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Tradição do socialismo democrático

O campo do Político é o que organiza a vida social

Teoria política virou subárea da ciência política

Contato de ilustração – referência a determinados autores

“cavar mais fundo” – Quentin Skinner – trabalho de historiador das ideias é de arqueólogo –
“escavar o solo da cultura política para encontrar ideias soterradas”

Todo trabalho de política é vão se carece de base teórica/conceitual – incapaz de penetrar no


fundamento do problema

DCP/UFG - Melhor ter uma formação teórica e uma boa entrada em métodos quantitativos –
combinar formações

Determinação da ciência politica –métodos quantitativos – grau de objetivação exclusiva –


incompatível com a noção de liberdade e democracia (indeterminação, conflito, contradições,
liberdade de ação).

Abertura da história – indeterminação da política – conflito como lugar estruturante da política –


importância dos atores

Atores: ideia de interesses – utilitarismo liberal “tão presentes em nossa vida como os
automóveis”

No utilitarismo, as ideias não importam. Apenas o interesse.

“quem julga o interesse parte de certos valores convicções”

Mesmo o utilitarismo carece de valores/ideias que embasam o julgamento de interesses

Como as ideias chegam aos atores e políticos? – Quais são as mediações entre o que um autor
escreve num livro e os debates políticos?

Não se pode separar retórica/comunicação e política

Política: formulação da legitimidade do poder – falas e linguagens do poder

Linguagem: ligação entre ideias e o fazer

Linguagens frequentam tradições políticas e históricas – autores formam e renovam as


linguagens políticas

Degradação da linguagem legitimou a desestabilização da democracia

Linguagem alta de formação de sentido – política foi pensada como lugar da dignidade –
banalização da linguagem corrompe o cidadão

Ascensão do discurso do ódio


Estudaremos as diferentes linguagens que formaram as tradições políticas a partir do estudo dos
autores

Plataforma de ideia-ação para os atores políticos

Curso propõe mudança de paradigma na leitura das tradições políticas – vasta bibliografia
nacional e internacional

“linguagem das tradições republicanas seria modismo” – polêmica na banca

Principal debate da filosofia contemporânea – o que é a liberdade?

Ascensão do Reagan e a Thatcher – 1979 – ascensão da verdadeira liberdade contra o Estado de


Bem Estar Social

A modernidade é obra da tradição liberal – formação de direitos no mundo moderno pode ser
referido exclusivamente à tradição liberal – questionado pela filosofia política

Modernidade passou a ser estudada com um campo contraditório de disputa de tradições –


referências aos eventos chaves e Revoluções – busca da tradição do republicanismo (mais antiga
que o liberalismo que se forma a partir desse debate)

Socialismo, feminismo, antirracismo se forma a partir do debate com essas tradições.

Sistematização não vulgar e apresentação de fundamentos

Biblioteca inteira por organizar

Oposto da liberdade é viver na escravidão – sem liberdade a pessoa perde a sua condição
humana

Não é possível compreender a obra de Marx sem entender a sua tradição republicana

Também não é possível entender o feminismo sem entender a tradição republicana

Ciência política se formou como produto da guerra fria – é liberal, ponto.

Liberal de esquerda – liberal social- Habermas – Rawls – na ciência política, mas não pode ser
socialista.

O principal fundamento do liberalismo não é o pluralismo? – ciência política não pode se fechar
em uma só tradição

Mudança de paradigma- sejamos verdadeiramente pluralistas – dar dignidade e reconhecer a


inteligência de todas as tradições – mesmo das que a gente não gosta

Há que se reconhecer a inteligência e os valores no interior do liberalismo – liberalismo de


direitos, liberal social, keynesianismo.

Há inteligência na tradição neoliberal, senão não seria hegemônica.

Não escrever sobre autores que não gosto, e desconfiar sobre a escrita acerca de um autor
preferido.
1º Seminário – Republicanismo e Liberalismo

1º texto – republicanismo e liberalismo na formação da modernidade

Q. Skinner – liberdade na modernidade – palestra – debate – apresentação do autor

Taking about liberty 11- 49

J. Guimarães – texto didático

Auto vulgarização – introdução ao assunto a ser aprofundado

Formação do republicanismo democrático moderno

Nós não podemos abrir mão de falar sobre a liberdade em espaço público. Não vou me
autocensurar por culpa do bolsonarismo. Eu vou é falar mais.

A tradição feminista na ciência política ainda não se formou

Recuperar certa capacidade de indignação – não naturalizar certas coisas

A pior coisa que pode acontecer com vocês é pretenderem ser seres da absoluta razão. Daí a
necessidade da poesia.

Pretensões exageradas da razão – às vezes o mundo pode ser explicado pela razão pré-socrática

“Fafich produz o melhor humanismo de Minas Gerais. Por isso que o Bolsonaro quer destruir
esse espaço. Os mortos estão ao nosso favor”.

Future-se: intervenção de bancos na universidade. Criação de O.S. para gerir a educação

Proifes e Andes juntos na assembleia dos professores

Organizar a derrubada democrática desse governo – frente democrática ampla

UFMG ameaçada pelo bolsonarismo e seus tentáculos – Lava-jato

Organizar o improviso – organizar a pro-atividade

Pluralismo e tolerância – respeitar os feriados

Avaliação

1 – trabalho a partir de um capítulo do curso – sistematização

Identificar as principais linhas teóricas da formação de uma tradição política

2 – trabalho relacionando o objeto de estudo com as teorias e autores estudados – exploração

Aula 2 – 29/08

Deixamos de ser senhores do nosso tempo

Tempo de pulsão de morte


Texto 1 - Republicanismo e Liberalismo

Reconhecimento da singularidade e da identidade da tradição republicana

Cicero: dificuldade de reconhecer a identidade e delimitação de uma tradição republicana


própria

Não tem a mesma identidade da tradição liberal ou das tradições conservadoras ou socialistas

Temas do republicanismo: cidadania, bem público, soberania popular.

Muito enriquecimento para um pensamento enfrentar um problema

Tradição republicana grega: momento fundacional da reflexão política

Tradição republicana romana: cultura do republicanismo

Retomada da tradição de debates sobre a linguagem, conceitos e tradição republicana no


renascimento italiano

Recuperação da linguagem republicana nas revoluções inglesas, americanas e francesas do


século XVII/XVIII.

Identificação de uma tradição de republicanismo descontínua que frequenta o momento de


formação das outras tradições políticas – bem documentado historicamente

Problema: quais são os modos de presença do republicanismo democrático no século XIX?

O que aconteceu com a tradição do republicanismo do século XIX e a qual é sua relação com a
formação das tradições do socialismo?

Cultura política e filosófica alemã – Kant

Oposição aos fundamentos políticos e ideológicos do estado alemão

Como o republicanismo marcou o processo de independências da América latina?

Lideranças reivindicavam essa tradição

Dificuldade de identificar a contemporaneidade dessa tradição – Séc. XIX – hegemonia do


liberalismo sobre o mundo – hegemonia do império inglês

Potência do liberalismo no XIX apagou o republicanismo – dificuldade histórica

Descontinuidade da tradição republicana – aparece não organizada politicamente, formada


politicamente, expressiva no seu léxico. Republicanismo aparece combinado com outras
tradições.

Contestações ao republicanismo

1 – modismo acadêmico

Semiperiferia do sistema intelectual – ideias chegam com 20 anos de atraso

“a novidade tem décadas”


Republicanismo não é modismo. Historiadores chamam para o mundo da tradição longeva e
milenar.

Consciência da história e do tempo forma – envelhecimento/maturação

Reconhecer a dignidade das tradições – frequentar a temporalidade lona e se sentir em casa nela

2 – Escolas do Republicanismo – republicanos não se entendem

Toda tradição é pluralista – liberalismo é assim

Deslizamento da nomenclatura política no Brasil – história própria do Brasil não permite


repetições (o socialista é socialdemocrata, o social democrata é liberal...)

Pluralismo é indício de riqueza

Há algum em comum nesse vasto pluralismo republicanista?

