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Fichamento – Escrita acadêmica: arte de assinar o que se lê.

Francisco Maykon Honorio Lopes

Em seu texto Fischer (2015), traz algumas indagações que movem a Escrita
acadêmica: arte de assinar o que se lê. Primeiro ponto é que as relações poderiam ser
pensadas entre a experiência da criação e da fruição estética e produção do texto
acadêmico. Uma outra questão ela nos traz na citação abaixo:

...a questões sobre possíveis cruzamentos entre pesquisa e marcas


autobiográficas do pesquisador. Em suma, proponho-me a pensar sobre
fronteiras, limites e aproximações entre arte, produção cientifica e
exposição de si mesmo. Jacques Derrida e Michel Foucault, entre
outros, orientam boa parte do debate, assim como Marilena Chauí e sua
leitura de Merleau-Ponty. (FISCHER, 2015, p. 1)

Em sua experiência a autora retrata que em muitos textos que é produzido por
estudantes de pós-graduação e da academia de maneira geral, lhe falta a paixão, como
Derrida convenciona como leitura assinada, essa falta de paixão talvez surja dos crivos
que muitas vezes a academia propõe ou do processo que necessário para fazer pesquisa,
para alguns fazer por fazer apenas, ou somente estar de olho no título recebido ou ainda
os louros que de certa forma algumas situações em que a escrita acadêmica se situa.

...o filosofo encontra a delicadeza e a força do ato de


escrever, como ato de alguém se mostrar, de meditar, de
fazer-se ver, de fazer aparecer para o outro e para si mesmo
o próprio olhar: escrever para constituir a si mesmo como
sujeito de ação racional... (FISCHER, 2015, p. 2)

A citação acima traz um exemplo claro do que a autora nos incita com seu
texto, a beleza e a delicadeza que é o escrever cm paixão, sem deixar que o fim corrompa
o meio que no caso é a escrita.
Fischer (2015) nos indaga com que cuidado anotamos o que lemos, com isso
ela pergunta como estou digerindo as ideias de um texto qual me proponho a ler e como
articulo as ideias com meu projeto de pesquisa, e se essa relação que faço não é algo
superficial, como relaciono o que o autor disse com algo de meu trabalho.

Ao utilizar um autor na escrita acadêmica, nós de certa forma o


reescrevemos, nós nos apropriamos dele e continuamos sua obra,
tencionamos os conceitos que ele criou, submetemos à discussão uma
teoria, porque a mergulhamos no empírico, no estudo de um objeto por
nós selecionado...(FISCHER, 2015, p. 2 e 3)
Fischer (2015) reforça o discurso que precisamos efetuar em nosso
referencial teórico, onde precisamos dialogar com os nossos autores para que possamos
fazer uma reflexão profunda acerca do que estamos pesquisando, essa talvez seja umas
partes difíceis de estudante de pós-graduação, confrontar ideias, articular pensamentos e
ainda ter que fugir dos clichês e das mesmices que é comum do ambiente acadêmico.

Segundo a autora reescrever um autor, apropriar-se dele e vasculhar em suas


formulações um ponto de encontro com nós mesmos, com aquilo que escolhemos como
objeto com aquilo em que nós investimos nossa vida, trabalho e pensamento. Ela também
menciona como podemos de diferentes formas traçar nossos caminhos para a apropriação
de um autor.

Fischer (2015) nos faz refletir que enquanto iniciantes a pesquisa devemos ir
mais a fundo em determinados textos, que não é interessante sermos meros reprodutores
de conteúdo, nos posicionar de maneira rasa e sem conteúdo e também escapar das
formulações e moldes prontos que a academia nos incita.

...podemos dizer que se paga mal a um orientador se nos constituímos


apenas como cegos- orientandos fiéis; também paga-se muito mal por
um livro que nos fará apenas leitores que papagueiam o lido, repetidores
dos "melhores momentos" de um autor, meros autores de recortes e
colagens de trechos que vamos encaixando numa escrita tecida de
alternâncias de fragmentos... nós selecionado...(FISCHER, 2015, p.3)

Ninguém está a sugerir obras-primas de criação literária e científica.


Apenas que nossas leituras e textos sejam ativos, performativos,
assinados. Que possamos, diante dos livros, das palavras de alguns
autores, dizer, escrever, pensar sobre – aquilo que ali nos seduz, que
nos faz vibrar, que nos encoraja a uma certa audácia de pensamento
sobre o presente que vivemos, sobre o tema de pesquisa pelo qual nos
apaixonamos, sobre a inquietação que nos mobiliza a realizar esta ou
aquela investigação, sobre um determinado problema, sobre o que "vai
mal" no campo da Educação e a respeito de que se faz urgente
perguntar. (FISCHER, 2015, p.4)

Também em seu texto Fischer (2015) traz algumas impressões de que talvez
o mais difícil seja os tempos em que estamos vivendo, e as leituras rasas, rápidas que
precisamos realizar, pois existe uma aceleração ao tempo atualmente, então talvez
precisamos descontruir um pouco esses sinais.
...especialmente para Derrida, o trabalho de desconstrução tornou-se,
na sua vida de pensador, professor, filósofo, algo diretamente
relacionado ao ato de discernir o que se oferece como pensamento
dogmático ou, ao contrário, como pensamento esterilizante; ao ato de
decidir e de escolher, a cada momento, e não "por princípio", nem por
um relativismo oportunista, que tal forma de pensamento, desse autor,
nessa circunstância específica, nessa construção particular, faz
diferença, mobiliza, produz reverberações em nós, faz imaginar a vida
de hoje de um modo novo, vibrante, questionador das coisas tal como
nos são dadas ou tal como as encontramos. (FISCHER, 2015, p. 5)

“...ao pesquisar, ao pensar, ao escrever, estamos investindo em nós mesmos,


numa espécie de exercício daquilo que os gregos clássicos entenderam como "arte da
existência"” (FISCHER, 2015, p.5). Neste trecho a autora nos convida a lançarmos mão
dos paradigmas acadêmicos rasos, esquecer as fórmulas pré-concebidas e pensar de
verdade, pensar sem medo, pensar com liberdade de tudo.

