ou zelar pelos bens.


A mordomia ensina o aluno a cuidar do que é seu e também daquilo que não é.

 3° O Autogoverno. É a capacidade de ter domínio próprio em situações de conflito. O


princípio de autogoverno desenvolve no aluno o controle sobre suas próprias atitudes.

 4º Soberania. Deus é soberano e nada acontece sem a Sua permissão. Soberano é aquele que
detém o poder e a autoridade acima de tudo. Reconhecer quem detém o poder, desde a
infância, pode ajudar a superar as dificuldades da vida.

 5º A Individualidade. Fomos criados com uma identidade única, distinta e com


características próprias e peculiares que devem ser respeitadas. A individualidade
desenvolve no aluno a autoestima, a autonomia e a formação da identidade pessoal.

 6º A União. É o ato de aliar, reunir, agrupar, de forma que se crie uma aliança. Através deste
princípio os alunos conhecerão a força multiplicadora do trabalho em equipe.

 7º O princípio de Semear e Colher. As atitudes são comparadas a sementes que plantamos


hoje e colheremos amanhã, tanto no sentido positivo, quanto no negativo. Estes princípios
têm como objetivo conscientizar o aluno das consequências de cada uma das suas escolhas.

Observo então que a proposta da Educação por Princípios, é amparada em uma estrutura
metódica e organizada, onde alunos, professores e servidores focam em um mesmo objetivo, isto é,
dentro de uma cultura cristã, forjar bons cidadãos para a sociedade. Percebe-se então, que a
proposta da Educação por Princípios defende que o conhecimento escolar adquirido precisa servir
para a melhoria de vida, sendo dever da escola fortalecer junto a seu alunado a ideia de serem os
pais autoridades diretas sobre os filhos e, consequentemente, os responsáveis pela sua educação.
Como meta maior, a Educação por Princípios acredita no fortalecimento das instituições
como família, governo civil, igreja e escola, sendo os principais aliados da educação de uma nação,
uma vez que, a formação cidadã tem a sua base inicial na família, tendo a escola como local de
consolidação desta formação para uma vida em sociedade.
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6. VIVÊNCIA DO ESTÁGIO

Vivenciar, por meio da observação direta em sala de aula, o dia a dia da escola e ser
apresentado a esta metodologia e princípios, justamente nos anos finais do ensino fundamental e do
ensino médio, constitui-se em uma experiência ímpar.A realização do estágio deu-se em 18
períodos de observação e mais 05 períodos de entrevistas com duas professoras da disciplina de
História.
Como citado, a Escola Batista Cristo é a Vida (EBCV), é uma escola confessional, de
cunho particular, e seu alunado situa-se entre a classe média e média alta, portanto, trata-se de uma
escola onde os alunos não tem as dificuldades inerentes às escolas públicas e suas privações. Vamos
a um breve repasse das atividades observadas em sala de aula, onde acompanhamos a mesma
professora nas classes finais do ensino fundamental e ensino médio.
Primeiro ano do ensino médio: Classe com 16 alunos. O tema da aula foi uma revisão
sobre a sociedade no Brasil Colonial, com vistas a responder 10 questões do programa “de olho no
ENEM”. Tanto o interesse dos alunos quanto o da escola nas principais avaliações nacionais ou
estaduais é um ponto forte, neste caso o interesse é mútuo. Logo após realizou-se um trabalho em
duplas sobre a Ditadura Militar, onde, após análise de charges sobre a ditadura, houve um debate
bastante maduro dos alunos e alunas, com liberdade plena por parte da professora, para que as
duplas externassem sua posição. Percebeu-se que os alunos dominam bem a disciplina e a mediação
da professora contribuiu muito para o resultado da classe. Não houve dispersão e os alunos estavam
interessados em deixar claro suas opiniões.
Terceiro ano do ensino médio: Classe com 14 alunos. Revolução Puritana e Revolução
Gloriosa. A professora traz a contextualização da Inglaterra atual, alguns alunos comentam que já
visitaram a Inglaterra, são citados comentários de duas séries televisivas sugeridas (Tudors e The
Crow). Destacasse durante a explanação possíveis assuntos que possam cair no vestibular. A aula é
uma troca de ideias, um bate papo entre professora e alunos, tem-se a impressão de o professor ser
mais um colega em sala de aula do que propriamente o professor. Alunos completamente à vontade
em relação ao tema dado, muito interesse pela revisão para o vestibular e focado em relação ao
futuro.
Nono ano do ensino fundamental: Classe com 14 alunos. Tema da aula: Regime Militar.
“Quando os justos governam, o povo se alegra; mas, quando o ímpio domina, o povo geme” (Pv
29.2). Últimos presidentes do Regime Ditatorial do Brasil. A professora refere-se ao período sempre
como ditadura e não como governo militar, e deixa claro isto aos alunos. A didática da aula é uma
sequência de leitura dos parágrafos do livro didático sobre o tema, com cada aluno lendo um
parágrafo e a professora explicando e respondendo dúvidas enquanto leem. A professora coloca um
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vídeo de uma reportagem onde o presidente Ernesto Geisel dá aval à execuções de pessoas durante
a ditadura. São formados grupos para a discussão do tema tratado e a aula se dispersa um pouco em
torno das discussões.
Oitavo ano do ensino fundamental: Classe com 32 alunos. Como a aula foi no primeiro
período, a classe começou com uma oração coletiva e depois com uma oração individual por uma
aluna. Isto é uma prática normal em uma Escola por Princípios, todos os dias no primeiro período.
Há um comportamento diferenciado por cada faixa etária e ano de estudo. A professora inicia logo
tomando pulso da situação, pois há uma tendência à dispersão. A autoridade do professor é muito
respeitada neste tipo de escola. Houve um trabalho de correção de exercícios, e quem não fez ou
respondeu de forma incorreta, tem a oportunidade de fazê-lo. Todos os alunos tem seus exercícios
completados. O tema trata da lei Eusébio de Queirós. A intervenção do professor é contínua. Não se
nota um maior senso crítico por parte dos alunos em relação ao tema, mas também eles não são
penalizados ou muito cobrados por isto. O próximo tema é a imigração Alemã e Italiana, e a
professora contextualiza por meio da culinária e da cultura destes imigrantes. A partir deste ponto a
aula flui e o interesse dos alunos é despertado. Nota-se que a classe é bastante agitada, se dispersa
em todo o tempo e é preciso trazê-los ao tema da aula.
A impressão que se tem em relação a esta primeira experiência de estágio é de
satisfação pelo aprendizado, e de louvor aos professores, que em sua maioria não tem o ofício como
profissão, mas sim como causa. Entendemos que a escola que estagiamos foge à média e a realidade
das escolas públicas, mas é gratificante ver a contribuição dos professores, muito além da filosofia
das escolas, como os grandes responsáveis em formar bons cidadãos para a sociedade.