Conceito de liberdade mais afim do conceito de igualdade – construção do mundo público –


principio de soberania popular – autogoverno – cidadão e sentido de liberdade –
compartilhamento

Conceito forte de liberdade para enfrentar os autoritarismos e ameaças aos direitos humanos

Matriz anglo-saxã do Republicanismo formado na cultura contemporânea

Influencia nas universidades norte- americanas – Oxford e Cambridge

Quentin Skinner – Phelipe Petit – John Pocock – formação de uma geração de pesquisadores

Matriz francesa de estudos republicanos

Claude Leffort – teoria do político – reivindica um lugar para pensar o político – releitura de
Maquiavel – escola de altos estudos da França – estudo sobre republicanismo

Matriz marxista- estudos sobre a formação da tradição socialista e a tradição republicana –


Gramsci e Maquiavel

Linguagem republicana está no centro da obra do Marx

3 – O Republicanismo é uma tradição antiga – liberdade dos antigos e modernos – Constant

O republicanismo existiu, mas a liberdade formulada é para o antigo modo de viver. A liberdade
moderna é liberal.

Obra de Constant é rasa filosoficamente – obra paradigmática da Ciência política – contestação


de Rousseau

Liberdade moderna se realizada no mundo privado – capacidade de cada um organizar as suas


vidas e interesses privados – fundamento da liberdade no mundo moderno

O direito moderno foi formado por obras de grandes autores republicanos que expressaram a
reivindicação dos direitos fundamentais nas revoluções do século XVII/XVIII
Caráter ascendente do poder – soberania popular – direitos da mulher – Deslegitimação das
formas de escravidão – reivindicação do direito de se organizar- reivindicação dos direitos
sociais – democratização da propriedade – devido processo legal – poder não pode ser
concentrado e deve ser distribuído

Tudo isso se encontra em autores republicanistas antes dos liberais – tudo documentado

Como chamar aqueles reivindicam esses direitos de “não modernos”?

John Stuart Mill é um autor republicano, não liberal.

Os direitos formadores da modernidade já estavam presentes nos autores republicanos

Governo já estava presente em Aristóteles

Liberalismo alimentou o constitucionalismo e a visão de liberdade contemporânea

Não pensar a formação da modernidade como sendo exclusivamente liberal – polifonia de vozes
e posições que reivindicavam a liberdade- formação da modernidade pluralista

Não se pode atribuir exclusivamente a formação dos direitos modernos à tradição liberal –
anacronismo – rasurar da história toda uma tradição de autores

Republicanismo faz parte da formação da modernidade – direitos de 1,2,3 gerações.

Reconhecer que a medida que houve a formação da modernidade capitalista do XIX coloca
dificuldades para a tradição do republicanismo

Liberdade: aquele que é senhor de sua própria vida – não está sujeito à dominação

Como lidar com esse conceito em um mundo onde as pessoas dependem do trabalho
assalariado?

Como lidar com o mundo das virtudes cívicas no mundo mercantil?

Com equacionar a vida pública com os feminismos que reivindicam a liberdade no mundo
privado?

Como lidar com a aspiração republicana de constituir uma ordem internacional do direito em
um mundo assimetricamente construção pelas dinâmicas imperialistas?

A afirmação do mundo liberal e de sua dinâmica comercial agressiva desorganiza o


republicanismo e do espaço para o mundo público e para al liberdade de autocriação

Como a tradição republicana lida com isso?

São questões postas para a atualização dessa tradição – faz bem em receber o questionamento
sobre a sua própria existência – questionamento formador da tradição – a consciência dos
impasses de sua formação faz parte de sua atualização

As teorias da democracia tem uma reflexão rasa sobre as tradições do republicanismo e suas
repercussões para a teoria da democracia – inconsciência de um impasse de fundamentos é
muito grave para as teorias democráticas – girar em círculos entre normativos e empiricistas
Tradição republicanismo democrático: participação democrática e institucionalização
democrática – capacidade do regime político institucionalizar a participação democrática

Não faz sentido a divisão em Institucionalistas x participacionistas – realistas x


procedimentalistas x normativistas para essa tradição

Não faz sentido separar a formação de valores dos procedimentos e da institucionalização do


conflito

Sem compartilhamento de valores comuns não é possível estabelecer procedimentos aceitos por
todos

Regular as polêmicas democráticas – acessar as polêmicas sem comprar os dualismos que


dividem a ciência política

Wanderley G. santos – intelectual isebiano que deu dignidade ao estudo do pensamento político
brasileiro

Os pensamentos políticos se inscrevem em tradições mesmo que não tenham noção disso

Linguagem, conceitos, polêmicas e questões inseridas em tradição – como compreender esses


pensamentos sem conhecer as tradições?

Democracia e Republicanismo

Tradição da esquerda democrática que se formou no combate ao regime militar – visitou pouco
as tradições republicanas

Cobrança à esquerda: definir o que é público e privado? – tema da corrupção

Se a esquerda convive com a corrupção ela perde sua linguagem política – ela só pode existir no
mundo publico – se o mundo público está corrompido, a esquerda perde capacidade de existir.

“Quando proclamamos a republica não éramos democráticos. Quando conquistamos a


democracia, éramos pouco republicanos.”

Há republicanos que são democratas outros não. Há liberais democratas, outros não.

Republicanismo antigo não era democrático. Formação da soberania popular vai


democratizando o republicanismo (Rousseau, Stonecraft).

Soberania popular: conceito em disputa.

Formação do republicanismo democrático na modernidade – conceito pleno de soberania


popular

Patrimonialismo brasileiro: indistinção entre público e privado.

Roubo da coroa – Lilian Schwartz

Não existe corrupção sem ideia de interesse público/coisa pública – delimitação entre público e
privado – sem um ethos republicano que questionou as monarquias

No estado patrimonialista não existe essa separação


Um comum lugar não é um lugar comum entre nós – aquilo que é publico (de todos) não é
comum entre nós

- republicanismo: ideias de determinada elite em circunstâncias históricas?

Há comunicação entre o erudito e o popular no mundo da cultura

Nos ciclos revolucionários os panfletos cumpriram papel muito importante levando linguagem
para o leitor

Elites x massas – não é dicotomia da democracia

Filosofia política e crise: busca do sentido das coisas – principio de legitimidade do poder

Pensar a longa história e a continuidade para evitar a ideia de que “estamos criar a roda”.

Skinner: necessidade de pensar ideias dentro de tradições e contextos – dar historicidade

Pocock: pensar existir as linguagens políticas que percorram o tempo – ideias viajam no tempo
e aparecer em novos contextos

Matriz – mediação entre tradição e contexto

Pensar o liberalismo não como ideia fora do lugar, mas como uma idéa a procura de um lugar –
uma história em construção.

Cena de questões – questões de longa permanência – limites do meu conhecimento

Rousseau: como subordinar os interesses privados ao interesse público?

Aprender a ser livre- autogerir – auto organizar – ideia de senhor: a quem se serve

Republicanismo nega-se a separar forma e conteúdo – essência e aparência – resíduos de um


pensamento teológico – valor da liberdade e instituição da liberdade

Marxismo e divisão entre liberdade formal e liberdade real – mesmo quando a liberdade está
apenas na lei ela é importante para quem luta pela liberdade – devido processo legal – mesmo os
nazistas tem direito a um julgamento justo – não é formalismo jurídico, é fundamento da
liberdade.

Aula 03 – 05/09/19

Debate de Maquiavel frtuo de 15 anos de debate no centro cívico

Lugar do Maquiavel na filosofia política

Separar o estudo de Maquiavel da cultura do baixo maquiavelismo

Maquiavel: conselheiro do poder que oerou uma separação entre ética e politica gerando uma
ética sequencialista de luta pelo poder – anti-humanista – anti-cristão – ideia trabalhada no
senso comum

Poder deve ser entendido em sua função instrumental – vale tudo na disputa pelo poder
Reação teológica a obra e Maquiavel – expansão na cultura da contra- reforma em especial na
península ibérica

Estudo de Maquiavel é algo recente na cultura brasileira – obra como fundamento do


humanismo cívico – anos 80/90 – Maquiavel Republicano – Bignotto

Trabalha as premissas fundamentais da obra de Claude Leffort fixa esse paradigma de


interpretação

Maquiavelianismo – senso comum sobre Maquiavel

Rebaixamento da obra o princippe percebido como um teórico instrumental do poder frequentou


diferentes épocas em contraponto a interpetação do Maquiavel como republicano

Revisão das tradição de interpretações sobre Maquiavel está presente em Leffort

Estudos do republicanismo – anos 50 – retomada do Maquiavel

A política deve ser pensada como campo com autonomia relativa – já em Aristóteles-
Maquiavel retoma essa concepção contra a teologia imperante desde o medievo

Inserido no humanismo cívico – formado na práxis política como secretario de Florença –

Vetores de expansão do pensamento político moderno – revolução inglesa, francesa, EUA,


formação de Marx

Autor referencial de Gramsci na tentativa de refundar o Marxismo – disputas em torno de


Maquiavel

Os trabalhos politcos de Maquiavel resultam da maturação de seu pensamento no exilio e fora


do poder de Florença: Dupla dimensão - releitura das tradições e uma reflexão sobre a prática
política e aquestão do poder e a formação de republicas no contexto da Italia depois da
Unificação.

