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Universidade Federal de Santa Catarina

Centro de Filosofia e Ciências Humanas


Licenciatura e Bacharelado em História
Graduanda Bruna Moraes da Silva

1. Referência Bibliográfica: STEVAN, Vanessa. As crônicas do Inca Garcilaso de La Vega:


um discurso de legitimação. 2010. 33 f. TCC (Graduação) - Curso de Letras, Faculdade
de Ciências e Letras – Unesp, Araraquara, 2010.

Título: As crônicas do Inca Garcilaso de La Veja: um discurso de legitimação


Autor: Vanessa Stevan

O trabalho em questão é um trabalho de conclusão de curso (TCC), onde analisa as


crônicas do mestiço Inca Garcilaso de La Vega, a autora explica que a mestiçagem de Garcilaso
era nobre, onde seu pai era filho de um capitão espanhol com uma princesa Inca, neta do
Imperador Túpac Inca Yupanqui. Onde a maioria dos relatos escritos sobre as civilizações
andinas são esxcritos por cronitas espanhóis, é muito importante quando encontramos esses
relatos vindo de mestiços ou nativos.
A autora analisa a crônica Comentarios Reales de los Incas e História General del Perú,
onde afirma que o objetivo do cronista com essas obras era de legitimar o seu status social
diante os espanhóis, isso através de relatos que descrevem os feitos e avanços dos Incas, porém
o discurso de Garcilaso é um discurso contraditório onde ao mesmo tempo que defende os
espanhóis, glorifica o Imperio Inca.

Citações:

 Antes de abordamos sobre a nobreza Inca, é importante ressaltar que apesar de ser um título
que está relacionado ao poder, o conceito de nobreza entre os Incas é diferente daquela da
cultura espanhola, dos conquistadores. (pp.17)
 Para Todorov (1983), Malinche – índia que serviu como intérprete para o encontro entre o
espanhol Hernán Cortés e o asteca Montezuma, e tida como traidora por seu povo – pode
ser considerada o primeiro exemplo de mestiçagem na América.
Ela não se submete simplesmente ao outro (caso muito mais comum, infelizmente
pensemos em todas as jovens índias, ‘presenteadas’ ou não, que caem nas mãos dos
espanhóis), adota a ideologia do outro e a utiliza para compreender melhor sua própria
cultura, o que é comprovado pela eficácia de seu comportamento (embora
‘compreender’ sirva, neste caso para ‘destruir’). (p. 98).
A elite da primeira geração mestiça no Peru tem um papel importante na história do país.
Podemos citar o Inca Garcilaso de la Vega, o Padre Blas Valera e dona Angelina, filha de
Atahualpa, nomes que se dedicaram à escrita da civilização do Peru. (pp.20)
 Carmen Bernand (1994) diz em sua obra, que são numerosos os exemplos de caciques que
se adaptaram às exigências da nova cultura para possuir posições de prestígios. A nobreza
Inca, depois da conquista, ocupou uma posição relativamente privilegiada, se comparada
com o conjunto dos povos submetidos na região. (pp.22)
 Inca Garcilaso, Guamán Poma, Santa Cruz Pachacuti e Titu Cussi Yupanqui são exemplos
de índios e mestiços que escreveram durante o período colonial. (pp.22)
 Em segundo lugar, coloca a culpa deste conflito nos soldados espanhóis, que por serem
pessoas simples, sem conhecimento nenhum, não tiveram paciência em ouvir a longa
conversa entre o Padre Valverde e Atahualpa, e aproveitaram para atacar os Incas. (pp.28)
 Agora, uma versão que é bastante difundida e que irá contestar a de Garcilaso é a de Guamán
Poma de Ayala, que, ao contar este caso, enfatiza que o mal entendido é próprio do choque
de culturas e não um problema de tradução. (pp.28)