7. CONSIDERAÇÕES FINAIS DO ESTÁGIO

Considero este trabalho uma continuação/complemento do projeto de estágio, desta


maneira, utilizamos grande parte das informações contidas no projeto de estágio, disponibilizando
assim, àqueles que não tenham acesso ao projeto, as informações pertinentes ao tema.
Fiz um breve repasse da história das escolas confessionais e da origem da Educação por
Princípios nos Estados Unidos, iniciando com a historiadora Verna Hall, e reportei sua origem no
Brasil, com base nas informações da AECEP. Foi possível entender um pouco da preocupação das
instituições com a formação integral do indivíduo, principalmente em questões relacionadas ao seu
caráter através dos sete princípios da Educação por Princípios, que foram apresentados. Além disso,
dei destaque para a estrutura curricular onde se pode notar a inserção dos princípios cristãos em
meio às disciplinas curriculares. Trouxe ainda um resumo dos princípios e aplicabilidade dos
mesmos na vida pessoal dos alunos.
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Com esta rápida imersão dentro da metodologia da Educação por Princípios, notei que a
abordagem tal como se apresenta, dificilmente poderia ser aplicada em uma escola laica, visto o
comprometimento direto com conceitos e princípios declaradamente cristãos, mais associados a
uma teologia denominacional, quase que de todo isento de laicidade (no que diz respeito aos
princípios, não à escola). Uma outra questão é que toda a origem dos pressupostos são baseados em
uma realidade americana, ainda que, logicamente adaptado à realidade brasileira. Diante do
exposto, concluo que a Educação por Princípios precisa estar ligada a uma escola confessional, e,
via de regra, a uma Igreja ou Associação Cristã, e a partir deste entendimento não caberia em uma
escola laica, não confessional.
A educação nunca é neutra, mas pressupõe a formação de caráter com base moral e
espiritual, e isto deveria ser realidade em qualquer escola e sociedade. Os resultados das entrevistas
e observações direcionam também ao entendimento de que a educação por princípios pode se
aplicar de forma transversal e não apenas como uma metodologia diferenciada, tal como veiculada
na proposta de organização curricular por princípios bíblicos.
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REFERÊNCIAS

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