Gramsci: Maquiavel é fundador da filosofia da práxis – não funda sistema fechado – abre uma
reflexão a partir do dialogo com a tradição republicana romana e com os impasses da
republicana italiana – reflexão democrática a partir da politica e em dialogo aberto com seus
contemporâneos –

Leffort: fio condutor da interpretação de Maquiavel ( vida ativa, indeterminação da política,


republica como lugar da vida em liberdade, leis da liberdade resultam do conflito politico entre
dominantes e dominados)

Cultura do humanismo – retomada da estética, reotica, sensibilidade de estudos que organizam


diante do teológico politico a questão da centralidade e da dignidade do homem que é conferida
pelo fato de ser criado e ser livre – momento inaugural da humanidade – humanismo cívico a
partir da retomada da dignidade da vida pública e política diante da afirmação da vida
contemplativa que santo agostinho fazia – recolhe da tradição e provoca rupturas na tradição –

italia: espaço politico saturado de disputas de poder – entre cidades e no interior das cidades –
oligarquias x anti-oligarcas – intervenção do papado na disputa de poder (conceito terrenal) –
alianças cruzadas de França e Espanha com as cidades italianas – espaço forma um grande
campo de reflexão para Maquiavel.

Não se pode compreender o liberalismo sem o tradição republicana – Marx sem o liberalismo –
não se pode compreender o pensamento de Maquiavel sem o pensamento teológico-politico –
pensamento de Maquiavel critica a teologia e organiza um campo próprio de pensamento a
partir da liberdade

Não se estuda tradição teológica na CP – influencia na tradição ibérica e latino-americana –


neotomismo – Jacques Marrite - grande pensador – padre vaz – influencia na pós- graduação da
UFMG

Neotomismo se reconcilia com a tradição democrática a partir de Jacques Marrite –


reconstrução de pontes entre democracia e catolicismo – demoveu Alceu de amoroso de lima e
Helder Camara

Milton Campos foi integralista

Tradição católica conservadora no Brasil

Sistematização em Santo Agostinho – Cidade de Deus – 1413 – resposta ao fim o império


romano – crítica de época que acusava os cristãos d terem desorganizado as bases politicas e
culturais do império romano – livro é resposta a essa acusação – Roma chegou ao final porque é
a cidade dos homens ( temporalidade humana) ao contrário da verdadeira cidade dos homens
que é a cidade de Deus

Deslocamento da política para a teologcia – historia providencial guiada por Deus –


desvalorização da vida cívica e valorização da vida política

Valorização da vida cívica – Rousseu – Montesquieu – Hegel

Maquiavel: formação da cultura cívica e revalorização da política como momento de reflexão

1225 – Sâo Tomas de Aquino – Suma teológica – autonomia relativa da filosofia e da reflexão
ainda subordinada à teologia – renovação dos estudos filosóficos e acerta abertura para a ciência

Existe uma lei eterna que é inaccessível aos homens – leis naturais e leis humanas – ideia de
direito naturais e positivos – ideia de bem comum - comunidade – organicismo – hierarquia do
corpo político – cosmopolis: prenuncio da comunidade internacional e defesa da monarquia
como governo ideial

Reconstrução da vida cívica, da liberdde e da dignidiade é feito por Maquiavel no contexto do


humanismo cívico

Bignotto: influencia de Leffort e debate com Skinner e Hans Barron – ruptura do humanismo
cívico com as tradições medievais – uma certa ideia de vida cívica já estavap resenten as
comunas italianas e em um conjunto de pensadores esquecidos

Bignotto defende a tese da ruptura reconhecendo as contribuições de Skinner

Marsilio de Padua e outros já prenunciavam o ascensão do humanismo cívico, mas ainda


dependentes do mundo teológico – o mundo era governado pela providencia divina
Elementos presentes na ideia media no contexto das cidades italianas –se tomarmos a ideia de
ruptura do humanismo cívico com o teológico político – fundamento da modernidade que ganha
dinamismo com as revoluções.

A ideiado maquiavel republicano – fundamentos na Republica e na Liberdade – visão de


conjunto sobre a totalidade da obra – modo como Maquiavel opera a divisão entre principado e
republica centraliza a distinção – preferencia pelo regime republicano ( em especial, nos
comentários sobre a primeira década) - reflexam sobre a republica como lugar para otimizar o
bem comum – regime mais apropriado onde há mais igualdade – ideia da liberdade a p artir do
conflito político – foge da ideia de harmonia do corpo político e da pacificação dos conflitos no
corpo político

Conflito político como fundamento da democracia (Chauí)

Não há alteração de argumentos e de método entre os dois livros (príncipe e comentários)

Elogio da vida publica - da liberdade de expressão – elogio da esfera publica como espaço de
resolução de conflitos – elogio do povo como guardião da liberdade – é melhor que a republica
tenha uma base mais larga de cidadãos do que estreita, quanto maior mais fácil de
institucionalizar conflitos

Vida ppublica – retorica – republica – expressão na vida publica – condenar as calunias na vida
pública – conjunto de temas que fundam um terreno novo de reflexão maquiaveliano sobre a
política

Questões de método

1º - a verdade efetiva das coisas – Maquiavel realista

Oposição ao pensamento normativo da politica ( como ela deveria ser e não como ela e)

Criticas as teorias democráticas normativas não factuais

Critica a positivação da politica – entender a política como ciência passível de ser positividade -
puro estudo de regularidades

Política enquanto ciência praxiológica

Estabelecer os limites de conhecimento desses métodos e a necessidade absoluta de Historicizar


os conflitos políticos

2º - indeterminação da política

O acaso tem papel na política – reconhecimento da indeterminação – contingencia é fundamento


forte da política – contingencia e indeterminação são fundamentos da liberdade humana – Se o
mundo é determinado e regular então o espaço da liberdade está severamente limitado – política
lida fortemente com a indeterminação e contignencia

– virtu e fortuna – virtu pode responder no plano das possibilidades humanas as contengencias
daa historia – haverá sempre a força de acontecimentos que não podem ser controlados – atuar
na política é atuar na indeterminação – tirar proveito das circunstâncias
Política feito de luta de contrários – não se pode determinar o resultado das coisas - condição
abismal

Pensar as condições de possibilidades mas não determinar – pensar a politica como uma
variável não dependente – certa indeterminação que depende da ação dos sujeitos – fugir da
indeterminações – estabelecer previsões condicionadas

O homem é criador de sua liberdade a partir da construção das repúblicas

Democracia em permanente suspensão da possibilidade de ser destruída – não cair no conto da


estabilidade da democracia no Brasil

Cada eleição é uma coisa – PSD mineiro – fundamento humanista- política é lugar de práxis,
nem teoria, nem só pratica

3º - importância do tempo na política

As dinâmicas de poder na fundação , conquista e manutenção do poder são dinâmicas diversas –


poder sofre variações no tempo – ideia de revolução é proria desse pensamento – o poder é
submetido a tempos próprios dependendo do seu tem po ( fundação, etc.)

O poder tem uma história – fundação do Estado Nacional é temporal

4º - Poder politico como centauro

Todo poder político é marcado por doses de coerção e consenso em doses variadas – mesmo a
democracia – até hoje não teve um estado na história que não seja centauro – coerção e
consenso ao mesmo tempo.