Segundo a autora em vários de nossos textos parece que somos apenas


clichês, que já são consolidados na academia, talvez com medo der sermos recriminas e
descriminados por alguns que já este por este mundo acadêmico a mais tempo e estão
seguros com suas ideias, que lhes parecem já estar acostumados, pensamentos diferentes
em alguns casos, causam desconforto aos leem.

A terrível história de Eichmann em Jerusalém, narrada por Hannah


Arendt, é elucidativa: o funcionário nazista cujo julgamento é
acompanhado pela filósofa chama-lhe a atenção não apenas pelas
atrocidades cometidas contra o povo judeu, mas pelo que naquela
pessoa se materializava como ausência de pensamento, como apego
cego aos clichês, às frases feitas. Arendt escreve que Eichmann, quando
lhe acontecia criar uma frase, apegava-se a ela, repetida à exaustão, até
transformá-lá em slogan, em palavras que ele buscava com o único
objetivo de obturar espaços vazios, ausência de expressão própria.
(FISCHER, 2015, p. 6)

Na citação acima a autora nos traz um exemplo de como a dificuldade ou


incapacidade de expressão tem correspondência direta com a incapacidade de pensar, me
parece nesses casos que o sujeito articula o pensamento de maneira diferente de se mesmo
como se fosse um outro, uma voz que manda comando para serem obedecidos.

Penso que a leitura e a escrita acadêmica precisariam, talvez, ter um


pouco o caráter de experiência, de modo que nós, escreventes e leitores,
pudéssemos nessa aventura fazer o exercício de pensar, estar
simultaneamente dentro e fora de nós mesmos, de viver efetivamente
experiências, no sentido de que as coisas que vivemos e produzimos
nos abram ao que naõ somos nos mesmos, vivendo algo que é ao mesmo
tempo atividade e passividade. (FISCHER, 2015, p. 7)
Toda esta discussão faz nos refletir como a autora sente o momento
acadêmico relacionado com os escritos, a tecnicidade pode roubar o lugar da arte do fazer,
inspirar, ao que se parece hoje estamos em tempos onde reinam os clichês técnicos, sem
grandes novidades, tempo de citar um autor ou filósofo de um pensamento extremamente
denso em discussões rasas, parece haver um certo modismos de autores.

Para Fischer (2015) o aparecimento e o desaparecimento de nos mesmos em


nossos textos acadêmicos trata-se da compreensão de que escrever, porém articulando
ideas semeadas de outra maneira, argumentos da “moda”, a critica da autora vem em cima
ser-mos criativos, ser nos mesmos, lançar mão dos autores da moda acadêmica, trazer
discussões com ideias articuladas, fugir das mesmices que por vezes a academia nos
impõem, sem perder a qualidade e cientificidade dos mesmos.

A proposta naõ é que mestrandos, doutorandos e pesquisadores agora


se tornem poetas, que o texto acadêmico num passe de mágica se faça
literatura. Não se trata disso. Penso que justamente no texto mais
honesto, mais simples, mais despretensioso que produzirmos lá poderá
estar viva essa dimensão da linguagem, apontada por Foucault, e da
qual vimos tratando neste texto. (FISCHER, 2015, p. 10)

A autora traz algumas questões que eu como aluno da pós-graduação, me faça


mais transgressor, das próprias leis da pós-graduação, mas claro no bom sentido, que seja
mais criativo em meus textos, que não tenha me de me lançar no mar das ideias, para que
meus escritos possam evoluir para mais do que já temos atualmente, se porém ficarmos
apenas nos clichês, nas repetições conforme a academia nos inspira, tudo continuará como
um grande marasmo.

Penso também que a atitude com a linguagem de que falo aqui diz
respeito não só ao texto lido em autores, ao texto que escrevemos, as
análises que realizamos. Diz respeito também aos documentos que
constituem nosso corpus de investigação, às entrevistas que fazemos,
aos diferentes dados que levantamos. Se deixamos de tomar as coisas
enunciadas como palavras referidas a estas ou aquelas coisas, a esta ou
aquela verdade, talvez possamos nos abrir a um tipo diferenciado de
escuta do outro, das práticas discursivas e não-discursivas de que
estamos tratando. (FISCHER, 2015, p. 10)

Fischer (2015) nos incitar com esse texto a aprimorar nossa capacidade
investigativa e criativa de modos diferentes, criativos e intuitivos, sem largar a
cientificidade necessária a ideia é escapar as a nossas previsões, a compor um quadro
complexo, rico e bem humorado, para que movimentemos o crescimento da escrita
cientifica diferente.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

FISCHER, Rosa Maria Bueno. Escrita acadêmica: arte de assinar o que se lê. In: COSTA,
Marisa Vorraber; BUJES, Maria Isabel Edelweiss (orgs.) Caminhos investigativos III:
riscos e possibilidades de pesquisar nas fronteiras. Rio de Janeiro: DP&A, 2005. p.117-
140.