Maquiavel não é anarquista

A república é o lugar onde predomina o consenso sobre a dimensão coercitiva – principado é


lugar onde predomina a força ou a farsa sobre o consenso

Aquele que levanta calúnia pode destruir a vida pública e deve ser punido – fala é lugar de
construção de poder – responder publicamente sobre o que se falou – senão, é calúnia

Republica. Com – redes sociais podem tornar impossível à vida democrática por esgarçar o
local público

Neoliberalismo: Previsão não conclusivas – nunca se aplicou integralmente

5º - corpo político como lugar do conflito

Dominantes x dominados – conflitos entre os que querem dominar e os que não querem ser
dominados – não é sociologia da dominação de Weber – é teoria do conflito do poder –

Dimensão subversiva da proposta de Maquiavel – democracia é instituição de baixo pra cima-


instituição de quem não quer ser dominado – quem quer dominar que acabar com a democracia
– caráter indeterminado da democraica

6º - Relação entre imaginaio politiico, simbólico e linguagem


A disputa da linguagem é uma disputa de poder – política se desenrola na aparência: na
formação da legitimidade do poder um ato benevolente é constituído de ato negativo para o
povo se ele se apresentar forma equivocada na cena pública.

Exemplo dos velhinhos

Apresentar em praça pública o resultado das ações – a ordem da politica e da linguagem estão
na mesma ordem de relação

Iria reagir a Habermas – reagiria à ciência politica que separada política e linguagem, retorica,
formação do espaço público.

Questões de longa década

Aula 12/09 – John Mill

Poeta: Antonio Machado

Formação do republicanismo inglês do século XVII

Pocock e Skinner

Livro chama atenção para outro conceito de liberdade que surgiu antes do liberalismo -
conceito neorromano não liberal

Livro de reorganização e resistência à Margareth Thatcher na Inglaterra

Trabalhismo e marxismo inglês mantiveram posição ambígua em relação a URSS – formação


da London School.

Hobsbawm - historiador eurocomunista

Faltou uma crítica de raiz às contradições do socialismo soviético baseada na liberdade

Reconquistar o direito de pensar a liberdade fora de uma ideia que a liberdade é definida apenas
como não intervenção do Estado

Como conceber e entender a liberdade?

Apostar na reconstrução contextual dessas ideias – compreendê-las forjadas no contexto –


dinâmica política da Inglaterra no século XVII – Guerra Civil político-religiosa – parte da
fragmentação do mundo teológico politico

Paixões religiosas funcionarão como combustível da guerra civil

Teológico deixa de ser lugar unívoco e legitimação do poder político – vira lugar de disputa da
legitimidade do poder de Estado

Várias interpretações sobre a bíblia e Jesus Cristo que legitimavam diversas posições políticas

Levellers – Diggers – Realistas

Solução: voltar a um princípio absoluto incontestável


Tradição religiosa está sob disputa e a Tradição histórica está sob disputa e não poderiam servir
de argumento– o passado está sob disputa

Disputa da legitimidade do poder – diferente da crise de Governo e da crise de regime – é uma


crise da legitimação do Estado Inglês – se desenvolve da política para a luta armada – formação
de um exército popular que consegue derrotar o exército real (não viveu o processo de formação
do absolutismo como na França).

O esquema de interpretação da cidadania do Marshall não serve nem para a Inglaterra

Se eu não tenho direito de participar do poder será que o poder vai garantir meu direito? Com
base em que?

Se o poder não é democratizado porque aqueles que não querem ser dominados, então você não
tem acesso a direitos.

Inglaterra do século XIX – estrutura de poder autocrática – maioria da população não tinha
direitos políticos

Locke – visão utilitarista da escravidão – liberalismo conviveu com a escravidão a partir do


direito de propriedade

(PRP – liberalismo oligárquico em São Paulo) – reivindicação da indenização pelo fim da


escravidão

Brasil - Dificuldade de formar um direito civil – dificuldade de lidar com a figura da escravidão

Estudar o republicanismo inglês é importante para entender o próprio liberalismo

Existia uma tradição de resistência a um estado centralizado que remonta a idade média –
presença das universidades

O republicanismo vai se formar como expressão da luta contra o rei, da derrota do rei e do fato
do rei ter tentado por duas vezes reorganizar o exercito e reestabelecer a guerra civil.

John Milton – 1840 – defesa da liberdade de expressão – divórcio – a verdade nasce do debate
das diferenças e das divergências - Deus está interessado no livre debate – defesa da justeza do
processo que levou à execução do rei

Livro: em defesa do povo inglês – fundador do direito à resistência na modernidade

Direito e dever do cidadão de reagir, se preciso pelas armas, a um poder despótico.

Resistir para não se tornar escravos ou animais

Contexto de enfrentamento ao poder do rei deram origem ao republicanismo na década de 50 do


século XIX

Ideias de John Milton

Aeropagitica – clássico da liberdade de expressão – argumento evocado contra a censura prévia

Bem e mal estão ligados no mundo e só podem ser superados pelo livre debate e pela
contraposição de argumentos – defesa da autonomia da consciência do cidadão como
fundamento da liberdade- direito de ler inclusive as obras erradas – As pessoas precisam passar
pela provação e oposição – risco de um censor impossibilitar a leitura de uma obra virtuosa. É
melhor deixar as obras pecadoras do que impedir as leituras virtuosas

Crítica à espanha da contra-reforma

Reivindicação da tolerância e liberdade religiosa – espírito não tutelar do cidadão ligado à ideia
de autogoverno – os mandatos estão submetidos a confiança daqueles que os colocaram lá –
poder ascendente não monárquico – linguagem da liberdade: denuncia da tentativa de
despossuir o povo da temência do poder – significa escravizar o povo - denúncia da monarquia
absolutista francesa – não existe distinção entre rei tirano e rei forasteiro: tirano deve ser tratado
como dominador estrangeiro – vincula a defesa da justiça à republica

Processo do rei – libertação da escravidão – era um tirano que usava a mascara de rei – todas
feitas em nome da defesa da republica deveriam ser consideradas licitas e justas – formação da
linguagem republicana – reivindicação da tradição romana republicana – “ a paz era pior para os
escravos do que a guerra para os homens livres”: paz quando há dominação é a paz das
masmorras. Eu prefiro a guerra.

Suprimida a justiça (república) o que são os reinos senão covis de bandidos?

O bem estar do povo é a lei suprema – os cidadãos podem vir em auxílio da republica através de
conselhos ou armas –

Autores se utilizam da obra do Harrington - naquele lugar onde as terras pertencem a um só é


mais adequado que prevaleça o poder absoluto de um, como o sultanato - para existir uma
republica é necessário uma distribuição mais igualitária de terras – lei agrária que impeça o
monopólio de terras – republica não pode se instalar onde exista desigualdade estrutural – é
necessário certa igualdade econômica – concentrar o poder de decisão da Republica em uma
câmara eleita por um sufrágio amplo que deveria aprovar todas as leis da Republica para que
não houvesse a formação de um estrato de representantes descolados do povo, com privilégios;
Rotatividade e possibilidade de reeleição – controle sobre os representantes – criação de um
Senado escolhido entre os melhores/ sábios da República que teriam a função de propor leis que
seriam aprovadas pela Câmara de representação do povo.

Não segue Maquiavel na ideia que um conflito é formador da liberdade- trabalha com a ideia de
uma institucionalidade como harmonização do poder – trabalha pouco a criação de uma esfera
pública de debate na república.

Rousseau não concebe o povo como não originário da lei – limite democrático

A existência de uma república pressupõe uma cultura democrática que não havia na Inglaterra
no sec. XVII – conflito armado não contribui para a formação de um regime pluralista e
tolerante.

Setores democráticos dos republicanos são os autores vinculados ao Levellers que emergiram na
formação do exército popular (puritanos) – conflitos com os presbiterianos e depois com o
Cronwell – representantes do republicanismo democrático radical –

Lugar da violência na política – matar e/ou morrer por uma causa – até que ponto em nome da
liberdade não estão autorizando a violência?
Uma vez desatado, o caminho da violência não levaria à morte da política?

Direito à resistência – fundamento dos DH – diante de um poder despótico que violenta a


população, o povo pode resistir de todos os meios, inclusive pela violência em situações
extremas.

Direito à resistência não propõe que a violência seja a principal resposta ou a principal proposta
de resistência.

Como constitucionalizar o poder? Como controlar democraticamente a força e o uso da


violência?

Não há como compreender a revolução inglesa de 1688 sem o contexto de transformação


socioeconômica.

Como tratar o problema religioso na política?

Há processos de secularização mas a religião continua sendo uma matriz muito importante de
formação de valores

Locke – Cartas sobre tolerância – é permitida toda religião que não transgredir a lei civil

“Matar um animal pode, mas não um bebê.”

Isolar a política da religião

Caráter civilizatório da tolerância religiosa – vivência da inquisição na Europa

Conter o território da religião e regulá-lo na sua entrada na política

Verdade religiosa: imperativo Pré-debate – verdade revelada

Podem existir conjunturas regressivas do ponto de vista da intolerância,

Para haver liberdade, é preciso democratizar a propriedade. O acesso da propriedade regula o


usufruto da liberdade.

O que é propriedade? Só o corpo ou o que é exterior a sua pessoa?

Vender o corpo não seria contrário a ideia de liberdade se a propriedade inclui o corpo

Quem é o dono originário da propriedade? A comunidade politica ou anterior à comunidade


política?

A propriedade deve ter uso social ou o direito de propriedade se antepõe ao direito comum?

O direito a propriedade é maior ao direito ao vida – sociedades liberais

João Pedro Stédile – Neotomismo - A origem da propriedade é divina e foi dada a todos

O latifúndio é contra as leis de Deus – Cursos de Direito não tem cadeiras de Direito Agrário

Minas Gerais – Minas que pertencem ao público – contrário do particular


Aula 19/09 – Matriz Republicana Norte-Americana – Thomas Paine e Thomas Jefferson

Poeta: Walter Whitman

Apologia ao homem livre – dignidade do homem

Poema para a Revolução de 1848

Escolha dois autores entre os pais fundadores é porque neles encontramos de forma mais nítida
os princípios do republicanismo: liberdade – autogoverno – liberdade não separada da ideia de
igualdade – formação de uma virtude cívica/ cultura cívica vinculado ao bem comum e ao
interesse público no centro da teoria política.

Quando Thomas Paine escreveu os direitos do homem, T. Jefferson escreveu uma carta a ele
afirmando que o povo norte americano estava firme nos princípios do republicanismo e tinha
adorado o seu livro.

Autores se aproximaram e se afastaram no curso da revolução norte-americana

E.P Thompson afirmou que os Direitos do Homem foi o fundador do moderno movimento
operário inglês

Contexto:

Argumento do texto da Heloisa: identificar a ideia da liberdade na luta pela independência,


identificar as vozes da liberdade, a luta pela independência é concebida como processo de auto-
organização (revolução social) popular, formação do ethos democrático ( de baixo para cima),
ideia de autogoverno, prova: debate da constituição ( federalistas x anti-federalistas),

Nova historiografia da Revolução norte-americana - contexto dos anos 60 (Vietnã, direitos civis,
hippies, feminismo).

Passagem da memória da revolução inglesa para a revolução norte-americana – autores


conheciam o debate dos republicanos ingleses críticos à Monarquia

Dupla luta: construir a soberania dos norte-americanos e a luta contra um regime visto como
inimigo à liberdade

1792 – Mary Wollstonecraft – direito das mulheres

Não se pode perder a dialética de posições – caráter contextual da polêmica com o Burke

Burke – Liberal inglês e a favor da independência dos EUA – contrário à Revolução Francesa e
reivindicação do direito de hereditariedade, 1688 e defesa da própria privada e ataque à ideia de
direitos humanos.

Gênese e desenvolvimento do Sentimento Republicano nos EUA: não havia tradição


monárquica/feudal – havia padrão de igualdade maior (especialmente em Estados do norte) –
fórmulas próximas ao autogoverno – direito de propriedade menos concentrado que na Europa –
sentimento religioso que formulava certa ideia de moralidade pública de bem comum e de
igualdade entre os homens – número maior de leitores do que a média inglesa

Havia muitas divisões entre os colonos: Ricos X pobres (se manifesta na discussão da
organização política: Qual era o alcance do direito ao voto? Quais câmaras?) Senhores X
escravos ( Paine e Jefferson eram contra a escravidão – não passou porque feria os interesses do
Sul) – número de votantes no sul era mais baixo do que os do norte

John Adams – antidemocrata – no início do processo foi roussoriano.

As divisões da sociedade norte americana se expressam na discussão político constitucional

Thomas Paine antagoniza com os federalistas – 1790

Consciência de pertencer a uma geração privilegiada que escreveria uma Constituição da


liberdade a partir do zero – novo recomeço da humanidade

Leitores da tradição greco-romana – reconhecer os limites das tradições anteriores e tentar


renovar

Thomas Jefferson

Declaração da Independência – opinião média de várias declarações – documento síntese da


opinião majoritária das lideranças

Liberdade como ausência de dependência

Questões:

1 – Os homens nascem iguais, possuidores de direitos tais como foram criados por Deus e esses
direitos são inalienáveis e são por si só evidentes.

Liberdade é igual e para todos e é auto evidente

Inalienável: não se pode entregar ou vender senão se perde a humanidade – é um fundamento,


princípio, verdadeira primeira.

2 – Propriedade não aparece na declaração como um direito inalienável

O direito de propriedade deve ser democratizado para garantir o direito de liberdade para todos

Declaração do direito público de felicidade – conceber a felicidade como exercício da liberdade

O bem comum/ direito público é melhor encontrado numa República

Não é possível viver a felicidade como direito privado

3 – Afirmação da Soberania Popular

Ideia desenvolvida por Montesquieu

Todos os poderes devem ser submetidos à vontade popular

Princípio da maioria
Sentido moral do público, do bem comum, da vida em comunidade que vem do ethos cristão.

Concepção praxiológica da política: homens vinculados a palavra e à ação durante a revolução


americana – não escreveram tratados. Buscar nos comentários, discursos, cartas, intervenções as
ideias dos autores.

Jefferson: Toda a pessoa maior de idade que não tenha terras seja intitulada (receba 50 acres)
para ela se tornar proprietária e cidadã.

Onde existam terras sem cultivo e pessoas desempregadas, isto é um atentado ao direito natural
– direito de propriedade deve ser submetido à liberdade concebida como relação com a
igualdade.

Democracias ocidentais estão produzindo desigualdades

Sentimento anti-aristocrático e anti-elitista

Democratizar a propriedade, o direito de voto e o exercício da cidadania.

Jefferson era contra a escravidão e teve relações com uma filha de escrava e foi proprietário de
130 escravos em sua fazenda – contradição da vida

Constituição de uma representação politica – apoiar a constituição de duas câmaras – formula o


direito de resistência – legitima a tentativa de insurreição armada – “ sangue dos patriotas e
tiranos” – todos os poderes devem se subordinar ao principio originário de legitimidade do
poder que é o poder do povo/soberania popular

Anti-federalistas: defesa da declaração de direitos

Senso comum

1 – fixar a ideia de República através da ideia de convocação de um congresso constituinte

2 – ideia de independência como uma necessidade absoluta – não há outra chance que não
derrotar os ingleses

T. Paine foi Eleito para a convenção francesa – se liga aos girondinos- entrega da chave para os
EUA – unidade das revoluções norte-americana e francesa.

Influencia sobre a declaração dos direitos do homem e do cidadão da Revolução Francesa

Importância do livro Os direitos do homem: principal obra em defesa dos direitos do homem
que forma a tradição moderna dos direitos do homem tal como foram formulados em 48.

Concepção universal dos direitos: vinculação entre liberdade e igualdade

Ideia de direitos humanos some no século XIX na Europa – Época do imperialismo

Questão do Haiti – momento mais radical da onda revolucionaria – país que asilou o Simon
Bolívar – Jacobinos apoiam a insurreição.

T. Paine vincula os direitos sociais pela primeira vez na história – previdenciários (do berço a
campa túmulo – garantia de emprego – auxilio aos velhos e crianças na escola) – 2º Direitos do
Homem
Direitos humanos não devem ser separados: direitos civis, políticos e sociais como foi durante a
guerra civil

Bobbio e Marshall contam uma história dos direitos que é inverídica – Primeiro direitos civis,
etc...

Primeiro tratado de direitos é social e da Philadelfia

Orfandade dos direitos humanos na formação da intelectualidade brasileira

Tradição norte-americana veio do liberalismo e do republicanismo – todo complexo e cheio de


ambivalências – formada pelos conflitos e composições entre tradições que se chocam ao longo
do tempo e em momentos chave a tradição republicana se apresenta (abolição, direitos civis,
luta contra a guerra do Vietnã, Bernie Sanders).

Formação de linguagem no século XIX

Pensar a sociedade polarizada no momento de discussão da Constituição – momento em que a


diferença aflora

Direitos humanos na Constituição?

Problema da escravidão?

Um país só ou uma federação de republicas?

Ensaio arendtiano – ênfase na experiência da liberdade sem levar em questão os conflitos


internos

Neoliberalismo recusa o republicanismo dentro da tradição - sectário

Nova constituinte: repactuar a sociedade a partir de seus pressupostos democráticos

Convocar uma reforma constitucional para reformar o sistema político

Perdemos o consenso mínimo civilizatório e democrático

Conflito social ascendente

Aula 26/09- Rousseau

Poeta: Charles Baudelaire

Participação nas lutas de junho de 1848

Grande inimigo do poeta: o tédio e a normalidade da vida

Livro do Bignotto: separar Rousseau do jacobinismo

Correntes que querem salvar o jacobinismo do terror e reabilitar a versão popular e radical da
revolução francesa
Separar Robespierre de Rousseau – falta ao primeiro o amor supremo pela liberdade

Rousseau está em todo lugar: como inimigo ou inspirador da Democracia – espectro em vários
autores e correntes filosóficas na teoria política

Livro defende que não é possível compreender o republicanismo democrático sem Rousseau

Rousseau não seria um defensor da liberdade positiva

Rousseau Republicano: vincá-lo com Maquiavel e com as tradições marxistas

Introdução ao Contrato Social

Na CP, Rousseau é tido como alguém complicado para a democracia.

Retiram extratos da obra de Rousseau sem contexto e não se consulta as tradições interpretativas

Rousseau é a favor da aprovação das leis gerais pelo voto direito, mas não é a favor da
democracia direta como forma de governo.

Cultor do bom selvagem contra os vícios da vida moderna: Levi- Strauss – Rousseau fundador
da Antropologia

Crítica da ilusão retrospectiva: compreender o homem antigo como se fosse um homem


moderno

História da moralidade, relação com a economia moral

Selvagem não é bom – não há moralidade e nem linguagem nesse estágio - ele age com base em
seus instintos – dissolução da ideia da sociabilidade natural do homem – se juntou
gregariamente para procurar as sobrevivências – não se pode derivar a política de certo instinto
natural de sociabilidade – problematização da relação entre o homem e a comunidade política –
o contrato social é uma convenção, artifício, contrato não é algo natural.

Rousseau é um jusnaturalista? – liberdade como direito natural – liberdade do selvagem ( não é


constrangido pela lei e age segundo seus impulsos ) liberdade do contrato ( liberdade moderna
baseada em um contrato de direitos e deveres entre os homens)

Manuscritos de Genebra – não se pode fundar o contrato social a partir das varias interpretações
de direitos naturais

CP moderna utiliza muito do vocabulário de Rousseau – distinção entre governo e Estado –


cidadão como portador de direitos e livre – servidor público – ideia da soberania popular –
conjunto de conceitos chave que derivam de Rousseau

Contrato não cumpre a função de passagem entre o estado de natureza e a sociedade civil –
Contrato social é recomeço da sociedade política – “ninguém está livre, estão todos dominados”
– como fundar a liberdade no mundo, sociedade onde os homens sejam livres? – refundação da
sociedade política em novas bases (Revolução) – nunca propôs revolução, embora dê ideias que
a legitimem – Todas as instituições que não legitimidade popular não tem validade – força não
cria direitos –
Direito natural – condição humana – sem o qual a condição humana se perde e se degrada –
piedade natural: espécie de compaixão intuitiva que sentimos diante de um semelhante –
contido pelo desenvolvimento do poder e da desigualdade – é o que sobra de direito natural em
Rousseau –

3º - interpretação de Rousseau como liberal excêntrico e contraditório

Moderno com cabeça na antiguidade – defende a liberdade mas legitima a dominação sobre o
homem

Ler Rousseau como um autor liberal leva a dificuldades porque não se consegue perceber a
coerência de sua obra

4º Rousseau é um proto-socialista

Rousseau foi um socialista em sua época sem capitalismo – protomarx –

5º Rousseau Totalitário - Isah Berlin – EUA

Rousseau prepara Robespierre – inimigo da liberdade – Hegel: ao não pensar as mediações da


liberdade, Rousseau preparou o caminho para o terror jacobino

Hegel: teoria da República se soberania popular

Kant: teoria da liberdade enquanto autonomia sem soberania popular

Estudar Rousseau dentro do republicanismo democrático

Rousseau está no centro do republicanismo democrático moderno – ideia de soberania popular e


autogoverno

Legitimidade ascendente do poder adquire caráter de conceito em uma teoria sistemática em


Rousseau –

Povo = Cidadania

Cidadão: faz parte do regime civil – retomar ideia de Aristóteles na “Política”

Não existe povo sem soberania popular

Não existe homem sem liberdade

Atentado ao homem é atentado à soberania popular

Foco da teoria: soberania popular

Falta do Rousseau: autor patriarcal: educação como forma de autonomia do homem e


subordinação da mulher ao homem – Emílio

Legitimação do patriarcado dentro de uma teoria da emancipação

Obra não faz parte da tradição do republicanismo democrático moderno

Limite de época condorcet defende os direitos políticos das mulheres


Rousseau formula um republicanismo democrático e patriarcal e continua com o republicanismo
cívico que não havia formulado a ideia de soberania popular

Falta um estudo profundo do diálogo entre Rousseau e Maquiavel

Republicanismo democrático é Rousseau + direitos das mulheres: qual é a consequência de não


desenvolver a liberdade das mulheres: relação entre publico e privado – sobrecarga do cívico –
liberdade se realiza também no plano pessoal – Separação do cidadão público e privado –

Rousseau é o primeiro filosofo a desenvolver argumentativa mente que toda a escravidão é


ilegítima, mesmo a da conquista – Revolução Haitiana é desdobramento do argumento de
Rousseau – ninguém tem o direito de não ser livre em uma República – liberdade é inalienável.

Um caminho para ler Rousseau – ver a obra como uma totalidade – crítica à civilização de sua
época – fundação da tradição romântica – crítica ao progresso e à razão que se distância da
moralidade e da natureza e que leva a corrupção do homem – Teoria do amor como sublimação:
melhor amor é aquele sobe as esferas porque não se encontra no mundo – Teoria da educação:
Emílio – Contrato Social vai ao centro das revoluções – dialogo com Rousseau está no centro da
formação a tradição alemã,de Marx e do feminismo moderno – formação de uma gramática de
conceitos – Historicizar o autor no século XVIII – papel formador da obra de Montesquieu em
Rousseau – não dogmatizá-lo: não formar uma igreja roussoniana –

O Contrato Social – principio de organização do livro – liberdade como fundamento de toda a


teoria política – parte de um tratado inconcluso

Critica ao plano internacional republicano do abade Saint Pierre – sem republica e sem cidadãos
não há republica internacional e nem paz – federação de republicas

Questão metodológica: pensar os homens tais como eles são e as leis como deveriam ser – não
quer produzir utopias – criticar a situação real e buscar possibilidade de mudanças – aproximar
o interesse do direito e a utilidade da justiça (Euvecius)

Rousseau defende que não se pode fundar a republica só pelo interesse - é necessário
moralidade e bem público - religião cívica

Conceito de Liberdade: a liberdade consiste menos em fazer a sua vontade do que não ser
submetido à liberdade de outro.

Há na zona de interesses particulares uma zona de interesses comuns – Bem comum - interesse
geral (público, comum, de todos).

Cidadão só é livre porque o outro é livre – relação simétrica de direitos e deveres – expressão
disso é através da vontade geral = manifestação dos cidadãos na votação das leis gerais

Interesse pessoal e interesse particular

Interesse geral x Interesse particular = pensar o interesse geral a partir dos interesses
particulares e vice versa

Problema da unidade: risco na teoria de Rousseau


Unidade não pressupõe homogeneidade – unanimidade é exigida apenas na formação do
contrato social, depois é por maioria – simetria de direitos e deveres entre maioria e minoria.

Rousseau esta interessado em estabelecer um fundamento de autogoverno que unifica, mas não
pressupõe homogeneidade.

Vinculação do principio de auto fundação ao principio de liberdade

Direitos têm que corresponder ao dever – liberdade e responsabilidade –

Labirinto de argumentos –

Liberdade é dever – liberdade dentro de uma republica democrática

Direito de resistência: Rousseau – todo contrato de dominação é ilegítimo – assimetria de


riqueza, poder, gênero – Tribunal para apelar contra a decisão – institucionalização da
contestação.

Propriedade: a terra é do soberano – legitimidade da ocupação: terra desabitada - direito de


subsistência, trabalho e cultivo. O uso da terra deve atender o interesse social – não é uma
sociedade igualitária de riquezas: o que ele quer é que haja uma sociedade em ninguém seja tão
opulento que possa comprar o outro e nem que ninguém seja tão pobre que tenha que se vender
ao outro.

Indisposição contra a sociedade mercantil – ethos mercantil não deve governar – critico da
economia política liberal (fisiocracia)

Se há desigualdade estrutural não há liberdade

Antimercantil sem ser socialista – terra não deve ser comum a todos - democratização da
propriedade e

Constituir cultura em comum com as pessoas diferentes – tornar a liberdade o principal valor
comum – permitir a diversidade

Questão de método – tratar o liberalismo como plural e não como algo homogêneo –
complexificar a visão de mundo e dar visibilidade às inteligências presentes em cada tradição

Discussão em suspenso – critica injusta

10/10 – Aula Feminismo e Teoria Política

Poeta: Maria

Novas cartas portuguesas

Feminista socialista

Geração de 68 e da revolução dos cravos de 1974

Campo do feminismo está se formando na CP


Mary Wollstonecraft – chegando no Brasil e na CP

Currículos são Genderblind – homo politicus domina a cena

Falta uma organização conceitual do feminismo na CP

Conceito de patriarcado na ciência política brasileira

Modo de entrada do feminismo na CP não está formulado

Como relacionar o feminismo com os conceitos fundamentais da CP?

Formular ordem histórico-conceitual do feminismo

Como o feminismo entrou na linguagem do republicanismo, do liberalismo democrático e o


socialismo democrático?

Feminismo radical arrogou para si um caminho próprio – é um desenvolvimento das linguagens


do feminismo na modernidade

Mary Wollstonecraft - Primeira sistematização do feminismo na modernidade como crítica em


Rousseau, propondo uma revolução feminista na política

Flagrar esse momento de primeira entrada sistematizada do feminismo na filosofia política

Olympe de Gourges – Primeira declaração universal do direito das mulheres

Se a mulher tem direito de ir ao cadafalso, também deveria ter direito de ir à tribuna.

Wollstonecraft teve uma filha que escreveu o Frankstein

Espaço da Revolução Francesa criou um espaço público de criação e destruição da ordem do


mundo que faz com que vozes feministas comecem a surgir

Obras de defesa da Revolução francesa em polêmica com Edmund Burke – assinou como se
fosse homem

Biografar o pensamento - utilizando-se comedidamente ajuda a contextualizar a formação do


pensamento do autor – lugar social da fala nos ajuda a compreender a própria fala – atribuir o
pensamento de um autor como expressão da classe social pode ser problemático

Antonio Candido – prefácio do livro do Sergio Micelli - Diferença entre servir no Estado e
servir ao Estado – exemplo de Carlos Drummond no Estado Novo elencado por Micelli como
aristocrata decadente – não se trata de fazer uma sociologia do pensamento atribuindo ao
pensamento o lugar do sujeito, mas a biografia nos ajudando a entender o contexto e as
motivações do autor.

Como entender o fenômeno de uma mulher libertaria e feminista no final do sec. XVIII na
Inglaterra? – as rupturas que ela opera na vida – classe média decadente –pai alcoólatra – grande
amiga – fundação de escola para meninas – encontro com o circulo republicano de Londres –
vai à Revolução Francesa se ligando aos Girondinos – tenta suicídio 2 vezes – morre no parto
com 37 anos – obra de escândalo para o século XVIII
Livro sobre educação das mulheres? – mais profundo do que isso – ponto central: questionar o
conceito patriarcal de que a mulher não pode ser cidadã. Ela não pode ser cidadã porque ela não
tem como formar uma razão autônoma e não pode ser moral – Rousseau: entrada da mulher na
política causa confusão e desorganização do corpo político

Provem que as mulheres não são capazes de usar a razão – se não conseguirem provar, a ordem
que os homens estão montando é imoral e injusta e não faz coro com a liberdade.

Desorganiza o núcleo do pensamento patriarcal que vinha desde os gregos e que excluía as
mulheres da politica e as tornava para sempre seres da minoridade, seres dependentes do
homem.

Desorganizar o sistema patriarcal no seu conjunto: política, educação, vida pessoal, moralidade
sexual, cultura de época – propõe revolução que repense toda a sociedade – questionar o direito
divino dos maridos assim como hoje se questiona o direito divino dos reis – ao privar as
meninas de educação, de cortar a educação delas, de privá-las de uma educação continuada, o
que os homens estão fazendo é formar uma identidade feminina própria para serem dominadas
- questão da educação

Desconstituir uma cidadã de direitos políticos –

Proposição: educação pública e mista para todos – final do sec. XVIII.

Coloca uma questão de longo curso na tradição feminista – “ninguém nasce mulher, torna-se
mulher” – identidade feminina deveria ser repensada a partir de sua autonomia e liberdade e não
imposta a ela – “ninguém nasce homem, torna-se homem” - “Simone de Beauvoir”.

Identidade faz parte do princípio da liberdade- início da desconstrução de gêneros fixados

Mary escreve contra a dominação das mulheres, contra a concentração de riqueza e contra os
poderes monárquicos e do clero – o feminismo dela não é um esforço solitário pelas mulheres –
reorganização de uma tradição de luta no republicanismo democrático e pela reorganização da
sociedade.

Ir aos infernos para defender a dignidade das mulheres – subverter as tradições do pensamento –
compreensão que se trata de uma longa revolução – processo de subversão da ordem

– politiza o privado – argumenta que as teoria do amor ensinada coloca a mulher no lugar de
dominada– contra o pensamento romântico e dos libertinos – formula uma ideia de uma
moralidade sexual vinculada a liberdade das mulheres – em geral, há a ideia que não se deve ter
moral sexual – sair das relações de dominação mesmo no plano da sexualidade e da vida
amorosa – aproximação da relação amorosa de liberdade e igualdade das relações de amizade

Simone de Beauvoir – pensamento da liberdade sitiada

Boaventura dos Santos – o que se faz de bom na teoria política está no feminismo

Feminismo: Reorganização conceitual profunda do campo da filosofia política desde Aristóteles


– divisão entre vida pública e vida privada – relação de homens e mulheres não estaria na
política – vida privada – polis é masculina –
Mary - Reorganização entre público e privado - nova organização social – direitos e deveres-
novos fundamentos para a legitimidade da política

Até quando a CP vai silenciar a mulher na política?

Carol Patemann

Desconstituir toda a ordem patriarcal da filosofia ocidental moderna -

Desconstrói Rousseau, Kant, Hegel, Marx, Freud até contemporâneos.

Tese do livro da Carol: Ao contrario do conceito de Max Weber, a modernidade formou-se


patriarcalmente, excluindo as mulheres do mundo publico e organização a exclusão das
mulheres do mundo publico e privado. Embutido no contrato social há um contrato sexual que
naturaliza a dominação dos homens sobre os corpos das mulheres.

Corpo nós temos, alma se discute.

Não se pode fazer politica sem corpo – contrato sexual embutido e silenciado, não visto pela
CP.

Democracias ocidentais até o final do séc. XX permitiam o estupro marital – o único dos
clássicos que não naturaliza a dominação das mulheres é Hobbes – Guerra dos homens e das
mulheres.

Mulheres são escravas dos homens – escravas como os negros – ideia força

Desconstituir as formas de legitimação contraturalista da dominação as mulheres através da


naturalização da dominação

Não é conquistar a liberdade dos homens, é formar outro conceito de liberdade.

Direito igual à liberdade

Ideia de contrato – não basta o assentimento para que o contrato seja livre, se ele for desigual.

Prostituição é incompatível com a liberdade por reproduzir a velha ordem contratual

Barriga de aluguel – livre contrato ou desigualdade?

Novas avenidas da liberdade precisam ser abertas através de uma nova história

Proposição de novos arranjos conceituais

Debate

Não existe política pública que não esteja lastreada em uma tradição de estudos acadêmicos

Aula 17/10 – Liberalismo democrático – Locke e Montesquieu

Liberalismo igualitário/político/ético X liberismo (liberalismo econômico)


Matteuchi – bobbiano: liberal ético – igualitário – político – keynesiano - socialista

Liberalismo-Social: Tradição fundada por John Stuart Mill – utilitarismo – desenvolveu teses
feministas e teses protosocialistas no final da vida – reconhecimento que falta ao liberalismo
uma ideia de justiça social e igualdade política para as mulheres.

Pensar a justiça social dentro do Liberalismo

Tradição forte na Inglaterra capaz de deter o avanço do marxismo – Partido Trabalhista inglês

Green e Halls e Casal Weeb – Liberalismo social inglês – formação da casamata do


Keynesianismo – Grande adversário do neoliberalismo na sua gênese (keynesianismo seria
inimigo da liberdade liberista)

Liberalismo: formação da modernidade

Crise do liberalismo mundial nos anos 40

Dificuldades conceituais:

1 – Historicizar o liberalismo desde sua gênese

2 – Dificuldades de compreender as diferenciações das matrizes de liberalismo

3-

Bobbio foi capaz de influenciar a política da Itália ao atrair o PCI para suas teses – intelectual
mais influente na política do seu próprio país na segunda metade do século XX – autor
positivista-normativista no Direito e realista-weberiana na teoria política

Socialismo-Liberal - Bode Viável – não pretende cruzar os dois bichos porque não vai dar nada

Do liberalismo a liberdade, do socialismo a justiça social.

Liberalismo teve dificuldade de se formar na Itália e Alemanha – presença do socialismo nas


áreas mais industrializadas

Liberais brasileiros se acomodaram nas relações políticas conservadoras e liberistas

Barrington Moore Jr. – As origens sociais da ditadura e da democracia

Diálogos com o verbete de Matteuchi

Não há tradição republicana autônoma no dicionário de política

Reforma, Iluminismo e Revolução francesa são pensados como parte da história do liberalismo.

Na maior parte do tempo, o liberalismo não foi democrático. Mas não existe democracia sem
liberalismo. Liberdade está no liberalismo.

1 – Vinculação do Liberalismo à liberdade, modernidade e democracia.

2-

3-
4-

Momento da luta pela liberdade – a história da liberdade é a história do liberalismo - principal


nuclear da democracia.

Não reconhece o Republicanismo como corrente autônoma e anterior ao Liberalismo – com o


conceito próprio de liberdade

Entre o liberalismo do Locke e a democracia moderna, não haverá diferença de qualidade, mas
sim de quantidade. (Houve incorporação e ampliação a um núcleo fundamental de direitos e de
liberdade já formulado). E a negação dos direitos às mulheres e trabalhadores? E a escravidão?
– tese difícil de ser comprovada.

Marshall – cidadania, classe e status social – primeiro civis, depois políticos e depois sociais.

Liberdade classista, racista, patriarcal original.

Como os autores de tanta dignidade moral podem considerar esse valor com esse juízo?

Autores inseridos no contexto histórico do liberalismo social – viveram a experiência do nazi-


fascismo (defesa da liberdade) – recusa da alternativa da URSS (não existe liberdade).

Tentativa de incorporar o valor ético da justiça social ao liberalismo

Paideia: paradigma formador de uma cultura

Afirmação de novos grupos reivindicativos corrigiram as insuficiências originais do liberalismo


a partir da afirmação do seu núcleo central da liberdade. (feministas, direitos civis, etc..)

Contexto que explica a diferença entre o valor e o juízo desses autores – conceitualmente, esse
juízo só pode ser compatível com esse valor a partir de uma ruptura analítica (cisão) que esses
autores fazem entre o liberalismo político/ético/igualitário e o liberismo. É assim que eles fazem
a compatibilização dos juízos éticos universais e o início do liberalismo.

Questão: é possível pensar o liberalismo sem seus fundamentos econômico-mercantis? É


possível separar uma coisa da outra?

Culto a um liberalismo de direitos, humanista que coloca num segundo plano as dimensões
mercantis.

Todos devem ter acesso às condições básicas para o exercício da liberdade

Locke afirma que a propriedade é maior do que o direito à vida

Força ética do liberalismo político: questionar elementos da base do liberalismo econômico

Liberistas: defesa do primeiro Stuart Mill – não do segundo protosocialista

Keynes: critica dos acumuladores de capital como patologia

Questões
1 – divisão entre liberalismo político de direitos X liberalismo econômico

Qual é a relação entre liberalismo e capitalismo? É uma relação de caráter contingencial-


histórico como quer Weber ou é uma relação consequencialista como certo marxismo vulgar
trata (Liberalismo como teoria reflexa da vitória econômica da burguesia no mundo) ou
afinidades eletivas entre o Liberalismo e ordem capitalista ou relação de organicidade entre a
formação das ideias liberais e a formação dos sujeitos políticos que lideraram a formação de
uma hegemonia e da ordem liberal (liberalismo como principio de civilização do capitalismo)?

Locke – protofundador do liberalismo – Locke não tinha consciência de se chamar liberal ou de


estar formando uma tradição. (ideia de formação de tradição vem do século XIX).

Não é aconselhável separar a teoria econômica de Adam Smith dos seus pressupostos
filosóficos

Adam Smith – liberdade de concorrência e competição segundos seus interesses – injustiça:


algo que quebra consenso e causa indignação entre os membros de uma comunidade – ideia de
fraca de justiça em Adam Smith – apenas exerce um contrapeso às ideias mercantis

Escola de Chicago: todas as instituições devem ser governadas a partir da ótica de mercado

Foucault: neoliberalismo como nova filosofia dentro da tradição liberal – Hayek: grande
pensador dessa tradição – não é atualização do pensamento de Locke e Adam Smith – é coisa
nova dentro do liberalismo – radicalização do principio da liberdade como ideia mercantil no
neoliberalismo – não é compatível com a democracia.

Bentham – nova filosofia do liberalismo – utilitarismo – teoria anti-tradicionalista – anti-


paternalista e orientada para o futuro de forma dinâmica – várias formas de liberalismo em
vários contextos históricos

Grandes Momentos Históricos:

Até 1930 – Liberalismo de Manchester

1930-1970 – Liberalismo social keynesiano

1970 – até hoje – hegemonia neoliberal

Isabelle Garo - Materialismo histórico é um liberalismo de sinal trocado

Direitos humanos são universais e interligados

Ideia universal e política da liberdade ou vamos esquartejar a liberdade?

Liberalismo X republicanismo

Relação tensa entre liberdade e igualdade

Soberania popular (Risco da facção da maioria)

Principio da propriedade deve ser submetido a um princípio público de regulação


Até 1848, são os republicanos que eram os adversários principais do Liberalismo. Depois surge
o socialismo e ocupa esse espaço.

Marx faz a crítica da filosofia de Hegel ( nem é justificação do Estado prussiano e já contem
elementos fortes da liberdade – monarquia constitucional e mercado) como crítica da teoria
política moderna: liberalismo.

Crítica à forma de liberdade concebida pelos liberais no mundo moderno até a construção sobre
o que deve ser a liberdade no mundo moderno em crítica ao liberalismo.

Recuperação do corporativismo por certo liberalismo social

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